Nelson Miguel Guerreiro Lourenço

MANUAL DE COMPOSTAGEM E VERMICOMPOSTAGEM NAS ESCOLAS

“Mudar o Presente, Garantir o Futuro”

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O conteúdo do seguinte Projecto é da exclusiva propriedade da Futuramb – Gestão Sustentável de Recursos. Caso pretenda o conteúdo do presente Projecto registe-se como Bioparceiro.

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A publicação do Manual de Compostagem e Vermicompostagem nas Escolas que colocamos à disposição, entre outros, de todos os que à Educação se encontram ligados, constitui, a par de diversos manuais e guias acerca da temática, mais um elemento no domínio da sensibilização e educação ambiental, procurando incentivar a uma curando maior preocupação e consequentemente uma maior participação nas questões relacionadas com a gestão dos resíduos, e consequentemente, com a qualidade ambiental. Como se sabe, um dos maiores problemas ambientais dos nossos dias é a enorme quantidade de lixo enorme (leia-se resíduos) que todos produzimos. se A compostagem e a vermicompostagem permitem, não só reduzir a quantidade de resíduos que de outra forma seriam depositados em Aterro Sanitário, mas também produzir um fertilizante orgânico utra (composto e vermicomposto) que poderá ser utilizado no solo. Este manual tem como objectivo incentivar as crianças a reciclar alguns dos resíduos produzidos no refeitório e no jardim das respectivas escolas, bem como aprenderem práticas como a compostagem e a vermicompostagem, tomando ao mesmo tempo contacto directo com a fauna envolvente nos processos. Através destes processos, estes resíduos são transformados num produto orgânico e estável, que poderá ser novamente utilizado no jardim da escola, como fertilizante e correctivo natural do solo. Contamos com o apoio e entusiasmo de todos para que este projecto seja um êxito e para que todos projecto juntos possamos construir um melhor ambiente. Com a publicação deste manual de compostagem e vermicompostagem, possibilitamos ainda que todos possam desenvolver em sua casa, apartamento ou quintal um sistema de compostag compostagem e vermicompostagem, bastando apenas um pouco de paciência e afinco. O nosso ambiente agradece! Para uma melhor compreensão, e sempre que surgirem dúvidas da parte do aluno, sugere sugere-se a presença de um professor.

“Mudar o presente, garantir o futuro”

Nelson Lourenço

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ÍNDICE

1. INTRODUÇÃO

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2. COMPOSTAGEM 2.1. Principais Noções sobre Compostagem 2.2. Porquê fazer Compostagem 2.3. Prática da Compostagem 2.3.1. 2.3.2. Material Necessário Modelo 8 8 9 9 12 13 15 16 17 17 18 20 21

2.4. Instalação do Compostor 2.5. Actividades que podemos desenvolver 2.6. Tipos de Compostores 2.7. Preparação dos Materiais 2.8. Perguntas Frequentes 2.9. Problemas Frequentes 2.10. Manutenção do compostor 2.11. O que se deve colocar no compostor

3.

VERMICOMPOSTAGEM 3.1. 3.2. 3.3. 3.4. 3.5. 3.6. Principais noções sobre Vermicompostagem Objectivos Fauna envolvida no processo O Vermicompostor Escolha do local de in instalação do vermicompostor Construção do Vermicompostor trução 24 24 25 25 26 27

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3.7. 3.8. 3.9. 3.10. 3.11. 3.12. 3.13.

Manutenção do Vermicompostor Problemas Frequentes O que se deve colocar no vermicompostor As minhocas Perguntas Frequentes Separação das minhocas do vermicomposto Vantagens da aplicação do vermicomposto

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ANEXOS

Glossário

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1. INTRODUÇÃO
químicas As características físico-químicas e biológicas de um solo influenciam em grande parte a qualidade final dos produtos e bens alimentícios provenientes das práticas agrícolas, pois as culturas só poderão ser produzidas em quantidade e qualidade se, além de condições climatéricas favoráveis tiverem à sua disposição durante os períodos de crescimento e desenvolvimento todos os nutrientes essenciais bem como fauna edáfica (macrorganismos – minhocas e insectos, e microrganismos – bactérias e fungos) nas proporçõ proporções adequadas, o que implica em muitos casos o recurso desmesurado de fertilizantes químicos e de síntese, fitossanitários de modo a aumentar (porventura) a fertilidade e a produtividade dos solos bem como a resistência a pragas e doenças. A lentidão generalizada de formação de húmus natural alizada (decomposição da matéria orgânica) para restabelecer a fertilidade de um solo, o elevado custo dos fertilizantes químicos e a contaminação consequente das águas e solo, têm conduzido à procura de outros fertilizantes pr produzidos biologicamente. Uma das opções de melhoria da qualidade do solo passa pela aplicação, na terra, ou directamente junto às plantas, do húmus produzido pelas minhocas ou vermicomposto.

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2. COMPOSTAGEM

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2. COMPOSTAGEM 2.1. Principais noções sobre Compostagem
A compostagem é um processo biológico através do qual microrganismos e insectos decompõem a matéria orgânica numa substância homogénea, de cor castanha, com aspecto de terra e com cheiro a floresta - o Composto. Este processo também decorre sem a intervenção do Homem. Na natureza os restos de animais e vegetais mortos são decompostos e transformados em húmus matéia orgânica húmus, estabilizada e resistente à decomposição No entanto, o Homem interfere neste processo decomposição. natural para que a matéria orgânica se decomponha mais rapidamente, nas melhores condições e com os melhores resultados. A Mãe Natureza encarrega se, de forma lenta e natural, através de macro e microrganismos, encarrega-se, de devolver a si tudo o que dela já fez parte – a isto chamamos de matéria orgânica, ou, num orgâni sentido mais abrangente, de húmus. A

compostagem pode ser entendida como um processo de degradação da matéria orgânica em condições controladas pelo Homem. Deste processo resulta assim, a formação de um produto – denominado composto e o

vermicomposto, de características muito próprias, omposto, capaz de ser um excelente fertilizante para plantas, hortofrutícolas e demais variedades cultivares. Possibilita ainda, a melhoria das características do solo, aumentando Possibilita, substancialmente a sua fertilidade, arejamento e retenção de nutrientes, quando adicionado. arejamento

2.2. Porquê fazer Compostagem
Ao fazeres es compostagem e, consequentemente, vermicompostagem estás a reciclar os restos de comida e resíduos vegetais da tua casa, escola, jardim ou horta, que teriam como destino final o Aterro Sanitário. Assim, ao reciclares esta matéria orgânica estás a produzir um fertilizante natural que não polui o solo com p produtos químicos e servirá também para as plantas da tua horta e/ou jardim cresçam saudáveis.

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O compostor é o recipiente onde é "armazenada" toda a matéria orgânica e é dentro dele que todo o processo de compostagem se vai desenrolar. Posteriormente, o con conteúdo do compostor é transferido para um outro depósito, o vermicompostor, no qual são melhoradas as características físico químicas do produto final, resultante da acção das minhocas. físico-químicas

2.3. Prática da Compostagem
O tipo de compostagem mais indicado para a tua escola é a compostagem doméstica. É aquela onde o processo é feito em pequena escala, dentro de recipientes pequenos (compostores) e não exige grande quantidade de resíduos orgânicos, sendo suficientes os produzidos na escola. Com a ajuda dos profes professores e da Futuramb, que fornece e auxilia na turamb, construção do compostor e do vermicompostor, podes construir uma horta biológica, utilizando como fertilizante o composto (húmus da minhocas) resultante dos resíduos produzidos. Podes ainda construir um compostor em tua casa, se o espaço o permitir, bastando contares com a ajuda e dedicação dos teus pais que, com certeza, te auxiliarão nessa tarefa.

2.3.1. Material necessário
Antes de se iniciar o processo de compostagem, é fundamental possuir um compostor fundamental e os resíduos necessários:

A

B

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C

D

Legenda: A: Compostor; B: Resíduos; C: Peneira; D: Termómetro; E: Forqueta de arejamento.

E

Outros utensílios necessários para iniciares a actividade são os seguintes:

Luvas de látex; Sacos; Ancinho; Regador / mangueira (água); Balde; Bloco de notas.

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Todos os materiais orgânicos são compostáveis, ou seja, todos eles podem sofrer degradação, sendo esta mais ou menos variável de acordo com a sua composição. Possuem uma mistura de carbono ( e azoto (N), conhecida como a relação C:N. (C) ), Para obter melhores resultados na pilha de compostagem recomenda recomenda-se que a relação C:N seja de 30:1, ou seja, 30 partes de carbono para 1 parte de azoto. no Os produtos que contêm carbono são em geral de cor castanha, como as folhas das árvores no Outono. Os materiais que contêm azoto são em geral de cor verde, como resíduos de cozinha e resíduos de relva. Em geral recomenda que para obter um balanço aproximadamente equilibrado recomenda-se ra entre os elementos carbono e azoto sejam utilizadas iguais quantidades de re materiais castanhos (carbono) e materiais verdes (azoto). Em baixo apresenta se uma pequena lista de exemplos de materiais castanhos e apresenta-se verdes que podem ser compostados.

Resíduos Verdes - Ricos em Azoto Estes resíduos são, geralmente, húmidos e podem ser os seguintes:

Folhas verdes; Ervas daninhas; Restos de vegetais (crus) e frutas; Restos de relva cortada; Borras de café; Sacos de chá; Casca de ovos (esmagada)*; Pão *; Flores.

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Resíduos Castanho - Ricos em carbono Estes resíduos são geralmente secos, e podem ser os seguintes:

Agulhas de pinheiros; Folhas secas; Restos de relva cortada secos; Casca de batatas; Palha; Resíduos resultantes de cortes e podas; Papel *; Serradura *.

* Estes materiais devem ser utilizados em quantidades limitadas porque se decompõem mais lentamente, visto serem bastante ricos em celulose e lenhina.

2.3.2. Modelo
O modelo que sugerimos serve os interesses de uma família que queira desenvolver esta actividade ou um estabelecimento de ensino que pretenda aderir ao Qualquer apresenta projecto das grande

FuturEscolas. situações

simplicidade de execução. A Futuramb irá colaborar com a Escola através da recolha de materiais que sirvam para construíres o compostor. Podes, se for caso disso, trazer material de tua casa.
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Um compostor é uma estrutura robusta de aproximadamente 1,0 m3 (1,0 m de altura x 1,0 m de comprimento x 1,0 de largura), apresentando inúmeros espaços para a circulação do ar, possuindo uma rede na base de modo a evitar a entrada de roedores e uma tampa para que se evite a entrada de água quando chove. O compostor de ser colocado deve sobre a terra, para que se facilite a entrada de organismos decompositores (bactérias,

minhocas, fungos, etc.) e facilitando a saída de águas de escorrência.

Exemplo de um compostor que podes construir na Escola ou no quintal em tua casa

Outros modelos de compostores são sugeridos posteriormente, como irás ver.

2.4. Instalação do compostor
Devemos colocar o compostor sobre o solo, debaixo de uma árvore, ou algo que proporcione alguma protecção, de modo a evitar temperaturas elevadas nos meses de maior calor e a chuva nos meses de Inverno. Não devemos utilizar madeira tratada para a construção do vermicompostor pois esta contém produtos químicos que podem ser prejudiciais aos microrganismos. Em climas quentes e secos, a localização ideal de um compostor deve ser debaixo de uma árvore, proporcionando esta sombra durante parte do dia, evitando a secagem e arrefecimento dos materiais dentro do compostor. De outro modo, em climas chuvosos e húmidos, o compostor deve ser coberto adequadamente devido ao facto do excesso de água atrasar a decomposição.

o 1º Passo - Escolha do local do compostor – o que deves ter em atenção

1. Fácil acessibilidade; 2. Debaixo de uma árvore de folha caduca;
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3. Protecção do vento; 4. Local que possui sol e sombra; 5. Solo que permita a infiltração da água da chuva.

O compostor deve ser colocado sobre o solo de modo a que possam ser introduzidos naturalmente organismos organismos. Se o compostor ficar exposto em demasia ao sol, deveremos ter em atenção a humidade, visto o composto poder secar em demasia. A grande maioria dos secar microrganismos não consegue sobreviver a temperaturas superiores a 70ºC., dificultando assim a decomposição.

o 2º Passo – Preparação do Compostor Devem ser colocados no fundo do compostor primeiramente, alguns ramos secos de compostor, , modo a permitir o arejamento do sistema. Em seguida, coloca se os materiais húmidos coloca-se como é o caso de restos de alimentos e folhas verdes. Estes materiais devem ser colocados em camadas para que o processo de compostagem possa ser mais rápido e elaborado da forma mais correcta. borado

o 3º Passo – Monitorização do processo de compostagem Durante o processo de compostagem, é necessário controlar alguns factores tais como a temperatura, a humidade, o oxigénio, o pH, os resíduos e a altura da pilha (entre 1,0m e 1,5m).

la • No que respeita à temperatura, é necessário controlá-la para que a mesma não exceda os 70ºC, pois a partir deste valor não só se eliminam os seres patogénicos como também se elimina a fauna microbiana responsável pela degradação dos resíduos. Saliente que o máximo admissível é os 65ºC; . Saliente-se

, • Quanto à humidade, é importante manter os resíduos suficientemente húmidos. Para se verificar o teor de humidade basta agarrar um pouco de composto e aperta apertase com a mão. Se a água existente no composto verter sob a forma de gotas isso significa que a humidade do composto é adequada, se por outro lado a água verter em fio significa que a humidade é excessiva;

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• Para que o processo de compostagem decorra correctamente há que existir oxigénio (meio aeróbio) para regular a presença do mesmo é necessário revolver aeróbio), a pilha do composto de forma periódica (pelo menos uma vez por semana). Para executar esta tarefa é indispensável possuir ferramenta que possibilitem revolver o ferramentas possibilite composto, tal como uma forqueta de are arejamento;

• O pH regula os teores de acidez de meio, sendo que os melhores teores para a sobrevivência dos microrganismos que degradam os resíduos se situam entre os 5 e os 8;

• Os resíduos são, obviamente, o alimento de que os microrganismos necessitam para poderem crescer, reproduzir se, e claro está, sobreviver. Devem sempre existir reproduzir-se, em quantidade equilibrada (relembrar relação C:N);

• A altura da pilha deve sempre seguir as dimensões do compostor, ou seja, possuir aproximadamente 1,0 m3 (1,0 m de altura x 1,0 m de comprimento x 1,0 de largura). ,0

o 4º Passo – Utilização do composto Após 3 a 4 meses do inicio do processo, o composto está pronto a ser utilizado, basta que:

• Possua um aspecto homogéneo; • Possua uma textura semelhante a terra; • Possua uma cor acastanhada;
• Não tenha cheiro (inodoro).

Pergunta: Como medes a temperatura do composto ao longo da sua maturação?

2.5. Actividades que podemos desenvolver
De modo a fazer a manutenção do compostor, sugere se a realização da seguinte sugere-se actividade:

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a) Insere o termómetro no interior da pilha de composto; b) Após 10 minutos, regista a sua temperatura num bloco de notas; c) Realizar medições de temperatura semanalmente ao longo de todo o processo, ao longo de cerca de 4 meses; d) Constrói, com a ajuda do teu professor de matemática um gráfico em papel milimétrico com o registo das medições; O eixo das abcissas terá os valores da temperatura e no eixo das ordenadas as datas da medição; e) Com a ajuda do professor, analisa o gráfico (utilizar, o Microsoft Excel); , f) Registar as diferenças observadas entre a compostagem e a vermicompostagem (processo que será abordado mais à frente).

2.6. Tipos de compostores
Como anteriormente foi referido, existem várias formas e, por conseguinte, vários materiais passíveis de ser utilizados para construir um compostor. Em seguida, apresentam apresentam-se os modelos de compostores mais vulgarmente utilizados:

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L e g

Legenda: A: Compostor de duplo balde; : B: Compostor de cerca; : C: Compostor de arame; :

D: Compostor de madeira triplo; : E: Compostor em plástico; F: Compostor em madeira unitário; : G: Compostor em bidon.

2.7. Preparação dos materiais
Para que o processo decor de um modo correcto e rápido deverás colocar os materiais no decorra compostor em várias camadas, iintercalando os materiais secos (folhas secas e ramos) com ntercalando materiais húmidos(estrumes e resíduos verdes).

Em primeiro lugar deves sempre colocar alguns ramos secos para que o oxigénio possa penetrar na pilha de compostagem. etrar Por cada vez que colocares materiais secos, deves adicionar água para manter a humidade. A última camada deverá ser sempre de materiais secos para evitar que a pilha perca temperatura e humidade, ou que até tenha humidade em excesso em caso de chuva.

2.8. Perguntas frequentes
Porque é que se deve realizar a compostagem?

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A matéria orgânica apresenta extrema importância para a fertilidade do solo, melhorando a textura, estrutura e fertilidade deste, e, indirectamente a sua produtividade. Além disso, representa um método de baixo custo.

Qual o tempo de dura duração do processo de compostagem? O tempo de duração é variável, dependendo ainda assim da utilização final – plantação ou protecção de árvores e arbustos – mulching. A partir do momento em que se controlem rtir todos os parâmetros essenciais, o composto encontra-se produzido em 1 ou 2 meses. se Em sistemas de vermicompostagem, ou, de outra forma, após os resíduos compostados serem introduzidos num vermicompostor em 3 – 6 meses as minhocas processam os resíduos em húmus de minhoca (vermicomposto). O tempo de duração da compostagem, depende também, da fauna envolvida no processo.

Qual a fauna envolvida na compostagem? Da fauna fazem parte as bactérias e os fungos entre outros, em que cada qual possui intervalos de temperatura adequados ao crescimento e desenvolvimento.

Quais os benefícios da compostagem? A compostagem permite que valorizes grande parte dos resíduos (lixo) que é produzido pelo Homem. Dele faz parte o lixo orgânico que pode ser valorizado e não ser levado para Aterro Sanitário. Com o composto aumentamos o tempo de vida útil dos Aterros.

2.9. Problemas frequentes
Em seguida apresentam se os problemas mais frequentes associados ao processo de apresentam-se compostagem, as suas causas, bem como as soluções propostas para a resolução dos mesmos:

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Problema

Causa

Solução

Adiciona mais materiais ricos em Processo lento Os materiais que foram adicionados ou são muito ricos em carbono ou muito grandes azoto Deves regar – existe falta de água Aumentar as dimensões da pilha do compostor Excesso de água Cheiro desagradável Falta de oxigénio Adiciona mais resíduos castanhos Revira a pilha de compostagem

Presença d restos de carne, peixe, ossos, fritos ou gordura Presença de pragas

Retirar estes materiais

Aumentar as dimensões da pilha Pilha muito pequena Arejamento insuficiente Temperatura muito baixa Excesso de humidade Demasiados materiais ricos em carbono Adicionar mais materiais ricos em azoto

Pilha demasiado grande

Diminuir o tamanho da pilha

O arejamento é insuficiente Temperatura muito alta

Revirar a pilha

Demasiados materiais constituídos por azoto

Adicionar mais materiais ricos em carbono

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2.10. Manutenção do compostor
Depois de devidamente escolhido o local de instalação do vermicompostor adequado às circunstâncias do local e dos objectivos pode ser dado início à colocação dos resíduos dentro do mesmo.

a) No fundo do compostor colocar ramos grossos de forma aleatória para impedir a compactação dos resíduos a colocar, permitindo um correcto arejamento no compostor, bem como teores de humidade adequados; , b) Seguidamente, colocar uma camada de 5 a 10 cm de materiais castanhos; c) Colocar ainda, composto já pronto e um pouco de terra, de modo a introduzir organismos; d) Colocar, por cima, uma camada de resíduos verdes, como por exemplo, relva verde, restos de hortaliças e legumes, etc.; e) Cobrir esta última com uma camada de resíduos castanhos, não adicionando mais terra; te resíduos que adicionas-te já contém grande número de te Lembra-te que mesmo os res organismos para iniciar o processo de compostagem; Ter em atenção que o adicionar de mais terra irá compactar os resíduos, reduzindo o volume útil do compostor; f) Regar cada uma das camadas de forma a manter os teores de humidade desejados. Realizar o teste da esponja.

Teste da esponja: O teste da esponja consiste em espremer uma pequena quantidade de resíduos a compostar. Se a tua mão ficar húmida, mas não pingar, a mistura terá humidade suficiente. Se escorrerem algumas gotas a mistura terá humidade em excesso.

g) Repetir todo este processo a se atingir 1 m de altura. As camadas podem ser até adicionadas de uma de entre duas maneiras:

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À medida que os materiais vão ficando disponíveis; Todas de uma só vez. h) A última camada a adicionar deverá ser sempre de resíduos castanhos, uma vez que são estes que irão diminuir os possíveis problemas com maus adores; i) Após ser obtida uma pequena quantidade de composto este pode ser introduzido nas minhocas, continuando o processo – vermicompostagem ou, em alternativa, ser adicionado ao solo, uma vez por ano, na altura das sementeiras, na Primavera ou no Outono. Sugerimos ai ainda que aproveites o composto que produzis-te para colocar na horta te p biológica da tua escola.

2.11. O que se deve colocar no compostor
No quadro seguinte, estão indicados alguns dos resíduos que produzes na escola e na tua casa e, também, quais deles podes ou não colocar no compostor:

Resíduos
Hortaliça Cascas de frutas Cascas de ovos Café Pão Cascas de batatas Comida (cozinhada) Carne / Peixe Ossos / Espinhas Excrementos de animais herbívoros Aparas de relva Folhas / ervas Cinzas / lenha Cinzas / beatas de cigarros

Colocar

Colocar em menor quantidade

Não colocar

1)

3)

2) 2)

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Ramos / arbustos Palha / feno Caruma Papel / cartão
Serradura Cortiça

2) 2)

4)

Legenda: 1) Esmagadas; 2) Cortar em pequenos pedaços; 3) Tapar com terra; 4) Cortado e molhado.

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3. VERMICOMPOSTAGEM

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3. VERMICOMPOSTAGEM 3.1. Principais noções sobre vermicompostagem
A vermicompostagem não é mais que um processo no qual as minhocas (na sua grande maioria) e outros seres intervêm no processo normal (controlado por ti) de degradação da matéria orgânica, ou seja, da compostagem. A vermicompostagem é, portanto, um complemento do processo de compostagem,

promovendo uma qualidade superior ao produto final, o húmus de minhoca – estável e de pH neutro, em resultado dos excrementos das minhocas, ricos em nutrientes e fauna microbiana. Qualquer um de nós pode realizar vermicompostagem, devolvendo ao solo a matéria orgânica de que este tanto necessita, bastando apenas um pouco de paciência e dedicação! A vermicompostagem pode ser realizada em:

Grandes unidades de cará carácter industrial; Em sistemas de vermicompostagem caseira; Na tua escola (quer no exterior como no interior); Em ecossistemas agrícolas. mas

A vermicompostagem também denominada lombricompostagem ou compostagem realizada quase exclusivamente por minhocas pode ser realizado ao ar livre, num jardim ou num quintal, mas claro está, em qualquer habitação ou apartamento, ou até mesm em salas de aula ou mesmo de estudo. Para o processo de vermicompostagem nas escolas é indicado o método da vermicompostagem em caixas ou embalagens de reduzido volume, uma vez que um processo em leiras ou canteiros necessita de maior espaço disponível.

3.2. Objectivos
Para realizares vermicompostagem deverá cumprir os seguintes passos:

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1. Escolha do local onde será instalado o vermicompostor; 2. Escolha do vermicompostor; 3. Construção/aquisição do vermicompostor; 4. Alimentação das minhocas; 5. Muda de cama e recolha do vermicomposto (composto originado na vermicompostagem e constituído pelos excrementos de minhocas); 6. Responder às seguintes perguntas:

a) Qual as principais diferenças que encontras entre a compostagem e a vermicompostagem? b) Planta uma alface, couve, feijão verde ou uma planta aromática utilizando o composto e o vermicomposto obtidos. Observa as diferenças.

3.3. Fauna envolvida no processo
A espécie Eisenia Foetida é reconhecida facilmente como minhoca vermelha da terra. Encontra-se em terrenos húmidos e é muito frequente nas zonas rurais portuguesas. Uma se minhoca vermelha gera, em condições óptimas, cerca de 1500 crias por ano. Esta minhoca consegue adaptar se às mais variadas condições, sendo a preferida por quem adaptar-se realiza vermicompostagem.

3.4. O Vermicompostor micompostor
Para a construção de um vermicompostor pode ser utilizada uma gaveta velha ou até um aquário, ou, se quiser fazer algum investimento, construir uma caixa em madeira ou adquirir uma de plástico em qualquer estabelecimento. O vermicompostor deve possuir orifícios para a circulação do oxigénio, dado que as minhocas e os microrganismos necessitam deste para sobreviver. Assim sendo, faça uns furos com um berbequim da tampa e nas zonas laterais da caixa. Os furos devem ser de tamanho tal que não permitem a entrada de moscas e outros insectos. Também pode ser permitem utilizada uma rede para esse objectivo. As minhocas alimentam se de baixo para cima, de modo que o vermicompostor ideal deve alimentam-se possuir muito maior superfície em relação à altura, de modo que a degra degradação dos resíduos seja facilitada.

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No teu caso, a Futuramb disponibiliza um vermicompostor em madeira para que possas realizar vermicompostagem.

3.5. Escolha do local de instalação do vermicompostor
O vermicompostor, qualquer que seja o material que sirva de construção, deve ser um local apropriado para a reprodução e crescimento das minhocas, apresentando as características enunciadas:

• Humidade; A humidade possibilita a realização das trocas gasosas entre o meio e a pele da minhoca, razão pela qual deve ser regularmente controlada sendo o valor ideal em torno dos 30%. As tiras de jornal humedecidas são a melhor forma de manter o meio húmido adequadamente. • Luminosidade Luminosidade; As minhocas são fotofóbicas, isto é, detestam a presença da luz. Assim s sendo, o vermicompostor deve encontrar se abrigado da luz, frio e calor, devendo ser colocado encontrar-se à sombra (temperatura entre os 15 e os 30 ºC). • Localização Se o vermicompostor se encontrar no exterior, a área deve ser ligeiramente inclinada de modo a evitar o encharcamento no Outono e Inverno preferencialmente;

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Facilidade em termos de acessos (se o vermicompostor se situar no exterior). exterior)

A escolha do local para colocação do vermicompostor deve ser criteriosa, nomeadamente em relação aos vários factores que influenciam o metabolismo das minhocas. Estes factores dizem respeito à sua capacidade, devendo ser adequada à quantidade de resíduos que pretenda valorizar; ao espaço disponível e aos custos que envolvem todo o processo. Tudo isto deve ser contabilizado. A título de exemplo, em caso de utilizar madeira não tratada, o tempo de duração do vermicompostor fica reduzido para 4 a 5 anos, apodrecendo a madeira devido à humidade. apodrecendo Sendo assim, um vermicompostor em plástico apresenta se como a solução mais vantajosa. apresenta-se Ainda assim, apresentam três soluções: apresentam-se

Canteiros em alvenaria, madeira; Canteiros aproveitando fluxos de resíduos, nomeadamente pneus usados; Vermicompostores posicionados na vertical, modelo “Ninho box”. box” Constituídos por diversas caixas posicionadas na vertical; onstituídos Vermicompostores em madeira, plástico ou vidro; Devem apresentar maior área superficial relativamente à altura. maior

3.6. Construção do vermicompostor
Para construíres o vermicompostor deves es deves:

1. Forrar uma mesa com jornal ou cartão; 2. Calçar luvas de látex; 3. Com um berbequim, fazer vários furos no topo (tampa) e lados da caixa de modo a existir ventilação e no fundo para que o excesso de água possa ser eliminado e guardado (convém ser o teu professor a fazer os furos);

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4. Juntar 3 ou 4 chávenas de terra num canto da caixa. Esta solução possibilita inocular inocular, ainda, o sistema com macro e microrganismos que ajudarão as minhocas na degradação microrganismos dos resíduos introduzidos no vermicompostor. Chamamos de simbiose ao processo que possibilita o ajudar à digestão das minhocas. Tais poderão ser centopeias, bichos de conta, aranhas, formigas, fungos, bac bactérias e actinomicetes;

ainda, 5. Pode-se, ainda adicionar de forma alternada a cama de minhocas de outro vermicompostor que já se encontre em actividade; 6. De modo a evitar o ataque de predadores (se o vermicompostor se situar no exterior), aconselha-se a colocação de tela ou rede sombra. Contudo, os vermicompostores se cedidos pela Futuramb apresentam uma tampa que possibilita a protecção das minhocas contra predadores; 7. A dimensão dos orifícios deve ser suficiente que não permita a passagem de moscas e outros insectos; ; utilizando-se 8. A cama das minhocas deve ser construída utilizando se tiras de papel de jornal com aproximadamente 2 a 3 cm de largura. Estas tiras devem ser bem amarrotadas e humedecidas sendo a proporção exacta de 1 parte de jornal para 3 partes de água. O humedecer é feito mergulhando o jornal em água retirando o antes que ele ensope. retirando-o Devem ser evitadas tiras de jornal que possuam tinta visto as minhocas acumularem metais pesados, sendo estes tóxicos também, para o vermicomposto. tóxicos,

3.7. Manutenção do vermicompostor
Para fazeres a manutenção do vermicompostor deves ter o seguinte material:

Peneira, de modo a se poder obter vermicomposto; obter-se Balde e coador, de modo a obter o bionutriente ou chá de vermicomposto; obter-se Luvas de látex, para podereres manusear as minhocas; Ancinho, de modo a poder remove a cama; Pequena pá, para poder podereres recolher o húmus produzido;

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Regador, para poder podereres molhar a cama das minhocas; Pulverizador, para poder podereres molhar as minhocas; Termómetro, para medir a temperatura da cama; medires Resíduos.

Observação
Restos de alimentos, de origem vegetal (os de origem animal poderão libertar odores desagradáveis).

• O alimento – resíduos orgânicos As minhocas alimentam se de quaisquer tipos de vegetais desde que cortados em alimentam-se pedaços. Contudo, não devem ser adicionados ao vermicompostor produtos de natureza animal. O grau de humidade da cama de minhocas deve ser regularmente controlado. Se as minhocas se acumularem nas zonas superiores é sinal que existe excesso de água, s sendo necessário retirar a tampa de modo a que evapore alguma. Se, pelo contrário, as minhocas se acumularem no fundo, deve ser adicionada água, borrifando a cama.

• Renovação da cama das minhocas A cama das minhocas deve ser renovada todos os meses, ou sempre que necessário as para que se evite que as minhocas se alimentem apenas dos seus excrementos, que lhes são tóxicos.

• Humidade A minhoca respira através da pele sendo o oxigénio fornecido pela água. Assim sendo, é fundamental que o meio se encontre com a humidade adequada, nunca em excesso nem em falta.

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3.8. Problemas Frequentes
Frequentemente poderão surgir problemas no teu vermicompostor, com os quais terás de lidar com paciência e espírito crítico. Assim sendo, terás de saber identificar a causa do problema para que possas dar uma solução adequada. No quadro abaixo indicamos os problemas mais usualmente encontrados os em vermicompostagem e as soluções para os resolver:

PROBLEMA

CAUSA

SOLUÇÃO

Deves renovar a cama; junta mais tiras de Minhocas acumulam-se nas camadas se superiores do vermicompostor; cama muito húmida Excesso de água jornal secas e não adicione comida com muita água, como o melão ou o tomate por exemplo

Minhocas acumulam-se no fundo do se vermicompostor; cama muito seca (ou seja, se não escorrerem gotas de água ao espremer um punhado de matéria orgânica do vermicompostor) ostor) Falta de água Borrifa a cama com água

Interromper a adição de alimentos e revolver bem a cama. Odores desagradáveis Cama com falta de oxigénio Adição de alimentos em excesso Retira cebolas e bróculos se os tiveres, pois estes não cheiram bem quando decompostos

As minhocas começam a alimentar alimentar-se dos seus próprios excrementos, sendo tóxicos para elas

Pouca comida Cama precisa de ser mudada

Adiciona mais resíduos Renova a cama

Excesso de resíduos no vermicompostor Adição de comida em excesso Presença de moscas e outros insectos

Interrompe a adição de comida e revolve o material

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Cheiro a bafio

Alimentos difíceis de compostar, como carne, peixe, lacticínios e gorduras

Não deixes estes resíduos no vermicompostor

Colocar uma taça com vinagre juntamente com uma gota de detergente de louça perto do vermicompostor Não adicionar muitos citrinos (laranjas e Decomposição lenta Aparecimento de moscas e outros insectos pH muito ácido (excesso de laranjas ou limões) limões) Coloca o vermicompostor ao ar sem luz directa a incidir no mesmo durante3 ou 4 horas. Retira as minhocas e faz uma nova cama

3.9. O que se deve colocar no vermicompostor

Resíduo

Colocar

Colocar Pouca Quantidade

Não

Restos de alimentos cozinhados

x

Restos de carne e peixe

x

Ossos e espinhas x

x

Restos de legumes

Cascas de ovos

x

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Cascas de frutos

x

Ovos

x

Restos de alimentos com gordura x

x

Pão

Café e borras de café

x

Sacos de chá

x

Cascas de noz ou outro fruto seco

x

Relva

x

Folhas secas

x

Cabelo

x

Leite, iogurtes, manteiga ou queijo

x

Plantas contaminadas com doenças ou insectos x

x

Papel

Serradura

x

Cortiça

x

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Palha e feno ha x

x

Ramos e arbustos

Flores

x

Aparas de madeira

x

Cinzas

x

3.10. As minhocas
O filo Annelida é constituído aproximadamente de 8700 espécies, agrupados em 3 classes: Polychaeta, Oligochaeta e Hirundinea. As minhocas, pertencentes ao filo Annelida, são animais caracterizados por apresentarem uma nítida segmentação ou metamerização externa e interna, incluindo músculos, nervos e órgãos circulatórios (quer excretores quer terna reprodutores). As minhocas possuem também 5 pares de corações e 1 par de rins e o sangue percorre todo o corpo por 5 vasos sanguíneos e ca capilares. Consomem diariamente, aproximadamente o seu peso em alimento (1g no estado adulto), expelindo através do ânus 60% do alimento consumido. A sua respiração é feita através da pele, através de ramificações capilares (respiração cutânea), daí a necessidade de humidade suficiente no substrato. A minhoca é fotofóbica, tendo, portanto, necessidade de se afastar da luz solar, natural ou artificial. Exposta ao sol po alguns minutos, ela morrerá. Não possuem visão nem audição, por audiç mas são sensíveis ao tacto. Quando seccionada na parte dianteira até o nono anel, a cionada minhoca tem a capacidade de auto auto-regenerar-se (regenerando totalmente a sua parte se posterior). Quando o ambiente e a temperatura são favoráveis, a reprodução das minhocas dura durante quase todo o ano, principalmente nos períodos quentes e húmidos e, principalmente preferencialmente, à noite, podendo nessa altura serem vistos os casulos.

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O seu ambiente não deverá encontra se nem seco nem húmido em excesso. encontrar-se Cada minhoca, em condições ideais, pode deixar de 100 a 140 descendente num ano. descendentes Levando em consideração que as suas filhas e netas também procriarão, podemos afirmar com absoluta convicção que, num ano, uma minhoca pode ter até 1500 descendentes! Incrivél não é? s nec As minhocas são hermafroditas incompletos sendo, portanto, necessário que duas se acasalem para que os ovos de ambas sejam fecundados, pois não existe auto auto-fecundação. A cada sete ou dez dias, ou de três em três dias, cada minhoca produz um casulo com o formato de um pequeno grão (da qual saem as suas crias Dentro de cada casulo, existem crias). entre 2 a 15 ovos, podendo ter sido fertilizados ou não. O período de incubação pode variar entre os 10 a 21 dias, se as condições do meio forem favoráveis. Caso contrário, os ovos não eclodirão, o que só ocorrerá quando, naturalmente, as condições forem propícias para o naturalmente, propíc seu desenvolvimento. Aquando do seu nascimento, as minhocas são brancas, passando a ter a cor pela qual são conhecidas à medida que se forem alimentando. A maturidade sexual é atingida entre os 60 e os 90 dias de iidade aproximadamente. dade Embora a minhoca possua estrutura frágil, ela pode remover material (terra e demais resíduos) em quantidade até 60 vezes o seu próprio peso. Esse movimento constante proporciona ao solo um aumento da sua porosidade e permeabilidade, a mesmo tempo ao que o torna mais macio, arejado, solto e leve, melhorando fisicamente a sua estrutura e composição, Este movimento torna então, mais fá o seu manejo para cultivo. Nesse solo, a penetração fácil das raízes e da água é facilitada, o que possibilita um desenvolvimento maior das plantas, possibilita originando melhores condições para revolver o solo e como ma maiores índices de produtividade. A minhoca possui a capacidade para ingerir diariamente uma quantidade de alimento igual ao seu próprio peso.

3.11. Perguntas Frequentes ntas
• Quais as espécies mais utilizadas em vermicompostagem? A espécie mais vulgarmente utilizada nos processos de vermicompostagem, é a Eisenia Foetida. Esta espécie pertence ao filo Anelidea e é conhecida pelo nome de etida. minhoca vermelha da Califórnia, muito embora o seu nome verdadeiro seja minhoca do estrume ou dos resíduos orgânicos. Nesta espécie incluem incluem-se as subespécies
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Eisenia foetida foetida e Eisenia foetida andrei e são as que melhor se adaptam aos climas temperados. A Eisenia foetida andrei é conhecida pela minhoca do terriço, de cor vermelha e comprimento no estado adulto entre os 50 e os 90 mm. A Eisenia foetida foetida ou a minhoca zebrada do estrume, possui comprimento superior à primeira, apresentando em cada anel uma banda vermelha alternada com uma zona pigmentada.

Que factores não são desejados pelas minhocas? Todas estas condições devem ser controladas da melhor forma de mod a possibilitar modo o seu correcto crescimento e desenvolvimento. Valores de pH compreendidos entre 6,5 e 7,5 são considerados óptimos. Contudo, a minhoca tolera valores de pH compreendidos entre 5,0 e 9,0 embora com prejuízo na sua actividade, quando fora deste intervalo óptimo.

1. Luz As minhocas são anima s fotofóbicos, isto é, são sensíveis à presença de luz, animais procurando sempre ambientes escuros. As radiações ultravioleta matam as minhocas em pouco tempo. 2. Temperatura Acima dos 40 ºC as minhocas morrem rapidamente e abaixo dos 15 ºC o seu metabolismo baixa bastante, perdendo bastante peso e a sua actividade reprodutora é inibida ou reduzida. Abaixo dos 0 ºC a minhoca congela e morre visto o seu corpo ser constituído maioritariamente por água. O intervalo de temperatura ideal para a sua sobrevivência situa entre os 18 ºC e situa-se os 25 ºC. 3. Humidade e Oxigénio O corpo das minhocas é composto por aproximadamente 80 % de água e para que composto o seu movimento seja facilitado é necessário que o meio que a rodeia tenha um teor semelhante a este. Para teores de humidade demasiado baixos existirá a compactação do meio, existindo então falta de oxigénio, dificultando o metabolismo oxigénio, destas, visto a sua respiração ser feita através da pele. Humidade e oxigénio estão intimamente ligados e devem portanto, ser correctamente controlados!
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4. Nutrientes As minhocas não suportam meios com elevado teor de azoto am amoniacal. O estrume fresco de galinhas, por exemplo, não são colonizados inicialmente pelas minhocas, sendo necessário uma compostagem prévia, passando a existir uma temperatura mais adequada. Resíduos domésticos, como frutas e hortofrutícolas, misturados c com materiais ricos em celulose (como por ex. folhas secas) fornecem um excelente meio para a colonização das minhocas. Carne e lacticí lacticínios não deverão ser utilizados, devido ao seu elevado teor em gordura, dando origem a odores desagradáveis em resultado d decomposição e da por ser alvo também, de atracção de insectos e roedores. alvo, Os dejectos de animais (cães e gatos) poderão conter microrganismos patogénicos, sendo potencialmente nocivos para a saúde humana.

• Qual o destino a dar aos grãos e borras de café? Pode colocá-los no vermicompostor. As minhocas adoram o café, sendo muito útil los quando deseja separar as minhocas do vermicomposto. Pode atraí atraí-las colocando uma camada na base da pilha de compostagem.

• Qual o tempo de vida de uma minhoca? Uma minhoca pode viver até um ano. Contudo, se as condições lhe forem favoráveis pode viver ou até ultrapassar os cinco anos. Devido a ser constituída maioritariamente por água, quando morre, o seu corpo rapidamente é degradado.

vermicompostor? • Será benéfico existirem insectos no vermico Existe uma grande diversidade de organismos que podem interagir com as minhocas no processo de degradação da matéria orgânica. Essa diversidade de fauna inclui bichos de conta, formigas, aranhas, centopeias e lesmas. Todos são solução. Contudo, as moscas da fruta são fruto da presença de excesso de citrinos, sendo aconselhado não os colocar em demasia.

• Que cuidados deveremos ter com as minhocas?

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As minhocas necessitam de humidade, oxigénio e alimento (nutrientes) para poderem sobreviver. Todas estas condições devem ser controladas da melhor forma. São muito sensíveis à luz, sendo designadas por fotofóbicas.

•É necessário adicionar minhocas a um compostor? Não. A compostagem numa pilha acontece com ou sem estas. Contudo, com a presença destas, a qualidade final do composto produzido aumenta de qualidade em resultado da relação simbiótica que as minhocas estabelecem com os microrganismos aumentando o teor de substâncias húmicas e diminuindo a granulometria final.

3.12. Separação das minhocas do vermicomposto
As minhocas podem ser separadas do vermicomposto através de alguns métodos. Em seguida apresentam os principais métodos de separação: apresentam-se

Método da migração; Método do b étodo balde; Método da luminosidade; Método da separação manual.

Método da migração Arrasta-se todo o conteúdo do vermicompostor para um dos lados da caixa. Na se metade que fica vazia põe põe-se uma nova cama e começa-se adicionar comida ou se borras de café só a esse lado. Ao fim de um tempo as minhocas já migraram do composto para o lado fresco. Este método é lento mas exige pouco trabalho. É o mais aconselhável para quem tenta separar composto e minhocas pela primeira vez. Método do balde Despeja-se todo o conteúdo do vermicompostor num balde e adiciona um pouco de se adiciona-se água fria. As minhocas não terão problemas durante 1 ou 2 minutos. De seguida, passa-se o conteúdo do balde através de um coador para outro balde. O líquido se
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coado chama chá de composto e, como anteriormente foi referido, pode ser usado chama-se para regar as plantas, após diluição. As minhocas, a cama e a comida não degradada são colocadas de novo no vermicompostor;

Método da luminosidade Dispõe-se o composto em pequenas pilhas e co se coloca-se uma luz forte por cima durante se alguns minutos. As minhocas sentem a luz e movem se para o interior da pilha. A movem-se parte mais superficial de cada pilha fica sem minhocas e pode ser retirada. Vai Vai-se repetindo este procedimento até ficar só um bolo central de minhocas, que volta para central o vermicompostor.

Método de separação manual Espalha-se o conteúdo do vermicompostor no chão, em cima de uma lona ou plástico. se Colhem-se as minhocas. Este procedimento pode continuar até que a maior parte das se minhocas tenha sido separadas do composto.

3.13. Vantagens da aplicação do vermicomposto
As vantagens da aplicação do vermicomposto são as seguintes:

Melhora a estrutura, porosidade e capacidade de retenção de água nos solos; Melhora a oxigenação nos solos; Protege as raízes de condições adversas, nomeadamente temperaturas extremas; Controla o aparecimento de infestantes e ervas daninhas; Funciona como tampão, mantendo constante o pH do solo, impedindo variações bruscas, protegendo as culturas , culturas; Melhora as caracter características físico-químicas do solo (textura, arejamento, químicas capacidade de troca catiónica e de retenção de água, estabilidade do pH e temperatura, etc.) etc.); Disponibiliza lenta e prolongadamente os nutrientes vegetais (minerais);
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Protege os nutrientes contra a perdas de água (lixiviação), viabilizando vastas as ua comunidades biológicas; Aumenta a capacidade de retenção de água em solos arenosos e possibilita a sua correcta drenagem e circulação de água em solos argilosos.

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ANEXOS

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Glossário
o Bionutriente Solução de nutrientes principais de aplicação nas raízes ou folhas de uma planta; o Cama de minhocas Conjunto de tiras de jornal ou cartão contendo humidade bem como algum substrato; o Chá de vermicomposto Solução de nutrientes principais de aplicação nas raízes ou folhas de uma planta (O mesmo de Bionutriente); o Composto Produto resultante d degradação da matéria orgânica; da o Ecossistema Conjunto formado por todos os factores bióticos e abióticos que actuam simultaneamente sobre determinada região; o Fotofóbico Qualquer animal fotofóbico é aquele que tem “medo” ou fobia da luz; o Forqueta de arejamento Utensílio que permite revirar o material existente no compostor; o Inocular Introduzir algo; o Húmus Matéria orgânica no seu estado mais simples; o Lixiviação Arrastamento de matéria por acção da água; o Matéria mineral Estado da matéria que possibilita a sua assimilação pelas plantas; o Matéria orgânica Componente do solo vital para a manutenção da fertilidade do solo. o Maturação Estado final do processo de compostagem; o Minhoca

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Animal invertebrado pertencente ao filo Annelida; o Monitorização Controle de diversos parâmetros; o Pilha Monte de resíduos durante o processo de vermicompostagem; o Troca catiónica Troca de iões com carga positiva; o Vermicomposto Produto resultante da degradação da matéria orgânica que sofreu já compostagem – os excrementos das minhocas; o Vermicompostor Pequena caixa em madeira ou em plástico.

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