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Capı́tulo 10

Equações de Maxwell

10.1 Fluxo Magnético
• Lei de Gauss: relaciona fluxo elétrico com carga elétrica.

• O equivalente para campos magnéticos também é uma equação fundamental do eletromagne-
tismo:
I
S
ΦB = ~ · d~s = 0 Lei de Gauss, Magnetismo
B (10.1)
S

• Expressa a inexistência de cargas magnéticas, também chamadas monopolos magnéticos.

• Campos elétricos são gerados pela simples presença de cargas elétricas, ou pela variação
temporal de campos magnéticos. Já os campos magnéticos podem ser produzidos por corren-
tes, i.e. cargas em movimento, ou, como veremos adiante, por variação temporal do campo
elétrico.

• Apenas configurações dipolares, como e.g. ı́mas com polos norte e sul, podem gerar campos
magnéticos. Tais configurações surgem de movimentos internos de cargas dentro dos corpos
magnéticos.

• Paul Dirac mostrou que, se monopolos magnéticos existissem, isso explicaria a quantização
da carga elétrica. Infelizmente, cargas magnéticas nunca foram observados.

10.2 Corrente de Deslocamento: Lei de Ampere-Maxwell
Considere um capacitor de placas paralelas sendo carregado. Pela Lei de Gauss, a carga em um
determinado instante é dada por

q = ǫ0 ΦSE (10.2)

onde ΦSE é o fluxo por uma superfı́cie S que contém q. A corrente no circuito associado é

dq dΦS
i= = ǫ0 E (10.3)
dt dt
Entretanto, entre as placas, não há movimento de cargas e não há, portanto, corrente de condução.

83

g. id fica   dΦS d q dq id = ǫ0 E = ǫ0 = =i (10. a Lei de Ampere original diria que a circulação do campo Figura 10. o que implica a necessidade da corrente de deslocamento entre as placas. Pode-se usar a Lei de Ampere para obter o campo magnético circulante nesse caminho. pela Eq. Isso indica que algo está faltando na pende da superfı́cie Amperiana escolhida. como na Fig 10. EQUAÇÕES DE MAXWELL Para impor uma ”continuidade”da corrente. ele simplesmente não tem cargas para criar uma corrente de condução. De fato. O campo magnético no caminho C não de- ginária (Feynman).1.4. 10. da mesma forma que no circuito existe um campo elétrico empurrando as cargas e criando a corrente de condução. atravessada pela corrente de condução. De fato. o campo magnético real não um capacitor de placas paralelas e carga q. Obviamente. Portanto.1: Corrente de deslocamento em em C é nula. no entanto. (Serway) . entre as placas também existe um campo elétrico. pois não há movimento de cargas que crie corrente entre as placas. Maxwell propôs a idéia de uma corrente de deslo- camento id entre as placas igual à corrente de condução no circuito: dΦSE id = i = ǫ0 (10. Uma maneira simples de ver isso é imaginar uma superfı́cie aberta S1 definindo uma curva C. é que a variação temporal do fluxo elétrico faz o papel de uma corrente imaginária entre as placas. A idéia. se mantivermos a curva C mas deformarmos a superfı́cie de tal forma que ela passe entre as placas do capacitor e nunca seja atravessada pela corrente (e.6) C ou seja I S ~ · d~l = µ0 icond + µ0 ǫ0 dΦE B (Lei de Ampere − Maxwell) (10.7) C dt Note que. com essa adição. se estabelece uma simetria com a Lei de Faraday: da mesma forma que a variação do fluxo magnético gera um campo elétrico. Entretanto.5) dt dt ǫ0 dt Maxwell propôs então que esta corrente de deslocamento deve ser adicionada à corrente de condução na Lei de Ampere I ~ · d~l = µ0 (icond + id ) B (10.84 CAPÍTULO 10.4) dt O nome não é apropriado. a superfı́cie S2 ). a Lei de Ampere não faria sentido sem o termo extra de Maxwell. entre as placas do capacitor E = σ/ǫ0 e o fluxo na superfı́cie S de área A do capacitor é ΦSE = EA = σA/ǫ0 = q/ǫ0 . Em outras palavras. equação original: a corrente de deslocamento de Maxwell. agora vemos que a variação do fluxo elétrico gera um campo magnético. pode depender da configuração de uma superfı́cie ima. mas ele está associado a uma corrente de deslocamento.

iin = dq/dt é a corrente elétrica que atravessa C. ǫ0 = 8.11) C dt onde: S é uma superfı́cie fechada.26 × 10−6 T. note que somente as cargas dentro da superfı́cie Gaussiana contribuem para o fluxo elétrico. dS~ é um vetor perpendicular a S. uma diferença de potencial e uma corrente elétrica. E ~ é o campo magnético. ΦC E é o fluxo elétrico na superfı́cie aberta apoiada em C. • A Lei de Ampere descreve duas maneiras de gerar um campo magnético circulante: i) através de correntes elétricas. . EQUAÇÕES DE MAXWELL: FORMA INTEGRAL 85 10.85 × 10−12 C2 /Nm2 é a permissividade elétrica no vácuo. em sua forma integral. d~l é um vetor paralelo (tangencial) a C. por I S ΦE ≡ E~ · dS~ = qin (Lei de Gauss) (10. por conseguinte. B ΦSE é o fluxo elétrico que atravessa S. O sinal negativo garante que a corrente induzida produz um campo magnético que se opõe a variação que lhe deu origem (Lei de Lenz).m/A é a permeabilidade magnética no vácuo. ΦC B é o fluxo magnético na superfı́cie aberta apoiada em C. ΦSB é o fluxo magnético que atravessa S. Magnetismo) (10. • Lei de indução de Faraday: indica que um fluxo magnético variável pode induzir a formação de um campo elétrico circulante e. ii) por variação temporal do fluxo elétrico. ~ é o campo elétrico.8) ǫ0 IS ΦSB ≡ B~ · dS~ = 0 (Lei de Gauss.10. Caso contrário. • Lei de Gauss do magnetismo: formaliza a inexistência de monopólos magnéticos (cargas magnéticas).10) C dt I C ~ · d~l = µ0 iin + µ0 ǫ0 dΦE (Lei de Ampere) B (10. o feedback positivo seria incompatı́vel com conservação de energia. qin é a carga elétrica dentro de S. Essas equações são dadas. C é uma curva fechada.9) S I C ~ · d~l = − dΦB (Lei de Faraday) E (10.3. • Lei de Gauss: indica como cargas elétricas criam campos elétricos. µ0 = 4π × 10−7 = 1.3 Equações de Maxwell: Forma Integral As equações de Maxwell descrevem como cargas e correntes dão origem a campos elétricos e magnéticos.

e usando operações de cálculo vetorial. como produto escalar e produto vetorial. denotado por ∇× Seja E ~ E~ e definido por . Ey .4. (10.3 Rotacional ~ = (Ex . podemos definir operadores convenientes para cálculos eletromagnéticos.86 CAPÍTULO 10. Seu divergente é um escalar. .15) ∂x ∂y ∂z 10. essas equações descrevem todos os fenômenos eletromagnéticos conhecidos.4 Operadores Diferenciais ~ Definindo um operador diferencial ∇   ~ = ∂ ∂ ∂ ∇ . denotado por ∇φ. Ey . . Ez ) um campo vetorial. Ez ) um campo vetorial. EQUAÇÕES DE MAXWELL • Por outro lado.13) ∂x ∂y ∂z visualizado como um vetor comum. denotado por ∇ ~ ·E ~ e definido por ∇ ~ = ∂Ex + ∂Ey + ∂Ez ~ ·E (10.1 Gradiente ~ e definido por Seja φ um campo escalar. . descritas pela força de Lorentz: F~ = q E ~ + q~v × B ~ (10.2 Divergente Seja E~ = (Ex . 10.12) • Juntas.   ~ ∂φ ∂φ ∂φ ∇φ = .14) ∂x ∂y ∂z 10.4. cargas testes q com velocidade v na presença destes campos sofrem forças eletromagnéticas.4. (10. Seu rotacional é um vetor. Seu gradiente é um vetor. 10.

.

.

x̂ ŷ ẑ .

.

  ~ ~ .

∂ ∂ ∂ .

∂Ez ∂Ey ∂Ex ∂Ez ∂Ey ∂Ex ∇ × E = .

∂x ∂y ∂z .

= .

− (10. − . − .16) .

E ∂y ∂z ∂z ∂x ∂x ∂y x E y E z .

4. o divergente do gradiente de φ: ∂2φ ∂2φ ∂2φ ∇2 φ = + 2 + 2 (10. Seu Laplaciano é um escalar.e. 10. Seja φ um campo escalar. denotado por ∇2 φ e definido como ∇ ~ i.4 Laplaciano ~ · ∇φ.17) ∂x2 ∂y ∂z .

. − . − .10.18) 10.21) E   ~ × (∇φ) ~ ~ × ∂φ ∂φ ∂φ ∇ = ∇ . − ∂y∂z ∂z∂y ∂z∂x ∂x∂z ∂x∂y ∂y∂x = ~0 (10. ∂x ∂y ∂z  2  ∂ φ ∂2φ ∂2φ ∂2φ ∂2φ ∂2φ = − . − ∂y ∂z ∂z ∂x ∂x ∂y .5 Relações entre Operadores Exercı́cio 1 Mostre que ~ · (∇ ∇ ~ × A) ~ = 0 (10. Solução:   ~ · (∇ ~ × A) ~ = ∇ ~ · ∂Az ∂Ay ∂Ax ∂Az ∂Ay ∂Ax ∇ − . OPERADORES DIFERENCIAIS 87 ~ como um vetor cujas componentes são La- Pode-se ainda definir o Laplaciano de um vetor E ~ placianos das componentes de E:  ~ = ∇ 2 Ex . − ∂y ∂z ∂z ∂x ∂x ∂y 2 2 2 2 2 ∂ Az ∂ Ay ∂ Ax ∂ Az ∂ Ay ∂ 2 Ax = − + − + − ∂x∂y ∂x∂z ∂y∂z ∂y∂x ∂z∂x ∂z∂y = 0 (10.23) Solução:   ~ ×A ~ = ∂Az ∂Ay ∂Ax ∂Az ∂Ay ∂Ax ∇ − . − .19) ~ × (∇φ) ∇ ~ = 0 (10.22) Essas relações implicam: ~ ·E i) ∇ ~ =0 ⇒ ∃ A ~ : E ~ =∇ ~ ×A~ ~ ×E ii) ∇ ~ =0 ⇒ ∃ φ : E ~ = ∇φ ~ Exercı́cio 2 Mostre que ~ × (∇ ∇ ~ × A) ~ = ∇( ~ ∇~ · A) ~ ~ − ∇2 A (10.4.4. ∇ 2 Ez ∇2 E (10.20) ~ para quaisquer φ e A. ∇ 2 Ey .

(Adaptado de Griffiths) ΦSF = ΦxE + ΦyE + ΦzE   ∂Fx ∂Fy ∂Fz = + + ∆x∆y∆z ∂x ∂y ∂z ~ · F~ ) ∆v = (∇ (10. chega-se à expressão vetorial. y. EQUAÇÕES DE MAXWELL Para e. y. z) em um ∂Fy cubo infinitesimal. y + ∆y. mostradas na Fig.88 CAPÍTULO 10. A contribuição das duas faces cinzas per- pendiculares ao eixo y. ∆z). z) através de um elemento de volume infinitesimal em (x. temos h i ∂(∇ ~ × A)z ∂(∇~ × A)y ~ × (∇ ∇ ~ × A) ~ = − x ∂y ∂z     ∂ ∂Ay ∂Ax ∂ ∂Ax ∂Az = − − − ∂y ∂x ∂y ∂z ∂z ∂x 2 ∂ Ay 2 2 2 ∂ Ax ∂ Ax ∂ Az = − 2 − 2 + ∂y∂x ∂y ∂z ∂z∂x ∂ 2 Ax ∂ 2 Ay ∂ 2 Az ∂ 2 Ax ∂ 2 Ax ∂ 2 Ax = + + − − − ∂x2 ∂y∂x ∂z∂x ∂x2 ∂y 2 ∂z 2 | {z } ∇2 Ax   ∂ ∂Ax ∂Ay ∂Az = + + −∇2 Ax ∂x ∂x ∂y ∂z | {z } ~ A ∇· ~ ~ x (∇ = ∇ ~ · A) ~ − ∇ Ax 2 (10. z)∆x∆z Usando a aproximação em primeira ordem ∂Fy Fy (x. ∂y mas apontam em sentidos opostos em y e O fluxo total sobre o cubo fica então em y + ∆y. z) = Fy (x.2. z) e lados (∆x.25) onde ∆v = ∆x∆y∆z é o volume do cubo. y.2: Fluxo de F~ (x. y. Considere o fluxo de um campo F~ (x. a componente x do operador. ∆y.5 Fluxo e Circulação Vamos calcular fluxo e circulação de elementos infinitesimais e mostrar que divergente é fluxo por unidade de volume e rotacional é circulação por unidade de área. Os elementos de area ΦyF = ∆x∆y∆z mostrados tem magnitude ∆A = ∆x∆z. z)∆x∆z − Fy (x. . 10. y + ∆y.g.24) Mostrando-se similarmente para as componentes y e z. vemos que o divergente pode ser interpretado como o fluxo por unidade de volume. Assim. 10. y. é Z Φy = F F~ · dA ~ = Fy (x. z) + ∆y ∂y essa contribuição fica Figura 10.

y.3 é dada por Z CFy = F~ · d~l = Fz (x. similarmente. ∆z).26) x onde ∆ax = ∆y∆z. y. z)∆z e. temos em um circuito infinitesimal.27) Portanto. (Adap- tado de Griffiths) ∂Fz CFy = ∆y∆z ∂y ∂Fy CFz = − ∆z∆y ∂z A circulação total é dada então por : ∂Fz ∂Fy CFy.z = CFy + CFz = ∆y∆z − ∆y∆z ∂y ∂z   ∂Fz ∂Fy = − ∆y∆z ∂y ∂z   = ~ × F~ ∆ax ∇ (10.4: Teorema funda- dos pontos limites da função no intervalo considerado. (Griffiths) . TEOREMAS DO CÁLCULO VETORIAL 89 Considere a circulação de um campo F~ (x. y. 10.10. 10. mental do cálculo unidimensio- nal.1 Teorema Fundamental do Cálculo O principal resultado do cálculo unidimensional é o Teorema Fun- damental do Cálculo. y. a integral desfaz a derivada da função. y. que diz que a integral da derivada de uma função f (x) é simplesmente a diferença da própria função calcu- lada nos limites de integração Z b df dx = f (b) − f (a) (Teorema Fundamental) (10. z) Usando as expansões em primeira ordem.6. z). o rotacional é a circulação por unidade de area. z + ∆z)∆y Figura 10.6 Teoremas do Cálculo Vetorial 10. Generalizando para circuitos em direções quaisquer temos ~ × F~ · ∆~a CF = = ∇ (10. z)∆y − Fy (x. z) e com la- dos/projeções (∆y. y. e a componente x na verdade significa a componente perpendicular ao plano do circuito (y. deixando apenas o efeito Figura 10.3: Circulação de F~ (x. z) no plano (y. y + ∆y. a dos dois comprimentos horizontais CFz = Fy (x. z)∆z − Fz (x.e.28) a dx i. z) através de um circuito infinitesimal em (x. A contribuição dos dois comprimen- tos verticais mostrados na Fig.6.

(Griffiths) . A in- ~ · d~l dV = ∇V (10. Sobra apenas a contribuição das faces externas: Um volume qualquer preenchido Z com cubos. O Teorema de Gauss diz que a integral tripla do divergente de E~ no volume V definido pela superfı́cie S é a integral de superfı́cie de E~ na superfı́cie S: Z I ~ ~ ∇ · E dV = E~ · dS ~ (Teorema de Gauss) (10.3 Teorema de Gauss Esses resultados podem ser generalizados para integrais de superfı́cie e de volume pelos teoremas de Stokes e Gauss. as contribuições de superfı́cies in- ternas se cancelam. somente a contribuição V S do fluxo na superfı́cie externa so- brevive.25: Z X X ~ ·E ∇ ~ dV = ~ ·E ∇ ~ ∆vcubo = Φcubos (10..31) tegral de um gradiente em um caminho. nós imaginamos o volume arbitrário subdividido em cubos infinitesimais. Após cancelamentos X XZ I ~ ~ ∇ · E dV = ΦEcubos = ~ ~ E · dS = ~ · dS E ~ internos.90 CAPÍTULO 10.6.5: Teorema funda- mental multidimensional. (Griffiths) Novamente. 10.32) V S Para mostrar o teorema de Gauss.6: Teorema de Gauss. A integral no volume é obtida somando as contribuições dos vários cubos. pois vem sempre em pares de sinais opostos.. somente os valores nas bordas sobrevivem aos can- celamentos internos na integração.33) E V ∆v→0 Na soma dos fluxos nos cubos.6.2 Teorema Fundamental Multidimensional O Teorema Fundamental pode ser facilmente estendido para a integral em um caminho de um gradiente: Z b ~ · d~l = V (b) − V (a) (Gradiente) ∇V (10. EQUAÇÕES DE MAXWELL Pensando na integral como o limite da soma de intervalos infinitesimais. cada uma das quais é dada pela Eq. como na Fig 10. obtemos: Z b N N df X ∆f X (fi+1 − fi ) X dx = ∆x = ∆xi = (fi+1 − fi ) a dx ∆x ∆xi ∆x→0 i=1 i=1 = (f2 − f1 ) + (f3 − f2 ) + (f4 − f3 ) + .30) a Esse resultado pode ser mostrado de forma similar ao Teorema Fundamental unidimensional usando o fato de que Figura 10.29) 10.6. 10. + fN −1 − fN −2 + fN − fN −1 = −f1 + fN = f (b) − f (a) (10. respectivamente. Figura 10.

6.36) A ∂A onde ∂˜ denota derivadas generalizadas (em 1. curva ou superfı́cie). Após cancelamentos internos somente a circulação na curva externa sobrevive.35) E S ∆S→0 Na soma das circulações dos quadrados. A superfı́cie arbitrária é preenchida por circuitos quadrados infinitesimais. 10. .34) S C Para mostrar o teorema de Stokes.27: Z X X quadrados ~ ×E ∇ ~ · dS ~= ~ ×E ∇ ~ ∆Squadrado = C (10. 2 ou 3 dimensões). nós imaginamos a superfı́cie arbitrária subdividida em cir- cuitos infinitesimais. (Griffiths).10. Sobra apenas a contribuição da curva externa delimitando a superfı́cie: Z X quadrados X Z I ∇~ ×E ~ · dS ~= CE = E~ · d~l = ~ · d~l E S C Note que todos esses casos correspondem esquematicamente a Z h i ∂˜f˜ = f˜ (10. como na Fig 10. as contribuições de lados internos se cancelam.7: Teorema de Stokes. TEOREMAS DO CÁLCULO VETORIAL 91 Figura 10. 10. superfı́cie ou volume) e ∂A denota a fronteira de A (ponto.4 Teorema de Stokes ~ na superfı́cie O Teorema de Stokes diz que a integral dupla do rotacional de um campo vetorial E ~ aberta S definida pela curva fechada C é a integral de linha de E na curva C: Z I ~ ×E ∇ ~ · dS ~= ~ · d~l (Teorema de Stokes) E (10. A denota uma região generalizada (intervalo.6. A integral na superficie é obtida somando as contribuições dos vários circuitos quadrados. pois vem sempre em pares de sinais opostos.7. cada uma dada pela Eq. f˜ denota um campo generalizado (escalar ou vetorial).

(10.42) ∂t R R ~ onde ρ é a densidade de carga elétrica (q = ρdV ) e ~j é a densidade de corrente elétrica (i = ~j·dS). ∀ V → ∇ ~ ·E~ = ρ (10.7 Equações de Maxwell: Forma Diferencial Usando o teorema de Gauss e o teorema de Stokes nas Equações de Maxwell na forma integral.1 Decomposição de Campos Vetoriais ~ que decai a zero no infinito de forma Vamos provar dois fatos interessantes de um campo vetorial V suficientemente rápida: 1) ~ pode ser decomposto na soma de um gradiente ∇φ V ~ e de um rotacional ∇ ~ × A. superfı́cies e curvas gerais.41) ∂t ~ ~ ×B ∇ ~ = µ0~j + µ0 ǫ0 ∂ E (Lei de Ampere) (10.40) ~ ~ ×E ∇ ~ = − ∂ B (Lei de Faraday) (10. 10.37) V ǫ0 V ǫ0 Outro exemplo seria partir da Lei de Ampere. EQUAÇÕES DE MAXWELL 10.39) ǫ0 ~ ·B ∇ ~ = 0 (Lei de Gauss do Magnetismo) (10. obtendo: I Z B~ · d~l = µ0 iin + µ0 ǫ0 d E~ · dS~ C dt S Z Z Z ~ ~ ~ ×B ~ · dS~ = µ0 ~j · dS ~ + µ0 ǫ0 ∂E ~ ∀S → ∇ ~ ×B ~ = µ0~j + µ0 ǫ0 ∂ E (10.7.38) → ∇ · dS. O primeiro fato segue da identidade (veja Eq. ~ 2) ~ ·V ∇ ~ e∇~ ×V ~ são suficientes para determinar o campo V ~ expandido da maneira acima.92 CAPÍTULO 10.43) Identificando V ~ ~ = ∇2 Z (10. e. usar o teorema de Stokes e expressar a corrente como integral da densidade de corrente. obtém-se as equações de Maxwell na forma diferencial. partindo da Lei de Gauss. Por exemplo. obtendo: I E ~ = qin ~ · dS ǫ0 Z S Z → ~ ·E ∇ ~ dV = 1 ρ dV . obtemos: ~ ·E ~ = ρ ∇ (Lei de Gauss) (10.45) ~ ×Z −∇ ~ = A ~ (10.46) . S S S ∂t ∂t Procedendo de forma similar para as outras equações.23) ~ = ∇( ∇2 Z ~ ∇~ · Z) ~ −∇ ~ × (∇ ~ × Z) ~ . 10. podemos usar o teorema de Gauss no lado esquerdo e expressar a carga como integral da densidade de carga no lado direito. notando que essas equações são válidas para volumes.44) ~ ·Z ∇ ~ = φ (10.

51) ~ ∇ = ∇[ ~ · (∇ ~ × Z)] ~ − ∇2 A ~ (10.47).44). É por isso que as Equações de Maxwell lidam com divergentes e rotacionais dos campos elétrico e magnético: eles determinam os campos unicamente.45) e (10.48) 4π |~x − x~′ | Uma vez determinado Z. (10.47) e é sempre possı́vel fazer tal decomposição. temos que ~ ·V ∇ ~ = ∇2 φ + ∇ ~ · (∇ ~ × A) ~ = ∇2 φ (10. Sua solução pode ser obtida pelo método da Função de Green. então V ~ =∇~ ×A ~ (rotacional puro). a carga em um ponto está diminuindo. assim. Esta equação é denotada Equação de Poisson. mostra-se que podemos sempre achar Z ~ resolvendo a Eq. (10. é porque parte da carga está se deslocando a outro ponto na forma corrente elétrica. 10.46). Matematicamente.8. e aparece com frequência no Eletromagnetismo e na Gravitação. desde que estes decaiam a zero de forma suficientemente rápida no infinito. ou seja cargas não são criadas nem destruı́das.52) = −∇2 A~ (10. o próprio campo V ~ pela decomposição acima.50) 4π |~x − x~′ | Além disso ~ ×V ∇ ~ ~ × (∇φ) = ∇ ~ +∇ ~ × (∇ ~ × A) ~ ~ ∇ = ∇( ~ · A) ~ ~ − ∇2 A (10.g.54) 4π |~x − x~′ | Desta forma.55) dt . ~ pode-se então determinar φ e A ~ pelas Eqs.53) e portanto Z ~ ×V ~ ~ = − 1 ∇ A d3 x′ (10. Essa decomposição permite afirmar que: ~ ·V i) Se ∇ ~ = 0. (10. ~ ×V ii) Se ∇ ~ = 0. e o resultado é Z ~ ~ = 1 V Z d3 x′ . então V ~ = ∇φ ~ (gradiente puro). Usando a decomposição da Eq.8 Conservação da Carga A carga elétrica é conservada.49) e portanto Z ~ ·V~ 1 ∇ φ = d3 x′ (10. Além disso. basta saber ∇~ ·V ~ e∇ ~ ×V~ para determinar φ e A~ e. (10. a conservação da carga é expressa como : dq = −i (10. CONSERVAÇÃO DA CARGA 93 temos ~ = ∇φ V ~ +∇ ~ ×A ~ (10. pois dado o vetor V ~ .10. se e.

se a densidade de carga varia no tempo em certo ponto do espaço. é porque a densidade de corrente diverge naquele ponto. tomando o divergente da Lei de Ampere-Maxwell.61) ∂t ∂t . ou seja cargas não são criadas nem destruı́das.e. e por isso o sinal negativo. temos Z Z d ~ ρ dV = − ~j · dS dt V Z ZS ∂ρ dV = − ∇ · ~j dV (10.9 Potenciais Eletromagnéticos É conveniente definir potenciais relacionados aos campos elétrico e magnético. obtemos novamente a Eq. EQUAÇÕES DE MAXWELL i. Primeiramente. Considerando esta igualdade dentro de um volume V com borda superficial S. ∂t ou seja. a variação da carga em um ponto balanceia exatamente a corrente que sae deste ponto. temos: ! ∂ ~ E 0=∇ ~ ·∇ ~ ×B ~ = ∇ ~ · µ0~j + µ0 ǫ0 ∂t ~ · E) ∂(∇ ~ ~ · ~j + µ0 ǫ0 = µ0 ∇ ∂t ~ · ~j + µ0 ǫ0 ∂(ρ/ǫ 0) = µ0 ∇   ∂t ~ · ~j + ∂ρ = µ0 ∇ . de Maxwell sem fontes (cargas e correntes). como ~ ·B ∇ ~ =0 (10. da continuidade: ∂ρ ~ ~ +∇·j =0 (10. 10. temos ∂ρ ~ ~ +∇·j =0 (Eq.94 CAPÍTULO 10. apenas se movem de um lugar a outro. não sendo necessário postular isso adicionalmente. Se a corrente for positiva. da continuidade e diz simplesmente que.60) ~ temos Usando essa expressão na outra equação para E. ~ conhecido como o potencial vetor magnético ~ = ∇ B ~ ×A ~ (10.59) segue que B~ deve ser o rotacional de algum campo vetorial A.57) ∂t Esta equação é chamada de Eq. Por outro lado. as Equações de Maxwell automaticamente garantem que cargas são conservadas. da continuidade) (10.58) ∂t Portanto. a carga no ponto está diminuindo. ! ~ ~ ~ ∇ ~ = − ∂∇ × A = ∇ ~ ×E ~ × − ∂A (10.56) V ∂t V como essa igualdade vale para qualquer volume V arbitrário. Esses potenciais são definidos das Eqs.

3.74) .65) e ~ ~ ×E ∇ ~ = ∇ ~ − ∂A ) ~ × (−∇φ (10.73) ∂t e similarmente ~′ = ∇ B ~ ×A ~′ ~ ×A = ∇ ~+∇~ × (∇f ~ )=B ~ (10.10. as duas Eqs. ~ são portanto definidos por O potencial elétrico φ e o potencial vetor magnético A ~ E ~ − ∂A ~ = −∇φ (10. Com essas definições.1 Transformação de Calibre Os campos não são determinados unicamente pelos potenciais eletromagnéticos definidos acima.71) ∂t ~ ~ ~ +∇ = −∇φ ~ ∂f − ∂ A − ∂(∇f ) (10. ~ são soluções das Eqs.68) ∂t As equações com fonte podem então ser usadas para descrever a dinâmica dos potenciais. de Maxwell sem fonte obviamente são automaticamente satisfeitas: ~ ·B ∇ ~ = ∇ ~ · (∇ ~ × A) ~ =0 (10.70) para uma função f (x.69) ∂t ~′ = A A ~ + ∇f ~ (10. t) qualquer também são solução.66) ∂t ~ = −∇ ~ − ∂(∇ × A) ~ × ∇φ (10.9.67) ∂t ∂B~ = − (10. pois ~′ E ~ ′ − ∂A ~ ′ = −∇φ (10.64) ~ Note que. os potenciais φ′ e A Se φ e A ~ ′ definidos por ∂f φ′ = φ − (10. conhecido como o potencial escalar elétrico.62) ∂t e segue que o termo entre parênteses deve ser o gradiente de algum campo escalar φ. no caso eletrostático ∂ A/∂t ~ = −∇φ.72) ∂t ∂t ∂t ~ ~ − ∂A = E = −∇φ ~ (10. POTENCIAIS ELETROMAGNÉTICOS 95 Portanto ! ~ ~ × ∇ ~ + ∂A E =0 (10. ou dos campos. de Maxwell.9. =0eE ~ como no Cap. 10.63) ∂t ~ ~ B = ∇×A ~ (10.

Por exemplo. se os potenciais já satisfazem o calibre especificado. EQUAÇÕES DE MAXWELL Portanto. o calibre de Lorentz. por exemplo. que sempre tem solução.81) ∂t2 ainda pode ser adicionada aos potenciais com uma transformação de calibre extra. 10. devemos te requer ∂2f ~ + µ0 ǫ0 ∂φ ) ~ ·A ∇2 f − µ0 ǫ0 2 = −(∇ (10. usado nas soluções de ondas eletromagnéticas.76) ~ ·A ou seja. e outra função g satisfazendo a equação de onda homogênea ∂2g ∇2 g − µ0 ǫ0 =0 (10. novamente sem alterar os campos.78) ∂t ∂t ∂t ~ ~ ′ ~ ∇·A = ∇·A+∇ f ~ 2 (10. . basta definir A′ que satisfaça. mesmo após especificar o calibre. o que requer ~ ·A ∇ ~′ = ∇ ~ ·A ~ + ∇2 f = 0 (10.77) ∂t Das Eqs.69 e 10.96 CAPÍTULO 10. Note que. temos ∂φ′ ∂φ ∂2f µ0 ǫ0 = µ0 ǫ0 − µ0 ǫ0 2 (10. Um calibre interessante na magnetostática é o Calibre de Coulomb ~ ·A ∇ ~=0 (Calibre de Coulomb) (10.79) e para φ′ e A′ satisfazerem o calibre de Lorentz. temos a liberdade de escolher a função f convenientemente sem alterar os campos. os potenciais ainda não são únicos. Outro calibre interessante.75) Caso o campo A nao satisfaça este calibre. é o Calibre de Lorentz ∇ ~ + µ0 ǫ0 ∂φ = 0 ~ ·A (Calibre de Lorentz) (10.70. A escolha de f implica a determinação de um calibre.80) ∂t ∂t que também sempre tem solução para f . basta resolver a equação ∇2 f = −∇ ~ para f . o lado direito da equação acima é zero.