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Súmula n.

377

SÚMULA N. 377

O portador de visão monocular tem direito de concorrer, em concurso
público, às vagas reservadas aos deficientes.

Referências:
CF/1988, art. 37, VIII.
Lei n. 8.112/1990, art. 5º, § 2º.
Decreto n. 3.298/1999, arts. 3º, 4º, III, e 37.

Precedentes:
AgRg no RMS 20.190-DF (6ª T, 12.06.2008 – DJe 15.09.2008)
AgRg no RMS 26.105-PE (5ª T, 30.05.2008 – DJe 30.06.2008)
MS 13.311-DF (3ª S, 10.09.2008 – DJe 1º.10.2008)
RMS 19.257-DF (5ª T, 10.10.2006 – DJ 30.10.2006)
RMS 19.291-PA (5ª T, 15.02.2007 – DJ 26.03.2007)
RMS 22.489-DF (5ª T, 28.11.2006 – DJ 18.12.2006)

Terceira Seção, em 22.4.2009
DJe 5.5.2009, ed. 355

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Exclusão do benefício da reserva de vaga. Precedentes. Ilegalidade. 1. relatados e discutidos os autos em que são partes as acima indicadas. 12 de junho de 2008 (data do julgamento). 3. ACÓRDÃO Vistos.2008 . por unanimidade. Deficiente visual. 20. 2. Agravo regimental improvido. à vaga reservada aos deficientes. Concurso público.190-DF (2005/0099487-6) Relator: Ministro Hamilton Carvalhido Agravante: União Agravado: Marcelo dos Reis Rodrigues Advogado: Assis Marcos Fernandes e outro Interessado: Desembargador Presidente do Tribunal de Justiça do Distrito Federal e dos Territórios EMENTA Agravo regimental em recurso ordinário em mandado de segurança. Visão monocular. Maria Thereza de Assis Moura. Brasília (DF). Jane Silva (Desembargadora convocada do TJ-MG) e Nilson Naves votaram com o Sr. Ministro Relator. Presidiu o julgamento o Sr. Os Srs. Os benefícios inerentes à Política Nacional para a Integração da Pessoa Portadora de Deficiência devem ser estendidos ao portador de visão monocular. acordam os Ministros da Sexta Turma do Superior Tribunal de Justiça. negar provimento ao agravo regimental. Relator DJe 15. nos termos do voto do Sr.9. Ministro Hamilton Carvalhido. Ministros Paulo Gallotti. Ministro Nilson Naves. Ministro Relator. AGRAVO REGIMENTAL NO RECURSO EM MANDADO DE SEGURANÇA N. em concurso público. que possui direito de concorrer.

dentro do padrão considerado normal para o ser humano. fisiológica ou anatômica que gere incapacidade para o desempenho de atividade. É considerada pessoa portadora de deficiência a que se enquadra nas seguintes categorias: (... 3º Para os efeitos deste Decreto. que inexiste previsão legal ou editalícia.298/1999: Art.deficiência permanente – aquela que ocorreu ou se estabilizou durante um período de tempo suficiente para não permitir recuperação ou ter probabilidade de que se altere. meios ou recursos especiais para que a pessoa portadora de deficiência possa receber ou transmitir informações necessárias ao seu bem-estar pessoal e ao desempenho de função ou atividade a ser exercida. 86 . 3. Art. 4º. apesar de novos tratamentos. Aduz.. obteria 43ª (quadragésima terceira) colocação nas vagas destinadas a deficientes físicos. Ministro Hamilton Carvalhido (Relator): Senhor Presidente. dispõe o Decreto n.incapacidade – uma redução efetiva e acentuada da capacidade de integração social. considera-se: I . com necessidade de equipamentos. II .” (fl.deficiência – toda perda ou anormalidade de uma estrutura ou função psicológica. SUPERIOR TRIBUNAL DE JUSTIÇA RELATÓRIO O Sr. em suma. e III . “(. ou campo visual inferior a 20º (tabela de Snellen). outrossim. que. para fins de obtenção do benefício de reserva de vaga destinada a portador de deficiência física em concurso público. Alega a agravante.deficiência visual – acuidade visual igual ou menor que 20/200 no melhor olho. 157).) III . adaptações. a autorizar o enquadramento do candidato portador de visão monocular no conceito de deficiente.) caso houvesse sido aprovado na perícia técnica e continuasse concorrendo às vagas reservadas aos candidatos portadores de deficiência. Ministro Hamilton Carvalhido: Agravo regimental interposto pela União contra decisão que deu provimento ao recurso ordinário interposto por Marcelo dos Reis Rodrigues para assegurar ao recorrente o direito de ser empossado no cargo para o qual foi aprovado em concurso público. É o relatório. ou ocorrência simultânea de ambas as situações.. após a melhor correção. VOTO O Sr.

ao portador de visão monocular. 7. com maior razão. em concurso público. abril 2013 87 . a vaga reservada aos deficientes.PRECEDENTES (. (34): 81-117. Caso a aplicação do percentual de que trata o parágrafo anterior resulte em número fracionado. devem ser usados em pessoas que tem visão em dois olhos. caso contrário. sem sentido a afirmativa: “no melhor olho”. este deverá ser elevado até o primeiro número inteiro subseqüente. não possuem um melhor olho.) Art. § 2º. o que se leva a concluir o engano cometido: os Recorrentes não figuram como abrangidos pelos termos deste decreto.. em igualdade de condições com os demais candidatos. simplesmente por serem cegos em um dos olhos. em razão da necessária igualdade de condições.)” figurando bem lucidamente que. incluidamente o de concorrer.291-PA: (. pelo que. ao considerarmos a finalidade da própria norma que impõe a reserva de vagas aos deficientes. 19. mas sim um único olho em condições deficientes de visão. ou seja.SÚMULAS . o que não é o caso dos Recorrentes. colhe-se a fundamentação lançada pelo eminente Ministro Felix Fischer no julgamento do RMS n. já. sendo reservado no mínimo o percentual de cinco por cento em face da classificação obtida. Mesmo que não nos prendamos a literalidade dos enunciados. Fica assegurado à pessoa portadora de deficiência o direito de se inscrever em concurso público. (fl. Nesse sentido... 196). devem ser estendidos os benefícios inerentes à Política Nacional para a Integração da Pessoa Portadora de Deficiência.. Nesse sentido.. 37. este Superior Tribunal de Justiça registra.) melhor olho (. concorrerá a todas as vagas. O candidato portador de deficiência. Eis o argumento: Portanto. o e. precedentes no sentido de que a literalidade da norma transcrita pressupõe a existência de visão binocular. os parâmetros do referido Diploma Legal. § 1º.. o Decreto é claro como água ao mencionar “(..) Uma interpretação literal desse dispositivo confirma o argumento dos recorrente de que esses critérios dirigem-se aos deficientes que possuem visão em ambos os olhos. para provimento de cargo cujas atribuições sejam compatíveis com a deficiência de que é portador.. A propósito do tema. a. Desembargador Federal João Batista Moreira examinou a questão em caso análogo: RSSTJ. a conclusão será a mesma.

deficiência visual é a perda ou redução de capacidade visual em ambos os olhos em caráter definitivo e que não possa ser melhorada ou corrigida com o uso de lentes e tratamento clínico ou cirúrgico. É a pessoa que. mas. porque ser for inválida nem poderá concorrer a cargo público. o meio-termo. a visão de um olho. Não há dúvida de que uma pessoa que enxergue apenas de um olho tem dificuldades para estudar. não sendo totalmente capaz. por possuir visão monocular. SUPERIOR TRIBUNAL DE JUSTIÇA É razoável o ato da Administração que excluiu o impetrante da classe de deficiente. barreiras psicológicas e restrições para o desempenho da maior parte das atividades laborais. pretendeu participar do Curso de Formação para Auditor Fiscal do Tesouro Nacional. após. conforme manifestação da Coordenadoria Nacional para Integração das Pessoas Portadoras de Deficiência. inválida. fui relator de semelhante processo de mandado de segurança. Se assim não for considerado. O objetivo do benefício da reserva de vaga é compensar as barreiras que tem o deficiente para disputar as oportunidades no mercado de trabalho. de modo que é improvável a existência de prejuízo real até mesmo para outros concorrentes ao cargo. totalmente. Há que se estabelecer distinção entre a pessoa plenamente capaz. uma vez que estarão sendo recuperadas as despesas feitas com o apelante no curso de formação. votando nos seguintes termos: (.. O deficiente é o sub-normal. para efeito de reserva de vaga. ao contrário de prejuízo. ao mesmo tempo.) O ato foi praticado com base em parecer da Junta Médica Nacional do Ministério da Fazenda. todavia. para ingressar no serviço público. tendo sido excluído da categoria de deficiente porque a visão do outro olho é perfeita. também na condição de deficiente. há centenas de vagas para o cargo. Destaco que não está sendo julgada a concessão de um benefício previdenciário. condição em que. O recorrente não tem.. equipara-se a deficiência à invalidez. 88 . quando juiz-convocado. Na 1ª Turma. o deficiente e o inválido. à Administração. classificar-se na primeira etapa do concurso? Esta é a questão a ser decidida no presente mandado de segurança. Além disso. mas uma situação em que a pessoa irá prestar serviços à Administração em troca de vencimentos. O deferimento do pedido trará vantagens. tenha condições mínimas de desempenhar as atribuições do cargo. estará criada uma contradição: exige- se que o deficiente. pelo que mostra a realização de sucessivos concursos para Auditor-Fiscal do Tesouro Nacional. não é. segundo o qual portadores de visão monocular não são deficientes para efeito de concorrência à reserva de vagas e porque.

seja em razão da literalidade da norma (Decreto n. não se poderia nomear provisoriamente. Esta. a partir da distinção entre o deficiente e o inválido.4. que manter o ato administrativo. III). a qual está devidamente comprovada e sequer é contestada pelo recorrido. entendo que a visão monocular é motivo suficiente para o enquadramento do recorrente como deficiente.2006). havendo dúvida sobre a adequação dos motivos ao objeto. para efeito de reserva de vaga.298/1999 à espécie. No caso dos autos. como a aposentadoria por invalidez. 7. qual seja. Esse exame não invade eventual discricionariedade administrativa.SÚMULAS . 1998. (in DJ 3. no instante em que trouxe outro processo em que o mesmo candidato pleiteava a nomeação. Visão monocular. motivo bastante para o enquadramento de candidato a concurso público na classe de deficiente. deve-se prestigiar a opção administrativa). Apelação em Mandado de Segurança n. 3. Recurso provido. teria.) Esse ponto de vista foi acolhido por unanimidade. por conseqüência. a visão monocular do recorrente. já que se trata de análise acerca da legalidade. 3. DJ 16. sim. ainda não transitada em julgado a primeira decisão.. (34): 81-117. RSSTJ. tendo em vista a peculiaridade do caso concreto (visão monocular). Exclusão do benefício da reserva de vaga. Não classifico a questão sequer como duvidosa. para efeito de reserva de vaga. a ementa do decisum: Recurso ordinário em mandado de segurança. art. Ilegalidade. porque. que a visão monocular é.PRECEDENTES Voto pelo provimento do recurso. mas senti certa vacilação. 48-0) que foi aprovado em outros concursos públicos nas vagas reservadas a deficientes. abril 2013 89 . Deficiente visual..11.2001). Ademais. (TRF1.00. Aqui. algum tempo depois. reformando a sentença para deferir a segurança. Pode não ser deficiência para outros fins. tendo em vista sua carga discricionária (No ato administrativo predominantemente discricionário. o recorrente demonstrou (fls. a. Com efeito.289/1999. (. seja em razão do exame da própria finalidade da disposição da reserva de vagas para deficientes. Continuo pensando. o fato considerado para tanto é incontroverso.061913-2-DF. se o fizesse. a partir da aplicação ou não de determinada disposição normativa.01. mas se fossem equiparadas as duas situações estaria criada aquela contradição. porque os outros dois juízes entenderam que. a questão jurídica objeto deste recurso ordinário refere-se à adequação ou não dos critérios previstos no Decreto n. 4º. fui vencido. Dessa forma.

Visão monocular. II . confiram-se. Inovação. 3º do mesmo diploma legal. Inclusão no benefício de reserva de vaga. já decidiu que “deficiência visual. 4º do Decreto n. 4º. 19. que define as hipóteses de deficiência visual.É inviável. ser suscitadas nas informações e apreciadas quando do julgamento final do mandamus. O candidato portador de visão monocular. III. (RMS n. Relatora Ministra Laurita Vaz.298/1999. Ilegalidade.291-PA. a discussão de questões não enfrentadas na decisão agravada. Direito a concorrer às vagas destinadas aos portadores de deficiência física. in DJ 3. de modo a não excluir os portadores de visão monocular da disputa às vagas destinadas aos portadores de deficiência física. ainda. Recurso ordinário em mandado de segurança. todavia. Exegese do art.489-DF. que dispõe sobre a Política Nacional para a Integração da Pessoa Portadora de Deficiência.A deficiência visual. Portador de visão monocular. 4º.2008). não implica exclusão do benefício da reserva de vaga para candidato com visão monocular”.2006). Concurso público. os seguintes precedentes jurisprudenciais desta Corte Superior de Justiça: Agravo regimental em mandado de segurança. 2. III . Recurso conhecido e provido.c. definida no art. (RMS n. in DJ 18. in DJ 8. 3. Relator Ministro Felix Fischer. Tais questões poderão. SUPERIOR TRIBUNAL DE JUSTIÇA I . 4º. Recurso ordinário provido. 1.298/1999.4. (RMS n. situação esta que o benefício da reserva de vagas tem o objetivo de compensar”. Relator Ministro Felix Fischer. não implica exclusão do benefício da reserva de vaga para candidato com visão monocular. do Decreto n. no RMS n. Candidato com visão monocular. do Decreto n. Relator Ministro Arnaldo Esteves Lima. 90 .298/1999. Impossibilidade. III. art. in DJ 30.12.“A visão monocular cria barreiras físicas e psicológicas na disputa de oportunidades no mercado de trabalho. definida no art.5. Portador de deficiência.311-DF. 13. Exclusão do benefício da reserva de vaga. Quinta Turma. III. Administrativo.A e.10. No mesmo sentido. em agravo regimental. (AgRgMS n. Precedentes. 3. 19. O art. Precedentes desta Quinta Turma. 3º c. Concurso público.Recurso ordinário provido. 3. Agravo regimental desprovido. enquadra-se no conceito de deficiência que o benefício de reserva de vagas tenta compensar. Administrativo. 22. 2. 3.257-DF. deve ser interpretado em consonância com o art. II .2006). Recurso ordinário provido. I .2006). Concurso público.291-PA. Deficiente visual. 19. do Decreto n. 1.298/1999.

Daí por que era mesmo de se dar provimento ao recurso ordinário. Visão monocular. Ilegalidade. É o voto.SÚMULAS . RSSTJ.105-PE (2008/0006136-7) Relator: Ministro Felix Fischer Agravante: Estado de Pernambuco Procurador: Donizete Aparecido Gomes de Oliveira e outro(s) Agravado: Joab José da Silva Advogado: Frederico Carlos Duarte EMENTA Recurso ordinário em mandado de segurança.O prazo para a impetração do mandamus começa a ser contado da ciência pelo interessado do ato que efetivamente lhe feriu o direito líquido e certo. (34): 81-117.. bem como do Pretório Excelso. 157).. Deficiente visual. Agravo regimental desprovido. para os quais foram reservadas 5% das vagas.) caso houvesse sido aprovado na perícia técnica e continuasse concorrendo às vagas reservadas aos candidatos portadores de deficiência. Não configuração. não há falar em preterição qualquer decorrente da posse do agravado. Decadência. em remate. a. II . Exclusão do benefício da reserva de vaga. uma vez que. foram convocados 68 candidatos aprovados.” (fl. Pelo exposto. abril 2013 91 . 26. I .A visão monocular constitui motivo suficiente para reconhecer ao recorrente o direito às vagas destinadas aos portadores de deficiência física. Tribunal. AGRAVO REGIMENTAL NO RECURSO EM MANDADO DE SEGURANÇA N. classificado em 2º lugar entre os candidatos portadores de deficiência física. obteria 43ª (quadragésima terceira) colocação nas vagas destinadas a deficientes físicos. 7.PRECEDENTES Acrescente-se. Precedentes deste e. quanto à alegação de que “(. nego provimento ao agravo regimental.

Ausente. acordam os Ministros da Quinta Turma do Superior Tribunal de Justiça. que deu provimento ao recurso ordinário em mandado de segurança pelos fundamentos ora transcritos: Inicialmente. o entendimento corrente desta e. 30 de maio de 2008 (data do julgamento).) Quanto à alegada ofensa ao dispositivo do Decreto n. Ministro Relator. 3. Os Srs. Ministro Felix Fischer. Corte é de que a deficiência visual em questão não induz à supressão do benefício instaurado na legislação em comento. Relator DJe 30. o prazo para impetração do mandamus inaugura-se com a ciência pelo interessado do ato que lhe feriu o direito líquido e certo. o que caracterizaria supressão de instância. seja em razão do exame da própria finalidade da disposição da reserva de vagas para deficientes. de fato. (. 92 . (.6. Arnaldo Esteves Lima e Napoleão Nunes Maia Filho votaram com o Sr. por entender não ter havido. relatados e discutidos os autos em que são partes as acima indicadas. negar provimento ao agravo regimental.298/1999... por unanimidade. impugnação a cláusula do edital. Ministro Jorge Mussi.. preliminarmente. porque interposto contra decisão monocrática. In casu. tem-se que a visão monocular é motivo suficiente para reconhecer ao recorrente o direito ao enquadramento nas hipóteses legais. SUPERIOR TRIBUNAL DE JUSTIÇA ACÓRDÃO Vistos.2008 RELATÓRIO O Sr. justificadamente. Brasília (DF). Ministro Felix Fischer: Trata-se de agravo regimental interposto pelo Estado de Pernambuco contra decisão de fls...) Dessa forma. afasto a decadência perpetrada na decisão em combate.) Sustenta o agravante. ser incabível o recurso ordinário. (. Ministros Laurita Vaz. o Sr. seja em razão da literalidade da norma.. 172-173.

entre a data de publicação do edital do concurso e a impetração do mandamus. considerou ser dispensável a intimação do recorrido para oferecer contra-razões ao recurso ordinário.6. 185). 1. abril 2013 93 . 155). aduzindo que. (fl. RSSTJ.. 18 da Lei n. da Constituição Republicana. Assevera. VOTO O Sr. 7. ao final. transcorreram mais de 120 (cento e vinte) dias. do Decreto n. (34): 81-117..533/1951. III. in casu. 27 do apenso. a. considerando que a questão controvertida é eminentemente de direito. Parecer ministerial à fl.2003. Dessa forma. 156). ainda.298/1999 ou nas normas editalícias. (. por pouco. julgado em 3. LV. por fim. Primeira Turma.SÚMULAS . p. 5º. verifica-se que o e. Ministro José Delgado. trago o feito à Turma. Por mantê-la. Ministro Felix Fischer (Relator): Em que pesem as razões do agravante. a súplica não merece prosperar. a partir de precedente desse c. 161. Ocorre que houve decisão colegiada proferida pelo c. Rel. que o caso em comento não se enquadra nas disposições do art. o agravante nas razões do presente agravo regimental. Tribunal de Justiça do Estado de Pernambuco. decisão agravada. alegando afronta ao art. Superior Tribunal de Justiça. Afirma.490-RJ. conforme se depreende da simples leitura da fl. ocorrência de decadência. 15. No que diz respeito ao suscitado cerceamento de defesa. Requer. sustentando que as limitações do recorrente não bastam para conferir-lhe o direito de concorrer às vagas destinadas aos portadores de deficiência. porque interposto contra decisão monocrática (fl.PRECEDENTES Menciona não lhe ter sido oportunizado contra-arrazoar o presente recurso. 3. cumpre salientar que o agravante. Inicialmente. Tribunal a quo. Ademais. impugnou os argumentos do recurso ordinário. É o relatório. induziu-me a erro ao alegar ser incabível o recurso ordinário. inviabilidade do recurso manejado. a reforma da r. o que atrairia a regra do art. 4º. não há.) Sem contra-razões (EDcl no RMS n.

com todo acerto.11. não obstante os argumentos do agravante. desconsideram a aparente ressalva contida nas palavras sem cominação de nulidade. o ato violador do direito pleiteado surgiu com a interpretação equivocada dos médicos-peritos ante o caso concreto e não com a publicação do edital. Deveras. A doutrina e os Tribunais. Precedentes da Corte. no caso em apreço. Malheiros. 2002. conforme consignado na decisão agravada. não verifico nenhum prejuízo a justificar a anulação do feito. 2. no que se refere à decadência. 250 do CPC) e que. Min. Nesse sentido: Processual Civil. por força de decisão liminar. in “Instituições de Direito Processual Civil” v. Isso porque. cause prejuízo à defesa dos interesses das partes ou sacrifique os fins de justiça do processo. 462. O defeito de forma só deve acarretar a anulação do ato processual impassível de ser aproveitado (art. segundo o qual o prazo para a impetração do mandamus começa a ser contado da ciência pelo interessado do ato que efetivamente lhe feriu o direito líquido e certo. Luiz Fux. DJU de 24. matriculou-se em instituição de ensino. todavia. 600-601).577-DF. 6. Ausência de participação do revisor no julgamento da apelação. O estudante que. p. Princípio da instrumentalidade das formas. 532. 3. Assim. do CPC. As situações consolidadas pelo decurso de tempo devem ser respeitadas. 1ª Turma. é pacífico o entendimento deste e. e já concluiu o curso. 1. 4. e ainda considerando o rito sumário próprio do mandado de segurança. mesmo quando absoluta a nulidade e ainda quando esteja cominada pela lei. a radicalização das exigências formais seria tão irracional e contraproducente quanto em caso de nulidade relativa (Cândido Rangel Dinamarco. Nulidade absoluta. informado que é o sistema processual pelo princípio da instrumentalidade das formas. somente a inutilidade que sacrifica os fins de justiça do processo deve ser declarada. sob pena de causar à parte desnecessário prejuízo e afronta ao disposto no art. 462 do CPC. 5. tenho que a decisão agravada deve ser mantida. tem o seu direito consolidado pelo decurso do tempo. E. Tribunal. Consagração da máxima pas des nullité sans grief. II. Teoria do fato consumado. Teoria do fato consumado. Recurso parcialmente provido para reconhecer a aplicação do art.2003). SUPERIOR TRIBUNAL DE JUSTIÇA Dessa forma. em princípio. 94 . (REsp n. Rel. entendendo que.

DJU de 5. irremediavelmente. O pedido de reconsideração na via administrativa não interrompe o prazo para o mandado de segurança (Súmula n. Corte é de que a deficiência visual em questão não induz à supressão do benefício instaurado na legislação em comento. Súmula n. Publicação do ato coator. 18 da Lei n. 3.SÚMULAS .2006).A decisão do processo administrativo que deferiu parcialmente incorporação de vantagem vencimental foi implementada na remuneração da servidora em novembro de 1999 e o writ foi impetrado somente em 3 de setembro de 2002. 18 da Lei n.). o entendimento corrente desta e. a. Administrativo. Processual Civil.Conforme reiterada jurisprudência do Superior Tribunal de Justiça.4. 4. contados da efetiva constrição ao pretenso direito líquido e certo invocado.298/1999.PRECEDENTES Nesse sentido. Min. Paulo Medina. 7. Rel. (RMS n. Recurso desprovido.533/1951. a jurisprudência do Pretório Excelso: Ementa: Direito Constitucional e Administrativo.788-MG. 18 da Lei n. Min. n. 1. pelo interessado. 3. Recurso ordinário desprovido. (AgRg no RMS n. 5ª Turma. Reconhecimento da decadência. o que se dá com a sua publicação. Concurso público.2. 2. Art. I . 430-STF. II . Ultrapassado o prazo previsto no art. 6ª Turma. conforme já salientado na decisão agravada. Precedentes. Rel. (34): 81-117. 1. III . Quanto à alegada ofensa ao dispositivo do Decreto n. Administrativo. 18. Gilson Dipp. mutatis mutandis: Recurso ordinário. in casu. Recurso ordinário em mandado de segurança. do ato objurgado. para impetrar mandado de segurança conta-se da ciência. Nesse sentido. Agravo interno desprovido. Termo inicial do prazo decadencial. o prazo decadencial para impetração do mandado de segurança é de 120 (cento e vinte) dias. O prazo de 120 (cento e vinte) dias. a decadência.2007) (g. Mandado de segurança. Candidato portador de deficiência RSSTJ. 430 STF). 22. opera-se. julgado em 4. não há que se falar em decadência do mandamus. Dessa forma. abril 2013 95 . Decisão administrativa. 1.Agravo interno desprovido. 1. Ciência inequívoca dos efeitos produzidos.533/1951.533/1951. Fixação do marco inicial para impetração do writ. impondo-se o reconhecimento da decadência nos termos do art.057-PA.

2.implica limitação superior à deficiência parcial que afete os dois olhos. não implica exclusão do benefício da reserva de vaga para candidato com visão monocular. 3. III. DJU de 3. Min. de minha relatoria.853/1989. III . Tribunal: Administrativo.298/1999 e n. seja em razão do exame da própria finalidade da reserva de vagas para deficientes.2. 5.A deficiência visual. 5ª Turma. O candidato com visão monocular padece de deficiência que impede a comparação entre os dois olhos para saber-se qual deles é o “melhor”. 4. 3. Concurso público. 5ª Turma. Ilegalidade.298/1999.10. deve ser interpretado em consonância com o art. tem-se que a visão 96 . nesse sentido. 3º do mesmo diploma legal.comprometedora das noções de profundidade e distância . Decretos n. Deficiente visual. 3. 37 da Constituição Federal. Visão monocular. Precedentes. I . (RMS n. DJU de 30. Portador de visão monocular. a jurisprudência deste e. Rel. II – “A visão monocular cria barreiras físicas e psicológicas na disputa de oportunidades no mercado de trabalho. SUPERIOR TRIBUNAL DE JUSTIÇA visual. do Decreto n. Recurso ordinário provido. A visão univalente . Também. 19. de modo a não excluir os portadores de visão monocular da disputa às vagas destinadas aos portadores de deficiência física. 4º. definida no art.112/1990. 1. Carlos Britto. Recurso ordinário provido. Exclusão do benefício da reserva de vaga. Rel. III.4. 8. 1. do Decreto n. Recurso ordinário provido. (RMS n.296/2004. § 2º do art. O art.Recurso ordinário provido. situação esta que o benefício da reserva de vagas tem o objetivo de compensar”. Direito a concorrer às vagas destinadas aos portadores de deficiência física.2008). Reserva de vaga. (RMS n. Recurso ordinário em mandado de segurança. que define as hipóteses de deficiência visual.291-PA.2006). Lei n.2006). A reparação ou compensação dos fatores de desigualdade factual com medidas de superioridade jurídica constitui política de ação afirmativa que se inscreve nos quadros da sociedade fraterna que se lê desde o preâmbulo da Constituição de 1988. 2. Portanto. Min. Inciso VIII do art. DJ de 1º. 3.257-DF. Arnaldo Esteves Lima. 26. 19. seja em razão da literalidade da norma. Ambliopia.298/1999. Recurso provido. 7.071-DF. 4º. 5º da Lei n.

RSSTJ. MANDADO DE SEGURANÇA N. Og Fernandes. Direito líquido e certo. nos termos do voto do Sr. Maria Thereza de Assis Moura. Precedentes do c. Nomeação. ACÓRDÃO Vistos. acordam os Ministros da Terceira Seção do Superior Tribunal de Justiça. Reconhecimento. Reserva de vaga. Presidiu o julgamento o Sr. Concurso público. Segurança concedida. Ministro Paulo Gallotti. relatados e discutidos os autos em que são partes as acima indicadas. A visão monocular constitui motivo suficiente para se reconhecer ao impetrante o seu direito líquido e certo à nomeação e posse no cargo público pretendido. dentre as vagas reservadas a portadores de deficiência física. STF e desta c. a.SÚMULAS . Visão monocular. Ministro Relator. Candidato deficiente. 7. Corte Superior. Jorge Mussi.311-DF (2008/0012075-8) Relator: Ministro Felix Fischer Impetrante: Flademir de Carvalho Nunes Advogado: Clea Seabra Alves Le Gargasson Impetrado: Ministro de Estado da Agricultura Pecuária e Abastecimento EMENTA Mandado de segurança. Jane Silva (Desembargadora convocada do TJ- MG) e Nilson Naves. abril 2013 97 . 13. conceder a segurança. nego provimento ao agravo regimental. Ministra Laurita Vaz e os Srs.PRECEDENTES monocular é motivo suficiente para reconhecer ao recorrente o direito ao enquadramento nas hipóteses legais. Ante o exposto. (34): 81-117. Ministros Arnaldo Esteves Lima. Napoleão Nunes Maia Filho. por unanimidade. Votaram com o Relator a Sra.

Informações prestadas pela autoridade apontada à fl. Em parecer de fls.2. 385. 98 . Contra essa decisão foi interposto agravo regimental pela União (fls. eis que em desconformidade com o “entendimento jurisprudencial dos nossos Tribunais Superiores” (fl. 74-117 e 118-357.2008 (fls.10. na assentada de 27. 10 de setembro de 2008 (data do julgamento). segundo alega. afirma que a autoridade apontada como coatora deixou de nomeá-lo. Relator DJe 1º. na qual não se fez constar o nome do impetrante para o provimento do cargo público de Agente de Inspeção Sanitária dos quadros daquele ministério. impetrado por Flademir de Carvalho Nunes contra ato do Exmo. 5). Pecuária e Abastecimento. 3. com pedido liminar. Ministro Peçanha Martins. inscreveu- se regularmente no certame. Sr. o qual restou desprovido por esta e. de 24 de dezembro de 2007. 359-360. SUPERIOR TRIBUNAL DE JUSTIÇA Brasília (DF). 73 e 119. Devidamente aprovado. Subprocuradoria-Geral da República opinou pela concessão da segurança. oportunidades em que juntou os documentos de fls. Tribunal Superior. para concorrer às vagas reservadas a candidatos portadores de deficiência. então Vice-Presidente deste c. A medida liminar foi deferida pelo e. Ministro Felix Fischer. Com base nesse laudo. bem como a sua participação no treinamento previsto no edital do certame. ocasião em que se determinou a posse do impetrante no cargo público pretendido.298/1999. Ministro de Estado da Agricultura. 27-28). em virtude de possuir visão monocular. Ministro Felix Fischer: Trata-se de mandado de segurança. 43-51). 362-366). Aduz o impetrante que. Terceira Seção. foi submetido à avaliação de saúde. É o relatório.2008 RELATÓRIO O Sr. o que. teria malferido seu direito líquido e certo. a d. consubstanciado na edição da Portaria n. até o julgamento do mérito do presente mandado de segurança (fls. na qual se concluiu que não estaria qualificado como portador de deficiência por não se enquadrar nas categorias especificadas no Decreto n.

5ª Turma. 2. se pronunciado no sentido de que a interpretação do Decreto n. determine à autoridade coatora a concretização de sua posse no cargo público de Agente de Inspeção Sanitária. 3.2008).489-DF. Inclusão no benefício de reserva de vaga.12. 5º. Decadência. Candidato com visão monocular. 22. colaciono os seguintes precedentes: Recurso ordinário em mandado de segurança. às vagas reservadas a deficientes físicos. Superior Tribunal de Justiça que. bem como do Pretório Excelso. (AgRg no RMS n. Deficiente visual. Exegese do art. Agravo regimental desprovido. DJ de 18. Ilegalidade.c.A visão monocular constitui motivo suficiente para reconhecer ao recorrente o direito às vagas destinadas aos portadores de deficiência física. § 2º. da Lei n. A matéria não é inédita no âmbito deste c. abril 2013 99 . Portador de deficiência. Visão monocular. Ministra Laurita Vaz. 1. Concurso público. Tribunal. Nesse sentido. Quinta Turma tem. em concurso público. por meio da e. Precedentes desta Quinta Turma.112/1990. Recurso ordinário em mandado de segurança.PRECEDENTES VOTO O Sr. Rel. 3. 8. RSSTJ.298/1999. Precedentes deste e. Exclusão do benefício da reserva de vaga. que dispõe sobre a Política Nacional para a Integração da Pessoa Portadora de Deficiência.6. 37.105-PE. VIII.2006). Recurso conhecido e provido. Logo. a. a questão controvertida diz respeito à possibilidade de os portadores de visão monocular concorrerem. reconhecendo a sua condição de deficiente físico em razão de visão monocular. (34): 81-117. (RMS n. O candidato portador de visão monocular.298/1999 não exclui os portadores de visão monocular do benefício da reserva de vagas para deficientes físicos.SÚMULAS . Administrativo. reiteradamente. na forma prevista art. 3º c. 7. I .O prazo para a impetração do mandamus começa a ser contado da ciência pelo interessado do ato que efetivamente lhe feriu o direito líquido e certo. 5ª Turma. DJe de 30. em sua combinação com o art. 4º do Decreto n. de minha relatoria. enquadra-se no conceito de deficiência que o benefício de reserva de vagas tenta compensar. 26. em vaga reservada a portadores de deficiência física. art. Ministro Felix Fischer (Relator): Busca o impetrante provimento de natureza mandamental que. Não configuração. II . da Constituição Federal.

Recurso ordinário provido. ratifico os efeitos da liminar anteriormente deferida e concedo a segurança para determinar à autoridade coatora que nomeie.071-DF. Carlos Britto. 5º da Lei n. 2. O candidato com visão monocular padece de deficiência que impede a comparação entre os dois olhos para saber-se qual deles é o “melhor”. que define as hipóteses de deficiência visual.298/1999. Concurso público. 19. 8. Arnaldo Esteves Lima. (grifamos). Direito a concorrer às vagas destinadas aos portadores de deficiência física. 3. Ilustrativamente: Direito Constitucional e Administrativo. 4º.853/1989. Candidato portador de deficiência visual. 1. III. está comprovado que o impetrante possui visão monocular (fls. deve ser interpretado em consonância com o art. nos termos da orientação jurisprudencial desta e. 37 da Constituição Federal. 5ª Turma. Rel. 26. Decretos n. 1. Recurso ordinário provido. Recurso ordinário em mandado de segurança. definitivamente. 1ª Turma. Concurso público. In casu.2. Recurso ordinário provido.comprometedora das noções de profundidade e distância . A visão univalente . a jurisprudência do e.257-DF. 5. é considerada deficiência física para fins de provimento de cargo público. do Decreto n. § 2º do art. Rel.2008). (RMS n. Ambliopia. razão por que a segurança deve ser concedida. Ante o exposto. Min.2006).298/1999 e n. Corte Superior e do c. DJ de 30.112/1990. Supremo Tribunal Federal reconhece aos monoculares a condições de deficiente físico. de modo a não excluir os portadores de visão monocular da disputa às vagas destinadas aos portadores de deficiência física. 2.implica limitação superior à deficiência parcial que afete os dois olhos.10. 18-20) e essa condição. (RMS n. De igual modo. A reparação ou compensação dos fatores de desigualdade factual com medidas de superioridade jurídica constitui política de ação afirmativa que se inscreve nos quadros da sociedade fraterna que se lê desde o preâmbulo da Constituição de 1988.296/2004. 3. 3º do mesmo diploma legal. o impetrante no cargo de Agente de Inspeção Sanitária e 100 . 7. Lei n. SUPERIOR TRIBUNAL DE JUSTIÇA Administrativo. Inciso VIII do art. Supremo Tribunal Federal. Portador de visão monocular. Reserva de vaga. Precedentes. 4. DJU de 1º. O art. Min. 3.

de modo a não excluir os portadores de visão monocular da disputa às vagas destinadas aos portadores de deficiência física. ACÓRDÃO Vistos.PRECEDENTES Industrial de Produtos de Origem Animal. III. Recurso ordinário provido. 3º do mesmo diploma legal. 4º. (34): 81-117. 7. Concurso público. 3. Ministro RSSTJ. Precedentes. acordam os Ministros da Quinta Turma do Superior Tribunal de Justiça. RECURSO EM MANDADO DE SEGURANÇA N.257-DF (2004/0169336-4) Relator: Ministro Arnaldo Esteves Lima Recorrente: José Francisco de Araújo Advogado: Antônio Vale Leite e outro Tribunal de origem: Tribunal de Justiça do Distrito Federal e Territórios Impetrado: Desembargador Presidente do Tribunal de Justiça do Distrito Federal e Territórios Recorrido: União EMENTA Administrativo.SÚMULAS . Recurso ordinário provido. deve ser interpretado em consonância com o art. relatados e discutidos os autos em que são partes as acima indicadas. abril 2013 101 . É o voto. 19. nos termos do voto do Sr. por unanimidade. Portador de visão monocular. 2. a. que define as hipóteses de deficiência visual. 1. garantido-lhe a posse na vagas destinadas a portadores de deficiência. do Decreto n. Direito a concorrer às vagas destinadas aos portadores de deficiência física. O art.298/1999. dar provimento ao recurso.

Por isso mesmo. 3. 4º do Dec. “é injusto e deve ser interpretado pelo aplicador do direito atendendo-se aos fins sociais da norma. Concurso público. Gilson Dipp e Laurita Vaz votaram com o Sr. Brasília (DF). 3. Ministro Arnaldo Esteves Lima. b. denega-se a ordem de segurança impetrada. 99): Mandado de segurança. 3. O recorrente impetrou mandado de segurança objetivando sua inclusão na lista dos candidatos qualificados a concorrer a vaga destinada a portador de deficiência física no concurso público para provimento de cargos de Técnico Judiciário do Tribunal de Justiça do Distrito Federal e dos Territórios. com fundamento no art.2006 RELATÓRIO O Sr. 4º do Decreto n. (b) o art. Não enquadramento aos parâmetros estabelecidos no art. por não considerar deficiente físico quem é portador de cegueira em apenas um olho. Relator DJ 30. pois é portador de Ambliopia no olho esquerdo. Os Srs.10. Não basta a alegação de que o candidato possui alguma deficiência. sustenta que (a) está comprovado nos autos que é portador de visão monocular. já que o laudo médico que apresentou à Comissão do Concurso não foi impugnado. contra acórdão do Tribunal de Justiça do Distrito Federal e dos Territórios assim ementado (fl. SUPERIOR TRIBUNAL DE JUSTIÇA Relator. Verificando-se que a deficiência visual do impetrante não se amolda aos parâmetros estabelecidos para fins de atendimento das diretrizes previstas na Lei n. sendo considerada cegueira legal neste olho (acuidade visual 20/400 com correção). Segurança denegada.298/1999 estabeleceu o padrão mínimo de deficiência. para que faça jus a concorrer a uma das vagas destinadas aos portadores de deficiência física. Ministros Felix Fischer. n. princípio da razoabilidade e da 102 . Vagas reservadas a portadores de deficiência física. Ministro Relator. a partir do qual haverá de ser deferido o benefício. 105. o Decreto n. No presente recurso ordinário. da Constituição Federal.853/1989.298/1999.298/1999. 10 de outubro de 2006 (data do julgamento). Ministro Arnaldo Esteves Lima: Trata-se de recurso ordinário em mandado de segurança interposto por José Francisco de Araújo. 7. II.

meios ou recursos especiais para que a pessoa portadora de deficiência possa receber ou transmitir informações necessárias ao seu bem-estar pessoal e ao desempenho de função ou atividade a ser exercida. adaptações. Ressalto. 3. RSSTJ. 134-137). o recorrente impetrou mandado de segurança objetivando sua inclusão na lista dos candidatos qualificados a concorrer a vaga destinada a portador de deficiência física no concurso público para provimento de cargos de Técnico Judiciário do Tribunal de Justiça do Distrito Federal e dos Territórios. em observância ao princípio da isonomia. Ministro Arnaldo Esteves Lima (Relator): Conforme relatado acima. que a deficiência de que o recorrente é portador não restou contestada nos autos. que. com necessidade de equipamentos. 114).deficiência permanente – aquela que ocorreu ou se estabilizou durante um período de tempo suficiente para não permitir recuperação ou ter probabilidade de que se altere. (c) possui direito de concorrer a vaga destinada a portador de deficiência. considera-se: I . inicialmente. II . abril 2013 103 . e III . fisiológica ou anatômica que gere incapacidade para o desempenho de atividade. A matéria é regulada pelo Decreto n. 124-127). apesar de novos tratamentos.SÚMULAS .298/1999. na época em que foi realizado o certame em debate. continha a seguinte redação: Art. opina pelo provimento do recurso ordinário (fls.deficiência – toda perda ou anormalidade de uma estrutura ou função psicológica. pelo Subprocurador-Geral da República José Flaubert Machado Araújo.incapacidade – uma redução efetiva e acentuada da capacidade de integração social. VOTO O Sr. (34): 81-117. Para os efeitos deste Decreto. É o relatório. A União apresentou contra-razões (fls. 3º. 7.PRECEDENTES finalidade” (fl. a. pois é portador de Ambliopia no olho esquerdo. restringindo-se a discussão apenas na hipótese de o portador de visão monocular possuir direito a concorrer às vagas destinadas aos portadores de deficiência física em concursos públicos. O Ministério Público Federal. dentro do padrão considerado normal para o ser humano. sendo considerada cegueira legal neste olho (acuidade visual 20/400 com correção).

em razão da necessária igualdade de condições. (. e nos parece óbvio que a imprestabilidade de um órgão tão importante como o olho insere-se na expressão “perda ou anormalidade de uma estrutura ou função psicológica. o Impetrante é portador de cegueira legal. Desta forma.. referida no caput. Caso a aplicação do percentual de que trata o parágrafo anterior resulte em número fracionado. conforme atesta o laudo de fl. concorrerá a todas as vagas. As hipóteses descritas no artigo 4º tratam de conceitos específicos. para provimento de cargo cujas atribuições sejam compatíveis com a deficiência de que é portador.) Ora. 37. 87-88): A interpretação da norma legal deve levar em conta o sistema no qual a mesma encontra-se inserida. nos termos do inciso II. § 2º. onde entendeu-se que “a visão monocular cria barreiras físicas e psicológicas na disputa de oportunidades no mercado de 104 . este deverá ser elevado até o primeiro número inteiro subseqüente. O conceito estabelecido no artigo 3º do citado diploma legal é fundamental para a compreensão do tema. nos termos do inciso III. 56. 4º. Fica assegurado à pessoa portadora de deficiência o direito de se inscrever em concurso público. O mesmo posicionamento encampado pela decisão atacada foi rejeitado pela 1ª Turma do TRF da 1ª Região.. É considerada pessoa portadora de deficiência a que se enquadra nas seguintes categorias: (.) Art. O candidato portador de deficiência. sendo reservado no mínimo o percentual de cinco por cento em face da classificação obtida. após a melhor correção.. a interpretação do inciso III do artigo 4º do referido decreto não deve ocorrer de forma isolada. ou campo visual inferior a 20º (tabela de Snellen). em igualdade de condições com os demais candidatos.deficiência visual – acuidade visual igual ou menor que 20/200 no melhor olho. dentro do padrão considerado normal para o ser humano”. conforme salientado pelo Ministério Público Federal no parecer apresentado no Tribunal de origem (fls.) III . Ocorre que. sendo necessário o uso de aparelho (prótese).. para minorar a dificuldade de integração social oriunda da deficiência. fisiológica ou anatômica que gere incapacidade para o desempenho de atividade. (. A deficiência é permanente. que não excluem aqueles estabelecidos no artigo 3º supracitado.. SUPERIOR TRIBUNAL DE JUSTIÇA Art. § 1º.. ou ocorrência simultânea de ambas as situações.

do Decreto n. (34): 81-117. definida no art. não implica exclusão do benefício da reserva de vaga para candidato com visão monocular. situação esta que o benefício da reserva de vagas tem o objetivo de compensar”. III. RECURSO EM MANDADO DE SEGURANÇA N. situação esta que o benefício de reserva de vagas tem por objetivo compensar. abril 2013 105 .4. Custas ex lege. (RMS n. 19. a. É o voto. Deficiente visual. dou provimento ao recurso ordinário. 4º. Felix Fischer. assim decidiu o Superior Tribunal de Justiça: Recurso ordinário em mandado de segurança. Recurso provido. Sem condenação ao pagamento de honorários advocatícios.291-PA. p. 19. Exclusão do benefício da reserva de vaga.298/1999. Min.291-PA (2004/0170853-2) Relator: Ministro Felix Fischer Recorrente: Drailton Darlan Silva Gouvea Advogado: Ricardo Luiz Oliveira do Carmo e outros Tribunal de origem: Tribunal de Justiça do Estado do Pará Impetrado: Desembargadora Presidente do Tribunal de Justiça do Estado do Pará Recorrido: Estado do Para RSSTJ. Ante o exposto. 372). Concedo a segurança para incluir o recorrente entre os candidatos qualificados a concorrer às vagas destinadas aos portadores de deficiência. Visão monocular. nos termos da Súmula n. 3.SÚMULAS . II . Quinta Turma. Rel. III .“A visão monocular cria barreiras físicas e psicológicas na disputa de oportunidades no mercado de trabalho. DJ 3.2006. Ilegalidade. I . Em caso semelhante ao dos autos.PRECEDENTES trabalho”.A deficiência visual.Recurso ordinário provido. 105 do Superior Tribunal de Justiça. 7.

Deficiente visual. Ministro Relator. relatados e discutidos os autos em que são partes as acima indicadas. reclassificando-os na lista geral de candidatos comuns 106 . não implica exclusão do benefício da reserva de vaga para candidato com visão monocular. Brasília (DF). assim ementado. com fundamento no art. verbis: Mandado de segurança. ACÓRDÃO Vistos. III .2007 RELATÓRIO O Sr. 15 de fevereiro de 2007 (data do julgamento).“A visão monocular cria barreiras físicas e psicológicas na disputa de oportunidades no mercado de trabalho. Modificação havida nas classificações dos Impetrantes. do Decreto n. II . no concurso público. Laurita Vaz e Arnaldo Esteves Lima votaram com o Sr. acórdão do e.Recurso ordinário provido. Ilegalidade. nos termos do voto do Sr. III. Exclusão do benefício da reserva de vaga. Concurso público. Ministros Gilson Dipp. 105. Relator DJ 26. Ministro Relator. 4º.298/1999. 3. da Constituição da República.A deficiência visual. para preenchimento de vagas aos cargos que concorreram. Recurso provido. dar provimento ao recurso. SUPERIOR TRIBUNAL DE JUSTIÇA EMENTA Recurso ordinário em mandado de segurança. alínea b. em face do v. que os teria retirado a condição de portadores de deficiência física. acordam os Ministros da Quinta Turma do Superior Tribunal de Justiça. Tribunal de Justiça do Estado do Pará. Ministro Felix Fischer: Trata-se de recurso ordinário em mandado de segurança interposto por Drailton Darlan Silva Gouvea. por unanimidade. definida no art.3. Visão monocular. I . situação esta que o benefício da reserva de vagas tem o objetivo de compensar”. Os Srs. Ministro Felix Fischer.

ao percentual de reserva de vagas especiais. ou seja. com decisão terminativa sobre a qualificação do(s) candidato(s) como portador(es) de deficiência física ou não e sobre o grau de deficiência capacitante para o exercício do cargo. 4º. Alega o recorrente que foi aprovado na primeira fase do concurso público para provimento de vagas em cargos de nível superior. requer seja reconhecido o direito de ser empossado definitivamente no cargo. como sustenta o recorrente.Segurança denegada (fl. como deficiente físico. 3. 1/2001): Vencida a única etapa de prova. qual seja. 196). sem direito. aduz que “não figura como abrangido pelos termos deste decreto. não possui um melhor olho. I .PRECEDENTES aprovados no aludido certame.Não se pode considerar. do Decreto n. mas sim um único olho em condição deficiente de visão. de nível médio e de nível fundamental. abril 2013 107 . Ao final.298/1999. conforme estabelecia as regras previstas na norma editalícia inaugural. tendo resultado negativo de reconhecimento da deficiência alegada.” (fl. realizada por médico oficial ou credenciado pelo Tribunal (item 3. se a autoridade Impetrada se valeu de Laudo Técnico aferitório de deficiência dos Impetrantes. foi(ram) submetido(s) a Avaliação Médica. implicando assim. na lista de candidatos comuns aprovados. Após transcrever o art. 279-282). de 20 de dezembro de 1999. inciso III. pois. promovido pelo e. sem direito ao percentual de vagas especiais para os cargos que disputaram. inquinado e revestido de flagrante ilegalidade o ato impugnado. (fl. II . emitido pela junta médica “competente. 187).298.SÚMULAS . 3. em razão de o embargante não ter sido intimado para apresentar contra-razões. 220). o Estado do Pará sustentou a legalidade da exclusão do recorrente da lista de deficientes físicos e requereu RSSTJ. (34): 81-117. 241-246. Apresentadas as contra-razões (fls. 7.2 do edital). Foram acolhidos os embargos declaratórios do Estado do Pará para anular o acórdão de fls. simplesmente por ser cego em um dos olhos. o(s) Recorrente(s) foi(ram) classificado(s) para a segunda etapa do Certame. a inclusão dos mesmos. apesar de ter sido reconhecido que possui apenas a visão em um dos olhos (visão monocular). Tribunal de Justiça do Estado do Pará (Edital n. a mencionada avaliação médica concluiu que ele não se enquadrava nas disposições do Decreto n. a. 194). na condição de deficiente físico (fl. Ocorre que.

sustentando. Candidatos aprovados classificados em 1º e 4º lugares excluídos da convocação para exames complementares Portadores de visão monocular. opina pelo provimento do recurso ordinário. Deficientes físicos deficiência visual comprovada. Visão monocular. Portanto trata-se de paciente com amaurose (cegueira) esquerda.853/1989 autorizando tratamento diferenciado em concurso público para conferir aos recorrentes as vagas destinadas aos portadores do deficiência (fl. Tratamento especial. em razão deste ter tomado posse em outro cargo inacumulável. Parecer do Ministério Público Federal pelo conhecimento e provimento do recurso por considerar que os portadores de visão monocular enquadram-se no conceito de deficiente físico previsto no Decreto n. 37. no olho direito. Ministério Público Federal. Ministro Felix Fischer (Relator): O recorrente impetrou mandado de segurança em razão da exclusão de seu nome da concorrência às vagas destinadas aos portadores de deficiência física. SUPERIOR TRIBUNAL DE JUSTIÇA a extinção do processo em relação ao recorrente Halysson de Castro Freire. Administrativo.298/1999 regulamentador da Lei n. Intimado. Recurso ordinário em mandado de segurança concurso público. é igual a 1 (20/20). em síntese: 1. Reserva de vagas Art. 7. com correção. É o relatório. da Constituição Federal de 1988. 45). Possibilidade 3. este recorrente concordou com a extinção do feito. do ponto de vista ocular. o que culminou com a decisão de fl. às fls. 3. O d. A acuidade visual direita do paciente. 226-236. com a correção óptica. não se enquadrando como deficiente visual (fl. com visão máxima. Essa decisão baseou-se em laudo médico o qual assim concluiu: Drailton Darlan Silva Gouvêa Paciente foi por mim examinado para Exame Admissional. Exclusão de Candidatos. 303. 226). Da análise desse documento é incontestável que o recorrente possui visão em apenas um dos olhos e que os critérios utilizados para a conclusão de que 108 . 2. VOTO O Sr. VIII.

05 no melhor olho. Eis o argumento: Portanto. quando juiz-convocado. a. Desembargador Federal João Batista Moreira examinou a questão em caso análogo: É razoável o ato da Administração que excluiu o impetrante da classe de deficiente. devem ser usados em pessoas que tem visão em dois olhos. simplesmente por serem cegos em um dos olhos. Mesmo que não nos prendamos a literalidade dos enunciados.) O ato foi praticado com base em parecer da Junta Médica Nacional do Ministério da Fazenda.deficiência visual . também na condição de deficiente. 7. classificar-se na primeira etapa do concurso? Esta é a questão a ser decidida no presente mandado de segurança.. que significa acuidade visual entre 0.3 e 0. após. para efeito de reserva de vaga. (Redação dada pelo Decreto n. condição em que. sem sentido a afirmativa: “no melhor olho”. 4º .SÚMULAS . o que não é o caso dos Recorrentes. segundo o qual portadores de visão monocular não são RSSTJ..cegueira. abril 2013 109 . a conclusão será a mesma. na qual a acuidade visual é igual ou menor que 0. (fl.PRECEDENTES este não se enquadra como deficiente visual são os constantes do Decreto n. mas sim um único olho em condições deficientes de visão. Uma interpretação literal desse dispositivo confirma o argumento dos recorrente de que esses critérios dirigem-se aos deficientes que possuem visão em ambos os olhos. ao considerarmos a finalidade da própria norma que impõe a reserva de vagas aos deficientes. de 2004). os casos nos quais a somatória da medida do campo visual em ambos os olhos for igual ou menor que 60o.É considerada pessoa portadora de deficiência a que se enquadra nas seguintes categorias: (.) III .296. não possuem um melhor olho. por possuir visão monocular. com a melhor correção óptica.05 no melhor olho. Nesse sentido.. votando nos seguintes termos: (. (34): 81-117. a baixa visão.. o que se leva a concluir o engano cometido: os Recorrentes não figuram como abrangidos pelos termos deste decreto. ou seja. 5. 196).. 3.298/1999. os parâmetros do referido Diploma Legal.) melhor olho (. fui relator de semelhante processo de mandado de segurança. pretendeu participar do Curso de Formação para Auditor Fiscal do Tesouro Nacional.. Na 1ª Turma. ou a ocorrência simultânea de quaisquer das condições anteriores. com a melhor correção óptica.. o Decreto é claro como água ao mencionar “(. o e.)” figurando bem lucidamente que. caso contrário.. Eis o que dispõe esse regulamento: Art.

não é. O deficiente é o sub-normal. que a visão monocular é. tenha condições mínimas de desempenhar as atribuições do cargo. Voto pelo provimento do recurso. fui vencido. motivo bastante para o enquadramento de candidato a concurso público na classe de deficiente.) Esse ponto de vista foi acolhido por unanimidade. inválida. tendo sido excluído da categoria de deficiente porque a visão do outro olho é perfeita. de modo que é improvável a existência de prejuízo real até mesmo para outros concorrentes ao cargo. para ingressar no serviço público. como a aposentadoria por invalidez. o meio-termo. à Administração. ainda não transitada em julgado a primeira decisão.. a partir da distinção entre o deficiente e o inválido. para efeito de reserva de vaga. Aqui. ao contrário de prejuízo. Destaco que não está sendo julgada a concessão de um benefício previdenciário. porque ser for inválida nem poderá concorrer a cargo público. mas uma situação em que a pessoa irá prestar serviços à Administração em troca de vencimentos. Se assim não for considerado. o deficiente e o inválido. SUPERIOR TRIBUNAL DE JUSTIÇA deficientes para efeito de concorrência à reserva de vagas e porque. reformando a sentença para deferir a segurança. O objetivo do benefício da reserva de vaga é compensar as barreiras que tem o deficiente para disputar as oportunidades no mercado de trabalho. deficiência visual é a perda ou redução de capacidade visual em ambos os olhos em caráter definitivo e que não possa ser melhorada ou corrigida com o uso de lentes e tratamento clínico ou cirúrgico. Não há dúvida de que uma pessoa que enxergue apenas de um olho tem dificuldades para estudar. equipara-se a deficiência à invalidez. 110 . conforme manifestação da Coordenadoria Nacional para Integração das Pessoas Portadoras de Deficiência. É a pessoa que. todavia. no instante em que trouxe outro processo em que o mesmo candidato pleiteava a nomeação. mas senti certa vacilação. não sendo totalmente capaz. mas se fossem equiparadas as duas situações estaria criada aquela contradição.. porque os outros dois juízes entenderam que. O recorrente não tem. pelo que mostra a realização de sucessivos concursos para Auditor-Fiscal do Tesouro Nacional. algum tempo depois. não se poderia nomear provisoriamente. Além disso. a visão de um olho. Pode não ser deficiência para outros fins. uma vez que estarão sendo recuperadas as despesas feitas com o apelante no curso de formação. Há que se estabelecer distinção entre a pessoa plenamente capaz. O deferimento do pedido trará vantagens. há centenas de vagas para o cargo. estará criada uma contradição: exige-se que o deficiente. sim. ao mesmo tempo. totalmente. Continuo pensando. (. mas. barreiras psicológicas e restrições para o desempenho da maior parte das atividades laborais.

Apelação em Mandado de Segurança n. deve-se prestigiar a opção administrativa). se o fizesse. para efeito de reserva de vaga. teria. No caso dos autos. qual seja. já que se trata de análise acerca da legalidade. Pelo exposto. 3. dou provimento ao recurso ordinário. Com efeito. a qual está devidamente comprovada e sequer é contestada pelo recorrido. RECURSO EM MANDADO DE SEGURANÇA N.01. seja em razão da literalidade da norma (Decreto n. a. (34): 81-117.061913-2-DF.489-DF (2006/0176423-8) Relatora: Ministra Laurita Vaz Recorrente: Paulina Lemes de França Barbosa Advogado: Adão Neves de Oliveira e outro Tribunal de origem: Tribunal de Justiça do Distrito Federal e dos Territórios RSSTJ.SÚMULAS . (TRF1. 7. entendo que a visão monocular é motivo suficiente para o enquadramento do recorrente como deficiente. Ademais. a questão jurídica objeto deste recurso ordinário refere-se à adequação ou não dos critérios previstos no Decreto n. 3. tendo em vista sua carga discricionária (No ato administrativo predominantemente discricionário. 48-60) que foi aprovado em outros concursos públicos nas vagas reservadas a deficientes. o recorrente demonstrou (fls. a visão monocular do recorrente. seja em razão do exame da própria finalidade da disposição da reserva de vagas para deficientes.PRECEDENTES Não classifico a questão sequer como duvidosa. que manter o ato administrativo. III).2001). Esse exame não invade eventual discricionariedade administrativa. por conseqüência. o fato considerado para tanto é incontroverso. 22. havendo dúvida sobre a adequação dos motivos ao objeto. 1998.298/1999 à espécie.00. art. tendo em vista a peculiaridade do caso concreto (visão monocular). abril 2013 111 . DJ 16. Dessa forma.11. porque. 4º. a partir da aplicação ou não de determinada disposição normativa.289/1999. É o voto.

com fundamento no art. art. ACÓRDÃO Vistos. da Constituição Federal. Inclusão no benefício de reserva de vaga. na conformidade dos votos e das notas taquigráficas a seguir. Ministra Relatora. SUPERIOR TRIBUNAL DE JUSTIÇA Impetrado: Procurador Geral do Distrito Federal Recorrido: Distrito Federal Procurador: Alexandre Castro Cerqueira e outros EMENTA Administrativo. 3. 105. ementado nos seguintes termos. 1. 28 de novembro de 2006 (data do julgamento). relatados e discutidos estes autos. que dispõe sobre a Política Nacional para a Integração da Pessoa Portadora de Deficiência.2006 RELATÓRIO A Sra. Exegese do art. in verbis: 112 . nos termos do voto da Sra. 2. inciso II. alínea b. Relatora DJ 18. Ministra Laurita Vaz: Trata-se de recurso ordinário em mandado de segurança interposto por Paulina Lemes de França Barbosa. Os Srs.c. O candidato portador de visão monocular. Brasília (DF). Portador de deficiência. Ministra Laurita Vaz. 3º c. Felix Fischer e Gilson Dipp votaram com a Sra. 4º do Decreto n. Candidato com visão monocular. acordam os Ministros da Quinta Turma do Superior Tribunal de Justiça. Ministros Arnaldo Esteves Lima. Concurso público. dar provimento ao recurso. enquadra-se no conceito de deficiência que o benefício de reserva de vagas tenta compensar. Ministra Relatora. por unanimidade. Recurso ordinário em mandado de segurança.298/1999. em face de acórdão proferido pelo Tribunal de Justiça do Distrito Federal e dos Territórios.12. Recurso conhecido e provido. Precedentes desta Quinta Turma.

(34): 81-117. Visão monocular.212/2002). e que de acordo com o laudo emitido pela Diretoria de Saúde Ocupacional. Afirma que no ato da inscrição apresentou laudos médicos que comprovam a sua deficiência. VOTO A Sra. Ministra Laurita Vaz (Relatora): Insurge-se a Recorrente contra acórdão que denegou a segurança. Parecer pelo provimento do recurso. 1º do Dec. 4º do Decreto n. Inadequação da via. Concurso público. Precedente do STJ. 3. Sustenta a Recorrente que tem o direito líquido e certo de ser empossada no cargo para o qual foi aprovada e nomeada. alterado pelo de n. Visão monocular. na vaga destinada a portadores de deficiência. 136-143. posto que portadora de visão monocular. 3. tendo a Administração deferido sua inscrição. 1. Liminar revogada. Concurso público. (fl. possui 20/20 da acuidade visual no melhor olho. É o relatório. 2.CID 10. Preliminar de inadequação da via eleita rejeitada. Vagas destinadas a portadores de deficiência física. n. O Ministério Público Federal opinou pelo provimento do recurso em parecer que guarda a seguinte ementa. abril 2013 113 . 23. Vagas destinadas a portadores de necessidades especiais. Candidata eliminada do certame. não foi considerada deficiente. Perícia médica oficial.298/1999. previstas no inciso III do art. Contra-razões apresentadas pelo Distrito Federal às fls. Interpretação de laudos periciais. Segurança denegada. Improcedente a preliminar de ilegitimidade passiva. Ilegitimidade passiva do Procurador-Geral. Administrativo. cujo fim era a posse no cargo para o qual RSSTJ. não há que se falar na necessidade de produção de provas. 4. impedindo sua posse no cargo almejado.PRECEDENTES Mandado de segurança. Preliminares rejeitadas. litteris: RMS.296/2004. Ao Procurador-Geral do Distrito Federal compete “dar posse e exercício a titulares de cargos efetivos e comissionados que lhe são subordinados” (inciso III do art. Provado que a impetrante. 5.SÚMULAS . a. a qual se enquadrava no Código Internacional de Doença . Tratando-se de simples interpretação de laudos produzidos por hospital particular e por junta médica oficial. foi submetida ao exame ocupacional. nenhuma ilegalidade ou abuso de poder praticou a autoridade que a excluiu do certame por não se enquadrar nas hipóteses de deficiente visual. 150). No momento da posse. Procuradoria-Geral do Distrito Federal. 99). 7. (fl.

O referido decreto considera deficiente visual a pessoa que apresenta acuidade visual igual ou menor que 20/200 no melhor olho.É considerada pessoa portadora de deficiência a que se enquadra nas seguintes categorias: [. O Tribunal de origem negou a ordem baseando-se no laudo emitido pela Junta Médica Oficial que não considerou a Impetrante deficiente nos termos do Decreto n. pois apresenta visão monocular apenas. 3. 114 . 3.298 de 20. Para tanto. os casos de visão monocular. como a hipótese dos autos. Assim dispõe o aludido Decreto na parte que interessa: Art. que significa acuidade visual entre 0. 108). Não é o caso da candidata Paulina Lemes de França Barbosa.3 e 0. enumerada pelo Código Internacional de Doenças (CID-10).. 4º . (Redação dada pelo Decreto n. ou seja. por menor que seja. com a melhor correção óptica. 5. com a melhor correção óptica.cegueira. (fl. sob o fundamento de que “apesar da impetrante possuir uma deficiência visual.. os candidatos que alegaram no ato da inscrição. caso aprovados seriam avaliados por Junta Médica para a comprovação da deficiência. serem portadores de deficiência.05 no melhor olho.05 no melhor olho. 4º do Decreto n. que assim instruiu: Informamos que por força do edital do referido concurso. ela não o é considerada deficiente visual nos termos do Decreto n. a Junta Médica avaliou a candidata no sentido de enquadrá-la ou não no Decreto n. que estabelece critérios para comprovação de deficiência física.296/2004).298/1999. citado no edital.298/1999 conclui-se que tal norma dirige-se aos deficientes que possuem visão nos dois olhos. o melhor com total acuidade visual. ou a ocorrência simultânea de quaisquer das condições anteriores. Da exegese do art.298/1999” (fl. na qual a acuidade visual é igual ou menor que 0. bem como para a aptidão ao cargo. 52).] III .deficiência visual . 3. portanto. após a melhor correção. estando o outro olho. 3. destinado a portadores de deficiência.12. Citou ainda os esclarecimentos apresentados pela Diretoria de Saúde Ocupacional. que dispõe sobre a Política Nacional para a Integração da Pessoa Portadora de Deficiência. os casos nos quais a somatória da medida do campo visual em ambos os olhos for igual ou menor que 60o. a baixa visão.1999. não disciplinando. condição essa estabelecida para a participação no concurso como portadora de deficiência. SUPERIOR TRIBUNAL DE JUSTIÇA fora nomeada.

tendo sido excluído da categoria de deficiente porque a visão do outro olho é perfeita. Na 1ª Turma. o que se leva a concluir o engano cometido: os Recorrentes não figuram como abrangidos pelos termos deste decreto. os parâmetros do referido Diploma Legal. nos autos do RMS n.... também na condição de deficiente. Nesse sentido. totalmente. devem ser usados em pessoas que tem visão em dois olhos. não possuem um melhor olho. classificar-se na primeira etapa do concurso? Esta é a questão a ser decidida no presente mandado de segurança. (fl. 19. Mesmo que não nos prendamos a literalidade dos enunciados.) melhor olho (. conforme manifestação da Coordenadoria Nacional para Integração das Pessoas Portadoras de Deficiência. em caso idêntico ao presente. por possuir visão monocular.PRECEDENTES A título de elucidação.291-PA. (34): 81-117. pretendeu participar do Curso de Formação para Auditor Fiscal do Tesouro Nacional. deficiência visual é a perda ou redução de capacidade visual em ambos os olhos em caráter definitivo e que não possa ser melhorada ou corrigida com o uso de lentes e tratamento clínico ou cirúrgico. o e. ao considerarmos a finalidade da própria norma que impõe a reserva de vagas aos deficientes. abril 2013 115 . DJ de 3. votando nos seguintes termos: (. O recorrente não tem. sem sentido a afirmativa: “no melhor olho”.. para efeito de reserva de vaga. o Decreto é claro como água ao mencionar “(.4.SÚMULAS . Eis o argumento: Portanto. mas sim um único olho em condições deficientes de visão. 7. simplesmente por serem cegos em um dos olhos..) O ato foi praticado com base em parecer da Junta Médica Nacional do Ministério da Fazenda. condição em que. 196). a conclusão será a mesma. a visão de um olho. a. após.2006: Uma interpretação literal desse dispositivo confirma o argumento dos recorrentes de que esses critérios dirigem-se aos deficientes que possuem visão em ambos os olhos. Desembargador Federal João Batista Moreira examinou a questão em caso análogo: É razoável o ato da Administração que excluiu o impetrante da classe de deficiente. caso contrário. fui relator de semelhante processo de mandado de segurança. segundo o qual portadores de visão monocular não são deficientes para efeito de concorrência à reserva de vagas e porque. quando juiz-convocado..)” figurando bem lucidamente que. o que não é o caso dos Recorrentes. RSSTJ. colaciono trechos do voto proferido pelo eminente Ministro Felix Fischer. ou seja.

havendo dúvida sobre a adequação dos motivos ao objeto. teria. barreiras psicológicas e restrições para o desempenho da maior parte das atividades laborais.. à Administração. Se assim não for considerado. Não há dúvida de que uma pessoa que enxergue apenas de um olho tem dificuldades para estudar. mas senti certa vacilação. Destaco que não está sendo julgada a concessão de um benefício previdenciário. inválida. ao mesmo tempo. mas se fossem equiparadas as duas situações estaria criada aquela contradição. 1998. para ingressar no serviço público. Além disso. motivo bastante para o enquadramento de candidato a concurso público na classe de deficiente. mas. que a visão monocular é.2001). não é. algum tempo depois. O objetivo do benefício da reserva de vaga é compensar as barreiras que tem o deficiente para disputar as oportunidades no mercado de trabalho. O deficiente é o sub-normal. não se poderia nomear provisoriamente. que manter o ato administrativo. DJ 16. fui vencido. Pode não ser deficiência para outros fins. deve-se prestigiar a opção administrativa). como a aposentadoria por invalidez. Não classifico a questão sequer como duvidosa. para efeito de reserva de vaga. a partir da distinção entre o deficiente e o inválido.00. É a pessoa que. tenha condições mínimas de desempenhar as atribuições do cargo.) Esse ponto de vista foi acolhido por unanimidade. Aqui.. no instante em que trouxe outro processo em que o mesmo candidato pleiteava a nomeação. porque ser for inválida nem poderá concorrer a cargo público. SUPERIOR TRIBUNAL DE JUSTIÇA Há que se estabelecer distinção entre a pessoa plenamente capaz. estará criada uma contradição: exige- se que o deficiente. mas uma situação em que a pessoa irá prestar serviços à Administração em troca de vencimentos.11. por conseqüência. ao contrário de prejuízo. ainda não transitada em julgado a primeira decisão. de modo que é improvável a existência de prejuízo real até mesmo para outros concorrentes ao cargo. tendo em vista sua carga discricionária (No ato administrativo predominantemente discricionário. (. uma vez que estarão sendo recuperadas as despesas feitas com o apelante no curso de formação.01. Voto pelo provimento do recurso.061913-2-DF. Continuo pensando. o meio-termo. todavia. porque. (TRF1. sim. Apelação em Mandado de Segurança n. O deferimento do pedido trará vantagens. há centenas de vagas para o cargo. o deficiente e o inválido. reformando a sentença para deferir a segurança. pelo que mostra a realização de sucessivos concursos para Auditor-Fiscal do Tesouro Nacional. 116 . se o fizesse. porque os outros dois juízes entenderam que. equipara-se a deficiência à invalidez. não sendo totalmente capaz.

298/1999. que restou sumariado nos termos seguintes. garantindo à Recorrente a posse no cargo para o qual foi nomeada. 19. Precedentes. 3.291-PA -. DJ de 30. RSSTJ. 3. deve ser interpretado em consonância com o art. 1.2006. a. Assim sendo. além do precedente acima citado . Ante o exposto.SÚMULAS .RMS n. 19. no entanto. Recurso ordinário provido.257-DF.10. esta Quinta Turma também já se pronunciou nos autos do RMS n. 2. considera-se: I . apesar de novos tratamentos. ou seja. Recurso ordinário provido. 7. que define as hipóteses de deficiência visual. fisiológica ou anatômica que gere incapacidade para o desempenho de atividade. 3º: Art. (34): 81-117.298/1999. ausência total de visão.Para os efeitos deste Decreto. de relatoria do Ministro Arnaldo Esteves Lima. Nessa esteira de entendimento.deficiência – toda perda ou anormalidade de uma estrutura ou função psicológica. e no outro tem acuidade visual de 20/20. vale citar a conceituação de deficiência conferida pelo seu art. entendo que uma pessoa que tem acuidade visual zero em um dos olhos. do Decreto n.deficiência permanente – aquela que ocorreu ou se estabilizou durante um período de tempo suficiente para não permitir recuperação ou ter probabilidade de que se altere. dentro do padrão considerado normal para o ser humano. 4º. Portador de visão monocular. conheço do recurso e dou-lhe provimento para conceder a ordem pleiteada. enquadra-se no conceito de deficiência que o benefício da reserva de vagas tenta compensar. de modo a não excluir os portadores de visão monocular da disputa às vagas destinadas aos portadores de deficiência física. 4º do Decreto n. 3º do mesmo diploma legal. Direito a concorrer às vagas destinadas aos portadores de deficiência física. Concurso público. abril 2013 117 .PRECEDENTES Vê-se que a visão monocular não está elencada no inciso III do art. III. in verbis: Administrativo. É como voto. O art. 3º . II .