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AGRUPAMENTO DE ESCOLAS VERGÍLIO FERREIRA

Ano Letivo 2016/2017 10º ano

AL 1.1: Movimento num plano inclinado: variação da energia
cinética e distância percorrida

PROBLEMA: Um veículo, inicialmente no cimo de uma rampa, é destravado acidentalmente e
começa a descer a rampa. Como se relaciona a variação da energia cinética do centro de massa
do veículo com a distância percorrida sobre a rampa?

Introdução teórica:
No movimento de translação ao longo de um plano inclinado, considerando-se desprezável o efeito das forças de atrito,
o corpo move-se ao longo da rampa por acção do seu peso. De acordo com o Teorema da energia cinética, a variação da energia
cinética é igual ao trabalho da resultante das forças aplicadas no corpo durante esse movimento que, neste caso, corresponde a
trabalho realizado pelo peso, logo:

1
𝑊𝐹⃗𝑔 = 𝑚(𝑣𝑓2 − 𝑣𝑖2 )
2

Uma vez que o corpo desce ao longo de um plano inclinado, o trabalho realizado pelo peso do corpo é positivo,
verificando-se, por isso, um aumento da energia cinética e, consequentemente, um aumento da velocidade do corpo. Para calcular
a variação da energia cinética é necessário determinar, previamente, o valor da velocidade do corpo no instante inicial e instante
final.
Tratando-se de medições num intervalo de tempo muito curto, o valor da velocidade pode ser determinado
indirectamente recorrendo a uma célula fotoeléctrica e a um digitímetro. O digitímetro começa a contar o tempo quando o corpo
passa a frente da célula, interrompendo o seu feixe luminoso, e termina a contagem do tempo quando este atravessar o feixe por
completo. O digitímetro regista então o intervalo de tempo, t, que um corpo de comprimento, x, demora a passar em frente à
célula, pelo que se pode determinar o valor da velocidade nessa posição através da expressão:

∆𝑥
𝑣𝑚 =
∆𝑡

A variação da energia cinética do corpo é determinada indirectamente recorrendo a medições diretas da massa, do
comprimento e do intervalo de tempo, usando, para isso, balanças, escalas métricas e cronómetros digitais. Nas medições diretas,
conseguidas com uma única medição, o resultado da medida deve vir afectado da incerteza de leitura. Quando uma medida direta
é obrita recorrendo a uma série de medições nas mesmas condições, dever-se-á indicar o valor mais provável da grandeza medida
e a respectiva incerteza absoluta.

Questões Pré-laboratoriais:

1. Na descida, a velocidade vai aumentando e, consequentemente, a energia cinética também aumenta.

2. O carrinho terá maior velocidade na base da rampa. A energia cinética terá também o seu maior valor na base da rampa.

3. Para obter a energia cinética, deve medir-se a massa do carrinho (medição direta) e a sua velocidade num instante
(através de uma medição indireta).

4. A distância percorrida [pois pode medir-se diretamente com uma fita métrica, mas para a energia cinética é necessário
efetuar cálculos].
Professora Diana Bogalho

As forças que atuam no carrinho são a força gravítica e a reação normal. Através da célula fotoeléctrica e digitímetro pode-se determinar o intervalo de tempo durante o qual o carrinho interrompe o feixe da célula. Todavia podem fazer-se cinco ou seis. Porque o intervalo de tempo medido vai ser pequeno. largando-se com a mão. Um corpo que se move ao longo de um plano inclinado tem energia cinética e energia potencial gravítica. e num outro gráfico. Outras questões Pré-laboratoriais: 1. A energia cinética de translação está associada ao movimento de translação do corpo e a energia potencial gravítica associada à posição do corpo relativamente à Terra. sem que isso traga erros significativos se houver cuidado.  No mesmo gráfico podem ser representadas duas retas referentes a duas diferentes inclinações do plano estudadas. Identifique as forças que atuam sobre o carrinho. Professora Diana Bogalho . mantendo fixa a célula. podem ser também representadas duas retas para duas massas diferentes do carrinho. Este cálculo é mais correto do que calcular a média de velocidades.  Torna-se mais prática e fácil a largada do carrinho de diferentes posições. Como se pode determinar experimentalmente o valor da velocidade do carrinho no instante em que atravessa a célula fotoeléctrica? ∆𝑥 O valor da velocidade ao atravessar a célula fotoelétrica é determinado indirectamente. A força responsável pelo movimento do carrinho é Fgx. É assim possível determinar o intervalo de tempo que o carrinho leva a completar o percurso correspondente ao sem comprimento. se o tempo e o material disponível em cada escola e aula o permitirem. Quando o feixe de luz é interrompido. uma do carrinho e outra do carrinho com sobrecarga. realizado por outros grupos. logo que o carrinho passa o digitímetro para a contagem. através da expressão 𝑣𝑚 = ∆𝑡 onde x corresponde ao comprimento do objecto que interrompe o feixe de luz e t o tempo registado no digitímetro. 4.  A velocidade deve ser sempre calculada pelo quociente da largura da tira opaca pelo valor médio do seu tempo de passagem em frente ao sensor. Também se pode construir o gráfico com cinco pontos ou com mais. com força de atrito desprezável. A velocidade assim medida corresponde a uma velocidade média que. A reação normal é anulada pela componente F gy. Indique o tipo de energia que o carrinho tem quando se move ao longo de um plano inclinado. sendo determinada num intervalo de tempo muito curto. Cuidados a ter durante a realização da actividade laboratorial:  Para cada posição devem realizar-se no mínimo três medidas do tempo de interrupção do feixe. 2. 3. Explique o modo de funcionamento da célula fotoeléctrica e qual a grandeza que esta permite medir. Considere um carrinho que desce um plano inclinado. pelo início da passagem do carrinho. No entanto. é próxima da velocidade num dado instante. e o valor da velocidade média calculada é uma boa aproximação ao valor da velocidade. pois minimiza as incertezas. o digitímetro inicia a contagem do tempo e. ele move-se apenas sob a acção do seu peso. sendo que cinco é o mínimo considerado aceitável. 5.

Não ficando a célula perpendicular à tira. é aí que se deve colocar a célula fotoelétrica. posicionando-o depois numa rampa inclinada. e medir a distância desde o ponto de largada do carrinho (da tira opaca) a cada uma das posições. senão a medida corresponderia a outro ponto. Se o carrinho não se mover segundo uma trajetória paralela ao lado da rampa. Por exemplo: 4. é necessário medir a largura da tira opaca que bloqueia a luz durante o intervalo de tempo de passagem. Registar os valores obtidos e executar o seu tratamento e análise. A velocidade é obtida por uma medição indireta (resulta do recurso a cálculos). 3. a distância percorrida pela tira. é vantajosa porque minimiza os erros aleatórios inerentes a qualquer experiência. é ligeiramente maior do que o comprimento da tira opaca. b) Exemplo de dados obtidos: Professora Diana Bogalho . a) A repetição das medidas. 7. medindo o tempo de passagem da tira opaca. As duas medições são diretas. registando a inclinação e marcando também a posição de largada (da tira opaca). l = (___± ___) ___ 5. 8. é cometido um erro sistemático na medida da distância percorrida pelo carrinho. Medir a massa do carrinho. Trabalho laboratorial: 2. entre o corte e a reposição do feixe de luz. Para obter a velocidade. A célula deve ser colocada perpendicularmente à tira opaca porque para o cálculo da velocidade se usa a medida do comprimento da tira e ela tem uma espessura que pode não ser desprezável. com o seu tratamento estatístico. com uma tira opaca cujo comprimento se mede previamente. m = (___± ___) ___ 6. Na imagem seguinte ilustram-se situações em que a célula fotoelétrica é colocada na perpendicular (a e b) ou com um ângulo diferente (a’ e b’). Marcar cinco ou mais posições igualmente espaçadas ao longo da rampa onde se irá colocar a célula fotoelétrica. Colocar sucessivamente a célula fotoelétrica numa dessas posições e largar três vezes o carrinho do ponto de largada. Pretendendo-se medir a velocidade num dado ponto.

Tabela: Professora Diana Bogalho . c) O desvio percentual. é pequeno. Podem ter ocorrido erros na medida do intervalo de tempo resultantes de largadas do carrinho não exatamente da mesma posição.8%. d) Os erros aleatórios estão associados à precisão das medidas. de 0. 9. pelo que se obteve uma precisão elevada na medição do intervalo de tempo. Exemplo de dados obtidos: Resultados: Distância percorrida t (±___)/___ tmédio /___ Desvio/___ Desvio absoluto t = (±___)/___ máximo/ ___ d1 = 100 cm d2 =80 cm d3 = 60 cm d4 = 40 cm d5 = 20 cm Questões Pós-laboratoriais: 1.

determinado o erro relativo em percentagem. Pelo Teorema da Energia cinética: 𝑊𝐹⃗𝑅 = ∆𝐸𝑐 e como a força resultante é a força gravítica. Compare o declive da reta obtida experimentalmente com o valor previsto teoricamente. 4. então 𝑊𝐹⃗𝑔 = ∆𝐸𝑐 e 𝐹𝑔 × 𝑑 × 𝑐𝑜𝑠𝛼 = ∆𝐸𝑐 . Sendo maior a massa do camião. Aplicando uma velocidade inicial ao carrinho. Um veículo destravado desce uma rampa aumentando a sua energia cinética com a distância que o seu centro de massa vai percorrendo. 5. (depende do grupo) 3. 7. 2. o valor da energia cinética no final da rampa será diferente da encontrada? Justifique a sua resposta. uma vez que o gráfico obtido é uma linha reta que passa na origem pelo que a variação da energia cinética do carrinho é directamente proporcional à distância percorrida. Deduza a expressão que permite determinar teoricamente o declive da reta que se obtém ao traçar o gráfico da variação da energia cinética do carrinho em função da distância percorrida. a variação da energia cinética do carrinho aumenta quando a distância percorrida aumenta. O perigo é maior quando as distâncias percorridas sobre a rampa são maiores. Tendo em conta o gráfico representado: ∆𝐸𝑐 𝑑𝑒𝑐𝑙𝑖𝑣𝑒 = = 𝐹𝑔 𝑐𝑜𝑠𝛼 𝑑 Nota: o ângulo a não corresponde à inclinação do plano. 6. 2. A um aumento na distância percorrida corresponde um aumento na energia cinética. 3. Independentemente da massa do carrinho ou da inclinação da rampa. (A) Outras questões Pós-laboratoriais: 1. O gráfico mostra que aos pontos se pode ajustar uma reta. mas sim o ângulo formado pela força gravítica e o deslocamento. a situação com maior perigo é a do camião destravado. Professora Diana Bogalho .

Preveja como será o gráfico da variação da energia cinética em função da distância percorrida se aumentarmos a massa do carrinho. temos energia cinética inicial e energia cinética final será diferente. 𝑚 × 𝑔 × 𝑐𝑜𝑠𝛼. permite-nos concluir que o declive da reta corresponde a 𝐹𝑔 𝑐𝑜𝑠𝛼. A análise do gráfico. ou seja. 1 Sim. será acrescida da energia cinética final. a força gravítica e a distância 2 percorrida e o ângulo mantêm-se e o trabalho realizado pela força gravítica é igual. pois 𝑊𝐹⃗𝑔 = 𝑚(𝑣𝑓2 − 𝑣𝑖2 ). logo se se utilizar o mesmo plano inclinado e o mesmo corpo. se a massa do carrinho aumentar para o dobro também o declive passa para o dobro. logo teremos uma reta com maior inclinação. Sendo assim passando a existir velocidade inicial. Assim. 4. Professora Diana Bogalho .