You are on page 1of 47

BOLETIM

Diversidade Cultural e
Políticas Públicas
V73, N.09.2017 - OUTUBRO 2017
ISSN 2526-7442
Foto: Daniel Alvarez

REALIZAÇÃO

Grupo de Pesquisa
Observatório da
Diversidade Cultural

PARCEIROS

Programa de
Pós-Graduação
em Artes

Programa de
Pós-Graduação
em Comunicação Social

2

BOLETIM DO OBSERVATÓRIO DA DIVERSIDADE CULTURAL
DIVERSIDADE CULTURAL E POLÍTICAS PÚBLICAS

3

EM ESTADO DE EXCEÇÃO? Por Kátia Costa e Plínio Rattes 21 POLÍTICAS CULTURAIS NA AMÉRICA LATINA: 30 ANOS DA DEFINIÇÃO DE GARCÍA CANCLINI Por Juan Ignacio Brizuela 26 PLANOS MUNICIPAIS DE CULTURA. DIVERSIDADE E DEMOCRACIA Por Kátia Costa 33 REDE DE EDUCADORES DE MUSEUS DE MINAS GERAIS – PERCEPÇÕES PARA O FORTALECIMENTO DA EDUCAÇÃO EM MUSEUS Por Fernanda Mazieiro Junqueira e Pompea Auter Tavares 43 SOBRE OS COLABORADORES DESTA EDIÇÃO 45 SOBRE O OBSERVATÓRIO DA DIVERSIDADE CULTURAL 47 SOBRE O BOLETIM DO OBSERVATÓRIO DA DIVERSIDADE CULTURAL . SUMÁRIO 06 POR UMA DECOLONIZAÇÃO DAS POLÍTICAS PÚBLICAS NA AMÉRICA LATINA Por Giordanna Santos 15 DIVERSIDADE DE EXPRESSÕES EM RISCO. BRASIL.

Ou apas”.144) O fato recente… 1 “Em 1º de janeiro de 1994. POR UMA DECOLONIZAÇÃO DAS POLÍTICAS PÚBLICAS NA AMÉRICA LATINA Giordanna Santos Como dizem os zapatistas1: “luchar por un mundo donde otros mundos sean posibles” (In: GROSFOGUEL. especificamente ao e adotou estratégias de resistência civil. os hábitos e as e desafiou o poder do experiências daqueles em situação de pobreza é essencial para a ela. 2017). libertou presos conclui-se que “compreender os processos decisórios. Chiapas. Estado na região. programa de superação da pobreza. indígenas. o grupo abaixou as armas Tal formulação de políticas públicas se refere a. o EZLN ocupou cidades. o site das (EZLN) tomou o con- Nações Unidas publicou uma matéria divulgando um recente estudo do trole de parte da pobre província mexicana de Centro Internacional de Políticas para o Crescimento Inclusivo do Pro. Depois boração de políticas públicas mais eficazes” (ONUBR. Formado em grama das Nações Unidas2 para o Desenvolvimento (IPC-IG/PNUD)3 sua maior parte por sobre economia comportamental4. o ponto crucial desse controla parte de Chi- estudo é aplicar a economia comportamental às políticas públicas. De modo extremamente resumido. Porém.2008. o Exército Zapatista de Libertação Nacional No fim da primeira quinzena de outubro deste ano (2017). de longas disputas com o governo do México. p. Hoje. Saiba mais sobre 6 .

tal-diz-centro-da-onu/> não só as das áreas sociais como também de quaisquer outros campos. Algo que até pode pare- capital. Zapatismo na atualidade em: https://www. considero que do questionamento do modelo do agente é preciso pensar as ciências. em seu monitoramento e avaliação. Antes de mais nada.org/pub/ port/PRB60PT_Insights_ Considerando a interdisciplinaridade que integra o conceito de eco- comportamentais_polit- nomia comportamental.pdf Acessado em 13 e 17 out. pautar-se por um modelo 7 . pode-se dem contribuir muito para a gestão pública . Acessado em 13 e 17 out. tamental. pensar em seu público-alvo. Acrescenta-se.ipc-undp. o conhecimento. 2017. a racional [público-alvo das partir da tríade modernidade/colonialidade/decolonialidade (M/C/D)5. a política. p. assim. pois-6195. que tais fatores devem ser pensados na execu- ção das políticas públicas. PAIVA.html reza e da condição humana foram sendo formados. deriva portamental como uma solução. ainda. e tal pobreza.org/ FILHO. 4 Em síntese. sobre o estudo: http:// www. é claro. porém.seja. tanto de quem elabora essas políticas quan. 2017. acredito que os apontamentos do referido icas_de_superacao_da_ estudo são importantes para se repensar as políticas públicas. de modo muito simplificado. bem como do Prêmio Nobel de Economia de 2017. na prática não se aplica.br/sociedade/ cer óbvio. Para efetivar essa máxima.1). pressupostos de plena racionalidade. o norte-americano Richard Thaler. zapatismo-vinte-anos-de- grosso modo.carta- fruirá das políticas públicas. que usu. E. investigação de Campos Filho e Paiva (2017). a cultura. No lugar de portantes sobre as relações e estruturas de poder e ressignificar diver. como o impacto de 2 Veja mais em: <https:// fatores cognitivos. po. sendo 2 Para mais informações essencial a participação do público em todo o processo. é imprescindível. alguns aspectos im.com. 2017. também considerar a relevância mia-comportamen- desses aspectos para a elaboração e formulação de políticas públicas. também. há problemas mais profundos e enredados do que apenas colo- da economia compor- car em xeque o modelo do agente racional e aplicar a economia com. politicas-publicas-pre- cisam-adotar-econo- to de quem as usufruirá. é preciso considerar que “aspectos importantes da natu. considerar que uma ideia-chave sobre esse conceito é: “A emergência Mas. políticas públicas] e seus Há necessidade de se levar em conta. emocionais e sociais no comportamento” (CAMPOS nacoesunidas.

a jurídica. que domina a segunda meta. (CAMPOS FILHO e PAIVA. que esse modelo tem grandes limitações. a da sociologia. a democracia. visão jurídica das realidades estatais foi hegemônica entre outros. p. as ciências adminis. dos processos decisórios humanos [considerando subjetividades]”. tomam decisões política. 2006. e é missão de pensar/repensar/ a que hoje prevalece (SARAVIA. são avessos a perdas. entre- De modo geral. estabelece-se a partir de 2008. a das ciências ad. ra Mundial. as políticas públicas e todo o aparato uma abordagem empírica jurídico-legal no contexto latino-americano. como aponta Saravia pontos esclarecedores para (2006. apresentando a premissa que me guiará na Vai-se alastrando pelo mundo a partir dos anos 60.1 e 6). p. de do século XIX e estende-se até a Segunda Guer- 2017. tanto. Enrique Saravia (2006) aponta que a análise da ativi. tem demonstrado.. questionar e estimular aos leitores também a realiza- rem tais ações. A visão das ciências administrativas ou organizacionais aparece timidamente no começo do 5 Antes de seguir com século XX e torna-se dominante nos Estados Unidos. administração pública “Um conjunto significativo e políticas públicas de evidências. o afastam do durante longo período. a “re. O contexto histórico e conceitual: Estado. a da ciência complexos. A visão antropológica e a psicológica avaliam sua situação a são. ministrativas. p. tais como: excessivamente simplificado a formação do “Estado-nação” (ou repensar essa categoria). por exemplo. este texto.21-22) citando Beatriz Wahrlich (1979). e estabelecido a priori. A cia prévios – elementos que. Os dade estatal.sas categorias (de pensamento) trabalhadas nas políticas. diálogo: 1) o fato recente que elegi como “gancho” 8 . modelo do agente racional. que continuemos nosso trativas têm enfoque principalmente no modelo legalista ou jurídico. destaco dois No contexto latino-americano.21).. p. alternativas metodológicas. Cada uma partir de pontos de referên- delas prevaleceu em algum momento da história. a economia comportamental definição do capitalismo enquanto sistema-mundo” (GROSFOGUEL. de modo automático e intu- itivo. baseou-se em: agentes utilizam heurísticas para lidar com problemas [.] diversas perspectivas: a filosófica. levantado em diversas disciplinas.115). ao longo do tempo. Ou seja. também.

sobre. sobretudo nos apontamentos de Ramón Grosfoguel (2002. quando as ideias de administração pública – surgidas prin. análises e 9 . que nialidade. “humanas”. que o per. como é o caso do Brasil.Ou seja. romper com pensamento tudo. como “verdade absoluta”. 2006. portanto. e tal ação vem metade do século 20 – “insinuavam-se no país [Brasil] na década de ganhando mais reper- cussão. a formação do “Estado. viés interdisciplinar. acred- itando ser uma forma de desde uma visão ocidental. Já opiniões e reflexões. mais ao final dos anos 1980 e nos anos 1990. 2002. afinal. -nação” e o próprio Direito Administrativo são divergentes do contexto Porém isso me fez pensar dos países latino-americanos. as estruturas das leis e normas moldam a organização do Es. deste artigo não é objetivo principal das indagações. onde a colonização. tado nos países de cultura latina e também nos de origem ibérica. p. a relação Estado e administração pública no cenário na. isso provocou desconfiança. da modernidade/colo- nialidade/decolonialidade mas das empresas privadas e tendo seu desenvolvimento na primeira ou não. 2006). como as diversas áreas do saber estão sendo rep- ensadas (não apenas nos Por isso. de rever ideias. anos 2000). área a qual estou lendo a partir Unidos (SARAVIA. (GROSFOGUEL. 2008. se se- tecnologias de informação riam aplicáveis a um contexto tão diverso como o brasileiro e o da e comunicação. Mais além no europeu”. canonizado e consolidado baseando nos autores do projeto Modernidade/Colonialidade/Decolo. GROSFOUGEL. antes de qualquer inter- ação. julgo importante esclarecer meu lugar de Como se nota. Tão a conformação do Estado a partir da ideia de administração pública. que busca repensar o que está Diante desse panorama.22-26). 124). com as 1950” (SARAVIA. este texto é uma forma 2008). disso. qual o caminho a seguir? Acredito. poder colonial do “sistema-mundo patriarcal/capitalista/colonial/moder. do estudo citado acima. tem sua origem nos Estados comportamental. “naturais”. falo também como investigadora-curiosa. Walter Mignolo (2000). seja a partir cipalmente a partir de 1880 com Woodrow Wilson. Mesmo a partir da década de 1950. pouco o é a economia enquanto disciplina e campo do saber. voltando-se para a cartesiano que embasa as ideia de política pública. etc. 2) sempre América Latina. Acredito. p. essas categorias persistem em uma matriz de ciências e as separa em “caixinhas”. Grosfoguel e Mignolo (2008). fala: discurso a partir do cional ficou por muito tempo focada no repertório jurídico-institucional. com base nas nor. sobretudo.

2008:28) se pensou que nosso processo de colonização e independência difere do dos Estados Unidos ou do contexto europeu. ou ainda nos reflexos da colonialidade do poder e na lógica do sistema-mundo. não é só isso. dos termos e conceitos ricana. A 10 . “políticas públicas” são vistos sob ta ou encerra tem sido o prisma do pensamento ocidental. vemos que a organização de nosso Estado. 1996). a O sinal (/) que une e 6 separa os termos signifi- administração pública e políticas públicas são pensadas e estrutura. A partir desse breve panorama feito no item anterior. ano no qual ingressei na Universidade. não pode ser pensado sem os outros.curso necessário seja: “decolonizar os paradigmas da economia política. por um lado. e propor uma conceitualização acadêmico-profission- decolonial alternativa do sistema-mundo” (GROSFOGUEL. Faculdade Repensando categorias: um embate necessário de Comunicação Social – Jornalismo. por outro que ao longo dos últimos As categorias de pensamento. é constitutivo dos outros sável por gerir o bem e o interesse público da sociedade brasileira. Assim. p. 2008. Nessa mesmo processo históri- co. por dois (GROSFOGUEL e meio da administração pública e aplicando as políticas públicas. considerando “estados nacionais” fruto ou resultado de um que ainda atuam sob a lógica de administrações coloniais. enquanto ator social respon. ca. os conceitos e os modelos de “Esta. Mas. na conformação do Estado. 112). Não podemos pensar na descolonização como a con- quista do poder sobre as fronteiras jurídico-políticas de um Estado. 500 anos. usando como base Saravia (2006). a realidade que tais termos compor- do-nação”. como a aquisição de controlo sobre um único Estado-nação (Grosfoguel. ou seja. cada um deles perspectiva. “administração pública”. conceitos aos quais fiz- eram parte do meu viver bem como a análise do sistema-mundo. que um das a partir de uma visão ocidental/moderna/eurocêntrica e euro-ame. al-pessoal desde 2003. não MIGNOLO.

é um caminho. Um dos mais poderosos mitos do século XX foi a noção de que a eliminação das administrações coloniais conduzia à descoloniza- ção do mundo. As antigas hierarquias coloniais. 2000. porque a colonialidade global não é redutível à presença ou ausência de uma administra- ção colonial (Grosfoguel. 2002) nem às estruturas po- lítico-económicas do poder. os povos não-europeus continuam a viver sob a rude exploração e dominação europeia/euro-americana. implantadas durante um período de 450 anos. Com a descolonização jurídico-políti- ca saímos de um período de “colonialismo global” para entrar num período de “colonialidade global”. 2002). o que originou o mito de um mundo “pós-colonial”. Embora as “administrações coloniais” tenham sido quase to- das erradicadas e grande parte da periferia se tenha organizado politicamente em Estados independentes. pp. 2008.125-126) Repensar essas categorias. não se evaporaram juntamente com a descolonização jurídico-política da periferia ao longo dos últimos 50 anos. continuam arreiga- das e enredadas na “divisão internacional do trabalho” e na acumulação do capital à escala mundial (Quijano. velha emancipação nacional e as estratégias socialis- tas de tomada do poder ao nível do Estado-nação não são suficientes. a partir da decolonialidade do poder e do saber. sendo sugerido por Grosfoguel (2008) a ideia de 11 . Continuamos a viver sob a mesma “matriz de poder colonial”. As múltiplas e heterogéneas estruturas globais. Grosfoguel. É aqui que reside a pertinên- cia da distinção entre “colonialismo” (GROSFOGUEL. agrupadas na relação europeias versus não-europeias.

p.“pensamento de fronteira”. que subsumem/diluem o particular no que é indiferen- ciado. Pensar as políticas públicas a partir da decolonidade do poder. sobretudo as políticas públicas. a Academia. mercado). segundo Grosfoguel refere-se: A esta nova forma de universalidade. chamarei “diversalidade anticapitalis- ta descolonial universal radical”. sigo acreditando que a Universidade tem papel central e imprescindível. as ciências sociais. socie- dade. respeitando as múltiplas 12 . precisamen- te. “O pensamento de fronteira é. 2008. É olhar essas categorias citadas no texto. Levar em conta a “diversalida- de”. seja o ordenamento jurídico. que têm em comum (incluindo o eurocêntrico) a premissa de que existe apenas uma única tradição epistémica a partir da qual pode alcançar-se a Verdade e a Universalidade” (GROSFOGUEL. Ao contrário dos uni- versais abstractos das epistemologias eurocêntricas. para isso.117). relações outras. que. Também é preciso considerar a função de todos os outros atores sociais (Estado. uma “diversalidade anticapitalista descolonial universal radical” é um universal concreto que cons- trói um universal descolonial. por exemplo. etc. de efetivar as diferentes formas de participação popular e social para o desenvolvi- mento do ciclo de políticas públicas. Essa necessária decolonialidade do saber e poder diz respeito a todo contexto social. enquanto projec- to de libertação. sujeitos outros. uma resposta crítica aos fundamentalismos. as políticas públicas. E. é não só um problema teórico. considerando olhares ou- tros. mas prático.

13 . dentre vários outros. Apesar de incluir expressões culturais não-oci- dentais. ações e programas que se encaixavam numa propos- ta de decolonialidade do saber e do poder. 144). por conta de se instituir elementos participativos às políticas públicas. p. estávamos conquistando uma institucionalidade e construindo políticas públicas. ainda com base em um modelo ocidental. a adjetivação de culturas e das artes. a colonialidade e a modernidade euro- centrada. nas políticas públicas brasileiras e latino-americanas. o capitalismo. é necessário repensar as categorias e todo o desenho de políticas públicas. particularidades locais nas lutas contra o patriarcado. Apesar de termos diversos desafios no campo cultural. 2008. com elementos. foi e é uma contradição para desenvolver a decolo- nialidade nas políticas públicas para a cultura no Brasil. reafirmo a crítica inicial deste texto. a partir de uma variedade de projectos his- tóricos ético-epistémicos descoloniais. Principalmente. lançar olhares outros sobre os sujeitos e processos culturais. Isto representa uma fusão entre a “transmodernidade” de Dussel e a “socialização do poder” de Quijano (GROSFOGUEL. No entanto. E essa área é apenas um dos exemplos. além de problemas de ordem política.

rtf>Acesso 10 ago. Para descolonizar os estudos de economia política e os estu- dos pós-coloniais: Transmodernidade. SARAVIA. Revista Crítica de Ciências Sociais [Online]. perspectivas latinoame- ricanas. 2 v. COMPARATO. LANDER.clacso. México: Porrúa.4000/rccs. pensamento de fronteira e colonialidade global ». compilado por Edgardo Lander. 14 . 2017. MIGNOLO. p. QUIJANO. setembro 2005. Perspectivas latino-americanas. La hechura de las políticas. Ciudad Autónoma de Buenos Aires. CLACSO. pp. Fabio Konder.org. URL: http://rccs. colocado online no dia 01 out. Para viver a democracia. 2012. In: La co- lonialidad del saber: Eurocentrismo y ciencias sociales. Colección Sur Sur. São Paulo: Brasiliense. DOI: 10. Colonialidad del poder. Ciências sociais: saberes coloniais e eurocêntricos.9. Ramón.29-38. criado a 28 mar. ar/ar/libros/lander/pt/Lander. Aníbal. Walter D. n. 2008. In: A coloniali- dade do saber: eurocentrismo e ciências sociais. GROSFOGUEL. 1989. Enrique e FERRAREZI.21-53. 201-246.).org/697. eurocentrismo y América Latina.Referências AGUILAR VILLANUEVA. pp.697. 1992. Elisabete (orgs. Políticas públicas (coletânea). 2017. Luis F. Edgardo Lander (org). Interveciones Descoloniais: una bre- ve introducción. Edgardo. Ramón. 2006. Tabula Rasa [online]. Brasília: ENAP. Buenos Aires: Consejo Latinoamericano de Ciencias Sociales. Argentina. GROSFOGUEL. 80 | 2008.revues. 2000. Disponível em: <http://bibliotecavirtual.

EM ESTADO DE EXCEÇÃO? Kátia Costa Plínio Rattes Desde o golpe sofrido pela Presidenta Dilma Rousseff. 2012. A diversidade cultural. ser encarada como “algo resul- tante das relações que se estabelecem entre as diferenças. experimenta- mos. por uma decisão política e institucional. 30). A tensão nos campos político e social se acen- tua a cada nova denúncia de corrupção e também com a aproximação das eleições presidenciais de 2018. DIVERSIDADE DE EXPRESSÕES EM RISCO. conforme defende José Márcio Barros (2012). entre 2003 e até pelo menos 2015. devemos reconhecer a tentativa de instituir a diversidade cultural como diretriz importante das políticas culturais daquele período. teste- munhamos um cenário de estagnação e retrocesso nas políticas públicas das mais diversas áreas. em 2016. é um projeto político e deve. avanços e reveses à parte. Se em determinado momento a diversidade cultural foi instituída. p. como um farol essencial para nossas políticas públicas de cultura. Na área da cultura. BRASIL. um processo mais democrático e participativo na construção de políticas públicas e. na pers- pectiva da construção de uma sociedade plural – uma sociedade que transforma a equidade numa perspectiva central das políticas públi- cas e da organização da sociedade civil” (BARROS. parecemos viver hoje a negação desse fa- 15 . sobretudo.

fruto da onda conservadora que tomou o Brasil nos últimos anos. sobretudo. 16 . mulheres etc.rol. Alguns dos fatos ocorridos nos últimos meses. estão repletas de depoimentos e ataques intolerantes e violentos contra grupos religiosos. em que obras e artistas foram violentados pela ação pública de diversos agentes. Fora das redes. em que a arte. presenciamos um crescimento do cerceamento à liberdade de expressão. política e estética. importante termômetro das nossas sociedades na atualidade. Estamos acompanhando a consolidação de uma nova hegemonia. o silenciamento e a intolerância se sobrepõem. merecem uma reflexão. agressões e declarações que buscam distorcer a sua função social. Dentro ou fora das redes. tendo no golpe de 2016. alteração na constituição federal para permitir o congelamen- to de investimentos em educação e saúde pelo período de 20 anos. comunidade LGBT+. o que nos mobiliza neste momento são os ataques recentes a artistas e suas obras. na qual o cerceamento. portanto. apoiados por parte considerável da po- pulação brasileira. uma agenda política mais conservadora se impõe: novas regras que reduzem o combate ao trabalho escravo sendo ins- tituídas. falsamente alegado como “legal e institucional”. tudo su- postamente em nome da moral dos homens de bem. o que se configura como uma diretriz para a instala- ção de um Estado de exceção. distanciado do princípio da diversidade cultural. entre outras iniciativas. a simbologia da abertura da caixa de pando- ra. vem sendo alvo de intervenções. As redes sociais. já que essas ações repressivas se constituem como parte de uma estratégia de amortização política da sociedade para se instalar um projeto de governo descolado do processo de construção democrática e. Diante desse cenário.

em Brasília. teve sua apresentação. Em outu. Maikon K precisou assinar um termo iros. faz circular espetáculos de programação do Palco Giratório 20171. Mais informações em: <http://bit. 17 . por. jg>. Levado preso. interrompida pela polícia local. que teatro. dessa vez no Festival de Dança de Londrina. Criado por Gustave Coubert a pintura Origem do Mundo data do ano de 1886. a apresentação outubro de 2017. dança e circo por acontece na rua. do 1 O projeto Palco Gi- espetáculo DNA de DAN. selecionado por uma equipe de quase trinta ratório. o dançarino e performer Maikon K. realizado pelo curadores oriundos de todos os estados brasileiros para compor a Sesc desde 1998.ly/2oz8i- circunstanciado de ato obsceno para depois ser liberado. Gustave Coubert No mês de julho. todos os estados brasile- que em sua performance fica nu. Acessado em 17 de bro.

censura estava centrado no fato de a peça recriar a história de Jesus Leonilson e Yuri Firmesa. teve sua visitação suspensa e foi desmontada um mês antes do previsto. integravam a exposição obras que ilustram 2 A exposição Queer- poses afeminadas de crianças e que representam Jesus como um museu: Cartografias da Diferença na Arte Bra- macaco nos braços de Maria. foi expedida uma liminar que proibia a realização do espetáculo Adriana Varejão. após in- tensa campanha contrária. Fernando Baril. que teve participação relevante no golpe civil-militar de das artes visuais. mas foi imediatamente desautoriza- artistas que abordam a do pelo prefeito do Rio de Janeiro.mais uma vez mobilizou a polícia que só não prendeu o artista outra vez porque a população o rodeou. a exposição Queermuseu2. Cândido Portinari. Marcelo Crivella. no interior de São Paulo. O motivo da Hudinilson Jr. temática LGBT. histórico de meados do protagonizado por uma atriz transexual. na curta temporada que aconteceria no Sesc Jundiaí. As obras. Membros da organização do festival. Acusada de promover a pedofilia. sileira tem curadoria de lamento na capital gaúcha. mobilizada especialmente pelo Movimento Brasil Livre (MBL). Para completar os cases mais polêmicos dos últimos meses. século XX até os dias de hoje. a zoofilia e de atacar o cristianismo. por exemplo. a vez do cerceamento que percorrem o período foi com o espetáculo O Evangelho Segundo Jesus. Cristo como uma transexual. de políticos e da organização TFP (Tradição. questões de gênero e de diversi- dade sexual. em Porto Alegre. não permitindo a sua identificação. fotos e vídeos 18 . Família e por nomes renomados Propriedade). Rainha do Céu. são assinadas pos católicos. porém. causa- ram revolta nas redes sociais. Atendendo a pedidos de gru. Ainda em setembro. o Museu de Arte do Rio (MAR) anunciou o Gaudêncio Fidelis e reúne 270 trabalhos de 85 interesse em abrigar a exposição. no final de setembro. Após o episódio do cance.. foram levados à delega- cia e depois liberados. como 1964. Lygia Clark. Em setembro.

As imagens da menina tocando pés e mãos do artista nu provocaram a ira de muitos. acompanhada de um responsável adulto. o artista e demais envolvidos. que acusaram o MAM. com a performance La Bête. durante a Estima-se que sua criação aconteceu entre os anos de abertura do 35º Panorama da Arte Brasileira. No episódio em questão.Michelangelo A obra Juízo Final. no Museu de Arte Mo. em São Paulo. o artista com- pletamente sem roupa. do artista Wagner Schwartz. 1535 e 1541. deixa-se tocar pelo público. de Michelangelo. derna (MAM). interagindo uma narrativa bíblica. de apologia à 19 . retrata de uma menina.

30). que investiga se houve atos de pornografia ou pedofilia. talvez nos contentemos em organizar calendários festivos. Para Barros.pedofilia. que não chegaram ao debate público na mes- ma intensidade. 20 . é preciso vetar suas formas de expressão. o maior risco que corremos. 2012. é manter uma sociedade dividida entre aqueles que mandam e aqueles que obedecem. E. nos es- quivando da construção de uma sociedade plural” (BARROS. Protestos chegaram a ser feitos na porta do Museu e o caso foi parar no Ministério Público do Estado de São Paulo. atingindo diretamente a valorização da diversidade cultural que. se não ti- vermos isso como perspectiva das políticas públicas. estatais ou não. um risco que é preciso enfrentar. “a diversidade cultural é um aprendizado. p. O governo atual quer res- tringir a participação social e. 216p. está vinculada ao reconhecimento das diferen- ças. à importância do empoderamento. Esse é. Rio de Janeiro: FUNARTE. Esses e outros casos. Diversidade e Cidadania. da autonomia e da construção de outro mundo capaz de compreender que “somos iguais nas nossas diferenças e diferentes nas nossas igualdades” (BARROS. JM. 2012. Referência BARROS. em sua essência. É impedir o desenvol- vimento intelectual e humano das pessoas. 30). p. Vetar direitos é impedir o senso crítico. estão diretamente relacionados à nova hegemonia que está sendo estabelecida no campo político. portanto. 2012. para tanto. In: Políticas para as artes: prática e reflexão.

Isso pode ser observado nas medidas do governo cívico-militar do Brasil. ou na formulação da Política Nacional de Cultura (1973-1975). Por um lado. em 1987. Também inclui o Plano Nacional de Cultura de 1984-1989 da Argentina. da qual também participam o antropólogo mexicano Guillermo Bonfil. POLÍTICAS CULTURAIS NA AMÉRICA LATINA: 30 ANOS DA DEFINIÇÃO DE GARCÍA CANCLINI Juan Ignacio Brizuela “Políticas Culturales en América Latina” é o nome da compilação pu- blicada em espanhol. o sociólogo chileno José Joaquin Brunner. nos países do continente. as ações estatais no campo da cultura ganham uma coerência similar à coordenação encontrada nas políticas seto- riais de saúde. organizada por García Canclini. nesse 21 . a escritora inglesa – radica- da no México – Jean Franco. Na introdução dessa coletânea. educação ou moradia. afirma o autor. em 1967. Canclini realiza um balanço crítico sobre os estudos latino-america- nos em políticas culturais desde finais dos anos 1960 e busca argu- mentar sobre a centralidade cada vez maior desse tipo de discussão e prática no final dos anos 1980. como a criação do Conselho Federal de Cultura. G. o politólogo argentino Oscar Landi e o sociólogo brasileiro Sérgio Miceli.

a reprodução e transformação das operações simbólicas so em: 02 out. entre outros. Através também pelas chamadas indústrias culturais. única e exclusivamente as linguagens artísticas da elite. das “belas artes”. agrupações culturais de base territorial. Por sua vez. Informação disponível em: <http://www. Experiências seme. invisibilizados pelo Estado e com a UNESCO. Esse núcleo de pesquisadores estuda. no México e na Colômbia1. movimentos indígenas. na o Fomento de Artesan- mesma época. que se traduzem em diver- sos modelos de sociedade e que. bem como não governamental. amplo – e organizações internacionais como a UNESCO. estudiosos das ciências sociais – em seu sentido mais e o Plano Nacional de Cultura da Colômbia. a trabalhar sobre temáticas culturais aplicando concretizadas em 1974. destaca o ato – Fonart no México pesquisador. a problemática cano de Ciências Sociais – CLACSO2. menos preocupados com as integral das sociedades análises políticas e econômicas tradicionais e mais interessados na da América Latina e Cari- redefinição e ampliação do conceito de cultura. instituição internacional nacionais ou outros fluxos do mercado capitalista mundial. fundada em 1967. de diversas parecerias e atividades de ensino e gem estudos que buscam compreender os fundamentos culturais pesquisa. cada vez mais. no contexto de redemocratização do país. o papel crescente de atores não estatais na gestão das po.caso. a repensar. por sua vez. O professor da Universidad Autónoma Metropolitana (UAM) registra. entre outras php?idioma=port> Aces- questões. que mantém relações formais munitários e populares. estão sendo disputa- dos por diversos grupos e interesses culturais. Nesse contexto.ar/institucional/1a. uma perspectiva crítica e pluralista. 2 O Conselho Lati- também.clacso. 2017 que sucedem no seio das comunidades. todas as duas iniciativas -se. dedicam. as chama. 22 . sejam eles grandes corporações empresariais trans. que deixa de designar be. org. metodologias de pesquisa tão rigorosas quanto as que existem em outros campos do conhecimento social. a partir de especialmente no núcleo de pensadores do Conselho Latino-ameri. 1 A exemplo da criação do Fundo Nacional para lhantes de organização pública do campo da cultura se realizam. co. busca contribuir dos movimentos revolucionários e das culturas populares da região. sur. no-americano de Ciências Sociais (CLACSO) é uma líticas culturais.

México. que reduz os fundos públicos para a educação e a cultura. enfim. 1990.. agravada pela implementa- ção do modelo liberal neoconservador.] en el momento en que comprendemos mejor el papel que la cultura puede cumplir en la democratización de 23 . diminui salários e aumenta a precariza- ção dos trabalhadores. Grijalbo. 2º edição. Capa livro “Políticas Cul- turales en América Lati- na”. Ed. que obstaculiza a construção de uma efetiva democracia cultural: “[. Canclini (1987) lamenta que a conjuntura econômica das sociedades latino-americanas na época seja de crise.

1987. fica claro que o Estado não é o único agente capaz de formular e executar políticas culturais: elas podem ser elabora- das por distintas instituições sociais e comunidades organizadas in- dígenas e afrodescendentes. não é suficiente a compreensão da políti- ca cultural como a rotina de administração do patrimônio histórico ou como ordenamento burocrático e cronológico de ações do aparelho estatal dedicado à arte e à educação. 26). o autor realiza uma nova contribuição teórica e conceitual – hoje já clássica – para o nosso campo de estudos: Entenderemos por políticas culturales al conjunto de intervenciones realizadas por el Estado. entre outras. satisfacer las necesidades culturales de la población y obtener con- senso para un tipo de orden o de transformación so- cial (CANCLINI. Ademais. Crédito: El Gran Toro A partir dessa conjuntura e logo após essa sólida argumentação. a crise da cultura deve tratar-se junto com as que se vive na economia e na política. aqui repetindo a fórmula defi- 24 . Nessa definição. p. Se o trabalho cultural é necessário para enfrentar demo- craticamente as contradições do desenvolvimento. afirma o autor. Sendo assim.la sociedad estamos en las peores condiciones para desarrollarla. fomentar la expresión y el avance de los sectores popula- res” (p. re- distribuirla. os programas e ações que compõem uma política cultural procuram satisfazer as necessidades culturais da população. 26). las institucio nes civiles y los grupos comunitarios organizados a fin de orientar el desarrollo simbólico.

De qualquer forma. Políticas Culturales y cri- sis de desarrollo: un balance latinoamericano. especialmente. 25 . é curioso que muitas reflexões conceituais posteriores citem o au- tor. Referência GARCÍA CANCLINI. Embora tanto García Canclini quanto essa particular definição sejam considerados paradigmáticos para os estudos em políticas culturais. Finalmente. México: Grijalbo.). Políticas Culturales en América Latina. N. dimensões de análise e metodologias de estudo. Introducción. inclusive. sua abrangência. buscando manter uma ordem. para construir vias alternativas que permitam uma transformação desse status quo. Néstor.nida pela UNESCO. (ed. mas “esquecem” esse texto. as políticas culturais são aplicadas para obter um determinado consenso. cânone e sistema preestabelecido ou. 1990 [1987]. bem como os debates e contribuições estabelecidos com colegas da área. todas as con- tribuições teóricas realizadas por pensadores latino-americanos nos ajudam a problematizar o que seria a natureza específica do nosso campo de atuação e. O desafio constante na atualização desse conceito é tentar com- preender as suas variações e complementações realizadas pelo pró- prio autor ao longo dos anos. In: GARCÍA CANCLI- NI.

O SNC está estruturado a partir de um conjunto de elementos que lhe dão sustentação. Diante dessa perspectiva. Dentre os seus elementos constitutivos. numa perspectiva da participação. as contradições e adversidades que um processo participativo possa vir a revelar. a partir de um processo de diálogo entre o poder público e a so- ciedade. o Sistema Nacional de Cultura (SNC). com instrumentos equivalentes nas de- mais esferas. a valorização da diversidade cultural e da cultura como eixo de desenvolvimento. DIVERSIDADE E DEMOCRACIA Kátia Costa Fruto do paradigma instituído no Brasil a partir de 2003. PLANOS MUNICIPAIS DE CULTURA. A construção de planos municipais de cultura. há um interesse permanente para a busca de uma compreensão maior sobre a construção e consolidação da 26 . tendo como princípios essenciais o estímulo à participação social. atuando de modo interdependente e complementar. é base para a formatação de políticas públicas para a área da cultura. a partir de uma visão mais crítica. tem-se o plano de cultura como instrumento de planejamento e implementação de políticas públicas para a área. mas também nos leva a enxergar. busca valorizar o processo democrático.

muito calcados nas limitações da demo- cracia representativa. demanda um olhar diferenciado para as realida- des locais e suas dinâmicas. no qual se realiza um desmonte das políticas públicas.democracia em nosso país. a diversidade e o plano de cultura contribui para promover o fortale- cimento da democracia. com contextos singulares. em função da ideologia de cunho neoliberal. portanto. os municípios brasileiros se apresentam como entes fundamentais desse projeto político. apesar de. explicita sobremaneira a sua diversidade cultural e. conforme registram Dagnino. dos modelos de proje- tos políticos conservadores. sobretudo. A relação entre a cultura. estar- mos vivendo um processo de retrocesso político. os quais podem vir a contribuir para uma cidadania democrática e para o reconhecimen- to da cultura local como disparadora de desenvolvimento humano. Olvera e Panfichi (2006). O Brasil. Esses autores destacam “novas preocupações 27 . obviamente. deve levar em conta a construção dos planos de cultura de forma participativa. O local é onde a cultura se revela. no momento presente. tendo a cultura e a diversidade cultural como prin- cípios para o fortalecimento da democracia. Assim. em especial no campo social. no âmbito dos mu- nicípios. com sua extensão territorial e distintas matrizes culturais. É um desafio que requer. para uma prática cidadã mais efetiva e como elemento constituinte de outro modelo de desenvolvimento local. A importância das políticas públicas de cultura. bem como. o rompimento de paradigmas históricos e estruturais da relação federativa. que visa. à garantia dos direitos culturais.

PANFICHI. o desafio da quebra de paradigmas não só pressu- põe um rompimento com práticas políticas conservadoras. fóruns) e uma grande pluralidade de projetos políticos. não-civis ou pouco democráticos. estruturada em três aspectos. p. que desen- volvem formatos institucionais diversos (sindicatos. 13) que norteiam a discussão sobre a disputa pela construção democrá- tica na América Latina. além de formas variadas de relação com o Estado. 27). PANFICHI. […] uma sociedade civil composta por uma heterogeneidade de atores sociais (inclusive com visões conservadoras). políticas e culturais. c) trajetórias da sociedade civil e das sociedades políticas. então. de fato. inclusive. a sociedade civil como um espaço complexo em todos os sentidos da vida coletiva. (DAGNINO. mas com o próprio modo de pensar da sociedade brasileira que ainda se cons- titui de visões pouco alargadas sobre o campo da cultura ou mesmo sobre o que constitui. visto que: […] no interior da sociedade civil coexistem os mais diversos atores. associações. b) projetos políticos. OLVERA. que abriga diferentes atores e formas variadas de relações – sociais. mesas.teóricas e políticas” (DAGNINO. um olhar para uma política pública de cultura comprometida com o reconhecimento da diversidade cultural. p. re- des. tipos de práticas e projetos. para uma aná- lise diante de tais preocupações: a) heterogeneidade da sociedade civil e do Estado. 2006. Diante do exposto. alguns dos quais podem ser. coalizões. Esses mesmos autores nos levam a reconhecer como o processo de construção democrática está diretamente relacionado ao comporta- 28 . OLVERA. Temos. 2006.

Um desses fatores está relacionado à forte presença e atuação dos movimentos religiosos que compõem toda a história de formação da sociedade latino-americana. com distintos modos de pensar e agir. expresso na repre- sentação política e no comportamento da sociedade civil. enfatizando distintos lugares de atuação. especialmente nas vertentes neopentecostais. desenvolve-se um contexto sociopolítico que impacta forte e negativamente nas dinâmicas culturais e na proposta de uma política pública inclusiva. por vezes.mento social e político da sociedade. a América Latina tem uma longa tradição evan- gélica que. produzindo um embate de ideias que pode promover convergên- cias. que busca reconhecer a diversidade cultural como pilar para uma mudança de paradigma. registrou grande avanço no número de adeptos. nas últimas décadas. permite o encontro de diferentes sujeitos. Com uma pauta dirigida contra mudanças liberalizantes na família e na socie- dade. incluindo a brasileira. ao se configurar como espaço de negociação permanente. No 29 . por meio dos parti- dos evangélicos e movimentos sociais a eles vinculados. Ocorre que o processo de elaboração dos planos municipais de cultu- ra. um espaço de conflito. não podemos deixar de mencionar outros aspectos que incidiram ou ainda incidem sobre como a sociedade brasileira pen- sa e reflete seus princípios conservadores e de como tais princípios se revelam como grandes empecilhos para o avanço democrático. influen- ciando de forma significativa na agenda pública. Para Villazón (2015). a partir da qual há uma aproximação com correntes católicas conservadoras. como também tornar-se. Contudo.

mas. sobretudo. em especial por parte do legislativo. pelos dis- tintos modos de vida das pessoas e suas escolhas privadas e compro- mete o conceito de diversidade cultural como um projeto político funda- mental para a construção de uma política inclusiva. capaz de promover o desenvolvimento dos agentes e atores sociais e culturais a partir da sua produção e não somente da sua condição de estar no mundo.entanto. Nesse processo. visando à homogeneização além de uma relação de obediência e subserviência. o que resulta na construção de um documento que pouco incorpora o conceito ampliado de cultura. tenta-se construir novos signos e códigos simbólicos para impor uma nova cultura social e política na sociedade. impondo vetos a determinadas questões presentes na so- ciedade. de um processo de manipulação ma- terial e simbólica utilizado por esses grupos. Isso contraria o entendimento de que a garantia de direitos culturais perpassa pelo respeito às liberdades individuais e coletivas. a postura sectária e resistente ao debate desses grupos con- servadores produz um ambiente de distanciamento ou de pouca predis- posição para uma discussão mais profunda sobre as políticas públicas. Essa intervenção vem impactando num o processo de compreensão das novas dinâmicas sociais e comprometem a construção de políticas que visam à supe- 30 . Tamanha intervenção no processo de construção dos planos tem sido fruto da inabilidade dos gestores em promover uma mediação para o debate franco. O discurso conservador tem-se feito presente quando da aprovação de alguns planos municipais de cultura.

dentre outros fatores. com o surgimento de outra proposta de vida em sociedade. En un mundo en el que las diferencias saltan a la vista la tolerancia positiva cobraría una especial referencia no sólo porque ya no se trata sólo de soportar al diferente. no qual a compreensão da diferença seja um motivo para um mundo diverso e plural onde. Sendo essas as principais motivadoras. 2001: 60) Parece-nos que a relação entre planos municipais de cultura. não para o conflito. requer que se adote. diversi- dade e democracia necessita estar alicerçada pelo princípio da par- ticipação social. e sim para o compartilhamento das diferenças. considerando uma ampla participação. sino que. de fato.ração dos desafios postos pela contemporaneidade. Imprimir um projeto transformador. que toma como princípio a inclu- são. sino en la actitud positiva. A construção democrática dos planos de cultura. seja possível instituir um projeto de transformação: No se insiste en las restricciones que afectan al tolerante. Não cabe um processo homogêneo. además. en el esfuerzo que se realiza para reconocer las dife- rencias y comprender al otro. nem mesmo um mundo de iguais. mas de entendimentos sobre as dinâmicas que compõem o mundo contemporâneo. É na construção coletiva que emergem os distin- tos modos de ver o mundo. a coexistência entre os diferentes grupos sociais. (PIZÓN. Só assim será possível vivermos num mundo onde as escolhas individuais e coletivas sejam permitidas. se reconoce su derecho a ser distinto. enriquecerá o debate 31 .

: DAGNINO. PANFICHI. Evelina. 59 -92. Referências DAGNINO. Júlio Córdova. 2001. SP: Unicamp. A Disputa pela construção democrática na América Latina. 2006. São Paulo: Paz e Terra: Campinas. KAYSER. em que a diversidade se apresenta como elemento propulsor de desenvolvimento e capaz de produzir novos sentidos para as localidades. 32 . PANFICHI. p.. Sebastião.político sobre os diversos temas que afetam a vida em sociedade e que ecoam no campo da cultura. OLVERA. Evelina. Tolerancia y Derechos Fundamentales en las Sociedades Multiculturales. Aldo. volver! São Paulo: Perseu Abramo. In CRUZ. 2015. Aldo (orgs. Direita. Gustavo (org.). Alberto J. CODAS. Velhas e novas direitas religiosas na Amé- rica Latina: os evangélicos como fator político. OLVERA. Para uma outra leitura da disputa construção democrática na América Latina. VILLAZÓN.). In. Alberto J. Madrid: Editora Technos. PISÓN. André. José Martínez de..

Com o avanço das políticas neoliberais. desval- orização do profissional. durante o I Encontro de Educativos de Museus e Centros Culturais de Minas Gerais. Podemos afirmar que o trabalho da educação em museus. no qual assistimos à cres- cente diminuição dos direitos dos trabalhadores. amplia sua atuação já com a lógica neoliberal do trabalho: contratações temporárias. vislumbrar possibilidades para a solidariedade e colaboração em rede. REDE DE EDUCADORES DE MUSEUS DE MINAS GERAIS – PERCEPÇÕES PARA O FORTALECIMENTO DA EDUCAÇÃO EM MUSEUS Fernanda Mazieiro Junqueira Pompea Auter Tavares No dia 3 de outubro de 2017 foi criada a Rede de Educadores de Mu- seus de Minas Gerais . condições laborais precárias.REM-MG. baixas remunerações. em uma iniciativa inédita promovida pela Rede Informal de Museus e Centros Culturais de Belo Horizonte e Região Metropolitana (RIMC). juntamente com integrantes da Rede de Museus de Ouro Preto. com maior força a partir dos anos 1990. a precarização e ter- ceirização do trabalho e os cortes de investimentos na cultura e edu- cação. Minas Gerais. A reunião contou com a presença de 28 educadores e educadoras de museus. se faz necessário. ocorrido no Museu da Inconfidência em Ouro Preto. A lógica das 33 . representan- do sete cidades distintas. mesmo em um ambiente hostil.

e com a realização de encontros region.intervenções pedagógicas culturais. ais e encontros nacionais com representantes de diversas regiões.museus. Esse documento surgiu numa tentativa de estruturar diretrizes e bas- es para a construção coletiva de políticas culturais para a educação 34 . das leis de incentivo fiscal cias na área. em seu 1 livro A Privatização da número de museus quanto o número de programas de educação em Cultura. 2006:15). Como consequência. cação Museal (PNEM). Essa lógica da pri- metade do século XX.br/. foi escrito de forma colaborativa por de um Programa de Edu- cação Museal do PNEM. se apoiava na segunda metade do século XX em “complementar os níveis insuficientes de escolarização nas propostas de democratização de oportunidades e redução de desigualdades. A PNEM. A retração do Estado em favor dos interesses coletivos nas políticas públicas e o avanço dos interesses coorporativos e privados no processo histórico do desenvolvimento da Cultura no Brasil e no Mundo1 transformaram significativamente o cenário. pnem.gov. amplia-se tanto o Chin-Tao Wu. dentre eles o documento da Política Nacional de Edu. mais recente documento definidor 2 O histórico do debate se de parâmetros para educação em museus. principalmente da classe operária” (MIRANDA. meio de um fórum virtual2 em um blog aberto para a participação pop. foram realizados importantes encontros de discussão atraso a partir dos anos 90. apoiada pela criação sobre o tema e desenvolvidos documentos que se tornaram referên. direcionadas à cultura. ao Brasil com algum Desde então. Acesso em 20 de outubro de 2017. no Museu Nacional no Rio de Janeiro. discorre sobre museus. Disponível em https:// ular durante o ano de 2012. o processo de financei- rização da arte a partir dos governos Reagan e As ações educativas pensadas e implementadas para museus Thatcher e as suas con- começaram como atividades institucionais no Brasil na primeira sequências ao redor do globo. proposto pelo IBRAM e encontra na Plataforma de finalizado em 2017 durante o 7º Fórum Nacional de Museus realizado Diálogo para a Construção na cidade de Porto Alegre/RS. com a implantação do primeiro setor educativo vatização da cultura chega institucionalizado em 1927. financiadas em maior parte pela iniciativa privada.

Museu da Inconfidência em museus. O contínuo e profícuo debate sobre as atividades educativas em mu- seus acompanhou o surgimento de coletivos de trabalhadores de mu- seus envolvidos com a educação em todo o Brasil. MG). Par- ticipantes do I Encontro museus. que participaram dos fóruns e articularam essa discussão de Educativos de Museus em suas regiões. como redes de colaboração institucional. de educadores. criado a partir dos desejos reais dos profissionais de (Ouro Preto. e Centros Culturais de Minas Gerais. dentre 35 . de museus afins.

outros. outras redes de educadores se formaram no país. a Rede de Educadores em Museus e Instituições Culturais (REMIC) de Mato Grosso do Sul. a Rede de Ed- ucadores em Museus e Patrimônio (REMP) de Mato Grosso.. as redes crescem e ramificam-se. O acontecimento das redes já está naturalizado no meio institucional. a Rede Informal de Museus e Centros Culturais de Belo Horizonte e Região Metropolitana (RIMC). em 2003. ou pelo menos reconhecer. ampli- ando sua atuação em direção a pontos-cegos e contradições com as quais os museus ainda não são capazes de atuar criticamente. provocam um novo ponto nodal com o qual as institu- ições têm que lidar. pelo caráter de colaboração e facilitação de processos que proporciona. o museu deve deixar de ser o foco centralizador da cultura para transformar-se em um simples media- dor dentro de uma rede de agentes sociais complexos e diversos. 2017). algumas com nomes diferentes. 36 . Para Montero (2012:4). refletir sobre a práxis profissional e formar um grupo de es- tudos na área da educação em museus” (REM-RJ. A própria rede se torna esse ponto. O caráter mediador do museu reconhece as redes que atuam e interat- uam em relação às suas proposições. como. mas objetivos similares. dentre outras. No entanto. As redes de educadores. A primeira Rede de Educadores em Museus (REM) do Brasil foi cri- ada no Rio de Janeiro.] de modo a compartilhar ideias. por exemplo. Pernambuco e Distrito Federal. as redes conformam coletivos de profissionais que se encontram para promover diálogos e formações no campo. “com o propósito de promover en- contros sistemáticos entre educadores [. Depois disso.. ao se fortalecerem. Em geral.

foi instituída a Rede de Educadores em Museus do Brasil. outras encontram-se presencial- mente em eventos anuais ou semestrais. As REMs foram surgindo motivadas pelos educadores museais em discutir os desafios e as conquistas na área. do 2º Encontro da PNEM e do 7º Fórum Nacional de Museus em Porto Alegre. e em 2017. criada em 2008. Em 2014. no âmbito do 1º Encontro da PNEM.A Rede Informal de Museus e Centros Culturais de Belo Horizonte e Região Metropolitana (RIMC). Cada REM tem sua metodologia de funcionamento. participou do processo de construção da PNEM desde 2012. em sua grande maioria são informais e de participação voluntária e têm em comum o compromisso com o fortalecimento de uma Educação Mu- seal para todos. no início de 2017. 37 . algumas se reúnem mensalmente. incentivo para criação de novas REMs e no diálogo com o IBRAM. participando do 1º Encontro da PNEM e do 6º Fórum Nacional de Museus em Belém-PA em 2014. e vem funcionando como ferramenta para integração das REMs no processo de articu- lação da PNEM. a rede se sentiu incentivada a iniciar o debate sobre a criação de uma REM que representasse o Estado de Minas Gerais. Segundo levantamento re- alizado pela equipe da PNEM. é uma rede informal de cooperação teórica e prática que reúne diversas instituições cul- turais. REM-BR. articulando fóruns regionais. Seu objetivo é gerar um ambiente de troca e reflexão acerca das estratégias e ações educativas desenvolvidas por seus membros por meio de encontros periódicos e eventos públicos de discussão na área. existiam 13 redes em funcionamento distribuídas em 12 estados brasileiros. A RIMC tem uma trajetória ativa. Durante esse processo de construção do PNEM.

que destitui os limites entre vida privada e profis- 38 . a RIMC vem enfrentando desafios para sua atuação política mais ampla. Essa confusão pode ser um dos efeitos do capitalismo cognitivo/cultural3. e Centros Culturais de Minas Gerais. Par- ticipantes do I Encontro O desejo de criação da REM-MG foi discutido pela RIMC. algumas vezes contraditórias às demandas pedagógicas. Como coletivo democrático. MG). tendo em de Educativos de Museus vista o elevado número de instituições museais no estado e a existên. cia de outras pequenas redes. Seu caráter informal ainda é limitado ao vínculo institucional da grande maioria dos membros. que se preocupam em respeitar as posições políticas institucionais. Museu da Inconfidência (Ouro Preto.

nossos desejos e visória. lando também o nosso tempo. pois educadores de museus se identificam como tal apenas no período em que estão vinculados a uma instituição. modos de diálogo e tomadas de decisões. Além da dificuldade em garantir rep- resentatividade e participação de educadores (não apenas de líderes 39 . sempre conflituosas e contraditórias. A atuação é sempre rotativa e muitos desistem pela instabilidade e falta de oportunidades de trabalho e crescimento profissional da área. poderia dar mais força política às intervenções e manifestações urgentes ao cenário das políticas institucionais em museus. financiamento. contro- é uma profissão regulamentada e tem um caráter de atuação pro. grave problema. não âmbitos da vida. 3 Hardt e Negri (2001) explicam que o capitalis- tucional mesmo em ambientes informais. A educação em museus. destinada a estudantes de diversas áreas. não estri- tamente conectado ao vínculo de trabalho de cada membro.sional. O caráter informal gera uma ânsia incessante de gestores de museus por formações e capacitações. ao sair dessa função volta a ser professor de história ou historiador. marcam a necessidade da atuação em rede em âmbito estadual. Isso ocasiona um nossa subjetividade. articulação. como exercício de conformar esse ajuntamento de forças que pode estrategicamente modificar realidades. ocupando o educador em ser um porta-voz do discurso insti. As posições do ed- ucador no museu. mo avançou para todos os amplamente reconhecida como campo da educação não-formal. Um mediador de história que trabalha em um museu. que acabam reduzindo a atuação das Redes à sua função formadora. A recém-criada REM-MG já encontra desafios relacionados ao seu funcionamento. mapeamento. A necessidade de um ambiente de participação autônoma.

compreender-se a partir da coletividade http://social. divididos em seus 17 territórios de desenvolvimento5. 6 Segundo Negri (2005:2) bém podemos crer que a educação em museus atua na transformação a singularidade “é o homem que vive na social. sentido. Isso implica em cumprir seu papel de resistência às formas de controle e normatizações impostas pelas instituições museais. Disponível em: idade e. criados pelo Gover- contínua” (PELBART. há ainda de Museus . Ela tenta deixar de lado as metáforas colonizadoras de fronteira. A educação to-e-lanca-foruns-region- não é neutra e deve intervir para a transformação do presente.institucionais) em um estado como Minas Gerais.mg. A rede deve atuar como um mediador.br/ que a compõe. em favor das singularidades6 dos educadores e da cooperação. relação com o outro. que tornando os atores conscientes das implicações políticas da educação.gov. O mais importante. Isso implica assumir sua heterogene. nador Fernando Pimentel em 2015. “avessa a qualquer uniformidade. assumindo com isso toda sua complexidade. deixando em suspenso essa articulação e trabalhando com suas contradições internas. que possui 415 mu. que está em variação to. segundo Montero (2012:17). ajuda/story/2795-gov- ernador-fernando-pi- mentel-cria-17-territo- Paulo Freire (1978:2) nos inspira a pensar que educadores são “políticos rios-de-desenvolvimen- e também artistas” e que não pode haver aí uma dicotomia. 4 Segundo dados informa- dos pelo Sistema Estadual seus4. Essa coletividade contribui e fortalece o trabalho local re- alizado por todos e por cada educador: refazer constantemente o 40 .SEMMG. a rede deve funcionar como um dispositivo para conformar uma ritórios de desenvolvimen- comunidade. “tem o museu como um nó a mais. nesse 20 de outubro de 2017. Nós. seria assumir seu papel político intrínseco crítico. Nesse contex. e isso ais significa agir politicamente. tam. 5 Minas Gerais tem 10 macrorregiões e 17 ter- to. se define na relação com o outro. em condições assimétricas de funcionamento. capaz de agir criticamente jun- to ao museu. como educadores de museus. e que esse fazer cotidiano justifica a atuação social do museu. 2003:30). ao mesmo tempo. A mediação crítica. Sem o outro ele não existe em si mesmo”. território ou divisão entre o social e o cultural”.

n. Periódico Perma- nente. 4. Chin-Tao. 2006. criar aberturas. 2003. Referências FREIRE. p. HARDT. v. 2016. Record: Rio de Janeiro. Boitempo Editorial: São Paulo. Conferência Inaugural do II Seminário Internacional Capitalismo Cognitivo – Economia e Conhecimento e a Constituição do Comum. A privatização da cultura: a intervenção corporativa nas artes desde os anos 80. 6.1-8. PELBART. p. Tradução por Lucas Oliveira. Experiências de mediação crítica e trabalho em rede nos museus: das políticas de acesso às políticas em rede. MIRANDA. Danilo Santos de. São Paulo. Iluminu- ras: São Paulo.1-20. 2005. 4. Império. nem sempre institucionalmente organizadas. NEGRI. WU. 41 . Prefácio. n. M. Periódico Permanente. 6. Vida capital: ensaios de biopolítica. Paulo. v. RITS. Tradução Katalina Leão. MONTERO. Rio de Janei- ro. 2001.chamado ao público. Antonio. Educadores são políticos e artistas: uma entrev- ista com Paulo Freire. A constituição do comum. NEGRI. A. 2016. Peter Pál. para participação e experiênciação do museu. Javier R. São Paulo.

Boitempo Editorial.museus.facebook. Política Nacional de Educação Museal. 42 . IBRAM.com/pg/REM- RJ-125006930912175/about/?ref=page_internal> Acesso em 20 de outubro de 2017. Rede de Educadores de Minas Gerais. Dis- ponível em <https://www. Disponível em <https://www. 2006.br/wp-content/uploads/2017/06/ Documento-Final-PNEM1. 2017.com/rem. A privatização da cultura: a intervenção corporati- va nas artes desde os anos 80.minasgerais/>. Fan- page Facebook. São Paulo.gov.PNEM. REM-MG. REM-RJ.pdf> Acesso em 20 de outubro de 2017.facebook. WU. Fanpage Face- book. Acesso em 20 de outubro de 2017. Disponível em https://www. Rede de Educadores em Museus do Rio de Janeiro. Chin-Tao.

atualmente atua com assistente técnica do Projeto Planos Municipais de Cultura em Ambiente de Aprendizagem à Distância (MinC / UFBA) e como consultora na área de elaboração de planos municipais de cultura. Pesquisadora Associada da UFMT e Pesqui- sadora da Observatório da Diversidade Cultural. E-mail: pliniorattes@gmail. pesquisador do Observatório da Diversidade Cultural (ODC) e do espaço de formação Políticas Culturais em Rede. Atua como educadora em museus. difusão e crítica. É coordenadora do setor educativo do Museu de arte da Pampulha e integrante da RIMC e REM-MG.com Doutorando em Cultura e Sociedade do Programa Multidisciplinar de Pós-graduação em Cultura e Sociedade (IHAC/ UFBA). É pesquisadora do Observatório da Diversidade Cultural. Especialista em Gestão Cultural pelo Itaú Cultura e Universidade de Girona.UFMG e licenciada em artes plásticas pela UDESC. 43 . Email: juanbrizuela. Universidade Federal da Bahia (UFBA).SOBRE OS COLABORADORES DESTA EDIÇÃO Pós-Doutoranda do Programa de Pós-Graduação em Estudos de Cultura Contemporânea (ECCO). Gestor cultural do Sesc Bahia. Mestra em Cultura e Sociedade do Programa Multidisciplinar de Pós-graduação em Cultura e Sociedade (IHAC/ UFBA). Pesqui- sador do Observatório da Diversidade Cultural. da Universidade Federal de Mato Grosso (UFMT). no projeto “Artes Visuais em Mato Grosso: acervo. Doutora em Cultura e Sociedade. E-mail: katiacosta.com Doutor pelo Programa de Pós-Graduação Multidisciplinar em Cultura e Sociedade IHAC/ UFBA. integra a RIMC e REM-MG. Mestranda do Programa de Pós-graduação em Artes da Universidade do Estado de Minas Gerais – UEMG e graduada em Artes Plásticas pela Escola Guignard.gpc@gmail.com Mestre em educação e docência pela Universidade Federal de Minas Gerais . cult@gmail.

.

atuando sobre os desafios da proteção e promoção da diversidade cultural.SOBRE O OBSERVATÓRIO DA DIVERSIDADE CULTURAL O O Observatório da Diversidade Cultural – ODC – está configurado em duas frentes complementares e dialógicas. Produção e disponibilização de informações focadas em políticas. culturais e gerenciais. UEMG. artistas. por meio do apoio dos Fundos Municipal de Cultura de BH e Estadual de Cultura de MG. da diversidade e da gestão cultural. agentes culturais e pesquisadores. gerar experiências e experimentações. quanto da ONG. que forma e atualiza gestores culturais com especial ênfase na Diversidade Cultural. por meio de publica- ções e da atualização semanal do portal do ODC e da Rede da Diversidade Cultural – uma ação coletiva e colaborativa entre os participantes dos processos formativos nas áreas da Gestão e da Diversidade Cultural. comunicação e arte-educação para o trabalho efetivo. A primeira diz respeito a sua atuação como organização não-governamental que desenvolve programas de ação co- laborativa entre gestores culturais.com a temática da diversidade cultural refletem sobre a complexi- dade do tema em suas variadas vertentes. criativo e transformador com a cultura em sua diversidade. UFRB e USP. assim. Desde 2003 são realizados seminários. 45 . programas e projetos culturais. incentivar e realizar pesquisas acadêmicas. construir competências pedagógicas. O ODC busca. Desenvolvimento. a saber: PUC Minas. Desenvolvimento do programa de trabalho “Pensar e Agir com a Cultura”. empresas e organizações não-governamentais no que se refere às áreas da cultura. tanto do grupo de pesquisa. oficinas e curso de especialização com o objetivo de capacitar os agentes que atuam em circuitos formais e informais da cultura. educação. investigando a temática da diversidade cultural em diferentes linhas de pesquisa. orientação e participação em pesquisas e mapeamentos sobre a Diversidade Cultural e aspectos da gestão cultural. é produzir informação e conhecimento. UFBA. além de proporcionar experiências de mediação no campo da Diversidade Cultural – entendida como elemento estruturante de identidades coletivas abertas ao diálogo e respeito mútuos. A segunda é constituída por um grupo de pesquisa formado por uma rede de pesquisadores que desenvolve seus estudos em várias IES. Prestação de consultoria para instituições públicas. arte-educadores. O objetivo.

.

es/ portal/ page/ portal/grupos_investigacion/ tecmer- in/ tecmerin_investigadores/Albornoz_Luis Núbia Braga – UEMG – http:// lattes. Amanda Barros e Carlo Ferrara Diagramação: Carlos Vinícius Lacerda Foto de Capa: Daniel Alvarez info@observatoriodadiversidade.org.uc3m.org.observatoriodadiversidadecultural.cnpq.br/ 8232063923324175 Humberto Cunha – UNIFOR – http:// lattes. envie textos para: info@observatoriodadiversidade.cnpq.cnpq.SOBRE O BOLETIM DO OBSERVATÓRIO DA DIVERSIDADE CULTURAL O Boletim do Observatório da Diversidade Cultural é uma publicação mensal em que pesquisadores envolvidos com a temática da diversidade cultural refletem sobre a complexidade do tema em suas variadas vertentes.br/ 3768235310676630 Comissão editorial: José Márcio Barros e Giuliana Kauark Revisão editorial: José Márcio Barros e Giuliana Kauark Revisão de texto: Camila Alvarenga.com.cnpq. Para colaborar com o Boletim. Coordenação geral: José Márcio Barros Conselho Editorial: Giselle Dupin – MINC – http:// lattes.br www.br/ 6021098997825091 Paulo Miguez – UFBA – http:// lattes.br/ 8382182774417592 Luis A. Albornoz – Universidad Carlos III de Madrid – http:// portal.br.br/ 2675191520238904 Giselle Lucena – UFAC – http:// lattes.br 47 .cnpq.