Colégio Pedro II Nome: Bruna Alves Turma: 2206 Numero: 05 Disciplina: filosofia

Filosofia

GARCIA MORENTE – HUME

E chama idéias — restringindo agora um pouco o sentido dessa palavra — aos fenômenos psíquicos reproduzidos. a lembrança do verde. Há também aquelas ideias que não possuem uma impressão definida. visto que a impressão tem que ser atual. talvez necessária.Impressões e idéias. constitui um cabedal de idéias muito mais numeroso que o de impressões. essa lembrança do verde tem a origem claríssima de ter eu recebido antes a autêntica impressão de verde. não estão acontecendo no momento. as idéias apresentam um problema. Tal idéia encontra a impressão correspondente? Então a idéia tem já seu passaporte legítimo. nem problema metafísico algum. 2-As impressões que num momento determinado temos são relativamente poucas comparadas com a porção de idéias que temos. é impressão. é a reprodução de uma impressão sensível Mas suponhamos que. será o procedimento que levará a efeito Hume. como a idéia de existência. quais são as impressões de que procede? Tomar essas idéias. surge em sua mente o que seria ideia para Hume. como dizíamos antes. se é. mas seria completamente injustificado pretender que lhe correspondesse realidade alguma. Pois então é uma idéia de contrabando. aquilo que está aí. agora não tenho mais a impressão de verde. um fenômeno psíquico atual. mas temos muito mais idéias do que impressões. é uma idéia que pode ser usada com toda tranqüilidade porque tem realidade. para . mas são muitas das vezes necessárias. Porém. a idéia de causa. 3. e então tenho a idéia de verde. a saber: de quais impressões procedem? Se uma idéia é simples. é uma ficção imaginativa. Uma idéia para a qual não se encontre a impressão da qual é oriunda. analisá-las à procura da impressão da qual procedem. deve se ter o cuidado de estudá-las e compreendê-las. mas penso nela. Explicação do texto As ideias e as impressões são conceitos completamente diferentes para Hume. às vivências de apresentação atuais: eu agora tenho a impressão de verde. uma idéia que não tem passaporte. já que procede de uma impressão sensível recebida por mim. Porém se a idéia é complexa. Porque. a idéia de substância. que é. é idéia que carece por completo de realidade. não se encontre a impressão correspondente a uma idéia. por exemplo. às representações: eu. a relembro ou a imagino. por muito que se procure. Já quando é relembrada não é impressão. Uma vez que você imagina ou lembra de alguma coisa. mas idéia. As impressões podem ser definidas como a última realidade.As impressões são o que nos é dado. realidade para Hume. As impressões constituem aquilo que me é dado. Pois bem: daqui se deduz clarissimamente o método analítico de Hume. De modo que temos impressões. 1-Hume chama "impressões" aos fenômenos psíquicos atuais. já que de cada impressão que em nossa vida recebemos. A estas. a última realidade é a impressão. não apresentam problema psicológico. a idéia do eu. e que eu reproduzo mercê da memória ou da imaginação ou da associação de idéias. uma Idéia que não se justifica. Já as ideias são mais complexas. se é idéia complicada. fundada talvez na lei psicológica de associação de idéias. a pegada que ficou. que tinha a impressão de verde. Elas são oriundas de impressões.

Se eu digo que este copo de água existe. Se designa a côr verde. não duvidou um instante da existência da substância eu. é uma ideia fictícia. A primeira é a análise da ideia de substância. É maravilhosa a arte psicológica com que Hume toma noções complicadas e as analisa. ou. o braço.se ter noção de qual é a sua origem. Nós olhamos a ideia de substância e encontramos que ela designa aquilo que Locke chama o "não-sei-quê" que está por debaixo das qualidades e dos caracteres. um "não-sei-quê" que serve de base a todas essas impressões. Explicação do texto A ideia de substancia não possui impressões da qual possa ser derivada. onde está a impressão de que existe. Locke. porque a luminária é algo mais que um braço: é a cor e além disso. Vamos vê-lo a propósito de quatro destas noções. que a ideia de substância nos diga qual é sua certidão de legitimidade.de qual é a sua impressão. porque por substância não entendemos a soma dessas impressões mas um quid. deixa de designar a cor verde. Não é também a soma delas. Passemos agora à própria ideia de existência. não quer dizer que designe com a palavra "substância" sua côr verde. a impressão da existência? Também não é a soma de todas as impressões nem uma impressão em particular. essa existência. se designa o braço. Porém quando acrescentamos que existe. Quando dizemos que algo existe. e mostra perfeitamente que a ideia de substância não está originada por nenhuma das impressões que atualmente recebo. que se apresente essa impressão. por nossa imaginação. forjada por nós. é algo que não encontramos em impressão alguma. que são famosas na história da filosofia humana pela beleza da análise levada a efeito. e seguido por Berkeley. é uma idéia de nossa imaginação. por isso chamada por Descartes de ideia fictícia O eu. como diria Descartes. De modo que se eu digo a substância de uma luminária. nós podemos encontrar a impressão correspondente ao "algo" do qual dizemos que existe. Substância. deixa de designar o braço. e analiso o que quero dizer. que a ideia de substância não tem impressão da qual possa ser derivada e que a fundamente. Quer dizer. como diz Locke. Hume faz uma decomposição como quem abre uma laranja em gomos. e como não tem impressão que a fundamente. esse existir do "algo". não quero dizer tampouco que designo seu braço. porque a luminária é algo mais que a cor verde. que são as do copo d'água. Porém. Porém ainda há mais. depois de Descartes. é uma ideia formada por nós. A ideia de substância é uma ideia: qual é a impressão que lhe corresponde? Vejamos. Logo a existência do copo d'água é algo ao qual não corresponde nenhuma impressão. encontro-me com uma multidão de impressões. mas que não é nenhuma delas. É outra idéia feita por nós. Mas examinemos que quer .

Descartes. São feitas em virtude de uma regularidade. o eu. não procede de nenhuma impressão. Por muito que olhe. não são caprichosas. Causalidade. impressões que se repetem muitas vezes unidas. A mais célebre das análises de Hume é a da causalidade. nenhuma impressão. da vivência de azul. principalmente em virtude da associação de idéias. digo: é "minha" vivência. Pois bem: estes feixes. estas idéias fictícias que são: substância. Se eu analiso a relação de causalidade encontro que algo A existe. mas nenhuma delas é o eu. tenho intuição do mêdo que sinto. veremos que há muitas vivências. Logo isto da causalidade é outra ficção. esforço.dizer o eu. azul. e dizemos: isto é o eu. uma ao lado da outra. Associação por semelhança: costumam travar-se e unir-se duas idéias quando são parecidas. o eu de Descartes. que fora respeitado ainda por Locke e por Berkeley. ao dizer que o eu é uma intuição que eu tenho de mim mesmo. a causalidade. E a causalidade não é mais do que um caso particular dessa associação de idéias. não existe mais o eu. porém se olharmos o que há nesse feixe. semelhantes. Porém onde está a vivência que não seja vivência de algo. isto é que não vejo de nenhuma maneira. Cada uma delas faz referência ao eu. por sucessão. comete um enorme erro psicológico. Como se vê. mas nenhuma dessas vivências é o eu. São feixes. Hume é um . como o eu. porém não me encontro a mim mesmo dentro dessa vivência. mas vivência do eu? Olho-me a mim mesmo por dentro e encontro uma série de vivências. associações de idéias. da vivência de coragem. depois tenho a impressão de algo B. Eu vejo que faz calor. Não há mais eu. porém que do calor saia uma espécie de coisa mística que produza a dilatação dos corpos. ao tornar-se depois idéias. como a existência. não encontro que corresponda. Eu tenho a intuição de verde. a conclusão deste ponto de vista é clara e terminante. mas nenhuma delas é o eu. Associação por contiguidade: costuma travar-se em nossa memória e unir-se idéias que estão juntas. inevitavelmente me surge a idéia da outra. se desvanece. Quando dizemos que a causa produz o efeito. é outra idéia feita por nós. quando penso em alguma delas. Então tenho que concluir que à idéia "eu" não corresponde nenhuma impressão. porém não tenho nunca a impressão de que A saia coisa alguma para produzir B. que se sucedem repetidamente umas às outras. da vivência do esforço que estou fazendo para falar ou escrever. como a substância. por muito que analise e decomponha. existência. A substância pensante de Descartes. antes o eu o acrescentamos nós caprichosamente. Nós tomamos nossas vivências. tenho a impressão de calor. que impressão corresponde a isto de a causa produzir o efeito? Não corresponde nenhuma impressão. de azul. à produtividade da coisa. fazemos delas um feixe. tenho intuição da vivência que estou tendo. muitas vivências. Encontro verde. A "crença" no mundo. é outra idéia fictícia. depois meço um corpo e o encontro dilatado. porém vou ver nessa vivência o que a vivência tem de mim e não encontro nada. dele tenho a impressão. A frase "associação de idéias" foi inventada por Hume.

naquilo que me é dado: as impressões. caprichosamente unidas. e Hume responde muito simplesmente: não vejo que exista eu. Não tem sentido levantar o problema. Todavia a existência metafísica em si e por si do mundo exterior além de minhas vivências. creio que este copo existe. . perguntar se existem ou não existem substâncias. isso não está dado naquilo que posso manejar. porém creio porque estou acostumado a crer assim pelo hábito. corresponda uma realidade substancial em si e por si que seja o eu. mas não a extensão. porém que a essa palavra "eu". ou seja. a associação de idéias.. belief. é um problema que não tem sentido. no mundo exterior. isso não se pode verificar nem tem sentido perguntá-lo. que se bebo a água que contém vou refrescar a boca. nem Deus. a única coisa que posso ter é crença. creio que esta luminária existe.) o fundamento da ciência é o costume. porque justamente pela teoria do conhecimento chegamos a ver que a noção de substância externa. e Deus. que são fictícias. psicológicos que provocam em mim a crença na realidade do mundo exterior. o hábito. Por conseguinte. Uma razão não há. a alma. porque eu estou habituado constantemente a ver que o efeito B sobrevém sempre que se produz a causa A. À pergunta metafísica: quem existe? respondia Descartes: existo eu. mas somente vivências. são duas noções às quais não corresponde impressão alguma.homem de absoluta coerência no seu pensamento. Eu estou convencido de que amanhã sairá o sol. chamo-as "eu". minhas vivências aludem a realidades fora de mim. Locke respondia o mesmo que Descartes. Primeira conclusão que tiramos: a metafísica é impossível. Que à causa siga o efeito está bem. pela associação de idéias.. Eu creio que o mundo exterior existe. todavia não existe uma razão que faça da relação causai uma relação apodíctica (necessária e indubitável). Por conseguinte. (. Do mesmo modo. a essa idéia "eu". mas é somente porque estou habituado a vê-lo sair todos os dias. Porém eu não encontro em nenhuma parte substâncias nem corpos. Minhas vivências. nem a extensão. que a noção de substancia interna. e menos ainda há possibilidade de resolvê-lo. a extensão e Deus. fenômenos naturais. sintetizadas por mim. Berkeley respondia: existo eu. Existem unicamente vivências. A tal conclusão nos conduz esta prévia teoria do conhecimento.

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