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Conselho Regional de Medicina Veterinária do Estado de Minas Gerais

PROJETO DE EDUCAÇÃO CONTINUADA

É o CRMV-MG participando do processo de atualização
técnica dos profissionais e levando informações da
melhor qualidade a todos os colegas.

VALORIZAÇÃO PROFISSIONAL
compromisso com você

www.crmvmg.org.br

Editorial
Caros colegas.
Os dados arqueológicos sugerem que a domesticação
do gato (Felis silvestres catus) pode ter ocorrido há 8.700
anos, em Jericó, e 9.500 anos, em Creta. A aproximação do
gato à habitação humana, em comensalismo, surge com o
desenvolvimento de estoques de cereais selvagens criados
há 21.000 anos no Oriente Próximo, anterior à agricultu-
ra, criando as condições para a presença de camundongos,
ratos e pardais, já atraídos há muitos anos. Entre as seis
subspécies de Felis silvestres, a F. silvestres catus é a sexta e
mais recente subespécie, aproximando-se de 500 milhões
de indivíduos no mundo, número maior que a dos cães
segundo o Fundo Internacional para o Bem-Estar Animal
(International Fund for Animal Welfare). O gato doméstico
tornou-se um dos mais importantes animais de companhia,
mérito que demanda a formação profissional e a educação
continuada. A Escola de Veterinária da UFMG e o Conselho
Regional de Medicina Veterinária de Minas Gerais têm a
satisfação de encaminhar à comunidade veterinária e de
zootecnia mineira um volume dos Cadernos Técnicos in-
teiramente destinados à Medicina Felina. Embora artigos
a respeito de felinos tenham sido produzidos em edições
anteriores, este é o primeiro Caderno Técnico temático a
reunir textos exclusivamente sobre a saúde de gatos. O pre-
sente número, sob a coordenação e preparado por professo-
res e especialistas, discorre de forma atualizada sobre pon-
tos relevantes para o paciente felino, incluindo acupuntura,
Universidade Federal
de Minas Gerais choque circulatório, dermatites parasitárias, esporotricose,
manejo do paciente, nefrologia e obesidade. Consolida-se
Escola de Veterinária
Fundação de Estudo e Pesquisa em a parceria e o compromisso entre as duas instituições com
Medicina Veterinária e Zootecnia relação à Educação Continuada da comunidade dos médi-
- FEPMVZ Editora
cos veterinários e zootecnistas de Minas Gerais. Deseja-se
Conselho Regional de que este volume exerça uma contribuição contínua, como
Medicina Veterinária do
Estado de Minas Gerais um manual de consulta na rotina profissional na área de
- CRMV-MG Medicina Felina.
www.vet.ufmg.br/editora
Correspondência: Prof. Nelson Rodrigo da Silva Martins - CRMV-MG 4809
Editor dos Cadernos Técnicos de Veterinária e Zootecnia
FEPMVZ Editora
Caixa Postal 567 Prof. Renato de Lima Santos - CRMV-MG 4577
30161-970 - Belo Horizonte - MG Diretor da Escola de Veterinária da UFMG
Telefone: (31) 3409-2042 Prof. Antônio de Pinho Marques Júnior - CRMV-MG 0918
E-mail: Editor-Chefe do Arquivo Brasileiro de Medicina Veterinária e Zootecnia (ABMVZ)
editora.vet.ufmg@gmail.com Prof. Nivaldo da Silva - CRMV-MG 0747
Presidente do CRMV-MG

4. Tecnologia e Inspeção .24-28 1998-1999 . 1986-1998.Periódicos.1. Fundação de Ensino e Pesquisa em Medicina Veterinária e Zootecnia. 1998-1999 v. Extensão Rural . 1. 1999¬Periodicidade irregular. (Cadernos Técnicos da Escola de Veterinária da UFMG) N. desde que seja citada a fonte.1999. Medicina Veterinária .Belo Horizonte. N. Nelson Rodrigo da Silva Martins Editores convidados para esta edição: Adriane Pimenta da Costa Val Bicalho Rubens Antonio Carneiro Revisora autônoma: Giovanna Spotorno Tiragem desta edição: 1. Impressão: Imprensa Universitária da UFMG Permite-se a reprodução total ou parcial. sem consulta prévia.Periódicos. ilustr. FEP MVZ Editora. ed.Belo Horizonte.Belo Horizonte. 3. Fundação de Ensino e Pesquisa em Medicina Veterinária e Zootecnia.Conselho Regional de Medicina Veterinária do Estado de Minas Gerais .FEPMVZ Editor da FEPMVZ Editora: Prof. I.000 exemplares Layout e editoração: Soluções Criativas em Comunicação Ldta. . Produtos de Origem Animal.Periódicos.CRMV-MG Presidente: Prof. FEP MVZ Editora. FEP MVZ Editora. Produção Animal . Antônio de Pinho Marques Junior Editor do Cadernos Técnicos de Veterinária e Zootecnia: Prof.br CADERNOS TÉCNICOS DE VETERINÁRIA E ZOOTECNIA Edição da FEPMVZ Editora em convênio com o CRMV-MG Fundação de Estudo e Pesquisa em Medicina Veterinária e Zootecnia .Periódicos. Centro de Extensão da Escola deVeterinária da UFMG. Nivaldo da Silva E-mail: crmvmg@crmvmg.29. 23cm N. Cadernos Técnicos de Veterinária e Zootecnia.org.1986 . 2.

selecionar temas de importância atual.Prefácio Adriane Pimenta da Costa Val Bicalho Rubens Antonio Carneiro A medicina veterinária de pequenos animais sofreu grande crescimento nas últimas décadas. “Gatos são poemas ambulantes” Roseana Kligerman Murray . insatisfação dos tutores e danos à saúde dos pacientes felinos. certamente. Entretanto. Procurou-se. portanto. distribuído é desigual quando se compara a medi- cina de cães e de gatos. estimular discentes de graduação e pós-graduação. que compõem este volume dos Cadernos Técnicos. o conheci- mento gerado e. Tal desequilíbrio gera abordagens e tratamentos errôneos. A discrepância é ainda maior quando se percebe que o crescimento do número de gatos como animais de estimação supera aquele de cães. Para nós. que esperamos contribua para o aperfeiçoamento da medicina desses maravilhosos animais. professores e profissionais a desenvolvê- -los e ofertá-los à comunidade veteriná- ria em forma de capítulos. foi uma grata honra editorar este tomo.

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......... fazendo com que tal abordagem seja indicada para pacientes felinos. Terapia rápida e agressiva........ 4.......... 5....... por isso... Nathália das Graças Dornelles Coelho Os felinos apresentam características que os tornam muito diferentes dos cães quando comparados como pacientes críticos...................20 Fernanda dos Santos Alves........ Maria Helena Franco Morais Tradicionalmente considerada uma doença negligenciada.. Graziella Coelho Tavares Pais... Em felinos.............................. Choque circulatório em felinos.......... Acupuntura na Medicina Felina ... Esporotricose e suas implicações à saúde pública com vistas à ocorrência da doença no município de Belo Horizonte...... podendo ser acometido por doenças e disfunções de forma local ou detoxificação sistêmica.....9 Maria Lopes Corrêa As práticas de medicina veterinária complementar tradicional chinesa (MVCTC) oferecem cuidado integral ao paciente buscando a manutenção da saúde do indivíduo em equilíbrio com o meio do qual é parte............. Larissa Silveira Botoni..... Manuela Bamberg Andrade. A reconhecida sensibilidade psicossomática felina às alterações do meio é claramente interpretada à luz da MVCTC.... para detecção de um possível surto dessa zoonose e definição de estratégias de controle no município de Belo Horizonte................................ com monitoração apropriada e associada à remoção da causa subjacente. 3... Hepatopatias em felinos . Dermatopatias parasitárias em felinos ............. são necessárias para melhorar as chances de um desfecho favorável. a abordagem dessas doenças tem suma importância................. Grazielle Amaro Siqueira de Sousa.......... Danielle Ferreira de Magalhães Soares... Gabriela de Menezes Paz... o diagnóstico muitas vezes é desafiador........ Adriane Pimenta da Costa Val As doenças parasitárias cutâneas são afecções bastante comuns na rotina dermatológica de cães e gatos.Sumário 1. Raphael Mattoso Victor O fígado é o órgão envolvido na complexa variedade de processos metabólicos e de .......... Joana Angélica Macêdo Costa Silva4.... Além disso...46 Glendalesse Nunes Rocha de Faria Teixeira............. bem como o início da investigação de sua difusão e propagação.. Aspectos relevantes da doença são detalhados...... vista as diferenças significantes quando comparadas às dermatopatias parasitárias em cães.... a esporotricose felina vem ganhando evidência por alterações nos seus padrões epidemiológicos e por ter assumido proporções epidêmicas em alguns municípios do Brasil..........59 Manuela Bamberg Andrade.. Os gatos apresentam um conjunto de enfermidades hepáticas cujos sinais ........ podem ocasionar em sinais clínicos diversos e...... Kelly Moura Keller... Este artigo objetiva revisar as principais dermatopatias parasitárias em gatos a fim de auxiliar os médicos veterinários na abordagem dessas doenças.. em conjunto com os achados de exames físicos e resultados de exames realizados à beira de leito.... são fatores necessários para iniciar o tratamento... 2........33 Guilherme De Caro Martins.......... O reconhecimento precoce da instabilidade cardiovascular.....

... o estresse vivenciado pelo felino. 8..... Parâmetros clínicos.... Adriane Pimenta da Costa Val Bicalho A obesidade é tida atualmente como uma afecção que não se restringe apenas à espécie humana..117 Dimitri Bassalo de Assis.. por sua natureza predadora... os sinais clínicos.. 9.... Os gatos persas parecem apresentar predisposição genética........... O clínico necessita de métodos confiáveis que possibilitem diagnosticar precocemente o aumento de percentual de gordura corporal ou estimar o quão acima do peso ideal o paciente encontra-se................. O presente artigo visa abordar as diversas causas.. Neste trabalho.......... clínicos são.. As consequências da obesidade são preocupantes. O felino possui um número inferior de néfrons quando comparado as espécies canina e humana..... Cerca de 30% a 40% dos gatos podem ser considerados com sobrepeso ou obesos.......... Vítor Maia................. A identificação precoce das nefropatias faz com que intervenções rápidas sejam instauradas retardando o progresso da grave doença......... obesidade..103 Grazielle Amaro Siqueira De Sousa... Além disso.... Cerca de 50% a 60% dos gatos apresentarão alguma disfunção renal em algum momento da vida........ inespecíficos. Obesidade felina........... Tulio Alves Avelar O acompanhamento regular do animal é importante para sua qualidade de vida......... destaca-se o uso do Índice de Massa Corporal Felina e do escore visual para o fim supraproposto...... pH urinário e estresse....... Gabriela De Menezes Paz. Marina França de Oliveira Pelegrino. Nefrologia em felinos . ... desde o transporte até a permanência no estabelecimento veterinário..... Grazielle Amaro Siqueira de Sousa.... sexo masculino.... Manejo do paciente felino. ingestão de água... laboratoriais e histopatológicos devem ser conhecidos para determinação precoce da causa da afecção..... São relacionados como fatores de risco: idade superior à 6 anos..... Gatos........... na maioria das vezes............ escondem sinais de doenças e de dor... Fernanda Dos Santos Alves.. faz com que muitos tutores acreditem que a experiência traumática é mais prejudicial para o gato do que a falta de cuidado médico...... Nathalia Das Graças Dorneles Coelho As doenças do trato urinário inferior dos felinos (DTUIF’s) compreendem diversas desordens que variam desde discretas disurias à possibilidade de óbito.88 Gabriela de Menezes Paz. O despreparo no manejo de felinos também contribui para esse cenário. Stephanie Karoline Pereira Passos........... Nathália das Graças Dornelles Coelho.... o diagnóstico clinico e laboratorial desta importante afecção dos gatos domésticos..... 7... o que pode determinar um diagnóstico tardio.......... Doenças do trato urinário inferior dos felinos.......... 6..... Fernanda dos Santos Alves A relevância dos rins no funcionamento dos processos fisiológicos é incontestável. Ma- nuela Bamberg Andrade.... bem como destaque de achados laboratoriais relevantes em felinos com sobrepeso.................... O objetivo do presente artigo é apresentar técnicas de abordagem no consultório e de internação visando melhorar a qualidade do atendimento ao paciente felino....... castração............ Manuela Bamberg Andrade...70 Nathália von Ruckert Heleno....................

3. ao contexto histórico São técnicas terapêuticas conservativas e social nos quais sur- e pouco invasivas.Dentre essas.1. losóficos relacionados o meio do qual é parte1. al- 1. Acupuntura na Medicina Felina Maria Lopes Corrêa Médica Veterinária . da saúde do indivíduo MVCs sãoempíricas e buscando a manuten- ção da saúdedo indiví. em equilíbrio com o carreiam aspectos fi- duo em equilíbrio com meio do qual é parte. corresponde a um conjunto de práticas As MVCs oferecem abordagem integral médicas difundidas mundialmente.CRMV/RJ 11710 bigstockphoto. cujo foco As práticas de me. a medicina vete- o organismo a ativar mecanismos rinária tradicional chinesa (MVTC) intrínsecos para alcançar a homeostase. integral do paciente. medicina veterinária complementaroferecem terapêutico é o contro- dicina veterinária com- uma abordagem le das causas de base do plementar (MVC) ofe- integral do paciente. recem uma abordagem buscando manutenção Em termos gerais. Introdução Práticas da do paciente primordial- mente curativa. Acupuntura na Medicina Felina 9 . pois estimulam giram.com 1. processo de doença2.

elabora.8. sugerindo que. Contudo. A inspeção da língua avalia bri- pectos fisiopatológicos e da atividade. Contudo. aborda o paciente de forma semelhante à veterinária convencional. a palpação do pulso e a inspeção da língua 2.9. Recomenda-se que a exposição do ór- A reconhecida sensibilidade psicos. a avaliação da con- mesticado.1. pela MVTC.7. veterinário para interpreta-las1. corpo e prejudica sua disponibilização cultural da China antiga. respectivamente10. o paciente é ca. incitando a aplicaçãode téc. ração de sua coloração11. evitando exacer- somática felina às alterações domeio é bação de estresse e consequente alte- claramente interpretada à luz da MVTC. sangue e líquidos corporais. aus- felino pela MVTC cultação. dição mental é fundamental para o nicas de MVTC na medicina felina4. lho. os chamados zang sobretudo a partir da dinastia Han (206 fu8. Especificamente físicas. requer especial participação dos res- Felis silvestris bieti o gato chinês das ponsáveis para a cuidadosa coleta de montanhas. ambiente ambulatorial. o felino passou a ser do.C a 220 d. no considerando-se queas denominadas. o desequilíbrio no âmbito da medicina felina. Exame clínico são fundamentais para o diagnóstico Desde a avaliação clínica. mental e cognitiva5. pois indicam a disponibi- ção do diagnóstico até a prescrição da lidade das substâncias vitais para o ade- estratégia terapêutica. Abordagem do paciente saúde geral por meio dada inspeção. a. Sendo assim. em geral. mantendo a mandíbula cerrada. gão seja atraumática. também co.5.cançando aplicação na clínica médica e dem desencadear processos de doenças em estudos científicos. e discernimento técnico consolidar a compreensão de que indi. diagnóstico pela MVTC. Qi. víduos da espécie eram frequentemente A etapa do exame físico da MVTC presentes nas comunidades milenares 6. felinos causas internas de doenças. nº 82 .dezembro de 2016 .sobretudo na Há estudos evolucionistas sugerindoa abordagem dos felinos. o vete- 10 Cadernos Técnicos de Veterinária e Zootecnia. manifestam comportamento defensivo nhecidos como fatores emocionais. levantamento de dados da anamnese cestrais dos felinos domésticos atuais. palpação e olfação.C). avaliando a 2. aos órgãos e vísceras. fato que contribui para informações. Sinteticamente. interpretação de sinais clínicos em as. Yang com dados levantados a partir da Xue e Jin Ye. Oadequado existência de linhagem chinesa de an. cobertura de saliva e coloração. registros emocional altera o fluxo deenergia por milenares evidenciam a participação de meio dos canais que percorrem todo o animais dessa espécie no cenário socio. po. quado funcionamento do organismo: racterizado dentro do paradigma Yin e energia.

Tal terminolo- os órgãos.12. oferecer peque. quanto ao per- tura da boca. sobretudo a a diferenciação da sín. medicina veterinária e taoístas. por fim.doença interna ou externa.13. canais e co. a palpação do 2.Princípios de Diagnóstico. uma terapia da doutrinas confucionistas drome chinesa (SChin). Os A criteriosa avaliação dos dados co- fundamentos da AP remetem a aspec- letados no exame físico e tos da cultura tradicio- na anamnese embasam A acupuntura é nal chinesa. Movimentos da Natureza ou os Oito visando.2.influenciar os indivíduos: estações do ção de tais SChin.fil geral Yin ou Yang. fundamental para a elaboração da estra- exposição do órgão. volu- MVTC com boa aceitação pela veteri- me e pressão do fluxo sanguíneo. associação à protocolos alopáticos. natureza de ponsável pelo paciente proceda a aber. os sinais devem ser interpreta- estratégias para proceder a inspeção da dos e classificados quanto à intensidade. A14 ção dos pacientes com subjetividade e essência holística que os meios nos quais vivem. Dentre as possíveis último. sobretudo. Acupuntura na Medicina Felina 11 .frio ou calor e. abrangendo permeiam todo processo médico da diversos aspectos que são capazes de MVTC são intrínsecas na caracteriza. considere: solicitar que o res. ou ainda. preservaro bem es. Segundo esse tar dos pacientes9.clínica de cada paciente . ritmo. língua. bem como ser farmacológica. o que viabiliza sua estresse do paciente7. o clínico. tégia terapêutica adequada a condição Sob o mesmo intuito de uma abor.10. evi- nária ocidental por ser essencialmente tando provocar situação de ansiedade e não farmacológica. Os achados clínicos 1. A identificação das nas porções de líquidos palatáveis que SChin que compõem cada caso é etapa estimulem a lambedura e. que possibilita sua gia é caracterizada por laterais (meridianos) associação à protocolos elementos simbólicos e substâncias funda. consequente. Abordagemdo felino pela pulso femoral deve ser procedida sob AP técnica acurada para pronta percepção A acupuntura (AP) é uma terapia da de aspectos de velocidade. com boa aceitação mação de uma lingua- táticos responsáveis por pela veterinária gem médica própria que desencadeara condição ocidental por não permeia todo processo de doença. cujas influên- que identifica a raiz dos tradicional chineasa cias promoveram a for- desequilíbrios homeos.rinário acupunturista deve valer-se de são categorizados nos tradicionais Cinco estratégias para contornar tal desafio. 15 dagem pouco invasiva. alopáticos relacionados a integra- mentais afetados .

dezembro de 2016 . dos canais e modula puntura. nº 82 . aquecimento dos pon- cionada à superficialidade na qual o Qi.16. tos com uso da erva medicinal chinesa energia vital.inserção de agulhas de acupuntura so- nicas de estimulação de pontos.aos acupontos8. ações neuroendócrinas e indiretacorresponde a bolismo da MVTC. propriamente dita. A manipulação suave pode são capazes de suportar os estímulos favorecer o relaxamento e aceitação do sobre os pontos de acu. bem como a de periósteo e tendões8. pontos ou em padrão de massagem ge- De modo geral.17. Pelo sim. Amoxabustão fície corporal. a imunológicas nos tecidos um método de terapia sensibilidade observada adjacentes térmica por meio do na espécie estaria rela.mucosas.18. metabolismo. essa diversidade para mobilizar a energia Qi ao longo dos possibilita abordagem eficiente para canais e modular ações neuroendócri- correção dos desequilíbrios fisiopatoló.pela combustão da erva sobre olhos e midade a terminações nervosas noci. abundante afluxo capilar. varian. além dos estímulos A AP oferece diferentes possibili. laserpuntura.circula através dos canais e Artemisia vulgaris.métodos de estímulo devem considerar 12 Cadernos Técnicos de Veterinária e Zootecnia. mas preservaos limites individu.ano. de modo que puntura. os ciclos orgânicos. a escolha de técnica de estímulo giões de acupontos17. além violeta ou infravermelho. A dades de recursos terapêuticos e téc. A inserção de agulhas essa técnica pode ser em- tos informais sugerem de acupuntura sobre pregada isoladamente ou que felinos são mais os acupontos mobiliza associada como etapa sensíveis à palpação e a energia Qi ao longo inicial da sessão de acu- manipulação da super. mais intensos nas re- de AP. a sensibilidade tátil local possíveis intolerâncias cutâneas do ca- é grande devido à suas características lor e da ação irritante dos gases gerados histológicas e neurofisiológicas: proxi. ativam mecanismos celu- Para a abordagem durante as sessões lares e teciduais.nas e imunológicas no tecido adjacente gicos. o do das menos invasivas até a acupuntura clima e os alimentos4.a prescrição de pontos e considerar a aceitação do felino. A aplicação de radiação ultra- ceptoras.18. paciente. todos os pacientes neralizada. A resposta dos felinos colaterais. ou das associações entre as técnicas deve Portanto. contudo rela. Especificamente com relação a tal estímulo é variável e o veterinário as regiões onde se localizam os pontos responsável deve manter-se atento a de acupuntura.com fármacos e impulsos elétricos. Acupressão é estímulo ais quanto à sensibilidade e aceitação de gerado pela força dos dedos sobre acu- manipulação16. No bre os acupontos tem grande potencial tratamento de felinos.

deve-se estimular outros é feito oestimulo pontos cuja sensibilida- ser aplicadas pela super- de outros pontos de nociceptiva pode ser fície corporal do pacien- cuja sensibilidade mais intensa7.clínicas de profissionais experientes na nos de modo que o processo de trata. a participação do felina responsável pelo gato e a utilização da O estímulo de pontos nos membros caixa de transporte ou de cama trazidos e em outras regiões nas quais sabida. o agulhamento na AP de felinos mento com AP seja realizado com omí. Tal qual em outros taré diretamente relacionada à sensação procedimentos ambulatoriais. durante a sessão de AP. Cuidados durante a AP colar elizabethano. nimo estresse.localizado entre os o período que se faça de pontos dorsais processos espinhos da necessário . aumentan.3. Considerando que nociceptiva pode ser O relato de O’Leary de modo geral os proto- mais intensa (2015)20sobre o caso da colos elegem sessões se- manais. alémdo em- na terapia com AP12. Acupuntura na Medicina Felina 13 .do domicílio para maior conforto .20. havendo inclusi- do as chances de manu.e após cons- a cada sessão de AP. te. 2. eficaz. 12 mente felinos demonstram maior sensi- bilidade tátil. múltiplas agulhas podem inicial do paciente. De acordo com experienciais pela MVTC é direcionado pelo diagnós- 1. devem ser evitadas sobre- 3.gridade do paciente. o felino tem de ser conti- de segurança e confiança do paciente e do adequadamente por equipe treinada de seu responsável na equipe envolvida para o manejo da espécie. 19 que proporcionam 7a vértebra cervical e a Inv a r i av e l m e n te. Após a aceitação tatar a maior aceitação.área.deve ser iniciado por pontos dorsais. Indicações clínicas para tudo em sessões iniciais. Da tratamento durante todo o agulhamento zhui. eficaz. máximo de colaboração que proporcionam relaxamento mais do paciente. relaxamento mais 1a torácica . Asessão de AP de felinos ve indicações de iniciar tenção e assiduidade ao deve ser iniciadacom pelo ponto VG14.tais particularidades dos pacientes feli. é extremamente ingestão de agulha por importante que sejam adotadas medi. A promoçãodobem es.um gato durante a sessão de AP reitera a das de manejo do felino e de controle do necessidade da adoção das estratégias de ambiente ambulatorial onde as sessões biossegurança para preservação da inte- serão realizadas. quando não se AP na medicina felina conhece o padrão de reação imediata do Considerando que o tratamento paciente. prego de equipamentos como toalhas.

é relevante paraestimu- sada por condições de excesso.1.2. A escolha pela te.22. aplicação de AP também A dor pode ser cau. A sumarização dos sinais dros de deficiência de nutrição tecidual. o felino tende precisão pela veterinária convencional.felinos ésubjetiva e pode ser associada cação para tal finalidade tem se consagra. Controle da dor da manifestaçãode sinais de depressão e O efeito analgésico da AP é confir. quando laro apetite. Guardados AP configura-se como depende da adequada in- os devidos cuidados de alternativa favorável terpretação de tais sinais manejo durante a sessão. A sensação álgica também pode rapia complementar com as técnicas de ser provocada por condições de defi- AP amplia as possibilidades terapêuti. Apesar dos benefícios da AP para 14 Cadernos Técnicos de Veterinária e Zootecnia. além 3. perda de brilho7. ciência da circulação das ditas substân- cas com relação ao elenco de patologias cias fundamentais. as indicações canais. além da sensação de peso e formiga- veterinária ocidental. secura. temperatura na pele.estresse21. formação de mas- guagem médica híbrida entre MVTC e sas. pois alternativa favorável para implica em mínimos 3. mento. para o controle da aos padrões das SChin. energia Qi ou lí. Portanto.a diferentes causas. A fármacos21. AP configura-se como dor em gatos. clínicos em SChin pode ser aplicável a com atrofia. diferentes doenças diagnosticadas com Para as ambas condições. a reagir com lambedura excessiva no lo- cal da dor earrancamento de pelos.dezembro de 2016 . pois implica em quando é associada a pia complementar com mínimos efeitos colate. nº 82 . à administração de associada à doença e à in- ciado à administração de fármacos tervenções cirúrgicas. reduzir a náusea e contri- o acúmulo de determinada substância buir para a sensação de bem estar geral fundamental (sangue.terapias farmacológicas AP para felinos submeti- rais e quando associada a possibilita redução dos a tratamentos onco- terapias farmacológicas de doses e do lógicos é justificada por possibilita redução de estresse associado promover alívio da dor doses e do estresse asso. A manifestação da dor pelos mado por estudos científicos e sua indi. aboa con- do na medicina humana dução da terapia com AP e veterinária. Oncologia o controle da dor em efeitos colaterais e A prescrição de tera- gatos. gerando dor que pode estar as- clínicas para aplicação de AP na medi.tico sindrômico próprio. sociada a alterações de coloração e da cina felina contemporânea seguem lin.devido a liberação de opioides endóge- quidos) bloqueia o fluxo de energia nos nos23. configurando qua- abordadas.

reza Yin. Doenças renais e do ma urinário de felinos pode provocar trato urinário a formação de urólitos. a processos de estagnação (excesso) de Por sua vez. No organismo. do são identificados clínica e laborato- ses. Seu acúmulo no siste- 3. ca. quando o fluxo De acordo com Raditic(2015)26. e os graus de insuficiência renal. à sua função energéti- Umidade em canais relacionados à fun. sangue e líquidos patogênicos. a umidade é associada ao ca- rior de pequenos animais. ria são ocasionados pela presença de vem ser tomados para evitar a implan. Acupuntura na Medicina Felina 15 . proliferação de microrganismos. estar associado ahemorragias devido ao Além disso. cionado à atividade e movimento. calor no sistema urinário. o fluxo urinário tende a aumen- são. a capacidade de aumentar tumores ulcerados ou infeccionados.o manejo oncológico de gatos. como o uso de moxabustão indireta. urinárias. Looney de disúria.3. No a energia cinética em determinado siste- entanto. as doenças do trato urinário inferior rialmente piúria e cistite. a umidade tem natu- energia. a essaspodem ser categorizadas dentro caracterização de cada órgão é relacio- de SChin de Estagnação de Calor e nada. Bexiga. em situações em que sejam ne. está acumulado diretamente em Rins e derá recorrer a técnicas que atuem na le. que pode ser interpretada conforme ção urinária. implicando na lentificação do fluxo energético. ma. ou ainda de Deficiências a veterinária ocidental como a função relacionadas ao zang Rim. sobretudo. O caloré um tação de contas de ouro ou de agulhas fator patogênico de natureza Yang rela- de demora em pacientes leucopênicos. comumente associadas cidos – hematúria. quando tumorais. o veterinário acupunturista po. ten- bem como o agulhamento direto sobre do. mas sem interferir diretamente sobre tar – poliúria e polaciúria– podendo ela. do órgão e sua fisiologia. pode ser eficiente terapia complementar No caso da patogênese das infecções para as doenças do trato urinário infe. Todas Dentro do simbolismo da MVTC. consequente extravasamento para os te- dromes de base. hematúria e piú- (2010)24alerta sobre cuidados que de. quan- temente afetam os felinossão asurolitía. O zang Rim é Na semiologia da MVTC os sinais considerado essencial para a manuten- 1. o calor acelera o flu- cessárias abordagens direta sobre massas xo de sangue e demais líquidos. a de energia Qi e dos líquidos é reduzido. partir dos dados obtidos na literatura permitindo que as partículas se acumu- médica é possível inferirmos que a AP lem e constituamtais estruturas sólidas. polaciúria. portanto. As doenças lor gerando microambiente propício à do sistema urinário que mais frequen. todo o plano terapêutico turbilhonamento do sangue nos vasos e deve estar focado na correção das sín.

além sinais clínicos realizada pela veterinária de contribuir para o controle de sinais ocidental e pela MVTC. de sinais clínicos e eletroestimulação para líbrio Yin-Yang de todos associados à doença. concluir que a caracterização da doença AP tem potencial para modular a renal crônica de felinos é ponto de con.5. Neurologia e hiperplasia mamária felina devido a sua endocrinologia ação anti-inflamatória e A AP é uma terapia O estímulo dos modulatória de secreções cuja ação depende da ati. processos imuno 3. portadores de and to compare the effect bólica. estímulo da motilidade os órgãos e sistemas. Jing. as diferentes fa. cuja intervenção precoce está secundários aos protocolos terapêuticos diretamente relacionada à prolongada farmacológicos. hiperatividade relacionado à manuten.lossensoriais. vação de vias neuroendó. radioterápicos ou da ti- sobrevida do paciente 7. ações teciduais e O estímulo dos acu- timentos neurológicos e neuroendócrinas distais. secretória em pacientes Shuai et al. Yin. e aqueles gressiva. of EA 30on serum gastrin corresponde fundamen. como a compreendem ser quadro de injúria pro. para o controle de crinas aferentes e eferen.lar prejudique a transmissão de estímu- riação entre cada uma a evidência de si. a ses de comprometimento neuropatia diabética fe- funcional do Rim podem lina. Visto que ambas clínicos associados à doença.4.hiperatividade secretória em pacien- cordância entre as interpretações dos tes com hipertireoidismo felino. Sua indicação para inflamatórios via dermatologia controle de comprome.dezembro de 2016 .ção da vida. A AP tem sido descrita como eficiente coadjuvante em casos de 3. podem ser incluídas nas nais de morbidade do paciente. pontos contribui para o 16 Cadernos Técnicos de Veterinária e Zootecnia. Imunologia e tes.29. além de contribuir (GAS reiteram a apli- talmente àdistribuição para o controle cação das técnicas de AP e manutençãodo equi. acupontos contribui hormonais35. Yang.27. pois armaze. metabólicos éfundamen- AP tem potencial na o elemento genético tada por estudos clínicos para modular a Jingpré-natal que está 10 e científicos28. as doenças de disco se manifestar em SChin de Deficiência intervertebral e aquelas cuja lesão medu- de Qi. como a taquicardia e gastrointestinal de feli- Portanto.31. Do mesmo modo. hipertensão nos.(2008) ção da vitalidade meta. sendo a grande va.taquicardia e hipertensão32.33. nº 82 . reoidectomia34. A função renal hipertireoidismo felino. Podemos indicações de AP20.

1. como as rada como estratégia terapêutica com.2012.cvsm.38. Discussão scholar?hl=en&btnG=Search&q=intitle:Guideli- nes+for+alternative+and+complementary+vete- rinary+medicin O processo de especialização da 2. ciada a protocolos convecionais de do- A aplicação da AP deve ser conside.43(1):189–204. a AP deve ser asso- tonina e cortisol37. Josefina. 1st ed São Paulo: Roca. Recuperado de: adequando a prestação da assistência http://linkinghub. Caminal. A assistência veterinária atenta 3. A vasodilatação no nível da técnicas em potencial. imune sistemica por ativarem interleu. Elsevier Inc. clínicos característicos da espécie.controle de processos imuno inflamató. dicional chinesa e acupuntura é coeren- na felina. Robinson NG. el porqué y el cómo. bradiquinina. Acupuntura Veterinária: da arte antiga à eficicientes12. a aplicação das técnicas de AP te com a práticacat friendlyrespeitando é benéfica para o controle de inflama. complexo respiratório e em padrões Resour Man [Internet]. A abor- plementar para o controle de doenças dagem terapêutica integral do paciente cuja patogenese seja associada à ativida. Núria. medicina moderna.002 de diagnósticos acertivos e consequen.google. David H. JL. native+and+complementar y+veterinar y+- medicine#0\nhttp://scholar.google. enumeradas por esta revisão.com/retrieve/pii/ S0212656706705339 clínica. 2013. Na medici. organi- zador. valendo-se de derme promove o afluxo de mediadores asssociações para promover o reestabe- antiinflamatórios celulares e proteicos lecimento da saúde e do bem estar do que atuam na modulação da resposta paciente37. as singularidades da espécie felina. 4. panleucope.38(7):405–8. Rodriguez.org/10.elsevier. e secreção de sero. Vet Clin North mite interpretação acurada dos sinais Am . vas y su contribución al sistema sociosanitario: el qué. in Veterinary Dermatology. [Internet]. 2006. Budgin JB. Molina prática veterinária tem promovido a for. Las medicinas complementarias y alternati- mação de profissionais atentos às par. Referências ocidental de retroviroses. indicação clínica. 1999. Atención Primaria ticularidades das espécies domésticas.com/ 4. Embasada no uso milenar e ampla cinas. In: Schoen AM. História da te escolha de protocolos terapêuticos Acupuntura Veterinária. Flaherty MJ. enças recorrentes nos felinos. Association AVM. ção e adequação do padrão de resposta imunológica em casos do diagnóstico 5. AVMA Dir nia. além doi.1016/j.39. Recuperado de: http://dx. Alternative Therapies às demandas dos pacientes felinose per. cada caso depende de que o veterinário rios via ações teciduais e neuroendócri. Guidelines for alternative and complementary veterinary medicine. 2–16. 1..com/scholar?hl=en&bt- nG=Search&q=intitle:guidelines+for+alter- complexo eosinofílico. Recuperado de: dermatológicos de dermatite miliar e de http://scholar.Small Anim Pract [Internet]. 2006.09. proposta pela medicina veterinária tra- de imunológica inadequada. Jaggar. Acupuntura na Medicina Felina 17 . O sucesso do protocolo eleito para p. considere eticamente as limitações das nas distais.

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2007). residente (R2) de Clínica Médica de Pequenos Animais.dezembro de 2016 . 2. 3 Médica Veterinária.UFMG). CRMV-MG 15. 5 Médica Veterinária. mestre. é O reconhecimento precoce da instabi. necessária para aperfeiçoar as chances lidade cardiovascular. CRMV-MG 15. residente (R2) de Clínica Médica de Pequenos Animais (Escola de Veterinária – UFMG). nº 82 . quando comparados va. Terapia rápida e agressi- características que os tornam muito di- ferentes dos cães. Introdução de exames realizados à beira de leito. associada à monitoração apropria- como pacientes críticos (Tello. residente (R2) de Clínica Médica de Pequenos Animais. da e à remoção da causa subjacente. em conjunto com de um desfecho favorável (Laforcade e os achados de exame físico e resultados Silverstein.308 (Escola de Veterinária – UFMG). CRMV-MG 12.695 (Escola de Veterinária – UFMG). 4 Médica Veterinária. residente (R2) de Clínica Médica de Pequenos Animais.146 (Escola de Veterinária – UFMG). CRMV-MG 9. Choque circulatório em felinos bigstockphoto. 1. são fatores necessários para iniciar o Os felinos apresentam uma série de tratamento.com Fernanda dos Santos Alves1 Gabriela de Menezes Paz2 Grazielle Amaro Siqueira de Sousa3 Manuela Bamberg Andrade4 Nathália das Graças Dornelles Coelho5 1 Médica Veterinária. doutoranda em Ciência Animal. 2 Médica Veterinária.539 (Escola de Veterinária . 2015). 20 Cadernos Técnicos de Veterinária e Zootecnia.

Definição e Choque é definido como (Fig. 2015). para o déficit de perfusão (Murphy e corrência de reflexos neuroendócrinos Hibbert.5). 2013). em hipovolêmico pressivamente inferior ao de cães (80 a 2. da espécie estão o menor volume de O choque pode ser classificado sangue. ta e consumo de oxigênio (Feliciano. Destaca-se que a médica de felinos. Rodrigues e Ramos. Entre as características únicas Feliciano. tromboembo- sanguíneo reduzido ou cundariamente. Ressalta-se que. ex- e Ramos (2015). em de. 2012. Choque é definido seria causado por redu- secundariamente. 1). (Laforcade dem desencadear o choque. 2013). a resposta ao choque distinta e em hipovolêmico. se. felinos. 2015) ou. que. Rodrigues de sangue em gatos é de 50 ml/kg.2). 2015). a como produção de ener. cardiogênico apresentação (Fig. Choque circulatório em felinos 21 .4) ou obstrutivo clínica celular inadequada (Fig. ponamento cardíaco e do a um fluxo sanguíneo outros. Essa situação oca. motórax. tam- perfusão tecidual devi. mecanismo de choque contribuindo da nos estados de hipoperfusão. Sinais de doença. Na clínica e Silverstein.3). O volume de acordo com Feliciano. cardiogênico. a baixa distribuído de maneira lismo pulmonar. dis.2. 2015). os tipos de choques hipotensão arterial não é componente mais comuns são o hipovolêmico e o essencial para caracterizar o choque. felinos tributivo. etiologia. porque a pressão divíduo pode apresentar mais de um arterial sistêmica pode estar preserva. ção do retorno venoso. por outro lado. desigual. distributivo produção de energia (Fig. e ressalta-se que um in- entre outros motivos. por pneu- devido a um fluxo é comum ocorrer. e. por isso. reduzido ou distribuído independentemente da de maneira desigual. O obstrutivo e é comum ocorrer. os tipos sanguíneos e. (Murphy e Hibbert. incluindo cho- vamente sem que haja prejuízo à per. baixa perfusão tecidual gia celular inadequada e por exemplo. metabólico e hipoxêmico demandam atendimento diferenciado (Laforcade e Silverstein. são tipicamente mais sutis em fusão tissular (Mendes e Dias. todos os tipos de choque siona uma diminuição a níveis críticos culminam em uma mesma via fisiopa- na oferta de oxigênio (DO2) e aumento tológica: o desequilíbrio entre ofer- no consumo de oxigênio (VO2) (fig. O Quadro de perda do volume intravascular. A redução do DO2 pode ser decorrente Rodrigues e Ramos. pode cair significati. má 1 fornece a classificação funcional atual distribuição do volume intravascular e os exemplos de patologias que po- ou falha da bomba cardíaca. cardiogênico.

A curva ascendente representa a fase pa- tológica.dezembro de 2016 .: neurogênico. nº 82 . Figura 3 – Choque cardiogênico: há redução da lume sanguíneo ou plasmático é a causa do cho. Figura 1 – Relação entre oferta (DO2) e consumo (VO2) de oxigê- nio em estado de choque. Figura 2 – Choque hipovolêmico: a perda de vo.com 22 Cadernos Técnicos de Veterinária e Zootecnia. culminando em redução Adaptado de: Nature. cursando com um impedimento do enchimento ventricular vasodilatação e aumento de permeabilidade vas.com var. Adaptado de: Nature. dade do coração (ex. na qual o consumo tor- na-se dependente da oferta de oxigênio e ocorre acidose lática. anafilático e dico) ou impedimento do retorno venoso (ex.: arritmia. ruptura de cordas tendíneas). degeneração val- Adaptado de: Nature. Pode ser dividido em séptico.com do débito cardíaco. contratilidade cardíaca devido a uma anormali- que hipovolêmico. síndrome da veia cava).: tamponamento pericár- cular.com Figura 4 – Choque distributivo: ocorre redução Figura 5 – Choque obstrutivo: ocorre devido a da resistência vascular sistêmica. durante a diástole (ex. Adaptado de: Nature.

extremidades frias.. A hipotermia em vosas. pois quando há o débito cardíaco é o risco de sobrecarga normalização da tem- resultado da contrati- hídrica . 2.estados de hipovolemia. Desse modo. zido ou ausente (Murphy e Hibbert. consequente. fraqueza com menos eficiência em felinos devi- generalizada ou colapso (Laforcade e do a tal correlação entre as fibras ner- Silverstein.. 2006). Uma explicação capacitância venosa. para tais diferenças é a (Tello. o fato de ter da temperatura tória e. ocorre aumento da é a ocorrência de bradicardia ou fre. 2015). em quência cardíaca normal. ca (Murphy e Hibbert. próximas às fibras do ausentes. 2013). 2009). O soconstrição periférica esperada em Quadro 2 resume os sinais comuns de estados de hipovolemia (Musphy e felinos em choque. mucosas SNA simpático.temperatura retal menor sistema nervoso autônomo (SNA) que 37˚C -. 2009). Choque circulatório em felinos 23 . redução da ria do gato ao choque 2012).te em alguns animais (Tello. cia venosa (Rabelo. (Félix. Tanto na falha parcial Uma das diferenças observadas quanto na total. 2006). Além dis- so.. podendo inclusive estar ausen- felinos causa falha na resposta de va. Uma vez que grande volume de fluido tem elevado 2013). resposta compensató.90 ml/kg). pois quando peratura ocorre vaso- lidade e da frequência há normalização constrição compensa- cardíaca. 2013).capacitância venosa. que pode um felino hipotérmico ressuscitado ser considerada uma com grande volume de bradicardia relativa em um paciente hipoten. ocorre comumente presença de fibras do hipotermia .consequente. bradicardia ou uma fre- ocorre vasoconstrição redução da capacitân- quência normal reduz a compensatória e. 2012). pulsos periféricos fracos a parassimpático. falha espécie depende qua- causa falha na resposta parcial com uma tem- se exclusivamente do peratura de 34˚C e de vasoconstrição aumento da frequência periférica esperada em total quando a tempe- cardíaca para manuten. Um felino hipotérmico fluidos há elevado ris- ressuscitado com co de sobrecarga hídri- so (Murphy e Hibbert.mas em resposta à hipotensão (Tello. Por isso essa A hipotermia em felinos Hibbert. ocorrendo dessa for- de coloração pálida ou acinzentada e ma a estimulação de ambos os siste- tempo de preenchimento capilar redu. A contração esplênica ocorre 2013). depressão mental. ratura atinge 32˚C ou ção do débito cardíaco menos (Rabelo.

dezembro de 2016 . toxicidade por cianeto. pericárdico. doença pulmonar grave. 2013 24 Cadernos Técnicos de Veterinária e Zootecnia. Anemia. (feocromocitoma). Hipovolêmico circulante. Metabólico Desarranjos celulares. bloquea- dores de canais de cálcio). Redução do conteúdo arterial Hipoxêmico toxicidade por monóxido de carbono. desidratação grave. disfunção mitocondrial. Quadro 1 – Classificação funcional do choque A hipotermia em felinos causa falha na resposta de vasoconstrição periférica es- perada em estados de hipovolemia. excesso de catecolaminas ou má-distribuição do sangue. 2015. Classificação Causa Exemplos Redução do volume sanguíneo Hemorragia. anestésicos. síndrome da dilatação-vólvulo-gástrica. Quadro 2 – Sinais de choque em felinos Frequência cardíaca normal ou bradicardia (FC < 140bpm) Hipotermia (TR < 37˚C) Pulsos periféricos fracos ou ausentes Estado mental deprimido Mucosas pálidas ou acinzentadas Tempo de preenchimento capilar reduzido ou ausente Fonte: Murphy e Hibbert. Sepse. hipóxia cito- pática da sepse. de oxigênio. overdose de drogas (beta- bloqueadores. Fonte: Laforcade e Silverstein. Insuficiência cardíaca congestiva. tamponamento Cardiogênico Falha da bomba cardíaca. obstrução do fluxo sanguí- Aumento ou redução acentuada neo (tromboembolismo arterial). Distributivo na resistência vascular sistêmica anafilaxia. nº 82 . metemoglobinemia. Hipoglicemia. arritmias cardíacas. trauma.

4. • Realização de exame físico rápido. por eletrocar- estiver estável e conforme a suspeita diografia. com foco nos siste. 2015). Além disso. 2013). envolve o exame físico Pacientes em choque Ressalta-se que definir rápido das funções vi. 2013): arterial. Abordagem do paciente Alguns testes diagnósticos são ne- em choque cessários para avaliar a extensão da injú- ria orgânica e para identificar a etiologia O manejo bem-sucedido de um feli. Intensiva (UTI) para que devido a necessida- piratório e neurológico e melhor monitoração e de de tomar decisões rá- por meio desses dados o tratamento. in. 2015). essencial ao ção de exame de imagem se o paciente diagnóstico e tratamento. dados estão a gasometria venosa ou res (Murphy e Hibbert. monitoração da pressão arte- clínica. ul- ma cardiovascular. o hemograma. o suporte básico à Além disso. Uma vez que o paciente estiver estável cluindo cuidadosa avaliação do siste. destaca-se a necessidade de monitora- • Coleta de exame laboratorial e realiza- ção constante do paciente. incom- choque. Entre os exames recomen- no em choque depende de alguns fato. gulação. lar para assegurar que o DO2 seja nor- A abordagem inicial malizado rapidamente. Unidades de Terapia nos pacientes em cho- mas cardiovascular. o painel bioquí- • Identificação e tratamento de anor. radiografias torácicas e abdominais. ressuscitação volêmica. o lactato sérico. rial e oximetria de pulso (Laforcade e • Ser capaz de verificar os problemas Silverstein. for identificada. res.reconhecimento precoce da condição cluindo reavaliação dos parâmetros e a restauração do sistema cardiovascu- vitais. o painel de coa- malidades ameaçadoras à vida. Tratamento • Providenciar cuidados de suporte para estabilização do paciente. Choque circulatório em felinos 25 . muitas vezes. O tratamento do choque envolve o • Realizar exame físico completo. pidas e baseados em um clínico deve ser capaz de histórico médico breve reconhecer um estado de e. pia intensiva (UTI) para melhor mo- 2. pacientes em choque de- vida deve ser imediatamente iniciado vem ser tratados em unidades de tera- (Murphy e Hibbert. a urinálise e o tipo sanguíneo. presentes e acessá-los por ordem de prioridade. do choque. devem ser tratados em a terapia pode ser difícil tais. mico. trassonografias e ecodopplercardiogra- • Obtenção de acesso venoso e início da fias podem ser realizadas.3. Se a parada cardiorrespiratória pleto (Laforcade e Silverstein. in.

2015). Rodrigues e envolve a manipulação melhor avaliação da Ramos. e inversamente propor- O pilar da terapia de todos os ti. é importante lembrar que (Laforcade e Silverstein. perpetuação da hipoperfusão tecidual. dissecção da veia podem ser necessários No entanto. 2015). 2015).melhor avaliação da capacidade do fe- ído o suporte hemodinâmico. 2015.férica. 2013. infundido. é essencial a definição da etiologia e o A administração do déficit de flui- tratamento adequado da causa do cho. que po. múltiplos órgãos e morte em pequenas tratégia de ressuscitação alíquotas permite (Feliciano. diovascular. capacidade do felino que a velocidade da ad- tada por metas. descritas de acomodar o volume ministração de fluidos é no Quadro 3. Rodrigues e drome de disfunção de do déficit de fluido Ramos. Laforcade e Silverstein.nitoração e tratamento desenvolvimento da sín- A administração (Feliciano.5mmol/L) Saturação venosa central maior que 70% Pressão venosa central: 5 a 10 cm H2O Saturação de oxigênio (SpO2) maior que 93% Fonte: Adaptado de Laforcade e Silverstein. cateteres pos de choque. nº 82 . Uma es. caso contrário. Caso o acesso intravenoso esteja cionar um volume circulante efetivo e difícil. proporcional ao diâme- dem ser alcançadas com tro do lúmen do cateter o tratamento. ocorrerá lino de acomodar o volume infundido. Recomenda-se que sejam feitos bolus de Quadro 3 – Metas de reanimação volêmica Pressão arterial sistólica maior ou igual a 100 mm Hg Normalização da frequência cardíaca Normalização da qualidade do pulso Melhora no tempo de preenchimento capilar e na coloração das mucosas Melhora do estado mental Débito urinário maior ou igual a 2 ml/kg/h Extremidades mornas Queda do lactato (normal < 2. 26 Cadernos Técnicos de Veterinária e Zootecnia. Uma vez dos parâmetros. um acesso intraósseo ou a 2013. orien. Murphy e Hibbert.dezembro de 2016 .cional ao sem comprimento. 2015). exceto o cardiogênico.do em pequenas alíquotas permite que. embora seja institu. curtos e de diâmetro grande devem ser é a administração de grandes volumes colocados em uma veia central ou peri- de líquidos intravenosos para propor. devido ao colapso do sistema car- perfusão tecidual (Murphy e Hibbert.

Entretanto. sempre descontando o Fluidoterapia agressiva deve ser evitada. carga e da estabilização clínica. de hipervolemia iatrogênica. Segundo Rabelo (2012). devido à ocorrência de edema mas = volume em ml. Figura 6 – Paciente felino admitido em choque cardiogênico após episódio de tromboembolismo aórti- co em aquecimento na incubadora com suplementação de oxigênio durante fluidoterapia por bomba de infusão. Rabelo bomba de infusão para reduzir o risco (2012) recomenda que sejam realiza. e o fluido inicialmente recomen. cautelosa e ser dada durante o aqueci- lus. Diarreia: 50 ml/kg/dia. culo de reposição para 24 horas pode res e ou inotrópicos pode ser necessário. Ressalta- dos bolus de 10 ml/kg em 6 minutos. hídrica e a manifestam pelo aumento o cálculo deve ser realizado da seguinte da frequência e do esforço respiratório. o cál- ção de três bolus. 2. Caso o Após a realização das provas de felino persista hipotenso. após o primeiro bo. o uso de vasopresso. adicionais podem se realizados. em 10 mi. volume infundido no atendimento pois felinos são suscetíveis à sobrecarga emergencial. ser realizado. Desidratação em % x peso em gra- serosa. o paciente deve ser nutos. 2013) e deve-se utilizar a e Hibbert. maneira: crepitações pulmonares e secreção nasal 1. 2013). continuamente monitorado (Murphy dado é o Ringer com Lactato (Murphy e Hibbert. caso o gato esteja hipotérmico. 6) (Murphy nica ou de seus parâmetros. se que. dois bolus e Hibbert. administração de fluido deve ser muito metros clínicos. após a realiza. 2013). mento em incubadora (Fig. Se. Para 2. pulmonar agudo e efusão pleural. Fonte: Hospital Veterinário da UFMG.5 a 10 ml/kg de cristaloides. Choque circulatório em felinos 27 . a sempre seguido de verificação dos parâ. evitar a sobrecarga. o paciente demonstrar melhora clí.

além de ser 5 a 10 ml/kg/dia.dezembro de 2016 . 2016). lação com o uso de HES. ressaltando a Pacientes com hipoproteinemia necessidade de mais estudos para veri- aguda ou com pressão oncótica redu.: hidroxietilamido . (ex. Coloides são hiperoncóticos e tratamento do paciente em choque.lado na coagulação de cães por meio da doterapia e podem ser aumentados ou tromboelastografia. da para estabilizar pacientes com sinais não existem evidências que suportem de choque e para manter um hemató- essa associação com a medicina vete. 2015). até o momento (Laforcade e coagulograma dentro da normalidade Silverstein.nâmico do paciente. Na medicina humana há a da administração dependerão da con- preocupação de que a infusão de HES dição subjacente e do estado hemodi- esteja associada à ocorrência de injú.ficar a segurança desse coloide para uso zida podem beneficiar-se da infusão de em animais (Morris et al. Perdas contínuas ou com pressão oncótica estratégia de reanima- (urina. hipoproteinemia aguda uso de coloides como 4. de coloides sintéticos ser realizada (Cazzolli Esse método é rápi. Entretanto. A administração de hemocompo- do . demonstrou efei- diminuídos de acordo com a gravidade tos pronunciados no tempo de coagu- do quadro clínico. Tais mido (HES) e o plasma fresco conge- valores servem como base para a flui. in vitro para avaliar os flexível permite a adap.crito maior que 25% e os valores do rinária. Vômito: 50 ml/kg/ reavaliação crítica do Pacientes com dia.ção para um hematócrito menor que me no vaso por um período de tempo 20%. nº 82 . Um es- do e eficiente na rotina HES) em uma dose de tudo recente. perda ção volêmica na medi- reduzida podem pela respiração): 40 beneficiar-se da infusão cina veterinária deve ml/kg/dia.HES) em uma dose de 5 a 10 ml/ nentes é comumente necessária no kg/dia. realizado hospitalar. coloides sintéticos (ex. efeitos do ringer com tação de acordo com lactato.3. fezes. 2015).e Prittie.: hidroxietilami.(Laforcade e Silverstein. o hidroxietila- o paciente e suas necessidades. devi. Tanto a dose quanto a velocidade prolongado. do às semelhanças fisiopatológicas en. Não obstante. 2015). uma tensos apesar da reanimação volêmi- 28 Cadernos Técnicos de Veterinária e Zootecnia. Felinos que permanecem hipo- tre humanos e pequenos animais. A por isso causam a mudança do fluido maior parte dos pacientes responsivos extravascular para o compartimento a fluidoterapia tolera uma hemodilui- vascular e ajudam a manter esse volu. Recomenda-se ria renal aguda em pacientes críticos que a transfusão de sangue seja utiliza- e em pacientes com sepse.

Em pacientes é um agente vasopres. re. terapia. 3) do volume sistólico. A dobutamina outras condições. resistência vascular com edema pulmonar. aumento da resis. a fluidoterapia é importante. tratamento com drogas com auxílio da eco- é caracterizado por vasopressoras ou ino. periférica e aumento o uso de furosemida ção arteriolar e veno. A norepinefrina cardíaco. cardiografia à beira de disfunção sistólica ou trópicas. porque a 2. Diferente do choque hipovolêmico 5.1 a 2 mcg/ específicas que visam kg/min. hemodinâmicas. Terapias mais A dose é de 0. pulmonar e do átrio direito (Laforcade 2013). como são redução da perfu- bito cardíaco quanto aumento da frequência são tecidual e aumento da resistência vascular cardíaca. monar que resulta em (Laforcade e Silverstein.disfunção diastólica ou disfunção sis- trópica positiva que causa aumento do tólica. Monitoração e medidas ou do distributivo. nas pressões arterial por via intravenosa ou sa. capilar terapias instituídas (Murphy e Hibbert. uma vez que leito (Rosa. causando aumento pulmonar. A identificação da O reaquecimento do gato durante causa desencadeante deve ser realiza. redução da pressão venosa pul- sistêmica (Fig. aumento da monar. As diastólica resultando a entrega de oxigênio alterações resultantes em anormalidades depende tanto do dé. Choque circulatório em felinos 29 . direito. redução reavaliação frequente a monitoração das do débito cardíaco. podem ser necessárias para es- débito cardíaco com pouca alteração tabilização do paciente (Laforcade e da pressão arterial e sua dose é 5 a 20 Silverstein. capilar intramuscular é um dos da pressão arterial por pulmonar e do átrio principais pilares da meio desse mecanismo. metas finais de reanimação volêmica tência vascular periférica e aumento para verificar a resposta do paciente às nas pressões arterial pulmonar. como é uma droga com característica ino. 2015). 2013). de suporte gênico é caracterizado por disfunção Os parâmetros vitais devem ser ano- sistólica ou diastólica resultando em tados desde o momento inicial da abor- anormalidades hemodinâmicas. redução do débito dispneia e edema pul- 2015). como dagem e reavaliados frequentemente . 2015). e Silverstein. sor associado à constri. mcg/kg/min (Haskins.a aumento da frequência cardíaca.ca em geral requerem O choque cardiogênico da sempre que possível. 2015). o choque cardio. cada 5 a 10 minutos. Associa-se a essa dução do volume sistólico.

alteração dos sistemas cardíaco. DO₂ = DC x CaO₂ Débito cardíaco DC = VS x FC CaO₂ = (PaO₂ x 0. Fontes de calor diretas devem ser pode alterar a função plaquetária e pro- evitadas por causarem vasodilatação pe. débito cardíaco (DC) e conteúdo arterial de oxigênio (CaO2). a utilização de uma incubado. como a hipotermia. ra ou de um sistema com insuflador de hepático e imune.34 x SatO₂) Frequência cardíaca Volume sistólico Onde: Do₂ = oferta de oxigênio DC = débito cardíaco VS = volume sitólico Pré-carga Inotropismo Pós-carga FC = frequência cardíaca CaO₂ = conteúdo arterial de oxigênio PaO₂ = pressão parcial de oxigênio no sangue arterial em mmHg 0. 2015. é o resultado do produto do volume sistólico (VS) em ml pela frequência cardíaca (FC).0031 = coeficiente de solubilidade de oxigênio no plasma Hb = nivel de hemoglobina em g/dl 1.34 = quan‹dade de oxigênio em ml que cada grama de hemoglobina 100% saturada é capaz de transportar SatO₂ = saturação de hemoglobina pelo oxigênio Figura 3 – Relação entre oferta de oxigênio (DO2). 30 Cadernos Técnicos de Veterinária e Zootecnia. a hipotermia poral. nº 82 . judicar a resposta vascular. O DC. riférica. 2013). piciar o desenvolvimento coagulopatias. Fonte: Laforcade e Silverstein. renal. Alterações em um desses parâmetros podem ser responsáveis por desarranjos importantes na fisiologia cardiovascular e levar ao desenvol- vimento de choque. bombeada pelo coração a cada minuto e do CaO2. por sua vez. pela eficiência contrátil do miocárdio (inotropismo) e pela pós-carga. Além de pre- haja normalização da temperatura cor. resposta vascular está atenuada até que reaquecimento do animal.0031) + (Hb x 1. em litros. O VS é influenciado pela pré-carga.dezembro de 2016 . Os fluidos do de parada cardiorrespiratória. Assim que serão infundidos por via intrave. e um risco aumenta- ar aquecido é recomendada. a hipertermia tam- nosa também podem ser aquecidos até bém deve ser evitada e tratada adequa- uma temperatura morna e auxiliarão no damente (Murphy e Hibbert. O DO2 depende do DC que é convencionalmente definido como a quantidade de sangue.

. dada. para manter sido obtidos (Murphy e -oxímetro disponível. histórico. 2013). so terapêutico. em choque ser a admi- de (Boyle.que 95% . a frequência e interpretação de suporte são necessá- respiratória e o estado adequada de exames rias e irão variar de acor- mental podem ser al. caso renal e hepático tenham uma saturação maior não haja um pulso. para manter as muco. Considerações sas de coloração rosa. no paciente incubadora neonatal.. precoce de um felino cause mínimo estresse by”). com plástico filme. Cada um dos mé. gaiola de oxigênio ou mente que mais de um mente vedado com plás.. . rosada. outras medidas cardíaca. exame físico restaurar a oxigenação -se que a frequência adequado. em choque e das parti- ao paciente. traindicados até que a se proporcionar tação de oxigênio para hipovolemia seja corri- suplementação de manter uma saturação gida e até que os perfis oxigênio para manter maior que 95% ou. a sonda nasal estar presente. deve-se não esteroidais são con- inicial. Apesar de uma haja suspeita de dor. a máscara facial.. destaca. Caso abordagem terapêutica sentado. É importante .e todos devem ser abordados correta e todos fornecerá uma fração inspirada rapidamente para maximizar as chances de oxigênio diferente e o método a ser de sobrevivência do animal. deve- proporcionar suplemen.. Anti-inflamatórios Durante a abordagem dagem inicial. A combinação de nistração de fluidos para Enfim. solicitação tecidual. a máscara facial. O clíni- -by”). ao mes- e a gaiola de oxigênio ou mo tempo. Os métodos o colar elisabetano cularidades da espécie não invasivos sugeridos parcialmente vedado é essencial para o suces- são o fluxo livre (“flow... o a sonda nasal e a co deve ter sempre em colar elisabetano parcial. 2012).. as mucosas de coloração Hibbert. a cuidadosa são essenciais reanimação inadequada. que o método escolhido da (Murphy e Hibbert. cause mínimo estresse finais 2013). complementares e do com o choque apre- terados pela dor. É importante 6. o fluxo livre (“flow. Durante a abor. Apesar do utilizado deve ser aquele em que o gato pilar principal da terapia do paciente permanece mais à vonta. felino em choque. administração de um no atendimento do incompleta ou atrasada analgésico é recomen. tipo de choque pode tico filme. não invasivos como O reconhecimento que o método escolhido . contribuir para um des- 2. Choque circulatório em felinos 31 . incubadora neonatal.

ção de histórico. p.C. Critical Care Medicine. of the European College of Veterinary Internal 11. Journal of Feline Medicine bibliográficas and Surgery. Palmisano. In. Shock. In. 9. Praga.. Meola. A combina. N. K. 34.1. Choque dilucional. v. R. Porto. L. 829 – 834.com/> 4.. 2013. 2012.ivis. Silverstein. Dias. C. solicitação e interpretação adequada de J. Shock in the Feline patient. Rosa. 2016.. Medicine – Companion animals – ECVIM-CA. Oxford: Willey-Blackwell. Félix.C. Hopper.T.175–188.. Cazzolli. S. 2006. Choque Cardiogênico. Lee.M.: Congress Paulo: Elsevier. Medicine..H.R.6-19. Boyle. coagulopatia circulatório. 2009. p.: Silverstein. p.15. J. J Vet Emerg Crit Care. F. Animal Veterinary Congress WSAVA. 5. 2012. Emerg Crit Care. R. Prittie. Proceedings. Tello. Congreso Latinoamericano de Emergencia y res for small animal emergency and critical Cuidados Intensivos LAVECCS. siva ou agressiva também pode resultar 6. p. The flat cat: a logical and 7.. Tello.... St Louis: Elsevier. In. Laforcade. C. Oxygen therapy. p. Morris.com/> 2009.ivis. Hopper.: Rabelo. A. 2012.com/> bate: consequences of resuscitation fluid selection 10.com/> Silverstein. Circulatório. In.26. São 3. Disponível em: <http://www.vin. São Paulo: IVIS.. and plasma terapêutica cuidadosa são essenciais no on canine whole blood coagulation as determined by kaolin-activated thromboelastography. v.: Creedon. 8..B. The cristalloid-colloid de. Hibbert. In.. D. 2015. Rabelo. J Vet atendimento do felino em choque.. Small Animal Critical Care ma model. in veterinary critical care. Feline as in hospital patient: trau- D. Proceedings. Murphy. Fisiopatologia do choque em um edema pulmonar. L. 2006. J. J. In. 2009. Davis. In.26- 29. a abordagem exces.. J. Porto: ECVIM. K. p. 2015. Emergências de pequenos animais – Condutas v. H. n..ivis.C. 2013. exame físico adequado.1. K.1–9. Mexico care. In.S. nº 82 . Fluidoterapia optimizada. Catecholamines. 2012.. Advanced monitoring and procedu. 2015. n. D. Effects of in vitro he- exames complementares e abordagem modilution with crystalloids.fecho desfavorável. São Paulo. DF.293–298. L..C.. Referências practical approach to management of this challen- ging presentantion..58-63. São Paulo: Editora Atheneu.dezembro de 2016 . E. Haskins. Delaforcade.H. Azevedo. In: Disponível em: <http://www. Mexico: IVIS. Animal Veterinary Congress. A. 1.. 2. A. Rozanski. Feline as emergency patient: trauma. Disponível em: <http://www.L. Mendes. clínicas e cirúrgicas no paciente grave. D. Praga: IVIS. 7. Proceedings.: Piras. Small Animal 32 Cadernos Técnicos de Veterinária e Zootecnia. B.. K. p. St Louis: Elsevier. dentre outros. 31. 12. Disponível em: <http://www. D. colloids.25. Proceedings.

3. Dermatopatias
parasitárias em gatos

bigstockphoto.com

Guilherme De Caro Martins, CRMV MG 10.970
Larissa Silveira Botoni, CRMV MG 11.711
Adriane Pimenta da Costa Val, CRMV 4.331

Introdução A demodicidose felina,
nóstico muitas vezes
diferentemente da sua é desafiador. Este ar-
As doenças parasi-
congênere canina, é tigo objetiva revisar as
tárias cutâneas são afec-
uma dermatopatia rara principais dermatopa-
ções bastante comuns
causada por ácaros do tias parasitárias em ga-
na rotina dermatológica
de cães e gatos. Em feli- gênero Demodex sp., que se tos, a fim de auxiliar os
nos, a abordagem des-
diferem morfologicamente. médicos veterinários
sas doenças tem suma na abordagem dessas
importância, visto a crescente deman- doenças.
da por atendimento dessa espécie, e as
diferenças importantes quando compa-
1. Demodicidose felina
radas às dermatopatias parasitárias em A demodicidose felina, diferente-
cães. Além disso, podem ocasionar em mente da sua congênere canina, é uma
sinais clínicos diversos, e por isso o diag- dermatopatia rara causada por ácaros
3. Dermatopatias parasitárias em gatos 33

do gênero Demodex sp., quando comparado ao
Os fatores envolvidos
que se diferem morfolo-
na multiplicação desse mesmo exame em cães
gicamente. Demodex cati
ácaro estão, na maioria (2).
e Demodex gatoi eram
das vezes, relacionados 1.1 Demodex cati
consideradas as únicas
às doenças sistêmicas O Demodex cati (Fig.
espécies desse gênero
imunodebilitantes,
que parasitavam os feli- 1) é um ácaro comensal
como imunodeficiência
nos, porém por meio de da pele de gatos de
felina, leucemia
sequenciamento e ampli- morfologia similar ao
felina, toxoplasmose,
ficação de DNA identifi- Demodex canisque resi-
hiperadrenocorticismo e
cou-se uma nova espécie de nos folículos pilosos
diabetes mellitus(3).
ainda sem nome(1) e glândulas sebáceas.
Os sinais clínicos se Os fatores envolvidos
diferenciam de acordo com a espécie de na multiplicação desse ácaro estão,na
ácaroque acomete o paciente (Quadro maioria das vezes, relacionados às doen-
1). Podem ser observados: prurido, ças sistêmicas imunodebilitantes, como
dermatite miliar e alopecia, geralmente imunodeficiência felina, leucemia feli-
autoinduzida(2). O diagnóstico da de- na, toxoplasmose, hiperadrenocorticis-
modicidose felina é desafiador e às vezes mo e diabetes mellitus (3).Os sinais clíni-
frustrante, pois a sensibilidade dos exa- cos, como pápulas, crostas, comedões,
mes parasitológicos cutâneo é pequena, seborreia e erosões são pronunciados
Quadro 1- Aspectos comparativos da demodicidose felina

Demodexcati Demodexgatoi
Morfologia Alongado (150-291 µm) Pequeno (91-108 µm)
Folículos pilosos e glândula
Região que habita Epiderme
sebácea.
Prurido Variável Presente
Geralmente presente (FIV, Felv,
Doença sistêmica toxoplasmose, neoplasias, diabe- Não
tes mellitus).
Contágio Não Sim
Raspado superficial. Difícil encontrar
Raspado profundo, fita adesiva,
Diagnóstico o parasita (anamnese + exame físico +
Tricograma.
resposta a terapia).
Dermatofitose, alopecia psico-
Diagnósticos Sarna notoédrica, alergopatias, alope-
gênica, outras causas de otite
diferenciais cia psicogênica.
externa.
Fonte: adaptado de Delayte, 2015

34 Cadernos Técnicos de Veterinária e Zootecnia, nº 82 - dezembro de 2016

Figura1:Fotomicroscopia de Demodexcatiem exame parasitológicoporavulsão de pelos. Cortesia: Dr
Charlie Walker, UK.

na região cefálica e cervical, mas podem nóstico(3). Biópsia pode ser necessária
acometer a região dorsal bem como cul- em lesão ulcerada ou bastante inflama-
minar com otite ceruminosa (Figura 2). da,e observam-se na histopatologiaos
O prurido é variável, mas geralmente ácaros nos folículos pilosos (2). Existem
são lesões apruriginosas. algumas opções de tratamento dispo-
O diagnóstico é realizado por meio níveis no Brasil, principalmente com o
do exame parasitológico após o raspado uso de lactonasmacrocíclicas (Quadro
profundo, ou ainda por 2).Independentemente
tricografia, ou fita adesi- O Demodex gatoi (Fig. do fármaco utilizado o
va, em áreas em que o ras- 3) é um ácaro pequeno, tratamento deve ser rea-
pado éde difícil execução. encontrado no estrato lizado, no mínimo, até a
Nesses exames podem-se córneo. Diferentemente obtenção de um raspado
encontrar adultos, ninfas, do Demodex cati, negativo.
larvas e ovos, e, apesar de não é comensal
comensal da pele, a vi- da pele e possui 1.2 Demodex gatoi
sibilização de um ácaro característica de elevada O Demodex gatoi
é suficiente para o diag- infecciosidade(4). (Fig. 3) é um ácaro pe-
3. Dermatopatias parasitárias em gatos 35

Portanto. Figura 3: Fotomicroscopia de Demodex gatoi em exame parasitológico por raspado cutâneo. cervical e articulações úmero-radio-ulnares ou ainda áreas de alo- pecia em região ven- tral pela lambedura excessiva(2). já que é um ácaro superficial. podem ser observadas de elevada infecciosidade(4). de escabiose felina ou alergopatia.A der- matopatia ocasionada por esse ácaro é consi- derada rara no Brasil. Cortesia: Dra Sarah Bartlett. Cortesia: Dra Željka Starcevic.dezembro de 2016 . não é tão diretamente relacionados ao prurido comensal da pele e possui característica intenso. O diagnóstico é desafiador. encontrado no estrato córneo.Figura 2: Lesão eritemato-crostosa e alopécica na ponte nasal de um felino por Demodex cati. áreas de escoriação. sendo mais prevalente em algumas regiões dos EUA(5). escamas e crostas. e es- Diferentemente do Demodex cati. CZE facilmente removido 36 Cadernos Técnicos de Veterinária e Zootecnia. dos clínicos são semelhantes ao quadro principalmente nas regiões cefálicas. nº 82 . Os acha. secun- dária a uso de spray nasal com corticosteroide para o tratamento de asma felina. EUA queno.

pode também acometer protocolo definitivo em lização do parasitológico coelhos. Doramectina 600µg/kg SC semanalmente. tratamento. Atualmente não reco- amitraz do. Por por fita adesiva. recomenda-se a rea. Alguns relatos de caso relatam sucesso. cães e humanos. usual- sarna notoédrica é uma terapia(3). Para o diagnóstico de. cutâneo(5). Notoedres cati. levando. é necessário. cães Quadro 2. relação ao melhor fár- cutâneo por diversos maco e duração de trata- raspados superficiais ou mento (Quadro 2). Sendo as. zes. tados anedóticos inconsistentes. Portanto. 2. que finitivo. q 24-48h Tratamento eficaz. observar a resposta à A escabiose felina ou bedura. na maioria das ve. resul- M ox i d e c t i n a anedóticos inconsistentes. outros insucesso. 2012 3. um sarcoptídeo. Há ainda que se considerar ser tratados(5). Não aconse. ser uma doença de alta transmissibilida- bem como em regiões de difícil acesso de. Ivermectina Efetivo. um sarcoptídeo.àfalsos negativos dalidades terapêuticas já doença causada pelo nos exames de raspado foram propostas apesar ácaro Notoedrescati. aconselhado como primeira linha de to.3mg/kg Geralmente eficaz. deve-se continuar a obtenção de pelo menos um raspado PO por duas semanas após a cura clínica. manas).2-0. Não tópica lhado como primeira linha de tratamen. Algumas mo- mente. todos os felinos contactantesdevem pelo felino. que de ainda não se ter um sim. Fonte: adaptado de Beale. cutâneo negativo. pode também acometer coelhos. Atualmente não recomenda.Opções de tratamento na demodicidose felina de acordo com a espécie de Demodex parasitária. Escabiose felina matologia.durante o ato de lam. histórico de tratamento com A escabiose felina ou sarna notoé- fármacos que diminuem o prurido sem drica é uma doença causada pelo ácaro boa resposta (6). mendado.de intoxicação. porém com riscos Banhos com intoxicação. Portanto resultados so. Deve-se continuar a terapia até 0. o histórico do animal. porém com riscos de Tratamento eficaz. Demodexcati Demodexgatoi Banhos com enxofre 2-4% a cada 3-7 dias Banhos com enxofre 2-4% a cada 3-7 Enxofre 2-4% até raspado negativo (no mínimo 6-8 se- dias por 6-8 semanas. Dermatopatias parasitárias em gatos 37 . em regiões acometidas. Alguns relatos de caso relatam suces- outros insucesso. como contato com outros felinos com a mesma sinto.

podem disseminar-se pelos membros e pela região perianal. 38 Cadernos Técnicos de Veterinária e Zootecnia. nº 82 . A Figura 5: Felino apresentando lesões crostosas e incidência é mais vista em filhotes (6).8). ter mais estriações e possuir o ânus dorsal ao invés de terminal(Fig. secas na região cefálica. O quadro clínico é caracterizado por prurido intenso. pesco- ço e pavilhões auriculares (Fig.4). O ácaro cava galerias na epiderme e se alimenta de debris celulares e fluidos te- ciduais. mas diferencia-se por ser menor. e humanos. por Notoedres cati.A transmissão se dá por contato direto ou por fômites. 5).Figura 4: Fotomicroscopia de Notoedres cati em exame parasitológico por raspado cutâneo superficial.dezembro de 2016 . lesões crosto- sas secas na região da cabeça. Ocasionalmente. que se completa com 17 a 21 dias (7. N. A fêmea permanece na pele du- rante todo o ciclo. catié muito semelhante ao Sarcoptes scabiei em taxonomia.

4mg/kg. de Janeiro. Pode ser necessário o uso concomitan. Todos os ocasionada pelo ácaro pedeiros assintomáticos. Brasil. O (0. Dermatopatias parasitárias em gatos 39 .2-0.desse ácaro ocorre por contato direto. ou por meio selamectina (6-15mg/kg por via tópica) de fômites. O diagnóstico baseia-se na associa- vskyi que parasita os felinos e já é identi. O prognóstico de dos sinais clínicos é dependente da é bom e normalmente a resposta ao cronicidade e intensidade de infestação. nos Estados Unidos. Unidos.ção do histórico.pelagem irregular também a tosa dos ani. na Austrália e observados incluem pru- máticos. usando xampus neutros e água morna. identificada principalmente em se exame é muito alta. A lincaxacariose é petuar. escamas mais e a retirada das crostas com banho. que pode ser visto 3.O diagnóstico é feito por exame direto Austrália e na Nova Zelândia. compondo po- dectina por via tópica uma dermatopatia pulação estável em hos- mensalmente.8. mesmo assinto. tratamento é rápida se todos os animais Alguns autores determinam como ca- são cuidados (6. tactantesdevem ser tra.inclusive com o homem. ocasionada pelo ácaro Lynxacarus rado.2. fúrfuro-micácias e áreas de alopecia. A intensida- infecções secundárias. e já é identificada no ção duradoura (9). membros pélvicos.tórax. 6)(9). tratamentos devem du. sinais clínicos com o ficada no Brasil. do exame parasitológico. 0. racterística clínica marcante o aspecto de “sal e pimenta” devido ao contraste 3. Recomenda-se na Nova Zelândia. e mal cuidada. sendo rotineira a estados do Norte do país. por raspado estudos epidemiológicos mostram cutâneo.7). VO/SC) semanalmente. nos Estados Os sinais clínicos tados. ácaro é capaz de se per- manalmente. porém com observação de vários ácaros na lâmina ocorrência no Sudeste -sobretudo Rio de microscopia (8). Todos os con. No Brasil.mum. principalmente nas regiões do pescoço. São Paulo e Espírito Santo O tratamento deve ser feito por -. rido. região sacro- te de antibióticos para o tratamento de coccígea e perianal (10). Diferentemente do que ocorre tratar-se de uma dermatopatia inco- na escabiose canina a sensibilidade des. SC) se.3mg/kg. ou moxi. na encontro do ácaro. ou doramectina elevada infectividade. Nordeste e Sul (9-11). Linxacariose felina ocasionado pela parte anterior do ácaro A lincaxacariose é uma dermatopatia que é amarronzada(Fig. Lynxacarus radovskyi o que transforma alguns rar entre quatro a seis que parasita os felinos felinos em fonte de infec- semanas. com ivermectina (0. A transmissão via sistêmica. ou. mas não é considerado de a cada duas semanas.

Alguns trabalhos demonstram eficácia perficial. da Ordem dos tanto. deve-se atentar do ouvido. Brasil.bem como de banhos semanais com moção mecânicapela lambedura. exames parasitológicos por raspado su. pelo ácaro Otodectes auditivo de cães e gatos nasmacrocíclinas. Notar aparelho bucal de coloração amarronzada (seta). como cynotis. ácaro em material fecal. como é popularmen- é bastante susceptível te conhecida. é causada obrigatório do conduto pécie felina. No en.3mg/kg por via oral semanalmente. avulsão de pelos (Fig. com o auxílio de lupa ou por meio de 0.Figura 6 . Sugere-se ainda. 40 Cadernos Técnicos de Veterinária e Zootecnia. como Sarcoptiformes.Cortesia: Dr. otoacaríase.parasita (Fig. parasita alguns produtos na es. visto que o ácaro sarna do ouvido. nº 82 .dezembro de 2016 . o que confere em animais de pelame branco o aspecto “sal e pimenta”(aumento de 100X).7). da pelo ácaro Otodectes te disponíveis. conhecida. 6) ou de 100% com o uso de fipronil em pipe- fita adesiva. buscar o ta (0. É uma das doen- ivermectinadevem ser obrigatório do conduto ças parasitárias mais utilizadas na dose de auditivo comuns nesses animais. ou suem poder acaricida. ou sarna cynotis. que é tetraetil-tiuran(11). O tratamento pode ser realizado 4. Família para a toxicidade de é popularmente Psoroptidae. excessiva em alguns animais (9). A sarna otodécica. é causa- àqueles comercialmen. em única aplicação). A sarna otodécica. otoacaríase.Fotomicroscopia de Lynxacarus radovskyi aderido ao pelame de um animal na técnica de tri- cografia. As lacto. Lenilson Filho.5ml por gato. Sarna otodécica com diversos medicamentos que pos. devido a sua re.

Os adultos vivem ção direta do ácaro na avaliação otoscó- aproximadamente dois meses e a sobre. lógico de cerúmen de felino acometido por otoacaríase. com discreta secreção. sangue Figura 7: Fotomicroscopia de Otodectes cynotis em exame parasito. é resulta- do do acúmulo de debris epiteliais. não vistos a olho nu. mas. O. Cynotis pode O tratamento deve-se iniciar pela causar dermatite papular em humanos. tos são grandes. auditivos (7.microscópio. Os ácaros adul.na região cervical. auditivos. exceto a quarta pata podem ocasionar prurido intenso e as- rudimentar da fêmea. 13) Os sinais clínicos são variáveis. gatos. Os ani- 3.12).e cerúmen (8) (Fig. dependendo da tempe. Ocasionalmente. Dermatopatias parasitárias em gatos 41 . Essa secreção. especialmente do conduto auditivo. com característica de “borra de café”. 14). O ciclo de vida 12. das margens do corpo. Possuem quatro pares causam lesões. em alguns animais.cerúmen é colhida por haste de algodão tágio se dá por contato direto. 14) . estende-se além sim mimetizar dermatites alérgicas (7. Alemanha te restritas aos condutos apresentando elevada incidência em fi. brancos e podem ser Esses ácaros. de forma que alguns gatos apresentam quantidade intensa de secreção auricularsem prurido. ácaros. sendo o estéril e alocada na lâmina de vidro para ácaro altamente contagioso para cães e então ser examinadadiretamente(8. Nesse teste. As lesões são geralmen- Ramón Almela. de patas e todas. a amostra de ratura e da umidade ambiental. Cortesia: Dr. O. O con. O diagnóstico é feito por visualiza- ca de três semanas.8). na dorsal e na cauda. ocorre todo no hospedeiro e dura cer. enquanto ou- tros manifestam prurido intenso.na maioria das vezes. limpeza dos condutos auditivos para podendo raramente parasitar condutos remoção do acúmulo de debris. cynotisé um ácaro não animais podem ter ácaros ectópicos em escavador que vive na superfície da pele outras áreas do corpo. mas alguns lhotes(8.pica do conduto auditivo ou por exame vivência fora do hospedeiro varia entre parasitológico direto do cerúmen em cinco a 17 dias.

intervaladas recomendações do fabricante (6).dezembro de 2016 . ca de duas gotas da solução de fipronil O prognóstico da otoacaríase é bom. semanalmente. Notar secreção escura e ressecada. de acordo com as do aplicadas duas vezes. formulações tópicas contactantes(6-8). Aplicação otológi. de se eliminar os parasitas ectópicos. comenda-seo tratamento de todos os da (6).2 – 0. por Brasil são o diazinon e o tiabendazol. também pode ser uti- sendo que ambos se mostraram efica. mais acometidos e todos os seus contac. 42 Cadernos Técnicos de Veterinária e Zootecnia. devido ao caráter contagioso. Os de duas a quatro semanas.4 mg/kg. por via otológica seja associado a um cynotis. Ivermectina principais parasiticidas disponíveis por via oral ou subcutânea na dose de em soluções otológicas veterinárias no 0. O tratamento base de ivermectina. também pode ser realiza. selamectina. nº 82 . de parasiticidas em spot onou pouronà tantes devem ser tratados.14).Figura 8. quatro semanas.Imagem de orelha esquerda de um felino jovem com sarna otodécica. Além disso. mo- ótico é feito instilando-se localmente xidectina e fipronil são eficazes quan- solução parasiticida. uma ou duas vezes intervaladas de mas. re- duas semanas. em estudos realizados com cães produto tópico ou sistêmico no intuito e comgatos(13. lizada. característica marcante da infestação pelo Otodectes cynotis. 10%. Recomenda-se que o tratamento zes no tratamento de infestações por O.

O ciclo Todas as espécies po. é (Fig. Cortesia: Dra Sheila Torres. caspa ambulanteou me perfurando-a. Cheyletiella yasguri vez ou outra. C. Movem-se rapidamente nos causada por Cheyletiella blakeiem ga. Queileitielose grandes (385µm). período de incubação Figura 9.5. yasguri em cães de vida dura em torno dem parasitar humanos e Cheyletiella de 35 dias e se dá todo de forma transitória (8). com quatro pares de patas e apresentam como característica A queiletielose. caspa ambulante marcante dois ganchos na peça bucal ou sarna induzida por Cheyletiella. o que bos. furmani e C. por Cheyletiellablakei surgiu a expressão “caspa tas de coelhos e lebres. aderem-se em cães e Cheyletiella A queiletielose. Cheyletiella parasi. em gatos. 3. Daí strandimanni são parasi. firmemente na epider- parasitivorax em am. sarna induzida por provoca a movimenta- tivorax. Dermatopatias parasitárias em gatos 43 . tos. Fotomicroscopia de Cheyletiella sp. em exame parasitológico por raspado cutâneo de felino acometido por queiletielose. é causada ção dessas escamas. em debris epidérmicos e. com um São espécies de ácaros ambos. Notar ganchos no aparelho bucal na ponta da seta. Cheyletiella ambulante” (7).pseudotúneis. Cheyletiella. parasitivorax em no hospedeiro. EUA.9).

as escamas podem ter sido 6-Considerações finais removidas. tineiras ou até raras. Pode ser feito também o tratados. semanas (6).das vezes o tratamento sistêmico é mais mente apresentam lesões leves. com pode ser completo em humanos.fectado com uso de produtos frequen- pico de escamas coletadas após pentear temente utilizados para erradicação de o pelame do animal com um pente fino pulgas.doramectina (0. SC) semanalmente ou moxidectinapor O diagnóstico é feito pela visualiza.via sistêmica.de quatro dias. já que os ácaros sobrevivem até ou com uma escova de dentes. Scarampela gico por fita adesiva deve As dermatopatias e colaboradores (2005) ser feito pressionando-a parasitárias em felinos reportaram 100% de efi- na pelagem do felino. intervalo semanal de aplicação ou por as infestações nessa espécie normal. prurido eficiente que o tópico para queiletielose e escamas secas e esbranquiçadas. a fita é do paciente. mas todos os de vidro e analisada em contactantesdevem ser microscópio. no como rotineiras ou até felinos com queiletie- intuito de capturar as es. VO/SC) semanalmente. em aplicação Posteriormente. única.2-0. As dermatopatias parasitárias em lizaçãodo exame parasitológico de fezes felinos podem ser classificadas como ro- para a detecção de parasitas(6-8). dependendo da lo- Após o diagnósticoo tratamento calização geográfica do paciente. Entretanto.3mg/kg. Como 44 Cadernos Técnicos de Veterinária e Zootecnia.4mg/kg. podem ser classificadas cácia no tratamento de em múltiplas áreas. dem existir(7.e pode ser feito com ivermectina (0. nesses casos o ideal é a rea. Todos duas semanas fora do hospedeiro. prin. assim. com o hábito de se limpar dos felinos. localização geográfica spot on. O exame parasitoló. Os gatos normal. Portadores assintomáticos po. raras. O ciclo não pode ser realizado por via tópica. pode causar reinfestação(6-8).mentos devem durar entre quatro a seis cas.A do para felinos é o fipronil. Dermatite miliar. nº 82 . camas contendo o ácaro.2- cipalmente no dorso. O parasiticida mais indica- mente sãoautolimitantes em três dias.15). variavelmente vada toxicidade de outros comumente pruriginosa e transmissível por contato utilizados na espécie canina. 0.dezembro de 2016 . devido à ele- doença é não sazonal. assim como o ambiente desin- raspado cutâneo e o exame microscó. em média.via tópica mensalmente. o que os testes costumam ser bem sucedidos. se- erupções e crostas também podem lamectina (6-15mg/kg TO) a cada duas ocorrer. Todos os trata- ção direta do ácaro por diversas técni. O prognóstico é alocada em uma lâmina favorável. Na maioria direto e por fômites.semanas. dependendo da lose com fipronil 10%.

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agricultura e solo e plantas. encontrados em locais como ar. tan- Os fungos são organismos que con. eles po- quado desenvolvem novos organismos dem provocar doenças no ser humano. restos orgânicos. CRMV-MG 13575 Maria Helena Franco Morais6. CRMV-MG 15124 Graziella Coelho Tavares Pais5. áreas da saúde. já que vivem no mesmo ambiente do ser hu.dezembro de 2016 .4. Suas estruturas reprodu. CRMV-MG 7296 Kelly Moura Keller3. to econômica quanto ecológica. biotecnologia. Introdução vegetativos ou são capazes de reprodu- zirem-se.Gerência de Controle de Zoonoses 1. Têm grande importância. CRMV-MG 15075 Danielle Ferreira de Magalhães Soares2. além de serem utilizados em diversas mano. nº 82 . nutrição. Esporotricose e implicações à saúde pública com vistas à ocorrência da doença no município de Belo Horizonte bigstockphoto. Além disso.Gerência de Controle de Zoonoses/Barreiro 6 Secretaria Municipal de Saúde de Belo Horizonte .com Glendalesse Nunes Rocha de Faria Teixeira1. CRMV-MG 4129 1 Residente em Saúde Pública UFMG 2 Docente UFMG 3 Docente UFMG 4 Residente em Saúde Pública UFMG 5 Secretaria Municipal de Saúde de Belo Horizonte . 46 Cadernos Técnicos de Veterinária e Zootecnia. são capazes de degradar tivas ao caírem em um substrato ade. CRMV-MG 13579 Joana Angélica Macêdo Costa Silva4.

principais implicações trata-se de uma zoonose para a saúde pública. após o isolamento 4.1. principal. Esporotricose e implicações à saúde pública com vistas à ocorrência da doença no município de Belo Horizonte 47 . pelo médico Benjamin caráter endêmico em diversos países do Schenck. humana) ou pessoas em em 1900. 2015). (vírus da imunodeficiência 1900). O com vistas a auxiliar os homem pode infectar-se ao manipular profissionais quanto às medidas neces- ou ferir-se com materiais contaminados. solo ou vegeta. onde vem ocorrendo um au. esporotricose atualmente ta Erwin F. espécies de animais que acomete diferentes e o homem e pode O objetivo do pre- espécies de animais e ser naturalmente sente trabalho foi des- o homem podendo ser transmissível entre eles. e. pessoas portadoras do HIV Hektoen e Perkins. ção onde o fungo geralmente habita.2. portanto trata-se de dessa zoonose e suas sível entre eles.. Animais contaminados também trans. Mais tarde. uma doença oportunista e go inicialmente 2013). mais estudos a imunossupressoras. acometer principalmente como Sporothrichum Tendo em vista grupos de risco.. mordidas e contato direto da pele lesio. crever alguns aspectos naturalmente transmis. (Corgozinho. Revisão bibliográfica mitem a doença por meio de arranhões. tratamento com drogas Perkins. sárias para sua prevenção e controle nas como farpas e espinhos. em um paciente do Hospital mundo (Carlos et al. acomete diferentes uma infecção fúngica 2009). 2009). 1898. Após o isolamento do fungo mento significativo a amostra foi estuda- de casos clínicos em Negligenciada. inclusive Johns Hopkins. Smith. mente relacionados à vem ganhando evidência o qual identificou transmissão por gatos pelo fato de ser considerada o gênero desse fun- domésticos (Cruz.populações humana e animal. que o ambiente fa. a melhoria da saúde pú- infecção fúngica que A esporotricose é blica global (Carlos et al.em animais e plantas desenvolvidos visando A esporotricose é uma (Molinaro et al. A doença foi relatada pela primeira A esporotricose é uma doença de vez em 1898. a da pelo micologis- humanos. em Baltimore. portanto uma zoonose.Unidos. 2009). Estados no Brasil. Esporotricose nada (Fiocruz. vorece o desenvolvi.. Hektoen e como a esporotri. como (Schenck. além de outro caso da doença respeito devem ser ser uma importante zoonose. mento de doenças.2. descreveram cose. 2009).

passou a ser considerada crisântemos) e encon- cia com um nódulo um complexo composto trado no solo ou na cutâneo ou subcutâ.1. porém pode aco. Sporothrix schenckii oportunista e acometer principalmente Sporothrix schenckii é um fungo grupos de risco. 1994. durante os primeiros rela- e Biberstein. Já nos a presença de células ovoides e arredon- gatos o comprometimento sistêmico dadas (Hirsh e Biberstein. temperatura ambiente te zoonose (Carlos A partir de estudos baseados (25ºC) ele assume uma e Batista-Duharte. lembrando Doença de ma. com maior frequência em gatos domés. No parasitismo evoluir por meio do S. Ocorre 2013). a morfologicamente. mas também com divíduos imunocomprometidos. é mais comumente observado. além para o seu desenvolvimento. 1). são diferenciadas apenas 2). 2016). schenckii. A espécie Sporothrix schenckii foi ticos. S. caracterizando-se jeto. a esporotricose et al. mexicana. e fisiologia a espécie o desenho de flores nifestação crônica. S.dezembro de 2016 . nº 82 . Em de ser uma importan. A (Costa. O pro. brasiliensis. 2007). Sporothrix schenckii (como margaridas ou normalmente se ini. 2010). A rota de transmissão tam- Sporothrix schenckii (Hektoen e Perkins.. partir de material obtido de lesões nos 48 Cadernos Técnicos de Veterinária e Zootecnia. globosa. ou ra a 37ºC ele se torna causar uma linfangi. denominaram o agente como Silva. atualmente vem ganhando evidência pelo fato de ser considerada uma doença 2. ou seja. No homem. por seis espécies crípticas: superfície de vegetais neo ulcerado. das. te ulcerativa no tra. 2004. como pessoas portado. 2004). em sequenciamento de configuração micelial 2015). causan- 1900). na forma sapróbia. do a manifestação extracutânea (Barros Negligenciada. DNA. Cruz. luriae e S. S. humanos. a única patogêni- meter uma grande variedade de animais ca pertencente ao gênero Sporothrix... equídeos e cães (Hirsh considerada.tos e por vários anos. morfologia. albicans ou em meio de cultu- sistema linfático e (Marimon et al.do fungo.1.termodimórfico. seja. são espécies que não leveduriforme (Fig. ele assume uma ras do HIV (vírus da imunodeficiência morfologia diferente de acordo com as humana) ou pessoas em tratamento condições de temperatura encontradas com drogas imunossupressoras. bém pode ocorrer por inalação. por células predomi- forma disseminada é nantemente alonga- mais comum em in. 2006. nutrição (Fig. Schubach et al. cesso infeccioso pode S.

2013 Figura 2. Fonte: Cruz. 2016 4. Fonte: Bazzi.Figura 1. Esporotricose e implicações à saúde pública com vistas à ocorrência da doença no município de Belo Horizonte 49 .Sporothrix schenckii na forma micelial.Sporothrix schenckii na forma de levedura.

Janeiro a doença assumiu proporções Duharte. cos que realmente apresentam potencial ticas fenotípicas (Cruz.dezembro de 2016 . 2016). 2013. são ou pela distribuição geográfica dos casos. 2015). sendo S. S. Epidemiologia mudança no perfil podem ser relaciona- A esporotricose apresenta padrão das aos fatores ambientais. espécie envolvida na e agente predominante Esse contato com plan. 2002). (Rodrigues et al. a espécie era sempre reconheci. crípticas: S. morfologia. uma elevada carga fúngica encontrada 2013.2% das cavidades nasais.5% complexo composto por seis espécies das unhas em gatos infectados com S. nº 82 . do agente a partir de 100% das lesões nutrição e fisiologia a espécie Sporothrix cutâneas. globosa. Fiocruz. atividade ligada ao cul..8% das cavidades orais e 39. schenkii (Schubach et al. mento da urbanização e o refinamento por meio da inoculação traumática do dos diagnósticos (Barros et al. albi. sul e sudeste do Brasil forma comum de conta. Alguns auto- biente.et al. schenckii.. transmissão zoonótica nos gatos. seja pelo modo de transmis- nas morfologicamente. conhecida O gato doméstico siderado a espécie mais tradicionalmente como tem sido a principal virulenta do complexo “doença do jardineiro”.animais e no homem ou do próprio am. zoonótico relevante (Silva. mexicana. como o au- de transmissão considerado clássico. 2014) minação de humanos e No estado do Rio de animais (Cruz. schenckii passou a ser considerada um 41. 2010). são ções nos padrões epidemiológicos dessa espécies que não são diferenciadas ape. doença. geralmente relacionado a alguma ças de espécies do gênero Sporothrix. 2007). brasiliensis con- tivo do solo. S. epidêmicas nos últimos anos (Barros O gato doméstico tem sido a prin. 2015). Atualmente são observadas altera- cans (Marimon et al. 2002.e virulência são associadas às diferen- nado. S. brasiliensis. res acreditam que os gatos sejam os úni- da por uma uniformidade de caracterís. ou seja. nas regiões tas e com solo é uma da esporotricose.. 66... 2016). onde tem sido constatada cipal espécie envolvida na transmissão grande ocorrência da enfermidade nos zoonótica da esporotricose (Schubach gatos e aumento de casos de transmissão et al.. fungo na pele e no tecido subcutâneo Diferenças relacionadas à distribuição provocada por algum material contami. Carlos e Batista. 2011). nas lesões desses animais. Relatos de au- 50 Cadernos Técnicos de Veterinária e Zootecnia. S. Silva. luriae e S. 2013). Possíveis explicações sobre essa 2.2. A partir de estudos baseados em Estudos comprovaram isolamento sequenciamento de DNA. em razão de aos humanos por esses animais (Cruz.

pecificidade de achados so longo. provas sorológicas. de metileno. Esporotricose e implicações à saúde pública com vistas à ocorrência da doença no município de Belo Horizonte 51 . 2009). 2011). médio de tratamento de etiologia fúngica. Xavier et al. 2011). A convencionais. 2004. ser sempre amparado cunstâncias resultam no por exames. testes intra- carcaças em locais inadequados. nos Tanto em cães quanto diagnosticados. deve confundidos com outras apresentação mais gra. 2001. 2010). 2015. tais como: abandono dos animais infectados ou citologia. (Larsson. 2011). favore..e é um importante diag.. (Larsson. Souza et al. o tempo outras enfermidades porotricose (Souza et al. como .friccionando a super- leishmaniose tegumen. microscópica do fungo incisão cirúrgica. Apesar dos gatos domésticos também Silva et al. Gram. fície da lesão que é rica tar americana também panótico ou novo azul em células do fungo . Conselho Regional de serem considerados reservatórios para Medicina Veterinária do Paraná.. (Maroli et al.. a observação tirado por meio de uma zadas ou disseminadas. esfregaços submetidos do com o auxílio de um teriana e neoplásica às colorações swab estéril (Fig. de lesões ulceradas. Giemsa... cães e humanos ocorrendo em outras áreas urbanizadas (Santos et al. com deposição das logia. (Nobre et al. locali.dérmicos. inoculação em animais e re- cendo a manutenção do fungo no am. localizadas ou clínicos que podem ser to de forma sistêmica e disseminadas. pode ser maior do que bacteriana e neoplásica O diagnóstico deve no homem. bac. 2016). 2005). Leishmania spp. cultura fúngica. es- sociados à doença animal também vêm pecialmente em gatos. acometimen.. devido à gatos a esporotricose em gatos o quadro grande variedade e ines- costuma apresentar cur. Essas cir. histopato- no sacrifício desses. Na deve ser diferenciado de no material coletado presença de ulcerações o outras enfermidades de pode ser realizada em material pode ser coleta- etiologia fúngica. Além disso.mento do número de casos humanos as..nóstico diferencial na esporotricose. 2007. lizada a análise de um to em gatos o quadro de No exame citológico linfonodo infartado re- lesões ulceradas. tal como a es- ve. Considerando a predileção do agen- 2. ser diferenciado de doenças. 2007) Ao contrário do que acredita-se que são sub- ocorre em humanos.ação em cadeia da polimerase (PCR) biente (Barros et al. utilizado para a cultura e 4. 3 e 4) (Larsson. pode ser rea- Tanto em cães quan.3 – Diagnóstico te pelo sistema linfático.

Terapêutica Atualmente. 5) sem presença de crosta. 2016). Utiliza-se uma lâmi- na de vidro pressionada na superfície da lesão (Fig. Fonte: Maria Helena Franco Morais 52 Cadernos Técnicos de Veterinária e Zootecnia. a droga de escolha para o tratamento da Figura 4 – Coleta de material com swab. 2. subs- tituindo o iodeto de potássio ou a anfotericina B.dezembro de 2016 . Fonte: Maria Helena Franco Morais 2013).4. Figura 5 – Coleta de material com imprint de le- são em lâmina.isolamento do agente (Cruz. panótico ou Figura 3 – Animal com lesão suspeita no focinho novo azul de metileno (Cruz. Fonte: Maria Helena Franco Morais mesmo nas formas sistêmi- cas. esporotricose é o itraconazol. Giemsa. Essa técnica é consi- derada padrão-ouro por di- versos autores (Bazzi. devido à sua menor to- xicidade e alta eficácia. 2013). como Gram. do como opção nas popula. tanto em humanos quanto nos animais. O iodeto de potássio em solução sa- turada é um medicamento indicado e muito utilizado para o tratamento da espo- rotricose. sen- do esse um exame rápido de simples execução e de baixo custo (Silva. No exame citológico a observação microscópica do fungo no material coletado pode ser realizada em esfre- gaços submetidos às colora- ções convencionais. porém ele é normalmente utiliza. 2016). nº 82 .

2002. 2013). a esporotricose contaminação ambien. mantém a endemia Nos gatos o trata.. tais como: a proteção ressaltem a importância da guarda individual ao trabalhar e ao manipular responsável dos animais e incentivo às medidas de controle o solo e os vegetais. no serviço público de tem sido evitado pelos segue resultados satisfa. 2010). assim como no forma de se evitar a isolamento dos animais Brasil. inacessí. Controle 2014).gratuitamente para os animais é tuição com o itraconazol (Cruz. cimento sobre a real 4. A mento com iodeto de potássio tem sido carência de um serviço público de evitado pelos médicos veterinários por atendimento veterinário e o custo dos causar um iodismo secundário nessa medicamentos que não são fornecidos espécie. Esporotricose e implicações à saúde pública com vistas à ocorrência da doença no município de Belo Horizonte 53 .5.6. Barros et al. 2014). 2013).. zindo a morbidade Opta-se. saúde com o forne- médicos veterinários tórios com eles. desses animais.ções com menor acesso Nos gatos o tratamento mento dos pacientes a derivados triazólicos com iodeto de potássio humanos é realizado ou quando não se con. contaminados e não faz parte da lista tal e um aumento da em tratamento. Implicações à ção com luvas durante da esporotricose. medicamento. Opta-se. 2.1 – Notificação das carcaças dos ani.6. evitar a disseminação 2. o países. O controle da doença deve ser tes para se evitar a disseminação da norteado pelas ações educativas que esporotricose. e a prote. substituição com o renda (Lacaz et al. portanto. o (Cruz. um entrave no controle da situação (Barros et al.. e ao manipular o Na maioria dos mais infectados é uma solo e os vegetais. 2010. tais saúde pública a manipulação desses como: a proteção animais. Pereira et al. Alguns cuidados são importan.. o Alguns cuidados são reprodutivo dos gatos isolamento dos animais importantes para se (Pereira et al. e a das doenças de notifi- carga fúngica no solo proteção com luvas cação compulsória. Contudo. pela substi. portanto. redu- muitas vezes. contaminados e em tratamento. A incineração individual ao trabalhar 2. embora por causar um iodismo cimento gratuito do o custo de ambos seja. pela vel à população de baixa da doença. secundário nessa espécie. da esporotricose. não é só o homem que itraconazol. durante a manipulação que dificulta o conhe- O acompanha..

nº 82 . tem área de 331. 2010)./Km².552 habitantes (IBGE. Subdivide-se de junho de 2013 (Silva. Leste.nais que coincidem com nove distritos bre casos de esporotricose em gatos no sanitários: Barreiro. é um de casos suspeitos de Zoonoses (CCZ-SP). 2015).2. Em até então inédito para o doença de notificação 2015.. em nove áreas administrativas regio- Em 2011. Embora não seja de Guarulhos. ocorreram rumores so. 2015). 2011). casos humanos e 3000 casos felinos foram diagnosticados na Fundação 2. fato Embora não seja uma Nova (PBH. 2010). Pampulha e Venda cípio de São Paulo. tégias de atuação de forma a controlar que corresponde aproximadamente a a transmissão entre animais e pessoas 12% da população total do município. mais de 4000 Municipal de Guarulhos. desde 1998 os pulação de 2. ne fluxo de informações (Secretaria No Rio de Janeiro..Distrito Sanitário Barreiro (DISAB). 2010). 2011). Distrito Administrativo de Itaquera. munícipes da área de abran- 54 Cadernos Técnicos de Veterinária e Zootecnia. verificar a extensão e propaga. a tificação obrigatória no Estado. Oeste.nos suspeitos e confirmados e defi- de pública (Barros et al. no segundo semestre em especial no Rio de Janeiro mo. 2016). Segundo informações da Gerência Recentemente.151 habitantes. Norte.0 Km² e po- aos gatos domésticos.. cose. Noroeste. para confirmar a ocor. pertencente ao muni. agravo de importância animais com esporotri- A partir de então se ini.incidência.375.6. (Silva et al. por maior cidade da Região Metropolitana meio da resolução SES nº 674 de 12 de MG (IBGE.176. capital de Minas ao status hiperendêmico relacionado Gerais. ficando restrito aos dados tivou a publicação da Portaria nº gerados por publicações científicas 064/2016 de 29/07/2016.ficação compulsória dos casos huma- ria. no (casa a casa).77 hab..de 2015. rea. à saúde pública.de 282. Nordeste. o aumento do de Controle de Zoonoses do DISAB número de casos em São Paulo e (GERCZO/B). 2016).dezembro de 2016 .DISAB tem uma população estimada ção dessa zoonose e estabelecer estra. é um agravo de importância à saú. Situação atual no município de Belo Horizonte Oswaldo Cruz entre os anos de 1998 a 2012 (Gremião et al. na cidade (Barros et al. Devido Belo Horizonte. que determina a noti- uma doença de notificação obrigató. O rência.densidade de 7. com casos humanos passaram a ser de no. que se tornaram ciou a investigação. Centro-Sul. visíveis e registrados lizada principalmente por busca ativa de forma mais específica em 2016. surgiram rumores Centro de Controle de obrigatória.

segundo a descrição do paciente. em Belo Horizonte. foi mas regiões do país município.. realizado no DISAB o chamaram a atenção Como doença emer. agravo no município. com gato doméstico enfermidade. esporotricose felina.de inclusão de entidades de classe e da porotricose em gatos domésticos da sociedade.no segundo semestre uma doença de caráter de Minas Gerais (EV/ de 2015. vínculo epidemiológico epidemiológico dessa mento vigilância estabe. em saúde do município. mostrou-se cres. ne- laboratorial de caso do Centro de gligenciada e sem ne- humano na Regional Saúde Milionários cessidade de notifica- Barreiro foi estabelecido informaram. Esporotricose e implicações à saúde pública com vistas à ocorrência da doença no município de Belo Horizonte 55 .. Em 2016.nos. de caso humano. Não foi possível Departamento de Medicina Veterinária diagnóstico do animal que foi a óbito Preventiva (DMVP) e o Departamento e teve seu corpo descartado em terreno de Clínica e Cirurgia Veterinárias baldio. com proposta O diagnóstico laboratorial de es. Especialmente. assim como as medidas para vigi- lizado no DISAB o primeiro registro lância e acompanhamento dos novos clínico de caso humano. o esporotricose felina. foi rea.gência do Centro de Saúde Milionários Seguindo as normativas de vigilância informaram.. munícipes da endêmico no Brasil. epidemiológico com gato doméstico Foi também estabelecida uma que. A ocorrência de novos casos. o DISAB pro- sobre a ocorrência da “doença da ar. sobre a ção. Diagnóstico área de abrangência Até o momento. primeiro registro clínico para alterações im- gente. com portantes no padrão não havia até esse mo. confirmando a da arranhadura do localizados em algu- ocorrência do agravo no gato”.. que há lecida para a esporotrico.. apresentava algum tempo estava se ou políticas públicas lesões características da mais relacionada às para contenção dos casos. que.. nova parceria entre a Gerência de apresentava lesões características da Controle de Zoonoses (GECOZ).çar diretrizes para enfrentamento do cente a partir desse momento. surtos Menezes. Considerações finais Escola de Veterinária da A esporotricose é Universidade Federal . Regional Barreiro e na Regional Centro Sul foi realizado em parceria com a 3. a no Hospital Eduardo de ocorrência da “doença partir de 1998.pôs o fluxo de atenção aos casos huma- ranhadura do gato”. por contato telefônico. (DCCV) da EV/UFMG que visa tra- humanos e felinos. Em 2016. UFMG). pessoas que lidam ou 4. com vínculo casos.

. tais como: mapeamento da situação global do município. SCHUBACH.303-311.P. MELO. Paulo. H. Acta Sci Vet. Mycopathologia.. portanto..D.. Um caso atípico de esporotri- nos casos já identificados.M. lação. 2015. COSTA. Brazil.. et al. p.1. 2016. I.125: p. do controle populacio- rado um risco ocupa.O.A. v. terações ambientais e comportamen. 9... CARLOS.34. sporotrichosis and histoplasmosis in tamento dessa e de outras zoonoses.167-170. da doença e capacitação dos profis. R. Epidemiological study of rinária é fundamental para o enfren. Esporotricose: a evolução e os desafios de uma epidemia. a importância com o solo e a vegeta. Para alguns autores as distintas 4..4. S. captive Latin American wild mammals. Características clínico-epi- Horizonte.M. PAES. SOUZA. Sporotrichosis: New Developments and Future em parceria com a EV/UFMG têm Prospects. p. v. et al. de zoonoses. à interação mal e ambiental. Pesq Vet Bras. ani- palmente. existentes entre as espécies do com. sionais envolvidos na vigilância desse 5. KOMMERS. p. D..J. A.G.27. casos humanos e de animais.P.1-9. v. nº 82 . M.24.8. hospedeiros e distri. para outras áreas do município. BARROS. melhoria das condições co relacionado.A. Current Research on the Immune Response formações sobre histórico de registros to Experimental Sporotrichosis. K. 2011. tais da população. CARLOS. plexo Sporothrix. Essas intervenções realizadas A. Sporothrix schenckii and Sporotrichosis. 2006. Mycopathologia.bibliográficas buição podem ser explicadas pelas al. VETERINÁRIA DO PARANÁ – CRMV-PR. em Belo 3. em Belo Horizonte. 2009. COLL.B. M. como objetivo estabelecer medidas 6.O.. BATISTA-DUHARTE.168. 36. contenção e expansão do agravo Unidade de Vigilância de Zoonoses de Curitiba alerta para casos de esporotricose. São com vistas a estabelecer. G. Rev Panam Salud Publica. A. T.B. cose felina. de saúde humana. conside. Araraquara: Springer.. Sporotrichosis: An Emergent Disease.. SASSÁ. in.animais. agravo. CORGOZINHO. E. J. Com recentes registros de novos Clin Microbiol Rev. p.. M. novos casos humanos e de da guarda responsável.455-60.M. CONSELHO REGIONAL DE MEDICINA específicas para a educação da popu.O.B. p. diag- nóstico correto e tratamento eficaz 7. BARROS.. dos humanos com os gatos.B. NEVES.633-654.F. Hoje observa-se demandadas pelo serviço de educação sanitária para um potencial zoonóti. R. SGARBI. T. Referências manifestações. SCHUBACH.1-10. BAZZI. et al. 2016.dezembro de 2016 . v. além das diferenças p. O envolvimento da classe vete. 2010.L..trabalham diretamente Com recentes registros de nidade. ção.Z. v. v. junto à comu.Z. princi. controle de zoonoses. et al. I. histomorfológicas e histoquími- demandadas pelo serviço de controle cas da esporotricose felina. ações estratégicas foram nal de cães e gatos e da cional. ações estratégicas foram demiológicas. 56 Cadernos Técnicos de Veterinária e Zootecnia. FIGHERA.2.

Three New Sporothrix Species of Clinical boratory diagnosis and therapeutic response in Interest . 2016. 19. v.55. In: HIRSH. Vet e 22. CRUZ.10. 27. Conceitos e Métodos 2016.pdf>. G. Brazil: clinical presentation. M. Z.P.83-86.R. C. 2010. On refractory subcutaneous fil. Rio de Janeiro. Vet Parasitol. E. I. PEREIRA.357-360. et al.392-393. A. de bairros de Belo Horizonte. of Subcutaneos Mycoses.. 286-290.. Portaria n.O. M. 2002. portal. Canine sporotrichosis in Sporothrix brasiliensis. v.C.20. et al. 26..F. S.1-10. R. IBGE – Instituto Brasileiro de Geografia e v.D..87-92. S. The epidemiological scenario of fe- -pesquisadores-esclarecem-sobre-doenca-que.. J. S. 47. E. PERKINS. T. OKAMOTO.C. 29 jul. et al.44. Feline sporotricho. Brazil. Veterinary Microbiology. Histórias SCHUBACH. globosa. Brazil.R. os casos suspeitos e confirmados de esporotrico- 21. p. Mycopathologia. 24.M. MAROLI. B. et al. LARSSON.. 064/2016-SS de 29 jul. CAETANO.E. Esporotricose: pesquisadores escla. Sporothrix schenckii isolated from do- Sarvier. D. n. PENNISI. SCHUBACH . FIOCRUZ. SCHUBACH. Determina que seja de notifica- v. SECRETARIA MUNICIPAL DE infected with Leishmania infantum.279-284. A new pathogenic fungus. p. Recurrence of sporotrichosis in cats with zoonotic involvement.P. Emerging sporotrichosis is driven by clonal and recombinant Sporothrix 15.The main differen- Publishing. SCHENCK. 2007. 2002. de importância municipal.M. BIBERSTEIN. ZHANG. p. et 28. T. 2011. R. 2001. se humana.145. al. T. v. GREMIÃO. 01/09/2016.198-206. 2004.fiocruz.O.gov. CANO.P.. subcutaneous abscesses caused by Sporothrix schenckii.S. 1898.1-6. HIRSH. mexi. Acesso em de Janeiro.77-89. Disponível em: <http:// 23. 240. Revisão de parte da literatura e considerações sobre o diagnóstico e a epidemiologia.15-21. p. 2015. Acesso em: 14. N. State of Rio -pode-afetar-animais-e-humanos>. 2014.. SCHUBACH. p. et al.R. D.. p. Rev Iberoam Micol. Iowa: Blackwell L. RODRIGUES.3. A. 2015. I. Complexo Sporothrix schenckii. 44 cases (1998-2003). 9a ed. 2014. p. Diário Oficial.. Agents species. p. 2009.. I.pbh. T. Esporotricose e implicações à saúde pública com vistas à ocorrência da doença no município de Belo Horizonte 57 .20. GENÉ.C. v. v. cap. Y. Infection of sandflies by a cat naturally 30. para a Formação de Profissionais em Laboratórios de Saúde Volume 4: Micologia. Anim Sci.53. WALKER. Braz J Vet Res p. Med Arquivo Público da Cidade.D. 4. GUARULHOS. R. A.. p. SANTOS.143. 20. v. p.br/pt-br/content/esporotricose. M.B..S.P. Hospital. PORTO.47. 2006.250-259. MARTINS. Disponível em: <http://cidades. 2007.J.479-491.08-28. DI MUCCIO. Vet Parasitol. v. v. MOLINARO.A.F.. Estatística. HOOG. J.18.G. Mycol. 19-22.. Zootec. p. 29. Guarulhos.. D. LACAZ. ção compulsória. J. CAPUTO. and S.   Rio de Janeiro: 11.php?lang=&codmun=310620&search= abscesses caused by a fungus possibly related minas-gerais|belo-horizonte>.M.C. Med Mycol. p. SCHUBACH. Censo Demográfico.A. LEME. AMENDOEIRA. GREMIÃO. Rev Soc Bras Med Trop. REIS. 496 p.F. et al. cap.M.H..153. MACLACHLAN. of Experimental Medicine. 16.137-140..L. 18. E. 2aed. la- cana. recem sobre a doença que pode afetar animais e humanos.br/ his- toria_bairros/NorteCompleto. São Paulo. 2011.B.P. Tratado de Micologia Médica. v. KITADA. Belo Horizonte: sis: epidemiological and clinical aspects. et al.M... L. v.br/xtras/per.O. A. J Clin Microbiol. 12. 2007. p. v. 17.M. MARIMON. 13. CAMARGO. Prefeitura de Belo Horizonte (PBH).gov. tial diagnosis with tegumentary leishmaniosis in dogs from Rio de Janeiro. Acesso em: to the Sporotricha. C. 2013. CASTRO.. EPSJV.G. HEKTOEN.F. M. Disponível em: < http://www.. Esporotricose. mestic cats with and without sporotrichosis in Rio de Janeiro. 1900.L. T. NOBRE.3.. São Paulo: R.48. A. et al. Sporotrichosis . Brazil..H. MENEZES. Bulletin of the Johns Hopkins 15/09/2016.. p. line sporotrichosis in Rio de Janeiro. T. 1994. The Journal 25.. L.. C. Refractory 09/09/2016.ibge. L.62. SCHUBACH. E. p. Emerg Microbes Infect.45.

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desvio portossistêmico. cessário um estudo mais aprofundado xo colangite-colangiohepatite. sinais estes co- metido de forma local ou sistêmica por muns a quase todas as doenças dos fe- doenças e disfunções.com Manuela Bamberg Andrade1. cos e de detoxificação que pode ser aco. Raphael Mattoso Victor2 1 Médica Veterinária 2 Acadêmico em Medicina Veterinária Introdução sias. hepatopa- tia tóxica aguda. comple. Os gatos apresen. é ne- que incluem lipidose hepática. CRMV-MG 15. laboratoriais e 5. Podem apresentar anorexia.196. Os sinais O fígado é um órgão envolvido em clínicos são. letargia e perda de peso.5. dos parâmetros clínicos. Dessa forma. Isso muitas vezes só permite um tam um conjunto de doenças hepáticas diagnóstico tardio. ines- ampla variedade de processos metabóli. neopla. na maioria das vezes. dentre outras. Hepatopatias em felinos 59 . Hepatopatias em felinos bigstockphoto. linos. pecíficos.

principalmente em aguda e crônica. lores elevados ou aumento progressivo. afecções devido a particularidade anatô- cação do conteúdo do sangue portal e mica que possuem. nal (Stonehewer. O diagnóstico definitivo só é teroides e a junção anatômica do ducto possível apenas através de biópsia hepá. ausência da são sugestivos de terapia inadequada ou 60 Cadernos Técnicos de Veterinária e Zootecnia. 2012). nº 82 . biliar comum com o ducto pancreático tica. referem a desordem inflamatória que liares. Os felinos apresentam decorrentes de inflamações pancreáti- algumas características que são únicas cas. incapaci. carboidratos. menor ca. participando tam. dade de síntese de arginina. mes bioquímicos e hematológicos. Colângio-hepatites Funções do fígado e De acordo com Grace (2011) as as particularidades do hepatopatias inflamatórias são a segun- sistema hiato-biliar dos da afecção hepática mais comum dos felinos felinos. O fluxo san. 2006). o duto pancreático produz a maioria dos fatores de coagu. lipídios. A gado possui funções metabólicas vitais. pois não se sabe se são ma- teínas. todavia esse procedimento além de antes da sua abertura na papila duode- ser uma técnica invasiva. Acredita-se que feli- bém na síntese de algumas globulinas. ficando atrás apenas da lipido- O sistema hiato-biliar compreende se hepática. Sendo assim. complexa. nos costumam ser acometidos por essas Além disso. 2006). exige um cor. se une ao duto biliar comum antes de lação (Atonehewer. po técnico bem capacitado. O prognóstico é variável.dezembro de 2016 . classificação dos diferentes tipos é ainda compreendendo o metabolismo de pro. guíneo total para o fígado responde por existe maior possibilidade de ascensão certa de 20 a 25% do débito cardíaco e bacteriana do intestino além do duto desta porcentagem 70 a 80% provém biliar estar mais suscetível a alterações da veia porta. As colangio-hepatites se o fígado. vitaminas nifestações distintas da mesma doença e minerais. O fí. a vesícula biliar e os ductos bi. é importante na detoxifi. É o único responsável pela ou se possuem relação evolutiva entre síntese de albumina.histopatológicos para um diagnóstico fosfatase alcalina (FA) induzida por es- preciso. A pacidade de metabolismo de drogas e permanência de enzimas como FA ou toxinas devido á baixa concentração da alanina aminotransferase (ALT) em va- enzima glicuronil-transferase. e a terapia desta espécie: grande uso de proteínas deve ser monitorada por meio de exa- na gliconeogênese hepática. 2006). armazenar e secretar a bile ma hepático e podem ser classificadas (Schmeltzer. Juntos eles são responsáveis por acomete os ductos biliares e o parênqui- produzir. si (Couto. Norsworthy. se abrir para o duodeno.

2005). do ducto biliar e fibrose portal (Nelson cos tendem a aparecer de forma aguda e Couto. No entanto. casos de doença hepática inflamatória cia (deve ser avaliado principalmente o (Weiss et al. intes. tódeos e não é encontrada em outros perda de peso. perda de que apresenta alguma alteração no sis. porém os jovens do ducto biliar. 2001) palato. 2004).. Gatos de qualquer idade podem e plasmócitos no espaço portal ao redor apresentar a doença.ineficaz (Armstrong. apresentando sinais clíni- teriana ascendente do trato biliar. onde é mais frequente a visuali- zação da icterícia) (Stonehewer. 2005). atividade sérica nor- centes (Nelson e Couto. vômi- tino ou por via hematógena. As enzimas to de neutrófilos degenerados e invasão hepáticas apresentam valores variados. de- leucemia felina ou coronavírus felino vido à disfunção hepática. sentam leucocitose com neutrofilia e ticos dilatados com presença de exsuda. anorexia. vírus da ocorre na forma aguda. trematódeos hepáticos. no- são os sinais mais observados na forma venta por cento dos animais acometi- aguda da doença. sendo rara a ocorrência de tema biliar. dos com colangio-hepatite aguda apre- se observam ductos biliares intra-hepá. 2006). intestino ou pâncreas pode febre (Stonehewer. anorexia. para cirrose. Grace. 2006. Os sinais clíni. ser induzida por ascensão bacteriana Na colangio-hepatite crônica não é co- ou outros agentes como toxoplasmo. de neutrófilos nas paredes dos ductos sendo comum um aumento moderado biliares e hepatócitos periportais adja. alterados (colesterol e fosfolípides) ge- 5. O felino to. podendo progredir como etiologia provável infecção bac. podendo rubinemia (Center. ser decorrente da cronificação da for. linfócitos 2011). A presença de eosinófi- cursando com alterações inespecíficas los é sugestiva de infestação por trema- de doença hepática tais como. peso. da ALT e da AST. 2011). dor abdominal. como letargia. A maioria dos pacientes apresenta bilir- ma aguda ou imunomediada. 2006). como se. Grace. vômito. 2006. diarreia e icterí. A duração da doença é de duas A colângio-hepatite aguda tem semanas ou mais. cos inespecíficos. No exame ser mais predisposto a desenvolver essa histopatológico. ascite. No exame histológico. mum aparecer desvio a esquerda. mal ou pouco aumentada da FA e um A colângio-hepatite crônica pode aumento modesto da atividade da GGT. Os gatos de meia tes da membrana das hemácias ficam idade são os mais acometidos (Ritcher. verifica-se infiltrado doença (Stonehewer. 2009. componen- (Stonehewer. 2006). 2006). desvio nuclear a esquerda. Hepatopatias em felinos 61 . celular misto de neutrófilos. Dor abdominal e febre Segundo Stonehewer (2006). Pode haver hiperplasia são os mais acometidos. Alterações Laboratoriais Jhonson.

rando como consequência a formação manejo adequado da dieta é fundamen- de poiquilócitos (Center. é o aminoácido responsável pelo ciclo distensão..da ureia. quanto na colan- gio-hepatite crônica. Em alguns casos notam-se defeitos da taurina.no fígado causando mais injúria. Para o controle de vômitos e poecogenicidade e espessamento de pa. normalmente sem alterações. Zoran. Além fusa. O ideal seria usar uma a intensa. da dieta é fundamental pode variar de 30 a 50 quando a hidratação é para se evitar mg/kg. além riar de quatro a 12 semanas. colangio-hepatite. gar o sistema digestivo e sem deixar o animal nauseado. assim como de forma progressiva. nº 82 . O tempo do tratamento pode va- mais podem apresentar vômito. BID.dezembro de 2016 . presença de cálculos ou hi. nato volta a níveis nor. ficam acumulados apresentar hiperecogênico de forma di. necessitando então de serem O manejo adequado tel por três dias. Normalmente.5 a 1. tanto na colan- Tratamento gio-hepatite aguda. já a atividade da FA e GGT sonda esofágica para fazer a alimentação apresenta valores variados. Se houver de estarem anoréticos. que na conformação dos ductos biliares. O de colangio-hepatite não responsivos à 62 Cadernos Técnicos de Veterinária e Zootecnia. o bicarbo.náusea pode ser usado o cloridrato de rede denotando inflamação da vesícula ondansetrona na dose de 0. pois ela é indispen- ultrassonográficas sável na conjugação de sais biliares. suplementar a arginina. deve-se bicarbonato podem estar administrar praziquan- baixos.5 mg/kg também duas vezes colangio-hepatites. o que agravaria mui- tumam aumentar de forma moderada to mais o quadro.0 mg/ (Nelson e Couto. lipidose secundária a (Royal Canin. kg de BID ou TID. As enzimas ALT e AST cos. Deve-se empregar a pre- mais. A dose repostos. nossupressora nos casos cessidade mostrada em gasometria. 2006). 2001). porém o potássio dnisolona em dose imu- deve ser reposto de acordo com a ne. mas pode pois caso contrário. Podem ser usado O restabelecimento da hidrata- a amoxicilina na dose de 10 a 20 mg/ ção com reposição de eletrólitos é um kg. A suplementação de Alterações taurina é essencial. tal para se evitar lipidose secundária a 2012). colângiohepatite. associado ao metronidazol na dos grandes pilares do tratamento das dose de 7. que Observa-se o parênquima hepático são secretados somente conjugados. A antibióticoterapia se mostra fundamental. O potássio e o a suspeita de platinosomose. sem sobrecarre- a concentração de bilirrubina. visto que os ani- ao dia. uma vez ao dia restabelecida. 2006.

graxos hepáticos Nelson e Couto. Reino Unido.mais comum nos felinos domésticos tite crônica. é a doença do fígado retardar o progresso da colangio-hepa. Para tica idiopática. na K1. A previamente existente é rapidamente exigência diária de proteína para gatos depletada e o fígado torna-se suscetível adultos é cerca de duas a três vezes su- 5.terapia antibacteriana. a conversão da nação de fatores como o acúmulo de metionina em S-adenosilmetionina não lipídios. a glutationa te de arginina. em dose de 0. dada de SAMe é de 20mg/kg SID. A LHF pode culminar Quando o fígado não apresenta seu em falência hepática devido a combi- funcionamento normal. Hepatopatias em felinos 63 . e a de- ocorre e não há produção de glutationa. coles- kg VO por dia) deve ser integrado à te. e. o fígado. de 30 impedindo maiores danos com reações a 60 dias. e Couto. para a secreção hepato- a glutationa. necessárias teína que irá dar origem de carnitina. taurina e metionina). é a glutamina. antioxidantes hepáticos metabolismo de ácidos 2001.5 mg/kg SC também chamada de lipidose hepá- ou IM repetindo após 7 a 21 dias.Idiopática ção e se necessário suplementar vitami. de ácidos graxos para uma característica da es- nina. um jejum a metionina é convertida o consumo de prolongado pode levar à em S-adenosilmetionina aminoácidos essenciais. A Lipidose Hepática Felina (LHF). que protegem o fígado. No fígado normal. O mais eficaz antioxidante no caso O ácido ursodesoxicólico (15 mg/ de doenças necroinflamatórias. Na doença Lipidose Hepática crônica é indicados testes de coagula. 2005. reduzindo pécie felina e. à taurina celular de triglicerídeos (em gatos a enzima con. Center. imunomediadas e reduzindo a inflama- ção (Royal Canin. A dose recomen- e imunomodulador nas vias biliares. Japão e países ocidentais Um dos mais potentes O jejum pode afetar o da Europa (Rothuzien.tase. sua pro. (Center. deficiência de proteínas (SAMe) e depois em cis. empregam-se antioxidantes na América do Norte. a resistência à insulina. 2005. 2001). com redução da a danos oxidativos com grande facilida- dose progressivamente. 2009). hepatopatias vacuolares e lipidose rapia. através da deficiência transporte. 2009).5 a 1. pois age como anti-inflamatório hepática são a SAMe. autor? de. Nelson versora tem baixa atividade) e sulfatos. ficiência de aminoácidos (especialmen- Com a agressão hepática. dução é decorrente de em três maneiras: O elevado catabolismo uma cascata que tem aumentando o aporte de proteínas da dieta é como precursor a metio.

Assim. e para que ela de desintoxicação no fígado em outras ocorra. a sua molécula como principais doadores de radicais age também como transportadora de tiol para a glutationa hepatocelular (um ácidos graxos esterificados da mitocôn- protetor hepático contra a oxidação) e dria para o citoplasma dos hepatócitos para a sínteses de sulfato. que drias para que estes sejam submetidos à juntamente com a cisteína. uma reação essencial aminoácidos como taurina. que há elevada utilização de proteínas e te a detoxificação da amônia. das vias de degradação (Center. substratos como as vitaminas partes do corpo. Além disso. a deficiência de sulta em elevada demanda diária para cobalamina possivelmente aumenta as esses aminoácidos. neiras: aumentando o aporte de ácidos 64 Cadernos Técnicos de Veterinária e Zootecnia. sária para a síntese de metionina a partir ras. 2005. para o plasma sanguíneo. arginina. levando a elevado fluxo de aminoácidos ao longo hiperamonemia. o jejum pode afetar o metabolismo de tência. alterações metabólicas que promovem de explica o porquê a rápida instalação o aparecimento da lipidose. A rápida e essencial utilização de da homocisteína. juntamente com xa em decorrência da hiporexia. exaustão durante a prolongada inape. ácidos graxos hepáticos em três ma- A cobalamina (vitamina B12) é neces. ferro e SAMe são exigem maiores quantidades de vitami. cionamento das reações de transmeti- to funcionamento do ciclo da ureia e a lação e transulfuração. A arginina é e.periores àquela para espécies onívo. 2005). má digestão ou má assimilação. quando a ingestão de metionina é bai- metionina e cisterna. A glutationa e deste. re. assim. comprome. nº 82 . A taurina por sua vez. funcionam β-oxidação. 2009). A e os sulfatos desempenham um papel síntese de carnitina acontece tanto no importante nas funções de conjugação e fígado quanto nos rins. Essa particularida. secundariamente limita o fun- um aminoácido essencial para o corre. composto sintetizado liar e sua ingestão favorece a excreção a partir da lisina e do SAMe. Um aporte da doença em gatos submetidos à limitado de metionina tem impacto di- hiporexia/anorexia (Center. A carnitina. como a baixa capacidade de conservá-los. lisina. fundamentais. Gatos aparentemente do complexo B. Dessa forma. reto sobre a disponibilidade de SAMe Nelson e Couto. é essencial desses acido. 2005). Em um paciente anoré- nas do complexo B em comparação com xico há deficiência de todos esses com- outras espécies e estão predispostos à ponentes (Center. é essencial na conjugação do ácido bi. ocorre na LHF.dezembro de 2016 . A metionina é essencial para o transporte de ácidos graxos de ca- para reações catabólicas que dão origem deia longa para o interior das mitocôn- a S-Adenosilmetionina (SAMe). Essas vias são de carência provocada pela baixa ingestão extrema importância no felino uma vez desse aminoácido na dieta.

graxos para o fígado através da indução Diagnóstico
da lipólise periférica; reduzindo o con-
Devido à inespecificidade dos si-
sumo de aminoácidos essenciais, o que
nais clínicos, o diagnóstico definitivo
contribui para o acumulo de lipídios nos
da LHF deve ser feito através de bióp-
hepatócitos; e, através da deficiência de
sia hepática ou por citologia de aspi-
carnitina, essencial para o catabolismo
rado hepático, feito com agulha fina e
de ácidos graxos no fígado (Rothuzien,
guiado por ultrassonografia (Center,
2001). 2005; Nelson e Couto, 2009), onde se
observa a vacuolização hepatocelular.
Predisposição e Sinais Entretanto, tais procedimentos só de-
Clínicos vem ser realizados após a estabilização
Embora gatos machos e fêmeas, do paciente.
de qualquer idade ou raça possam ser As alterações clínico-patológicas
acometidos igualmente pela lipido- comuns refletem a colestase imposta
se hepática, grande parte dos animais pelo acúmulo de triglicérideos, que dis-
acometidos tem idade superior a dois tendem os hepatócitos e causam a com-
anos, apresentam escore de condição pressão dos canalículos, restringindo o
corporal acima do ideal, sendo em geral, fluxo da bile (Center, 2005; Nelson e
Couto, 2009). Anormalidades hemato-
obesos. Quando a LHF cursa concomi-
lógicas observadas incluem poiquilo-
tantemente a pancreatite, os animais são
citose e a predisposição à formação de
geralmente magros (Nelson e Couto,
Corpúsculos de Heinz. A anemia pode
2009). Outro fator predisponente, é o
estar presente em uma avaliação inicial
emagrecimento rápido de gatos obesos.
mas desenvolve-se mais comumen-
Como a inapetência é um sinal comum
te durante o tratamento. Isso pode ser
a diversas outras enfermidades felinas, a devido à realização seriada de coletas
observação de sinais clínicos da doença para acompanhamento do perfil hema-
primária podem também estarem pre- tológico, por hemólises associada aos
sentes, sendo o evento desencadeante corpúsculos de Heinz ou à hipofosfate-
da inapetência nem sempre algo fácil de mia grave, ou até mesmo, pela perda de
ser elucidado. Os gatos com LHF pos- sangue quando na colocação do tubo de
suem histórico de inapetência superior alimentação.
a dois dias, rápida perda de peso, e sinais Na avaliação bioquímica, observa-
gastrointestinais como vômitos, diarreia -se aumento moderado da atividade das
e/ou constipação. A icterícia é observa- enzimas (ALT) e aspartato aminotrans-
da em 70% dos pacientes como mani- ferase (AST), e um aumento acentuado
festação inicial da LHF (Center, 2005). da FA. Porém, este aumento na ativida-
5. Hepatopatias em felinos 65

de da FA é também observado em casos doença primária (Center, 2005; Zoran,
de obstrução do ducto biliar extra-hepá- 2012). A quantidade de alimento a ser
tico. A atividade da GGT está normal ou oferecida deve ser adequada para prover
discretamente aumentada. Alguns gatos ao paciente energia e proteína suficien-
podem apresentar também, aumento tes para cessar o catabolismo. A dieta
moderado da creatina quinase (CK) rica em proteína além de reduzir o cata-
devido a injuria tecidual causada pelo bolismo muscular, reduz o acúmulo de
catabolismo, pelo decúbito, ou pela rab- lipídios no fígado. Carboidratos não de-
domiólise oriunda do desequilíbrio ele- vem ser utilizados para aumentar o in-
trolítico (Center, 2005). Anormalidades cremento calórico da dieta, pois podem
da coagulação sanguínea são observa- promover desordens intestinais, como
das mais frequentemente em gatos com diarreia e cólicas, e causarem hiperglice-
LHF e pancreatite aguda concomitante mia (Zoran, 2012). Embora o requeri-
(Nelson e Couto, 2009.) A lipidúria é mento exato de energia para gatos não
verificada quando na obtenção de um ser bem determinado, a utilização de
sobrenadante lipídico na avaliação de energia metabolizável em uma taxa de
sedimentação urinária (Center, 2005). 60 a 80 kcal/kg do peso corporal ideal
À palpação, observa-se que o supre a demanda diária satisfatoriamen-
fígado está aumentado de tamanho, te (Center, 2005).
com contornos abaulados e sem a A alimentação pode ser feita direta-
manifestação de dor pelo animal. A mente via oral, de forma “forçada” com
hepatomegalia pode ser confirmada por o auxilio de uma seringa. Todavia, mui-
meio de radiografia abdominal e, na ul- tos animais não aceitam a dieta de forma
trassonografia, observa-se aumento ge- satisfatória e isso pode levar a aversão
neralizado da ecogenicidade hepática ao alimento ou às determinadas mar-
devido ao acúmulo de lipídios. Apesar cas, além de ser altamente estressante.
de sugestivos, esses achados não são A aversão por sua vez retarda o retorno
confirmatórios de LHF. (Center, 2005). à alimentação voluntária. Como alter-
nativas para alimentação mais eficien-
Terapêutica te utilizam-se tubos nasogástricos ou
O primeiro passo deve ser a corre- esofágicos.
ção de qualquer anormalidade hidroele- O tubo nasogástrico é uma boa al-
trolítica existente em decorrência do ternativa para alimentação nos primei-
jejum prolongado. Entretanto, o aspec- ros dias de hospitalização, já que o risco
to mais importante do tratamento é um de sangramento nesse período é maior.
suporte nutricional completo aliando, Por serem tubos de lúmen pequeno
quando necessário, o tratamento da (5-8 French), é necessário que a dieta
66 Cadernos Técnicos de Veterinária e Zootecnia, nº 82 - dezembro de 2016

seja exclusivamente líquida. Esta via não gem. A aplicação diária de antibióticos
deve ser utilizada por longo período tópicos é aconselhada. A alimentação
de tempo, pois o desconforto causado pode ser iniciada assim que o animal
pela irritação da faringe e/ou laringe apresentar despertar completo da anes-
pode levar ao vômito com consequen- tesia. A retirada do tubo deve ocorrer
te deslocamento do tubo. O uso do co- apenas após o animal retornar a se ali-
lar Elisabetano é obrigatório (Center, mentar voluntariamente por pelo me-
2005). nos uma semana (Zoran, 2012).
O uso de tubos esofágicos é me- A quantidade de alimento diária
lhor opção com relação à característica deve ser calculada e dividida em quatro
do alimento forneci- ou mais porções meno-
do e à sua implantação A colocação de um res a serem fornecidas
(Center, 2005; Zoran, tubo esofágico requer ao longo do dia. A ca-
2012). Devido ser de sedação, ou mesmo pacidade estomacal do
maior diâmetro, entre anestesia. Para felino é um fator limi-
10 e 18 French, torna- isso, é importante tante no inicio da reali-
-se viável a alimentação que o animal não mentação após o jejum
com patês e/ou sachês apresente nenhuma prolongado sendo acon-
batidos. A colocação de descompensação selhável um volume de
um tubo esofágico re- hidroeletrolítica, 10 a 15 ml a cada 2 ou
quer sedação, ou mes- hemodinâmica ou de 3 horas. Deve-se forne-
mo anestesia. Para isso, coagulação. cer apenas 25% da exi-
é importante que o ani- gência energética de re-
mal não apresente nenhuma descom- pouso no primeiro dia, ampliando para
pensação hidroeletrolítica, hemodinâ- 50% no segundo dia, e assim por diante
mica ou de coagulação. (Zoran, 2012).
Após a colocação do tubo, é obri- O uso de estimulantes de apetite
gatória radiografia torácica para a ve- é desencorajado já que alguns, como
rificação do posicionamento apropria- benzodiazepínicos, são metabolizados
do. Episódios de vômito podem ser pelo fígado. Além disso, nos felinos há
observados quando o tubo estiver mal o risco da ocorrência de falência hepá-
colocado. O tubo não deve adentrar no tica fulminante com o uso de diazepam
estômago a fim de se evitar esofagite de (Center, 2005; Center, 2006; Zoran,
refluxo. A ancoragem do tubo na região 2012).
cervical deve ser feita com auxilio de Em casos de náusea mesmo com
suturas e o ostoma deve ser mantido a alimentação auxiliada por sondas, o
sempre limpo e protegido por banda- uso de antieméticos é benéfico.
5. Hepatopatias em felinos 67

dos felinos quanto ao desenvolvimen- Deve-se evitar também. a suplementação com desse composto. do para isso procedimentos invasivos. (Nelson e Couto. Amônia (NH3). versão da amônia em amônio (NH4) . Entretanto. entre tamina K. como SAMe ou molécula não absorvível pela corrente Silimarina. Os sinais variam desde dose hepática a suplementação deve inespecíficos. de cobalamina (B12) e vi. principalmente de vos como convulsões. usuais estão relacionadas à redução gado doente. sintetizadora de amônia. to e manifestações de doenças hepato- cos com metabolização hepática. O histórico e uma condição neurológica. 2012). agressividade. mente relacionado com a precocidade 68 Cadernos Técnicos de Veterinária e Zootecnia. biliares. dos. testinal. A administração de L-carnitina é recomendada para todos lactulose via oral leva a uma redução os gatos com lipidose hepática. O uso da lactulose é asso- glutationa hepática. gatos Considerações Finais com lipidose hepática apresentam óti. o clínico veterinário precisa sempre ter em mente a importância Encefalopatia Hepática das doenças hepáticas no paciente A encefalopatia hepática (EH) é felino para diagnóstico. gumas toxinas que agem sobre o cére- te para estoque e ativação de vitaminas bro levando a manifestação dos sinais hidrossolúveis. A alimen- da. o uso de hepatoprote. Webster. ciado ao do Metronidazol ou ampici- sula de SAMe tem liberação entérica. ano- ser feita com o dobro das necessidades rexia e letargia até sinais mais agressi- diárias requeridas. A hiperamonemia é uma das Devido à falta de substratos e causas mais comuns e as terapias mais a baixa síntese de carnitina pelo fí. Zoran. requeren- inibitórias advindas do trato gastroin. Uma vez que o fígado é importan.dezembro de 2016 . Quando recebem os cuidados ime. o uso de fárma. ser com teores de proteína reduzi- 2012). em pacientes com lipi. mercaptanos O sucesso do tratamento está direta- e ácidos graxos de cadeia curta são al. lina. diatos e de maneira intensiva. outros. sinais clínicos são semelhantes e sua vel. quando administrado via son. cegueira cortical. 2009. histeria. deve-se aumentar a dose em pelo tação de um paciente com EH deve menos 50% devido às perdas (Zoran. do pH do cólon favorecendo a con- Finalmente. associada com a incapacidade do distinção por métodos diagnóstico fígado em detoxificar neurotoxinas por muitas vezes é difícil. auxiliam no aumento da sanguínea. reversí. tiamina (B1). Considerando as peculiaridades mas chances de recuperação completa. que reduzem a carga bacteriana por isso. 2010. a cáp. tores e antioxidantes. como depressão. ataxia. neurológicos. nº 82 .

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em maior pro. tos pode ser explica- ção de pets do mun. e deve predominar sobre moradias.dezembro de 2016 .2 mi. com 22. cães. 2015). Manejo do Paciente Felino bigstockphoto. A população de gatos cresce do principalmente do. e deve predomi- nar sobre esta em aproximadamente Um levantamento feito pelo IBGE de dez anos (Abinpet. (2013) mostrou que o Brasil tem a se. res em casa e do en- 70 Cadernos Técnicos de Veterinária e Zootecnia. O crescimento do número de ga- gunda maior popula. em pela diminuição e de felinos e 52. nência dos morado- ano.6. 2015). maior proporção que a de verticalização das lhões de cachorros.com Nathália von Ruckert Heleno CRMV MG 4331 Tulio Alves Avelar CRMV MG 14. nº 82 .1 milhões cerca de 8% ao ano. redução A população de gatos esta em aproximadamente do tempo de perma- cresce cerca de 8% ao de dez anos (Abinpet.694 Introdução porção que a de cães.

na grande maioria têm se mostrado melhor adaptados a dos casos. não pre. veterinário e também o tutor devem O acompanhamento regular de estar preparados para lidar com o pa- um animal para cuidados profiláticos ciente. têm dificuldade de entender a nature- varam seu pet ao veterinário neste ano. e. Manejo do Paciente Felino 71 . 2008). poispodem do já estão com alguma doença avan- viver em espaços reduzidos. cavam que mesmo a população felina 2011). 1991 e Kaname et 6. pode alterar os resultados sintomas de doenças e de dor. felinos a diminuição foiproporcional. A falta de compreensão de 18. reduz os problemas relaciona- lidade de vida. e estresse vivido por eles e seus gatos. Os tuto- cisam ser levados para passear. predadora normalmente escondem além disso. Ao se comparar como os gatos reagem ao medo e à dor com 2006 houve uma melhora nos acaba trazendo dificuldades durante a dois casos. mal. falta de cuidado veterinário (Little. ainda não se cial para a saúde do gato do que uma compara à de cães.Uma pesquisa em 2011 revelou medicina felina. Toda a equipe do estabelecimento mente melhor (Burns. retorno. nos EUA sendo maior que a de cães. O estresse felino pode se trans- mente estressáveis e por sua natureza formar em medo e gerar agressão. çada ou de difícil tratamento. 2008.. e.7% não o fizeram. nos também contribui para esse ce- co mais da metade do número das de nário. inter- isso contribui para que as visitas ao ferindo em diagnósticos e tratamento veterinário sejam muito tardias ou corretos (Greco. O uso de técnicas de manejo ou em início de curso de doenças é adequadas. 2015). desde a saída de casa até o importante para melhorar sua qua. muitos veterinários que 44. Apesardos grandes avanços na cães. se manter limpos e não precisam sair desde o transporte até a permanência de casa para fazer suas necessidades no estabelecimento veterinário (Lue (Rodan et al. res relatam certa relutância devido ao pazes de realizar sua higiene pessoal. za e comportamento normais da espé- enquanto dos tutores de cães apenas cie felina. Pesquisas já indi. et al.. 2011).Alguns Apesar da frequência de visitas proprietários até acreditam que a ex- de felinos a estabelecimentos veteri. 2013). os gatos são levados quan- esse estilo de vida atual. sendo que em relação aos consulta veterinária (Lue et al. O despreparo no manejo de feli- as visitas ao veterinário somavam pou.9% dos tutores de gatos não le. são ca. Volk et al. Os gatos são animais dos ao medo e ao estresse para o ani- repletos de peculiaridades.velhecimento da população. são alta. periência traumática é mais prejudi- nários estar crescendo.. Tudo do exame físico e laboratoriais. Os gatos nem aconteçam.

que pode vir após o animal ter a importância de mi- a se desenvolver após o passado por momentos nimizá-las é necessário animal ter passado por desconfortáveis. mentais foram mudadas são capazes inclusive Fatores estressantes e muitos dos instintos de acionar gatilhos são capazes inclusive de seus predecessores patológicos. A falta de 2008).dezembro de 2016 .con. 2003). nº 82 .. como o de acionar gatilhos pa- caso da doença do trato selvagens ainda são ob- tológicos. felino É importante tanto para os tutores Os felinos começaram a ser domes. Case. Young. al.Fogle. 1985. 2013).. seguimos realizar um exame clínico Atualmente os gatos vivem varia- mais elaborado e com menor variação dos estilos de vida e possuem persona- de parâmetros vitais.insociáveis e ferozes que têm vida livre e ção com o serviço vai facilitar a fide. selvagem de seus ancestrais. como o caso servados.a satisfação dos lidades que variam dos mais dóceis e tutores aumenta e com isso o número sociáveis que vivem dentro de casa. 2011). para assim Apesar da domesticação dos gatos. O (Robinson 1984.al. Para entender urinário inferior de da doença do trato uri. e. 2015). que nário inferior de felinos pode vir a se desenvolver frente ao estresse e saber (DTUIF). por isso. quanto para os médicos veterinários ticados muito depois dos cães. e sua linguagem corporal. bem-estar do paciente aumenta. Poucas ca. ainda hojepossuem traços da natureza relaxamento e prazer (Elis et. 2006). ticas fisiológicas e com- táveis (Seawright et. aos de visitas e consultas.não gostam de ser manipulados (Miller. quando entender a comunicação dos felinos estes já eram totalmente domesticados. eles poder interpretar sinais de estresse. cão. Os felinos possuem compor- difundir seu nome e marca (Nibblett tamento e humor diferentes do de um et al. A maior satisfa. devem ser tratados tam- bém de maneira diferenciada (Griffin e Conhecendo o paciente Hume. 2002 apud Rodan et racterísticas comporta- Fatores estressantes al..que surgem com tutores e veterinários res níveis de estresse produzidos. portamentais. as respostas de felinos felinos (DTUIF).Gatos são notoriamente sensíveis aos 72 Cadernos Técnicos de Veterinária e Zootecnia. entendimento sobre seus comporta- Por outro lado.1997. al. lização com sua equipe e até mesmo 1996). entender suas caracterís- momentos desconfor. a abordagem e mentos normais e suas necessidades é o manejo adequados aos felinos trazem que culmina na maioria dos problemas muitos benefícios devido aos meno.

deve iniciar no primeiro contato por poral e os movimentos da cauda são im. silêncio e/ posta de luta e fuga bem ou falta de movimento estado de medo e agres- desenvolvida. O cuidado do paciente felino cionamento das orelhas... coxinspalme-plantares. fazem fricção gato que se comporta desta forma está e rolamentos em superfícies horizontais sinalizando ansiedade ou desconforto sugerempadrões comportamentais de (Hellyer et al. Alterações na não sinalizam a postas de autoproteção. aproximação amigável (Moelk. Figura 1 – Ilustrações de alterações postural e facial de gatos. podem ser prejudiciais desta forma está Gatos ansiosos ou com no ambiente da clínica sinalizando ansiedade medo podem aumentar veterinária (Caney et al. sividade. Adaptado de Bowen e Heath. Estas res. a postura cor. ou desconforto produção de suor nos 2012). 2007). Manejo do Paciente Felino 73 . 2007) falta de dor ou falta de ansiedade. representando evolução do medo e da agressividade. 2005. 6. Um Felinos que ronronam. Um para a sobrevivência.. face e pupilas de um gato falta de dor ou falta normalmente essenciais dão indicios sobre o grau de ansiedade. Observar o posi. gato que se comporta de ansiedade (Figura 1). Gatos costumam Também podem ser re- responder ao confronto pela evasão ou conhecido por mudanças na vocaliza- escondendo. Aquiescência.seus arredores e têm res. portantes pois indicam o Aquiescência.telefone com a clínica veterinária.Transporte até o ria ereconhecer os sinais iniciais deste permite anteceder e tomar decisões que estabelecimento evitem desconfortos. silêncio e/ ção de miando para rosnado. sibilos e ou falta de movimento não sinalizam a cuspidelas (Hellyer et al. 1979). O medo é a causa mais comum de agressão por gatos na prática veteriná.

formas de realizar esse transporte 2011. Rodan et al..Sempre que possível deve-se questio.terinário.fith.na caixa também é interessante(Grif- ria. familiar para o gato. recendo petiscos ou brincadeiras. 2000). deixe a caixa de transporte nha a caixa de transporte como algo de gatos coberta com uma toalha até familiar. visando o aumento da dentro dela itens que colocando-a no chão socialização especial. O ideal é que o gato da metade superior são soas diferentes do seu entre na caixa de preferíveis. tenham um cheiro ou usando um cinto de mente durante o pri. ofe.Isso o ajuda areconhecê-la e assim instruí-los sobre as melhores como sua e o instigar a entrar (Little.dezembro de 2016 . deve garantir que a gatinhos para a clínica Deixe a caixa disponível caixa de transporte eventualmente para para o animal explorar permaneça firmemen- verificações de peso. e não a associea visitas ao o momento da consulta. 74 Cadernos Técnicos de Veterinária e Zootecnia. voritos. e não a associe para clinica o tutor tes a trazerem seus a visitas ao veterinário. na Caixas de transportes desenhadas tentativa de criar uma experiência para abrir a partir do topo e /ou que positiva e acostumar permitem a remoção o gato a locais e pes. 2011). Essa medi- veterinário.roupas de cama ou brinquedos fa- dades em transportar o gato à clínica. podem causar insegu- O ideal é que o rança e assustar o gato gato entre na caixa de (Rodan et al.É importante que ele te. segurança.... transporte por conta própria sem Ao chegar ao estabelecimento ve- ser forçado. ou brinquedos favoritos. nº 82 . como nar os tutores sobre possíveis dificul.familiar.um cheiro familiar para o gato. mais facilidade no con- para minimizar medos É importante que sultório (Caney et al. com recompensas positivas.Outra opção se.contato visual (Carlstead et al. pode transporte por conta tem o manuseio com ser uma boa estratégia própria sem ser forçado. 2011).1993.pois permi- círculo familiar. 2011). loquedentro dela itens que tenham Kry e Casey. pois os mo- meiro ano de vida do como roupas de cama vimentos do veículo gato (Little. transporte como algo Durante a viagem ria incentivar os clien. em casa e coloque te segura no veículo. 2007). 2011).. Deixe a caixa disponível da contribui para evitar o estresse de para o animal explorar em casa eco. A utiliza- (Little. 2011). ção de ferormônios sintéticos felinos Ensaiar visitas à clínica veteriná. ele tenha a caixa de 2012). futuros (Rodan et al.

2014). visual entre animais das “síndrome do jaleco e neste caso alterar a ves. Já na sala de espera os gatos podem 1994) pois a presença do tapetumlu- passar por momentos de estresse con. roupas brancas com denciar uma superfície vem ser tomadas para experiências ruins. medo e dor em visitas ver uma sala de entrada Yin. ao veterinário podem e espera separada para os sive a chamada “síndro- se condicionar a felinos ou área separada me do jaleco branco” associar estímulos do com algum tipo de ante- que é quando os animais ambiente local como uma resposta emocional paro entre cães e gatos: o fazem associação do ja.. 1999).cidum faz com que eles tenham maior siderável ao serem expostos ou só de percepção de luz do que nós (Gunter. auditivos. é importante citar para evitar contatos visuais também são que todos os ambientes que irão receber opções (Little. Tromborg. al. 2011. e elevada ou algum tipo maximizar o conforto do neste caso alterar a apoio ou plataforma estabelecimento veteri. Miller e Murphy.Caso exista conforto ambiental do uma entrada lateral ou de fundos. táteis. 2011).. Como suges- os animais fazem co (Belew et al. olfató.1995).2007. Caney. Existe leco ou roupas brancas ao máximo o contato inclusive a chamada com experiências ruins. no chão perto dos cães. 2012). 2005). gustatórios e sociais. benéfico. Pollard e Littlejhon.Maximizando o (Casey e Bradshaw.Sugere- 6. Assentos segregados com anteparos Primeiramente. 2006.Existe inclu. associação do jaleco ou tões sugerem-se provi- Várias medidas de..deve ha- negativa (Mazur. os gatos na clínica devem ser devida. vestimenta pode ser para colocar as caixas nário que atenda felinos.. terem contato visual com outros gatos 1995. rios. 2009).. adequando os estímulos evitando que fiquem visuais. importante é minimizar negativa . condicionar a associar estímulos do Como o contato en- ambiente local como tre cães e gatos também uma resposta emocional Animais que passaram não é favorável. Luz muito clara ou constante pode mente telados para evitar uma possível ser estressante aos animais (Morgan e fuga. per- mita que animais muito medrosos ou estabelecimento irascíveis passem por ela para que não Animais que passaram medo e dor vejam outros animais e pessoas (Herron em visitas ao veterinário podem se e Shreyer. Manejo do Paciente Felino 75 . duas espécies (Rodan et branco” que é quando timenta pode ser benéfi. de transporte dos gatos..

nº 82 . No ambiente cole. 2014). micos se dissipe evite a toalhas de contenção. tos para uso na rotina. (Herron e Shreyer. Há opções pessoas conversando ou se movendo no de produtos para serem usados como recinto (Herron e Shreyer.o gato a sentir segurança e reduzir seu ra diminuir sons e ruídos estressantes estresse associado a medo e ansiedade aos internadoscomo latidos de cães e (Herron e Shreyer.. após passa- gem de animais estressados. aguarde o tempo Utilize feromônios 60W no consultório e necessário para que o artificiais felinos no internação(Herron e consultório. Balanças pediá- Entre um atendimento clínico e ou. Isso pode ajudar Utilize janelas e portas acústicaspa. É bom evi. evite músicas prin. alterar estados de medo para prazer boa ventilação entre cada atendimento. mesas e até mesmo tamentos associados a relaxamento. 2002. 2014). (Takahashi et al. associado a medo e Shreyer. internação. 2012). Por isso ofereça sempre que julgar Limpar sempre todas as superfícies.dezembro de 2016 . exposição a odores de- mesas e até mesmo na tivo. após a limpeza do recinto e super. ansiedade. felinos é uma importante consideração po em locais como a entrada e sala de para selecionar materiais e equipamen- espera (Herron e Shreyer. mais indicados para se obter melhor 76 Cadernos Técnicos de Veterinária e Zootecnia. toa- outro lado.. e gato a sentir segurança à limpeza de gaiolas na recomende o uso de e reduzir seu estresse internação (Herron e fones de ouvidos pes.lhas de contenção. podemdeterminar compor. odor de produtos quí- Shreyer. na vestimenta médica. tricas e estetoscópios pediátricos são tro. pode gerar resposta ao estresse. artificiais felinos no con- Músicas clássicas. Utilizeferomônios Kogan et al. necessário incluindo o chão e paredes. por isso Alimentos palatáveis são uma opção deve-se minimizar a exposição de gatos interessante para tentar mitigar o estres- a odores de cães. 2014). cipalmente do tipo hard Isso pode ajudar o tes. O pequeno tamanho dos pacientes tar que estes animais fiquem muito tem.. sagradáveis aos pacien- vestimenta médica. 2014). 2014).se utilizar lâmpadas de fícies. soais (Wells et al. O mesmo se aplica rock ou heavy metal. limpando e mantendo se.e ofensivos. e evitar comportamentos indesejáveis ou reservando um consultório específi. 2014). 2005). por sultório. difusor no ambiente ou como spray para O cheiro de um potente predador borrifar sobre superfícies. co para gatos. internação. pois estes Equipamentos para uso podem ter deixado odores e feromônios na clínica de felinos associados a medo e alarme.

precisão. Com o hábito de sença do tutor e assim praticar manejo de pou. Colares elisabetanos leves e Antes de iniciar a consulta do pa- transparentes são mais indicados para ciente felino deve-se assegurar que to- esta espécie. Tubos endotraqueais de tamanhos compromissos e encaixar pacientes fe- pequenos (3. agitados (Waiblinger et al. reduzem o tempo de estresse desse pro. examinados em uma clínica é sem. pois to exclusivo de gatos (Herron e Shreyer. e diminui-seo risco de desencadear ainda mais devemos educadamen- injúrias contra os profis.. e mais seguros com Contudo tutores rece- reduzimos o tempo para a presença do tutor e osos.Podem-seagendar os gue. obtém-se tutoresreceosos. cedimento.. do paciente felino deve que em casa.2014). dia (Rodan et al. exibido por gatos tosas. 2011).. 2014). ra para o atendimento clínica é sempre maior nistração de doses pre. 2011). medo e agressão. Se possível. 2011). agitados ou que conseguir manipular o assim permitir melhor repreendam o animal paciente e os recursos manipulação pelo podem desencadear ain- utilizados paraas pró. para evitar tráfego desnecessá- consulta clínica rio e a interrupção do exame (Caney et O nível de estresse exibido por gatos al. Em se tratando sionais e o próprio tutor O nível de estresse de injeções medicamen. Alguns animais podem permitir melhor mani- co estresse aumentamos se sentir menos ansiosos pulação pelo veterinário. o bem-estar do paciente. Manejo do Paciente Felino 77 . agulhas de peque. dos os suprimentos e equipamentos necessários estão disponíveis no con- Abordagempara a sultório. nos ansiosos e mais seguros com a pre- 2015).5 a 5. 2001) menos alterações em ou que repreendam e nestes casos se a situa- parâmetros fisiológicos o animal podem ção for pior para o gato. seringas de 1ml e O tempo de espe- examinados em uma 3ml são úteis na admi.0mm)são essenciais linos durante as horas mais calmas do (Little. Alguns animais podem se sentir me- premaior que em casa (Nibblett et al. cisas. Termômetros com mensuração de adote dias ou horários para atendimen- 3 a 10 segundos são preferíveis. veterinário. (Megan e Traci.. 2012). ser o menor possível e no diâmetro e tamanho o ideal é encaminhar o causam menos dor na aplicação e são paciente diretamente para o consultó- preferíveis para injeção e coleta de san. te pedir ao cliente para 6. Contudo da mais medo e agressão ximas visitas.rio (Little.

de modo que o gato permaneça na seja controlável. Examine o gato onde ele permitir. então deve-se co- (Carlstead et al. reprogramar a consulta metade inferior durante o exame físico para outro momento muitas vezes é a (Little.dezembro de 2016 .. incentivando o gato a relaxar te. terrompa temporariamente o exame ta própria pode dar à elea sensação de para que o gato relaxe... pode-se remover cuidadosamente o (Caney et al. por isso tente Muitos gatos preferem ser examinados manter abaixo de 60dB. Rodan et al. devem ser evitados.. Reforce compor- controle e segurança. no colo pouco próximo aos animais para mantê- do proprietário ou do veterinário ou no -los calmos. Fale sempre em tom baixo de voz e seja na mesa de exame. o forte odor pode ser desagradável. melhor estratégia (Rodan et al. Evite repreen- sobre um cobertor ou peça de roupa sões ou tons de voz rudes e punitivos. 2014). Se o gato não qui. em agressões ainda piores (Anthony et cedida movimentos bruscos e rápidos al. 2009). meçar pelas partes menos estressantes Enquanto obtém. carinho.. isso pode elevar o estresse e culminar Para ter uma interação mais bem-su.se o histórico e edeixe as áreas que os gatos não gostam anamnese do paciente deixea caixa de de serem tocados por último(Little. 2012).sair da sala (Rodan et al. familiarizada.. Evite colocar o animal sobre su- ções para bloqueio visual. Sons que passam de 85dB próprio transporte(Caney et al. (2012) deixar o gato sair por con. transporte aberta para que o gato fareje 2011). animal já passou por alguma experiên- bem como manter-se acima do gato: cia negativa enquanto sentia este odor. 1959). 2006. Durante todo perfícies frias e escorregadias. que já tenha o cheiro do independente da atitude do animal. in- et al. 2011). 2011). 2011). nº 82 . convenha. animais podem ser menos modificada de acordo com a colabora- agressivos quando afastados do tutor ção de cada paciente. pois os animais po. Cubra exame físico pode-se utilizar a toalha as mesas de metal com toalhas ou ta- para tampar a cabeça do gato (Herron e petes e utilize tapetes acolchoados ao Shreyer. Yin. Caso o estresse não topo. 2011. Segundo Caney Se o gato ficar tenso ou agitado. tamentos positivos com um petisco ou ser deixar o transporte voluntariamen. 2012). Utilize álcool com moderação. podem induzir estresse. Caso negativas (Mazur.Em A ordem do exame clínico pode ser outros casos. no chão. a abordagem lateral deve ser utilizada ele poderá aflorar respostas emocionais (Little. 2011). pois gato (Little. e explore o ambiente. utilize toalhas ou outras op. posicionar o animal em decúbito late- 78 Cadernos Técnicos de Veterinária e Zootecnia. Se o O contato visual direto deve ser evitado. pois dem se assustar ou se sentir ameaçados. 1993). 2011)..

de forma a manter tui o uso de focinhei- 2011). 2011. de gato. ta a partir de técnicas de nor contenção (Little. confortável. alha em volta do pes- 6. do gato com uma toalha ro (Little. facilitando o exa. Já cobrir toalha torcida em vol- cabeça com os três o animal inteiro com uma ta do pescoço substi- dedos médios (Little. Se o gato está posicionado con. forma a manter o gato me e minimizando a A contenção física de confortavelmente em- contenção. Cobrir a cabeça do gato com fortavelmente ele está menos propenso uma toalha elimina o contato visual com a lutar. apud zer uma leve pressão elimina o contato visual Yin. Colocar enquanto massageia com o meio e pode ser delicadamente uma lentamente o topo da muito benéfico. Isso sobios ou sons como os Cubra as mesas de também deve ser aplica. Cobrir a cabeça a se sentir mais segu- técnica calmante é fa. ou manipulação com o uso de exame pode ajudá-lo sob o queixo. destinados a acalmar be- metal com toalhas do durante o manejo na bês humanos (‘shhhh’). manipulação com o uso 2011). a fim de produzir Na tentativa de acalmar Evite colocar o animal uma sensação tátil mais o gato. Algumas o meio e pode ser muito benéfico. toalha. paciente fim de produzir uma A contenção física de Pesando-se em fe. e medrosos pode ser feita brindo as partes con- sageados na cabeça. 2014). pois esses sons podem tapetes acolchoados ao posicionar o animal imitar o ruído de outro Contenção do em decúbito lateral. Muitos ga.ral. fugir ou se proteger. ou tapetes e utilize internação. agravar o estado de ajudá-lo a se sentir mais Colocar uma to- excitação de um gato. sensação tátil mais alguns gatos mais difíceis linos. 2009). e medrosos pode ser fei- ção será sempre a me. Já co- técnicas podem distrair e acalmar o brir o animal inteiro com uma toalha. que não são bem Segundo Caney et embrulhado e ir descobrindo aceitas pelos gatos e al. Outra toalhas. alguns gatos mais difíceis brulhado e ir desco- tos gostam de ser mas. a do gatos. o clínico e o tu- sobre superfícies confortável (Herron tor não devem fazer as- frias e escorregadias. Manejo do Paciente Felino 79 . (2012) alguns sons as partes conforme a podem aumentar o que fazemos podem execução do exame pode estresse.de toalhas. o gato confortavelmente ras. a melhor conten. seguro. a partir de técnicas de forme a execução do atrás das orelhas. e Shreyer.

coço e sobre os membros torácicos. A depilação de área da coleta. de sangue que é realmente necessária colocação de acesso intravenoso ou para processar as amostras. deve-se aplicar álcool (etanol) 70 ºGLou soro estéril. nas veias cefálicas ou nas veias safenas mediais. Muitos gatos tole. 2 (Little. Outros gatos não permi- cateter intravenoso ou para coleta de tem a contenção para a coleta na jugu- sangue a partir da veia cefálica. A quantidades de amostras. os tubos de microcoletas são preferíveis para a espécie felina porque permitem pequenos volumes de sangue sem que ocorra diluição da amostra com anti-coagulantes (Little. apesar de ser indicada por questão de assepsia. da venopuntura jugular. Observa-se a tran- ram bem a coleta através quilidade do animal e facilidade de coleta de material para exames. Coleta de sangue Bolsas de contenção próprias para É interessante verificar com o gatos também são uma opção para laboratório de confiança a quantidade a contenção para coletas de sangue. 2).Figura 2 – Gato contido por bolsa de contenção. que ao molhar o pelo do animal facilita a visualização do vaso. confor. 2011). pode perturbar muito o gato. e este local per- expondo somente uma pata. nº 82 . é uma boa mite coleta rápida e grande quantidade forma de contenção para colocação de de amostra. Para tor- nar o processo mais rá- pido e menos estressan- te. lar e ficam mais tranquilos com a coleta me ilustra a Fig. pois aplicação de soro subcutâneo em ga- se o laboratório aceitar pequenas tos mais difíceis de conter (Fig. 80 Cadernos Técnicos de Veterinária e Zootecnia. 2011).dezembro de 2016 ..

Manejo do Paciente Felino 81 .pode Se o gato está com ser ainda mais estressan- dor ou passará por pro. sono e confortável. que ainda preservam o instinto A hospitalização de gatos deve ser de ficarem quietos a partir desse tipo de evitada sempre que possível. contribuindo para o medo em procedimentos de curta duração. bolsas muito apertadas podem a equipe veterinária. Os gatos infectados de sedação ou anestesia (Caney et al.eliminação. 2011). com vírus da Leucemia Felina (FeLV) 2012). química na prática da clínica de felinos A técnica de contenção pela pele (Rodan et al. contribuindo de internação de cães e radiografias ou outros para o medo e estresse. A contenção química muitas ve. afastá-lo de seu senso de tos. Estar longe de casa leva ser mantidos numa zona Pacientes idosos ou que à ruptura do círculo tranquila onde eles não têm artrite podem sentir social do animal e pode vejam outros cães ou ga- dor com a manipulação.nos ambientes hospitalares inibe com- -estar do gato ou para proteção pessoal. 2011). portamentos normais dos gatos como Apesar de imóvel o gatopode não estar alimentação.e/ou pelo vírus da Imunodeficiência zes pode aumentar a segurança e reduzir Felina (FIV).internação lhotes. Recomenda-se causar estresse e as frouxas podem não consultar um anestesista para informa- fornecer contenção suficiente(Rodan ções de drogas seguras para contenção et al. os gatos devem de analgesia prévia. é importante para sepa- Se o gato luta muito e dificulta a rar gatos com suspeitas doenças conta- contenção.colocação do gato na bolsapode ser o estresse para o gato.. pode ser necessário o uso giosas confirmadas. e estresse. essencial.Little Abordagem durante a (2011) indica essa técnica mais para fi. 2011). por isso avalie seu compor. higiene corporal. Para idosos ou gatos que tamento(Little. não tenham sido bem socializados. gatos sejam separadas. O ideal é que as áreas posicionamento para controle. do pescoçopode muitas vezes tornar o gato mais excitado e com medo. procedimentos (Little.Estar longe contenção.. Alguns do animal e pode afastá-lo de seu senso veterinários usam essa técnica apenas de controle. pois suas mães o fazem para de casa leva à ruptura do círculo social transportá-los ou os imobilizar. O elevado nível de estresse quando necessário para proteger o bem. A hospitalização de te (Little. cedimentos dolorosos gatos deve ser evitada Se a hospitalização é considere a realização sempre que possível.. sem outra doença infec- 6. 2011). Uma ala de isolamento 2011). Rodan. para o tutor e para difícil. 2011.

jados a visitar periodicamente o pacien- perfície reflexiva. Prateleiras são boas opções para aumen- cal (Little. água e sada por essas doenças e a predisposição local de descanso (Caney et al. 2007). 2011).1993. Os gatos normal que esses animais experimen- domésticos evoluíram dos felinos do de. jo dentro da gaiola do animal internado Pulverizar feromônio sintético felino para evitar o estresse de contato visual. 2011).cer. 2011). 2011). tar o espaço disponível para os animais Estímulos olfativos também devem e enriquecer o ambiente da internação ser minimizados.. além de não terem su. nº 82 . é preferível para evitar que os gatos ve. Fornecer objetos familiares que a da zona de conforto humana . de carícias. O ambiente de internação deve ter colchão ou toalhas grossas. sempre remova os aro. Kry e Casey. tem longos períodos de sono. 1995). cas diminui tanto a condução do som Os proprietários devem ser encora- quanto a do calor. pois gatos preferem o gaiolas podem causar medo e estresse. não devem ser alojados no isola. por isso deve-se fornecer (Little.dezembro de 2016 . contato com pessoas familiares (Little. Deve-se acariciar no sentido do 82 Cadernos Técnicos de Veterinária e Zootecnia.. (Little. areia ficar separada da comida.. 2011). lha. nação (Crouse et al. devido a imunodeficiência cau. et al. 2012). Colocar difusores pria caixa de transporte (Carlstead et desse feromônio na área de internação al. como roupa de cama e brinquedos ajuda ca de 21°C) pode proporcionar mais o animal a se ambientar melhor na inter- conforto (Little. É acústico (Rodan et al. na gaiola. 2011). colocar uma caixa dentro ou a pró- ro no novo ambiente. para contrair doenças presente neste lo. mas de outros animais anteriormente Providencie um possível esconderi- internados com produtos apropriados. assim a temperatura do ambiente mente quando estão com algum tipo de em torno de 26°C (um pouco maior do morbidade. 30 minutos antes de colocar Como opções sugere-se tampar uma um novo paciente pode ajudar a acal. por isso evite devem ser grandes o suficiente para o o toque. Isso também a temperatura controlada e isolamento evita que se deitem na caixa higiênica. paciente poder se esticar e a caixa de mento. também promove resultados positivos Gatos preferem descansar em super- na redução do estresse desses animais fícies macias. O posicionamento dos gatis lado a lado 2011).. principal- serto. outros podem se sentir ame- As gaiolas ou gatis de internação açados e desconfortáveis. uma cama confortável com travesseiro. Imagens refletidas nas te hospitalizado.ciosa. Apesar de alguns animais gostarem jam uns aos outros (Rodan.. 1995. parte da frente da gaiola com uma toa- mar o gato e fazê-lo se sentir mais segu. Hawthorne A utilização de gaiolas não metáli.

conforme necessário. te quando o gato voltar do paciente felino é 2014). conforme necessário. tos podem ter o apetite devido à condição de Para administrar reduzido quando inter. Prescrever e sugestões de formulações de drogas 6. é indicada a colocação de tivo. fornecido substância estranha em pequenas porções podem fazersialorréia e reabastecido. Quando as outras estratégias para cuidados em casa vai contribuir subs- incentivar a alimentação não apresen. na clínica e podem ser úteis em alguns casos e por em casa. fornecido em pequenas dos. porções e reabastecido. após a alta. ticas é indicado somen- durante a internação coço (Herron e Shreyer. para casa com o apetite muito importante. O veterinário. bor indesejado. Manejo do Paciente Felino 83 . muitos ga. em conjunto com os momento de prescrição.. Para maior seguran- nas quantidades no dedo ou na palma ça. 2012). pelo estresse ou estar sempre fresco. pode oferecer métodos descritos acima. o veterinário deve sondas de alimentação nasogástrica orientar e envolver o proprietário no ou esofágicas.pelo e evitar o abdômen. Coloque o medicamento di- Patês podem ser oferecidos em peque. (Herron e Shreyer. utilize comida ou cal- somente devido à con.proprietário do gato para continuar os te. Estimulantes de apetite manejo adequado do gato. O manejo dietético muitos gatos podem normal. é interessante o uso de aplicadores da mão eem temperatura ambiente próprios ou de seringas modificadas ou levemente aquecidospara servir de para esse fim. começar dietas terapêu- O manejo dietético limitando-se à face e pes. no breves períodos.tancialmente para um resultado posi- tam sucesso. A melhora clínica do paciente no nas quantidades com auxílio da se. Sempre após a administração de alimento para gatos que exibem muita comprimidos. para evitar esofagites medicamentosas. melhor estímulo. deve-se fornecer de 3 a 6 náusea e aversão ao alimento(Caney et ml de água com ajuda de uma seringa al. A alimentação forçada em peque..pelo estresse ou somente et al.reto na garganta. para disfarçar o sa- dição de saúde.O ali. O alimento deve medicações via oral. Deste modo. saúde. são ao alimento (Caney importante. nados. ao terem contato com pre fresco. Não se deve deixar 2014). Felinos mento deve estar sem. intensa.hospital é apenas um aspecto do su- ringa algumas vezes e necessária para cesso do tratamento. 2012). do contrário há durante a internação do ter o apetite reduzido o risco de criarem aver- paciente felino é muito quando internados. A capacidade do gatos que não comem voluntariamen.

rem sinais de agressão. em seguida. 2011) ou passar uma toa.Se ocorre- transporteou passar opção que melhor cor. gatos livres na mesma tenha o cheiro da casa para ajudar os proprie. melhor distrair os gatos que permanecerama nalidade do gato e com para separá-los. 2011). lhor abordagem ao paciente e trás inú- zir o animal. O uso de brincadei- casa ras e petiscos pode aju- No retorno para casa dar a distrair a atenção e da consulta clinica ou da hospitalização facilitar a reintrodução.porque na casa e. po- lha nos gatos que permaneceram na casa dendo ser borrifado no transporte e/ou e. sintam o cheiro pela fresta da porta e Antes de levar o gato para casa os tu. permitindo que os outros gatos da casa 2011). o ideal é abrir para casa os tutores monstrar as várias téc. monitorando qual- e colocar junto no tários decidirem qual quer reação..dezembro de 2016 . é uma toalha nos gatos responde com a perso. na maioria das médicos veterinários. possam se ir se acostumando novamen- tores devem levar algo que tenha o chei. Isso pode gens. o transporte e deixar os devem levar algo que nicas de administração. pegá-los pode ocorrer está retornando com 2012). trodução. manter gato no Entender melhor o comportamen- transporte por um tempo até que todos to felino é de suma importância para os os gatos estejam calmos. nº 82 . 84 Cadernos Técnicos de Veterinária e Zootecnia. em seguida. pode-se colocar o gato em outro ser um problema para a reintrodução. Se não houver problemas meros benefícios.. Se houver uma o gato pode não ter mais o cheiro fami. O retorno para familiar. limpar o gato que está instalar um difusor na casa (Rodan et retornando com a mesma toalha para al. 2011).. agressão redirecionada a mesma toalha para transferir a ele o aroma (Rodan et al. cômodo da casa silencioso e seguro e pois os outros gatos da casa podem não deixar durante pelo menos 24 horas. 2011). transferir a ele o aroma familiar (Little. o reconhecer e atacar (Rodan et al. Considerações finais Ao chegar em casa. as capacidades físicas se ficar entre eles ou limpar o gato que do proprietário (Caney. opção para a reintrodução em casa. pois permite me- situações é o suficiente para reintrodu. até tentar uma nova reintrodução. reação negativa depois destas aborda- liar do grupo a que pertence.preferíveis ao paciente imediatos com a rein- Antes de levar o gato felino e também de.. sala. te. ro da casa e colocar junto no transporte O feromônio sintético também é uma (Rodan et al.

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residente (R2) de Clínica Médica de Pequenos Animais.CRMV-MG 15308 Nathália das Graças Dornelles Coelho2 . mestre. Langston. ne- lítico e ácido-base. especialização em clínica e cirurgia de felinos (Escola de Veterinária – UFMG) 4 Médica Veterinária. pela A relevância dos do fluxo total do corpo é destinado aos rins.CRMV-MG 15196 Fernanda dos Santos Alves5 .CRMV-MG 15146 Grazielle Amaro Siqueira de Sousa3 . residente (R2) de Clínica Médica de Pequenos Animais. ção de metabólitos. pela excre. pelo órgãos.com Gabriela de Menezes Paz1. nº 82 . 2008). Nefrologia em medicina felina bigstockphoto. residente (R2) de Clínica Médica de Pequenos Animais (Escola de Veterinária – UFMG) 2 Médica Veterinária. pois volume maior de fluxo dócrino e barométrico são responsáveis pela sanguíneo quando (Cunningham e Klein.UFMG) Introdução Cerca de 20% a 25% componentes relevantes para o organismo. homeostasia.CRMV-MG 12695 Manuela Bamberg Andrade4 . comparado a outros 2004. produção de hormô- rins no funcionamento necessitando de um nios para controle en- dos processos fisiológi- cos é incontestável. pelo balanço eletro. pela reabsorção de cessitando de um volume maior de flu- 88 Cadernos Técnicos de Veterinária e Zootecnia. destinado aos rins. Cerca de 20% a 25% do controle e equilíbrio dos fluxo total do corpo é fluidos corporais. (Escola de Veterinária – UFMG) 5 Médica Veterinária.7.dezembro de 2016 . doutoranda em Ciência Animal (Escola de Veterinária .CRMV-MG 9539 1 Médica Veterinária. residente (R2) de Clínica Médica de Pequenos Animais (Escola de Veterinária – UFMG) 3 Médica Veterinária.

desse interceder rapidamente com o distintos modos de condutas clínicas. 2005). Rieser. A identificação. tratamento e acompanhamento desse Apesar de ambas causarem grandes felino. E a cie. Santos poperfusão e por toxinas circulantes e Anjos. crônica ou a sensibilidade para identificar esses aguda. sofrendo facilmente algum momento da vida. amiloidose. 2001. quando 200. já a porção com insuficiência renal é uma dos gatos apresentarão pequena irrigação san.limitado de néfrons. aproxi- do de néfrons. cerca de 50% a 60% xinas. 2005). 190. doença renal Quando os rins apresentam um crônica.lhanças são claras em cada definição: tros órgãos (Rieser. Santos. 1991). pielonefrite bacteriana. a insuficiência renal aguda (ou injú- Esse abundante fluxo é necessário ria renal aguda) é a perda abrupta de para manter o excesso de atribuições uma ou mais funções. 10% destina-se a região com cerca de 190.000. (Rieser. A distribuição da cir- O felino possui um número limita- culação renal não é uniforme.crônica é a perda progressiva e irrever- -o sensível as lesões causadas por hi. 2014). alguma disfunção renal em de ocorrência natural. retardando o progresso da grave prejuízos sistêmicos. E a insuficiên- gião mais vascularizada comparado a espécie canina cia renal é uma afecção seja mais suscetível a e humana. 2014). 7.xo sanguíneo quando comparado a ou. afecção muito comum na alguma disfunção renal guínea apresenta mais espécie. Nefrologia em medicina felina 89 . já a doença renal do órgão adequadamente. insuficiência renal aguda. tornando. para que assim o clínico pu- insuficiências no paciente deve-se aos. Langston. é O felino possui um número justificável que uma re.. principalmente nos pa- episódios isquêmicos cientes senis. doença policísticarenal. a caracteriza.sível da função dos rins (Veado.000. nefrotoxicoses e neopla- cabendo ao clínico veterinário iden- sias (Anjos.. 2005.000 a 200. O ideal seria que tificar qual a função foi prejudicada e qual o tipo de insuficiência. 2014. As princi- (Labato. glo- quadro de insuficiência entende-se que merulopatias. sendo um evento hipotensão sistêmica. pais nefropatias na espécie felina são: 2010). quando comparado a es- madamente 90% irriga a córtex renal e pécie canina e humana. com cerca de muito comum na espé- lesões causadas por to.000 a medular.pacientes de forma precoce fosse al- ção e a diferenciação entre essas duas tíssima. a funcionalidade está comprometida. Portanto. suas disseme.doença (Kasiske e Keane. cerca de 50% a em algum momento da problemas no caso de 60% dos gatos apresentarão vida.

nº 82 . renais intrínse- resultam na incapacidade do órgão em cas e pós-renais (Bragato. 2014). 2014). glomerular..8 a 4. 1972. A casuística da IRA no ambiente cundário renal (Osbourne et al. visto que a maior parte das tros. As dimensões renais normais de um reservado em felinos. tas vezes reversível de Os rins do felídeo apre. que são eliminados via filtração e desidratação. insuficiência renal. Das desordens renais. (IRA) é uma síndrome apresenta duas zonas: o responsável por desbalanços clínica que desenvolve córtex (mais externo) e a hidroeletrolíticos e ácido.. são renal causada por inúmeros fatores. a falha na síntese Já nas causas pós-renais não podemos de alguns produtos.4 centíme. ácido-base e glomerulonefritesimunomediadas. a anemia e hiperparatireoidismo se.Anatomia e A injúria renal aguda Afecções renais fisiologia renal (IRA) é uma síndrome clínica que desenvolve Injúria renal O rim é uma estru. E por fim. nuírem de tamanho (Ellenport. hospitalar ou doméstico em humanos Forrester e Lees. (Santos. res- sentam uma posição retro peritoneal. conversão da vitamina D e a pobre felinos. Anjos. as obstruções do trato urinário excreção de fósforo. Entre realizar as funções excretora. O prognóstico da IRA é do. doenças infecciosas parenquimais nos equilíbrios eletrolíticos. podem ocasionar inferior (Melchert et al. muitas vezes reversível A injúria renal aguda que ao corte transversal de insuficiência renal. como eritropoeti. um quadro súbito e mato côncavo e convexo. Estima-se que 90 Cadernos Técnicos de Veterinária e Zootecnia. já nos gatos filhotestendem a serem causas de injúria renal aguda em felinos maiores e com passar dos anos dimi. 2007). 2013). como hipotensão. 1998). síndrome. A incapacidade de realizar podemos citar a presença de nefrotoxi- as funções reguladoras causa alterações nas. reguladora as causas de injúria renal de origem pré- e sintética. aproximadamente felino adulto quando avaliado pelo exa. ponsável por desbalanços hidroeletrolí- sendo que o rim direito localiza-se uma ticos e ácidos-bases graves ao organismo costela mais cranialmente que o esquer. bólitos nitrogenados. como ureia e crea. aguda tura com bordas no for. A ausência ou diminuição da -renal podemos citar a redução da perfu- função excretora gera retenção de meta. 50% dos pacientes vão a óbito por essa me de ultrassom são 3. 2014). não são facilmente controladas (Santos. base graves ao organismo. já está bem estabelecida. 1986. um quadro súbito e mui- medular (mais interno). Causas de IRA em felinos podem ser As alterações patofisiológicas renais divididas em pré-renais. e hídrico. deixar de citar a de maior incidência em na. hipovolemia aguda tinina.dezembro de 2016 .

5 mL/ so da doença e a mes- de IRA causados por obs.adaptou um esquema semelhante ao linos. a produção urinária uma casuística diferente cionário. Cooper e Lobato de da IRA em cães e gatos. sendo 36% dos casos Gatos olíguricos (< 0.. Nefrologia em medicina felina 91 . prognóstico importante. Gatos olíguricos titutiva e destina-se a facilitar a tomada (< 0.No dados humanos há pou.micos (creatinina < 1. a produção creatinina sérica.para classificar e estratificar a gravida- tro lado. sinais clínicos e exames hora) (Veado.e na necessidade de terapia renal subs- nóstico importante. 14% por causas do que gatos com produção ou ainda evoluir para desconhecidas e somente urinária normal (> 0. 2011). O estadiamento Independente da cau- discutido se baseia na sa da IRA. kg/hora) ou anúricos (< ma pode mudar com a trução urinária. laboratoriais e/ou evidência de ima- Pacientes em fluidoterapia hidratados gem de lesão renal aguda.aproximadamente 50% Em contraste aos dados 4 mL/kg/hora. Santos e Anjos 2014).5 a doença renal crôni- 18% por nefrotoxinas. sendo os agentes fator prognóstico na 5% à glomerulonefri. mL/kg/hora).5 mL/kg/hora) ou anúricos (< de decisão terapêutica. instalada. 32% pela 0. sendo os agentes nefrotóxicos a estadiamento da doença renal crônica principal causa (Lunn. Outro dos casos são originados humanos há pouca ponto extremamen- por isquemia renal.08mL/kg/hora) têm mais condição de melhora descompensação da DRC chances de virem a óbito ou piora do paciente. cuja apresen- devem produzir a urina na taxa de 2 a 7. Em contraste aos ma (Castro. um momento no cur- ma.5 mL/kg/ com histórico. na produção urinária urinária é considerada um fator prog. ano de 2013. ca. 35% documentação quanto te importante é que a por agentes nefrotóxi. 2012). 10% são atribuídos das causas da IRA em mia não parece ser um à nefrite intersticial e felinos. nefrotóxicos a principal IRA. o IRIS ca documentação quanto à frequência (International Renal Insterest Society) e casuística das causas da IRA em fe. causa. à frequência e casuística intensidade da azote- cos. pelo é considerada um fator contrário representa da relatada pelo autor aci. estável. Por ou. Essa clas- (2011) verificaram em sificação não se baseia Independente da causa da em um paciente esta- um estudo com 22 felinos IRA. permanência da mes- 2003). 0.08mL/ kg/hora) têm mais chances O estágio I define gatos não azotê- de virem a óbito do quegatos com pro.6 mg/dL). mas dução urinária normal (> 0. e sim o tempo de te aguda (Costa et al.

hipercalce- 92 Cadernos Técnicos de Veterinária e Zootecnia. clínicos devido ao acúmulo acidose metabólica. hipercalemia. ça de nefropatia crônica preexistente tais como: perfil urinário. como azotemia tratamento de fluidoterapia.las e tecidos.permeabilidade endotelial e acidose. ma.cerativa e necrótica. 2013). percalemia.6 .dezembro de 2016 . no suco gástrico geram estomatite ul- Quanto ao subestadiamento. mesmo insuficiência renal. perfil bioquímico.exames complementares realizados. O paciente com IRA associados a alterações cido sobre a necessida. hemogra- e outras características de anamnese. ou a necessidade de eliminar horas ou dias. outros. O estágio II define gatos com júria renal aguda baseia-se na etiologia.3 mg/dL de creatinina.2.10 mg/ Os mecanismos para tais sinais clíni- dL e >10 mg\dL (IRIS.tação clínica é facilmente responsiva ao do paciente em risco. como de de correção de fato. hipoperfusão e infarto tecidual. Essa condição denomi- tes estão com azotemia moderada a nada uremia ou síndrome urêmica é grave. 5. progressiva e lenta bidades e nas informações obtidas nos (creatinina 1. nº 82 .6 . nina entre 2. Estão en. hemogasometria. ultrassonogra- bioquímicas e/ou anatômicas (IRIS. lesão renal aguda. Altas Podemos considerar o paciente como concentrações de amônia na saliva e oligúrico (O) ou não olígurico (NO). geralmente apresenta sinais hidroeletrolíticas. hi- res que coloquem a vida de compostos nitrogenados. mesmo estando nos va. cos são: lesão endotelial. caracterizado por na sintomatologia clínica. é estabele.ção sistêmica pela ação dos compostos sentam perda progressiva de função e nitrogenados em contato com as célu- dano em parênquima renal. Os pacien. en- quadrados no estadiamento III. que resulta Cada estágio da IRA informado em aumento da permeabilidade capi- anteriormente é subestadiado com lar. fia abdominal. entre 2013). com intensidade crescente e até responsável por vários sinais clínicos. cefalopatia. nas comor- azotemia discreta. os gatos com creati. hiper-hidratação.como gastroenterite. ao longo de anúria. O paciente azotêmico pode Nos estágios III. presen. com a terapia renal substitutiva (TSR). hemólise. IV e V. 2014).1 . Os gatos grave.nefrotoxinas(Santos.5 mg/dL). distúrbios acido- com aumentos séricos progressivos de básicos. de acor. lores de normalidade são considerados O tratamento do paciente com in- estágio I. oligúria ou 0. gastroenterite ul- do com a terapia renal cerativa e hemorrágica. pneumonite.5 mg/dL . IV e V os gatos evoluir para um quadro de intoxica- com IRA bem documentada apre. ativando a cascata de coagulação base na produção urinária e de acordo e predispondo ao tromboembolismo. alterações de respectivamente. substitutiva.

dos achados no exame clínico e 7. o hematócrito e mento é indicada por um decréscimo a pressão do paciente. Embora a Taxa 2010). nese. Os objetivos do por um período mínimo de nutenção e repor perdas tratamento da IRA são três meses.crito anteriormente (Nelson e Couto. O aumento da definitiva e irreversível da estrutura e produção urinária. da DRC é efetuado por meio da anam- 2010). O diagnóstico ca melhora na TFG (Nelson e Couto. caracterizada contínuas.três meses. os sóli- trofia. fósforo e houver resposta ao tratamento des- potássio e por diminuir a probabilida. por si só.mia. As orientações básicas para aten- 2012).da função desse órgão. além de destreza a crise urê. Nefrologia em medicina felina 93 . para tratar esse felino é necessá. caracterizada pela perda ção tubular do filtrado. os distúrbios ácidos- de água e solutos. identificar e tratar toda e acúmulo de compostos nitrogenados. hiperfosfatemia e outros (Castro.dos plasmáticos totais. Ao de dar tempo adicional hidratar o paciente sem- aos néfrons para reparação e/ou hiper. A da gastrite. avaliar e con- eliminar os distúrbios pela perda definitiva e trolar o volume de pro- hemodinâmicos e ali. iniciar a fluidotera- rio tentar retirar o mais pia intravenosa e repor a rápido possível a causa A doença renal crônica desidratação em no má- da IRA e manejar com (DRC) é definida como a ximo seis horas.presença de lesão persistente fornecer fluidos de ma- mica.renal ou pós-renal. um sistente por um período mínimo de resultado da diminuição da reabsor. IRA por meio da diminuição das con. juntamente com na concentração de creatinina sérica e o tratamento para controle do vômito. de filtração glomerular (TFG) e o fluxo sanguíneo renal possam melhorar em Doença renal crônica resposta à diurese.administração de todos os agentes ne- te apresenta sinais clínicos devido ao frotóxicos.pre monitore o peso corporal. eles frequentemente A doença renal crônica (DRC) é encontram-se inalterados e o aumento definida como a presença de lesão per- da produção urinária é. na verdade. um aumento na produção de urina.Considerando diálise peritoneal se não centrações séricas de ureia. não indi. Logo. qualquer causa de injúrias pré-renal. de de hiper-hidratação. Uma resposta positiva ao trata. a fim -bases e eletrolíticos. da produção excessiva de indução de diurese facilita o manejo da ácido gástrico e da hiperfosfatemia. corrigir viar os desequilíbrios função desse órgão. der tais objetivos são: interromper a O paciente com IRA geralmen.irreversível da estrutura e da dução urinária.

Os valores de ureia e creatinina renal. hiperfosfatemia. não apresentam alterações pH urinário. 2008).9 – 5. resultado de biópsia inabilidade de concentração da urina renal anormal. porém outros achados uri. mente eliminada pelos rins.6).Os felinos com damente. o paciente pode avançar os Para facilitar a escolha do trata. 2009). anormal e/ou achados de imagens ul- 2008).2.laboratorial e das alterações morfológi. E podem apresentar diversas por vezes se elevam de tal modo que sintomatologias devido à perda da causam sinais clínicos (uremia). creta azotemia (1. pela IRIS. Às vezes. como: aumento rotina (Silveira. classificados no estágio III da doença tivos. polidpsia. anemia não dade renal. Enquanto que no es- pelos rins. na qual reflete a de causa renal. estágios (Polzin. alterações eletrolíticas. A creatinina é o mar. clínicas. merular. ou por uma progressão es- químicas (Polzin. 2005. tágio II estão os animais com dis- nários comuns são: proteinúria. esse estágio. porém apresentam alguma anormali- bólica. palpação renal lase e lipase (Polzin. Um dos primeiros achados clí. caracte- 2005. centrar urina pelos rins. 2005). recebam a terapia mais benéfica para ciente antes mesmo das alterações bio. 1988). aproxima. é a fase de falência renal. nº 82 . Ocorrem sinais significantes da uremia 94 Cadernos Técnicos de Veterinária e Zootecnia. Caso não a disfunção renal está presente no pa. seletivo e perda de peso.dezembro de 2016 . esses pacientes Os rins tornam-se incapazes de podem apresentar nesse estágio apetite concentrar urina quando.6 . porém capacidade de filtração. geral- drúria. O estágio IV da doença encontram- te doente renal foi criado um sistema -se os animais com azotemia grave de classificação em quatro estágios da (maior que 5).8) e. utilizada como índice de filtração glo- res sanguíneos e urinários que desto. como incapacidade de con- regenerativa e aumento sérico de ami. com exceção de poliúria e tinúria (Mcgrotty. 2005). azotêmicos (valores menores que 1. rística que a torna favorável para ser São avaliados valores de marcado. hematúria renal.0) são apenas quando 75% deles já estão ina. 66% da funcionalidade dos valores séricos que os classificam como néfrons é perdida e a azotemia ocorre azotemia moderada (2. pois tem baixo limiar sérico já cas que podem ser notadas no exame que boa parcela formada é completa- de imagem ou biópsia renal (Polzin. Mcgrotty. glicosúria renal e/ou cis. mento adequado e monitorar o pacien. cilin. DRC. cador. trassonográficas anormais. alterações do mente. hipoalbuminemia. pontânea. além de ser um fácil exame de em da normalidade.proteinúria nicos é a isostenúria. das concentrações séricas de ureia e O estágio I inclui gatos que não são creatinina (azotemia). Sanderson. acidose meta.

osvalores acima de 180 mmHg pro. como hipertensão e (Polzin. como besilato de anlodipino. como ena- prognóstico da doença sanguínea sistêmica. 2015). 2007).4 são pacientes sartan ou irbesartan (Polzin.2009). Nefrologia em medicina felina 95 . de modo que não lesione a 160 mmHg produzem baixo risco.O tratamento é recomen- Há também subclassificação por do quando a RPCU é superior a 0. se da doença renal (IRIS. creatinina urinária e a pressão arterial Indicações de dose são 0. do com os estágios da DRC classifica. pode-se notar o au- dos pelo IRIS (2013). Elliott e Watson. palmente melhorar essas sintomatolo.é o uso dos bloqueadores de canais de duzem alto risco. II. finalmen. e acima de 0.os valores en. Em felinos.2 a 0. III e IV (IRIS. 2007.permitindo sempre um acesso livre e gias. como lo- superior.e o tratamento designado deve princi. ou se houver evidências aos órgãos devido à hipertensão. mesmo 7.25 uma da outra e independente do estágio mg/gato com pesos acima de 5 kg. a pressão intraglomeru- adequada o prognóstico da teína/creatinina urinária lar. A relação proteína / cálcio. interessante à água.4 são considerados no limite de angiotensina II (BRAII). a terapia de escolha te. A relação pro.4 no meio da avaliação de proteinúria e pres.A proteinúricos. fármacos iECA. poderá lores são inferiores a 0. como alterações gastrointestinais.. proteinúria. A pressão arterial é clas.centrais. e. Se necessário cor- neuromusculares ou cardiovasculares rigir alterações.os órgãos-alvos ou cause uma súbita hipo- que estão entre 160 mmHg a 180 mmHg tensão (Polzin. produzem risco moderado. Esses lapril ou benazepril.Há também subclassificação de inibidores de enzima tantes para predizer de por meio da avaliação conversora da angioten- forma mais adequada o de proteinúria e pressão sina (iECA). pois valores são importantes renal crônica (King et tem o intuito de modular para predizer de forma mais al.2. 2007).aqueles entre 150 mmHg al da pressão. No estágio II. terapia indicada é o uso Esses valores são impor.Quando não ocorre doença renal crônica. (RPCU) é considerada a resposta adequada aos normal quando seus va. O ideal é uma correção gradu- co mínimo. 2007). A são sanguínea sistêmica. não houver sucesso terapêutico deve-se A abordagem terapêutica é de acor.importante manter o animal hidratado. ou lesões menores que 150 mmHg produzem ris. 2013). Valores de retinopatia hipertensiva.hipertensão deve ser tratada se exceder sificada de acordo com o risco de dano 180 mmHg.dobrar a dose (Polzin.625 mg/gato sistólica variam de forma independente para felinos de até 5 kg de peso e 1.ser utilizado bloqueadores de receptor tre 0. 2005).estágio I. No estágio I é mento sérico do paratormônio.

2007. 2007). 2006).no intuito mia. A posologia terapêutica é de cos que apareceram no I e II. 1995. te são muito mais graves. por isso recomenda- manter o fósforo em concentrações de -se a suplementação de vitaminas do 4. sentar proteína de alto valor biológico Outro quelante eficiente é o carbo. o uso do tentativa de diminuir os fatores que anti-hipertensivo deve ser conforme o contribuem para a formação de hiper- prescrito para o estágio I. O tratamen. 2006). necessitando de terapia intensiva.5mg/dl. A te- mento para pacientes do estágio III e rapia só deverá ser iniciada após os ní- IV (Polzin. complexo B (Polzin e Osborne.dezembro de 2016 . 20% a 30% dos gatos com DRC de diminuir o processo inflamatório podem apresentar hipocalemia crônica (Elliott e Lefebvre. 2007). mensurando paratormônio. podendo utilizar tágio a indicação de dieta terapêutica é o hidróxido de alumínio administrado baseada numa dieta com baixos níveis junto com o alimento ou logo após a de proteína. rigorosa. doença os sinais da uremia persisten- Polzin. o qual é possível com balance. e desenvolve mais facilmente hipocale. o ideal é hidrossolúveis. opção por uma ração Plotnick. 2008). amento dietético. Outros ingredientes impor- de bicarbonato. substrato para as bactérias que utilizam carbonato (Polzin. porém mais inten. disorexia e te é necessário o uso de quelantes para perda de qualidade de vida.na presença de concentrações séricas so. Ocorre uma em estágios mais avançados geralmen. sendo a monitoração estão presentes. que atuam como necessário a reposição sérica de bi. veis de fósforo sérico forem inferiores a No estágio III todos os sinais clíni. Polzin. Portanto. em teores adequados e que permitam nato de cálcio (90 a 150 mg/kg/dia) menor formação de compostos nitro- (May e Langston.5 a 3 mg/kg/dia. possódica para evitar a hipertensão e dose metabólica devido a inabilidade hipofosfórica. 96 Cadernos Técnicos de Veterinária e Zootecnia. Contudo. nº 82 . para não elevar os níveis de excreção de ácidos e reabsorção de fósforo. 2005). Pacientes genados. seis mg/dl. como a pressão sistólica também requer trata. de fósforos normais. O felino a ureia como fonte de crescimento. deve ser uma nutrição hi- no estágio II podem apresentar aci. desse modo pode ser tantes são as fibras. na dose de 30 a 90 mg/kg/dia. também 1. os ácidos graxos (ômega 3). Para os pacientes III e IV pode ser to da hipertensão é indicado quando necessário a indicação de calcitriol na for superior a 160 mmHg. nesses Ocorre também perda de vitaminas pacientes estágio II da DRC.Com a progressão da hipofosfórica (Elliott e Lefebvre. a composição deve apre- refeição. deficiêncida de vitamina D3 ativa. perda de peso acentuada. 2006. Esse valor de paratireoidismo secundário. (May e Langston. 2006). Nesse es- atingir esse objetivo.

vômitos. diar. extracelular de material apresentando a forma dos. dominante de penetrân- reia e diminuição do cia incompleta.Amiloidose tante com a eritropoietina promovem a A amiloidose é uma afecção causada hemoglobinização. Nefrologia em medicina felina 97 . mente nos estágios III e IV. sendo vista facil. as indicações é de manter o hematócrito desse pa.. 2008.inibidores Abissínio. 2005). amorfo de sistêmica e hereditária. Elliott e protetores de mucosa.antieméticos e 2005. fibrilar (proteína amilóide). como hiper.Elliott e Watson. pois concomi. A interven. a indicação é o uso de eri. 2009). O estágio IV compreende a evolu- ção deve ser feita quando o hematócrito ção final da DRC. devem ser negligencia.terapêuticas são semelhantes às citadas ciente entre 30% e 40% (Polzin. significativamente o es. pois compromete eosinofílico. eosinofílico.ma é comum no caso das raças felinas: macos bloqueadores de H2. 2002). Essa for- apetitedevem ser controlados com fár.mia nas crises urêmicas (Polzin. característica proteico.nitrogenadas é certo (Adin et al. 2005. para comprometedores da qualidade de vida evitar grandes lesões e superdosagens do paciente nefropata. 2009). a dose para felinos pelo depósito extracelular de material é de 50 a 100 mg/dia (Plotnick.rapia apresenta apenas uma melhora terais podem ser notados. além da produção de anticorpos Katayama e Mcanulty. May e Langston. recalcular a dose para medicamentos A anemia é um dos fatores mais que apresentam excreção renal. na micas a indicação de hemodiálise pode dose de 50 a 100 UI/kg de duas a três ser proposta.cas são extremamente mais exacerbadas sam ser atribuídas à anemia.cálcio iônico e fósforo sérico (Polzin. Nessa fase é possível Nelson e Couto. O objetivo e também mais refratárias. pois o retorno das toxinas tensão sistêmica. sões. em estágio III. Após a exclusão apresentar oligúria. 2009).Nas crises urê- tropoietina recombinante humana. A suplementação de ferro é fator importante.A amiloidose é uma afecção teína amilóide). proteico-fibrilar (pro- Os sintomas conco. Alguns efeitos cola. da bomba de prótons. amorfo de característica Polzin. hipercalemia. herança autossômica Náusea.temporária. convul. sar anemia. Oriental e Siamês. 2007. 2006. devido a uma provável tado geral do paciente. anúria e hipercale- de outros fatores que poderiam cau. Pode mitantes à uremia não causada pelo depósito ter origem familiar.(Polzin. as manifestações clíni- for inferior a 20% e manifestações pos. Considerando Watson. mas sabendo que essa te- vezes por semana. O diagnós- 7. 2001. antieritropoetina. 2008).

dezembro de 2016 . 2014). envolvimen- nifestação e do estágio da afecção ou to do SNC é de aproximadamente 40% sinais semelhantes à da a 50% (Crystal. quimioterapia ser favorável. tária em felinos. já que o de.tico é confirmado por A DRP é a principal ficos (renomegalia e alte- meio da biópsia e por doença hereditária em ração morfológica). A neoplasia renal mais comum na sendo prevalente em 38% dos persas. Em mais da metade dos são formados pela obstrução intralumi. caso somente um rim Doença renal policística esteja afetado. e Dobson. A DRP é a principal doença heredi. sendo e exame genético (cons- desfavorável. subsequentemente. persas. prevalente em 38% dos tatação da presença do pósito proteico estabele. principalmente acomete principalmente cistos renais. 2014). comum na espécie felina. apesar que a doença é usual- boratoriais (azotemia).Colletti. A neoplasia renal mais Os sinais clínicos são O diagnóstico é basea. 2003. a depender da ma.casos de linfoma renal os pacientes são nal ou extraluminal dos túbulos renais. Os cistos (Anjos. unilateral ou bilateral. da resposta inicial à mente bilateral (Morris pelos achados radiográ. 2009. O gato com linfo- podem acometer um ou ambos os rins. relacionados à insufi- do pelos sinais clínicos O prognóstico a longo ciência renal. doença renal crônica. 2003. A espécie felina. 98 Cadernos Técnicos de Veterinária e Zootecnia. Os sinais clínicos po. negativos para FeLV. mas é irreversível (Reis et al. há a opção de nefrecto- (drp) mia (Gonzales e Froes. O prognóstico a longo doença causa o crescimento progressi.sentar. Maske. resultados la. Tem caráter autossômi- co dominante. sim com o intuito de 2001. gene). felinos.prazo é reservado. como fígado. sensibili- devido ao prognóstico gatos da raça persa ou dade de 91% do exame) ser predominantemente seus cruzamentos. 2004). 2007). amenizar a progressão da doença renal e sinais da uremia. Ménsua et al. Tem caráter imagem ultrassonográfi- a terapêutica é restrita e autossômico dominante. 2014). nº 82 . A terapia não é cido na medular dos rins específica para DRP.2006. acomete principalmente Linfoma renal gatos da raça persa ou seus cruzamentos.de um gato com linfoma renal vir a apre- dem estar ausentes. apesar da respos- vode cistos espalhados no parênquima ta inicial à quimioterapia ser favorável renal causando renomegalia. ca (presença de diversos limitada. Anjos. Anjos. prazo é reservado. pela análise histopatológica. ma renal pode apresentar renomegalia além de outros órgãos. A Probabilidade pâncreas e útero. uma vez (uremia).

cefa.Nefrotoxicose Pielonefrite os rins são altamente susceptíveis a pielonefrite refere-se a infecção da aos agentes tóxicos. levando à IRA. urinário inferior ou via tóxicos. do que compara. entre outros losporinas. o rim. com a consequente te de bactérias patogê- córtex renal é especial- perda de energia a bomba nicas presentes no trato mente susceptível aos de sódio-potássio falha. pois recebe 90% causando edema e morte hematógena. Em especial. persistente responsiva tre os antimicrobianos ou não à antibioticote- pode-se citar os aminoglicosídeos. pode manifestar-se de tado de agentes tóxicos Os agentes tóxicos forma unilateral ou bila- oriundos do sangue para perturbam as vias teral. Nefrologia em medicina felina 99 . nina. com exten- únicas. especial- racterísticas anatômicas e fisiológicas mente da medula adjacente. O grande fluxo sanguíneo renal são potencial para o córtex. tes de focos distantes. se ainfecção da pelve e afecção quando houver tássio falha. O trifosfato de adenosina por migração ascenden- (ATP). 2010). 2010). com desenvolvimento de hidronefrose 7. dilatação das pelves re- edema e morte celular. Suspeita-se dessa a bomba de sódio-po. com extensão minal ou urografia excre- nefrotóxicos em gatos potencial para o córtex. no exame físi- dos capilares glomerulares. os AINES inibem a ação nefroprotetora Entre os diagnósticos diferenciais de das prostaglandinas e autorreguladora pielonefrite está a obstrução urinária. dor na região renal. cas que geram trifosfato de adenosina A pielonefrite é menos comum na (ATP). devido as suas ca. Os agentes co e nos achados laboratoriais (Galvão. e laboratoriais na pielo- não esteroides (AINES) se de forma unilateral ou nefrite são leucocitose e antimicrobianos.pelve e do parênquima renal. bilateral. A doença resulta no afluxo aumen. ca. especialmente da medula nais ao ultrassom abdo- Os principais agentes adjacente. sulfonamidas e tetraciclinas sinais relacionados a síndrome urêmi- (Nelson e Couto. aguda ou crônica. A etiologia geralmente é bacteriana. tóxicos perturbam as vias metabóli- Odani e Ferreira. com a conse- espécie felina do que ca- quente perda de energia A pielonefrite refere. den. metabólicas que geram A infecção pode ocorrer do a outros órgãos. aguda ou crônica.rapia. do fluxo sanguíneo renal. provenien- do fluxo sanguíneo renal celular. A tora. O e contém a grande área diagnóstico é fundamen- de superfície endotelial tado no histórico clínico. causando do parênquima renal. Os achados clínicos são anti-inflamatórios doença pode manifestar.

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102 Cadernos Técnicos de Veterinária e Zootecnia, nº 82 - dezembro de 2016

8. Doenças do trato
urinário inferior
dos felinos

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Grazielle Amaro Siqueira De Sousa1 – CRMV-MG-12695 1
Mv, Especializaçao em clínica e cirurgica de felinos,
Vítor Maia2 residente da UFMG
Fernanda Dos Santos Alves3 – CRMV-MG-9539 2
Estudante de veterinária da UFMG
3
Mv, Msc, doutoranda em ciência animal (UFMG)
Gabriela De Menezes Paz4 – MG-15308 4
Mv, residente da UFMG
Manuela Bamberg Andrade5 5
Mv, residente da UFMG -MG-15196
Nathalia Das Graças Dorneles Coelho6 6
Mv, Residente da UFMG -MG-15146

Introdução Como fatores de risco, observam-se
idade, sexo, estado reprodutivo, fatores
Dentre as doenças que acometem
dietéticos, ingestão de água, pH urinário
os gatos domésticos, as doenças do trato
e estresse (Reche, 1998; Horta, 2006).
urinário inferior dos felinos (DTUIFs)
compreendem diversas desordens que, Os gatos persas parecem apresentar pre-
como sinal clínico, apresentam: hema- disposição genética (Costa, 2009).
túria, disúria, polaquiúria, periúria e Os animais de dois a seis anos,
presença ou não de obstrução completa machos e castrados, são os mais
ou parcial (Souza, 2003; Kaufmann, frequentemente acometidos; os machos
2009; Giovaninni, 2010). devido à menor elasticidade e diâme-
8. Doenças do trato urinário inferior dos felinos 103

tro uretral, e os castrados devido à re- ção parassimpática, de modo que, logo
dução da atividade física, à tendência que a vesícula alcança certo grau de
à obesidade e às mudanças metabóli- distensão, impulsos são liberados e ini-
cas (Norsworthy,2004; Horta, 2006; bem as atividades simpáticas, promo-
Kaufmann, 2009). vendo a contração do músculo detru-
sor e o relaxamento uretral e do colo e,
Neurofisiologia assim, o esvaziamento vesical (Souza,
Para que ocorra micção, é 2003). A neurofisiologia possibilita
necessário o relaxamento dos es- diferenciar causas obstrutivas e pato-
fíncteres uretrais externo e interno logias que atingem o sistema nervoso
e a contração do músculo detrusor (Souza, 2003; Almeida, 2009).
(Souza, 2003). A inervação simpáti-
ca da vesícula urinária e da uretra é Etiologia
efetuada pelo nervo hipogástrico, já A etiologia das doenças do trato
a inervação parassimpática colinér- urinário inferior dos felinos pode ser
gica é realizada pelo nervo pélvico multifatorial, complexa e muitas ve-
e atua sobre o músculo detrusor es- zes indeterminada (Kaufmann, 2009;
timulando a contração vesical. O Giovaninni, 2010).
nervo pudendo é responsável pela A obstrução do lúmen uretral pode
inervação somática da ocorrer de forma me-
uretra e pela inervação A micção é controlada cânica, anatômica ou
do esfíncter uretral pela inervação funcional, seja por meio
externo (Souza, parassimpática, de debris no sítio de
2003; Almeida, 2009; ...promovendo obstrução, denominada
Giovaninni, 2010). a contração do obstrução intramural,
A continência uri- músculo detrusor e o seja por lesão no sítio
nária é denominada fase relaxamento uretral de obstrução, poden-
simpática e ocorre pelo e do colo e, assim, o do ser mural ou extra-
relaxamento do múscu- esvaziamento vesical mural, seja por oclusão
lo detrusor devido ao (Souza, 2003). funcional (Souza, 2003;
aumento da atividade Almeida, 2009; Martin,
β-adrenérgica, ao con- 2011).
trole do esfíncter uretral interno pela Dentre as principais causas intra-
influência α-adrenérgica e do esfíncter murais, têm-se os urólitos, as neopla-
uretral externo pelo nervo pudendo sias e os tampões uretrais, também no-
(Souza, 2003). meados “plugs” (Souza, 2003; Galvão,
A micção é controlada pela inerva- 2010; Rosa, 2011). As causas murais

104 Cadernos Técnicos de Veterinária e Zootecnia, nº 82 - dezembro de 2016

Urolitíase ligado aos tampões uretrais de estru- A hiperestenúria dos felinos natural. Almeida. Rosa. anatômica (Souza. 2003. uretral em gatos (Lazarotto. to dos cristais de estruvita parecem Urólitos largos com mais de 5mm ocorrer por meio de três mecanismos: de diâmetro podem obstruir a uretra cristais estéreis. 2009). Pinheiro. dos induzidos por infecção. Sua baixa ingestão de líqui. consu- cional ocorre devido à inabilidade de mo excessivo de alimentos. Já para os cristais induzidos por in- 2009. 2010). 2001). 2006. com restrição do teor de mag- 2006. vita. em menor frequência. 2009). induzidos por infec. aumento na densidade urinária. resultar em obesidade. Doenças do trato urinário inferior dos felinos 105 . Hardie. nésio (Horta. com alcalinização da urina e. é sugerido como resultante de mente os predispõe à formação de cálcu. na ausência de obstrução pela urina (Lazarotto. a cis. a neoplasias e junto multifatorial: queda no volume e a lesões na glândula prostática (Souza. à urease microbiana: hidrólise da ureia de-se citar a urolitíase. secun- 2003. 2009. está provavelmente ligada a um con- e. Os urólitos de oxalato de cálcio Os urólitos mais frequentes são ocupam cerca de 40% dos encontra- os de estruvita e de oxalato de cálcio. A formação dos cristais estéreis tenoses uretrais por edema ou fibrose. desses urólitos parece estar associado to de amônio. o terceiro mecanismo. A obstrução fun. mento da urolitíase (Monferdini. ao uso frequente de dietas acidifican- tina e a sílica ou mesmo mistos (Horta. Por sua vez. 2009. sendo uma tornando-os mais susceptíveis a quadros das causas mais comuns de obstrução clínicos de desidratação e desenvolvi. Almeida. de fêmeas (Costa. uma associação dos fatores predispo- los urinários. 2011). os tampões ure.ou extramurais estão relacionadas a es. 2004). 8. 2001. Pinheiro. urólitos superiores a 0. 2010). dem levar à obstrução. fecção. 2006. o fosfato de cálcio. A formação e o desenvolvimen. 2009. nos ma- ção e por tampões uretrais de estruvita chos. po. Lazarotto. dários à baixa ingestão de água. e amônio (Lazarotto. 2001). 2001). dos em felinos. tes. 2009) e. e alta excreção cessiva da musculatura do colo vesical de minerais (alguns calculogênicos) ou da uretra. Galvão. 2009). os agentes infecciosos e a cistite quentemente. Almeida. nentes do cristal de estruvita estéril e dos determina reduzido volume urinário. 2001. Pinheiro.7mm po- (Lazarotto. conse- trais. formação de íons fosfato idiopática (Horta. podendo micção em virtude da resistência ex. a hipótese principal se relaciona pais causas de obstrução em gatos. O risco de formação Outros menos frequentes são os de ura. Galvão. Entre as princi.

Podem cujo sistema imune urinária. São compostos primaria. teração na permeabili- eritrócitos. evidências radiográficas. cas. traumatismo. o diagnóstico de cistite páticas. como anomalias do úraco. neoplasias ou em razão exclusão (Balbinot. estenose ções do trato urinário aumenta com uretral e uretra mal posicionada. 106 Cadernos Técnicos de Veterinária e Zootecnia. 2009). 1998. diminuição da estar envolvidos por encontra-se debilitado excreção renal de gli- material amorfo de devido a doenças ou cosaminoglicano e al- origem diversa como tratamentos. Agentes infecciosos Outros As infecções bacterianas são ra. albumina. 2009. neurogênicas ou secundárias idiopática poderá ser estabelecido por a infecções. ções e a urocultura não revele resulta- ocorrendo esta devido a causas idio- dos positivos. Pinheiro. 2009. 2010). bem ras em gatos. Giovaninni. ure- trostomias perineais ou cistotomias Tampões uretrais constituem a (Pinheiro. da presença de urólitos (Pinheiro. apresentam inflamação uma matriz inorgânica ocorrendo em animais neurogênica da vesícula (os cristais). Almeida. alterações neurogêni- bilitado devido a doenças ou trata. leucócitos.dezembro de 2016 . 2006. 2006. bem como tradas nas raças Persa e Manx (Costa. Essa síndrome é caracterizada por células. globulina.Cistite idiopática mente por uma matriz orgânica (mu- coproteínas. com a existência de cálculos alterações congênitas são mais encon- e devido à urina diluída.As infecções bacterianas Felinos com DTUIF milar à gelatina. A possibilidade de infec. ou bactérias (Horta. Outras causas de DTUIF. com consistência si. 2009).Tampões uretrais por cateterizações urinárias. são cujo sistema imune encontra-se de. Caso não haja 2009. Rosa. 2011). Almeida. ocorrendo em animais menos frequentemente relatadas. mentos. maior causa de obstrução nos gatos machos. polaciúria e disúria. As a idade. nº 82 . e por são raras em gatos. neoplasias e defeitos anatômicos. Pinheiro. em gatos que já tenham passado 2009). a análise de A matriz orgânica se desprende sedimentos apresente-se sem altera- da parede vesical por inflamação. dade epitelial da bexiga células epiteliais e/ (Reche. 2009). entre outros).

nóstico por imagem (radiografia e 2009. nal dentro de 36 a 48 horas. po de duração da obstrução. ao Diagnóstico estupor. Doenças do trato urinário inferior dos felinos 107 . A obstrução total cursa com compressão. de micção falha. ao colapso. à bradicardia e/ou à o exame físico do paciente. à desidratação. periúria. ao vômito. à depressão. o diag- morte súbita (Horta. com alto risco de ruptura a sintomatologia de azotemia pós-re- (Horta. ultrassonografia) e os exames labo- Na obstrução parcial. lon- go período de tempo em posição de Nos felinos obstruídos. sensibilidade à palpação. 2006. sensibilidade abdominal e pênis pessada. Almeida. demonstração de ansie- distendida. apresentando parede es- dade. observa-se ratoriais constituem importantes principalmente polaciúria polaquiúria ferramentas para determinar diag- Turgor cutâneo reduzido em paciente com obstrução uretral recebido no HV-UFMG. que leva à anorexia. Tentativa 2009). à hipotermia. kaufmann. 2009). 2006. Arquivo pessoal 8. 2009). es- exposto ou congesto surgem inicial- vaziamento difícil ou impossível pela mente. lambedura da geni- clínicos evidentes dependem do tem- tália e miados incessantes (Kaufmann. lambedura compulsiva parcial. à fraqueza.Sinais clínicos conjunta a oligúria e hematúria. a bexiga pode estar repleta e da genitália. Kaufmann. os sinais micção. à acidose com A avaliação do histórico clínico e hiperventilação. andar de um lado No animal com obstrução total ou para o outro.

para investigação sua dissolução e prevenção (Alves. 2010. A refrigeração de urinária inferior a 1. anos. co para a formação de urólitos. 2010). proteína sérica aumentada. 2009. sendo acidose metabólica. ureia e importante em animais que tenham outros catabólicos de proteína em níveis ou tiveram urolitíase. As alterações mais frequentes são: 2009. representa um potencial fator de ris. A cristalú. hipermagnesemia. hipercalcemia. 2010). 2009). nº 82 . piúria. hipercolesteremia. Galvão. A é fundamental do paciente (Horta. A urina deve ser felino tenha mais de 10 coletada preferencial. 2009. contudo a sua sal auxiliam no diagnóstico diferencial. terização e/ou apresente uma densida- tos seguintes à coleta.dezembro de 2016 . Kaufmann. a fim de sele. hiperfosfatemia. a cultura de urina confirma a bras lombossacrais e/ou coccígeas.nóstico. se presente. séricos aumentados (Almeida. assim. Cultura de urina Tilley. e na vesícula urinária. sistentes (Pinheiro. a falsos positivos em aproxi. assim como nos aumento da quantidade de células rins. e a amostra uma uretrostomia perineal ou uma cate- deve ser analisada nos 15 a 30 minu. composição. de urolitíase e por permitir a avaliação 2006). Hematologia e bioquímica sérica madamente 28% dos gatos (Pinheiro. Lima. urocultura com antibio- para conhecer sua 2006. As posições lateral e ventrodor- epiteliais e proteinúria. hematúria. verificando a pre- sença de trauma espinal (Souza. creatinina. 2009). 2009). A análise do urólito é fundamental para conhe- Exame de imagem cer sua composição. A radio- Os resultados da urinálise compa. truções urinárias ou cristalúria per. 2011). poderá levar à formação de cristais e. história de obs. da coluna vertebral. Desse pois podem revelar alterações em vérte- modo. que 108 Cadernos Técnicos de Veterinária e Zootecnia. por si só. ausência não exclui infecção. selecionar protocolos todos os gatos cujos si- terapêuticos para sua nais de DTUIF sejam re- Análise de urina correntes e sempre que o dissolução e prevenção. grafia simples pode identificar a exis- tíveis com a infecção do trato urinário tência de cálculos radiopacos na uretra incluem bacteriúria. O exame radiográfico é recomenda- cionar protocolos terapêuticos para do em todos os casos. tenha passado por mente por cistocentese. 2003.030 (Pinheiro. evolução da presença e espécie de A análise do urólito afecção e prognóstico bactéria. não é patogênica. mas mia. a fim de grama está indicada em Martin. 2003. hipercale- ria. Galvão. Galvão.

de um catéter uretral. urinária ter sido esvaziada pela primeira Em casos de cristalúria por estruvi- vez (Souza. ta. animais com estran- ou vesical. Um baixo nível de magnésio também Galvão. A radiografia contrastada é efetiva na identificação de 1. divertículo gúria. disúria e hematúria tornam-se as- uracal. Doenças do trato urinário inferior dos felinos 109 . to urinário (Tilley. neoplasias e processos inflama- sintomáticos dentro de cinco a sete dias. 2009). após a vesícula Kaufmann. 2009.causam distúrbios de micção (Souza. Tratamento 2003. Radiografia com foco na uretra peniana e na região sacrococcígea. altamente energética e com con- vel à detecção de pequenos urólitos ou teúdo proteico em torno de 40%. 2010). 2003. com de pequenas massas presentes no tra- o intuito de diminuir o pH urinário. estenose uretral. 2003. Arquivo pessoal 8. Costa. Kaufmann. 2003. Kaufmann. Sem obstrução uretral cálculos radioluscentes. Agentes de contraste negativo ou independentemente de o tratamento positivo podem ser introduzidos através ser instituído ou não (Souza. 2009). 2009). pode-se instituir uma dieta calculo- A ultrassonografia pode ser sensí- lítica. tórios. ruptura uretral Normalmente.

utilizados. Com obstrução uretral nada para cultura. Porém não é indicada o tratamento vai depender do grau em casos de obstrução uretral prolon- e da duração dessa obstrução. 2009. Costa. mante (Tilley. tendo efeito cal. nº 82 . meio da cistocentese. 2010). a diurese. óssea e formação de urólitos de cálcio. química. 2009). 2009). pode facilitar a re- los uracais são raros como fator primá.dezembro de 2016 . 2009). porém com cuidado devido ao povolemia e a hipercalemia. Kaufmann.é indicado. antibióticos. peniana. interior da vesícula urinária e diminuir a 2009). 2009). antibiograma (Costa. 2003. que pode levar à hipovolemia e tratamento de suporte antes de iniciar a ao choque. coletar sangue para análise laboratorial. hipercalemia Acidificantes urinários podem ser in. que. gada. pode tecidual da vesícula urinária. 2009). Martin. O ideal é risco de acidose metabólica. ou quando houver desvitalização trução total. Os divertícu. tropulsão de tampões ou urólitos para o rio da DTUIF em felinos (Kaufmann. ser coletada a urinálise e a cultura com nésio (Kaufmann. 2011). tran. pode ser realizada a contenção cos. A amitriptilina não possui nenhuma intervenção medicamentosa é eficácia comprovada. consequente. desmineralização como hemograma. com 110 Cadernos Técnicos de Veterinária e Zootecnia. Todavia. Após a deso- de estruvita. não se recomenda a bstrução. por sondagem não é possível. quando suaves no pênis do gato. hiperfosfatemia. porção distal da uretra peniana. 2003. As principais complicações decor- mente. necessária (Galvão. podem moção de urólitos de oxalato de cálcio e ser removidos por meio de massagens de urato de amônio é a cirurgia. Kaufmann. pressão intrauretral. anticolinérgicos. disfunção renal. Uma descom- a retirada por retro-hidropropulsão e pressão da vesícula urinária repleta. Gatos com compro. azotemia com acidose me- dieta (Kaufmann. então. antes de iniciar A urina é ácida na maior parte dos casos a fluidoterapia (Souza. lar a ingestão hídrica e. O cloreto de sódio pode ser levar ao óbito em 72 horas (Kaufmann. em alguns casos. perfil bioquímico. Deve-se corrigir a hi- cluídos. e hipocalcemia. quando não aliviada. gasometria e eletrólitos. além de proporcio- nar uma amostra de urina não contami- 2. deve dieta acidificante com restrição de mag. mia. associada ao emprego de mior- quilizantes e anti-inflamatórios têm sido relaxantes. No tratamento da cistite idiopática Para correta exposição e inspeção em gatos. tabólica. de DTUIF e sem a presença de cristais 2009. A obs. rentes da obstrução uretral são desidra- metimento sistêmico devem receber tação. adicionado com o objetivo de estimu. antes de lavar a bexiga. na A única alternativa prática para a re. agentes como antiespasmódi. hipocale. Tampões uretrais ou urólitos.

de ruptura da uretra.7mm ção uretral em gatos. terial obstrutor. 2003. Doenças do trato urinário inferior dos felinos 111 . (Souza. urólito. Após a A introdução da sonda no lúmen ure. é necessário rea- tral deve ser feita até alcançar a oclusão lizar o processo de lavagem vesical. pode resultar que promove uma pressão sobre o ma- em sua ruptura (Souza. 2003. desobstrução uretral. urinário. solução salina estéril são impelidas sob Após o restabelecimento do fluxo pressão. forçando sua remoção 2010). da uretra após essa técnica. As sondas uretrais pois o local mais comum de obstrução flexíveis ou catéteres uretrais de polipro. A mecânica (tampão. 2010). 2003. senta um diâmetro interno de 0. Galvão. alguns gatos obstruem 24 a 48 mento do líquido ao redor da sonda. uretral é na uretra peniana. devido à possibilidade necessidade de cateterizar toda a uretra. Arquivo pessoal a introdução da agulha. o horas após o alívio da obstrução primá- 8. não havendo terior do lúmen.Cateterização da uretra com catéter 20G e realização de retro-hidropropulsão com solução fisiológica em seringa de 10mL. Quantidades de (Souza. coágulos). Galvão. deixando que ocorra o escoa. maioria dos tampões uretrais é expelida O catéter não deve ser forçado para o in. 2010). que apre- pileno são as preferidas para desobstru. Galvão.

Galvão. a desidra. então.dezembro de 2016 . cor. Recomenda-se. após a desobstrução Os objetivos terapêuticos adicio. em conjunto. 2009. 2010). 2010). sérica do potássio. -obstrutiva. O paciente. a retirada da sonda. auxi- da obstrução e verificar se o músculo liam na correção da acidose metabólica detrusor da bexiga já retornou a sua to. (Galvão. Arquivo pessoal 112 Cadernos Técnicos de Veterinária e Zootecnia. É aconselhada a aferição tação e a uremia com uma terapia apro. o devido à fluidoterapia e à diurese pós- desequilíbrio de ácido/base. como também 2003. nizar medidas que. antes mesmo da anestesia de dificuldade para desobstrução. a fixação de pós-obstrutiva. 2010). como a fluidoterapia. nº 82 . recomenda-se que Posteriormente. gatos com bradicardia. pode apresentar hipocalemia nais são os de corrigir a hipercalemia. principalmente em priada de líquidos e eletrólitos (Souza. Recomenda-se o uso sonda uretral e sua permanência por 24 inicialmente de soluções livres de a 48 horas em gatos com elevado grau potássio. uretral.ria. Após ou da tentativa de desobstrução. 2003. o acompanhamento eletrocardiográfico Deve-se corrigir a uremia e preco. no míni. balanceadas. devido rijam a desidratação e o desequilíbrio à hipercalemia severa (8-10mEq/L). Observar coloração avermelhada da urina. Galvão. apesar de conterem pe- mo. Quando presente a arritmia. 24 horas para avaliar a recorrência quenas concentrações de potássio. Galvão. quando a sonda uretral não é fixa. 2010). nicidade (Souza. (Lima. recomenda-se o uso de moderadores Micção por massagem vesical em paciente desobstruído. soluções eletrolíticas o animal fique internado por. que auxilia na compensação da diurese da. hidroeletrolítico.

A hipercalemia branda ambos. musculatura esquelética. dias (Galvão. geralmente são con. 2010). muscula. como o betanecol. simpaticomiméticos. deve ser conside- A bexiga e a uretra pré-prostática rada a possibilidade de obstrução fun- apresentam. devido ao seu sícula cerca de 20-30 minutos após a efeito catabólico. O dantroleno também traindicados em gatos com obstrução é uma opção. aumento de tônus simpático e à redução 8. que musculatura lisa e estriada. os segmentos prostáticos e pós. Galvão. manter o Gatos com atonia de origem mio- animal sondado durante dois ou três gênica podem ser tratados com paras- dias ajuda no restabelecimento da to. Galvão. O diazepam é o mais para rações terapêuticas só devem ser utilizado para esse propósito e. 2010). 2009. 2010). sua ação. ge. apesar realizadas após o retorno da apetência de não estar totalmente comprovada e da estabilidade metabólica e hidroele. de contratilidade. administração. age facilitando a eliminação trolítica (Galvão. como o gluconato de cálcio. efeito nas junções neuromusculares. O tônus uretral é gerado por sio. os relaxantes Uma dieta altamente palatável e ca. durante dois a três Em felinos que não estão urinando. Nesse indicadas a prazozina e a dantrolene. Para uso prolongado. e a região peniana com insulina) e. como a glicose. resolve-se com a fluidoterapia prazozina e fenoxibenzamina. nicidade muscular vesical. a caso.0mEq/L.de potássio sérico. Mudanças mais efetivos. culatura lisa incluem acepromazina. do esfincter externo. principalmente. ralmente. quantidade de urina devido à ausência 2009). 2003. assim como apesar dos riscos envolvidos (Costa. sendo. Portanto. 2010). os no dos episódios de vômito. quatro a seis horas. a compressão manual da bexiga a cada 2009). com desmane lento (Costa. de urina e a compressão manual da ve- Os glicocorticoides. Os antiespasmódicos de mus- ou moderada inferior a 8. como a maior parte dos relaxantes es- Uma complicação pós-obstrutiva é queléticos. vão promover redução da resistência lórica deve ser oferecida após o térmi. ao tura lisa. apesar de não possuir uretral e uremia (Souza. Doenças do trato urinário inferior dos felinos 113 . após a desobstrução. Para a inicial (Costa. como último recurso. assim. o uso predomínio de musculatura circular e de antagonistas funcionais de potás. são a hipotonia da vesícula urinária. portanto devolve a excitabilidade da membrana os relaxantes devem ser utilizados para atrioventricular. ou -prostáticos apresentam musculatura o uso da solução polarizante (glicose/ lisa e estriada. os gatos apresentam ausência de fim de promover relaxamento de toda fluxo urinário ou eliminação de pouca a uretra. estriada. cional devido à irritação na uretra.

com sal. densidade urinária inferior a 1. o pH objetivo de estimular a ingestão hídrica e a concentração dos solutos na urina. cura. 2009. inibidores urinários dos constituintes cessário recorrer ao tratamento cirúr. (Pinheiro. cálcio inclui o controle dos constituin- macológico e dietético não são possíveis tes minerais dos urólitos. ou para tratar (Pinheiro. (Pinheiro. o meloxican. tendo como objetivos alcan- A uretrostomia perineal está indica. 2009). o tratamento é direcio. tritas em magnésio e suplementadas 2009). Silva. 2009. tornando-se de dade dos sinais e o espaçamento entre fundamental importância a identifica. a dieta pode contribuir para a etiologia. Para os cálculos de estruvita. 2010).3 e uma da para prevenir a recorrência de obs. o tratamento da urolitía. res- amostras de massas na bexiga (Pinheiro. bem como identificar e coletar comerciais que são acidificantes. O ambiente físico deve ser agradá- o tratamento e a prevenção de recor. está na dependên. 2009). Os principais fármacos ção dos fatores que acarretaram sua for. 2009). como a prazosina. sua etiologia não esta bem definida Em suma. far. Almeida. oferta hídrica (Pinheiro. se uso de feromônios no ambiente. anti-espasmódicos mação.030 trução em gatos machos. A cistite idiopática felina não tem 2009). 2013). 2009). vel. 2009). e seu diagnóstico ocorre por exclusão. nalidade de remover cálculos que es. 114 Cadernos Técnicos de Veterinária e Zootecnia. analgésicos como nado tanto no sentido de destruição do o butorfanol. gico. os glicosaminoglicanos sendo primordal a formação de uma uri.dezembro de 2016 . ma- Uma vez que os constituintes dos nejo do estresse e alimentação com o alimentos influenciam o volume. Este inclui essencialmente duas Existem atualmente dietas no mercado técnicas: a cistotomia e a uretrostomia que tratam e previnem simultaneamen- perineal (Pinheiro. anti-inflamatórios como urólito quanto na prevenção da recidiva. tratamento é feito para diminuir a gravi- cia do tipo de urólito. çar um pH urinário inferior a 6. quando presente. dos urólitos e o controle do pH urinário. (125mg/gato PO q24h).do tônus do musculo detrusor (Costa. as recorrências. torna-se ne. ção de cálculos de estruvita e oxalato de Quando os tratamentos clínico. Recomenda- na diluída (Galvão. A dieta como tratamento e preven- 2009). o aumento dos ou não são bem-sucedidos. com enriquecimento ambiental. te os urólitos de estruvita e o oxalato A cistotomia é realizada com a fi. tejam alojados na uretra ou na vesícula são utilizadas dietas calculolíticas urinária. Assim. são a amitriptilina. O se. obstruções não resolvidas (Pinheiro. as- rências de algumas causas da DTUIF pectos sanitários preservados e com boa (Pinheiro. nº 82 .

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tringe apenas à espécie Importante salientar que a 40% dos gatos podem humana.com Dimitri Bassalo de Assis1 Stephanie Karoline Pereira Passos . com sobrepeso caso seu tricional mais comum peso exceda em 10% o 9. sobrepeso ou obesos[5].9.CRMV MG 14. gatos [13].123 Marina França de Oliveira Pelegrino .472 Adriane Pimenta da Costa Val Bicalho .CRMV MG 14. Obesidade felina: estudo clínico e laboratorial 117 .CRMV MG 4331 1 Acadêmico em Medicina Veterinária 1. sen- do que 30% a 40% des- A obesidade é tida problema nutricional tes últimos podem ser atualmente como uma mais comum em cães e considerados com so- afecção que não se res. sendo que aproximadamente 30% brepeso ou obesos [2]. Introdução A obesidade é o em cães e gatos [1]. Sabe-se que um gato é considerado ser considerados com esse é o problema nu. Obesidade felina: estudo clínico e laboratorial bigstockphoto.

As princi- adipocinas quebrou dente seja de 20% [3].diminua. a leptina atua 118 Cadernos Técnicos de Veterinária e Zootecnia. um dos maiores órgãos A descoberta das rado obeso caso o exce.de gordura elevado é justamente a re- mente como um reservatório inerte. Atualmente. Nos re ampliação do percentual de gordura últimos anos notou-se que tecidos adi. o consumo de alimentos ção de citocinas locais com efeitos mar. A descoberta das adi. neurônios e tecido são adipócitos. atualmente. tem-se que o posos hipertróficos possuíam números principal papel da leptina seja o de sina- aumentados de macrófagos com uma lizar a saciedade a um grupo de neurô- infiltração copiosa dos mesmos em indi.corporal. atualmente. dado que ção de leptina.dezembro de 2016 . As principais um reservatório inerte. o tecido adiposo possui ou. células que compõe esse sendo considerado. configurava-se bas exercem profundos tamente vascularizado e simplesmente como efeitos em uma gama de inervado. endócrinos. pais adipocinas são a adi- o paradigma de que O tecido adiposo ponectina e leptina. nº 82 .indivíduos obesos não diminuem o ape- pocinas quebrou o paradigma de que o tite e permanecem com seu percentual tecido adiposo configurava-se simples. tendo últimos anos vem adquirindo impor.duos obesos. adipócitos. fibroblastos e macrófa.logia da obesidade. Atualmente sabe-se que do ao controle do apetite [4]. como cer efeitos hipotalâmicos. em ratos obesos que os mesmos ficam Adipocinas são substâncias produzidas em um estado de oposição a esse hor- pelo tecido adiposo e são caracterizadas mônio. como ocorre em indiví- essas células têm uma profusa produ.peso ótimo e conside. Esse hormônio de defesa imunológica celular. las endoteliais. como pré-adipócitos. portanto os macrófagos tem importante papel na espera-se que ao intensificar a produ- fisiopatologia da obesidade. entretanto foi demonstrado cantes na produção de adipocinas [4]. mas nos é produzido pelos adipócitos.5] Além de exer- sendo considerado. Além dos cial a compreensão das adipócitos.mesmas no entendimento da fisiopato- tras células. Uma das hipóteses sobre como como hormônios. sistência à leptina. [4.nios do centro hipotalâmico relaciona- víduos obesos. Sabe-se que cuja principal função dos maiores órgãos a obesidade felina altera fisiológica constitui-se endócrinos. células como miócitos. célu. O último é conhecido pelo papel to que significa magro.sua produção aumentada quando ocor- tância no estudo da obesidade. am- o tecido adiposo branco é um tecido al. A palavra leptina vem do grego lep- gos. como um hepatócitos. a concentração das adi- no armazenamento de pocinas o que faz essen- triglicerídeos.

a ausência de resposta inflamatória tico foi demonstrado que a adiponecti. apesar de ocorrer Esse hormônio exerce importantes efei. corporal e no caso de pa- em decorrência da obe. A fim de buscar aumento de chance de neoplasias.dislipidemia em gatos obesos – à seme- tos anti-inflamatórios e antiaterogênicos lhança do que ocorre em humanos [13] [5]. têm de duas a quatro pacientes felinos. pos- tes mellitus em relação a vezes mais chances de sibilitando diagnosticar animais magros [7.tes para a obesidade incluem: predis- tante mecanismo para aumentar a sensi.12]. sidade. 9.impede a ocorrência de problemas car- na possui a capacidade de aumentar a diovasculares [14]. Materiais e métodos: vida [9. corroboran- menor produção desse hormônio [4]. a perda de peso é um impor. Em relação ao metabolismo energé. como inteleucina-6 e 1 e fa- sobrepeso ou obesos apresentam uma tor de necrose tumoral alfa.8]. castração.11.– .também como um pró-inflamatório e do que ocorre com os humanos. como dermatoses. Sabe-se que gatos obesos lóricos [15]. Os principais fatores predisponen- portanto.recentes mostram que esses animais não lação negativa com o percentual de têm alta de marcadores inflamatórios gordura corporal.tamar mais satisfatório é que se fez um tos com ratos e cães mostram que ani.estudo detalhado a respeito. o têm de duas a quatro clínico necessita de mé- vezes mais chances de Sabe-se que gatos obesos todos para avaliar seus desenvolverem diabe. microbiota As consequências da obesidade são intestinal e dietas e petiscos muito ca- preocupantes. a obe- estimula o aumento do metabolismo sidade não é tida como um estado infla- basal [6]. neoplasias. Estudos A adiponectina tem é uma corre. diferentemente dida pelo CEUA sob número 242/2014. matório crônico de baixo grau. diminuto bilidade à insulina[5]. mais com maior percentual de gordura corporal possuem menor expectativa de 2. portanto gatos com circulantes.10. até mesmo uma moderada alteração do de forma a compreendê-la em um pa- peso é tida como deletério – experimen. do a hipótese de que. desenvolverem diabetes precocemente a elevação Outros problemas tam- mellitus em relação a do percentual de gordura bém acometem gatos animais magros.posição genética. Diante do cenário atual. Obesidade felina: estudo clínico e laboratorial 119 . cientes já com sobrepeso. urolitíase além do paciente encontra-se. sensibilidade tecidual à ação da insulina. E melhores respostas sobre a obesidade. nível de atividade física. estimar o quão acima da normalidade o lipidose hepática. O trabalho apresenta licença conce- No caso dos gatos.

2) [17]. Clara distensão abdominal. O então a porcentagem de gordura corpo. O primeiro método usa no próprio ambiente de moradia dos as medidas morfométricas da circunfe. Brasil). Juiz de Fora. espinha da escápu- de 250 animais resgatados de vida er- la. 2.7. foi centrifugada por cin- ósseas do osso coxal visíveis. escolhi- abdominal. biológico para o posterior encami- core os animais se enquadravam: nhamento ao Laboratório de Análises • Escore 1: Costelas.2 Aferição da gordura dura torácicos e abdominais com dis- corporal: tensão abdominal proeminente. 2. apófises vertebrais e proeminências Veterinária da UFMG.4 Exames realizados de cobertura de gordura sobre gradil costal. me clínico completo. abdominal mínima. vadas em uma caixa térmica com gelo ram utilizados para definir em qual es.dezembro de 2016 . dos aleatoriamente de um contingente • Escore 4: Costelas. As amostras foram conser- (Fig. residentes em um abrigo em Belo ósseas do osso coxal não facilmente Horizonte. e a distância do calcâneo até a patela. modelo 80-2B-5ML. Já a avaliação do escore visual varia. apófises vertebrais e proeminências rante. nº 82 . Gordura co minutos a 4000 rpm (Centribio®.4. gatos. 1. Os seguintes critérios fo. • Escore 5: Grandes depósitos de gor- 2. • Escore 3: Costelas. A coleta de sangue foi realiza- rência torácica na altura da nona costela da prioritariamente da veia jugular e. para soro (com gel separador Hemogard va de um (muito magro) a cinco (obeso) cap. no qual foi separado o soro para reali- 120 Cadernos Técnicos de Veterinária e Zootecnia.2. espinha da escápu. 22GX1). ósseas do osso coxal facilmente visí- veis. A amostra. apófises vertebrais e proeminências gel separador. Brasil) de 5 fórmula descrita na Fig.5ml). Perda de massa magra e ausência 2.1 Gatos: la. 3. apófises vertebrais e proeminências ósseas do osso coxal não visíveis. da veia cefálica com medidas obtidas eram então aplicadas à seringa (BD. São Paulo. Pouca gordura tuída por 100 gatos (Feliscatus).1 Perfil bioquímico • Escore 2: Costelas. mas A população em estudo foi consti- facilmente palpáveis. colocada em tubo com la. obtendo-se ml e agulha BD (25 x 0. sangue obtido foi fracionado em tubo ral. As ocasionalmente. espinha da escápu. Cada animal passou por exa- palpáveis. espinha da escápu. A composição de gordura foi esti.3 Coleta e conservação do mada por dois métodos: o Índice de material biológico Massa Corporal Felina (FBMI)™ [16] e Todas as amostras foram coletadas o escore visual. Clínicas Patologia Clínica da Escola de la.

É importante ressaltar Cobas® (São José do Rio Preto.5 Análise estatística Pearson e um r = 1 significa uma cor- Foram utilizados métodos de esta.05. AST . do peso ideal. 15 a 30% abaixo gordura corporal.Alanina aminotransferase. Figura 2. que r é o coeficiente de correlação de 2. 15 a 30% acima do peso ideal. apresentação das variáveis estudadas Aspartatoaminotransferase.Fosfatase alcalina) e proteinograma utilizado o método de correlação. Obesidade felina: estudo clínico e laboratorial 121 . 10 a 15% abaixo 10 a 15% acima do peso ideal.albumi- Para as associações entre variáveis o nas e globulinas). variáveis.9156 Figura 1.7062 de gordura Distância patela calcâneo corporal 0. e dispostas em tabelas. relação perfeita positiva entre duas tística descritiva e como medidas esta. do peso ideal. Circunferência toráxica Percentual Distância patela calcâneo 0. gordura corporal. 26 a 35% de gordura corporal.zação dos exames: perfil renal (ureia tísticas usaram-se frequências abso- e creatinina). Brasil). 5 a 15% de gordura corporal. (proteínas totais e frações . Escore visual felino [17] 9. Para a reali- Gama glutamiltranspeptidase e FoAl zação das associações estatísticas foi . perfil hepático (ALT lutas e percentuais (relativas) para a . para um intervalo de confiança ram realizados no aparelho automático (IC) de 95%. Todos esses exames nível de significância assumido foi p< que compõem o perfil bioquímico fo- 0. Fórmula para mensuração do percentual de gordura felino [3]. GGT . Condição Condição Condição Condição Condição corporal 1 corporal 2 corporal 3 corporal 4 corporal 5 MUITO MAGRO ABAIXO DO PESO IDEAL ACIMA DO OBESO Menos de 5% de PESO IDEAL 16 a 25% de PESO IDEAL Mais de 35% de gordura corporal.

32 mensuração da distância da patela ao Uréeia (mg/dL) 44.82 ± 1.38 Colesterol (mg/dL) 128.19 Escore 3. grande valia para o uso 4.86 DPC (cm) 14. creatinina.25 Triglicérides (mg/dL) 42. o escore visual ainda é um método de Tabela 1.46 dura corporal.0001).dizer que apesar de simples e rápido cionado com o escore visual (r =0.59 FOAL (U/L) 36. Parâmetros laboratoriais grande valia para o uso clínico rotineiro. proteína positiva do escore visual do escore corporal e sérica total.54 ±28.0001).45 Tabela 2. A elevada correlação de que o aumento lina. positiva do escore visual p<0.68 ± 23.08±1. core visual também obteve alta corres- A análise estatística não revelou pondência com a FoAl sérica (r=0.3.53± 4. A elevada correlação nona costela (r=0. apresentou alta correla.50 como o cálculo do percentual de gor- Proteína (g/dL) 9.58 122 Cadernos Técnicos de Veterinária e Zootecnia.dezembro de 2016 .11 ± 0.com a circunferência torácica e percen- cica o percentual de gordura estimado tual de gordura corporal nos permite pelo FBMI™ também foi altamente rela. de gordura corporal corporal pode vir a rol e o percentual de nos permite dizer que levar patologias ou gordura corporal. albumina. ALT. torácica e percentual percentual de gordura triglicérides e coleste.8797.49 ± 10. p<0.FBMI™ é a circunferência torácica.65 ± 30. Albumina (g/dL) 3.77±20.8097.14 surações morfométricas quantitativas.21 ALT (U/L) 56. sugestivo entre valores de globu.43 Gordura Corporal (%) 18. dado duas tabelas. Parâmetros morfométricos AST (U/L) 43.11±0.64±0.00 ParâmetrosMédia – DP GGT (U/L) 7.17±1.41 ± 26. Além da circunferência torá. O es- bela 2 pelos parâmetros morfométricos. enquanto a ta. AST. Discussão cia torácica na altura da clínico rotineiro. Apenas utilizando tal método é possível ParâmetrosMédia-DP fazer interpretações próximas à men- Globulina (g/dL) 6.05)].76± 4. nº 82 . o escore visual rápido o escore visual que aumentem a FoAl. a tabela 1 é composta pelos que um dos componentes da equação parâmetros laboratoriais. com a circunferência consequentemente do ureia. No apesar de simples e condições fisiológicas entanto. Resultados p<0.Esse é dependente da Creatinina (mg/dL) 1.39 Caixa Torácica (cm) 35. ainda é um método de ção com a circunferên. GGT.5224 correlação significativa . a alta correlação corrobora Os resultados foram compilados em para a interdependência prévia.62±13.

sente estudo. Por sua vez. sendo a lipidosehepatica. na ampliação substan- com estudos recentes cial da atividade da FoAl em humanos.21]. veterinários. sujei- que ratifica a validade tornar-se mais frequente tos a situações de estres- da implementação do nos consultórios se fisiológico e patológi- escore visual no uso cli. da atividade enzimática da FoAl em in. Uma das hipóte. como FoAl em gatos obesos devido a produ- o método de absorciome-triabifotónica ção enzimática por adipócitos.30]. Apesar de ocorrer altera- massa corporal e a enzima FoAl sérica ção da atividade enzimática da FoAl na [24]. Salienta-se mitante redução de depósitos de gordu- também que o escore visual demons.de referência.ra corporal em humanos [26. o uma afecção que tende a gordura corporal.ças intensas nos parâmetros laborato- glicerídeos em pré-adipócitos durante a riais não foram detectadas pelo fato de adipogênese.entende-se que não foi o caso no pre- divíduos obesos [25]. no qual indivíduos obe. Acredita-se que mudan- tante na regulação da deposição de tri. com um estudo que descobriu a expressão a quantidade máxima de 114. pato- do escore visual com o diabetes mellitus a mais logia essa que acarreta da FoAl está de acordo notória. Tem-se que essa isozima é impor. Além trou alta correlação em estudos prévios do aumento fisiológico da atividade da com métodos mais sofisticados. a alta da de raio-x.20.09 U/L de uma isozima da FoAl em adipócitos ligeiramente superior ao teto máximo [26]. juntamente co. com estudos demonstran. Esse crescimento ocorre sem obesos [22.que não havia no estudo gatos com um do que inibidores da atividade da FoAl percentual de gordura muito elevado 9. podendo chegar a 15 também demonstraram uma alteração vezes mais o valor de referência [31]. considerado atualmente o pa.23]. com comorbidades que ao desenvolvimento de a correlação do aumento a acompanham.atividade enzimática pode decorrer do drão ouro para estimar fato de que animais com o percentual de gordura A obesidade felina é –grande percentual de corporal [17. Obesidade felina: estudo clínico e laboratorial 123 . observando-se uma elevação concomitante da atividade de reciprocidade positiva entre índice de GGT [29.em decorrência do dano às membranas sos possuem níveis séricos de FoAl mais canaliculares e celulares dos hepatoci- elevados em relação a indivíduos não tos [28]. Estudos com modelos animais lipidosehepatica.calcâneo e da circunferência torácica impedem a adipogênese com a conco- na altura da nona costela. são mais propensos nico diário. dado que apenas seis valo- ses para a alta da FoAl nos indivíduos res ficaram acima do número de referên- obesos foi recentemente aventada por cia superior para FoAl (93 U/L).27].

demiology. te superficial nos indica com relativa Toxicological Sciences 58.. da. 
Lord GM. mum e difundido na prática clínica de pequenos animais. Hubert. Armstrong PJ. Sci. Vet. portanto. survival. Thomas CB.7:1–2. F. . Leptin and adi- apresenta uma grande precisão ao apre. devi- de 28.dezembro de 2016 . como o método de absor. and clinical management. and cause of death in control Sprague-Dawley Rats. Journal of the American uma alta correlação com o escore visual. and reverses starvation-induced immunosuppres- sion. Donoghue S. em termos práticos. clinical pathology parameters. and Feline Obesity and Factors nos consultórios veterinários. Kealy. com satisfatória acurácia. ciometriabifotónica de raio-x. Associations between uma rápida curva de aprendizado por body condition and disease in 
cats. epi- notória.
 mente com comorbidades que a acom- 2. Scarlett JM. M. K. exatidão se o percentual de gordura en. as possíveis alterações no escore corpo- ral. A FoAl mostrou Effects of diet restriction on life span and age- related changes in dogs... CurrDiab Rep (2007). 5.3390/vetsci1020121. J. Canine. ral muito semelhante aos exames mais Leptin modulates the T-cell immune response sofisticados. et al. John P Loftus Joseph J Wakshlag. Ballam. Canine and panham. Comparative Aspects of que tende a tornar-se mais frequente Human. ght. 121-135. sendo a diabetes mellitus a mais feline obesity: a review of pathophysiology. Veterinary Medical Association 220. Mantzoros CS. et al. Howard JK. 1315-1320 podendo ser utilizada no futuro como (2002). (1998). 124 Cadernos Técnicos de Veterinária e Zootecnia. uso rotineiro da clínica. derate and severe dietary restriction on body wei- apesar de ser um método aparentemen. 3: 88-96. & Keenan. P. Lund EM. Margarethe Hoenig. O método conhecido como Índice de The Veterinary Journal 191 (2012) 292–298. aplicação. M. Matarese G. J. Massa Corporal Felina (FBMI)™ [3] 5.. Bevilacqua. 1. et al. F. é um exame co- ideal de 25%. R. nº 82 . o valor máximo encontrado foi um biomarcador para a obesidade. Conclusão A obesidade felina é uma afecção Referências: 1. D. ponectin: their role in diabetes.. J Am Vet Med parte do clínico e sua aplicação é rápi. Lawler. Ricci. Veterinary Medicine: Research and Reports 2015:6 49–60. Panciera DL. doi:10.394:897–901. The potential role of leptin and adiponectin in obesity: A comparative review. J Am Vet Med Assoc 1990. contra-se alto ou baixo.(35%). R. 195-207 (2000).16% considerado como um gato do a sua produção pelo tecido adiposo acima do peso e próximo do percentual e. Nature 1998. Apresenta ainda uma alta correlação 9. a Prevalence and risk factors for obesity in adult fim de detectar o mais precocemente cats from private US veterinary practices. junta. que o clínico possua métodos de fácil 3. visual de cinco pontos mostrou-se neste Epizootiologic patterns of diabetes mellitus in estudo um método de grande valia no cats: 333 cases (1980-1986). Brennan AM.212(11):1725–31. pois apresenta 8. Eicker SW. Intern J Appl Res Vet Med 2005. Faz-se necessário. and mo- com o percentual de gordura corporal. Laroque. P. 2014. 10. et al. Kirk CA. Predicting Progression to Diabetes. ad libitum feeding. como peso e percentual de gordura 4.197(11):1504–8. The effects of diet. Assoc 1998. Gillet. O escore 7. D. 
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 Response 25. 40:109 Pequenos Animais.