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nota técnica

QUALIDADE TOTAL NA MANUTENÇÃO DE
SISTEMAS FRIGORÍFICOS
Maurício Antonio da Costa
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INTRODUÇÃO ções mais específicas (que normal- • “Start-Up”. É nesta fase que começam
Ao longo de minha vida profissional co- mente são esquecidas no projeto ori- a surgir os problemas com a manu-
mo engenheiro, gerenciei projetos, mon- ginal), incluindo neste item talhas, tenção.
tagens e principal- mente a manutenção roletes, escovas para limpeza de tro- Durante o início de funcionamento de
de plantas de grande porte de uma cadores de calor, suportes para retira- uma instalação, independente de seu
multinacional do ramo alimentício com da de motores, pontos para drena-gem tamanho e complexidade, alguns cui-
intensa utilização do frio. de linhas/filtros, pontos de força, entre dados devem sempre ser relembrados
Executar este trabalho não é uma tarefa outras; prever a necessidade de aces- e verificados tais como a leitura de
fácil e nem tão pouco simples. Exige-se so seguro aos equipamentos para manuais de funcionamento das máqui-
uma grande dedicação da parte de todos manutenções e inspeções, instalação nas e instruções operacionais, limites
e espírito de equipe, o que é fundamen- de plataformas de acesso, saída de de funcionamento com relação à pres-
tal para o sucesso desta rotina tão com- emergência, disponibilidade de espaço são, estanqueidade das linhas, tempe-
plexa da engenheira de campo. para abertura de trocado-res de calor/ ratura, amperagem, vibração, tensão
Todo esforço que é direcionado para retirada de motores, entre outros. de operação dos equipamentos; dire-
uma boa manutenção deve ser fruto de Deve-se dar especial atenção às con- ção e fluxos dos fluídos em bombas e
um trabalho baseado em uma seqüência dições de operacionalidade para que se compressores; lubrificação; ruídos
natural da boa engenharia, como indica- obtenha uma operação eficiente dos anormais e outras anomalias pertinen-
do abaixo. equipamentos (economia de energia). tes a cada tipo de equipamento.
• Um bom projeto, que será denomina- Outro aspecto que não deve ser esque- Quando não observada a chance de
do de etapa inicial. Para que se con- cido nesta etapa é a elaboração de um insucesso aumenta. Dependendo da
siga uma condição aceitável de manu- plano para as peças de reposição. complexi-dade do problema relevado,
tenção das futuras instalações deve-se • Montagem adequada que contemple pode-se, em certos casos, tornar este
prever desde a fase de projeto a ela- um correto planejamento, crono- problema crônico. Numa situação mais
boração de um “lay out” bem definido, gramas, inspeções, acompanhamento grave, uma parada prolongada ou ge-
demonstrando claramente a posição e das execuções dos serviços, relatórios ral da instalação em curto espaço de
tipos de equipamentos; que se tenha diários, precauções com a segurança, tempo.
memoriais de cálculos para conheci- limpeza, organização entre outros. Na maioria dos projetos, normalmente
mento das características e dimen- Este trabalho de montagem deve focar não se acompanha este planejamento
sionamento dos equipamen- tos a se- a redução de futuros problemas tais inicial. Traduzindo, o dispêndio financei-
rem instalados; certificar-se de que como corpos estranhos em tubula- ro a médio e longo prazo será maior com
exista rastreabilidade da confecção até ções, juntas mal soldadas, excesso de a manutenção.
a instalação dos mesmos; vislumbre a pressões, funcionamentos em vazio ou Um outro problema muito comum de ser
preocupação com a necessidade de sobrecargas elétricas que possam da- verificado é que, com o inicio do funcio-
espaço para retirada ou abertura de nificar ou dificultar a operação das ins- namento e já concluído o “start-up”, exis-
equipamentos; haja a preocupação talações, de forma a evitar a necessi- te uma tendência muito forte ao “esque-
com necessidade de utilização de fer- dade de manutenção necessária em cimento” das instalações com relação às
ramentas adequadas para manuten- curto espaço de tempo. condições de funcionamento, principal-

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Pode-se. ao receber algumas “vacinas” quando criança. somente executada após a manifestação Programada gura 1. cipalmente nos casos de acidentes. nidos quanto à condição das sensorial para avaliar o estado de con- abrava informação & negócios 41 . Espera-se a categorias da manutenção preventiva quebra para depois consertar. camente consiste em limpeza e serviços • Preventiva . Desta forma. ajustes. assim. truturação.Categorias de manutenção. prevenção que leva a três vertentes jamento. nota técnica mente nos primeiros meses quando se imagina que o novo não precisa de cui- dados. Isso não é correto! Somente a título comparativo. inspeções. há jetivo de evitar a ocorrência uma redução nas possibilidades de fa- de falhas. entre outros. é o motivo do artigo: o efeito da manu. alterações de parâmetros. danos imprevistos. ou em um caso ex- tremo. aferições. pode-se operacionalizar a manu. onde adota-se o critério da bras. está baseada na eliminação ou correção Em função de cada condição.Quebrou arruma-se! Não O objetivo é restaurar a condição de nor. sem con- siderar o mérito pessoal que a compara- ção poderia trazer. lhas e defeitos.Há planejamento e es. não terá algumas doenças gra- ves ou problemas de saúde no futuro. de mesmo porte. tempo de operação ou Consiste em diagnosticar falhas e defei- através de critérios pré-defi. Não há plane. A manutenção Preventiva é aquela que O objetivo da manutenção planejada é está fundamentada na garantir as funções e performances. mas sem receber os devidos cuidados. da falha (a mais comum de se verificar Corresponde à manutenção preventiva tenção com diferen-tes enfoques: no dia a dia das instalações). Preditiva ção. Ainda. malidade com a máxima prioridade. Como demonstrado no diagrama da Fi. como explicitado abaixo. que. números de opera. prin. cada predominan-temente aos ítens com ções pré-fixadas. CATEGORIAS E CONCEITOS da manutenção puramente corretiva. É efetuada em in. tem-se as tenção em instalações. imagine você um ne- ném recém-nascido sem os cuidados da mãe!!! Seria trágico. tervalos de tempo pré-deter- minados. efetuada independentemente da condi- • Corretiva . te mantida poderá ter uma vida útil mai- or que uma outra. do tipo lubrificação. tos através de análise instrumental ou Figura 1 . com o ob. Basi- há planejamento ou estrutura. de forma idêntica ao de um bebê. imaginar que uma ins- talação bem projetada e adequadamen- Figura 2 . simplesmente por ser novo. de uma falha já declarada. Este A manutenção Corretiva é aquela que instalações e equipamentos. ter-se-ia sua morte prematura!! Em uma instalação nova deve-se ter os mesmos cuidados quando ela “nasce”. apli- peridiocidade de interven. Trata-se como explicitado a seguir. ção da máquina ou equipamento. vida útil bem definida.Estrutura da manutenção preventiva.

freqüência. é restaurar as funções e perfor-mance • histórico de quebras • Revisões sem demora. Não importa quem a faça. após a idealização da manutenção. no pré-estabelecido. mas sim como é feita e de que forma é estruturada com Figura 3 . profissionais envolvidos no desenvolvi- • por meio de históricos. quando necessário mentos específicos de medições e • Baseada na Condição de Falhas análise. Em alguns casos adota-se o critério da contratação de empresas especializadas para estes serviços (terceirização). Seus ob. equipamento em particular através da • reduzir as futuras necessidades de manutenções • aumentar o rendimento das máquinas • melhoria contínua • diminuir os custos com a manutenção PRINCIPAIS ATIVIDADES DA MANUTENÇÃO Primeiramente. às vezes. Seletividade Já os objetivos da Manutenção Baseada na ou equipamento completo. a combinação delas. dosa- • prever as necessidades de intervenções • Monitoramento gem. os acabamentos em mais apropriado para cada instalação ou • reduzir as possibilidades de falhas conformidade com seu estado original. ORGANIZAÇÃO DA lidade de máquinas/equipamentos e de. • Inspeção Manutenção organizada e realizada de jetivos são: Avaliação da condição através de re.F. lificação das pessoas para desenvolver MANUTENÇÃO finir quando se faz necessária à interven.) • Reparos/Consertos Manutenção realizada sem nenhum pla- É a manutenção preditiva efetuada em Restauração de peças ou componen. O plano refere-se à intensidade. • evitar intervenções desnecessárias cursos sensoriais ou equipamentos. deve-se ter sempre em mente a necessidade de haver pessoal qualificado para as manutenções das ins- talações.Controle de estoque para manutenção. Aplica-se em situa- resposta às condições das máquinas e tes com o objetivo de restabelecer ou ções críticas e emergenciais típicas de equipamentos. acordo com um plano pré-determinado. 42 edição nº 214 • junho 2004 . em outros há equipes pró- prias e. relação à necessidade do quadro técnico. a condição de operaciona. Determinação da condição através de de manutenção bem como dos grupos ção das atividades de conservação contínuas ou periódicas coletas e inter. originadas de: chegar o mais próximo possível das manutenção corretiva quando o objetivo • diagnóstico condições originais. as seguintes atividades: Planejada ção de conservação e reparos. mento e execução dos trabalhos. nota técnica servação.C. com o Consiste na escolha correta e na dosa- na Condição de Falhas são: propósito de trazer de volta os ajustes. • inspeções Ampla restauração de conjuntos ou • indicadores de performance subconjuntos e até mesmo de máqui. Esta escolha deve ser baseada na qua. acertiva. Não Planejada (B. atuar de forma pretações de dados usando-se instru. duração das atividades e permitir um planejamento e programa. gem adequada do tipo de manutenção • restaurar as funções e performance as tolerâncias.

Os riscos são particularmente monitoramento do desempenho deve ser de manutenção aplicada. tados da manutenção baseada na topo (gerência) para base (operadores. tado de explosões. Avaliação do impacto e danos nas lecido de forma preventiva/preditiva com Os riscos e conseqüências de falhas po. ção onde um exemplo clássico é a ope- antes de se concentrar no próprio equi. abrava informação & negócios 43 . ras extras. ho. instalações. dos custos de reparos e de even. produtos. portanto são desprezíveis. na dosa- dos. a manutenção Tal avaliação é extremamente complexa etc. mantenedores. produtos químicos). produtores. Para aplicação destes conceitos aqui dade de falha e suas conseqüências mento “just in time”. porém que não podem ser desprezados. entre outras. poluições severas. gás. etc. Produtiva Total ou da Qualidade Total. na intensidade adequada cios. controle e obtenção de resul- onde as informa. perda de oportunidades de negó.qüências de b) Segurança hierárquicos da empresa. identificadas pelos superiores e o gem correta. comprometimento de TODOS os níveis perdas). seletividade.ções devem fluir do (incluindo a própria edificação) resul. máquinas e equipamen. rela. (água. na expectativa de quebra ou probabili- pacidade máxima ou com abasteci. embalagens. onde tuais necessidades de substituições viabilidade econômica (não pecar por ex- alguns exemplos estão indicados abaixo. insumos ração ininterrupta. falhas aleatórias e imprevisíveis). a) Serviço ao Consumidor Note-se que as instalações com catego. sar a perda e. equipamentos aplicação. planejamento/programação das interven- dem ser avaliados em termos de algumas tos. instalações. acompanhado com rigor. ções. ria Nível de Importância I devem ser na escolha do tipo apropriado. Avaliação do impacto sobre vidas hu. combustíveis. Tabela 1 .. dependendo da empresa. nota técnica avaliação dos riscos. sempre considerando os limites de variáveis. na manutenção. Todo finidas como níveis de importância. Geralmente existe É também conhecida como Manutenção manas.. portanto. NÍVEL l = CONSEQUÊNCIA MAIOR Abrangem as situações que implicam num impacto significativo nos negócios da empresa. Necessidade de retrabalhos. conse. eletricidade. média ou grande. na. dispendiosas. sem estoque ou demonstrados exige-se envolvimento e (extensão e qualificação dos danos ou com baixos níveis de estocagem. de. seja ela peque- falhas e dos custos de manutenção. Não há como compen- pamento. d) Instalações e Equipamentos plano de manutenção deverá ser estabe- cionadas na Tabela 1. NÍVEL II = CONSEQUÊNCIA MÉDIA Abrangem as situações que implicam num impacto moderado nos negócios da empresa. produtos alimentícios. meio um responsável técnico pela gestão. óleo.Dados para conseqüências de falha não afetam os negócios da uma ordem de trabalho empresa. cessos ou omissões).Níveis de importância. O sucesso da seletividade encontra-se Avalia-se o impacto sobre os resulta. fundamentada elevados quando se opera com a ca. ambiente. contaminações. corretiva deveria ser mínima (limitada às onde distinguem-se três categorias. NÍVEL III = CONSEQUÊNCIA MENOR Abrangem as situações em que os riscos e as Figura 4 . outros) res. A estratégia deste sistema é maximizar o peitando-se as estratégias do negócio c) Produção desempenho das instalações visando através de análise global da empresa Avaliação do impacto sobre as perdas minimizar os custos totais com manuten- com relação ao mercado e instalações de materiais.

Figura 5 . alguns critérios para • evolução e crescimento profissional Todos estas variáveis deve ser devidamen.Montagem do orçamento da manutenção. tral. estado e cidade equipamentos como de materiais e peças de reposição. • disponíveis com a devida flexibilidade. São aqueles que • reduzir probabilidade de falhas • da confiabilidade cobrem as despesas referentes aos tra- • reduzir a intensidade de intervenções • da vida útil das máquinas. de ações pró-ativas permitam: • da produtividade juntas. turado uma previsão financeira (“budget”) ciclicamente.. máquinas e edifí. • Gastos esporádicos tais como: quebra ma precoce e elimina-lo o mais rápido PREVISÃO FINANCEIRA de um eixo de bomba. produto. etc. • das paradas técnicas de máquinas e cessidades existentes tanto a nível pessoal tações oficiais do país. • diagnosticar os problemas na sua for. gaxetas. aumentando-se a produtividade. rapidez e agilidade para atender aos • de retrabalho representativo do custo x benefício a ser requisitos do mercado. peças. nota técnica Figura 6 . Que a manutenção preditiva através 5. financeiramente falando. Este tra- cios sejam: tos da manutenção + custos de falhas/ balho de estruturação financeira deve ser • seguros para o pessoal. • dos defeitos de fabricação onde um exemplo é indicado na Figura 6. minimizar os custos e sem comprometer • auto realização e satisfação pessoal te gerenciadas e fiscalizadas com a inten. nutenção e administração e haver um controle orçamentário dos Devido aos altos custos que uma boa • envolvimento e comprometimento de gastos (histórico). Que haja minimização: ção de se obter a “melhoria contínua” da MANUTENÇÃO • dos trabalhos emergenciais manutenção. São aqueles decor- 3. • dos custos totais de manutenção (cus. Que haja maximização: como: trocas de filtros. manutenção requer com relação às ve- todos com a manutenção me sua estrutura. semestral ou anualmente. QUESITOS DA 4. rentes de reparos que não se repetem • verdadeira integração operação + ma. balhos que se repetem mensal. rolamentos. rificações rotineiras. ou seja: minimizar custos 1. perfuração de um troca- veis aceitáveis. quebra de uma possível (cortar o mal pela raiz) Para se manter toda esta estrutura a ní. Que as instalações. etc. meio perdas) considerado visando abranger todas as ne- ambiente e de acordo com as regulamen. trimes- de manutenção tos.Relação custo x benefício na manutenção.. equipamen. óleo. Que no campo comportamental haja: também deverá ser elaborado e estru. sempre consi. onde a Figura 5 resu. etc. entre outros. • das perdas empregado na manutenção. derando os aspectos econômicos • dos estoques Com relação à organização dos custos • apropriados para garantir a qualidade • dos índices de acidentes pode-se indicar que existem duas ver- do produto a custo competitivo • das reclamações dos clientes tentes: • Gastos com manutenção de rotina tais 2. engrenagem. dor de calor. retentores (em peças • garantir funções de performances • da qualidade móveis). a qualidade dos serviços poden ser apli- 44 edição nº 214 • junho 2004 .

tais quais: Assessor da MAC-COOL em processos termomecânicos e-mail • Garantia de que a manutenção faz parte integrante dos negócios da em- presa e de sua estratégia • Direcionamento da estratégia da manu- tenção baseada na conseqüência da falha considerando-se os riscos e os custos da manutenção. através de treinamento e aprimoramento no pro- cesso de seleção e admissão de pessoal • Existência de pessoal atuante. num esforço comum e efetivo entre todos os departamentos existentes • Oferta de condições atrativas de traba- lho. ou seja.Organograma para os indicadores. nota técnica cados para um bom funcionamento de • Implementação de suporte informa- uma instalação. ESTRATÉGIAS MAURICIO ANTONIO DA COSTA Engenheiro Mecânico Algumas estratégias devem ser incorpo.A. envol- vido e comprometido com as funções Tabela 2 . radas ao negócio.controle dos gastos como ao meio ambiente .substituição ou reparos . o cus- to total influenciado pela manutenção • Captação profissional.históricos de intervenções • cumpram as regulamentações oficiais (levando-se sempre em consideração • Aperfeiçoamento constante Finalmente. desde que: tizado para a gestão de: • atendem as exigências operacionais .ordens de trabalho estejam diretamente envolvidas bem .peças originais ou peças do merca- do local .fabricação ou aquisição de peça nova .Refrigeração e Ar Condicionado Consultor da ECOLUZ S. e de forma sucinta. de manutenção em todos os níveis.peças de reserva de sua situação .serviço próprio ou terceirizado abrava informação & negócios 45 .manutenção preventiva ou preditiva • sejam seguras para as pessoas que . num clima de motivação • Adequação de equipamentos e ferra- mentas. pode-se DESTAQUE os aspectos econômicos) apresentar a estrutura da manutenção como indicada na Tabela 2.Estrutura da manutenção. bem como das máquinas e peças de reserva • Padronização de máquinas e equipa- mentos • Otimização entre: . Figura 7 . Pós-Graduado pela FEI .