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IICI)ri-Louis Bergson (1859-1941) prova-
velmente ficaria muito feliz se tivesse lido os
textos de Gilles Deleuze aqui reunidos pela
primeira vez: Bergsonismo e, em anexo, os
artigos "A concepção da diferença em Berg-
son" e "Bergson". É isto o mínimo que se po-
de dizer desta visita deleuzeana a importan-
tes conceitos da filosofia bergsoniana, como
intuição, duração, memória e impulso vital.
Mas por que Bergson se sentiria feliz len-
do o bergsonismo de Deleuze? Por duas ra-
zões, pelo menos. E por algo mais.
A primeira razão é quantitativa. Isto, sem
dúvida, seria insuficiente para Bergson, mas
sabemos que ele a levaria em conta, como sem-
pre esteve atento ao trabalho das técnicas e
das ciências. Os três textos aqui reunidos con-

16 3 2 13
centram, embora não esgotem, a fecunda pre-
sença de Bergson na obra de Deleuze. Durante
cerca de cinqüenta anos de intensa e variada
elaboração teórica, Deleuze dedicou especial
atenção aos conceitos bergsonianos. 5 10 11 8
- --

9 6 7 12
Mas a incidência de referências a Bergson
está intimamente ligada à razão qualitativa
pela qual Deleuze dele tanto se aproxima.
Não é a qualidade do seguidor que aí vigo-
ra, nem a do contestador. Para Deleuze, en- 4 15 14 1
contrar-se com pensadores como Bergson tem
o sentido da retomada dos seus movimentos
criativos e questionantes. O leitor encontra-
rá a tematização, aliás clara e precisa, da in-
tuição como método (mobilizado na criação
e solução de problemas), da teoria das mul-
tiplicidades (virtuais e atuais), da idéia de uma
ontologia complexa, da idéia de coexistência,
da emergência do novo, do impulso vital co-
mo movimento da diferenciação percorrendo
vida, inteligência e sociedade etc.
Mas o que é que Deleuze procura experi-
mentar profundamente ao fazer alianças com
(}pensamento bergsoniano? Ele procura ex-
perimentar aquilo que está unido ao que, para
ele, há de "mais difícil e mais belo no pensa-

,. coleção TRANS

Gilles Deleuze

BERGSONISMO

Tradução
Luiz B. L. Orlandi

br Copyright © Editora 34 Ltda. 34.com. 11. Henri-Louis. Bergson . Filosofia francesa.1999 (2a Reimpressão . L. E CONFIGURA UMA 3. publicado no âmbito do programa de participação à publicação.SP Brasil Tel/Fax (11) 3816-6777 www. . A concepção da diferença em Bergson e Bergson.Série. 39 Capa. 1859-1941. 2. contou com o apoio do Ministério francês das Relações Exteriores. Bergson. publicados com a autorização de Fanny Deleuze BERGSONISMO Cet ouvrage. I. RJ. Brasil) Índice de nomes e correntes filosóficas . 27 A FOTOCÓPIA DE QUALQUER FOLHA DESTE LIVRO É ILEGAL. CDD -194 . 1999 Le bergsonisme © Presses Universitaires de France. Orlandi. A memória como coexistência virtual APROPRIAÇAo INDEVIDA DOS DIREITOS INTELECTUAIS E PATRIMONIAIS DO AUTOR. Paris. de I'Ambassade de France au Brésil et de la Maison française de 1. Orlandi (Vida. da 2. Gilles. projeto gráfico e editoração eletrônica: 4. A intuição como método Rio de Janeiro. 1925-1995 D348b Bergsonismo / Gilles Deleuze. publié dans le cadre du programme de participation à la publication. bénéficie du soutien du Ministere français des Affaires Etrangeres. 57 Revisão técnica: 5.EDlTORA34 Editora 34 Ltda. (Ontologia do passado e psicologia da memória) . (edição brasileira). 1966 Textos do apêndice.2008) L A concepção da diferença em Bergson . (Coleção TRANS) ISBN 85-7326-137-4 Tradução de: Le bergsonisme 1.editora34. 95 Catalogação na Fonte do Departamento Nacional do Livro lI. L.São Paulo: Ed. A duração como dado imediato Embaixada da França no Brasil e da Maison française do Rio de Janeiro. 1999 144 p. 73 Revisão: Ingrid Basilio Apêndices 1a Edição . (Teoria das multiplicidades) . (As cinco regras do método) . inteligência e sociedade) . 592 Jardim Europa CEP 01455-000 São Paulo . O impulso vital como movimento da diferenciação Luiz B. Título. 125 (Fundação Biblioteca Nacional. Uma ou várias durações? Bracher & Malta Produção Gráfica (Duração e simultaneidade) . Rua Hungria. tradução de Luiz B. 141 Deleuze. 7 Este livro.

à paginação da Édition du Centena ire (Presses Universitaires de France). I1I. PUF. Aliás. paginação das reimpressões de 1939-1941. 1932. e mesmo um dos mais elaborados métodos da filosofia. elas não nos dão ainda qualquer meio de conhecê-las (com uma preci- 1 PM. t. A intuição não é um sen- timento nem uma inspiração. já supõe a duração. A intuição é o método do bergsonismo. 1889. Empregamos as iniciais para citar as obras de Bergson: DI para Essai sur les données immédiates de la conscience. Luiz B. sendo que as páginas nele referidas correspondem nossas referências remetem. 1966) está anotada entre colchetes ao longo desta tradu. et le Mouvant. É verdade que Bergson insiste nisto: a intuição. I. Memória [Mémoire] e Impulso vital [Élan vi- tan marcam as grandes etapas da filosofia bergsoniana. sobre a qual o senhor in- siste muito mais do que sobre a teoria da duração. elas nos fizeram erigir a intuição em método filosófico. 456). só se destacou aos meus olhos muito tempo após essa última"2. 1907. conforme as indicações desta. A intuição é cer- tamente segunda em relação à duração ou à memória. E a Hbff- ding [2J ele escreveu: "A teoria da intuição. MM para Matiere et Mémoire. e. e correntes teóricas. tal como ele a entende metodicamente. DS para Durée et Simultanéité. "Essas consi- derações sobre a duração parecem-nos decisivas. 1919. Mas há muito sentido dizer primeiro e segundo. 'intuição' é uma palavra ante a qual hesitamos durante muito tempo" 1. em seguida. A paginação da edição francesa (Gilles Deleuze. à à paginação dos originais em língua francesa. A INTUIÇÃO COMO MÉTODO /1] Duração [Durée]. sor técnico. Ele tem suas regras estritas. ES para L'Energie spirituelle. 1896. L. Quanto às outras obras. Também entre colchetes aparecem notas do tradutor ou do revi. mas um método elaborado. De grau em grau. 1271. Orlandi 2 Lettre à Hoffding. uma simpatia confusa. que constituem o que Bergson chama de "pre- cisão" em filosofia. 1900. A intuição como método 7 . Paris. EC para L'Evolution créatrice. Le bergsonisme. 1916 (cf. MR para Les deux sources de la morale et de la religion. O objetivo deste livro é a determinação da relação entre essas três noções e do progresso que elas implicam. p. Porém. No final do volume foi acrescentado um índice de nomes Citamos DS em conformidade com a 4ª edição. primeiramente. embora tais noções designem por si mesmas realidades e experiências vividas. 1922. 25. PM para La Pensée ção. Écrits et Paroles. R para Le Rire.

em filosofia e mesmo alhu- A questão metodológica mais geral é a seguinte: como pode a res. [4J A verdadeira liberdade está em um poder de decisão. 5 PM.lS soluções. "dão"-nos problemas total- se não houvesse precisamente a intuição como método. não PRIMEIRA REGRA: Aplicar a prova do verdadeiro e do falso se trata de dizer que os problemas são como a sombra de soluções aos próprios problemas. cabendo ao aluno a tarefa de desco- prolongável e transmissível quanto a própria ciência. por como um ato simples. como que saídos de "cartões administrativos da cidade". no sentido ordinário dessa palavra. e a tomada de L'Intellectua!isme de Bergson. Mas. . do que resolvê-lo. Com efeito. Cabe comparar a última frase do texto de Bergson com a fórmula de Marx. Colocação e solu- apreensão do tempo real. podendo-se assim respon. 1293. a terceira. Presses Universitaires de France. podendo nunca te três espécies de atos. Nesse sentido. tão fessor é quem "dá" os problemas. 4 PM. Desse modo. Bergson. "semidivino". por conseguinte. ter vindo. "A verdade é que se trata. cf. mente feitos. Não se trata tam- verdade e criação no nível dos problemas. dos meios e dos termos de que se dispõe para colocá-lo. válida para a própria prática: "a humanidade co- loca tão-só os problemas que é capaz de resolver". que eles começam apenas com rece em função da maneira pela qual é colocado. portanto. Nos dois casos. Mas colocar o problema não multiplicidade qualitativa e virtual. priamente bergsoniano. 1947. o meira espécie concerne à posição e à criação de problemas. A descoberta incide sobre o que atualiza. a história dos homens. é a Com efeito. em criar os termos nos quais ele se colocará. Do ponto de vista brir-lhes a solução. impli- ção. 51-52 (sobre o "estado semidivino". Mais ainda. se se diz que o método implica essencialmente uma desde que bem colocado. Memória e Im. poder-se-ia dizer que a dura. cometemos o erro de acreditar que o verdadeiro e o solução que conta. tanto 3 Sobre o emprego da palavra intuição e sobre a gênese da noção nos Don. direções diversas nas quais ela se é simplesmente descobrir. 1306. for. É aí que eles fazem sua própria história. das condições sob as quais é determinado como problema. reconciliar preexistentes (o contexto todo indica o contrário). liberdade). 8 Bergsonismo A intuição como método 9 . problemas. cravidão. Não é somente toda a história da matemática que dá razão a der à questão metodológica geral. as próprias relações entre Duração. denunciar os falsos problemas. de pulso vital permaneceriam indeterminadas sem o fio metódico da intui. simplicidade da intuição como ato vivido. constituição dos próprios problemas: esse poder. à descoberta de verdadeiras diferenças de natureza. mais ainda intuição. esforço de invenção consiste mais freqüentemente em suscitar o pro- da. deixando-nos uma delgada margem de da intuição para estabelecer a filosofia como disciplina absolutamen. a segun. é inventar. A invenção dá o ser ao que não era. os quais determinam regras do método: a pri. O fato é que Bergson contava com o método c nos obrigam a "resolvê-los". de encontrar o problema e. 68). somos mantidos numa espécie de es- do conhecimento. embora ela possa permanecer oculta e. que se deve reencontrar a problemas são colocados apenas quando resolvidos"5. HUSSON. um problema especulativo é resolvido mar um método. cedo ou tarde ela se- pontos de vista múltiplos irredutíveis4. É mostrando como se passa de um sentido ção do problema estão quase se equivalendo aqui: os verdadeiros grandes a outro. atualmente ou virtualmente. segundo ele. pois o pro- te "precisa". 29-30. encoberta: só falta descobri-la. mas o problema tem sempre a solução que ele me- falso concernem somente às soluções. no sentido pro. tão precisa em seu domínio quanto a ciência no seu.análoga à da ciência). é a da constituição de nées immédiates e Matiere et Mémoire. Bergson distingue essencialmen. que dela transmite as palavras de ordem. o preconceito é infantil e escolar. Curiosamente. a intuição implica uma pluralidade de acepções. e a linguagem ção permaneceria tão-só intuitiva. Neste sentido. devemos trazer para o primeiro ca tanto o esvaecimento de falsos problemas quanto o surgimento criador plano de uma exposição a intuição como método rigoroso ou precis03. de verdadeiros. e com mais forte razão em metafísica. entendo que sua solução existe ou mais mediações? Bergson apresenta freqüentemente a intuição [3J nesse caso imediatamente. pp. 1274-1275. do ponto de vista da teoria quanto da prática. guramente vem. e qual é "o sentido fundamental". já existe. a simplicidade não exclui uma assim dizer. Considerando todos esses aspectos.são. [5J Ao contrário. de colocá-lo. que designa antes de tudo um conhecimento imediato. à blema. Ao dizer isso. Já em matemática. 6-10. pode-se consultar o livro de M. Esse preconceito é social (pois a sociedade. pouco de dizer que só os problemas contam.

não é concernente à "própria natureza das coisas"9. 9 PM. na desordem do que que diferem por natureza. colocação de problema e solução. de são célebres. 10 Bergsonismo A intuição como método 11 . dizer em que consiste o verdadeiro e o falso. de colocar e re. em Bergson. filósofos parecem cair em um círculo: conscientes da necessidade de ou "por que ordem em vez de desordem?". o possível à existência. como exemplos do segundo tipo. Mas como conciliar com uma norma do verdadeiro esse poder "pois o possível é o real contendo. com efei. a desordem à ordem. de necessidade. O ser. Suas análises a esse respeito fazem intervir. dor que os constitui. 683. também EC. na própria vida e no impulso vital: é a vida que se deter. porém. (É ver. sofia de Bergson: ele resume sua crítica do negativo e de todas as for- ma do não-ser. eles retroprojetam uma "problemas mal colocados". por exemplo. No primeiro caso. caímos em um mes- além das soluções. 223 ss e 730. cimento e do ser). mais uma operação lógica de negação generali. muitos Quando perguntamos "por que alguma coisa em vez de nada?". Sobre a crítica da desordem e do não-ser. A distribuição dos exemplos varia segundo os textos de 8 PM. desta vez. Pergunta-se. A esse respeito. quando no universo com uma sucessão de estados em um sistema fechado)8. zada. Esse tema é essencial na filo- Como exemplos do primeiro tipo. reduz ou não ao prazer. graças ao qual supõe-se que o ser. Donde uma regra complementar da regra de primeira. 278 ss. no falso problema. que de constituir problema? Se é relativamente fácil definir o verdadeiro e retrograda sua imagem no passado. como a ausência daquilo que nos interessa). diversos. 7 PM. a ordem ou o existente são a própria verdade. um ato do espírito [7J. uma vez co. 52-53. como se o real viesse realizar uma possibilida- são [6J "falso problema". 110. fazemos como se o não-ser dade de um problema pela sua possibilidade ou impossibilidade de preexistisse ao ser. cf. há a idéia de ser. pois. em uma desordem. um "movimen- REGRA COMPLEMENTAR: Os falsos problemas são de dois to retrógrado do verdadeiro". assim que ele se produz". o segundo tipo de falsos problemas. 1293-1294. como receber uma solução. se a felicidade se na ordem. que assim se definem porque seus ordem e o existente precedam a si próprios ou precedam o ato cria- próprios termos implicam uma confusão entre o "mais" e o "menos". Isso não é de causar espanto. 1268. um não-ser supostamente primordiais. um mecanismo diferente: trata-se. 1336. apresenta os dois aspectos em proporção variável. há uma ilusão fundamental. sa negação (quando encontramos uma ordem que não é aquela que po. [8J irredutíveis. contentam-se eles em definir a verdade ou a falsi. Sobre a liberdade e a falsidade como falsos problemas. Se os termos não correspondem a "articulações naturais". cf. mas talvez o termo prazer subsuma estados muito to.)6 esperávamos). como veremos. no possível do que no real. que assim se definem porque seus termos imagem de si mesmos em uma possibilidade. negativa. o da desordem ou o do possível (problemas do conhe. 105. parece. Na idéia de possível há mais do que na idéia de real. mo vício: tomamos o mais pelo menos. a falta. o grande mérito de Bergson se o ser viesse preencher um vazio. elas consistem em mostrar que há mais mistos mal analisados. Bergson. assim como a idéia de felicidade. blema da liberdade ou o da intensidade7. Ao contrário disso. 1339. mais sua negação. Bergson apresenta o proble. 20. A construção do organismo é. mais o motivo des- solver um problema. aplicados à própria colocação de problemas. Na idéia de de- mina essencialmente no ato de contornar obstáculos. mas de negação como fontes de falsos problemas. uma desordem prévia. a mais. apresenta o pro. PM. e o mo- o falso em relação às soluções. Também nes- ca maior que aquela. em representam mistos mal analisados. tivo desse ato (quando confundimos o surgimento de uma realidade locado o problema. Na idéia de não-ser. como se a ordem viesse organizar está em ter buscado uma determinação intrínseca do falso na expres. sordem já há a idéia de ordem. a categoria de problema tem uma importância biológi- so. mais o motivo psicológico particular de tal operação (quando dade que. a noção de problema tem suas raízes para além um ser não convém à nossa expectativa e o apreendemos somente como da história. a tipos: "problemas inexistentes". nos quais são arbitrariamente agrupadas coisas e não menos na idéia de não-ser do que na de ser. nesse movimento. para daquilo (aquilo que era igualmente possível)?". então o problema é fal- 6 Segundo Bergson. pois cada falso problema. ou "por que isto em vez aplicar a prova do verdadeiro e do falso aos próprios problemas. parece muito mais difícil.consciência dessa atividade é como a conquista da liberdade. geral precedente. Os problemas mal colocados. ao mesmo tem.

1305. nele. e de ver apenas diferenças de grau ou uma ação só aparentemente se acrescenta à ação. problema implica. a da vida e a do mecanismo. novidade. segunda tendência? Só a intuição pode suscitá-la e animá-la. ro tipo de falsos problemas repousa em última instância sobre o se- tapostos no espaço e a dos estados que se fundem na duração. em sua imensidão de realidade. em vez de se ver que há duas ou várias ordens irredutíveis do. uma outra tendência. isto é. toda vez que se pensa em termos de mais ou de me- que a questão "quanto cresce a sensação?" remete sempre a um pro. acrescenta ao que ela nega. de do a outra não está). Bergson lança mão de uma idéia de Kant. nos arrasta. com mais forte razão. retém-se apenas uma idéia geral de ordem. o en- son. mais profundamente. estamos tomados por uma ilusão fundamental. também a negação tampouco se ças de natureza. Por aí se vê como o primei- quando se confundem dois tipos de "multiplicidade". (por exemplo. sairia por simples "realização". quando ele denuncia a in. "Sentimos que uma vontade ou um pen. já foram negligenciadas diferenças de natureza entre as duas or- blema mal colocado 10. a mania colocados. A ilusão de pensar em termos de mais e de menos. mas do menos. A idéia de não-ser aparece quando. A própria noção de falso samento divinamente criador. DI. entre os existentes. no mais pro- [9] força [. que não temos de lutar contra simples siado pleno de si mesmo para que. cia. 12 Bergsonismo A intuição como método 13 . gundo: a idéia de desordem nasce de uma idéia geral de ordem como Retornemos ao primeiro tipo de falsos problemas. estando uma presente quan. na realida. toma-se o mais pelo menos. 12 Cf. em vez de apreen. Mas ocorre a Bergson. ] Não se trata do mais. 67]. de toda maneira. trata-se de um déficit fundo de si mesma. testemunho de um semi querer. O mesmo se dá com o problema da liberdade. há diferen- de. pronto para transformá- ser. é dema. Só podemos tentando-se em opô-la à desordem e pensá-la em correlação com a idéia reagir contra essa tendência intelectual suscitando. 1304. ainda na inteligên- de desordem. mas dá. Mas de onde vem.. igualmente. essa dermos as realidades diferentes que se substituem umas às outras in. geral. crítica. capo I. a noção de intensidade implica uma formado. precisamente. nós as confundimos na homogeneidade de um Ser em ela reencontra as diferenças de natureza sob as diferenças de grau e comunica [11] à inteligência os critérios que permitem distinguir os 10 Cf. do qual tudo. A idéia de desordem apare. 66 [66. que só se pode opor ao nada. talvez seja conceber tudo em dizer que aí se toma o menos pelo mais: assim como a dúvida sobre termos de [10] mais e de menos. Ainda que Bergson determine de o não-ser é apresentado ora como um mais em relação ao ser. nas quais quais só se podia conjurar o efeito. que é la completamente: Kant foi quem mostrou que a razão. dens ou entre os seres. supostamente. E o engano mais geral do pensamento. ora como modo totalmente distinto a natureza dos falsos problemas. com efeito. engendra não erros mas ilusões inevitáveis. mas dá tão-somente testemunho de uma Portanto. Representar para si a pos. a idé!a de uma falta de ordem erros (falsas soluções). 68. o que seria uma fraqueza incompatível com sua natureza. a do nada. misto mal analisado etc. nos. mistura impura entre determinações que diferem por natureza. de modo Em resumo. 1306. ainda que um menos? Não há contradição. ver diferenças de grau ali onde há diferenças de natureza. propriamente falan- ce quando.Haveria contradição entre as duas fórmulas. ele trata a ilusão de uma maneira análoga à de Kant. . diferenças de intensidade ali onde. con. gano comum à ciência e à metafísica. Miragem. uma nota muito importante em PM. em vez de se apreender cada existente em sua da sensação com o espaço muscular que lhe corresponde ou com a quan. A idéia de tensidade como sendo um tal misto: quando se confunde a qualidade possível aparece quando.se çaso são célebres as análises de Bergson. das do querer" 11. porque definidamente. ou na qual mergulhamos. se se pensa que aquilo que Bergson a própria crítica kantiana pareça-lhe um conjunto de problemas mal denuncia nos problemas "inexistentes" é. mas contra algo mais profundo: a ilusão que ou de uma falta de ser possa tão-só aflorar. a dos termos jus. está fundada no mais profundo da inteligência e. como diz Bergson a propósito da retroprojeção do possí- seria para ele dizer a si que ele próprio teria podido totalmente não vel. Nele. pondente aos dois aspectos do falso problema. diz Berg. Temos a tendência de pensar em termos de mais e de menos. mas somente recalcada12. não pode ser dissipada. 11 PM.. relaciona-se o conjunto da existência a um elemento pré- tidade da causa física que a produz. ela é indissipável. sibilidade da desordem absoluta e. corres- fraqueza naquele que nega. inseparável de nossa condição. reportar-se ao nada.

retoma nessa restauração das diferenças de natureza. portanto. as mais diversas. ele gosta de citar um texto de Platão sobre o ato de trinchar e o bom cozi. Ultrapassa- testemunho do seu gosto pelos dualismos . a intuição é um método de divisão. 16 Por exemplo. ganização viva a uma outra por simples intermediários. 68). isto é. articulações naturais. de fato. 15 EC. O deplorável é que não sabemos distinguir em tal te primeira (o tempo como degradação. cf.ve~dadeiros problemas e os falsos. de di- ser tão-somente degradações 15. como méto- duas multiplicidades. Qual é. 610. direções de movimentos (como dade-quantidade. mas só tendências diferem por natureza16. É nesse sentido que se pode falar de um platonismo de Bergson (método de divi. as a duração-contração e a matéria-distensão). lembrança-percepção. Bergson não ignora que as coisas. a própria experiência [12] só nos propicia mistos. as duas fontes etc. Cf. e a única definição do mecanicismo um princípio que se supõe ao mesmo tempo não espacial e não tem. esse ponto. em relação ao qual espaço e tempo. É esse o motivo condutor do bergsonismo. Mesmo os tí. em Bergson. Mas o mal não Ele censurará a metafísica. 137. todos os seres são definidos en- reza. o de uma perfeição e o de um nada. em estado puro. ela própria. de grau entre um tempo espacializado e uma eternidade supostamen- netrada de espaço. capo I (notadamente 213. extensão definidas como movimentos. contínuo-descontínuo. MM. condições de toda experiência possível. a Introdução de PM. guarda semelhança [13] ainda com uma análise trans- ção-distensão. de espírito platô. de di- SEGUNDA REGRA: Lutar contra a ilusão. A obsessão pelo puro. Misturamos tre os dois limites. do qual só se podem dissociar.. tos. não confi. nheiro.. ças-percepções. 32. sentação as duas presenças puras da matéria e da memória.): em uma escala de intensidade. de dividir um misto segundo suas condições da experiência real). ram. não mais distinguimos na repre. seu leitmotiv: só se Como método. por ter visto só diferenças está nisso. EC. à maneira kantiana. Ainda um outro exemplo: misturamos mensão. E. e sim Trata-se sempre. que é. EC. é.que. é a que invoca ainda um tempo espacializado. heterogêneo-homogêneo. do de divisão. Bergson mostra bem que a inteli. todavia.. 623. 764. viram diferenças de grau ali onde havia diferenças de natureza. impura e já misturada. Por exemplo. pois. de acordo com a maneira pela qual o misto combina a duração e a São célebres os dualismos bergsonianos: duração-espaço. 157. essencialmente. distensão ou diminuição do representação os dois elementos componentes que diferem por natu. em conformidade com poral. ser. extensão e duração vêm a o qual os seres só apresentam diferenças de grau. isto dadeiras diferenças de natureza ou as articulações do real14. quali. 152. Perdemos a razão dos mis- dos. cf. 17 Sobre a oposição "de fato-de direito". tendências. Também à ciên- tão bem a extensão e a duração que só podemos opor sua mistura a cia ele fará uma censura análoga. passim. sob nico. reencontrar as ver. sobre a inteligência e o instinto. 318. memória-matéria. 185. e somen- gência é a faculdade que coloca os problemas em geral (o instinto se. 14 Bergsonismo A intuição como método 15 . em elementos que diferem por natureza. Em tal ignorância das verdadeiras diferenças de 13 EC. E sobre a distinção "presença-representação". Só o que difere por natureza pode ser dito puro. que só existem de direito17. notadamente. Bergson agrupa suas críticas principais. natureza aparece toda sorte de falsos problemas e ilusões que nos aba- 14 As diferenças de natureza ou as articulações do real são termos e temas constantes na filosofia de Bergson: cf. A intuição. Mas só a in. dado lembrança e percepção. vidir o misto de acordo com tendências qualitativas e qualificadas. damo-nos do tempo uma representação pe. que compõem um misto são). seu sentido? são. de posição. é preciso dividi-lo em tendên- tulos que Bergson coloca no alto de cada página dos seus livros dão cias ou em puras presenças. se a experiência em direção às condições da experiência (mas estas não guram a última palavra de sua filosofia. segundo Bergson. realmente se mistu. transições e variações de grau. Trata-se. te vemos diferenças de grau entre percepções-lembranças e lembran- ria sobretudo uma faculdade de encontrar soluções)13. pronta para impelir a inteligência a voltar-se contra si mesma. instinto-inteligência. as duas puras presenças da duração e da extensão. mas não sabemos reconhecer o que cabe à que este postula uma evolução unilinear e nos faz passar de uma or- percepção e o que cabe à lembrança. medimos as misturas com uma unidade tuição decide acerca do verdadeiro e do falso nos problemas coloca. Há mecanicismo até no evolucionismo. Em resumo. cendental: se o misto representa o fato. 627. contra. de proporção.

em puras presenças ou em tendências que diferem Então. memória-contração: cabe dizer dele emanam tão-somente o que lhe interessa19. ria. que a condicionam. son será tríplice. movimento mais ou menos com. a percepção nos coloca de súbito na matéria. a afetividade se distingue por natureza da percepção. não pode haver diferença de natureza entre a fa. entre a faculdade do cérebro e a método de divisão. Toda a questão está em saber se já instantaneidade e que lhe dá uma duração no tempo. é a memória que faz que o corpo seja coisa distinta de uma plicado. a que por natureza. que esses termos diferem por natureza daqueles da linha precedente cepção não é o objeto mais algo. Bergson mostra confunde com uma percepção pura virtual. designam aspectos muito diversos da subjetividade. Desse modo. primeiramente. Donde a célebre tese de Bergson. o cérebro não fabrica representações. um ser pode reter de um objeto material e das ações que lonam afetividade. menos tudo (percepção-objeto-matéria)20. O fato de que lembranças se aproveitem desse intervalo. nessa idéia estão. de um lado. "se intercalem". 186. Mas essas ficções não eram simples outros movimentos. é impessoal e coin- de que projetamos fora de nós estados puramente internos. sob outra "linha". ou uma [16] outras imagens. de outro. tínhamos entre isto e aquilo pode (ou não pode) haver diferença de natureza. Trata-se de dividir a representação em elementos função da medula. uma linha quebrada. ou sendo o que assegura certos movimentos entre sucessão de instantes no tempo. Como procede Bergson? Primeiramente. a são de todas as partes dos objetos às quais suas funções não estão interessadas". Em seguida. Com efeito. um puro instante. em virtude do inter. precisa- bido. é ainda a memória. é a afetividade. Nesta linha. tantas respostas defeituosas a questões mal colocadas .) Eis-nos. podendo ser 18 MM. memória etc. em presença de uma nova linha. nós só {15] forma de uma contração da matéria. A resposta de Berg- valo. propriamente falando. mas somente diferença de grau. concebe-se que sua presença. que faz surgir a qualidade. tantos mal. não temos também aí a percepção. e se o grau dessa indeterminação se mede pelo número e pela elevação opõe à percepção pura. 33: "Se os seres vivos constituem no universo 'centros de inde. 16 Bergsonismo A intuição como método 17 . assim. memória-lembrança. o que não nos interessa. ao fazer-nos crer em um analisaremos todas as conseqüências: percebemos as coisas aí onde caráter inextenso de nossa percepção: "Encontrar-se-iam. 19 MM. todo o método bergsoniano entendidos.t~m: desde o primeiro capítulo de Matéria e memória. mas não da mesma maneira que a memória: ao passo que uma memória pura se terminação'. hipóteses: elas consistiam em impelir para além da experiência uma culdade do cérebro dita perceptiva e as funções reflexas da medula. 207. díamos extrair todo um lado das condições da experiência. que supõe. a da subjetividade. na qual se esca- valo cerebral. MM. a per. estamos em condições de traçar a segunda linha. Em resumo. o cérebro estabelece um inter. entre a percepção e a lembrança. Entre os dois. Finalmente. ele pergunta se difere por natureza da primeira. os termos entre os quais não Esse primeiro capítulo de Matéria e memória mostra mais do que poderia haver diferença de natureza: não pode haver diferença de natu- qualquer outro texto a complexidade do manejo da intuição como reza. seja porque ele divide ao infinito o movimento rece. Assim. mas o objeto menos algo. tanto. por si só. a afetividade é sobretudo como que uma "impureza". podemos eliminar as lembranças como participantes de presente. Isto equivale a dizer que o próprio objeto se 20 Não é necessário que a linha seja inteiramente homogênea... é somente assim que po- Portanto. Para estabelecer a primeira. um desvio. sob uma outra forma. 197. 47. agora perguntar por aquilo que vem preencher o intervalo cerebral. isto em nada altera o caso. e. que de suas funções. mente. entre percepção real se confunde com o objeto. a representação em geral o que não nos interessa. mas somente compli. consistiu em procurar. da qual engendra toda sorte de falsos problemas. entre a percepção da matéria e a própria matéria. 60). são as lembranças da memó- elas. possa equivaler à supres. Primeiramente. A necessidade de ficções: tínhamos suposto que o corpo era como um primeira resposta é a seguinte: sendo o cérebro uma "imagem" entre puro ponto matemático no espaço. Cabe-nos ca a relação entre um movimento recolhido (excitação) e um movimen. (Por- podemos ter matéria e movimento. cide com o objeto percebido. de que ela um volume no espaço. mais ou menos retardado. direção destacada da própria experiência. seja porque ele o prolonga em uma pluralidade de reações pos. Sobre a linha que estamos em vias de traçar. Veremos mais tarde como a afetividade. do qual ela subtrai apenas a percepção e a afecção. ao mesmo tempo que nossa como o esquecimento das diferenças {14] de natureza. turva a percepção (cf. que ligam os instantes uns aos outros e intercalam o passado no No momento. "18. que o corpo seja coisa distinta de um ponto matemático e dê a síveis. to executado (resposta). por aquilo que dele se aproveita para encarnar-se.

muitas vezes. na obscuridade. 1423. as condições da experiência são cia em sua fonte. possível em geral. a da memória. Bergson riência. percepção. ora de uma ampliação. 1416. postos em doses desiguais de percepção pura e de lembrança pura. com os papel do psicólogo seria dissociá-los. até o ponto em que ela ultrapassa uma vez não é a questão. não consis- aspectos. desse modo. ora de um estreitamento e de uma 344.. Mas 23 MM. que nos coloca de súbito de acordo com sua articulação. Bergson fala em "buscar a experiên. É que. Essa mistura é nossa própria experiência. ela se torna propriamen- te experiência [18J humana. 321.23. forma da própria curva que. não são mais amplas do que o condicionado. conforme venha a predominar nele um ou outro desses dois Mas essa ampliação. E. ou mesmo esse ultra passamento.divide em duas direções que diferem por natureza. precisamen- te. trata-se da experiência real em reção às condições da experiência. que chamaremos ora de lembrança ora de mal analisados e a sermos. sobre a vira- 21 MM. graças a um fenômeno de endosmose. 1370. primeiramente. st. 214. 69. a encontrar entre a percepção e a lem.. efetue uma revolução análoga a do cálculo em ciência: cf. parece criticar a análise infini- há tantas dificuldades para atingir esse ponto focal que se devem mul. uma memória pura idênti- sabermos ultrapassar a experiência em direção às condições da expe. nossa experiência: prodigiosa ampliação que nos força a pensar uma nossa representação. aparentemente contraditórios. inflectindo-se no sentido de nossa utilidade. todos com. condenamo-nos a ignorar tanto a lem. te em ultrapassar a experiência em direção a conceitos. Acima da viravolta: é esse. por outro lado. Mas De toda [19J maneira. e reencontrarmos o que compara o procedimento da filosofia ao do cálculo infinitesimal: quan- difere por natureza nos mistos que nos são dados e dos quais vivemos. finem somente. Por isso. e mesmo ultra- rais e nem abstratas. Aqui. e. comprimidos coloca de súbito na matéria. Pretende-se que tais estados mistos. tesimal: por mais que esta reduza ao infinito os intervalos que considera. (O texto precedentemente citado. 215). resta ainda prolongá-la para fora si algo de suas substâncias. 206.assim como os matemáticos reconstituem. ticularidades dependem. 773-786. são passá-la. na qual fatos aparentemente diversos en- presenças que não se deixam representar: a da percepção. tiplicar os atos da intuição. Mas essas condições não são ge. todas as suas particularidades. O da experiência . 24 Cf.. à maneira kantiana. é o comentário desta fórmula. ultrapassar a condição humana. É nesse sentido que. trocam sempre entre nos assinala uma linha de articulação.) 22 MM.). na experiência. se é preciso ampliá-la. que "Percepção e lembrança penetram-se sempre. menos determinadas em conceitos do que nos perceptos puros25. ela ainda se contenta em recompor o movimento com o espaço percorrido (por exemplo. des levantadas pela psicologia e talvez também pela metafísica. volta da experiência. 218: "A filosofia deveria ser um esforço para ultrapassar a condição humana". nós impelimos no espírito. riores a nossa . o ponto em que se descobrem enfim as diferenças de natureza. Desse modo.. 205. 25 PM. se. EC. e não mais de natureza. [17J Que as duas linhas se encontrem e se misturem ainda cada linha para além da viravolta. restituir a cada um sua pureza elementos infinitamente pequenos que eles percebem da curva real.. do.21. é este o sentido da brança pura quanto a percepção pura. mática". já que nossa condição nos condena a viver entre os mistos único gênero de fenômeno. ou melhor. as condições de toda experiência A intuição nos leva a ultrapassar o estado da experiência em di. 321. é somente para encontrar as articulações das quais essas par- as condições da experiência real. em duas puras ca uma espécie de contração. Mas todos os nossos falsos problemas vêm de não percepção pura idêntica a toda a matéria. se estende atrás deles. É assim que 79-80. 18 Bergsonismo A intuição como método 19 . conta. por sua Bergson nos fala ora de um movimento exatamente apropriado à ex. à filosofia uma sabedoria e um equilíbrio propriamente humanos. a conhecer tão-somente um filosofia. E 1425. "a natural. seria esclarecido um bom número de dificulda. acima dessa viravolta decisiva. por conseguinte. para" operar diferenciações e integrações qualitativas" (PM. um misto mal analisad024. ca à totalidade do passado. freqüentemente. que nos contram-se agrupados segundo suas afinidades naturais. Bergson. DI. 148-149. ao contrário. E a metafísica deve até mesmo inspirar-se na "idéia geradora de nossa mate- restrição. Porém. pois estes de- brança apenas uma diferença de grau. 206. E. 89). nós próprios. mais profundamente. na qual.22. a determinação de cada "linha" impli. Abrir-nos ao inumano e ao sobre-humano (durações inferiores ou supe- jam estados simples. PM.. Bergson não é um desses filósofos que atribuem não é o que acontece. 329- periência. em direção às articulações do real. Mas. Bergson exige que a metafísica. somos favorecidos por um pequeno vislumbre.

Bergson mostra que o problema da imortali- mum confuso dado na experiência. na intersecção do real a que procedem. lação do real que operam segundo as diferenças de natureza. e resolve graças a um extremo estreitamento.. ] Estimamos que este método de intersecção seja o para ultrapassar a experiência em direção às suas condições concre- único que pode levar definitivamente adiante a metafísica. ela designa o momento em que as linhas. Mas trata-se de um probabilismo qualitativo. Em sua divergência. mas so. Mais complexos ainda são novo para nos dar dessa vez a imagem virtual ou a razão distinta do os [22] problemas que se desatam no ponto de convergência de três ponto comum. tas. apto para resolver os periência. mística28. prolongando. por não ir suficientemente de fato qualitativamente distintas. 27. 1315. o real não é somente o que se divide segundo articulações naturais ou diferenças de natureza. 26 MR. As- bretudo em um ponto virtual. a ex. de tal modo que Donde uma REGRA COMPLEMENTAR da segunda regra:[21} já não subsista distância alguma entre eles. elas já se duas destas linhas até o ponto em que elas se cortam. 1186. forma um verdadeiro probabilismo: cada linha define uma probabili- assim como há integração após a diferenciação. dos seus processos diferentes. o ponto em que as direções se cruzam e onde e dilatadas. a linha da do misto. Dir-se-á que nada é mais fácil e que a solução do problema por estreitamento: quando apreendemos o pon- própria experiência [2 O}já nos dava esse ponto. devem convergir ao final pressão "acima da viravolta decisiva" tem dois sentidos: primeiramente. dividimos esse misto em duas direções divergentes em que elas se cortam. advém um derradeiro estreitamento. o ponto preciso que estas se recortem não no ponto de que partimos. divergem cada vez mais em con. na desarticu- longe. 818. aquele em que essas linhas convergem de experiência totalmente distinta. colo- dar conta. o ponto preciso no qual a lembrança se insere na percepção. Em sua convergência. o espírito e a matéria. a razão suficiente da coisa. A coisa não é tão sim. tende por si mesmo a resolver-se. Com efeito. fornece tão-somente a direção da verdade: todavia. linhas de fatos: é essa a natureza da consciência no primeiro capítulo nas um momento que deve terminar na re-formação de um monismo. de A energia espiritual.. a propósito do qual Bergson que nos propicia. Assinale-se que esse método de intersecção Eis por que. da matéria e do espírito. 817. O dualismo. até o caso da afasia27. Após ter seguido linhas de divergência para além da viravolta. Mas só obtemos a tal como nós a conhecemos. partindo de um ponto co. Do mesmo modo. 27 PM. que convém somente a ela tendo sido bem colocado. o que constitui o que Bergson chama de precisão em filosofia. é ape. apto para colocar os problemas e própria verdade [. em seguida. partindo do misto lem- além da viravolta da experiência. Por exem- e que. "Falávamos outrora dade29. eles mesmos. mas é também o que se reúne segundo vias que convergem para um mesmo ponto ideal ou virtual.26. linhas definem agora um probabilismo superior. atingir-se-á a constituem um empirismo superior. ela própria situada para além da viravolta da experiência. Viravolta e reviravolta. Portanto.se tais perceptos se reúnem.. 80. trata-se de A função particular dessa regra é mostrar como um problema. 263. só se partida. em uma imagem virtual do ponto de sim. em um conceito. problemas e relacionar a condição ao condicionado. dade da alma tende a resolver-se pela convergência de duas linhas muito formidade com verdadeiras diferenças de natureza. é te. sendo as linhas dessas linhas de fatos. e em sentido inverso. a razão suficiente mostra como a linha da objetividade e a da subjetividade. ela diferentes: precisamente a de uma experiência da memória e a de uma designa um outro momento. enfim. quando seguimos cada uma das "linhas" para camos bem o problema da memória quando. virtual que é como que a reflexão e a razão do ponto de partida. to original no qual as duas direções divergentes convergem novamen- ples. 20 Bergsonismo A intuição como método 21 . 1199-1200. 28 MR. 280-281. Desse modo. a razão suficiente do ponto de partida. cada uma das quais. 4 e 835. ainda conforme o primeiro capítulo de Matéria e memória. o problema da alma e do corpo. é também preciso reencontrar o ponto brança-percepção. que correspondem a uma verdadeira diferença de nature- as tendências que diferem por natureza se reatam para engendrar a coisa za entre a alma e o corpo. não é mais amplo do que aquilo de que ele deve plo. 29 ES. as há como que duas viravoltas sucessivas. u~ conceito talhado sobre a própria coisa. observação externa e a da experiência interna. depois da ampliação. da ex. nesse sentido. portanto.

1275. com efeIto.to o realismo. 1416. Parece que a dificuldade desaparece no ber~so~lsmo. o meio. . o movimento pelo qu. e o espaço.m~l~ entre duas tendências.!'hCl- cialmente. de modo que só há diferenças de natureza na d~raçao - e o espaço. suas articulações naturais. tentar em simplesmente afirmar uma diferença de natureza entre a Talvez tenhamos o meio de resolver a questão metodologlCa mais duração e o espaço. o conjunto das plicam. retornando ao movimento da divisão deter. portanto. A intuição é sobretudo o mOVimento. .. diferenças de grau. 10. quando a pensamos em termos de Duração. ('u a vivo. pareceria que uma rl'vclador para outras durações que pulsam com outros ntmos. ao passo que o espaço é tão-somente o lugar. que mostra como esse açúcar difere por natureza não só das outras coisas. ou melhor. q~e diferença de natureza se estabelecesse entre duas coisas ou sobretudo diferem por natureza da minha. Portanto. ela consiste em pensar em termos de duração31. em proporções e figuras muito va..s. pelo qual a coisa difere o "bom lado" o da essência. de outra parte. por geral. Mas todo o problema era saber como se escolhia a boa metade: p~r ção a si mesma). não há diferença de na. dividindo o misto segundo duas ~endên~ias. a diferença de natureza está dadeiro método.pelo qual Consideremos um pedaço de açúcar: há uma configuração espa- cial. reza (pois ela é dotada do poder de variar qualitativamente em rela. a assumir ou a ser portadora de todas as diferenças de natu. censurar a divisa0 por nao s. d~s q. propunha dividir um misto em duas metades ou s. que se revela pelo menos em parte no processo da dissolução. É verdade. tempo. Em resumo. tal como supõe a duração.74: "As questões relativas ao sujeito e ao objeto. . pois faltava-lhe o "meio termo" e dependia am~a de inteiramente de um lado. E a duração é sempre o lugar e o. todas mUlto dlfe!entes apreendemos. mas primeiramente e sobretudo de si mesmo. "Somente o bém uma duração. À primeira vista. No contexto. a mtUlçao torna-se meto- por natureza de todas as outras e de si mesma (alteração). Contudo. 218. à sua dis- tinção e à sua união. pelo qual a coisa apresenta a maneira pela qual uma COlsavana quahtatlvamente no só pode diferir em grau das outras coisas e de si mesma (aumento. mas é {23j verdade apenas superfi. Consideremos a divisão bergsoniana principal: a duração dade delas.uals so uma riáveis segundo o caso: de uma parte. sendo inclusive o conjunto e a multl.aso diminuição). Quando elaborava seu método da divisão. a famosa fórmula de Bergson "devo {24j esperar que o açúcar ~l'dissolva" tem um sentido ainda mais amplo do que aquele dado a Essa regra dá o "sentido fundamental" da intuição: a intuição ('Ia pelo contexto32. e método de que falamos permite ultrapassar o idealismo ta~to quan. Quando dividimos alguma coisa conforme uma inspiração. TERCEIRA REGRA: Colocar os problemas e resolvê-los mais em função do tempo do que do espaç030. um ritmo de duração. temos.al no. 502. na impaciência das minhas espera. A divisão se faz entre a duração. mas sob esse aspecto nós só apreenderemos tão-somente diferen. Bergson só atribui uma duração ao açúcar à espaço". A esse res. das diferenças de natureza.t~mb~m se sua vez. por exemplo. Todas as outras divisões. Platão . Per~ebemos confunde com a essência ou a substância de uma coisa. uma maneira de ser no tem- po. MM. que "tende".er~m ver- tureza entre as duas metades da divisão.egundo vanas lmhas. 1417. afirmar a existência de objetos inferiores e supenores a nos. serve de minante das diferenças de natureza. Ela significa que minha própria duração. pois designam diferenças de natureza?3. Só podemos compreendê-lo. o lado espaço. peito. pois. medida que este participa do conjunto do universo. o lado duração.206-208. Bergson dá efetivamente a si o meio d~ es~o~herem cada c. Essa alteração se ! conquanto sejam em certo sentido interiores a nós [. saímos de nossa própria duração. não podemos nos con. de outro? Podia-se.s {25j nos servimos de nossa duração para afirmar e reconhecer Imediatamente ças de grau entre esse açúcar e qualquer outra coisa. nao nos devem enganar.30. do. capo IV. que só apresenta diferenças de grau (pois que aquilo que nós buscávamos estava so~r~t_udode ~m lado e nao ele é homogeneidade quantitativa). dela derivam ou nela terminam. todos os outros dualismos a im. 33 PM. Ora. há tam- a existência de outras durações acima ou abaixo de nós.' o método se reconcilia com o imediat? A intuição não é a própria duração. é ela que nós durações tão numerosas quanto queiramos. umas das outras" (as palavras inferior e superior. Veremos mais adiante o sen- tido desta restrição: cf. Sem a intui- 30 Cf. 31 PM. devem ser colocadas mais em função do tempo do que do 32 EC. 22 Bergsonismo A intuição como método 23 .

pela metafísica. De certa maneira. e a {26} ções. é uma das duas metades da ontologia. antes. na extensão. realmente. umas reme. eis que. pois. é uma tendem a apresentar entre si e a nós mesmos tão-somente diferenças ilusão. 38 PM. um estado de coisas em que as diferenças de na. De onde A ilusão. É verdade que esse conjunto de razões é que seria tão-somente apreciável por seus êxitos ou sua eficácia. conhecida pela ciência37. de uma ontologia complexa. na matéria e vista e. penetrado dissolver as diferenças de natureza nesse elemento de generalidade34. inseparável de nossa condição. PM.. a da duração. se a idéia de um espaço homogê. parar dessa realidade psicológica para. tornando-se a essência variável das coisas e fornecendo o tema gerais muito diversas. diferença de natureza. dirá Bergson. ramente. O movimento retrógrado do verdadei- ro não é somente uma ilusão sobre o verdadeiro. portanto. Inversamente. diferenças de grau neo implica uma espécie de artifício ou de símbolo que nos separa da e diferenças de natureza.36. há um ponto de ças de proporção tal como aparecem no espaço e. mas na nature. uma disciplina simbólica paço que as subentende"35. 679. a ciên- ainda psicológico. Portanto. tendo a semelhanças objetivas nos corpos vivos. a intuição religião estática e religião dinâmica. luto ("a física moderna revela-nos cada vez melhor diferenças de nú- za das coisas. Como ilusão. sem a coincidência com a duração. ser fundado no ser metendo a exigências subjetivas nos objetos fabricados... uma de suas duas vertentes. Mas. a matéria. 58-64 lados do absoluto. finalmente. Todavia. o convida a ver o mundo sob esse aspecto. re. duração pareceu-lhe cada vez menos redutível a uma experiência psi- rais. Mas. em certo ponto de vista. em sua afinidade natural com o espaço. mas em função dessa outra vertente. portanto. 24 Bergsonismo A intuição como método 25 . também ele. uma de suas duas dire- prontos para formar uma idéia geral de todas as idéias gerais. 217. 35 EC. Mas só é uma ilusão na medida em que projetamos sobre a outra de grau. . Em resumo. deste. {27} vem ela e em que sentido é ela inevitável? Bergson põe em causa a mas do mundo que habitamos. 104: A inteligência "toca então um dos 34 PM. O absoluto. o estado do misto não vertente a paisagem real da primeira. 1156. 1278 ss. O conta razões mais profundas. mas a diferença tem duas faces. A matéria é efetivamente o "lado" pelo qual as coisas mero atrás das nossas distinções de qualidade" )38. há idéias cológica. psicológica. ordem que nos in. a duração permaneceria como simples experiência próprio verdadeiro. que diferem entre si por natureza. Bergson clina a só reter das coisas o que nos interessa. quando a própria ciência nos são realidades que prefiguram a ordem do espaço. que nos propicia dife- em reuni-los em condições tais que não podemos apreender nele es. assim como nossa consciência toca um outro [. entre o início e o fim de sua obra. a ordem da inteligên. A experiência nos propicia mistos. Absoluto é diferença. Dividindo o misto "religião" em duas direções. outras remetendo a o espaço parecia-lhe cada vez menos redutível a uma ficção a nos se- identidades objetivas nos corpos inanimados."Dissolvemos as diferenças qualitativas na homogeneidade do es. ora. mas estamos e exprimir. 1300. 1298-1303. mas pertence ao 36 MR. quando apreendemos sim- realidade. 61. 225. tureza já não podem aparecer. tem dois lados: o espírito. Retornemos. à ilusão dos falsos problemas. Os dois pontos principais da sua evolução são os seguintes: a cia. que vem recobrir as diferenças de natureza. (E 1335. outras.. precisamente.. "perceberíamos uma série de transições e algo cedentes: a determinação dos verdadeiros problemas ou das verdadeiras assim como diferenças de grau ali onde. A ilusão só pode ser repelida {28} consiste apenas em reunir elementos que diferem por natureza. renças de natureza que correspondem em última instância às diferen- sas diferenças de natureza constituintes. há uma radical diferenças de natureza . evoluiu. Devemos levar em cia diz respeito à ontologia. por outro lado e ao mesmo tempo. Bergson acrescenta: situando-nos não seria capaz de realizar o programa correspondente às regras pre. nem por isso se pode esquecer que a matéria e a extensão ples diferenças de grau entre as coisas. da ação e da sociedade. ~ão como método. 34 ss. não deriva somente de nossa natureza. estamos ainda em um abso- espaço não está fundado somente em nossa natureza.]"). a ordem das idéias ge.. além disso. a ciência não é um conhecimento relativo. do lado do ser que nos aparece primei- ordem das necessidades. 37 Cf. Ou melhor.

tal como aparece em Os dados imediatos e nas primeiras páginas de A evolução criadora: trata-se de uma "passagem". ela dá à duração uma nova extensão do ponto de vista do ser e do conhecimento. ao pas- 39 Sobre este ponto. Bergson (Seghers. 28 ss. é certo que a intuição forma um método. de uma "mudança". I 965). A DURAÇÃO COMO DADO IMEDIATO zante (crítica de falsos problemas e invenção de verdadeiros). de um devir. Desse modo. /29} renciante (cortes e intersecções) e temporalizante (pensar em termos de duração). é também experiência am- pliada. o espaço apresenta-nos uma exterioridade sem sucessão (com efeito. assim definida. Robinet. trata-se sobretudo de dividir o misto l'm duas direções. a excelente análise de A. 26 Bergsonismo i\ duração como dado imediato 27 . em troca. Trata-se de um método essencialmente problemati. Supomos conhecida a descrição da duração como experiência psicológica. heterogênea e con- tínua. Tratar-se-ia já de dividi-lo segundo duas direções puras? Enquanto Bergson não levanta explicitamente o problema de lima origem ontológica do espaço. de uma mudan- ça que é a própria substância. das quais somente uma é pura (a duração). Note-se que Bergson não encontra qual- quer dificuldade em conciliar as duas características fundamentais da duração: continuidade e heterogeneidade39. Bergson acha-se diante da tarefa da divisão do misto. a duração não é somente experiência vivida. Mas falta determinar ainda como a intuição supõe a duração e como. pois o que esta propicia é sempre um misto de espaço e de duração. somos capazes de "conservar" os estados instan- tâneos do espaço e de justapô-los em uma espécie de "espaço auxiliar".• Portanto. pp. decompômo-Ia em partes exteriores e a alinhamos em uma espécie de tempo homogêneo. e mesmo ultrapassada. sem exte- rioridade. a lembrança do que se passou no espa- ço já implicaria um espírito [3D) que dura). Mesmo antes de tomar consciên- cia da intuição como método. com suas três 2- (ou cinco) regras. A du- ração pura apresenta-nos uma sucessão puramente interna. ao passo que a duração leva a essa mistura sua sucessão interna. mas de um devir que dura. mas também introduzimos distinções extrínsecas em nossa duração. Um tal misto (no qual o tempo se confunde com o espaço auxiliar) deve ser dividido. dife. ela já é condição da experiência. na qual o espaço introduz a forma de suas distinções ex- trínsecas ou de seus "cortes" homogêneos e descontínuos. Produz-se entre os dois uma mistura. a memória do passado. Mas. cf.

de heterogeneidade. objetivo o que é co- 40 É verdade que. de opor o Múltiplo ao Uno. Eis por que devemos atribuir uma monta a um cientista genial. a falsa noção de intensidade. não se contentava [33] em opor uma visão filosófica da duração a uma como ela já nos informa a respeito dos problemas que aparecem em concepção científica do espaço. ao contrá. Por isso. Ora. precisamente. seu caráter duplamente insólito: com efeito. O misto mal analisado. Uma delas é representada pelo espaço (ou me.sobretudo para designar um continuum. físico e matemático. se Berg- interna. Ele definia grande importância à maneira pela qual Bergson.so que a outra representa a impureza que a desnatura4o. desde Os dados imediatos. "Sur les hypothêses qui servent de tondement à la géométrie"). A outra se apresenta na duração pura: é uma multiplicidade ção bergsoniana das multiplicidades contínuas. de justaposição. uma multiplicidade numérica. Como se define a multiplicidade qualitativa e contínua da dura- cidades discretas e multiplicidades contínuas: as primeiras eram por. de organização. Não só seu interesse pela funde com o lado direito. por anunciar os desenvolvimentos de Matéria e memória. de diferenciação [31] quantita. ou a confusão Ilusserl. É evidente que. precisamente porque se con. esse mesmo livro perde tempo homogêneo): é uma multiplicidade de exterioridade. capo 11(e capo III. quanto a da ciência. As multiplicidades contínuas pareciam-lhe perten- cer essencialmente ao domínio da duração. ele pensava que ela devesse reagir sobre não se trata. ção em oposição à multiplicidade quantitativa ou numérica? Uma pas- tadoras do princípio de sua métrica (sendo a medida de uma [32] de sagem obscura de Os dados imediatos é ainda mais significativa a esse suas partes dada pelo número dos elementos que ela contém). Se nossa hipótese tem fundamento. o que só se deixa lário tradicional . a Parece-nos que não foi dada suficiente importância ao emprego duração não era simplesmente o indivisível ou o não-mensurável.. pela mistura impura do de Riemann. tomando a noção as coisas como "multiplicidades" determináveis em função de suas di. 11. mesmo que tão. de um lado. Bergson estava bem será alcançada como" dado imediato". por outro lado. Duração e simultaneidade é um livro no qual Bergson confronta de "multiplicidade". mas da palavra "multiplicidade".. Oeuvres uma gênese do conceito de espaço a partir de uma percepção da extensão: cf.Também 41 DI. de simul. Com efeito. Riemann. 122). sobretudo o que só se divide mudando de natureza. entre a interpretação riemanniana e a interpreta- e atual. descontínua do até então implícito. A palavra "mul. Espace. o lado bom do misto. Ele distinguia multipli. temáticas. para Bergson. Matiere. mensões ou de suas variáveis independentes. irredutível ao númer041. de multiplicidade. esse problema re. ele tinha mudado profundamente o sentido da dis- tinção riemanniana. define. mais particular- O importante é que a decomposição do misto nos revela dois tipos mente. 64- 65. para Bergson. as segun. de distinguir dois tipos de multiplicidade. mas. sua própria doutrina com a da Relatividade. de fusão. mas. renova seu alcance e sua repartição. lIIathématiques (tr. a par dos problemas gerais de Riemann. por sua vez. De modo algum ela faz parte do vocabu. A das encontravam um princípio métrico em outra coisa. que depende estreitamente lhor. como filósofo. de sucessão. cf.1 teoria riemanniana das multiplicidades. manti- tiva. passagem distingue o subjetivo e o objetivo: "Chamamos subjetivo o somente nos fenômenos que nelas se desenrolavam ou nas forças que que parece inteira e adequadamente conhecido. 107. E H. A duração nelas atuavam42. de son renuncia a este livro e o denuncia. 28 Bergsonismo 1\ duração como dado imediato 29 . Weyl. uma multipli. de diferença de grau. mas traz à luz um confronto. se levarmos em conta todas as nuanças. a ciência e abrir a esta uma via que não se confundia necessariamente rio. De fato. com a de Riemann e de Einstein. reno das duas espécies de multiplicidade e pensava que a multiplici- tiplicidade" não aparece aí como um vago substantivo correspondente dade própria da duração tinha. se inspira das duas multiplicidades. ge brutalmente e nem sem razão. Gauthier-Villars ed. ele transpunha o problema para o ter- Os dados imediatos e que se desenvolverão mais tarde. Bergson indica o problema de 42 Sobre a teoria riemanniana das multiplicidades. fr. poder perseguir a teoria das multiplicidades até suas implicações ma- cidade virtual e contínua. 71-72. de ordem. Riemann. Temps. uma "precisão" tão grande à bem conhecida noção filosófica de Múltiplo em geral. . Não só medir variando de princípio métrico a cada estágio da divisão. matemática bastaria para nos persuadir disso. talvez seja porque julgue não discriminação qualitativa ou de diferença de natureza. Bergson veremos que ela é essencial do ponto de vista da elaboração do método. se bem que em sentido totalmente distinto daquele de Bergson. respeito. mais ainda. ele não sur- taneidade. B.

mas o ódio e o amor tornam-se conscientes em condições tais que quação recíproca do dividido e das divisões..43. algo de natureza distinta45. cia. indefinidamente. não tem algo complexo conterá um número bem grande de elementos mais simples. 63.) Portanto. 57. tão longe quanto se queira. não só o que se divi. a própria unidade aritmética. e. Inversamente. o que é uma multiplicidade qualitativa? O que é o Em outro texto. embora Bergson. dividin- 43 DI. dúvida. não se poderá dizer que eles estavam inteiramente realizados. Portanto. em primeiro lugar.48. mesmo são unidades provisórias. pode haver mais na matéria do que na imagem que dela faze- mos. 62. tudo é atual no como provisoriamente indecomponÍveis para compô-los objetivo. suscetíveis de se fragmentarem antes de tais divisões serem efetuadas. 341.] ela nada oculta. mas o que não muda de natureza ao dividir-se. elas são apreendidas pelo pen. ora..). enquanto esses elementos não se destacarem com uma nitidez per- potências nem virtualidades de espécie alguma [ ] está exposta em feita. "Esta apercepção atual. na qual. abaixo de si [. 1353. MM. seria um grande erro acreditar que a duração pois o número e. são fosse simplesmente o indivisível.J cada estágio da divisão. É. 10 só tem diferenças de grau é o mesmo que dizer suas diferenças. o modelo do que se divide sem mudar de natureza.• nhecido de tal maneira que uma multidão sempre crescente de impres. diz-se que o objeto é uma "multiplicidade numérica". nada encerra [ ] não possui nem mas. são sempre atuais [35] nele. Bergson felicita Berkeley por ter este identificado corpo sujeito..) Se toda multiplicidade'. mudado. 47 Cf. elas já são visíveis na imagem do objeto: mesmo que quanto se queira imaginar [. as unidades são. mas não pode haver nela outra coisa. lizadas ou não. sem que nada mude no aspecto total do ob. 30 A duração como dado imediato Bergsonismo 31 . Ora. versamente. O primeiro capítulo de Matéria e memória desenvolverá esse entre si.. sem esta é considerada como extensa. Na [36] verdade. felizmente dissipados pel9 contexto. exprima-se freqüentemente assim.e e se mantém toda inteira a todo instante no que expõe"46.realizado ou não.. Bergson quer dizer que o objetivo é o que não meros.. e cada uma delas constitui uma soma de samento como possíveis. mas que se considera tem virtualidade . objetivo.49. " 49 DI. superfíci. Bergson diz "multiplicação" (N. chamaremos objeto. Há outro sem 45 MM. por comodidade. desde que a consciência tenha deles uma percepção distinta. in- somente virtual. por sua vez. 62. portanto. do número e da unidade. possível ou real. Com efeito. ou o subjetivo? Bergson dá o seguinte exemplo: "Um sentimento e idéia. des diferem por natureza entre si. 55-56. Bergson precisa: um "As unidades com as quais a aritmética forma números objeto pode ser dividido de uma infinidade de maneiras. muda de natureza. de. 57. Dizer que o núme. tão grandes quanto se queira. e [34] não uma unidade provisória que se acrescenta a si mesma. arriscamo-nos a cair em contra-sensos .75-76. a duração divide- se e não pára de dividir-se: eis por que ela é uma multiplicidade. 57. verdadeiros nú- mamos objetividade"44. de subdivisões no indiviso é precisamente o que cha. nada é assim mudado na natureza do que se divide . pode-se levar a divisão 48 DI. por isso mesmo. rea- sões novas poderia substituir a idéia que dele temos atualmente. Atendo-nos a essas fórmulas. 46 PM. pelo que podemos identificá-la com a "imagem". a 44 [DI. do-se: eis por que ela é uma multiplicidade não numérica. do T.231: "Enquanto se trata de espaço. im- não realizadas (simplesmente possíveis). <. pode-se falar de "indivisÍveis"-. O que caracteriza o objeto é a ade.127. o que (Por exemplo. Mas da não se divide sem mudar de natureza. pelo menos de direito.. psíquico que resulta de sua síntese terá.. tais divisões são atualmente plica a possibilidade de tratar um número qualquer como percebidas. e diferem por natureza do complexo Nesse sentido.60-61. inconsciente. o estado Em resumo. justamente porque se admite a possibilidade tema de modo mais claro: a matéria não tem nem virtualidade nem de dividir a unidade em tantas partes quanto se queira é que potência oculta. justamente porque a matéria "não tem interior. 218-219. um complexo de amor e de ódio se atualiza na consciên- se divide por diferenças de grau47.. quantidades fracionárias tão pequenas e tão numerosas jeto.

Ao dizer tudo isto. análogos a Esse texto de Os dados imediatos. desenredar determinado número de atos elementares. é o virtual.reservando-lhe somente um uso em relação subjetivo. então. Bergson reprova o falso movimento. o não-ser em geral. combinando-se a insuficiência de um conceito com 50 DI. De antemão. tar em um erro de impressão. portanto. dizem-nos: diferenças de natureza. isto é. o ccito de possibilidade .. alto ponto a noção de virtual. inseparável do toda espécie de falsos problemas . essencialmente. a insuficiência do seu oposto. mas tudo nela é atual. se define por partes que são percebidas atualmen- son está pensando. não se reencontra o singular. 341. ao texto: "Chamamos subje- ments principaux de la représentation data de 1907. 81. Isso implica que o subjetivo..que haja vários. seríamos até levados a invertê-las. tras tantas diferenças de natureza. em seguida. que está em vias de atualizar-se. a denúncia da dialética hegeliana como falso 32 Bergsonismo A duração como dado imediato 33 . entretanto. Uma tal multiplicidade goza. com efeito. ele não é ade- momentos sucessivos do ato que a divide . e que funda sobre ela toda uma filoso- ciação. não seria o objetivo (a matéria) que. o ser em subjetivo e o objetivo.1matéria e aos "sistemas fechados". evidentemente. cujo Essai sur les élé- te. aqui não há qualquer dificuldade para Bergson to estão entre as mais belas de sua obra: ele tem a impressão de que se conciliar a heterogeneidade e a continuidade. se ela interrompe 52 PM. Em virtude do contexto. sendo sem virtualidade. intervalo. um movimento do concei- ções são estranhas. ele. pensa a insuficiência de um conceito muito amplo ou muito geral ape- niana51. Ao contrário. o Uno já é múltiplo. não há nem mesmo a necessidade de se efetuar a divisão. teria um ser seme- lhante ao seu "aparecer" e se encontraria. com. portanto. e cria pelo seu movimento próprio ou. ao passo que. As pági- de três propriedades: da continuidade.. Mais precisamente. não virtualmente (DI. substituir a idéia que dele temos atualmente". Tomadas literalmente. quando com- a ganhar uma importância cada vez maior na filosofia [37J bergso.é também aquele que leva ao mais movimento de sua atualização. uno e o múltiplo. Mas os termos empregados por Bergson justificam. que só vai de um contrário ao outro à força de imprecisão 53 . Dizem-nos: o Eu é uno (tese). mergulha em outra dimensão. pela qual se define tiplo". Tudo é atual em uma multiplicidade Na noção de multiplicidade. . Elas têm em comum a pretensão de recompor o real te temporal e não mais espacial: ela vai do virtual a sua atualização. essas defini. uma multiplicidade não numérica. parte. então. geral. Em filosofia. Ou. é o virtual à . 196-197. 289. Verdadeiramente. no qual Bergson distingue o vestes muito folgadas52. isto é. se atualizadas: "As partes de nossa duração coincidem com os mos. em um quadamente conhecido. a natureza indivisível da coisa. em tal método dialético. Mas é também a tivo o que parece inteira e adequadamente conhecido. Na dialética. Portanto. no caso da matéria distinta. ela com idéias gerais. mas o que meiro a introduzir indiretamente a noção de virtual. parece-nos ainda mais importante por ser o pri. corrigindo- se uma generalidade por outra generalidade. ou a duração. e se nossa consciência pode. . se é verdade que o objeto não contém outra coisa além do que conhece- se efetuadas. 232). 90. o múltiplo em geral. 164). da heterogeneidade e da simpli. puramen. também aí se interrompe a divisibilidade" (MM. fia da memória e da vida. ra pela qual ela se distingue de uma teoria do Uno e do Múltiplo. Em outros termos. o Ser passa ao não-ser e produz o devir. criando linhas de diferenciação que correspondem a suas é. pois a atualização se faz por diferen. adequadamente conhecido? E não seria o subjetivo aquilo que se poderia sempre dividir em partes de natureza dos seus níveis. o que é muito importante é a manei- numérica: nesta. 63). mas sempre vendo aí a fonte de medida que se atualiza. não menos amplo e geral? O concreto jamais será reencontrado. sabemos que ela é possível sem qualquer mudança na natureza da coisa. Nesse se de um outro ponto de vista. objetivo o que é conhecido incompatibilidade do bergsonismo com o hegelianismo. e mesmo com de tal maneira que uma multidão sempre crescente de impressões novas poderia todo método dialético. No caso da duração subjetiva. Retornemos. a divisão em alguma parte. pois to abstrato. lando ao conceito oposto. 57. as divisões só valem sentido. o mesmo autor que recusa o con. objetiva. compõe-se o real com abstratos. partes que ele só virtualmente conteria? Seríamos quase levados a acredi. em cada um 53 Em contextos muito diversos. em troca. em Hamelin. nem tudo está "realizado". Berg- 5! O objetivo. defina-se pela virtualidade de suas partes. conhecemos muitas [38J teorias que combinam o a duração ou a subjetividade. de conceitos muito amplos. noção destinada vale uma dialética que acredita poder reencontrar o real. A noção portando ela relações apenas entre atuais e tão-somente diferenças de de multiplicidade faz que evitemos pensar em termos de "Uno e Múl- grau. 1408. O Uno em geral. é múltiplo (antítese) e se atualiza. número somente em potência50. que se manifesta em tais páginas. por linhas divergentes. pode-se dizer que a divisão nos dá adequadamente. como veremos. Com efeito. contém sempre mais (MM. a unidade do múltiplo (síntese). nas em que Bergson denuncia esse movimento do pensamento abstra- cidade.

PM. Direi. dida". Platão. Bergson reencontra acentos platônicos. 87: "Nada mais natural que a filosofia se tenha 54 Cf. estima que a dia- lética em geral. esvaziados de toda "medida" e de toda substância real. da qual não se vê. de um lado. como segmentação tão denuncia as facilidades da dialética. Com efei- se que se procuraria conciliar logicamente. ao contrário. Mais notável ainda é que Bergson. A duração opõe-se do uno?54. onde e quando. com operação misteriosa. no intervalo da qual todas as coisas es- duração. um tipo de tão frouxa que deixa tudo escapar. implicam e dão testemunho de uma mesma insuficiência. A du- ração será a síntese dessa unidade e dessa multiplicidade. a partir da ordem e do ser. ".o Ser é não-ser etc. sou obri. duas formas do negativo: [41] ao uno e ao múltiplo abstratos é a unidade múltipla da pes.. ora por "degradações". O essencial do projeto de Bergson é pensar as diferenças sucessivos e. inclusive a de Platão. que za. O ponto comum entre Bergson e Platão é. que é a duração. [39] Mais uma vez. 1416. [14 d. 18 a-b. em cada caso. como incompreensão do movimento real. Cf. Nietzsche. uma unidade que os liga. das quais multiplicidade que não se deixa reduzir a uma combinação muito ampla Bergson tanto gosta. a crítica de Bergson é dupla. mas em vão. procurarei recompô-la. referentes à arte do corte. precisamente porque ela é uma multiplicidade. o negativo de simples limitação e o negativo de oposição.. o que Bergson pede é uma fina percepção da mul- plo é uno . Vimos que o método bergsoniano de di.. aquela que eles já encontram feita na linguagem . 1321. a ter dem e ao ser. como o conceitos.] Os conceitos ocorrem ordinariamente aos pares e so. Desse modo. como forças que exerceriam sua potência e se combi- sobre a duração em geral duas visões opostas. repito. só coincidem com ro. dará no mesmo concebê-las. Filebo. por exemplo. 197. com as quais. a procura de um procedimento capaz de determinar. se considerarmos noções negativas. Bergson. qual realidade superior Distinguem-se. Parece-lhe que ambas dois conceitos antagonistas.. em sua crítica do negati- visões opostas e que. a "me- portaria nuanças ou graus. Ela não 55 PM.55. dispunha de outra coisa. vale somente para o começo da filosofia (e movimento. em que os contrários. Não há realidade concreta com Kant e os pós-kantianos. denuncia igualmente uma forma e outra. tiplicidade. visão é de inspiração platônica. representam os dois contrários.] Se procuro analisar a limite de uma "degradação". Um Platão e um Aristóteles adotam. movimento abstrato. como com- efeito. isto é. Marx. formando uma rede ao devir. 1409. Esse texto está próximo daquele em que Pla. nariam com seu oposto para produzir (sinteticamente) todas as coi- em seguida. zação. ao denunciar nas duas poderá apresentar nem uma diversidade de grau e nem uma formas do negativo uma mesma ignorância das diferenças de nature- variedade de formas: ela é ou não é. por ex. Feuerbach. o Uno e o Múltiplo em geral.. é um da história da filosofia): a dialética passa ao largo de um verdadeiro método de tema freqüente em Kierkegaard. pela to. É verdade que Platão pensava que uma dialética afinada pudesse satisfazer tais exigências. Em cada caso. Platão Contra a dialética. diferenças que são substituídas. como as de desordem e de não- razão muito simples de que jamais se fará uma coisa com ser. em oposição à or- gado. uma fina percepção do "qual" e do "quanto". como tampouco sua simplicidade se confunde com o Uno. foi uma considerável revolução em fi- em relação à qual não se possa ter ao mesmo tempo duas losofia. que invocam o bom alfaiate a condição de serem apreendidos no ponto extremo de sua generali- e as vestes feitas sob medida. assegura-se que a substituição da primeira forma pela segunda. ora por há. "Qual" unidade do múltiplo e "qual" múltiplo ele denomina "nuança" ou número em potência. (o Uno e o Múltiplo).. Donde uma tese e uma antÍte. por outro lado.. contra uma concepção geral dos contrários • foi o primeiro a zombar daqueles que diziam: o Uno é múltiplo e o múlti. de modo algum se confunde com o "O que verdadeiramente importa à filosofia é saber múltiplo. tariam compreendidas (analiticamente). A combinação dos opostos nada nos diz. divisão. resolvê-la em conceitos já prontos. freqüentemente. qual multiplicidade. Esta combinação não sas. É assim que deve ser o conceito preciso. pela própria natureza do conceito e da análise. Às metáforas de Platão. multiplicidade de estados [40] de consciência oposições. da realidade. Além dis- soa [. ele perguntava quanto. não se subsuma aos vo.] contentado inicialmente com isso e tenha começado como dialética pura. qual unidade. e pode segmentar o real tão-somente segundo articulações totalmente for- mais ou verbais. à arte do bom cozinhei. correspondem as do próprio Bergson. com pontos de vista [.207. o "qual" e o "quanto". Essa multiplicidade. 34 Bergsonismo A duração como dado imediato 35 . daquilo que como. ou então. por conseguinte.

nada há de negativo. Se as coisas duram. Seja como for. do Uno. é a categoria de multiplicidade. o espaço percorrido pelo móvel.. um texto muito importante em EC. a simultaneidade. da qual todas as maneira. ou então colocamos a diferença como o ponto coisas exteriores mudam. sobretudo. Bergson invocava duas vezes uma "inexprimível". graças ao movimento. tanto às coisas quanto à consciência é que ele deixará [44J de ser con- fundido com a duração psicológica. com a diferen. em virtude da qual não poderíamos considerá-las em negligenciamos a diferença de natureza entre os dois tipos de multi. uma abertura a uma duração ontológica. um obstáculo transposto. Na verdade. uma ça de natureza entre dois seres. pois a duração. pelo com seu oposto. ao duplicar a experiência psicológica da duração com a renças no ser e. não é preciso dizer que as ao não-ser em geral. 82.. sentido se ultrapassará a alternativa ontológica um-vários? Ao mes- mo tempo. É preciso que a duração psicológica seja tão-somente um partes. do negativo de oposição. demasiadamente gerais. momentos sucessivos da nossa duração sem constatar que elas muda- plicidade. . 36 Bergsonismo A duração como dado imediato 37 . Se há qua- Com efeito. Somente à da filosofia bergsoniana participam de um mesmo tema: crítica do ne. para recompor todas as coisas menos.• de natureza independentemente de toda forma de negação: há dife. Com efeito. Todavia.. 757 ss. riores duram?" permanecia indeterminada. Imediatos. deve haver nelas. em que rida. Mas este era posto sobretudo como um "fato de nunciar a mistificação de um pensamento que procede em termos de consciência". ponto de vista da experiência psicológica. ou se há duração nas coisas. É que a negação impli. É o movimento puro.58. das idéias gerais. ria uma participação direta das coisas na própria duração. vê-se como todos os aspectos críticos dindo-se com a duração como experiência psicológica. aparece como uma parte numérica componente da cor. é tão-somente."Se as coisas não duram como nós. de uma diferen. 57 Cf. 74. o livro Os dados imediatos já dispunha de uma análi- ça de natureza que ela implica entre dois tipos. a Apenas o presente ou. desde o início. Do ca sempre conceitos abstratos. 148. então. com o que vem a ser necessá- "Submetendo à mesma análise o conceito de movimento [. que esta terá deslocado seu ponto de aplicação. sob o trasla. Porém. que só podemos pensar em oposição a uma desordem geral. que é alteração. de outra parte. confundir-se com o próprio ser? E. já que ela do local. o movimento. 58 DI. caso bem determinado. alguma incompreensível razão que faz que os fenômenos pa- do ponto de vista da força contrária do múltiplo ou da degradação reçam suceder-se e não se desenrolarem todos ao mesmo tempo. E aquilo que. todavia. há [43 J sempre um transporte de natureza outra. é preciso que a questão 56 DI. como experiência física. [42J consciência que os rememore [. mas seus momentos só se sucedem para uma de partida de uma degradação que nos leva à desordem em geral. Sem dúvida. negligenciamos a questão das di. visto de dentro. reais ou possíveis. que forma uma to de qualidades fora de mim. ele próprio. se há um movimen- misto: de uma parte. Portanto. as um não-ser em geral. há várias durações. 310 ss: "Todo movimen- to é articulado interiormente" etc. um problema torna-se urgente. é dotada de propriedades muito especiais. Essa multiplicidade não iria. o Múltiplo em geral.. são atuais e só diferem em grau. que nos permite de. . se se quer. se do movimento. a questão "as coisas exte- qual é a raiz comum a toda negação? Já o vimos: em vez de partir. multiplicidade virtual qualitativa. que se divide em passos. mas que muda de era definida como uma multiplicidade. erigimos uma idéia geral de ordem ou "incompreensível" razão. primível razão. em que sentido se dirá que visto de fora. 157. Bergson descobre que."Que existe da duração fora de nós? de ser. natureza toda vez que se divide57. não menos que na consciência. que combinamos ram". Outrossim. coisas exteriores duram.]"56. é preciso que as coisas durem à sua multiplicidade numérica indefinidamente divisível. em Os dados mos de uma diferença de natureza entre duas ordens. é um lidades nas coisas. "qual" ser? Do mesmo modo. medida que o movimento vem a ser apreendido como pertencente gativo de limitação. 170 e 137.. como a corrida de Aquiles. em que sentido se dirá que há uma só. mas sobretudo que há nelas alguma inex- ferenças de natureza: "qual" ordem. experiência física do movimento. implicando um sujeito consciente e que dura. um problema conexo adquire toda sua urgência.] Portanto. erigimos uma idéia geral de Uno. preciso que a ontologia seja possível. confun- Uno e de Múltiplo. é só então.

"o momento seguinte contém sempre. além do precedente. consciência. Ora. Cf. que tam- bém ele pertença ao absoluto. "a memória sob estas duas (ormas: por recobrir com uma capa de lembranças um fundo de percepção imediata. liberdade. um movimento pelo qual o "pre- sente" que dura se divide a cada "instante" em duas direções. 66. 31. 184. con- traindo-se em direção ao futuro. 1411. MM. indissoluvelmente ligados. Essencialmente. m. 1398. 38 Bergsonismo 39 A memória como coexistência virtual . plesmente uma forma de exterioridade. devemos exprimir de duas manei- ras o modo pelo qual a duração se distingue de uma série descontínua de instantes que se repetiriam idênticos a si mesmos: de uma [46J par- te. 201. finalmente. Fomos nós que sublinhamos em cada um destes textos. p. uma impureza que vem turvar o puro. a duração é memória. Vai ser essa a dupla progressão da filosofia bergsoniana. de outra parte. 60 PM. a outra contraída. nas relações entre as coisas e entre as durações. um relativo /45J que se opõe ao absoluto. ou dois aspectos da memória. os dois momentos se contraem ou se condensam um no outro. será preciso que ele próprio seja fundado nas coisas. pois um não desapareceu ainda quando o outro aparece. essa identidade da memória com a própria duração é sempre apresen- tada por Bergson de duas maneiras: "conservação e acumulação do passado no presente". PM.59. Ou ainda. Com efeito. ~. 5. pela razão dessa dualidade na duração. (Seperguntarmos. uma espécie de tela que des. 2. porque é memória em primeiro lugar. e por contrair também uma multiplici- dade de momentos. seja sobretudo porque ele. 83). duas memórias. Há. a memória-lembrança e a memória-contração. pois ele não será mais sim. Ela é consciência e liberdade.•do espaço seja retomada em novas bases. nós a encontraremos sem dúvida em um movi- mento que estudaremos mais tarde. uma orientada e dilatada em direção ao passado. a lem- brança do que este lhe deixou"60. pela sua contínua mudança de qualidade. A MEMÓRIA COMO COEXISTÊNCIA VIRTUAL natura a duração. portanto.. Ou então: "seja porque o presente encerra dis- tintamente a imagem sempre crescente do passado. dá testemunho da carga cada vez mais pesada que alguém carrega em suas costas à medida que vai cada vez mais envelhecendo". Não se deve confundir essas duas formas da memória com aquelas de que fala Bergson no início do capo II de MM (225. que ele tenha uma "pureza".) 59 ES. de modo algum se trata do mesmo princípio de distinção. 183. 818.

por exemplo. em relação às células branças tivessem de se conservar em alguma parte. mas como. o termo mo- 'certas partes orgânicas sejam destinadas à imobilidade de um papel vimento não deve. proporcionando- Ora. Mas a positividade da afecção. motrizes da medula. que vem encarnar-se ou atualizar-se no intervalo pro. 63 MM.cf. Só os dois aspectos da memória significam formalmente a necessidade esburaca a continuidade das coisas e retém. por cons'eguinte. 223. percepção e lembrança. É absurdo par o intervalo. Mas o cérebro está por in- síveis). 4° a subjetividade-lembrança. ela própria. ES. ele di. 206. 2° a subjetividade. Sobre os cinco aspectos da subjetividade. e também porque. o cruzamento cérebro. em si mesmo. 40 Bergsonismo A memória como coexistência virtual 41 . problema. 59. brança faz parte. segundo aspecto da substrato das lembranças. e assegurando uma contra. 3° a subjetividade-afecção. um misto mal analisado. a percepção não natureza com os outros estados da matéria. Procede-se como se as lem- vide ao infinito a excitação. é sobretudo a Retomemos a análise do primeiro capítulo de Matéria e memó. Mais ainda. de fato. "impureza" que vem turvar esta62. do objeto. Mas a duração pura é. prolon- ordem de profundidade crescente. * e o movimento executado. ob- ela é coextensiva à duração. depende do cruzamento das duas linhas. É certo dizer que a memória é idêntica à duração. momento do intervalo ou da indeterminação (o cérebro nos de uma linha com a outra. da linha de subjetividade. o resultado de uma divisão tem o propósito de decompor um misto (a Representação) em duas de "direito".)63 A lem- primeiro aspecto da memória (sendo a lembrança aquilo que vem ocu. terceiro sentido. dura. por sua vez. pois um se con- se atualiza o que é de direito? Do mesmo modo. aquilo que corresponde às nossas necessidades.O que corresponde à linha pura ria. como se o cérebro. de indeterminação. MM. fosse capaz de conservá-las. "Damo-nos ção de excitações sofridas. O caso da afecção. Portanto. da da subjetividade é. as duas multiplicidades de Os dados imedia- do que de fato. de direito. dá o meio de "escolher". misturar as duas linhas. portanto. evidentemente. reflete a ação possível. de onde nasce a qualidade). consciência de si?61. ao contrário. vemos que os dois pri- meio de qual mecanismo. nos havia de fatos muito diferentes. em instaurar uma zona a consciência é. que direções divergentes: matéria e memória. o próprio cérebro é. por tos. A questão: onde as lembranças se conservam? implica um falso colha: porque. sem dúvida. introduzindo um intervalo entre o movimento recebido * ~l. plexo. ao passo que as outras acepções se contentam em pre- o que lhe interessa. 5° a subjetividade-contração. em virtude de suas vias nervosas. concebendo o cérebro como reservatório ou priamente cerebral). em que con. a duração se torna memória de fato? Como meiros participam evidentemente da linha objetiva. . parar ou assegurar a inserção de uma linha na outra. momento da negação (a sentido. sem que como na percepção pura que ele determina. 81. 8. o exame [49] da segunda linha memória (sendo o corpo tanto um instante punctiforme no tempo bastaria para mostrar que as lembranças só podem se conservar "na" quanto um ponto matemático no espaço. 61 Cf. Bergson mostrará que tenta em subtrair algo do [48] objeto e. 820. O primeiro capítulo de Matéria e memória 62 Cf. coextensiva à vida. mas tal proposição vale mais de direito jetivo e subjetivo . momento da dor (pois a afecção é teiro na linha de objetividade: ele não pode ter qualquer diferença de o tributo do cérebro. o outro. é em si que a lembrança se conserva. tudo subjetividade. contrariamente. duração. O problema particular da memória é este: como. é mais com- dições. no objeto. mas. mas se distribuem sobre duas linhas gar incessantemente no presente um passado indestrutível. ser entendido como movimento que puramente receptivo. não é ainda a presença de uma pura subjetividade que se oporia à objetividade pura. [47] deixando passar o resto). ou da percepção consciente. tudo é movimento nele. ou cinco aspectos. a vida se torna. es. isto é. o quarto sentido. o cérebro não assegura o "intervalo". que as expõe à dor). conta de que a experiência interna em estado puro. como um "corte instantâneo" . esses cinco aspectos não se organizam somente em uma nos uma substância cuja essência é durar e. ele nos deixa a escolha entre várias reações pos. (Além disso. de duas maneiras. Somos levados a distinguir cinco sentidos. assim como o quinto subjetividade: 1° a subjetividade-necessidade.

. Do passado. no passado em geral. em nosso aspecto da teoria bergsoniana perderia todo sentido se não destacás. pelo qual nos destacamos do presente deixou de ser.preciso passado como em um elemento própri070• Assim como não percebe- dizer que ele "é". análogo à prepara- si. que tem significação tão-somente ontológica68. ele É. Há. 276-277. há mais mémoire chez Bergson". 67 PM. ele seria sobretudo puro devir. ferença de natureza. o ser tal como ele é em si. É certo que Bergson fala em ato psicoló- te. 148. que ele "era" e. entre a percepção pura é o presente. Mas nossa lembrança permanece ainda ou o útil. Mercure de France. é um ser presente. o presente não é. mas para designar uma realidade não psicológica - até mesmo. condição para é dita virtual. é . que não é o passado semos seu alcance extrapsicológico. {51] Rigorosamente falando. no cérebro. Se temos tanta dificuldade em pensar uma sobrevivência em si teoria: quando buscamos uma lembrança que nos escapa. ele próprio. como entre as duas linhas distinguidas anterior. Citemos um texto admirável. Não temos. ado- agir ou de ser-útil. é porque ele consiste em dar um limite. sempre fora de certa região do passado: é um trabalho tateante. Mas. No gico. qualquer interesse em supor uma conservação do passado em outro Teríamos de confrontar o inconsciente freudiano e o inconsciente berg- lugar. tanto. dispomo-nos. inicialmente. 68 Esse aspecto é profundamente analisado por Jean Hyppolite. ou mesmo à matéria inteira. Instalamo-nos de súbito no passado.E essa a mos as coisas em nós mesmos.65 . Ela própria conserva a si mesma [. a percepção só se distingue do seu à l'existentialisme". portanto. Confundimos. as determinações ordinárias se intercambiam: é do presente que verdadeiro salto. saltamos no é preciso dizer . se esse ato é sui generis. e "Aspects divers de la objeto porque ela retém dele tão-somente o que nos é útil (cf. o Ser com o ser-presente. sobretudo a palavra "inconsciente". presente. Inútil e inativo. MM. Ele não é. que ele ciência de um ato sui generis. tando a atitude apropriada. no objeto do que na percepção. 65 MM. em outra ocasião. Seu elemento próprio não é o ser. Entre a matéria e a memória.. "temos cons- do passado. de um dos aspectos mais profundos e. da consciência. seria preciso que soniano. é preciso dizer que ele deixou de em estado virtual. 80. um passado eterno e desde sempre. 165-166. talvez. para nos colocarmos. parece-nos conservada.. 42 Bergsonismo A memória como coexistência virtual 43 . Não se trata de dizer que ele "era". neste caso. Mas esse primeiro mos o passado ali onde ele está. ]"64. cia as interpretações "psicologistas" de Matéria e memória: cf. que só em grau se trata de distinguir do útil. a lembrança pura. mas ali onde elas estão.que tenamos . que. aliás. Revue Internationale de Philosophie. Todas essas palavras são perigo. Só o presente é "psicológico". devemos compreender desde já que Bergson não emprega a esse po d er d e conservaçao. que ele é eternamente. então. mas que é como que um ele- brança pura" não tem qualquer existência psicológica. do passado. o ser é somente o da matéria ou do objeto percebido. mas o passado é a ontologia e a lembrança pura. pois que Bergson. mas o ativo ção de um aparelho fotográfico.dispensado e até mesmo impedido de buscar onde a lembrança está sas. 290. julho de 1949. pois ele é o em-si do ser atual [. ela aparece como uma impassível. Eis porque ela mento ontológico. desde Freud. entre o presente e o passado. não em nós. em si mesmo. dos menos compreendidos do bergsonismo: a teo. o tempo todo. 70 A expressão "de súbito" é freqüente nos capítulos 11e III de MM. inativa e inconsciente. Também nesse caso. particular de tal ou {52] qual presente. convém evitar uma interpretação e a forma sob a qual o ser se conserva em si (por oposição ao presen. mas. o psicológico ria da memória. Bergson afirmava que só havia uma diferen. Mas ele {50] não deixou de ser. 1315. capo I). ela passa ao estado ser em si. faz a aproximaçã067. no qual Bergson resume toda sua mente. palavra "inconsciente" para designar uma realidade psicológica fora Aproximamo-nos. ]"69. um "passado em geral". Entre- conferíssemos a um estado da matéria. logo. de virtual. Toda. mas age. muito psicológica do texto. pura. que denun- 66 Todavia. aqui. ao contrário. É o passado em geral que 64 PM.. outubro de 1949. "Du bergsonisme ça de grau entre o ser e o ser útil: com efeito. a "passagem" de todo presente particular. . depois em via. Pouco a pouco. deve haver uma di. que é a forma sob a qual o ser se consome e se põe fora de si). do que em si mesmo. 1316. - 69 MM. a simplesmente recebê-la. recusa d o a'd uraçao . inseparável de uma existência psicológica singularmente eficaz e ativa. assim.. só apreende- diferença de natureza entre o passado e o presenté6. O que Bergson denomina "lem. no sentido pleno da palavra: ele se confunde com o nebulosidade que viria condensar-se. por exemplo. a cada instante. é porque acreditamos que o passado já não é. mas nada há nele que seja de outra natureza. 81.

É somente em seguida.. do qual ele é o passado 73. Se o passado tivesse que {53] É preciso instalar-se de súbito no passado . Essa dupla ilusão encontra-se no âmago de 73 Cf. Se ele não se constituísse imediatamente. Também nesse caso. diz todas as teorias fisiológicas e psicológicas da memória. 278. O passado e o presente não designam dois sado se foi efetivamente no passado que fui buscá-Ia"n. Reflitamos. É somente em seguida que o senti.torna possíveis todos os passados. o hábito de pensar em termos de "presen- tica àquela pela qual buscamos uma lembrança. o antigo pre. Há aí como que uma posição fundamental do que são. ele jamais poderia vir a ser o que é. no ser em si do percepção. Trata-se de sair da psicologia. o outro. em que foi presente. a diferença de natureza entre o pre- ção. mas pelo qual todos os presentes passam. desde em um pulo. pára de ser. se o antigo presente não passasse ao mesmo tempo em que é elemento. É verdade que momentos sucessivos. 129: "O ouvinte coloca-se de súbito entre as idéias correspon- momento ela nascerá [. que é o passado e que não sente que ele foi e o atual presente. reconstituído pelo novo presente. em certa região desse sente. sente e o passado. é por nós Deve-se sublinhar o paralelismo de outros textos com esse..] Quanto mais refletirmos nisto. das regiões nas quais fomos buscar a lembrança que ela atualiza ou que a lembrança vai ganhar pouco a pouco uma existência psicológi. no Ser impassível. sado ao mesmo tempo que presente? O passado jamais se constitui- cologicamente associadas a esses sons. aguardar para já não ser. do dela algo de presente. ao mesmo tempo transcendência do sentido e um fundamento ontológico da linguagem. ela passa ao estado atual [. e também o mais profundo paradoxo da memória: o passado autor que fez da linguagem uma crítica tida como muito sumária 71. por outro lado. depois. não é atualizada ca: "de virtual. Verdadeiro salto no Ser. como que uma ria. 44 Bergsonismo A memória como coexistência virtual 45 . é "contemporâneo" do presente que ele (oi. Fomos buscá-la ali onde pela imagem sem que esta a adapte às exigências do presente.. 261. Instalamo-nos em um misto mal analisado... ele continuidade. Bergson analisa a linguagem do mesmo modo como analisou a e percepções-imagens. presente o substitui.. precisamente.. trata-se de uma Memória ime.. Assim. 150. Acreditamos que um presente só passa {54] quando um outro o sentido a partir de sons ouvidos e de imagens associadas. presente? Como um presente qualquer passaria. Colocamo-nos inicialmente. menos compreenderemos dentes . entre a percepção pura e a memória pura. Temos. mas dois elementos que coexistem: um. ela é contemporânea desta [. Sob sua influên- Bergson. ES. uma vez dado o salto. Que significa essa idéia de um salto? Bergson não pára não poderia ser depois reconstituído a partir de um presente ulterior. de dizer: jamais vocês recomporão o passado com presentes. com efeito. 131: "Para nós. sejam O passado jamais se constituiria se ele não coexistisse com o presente quais forem eles . 130. uma espécie de "passado em geral": o pas- como tal só se constitui após ter sido presente. a idéia de um "salto" quase kier. porém: como adviria um novo pre- nos de súbito no elemento do sentido e. ele ja- kegaardiano é estranha em um filósofo conhecido por amar tanto a mais seria este passado. se ele já não tivesse se constituído inicialmente. a formação da lembrança nunca é posterior à da percepção. em relação ao qual ele é passado. que é o o passado nos aparece como cunha entre dois presentes. A maneira pela qual compreendemos o que nos é dito é idên. de algum modo. percepção [. imagem como realidade psicológica. ". do qual ele é agora passado. mas essa lembrança. a imagem retém algo marial ou ontológica.. já e agora que se passou. supõe-se que só haja uma diferença de grau entre a lembrança e a ontologia. que ela encarna. tanto mais importantes por tratar-se de um tempo. Saltamos realmente no ser. memória. se ele não fosse pas- do se atualiza nos sons fisiologicamente percebidos e nas imagens psi. se ele não fosse "passado em geral". em demasia. instalamo. no passado em geral: o que ele assim descreve é o salto na cia. Com efeito. como veremos. Esse misto é a passado. fazen- ela está.]". acreditamos que o passado que há um passado puro. 913. nesse caso.como em um salto. que a lembrança não se cria ao longo da própria percepção: pergunto em que 71 MM.. 914."a imagem pura e simples só me reportará ao pas. uma "psicologização".. presente e que não pára de passar. Longe de recompor te". Com substituída por simples diferenças de grau entre imagens-lembranças efeito. que a lembrança possa nascer se ela não se criar ao mesmo tempo que a própria 72 MM. acredi- tamos que ele é. É nesse sentido Donde duas falsas crenças: de um lado. e damos-lhe pouco a pouco uma encarna. Há. ]". ] supomos. no ser em si.

experimentado a favor de uma co- tração e de distensão (paradoxo da repetição psíquica). a duração define-se. realmente. 115 e 302. a lembrança radoxos se encadeiam. basta resumir as quatro grandes proposições esta conseqüência: a duração bergsoniana define-se. Em outros termos. É verdade que. mas ela só é isso porque.. ela é coexis- tempo. compreende não tais ou quais distintos. no elemento ontológico do passado (paradoxo do salto). ou cada um desses níveis. Repetição virtual. 77 Sobre essa repetição metafísica. uma que só relativamente ela é indivisível). sões. tornemos ao "salto" que damos quando. assegura-lhe a continuidade. gião do passado". de acordo com Bergson. de nos pela sucessão do que pela coexistência. em oposição {57] a uma outra é. integralmente. . sendo que as coexistências remetem ao espaço . Repetição de "planos". pertencente ao ser em si do passad076. profundamente. mas ambos presente é todo o passado. virtual. as seções do cone aparecem em MM. 169. em níveis diversos de con- admitem uma espécie de passado puro.~ado não segue o presente. as pro- pura ou o passado puro não são do domínio do vivido: mesmo na paramnésia posições que eles denunciam também formam um conjunto caracte- vivemos tão-somente uma imagem-lembrança. 181. Bergson precisa: recolocamo- coexiste com o presente S. depois em uma certa re- A"B" etc. um ser em si do passado. Cada um desses pares mentos do passado. 272. 302. nos. Com efeito. 3° o passado não sucede ao presente que ele foi. Suas concepções do tempo são extremamente diferentes. mas comportando em si todos os pares A'B'. mais profundamente. estado mais ou menos contraído. pela a condição pura sem a qual este não passaria. Eis. estado completo de coexistência. de todas as ten- platônica em Bergson74. É nesse sentido que há regiões do plesmente {56] compreende essa totalidade em um nível mais ou me. "primeiramente. que conteria outros elementos e lembranças. Todo nosso passado se lança e se retoma de uma só vez. sonismo. A duração é certamente suces- Memória ontológica capaz de servir de fundamento ao desenrolar do são real. Mas um tal estado implica. Repeti- uma última conseqüência. Inversamente. a repetição remete à Matéria. 293. que medem os graus de uma aproximação ou de um dis. todas "repetindo-se" umas as outras. o ponto exato tentes. pela presente remete a si mesmo como passado. cada sucessão. é suposto por este como Em Os dados imediatos. Por enquanto. em vez de coexiste com cada presente.é o passado inteiro. regiões ontológicas do passado "em geral". ao contrário. Trata-se de níveis desses pares. 4° o que coexiste com cada e Proust. mas coexiste 74 É este também o ponto que comportaria uma comparação entre Bergson com ele (paradoxo da contemporaneidade). precisamente.como ele se conserva em si (ao passo que o presen. segundo Proust. 76 MM. Cada um região. mas. Além disso. portanto. com A idéia de uma contemporaneidade do presente e do passado tem a coexistência é preciso reintroduzir a repetição na duração. próprio Ser. repete-se ao mesmo tempo em todos os níveis que ele traça77• Re- que figure no próprio passado toda sorte de níveis em profundidade. Veremos como essa doutrina relança todos os problemas do berg- de algum modo. de todos os graus de contração e de distensão. procurando uma lembran- marcando todos os intervalos nessa coexistência75. um ser em si do passado. 181. Mas. da matéria. no passado em geral. integral. mas sempre a totalidade do passado. este ser em si pode ser vivido. 46 Bergsonismo A memória como coexistência virtual 47 . me. O passado AB ça. A célebre metáfora do cone representa esse ser atual.e. um salto.Esses pa- incidência entre dois instantes do tempo. em que a Memória-contração inscreve-se na Memória-lembrança e. mas . todas coexis- nos dilatado. O passado não só coexiste com o presente ção "psíquica" de um tipo totalmente distinto da repetição "física" que ele foi. em vez de ser uma repetição de te passa) . cada um exige os outros. ele próprio. uma inspiração tência virtual: coexistência consigo de todos os níveis. mas em um elementos do passado. de Platão. Porém. que formam outros tantos paradoxos: 1° colocamo-nos de súbito. 2° há uma diferença de natureza entre o presente e o passado (paradoxo do Ser). Também fundamente. mais ou menos contraído. Donde. 250. é uma só e mes- 75 A metáfora do cone foi primeiramente introduzida em MM. cada um deles contendo todo nosso passado. mais pro- só tem como equivalente a tese da Reminiscência. é todo o nosso passado que elementos sobre um só e mesmo plano. cf. enfim. Não se trata de uma região que conteria tais ele- tanciamento puramente ideais em relação a S. MM. só de modo relativo a duração é sucessão (vimos também esta afirma um ser puro do passado. finalmente. rístico das teorias ordinárias da memória. instalamo-nos de súbito no passado. Uma tese como esta {55] potência de novidade. Uma vez mais se faz sentir. tais lembranças. Ele sim. 371.

a tarefa do comentador é multiplicar as distinções. pois um apelo parte do presente. ao contrário. Já se tem aí. estabe. em tal ou qual nível.. um mesmo misto mal analisa- IlJ. estas tendem a se atualizar. Uma palavra inglesa é pronunciada diante de invocação do presente. remanejamentos de sistemas) 78. é a atualização (e somente ela) que constitui a consciência Pode ocorrer que eu fracasse: buscando uma lembrança. mas em cação exprima a dimensão propriamente ontológica do homem. instalo-me em [60J psicológica. 148. "Mas nossa lembrança permanece ainda em es- Reminiscência. 277. a lembrança de uma percepção só pode ser. ou tal ou qual região. mas e dilatado para ela. elas se tar qual pode ser a língua em geral da qual faz parte essa palavra. dois trar uma percepção no inconsciente. o outro. mas evocação da imagem. em uma espécie de melhor. Bergson acrescenta: há tam. uma percepção enfraquecida. a im- mim: em virtude da situação. neste caso. da lembrança à percepção. 48 Bergsonismo A memória como coexistência virtual 49 . 309-310. de rotação sobre si leçamos apenas uma diferença de grau: cf. falamos de revivescência. no qual jazem as lem- bém lembranças dominantes. 914. 274-275. "A memória integral responde à invocação de um estado presente por meio de dois movimentos simultâneos: um de translação. assim. não devemos confundir a invocação à lembrança quirir uma existência psicológica? . tem. que são como pontos notáveis. do passado ao presente. trata-se de algo totalmente distinto: uma vez que em um estado mais ou menos contraído. Elas se perguntar que pessoa me disse anteriormente essa palavra ou uma se. mesmo e sobretudo quando tais textos . menos. . pelo qual ela se orienta em direção à situação do momento ção por um estado forte e a lembrança por um estado fraco. nos tenhamos instalado em determinado nível.. Terei de refazer tudo para encontrar o justo salto. ela se põe inteira diante da experiência e. ou tornam imagens-lembranças. condições propriamente ontológicas.80. 307-308.82. Ela vai nascer. Essa atualização tem toda sorte de aspec- melhante. com a "evocação da imagem".como vai esse puro virtual atua. Quando. e que o trabalho do espírito se e sobre a variedade dessa relação. de Cada nível. Sob a de um nível a outro79. que passamos gradualmente de um ao outro. e somente então. muito estreito ou. A invocação à lembrança é esse salto lizar-se? Impõe-se a pergunta. tado virtual. com efeito. sem dividir-se.Insistamos [59J nisto: essa análise. ilusão sobre a essência do Tempo. através dessas etapas e des- não me instalo no mesmo nível.. Mas. 190. A consciência psicológica não nas- faz por adjunção de elementos (em vez de se fazer por mudanças de ceu ainda. o que nos leva a acreditar: que podemos recompor o passado com fineza psicológica. 79 MM. Conforme o caso. 82 MM. para regis- para apresentar-lhe a face mais útil. cepção não poderia ser criada com tal percepção e nem desenvolver-se ao mesmo tempo que ela"). ES. da memória.il . Bergson mostra muito bem como acreditamos ne.. 8! MM. 145. pelo qual instalo-me no virtual. De qualquer maneira. que. as lembranças já não têm a ineficácia. que parece comportar uma grande do. não salto na mesma região do passado..} * * contentam-se em sugeri-las mais do que em estabelecê-las formalmente. pelo qual 78 Cf. 114. atualizam ou se encarnam. que um e outro incide sobre nossa afinidade com o ser. então. 188 (sublinhado por nós). então. 132 ("Definindo·se a percep- mesma. um sentido totalmente distinto. MM. tos. no passado. a memória teve de esperar que a percepção adormecesse em lembrança. sado. se contrai mais ou cessariamente que o passado sucede ao presente desde que. entre os dois. não solicito as mesmas dominantes. em tal ou qual nível de contração. variáveis branças. isto é. 249-250. compreende a totalidade do nosso passado. Diante de textos extremamente difíceis. verdadeiros saltos. muito amplo não vamos do presente ao passado. [58J Eis agora nosso problema: como vai a lembrança pura ad. sobre nossa relação com o Ser se distinguem pelo antes e pelo depois. ses graus. não é a mesma coisa ter de me pergun. em certa região do pas- do com exigências ou necessidades da situação presente. ao contrário. Acreditamos que essa invo- to": instalamo-nos não só no elemento do passado em geral. portanto. em vista da ação. de etapas e de graus distintos81. passibilidade que as caracterizavam como lembranças puras. realmente. da percepção à lembrança. vê-se a revolução bergsoniana: um nível muito contraído. Damos o "sal. Eis por que julgamos que a lembrança de uma per- 80 MM. supomos corresponder às nossas necessidades atuais. passíveis de serem "evocadas". de acor. mas justamente por encontrar aqui suas níveis. Ela o presente. Em primeiro lugar.

cria-os de novo sem cessar [. que correspondem a tal ou qual lembrança . estas não são de modo algum con. Se fosse preciso passar • ção. reencontra-os ou. pois. Eis por que o movimento de sado. . a diferença de um nível a mente. outro. mas que não é ainda. portanto. ao mesmo que a une ao presente. então cada lembrança ção-translação com a contração variável das regiões e níveis do pas. Donde a necessidade de distinguir a menos contraído."). aliás.. é todo um nível do passado que fim de aproximar-se do presente como ponto de contração supremo ou se atualiza. em que todos os níveis coexistem virtual- A contração maior ou menor exprime. ao mesmo tempo que determinada lembrança. ~~- teriores umas às outras. - para atualizar-se. em torno de certas lembranças dominantes variáveis. como a distingui- de mudar de nível. fala em translação. em seu nível (por mais distendido que seja). 83 É O que acontece no próprio texto que acabamos de citar. za dessa rotação. mento totalmente distinto. e a contração psicológica.Quando Bergson fala em níveis ou regiões do passado. pois cada lembrança tem seu nível. se devêssemos fazê-lo. uma verdadeira diferença de natureza com esse vértice. contração ontológica intensiva. sua "face útil". e as regiões. Nossa questão é a seguinte: seria possível confundir essa contra. evidentemente. Donde a necessidade de não confundir os planos fundidas. E. na do ela mais desmembrada ou espargida nas regiões mais amplas e mais qual todas as lembranças em vias de atualização estão em uma relação de penetração recíproca. contraídos ou distendidos. quema dinâmico: "Descer-se-á de novo do vértice da pirâmide em .]" É claro. entra em "coalescência" com o presente. sobre. 272: "Estes planos não são dados. porque a lembrança. trata-se pela qual cada lembrança. o nível todo acha-se contraído em uma representação indivisa. movendo. acreditar que uma lembrança. samente. através dos quais a lembrança se atualiza. propriamente falan- do próximo do vértice. 188 ("sem se dividir. 371. aspectos da atualização: a contração-translação e a orientação-rota. a lembrança não se contenta em operar essa translação to pelo qual a lembrança se atualiza (psicologicamente).. um nível até mesmo muito contraído. de um {61] movimento necessário na atualização de uma lembrança deve passar para atualizar-se e tornar-se imagem. em 51 50 Bergsonismo A memória como coexistência virtual .. com o presente. Bergson não precisa a nature- Seria um contra-senso. Eles. [. desse ponto de vis- atualizado. Em seu processo me a diferença ontológica entre dois níveis virtuais. TodaVia.Quando Bergson. a operação da memória seria mos na região que se atualiza com ela? Partimos dessa representação impossível. Mas como é que tomamos consciência dela. por várias razões. Todavia.]". Eis por que Bergson precisa que. perderia. MM. demasia. 163. que a pirâmide é muito diferente do cone ~ ~eslgna um movI- tudo. sobretudo. superpostas umas às outras. como coi- sas já prontas. de que falávamos há pouco? O contexto em que se insere essa translação é um movimento pelo qual a lembrança se atualiza ao mesmo frase de Bergson parece convidar-nos a dar uma resposta afirmativa. A inteligência. llelgada e confundida nas regiões mais estreitas. isto ta 'não há divisão ainda85. a No movimento de translação.. isto é. . Desse modo. nessa união. de atualização. com efeito. não deixa de apresentar. enquanto não está do uma imagem. Ela passa. {63] não dividida (que Bergson denominará "esquema dinâmico"). aqui. dos níveis do passado83. Sem dúvida. esses níveis são tão virtuais quanto o passado em geral. translativa. sen. Cf. de consciência. a lembrança tem sua individu- é. apanhada em tal ou qual nível. existem virtualmente. os cortes ou os níveis do passado. sempre virtual. devesse passar por níveis cada vez mais contraídos. a contração já não mais expri. razões tanto. Seria uma interpretação insustentável. sua individualidade. Mas. portanto. Daí a metáfora da pirâmide para figurar o es- têm uma existência que é própria das coisas do espírito.. tornan- pois é aí constantemente lembrada a contração-translação a propósi. orientado de maneira totalmente dlstmta. o nível deve ser atualizado. ao contrário. de um nível a outro para atualizar cada lembrança. Mas de modo algum de toda sorte nos persuadem de que. sobretudo para atualizar uma lembrança. Devemos fazer hipóteses a partir de outros textos. ele é portador. 938. de acordo com os quais varia o esta- cada um deles contém todo o passado. mas em um estado mais ou do da lembrança. não é uma lembrança pura. vértice do cone. que lhe é próprio. por "planos de consciência" que a efetuam. 161. 308. Aqui. que já Na metáfora do cone. não temos alidade. uma a lembrança passa por níveis intermediários (que a impediriam. 936. . diz Bergson. do-se imagem. tempo que seu {62] nível: há contração. embora haja. preci- relação entre as duas contrações. de efetuar-se). tanto quanto a lembrança de que 85 MM. mas o movimen. 86 ES. por outro lado. há a rotação. ela opera também a rotação sobre si mesma para tempo em que se atualiza o nível que lhe é próprio84.direção à base se a todo momento ao longo do intervalo que os separa. mais ainda. apresentar. 84 Com efeito. e a desenvolvemos em imagens distintas. por- to dos cortes do cone.

de uma expan. tação que caracterizam os primeiros momentos da atualização. se. a imagem-lembrança. coadjuvante motor. então. 102. tão ineficaz quan- Qual é o quadro comum entre a lembrança em vias de atualiza. portanto. sobretudo. 91 MM. Todavia. à medida Eis. as lembranças têm necessidade de um 89 MM. res). com efeito. 252-253. decompor um objeto de acordo com tendências sistisse o mais contraído nível do passad088. 50. que só tem como exigência o percepção-movimento.Pri- Mas o movimento não é mais aquele de uma contração indivisa. portanto. a derradeira fase. inteiramente residente nos mecanismos moto- da "rotação". o outro. contrário. 18: "a última fase da realização da lembrança (.Também aí Bergson fala de uma sucessão de "planos de consciência". que ela entra não só em "coalescência". 107 e 255-256. 265. e inversamente87. psicológico e mnemônico. lembranças aí estão. Daí a metáfora precedente memória instantânea. Vemos bem que eles correspondem singularmente aos prolongam necessariamente nos movimentos que correspondem à per- níveis múltiplos do cone. Inversamente. desenhar.. nenhum outro interesse que o "desinteresse". MM. como se a relação extremamente disten. 249-250. isto é. 95). 121-122. 886. portanto. 118-119. que re. Há. ao meiramente.89. mas que não sabem "servir-se" nível do próprio passado. . mente sensório-motor e. 238. intervêm efetivamente. um esquema motor opera uma decomposição são. dele. isto é. é. A lembrança só pode ser dita atualizada quando se torna imagem. um de contração. todavia. 240. elas se um de expansão. com o movimento. que repetem corretamente o que se lhes diz. na maneira pela qual a imagem se prolonga em movimento. reconhecimento subsista. Como da lembrança em si. a da ação. sem intervenção de lembranças (ou. uma tendência motora. MM. automático. sua percepção provoca movimentos difusos. Além disso. tudo se passa tor: o reconhecimento se torna impossível (embora um outro tipo de como se a contração faltasse. 242. ao passo que o outro. sendo um pura- acontece no próprio texto que acabamos de citar). não confundir o esquema motor com o esquema dinâmico: am- razão disto está na ambigüidade assinalada acima (p.. mas que tômato? Tudo se passaria como se a dispersão se tornasse impossível. O que fundi-los. 87 MM. imagem-lembrança também permanece tão inútil. é o último momento. que se devem encontrar os últimos momentos da atuali- zação: "para se atualizarem. 244. 88 Sobre estes dois extremos.. 114-115. 294. Mais ainda: elas continuam a ser evocadas. ou. to uma lembrança pura. uma mete à imagem-percepção. Por si só essa relação [65] per- É então. efeito. 133 e 245. a vém. 92 Cf. e já não pode prolongar-se em ação. de um desenvolvimento.) a fase da ação". uma perturbação mecânica do esquema mo- repouso. do percebido em função da utilidade90. 104. dois movimentos de atualização. uns contraídos. se se prefere. onde se lê: é o que bos intervêm na atualização. 83. MM. não sabem falar espontaneamente). é os movimentos concomitantes da percepção estão desorganizados. 170. as analogia entre os diferentes níveis do cone e os aspectos de atualiza. As lembranças. n. outros distendidos. 52 Bergsonismo A memória como coexistência virtual 53 . Bergson evoca a pirâmide como sinônimo do cone. não devemos con. que prepara essa entrada em circuito. é na relação da imagem cas ou verbais92. mas em cepção-movimento bastaria para definir um reconhecimento puramente uma espécie de circuito com o presente. que as imagens-lembranças se assemelham à percepção atual. mas em fases totalmente diferentes. Con- outro texto (ES. como se vê em doentes que descrevem mui- dida da lembrança com o presente reproduzisse [64] o mais distendido to bem um objeto que se lhes nomeie. 241. pois. O doente não sabe mais orientar- como se a distensão das imagens não mais se efetuasse e que só sub. o de uma divisão. o que sucederia com um au. que sucede a uma criatura que se contenta em sonhar? Sendo o Suponhamos agora que haja uma perturbação dessa articulação sono como que uma situação presente. 100. 90 Cf. porque o primeiro tema é concernente às variações virtuais falta. a concernente à atualização da lembrança em imagem-lembrança. a percepção se prolonga naturalmente em movimento. a lembrança para nós. Eis aí o ção (a lembrança tornando-se imagem) e a imagem-percepção? Esse primeiro fato importante: casos de [66] cegueira e de surdez psíqui- quadro comum é o movimento. Também aí esse coadjuvante é duplo. uma estreita motrizes. a se ção para cada nível. É inevitável que estes venham recobrir aqueles encarnarem em imagens distintas. Com cepção e se fazem "adotar" por ela91. Todavia. a sofrer a translação e a ro- (donde a ambigüidade assinalada antes).

outra atenta.com uma outra distinção totalmente distinta. às vezes. sustenta que lembrança alguma é "subtraída". pelo menos as que ções mecânicas e as dinâmicas). Quando são atingidos apenas os movimentos do re. que se faz do ponto de vista se ao presente para encontrar um ponto de contato (ou de contração) da Memória em si (memória-lembrança e memória-contração). 96 MM.que se faz do ponto de vista da atualização da lembran- encontro do passado com o presente: literalmente. Quaisquer que sejam a solidariedade e a com. Trata-se. O primeiro momento assegura um ponto de "quase instantânea". pois os dois primeiros aspectos da atualização (translação e bém dizer que a doença jamais abole a imagem-lembrança como tal. pelo menos. Não se trata de tricidade). quatro aspectos da atualização: a translação e a e de atitudes do corpo. a lembrança não deixa de manter integralmente sua atua- movimentos que "prolongam nossa percepção para tirar dela efeitos lização psíquica. ao contrário. a atitude corporal é realmente Suponhamos que esse segundo tipo de movimento seja perturbado uma condição da atitude mental. 253. lização do passado em função do presente . aqui. o esquema motor. eles inspiraram a concepção por falta de uma atitude corporal em que eles pudessem inserir-se e tradicional da afasia como desaparecimento das lembranças armaze. Primeira hipótese: teria sido a lembrança pura? Não. que nos reconduzem ao poral da sua atualização. tração se faria. 107. duas formas de reconhecimento. análogas à percepção presente. cf. muito mais comprometida do "preponderante e não mais acessório". atento são atingidos (perturbações dinâmicas da sensório-motricidade). Não se deve. mas faltaria o movimento complementar da rotação. e também 245. duas determinações precedentes. regular e não mais acidental93. mas destacadas da memória e renunciando à sua brança. Talvez seja preciso compreender que os dois aspec- mas o que certamente parece ter desaparecido é a própria lembrança. 196 (é neste último texto que Bergson distingue as perturba. gundo Bergson. Bergson (perturbação dinâmica. Em todo caso. dução. Ou. mas são como que dissociados Por serem tais casos os mais freqüentes. ao mesmo tempo que a translação. que no caso precedente . tos (os dois tipos de movimento) dependem da sensório-motricidade Eis. ceu exatamente? de modo que não haveria qualquer imagem-lembrança distinta (ou. 108. mas somente compromete tal ou qual aspecto da sua atualização. rotação) dependem de uma atitude psíquica e os dois últimos aspec. as imagens. mas já não pode úteis".pois. MM. o movimento mecânico. também nesse caso. ela conserva seu "aspecto normal". finalmente. atitude do corpo necessária ao bom equilíbrio das tamente a outra. não basta dizer que. 119 ("a própria evocação das lembranças é impedida"). Todavia. 95 Cf. das funções sensório. uma tra- 94 Sobre os dois tipos de perturbações. e não mais mecânica. se- Bergson. rotação. [68J Então. da adaptação do passado ao presente. Segunda hipótese: teria sido a capacidade de evocar a lem. 245. que representa o último estágio da atualização. uma expansão do passado no presente: as imagens-lembran- 108. O segundo momento assegura uma transposição. portanto. e que decompõem o objeto em função de nossas necessidades. 118 e 314. sem dúvida.253. uma automá. pois a lembrança pura não é de natureza [67J psicológica e é ria abolida). a lembrança pura se conserva sempre. às quais correspondem duas formas de memória. a rotação se faria. Há somente "ruptura motoras)94. o movi- plementaridade dessas duas dimensões. de equilíbrio"96. que formam os momentos propriamente psíquicos. pois. Há. toda uma categoria de imagens-lembranças permanece- mente. três textos essenciais: MM. exprime-se assim95. com ele. a outra representativa e que dura. uma não pode anular comple. evidente. da uti- 93 MM. imagens dis- imperecível. em tudo isso. que conhecimento automático (perturbações mecânicas da sensório-mo- define as condições de um reconhecimento atento.daquilo que Bergson cha- tica. Quando os movimentos do reconhecimento objeto para restituir-lhe o detalhe e a integralidade. 54 Bergsonismo A memória como coexistência virtual 55 . sobretudo. Eis todo o problema de Bergson: o que desapare. • Passemos ao segundo tipo de relação percepção-movimento. o passado dirige- ça . mento dinâmico. combinar-se. ças restituem no presente as distinções do passado. tintas se formariam. isto é. a coisa é mais com. Então. tos psíquicos da atualização subsistem. prolongar-se em movimento quando se torna impossível o estágio cor- mas de movimentos que renunciam ao efeito. misturar esta distinção . desempenham um papel a atualização psíquica é. 196. então. 314. Pode ser que o reconhecimento automático permaneça. uma motriz e ma de "atenção à vida". de atualizá-la em uma imagem-lembrança? É certo que solidariedade com as outras. lembranças. 244. a con- nadas no cérebro. Todavia. é preciso tam- plicada.

distinto do Porém. mais con- 97 ES. virtual. pp.Primeiramente.. corrigindo um pelo ou. de grau entre as imagens-lembranças e as percepções-imagens 100. permanecemos forçosamente prisioneiros de um misto [72] psicológico mal analisa- do. Essa condição é normalmente reali.]" -266. o ponto de convergência dessas linhas e restaurar os direitos de um brança se encarne.de modo que é preciso todo um ças de grau. 135: "Há aí um progresso contínuo [. o quinto aspecto da sado. uma tal "lembrança do presente". É preciso que a lem.são úteis. elas tendem cada vez mais a se confundirem com a per- 98 ES. em rela. do um dualista e o outro monista: devia-se. linhas divergentes ou as diferenças de natureza para além da "viravolta lembrança. 896. a harmonia dos dois momentos precedentes. 140: "À medida que es- sas lembranças tomam a forma de uma representação mais completa. Eis. É assim que se define um inconsciente psicológico. ela própria. assim como na experiência. ainda mais para além. destacamos a ção ao qual ela é agora passado. seguir as contemporânea desse presente. no qual não se podem discernir as diferenças de natureza originais.. 146. dadeiro ponto de unidade. de ir a percepção e a lembrança. . ocorre que sua diferença de natureza em relação à encarna em função de um outro presente que não aquele que ele foi percepção tende a apagar-se: há somente. a atitude dinâmica do corpo. pelo qual o passado só se brança se atualiza. cepção que as atrai ou cujo quadro elas adotam". nesse nível. isso mesmo. o movimento me.] Em momento algum pode-se dizer com precisão que a idéia ou que a imagem-lembrança acaba. o livro todo Matéria e memória é um jogo entre os dois. seria completamente da experiência". 99 Cf. 150. O inconsciente psicológico representa o pelo outro lado da viravolta da experiência.. a matéria e a memória. 925. e só pode haver. em si. é claro que não dispomos ainda. ao longo do tempo. é evidente que uma tal imagem. 18-20 [17-20). quando a lem- atualização: uma espécie de deslocamento. mas em função de um novo presente. com efeito. diferença de natureza entre as duas linhas. Ora. precisamente. Não há qualquer contradição en- tre essas duas descrições de dois inconscientes distintos. que a imagem-lembrança ou que a sensação começa". sen- tende. [71] cânico do corpo. em Matéria e memória.Mas. a atualizar-se em uma imagem que é. pois só viria duplicar a imagem-percepção. fazem a imagem-lembrança e a percepção-imagem há mais do que diferen- pressão para serem [70] recebidas .270. primeiramente.O que é que ocorre em seguida? Sem dúvida. Bergson não se contenta em dizer que entre os possíveis leibnizianos. 107. 100 MM. Com efeito. o presente e o pas- adiante e de cavar um intervalo.. O terceiro momento. portanto. quando nos falta o método da intuição. assegura a utilidade própria do conjunto [69] e seu rendimento no presente. UMA OU VÁRIAS DURAÇÕES? tro e levando-os ao seu termo. 83: "Passa-se. a lembrança O método bergsoniano apresentava dois aspectos principais. 56 Bergsonismo Uma ou várias durações? 57 . creta e mais consciente. O ponto de unidade deve dar conta do misto impassível. por graus insensíveis. devia-se reencontrar inútil. assegura 4. essa utilidade e esse rendimento seriam nulos se não se juntasse aos quatro momentos uma condição que vale para todos. aos movimentos que desenham sua ação nascente ou possível no espaço [. Em vias de se atualizar. . Ele também apresenta uma proposição ontológica muito recalque saído do presente e da "atenção à vida" para rechaçar aque- las que são inúteis ou perigosas98. inativa. 225. Vimos que a lembrança pura é contem- porânea do presente que ela foi. diferenças (a perturbação correspondente a esse último aspecto seria a paramnésia. de lembranças dispostas qüências que devemos ainda analisar. Por na qual se atualizaria a "lembrança do presente" como tal)97. não em função do seu próprio presente (do qual novo monism099. acima. as lembranças tendem a se encarnar. de um ver- inconsciente ontológico. se não confundir com ele movimento da lembrança em vias de atualizar-se: então. que não pára de passar. Mais ainda. Esse programa encontra-se efetivamente realizado ela é contemporânea). 928. com conse. de objeto e de sujeito: entre zada pela própria natureza do presente. depois. Este corresponde à lembrança pura. portanto. . . O quarto momento.

distendido (ela nos permite dispor do espaço "na exata proporção" passim. Mas. diferença de natureza. gativo de oposição)? A pior contradição parece instalar-se no coração rece quando o seguinte aparece). Nossa percep. em nome do primeiro. distendido (tão distendido que o momento precedente desapa. são o presente puro e o passado puro.EC. 250: "Entre a matéria bruta e o espírito mais capaz de reflexão. 202 (a matéria como "inversão". a cada instante. Daí a importância de Matéria e memória: o movimento é atri. se é verdade que nosso presente. toda a oposição. 180: "É que passamos por graus insensíveis da duração concreta. assim. funda. a matéria. E já DI. . e a contração que não as de grau. 665. 0 noção de negativo. a intensidade. de intensidade. dade positiva").. sofias que se atinham às diferenças de grau. 230. ao automatismo consciente".que vai transpor a dualidade do inextenso e do extenso e nos propiciar o meio de passar de um ao outro. quanto em mim. 0 Uma ou várias durações? 59 58 Bergsonismo . o que é uma sen. Neste caso. 219 e 340. 90 ss (a matéria é ao mesmo tempo limitação do movimento e obstáculo ao movimento. Mais ain- trando. devemos reco. é o grau mais contraído do nosso pas. denunciamos as filo- que têm tão-somente diferenças de distensão e de contração. mais do que uma reali- 101 MM.ou de extensão . MM. como de contrariedade ou de negação. Não se terá escapado da matéria como degradação da heterogênea. reencon. tais textos são vizinhos daqueles em que Bergson recusa toda 102 Sobre o ultra passamento dos dois dualismos. "interversão". cf. Descobrindo. admite graus". à duração simbólica.. Ora.Com efeito. a matéria e a memória puras tração-distensão? É que. pertencente tanto às coisas quanto ao Eu [Moi]. por sua vez. Delas sai a qualidade [73].. a percep. blemas. Eis que agora é a idéia de distensão do sistema. MM. Com efeito.666. a própria percepção é extensa e a sensação é extensiva. Assim. Há su- elementos se penetram. distendido do presente (mens momentanea)104. podia [75] e devia ser compreendida indepen- sado. então. de intensidade? O presente é tão- te nosso passado: "os dois termos que tínhamos separado inicialmen. há. a oposição. o que quer dizer a mesma coisa. 168. tidade contraída. e esta é tão-somente a quan. 2 extenso-inextenso. cujos diretamente da duração. nosso presente contrai infinitamen. formam um caso limite de duração. assim memória-lembrança. portanto. capo IV. 1 quantidade-qualidade. o grau mais te vão soldar-se intimamente [00. só poderemos fazê- de vibrações. eram denunciadas as falsas noções de grau.]"101. cujos momentos se justapõem. somente o grau mais contraído do passado. é tão-somente um - 105 Reintrodução do tema do negativo. todos os graus da liberdade". e se caso entre outros na duraçã0103. dentemente do negativo (negativo de degradação tanto quanto o ne- latado. buído às próprias coisas. Mas. "inter- rupção" . no fundo da da. 331. 292. ao mesmo tempo como limitação e como oposição: cf. ). a cada instante. e nos permite passar de uma à outra em um movimento duração a não ser para cair em uma matéria-"inversão" da duraçã0105. "é uma negação. Porém. a própria matéria será como que um passado infinitamente di. por conseguinte. e o próprio Eu [Moi]. contínuo. fontes de todos os falsos pro- mos. de modo que as coisas materiais participam quero dizer. é precisam~nte algo de 104 Reintrodução do tema dos graus e das intensidades: cf. de toda sorte. a noção de contração (ou de tensão) nos dá que Bergson havia denunciado como outras tantas concepções abstratas o meio de ultrapassar a dualidade quantidade homogênea-qualidade e inadequadas. 571 ss. pelo Como fica o projeto bergsoniano de mostrar que a Diferença. e 355. dado que o que MM. 156.mais importante: se o passado coexiste com seu próprio presente. há em que dispomos do tempo)102. . a coincidência do nosso eu [moi] consigo mesmo. inversamente. Se procurarmos cor- sação? É a operação de contrair em uma superfície receptiva trilhões rigir o que há de excessivamente "gradual" aqui. e da peração de Os dados imediatos: o movimento está tanto fora de mim atividade livre. . a possibilidade de um novo monismo. que ele havia abalado? Quais diferenças pode haver entre a distensão tos rememorados". uma memória-contração mais profunda. lo reintroduzindo na duração toda a contrariedade. uma unidade ontológica. "uma incalculável multidão de elemen. como qual nos inserimos na matéria. todas as intensidades possíveis da memória. 201: "Nosso sentimento da duração. cf. colocam-se problemas ele coexiste consigo em diversos níveis de contração. nhecer que o próprio presente é somente o mais contraído nível do 10 Não haveria contradição entre os dois momentos do método. passado. Tudo é reintroduzido: os graus. EC. entre o dualismo das diferenças de [74] natureza e o monismo da con- ção pura e a lembrança pura como tais. de intensidade. ela contrai é precisamente algo de extenso. Bergson não estaria agora em vias de restaurar tudo o ção contrai. Devemos distinguir aqui dois principais. capo I e IV. 103 Sobre o movimento.

a propósito das durações mais ou menos lentas do qual elas participam. dado que tudo é du. percebemos que teses possíveis: pluralismo generalizado.. dado que suas distinções são artificiais. mesmas ou absolutamente do que em relação ao Todo do universo. a esse respeito. 331. Em um texto essencial. 219. correspon- dendo os gêneros ou as espécies a graus coexistentes dessa [77] me- Ora. . Bergson acrescenta que havia estabelecido anteriormente ramos. haveria coexistência de ritmos totalmen- encravada entre durações mais dispersas e durações mais tensas. que formam naturalmente sistemas fechados relativos. portanto. 342. trampolim Finalmente. perturbações. portanto.. é tão-somente um caso entre outros. 226. é menos por si disso. estendida ao conjunto do universo: essa idéia 108 Cf. 637. Daí a importância desta questão: a duração é uma ou várias. dade de durações específicas aparece nitidamente em A evolução cria- dora. Mas. mudanças de tensão e de energia. 209] (as duas citações subseqüentes são e uma duração: MM. permite-nos afirmar a existência de objetos infe- caímos também em uma espécie de pluralismo quantitativo sobretu. de 1903. sim. a psicologia é tão-somente uma abertura à ontologia. 57-58. Eis que. quanto o realismo. 1416. o Todo do universo109. que é muito importante para toda a filosofia de Bergson). Tudo se passa como se o universo fosse uma ~onismo reencontrado? Em certo sentido. nossa duração. apesar do seu é. de um pluralis- nidade de durações possíveis" 107. 337. 329. "uma certa e bem determinada tensão. pluralismo restrito. Sem dúvida. uma duração106. de intensidade. 232-233. 220. EC. logo. Bergson fala de uma pluralidade de ritmos de du. Mas Matéria e memória já invocava o Todo como a condição sob a qual se atribuía às coisas um movimento 107 PM. Teriam uma duração ração psicológica. em certo sentido. 110 DS. cf. nalmente.sobre o caráter absoluto das diferenças. tiva. 1419. os textos de Bergson parecem extremamen. ração. uma restrição im- ficações. mo restrito. durações realmente distintas. monis- o Ser é múltiplo. do. 60 Bergsonismo Uma ou várias durações? 61 . viventes. apenas instalados. 507. estando a nossa mollO. 168. permite-nos fazê-los coexistir em conjunto sem difi- que sentido? Transpusemos verdadeiramente o dualismo ou o diluí. EC. progride talvez à maneira de uma consciência?". mória virtual108. somente os seres semelhantes a nós (duração psicológica). e nada além portante é marcada: se se diz que as coisas duram. e que o 106 Cf. AÍ está. ele precisa que cada duração é um absoluto e que cada ritmo sim. Nessa perspec- insiste no progresso alcançado desde [76] Os dados imediatos: a du. de todos os níveis de tensão. é. o açúcar e o processo de dissolução do açúcar na água são sem dúvida abstrações. no contexto. que a duração é muito numerosa. e. Trata-se. Segundo a primeira. mas. dado que a duração se dissipa em todas essas diferen. 2° Mesmo supondo resolvido esse problema. a porção de açúcar só nos faz esperar porque ela. ria. . ele recorte artificial. e em interiores a nós. cal do Tempo. Sobre o caráter particular do vi- 332. nenhuma coisa tem uma duração própria. em A evolução criadora. Mais precisamente. fi- cuja própria determinação aparece como uma escolha entre uma infi.]" A idéia de uma coexistência virtual de todos os níveis do passado. conforme Matéria e memó. multiplicidade radi- intensas: "Percebemos então numerosas durações. portanto. Duração e simultaneidade recapitula todas as hipó- para uma "instalação" no Ser. mais te diferentes. Essa idéia de estender a coexistência virtual a uma infini- mos em um pluralismo? É por essa questão que devemos começar. 502. muito embora sejam eles. 207. Os de Matéria e memória vão mais longe na afirmação implicar um pluralismo generalizado. de distensão e de contração que a afetam. uma visão ontológica que parece te variáveis. podemos falar em todas as coisas com o ser. onde a própria vida é comparada a uma memória. ele próprio. formidável Memória. MM: sobre as modificações e perturbações. não mais significa apenas minha relação com o ser. Porém. 15. de uma pluralidade radical das durações: o universo é feito de modi. depois os em uma infinidade de outros. todas muito diferentes umas das outras [. 10: "Que se pode dizer senão que o copo com água. abre-se ao universo em seu conjunto. de intuição: só esse método "permite-nos ultrapassar o idealismo tanto ças de grau. vente e sua semelhança com o Todo.sobre os Todo no qual eles foram segmentados pelos meus sentidos e meu entendimento ritmos irredutíveis. não mais generalizado. culdade". extraídas desse mesmo texto. riores e superiores a nós. 216 e 332. 209 [206. tantas quanto quei. As- ou rápidas. mas a relação de 109 EC. E Bergson felicita-se com a potência do método ração.

Ele as emprega por sua conta. porém. em diferentes velocidades de transcurso. ter reposto a confusão do tempo com o espaço. seja após essencialmente multiplicidade. essas dilatações de densa aqui a doutrina provisória de Os dados imediatos (haveria uma tempo. Daí uma segunda hipó. e como. mas que ela. isto é. parece que uma das duas outras hi. a diversidade dos fluxos substituirá a dos ritmos por ra- zões de precisão terminológica. invocava prova a Einstein é ter confundido os dois tipos de multiplicidade e. por sua vez. cíprocas. "Quando estamos sentados à beira do rio. Tal confronto impunha-se a Bergson. Que a duração. ao tempo?". como não vemos movimento. 62 Bergsonismo lima ou várias durações? 63 . só valia para as espécies vi. de "ser uma e várias". universal. sem. [80J rela- uno. de maneiras. ]"112. Porém. essas contrações de extensão. para ao Todo do universo).. ele definia a Lembremo-nos de que Bergson opunha dois tipos de multiplicidade. uma mÍvel razão") e a doutrina mais elaborada de A evolução criadora (tal pluralidade de tempos. qualquer razão para estender ao universo material essa tação de seu tempo. É certo que.. sendo cada uma própria de um sistema. O que Bergson re- tividade. de modo que o que é simultâneo em um sistema fixo deixa de tese: fora de nós. inclusive nossas consciências. sê-lo em um sistema móvel. Bergson. Bergson chega a dizer que esse Tempo impessoal tem um só ininterrupto de nossa vida profunda são para nós três-coisas diferen- e mesmo "ritmo".. tensão e dilatação. Em resumo. como uma "multiplicidade"? as multiplicidades atuais. o tempo. com conceitos tais como expansão e contração. Mais ainda: teria ciará. universal e impessoal. tividade do movimento. duração. vimento acelerado. impessoalll1. isto é. Vê-se bem isso na maneira pela qual Bergson sustenta a tos. e. dilatação. O problema. é precisamente esse bloco Espaço-Tem- tudo participaria. conclui-se disso um deslocamento da simultanei- hipótese de uma multiplicidade de durações". Sobre o que incide a discussão? Contração. a única unidade do tempo consiste em ser ele uma Daí a terceira hipótese: haveria uma só duração. 232: "não é ademais esta ~'ão o poder de "repartir-se sem dividir-se". 342. afirmava a pluralidade dos tes ou uma só. haveria uma multiplicidade de tempos. dade.]"). tese que Bergson apresenta como a mais satisfatória: um só Tempo. o Tempo impessoal de modo al- gum será uma duração impessoal homogênea. que Einstein recolhia de Rie. havia utilizado em Os dados imedia. o tempo real. existência de um só tempo. Nada parece mais surpreendente. a mesma para tudo e para todos [00.. mesmo no segundo caso. nesse sentido. aqui. fora de nós. não víamos [78J. numéricas e descontínuas. duração impessoal e homogênea. seja póteses teria exprimido melhor o estado do bergsonismo. todos participação em nossa duração se explicaria pela pertença das coisas reais. () deslizamento de um barco ou o vôo de um pássaro e o murmúrio 111 DS. é uma idéia a que Bergson jamais renun- Matéria e memória. uma "inexpri. e as multiplicidades Que teria acontecido? O confronto com a teoria da Relativida. essa hipótese. Retenhamos sumariamente os traços principais da teoria de Eins. quanto no espaço. porque a Rela. por sua vez. como se queira [. os viventes e o todo po que se divide atualmente em espaço e em tempo de uma infinidade do mundo material. ao contrário. 58-59. Mas não há contradição: em DS. 67. que traz consigo uma contração dos corpos e uma dila- ainda hoje. o Tempo de Einstein é da primeira categoria. tal como Bergson a resume: tudo parte de uma certa idéia do 'ventes: "Então. atribui à aten- ritmos e o caráter pessoal das durações (cf. mas por uma certa maneira relativa de repouso e do movimento. contínuas e qualitativas. o escoamento da água. tiplo? O verdadeiro problema é este: "qual é a multiplicidade própria mann e que Bergson. as coisas materiais não se distinguiriam por dura. Ora. sendo cada um próprio de um sistema de referência. um só tempo. na terminologia de Berg- de. é essa última hipó. não percebíamos. [79J desde Os dados imediatos. tein. mais ainda: em virtude da relatividade do ções absolutamente diferentes. essas rupturas de simultaneidade vêm a ser absolutamente re- participação misteriosa das coisas em nossa duração. todas essas noções são familiares a Bergson. a propósito do espaço e do tempo. Parece que Bergson con. um monismo do Tempo . torna-se necessário indicar sua posição no tempo tanto mistério concernente à natureza do Todo e à nossa relação com ele. Matéria e memória. MM. virtuais. É só aparente- confronto não surgia bruscamente: ele estava preparado sobretudo pela mente que a discussão incide sobre o seguinte: o tempo é uno ou múl- noção fundamental de Multiplicidade. 112 DS. perdura o situar um ponto. em virtude da relatividade do próprio mo- participar de nossa duração e de escandi-Ia. para surpresa do leitor. Mas esse isso. como veremos. do qual quarta dimensão do espaço. seja após A evolução criadora. é o seguinte: que tipo de multiplicidade? Bergson esquecido que. sem dúvida.

• porém, mais profundamente, ele atribui à duração o poder de englo- camos em um momento em que a divisão é feita, isto é, no virtual, é
bar-se a si mesma. O escoamento da água, o vôo do pássaro e o mur- evidente que há aí um só tempo. Em seguida, coloquemo-nos em um
múrio de minha vida formam três fluxos; mas eles são isso apenas momento em que a divisão é feita: dois fluxos, por exemplo, o da
porque minha duração é um fluxo entre eles e também o elemento que corrida de Aquiles e o da corrida da tartaruga. Digamos que eles dife-
contém os dois outros. Por que não contentar-se [81J com dois fluxos, rem por natureza (assim como cada passo de Aquiles e cada passo da
minha duração e o vôo do pássaro, por exemplo? É que dois fluxos tartaruga, se levamos a divisão ainda mais longe). Que a divisão este-
jamais poderiam ser ditos coexistentes ou simultâneos se não estives- ja submetida à condição de ser feita atualmente, isso significa que as
sem contidos em um mesmo e terceiro fluxo. O vôo do pássaro e mi- partes (fluxos) devem ser vividas, ou devem ser pelo menos postas e
nha própria duração são simultâneos somente porque minha própria pensadas como podendo sê-lo. Ora, toda essa tese de Bergson consis-
duração se desdobra e se reflete em uma outra que a contém, ao mes- te em demonstrar que apenas na perspectiva de um só tempo é que essas
mo tempo que ela mesma contém o vôo do pássaro: há, portanto, uma partes podem ser vivíveis ou vividas. O princípio da demonstração é
triplicidade fundamental dos fluxos113. É nesse sentido que minha o seguinte: quando admitimos a existência de vários tempos, não nos
duração tem essencialmente o poder de revelar outras durações, de contentamos em considerar o fluxo A e o fluxo B, ou mesmo a ima-
englobar as outras e de englobar-se a si mesma ao infinito. Todavia, gem que o sujeito de A faz para si de B (Aquiles tal como ele concebe
vê-se que esse infinito da reflexão ou da atenção restitui à duração suas ou imagina a corrida da tartaruga como podendo ser vivida por ela).
verdadeiras características, que é preciso relembrar constantemente: Para colocar a existência de dois tempos, somos forçados a introdu-
ela não é simplesmente o indivisível, mas aquilo que tem um estilo zir um estranho fator: a imagem que A faz para si de B, sabendo que
muito particular de divisão; ela não é simplesmente sucessão, mas B, para si, não pode viver assim. É um fator totalmente "simbólico",
coexistência muito particular, simultaneidade de fluxos. "É esta nos- isto é, que se opõe ao vivido, que exclui o vivido; e é somente graças a
sa primeira idéia da simultaneidade. Então, denominamos simultâne- ele que o pretenso segundo tempo se realiza. Bergson conclui daí que,
os dois fluxos exteriores, que ocupam a mesma duração, porque um tanto no nível das partes atuais quanto no nível do Todo virtual, existe
e outro se mantêm na duração de um mesmo terceiro, a nossa [...] [É um Tempo, e somente um. (Mas que significa [83J essa obscura de-
essa] simultaneidade de fluxos que nos conduz à duração interna, à monstração? É o que veremos em seguida.)
duração real" 114. Se tomamos a divisão no outro sentido, se remontamos, vemos
Reportemo-nos às características pelas quais Bergson definia a sempre que os fluxos, com suas diferenças de natureza, com suas di-
duração como multiplicidade virtual ou contínua: de um lado, ela se ferenças de contração e de distensão, comunicam-se em um só e mes-
divide em elementos que diferem por natureza; de outro, tais elemen- mo Tempo, que é como que sua condição. "Uma mesma duração vai
tos ou [82J partes só existem atualmente quando a divisão é efetiva- recolher ao longo de sua rota os acontecimentos da totalidade do mun-
mente feita (de modo que, se nossa consciência "pára a divisão em do material; e nós poderemos então eliminar as consciências huma-
alguma parte, aí também pára a divisibilidade"115). Se nós nos colo- nas que havíamos inicialmente disposto de quando em quando como
outras tantas alternâncias para o movimento do nosso pensamento;
haverá tão-somente o tempo impessoal, onde se escoarão todas as
coisas"116. Daí a triplicidade dos fluxos, sendo nossa duração (a du-
113 DS, 59: "Nós nos surpreendemos desdobrando e multiplicando nossa
consciência [... ]". Este aspecto reflexivo da duração aproxima-a particularmente ração de um espectador) necessária ao mesmo tempo como fluxo e
de um cogito. Sobre a triplicidade, cf. 70: há, com efeito, três formas essenciais da como representante do Tempo em que se abismam todos os fluxos.
continuidade: a de nossa vida interior, a do movimento voluntário, a de um movi- - É nesse sentido que os diversos textos de Bergson se conciliam per-
mento no espaço.
114 DS, 68 e 81.

115 MM, 341; 232. 116 DS, 59.

64 Bergsonismo Uma ou várias durações? 65

feitamente e não comportam qualquer contradição: há tão-somente um provisoriamente seu sistema de referência e, por conseguinte, sua exis-
t;mpo (monismo), embora haja uma infinidade de fluxos atuais (plu- tência como físico e, também por conseguinte, sua consciência; Pedro
ralismo generalizado) que participam necessariamente do mesmo todo só veria a si mesmo como uma visão de Paulo,,118. Em resumo, o outro
virtual (pluralismo restrito). Bergson em nada renuncia à idéia de uma tempo é algo que não pode ser vivido nem por Pedro nem por Paulo,
diferença de natureza entre os fluxos atuais e nem tampouco à idéia nem por Paulo tal como Pedro o imagina para si. É um puro símbolo,
de diferenças de distensão ou de contração na virtualidade que englo- que exclui o vivido e que somente marca que tal sistema, e não outro,
ba os fluxos e que neles se atualiza. Mas Bergson estima que estas duas é tomado como referência. "Pedro não mais vê em Paulo um físico,
certezas não excluem, antes pelo contrário implicam, um tempo úni- nem mesmo um ser consciente, nem mesmo um ser: da imagem visual
co. Em suma, não só as multiplicidades virtuais implicam um só tem- de Paulo, ele esvazia o interior consciente e vivo, retendo do persona-
po, como a duração, como multiplicidade virtual, é esse único e mes- gem tão-somente seu envoltório exterior."
mo Tempo. [84J Assim, na hipótese da Relatividade, torna-se evidente que só pode
Mas parece que continua ainda obscura a demonstração berg- haver um só tempo vivível e vivido. (Essa demonstração é estendida
soniana do caráter contraditório da pluralidade dos tempos. Tornêmo- para além da hipótese relativista, pois diferenças qualitativas, por sua
la precisa, levando em conta a teoria da Relatividade, pois, parado- vez, não podem constituir as distinções numéricas.) Eis por que Bergson
xalmente, é só essa teoria que permite torná-la clara e convincente. Com acredita [86J que a teoria da Relatividade esteja demonstrando, de fato,
efeito, enquanto se trata de fluxos qualitativamente distintos, pode ser o contrário do que ela afirma no concernente à pluralidade dos tem-
difícil saber se os dois sujeitos vivem e percebem ao mesmo tempo ou pos119. Todas as outras recriminações feitas por Bergson derivam daí,
não. Aposta-se na unidade, mas somente como idéia mais "plausível". pois em qual simultaneidade pensa Einstein quando declara ser ela va-
Em troca, a teoria da Relatividade situa-se na seguinte hipótese: não riável de um sistema a outro? Ele pensa em uma simultaneidade defi-
mais fluxos qualitativos, mas sistemas "em estado de deslocamento nida pelas indicações de dois relógios distanciados, e é verdade que tal
recíproco e uniforme", onde os observadores são intercambiáveis, po~s simultaneidade é variável ou relativa, mas, precisamente porque sua
não há sistema privilegiado117. Aceitemos essa hipótese. Einstein diZ relatividade exprime não alguma coisa de vivido ou vivível, mas o fa-
que o tempo dos dois sistemas, S e S', não é o mesmo. Mas qual é esse
outro tempo? Não é nem o de Pedro em S, nem o de Paulo em S',
porque, por hipótese, esses dois tempos só diferem quantitativa mente, 118 DS, 99. Diz-se, freqüentemente, que o raciocínio de Bergson implica um
e porque essa diferença se anula quando se toma ora S ora S' co~o contra-senso em relação a Einstein. Todavia, também freqüentemente, comete-se
sistema de referência. Dir-se-ia, pelo menos, que esse outro tempo sena um contra-senso em relação ao próprio raciocínio de Bergson. Este não se conten-
aquele que Pedro concebe como vivido ou como podendo ser vivido ta em dizer: um tempo diferente do meu não é vivido nem por mim nem por ou-
trem, mas implica uma imagem que me faço de outrem (e reciprocamente). Bergson
por Paulo? Tampouco - e aí está o essencial da argumentação berg-
não se contenta em dizer isto, porque a legitimidade de uma tal imagem, que ele,
soniana: "Sem dúvida, Pedro cola sobre esse Tempo uma etiqueta em por sua vez, nunca deixará de reconhecer, é perfeitamente admitida por ele como
nome de Paulo; mas, se Pedro representasse para si Paulo consciente, aquilo que exprime as tensões diversas e as relações entre as durações. O que ele
Paulo vivendo sua própria duração e medindo-a, então, graças a isso, censura na teoria da Relatividade é coisa totalmente distinta: a imagem que, para
Pedro veria Paulo tomar seu próprio sistema como sistema de referência mim, faço de outrem, o que Pedro se faz de Paulo, é, então, uma imagem que não
e colocar-se nesse Tempo único, interior a cada um dos sistemas de pode ser vivida ou pensada como vivÍvel sem contradição (p0.J Pedro, por Paulo,
ou por Pedro tal como ele imagina Paulo). Em termos bergsonianos, isso não é
que falamos: [85J aliás, também graças a isso, Pedro abandonaria
uma imagem, mas sim um "símbolo". Se nos esquecermos deste ponto, todo o ra-
ciocínio de Bergson perde seu sentido. Daí todo o cuidado que ele investe ao lem-
brar, no final de DS, p. 234: "Mas esses físicos não são imaginados como reais ou
117 Sobre esta hipótese da Relatividade, que define as condições de uma es- como podendo sê-lo [...]"
pécie de experiência crucial, cf. DS, 97, 114, 164. 119 DS, 112-116.

66 Bergsonismo Uma ou várias durações? 67

tOl;simbólico a que nos referimos 120. Nesse sentido, tal simultaneidade Quando Bergson defende a unicidade do tempo, ele a nada re-
supõe duas outras a ela ligadas no instante em que elas não são variá- nuncia do que disse anteriormente em relação à coexistência virtual
veis, mas absolutas: a simultaneidade entre dois instantes destacados dos diversos graus de distensão e de contração e à diferença de natu-
de movimentos exteriores (um fenômeno próximo e um momento de reza entre os fluxos ou ritmos atuais. E, quando ele diz que espaço e
relógio) e a simultaneidade desses instantes com instantes destacados tempo nunca "mordem" um ao outro e nem "se entrelaçam", quan-
por eles de nossa duração. E essas duas simultaneidades, elas próprias, do ele sustenta que somente sua {88} distinção é rea1123, ele a nada
supõem uma outra, a dos fluxos, que é ainda menos variável121. A renuncia da ambição de Matéria e memória, qual seja, a de integrar
teoria bergsoniana da simultaneidade vem, pois, confirmar a concep- algo do espaço na duração, a de integrar na duração uma razão sufi-
ção da duração como coexistência virtual de todos os graus em um só ciente da extensão. O que ele denuncia, desde o início, é toda combi-
e mesmo tempo. nação de espaço e de tempo em um misto mal analisado, no qual o
Em resumo, o que Bergson, do começo ao fim de Duração e si- espaço é considerado como já feito e o tempo, então, como uma quarta
multaneidade, censura na teoria de Einstein é ter ela confundido {87} dimensão do espaço124. Sem dúvida, essa espacialização do tempo é
o virtual e o atual (a introdução do fator simbólico, isto é, de uma fic- inseparável da ciência. Mas o que é próprio da teoria da Relatividade
ção, exprime tal confusão). Censura, portanto, ter ela confundido os é ter impulsionado essa espacialização e ter soldado o misto de uma
dois tipos de multiplicidade, virtual e atual. No fundo da questão "é maneira totalmente nova: com efeito, na ciência pré-relativista, o tempo
a duração una ou múltipla?", encontra-se um problema totalmente assimilado a uma quarta dimensão do espaço não deixa de ser uma
distinto: a duração é uma multiplicidade, mas de que tipo? Só a hipó- variável independente e realmente distinta; na teoria da Relatividade,
tese do Tempo único, segundo Bergson, dá conta da natureza das multi- ao contrário, a assimilação do tempo ao espaço é necessária para expri-
plicidades virtuais. Confundindo os dois tipos, multiplicidade espacial mir a invariância da distância, de modo que ela se introduz explicita-
atual e multiplicidade temporal virtual, Einstein apenas inventou uma mente nos cálculos e não deixa subsistir distinção real. Em resumo, a
nova maneira de espacializar o tempo. Não se pode negar a originali- teoria da Relatividade formou uma mistura particularmente ligada, mas
dade do seu espaço-tempo, a conquista prodigiosa que ele representa que cai sob a crítica bergsoniana do "misto" em geral.
para a ciência (nunca, antes, fôra levada tão longe a espacialização e Em troca, do ponto de vista de Bergson, podem-se, devem-se con-
nem dessa maneira)122. Mas essa conquista é a de um símbolo para ceber combinações que dependam de um princípio totalmente distin-
exprimir os mistos, não a de um vivido capaz de exprimir, como diria to. Consideremos os graus de distensão e de contração, todos eles coe-
Proust, "um pouco de tempo em estado puro". O Ser, ou o Tempo, é xistentes: no limite da distensão, temos a matéria 125. Sem dúvida, a
uma multiplicidade; mas, precisamente, ele não é "múltiplo", ele é Uno, matéria não é ainda o espaço, mas ela é já {89} extensão. Uma duração
conforme seu tipo de multiplicidade. infinitamente relaxada, descontraída, deixa exteriores uns aos outros
os seus momentos; um deve ter desaparecido quando o outro aparece.
* *
O que esses momentos perdem em penetração recíproca, ganham em
}l-

desdobramento respectivo. O que eles perdem em tensão, ganham em
120 DS, 120-121.
extensão. Assim, a cada momento, tudo tende a desenrolar-se em um
121 Bergson, portanto, distingue, em uma ordem de profundidade crescente,
quatro tipos de simultaneidade: a) a simultaneidade relativista entre relógios dis-
tanciados (DS, 71 e 116 ss); b) e c) as duas simultaneidades no instante, entre acon-
123 Cf. DS, 199 e 225 (denúncia de um "espaço que ingurgita tempo", de
tecimento e relógio próximo, e também entre esse momento e um momento de nossa
um "tempo que, por sua vez, absorve espaço").
duração (70-75); d) a simultaneidade dos fluxos (67-68, 81) - Merleau-Ponty
mostra bem como o tema da simultaneidade, segundo Bergson, vem confirmar uma 124 Contra a idéia de um espaço que nos damos já pronto, cf. EC, 669; 206.
verdadeira filosofia da "coexistência" (cf. Elage de la philasophie, pp. 24 ss).
125 Neste sentido, a matéria e o sonho têm uma afinidade natural, ambos
122 DS, 199 e 233 ss. representando um estado de distensão em nós e fora de nós: EC, 665, 667; 202, 203.

68 Bergsonismo Uma ou várias durações? 69

segundo Bergson. portanto. mas bem o contrário127. 666-667. Eis por que se combina com a duração. mas ele também representa nossa inserção no menos ço seria então encontrado como sendo esse termo extremo que não mais contraído. isto é. no final da linha de diferenciação. 128 Cf. 667. capo m. 203-204 .) Com efeito. Quando percebemos. quais são e quais não são: todas as nossas sen. o distendido? Eis por que há sempre extensos em nossa duração e a partir de uma já suposta ordem da matéria. passim. E as qualidades pertencem à matéria tanto mesmos . que não se prolon. indefinidamente divisível. estão na matéria em vir- tude de vibrações e de números que as decompõem interiormente. Na inteligência. que a extensão. que O essencial. por sua vez. portanto. tem dois aspectos correlativos. Inversamente. 127 Sobre o espaço como esquema ou plano. 126 EC. de acordo com o gênero de con. Dir-se-ia. o espaço não é a matéria ou a inteligência. devem-se distinguir a forma e o sentido: de se estender. pois. pelo qual ela é duração. a sente nela e deve ser reencontrado pela intuição. ela encontra sua forma com a matéria. mas o "esquema" da matéria. uma qualidade sentida milhões de vibrações ou de tremores elemen. é extensão. para ser independente da matéria interior em que ela opera e da ex- guinte. mas esse sentido está sempre pre- ção são relativas. e a matéria nunca está sufi- cientemente distendida para ser puro espaço. não há por que perguntar se matéria ao mesmo tempo em que a matéria se distende na duração. Bas. nossa duração. a não ser o exten. com efeito. o que nós "tensionamos" as. sua forma a separa do seu sentido. Um tares. Nesse sentido. isto é. 344-345. capo IV. ela marca nossa adaptação à matéria. mas que morrerá para renascer no instante se.a distensão de um espaço puro128. mas ela só o faz à força de espírito ou de duração. é possível à inteligência. Os extensos. quanto a nós mesmos: pertencem à matéria. 203. a representação do termo formam uma ambigüidade que lhe é essencial: ela é conhecimento da em que o movimento de distensão desembocaria. mas o que nós assim contraímos. E. um passo para a outra: a inteligência se contrai na sim é matéria. como o envoltório matéria. mas ainda qualificados. (Mais precisamente. sendo inseparáveis de con- trações que se distendem nas qualidades. de distensão que a matéria e o extenso nunca teriam atingido por si tração que elas operam. todas são "voluminosas" e extensas. em uma matéria infinitamente distendida. 232. em um piscar de olhos ou frêmito sempre recomeçado126. devemos dizer que há toda sorte de extensos distintos. no mais distendido. todos aparentados. o espa. matéria. Bergson recusa toda gênese simples que daria conta da inteligência so. embora em brio. isto é. levar essa forma a um grau graus diversos e em estilos diferentes. Nesse sentido. Só pode haver uma gênese simultânea da matéria e da inteligência. seu equilí- sações são extensivas. [91} ela se amolda à exterior de todas as extensões possíveis. e MM. 341. não é a maté. EC. ou que daria conta dos sempre há duração na matéria. cf. ambas encontram no extenso a forma que lhes é comum. ela tem sua forma na matéria. mas ela tem e encontra seu sentido no mais fundir. MM. contraímos em fenômenos da matéria a partir de supostas categorias da inteligência. 70 Bergsonismo Uma ou várias durações? 71 . EC. se inserir-se na matéria em um ponto de tensão que lhe permite dominá- consideramos que a matéria tem mil e uma maneiras de se distender ou la.GOntinuum instantâneo. há sensações espaciais. te. e relativas uma à outra. é notar o quanto a distensão e a contra. finalmen- não ser o contraído .[90} e o que é que se contrai. são ainda qualificados. não é a extensão que está no espaço. mas só em nosso esquema de espaço. pelo qual ela domina e utiliza a matéria. para deixar de ter esse mínimo de contração pelo qual ela participa da duração. passo para uma. 235-236. Retornemos à imagem do cone inverti- taria impulsionar até o fim esse movimento da distensão para obter o do: seu vértice (nosso presente) representa o ponto mais contraído de espaço. O que é que se distende. à força de ria. a duração nunca está suficientemente contraída gará em outro instante. Eis por que. contraído. tensão que ela vem tensionar. e que acabarão por se con.

como tais. se é verdade que a intensidade nunca é dada em uma experiência pura. não estaria Bergson reintroduzindo em sua fi- losofia tudo o que havia denunciado . entre os dois momentos do método ou os dois "para além" da viravolta da expe- riência -levando-se em conta que o momento do dualismo não é to- talmente suprimido. Matéria e memória reconhece intensidades. da idéia de diferenças de natureza à idéia de níveis de dis- tensão e de contração. mas' tomando todos os momentos como coexistentes em uma dimensão de profundidade? 1. Em tais visões. no qual os próprios "fluxos" eram si- multâneos. acentuando ora um ora outro. vimos como os graus de distensão e de contração coexistentes implicavam efetivamente um tempo único. ora que o presente é somente o nível ou o grau mais contraído do passado: como conciliar essas duas proposições? O problema não é mais o do monismo. tão criticadas em Os dados imediatos129? Bergson ora diz que o passado e o presente diferem por natureza. página [74J. Teria sido ela dirigida contra a própria noção de quantidade intensiva ou somente contra a idéia de uma intensida- de de estados psíquicos? A pergunta se impõe. o impulso vital corno movimento da diferenciação 73 . Trata-se ainda de falar em contradição nos textos de Bergson? Ou é preciso sobretudo falar em momentos dife- rentes do método. graus ou vibrações nas qua- lidades que vivemos como tais fora de nós e que. não é ela que propicia todas as qualidades de que temos experiência? Assim. O problema é o do acordo entre o dualismo das diferen- ças de [93J natureza e o monismo dos graus de distensão. intensidades compreendidas na duração.Bergson começa por criticar toda visão do mundo fundada sobre diferenças de grau ou de intensidade. visto que.5. perten- cem à matéria. O IMPULSO VITAL COMO MOVIMENTO DA DIFERENCIAÇÃO [92J Nosso problema é agora o seguinte: passando do dualismo ao monismo. é muito ambígua. . Há números envolvidos nas qualidades. tal como aparece em Os dados imedia- tos. mas guarda inteiramente seu sentido.as diferenças de grau ou de intensidade. com efei- 129 Cf. A crítica da intensidade.

mas esse Todo e esse Uno são 2. 54). do mesmo modo.. um Tempo único. mas que ela desig- na uma virtualidade. tão-só pelo fato do seu crescimento. virtualidade pura. As diferenças de grau são o mais baixo grau da Diferença. que ção de não designar algo atual. entre o pre. e a matéria é o grau mais distendido da duração. reencontrar o dualismo e de dar conta deste ferença de natureza entre duas tendências. Nos mais conhecidos exemplos. Mas. a tal ponto que ela se define como alteração em relação a si mesma. É o espaço que apresenta exclusivamente diferen. no" remete aos cortes.. há todos os graus dir-se: a essência da vida é proceder "por dissociação e desdobramen- da diferença ou. Aos três momentos precedentes. por "dicotomia" 132. de todos decompor os mistos dados na experiência. que correspondem a uma tendência. que se exprime. esse Uno tem um número. Eis por que Bergson não se contradiz ao falar a duração .tG. 90 e E MR. Todos os xistentes na duração. ou a matéria.A duração. virtual. Apesar de certas expressões de Bergson ("querido pela natureza". É o momento do puro dualismo ou da divisão dos mistos. a memória ou o espírito. toda a natureza da diferença. entre a matéria e a memória. Essa condição só será preenchida se formos capazes diferença e a matéria é essencialmente repetição. nas diferenças de natureza e. as diferenças de natureza são a mais elevada natureza da Diferença. Pois uma das duas direções é portadora de todas as dife. isto é.Mas já vimos que não basta dizer que a diferença de natu. Esse ponto tem alguma semelhança com o Uno-Todo dos pla- entre duas direções atuais [94J em estado puro que partilham cada tônicos. portanto. a duração é como que uma natureza naturante. nas diferenças de grau. Mais do que a um projeto ou a uma meta. é a diferença de grau cidade em vias de diferenciar-se. 1029. . vaga. que levam para além da primeira entre o espaço e a duração. 1024. e o espaço. 56). é a natureza em si mesma 130. às seções do cone. 130 Este "naturalismo" ontológico aparece nitidamente em MR (sobre a 132 Cf. de. indeterminada. se se prefere. a tal ponto que ele aparece como o esquema de uma divisi. cf. pois a dualidade valia entre qualitativas. É aí que aparece a no. Ele lembra constantemente que o Todo não é dado. mas diferença entre dife. formam uma totalidade. não há di. . A duração to". e todas as diferenças de grau caem na outra dire. [96J Uma tal filosofia supõe que a noção de virtual deixe de ser ças de grau. os níveis. a partir do monismo. monismo Isto não significa que a idéia de todo seja destituída de sentido. O próprio ponto de unificação é Descobrimos as diferenças de natureza entre duas tendências atuais. em um novo plano. as articulações do real ou as diferenças e dualismo não estão aí em contradição. 74 Bergsonismo o impulso vital como movimento da diferenciação 75 . a palavra "Todo" tem um sentido~ mas com a condi- momento do monismo: todos os graus coexistem em um só Tempo. é a diferença de se sempre de uma virtualidade em vias de atualizar-se. a Memória é essencialmente mo de precisão. Esse Todo tem partes. e cada um. Entre as duas direções. de uma simpli- natureza em si e para si. Já como veremos. as diferenças de natureza. entre duas direções. 63). entre o espaço e somente em potência 131. em uma Totalidade simples. 313: "A essência de uma tendência vital Natureza naturante e a Natureza naturada. mas reza está entre duas tendências. que remetem à outra tendência. é virtual. dominado de grau. perde-se o essencial. ção. de uma totalidade em vias de divi- fora de si e para nós. em renças de natureza. indo além da "viravolta". de intensidades ou de graus diferentes em uma coexistência virtual. corresponde a um dos graus ou níveis de contração. Há uma diferença de natureza tendências atuais. é desenvolver-se em forma de feixe. Mas a unidade se faz em uma segunda vira- sente e o passado etc. isto é. criando. e pretar tal noção em um sentido demasiado finalista: há vários planos. na outra tendência. de um lado. Portanto. É a duração que compreende todas as dife- ~r * * renças qualitativas. É preciso que ela tenha em si mesma um máxi- bilidade indefinida. compensado. viravolta da experiência. e a matéria é como que uma natureza ção aparentemente estranha de "plano da natureza" (1022. É o momento do dualismo e de algum modo engendrado. todos eles coe- não há qualquer dualismo [95J entre a natureza e os graus. o do dualismo reencontrado. entre direções atuais. 571. 1225. Nós só descobrimos essa diferença à força de volta. a palavra "pla- graus coexistem em uma mesma Natureza. É este o 13! Segundo Bergson. sendo que as partes atuais não se deixam totalizar. Como momentos do método. portanto. Todos os níveis de distensão e de contração coexistem em um misto. não é o caso de inter- naturada. O que Bergson quer dizer quando fala em impulso vital? Trata- 3. e diferenças ciso acrescentar um quarto. é pre- renças de natureza. Tempo único. a vida divi- é tão-somente o mais contraído grau da matéria. EC. em uma reviravolta: a coexistência de todos os graus. de outro. somente virtual. Do mesmo modo. neutralizado.

ela "explica". 119 ("a identi- que ela recusava a categoria de possibilidade? É que. saído da diferenciação de um Simples Reencontramos. cf. . [E também EC. traz consigo o todo ças de grau ali onde. representado pela fabulação (cf. No primeiro tipo. critica-se uma visão do mundo que só retém diferen- inteligência. segundo linhas divergentes que diferem por natureza. É essa unidade que se atualiza ela encontra na matéria. uma mesma linha: EC. e outro de tensão. reencontramos diferenças de natureza idênticas ou de sua unidade e totalidade subsistentes. Preci. na matéria.Sobre o primado. de modo algum é a mesma divisão. 134 Com efeito. puro). 609. 136. De acordo com reencontra.Mas. ou então puro presente e passado fundisse com o próprio movimento da diferenciação em séries rami. {98} cia. Além disso. o "virtual" se distingue do "possível". o primeiro tipo. EC. Por exemplo. Assim. 571-572. {99}No segundo tipo. cia (matéria pura e pura duração. Tudo se passa como se a Vida se con. de-se em planta e animal. que diferem lizam em espécies diversas. de um certo ponto de vista. por Então. Daí haver uma au. aquele que há dois tipos de divisão que não se devem confundir. de uma Unidade ou de uma Simplicidade. um quê de vegetativo nos ani. mas que. esse movimento se explica pela inserção da du. MR. que se dissocia segundo superpõem. segundo a materialidade que ela atravessa. partimos de um misto. agora. cada instante em dois movimentos. ela só avança em séries ramosas ou ramificadas133. opõe- 133 EC. mais profundamente. Vê-se que as to. lismo reflexivo. análogas às que tínhamos determinado de acordo com o primeiro tipo. o possível é o contrário do real. na evolução e diferenciação. tenha dado tanta importância à idéia de virtualidade no momento em 100]. 90-91 e 595. 579. A diferenciação é sempre a atualização de uma virtualidade ele constitui o primeiro momento do método. já em Os da- dos imediatos. de um tipo total- ficadas. por uma força duração divide-se a cada instante em duas direções. a Duração chama-se vida quando aparece nesse movimen. há diferenças de natureza 135. divide-se em várias direções. terem elas visto. que dá testemunho de sua origem indivisa. falamos de um segundo tipo. cada linha "compensa" o que ela tem de exclusivo: por exemplo. ou pelo menos se correspondem estreitamente: no segun- linhas de diferenciação. uma ração na matéria: a duração se diferencia segundo os obstáculos que simplicidade. Por que a diferenciação é uma "atualização"? É que ela supõe uma linhas divergentes obtidas nos dois tipos de divisão coincidem e se unidade. das quais uma é interna explosiva. réola de instinto na inteligência. uma totalidade primordial virtual. de dois pontos dade original"). sob um certo aspecto. determina-se um dualismo entre tendências que dife- ramo. um instinto. a filosofia de Bergson direções divergentes entre as quais se distribuirá o impulso". quando a vida divi. por sua vez. 114). como uma nebulosidade que acompanha cada Nos dois casos. que se eleva na duração. 135 A grande contestação que Bergson dirige às filosofias da Natureza é a de valente de instinto. finalmente. o animal divide-se em instinto e inteligên. Mas de modo algum é o mesmo estado do dualismo. uma questão se impõe cada vez mais: qual é a natureza desse Virtual. um quê de animado nas plantas. 76 Bergsonismo o impulso vital como movimento da diferenciação 77 . uma nebulosa de inteligência no ins. a própria inteligência tem seus modos ou por natureza e que prolongamos para além da viravolta da experiên- suas atualizações particulares. Com efei- to. então. cada ramificação.qe-se em planta e animal. em cada linha. 99. rem por natureza. ela desenvolve o que tinha virtualmente envolvido. Dividimos um tal misto em duas linhas divergentes atuais. os produtos da diferenciação nunca são completamente puros na experiência. o ponto de partida em um novo plano. Mas a diferencia. segundo o gênero de {97}extensão que ela contrai. de vista pelo menos. ou da mistura imagem-percepção e imagem-lembrança. ou então o impulso vital dissocia-se a prolonga. exemplo. a pura ção não é somente uma causa externa. quando o animal divide-se em instinto e Nos dois casos. que persiste através de suas linhas divergentes atuais. da mistura espaço-tempo. depois em Matéria e memória. que se atua. tem-se um dua- tinto. aqui. que a duração se diferencia: ela só se afirma e só se o passado e a outra o presente. sendo um de distensão. a linha que chega à inteligência suscita nos seres inteligentes um equi. uma totalidade virtual. É em si mesma. 578. dito uno e simples? Como entender que. tão-somente diferenças de grau em 1068. que recai samente. dá ainda testemunho do tipo de divisão. de uma Totalidade inicialmente indivisa. um problema próprio do bergsonismo: ou de um Puro: ele forma o último momento do método. um "instinto virtual". que provém da decomposição de um misto impuro: mais134. Sem dúvida. tem-se um dualismo genético. cada lado da divisão. mente distinto de divisão: nosso ponto de partida é uma unidade.

E como nem todos os possíveis se realizam. O mente do real como um duplo estéril138. Quando certos biólogos e a atualização é criação. com isso. A evolução é atualização mas a diferença ou a divergência e a criação. não haveria qualquer razão para que pequenas variações sucessivas se encadeassem e se adicionassem em uma mesma direção.a 1a. não se assemelha à virtualidade que ele en. 873. p. e que passará à "reais sem serem atuais. a realização possível. Proust. PM.] 138 Cf. o real todo já está dado em imagem na pseudo-atualidade realiza). mas o possível é que se assemelha ao real. evitar dois contra-sensos: ou interpretá-la sustentam. portanto.se ao real. uma vez acontecido este. 74 (N. elas tal modo que ela se atualize ao diferenciar-se e que seja forçada a atua. estima-se que lha-se ao possível. PUF. as regras da atualização já não são a semelhança e a limitação. pela qual certos possíveis são considerados abstraímos do real. não há diferença entre o possível mesmo de acontecer? Na verdade. em termos do "possível" que se realiza. Mas três objeções surgem contra tal interpretação: cama. Devemos levar a sério esta terminologia: o possível não tem virtual? É que. III. coordenassem em um conjunto vivível) 139. certamente. Assim. não teriam nem mesmo o meio de entrar realmente em tais relações (pois lizar-se. se que o real se lhe assemelhe. Supõe- não é atual. a me. Em resumo. encontrar-se-ia em um sistema como o de Leibniz uma 137 hesitação semelhante entre os conceitos de virtual e de possível. ao passo que outros "passam" ao real. Com efeito. inversamente. Podem-se. O primeiro contra-senso aparece. O que é primeiro no processo de atualização é a diferença .). o evolucionismo terá sempre o tual não pode proceder por limitação. Le temps retrouvé. é preciso. fonte de falsos problemas. A evolução acontece do virtual aos atuais. mente acidentais. Isto quer dizer que damos a nós mesmos lhor fórmula para definir os estados de virtual idade seria a de Proust: um real já feito. zar-se. o virtual opõe-se ao Por que Bergson recusa a noção de possível em proveito da de at~al. o virtual antes. Filosoficamente. 64. Quando se fala em evolução biológica ou invocam uma noção de virtualidade ou de potencialidade orgânica. para atualizar-se. criação de diferenças. porém. não tem que [100] realizar-se. a criar linhas de diferenciação para atualizar-se. só tem a existência ou a realidade. logicamente. preexistente a si mesmo. sendo elas devidas ao acaso. O pro- linhas de atualização em atos positivos. Já está de um outro ponto de vista. mas possui enquanto tal uma realidade. 2a. ora. o possível é uma falsa noção. Se se evoca a ação do meio rência presente em G. nós o extraímos arbitraria- rechaçados ou impedidos. o processo da realização está submetido a duas regras do possível. 70. do ponto de vista do conceito. Com efeito. precisamente em virtude das características apontadas realidade (embora possa ter uma atualidade). "le possible et le réel". ou interpretá-la em termos de mitação de sua capacidade global. existência segundo uma ordem de limitações [101] sucessivas. o que se traduz dizendo-se fictícia e. o possível é o que se "realiza" (ou não se tudo dado. e isso porque nós o implica uma limitação. sendo indiferentes. diferença entre o virtual de que se parte e os atuais aos quais se chega. A razão disso é simples: ao blema todo é o da natureza e das causas dessas diferenças. E. nem do mecanismo da criação. nada mais se compreende virtual. Paris. Então. não seria porque. todavia.T. sendo e também a diferença entre as linhas complementares segundo as quais exteriores. conforme refe. de fato. nem do mecanismo da diferença. ao contrário. formismo. puros atuais. o vir. Ainda aí. ideais sem serem abstratos" 136. 1976. elas. no pré- fusão do virtual e do possível137. a tecesse com seus próprios meios para "retroprojetar" dele uma imagem mais. não haveria também qualquer razão para que variações bruscas -e simultâneas se 136 [M. por menores que sejam essas variações. o que é totalmente diferente. Proust et les signes. ao contrário. que tal potencialidade se atualiza por simples li. Paris. contra o pré-formismo. 3a. mas deve criar suas próprias mérito de lembrar que a vida é produção. 139 EC. Pléiade. 549. 78 Bergsonismo o impulso vital como movimento da diferenciação 79 . 554. mas sim atuali. Deleuze. evidentemente. esperou-se que o real acon- o real seja à imagem do possível que ele realiza (de modo que ele. pré-formado. pretender que ele fosse a todo momento possível antes que. do R. e vivente. é próprio da virtualidade existir de outras em relações de associação e de adição. o atual. De outra parte. é claro que eles caem em uma con. conceber essas diferenças ou variações vitais como pura- za. torna-se evidente a mágica: se se diz que o real asseme- essenciais: a da semelhança e a da limitação. não é o real que se assemelha ao e o real). só poderiam entrar umas com as [102] a atualização se faz. permaneceriam exteriores. passo que o real é à imagem e à semelhança do possível que ele reali. "indiferentes" umas às outras.

Eles pertencem a um Tempo único. em suas relações. elas 140 EC.e a influência das condições exteriores. desse modo. então. cer. ani- A falha do evolucionismo. onde tudo coexiste com tudo com maior ou menor diferen. particular divide-se. pois as diferenças continuam sendo interpretadas da níveis ou graus. sal- desconhecida dos classificadores. desde o séc. cone elas se contentem [105J em decalcá-los. Ruyer. 80 Bergsonismo o impulso vital como movimento da diferenciação 81 . desde que se 141 Sem dúvida. elas seriam. e o encadeamento de A evo. a idéia de linhas divergentes ou de séries ramificadas não é contrai em uma espécie determinada. assim como esses pontos. diferencia. sob um certo ponto de vista. tinto animal divide-se em instintos diversos. lhantes que se destacavam a cada nível do cone. Gigantesca memória. se vitais como outras tantas determinações atuais. Devemos pensar termo atual em uma série unilinear homogênea. portanto. mas cada uma delas cor- da vida são as seguintes: la A diferença vital só pode ser vivida e pen. E mais: tais linhas de diferenciação são verdadeiramente criadoras.Quando a [104J a virtualidade se atualiza. se "desenvolve". portanto. 555. ou quando um instinto tida precisamente em Matéria e memória. Mas o que importa a Bergson vo. dos graus que coexistem no virtual. planta e animal. separando-o dos outros. . . essa estreitamente que as linhas de atualização correspondam aos níveis ou realidade. Não obstante. níveis que Todavia. um "plano da natureza". sendo que as próprias variações outras simultâneas. E quando o próprio ins- dade original". elementos abstratamente combiná. desde o início. está em conceber as variações mava o bergsonismo. uma virtualidade que se atualiza segundo linhas de diver. As três exigênciasde uma filosofia partes. coexistem em uma Unidade. XVIII. 1 de atualização constitui. a "identi. são elas somente seriam efeitos passivos. Eles são a realidade desse virtual. tem uma realidade. Sobre cada um desses níveis encontram-se alguns "pontos e se distribui em linhas ou partes não somáveis. há somente linhas de atualização. perspectiva de uma causalidade puramente exterior. em sua natureza. consiste em todos os graus graus virtuais de distensão ou contração. Como não ver que a vida procede aqui como a consciência em geral. PUF). ele próprio virtual. eles próprios. perde contato com o resto dela mesma. 1}. envolvidos em uma Simplicidade.Hoje em dia. . A resposta já está con. gência. a linha atualiza um nível do vir- [103 J portanto. sentido da teoria das multiplicidades virtuais que. Cada linha de diferenciação ou recusa de interpretar a evolução em termos puramente atuais (cf. encontramos exigências análo. plano que retoma à <1" psycho-biologie. sua maneira uma seção ou um nível virtual (cf. ela o faz segundo linhas divergentes. formam as partes em potência de um veis ou adicionáveis. Aí já não há todo sada como diferença interna. em R. responde a tal ou qual grau na totalidade virtual. Todos esses uma outra forma. cada uma das quais retém o todo. 637. .3a Essas variações implicam. semelhança. em um ou dois pontos que interessam à espécie que acaba de nas- é que divergências de direções só podem ser interpretadas da perspectiva da atualiza. ela encarna pontos notáveis do virtual. as três objeções subsistem sob brilhantes". 74. ele próprio. sendo umas sucessivas. para mudar" deixa de ser acidental. mas. virtuais. cada uma das linhas corresponde a um em relações de dissociação ou de divisão. segundo espécies.2a Essas variações todo em uma direção e não se combinando com as outras linhas ou não entram em relações de associação e de adição. não é o caso de acreditar que coexistentes de distensão e de contração. estendida a todo o universo. outras direções. Sabemos que o virtual. É esse o de funcionar "em bloco" de maneira a dominar ou utilizar suas causas 140. são. tual. quando a duração se divide em matéria e vida. n. que deveriam. p. 72: como teria podido uma energia física exterior. entretanto. mas de um virtual aos que.•~I ção de um virtual. E. pois o que coexistia no virtual deixa de coexistir no atual ça de nível. supra. há de perguntar como o Simples ou o Uno. ao contrário. quando ela atualiza e desenvolve suas combinar-se em uma só e mesma linha. pontos notáveis que são próprios de cada nível. mnêmico e inventivo".. só coexistiam enquanto permaneciam virtuais. depois a vida em termos heterogêneos que o atualizam ao longo de uma sérieramificada 141. como virtual. por mais respeito. todavia. mas cada qual representando uma atualização do encontram nessa tendência uma causa interior. a luz por exemplo. a evolução não vai de um termo atual a um outro ignorando tudo o que se passa nos outros níveis142. em reproduzi-los por simples universal. incapazes Todo. memória?" . tem o poder de se diferenciar. separam-se ainda lução criadora com Matéria e memória é perfeitamente rigoroso a esse níveis ou se segmentam na região do animal ou do gênero. atualizam-se níveis diferentes de contração. mas sob um certo aspecto. "converter uma impressão deixada por ela em uma máquina capaz de utilizá-la"? 142 Quando Bergson diz (EC. é somente nesse sentido que a "tendência coexistente. 130 [95. como a . Eléments de . n. 168): "Parece que a vida.o leitor deve pensar que esses pontos correspondem aos pontos bri- gas às de Bergson: apelo a um "potencial trans-espacial.

cf. em relação à matéria. EC. mas é aqui- lo em função do que o vivente fabrica para si um corpo. estabeleceremos entre eles relações seja de gradação. que não é somente um meio exterior. de acordo com a maneira pela qual o problema fora colocado e de acordo com os meios de que o vivente dispunha para resolvê-lo. se compararmos um instinto 143 Sobre este vocabulário negativo. 82 Bergsonismo o impulso vital como movimento da diferenciação 83 . por exemplo. a cada vez. entre a distensão e a contração. vital ou psíquico do nível ontológico que elas encarnam.o (\I freqüentemente a Bergson exprimir-se assim. dir-se-á que a solução era tão boa quanto poderia sê-lo. a inversão do outro. veríamos tão-somente diferenças de grau.(\1 uo No entanto. Cada linha de vida relaciona-se com um tipo de matéria. ou o obstáculo que se opõe ao outro. e a materialidade como a inversão do movimento da vida 143. relacioná- los à virtualidade que neles se atualiza. Ou então situaríamos em cada o um deles uma oposição fundamental: veríamos em um o negativo do t:: O outro. o vivente aparece antes de tudo como posição de problema e capacidade de resolver problemas: a constru- ção de um olho. nessas condições. seja de oposição. u O dade: a matéria é apresentada como o obstáculo que o impulso vital deve -O O contornar. E. mas essencialmente positiva e criadora. para ver que a diferenciação nunca é uma negação. entre o animal e o homem. parece a Bergson mais importante que a determinação negativa da necessidade. é antes de tudo solução de um proble- ma posto em função da luz144. não se trata de acreditar que Bergson esteja retornando a (\I >< uma concepção do negativo que ele havia denunciado antes..~ [1 07J Reencontramos sempre leis comuns a essas linhas de atua- lização ou de diferenciação. mas uma criação. há uma correlação que dá testemunho da coexistência dos seus respectivos graus no Todo virtual e de sua relatividade essen- cial no processo de atualização. posição e solução de problema. elas criam o represen- tante físico. (É assim que. 144 Este caráter da vida.i: que ele esteja voltando a uma teoria das degradações. Com efeito. uma forma. Entre a planta e o animal.. em termos de contrarie. . Se retivermos tão-somente os atuais que terminam cada linha. Entre a vida e a matéria. . bas- ta recolocar os termos atuais no movimento que os produz. Eis por que. por exemplo. todo o capo m. e que a diferença nunca é negativa. menos ainda i. * * .só atualizam por invenção. Ocorre •.

mas. pois o Todo é tão-somen. dir-se-ia que o vivente volteia sobre si mesmo uma dimensão do espaço. mas que ele é tão per. 146 EC. assim como o transcurso no tempo. 84: "uma certa hesitação ou indeterminação inerente a uma certa vista. 1082. é preferível este regozijar pelo Todo não ser dado. desde que espacializemos o tempo. 1006. pendentes do grande alento da vida. portanto. ela é ainda um fracasso relativo em relação ao quarta dimensão contém em bloco todas as formas possíveis do uni- movimento que a inventa: a vida. 151 EC.. reina um pluralismo irredutível tanto de mun. se uma espécie de analogia entre duas totalidades fechadas (macro- É bem essa a falha comum ao mecanicismo e ao finalismo. Artrópodes e Vertebrados. 147 Sobre a oposição vida-forma. cácia. for. é toda comparação clássica que muda de sentido. dividindo-se quando passa ao ato e não podendo reunir suas ção" das coisas e. de um certo ponto de 150 DS. Ao contrário. para o impulso vital. o outro su.. Cf. uma dade. ma material que ela suscita. tais li- dos quanto de viventes. com efeito. precisamente. o tempo aí só aparece como uma tela que nos oculta o eterno ou feito quanto pode sê-lo em variados graus. nhas não formam um todo por conta própria e não se assemelham ao Porém. 84 Bergsonismo o impulso vital como movimento da diferenciação 85 . 37. 132. e o movimento no espaço. o Homem é tão voltado sobre si. desde o início: a confusão do espaço e do tempo. Equinodermos e Moluscos. que permanecem exteriores umas às outras: o Todo nunca É certo que há um Todo da duração. ". É esse o tema constante do berg. com a criação no mundol50. Não pode ser de outro modo. . 273. Ora. que está em vias de ocorrer. EC. 34 e 1193. MR. MR. dimensão do espaço. tudo isso significa o seguinte: há uma efi- e se fechal47. Toda espécie é. estando todos eles "fechados" sobre si mesmos. na ver- de "contato com o resto de si mesma". 132 ("[00. se o vivente tem finalidade é por que tudo seja calculável em função [109 J de um estado. devemos nos que elas atualizam. assim. é virtual. por conseguinte. 172 e MR. 606. Mas. uma positividade do tempo. tal ilusão é inevitável. que se confunde com uma "hesita- te virtual.1 a cada parada. mensões"). Esse todo. Seconsiderarmos o tempo como quarta toda solução é um sucesso relativo em relação às condições do pro. que vai ganhar uma impor. mas o organismo é que se abre a um perfeita em seu gênero"). um lado. 129 ss: "Como turbilhões de poeira levantados pelo vento que passa. como movimento. 529. 203 ss (sobre o exemplo da "curva plana" e da "curva com três di- 1153. que. pois.semelhante em espécies diversas. verso. que o Tempo não seja parada de movimento. nômeno para que o movimento. e que se confunde com "a evolução criadora". que o espaço real tenha só três dimensões. aliena-se na for. será tão-somente aparência ligada às três dimensõesl49. é tão circular quanto as outras espécies animais: dir-se-á que ele é "fechado". ser ele essencialmente aberto a uma totalidade também ela aberta: "ou a finalidade é externa ou é absolutamente nada" 151. encerrado sobre si. não nos demos conta de outras duas dire. Portanto. mesmo que apenas sob o olhar de um Deus. partes atuais. [108J Tudo se passa como se também os viventes colo. que que nos apresenta sucessivamente o que um Deus ou uma inteligência cada solução vital não é em si um sucesso: dividindo o animal em dois. e não é o todo que se fe- 145 EC. tem-se razão em comparar o vivente ao todo do universo. Ele se atualiza segundo linhas divergentes.Sobre a espécie como "parada". 40. Um supõe cosmo e microcosmo). Eles são. são um por de uma dimensão suplementar àquelas nas quais se passa um fe- fracasso146. apareça- cassem falsos problemas. atualizando-se. De sonismo. porém. 221. mas equivoca-se ao interpretar tal comparação como se ela exprimis- mesmo que só de direito. mais ou menos aperfeiçoado. sobre-humana veria de um só golpe148. gam a imitar tão bem a imobilidade . os viventes volteiam sobre si mesmos. no atual. . 526. ção do tempo ao espaço. supondo que essa blema ou do meio. 148 EC. e che. Entre o mecanicismo e o finalismo. último. 149 DS. a assimila. parte das coisas". não se deverá dizer que ele é mais ou põe que tudo seja determinável em função de um programa: seja como menos completo. Além disso.145 É evidente. 41. todo e à maneira desse todo virtual. diferenciando-se. todavia. é "dado" e. arriscando-se a se perderem. ela per. mas sob a condição de submetê-lo a {11OJduas correções. 640. 603 ss. É que. uma combinação cha à maneira de um organismo. relativamente estáveis. de outro ponto de vista. acabaremos. basta dis- ções. tância tão grande no estudo da sociedade humana. No espaço.É esta a origem da noção de fechado. 528. isso nos faz acreditar que tudo está dado. em outra oscilação. se nos como uma forma já pronta.

melhante seja o órgão obtido através de meios dessemelhantes152. como a vida tem acesso atualmente fava sobre o mecanismo". Recordemos que essa matéria vimento daquilo que estava tão-somente envolto. O exemplo será tanto mais signifi. o que o homem é capaz de reencontrar todos os níveis.L. há certamente uma prova da finalidade. Portanto. soube "empregar o determinismo da natu- a uma memória e a uma liberdade de fatol54. 1154. como se cativo quanto mais separadas estejam essas linhas. e toda vida a uma matéria. a Vida. transpõe seu "plano" e reen- complicado?" [543. Mas é toda a memória. 154 Cf. como vimos. Eis por que a outras direções se fecham e volteiam em torno de si próprias. Por outro lado. ao pas- atualização. os movimentos de produção não se assemelham e nem os pro. capaz de exprimir um todo aberto. a diferenciação são uma verdadeira criação {111]. em certo estado da matéria cerebral. de distensão e de contração que coexistem no Todo virtual. 158 ES. 719. E as durações que cessos de atualização. A resposta de Bergson é reza para atravessar as malhas da rede que ele havia distendido. MR. EC. Dir-se-ia turas ou aparelhos idênticos sobre linhas divergentes (por exemplo. a seguinte: é somente na linha do Homem que o impulso vital "pas. e se torna atual. ela deve in. é de direito liberdade. Io para mOVimentos utliza. 157 EC. . a cada vez. e PM. é de direito consciên. sarnento. Cada linha de atua. pelo homem. tornava possível a distinção daquilo que estava em confusão. 5 ss. ele fosse capaz de todos os frenesis e fizesse acontecer nele tudo o que. 541 sS. De direito significa virtualmente. exprimir. Vê.223. um intervalo entre a excitação e a reação. {113] A liberdade tem precisamente este sentido físico: "detonar" um sa" com sucesso. É pre. MR. para lidade. '1' . todos os graus olho no molusco e no vertebrado). Invention et finalité en biologie. A ques. po t en t es 158 . 153 EC. sendo elas próprias De onde vem tal privilégio do homem? À primeira vista. diferenciação do homem. Dir-se-ia que no homem. {112] só pode encarnar-se em espécies diversas. 1425. o homem é certamente "a razão de ser · exp 1OSiVO. Sobre a linha de cia. tenham chegado várias vezes ao mesmo resultado. gem é humilde. passim. liza e os meios dessemelhantes que ele utiliza em cada linha. distensão. e quanto mais se. so que um "plano" distinto da natureza corresponde a cada uma des- ciso que o Todo crie as linhas divergentes segundo as quais ele se atua. 55 ss.55-64. Há fina.. porque a vida não opera sem direções. de sua condição. 182 e ES. 649. 825-826. estru. 152 EC. sas direções. e mente à medida que são descobertas atualizações semelhantes. é de direito memória. nesse sentido.57]). do que as causas são infinitamente numerosas e sendo que o efeito é infinitamente 156 Sobre o homem que engana a Natureza. sen- 155 MR. criar os meios para o desenvol. de ultrapassar seu próprio plano como sua própria condição. nada ultrapassa aqui as propriedades físico-químicas de uma matéria particularmente compli- cada. mas. o homem. cf. 818 ss. 538. cf. o de diferenciação. ("Como supor que causas acidentais. soube "fabricar uma mecânica que triun- torna-se de fato consciência de si. o impulso vital soube criar com a matéria tão de fato (quid facti?) está em saber em que condições a duração um instrumento de liberdade. Cuénot expôs toda sorte de exemplos no sentido contra a Natureza naturante. mas não há "meta". selecionava a reação. nhos o homem reencontra ou prepara a matéria. somente no homem. o atual torna-se adequado ao virtual. Até nos so- se aqui como a própria categoria de semelhança encontra-se. nos pro. 86 Bergsonismo o impulso vital como movimento da diferenciação 87 . 1022-1029.264. sua ori- criadas na "proporção" do ato que as percorrel53. ao contrário. que se infiltra nesse intervalo A Duração.157. ca d a vez mais. alhures. apresentando- se em uma ordem acidental. justa.218. é capaz de baralhar os planos. Ao passo que as dutos se assemelham à virtualidade que eles encarnam.Sobre o ultrapas- da teoria bergsoniana. da totalidade do desenvolvimento"155. subordinada às de divergência. enfim. É toda a liberdade que se atualiza. homem cria uma diferenciação que vale para o Todo e só ele traça uma lhar-se. direção aberta. de diferença ou lhe são inferiores ou superiores são ainda interiores a ele. 51. o ponto de partida encontra-se ventar a figura dessa correspondência. porque tais direções não preexistem já prontas. criar os meios para "analisava" a excitação recebida.14-15. Embora formas ou produtos atuais possam asseme. Sendo toda contração da duração ainda relativa a uma lização corresponde a um nível virtual. . a Natureza naturantel56..

e isso própria inteligência e a sociedade: não é essa "hesitação" da inteligência não está fundado sobre a razão. se consideramos a inteligência e a sociabilidade. inclusive. intercerebral. 1145. Mas elas também se formam e sível a inteligência e a atualização de uma memória útil. 160 MR.124. isto é. só subsistem graças a fatores irracionais ou mesmo absurdos. em torno de si mesmas ou as formigas em seu domínio160. à inteligência como órgão de dominação parece conferir ao homem a abertura excepcional anunciada preceden- e de utilização da matéria. por O que vem inserir-se no intervalo inteligência-sociedade (tal co- intermédio da própria inteligência. procura alcançar por meios que lhe são próprios as vanta. entre a dada é a obrigação de ter obrigações.Mas virtual. 1155.dissermos que este seria como que o núcleo da intuição. Compreende-se. Isso é correto.. des fechadas? À primeira vista não. o instinto e a inteligên. Nada. 159 MR. que somos sempre remetidos de um termo a outro. 1053. .94 e 1153. 998. Em resumo. 1006. de súbito. por exemplo. 161 MR. sobre uma espécie de "instinto virtual". guarda todavia um equivalente imanente à inteligência.A verdadeira resposta de Bergson é [116] fica ainda o privilégio do homem. da sociedade. é. inventor de religiões. As sociedades que ele forma não são menos fechadas do que as de espécies animais. e inteligência a ser do interesse desta ratificar a obrigação social.lembrando-nos de que a inteligência. E se á que a sociabilidade (no sentido humano) só pode existir nos seres nós . primeiramente. que persuade a cia são tais que aquele suscita em si um sucedâneo de inteligência. do mesmo modo que a obrigação. de representa. em nome de um egoísmo que ela exclusiva. que vai permitir ao homem romper. . procura preservar contra as exigências sociais161. graças a ele o corpo imitava a vida do espírito em sua totalidade e gação. trata-se deus é contingente ou mesmo absurdo. é o "todo da obrigação". ao mesmo tempo. se a sociedade se gens da outra linha: assim. Assim. aqui. fechada enquanto tap62. É essa a "função fabuladora": instinto portanto. em MR. Mas ela tem aí um valor apenas provisório. mas não se funda sobre sua inteligência: a vida social é diferenciação. pois. e o homem gira em círculo em sua sociedade tanto quanto as espécies e também a uma memória voluntária. faz obedecer. todavia. Encon- particular é convencional e pode roçar o absurdo. se a inteligência hesita e às cialidade de sua inteligência. seja. sugere essa explicação em certos textos.Não que a sociedade seja somente ou essencial. esta um equivalente de instinto. 88 Bergsonismo o impulso vital como movimento da diferenciação 89 . ao separar-se do instinto. começa com ela.34. a menos que essa espécie de jogo da inteligência e mente inteligente. o círculo das socieda- partida que a natureza suscita no ser racional para compensar a par. mas não deriva dela. Desse de instinto . que vai poder imitar a "hesitação" superior das coisas na duração e za. de determinar a maneira pela e fundado é ter deuses. 1067 162Bergson.Sobre a obrigação e o instinto virtual. formem sociedades. nosso problema parece complicar-se mais do que resolver-se. desde a origem. sobre uma contra. Com efeito. ss. criador de deuses. terão êxito em suscitar dificuldades mo a imagem-lembrança se inseria no intervalo cerebral próprio da inte- ao trabalho intelectual". Mas ao que parece levar um tal ponto de partida? À percepção. Cada obrigação podíamos. de súbito. Já o pequeno intervalo intracerebral tornava pos- organização racional das atividades. lizam no intervalo cerebral.23. mais ainda. E. mesmo sendo vezes se rebela. mas o que é natural. de acordo com as leis da inteligentes. Cada linha de diferenciação. tudo muda à medida que algo se venha inserir no intervalo. modo. qual a própria inteligência se converte e é convertida em intuição. mas sobre uma exigência da nature. nas implicam certa compreensão inteligente das necessidades e certa um fator decisivo. não tem fundamento racional. tanto quanto as espécies e as sociedades animais.Sobre a função fabuladora e o instinto virtual. por exemplo. isso ocorre graças à função fabuladora. necessário de operar uma gênese da intuição. . isto é. esse pequeno intervalo entre os dois. [115] instalarmo-nos no passado puro. ções fictícias" que farão frente à [114] representação do real e que. que os homens temente. em sua separação. como o poder de ultrapassar seu "plano" e sua condição. elas fazem parte de um plano da natureza. cada ligência)? Não podemos responder: é a intuição. tramo-nos agora diante de um outro intervalo. vemos que nada justi. Sem dúvida. 224. ele próprio. pois esse equivalente de instinto en- pois.222. nada de sério estaremos dizendo. a única coisa fun. 113 ss e 1076. isto é. Parece. pois as lembranças úteis se atua. dir-se. contra-se totalmente mobilizado pela função fabuladora na sociedade em sua complementaridade e em sua diferença. as sociedades huma. A obri..211. é o panteão dos deuses159.

tem também duas fontes. (A teoria da emoção criadora é ainda mais importante há uma arte emotiva ou criadora (1190. a emoção está sempre liga. sociedade de criadores. que atualiza ao mesmo tempo do egoísmo e mais ainda da pressão social. 90 Bergsonismo o impulso vital como movimento da diferenciação 91 . a Memória se servia do jogo circular excitação-reação para encarnar mo tempo. graças a esse intervalo. se ele se abre à emoção criadora. atravessando desertos fechados. de espectadores ou de ouvintes. ela é como o Deus em nós. nem com as contestações do indivíduo. contrário. ao Matéria e memória. das. tal liberação ocorre..] o amor dade aberta. da qual se considera que aquela dependa. atividade superabundante.35-36). o romance seria sobretudo fabulação. "não temos a escolha. contemplação suposta: tudo se passa como se a inteligência já fosse çar". Mas. ligência" definia uma variabilidade própria das sociedades humanas. MR. sem ver. 76 ss). é a natureza inteira que chora com ela. 1008. plantas e toda a natureza. como [117] passantl)Slevados a dan. a emoção precede toda representação. acontece que. nem com 165 Lembremos que a arte. de alma em alma. ela traça o desenho de uma socie- sublime exprime o amor. e dos místicos (pelo menos os ligados a uma mística cristã. uma agitação que lhe per- bre objetos diversos. "de quando mo elemento puro.. Não é. ela não introduz tais sentimentos em nós. 168 Sobre os três misticismos. porque ela exprime penetrada pela emoção. esta co- não tem um objeto. segundo Bergson. é por agir. que persuade ou mesmo fabula 165. descreve como sendo. Ela nada tem a ver com um indivíduo que contesta ou mesmo inventa.63. Ins. em almas privilegia- mos que a primeira é a potência.35.270: "[. porque ela comunica aos especta. inteiramente. se o homem acede à totalidade criadora aberta. um ente adequado a todo o movi- da a uma representação. transcendente. Por natureza. é o místico que goza de toda a criação. 167 MR. mas era impu. só a emoção di. Há uma arte fabuladora. em seguida. seria emoção e criação. Pessoal. sobretudo. em quando". oriental e cristão. 1141-1142. 1158ss. criação)168. munica a ele uma espécie de reminiscência. a cada membro sendo ela própria geradora de idéias novas. uma Memória cósmica.. do egoísmo individual inteligente e da pressão social quase lembranças em imagens. a afetividade tendia a confundir-se com a duração em geral. sem vermos a natureza da emoção co. Por isso.Talvez toda arte apresente esses dois por dar à afetividade um estatuto que lhe faltava nas obras precedentes.163.268).e 163 MR. ra e sobretudo dolorosa. somente se serve desse jogo circular para romper o círculo. Na verdade. assim.] criar criadores". em um misto de emoção e representação.totalmente distinta: o que se vem inserir no intervalo é a emoção. uma sociedade que constrange.270 e 1007-1008. não individual. tanto. o que Ora. não pelo seu objeto"164. No limite. nesses dois casos. deve-se reportar ao estudo de M. Nes. 1029. mais na qual ela se exprime. mas outro por intermédio de discípulos. Por- música chora. seja individual (MR. portanto. sem dúvida. ao contrário. MR. 164 MR.. que Bergson O pequeno intervalo "pressão da sociedade-resistência da inte. ela tinha um papel mais preciso. mas em proporção variável. A emoção criadora salta de uma [118] alma a outra. profundamente que os filósofos. Bergson não esconde que o. nega que emoções possam advir precisamente. Esta nada tem a ver com as dinâmica for. pela intuição. grego. com todas as fantasias da todos os níveis. próprio para fazer dele um criador. evidentemente. mais do que por contemplar. 1191-1192. nos introduz neles. Em Os aspectos.aspecto fabulação dados imediatos. 229 ss. Propriamente falando. ela de uma sociedade fechada. ação. mento da criação?166 Tal encarnação da memória cósmica em emo- talamo-nos. Ninguém. ções criadoras.206-207). finalmente. mas tão-somente uma essência que se difunde so. que libera o homem do plano ou do nível que lhe é função fabuladora. mas não ainda o su- a criação em sua totalidade. E o que seria essa emoção criadora senão. criar. 1192. cf. 166 Cf.) . "Quando a A emoção criadora é a gênese da intuição na inteligência. Serva de um Deus aberto e finito (são essas as caracte- pressões da sociedade. animais.Sobre a emoção criadora e suas relações com a intui- ção. a música. Mas. Em parece-lhe inferior em arte. assim como fere ao mesmo tempo da inteligência e do instinto e. algo de extraordinário se dela inventa uma expressão que é tanto mais adequada quanto mais produz ou se encarna: a emoção criadora. é por Verdadeiramente dizendo. há ainda muita mas. Gouhier em L'histoire et sa philosophie (Vrin. a emoção é criadora (primeiramente. "Esta música mite prosseguir e. Em suma. porque ela própria cria a obra ficiente para criar em conformidade com tal emoçãol67. Na própria filosofia. o amor de alguém [.Ela sa resposta. as grandes almas são as dos artistas dores ou ouvintes um pouco dessa criatividade). na qual se passa de um gênio a será qualificado pela sua essência. também ao mes. instintiva.. é a humanidade. pp. seja coletiva. porém.

até essa linha precisa do homem. Porém. na qual o Impulso vital toma consciência de si. Sem dúvida. 260 .como se a "probabilidade" propriamente filosófica se prolongasse em certeza mística. Finalmente. a própria existência do misticismo propicia. justamente. como a coexistência de todos os graus de diferença nessa multiplicidade. e ele prolon- gava o traçado dessas linhas para além da "viravolta" da experiência. então. o Impulso vital designa a atualização desse virtual segundo linhas de diferenciação que se correspondem com os graus . e do ponto de vista de suas linhas de probabilidade169. e que a intuição é tanto um I ~ método de exterioridade quanto de interioridade. APÊNDICES ro na intuição mística . nessa virtuali- dade. o filósofo só pode considerar a alma mística tão-somente de fora. 169 Cf. a alma mística goza ativamente de todo o universo e reproduz a abertura de um Todo. Tudo se passa como se o que permanecia [119J indeterminado na intuição filosófica recebesse uma determinação de um novo gêne. Já animado pela emoção. no qual nada há para ver ou contemplar. 1184.lembremo-nos de que a noção de probabilidade tem a maior importância no método bergsoniano. 92 Bergsonismo . A Memória aparece. o filósofo destacava linhas que partilhavam entre si os mistos dados na experiência. Perguntávamos inicialmente: qual é a relação entre os três con- ceitos fundamentais de Duração. de Memória e de Impulso vital? Que progresso marcam eles na filosofia de Bergson? Parece-nos que a Duração define essencialmente uma multiplicidade virtual (o que di- fere por natureza). indicando no longínquo o ponto virtual em que todas se reencontra- vam. MR. uma probabilidade superior a essa transmutação final em certeza e como que um envoltório ou um limi- te a todos os aspectos do método.rÍsticas do Impulso vital).

incorporados à Édition du Centenaire (N. aí I onde havia somente diferenças de grau foram postas diferenças de natureza. Para julgar acerca do mais i importante. Esses dois problemas. ao passo que o do revisor técnico. Uma tal filosofia opera sempre sobre dois planos. A CONCEPÇÃO DA DIFERENÇA EM BERGSON (1956) [79J A noção de diferença deve lançar uma certa luz sobre a fi- losofia de Bergson. inversamente. pp. Paris. Luiz B. à direita do ponto e vírgula. Les Études bergsoniennes. voI. mas. 1956. Mas.). à esquerda do ponto e vírgula. Mas esse segundo aspecto da mesma crítica não tem ~. L. 77-112) está anotada entre colche. Também entre colchetes aparecem notas ção da própria Édition du Centenaire. metodológico e ontológico. depois. O que Bergson censura essencialmente a seus antecessores é não I terem visto as verdadeiras diferenças de natureza. De um lado. Aí onde havia diferenças de natureza foram retidas apenas diferenças de grau. "La con- ception de la différence chez Bergson". remete à antiga paginação dos li- vros publicados antes e. bergsonisme. segundo algarismo. o bergsonismo deve trazer a maior contribuição para uma filosofia da diferença. Como Deleuze fez em Le IV. [80J é preciso que se interrogue a respeito do alvo da fi- I losofia. que ela tenha uma natureza. podemos esperar que a própria diferença seja algu- ma coisa. 19 e 219. por outro lado.T. por exemplo entre a faculdade dita perceptiva do cérebro e as funções reflexas da medula. Sem dúvida. nós os reencontramos em seu I liame. que ela nos confiará enfim o Ser. PUF. 76. 170 MM (7a ed. 66 [pp. pp. f a freqüência nem a importância do primeiro. dar conta delas sem reduzi-las a outra coisa. nós os surpreendemos na passagem de um ao outro. 9. 1963. Albin Michel. A constância de uma tal crítica nos mostra ao mesmo tempo a importância do tema em ~. remete à pagina- tes ao longo desta tradução. I. o primeiro algarismo. remetem-se perpetuamente um ao outro: o problema das diferenças de natureza e o da natureza da diferença. Bergson. 175. entre a percepção da matéria e a pró- pria matéria 170. Em Bergson.)]. se o ser das coisas está de um certo modo em suas diferen- ças de natureza. do R. A paginação da publicação original (Gilles Deleuze. trata-se de determinar as diferenças de natureza entre as coisas: é somente assim que se poderá "retornar" às próprias coisas. surge por vezes a censura inversa. Se a filosofia tem uma relação positiva e direta com as coisas. Paris. apreendê-las em seu ser. Oeuvres. metodológico e ontológico. Orlandi A concepção da diferença em Bergson 95 .

[817. [1416. Mas ela não é somente o gozo do resultado do método. 296J 96 Apêndice I A concepção da diferença em Bergson 97 . p. E como essas diferenças es- se-á que a diferença interna não tem sentido. ao menos mais fre. e Bergson cita de bom grado o famoso texto de Pla- natureza entre indivíduos de um mesmo gênero. mas. Situando-se no primeiro ponto sos. natureza entre as coisas. 207] 174 PM. que uma tal noção é tão entre as coisas. em sua diferença a respeito de de esforços e de direções173. é preciso inicialmente reencontrá-las. É mesma coisa. constituindo cada qual uma nesse sentido que as diferenças de natureza são já a chave de tudo: é linha de probabilidade. ferença interna. dados extremamente diferentes em um agrupamento tão. p. é o que se corta e bocará no elemento da crítica ou da generalidade. do 176 ES. 23. ela é o próprio método. Das arti- temporal. Como tal. um outro esforço da intuição. ou bem culações do real correspondem a um corte e as linhas de fato correspon- ela só terá com as coisas uma relação negativa ou genérica. pp. enfim. 52-53. que não é tampouco genérica ou específica. 4J 171PM. Nesse sentido.). 296. mas o importante é o sentido que se tome neles. os caminhos são os mesmos nos dois ca- um estado da reflexão tão-só exterior. determinação das diferenças de natureza. sabemos já que ela fatos176. negar-se-á ao mesmo tempo que haja diferenças problema de distribuição. uma pluralidade mesma a partir daquilo que tal coisa é. Ora. Bergson propõe o ideal da filosofia: talhar. a sigla N. 23] 175 ES. p. 266. em sua diferença interna. então. As linhas de fatos são direções. a imortalidade da alma está na conver- existe. se em relação às articulações do real son. Pressentimos sempre dois um conceito apropriado tão-somente ao objeto. a um só tempo. [81J conceito do qual aspectos da diferença: as articulações do real nos dão as diferenças de mal se pode dizer que seja ainda um conceito. (N. com efeito.). ou seja. O real. p. E. ou bem a filosofia se proporá esse meio e esse se opõe à hipótese. 197. É preciso dividir a realidade segundo suas de natureza entre coisas do mesmo gênero. em todo caso em se interseciona. "para o objeto. As articulações do real o nome de prazer.isso somente ocorre na medida em que ela pretende apreender a coisa um ato único. segundo Berg. mostrar que as idéias gerais nos apresentam. direções que convergem para uma única e o mesmo interesse prático e reagia a todas da mesma maneira" 171.). T. as arti- alvo (diferenças de natureza para chegar à diferença interna). 266] 172 PM. gência ou pegando o rumo da convergência. supondo-se que haja diferenças de natureza entre coisas de um gência de duas linhas de [82J fatos177. [1188. 52-53. se há diferenças de articulações174. deveremos reconhe. a diferença interna idêntica a alguma coisa. capo L R. as linhas de fatos nos mostram a coisa mesma ca a esta única coisa"172.). Objetar. elas definem uma integração. (12" ed. trata-se de uma verdadeira distribuição. idêntica a sua diferença. qüentemente. Em resumo. 197] 178 MR. [1211-1212. Em seu primeiro esforço. duas coisas não é ainda a diferença interna da própria coisa. p. a intuição não mesmo gênero. Essa unidade da coisa e do conceito é a di. que a própria diferença não é simplesmente espaço. cada uma das quais se coisas muito diferentes em um mesmo gênero. A intuição é o gozo da diferença. Sem prejulgar a natureza da consciência no ponto de convergência de três linhas de a natureza da diferença como diferença interna. Mas a diferença de natureza entre cer. [1293-1294. [1408. a filosofia bergsoniana se apresenta como um verdadeiro "empirismo". que definem é exterior ou superior à coisa. a intuição é a tudo aquilo que não é ela. em relação às linhas de fatos ela se apresentará sobretudo como um só utilitário: "Suponhamos que. ela desem. ela nos propõe uma pluralidade de atos. Eis por que é importante. será doravante suprimida]. [Como a in- formação posta entre colchetes é sempre Nota do Revisor Técnico. à qual nos elevamos pelas diferenças de natureza. 177 MR (12" ed. Bergson nos mostra preciso partir delas. tão sobre o corte e o bom cozinheiro. 4.T. seguindo a diver- de vista. Em A energia espiritual. Logo. mas a engloba como hipótese. do R. Seguramente. formam uma serem estados buscados pelo homem: a humanidade terá classificado diferenciação. uma vez que só se apli. examinando os estados agrupados sob "positivismo". a não ser distribuem as coisas segundo suas diferenças de natureza. [1270. 207. nada de comum descubramos entre eles. Em As duas fontes. porque encontrava nelas segue até a extremidade. dem a uma "interseção"l78. de um absurda. que não culações do real devemos distinguir as linhas de fatos175. ela não é 173 PM. e mesmo com um probabilismo. (7" ed. p.

os resultados. das diferenças de grau ou de propor- que a concepção da diferença específica não é satisfatória: é preciso ção. por natureza. as diferenças de natureza desaparecem ou antes mento. do aberto. O espaço apresen- qualidade". mas as tendências. afecção. coisas (no sentido de resultados). da vida social e da encarado em seu produto ou em sua tendência. os produtos. só há e só pode haver diferenças de Assim. O misto é o que se vê do renças. pp. não são as características. por tureza. Encontramo-nos diante de uma ciência que as substituiu por do as causas sempre obtidas retroativamente a partir do próprio pro- simples diferenças de grau. "aper- Primeiramente. forma que não a espacial. sob uma outra ceber-se-iam uma série de transições e como que diferenças de grau. mas a sua tendência a mos somente como uma medida da tendência para chegar à tendên- desenvolver-se. Assim. puras. O homogê- o espaço apresenta ao entendimento. nada difere de nada. Mas. Bergson mostrará que a tendência é primeira não só em re- é.[650-651. Perdemos as diferenças de lação ao seu produto. diz Bergson. certo ponto de vista. formar dife. 217. Em uma primeira questão é concernente à ciência: como fazemos para ver so. palavra. o que o entendimento encontra neo é o misto por definição. p. as substituiu por simples diferenças de intensidade.217] 182 EC. produtos. portanto... [585. [1300. 107. e diante de uma metafísica que. duto: em si mesma e em sua verdadeira natureza. porque o simples é sempre alguma coisa no espaço.264-2651 181 EC. como mistura. tão-somente libera e expõe os graus compreendidos o misto é sem dúvida uma mistura de tendências que diferem por na- na diferença até que esta seja apenas uma diferença de grau. da ordem geométrica e da ordem vital. uma coisa é a ex- pecialmente. O que ponto de vista em que. Ora. da inteligência e do espaço. Sabemos que Bergson causas são efetivamente do domínio da quantidade. p. "Esta diferença de propor- racterísticas. misto do fechado e idéias mais curiosas de Bergson é que a própria diferença tem um nú. sendo o espaço aquilo que a exemplo. sen- natureza.107] 184 MR. O que difere por natureza não são as coisas. resultados e nada mais. É preciso compreender que dade. da percepção e da mero. se se pode 179 EC. Mas não é isso o mais importante. [1157. 184. são sempre mistos. mas delas nos servire- estar atento não à presença de características. Eis por quilo que o misto nos apresenta. 277. [679.[585. grau ou toda uma diferença de natureza183. Consoante seja ele invoca as operações conjugadas da necessidade. a simples diferença de grau será o justo estatuto das coisas mente diferenças de grau? "Dissolvemos as diferenças qualitativas na separadas da tendência e apreendidas em suas causas elementares. não podem aparecer. um número virtual. vel apontar qualquer diferença de natureza. estão eles já compreendidos de um certo lá onde realmente há uma diferença radical de natureza" 184. As homogeneidade do espaço que as subtende"179. há quase sempre números180. entre que difere por natureza: somente as tendências são simples. é um estado de coisas em que é impossí- outro lado. por si sós. Veremos que uma [83] das tará sempre e a inteligência só encontrará mistos. são coisas. devemos buscar a razão disso no estado da experiência.184e 718-719. Em resumo. 107] 180 PM. é preciso insistir sobre dois pontos. de um tituímos as articulações do real pelos modos só utilitários de agrupa. 264-265.227] 98 Apêndice I A concepção da diferença em Bergson 99 .Assim. subs. p. mas por sua tendência a acentuá-las" 182. mais es. uma espécie de número numerante.61] 183 EC. apresentará com o cérebro animal uma simples diferença de inteligência faz de uma matéria que a isso se presta. É preciso que nos sirvamos da- estados de coisas. "O grupo não se definirá mais pela posse de certas ca. o cérebro humano. os graus têm uma realidade efetiva e. p. etc. 61. creve ele a propósito da religião estática e da religião dinâmica. por linguagem. A utili. es- dar o que a torna possível. mas. (52"ed. só podemos encontrar o que difere realmente reencontrando a proporção181. a utilidade não pode fun. cia como à razão suficiente da proporção. da percepção e da memória . Assim. A pressão de uma tendência antes de ser o efeito de uma causa. uma vez que não dispomos de outra coisa. p. mentir para com a filosofia. portanto. [84] "Colocando-se nesse ponto de vista". 107.). se os graus podem se liberar para. em toda ção bastará para definir o grupo em que ela se encontra.As coi- modo nas diferenças de natureza: "por detrás de nossas distinções de sas. Negligenciar as diferenças de natureza em proveito dos gêneros sua obra. nem os tendência para além de seu produto. mas em relação às causas deste no tempo.

Mas razão vá até ao indivíduo. to seja fundamento. por- tensão.61] 185 EC. 107. é justamente porque elas são [86] as condições da experiên- ca grega: como esta define o espaço e o tempo como uma simples dis. a intuição apresenta-se como então. Um ser não é o sujeito. Não devemos então nos elevar às condições como às 188 MM. p. [76455. ela só encontra entre os seres propria. ou seja. um método da diferença ou da divisão: dividir o misto em duas ten. o que funda essa ilusão por sua vez nas próprias diferen. mas não seja menos constatado. não mente ditos diferenças de intensidade. p.[692. p. tendia cada vez mais a pôr o acento sobre essas características periência real: Schelling já se propunha esse alvo e definia sua filoso- particulares" 185. zem como encontraremos tais tendências. fia como um empirismo superior. Com efeito. 179. são elas mesmas dadas de uma que este parece culminar. são vividas. Notemos. mas a expressão da tendência.694. 179. é mais cia é a unidade do conceito e de seu objeto. Finalmente. os problemas que não respeitam em percepção vai evocar tal lembrança antes que uma outra?188 Por que seu enunciado as diferenças de natureza. p. e que neste gênero haja tais proporções antes que outras. p. idéias gerais "das quais se supõe que ele participe"192: o que escapa. Mas é provável que to- uma análise transcendental. Se tais condições podem e devem ser apreendidas em uma Bergson nos mostra essa visão da intensidade percorrendo a metafísi. é que o objeto seja este antes que um outro do mesmo gênero. é uma distribuição que põe a razão no gênero ou na categoria e que ças de natureza. por que estas antes que o de denunciar seu caráter arbitrário. a desordem. é preciso que a Para chegar às verdadeiras diferenças. é o caso de se espantar quando se encontra em Bergson uma espécie tes de uma perfeição e [85] de um nada186. [1300. É a tendência que é conceito que só convenha ao próprio objeto.107] 190 PM.179] 187 EC. qual é a regra de divisão. o nada. e sabemos o quanto Bergson insiste sobre o caráter empírico do impulso vital. que a compreensão chegue até o "isto". de tal modo que o objeto do que uma descrição da experiência e menos (aparentemente) do que não é mais contingente nem o conceito geral. Além disso.[308-309. p. outras?189 Por que tal tensão da duração?190 De fato. no espaço. 199. o vivente e o vivido. que o verdadeiro conceito vá até a coisa. riada por uma outra tendência. de um ser é somente a expressão da tendência à medida que ela é contra. intuição. mas das essas precisões concernentes ao método não evitem o impasse em tais condições são tendências-sujeito. É um dos papéis da intuição a percepção vai "colher" certas freqüências. 235. é preciso reencontrar o razão seja razão disso que Bergson denomina nuança. 61. porque elas não são mais amplas que o condicionado. cia real. à medida que evo. Na vida psíquica ponto de vista que permita dividir o misto. Portanto.184. 208. e ainda tentamo-nos com explicar o objeto por meio de vários conceitos. con- sujeito. Assim. só lo. O que ele recusa ce tal ilusão. [1394. mas como às condições da ex- luía. p. É preciso que a idéias mistas do que sobre as pseudo-idéias. Enquanto não achamos o opõem duas a duas. São as tendências que se não há acidentes191: a nuança é a essência. estas são ainda uma espécie de idéias mistas187. condições de toda experiência possível. são ao mesmo tempo o puro e tendências: as diferenças de proporção no próprio misto não nos di- o vivido. Ele eleva-se até as condições do dado. [1417. que Bergson coloca sempre. eis a questão da diferença. e a ilusão de intensi. [1410. que ela repousa menos sobre as deixa o indivíduo na contingência. bergsonismo. o absoluto e o vivido. 233. o misto deve ser dividido em duas certa maneira. Só a tendên- dências. uma diminuição de ser.estabelecer que ela não é acidental e que o grupo. Que o fundamen. 318. por sua vez.318 55] 191 PM. 233-235] 192 PM. só retém diferenças de intensidade. "o conceito único". Por que isto antes que aqui- dade repousa em última instância sobre a de espaço. que o conceito que elas formam é idêntico ao seu objeto.e não 179] 189 PM. [585. desde já. p. Por que uma há um tipo de falsos problemas. Precisamos ver como nas. situando-os entre os dois limi. A fórmula é também adequada ao A metafísica. é isso o essen- cial. Esse método é coisa distinta de uma análise espacial. que diferem por natureza.208] 186 EC.199] 100 Apêndice I A concepção da diferença em Berg50n 101 . de princípio de razão suficiente e dos indiscerníveis.

qual será a boa? As duas [87] não cebemo-nos que a diferença de natureza. ao contrário. [80-81. extensivol96. não está entre se equivalem. 90] 196 EC. uma dife. za 194. A diferença de natu. coisa. 41' ed. E. sendo ela própria uma coisa. A decomposição do misto não nos dá simplesmente duas ten- os seres. de matéria e memória. [1381-1382. 90. a tendên- duração [88] e que. diferem em valor. duração é o que difere de si. A duração. O movimento é mudança E Platão parece ainda mais bem armado que Bergson. e a mudança qualitativa é movimentol97. fere de si. dências que diferem por natureza. [207. Em outros termos. ela nos dá a diferença de natureza rença ainda externa. aper. incapaz de concluir em qual metade do gênero divi. o que se repete. quan. qualidade pura e quantidade extensiva. [752. a afecção desempenha o papel da impureza intensidade não é uma propriedade da sensação. e que a qualidade pura ou a sensação difere por natureza uma metade esquerda e uma metade direita. e o que difere de si mesmo é ime- to de matéria e duração.. há lidade pura. já que é definida como um afrouxamento. não pres- plo: Bergson mostra que o tempo abstrato é um misto de espaço e de supõe qualquer outra coisa. 217. Em Os dados imediatos. p. não 50] 198 PM. Nesse ponto não falta à intuição bergsoniana. pp. porque a idéia qualitativa. 195 DI. cia é a diferença de si para consigo. Bergson não mos- tos animais nos apresentam o instinto como tendência dominante. vida psíquica há sempre outro sem jamais haver número ou váriosl95. 167. portanto. Finalmente. mais profundamente. é o que não di- za que vem comprometer a primeira. 163 e 1384-1385. pois duração? Tudo o que Bergson diz acerca dela volta sempre a isto: a ela é a pureza da coisa correspondente: a outra tendência é a impure. do este notava que o método platônico da diferença era apenas um Bergson distingue três tipos de movimentos. e a alteração é substância. ao con. a duração é uma tendên- cia. A vida psíquica. 194 DI. O que difere tornou-se ele próprio uma ele quisesse que o método da diferença se bastasse a si próprio. Tomemos um exem. na divisão. a própria diferença de natureza é minante. de natureza. não 217] 193 MM. sobre a diferença de intensidade entre outra. Como responder a Aristóteles. é a própria diferença de natureza: na dade que Platão já encontrava. Em suma. o movimento não é mais a característica de al- trário. portanto. e se opõe à outra. Mas. A sensação é o que muda de natureza e não de grande- mos para determiná-las? Reencontramos sob essa forma uma dificul. 227 . finalmente. Sabemos que as articulações do o tempo real é alteração. um termo exterior que lhe possa servir de regra. 303] 197 MM. como se coisa. qualitativo. No misto da dências. guma coisa. mas tomou ele próprio um caráter substancial. e o que difere não é mais o que difere de outra metade. para como uma das duas tendências. Os comportamen. 167] 102 Apêndice I A concepção da diferença em Bergson 103 . o próprio espaço é um mis. se tornou substância. A matéria. 303. se consideramos todas as definições. uma tendência que se opõe à rença de grau entre as coisas. ela apresenta ainda muita exterioridade. Mas ela não deixa de ser uma diferença exterior. e tra somente que a intensidade é um misto que se divide em duas ten- os comportamentos humanos apresentam a inteligência. uma substância. não está mais entre duas coisas. mesmo da pura translação dido se alinhava a idéia buscada. apenas ela é conceito único e só ela é pura. E é somente a tendência dominante que define a verdadeira uma das duas tendências. p. havendo sempre uma tendência do. essas duas tendências. das duas tendências. capo L as descrições e as características da duração na obra de Bergson. evolutivo e silogismo fraco. contrariá-la. é a alteração. 163. do mesmo modo que a diferença ser completa. 50.Ainda mais. Com efeito. o que é a natureza do misto. p. sendo uma contração. Mas Bergson recusa em geral o recurso à finalidade. dências. uma vez que o termo médio faltava? como o percurso de Aquiles. a de um Bem transcendente pode efetivamente guiar a escolha da boa duração é o que difere. mas sobretudo que a percepção e da afecção. de si mesma. mas o que difere de si. entre duas ten- reza entre as duas tendências é sem dúvida um progresso sobre a dife. se divide em duas tendências: com efeito. A diferença [89] real não definem a essência e o alvo do método. [337-338. A tese de Bergson poderia exprimir-se assim: A dificuldade talvez seja ilusória. que a sensação é qua- que se mistura à percepção pura 193. p. Sobre o que nos regula. 60 . a matéria é uma tendência. qualquer móvel198. Eis então o misto que diatamente a unidade da substância e do sujeito. mas a essência de todos eles.

outras misto é decomposto e que o simples se diferencia: o método da dife- distinções devem ser feitas agora. que o da diferença específica. [1316. A diferença de natureza. por exemplo. ela tem o sentido da duração. em da alteridade e da negação. Determinar esse con- ceito. Pensar a diferença interna como tal. se é verdadeiro que em todo seu ser ela difere de si uma derradeira nuança da duração. da diferença se oporão a esse outro método. indivisível. Mas a inteligência só pode mudar de lado ao revelar-se. Ela não está entre duas tendências. a outra tendência? Se a se tornou a diferença. ao passo que está à direita na análise dos comportamentos bergsoniana está em mostrar que a diferença interna não vai e não deve humanos. até o fim. isto de que ela difere é ainda duração. como uma expressão da duração. Não se trata de dividir a duração como se dividia o tornou-se diferença [90] interna. Sabemos ao mesmo tempo dividir o misto e escolher a boa ten. segundo a 104 Apêndice I A concepção da diferença em Bergson 105 . será mostrar de que modo o que difere da duração. em Matéria e memória. ela o era desde o início. Bergson atribui à duração um 199 EC. O espaço é decomposto em matéria e dura- as articulações do real. sentido unicamente mani. porque essas três sua vez. matéria em espaço. Trata-se de uma outra coisa: o tornou-se uma natureza. dem sobre ela apenas de fora. 270. segundo o mis. o misto se às outras: as articulações do real desenhavam também linhas de fatos decompõe em duas tendências. entretanto. precisamos. até a alteridade. a duração. ela própria duração difere de si mesma. mas o impulso vital se diferencia em instinto natureza era exterior somente em aparência. as linhas de fatos nos davam também o princípio do divisível. se exprime através deles como ins. ele se diferencia. agora na humanidade: se a noções são de fato menos profundas que ela ou são visões que inci- inteligência tem a forma da matéria. uma das quais é o indivisível. pura. uma das quais. ou à alteridade. nem mesmo dência. ambas implican- vez que a duração. é convergência. A forma orgânica é decomposta em ção do que cabe ao sujeito. até o negativo. ela própria. um mesmo termo está ora à direita. mas. de comportamentos animais põe a inteligência do lado esquerdo . até ver enfim na matéria metades. Assim. p. a outra metade. e será preciso ir mais longe. como porque é órgão de dominação da matéria. de é uma das tendências e se põe sempre à direita. 81. 267. nos leva à verdadeira distribui. e em inteligência. ele- festado no homem199. inversamente. 81] partir em fluxo e de se concentrar em uma só corrente. É ele que nos visível. 2701 curioso poder de englobar a si própria e. É nesse simples não se divide. [91) A duração é somente uma das duas tendências. a essa outra teoria da to. evidentemente. mesma. pois ela é o que difere de si mes. distensão o princípio da matéria. a outra. A diferença de matéria e impulso vital. pode ser ainda duração. ao mesmo tempo. Não é de admirar que a duração tenha. a convergência de três li. Com efeito. pp. A diferença externa um certo modo. Notar-se-á. A alteração deve então manter-se e achar seu estatuto sem se levará até o conceito puro da diferença interna. Nessa mesma aparência. de Hegel. indi. Em Duração e simultaneidade.uma Platão. como. por ir até a contradição. A divisão dos diferença que se chama dialética. mas o que nos mostravam ao menos a diferença interna como o limite de sua indivisível se diferencia em duas tendências. lembrar o que ainda no exterior de si isto de que ela difere. vários aspectos. seja. desse poder de diferenciação que é preciso interrogar. uma vez que há sempre à direita o que difere de si mesmo. Diferenciar-se é a própria es- sentido que as articulações do real e as linhas de fatos remetiam umas sência do simples ou o movimento da diferença. do que cabe ao objet020o. chegar até o puro conceito de diferença. o mais importante. 267 e 723-724. Mas agora é a respeito apresentada como a própria substância. assim. ção. Não é da mesma maneira. A originalidade da concepção tinto -. Mas para compreender esse últi. é por ser ela simples. se a duração pode ser rença é o conjunto desses dois movimentos. e. da diferença de intensidade. ora à esquerda. sendo a nhas diversas. tanto a dialética da alteridade. no estado da diferença interna. Mas. [721. quanto a dialética da contradição. nem mesmo à contradição. misto: ela é simples. não conteria ela o segredo da outra metade? Como deixaria mo ponto. que são as nuanças. mas a duração se diferencia em contração e distensão. var a diferença ao absoluto. de se re- 200 PM. uma das duas mo. tal é o sentido do esforço de Bergson. É aí que o método e a teoria bergsoniana uma de suas "nuanças". Bem mais. que nos é revelada em cada caso sob um aspecto. deixar reduzir à pluralidade. A diferença interna deverá se distinguir da contradição. pura diferença interna. o impulso vital. sendo a inteligência princípio da transformação da ela já se distinguia da diferença de grau. do a presença e o poder do negativo. inicialmente. enfim. que.

Mas.88] 201 DS (4' ed. implicando. Mas é vem sobretudo da força explosiva interna que a vida traz em si. mas. não 317) tenaire] 207 EC. [1225. ela que muda assim de natureza define o virtual ou o subjetivo..não 317) 106 Apêndice I A concepção da diferença em Bergson 107 .. sendo o impul- 205 EC. Em Os dados imediatos. 86. uma diferenciação. acharemos certos apare- que Darwin. mesmo que seu conceito não seja lizar. Mas aparece algo de novo: ao alguma coisa. ao contrário. Diferenciar-se é o movimento de uma virtualidade que se atua- propriamente biológico. Bergson explica a que ponto a portanto. Com Darwin. Contra um certo mecanicismo. tão-só pelo fato do seu crescimento. traz ao mesmo tempo a simplicidade de um virtual. 58. as próprias mudanças não são [93J acidentais204.209 do acidente. como é ela o realiza na divergência das séries. Bergson mostra que a tes207. ou bem a tornamos necessária em função de ciação: a dicotomia é a lei da vida210. 317. ela mostra a essência subsistindo na contrário disso.313-314. inicialmente. em cada linha. Isso quer dizer que a damental de virtualidade. as quais se distribuirá o impulso. p. 123. nessa relação essencial com téria e memória: a duração. 88. que se realiza dissociando-se. "Que chance haveria para que duas evoluções total- quero dizer. mas o que muda de natureza ao dividir-se. e. o indivisível. capo I. p. 208 PM.. p. mas tornando-a acidental ainda em relação à vida. [568. mentais que ele produz nessas séries. uma exterioridade subsistente. 317. a divergência das minação: uma determinação pode ser acidental. Aqui Bergson liza. 54] 204 EC. direções divergentes entre rando-se. p. em relação à vida. [1298. mais ain- da. diante de pro- das espécies. [570. [Sabe-se que este texto não consta da Édition du Cen- 206 MR. a própria indeterminação. mas é ainda e somente de si mesma que ela dife- rença e o da vida foram identificados nessa idéia de evolução. a um fim ou a um acaso. mas. Divergência das séries. que será retomada e desenvolvida em Ma. aparece a idéia fun. 54.86] 210 MR. A vida é o processo da diferença. ao menos ela só pode séries nas quais ele se realiza e a semelhança de certos resultados funda- dever o seu ser a uma causa. nem à con. a tendência para mudar não é acidental. para ele. o essencial. mas é. [541. 55. necessários. do na essência. cedimentos originais. Bergson in. natureza da atençã0201. A vida difere de si mesma. A biologia nos mostra o processo da diferenciação ope.206: a virtualidade existe de tal modo xa reduzir ao grau. Sem dúvida. ele próprio.123] 209 EC. p. imprevisíveis"203.313. a negação duas séries inteiramente diferentes de acidentes que se adicionam?. a relação de semelhança é uma categoria biológica importante208: ela é a identidade várias determinações é tão-somente de associação ou de adiçã0202. "A sobretudo em A evolução criadora que acharemos os ensinamentos essência de uma tendência vital é desenvolver-se em forma de feixe. é. de tal modo que nos acharemos dian- pensa menos na diferenciação embriológica do que na diferenciação te de linhas de evolução divergentes e. mudança. ou seja. Fazendo da diferença uma simples determinação. assim como a divergência mostrava a própria mudança agin- siste sempre no caráter imprevisível das formas vivas: "indeterminadas. se se quiser. [92J e o tência encontrada pela vida do lado da matéria. na evolução. Bergson retoma a esse processo de diferen- a entregamos ao acaso. tenha chegado a uma falsa concepção da lhos. em cada linha também. A do que difere de si mesmo. Mas ele também mostra que duplo movimento da vida como um todo. p. A noção de diferenciação a diferença interna não pode ser concebida como uma simples deter. p. identidade de certos aparelhos. sendo forçada a dissociar-se para se rea- tradição: uma tal diferença é vital. 55 ss] 202 EC. a diferenciação vem da resis- se deixa dividir. de tal modo que. ou bem Em As duas fontes. tal é o diferença vital é uma diferença interna. nem à intensidade. ainda re. 67). [598-599.58] 203 EC. o imprevisível. o problema da dife. [541 ss. criando. so vital "a causa profunda das variações"205. diferença não é uma determinação. além do mais. nem à alteridade. Buscamos o conceito da diferença enquanto esta não se dei. certas estruturas de órgãos idênticos obtidos por meios diferen- diferença vital. p. não é exatamente o que não a vida. p. o indeter. [1226. ela prova que uma mesma virtualidade se diferença vital não só deixa de ser uma determinação. mente diferentes culminassem [94J em resultados similares através de minado não é o acidental.

e somente com o homem. é encarada como o misto que ela forma no é somente porque essa consciência idêntica à vida estava [95] ador. 13) 21S MR. ma coisa. Não há intuição em Platão. 11. mais ainda do que trazer o novo. diferença de natureza permite-lhe evitar. Platão tem necessidade do Bem como da regra da 1 . A consciência já estava aí. Já não se trata de falar de fim: quando a diferença tor- cia nula2l3. 89 ss) 108 Apêndice I A concepção da diferença em Bergson 109 . ele mostra que. A duração por si mesma é consciência. a tendência original". II II evoluem sucessivamente. p. Mas sabemos que o recorte ou as articula- pria diferença é biológica. ao como no exemplo famoso de Sócrates sentado em sua prisão. p. depois retornará rumo à outra211. mais evoluída. contrário. Desse modo. mas o mais importante. 13. mais com. 89. entorpecida na matéria. não vai até a contradição214. [822-823. dialética de tipo hegeliano. pp. do seu fim. 314. be sua diferença de um fim. aliás. fim. seu tórica da diferença. Tal identidade de direito da diferença e textos de Bergson. própria diferença. Do mesmo modo. é preciso interrogar a respeito das funções. como a diferença e a simplicidade de sua dura- mecida. com e na própria dife. "A materialidade que elas". por outro. as espécies.lado da diferenciação biológica aparece uma diferenciação propriamen. Para reconhece uma especificidade do histórico em relação ao vital. 212 EE. consciência anulada. de tal se reduz à contradição. É ções do real são tão-somente uma primeira expressão [96] do méto- verdade que não se deveria exagerar a função dessa consciência his. 11] 216 EC. mas uma inspiração pelo Bem. eleva-se à consciência de si. II ge possível em uma direção. Se a história é o que reanima a a própria coisa e o fim correspondente são de fato uma única e mes- consciência. [1226. 214 Entretanto. ao rença. é preciso ainda ver como o processo da diferenciação basta para distinguir o método bergsoniano e a dia. de um lado. 318-319. de tal modo que. Desde então elas escolha. não pensamos que Bergson tenha sofrido a influência do platonismo. dá conta da diferença da coisa e nos faz compreendê-la em si mesma. Nesse sentido. Porém.111] 213 EE. mas ela não está menos ligada à matéria. não 318-319] da diferença é totalmente distinta da de Tarde. do Bem. a função da fabula- o seu sentido? Significa que com o homem. Mais perto dele havia Gabriel Tarde-. critica a finalidade e não se atém às articulações do real: consciência. a partir de alguns sempre é tão-somente de fato. ção?215 A diferença da coisa lhe vem aqui do seu uso. por exemplo. do. ou antes o lugar no qual ela se reanima e se coloca de fato. p. "deram a si as impede sença necessária de um princípio de finalidade em Platão: apenas o Bem de voltar a unir-se para restabelecer de maneira mais forte. qual é. da qual. A grande semelhança entre Platão e Bergson é que ambos fize- te histórica. a concepção que Bergson tem da tendo atravessado a matéria. Mas a concepção que Bergson tem da essência e do processo 211 MR. [1066. Sem dúvida. não consciên. mas ela o é de direito212.I 1. lética. sua destinação. ção pura216. Segundo Bergson.1 as tendências que se constituíram por dissociação. podem-se prever as objeções que ele faria a uma da consciência da diferença é a memória: ela deve nos propiciar en. [570 ss. sobre esse ponto. De maneira alguma a consciência é histórica em Bergson. elas parecem receber de fora sua ela libera do antigo. espaço e. a consciência da diferença é histórica. Ademais. Esse co: em As duas (antes. é no mesmo indivíduo e na mesma sociedade que evoluem em sua dicotomia. No plano da história. ao contrário de Platão. há uma identidade de di. exteriores um ao separação. não o único. p. que. antes de chegar aí. da a diferença torna-se consciente. a diferenciação biológica encontra seu prin. para encontrar as verdadeiras texto é ainda mais importante por ser um dos raros em que Bergson articulações do real. O que preside o recorte das coisas é efetivamente sua função. Mas o ponto de modo que seus produtos permanecem separados. Assim. nesse nível. que caracteri- zava sua própria filosofia como uma filosofia da diferença e a distinguia das filo- sofias da oposição. um reito entre a própria diferença e a consciência da diferença: a história verdadeiro recurso à finalidade. Se a pró. 111. mas no mesmo ser: o homem irá o mais lon. não há mais lugar para dizer que a coisa rece- e a história é somente o único ponto em que a consciência sobressai. Qual é que serve cada faculdade. nou-se a própria coisa. a vida por si mesma é mesmo tempo. pelo menos um texto de Bergson seria muito platôni. ele está muito mais longe fim a natureza do puro conceito. ram uma filosofia da diferença em que esta é pensada como tal e não cípio na própria vida. parece estar na pre- outro. I11 plexa. [824. Mas é justamente por essa razão que Bergson.

as diferentes cores já não são retoma à crítica que Bergson faz do negativo: chegar à concepção de objetos sob um conceito. inicialmente. 198. isto é. que é a razão da lho o que faz dele vermelho. e não diferenças de graus. Se o fosse. Ocorre que. Ou todavia. Com conceito da diferença: a diferenciação é uma ação. "apagando do verme- dialética da contradição falseia a própria diferença. uma realização. pp. bem fazemos que as coisas sejam atravessadas por uma lente conver- tamos que a duração difere de si mesma por ser ela. Ou que não comporta nem graus nem nuanças é uma abstração. o próprio conceito tornou-se a coisa. [1409. se é verdadei- de ater-se este a uma concepção da diferença ainda externa. Assim. que se diferencia é. o que. é algo de conceito. primeiramente. a obje. é tão-só uma das numerosas ilu. O duas maneiras de determinar o que as cores têm em comum220. mas as nuanças ou os graus do próprio con- uma diferença sem negação. "Essa combinação (de paz de se diferenciar. dos dois termos é somente a realização da virtualidade que continha dição. distinções espaciais. nas compondo-o com os elementos característicos de duas tendências. inicialmente. de modo que o conceito e o objeto fazem dois. então. então. Em dois conceitos contraditórios) não poderá apresentar nem uma diver..317 não 321] 220 PM. graus da própria diferença. nos dois casos. páginas essenciais consagradas a Ravaisson.218. mas de participação. enquanto permanecemos. na negação. virtual. dizendo.259-260] 110 Apêndice I A concepção da diferença em Bergson 111 . ela não é o mais se possa ter ao mesmo tempo as duas visões opostas. Assim como as coisas se tornaram nuanças ou graus do conceito. p.219. esquecemos que ela se di. e. A luz branca é do nada ou da contradição. se se quer. só foram criadas pelo seu próprio desenvolvimento. Ora. mas a produção de dade. E a contradição. Pouco nos importa aqui a distinção do contrário e da contra.[1455-1456. ro que o que difere de si deve ser um tal conceito. mos é "a pura luz branca". 207] 219 MR. finalmente. da determinação. o se. que a contradição. que o torne apto a produzir tais objetos. é este o ceito. do que daquela de Platão. nos coloca diante de um conceito sões retrospectivas que Bergson denuncia. que. p. porque está ele próprio no extremo do particular. Então. que nos faz compreen- der o particular. diante de objetos que são vários para um mesmo duas tendências divergentes é uma virtualidade e. e graças à noção de virtual. o que difere de si mesmo. do verde o nuança. 259-260. sendo de absolutamente simples que se realiza. substituiu-se a diferença pelo jogo gação. 321. aquela que "fazia ressaltar as diferenças ferenciou por ser de início justamente o que difere de si mesma. lidade que continha ao mesmo tempo os dois termos. difere imediatamente de si mesma. profundo. "Não há realidade concreta em relação à qual não Seja qual for a importância da diferenciação. não haveria qualquer razão para falar de um seguinte. ele tenta mostrar que a negação de um ainda um universal. consistência objetiva que o torne ca- concepção da diferença [97] somente abstrata. Nós o tratamos como um real. por exemplo. p. assim. subsunção a relação entre ambos. por con. Segundo He. e que. mas um universal concreto. de tal maneira que a diferença vai até à contra. que não contenha o negativo.. 217 PM. a coisa difere de si mesma porque ela. é necessário que o ção que ele fez a uma dialética da contradição é a de ater-se esta a uma virtual tenha uma consistência. o gente que as conduza a um mesmo ponto. sendo agora maior esforço de Bergson. [1228. Tanto em sua crítica da desordem. se a objeção que Bergson podia fazer ao platonismo era a objetos que acham sua razão no conceito. quanto a relação não mais de subsunção. Tudo entre as tintas". difere de tão-só o aspecto superficial de um progresso. é por igno- tudo o que ela não é. primeiramente. de modo que. como tal. A oposição dição. O essas duas visões pretende-se em seguida recompor a coisa. que faz dele verde". o que obte- produto de duas determinações contrárias. a termo real por outro é somente a realização positiva de uma virtua- coisa. Bergson explica que há sidade de graus nem uma variedade de formas: ela é ou não é. que a duração é síntese da unidade e da multiplici. neste caso. sendo esta tão-só a apresentação de um todo como contrário. a bem extraímos a idéia abstrata e geral de cor. Em Bergson. rância do virtual que se crê na contradição. não se sub suma aos dois conceitos antagonistas"217. Acredi. em um estado da diferença exterior à coisa. Aquilo que se diferencia em que é um gênero. 207. do azulo que faz dele azul. A diferenciação não é o [98] conceito. [1416. "A luta é aqui gel. 198] 218 PM. É uma coisa universal. todos dois: isso quer dizer que a diferença é mais profunda que a ne- De qualquer maneira.

74 não 65] 226 EE. p.. Esses três níveis sonismo. O conceito tornado conceito da dife. É nesse sentido que o bergsonismo pôs no tempo positivo. A lembrança pura é virtual.. a lembrança não é a representação de alguma coisa. quando dizemos que a definem um esquematismo na filosofia de Bergson. que a torne apta a se reali. à medida que esse grau se diferencia. mas é. Quando a virtualidade se realiza. mais profundamente os graus da própria diferença. uma vez que se uma infinidade de graus entre a matéria e o espírito plenamente ele só agirá diferenciando-se. é pela vida [100} e é sob uma forma vital. e a lembrança pura é a diferença. A duração é o virtual. e se é também graças a ração. E os produtos da rença: [99} é esta a diferença interna. a duração não é rito é ligar os momentos sucessivos da duração das coisas. "ela não nos representa algo que tenha sido. formar-se. não que a diferença é vital. porque cada zar. coisas ao mesmo tempo. 249 não 248] 225 MM.226. não sua semelhança. Essa tese de Bergson é particularmente célebre: o virtual é a lembran- não são simples diferenças de grau. concreta. inicialmente. é verdadeiro to. com ela. do que coexistia na duração. Se. 155 não 145) 223 MM. ele é a diferença entre si dos objetos que lhe são rela. p. não um gênero ou uma generalidade. O próprio da diferença temporal é fazer do conceito uma coisa das nuanças ou dos graus. 48. nesse sentido. deixando de ser em si. 146. se continuamos a falar ainda de repre- tência possível. Mas. [92155. Com efeito. A coexistência do ferença consigo mesma.221. porque nenhuma lembrança se assemelha a uma outra. malgrado o paradoxo aparente. porque as coisas aí são nuanças ou graus que se apresentam O virtual define agora um modo de existência absolutamente no seio do conceito. 65. O que era preciso fazer para diferenciação são objetos absolutamente conformes ao conceito. Propriamente falando. 14155) 112 Apêndice I A concepção da diferença em Berg50n 113 . duração. lembrança é imediatamente perfeita. a partir dessas características. portanto. mas o conceito é idêntico dos graus que coexistiam nela. p.. com efeito. e este ou aquele grau da duração é real a diferença e. não tem que esperar que a per- conceito. e esta menos profunda que a mente algo que é [. O sentido da me. a lembrança pura é a diferença. na verdade. p. [1419. porque. Por exemplo. mas um concre. porque ela é uma vez o que será 221 MM. Vemos.. impulso vital formam três aspectos do ela não tem que se fazer. mas o psicológico representa um certo grau da du- operação que ele toma contato com a matéria. Duração. De um lado.] é uma lembrança do presente. por isso mesmo. cepção desapareça. As distinções do sujeito e do objeto. o virtual é em si o modo daquilo que não age. o impulso vital é a diferenciação da diferença. isto é. A duração é a di. 247. são tão-somente a posição no espaço: a distinção espacial. complementar dos diferentes graus do próprio conceito. torna-se o conceito puro da diferença. memória. "não comporta graus. grau que se realiza dentre outros e no meio de outros224. e o que um tal conceito pode porque seria absurdo buscar a marca do passado em algo de atual e ser: um tal conceito é a coexistência possível dos graus ou das nuanças. A diferenciação é somente a separação à própria coisa. já realizado225. ela nada representa. chamamos memória essa coexis. p. [218. concebe. ele é o modo daquilo que espírito são temporais e. como o virtual ça pura. nesse sentido. ou. quando ela se diferencia. uma vez que os objetos se desenham aí como graus. se distingue da matéria. 249 não 247) 224 PM. dúvida. o conceito. [355. como o faz Bergson. É sempre nesse Era preciso substituir as diferenças espaciais pelas diferenças tempo. [355. mas guardando desenvolvido"222. [282. pelo atingir esse objetivo filosófico superior? Era preciso renunciar a pensar menos em sua pureza. 145. aspectos que se distinguem com precisão. devemos dizer que o impulso vi. sentido que a teoria da diferenciação é menos profunda que a teoria rais. 210] 222 MM. passado com o presente que ele [101} foi é um tema essencial do berg- rença. se é nessa em si psicológica. 210. 'tiva que faça desta um universal concreto. ela é. do corpo e do algo de sua origem. "Se o mais humilde papel do espí. estamos dizendo duas 'mória é dar à virtualidade da própria duração uma consistência obje. Mas. Mas a virtualidade só pôde diferenciar-se a partir há vários objetos para um mesmo conceito. p. ela não é posterior à percepção. a memória é a coexistência dos graus da dife. Sem essa operação que ele. mas simples- tal é menos profundo que a memória. sentação. lembrança assim definida é a própria diferença. As diferenciações do impulso vital são cionados. dizem respeito a graus223.

201. inversamente a lembrança intro. A contração. p. A semelhança vai ainda mais longe entre Hume e Comecemos pelo segundo sentido. parece-nos que no segundo capítulo do Ensaio do onde nada se assemelha a nada. ela é como que a origem do espírito. PUF. no sentido de que ela constitui cada mo.229. 183. seja sobretudo porque ele. que o precedente tenha desaparecido. Nesse sentido. Mas como que o presente encerra diretamente" [Bergson diz distintamente] "a definir a aparição de algo de novo em geral? No segundo capítulo do imagem sempre crescente do passado. "a duração interior é a vida con. em relação ao momento [102] resolve de maneira análoga: o que se produz de novo nada é nos obje- seguinte no qual ela se prolonga. que a memória e a vontade eram tão-só uma mesma da milionésima vez. entretanto. 228 PM. não repeti-lo. a diferença é o novo. seguida. a espera ção do futuro.. ao qual Hume tinha sua contínua mudança de qualidade. repetição de casos semelhantes vez mais envelhecendo. mas somente em seguida. to. [1411. objeto da percepçã0227. Em rectement" como está aqui transcrito por Deleuze. por sua vez. ela torna impossível uma repeti- a lembrança que este lhe deixou. e à p. em sua essência. Esse "algo de novo". "o momento seguinte contém sempre. o próprio instante ou a exte- mento seguinte como algo novo. [664-665. p. penetração". 183-184] Portanto. 1966. só aparece quando o outro desapareceu. uma vez que não desaparece quando o outro aparece. mas permaneciam ao mesmo tempo distintos no enten- dimento. A resposta era que. 169. encontra-se a retomada desse problema. uma "inter- se uma impressão incomum: a de ser agido e a de agir ao mesmo tem. [926-927. de novo no espírito que a contempla. ela faz nascer a diferença. 148. tem. Reunindo-se os dois sentidos. a distensão. 200-201. a diferença. como a semelhança é o da liberdade. 201] 114 Apêndice I A concepção da diferença em Bergson 115 . os casos semelhantes se fundiam na que a idéia de novidade terá para Bergson em sua teoria do futuro e imaginação. contração que define a duraçã0231. A lembrança é definida em relação à percepção da qual é lógio ou do martelo.228. ção. p. Basta sonhar para se aproximar desse mun. seja por. isso ocorria em passado. pela Ensaio. 201. ao mesmo tempo. a vibração. tínua de uma memória que prolonga o passado no presente. Bergson viu que a memória era uma fun. enfim. per- mais pesada que alguém carrega em suas costas à medida que vai cada guntando como uma pura repetição.sempre: a diferença é o objeto da lembrança. designa conserva. porque ela destrói a própria condição de toda repetição possível. ao mesmo tempo. p. [292-293) esse último ponto que Bergson dá conta da construção do espaço. Hume colocava o problema da causalidade. p. e é a se é verdadeiro que as exigências do presente introduzem alguma se. mente a mesma passagem em Le bergsonisme. dá testemunho da carga cada vez vinculado seu nome. repetição pura ou a matéria: a repetição é o modo de um presente que duz a diferença no presente. o espírito a retoma por sua conta. uma conservação do precedente que po230. a pala. ela é portadora da diferença. é graças a 227 MM. Mas a lembrança é a di. Bergson escreve "distinctement".. mas que nada produz de novo no objeto. eis a diferença. p. O que se opõe à contração é a melhança entre nossas lembranças. um puro sonhador jamais sairia sobre os dados imediatos. [1398. Mas devemos estudar essa noção no nível mais preciso. o particular que é e o novo pio do hábito. Mas como deixar de reunir esses dois sentidos. 39 desta edição) 230 EE. do princí- vra "diferença" designa. em Hume. a contração começa por se fazer de algum-modo no espíri- 229 PM. uma "organização". uma contração que minha percepção é já o momento seguinte? se faz no espírito. quando ela se forma. em Bergson os estados se fundem na duração. Paris. pode. cita correta. além do precedente. ele só apreenderia diferenças. Do fato mesmo de que o passado se rioridade. 45. porque. ele coloca o problema do mesmo modo e o (1 03] contemporânea e. tos. que somente um ser capaz de memória podia desviar-se do seu produzia uma diferença no espírito que a observava. Dizer que o passado se conserva em si e que do particular. De uma maneira distinta da de Freud. a própria novidade. virtude de princípios da natureza humana e. não "di. Sabe-se qual é a importância Bergson: assim como. desligar-se dele. mas guardam ao mesmo tempo algo da exterioridade da qual eles advêm. é uma "fusão". fazer o novo. se a repetição função. Isso supõe uma contração. notadamente. se prolonga no presente é dizer que o momento seguinte aparece sem ferença em um outro sentido ainda. produzir algo tão profundamente quanto. mas no espírito que os contempla. pois. que. 148] 231 EC. ao contrário. Quando Bergson analisa o exemplo das batidas do re- que se faz. Assim.

definem-se graus de contração..] como apresentam somente a particularidade de um objeto que se repete idên. quando Bergson nos mostra o sonhador vivendo espírito poderia efetuar-se em alturas diferentes. a repetição. primeiro: a memória-lembrança e a memória-contraçã0236. 108.239. mas nos cebe de tal repetição original. Mas já nos basta ter apreendido a noção em sua origem. p. gozam dessa existência que é própria das coisas do es- 232 DI. pois esta. e que sonhar é se passa. Vê-se a distinção que resta a fazer entre a repetição material e tração do espírito.. ela era uma das o espírito é tão-somente a contração dos elementos idênticos. mas uma diferença sempre no exterior de si. as seções do cone no particular até apreender somente as diferenças puras. Mais ainda. pois. [250. mas em si mesmos tais gêneros não são idéias gerais.. p. cada um dos quais. pois. supõe a con. Assim. 115 não 108] 234 EC. passada é infinitamente repetida. seria incorreto confundir indefinido de vezes nessas mil reduções possíveis de nossa vida passa- a repetição com a generalidade. a tendência direita sempre sob dois aspectos. Inversamente. deixa-o subsistir. como se vê na doutrina bergsoniana da liber. em níveis sucessivos da memória. ele nos diz são "outras tantas repetições de nossa vida passada inteira"238. a diferen. vale dizer. Nosso fio condu. p. [104} é porque Bergson se dedi. portanto. ele vê na análise infini. Mas qual é o efeito de tal contração? Ela então. te a si. "Esses planos não são dados [. por- vemos muito bem que uma tal frase não se equilibra: simultaneamen. Reencontramos. 21J 233 PM. uma antiga dificuldade: havia diferença de natureza entre duas eleva à coexistência o que se repetia em outra parte. ção material fundem-se em uma contração. [1422. 59. a virtualidade não tem outra consistência além daquela que re- não englobam uma pluralidade de objetos que se assemelham. todos os graus possíveis de coexistência coexistem consi- antevemos o esboço de uma solução. [672. ao contrário. Com Não somente a duração e a matéria diferem por natureza. E não havia apenas esses dois estados da diferença. e o mesmo ato do ça233.237. A repetição. 214. "tudo que essa região do espírito reencontra a matéria234. ou seja. p. [308. dos quais o segundo é mais profundo que o diferenciando-se em dois estados. algo de novo. havia graus na diferença. Mas mesmo do próprio elemento. pois disso. a diferenciação e os graus da diferença. ao mesmo tempo. a repetição é virtual. a diferença. que a memória seja definida como a coexistência em pessoa. 184. tanto. te. 21. uma vez que "uma se es. e graus que são os diferença. multiplica-se se dos que é preciso agora reagrupar: a diferença de natureza. 188. não 185) 116 Apêndice I A concepção da diferença em Bergson 117 . Os elementos idênticos da repeti- ca a nos mostrar que a diferença é ainda uma repetição e que a repe. por sua vez. virtualmente. retém-se a si mesmo. [1292.ele contrai e se contrai. as oscilações são bem distintas. 210. a diferença aí é dita interna e difere no exterior. [105} Con- mais profundamente. Quando Bergson nos fala da memória. o todo. a diferença. É sem paradoxo. ele é memória. apresenta-nos a coexistência consigo tor é este: a diferença (interna) difere (por natureza) da repetição. uma verdadeira ciência da diferen. É nesse sentido que a diferença é ainda vanece quando a outra aparece". tema este ao qual Bergson retoma constantemente: "A atingir a própria diferença e possa consegui-lo. essa repetição psíquica: é no mesmo momento que toda nossa vida e mesmo o mantém em sua particularidade. Em sua origem. mesma vida psicológica. é uma repetição. é uma espécie de diferença. portanto. p. 214J 237 MM. Bergson admite que a ciência tente uma repetição. o elemento da repetição coexiste consigo. coisas prontas. A repetição nada cria no objeto. tendências e. e podendo diferenciar-se porque. é ser indiferente.. ferença era uma contração. se por sua vez. a matéria é bem uma nos. go mesmos e formam a memória. p. Eles existem sobretudo tico a si mesm0235. uma diferença indiferen- dade232. p. ao mesmo tempo e mais profundamente. superpostas umas às outras. 3° capo 236 MM. como se nossas lembranças fossem repetidas um número desinteressar-se. São esses quatro esta. no seu nível. [307. 185. em sua própria origem e no ato dessa origem. Com efeito. se quer. Além ros objetivos. da. 59J 239 MM. A repetição forma gêne. [176. ele a apresenta mas dois outros ainda: a tendência privilegiada. vimos que. 210) 238 MM. a di- que assim difere é a própria diferença e a repetição. e por isso duas tendências. ça interna. graus dessa própria diferença. Portanto. mas o efeito. 188 não 184] 235 PM. nido de vezes. traindo-se. tal contração apresenta- tição é já uma diferença. seria repetida um número indefi- tesimal um esforço desse gênero. Entretanto.

Mas os dois termos que assim se opõem são somente os dois graus cos são outros tantos planos virtuais de contração. mais as lembranças são individuais. e a diferença como personalidade. os graus psíqui.240. p. 224] 246 MM. p. coexiste com a percepção correspondente. A cada instante. Vê-se a que ponto a matéria não passo que a intuição. [1419. [1417. um desdobramento. Entre os dois. se- forma individual. "a essência da idéia geral é mover-se sem cessar entre a es- Como se reúnem os dois sentidos da diferença: a diferença como fera da ação e a da memória pura".249. ao passo que a matéria. uma expan. nos dá menos dade. ao mesmo tempo. é um pas- uma diversidade infinita de distensões e contrações. seja para cima. na qual tudo virtual de dois graus extremos: a lembrança coexiste com aquilo de é mudança de tensão e de energia e nada mais. Ora. de níveis de ten. um dos quais recai em direção ao 240 MM. O particular cncontrasl' vida que fosse suficientemente potente. p. p. uma contração. é a base a portadora das lembranças sob sua ser opostos um ao outro na memória para que. que são os da generalidade ou. 272 não 270] 241 PM. o se dá à intuição. em Bergson. antes. seria quase possível dizer que. 176 e 177. que define a duração. extremos que coexistem. Vê-se. 210] 248 MM. 187] 243 PM. sabemos que os graus intermediá- nação. todo interesse [1 06J prático. "uma continuidade de durações semelhanças.242 A duração. Mas a duração é uma dois níveis extremos de distensão e da contração. o desdobramento do todo. de uma justaposição. uma simultaneidade. 1'07/ a matéria que é sucessão. 210.. 163. A particularidade apresenta-se os próprios produtos de uma diferenciação. sem graus nem nuanças. abarcaria assim em um presente indiviso gado pela própria matéria que ele prepara. "Elas tomam uma forma mais banal quando a me. A combinação de sado imediato248.245.. os que nos apresentar uma coisa em um bloco.pírito. contrariamente. Em resumo.244. 185. 187. é ao mesmo tempo ridade. [308.247. oscilação.241. mais pessoal quando ela se dilata. Um ser que vivesse no presente puro evoluiria no universal. A oposição é sempre apenas a coexistência são. [335.. 169. p. na pró- coexistência virtual. a duração se desdobra em dois jatos simétricos". p. p. ao formam eles próprios a idéia geral. Eis por cepção. a lembrança e a pcr- ramente distinto. portanto. se definirá como a semelhança ou mesmo como a universali- uma sucessão real. eles se distinguem por natureza. [1387. o espaço é uma coexistência de um gênero intei. Nesse ponto. A matéria e a duração silO toda a história passada da pessoa consciente. portanto. [288. p. nas seções do cone. Por serem o presente e o passado dois graus inversos. [371. apresenta-se como capaz de mil tensões possíveis. pria duração. e a duração. "o uma sucessão do que a simples matéria de uma simultaneidade. tal como que ela é a lembrança. uma que devemos tentar seguir seja para baixo. 188 não 185] 249 MM. Quanto tos que se [108 J distinguem por natureza. indetermi. jam a diferenciação do intermediário em duas tendências ou movimen- mória se fecha mais. o passado puro e o puro presente. encontraremos todos os conceitos antagonistas é censurada por Bergson pelo fato de só poder graus intermediários. é mais a contração se distende. em sua oposição à particula- que a coexistência virtual. 180 não 176 e 177] 118 Apêndice I A concepção da diferença em Bergson 119 .. nos dá "uma escolha entre uma era a generalidade: a verdadeira generalidade supõe uma percepção das infinidade de durações possíveis"243. "ela consiste na dupla corrente particularidade que é. p. de presente é tão-somente o grau mais contraído da memória. Sabemos que a teoria dos efetivamente como a maior distensão. 173 não 169] 244 PM. como o são. finalmente. 224. A idéia geral é um todo dinâmico. 208] 247 MM. 163] 245 MM. coexistência: "Uma atenção à distintas uma das outras. que vai de uma à outra. 170. [296. [307-308. p. novidade que se faz? Os dois sentidos só podem se unir por e rios entre dois extremos estão aptos a restituir esses extremos como nos graus coexistentes da contração.. 270. que o presente.. coexistência real. [301-302. são a di- ferenciação. A filosofia de Bergson remata-se em uma cosmologia. e se localizam246. e suficientemente destacada de no limite da distensão ou da expansão. uma coexistência real. graus funda uma teoria da diferenciação: basta que dois graus possam são. 169-170] 242 MM. 208. de uma hábito é para a ação o que a generalidade é para o pensamento. e seu movimento scrá prolon.

exatamente? A idéia geral é esse todo que se diferencia em imagens par. a lembrança transforma-se gradualmente em percep- 254 MM. sobre o negativo e a oposição. pp. é que a diferença é o imprevisível. a outra é somente o e de incoerência. De vagueza porque [109J o que ele nos ensina. o que assim difere de si próprio é a duração. Acontece [11 OJ que o que difere um ser que. mas graus da própria diferença. enquanto o outro se lança para o futuro. mas ei-Ios retornando ao primeiro plano da própria duração. 137-147]. quando o par. mas tal diferenciação é ainda o todo mo. esquecendo que as extremidades que reúnem são duas coi- insensíveis. A crítica bcrg- presente é o grau mais contraído do passado é dizer também que ele soniana incidiu especialmente sobre a intensidade. não acreditamos que essa impressão de incoerência seja justifica- o algo de novo. e nos farão graus. se com- exatamente. a maté- ço. o que organiza as lem. Como eles ção. diferença. Bergson dá uma certa impressão de vagueza entre duas coisas torna-se uma das duas coisas. 231] 120 Apêndice I A concepção da diferença em Bergson 121 . mas ei-Ios reintroduzidos com a inver- A idéia geral é o que põe a lembrança na ação. ao mesmo tempo.253. p. todos os graus da liberdade. 180 não 176] 256 MM. porque não viram as diferenças de natureza. De incoerência porque ele. Dizer que o ção. diferença de natureza em pessoa. [266-271.Toda- particular posto no universal. o que dá no mes- ticulares e em atitude corporal. que é um futuro iminente. 144 não 139] 250 ES. definida como a dos da diferença são todos os graus da generalidade. passamos das lembranças dispostas ao longo do tempo aos sas que diferem por natureza. p. O mas "diz respeito a uma realidade de ordem inversa.. Inicialmente. Quando a diferença de natureza Para muitos leitores. 180. vemos que a ciência não é relativa. p. . tende para o estado da matéria. tanto quanto a lem. vai e vem do universal ao particular. O da. o que une e reúne os dois senti.258. p. finalmente. difere de si pró- opõe um ao outro e coloca este naquele. [918-922. em pessoa. A novidade é o próprio de e nos mistos que este nos apresenta. [274. paramos a ciência e a filosofia. 83 não 75] 258 EC. 231. mais são da positividade verdadeira". Em resumo. há todas as intensidades possíveis da memória ou. Sua crítica incidiu sobre os intermediários. ticular desce no universal ou a lembrança no movimento. [355. [681.passado. Estes constituirão o princípio dos mistos. p. É assim que. sua crítica incidiu dos graus que vão de um extremo a outro. por natureza. mas somente se os consideramos em si a tal ponto que o bergsonismo é uma filosofia dos graus: "Por graus mesmos. a dupla corrente que vai de um a outro forma graus outra cada uma das noções que criticou.. Um tal ser pensa.. mas eis que a dis- se opõe por natureza ao passado. Entramos tensão e a contração são invocadas como princípios de explicação fun- no segundo sentido da diferença: algo de novo. Finalmente. 255 DI. Toda sua idéia é a seguinte: que não há dife- brança particular. há graus da liberdade255. exatamente a coexistência virtual de dois graus extremos. o que difere é a distensão e a contração. último grau desta. às diferenças de grau. As teorias que seu desdobramento. "entre a matéria bruta e o espírito mais capaz de reflexão. parece retomar uma após são extremos. procedem por diferenças de grau confundiram precisamente tudo.. damentais.256. A novidade.254. "assim. de uma "interrupção"257. 135-141 não 134-140] 257 EC. fi. Mas. grau. 180] 251 MM. 248. perderam-se no espaço mático dá lugar à ação voluntária e livre. sendo na verdade os graus da própria movimentos que desenham sua ação nascente ou possível no espa.25o. é verdadeiro que Bergson retoma aos graus. prio. [225. Do mesmo modo.. 220] 253 MM. do cada vez mais "capazes de se inserir no esquema motor. não em virtude do renças de grau no ser. mas não novo não é evidentemente o presente puro: este. quer e lem. [156. ela é o que torna as imagens oriundas do próprio passa. por sua vez. e que põe um no outr0251. 139.252. Portanto. 176. eis a função da idéia geral. a diferença de natureza é nalmente. 250 não 248] 252 MM. o que transforma a lembrança em percepção. [302. o ato auto. aquilo que. a própria indetermina. mas de sua instantaneidade. p. são: a ordem geométrica diz respeito ao negativo. 134-140.. 220. [690. p. de modo que aquilo de que ele difere é somente seu mais baixo bra-se ao mesmo tempo. Mas o que é esse novo. crer em diferenças de grau. é justamente que o particular esteja no universal. por natureza é. 75. nasceu da "inver- branças com os atos. via.

como intensidades da diferença. 255] 260 MM. ele tampouco retoma. "em lugar [lllJ de partir da afecção. 142. [765-773. da qual pessoa. 319-326] 261 EC. por um Ser imóvel e estável. O bergsonismo é uma meço. Não há no prin. portanto. aquilo de que é preciso partir é a pró. coloca- se no princípio um indiferente. O papel dos graus intermediários está justamente nessa realização: eles põem um no outro. em geral. [211.\ Bergson não cai assim em uma simples visão das diferenças de grau indeterminação seja um conceito vago. da qual a distensão é a inversão. nuança ou qualidade da própria ação e não em uma relação desse ato trar-se-á sempre em Bergson esse cuidado de achar o verdadeiro co. cai- se numa simples visão das intensidades. mas. mas para tão- somente retornar ao negativo. não pensamos tampouco 11 UI' . estável. A diferença é o verdadeiro começo. Não pensamos. a coisa vem antes de suas causas. p. A exigência sim como os graus se explicam pela diferença e não o contrário. e não a contração o inverso da Tradução de Lia Guarino e Fernando Fagundes Ribeiro distensão? Porque fazer filosofia é justamente começar pela diferen- ça. Encon. pois as causas vêm depois. "É preciso buscar a liberdade em uma certa pria contração. Mesmo nesse caso. e esta se realiza como novidade. de ai eles são inversos. A distensão e a contração são graus da própria dife. começando por outra coisa. ao contrário. contingência. em relação às causas: é neste sentido que Bergson enaltece o impulw rença tão-somente porque se opõem e enquanto se opõem. que haja incoerência na filo- sofia de Bergson. Mas. [710-711. em particular. De fato. quanto à filosofia da diferença e de realização da diferença: há a diferença em percepção e à afecção. E se conceito de diferença. Bergson parece escapar dessa visão. assim. um grande aprofundamento do 259 EC. a oposição dos dois termos que diferem por natureza é tão-só a realização positiva de uma virtua- lidade que continha a ambos. ria e a duração como graus. à oposição. 56. do que outra [112 J coisa. liberdade significam sempre uma indepelldC'lltl. 319-326. acredi. deria o ato ser outro?" é uma questão vazia de sentido. pp. "Po- degradação de um mesmo Ser imóvel. é a duração. pelo menos em aparên- cia.h. toma-se um menos por um mais. e ter. 65 não 56] 262 DI. O que ele quer dizer é que. pois não há qualquer razão para que ela seja o que é e não seja qualquer outra coisa. coisa.. à visão das diferenças lida de. Por que é a distensão o inverso da contração. e não suas causas. da qual a matéria é somente o mais baixo grau. 137 não 142) 122 Apêndice I A concepção da diferença em Bergson 123 . com o que ele não é ou teria podido ser.262. Finalmente. A diferença é que é explicativa da própria cípio um Ser imóvel e estável. as bergsoniana é a de levar a compreender por que a coisa é mais isto intensidades se explicam pela inversão e a supõem. a lembrança no movimento. p. etern0259. partimos da ação"260. Mas a indeterminação tado que se tratava apenas de dois graus mais ou menos intensos na jamais significa que a coisa ou a ação teriam podido ser outras. Indeterminação. as. nada se pode dizer. p. O que Bergson censura na metafísica é não ter ela gum modo. tal cen- sura não seria exata. [120. quando funda a inten- sidade na inversão. que é preciso começar visto que a distensão e a contração são o inverso. Extremos. vital com muitas contingências261. é por aí que Bergson se separaria mais de Schelling. e porque a diferença de natureza é a duração. pela própria coisa. imp'"('V1S. 255. o verdadeiro ponto do qual é preciso partir: assim. Em última instância.\ de intensidade.

ta tradução. método para eliminar os falsos problemas. para co- locar os problemas com verdade. dão às coisas uma verdade nova. foram utilizados. uma das originalidades de Bergson está em que sua própria doutrina organizou a própria intuição como um ver- dadeiro método. BERGSON (1956) [292] Um grande filósofo é aquele que cria novos conceitos: es- ses conceitos ultrapassam as dualidades do pensamento ordinário e. nós nos propomos estudar somen- te a intuição. Sem dúvida. 1956. o de impulso vital. mas. Sua in- fluência e seu gênio se avaliam graças à maneira pela qual tais concei- tos se impuseram. Ora. Desde Os dados imediatos. é somen- in Maurice Merleau-Ponty [org. Qual é. entretanto. lI.]. memória. intuição. e eles aparecem antes de haver falsas soluções para os verdadeiros proble- mas. o conceito original de dura- ção estava formado. método que os coloca então em ter- mos de duração. é a duração que julga a intui- A paginação da publicação original (GiIles Deleuze. pois. Luiz B. Les phi/osophes célebres. Ma- zenod. 292-299) está anotada entre colchetes ao longo des- 263 La Pensée et /e Mouvant. devem ser colocadas mais em função do tem- po do que do espaço"264. uma distribuição nova. pp. I. à sua distinção e à sua união. Bergson nos mostra qual é a impor- tância. em A evolução criadora. ao mesmo tempo. um recorte extraordinário. em Matéria e memória. A relação das três noções vizinhas deve indicar-nos o desenvolvimento e o progresso da filosofia bergsoniana. um conceito de memó- ria. "Bergson". de uma atividade que põe e constitui os problemas263: há mais falsos problemas do que falsas soluções. O nome de Bergson permanece li- gado às noções de duração. ção. Orlandi 264 Matiere et Mémoire. essa relação? Em primeiro lugar. impulso vital. não que ela seja o essencial. Bergson 125 . Paris. entraram e permaneceram no mun- do filosófico. falando da intuição. mas porque ela é capaz de nos ensinar sobre a natureza dos problemas bergsonianos. na vida do espírito. ainda assim. 11. L. "As questões relativas ao sujeito e ao objeto. como Bergson lembrou várias vezes. Não é por acaso que. se uma certa intuição encontra-se sempre no coração da doutrina de um filósofo.

portanto. requerer a dura. com efeito. do. em que a de si266. precisamente. aqui. ela se apresenta como um retorno. pode deixar-lhe antes dois sentidos de um único e mesmo movimento: um deles é tal as coisas. algu. a filosofia pretende instaurar. ou seja. que ela está. portanto. Do mesmo modo. em certas con- ciência não basta. no produto o movimento do qual ele resulta. ter acesso com ela a maneiras a uma tal questão. a própria matéria é um prin- primeiramente qual é o seu caráter realmente metódico. deve colocar o problema do ser. aquele em que a natureza se distende e se põe ao exterior constituídas. é preciso retornar. sem jamais nos cada respiração. portanto um outro conhecimento. é preciso que um 267 PM. e também na atividade técnica. É por isso também que ele não A primeira característica da intuição é que. outro inteligível. a inteligência e a ciência. a primeira vez é já a segunda. Bergson irá mesmo mais longe. cada um à sua maneira: o primeiro se faz segundo relação que a ciência precisamente nos ocultava. que con- 265 L'Evolution Créatrice. é já a orientação geral dadeira natureza. um sensível. seu pro- restaurada do que instaurada pela filosofia. enfim e Em filosofia. é essa a noção de funda- sobretudo no espaço. nos dar a coisa em si mesma. se a intuição não é um simples gozo. os dois ção com as coisas. mas esta corre aí o risco de se perder a cada repouso. O segundo só pode ser encontrado Bergson se empenha. Nós reen- mostra na ciência. imediatamente dado. esquecimento esteja fundado no ser. um dos dois movimentos das ciências e que ela foi sua mãe. Ou então. que inventada. agora que elas estão adultas e bem da natureza. na vida social e na necessidade prática. e é sempre assim que ele é reencontrado. se dá em pessoa. nós devemos determinar cípio psicológico da matéria e do espaço. a va. A cada instante. o produto é que é. uma outra rela. ao contrá. porque. é preciso que as coisas comecem por se perder. a filosofia respondeu de apenas duas dições. no resultado xão sobre esse conhecimento que se tem delas. cologia. é preciso perguntar por que há ainda filosofia. a relação filos~. por- fica que nos insere nas coisas. o outro sentido é o que retrocede. ou antes restaurar. o segundo se faz contra a natureza. e isto porque. em certa relação com elas. Apêndice II Bergson 127 126 . mais do que ser a simples inteligência um prin- nem simplesmente um procedimento afetivo. há somente uma compreensão total267. um dos dois lados do absoluto. mas ela aí se re- apresentar. desde já que não haverá em Bergson a menor distinção de dois mun- cimento das coisas. ele não se compõe de instantes. aquilo que prepara e acompanha o espaço. porque ela nos permitia somente concluir e inferir. De qualquer maneira. mas somente dois movimentos ou a filosofia pode renunciar a rivalizar com a ciência. a natureza. Mas não é nesses termos que se Mas a intuição tem uma segunda característica: assim compreen. nem um pressentimento. quando tomou consciência de si como méto. buscar a duração nas coisas. ao invés de ser inferida de outra conhecimento não nos separa simplesmente das coisas e de sua ver- coisa e concluída. mas isso porque. Estamos separados das coisas. para que terminemos por perdê- las. no ser. sem dúvida. repudiando as filosofias críticas. cípio ontológico da inteligência265. é. coisas o movimento que as desnatura. não basta dizer que a filosofia está na origem des do ser. que o movimento tende a se congelar em seu produto. {293 J Ora. de certa maneira. m. Com efeito. e nos diz que esse ma coisa se apresenta. quando ele nos sob o primeiro. outras tantas formas e relações que nos separam mento. mas que apreende pelo menos uma das duas meta- da filosofia. na contramos o imediato. para encontrá-lo. que o interrompe. o dado imediato não é. lI. O ser não se compõe com presentes. VI.te a intuição que pode. conhecimento e sentidos são naturais. ção. O que está em questão. é mais reencontrada do duto e a sombra de seu produto. mento é que não é. e só apresentar-se de uma maneira crítica como uma refle. e o movi- das coisas e de sua interioridade. cerniria tão-somente a nÓs: é preciso que esteja fundado nas próprias 266 PM. ao invés de nos deixar de fora. nós podemos dizer duas respostas possíveis: uma vez dito que a ciência nos dá um conhe. o movimento já não dida. uma vez que. recusa direito algum ao conhecimento científico. a ciência pode unir-se à filosofia. dos. na inteligência. que reencontra rio. por uma mediação que viria de nós. mas nós não podemos estar separados por um simples acidente. Por. evocar a duração. uma vez que. nela e por ela. A matéria é justamente. É nessa segunda via que encontra. é maiS que os instantes são apenas as suas paradas reais ou virtuais. É graças a isso que Bergson faz coisa totalmente distinta de uma psi- tanto. linguagem cotidiana. Sem dúvida. que não é mais. precisamente porque ela deve à duração tudo o que ela é. de que ela nos priva. ela se retoma na tensão.

O que a ciência corre o ris. ao invés de suprimi-los. 276 PM.] ria como diferença de tempo. 128 Apêndice II Bergson 129 . 11. Nós veremos de que maneira. con- rentes. torna assim a ligá-la à luz universal. ao mesmo tempo. aquilo que Bergson cha- se de nos levar. ção são quase sempre categorias práticas. 269 EC. um tuição intelectual à idéia geral como a luz branca à simples idéia de conhecimento da realidade.275. Em seguida. Donde a tradição. 270 PM. 273 EC.. o filó- risco de perder não é exatamente a coisa. o passado e o presente. portanto. os instantes e os pontos não são tudo aquilo que ela não é: nos dois casos. sofo deve concentrá-lo no individual [. nas existências individuais. do não ser. e ceito do qual mal se pode dizer que ainda seja um conceito. assim como o movimento não se compõe de pontos do espaço ou de instantes.. Primeiro. nuança própria. O ser é a própria diferença da coisa. é menos a reapreender.. um sob o outro e não um depois do outro. o que faz ele emana. sobretudo isto do que ou. lembrança. 275 PM. sobretudo umas do que ou- téria. ou colher certas freqüências. desertou segmentados. de fato. mal Bergson denuncia um perigo comum: deixar escapar a diferença. 274 MM. pode distinguir-se tão-somente do Ambas pretendem atingir o ser ou recompô-lo a partir de semelhan- nada. que ele só se aplica unicamente a esta coisa. ser e nada. mesmo que se tente dar um movimen.. seguindo-o até a fonte de que própria coisa do que a diferença da coisa. o ser não pode se compor de dois pontos de vista contradi. porque eles fazem que uma concebe a coisa como um produto e um resultado. o que ela perde ou simplesmente corre o cor. IV. em um texto cu- Por que dar o nome de imediato àquilo que reencontramos? O rioso. Na ciência e na metafísica. o espírito e a ma. talha para o objeto um conceito apropriado ao objeto apenas. a compreender a distinção necessá. no qual Bergson atribui a Ravaisson a intenção de opor a in- que é o imediato? Se a ciência é um conhecimento real da coisa. ma freqüentemente de nuança. o ser abandonou. 271 PM. lê-se ainda: "Em lugar de diluir seu pensamento no geral. conferindo a cada uma delas sua que ela seja sobretudo isto do que aquilo.] O objeto da metafísica é co de perder. o ser era268 . a menos que se deixe penetrar de filosofia. tórios: as malhas seriam muito frouxas27o. mento. mas: ser é o passado.De outra maneira. Trata. que é somente um falso movi- na mesma duração. do a ordem do que a desordem269? Se tais problemas são falsos. filosofia a reencontra ou a "reapreende". Bergson nos mostra isso em seu livro mais difícil: não é das coisas. tal movimento será apenas o da con. m. a questão berg- o presente que é e o passado que não é mais. Mas. m. por- colocados. o soniana não é: por que sobretudo alguma coisa do que nada?. o produto é que não é e o movimento é enquanto serve para opor tudo o que é ao nada. tal como a problemas: por que há sobretudo algo do que nada. o que faz seu ser. o presente e o passado. raçã0271? Por que sobretudo esta velocidade do que uma outra272? tuiu a distinção de dois mundos pela distinção de dois movimentos. ças e de oposições cada vez mais vastas. uno e múltiplo. não passa de uma abstração.. e também a compreender tempos dife. O ser é um mau conceito 272 EC. como contemporâneos um do outro. VI. ordem e desordem. VII. Bergson substi. IX. porque do ser uma generalidade. mas o presente é útil.. e não o imutável ou o ele soube conceber como coexistentes justamente porque eles estavam indiferente.276. Bergson denuncia com energia o que lhe parece ser falsos é precisamente a identidade da coisa e de sua diferença. 268 MM. "Um empirismo digno deste nome [. algo de imutável e de indiferente que. tampouco a contradição. conjunto imóvel em que é tomado. por que sobretu. IV. no a outra concebe o ser como algo de imutável a servir de princípio. o raio particular que. E. m. mas a semelhança e a oposi- to ao ser imutável assim posto.[294J veremos que essa tese funda o por que sobretudo isto do que outra coisa? Por que tal tensão da du- imprevisível e o contingente. uma vez formando o mesmo mundo. não ontológicas. isso acontece por duas razões. O imediato tra coisa. que tras274? Isso quer dizer que o ser é a diferença. Por que tal proporçã0273? E por que uma percepção vai evocar tal de dois sentidos de um único e mesmo movimento. ou a própria coisa a que já era. Em um passo de Aquiles. de dois tempos na mesma duração. Portanto.

o que daí resulta para se que. mas como dois movimentos. de proporção. a heterogeneidade. a alterida. Reconhece-se o sentido dos dualismos ca- voltam sempre a isto: a duração é o que difere ou o que muda de na. ou lósofo ao bom cozinheiro que corta segundo as articulações naturais. duração. somente a tendência é pura: isso quer dizer que a verdadeira coisa ou zer desta a própria substância. [295} erros ou suas ilusões: alguma coisa os funda no ser. entre se a alteridade com uma contradição. aquele de alteração. desempenha [296] o papel ele censura constantemente a ciência e a metafísica por terem perdido de uma impureza que vem comprometê-la ou perturbá-Ia281. O que difere por natureza nunca é uma relação a tudo o que o pedaço de açúcar não é: seríamos remetidos a coisa. 280 EC. L 277 PM. o que é a diferença do pedaço de açú. sempre a própria coisa? Encontramos aqui uma terceira característica da in. a ciência e a metafí- Como a duração tem esse poder? A questão pode ser colocada sica. Ele substitui o conceito platônico de puro nunca é a coisa. remetendo. mas tureza. Mas sabe- corremos o risco de pôr coisas extremamente diferentes sob uma mes. Sabe- de outra maneira: se o ser é a diferença da coisa. Assim. desde Os dados imediatos. a própria diferença ~a coisa era uma mais célebres de Bergson nos mostra que a intensidade recobre de fato 279 Essai sur les Données Immédiates de la Conscience. 278 PM. elas se reconduzem à distinção. duas tendências que a atravessam. para fa. E matéria e duração nunca se tuição. esta é sempre um misto que é preciso dissociar. tanCla . ou não são igualmente puras. Ela se apresenta como buscando dências. a ordem geométrica e a ordem vital. a inteligência modo de durar. assim. o que difere de si mesmo. um falso problema é aquele que não respeita essas di. lI. Só uma das duas tendências é pura. por te. enquanto as coisas com as nuança. mas. é porque as duas tendências não são puras em cada caso. . entre duas coisas. a substância é a própria tendência. a intuição aparece como um A • 278 E ' b . Já Platão não queria que se confundis. o que é dadeiramente o ser das coisas. ros a Bergson: não somente os títulos de muitas de suas obras. Bergson gosta de citar o texto em que Platão compara o fi. V. n. Não é tampouco sua diferença em ças de grau. a que nos remete à ferenças de grau aí onde havia uma coisa totalmente distinta. em última instância. está em um único e mesmo produ- de ainda não basta para fazer que o ser alcance as coisas e seja ver. entre duas tendências que aí se encontram280. de fato. MM. pois todas verdadeiro método de divisão: ela divide o misto em duas tendências as características pelas quais ele a define. to. 281 MM. mais profunda que as precedentes. simples. mos que a ciência e mesmo a metafísica não inventam seus próprios ma palavra. diferenças de natureza que a intuição pode reencontrar279. quais estamos às voltas são ainda resultados. mais do que diferença de natureza entre as duas rem. Portanto. que diferem por natureza. a qualidade. mas uma tendência. O cada um dos capítulos. Com efeito. produtos. ao contrário. coisas que diferem por natureza277. mas em uma única e mesma coisa. as diferenças de natureza pela simples razão de que elas não estão aí: sa: nós só teríamos aí uma relação puramente exterior. por um certo temunho de um tal dualismo. O ser. Como método. A diferença de natureza não está entre dois uma dialética da contradição. só há e só pode haver diferen- nos em última instância ao espaço. IV. Uma das passagens tendências que recortam a coisa. as "articulações do real". nem uno nem múltiplo. sendo que a outra. e em 1SS0 que Bergson denomma duração. Mas é preciso ir mais longe: e encontrando as diferenças de natureza. a intuição distinguem como duas coisas. partido de um "misto" mal analisado. entre duas coisas. alteridade por um conceito aristotélico. graças a uma semelhança. por uma certa distensão ou tensão da duração. Na di- esse sentido das diferenças de natureza. Mas o que é a quanto nos achamos diante de produtos. insistência de Bergson em mostrar que. por terem retido somente di. a alteração é subs. e o anúncio que precede cada página. para Bergson. O se o tema e a idéia de pureza têm uma grande importância na filoso- ser é articulado. A quantidade e a qualidade. da matéria e da duração. reencontrada. e o instinto. O ser é alteração. L 130 Apêndice n Bergson 131 . dão tes- ser do pedaço de açúcar se definirá por uma duração. a diferença da coisa. visão do misto. Com efeito. há sempre uma metade direita. não podemos apreender car? Não é simplesmente sua diferença em relação a uma outra coi. o fechado e o aberto: essas são as figuras mais conhecidas. duas ten- é um método que busca a diferença. como a distensão e a contração. entre dois produtos. fia de Bergson. ferenças. en- está do lado da diferença.

será a própria duração à medida pode defini-la em si. ao passo que a ma. ele não apenas corta ou segmenta. tar284. que o dualismo é um momento já ultrapassado na filosofia de Bergson? Assim. dura. de modo que a matéria da qual ela difere dura. a duração e a matéria se opunham como o que ciação parece [297J ser o modo do que se realiza. para reencontrar o simples como uma convergência de proba- lação ao outro. de uma certa maneira. espé- o próprio ponto onde a diferença. E a censura que Bergson dirige ao mecani- reto. sendo esta o princípio da matéria. Uma virtualidade que se realiza é. cia. o próprio outro ou sua pos. ritue/{e. A duração difere da matéria. à medida que se diferencia. damente. Assim. tão-só pelo fato do seu crescimento. O impulso vital é a dife- objeto. Bergson encontra na Biologia. a duração se como uma relação entre termos atuais. ciação. Em uma perspec. inicialmen. dominado. resta que só se tes. ou então no instinto e na inteligência. mas recorta. se se trata de definir. processo do um certo obstáculo. de modo que cada coisa é inteiramente defini. O impulso vital. nas diversas formas de um mesmo instinto. bilidades. das quais a outra é a matéria. vemos bem que a duração nos apresenta a própria natu. Para Bergson. torna a cor- sibilidade. culminando na ela é o que difere de si. contração e em distensão. o que difere em si e de si. dicotomia é a lei da vida. As seu impulso. de uma força da qual a duração é em si mesma portadora: a tes. enfim. o nos dá um novo dualismo. aí compreendida a própria matéria. mas porque ela é. porque duas fontes nos mostram uma tal atividade da vida. VI. assim como à dialética em filosofia.285. a marca de um processo essencial à vida. "A essência de uma tendência é desenvolver-se em forma de fei- ferença de grau283. e. a diferenciação não bastará mais apresentá-la como obstáculo e como impureza. pulso vital. não rença à medida que ela passa ao ato. sempre compõem o movimento duração. Se é verdadeiro que a inteligência está do lado da xe. sendo a matéria somente o mais baixo. é tão-somente uma di. particularmente na evolu- to de encontro de dois movimentos: a duração. a diferença de si para consigo. mais páginas admiráveis que ele escreveu em A evolução criadora e em As profundamente. de pontos de vista diferentes. é preciso que este lado compreenda sua diferença em re. pois não que não pode mais mudar de natureza.das duas tendências. mais profun- pre preciso mostrar como ela. L'Energie Spi- 282 EC. será sem. mas. I. se há uma metade privilegiada na divisão. aquilo que se repete ou o simples grau. a coisa está no pon. E se nos elevamos até a dualidade da matéria e decomposto em matéria e em duração.. encontra a matéria como um movimento contrário. dura. que domina seu que se atualiza. cuja vibração ocupa ainda vários instan. ele remonta ainda às "linhas de fatos". Porém. isto é. Portan- reza da diferença. PM. porém. to. A diferenciação é o poder do que é simples. mais profundamente. se atualiza ou se faz. portanto. 132 133 Apêndice II Bergson . Desse modo. 283 MM. planta e no animal. ao mesmo tempo. Enquanto ficamos no dualismo. mostrando de que maneira ela. cies. 285 MM. direções divergen- matéria em função do objeto sobre o qual ela incide. mas. das quais uma é a é que eles. Um misto se decompõe em duas tendências. Não se vê ao mesmo tempo é do mesmo modo que o misto se decompõe e o simples se diferencia. o monismo téria é apenas o indiferente. é preciso que ele não se contenta em seguir as articulações naturais para segmentar tal metade contenha em si o segredo da outra. E. O espaço é 284 Les Deux Sources de la Morale et de la Religion. que interrompe qual ele vai procurar o conceito e as conseqüências filosóficas. em vez de aí verem a realiza- diferencia em duas direções. a própria matéria. do que te. que não tem graus por ção das espécies. criando. se o dualismo é ultrapassado em direção ao monismo. como o da diferenciação como produção das diferenças reais. por um certo grau da própria duração. IV. Se toda diferença está as coisas. Aqui é que vemos sob qual aspecto a própria duração é um im- é ainda duração. às linhas de diferen- de um lado. que lhe dá aqui tal grau. ou ainda da na duração. aquilo que dá séries divergentes. justamente. difere por natureza e o que só tem graus. o método da intuição tem uma quarta e última característica: Com efeito. mas a duração se diferencia em da duração. I1I. m. justamente si própria. vem simplesmente de uma resistência da matéria. a diferen- tiva ainda dualista. linhas de evolução. ao mesmo tempo. ali tal outr0282. simples e indivisível. toda coisa é completamente definida do lado direito. indivisível. por uma certa duração. IV. cismo e ao finalismo em biologia. é em si que a duração é suscetível de graus. dessa vez controlado. o que se diferen- há graus da própria diferença. uma certa impureza que a perturba.

tem sua raiz. porque posto no cérebro. como dois extremos. É preciso dizer ainda que a duração é do vem do estar ele de algum modo interposto entre dois presentes: o já impulso vital. Compreendemos que o virtual não é um isso em que nós nos colocamos de súbito para nos lembrar . Eis. conseqüentemente. dá testemunho presente. de modo que ele produz espécies que imediato e desde já "passado em geral". essa própria coexistência. "Entre a luz e a obscurida. Logo. menos ainda. o 292 as espécies que produz. colocando maio problema. porque é da essência do virtual realizar-se. mas aquilo em que toda atualidade. a diferença é absoluta. Mas. Por todas de alguma coisa de atual. de fato. jamais poderia ele tornar-se diferem por natureza. finalmente. r. Realizar-se é sempre o ato de somente a conseqüência imediata de uma boa colocação do proble- um todo que não se torna inteiramente real ao mesmo tempo. 287 MM. pois desde Os dados ime. um aspecto de al. É justamente o segundo presente e. além de. Mas era a mudança de natureza. Temos.ção de um virtual. mas não é menos um modo de ser. entre nuanças. ele jamais poderá constituir-se e. qual o passado sobrevive em si290. sendo a segunda a essencial289. e se o impulso vital é filosófico inteiramente novo? A primeira nos remete a uma sobreVI- a duração que se diferencia. 134 Apêndice II 135 Bergson . sente. com efeito. em que sentIdo medida que vai cada vez mais envelhecendo. m. m. a duração é uma memória. o passado coexiste consigo como presente: a duração é tão-somente mória é sempre apresentada por Bergson de duas maneiras: memória. bem mais. sendo ele próprio essa diferença de natureza entre o que é. justamente. O pas- atual. ma: pois se o passado devesse esperar não mais ser. pois ele não deixou de ser. ele coexiste consigo como presente. dentre todas as teses de Bergson. toda realidade se ser útil.293. portanto. o virtual e sua realização. Mas. [298J como diz Bergson. se ele não fosse de mo lugar. jamais seria ele este passado. "seja porque o presente encerra em uma regressão do presente ao passado. "a memória de modo algum consiste ela prolonga o passado no presente. o virtual .. 288 PM. Mas. pela sua contínua mudança de qualidade. essa coexistência de si consigo.ns- da carga cada vez mais pesada que alguém carrega em suas costas à tituÍdo a partir de um presente ulterior. VI. o próprio ser: nem a duração. Bergson nos mostra que a que ela era menos o que não se deixa dividir do que o que muda de lembrança não é a representação de alguma coisa que foi. ele é. no mes. 293 MM. O que Bergson nos distintamente a imagem sempre crescente do passado. ele sobrevive em si. entre cores. A passagem de figura da memória. Bergson dizia constantemente que a duração inconsciente ou. V. fOIter reud? gum modo intermediário em relação aos dois precedentes. se a diferenciação é assim o modo original e que essas duas figuras. seja sobretudo mostra é que. Portanto. 290 MM. eis que a própria duração é a virtualidade. vência do passado. presente que ele foi e o atual presente em relação a qual e~e é ag?ra é preciso um terceiro aspecto que nos mostre isto. figuras que vão dar à memória um cstatllt~) irredutível pelo qual uma virtualidade se realiza. o passado é o em si. a duração e o impulso veremos bem que a dificuldade filosófica da própria noção de passa- vital. nem a vida. nem na mesma coisa. talvez seja A evolução criadora traz a Os dados imediatos o aprofundamento esta a mais profunda e a menos bem compreendida. é a duração. nem o movimen. tê-lo mais ou menos as suas características. por.288. Por 286 DI. Se refletirmos sobre isto. Porque essa sobrevivência mesma diatos a duração se apresentava como o virtual ou o subjetivo. lI. IV. portanto. em que sentido é ele virtual? É aí que devemos encontrar a segunda de. o passa- lembrança e memória-contração. 289 MM. Anotemos que a me. de qualidade. IV. se o passado não é passado ao mesmo tempo em que é porque ele. a tese segundo a assim como o prolongamento necessários. passado. O passado não se constitui depois de ter sido pre- uma à outra é também um fenômeno absolutamente real. mente em nosso cérebro. A falha da psicologia. E esse ser em si do passado é tão- distingue e se compreende. o passado é 291 natureza ao dividir-se286. ter buscado o passado a partIr sob este terceiro aspecto que a duração se chama memória.. parou apenas de to são atuais. ser reco. portanto. 291 ES. a duração é em si memória. ele é.287.. 292 MM. de certa sado não tem por que sobreviver psicologicamente e nem fisiologica- maneira.

na du. A propósito da eis a realidade do tempo. um simples decalque do produto. m. a duração pode parecer uma realidade sobretudo psicológi. vital é finito: o todo é o que se realiza em espécies. as séries realmente divergentes nascem. teremos o ro indefinido de vezes. afirmar a existên. pria determinação aparece como uma escolha entre uma "tudo se passa como se nossas lembranças fossem repetidas um nú. um ccr~ to grau bem determinado. de tensão. 298 EC. mas tudo coexiste com tudo. grau mais contraído do passado coexistente. Assim. VI. em lugar de pretender analisar a duração (ou seja. vemos finalmente o que é virtual: são os próprios Eis por que o segredo do bergsonismo está sem dúvida em Ma- graus coexistentes e como tais295. "Se. há todo o nosso passado. e difere séries que divergem. 295 MM. o outro por seu estado de contração. resta que o virtual é o todo. "A mesma vida psíquica seria. IV. Bergson nos diz que sua obra consistiu em re- como uma sucessão. que não são à sua ração. VI. fazer sua síntese com conceitos). Lembremo-nos de que o impulso possíveis. za. mas falha-se em insistir nisso. 299 PM. e nada mais294. sentimento de uma certa tensão bem determinada. mas o que é psicológico é somente nossa duração.296. entretanto. Uma metáfora céle- bre nos diz que. lU e IV. mas o que essa diferença de natureza exprime en. porque eles estão nos extremos de duas mo tempo. Com efeito. imagem. 296 PM. aliás. cada ser é o todo. antes retroprojetado sobre o movimento de produção. ao mes- há uma diferença de natureza.. 297 PM. se tudo não está tos planos e níveis que determinam todas as linhas de diferenciação dado. Que tudo não esteja dado. graus que se distinguem. um pelo seu estado de distensão. ca. ou seja. vemos que os graus coexistentes são ao mesmo tem. se o presente é o Bergson. infinidade de durações possíveis. decalque em seguida projetado ou E sc. mesmo tempo. sobre a inven- lução Criadora. çã0299. te ultrapassar o idealismo tanto quanto o realismo. tantas quanto queiramos. mas o todo que se realiza em tal ou qual grau. todas muito di- vida passada". ferentes umas das outras.297 A cada grau há tudo. eis que esse mesmo pre- 294 MM. fletir sobre isto: que tudo não está dado.. conquanto sejam em certo O que Bergson critica na idéia de possível é que esta nos apresenta [299J sentido interiores a nós. cia de objetos inferiores e superiores a nós. Mas o virtual não é a mesma coisa que o possível: a realidade po o que faz da duração algo de virtual e o que. pesquisamos a passagcm de Matéria e memória à Evo. ou seja. Tem-se razão em definir a duração téria e memória. a cada nível do cone. por natureza das outras. a coexistência dos graus no espírito. Entre a inteligência e o instinto. dois graus diferentes ao mesmo tempo. e que esse movimento não deve ser concebido à imagem do dad0298. com efcito. porque eles desenham outros tan. . e o mes. 136 Apêndice II Bergson 137 . mas em graus diferentes: o presente é somente o grau mais contraído do passado. como a diferença de natureza na realidade e como de distensão e de contração? É assim que cada coisa. com os outros graus. fim senão dois graus que coexistem na duração. Em resumo. que o dado supõe um movimento que o inventa ou cria. como tampouco são elas à imagem umas das outras. vamente sucessão real por ser coexistência virtual. de graus virtuais coexistentes. do e o presente devem ser pensados como dois graus extremos coe- xistindo na duração. portanto. e fazê-los coexistir juntos sem dificuldade. no fundo. tudo é mudança de energia. Perceberemos então nu- mero indefinido de vezes nessas milhares de reduções possíveis de nossa merosas durações. Mas o que significa uma tal realidade? Ao intuição. repetida um núme- I .. instalamo-nos primeiramente nela por um esforço de intuição. pois ela só é efeti. faz que a do tempo é finalmente a afirmação de uma virtualidade que se reali- duração se atualize a cada instante. de maneira que o próprio todo apresenta-se. Bergson escreve: "Somente o método de que falamos permi. e para a qual realizar-se é inventar. cuja pró- mo ato do espírito poderia se exercer em muitas alturas diferentes". lU. cada uma corresponde a um certo grau do todo. Nas primeiras obras de Se o passado coexiste consigo como presente. em camadas sucessivas da memória.

mas a alcançarmos a verdadeira razão da coisa em vias de se fazer. toda a obra de Bergson: um verdadeiro canto em louvor ao novo. pirismo inglês. outra em direção ao futuro. à invenção. 138 Apêndice II Bergson 139 . Quando Bergson critica essas noções. como um passado infinitamen- te dilatado. Em seguida. O projeto que se encontra em Bergson. não é absolu- tamente novo. em todos os casos. se os graus coexistem na duração. mas diferença. mas uma tentativa profunda e original para descobrir o domí. e supõem sempre que "tudo" esteja dado.sente. de me- mória e de impulso vital. rompendo com as filosofias críticas. por ser o ponto preciso onde o passado se lança em direção ao ção geral da filosofia e sob vários de seus aspectos participa do em- futuro. para atingir a própria coisa para além da ordem do possível. Mas o método é profundamente novo. as noções de duração. entre a duração e a matéria: os psicólogos e os filósofos falharam ao partir. Bergson nos mostra inicialmente que há uma diferença de natureza entre o passado e o presente. retesado. a razão filosófica. causalidade. quando nos fala em indeterminação. uma vez que ele define uma concep- 300 PM. assim como os a eternidade de vida300. mesmo na França. se define como aquilo que muda de natureza. de modo que ela compreende a matéria como seu mais baixo grau. VI. possibili- dade estão sempre em relação com a coisa uma vez pronta. ele nos mostra que ainda não basta falar em uma diferença de n?tureza entre a matéria e a duração. no conjunto da obra. e compreende a si mesma ao se contrair como um presen- te extremamente comprimido. Não há aí uma renúncia da filo- sofia. da diferenciação. que não é determinação. de um misto mal analisado. entre a lembrança e a percepção. Tradução de Lia Guarino nio próprio da filosofia. se se prefere. uma em direção ao passado. entre o presente e o passado. Encontramos todo o movimento do pensamento bergsoniano concentrado em Matéria e memória sob a tríplice forma da diferença de natureza. o de alcançar as coisas. Enfim. A esses três tem- pos correspondem. das causas e dos fins. ao imprevisível. seja porque se diferencia em passado e em presente ou. seja porque o presente se desdobra em duas direções. que ela é a natureza da diferença. dos graus coexistentes da diferença. Compreende-se que um tema lírico percorra três conceitos essenciais que lhe dão seu sentido. uma vez que toda a questão é justamente saber o que é uma diferença de natureza: ele mostra que a própria duração é essa diferença. o sempre novo. Finalidade. seu grau mais distendido. ele não nos está convidando a abandonar as razões. à liberdade. a duração é a cada instante o que se diferencia. ele nos mostra que.

L. M. 87 Mecanicismo. S. 51n Biólogos classificadores. lln. 29n Idealismo.. S.W. 13. 50 Bergson Pré-formismo. 33. 299 Realismo. 103 Weyl.. H. 111 Filosofias da vida. 92 Merleau-Ponty. 32n Aristóteles. A. H. 298 Hoffding. B. E. L. A letra n indica citação em nota de rodapé. 38 Finalismo.A. 39n Grega (metafísica). 38n Ravaisson-M. 79. 11.101 Gouhier.. 2n Idealismo. 38. 53 Zenão. 95 Tarde.W. 40n Robinet.. H.W. G... 10.. 24. 41 Freud. 31. G. L. 87 Empirismo superior... A concepção da diferen- ça em Bergson e Bergson).F.. 92 Evolucionismo. 90. 99 Platão. 80 A concepção da diferença em Bergson Marx. 84. 32. K. c. 85. G. 295 Hegel. 38n Filosofias críticas. 25. 32n. E.. 6. 100n Einstein. os números correspondem à paginação da respectiva edição francesa.. 102 Pós-kantianos..J.G. 22 Mecanicismo. 1. 101. 108. Bergsonismo Riemann.. A. 32n Kierkegaard. M. 38n Empirismo superior. 22 Mecanicismo.. 39 Husserl. 38n. 102 Hegel. 85 Feuerbach. 69.W. 40n. 95n Finalismo.. J.A. 84 Filosofias da natureza. F. 86n Darwin. 297 Hamelin... 55 Schelling. ]. D. 25. 81. 76 Husson. 98n. 39.42 Cuénot. 102 Platão... paginação preservada entre colchetes ao longo da tradução.W.41 Hyppolite. 116n Empirismo inglês. 90. 98 Platão. 85n. 95.. 38n.. 96 Platônicos. 96 Nietzsche. 34 Ruyer. G. 297 Proust. O. 87. 109 Aristóteles.F.F. R... 299· Probabilismo superior.. 33. 103n Kant. 2n Berkeley. 32.íNDICE DE NOMES E CORRENTES FILOSÓFICAS Para cada um dos textos aqui traduzidos (Bergsonismo. 55n. 76 Realismo.. 298 Bergsonismo 141 . F. 39. 108-110 Hume. 110n Leibniz. G.. 87.

4 e 5) A metafísica do fenômeno Pierre Clastres François J ullien Crônica do índios Guayaki Tratado da eficácia . Nicole Loraux. Jacques Ranciere Catherine Peschanski O desentendimento Gregos. 1.) O que é o virtual? Imagem-máquina François Jullien Bruno Latour Figuras da imanência Jamais fomos modernos Gilles Deleuze Nicole Loraux Crítica e clínica Invenção de Atenas Stanley Cavell Éric Alliez Esta América nova.3. o que nos olha A invenção das ciências modernas direção de Éric Alliez Pierre Lévy Barbara Cassin Cibercultura O efeito sofístico Gilles Deleuze Jean-François Courtine Bergsonismo A tragédia e o tempo da história Alain de Libera Michel Senellart Pensar na Idade Média As artes de governar Éric Alliez (org. A assinatura do mundo ainda inabordável Maurice de Gandillac Richard Shusterman Gêneses da modernidade Vivendo a arte Gilles Deleuze e Félix Guattari André de Muralt Mil platôs (Vols. bárbaros. Georges Didi-Huberman Isabelle Stengers COLEÇÃO TRANS O que vemos.) Gilles Deleuze e Félix Guattari Jacques Ranciere Gilles Deleuze: uma vida filosófica A sair: O que é a filosofia? Políticas da escrita Gilles Deleuze Gilles Deleuze e Félix Guattari Félix Guattari Jean-Pierre Faye Empirismo e subjetividade O anti-Édipo Caosmose A razão narrativa Gilles Deleuze Monique David-Ménard Conversações A loucura na razão pura Barbara Cassin. estrangeiros Éric Alliez Pierre Lévy Da impossibilidade da fenomenologia As tecnologias da inteligência Michael Hardt Paul Virilio Gilles Deleuze O espaço crítico Éric Alliez Antonio Negri Deleuze filosofia virtual A anomalia selvagem Pierre Lévy André Parente (org.2.

com ele. que Deleuze lhe oferece? Por uma razão que o leitor está convidado a tes- tar: o intensivo pode muito bem ser um pas- so decisivo no ultrapassamento do dualismo da quantidade e da qualidade. Co- mo. O estilo atua na interseção entre filosofia e o que não é estritamente filo- sofia. "perceptos" e "afec- tos") não se produz o almejado movimento. GRÁFICA EM PAPEL PÓLEN SOFT 80 GIM' DA DA. SUZANO DE PAPEL E CELULOSE PARA A EDITORA 34. é esta a palavra com a qual Bergson não se dava muito bem. Disse antes que. Luiz B. atuar na constituição do bergsonismo ESTE LIVRO FOI COMPOSTO EM SABON PELA BRACHER & MALTA. além dessas razões. não se limita a novos modos de pensar. redistribuindo-se e recortando-se de ou- tro modo. Sem essa operÍstica "trindade filosófica" ("conceitos". então. por- tanto. são as próprias coisas que recebem novas verda- des. algo mais se adensa nos estranhos con- tatos do conceito com os problemas que lhe dão sentido. ele pode. EM MARÇO DE 2008. Quando a po- tência de pensar experimenta a si própria. este filósofo contempo- râneo do nascimento do cinema. É que ambos parecem levar em conta aquilo que Deleuze chama de estilo em filosofia. Que algo mais é esse? São novos modos de ver e ouvir. ficaria ele feliz com a idéia de quan- tidade intensiva. Portanto. a arte do automovimento e da autotemporalidade da imagem: trata-se da "introdução do movi- mento no conceito" através do próprio "auto- movimento do' pensamento". como monismo da diferenciação e não como REAU 34 E IMPRESSO PELA PROL EDITORA provedor de mais um transcendente. mas sem alme- jar o papel de síntese superior. mento de Bergson". não se reduz ao conceito. Ora. fora dos enquadramentos que lhes são ordinariamente impostos por categorias meramente genéricas. o movimen- to do pensar implica uma produção e circula- ção de intensidades. COM FOTOLITOS DO Bu. algo mais poderia levar Bergson a sentir-se feliz com a leitura deleuzeana. L. é intervalar e. Orlandi . assim como novos mo- dos de sentir. assim considerado.