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Nome: Kátia de Carvalho

Título: Sociabilidades Intelectuais no Brasil Colonial:
avaliação das práticas do livro.

G.T. : Produção Editorial

RESUMO

Estudo sobre a vinda de livros para o Brasil colonial considerando
a desconfiança e nos ministérios que envolviam a arte de impressão, e aqueles que
sabiam ler. A pesquisa resgata aspectos obscuros da nossa própria história bus-
cando as restrições praticadas pelo Santo Ofício para compreender o universo da
leitura, das práticas de leitura como também a sua importância nessa sociedade,
considerando ter sido o livro o mais expressivo meio de comunicação.

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KÁTIA DE CARVALHO 2 .SOCIABILIDADES INTELECTUAIS NO BRASIL COLONIAL: AVALIAÇÃO DAS PRÁTICAS DO LIVRO.

com o olhar contemporâneo o nosso passado histórico. sobretudo nos mosteiros e logo depois nas universidades. do ensino. é introduzido na Europa pelos árabes. Quinze séculos antes da era cristã. O Livro no Ocidente A sociedade de informação como querem alguns ou a sociedade mediática para outros. da leitura. O papel. Os exemplares produzidos. eles eram cada vez mais procurados. depois pelos desenhos fonográficos e finalmente pelo alfabeto. sendo que a pedra. os espaços das sociabilidades. como era denominado. O homem procura se comunicar.elaborados pelos copistas. estimula a restauração dos antigos textos clássicos e favorece o campo da educação. surge a escrita.o livro como objeto de arte . remete à constatação da relevância da comunicação no mundo contemporâneo onde a informação tem a função de publicizar através dos meios de comunicação. destinam-se às bibliotecas privadas pertencentes as classes mais abastadas. A presença do livro nas casas era um sinal de riqueza. uma vez que o analfabetismo e o baixo poder aquisitivo. consequentemente as políticas culturais são reajustadas e emergem novas modalidades de viver e pensa o mundo. suporte necessário e primeiramente utilizado na China. e modificar. ampliando o comércio livreiro. da história. O Renascimento impulsiona o crescimento das coleções pessoais e a valorização das obras. botânica. dificultam o desenvolvimento da leitura. revisitando. assim como as casas editoras. A reprodução dos textos passa a ser assimilada pela realeza. na díficil tarefa de divulgar o saber produzido na Antigüidade. O papel de trapos. ainda incipiente. de poder. O campo cientifico contempla prioritariamente os tratados de anatomia. As disputas acirram os ânimos resultando no aparecimento 3 . inicialmente pelos símbolos. cada vez mais.livros e periódicos .resgata se certos aspectos da vida cultural brasileira. ricamente ornados .A busca de suportes. a argila. cada vez mais aprimorados facilita a comunicação impressa. quando novas técnicas alteram o antigo processo. A classe culta detém os mais belos exemplares. zoologia e mineralogia. O humanismo que floresce na Itália entre os século XIV e o século XV. Arte e técnica se conjugam para a ampliação da produção de livros e consequentemente . No século XV. o papiro e o pergaminho antecedem o uso do papel. inteligível através das práticas de leitura que transportam às origens. Através dos meios de comunicação impressa . A aproximação entre a comunicação e a cultura representa o eixo dessa pesquisa. pela nobreza e pelo clero. Um fator determinante no crescimento da produção do livro é a crise que envolve a religião católica e a protestante. permanece até o século XVIII.

acompanha-se a evolução dessas coleções. O livro. públicas e privada. a primeira a ser criada. define os contornos das esferas pública e privada. às primeiras Academias aparecem para reforçar as práticas culturais.. Lutero radicado na Alemanha. Ingelstaldt e Genebra. das bibliotecas públicas e privadas. academias. Com a difusão da imprensa. Paris. A criação da nova divisão política e a transformação em estados nacionais. As transformações na leitura seguem os rumos da produção editorial. a Revolução industrial introduz a máquina a vapor e ocorreram transformações significativas para o campo da produção do livro. os catálogos de venda das coleções permitem o acesso às obras circulantes em toda a Europa. realeza e intelectuais. A expansão dessa nova indústria se propaga até que novas e significativas mudanças relativas ao aspecto gráfico ocorrem no século XX.de textos propagadores das duas correntes sendo muitas vezes. A inovação do papel especial estimula o aparecimento dos periódicos e surge um novo conceito de informação.. No Brasil. textos polêmicos. não só pela sua apresentação mas pela função de transmissor do conhecimento. proporcionando. A Reforma de Lutero (1518 . Deste modo. amplia a difusão do livro que se estende para outras cidades a partir da segunda metade do século. Vale lembrar o papel das bibliotecas públicas para dar maior clareza aos espaços. As práticas de leitura põem em evidência o livro. a necessidade da sistematização do conhecimento através dos tratados biblioteconômicos que passam a ditar os procedimentos necessários para o arranjo. A formação de coleções privadas dão conta do prestígio e da riqueza dos seus proprietários. tais como. consequentemente. que são grupos próprios das elites representadas pelo clero. propondo alterações no formato do livro e no uso ampliado da ilustração. O acesso ao livro enfatiza os limites das esferas. A Academia dos Felizes. promovendo os espaços de práticas de sociabilidade. tornando-os acessíveis às pessoas. em 06 de maio de 1536. as coleções públicas pressupõem o acesso aos livros pelas classes mais populares. A hierarquização do saber se traduz pela sistematização das coleções de livros. aparece a tipografia oficial com a função de propagar os atos oficiais e estreitam-se as relações entre o Poder Real e as tipografias.1521) como se denomina. A partir do século XVII. de objeto sacralizado passa a ganhar o sentido de objeto de consumo com um novo aspecto gráfico. Os tipógrafos visam a perfeição gráfica e a competição cresce. quando o movimento Bauhaus revoluciona o conceito de arte contemporânea. Louvain. á leitura. O acesso a essas coleções se tornam possivel através dos séculos. Enquanto as coleções privadas ajudam a multiplicar os espaços através de reuniões. A partir de 1762. O Iluminismo introduz um novo sentido em relação ao acesso aos livros. era composta de 30 4 . A imprensa se afirma como um competente instrumento de publicização das disputas pela liderança religiosa. influencía a difusão do livro protestante. a classificação e a difusão do livro. A cultura ocidental assiste a evolução do livro.

continham coleções importantes para a historia cultural do Ocidente. Além da atividade do comerciante. localizadas nos conventos e mosteiros religiosos. Entretanto. e onde a atividade comercial tem importância. radicado em Vila Rica em meados do século XVIII. As bibliotecas. sendo anterior à criada na Corte. não esclarece tanto e alguns pontos continuam obscuros. no final do século XVIII. O ambiente cultural no Brasil Colonial. ofereciam possibilidades de acesso. funciona na casa de Manoel Inácio da Silva Alvarenga que em uma segunda fase. João Batista 5 . do seu presidente. em 1794. Farmacêutica ou Sociedade de História Natural do Rio de Janeiro (Academia Cientifica) funciona entre 1772 e 1779.membros e presidida pelo cirurgião-mor Mateus Saraiva. na grande maioria. fruto da vigilância permanente da Igreja. existem listas de livros enviados para o Rio de Janeiro pelos livreiros radicados em Lisboa. através da documentação existente nas bibliotecas e arquivos. pela Devassa. detém-se no comerciante de livros José de Souza Teixeira. Não havia ainda as bases para o desenvolvimento da leitura e da escrita. ou ainda. Segundo Rubens Borba de Morais. havia livros mas também tecidos. sendo que o de 1799 se refere a duas lojas. Botânica. restrito a um número reduzido de pessoas. Por outro lado. cada vez maior. Entretanto não há registro dos seus proprietários. remanescentes de inventários quase sempre dispersos quando morriam os seus proprietários. . Na documentação existente nos arquivos da Torre do Tombo. as coleções privadas. torna-se presidente da mesma e neste mesmo ano foi fechada em função das denúncias sobre as polêmicas idéias francesas liberais que culminou com a prisão. privilégio de uma elite alfabetizada. o que era comum na época. era possível obter livros através de pedidos feitos diretamente aos estabelecimentos existentes no Reino. existiam quatro oficinas de livreiros no Rio de Janeiro. Nireu Cavalcanti. nessa cidade.O resgate desses primórdios da nossa história. A Academia Fluviense Médica Cirúrgica. Quanto aos comerciantes de livros. fios para sapateiro. enquanto a falta de um parque gráfico local impedía a produção de livros no país. enquanto os Almanaques de 1792 e 1794 registram apenas uma loja. merece ser citado. reflete o que se passava no Reino. através de amigos e familiares que lá residiam. Somente a classe dominante tinha condição de obter formação na Europa e o analfabetismo dominante dificultava o acesso às práticas de leitura. pesquisando sobre o mercado livreiro. a censura. Manoel Ribeiro dos Santos. entre os novos livreiros residentes na Colônia. Soma-se a este fato. entre outros materais disponíveis. Sendo a cidade a segunda mais populosa do país. pertencente à coleção da Mesa Censória. se forma um expressivo público consumidor. A Academia fundada em 1786 e presidida por Idelfonso José da Costa Abreu. as informações sobre a existência de livreiros no Rio de Janeiro no período setecentista. O relatório dos governo do Vice-Rei Luis de Vasconcelos( 5) informa que entre 1779 e 1789. Cavalcanti cita os livreiros Leandro dos Reis Carril. merece destaque a livraria do Teixeira. botões. cuja loja tinha um estoque diversificado. As Academias estimulam a leitura na Colônia de modo significativo. não são muito precisas.

sofriam constantes ataques de natureza religiosa e consequentemente. As bibliotecas da realeza que também recebiam doações das ordens religiosas. livros velhos. Entretanto. imagens. as dificuldades para a venda de livros era grande. revela uma atividade que se iniciava e pouco rentável ainda. Entretanto. ocorreu na França e no Brasil. as crises político-econômicas e os problemas religiosos se refletem nesse produção emergente. destinada a um público plural. conforme registro na correspondência desses oratorianos. As bibliotecas reais. resulta de uma atividade difícil e complexa e desde o século XVI. livreiros e ilustradores que reunidos fixam normas para serem usadas no comércio livreiro. O clero. a nobreza e as classes dominantes formam importantes acervos para a história da Humanidade. Sem dúvida. Vieira Mallen & Cia. o comércio livreiro a partir do trabalho redigido por N. Cavalcanti. manuscrito ou impresso.l98 unidades.1563. destruída pela perseguição comandada pelo Marquês de Pombal. As bibliotecas privadas mudam de mãos com certa freqüência. entre outros.406 unidades. Paulo Martim. Varias transformações ocorrem entre 1618 . do ponto de vista comercial. trocavam de mãos. de uma forma inovadora. As bibliotecas religiosas localizadas nos mosteiros. os atos de comédias e óperas . o Poder Real transforma esta corporação em instrumento de controle. da Corôa. na Alemanha. tabuadas. da vida intelectual. papel mata-borrão. as cartilhas .Reycende. Entre os itens relacionados. Cavalcanti cita as cartilhas. determinou procedimentos relativos ao aspecto litúrgico. como as bibliotecas dos grandes humanistas. passam a formar os núcleos das bibliotecas nacionais. Entretanto. Até o século XVIII o livro. O século XVIII apresenta o livro e o seu acesso. Dos 383 títulos. De 1565 a 1566 o Papa Pio V publicou o “Index Librorum prohibitorum”. Esses artigos são os que oferecem maior quantidade. como fonte de saber.1619. Há outras possibilidades eventuais. Nasce a censura por interesses de natureza econômica e religiosa. catálogo de livros proibidos pela Igreja 6 . da cultura. óculos entre outros artigos. que se desenvolve entre 1545 . tinham os seus acervos formados a partir das coleções pessoais. forma-se em Paris uma corporação de editores. Mas a organização dessa produção editorial passa a exigir normas. Sua localização nas bibliotecas transformam esses espaços em lugares de leitura e meditação individual. Esses padres eram editores das obras didáticas e mantinham um regular comércio de livros com o Brasil. citado pelo autor. trazerem obras para serem vendidas. encorajou os trabalhos religiosos e da história eclesiástica com o fim de rebater os ataques protestantes. estampas e santos. atos de várias comédias e óperas.975 unidades da livraria do Teixeira.453 unidades e as estampas e santos . Havia ainda a possibilidade dos tripulantes dos navios que faziam a linha comercial. adquiridas habitualmente por doação ou por compra. 6. modelo esse que prolifera por toda a Europa. Vale citar o exemplo da rica coleção da Companhia de Jesus. muitas delas formaram os núcleos das bibliotecas dos municípios ou então das universidades. como a da Congregação dos padres oratorianos. O Concilio de Trento. lugar de preservação da memória. mas seguramente importante pelo caráter de renovação que marca esse século.

sem exigências no desembarque. 01 paraibano e 21 estudantes de outras regiões. Já na segunda metade do século XIX. A imprensa se expande e a imprensa periódica que tem suas origens no século XVIII. a conservação dos livros nos países tropicais. entre outros. Deste modo. Stuttgart. enquanto os tipógrafos dos Países-Baixos produzem ativamente. uma vez que a disputa religiosa interfere com grande vigor. 13 brasileiros fizeram sua formação naquela cidade. que Richelieu lidera as ações para tornar a censura mais eficaz. 69 cariocas. dificulta o processo de seleção das obras a serem adquiridas para as coleções. Embora a Mesa Censória em Portugal estabelecesse uma lista de livros proibidos. É ainda na França. Entretanto. Bento Teixeira. manuscritas contendo informações recentes. Este tipo de edição se desenvolve na Holanda. quer públicas. 80 Pernambucanos. Aos brasileiros que permanecem no país. Fernão Cardim. o comércio de livros estava com problemas em outros países como na Espanha. Gabriel Soares de Souza. Tobingem. publica gazetas em forma de folhas soltas. Na segunda metade do século 7 . pelos tipógrafos sediados em Karlsruhe. enfrenta dificuldades em virtude das condições climáticas desfavoráveis. Entretanto. A leitura de livros heréticos preocupa a igreja católica que impera no mundo ocidental. Além disso. No século seguinte. sendo 572 da Bahia. principalmente na Universidade de Coimbra. O papel do tipógrafos e dos livreiros era de mediar nesse comércio em fase de crescimento. Cria-se a censura real. Os conventos possuem bibliotecas muito bem dotadas e exercem a função de verdadeiros centros culturais. criando a censura prévia que da origem aos termos “Nihil obstat”(nada impede) e “Imprimatur”(para publicar). representavam a classe intelectual familiarizada com o livro e o uso de bibliotecas. l. A guisa de conclusão vale enfatizar que os brasileiros que atingiam a educação superior. Rubens Borba de Moraes afirma que no século XVI. 445 do Rio de Janeiro. a contrafação passou a ser uma outra modalidade de edição. não há documentos que comprove o seu cumprimento no Brasil. 06 paulistas.752 estudantes brasileiros saem do Brasil. As importações eram difíceis e muitas vezes e as obras vinham diretamente da França e de Portugal para o Brasil. quer privadas. sendo 175 baianos. Reutingen. a perseguição dos jesuitas pela política pombalina reduz as bibliotecas. no século XVIII. Essas razões são consideradas de grande importância para este projeto de pesquisa em curso. exercida por censores nomeados para este ofício. em Neuchâtel. Berna e Lausanne e na Alemanha. A Bahia permanecia na liderança quanto ao número de estudantes que iam estudar em Coimbra. Outra modalidade era a vinda de livros nas malas dos brasileiros que viajam ou estudam na Europa. resta a educação ministrada pelos religiosos. o faziam na Europa. Rubem Borba de Morais acredita que a censura no Brasil não se cumpria ou era ignorada (13). homens como o Frei Vicente de Salvador. Algumas desaparecem e outras passam a ter os seus acervos em estado bastante precário. (10) A complexidade que se estabelece nas origens da produção do livro. no Brasil. oferecendo uma nova modalidade de informação regular que reflete o cotidiano das pessoas. 353 brasileiros também para lá segem. Embora de difícil controle por parte da Igreja e do Poder Real. 347 de Minas Gerais e 160 de Pernambuco.Católica e introduziu normas para o controle da Igreja. Entretanto. não existem informações precisas sobre este tema. desde o século XVII e depois na Suíça.

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