UNISUAM CENTRO UNIVERSITÁRIO AUGUSTO MOTTA

PROJETO DE TRABALHO DE CONCLUSÃO DE CURSO A relação da igreja cristã alemã com o nazismo de Hitler Professor: Giovanni Codeça

RIO DE JANEIRO JUNHO/2008

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CURSO DE LICENCIATURA EM HISTÓRIA

A RELAÇÃO DA IGREJA CRISTÃ ALEMÃ COM O NAZISMO DE HITLER

FABIO DE CARVALHO RAPOSO 05203343

RIO DE JANEIRO JUNHO/2008

sob a orientação do professor Giovanni Codeça.2 FABIO DE CARVALHO RAPOSO A RELAÇÃO DA IGREJA CRISTÃ ALEMÃ COM O NAZISMO DE HITLER Trabalho de conclusão de curso elaborado pelo acadêmico Fabio de Carvalho Raposo como exigência para a titulação como licenciado do curso de graduação em História do Centro Universitário Augusto da Motta. RIO DE JANEIRO JUNHO/2008 .

........................................................................................................................................................OBJETIVOS.....19 .......................13 6 ........18 9 ...................................................................................................17 8 ..........8 3 .........................................................................CRONOGRAMA...........14 7 ......................................JUSTIFICATIVA...................................................................9 4 ....................................................................3 SUMÁRIO 1 ........METODOLOGIA.....PLANO DE REDAÇÃO......................................REFERENCIAL TEÓRICO.....................................................................................12 5 ...........................................................................4 2 .........................................................................INTRODUÇÃO.............................REFERÊNCIAS BIBLIOGRAFICAS................................................HIPÓTESE.....

ou seja. mesmo que pequena. O autoritarismo. assim como uma grande desvalorização no valor das ações no mercado financeiro. o racismo e o assassinato de judeus em massa eram as bandeiras na busca por uma raça pura alemã. tornou-se um guia ideológico e de ação para o nacional-socialismo. que fala sobre a conspiração dos judeus para liderar a Alemanha. esta crise afetou toda atividade econômica em escala mundial. Muitos de nós desconhecemos que dentro da própria igreja houve resistência. . Este fenômeno foi determinado por uma crise de superprodução e foi um dos maiores colapsos vividos pelo capitalismo e que persistiu durante a década de 1930. infelizmente. do evangelho de Cristo com as idéias de Hitler. e isso não há como negar. porém.4 1. Ele usou como tese principal o “Perigo Judeu”. ou Grande Depressão. O crescimento que o nazismo alcançou na Alemanha pós Primeira Guerra Mundial está ligado ao crescimento do nacionalismo. e uma preocupação evidente com a expansão da ideologia marxista. como o “sangue” e sua “pureza”. trazendo uma grande desconfiança sobre o sistema capitalista. a esta aliança feita com o Partido Nacional Socialista de Hitler. INTRODUÇÃO É fato que houve uma estranha e obscura relação entre a igreja cristã alemã e o Estado nazista de Adolf Hitler. Esta crise causou altas taxas de desemprego. onde católicos e protestantes sofreram por serem contra as idéias nazistas de purificação da raça ariana. Porém esta relação quando é vista sem uma busca profunda dos fatos que a constitui nos parece passiva e de total cumplicidade. Outro aspecto importante é o posicionamento político anticomunista. Escrito na prisão e editado inicialmente em 1924. tida por Hitler como uma idéia tão judaica quanto o próprio capitalismo. o medo do comunismo e a necessidade de uma solução para crise econômica mundial causada pela Crise de 1929. Este antagonismo fica explicito em Mein Kampf1 onde Hitler expõe elementos fundamentais da ideologia nacional-socialista. 1 Mein Kampf [Minha Luta] é o título do livro no qual Adolf Hitler expressou suas idéias. a maior parte da igreja cristã ignorou o antagonismo e a incompatibilidade. bem como a queda do produto interno bruto e da produção industrial.

Com grande indignação. Hitler era o “messias”. Para este povo. oficialmente a Primeira Guerra Mundial. o grande responsável por esta situação em que a Alemanha se encontrava era o Tratado de Versalhes. portanto o povo alemão ansiava por um governo forte. a Grande Depressão de 1929 foi um multiplicador do real estado de derrota e humilhação em que o país já se encontrava desde o Armistício de Novembro de 1918. além de sofrer restrições ao tamanho do seu exército. Hitler alegava que seu movimento havia descoberto o verdadeiro sentido do Novo Testamento. Os termos impostos à Alemanha através do Tratado de Versalhes como grande derrotado da guerra incluíam altas indenizações. Para eles. sendo obrigado a diminuir drasticamente seu poder bélico. que marcou o fim dos confrontos da guerra. e o nazismo a religião que veio “salvar” a Alemanha. Assim em 1933 a República de Weimar deu lugar ao Terceiro Reich sob a liderança do austríaco Adolf Hitler. transformando-se num herói. redentor do sangue ariano. A missão de Hitler foi facilitada por circunstâncias históricas. que tomava posse de um país arruinado. chamada de ariana. o que permitiu a Hitler intervir política. incluindo suas colônias. além de reconstruir o seu poderio bélico em busca de uma futura vingança contra seus inimigos. assim. pois exclusivamente neste período todos os outros países preocupavam-se com seus problemas internos causados pela “Crise de 29”. pois ele se mostrou um líder com grande carisma e força. e a lei de Deus deveria ser identificada com o racismo. mas que em menos de uma década seria à nação mais poderosa do mundo. um governo que trouxesse novamente a dignidade perdida da sua raça. logo depois ratificado com o Tratado de Versalhes em Julho de 1919 encerrando. perda de parte de seu território para algumas nações fronteiriças. Ele se apresentava como o profeta dessa doutrina. os alemães ao longo dos anos que se seguiram após o fim da primeira grande guerra tiveram que se acostumar com a fome. econômica e socialmente em todo Estado alemão. a hiperinflação e a conseqüente desvalorização do Marco Alemão. cujo sentido fora pervertido . E o próprio Führer declarava que ele próprio guiava o nacional-socialismo na luta pela “pureza racial”. o desemprego. O antigo estava excluído por ser “semítico”. centralizador e intervencionista que fosse de encontro aos seus anseios.5 Para Alemanha.

Estabeleceu-se então. através de uma igreja única. de modo a garantir completa reciprocidade. A Alemanha estava unida em torno do ódio contra os seus inimigos: o humilhante Tratado de Versalhes. a Alemanha forte era ainda mais valorizada que o testemunho cristão. O Vaticano e Hitler: a condenação secreta. um tempo de renovação e fortalecimento espiritual.” (Peter Godman. Falavam do ressurgimento político como se fosse um avivamento. “são acordos que possuem força de obrigatoriedade no direito internacional e estabelecem vínculos entre os Estados. porém desde a sua assinatura o tratado foi violado pelos nazistas. segundo a própria definição de Pacelli. O então cardeal secretário de estado e futuro Papa Pio XII. Mesmo para quem se denominava cristão. por ordem do Papa Pio XI. a Igreja Nacional do Reich. São Paulo: Vida. A cruz de Hitler: como a cruz de Cristo foi usada para promover a ideologia nazista. e para eles o que importava era que o Estado alemão estava forte novamente. entre a igreja de Roma e o governo da Alemanha nazista uma concordata3 que obscureceria por uma década as intenções da política do Vaticano. p. todos estes eram vistos como ameaça à recuperação da Alemanha. do outro. inicialmente preferiu manter uma política de boavizinhança com o Vaticano pelo maior tempo possível. Para eles o que era bom para a Alemanha era bom para a igreja. de um lado. com o propósito de equilibrar e esclarecer – de modo justo e de forma de tratados – os interesses religiosos e eclesiásticos. 141-142. 2003. O povo estava encantado com o sucesso de Hitler. Neste período a Alemanha era formada por um terço de católicos e dois terços de protestantes. A concordata excluía o clero das atividades político-partidárias. negociou todos os itens da concordata que fundamentava juridicamente as relações entre a Igreja Católica e a Alemanha. a elite liberal. Isso levanta a questão acerca dos Erwin Lutzer. 11-12) 2 . p. então. Hitler sabia que a Igreja Católica tinha uma organização que se espalhava por muitos países.6 pela Igreja Católica. que acreditava na democracia da República de Weimar. Eugênio Pacelli. 3 “Concordatas”. e o “cristianismo positivo” 2 a que se referia o programa do partido nazista tinha como objetivo sanar o problema das divisões confessionais entre católicos e protestantes alemães. As igrejas obtinham forças das melhorias econômicas e do otimismo simplista de um dia melhor para Alemanha e não paravam para pensar em nome de quem os benefícios eram concedidos. os comunistas e principalmente os judeus. em 1933. e os interesses do Estado. unindo a nação na luta contra os judeus. 1ª ed. 1ª ed. São Paulo: Marins Fontes. 2007. ignorando assim o conceito de reciprocidade.

seja ela católica ou protestante. desafiando o governo do Führer. O Vaticano e Hitler: a condenação secreta. p. nem por ocasião da chamada “solução final”. homossexuais e todos aqueles que se opuseram ao seu projeto expansionista.7 motivos para que se celebrasse um tratado com os nazistas. sem contar ciganos. se colocou ao lado do nacional-socialismo e seguiu Hitler. não questionando seus métodos autoritários e anti-semitas. na qual Roma tinha todas as razões para considerar traiçoeiro. 17. São Paulo: Marins Fontes. Protestantes e católicos trocaram a cruz de Cristo pela suástica se unindo a Hitler em sua “religião política” 4. 4 Peter Godman. Essa relação entre a igreja e seus interesses. . que ocasionou o extermínio de milhões de judeus nos campos de concentração. 1ª ed. O fato é que grande parte da igreja cristã alemã. o nazismo e suas idéias e o desenrolar de 12 anos de governo de Hitler que queremos abordar nesta pesquisa. mostrando as conseqüências para própria igreja que apoiou esta relação e para aqueles que foram contra. 2007. apesar dos choques de idéias entre o nazismo e o cristianismo.

anos antes. traçando um paralelo entre as duas correntes do cristianismo na Alemanha.2 Analisar assinatura de acordo semelhante ao feito com os nazistas.4 Identificar os motivos pelo qual a maior parte da igreja cristã alemã seguiu as idéias nazistas de Hitler e o aceitou como “redentor” da nação durante os 12 anos de poder. com o governo nazista de Adolf Hitler durante os doze anos de duração do Terceiro Reich.6 Descrever e analisar os movimentos de oposição ao nazismo existentes dentro da igreja alemã.1 Objetivo Geral Analisar a relação existente entre a igreja cristã alemã.2. 2.5 Descrever este apoio. tanto do lado católico quanto do lado protestante. 2.2 Objetivos Específicos 2. 2. apontando as conseqüências desta concordata para o Vaticano. analisando tanto a igreja católica quanto a igreja protestante.2.2. de 1933 a 1945. . OBJETIVOS 2.8 2.1 Explicar os motivos pelo qual a igreja de Roma assinou uma concordata de reciprocidade com o governo nazista. suas principais ações e conseqüências. 2.2.2. como líderes da igreja de Roma. 2.3 Analisar os papéis dos papas Pio XI e Pio XII. com Mussolini na Itália e sua influência dentro da igreja para ratificação da concordata de 1933. 2.2. nesta relação com o governo nazista de Hitler.

social e étnica. pois afirma ser ele uma voz única no Vaticano. além de também exigir a supressão dos antagonismos que dividem e enfraquecem a nação. tem bastante tempo disponível para as denúncias. a brutalidade do totalitarismo e a repressão à liberdade do Terceiro Reich? Este trabalho tem como objetivo responder a esta pergunta mostrando uma leitura desta relação igreja-nazismo que se afaste de polêmicas como as do livro de John Cornwell onde o papa Pio XII é o centro das atenções. Os interesses fascistas exigem uma tripla coesão interna: política. Porém havia um preço a ser pago. Essa estratégia tem vantagens óbvias. deixando de lado outros lados mais obscuros e difíceis de pesquisar. e a partir daí o governo nazista começou a colocar em prática suas idéias fascistas. porque a grande maioria da igreja cristã alemã não levantou a voz contra as crueldades do racismo. e um destes antagonismos para o nacionalsocialismo é o cristianismo. Uma vez identificado o Vaticano com a pessoa do Papa. onde a nação. 3) Portanto o objeto da presente pesquisa se justifica pela necessidade em esclarecer fatos obscuros da relação entre a igreja cristã alemã e o Estado nazista de 5 Jonh Cornwell. O papa de Hitler: a história secreta de Pio XII. Peter Godman (2007) demonstra ser crítico as conclusões de Cornwell: O pressuposto de semelhança entre o Vaticano e o mítico monólito do Estado totalitário serve a um propósito determinado. o pesquisador está livre para se concentrar em um indivíduo bem conhecido. Sua capacidade administrativa era reconhecida tanto dentro quanto fora da Alemanha. e este preço era uma ditadura totalitária alcançada de forma legal. que a priori defendem um nacionalismo exacerbado. a mais poderosa do mundo. 2 ed.9 3. naquele momento da história. Assim. Assim. ele torna possível a apresentação do “Papa de Hitler” como chefe de uma organização semelhante à do Führer e à do Duce. JUSTIFICATIVA Adolf Hitler. 2000. e fez desta nação. Sobre o “papa de Hitler”5. parece oferecer-lhe uma explicação para o suposto fato de que o autoritário Pio XII manteve-se do lado do ditador. A pergunta é. sagrada. (p. . é o bem supremo. Por insinuar simpatia. já que o trabalho mais árduo foi evitado. Rio de Janeiro: Imago. um líder carismático e enérgico reergueu a Alemanha em menos de uma década.

como fenômeno histórico.10 Hitler. negros. por ser a religião com o maior número de seguidores no mundo é uma formadora de opinião e um agente que tem um papel social no processo de construção desta sociedade ainda nos dias de hoje. p. continua vivo com uma nova roupagem. enquanto outros o viam como um católico conservador e um homem cuja palavra era confiável. religião e etc. é uma realidade em nossa sociedade e enganam-se os que pensam que este problema estaria superado. como fez Cornwell. São Paulo: Vida. Não há como negar que o cristianismo. dizendo que o genocídio Sob a liderança de Bonhoeffer e Niemöller. Ora a Santa Sé condenava os erros morais e doutrinais do nacional-socialismo ora apoiava Hitler na sua luta contra o bolchevismo. O racismo. no caso Eugênio Pacelli o papa Pio XII. Assuntos como: fascismo. Martin Niemöller e Karl Barth. 167-168) 6 . porém com suas velhas idéias e atitudes. índios. a Liga Pastoral de Emergência formou o núcleo do que seria chamado de Igreja Confessante. na política. anti-semitismo. denominado hoje como: neonazismo.. No lado do Vaticano também havia divergências de opiniões sobre o nazismo alemão. em seus vários segmentos. lideres da Liga Pastoral de Emergência e fundadores da chamada “Igreja Confessante”6. Os seguidores do neonazismo são na sua maioria jovens entre 16 e 25 anos de idade e que geralmente tem o seu primeiro contato com a ideologia neonazista via internet. aja vista que são poucos os estudos que abordem este assunto. Eles minimizam ou negam o Holocausto. Podemos ver a influência neonazista em várias áreas da nossa sociedade como: na música. são temas atuais no nosso tempo em todo mundo. não pela ótica de um homem. Do lado protestante. grupo oposto ao Movimento Cristão Alemão que era associado à Igreja Nacional do Reich e seu “Cristianismo Positivo”. nas artes e etc. 1ª ed. governos totalitários. A cruz de Hitler: como a cruz de Cristo foi usada para promover a ideologia nazista. por onde também são recrutados para promoverem atos preconceituosos e até violentos contra grupos específicos como: homossexuais. que tinha como fortes opositores ao regime nazista Dietrich Bonhoeffer. Alguns dos seus membros viam Hitler como inimigo mortal do cristianismo. judeus e comunistas.. racismo. nacionalismo. O nazismo. Bonhoeffer pregara que a igreja deveria assumir sua posição e dissera: Confesse! Confesse! Confesse! (Erwin Lutzer. que é um dos pilares do nazismo. mas sim pelas opiniões dos líderes eclesiásticos que estavam divididas desde o início. tanto no meio acadêmico quanto para sociedade. 2003. Daí a relevância em se estudar tal tema justifica-se.

7 7 http://pt. Quando eles prenderam os sociais-democratas. e não o cristianismo. A educação na Alemanha deveria. eu não protestei. Estes grupos são mantidos por partidos de extrema direita sediados na Europa e em outros países. eu não era comunista. Há uma necessidade de se preocupar com o posicionamento da igreja cristã frente a estes acontecimentos.org/wiki/Martin_Niem%C3%B6ller . mas nos ideais alemães sobre o caráter. no futuro. Hitler sabia que. (p.] era a criação da igreja alemã.. é a fonte de toda virtude. eu calei-me.].wikipedia. a igreja declarou guerra ao comunismo. [. porque. Quando eles levaram os sindicalistas. afinal. eu não era socialdemocrata.. porque.. não havia mais quem protestasse. Lutzer (2003) descreve as idéias daquele que foi designado pelo próprio Führer como responsável da formação espiritual do partido nazista. quando enfim passou a conflitar com este governo: Quando os nazis levaram os comunistas. afinal. eu calei-me. eu não era judeu. A partir daquele período da história. afinal. fundamentar-se no “fato” de que o caráter alemão. 167) Finalizo a justificativa desta pesquisa citando o teólogo protestante alemão Martin Niemöller. pois de acordo com o rumo apontado pelos líderes cristãos.11 deliberado de mais de seis milhões de judeus é uma mentira ou um tremendo exagero. afinal. eu não protestei. além da ameaça comunista. onde não houvesse espaço para os ensinamentos de Cristo. Quando eles me levaram. que inicialmente concordava com o governo nazista até este interferir diretamente na igreja luterana. Alfred Rosenberg: O objetivo de Rosenberg. essa massa de fiéis os seguirão. porque. porque. ele teria que neutralizar o poder histórico exercido pelo cristianismo na Alemanha. para que assim alcançasse seus objetivos. Quando levaram os judeus. sejam católicos ou protestantes. quando houve a ascensão ao poder russo do bolchevismo. Ele asseverava que “as verdades eternas não poderiam ser encontradas nos evangelhos [. eu não era sindicalista..

12 4. contou positivamente para Hitler. Já o Vaticano. . os únicos personagens no cenário internacional a fazer frente ao “perigo mundial do bolchevismo”. o que lhe rendeu elogios em 1933. Além disso. seja ela católica ou protestante. o fato de serem junto ao Papa Pio XI. HIPÓTESE A maior parte da igreja cristã alemã. onde a cúpula da Igreja Católica Apostólica Romana reside. ano da assinatura da concordata. acreditava que a assinatura da concordata com o Partido Nazista da Alemanha obteria o mesmo resultado de sucesso que o acordo assinado com o governo de Mussolini na Itália. era movida nesta relação igreja e nazismo por acreditar que as idéias do nacionalsocialismo levariam à nação a redenção.

13 5. a reflexão e a análise das obras bibliográficas através da leitura de livros. Esta análise será feita mediante a decodificação das construções historiográficas produzidas acerca da temática. . a metodologia a ser adotada será a interpretação. dos periódicos e de material coletado na internet. METODOLOGIA Considerando os pressupostos descritos anteriormente num conjunto de hipóteses que se completam e que embasam os objetivos propostos no presente projeto.

A igreja se posicionou de forma neutra em relação às claras posições do modelo de Estado nazista? Porque a igreja de Roma assinou esta concordata? Raras vezes a igreja. nº. era a criação de uma organização internacional com a finalidade de fazer-se cumprir o Tratado de Versalhes. Peter Godman comenta que “em 1928. Julho de 2006. Em 1933. os nazistas chegam ao poder na Alemanha.] apresentou uma petição ao Vaticano para que se removesse da liturgia latina da Sexta-Feira Santa as expressões “pérfidos judeus” e “a perfídia judaica” (2007. É claro que a liturgia não foi retirada pelo Santo Ofício por serem consideradas. Organização das Nações Unidas. Em meio a todos estes fatos. um tratado de paz e humilhação. p. . Essa política da igreja para com os judeus deve ser analisada em uma perspectiva histórica.14 6. 33. a Segunda Guerra Mundial. p. seja ela católica ou protestante. REFERENCIAL TEÓRICO A derrota da Alemanha na Primeira Guerra Mundial levou ao caos econômico e social. onde o Tratado de Versalhes. ano 3. São Paulo. além de tradicionais pela igreja. Além disso. fez com que esta nação se curvasse diante dos inimigos abrindo grande espaço para o nazismo anos depois. se opôs às perseguições aos judeus. Versalhes: o tratado de paz que curvou a Alemanha e abriu espaço para o nazismo. sob a liderança de Adolf Hitler.. inspiradas e consagradas por Deus. pois para esta igreja os judeus eram os assassinos de Jesus. um movimento católico chamado Amigos de Israel [. 8 HISTÓRIA VIVA. sua coroação. A peça principal do tratado. é assinado uma concordata entre o Vaticano e o Estado nazista de Hitler. embrião da futura ONU. Com o seu governo tem início à perseguição aos judeus e o fechamento de todos os partidos políticos. como dissemos anteriormente.33). Nascia em Versalhes o revanchismo alemão determinando que a década de 30 fosse uma preparação para uma nova guerra. restando somente o partido nazista. SP. neste mesmo ano Hitler retira a Alemanha da Sociedade das Nações. a Sociedade das Nações8.. o que. também chamada de Liga das Nações. 36-37. apontava para uma nova guerra em breve. O que era apenas um discurso anti-semita transformou-se em perseguição.

porém ele obedecia às ordens de seu mentor espiritual. Pacelli foi quem criou e intermediou toda negociação para assinatura da concordata entre o Vaticano e os nazistas. recomendava que as sinagogas dos judeus “deveriam ser incendiadas e tudo aquilo que não queimasse deveria ser coberto ou manchado com areia. Hitler seguiu o conselho do pai do protestantismo que disse: Quase quatrocentos anos antes. o Papa Pio XI. (. Pacelli não era o dono das decisões no Vaticano. Pacelli. Outro fato que marcou o início das perseguições aos judeus na Alemanha foi a chamada “Noite de Cristal”. autor do livro “O Papa de Hitler: a história secreta de Pio XII” define Eugenio Pacelli como: O homem que foi Pio XII. então cardeal secretário de estado de Pio XI na assinatura do acordo entre a igreja de Roma e Hitler. Martinho Lutero. existia uma pressão para assinatura da concordata pelo lado do governo nazista e também pelo lado da igreja. participando sim da criação e das negociações da assinatura da concordata. que foi uma onda de violência anti-semita. o mais influente sacerdote do mundo do início da década de 1930 ao final da década de 1950. de Munique. ao mesmo tempo em que neutralizava o potencial dos 23 milhões de católicos na Alemanha (34 milhões depois do Anschluss) para protestar e resistir. (p. inclusive de cristãos que foram atraídos pela intensa propaganda nazista convocando para o boicote de 1º de abril de 1933.14-15).”. E isto deveria ser feio em honra de Deus. .15 como o boicote organizado pelos nazistas às lojas dos judeus na Alemanha e que contou com o apoio de boa parte da população. ajudou a projetar a ideologia do poder papal – o poder que ele próprio assumiu em 1939. p.. Para ele. Jonh Cornwell (2000). Segundo Martin Gilbert (2006). levou a destruição de mais de mil sinagogas.) ele fez um acordo com Hitler. mais do que qualquer autoridade do Vaticano de sua época. 15) Já para Godman (2007. que ajudou o Führer a alcançar a ditadura legal.. defendiam o acordo entre a igreja e o Estado nazista. de modo que ninguém pudesse ver uma cinza ou uma pedra do que restou. em sua carta pastoral Dos judeus e suas mentiras. levados para campos de concentração. em 1543. amigo de Pacelli.. 12-13) Os autores Jonh Cornwell e Peter Godman divergem do papel de Eugênio Pacelli.. o saque de dezenas de milhares de lojas e lares judaicos e a prisão de 30 mil judeus. que nas primeiras horas de 10 de novembro de 1938. na véspera da Segunda Guerra Mundial. (p. onde entusiastas como o cardeal Michael Faulhaber.

. p. onde a atuação da “Igreja Confessante e dos companheiros da conspiração” (BONHEIFFER... A razão disso era o comunismo.16 que “A partir de março de 1933. mesmo que pequena. 2007.11) contra Hitler e seu “cristianismo positivo” pregado na Igreja Nacional do Reich tiveram papel importante na divulgação da real situação dos judeus e outras minorias étnicas na Alemanha para o resto do mundo. veio tanto da igreja católica alemã. É certo que a oposição a este regime. que aos olhos do Vaticano. quanto da igreja protestante. tratava-se da pior das ameaças” (GODMAN.] passara a adotar uma visão mais positiva de Hitler. p.14). [. 2003.

PLANO DE REDAÇÃO Capítulo I – Ascensão do 3º Reich: descrever os fatores que antecederam e que foram determinantes para a ascensão nazista ao poder na Alemanha. criada para unir católicos e protestantes em uma luta contra os judeus. crescimento da ameaça comunista. .17 7. Capítulo IV – O apoio da igreja católica alemã ao 3º Reich: além do apoio dos líderes da igreja de Roma que foi formalizado com a assinatura da concordata. Também viam. Capítulo II – A concordata de 1933 e suas conseqüências: entender as questões envolvidas e suas conseqüências na assinatura da concordata entre o Vaticano e o governo nazista. Capítulo VI – A pequena oposição dentro da igreja: uma pequena oposição. buscando definir o papel que cada um deles exerceu nesta relação entre igreja e Estado nazista alemão. e ajudaram a divulgar as atrocidades nazistas dentro da própria Alemanha e também para o mundo. Hitler como salvador do povo alemão. onde muitos católicos e protestantes contrariaram a política nazista. pois estes tinham no Führer Adolf Hitler a figura do salvador Capítulo V – O apoio da igreja protestante alemã ao 3º Reich: o apoio da igreja protestante não veio através de uma concordata como os católicos e sim com a adesão dos seus pastores ao cristianismo positivo da Igreja Nacional do Reich. Crise de 29 e etc. buscando relacionar este acordo e o que fora assinado por esta mesma igreja com Mussolini na Itália em 1929. existiu uma pressão do clero alemão sobre Eugenio Pacelli para ratificação do acordo entre a igreja e o Estado alemão. assim como os católicos. passando pela derrota alemã na Primeira Guerra Mundial. Capítulo III – Os Papas Pio XI e Pio XII e seus papéis: traçar o perfil dos Papas Pio XI e Pio XII. Tratado de Versalhes.

18 8. CRONOGRAMA MÊS/ETAPAS Fev/08 Mar/08 Abr/08 Mai/08 Jun/08 Jul/08 Ago/08 Set/08 Out/08 Nov/08 Dez/08 Escolha do Tema Levantamento bibliográfico Elaboração do Projeto Apresentação do projeto Coleta dos Dados Análise dos Dados Organização do roteiro/partes Redação do Trabalho Revisão e redação final Entrega da monografia Defesa da monografia X X X X X X X X X X X X X X X X X X X X .

ano 3. RS: Sinodal. São Leopoldo. John. A assustadora história do holocausto. Rio de Janeiro: Imago. REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS BONHOEFFER. p. A cruz de Hitler: como a cruz de Cristo foi usada para promover a ideologia nazista. . 2006. Resistência e submissão: cartas e anotações escritas na prisão.19 9. A Noite de Cristal: a primeira explosão do ódio nazista contra os judeus. Rio de Janeiro: Ediouro. Julho de 2006. 2007. São Paulo: Vida. Rio de Janeiro: Ediouro. 1ª ed. 1ª ed. SP. GILBERT. 33. MARRUS. 4 ed. Michael R. Martin. 2 ed. LUTZER. nº. 2000. Erwin. O Vaticano e Hitler: a condenação secreta. São Paulo: Martins Fontes. Peter. 28-51. O papa de Hitler: a história secreta de Pio XII. 2003. 1ª ed.. HISTÓRIA VIVA. CORNWELL. GODMAN. Versalhes: o tratado de paz que curvou a Alemanha e abriu espaço para o nazismo. São Paulo. Dietrich. 2003. 1ª ed. 2003.

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