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A EVOLUÇÃO DA GERÊNCIA

DE RISCOS

Eng!!. Antonio Fernando Navarro dendo informações de escritório, do reduzindonão só a estreita margem
tipo: ramo e modalidade de seguros, de lucrocomotambémas despesas
importância segurada, localização administrativas.
dos bens, etc., até simples visitas ao
1 -A NECESSIDADE DA local, para o reconhecimento e o Como dissemos anteriormen-
GERÊNCIA DE RISCOS enquadramento do risco. te, a implantação de tais relatórios
melhorou a cultura na aceitação de
A necessidade de se avaliar Quase ao final de 1978, pre- riscos.
riscos surgiu do fato de se precisar ocupados com .0 aumento das re-
conhecê-Ios melhor, com o objetivo tenções de riscos e com a saúde Agerência de riscos surgiu nos
de tratá-Ios, mensurá-Ios e aceitá-Ios financeira das seguradoras, passou- Estados Unidos em 1963 com a
ou não. se a exigirque nos seguros incêndio publicação do trabalho Risk Man-
vultosos fosse elaborado um relatório agement inthe Business, de Robert
o industrialavaliaos seus ris- de análise de riscos, por um enge- Mehr e Sob Hedges, partindo de
cosquando deseja iniciarnovos in- nheiroda seguradora, comcurso para análises de um trabalho de Henry
vestimentos,ampliá-Iosou encerrá- tal. Os cursos não saíram, os re- Fayol de 1916.
-Ios. latórios também, pondo por terra o
programa. Apesar disso, alguma coi- Segundo sua política original,
Uma seguradora, da mesma sa produtiva veio à tona, já que o até hoje atualizada, o objetivo maior
forma que o industrial,também deve mercado se abriu para os profissio- era a da análise dos vários riscos a
avaliar corretamente seus riscos. No nais de engenharia e as seguradoras que as empresas estavam submeti-
caso da seguradora é importante não que, a partir dos dados da extinta das, quantificando as perdas deri-
só o perfildo mercado onde ela atua exigência, passaram a melhorar o vadas de sua ocorrência, e determi-
como também o perfilde suas contas. nível técnico de suas inspeções. É nando as medidas ou meios precisos
certo que pouco tem sido aproveitado para a sua eliminação e/ou redução,
Os processos de avaliação desses trabalhos devido a ênfase no também ditas medidas mitigadoras,
existentes podem ser intuitivosou aspecto das negociações. Não vai otimizando-as em termos econômi-
não, qualitativosou quantitativos,de aqui nenhuma críticaao sistema mas, cos, tendo também como objetivos a
base matemática,etc. em um mercado onde desde a pri- manutenção e organização do pa-
meira até a última prioridade a pala- trimônioe resultados da empresa.
No caso do mercado de segu- vra de ordem era condições financei-
ros até bem pouco tempo a avaliação ras, a técnica quase nunca aparecia. Por exemplo: Qual o setor da
era intuitiva,calcada na experiência Partindo dessa premissa, buscava- empresa X que está sujeito a incên-
profissional do avaliador, compreen- se retornos cada vez mais elevados, dio? Ocorrendo o incêndio o que
CADERNOSDESEGURO15
poderá ser afetado? Quais serão os ser feita com cuidado, o mercado (*) PERíODO CRíTICO
prejuízos diretos, indiretos e conse- segurador brasileiro ao importar a
qüentes? O que poderá ser feitopara Gerência de Riscos transformou-a Qualquer processo de
evitar o risco? O que ele poderá afe- em gerência ou administração de se- avaliação conduz sempre a dados
tar no resultado da empresa? guros. As estruturas de gerência de empíricos. Está certo que são infor-
riscos, atualmente existentes nos mações estatísticas, matemáticas,
É importante salientar que a segurados, preocupam-se hoje com mas não deixam de ser empíricas.
gerência de riscos se preocupa com o custo das coberturas e com o menor Qu ando se diz que a probabilidade de
os resultados finais da empresa. repasse possível de riscos. uma pessoa morrer pela descarga
elétrica de um raio é de E 10 -7, não
Não sabemos se Mehr e Hed- se está afirmando que todo ser hu-
ges, além do trabalho de Fayolse ins- Pesquisando cerca de 400 mano morrerá eletrocutado por um
piraramtambém em umassunto muito casos chegamos aos seguintes re- raio e que de cada parcela da popu-
controvertido, já a sua época: Estu- sultados praticados pelos usuários lação morrerá um por queda de raio à
dos de Confiabilidade,sobre os quais de seguros ( TABELA I). razão de 1 para cada E 10 -7. Dototal
falaremos mais tarde. de mortes registradas por queda de
O risco não oferece somente raio em uma determinada amostra
Por estar atenta aos resulta-resultados diretos, perfeitamente chegou-se a essa probabilidade:
dos, a Gerência de Riscos não ficavaavaliados. Existem resultados a
unicamente presa ao patrimônio da médio e a longo prazos bem dano- Quanto ao quadro anterior
empresa. Não é só a segurança do sos, quase nunca verificados mas cabe salientardoispontos:
patrimônio que está em jogo. mas dentro do escopo da gerência de
também as pessoas que alise encon- riscos, que é a Perda de Mercado. - A pesquisa vale para mer-
tram, os processos desenvolvidos Para ilustrar melhor o assunto, fize- cados altamente competitivos,
para a produção,as características mos um levantamento (TABELA11) em uma região sócio-
da própriaprodução, o meio ambi- junto às estatísticas existentes para econômica equilibrada;
ente e enfim,todo o ecossistema lojas comerciais, principalmente em
dominante. supermercados, quanto a possibili- - O consumidor brasileirotem
dade de retorno às atividades, com mais preocupação como nome
Como toda importaçãodeve sucesso. do produto do que com sua
própria qualidade. Isto é, tor-
TABELA I na-se Amigodo Nome.
- evitamento do risco: de 5% a 15% Em resumo, a Gerência de
Riscos atua, em seu sentido lato,
- autoseguro: de 30% a 50% com:
- repasse do risco: de 60% a 90% - produção;
- processos;
- proteção do risco : de 80% a 95% - patrimônio;
- pessoas;
TABELA 11 - finanças.

TEMPODE PARALlZAÇÃO POSSIBILIDADEDERETORNOPLENO


2 - O QUE SE ENTENDE POR
OU POSSIBILIDADEDE RISCO
RETORNODOSCLIENTES
A palavra risco dá sempre
01 semana(*) 99% margem a uma série de interpre-
02 semanas(*) 98% tações, seja no mercado segurador
03 semanas(*) 96% quanto nas demais áreas. Só para
04 semanas(*) 94% que se tenha uma idéia da quanti-
02 meses 85% dade de definições, mencionaremos
06 meses 70% algumas:
12 meses 40%
18 meses 15% - operação financeira;
24 meses 5% - atividadesdistintas (trans-
porte, embarque, armaze-
namento,manipulação,etc.);
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1

.
- bens segurados (ativo da Define-se como custo do risco
empresa); (elemento necessário à determina-
- edifícios segurados; ção da gravidade), o somatório dos
- planta segurada (conjunto seguintes valores:
de edifícios segurados);
- ramos de seguros, etc. - perdas retidas ou assumi-
das pela empresa (franquias, o conceito definindo riscos em
Comodissemosanteriormente, participaçõesobrigatórias,limi-
estáticos e dinâmicos, separa o
riscos são todos os fatos. situações, tações de indenizações);
- prêmios de seguros repas- que se supõe uma perda ou uma
bens ou atividades sujeitas a danos.
sados ou assumidos pela em- redução do património humano ou
Podem ser classificados, para fins
material da empresa, da atividade
estatísticos, em: presa, sendo nesteúltimo caso
o financiamento dos riscos; financeira especulativa.
- voluntários; '- gastos com a instalação,
- acidentais; manutençãoedepreciaçãodos
- aleatórios. mecanismos de prevenção e
proteção de perdas. No caso
As implicações com a materi- de segurosde pessoas, poder-
alização desses para as empresas -se-á incluir neste item os gas-
envolvem as seguintes áreas: tos promocionais e de infor-
mação aos usuários sobre as
- financeira; formas de prevenção de per-
- material; das;
- pessoal; - gastos com a administração
- moral. do programa de gerência de
riscos. Aqui também, pode-se Os métodos e processos usu-
Existe ainda uma outra de- reduzir os riscos, na medida almente empregados na avaliação
finição mais conservadora que clas- em que esses gastos podem dos riscos são os seguintes:
sifica os riscos como: ser absorvidos pelas segura-
doras, corretoras ou, simples- - M. GRETENER -determi-
estáticos, cuja efetivação mente, repassados aos nation des mesures de protec-
pressupõe uma perda ou uma re- usuários do sistema. tion découlant de lévaluation
dução do patrimônio humano ou du danger potenciel díncendie
material da empresa; dinâmicos, Riscos Aleatórios - SPI - Suiça.
derivados da atividade financeira - G. PURT - the evaluation
especulativa. São os riscos que ocorrem in- of fire risk as for the planning of
dependentesdavontadehumana,tais automatical fire protection-
como: terremotos, tremores de terra Euralarm.
naturais e não os induzidos, ven- - CLUZEL & SARRAT -
davais, furacões, enchentes e inun- evaluation du risque díncendie
dações, movimentos de terra. par le calcul- Eric - France.
- CEA - modele Européan
A determinação da magnitude devaluation des risques indus-
ou da gravidade dos riscos, além da triels et commerciaux.
classificação anterior, deve ser avali- - LlFE SAFETY CODE No.
Riscos são todos os fatos, ada partindo-se da: 101 - Nfpa.
situações, bens ou atividades - NELSON & SHIBE - NBS'
sujeitas a danos, quer voluntários - aleatoriedadeda ocorrência - USA.
acidentais ou aleatórios. - SAPEM - General serv-
de perdas;
- freqüência das ocorrências; ices agency - USA
-valores médios das perdas; - Dow Chemical hazzardclas-
- valores acumulados de sification and protection guide.
perdas previsíveis e espera-
das; 3 - FORMAS DE PREVENÇÃO DE
- perda máxima possível; RISCOS
- previsão adequada das
perdas e número suficiente de Após a identificação dos ris-
bens sujeitos a riscos. cos, cabe resolver o que fazercom os
CADERNOS DE SEGURO 1 7
j
estudadas para o surgimento da vas e os fundos gerados, e o
mesma. fluxo de caixa;

A assunção pode ser entendida - expectativa de sinistros,não


de duas formas: só com base na série histórica
levantada como também nos
-inconsciente, não planejada, sinistros previsíveis;
"non insurance"
Chama-se Assunção quando se
mantém a totalidade ou quase to- -custos de administraçãodos
talidade do risco sob a responsa- Significa assumir as perdas riscos retidos, tornando-se por
bilidade de seu proprietário ou geradas com um sinistro sem que se princípio a base de custos da
tenha levado em consideração a área, considerando-se inclu-
gestão.
magnitude do sinistro e suas múlti- sive os custos com pagamen-
plas possibilidades de ocorrência. tos de sinistros e com prêmios;

-consciente, intencional,"self - filosofia da empresa, con-


insurance" siderando-se como tal as limi-
tações financeiras, atividades
É o processo em que o risco é conservadoras quanto à con-
assumido sem o estabelecimento de tratações de seguros, práticas
medidas especiais de tratamento, exageradas de assunção de
podendo ser incluídos os riscos de riscos, etc.:
pequena intensidade, sem se levar
em consideração a freqüência. Não é - tempo de recuperação, le-
um processo que conjugue periodi- vando-se em consideração os
mesmos. A linha diretriz na qual se cidade x gravidade mas, sim e tão prejuízos financeiros gerados
baseiamosgerentes de riscoscontém somente, a gravidade. em decorrência das parali-
alguns parâmetros, tais como: sações havidas com os sinis-
A retenção também pode ser tros. Considera-se período de
- assunção ou retenção do praticada de forma ativa, implicando paralisação o intervalo de
risco; na aplicação específica de um pro- tempo considerando desde a
- afastamento ou evitamento grama efetivo e definitivo para o fi- reação da empresa frente ao
do risco; nanciamento de perdas. sinistroatéa recuperaçãoplena
- prevenção ou conservação da atividade.
do risco; A retenção ativa total prevê a
- repasse ou transferência do retenção de todas as perdas pre-
risco; visíveis, diretamente, utilizando os Os principaiscritériosutilizados
recursos internosda própriaempresa. para a redução dos riscos são os
a) Assunção ou retenção do risco seguintes:
Na retenção ativa parcial a
Chama-se assunção quando empresa busca, através de um segu- - elevado número de riscos
se mantém a totalidade ou a quase rador, o equilíbrio no ressarcimento sujeitos à exposição similar,
totalidade do risco sob a responsa- dos prejuízos sofridos, seja através que permita previsão precisa
bilidade de seu proprietário ou gestor. docosseguroda adoçãodefranquias, dos sinistros ao longo do
participações obrigatórias, limites período de recorrência;
A assunção também pode ser máximos de responsabilidade, tari-
definida como um plano ou um con- fação, retrospectiva, etc. - que os riscos tenham uma
junto de atividades econômico-fi- distribuição uniforme, sem
nanceiras elaborado especialmente Os erros mais comuns verifica- desvios significativos ou sinis-
para suportar as perdas diretamente dos para o insucesso dos planos de tros de alta gravidade;
causadas pelos eventos previstos. retenção são os seguintes:
- que a empresa tenha con-
A retenção de riscos tende a -fixação do valor máximoque dições financeiras de suportar
atender a um planejamento, ou plano a empresa deverá suportar em as perdas.
sistemático, pelo qual se avaliam e cada sinistro. Devem sempre
otimizam economicamente o impacto ser analisados os recursos Os principais fiscos incorridos
financeiro criado com a rápida disponíveis da empresa, inclu- quando da escolha pela assunção
ocorrência do sinistro e as condições indo-se dentre esses as reser- são os seguintes:
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I
- ignorância de riscos - avaliação feita naquele mo- b) Afastamento do risco
quando se descarta certos ti- mento da inspeção. O simples
pos de ocorrência por não fato de se acrescentar carpete Considera-se afastamento do
serem significativasou por não onde antes havia tábua cor- riscocomoo procedimentovoluntário,
terem ocorrido no período de rida, ou de acrescentar corti- fazendo-se com que os seus efeitos
decorrência; nas de tecidos, mudar móveis nocivos não venham a ocorrer com o
de posição, acrescentar próprio segurado ou com os seus
-avaliação insuficiente dos divisórias, etc., já altera o perfil bens.
riscos - por não se ter uma do DMP. Assim sendo, dizer
idéiacorreta da base de custos que um risco tem um DMP de O afastamento é sempre uma
gerada com a ocorrência dos 60% quer dizer, unicamente, e medida problemática de ser tomada
sinistros, não se computam in- caso o processo de avaliação pela direção da empresa, visto que o
formações relevantes que seja realmentetécnico, que no que se pretende é repassaro risco in-
tendem a aumentar o desvio momento da inspeção havia tegralmente.
padrão; uma possibilidade de se per-
] der 60% do riscoem função da Quando não há possibilidade
- estatísticas incorretas - ocorrência de um sinistro. de protegê-Ia convenientemente, o
) tendem a ocorrer quando pro- seguro fica inviável ou não existe
jetam-sevalorespartindo-sede Um dos processos de avaliação seguro e a sua assunção gera riscos
um espectrode dados não rele- de resultados, necessários para a desnecessários.
vantes; tomada de decisões da assunção do
risco compara: Nesse caso, o caminho passa
- mudança no compor- a ser: paralisar a produção; repassar
tamento da sinistralidade - C=P(1 + r)' li) o risco para outra empresa.
não verificada e não inferida
convenientemente; c) Repasse do risco
c = Custo financeiro do seguro
- decisões tomadas uni- P = Prêmio do seguro Diz-serepassedo riscoquando
camente em função do dano r = Taxa de juros reais, anuais, cor- alguém assume, mediante o recebi-
máximo provável (DMP) respondente ao rendimento do preço mento de uma dada remuneração, o
- O DMP é derivado de uma do seguro investido no próprio risco, perante nós, indenizando-nos
situação quase que ins- negócio ou em aplicações de caráter por todos os prejuízosdele decorren-
tantânea. Éo resultadodeuma permanente. tes.
t = duração do seguro
O repasse total algumas vezes
confunde-se com o afastamento do
A=[S(1 +i)V2+E+R](1 +i)'-R(1 +i)'12) risco. Normalmente, contrata-se uma
seguradora para a assunção do risco.

A = Custoda retenção O repassedito parcial,é aquele


i S = Valor esperado dos sinistros, no qual o segurado pode verificar
incluindoos gastos com sua adminis- qual o risco de maior incidência e
1 A Retenção também pode ser tração e gestão, supondo incorridos repassá-Ia, assumindo os demais
na metade do tempo t. riscos, ou então repassar parte dos
praticada de forma ativa, impli-
E = Custo - empresa dos serviços bensou percentuaisdas importâncias
cando na aplicação específica de
complementares realizados habitu- seguradas daqueles bens. Em re-
um programa efetivo e definitivo
almente pelo segurador, incorridos sumo, repassa-se parcialmente:
para o financiamento das perdas.
num tempo t.
R = Reservaadicional para cobrir - riscos freqüentes;
possíveis variações nas perdas. - partes de riscos (edifi-
Supõe-se destacada no início do cações);
período t dos fundos da empresa. - percentuais de valores em
i = Taxa d~ juros praticado pelo risco.
mercado.
Da mesma forma que o re-
A retenção deve ser praticada passe total pode significar o afas-
quando a relação C for maior ou igual tamento do riscoo parcial pode repre-
a 30% de A. sentar uma assunção parcial.
CADERNOSDESEGURO19
d) Prevenção do risco também as de acidentes que podem
afetar o elem.entohumano (trânsito,
Prevenir risco é evitar ou ate- enfermidades, seqüestros, sabo-
nuar os efeitos de suas ocorrências tagens, etc.), e as envolvendo o ativo
sobre o patrimônio das empresas. Se material (defeito de qualidade, danos
uma empresapor exemplo,emfunção pela utilização ou consumo de pro-
das características ocupacionais e dutos, perda de imagem, etc.).
Diz-se repasse de risco quando de produção possui uma carga
alguém assume, mediante o recebi- incêndio X, deve-se buscar equi- Não se podedescartartambém
mento de uma dada remuneração, pamentos e sistemas que a reduzam, os acidentes dito globais, derivados
o risco, perante nós, indenizando- por exemplo para Y. de sabotagens ou chantagens, com o
nos por todos os prejuízos dele objetivo de prejudicar a empresa,
decorrentes. o ganhoX - Y = W é o gasto roubo de tecnologia, concorrência,
com a prevenção de risco. fugas de cérebros e outros mais.

Previne-se a ocorrência de 5 - SURGIMENTO DE NOVAS


riscosinstalando-seequipamentosde TÉCNICAS DE GERÊNCIA DE
detecção e combate a incêndios, RISCOS
isolando-se áreas de produção,
modificando as características dos Nos idos de 1940, as autori-
produtos processados, etc. dades americanasda indústriabélica,
preocupadas com o seu rápido de-
4 - CONTROLE DO RISCO senvolvimento,principalmentequanto
à capacidade de destruição e aos
Voltando um pouco ao início altos custos de desenvolvimento e
I anto no caso ao atastamento de nosso trabalho, recordamos que pesquisa de protótipos, desen-
como no caso do repasse do risco toda a atividade empresarial está, ne- volveram uma metodologia capaz de
deve-se ter o maior cuidado com a cessariamente, associada a riscos. simular as principais falhas que
parcela retida. poderiam ocorrer, partindo-se de um
Como forma de evitá-Ios tem- determinado evento. Já se prenun-
Por exemplo, se após uma se, dentre os outros processos: pre- ciava o surgimento de uma técnica,
análise chega-se à conclusão que venção e seguro. posteriormente conhecida como
se deve segurar (repassar) somente árvore de falhas.
60% do risco, e por uma falha de A prevenção, quando bem
análise houve um dano maior do que aplicada, minimiza os efeitos dos ris-
o esperado, por exemplo, 80% do cos, sobre o andamento da empresa.
valor em risco, a indenização cabível, O seguro, item restaurador de um
pela aplicação da cláusula de rateio equilíbrio rompido, repõe as perdas
passa a ser: financeiras sofridas com a materiali-
. zação do risco. É importante men-
I = P x IS onde cionar-se estas diferenças, visto que
o seguro não deve ser confundido
VR com uma forma de prevenção, mas
sim, de reposiçãode perdas financei- O Seguro, item restaurador de um ~
I = indenização ras. Quando o Gerenciamento de equilíbrio rompido, repóe as per-
P = prejuízo Riscos é bem executado, consegue- das financeiras sofridas com a
I
IS = importância segurada se a reposição quase que total dos materialização dos riscos.
II
VR = valor em risco prejuízos sofridos. !

Nunca é demais mencionar que


I = 80% x 60% o acionamentodo seguro somente se
48% dá quando houver falha na prevenção.
100%
A prevenção quando bem ori-
Neste caso, recebe-se 48% do entada e apurada, evita ou reduz a
valor do prejuízo, assumindo o segu- ocorrência de danos convencionais
rado a diferença entre os 60% segu- (incêndio, roubo, explosão, desa-
rados e os 48% indenizados (12%). bamento, acidente elétrico), como
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lista de perguntas, específica para a Questões como estas são fa-
atividade em check-up, e de uma cilmente respondidas em grupo ou
conveniente interpretação de resul- isoladamente.
tados.
O objetivo do método é o de
o mercado segurador utiliza- identificar, através da discussão do
se bastante dessa metodologia nos tema, os problemas mais comuns ou
Confiabilidadepode ser entendida os mais óbvios (são os que menos se
como a probabilidade .de um sis- segurosde Riscos Diversos, Respon-
tema ou componentes vira desem- sabilidade Civil Geral, Riscos de enxerga), que possam afetar um am-
penhar, satisfatoriamente, fun- Engenharia, Incêndio Vultoso. biente, uma população. Costuma-se
ções a de atribuídas em projeto. empregá-Io quando se está para dar
Dentro de condições normais da o problema é que essetipo de andamento a projetos polêmicos,
utilização e operação. análisedepende,fundamentalmente, envolvendocomunidades,tipo: metrô,
de uma boa interpretação. Se o ana- linhas de transmissão de alta tensão,
lista possui grande experiência pro- viadutos ou pontes, usinas termo-
duz um resultado, e se não... elétricas ou hidroelétricas, etc..
Através da discussão, divulga-se
Outro fato é que às vezes são melhor o assunto, verifica-se pontos
formuladasperguntasque nãotrazem até então não imaginados, etc.
resultado produtivo. São aquelas
perguntasdifíceisde seremconsegui- Em algumas situações, tive-
das, do tipo: Emque ano essa fábrica mos a oportunidade de empregar a
partiu? Qual a superfície de aqueci- metodologia na discussão de paco-
mento da caldeira? Qual é a quanti- tes de seguros polêmicos ou com-
dade de funcionários por turno, na plexos, reunindo o ressegurador,
A engenharia de segurança de administração e na produção? segurador, corretor e segurado. De
sistema iniciou seus passos com o maneira geral, os resultados são óti-
advento da confiabilidade. De um modo geral, o check list mos.
faz parte de um trabalho maior, onde
Confiabilidade pode ser en- é utilizado como banco de dados. Por É interessante comentar que
tendida como a probabilidade de um isso, deve conter perguntas que essa metodologia deve ser empre-
sistema ou componente vir desem- atendam a uma gama de situações. gada como suporte de outras. Prefe-
penhar,satisfatoriamente,as funções rencialmente com a de check-list ou
a ele atribuídas em projeto, dentro de O método de check list é de a de Análise Preliminar de Riscos.
condições normais de utilização e carátergeral,qualitativo,nãodevendo
operação. A não-confiabilidade, ou o sertratado isoladamente.Quando em c) Técnica de Incidentes Críticos
insucesso é denominado de proba- conjunto com outros métodos, tem
bilidade de falha. seu efeito potencializado. É uma técnica operacional
qualitativa, que busca obter infor-
o conjunto de falhas ocorridas Em alguns relatórios de maçõesrelevantesacercade inciden-
num dado intervalo de tempo é co- incêndio são mencionadas as vizi- tes, ou quase acidentes, ocorridos
nhecido como taxa de falha. nhanças à fábrica. Em outros é co- durante uma determinada fase, re-
mentada a orientação dos ventos latados por testemunhas que os
V.oltando ao início, dizíamos dominantes. Emambos os casos não vivenciaram.
que um dos tramos da Gerência de se toma qualquer medida conclusiva,
Riscos era o seguro. No seguro, para como a elaboração de medidas pre- Trata-se de metodologia em-
se obter a taxa do risco conjugava-se ventivas, agravamentos, etc. pregando entrevistas, buscando ob-
a freqüência com o dano médio ter informações acerca dos proble-
esperado. A freqüência pode ser mas envolvidos.
compreendida como taxa de falha. b) What...if (e...se)
Para obtê-Ia são empregadas várias O incidente é um evento nega-
análises descritas a seguir: E se de repente você atraves- tivo com potencial para provocar
sasse a rua com o sinal aberto? danos. É o quase acidente. A nível
a) Check.List de estudos é tão importante quanto
E se a caldeira explodisse? o acidente.
A técnica do check-list é uma
das mais simples, necessitando de E se a pressão na linha tripli- Os incidentes podem ser hie-
um bom inspetor, de uma completa casse? rarquizados da seguinte forma:
CADERNOS DE SEGURO 21
I

I
j
Classe I - podem afetar a in- - Categoria desprezível ou rua poderia ser classificada como
tegridade física das pessoas. negligenciável: os efeitos são desprezível. Atirada próxima a uma
Classe 11- podem ocasionar quase imperceptíveis, sem pessoa já teria efeito marginal. Se
o insucesso do planejamento, provocar degradações físicas atingisse o seu ouvido seria catas-
gerando paralisações. ambientais ou pessoais que trófico.
Classe 111- podem gerar atra- não possam ser facilmente
sos na atividade produtiva. recompostas. Como segundo exemplo,
Classe IV - podem significar poderíamos ter o uso do maçarico,
alteração do planejamento de - Categoria marginal ou limí- bastante difundido em operações de
produção. trofe: surgimento de ocorrên- corte e solda.
cias moderadas,perfeitamente
Será que alguém pergunta ao controladas, porém, necessi- . Asprováveiscausasdeaciden-
operador de uma dada instalação ou tando de ações corretivas a tes poderiam ser devidas a: inabili-
equipamento: médio prazo. dade do operador; falta de
manutenção do equipamento; de-
- Que tipo de acidente pode feitos de fabricação nos registros,
ocorrer com esse equi- mangueiras, bicos, etc.; desatenção
pamento? na operação.
- Já aconteceu algum tipo de
paralisação? De que ordem? As conseqüências seriam:
Quanto tempo a máquinaficou queimaduras no operador ou assis-
parada? Houve parada da pro- tentes; princípios de incêndio;
dução? soldadura ou corte inadequados;
- Quantos acidentes já ocor- danos ao material trabalhado. Esses
reram? Em que época? tipos de conseqüência poderiam ser
- Quantas horas os sistemas A Análise Preliminar de Risco é enquadradas na categoria crítica, por
ficaram parados? um exercício de futurologia, já gerar lesões ou pôr em risco o sis-
que se projeta um provável risco, tema.
De um modo geral, busca-se, avaliando-se as consequências.
através da experiência dos outros, As medidas corretivas po-
avaliar melhor os riscos, quantifi- deriam irdesde treinamentodo opera-
cando-os. dor, maior manutenção do equi-
pamento, preparação da área de sol-
d) Análise Preliminar de Riscos dagem até um maior controle do risco
(APR) de incêndio.

Técnica de inspeção desen- Para que a técnica tenha o


volvida com o objetivo de se obter sucesso a que se pretende, deve-se,
uma revisão geral, superficial, dos inicialmente, analisar todos os pos-
possíveis riscos,suascausas, ascon- síveis riscos existentes, suas con-
seqüênciasadvindascom sua materi- seqüências imediatas ou não e as
alização e as medidas corretivas ou medidas preventivas.
preventivas exigidas. A APR é um
exercício de futurologia, já que se A APR é uma técnica inicial
projeta um provável risco, avaliando- - Categoria crítica: afetasubs- qualitativa, não permitindo a men-
-se as conseqüências. tancialmente o meio ambiente, suração matemática do risco.
o patrimônio físico ou humano,
Em resumo, a técnica tem por necessitando ações corretivas e) Análise de Modos de Falha e
objetivo a identificação de elementos imediatas. Efeitos (AMFE)
perigosos do sistema, situações peri-
gosas, falhas potenciais e outros, de- - Categoriacatastrófica:como AAMFEou FMEAéummétodo
terminando a gravidade de suas efeti- o próprio nome indica, os de análise detalhada, gerando resul-
vações. efeitos afetam séria e irrever- tados qualitativos e quantitativos.
sivelmente pessoas,sistemas,
A APR procura enquadrar os patrimônios, ambientes. Permite a análise das falhas
riscos segundo categorias definidas dos componentes e dos sistemas,
em função dos prováveis efeitos Por exemplo, se uma bombinha com estimativa de freqüência de
destrutivos, segundo os parâmetros: de São João fosse atirada no meio da ocorrências (taxas de falhas) e a de-
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I

I
terminação dos efeitos ou. con- potencial atraso ou perda de a) SURTEC( Módulos F MAP,
seqüências dessas mesmas falhas. disponibilidade imediata; TGR, FTA)
Classe IV - falha resultando Adotado na realização de
A AMFE ou FMEA (Fallure em excessiva manutenção do FMEA/FMECA, elabora e edi-
Modes and EffectsAnarysis)abre um sistema. ta AAF, define eventos exter-
sistema em conjuntos ou subconjun- nos e realiza simulações pelo
tos, sob a forma de diagramas de E:specificamenteem análises método de Monte Carfo.
blocos, estudando-os em seus as- de plantas complexas, com grande
pectos isolados quanto aostiposde fa- número de subsistemas interagen-
lhas que .poderão gerar e as impli- tes, emprega-se o método preliminar
cações que essas trarão para os de HAZOP(Hazards and Operability b) SUPER CODE SYSTEM
demais subsistemas. Dessa análise Study). Criação e edição de árvores de
particularizadaobtém-se: revisãodos eventos e arquivode probabili-
modos de falha de cada componente; dade.
efeitos que tais falhas terão sobre f) Análise de Árvore de Falhas (AAF)
i outros componentes e sobre o sis-
tema. Levanta-se também quais os
componentes cujas falhas seriam A análise através de árvores c) WHAZAM
danosas para o sistema (falhas de de Falhas é, dos métodos de estudos' Programa para riscos de
efeito crítico).Como resultado finalé de confiabilidade, UfTldos mais co- natureza química e riscos po-
gerado o cálculo de probabilidade nhecidos. AFTA(Failure Tree Analy- tenciais de materiaistóxicos e/
das falhas dos sistemas, a partir das sis) foi desenvolvida nos Estados ou inflamáveis. É empregado
falhas de seus componentes. Unidos, na década de 60, com o em: dispersão de ga-
objetivode se estudar mísseis balís- ses,vazamento de líquidos
Logicamente, através desses ticos. ou gases,radiação térmica
estudos, determinam-se as alternati- de incêndio, jatos ou bolas
vas de redução das probabilidades Mísseis intercontinentais, afora de fogo, deslocamento de
de falhas. Cada falha observada deve o alto custo de fabricação de cente- ar por explosão, dispersão
ser analisada separadamente, como nas de milhões de dólares, represen- de nuvem de gás.
um evento independente, sem tam elevado risco potencial, quer seja
qualquer relação com os demais, durante o seu transporte, sua esto-
exceto no que diz respeito às suas cagem em silos ou submarinos ou d)TECJET
conseqüências. seu lançamento. As probabilidades Modulagem de escapamento
de perdas materiais e de vida eram com jato contínuo.
A FM EA é por demais eficiente enormes. Assimsendo, desenvolveu
quando aplicada a sistemas simples. -se uma metodologia interativa que
Para sistemas mais complexos asso- buscava, através da determinação e)STATPAC
cia-se a FMEAao estudo de Análise de um .. evento de todo", saber-se Cálculo de frequências, es-
de Árvoresde Falha (AAF).Também qual ou quais falhas que, atuando em tatísticas, tabulação, tabelas de
associa-se a FMEAa uma análise de conjunto ou isoladamente, poderiam cruzamento,correlaçãoe re-
criticidade (FMECA-Failure Modes gerar o evento indesejável. gressão.
and Effects and CriticalityAnalysis).
Nesse caso, atribui-se para cada A análise através da FT A busca
modo de falha uma classe de gravi- encontrar as diferentes combinações,
dade. Ao conjunto, tem-se a taxa de matematizadas, que acarretem f) STATLlB
risco. ocorrênciade eventosindesejáveis. Cálculo de funções de proba-
bilidade binominal, poisson e
As classes de gravidade são hipergeométrica, análise de
as mesmas adotadas no método de Um dado importante é que, múltipla variância, teste de
APR, ou seja: através da Álgebra Booleana veri- Bartiett,geração de conjuntos
fica-se a correlação entre os vários de números rondômicos para
Classe I - falha resultando eventos, onde o resultado é a proba- Monte Carlo, etc.
potencial perda do sistema e/ bilidadeda ocorrência. A maior parte
ou de vidas humanas; desses estudos não teria o menor
Classe 11- falha resultando valor,em sistemas complexos, sem o Ainda são adotados os softs:
potencialameaça ao sistema apoio da informática.Graças a esse SCHE, MOCUS, BACFIRE, SAMPLE,
ou às pessoas; consegue-se apresentar resultados HEUR, MARKOV, RELlCS, BATEX,
Classe 111- falha resultando plausíveis. Alguns deles são: CANONE, etc.
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