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Clusters Industriais na Economia

Brasileira: Uma Análise Exploratória
a Partir de Dados da RAIS

Jorge Britto Departamento de Economia da UFF
Eduardo da Motta e Albuquerque CEDEPLAR - UFMG

RESUMO
A análise realizada tem como objetivo suprir a lacuna decorrente da ausência de fontes de
informações sistematizadas sobre a estrutura dos clusters industriais na economia brasileira.
Procura-se, nesse sentido, utilizar uma metodologia rigorosa para identificar a distribuição
espacial-setorial desses clusters e para discutir suas características estruturais. O artigo
estrutura-se em quatro seções. Na primeira seção é apresentado o marco analítico-conceitual
que orienta a investigação. A segunda seção descreve a metodologia utilizada, a qual utiliza
como fonte básica de informações os dados da RAIS-Ministério do Trabalho. Esta metodologia
utiliza critérios específicos - baseados na focalização e superposição de atividades - para
identificar esses clusters com um maior rigor analítico. A terceira seção apresenta os resulta-
dos da análise realizada a partir dos dados da RAIS, utilizando como ilustração empírica dois
grupos de setores em relação aos quais é referenciada a discussão de clusters industriais:
têxtil-vestuário e eletrônica-telecomunicação. Finalmente, uma seção conclusiva apresenta
alguns possíveis desdobramentos da análise realizada

PALAVRAS-CHAVE
metodologia para identificação de clusters, indústria brasileira, aglomeração de atividades
industriais

ABSTRACT
The analysis developed makes an attempt to fill up the gap from the lack of systematized
information about the structure of industrial clusters in Brazilian economy. The paper is divided
into four sections. The first section presents the analytical framework related to the theoretical
concept of industrial clusters. The second one describes the methodology used to identify
industrial clusters in Brazil. The basic source of information used is data from the Ministry of
Labor (the RAIS database). The methodology is also based on the use of specific criteria -
focusing and overlapping - to identify the structure of activities that are inserted in such
clusters. A distinction between vertical and horizontal clusters is also explored in the
methodology. The third section describes the different stages in the process of identifying
industrial clusters based on the methodology used, pointing out the main differences of the
process among two branches of activities that have been selected: the production of textile-
apparel and the production of electronics and telecommunication equipment. This section also
presents a detailed analysis of industrial clusters structural features in those branches of
activities. Finally, the last conclusive section presents some possible unfolds of the analysis.

KEY WORDS
methodology for identification of clusters, industrial agglomerations, Brazilian industry

JEL Classification
R00

EST. ECON., SÃO PAULO, V. 32, N. 1, P. 71-102, JANEIRO-MARÇO 2002

72 Clusters Industriais na Economia Brasileira

INTRODUÇÃO

O conceito de clusters industriais refere-se à emergência de uma
concentração geográfica e setorial de empresas, a partir da qual são
geradas externalidades produtivas e tecnológicas. (OCDE, 1999;
UNCTAD, 1998; PORTER, 1998) Partindo da idéia simples de que as
atividades empresariais raramente encontram-se isoladas, o conceito de
cluster busca investigar atividades produtivas e inovadoras de forma
integrada à questão do espaço e das vantagens de proximidade. Ao se
apoiarem mutuamente, os agentes integrados a estes arranjos conferem
vantagens competitivas ao nível industrial para uma região particular,
permitindo explorar diversas economias de aglomeração. Apesar da
cooperação produtiva e/ou tecnológica não ser um requisito necessário
para a consolidação destes clusters, supõe-se que a estruturação dos
mesmos estimula um processo de interação local que viabiliza o aumento
da eficiência produtiva, criando um ambiente propício à elevação da
competitividade dos agentes. O recorte analítico baseado no conceito de
“clusters” ressalta também os impactos das articulações entre agentes em
termos da geração de efeitos de aprendizado e da dinamização do processo
inovador em escala local ou regional.

No caso brasileiro, a relevância desse objeto de investigação é reforçada
em conseqüência de aspectos específicos. Em particular, o processo de
reestruturação produtiva do setor industrial ocorrido na década de 90
tem gerado importantes desdobramentos sobre as articulações entre
agentes no interior das cadeias produtivas e sobre o padrão de localização
espacial das atividades industriais. As crescentes pressões pela busca de
maiores níveis de eficiência na utilização de fatores produtivos têm
estimulado a localização de atividades produtivas em regiões onde a
disponibilidade de fatores seja mais favorável, tanto do ponto de vista
quantitativo como qualitativo. É possível mencionar também um processo
de desconcentração espacial da indústria, com o conseqüente surgimento
de novas áreas industriais, o qual remonta à década de 70, mas que vem
adquirindo uma nova dinâmica no período mais recente, inclusive devido

Est. econ., São Paulo, 32(1):71-102, jan-mar 2002

Jorge Britto, Eduardo da Motta e Albuquerque 73

a estímulos de política econômica definidos no plano federal, estadual e
municipal.

A análise realizada tem como objetivo suprir a lacuna decorrente da
ausência de fontes de informações sistematizadas sobre a estrutura dos
clusters industriais na economia brasileira. Procura-se, nesse sentido,
utilizar uma metodologia rigorosa para identificar a distribuição espacial-
setorial desses clusters e para discutir suas características estruturais. O
artigo estrutura-se em quatro seções. Na primeira seção é apresentado o
marco analítico-conceitual que orienta a investigação. A segunda seção
descreve a metodologia utilizada, a qual utiliza como fonte básica de
informações os dados da RAIS-Ministério do Trabalho. Esta metodologia
utiliza critérios específicos - baseados na focalização e superposição de
atividades - para identificar esses clusters com um maior rigor analítico. A
terceira seção apresenta os resultados da análise realizada a partir dos
dados da RAIS, utilizando como ilustração empírica dois grupos de setores
em relação aos quais é referenciada a discussão de clusters industriais:
têxtil-vestuário e eletrônica-telecomunicação. Finalmente, uma seção
conclusiva apresenta alguns possíveis desdobramentos da análise realizada.

I. MARCO ANALÍTICO-CONCEITUAL

No plano teórico, a importância dos clusters industriais tem sido enfatizada
por análises que se encontram na fronteira entre a literatura de
Organização Industrial e os estudos de Economia Regional. A perspectiva
metodológica dos estudos de Organização Industrial aponta a importância
de se identificar, com o maior nível de detalhe possível, qual a “estrutura”
interna dessas aglomerações, o que envolve uma série de questões
importantes, tais como: o padrão de especialização setorial das mesmas;
o tamanho relativo de seus membros participantes; as articulações
interindustriais subjacentes; os padrões de concorrência que prevalecem
nos mercados respectivos e as vantagens competitivas que podem ser
geradas a partir da estruturação desses arranjos. Em comparação com
este tipo de recorte analítico, os estudos de Economia Regional costumam

Est. econ., São Paulo, 32(1):71-102, jan-mar 2002

PYKE (1994). jan-mar 2002 . O conceito de clusters industriais tem sido utilizado tanto por análises estritamente qualitativas-descritivas baseadas em “estudos de caso” como por análises de cunho mais quantitativo. caracterização e comparação desses arranjos.como fator de indução de articulações e interações entre os mesmos. São Paulo. ambas ressaltam a importância da “proximidade” entre os agentes . espacial ou a diferentes estágios de determinada cadeia produtiva . com base em critérios específicos de agregação e classificação dos agentes. Est. bem como o número especial da World Development de setembro de 1999. As análises de cunho qualitativo geralmente pressupõem que tais arranjos podem ser associados a uma estrutura relativamente “visualizável”.1 Este tipo de análise ressalta os possíveis ganhos de 1 Para uma sistematização de análises desenvolvidas com base nesse tipo de recorte ver. Neste caso. o que se procura. 32(1):71-102. é detalhar a conformação institucional desses arranjos.no interior dos quais é possível observar um conjunto institucionalizado de relações en- tre diversos agentes.a qual pode ser referenciada ao plano organizacional. Por um lado. Dois aspectos específicos se destacam como pontos de confluência e complementaridade entre essas abordagens. que procuram definir critérios específicos para identificação. econ. procurando explicitar as forças motoras deste processo e os impactos resultantes sobre a dinâmica de reprodução e transformação de regiões geoeconômicas específicas. em geral. essas análises também ressaltam a importância do contexto social e institucional subjacente como fator de estímulo à consolidação desses arranjos. Por outro lado. Dentre as análises que optam por este tipo de enfoque é possível destacar aquelas que abordam a consolidação de “distritos industriais” . NADVI & SCHMITZ (1994). SCHMITZ & MUSYCK (1994).. por exemplo.investigados a partir de desdobramentos da análise original de Marshall (1920) . referenciada a um setor específico ou a uma região geográfica bem delimitada.74 Clusters Industriais na Economia Brasileira atribuir particular importância a determinados “fatores locacionais” que influenciam a instalação de uma indústria em determinada região. avaliando-se os resultados gerados em termos da performance produtiva e tecnológica do setor investigado na região em questão. PYKE & SENGENBERG (1992).

Além disso. indutora de formas de colaboração implícitas e explícitas entre eles. 1998) Est. (OCDE. Geralmente essas análises são elaboradas a partir da identificação de dois aspectos fundamentais relacionados à aglomeração espacial de atividades industriais.2 Nesta perspectiva. A geração de ganhos competitivos para os membros desses arranjos decorre também do aprofundamento de processos de aprendizado em escala local que facilitam a difusão de inovações tecnológicas e organizacionais. 1999) O primeiro aspecto está associado ao conceito de “similaridade” enquanto princípio geral de estruturação desses arranjos. os clusters são concebidos 2 A identificação e análise dos clusters industriais do ponto de vista estritamente regional-espacial geralmente se baseiam nesse tipo de enfoque (KRUGMAN. 1997) proporcionados pelo arranjo. 32(1):71-102. São Paulo.Jorge Britto. Eduardo da Motta e Albuquerque 75 eficiência proporcionados pela especialização produtiva de firmas localizadas em uma mesma região geográfica. pressupondo que diferentes atividades econômicas se estruturam em clusters porque necessitam de uma infra-estrutura semelhante para operarem de forma eficiente. viabilizando a rápida introdução de novos produtos em virtude destas tendências. (PORTER. baseadas no intercâmbio de informações e no fortalecimento de laços cooperativos entre os agentes. econ. 1991). jan-mar 2002 . a consolidação desses arranjos facilita a realização de ações conjuntas e coordenadas entre os agentes. é possível destacar análises quantitativas dos clusters industriais. assim como as análises que associam estes clusters à geração de vantagens estritamente aglomerativas que reforçam a competitividade das empresas neles integradas. Um aspecto recorrentemente mencionado como fator de fortalecimento da competitividade de empresas inseridas em clusters industriais refere- se à ampliação dos níveis de “eficiência coletiva” (SCHMITZ. estes arranjos estimulam a circulação de informações e o desenvolvimento de uma capacitação comercial e mercadológica que facilita a antecipação das tendências de comportamento do mercado. atribuindo particular importância à institucionalidade subjacente às relações entre agentes.. Em especial. Esta “eficiência coletiva” é associada à redução dos custos de produção e transação em virtude da consolidação de economias de especialização e de diversos tipos de “externalidades” em escala local. Em contraste com análises qualitativas fundamentadas em “estudos de caso”.

as relações entre setores ou atividades são vistas como mola propulsora da dinâmica interna dos clusters industriais. Em particular. (iii) a realização de uma “análise de correspondência” que possibilite a localização dos grupos de agentes num quadro de contingência (geralmente bidimensional). essas análises utilizam diversas técnicas para definição e caracterização de grupos homogêneos de agentes integrados a esses arranjos. 32(1):71-102. a consolidação de uma “interdependência” entre estes agentes. Algumas análises complementam esse enfoque quantitativo com uma análise qualitativa dos diversos grupos identificados e de possí- veis inter-relações entre os mesmos. jan-mar 2002 . mas que apresentam competências complementares. Nesta perspectiva. Do ponto de vista metodológico-operacional.. pressupõe-se que a 3 Essas análises geralmente envolvem os seguintes procedimentos: (i) a realização de uma “análise fatorial”. econ.76 Clusters Industriais na Economia Brasileira como agrupamentos de agentes similares que usufruem de diversos tipos de benefícios (ou externalidades) que não são acessíveis para agentes isolados. 1995) Est. (RABELOTTI. Desse modo. em função dos fatores previamente selecionados. visando diferenciar os agentes identificados. Em primeiro lugar. A partir da diferenciação entre as noções de “similaridade” e “interdependência”. São Paulo.3 Enquanto algumas análises tendem a privilegiar a “similaridade” entre os agentes integrados aos clusters industriais. é possível utilizar os critérios de similaridade e interdependência entre atividades de modo a ressaltar alguns princípios gerais que deveriam orientar a identificação e análise de clusters industriais. (ii) o agrupamento dos agentes. Pressupõe-se. portanto. a menção àqueles aspectos remete à discussão no sentido da diferenciação entre o conceito mais genérico de aglomerações industriais e o conceito mais específico de clusters industriais. construído a partir de associações entre variáveis. como aspecto igualmente fundamental. que uma característica básica dos clusters é o agrupamento de agentes não similares. este enfoque atribui particular importância às relações interindustriais entre cliente-fornecedor e produtor-usuário que conformam uma divisão de trabalho interna ao cluster. Neste sentido. o que reforça a interdependência entre eles e a necessidade de alguma forma de coordenação coletiva no nível do arranjo. é possível avançar no sentido de um tratamento conceitual mais rigoroso do objeto de análise. outras análises ressaltam.

Finalmente.Jorge Britto. e a conseqüente concentração de unidades produtivas com algum grau de similaridade. este aspecto salienta a importância da identificação de padrões de especialização setorial da indústria em conseqüência de vocações produtivas locais. de forma decisiva. os aspectos mencionados indicam que a existência de uma densidade mínima de firmas e atividades é um pré- requisito para a caracterização efetiva de um cluster. é possível supor que a complexidade estrutural e institucional de um cluster . a partir dos quais são criadas condições mais satisfatórias para a consolidação de um sistema de inovação (LUNDVALL. Eduardo da Motta e Albuquerque 77 aglomeração espacial de atividades industriais.que confere maior organicidade ao cluster. 32(1):71-102.. Do ponto de vista analítico. em terceiro lugar. a geração ganhos de eficiência e aprendizado possíveis de serem apropriados pelos seus membros participantes. São Paulo.afeta. 1992) estruturado em escala local ou regional. que a existência de um sistema de relações suficientemente denso é fundamental para o aprofundamento dos mecanismos de aprendizado por interação no interior dos clusters. produzidos pela Secretaria de Políticas de Emprego e Salário do Ministério do Trabalho e Emprego (MTb). fundamentada no referencial analítico apresentado e que utiliza como fonte básica de informações os dados da Relação Anual de Informações Sociais (RAIS). a ênfase na questão da interde- pendência das relações internas ao cluster remete à discussão no sentido da caracterização do padrão de superposição de atividades industriais complementares no mesmo espaço territorial. O desenvolvimento desta análise procura suprir a la- Est. jan-mar 2002 . METODOLOGIA PARA IDENTIFICAÇÃO E AVALIAÇÃO DE CLUSTERS INDUSTRIAIS Esta seção procura avançar no sentido do detalhamento de uma metodologia preliminar e exploratória para identificação e avaliação dos clusters industriais na economia brasileira. é um requisito básico para a caracterização de um cluster. responsável pela conformação de uma divisão de trabalho .em termos da diversidade de firmas e atividades presentes em seu inte- rior . II. Em segundo lugar. Supõe- se.baseada em um conjunto de relações interindustriais . Em particular. ademais. econ.

de maneira a captar seu maior ou menor dinamismo. quatro elementos: (1) a aglomeração de atividades no espaço. dois procedimentos metodo- lógicos .4 Os registros do arquivo contêm informações úteis para os objetivos propostos. (2) o setor de atividade (segundo a classificação IBGE/CNAE. uma vez que as análises sobre o tema geralmente se circunscrevem à realização de ‘estudos de caso” sobre aglomerações específicas ou à investigação sobre o padrão geral de distribuição espacial da indústria. As fontes básicas de informações utilizadas. destacando-se: (1) a localização da atividade industrial (município.de caráter exploratório e tentativo . Considerando os aspectos mencionados. econ.78 Clusters Industriais na Economia Brasileira cuna representada pela ausência de informações sistematizadas sobre o processo de aglomeração espacial de indústrias no caso brasileiro. mesmo com essas limitações. procurou-se utilizar os dados da RAIS-1997 e uma 4 Reconhece-se. (2) a divisão de trabalho entre as firmas aglomeradas espacialmente. microrregião. estado).. A metodologia desenvolvida utiliza como referência espacial básica o município no qual se encontram localizadas as atividades industriais. a amplitude das informações levantadas e a possibilidade de referenciá-las a uma análise descentralizada (no nível de municípios) determinaram a opção metodológica pela sua utilização. de forma insatisfatória. em diversos níveis de agregação). segundo a Classificação Brasileira de Ocupações. São Paulo. nesse sentido. o objetivo dessa metodologia é mensurar. (4) a trajetória evolutiva do cluster. 32(1):71-102. inicialmente. referem-se a cerca de 24 milhões de trabalhadores formais registrados em 31 de dezembro de 1997. as limitações intrínsecas a essa base de dados. jan-mar 2002 . sem que o conceito de clusters industriais – e as implicações teórico-conceituais dele advindas – seja explicitamente incorporado à análise. (3) a interação entre essas firmas. A primeira metodologia exploratória (focalização) foi desenvolvida em diferentes etapas. grau de instrução) e o nível de remuneração respectivo. (3) o tipo e tamanho do estabelecimento. Inicialmente. Est.foram utilizados. cujas informações restringem-se ao mercado “formal” de trabalho e tendem a captar. atividades e regiões nas quais o mercado de trabalho encontra-se menos estruturado do ponto de vista institucional. Entretanto. Em linhas gerais. (4) informações adicionais sobre a qualificação dos trabalhadores empregados (grupo de ocupação. relativas a dados da RAIS para o ano de 1997.

987 municípios brasileiros (consta desse total uma categoria município IGNORADO. utilizando o valor do QL como referência. selecionando-se todos os pares municípios-divisões onde a condição QL > 1 seja atendida. o cálculo do QL é feito segundo a fórmula abaixo: QL = (EMP setor i/EMP município j) / (total do país EMP setor i/ total do país EMP) A partir dessa fórmula. São Paulo. uma consulta à tabela de QLs. Para identificar-se uma aglomeração especializada. A interpretação do valor do indicador QL baseia-se numa comparação entre especializações. econ.. Essa análise pode ser aperfeiçoada por meio da investigação de um nível mais desagregado da classificação CNAE Est. Eduardo da Motta e Albuquerque 79 ferramenta tradicional dos estudos de economia regional visando avaliar a existência de aglomerações especializadas em um certo tipo de atividade. a partir da qual três situações distintas podem ser representadas: (a) Quando QL = 1. 1995) Adotando- se como base o total de empregados registrados (EMP) em cada município informados pela RAIS. a especialização do município j em atividades do setor i é INFERIOR à especialização do conjunto do Brasil nas atividades desse setor. a especialização do município j em atividades do setor i é SUPERIOR à especialização do conjunto do Brasil nas atividades desse setor. Partindo do cálculo dos índices de especialização dos município. (b) Quando QL < 1. (FERREIRA. jan-mar 2002 . a especialização do município j em atividades do setor i é IDÊNTICA à especialização do conjunto do Brasil nas atividades desse setor.Jorge Britto. no nível de divisão. constitui o ponto de partida. o critério utilizado foi o cálculo do Quociente Locacional (QL). (c) Quando QL > 1. Em princípio. Na investigação realizada procurou-se considerar o Quociente Locacional (QL) calculado para todos os 4. o QL pode ser calculado variando os níveis de agregação. que existe para cada um dos os estados brasileiros) e para todas as 61 divisões da classificação CNAE (existe uma categoria IGNORADO e outra NÃO INFORMADO). é possível focalizar áreas para uma investigação posterior mais detalhada. segundo a disponibilidade dos dados da RAIS. a metodologia proposta procura identificar aglomerações especializadas. 32(1):71-102. Nesse sentido.

relacionada à presença de aglomerações industriais especializadas nas atividades consideradas. A intuição por trás da sugestão de clusters “verticais” relaciona- se àquilo que a discussão precedente trata como “interdependência”. mais desagregado. Coerente com a discussão apresentada na parte conceitual. estes procedimentos visam identificar uma informação simples.80 Clusters Industriais na Economia Brasileira (classes ou categorias). os dados da RAIS devem ser avaliados em maior detalhe. 32(1):71-102. visando identificar o grau de consistência dos dados levantados. A partir dessa superposição seriam identificados clusters “verticais”. a metodologia proposta procura avançar no sentido da incorporação de princípios de “superposição” das atividades com vistas a identificar. apontariam para a possível existência de um cluster. Com tal intuito. Focalizando o município selecionado. combinados. Um segundo passo da análise busca iniciar o processo de diferenciação de uma aglomeração de um cluster. econ. nos quais costumam estar presentes não apenas empresas de montagem. na interação existente entre uma indústria produtora de bens de consumo com uma indústria produtora de máquinas e equipamentos para aquela indústria. para uma mesma aglomeração industrial. uma participação mínima do município no total do emprego do setor seja um pré-requisto para caracterizar um cluster (os limites de 1% ou 2% podem ser utilizados). Baseia-se. algumas alternativas de superposição de atividades podem ser utilizadas. para um setor em análise. como também empresas especializadas em diferentes etapas do processo de produção e empresas produtoras de máquinas para a produção de calçados. Est. Neste caso. Uma primeira alternativa procura avaliar se existem firmas atuantes em setores industriais que possam ser caracterizados como fornecedores. de forma a garantir que. jan-mar 2002 . supõe-se que um cluster deve apresentar algum tipo de divisão de trabalho entre os diversos atores. Para investigar a existência dessa divisão de trabalho.. Além disso. e tendo por referência a divisão (ou categoria) CNAE de elevado QL. São Paulo. ambas presentes na mesma região. Em suma. é possível utilizar variáveis de controle.5 5 Um exemplo desse tipo de cluster refere-se àqueles envolvidos com a produção de calçados. portanto. a existência de elementos que. a investigação da presença de firmas produtoras de equipamentos para a indústria pesquisada é realizada no nível de classes CNAE. em nível do município selecionado no primeiro passo.

1992) Em contraste com os clusters verticais. que possivelmente estariam compartilhando algum recurso comum (mão- de-obra qualificada. por exemplo). é importante identificar a existência de uma especialização nas diversas classes CNAE relacionadas à divisão considerada. o seu tamanho médio. na qual a proximidade espacial de diversos segmentos expressa a existência de vantagens aglomerativas. Esse procedimento é importante na medida em que fornece elementos para a avaliação da estrutura industrial existente em cada cluster. Est. São Paulo. A caracterização desses clusters se dá mais pela presença. o que favorece a consolidação de relações diretas e indiretas entre elas. de um conjunto de indústrias complementares. que apresentam um padrão distinto de relacionamentos internos.para identificar atividades que fazem parte deste tipo de arranjo. o que conferiria uma maior complexidade estrutural ao clus- ter. índices de 6 Um exemplo desse tipo de cluster é a indústria eletrônica.particularmente relacionados à natureza específica das competências técnicas mobilizadas no processo de produção .Jorge Britto. que dão organicidade ao cluster. (LUNDVALL. incorporando aspectos como o número de estabelecimentos. Nesses casos. a qual constitui importante componente da construção de um sistema de inovação. Eduardo da Motta e Albuquerque 81 Nesse tipo de cluster há espaço razoável para interação entre produtor- usuário. Dentre essas atividades “similares” destaca-se a produção de peças e componentes a serem incorporados em produtos mais complexos produzidos no âmbito daquela localidade (como automóveis e eletrônicos de consumo.6 O passo subseqüente da análise é identificar as características das firmas presentes no par município/divisão CNAE.. econ. por exemplo). particularmente em termos da concen- tração de profissionais que podem atuar em diferentes firmas presentes no município e no setor. 32(1):71-102. é possível caracterizar clusters horizontais. que as firmas envolvidas com essas atividades compartilham recursos disponíveis na região. particularmente em termos de tamanho e do padrão de especialização. nesse sentido. jan-mar 2002 . Supõe-se. A variedade de atividades realizadas no interior desses clusters requer a introdução de critérios de “similaridade” . em um mesmo município.

procurou-se confrontar as características de dois “exemplos representativos” de clus- ters industriais identificados com base na metodologia proposta: clusters “verticais” existentes no setor têxtil-vestuário (divisões 17 e 18. a análise realizada procurou utilizar elementos objetivos que permitissem identificar e detalhar as características desses clusters a partir da fonte básica das informações utilizadas: os dados da RAIS.. a interação entre os agentes a eles integrados. APRESENTAÇÃO DE RESULTADOS Reconhecendo os problemas decorrentes da ausência de fontes de informações sistematizadas sobre a estrutura dos clusters industriais existentes na economia brasileira. São Paulo. econ. Com a seleção desses exemplos. passo adicional da análise envolve a utilização de informações levantadas a partir da RAIS para captar a densidade e complexidade das atividades presentes nos clus- ter. Neste sentido. em relação às quais existiriam evidências acerca da presença efetiva de clusters industriais. O primeiro estágio está baseado no conceito de “focalização” e procura identificar. quanto maior for a densidade potencial dos vínculos internos ao cluster. para os ramos selecionados. a análise desdobra-se em dois estágios. Finalmente. A título de ilustração. da CNAE) e clusters “horizontais” presentes no setor de eletrônica-telecomunicações (divisão 32 da CNAE). 32(1):71-102. Esses critérios norteiam o Est. também potencialmente. jan-mar 2002 . respectivamente. Uma vez selecionados os setores utilizados como ilustração. maior tenderia a ser. procurou-se tanto captar atividades com níveis distintos de complexidade tecnológica como atividades em relação às quais a distinção conceitual entre clusters verticais e horizontais pudesse ser aplicada. III. critérios específicos foram utilizados para identificar aglomerações industriais em relação às quais haveria indícios da consolidação de clusters industriais. um conjunto de aglomerações especializadas em nível local. é possível supor que.82 Clusters Industriais na Economia Brasileira concentração industrial e evidências em termos de formação profissional e do nível de remuneração da mão-de-obra. Com esse intuito.

caminhando-se no sentido da seleção daquelas que efetivamente se aproximam de uma definição mais rigorosa de cluster industrial. refere-se à existência de uma certa densidade mínima em termos do número de firmas presentes nos pares setor-município considerados. procurou-se eliminar municípios cuja participação no total do emprego em cada ramo industrial considerado fosse inferior a 0. aglomerações industriais com estruturas mais complexas em relação às quais se poderia associar o conceito mais circunscrito de clusters industriais. O segundo critério está relacionado à importância do município em relação ao emprego total de cada setor considerado. considerou-se que a existência efetiva de um cluster industrial pressupõe uma certa densidade quanto ao número de estabelecimentos presentes em seu interior (critério 3). Com esse intuito. foram considerados critérios objetivos que permitissem reduzir o número de aglomerações industriais identificadas. Desse modo. foram consideradas evidências do processo de especialização associadas ao valor dos QLs das divisões CNAE correspondentes. mas com importância desprezível no conjunto do setor. inicialmente.. a análise realizada baseia-se numa sofisticação progressiva de critérios a partir dos quais procura-se identificar. indicadores relativos à importância do município em questão no total do emprego da divisão CNAE respectiva (critério 2). Esse critério complementa o anterior. e evita que municípios muito especializados. Supõe-se. agregar à medida de especialização considerada (o próprio QL). Est. nesse sentido. Eduardo da Motta e Albuquerque 83 levantamento de informações no banco de dados da RAIS para fins de “mapeamento” das aglomerações industriais nos setores considerados. O primeiro deles refere-se à presença de uma especialização efetiva do município no ramo de atividade (divisão CNAE) considerado. Com esse intuito. sejam considerados na identificação de clusters industriais. 32(1):71-102. Desse modo. que essa densidade é um pré-requisito para a consolidação de relações internas que conferem organicidade ao cluster. Especificamente. procurou-se levar em conta.1% do total do setor. O terceiro critério. Em seguida.Jorge Britto. jan-mar 2002 . econ. São Paulo. para os setores investigados. por fim. Neste processo de redução e de busca de rigor analítico procurou-se. A Tabela 1 apresenta os critérios que foram paulatinamente utilizados para possibilitar uma caracterização rigorosa da presença de clusters industriais no âmbito dos setores investigados.

Em terceiro lugar. O fato dessa especialização ser menor no setor de eletrônica-telecomunicações é perfeitamente compreensível.. São Paulo.84 Clusters Industriais na Economia Brasileira para cada atividade. de menor conteúdo tecnológico. o número de aglomerações é maior no setor têxtil-vestuário. observa-se que. 32(1):71-102.CRITÉRIOS CONSIDERADOS NA IDENTIFICAÇÃO DE AGLOMERAÇÕES INDUSTRIAIS Atividade Critério 1 Nº de Critério 2 Nº de Critério 3 Nº de (Especialização) Aglom. Em segundo lugar. A Tabela 2. dado o caráter menos intensivo em trabalho das atividades industriais em setores tecnologicamente mais sofisticados.1% do total de estabelecimentos (equivalendo a 16. por sua vez. O Anexo 1 apresenta uma listagem das aglomerações identificadas naqueles setores com base nos critérios anteriormente mencionados. A partir dos critérios utilizados foram selecionados um total de 140 aglomerações industriais nos setores investigados. observa-se que a participação das aglomerações no total do emprego da indústria dos municípios é maior no caso do setor têxtil-vestuário. em termos do porte e das escalas mínimas das firmas. (Relevância) Aglom (Densidade) Aglom 1) Têxtil e Vestuário QL > 1 869 QL>1 e 228 Mais de 10 (dez) 105 Part>0. TABELA 1 . verifica-se que as aglomerações do setor de eletrônica- Est. QL > 1 81 QL>1 e 47 Mais de 2 (dois) 35 Telecomunicações Part>0. critérios de densidade mínima que refletissem as especificidades setoriais. as quais eram responsáveis por 7.000 estabelecimentos) da indústria de transformação no ano de 1997. apresenta algumas informações sobre as características básicas dessas aglomerações. A partir da análise dessas informações.1% estabelecimentos na divisão 32 da CNAE Fonte: elaborado a partir da RAIS (1997). como seria de se esperar. Em primeiro lugar.485 postos de trabalho) e por 7. alguns aspectos podem ser destacados.4% do emprego total (gerando 517. jan-mar 2002 . econ.1% estabelecimentos nas divisões e mais de 10 (dez) estabelecimentos em atividades associadas 2) Eletrônica.

apresentando a distribuição de emprego por nível de qualificação nas aglomerações industriais identificadas.6 Eletrônica- Telecomunicações 35 82. a Tabela 3 demonstra que as maiores exigências de qualificação refletem-se parcialmente numa maior remuneração ao fator trabalho.47% 24.Jorge Britto. no caso das aglomerações do setor de eletrônica-telecomunicações. As diferenças entre estes quanto ao nível tecnológico refletem-se no processo de contratação de fatores e. Eduardo da Motta e Albuquerque 85 telecomunicações concentram uma parcela maior do emprego setorial do que aquelas do setor têxtil-vestuário. A Tabela 3 também aborda esse aspecto. % Aglom. econ. nos % Aglom.464 15. nos Tamanho Médio Atividade Aglomerações Aglomerações Aglomerações Setores Municípios Estabelec. jan-mar 2002 .Vestuário 105 435. percebe-se que o tamanho médio dos estabelecimentos presentes nas aglomerações é consideravelmente maior no setor de eletrônica-telecomunicações. Têxtil. Considerando informações relativas à distribuição do emprego por tamanho de estabelecimento apresentadas nessa tabela. A Tabela 3 ilustra essas diferenças.CARACTERÍSTICAS BÁSICAS DAS AGLOMERAÇÕES IDENTIFICADAS Nº de Emprego nas Estabel.021 796 83. De fato. 32(1):71-102. o que denota a maior fragmentação do processo de aglomeração industrial no setor têxtil-vestuário. Em contraste. mais especificamente.32% 103. percebe-se claramente que o emprego nas aglomerações do setor têxtil-vestuário concentra-se nas faixas de menor tamanho de estabelecimento.39% 28.204 45. nas exigências de qualificação da mão-de-obra.. Uma análise mais detalhada das características estruturais das aglomerações industriais nos setores investigados salienta as diferenças existentes entre eles.0 Fonte: elaborado a partir da RAIS (1997). São Paulo. Percebe-se que as exigências de qualificação formal são mais elevadas no caso das aglomerações dos setores de eletrônica-telecomunicações. o que pode ser explicado pela maior importância das escalas de produção como fonte de eficiência produtiva neste setor.25% 4. TABELA 2 . analisando-se a distribuição Est. Finalmente. Além disso. observa-se uma maior concentração do emprego nas faixas superiores de tamanho.

9 4.01.2 Entre 1.4 c) Distribuição do Emprego por Faixa de Remuneração (%) Até 1. evidenciando que o baixo custo da mão-de-obra também é um fator importante para a sustentação da competitividade em alguns desses arranjos.00 SM 40.00 SM 33.3 Até superior completo 2.0 a Até 4 série completa 24.7.3 49.0 15.1 28.5 20 a 49 13. econ.0 1000 ou mais 13. Entretanto.5 250 a 499 11.00 salário mínimo 1.00 SM 15.6 19.5 0. percebe- se que.7 Entre 4.15.7 17.2 6.6 6.6 Mais de 15 SM 2.7 11. também apresentam uma elevada concentração do emprego em faixas de baixa-média remuneração (com 40% do emprego concentrando-se na faixa entre 2 e 4 salários mínimos).7 28.9 15.5 0. São Paulo.86 Clusters Industriais na Economia Brasileira do emprego por faixa de remuneração (em salários mínimos).9 Entre 7.01..0 8.01.6 Fonte: elaborado a partir da RAIS (1997). TABELA 3 .2.2 500 a 999 12.5 1.7 5 a 19 15.01. aquelas vinculadas ao setor têxtil-vestuário pagam salários inferiores. Est.0 Até 2o grau completo 20.00 SM 6.1 b) Distribuição do Emprego por Grau de Qualificação (%) Analfabeto 1.6 19.4.3 100 a 249 13.3 3. 32(1):71-102.1 39. é possível notar que as aglomerações do setor de eletrônica.1 Entre 2.4 5.CARACTERÍSTICAS ESTRUTURAIS DE AGLOMERA- ÇÕES INDUSTRIAIS IDENTIFICADAS Categorias Têxtil-Vestuário Eletrônica-Telecomunicações a) Distribuição do Emprego por Faixa de Tamanho de Estabelecimento (%) Até 4 empregados 8.6 50 a 99 11. efetivamente.4 19. jan-mar 2002 .8 Ignorado 0. não obstante apresentarem uma participação expressiva do emprego nas faixas acima de 7 salários mínimos (perfazendo mais de 35% do emprego nessas faixas).3 Até 8a série completa 51.

Já no caso dos clusters do setor de eletrônica- telecomunicações.Jorge Britto. TV e som.máquinas e equipamentos para a indústria têxtil. os clusters associados a este setor podem ser caracterizados como “horizontais”. que existe uma certa complementaridade entre a produção dessas diversas classes. servindo de critério para identificar. com base na metodologia apresentada..associados a classes específicas . critérios distintos de “superposição” de atividades devem ser utilizados para identificar clus- ters “verticais” e “horizontais”. A Tabela 4 sistematiza os critérios de superposição de atividades para os diversos setores investigados. é possível avançar no sentido da identificação efetiva de clusters industriais. o que permite caracterizar esses arranjos como clusters verticais. 7 No caso do setor de eletrônica-telecomunicações. nesse sentido. aquelas nas quais há indícios efetivos da presença de clusters industriais. Esta presença pode ser associada à classe CNAE correspondente . quatro classes são consideradas: material de eletrônica básica. Est. jan-mar 2002 . Eduardo da Motta e Albuquerque 87 A partir do “mapeamento” geral das aglomerações nos setores investigados. com base nos critérios mencionados. Além disso. os critérios de superposição estão particularmente associados à diversidade de classes vinculadas àquela divisão presentes no mesmo município. é importante considerar um estágio adicional da análise. que essa superposição confere uma maior complexidade à estrutura empresarial de cada aglomeração industrial. estes critérios estão particularmente relacionados à presença de unidades (estabelecimentos) produtores de máquinas para aquele tipo de atividade. equipamentos de transmissão. São Paulo. dentre um determinado conjunto de aglomerações. Assim. que procura incorporar critérios de “superposição” de atividades para fins de caracterização daqueles clusters. Supõe-se. nesse sentido. aparelhos telefônicos e de telecomunicação. De acordo com o exposto na descrição da metodologia.7 Considera-se. apa- relhos de rádio.que são incorporados em bens mais sofisticados produzidos localmente. na medida em que a mesma requer a mobilização de competências disponíveis em nível local. 32(1):71-102. Para que essa identificação seja possível. nos clusters do setor têxtil-vestuário. as atividades em questão geralmente envolvem a produção de peças e componentes . econ. Observa- se que.

percebe-se que. o cluster mais “complexo” dentre aqueles identificados). mas que se encontram fortemente especializadas no ramo de vestuário. jan-mar 2002 . De fato. A partir das informações apresentadas na Tabela 5. ao se considerar critérios de superposição de atividades. As Tabelas 5. percebe-se também que a importância desses clusters no total do emprego na indústria de transformação dos municípios respectivos é bastante variável. percebe-se que a incorporação de um critério de superposição determinou a exclusão de diversas aglomerações com elevada densidade de estabelecimentos. Criciúma (SC) e Goiânia (GO). 35 Clusters Mais de 10 11 telecomunicações Horizontais estabelecimentos na divisão de eletrônica- telecomunicações e empresas em pelo menos três classes da divisão Fonte: elaborado a partir da RAIS (1997). comparado ao têxtil. é reforçada a importância dos clusters mais especializados no ramo têxtil. Vila Velha (ES). comparando esses clusters às 105 aglomerações identificadas anteriormente. Uma análise mais detalhada dos clusters identificados em cada setor salienta as diferenças intra-setoriais quanto à estrutura e ao padrão de especialização desses arranjos. 6 e 7 apresentam informações relativas ao padrão de especialização e à estrutura interna. dos vinte clusters identificados.. evoluindo de 4% até mais de 75% (no caso de Americana. em termos da diversidade de atividades. Observando-se as informações apresentadas. econ. Além disso.CRITÉRIOS DE SUPERPOSIÇÃO CONSIDERADOS PARA IDENTIFICAÇÃO DE CLUSTERS Atividade Nº de aglomerações Conceitualização Critério de Superposição Nº de clusters identificadas Proposta Adicional Considerado identificados Têxtil e Vestuário 105 Clusters Mais de 50 20 Verticais estabelecimentos nas divisões têxtil e vestuário e pelo menos 1 (um) produtor de máquinas para indústria têxtil Eletrônica. comparativamente àqueles mais especializados no ramo vestuário. São Paulo. para os vinte clusters vinculados ao setor têxtil-vestuário identificados com base na metodologia utilizada. tais como aquelas localizadas nos municípios de Divinópolis (MG). Nova Friburgo (RJ). Est. em apenas cinco observam-se QLs maiores para o ramo de vestuário.88 Clusters Industriais na Economia Brasileira TABELA 4 . Brusque (SC). 32(1):71-102.

172 8.21 1.23 0. na última coluna.8% SANTO ANDRE 1. Petrópolis (RJ).18 5. econ.3% GUARULHOS 2. A partir das informações apresentadas.19 10.68 0. na Divisão Munic. que o tamanho médio dos estabelecimentos varia consideravelmente nos diversos clusters.PADRÃO DE ESPECIALIZAÇÃO DE CLUSTERS NO SETOR TÊXTIL-VESTUÁRIO QL Divisão 17 QL Divisão 18 % Municípios Emp.009 3.140 9.44 1. FORTALEZA 1. apresenta informações relativas à estrutura interna dos clusters identificados nos setores têxtil-vestuário.770 55.3% 28.414 5.62 0.92 3.730 7. Nesta tabela é apresentada a estrutura empresarial desses clusters em termos do número de estabelecimentos nas divisões têxtil (divisão 17) e vestuário (divisão 18) da CNAE.9% JOINVILE 5.236 33.7% SANTA BARBARA DOESTE 16.8% 15.83 0.24 8.200 10.8% PETROPOLIS 2.35 0.035 4.514 7.0% CAMPINA GRANDE 4. Em alguns clus- ters onde existe uma grande densidade de firmas no ramo de vestuário é comum também a presença de um grande número de estabelecimentos de comércio varejista.837 5.7% FARROUPILHA 6.409 40.31 0.599 75.8% APUCARANA 3.503 13.5% NATAL 1.43 1.686 65. que concentram.5% 44.9% SOROCABA 2.31 2. Divisões nos Munic..23 0.9% INDAIAL 28. Emprego nas % Divisões Município Têxtil Vestuário. Eduardo da Motta e Albuquerque 89 TABELA 5 .3% GASPAR 15.812 6.8% 43.708 49.498 19.2% SAO BERNARDO DO CAMPO 1.770 28.77 0.1% 29.1% 53.7% CAXIAS DO SUL 2. procura-se identificar.673 21.471 5. como no caso de Americana (SP).84 12. o comércio atacadista e o comércio varejista.234 16. Observa-se também que os clusters nos quais estão presentes um maior número de produtores de máquinas estão geralmente associados a uma estrutura industrial mais complexa e diversificada.528 10.116 4. Indust.879 70.18 3.78 0.78 0.51 2.375 5.72 0.88 1.173 7.108 10.269 53.95 3. como no caso de Fortaleza (CE).19 1.898 11. como primeiro aspecto.86 0.8% JUNDIAI 2. 32(1):71-102. Além disso.0% Fonte: elaborado a partir da RAIS (1997).44 2.44 0.8% 13. percebe-se.46 1. as duas principais classes CNAE relacionadas às divisões têxtil e vestuário.795 67.2% 113.7% 17. em cada município.259 12. jan-mar 2002 . por sua vez. São Paulo.898 4.2% 11.993 39.579 1.5% 6.26 0.4% JUIZ DE FORA 2.7% JARAGUA DO SUL 4. sendo maior naqueles mais especializados no ramo têxtil.5% 14. A Tabela 6.106 11.6% 41.53 0. Est.401 31.27 0.76 1. o maior porcentual do emprego.0% 42.209 4. assim como o número de estabelecimentos presentes em três atividades associadas .40 13.67 0.5% 127.51 7.Jorge Britto.00 0.5% 7.a produção de máquinas para a indústria têxtil-vestuário.5% 59.6% 10.3% AMERICANA 26.108 37. Blumenau (SC) e Caxias do Sul (RS).1% BLUMENAU 15.2% 27.5% 88.62 1.418 35.91 0.08 2.

São Paulo. Caxias do Sul e Juiz de Fora. Petrópolis e Jaraguá do Sul (na classe “peças para vestuário”). Santo André (na classe ‘fiação de fibras artificiais”). No entanto. acrescidos daquele localizado em Apucarana (PR). Natal e Campina Grande. A Tabela 7 aborda esse aspecto.. diversos clusters localizados no Estado de São Paulo . como no caso de Blumenau. é possível observar padrões distintos de especialização en- tre os diversos clusters. Em contraste. São Bernardo do Campo. As informações relativas à distribuição do emprego por faixa de remuneração também ressaltam aspectos interessantes. São Bernardo. a distribuição do emprego nas faixas infe- rior e superior. jan-mar 2002 . considerando o grau de especialização do emprego nas diversas classes CNAE relacionadas às divisões têxtil e vestuário. Farroupilha.se destacam pela participação expressiva do emprego na faixa de dez ou mais salários mínimos. para cada uma dessas dimensões. econ. Finalmente. 32(1):71-102. Em particular. apresentam uma elevada participação do emprego na faixa inferior de remuneração (até dois salários mínimos). alguns clusters se destacam por apresentar um emprego fortemente concentrado na faixa de tamanho com mais de 100 empregados.90 Clusters Industriais na Economia Brasileira Blumenau (SC) e Caxias do Sul (RS). como: Fortaleza. Jaraguá do Sul. percebe-se que em alguns clusters a concentração do emprego na faixa inferior de tamanho (até 20 empregados) é bastante expressiva. No que se refere ao padrão de especialização das atividades realizadas nos vários clusters. não obstante a tendência do emprego se concentrar mais na classe de “outras peças para vestuário”. Jundiaí e Campina Grande. qualificação da mão-de- obra e remuneração. Em contraste. No que se refere à distribuição do emprego por faixas de tamanho de estabelecimento. Dentre os clusters que se destacam por apresentarem uma maior concentração do emprego na faixa superior de qualificação é possível citar Santo André. Jundiaí e Ameri- cana . destacam-se alguns exemplos onde se observa um perfil de especialização bastante nítido.como Santo André.tricotagem”) e Guarulhos (na classe “fabricação de meias”). ao se considerar a distribuição do emprego por faixa de qualificação nota-se que a participação da faixa inferior é expressivamente maior do que a da faixa superior (essa última envolvendo trabalhadores com pelo menos o segundo grau completo). apresentando. A análise da estrutura industrial prevalecente nos vários clusters do setor têxtil-vestuário pode ser melhor qualificada quando se considera a distribuição do emprego por faixas de tamanho. Americana. Jundiaí (na classe “fiação de algodão”). como no caso de Petrópolis. Est. verifica-se que os clusters localizados na região Nordeste. Farroupilha (na classe “malharia.

Est.. (% da classe) Out. econ. (75) JARAGUA DO SUL 50 174 224 51 4 10 144 Tecidos Malha (15) Tecelagem Algodão (28) JOINVILE 80 184 264 40 2 22 479 Out. (28) NATAL 20 118 138 56 1 27 662 Tecidos de malha (25) Tecidos malha (31) CAMPINA GRANDE 23 122 145 30 2 39 234 Tecidos Fibras nat. (12) Out. (43) JUIZ DE FORA 125 418 543 19 3 54 946 Peças internas vestu (18) Out. peças vestu. Fibras Nat. (59) FORTALEZA 115 1. (16) Out. (21) Out. Têxteis (26) Out. (16) Malharia-Tricotagem.ESTRUTURA INDUSTRIAL DOS CLUSTERS NO SE- TOR TÊXTIL-VESTUÁRIO Nº Estabelecimentos Ativ. (46) FARROUPILHA 95 46 141 11 8 11 124 Out. peças vestu. peças vestu.Jorge Britto.231 1. (19) Fabricação Meias (29) GUARULHOS 82 125 207 54 6 27 261 Out. peças vestu. peças vestu. peças vestu. (20) Fiação Fibras Artif. peças vestu. Com. jan-mar 2002 . (12) Fonte: elaborado a partir da RAIS (1997). peças vestu. (38) APUCARANA 29 139 168 34 2 14 85 Acessórios Vest. 32(1):71-102. (46) SOROCABA 40 106 146 50 3 34 367 Tec. peças vestu. (8) Fiação Fibras Artif. (33) BLUMENAU 131 364 495 58 16 46 406 Art. (59) PETRÓPOLIS 55 350 405 17 1 28 1024 Tecido Fios e Filam. (55) GASPAR 33 142 175 27 1 4 51 Linhas e fios (30) Out. Associadas Classes CNAE com maior Tam. (16) Fiação Algodão (43) JUNDIAI 31 58 89 59 2 19 329 Out. Fios Tecid. Est. (30) Out. (19) SANTA BÁRBARA Out. peças vestu. (16) SAO BERNARDO Art. peças vestu. (22) Out. peças vestu. Uso doméstico (16) DO CAMPO 29 88 117 43 2 15 385 Out. (29) D’OESTE 133 83 216 34 1 3 96 Tecido Fios e Filam. peças vestu. São Paulo. peças vestu. peças vestu. (33) INDAIAL 42 86 128 38 2 13 109 Outros art. Eduardo da Motta e Albuquerque 91 TABELA 6 . participação no emprego Município Têxtil Vestuário Total Médio Maqu Atac. (21) AMERICANA 315 153 468 46 13 43 258 Tecido Fios e Filam. peças vestu. Uso doméstico (19) Out. (58) SANTO ANDRÉ 19 100 119 38 5 14 572 Out. (35) CAXIAS DO SUL 133 284 417 12 8 28 446 Acabam. Varej. peças vestu. peças vestu. Com.346 25 4 235 1506 Fiação Algodão (16) Out.

7 SANTA BARBARA DOESTE 25.6 33.6 13.5 66.3 GASPAR 24.2 2.3 5.3 67.6 25.2 2.6 2.4 SANTO ANDRE 16.0 INDAIAL 16.8 26.8 10.1 73.1 1.6 27.9 22.7 27.9 37.5 BLUMENAU 13.8 0. Supõe-se.0 25.8 31. mínimos FORTALEZA 26.2 17.2 59.1 31.2 JARAGUA DO SUL 14.. QUALIFICAÇÃO E REMUNERAÇÃO NOS CLUSTERS DO SETOR TÊXTIL-VESTUÁRIO Faixas de Tamanho Faixas de Qualificação Faixas de Remuneração ate 20 mais de 100 até 4a serie 2o grau ate 2.0 9.4 40.3 APUCARANA 25.8 12.4 30.5 70.7 2.1 1.6 69. que o ramo setorial relacionado à divisão CNAE envolve uma atividade industrial complexa.5 9.3 PETROPOLIS 40.9 AMERICANA 15.2 14.2 JUIZ DE FORA 36.0 26.4 8.4 3.4 18. econ.7 78.7 2.2 3.4 26.0 8.0 8.7 33.1 SAO BERNARDO DO CAMPO 11.8 11.1 8.4 5. os quais.8 8. num mesmo município.6 20.6 63.5 10.0 2.6 Fonte: elaborado a partir da RAIS (1997).8 7. por sua vez. São Paulo.8 20.3 FARROUPILHA 45. é possível diferenciar os clusters “verticais” de clusters “horizontais”. 9 e 10 apresentam informações relativas ao padrão de especialização e à estrutura interna desses clusters.0 1. De acordo com a metodologia proposta.5 11.1 CAMPINA GRANDE 14.6 15. que se desdobra em diversos produtos distintos.6 17. o padrão de superposição de atividades está relacionado à presença. costumam estar associados a uma estrutura complexa de peças e componentes.0 73.8 46. As Tabelas 8.4 30.7 13.9 74.5 CAXIAS DO SUL 37.6 21. neste caso. nos quais os critérios de superposição de atividades estão associados à presença de uma diversidade de classes no mesmo município.1 18. foram identificados onze clusters do setor de eletrônica- telecomunicações.0 sal.6 3.4 2. nos quais é possível identificar firmas atuantes em pelo menos três das quatro classes relacionadas à divisão 32 da CNAE.00 sal.8 4.6 27.4 18.3 JUNDIAI 16.92 Clusters Industriais na Economia Brasileira TABELA 7 .5 75. Nestes últimos.DISTRIBUIÇÃO DO EMPREGO POR FAIXAS DE TA- MANHO.6 5. jan-mar 2002 . mais de empregados empregados completo completo mínimos 10.6 35.2 60.6 21.9 25.1 35.4 10.9 74.9 10.0 19.8 83.7 16.1 14.9 15. A partir das informações da Tabela Est.6 64.2 NATAL 11. 32(1):71-102.1 1.8 9.5 1.2 3.0 71.7 40. de uma especialização em diversas “classes” da mesma divisão CNAE.3 17.8 JOINVILE 17.8 17.2 GUARULHOS 16. No estudo realizado.6 11.

apresenta informações relativas à estrutura interna dos clusters identificados no setor de eletrônica-telecomunicações. percebe-se que dentre os clusters identificados três apresentam um perfil de especialização setorial bastante nítido.0 127. Santa Rita do Sapucaí (MG) e São José dos Campos (SP). aparelhos telefônicos e de telecomunicação.866 2.6 3.397 2.521 603 17. Empr. 32(1):71-102.6 Fonte: elaborado a partir da RAIS (1997). o que evidencia a importância do processo de aglomeração espacial da indústria naquele tipo de atividade. Eduardo da Motta e Albuquerque 93 8.4 59. o que se reflete na geração de um número limitado de postos de trabalho. Os valores relativamente pequenos da participação dos clusters no emprego total da indústria de transformação nos municípios associados podem ser explicados pelo caráter intensivo em capital desse tipo de produção. aparelhos de Est.17 27.409 8.7 MARINGA 1. A Tabela 9.Jorge Britto.7 SAO JOSE DOS CAMPOS 18. Além disso.3 CURITIBA 1.982 365 1. procura-se associar a estrutura empresarial desses clusters ao número e ao tamanho médio de estabelecimentos na divisão 32 da CNAE.192 18.5 CAXIAS DO SUL 1.09 0.22 0.7 64. a saber: material de eletrônica básica. TABELA 8 .7 SAO PAULO 1.262 430 1. procura-se identificar.1 CAMPINAS 1.837 893 0.106 2.70 3.81 4. % 32 Div Munic. tanto em termos do valor dos QLs como considerando a participação da divisão CNAE no total do emprego da indústria nos municípios respectivos: Manaus (AM). o conjunto de clusters identificados eram responsáveis por 67% do emprego setorial.3 101.8 44.0 77. Divisão Div/Mun MANAUS 30.634 29.557 3.045 37. Ind..22 7.43 19. econ. Nesta tabela. Emp.793 2.325 18. o número de estabelecimentos presentes nas diversas classes CNAE relacionadas àquela divisão.3 23.PADRÃO DE ESPECIALIZAÇÃO DE CLUSTERS NO SETOR DE ELETRÔNICA-TELECOMUNICAÇÃO QL Divisão % Munic.26 0.375 384 0. São Paulo. por sua vez.86 1.9 GUARULHOS 4.01 0.5 25.26 1.818 1.5 SAO BERNARDO DO CAMPO 1. jan-mar 2002 . equipamentos de transmissão.5 LONDRINA 1.4 SANTA RITA DO SAPUCAI 22. Por outro lado.774 3.6 113. para cada cluster.3 805.

na última coluna. A partir dessas informações. principalmente quando comparados aos clusters de Santa Rita do Sapucaí (MG) e Caxias do Sul (RS). Básica Transmissão de Teleco TV e Som MANAUS 69 421 31 8 7 23 Ap. Neste sentido. TV e som . Ap. Curitiba (na classe “aparelhos telefônicos e de telecomunicação”). Telef. Telefe Ap. TV e som”). Telef. Telecom – 74 LONDRINA 10 43 4 3 0 3 Ap. São Paulo. TABELA 9 . como primeiro aspecto.Telecom – 40 CAMPINAS 27 69 15 6 2 4 Eletrônica Básica – 53 GUARULHOS 31 90 17 6 3 5 Eq. percebe-se um padrão bastante nítido de especialização em determinados cluster. econ. Guarulhos (na classe “equipamentos de transmissão”). informações sobre a participação da classe mais importante em termos da distribuição do emprego em cada um dos clusters considerados. São Paulo e Santa Rita do Sapucaí.ESTRUTURA INDUSTRIAL DE CLUSTERS NO SETOR DE ELETRÔNICA-TELECOMUNICAÇÃO Classes CNAE Associadas Classes CNAE com maior Estab. Em contraste. a Tabela 8 apresenta. A partir das informações apresentadas. (nome e %) 32 estabel. 32(1):71-102.Radio. percebe-se. Transmissão – 80 SAO BERNARDO DO CAMPO 15 60 11 3 0 1 Eletrônica básica – 56 SAO JOSE DOS CAMPOS 34 245 14 12 1 7 Eletrônica Básica – 60 SAO PAULO 380 48 196 63 52 69 Eletrônica Básica – 30 CURITIBA 46 77 25 7 6 8 Ap. radio TV e som – 59 MARINGA 10 37 4 5 0 1 Eq.61 Fonte: elaborado a partir da RAIS (1997). Além disso..94 Clusters Industriais na Economia Brasileira rádio. TV e som.65 SANTA RITA DO SAPUCAI 27 22 13 5 6 3 Ap. que o tamanho médio dos estabelecimentos é consideravelmente maior nos casos de Manaus (AM) e São José dos Campos (SP). Maringá (na classe “equipamentos de transmissão”). percebe-se uma especialização bastante nítida em alguns clusters. Transmissão – 95 CAXIAS DO SUL 25 15 15 2 1 7 Eletrônica Básica . tais como: Manaus (na classe ”aparelhos de rádio. Caxias do Sul (na classe “eletrônica básica”) e São José dos Campos (também na classe “eletrônica básica”). Est. alguns dos clusters identificados se destacam por apresentarem uma distribuição relativamente equilibrada do emprego entre as diversas classes. jan-mar 2002 . Tamanho participação no emprego Divisão Médio de Eletrônica Equip. radio. como no caso de Campinas. principalmente quando são confrontados os dados relativos à estrutura industrial com informações sobre a distribuição do emprego pelas diversas classes CNAE consideradas.

considerando a distribuição do emprego por faixas de tamanho. jan-mar 2002 . Quanto à distribuição do emprego por faixas de tamanho de estabelecimento. 32(1):71-102. Eduardo da Motta e Albuquerque 95 Também no caso dos clusters do setor de eletrônica-telecomunicações é possível precisar melhor a análise da estrutura industrial. enquanto os clusters localizados no Estado de São Paulo (mais especificamente em São Bernardo. em alguns clusters observa-se um emprego fortemente concentrado na faixa de tamanho com mais de 100 empregados. A Tabela 10 ilustra essa discussão. acrescidos ao localizado em Curitiba. percebe-se que a concentração do emprego na faixa inferior (até 20 empregados) é particularmente expressiva em dois clusters: Santa Rita do Sapucaí e Caxias do Sul. Londrina e Maringá - apresentam uma expressiva participação do emprego na faixa inferior de remuneração (até dois salários mínimos). alguns outros clusters mais “periféricos” .. São Paulo. apresentando. Est. indicam que alguns clusters tendem a apresentar uma nítida concentração do emprego na faixa superior (envolvendo trabalhadores com pelo menos o segundo grau completo). Por outro lado. São José dos Campos e Guarulhos). por sua vez. como no caso de São José dos Campos e Manaus.Jorge Britto. Porém. apresentam uma participação elevada do emprego na faixa de “dez ou mais salários mínimos”. a distribuição do emprego nas faixas inferior e superior. é possível verificar uma assimetria entre os clusters identificados: assim. econ.como os de Santa Rita do Sapucaí. para cada uma dessas dimensões. quando se leva em conta a distribuição do emprego por faixa de remuneração. As informações relativas à distribuição do emprego por faixa de qualificação. como Curitiba e São José dos Campos. qualificação da mão-de- obra e remuneração. São Paulo.

as seguintes possibilidades podem ser exploradas: (i) a ampliação da análise para outros setores industriais com vistas a construir um mapa geral da distribuição setorial desses clusters na economia brasileira.3 0. utilizando a base de informações da RAIS.8 1.9 11.8 5.4 16. mais de 10.1 1.0 53.0 SAO PAULO 16.8 40. 2o .6 4.5 30.DISTRIBUIÇÃO DO EMPREGO POR FAIXAS DE TAMANHO.2 74.0 0.grau ate 2.4 36.5 3.7 GUARULHOS 6.8 SAO JOSE DOS CAMPOS 3. Neste sentido.7 7. é possível mencionar alguns possíveis desdobramentos da análise realizada.5 45.7 29. A primeira delas compreende um aprofundamento da análise estrutural desses clusters.1 0. Com esse intuito. Ainda dentro dessa análise estrutural.9 1.0 25.8 37.1 20.4 6.5 1.2 19.3 62.6 7.9 50.3 51.1 55.3 2. 32(1):71-102.3 1.1 MARINGA 13. (ii) o aprofundamento de análises comparativas mais detalhadas em nível inter e intra-setorial contemplando aspectos relacionados à estrutura de atividades e do emprego.2 13.7 6.96 Clusters Industriais na Economia Brasileira TABELA 10 . mínimos MANAUS 6.4 65.3 2.0 SAO BERNARDO DO CAMPO 10.5 CAXIAS DO SUL 44.1 20.2 85.1 44.4 87.2 49.0 5.1 34.0 3.9 CURITIBA 12. jan-mar 2002 .0 69.4 1.8 74.3 SANTA RITA DO SAPUCAI 38.0 12. QUALIFICAÇÃO E REMUNERAÇÃO NOS CLUSTERS DO SETOR DE ELETRÔNICA-TELECOMU- NICAÇÃO Faixas de Tamanho Faixas de Qualificação Faixas de Remuneração ate 20 mais de 100 Até 4a .7 0.6 Fonte: elaborado a partir da RAIS (1997).5 46.0 2.8 LONDRINA 12.2 ITAQUAQUECETUBA 1. (ii) a sofisticação dos critérios de caracterização de clusters e a construção de algoritmos específicos que possam ser aplicados sobre a base de dados para identificação dos mesmos.00 sal. São Paulo.0 empregados empregados completo completo mínimos sal.6 17. três linhas principais de desenvolvimento podem ser destacadas. econ.4 29.6 CAMPINAS 16.5 49.0 11.2 53. IV. é possível citar a importância do desenvolvimento de uma análise intertemporal para captar a trajetória Est.serie.1 2.7 59. CONSIDERAÇÕES FINAIS A título de conclusão.0 5.4 7..

Nessa pesquisa. uma outra linha de desenvolvimento compreenderia a realização de uma análise geo-referenciada para avaliar o padrão de localização espacial dos clusters industriais. jan-mar 2002 . Neste sentido.no nível das diferentes firmas que fornecem informações . destaca-se a incorporação à análise de informações mais detalhadas sobre o ambiente local onde se inserem os diversos arranjos. São Paulo. A ferramenta teórica para tais comparações foi formulada em pesquisa do CEDEPLAR-UFMG (1999). pois há indícios que.poderia ser de grande valia.. Por fim. como aquelas que dizem respeito a infra- estrutura educacional e à infra-estrutura científico-tecnológica. como a PIA-IBGE . que indicam o grau de especialização do município na atividade em questão.de modo a avaliar-se a relação existente entre estrutura e performance dos diversos clusters industriais. 32(1):71-102. É importante também ressaltar a necessidade de uma análise mais detalhada em nível de “microrregiões homogêneas”. é possível citar a possibilidade de incorporação de informações relativas a indicadores de performance das atividades industriais levantados em nível de município . muitas Est. como “proxies” desse desempenho comparativo.Jorge Britto. Nesse sentido. aglomerações industriais relevantes de Minas Gerais foram avaliadas para identificar “tendências de especializações”. Uma segunda linha de desenvolvimento da análise compreenderia a incorporação de informações que permitissem confrontar a evolução da estrutura interna dos diversos clusters a indicadores de performance econômica e tecnológica definidos no plano empresarial. investigando o comportamento da tendência de especialização como uma “proxy” do desempenho comparativo de uma aglomeração vis-à-vis outra(s) no mesmo setor. Eduardo da Motta e Albuquerque 97 evolutiva desses clusters em termos da sua estrutura e do padrão de especialização. A idéia seria aplicar essa ferramenta para avaliar o desempenho comparativo de aglomerações e clusters selecionados. econ. Uma outra contribuição importante para essa análise envolveria a pesquisa das patentes depositadas por firmas presentes nos clusters identificados. o crescimento dos QLs. é possível utilizar. a possibilidade de se trabalhar com microdados da RAIS . Com esse intuito. Do mesmo modo.considerando informações de outras bases da dados.

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porém. REJANE. de responsabilidade exclusiva dos autores. Este artigo originou-se de pesquisa apoiada pela Diretoria de Políticas Setoriais do IPEA. A. Trabalho apresentado em Seminário no IPEA. econ. Os erros remanescentes são. Análise do pólo moveleiro de Bento Gonçalves. (Recebido em setembro de 2000. UNCTAD. São Paulo. June 1998. Sugestões de dois pareceristas desta publicação também contribuíram para o formato final do artigo. Est.. Os autores se beneficiaram dos comentários dos participantes de workshops coordenados por Luiz Fernando Tironi..Jorge Britto. jan-mar 2002 . em Brasília. Aceito para publicação em julho de 2001). Mimeografado. Eduardo da Motta e Albuquerque 101 VARGAS. Comentários de Mauro Borges Lemos (CEDEPLAR-UFMG) enriqueceram a pesquisa. 14/06/2000. M. O auxílio de Leandro Silva (FACE-UFMG) na construção da matrizes e no processamento dos dados foi decisivo. Promoting and sustaining SMEs clusters and networks for development. 32(1):71-102.

102 Clusters Industriais na Economia Brasileira ANEXO . RELE- VÂNCIA E DENSIDADE 1) Setor Textil-Vestuário Teresina Ubá Itapira Cianorte Maracanau Varginha Itaquaquecetuba Londrina Fortaleza Cachoeiro Itapemirim Itatiba Maringa Natal Cariacica Jacareí Ponta Grossa Campina Grande Colatina Jaú Blumenau Joao Pessoa Vila Velha Jundiaí Brusque Caruaru Campos Limeira Criciúma Jaboatao Duque de Caxias Nova Odessa Gaspar Petrolina Nova Friburgo Poa Guabiruba Aracaju Nova Iguacu Rio Claro Guaramirim Feira de Santana Petrópolis Santa Barbara D´oeste Indaial Barbacena São Goncalo Santo Andre Itajaí Cataguases São Joao de Meriti S. jan-mar 2002 . Bernardo do Campo Jaragua do Sul Contagem Americana Sao Carlos Joinvile Divinopolis Amparo Sao Joao da Boa Vista Rio do Sul Guaxupe Araraquara Sao Jose do Rio Preto Timbo Jacutinga Atibaia Sao Jose dos Campos Tubarão Juiz de Fora Batatais Sorocaba Cachoeirinha Leopoldina Bragança Paulista Sumaré Caxias do Sul Montes Claros Cerquilho Taboão da Serra Erechim Monte Sião Cosmopolis Tatuí Farroupilha Muriaé Cotia Tiete Santa Cruz do Sul Para de Minas Esp.. econ. São Paulo.Santo Do Pinhal Votorantim Sarandi Passos Guarulhos Apucarana Anapolis Pouso Alegre Ibitinga Cambé Goiania São João Nepomuceno Indaiatuba Campo Mourao Trindade Sete Lagoas 2) Setor de Eletrônica-Telecomunicações Manaus Mogi das Cruzes Taubaté Jaboatão Osasco Valinhos Contagem Poá Votorantim Santa Rita do Sapucai Presidente Prudente Curitiba Atibaia Ribeirão Pires Londrina Campinas Salto Maringa Carapicuíba Sao Bernardo do Campo Pinhais Diadema Sao Jose dos Campos Rio do Sul Guarulhos Sao Paulo Sao Jose Itaquaquecetuba Sao Roque Caxias do Sul Itu Sorocaba Gravataí Jundiaí Taboao da Serra Est.LISTAGEM DE AGLOMERAÇÕES IDENTIFICADAS COM BASE NOS CRITÉRIOS DE ESPECIALIZAÇÃO. 32(1):71-102.