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CONTEÚDO

PROFº: ANDRÉ BELÉM
CANTIGA DE AMIGO

02
A Certeza de Vencer

TROVADORISMO: ASPECTOS ESTILÍSTICOS CANTIGA DE AMIGO.
JACKY07/02/08

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As cantigas de amigo apresentam eu-poético feminino, embora o autor seja um homem. Procuram mostrar a mulher dialogando com sua mãe, com uma amiga ou com a natureza, sempre preocupada com seu amigo (namorado). Ou ainda, o amigo é o destinatário do texto, como se a mulher desejasse fazer-lhe confidências de seu amor. (Mas nunca diretamente a ele. O texto é dialogado com a natureza, como se o namorado estivesse por perto, a ouvir as juras de amor). Geralmente destinam-se ao canto e a dança. A linguagem, comparando-se às cantigas de amor é mais simples e menos musical pois as cantigas de amigo não se ambientam em palácios e sim em lugares mais simples e cotidianos. Conforme a maneira como o assunto é tratado, e conforme o cenário onde se dá o encontro amoroso, as cantigas de amigo recebem uma classificação especial. Aspectos estilísticos: Revela os sentimentos de um eu-poético feminino Ausência do amado – o eu-poético revela não saber seu paradeiro. Amor natural e espontâneo - algumas revelam que já foi realizado, e a moça espera por um bis Confissão dos sentimentos feito indiretamente ao amado – o eu-poético confessa seus sentimentos à outrem. É por isso que essas cantigas geralmente apresentam diálogos. Mulher mais próxima da realidade, que sofre pressão social, sua madre (mãe) exerce esse poder. Patriarcalismo - comportamento vigiado ou tolhido. Eu-poético Feminino e Autor Masculino - canção colocada na boca de uma moça do povo que exprime seu amor pelo "amigo" (namorado). Estrutura de poesia folclórica, uso de elementos reiterativos, principalmente, paralelismo e refrão. Musicalidade: Paralelismo e refrão são recursos que dão musicalidade, reforçam a idéia principal do texto e facilitam sua a memorização. ∗ Paralelismo: repetição de expressões ou significados ∗ Refrão: repetição de versos, geralmente no final de cada estrofe de um poema. Origem Ibérica: é uma cantiga que nasceu no seio popular e que talvez por esse motivo, sua ambientação é periférica, podendo a cantiga se classificada de acordo com seu ambiente: Classificação: - Alvas (quando se passam ao amanhecer): Levantou-s'a velida (a bela) / Levantou-s'à alva; / e vai lavar camisas / e no alto (no rio) / vai-las lavar à alva (de madrugada). - D. Dinis. - Bailias (quando seu cenário é uma festa onde se dança): E no sagrado (local sagrado, possivelmente à frente de uma igreja), em Vigo / bailava corpo velido (uma linda moça) amor ei! - Martim Codax. - Romarias (sobre visitas a santuários, enquanto as "madres queymam candeas"):

Pois nossas madres van a San Simon / de Val de Prados candeas queimar (pagar promessas) / nós, as menininhas, punhemos d'andar (vamos passear). - Pero de Viviães. - Barcarolas ou Marinhas (falam do temor de que o "amigo" vá às expedições marítimas; do perigo de que ele não volte mais. Vi eu, mia madr' , andar / as barcas e no mar, / e moiro de amor! - Nuno Fernandes Torneol - Pastorelas (quando seu cenário é o campo, próximo a rebanhos): Oi (ouvi) oj'eu ua pastor andar, / du (onde) cavalgava per ua ribeira, / e o pastor estava i senlheira, (sozinha) / a ascondi-me pola escuitar... - Airas Nunes de Santiago. “CANTARES D’AMIGO” Vi eu, mia madr’, andar as barcas eno mar: e moiro-me d’amor. Fui eu, madre, veer as barcas eno ler (1): e moiro-me d’amor. As barcas eno mar a foi-las aguardar: e moiro-me d’amor As barcas eno ler E foi-las atender (2) e moiro-me d’amor E foi-las aguardar e non o pud’achar: e moiro-me d’amor. (Nuno Fernandes Torneol) Non poss’eu, madre, ir a santa Cecília ca me guardades a noit’e o dia do meu amigo. Non poss’eu, madr’, aver gasalhado, ca me non leixades fazer mandado do meu amigo. Ca me guardades a noit’e o dia; morrer-vos ei con aquesta perfia por meu amigo. Ca me non leixades fazer mandado; morrer-vos ei con aqueste cuidado por meu amigo. Morrer-vos ei con aquesta perfia, e, se me leixassedes ir, guarria con meu amigo. Morrer-vos ei con aqueste cuidado, e se quiserdes, irei mui de grado con meu amigo.
VESTIBULAR – 2009

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EXERCÍCIO SOBRE TROVADORISMO Questão 1 Bailemos agora, por Deus, ai velidas [formosas], so [sob] aquestas [estas] avelaneiras frolidas [floridas] e quem for velida, como nós velidas, se amig’ amar so [sob] aquestas avelaneiras frolidas verrá [virá] bailar! Bailemos agora, por Deus, ai loadas [louvadas], so aquestas avelaneiras granadas [em flor] e quem for loada, como nós loadas, se amig’ amar so [sob] aquestas avelaneiras granadas verrá bailar!
ZORRO, João. In:CARDOSO, Wilton; CUNHA, Celso. Estilística e Gramática Histórica. Rio de Janeiro:Tempo Brasileiro, 1978. p. 300.

a) Todas estão corretas. b) Todas estão incorretas c) Apenas I e II estão corretas. d) Apenas I e III estão corretas. e) Apenas a I Questão 3 “Eu vi, mia madr’, andar As barcas eno mar e moiro-me d’ amor. Fui eu madre, veer as barcas eno ler e moiro-me d’ amor. As barcas eno mar e foi-las aguadar e moiro-me d’ amor. As barcas eno ler e foi-las atender e moiro-me d’ amor. E foi-las aguadar e non o pud’ achar; e moiro-me d’ amor.
(Nuno F. Torneol)

(praia)

Acerca do poema, é correto afirmar: a) Trata-se de uma cantiga de amor de refrão, visto que o sujeito é feminino e o objeto, masculino. b) Observa-se o acatamento às regras do amor cortês, sobretudo, no que diz respeito à vassalagem amorosa. c) O cenário, extremamente convencional, indica a presença da cantiga de amor em que a natureza não se apresenta como amiga e confidente. d) Embora haja uma caracterização da donzela como “velida” [formosa] e “loada” [louvada], o sentimento amoroso manifestase como “coita” de amor e amor infeliz. e) Explora-se a temática da alegria de amar e de ser amada, ocorrendo o relacionamento entre o sujeito e o objeto num plano de igualdade. Questão 2 ESTAVA A FORMOSA SEU FIO TORCENDO (paráfrase de Cleonice Berardinelli) Sedia la fremosa seu sirgo torcendo, Sa voz manselinha fremoso dizendo Cantigas d'amigo. Sedia la fremosa seu sirgo lavrando, Sa voz manselinha fremoso cantando, Cantigas d' amigo. - Par Deus de Cruz, dona, sey que avedes Amor muy coytado que tan ben dizedes Cantigas d'amigo. Par Deus de Cruz, dona, sey que andades D'amor muy coytada que tan ben cantades Cantigas d'amigo. - Avuytor comestes, que advinhades. Estêvão Coelho 1. Assinale a alternativa que só contenha afirmativas corretas I. O paralelismo é um dos recursos estilísticos mais comuns na poesia lírico-amorosa trovadoresca. Consiste na ênfase de uma idéia central, às vezes repetindo expressões idênticas, palavra por palavra, em séries de estrofes paralelas, como vemos no texto acima. II. As duas primeiras estrofes encerram um paralelismo semântico na medida em que tratam da atividade diária da moça que trabalha e canta. O mesmo recurso o corre com as duas últimas, pois a idéia central relaciona-se com o sofrimento causado pela ausência do amado. III. O texto revela o diálogo entre o eu-lírico e uma moça. Os sentimentos revelados são a impressão do eu-lírico sobre o que a moça está sentindo.

(esperar)

As cantigas de amor e as cantigas de amigo aparecem como formas poéticas representantes do lirismo medieval português. No texto lido, identifique o tipo de cantiga, justificando a sua resposta com um traço estilístico do poema. Questão 4 (ufpa/2007) Leia a cantiga trovadoresca a seguir: Pois naci nunca vi Amor, e ouço d’ el sempre falar. Pero [Mas] sei que me quer matar, mais rogarei a mia senhor que me mostr’ aquel matador, ou que m’ ampare d’ el melhor. Pero nunca lh’ eu fige [fiz] ren [nada] por que m’ el aja de matar, mais quer’ eu mia senhor rogar, polo [pelo] gran med’ en que me ten, que me mostr’ aquel matador, ou que m’ ampare d’ el melhor! [...] E pois Amor á [tem] sobre mi [mim] de me matar tan gran poder, e eu non o posso veer, rogarei mia senhor assi que mi-amostr’ aquel matador, ou que m’ ampare d’ el melhor. (Nuno Fernandes Torneol, Cancioneiro da Ajuda, n.º 80.) Acerca do poema, é CORRETO afirmar: a) O amor é tratado como uma entidade autônoma de que o eu lírico busca defender-se. b) Os versos “mais rogarei a mia senhor / que me mostr’ aquel matador,” traduzem uma atitude de súplica respeitosa, que contraria os ideais do amor cortês. c) No verso “Pois naci nunca vi Amor,” manifesta-se um eu lírico feminino, o que justifica a classificação do texto como cantiga de amigo. d) A métrica do poema, dado o uso predominante do octossílabo, não está de acordo com os padrões da cantiga de amor. e) A presença do refrão em dístico permite-nos classificar o texto como uma cantiga de amigo.

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VESTIBULAR – 2009

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