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3.1 IntroduÁ„o Quando tratamos com vetores geomÈtricos determinados por dois pontos do espaÁo, as noÁıes de

3.1 IntroduÁ„o

Quando tratamos com vetores geomÈtricos determinados por dois pontos do espaÁo, as noÁıes de ‚ngulo e comprimento tornam-se bem claras. Na Ögura ao lado ilustramos dois ve- tores u e v e o ‚ngulo entres eles, onde vemos que u = OA = xi + yj + zk e v = OB = x 0 i + y 0 j + z 0 k:

3.1 IntroduÁ„o Quando tratamos com vetores geomÈtricos determinados por dois pontos do espaÁo, as noÁıes de

DeÖne-se a norma (ou comprimento) e o produto interno (ou produto escalar) no espaÁo R 3 por:

norma:

kuk = p x 2

+ y 2 + z 2

produto interno:

u v = kuk kvk cos :

Quando o ‚ngulo for =2, diremos que os vetores u e v s„o ortogonais ou perpendiculares e anotamos u ? v. Em coordenadas, o produto interno vem dado por

u v = xx 0 + yy 0 + zz 0

(3.1)

e as seguintes propriedades s„o v·lidas sejam quais forem os vetores u; v e w e seja qual for o escalar :

  • 1. u u = kuk 2 0 e u u = 0 , u = 0:

  • 2. u v = v u:

  • 3. = u ( v)

( u) v

=

(u

v) :

  • 4. u (v + w) = u v + u w:

Com o objetivo de interpretar geometricamente o produto interno, deixe-nos considerar dois vetrores n„o nulos u e v, sendo u um vetor unit·rio, isto È, kuk = 1:

COMPLEMENTOS & EXERCÕCIOS

ESPA«OS COM PRODUTO INTERNO 69

Na Ögura ao lado, o vetor OB representa a projeÁ„o ortogonal do vetor v sobre o vetor u. Essa projeÁ„o ortogonal È represen- tada por Proj u v e um c·lculo simples nos d·:

Proj u v =

v u

jjujj 2

u;

COMPLEMENTOS & EXERCÕCIOS ESPA«OS COM PRODUTO INTERNO 69 Na Ögura ao lado, o vetor OB representa

e, consequentemente, kProj u vk = jv uj. De certa forma, o produto interno v u pode ser visto como o comprimento da projeÁ„o ortogonal Proj u v:

Em um espaÁo vetorial V , em que os objetos (vetores) n„o s„o, necessariamente, vetores geomÈtricos (setas) as noÁıes de comprimento e ‚ngulo, embora bem deÖnidas, n„o s„o t„o Ûbvias. Por produto interno em V entendemos uma operaÁ„o que associa a cada par de vetores (u; v) um escalar hu; vi, preservando as propriedades do produto escalar entre vetores geomÈtricos. Em sÌmbolos, temos:

e s„o v·lidas as propriedades

h ; i : V V ! R

(u;v)

7!

hu;vi

(Produto Interno)

  • 1. hu; ui 0; 8 u 2 V e hu; ui = 0 se, e somente se, u = 0:

  • 2. hu; vi = hv; ui;

8 u; v 2 V:

  • 3. h u; vi = hu; vi; 8 u; v 2 V; 8 2 R:

  • 4. hu; v +

wi = hu; wi + hv; wi; 8 u; v; w 2 V:

NORMA INDUZIDA Um produto interno induz no espaÁo V uma norma, deÖnida por kuk = p hu; ui, a qual goza das seguintes propriedades (prove-as!)

(N1) kuk 0;

8 u 2 V e kuk = 0 , u = 0:

(N2) k uk = j j kuk ; 8 u 2 V; 8 2 R:

(N3) jhu; vij kuk kvk ; 8 u; v 2 V:

(N4) ku + vk

kuk + kvk ; 8 u; v 2 V:

(o ˙nico vetor de norma 0 È o vetor nulo)

(Desigualdade de Cauchy-Schwarz) (Desigualdade triangular)

Em um contexto mais geral, as propriedades (N1), (N2) e (N4) s„o usadas para deÖnir a norma como um funcional k k : V ! R.

  • 70 £LGEBRA LINEAR

MARIVALDO P. MATOS

Exemplo Podemos usar o produto escalar (3.1) como guia para deÖnir um produto interno em R n . Dados u = (x 1 ; x 2 ; : : : ; x n ) e v = (y 1 ; y 2 ; : : : ; y n ) vetores do R n ; o produto interno

hu; vi =

n

X

x k y k = x 1 y 1 + x 2 y 2 + + x n y n

k=1

(3.2)

È conhecido por produto interno usual ou canÙnico do R n : A norma induzida por esse produto interno È

kuk = q x 2 + x 2 2 + + x

1

2

n :

Exemplo No espaÁo C ([a; b]) ; das funÁıes contÌnuas f : [a; b] ! R; o produto interno usual È deÖnido por

hf; gi

b

= Z f (t) g (t) dt:

a

(3.3)

Consideremos a = 0; b = e calculemos as normas e o produto interno entre os vetores f (t) = cos t e g (t) = sen t: A norma induzida pelo produto interno (3.3) È

kfk = p hf; fi = Z [f (t)] 2 dt 1=2 :

0

Usando as identidades cos 2 t = 2 (1 + cos 2t) e sen 2 t = 2 (1 cos 2t), encontramos

1

1

kcos tk 2

=

Z (cos t) 2 dt =

Z (1 + cos 2t)
0

1 2

0

dt = =2 ) kcos tk = p =2

ksen tk 2 = Z (sen t) 2 dt =

2

Z
0

1

0

(1 cos 2t) dt = =2 ) ksen tk = p =2:

Por outro lado,

hcos t; sen ti = Z cos t sen t dt = 1 2 sen 2 t = 0:

0

0

(3.4)

DeÖniÁ„o Em um espaÁo vetorial V; com produto interno, diremos que dois vetores u e v s„o ortogonais, e anotamos u ? v; quando hu; vi = 0:

Exemplo Os vetores e 1 = (1; 0; 0) ; e 2 = (0; 1; 0) e e 3 = (0; 0; 1) da base canÙnica do R 3 s„o mutuamente ortogonais, em relaÁ„o ao produto interno usual (3.2). De fato,

he 1 ; e 2 i = he 1 ; e 3 i = he 2 ; e 3 i = 0:

Exemplo Em relaÁ„o ao produto interno (3.3), vemos de (3.4) que as funÁıes sen t e cos t s„o ortogonais. CONSEQU NCIAS As seguintes regras de ortogonalidade s„o facilmente comprovadas. Prove-as.

COMPLEMENTOS & EXERCÕCIOS

ESPA«OS COM PRODUTO INTERNO 71

  • (i) 0 ? u; 8 u 2 V:

(ii) Se u ? v;

8 v 2 V , ent„o u = 0:

(iii) Se u ? v e È um escalar, ent„o u ? v:

(iv)

Se u ? w e v ? w, ent„o u + v ? w:

(o vetor nulo È ortogonal a todos vetores de V )

DeÖniÁ„o Se os vetores de uma base de V s„o dois a dois ortogonais, a base denomina-se

base ortogonal. Se, alÈm disso, os vetores da base s„o todos unit·rios (de norma igual a 1) ela

denominar-se-· base ortonormal.

Exemplo Em relaÁ„o ao produto interno usual, a base canÙnica do R n È ortonormal. Uma

base = fv 1 ; v 2 ; : : : ; v n g de V È ortonormal em relaÁ„o a um dado produto interno se, e sÛ se, para

cada i; j = 1; 2; 3; : : : ; n tem-se

hv i ; v j i = ij =

1,

se

i = j

0,

se

i 6= j:

3.1A No espaÁo R 2 , dados u = (x; y) e v = (x 0 ; y 0 ), veriÖque que a operaÁ„o

hu; vi = 2xx 0 + xy 0 + x 0 y + 2yy 0

(3.5)

deÖne um produto interno. Com relaÁ„o a esse produto interno, mostre que os vetores u = (1; 1) e

v = (1; 1) s„o ortogonais.

3.1B

A operaÁ„o h(x; y) ;(x 0 ; y 0 )i = jx 0 xj + jy 0 yj deÖne um produto interno no R 2 ? Por quÍ?

3.1C

Em um espaÁo vetorial V com produto interno, mostre as seguintes identidades:

ku + vk 2

+ ku vk 2

=

2 kuk 2 +

kvk 2 :

( do

Paralelogramo)

ku + vk 2 ku vk 2 = 4hu; vi:

(

de PolarizaÁ„o)

Se u e v s„o unit·rios e hu; vi = 1, È correto aÖrmar que u = v? Se n„o, apresente um contra-

exemplo.

ObservaÁ„o Ao fazer referÍncia ‡ identidade do paralelogramo, a norma considerada È in-

duzida por um produto interno, isto È,

kuk = p hu; ui:

  • 72 £LGEBRA LINEAR

MARIVALDO P. MATOS

Ali·s, a identidade do paralelogramo È o indicador que determina se uma dada norma provÈm ou

n„o de um produto interno. O funcional k k 1 deÖnido em R 2 por:

k(x; y)k 1 = max fjxj ; jyjg ;

satizfaz ‡s propriedades (N1), (N2) e (N4) que deÖnem norma e, contudo, n„o satisfaz ‡ identidade

do parelelogramo. De fato, se considerarmos u = (1; 0) e v = ( 1; 0), teremos:

ku + vk 2 + ku vk 2 = k(0; 0)k 2 + k(2; 0)k 2 = 2

1

1

1

1

e, por outro lado,

2 kuk 2 + kvk 2 = 2 k(1; 0)k 2 + k( 1; 0)k 2 = 2 (1 + 1) = 4:

1

1

1

1

Considerando que a identidade do paralelogramo n„o foi atendida, concluÌmos que a norma k k 1

n„o È induzida por um produto interno.

3.1D Em um espaÁo vetorial V com produto interno, considere dois vetores u e v unit·rios e

ortogonais. Mostre que ku vk = p 2:

3.1E No espaÁo V = M 2 2 das matrizes reais 2 2, deÖna a operaÁ„o

hA; Bi = a 11 b 11 + 2a 12 b 12

+ 3a 21 b 21 + a 22 b 22 ;

sendo A = [a ij ] e B = [b ij ].

(3.6)

  • (a) VeriÖque que a operaÁ„o (3.6) deÖne um produto interno em V:

  • (a) Calcule as normas e o ‚ngulo entre os vetores

A = 2

4

1 1

0

1

3

5

e

B = 2

4

2

1

1 1

3

5

:

3.1E Seja V um espaÁo vetorial com produto interno e considere dois vetores u e v em V: Mostre

que a funÁ„o real f (x) = ku + xvk 2 atinge um valor mÌnimo.

3.1G No espaÁo R 3 considere a norma induzida pelo produto interno

hu; vi = 2xx 0 + yy 0 + 4zz 0 ; sendo u = (x; y; z) ; v = x 0 ; y 0 ; z 0 :

(3.7)

Calcular o trabalho da forÁa constante F = (1; 2; 6) para transportar uma partÌcula do ponto

A (1; 1; 2) ao ponto B (2; 3; 1), em linha reta. Recorde-se que o trabalho È o produto da forÁa pelo

deslocamento.

COMPLEMENTOS & EXERCÕCIOS

ESPA«OS COM PRODUTO INTERNO 73

3.1G Dados dois vetores n„o nulos v 1 e v 2 ; qual valor deve-se atribuir ‡ constante para que os

0

vetores v 1 e v 2 = v 2 v 1 sejam ortogonais?

3.1H Sejam v 1 ; v 2 e v 3 vetores n„o nulos e suponha que v 1 e v 2 sejam ortogonais. Quais valores

0

devem assumir as constantes e ; para que o vetor v 3 = v 3 v 2 v 1 seja ortogonal a v 1 e v 2 ;

simultaneamente?

3.1I Se x; y e z s„o n˙meros reais positivos, use a desigualdade de Cauchy-Schwarz em R 3 e

mostre que

(x + y + z) + + z 9:

1

x

1

y

1

3.1J Em relaÁ„o ao produto interno (3.6), encontre o valor de x que torna ortogonais os vetores

A = 2

4

1 1

2

1

3

5

e

B = 2

4

1 1

2

x

3

5

:

3.1K Se u e v s„o ortogonais, mostre que

ku + vk 2 = kuk 2 + kvk 2 :

(Teorema de Pit·goras)

FaÁa uma ilustraÁ„o geomÈtrica com vetores no plano R 2 :

3.2 OrtogonalizaÁ„o

Por que as bases ortogonais s„o importantes e como ortogonalizar uma dada base? As coor-

denadas de um vetor numa base ortogonal s„o relativamente simples de calcular e isso j· justiÖca

a import‚ncia das bases ortogonais. Se = fv 1 ; v 2 ; : : : ; v n g È uma base ortogonal de V e u È um

vetor qualquer, ent„o

u = x 1 v 1 + x 2 v 2 + : : : + x n v n

(3.8)

e para calcular a coordenada x j fazemos o produto interno dos dois lados de (3.8) pelo vetor v j ,

usamos a ortogonalidade e encontramos

hu; v j i = x j hv j ; v j i = x j kv j k 2 ) x j =

hu; v j i

kv j k 2

, j = 1; 2; 3; : : : ; n:

(3.9)

O escalar hu; v j i que Ögura em (3.9) È o coeÖciente de Fourier de u com respeito ao vetor v j :

kv j k 2

  • 74 £LGEBRA LINEAR

MARIVALDO P. MATOS

Exemplo Em relaÁ„o ao produto interno usual, a base

= f(1; 1; 0) ;( 1; 1; 0) ; (0; 0; 2)g

È uma base ortogonal, tendo em vista que

h(1; 1; 0) ;( 1; 1; 0)i =

1 + 1 + 0 = 0

h(1; 1; 0) ; (0; 0; 2)i = 0

+ 0 + 0 = 0

h( 1; 1; 0) ; (0; 0; 2)i = 0 +

0 + 0 = 0:

Os coeÖcientes de Fourier do vetor u = (3; 1; 2) em relaÁ„o ‡ base s„o

h(3; 1; 2) ; (1; 1; 0)i 2 x 1 = = = 1 2 3
h(3; 1; 2) ; (1; 1; 0)i
2
x 1 =
=
= 1
2
3
k(1; 1; 0)k 2
2
1
6
7
h(3; 1; 2) ;( 1; 1; 0)i
4
6
7
x 2 =
=
= 2
) [u] = 6
2 7
:
k( 1; 1; 0)k 2
2
4
5
1
h(3; 1; 2) ; (0; 0; 2)i
4
x 3 =
=
= 1
k(0; 0; 2)k 2
4
O processo que apresentamos aqui para ortogonalizar uma base = fv 1 ; v 2 ; : : : ; v n g do espaÁo
vetorial V È devido a Gram-Schmidt e se inicia Öxando uma das direÁıes, digamos v 1 0 = v 1 , e
0
0
0
0
0
construindo vetores v 2 ; v 3 : : : v n de modo que 0 = fv 1 0 ; v 2 ; : : : ; v n g seja uma base ortogonal: (veja
0
os exercÌcios 3.1G e 3.1H) O vetor v k da base 0 vem dado por
0
0
hv k ; v
hv k ; v
0
hv k ; v
i
hv k ; v 0
i
0
k 1 i
0
k 2 i
0
2
0
1
0
= v k
v
2 v k 2
v
v 1 ;
k =
2; 3; : : : ; n:
v k
2
k 1
2
2
2
0
0
0
v
v
kv
k
kv 0
k
k 1
k 2
2
1
De forma explÌcita, temos
0
v
= v 1
1
hv 2 ; v 0
i
0
1
0
v 2 =
v 2
v
0
2
1
kv
k
1
0
hv 3 ; v
i
hv 3 ; v 0
i
0
2
0
1
0
v 3 =
v 3
v
v
0
2
2
2
1
kv
k
kv 0
k
2
1
.
.
.
0
0
hv n ; v
hv n ; v
0
hv n ; v
i
hv n ; v 0
i
0
n 1 i
0
n 2 i
0
2
0
1
0
= v n
v
2 v n 2
v
v n
v
2
k 1
2
2
1
0
0
2
0
0
v
v
kv
k
kv
k
n 1
n 2
2
1
Exemplo No espaÁo P 1 dos polinÙmios de grau 1, considere o produto interno
hp; qi = Z 2 p (x) q (x) dx:
0

COMPLEMENTOS & EXERCÕCIOS

ESPA«OS COM PRODUTO INTERNO 75

A partir da base = f1; xg vamos encontrar uma base ortonormal de P 1 :

Passo 1: Ortogonalizando, via Gram-Schmidt, a base .

Sejam v 1 = 1, v 2 = x e consideremos

0

v 1 =

v 1 = 1 e

0

v 2 = v 2

hv 2 ; v 0

1

i

kv

0

1

k

2

0

xdx

2 dx

R

2

0

v 1 = x R

2

0

1

= x 1:

A base 0 = f1; x 1g assim obtida È ortogonal.

Passo 2: Ortonormalizando a base 0 .

Temos

k1k 2

=

h1; 1i = Z 2 dx = 2 ) k1k = p 2

0

kx 1k 2 = hx 1; x 1i = Z 2 (x 1) 2 dx = 2=3 ) kx 1k = p 2=3:

0

A base 00 = n

1

p

3

p 2 ; p 2

(x 1) o È ortonormal.

3.2A Use o processo de ortogonalizaÁ„o para construir uma base ortonormal do R 2 , a partir da

base = f(1; 2) ; (2; 1)g :

3.2B

Repita o exercÌcio precedente considerando a base = f(1; 1; 0) ; (1; 0; 1) ; (0; 2; 0)g do R 3 :

3.2C

Ortonormalize a base = f(1; 1) ; (1; 1)g do R 2 , em relaÁ„o ao produto interno (3.5).

3.2D

Considere o produto interno usual do R 3 e encontre uma base ortonormal para o subespaÁo

W = f(x; y; z) : x y + z = 0g :

3.2E No espaÁo P 2 dos polinÙmios de grau 2, considere o produto interno

1

hp; qi = Z p (x) q (x) dx:

1

Encontre uma base ortonormal para o subespaÁo de P 2 gerado pelos vetores v 1 = 1 e v 2 = 1 x:

3.2F Mostre que a operaÁ„o hA; Bi = tr B t A deÖne um produto interno em M 2 2 e, em relaÁ„o

a esse produto interno, ortonormalize a base

=

8

<

:

2

4

1

0

0

1

3

5

;

2

4

1

0

1

0

3

5

;

2

4

1

1

0

1

3

5

;

2

4

1

1

1

1

3

5

9

=

;

:

  • 76 £LGEBRA LINEAR

MARIVALDO P. MATOS

3.2G No espaÁo das funÁıes contÌnuas em [ ; ] considere o produto interno usual

hf; gi = Z f (x) g (x) dx

e deixe f ser a funÁ„o dada por f (x) = sen kx, onde k È um inteiro positivo.

  • (a) Calcule kfk :

  • (b) Se g : [ ; ] ! R È contÌnua, calcule o coeÖciente de Fourier de g com respeito ‡ f:

3.2H Considere o espaÁo das funÁıes contÌnuas em [0; 2 ] ; equipado do produto interno usual

hf; gi = Z 2 f (x) g (x) dx:

0

Se g n (x) = cos nx e h m (x) = sen mx, sendo m e n inteiros, com n 0 e m 1, mostre que:

  • (a) kg 0 k = p 2 e kg n k = kh n k = p ; 8 n 1:

(b)

g n ? h m ; 8 m; n:

  • (c) g n ? g m ; se m 6= n:

No c·lculo das integrais use as relaÁıes

sen A cos B =

2 1 [sen (A + B) + sen (A B)]

cos A cos B = 1 2 [cos (A + B) + cos (A B)] :

3.2I Com a notaÁ„o do exercÌcio precedente, calcule a norma e os coeÖcientes de Fourier da funÁ„o

f (x) = x, com respeito ‡s funÁıes g n e h m :

3.2J Seja V o espaÁo das funÁıes contÌnuas em [0; 1], equipado do produto interno

hf; gi = Z 1 f (x) g (x) dx:

0

  • (a) Encontre uma base ortonormal do subespaÁo gerado pelas funÁıes f (x) = x e g (x) = x 2 :

  • (b) Repita o Ìtem (a) com o subespaÁo W = 1; x; x 2 :

  • 3.3 Complementar Ortogonal

No que se segue V È um espaÁo vetorial real e h ; i um produto interno em V . Dado um

subconjunto S de V , o complementar ortogonal de S, representado por S ? (lÍ-se "S perp"), È o

subconjunto de V constituÌdo pelos vetores ortogonais a S, isto È,

S ? = fv 2 V : hu; vi = 0; 8 u 2 Sg :

COMPLEMENTOS & EXERCÕCIOS

ESPA«OS COM PRODUTO INTERNO 77

3.3A

Mostre que S ? È um subespaÁo vetorial de V , mesmo que S n„o o seja.

3.3B

IdentiÖque os subespaÁos 0 ? e V ? : Se W È um subespaÁo de V , quem È W ?? ?

3.3C

DECOMPOSI« O EM SOMA DIRETA Se W È um subespaÁo vetorial de V , mostre que

  • V =

W W ? :

Deduza, em particular, que dim V = dim W + dim W ? .

3.3D Em cada caso, encontre uma base do subespaÁo W ? :

  • (a) W = (x; y) 2 R 2 : x = y :

  • (b) W = (x; y; z) 2 R 3 : x = y :

3.3E Em R 3 , com o produto interno usual, considere o operador linear T (x; y; z) = (z; x y; z).

  • (a) Encontre uma base ortonormal do subespaÁo N (T) ? .

  • (b) Repita o Ìtem (a), considerando o produto interno (3.7).

3.3F Em R 3 , com o produto interno usual, seja W o subespaÁo gerado pelos vetores

v 1 = (1; 1; 0) ; v 2 = (0; 1; 1) ; e v 3 = (1; 0; 1) :

  • (a) Encontre o complementar ortogonal W ? :

  • (b) Qual o operador T do R 3 , que satisfaz a Im (T) = W ? e N (T) = W?

3.3G Seja W o

subespaÁo R 3 gerado pelo conjunto S = f(1; 0; 1) ; (1; 1; 0) ; (2; 1; 1)g :

  • (a) H· diferenÁa entre S ? e W ? ?

  • (b) Encontre uma base ortogonal de W ? :

3.3H Seja W o subespaÁo do R 3 , gerado pelos vetores (1; 0; 1) e (1; 1; 0) : Determine uma base de

W ? , considerando o produto escalar

h(x; y; z) ;(x 0 ; y 0 ; z 0 )i = 2xx 0 + yy 0 + zz :

0

3.3I Mostre que o espaÁo-soluÁ„o do sistema

2x + y z

= 0

y + z = 0

coincide com o complementar ortogonal em R 3 do subespaÁo gerado pelos vetores v 1 = (2; 1; 1) e

v 2 = (0; 1; 1) : Encontre uma base ortonormal do espaÁo-soluÁ„o.

  • 78 £LGEBRA LINEAR

MARIVALDO P. MATOS

3.3J Repita o exercÌcio precedente com os sistemas

(a)

3x 2y + z + t

= 0

x + y + 2t = 0

(b)

x + y + z

= 0

x y = 0

y + z = 0:

3.3K Seja W o subespaÁo do R 5 gerado pelos vetores

v 1 = (1; 2; 3; 1; 2) e v 2 =

(2; 4; 7; 2; 1) :

Encontre uma base do subespaÁo W ? , considerando em R 5 o produto interno usual.

  • 3.3.1 ProjeÁ„o Ortogonal

Seja = fv 1 ; v 2 ; : : : ; v k g uma base ortogonal de um subespaÁo W de V e deixe-nos representar por

Proj W (v) o vetor

Proj W (v) =

hv; v 1 i v 1 + hv; v 2 i

kv 1 k 2

kv 2 k 2

v 2 + + hv; v k i v k :

kv k k 2

Conforme vimos no ExercÌcio 3.3C, V = W W ? e dado um vetor v de V , temos que v Proj W (v)

jaz no complementar ortogonal W ? e, assim,

v = Proj W (v) + (v Proj W (v)) :

| {z

}

2 W

|

{z

}

2

W ?

(3.10)

A relaÁ„o (3.10) sugere olhar o vetor Proj W (v) como a projeÁ„o ortogonal do vetor v no subespaÁo

W: Em resumo, temos

Proj W (v) =

hv; v 1 i v 1 + kv 1 k 2
hv; v 1 i
v 1 +
kv 1 k 2

hv; v 2 i

kv 2 k 2

v 2 + + hv; v k i v k :

kv k k 2

Veja na introduÁ„o a projeÁ„o ortogonal de um vetor (geomÈtrico) sobre outro para deduzir a

generalizaÁ„o acima.

3.3L Encontre a projeÁ„o ortogonal do vetor v = (1; 0; 0; 1; 2) no subespaÁo W do exercÌcio

precedente. (primeiro ortogonalize a base de W)

EXERCÕCIOS ADICIONAIS

COMPLEMENTOS & EXERCÕCIOS

ESPA«OS COM PRODUTO INTERNO 79

  • 1. Em um espaÁo vetorial V com produto interno, considere dois vetores u e v; unit·rios e ortogonais. Mostre que

(xu + yv) ? (zu + tv) , xz + yt = 0:

  • 2. Em um espaÁo vetorial V com produto interno, considere um vetor unit·rio u e seja S o subconjunto de V constituÌdos pelos vetores unit·rios de V . DeÖna a funÁ„o ' : S ! R por ' (v) = ku vk :

    • (a) Mostre que ' tem valor m·ximo 2 e valor mÌnimo 0. Em que vetores ' atinge esses valores extremos?

  • (b) Mostre que ' (v) = p 2 se, e somente se, v ? u:

  • 3. Dada uma matriz real A, de ordem 2 2, mostre que a matriz A t A È diagonal se, e somente se, as colunas de A s„o vetores ortogonais, em relaÁ„o ao produto interno usual do R 2 :

  • 4. Em um espaÁo vetorial V , considere dois produtos internos h ; i 1 e h ; i 2 e deÖna:

h

; i 3

=

h ; i 1 + h ; i 2

h ; i 4

=

h ; i 1 ;

> 0

Mostre que h ; i 3 e h ; i 4 deÖnem produtos internos em V:

  • 5. No espaÁo vetorial R 2 construa dois produtos internos h ; i 1 e h ; i 2 , tais que a diferenÁa h ; i = h ; i 1 h ; i 2 n„o È um produto interno.

  • 6. A desigualdade de Cauchy-Schwarz estabelece que

jhu; vij

kuk kvk :

(3.11)

Mostre que a igualdade em (3.11) ocorre se, e somente se, os vetores u e v s„o LD.

  • 7. A desigualdade triangular estabelece que

 

ku + vk kuk + kvk :

(3.12)

Mostre que ocorre a igualdade em (3.12) se, e somente se, u e v s„o LD.

  • 80 £LGEBRA LINEAR

MARIVALDO P. MATOS

  • 8. Dado um operador linear T : R 2 ! R 2 , tal que hT (u) ; ui = 0; 8 u, mostre que

hT (u) ; vi = hu; T (v)i; 8 u; v 2 R 2 :

  • 9. Seja A = [a ij ] uma matriz 2 2 e deÖna T : R 2 ! R 2 por T (u) = A [u]. Em relaÁ„o ao produto interno usual do R 2 , mostre que

hT (1; 0) ; (0; 1)i = a 21 e hT (0; 1) ; (1; 0)i = a 12 :

  • 10. Com a notaÁ„o do exercÌcio precedente e admitindo que hT (u) ; ui = 0; 8 u 2 R 2 , mostre que a matriz A È antissimÈtrica.

  • 11. Se h ; i È um produto interno no espaÁo vetorial R, mostre que existe um escalar , tal que hu; vi = (x y). Em outras palavras, a menos de uma constante multiplicativa, o produto interno em R coincide com o produto usual de n˙meros reais.

 

RESPOSTAS & SUGEST’ES

 

3.1 INTRODU« O

:::::::::::::::::::

3.1A Comprove uma a uma as propriedades de produto interno. Sendo u = (1; 1) e v = (1; 1),

temos

hu; vi = 2 1 1 + 1 ( 1) + 1 1 + 2 ( 1) = 0:

3.1B N„o. Se u = (1; 0) e v = (0; 0), um c·lculo direto nos d·

hu; vi = j0 1j + j0 0j = 1:

(se fosse um produto interno, deverÌamos ter hu; 0i = 0):

3.1C Use as relaÁıes ku vk 2 = kuk 2 2hu; vi + kvk 2 para chegar aos resultados.

3.1D Sendo u e v unit·rios e ortogonais, temos

kuk = kvk = 1 e

hu; vi = 0. Assim,

ku vk 2 = kuk 2 2hu; vi + kvk 2 = 2:

3.1E A parte (a) consiste em comprovar as popriedades do produto interno. Para a parte (b),

temos

kAk = p 1 + 2 + 1 = 2 e kBk = p 4 + 2 + 3 + 1 = p 10:

COMPLEMENTOS & EXERCÕCIOS

ESPA«OS COM PRODUTO INTERNO 81

AlÈm disso, hA; Bi = 1 e representando por o ‚ngulo entre A e B, temos

cos =

hA; Bi

kAk kBk

1

= 2 p 10 ) = arccos 1=2 p 10 :

3.1F A funÁ„o f (x) È o trinÙmio do segundo grau

f (x) = kvk 2 x 2 + 2hu; vix + kuk 2 ;

com discriminante = 4hu; vi 2 4 kuk 2 kvk 2 0. Ent„o, o trinÙmio È 0 e seu valor mÌnimo È

=4 kvk 2 .

3.1G

O desocamento È AB = (1; 2; 3) e o trabalho È igual a

= hF; ABi = h(1; 2; 6) ; (1; 2; 3)i = 2 1 + 2 2 + 4 6 ( 3) = 66:

3.1H

O vetor v 2 = v 2 v 1 ser· ortogonal a v 1 , quando hv 2 ; v 1 i = 0 e daÌ resulta

0

0

0

0 = hv 2 ; v 1 i = hv 2 v 1 ; v 1 i = hv 2 ; v 1 i hv 1 ; v 1 i ) =

hv 2 ; v 1 i

kv 1 k 2 :

0

3.1I O vetor v 3 = v 3 v 2 v 1 ser· ortogonal a v 1 e v 2 , quando o par ( ; ) for soluÁ„o do

sistema

hv 1 ; v 3
hv 1 ; v 3

v 2 v 1 i = 0

hv 2 ; v 3 v 2 v 1 i = 0

e considerando que hv 2 ; v 1 i = 0; obtemos

hv 3 ; v 1 i

kv 1 k 2

= 0

hv 3 ; v 2 i kv 2 k 2 = 0

) =

hv 3 ; v 2 i

kv

2 k

2

e =

hv 3 ; v 1 i

kv 1 k 2 :

3.1J Considere os vetores u = p x; p y; p z e v = p 1=x; p 1=y; p 1=z e use a desigualdade de

Cauchy-Schwarz.

3.1K x = 11:

3.1L Temos que ku + vk 2 = hu + v; u + vi e expandindo o produto interno, encontramos

ku + vk 2 = hu + v; u + vi = kuk 2 + 2hu; vi + kvk 2 = kuk 2 + kvk 2 :

3.2 ORTOGONALIZA« O

::::::::::::::::::::::::::

| {z }

=0

  • 82 £LGEBRA LINEAR

MARIVALDO P. MATOS

3.2A Primeiro ortogonalize a base, substituindo o vetor v 2 = (2; 1) pelo vetor

0

v 2 = v 2

hv 2 ; v 1 i

kv

1 k

2

v 1 = (2; 1)

h(2; 1) ; (1; 2)i

4

  • (1; 2) = (2; 1) (1; 2) = 6 5 ; :

k(1; 2)k 2

5

5

3

0

Para concluir, normalize a base fv 1 ; v 2 g e encontre a base ortonormal

= n

1

p 5 ;

2

p

5 ;

2

p 5 ;

p 5 o :

1

3.2B 0 = (1; 1; 0) ;( 2 ; 2 ; 1); (

1

1

2

2

3 ; 3 ;

2

3 ) :

3.2C

Com relaÁ„o ao produto interno (3.5) a base È ortogonal e resta-nos normaliz·-la. (nor-

malizar uma base È tornar seus componentes unit·rios). Temos:

k(1; 1)k = p h(1; 1) ; (1; 1)i = p 2 e k(1; 1)k = p h(1; 1) ; (1; 1)i = p 6:

A base ortonormal correspondente È, portanto

0 = n

1

p 2 ;

p 2 ;

1

1

p 6 ;

p 6 o :

1

3.2D Considere, por exemplo, a base

= f(1; 0; 1) ; (0; 1; 1)g de W e ortonormalize essa base,

via Gram-Schmidt.

3.2E Os vetores v 1 = 1 e v 2 = 1 x s„o LI e formam uma base do subespaÁo. Temos

kv

1 k 2

1

= k1k 2 = Z dx = 2

1

kv 2 k 2 = k1 xk 2 = Z 1 (1 x) 2 dx = Z 1 2x + x 2 dx = 8=3

1

1

1

1

hv 1 ; v 2 i = Z (1 x) dx = 2:

1

Para ortogonalizar a base, consideramos v 1 0 = v 1 e

0

v 2 = v 2

hv 2 ; v 0

1

i

kv

0

1

k

2

0

v 1 = 1 x

2

2

= x:

A base = f1; xg de P 2 È ortogonal e a base

È ortonormal.

0 =

1 3x

2 ;

2

:

3.2F Dado que hA; Bi = tr B t A , as regras que deÖnem o Produto Interno s„o facilmente

comprovadas usando propriedades do traÁo e da transposiÁ„o de matrizes:

COMPLEMENTOS & EXERCÕCIOS

ESPA«OS COM PRODUTO INTERNO 83

  • (a) hA; Ai = tr A t A = a 2

11 + a 2 12 + a 21 2 +