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ORACAO
urna nova visao
p a r a u m a

antigaora^ào

ORAÇÂO
urna novâ visâo para uma antiga oraçâo

Alan Pieratt

traduçâo
E d u a r d o P e r e ir a e F e r r e ir a

e d 1 $o e ■

y mB

Qspyright © 1998 Alan B. Pieratt

red içâo: 1999

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ISBN 85-275-0266-6

Printed in Brazil / Impresso no Brasil

Coordenaçâo de produçâo • ROGER L. M alkomes

Diagramaçâo • SERGIO SiquEiRA MouRA

Capa • M elody Pieratt

Revisâo • Lenita A nanias do Nascimento

Coordenaçâo editorial • Robinso n M alkomes

.. meu pai. . DEDICO m LIVRO àquele que etperou pacìenlemenle por eie .

.

............................................................. 15 A titu d e s ................................................................................................................................ 9 II............ 55 Invocaçôes no Antigo le sta m e n ío ............ 6 7 Sanfificado s e ja .................................................................................................................................................................................................................................................................................... assim naterra como no céu.................................... Orando a Oroçâo Dom inicol.................... assim na Terra como no C é u ........................................................................ 56 P a i.....................................................................64 Que esfós nos céus...................................................................................... 76 IV.......................................... que ts tm nos Céus............................................ 83 \fenha................... .......................................................................... Conteúdo I..................................................................... Venha o Teu Reino................... Sanfificado Seja o leu N o m e .............................. faca-se a íua Vontade........ 28 fo rm a e linguagem ............................................................... T u a ......................................................................................................................... ................. 86 ................................................................................................................................................................................................................. 58 N o s s o ..... O Modo de O ra r...................................................................................................................................................... 7 3 Além do "Poi N o s s o ''............. 51 III.......................... 85 faca-se a tua vontade........................................................................................................................................................................................................................................................ 71 O teu n o m e .............................................................................................................................................................................................................................................................................................. 37 As duas versees da Oraçâo D o m in ic a l............................................................................................................................................................................................................................................................................................................................................................................................................................................................... Pai Nosso........................................... 85 Re in o ....................... 84 Teu............................................................................................................................................................ 16 Horo c lu g a r.......................................................................................................................................................................................................................

.............................................. ORACÀO V........................... Í Pe rd o o -n o s as Nossas D iv id a s ................................. 190 0 louvor e criativo ........192 0 louvor é e m ociona l...........203 .........193 0 louvor é ra cio n a l...................................................................................................................................................................................... 17 8 VIII....................... t nôo nos Deixes Coir em lentacôo................................. 195 Poro s e m p re ......................................... 10 9 ...................... o Pôo N o » o de coda Dia Dó-nos H o je ......................................... .......... 159 f nâo nos deixes cair em ...........................................................16 7 lam entos e queixas na espiritualidade do o ra c à o ............. 16 1 Mas livra -no s......................................................................................... Am é m ............................................................................................................................................................................................................................................................................................................................................... 12 0 B ê n câ o ................................................................................................................................................................................................................................................................................................................ 165 Do m o l...........................................................................................................................................13 3 f perdoa-nos as nossas d iv id a s ........................................................................ Nosso .... 1 4 1 V il........12 0 P ô o ............................................. 189 0 louvor é d in à m ic o ..................................................................................................................................................................................................................................................................................................................................................................................................... h o je ...........................................................................................................................16 0 le ntaçâo .... d á -n o s ....................................................................................................................1 1 6 De coda d i a ..........................................................................................198 A m é m !..... Pois leu é 0 Reino................................................................................................10 9 A necessidade de p e d ir ............................................................................................................................................................ o Poder e a Gloria para sempre.......................................................................................................................................................................................................................................................................................................................................................................................................................................................................................13 4 Assim como nós temos perdoado aosnossos d evedores..................................................................................................................199 ce.............................................................................................................................................................................123 VI................................................................................................................................................................................................................... 11 8 Oracào e tra b a lh o ............................................................................................................................................................................ meslivta-nos do M a l.......... assim com o Nós Temos Pcrdoodo aos Nossos Devedores.....................................................

I O rando a O racâo D o m in ic al i f í c i l . Isso a igreja sempre soube. sinto-me impelido a terminà- lo e a dizer o que posso. aue nos dizem o que fazer: e a Oraçâo Dominical. Mas por que este livro. Porém. um estudo da Oraçâo Dominical? Simplesmente porque eia é a oracào-mestra. textos devocionais e sermóes devotados ao seu significado e à sua impor­ táncia. . que nos diz como orar. forsylh or que mais um livro sobre oraçâo? Como observou um lei­ D tor. Este livro junta seu trinado a essa grande sinfonia de vozes. que nos diz em que acreditar. se fóssemos 1er todos os livros disponíveis sobre a oraçâo. depois de iniciado o trabaiho. no final a sensaçâo é de que ainda resta muito a ser dito e resolvido. . os Dez Mandamentos. A oraçâo pode parecer um assunto sinfjples e direto. Desde o principio da igreja ensina-se essa oraçâo como o modelo básico segundo o qual os cristâos devem orar. fa re fa é escrever sobre a o r a ç â o . os cristáos passaram a ser aconselhados a usar essa oraçâo. . Desde essa época náo pararam de ser escritos comentários. . também há muito que dizer contra esse tipo de empreendimento. R Î . mas nâo é: e por mais que alguém se esforce por estudà-lo. A partir do século ii. . nâo nos restaria tempo para orar! Do ponto de vista de alguém que escreva tal livro. Tomás de Aquino certa feita disse que tudo o que um cristáo precisa saber encontra-se em très fontes: o Credo dos Apóstolos. com o Didaqué.

pois em apenas 74 palavras compreende e resume as principáis preocupaçôes que os homens elevam a Deus.° 22). e mais ou menos metade desse nùmero no Novo Testamento. As oraçôes em si variam enormemente em tema e complexidade. O autor que se dispôe a trabalhar com esse tema tem muita coisa a considerar. maldiçôes. mas há no mínimo 300 nas Escrituras e pelo menos a mesma quantidade de referéncias à oraçâo e ensina- mentos sobre como orar. Nenhuma outra nem sequer se aproxima da maneira que eia reúne as várias questóes encontradas nas oraçôes da Biblia. confissóes. considera as questóes teológicas suscitadas em cada uma . É difícil contar oraçôes por razôes que discutiremos adiante. a Oraçâo Dominical sobressai facilmente como a expressáo mais condensada do pensamento direcionado a Deus. ou seja. bênçâos. sem contar Salmos. é: como abordar um documento de densidade táo sublime e táo cuidadosamente elaborado? Desde a Reforma. entâo a Oraçâo Dominical poderia eia mesma valer como uma profissáo de fé doutrinária. Isso nâo é exagero. Como escreveu Agostinho: "Repasse todas as palavras das santas oraçôes e nao pense que irá encontrar nelas algo que já nao esteja contido e incluido na Oraçâo Dominical" (Carta 130. n. agradecimentos e expressóes de louvor. Sâo pedidos. mas todas as oraçôes da Biblia. Entre todas as oraçôes. Há cerca de 100 délas no Antigo Testamento. enquanto outras sâo composiçôes que tomam todo um capítulo e expressam conceitos teológicos sofisticados. Algumas pedem algo tâo trivial quanto um gole d'água. Se isso é verdade. intercessôes. As mais simples sâo exclamaçôes de uma única frase. lamentos. a maioria dos comentários emprega um método temático. Aiguém disse certa vez que a melhor teologia é a oraçâo resumida. enquanto outras sâo súplicas sublimes que buscam a restauraçâo de uma naçâo ou sabedoria para uma vida de liderança. 10 ORACÀO Mas qual é precisamente a natureza da nota com que desejo contribuir? Nos últimos anos estudei nâo sô a Oraçâo Dominical. entâo. A primeira pergunta.

santificado seja o teu nome". Há. depois as do Novo. faz a seguinte observaçâo: Todas as oraçôes da Biblia estâo resumidas no Pai Nosso. Essa idéia é altamente sugestiva. primeiro as do Antigo Testamento. prós e contras. opte! por um método diferente. A sua amplitude infinita abrange-as todas. Por que entâo nâo estudar a Oraçâo Dominical supondo que Jesus Cristo se baseou nas oracóes do Antigo Testamento para criar sua pròpria oraçâo- mestra? O estudo dessas oraçôes lado a lado com a Dominical talvez esclareça de alguma maneira proveitosa o que Jesus tinha em mente quando cunhou cada uma das frases bem distintas da sua Oraçâo. mas livra-nos do mal" envolve questôes relativas à natureza do pecado e da tentaçâo. Veja por exemplo as linhas iniciáis: "Pai nosso que estás nos céus. Temas teológicos serâo discutidos somente quando pertinentes às questóes relativas à oraçâo. o Pai Nosso nâo torna as oraçôes da Biblia supérfluas. Entretanto. E essa relaçâo faz sentido. Uma abordagem teológica irá . No entanto. aquele aludido por Dietrich Bonhoeffer no seu excelente livrete Orando com os Salmos. 15). é claro. pois Jesus Cristo era mestre na tradiçâo do Antigo Testamento. e também do Maligno que nos deseja destruir. Trata-se de uma abordagem aprovada pelos séculos. pois liga a Oracào Dominical às outras oracóes das Escrituras. 11 ^ ORANDO A ORACÀO DOMINICAL das frases da Oraçâo. Embora no livro eie nâo trate da Oraçâo Dominical. mas elas sáo a riqueza inesgotável do Pai Nosso e o Pai Nosso é sua coroa e sfntese (p. Cada uma das frases da Oraçâo Dominical será analisada à luz das outras oraçôes da Biblia. Por exemplo: "Pai nosso que estás nos céus" levanta a questâo da Imanência e da transcendência de Deus. "E náo nos deixes cair em tentaçâo. Estudar a Oraçâo à luz das outras oraçôes traz à tona questôes e perguntas um tanto diferentes dos temas levantados pelos métodos convencionais. O leitor terá de julgar se esse tratamento é ou náo proveitoso. e muitos comentários consistentes foram escritos assim. Foi esse o caminho que segui.

O leitor encontrará no final de cada capítulo referências a obras desses autores e a outros livros de que me utilizei. Joachim Jeremias. da natureza da santidade e do significado do nome de Deus. Entre elas estâo. quando se considera essa frase do ponto de vista de outras oraçôes. Espero que este estudo da oraçâo conduza o leitor a lugares inesperados de seu coraçâo. por exemplo. mas na oracâo o homem fala a Deus. Desejo desde já reconhecer minha divida para com alguns autores. Joâo Calvino descreveu as oraçôes dos salmos como "uma anatomia de todas as partes da alma". Essa é portanto uma descriçâo adequada. Jan Lochman. as vitórias e as experiéncias mais exceLsas da vida. Em boa parte da Biblia. Acaso existem maneiras corretas e incorretas de fazê-lo? Quais sâo as condiçôes. como as pessoas chamam o nome de Deus. O método teológico tende a ser erudito e abstrato. 12 ^ ORACÂO normalmente tratar essa frase à luz dos temas da imanéncia de Deus. mas também as tensôes. as dificuldades. Nossa tendéncia é cair em tentaçâo e no òdio. Moshe Greenberg. se é que há alguma. Esta obra extra) muito do solo já lavrado por esses estudiosos. e seus conceitos sem dúvida estáo embutidos na frase. enquanto a estrategia de relacionar a Oracâo Dominical a outras oraçôes suscita questôes mais práticas. eia aparece como invocaçâo. Sáo temas importantes. Deus fala ao homem. pois a oraçâo bíblica nâo só nos fala de Deus. Porém. mas também de nós mesmos. entre eles Samuel Balentine. e a amaldiçoar o próximo. Como toda boa literatura. da transcendéncia divina. Freqüentemente precisamos do perdáo. náo revela apenas os pontos altos. as ironias e os problemas que enfrentamos. Patrick Miller e Claus Westermann. Esforçamo-nos por obedecer à vontade de Deus. No prefácio a seu comentário de Salmos. Walter Brueggemann. e as perguntas que giram em torno das invocaçôes sâo bem diferentes. Lamentamos e . para que Deus ouça quando seu nome é invocado? Quem pode orar com a expectativa de ser ouvido? Será que existe uma maneira distintamente cristá de clamar a Deus? O leitor pode ver com nitidez que a diferença de abordagens levanta questôes e perguntas bem distintas.

ou seja. e. e com vistas a fins dignos. A oraçâo pode ser aprendida. e bem faremos em estudar a Oraçâo Dominical como modelo para a nossa. pràtica e conhecimento. O estudo da oraçâo nâo é em si mesmo oraçâo. Nâo posso oferecer disciplina ou pràtica. A oraçâo é à primeira palavra da fé religiosa e a palavra final contra a secularidade. Ao final destas linhas. Pecado e iniqüidade sâo muitas vezes associados na Biblia à falta de oraçâo®Assim. Carson escreveu sobre o assunto: "Uma das verdades mais surpreendentes sobre a oraçâo é esta: eia pode ser ensinada e aprendida" (p. Nenhuma passagem da Biblia é mais realista do que as oraçôes no tocante aos meandros da vida humana. mas talvez possa ajudar um pouco no conhecimento. Concordo. A. Nâo vejo melhor maneira de concluir esta introduçâo senâo citando o grande autor devocional. O inverso também é verdadeiro. 13 ^ ORANDO A ORACÀO DOMINICAL reclamamos em períodos de sofrimento. Pela oraçâo nos abrimos a ele. É o principal meio pelo qual Deus é convidado a fazer parte de nossa vida. em sua liberdade e soberania. Todavia. graciosamente entra e assume o controle de uma forma que ele nâo faz na vida daquele que nada Ihe pede. W. melhor poderemos orar com o pensamento e também com o coraçâo. quanto mais soubermos sobre a oraçâo. no mínimo. e ouvir música náo faz de um homem um músico. Scroggie: Assim como estudar um quadro náo faz de um homem um pintor. 13). D. G. e ele. e nâo pretendo sugerir que o estudo é mais importante do que a devoçâo. uma disciplina religiosa que exige destreza. também 1er oraçôes e sobre oraçôes náo dá ao homem influéncia diante . a presença ou a ausência de oraçâo é o elemento-chave para desenvolver e manter nosso relacionamento com Deus. o aprendizado é um inicio rumo à pràtica. meu propósito verdadeiro é que este livro ajude o leitor a orar mais. Aiguém disse certa vez que a oraçâo é uma arte santa.

14^Sf I . The Soul o f Prayer.22. Eerdmans. Method in Prayer. oro".6/ls 31. "Epistle #130". A. 99). 1979. por Philip Schaff. 1. WEF. 1916 (p. Graham W. Pickering. 14 de Deus. Joao. assim como o artista e o músico precisam estudar as obras-primas de suas artes. Orando com os Salmos. Teach us to Pray.4j>/9. Scroggie. Bonhocffcr. 1955. 2Cr16. Calvino. Commentary on the Psalms. por menor que seja. NOTAS 'Cf. porém. org. Carson. Forsyth.12/si 10.l/43. No entanto.4)/l4. R T. REFERÊNCIAS Agostinho. Trinity Press. 1995. rumo ao ponto de poder dizer com o autor do salmo 109 no versículo 4: "Eu. 11 ).^s 7. Encontráo. Dictrich.4/53. 1990. Ficarei satisfeito se este livro ajudar alguém a compreender melhor como Deus deseja que oremos e se depois esse alguém der um passo. N/cene and Post-nicene Fathers o f the Christian Church. g/ . D. vol. também o cristâo precisa estudar a oraçâo se pretende ser competente nisso (p.

o M odo de O rar

Porfanlo, vó$ orareis a$$im.

M Í 6.9

ncontra-se a Oraçâo Dominical duas vezes nos evangelhos

E (Mt 6.9-13 e Lc 11.2-4), no ùltimo caso antecedida por um
pedido dos discípulos: "Senhor, ensina-nos a orar..." (Lei 1.1).
Nâo se sabe exatamente o que motivou o pedido. Talvez eles
aehassem, como muitos de nós, que suas oraçôes eram inadequadas.
Quem sabe Paulo falasse por eles também quando disse: "nâo
sabemos orar como convém" (Rm 8.26). Mas talvez houvesse algo
mais. Se a Oraçâo Dominical vale como indicio, a maneira de lesus
orar e sua intensidade tinham algo que sem dúvida deveria ser bem
impressionante. Isso nos leva a um ponto subentendido dessa oraçâo,
mas que assim mesmo precisa ser expresso. É uma oracâo importante
porque Jesus Cristo a ensinou. Tertuliano disse certa vez: "Só Deus
pode nos ensinar a orar..." (On Prayer, cap. ix). Exatamente. Quando
eie fala, ouvimos as palavras do pròprio Senhor— o Senhor da oraçâo.
Ao estudar essas palavras, ficamos sabendo como Deus deseja ser
invocado. Talvez mesmo naquela fase inicial de seu compromisso,
OS discípulos já percebessem de algum modo incompleto que o que
Jesus tinha a dizer sobre a oraçâo era especialmente importante.
lesus atendeu o pedido deles, dizendo: "Portanto, vós orareis
assim" (Mt6.9); "Quando orardes, dizei" (Lc 11.2). O termo "assim"

16 ^ ORACÀO

implica a existência de um "modo" de orar — um modo certo e
outro errado, uma maneira correta e outra incorreta de elevar nossa
voz a Deus. Uma das diferencas entre o Antigo e o Novo Testamento
em relaçâo ao tema da oraçâo é a significativa presença do
ensinamento sobre a oraçâo no segundo. Embora o Antigo
Testamento tenha um número bem maior de oraçôes, há pouca ou
nenhuma instruçâo. No Novo Testamento, e especialmente com
Jesus, a instruçâo sobre a oraçâo surge como parte do caminho do
reino de Deus.
Portanto, quando Jesus disse "orareis assim", estava dizendo
mais do que simplesmente que a Oraçâo dele é tudo a ser
aprendido. De fato, a Oraçâo é emoldurada de ambos os lados por
instruçôes específicas do Senhor sobre as atitudes da oraçâo. É algo
que nâo pode passar despercebido, e eu gostaria de tratar do assunto
antes do inicio do estudo da Oraçâo.
Sob o título "modo" da oraçâo também se abrigam outras
perguntas e questôes que pertencem ao pano de fundo do tema.
Embora o leitor tenha a liberdade de saltar esta seçâo e ir direto à
exposiçâo do "Pai Nosso", se o fizer, perderá talvez idéias úteis
sobre as horas e os locáis, além da forma e da linguagem da oraçâo.
Tudo isso faz parte da oraçâo — falar e ser ouvido pelo nosso Criador.

® A IlIU D tS

As instruçôes do Senhor sobre o "modo" de orar concentram-
se nas atitudes daquele que invoca o nome de Deus. Gostaria de
tratar de quatro delas explícitamente abordadas por Jesus nas
passagens que ladeiam a Oraçâo Dominical.

â ) Sinceridade
Eu poderia muito bem usar a palavra "hipocrisia" como título
desta subseçâo, pois Jesus falou tanto contra a hipocrisia quanto a
favor da sinceridade. As duas atitudes se acham na relaçâo mais

o MODO DE ORAR ^ 17

próxima possivel. Sinceridade é a atitude de ser franco e honesto
sobre si mesmo consigo mesmo. com os outros e com Deus. Hipocrisia
é enganar a nós mesmos. o próximo e a Deus sobre o que somos ou
sobre o que queremos. Nos dois casos, a raiz da questâo está no
coraçâo, ou no eu, pois se nâo somos honestos com nós mesmos nâo
seremos nem poderemos ser com os outros e com Deus.
A hipocrisia religiosa era um problema real no antigo Israel, em
que a religiào era parte tâo presente da vida. Imediatamente antes
da Oraçâo Dominical, lesus descreveu uma cena tipica do seu tempo.

E, quando orardes, nâo sereis corno os hipócritas; porque gostam de
orar em pé nas sinagogas e nos cantos das praças, para serem vistos
dos homens. Em verdade vos digo que eles jâ receberam a recompensa
(M t 6.5).

Hoje nâo vemos esse tipo de coisa nas esquinas, mas isso nâo
significa que algo semelhante nâo exista em nossas igrejas, onde a
exibiçâo pura e simples é uma tentaçâo. Poucos versículos antes Jesus
dissera:

Guardai-vos de exercer a vossa justiça diante dos homens, com o fim
de serdes vistos por eles; doutra sorte, nâo tereis galardâo junto de
vosso Pai celeste (Mt 6.1).

"Exercer a justiça" significa orar e doar dinheiro publicamente.
dois atos essenciais da fé religiosa, mas detestáveis quando feitos
meramente para chamar atençâo. Jesus alertou que a tentaçâo de
exibir a pròpria generosidade — ou espiritualidade — poderia ser
evitada de modo bem simples: agindo em segredo.

Tu, porém, quando orares, entra no teu quarto e, fechada a porta,
orarás a teu Pai, que está em secreto; e teu Pai, que vé em secreto,
te recompensará (M t 6.6).

18 ^ ORACÂO

A hipocrisia assume muitas formas diferentes. Na parábola do fariseu
e do publicano, Jesus descreveu um homem que se iludia pensando
ser um dos prediletos de Deus.

Dois homens subiram ao templo com o propósito de orar: um, fariseu,
e o outro, publicano. O fariseu, posto em pé, orava de si para si mesmo,
desta forma: Ó Deus, graças te dou porque nâo sou como os demais
homens, roubadores, injustos e adúlteros, nem ainda como este
publicano; jejuo duas vezes por semana e dou o dfzimo de tudo quanto
ganho. O publicano, estando em pé, longe, nâo ousava nem ainda
levantar os olhos ao céu, mas batia no peito, dizendo: Ó Deus, sê
propicio a mim, pecador! Digo-vos que este desceu justificado para sua
casa, e nâo aquele; porque todo o que se exalta será humilhado; mas o
que se humilha será exaltado (Lc 18.10-14).

O fariseu foi condenado por usar a oraçâo para garantir que era
de fato o que fingia ser. Assim, ele se revelou culpado da espécie mais
grave de auto-ilusáo e manipulaçâo, pois, ao enganar-se a si mesmo,
isolava-se daquele que poderia ajudâ-lo a enxergar seu pecado.
Como a hipocrisia distorce nossa visâo de Deus. de nós mesmos e
dos outros. é pecado difícil de desvelar e pode .¿erar os resultados
mais insidiosos. Adiante em Mateus, Jesus proféré violenta condenaçâo
contra aqueles que se utilizavam das oraçôes para obter ganho
financeiro. Lembre-se de que essas pessoas jamais duvidavam de que
estavam executando a obra de Deus.

Ai de vós, escribas e fariseus, hipócritas, porque devoráis as casas das
viúvas e, para o justificar, fazeis longas oraçôes; por isso, sofrereis juízo
muito mais severo! (M t 23.14; cf. Mc 12.38-40; Lc 20.47)

Eis um caso em que a hipocrisia e a oraçâo se combinavam para
formar um instrumento de dano social. Aparentemente, o esquema
era este: um grupo escolhido de representantes aparecía na casa de
uma viúva e tentava arrancar-lhe uma grande doaçâo para o Templo.
A tática de venda incluía longas e piedosas oraçôes, que

nâo as ouço. particularmente no tempo dos profetas. porque as vossas mâos estâo cheias de sangue (Is 1.. náo as ouço"). Apesar da aparente prosperidade espiritual. O S en h o r está longe dos perversos. Ou (quem sabe?) essas oraçôes seguiam outra política. para que vos náo ouça (is 59. Um alerta freqCiente em todo o Antigo Testamento é que o pecado intencional impede a oracáo de ser ouvida.18).. o MODO DE ORAR ^ 19 provavelmente falavam bastante sobre a recompensa celeste que receberiam os generosos. Observe esta passagem com que Isaías abre seu livro. a hipocrisia levava à violéncia e à exploraçâo. quanto à oraçâo ou a qualquer tipo de relacionamento com Deus. Se eu no coraçâo contemplara a valdade.2). Essa feroz condenaçâo foi escrita numa época em que o Templo vicejava. e os vossos pecados encobrem o seu rosto de vós. (Pv 15.. Mas as vossas iniqüidades fazem separaçâo entre vós e o vosso Deus. . uma espécie de evangelho da prosperidade do primeiro século que talvez dissesse algo como: "Dé a Deus para que Deus também Ihe dé generosamente". o Senhor náo me teria ouvido (Sl 66. Nesse caso. sim. Estou farto dos holocaustos de carneiros e da gordura de animais cevados .11-15). oSenhor via que a adoraçào do sábado nâo evitava a exploraçâo dosmembros mais pobres da sociedade durante a semana ("vossas máos estáo cheias de sangue").29). quando multiplicáis as vossas oraçôes. Nâo continuéis a trazer ofertas vas .. O resultado. quando estendeis as mâos [ao orar]. . Ai daqueles que usam a oraçâo para manipular assim as pessoas. as vossas oraçôes. Ahipocrisia na adoraçào já era muito tempo antes um problema em Israël. mesmo que a causa seja justa. escondo de vós os olhos. .. De que me serve a mim a multidâo de vossos sacrificios? — diz o Senhor. era desastroso ("escondo de vós os olhos ..

era o coraçâo a parte que contém as atitudes e intencôes mais profundas de alguém. Dt 28. este povo se aproxima de mim e com a sua boca e com os seus làbios me honra. É o perfeito exemplo do roto falando do rasgado! Assim como o coraçâo falso era o retrato da hipocrisia.^ É inútil ir a Deus em adoraçâo ou em oraçâo fingindo ser o que nâo somos. 20 ^ ORACÂO Em outras passagens Deus declarou que quando a adoraçâo se dissocia da integridade pessoal e da justiça social. e os céus se tornam como ferro (Lv 26. nosso coraçâo é um livro aberto. 13-15).6-7).15)..19. A femme fatale Dalila fez a mesma acusaçâo contra Sansâo. se náo está comigo o teu coraçâo?" (vv. Porque. as oraçôes nâo sâo "admitidas" (Lm 3. Se o coraçâo nâo estivesse "com" alguém. ele se "oculta" (Is 45. como imagina em sua alma. as palavras nâo revelavam as intençôes. mas o seu coraçâo náo está contigo (Pv 23. Parece até ridículo ter de enfatizar esse ponto. Por très vezes ele fingirá cooperar com as tentativas déla de iludi-lo para que ele revelasse a fonte da sua força (jz 16). mas os profetas voltavam a eie seguidamente como algo que exigia repetiçâo.8. Na compreensâo hebraica da natureza humana. Náo comas o páo do invejoso. Foi um assunto ao quai Isaías voltou mais adiante em seu livro: .. .23). nem cobices os seus delicados manjares. Para Deus. Nas très vezes ele se divertiu usando a força bruta para escapar. ele te diz: Come e bebe. Dalila reclamou: "Como dizes que me amas. assim ele é. Provérbios descreve um anfitriâo cujo coraçâo nâo estava "com" o convidado.13). também a noçâo de "derramar-se" era usada como retrato da total sinceridade. Depois que a terceira tentativa terminou em novo constrangimento para eia. mas o seu coraçâo está longe de mim (Is 29.44).

Longe de mostrar­ se desrespeitosa. render louvores. uma jarra de água fresca. Se a oraçâo náo se eleva com completa sinceridade. como água. entâo nossas oraçôes nâo valerâo o esforço necessàrio para fazê-las. o coraçâo perante o Senhor" (Lm2.6). ou se nos exibimos diante de Deus de um modo diferente daquilo que realmente somos.10-15). simplesmente nâo oramos. É algo quase instintivo. o Infinito e Eterno Senhor do Universo vai ouvir quando eu falar. uma imagem vivida de franqueza completa e súplica sincera. apesar de eu ser táo pequeño e insignificante. Invocar o nome do ser que criou todo o universo. mas a verdade era bem outra. O texto nos diz que Ana orou a DeuS* com tamanho fervor que Eli a julgou embriagada. fazer-lhe pedidos sabendo que ele se preocupa comigo. chegar mesmó a ousar questioná-lo quando a vida se mostra dura ou frustrante — tudo isso é totalmente diferente de qualquer outra coisa que fazemos no mundo. Em vez de bebê-la. A oraçâo aceitável é a oracáo sincera e verdadeira até o "recóndito" da alma (Sl 51. a guarda pessoal de Davi levou-lhe. ele a derramou no châo diante dos seus soldados para expressar sua gratidáo pela lealdade e pelo sacrificio deles (2Sm 23.19). É preciso fé para acreditar que. dando-lhes o seguinte conselho: "derrama. . Esse era o ambiente em que Jesús deu o conselho de evitar a hipocrisia orando em segredo. elevar súplicas. Qutro exemplo vem de uma das excursôes empreendidas pelo rei Saul a fim de encontrar Davi e matá-lo. ou se o que se diz náo corresponde às verdadeiras intençôes. Jeremias iria mais tarde usá-lo para exortar seus conterráneos ao arrependimento. eia havia "derramado a sua aima perante o Senhor'' (v. Se nâo confiamos que Deus é bom e que ele se preocupa conosco. \ i>) Confionco A segunda atitude que Jésus ensinou como componente essencial da boa oraçâo foi a confiança. derramar(-se) tornou-se um simile conhecido de todos os israelitas. 15). Em determinado momento. Assim. nâo sem enorme risco de vida. o MODO D£ ORAR ^ 21 Um exemplo é a oraçâo de Ana a pedir um filho (ISm 1.16).

O que se espera é que tenhamos ao menos um nivel mínimo de fé para crer que Deus é bom e nos ouvirá quando chamarmos. a confiança é uma questâo interpessoal. mesmo diante da fornalha. porque tu. o pai do menino pede a Jesus: "Se tu podes.. nós. nos glo­ riaremos em o nome do S en h o r . Náo é essa a atitude com que a maioria de nós teria feito o pedido? Surpreendentemente. 24). nosso Deus. O mesmo vale para a relaçâo entre o homem e Deus. outros. Essa resposta áspera suscitou o grito do pai desesperado: "Eu creio! Ajuda-me na minha falta de fé! (v. S en h o r .10). confiam os que conhecem o teu nome. Jesus retrucou. pois. S en h o r . nosso Deus (SI 20.. a nao ser talvez Sadraque. Nâo sei de ninguém nas Escrituras. Na história do jovem epiléptico em Marcos 9. porém. é um tema que se repete nas oraçôes do Antigo Testamento© . Dt 1. elas precisam ter uma base para a confiança recíproca.7). em cavalos. "Se podes! Tudo é possível ao que eré" (v.11). Para que haja um relacionamento verdadeiro entre duas pessoas.32). para ser eficaz. . que tivesse expressado tamanha confianca inabalável em Deus. ajuda-nos". Em ti. Assim como a sinceridade e a hipocrisia.^s profetas alertavam seguidamente seus compatriotas de que a falta de confianca era um problema fundamental da sua espiritualidade (cf. pois. Quem é que náo se solidariza com o pai ao 1er essa passagem? Pois bastou. Mesaque e Abede-Nego (Dn 3). nem confiaram na sua salvaçâo" (SI 78. Asafe escreveu um salmo que analisa o passado de Israel e lamenta o (ato de a ira de Deus ter caído sobre eles "porque nâo creram em Deiis. Jesus curou-lhe o filho. ajuda-nos. ou fé. 22 ^ ORACÀO A questâo da confiança. nâo desamparas os que te buscam (Si 9. Uns confiam em carros. 23). porque em ti confiamos (2Cr 14. Isso nâo quer dizer que a confiança. precisa ser absoluta.22).

empresta-me très pâes. a porta já está fechada. Precisamos acreditar na bondade de Deus e confiar que ele agirá em nosso beneficio. Qual dentre vós é o pai que. O M O D O M O R i« ^ 23 O relato é um exemplo de que o que se exige é confiança suficiente para pedir.5-8. vos digo: Pedi. Uma terceira atitude mencionada por Jesús com respeito à oraçâo foi a persistência. abrir-se-lhe-á. pois um meu amigo. e os meus filhos comigo também já estâo deitados. buscai. Ihe dará uma pedra? Ou se pedir um peixe. Nâo posso levantar-me para tos dar. .1-5). o que busca encontra. batei. E o outro Ihe responda là de dentro. o farà por causa da importunacâo e Ihe dará tudo o de que tiver necessidade (Le 11. se o filho Ihe pedir pao. por que precisaríamos repetir nossos pedidos? No entanto. todavia. Por isso. e abrir-se-vos-à. chegando de viagem. dizendo: Nâo me importunes. digo- vos que.9-13: cf. 18. e este for procurá-lo à meia-noite e Ihe disser: Amigo. quanto mais o Rai celestial dará o Espirito Santo àqueles que Iho pedirem? (Le 11. é exatamente isso que o Senhor afirma na sua paràbola do amigo importuno. sabéis dar boas dádivas aos vossos filhos. e acharéis. para que nossas oracóes sejam ouvidas. Jésus ilustrou esse ponto usando a relaçâo entre filho e pai. que sois maus. e eu nada tenho que Ihe oferecer.22). Disse-lhes ainda Jesus: Qual dentre vós. se vós. Mt 21. e a quem bate. Ihe dará em lugar de peixe uma cobra? Ou. e dar-se-vos-á. Pois todo o que pede recebe. Eis uma exigência que nâo faz sentido para aqueles que gostam de uma religiâo altamente racional e um enigma para todos os teólogos! Em vista da inteligência suprema de Deus e de seu conhecimento infinito. se nâo se levantar para dar-lhos por ser seu amigo. Deus pode e farà muito do pouco. tendo um amigo. cf. procurou-me. se Ihe pedir um ovo Ihe dará um escorpiáo? Ora.

o texto sugere que como conseqüéncia de suas oraçôes ele pôde ver Canaâ do cume do monte Pisgâ.14). nessas e noutras passagens.2. Até quando. quer nâo..3). devemos ser persistentes na oracâo. elevando a Deus seguidamente nossos pedidos.L\^2 Z)- Porém... 24 ORiCÀO Quer gostemos. ..26). e orar ainda muitas outras vezes. a minha aima o aguarda. e tu nâo me escutarás? . de manhâ te apresento a minha oraçâo e fico esperando (SI 5. Sen hor. A noçâo de espera.1). ouves a minha voz. Pôr-me- ei na minha torre de vigia. mais do que os guardas pelo romper da manhâ (SI 130. clamare] eu. Na realidade. é interpretada erroneamente se concebida como passividade. Tal era a determinaçâo de suas oraçôes que o Senhor disse pbr fim: "Basta! Náo me fales mais nisto" (. eu espero na sua palavra . Nâo é orar e simplesmente deixar tudo na mào de Deus. e depois orar. S en h o r . se quisermos ser atendidos. colocar-me-ei sobre a fortaleza e vigiarei para ver o que Deus me dirá (H c 1. tem bom ànimo. Um bom exemplo de persistència no Antigo Testamento se encontra na história de Moisés e seu desejo de entrar na Terra Prometida.Dt 3. espera. pois. Orar. Espera pelo Senhor. pois muitos dos salmos a expressam por meio do conceito de esperar em Deus. Aguardo o Senhor. Embora Moisés náo tenha obtido tudo o que quería.® De manhâ. e fortifique-se o teu coraçâo.5-6). e independentemente de a idéia conformar-se ou nâo às formulaçôes teológicas mais precisas da sabedoria de Deus. 2. pelo Sen hor (SI 27. pondo-se a cismar se a resposta vira. meu exemplo favorito é o profeta Habacuque. a idéia é procurar com determinaçâo a resposta de Deus. Nâo se trata de uma idéia nova.

Porém. Simeâo aguardara aquele momento durante muitos anos. e para gloria do teu povo de Israel (Lc 2. talvez toda a vida. determinaçâo e desejo. Náo é sem motivo que essa oraçâo é usada hoje em muitas igrejas para encerrar o culto. luz para revelaçâo aos gentíos. ele se adiantou. mas também. as pessoas usavam pano de saco e cinzas^ Esses atos tém o intuito de transmitir seriedade. Em tempos de grave necessidade. porque os meus olhos já viram a tua salvaçâo. a qual preparaste diante de todos os povos. com a mesma freqüéncia. No Novo Testamento. o «ODO Dt ORAR 25 O profeta dá a impressao de que. o ato de erguer as máos aos céus e de impor as máos sobre aquele por quem se ora. segundo a tua palavra. na versáo de Maleus foi exatamente isso que Jesús ensinou. . Senhor. incluem- se aqui o ato silencioso e passivo de inclinar-se ou aioelhar-se. e sua oraçâo é um exemplo mnravilhoso da persistencia finalmente recompensada com o cumprimento. esperarla a resposta de Deus até o fim dos tempos. tomou-a nos braços e disse: Agora. podes despedir em paz o teu servo.29-32). se necessàrio. Aquele que quer ser ouvido por Deus precisa persistir nas súplicas. mas as Escrituras passam mais tempo descrevendo a força e a determinaçâo que movem as oraçôes eficazes do que a calma passividade. Alguns podem-se perguntar se a ordem de náo ser repetitivo náo vai de encontro à idéia da persistência. Simeâo é um exemplo notável de alguém que esperou persistentemente uma resposta. O argumento se sustenta pela freqüéncia com que os gestos acompanham a oracáo. Na oraçâo há lugar para a calma silenciosa. Ele foi a primeira pessoa depois dos pastores a reconhecer o Messias. Quando o Espirito de Deus Ihe revelou que a criança apresentada naquele dia no Templo era aquele que fora prometido.

. palavra) na Oraçâo Sacerdotal de Joâo 17. orando. portanto. Além do mais. Nâo te precipites com a tua boca. baseia-se no respeito. mas é um Pai qtie merece e exige reverència. Ninguém acredita. por exemplo. porque Deus està nos céus. na terra. Quanto menos palavras. mas com significados e sentidos muitos e profundos. 26 ^ ORACÀO E.1Os). se pretendemos mesmo ser persistentes. as mesmas coisas precisam ser repetidas em diferentes oraçôes. mundo. que Ana tenha pedido a cura da esterilidade sò uma vez (ISm 1.7). glòria. lembra Eclesiastes. uma manifestacâo de respeito. A invocaçâo da Oracào Dominical combina "Pai". em oraçâo nâo devemos falar sem parar sobre coisas que simplesmente nos venham à mente. A advertência de Jésus nâo tinha como alvo a repetiçâo fervorosa. como os gentios: porque presumem que pelo seu muito falar serâo ouvidos (Mt 6. melhor a oraçâo. sejam poucas as tuas palavras CEc 5. Quanto mais palavras. Nâo se deve "bater papo" nem tagarelar com Deus de maneira desrespeitosa. Portanto. A brevidade. Deus pode ser nosso Pai. O método correto é usar poucas palavras.2). Devemos interpretar essa ordem como um aierta contra dois tipos de comportamento. e tu. Muitas palavras e pouco significado é paganismo (Bloesch. Poucas palavras e muito significado é cristianismo. nem o teu coraçâo se apresse a pronunciar palavra aiguma diante de Deus. Isso nâo é mera coincidència. tS pTìm^rò^é invocar a Deus como se eie fosse nosso vizinho da rua com quem estivéssemos falando pelo telefone. pior a oraçâo. um termo intimo. 60). p. Nâo há nada de errado em repetir palavras numa oraçâo a fim de exprimir urgência e fervor. nâo useis de vâs repetiçôes. O pròprio Jesus repisou vários temas (nome. com "que estás nos céus". Será que podemos ao mesmo tempo ser breves e persistentes? Sem dúvida. Costo do comentàrio de Lutero sobre a questáo.

vai descobrir que a única coisa que conseguiu é minha irritaçâo. se o repetir cem vezes sgguidas. Se você me faz um pedido e acha que. como a oraçâo feita por Salomáo na dedicaçâo do Templo. Náo nego que sáo boas palavras. . A Oraçâo Dominical é dentre todas o melhor exemplo. mas sim um exemplo daquilo que Jesus esperava de nós. Náo ocupa todo um capitulo. e náo em capítulos. tem mais possibilidades de ganhar minha aprovaçâo. Somos forçados a crer que seu tamanho náo é mero acaso. Mas como pensamos em frases. Hoje há quem pregue que devemos repetir expressôes como "Jesus Cristo.oracóes da Biblia. náo contém nem uma só palavra que náo seja cuidadosamente ponderada. o MODO Dt ORAR 27 C|m ségündo lug^ lesus advertiu-nos a nao orar de um modo que use a repeticáo como técnica. por necessidade. A brevidade inteligente e respeitosa é o padráo da maioria das . gera um efeito poderoso. por mais sagradas que seiam. Em certas ocasiôes. Com isso sugere-se que repetir centenas de vezes essa expres­ sáo. náo só no que se refere a conteúdo mas também a tamanho. Como disse Jesus. Mas tal conselho vai totalmente contra a ordem de Jesus de nao fazer isso. e meditar nelas náo faz mal a ninguém. Nesse ponto Deus náo é diferente de nós. ou outras semelhantes. Dizé-la toma alguns segundos apenas. Talvez. e a maior parte dessas se encontra em Salmos. Deus náo responde ao uso de fórmulas. Náo posso dizer o que acontece na mente ou no espirito daqueles que repetem fórmulas dessa maneira e véem beneficio nisso. a maioria de nossas oraçôes será curta. Mas náo creio que seja oraçâo. tem piedade de mim". nos alongamos nas oraçôes. Sáo poucas as que levam mais de um minuto para ser ditas. livro em que o leitor geralmente deseja passar mais tempo em reflexáo. só os gentios acreditam que a quantidade na oraÇâo aumenta seu poder de conven- cimento. A Oracáo Dominical é breve. Talvez valha a pena reforçar este ponto. Crer no contràrio é subestimar a inteligéncia de Deus e por a prova sua paciéncia. Nem é uma oraçâo comprida como a que o pròprio Jesus fez em Joáo 17.

® HORA E LUGAR O "modo" de orar inclui indiretamente nâo só atitudes. . Isso significa que é preciso chegar a Deus como a um Ser vivo dotado de vontade e. 123). 28 ^ ORAtíO A Oraçâo Dominical deve mitigar alguns de nossos temores de incompetência nesse ponto. Obviamente. A oraçâo errada. Tal oraçâo. ociosa e de muitas palavras. toda oraçâo se faz nalgum lugar específico e num momento determinado. mas aos ensinamentos que a cercam em Mateus e Lucas. como veremos. Orar é trabalho mental àrduo. aquela que nâo será ouvida nem atendida. portanto. portanto. A maioria das pessoas se sente culpada pelo pouco tempo que dedica à oraçâo. é hipócrita e egoísta. capaz de perceber nossas intençôes e nossas necessidades. como escreveu Oscar Cullmann. quando Jesus disse "orareis assim". portanto.e. é sjm e nâo. carente de fé e confianca ■ — oracào que. irrefletida. Jesus dá um exemplo concreto de como orar de modo breve e simples. é pior que oraçâo nenhuma (p. do desrespeito e das bobaeens repetitivas. Em sua oraçâo modelar. ele supôsque o ouvinte prestarla atençâo nâo só às palavras da Oraçâo. lugar. e ainda há hoje. disposto a ouvir e ponderar. Deus é o Senhor da oraçâo e ouve aqueles que dele se aoroximam em atitude correta. linguagem e forma. horas e lugares mais apropriados à oraçâo? A resposta. Resumindo. intolerante em face da impureza. Mas será que havia. facilmente desiste e renuncia. sublime e santo . inteligente e sensivel e. algo que qualquer um pode fazer em poucos instantes. mas também as questóes mais concretas de tempo. Esses ensinamentos tratam de quatro atitudes essenciais para quem quer ter uma audiencia com Deus. Comecei a pesquisar o assunto examinando se na Biblia há ocasiôes e lugares especiáis de oraçâo.

. farei as minhas queixas e iamentarei. se punha de joelhos. Salmos menciona oraçôes de manhâ: De manhâ. Mas eu. e eie ouvirà a minha voz (SI 55.. durante as noites. por outro lado. o S en h o r . anunciar de manhá a tua misericòrdia e. nem. À noite: Contudo. diante do seu Deus. e orava. e antemanhâ já se antecipa diante de ti a minha oraçâo (SI 88. Daniel. ouves a minha voz.17). a tua fidelidade Très vezes por dia: À tarde. S en h o r . pela manhâ e ao meio-dia.. recomendam horas em que as oraçôes seiam mais eficazes. No Antigo Testamento as oraçôes ocorrem a qualquer hora do dia e da noite. como costumava fazer (Dn 6. famoso por orar très vezes por dia indepen- dentemente de quem o observava. me concede a sua misericòrdia. ó Altissimo. pois . . (SI 42. À noite e de manhâ: Bom é render graças ao S en h o r e cantar louvores ao teu nome. No Antigo Testamento.13). Daniel é o homem mais disciplinado quanto às oraçâo..8). clamo a ti por socorro. OMODOMORi« ^ 29 ^ Horas de oracào As Escrituras nâo determinam horas em que nâo se pode orar. e dava graças. e à noite comigo está o seu càntico.. durante o dia. (SI 5.10). S en h o r ..3).

Também é visto em oraçâo no seu batismo (Ix 3. . durante as ocasiôes de cura (Mc 1. à noite e às refeiçôes. Diz Lucas: "Ele. escreveu sobre a questáo: Dessa forma. antes da escolha dos doze discípulos. 75).1). Entretanto. em vários momentos do dia. é impressionante observar como lesus freqüentemente se esforcava para ficar só e orar. porém. depois de multiplicar os páes (Mc 6. 46). ele orou a noite toda (j-c 6. É o retrato de um homem que realmente orava muito! Além desse volume de oraçôes. no Getsèmani (Lc 22.39-46). a oraçâo vespertina na hora do sacrificio vespertino no Templo.34).28-29).18). e a oraçâo noturna. pelas crianças que Ihe foram pedir bênçâos (Mt 19.14). Ele é visto em oracáo nas primeiras horas da manhá. multas oracóes. [freqüentemente] se retirava para lugares solltários e orava" (5. quando os gregos aparecem à procura dele Qo 12. podemos concluir com toda a certeza que lesus náo passou nem sequer um dia sem as très oracóes diárias: a oraçâo matinal ao amanhecer.16).16). antes de ressuscitar Lázaro (lo 11. indicio de que havia muitos lugares solltários. antes e durante a Ceia do Senhor Go 17) e na cruz (Lc 23.41). antes de ensinar a Oracáo Dominical (Lc 11. O "freqüentemente" está Implícito na frase pelo fato de a expressáo "lugares solltários" estar no plural.41). Certa vez. os evangelhos deixam claro que Cristo orava bem mais do que très vezes por dia. estudioso do Novo Testamento. antes de dormir (p.32). 30 ^ ORACÂO Nos dias de Cristo. muitos isolamentos. na transfiguraçâo (Lc 9.27s). antes de curar um surdo-mudo (Mc 7.35). quando Pedro precisou de proteçâo (U 22.12-13). Essa Indicaçâo é confirmada por várias passagens nas quais se relata que Jesus saiu de manhá cedo ou à noite para orar. durante confiitos com as autoridades (Lc 5.34. Joachim Jeremías. muitos hebreus devotos seguiam o hábito de Daniel.21). na revelaçào da sua condiçâo de Messias (Lc 9.

clamo de dia. O M OOOM ORAR ^ 31 E. Alguns salmos descrevem a determinaçâo com que se buscava a Deus em tais momentos. orava-se intensamente durante períodos de crise.12.9-10: 2Tm 1. subiu ao monte para orar (Me 6. No dia da minha angùstia. Adiante veremos a lista dessas pessoas por quem Paulo orava com tanto afinco. saiu. foi para um lugar deserto e all orava (Me 1.1). e nâo me respondes. tendo-os despedido. E. despedidas as multidóes. Deus meu. subiu ao monte.1) e ¡''sé esforca sobremaneira" (CI 4.14).3). Naqueles dias.2) Ó Senhor.9-11).. dia e noite clamo diante de ti 88. procuro o Senhor. "incessantemente". a fim de orar. Ef 6.12) em oraçâo por todos eles. só ÌMt 14. erguem-se as minhas mâos durante a noite e nâo se cansam.12).46). "sem cessar" em oraçâo por eles^Paulo diz que "luta" por eles (Rm 15. O nivel de dedicaçâo a todo esse volume e tipo de oraçâo é algo novo nas Escrituras.2). que "nâo cessava de orar" (Ef 1. . lemos que os primeiros membros da igreja "perseveravam" em oracào e se encontravam constantemente para orar juntos (At 1. a fim de orar sozinho. Em Atos. No Antigo Testamento. retirou-se para o monte. também de noite.35)..23). là estava eie. Em caindo a tarde. CI 2. Deus da minha salvaçâo. Paulo diz a seus leitores que orava "noite e dia" (ITs 3.16. porém nâo tenho sossego (Sl 22. Tendo-se levantado alta madrugada. que estava "sempre". e passou a noite orando a Deus (Le 6. C11. A intensidade e a seriedade com que Jesus encarava a oracào nâo se perderam nos apóstolos.30. (SI 77.

. ele insiste que se deve orar o tempo todo. mas quem se cansou foi Moisés.12).. Melhor é considerá-las mais elevadas que tudo que já alcancei. Para os de Roma.todos. Os votos de orar duas ou très vezes por dia feitos pelos salmistas parecem bastante razoáveis. Requer disciplina. Nâo posso fazer nem mais nem menos que sugerir que o leitor pondere essas exortaçôes porsi mesmo. Nos escritos de Paulo. Implica uma dedicacáo de tempo e um grau de fé que parece exceder muito o que a maioria de nós é capaz de oferecer. que orava. Israel venceu. Aos colossenses. No final. mas a insisténcia de Paulo para que oremos constantemente é desconcertante. concentraçâo.. Aos tessalonicenses. ele escreveu: ". com toda oraçâo e súplica. enquanto Josué conduzia o exército là embaixo. e nâo Josué. e ser sincero. disse: ".18). Na história da guerra contra Amaleque (Êx 17.2). orando em todo tempo no Espirito e para isto vigiando com toda perseverança e súplica por todos os santos" (Ef 6. que combatía. Moisés subiu a um monte de onde podia descortinar a batalha. ou posso alcançar.. porém.. Moisés erguia o braco como simbolo de sua oraçâo visivel a." (Cl 4. [sede] perseverantes" (Rm 12. Aos efésios. Pelo contràrio. acrescentou: "Perseverai na oraçâo.8-13). as exortaçôes de Paulo têm uma amabilidade de expressáo que supera . Pora de um mosteiro. É preciso dizer ainda que quando essas passagens sáo lidas dentro do contexto. náo parecem duras ou exigentes. 32 ^ ORACiO É de esperar esse tipo de intensidade em momentos críticos da vida. na oraçâo. De nada vale tentar minimizar ou reduzir as expectativas de Paulo. Isso se prova facilmente com uma simples pergunta: o que é mais fácil — encontrar cem homens dispostos a tràbalhar arduamente ou dois homens que orem tanto? Exatamente essa idéia està gravada em algumas oraçôes da Biblia. dedicaçâo. eie precisou da ajuda de dois homens para manter o braço erguido.. Com o recrudescer da batalha. quem pode alcançar tal nivel de intensidade espiritual? Além do mais. a oraçâo é trabalho pesado — muito mais pesado do que cavar poços ou assentar blocos de concreto. escreveu: "Orai sem cessar" (ITs 5. A oraçâo é assim.17).

10). Lutero sugeriu que a oraçâo deve ser "a primeira atividade pela manhâ e a última à noite" (Bloesch.20. nem o Antigo nem o Novo Testamento inipóem restriçôes ao local de oraçâo. Pedro orou num terraco (At 10. Podemos orar raramente ou constantemente. diàrio.50). ao meio-dia e à noite permanecem como bbm conselho até hoje.23s). p importante é aproveitar a disposiçâo de Deus para ouvir e "resolutamente passar a orar algum tempo em qualquer lugar" (Poster. Daniel orou da ¡anela da sua casa (Dn 6. o MODO DE ORAR 33 sentimentos de culpa e afasta a sensaçâo de incapacidade do leitor. Paulo orou à margem de um rio (At 16.12-14). E é essa a decisâo que o leitor deve tomar. pelos quais começamos esta seçâo. conforme nosso deseio. lesus orou na encosta de uma montanha (Lc 9. losué orou no meio de uma batalha (js 10. quando pela graça de Deus acabamos de corner.48). Depois desses apelos.13) e mais tarde na cela de uma prisâo (At 16. Elias orou noçume de uma montanha (1Rs 18.14). Os marinheiros de lonas oraram dentro do barco no meio de uma tempestade (In 1. Nâo há restriçôes nem limitaçôes.9). 59).36-37). quando nos sentamos à mesa para uma refeiçâo. . p. Seus apelos sâo tâo carinhosos que o leitor nâo se sente tâo intimidado quanto inspirado a tentar e melhorar. Deus é o Senhor da oraçâo e deixa que decidamos quando orar. ^ Locáis de oracôo Comò na questâo do tempo. Abraâo orou no calor da tarde (pn 18.28-31).25). talvez o melhor seja voltar aos salmos. Para aqueles que nâo conseguiram alcançar o estado continuo de oraçâo recomendado por Paulo. quando nos preparamos para dormir" (111. André orou dehaixo de uma àrvore (lo 1.28). 74). Suas referências à oraçâo de manhâ. Calvino nos exorta a orar "quando nos levantamos de manhâ. Sansâo orou dentro de um templo pagâo (Iz 16. eis um bom conselho. quando começamos o trabalho.

Como diz Salomâo no v. tomando todo o capitulo 8 de 1Reis. Abraâo invocou a Deus muitas vezes em altares que ele construira com as próprias mâos. é importantissimo lembrar que o Templo de Salomâo durou somente cerca de quatro séculos. como muitos pregadores fazem hoje com suas oraçôes. embora fòsse capaz de ouvir otaçôes vindas de qualquer lugar. a súplica do teu servo e do teu povo de Israel. Nos seis séculos-seguintes Jerusalém ficou longos períodos sem nenhum lugar central de adoraçâo. Antes dos dias de Salomâo e da construcâo do primeiro Templo. . 34 ORACÀO Isso nâo quer dizer que nâo haja lugares especiáis de oraçâo. Seu tamanho se deve ao fato de Salomâo tê-la usado como uma espécie de sermáo. Houve e ainda há lugares assim. como o fizeram ló. Orava-se a Deus em outras terras e locáis. Ele imaginou sete ocasiôes diferentes que podiam surgir na história de Israel. Davi. justo e digno de todo louvor. ouve no céu. Isso significa que nâo havia uma Meca judaica. momentos. ouve e perdoa". As sete ocasiôes sâo:<clisputas entre pesso¿5¿:cierrota na lûerràbClomë ou^q^^^^ pragàì Oraçâo de um estrangeiro) (tempos de guerra e<^mpos de cativeifa Pode-se dizer que toda a oraçâo inauguratôria se preocupa em confirmar o Templo como o local de oraçâo. A oracào de dedicacáo do Templo é uma das mais longas do Antigo Testamento. lugar da tua habitaçâo. peus é descrito como onipresente. a oraçâo estava ligada aos altares. seTido destruido durante a invasâo babilònia. ocasiôes em que a oracào seria necessària para encorajar o povo a enxergar o Templo como lugar primordial de . A teologia dessa oraçâo é tâo sofisticada quanto seria de esperar de aiguém da estatura de Salomâo. quando orarem neste* lugar. onisciente. Esdras e outros santos do Antico Testamento^ O aitar só foi substituido pelo Templo como principal lugar de oraçâo e adoracáo nos tempos de Salomâo. "Ouve. era_ao Templo que dirigia sua atençâo especial. É um Deus que se havia ligado ao Templo e. 30. um lugar para onde o povo hebreu tentava voltar ano após ano a fim de oferecer sacrificios. pois.sCipljça ne¿S£S. Entretanto.

como nos tempos antigos em que obedeciam às leis do sacrificio.C. da regláo chamada Samarla. Era ¡á o terceiro. Eia sabia que a questáo do local de adoraçâo seria . vejo que tu és profeta. vós. o filho rebelde de Salomáo. Naquela época as metades setentrional e meridional de Israel estavam unidas politicamente. Criaram-se oraçôes para a sinagoga. os devotos hebreus recuperaram o zelo dp recitar as oracóes corretas no momento correto e da maneira rnrreta. mas havia grave controvèrsia quanto ao local de adoraçâo: se era’ legitimo adorar a Deus no Lugar Alto ao norte ou somente no novo Templo em Jerusalém. pois eia passou a ser o substituto mais importante do sistema de sacrificios. para horas específicas do dia. entretanto. disse: Senhor. provavelmente já estava cansada de ouvir argumentos a favor e contra. Também havia a competicáo do norte. havia outra vez um Templo em lerusalém. % Essa mulher se esmerava para entabular uma boa conversa com um homem santo.19-20). A perda de um lugar central de adoraçâo talvez tenha gerado um efelto Irónico: aumentar a importáncia da oraçâo dentro da espiritualidade hebréla. para ocasiôes especiáis. Esse altar. pois fora construido sob autoridade romana. dizeis que em Jerusalém é o lugar onde se deve adorar (lo 4. para o sábado. Ele deu um golpe político depois da morte do pal e formou seu pròprio estado na metade setentrional do país. que morava perto do Lugar Alto. ou "Lugar Alto". num momento de nervosismo. Mas. Mandou também construir um altar no guai o povo que vivía sob seu governo deveria adorar. No tempo de Cristo. Lá um "Lugar Alto" se ergula desde os dias de Roboáo. o MODO MORAR ^ 35 Com o passar do tempo. A samaritana. Nossos país adoravam neste monte. para todas as ocasiôes. disse-lhe a mulher. Essas informacóes sáo necessárias para quem quer entender a convèrsa de Jesus com a samaritana. aínda era rfiulto procurado no Inicio do século i d. e polémico.

12). quando nem neste monte. A partir dai desenvolveu-se a igreja do Novo Testamento.mártires (Ap 6. Mas vem a hora e já chegou. pois ele insinuava uma verdade que ainda náo estava pronto para revelar. Na presença de Deus. talvez mesmo as rochas de um altar se tornem sencientes! Isso quer dizer que sempre haverá lugares especiáis de oracáo. guando as autoridades recrudesceram a oposiçâo às crenças cristas. o leitor náo deve deduzir que isso significou o fim do altar ou do templo. 14.. Disse-lhe Jesús: Mulher. Mt 12.7). podes crer-me que a hora vem. como reservatório de oraçôes e da ira de Deus (Ap .9).8. lesus surpreendeu a todos ag gao defender q Templo. Contudo. nem em Jerusalém adorareis o Rai . Os momentos especiáis de oraçâo passaram entáo às casas onde eles se reunlam para adorar.5. os discipulos continuaram indo ao Templo orar (At 3. A resposta de Jesús soou provavelmente multíssimo enigmática aos ouvintes.17:15. e a oracáo permanece até hoje como parte vital da adoracáo e do jninistérlo da igreja.. 36 ^ ORAtóO o assunto apropriado para quebrar o gelo.15. Deus é o Senhor da oraçâo e mostra-se disposto a ouvir oraçôes vindas de qualquer lugar.3. Ele mesmo era o cumprimento de tudo o que o templo significava e indicava (cf. Com sua vinda todo o sistema de sacrificios conhecera cumprimento e já podía entáo desaparecer. A adoracáo de Deus dai em diante nao seria mais ligada a um local especifico.1).5^ 16-1>17) e no qual os redimidos têm um lugar prometido (Ap ^. porque sáo estes que o Rai procura para seus adoradores \)o 4. Mo livro de Apocalipse aparece também um altar e abrigo para os . quer em lerusalém. Há um templo no céu no qual os anjos adoram ^p 715). do qual saem para servire ministrar (Ap 11.6). em que os verdadeiros adoradores adorarlo o Rai em espirito e em verdade. embora a pràtica tenha logo cessado. Depois da ascensáo de Cristo.19:14.18) e como proclamador do juizo (Api 6. Mas a exemplo do que o . quer em Samaria. Resumindo.21-23).

Cada oracao precisa ter um formato. A primeira é a exclamacáo. será que há formas que devem ser evitadas? Outra questáo afim é se a oracào tem um vocabulário especial. Mas nao é essa minha intençâo. seia ele simples ou complexo. Muitos deles sao táo curtos que quase se poderia dizer que náo tém forma nenhuma. E. A questáo é verificar se há determinadas formas mais aceitáveis. Ele ficou táo exausto que chegou a temer . Mas prefiro a abordagem mais simples sugerida por Moshe Creenberg da Universidade Hebraica. Antes. txclamocâo Alguns estudiosos fizeram carreira usando o chamado método formgeschichte (crítica da forma) para estudar as formas da oraçâo no Antigo Testamento. também hoje a igreja é um local que se deve identificar com a oracáa ® fO RM Af LINGUAGEM o título desta seçâo se parece com o de uma iiçâo de gramática ou sintaxe. Será que somente uma classe sacerdotal ou pastoral de clérigos treinados é capaz de formular boas oraçôes? Ou será a oraçâo táo despojada de exigéncias de forma e linguagem que qualquer um pode orar confiante de que sua linguagem náo é impedimento? Comecemos a procura das respostas ponderando as formas que as oraçôes assumem no texto da Biblia. A resposta a essas très perguntas tem profundéis implicaçôes relativas à forma pela qual devemos orar e. Sáo pedidos simples e rápidos elevados a Deus sem sequer um instante de premeditacáo. desejo examinar a maneira pela qual as oraçôes sâo elevadas a Deus. por outro lado. especialmente em Salmos. o MODO MORAR ^ 37 Templo foi um dia. quem poderá elevar uma oraçâo a Deus. Ele descobriu que quase todas ais oraçôes do Antigo Testamento se enquadram em très formas básicas. por conseqüência. Um exemplo é a oracao de Sansáo depois da batalha contra um pequeño exército filisteu.

no tocante a estas suas obras. a oraçâo de Moisés pelas tribos de Israel enquanto elas dançavam em torno do bezerro de ouro (Ex 32. em suas últimas palavras documentadas. Só muito mais tarde. Quando o rei Davi soube que seu conselheiro se havia tornado traidor e aiudava Absalâo a comandar o golpe militar. o selo da autenticidade. agora. . orou: Lembra-te. se nâo achasse logo água. Há vários desses pedidos breves e simples no Antigo Testamento. poderia desmaiar e ser morto por algum errante que por ali passasse. exclamou: "Ó S e n h o r . e também da profetisa Noadia e dos mais profetas que procuraram atemorizar-me (. 38 ^ ORACÂO que. de Tobias e de Sambalate. peço-te que transtornes em loucura o conselho de Aitofel" ^2Sm 15.31). Às vezes um editor comprime uma longa oraçâo em algo mais compacto e utilizável num texto escrito. quando pede a Deus que o ajude a vingar-se dos filisteus. Deuteronòmio nos diz que Moisés orou naquela ocasiáo durante 40 dias e 40 noites (Dt 9. Quando Neemias enfrentou oposiçâo à construcâo do muro.16). Entâo a certa altura ele bradou: Por Intermèdio do teu servo' deste esta grande salvaçâo. Mas náo é provavelmente do que tratam oraçôes como a de Sansáo men­ cionada há pouco. A oraçâo de Éxodo 32 deve ser um brevissimo resumo daquela extenuante intercessáo.Ne 6. morrerei eu. de sede e cairei nas inàos destes incircuncisos? (jz 15. Sansáo era um homem que negligenciava seu relacionamento com Deus. meu Deus.11 -13) tem somente urnas poucas frases. Essa oraçâo é tâo improvisada. É essa a marca das oraçôes de £xdfinagáo. Por exemplo. é que ouvimos um tom de humildade ()z 16.14). No entanto. e a natureza brusca e exigente do apelo é bem coerente com sua personalldade na época. Eia traz em si. que quase poderíamos dizer que nao tem forma nenhuma. tâo curta. exatamente como está escrita.18).28).

34). Pai. essas oraçôes sáo aiçadas a Deus com forma e formalidade mínimas. E é justamente esta a característica principal dessas oraçôes. Em algum lugar nas cercanías da cidade de Ur.46). Deus meu. Eliezer.46).59).14: 13.60). Encontram-se também exclamacòes no Novo Testamento. Elas representam a expressáo mais simples possivel de um desejo ou anseio elevado a Deus num momento de urgência. Um bom exemplo se encontra na história da busca de uma noiva para Isaque. na igreja.19: 6. ^em contar os salmos. nas tuas mâos entrego o meu espirito! (Le 23. Pai. etc. difícilmente algum dos dois poderia dizer algo mais. parou para descansar diante de um poco e pediu a ajuda de Deus. e elevam a Deus os pensamentos do momento de uma maneira mais ou menos estruturada. Deus meu. Essas oraçôes sáo do tipo das que fazemos ás refeiçôes.9: 6. pois eie a emprega quatro vezes em seu livro (5. recebe o meu espirito! (At 7. porque nâo sabem o que fazem (Le 23. o servo de Abraáo. náo Ihes Imputes este peeado! (At 7. perdoa-lhes. quer meramente um súbito impulso de louvor.14). Em circunstáncias assim. como uma conversa normal. Quer motivadas por trauma. Estêvâo fez duas oraçôes exclamativas em seu martirio. Senhor Jesús. durante as devoçôes. por que me desamparaste? (M t 27. é a forma mais comum de oracào nas Escrituras. Senhor. Jesus Cristo proferì u très na cruz. Sáo compostas livremente. . o MODO DE ORAR 39 Essa maneira sucinta e direta de orar deve ter-se baseado de fato na personalidade de Neemias como homem de açâo.

. autor e conservador de toda vida. buscando-lhe a atençâo.. dá-me. ^ pedido exoressa o aue se desela e se roga.. seja agüe designaste para o teu servo Isaque: e oisso verei que usaste de bondade para com o meu senhor (pn 24. A maioria das oraçôes da Biblia fcontém algum tipo de expressáo que tenta convencer Deus a atender. É como se elé dissesse: "Nâo é nenhum estranho quem chama. ponha um homem sobre esta congregaráo que saia adiante deles. mas alguém que fala em nome de Abraâo". y h w h (S e n h o r ). A parte persuasiva levanta um argumento a favor da resposta de Deus. Deus de meu senhor Abraáo. e que os faça sair. 0 Pedido:. pois. Eliezer primeiramente invoca a Deus por seu nome pessoal. Na invocaçâo recorre-se a Deus. . e depois menciona Abraâo. seu senhor. Nesse caso. e eia me responder: Bebe.16-17). e que os faça entrar. Essa oraçâo mostra a estrutura tríplice comum a todas as oraçôes coloquiais: 0 Invocaçâo: SENHOR. para que a congregacào do Sen hor nâo seia como ovelhas que nâo têm pastor (Nm 27. temos uma oraçâo bastante persuasiva. 40 múa ó S enho r .. que a moga a quem eu disser: inclina o cántaro para que eu beba. Um exemplò^é a oraçâo de Moisés por um sucessor que liderasse as tribos de Israel.12-14). O Senhor. pois todos os elementos que cercam a petiçâo visam a estabeiecer um elo entre aquele que ora e Deus. Deus de meu senhor Abraáo.. rogo-te que me acudas hoje e uses de bondade para com o meu senhor Abraáo! Eis que estou ao pé da fonte de água. e as filhas dos homens desta cidade saem para tirar água. ù.Persuasào: Nisso verei que usaste de bondade para com o meu senhor.. e darei ainda de beber aos teus camelos. seja a que designaste para o teu servo Isaque.

de Isaque e de Israel.. Na Invocaçâo.. No que se refere ao poder e à incisividade da resposta. responde- me. . para que este povo saiba que tu. ar' © Pedido: . Sen hor. Moisés clama a Deus usando seu nome pessoal e acrescenta uma expressâo da majestade de Deus.. Deus de Abraáo. Se o leitor quiser testar sua capacidade de encontrar esses elementos por conta pròpria. lembra a Deus por que precisam de um líder. hoje. o MODO DE ORAR ^ 41 É fácil identificar os très componentes.. O leitor pode facilmente distinguir a invocaçâo. é também uma oraçâo bem convincente. e que eu sou teu servo e que. e que os faça entrar.. o pedido é o elemento persuasivo. e que os faça sair.20-24). para que a congregaçâo do S e n h o r nao seja como ovelhas que náo têm pastor. autor e conservador de toda vida. e que entre adiante deles. Nesse caso. O acordo firmado entre Ellas e os sacerdotes de Baal fora que o deus que ateasse fogo ao altar serla declarado o verdadeiro Deus. vela a oracáo de Elias no cume do monte Carmelo (1Rs 18. Responde-me. Apesar da brevidade. segundo a tua palavra. o pedido e a persuasáo. fique. essa oraçâo se iguala à que Moisés fez ao cruzar o mar Vermelho. f i ) Invocacáo: O S e n h o r . Antes de concluir.14.. Senhor.. experimente a oracáo de lonas 1.36-37). Elias Ó Senhor. Persuasáo: . pois ateando fogo Deus revelarla que somente ele era o Deus verdadeiro. és Deus e que a ti fizeste retroceder o coraçâo deles (1 Rs 18. Como último exemplo. ponha [o S e n h o r ] um homem sobre esta congre- gaçâo que sala adiante deles. fiz todas estas coisas. sabido que tu és Deus em Israel.. Depois do fracasso dos sacerdotes de Baal.

responde-me. para que eu náo durma o sono da morte. m algumas outras em AtosPMas o principal já ficou claro. Jamais sâo o mero clamor de um ùnico pensamento e raramente seguem uma simples estrutura triplice.3-4). exibem um nivel muito mais elevado. gostaria de fazeralgumas consideraçôes sobre essa forma. e nân vamos gastar tempo citando alguns deles. .1.. Tome-se como exemplo o salmo 13: Até quando. petiçâo. persuasáo e louvor. .Combinam invocacào. por isso. de complexidade que as exclamaçôes ou oraçôes coloquiais. quase sempre apresentam seus pedidos em termos genéricos. Senhor? Esquecer-te-ás de mim para sempre? Até quando ocultarás de mim o rosto?. 42 ^ ORACÀO Embora feita num momento de pànico por um grupo de marinheiros instantáneamente convertidos. de Simeâo e de jesus. para que nao diga o meu inimigo: Prevalecí contra ele. Atenta para mim. muitas vezes ao longo de uma grande extensâo de tempo. Com posla Esta forma é dita "composta" porque se refere a oraçôes regis­ tradas por escrito e que. nem podemos recriar rom seguranca a situaçâo em que foi proferida. Todos os salmos se enquadram nessa categoria. como as de Maria. às vezes repetindo cada um desses componentes mais de uma vez. Todavia. essa oraçâo mostra as très partes comuns às oraçôes coloquiais. de Zacarias. e náo se regozijem os meus adversarios. vindo eu a vacilar (SI 13. Além da complexidade. Raramente se dà a natureza precisa do problema com clareza suficiente para que possamos identificá-lo. Os evangelhos também contém várias délas. Deus meu! Ilumina-me os oihos. passaram por um processo de revjsâo. pois o leitor pode consultá-los a seu bel-prazer. pois é a que aplicamos mais freqüen- temente em nossas oraçôes diàrias.. sâo distintas pela generalidade — ou seja. Como os salmos e outras oraçôes semelhantes passaram por um processo de reflexáo e correcáo. A forma coloquial é a forma-padrâo. Senhor.

bem-ordenadas e breves. Usa símiles e metáforas para expressar sentimentos intensos. As oraçôes coloquiais.8). Essa falta de especificidade é essencial ao propósito dessas oraçôes. sáo quase sempre feitas por alguém como parte de uma história específica e. evita a precisáo. como as que examinamos acima. "Esse tipo de linguagem resiste à disciplina. O Novo Testamento foi composto num período dé tempo . Usam símiles sombrios como "cova" (Sl 28.2). Obviamente. deleita-se na indeterminaçâo. "minha forte rocha" (Sl 62. portanto. Elas precisam ser organizadas e revisadas.3). Observe também que a linguagem do salmo 13 é altamente •estilizada e disciplinada. "profundo poder da morte" (Sl 86. pois foram escritas para que o leitor pudesse usá-las na forma em que aparecem. até que o rebultado final seja exatamente aquele que o escritor desejava. A estrutura do conjunto é plena de movimento e significado. j indeterminada. ou ainda adaptá-las a suas necessidades. seia quem for. a composiçâo de oraçôes dessa natureza exige maior reflexáo. 88. Essas características vaiem para quase todas as oracóes compostas. Voltaremos a examinar essas características no capítulo final.7) ou "torre forte" (Sl 61. franca e im’aginativa. Náo é a linguagem precisa e descritiva usada na ciéncia ou mesmo na . Isso exige muito tempo e pode explicar por que a forma composta náo se encontra no Novo Testamento.1.13).narrativa. náo sepdo utilizáveis pelo leitor. ou imagens mais belas como "menina dos olhos". 28). a natureza precisa do problema ou a situacáo que gerou a necessidade. Como Brueggemann diz. mas suas palavras sáo cuidadosamente escólhidas. assim como qualquer outra obra literária. "sombra das tuas asas" (Sl 17. é profundamente criativa 'e é eia mesma um exercício de liberdade" (p. pudesse usá-los. o MODO Dt ORAR 43 É impossível dizer com base nesse salmo quem está orando. "tremedal de Jarna" (SI 40.4-5). por uma razáo específica. quando analisarmos a doxologia de conclusáo da Oraçâo Dominical. Os salmos foram escritos deliberadamente de maneira indistinta para que o leitor.

■ ‘5 ». os hinos. fim de que a si incline o nosso coraçâo.. usou a forma de desejo para iniciar sua oraçâo por ocasiâo da inauguraçâo do Templo. A Oraçâo Dominical é uma das poucas oraçôes compostas do Novo Testamento e. Talvez por essa razâo.". 44 ^ ORACÀO nâo muito maior do que a extensâo de uma vida. os cánticos e as liturgias que usamos hoje na igreja. O Senhor.. e que os faça sair. ponha um homem sobre esta congregaçâo que saia adiante deles. para andarmos em todos os seus caminhos e guardarmos os seus mandamentos. e os seus juízos. Suas energías precisavam concentrar-se na evangelizaçâo e na sobre- vivència. nâo nos desampare e nâo nos deixe. por exemplo. para que a congregaçâo do Senhor nâo seja como ovelhas que nâo têm pastor (Nm 27. é quase invariavelmente usada nas bênçâos. que ordenou a nossos pais (.1Rs 8. Essa forma de oraçâo é bem comum na Biblia em virtude da beleza de expressáo. e os seus estatutos. seja conosco. ainda mais valiosa. Esse tipo de expressáo é encontrado nos dois Testamentos. O Senhor. autor e conservador de toda vida. Moisés começou seu pedido de um sucessor usando a forma de desejo. . em parte por essa razâo. e que os faça entrar. Ficou para os que viriam depois a tarefa de desenvolver as oraçôes compostas. Um exemplo é a bênçâo de Paulo aos tessalonicenses.. Salomâo. período curto demais para o desenvolvímento de uma tradiçâo de salmos e hinos cristâos. ^ Form a de deseio A chave para identificar a forma de deseio é o emprego da terceira pessoa ao dirigir-se a Deus: "Dê o Senhor. ou "Faca o Senhor.16-17).". assim como foi com nossos pais. foi uma era turbulenta para a jovem igreja. Além disso.57-58). nosso Deus.

o nosso mesmo Deus e Pai.21. e as referéncias a Deus ou a terceiros ocorrem necessariamente na terceira pessoa (pp. As palavras efetivamente usadas nâo sâo citadas. e o Senhor vos faça crescer e aumentar no amor uns para com os outros e para com todos. O autor se dirige sempre ao leitor. lemos que Isaque "orou ao S e n h o r por sua mulher. pOrque eia era estéril". mas o conteúdo é suficientemente claro. Isso explica por que é inútil procurar a citaçâo de uma oraçâo nas epístolas. O estudioso do Novo Testamento Gordon Wiles explica por qué. Ele náo cita nem uma sequer de suas oracóes. como também nós para convosco (ITs 3. 157s). . Assim náo temos uma oraçâo.da oracào. o MODO Dt ORAR ^ 45 Ora. Veremos essa forma novamente quando chegarmos à frase "O pâo nosso de cada dia dá-nos hoje". mas o registro de uma oraçâo. em Génesis 25. abordando a maneira pela qual eia invoca a bênçâo de Deus para nós. Por exemplo. e assim dava-se um registro ou relato em seu lugar. Em outras palavras. dirijam-nos o caminho até vós. Veja estes exemplos: Irmáos. Essa forma náo entraría na discussâo nâo fosse o fato de ser a única usada por Paulo em suas epístolas.1). Os cánones do antigo estilo epistolar proíbem a inclusáo de toda oraçâo diretamente dirigida a Deus. 6-7. a boa vontade do meu coraçâo e a minha súplica a Deus a favor deles sáo para que sejam salvos (Rm 10. nosso Senhor. Isso é tudo o que sabemos. e Jesus. e por questáo de conveniéncia vamos chamá-la simplesmente relato de oracao.11-12). ^ Rfeloto de oraçâo Essa forma se chama "relato" porgue nâo cita as palavras da oraçâo. nos tempos de Paulo considerava-se de mau gosto citar uma oraçâo.

fortes. 46 ORACÂO Estamos orando a Deus para que nâo façais mal algum . a vossa eleiçâo. Porque nos regozijamos quando nós estamos fracos e vós.1-5). sem cessar. Um exemplo é a abertura de 1 Tessalonicenses: Paulo. irmáos. de ti nas minhas oraçôes. lembrando-me. mas. 5). Cada urna dessas passagens relata uma oraçâo. graça e paz a vós outros.. Às vezes é difícil identificar nas cartas de Paulo onde termina o relato de oracâo e comeca a exposicâo. Um espirito genérico de oraçâo permeava e pairava rente à superficie das cartas. sempre. tanto que o apóstolo podia facilmente passar do texto expositivo ou de outro qualquer a uma forma mais direta de oraçâo. sobretudo. no Espirito Santo e em plena convicçào. mas nâo se fazem citaçôes. porque o nosso evangelho náo chegou até vós táo-somente em palavra. e isto é o que pedimos: o vosso aperfeiçoamento (2Co 13. É assim que todas as oraçôes sâo tratadas nas epístolas do Novo Testamento. diante do nosso Deus e Pai.7-9). à igreja dos tessalonicenses em Deus Pai e no Senhor Jesus Cristo.. Esse trecho passa imperceptivelmente de um relato de oraçâo à exortaçâo e à instruçâo. da abnegaçâo do vosso amor e da firmeza da vossa esperança em nosso Senhor Jesus Cristo. da operosidade da vossa fé. Damos. Isso acontece em muitas das cartas de Paulo. . e vice-versa (p. mencionando-vos em nossas oraçôes e. e seu estilo expositivo fornece indicios de que ele seguia seu pròprio conselho. Silvano e Timòteo. assim como sabéis ter sido o nosso procedimento entre vós e por amor de vós (^jlTs 1. amados de Deus. graças a Deus por todos vós. recordando-nos. 8). em poder. reconhecendo. Dou graças ao meu Deus. estando dente do teu amor e da fé que-tens para com o Senhor Jesus e todos os santos (Fm 4. Wiles também fez um bom comentário sobre esse ponto. sempre. Paulo exortava seus leitores a orar continuamente.

^mesma forma como se falassem com um rei ou uma pessoa nobre. deveras confesso que pequei" (2Sm 19. disse Davi à mulher: . mas foi impedido de fazer isso por Abigail.30). ele observou quebs mesmas palavras usadas entre pessoas para admitir a culpa e pedir o perdâo sáo usadas para falar com Deus sobre o pecado. De modo semelhante.. Em terceiro lugar. técnicos nem usa vocabulário esotérico.]. o conselheiro do rei. forma de deseio e relato de oracáo. Depois de se acalmar. Greenberg provou isso de maneira convincente.21). em segundo lugar. a linguagem náo assume ares. Observou. A história de Abigail e Nabal é um caso exemplar.'^ue homens e muiheres se dirigem a Deus da. Assim Abraáo intercedeu por Sodoma e Gomorra com a frase: "Nâo se ire o Senhor. na recitaçâo de um salmo —. A linguagem da oraçâo Quero fazer apenas uma única observaçâo a respeito da lin­ guagem da oraçâo: eia é tirada do cotidiano. gostaria de examinar rapidamente a linguagem usada nessas oraçôes. Sáo as mesmas palavras que usamos para confessar o pecado a Deus. Simei. coloquial. Por exemplo. Eis que tenho procedido como louco e errado exces- sivamente" (ISm 26. dentro do Templo. Davi^estava prestes a matar o marido de Abigail. Antes de concluir esta seçâo e de apresentar algumas implicaçôes. diz a Davi: ■'"Porgue eu. Saul dissá a Davi numa ocasiáo anterior: "Pequei [. composta. falarei ainda" ((Ün 18. OMODODtORAR 47 £ssas sâo as principáis formas de oraçâo da Biblia: exclamacâo. Ele observou quejPeus é tratado na segunda pessoa. teu servo. Por fim. comparando a linguagem da oraçâo à de outros tipos de conversa. Mesmo guando a oracáo faz parte de uma atividade formai — diante de um altar. Greenberg observou também que^xpressamos gratidáo ás outras pessoas da mesma maneira que p fazemos a Deus..20). pela maneira insultuosa que este tratara a ele e seus soldados. enquanto o falante fala como "eu" — o mesmo modelo seguido pela conversa normal. Nabal.

eram a forma original e sâo melhores porque sâo mais espontáneas e portanto mais auténticas. Alguns já disseram que as oraçôes mais simples. Sendo assim. o ensinamento de Jesus sobre a oraçâo nada tinha que dizer sobre a linguagem ou a forma. mas sim artificials. Em seu livro Prayer and the Modern Man. As formas que vimos acima podem sçr identificadas com razoável facilidade. 48 ORACÀO Bendito o Sen h o r. as exclamaçôes. A idéia é bem simples: a espiritualidade bíblica nao exige que aprendamos um novo vocabulário ou uma nova forma de falar para buscar a Deus. procurando a forma original da oraçâo. Deus de Israel. podemos agora refinar as perguntas com as quais iniciamos esta seçâo. De um fólego — e com a mesma linguagem —. necessariamente devem ser consi­ deradas inferiores para o intuito de falar com Deus. Bendita seja a tua prudência. ' Será que para Deus uma dessas formas é mais aceitâvel que as outras? Será que uma forma de oraçâo é mais elevada. dizendo que as oraçôes compostas eram a forma original e sáo melhores. Ao longo do tempo evoluiram para oraçôes formais. hoje. Como'vimos acima. pois . e bendita sejas tu mesma. todo ser humano pode fazer a oraçâo que quiser e ser atendido por Deus. mais desenvolvida e por isso tem mais probabilidade de receber a atençâo de Deus? Os estudiosos tentaram fôsponder a essas perguntas de modo indirete. que. que hoje me tolheste de derramar sangue e de que por minha pròpria máo me vingasse (ISm 25. Evidentemente estava errado. Por essa razâo. Jacques Ellul escreVeu que a oraçâo^ nâo tem forma nem conteúdo específicos (p. Na cosmovisáo bíblica. 61). Eis uma conclusâo* ousada (e tola também) a tirar com respeito aos salmos! Outros defendem precisamente o contràrio. mas se concentrava exclusivamente em nossa atitude. compostas.32-33). te enviou ao rrieu encontro. Davi bendiz tanto Abigail quanto a Deus. as formas variam da mais simples à mais complexa e da bem informai à extremamente formal. que nâo sâo espontáneas. Falamos com ele como o fazemos uns com os outros. Como já as conhecemos.

31). A reflexáo prèvia náo é pré-requisito para ser ouvido. minha familia freqüentava a igreja de uma das denominaçôes principáis. mas usou uma oracáo coloquial ao pedir vinganca contra os filisteus (Iz 16. apesar da falta de estrutura ou reflexáo prèvia. mas apenas um capítulo adiante usou uma oracâo composta para louvar a Deus por ter sido atendida (1Sm 2.28). nâo há indicacâo nas Escrituras de que alguma forma seja original ou superior. Sansáo bradou uma urgente oracáo de exclamacáo para pedir aiuda numa batalha (Iz 15. Uma das oracóes de Davi foi uma exclamacáo de uma só frase (2Sm 15. na qual as oraçôes usadas nos . (sla minha opiniâo. todas as oraçôes da Biblia receberam uma resposta positiva.9-20). porém mais tarde ofereceu uma oracáo composta para agradecer a Deus pela cura (Is 38. Ana usou uma oracâo coloquial quando oroii pedindo um filho (ISm 1..3). o MODO Dt ORAR ^ 49 revelam-se mais ponderadas e sinceras do que as oraçôes mais simples e. Eis um fato bem simples. aos inteligentes e aos literatos — bem o oposto das bgm-aventuranças.. mas eJe também usava oracóes coloquiais às vezes e é o autor de grande número de salmos extraordinariamente complexos e belos. Por isso é errado dizer que uma oraçâo é Inferior porque nao alcança determinado nivel de complexidade ou. náo expressa determinado tipo de espontaneidade. Tampouco nenhuma forma específica de oraçâo recebe resposta mais favorável de Deus. quase sem exceçâo. O rei Ezequias elevou uma amargurada oracáo de exclamacáo quando recebeu a noticia da sua doenca fatal (Is 38. A hipótese parece um pouco mais convincente.1-10). Deus ouve mesmo as oraçôes mais curtas.11). A forma usada depende inteiramente da ocasiáo. As oraçôes de exclamaçâo náo sáo menos eficazes.". portanto. que dizem: "bem-aventurados os humildes. do que as oraçôes mais longas. mas que passa despercebido: formas diferentes de oracâo sâo usadas pelas mesmas pessoas. por outro lado. Quando eu era criança. De fato. mas supôe que o reino de Deus se inclina aos instruidos.18). do tipo conversacional ou composto. têm mais chance de conquistar a atençâo de Deus.

significa que nenhuma classe profissional de clérigos pedia ou pode apropriar-se da oraçâo como. nem o dominio de alguma técnica profissional. se for o caso. Isso traz implicaçôes profundas para a espiritualidade das fés judaica e cristá. A luz das oraçôes da Biblia. a oracáo nada mais é que "uma conversa com Deus" (Miller. ambas as práticas parecem desnecessariamente restritivas. Fazer uma oraçâo náo é mais difícil do que entabular uma conversa normal. é Deus quem cuida de tudo. Oualquer um que fosse — e é — capaz de se dirigir a uma figura real. dependendo da ocasiáo. Se fosse necessàrio aprender a escrever oraçôes de maneira formal e dominar uma linguagem técnica. por sua vez. 33) ou. a maioria das pessoas simplesmente deixaria a tarefa para uma classé profissional de sacerdotes.Somos livres para usar oraçôes escritas e para escrever nossos próprios pensamentos guando assim o desejarmos. A oraçâo náo está restrita a momentos ou locáis. jamais litúrgicas. Náo se impóem complicaçôes ao homem. como afirmou Oscar Cullmann. Isso. dignifica que a oracáo estava — e está — livre de quaisquer exigéncias que a tornariam difícil para os pobres ou pouro instruidos. Mas náo era isso que acontecía no Antigo . náo exige formas especiáis. Mais tarde comecei a freqüentar uma denominaçâo que usava somente oraçôes espontáneas e coloquiais. 17). Isso só pode ser assim porque Deus quis que assim fosse. Seja o que for que aconteca atrás do palco. Também temos a liberdade de lançar máo de oraçôes coloquiais. Uma das liçôes que brota da análise do "modo" da oraçâo é que o crente precisa apenas falar para ser ouvido por Deus. parte de sua profissáo.. "uma conversa em que Deus é o interlocutor" (p. 50 ORACÀO cultos eram todas escritas de antemâo no binàrio. Jodas as formas sáo aceitáveis e disponíveis para nosso uso. era também — e é — capaz de se dirigir a Deus de maneira aceitável. . Como disse um estudioso. p. Somos livres para proferir uma oraçâo de exclamaçâo no momento apropriado. linguagem técnica. Somos livres para escolher a forma que quisermos. As mesmas oraçôes eram usadas semana após semana.

mas livra-nos do mal tentaçâo. que quer aprender a orar. e perdoa-nos as nossas dividas. Pai nosso. em que todo homem pode buscar a Deus em oraçâo por meio de Cristo. que estás nos céus. [pois teu é o reino. o poder e a glòria para sempre. Mateus 6. o MODO DE ORAR 51 Testamento. e náo nos deixes cair em E nao nos deixes cair em tentaçâo. pois eia encontra-se duas vezes nos evangelhos. no Brasil de hoje o homem ou a mulher que deseja orar pode elevar sua petiçâo ou louvor diretamente a Deus. assim como nós temos perdoado pois também nós perdoamos aos nossos devedores. de dia em dia. faça-se a tua venha o teu reino. Pai. Amém. faz parte do Sermáo do Monte. Assim corno no antigo Israel.9-13 lu c a s 1 .9-13. D AS DUMVtRSÒfS DA ORACÀO DOMINICAL Antes de examinar a Oraçâo Dominical frase a frase.1 . Em Mateus 6. vontade. santificado seja o teu santificado seja o teu nome. o pao nosso de cada dia dá-nos o páo nosso cotidiano dá-nos hoje. e certamente também nâo no Novo Testamento. nome. As duas versôes diferem consideravelmente uma da outra. no qual lesus ensina como viver no Reino de Deus. venha o teu reino. 2 t 4. a todo o que nos deve. Vamos examiná-las lado a lado. precisamos escolher que versâo será seguida. assim na terra como no céu. Em Lucas 11.2- 4. é uma resposta ao pedido de um dos discípulos.] . perdoa-nos os nossos pecados.

acho que faz mais sentido supor que Jesus a tenha dito em mais de uma ocasiáo. Se essa hipótese é correta. e. entáo Mateus e Lucas simplesmente relataram a versáo que recordavam com mais exatidáo. O consenso entre os estudiosos é que ele provavelmente a disse. Mateus acrescenta "nosso" e "que estás nos céus" à invocacâo. Como teremos oportunidade de ver no último capítulo. A maioria das Biblias coloca a frase final entre colchetes ou em itálico para indicar que náo aparece nos manuscritos mais antigos. Era comum naquela época acrescentar algum tipo de expressáo de louvor ad hoc. Na segunda frase. O copista do segundo século. . por isso excluíram a doxologia. usar o que a pessoa julgava melhor no momento. pois é mais curta. trata­ se de uma conclusáo que lembra muitas oraçôes do Antigo Testamento. que forneceu a doxologia que conhecemos hoje. supondo que o leitor fosse acrescentar a sua quando recitasse a Oraçâo. portanto. que significa que algum copista deve té-la acrescentado posterior­ mente. há o problema da doxologia. a versâo de Mateus é mais longa do que a de Lucas. 52 ORACÀO Como o leitor pode ver. ter feito nada mais que acrescentar uma conclusáo padro- nizada. Entáo qual delas é correta? Qual delas é a oraçâo original proferida pelo Senhor? Há mais de um modo de explicar essas questôes. Náo se sabe se Jesus usou essa frase ou algo semelhante. Porém. ou seja. e difícilmente alguém teria ousado deliberadamente encomprídar a versáo que recebeu da Oraçâo Dominical. náo seria de admirar se ele a repetisse várias vezes. o. como a Oraçâo é uma instruçâo sobre como orar. Na quinta frase. gode ser que os discípulos tenham pressuposto que o leitor soubesse disso. Alguns estudiosos argumentaram que a versáo de Lucas talvez seja a original. Mateus acrescenta: "faca-se a tua vontade assim na terra como no céu". Jesus passava boa parte do seu tempo pregando. 0_fato é que eia aparece pela primeira vez por volta do inicio do século 11. pode. Além da questáo das duas versóes. Mateus adiciona: "mas livra-nos do mal".

1983. 1992. Waldyr Carvalho Luz. tampouco Paulo o usa em alguma das suas cartas. Brian J. disse simplesmente: "Quando orardes. quer sejam adaptaçôes de um original. 1986. É assim que os apóstolos devem té-la entendido. e suas frases adicionais sâo bem coerentes com as outras oraçôes da Biblia.. Donald. Calvino. no inicio do século ll. o MODO DE ORAR 53 Neste livro usarei a versâo de Mateus. incluindo a doxologia. pois aqueles que oram em Atos náo repetem o Pai-nosso. sua existência mostra que a Oraçâo nâo é uma formula rígida. Jesus nâo disse. como guia ou como fórmula memorizada. . Nâo é necessàrio proferir exatamente as mesmas palavras nas nossas oraçôes. Prayer and Modern Man.)7. Jacques. Foster. Casa Editora Presbiteriana. Richard. Greenburg.2). REFERÊNCIAS Bloesch. Prayer. O valor de recitá-la regularmente permanece táo grande hoje quanto o era guando foi transmitida pela primeira vez. Biblical Prose Prayer As a Window to the Popular Religion nf Ancient Israel. como salienta Brian Dodd: "Usai as seguintes palavras como esboço para aquilo que diréis". Praying the Psalms. Náo há imposiçôes no seu uso. Saint Mary's Press. os cristáos já o empregavam nas igrejas como parte dos cultos e eram também incentivados a usá-lo durante todo o dia. Dodd. Antes. Essa oraçâo pode ser usada livremente como auxilio. Praying Jesus' Way A Guide for Beginners and Veterans. Ellul. Às vezeS representa tudo o que podemos dizer — e é suficiente. The Struggle of Prayer. 1989. Seabury. Por outro lado. Finding the Heart's True Home. Institutas ou Tratado da Religiao Cristi. Trad. Moshe. Joao. 1980. NO. É essa a versâo mais usada nas igrejas. of California Press. Harper.. Brueggemann. Univ." (Lc 11. dizei. IVp 19‘. Harper & Row. Quer essas versôes representem momentos diferentes em que Jésus ensinou a oraçâo.

The Psalms iti Israel's Worship.8/O s 5. Ante-Nlcene Fathers.41/At 9. Cn 12. 1974. Simpson.18/ 26.4/ 30.13-14/ . 2 vols.6/Ajoelhar-se: 1Rs 8.k^Ts I.20/51 24.54/ f >Cr 6.6/Ed 9. They Cried to the Lord.8/ 1 3.54/SI 28.14/At 6. SI 30. 1994. 1962.22. Eerdmans.42/Rm 1 .4/Fp 1 .5/31. Robert The interpretatiori of Prayer iri the Early Church. Oxford Univ. NOTAS ’ Cf.s/l 5. Abingdon.6/Lm 2.2e/lC r 29.7.8-13i/ 2 Cf.10/Lc 22. 1965.3 /62.2o/2Cr 29.13. 1932. 2Tm 1.5/lm por as máos: cf. Jeremias.1l/35.3.8/l46 . Paul's htercessory Prayers.3-4/1 Ts 1.2/143. Tertuliano. Prayer: A Study in the History and Psychology of Religion. org.14/Erguer as mhos: IR s 8.^.9/1 Co 1 .12-13/ 1 14/2. The Praying Christ.3o/Ne 8. 1959. Dt 32. Miller.11-12/Dn 9.l/'l43.21 -24/M q 3 . Augsburg Fortress./l1 5. The Prayers o f jesus. Cn 48./l2 .7/ lC r 16.29-30. Press. Eerdmans. Joachim. SI 4.6/Zc 7.3 / ^ Cf. Westminster. Gordon.13. 1967.8 /5 6.3/jl 2. Js 7. Mowinckel.5/On 6.3-5/ls 55.I 1/ *Cf.19-2o/2Cr 1 2 .5/Ef 3. Thomson./69.1 l/l25.3-4/ci 1./ ® Cf. Cambridge.2l/3 7. 54 ^ ORACÀO Heiler. Sigmund./ \ t 1. 1 3 / s i 95. Patrick.41-42.3 /5 2.24-2s/4. Alexander Roberts.^24.5 / •Curvar a p b e 5a: Cn 24.40/20.2/2.3/ P v 3 . Freidrich.25-26/jo 11.6/ 1 3 . At . 1978. On Prayer. M t 11.39-40víó I. James.S / E d 3 .6-7/s8‘. The Form and Theology of Biblical Prayer.19/Ed 9. "Rano de Mco e cinzas: cf.6/nH H «l. CM Press.25 /ÉX 24.14/33.2(^Ez 8.4/ 6.4-7/jr 6.8.18/Am 5. Wiles.36/21.4.2-3/ I 6#®».

seu nome. sua glòria. G. Como Karl Barth disse. |sse vínculo é interessante. A primeira parte da Oraçâo se volta a Deus: '1eu)nome. Os primeiros quatro mandamentos tratam de Deus: sua unicidade. mas provavelmente nád-^ tem muita releváncia além de confirmar que Deus sempre vem em primeiro lugar. kroggie Oraçâo Dominical começa com uma invocaçâo que segue  por seis ou sete frases. 48). mas livra-nos do mal" — em petiçôes separadas. Há muito se observa uma semelhança entre a Oraçâo Dominical e os Dez Mandamentos. A segunda se volta ao homem e à necessidade de sustento. pela oraçâo nós falom os com Deus W. përdâe. "precisamos ter um solo em que caminhar. e sdtva<BQ. P ai N osso . e na oraçâo caminhamos no solo dessas très primeiras petiçôes [o nome de Deus. Isso corres­ ponde aproximadamente ás duas tábuas dos mandamentos. Sa n iific a d g Sh a o îe u N om e Pela Biblia Deus fa la conosco. o reino de Deus e a vontade de Deusl" (p.gu^vontade. A escolha nao parece fazer nenhuma diferença quanto ao significado. Os outros seis tratam do homem e de seu compor­ tamento moral.^eLbreino. . O número varia segundo o leitor queira dividir a frase final — "e náo nos deixes cair em tentaçâo. que E stás nos C éus .

como Tiago disse: "Nada tendes. a primeira mençâo à oraçâo se encontra na árida frase. e tu me glorificarás (^1 50. Só muito mais tarde aparecem promessas e confirmaçôes garantindo que Deus se dispôe a ouvir.18). Como disse C. Buscamos a atencáo dele. 33). Lewis em Letters to Malcolm on Prayer. Depois podem vir as petiçôes. Encontramos várias délas em Salmos.2). 56 ^ O R iÛ O A propria estrutura da Oraçâo do Senhor. isso é ponto pacífico nas Escrituras. eu te livrarei. se nâo chamarmos. nâo seremos ouvidos. ® As invocaçôes bíblicas pressupôem que Deus ouvirá se cha- marmos. pois chamamos a atencáo de Deus sobre nós mesmos. por meio da invocaçâo nos colocamos à vista (p. E assim é. Perto està o S en h o r de todos os que o invocam. Abraâo ora e Deus ouve. "Dai se comecou a invocar o nome do S e n h q r". Noé ora. portanto. Pedimos uma audiéncia. e depois ¡mediatamente relacionar os pedidos.26. dando-lhe o respeito devido em vez de passar direto às outras coisas. Isso náo é algo que se possa desprezar. ^ O contràrio também é ponto pacifico.15). S. a ti virào todos os homens (Sl 65. porque nâo . Ó tu que escutas a oraçâo. Ou. Devemos reservar algum tempo para honrar o nome de Deus. de todos os que o invocam em verdade (SI 145. Indica que a melhor opçâo nâo é simplesmente começar a oraçâo com "caro Senhor". e Deus ouve. Invoca-me no dia da angùstia. fazemos algo diferente de tudo mais que realizamos na vida. dá-nos urna diretriz para orar. INVOCACÓfSNOMIGOIESMfNrO §empre que invocamos o nome de Deus. Em Génesis 4. Lembra-me o alerta de Jesús para que sejamos respeitosos e breves na presença de Deus.

7).. Ó Deus. Ah! S en h o r Deus. (SI 79.. que davam títulos longos e elaborados a seus deuses. Disse josué. P A IH 0 S S 0 . por que fizeste este povo passar o Jordáo. Ás vezes as duas palavras aparecem combinadas: Respondeu Abráo: S en h o r Deus.2). o nome pessoal de Deus.. as oraçôes do Antigo Testamento usam a palavra que representa "lavé". Voltaremos adiante a esse ponto. S e n h o r .Q U E B 1 Á S N 0 S C É U S . ó Deus! (SI 83.? (Si 88.7). para nos fazerem perecer? (Is 7. S en h o r . que me haverás de dar.22). quando exami- narmos a frase: "O pâo nosso de cada dia dá-nos hoje". a maioria das invocacóes do Antigo Testamento é simples.1) Noutras passagens. a minha alma . S e n h o r ! Até quando? Tem compaixáo dos teus servos (SI 90. compadece-te de mim e responde-me (SI 27.2). para nos entregares nas máos dos amorreus. Ó Deus. . nem fiques inativo. eu clamo. náo te cales. Isso se verifica nos salmos.1) Ó Deus.» C A D 0 S Q A 0 IE U N 0 A E 57 pedis" (Tg 4.14) Volta-te. Por que rejeitas. > " S e n h o r". as naçôes invadiram a tua herança. Ouve. redime a Israel de todas as suas tribulaçôes (SI 25. náo te emudeças.. a minha voz. Diferentemente dos vizinhos do Oriente Mèdio.13). se continuo sem filhos é o herdeiro da minha casa é o damasceno Eliézer? (Cn 15. dos quais muitos > ■ náo usam nada além da palavra "Deus".

Várias passagens do Antigo Testamento expressam essa idéia: . O estudioso do Novo Testamento Joachim Jeremías escreveu sobre isso: "Ele parece jamais ter falado de Deus como Pai a estranhos. A invocacáo da Oracáo Dominical seaue a tradiçâo de simplicidade e acessibilidade. A simplicidade dessas invocaçôes reforça a impressáo de que Deus deseja ser acessivel. 43). 15.® O salmo 86 é o campeáo. Se. mas eu vou achar que essa pessoa náo é acessível. Hoje mal notamos esse termo ao orar. nunca como 'seu Pai' " (pp. Simplesmente nâo era um tratamento que o povo ousasse usar nas oraçôes. Nâo que os hebreus náo tivessem consciéncia da idéia da paternidade de Deus. mas deve ter parecido presunçoso aos discípulos na primeira vez que Jesus o usou. Se alguém vem a meu escritorio e é apresentado de uma maneira formal como reverendo. exceto em parábolas e metáforas. certamente ganha respeito. por outro lado. 24. a pessoa for apresentada como irmáo ou tio. de qualquer modo. sendo que cada uma usa nada mais que a simples palavra "Deus". É pura perda de tempo procurar algum exemplo de Deus tratado como "Pai" em Salmos ou em qualquer outra oraçâo do Antigo Testamento. Mas títulos criam efeito de distanciamento. mas nunca de maneira que se torne meramente repetitiva. O uso de títulos elaborados e formais podia ter sido exigido. você já terá se expressado e assim criado um relacio­ namento. Deus é invocado várias vezes. ou simplesmente pelo primeiro nome. Embora suas palavras e expressôes carreguem grande profundidade de significado. Esse padrâo é seguido em toda a Oraçâo. em si mesmas sáo bem simples. doutor ou presidente. Talvez o mais interessante é que tampouco era um termo que lesus usasse fora do círculo dos discípulos. 58 ORACAO Em muitos salmos. com dez invocaçôes.

. ó pastor de Israel. . te fez e te estabeleceu? (Dt 32.22). (Dt 14. .1) Náo é ele [o S en h o r ] teu pai. os tataravós daquele que orava: Ó S en h o r .. Isso se fazia às vezes recorrendo aos patriarcas. Todo ( agüele que invoca a Deus em oraçâo deseja ser ouvido como membro da familia. ó S en h o r . (Sl 80.. e todos nós. (Gn 32.. Sáo textos carinhosos e tranquilizadores. ou pelo menos como um amigo que Deus reco- nheca como tal. .. mas apenas como Pai de uma naçâo®Portanto. tu és nosso Pai.1).12) Deus de meu pai Abraáo e Deus de meu pai Isaque. ó Santo de Israel (Sl 71. da qual a pessoa que orava fazia parte. mas em nenhum deles Deus é tratado como Pai de um só crente. Mas isso suscita um ponto chave a respeito das invocaçôes. nós somos o barro. vosso Deus. PAI NOSSO... (Gn 24.18) ^ Ou a invocaçâo podia referir-se ao relacionamento de Deus com a naçâo de Israel. Quase todas as invocaçôes expressam o desejo de uma relaçâo desse tipo com Deus. Isaque e Israel. e tu.. QUE BIAS NOS céus . porque sou pai para Israel (Jr 31.. Dá ouvidos.. o nosso oleiro. (IC r 29. obra das tuas máos (Is 64.. simplesmente nâo era um termo que as pessoas antes de Cristo ousassem usar.. Deus de meu senhor Abraáo.8). ó S en h o r ..6) Mas agora.9).. que te adquiriu. Deus de nossos pais Abraáo. SANÎIfICAOOSaA o lEU NOME ^ 59 Filhos sois do S en h o r .9) S en h o r .

como "rocha minha" (S119. em suas últimas palavras.11). (SI 140. glorifica o teu nome (lo 12. por que me desamparaste?" (Mt 27.'* . 60 ^ ORACÀO Alguns usam simplesmente a palavra "meu".. ó Pai. "forca minha" (SI 22. "meu refùgio e meu baluarte" (SI 91. Às vezes acrescentava-se um simile ou uma palavra para reforçar a relaçâo.. Digo ao Senhor.46).. Deus meu. Pai. Jesus retoma a forma de tratamento habitual: "Pai. e outras 154 vezes em conversas ou ensinamentos (quatro em Marcos.26). passa de mim este cálice. (SI 86.25) Pai. embora nenhuma delas se aproxime dessa intimidade. quando bradou: "Deus meu..41).2). nas tuas mâos entrego o meu espirito!" (Lc 23. Deus meu.12).11). "minha salvaçâo" (SI 27. nosso Deus (2Cr 14. para exprimir um relacionamento rom r)eiis. (Lc 22.9. Mesmo assim. "minha justiça" (SI 4...19: ¿9. tu és o meu Deus.17). 109 em Joâo). ou "nosso". graças te dou porque me ouviste (jo 11.. (lo 17.42) Pai. Pai justo. Senhor do céu e da terra.47).14). A intençâo em cada uma dessas expressôes é a mesma que a nossa quando usamos a palavra "Pai". O pròprio Jesus usou "Pai" dezesseis vezes em dezessete oraçôes. Por exemplo: Graças te dou.25) A ùnica ocasiâo em que Jesus nâo se dirigiu a Deus dessa forma foi na cruz.6).ê S en h o r ...9). quinze em Lucas. 42 em Mateus.. Senhor. (Mt 11.1) ou "escudo nosso" (SI 59. se queres..

"tem sua melhor traducào no tratamento mais solene. como "papai". de Oxford. e uma das palavras aramaicas traduzidas como pai é "aba". Se os autores dos evangelhos quisessem comunicar algo como "papai". (|m terceiro luga^mesmo que a palavra original fosse "aba". ou talvez "querido^ pai". PAI NOSSO. responsàvei e adulto de Pai" (Dodd. 58). demonstrou que leremias estava equivocado. a melhor traducào hoje sería "papai".36). um termo afetuoso usado por crianças pequeñas. Vamos rapidamente analisar o que Barr descobríu. Porém. Tâo notável foi sua recons- truçâo do significado original que Jeremias recuou e classificou sua opiniâo original de "ingenuidade inadmissivel" (Dodd. 58). ele faláva por si mesmo. Num notàvei exemplo de erudiçâo. (|m segundo lüg^Jesus usou "aba" só uma vez. sem pensar em ensinar os outros a orar. pappas. quería dizer realmente algo ainda mais intimo e- infantil. SANIIflCADO SQA 0 1£U NOM£ ^ 61 O fato é que Jesus tinhaa relaçâo mais intima possivel com Deus e nos convida a participar dela. pappias e pappidion. Logo retomaremos essa idéia. o lingüista lames Barr. QU£ £SIÀS NOS CÉUS. Naquela ocasiáo. ( im primeiro lugana palavra "aba" nâo é usada na Oraçâo Domi­ nical. poderiam usar palavras gregas como papas. Portanto. ^ N à o "P e p a i" É hoje bem-disseminada a idéia de que quando Jesus empregou- a palavra "Pai". Ele argumentava que Jesus provavelmente proferiu a oracào em aramaico. nenhuma délas foi empregada. que significa nada mais nada menos que "pai". escreveu Barr. Basta dizer por enquanto que a relacáo familiar transmitida nessa palavra é mais próxima do que a que qualquer pessoa ousara antes. "Aba". seu significado lexical correto é simplesmente "pai . Tanto Mateus como Lucas usaram a palavra grega pater. . na oraçâo que fez no Getsèmani (Me 14. Essa sugestào nasceu porque um estudioso bem famoso nos anos 60 (Joachim Jeremias) afirmou ser essa a melhor traduçâo. Paulo mais tarde ensinaria que o Espirito nos ajuda a invocar a Deus como "aba".

Poderia ter-se chamado "o Infinito".6: cf. e nâo há necessidade de transformà-lo em algo além do que lesus pretendía passar. que devemos deixar a Biblia nos dizer o que significa ser Deus o "Pai". Desenvolvendo o argumento um pouco além.37). evitando impor ao termo nossos próprios pressupostos sobre seu significado (cf. Lochman 20-21). Paulo traduz "aba" como "o Pai". mas sempre usou ao lado desse nome um termo de reverènda. ^ Nâo "M a e ” Também nâo há justificativa para transformar "Pai" numa expressâo mais abrangente como "Pai e Máe". Se o conceito de revelaçâo da igreja é correto ao dizer que nas Escrituras Deus nos revela aquilo que nâo podemos saber de outro modo. nos termos mais firmes •possiveis.5. ser chamado "Pai". Deus poderia ter escolhido qualquer titulo que desejasse.15). "o Totalmente Outro". na Oraçâo Dominical de jesús Cristo. como o leitor pode ver. Veremos logo adiante que o pròprio Paulo jamais invocou a Deus usando somente "Pai". Náo há palavra que náo . Esse é o argumento conclusivo de Barr. porque vós sois filhos. tampouco lesus nem profeta ou apòstolo algum usa esse titulo para Deus. Deus poderia ter usado qualquer um dos titulos que os filósofos e os teólogos Ihe dáo. 66. Pai! (Gl 4. Mas o pròprio Deus escolheu. que clama: Aba. Isto é fato: Deus se revelou como Pài. Rm 8. e lesus certa vez comparou-se a uma galinha com seus pintinhos (Mt 23.13). 62 ^ ORACÀO E. "o Eterno". O pròprio Barth fez questâo de afirmar. limitando-nos a isso somente. somente Deus pode nos dizer como ele quer ser tratado. enviou Deus ao nosso coraçâo o Espirito de seu Filho. Aqui. ou. Em duas ocasiôes Deus é comparado na Biblia a uma máe (Is 49. Mas em nenhuma passagem Deus se revela como "máe". náo como máe. efitâo somos forçados a aceitar o que é revelado. como Karl Barth sugeriu. "Pai" é em si mesmo um termo carinhosamente intimo.

"A ninguém sobre a terra chaméis vosso pai. Q U E B ÍÁ S N O K ÉU U A N ÍIFIC A D O SEIA o lEU NOME 63 possa ser manchada por um significado novo e questionàvei.24). A dúvida aqui é se eie quis dizer com isso que o uso de "Pai" entâo se tornava obrigatório na oracáo.9). "Senhor da paz". e na nossa era pós-freudiana. É " P a i" um le rm o obrigalório? Num ponto posterior do seu ensinamento. Mais tarde a pequeña igreja de jerusalém invocava Deus como "Soberano Senhor. o Pai amoroso e carinhoso. Isso pode ser importante para pessoas que tenham relacóes problemáticas com seus país humanos. é que há liberdade no modo de invocar a Deus. Eie é o Pai do filho pródigo. Estéváo invocou a Cristo pela simples palavra "Senhor" (At 7. a ponto mesmo de se lançar máo da criatividade e usar outros títulos. Em Atos. para verificar como os apòstolos e os discípulos invocavam a Deus. até a palavra "Pai" precisa ser explicada e renovada por referências ao significado que recebeu ao ser ligada ao verdadeiro Pai de todos os homens. a terra. entre eles "Senhor". nem um patriarca autoritàrio. e para alguns desses talvez seja difícil ou impossivel mais tarde conceber a Deus como um pai amoroso e carinhoso. aquele que está nos céus" (Mt 23. "Deus. que ao mesmo tempo é Pai e Màe. entáo. Para pessoas com esse passado.59-60). o Pai misericordioso e compassivo. Ou será que somos livres para usar outros nomes e expressôes? A única maneira de encontrar resposta é examinar o restante do Novo Testamento. País alcoólatras e violentos deixam profundas cicatrizes emocionáis nos filhos. que fizeste o céu. Recorrendo a eie. "Rei dos reís e Senhor dos senhores". vemos o protòtipo do que pode e deve ser o pai humano. Jesus afirmou. Esse Pai nâo é um ser andrógino. nosso Pai" e "Deus e Pai"j^A sugestáo. "Rei". porque só um é vosso Pai. O apòstolo Paulo também usou outros títulos. o mar e tudo o que neles há" (At4. . a expressáo "Pai celeste" pode ser de fato um obstáculo. PAI NOSSO. desde que respeítosos e razoavelmente simples.

o Alfa e o Ômega (Ap 21. mim. Ele coligiu a seguinte lista de títulos de Deus usados na Biblia (pp.16). Luz do Mundo4lo 8. Cordeiro de Deus (Jo 1. mas "Pai nosso". Senhor dos senhores (Ap 19. "Senhor e Deus".32).5). é melhor começar a oraçâo com outra expressáo.16).. Santo de Deus (Me 1. Nâo somos incitados a orar "meu Pai".16).'Esse pronome determina os outros da oraçâô: "dá-nos". As palavras "eu. "nâo nos deixes". Qualquer um desses seria apropriado ao uso na oraçâo. Leâo da Tribo de judà (Ap 5.29). Nâo se determina absolutamente quem está incluido nessa comunidade. Senhor de todos (At 10. como "Senhor Jésus". Reto Juiz (2Tm 4.6).6). Senhor Deus. Principe da Paz (Is 9. "porque ele faz nascer o seu sol sobre {os} maus e {os} bons e vir chuvas sobre {os} justos e {os} injustos (Mt 5. nossa denominaçâo.16). meu" nàó aparecem. quem está incluido nesse "nós". Filho de Deus (lo 1.6). ou quaisquer outros títulos aplicados a Deus nas Escrituras.36).". Raiz de Davi (Ap 22. "livra-nos". Pedra Angular (Ef 2.1). Verbo da Vida (llo 2. Advogado (llo 2. Messias (lo 1.8). 54 ^ ORACÀO Creio que Brian Dodd acertou ao sugerir que. O individualismo da cultura moderna nào existe na espiritualidade dessa oraçâo.6). nosso grupo.20). Os discípulos aprenderam com lesus que a paternidade de Deus abrange todos os homens.T2). 65-66).3).1). Salvador (2Pe 2. nesses casos..45). "Deus^Amoroso".41). Est'réla da Manhâ (Ap 22. Nossa tendência é supor que só nós. Rei dos reis (Ap 19.34). Autor da Vida (At 3. Como disse Jesus. Deus Forte (Is 9. Todo-poderoso (Ap 15. Maravilhoso Conselheiro (Is 9. somos filhos . me. Filho do Altissimo (Ix 1. Esse ensinamento náo é natural para nós. "perdoa-nos".24).15). Eia nos convida a comparecer na pre­ sença de Deus como comunidade em adoraçâo. Ou como Joâo escreveria mais tarde: "Porque Deus amou ao mundo de tal maneira.20).

Moisés. Mas tampouco os exemplos acima sao tudo o que há para dizer sobre quem é visto em oraçâo. Estevao (At . Clements. Natanael (lo 1. mas é bom lembrar que os principáis atores da história bíblica náo sáo pessoas "comuns". e nesse siléncio talvez possamos enxergar um prenúncio das intençôes mundiais de km Vamos levar essa idéia um pouco adiante. Samuel. isso nâo é tudo. p. Agrande literatura é sempre elitista. losué. perguntando quem se pode incluir no "nós". SANIIflCADO S0A 0 l£U NOMf ^ 65 do Altissimo. A Biblia nao pode falar sobre todos e tudo. Neemias. Salomáo. Nenhum desses homens estava em posiçâo de poder ou autoridade. Ezequias.4). Ouem pode orar e ser ouvido por Deus? Se fazemos essa pergunta em relaçâo às oraçôes da Biblia. como Joáo nos lembrou ao selecionar o que dizer sobre a vida de jesus Cristo (Jo 21. Homens como Abraáo. Nada mais natural que os líderes escolhidos por Deus orem e sejam ouvidos por ele. Os dois principáis atores das suas páginas. 4). leremias — todos — tém oracóes ligadas à história de suas ^idas. nos influentes. os escravos no Egito (Éx 2. No Novo Testamento náo é diferente. Há também um número notável de textos dedicados às oraçôes de homens e muiheres comuns. jesus e Paulo. O "nosso" de jesus também vai de encontro ao Antigo Testamento. a Biblia náo é diferente. nos poderosos. Óbvia porque a maioria das oracóes é feita por aqueles chamados a liderar. Incluem-se aqui o servo de Abraáo (Gn 24. Nesse aspecto. PAI NOSSO.38).7. Todavia. que muitas vezes usa invocaçôes nacionalistas e patrióticas. pois se concentra nos ricos.48). lacó. Tampouco é de admirar que as Escrituras mostrem a importância da vida dessas pessoas por meio das oraçôes que elas fizeram (cf. Simeáo (Lc2. sao aqueles a quem a maioria das oracóes está associada. como "o Deus de Abraáo. O leitor pode náo se impressionar com o tamanho dessa lista. a resposta nos vem de uma maneira óbvia e surpreendente.59) e rornálio (At 10. nos nobres.23). Zacarías (Lc 2.25). . Isaque e lacó" ou "o Pastor de Israel". náo há nenhuma referéncia a Israel. JSa Oracáo Dominical.12-14). Davi.29-32). Q U f m nos CtUS.

estes mais que depressa clamarann a Deus.1-10) e uma da rainha dç Sabá (.49). Esse último caso é duplamente incomum. há alusóes a oraçôes de Hagar (Gn 16). como a rainha de Sabá. Nm 22). relata-se que as comunidades satélites das cidades de Sodoma e Gomorra ergueram um "clamor" a Deus. Algumas passagens repistram oracóes de pessoas que nem sequer estavam incluidas nos horizontes da alianca abraámica^ Por exemplo. .46-55) e referéncia a uma oraçâo de Ana.9). Longe de sugerir que a oraçâo era privilègio restrito a Israel na época. No Novo Testamento. "de continuo. há uma profecía de Isabel (^c 1.17) e Raquel (Gn 30. o rei Nabucodonosor (Dn 4. eles indicam que Deus deseja que todos os homens se voltem a ele e se mostra aberto a acolher oraçôes de qualquer um que clame por seu nome.20:19.12-13: Ez 16. registram-se oraçôes de várias mulheres^^ Israel erg uma sociedade fortemente patriarcal. 66 ORACÀO Por exemplo. Quando Jor\3s proclamou a ira e o juízo de Deus contra os habitantes de Ninive.28. A impressáo que se tem é de que qualquer mulher em Israel podia dirigir seu coraçâo a Deus com a esperança de ser ouvida. A ocaçâo dos marinheiros de lonas foi ouvida. uma oracáo de Maria (Lc 1. Paulo ouviu os macedónios clamar por ajuda de Deus. o que levou à investigaçâo dos anjos (Gn 18.22). ou à igreja hoje. orava a Deus" (AtJO. relata-se que um soldado romano de carreira. 2. embora seja improvável que fossem judeus ou crentes. pois é de uma mulher estrangeira.38). O sacerdote Balaáo parece ter conquistado a atençâo de Deus apesar de ser moabita. Qs cánticos de Éxodo 15 e luízes 5 sáo atribuidos a Miriá e a Débora.1-2) e era atendido.10. chamado Cornélio. E náo é só.1Rs 10. Há duas oraçôes de Ana (ISm 1.42). Esses textos póem a prova nossos pressupostos sobre quem Deus aceita e em que termos ele os aceita. embora ainda fossem pagaos na época (At 16.34-35) e o rei Ciro (2Cr 36. Há também oracóes de potentados estrangeiros. e pouca dúvida há de que os editores fináis do texto fossem homens.9). No Novo Testamento. falso profeta e inimigo jurado de Israel (cf. no entanto. Lia (Gn 30. a profetisa (Lc 2.22-23).

somente ele retivera a verdadeira fé. QUffSIÁS NOS CÉUUANIlfICADO SHA o IfU NOME 67 Embora a aliança de Deus fosse na época com Israel. Ao mesmo tempo.. independentemente de idade. .14). e com a igreja hoje — e embora fosse (e seja) por meio dessas duas instituiçôes que ele chamava.18). Repreensáo semelhante merecem todos dentre nós que acham que só eles tém acesso a Deus pela oraçâo.sajQí2^estájcim mundo criado. Elias deve ter ficado bem constrangido. Deus está próximo e dentro de nós. O surpreendente testemunho das Escrituras é que Deus está abertn a ouvir qualquer pessoa que invoque seu nome. . Vem associada a "que estás nos céus". sempre culturalmente determinadas e bem menores que Deus e seu Reino. PAI NOSSO. e quem nâo as terâ. Difícil conceber combinaçâo mais forte de opostos. reclamava (_1Rs 19. De modo semelhante. sexo ou mesmo de credo. que acreditava equivocadamente que. Deus deixou claro a Elias que tal provincianismo era absurdo: "Também conservei em Israel sete mil.para resumir. tendemos a supor que s6 o grupo com que nos identificamos tem a atençâo de Deus. "nosso" nos lembra de que Deus é o Senhor da oraçâo. Porém. enchendo todas as coisas com sua presenca.l. exprimem os clássicos conceitos teológicos da transcendéncia e da imanéncia: Deui. "E eu fiquei sô". chama e chamará as pessoas a si —. Unidos. talvez seja por estarmos acome­ tidos da síndrome de Elias. todos os joelhos que náo se dobraram a Baal. uma expressáo de respeitoso distanciamento. dentre todas as pessoas de Israël. essa palavra náo aparece sozinha. Ele ouve quem quer ouvir e náo se deixa limitar por nossas expectativas. e toda boca que o náo beijou" (IRs 19. QUE m NOS cíus o convite a chamar Deus de "Pai" mostra que o Deus a quem oramos é pessoal e em certo sentido táo próximo como um membro da familia. Se isso parece um contra-senso. somente peus decide quem terà as oraçôes atendidas.

68 ^ ORACÀO ^xpressôes da soberanía e da maiestade de Deus fazem parte da maioria das invocaçôes no Antigo Testamento. regiâo que abriga seu trono (SI 11. (Gn 24. que criou o mundo no inicio e irá recriâ-lo novamente no tempo devido.. dizendo: S en h o r dos Exércitos. Note na passagem seguinte como ele combina "Pai" com uma expressâo de soberania e majestade: .10). e prostrai-vos ante o escabelo de seus pés. Deus do céu.. o S en h o r presidirá para sempre (SI 29.. nosso Deus. que casa me edificareis vós? E qual é o lugar do meu repouso? (Is 66. Exaltai ao S en h o r .11) Agora. O pròprio Jesus teve o cuidado de exprimir esse aspecto da pessoa de Deus na maioria das suas oraçôes.4: Ap 1. ó Deus nosso. e nâo haja lugar onde possamos nos esconder do seu Espirito (SI 139). era uma imagem constante da majestade divina. (ISm 1.. ó 'Deus grande. que tem a terra por escabelo. como rei.4) e da qual Deus olha a terra de cima e presumi- velmente todo o universo. Assim diz o SENHOR: O céu é o meu trono.. O S en h o r preside aos dilùvios. pois.5). e a terra.1). (Ne 9. O S en h o r . lembrando-nos de que nâo estamos invocando simplesmente urn pai qualquer — mas sim o Pai que mora no céu. porque ele é santo (Sl 99. A idéia de Deus sentado num trono. A segunda parte da invocaçâo de jesus segue essa mesma linha.32) Embora Deus permeie todas as coisas. a Biblia também afirma que Deus habita um espaco santo. com a terra como escabelo. o estrado dos meus pés.7) E fez um voto..

mesmo que freqüentemente apenas a palavra "Deus". o Credo dos Apóstolos da igreja primitiva reúne elementos de respeito e intimidade. Senhor do céu e da terra. SANIIflCADO SÜA 0 I£U NOM£ 69 Graças te dou. Dando sempre graças por tudo a nosso Deus e Pai....20) Ora. Paulo também tinha o cuidado de sempre acrescentar uma paiavra que exprimisse respeito... lesus usa uma combinacào semelhante. (Ef 5. da parte de Deus Pai.£us. e Deus.15) .. è ter çertez^ no finalç|Q di^ de q. 11) e "Pai ¡usto" (v. Sua frase inicial é: "Creio em Q..2) De modo semelhante. QU£ tSTÀS NOS CÉUS. (Lc 10. (2Ts 2.)ida ou usada de maneira presuncosa. 2S). pelo bendito e único Soberano. Lewis. (M t 11. (2 Tm 1. como diz C.. PAI NOSSO.. misericòrdia e paz.. graça. S. (ITm 6.. cuja única preo- Çupâ£â2. ó Pai. o nosso Pai. ó Pai. o Rei dos reis e Senhor dos senhores...U£ todos se tenham divertido! A Oraçâo do Mestre náo abre espaço para esse tipo de sentimentalismo simpiório. o nosso mesmo Deus e Pai.21) Em loào 17.16) .Pai TQdo-podsroso"- .11) .. Em suas oraçôes.... mas acho que a mais óbvia é que eie náo oueria que a palavra "Pai" fosse concel.25) A passagem correspondente de Lucas é exatamente igual: Graças te dou. Muitas pessoas pensam em Deus como um avô celestial de barba branca e longa.. Senhor do céu e da terra. (ITs 3.. Por que será que Jesus achou por bem unir esses termos desse modo? Provavelmente haja mais de uma resposta... invocando^ Deus como "Pai santo" (v.

galâxias e fenómenos cósmicos de tamanhos e distancias fantásticas fazem parte da nossa cosmovisâo. por causa do advento da ciência moderna. As complexidades dos mundos biológico e atòmico sâo parte da educaçâo de todo estudante do ensino mèdio. e devemos nos utilizar da mesma prudência. fantasticamente complexo e mais antigo que os limites do imaginável. Imagens de estrelas. talvez pela primeira vez. 21). é que doravante possamos tratâ-io com o tipo de familiaridade que géra desprezo. ganhou um significado que nâo tinha no tempo de Jesus .frase "que estás nos céus". Diante de um mundo como esse. Assim alerta o Catecismo de Heidelberg: O fato de sermos incitados a chamar Deus de "nosso Pai" nâo significa que Deus se tornou nosso igual. somos insignificantes demais para interessar um Criador . com poder inimaginável. É ponto pacífico hoje o fato de o mundo em que vivemos ser infinitamente grande. hoie eia passa a impressào de um Deus infinitamente grandioso. Nós que vivemos no final do século xx adquirimos uma compreensâo do cosmo que há vinte séculos era totalmente inalcançâvel. nosso senso de valor còsmico e de importancia individuai sofreu um severo golpe. D m N o vo Significado A. Nâo gosto nem um pouco disso (Coggan.Cristo. de inteligência indescritível. à presunçâo ou à pretensâo. como individuos e como raca. tâo pequeño. nosso vizinho de rua. Se antes se considerava essa frase uma expressâo de glòria e poder sublimes. e eu. que evoca uma grandeza distante e alheia. Como escreveu o poeta: O mundo é tâo grande. a idéia de que Deus està "nos céus" ià nâo é um consolo. Transmite a sensaçâo de que. 70 ORACÀO O fato é que as invocaçôes bíblicas têm o cuidado de nâo avancar ao desrespeito. Em nossa época.

por minha familia. Tanto "Pai" quanto "nos céus" sao necessárias para exprimirá natureza de Deus.3). Náo que a palavra "santificado" seja de algum modo vaga. QUE fSIÁS NOS CÉUS. Hoje náo duvidamos de modo nenhum que o Deus que fez este universo é capaz de fazer qualquer coisa que deseje. Que interesse poderia um Deus que está "nos céus" ter por mim. nem permite que pensemos em Deus como se ele fosse como nós e pudesse ser negligenciado. quando a questáo náo era se Deus se preocupava conosco. SANIIflCADO SHA O IfU NOME tâo infinito como o que idealizou este universo. absoluto. que significa glorificar. Náo vemos dificuldade em crer que nada é difícil demais para Deus (Gn 18. na(primeira petiçaojque esse nome seja "santificado". Depois de invocar o nome de Deus. Isso mesmo. adquirimos um conceito de Deus superior ao dos nossos antepassados. infinito ou oculto que ele já náo se preocupe com o nosso bem- estar. A questáo é decidir que palavra. de uma vasta relaçâo. como o fizeram Moisés e as tribos de Israel. "Pai nosso" náo nos permite pensar em Deus de uma forma que o torne táo transcendente. A palavra grega é hasiazein. exaltar e reverenciar.21). "que estás nos céus" náo nos permite romancear nem tornar sentimental nossa idéia de Deus. considerar ou tornar santo. Náo duvidamos. de que Deus tem o poder de fornecer carne suficiente para alimentar uma multidâo num deserto (Nm 11. Jesus roga. É aqui que se pode ver a importáncia de manter unidas as duas expressóes. Juntas. por meu país ou mesmo por toda a história da raça humana? Essas preocupaçoes sâo bem diferentes das de épocas anteriores. É difícil atribuir um signi­ ficado preciso a esse pedido. Elas exprimem idéias opostas. elas exprimem quem é Deus — o Pai que está nos céus. será usada para traduzi- . O antigo salmista perguntava: "Que é o homem para que dele tomes conhecimento?" (¿J -144. mas juntas produzem uma mensagem única. Nesse aspecto. PAI NOSSO. Por outro lado.14). mas se era capaz.

28: IPe 3. Calvino explica melhor que ninguém: Que o nome de Deus deve ser santificado significa apenas dizer que Deus deve ter sua pròpria glòria. pois.15). "conservado santo". nem a minha honra. Como disse Lutero certa feita: "Diante de Deus todos sáo obrigados a baixar a crista". j-utero disse certa vez que. O comentário final de Jesus sobre essa oraçâo foi este: "porque todo o que se exalta será humilhado. de forma que os homens nâo devam jamais pensar ou falar dele sem a maior reverènda (3. Deus é honrado independentemente de querermos ou nâo reconhecer isso. Logicamente. quando na verdade apenas congratulava-se a si mesmo. No entanto. este é o meu nome. "venerado". pois todas representam conceitos afins (cf.20. Deus se declara santo. 72 ORACÂO la. "reverenciado". ■O desejo de reverenciar ou honrar o nome de Deus é exatamente o oposto de elevar-se a si mesmo. Eu sou o S en h o r . mas o que se humilha será exaltado" (hc 18. "honrado". Eie fingia para si mesmo e para os outros que estava agradecendo a Deus. nâo a darei a outrem. pois eia se aquece muito bem sozinha. também Deus é honrado em virtude somente de ser Deus (Thielicke. às imagens de escultura (Is 42. jo 12. e aquele que ora sem saber disso nâo ora a Deus. e isso lembra o alto valor que a adoracâo no Antigo Testamento dedicava ao ato de venerar a Deus.10-12). ao honrar a Deus nós deixamos isso bem claro e. 52). portanto. Traduçôes diversas dâo-na corno "sagrado". o respeito pelo nome de Deus precede todas as outras petiçôes nessa oraçâo. nos unimos aos .3). a minha glòria. Assim. Mostrarei a minha santidade naqueles que se cheguem a mim e serei glorificado diante de todo o povo (Lv 10. p.41). Um exemplo é a oraçâo do fariseu (Lc 18. da qual é digno. assim como ninguém precisa ordenar a uma pedra ao sol que se aqueça.8).14).

Para este o porteiro abre. pois na cosmovisâo bíblica o nome é a pessoa. que te criou. e que te formou. porque eu te remi.1). uma . tu és meu (Is 43. e cantarei louvores ao teu nome (2 Sm 22. chamei-te pelo teu nome. ó Jacó. entre as naçôes. pois. Mas agora.50). As duas idéias sao inter- cambiáveis. Uma das promessas de ambos os Testamentos é que Deus nos conhece pelo nome. A oracáo diz "santificado seia o teu nome". quando na verdade os auxiliares do homem usavam aparelhos discretos de transmissáo e recepçâo e passavam nomes de pessoas da platéia ao curandeiro. assim diz o S en h o r .3). Certa vez vi uma exibiçâo religiosa de um curandeiro cujo truque era entrar em transe e chamar os nomes de pessoas da platéia. ele chama pelo nome as suas próprias ovelhas e as conduz para fora (lo 10. Os dois Testamentos tratam os nomes humanos exatamente da mesma forma — uma pessoa e seu nome sáo praticamente idénticos.Q U ftS IÁ S N 0 5 C É U U A N IIflC A D 0 S t]A 0 I£ U N 0 M E ^ 73 homens e ás muiheres que conhecem a Deus e Ihe dedicam a honra que ele deseja e merece. ó Israel: Nao temas. Observe que nesse voto cantar louvores ao nome de Deus é o mesmo que cantar louvores a Deus. o que implica que o nome de Deus é equivalente ao pròprio Deus e deve ser tratado de acordo com isso. as ovelhas ouvem a sua voz. ó S en h o r . Parecia que o pròprio Deus falava e pedia que essas pessoas doassem grandes somas de dinheiro. Depois do culto. O voto de Davi de louvar a Deus é típico desse modo de pensar: Celebrar-te-ei. e náo simplesmente "santificado seja Deus". P A IN 0 « 0 .

Se você acha que nâo. É mencionado pela primeira vez nos tempos de Moisés e aparece por último no livro de Apocalipsei§^]esus também se referiu a eie. carrega o pieno peso legai da nossa identidadé. Foi revelado pela primeira vez a Moisés diante da sarça ardente. e nào uma. Eia havia doado grande soma de dinheiro e. quando questionada. o Deus de Isaque e o Deus de Jacó. confessarci o seu nome diante de meu Rai e diante dos seus anjos (Ap 3. 74 ORACÀO senhora idosa foi entrevistada.5). Disse Deus ainda mais a Moisés: Assim dirás aos filhos de Israel: O Senhor.Êx 3. a razâo pela qual o "livro da vida" aparece tantas vezes na Biblia. em parte. O conceito de nome nào é là muito diferente hoje. e assim serei lembrado de geraçâo em geraçâo (. o Deus de vossos pais.. Essa é uma idéia extraordinariamente motivadora. nossa assinatura. e sim porque o vosso nome està arroiado nos céus (Le 10. Disse Moisés a Deus: Eis que.. pelo contràrio. quando eu vier aos filhos de Israel e Ihes disser: O Deus de vossos pais me enviou a vós outros. o Deus de Abraào. mas duas vezes. nào porque os espiritos se vos submetem.13-15). e talvez. Nào obstante. representa a pròpria pessoa de Deus. pois. Todos queremos ser conhecidos por Deus! E conhecer nosso nome é saber quem somos. me enviou a vós outros.20). alegrai-vos. . e de modo nenhum apagarei o seu nome do livro da vida. O vencedor será assim vestido de vestiduras brancas. este é o meu nome eternamente. e eles me perguntarem: Qual é o seu nome? Que Ihes direi? Disse Deus a Moisés: Eu Sou p QUE Sou . Esse livro traz o destino de cada pessoa pelo registro de seu nome. tente explicar isso ao fiscal da Receita Federai na próxima declaraçâo de Imposto de Renda! O nome de Deus. revelou a razâo: "Porque Deus sabia meu nome". Nosso nome escrito.

institutos bíblicos e para qualquer lugar em que o verdadeiro nome do Deus vivo é ensinado. Mt 26. por medo de que alguém o pronunciasse acidentalmente. SANIIflCADO SHA o lEU NOME 75 O respeito por esse Nome tornou-se o segundo dos Dez Manda­ mentos. sáo tâo dañosos à natureza humana. PAI NOSSO. que exige o nosso respeito. Q profeta Ezequiel mais tarde explicaría aos hebreus sobreviventes do holocausto de sua época que a naçâo fora destruida porque o nome de Deus havia sido profanado no meio deles ÇEz 36. No antigo Israel.20s). e Jioie nâo sabemos com certeza como era pronunciado o nome de Deus. Ai do povo de uma terra onde o nome de Deus é negado e esquecido. Ao longo do tempo. . Lv 24.2: Dt 23.® Náo tomarás o nome do Senhor. uma lei que mais tarde seria usada contra o pròprio Cristo (cf. nâo iam além das consoantes. onde o nome de Deus é suprimido. em váo. Uma das ironias mais amargas da história de Israel foi seu destino por deixar de cumprir esse mandamento. seminários. Se o nome de Deus fosse usado num voto ou numa promessa. porque o Senhor náo terá por inocente o que tomar o seu nome em váo (Éx 20. É também a razâo por que os sistemas políticos totalitarios. Nm 30.25). QUE tSIÀS NOS CÉUS. É o respeito por esse Nome que mantém uma naçâo moralmente sâ e espiri­ tualmente saudável. as vogais foram esquecidas. Mas na verdade tem pouco que ver com paiavróes.21). blasfemar o nome de Deus era crime punido com pena de morte. Determina que devemos tratar o nome de Deus como absolutamente único. igrejas. esse voto deveria (e deve) ser cumprido a qualquer custo (cf.16. pois só há um único Deus. Em tào alta estima tinham os hebreus o nome de Deus que nâo o diziam em voz alta. Q conhecimento do nome de Deus é justificativa para to^os os livros. Quando o escreviam. teu Deus.7). Esse mandamento é muitas vezes relacionado ao uso de expressôes chulas.

25:16. oíha para as suas ameaças e concede aos teus servos que anunciem com toda a intrepidez a tua palavra.27) Jesus Cristo. Duas vezes clamou ele a Deus usando a palavra "Senhor".^Durante o restante do Novo Testamento. 76 ORiCÀO ■ÍIALÉM DO "PAI NOSSO” Digo "além" porque a invocaçâo da Oracáo Dominical precisa ser corrigida ou.59) Senhor. plena de alegria. a oraçâo é elevada a Deus "em nome de" (Ef 5. completada pelos ensinamentos posteriores de lesus sobre a oracáo. . sinais e prodigios por intermèdio do nome do teu santo Servo jesus (At 4.29-30).18). Ele escolheu aquele momento crucial para transmitir-lhes o direito de orar em seu nome. título reservado no Novo Testamento a Jesus Cristo.24-30). assegurando-lhes que náo os estava deixando "órfáos" Qo 14.60) A segunda ocasiáo foi uma celebracáo de acáo de gracas pela libertaçâo de Pedro e loáo da prisâo (At 4. alivio e náo menos entusiasmo. Na noite «m que foi traído. enquanto estendes a máo para fazer curas. para que a vossa alegria seja completa (Jo 16. É uma oraçâo exultante. Agora. pedi e recebereis.24). Até agora nada tendes pedido em meu nome.^ A primeira ocasiâo em que tal oraçâo pôde ser ouvida foi no martirio de Estêvâo. lesus repetiu isso nâo menos que cinco vezes nagüela noite. náo ihes imputes este pecado! (At 7.’^ •- Senhor Jesus.20) ou "por" (Rm 7. Mas observe como eia termina. e os discípulos nâo o esqueceram. Senhor. recebe o meu espirito! (At 7. Jesus se preocupava em consolar os discípulos em vista da sua partida. melhor ainda.

toda oraçâo deve ser de nós a Deus oferecida nao de outra forma que em o nome de Crísto . A invocaçâo da Trindade.. Paulo repetiu esse ponto fundamental nâo menos do que très vezes nas suas epístolas. Levanto-me hoje por uma força poderosa. pela fé (Rm 5.. com que confiança [de outra sorte] Pai chamarla aiguém a Deus?" (111. nosso Senhor Jesus Cristo. Calvino explicou assim a importáncia do convite de Jesus: ". ambos temos acesso ao Pai em un^ Espirito (Ef 2. Pela crença na triplicidade.12). por internnédio de quem obtivemos igualmente acesso.. pois é um exemplo maravilhoso de oraçâo cristocèntrica. pois. Na pessoa de Cristo. ao mesmo tempo temos . Essa pràtica nas oracóes do Novo Testamento aiudou a igréja do século iv a desenvolver os credos que expressavam a doutrina da Trindade porque confirmava que lesus Cristo era pienamente Deus. por ele... mediante a fé nele (Ef 3. Porque. PAI N o m QUfKIÁSNOUfUS. pp.18). como Paulo mais tarde explicaría. Alguns leitores talvez conheçam a "Oraçâo Missionària" de Patricio. . . quero incluí-la aqui. Mas para aqueles que nâo a conhecem. como Estêvâo acertadamente entendeu. e por intermèdio dele.acesso a Deus e. Exprime bem como o crístáo ora a Jesus Cristo. oramos a Deus. nosso Senhor.20. Pelo qual temos ousadia e acesso com confiança.36). 116-119).. que por lesus Cristo temos "acesso" a Deus.1-2). datada do século V (Cahill. Com essa idéia nos aproximamos do pròprio cerne da fé crista. SANIIflCADO SBA o ItUNOMt ~ 77 A frase "por intermèdio do nome do teu santo Servo Jesus" representa uma nova comoreensao da ot~acào. Significa. pois orar em nome de Crísto é a marca registrada do cnstào.

A estabilidade da terra. Da sua ressurreiçâo e ascensâo. A palavra de Deus a falar por mim. A ligeireza do vento. A serviço dos arcanjos. Com as previsôes dos profetas. Da sua volta para o juizo final. Levanto-me hoje pela força Do amor do Querubín^. Os olhos de Deus a me orientar. A sabedoria de Deus a me dirigir. O poder de Deus a me sustentar. do Criador da Criaçâo. Com a fé dos confessos Com a inocência das santas virgens Com os atos dos homens justos. O esplendor do fogo. Levanto-me hoje com A força de Deus a me guiar. Levanto-me hoje pela força dos céus. . Com a pregaçâo dos apóstolos. Em obediêncla aos anjos. Da sua crucificaçâo e sepultamento. Os ouvidos de Deus a me ouvir. Com as oraçôes dos patriarcas. Com a esperança da ressurreiçâo para receber a recompensa. A firmeza da rocha. A rapidez do raio. Pela luz do sol O brilho da lua. A profundidade do mar. Levanto-me hoje pela força Do nascimento de Cristo e seu batismo. 78 ORACiO Pela profissáo da unicidade. A mâo de Deus a me guardar.

Cristo quando eu me levantar. Cristo acima de mim. Invoco hoje todos esses poderes entre mim e tais maies. Pela crença na triplicidade. sós ou em multidôes. Cristo na boca de todos os que falarem de mim. das tentaçôes dos vicios. Cristo em todo olho que me enxergar. SANIIflCADO $0A o Itu NOM£ ^ 79 O caminho de Deus a se estender diante de mim O escudo de Deus a me proteger. Contra as artimanhas da idolatria. contra o afogamento. Cristo à minha esquerda. Cristo em todo ouvido que me escutar. contra o ferimento. de todo? os que me desejam o mal. dos magos e encantadores. . Os exércitos de Deus a me salvar dos ardis dos demônios. A invocaçâo da Trindade. distantes e próximos. Cristo embaixo de mim. Cristo adiante de mim. Cristo quando eu me deitar. contra o fogo. Contra todo poder cruel e impiedoso que possa hostilizar meu corpo e minha alma. Contra as falsas leis dos heréticos. Cristo comigo. Cristo à minha direita. PAI NOSSO. Invoco hoje a proteçâo de Cristo. QUE B IÂ S N O K É U S . Contra as leis malignas do paganismo. Contra o veneno. Levanto-me hoje por uma força poderosa. Contra todo conhecimento que corrompe o corpo e a alma do homem. Contra os encantamentos dos falsos profetas. Cristo no coraçâo de todo homem que pensar em mim. Cristo em mim. Cristo atrás de mim. para que me chegue recompensa em abundánda. Contra a magia das feiticeiras.

How the Irish Saved Civilization. Jeremias. Doubleday. Se Deus aceita a descriçâo de si mesmo como Pai. conio todas as outras das Escrituras. Patrick. Jan. pirige-se a Deus de uma forma que implica que Deus deve atender a oracào. 15) Thielicke. Westminster Press. The Prayers o f Jesus. Graham W. As Instituías ou Tratado da Religiâo Crista. REFERÉNCIAS Barth. 80 ORACAO Pela profissáo da unicidade. Calvino. Waldyr Carvalho Luz. do Criador da Criaçâo. The Form and Theology of Biblical Prayer. 1985. (p. 1994. 1962. Karl On Prayer. Prayer in the New Testament. Resumlndo. Dodd. entâo também aceitará a responsabilidade de ser aquele que tem o poder de atender nossos pedidos e nos ajudar nas nossas necessidades. Sermons on the Lord's Prayer. Casa Editora Presbiteriana. 1967. A Guide for Beginners and Veterans. Clarke. baseia-se numa poderosa racionalidade. Method in Prayer. Augsburg Fortress. Thomas. 1960. Fortress. . Scroggie. aceitará também a responsabilidade de agir como um Pai que se importa conosco. Oscar. United Church Press. 1964. James. Miller. Prayingjesus' Way. Cahill. "Abba isn't'Daddy'". They Cried to the Lord. Trad. Brian J. Eerdmans. CM Press. Journal of Theological Studies 39 (1988):28-47. Pickering. Joâo. Se aceita o título "que estás nos céus". 1988. S. 1989. Helmut. C. Clements. a invocaçâo de lesus. Joachim. Letters to Malcolm: Chiefly on Prayer. 1995. 1955. Lewis. Lochman. Barr. The Heidelberg Catechism. Harcourt. Brace and Jovanovich. The Lord's Prayer. 1995. IVF^ 1997.

4. 5.'^ 3. 1RS 10.1 V S I 3 .28.16-17.58.3. 12-15. 2Ts 3. 6/ 2 . 21.6. Éx 15.8-9. I 0 / ^Cf.36/Lc 22. ’^Cf.'^ls42. 25.*4l 4 .19 / ls 63.34.21 ss.16/ Cf.1. Jz 5. Rt 1. 2Tm 1.2/Fp 1. 26.23-24/26/ ” Cf. 2Cr 20.2-3 /1 Ts 3.10/14.14.8/Ml 3. 24.22.IO /14 O . Gl 1. Gn 21. Fm 3. Cl 1. 35.16s/l6. IC o 16.4. PAI NOSSO. .1. H C A D 0 S E 3 A o lEU N O M t ^ 81 NOTAS ’ Cf.*^. Hb 13.2. IC o 16.15. 5. -*’“ Cf. & b / ^Cf.42/Lc 23. 11.32 /si 69.7 / 8 .4. SI 3.11.13-14/l5.27-28/17.32f(^ÍÍ|yDt4. 6.13 /jr 3. 6. 30.4 1 / 1 2.21 /Mt 26.39/Mc 14. ITm 1. Lv19.25/Lc 10.2. 4. Tt 1.4.24.1-10. J 0 1 1 . 5.35. Sl 2.5.20.8.’'6.18t/Éf 1 .7 / 5 . 115.8-9. 2.l.23/28. Éx 32 .20. Q U H S IÁ 5 NOS CÉUS.17. Dt 32. 1 RS 3 . 25/ =Cf. MI I . 29.8 / Usos de ÍPai": cf.6 -7 /14 1.6/si 103. Ne 9.2 / 2 2 .22.-^ ^Cf. < ■Cf. 2Co 12. 2Ts 2.3 .10.6.3. 16.16/osJLl.v^Co 1.16-17.22. Jo 14. 30. Fp4.28/ün 12.2. 1Sm 1. 25.28 y^Cr 14. Mt 11. 25.23. j ^Cf. 46.5.

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Nenhuma outra oraçâo começa pedindo que venha o reino *de Deus. Hb 10. pois levanta a questâo de como o desejo de Deus e o do homem se relacionam um com o outro..7)... nâo é simples. a preocupaçâo é sempre passar diretamente ao pedido ou ao argumento persuasivo que se anexa ao pedido. fACA-S£ A T ua V o n îa d e . "Desci do céu [. disse ele (lo 6.] para fazer [. . ou que se faça a vontade de Deus. Lcl. Vamos analisar em seguida cada uma das palavras e frases separadamente. mesmo o pròprio Cristo lutava contra a vontade de Deus no Getsêmani. E no entanto. assim na T erra como no C éu . Aqui Iesus se revela interessado na vontade de Deus antes de todas as outras coisas.] a vontade daquele que me enviou". . ... Na maioria das oraçôes. uma vez terminada a invocaçâo. que se cumpra em m im conform e a lu a palavra.38 esus inicia a parte principal da sua oraçâo de uma maneira ] bem diferente de qualquer outra do Antigo Testamento.38. portanto. VtNHA O Σu R e in o . Essa frase.

O apòstolo Paulo afirma-o com as seguintes palavras: Logo. Por enquanto. já náo sou eu quem vive. e que o joelho de todo homem que viveu. e portanto nâo há cumprimento futuro por vir. vive ou viverá se dobre|respeitosamente (Fp 2. Mas quando ele surgir na plenitude do seu poder e da sua glòria. A igreja evangélica.20). Segundo essa concepçâo. transformará a face da terra. ORACÀO VtNtíA Nessa palavra a Oraçâo Dominical se estende além dos limites desta era e divisa o futuro. Quando pedimos isso hoje. Assim. que me amou e a si mesmo se entregou por mim C il 2. o reino precisa começar por nós.. tudo o que aguarda o crente está do lado da eternidade. Senhor Jésus" (Ap 22..jD reino é. aparece em forma mais desenvolvida: "Vem. tenho na carne. mas Cristo vive em mim. Venha e revele-se ao mundo.9-10). Nela consiste a mais curta das oraçôes cristâs. oculta nos coraçôes e nas vidas daqueles que créem. No livro de Apocalipse. oramos pela consumaçâo de um reino que ainda ñáo está plenamente presente.25). . em nosso ser. porém. e esse viver que. Fazer essa oraçâo é pedir que Deus conclua aquilo que começou em Jésus Cristo. Alguns ensinaram que a parte histórica do reino veio plenamente com Jésus. crê nas promessas que fez lesus a respeito de sua volta. ele está no meio de nós como realidade espiritual. guando dizemos "venha". concreto e social. agora. Já se escreveram muitos livros sobre aquilo que essa consumaçâo implicará.22). estamos pedindo a Deus isso. vivo pela fé nò Filho de Deus. em nossa vida. quando Deus darà cumprimento a seus planos para a humanidade. em primeiro lugar. Venha e reine e ponha todos os inimigos debaixo dos pés (^Co 15. . Literalmente é "Maranata".exata e literalmente. interior. Antes. Sô à luz do cumprimento dessas promessas é que essa ou qualquer outra oraçâo relativa ao futuro reino de Deus faz sentido.20). porém. que quer dizer "Vem!" (ICo 16. e só depois exterior. pessoat.

é uma idéia libertadora. Para aqueles que compreendem isso. As oraçôes das epístolas nâo sâo là muito difprpntps pois também têm um alcance menor. e nos seus dias.10). pela cidade de Jerusalém (S[ \22Ji} ou pela volta à terra nos tempos de cativeiro (Dn 9. mas Qâo por um reino que abarque algo maior do que a alianca de Deus com Israel.TUA / Os possessivos "teu" e "tua" sâo usados nessa frase como lembrete de que náo somos os atores principáis do drama da história humana^ É o Reino de Deus que se pede na oraçâo. "Eu vim".15). É essa a promessa da vontade e do reino de Deus.26). disse lesus.16). l) ÍEU. É possivel encontrar oraçôes pela linhagem davidica (2Sm 7. Preocupam-se exclusivamente com a igreja . Longe de ser opressora ou restritiva. a frase traz consolo e alegria. e as próprias palavras podem ter-se originado dessa oraçâo popular. e nos dias de toda a casa de Israel. ainda mais rapidamente e em tempo mais próximo". o reino entra em nós em vez de entrarmos no reino — uma verdade implícita nessa petiçâo. à R E IN O Essa frase da Oraçâo é semelhante àquela de uma oraçâo largamente usada nas sinagogas nos dias de Cristo: "Que ele estabeleça o Reino ainda na sua vida. É ele quem rie rid irá guai será o destino final do homem e como a história da hnm anidade será contada para geracóes futuras e para outras racas. e a vontade de Deus que se busca para nós e para todos os homens. assim N A T O COMO NO CÉU 85 Quando nos tornamos cristáos. orar pelo reino de Deus é algo desconhecido nos livros do Antigo Testamento. Suas oraçôes se concentram exclusivamente na naçâo de Israel e seu povo (Dt26.. fACA-S£ A lU AV O N IA O E. VfNHA o lEU REINO. "para que tenham vida e a tenham em abundância" Qo 10. Porém.. Jesus diz algo bastante parecido. É ele querti estabelece esse reino para nós. É essa afirmaçâo que está por trás da compreensâo cristâ da vida. e náo o contràrio.

sendo uma realidade espiritual oculta dentro daqueles que acreditavam nele. mas os evangelhos náo definem nenhuma delas. jesus respondeu que o reino "está dentro de vós" (Mt 12.44-45).^ mas permanecerá do lado de fora caso riáo se disponha a dar n passn do arrependimento e da fé (Mc 12. O reino pelo qual lesus nos ensina a orar nâo é nem Israel nem a igreja.46). isso nos leva de volta ao inicio da frase. A admissâo ao reino era e ainda é por um convite que pode ser aceito nii reriijÿadft (Mt 22. ”orém.28. um fato que Jesus exprimiu em parábolas: a do joio e do trigo (Mt 13. Por enquanto.16s). Já era evidente que a vinda do reino seria retardada.1s.21). Quando ficou claro que o Rei fora rejeitado.. Esse reino é muito maior do que qualquer um dos dois isoladamente ou do que os dois juntos e inclui a soberanía de Deus sobre todos os homens e em todas as eras.44- 46) ou uma pérola de valor inestimável (Mt 13. Lc 17. As duas expressôes significam exatamente a mesma coisa.24s). mas inclui ambos — tanto o Israel daquela época quanto a igreja de hoje sâo agentes do reino de Deus. o reino de Deus tem composicáo bastante heterogénea.18).de sua? exigênrias. de sua composicáo.32). o reino é descrito com símiles e metáforas qu’e nos falam da admissâo a ele.47) e a da árvore em que todas as espécies de aves se aninham (Mt 13. e aqueles que se comprometem descobrem que ^ como encontrar um tesouro escondido (Mt 13. fACA-St A TUA VONIADf.43). a da rede que recolhe peixes indiscriminadamente (Mt 13. Foi desse reino que disse Jesus: "É necessàrio que eu anuncie o evangelho do reino de Deus" (Lc4. Lc 14. Quando instado a mostrar o que pregava. de seus efeitos e de seu valor.28s). Porém. a admissâo vale qualquer sacrificio (Mt 13. ORACÂO e com aqueles que a compôem (Ef 6. ‘ O Novo Testamento emprega duas expressôes para denominar esse reino: feino de Deus e reino dos céus. m NA IERRA COIftO NO CEU Essa parte da frase pede que a vontade de Deus seja feita em todas as coisas e em todos os lugares do mundo. Jesus cessou de proclamar o reino. A pessoa pode estar prestes a entrar. É uma petiçâo muilo ..

e serve para lembrar a nossa dependència de Deus parg ju ^ o que acontece ria vida. onipoténcia e soberanía de Deus. Qpropósito da_oracâo é aiustar nossas expectativas àquilo que Deus là deciditi. Quero saber como as oracóes da Biblia mostram a vontade humana na sua relacáo com Deus. Isso nos leva por um caminho um tanto diferente. mas a fim de iembrar-nos a nós mesmos que nessas questóes precisamos do auxilio divino (Brummer p. embora essa petiçâo seja clara. Antes. à luz das oraçôes da Biblia é também irónica. De Adáo e Eva no Jardim a Paulo insistindo numa visita a lerusalém. Assim. Portanto. portanto. 45). À luz da onisciéncia. Séculos màis tafde Soren Kierkegaard declarou o mesmo "náo" de modo ainda mais breve: "A oraçâo nâo muda a Deus. vigorosa e obediente. a oraçâo nâo muda a vontade de Deus. A discussâo da questáo das vontades humana e divina poderla facilmente nos fugir ao controle e exceder o tamanho de todo este livro. 24). essa frase nos faria ponderar a líberdade e o jugo da vontade humana com relaçâo ao pecado e à salvaçâo. Devemos orar náo a fim de informar a Deus nossas necessidades e desejos. será que a oraçâo pode exercer alguma influéncia sobre Deus? Tomás de Aquino respondeu negativamente. ASSIM NA IERRA COMO NO CEU 87 forte e agressiva e incluí tudo o que se opóe ao mal e faz o bem . que o ^alor da oraçâo é terapèutici . FACA-St A lUAVONIADf.¿ uma petícáo que nos deíxa face a face com o modo que nossa vontade se relaciona com a de Deus. mas muda aquele que a faz" (Brummer. Segundo essa concepçâo. VENHA o I£U REINO. Elas mostram que precisa haver espaco nessa petiçâo para a nossa vontade e todo conflito. Se isto fosse um tratado teológico. indecisáo e luta que eia impóe. pois a história da Biblia trata bastante do tema da vontade humana que se opóe à vontade de Deus. nem jamais se pretendeu tal coisa. ¡i Biblia está repleta de gente que resiste à vontade de Deus. Pode-se dizer. Meu interesse é um pouco diferente. usemos uma pergunta teológica padráo que nos ajudará a resolver a questáo.

Entáo. .20-22). Disse mais o Senhor: Com efeito. e. partiram dali aqueles homens e foram para Sodoma. ORACÀO Isso nos leva à pergunta que desejo fazer com respeito à frase em questâo. Mas primeiro o Anjo revela a Abraào a intençâo da sua visita. se assim náo é. ÍM m áoíC n lS jm A primeira foi feita junto aos "carvalhais de Manre". por exemplo. Examinemos cinco oraçôes do Antigo Testamento para ver o que elas dizem sobre o modo como interagem as vontades humana e divina. o que têm praticado corresponde a esse clamor que é vindo até mim. A Biblia de Jerusalém. Ali Sodoma p Ciomorra. pois em suas súplicas e ñas respostas que receberam vemos Deus agindo em relaçâo ao desejo e à decisâo humana. sabè-io-ei. local que deve ter sido famoso na época em que se escreveu esse relato. soberana e imutável? Ou pode eia ser alterada e afetada pelos seres humanos? Náo há melhor lugar para encontrar respostas a essas perguntas do que ñas oraçôes da Biblia. Será que "faca-se a tua vontade" significa que a vontade de Deus é fixa. O "clamor" contra as duas èidades eia táo grande qué sua destruiçâo era praticamente certa e carecia somente de uma confirmaçâo final. ^ A vo n lad e de Deus nos oraçôes da B iblia Nenhuma discussáo da vontade de Deus é completa sem a análise de oraçôes reais. de fato. porém Abraáo permaneceu ainda na presença do Sen hor (Gn 18. Descerei e vere! se. o clamor de Sodoma e Gomorra tem-se multiplicado. Alguns exegetas observaram que o texto hebraico permite a seguinte leitura da ùltima frase desse paràgrafo: "E o Senhor se mantinha ainda junto de Abraào". e o seu pecado se tem agravado muito.

O juízo de . Abraáo peréunta sobre a justiça aos inocentes ("Nao farà justiça o Juiz de toda a terra?"). uma imagem dramática de como Deus náo mede esforços para ouvir o que o homem tem a dizer.. destruirás ainda assim e náo pouparás o lugar por amor dos cinqüenta justos que nela se encontram? Longe de ti o fazeres tal coisa. e pode estar prestes a cometer uma grande injustiça ("Destruirás o justo com o ímpio?").. o apelo foi acolhido! Melhor poupar os inocentes que punir os culpados. cinqüenta justos na cidade. Mas Abraáo nos surpreende ao fazer. disse: Destruirás o justo com o implo? Se houver. Náo farà justiça o Juiz de toda a terra?"). poderia ter simplesmente meneado a cabeça em concordáncia.23-25).A S S ÍM N iItR R A C O M O N O C ÍU 89 a traduz assim. Muitos de nós teriarn feito exatamente isso.. Moisés inverteria a matemática dessa petiçâo. se correla. ainda que os ¡nocentes representem apenas um por cento da populaçâo. A curta resposta de Deus é a seguinte: Entáo. Observe que Abraáo inverte a questáo. matares o justo com o ímpio. Náo farà justiça o Juiz de toda a terra? (Cn 18.fiC i-S tA lU A V O N IiD t. longe de ti. É uma idéia ousada e. como se o justo fosse igual ao ímpio. Enquanto o Anjo do Senhor se havia concentrado no julgamento dos ímpios ("o seu pecado se tem agravado muito"). porventura. longe de ti. Ele ousa insinuar que Deus se havia esquecido de levar em conta os inocentes. um apelo em nome dos seus sórdidos vizinhos. De qualquer modo. No caso da rebeliáo de Corá. Chega a ponto de citar Deus contra o pròprio Deus (".26). VtNtí4 0 IEU R tlN O . o Anjo do Senhor se retardou e aguardou para ouvir o que Abraáo diria. pensando que os habitantes das cidades receberiam o que mereciam. . E. pouparei a cidade toda por amor dele? (Cn 18. aproximando-se a ele. Ì O argumento de Abraáo foi aceito. Quando Abraâo ficou sabendo do juízo iminente. disse o S en h o r : Se eu achar em Sodoma cinqüenta justos dentro da cidade.

Na aritmética da oraçâo de Abraáo.22). quando ele reduz o número. por pecar um só homem. Além do mais. porventura. Deus pondera os argumentos do homem e depois muda sua idéia em funçâo deles. perguntou Moisés. Abraáo náo ousou ir além. Abraào diminuì o número até que seu apelo final atinge o número dez.eiiiilantê. Disse mais Abraào: Eis que me atrevo a falar ao Senhor. destruirás por isso toda a cidade? Eie respondeu: Náo a destruirei se eu achar ali quarenta e cinco (Gn 18.27-28). Essa oraçâo mostra um diálogo extremamente ousado e imporr tante entre Deus e o homem. indignar-te-ás contra toda esta congregaçâo?" (Nm 16.m atS. Qiuízo desceu sobre Sodoma e Gomorra porque nem mesmo dez foram encontrados. Embora as cidades náo tenham sido poupadas. As perguntas sáo diferentes.a_gygstâo„aasm^^^^ serâo necessárÍQS. Nos versículos seguintes. "Acaso. É o oposto da indagaçâo de Abraào quanto a se o pecado de todos deveria condenar os cinqüenta inocentes — ou mesmo um só. Na hipótese de faltarem cinco para cinqüenta justos. houver ali dez? Respondeu o Senhor: Náo a destruirei por amor dos dez (Gn 18. O apelo de Abraào passa depois a um segundo estágio. 90 ^ ORACÀO Deus sobre o clâ de Corà foi tâo violento que Moisés temeu que Deus fosse destrui-los todos. dez teriam salvado milhares. Disse ainda Abraáo: Náo se ire o Senhor. eu que sou pô e cinza.32).para salvar a cidade. D. quem pode garantir que Ló e sua familia teriam sido poupados náo fora a intercessâo de Abraáo e seu apelo para que os inocentes náo fossem esquecidos? . é evidente que teriam sido. se Ihe falo somente mais esta vez: Se.SSg£. mas em ambos os casos é a natureza da justiça que está em jogo na verdade.

ainda que isso signifique perdoar os impios. Pouco antes da confrontaçâo. Naturalmente estava apreensivo. Seus piores medos foram confirmados ao receber a noticia de que Esaú vinha ao seu encontro com um bando de 400 homens armados. numerosos servos e rebanhos. que na cosmovisáo biblica ^m punhado de homens e muiheres podem-se tornar forca salvifica dentro da sociedade. FACA-SE M U A v o n t a d e . Mesmo dez teriam salvado as cidades. ASSIM NA IERRA COMO NO CÉU 91 Levando o simile numérico um passo adiante. 6 Senhor. A inocéncia de poucos poderia ter poupado a destruiçâo de muitos. e te farei bem. na qual a impiedade de poucos traz a ruina sobre muitos.9-12) m O contexto dessa oraçâo é a volta de Jacó depois de trabalhar quinze anos para seu tio Labáo. Náo posso deixar de me perguntar o que acontecería se Abraáo tivesse ousado ir um passo além. VENHA o JEU REINO. reduzindo o número a apenas uma pessoa— (quem sabe?) peus nao teria dito sirn. doze filhos. correndo para fugir de Esaú. pois com apenas o meu cajado atravessei . Aquela noite de oraçâo foi resumida no seguinte texto: Deus de meu pai Abraào e Deus de rrieu pai Isaque. um foi suficiente para salvar todo o mundo (Rm 5. era bem possivel que Esaú guardasse rancor suficientemente forte para representar risco à vida dele e da familia. Jacó passou uma noite de intensa afliçâo e conflito.CaDM . Agora voltava com duas esposas. Essa história mostra que Deus vai o mais longe que pode em favor dos ¡nocentes. na matemática do Novo Testamento. E)& jaia dj£. ^ÀJacôŒn32. como Samuel Balentine observou. Mesmo depois de tantos anos.SÆÆ Qfefl^^^ tostâo. que me disseste: Torna à tua terra e à tua parentela. como prenúncio da obra de lesus Cristo? Essa passagem é uma inversáo da história habitual da humanidade. sou indiano de todas as misericórdias e de toda a fidelidade que tens usado para com teu servo. orando pela protecâo de Deus.15-17). Mostra também.

disseste".28). pois como príncipe lutaste com Deus e com os homens. sim.pois dali em diante renebeu outro nome de Deus: "Já náo te chamarás Jacó. peus deveria estar disposto a protegè-lo na sua volta. este Jordâo. lembra a Deus as promessas que eie mesmo fez e depois ousa sugerir que Deus precisa honrà-las. Trata-se de uma oraçâo muito bem elaborada. É uma oraçâo de enorme força de persuasào. e Jacó diz o mais claramente possível: "Faço parte da sua familia eleita". para que náo venha ele matar-me e as mâes com os filhos. porque eu o temo. já agora sou dois bandos.»Tanto no inicio da oraçâo — "Que me disseste . E disseste: Certamente eu te farei bem e dar-te- ei a descendênda como a areia do mar.. Jacó està citando Deus a Deus: "Disseste . pela multidâo. neiti foi um divisar dei^gispira jacò. te farei bem" — quanto no final dela — "E disseste: Certamente te farei bem" — eie i^mbra a Deus as promessa«. "Ó S e n h o r. Entre esses apelos. e te farei bem". Jacó. ó S e n h o r". Sendo assim. Náo sabemos o que teria acontecido se lacó nao houvesse tido a firmeza e a fé de orar como órou. Mas náo foi só o nome de Jacó que mudou. havia inicialmente dividido suas esposas.9-12). sua volta a Canaà fora idéia do pròprio Deus. Jacó exprime humildade e autodepreciaçâo: "Sou indigno de todas as misericòrdias e de toda a fidelidade que tens usado para com o teu servo". . £m seguida Jacó lembra a Deus que. Na pràtica. que. que ele ganhou a causa. Uma leitura cuidadosa da narrativa mostra que o caráter de Jacó mudou junto com seu nome. Livra-me das máos de meu irmâo Esau. . Essa é uma tàtica que se repete nas oraçôes do Antigo Testamento. nâo se pode contar (Gn 32. que me disseste: Torna à tua terra e à tua parentela. filhos e servos em dois grupos . 92 ^ ORACÀO. . Deus fizera uma aliança com seu avô Abraâo e com seu pai Isaque. afinal. Israel. exprime um elo entre Jacó e Deus: "Deus de meu pai Abraâo e Deus de meu pai Isaque. O texto diz que ele "prevaleceu" sobre Deus. e. sempre planejador. e prevaleceste" (Gn 32. que Ihe foram feitas.

Moisés orava pedindo que as tribos fossem gssa oraçâo é intercessâo na forma mais pura. Até quando me provocará este povo e até quando náo crerá em mim.11) Os israelitas estavam na pior situaçâo possivel.13-19) Avançamos já uns quatro séculos e agora descortinamos os montes ao longo do rio lordáo. colocando-se em posicáo de risco e responsabilidade. (A avaliaçâo da minoría constituida por Josué e Calebe fora ignorada Içf. a turba se voltou horrivelmente contra os lideres e alguns sugeriam apedrejar Moisés antes de partir de volta para o Egito. Deus havia rompido as relaçôes com eles e agora estava prestes a destrui-los. A história de sua vida certamente teria seguido um curso radicalmente diferente houvesse Jacó simplesmente aceitado o destino que Ihe saísse ao encontro.5-91. As tribos de Israel acabaram de decidir náo cruzar o lordáo para adentrar Canaá. era uma espantosa falta de fé. Nm 13. lacó mudou o plano e saiu à frente deles (33.urpi££ndente pfgrta a Moisés. Levando em conta os milagres que eles haviam visto nos meses anteriores. supondo que Deus já havia tomado todas as decisóes. A idéia era que conquistassem o favor de Esaú com os presentes. fACA-S£ A TUA VONIADf.) Melhor dar meia-volta. Êx 32) fez uma s.7) com a intençâo de que fossem adiante dele. Mas depois daquela noite. e assim providenciassem um amortecedor de tensóes para Jacó. Moisés (Nm14. O "relatório negativo" dos doze espióes dizia que o povo náo conseguirla conquistar a terra e seria destruido se o tentasse. Deus se mostrou profundamente ofendido e pela segunda vez (cf.3).1-2: 32. VtNHA o I£U REINO. Na balbúrdia que se instaurou. retornar ao Egito e aceitar o castigo que Ihes fosse imposto. pois oempreendimento parecia arriscado demais. que vinha logo atrás. a despeito de todos os sinais que fiz no meio dele? (Nm 14. ASSIM NA IERRA COMO NO CÍU 93 (33. pois .29-30:14. Pela segunda vez desde a saida do Egito.

como tens falado. Ihes apareces. e. antes. Agora. e que acabou destruindo seu povo num acesso de ira e frustraçâo. as gentes. Os egipcios ficaráo sabendo do que aconteceu: "Os egipcios nao somente ouviram que.^ÿjmeird^le lembra a Deus que sua reputaçâo está ligada ao destino dos fugitivos israelitas. pois. estás no meio deste povo. 94 ORACÀO intercessâo é exatamente isso — alguém representando duas partes que já nâo se falam. mas também o disseram aos moradores desta terra. mas também o disseram aos moradores desta terra". pois. com a tua força. Deus se havia declarado "longánimo e grande em mise- .25). com a tua força. ouviram que tu. de noite. ouviram a tua fama. que. que face a face. Seria justo "matares este povo como a um só homem" (v. segundo a grandeza da tua misericòrdia e como também tens perdoado a este povo desde a terra do Egito até aqui (Nm 14. Respondeu Moisés ao Senhor: Os egipcios nâo somente ouviram que. Moisés apela para o caráter de Deus. tua nuvem está sobre eles. ainda que nâo inocenta o culpado. que perdoa a iniqüidade e a transgressâo. Perdoa.13-19). dizendo: O Se n h o r é longánimo e grande em misericòrdia. pois. 6 Senhor. rogo-te que a força do meu Senhor se engrandeça. e vais adiante deles numa coluna de nuvem. a exemplo de Jacó. numa coluna de fogo. ó Sen hor. Moisés insinua que Deus precisa repensar a justiça da sua proposta. fizeste subir este povo do meio deles. dirâo: Nâo podendo o Sen hor fazer entrar este povo na terra que Ihe prometeu com juramento. mencionando Deus contra ele mesmo. Se matares este povo como a um SÓ homem. Uma leitura cuidadosa dessa oraçâo revela quatro tàticas ou argumentos distintos da parte de Moisés. 15}? Essa pergunta lembra a de Abraáo: "Náo farà justiça o Juiz de toda a terra?" (Çn 18. Em<^ijñ3ó)lugar. incapaz de superar os déuses cananeus. citando Deus contra Deus. de dia. Em(terceir^ugar. a iniqüidade deste povo. os matou no deserto. fizeste subir este povo do meio deles. e visita a iniqüidade dos pais nos fiihos até à terceira e quarta geraçôes. Os rumores (jiráo que Deus foi incapaz de cumprir o que havia prometido.

. Ali o pròprio rei fez a seguinte oraçâo: Ah! Sen hor. e náo há quem te possa resistir. está a força e o poder.mn Por fim. eis que os filhos de Amom e de Moabe e os do monte Seir.. pois. exibindo o nivel mais profundo e grave de persuasáo e intercessáo. Êx 15). Deus de nossos pals. É preciso renovare confirmar constantemente a fé por meio de açôes e decisòes. Porventura. que perdoa a iniqüidade e a transgressáo" — portanto. náo lançaste fora os moradores desta terra de diante do teu povo de Israel e náo a deste para sempre à posteridade de Abraáo. Por que náo outra vez? A resposta de Deus vem de forma concisa: ''Segundo a tua palavra. quando . Convocou-se uma assembléia no pàtio do Tempio para que todos orassem. até a cidade de Jerusalém. ]osafà(2Cr20. Moisés lembra a Deus que ele já havia perdoado antes: "como também tens perdoado". VENHA o líU REINO. A cidade està em situacào calamitosa. Uma decisâo do passado nâo basta para garantir a reputaçâo perante Deus. Essa é uma oraçâo de tremendo poder e força. Mostra que um profeta. cercada por uma "grande multidâo" de moabitas e amonitas. Esse relato mostra também que os privilégies concedidos ao povo de Deus náo podem ser tidos como obrigaçâo de Deus. teu . nâo és tu Deus nos céus? Náo és tu que dominas sobre todos os reinos dos povos? Na tua máo. Apenas alguns momentos de fé náo bastam. porventura. cujas terras náo permitiste a Israel invadir. O rei agiu como um rei piedoso deveria agir. Agora. onde o rei losafà olha desanimado por sobre as muralhas. MCA-SE A JIJA V O N IA D i ASSIA NA IERRA COAO NO CEU 95 ricórdia.6-12) Avançamos agora mais uns seis séculos. se bem que o maior deles. mas isso nâo se traduziu em coragem diante do rio Jordâo. foi capaz de mudar a decisâo de Deus mesmo^estando Deus ofendido S-ftrOPto a agir. determinando jejum. eu Ihe perdoei" (v. 20). ó nosso Deus.amigo? . pano de saco e cinzas para todos os habitantes da cidade. agora Deus deveria agir de acordo com o que havia declarado sobre sí iTip<. Houve muitos louvores na f)assagem do mar Vermelho (cf.

?" — e antigas promessas — ".0 havia sido decisáo de Deus poupar os cananeus.. Em quarto lugar. mas é sofisticada no uso do argumento persuasivo. Nâo fazia sentido permitir Deus agora que os amonitas e moabitas a tomassem de volta.". mas o povo com quem Deus firmou um compromisso. mas deles se desviaram e nâo os destruiram. Em segundo lugar.6-12). "Ah! Nosso Deus" (v. e nâo sa­ bemos nós o que fazer. 12). acaso. losafá se refere ao poder que Deus tem de aiudar: "Náo és tu Deus nos céus?. nâo a deste [a terra] para sempre à posteridade de Abraào. cujas terras nâo permitiste a Israel invadir. o rei lembra a Deus seus feitos péissados — ". [osafà apela à sua impotència: "Em nós nâo há força para resistirmos a essa grande multidâo que vem contra nós. 96 ^ ORACÀO vinham da terra do Egito.-(^o poder que Deus tem de ajudar.. Náo sáo estranhos os que clamam. uma frase reforçada duas vezes no meio da oraçâo: "Porventura. Nâo menos que cinco táticas diferentes estâo embutidas nesse apelo:([)o relacionamento do povo com Deus. náo lançaste fora os moradores desta terra de diante do teu povo de Israel.... porém os nossos olhos estáo postos em ti (2 Cr 20.. O rei insinua que a situaçâo calamitosa era obra do pròprio Deus. eis que nos dâo o pago. 7).. P apelo comeca já na maneira como Deus é chamado — "Ah! S e n h o r.(|) a presente impoténcia . náo executarás tu o teu julgamento contra eles? Porque em nós náo há força para resistirmos a essa grande multidâo que vem contra nós. Em terceiro lugar.@os feitos passados de Deus em favor deles. Náo se duvida de que Deus é capaz de destruir o inimigo se quiser. os nossos oihos estâo postos em ti". eis que os fiihos de Amom e de Moabe e os do monte Seir. Josafá aponta o pròprio Deus como causador do problema: "Agora. vindo para iançar-nos fora da tua possessâo. Deus de nossos pais" —. Por fim. ó nosso Deus" (v. e que havia chegado a hora de Deus se redimir e de ajudà-los a sair do apuro. que nos deste em herança.. teu amigo?". e náo sabemos nós o que fazer. náo há quem te possa resistir".. A oracào tem tom desesperado. Ah! Nosso Deus.. porém. pois.

Juntas. V. mas a nós.6-15) e Neemias (1. aos nossos reis. a nós pertence o corar de vergonha.4-16) Neste ultimo exemplo.. A resposta foi táo dramática quanto o apuro. V. Daniel dedica très estrofes ao contraste entre o poder. 6 . Daniel9. 7b . ASSIM NA IERRA COMO NO CÉU ^ 97 de Israel.. elas formam um apelo de grande sofisticaçâo e poder de persuasáo. e quero analisar somente seus pontos principáis..8 .5 . .. Essa oraçâo figura ao lado das de Esdras (9. e náo demos ouvidos aos teus servos.. ^ua oraçâo é longa e complexa. Na ocasiâo. deixamos Israel e passamos aos aposentos de Daniel. V. 7a A ti. 24). os profetas. V.5-11: 9. V£NHA o lEU REINO... O editor do texto nos diz que ninguém dos exércitos que cercavam a cidade escapou à destruiçâo (v.. de outro. o primeiro-ministro da Babilònia. pertence a justiça. fiC A-St A lUA V O N IA D E. temos pecado e com etido iniqüidades.... a justiça e a bondade de Deus. 4 S en h o r ! Deus grande e temível. ó Senhor.. porque temos pecado contra ti.. e o compor­ tamento do seu povo. Em primeiro lugar. Erh algum ponto Daniel entendeu que esse tempo já se passara e convenceu-se a orar pelo i-etorno à terra de Israel. Daniel lia a profecia de Jeremías de que o cativeiro das tribos iria durar setenta anos.6-37) como grandes exemplos de arrependimento e intercessâo pela nacâo de Israel... V. Note como cada estrofe contrasta Deus com seu povo. aos nossos príncipes e aos nossos pais. procedem os perversamente e fomos rebeldes. o corar de vergonha.. %Oanie!(9.4-11 V. de um lado.

98 ORACÀO V. nosso Deus. pertence a misericòrdia e o perdâo.1 4 . para andarmos nas suas leis. 9a Ao Senhor.. e náo obedecemos à voz do S en h o r . Só depois de tudo isso é que Daniel faz seu pedido de libertacáo e restauracáo... v. apartando-nos dos teus mandamentos e dos teus juízos .... 9b pois nos temos rebelado contra ele V.... 11 Sim.11a Sim. desviando-se. 5 . para nao obedecer à tua voz. mas o clímax é atingido no final. todo o Israel transgrediu a tua lei..dQ_pecad^^ Embora Daniel talvez fosse inocente. V... eie usa o plural "nós. todo o Israel transgrediu a tua lei. náo obedecemos à sua voz. v. temos pecado e cometido iniqüidades .." em toda a oraçâo. V .... desviando-se. V . v.. e nao obedecem os à voz do S e n h o r .. V... nosso Deus. os profetas V.. temos pecado e procedido perversamente. 6 .. procedemos perversamente e fomos rebeldes .. 10 . porque temos pecado contra ti v. Sete vezes o nome de Deus é invocado na oraçâo. náo temos implorado o favor do S en h o r .. 11 b .. V.. e náo demos ouvidos aos teus servos.. A esDinha dorsal da oracâo é a cpnfissâo. v. com uma invocaçâo tríplice: .. 5 .. 10 . nosso Deus. 8 . 5 ..1 5 .... v.. Dez vezes confessa eie seu pecado.

Demonstraram eles a espécie de irttercessâo que Deus buscou em toda a história — uma voz a suplicar pelo povo.19 ó Senhor. nem tampouco timidez e falta de fé na seriedade e no poder da oraçâo. VtNHAOIEURtlNO.^Como disse Deus a Ezequiel.19 ó Senhor. mostram que Deus se dispóe a ouvir e ponderar os argumentos de seu povo e nâo se ofende facilmente quando aiguém ousa questionar suas decisóes. a memòria divina (lacó) e as decisóes anteriores de Deus (Josafá). Jó e Jeremias — ' tiveram sobre Deus essa espécie de poder persuasivo. nâo havia volta na condenaçag. Também outros — homens como Noè. mas o esboço da história bíblica indica que eia prestou uma contribuicâo importante ao inicio da volta do povo à terra de Israel. Nem todas as oraçôes sâo eficazes ou dignas. conseguindo mudar a história de uma naçâo.uuestionaram o senso de iustica divino (Abraào).ân nâo sâo ¡mediatas. perdoa. As_CQnseqüências dessa orac. v.* As oraçôes acima . Nâo é qualquer um que pode orar de um modo que mude o resultado de uma guerra ou o destino de uma naçâo. atende-nos e age. mas a ninguém achei (Ez 22.A«IMNAItRRACOMONOCÉU 99 V.19 Ó Senhor. Nâo houve falta de respeito nesses apelos — como disse Abraáo. "eu que sou pó e cinza" —. para que eu nâo a destruisse. o piano de acào divino (Moisés). A vo n lad e de Deus e a vo nlad e do hom em Essas cinco oraçôes têm muito a revelar sobre a relaçâo entre a' vontade de Deus e a vontade do homem. a favor desta terra. As pessoas muitas vezes oram de .30).fACA-SEiIUAVONIAD£. ouve. Quando faltava esse homem. Samuel. Busquei entre eles um homem que tapasse o muro e se colocasse na brecha perante mim. No minimo. V.

©É difícil isso passar despercebido. ORACÀO maneira ignorante ou indigna. muitos argumentos.ntercessôes. Há muitos apelos. A frase "faca-se a tua vontade. Acaso há alguma dúvida de que. pessoal. Se Kierkegaard estava correto ao dizer que "a oraçâo nâo muda a Deus. muitos questionamentos nas oraçôes do Antigo Testamento. Seu objetivo nâo é apenas corrigir nossas expectativas. 23|? Jesus certamente nâo passou aquelas horas no jardim do Getsêmani supondo que.a oraçâo nâo é somente terapèutica. sempre elevada a Deus com a suposiçâo de. as tribos de Israel teriam sido destruidas (cf. assim na terra como no céu" nâo supôe nem sugere que a vontade de Deus é imutável. que farà realmente uma diferenca no resultado final do problema em questâo. Antes. A oraçâo é sempre levada a sèrio. essas oraçôes mostram um Deus vivo. Os homens e as muiheres da Biblia nâo falam em "resultados" da oraçâo nem em se adaptar à vontade de Deus por meio das oraçôes. fixa. Mas essas cinco mostram quanto poder um ser humano pode ter diante de Deus. no final. pois é crucial para a importância e o significado daquilo que fazemos ao orar. SI 106. Só que •. decisâo diferente daquela do inicio do relato. interativo e resoluto. Deus ouviu essas i. ponderou os argumentos e tomou uma decisâo. de nada valeriam. Falam de ser "atendidos" ou "ouvidos". Para que teólogos de tal calibre defendam a tese de que as oraçôes nâo mudam nem podem mudar a decisâo de Deus. nâo houvesse orado Moisés. entâo há muita auto-ilusâo e falsa representaçâo nessas passagens. Em nenhum lugar retrata-se a oraçâo como algo que meramente prepara o coraçâo da pessoa para o inevitàvel. mas muda aquele que a faz". rígida ou inflexível. muitas tàticas persuasivas. Serve para exprimir nossas dùvidas e nossa raiva e desse modo nos ajuda a lidar com as experiências dificeis da vida.8. A oraçâo é terapèutica. Gostaria de desenvolver esse ponto um pouco mais. dinámico. deve haver alguma . como sugeriram Tomás de Aquino e Klérkegaard.

porém. Deus náo muda de uma era à seeuinte. Eis duas passagens freqüentemente citadas do Antigo Testamento que afirmam a imutabilidade de Deus: Deus náo é homem. em quem fiáo pode existir variaçâo ou sombra de mudança (IsJJIL Jesus Cristo. descendo do Pai das luzes. o meu conselho permanecerá de pé. nem variam suas b oas intencôes para com a humanidade.8).8-9) E. que desde o principio anuncio o que há de acontecer e desde a antiguidade. Pelo contràrio. fACÂ-SE A TUA VONTADE. como se a vontade dele fosse' caprichosa. E de fato há. Creio. para que se arrependa. tendo ele prometido. cíclica ou evolutiva. ontem e hoje.19) . náo o farà? Ou. Deus declarou a Jeremías que estava disposto a voltar atrás num iuízo aue já fgira decidido. as coisas que ainda náo sucederam. há várias passagens que confirmam aquilo que as cinco oraçôes já nos revelaram. Is 55. {Js 46. dois textos-chave do Novo Testamento: Toda boa dádiva e todo dom perfeito sao lá do alto. farei toda a minha vontade.. ASSIM NA IERRA COMO NO CÉU sustentaçâo bíblica. para que minta. e isso é para nós motivo de alegria. Sâo afirmaçôes firmes e animadoras de que nossa fé em Deus jamais será abalada por nenhuma mudanca na pessoa do pròprio Deus.’abaixo. que esses textos sâo extrapolados além da intencáo original guando usados como argumento a respeito da vontade de Deus. nem filho de homem.. eu sou Deus. Deus náo é como nós nessas questôes. Pon/entura.. que digo. dependendo de como seu povo reagiria0 . nâo o cumprirá? (Nm 23. é o mesmo e o será para sempre (Hb 13. Esses textos exprimem bem a integridade do caráter de Deus.9-10: cf. tendo falado. mm o n u REINO.. especialmente para defender a idéia de que a vontade de' Deus é fixa e imutável.

A imutabilidade da natureza de Deus náo pode ser entendida de uma forma que impeca que Deus seia o Senhor de Sua pròpria vontade. Mas quando os habitantes da cidade se arrependeram.. porque tem prazer na misericòrdia JMg. Retratam a mente de um Deus irritado e farto do pecado (SI 78.31-32: Is 15.4). agora. também eu me arrependerei do mal que pensava fazer-lhe . elas tracam o retrato de um Deus vivo. 7.13-14). O juízo original foi anunciado nos termos mais severos possíveis: "Ainda quarenta dias. convertei-vos. da reconciliacáo e da salvaçâo.7-11). é errado considerar a vontade de Deus como um destino anónimo ou como uma decísáo férrea estabelecida para todo o sempre. . É digno de nota que essa declaraçâo é feita em termos genéricos. isso se provou de modo dramático na história de Joñas.18). capaz de reconsiderar. mas sim extremamente compassivo (Jz 2. desde que o povo se arrependa. e náo o fez" (In 3. Todos os anúncios de ¡uízo estâo sujeitos a mudanca.10). e Nínive será subvertida" Qn 3..18) e cheio de misericòrdia (S1103. O seguinte texto de Miquéias é extremamente sugestivo quanto a essa questáo: 0 Quem.. é semelhante a ti. se a tal naçâo se converter da maldade contra a quai eu falei.5: 16.9). Outras passagens representam nao um Deus imutavelmente inflexível. Ô Deus. derribar e destruir. emotivo. cada um do seu mau proceder e emendai os vossos caminhos e as vossas açôes J]r 18.5-6) e angustiado (Ir 48. Portanto. o texto diz que "Deus se arrependeu do mal que tinha dito Ihes faria.® luntas. A vontade de Deus é viva. pessoal e acessível. que perdOas a iniqüidade e te esqueces da transgressáo do restante da tua herança? O Sen hor náo retehi a sua ira para sempre. Descrevem o coraçâo de um Deus pesaroso (Gn 5.13: Is 54 7-8: Jl 2. de responder ás reaçôes humanas e sempre se move na direçâo da liberdade.9-11). 102 ^ ORACÀO No momento em que eu falar acerca de uma naçâo ou de um reino para o arrancar.40-41 : Is 63. pois.

fACA-SE A lUA VONIADE. sem passar disso? Se Abraâo. seríamos forçados a receber tudo o que nos surgisse no caminho — atores manipulados. >Ja petiçâo "faca-se a tua vontade". Moisés. essencialmente sem vida. que a relaçâo pessoal com Deus. investigando a vontade humana. onde está a nossa vontade? Eia tem de estar envolvida. náo existe. Que seria da espiritualidade judeu-cristâ se nâo pudéssemos persuadir a Deus. palavra ou açâo. a qual consideramos que a Biblia ensina. até desse. Isso implicarla. ter-se-ia desenvolvido um tipo diferente de espiritualidade. A vontade de Deus se inclina para o "perdâo". E. nâo sua vontade. Jacó. se a oraçâo se limitasse ao louvor e à aceitaçâo. Deus é fixo. Mas essas oracóes nos mostram um Deus vivo. dinámico e que nos oferece a possibilidade de um relacionamento que se estende a limites impensáveis. Sem o direito de questionar^ persuadir. como observou Samuel Balentine. VfNHA O lEU REINO. Segundo esse modo de ver. imóvel e. eia certamente nâo está sempre em concordáncia. ou de filosofías que baseiam sua cosmovisâo no destino. NA IERRA COMO NO CÉU 103 Repare que Miquéias diz que o amor de Deus é imutável. tanto de um Deus que náo pode ser persuadido quanto do mundo que nos pode ferir profundamente. Estaríamos entáo duplamente isolados. Aqueles que insistem na rigidez da vontade de Deus precisam encarar o fato de que partilham a concepçâo de religiôes que enfatizam uma ordem sagrada do cosmo. Josafá e os outros que ousaram nâo tivessem buscado a Deus com seus apelos persuasivos. A vo n la d e hum ano Vamos analisar agora o outro lado da moeda. produtos de um produtor divinçi. ou se os editores fináis do texto houvessem considerado essas oraçôes inadequadas para inclusáo nas Escrituras. Nessas religiôes. no entanto. seríamos impotentes diante da vontade divina. uma compreensâo distinta do nosso relacionamento com Deus. Muitos dos principáis personagens . portanto. pois a vontade de orar faz parte de toda pedido. "se esquece" da transgressâo e descuida da ira.

67). Assim. A posiçâo e o respeitoconcedidos à vontade humana pelaféjudeu-cristáseparam- na da maioria das outras religiôes e filosofías de alcance mundial. por exemplo. Pelo contràrio. ó Poderoso destino. muitas sáo as religiôes mundiais que minimizaro a vontade huroana. 104 ow ao da Biblia lutaram contra_a vontade de Deus. Conta-se a história de um filósofo grego que se preparava para uma longa viagem marítima. ele replicou: "Deus roe livre disso — antes. transgresser que sou. Moisés discordou de Deus quando foi escolhido como líder. Jeremías ficou profundamente desgostoso quando chamado a ser profeta. recusar-me a seguir. sâo notórios pelo fatalismo. que eu queira o que os deuses me concederero". aonde eu devo ir segundo o teu conselho. A Biblia jamais diminuì. Abraâo discutiu coro Deus sobre quem deveria ser o ûlho eleito. Esse é um ponto que náo pode passar despercebido. "Faça-se a tua vontade" nâo pode ser entendido meramente como resignaçâo e renúncia humanas ou como aceitacáo passiva. O mesmo fez Gideâo. controlada. Repelindo os bons votos. Os gregos. Alguém Ihe expressou o desejo de que os deuses Ihe concedessero tudo o que ele desejasse. ignorada ou eliminada. O budismo sufoca o desejo pessoal a firo de reduzir a dor da vida. O poeta grego Cleanto escreveu: "Con- duze-roe. lonas teimosamente desobedeceu às ordens divinas. Esse determinismo religioso nada tem ero corouro com um Moisés que debate com Deus o destino das tribos de Israel. jamais sugere que nossa vontade deva ser passiva. reduz ou isola o querer humano dessa forma. o testemunho das Escrituras é que nosso Criador prefere discordáncia e luta contra sua vontade a . se eu. O islamismo ensina que a vontade de Deus governa imutavelroente e determina cada passo que o homem dá. O espiritismo tem como objetivo abrir máo da vontade a favor de um espirito guia. As religiôes indianas téro a idéia de ciclos de renasciroento previaroente deterroinados. ó Zeus. ainda assim serei obrigado a seguir" (Lochman. Quem defende essa cosmovisâo só pode dizer "faça-se a tua vontade" rangendo os dentes.

e sim a vontade daquele que me enviou" (jo 6.a.::fe. 28). passe de mim este cálice! (M t 26. que possamos fazer a vontade de Deus com a plena força dn noss. F&CÂ-SEA lUÂVONIADEJSSIM NA IERRA COMONOCÉU ^ 105 passividade ou indiferença. Um bom exemplo vem da história do faraó e as dez pragas.7). Jesús lutou contra essa vontade. náo para fazer a minha pròpria vontade. prostrou-se sobre o seu rosto. Mas jamais se questiona a integridade da vontade dele. na noite da sua prisáo.£â:^g. VENHA o I£U REINO. seguir e sustentar n vont. espera uma saída diferente. se possivel. como disse o arcebispo Coggan.g.i vontade.22). lesus afirmava segui­ damente que a vontade de Deus era o principio que regia sua vida: "Porque eu desci do céu. busca respostas. mas aquele que faz a vontade de meu Pai que está nos céus" (Mt 7.39). Nosso Senhor mesmo disse que o "morno" seria expulso do reino (Ap 3. dâ.21). nem damos meramente.wli« dele o melhor que pudermos. náo pedimos que nos sujeitemos simples e pacientemente à vontade de Deus. esforçando-nos por encontrar. Senhor! entrará no reino dos céus. O faraó foi tratado como um livre agente.16). ou seja. ao orar "faca-se a tua vontade". orando e dizendo: Meu Pai. Nosso Senhor mesmo é o melhor exemplo. Assim. . Lemos que Deus endureceu a vontade do Faraó.® Adiantando-se um pouco. Pelo contràrio. pedimoi. e náo como um paciente passivo ou mani­ pulado. quando o sofrimento da cruz já se assomava. Senhor.'® No entanto. Ele disse que esta seria a marca dos seus seguidores — que eles também buscariam e cumpririam a vontade de Deus: "Nem todo o que me diz.yQat^(je" fj& iüda.13. fortaleceu-a no caminho que eia já havia escolhido (Êx 7. ele sonda os motivos. Aoui o autor da orasao-modeio g.tüâ. um "consentimento submisso e frouxo ao status quo" (p. A intensidade desses momentos de oraçâo é descrita em Hebreus com a expressáo "forte clamor e lágrimas" (Hb 5. Pelo contràrio.38). menos obedecer cega e passivamente ou com resignacáo servil. çradgr.ias.

23. Depois de tudo. 7. Donald. 26. Vemos isso no conflito de Cristo no Getsêmani.2. seguir g confirmar a vontade de Deus.1 .il 5. nem de fatalismo inflexível. Clements. vamos!" (Me 14. e nessa busca e descoberta nossa pròpria vontade se fortalece. Augsburg Fortress.7). Já se havia decidido. 1985. 106 ^ ORACÀO Mais um detalhe nessa questâo: po ato de escolher./ .20. jr 11. Coggan. 22.3-5. 1993. Nada disso./ez 14.3. SCM. The Drama of Divine-Human Dialo­ gue. 35.11 . mas de poder. Eie se pôe de pé e acorda os discípulos.22. Vincent.1. Dt 23.7.23. fez-se a vontade de Deus e Cristo foi para a cruz. a vontade humana nâo se enfraquece.1 4 / 1 4. lesus nâo fica de loelhos passivam^ntej^perapdo qs acojitecimejDtQS iminentes (p. 17. Eie avança a passos firmes para encontrar seu traidor. nem de resignaçâo frouxa. Como escreveu Paulo: "Porque Deus nâo nos tem dado espirito de covardia. What are we Doing When we Pray? A Philosophical Inquiry. lesus assente à vontade de Deus e trata de cumpri-la com o pieno uso de seu pensamento. E. 2Sm 7. SI 6. mas se fortalece. Mas no final da cena. Nâo se trata de consen­ timento submisso. Harper. The Prayers of the Bible. Brummer. dizendo: "Levantai-vos. 1984. O mesmo vale para nós. de amor e de moderaçâo" (2Tm 1. SCM. NOTAS / ^Cf. IRs 8. 18./ 2Cf.11. Samuel. Prayer in the Hebrew Bible. procuramos descobrir e seguir a vontade de Deus.23-24. REFERÊNCIAS Balentine.1-2. Ao orar "faça-se a tua vontade". R. The Prayers o f the New Testament. de seu coraçâo e de sua vontade. 1967. como salientou Jan Lochman.42). 69. 77).

36. Ez 18.5. Mc 14.10.17. “•Cf.42. 145.17.27-28.32.2.A«IÄNAIERR AC 0M 0N 0CEU ^ 107 ^Cf. VEN«A0 1tU R EIN0 .1-6. 32.34. .6.3. Mt 12. Éx 34. Jl 2. 103. 5Cf. Nm 14. "Cf.17- 19.6-7. Jr 26. Hb 10. 42.8. Jr 15. Am 7.18.15. Jo 4. SI 86.50.12. Ez 24. Jn 4.7.9.13.13. Lc 22.8. Jo 12. Ne 9.fÄC A-$ tAlU ÄV0 NlÄD t.

V

o P âo N osso de C ada D ia D á - nos H o je

Quer goslem os, quer n â o , pedir é o regrc do reino.

S p urg eo n

té aqui a Oraçâo se volta somente a Deus. O foco das atençôes

 das primeiras frases sâo o nome de Deus, o reino de Deus, a
vontade de Deus. Seu nome deve ser respeitado: seu reinp,
buscado; sua vontade, feita. A boa oraçâo começa assim. Nâo é
apropriado apresentar-se diante de Deus com uma lista de pedidos
sem antes render-lhe as honras devidas. Agora, tendo começado
bem. a oracào passa a considerar nossas necessidades de alimento,
perdâo, orientacâo, protecâo e libertaçâo..
Essa guiñada de interesses é indicada pela mudança dos
pronomes: "Teu nome", "teu reino", "tua vontade" sâo substituidos
por "pâo nosso", "dá-nos", "perdoa-nos", "náo nos deixes", "livra-
nos". Como o "nosso" da invocaçâo, esses plurais reforçam nossa
necessidade de orar juntos e uns pelos outros.
Vamos analisar uma palavra ou expressâo por vez.

... N O S S O ... DÁ-NO S

Assim como "teu" na frase anterior exprimía a soberanía de Deus,
também "dá" nessa frase exprime a nossa dependéncia. Nossa vida
e todo o necessàrio para sustentá-la dependem de Deus.

ORACÂO

Sabei que o S e n h o r é Deus; foi ele quem nos fez, e dele somos;
somos o seu povo e rebanho do seu pastoreio4Si 100.3).

;res humanos, podemos dar a Deus é a
honra devida a seu nome e o reconhecimento de que dependemos
dele. Assim, é com alegria que dizemos "dá-ríos", pois isso significa
reconhecer quem é Deus — o criador e mantenedor da vida.
£ifnasso!Lkmbra-JiQ& de que o pâo pelo qua! oramos nao é só
nosso, mas sim pâo comum que partilhamos com os outros. A questáo
da justiça coletiva está assim bem no ámago da Oraçâo Dominical.
Somos provedores do nosso irmâo, e a oraçâo mais forte e verdadeira
é sempre a oraçâo de uns pelos outros. Quatro das cinco oraçôes
que analisamos no capítulo anterior eram intercessóes por outras
pessoas. O Talmude diz em algum lugar: "Aquele que pode orar em
nome do próximo e deixa de fazê-lo, esse é chamado pecador"
(Barclay, p. 20). Ou como Lutero dizia no seu Catecismo Menor:
"Devemos pedir tudo o que contribui para a glòria de Deus e para o
bem-estar nosso e do nosso próximo...". Essa é a mensagem desse
pronome.

A oraçâo de Jetus pelos ouiros

Ninguém nas Escrituras dá melhor exemplo disso do que o pròprio
Jesus. Ele é muitas vezes encontrado orando por alguém. Orou por
Pedro quando Satanás quis tentá-lo.

Simâo, Simâo, eis que Satanás vos reclamou para vos peneirar como
trigo! Eu, porém, roguei por ti, para que a tua fé nâo desfaleça... IL c
22.31-32).

Orou pelas criancinhas.

Entâo, tomando-as nos braços e impondo-lhes as mâos, as abençoava
.. (Mc 10.16: cf Mt 19.13).

o PAO NOSSO DECADA DIA DÁ-NOSHOIE ^ 111

Orou por seus discípulos e por todos os cristáos.

É por eles que eu rogo; nâo rogo pelo mundo, mas por aqueles que
me deste, porque sáo teus ... Nâo peço que os tires do mundo, e sim
que os guardes do mal ... Nâo rogo somente por estes, mas também
por aqueles que vierem a crer em mim, por intermèdio da sua palavra;
a fim de que todos sejam um (|o 17.9-21).

Orou até por aqueles que o.crucîficaram.

Contudo, Jesus dizia: Pai, perdoa-lhes, porque nâo sabem o que fazem
(Le 23.34).

Para completar esse quadro, precisamos novamente ir "além" da
Oraçâo do Mestre, analisando as epístolas. Lemos que quando lesus
ascendeu aos céus, nâo entrou num estado de repouso, mas là continua
a representar seu povo e a interceder por eie. Paulo escreveu: "Quem
OS condenará? É Cristo Jesus quem morreu, ou antes, quem ressuscitou,
o qual està à direita de Deus e também intercede por nós" (Rm 8.34).
A declaraçâo está no tempo presente: lesus està agora intercedendo
por nós nos céus.
Esse é um assunto no qual Hebreus se estende com algum fólego.
O livro foi escrito aos cristáos ameaçados de apostasia espiritual (6.9;
10.35). O autor se preocupava com eles e sentia que precisavam ser
alertados de que nâo eram os únicos a enfrentar vergonha e perse-
guicâo por causa da fé. Cristo também sofreu e agora intercede por
eles como nosso Sumo Sacerdote (4.14-16: 5.1-5: 12.2-4). Ele se fez
como nós e portanto sabe o que é ser humano, a ponto mesmo de
saber o que é ser fraco e sentir-se tentado pelo pecado (4.15). Mas
como Deus, eie tem o poder de uma vida infinita (7.16-17) e està à
direita de Deus para interceder por nós (7.25: 8.1).
Evidentemente, estamos já em profundas águas teológicas, e nâo
pretendo desenvolver mais esse raciocinio, seinâo dizer que essa
informaçâo sobre o papel de Cristo na intercessâo mostra que um

Ele é nossa boca. Com um pouco de trabalho. a náo ser que intervenha o sacerdócio de Cristo (111. uma a uma (2Co 11.28). pela qual nos oferecemos ao Pal. m ORACÀO significado assaz profundo se esconde por trás do pedido encerrado em "dá-nos". nao termos nós boca bastante pura para celebrar o nome de Deus. um dos pais da igreja. Ambrosio. Como Paulo disse que orava diariamente por suas igrejas. Também nós devemos e precisamos orar uns pelos outros. mas nao seria interessante ver por quem ele orava? Tal lista muito diria sobre as oracóes de Paulo. (On Isaac or thè Soul. nos adverte de . . ele é nossa destra. pela qual falamos com o Pal. pelo qual vemos o Pal. Ele significa tanto nossa dependéncia quanto a resposta de Deus em lesus Cristo. escreveu um comentário excelente sobre isso. viü. ele é nosso olho.28). As listas seguintes sâo tiradas das cartas de Paulo.. Quem pode especificar ou conhecer e descrever o valor dessa obra de intercessâo? O fato de Cristo orar por nós dessa maneira conféré peso enorme aos pronomes da Oraçâo Dominical.) Calvino também.. Obviamente nao é possivel obter uma resposta direta.20. pois ele menciona muitos dos seus amigos e das suas igrejas pelo nome. nem para nós nem para nenhum dos santos. podemos deduzir que a maioria dos que ele mencionou nas epistolas eram pessoas por quem ele orava. náo há comunicaçâo com Deus. A oraçQO de Paulo pelos ouiros Vimos na discussáo de hora e local da oraçâo algumas exortaçôes veementes de Paulo a que sempre estejamos em oraçâo. mais concisamente. Se ele nao intercede. Agora é hora de inverter os papéis e perguntar a Paulo quanto ele orava. é possivel extraí-la de suas epistolas. 75.

15 . I 7 Àfìa Fm 2 Àgabo At 11. 20.30-34 Crispo At18.10 Arquipo CI 4. OPÀO NOSSO DE CADA DIA DÁ-NOS HOJE 113 Pe$$0Q$ Acaico IC 0 I 6 .14.5 Éutico At29. I 6 Éubulo 2Tm 4.34 Demas CI 4. Fm 2 Artemas Tt3. 21.2. Rm 16.23 Estáquis Rm 16.22. 27.12 Áqüilae Priscila At 18.18 Epèneto Rm 16.5.4.8 Andrònico Rm 16.12 Asincrito Rm 16.21 .3 Carcereiro e familia At 16.1-3.10. Rm 16.28.10 Apolo IC o 16.14 Barnabé A t13.1 Filemom Fm4-7 Filho da irm ade Paulo At23.29. Fm 24 Aristóbulo Rm 16.8 Dàmaris At 17. Rm 16. 15. CI 4.2.27 Ampliato Rm 16.23 Eunice 2Tm1.7 Apeles Rm 16. 21.10 Agripa At26.18.3 Aristarco At 19.5 Erasto At 19.34 Epafrodito Fp2.17.4.9 Febe Rm 16.9 Estéfanas IC 0 I . Fm 24 Dionisio At 17.16 Filipe At 6.8 Filòlogo Rm16.25.

11 Irm àde Paulo At23.7 Justo At18.7 Quarto Rm 16.4.14 Fortunato IC 0 I 6 .5 Narciso Rm 16.1-15 Manaém At13.11 Nereu e irmá Rm 16. I 7 Gaio At20.23 .11 Lidia At 16. 2.15 Onesíforo 2Tm 1. Fm IO Pai de Públio At28.11 Ludo Rm 16.19 Onésimo C I4.21 Lóide 2Tm 1.1 Marcos At12.12 Prudente 2Tm4.22.18.40 Lino 2Tm4.IO Jasom Át 17.11 Maria Rm 16.12.14. 2Tm4.5-9 Judas Barsabás At 15.2Tm 4.8 Pátrobas Rm 16.14 Herocliào Rm 16.14.27 Júlia Rm 16.15 Olimpas Rm16.16 Irmao incestuoso 2 C 0 2 .1 Ninfa CI4. 4.15 Níger At13.14 Pedro Gl 1.7. Rm 16.21 Públio At28.9.5 Lucas C I4.21 M ae de Rufo Rm16.23 Hermas Rm16.7-8 Pérside Rm16. 114 ^ ORACÀO Flegonte Rm 16.15 Júnias Rm 16.16. CI4.

1 Sópatro At20.1 Antioquia da Pisidia At 13.14. 25.6.IB I g r e ja s Anfipolis At17. 18. 15.1. 15.36.3 Tiquico Ef 6.4 Sostenes IC o l.2-5.Tt1.21.6. 12.4 Trifena Rm 16.48-49.2-4 Creta At27.39.20-21.9 Tito Tt1. 23. 18.11.2 4.4 Urbano Rm 16.11.23. CI 4.4 Silas At 15.7.1.22-35.9 Timòteo 2Tm 1.12 Trifosa Rm 16.1.19-20.15-34.4 Éfeso Ef 1.1Ts 3. 21.22. 18.21 -23. 10 .7 Tirano At19. C11.2 Tiago G l 2.5 Derbe At 14.1-5 Galàcia At16. 16.26.19.15-19 Filipos Fp1.22.13 Segundo At 20.4 Colossos CH. apóstolo At12.1 8 . 14. 18. 18.1 .43. 6 . .23.2Ts1.16.1.4 Cesaréia A t9 .1 Tiago. 20.2 T m 4 .10-13.3 0 . 13.22 Atenas At 17.33.1 0 .21.19.19.8. 20.12-13. 13.1-13 Chipre At4.11 Antioquia da Siria At11.1-12 Corinto IC o 1. OPÀO NOSSO DE CADA DIA DA-NOS HOJE 115 Rufo e màe Rm16. 14. 2Tm 3.27.5 Silvano 1Ts1.3-6. 11. 21. 27.12 Trófimo At20.9 Zenas T tB .4.1 Beréia At 17.

13 G ru p o s Alguns anclaos At 28. Por que Deus precisa disso se . 2Tm 4. 20. 2Tm 4.13.19. 16.34 Marinheiros de um navio At 27. 116 O RAÛO Hiera polis Cl 4. 14.20.4.21. 14.1 Por todos os homens ITm 2. alguns se perguntam se a onisciência de Deus nâo elimina a necessidade de Ihe relatarmos nossas necessidades.51.22 Doze discípulos de Joáo At19. 21.11 .1-10 Mileto At 20.6-23. 2Tm 3.29 Casa de César Fp4.13 Icônio At13.3.23. 20.1-2 Todos os irmáos 2Tm4.13-14.1.24 Captores de Paulo A t 26.17.8.24 Muitos crentes At17.12. A mmm de pedir Apesar de todas as oraçôes que pedem algo a Deus.4 Os santos de Roma Rm 16.11 Igreja de Arquipo Fm 2 Laodicéia Cl 2.15-16 Listra At14.25 Roma Rm1-9 Tessalônica ITs 1.2Tm 3.2-3 Tiro At 12.1-7 Homens de Atenas At 17.15.4.1-2.21 Essas listas abrangem os nomes de 86 pessoas.5-6. 2Co 2. Parece que Paulo nao pediu a seus leitores mais oraçôes do que ele mesmo fazia. 28 igrejas e onze grupos! Falam por si mesmas.11 Malta At 28.16 Nicópolis Tt3. 4.7 Trôade At 16.2.1-15 Pelos judeus Rm lO . 16.12 Perge At 13.20 Mnasom At21.1.

Quando losafá olhou por sobre as muralhas e viu os exércitos cercando a cidade. suplicaram e ciamaram a Deus porque supunham que Deus precisa ser informado e donvencido a agir.8). náo supós que a ajuda divina já estava a caminho.gg^Qa§. As oracóes da Biblia sâo sempre feitas com a suposiçâo de que Deus precisa ser informado e só agirá depois de ouvir. para que possamos receber o que ele prepara para nós (Carta 130. 24). Isso pode ser boa teologia.fltiS gparfiÇg. serve nao para informar a Deus nossas necessidades.dmante toda-a noite. precisamos de auxilio divino (Brummer. p. e no entanto orava muito porque levava a sèrio a necessidade de informar a Deus. E Tomás de Aquino: Precisamos orar náo para informar a Deus nossas necessidades e desejos. Quando lacó soube que Esaú vinha rapidamente ao seu encontro para vingar-se. o PÂO N O H O M C iS D A DIA DÁ-NOS H O ]t ^ 117 conhece todas as coisas? Sendo esse o caso. Disse: "Deus. Vários teólogos de peso chegaram a essa conclusâo. antes que Iho peçais" (Mt 6. mas para que nos lembremos de nossa dependéncia.m gMgs páginas lutaram. n. mas é má oraçâo. mas para que nos lembremos de que. sabe o de que tendes necessidade. nessas questóes. mas convocou todos os habitantes a orar e ieiuar. mas assim mesmo .. Pelo contràrio: ele lutoaem oraçâQ. Deus náo precisa que nós Ihe revelemos nossa vontade — ■para ele náo há como náo conhecé-la — .. Depois Deus o abençoou como aquele que'havia "prevalecido" na oraçâo. o vosso Pal. Q Pai pode conhecer nossas necessidades. náo supós que Deus soubesse do problema e fosse automaticamente enviar auxilio. Há uma centena desses exemplos nas Escrituras. Q pròprio Jesus foi um deles.ni. ou mesmo qualquer outra que peça algo a Deus. incluindo Agostinho. mas quer que nosso desejo seja exercitado na oraçâo.g." 17). a expressâo "dá-nos".

Um dos provérbios descreve a influéncia que o excesso ou a escassez pode exercer sobre nós. Mt 6. H0]£ A expressáo "de cada dia" é um hápax. Isso significa que o conceito de tempo pessa frase é o de um dia por vez.2). . sem nos preocupar em ganhar mais. Lembra muito uma lista de compras. Isso Ihe dificulta a definiçâo. . A resposta dada é: "Porque Deus concede a sua graça e o Espirito Santo só áqueles que sinceramente Ihe suplicam. Devemos nos satisfazer com o suficiente. e parece descrever despesas associadas ao alimento diàrio de uma casa. As oraçôes da Biblia nos forçam a concluir que.(Tg 4. . Quando Jesus disse. Essa expressáo também limita aquilo que podemos e devemos pedir. nem riqueza. hoje". . Assim como Deus fornecia o maná — um género de alimento que náo podia ser armazenado.". também náo se nos permite nessa oraçâo pedir provisóes para o futurd distante. se Queremos. prosperidade e sucesso de nenhuma espécie. Aqueles que pensam diferente. talvez nâo recebam tudo o que Deus tem para Ihes dar.(Éx 16) — uma vez por dia.. 118 ORACÂO deseja ouvi-las. Sejam quais forem os limites que Deus necessite impor a si mesmo no tocante a poder e conhecimento.31-33). Porém. a expressáo foi encontrada num fragmento de papiro que remonta ao Egito do século v. Como disse Tiago: "Nada tendes.. O Catecismo de Heidelberg exprime bem isso na Pergunta 116: "Por que a oraçâo é necessària aos cristâos?". precisamos pedir. quis dizer que devemos orar pelo básico de que necessitamos hoje^ sem nos preocupar com o futuro (cf. obter tudo o que Deus tem a nos dar. é evidente que ele os impôe. porque nâo pedis". D£ CADA DIA. . O leitor perderá tempo procurando nas Escrituras alguma especulaçâo ou preocupaçâo sobre se Deus já sabe aquilo de que necessitamos. "de cada dia . pois nâo há outros contextos pelos quais derivar seu significado. pois ocorre somente uma vez no Novo Testamento grego.

As oracóes nos dáo uma diretriz para entender quem era Davi e por que as coisas aconteceram Çkqügl^ mgdQ. Portanto. nâo me dès nem a pobreza nem a riqueza. Por meio da oraçâo. te negue e diga: Quem é o S e n h o r ? O u que. empobrecido. de uma maneira que náo faz na vida da pessoa que nada Ihe pede. Assim como nossa vida gira em torno de uma agenda diària. nao contém oracào. Quando a narrativa náo contém oraçâo. Podemos convidar Deus a entrar na nossa vida. uma inter- pretaçâo. dá-me o pâo que me for necessàrio. ao orar podemos perceber o reino espiritual que se oculta dentro e debaixo dos eventos da vida cotidiana e assim participar dele. A oraçâo é a coisa mais importante que o cristáo faz para conservar Deus como parte de sua vida e evitar que o mundo tome conta de todo o seu pensamento. e assim temos uma orientaçâo. um ponto de vista superior segundo o qual julgar os eventos. Podemos tomar paite nos atos e propósitos de Deus na nossa época.. mas as oraçôes freqüentes no curso da sua vida trans- mitem a idéia de que estava ligada a Deus. somos capazes de enxergar a máo de Deus operando. . diante da ausência da oraçâo nâo sabemos ao certo que papel Deus desem- penhou nessa história e portanto náo sabemos ao certo o que eia tem para nos passar. -De cada dia" também implica que Deus deve ser convidado a entrar em nossa vida diariamente. Sem a oraçâo. Apesar de a rainha Ester ter sido uma pessoa corajosa e admirável. nâo podemos perceber o poder nem a presenca de Deus na familia. intrigas e paixóes suficientes para agradar a qualquer diretor de Hollywood. também o devem fazer nossas oraçôes. venha a furtar e profane o nome de Deus (Pv 30. em casa ou no trabalho. torna-se difícil interpretar os acontecímentos. Esse fato está engastado na história bíblica. Por outro lado. a vida do rei Davi teve guerras. estando eu farto. abrimos espaço para que Deus opere em nós e por nós. para nâo suceder que.. 0 P À 0 N 0 S S 0 D EC M D 1A D Â -N 0 S H 0 3 E ^ 119 . A história de Esten por exemplo.8-9). e Deus o faz graciosamente. Quando a oraçâo se faz presente.

longe do médico. Ele recebera de Moisés o comando das tribos de Israel. pois eles nada estavam fazendo para resolver o problema. Oramos pelo pâo. salvaçâo ou seja là o que for. Josué ordenou a todos que se cobrissem com panos de saco e cinzas e tratou de perguntar a Deus por que ele os havia abandonadojjs 7). Numa das suas primeiras rampanhas. Pedir uma . O mesmo vale hoje. Uma oraçâo de losué nos proporciona um bom exemplo. Seríamos tolos também se orássemos pedindo a cura e ficássemos em casa. e sua primeira tarefa era conduzi-las na conquista de Canaá. Nâo é um pedido de cura. Chocado. Depois de alguns dias. os soldados foram enxotados por um pequeño exército da cidade de Ai. Seríamos tolos se pedíssemos a Deus que nos arrumasse um emprego. Deus respondeu que eles deviam deixar a autocomiseracáo de lado ereuendo-se e eliminando do exército o soldado desobediente. 120 ^ ORACÀO ORACÀO f TRÂBÂLHO Essa frase também indica o modo que Deus nos supre. A bêncâo nâo é uma petiçâo de intervencâo divina. A resposta às oracóes foi uma censura. A oraçâo jamais é uma maneira de fazer que Deus realize por nós o que podemos realizar nós mesmos. A combinaçâo de "de cada dia" com "dá-nos" indica o modo certo: devemos orar por aquilo de que precisamos e fazer a. ou seia. Se nâo fizer^os nossa parte. orientaçâo. sem no entanto enviar os cyrrícylos. A oracáo jamais é desculpa para a passividade. As Escrituras contém muitas dessas encantadoras expressóes de nossa dependéncia de Deus e de nossa boa vontade em relaçâo a amigos e familiares. BÊNCÀO O pedido do pâo de cada dia relaciona-se com as oraçôes que pedem a bêncâo de Deus e as inclui. nossa parte a fim de alcancá-lo. essa e todas as outras oraçôes serâo inúteis. mas depois saímos a trabalhar para ganhà-lo. pelo trabalho diàrio.

. e nos abençoe. .8).13). o PAO NOSSO DE CADA DIA DÁ-NOS HO]E ^ ]21 bêncâo é pedir o cuidado providencial de Deus para nós. De Siáo te abençoe o S en h o r . e faça resplandecer sobre nós o rosto.1). ou que Deus "te abençoe". Desde os primeiros dias de Israel. para estar diante do S en h o r .8). salva-me por tua misericòrdia (SI 31.3) Às vezes o pedido é simplesmente que o rosto de Deus resplandeca sobre aquele que ora. o SENHOR separou a tribo de Levi para levar a arca da Aliança do SENHOR. Do S en h o r é a salvaçâo. a tua bênçâo (SI 3. Faze resplandecer o teu rosto sobre o teu servo. para nossa familia. para nossa comunidade ou nosso país. (SI 67.16). criador do céu e da terra! (SI 135. e sobi..e o teu povo.12).. Há tantas dessas oraçôes que é fácil tê-las por óbvias e negligenciá- las na leitura da Biblia. os filhos de Levi ficaram encarregados de abençoar em nome de Deus Por esse mesmo tempo. Seja Deus gracioso para conosco. concedendo paz diante dos inimigos ou uma descendéncia prolifera (Gn 24.60). caso em que as oraçôes podem simplesmente desejar que Deus esteja "contigo". -As bêncâos sâo parte importante da adoracâo no tabernáculo e no templo. enviando chuva para as lavouras ou simplesmente o salàrio pelo dia de traballio (Dt28. para o servir e para abençoar em seu nome até ao dia de hoje (Dt 10. E seja o S en h o r contigo. Muitas vezes'náo se especifica o modo que Deus deve agir. (IS m 20.. para nosso amigos. É o desejo de que Deus se envolva nos processos cotidianos de nossa vida.

Chegar-se-âo os sacerdotes. e fartura de trigo e de mosto" j¡Qi i27. para abençoarem em nome do S en h o r e. teu Deus.] bênçâos dos seios e da madre" (Gn 49.11). Eles pedem a graça de Deus na forma de "orvalho do céu. o S e n h o r faça resplandecer o rosto sobre ti e tenha misericòrdia de ti.. mostrando como essas oraçôes podem ter sido freqüentes no cotidiano.11).] bênçâos das profundezas.. 4. [.22-26). o S e n h o r sobre ti levante o rosto e te dê a paz (Nm 6. e da exuberáncia da terra. Disse o S en h o r a Moisés: Fala a Arâo e a seus filhos. que o encorajou a ser o primeiro a assumir a responsabilidade. As bênçâos mais longas e eloqüentes provêm da boca dos patriarcas.. Seria difícil superar esses símiles de exuberante riqueza! . dizendo: Assim abençoareis os filhos de Israel e dir-lhes-eis: O S en h o r te abençoe e te guarde. Aqueles que relutam em orar em público sâo mesmo assim capazes de dizer de bom grado um simples "Deus o abençoe". Alguns leitores reconhecem essa passagem. Eles pedem "bênçâos dos altos céus.28). pois é usada até hoje para encerrar o culto em muitas igrejas. os escolheu para o servirem... em sangue de uvas" (Cn 49. A minha predileta é o pedido que Jacó faz a Deus. porque o S en h o r . rogando que seus descendentes possam lavar "suas vestes no vinho" e "sua capa. por sua palavra. decidirem toda demanda e todo caso de violênda (Dt 21. [.25). filhos de Levi. 2. 122 ORACÀO os homens. O pròprio Moisés recebeu urna formula de bêncâo. fixando o modelo que os levitas deveriam seguir.5). As bênçâos sâo quase sempre bem simples e talvez as oraçôes mais fâceis de fazer.9.12. O livro de Rute contém cinco dessas bênçâos curtas (1.4.17.

As oracóes de bêncâos merecem mais atençâo dalgreia moderna. PAO o leitor talvez estivesse supondo que essa palavra pudesse ser analisada com facilidade e que rapidamente passaríamos a outro tópico. Aconteceu que.13-15). os abençoou. sendo elevado para o céu (Lc 24. negligenciando a máo de Deus nos processos cotidianos da vida. especialmente as crianças (Mt 19. Mas o fato é que existe já há muito tempo uma discussáo . Jésus entendeu que sua vida deveria ser voltada à bênçâo: "Pois o Filho do Homem nâo veio para destruir as aimas dos homens. a maior parte da vida de Jésus esteve ligada à distribuiçâo de bênçâos sobre o povo. enquanto os abençoava. E a última coisa que fez antes de ascender foi abençoar os que foram vê-lo.. Eie nasceu com a bênçâo dos anjos (Lc 1. Tendemos a pensar em nossa salvaçâo como fruto de milagres e intervençôes. mas para salvà-las" (Lc 9.56). nosso Pai" e terminam com algo como "A graça esteja convosco" ou ainda "A graça do Senhor Jesús Cristo seja convosco". que desfrutaráo do banquete à mesa do .34).S£Dh. ia-se retirando deles. Entâo.50-51). suas cartas começarp com "Graça a vós e paz da parte de Deus. os levou para Betânia e. Se contarmos suas curas. Por meio da bêncâo podemos*^pedir a presenca diària de Deus na nossa vida e na vida dos nossos familiares e amigos. erguendo as mâos. o PAO NOSSO DECADA DIA DÁ-NOS H03E ^ 123 lAs bêncâos também tinham importância na vida de lesus. na sua dedicaçâo (Lc 2. come- çando e conciuindo suas epístolas com uma bênçâo curta a seus leitores® De modo geral.28) e foi abençoado oito dias mais tarde por Simeâo. Náo foi por acaso que lesus disse que o reino dos céus seria herdado pelos "benditos".29-32). Paulo também fazia uso bastante freqüente de bêncâos.or (Mt 25.

Há numerosos relatos de oraçâo nas cartas de Paulo. A qraçâo comeca atentando para o nome de Deus. ou seja. Formularam-se alguns argumentos a favor dessa interpretâçâo. no meio. S^ó a palavra "pâo". e todos eles estâo ligados a questóes espirituais. como todas as controvérsias dessa espécie. Agostinho e muitos outros até hoje. Essa era a interpretâçâo preferida de Tertuliano. Cada uma de suas petiçôes pode ser entendida como de natureza espiritual. como o conhecimento de Cristo^o progresso no uso dos dons espirituais^ a pureza de vida. O pâo espirilual Desde os primeiros séculos.C^Sua preocupaçâo com as coisas espirituais é seguramente uma baliza para a nossa interpretâçâo do pâo na Oraçâo Dominical. Quando Satanás sugere que Jesús transforme pedra em pâo. ( ^ prim~eîr?^ a pròpria Oracào Dominical. Esse debate se arrasta há séculos e. a decisáo final é determinada mais pelas inclinaçôes e preferéncias do leitor do que pelo texto em si. Orígenes. muitos interpretaram "pâo" como alimento espiritual. 124 ORACÀO sobre se o "pâo" da Oraçâo de lesus se refere ao alimento físico ou ao alimento espiritual. ^m terceiro iugá^argumenta-se que as Escrituras como um todo raramente se preocupam com questóes físicas. ^m segundo lugar) as outras oraçôes do Novo Testamento se preocupam exclusivamente com questóes espirituais. . a resisténcia à tentaçâo e o livramento do mal. Depois pede o perdâo do pecado. e bêncâo parece de fato coerente com o restante da oraçâo. para sua vontade e para seu reino. Jesus responde que o pâo é insignificante diante do alimento espiritual da palavra de Deus.® a resisténcia e a firmeza diante da oposiçâc^e a força espiritual. Interpretar pâo como pedido de forca espiritual. Examinemos ambos os lados antes de eu Ihe dar a minha visáo. parece pedir algo físico e material. como a palavra de Deus e tudo o que nos faz espiritualmente fortes.

que interpretam "páo" no sentido literal e físico. porventura. Diziam. O páo m a le rial Há. de um lado. e a atençâo mesquinha a coisas transitorias e insignificantes do dia-a-dia.4). os discípulos Ihe rogavam. (Finalmente^ e esse é o argumento definitivo para aqueles que defendem essa visâo. O pâo aparece como metáfora da sua pròpria pessoa. muitos outros. Eu sou o páo da vida. o Pio NOSSO DECADA D ii DÁ-NOS H O lt 125 Está escrito. porém. Náo só de páo viverá o homem.35). e o que eré em mim jamais terá sede (jo 6. Lutero foi o primeiro a reieitar aquilo que via como excessiva espiritualizacáo da Oracâo Dominical. / Para os defensores dessa concepcáo.significa conhecé-lo. os discípulos uns aos outros: Ter-íhe-ia. p que vem a mim jamais terá fome. Duvido que sua definiçâo de "pâo" seja algum dia Superada em clareza e precisâo. come!.31-34: cf SI 40. entáo. 84). mas de toda palavra que procede da boca de Deus (Mt 4. Um estudioso moderno (Gerhard Ebeling). comentando esse texto. o pròprio jesus em mais de uma ocasiáo usou o pâo como símbolo ou metáfora de realidades espirituais. que vós náo conheceis. E como metáfora da execuçâo da vontade de Deus. alguém trazido o que comerf Disse-lhes Jesus: A minha comida çonsiste em fazer a vontade daquele que me enviou e realizar a sua obra (lo 4. é evidente que o "páo" da Qraçân Dominical refere-se ao páo espiritual do pròprio Cristo e a tudn o que. dizendo: Mestre. Nesse intérim. disse que náo poderia haver nenhuma ligaçâo entre o Deus eterno e nosso destino último. . particularmente os protestantes e especialmente os evangélicos. de outro (Lochman p. Mas ele Ihes disse: Uma comida tenho para comer.8).

é impossivel argumentar que a palavra "pâo". Os marinheiros de lonas oraram pedindo o fim de uma tempestade. Os discípulos pediram luz na escolha de um novo discípulo. Ana>Ezequias e muitos outros oraram pedindo a cura. a bebida. Abraáo orou pedindo um filho. servos piedosos. uma esposa piedosa. mas está em todos os aspectos ligada a preocupaçoes. para que tudo desse certo nas suas viagens. governantes piedosos e fiéis. Há várias boas razôes para acompanhar a interpretâçâo que Lutero dá a "páo". Paulo orou pela salvaçâo de um naufràgio e. o lar. para que sua vontade seja feita na terra. ¡Todos esses pedidos têm aplicaçâo terrena. a roupa. Pedimos o livramento do mal que nos sobrevem no dia-a-dia. honra. concretas deste mundo. . a terra. A igreia primitiva orava pela libertaçâo dos seus líderes presos. Pedimos perdâo pelos pecados cometidos diariamente. para que seu reino venha à terra. em outras ocasiôes. Oramos para que o nome de Deus seja santificado na terra. Até as oraçôes que pedem a bênçâo de Deus geralmente incluem um lado físico. Moisés orou para obter comida. enraizada na vida humana aqui e agora. Eliezer orou pedindo uma esposa para Jacó. Pedimos resisténcia ás tentaçôes que surgem no mundo a nossa volta. bons amigos. como a carne. o dinheiro. 126 ^ ORiCâO IPáo refere-se a] tudo o que pertence às necessidades e ao sustento do corpo. Tiago nos deu orientaçâo sobre como orar pela cura. material e cotidiana. Muitas sáo voltadas as necessidades básicas da vida humana.^Sem desprezar essas oraçôes. o gado. material. paz. nâo faz referência às necessidades físicas. bom governo. os caiçados.(Em primeiro lu^al^a Oraçâo Dominical náo trata exclusivamente de coisas espirituais ou celestes como alguns já djsseram. Davi orou pedindo orientaçâo na batalha. Sansáo orou para conseguir água. vizinhos confiáveis e assim por diante (Breve Catecismo). os bens. ordem. bom clima. filhos piedosos. ^m segundo lugarj^as oraçôes da Biblia náo se preocupam exclusivamente com necessidades espirituais. saúde. a moradia.

o PAO n o s s o DECADA DIA DÁ-NOS H O ]t 127 <|m terceiro lu^ar)as Escrituras assumem uma atitude bastante positiva diante das refeicôes e do alimento. A comunhao com os discípulos em torno da mesa era algo que Ihe agradava.19). Mas esse limite nao é o fato de as coisas materiais náo terem valor em comparaçâo com as espirituais. como forma de mostrar- Ihes o amor de Deus — tanto que parecía aos seus detratores um "glutáo e bebedor de vinho" (Mt 11. No Antigo Testamento. Jesús quis dizer que fazer a vontade de Deus é de suprema importância. mas creio que é melhor interpretar o pâo da Oraçâo Dominical.11). O fato de Jesús ter usado a expressâo "de cada dia" ao lado de "pâo" sugere que ele náo tinha intençâo . . Lemos que ele ansiava ardentemente pela última ceia com os discípulos. como ali­ mento e necessidades materiais. Nâo se pode deixar de levar em conta que o pròprio lesus comeu e bebeu quando ierminaram seus quarenta dias de provaçâo. A réplica de Jesús a Satanás — "nao só de pâo viverá o homem" — impós um limite ao valor das coisas materiais. Antes. Comeu sem reservas ao lado de publícanos e pecadores. Jesús comparou o reino dos céus a uma festa e a um banquete e prometeu que muitos iriam sentar-se para comer no reino de Deus (Mt &.Nao há nada na vida de lesus que desmereca o desfrutar do alimento e da comunháo. mas nao de uma maneira que excluísse a importância do alimento. Prim e iro m a le ria l. Nas parábolas. uma boa refeiçâo era essencial para demonstrar hospitalidade. prímeiro e acima de tudo. Sabemos que ele esteve presente a pelo menos uma festa de casamento e que aceitou numerosos convites para participar de refeiçôes. A primeira coisa que fez Abraào quando os anjos chegaram foi convída­ los a comer. ¿ím quarto lugar> lesus usou "pâo" como metáfora de coisas espirituais. O pròprio Jesus parece ter apreciado bastante as ocasiôes sociais que giravam em torno do comer e do beber. ma$ la m b é m espiriiual Páo-é uma palavra polissémica.

a palavra carrega tanto um sentido material quanto um sentido espiritual. começou a corner" (Mt 26. o que vem a mim jamais terá fome. No seu uso durante a Ceia do Senhor. .4). 89s). Fazer a vontade de Deus é páo para a alma. Quando os discípulos disseram a Jesus que comesse. Em quarto lugar. Lochman deixa isso bem claro. páo pode carregar mais de um significado simulta­ neamente.3. Vemos isso na declaraçâo de Jesus: "Bem-aventurado aqyele que comer páo no reino de Deus" (Lc 14. suas refeiçôes diarias de comunhâo eram refeiçôes comuns .. Lochman p. "Eu sou o páo da vida. . o páo da vida . uma refeiçâo salvifica . A mesma noçâo se encontra na resposta de Jesus a Satanás no deserto (Mt 4. quando Jesus "tornando um pâo. . depois de p partir.15). pao pode ser usado para simbolizar o fazer a vontade de Deus. Isso se conservou na igreja primitiva. "Uma comida tenho para comer.elo básico que vocês necessitam hoie — física e espiritualmente".35). . A confusâo quanto ao significado dessa palavra vem em parte da pluralidade de suas acepcôes. pao pode ser uma representaçâo do reino de Deus. e o que eré em mim jamais terá sede" (|o 6. Suas palavras significam simplesmente "orem p. Em quinto lugar. ele respondeu. Em terceiro lugar. à massa comum feita de trigo que se come para saciar a fome (cf.12). O pao que ele ofereceu quando se sentou à mesa com publícanos e pecadores era o páo cotidiano. Paulo aconselha os tessalo- nicenses a trabalhar tranqüilamente e a corner o pròprio pâo (^s . pâo pode ser usado para simbolizar a vida espiritual que vem com Jesus Cristo. Pâo pode-se referir ao alimento do corpo. Finalmente. 128 ^ ORACÂO espiritual mais profunda.32).26). Cada refeiçâo que seus discípulos faziam com ele era um comer e beber comum e ainda mais.. Em segundo lugar. que vós náo conheceis" (Jo 4. Aqui "páo" representa todas as necessidades da vida. Esse significado básico é encontrado até no relato da Ceia do Senhor. porém mais do que isso. pâo pode referir-se à nutriçâo em gérai.

familia.induidQ!i na Oragàn DnmInìcflI? Assim.„están l. o P io NOSSO DECADA DIA DÁ-NOSHOH ^ 129 para o sustento. Podemos alegrar-nos diante da preocupaçâo do Senhor com o lado material da vida. nâo me oponho às pessoas que enxergàm ali uma dimensào espiritual do pâo. mas ao mesmo tempo a "ceia do Senhor" (IC o 11. e o espiritual em detrimento do material. Negar toda e qualquer referência às necessidades físicas tem o sabor da cosmovisáo grega e náo hebraica.. água. A valorizaçâo do material ao lado do espiritual remonta a duas das verdades mais básicas da Biblia: a criaçâo (Deus criou o mundo material) e a encarnaçâo (o Filho de Deus tornou-se carne e sangue). Ele náo se apartou do mundo a fim de encontrar a Deus em reclusáo. Os gregos desenvolveram uma longa tradiçâo de pensamento que favorecía a alma em detrimento do corpo. O pròprio Jesus assumiu uma atitude positiva em relaçâo ao lado material da vida. Ambas ensinam e mostram que o lado material da vida náo deve ser desconsideiadcL negado. no qual os dois elementos devem ser respeitados e honrados. pois noventa por cento da nossa vida consistí- em necessidades bem reais relacionadas a alimento. desde que elas náo neguem o lado material. Se Jesús náo tlvesse incluido a petiçâo do pâo. e quem poderà dizer que oàQ. Essa visáo conflita fortemente com a da Biblia. ignorado ou desvalorizado.20) que mediava a comunhao com eie e unia em comunhào uns aos outros e os que estavam sentados à mesa (p. emprego. sem que nenhum deles prevaleça sobre o outro. que concebe o homem como um ser uno — corpo e alma —. Náo foi asceta nem místico que evitasse o mundo físico e cotidiano da atividade humana. Pelo contràrio: demonstrou interesse em que as pessoas tivessem o suficiente para comer e em várias ocasiócs forneceu alimento a grandes aglomeraçoes de pessoas. profissáo. abrigo. se tivesse sugerido que devemos falar com Deus . 103). etc. ■Apalavra tem sis^nificados múltiplos. jamais negou a importáncia do alimento e da bebida. saúde.Qdofi.

23. 1984. Fm 25. Fm 3.2. Cl 1. ou seja.2. 2Ts 3. Cl 6. United Church Press. Fp 1. IC o 16. ITs 1. há também hosoitais para os doentes. 2Co 1.21. Lutero. 2Pc 1. Hb 13. isso deixaria. a maior parte da nossa vida "sem Pai".18.11. Small Catechism. Tt 3. Concordia Publishing House.9-10. Joáo. Ef 1.33. E é assim.28. 1978. Vincent. 2Ts 1. penso eu. 2Tm 1. como disse Helmuth Thielicke.7. Deus estaria presente apenas no único aspecto da nossa atividade diària considerado digno da sua presença. Rm 15. 2Co 13.2. What are we Doing When We Pray? A Philosophical Inquiry. béngáos nas saudagóes: IC o 1.18.2. ^Cf. .2.3.25. Westermann. programas de distribuiçâo de alimentos para os famintos e campanhas de arrecadaçâo para distribuir roupas áqueles que náo tém o que vestir. SCM. a parte passada na igreja. 21 .2. ITm 6. Blessing. 1965. Claus.16. Casa Editora Presbiteriana.22. Cl 4. The Heidelberg Catechism. que o Senhor agiria. Ap 22 . Tt 1. NOTAS 'Cf. Fortress Press.17-18. "How Many Times Does Epiousious Occur Outside the Lord's Prayer?" The Expository Times 69 (1957-58):52-54. 3. ITs 5.23.3. Fp 4. ITm 1.2. entâo nâo pederíamos levar-lhe nossas necessidades e preocupaçôes cotidianas. Waldyr Carvalho Luz. Bruce. mesmo quando alguns de seus líderes e teólogos afirmaram o contrario. Calvino. Martinho.24. 1962. Ef 6. Béngáos nas conclusoos: cf. 1989. 2Jo 3.18. Metzger. 2Tm 4. e a igreja compreendeu esse fato. Onde há cristâos.2.15.18. Ef 1. 2Tm 2. REFERÉNCIAS Brummer. Cl 1. Obviamente náo era isso que o Senhor tinha em mente.2. 130 ^ ORACÀO somente sobre coisas espirituais. Trad.4. Cl 1. Instituías ou Tratado da Religiáo Crista.

13.9-10. 2Ts2. Ef 3. 6. 2Co 13. Fm 6).3.16-17.13. paciéncia (CI 1.16-17. Fp 1.18). 2Ts 2. Ef 1. gozo (Rm 15.13).12). ITs 3. comunháo (2Co 13. Fm 5).15.7. 2Ts 1.13. fé (Ef 6.12. “•Cf. 2Ts 1.3.23.23. o PAO NOSSO D i O D A DIA DÁ-NOS H0]£ ^ 131 ^Amor (2Co 13. ITs 3. <Cf. 4. CI 2.1-2.11). .12.1-2.13. =Cf. CI 2. ITs 5.11. Fm 5). gratidáo (C11.23. esperança (Rm 15.

.

assim como precisamos‘de pâo. A Insfifuhs da Retigiào Crisfà Cerio fe ila o generai brilànico O gielhorpe com eniou com Jo hn Wesley: "£ u nunca p e rd ó o ". A o que Wesley respondeu: "Es p e ro . VI t PfRDOA-NOS AS NoSSAS DÌVIDAS. . e n tà o . senhor.. Assim Como perecemos fisicamente sem pâo. que ja m a ij. também precisamos de perdâo. Ihe Lord's Prayer quarta frase da oraçâo começa com "e". exclui-se do crisfianism o. venha a pecar". também perecemos espiritualmente sem o perdâo de Deus. — que liga o pedido A de pâo áo do fTerdáo. Talvez as' piores palavras que possamos ouvir sejam: "morrereis nos vossos pecados" (Jb 8. W illia m B a rc la y. Com isso Jesus indica que. ASSIM COMO Nós ÏEMOS PtRDOADO AOS Nossos Devedores Todo aquele que recusa a confessar que ofendem os a Deus. ] o à o C a lv in o .24)..

juntamente com o esforço de provar a culpa.16- .Isaías (l.26. jamais como assuntos principáis.1-6) confessaram seu pecado e rogaram o perdâo de Deus. percebendo que fizemos coisas que precisam ser perdoadas.Paulo considerava-se o . Homens de estatura como Davi (2Sm 12. Esse pedido confirma que todos somos pecadores e se ergue como testemunha contra todo absurdo dito em contràrio. 115s).Acá (Is 7.. Muitos relatos bíblicos mostram pessoas sobrecarregadas pela culpa e pela consciéncia do pecado e do fracasso. incluindo nao somenteJaraó (Ix 9.21). isso implica prontidáo para assumir a responsabilidade por si mesmo perante Deus. O apóstolo Joâo deparou com essa tendéncia já no século l e se opós à idéia dizendo claramente: "Se dissermos que náo temos pecado nenhum. e a verdade náo está em nós" (j. em que o pecado. dos livros de auto-ajuda de hoje. Pecado e culpa só sâo abordados no contexto da mensagem do perdáo dos pecados. e mais tarde entre os ortodoxos protestantes e pietistas. pedir perdâo a Deus.1) e. Houve períodos durante a idade Média.20: 24.20).13: 19. A questáo atingiu o auge nos séculos iv e v. Sansáo (jz 16) e Saúl (ISm . As Escrituras iamais permitem que o interesse pelo pecado fuja ao controle.27: 10.17). recebeu atençâo excessiva (cf. Uma heresia recorrente na história da ¡greia é a possibilidade de a pessoa alcançar tal estado de perfeiçâo na vida cristá que náo mais precise. 134 ORACÂO i\ t P tR D O i-N O S AS NOSSAS DIVIDAS Para confessar nossos pecados. a nós mesmos nos enganamos. De tempos em tempos na história da igreia.8). mas também os líderes eleitos por Deus. Lochman. precisamos analisar-nos como mn estranho o faria. A espiritualidade bíblica nos liga fortemente a nossas acôes — tanto as que praticamos quanto as que deixamos de praticar.s 6. Ele tinha muita muniçâo com que trabalhar.lo 1. a fascinacáo com o pecado chegava a ponto da obsessao. . quando Agostinho atacou o perfeccionismo como uma doutrina errada e herética. Balaáo (Nm 22.34). algo de todo ausente. como observou Ann Weems.

Alivia-me as tribulaçôes do coraçâo. o começo. tira-me das minhas angustias. Senhor. Apressa-te em socorrer-me". Repare como a declaraçâo "Confesso a minha iniqüidade" se funde com "Náo me desampares.16-18). Detenhamo-nos um pouco mais nesse ponto. Se houvesse uma doença ligada ao pecado. náo te ausentes de mim. . S e n h o r . E náo só perdoa. do correto orar é o pedido de perdâo [associado] com humilde e sincera confissáo de culpa" (III. Náo me desampares.21-22). Apressa-te em socorrer-me.20.15). . abandonado. Já analisamos (capítulo iv) a grande confissáo que Daniel faz dos pecados de Israel. e com essa restauraçâo. 135 "principal" dos pecadores (ITm 1. Considera as minhas afliçôes e o meu sofrimento e perdoa todos os meus pecados (SI 25. se é que podemos usar "só" dessa maneira. As oraçôes de confissáo encontradas no Antigo Testamento supôem que com o perdâo vem a restauraçâo da graça de Deus.9). É simplesmente ilusao pensar que podemos nos apresentar imaculados diante de Deus. vi ria a cura. porque estou sozinho e aflito. as confissóes de pecado vêm normalmente acompanhadas de súplicas de auxilio e restauraçâo da graçafiPor exemplo: Volta-te para mim e tem compaixáo.18. a culpa pairava pesadamente . a èliminaçâo de todo problema ou preocupaçâo que perturbava a pessoa. Confesso a minha iniqüidade. Como escreveu Calvino: "Afinal. e mesmo a preparaçâo. Q salmista espera e suplica que a confissáo traga a reconciliacáo com Deus e a eliminacào dos problemas que enfrenta. suporto tristeza por causa do meu pecado. £ PERDOA-NOS AS NOSSA D iV ID iL . Esse pedido tem em comum com todas as oracóes Que rogam o perdâo a pressuposiçâo de qué Deus perdoa se o pecado é confessado p. Deus meu. No tempo de Daniel. salvaçâo minha (SI 38. ^ Perdâo e resiouraçôo No Antigo Testamento.

na mente de Neemias. para que se reconstrua jerusalém. que te sara" (Èx 15.21). a oraçâo de Isaque em virtude da este- rilidade da sua mulher (Gn 25. Vamos tomar dois exemplos. viria também a restauraçâoÎ^ Veja a oraçâo que abre o livro de Neemias (1. No inicio da história de Israel. "Eu sou o Senhor. 102.. a oraçâo de Moisés por Miriâ. O melhor exemplo sâo os chamados salmos penitenciáis (6. 143). Nessas oraçôes. . nem todas estavam ligadas ao pecado. É um pedido de que Deus mude o coracáo de um rei persa. passa gradualmente à primeira do plural — "pecamos" .S¿af.— e culmina no pedido: "concede que seja bem sucedido hoje o teu servo e dá-lhe mercé perante este homem" (v. e as oracóes .\0 perdâo e a restauraçâo eram. vindo o perdâo.desse período expressam profunda consdénria de pecado e contém expressóes intensas de Jamnildads. cada um confessou os pecados de Israel e suplicou o perdâo.17-21 ) e a oraçâo de Ezequias por causa de sua doença em fase terminal (Is 38. Deus se revelou corno aquele que cura. Contudo. A oraçâo de Abraâo pela casa de Abimeleque (Gn 20.e^SRgj. cada um dos quais expressa profunda contriçâo e o desejo de bem-estar. 32. a oraçâo de Elias em favor do filho da viúva (IRs 17. ^ Confttsao c cura Muitas cohfissôes de pecado também ligam o perdâo à cura.10-13). 11). que se encontrava leprosa (Nm 12. A julgar pelas numerosas oraçôes que pedem a cura no Antigo Testamento. P.26). dizendo. supondo que. Também Moisés. 51.4-11). Neemias e Esdras. 38. 130. uma só coisa.17). essa frase foi interpretada literalmente. Essa oraçâo começa com a primeira pessoa do singular — "pequei" —.idi|T)?ntO: Essa profundidade de senti­ mento e eloqüéncia de expressâo nâo encontram paralelo nas Escrituras. 136 ORACÀO sobre o p o v o de Israel. a confissáo do pecado e o retorno à terra eram considerados umasó coisa. mas muitas estavam.1-3) constituem todas exemples de pedidos de cura.

ungindo-o com óleo. náo há saúde nos meus ossos. dispóe a ouvir as oracóes de seu povo. O inverso também é verdade. Todavia. E PERDOA-NOS AS NOSSA D iVID AL. e o Senhor o levantará. ^ 137 Enquanto calei os meus peca4os. Tornam-se infectas e purulentas as minhas chagas. e o meu vigor se tornou em sequidào de estio.14-15). Tiago também faz a associaçâo entre confissáo. E a oraçâo da fé salvará o enfermo.2-5). envelheceram os meus ossos pelos meus constantes gemidos todo o dia. os cristáos encontram^ . ser-lhe-áo perdoados (Tg 5.3-5). A cura sô vem depois que o pecado é confessado. exçédem as minhas forças. e estes façam oraçâo sobre ele. Repare como o(s) autor(es) desses salmos associa(m) a doença à ira de Deus contra o pecado. Disse: confessare! ao S en h o r as minhas transgressées. por causa da minha loucura (SI 38. Esse é o único ensinamento sobre a cura na Biblia. será isto saúde para o teu corpo e refrigèrio para os teus ossos (Pv 3. e gostaria de analisá-lo frase por frase. em nome do Senhor. por causa da tua indignaçâo.- e tim deles é um convite franco a que peca a cura quando doente. Nâo há parte sá na minha carne.. se houver cometido pecados.7-8). e. Viver em retldâo evita a doenca. Neste aspecto estâo certos os pregadores da prosperidade: Deus se. • "Está aiguém entre vó$ doente?" Q cristáo tem alguns privilégios. terne ao S en h o r e aparta-fe do mal. Porcjue a tua mào pesava dia e noite sobre mim. Está alguénn entre vós doente? Chame os presbíteros da igreja. Confessei-te o meu pecado e a minha iniqüidade nâo mais ocultei. Pois já se elevam acima de minha cabeça as minhas iniqüidades. e tu perdoaste a iriiqüidade do meu pecado (SI 32. Trata-se de uma afirmaçâo freqüente em Provérbiôs^ Náo sejas sàbio aos teus próprios olhos. perdâo e cura. como fardos pêsados. por causa do meu pecado.

138 ORACÀO

se sujeitos a adoecer. como parte natural do fato de serem humanos.
Tiago nâo imputa culpa alguma a alguém por estar doente. A pessoa
está simplesmente doente.
"Chame os presbíteros da igreja, e estes façam oraçâo sobre ele."
Qualquer um pode orar, mas como vimos no capítulo anterior,
algumas pessoas têm excepcional poder de oraçâo. Isso nâo é menos
verdadeiro na igreja. Os encarregados da liderança espiritual têm a
a t e n r á n de D p u s . Isso nâo quer dizer que a cura nâo deva e nâo
possa ser pedida em particular. Mas indica que é maior a chance de
cura por meio das oracóes da lideranca da igreiaj e é bom lembrar
que Jesus disse haver poder especial na reuniâo dos cristâo para a
oraçâo (Mt 18.19-20). Repare que nâo se mencionam oessoas
especialmente dotadas do dom da cura. Isso indica que a cura divina
nâo se restringe a um carisma especial pertencente somente a pessoas
seletas, mas é parte do ministério oficial da igreja^ levado a cabo por
seus oficiantes. O modo verbal empregado — "chame"— indica
que a iniciativa de chamar os presbíteros cabe ao doente. Náo é
funçâo da liderança da igreja impor-se aos doentes; antes, o crente
enfernio deve dar inicio ao processo de apelo ao auxilió divino
cbam,ando os presbíteros à tranQüilida.de e ao siléncio deseu lar o íj
ao quarto de hospital. Uma vez convocados os presbíteros, é
responsabilidade deles reunirem-se para orar. A expressâo "sobre
ele" demonstra aue Tiago náo tem em mente uma oraçâo a distância,
mas sim a presenca pessoal dos presbíteros ao lado da.Dess.oa doente.
"Un^indo-o com óleo, em nome do Senhor." É sensato supor
que Tiago tenha aprendido o uso do óleo como parte da oraçâo pela
cura ao observar lesus e os discípulos. Sabemos de pelo menos uma
ocasiáo em que a pràtica foi adotada pelos discípulos (Me 6.13).
interpreto essa frase como um conselho de que a oraçâo deve ser
acompanhada de tratamento médico. Em lugar nenhum a Biblia
insinua que o auxilio médico é incorreto. Pelo contràrio; eia afirma
que ele é útil ao lado da oraçâo, Ezeauias orou pela cura e aolicou
remédio à sua ferida (Is 38.21; 2Rs 20-7). Paulo aconselhou Timóteo

f PERDOA-NOS AS NOSSA DIVIDAS.... ^ 139

a tomar um pouco de vinho por causa-do seu estómago (ITm 5.23).
Lucas era conhecido como "médico amado" (Cl 4.14). título que
indicava respeito pela profissáo médica. A oraçâo jamais serve como
desculpa para a passividade,-« isso nâo é menos verdadeiro em relacáo
à cura. Sempre se deve buscar pleno tratamento médico.
Mas afinal o que realmente cura o doente: o óleo (remédio) ou a
oraçâo? O tpxto nao dá resposta. nem a vida. Na maioria dos casos
nao é possível dizer até que ponto a cura se deve às defesas naturais
do corpo auxiliadas pela medicina e até que ponto a máo de Deus
jnterveio de modo extraordinàrio. No final das contas, o crente pouco
se importa com a dlferenca. mas simplesmente dá graças a Deus
pela recuperacáo da saúde.
'lí a oracâo da fé..." A expressáo "da fé" náo se refere a um tipo
especial de oracâo ou dom (como o mencionado em ICo 12.9).
ma<^.üimnlesmente à-oracâo baseada na fé — a espécie de oraçâo
confiante comum a todos os cristâos. Isso é indicado pelo fato de
que Tiago nâo aconselha chamar alguém que tenha um dos dons
miraculosos. Antes, o doente deve mandar chamar os presbíteros da
igreja, ou seja, aqueles que dâo orientaçâo espiritual à vida da igreja,
que sâo santificados e que se encontram à disposiçâo para orar a
qualquer momento. É mais provâvel que a cura ocorrarntrn ambiente
ond.e há fé e onde a oracâo a Deus se faça facilmente,.
"... salvará o enfermo, e o Senhor o levantará." Isso nâo é uma
garantía, mas uma afirmacáo de fé e esperança. Incontáveis cristâos
ao longo dos séculos precisaram de cura, mas náo a tiveram. Mesmo
nos dias de lesus Cristo nem todos eram curados em Israel ou mesmo
em lerusalém. É verdade que nem lesus nem os apóstelos reieitaram
alguém que os tenha procurado em busca de cura, mas náo se relata
que todos es doentes que foram ter com eles acabaram curados. Q ’
melhor exemplo disso se encontra em loáo 5. em que se narra a
visita de Jesus ao tanque de Betesda, onde ficava uma multidâo d,e
doentes. Pg t9Sf<2S 9LnSCSSSÍtadQS>, Pfilo, flUS 5abSJmPS..lg?Mg-£UJaU
somente um.

140 ^ ORACiO

Mesmo depois de discutir-à exaustâo os porqués de Deus atender
ou nào atender, ainda êissim restará muito que nâo foi dito e nem
pode sê-lo, pois a oraçâo é um mistério. As águas da oraçâo tém profun­
didades que nâo podem ser sondadas. Oramos por nossas atividades
cotidianas, pedimos a bêncâo de Deus para nosso trabalho. nosso lar a
nossa familia e achamos que somos atendidos. Mas de repente acontece
uma tragèdia perto de nós, talvez com um membro da familia où um
amigo. A tragèdia vem e segue seu curso, apesar da fé, da oraçâo e da
intercessâo. Surgem entâo as perguntas: "Como é que eu posso orar
pedindo a bênçâo de Deus para minha casa e familia, acreditando ter
recebido essa bênçâo se meu amigo e vizinho descobriu que tem'
cáncer?". "Como é que devemos interpretar o 'sim' de Deus a um
pedido e o 'nâo' a outro que parece bem mais importante?". Nâo há
resposta a essa pergunta. A oracào é controladà pelo Deus vivo, due é
Senhor absoluto de todos e limitado somente pelo seu ser e pela sua
nahirP7a giiantn a ser o qiip é e fazer o que faz. Sabemos até certo
ponto, e compreendemos o que se nos revela, mas os segredos de
Deus pertencem somente a ele.
Isso significa que podemos ter esperança, crer e orar pela cura,
mas..náQ podemos exigir nem pressupor que Deus irá concede-la.
peus nao aceita-4mposiçôes, nâo se deixa manipular e nâo negoda
nada. A cura é uma possibilidade, nâo uma promessa. Nâo podemos
nem devemos pressupor que a oraçâo e a fé gerarâo os resultados que
nós desejamos. Até mesmo Jésus orou, dizendo: "faça-se a tua
vontade".
Portanto, jamais devemos cubar aqueles que nâo recuperam a
^aùde. Nâo é funçâo nossa julgar uns aos outros dessa forma. Em vez
disso, devemos sempre espelhar o amor, a preocupaçâo e a fidelidade
do Senhor, mesmo que nosso pedido nâo seja atendido.
-"•E, se houver cometido pecados, ser-lhe-âo perdoados." Aqui
observamos um elo com uma idéia do Antigo Testamento:^
restauraçâo e a cura como parceiras eêmeas do perdâo. Nâo se
insinua que a pessoa tenha necessariamente falhado ou pecado. Mas
se o fez, a confissáo e o perdâo trazem a cura.

EPtRDOA-NOSASNOSSiDÍVlDAS.... 141

Pecado versus peccm inosidade

No Antigo Testamento a confissáo é quase sempre feita com
referéncia a pecados específicos. O pecado pode ser desobediéncia
recorrente ou prolongada, infídelidade, roubo, mentira, adultèrio
ou seia là o que for. Mas simplesmente Viâo se encontra a idéia de
que a confissáo era necessària para um estado genérico de pecado,
isso muda no Novo Testamento, onde o pecado è concebido conrtp
parte da natureza humana. Como é parte da condiçâo humana, a
cQI3fÌ??W nâo précis^ ?^r específica e.é muitas yezesjeita em termos
de um estado de pecaminosidade.
Essa nova forma de pensar se nota na confissáo de Pedro quando,
diante da ordem de Jesus, eie pega uma enorme quantidade de
peixes. Ao chegar à praia, Pedro salta do barco e se atira aos pés de
Jesus, dizendo: "Senhor, retira-te de mim, porque sou pecador".(Lc
5.8). Pedro nâo especifica pecado nenhum, pois nenhum pecado
precisa ser especificado. Náo se trata de saber se ele havia cometido
ou náo um pecado específico. Ele era um pecador diante de um
santo. Por isso, no Novo Testamento, o pecado é concebido como
um estado de existencia, e a confissáo muitas vezes é feita em termos
de pecaminosidade. e_náo de pecados específicos.

*)/ ASSIM COMO NÓS IfMOS PtRDOADO AOS NOSSOS DEVfDORfS
Mateus usa o pretérito perfeito composto — "assim como nós
temos perdoado" —, mas Lucas usa o presente — "pois também nós
perdoamos". Pode ser que a diferença entre as duas versôes tenha
sido causada pelo fato de Jesús té-la dito originalmente em aramaico.
Os estudiosos obseryaram que, se foi esse o caso, seria possivel
traduzir a frase usando mais de um tempo verbal no grego, e cada
autor entáo escolheu um tempo diferente. Embora a versáo de Mateus
seja a normalmente usada, nesse pedido algumas igrejas tomaram
emprestada a expressâo de Lucas e usam o presente: "pois também
nós perdoamos”.

142 ORACÀO

A$$im com o

Esta expressáo vincula o perdâo de Deus a nos com nosso pgrclào.
aos outros. A questâo nâo é se nós temos errado. Isso é ponto pacífico.
A questáo é saber quai será nossa atitude em relaçâo a quem nos fez
-O mal. Essa petiçâo exige exame tanto de nossa relacâo com Deus
quanto de nossa relacâo com o próximo. Força-nos a reconhecer
que lembramos e julgamos nosso próximo pelos seus pecados e qije
devemos perdoá-lo assim como Deus nos perdoa. Se guardamos
rancor. se buscamos vinganca, perdemos o direito ao perdâo dos
pecados que cometemos contra Deus.
Nâo se trata aqui de uma oraçâo que envolva permuta pura e
simples — nâo significa que se perdoarmos aqueles que nos fizeram
mal, entâo teremos garantido o perdâo. Nâo podemos receber o
perdâo divino em troca de nosso perdâo ao próximo. Em todo caso,
é provâvel que eu seja culpado de pecados piores do que o meu
próximo (Mt 7.3). É por isso que é sempre má idéia deixar o sol se
por sobre a nossa ira (Ef 4.26-27: Tg 1.19-20), pois assim o rancor se
intensifica. Melhor é perdoar a pessoa todo dia, sabendo náo ser o
perdâo tâo profundo e sincero como poderia ser, do que simples­
mente nâo perdoar. Às vezes o perdâo é assim. Às vezes precisamos
perdoar repetidamente ("setenta vezes sete"), talvez mesmo
parcialmente e sem sentimento a cada vez. Mas se alguém orar e
perdoar dia aoós dia, mesmo que só parcialmente, no final acabará
por perdoar completamente.
Esse era um tema que se repetia nos ensinos de Jesus e o trecho
da Oraçâo Dominical que Jesus decidiu comentar logo em seguida®

Porque, se percloardes aos homens as suas ofensas, também vosso Pal
celeste vos perdoará; se, porém, náo perdoardes aos homens as suas
ofensas, tampouco vosso Pal vos perdoará as vossas ofensas (Mt 6.14-
liL

Anteriormente em Mateus, lesus fizera do perdáo e da recon-
ciliacáo uma exigéncia da adoraçâo.

indignando-se. nâo dévias tu. entâo. mas até setenta vezes sete (M t 18. se do intimo nâo perdoardes cada um a seu irmáo (|v4t 18. até que Ihe pagasse toda a divida (Mt 18. vai primeiro reconciliar-te com teu irmáo. A paràbola se encerra com um aierta. que eu Ihe perdoe? Até sete vezes? Respondeu-lhe Jésus: Nâo te digo que até sete vezes.. como também eu me compadecí de ti? E. deixa perante o altar a tua oferta. b)As maldiçoes Será verdade entâo eue a oracào de uma pessoa amarga e incom- passiva é em si pecado? Se for assim. o seu senhor o entregou aos^ verdugos. pois também nâo tem limite o perdâo divino. mas que depois mandou para a prisào aiguém que Ihe devia uma pequeña quantia. Pedro.. ao trazeres ao altar a tua oferta. faze a tua oferta Posteriormente em Mateus..21-22). Jesus juntou à sua resposta a parábola de um devedor cuja enorme divida fora perdoada por um rei. pois. aproximando-se. Assim também meu Pai celeste vos farà. e. Nâo deve haver limite ao perdâo humano. £ PERDOA-NOS AS NO«iDÍVIDAS. compadecer-te do teu conservo. igualmente. ^ 143 Se.32-34). Ihe perguntou: Senhor. Entâo. corno devemos considerar as maldiçôes da Biblia? A maldicâo é o oposto do perdâo e vai de . lesus respondeu a uma pergunta de Pedro sobre os limites do perdâo. ali te lembrares de que teu irmáo tem alguma coisa contra ti. voltando. até quantas vezes meu irmâo pecará contra mim. convocou o homem de volta à corte e Ihe disse: Servo malvado. perdoei-te aquela divida toda porque me suplicaste.35). Quando o rei ficou sabendo disso.

e dissipados sejam os teus inimigos. Examinemos algumas dessas oraçôes para ver se podemos descobrir por que estáo na Biblia. Sâo de fato um problema.25). os povos caem submissos a ti (Sl 45. como urna espécie de imagem de espelho. Há muito sâo um problema para a teologia. a Oraçâo Dominical trata das imprecaçôes da Biblia. Encontram-se também no Novo Testamento e por isso nâo podem ser postas de lado como meros representantes de uma espiritualidade inferior. No Antigo Testamento as maldiçôes sâo impostas a inimigos pessoais e nacionais. porque devoraram a Jacó. . Dois expressam um anseio de vinganca gue parece náo estar de acórdo com os ensinamentos de nenhum dos dois Testamentos. Os profetas também amaldiçoaram os inimigos de Israel© Derrama a tua indignaçâo sobre as naçôes que náo te conhecem e sobre os povos que náo invocam o teu nome. penetram o coraçâo dos inimigos do Rei. Moisés proferia uma fórmula-padráo de maldicào sempre que as tribos se mudavam a uma nova regiâo do deserto do Sinai. e fujam diante de ti os que te odeiam ([vjm 10.5). Nâo há praticamente nenhum livro do Antigo Testamento aue nâo contenha pelo menos uma maldicào. 144 ORACÀO enrontro a esse pedido. Rartindo a arca.35). As maldicóes sâo abundantes em Salmos — mesmo alguns dos salmos mais apreciados contêm algumas breves. Moisés dizia: Levanta-te. S e n h o r . devoraram-no. Nessa frase. ^ Maldicóes confro naçôes ínim igas As maldiçôes contra as naçôes inimigas sáo encontradas desde o inicio da existéncia de Israel. consumiram-no e assolaram a sua morada (Ir 10. Alguns salmos contém curtas imprecaçôes contra o inimigo: As tuas setas sao agudas.

com'os que contendem comigo .. quem necessite de páo (2Sm 3. Maldiçâo mais forte foi lançada por Noè contra um dos seus próprios fìlhos: Maldito seja Canaà.. S en h o r . retrocedam e sejam envergonhados os que tramam contra mim..21). Sejam confun­ didos e cobertos de vexame os que buscam tirar-me a vida. dando-lhes a espada na máo para nos matar (Éx 5. impelindo-os o anjo do S en h o r (SI 35. que Ihes darás? Dá-lhes um ventre estéril e seios secos (Os 9. embora jamais especifiquem o inimigo: i Contende. . porquanto nos fizestes odiosos aos olhos de Faraó e diante dos seus servos. Essas oracóes supóem que o inimigo da nacao de Israel era também inimigo de Deus.1-5).25).™ ^ 145 Dá-lhes. ó S e n h o r . e Ihes disseram: Olhe o S e n h o r para vós outros e vos julgue. Alguns salmos contém maldiçôes pessoais. quem caia à espada. quem se apóie em muleta. seja servo dos servos a seus irmâos (Gn 9. Algumas sâo leves como a dos capatazes israelitas que tiveram o traballio aumentado quando o primeiro milagre de Moisés nao conseguiu impressionar o faraó: .. t PERDOA-NOS AS NOSSA DÍVIDiS. a oraçâo pela destruiçâo daqueles que se opunham ao povo de Deus era considerada adequada.29). Elas variam ampiamente em intensidade. Assim. i ] Inim igos pessoois Outras maldiçôes sâo dirigidas contra inimigos pessoais. quem seja leproso.14). Sejam como a palha ao léu do vento. Pior foi a maldiçâo de Davi contra o generai que traira seu rei: Caia este sangue sobre a cabeça de Joabe e sobre toda a casa de seu pai! Jamais falte da casa de Joabe quem tenha fluxo.

Maldiçôes curtas fazem parte até de alguns dos salmos mais apreciados. Salmo 109 Esta oracao é dividida em duas partes. o s queixais aos leôezinhos. Eles se rebelam insidiosamente contra ti e como teus inimigos falam malicia. trata-se de uma oraçâo de teologia sofisticada e de profunda espiritualidade. fiquem elas embotadas. mas pouco antes do final contém o seguinte pedido: Tomara. Nâo aborrego eu. o s que te aborrecem? E nâo abomino os que contra ti se levantam? Aborreço-os com òdio consumado.19-22). quebra-lhes os dentes na boca. é um exemplo maravilhoso de salmo de sabedoria. Desapareçam como águas que se escoam. O salmo 139. 146 ^ mm ó Deus. Sejam como a lesma. v. arranca. pelo menos no Antigo Testamento.21. Considerando somente essa parte do salmo. 26: "Socorre". como o aborto de mulher. Deus o considera da mesma forma? Antes de arriscar uma resposta. 26: "Salva-me".26) e i mmpajKáaxIe Deus (yv. para mim sâo inimigos de fato (SI 139. o salmista usa toda tática de persuasáo que conhece para convencer Deus a agir contra seu inimigo. ó Deus. v. examinemos aquela que é tida como a mais severa de todas as imprecaçôes do Antigo Testamento. Très vezes faz-se o pedido: v. nâo vejam nunca o sol f^l 58. desses cabo do perverso. ás promessas da alianca de Deus (w. de mim. 22-25). cf. por exemplo. Entre esses apelos. Sen hor. 21 : "Livra-me".fi- ■8. Será isso simplesmente uma expressáo da ingenua suposiçâo de que o que eu considero reto e justo. SI 55: 69: 140). Senhor. homens de sangue. ao dispa- rarem flechas. que passa diluindo-se. Parece óbvio que. pois. Ele apela ao nome de Deus (y-21). 21- 31) é um apelo por auxilio contra um inimigo. . as maldicôps eram consideradas nâo só aceitáveis como coerentes com a boa espiritualidade. apartai-vos. A segunda metade (w.

Em vez do bem. alguém que lide regularmente com casos sórdidos e esteja à altura de adversário táo temível. esbuihem-no os estranhos. 8-15). Mas o salmista nao vé necessidade de aguardar o veredicto do tribunal. para que faga desaparecer da terra a memoria deles Cv. Desapareja a sua poste- ridade. a sua oragáo (v. . nem haja quem se compadega dos seus órfáos. lance máo o usurário. Em paga do meu amor. Os vv. Andem errantes os seus filhos e mendiguem. Em vez da verdade. o amor. Quando o julgarem. Ninguém tenha misericòrdia dele. e viúva. e sejam expuisos das ruinas de suas casas. viva a iniqüidade de seus pais. oro. e na seguinte gera^áo se extinga o seu nome. 1-20 exprimem urna fíiria que busca a destruicao total do inimigo. o òdio. Em vez da amizade. com òdio (v. Cercam-me com palavras odiosas e sem causa me fazem guerra. me hostilizam. 6-7). Pois contra mim se desataram labios maldosos e fraudulentos. ^ 147 Porém. e tome outro o seu encargo. mentiras. e. porém. Pagaram-me o bem com o mal.para ser interrogado e iulgado: Suscita contra ele um ímpio. A figura é a de um tribunal. tida como pecado. Declara culpado o inimigo e pronuncia ele mesmo a sentenza: Os seus dias sejam poucos. eu. e n5o se apague o pecado de sua máe. do fruto do seu traballio. Fiquem órfáos os seus flihos. Permanegam ante os olhos do SENHOR. O autor pede que um promotor "mau" seja nomeado para acusar essa pessoa. seja condenado. É hora de levar o inimico ao tdhunal. EPERDOi-NOSASNOSSADÍVIDAL. De tudo o que tem. Na lembran^a do S en h o r . com mentirosa lingua falam contra mim. e à sua direita esteja um acusador. a sua esposa. Os primeiros versos dáo urna descrigáo da injustiga sofrida pelo salmista. o salmista recebeu o mal. a primeira parte do salmo é urna historia bem diferente.

e. reieitaram: Ai de ti. por fora. como a árvore.19). Me 14. há multo que elas se teriam arrependido com pano de saco e cinza (Mt 11. Cristo também amaldiçoou uma figueira: . mas isso nâo anula o fato de Jesús ter anunciado destino semelhante áqueles que. Era um homem qüe amaldiçoava os outros e agora se pede que ele se torne anátema e sinta em si mesmo a afliçâo e a morte que levou áqueles que o cercavam.27- 33: cf. se mostram belos. se em Tiro e em Sidom se tivessem operado os milagres que em vós se fizeram. disse-lhe: Nunca mais nasça fruto de ti! E a figueira seeou imediatamente (M t 21. Corazim! Ai de ti. Betsaida! Porque. que. aproximou-se déla. mas primeiro examinemos as imprecaçôes do Novo Testamento. nao dessem frutos: . nao tendo achado senáo folhas.. Esse salmo é uma éspécie de caso extremo. mas interiormente estáo chelos de ossos de mortos e de toda imundícia! Serpentes. e. 148 ^ ORACÀO A maldicâo busca a destruiçâo total do criminoso. A$ m aldi(óes do Novo Teslam enlo Ninguém deve pensar que as maldiçôes se restringem ao Antigo Testamento.21: Le 6. vendo uma figueira à beira do caminho.21). hipócritas. e nao uma pessoa. Ai de vós. Volto ao tema adiante. raça de víboras! Como escapareis da condenaçâo do inferno? (M t 23. de sua familia e. masü aniquilaçâo da existência da pessoa. Q autor do salmo nâo deseja apenas o castigo. Mesmo sua memòria deve ser apagada. Certo que era uma árvore apenas..24-26). no cual se mostra até que ponto pode cheear a imprecacáo. escribas e fariseus.de seus bens. jesús usou algumas das palavras mais duras da Biblia para anunciar desgraças áqueles que ouviram sua mensagem e a. porque sois semelhantes aos sepulcros caiados.

toda árvore. o pròprio Paulo entregou dois heredes a Satanás: E dentre esses se contam Himeneu e Alexandre.10). para serem castigados. é praticamente a mesma coisa que proferir uma maldigáo: Eu. entregue a Satanás para a destruigáo da carne.3-5). aínda que nós ou mesmo um. em nome do Senhor Jesús. como se estivesse presente. e agora repito. mas presente em espirito. a fim de náo mais blasfemarem (3Tm A força dessas imprecacôes de Paulo é suavizada pelo fato de.22) Em certa ocasiáo. en^ ambos os casos. Paulo pronunciou maldicóes contra aqueles que pregavam um evangelho diferente ou que rejeitavam o Senhor. que náo produz bom fruto é cortada e lanzada ao fogo" (Mt 3. na nninha opiniáo. Se aiguém náo ama o Senhor. Mas. aínda que ausente em pessoa. com vistas à salvaçâo do seu espirito. Certa feita. 149 "Já está posto o machado à raiz das árvores. seja anátema (G! 1.anjo vindo do céu vos pregue evangelho que vá além do que vos temos pregado. (IC o 1fi. se aiguém vos prega evangelho que vá além daquele que recebestes. seja anátema. fPfRDOA-NOJASNOSSADÍVIDAL. ficar em aberto a possibilidade de restauracào.8-9). já sentencie!. os quais entregue! a Satanás. Assim como já dissemos. o que. . na verdade. que o autor de tai infamia seja. jad ¡c a n d o a s s iiïl fl pPS5ÍbÍlÍdfldg VQlta à fg. seja anatema. pois. Os hereges da igreja de Timòteo deveriam ser "castigados" apenas. Paulo instruiu a igreia a entregar um pecador a Satanás. reunidos vós e o meu espirito. nosso Senhor. com o poder de Jesús. aínda que a carne fosse destruida. O adùltero da igreja de Corinto deveria ser "entregue" a Satanás para receber o castigo. a fim de que o espirito seja salvo no Dia do Senhor Jesús (IC o 5.

cf. debaixo do aitar.. a vós outros que me ouvis: amai os vossos inimigos. Elas buscam a maldicâo de Deus contra um inimieo de ta! modo que este seia totalmente humilhado e destruido. as aimas daqueies que tinham sido mortos por causa da paiavra de Deus e por causa do testemunho que sustentavam. em vez de amaldiçoâ-lo: Ouvistes que foi dito: Amarás o teu próximo e odiarás o teu inimigo. nâo juigas. dizendo que as maldiçôes parecem . Eu. . oral pelos que vos caluniam (Le 6. Clamaram em grande voz. nem vingas o nosso sangue dos que habitam sobre a terra? (Ap 6. Digo-vos. Entram em conflito com o "assim como" da Oraçâo Dominical — "assim como nos temos perdoado" — e parecem ir de encontre ao mandamento do Senhor de amar o próximo.. A . Là. bendizei aos que vos maldizem. Nenhuma comunidade religiosa eleva oraçôes freqüentes ou regulares a Deus a fim de levar dano ou tribulaçôes aos outros . Ap 18. 150 ORACÀO Voz mais inexorável pode ser ouvida no livro de Apocalipse. nâo ocupar lugar legítimo entre as oraçôes da Biblia. fazei o bem aos que vos odeiam. santo e verdadeiro. vi.a. porém. dizendo. ó Soberano Senhor. Até quando.43-44). oracâo bíblica. .6) ^ Alg u m a j conclusòes a respeilo dos m aldiçôeî As oracóes de imprecaçâo sáo um teste para a espiritualidade d. mártires de todas as épocas clamam por justiça contra seus per­ seguidores: Quando ele abriu o quinto selo. O que fazem afinal essas oraçôes na Biblia? Patrick Miller nos dà uma idéia de como interpretá-las.9-10.27-28). vos digo: amai os vossos inimigos e orai pelos que vos perseguem (M t 5. porém. -¿ssas oraçôes sâo tâo numerosas que nâo podemos menosprezá- las como anomalías ou excecóes nem supor que seiam representantes de uma espiritualidade inferior. menos compassiva.

Além do mais. a legitinnidacle dessas oragóes està ligada ao que está acontecendo na vida da pessoa que ora. nao açâo ^m segundolugag é importante lembrar que essas maldicóes sao apenas oraçôes. As maldicóes falam do aue hà no coracào do homem. Oraçào. Elas mesmas nao' destroem o inimigo. Se Miller està certo. nao é a existérlcia da vinganga’ em Salmos. Ao incluí-las. fssas oracóes descrevem quem somos e como reagimos aos problemas e aos Inimigos. como observou Walter Brueggemann. ou quando nossa familia é agredida. o que pode nos dar uma idéia do que ocorre nessas oragòes (p. . vingan(. mas sim a existencia dela entre nós. O verdadeiro problema. Expressam com franqueza e emogào os elementos mais sombrios dos sentimentos humanos .. jTias palavras elevadas a Deus. Sendo esses sentimentos táo freoüentes em nossa vida. retaliacào. Examinemos esse ponto por cinco ángulos diferentes. vineanca. des£lamos iustica. Realismo /|m primeiro luga*^ essas oracóes sao psicologicamente sinceras. Quando somos agredidos. que­ remos revidar. Q anseio eie. 151 oragáo im precatoria é teologicam ente in aceitável e psicologicamente quase impossivei de fazer — exceto em determinadas ocasiòes. raiva e vinganca estivessem totalmente ausentes das oracóes da Biblia. pem mesmo sáo palavras ditas ao inimigo. Quando nosso próximo nos prejudica sem motivo. Palavras de vingança náo sao o mesmo que atos de vingança. náo acáo. mas entregam a questáo ñas máos de Deus e pedem que ele faca a devida ¡ustica. tPERDOA-NOSASNOSSADiVIDAL. 281). seriar estranho se expressóes de màgoa. ambos os Testamentos Jjaseiam a espiritualidade délas na natureza humana como eia realmente é. e acho que está.:a està dentro de nós — no coragào humano e na comunidade humana.

Até quando. Deseja a aniquilaçâo da pessoa. que pede que Deus se levante e aja: Ó S en h o r . Ás vezes isso pode exigir muitas e muitas oraçôes. dissipâmes nossos próprios sentimentos e reduzimos 3 intensidade da mágoa. e a orarño . náo passa de uma oraçâo. por exemplo. Mas. relacáo ás pessoas destrutivas. a pessoa fica relativamente livre do poder déla (p. a ira é como o luto. Deve ser entregue a Deus. até quando exultarlo os perversos? (SI 94. S en h o r . nào é diferente da súplica do salmo 94. O salmo 109.1-3) \ A fùria e a mágoa sentidas pelos salmistas se voltam a Deus — eles pedem que Deus trate do problema e da pessoa cue o provocou. A ira eue náo se expressa verbalmente é mórbida e pode destruir agüele que a guardar. pois a melhor forma de lidar com eia é expressá- la plenamente e entregá-la a Deus. Deus das vinganças. E quando a vingança é confiada a Deus. de sua memòria. mas teológica. É exatamente isso que as Escrituras nos aconselham a fazer com a ira: entregá-la a Deus e deixar que ele execute a sua vontade em. No que se refere ao dano que causa. de sua familia. mas à medida que se ora. ó juiz da terra. Essas oraçôes sao expressóes de sentimentos intensos que precisam ser postos para fora. mas no final ninguém é ferido. Como escreve Brueggemann: A vingança náo é slmpiesmente uma questáo psicológica. é o equivalente verbal da destruiçâo nuclear. 70). Ao expressar verbalmente a ira e depois entregá-la a Deus. 152 ORACÀO Essas oraçôes exprimem sua fùria corn grande força verbal. resplandece. dá o pago aos soberbos. Exalta-te. f] íerapia !e este ponto está intimamente ligado ao anterior. os perversos. no final. ó Deus das vinganças. a mágoa e a raiva váo perdendo a força.

Vou passando. e de magreza vai mirrando a minha carne.£ j n f i d 9 .22-28a). o que pode nos dar uma idéia do que ocorre nessas oraçôes". Para tais pessoas essa oraçâo reflete o modo que a vida se Ihes apresenta. e outros como ele. psicologicamente quase impossivel de fazer — exceto em determinadas ocasiôes. como um gafanhoto. Socorre. é de um crente que enfrentou um duro destino. ocidentais de hoje. S e n h o r . nâo vivem o infortùnio de enfrentar injustiças cruéis. tP tR D O Íl-N O S iS N O S S A D ÍV ID A L. que tu. os que te aborrecem?. Amaldiçoem eles. De modo inverso. como a sombra que declina. . Aborreço-os com òdio consumado. dentro de mim. S en h o r . sinto ferido o coraçâo.. Tornei-me para eles objeto de opróbrio. ele se sente pronto para exprimir sentimentos d . depois de o autor ter verbalizado sua intensa fùria e dissipado sua força. se tais sentimentos nâo sao verbalizados nem entregues a Deus. abençoa (^1 109... As maldiçôes brotam de situacôes extremas. Porque estou aflito e necessitado e. É exatamente esse ensinamento que lemos no salmo 109. Multos de nos. meneiam a cabeça.s s p g r f l n c a - Evidentemente essa pessoa passava por uma crise. Agüele que ora exibe òdio profundo. i m p 9 t 4 n £ i a s . e fizeste. Acho que isso é correto. De tanto jejuar. e nâo pequeis" (Ef 4. A raiva transborda dessas oraçôes e é rematada com òdio e furia.26: SI 4. Repare o trecho pouco antes do final desta passagem. Muitos levam uma vida em que tudo vai bem. "Nâo aborreço eu. Para que saibam vir isso das tuas máos.4) — tem em vista exatamente essas ocasiôes.21-22). S e n h o r. mas tu. os joelhos me vacilam. Deus meu! Salva-me segundo a tua misericòrdia. tornam-se destrutivos áquele que foi ofendido. e por isso tais oraçôes nâo fazem sentido. A exortaçâo de Paulo — "Irai-vos. Mas o salmo 109. para mim sâo inimigos de fato" (S1139. . sou atirado para longe. Essas oraçôes mostram que Deus se dispôe a receber tais . ^ 153 funciona como catarse. Nesse salmo. e isso nos leva de volta à sugestiva citaçâo acima de Patrick Miller: "A oraçâo imprecatoria é . quando me vèem.

» É claro que "a mim" implica "nâo a você". Mas o fato é que Deus nâo des­ considera simplesmente o pecado e o mal como se jamais houvessem acontecido.41). . vingar-me-ei dos meus inimigos (Is 1. Exécuta a vineanca e estabelece a ordem moral segundo os propósitos que ele determina.. a retribuiçâo. Na história de Israel. objetivo.5). que hà uma coerênçia moral por trás da história e que o ¡uízo de Deus faz parte déla.35J. O Deus da Biblia jamais é um Deus neutro. A benevolência . Os arrogantes náo permaneceráo à tua vista. Hb 10. mas dai lugar à ira {de Deus}. Sim.19... Deus é um Deus de misericòrdia. Deus toma partido na história. e que nâo hà problemas nem sentimentos que nâo possam e nâo devam ser aiçados a Deus em oraçâo. cf. Deus agiu tanto em favor do seu povo quanto contra aqueles que se opunham a ele. afinal. aborreces a todos os que praticam a iniqüidade (SI 5.. acrescentando: "Nâo vos vingueis a VÒS mesmos. .24). (Dt 32. mas isso náo impede que ele odeie os malfeitores. aos quais todos precisam responder. julgando Xiuando achar que é hora de fazê-lo..30). 154 ^ ORACÀO palavras... Ele toma partido. num universo moral. A mim me pertence a vingança. Paulo cita esses textos de vingança do Antigo Testamento. Deus cuidará da retaliacâodo seu pròprio modo. indifferente e que busque simplesmente equilibrar as coisas. amados." (Rm 12.. Universo m oral <|rn quarto luga» essas oraçôes supôem que estamos. Castiga e vinga e declara seu direito e disposiçâo de agir assim tanto na lei quanto nos profetas. tomarei vingança contra os meus adversáriot e retribuirei aos que me odeiam (Dt 32.

Isso está bem claro no¿almo 136: àqueie que fériu o Egito nos seus porque a sua misericordia dura para primogénitos sempre . Há multas justaposiçôes semelhantes de vingança e recompensa no Antigo Testamento. que julga na terra (SI 58... 155 de Deus para com Israel muitas vezes significou a condenaçâo de outro povo.... Entáo se dirá: . tPERDOA-NOStó NOSSA D ÍV ID AL. e tirou a vida a famosos reis porque a sua misericordia dura para sempre A morte dos primogénitos e a destruiçâo de exércitos soa como misprirnrdia appnas rasn se pstpja do lado do Senhor.. a Faraó e ao porque a sua miisericórdia dura'para seu exérdto sempre . há um Deus. e nela nos alegraremos. Por enquanto. Alegrar-se-á o justo quando vir a vingança . ^Âbençoaienáo amaléiçoeis ^almente)depois de dizer tudo isso em defesa da legitimidade das maldicóes... abençoai e náo amal- diçoeis". a palavra final deve ser o reconhecimento de que abencoar e perdoar é melhor que amaldicoar e condenar. àqueie que feriu grandes reis porque a sua misericordia dura para sempre mas precipitou . Disse Paulo: "Abençoai os que vos perseguem... Alguns versículos adiante ele acrescentou: "Se o teu inimigo .10-111. a vingança precisa ser entregue a Deus em oraçâo e com ele deixada. e seu objetivo é absolutamente claro: é Deus que decide quem merece ser castigado e quem deve receber misericórdiaj^Há a promessa de que um dia nós mesmos veremos a vingança de Deus. com efeito.

a. embora o designio da humanidade nâo tenha mudado e permaneca mau (Gn 8. Os salmos de vinganca sâo realistas e terapéuticos e mostram a Qrdem moral de Deus.£ry¿. as minhas compaixóes. Ali vemos a resposta definitiva de Deus quanto à necessidade do juízo — Deus assumiu a exigéncia da jtjstiça sobre sua pròpria pessoa. Pedro dá o mesmo conselho: "Nâo pagando mal por mal ou injuria por injuria.21). mas vence o mal com o bem" (Km 12. por exemplo. Num monólogo encontrado em Oséias 11. se acendem (.Deu¿.Os 11. ó Israel? Como te faria como a Admá? Como fazer-te um Zeboim? Meu coraçâo está comovido dentro de mim. A Biblia de Jerusalém verte-a assim: "Meu coraçâo se contorce dentro de mim. antes. A frase "meu coraçâo está comovido dentro em mim" é difícil de traduzjr. 20- 21).gênesis.9). ouvimos Deus falando consigo mesmo sobre o julgamento de Israel. dà-lhe de corner.£i]3 Cristo tnmnii a maldicâo e a vinganca contra si mesmo. bendizendo. Depois. Essa passagem atinge o clímax no versículo 8: Como te deixaria. à uma. minhas entranhas comovem-se". fazendo isto. A relutância de Deus em julgar e destruir ecoa por todo o Antigo Testamento. porque. amontoarás brasas vivas sobre a sua cabeça.. E¿sft passagem I m p renú ago d.14. a fim de receberdes bênçâo por herança" q Pe 3. ó Efraim? Como te entregaría. 6-7). mas é decisâo tomada com pesar e afliçâo (w. no final. toda a minha compaixâo se exalta". pois para isto mesmo fostes chamados. O significado parece ser: Deus tanto lutou contra a necessidade de iulgar que seu pròprio coraçâo se comoveu. Nâo te deixes vencer do mal. pelo contràrio. o que Deus espera de nós. A NVi dá: "Meu coraçâo está mudado dentro de mim. dá-lhe de beber. capítulg^ Deus resolve vingar-se da sua criaçâp. £m. A vinganca é problemática tanto para o homem quanto para Deiis.. . 156 ^ ORACiO tiver fome.flnde. se tiver sede. . mas. Deus resolve jamais vIngar-se assim novamente.8).

6. 11. Nm 14. Como observou Brueggemann. EPtRDOA-NOStó NOSSA DÍVIDAS. 1967. Ann. Lochman.41. The Prayers of the New Testament.24. Ml 2. 12. Tg2. Coggan. Nm 14. 13.8. E.17.6-8. Cullmann. Ne 4. A .13. Donald.14.4. Westminster John Knox. Eerdmans.13-19. . 15. Mas náo é um caminho fácil nem natural .10-11. 15. devemos amar nossos inimigos e orar por aqueles que nos perseguem. .6. ISm 7.1-2.12.10.10. The Prayers o f the Bible. Harper. Is 35.4-15. 1984. Augsburg.. Jz 10. 1995.11-13. Jan. Me 4. 94.25. quando passa a màgoa e vem o perdâo. Weens..3-19. 7. Embora possamos amaldiçoar cheios de raiva.3. 1985.40. 137. 61. SI 83. ‘■Cf.. 1988. =Cf. Israel's Praise. SCM. 18. 35. ÊX 32. NOTAS ' Cf. 1RS 8. The Message o f the Psalms. 58. Dt 1. Psalms of Lament.18.38.14. R.23-24. de aceitar a furia.37. Clements.46.17. depois de tudo enfim. Mt 5.23-25. ____ . 11.1-3. 1986. é aguilo que ele exigiu do pròprio Cristo. Pv 28. ^C f.20. Os 9. Ed 9. antes. o caminho da crucificaçâo. Prayer in the New Testament. Saint Mary's Press. Para aqueles que se perturbam diante dos salmos de vingança.5-7.25. Pv 12. 12.4-6. Praying the Psalms.13. há um caminho que os contorna. ____ .4-11. SI 9.1.40-42. Lv 26. Dn 9. Ne 1. Fortress. Jr 10.10. Lc 6. 9. The Lord's Prayer.24. 2Sm 24. 79). pois foi isso que^ Cristo fez por nós. 34. REFERÊNCIAS Brueggemann. 1988. 16.18. ^ 157 guando defrontados com o mal e a iniustica.4. Fortress. Walter. 1995.6. 6. "Cf. Oscar. a afiiçâo e o terror do mal em nós mesmos a fim de nos vermos livres para ter compaixâo uns dos outros (p.30. "Cf.

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Depois passa à terra e a tudo o que é necessàrio para nossa subsistência. os lamentos sao extremamente realistas quanto ao que acontece no coraçâo humano. essa é a última frase da oraçâo.. a vinda do seu reino. £ N ào nos Dtixfs C air em T entacào . o inferno é mais problemático do que o céu. . Como as oraçôes de vingança. o povo nao relutava em dizer o que o perturbava. a execuçâo da sua vontade." Salmoi ^ e nâo contarmos a doxologia de conclusâo. acrescentada mais \ tarde. M as L ivra . Como sempre.nos do M ai "£ ele$ clamaram ao Senhor.estáo representados os lamentos do Antigo Testamento. Aqui. Examinemos a frase por partes para ver aonde eia nos conduz. Esse fato levou um ^ estudioso a observar que a Oraçâo Dominical começa no céu e termina no inferno (Lochman. começa olhando para Deus — a santificaçâo do seu nome. Ou seja. 147). Essa frase trata daquilo que considero a questáo mais difícil suscitada na oraçâo— os pedidos de aluda em tempos de tribulaçâo e o livramento de uma situaçâo ruim.. Continua com o perdâo e com seu rece- bimento e termina pedindo o livramento da tentaçâo e do mal. Sempre que havia algo errado na vida de Israel perante Deus.

por causa dos que me espreitam (SI 27. Essas palavras indicam pedidos de orientacâo. um rei escondido (iSm 10. Ensina-me a fazer a tua vontade .37^— ou simplesmente se pede que Deus "guie" (SI 5..24-25)... A oraçâo por orientaçâo é .12-13).10). Ensina-me.12-14). Essa é uma idéia expressa em muitos dos salmos. vem de uma combinaçâo de oraçâo e atençâo às Escrituras (v 9). O longo salmo 119 ensina que esse tipo de orientaçâo. Atos sugere que houve outras. Se . que leva a um. guie-me o teu bom Espirito por terreno plano (SI 143. o teu caminho e guia-me por vereda plana. o versículo seguinte descreve a visáo do macedónio.pedem pelos mais variados motivos — entre eles auxilio para encontrar uma esposa (Cn 24. QrientaÇâo e direcâo sâo coisas que se . Embora a oraçâo nâo esteja registrada. na qual Paulo recebe ordens de seguir para a Macedònia (At 16.(PrímeÍ^com ece com oraçâo.22) e conselho em tempo de guerra ( ISm 14. 160 ~ OtóCiO á] £ NÀO NOS D tIX E S CAIR £ M .um pedido legítimo e frequentemente manifestado na Biblia. essas e outras passagens mostram a maneira correta de buscar a orientaçâo de Deus.a vida de pureza.(|egündo)deixe as decisóes em aberto ao orar por elas. Combinadas. Até lesus orava pedindo orientacâo antes de tomar decisóes. pois tu és o meu Deus. ele passou a noite inteira orando (Le 6.8). eie certamente orou pedindo orientacâo para saber aonde ir. Quando Paulo foi impedido pelo Espirito de entrar na Bitinia.11). mas para levar uma vida agradável a Deus. Muitas vezes busca-se orientacâo nao como ordens específicas. Na véspera da escolha dos seus discípulos. S en h ü R. buscaram a orientaçâo de Deus (At 1.9). Quando os apóstolos se reuniram para escolher o substituto de Judas. Embora essa seja a única oraçâo desse tipo registrada nas epístolas..

deixamos Deus de fora e limitamos aquilo que ele pode fazer em nossa vida. "livra-nos do mal".. mas primeiro façamos uma tentativa de definir rapidamente aquilo com que estamos lidando. juntamente com sua continuaçâo. Como diz o salmo 119. Outras traduçôes vertem essa frase assim. Paulo disse que devemos nos transformar pela "renovaçâo" da nossa mente (Rm 12. pela "remoçâo" da nossa mente.10).^üarto^usc a cabeca. assuma a respon- sabilidade por ela^e nâo se critique depois. trata assim daquilo que podemos chamar de lado escuro da vida. Deus tem lugar para orientar. "Evita que sejamos tentados". como observou Brian Dodd. A afirmacâo de Lutero de que a . "Nâo nos deixes ceder à tentaçâo". ou se pedimos já com a decisâo tomada. 2) M AC ÀO A palavra grega equivalente a "tentacâo" (peirasmos) pode referir­ se a qualquer evento. a historia do povo de Deus é uma cadeia continua de provaçôes e tentaçôes.. e nao. Nesse intervalo.. E N À O N O S D E IX E S C A IR tM I E N T A C À O . "Nâo nos leves ao tempo da provaçâo". a palavra de Deus é lámpada para os nossos pés e luz para o nosso caminho (v. A tentacâo é um tema que surge já nas primeiras páginas da Biblia e s6 desaparece no final da descriçâo profètica da grande tentaçâo que virá sobre todo o mundo (Ap 3. ^QÍTmta)consulte a familia e os amigos quanto às decisôes e aproveite a experiência e a sabedoria deles. situacào ou circunstancia difícil de suportar e que nos Incite a pecar. de Abraáo aos apóstolos. 161 nâo pedimos. "Nâo nos leves ao juizo". A frase ". Náo é surpresa entáo descobrir que se trata de um assunto de difícil abordagem. "Nâo nos ponhas a prova". Se pedimos orientacâo durante o processo de decisâo. É uma idéia ampia e difícil de especificar. 105).1-2). Costarla de passar rapidamente às oraçôes que tratam da tentaçâo e do mal. ^inalmente^ uma vez tomada a decisâo. "Nâo nos sujeites à tentaçâo".('ferceÌrò^leia as Escrituras enquanto pondera a decisâo. cair em tentaçâo"..

também sâo fatores que nos levam ao pecado. ao egoísmo e à secularidade. ao òdio. enchentes e todo tipo de problema que surge na natureza. Usando a terminologia de Lutero. Sua atitude miope e ingrata foi uma imagem das nossas tendéncias naturais de pensar em nós mesmos primeiro. secas. além do luxo. tornados. Os problemas que nascem da pròpria estrutura da sociedade. somos tentados ao orguiho. As tentacóes da carne nascem das nossas inciinacóes e tendéncias íntimas — aquilo que os teólogos denominam pecado original. (^ A carne. 162 ORACÀO tentacâo vem "do mundo.9) mostram o quanto podemos ser falsos e hipócritas para fins egoístas. guerras e assim por diante. As historias de Davi e Bate-Seba (2Sm 11) e de Ananias e Safira (At 5. a violéncia. Deixamos de corresponder ao que deveríamos ser e passamos a testar a paciéncia de Deus para conosco. da avareza e da secularidade desbragada. somos tentados a murmurar. levando-nos à frustraçâo^à raiva. Da esquerda.3). tentaçôes uns para os outros e para Deus. maus regimes políticos. O exemplo classico sâo as murmuraçôes do povo no deserto (Èx 17. da direita. lipos e fonfe$ de lenfaçào 0 O mundo. Incluem-se aqui também doencas. virus. O mundo natural tenta-nos com desastres como terremotos. como diz Provérbios (1. problemas de todos os tipos relativos à mente e ao corpo humano. O mundo humano também tenta-nos com o furto.16-18. . deixando Deus e os outros para depois — ou nunca. Os mundos natural e humano trazem-nos tentacóes de todos os tipos. ao pecado e ao desespero. quando a vida vai bem. Somos. a reclamar e a entrar em desespero. o roubo e a pornografia. Os apóstoles alertaram que devemos fazer todo o possível para nos proteger dele (Ef 6. furacóes. distúrbios genéticos. como ciclos económicos. da carne e do diabo" constituí um bom ponto de partida. O pròprio lesus especificou "o maligno" nessa frase como aquele contra quem devemos orar. quando a vida é difícil. à amargura. (f!)0 Diabo.10-15).

quando eie e Sara já eram bem velhos. mas devemos nos apressar em fugir dele" (pp. como é que nós podemos escapar? Sim. leal e verdadeira. como Deus pode ir longe quando decide testar aiguém. ^ 163 1Pe 5. £ NÀO NOS D ÍIX K CAIR fM ItNIAC ÂO. primeiro ao receber a ordem de emigrar para uma terra estrangeira.19). ao ser tentado^dlga: Sou tentado por Deus.8).. Eie foi posto "à prova" (Gn 22.10). de todo o vosso coraçâo e de toda a vossa alma (Dt 13. vos prova. Se Abraào foi posto a prova e testado assim. Como disse Deus a Moisés. Homem nenhum deve tentar jogar a culpa do seu pecado em Deus.. Assim precisamos fazer todo esforço para nos resguardar e proteger. pois o farà em vào. Joâo disse que todo o mundo estava sob o poder dele (Ilo 5. Como disse Barth. ^ A o s très elementos acima acrescente um quarto: "Deus". 73-74). para saber se amais o Senhor. pois nâo sou autoridade no assunto! É necessàrio saber que o Diabo existe. nflo ouviràs as palavras desse profeta ou sonhador. E além de tudo isso.3). Depois de ló.1) ao longo de toda a vida.(Sit^ Deus testa as pessoas para descobrir do que sâo feitas. Depois recebeu a promessa de um filho que nâo veio senâo muitos anos depois. para ver se sua fé é genuina. pp. será Deus também fonte de tentaçâo (cf. Nâo me perguntem nada sobre o Diabo. Mas(nâ^ a ra incitar a pecar. Deus testa.13- 14). v o s s o Deus. 128s)? A resposta das Escrituras é sim e náo. . v o s s o Deus. As Escrituras afirmam que aínda temos muito por enfrentar das coisas do maligno (Ap 2. Além de tudo o que temos de enfrentar. Como disse Tiago: "Ninguém.. Abraào é provavelmente o melhor exemplo de. Deus exigiu que eie sacrificasse esse filho em holocausto.. porque Deus nâo pode ser tentado pelo mal e eie mesmo a ninguém tenta" (1. Lochman. porquanto o Senhor. Além do mais. Deus ajuda quando vem a .

mesmo apurado por fogo. Sonda-me. .23). Pelo contràrio. pelo contràrio. mas Deus é fiel e nâo permitirá que sejais tentados além das vossas forças.13: cf. Guarda-me. uma vez confirmado o valor da vossa fé. Preserva a minha aima. sejais contristados por várias provaçôes. vos proverà livramento. e conhece o meu coraçâo.. no presente. porque em ti me refugio (SI 16.C^Tum ladoT^omos encoraiados a buscar o auxilio de Deus para evitar a tentacâo. 164 ^ ORACÀO tentacâo. muito mais preciosa do que o ouro perecivei. (SI 86. guarda-me do homem violento (SI 140. ó Deus.1). passagens dos dois Testamentos consideram-nas oportunidades de demonstrar e purificar a fé. Essa é uma promessa da carta de Paulo à igreja corintia. embora.9) Assim a atitude bíblica em relaçâo à tentacâo e à provaçâo é bidimensional. Livra-me.2).C^routro ladera Biblia nâo vê a tentaçâo e a provaçâo operadas por Deus de modo negativo.. ó Deus. Muitas oraçôes em Salmos pedem justamente isso. juntamente com a tentaçâo. vê se há em mim algum caminho mau (SI 139. por breve tempo. se necessàrio. do homem perverso. a buscar protecâo contra todos os tipos de problemas.1). pois eu sou piedoso. prova-me e conhece os meus pensamentos. glòria e honra na revelaçâo de Jesus Cristo (1 Pe 1. para que. S en h o r . Náo vos sobreveio tentaçâo que nâo fosse humana. redunde em louvor. Sâo esses multos pedidos que Jésus resumiu na sua petiçâo: "nâo nos deixes cairem tentacâo".6-7). de sorte que a possais suportar (IC o 10. 2Pe 2. Nisso exultais. É exatamente isso que pede essa frase da Oraçâo Dominical: "nâo nos deixes cair em tentaçâo" — nâo deixes que sejamos testados além das nossas forças.

.. e com fogo nâo se brinca" (p. a quai o Senhor prometeu aos que o amam (Tg. Diz-se que Gandhi se cercava de muiheres jovens a fim de mostrar que podia resistir-lhes os encantos. Mas o cristáo nâo é bobo. Finalmente. buscamos o auxilio de Deus para que a suportemos dignamente. como se estivéssemos acima déla.. E NÂO NOS DEIXES CAIRtM M A C À O . depois de ter sido aprovado. Desafiar a tentaçâo dessa forma é exatamente o que o cristáo pede a Deus que o aiude a evitar. receberà a coroa da vida. sabendo que a provaçâo da vossa fé.. com perseverança. guerras. "livra- nos" supóe que algum tipo de tentaçâo.. faz-me mais forte". quando eia vem.L2-3. Ele nâo nos oferece nessa oraçâo uma expressáo refinada de louvor e pedidos que educadamente negligenciem os aspectos negativos e as dificuldades da vida. quero observar que essa frase pede que a tentacâo seia evitada e nâo atraída. ^ 165 Meus irmâos. Bem-aventurado o homem que suporta. mas pode evitar que ele faca ninho na sua cabeça. ^ m LIVRA-NOS Enguanto a frase "nâo nos deixes" supóe que o mal. você nâo pode evitar o vóo de um pássaro no céu. Como escreveu Lochman: "Tentaçâo é como fogo. tende por motivo de toda alegria o passardes por várias provaçôes.12). Uma vez bem superada. apesar de todas as palavras encorajadoras de Pedro e de Tiago que vimos acima. Nietzsche disse: "O que nâo me mata. a provaçâo. dificuldade ou mal iá nos atingiu. 126). que o pos a prova. e pede que Deus nos livre dele. mas. traz gloria tanto áquele que a superou quanto a Deus. Novamente percebemos o realismo da espiritualidade de Jesús. mas pode aínda ser evitado. produz perseverança . A tentacâo é portanto algo contra que pedimos proteçâo. Ou como Lutero disse certa vez.. fome. uma vez confirmada. pestes e pro- . Seria tolice atrair a tentaçâo. o problema ou o pecado ainda nâo ocorreu. porque. Essa frase representa as muitas oraçôes da Biblia que pedem o livramento de situaçôes muito graves: doencas.

Ne 9. quer nacionais. toda a comunidade era reunida para orar e jejuar.. irmáos... pois em ti é que me refugio (S( 143.4). . Senhor. porque a fé náo é de todos (2Ts 3. pois a maioria dos nossos problemas nâo é táo grave. orai por nós.5). quer pessoais. 166 ORACÀO blemas de toda sorte. Algumas pedem o livramento da solidáo e do abandono: Volta-te para mim e tem compaixáo. seja eu salvo dos que me odeiam e das profundezas das aguas (Si 69. claro. Algumas dessas oraçôes pedem a libertaçâo do jugo dos inimigos. pois permite que o leitor as aplique na sua situaçâo específica. Paulo também orou pedindo a libertaçâo das garras de gente má.6. Finalmente.1-2: cf. Em tempos de crise no Antigo Testamento. O sofrimento passou pelo prisma da descriçâo poética e foi decomposto a fim de exprimir o sofrimento humano em termos genéricos. Todos cobriam a cabeça com pô e cinzas.16). até mesmo mulheres e crianças. porque estou sozinho e aflito (SI 25. é uma tática deliberada na composiçâo de oraçôes. para que sejamos livres dos homens perversos e maus.30-31). Muitos salmos contém pedidos fervorosos de auxilio em tempo de tribulaçâo. . Podemos sentir-nos gratos. Rm 15. das garras do homem injusto e cruel (SI 71. Livra-me. dos meus inimigos.9).14). das máos do ímpio.1 : In 3. A maior parte é composta de forma tal que nao nos permite identificar o problema em questáo.. Deus meu. Livra-me. vestiam roupas de luto e saiam pela cidade pedindo a ajuda de Deus (Js 7. Isso.

como disse Jesus na Última Ceia: "Náo peço que os tires do mundo. a entidade inteligente.. exprimindo o pedido em termos do livramento do mal em geral.... a traducâo deve ser entáo "o maligno". pessoal e poderosa que é a soma e a per- sonificaçâo de tudo o que se opóe a Deus. (SI 13. > i)D O M Algumas versôes do Novo Testamento grego personalizam o "mal". Atenta para mim. e os meus parentes ficam de longe (SI 38. S en h o r . Outras pedem a libertaçâo da doença e da ameaça da morte: Tem compaixâo de mim. Essas oraçôes tratam de um nùmero infinito de problemas que podemos vir a enfrentar. responde-me.15). SI 102. para que eu nâo durma o sono da morte. personalizando a expressâo. pois nao foram poucas suas experiencias de enfrentamento do maligno. dos quais somos estimulados nessa oraçâo a pedir ao Senhor que nos salve e livre. S en h o r .3-7). porque eu me sinto debilitado. porque os meus ossos estào abalados (SI 6. EN ÁO NOS DEIXES CAIR EM IENIACÀO. Expulsou demónios e em pelo menos uma ocasiáo protegeu os discípulos dos-ataques de Satanás (Lc 22. as diferentes versôes nâo nos deixam claro se devemos 1er "o maligno". sara-me. Nao é de admirar que iesus fizesse o pedido contra Satanás. ou simples- mente interpretá-la como "mal". Satanás.11-11.2). Calvino escreveu o seguinte . ou seia.31). SI 69. A igreja tem tradicionalmente interpretado o termo de forma impessoal. 167 Os meus amigos e companheiros afastam-se da minha praga. cf. Ele foi tentado por Satanás no deserto (Lc 4). Deus meu! Ilumina-me os olhos. Os apóstolos aprenderam com Jesús a pensar no maligno como alguém que se opóe pessoalmente a todos os cristáos. e sim que os guardes do mal [do maligno]" (lo 17. Por outro lado. S en h q r . Nessas versôes.3: cf.8-15).

3J. isso pouca diferença faz. secou-se-me a garganta.14-15). pois todos os tipos de mal estâo incluidos nessa peticao — pessoal ou impessoal. e todos os meus ossos se desconjuntaram.4). todas as noites faço nadar o meu leito. Creio que essa idéia é essencialmente correla. Estou cansado de clamar. cinzas e absoluta exaustâo sâo seu aparato. os meus olhos desfalecem de tanto esperar por meu Deus (SI 69. No final das contas.. cósmico ou individual. Lam enlos Como jà disse na introduçâo. esse pedido reflete e representa as muitas oraçôes da Biblia proferidas em situacôes em que a pessoa se vê nas garras do mal.. (SI 57. 168 ^ ORACÂO sobre isso: "Entendamos com o termo maligno o Diabo ou o pecado. Secou-se o meu vigor. social ou natural. como um caco de barro (SI 22. mui pouco importa" (3.46). Símiles de pano de saco. Essas oraçôes foram chamadas "lamentos". de minhas lágrimas o alago (SI 6. meu coraçâo fez-se como cera .. Essas oraçôes exprimem as intensas emoçôes das "profundezas" (SI 130. Q importante é que a frase pede que Deus nos salve e livre dele. Por pâo tenho comido cinza e misturado com lágrimas a minha bebida (SI 102. Geralmente carregam um tom de desespero e prati­ camente gritam suas súplicas pela açâo de Deus. Tente imaginar quais teriam sido as situaçôes vividas pelos salmistas que escreveram as seguintes passagens: Estou cansado de tanto gemer.20.9). Os verbos usados quase sempre exigem o ponto de exclamaçâo: "Vem! Ergue-te! Percebe! Pondera! Ouve! Olha! Nâo fiques calado! Lembra-te! Ajuda! Libertal Protegel Defende! Sustenta! Salva!". .1).. e nâo sem razâo. Derramel-me como água. Acha-se a minha aima entre leôes.6).

de fato. afligiste. Costaría de analisar essas oraçôes um pouco mais detidamente e ver até que ponto chegavam os homens e as mulheres da Biblia na busca e na súplica da libertaçâo divina.. Depois do exilio. também até a esta viúva. para que morramos neste deserto? Por que nos trataste assim. os ossos náo podem estar todos desconjuntados.22) Será. por que afligiste este povo? Por que me enviaste? (Éx 5. Pelas expressóes de extrema penùria em tempo de crise. a mágoa e o desánimo de uma forma que capte a atençâo divina e provoque uma resposta. ^ 169 É claro que hà muita hipérbole nessas oraçôes. fazendo-nos sair do Egito? (Ê X 14. Mas essas oraçôes levam a linguagem ao limite para expressar a Deus a dor. Obviamente a cama nâo está toda ensopada..2) Ó Senhor. Examinemos alguns exemplos. permanecem insuperáveis na literatura ocidental.20) . que nos tiraste de lá. que me haverás de dar. Repare como as seguintes perguntas trazem em si um sentimento de irritaçâo: S en h o r Deus. com quem me hos­ pedo. matando-lhe o filho? ( I Rs 17... etc. O uso de perguntas é uma tática comum a todas. (Gn 15. Alguns tém tom mais brando e há. por náo haver sepulcros no Egito. Esses tipos de oraçâo se muítiplicaram grandemente no período imediatamente anterior ao cativeiro babilónico. Pergunlas e queixas Nem todos os lamentos nascem do fundo do poco. quando a injustiça social grassava e os profetas tinham a tarefa de anunciar a condenaçâo de Deus sobre toda a sociedade. os leóes nao podem estar no recinto. se continuo sem filhos. uma ampia variaçâo de intensidade nessas oraçôes. meu Deus. os lamentos foram substituidos por cultos de confissáo e peniténcia (Ed 9). E NÂO nos O tIX B CAIR t«I£ N lAC Â O .11) Ó S en h o r .

Até quando. S en h o r ? Esquecer-te-ás de mim para sempre? Até quando ocultarás de mim o rosto? Até quando estarei eu relutando dentro de minha alma. Nâo nos rejeitaste. ó Deus. para sempre? Por que se acende a tua ira contra as ovelhas do teu pasto? (SI 74. e tu nâo me escutarás? (Hc 1. 170 ORAÇÂO Até quando. ousam levantar o dedo para Deus e perguntar se o Todo-poderoso nâo merece censura.2) Outras exprimem desespero. 6 Deus? Tu nâo sais. O salmo 13 é um bom exemplo de como podem ser agressivas.IÎ Deus meu.10) Por que nos rejeitas.1) Até quando. dos leôes. com tristeza no coraçâo cada dia? Até quando se erguerà contra mim o meu inimigo? (SI 13. ó Deus. para sempre? Por que se acende a tua ira contra as ovelhas do teu pasto? (SI 74.1) . Por que.1-2) A natureza insistente dessas oraçôes revela uma característica fundamental de quase todas elas. ficarás olhando? Livra-me a aima das violências deles. Quatro vezes seguidas pôe o dedo em riste para Deus com a pergunta "Até quando?". S en h o r . Por que nos rejeitas. com os nossos exércitos! (Sl 60. ó Deus. te conservas longe? E te escondes nas horas de tribulaçâo? (SI lO .1) Sâo perguntas bem atrevidas e insistentes. Note as acusaçôes dos seguintes salmos. clamarei eu. a minha [vida] predileta (SI 35.17). e o uso repetido da palavra "tu" para transmitir sua mensagem. Deus meu. por que me desamparaste? Por que se acham longe de minha salvaçâo as palavras de meu bramido? (SI 22. Senhor. SENHOR.

do capítulo 2 ao 37.24.4. é uma série de vigorosas reclamaçôes proferidas pela boca de Jó. 19. 16 certamente fizera algo terrfvei para merecer seu sofrimento (9.13- 19). acusaçôes e denuncias contra o Deus Todo-poderoso (11. perseguiu-o como a uma presa (10. Diante de iustica tâo arbitrària. ^ 171 Nâo nos rejeitaste. Pelo contràrio: declara com firmeza que Deus o considerou injustamente culpado (6.5-6). Toda a seçâo central. Sua perda é contada em prosa concisa nos dois primeiros capítulos.12- 14} e obstruiu-lhe os caminhos para que nâo tivesse por onde escapar (19.6: 30. ó Deus? Tu nâo sais.13-19) e està apenas colhendo o que plantou (4. Tudo isso enquanto os verdadeiros perversos prosperam e engordam (21.11: 19. 16. Para eles.27). "Longe de mim que eu vos dé razâo! Até que eu expire. Bildade e Zofar. . Examinemos duas delas com mais detalhes.. Deus pode perdoá-lo e assim restaurá-lo (11. com os nossos exércitos! (SU iiSJ .10.8). 9. Se eie se declarar culpado. Sem razâo nenhuma Deus o tratou com injustiça (7. 0 lam enfo de Jó A história de IÓé bem conhecida.17). Em nenhuma hipótese o homem tem o direito de fàzer perguntas..S. Ele perdeu tudo numa sucessâo de tragédias de origem sobrenatural. 10. IÓ nâo aceita nenhum desses argumentos.19-23).6Ì. O restante do livro trata de como ele. ló exige que Deus justifique seus atos.7. ó Deus. Diz ele aos amigos.11).l) É essa audàcia temerària que torna essas oraçôes tâo insólitas e radicais.3: 1. Ele nega que alguma vez tenha feito alguma coisa na vida digna de tamanho castigo. despedaçou-o (16. tachou-o de inimigo (13.21.7-263.16). na seqüência dos acontecimentos. Eis um ponto repetido seguidamente.1—5. £NÂONOSDtlX£SCAlRtMltNlACÀO. nunca afastarei de mim a minha integridade" (27. se relacionou com Deus. relatadas por meio das discussóes com seus supostos amigos — Elifaz.

Parece-te bem que me oprimas. e vivem em paz todos os que procedem perfidamente? (Ir 12. O profeta começa perguntando a Deus por que permitiu que a situaçâo chegasse ao ponto que chegou.1-2 : cf. nem a perversidade ao castigo. Ir 14. Por que prospera o caminho dos perversos. faze-me saber por que contendes comigo. um grupo de passagens que engloba os capítulos 11a 20®Tecidas nesses textos encontram-se várias oraçôes em que o profeta luta contra a morte. como é que essas pessoas puderam conquistar o poder e arruinar a nacáo? Por que Deus permitiu que os perversos se tornassem ricos e governassem a terra de uma maneira que no final resultou na rejeiçâo de toda a sociedade por parte de Deus? Será isso justo? Será que toda a naçâo merece entáo castigo? O que .18) Se Deus é Deus. Seu proprio sofrimento é para ele prova suficiente de que as coisas nào sâo assim. Sua vida abrangeu o holocausto dos primeiros estâeios do cativeiro babilónico. Justo és. contudo. falarei contigo dos teus juízos. dos amigos. O hm enh de Jeremías Nâo é sem razâo que leremias é conhecido como o profeta chorâo.19: 15.2-3) Deus nâo sô virou a iustica de cabeca para baixo. da comunidade e da naçâo. Meu interesse no momento é na seçâo de Jeremías conhecida como "confissóes". quando entro contigo num pleito. Tanto o livro que leva seu nome como o livro de Lamentaçôes expressam eloqüentemente o infortùnio que caira sobre o povo judeu e o sofrimento que o profeta passou ao lado da familia. que rejeites a obra das tuas máos e favoreças o conselho dos perversos? (16 10. ó S en h o r . a destruiçâo e o cativeiro que estavam por vir e contra sua funcâo de anunciá-los. mas encontrou prazer nissoi Isso leva Jó a concluir que na vida a justiça nâo está ligada à prosperidade. 172 ^ ORACÀO Direi a Deus: Nâo me condenes.

10-18) jeremías comeca essa passaeem citando as promessas de Deus — "Na verdade. A linguagem dessa passaeem difícilmente poderla ser mais ousada. e persuadido fiquei. Porque. mais forte foste do que eu e prevaleceste. eu te fortalecerei para o bem e farei que o inimigo te dirija súplicas no tempo da calamidade e no tempo da afliçâo .. tenho de gritar e clamar: Violéncia e destruiçâo! Porque a palavra do SENHOR se me tornou um opróbrio e ludibrio todo o dia Or 20. eu te fortalecerei para o bem" — para poder depois perguntar por que.. leremias reclama que Deus náo o trata nem um pouco melhor do que trata seus compatriotas. Será que Deus o convencerá enganosamente a ser profeta para nada? Será Deus como uma fonte ou um rio que dá a impressao de fornecer água boa. Persuadiste-me. cada um deles zomba de mim. mas nunca o faz? A séria de reclamaçôes dessa seçâo chega ao clímax no capitulo 20. ao contràrio de tudo o que ele esperava.. sofria tanto: "Por que dura a minha dor continuamente?".. ó S en h o r .^leremias parece acusar Deus de algo como ataque sexual ou de usá-lo para satisfazer caprichos divinos e depois descartá- lo. Por que dura a minha dor continuamente.7-8). e a minha ferida me dói e náo admite cura? Serias tu para mim como ilusório ribeiro. sempre que falo. O verbo traduzido como "persuadir" conota a idéia de força bruta e violéncia sexual. sirvo de escárnio todo o dia. f NÂO NOS DtIXtS CAIR EMTENIACÀO. Disse o S en h o r : Na verdade. como águas que enganam? (Jr 15. . Nessas oraçôes o profeta chega ao limite do possivel no ques- tionamento da iustica de Deus. 173 haveria de justo em ser arrastado para longe pelo exército de uma naçâo que jamais conheceu o Deus verdadeiro? Será que o pròprio Deus tem parte da culpa por permitir que os perversos prosperem e os pobres sofram? Numa segunda passaeem.

por que me desamparaste? (SI 22. 174 ^ ORACÀO Lamenhs emSalmos Acima examinamos varios salmos para perceber como os lamentos usam perguntas a fim de inverter os papéis e devassar os atos de Deus.. (SI 102.9) de que Deus abandonou ou rejeitou o salmista: Por que. Suas acusaçôes sâo agudas e ousadas e incluem as seguintes censuras: de que Deus escondeu sua face: Nâo me escondas. ó Deus. Por que me rejeitas? (SI 43. S en h o r . a tua face. No grau de severidade. Quase cinqüenta deles poderiam ser chamados lamentos ou gueixas. Deus meu.1) .. te conservas longe? E te escondes nas horas de tribulaçâo? iSLlO D Pois tu és o Deus da minha fortaleza.2) Por que nos rejeitas..24) Nâo me ocultes o rosto no dia da minha angùstia. minha rocha: por que te olvidaste de mim? Por que hei de andar eu lamentando sob a opressâo dos meus inimigos? (SI 42.1) Digo a Deus. nâo rejeites com ira o teu servo. a maioria equivale plenamente ás queixas de Jó ou de Jeremías.9) Por que escondes a face e te esqueces da nossa misèria e da nossa opressâo? (SI 44. SENHOR.2) de que Deus está calado e desamparou ou esqueceu a pessoa: Deus meu. Voltemos agora aos salmos. para sempre? Por que se acende a tua ira contra as ovelhas do teu pasto? (SI 74. (Si 27..

dia e noife clamo diante de ti (V. O salmo começa lembrando as muitas oracóes que ficaram sem resposta.. mas preferiu nâo fazê-lo: Agora.451 ou de que Deus poderia ajudar. porém. Senhor? Desperta! Nâo nos rejeites para sempre! (SI 44. Desperta! Por que dormes.. tu nos lançaste fora. Vendes por um nada o teu povo e nada lucras com o seu preço . Deus da minha salvaçâo. e nos expuseste à vergonha. 1). e jà nâo sais com os nossos exércitos. Ó Sen hor. ^ 175 de que Deus Ihe trouxe vergonha e humilhacâo: Vendes por um nada o teu povo e nada lucras com o seu preço (Si 44. Como a imprecaçâo do salmo 109.12).9-23) Esses salmos difícilmente poderiam ser expressôes mais vigorosas da frustraçâo e da infelicidade que vêm do sofrimento que se julga injusto. . Abreviaste os dias da sua mocidade e o cobriste de ignominia (SJ_ 89. e os que nos odeiam nos tomam por seu despojo. esse lamento representa uma espécie de paradigma da espiritualidade do Antigo Testamento e merece uma análise mais detida. É uma oraçâo tâo severa na sua expressáo que muitos já se perguntaram o que é que ele faz na Biblia. {NÂONOSDtlXtSCAIREM HNIACÀO... Sa lm o 88 o salmo 88 é considerado por muitos o mais agudo dos salmos de lamentos. Entregaste-nos como ovelhas para o corte e nos espalhaste entre as naçôes. Tu nos fazes bâter em retirada à vista dos nossos inimigos.

nos lugares tenebrosos. e antemanhâ já se antecipa diante de ti a minha oraçâo (v. Mas eu. venho clamando a ti. abandono ou todos esses.. Parece um modelo de resistência. e te levanto as minhas mâos (v. como os feridos de morte que jazem na sepultura. 6-9). . Apartaste de mim os meus conhecidos e me fizeste objeto de abominaçâo para com eles. e o salmista se sente muito so. culpa. Essa pessoa vem orando diària. Os meus olhos desfalecem de afliçâo.. atirado entre os Portos. S en h o r .é possivel determinar pelo salmo a natureza precisa do problema — se doença. sou como um homem sem força. Deus nâo responde. e te levanto as minhas máos (v. constante e continuamente num esforco de arrancar uma resposta de Deus. prisâo. Mas sabê-lo nâo é importante. S en h o r . sâo desamparados de tuas mâos (v. S en h o r . É evidente que essa pessoa está à beira da morte. 2-5). . h4âQ. tu me abates com todas as tuas ondas. dos quais já nâo te lembras. alguém a quem Jésus poderia ter apontado como grande exemplo ao ensinar sobre a necessidade de persistènza na oraçâo. nos abismos. Sobre mim pesa a tua ira. Sou contado com os que baixam à cova. e embora talvez nâo seia tarde demais para aiudâ-la. e a minha vida já se abeira da morte. 9). 13). clamo a ti por socorro. dia após dia. estou preso e náo vejo como sair. logo o será se o auxilio nâo vier O salmista deixa bem claro que é Deus o culpado dessa triste situaçâo: Puseste-me na mais profunda cova. 176 ^ ORACÀO Puas vezes mais o salmista reclama que há muito tempo vem orando a Deus. frustrado e desesperado. Tudo isso vem à tona num bombardeio de reclamaçôes: Pois a minha aima está farta de maies. venho clamando a ti. Mas apesar dessa resoluta persistência.

A última frase — "os meus conhecidos sâo trevas" — difícilmente poderla ser mais comovente e resume os sentimentos de desespero e desercâo expressos tâo fortemente nesse salmo. S en h o r . "ti". como observa Brueggemann. Mostrarás tu prodigios aos mortos ou os finados se levantarào para te louvar? Será referida a tua bondade na sepultura? A tua fidelidade. o salmista detona sua bateria final plena de reclamaçôes iradas: Por que rejeitas. nas trevas se manifestam as tuas maravilhas? E a tua justiça. Nâo temos nada que indique por que Deus permaneceu calado ou por que permitiu que o salmista sofresse assim. estou desorientado. ^ 177 Repare como o autor répété os pronomes "tu". os meus conhecidos sâo trevas (v. "teu". de continuo. Para longe de mim afastaste amigo e companheiro. As perguntas sâo retóricas porque nâo faz sentido que Deus. que provocou a calamidade e agora recusa-se a ajudar ou a corrigir. Nos versículos restantes. sendo como é. a um tempo me circundam. É como apontar o dedo para o pròprio Deus. que nâo se interessa pela razâo. Nâo faz perguntas nem especula sobre o significado dos aconte- . na terra do esquecimento? (v. nos abismos? Acaso. Elas contrastam a situaçâo do salmista (mortos/ sombras / sepultura / abandono / trevas / terra do esquecimento) com a natureza e o poder de Deus (prodigios / louvar / constante bondade / fidelidade / maravilhas / auxilio salvifico).O salmista entâo dispara seis breves perguntas que contrastam sua condiçâo lamentavel com o poder que Deus tem de ajudar. "te". 14-18). nâo alude aquele que precisa de auxilio. os teus terrores deram cabo de mim. a minha aima e ocultas de mim o teu rosto? Ando aflito e prestes a expirar desde moço. Por sobre mim passaram as tuas iras. Mas essa é uma oraçâo. { NÀOnos DEIXtS CAIR EiHItNTACÀO. 10-12) Todas as seis perguntas retóricas estâo ligadas ao poder de Deus sobre a morte. sob o peso dos teus terrores. "tua". Eles me rodeiam como água...

e apesar das reclamaçôes que bradóu. Mesmo guando sua muiher o aconselha a amaldiçoar a Deus e morrer. içâo leal Antes de tudo. Sugerirei très. mas contra Deus. pp. retruca: "Temos recebido o bem de Deus e náo receberíamos também o mal?" (2. i ) LA M tN ÎO S £ Q U EIXAS NA tSPIRITUALIDADE DA ORACÀO Ao ponderar essas oraçôes examinamos os próprios limites do relarionamento entre Deus e o homem. 178 ^ ORACÀO cimentos ou sobre a natureza de Deus.145). 120. Algumas das declaràçôes mais dramáticas de fé obstinada que se podem encontrar provém da sua boca: . ele jamais releitou a Deus. Comecemos com 16. Balentine. apesar da oposiçâo que exibem ao modo que Deus permitiu que a vida se desintegrasse. uma acusaçâo vigorosa que lança o problema aos pés de Deus e protesta nâo meramente a Deus. Antes. apesar do questionamento e da queixa que expressam. Apesar da amarga tragédia que sofreu. sâo uma oposiçâo que permanece leal (cf. É um grito de socorro de quem se vê numa situaçâo desesperadora. desta vez buscando cuidadosamente o resto da história. ele se recusa a fazé-lo. mas permaneceu fiel a ele como Senhor da vida e da morte. Até que ponto pode o homem questionar a Deus? Que tipo de queixa pode o homem elevar ao Todo-poderoso? Será possivel que tudo o que eu disse sobre respeitar e honrar o nome de Deus nâo tem fundamento ou base real em muitas das oraçôes do Antigo Testamento? Que fazem nas Escrituras essas expressóes extremadas de ira e sofrimento humanos? Vejamos se posso dar algumas respostas raçionais. Examinemos novamente as oraçôes acima. Jó amargamente se opós ao tratamento que recebeu de Deus.10). para compreender essas oraçôes temos de perceber que.

18) No entanto. lealdade e confiança em Deus.. Sua ira pode nâo conhecer limites. O fundamental é que.. Depois. Tâo difícil era a tarefa. Por que sai do ventre materno. apesar da severidade da sua reclamaçâo. £NÀONOSDEIX£SCAIR£MI£NIACÂO. ^ 179 Eis que me matará . revestido este meu corpo da minha pele. Sua vida era um verdadeiro inferno..13). O movimento de vai-é-vem desses versos mostra a violéncia das tensôes na vida de jeremías.15) . O profeta vivia a dura sina de ser o escolhidp para anunciar uma mensagem de infortùnio a seu povo. e o padrâo comum a todas as oraçôes de lamento. Deus o iludirá. que no meio do capítulo 20 ele brada: Maldito o dia em que nasci! . lamais diz nâo a Deus. louvai ao S en h o r .. o verso anterior mostra jeremías explodindo num càntico de louvor: Cantai ao S en h o r . em minha carne verei a Deus (Jó 19.25-26). Depois de apresentar seus argumentos e descrever o amargor da situaçâo.14. mas sempre trazem . pois livrou a alma do necessitado das máos dos malfeitores (Jr 20. ele permanece leal.. e no entanto a palavra de Deus era como fogo nos seus ossos. mas a palavra final é sempre a fé em Deus.. Porque eu sei que o meu Redentor vive e por fim se levantará sobre a terra. fé apesar da reclamaçâo.? Qr 20. As confissôes de ieremias revelam o mesmo padrâo. retomam expressôes de fé. contudo. O mesmo padrâo de lealdade é encontrado nos salmos de lamento. mas volta a louvar o nome daquele que o chamou. mas Deus devia ser louvado. Eles nâo cessam de censurar e reclamar. Confiança em plena provaçâo. defenderei o meu procedimento (Jó 13. apesar do desespero.. fidelidade em face da dúvida — essa é a essência da oposiçâo leal..

vemos tâo claramente como nos outros casos o padráo da oposiçâo leal.1J ) . No tocante a mim. porquanto me tem feito muito bem (SI 13. Mas termina com um hino de louvor que culmina na exultante declaraçâo: . S en h o r . exulto no Deus da minha salvaçâo CHc 3. Mas veja abaixo a súbita inversáo nos versículos 5 e 6. Na sua luta. apesar da total ausência da resposta de Deus.. eré e afirma a bondade divina. Cada um dos salmos citados acima. Duas vezes eie pediu diretamente que a cruz fosse evitada. e já vimos acima que os quatro primeiros servem para lançar a culpa no rosto de Deus. Deus meu. clamarei eu. todavia. eu me alegro no S en h o r .5-6). Q mesmo se vè no Novo Testamento. Tem apenas seis versículos. Cantarci ao S en h o r .1-2). ORACÀO afirmaçôes de confiança e louvor.. confio na tua graça. O salmo 13 é um bom exemplo. nas tuas mâos entrego o meu espirito!". Porém. Na cruz lesus também bradou uma oracào de lamento — "Deus meu. no final cedeu à vontade do Pai. e tu náo me escutarás? Gritar-te-ei: Violència! E nâo salvarás? (He 1. lesus Cristo lutou contra a vontade de Deus no iardim do Getsèmani. regozije-se o meu coraçâo na tua salvaçâo. Apesar de toda a desgraça que o possa atingir. por que me desamparaste?" —. o salmista confia. mas no final entregou sua alma ao Pai: "Pai. Essa oscilaçâo abrupta da amarga reclamaçâo para o louvor leal dá à oraçâo uma idéia de força.3) O livro de Habacuaue revela esse mesmo padrào. Ele lutou contra a vontade de Deus e se . Começa com uma pergunta acusatoria: Até quando. exceto o salmo 88. contém a mesma oscilaçâo.

É uma oraçâo ao Deus que o salmista jamais duvida que existe. por assim dizer. o judeu pode dizer qualquer coisa. oualouer pereunta pode ser feita. SENHOR. Mas é SÓ ele sair delà para ver negado esse direito. acho eu.. nem pretende desistir: . Fora do círculo da fé. Dentro de sua comunidade. Entretanto. Repare também que o salmo começa com uma invocaçâo confiante e esperançosa. Deus da minha salvaçâo.. Deus nos dà o direito de questionar. Parece pura reclamaçâo e. do lamento mostra que a lealdade da fé pede "nâo nos deixes cair em tentaçâo" e depois se apega a Deus apesar do inferno ou da enchente. lembremos que o salmo 88 é. Náo foi bradada a um céu vazio.Que dizer entào do salmo 88? Alguns leitores notaram que esse salmo parece nâo ter afirmaçâo alguma de confiança e louvor e portanto representarla uma exceçâo à oposiçâo leal. nâo há vínculo. "Ó Sen h o r. . 9). é evidente. se recusa a confiar. EN À O NOS DfIXES CAIREM T O C À O . e portanto nenhuma responsabilidade aser cumprida. Eli Wiesel explica por que a oposiçâo precisa permanecer leal para ter alguma força. Náo é a queixa amarga e cínica de um ateu. e te levanto as minhas máos (v. A liçâo. A tradiçâo.. mas no final acreditou que a vontade de Deus era para o melhor. o salmista afirma duas vezes que náo desistiu de orar.. de fazer oposiçâo. uma oracáo. Dentro do círculo da fé. nâo há relaçâo. no final. a rejeiçâo do Deus que nao veio em socorro do salmista. A révolta do crente náo é como a do renegado: os dois nâo falam em nome da mesma angùstia. abateu diante do sofrimento que tinha pela frente. Se a pessoa nega. Mas como em qualquer organizaçâo ou instituiçâo humana. se afasta...". essa oposiçâo tem limites. Além do mais. afinal. dia após dia. a relaçâo se rompe e nâo há mais nada a dizer. venho clamando a ti. No seu livro Soûls on Pire.

Elas se apegam a Deus com a mesma fùria com que bradam seus protestos. sabendo que mesmo quando Deus se cala. É uma pena gue hoie essas oracóes náo seiam usadas com mais freqüência nas igreias. É uma oraçâo de esperança que busca a Deus nas trevas. É a noite sombria da alma. O salmo 88. por exemplo. Mesmo no fundo do poco ainda temos um elo com Deus. Recusam-se a ignorar ou negar o lado sombrio da vida. é o clamor de um crente cuja vida está à-deriva. O autor do salmo 88 prefere a oraçâo. que desesperadamente precisa entrar em contato com Deus. Se o fossem. náo há ninguém a quem recorrer. S en h o r . Nâo é isso unn modelo de fà obstinada? Essa pessoa aguardará a resposta de Deus até o fim dos tempos. e essas oraçôes expressam a afliçâo que se sente nesses momentos. dariam um fim ao absurdo das promessas que falam de sucesso e prosperidade. mas nâo a voz de alguém que tenha reieitado a Deus e esteia amargamente descrevendo sua sina. A presença dessas oraçôes refuta qualquer . Aquele que passa p^lo tipo de desgraça enfrentada por esse autor só tem duas opçôes espirituais: a oracâo ou o silêncio. mas que é incapaz de encontrar resposta. essas oracóes sâo realistas diante da vida. Os salmos de lamento sâo um corretivo para nossa tendéncia de supor gue a vida será próspera e feliz se ■Disso acredltarmos. clamo a ti por socorro. como as imprecaçôes que vimos acima. pois mostram que a fé náo nos protege do abismo. 13). a tentacâo e o mal que vêm sobre todos nós. se necessàrio for. Sâo o oposto da hipocrisia e da auto-ilusáo. É sem dúvida uma oracâo dura e plena de queixas. Realismo Em segundo lugar. Suas perguntas náo sâo teóricas e teológicas. É o padrâo de todas as oraçôes de lamento. e antemanhâ já se antecipa diante de ti a minha oraçâo (v. mas indagacóes bem práticas sobre a razâo de a vida estar despedacada. guando a pessoa angustiada precisa ficar sozinha na escuridáo. É como a vida se mostra a alguns. 182 ^ ORACÀO Mas eu.

A fé precisa explicar as possibilidades piores e mais tristes da vida. pois isso indica que Deus nâo governa tudo.. Quase nunca usamos as oraçôes de lamento. Tendemos a desencorajar perguntas e dùvidas de todo tipo. Assim. senâo nâo tem valor. A espiritualidade que neea a realidade do lado sombrio da vida náo tem respostas úteis nem verdadeiras à tentaçâo e ao mal. pela preocupacáo. A vida nem sempre é próspera. honestidade e realismo. aquelas que achamos agradáveis. os líderes nacionais. pela angùstia. Raramente desejamos falar sobre a tentaçâo. A vida é assim. enfrentaram injustiças.dQs firamos rirn s . acerca do fracasso ou do sofrimento. É uma pena. de ser idealistas. Nem to. nestes tempos modernos. pois somos burocraticamente otimistas. pela doença. positivas e promissoras. os eleitos de Deus sofreram profundas decepçôes. pela solidáo. Sao um alerta de que a frase "náo nos deixes cair em tentaçâo" exige franqueza. £ NÂO nos DfIXtS CAIR EMItNÎACÀO. 183 teologia que imagina que tudo pode ser resolvido e que podemos sempre viver de alegria em alegria. Náo evitamos todos os acidentes. Os lamentos sáo afirmaçôes vigorosas de que a vida é perturbada pela mágoa. dor e sofrimento. nem cantamos as oraçôes de sofrimento nem fazemos pregaçôes sobre elas. nem na Biblia nem na vida real. otimistas e um tanto ingenuos. O fato é que o cristáo náo está mais protegido do sofrimento do que qualquer outro ser humano. O mal irá cruzar nosso caminho. mas jamais protestamos contra Deus . Essas oraçôes mostram que mesmo os maiores santos. tiramos de Salmos somente um grupo seleto de idéias e oraçôes. Nem sempre temos éxito. Nós seremos tentados. esquecendo o resto. Como conseqüência. Ensinamos e aprendemos a louvar a Deus. os autores dos salmos. Nem sempre temos saúde. ou o reconhe- cimento de tudo que é negativo. Temos a tendência.. sobre o mal. apartamo-nos daqueles que recebem as respostas mais vigorosas que a Biblia tem para o sofrimento — as oraçôes que questionam e reclamam. pela confusáo. pela raiva. Tal teologia náo tem fundamento.

Abraáo se mostrou ansioso por conta do filho prometido que náo vinha (Gn15. Precisamos ter o direito de questionar uns aos outros quanto aos nossos atos e motivos. guestionam a Deus por enxergar incoeréncia. sim.2). alear perguntas. Mas o que acontece quando as circunstâncias da vida náo permitem tal passividade ou tamanha piedade? Só nos resta entáo o silénclo? Se náo podemos questionar a Deus.2). ^ Deus nao se ofende facilm enle Em terceiro lugar. Jeremías se perguntava por que Deus permitirá que os perversos enriquecessem e dominassem a terra de uma maneira que acabou resultando na rejeiçâo de toda a sociedade por parte de Deus (cf. essas oracóes mostram que Deus náo se ofende nem se melindra facilmente. Ananias questionou se era realmente boa idéia orar por Saulo (At 9. por crer que a situacáo náo está à altura das expectativas.. É exatamente isso que vemos nessas oracóes. Ezequiel indagou por que Deus o mandara comer alimento cozido sobre excrementos humanos.13r14). uma violaçâo flagrante da lei que ele tanto se esforçava por observar (Ez4. 184 ORACÀO nem discutimos com ele. Pedro fez a mesma pergunta quando instado a comer alimento impuro (At 10. Devemos aceitar e nos submeter. Pòdemos pedir.19. por achar que as coisas náo estáo bem certas. Aleumas ouestionam a Deus com sentimentos de ansiedade e alarme. e uma parte importante da sinceridade num relacionamento. a quem podemos dirigir nossas perguntas? Se Deus é um Deus a quem náo podemos questionar. 15.18). mas jamais desafiar nem nos rebelar.14)íl) . entáo que tipo de Deus é esse com ouem nos comprometemos? O testemunho dessas oracóes é que podemos. mas se dispóe a ouvir nossas perguntas e queixas. com toda a profundidade e a forca dos nossos sentimentos. Ir 14. senáo náo há relacionamento verdadeiro. mas nâo interrogar. Samuel se mostrou preocupado com as conseqüéncias de ungir Davi como rei (ISm 16. Esse é o outro lado do realismo. Qutms.14). queixas e lamentos a Deus.

13).22). A presenca dessas oracóes na Biblia mostra que o compromisse de Deus de nos ouvir nâo é tâo frágil nem se rompe tâo facilmente que nâo possamos dizer o que realmente pensamos ou sentimos. Deus pode ser questionado quanto à sua justiça e fidelidade. Elias ficou irado ao descobrir que o filho ùnico da mulher que Ihe dera abrigo estava morrendo de uma doença inesperada (IRs 9. ou às questôes diante das quais nos sentimos temerosos ou inseguros. entâo nosso relacionamento com ele se resume a pouco mais que mera obediência cega e devoçâo passiva. Claus Westermann salienta que só quando chegamos às cartas de Paulo verificamos seu completo abandono e. Um relacionamento pleno e sincero precisa contemplar o direito de questionar tanto quanto louvar. Essas oraçôes mostram que nâo precisamos esconder de Deus nossos sentimentos de dor ou decepçâo. O livro de Ezequiel cita apenas quatro oraçôes. a . se Deus se recusa a ouvir esse tipo de pergunta.7). Moisés se perguntava por que Deus o abandonara diante do fracasso da primeira praga. e todas elas expressam o espanto do profeta diante de algo que Deus revelara ou fizera. ^ Lam enio na igreja Pode o cristâo usar lamentos? Ou deve tolerar o sofrimento em calada resignaçâo? As oracóes de lamento correm como um fio por todo o Antigo Testamento e se encontram até na vida de Jesús Cristo. Nâo precisamos fingir que tudo vai bem quando isso nâo é verdade. em seu lugar. ^ 185 Outros guestionaram a Deus porque se sentiam decepcionados ou frustrados. Se nao podemos questionar a Deus com respeito ás coisas que deram errado. t NÂO NOS DEIXES CA1R£M1£NIACÀ0. Josué se perguntava por que Deus permitiu que eie fosse humilhado na bataiha pela cidade de Ai (Is 7.8: 11. ou às coisas que nâo nos parecem certas.. e isso somente porque Deus deseja um relaclonamento verdadeiro — que é impossivel se s6 pudermos louvar e ser submissos e calados. quando toda a culpa recaiu sobre eie (Èx 5. de expressar a dor tanto quanto a alegria. o fracasso tanto quanto o sucesso. a oposiçâo tanto quanto a lealdade..

. como se a falha fosse simplesmente a falta de fé. No entanto. O cristáo precisa ter mais que dizer diante do sofrimento do que "perdoa-nos os nossos pecados". nada pode ser o mesmo. Taivez seja por causa dessa tendência que os crentes aflitos busquem a psicoterapia e os grupos de auto- ajuda. possibilitando que admita o sofrimento perante Deus e o deposite a seus pés. Náo podemos negar aos que sofrem o direito de relatar sua situaçâo a Deus. 274-5). cuja vida se despedaçou. como Jó. é claro. Os líderes da igreia devem ser tâo realistas guanto as oraçôes da Biblia diante da vida. A oraçâo de queixa reconhece implicitamente o valor da expressào da mágoa e da raiva. 186 ORACÀO afirmaçâo de que o cristâo deve suportar pacientemente os sofri- mentos. essas oraçôes sâo jòia rarissima. Os pastores e os conselheiros devem evitar a conversa fiada sobre a soluçâo fácil dos problemas. O pastor deve perceber que essas oraçôes têm algo a dizer àqueles que sofrem. Assim é a vida para algumas pessoas. também hoje as pessoas tèm problemas e vergam sob o peso do pecado. Podem ajudar o crente a conviver com expectativas frustradas. O sofrimento e o pesar precisam ser expressos muitas vezes e com sentimento intenso e palavras mais intensas ainda. Nosso relacionamento com Deus depois da cruz náo é o mesmo do Antigo Testamento. As pessoas sempre buscarào a igreja com perguntas como "por qué?" e "até quando?". Depois de Cristo. sem redamar a Deus (pp. Eie também pode e deve dizer "livra-nos do mal". O homem moderno nâo é diferente do homem do Antigo Testamento. Como naquela época. O pròprio Jesus Cristo citou o salmo 22 em seu lamento na cruz. Para o pastor que precisa enfrentar a tragèdia na sua congregaçâo. Essas oraçôes sâo o clamor de um crente. os evangelhos e as epístolas nao devem ser lidos sem Salmos e o restante do Antigo Testamento.

19-20. Patrick. Walter. Jz 14. Miller. They Cried to the Lord. Wiesel.13. NOTAS 1 Cf. "Cf.2 . 1973. 6.18-23. Waldyr Carvalho Luz. The Drama of Divine-Human Dialo­ gue.7-18. The Message o f the Psalms. 1993. Claus.10-21. 30. Elie.14-18. Joao. EN Á O NOS DEIXES CAIR £Mî£NIACÂO.. . 23. Casa Editora Presbiteriana. Trad. Prayer in the Hebrew Bible.11 . 1970.1-6. 17.36-40. 1965. IRs 22. ÊX 32.10-12. =Cf.5. 1989.5-10. ISm 14. Jó 31. The Lord’s Prayer. John Knox. ^ 187 REFERÊNCIAS Anderson.1. Calvino. 12. Js 7. Jan. Westermann.. Augsburg Fortress. 1993. 15.15. Samuel. 'C f.41. Westminster. Praise and Lament in the Psalms. McCann. SI 25. 56. Nm 16. ^ Cf. As Institutas ou Tratado da Religiao Crista. 111 ). 1988.7. Lochman.1.22. Jr 21 . Vintage.9.18-23. 20. Jz 6. Souls on Fire. Clinton Jr. 18. 1984. Brueggemann. The Form and Theology of Biblical Prayer. Balentine. Jrll. 31. 5. J. Augsburg. Jz 1.37. Bernhard. (p. Out of the Depths: Psalms. 2Sm 2. Eerdmans. 16. Abindgon. A Theological Introduction to the Bool< o f Psalms.

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seja o louvor.17) Áquele que está sentado no trono e ao Cordeiro. »• . rrias é uma expressáo que encontra eco nos dois Testamentos. obviamente tentou escolher algo que parecesse bíblico. e o dominio pelos séculos dos séculos (Ap 5. " O Senhor reinará por lodo o sempre. . Ora. ó Deus meu e Rei. bendirei o teu nome para todo o sempre (SI 145.i honra. ao Rei eterno.i pelos séculos dos séculos. Seja qual for o copista ou estudioso que escolheu essa conclus. o P oder e a G lòria para sem pre . e a glòria.18 f ssa conclusáo náo aparece nos manuscritos senáo por volta do inicio do sáculo ii.20) Assim." Ixodo 15. imortal. Amém! (Fp 4.lo. Amém! (ITm 1. A m ém .1). a nosso Deus e Pai seja a glòria pelos séculos dos sáculos. Deus único. P ois îtu í o Rein o . Exaltar-te-ei. invisível.IJ). honra e glóri.

e o fazemos bem. Este apresenta uma funçâo definida e a desempenha com certeza dinàmica e resoluta exuberáncia. "Pois" é na verdade o ámago da questâo. O louvor na Biblia exibe as mesmas características de toda grande literatura: força de mensagem. cantarci e entoarei louvores!" (57.23). Como disse o salmista: "Firme está o meu coraçâo. tendo sido criados assim. na condiçâo de seres humanos. Se tivéssemos de depender somente de nos.. Talvez seja por isso que Deus deseja de nós o louvor. dos pecados. no fim de tudo. o poder e a gloria. l \ 0 LOUVOR {DINÀIMCO Embora os pedidos sejam conjecturais e incertos.". 190 . e pode ser que.19). porque Deus é assim e tem essas coisas. ^ ORACÀO Apesar das nossas necessidades. exuberáncia de estilo. baseados somente num minimo de esperança e crença. venhamos a perceber que nossa capacidade de refletir para Deus aquilo que eie é foi a razao para a qual fomos criados. ó Deus.. seríamos dentre todos os homens os mais infelizes (ICo 15. se acreditamos nesse "pois. se nâo houvesse explicacâo para a culpa e o mal. O louvor é a única coisa que nôs. "Pois teu é" expressa nossa crença de que as palavras da Oraçâo Dominical nao sâo proferidas num vazio. . que teméis o S en h o r .. Muitos salmos praticamente gritam para o leitor: . Talvez seja essa a essència do que significa existir à imagem de Deus. entâo nos vemos obrigados a louvar a Deus. nossas oraçôes têm significado. se nâo tivéssemos esperança além desta vida. afina!... louvar é algo que sabemos fazer. profundidade emocional e poder cognitivo. Porém. das téntaçôes e do mal que enfrentamos. por intermèdio de quatro características.. podemos dar a eie. vós.. louvai-o. a Oraçâo Dominical termina como começa — louvando.7). Costarla de examinar esse ponto um pouco mais de perto. o mesmo nâo se pode dizer do louvor. (Sl 22.. Porque Deus tem o reino.

os que temem ao S en h o r : Sim. rendei-lhe graças e bendizei-lhe o nome. Os estudiosos chamam essas passagens de "convocaçôes". Digam. por exemplo. pois insistem em que todos se juntem ao salmista para louvar a Deus. ó justos. louvai-o consoante a sua muita grandeza.1.48) Rendei graças ao S enhor . Celebrai com júbilo ao S en h o r . Servi ao S en h o r com alegría. todas as terras. Observando os verbos — "Celebrai! Servil Apresentai-vos! Entrai! Rendei! Bendizei!" —. porque a sua misericòrdia dura para sempre. Entrai por suas portas com açôes de graças e nos seus átrios. o PODER E & GLÒRIA. 100. vós que sois seus santos.. 2 e 4) sâo usados para chamar o leitor a louvar a Deus. no S en h o r ! (SI 33. a sua misericòrdia dura para sempre (SI 118. o último da coleçâo. pode-se perceber por que essas oraçôes sâo ditas imperativas. louvai-o no firmamento. mas très deles (1.M É A . pois. 145. ^ 191 Salmodiai ao Senhor. tem somente cinco versículos. e todo o povo diga: Amém! Aleluia! (SI 106. . obra do seu poder. e dai graças ao seu santo nome (SI 30. Louvai-o pelos seus poderosos feitos. POIS TEU É o REINO. 148 e 150 foram denominados "imperativos". apresentai-vos diante dele com cántico. com hinos de louvor. porque ele é bom.4) Exultai. 4). O salmo 150. Todas as suas treze frases chamam o le/tora louvar a Deus: Aleluia! Louvai a Deus no seu santuàrio.. é formado exclusivamente de convocaçôes.1) . pois sâo compostos quase inteiramente de convocaçôes. Q salmo 100. PARA S m E . Tornam- se mais freqüentes quanto mais perto do final do Saltèrio. Os salmos 95.

.. Essas expressôes convidam o ieitor a completar a frase. Tributai ao S en h o r ..’ Repare como começam essas doxologias: ... e por essa razâo o louvor usa linguagem figurada para exprimir o que certamente é verdade sobre Deus e seu reino. mas uma doxologia.. e doxologias sâo algo talvez ainda mais intenso e dinámico que convocacóés.. Todo ser que respira louve ao S en h o r . e o poder sâo. (SI 29. (M t 6. a glòria. qufe nâo tem outro objetivo senâo render glòria a Deus por ser ele quem é.1). Louvai-o com adufes e danças. louvai-o com saltèrio e com harpa. (Ap 1. ou dobrar sua vontade ou convencê-lo a atender a oraçâo. louvai-o com címbalos retumbantes.. (Ap 19.6) Tu és digno. Doxologia é louvor que deseja ou reflete a gloria divina para Dáus. 192 ^ ORACÀO Louvai-o ao som da trombeta. pois teu é..... Nao se tenta persuadir a Deus. a ele. (Ap 4.13).. Aleluia! A frase final da Oraçâo Dominical náo é uma convocaçâo. Louvai-o com címbalos sonoros. ao poder e à glòria de Deus permanece invisível... ..1). e poucas maneiras melhores há de fazê-lo do que mencionar o reino. ^ 0 LOUVOR ÉC R IA IIV O Muito do que pertence'ao reino. . louvai^o com instrumentos de cordas e com flautas. o poder e a gloria de Deus! Nem imperativos nem doxologias escondem motivos ocultos.1). É puro louvor..

7 Ì . como dizem os salmistas: . o PODERE A GLÒRIA. PARA S m L A M É M . ^ 193 Esses símiles se baseiam na experiência de quem ora. momentos em aue desfrutamos da presenca de amigos ou da familia. e foi Deus quem a pós. Ele usa a isensacâo segura de poder e protecâo que tinha naqueles momentos. e nâo pretendo me demorar nele. Antes. Evidentemente. metafórico. o meu cálice transborda. Onde quer que o encontremos na Biblia. veja o simile da mesa no salmo 23. Ou pense no seguinte simile: O anjo do S en h o r acampa-se ao redor dos que o temem e os livra (SI . conforme frisa Brueggemann. É a mesa das boas coisas da vida. ____ Essa metáfora se baseia na experiência de um rei guerreiro que passou muitas noites num acampamento de soldados. Por exemplo. convida-nos a lembrar todos os bons momentos que vivemos diante de uma mesa. embora essas se achem em abundancia. Mas gostaria de salientar que as emoçôes envolvidas no louvor nâo sâo somente alegria e conten­ tamento. nessa passagem "mesa" nao se refere à mesa concreta diante da qual o salmista está sentado. Preparas-me uma mesa na presença dos meus adversários.3 . Ì/ O LOUVOR í EM OCIONAL Talvez seja este o aspecto do louvor que recebe mais atençâo.Ì . P O IH ÏU É o REINO. momentos de comunhao e alegría. somos estimulados a derramar nossa experíéncia diante de Deus para dar vida às metáforas. para expnmir como Deus protege e auxilia os que o temem. o oposto do memorando profissionai rigido e controlado. unges-me a cabeça com óleo. O louvor é assim: criativo. Bondade e misericòrdia certamente me seguirlo todos os dias da minha vida. ilimitado — exatamente . e habitare! na Casa do S en h o r para todo o sempre (v 5-6).

força minha (SI 18. tiraste o meu pano de saco e me cingiste de alegria (SI 30. força minha. de um tremedal de lama.1). (SI 59. 33.5). a minha alma o aguarda. E o louvor também suscita forca. ó S en h o r . o encheste de gozo com a tua presença (SI 21... A maneira tríplice em que sáo afirmados a pessoa e o poder de Deus dáo à Oraçâo uma conclusâo sólida e gratificante. eu espero na sua palavra (SI 130. como terra sedenta (SI 143. ó Deus. seguranca e firmeza: Eu te amo. Nele. Aguardo o S en h o r . por ti. da presenca e da bondade de Deus: Como suspira a corça pelas correntes das águas. De Deus dependem a minha salvaçâo e a minha gloria. estâo em Deus a minha forte rocha e o meu refúgio (SI 62. Tirou-me de um poço de perdiçâô.2). 194 ^ ORACÀO Pois . Convelleste o meu pranto em folguedos. o nosso coraçâo se alegra.7).21). pois confiamos no seu santo nome (Si. A ti levanto as máos.17).6).1). A doxologia final da Oraçâo Dominical se enquadra nessa última categoria. a minha alma anseia por ti. A ti. colocou- me os pés sobre uma rocha e me firmou os passos (SI 40.11). porque Deus é meu alto refugio. cantarei louvores... O louvor também evoca o anseio de provar mais do Espirito. . assim.6). suspira a minha alma (SI 42.

4). portanto. pretendo dar-lhe um pouco mais de énfase.11-19). Tanto que os dois nâo se distinguem facilmente. Mesmo jesus Cristo nâo descuidava de dar graças.21). Paulo esperava o mesmo dos seus convertidos (ITs 5. Entrai por suas portas com açôes de graças e nos seus àtrios. rendei-lhe graças e bendizei-lhe o nome (SI 100. mas firme certeza e concordia que refletem e sustentam a aima.28). porém. Disse ele que era uma marca da corrupçâo do pensamento gentio o fato de eles náo reconhecerem sua divida para com Deus (Rm 1. nem anseio. . e cantare! louvores ao nome do S en h o r Altissimo (SI 7.17). com hinos de louvor. Muitas oraçôes mendonam ambos de um só fôlego: Eu. A gratidáo constituí boa parte do louvor. ordenou Paulo (Cl 3.'2)pelo progresso no treinamento dos doze (Le 10. por um milagre (Le 10. fosse às refeiçôes.15). renderei graças ao S en h o r . ^ 195 Nâo se exprime alegria ali. / "Sede agradecidos". PARA SEMPRE. O louvor nunca é só emocional. na razáo. e aquele que nâo sabe por que deve ser agradecido nâo é cristâo. (Em primeiro lugar)o louvor é racional porque lembra o que Deus tem feito por nós. O louvor se utiliza e depende de várias maneiras distintas da nossa capacidade de pensar e raciocinar. e este é pleno de gratidáo. e lembrar é agradecer. segundo a sua justiça. nem amor. o POD tR t A GLÒRIA. O pròprio Paulo menciona muitas coisas pelas quais se sentía grato. Ele esperava que seus seguidores se mostrassem gratos e ficava decepcionado quando nâo o faziam (Le 17. é também racional. Aqueles que louvam a Deus sabem por que e a quem estáo erguendo a voz.21-22).18). P O lH E U t o RtINO. AMÉM. H) 0 lO U V O R É RACIONAL Como esse é o aspecto menos comentado do louvor.21-22) ou pela obra de Deus na sua vida (lo 12.(Í)Tal gratidáo se baseia na lembrança e.

.16-20). como a cura de uma doenca mortai (Is 38.10). . que nâo nos deu por presa aos dentes deles". como a abertura do mar Vermeiho (Ex 15. Seja o que for.. que entregou os teus adversários nas tuas máos (Gn 14. fizeste subir da sepultura a minha vida.... Claus Westermann chama esse tipo de louvor de "declarativo". suas razôes variam de acordo com quem se lembra.6).9-10: 2Sm 22. Como esse gènero de louvor se baseia na experiència pessoal. é algo que Deus fez por quem está orando. Bendito o S en h o r . pois declara a todos os que queirainouyir o que Deus fez por aiguém.2). Em Salmos. que vos livrou da máo dos egipcios ( ÊX 18.2-9).1. ou o alivio do iugo estrangeiro (Iz 5. Pode estar lembrando-se de algo bem pessoal. e bendito seja o Deus Altissimo. . Repare que em cada um desses casos Deus é bendito por ter feito alguma coisa pela pessoa.20). . dizerido: "Na minha angùstia clamei ao Senhor .21).. Esse gènero de louvor é muitas vezes composto na forma de uma bendigao.20: Ex 18. citado acima. Jonas descreveu de modo semelhante o fato de ter sobrevivido depois de engolido por um peixe. Pode ter a lembranp de um grande milagre. ". 196 ORACÀO )o louvor é racional porque lembra o que Deus fez pela pessoa. que náo nos deu por presa aos dentes deles (SI 124.. . Como diz Salmos 124. essas declaraçôes sâo muitas vezes feitas em termos genéricos.6. Isso é uma metáfora que qualquer pessoa pode empregar para relatar um perigo de que tenha escapado por um triz.® . A pessoa que ora pode estar lembrando-se do livramento recebido num momento de guerra (Gn 14. SI 124: 126).." On 2. Bendito seja o S en h o r . e disse.

a sua verdade é pavés e escudo. meu Deus. sob suas asas. tu náo serás atingido (51 91. . e ele me acolheu. e dez mil. O sentimento. Cobrir-te-à com as suas penas. clame! a ti por socorro. Náo te assustarás do terror noturno. o autor está recordando os eventos depois de muita reflexáo. é de segurança absoluta e inabalável. P ÂR AS EM PRLAM k ^ 197 Algumas oraçôes foram escritas bem depois do acontecimento dos fatos. Essa pessoa náo pode imaginar uma situaçâo que ameace seu relacionamento com Deus. Às vezes muitos anos se haviam passado. Busquei o S en h o r .1-2). O que habita no esconderijo do Altissimo e descansa à sombra do Onipotente . Repare como sâo simples estas declaraçôes. Caiam mil ao teu lado. O autor já passou pelas águas muitas vezes e emergiu do outro lado. e às vezes resume todo o ocorrido numa única frase® S en h o r . e tu me saraste (SI 30.4). estarás seguro. Esperei confiantemente pelo S en h o r . livrou-me de todos os meus temores (Sl 34. portanto. Esperei . nem da seta que voa de dia. . Clamei . ele se inclinou para mim e me ouviu quando dam ei por socorro (Sl 40. POIS U U É o REINO. . ele me acolheu. Note quanto o autor està segurada presenca de Deus e do compromisso deste para com eie. nem da mortandade que assola ao meio-dia. o PODER { A GLÒRIA..2-3). . .. e. Esse tipo de louvor tende a revelar-se muito confiante. Nesses casos. Busquei . nem da peste que se propaga ñas trevas. à tua direita. ou que abale sua firme confiança na presença de Deus.1-7). . O salmo 91 é um bom exemplo. . ele me ouviu. pois a relaçâo com Deus já foi posta a prova durante toda uma vida. tu me saraste.

Rendei graças ao S en h o r . . porque ele é bom.8-9). porque a sua misericordia dura para sempre (SI 136. Reúne todo o ampio espectro do ser humano na digna tarefa de louvar aquele que nos criou. . o carâter.^Deus é majestoso e poderoso (lCr 29.10- 13)!?! Deus cria e sustenta (SI 65. pois descreve a natureza. é dinámico. o louvor é racional porque reconhece ouem é Deus. Trata-se do reconhecimento de quem é Deus e de como ele é. O louvor. entâo. o mais puro louvor a Deus é deste tipo: Ele é bom. a pessoa e as obras em gérai de Deus. Porque Deus é assim. Esse refrâo é descricâo pura.1).1).4-9). porque a sua misericòrdia dura para sempre (SI 118. porque a sua misericòrdia dura para sempre (Ed Aleluia! Rendei graças ao S en h o r . emocional. declarativo e descritivo.1). Nâo há lembrança nem declaraçâo dos atos de Deus nessa frase. criativo. uma idéia que limita nossos pedidos ao . Rendei graças ao S en h o r .1). deve ser louvado. porque ele é bom. palavra que tem os olhos no futuro. hoie". Rendei graças ao S en h o r . Nosso dever e honra é perceber essa realidade e assim louvá-lo. novamente por Westermann. e a sua misericòrdia dura para sempre (SI 107. No Antigo Testamento. á P A R A S W Essa é a terceira expressáo relativa a tempo da Oraçâo Dominical. 198 ^ ORACÀO (Em terceiro lugaij e finalmente. Esse tipo de louvor já foi chamado "des- critivo".0 Deus é doador da lei e da alianca (SI 19: 105. porque a sua misericòrdia dura para sempre (SI 106. porque ele é bom. porque ele é bom. A primeira é "venha". A segunda é "de cada dia .

eremos no que Deus farà no futuro pelos que o chamam Senhor. A terceira é "para sempre". portanto. É esse o significado da frase "Eu sou o Alfa e o Ómega" (Ap 22. Nao se trata de um conceito estático. Todo poder ou autoridade que substitua Deus é rejeitadoí^i . haja ou haverà ainda — tudo faz parte do reino de Deus. Q Novo Testamento acrescenta à visáo hebraica do tempo a pessoa do pròprio Cristo como o centro ou o eixo da história. cumprimento presente na aliança com Israel e consumaçâo futura no dia do juízo. Sua pessoa divide todo o tempo em dois. Tinha inicio na criaçâo. ao olhar para trás. desse inicio ao fim prometido. viva. É. podemos. \ im . Todas as religiôes pressupôem um conceito de tempo. negamos qualquer lealdade ao que possa conferir interesse ou importância maior a qualquer outra coisa senâo Deus. o tempo era linear. (quem sabe?) evolutiva. Para os gregos.13). Tudo o que veio depois dele lembra sua encarnaçâo. O tempo se move para a frente. Tudo isso dizemos na expressâo "para sempre". PA R A S ». imóvel. 199 ! r presente. uma expressâo de confiança absoluta. Para os hebreus. enxergá-lo como o centro. POIS I£U£ o REINO. expressâo que inclui todos os tempos: o passado. Ao dizer "Amém!". uma filosofia da história por assim dizer. pois confirma a concordáncia e o compromisso do leitor com tudo o que foi dito na oraçâo. Nós que vivemos hoje. o tempo era cíclico e o homem estava enredado no círculo recorrente do seu pròprio destino. o presente e o futuro. ME«. quando cada homem receberia a sua recompensa. Esta palavra é uma expressâo adequada para concluir a Oraçâo Dominical. mas náo ainda como a consumaçâo. Tudo o que veio antes dele ansiava sua chegada. está fundado no seu poder e géra a sua glòria. o PODERE A GLÒRIA. depois da cruz. movente. que nos dá o significado da vida humana. mas de uma promessa dinámica. Pouco importa quanto tempo tenha havido. Em virtude do que Deus fez em Cristo.

E os quatro seres viventes respondiam: Amám! Também os andaos prostraram-se e adoraram (Ap 5. momentos em que caímos em tentaçâo e precisamos de quem nos livre do mal. porém. e de seu livro The Soul of Prayer extraí a epígrafe com que iniciei o livro. Como modelo de oraçâo. "Difícil e até medonha tarefa é escrever sobre a oracào: teme-se tocar a Arca" (p. encontramos uma cena em que cada criatura de todo o universo se vê lutando contra a insuficiência da linguagem e contra a pobreza de idéias para exprimir a majestade e o poder de Deus. É base ou ponto de referencia para todas as dificuldades e perigos da vida. seja o louvor. Como guia para compreender a oraçâo.13-14: cf. proteçâo e salvaçâo. e encerro-o achando que mal toquei a superficie. É flexível quanto à forma de ser dita. Ap 7. começando e terminando com louvores. Costaría de voltar a eia à título de conclusâo. Sua estrutura geral tem Deus como centro. e a honra. É um tema bem mais ampio do que um livro pode abarcar. Concordo plenamente. perdâo. e o dominio pelos sáculos dos sáculos.10-12). Lança máo de expressóes curtas tiradas da linguagem do dia-a-dia. Que melhor palavra poderíamos achar para concluir uma oraçâo — ou um livro sobre a oraçâo? Entretanto ainda náo estou pronto para terminar. . e a glòria. Àquele que está sentado no trono e ao Cordeiro. Forsyth ficou famoso por afirmaçôes densas. 11). A visáo dessa suprema declaraçâo de fé e compromisso se consuma com a repetiçâo da palavra "amém". Espero. R T. É extremamente realista ao reconhecer a necessidade humana de pao. é extraordinària e espiritualmente acessível. traz em si os principáis temas tratados nas oraçôes da Biblia. que o leitor feche este livro mais à vontade diante da Oraçâo Dominical. 200 ^ ORACÀO Em Apocalipse. Eia foi criada para que a usemos tanto como modelo de oraçâo quanto como guia para compreender as oraçôes da Biblia.

1Pc 4.14. Claus.15-16. 19. Rm 11. pois foi o pròprio Senhor quem disse .25. "Portanto. Dietrich.16.4.22. 1993. Rm 1. 2Co 2. 6. 14-18. ‘ Paulo expressa gratidáo por Cristo (2Co 9.8-11. ITm 1. POIS lE U É o REINO. pela salvaçâo dos outros (Rm 6. Jo 6.25. Fortress.57. Mt 15.18. ¿AÉA.5. Amém! REFERENCIAS Bonhoeffer.18. 15.6. pelas vitórias espirituais (Rm 7. Walter. fagamos uso dessa oraçâo. P/lRA SEMPRE. assim na terra como no céu. J. CI 1.11. 2Tm 4. Me 14. ____ .3.36. Assim. 16. The Psalms.36.11. O pao nosso de cada dia dá-nos hoje.30. ITs 1. Augsburg.15). 15.5.18. Venha o teu reino. Assim como nós temos perdoado aos nossos devedores. 1965. 2.17.11.1. 11. ' Cf. 9.8.4-5. 1995. Abindgon. Fp 4. 2Pe 3. Encontráo. Westermann.14.20.3-4. Cl 1.9-12.17. vós orareis assim": Rai nosso que estás nos céus. com espontaneidade e alegria.6.13). Israel's Praise. Lc 22. 2Co2.12).27. IC o 15. o poder e a gloria para sempre. Ap 1. Fp 1.17. ^ 201 Exprime do começo ao fim nossa dependéncia do Deus que nos criou e que de nós cuida como Pai. ____ . The Praise o f Cod in the Psalms. santificado seja o teu nome.9-14. Praying the Psalms. ICo 1.12. Orandocom os Salmos. 1980. o PODERE A GLÒRIA.11. Structure and Content. 7.3-4). 8. Clinton Jr A Theological Introduaion to the Book o f Psalms. Saint Mary's Press. 2Tm 1. McCann. . 5.14-16. ITm 1. 1986.1-6. C11.3-5.15-18. Form. Fp 1. 1988.14. por ter sido chamado a servir c pelos dons espirituais (IC o 14. NOTAS ’ Cf. 27. Brueggemann. Ef 1.11. E náo nos deixes cair em tentaçâo. 5. 4. pelas condiçôes matoriais que pos- sibilitaram isso (At 16. 9. Fp1. pelos irmáosde fé (At 28. mas livra-nos do mal Pois teu é o reino. E perdoa-nos as nossas dividas.35: IC o 10.5. faça-se a tua vontade.57. John Knox.15-16.6). 2Co 2.

Fp 2. 93. Si 124. 135.34. 20. 136. ^ Cf. IRs 18. 111.48. Am 4. <-Cf.5-6. 72. Gn 14.2. SI 47.13-19.8-9. 5. Jr 33.2-3. 105. 9. 7. ISm 25. 118. IRs 1. 3.20-30. ITm 1. 147. ’ Cf.5.20. Fm 4-5.3. 65.16. 2Rs 18. ' Cf. 24.13.9-10.1-5. 2Tm 1. 24.27. IC r 16. 202 ORACAO ITs 1.11. 51107. 92.9.13. 2Cr 14.10.3).5-12. SI 29.19.18.11.16- 18.6. 66. ® Cf.5).6-9. 2. SI 8.5-9.4. 20.5-6. 136.3. 104.8.3.1-4. 96-99.6-12.24. e pelos compa- nheiros de ministério (2Co 8.20. 2Ts 1.21. 2Cr 5.1-4. . Ed 7. Êx 18.11.20.12. » Cf.39.15-19.13. Ed 3. 146. ITm 1.

1 Cn 14.4 ÊX 18.4 2Sm 22.11-14 Dt 26.36 Cn 48.1-10 1RS 1.30 Js 7.15-21 ÊX 4.7 ÊX 3.12-19 Jz 13.23-25 ISm 1.1-3 ISm 10.2-3 ÊX 34.1-21 ISm 24.28-31 2Sm 3.12 Js 1.19-20 Cn 18.9-13 Rt 4.12 2Sm 23.8-10 Jz 15.8-10 Jz 5 ISm 25.2 1 R S 1 0 .23 2Sm 5.5 1 ÊX 4.1-3 Dt 32.13 2Sm 15.22-23 ISm 23.10-14 Nm 11.1f Cn 30.36-37 ÊX 15.12-15 ISm 14.5 -9 Dt 26.15-17 Rt 4.20 1R S 3.2-27 Dt 21.1-43 ISm 14.7-9 ISm 2.18-20 ÊX 33.10-14 Dt 33.10-16 ISm 30.8-23 2Sm 2.26-28 2Sm 7.26-27 Nm 12.25-27 ÊX 32.24 Nm 21.2 2 .14 2Sm 24.11 Cn48.15-17 Cn 31.2 I ÊX 6.31-35 Jz 11.4-6 Cn 15.39 Cn 17.2 Rt 2.3 9 ÊX 17.10-12 IR l 18.41 1 R S 8 .22-7 Jz 20.18 2Sm 3.10-23 Rt 1.28 Cn 28.19-22 Nm 16.18-29 Cn 24.1 H .1 ÊX 5.39 ÊX 32.1 ISm 25.17 Cn 43.17 Cn 24.22 Rt 2.9 ÊX 6.9-11 1RS 1. A p én d ic e As Oracóes na Biblia ORACÒK NO ANTIGO I t S m i O Cn 9.31 Cn 28.19 1 R S 1 8 .4 1R S 1 7 .2-3 2Sm 14.11-14 Jz 10.25-29 ISm 2.22-33 Nm 10.37 1RS 8.10 Cn 32.32 1 R S 1 9 .8 2Rs 6.15-16 Dt 3.4 Jz 1.18-21 Nm 6.29 Cn 15.11 2Sm 24.8-9 2Sm 18.8 Jz 16.22 1RS 5.20 Dt 9.17 ISm 23.12-16 IR i 8.1-4 Nm 14.35-36 Jz 20.17 .6-9 ISm 23.48 Cn 49.10-15 Jz 21.30-36 2Sm 2.55 (.11-14 Dt 1.48-53 Nm 27.2-29 ISm 20.

11-12 Jó 1.16-27 Ne 13.18-19 Is 33.34 IC r 16.27-28 Is 42.13 2Rs 19. 204 ORACÀO 2Rs 6.3-5 Jr 14.1-3 Lm 2.28-30 Nm 11.20 Gn 14.22 Is 26.17 ÊX 8.20-22 Jr 14.20 Dn 9.6 Jr 11.7-36 Ne 9.1-19 Ed 7.11 Jr 20.21 Dt 26.5 Gn 16.7 Gn 20.12-17 Ed 3.11 Is 6.6 Êx 15.2-9 2Cr 24.15-18 Jl 2.7 ÊX 8.17-18 Nm 21.1-5 IC r 21.23 Gn 19.31-35 Êx 14.3-19 IC r 17.1-21 Lm 1.14 2Cr 20.5 Gn 13.29 Nm 16.4-11 Jr 3.19-21 Lv 16.12 Jr 16.15 Gn 4.19-22 He 1.22-25 Ez 9.23-25 Dn 2.20-22 Gn 26.7 Gn 12.19 Jr 5.5 Dn 4.20-22 2Cr 36.7-13 ÊX 2.17-25 Jn 1.5-15 Is 63.49 2Rs 20.14 Jr 10.19-22 Jl 1.21-24 Êx 22.31 Êx 19.13-15 Gn 25.10-13 Ed 9.14 RCFEËNCIÂ5 A ORAÇÔB NO ANIIGO TESIAMENIO Cn 4.21 ÊX9.18-23 Am 7.33 ÊX 8.16-64.1-12 Jn 2.8-9 Lv 26.15-20 Lm 2.1-6 Jr 32.34 Gn 12.1-3 Js 10.18 Gn 47.12 Js 9.1-6 Jr 15.8 Gn 30.8 Jr 18.1-4 Is 38.17 2Cr 2.7-13 2Cr 20.13-18 2Cr 9.10-20 Lm 5 He 3.4 Jr 4.10 Nm 22.23 Is 37.9-10 Ne 8.6 Ne 6.10-15 Gn 13.18 Ne 1.11 2Cr 6.2-6 2Cr 30.12-14 .2-9 Os 9.9-11 Jn 4.19-20 Jó 42.40-42 Gn 20.10-20 Jó 40.2-9 2Cr 14.14 Cn 21.16-17 Jr 14.1 Jr 12.22-23 Dt 21.15-19 Ne 5.12-13 ÊX 5.16 Gn 8.26 Gn 25.3 Ez 20.23 Dt 9.22-23 ÊX 9.9 Jr 10.4-3 Jr 11.20 Ne 4.1-6 Ne 6.23-5 Êx 10.21 Is 25.19-21 Jl 3.6-8 2Rs 6.12 Ez 4.2-9 Lm 1.18 He 1.22 Êx 17.33 Nm 20.3-4 Gn 30.3-12 Is 12.25 Nm 27.11 Is 38.13 IC r 29.10 Ez 11.7-9 Jr 17.1-42 FV 30.14 IC r 22.23-25 Dt 23.19-23 IC r 4.7 Gn 29.

17 Jr 21.15 JÓ 22.25 Jr 29.8 ISm 16.46 M t 11.16-19 Jn 1.11 FV 15.6-7 Jn 1.13 Is 24.8-9 Is 19.3 1RS 18.21-14 Lc 23.27 IC r 21.25-26 Lc 11.7-10 Lm 3.2s J! 1.11 2Cr 19.12 Ez 22.7-13 Sf 1.5 Ez 14.6 2Cr 5.3 Jó 10.3 Jz 3.16 ISm 7.18 Jz 6.12-15 2Cr 33.14 Is 43.30 Is 16.23-24 2Rs 19.12 Ec 5.7 1RS 13.21-23 Jr 1.11-14 Jn 4.12 Is 45.4 2Sm 24.14 ISm 1.6 Jó 12.36-40 2Rs 13.29 Lm 3.2 2Sm 24. i\PENDICE 205 Js 22.22 ISm 12.2 IC r 21.9 ORÄCÖES NO NOVO TESIAMENÎO Oraçôes de ]e$u$ Mt 6.17-21 Jr 29.34 Jo 17 .10-11 Jz 3.26 Is 6.40-42 Me 14.12-13 Is 62.7 Jl 1.39-46 Jo 12.18-19 JÓ 38.19 Dn 2.2 Ez 8.10 2Rs 22.27 Jr 42.19 2Cr 16.21 2Cr 7.16 2Sm 12.27-28 Me 15.4 Jr 33.3 Ne 11.18 Ed 10.13-14 ISm 24.1-22 Jr 31.14-20 ISm 7.2-4 Jo 11.13 ISm 1.3 Is 30.9 IR s 22.6-7 ISm 15.12 ISm 1.3 ISm 8.5 IC r 23.6 ISm 26.13-22 Jr 33.8-9 2Sm 21.36 Lc 22.23 2Cr 18.4 Jó 42.10 Jr 42.8-12 2Cr 13.9-13 Lc 10.4 Jr 14.9 Jr 20.3 2Rs 4.4 Is 55.44 2Rs 20.11 Jó 30.5 Ed 8.13 Mq 3.11-18 2Rs 5.10 ISm 12.17 Jr 37.30-36 Jó 27.55 ISm 1.1-2 2Cr 32.19-20 Os 7.12-14 Sf 3.1-4 Dn 6.20 Jz 6.11 Is 56.14 ISm 12.14-15 Is 37.24 Jn 1.13-16 Jr 11.19-20 Jz 6.30 ISm 7.3 Is 1.5 Jó 16.13-16 ISm 8.6 Jó 7.20 Ez 8.1-6 Lm 3.6 2Sm 6.1 Ne 2.1-7 Jz 4.34 Lc 23.42 JÓ 14.20-22 Ez 37.8 Jz 16.22s 1 Rs 9.14 Ne 4.6 2Rs 5.24 Is 58.17-18 2Cr 15.15 Ez 8.18 ISm 12.11 Jr 7.41 Lm 2.7-9 Js 24.11 2Sm 21.15 IC r 5.

40 At 13.13 Me 6.22 Le 18.4 At 10.31 At 16.38 Le 21.13 Le 1.40 Mt 9.46 Le 3.36 Me 7.18 Me 12.46 Jo 16.19 Me 11.5 At 16.23-24 Mt 21.24-31 At 9.1-8 Jo 14.10 At 10.28 Le 22.24-26 At 7.23 At 26.6 Le 6.24 Lc 18.13-14 At 8.29 Le 22.22 Me 13.31 Mt 7.41 Me 8.29 Le 9.16 Mt 21.46-55 Oraçôes em Aios At 1.22-24 At 12.67-80 Lc 2.47 fros Le 1.46 Mt 18.16 Le 24.32 At 2.53 Le 6.5-6 At 9.5-13 Le 22.7-11 Me 9.60 At 9.15 At 12.30 Me 1.2 At 14.29 At 6.18 Lc 20. 206 ORACÀO lesus e 0 hóbifo de orar Mt 14.20 Me 14.29 At 6.29-39 Le 5.1 At 10.11-13 Jo 15.12 At 20.33 Le 1.17 Le 11.40 Le 19.37-38 Me 11.9-16 At 4.12-T3 Mt 19.16 At 28.44 M t 24.35 {nsinos de ]e$us sobre a oraçâo Mt 5.6 At 10.9 At 16.1 Le 1.10 At 7.14 Lc 2.42 At 9.5-7 M t 26.13-14 At 22.2-3 At 20.38 Le 2.13 Me 11.34 Le 5.36 Mt 6.38 Le 11.23 Me 6.25 .18 Mt 26.59 Exemplos em Alos At 1.36 At 3.13 At 27.13 Mt 21.8 At 8.21 Le 9.

18 ITm 6.1 ITm 6.30-2 Ef 1.2 Fm 3 2Co 9.16 Tt 1.20 2Ts 3.19 Cl 4.2 ITs 5.5-6 Cl 1.18 IC o 16.3-5 Cl 4.1-4 Rm 10.4 Fp 4.8-15 2Co 13.3f ITs 5.3 2Co 13.16-19 ITs 1.2-5 2Ts 3.13 Cl 6.1 2Tm 1.7 Cl 1.3-4 2Ts 3.2 Fp 1. APÉNDICE ^ 207 o ra ç ô e s de Paulo Rm 1.3-4 ITm 1 .22 Paulo exoria a orar Rm 12.3 Fp 4. 1 7 Rm 15.20 Ef 1.1 Fm 4-6 2Co 13.14-21 2Ts 2.1 Fp 1.12 IC o 7.21 Rm 15.6 ITs 1.22-24 Ef 6.10-11 Fp 1.28 2Tm 1.18 Rm 16.1 2Ts 1.4 2Co 1.15-23 2Ts 1.2 Rm 16.16-17 2Tm 4.14 2Tm 2.25-27 Ef 1. 23-24 2Ts 3.9-11 Cl 4.11-12 IC o 1.9 Cl 2.3 ITs 2.19-20 Cl 4.5 2Tm 4.14 Fp 4.2 ITs 5.15-16 Rm 15.2-3 2Ts 2.13 ITm 2.14-16 IC o 1.2 ITm 1.3 Ef 3.13 2Co 9.1-2 2Tm 4.23 ITm 1.18 Tt 3.23-24 2Tm 1.15 2Co 2.5 IC o 14.26 IC o 5.18 .12 2Ts 1.22 2Co 1.9-14 ITs 3.1-2 Ef 6.11-14 Cl 4.25 2Co 1.12 Ef 6.3-5 IC o 11.3 Fm 22 Ensinos sobre a oraçâo Rm 8.12 Fm 25 Paulo descreve suas oraçôes Rm 10.14 CI 1.15 Cl 1.

8 Ap 7.11 2Jo 3 Oraçôes em Apocalipse Ap 1.14 3Jo 14 IP e 1.17 2Pe 3.10-12 Ap 11.8-13 Sä sS Sl .21 Ap 5.20-21 IP e 5.18 Jd 24-25 1Pe 4.1-10 Ap 4.3 Ap 15.3-8 Ap 22.10-11 3Jo 2 Hb 13.20 Ap 4.11 Ap 8.4-7 Ap 6.17-18 Ap 22.10 Ap 11.2-4 2Pe 1. 208 ORACAO Oraçôes em outras epislolas Hb 13.25 IP e 5.2 Jd 2 IP e 1.15 Ap 19.

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Alan B. .Shedd) eco-editor de Imortalidade. éautor deSinais e Maramlhas edOEmngelho da Prosperidade. Pieratt. Um estudo cuidadoso de seu significado e contexto oferece respostas a perguntas como estas. O autor espera que este livro ajude o leitor a afirmar. todos publicados pela Vida Nova. em uníssono com o salmista. ". entáo nao existe melhor fonte de instruçâo do que a Oraçâo do Mestre. organizador de Chamado para Servit (ensaios em homenagema Russell P.4). a Oraçâo Dominical Eia contém apenas 74 palavras. Ph. ai s. que as contém na sua incomensurâvel amplitude”. conforme disse Dietrich Bonhoeffer. Todas as oraçôes das Escrituras Sagradas resumem-se na Oraçâo Dominical. Sendo isso verdade. . eu me dedi­ co à oraçâo' (SI 109. É nela que se encontra o modelo segundo o qual os homens devem elevar a voz a Deus. é pai de très fi- Ihos.D. Reside no Brasil há vários anos.. ste livro é uma nova visâo de uma antiga oraçâo.. mas. I Como devemos invocar a Deus? > Existem formas corretas e incorretas de fazer isso? I Em que condiçôes Deus ouve quando seu nome é invocado? I Quem pode orar com a expectativa de ser atendido? I Que podemos esperar quando oramos em consonancia com esse modelo? Este livro foi escrito diante da certeza de que oraçâo é algo que pode ser ensinado e aprendido. Casado com Melody..