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15/12/2017 SEI/IBAMA - 1380534 - Nota Técnica

INSTITUTO BRASILEIRO DO MEIO AMBIENTE E DOS RECURSOS NATURAIS RENOVÁVEIS

NOTA TÉCNICA Nº 77/2017/CCONP/CGASQ/DIQUA

PROCESSO Nº 02001.108845/2017-14

INTERESSADO: COORDENAÇÃO DE CONTROLE AMBIENTAL DE SUBSTÂNCIAS E
PRODUTOS PERIGOSOS

1. ASSUNTO
1.1. Contestação do pedido do Ministério Público Federal - Procuradoria da República no
Município de Dourados/MS, de impugnação da Chamada Pública CNPq/MCTIC/IBAMA/Associação
ABELHA Nº 32/2017.
2. INTRODUÇÃO
2.1. Ante o pedido do Ministério Público Federal - Procuradoria da República no
Município de Dourados/MS - de impugnação da Chamada Pública CNPq/MCTIC/IBAMA/Associação
ABELHA Nº 32/2017, vimos apresentar as razões pelas quais o Ibama integra a referida Chamada
e a sua importância para o trabalho que esta Autarquia vem desenvolvendo para aperfeiçoar os
padrões regulatórios para agrotóxicos, com vistas a cumprir sua missão ins tucional de proteger o
meio ambiente, garan r a qualidade ambiental e assegurar a sustentabilidade no uso dos recursos
naturais.
2.2. Antes de ser iniciada a argumentação, é importante considerar que o
estabelecimento dessa parceria é um fato inédito desde a criação da Lei de Agrotóxicos, em 1989,
e representa um grande avanço em direção à geração de dados nacionais, por pesquisadores
nacionais, com o intuito de diminuir a dependência de informação gerada diretamente pelo setor
regulado ou por países desenvolvidos e ter maior embasamento cien fico para formular
instrumentos adequados às especificidades brasileiras com foco na proteção das espécies na vas
do Brasil.
2.3. .
3. CONTEXTUALIZAÇÃO
3.1. Para melhor esclarecer em qual contexto surgiu a ideia do lançamento de uma
chamada pública de pesquisas, faz-se necessário, primeiro, uma breve explicação do processo de
registro de agrotóxicos e um breve histórico do trabalho que o Ibama está desenvolvendo no
âmbito da avaliação de risco ambiental para esses produtos.
3.2. Os agrotóxicos, na maioria dos países, para serem comercializados, devem ser
aprovados previamente por uma ins tuição governamental. No Brasil, há uma legislação
específica para regular esse po de produto - a lei nº 7.802/89, chamada de “Lei de Agrotóxicos”
e seu decreto regulamentador nº 4.074/02 - que determina que os agrotóxicos só poderão ser
registrados - ou seja, aprovados para uso - se atenderem as diretrizes dos setores de agricultura,
de saúde e de meio ambiente. Diferentemente de outros países que possuem agências específicas
para a regulação desses produtos, no Brasil o assunto é tratado por três ins tuições

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governamentais diferentes: Ministério da Agricultura, Anvisa (Ministério da Saúde) e Ibama
(Ministério do Meio Ambiente). A avaliação ambiental é responsabilidade do Ibama, ins tuição
que embora necessite de pesquisas para subsidiar seus processos de tomada de decisão, não
possui vinculação com nenhum ins tuto de pesquisa, diferentemente do que ocorre com o
Ministério da Agricultura e com a Anvisa, que contam com a Embrapa e com a Fiocruz,
respec vamente.
3.3. O processo de análise ambiental de um agrotóxico, para conceder ou impedir
a aprovação de seu registro, se ancora largamente em estudos cien ficos. Deles são extraídos os
dados e informações para que cada um dos agentes governamentais faça suas análises dentro de
suas respec vas áreas de especialidade. A maioria dos estudos que são necessários já está
listada pela legislação vigente, mas podem também ser requisitados caso a caso. Quem conduz,
financia, e apresenta esses estudos são as empresas interessadas em obter o registro do
agrotóxico, ou seja, as empresas fabricantes de agrotóxicos que pretendem colocar seus produtos
no mercado, e, para isso, precisam, antes, obter o registro.
3.4. O conjunto de estudos referente a um agrotóxico cons tui o que se denomina
dossiê do produto, e a obrigatoriedade da apresentação do dossiê tem por obje vo obter dados e
informações que permitam conhecer as caracterís cas da substância, e, no caso da avaliação
ambiental, prever seu comportamento no meio ambiente, es mar as concentrações que podem
permanecer no meio ambiente e por quanto tempo e estabelecer se há e quais são as condições
em que o uso pretendido das substâncias pode ser feito sem causar efeitos adversos à saúde
humana ou ao meio ambiente.
3.5. Defender e preservar o meio ambiente para as presentes e futuras gerações é dever
de todos, embora maior obrigação tenha sido imposta ao Estado. A proteção do meio ambiente se
dá por meio da prevenção e do controle, e o registro prévio de produtos é uma das formas pela
qual o Estado obtém os elementos para evitar o lançamento de matéria que afete
desfavoravelmente o meio ambiente. Invocando o princípio 16 da Declaração do Rio de Janeiro
sobre o Meio Ambiente, de 1992 - o Princípio do Poluidor-Pagador - o potencial poluidor é quem
deve arcar com o ônus de fornecer ao Estado os elementos necessários para o controle do meio
ambiente afetado por sua a vidade econômica. É com base nesse princípio, já consolidado no
direito ambiental, que o ônus de gerar o dossiê recai sobre os interessados em obter o registro do
agrotóxico, uma vez que a responsabilidade de comprovar que um produto pode ser u lizado sem
incorrer em danos à saúde humana ou ao meio ambiente é do interessado, potencial poluidor, em
comercializá-lo, e é este, portanto, quem deve suportar o custo de gerar as informações
demandadas pelo Estado para que as avaliações necessárias possam ser feitas e ações de
prevenção e controle possam ser estabelecidas.
3.6. A avaliação ambiental de agrotóxicos é uma parte importante do processo de
aprovação, ou não, do uso de um determinado produto, e ela depende da existência de dados
cien ficos que suportem as conclusões sobre uma determinada situação. Como já explanado nos
parágrafos anteriores, até o momento quase que a totalidade dos dados cien ficos são fornecidos
pelos registrantes, exigindo-se destes que os estudos sejam conduzidos sob sistemas de
qualidade que garantam a rastreabilidade dos dados e possibilitem ao ente público avaliar se os
resultados são fidedignos.
3.7. Conforme a Polí ca Nacional de Meio Ambiente - Lei nº 6.938/81, devem ser
estabelecidos critérios e padrões de qualidade ambiental e normas rela vas ao uso e manejo de
recursos ambientais. Um dos instrumentos da Polí ca é a garan a da prestação de informações
rela vas ao meio ambiente, obrigando o Poder Público a produzí-las, quando inexistentes. No caso
específico, existem lacunas de conhecimento sobre os polinizadores que estão além do que
atualmente é exigido norma vamente, ou seja, encontram-se ainda em um estágio anterior, de
construção da base cien fica e técnica para a proposição de mais atos norma vos para regular os
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agrotóxicos e evitar seus efeitos sobre esses organismos, de forma que o ideal seria que
pesquisas independentes fossem desenvolvidas com o intuito de saná-las. Ocorre que, como já
mencionado no início, o Ibama não possui vinculação com ins tutos de pesquisa, o que dificulta a
alocação de recursos para esse fim e impõe obstáculos para que a Autarquia cumpra sua função
de Estado de forma ó ma e proa va e não apenas rea va.
3.8. É importante frisar que as primeiras lacunas iden ficadas se relacionam ao tema
agrotóxicos versus polinizadores, mas não se restringem a ele, visto que metodologias de
avaliação do risco para os demais organismos que podem ser a ngidos pelos agrotóxicos e que
são importantes para manutenção do equilíbrio ecológico e dos serviços ecossistêmicos -
organismos aquá cos, do solo, aves e mamíferos - também estão em desenvolvimento, embora
em um menor grau de consolidação, e também enfrentam dificuldades pelas lacunas de
conhecimento iden ficadas até o momento. Assim, o instrumento de chamada pública poderia vir
a ser, no futuro, novamente proposto como meio de preencher as demais lacunas existentes.
3.9. Em 10 de fevereiro de 2017 o Ibama publicou a Instrução Norma va nº 2, que
estabelece diretrizes, requisitos e procedimentos para a avaliação dos riscos de ingrediente(s)
a vo(s) de agrotóxico(s) para insetos polinizadores, u lizando-se as abelhas como organismos
indicadores. Essa norma, que é a primeira, no Brasil, dentro do contexto da regulação de
agrotóxicos, a u lizar uma abordagem de risco ambiental, foi fruto do trabalho do Ibama de
desenvolvimento, aperfeiçoamento e implementação de metodologias para avaliação de risco de
agrotóxicos atualizadas cien ficamente e condizentes com os desafios atuais, e teve por base os
esquemas desenvolvidos por agências norte americanas e européias, que consideram a
espécie Apis mellifera, que não é na va do Brasil, como espécie padrão para as avaliações. Em
um contexto de falta de dados sobre polinizadores na vos, e levando em conta o princípio da
precaução, considerou-se que seria melhor ter algum critério para avaliar o risco, ainda que com
algum nível de incerteza pela u lização de uma espécie não na va, do que não ter nenhum, dada
a necessidade premente de ações para combater o declínio de polinizadores, observado em todo o
mundo e que tem como uma das causas apontadas, entre outros fatores, o uso de agrotóxicos.
3.10. Foi nesse contexto que o Ibama decidiu divulgar, por meio da Nota Técnica nº
02001.000062/2017-931, as principais lacunas de conhecimento que dificultam o aperfeiçoamento
da metodologia de avaliação de risco para abelhas, considerando as especificidades da agricultura
e das espécies de abelhas brasileiras, de modo a es mular a realização de pesquisas direcionadas
ao tema em questão. A nota técnica é assinada pelo Ibama e subscrita pelos integrantes do Grupo
Técnico de Trabalho (GTT) para Avaliação de Risco de Agrotóxicos para insetos polinizadores,
grupo que conta com a par cipação de representantes do Ministério do Meio Ambiente, da
Embrapa, de universidades - UFSCar e Unesp - e da indústria. A par cipação da indústria - setor
diretamente afetado pela regulação - em grupos de trabalho também ocorre em diversos outros
países e nas sociedades de ecotoxicologia (SETAC) ao redor do mundo. É importante frisar que os
temas deba dos no GTT são de natureza exclusivamente técnico-cien fica, e as discussões
ocorridas em seu âmbito têm por obje vo fornecer subsídios cien ficos ao Ibama, para que este
aperfeiçoe seus instrumentos de avaliação e de controle sobre agrotóxicos, uma vez que é de sua
responsabilidade a implementação dessas ações. Dado o contexto que mo vou a impugnação da
Chamada, é importante enfa zar que tanto a elaboração da IN nº 02/17 quanto do Manual de
Avaliação de Risco Ambiental de Agrotóxicos para Abelhas veram a par cipação exclusiva de
analistas ambientais do Ibama, não foram em nenhum momento objeto de discussão no GT e
nenhum dos integrantes do GT teve acesso ao conteúdo da norma ou do Manual antes de suas
publicações nos meios oficiais.
3.11. Com o intuito de despertar o interesse e pedir a colaboração para uma maior
divulgação das necessidades de pesquisa, a nota técnica foi enviada ao Conselho Nacional de
Desenvolvimento Cien fico e Tecnológico (CNPq), em 31/01/2017, por meio do O cio

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02001.000857/2017-00/GABIN/IBAMA (0261438), uma vez que esse Conselho tem como principal
atribuição fomentar a pesquisa cien fica e tecnológica no país.
3.12. O Conselho, por meio da nota técnica SEI/CNPq nº 0022160, recomendou a
estruturação de um programa de pesquisa para a salvaguarda dos polinizadores, e o lançamento
de uma Chamada Pública, diante da situação emergencial de demanda de conhecimento no Brasil
para subsidiar as ações reguladoras do Ibama.
3.13. Assim se iniciaram as trata vas para o lançamento da Chamada Pública, que
despertou o interesse do Ministério de Ciência, Tecnologia, Inovação e Comunicações e também
chegou ao conhecimento da Associação A.B.E.L.H.A., que se mostrou interessada em aportar
recursos, ao entender que o conteúdo da nota técnica - divulgada no site do Ibama - nha relação
com sua missão ins tucional.
3.14. O Ministério Público Federal - Procuradoria da República no Município de
Dourados/MS - argumenta que “aexpressa menção do Manual de Avaliação de Risco Ambiental
de Agrotóxicos para Abelhas no presente edital indicia a possível u lização dos estudos para
subsidiar eventual revisão do referido manual. Tal ponto não encontraria obstáculo na u lização
exclusiva de recursos públicos para tal desiderato. No entanto, o custeio de empresas privadas,
en dades sindicais que cons tuam possíveis alvos da regulação e consequente fiscalização
acarreta óbice intransponível à celebração da parceria em comento. Logo, com fundamento no art.
40 da lei nº 13.019/2014 c/c art. 532 da lei nº 9784/19993 , nos termos e prazos con dos no
referido edital impugna a presente chamada.“ (grifo nosso)
3.15. O art. 40 da referida lei dispõe que:
É vedada a celebração de parcerias previstas nesta Lei que tenham por objeto, envolvam ou
incluam, direta ou indiretamente, delegação das funções de regulação, de fiscalização, de
exercício do poder de polícia ou de outras a vidades exclusivas de Estado. (grifo nosso)
3.16. Cabe aqui esclarecer que um dos obje vos da Chamada Pública alvo do pedido de
impugnação é gerar conhecimento que possa ser aplicado diretamente no desenvolvimento de
metodologias de avaliação de risco de agrotóxicos. Esse obje vo poderá ser alcançado por meio
dos projetos apresentados para as linhas 3 e 4, que são as linhas de interesse direto do Ibama. A
menção expressa do Manual na Chamada se refere aos critérios mínimos que devem ser
observados para o desenvolvimento da pesquisa - os quais estão listados no anexo VII do Manual -
e que são os mesmos critérios já u lizados, hoje, para se u lizar um dado de literatura aberta nas
avaliações de risco, em lugar de um dado cuja propriedade é da empresa registrante. Não faria
sen do algum financiar pesquisas que não atendessem ao menos o que já é exigido hoje para se
considerar válidos estudos disponíveis em periódicos cien ficos.
3.17. Quanto a uma “eventual revisão do referido manual” faz-se necessário enfa zar
que já na nota técnica anteriormente mencionada o Ibama deixa claro que há incertezas quanto ao
uso da espécie Apis mellifera nas avaliações de risco, e que para se avaliar a necessidade de se
incluir uma ou mais espécies de abelhas na vas que pudessem ser representa vas das demais
espécies brasileiras mais informações são necessárias. Considerando a falta de informações sobre
quais espécies de abelhas na vas fornecem serviços de polinização às culturas e a ausência de
dados de toxicidade sobre essas espécies e, visando, dessa forma, selecionar algumas espécies
na vas representa vas para as quais mais dados poderiam ser reunidos ou produzidos, um
trabalho pioneiro foi desenvolvido no âmbito do GTT com o obje vo de iden ficar quais espécies
de abelhas na vas têm maior ocorrência nos ambientes agrícolas brasileiros e, portanto, têm uma
maior probabilidade de exposição direta aos agrotóxicos. Este trabalho resultou numa matriz de
seleção de espécies e está em vias de publicação pelo Ibama em parceria com a Embrapa2. Essa
mesma metodologia foi apresentada no evento 13th Interna onal Symposium "Hazards of
pes cides to bees" organizado pela ICPPR - Interna onal Commission for Plant-pollinator
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Rela onships - em outubro de 2017, com ó ma aceitação entre o público presente cons tuído de
agências reguladoras e de pesquisadores de diversos países e um ar go em inglês está sendo
preparado com previsão de publicação em 2018. Mais cedo, em Janeiro de 2017, o Ibama
par cipou de um workshop organizado pela Agência de Proteção Ambiental dos Estados Unidos,
onde apresentou as diferenças entre as abelhas na vas sem ferrão, de extrema importância para o
Brasil, e a espécie padronizada Apis mellifera, concluindo que mais dados são necessários para se
averiguar o nível de proteção oferecido pelos esquemas atuais de avaliação de risco para as
espécies na vas. Esses são exemplos do esforço que o Ibama tem empregado para que suas
manifestações sejam cien ficamente embasadas ao máximo, mesmo diante da notória escassez
de recursos humanos e financeiros para se inves r em pesquisas. Assim, os resultados das
pesquisas decorrente desta Chamada Pública podem, sim, vir a subsidiar uma revisão do Manual,
mas para torná-lo mais abrangente, mais robusto, melhor adaptado à proteção das espécies
na vas e não menos restri vo. É importante destacar que o desenvolvimento das ferramentas de
avaliação, a necessidade de incluir ou não outro organismo no esquema atual, a escolha dos
critérios de tomada de decisão e a tomada de decisão em si referente à avaliação ambiental
devem ser feitas com base em dados cien ficos confiáveis e con nuam sendo prerroga va
exclusiva do Ibama.
3.18. Cabe chamar a atenção para o fato de que hoje, como já explanado nos parágrafos
anteriores, a regulação se baseia largamente em dados cuja propriedade é das empresas
registrantes e que são inclusive protegidos por determinado período de tempo pela lei 10.603, de
2002. A intenção da Chamada Pública é justamente trazer transparência à geração do
conhecimento que se pretende u lizar para o aperfeiçoamento dos instrumentos regulatórios, uma
vez que o processo de contratação e os estudos em sua integralidade serão públicos, devem
necessariamente ser conduzidos em rede e não por um pesquisador apenas, e, no caso da linha de
pesquisa 3, serão priorizados aqueles projetos que garan rem a rastreabilidade, de modo a
permi r a auditoria por qualquer interessado. Destacamos um trecho do ar go publicado na
Revista Fapesp, en tulado “Conflito de interesses: um desafio inevitável”4, que julgamos ser
per nente ao caso em questão, que diz “...não nos resta senão lidar com potenciais conflitos de
interesses por meio de estratégias mais complicadas, que muitas vezes só podem ser
completamente definidas caso a caso. No entanto, dois princípios devem ar cular, em todos os
casos, a formulação dessas estratégias: o princípio da plena informação e o princípio da plena
verificabilidade. Não apenas a comunidade dos pesquisadores, mas toda a sociedade, deve ser
informada sobre todas as circunstâncias de realização de um projeto que possa acarretar a
existência de potenciais conflitos de interesse.”
3.19. Diante disso, entendemos que a celebração da parceria envolvendo recurso privado
- ainda que proveniente do setor regulado - não incorre em delegação das funções de regulação,
fiscalização, de exercício do poder de polícia ou de outras a vidades exclusivas de Estado, visto
que a decisão de u lizar ou não o resultado das pesquisas geradas no âmbito desta Chamada
Pública no desenvolvimento das metodologias de avaliação de risco, jus ficando tecnicamente sua
posição, cabe exclusivamente ao Ibama.
3.20. No tocante ao estabelecimento de parcerias público-privadas, cabe também
ressaltar que em 25 de setembro de 2015, líderes dos 193 Estados-membros das Nações Unidas
aprovaram, por consenso, em Nova Iorque, a adoção da Agenda 2030 e dos 17 Obje vos de
Desenvolvimento Sustentável (ODS). No cerne do documento, está a preocupação em integrar os
três pilares do desenvolvimento — social, econômico e ambiental. Com a assinatura do Acordo,
nosso país assumiu o compromisso internacional de, até 2030, contribuir com o alcance dos ODS.
A implementação da Agenda 2030 demanda esforços de diferentes setores da sociedade. A
presente Chamada Pública, se bem sucedida, auxiliará no cumprimento de alguns dos ODS,
principalmente o 2, 8, 15 e 17. O ODS 17 trata especificamente do estabelecimento de parcerias
em prol das metas, dando destaque às parcerias mul ssetoriais que mobilizem e compar lhem
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conhecimento, experiência, tecnologia e recursos financeiros para apoiar a realização dos
obje vos do desenvolvimento sustentável em todos os países, par cularmente nos países em
desenvolvimento. Além disso uma das metas acordadas dentro desse ODS é incen var e promover
parcerias públicas, público-privadas, privadas, e com a sociedade civil.
3.21. Entendemos que os resultados desta Chamada Pública são de interesse público
tanto no sen do estrito, ao estabelecer linhas de pesquisa com aplicação prá ca e direta na
formatação de metodologias de acompanhamento por parte do Estado de possíveis impactos dos
agrotóxicos ao meio ambiente, quanto no sen do amplo, gerando dados auditáveis que podem ser
úteis a diversas outras áreas, e especialmente contribuir para o aumento da produ vidade
agrícola, para o conhecimento da biodiversidade dos polinizadores no Brasil e para o cumprimento
do compromisso assumido pelo Brasil no alcance dos obje vos do desenvolvimento sustentável.
Ou seja, espera-se que os bene cios tenham muito maior alcance do que o aperfeiçoamento de
instrumentos regulatórios, o que corrobora a importância da par cipação de todos.
3.22. Por fim, esperamos ter contribuído para um melhor entendimento sobre o contexto
do surgimento da Chamada Pública e as razões pelas quais o Ibama a apóia. Acreditamos que a
transparência é a melhor estratégia para assegurar a lisura, a probidade e a isenção do processo,
valores que são inegociáveis para a equipe do Ibama responsável pelo trabalho resumidamente
exposto nesta nota técnica.
4. REFERÊNCIAS
4.23. 1 Disponível
em h p://www.ibama.gov.br/phocadownload/agrotoxicos/avaliacao/2017/2017-07-27-
nota_tecnica_avaliacao_de_risco_de_agrotoxicos-para-abelhas.pdf
4.24. 2 Pires, C.S.S. et al. Seleção de espécies de abelhas na vas para avaliação de risco
de agrotóxicos. Brasília: Ibama; no prelo.
4.25. 3 Viana-Silva, F. et al. Selec on Matrix for Brazilian bee species to risk assessment
of pes cides. Julius-Kuhn-Archiv, Berlin; a ser subme do.
4.26. 4 Disponível em h p://revistapesquisa.fapesp.br/2001/03/01/conflito-de-interesses-
um-desafio-inevitavel/
5. ANEXOS
5.27. O cio 02001.000857/2017-00/GABIN/IBAMA, enviado ao CNPq em 31/01/2017
(0261438)
5.28. Nota técnica SEI/CNPq nº 0022160
6. CONCLUSÃO
6.29. Pelos mo vos expostos, solicitamos à Presidente do Ibama que este Ins tuto
manifeste-se contrário ao pedido de impugnação feito pelo Ministério Público Federal -
Procuradoria da República no Município de Dourados/MS - da Chamada Pública
CNPq/MCTIC/IBAMA/Associação ABELHA Nº 32/2017.

Documento assinado eletronicamente por FLAVIA ELIZABETH DE CASTRO VIANA SILVA,
Analista Ambiental, em 15/12/2017, às 09:33, conforme horário oficial de Brasília, com
fundamento no art. 6º, § 1º, do Decreto nº 8.539, de 8 de outubro de 2015.

Documento assinado eletronicamente por KARINA DE OLIVEIRA CHAM, Analista
Ambiental, em 15/12/2017, às 09:35, conforme horário oficial de Brasília, com fundamento
no art. 6º, § 1º, do Decreto nº 8.539, de 8 de outubro de 2015.

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Documento assinado eletronicamente por LEANDRO DE OLIVEIRA BORGES, Analista
Ambiental, em 15/12/2017, às 09:35, conforme horário oficial de Brasília, com fundamento
no art. 6º, § 1º, do Decreto nº 8.539, de 8 de outubro de 2015.

Documento assinado eletronicamente por RAFAELA MACIEL REBELO, Coordenadora, em
15/12/2017, às 09:38, conforme horário oficial de Brasília, com fundamento no art. 6º, § 1º,
do Decreto nº 8.539, de 8 de outubro de 2015.

A auten cidade deste documento pode ser conferida no site
h ps://ibamanet.ibama.gov.br/sei/auten cidade, informando o código verificador 1380534
e o código CRC D0BD0AD4.

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