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Faculdade e Escola Técnica Egídio José da Silva

FATEGÍDIO

APOSTILA DE ANATOMIA E
FISIOLOGIA HUMANAS

MAIO/2009

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Organizador:
Prof. MSc. RODRIGO ANTONIO MONTEZANO VALINTIN LACERDA

Colaboradores:
Prof. Esp. ADRÉ LUIS VELANO
Prof. Esp. FABIANA PARO PEREIRA
Prof. Esp. FABRICIO BRITO MUNIZ
Prof. Esp. LEONARDO FIGUEIREDO SANTOS

Capa:
Prof. MSc. RODRIGO ANTONIO MONTEZANO VALINTIN LACERDA e
Secretário SERGIO TELES

Citações:
Esta Apostila foi baseada em texto da Professora MSc. Maria Luisa Miranda Vilela,
Licenciada em Ciências Biológicas pela PUC/MG, tem especialização nos cursos de Biologia
dos Vertebrados pela PUC/MG e Genética Humana pela UnB e mestrado em Microbiologia
pela UFMG (defesa de dissertação em genética molecular de Leishmania). Atualmente é
doutoranda no Curso de Pós-Graduação em Biologia Animal da UnB, pelo Dept° de Genética
e Morfologia, Laboratório de Genética.Lecionou Ciências no Ensino Fundamental, Biologia no
Ensino Médio e Citologia nas Faculdades Metodistas Isabela Hendrix, em Belo Horizonte/MG.
Em Brasília/DF, leciona biologia no ensino médio, desde 1994: em 1994 e 1995, nos Centros
Educacionais La Salle e Sagrada Família; de 1996 até agora, no Centro Educacional
Leonardo da Vinci. Cursos de atualização: Genética e Sociedade (UnB); Bioquímica, Nutrição
e Saúde (UnB); Ecologia e Gestão Ambiental (UFMG).

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Aos alunos:

O mestre disse a um dos seus alunos: Yu,
queres saber em que consiste o
conhecimento? Consiste em ter
consciência tanto de conhecer uma coisa
quanto de não a conhecer. Este é o
conhecimento..

................................................................................................99 12 ...........21 2..................MÉTODOS DE ESTUDO ...7 1..............2 ......... 6 1......................7 ..........8 1..............................................SISTEMA CIRCULATÓRIO ..................INTRODUÇÃO AO ESTUDO DA ANATOMIA .......79 8 ...SISTEMA ARTICULAR .......5 ............................PLANOS ANATÔMICO ..................TERMOS DE RELAÇÃO ANATÔMICA .........................................................................................O SISTEMA DIGESTÓRIO ....3 ..................6 1.8 ...9 1..........NORMAL E VARIAÇÃO ANATÔMICA ...............................10 ............................................1 ..DIVISÃO DO CORPO HUMANO..................TERMOS DE POSIÇÃO E DIREÇÃO...................................................................................................................................SISTEMA NERVOSO ..........................95 11 – SISTEMA SENSORIAL ..1 .........11 .................. 6 1...............................................................VARIAÇÕES ANATÔMICAS NORMAI ......................................SISTEMA REPRODUTOR FEMININO .............................................................SISTEMA RESPIRATÓRIO .......................................................4 .................57 5 ....................................83 9 ...................................................................SISTEMA URINÁRIO/EXCRETOR ...........................................................................3 ...........................................110 .66 6 ................................ 6 1......SISTEMA MUSCULAR ..................... 9 1..SISTEMA TEGUMENTAR ....PLANOS DE DELIMITAÇÃO E SECÇÃO DO CORPO HUMANO...........................CONCEITO DE ANATOMIA ..................................................SISTEMA ESQUELÉTICO................85 10 ....SISTEMA ENDÓCRINO ............................ 5 SUMÁRIO 1 .................................................... 11 2......................................................10 2 – SISTEMAS DE SUSTENTAÇÃO.....................36 4 .......10 1..7 1................NOMENCLATURA ANATÔMICA ..9 .....................................................................2 ................POSIÇÃO ANATÔMICA ............................................................6 .SISTEMA REPRODUTOR MASCULINO ..72 7 ......................................... 11 2.8 1..........27 3 ................

Variação anatômica é qualquer fuga do padrão sem prejuízo da função. desde os primórdios da civilização humana. graças a aquisição de tecnologias inovadoras. Seu estudo tem uma longa e interessante história. o que é encontrado na maioria dos casos. é uma monstruosidade. em geral. Em termos do tamanho da estrutura estudada vai desde todo um sistema biológico. expandiu-se. Tem como metas principais a compreensão dos princípios arquitetônicos da construção dos organismos vivos. Entretanto. A amplitude da anatomia compreende. secare = cortar) e é equivalente etimologicamente a anatomia. associadas com fases diferentes de atividade funcional normal. ou seja. a descoberta da base estrutural do funcionamento das várias partes e a compreensão dos mecanismos formativos envolvidos no desenvolvimento destas. Ela engloba a Embriologia que é o estudo do desenvolvimento até o nascimento. Embora não sejam estanques.3 . atualmente. 6 1 . no curso de evolução. crescimento e envelhecimento.NOMENCLATURA ANATÔMICA . Um excelente e amplo conceito de Anatomia foi proposto em 1981 pela American Association of Anatomists: anatomia é a análise da estrutura biológica. Se a anomalia for tão acentuada que deforme profundamente a construção do corpo. até as mudanças de curto prazo. Contudo. Anatomia é a ciência. passando por organismos inteiros e/ou seus órgãos até as organelas celulares e macromoléculas. a Anatomia pode ser subdividida em três grandes grupos: Anatomia macroscópica. Assim. Dissecação deriva do latim (dis = separar.CONCEITO DE ANATOMIA No seu conceito mais amplo. 1. A palavra Anatomia é derivada do grego anatome (ana = através de. Inicialmente limitada ao observável a olho nu e pela manipulação dos corpos. a complexidade destes grupos torna necessária a existência de estudos específicos.NORMAL E VARIAÇÃO ANATÔMICA Normal. incompatível com a vida. genéticos e ambientais. passando pelas das mudanças de duração intermediária em desenvolvimento. enquanto dissecar é um dos métodos desta ciência. em termos temporais. Anatomia microscópica e Anatomia do desenvolvimento. a artéria braquial mais comumente divide-se na fossa cubital. enquanto a Anatomia Microscópica é aquela relacionada com as estruturas corporais invisíveis a olho nu e requer o uso de instrumental para ampliação. A Anatomia do desenvolvimento estuda o desenvolvimento do indivíduo a partir do ovo fertilizado até a forma adulta. sua correlação com a função e com as modulações de estrutura em resposta a fatores temporais. macro e microscopicamente. utilizando ou não recursos tecnológicos os mais variáveis possíveis. Como não existe perda funcional esta é uma variação. 1. é o estatisticamente mais comum. para o anatomista. microscópios ópticos e eletrônicos. a Anatomia é a ciência que estuda. Quando ocorre prejuízo funcional trata-se de uma anomalia e não de uma variação. em alguns indivíduos esta divisão ocorre ao nível da axila. A Anatomia Macroscópica é o estudo das estruturas observáveis a olho nu. tome = corte).INTRODUÇÃO AO ESTUDO DA ANATOMIA 1. Este é o padrão.2 . Atualmente. ao longo do tempo. a constituição e o desenvolvimento dos seres organizados. desde o estudo das mudanças a longo prazo da estrutura. como lupas. sendo. Este grupo é dividido em Citologia (estudo da célula) e Histologia (estudo dos tecidos e de como estes se organizam para a formação de órgãos).1 .

As porções superiores do trato respiratório e digestivo passam pelo pescoço em direção ao tórax e abdome. Com o extraordinário acúmulo de conhecimentos no final do século passado. a sua relação com o esqueleto (artéria radial). critério misto (m. olfato e paladar.2. com as pontas dos pés dirigidas para frente. A face é a sede dos órgãos dos sentidos da visão. França. posição ortostática ou bípede). Ao designar uma estrutura do organismo. Contém também vasos . visto que a nomenclatura anatômica tem caráter dinâmico. Tronco O tronco é dividido em pescoço. há nomes impróprios ou não muito lógicos que foram conservados. As lesões crânioencefálicas são as causas mais freqüentes de óbito nas vitimas de trauma. Em razão desta falta de metodologia e de inevitáveis arbitrariedades. foram abolidos os epônimos (nome de pessoas para designar coisas) e os termos indicam: a forma (músculo trapézio). referem-se ao objeto de descrição considerando o indivíduo como se estivesse sempre na posição padronizada.N. com a face voltada para a frente. a Anatomia tem sua linguagem própria. a sua posição ou situação (nervo mediano). conhecida sob a sigla de P.5 .1. A primeira tentativa de uniformizar e criar uma nomenclatura anatômica internacional ocorreu em 1895. 2. 1936 e 1950 foram feitas revisões e finalmente em 1955. Em sucessivos congressos de Anatomia em 1933. porque estão consagrados pelo uso.DIVISÃO DO CORPO HUMANO O corpo humano divide-se em cabeça. É suportado pela coluna cervical que abriga no seu interior a porção cervical da medula espinhal. as mesmas estruturas do corpo humano recebiam denominações diferentes nestes centros de estudos e pesquisas. levantador da escápula). 1965 e 1970.1. desde que haja razões suficientes para as modificações e que estas sejam aprovadas em Congressos Internacionais de Anatomia . porém cada país pode traduzi-la para seu próprio vernáculo. Dentro deste princípio. graças aos trabalhos de importantes “escolas anatômicas” (sobretudo na Itália.2. quando escrevem seus textos. Uma linha imaginária passando pelo topo das orelhas e dos olhos é o limite aproximada entre estas duas regiões. tórax. As lesões da face podem ameaçar a vida devido ao sangramento e obstrução das vias aéreas. O crânio contém o encéfalo no seu interior.A. mais de 20 000 termos anatômicos chegaram a ser consignados (hoje reduzidos a poucos mais de 5 000). Revisões subseqüentes foram feitas em 1960. membros inferiores unidos. a nomenclatura procura utilizar termos que não sejam apenas sinais para a memória.4 . na chamada cavidade craniana. 2. foi aprovada oficialmente a Nomenclatura Anatômica. 1. optou-se por uma posição padrão. mas tragam também alguma informação ou descrição sobre a referida estrutura. Deste modo. denominada posição de descrição anatômica (posição anatômica). em Paris. considerando-se que a posição pode ser variável. A língua oficialmente adotada é o latim (por ser “língua morta”). Entretanto. 1. aplicados ao tronco e com as palmas voltadas para frente. Ao conjunto de termos empregados para designar e descrever o organismo ou suas partes dá-se o nome de Nomenclatura Anatômica. os anatomistas. o olhar dirigido para o horizonte. Abriga as aberturas externas do aparelho respiratório e digestivo. podendo ser sempre criticada e modificada. membros superiores estendidos. o seu trajeto (artéria circunflexa da escápula). Cabeça A cabeça é dividida em duas partes: crânio e face. flexor superficial dos dedos – função e situação). Inglaterra e Alemanha). Nela o indivíduo está em posição ereta (em pé. as suas conexões ou inter-relações (ligamento sacroilíaco). (Paris Nomina Anatomica). 7 Como toda ciência. sua função (m. 2. audição.POSIÇÃO ANATÔMICA Para evitar o uso de termos diferentes nas descrições anatômicas. tronco e membros. Pescoço Contém varias estruturas importantes. abdome e pelve.

o coração e os grandes vasos sangüíneos que chegam ou saem do coração. respectivamente.2. ou seja. 2. os quais. Para o tubo digestivo emprega-se os termos oral e aboral. os termos proximal e distal referindo-se às estruturas respectivamente mais próxima e mais distante da raiz do membro. Assim. 1. com suas intersecções.6 . enquanto os . Toda secção do corpo feita por planos paralelos ao mediano é uma secção sagital (corte sagital) e os planos de secção são também chamados sagitais. Por esta razão.7 . o esôfago. um tangente à cabeça – plano cranial ou superior – e outro à planta dos pés – plano podálico – (de podos = pé) ou inferior. Estruturas situadas ao longo do plano mediano são denominadas de medianas. um paralelepípedo. O tronco isolado é limitado. Estes e outros a eles paralelos são também designados como planos frontais. uma estrutura mediana será sempre mediana. os planos de secção que são paralelos aos planos cranial. finalmente. comumente. mais próxima ou mais distante do plano mediano do corpo. 8 sangüíneos calibrosos responsáveis pela irrigação da cabeça. as clavículas e a escápula. os pulmões. ou seja. Os planos descritos são de delimitação. Para estruturas dispostas longitudinalmente. sendo este um conceito absoluto. dois planos verticais tangentes aos lados do corpo – planos laterais direito e esquerdo e. as lesões do trato respiratório e as lesões de grandes vasos com hemorragia severa. pelo plano horizontal que tangencia o vértice do cóccix. inferiormente. as costelas. duas estruturas dispostas em um plano frontal serão chamadas de medial e lateral conforme estejam. Uma terceira estrutura situada entre uma lateral e outra medial é chamada de intermédia. na chamada cavidade torácica. mais próxima ou mais distante do plano anterior. os termos são superior (ou cranial) para a mais próxima ao plano cranial e inferior (ou caudal) para a mais distante deste plano. por serem paralelos à “fronte”. 1. os planos de secção que são paralelos aos planos ventral e dorsal são ditos frontais e a secção é também denominada frontal (corte frontal). Para estruturas dispostas longitudinalmente nos membros emprega-se.TERMOS DE POSIÇÃO E DIREÇÃO A situação e a posição das estruturas anatômicas são indicadas em função dos planos de delimitação e secção. podálico e caudal são horizontais. As lesões do pescoço de maior gravidade são as fraturas da coluna cervical com ou sem lesão medular. dois planos horizontais. determinam a formação de um sólido geométrico.PLANOS DE DELIMITAÇÃO E SECÇÃO DO CORPO HUMANO Na posição anatômica o corpo humano pode ser delimitado por planos tangentes à sua superfície. o esterno. o osso que no homem é o vestígio da cauda de outros animais. referindo-se às estruturas respectivamente mais próxima e mais distante da boca. respectivamente. ou entre uma proximal e outra distal ou ainda uma oral e outra aboral) é denominada de média. A secção é denominada transversal. Tórax Contém no seu interior. um tangente ao ventre – plano ventral ou anterior – e outro ao dorso – plano dorsal ou posterior. os seguintes planos correspondentes: dois planos verticais. ou entre uma superior e outra inferior. este plano é denominado caudal.2. a parte inferior do trato respiratório (vias aéreas inferiores). Duas estruturas localizadas em um plano sagital serão chamadas de anterior (ou ventral) e posterior (ou dorsal) conforme estejam. Tem-se assim. É sustentado por uma estrutura óssea da qual fazem parte a coluna vertebral torácica. É possível traçar também planos de secção: o plano que divide o corpo humano em metades direita e esquerda é denominado mediano. Nos outros casos (terceira estrutura situada entre uma anterior e outra posterior. As lesões do tórax são a segunda causa mais freqüente de morte nas vítimas de trauma. para as faces desse sólido.

ORIGEM EMBRIOLÓGICA Quanto à origem. líquidos ou sólidos). 5. Seu estudo compreende tanto a evolução do indivíduo desde a fase de zigoto até a velhice (ontogenia).brevilíneo: indivíduo baixo com pescoço. . palpação: analisando através do tato é possível verificar a pulsação. pulmão. ressonância nuclear magnética e tomografia computadorizada. sexo: no homem a gordura subcutânea se deposita principalmente na região tricipital. A análise pode ser de órgãos externos (ectoscopia) ou internos (endoscopia). raça: nos brancos a medula espinhal termina entre a primeira e segunda vértebra lombar. idade: os testículos no feto estão situados na cavidade abdominal.b. A anatomia macroscópica pode ser estudada de duas formas: (1) anatomia sistemática ou descritiva. mensuração: permite a avaliação da simetria corporal e de eventuais megalias. Diz-se que dois órgãos são homólogos quando possuem a mesma origem embriológica mas diferentes funções. tórax e membros curtos. acontece quando dois órgãos tem funções semelhantes e diferentes origens embriológicas. 4.c. enquanto na mulher o depósito se dá preferencialmente na região abdominal. como o desenvolvimento de uma estrutura no reino animal (filogenia). Aqui as vísceras costumam estar dispostas mais horizontalmente.8 . A analogia.VARIAÇÕES ANATÔMICAS NORMAIS Existem algumas circunstâncias que determinam variações anatômicas normais e que devem ser descritas: 1. 6. ausculta: ouvindo determinados órgãos em funcionamento (Ex. tipo morfológico constitucional: é o principal fator das diferenças morfológicas. os tendões musculares e as saliências ósseas. 7. por sua vez. pois baseiam-se na comparação da posição de uma estrutura em relação a posição de outra A anatomia é o estudo da forma e da constituição do corpo. 1. 1. 2. Os principais tipos são: 4. 4. métodos de estudo por imagem: inclui o raioX. 3. 4.9 . migrando para a bolsa escrotal e nela se localizando durante a vida adulta. ecografia. 3.: coração. intestino). como. inspeção: analisando através da visão.MÉTODOS DE ESTUDO 1.mediolíneo: características intermediárias. pré-requisito indispensável para o estudo da fisiologia dos órgãos. entre a segunda e a terceira vértebra lombar. que estuda todas as estruturas de uma região e suas relações entre si.longilíneo: indivíduo alto e esguio.a. 4. por exemplo. os membros superiores do homem e as asas dos pássaros. dentre outras coisas. Nessas pessoas o estômago geralmente é mais alongado e as vísceras dispostas mais verticalmente. enquanto que nos negros ela termina um pouco mais abaixo. 2. que ajudam a determinar a composição de órgãos ou estruturas (gases. os órgãos podem ser classificados em homólogos ou análogos. tórax e membros longos. 9 outros termos de posição e direção são relativos. com pescoço. percussão: através de batimentos digitais na superfície corporal podemos produzir sons audíveis. que estuda os vários sistemas separadamente e (2) anatomia topográfica ou cirúrgica. como ocorre com os pulmões humanos e as guelras dos peixes. dissecção: consiste na separação minuciosa dos diferentes órgãos para uma melhor visualização.

o eixo de largura ou transversal. formado pelo deslocamento do eixo de largura ao longo do eixo longitudinal. classificado como heteropolar.TERMOS DE RELAÇÃO ANATÔMICA Inferior ou caudal: mais próximo dos pés.: o fígado está localizado no abdômen. 3. 2.: ventrículo esquerdo adiante e abaixo do átrio esquerdo. Superficial: mais próximo da pele. formado pelo deslocamento do eixo de largura ao longo do eixo ântero-posterior. dividindo o corpo em duas metades aparentemente simétricas. 10 A identificação do tipo morfológico é importante devido às diferentes técnicas de abordagem semiológica. Homolateral ou ipsilateral: do mesmo lado do corpo. o plano frontal ou coronal. Contra-lateral: do lado oposto do corpo. avaliação das variações da normalidade e até mesmo maior incidência de doenças. Esqueletopia: relação com esqueleto.11 . que une o ventre ao dorso. que une o lado direito ao lado esquerdo. que une a cabeça aos pés. 3. Profundo: mais afastado da pele. Idiotopia: relação entre as partes de um mesmo órgão. formado pelo deslocamento do eixo ântero-posterior ao longo do eixo longitudinal. classificado como heteropolar. denominadas antímeros. como por exemplo a hipertensão. Lateral: mais afastado do plano sagital mediano. classificado como homopolar. que é sabidamente mais comum em brevilíneos. Distal: mais afastado do ponto de origem. o plano transversal ou horizontal. Proximal: mais próximo do ponto de origem. Holotopia: localização geral de um órgão no organismo. Anterior ou ventral: mais próximo do ventre.10 .: coração atrás do esterno e da terceira. 2. o plano sagital. No momento em que projetamos um eixo sobre outro temos um plano. Posterior ou dorsal: mais próximo do dorso. o eixo de profundidade ou ântero-posterior. o eixo vertical ou longitudinal. Ex. Sintopia: relação de vizinhança. Medial: mais próximo do plano sagital mediano. 1. Ex. dividindo o corpo em porções chamadas de paquímeros. Superior ou cranial: mais próximo da cabeça. Uma série sucessiva de planos transversais divide o corpo em segmentos denominados metâmeros. o plano sagital mediano. Ex. 4. formado pelo deslocamento do eixo ântero-posterior ao longo do eixo longitudinal na linha mediana. a direita do baço e a esquerda do fígado. 1.PLANOS ANATÔMICOS O corpo humano é dividido por três eixos imaginários: 1. Existem quatro planos principais: 1. .: o estômago está abaixo do diafragma. Ex. quarta e quinta costelas.

temporais. 2. 11 2 – SISTEMAS DE SUSTENTAÇÃO 2. Imagem: AVANCINI & FAVARETTO. coluna vertebral caixa torácica. Moderna. maxilar superior e mandíbula (maxilar inferior). Ed. São Paulo. 2. 1997.SISTEMA ESQUELÉTICO Além de dar sustentação ao corpo. 1997. esfenóide. . São Paulo. occipital. formada pelas escápulas e clavículas. malares ("maçãs do rosto" ou zigomático). Vol. 1-Esqueleto axial 1. que formam um sistema de alavancas movimentadas pelos músculos.1-Caixa craniana Possui os seguintes ossos importantes: frontal. 2-Esqueleto apendicular: compreende a cintura escapular. Imagem: AVANCINI & FAVARETTO. lacrimais. Biologia – Uma abordagem evolutiva e ecológica. Moderna. Ele constitui-se de peças ósseas (ao todo 208 ossos no indivíduo adulto) e cartilaginosas articuladas. cintura pélvica. O esqueleto humano pode ser dividido em duas partes: 1-Esqueleto axial: formado pela caixa craniana. parietais. o esqueleto protege os órgãos internos e fornece pontos de apoio para a fixação dos músculos. Vol.1 . Biologia – Uma abordagem evolutiva e ecológica. Ed. nasal. formada pelos ossos ilíacos (da bacia) e o esqueleto dos membros (superiores ou anteriores e inferiores ou posteriores).

a hipófise. 1. da cabeça da criança. coluna sacral. é dividida em regiões típicas que são: coluna cervical (região do pescoço). 1. no centro geométrico do crânio.3-Caixa torácica É formada pela região torácica de coluna vertebral. será substituída por osso. sendo as 7 primeiras verdadeiras (se inserem diretamente no esterno).no osso esfenóide existe uma depressão denominada de sela turca onde se encontra uma das menores e mais importantes glândulas do corpo humano . coluna cocciciana (coccix). Segundo .2-Coluna vertebral É uma coluna de vértebras que apresentam cada uma um buraco. que facilita a passagem da mesma no canal do parto. osso esterno e costelas. e 2 flutuantes (com extremidades anteriores livres.Fontanela ou moleira é o nome dado à região alta e mediana. que se sobrepõem constituindo um canal que aloja a medula nervosa ou espinhal. coluna torácica. que são em número de 12 de cada lado. coluna lombar. após o nascimento. 12 Observações: Primeiro . 3 falsas (se reúnem e depois se unem ao esterno). não se fixando ao esterno). .

A primeira sustenta o úmero e com ele todo o braço.Membros e cinturas articulares Cada membro superior é composto de braço. A palma da mão é formada pelos metacarpos e os dedos. denominadas articulações. como as do crânio. pelas falanges. 3 . pulso e mão. No joelho. nelas os ossos estão firmemente unidos entre si. formam o tornozelo. . popularmente conhecida como bacia (constituída pelo sacro . Cada membro inferior compõe-se de coxa.Esqueleto apendicular 2-1. O osso do braço – úmero – articula-se no cotovelo com os ossos do antebraço: rádio e ulna. o mais longo do corpo. antebraço. a inferior se chama cintura pélvica. O pulso constitui-se de ossos pequenos e maciços. Os membros estão unidos ao corpo mediante um sistema ósseo que toma o nome de cintura ou de cinta. ele se articula com os dois ossos da perna: a tíbia e a fíbula. os carpos.osso volumoso resultante da fusão de cinco vértebras. tornozelo e pé. A planta do pé é constituída pelos metatarsos e os dedos dos pés (artelhos). os ossos são móveis e permitem ao esqueleto realizar movimentos. 13 2. a segunda dá apoio ao fêmur e a toda a perna. Em outras juntas. são fixas. A cintura superior se chama cintura torácica ou escapular (formada pela clavícula e pela escápula ou omoplata). A região frontal do joelho está protegida por um pequeno osso circular: a rótula. pelas falanges. formado por quatro a seis vértebras rudimentares fundidas). Ossos pequenos e maciços. O osso da coxa é o fêmur. chamados tarsos. Algumas juntas. por um par de ossos ilíacos e pelo cóccix.Juntas e articulações Junta é o local de junção entre dois ou mais ossos. perna.

Vol. cordões resistentes constituídos por tecido conjuntivo fibroso.Classificação dos ossos Os ossos são classificados de acordo com a sua forma em: A . entre a diáfise e cada epífise fica a metáfise. 14 4 . enquanto a epífise e a metáfise. escápula. São constituídos por tecido ósseo esponjoso. existe uma delicada membrana . Moderna. úmero. Exemplos: calcâneo. As superfícies articulares são revestidas por cartilagem. 5 . em parte é amarela.Longos: têm duas extremidades ou epífises. o corpo do osso é a diáfise. funcionando . Biologia – Uma abordagem evolutiva e ecológica.Curtos: têm as três extremidades praticamente equivalentes e são encontrados nas mãos e nos pés.Ligamentos Os ossos de uma articulação mantêm-se no lugar por meio dos ligamentos. Entre as epífises e a diáfise encontra-se um disco ou placa de cartilagem nos ossos em crescimento. Ed. tarsos. A diáfise é formada por tecido ósseo compacto. Os ligamentos estão firmemente unidos às membranas que revestem os ossos. Exemplos: fêmur. São Paulo. por tecido ósseo esponjoso. 1997. C . carpos.responsável pelo crescimento em espessura do osso e também pela consolidação dos ossos após fraturas (calo ósseo). 2. com adaptações B. Revestindo o osso compacto na diáfise. O interior dos ossos é preenchido pela medula óssea. tendo entre elas uma camada de tecido ósseo esponjoso e de medula óssea Exemplos: esterno. ossos da bacia.Planos ou Chatos: são formados por duas camadas de tecido ósseo compacto. que. Imagem: AVANCINI & FAVARETTO. tal disco é chamado de disco metafisário (ou epifisário) e é responsável pelo crescimento longitudinal do osso. ossos do crânio.o periósteo .

A nutrição das células que se localizam dentro da matriz é feita por canais. o tecido adiposo também vai se acumulando dentro dos ossos longos. . Os osteócitos têm um papel fundamental na manutenção da integridade da matriz óssea. é vermelha e gelatinosa. Os ossos ainda são grandes armazenadores de substâncias.TECIDOS QUE FORMAM O ESQUELETO 6. O tecido hemopoiético é popularmente conhecido por "tutano". Nos ossos longos. Destas lacunas formam-se canalículos que se dirigem para outras lacunas. de hematopoiese. 15 como depósito de lipídeos. Diferenças entre os ossos do esqueleto masculino e feminino: 6 . e. substituindo a medula vermelha que ali existia previamente.1 . No tecido ósseo. Por isso.O TECIDO ÓSSEO O tecido ósseo possui um alto grau de rigidez e resistência à pressão. a medula óssea vermelha é encontrada principalmente nas epífises. tornando assim a difusão de nutrientes possível graças à comunicação entre os osteócitos. sobretudo de íons de cálcio e fosfato. aumentando a coordenação e a força do movimento proporcionado pela contração do tecido muscular. A extrema rigidez do tecido ósseo é resultado da interação entre o componente orgânico e o componente mineral da matriz. constituindo o local de formação das células do sangue. As maiores quantidades de tecido hematopoético estão nos ossos da bacia e no esterno. no restante. Também funciona como alavanca e apoio para os músculos. ou seja. suas principais funções estão relacionadas à proteção e à sustentação. destacam-se os seguintes tipos celulares típicos: • Osteócitos: os osteócitos estão localizados em cavidades ou lacunas dentro da matriz óssea. Com o envelhecimento.

• Osteoclastos: os osteoclastos participam dos processos de absorção e remodelação do tecido ósseo. derivadas de monócitos que atravessam os capilares sangüíneos. Esses canais comunicam-se com os canais de Havers. existindo. extensamente ramificadas. até que o citoplasma finalmente se torna acidófilo (com afinidade por corantes ácidos). possuindo uma trajetória perpendicular em relação ao eixo maior do osso. A matriz orgânica. que dão aspecto poroso ao tecido. participando da mineralização da matriz. Essas variedades apresentam o mesmo tipo de célula e de substância intercelular. um conjunto de canais que são percorridos por nervos e vasos sangüíneos: canais de Volkmann e canais de Havers. A classificação baseada no critério histológico admite apenas duas variantes de tecido ósseo: o tecido ósseo compacto ou denso e o tecido ósseo esponjoso ou lacunar ou reticulado. formado pelo canal central . o citoplasma apresenta uma leve basofilia que vai progressivamente diminuindo com o amadurecimento da célula. através da sua ação enzimática. além dos canalículos. • Matriz óssea: a matriz óssea é composta por uma parte orgânica (já mencionada anteriormente) e uma parte inorgânica cuja composição é dada basicamente por íons fosfato e cálcio formando cristais de hidroxiapatita. Possuem sistema de comunicação intercelular semelhante ao existente entre os osteócitos. quando estes são envolvidos completamente por matriz óssea. Nos osteoclastos jovens. Também concentram fosfato de cálcio. São células gigantes e multinucleadas. 16 • Osteoblastos: os osteoblastos sintetizam a parte orgânica da matriz óssea. glicoproteínas e proteoglicanas. cora-se com os corantes específicos do colágeno (pois ela é composta por 95% de colágeno tipo I). escavam a matriz óssea. que percorrem o osso longitudinalmente e que podem comunicar-se por projeções laterais. os ossos apresentam grande sensibilidade e capacidade de regeneração. Por ser uma estrutura inervada e irrigada. O tecido ósseo esponjoso apresenta espaços medulares mais amplos. quando o osso se apresenta descalcificado. sendo formado por várias trabéculas. pode-se observar várias lamelas concêntricas de substância intercelular e de células ósseas. composta por colágeno tipo I. Então. Cada conjunto deste. no entanto. sua síntese protéica diminui e o seu citoplasma torna-se menos basófilo. os osteoblastos destacam-se por apresentar muita basofilia (afinidade por corantes básicos). diferindo entre si apenas na disposição de seus elementos e na quantidade de espaços medulares. O tecido ósseo compacto praticamente não apresenta espaços medulares. Os osteócitos inclusive originam-se de osteoblastos. Os canais de Volkmann partem da superfície do osso (interna ou externa). Dilatações dos osteoclastos. Durante a alta atividade sintética. formando depressões conhecidas como lacunas de Howship. Ao redor de cada canal de Havers.

os ossos apresentam grande sensibilidade e capacidade de regeneração. Tecido ósseo compacto Tecido ósseo esponjoso Os tecidos ósseos descritos são os tecidos mais abundantes dos ossos (órgãos): externamente temos uma camada de tecido ósseo compacto e internamente. 17 de Havers e por lamelas concêntricas é denominado sistema de Havers ou sistema haversiano. que pode ser: vermelha: formadora de células do sangue e plaquetas (tecido reticular ou hematopoiético): constituída por células reticulares associadas a fibras reticulares. Ambas as membranas são vascularizadas e suas células transformam-se em osteoblastos. . Por ser uma estrutura inervada e irrigada. Portanto. são importantes na nutrição e oxigenação das células do tecido ósseo e como fonte de osteoblastos para o crescimento dos ossos e reparação das fraturas. Além disto. Os canais de Volkmann não apresentam lamelas concêntricas. amarela: constituída por tecido adiposo (não produz células do sangue). nas regiões articulares encontramos as cartilagens fibrosas. de tecido ósseo esponjoso. Os ossos são revestidos externa e internamente por membranas denominadas periósteo e endósteo. No interior dos ossos está a medula óssea. respectivamente.

Desempenha a função de suporte de tecidos moles. 6. Com o passar dos anos.O TECIDO CARTILAGINOSO O tecido cartilaginoso é uma forma especializada de tecido conjuntivo de consistência rígida.2 . facilita os deslizamentos e é essencial para a formação e crescimento dos ossos longos. Já no adulto. sendo nutrido pelos capilares do conjuntivo envolvente (pericôndrio) ou através do líquido sinovial das . A cartilagem é um tipo de tecido conjuntivo composto exclusivamente de células chamadas condrócitos e de uma matriz extracelular altamente especializada. às vértebras e às epífises do fêmur e do úmero (ossos longos). ossos do crânio). É um tecido avascular. a medula óssea vermelha presente no fêmur e no úmero transforma-se em amarela. costelas. a medula vermelha fica restrita aos ossos chatos do corpo (esterno. toda a medula óssea é vermelha. reveste superfícies articulares onde absorve choques. não possui vasos sanguíneos. 18 No recém-nascido.

Em alguns casos. No osso longo do adulto. a consistência firme das cartilagens se deve às ligações eletrostáticas entre as glicosaminoglicanas das proteoglicanas e o colágeno. no interior das lacunas encontram-se condrócitos. 3) cartilagem elástica.2. a cartilagem hialina está presente somente na superfície articular. vasos sanguíneos atravessam as cartilagens. As cavidades da matriz. 6. que é constituída por colágeno ou colágeno mais elastina. a cartilagem hialina funciona como placa de crescimento epifisário e essa placa continua funcional enquanto o osso estiver crescendo em comprimento. nos brônquios. Por toda cartilagem há espaços. Essas lacunas são circundadas pela matriz. ocupadas pelos condrócitos.1 . Durante o desenvolvimento ósseo endocondral. 2) fibrocartilagem ou cartilagem fibrosa. . Como o colágeno e a elastina são flexíveis. sendo responsável pelas suas propriedades elásticas. As propriedades do tecido cartilaginoso. o qual continua gradualmente com a cartilagem por uma face e com o conjuntivo adjacente pela outra. também está presente como unidade esquelética na traquéia. 19 cavidades articulares. uma lacuna pode conter um ou mais condrócitos. O tecido cartilaginoso também é desprovido de vasos linfáticos e de nervos. a qual tem dois componentes: fibrilas de colágeno e matriz fundamental Essa cartilagem forma o esqueleto inicial do feto. homogênea e amorfa (figura ao lado). Dessa forma. relacionadas ao seu papel fisiológico. As cartilagens (exceto as articulares e as peças de cartilagem fibrosa) são envolvidas por uma bainha conjuntiva que recebe o nome de pericôndrio. é a precursora dos ossos que se desenvolverão a partir do processo de ossificação endocondral. indo nutrir outros tecidos. na laringe. As cartilagens basicamente se dividem em três tipos distintos: 1) cartilagem hialina. em associação com macromoléculas de proteoglicanas (proteína + glicosaminoglicanas). A matriz extracelular da cartilagem é sólida e firme. são chamadas lacunas. a matriz extracelular serve de trajeto para a difusão de substâncias entre os vasos sangüíneos do tecido conjuntivo circundante e os condrócitos. no nariz e nas extremidades das costelas (cartilagens costais). No adulto. chamados lacunas. embora com alguma flexibilidade.Cartilagem hialina Distingue-se pela presença de uma matriz vítrea. dependem da estrutura da matriz. e à grande quantidade de moléculas de água presas a estas glicosaminoglicanas (água de solvatação) que conferem turgidez à matriz.

Calcificação: a calcificação consiste na deposição de fosfato de cálcio sob a forma de cristais de hidroxiapatita. como nas cavidades articulares e nos locais em que ela entra em contato direto com o osso. em lesões pequenas. em vez de formar novo tecido cartilaginoso. O pericôndrio não está presente nos locais em que a cartilagem forma uma superfície livre. A cartilagem elástica é menos sujeita a processos degenerativos do que a hialina.2. chamado pericôndrio. A cartilagem elástica pode estar presente isoladamente ou formar uma peça cartilaginosa junto com a cartilagem hialina. 20 Pericôndrio: a cartilagem hialina geralmente é circundada por um tecido conjuntivo firmemente aderido. oxigenação.2 . à medida que se aproxima da cartilagem. Regeneração: a cartilagem que sofre lesão regenera-se com dificuldade e. a elástica possui pericôndrio e cresce principalmente por aposição. É rico em fibras de colágeno na parte mais superficial. 2) a calcificação sempre ocorre nas cartilagens que estão para ser substituídas por osso durante o período de crescimento do indivíduo. além de ser fonte de novas células cartilaginosas. A presença desse material elástico (elastina) confere a esse tipo de cartilagem uma cor amarelada. Como a cartilagem hialina. precedida por um aumento de volume e morte das células. quando examinado a fresco. a regeneração se dá pela atividade do pericôndrio. forma uma cicatriz de tecido conjuntivo denso. é mais rico em células. porém. Ela pode ser encontrada . Quando a área destruída é extensa. 6. algumas vezes. o pericôndrio. Havendo fratura de uma peça cartilaginosa.Cartilagem elástica Esta é uma cartilagem na qual a matriz contém fibras elásticas e lâminas de material elástico. células derivadas do pericôndrio invadem a área da fratura e dão origem a tecido cartilaginoso que repara a lesão. No adulto. 3) a cartilagem hialina de todo o corpo se calcifica como parte do processo de envelhecimento. A matriz da cartilagem hialina sofre calcificação regularmente em três situações bem definidas: 1) a porção da cartilagem articular que está em contato com o osso é calcificada. ou mesmo. além das fibrilas de colágeno e da substância fundamental. como a que se pode ver no pavilhão da orelha. tem também a função de nutrição. Sua função não é apenas a de ser uma cápsula de cobertura. salvo em crianças de pouca idade. O material elástico confere maior elasticidade à cartilagem. freqüentemente. de modo incompleto.

Geralmente. Na cartilagem do adulto. 2. 6. as numerosas fibras colágenas constituem feixes. capacitam que partes do corpo se movimentem em resposta a contração muscular. a cartilagem elástica não se calcifica. Diferentemente da cartilagem hialina. Em todos estes locais há pericôndrio circundante. Com a continuidade da secreção da matriz. cartilaginosas e .3 . cada célula ocupa sua própria lacuna. na sínfise púbica. forma-se uma divisão entre as células e.Crescimento A cartilagem possui dois tipos de crescimento: aposicional e intersticial. Na cartilagem fibrosa. A fibrocartilagem está caracteristicamente presente nos discos intervertebrais. os condrócitos freqüentemente estão situados em grupos compactos ou podem estar alinhados em fileiras. 21 no pavilhão da orelha. a presença de fibrocartilagem indica que naquele local o tecido precisa resistir à compressão e ao desgaste. Há pouca produção de matriz adicional e os condrócitos permanecem em íntima aposição. 6. Crescimento aposicional é a formação de cartilagem sobre a superfície de uma cartilagem já existente. O crescimento intersticial ocorre no interior da massa cartilaginosa. Além disto. É uma forma de cartilagem na qual a matriz contém feixes evidentes de espessas fibras colágenas. Quando parte desta última matriz é secretada. Essas uniões não só colocam as peças do esqueleto em contato. nos discos articulares das articulações dos joelhos e em certos locais onde os tendões se ligam aos ossos. que seguem uma orientação aparentemente irregular entre os condrócitos ou um arranjo paralelo ao longo dos condrócitos em fileiras. Isso é possível porque os condrócitos ainda são capazes de se dividir e porque a matriz é distensível. Embora as células-filhas ocupem temporariamente a mesma lacuna. como também permitem que o crescimento ósseo ocorra e que certas partes do esqueleto mudem de forma durante o parto. Essa orientação depende das forças que atuam sobre a fibrocartilagem.3 . as articulações possuem certos aspectos estruturais e funcionais em comum que permitem classificá-las em três grandes grupos: fibrosas. as células ficam ainda mais separadas entre si. na tuba auditiva e na laringe. Os feixes colágenos colocam-se paralelamente às trações exercidas sobre eles. Na fibrocartilagem não existe pericôndrio. As células empenhadas nesse tipo de crescimento derivam do pericôndrio. nas paredes do canal auditivo externo. Esses grupos de condrócitos são formados como conseqüência de várias divisões sucessivas durante a última fase de desenvolvimento. Tais grupos são chamados de grupos isógenos.Fibrocartilagem ou Cartilagem fibrosa A cartilagem fibrosa ou fibrocartilagem é um tecido com características intermediárias entre o conjuntivo denso e a cartilagem hialina. neste ponto. separam-se quando secretam nova matriz extracelular.2. Embora apresentem consideráveis variações entre elas.SISTEMA ARTICULAR Articulação ou juntura é a conexão entre duas ou mais peças esqueléticas (ossos ou cartilagens).2 .

são formadas por várias camadas fibrosas.QUANTO A MANEIRA DE FIXAÇÃO AOS OSSOS -Continuidade (Ex.Quanto a maneira de fixação aos ossos. O grau de mobilidade delas.CLASSIFICAÇÃO DAS ARTICULAÇÕES a.Quanto a duração.Quanto ao número de ossos.B .1.Quanto ao número de eixos. 22 sinoviais. A maneira pela qual as bordas dos ossos articulados entram em contato é variável. O critério para esta divisão é o da natureza do elemento que se interpõe às peças que se articulam. entre o parietal e o temporal. sendo a união suficientemente íntima de modo a limitar intensamente os movimentos. Existem três tipos de articulações fibrosas: sutura. Articulação do cotovelo) 2. Disco intervertebral) -Contigüidade (Ex. embora confiram uma certa elasticidade ao crânio. c.Fibrosas (IMÓVEIS) . sutura denteada. depende do comprimento das fibras interpostas.1. b. sempre pequeno. Articulação do ombro 2. Linha epifisiária) -Permanentes (Ex. d. As suturas. escamosa.1. e.Cartilaginosas ou cartilagíneas (SEMI-MÓVEIS) .QUANTO A NATUREZA DO TECIDO INTERPOSTO . entre os parietais. que são encontradas somente entre os ossos do crânio.QUANTO A DURAÇÃO -Temporárias (Ex.1 . reconhecendo-se suturas planas (união linear retilínea ou aproximadamente retilínea).Sinoviais (MÓVEIS) Articulações fibrosas (móveis) As articulações nas quais o elemento que se interpõe às peças que se articulam é o tecido conjuntivo fibroso são ditas fibrosas (ou sinartroses). 2. 2. No crânio. sindesmose e gonfose.Quanto a natureza do tecido interposto.A .C . a articulação entre os ossos nasais é uma sutura plana. . suturas escamosas (união em bisel) e suturas serreadas (união em linha “denteada”).

a elasticidade do crânio. relativamente longa. o que condiciona um menor ou maior grau de movimentação. polidas e . Exemplos típicos são a sindesmose tíbio-fibular e a membrana interóssea radio-ulnar. as articulações sinoviais possuem três outras características básicas: cartilagem articular. A presença de movimentos nesta articulação significa uma condição patológica. Quando se trata de cartilagem hialina. desapareçam e. no plano mediano. em muitas articulações.Cartilagem Hialina . uma vez que se interpõe entre eles um disco de fibrocartilagem . Estas áreas fibrosas são denominadas fontículos (ou fontanelas). Na idade avançada pode ocorrer ossificação do tecido interposto (sinostose). entre as porções púbicas dos ossos do quadril. fazendo com que as suturas. com elas. cápsula articular e cavidade articular. nas sínfises a cartilagem é fibrosa. no momento do parto. explicando a grande separação entre os ossos e uma maior mobilidade. Exemplo de sínfise é a união. seja fibroso ou cartilagíneo. respectivamente de menor ou maior comprimento das fibras. Para que haja o grau desejável de movimento. nos casos. uma redução bastante apreciável do volume da cabeça fetal pela sobreposição dos ossos do crânio. a cartilagem articular é a cartilagem do tipo hialino que reveste as superfícies em contato numa determinada articulação (superfícies articulares). Além da presença deste líquido. temos as sincondroses. onde a ossificação ainda é incompleta. 23 No crânio do feto e recém-nascido. São elas que permitem.Fribro-cartilagem Nas articulações cartilaginosas o tecido que se interpõe é a cartilagem. a cartilagem articular é a porção do osso que não foi invadida pela ossificação. ou líquido sinovial. Em virtude deste revestimento as superfícies articulares se apresentam lisas. os alvéolos dentários. CLASSIFICAÇÃO DAS ARTICULAÇÕES CARTILAGÍNEAS (semi-móveis) SINCONDROSE SÍNFISE .o disco intervertebral. Gonfose é a articulação específica entre os dentes e seus receptáculos. a quantidade de tecido conjuntivo fibroso interposto é muito maior. ou seja. constituindo a sínfise púbica. Articulações sinoviais CLASSIFICAÇÃO DAS ARTICULAÇÕES SINOVIAIS PLANA GÍNGLIMO TROCÓIDE CONDILAR SELAR ESFERÓIDE A mobilidade exige livre deslizamento de uma superfície óssea contra outra e isto é impossível quando entre elas interpõe-se um meio de ligação. o elemento que se interpõe às peças que se articulam é um líquido denominado sinóvia. pouco a pouco. O tecido fibroso do ligamento periodontal segura firmemente o dente no seu alvéolo. Também as articulações que se fazem entre os corpos das vértebras podem ser consideradas como sínfise. Em ambas a mobilidade é reduzida. Nas sindesmoses os ossos estão unidos por uma faixa de tecido fibroso. Esta redução de volume facilita a expulsão do feto para o meio exterior. formando ou um ligamento interósseo ou uma membrana interóssea. As sincondroses são raras e o exemplo mais típico é a sincondrose esfeno-occipital que pode ser visualizada na base do crânio.

impedem o movimento em planos indesejáveis e limitam a amplitude dos movimentos considerados normais. neles ocorre uma diminuição ou um aumento do ângulo existente entre o segmento que se desloca e aquele que permanece fixo. Apresenta-se com duas camadas: a membrana fibrosa (externa) e a membrana sinovial (interna). que são comuns a todas articulações sinoviais. em direção ao plano mediano ou em direção oposta. os discos e meniscos. a direção do eixo de movimento é sempre perpendicular ao plano no qual se realiza o movimento em questão. exceto para o pé. movimentos das articulações sinoviais As articulações fibrosas e cartilagíneas tem um mínimo grau de mobilidade. Para os dedos prevalece o plano mediano do membro. a seguir. seguindo a regra. Na análise do movimento realizado. respectivamente. obrigatoriamente. de função discutida: serviriam à melhor adaptação das superfícies que se articulam (tornando-as congruentes) ou seriam estruturas destinadas a receber violentas pressões. principalmente nas áreas mais centrais. A membrana sinovial é a mais interna das camadas da cápsula articular. Os . é precária. Além destas características. Estes movimentos ocorrem. como na do joelho. em várias delas encontram-se formações fibrocartilagíneas. A cartilagem articular é avascular e não possui também inervação. com sua característica forma de meia lua. O volume de líquido sinovial presente em uma articulação é mínimo. afastando-se dele. são encontrados na articulação do joelho. em caso de lesões. existem ligamentos independentes da cápsula articular e em algumas. em torno de um eixo. Os movimentos executados pelos segmentos do corpo recebem nomes específicos e aqui serão definidos. em alguns pontos. interpostas às superfícies articulares. apenas os mais comuns: flexão e extensão são movimentos angulares. látero-lateral e longitudinal. a determinação do eixo de movimento é feita obedecendo a regra. Em muitas articulações sinoviais. não se usa a expressão extensão do pé: os movimentos são definidos como flexão dorsal e flexão plantar do pé. Assim. mas além disto. isto é. Os movimentos angulares de flexão e extensão ocorrem em plano sagital e. Sua nutrição. realizou-se a extensão. quando ocorre o aumento. 24 de cor esbranquiçada. aparecem também ligamentos intra-articulares. a cápsula articular é uma membrana conjuntiva que envolve a articulação sinovial como um manguito. É abundantemente vascularizada e inervada. portanto. estando preenchido pelo líquido sinovial Ligamentos e cápsula articular têm por finalidade manter a união entre os ossos. o que torna a regeneração. sendo encarregada da produção da sinóvia (líquido sinovial). o qual tem consistência similar a clara do ovo e tem por funções lubrificar e nutrir as cartilagens articulares. Meniscos. todo movimento é realizado em um plano determinado e o seu eixo de movimento é perpendicular àquele plano. o eixo desses movimentos é látero- lateral. mais difícil e lenta. destinados a aumentar sua resistência. segundo a qual. todavia. Assim. A direção destes eixos é ântero-posterior. a verdadeira mobilidade articular é dada pelas articulações sinoviais. por ligamentos . somente o suficiente para revestir delgadamente as superfícies articulares e localiza-se na cavidade articular. Neste caso. agindo como amortecedores. cavidade articular é o espaço existente entre as superfícies articulares. adução e abdução que são movimentos nos quais o segmento é deslocado. Discos são encontrados nas articulações esternoclavicular e temporomandibular. Quando ocorre a diminuição do ângulo diz-se que há flexão. A primeira é mais resistente e pode estar reforçada. ou seja. denominado eixo de movimento.

De acordo com a nomenclatura anatômica. A articulação acromioclavicular (entre o acrômio da escápula e a clavícula) é um exemplo. Este é o critério adotado para classificá-las funcionalmente. da forma das superfícies que entram em contato e dos meios de união que podem limitá-lo. como a do cotovelo. cujo vértice é representado pela articulação que se movimenta. fazendo com que a amplitude do movimento seja bastante reduzida. e tri-axial se eles forem realizados em torno de três eixos (três graus de liberdade). são ditas tri-axiais. existem divergências entre anatomistas quanto não só a classificação de determinadas articulações.CLASSIFICAÇÃO QUANTO AO NÚMERO DE EIXOS -NÃO AXIAL . as que além de flexão. Entretanto. Neste tipo de movimento. aquelas que realizam extensão. Na dependência destes fatores as articulações podem realizar movimentos em torno de um. perpendicular a este plano é vertical. Assim. a extremidade distal do segmento descreve um círculo e o corpo do segmento. ADUÇÃO/ABDUÇÃO. como a radio- cárpica (articulação do punho). rotação que é o movimento em que o segmento gira em torno de um eixo longitudinal (vertical). extensão. adução e abdução.1. circundução. pode-se reconhecer uma rotação medial. é o resultado do movimento combinatório que inclui a adução.Planas (deslizamento) -UNI-AXIAL . mas também quanto à denominação dos tipos.Gínglimo (flexão/extensão) (EIXO TRANSVERSAL) . Contudo. são uni- axiais. flexão e rotação. adução/abdução) (EIXOS TRANSVERSAL e SAGITAL). extensão.Esferóide (Circundução) (TODOS OS EIXOS) (FLEXÃO/EXTENSÃO. um cone. Além disto. deve-se ressaltar que pequenos deslizamentos entre . ROTAÇÃO MEDILA/LATERAL) O movimento nas articulações depende.Selar (flexão/extensão. flexão. diz-se que é mono-axial ou que possui um só grau de liberdade. e uma rotação lateral. as articulações que só permitem a flexão e extensão. Quando uma articulação realiza movimentos apenas em torno de um eixo. 25 movimentos da adução e abdução desenvolvem-se em plano frontal e seu eixo de movimento é ântero-posterior. quando a face anterior do membro gira em direção ao plano mediano do corpo. nos membros. cujos exemplos típicos são as articulações do ombro e do quadril. 2. permitindo deslizamento de uma superfície sobre a outra em qualquer direção.D .BI-AXIAL . são bi-axiais. abdução. dois ou três eixos. na qual as superfícies articulares são planas ou ligeiramente curvas. os tipos morfológicos de articulações sinoviais são: plana. permitem também a rotação. A rotação é feita em plano horizontal e o eixo de movimento. -TRI-AXIAL . .Condilar (flexão/extensão. abdução e adução. adução/abdução) (EIXOS TRANSVERSAL e SAGITAL). Classificação morfológica das articulações sinoviais O critério de base para a classificação morfológica das articulações sinoviais é a forma das superfícies articulares. no movimento oposto. Deslizamento existe em todas as articulações sinoviais mas nas articulações planas ele é discreto. será bi- axial a que os realiza em torno de dois eixos (dois graus de liberdade). finalmente. essencialmente. às vezes é difícil fazer esta correlação. Assim.Trocóide (rotação medila/lateral) (EIXO LONGITUDINAL) .

as superfícies articulares são segmentos de cilindro e. extensão. Outros são a articulação temporomandibular e as articulações metacarpofalângicas. cilindróides talvez fosse um termo mais apropriado para designá-las. A articulação do cotovelo é um bom exemplo de gínglimo e a simples observação mostra como a superfície articular do úmero. é vertical: são mono-axiais. condilar. Possuem dois eixos de movimento. Todavia. sendo portanto. quando três ou mais ossos participam da articulação ela é denominada composta (a articulação do cotovelo envolve três ossos: úmero. que entra em contato com a ulna. por esta razão. é um exemplo não anatômico de uma articulação esferóide. Estas articulações permitem flexão. as articulações sinoviais do tipo gínglimo são mono-axiais. 2. Na pronação ocorre uma rotação medial do rádio e. também circundução) mas é classificada como bi- axial. 26 vários ossos articulados permitem apreciável variedade e amplitude de movimento. É interessante notar que esta articulação permite flexão.COMPOSTA (ou complexa) 3 ou mais ossosComplexidade de organização Quando apenas dois ossos entram em contato numa articulação sinovial diz- se que ela é simples (por exemplo. a articulação do ombro (entre o úmero e a escápula) e a do quadril (entre o osso do quadril e o fêmur) permitem movimentos de flexão. extensão. único. na supinação.1. as articulações entre as falanges também são do tipo gínglimo e nelas a forma das superfícies articulares não se assemelha a um carretel. É isto que ocorre. A articulação radio-cárpica (ou do punho) é um exemplo.SIMPLES 2 ossos . tri-axial. ou dobradiça. adução e rotação (conseqüentemente. esferóide. O fato é justificado porque a rotação isolada não pode ser realizada ativamente pelo polegar sendo só possível com a combinação dos outros movimentos. trocóide. nas articulações entre os ossos curtos do carpo. selar. cujas superfícies articulares são de forma elíptica e elipsóide seria talvez um termo mais adequado. por exemplo. apresenta-se em forma de carretel. gínglimo. Este é um caso concreto em que o critério morfológico não foi rigorosamente obedecido. apresentando concavidade num sentido e convexidade em outro. Assim. abdução. sendo portanto bi-axiais. na qual a superfície articular de uma peça esquelética tem a forma de sela. Este tipo de articulação permite movimentos em torno de três eixos. abdução. sendo que os nomes referem-se muito mais ao movimento (flexão e extensão) que elas realizam do que à forma das superfícies articulares. a articulação do ombro). extensão. Realizando apenas flexão e extensão. adução.E – CLASSIFICAÇÃO QUANTO AO NÚMERO DE ELEMENTOS ARTICULADOS (OSSOS) . abdução e adução. O suporte de uma caneta de mesa. ulna e rádio). do tarso e entre os corpos das vértebras. rotação e circundução. Inervação . e se encaixa numa segunda peça onde convexidade e concavidade apresentam-se no sentido inverso da primeira. A articulação carpo-metacárpica do polegar é exemplo típico. Estas articulações permitem rotação e seu eixo de movimento. Na posição de descrição anatômica o antebraço está em supinação. que apresenta superfícies articulares que são segmentos de esferas e se encaixam em receptáculos ocos. que pode ser movimentado em qualquer direção. mas não a rotação. na qual. Um exemplo típico é a articulação radio-ulnar proximal (entre o rádio e a ulna) responsável pelos movimentos de pronação e supinação do antebraço. rotação lateral.

Músculo liso: o músculo involuntário localiza-se na pele. As contrações do músculo esquelético permitem os movimentos dos diversos ossos e cartilagens do esqueleto. O músculo cardíaco carece de controle voluntário. estriado esquelético e estriado cardíaco. o principal tipo de sensibilidade é a propriocepção. 27 As articulações sinoviais são muito inervadas. Músculo estriado esquelético: é inervado pelo sistema nervoso central e. O estímulo para a contração dos músculos lisos é mediado pelo sistema nervoso vegetativo. sendo caracterizado pela propriedade de contração e distensão de suas células. As vezes. chama-se músculo voluntário. o que determina a movimentação dos membros e das vísceras. órgãos internos. As terminações nervosas sensíveis a dor são numerosas na membrana fibrosa da cápsula e nos ligamentos e são sensíveis ao estiramento e à torção destas estruturas. como este se encontra em parte sob controle consciente.3 . Contudo.SISTEMA MUSCULAR O tecido muscular é de origem mesodérmica. e atuam em nível de medula espinhal para controle dos músculos que agem sobre a articulação. aparelho reprodutor. Músculo cardíaco: este tipo de tecido muscular forma a maior parte do coração dos vertebrados. essas informações são inconscientes. Os nervos são derivados dos que suprem a pele adjacente ou os músculos que movem as articulações. 2. grandes vasos sangüíneos e aparelho excretor. do grau e direção de movimento. Há basicamente três tipos de tecido muscular: liso. É inervado pelo sistema nervoso vegetati . Das terminações proprioceptoras da cápsula – fusos neurotendinosos – partem impulsos que interpretados no sistema nervoso central informam sobre a posição relativa dos ossos da articulação.

2. ramificadas. multinucleados Miócitos estriados com um ou dois mononucleados e sem estrias (núcleos periféricos). 28 Estriado esquelético Estriado cardíaco Liso Miócitos alongados. núcleos centrais. Contração involuntária. sendo responsável pela movimentação corporal. transversais.1 . estrias longitudinais e transversais. formando o que se chama popularmente de carne. . Miócitos longos. irregularmente Contração involuntária e lenta. Miofilamentos organizam-se em Células alongadas. que se unem por Contração rápida e voluntária estruturas especiais: discos intercalares. Essa musculatura recobre totalmente o esqueleto e está presa aos ossos.Musculatura Esquelética O sistema muscular esquelético constitui a maior parte da musculatura do corpo.3. vigorosa e rítmica.

cujas extremidades são formadas por filamentos de actina e miosina sobrepostos. No seu interior notam-se muitos núcleos. variando de 20 a 100 mícrons (milésimos de milímetro). de 3 a 12 centímetros. fundindo-se umas com as outras. chamado endomísio. terciários). é chamada banda A. septos dos quais se derivam divisões sempre mais delgadas. mais escura. 29 Os músculos esqueléticos estão revestidos por uma lâmina delgada de tecido conjuntivo. A fibra muscular é uma célula cilíndrica ou prismática. manda para o interior do músculo membranas delgadíssimas que envolvem cada uma das fibras musculares. os quais são por isso chamados músculos estriados. Um sarcômero compreende o segmento entre duas linhas Z consecutivas e é a unidade contrátil da fibra muscular. O revestimento dos feixes menores (primários). Dentro da banda A existe uma região mediana mais clara – a banda H – que contém apenas miosina. claras e escuras. No citoplasma da fibra muscular esquelética há muitas miofibrilas contráteis. contêm apenas filamentos de actina. longa. Filamentos de actina e miosina dispostos regularmente originam um padrão bem definido de estrias (faixas) transversais alternadas. Essa estrutura existe somente nas fibras que constituem os músculos esqueléticos. o perimísio. que percorrem o músculo de ponta a ponta. o seu diâmetro é infinitamente menor. pois é a menor porção da fibra muscular com capacidade de contração e distensão. secundários. . A faixa central. constituídas por filamentos compostos por dois tipos principais de proteínas – a actina e a miosina. Em torno do conjunto de miofibrilas de uma fibra muscular esquelética situa-se o retículo sarcoplasmático (retículo endoplasmático liso). denominadas sarcômeros. Dentro da banda I existe uma linha que se cora mais intensamente. A distribuição dos filamentos de actina e miosina varia ao longo do sarcômero. de modo que se tem a idéia de ser a fibra constituída por várias células que perderam os seus limites. denominada linha Z. chamadas banda I. que corresponde a várias uniões entre dois filamentos de actina. As miofibrilas são constituídas por unidades que se repetem ao longo de seu comprimento. O músculo fica assim dividido em feixes (primários. tendo um aspecto de filamento fusiforme. que manda septos para o interior do músculo. Dessa forma. As faixas mais extremas e mais claras do sarcômero. especializado no armazenamento de íons cálcio. podemos dizer que um músculo esquelético é um pacote formado por longas fibras.

2. A contração do músculo esquelético é voluntária e ocorre pelo deslizamento dos filamentos de actina sobre os de miosina. 30 1. Nas pontas dos filamentos de miosina existem pequenas projeções.Contração Ocorre pelo deslizamento dos filamentos de actina sobre os de miosina c sarcômero diminui devido à aproximação das duas linhas Z. pois as invaginações são perpendiculares as miofibrilas. Esse sistema é .Bandas escuras (anisotrópicas – banda A).3. o sarcômero diminui devido à aproximação das duas linhas Z. capazes de formar ligações com certos sítios dos filamentos de actina. forçando-os a deslizar sobre os filamentos de miosina. Essas projeções de miosina puxam os filamentos de actina.2 . 3. 2. Constatou-se. com linha Z central). através de microscopia eletrônica. que o sarcolema (membrana plasmática) da fibra muscular sofre invaginações. e a zona H chega a desaparecer.Núcleos periféricos. formando túbulos anastomosados que envolvem cada conjunto de miofibrilas.Faixas claras (isotrópicas – banda I. Durante a contração muscular. Isso leva ao encurtamento das miofibrilas e à contração muscular. quando o músculo é estimulado. e a zona H chega a desaparecer. Essa rede foi denominada sistema T.

Quando a fibra muscular necessita de energia para manter a contração. Para isso utilizam o glicogênio armazenado no citoplasma das fibras musculares como combustível. Quando o trabalho muscular é intenso. 2. fazendo com que o cálcio ali armazenado seja liberado no hialoplasma. produzindo-se o estado de rigidez cadavérica (rigor mortis). que chega à fibra muscular através de um nervo. desdobra o ATP. que se transforma em ATP. o cálcio é imediatamente rebombeado para o interior do retículo sarcoplasmático.A química da contração muscular O estímulo para a contração muscular é geralmente um impulso nervoso. Uma teoria simplificada admite que. a miosina mantém-se unida à actina. A principal reserva de energia nas células musculares é uma substância denominada fosfato de creatina (fosfocreatina ou creatina-fosfato).3. Assim que cessa o estímulo. que ocorre durante o relaxamento muscular. Dessa forma. o cálcio desbloqueia os sítios de ligação da actina e permite que esta se ligue à miosina. em seqüência. a fibra muscular mostra. iniciando a contração muscular. a miosina adquire uma propriedade ATP ásica. o que faz cessar a contração. liberando a energia de um radical fosfato: . A quantidade de ATP presente na célula muscular é suficiente para suprir apenas alguns segundos de atividade muscular intensa. Em presença desses dois íons. Ao entrar em contato com as miofibrilas. É o que acontece após a morte. isto é. O ATP atua tanto na ligação da miosina à actina quanto em sua separação. O impulso nervoso propaga-se pela membrana das fibras musculares (sarcolema) e atinge o retículo sarcoplasmático. A energia para a contração muscular é suprida por moléculas de ATP produzidas durante a respiração celular. O retículo sarcoplasmático e o sistema T liberam íons Ca++ e Mg++ para o citoplasma. podemos resumir que a energia é inicialmente fornecida pela respiração celular é armazenada como fosfocreatina (principalmente) e na forma de ATP. os seguintes eventos: 1. grupos fosfatos ricos em energia são transferidos da fosfocreatina para o ADP. as células musculares repõem seus estoques de ATP e de fosfocreatina pela intensificação da respiração celular. 31 responsável pela contração uniforme de cada fibra muscular estriada esquelética. não ocorrendo nas fibras lisas e sendo reduzido nas fibras cardíacas. 2.3 . Quando falta ATP. causando enrijecimento muscular. ao receber um estímulo nervoso.

ao microscópio eletrônico podemos notar que suas fibras são alongadas e unidas entre si através de delgadas membranas celulares. de forma rápida e rítmica. Esse complexo ativa uma enzima que fosforila a miosina e permite que ela se ligue à actina. os íons cálcio armazenados no retículo sarcoplasmático são então liberados para o citoplasma e se ligam a uma proteína. caracterizando o encurtamento das miofibrilas. Embora a contração do músculo liso também seja regulada pela concentração intracelular de íons cálcio. Entretanto. vasos e nervos sensitivos e motores provenientes do sistema nervoso autônomo.Musculatura Lisa A estriação não existe nos músculos viscerais.4 . 32 3. resultando então na contração muscular. um só núcleo e não são comandados pela vontade. formando os chamados discos intercalares. A actina e a miosina interagem então praticamente da mesma forma que nos músculos estriados. suas fibras contraem-se independentemente da nossa vontade. 2. mas muito mais curtas do que as fibras musculares esqueléticas: têm.3. típicos da musculatura cardíaca. . sua contração é involuntária. características estas. ou seja. Têm. a resposta da célula é diferente da dos músculos estriados. na verdade. As fibras lisas recebem. de que não há limite entre as fibras. 2. um tamanho que varia de 30 a 450 mícrons. ao microscópio óptico comum. além de lenta.5 . Quando há uma excitação da membrana. músculos lisos. dando a impressão.Musculatura Cardíaca O tecido muscular cardíaco forma o músculo do coração (miocárdio). a calmodulina. além disso. que se chamam. A energia liberada provoca o deslizamento da actina entre os filamentos de miosina.3. Os músculos viscerais são também constituídos de fibras fusiformes. Apesar de apresentar estrias transversais. intermediárias entre os dois outros tipos de tecido muscular As fibras que formam o tecido muscular estriado cardíaco dispõem-se em feixes bem compactos. portanto. também.

• as células musculares cardíacas possuem reservas intracelulares de íons cálcio mais limitada. formando os chamados discos intercalares. intermediárias entre os dois outros tipos de tecido muscular As fibras que formam o tecido muscular estriado cardíaco dispõem-se em feixes bem compactos. Entretanto. os músculos envolvendo órgãos coração (miocárdio) esqueléticos 2. de que não há limite entre as fibras.Musculatura Cardíaca O tecido muscular cardíaco forma o músculo do coração (miocárdio). Características Lisa Estriada Esquelética Estriada Cardíaca Filamentar ramificada Forma Fusiforme Filamentar (anastomosada) Diâmetro: 7mm Tamanho (valores médios) 30mm centímetros 15mm 100mm Comprimento: 100mm Estrias transversais Não há Há Há Núcleo 1 central Muitos periféricos (sincício) 1 central Discos intercalares Não há Não há Há Contração Lenta. dando a impressão. . • tanto o cálcio intracelular quanto o extracelular estão envolvidos na contração cardíaca: o influxo de cálcio externo age como desencadeador da liberação do cálcio armazenado na luz do retículo sarcoplasmático. voluntária Rápida. suas fibras contraem-se independentemente da nossa vontade.6 . • retículo sarcoplasmático menor. Apesar de apresentar estrias transversais. com algumas diferenças : • os túbulos T são mais largos que os do músculo esquelético. 33 A contração muscular segue praticamente os mesmos passos da contração no músculo estriado esquelético . provocando a contração ao atingir as miofibrilas e levando ao relaxamento ao serem bombeados de volta para o retículo. ao microscópio eletrônico podemos notar que suas fibras são alongadas e unidas entre si através de delgadas membranas celulares. ao microscópio óptico comum. características estas. voluntária Formam pacotes bem Formam camadas Formam as paredes do Apresentação definidos. involuntária Rápida. de forma rápida e rítmica. típicos da musculatura cardíaca.3.

3.  Elasticidade – capacidade do tecido de voltar a sua forma após uma contração ou extensão. 2.3. • retículo sarcoplasmático menor.  Contratilidade .8 – TIPOS DE MÚSCULOS . 1. provocando a contração ao atingir as miofibrilas e levando ao relaxamento ao serem bombeados de volta para o retículo. 34 A contração muscular segue praticamente os mesmos passos da contração no músculo estriado esquelético . • tanto o cálcio intracelular quanto o extracelular estão envolvidos na contração cardíaca: o influxo de cálcio externo age como desencadeador da liberação do cálcio armazenado na luz do retículo sarcoplasmático.  Extensibilidade – capacidade do tecido de distender-se.Característica do Tecido Muscular O Tecido Muscular possui quatro características principais que são importantes na compreensão de suas funções:  Excitabilidade – capacidade do tecido muscular de receber e responder a estímulos. • as células musculares cardíacas possuem reservas intracelulares de íons cálcio mais limitada.7 .capacidade de encurta-se e espessar. com algumas diferenças : • os túbulos T são mais largos que os do músculo esquelético.

Porém existem situações em que o músculo pode alterar seus pontos de origem e inserção. quando normalmente o músculo braquial prende-se na face anterior do úmero e da ulna atravessando a articulação do cotovelo.ORIGEM E INSERÇÃO Origem (ponto fixo) é a extremidade do músculo que fica presa à peça óssea que não se desloca. músculo tríceps da perna. flexor plantar flexor dorsal etc. Nos membros. extensor.9 . rotador medial. Exemplo: músculo bíceps braquial. supinador. São então classificados como músculos bíceps. ao contrair-se executa a flexão do antebraço e consideramos sua extremidade umeral como origem e sua extremidade ulnar como inserção. Exemplos clássicos encontramos na musculatura dos membros e a nomenclatura acompanha a classificação. tríceps ou quadríceps. Exemplo: músculo flexor longo dos dedos do pé. Quando há dois tendões são bicaudados. músculos flexores e extensores dos dedos da mão. adutor. pronador. é o braço que se flete sobre o antebraço e a peça óssea em deslocamento é o úmero. Ação: dependendo da ação principal resultante da contração do músculo ele pode ser classificado como flexor. rotador lateral. quando possuem três ou mais policaudados. diz-se que apresentam mais de uma cabeça de origem. 35 2.  Origem: quando os músculos se originam por mais de um tendão.  Inserção: do mesmo modo os músculos podem inserir-se por mais de um tendão. abdutor. Considerando –se a ação do músculo braquial. agora sua extremidade ulnar será a origem e a extremidade umeral será a inserção. Inserção (ponto móvel) é a extremidade do músculo presa à peça óssea que se desloca. Exemplo: quando um atleta eleva seu corpo numa barra. 3 ou 4 cabeças de origem. conforme apresentam 2. . geralmente a origem de um músculo é proximal e a inserção distal. músculo quadríceps da coxa.3.

contam com duas propriedades fundamentais: a irritabilidade (também denominada excitabilidade ou responsividade) e a condutibilidade. Irritabilidade é a capacidade que permite a uma célula responder a estímulos. como os extensores do carpo. ao passo que os da região póstero-lateral são extensores da mão ou dos dedos e supinadores. Estudamos os grupamentos musculares normalmente de acordo com a sua distribuição e respectivas funções: os músculos da região Ântero-medial do antebraço são flexores da mão ou dos dedos e pronadores. porém quando o músculo trabalha a fim de eliminar algum movimento indesejado que poderia ser produzido pelo agonista ele passa a se chamar sinergista. No movimento voluntário há um grande numero de ações musculares que são automáticas e semi-automáticas. Para exercerem tais funções. Essa propriedade é inerente aos vários tipos celulares do organismo. o músculo braquial se opõe a este movimento retardando-o para que ele não execute bruscamente atuando como antagonista.Ação Muscular A analise do movimento é extremamente complexa. Portanto. os músculos flexores dos dedos são os agonistas. capacitam o organismo a perceber as variações do meio (interno e externo). No sistema nervoso diferenciam-se duas linhagens celulares: os neurônios e as células da glia (ou da neuróglia). o movimento principal e dos dedos da mão só que para que o objeto seja pego é necessário que vários outros músculos sejam solicitados a fim de realizar a função. normalmente a ação envolve a ação de vários músculos e a ação em conjunto desses músculos damos o nome de coordenação motora. Quando o músculo tríceps braquial se contrai para fazer a extensão do antebraço. Exemplo: o músculo braquial quando se contrai é o agente ativo na flexão do antebraço sendo um agonista. São os sistemas envolvidos na coordenação e regulação das funções corporais. juntamente com o sistema endócrino. No entanto.SISTEMA NERVOSO O sistema nervoso. mas a propriedade que torna a célula apta a responder. 36 2. sejam eles internos ou externos. impedindo assim aquele movimento indesejado sendo o sinergista. irritabilidade não é uma resposta. Quando o músculo é o principal na execução de um movimento ele é chamado de agonista e quando ele se opõe ao trabalho muscular de agonista (seja para regular a rapidez ou a potencia de ação deste agonista) é chamado de antagonista. tal fato não ocorre porque outros músculos. a difundir as modificações que essas variações produzem e a executar as respostas adequadas para que seja mantido o equilíbrio interno do corpo (homeostase). se contraem e desta forma estabilizam a articulação do punho. a tendência natural é provocar também a flexão da mão. Exemplo: os músculos acionados para manter a estabilidade quando nos abaixamos para pegarmos algum objeto.10 . possibilitando ao organismo a execução de respostas adequadas para a manutenção da homeostase. 3 . Na flexão dos dedos. as respostas emitidas pelos tipos celulares distintos também diferem umas das . Os neurônios são as células responsáveis pela recepção e transmissão dos estímulos do meio (interno e externo).3. como os tendões de inserção destes músculos cruzam a articulação do punho.

Os dendritos são prolongamentos geralmente muito ramificados e que atuam como receptores de estímulos. No caso dos axônios mielinizados envolvidos pelas células de Schwann. . o citoplasma e o citoesqueleto). precisamos primeiro conhecer a estrutura básica de um neurônio e como a mensagem nervosa é transmitida. Do sistema nervoso central partem os prolongamentos dos neurônios. Para compreendermos melhor as funções de coordenação e regulação exercidas pelo sistema nervoso. localizados próximo da coluna vertebral. esses tipos celulares determinam a formação da bainha de mielina . Os axônios podem se ramificar e essas ramificações são chamadas de colaterais. formando feixes chamados nervos. que formam o Sistema Nervoso Central (SNC). Um neurônio é uma célula composta de um corpo celular (onde está o núcleo. e de finos prolongamentos celulares denominados neuritos. a parte celular da bainha de mielina. Esse fenômeno deve-se à propriedade de condutibilidade. funcionando portanto. Os axônios são prolongamentos longos que atuam como condutores dos impulsos nervosos. A região de passagem do impulso nervoso de um neurônio para a célula adjacente chama-se sinapse. Os corpos celulares dos neurônios são geralmente encontrados em áreas restritas do sistema nervoso. que constituem o Sistema Nervoso Periférico (SNP). 37 outras. A resposta emitida pelos neurônios assemelha-se a uma corrente elétrica transmitida ao longo de um fio condutor: uma vez excitados pelos estímulos.por toda a sua extensão em grande velocidade e em um curto espaço de tempo. ou nos gânglios nervosos. um meio (o axônio propriamente dito) e um fim (terminal axonal ou botão terminal). os neurônios transmitem essa onda de excitação . Estas ramificações são chamadas coletivamente de arborização terminal. Em axônios mielinizados existem regiões de descontinuidade da bainha de mielina. onde estão o citoplasma e o núcleo desta célula.invólucro principalmente lipídico (também possui como constituinte a chamada proteína básica da mielina) que atua como isolante térmico e facilita a transmissão do impulso nervoso. que acarretam a existência de uma constrição (estrangulamento) denominada nódulo de Ranvier. como "antenas" para o neurônio. O axônio está envolvido por um dos tipos celulares seguintes: célula de Schwann (encontrada apenas no SNP) ou oligodendrócito (encontrado apenas no SNC) Em muitos axônios. constitui o chamado neurilema.chamada de impulso nervoso . que podem ser subdivididos em dendritos e axônios. O terminal axonal é o local onde o axônio entra em contato com outros neurônios e/ou outras células e passa a informação (impulso nervoso) para eles. Às vezes os axônios têm muitas ramificações em suas regiões terminais e cada ramificação forma uma sinapse com outros dendritos ou corpos celulares. Todos os axônios têm um início (cone de implantação).

octopus. Assim funciona a bomba de sódio e potássio. 38 O impulso nervoso A membrana plasmática do neurônio transporta alguns íons ativamente. Em repouso: canais de sódio fechados. do interior.Porém esse bombeamento não é eqüitativo: para cada três íons sódio bombeados para o líquido extracelular. apenas dois íons potássio são bombeados para o líquido intracelular.br/ensino/anima/atpase/NaKATPase. porém. de volta ao líquido extracelular. que. enquanto o potássio é bombeado ativamente para dentro. que bombeia ativamente o sódio para fora. Membrana é praticamente impermeável ao sódio.furg. é muito permeável ao potássio. em repouso a membrana da célula nervosa é praticamente impermeável ao sódio. Imagem: www. do líquido extracelular para o interior da fibra. e outros.html Somando-se a esse fato. se difunde livremente para o meio extracelular. impedindo sua difusão a favor do gradiente de concentração. impedindo que esse íon se mova a favor de seu gradiente de concentração (de fora para dentro). Sódio é bombeado ativamente para fora . favorecido pelo gradiente de concentração e pela permeabilidade da membrana.

o sódio atravessa a membrana no sentido do interior da célula. são de tamanho e duração fixos. para o lado de fora. surja o potencial de ação. A eletronegatividade excessiva no interior atrai íons potássio de volta para o interior (por difusão e por transporte ativo). a membrana torna-se ainda mais permeável ao potássio. Dizemos. ficando o exterior da membrana positivo e o interior negativo. que migra para o meio interno.com. Por esta razão.org.html pela bomba de sódio e potássio. criando um déficit extra de cargas positivas no interior da membrana. Os potenciais de ação assemelham-se em tamanho e duração e não diminuem à medida em que são conduzidos ao longo do axônio. propagando-se ao longo da fibra. fazendo com que a membrana se torne novamente impermeável a esses íons. Esta inversão vai sendo transmitida ao longo do axônio. Após a repolarização.br/jcc5001pt/museuelectrofisiologia. uma pequena região da membrana torna-se permeável ao sódio (abertura dos canais de sódio). estabelece-se uma diferença de cargas elétricas entre os meios intra e extracelular: há déficit de cargas positivas dentro da célula e as faces da membrana mantêm-se eletricamente carregadas.htm#impulsos Imediatamente após a onda de despolarização ter-se propagado ao longo da fibra nervosa. pelo qual se reestabelece a polaridade normal da membrana. 39 Imagem: www. Ao ser estimulada. . Os impulsos nervosos ou potenciais de ação são causados pela despolarização da membrana além de um limiar (nível crítico de despolarização que deve ser alcançado para disparar o potencial de ação). A entrada de sódio é acompanhada pela pequena saída de potássio. então. Assim. então. o processo traz as diferenças iônicas de volta aos seus níveis originais. que a membrana está polarizada. e todo esse processo é denominado onda de despolarização. ou seja.br/cm/n10/fundamentos/animation.yahoo. Por outro lado. Isso cria novamente eletronegatividade no interior da membrana e positividade no exterior – processo chamado repolarização. o interior da fibra torna-se carregado positivamente. A aplicação de uma despolarização crescente a um neurônio não tem qualquer efeito até que se cruze o limiar e.epub. Imagem: geocities. A repolarização normalmente se inicia no mesmo ponto onde se originou a despolarização. Essa positividade determina a parada do fluxo de íons sódio para o interior da fibra. porque um grande número de íons sódio se difundiu para o interior. muitos íons se difundem. diz-se que os potenciais de ação obedecem à "lei do tudo ou nada". que se torna temporariamente mais negativo do que o normal. a bomba de sódio bombeia novamente os íons sódio para o exterior da membrana. Como a concentração desse íon é maior fora do que dentro da célula. Devido à alta concentração desse íon no interior. então. Como a saída de sódio não é acompanhada pela entrada de potássio na mesma proporção. O potencial eletronegativo criado no interior da fibra nervosa devido à bomba de sódio e potássio é chamado potencial de repouso da membrana.

Nesses de axônios. Conseqüentemente. o potencial de ação se propagará sem decaimento.ao que chamamos condução ortodrômica. Axônios com menor diâmetro necessitam de uma maior despolarização para alcançar o limiar do potencial de ação. uma vez gerado. Uma vez que a membrana axonal é excitável ao longo de toda sua extensão. A velocidade com a qual o potencial de ação se propaga ao longo do axônio depende de quão longe a despolarização é projetada à frente do potencial de ação. é necessário que o potencial de ação. Um potencial de ação iniciado em uma extremidade de um axônio apenas se propaga em uma direção. presença de bainha de mielina acelera a velocidade da condução do impulso . não retornando pelo caminho já percorrido. os potenciais de ação são unidirecionais . seja conduzido ao longo do axônio. depende de certas características físicas do axônio: a velocidade de condução do potencial de ação aumenta com o diâmetro axonal. 40 Para transferir informação de um ponto para outro no sistema nervoso. o que. por sua vez.

1. diencéfalo (tálamo e hipotálamo). situada entre ambos. e PONTE. que se divide em: BULBO. . analisa e integra informações. e tronco cefálico.1 .1 . O SNC recebe. cerebelo. situado caudalmente. É o local onde ocorre a tomada de decisões e o envio de ordens. não acontecendo em toda a extensão da região mielinizada (a mielina é isolante).O Sistema Nervoso Central O SNC divide-se em encéfalo e medula. Nas regiões dos nódulos de Ranvier. O percurso do impulso nervoso no neurônio é sempre no sentido dendrito corpo celular axônio. O encéfalo corresponde ao telencéfalo (hemisférios cerebrais). Fala-se em condução saltatória e com isso há um considerável aumento da velocidade do impulso nervoso. situado cranialmente. a onda de despolarização "salta" diretamente de um nódulo para outro.DIVISÃO DO SISTEMA NERVOSO: 3. MESENCÉFALO. 3. O SNP carrega informações dos órgãos sensoriais para o sistema nervoso central e do sistema nervoso central para os órgãos efetores (músculos e glândulas). 41 nervoso.

também denominada raque) e por membranas denominadas meninges. o restante permanece por entre os sulcos. O telencéfalo ou cérebro é dividido em dois hemisférios cerebrais bastante desenvolvidos. Os órgãos do SNC são protegidos por estruturas esqueléticas (caixa craniana.O TELENCÉFALO O encéfalo humano contém cerca de 35 bilhões de neurônios e pesa aproximadamente 1. proteção e excreção do sistema nervoso.1. Por isso. 42 No SNC. Entre os hemisférios. o córtex ganha diversos sulcos para permitir que o cérebro esteja suficientemente compacto para caber na calota craniana. por seus prolongamentos.1 . contamos ainda com um quarto ventrículo. aracnóide (a do meio) e pia-máter (a interna). . localizado mais abaixo. mais internamente. a substância cinzenta ocorre mais externamente e a substância branca. Em seu desenvolvimento. existem as chamadas substâncias cinzenta e branca.4 kg.1. situadas sob a proteção esquelética: dura-máter (a externa). situam-se as sedes da memória e dos nervos sensitivos e motores. Entre as meninges aracnóide e pia-máter há um espaço preenchido por um líquido denominado líquido cefalorraquidiano ou líquor. 3. no cérebro adulto. ao nível do tronco encefálico. e coluna vertebral. apenas 1/3 de sua superfície fica "exposta". protegendo a medula . que não acompanha o seu crescimento. (LÍQÜOR). participando na nutrição. estão os VENTRÍCULOS CEREBRAIS (ventrículos laterais e terceiro ventrículo). A substância cinzenta é formada pelos corpos dos neurônios e a branca. protegendo o encéfalo. Nestes. São reservatórios do LÍQUIDO CÉFALO-RAQUIDIANO. Com exceção do bulbo e da medula.

2. córtex olfativo: localizado ventral e lateralmente ao hipocampo. localiza-se medialmente ao ventrículo lateral. hipocampo: região do córtex que está dobrada sobre si e possui apenas três camadas celulares. 1. apresenta duas ou três camadas celulares. . sendo a maioria pertencente ao chamado neocórtex. 43 O córtex cerebral está dividido em mais de quarenta áreas funcionalmente distintas. Cada uma das áreas do córtex cerebral controla uma atividade específica.

apresenta muitas camadas celulares e várias áreas sensoriais e motoras. Outros circuitos estão envolvidos em certos aspectos da memória e da função cognitiva. São Paulo.CAUDATO. Publifolha. . formado por fibras axonais (substância branca). A região superficial do telencéfalo. que acomoda bilhões de corpos celulares de neurônios (substância cinzenta). há agrupamentos de corpos celulares neuronais que formam os núcleos (gânglios) da base ou núcleos (gânglios) basais . Série Mais Ciência. envolvidos em conjunto. formado a partir da fusão das partes superficiais telencefálicas e diencefálicas. Como o cérebro funciona. GLOBO PÁLIDO e NÚCLEO SUBTALÂMICO. JOHN. As áreas motoras estão intimamente envolvidas com o controle do movimento voluntário. neocórtex: córtex mais complexo. separa-se do córtex olfativo mediante um sulco chamado fissura rinal. Em meio a este centro branco (nas profundezas do telencéfalo). constitui o córtex cerebral. 2002. no controle do movimento. Imagem:McCRONE. O córtex recobre um grande centro medular branco. 44 3. PUTAMEN. sendo apenas alguns poucos de função motora. Parece que os gânglios da base participam também de um grande número de circuitos paralelos.

para controlar diversos padrões de movimento. B.W. quando uma pessoa inicia um movimento complexo. por sua vez.VL). putamen: funciona em conjunto com o núcleo caudato no controle de movimentos intensionais grosseiros. deve primeiro colocar seu corpo numa posição apropriada e. & PARADISO. que. Artmed Editora. Evidências indicam que a via motora direta funciona para facilitar a iniciação de movimentos voluntários por meio dos gânglios da base. 3.A. M. Neurociências – Desvendando o Sistema Nervoso. M. 2002. Estas células estabelecem sinapses inibitórias em neurônios do globo pálido. Isto é. pelo globo pálido. faz conexões inibitórias com células do tálamo (núcleo ventrolateral . se uma pessoa deseja executar uma função precisa com uma de suas mãos. Acredita-se que essas funções sejam iniciadas. 4. 45 Imagem: BEAR. contrair a musculatura do braço.. núcleo caudato: controla movimentos intencionais grosseiros do corpo (isso ocorre a nível sub- consciente e consciente) e auxilia no controle global dos movimentos do corpo. A conexão do tálamo com a área motora do córtex é excitatória. Ela facilita o disparo de células relacionadas a movimentos na área motora do córtex. Porto Alegre 2ª ed. então. principalmente. Algumas das funções mais específicas dos gânglios basais relacionadas aos movimentos são: 1. .F. a conseqüência funcional da ativação cortical do putâmen é a excitação da área motora do córtex pelo núcleo ventrolateral do tálamo. Portanto. núcleo subtalâmico e áreas associadas: controlam possivelmente os movimentos da marcha e talvez outros tipos de motilidade grosseira do corpo. Essa via origina-se com uma conexão excitatória do córtex para as células do putamen. 2. globo pálido: provavelmente controla a posição das principais partes do corpo. CONNORS. Ambos os núcleos funcionam em associação com o córtex motor.

Aceita-se que o hipotálamo desempenha. & PARADISO. 2002. M. De um modo geral. enquanto que a porção mediana parece mais ligada à aversão. É o hipotálamo que controla a temperatura corporal.2 . O tálamo também está relacionado com alterações no comportamento emocional.O DIENCÉFALO (tálamo e hipotálamo) Todas as mensagens sensoriais. também constituído por substância cinzenta. sendo um dos principais responsáveis pela homeostase corporal. Ele é responsável pela condução dos impulsos às regiões apropriadas do cérebro onde eles devem ser processados. mas também de conexões com outras estruturas do sistema límbico (que regula as emoções). um papel nas emoções. 46 Imagem: BEAR. a participação do hipotálamo é menor na gênese (“criação”) do que na expressão (manifestações sintomáticas) dos estados emocionais. não só da própria atividade. contudo.1. as partes laterais parecem envolvidas com o prazer e a raiva. Porto Alegre 2ª ed. O tálamo atua como estação retransmissora de impulsos nervosos para o córtex cerebral. . B.1. Artmed Editora. passam pelo tálamo antes de atingir o córtex cerebral.F. Neurociências – Desvendando o Sistema Nervoso. 3. Ele faz ligação entre o sistema nervoso e o sistema endócrino. é o principal centro integrador das atividades dos órgãos viscerais. Especificamente..W. com exceção das provenientes dos receptores do olfato.A. que decorre. ainda. regula o apetite e o balanço de água no corpo. CONNORS. Esta é uma região de substância cinzenta localizada entre o tronco encefálico e o cérebro. atuando na ativação de diversas glândulas endócrinas. M. ao desprazer e à tendência ao riso (gargalhada) incontrolável. o sono e está envolvido na emoção e no comportamento sexual. Tem amplas conexões com as demais áreas do prosencéfalo e com o mesencéfalo. O hipotálamo.

que. por sua vez. Muitos dos núcleos do tronco encefálico recebem ou emitem fibras nervosas que entram na constituição dos nervos cranianos. 10 fazem conexão no tronco encefálico. situando-se ventralmente ao cerebelo.1. . (1) recebe informações sensitivas de estruturas cranianas e controla os músculos da cabeça. do encéfalo para a medula espinhal (lado esquerdo do cérebro controla os movimentos do lado direito do corpo. Estes elementos da estrutura interna do tronco encefálico podem estar relacionados com relevos ou depressões de sua superfície.O TRONCO ENCEFÁLICO O tronco encefálico interpõe-se entre a medula e o diencéfalo. se agrupam em feixes denominados tractos. separados por uma rede de fibras nervosas que ocupa a parte central do tronco encefálico). 47 3. Dos 12 pares de nervos cranianos. (2) contém circuitos nervosos que transmitem informações da medula espinhal até outras regiões encefálicas e. função esta que é mediada pela formação reticular (agregação mais ou menos difusa de neurônios de tamanhos e tipos diferentes.1. Possui três funções gerais.3 . Além destas 3 funções gerais. fascículos ou lemniscos. em direção contrária. lado direito de cérebro controla os movimentos do lado esquerdo do corpo). (3) regula a atenção. as várias divisões do tronco encefálico desempenham funções motoras e sensitivas específicas. Na constituição do tronco encefálico entram corpos de neurônios que se agrupam em núcleos e fibras nervosas.

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Imagem: ATLAS INTERATIVO DE ANATOMIA HUMANA. Artmed Editora.

3.1.1.4 - O CEREBELO
Situado atrás do
cérebro está o cerebelo,
que é primariamente um
centro para o controle dos
movimentos iniciados pelo
córtex motor (possui
extensivas conexões com o
cérebro e a medula
espinhal). Como o cérebro,
também está dividido em
dois hemisférios. Porém, ao
contrário dos hemisférios
cerebrais, o lado esquerdo
do cerebelo está
relacionado com os
movimentos do lado
esquerdo do corpo,
enquanto o lado direito, com
os movimentos do lado
direito do corpo.
O cerebelo recebe
informações do córtex
motor e dos gânglios basais
de todos os estímulos
enviados aos músculos. A

49

partir das informações do córtex motor sobre os movimentos musculares que pretende
executar e de informações proprioceptivas que recebe diretamente do corpo (articulações,
músculos, áreas de pressão do corpo, aparelho vestibular e olhos), avalia o movimento
realmente executado. Após a comparação entre desempenho e aquilo que se teve em vista
realizar, estímulos corretivos são enviados de volta ao córtex para que o desempenho real
seja igual ao pretendido. Dessa forma, o cerebelo relaciona-se com os ajustes dos
movimentos, equilíbrio, postura e tônus muscular.

Algumas estruturas do encéfalo e suas funções

Córtex Cerebral
Funções:

• Pensamento
• Movimento voluntário
• Linguagem
• Julgamento
• Percepção

A palavra córtex vem do latim para "casca". Isto porque o córtex é a
camada mais externa do cérebro. A espessura do córtex cerebral varia de 2 a 6
mm. O lado esquerdo e direito do córtex cerebral são ligados por um feixe grosso
de fibras nervosas chamado de corpo caloso. Os lobos são as principais divisões
físicas do córtex cerebral. O lobo frontal é responsável pelo planejamento
consciente e pelo controle motor. O lobo temporal tem centros importantes de
memória e audição. O lobo parietal lida com os sentidos corporal e espacial. o
lobo occipital direciona a visão.

Cerebelo
Funções:

• Movimento
• Equilíbrio
• Postura
• Tônus muscular

A palavra cerebelo vem do latim para "pequeno cérebro”. O cerebelo fica
localizado ao lado do tronco encefálico. É parecido com o córtex cerebral em
alguns aspectos: o cerebelo é dividido em hemisférios e tem um córtex que
recobre estes hemisférios.

50

O
Tronco
Tronco Encefálico Encefálico é
uma área do
Funções: encéfalo
que fica
entre o
• Respiração tálamo e a
• Ritmo dos batimentos cardíacos medula
• Pressão Arterial espinhal.
Possui
várias
Mesencéfalo estruturas
como o
Funções: bulbo, o
mesencéfal
• Visão o e a ponte.
Algumas
• Audição destas
• Movimento dos Olhos áreas são
• Movimento do corpo responsávei
s pelas
funções
básicas
para a
manutenção
da vida como a respiração, o batimento cardíaco e a pressão
arterial.
Bulbo: recebe informações de vários órgãos do corpo,
controlando as funções autônomas (a chamada vida vegetativa):
batimento cardíaco, respiração, pressão do sangue, reflexos de
salivação, tosse, espirro e o ato de engolir.
Ponte: Participa de algumas atividades do bulbo, interferindo
no controle da respiração, além de ser um centro de transmissão de
impulsos para o cerebelo. Serve ainda de passagem para as fibras
nervosas que ligam o cérebro à medula.

O tálamo recebe informações
sensoriais do corpo e as passa para o
córtex cerebral. O córtex cerebral envia
informações motoras para o tálamo
Tálamo
que posteriormente são distribuídas
Funções: pelo corpo. Participa, juntamente com
o tronco encefálico, do sistema
reticular, que é encarregado de “filtrar”
• Integração Sensorial mensagens que se dirigem às partes
• Integração Motora conscientes do cérebro.

também. a medula se conecta com as várias partes do corpo. Ocupa o canal vertebral.A Medula Espinhal Nossa medula espinhal tem a forma de um cordão com aproximadamente 40 cm de comprimento.1. Todas estas áreas são muito importantes para a emoção e reações emocionais. recebendo mensagens e vários pontos e enviando-as para o cérebro e recebendo mensagens do cérebro e transmitindo-as para as várias partes do corpo. . amígdala. os corpos mamilares e o giro do cíngulo. desde a região do atlas . excreção etc. Da medula partem 31 pares de nervos raquidianos que se ramificam. tálamo.) O Sistema Límbico é um grupo de estruturas que inclui hipotálamo. A medula possui dois sistemas de neurônios: o sistema descendente controla funções motoras dos músculos.5 . A medula funciona como centro nervoso de atos involuntários e. O hipocampo também é importante para a memória e o aprendizado. hipocampo. como veículo condutor de impulsos nervosos.até o nível da segunda vértebra lombar. 51 Sistema Límbico Funções: • Comportamento Emocional • Memória • Aprendizado • Emoções • Vida vegetativa (digestão. regula funções como pressão e temperatura e transporta sinais originados no cérebro até seu destino.1. Por meio dessa rede de nervos. 3.primeira vértebra . o sistema ascendente transporta sinais sensoriais das extremidades do corpo até a medula e de lá para o cérebro. circulação.

Durante uma fratura ou deslocamento da coluna. Nesse caso. na área adjacente – a massa branca. os axônios levando sinais para “cima e para baixo” através da área branca adjacente continuariam trabalhando. se o dano for confinado à massa cinzenta. impedindo a entrega de oxigênio e nutrientes para as células não afetadas diretamente. Cada feixe forma um nervo. As fibras nervosas. os distúrbios musculares e sensoriais poderão estar apenas nos tecidos que recebem e mandam sinais aos neurônios “residentes” no nível da fratura. que afetam células vizinhas. que acabam morrendo. Em comparação. As duas regiões também abrigam células da Glia.O Sistema Nervoso Periférico O sistema nervoso periférico é formado por nervos encarregados de fazer as ligações entre o sistema nervoso central e o corpo. que impedem os axônios lesados de crescerem e reconectarem. que podem ser formadas de axônios ou de dendritos.1. na medula espinhal a massa cinzenta localiza-se internamente e a massa branca. 3. células do sistema imunológico iniciam um quadro inflamatório no local da lesão. o paciente só sofrerá paralisia das mãos. O vírus da poliomielite causa lesões na raiz ventral dos nervos espinhais. 52 Os corpos celulares dos neurônios se concentram no cerne da medula – na massa cinzenta. Por exemplo. o trânsito dos sinais será interrompido até o ponto da fratura. Os axônios ascendentes e descendentes.2 . organizam-se em feixes. Cada . antes intactas. Os danos mecânicos promovem rompimento de pequenos vasos sangüíneos. NERVO é a reunião de várias fibras nervosas. sem perder a capacidade de andar ou o controle sobre as funções intestinais e urinárias. células da Glia proliferam criando grumos e uma espécie de cicatriz. o que leva à paralisia e atrofia dos músculos. as vértebras que normalmente protegem a medula podem matar ou danificar as células. Dessa forma. se a área branca for lesada. as células lesadas extravasam componentes citoplasmáticos e tóxicos. a lesão original é só o começo. Infelizmente. formadas pelos prolongamentos dos neurônios (dendritos ou axônios) e seus envoltórios. Teoricamente. externamente (o contrário do que se observa no encéfalo). se a massa cinzenta do segmento da medula onde os nervos rotulados C8 for lesada.

que são formados por prolongamentos de neurônios sensoriais (centrípetos). IX-GLOSSOFARÍNGEO mista percepções sensoriais da faringe. 53 fibra nervosa é envolvida por uma camada conjuntiva denominada endoneuro. XII-HIPOGLOSSO motora Controle dos músculos da faringe. Do encéfalo partem doze pares de nervos cranianos. sensitiva COCLEAR Percepção auditiva (ramo coclear). da pupila e III-OCULOMOTOR motora do cristalino. Os nervos que levam informações da periferia do corpo para o SNC são os nervos sensoriais (nervos aferentes ou nervos sensitivos). tórax e X-VAGO mista vísceras. os nervos são chamados de cranianos. laringe. Percepção postural originária do labirinto (ramo VIII-VESTÍBULO. Percepções sensoriais da orelha. Cada feixe é envolvido por uma bainha conjuntiva denominada perineuro. Percepção gustativa no terço posterior da língua. II-ÓPTICO sensitiva Percepção visual. Em nosso corpo existe um número muito grande de nervos. . VI-ABDUCENTE motora Controle da movimentação do globo ocular. laringe e palato. Controle dos movimentos da mastigação (ramo motor). feixe de axônios de neurônios motores (centrífugos). quando partem da medula espinhal denominam-se raquidianos. VII-FACIAL mista Percepção gustativa no terço anterior da língua (ramo sensorial). dos músculos XI-ACESSÓRIO motora esternoclidomastóideo e trapézio. Nervo craniano Função I-OLFATÓRIO sensitiva Percepção do olfato. laringe. cinco são motores e os quatro restantes são mistos. Seu conjunto forma a rede nervosa. Quando partem do encéfalo. formados por axônios de neurônios sensoriais e por neurônios motores. vestibular). Controle da movimentação do globo ocular. da laringe e da língua. Vários feixes agrupados paralelamente formam um nervo. Existem ainda os nervos mistos. IV-TROCLEAR motora Controle da movimentação do globo ocular. Três deles são exclusivamente sensoriais. palato. Controle dos músculos faciais – mímica facial (ramo motor). V-TRIGÊMEO mista Percepções sensoriais da face. faringe. O nervo também é envolvido por uma bainha de tecido conjuntivo chamada epineuro. Controle motor da faringe. Inervação das vísceras torácicas e abdominais. seios da face e dentes (ramo sensorial). Aqueles que transmitem impulsos do SNC para os músculos ou glândulas são nervos motores ou eferentes.

porém fora dela. Os corpos celulares dos neurônios que formam as fibras motoras localizam-se na medula. Os corpos dos neurônios que formam as fibras sensitivas dos nervos sensitivos situam-se próximo à medula. Essas raízes se unem logo após saírem da medula. • seis pares de nervos sagrados ou sacrais. que é sensitiva. Com base na sua estrutura e função. os 31 pares de nervos raquidianos distribuem-se da seguinte forma: • oito pares de nervos cervicais. Eles se formam a partir de duas raízes que saem lateralmente da medula: a raiz posterior ou dorsal. . e a raiz anterior ou ventral. 54 Os 31 pares de nervos raquidianos que saem da medula relacionam-se com os músculos esqueléticos. reunindo-se em estruturas especiais chamadas gânglios espinhais. De acordo com as regiões da coluna vertebral. que é motora. o sistema nervoso periférico pode ainda subdividir-se em duas partes: o sistema nervoso somático e o sistema nervoso autônomo ou de vida vegetativa. os nervos raquidianos são todos mistos. O conjunto de nervos cranianos e raquidianos forma o sistema nervoso periférico. • doze pares de nervos dorsais. Desse modo. • cinco pares de nervos lombares.

funciona independentemente de nossa vontade e tem por função regular o ambiente interno do corpo. Ele é constituído por fibras motoras que conduzem impulsos do sistema nervoso central aos músculos esqueléticos. também chamado involuntário ou visceral. cardiovascular. controlando a atividade dos sistemas digestório. Um nervo motor do SNP autônomo difere de um nervo motor do SNP voluntário pelo fato de conter dois tipos de neurônios. 55 As ações voluntárias resultam da contração de músculos estriados esqueléticos.1. Esses ramos são formados por pequenas dilatações denominadas gânglios.2 . num total de 23 pares. O corpo celular de uma fibra motora do SNP voluntário fica localizado dentro do SNC e o axônio vai diretamente do encéfalo ou da medula até o órgão que inerva. como o estômago. O sistema nervoso autônomo compõe-se de três partes: • Dois ramos nervosos situados ao lado da coluna vertebral. como o próprio nome diz.SNP Voluntário ou Somático O SNP Voluntário ou Somático tem por função reagir a estímulos provenientes do ambiente externo. que pode ser um músculo liso ou cardíaco. Ele contém fibras nervosas que conduzem impulsos do sistema nervoso central aos músculos lisos das vísceras e à musculatura do coração. • Um conjunto de nervos que liga os gânglios nervosos aos diversos órgãos de nutrição. um neurônio pré- ganglionar e outro pós-ganglionar.1. . que estão sob o controle do sistema nervoso periférico voluntário ou somático. onde o impulso nervoso é transmitido sinapticamente ao neurônio pós-ganglionar. 3. Já as ações involuntárias resultam da contração das musculaturas lisa e cardíaca.2.2. O corpo celular do neurônio pós- ganglionar fica no interior do gânglio nervoso e seu axônio conduz o estímulo nervoso até o órgão efetuador. • Um conjunto de nervos comunicantes que ligam os gânglios aos nervos raquidianos. excretor e endócrino. O corpo celular do neurônio pré-ganglionar fica localizado dentro do SNC e seu axônio vai até um gânglio. controladas pelo sistema nervoso periférico autônomo. o coração e os pulmões.1 . 3.SNP Autônomo ou Visceral O SNP Autônomo ou Visceral. fazendo com que os sistema autônomo não seja totalmente independente do sistema nervoso cefalorraquidiano.

Um corrige os excessos do outro. razão pela qual esses neurônios são chamados colinérgicos. Órgão Efeito da estimulação Efeito da estimulação simpática parassimpática Olho: pupila Dilatada Contraída Músculo ciliar nenhum Excitado Glândulas gastrointestinais vasoconstrição Estimulação de secreção Glândulas sudoríparas sudação Nenhum Coração: músculo (miocárdio) Atividade aumentada Diminuição da atividade Coronárias Vasodilatação Constrição Vasos sanguíneos Constrição Nenhum sistêmicos: Dilatação Nenhum Abdominal Constrição ou dilatação Nenhum Músculo Pele Pulmões: brônquios Dilatação Constrição Vasos sangüíneos Constrição moderada Nenhum Tubo digestivo: luz Diminuição do tônus e da Aumento do tônus e do Esfíncteres peristalse peristaltismo Aumento do tônus Diminuição do tônus Fígado Liberação de glicose Nenhum . se o sistema simpático acelera demasiadamente as batidas do coração. o sistema parassimpático entra em ação. de modo geral. 2002.2. hormônio que produz a resposta de "luta ou fuga" em situações de stress. pelo aumento da pressão arterial. O sistema nervoso autônomo divide-se em sistema nervoso simpático e sistema nervoso parassimpático. como as reduções do ritmo cardíaco e da pressão arterial. o parassimpático entra em ação para diminuir as contrações desses órgãos. Ed. Uma das principais diferenças entre os nervos simpáticos e parassimpáticos é que as fibras pós-ganglionares dos dois sistemas normalmente secretam diferentes hormônios. entre outras. O hormônio secretado pelos neurônios pós-ganglionares do sistema nervoso parassimpático é a acetilcolina. 3. De modo geral. 56 Imagem: LOPES.São Paulo. o sistema simpático é responsável pela aceleração dos batimentos cardíacos. da concentração de açúcar no sangue e pela ativação do metabolismo geral do corpo. Saraiva. 3. Por exemplo. diminuindo o ritmo cardíaco. de maneira antagônica. promovendo aumento da secreção de adrenalina.2. As fibras adrenérgicas ligam o sistema nervoso central à glândula supra- renal.2 – SISTEMA NERVOSO AUTÔNOMO PARASSIMPÁTICO Já o SNP autônomo parassimpático estimula principalmente atividades relaxantes. Por exemplo.2. estimula ações que mobilizam energia. SÔNIA. Os neurônios pós-ganglionares do sistema nervoso simpático secretam principalmente noradrenalina. Se o sistema simpático acelera o trabalho do estômago e dos intestinos. A acetilcolina e a noradrenalina têm a capacidade de excitar alguns órgãos e inibir outros. esses dois sistemas têm funções contrárias (antagônicas). razão por que a maioria deles é chamada neurônios adrenérgicos.2.1. Bio 2.1 – Sistema Nervoso Autônomo Simpático O SNP autônomo simpático. permitindo ao organismo responder a situações de estresse.1.

Quase imediatamente após ter a acetilcolina estimulado a fibra muscular. determinando uma contração muscular. ao mesmo tempo. A vasodilatação muscular permite que o sangue flua facilmente através dos músculos.SISTEMA CIRCULATÓRIO Componentes do Sistema Cardiovascular Os principais componentes do sistema circulatório são: coração. quase todos os nervos simpáticos. Além do mecanismo da descarga em massa do sistema simpático. estimulam. sem alterar os vasos profundos. Esse mediador químico atua nas dobras da membrana. o metabolismo aumentado nos músculos tem um efeito local de dilatação dos vasos sangüíneos musculares. aumentando a sua permeabilidade aos íons sódio. tanto nos gânglios do SNPA simpático como nos do parassimpático. • Exercícios: durante o exercício físico. . 57 Rim Diminuição da produção de urina Nenhum Bexiga: corpo Inibição Excitação Esfíncter Excitação Inibição Ato sexual masculino Ejaculação Ereção Glicose sangüínea Aumento Nenhum Metabolismo basal Aumento em até 50% Nenhum Atividade mental Aumento Nenhum Secreção da medula supra. Aumento Nenhum renal (adrenalina) Em geral. quando os centros simpáticos cerebrais se tornam excitados. a substância neurotransmissora é a acetilcolina. enquanto a vasoconstrição diminui o fluxo sangüíneo em todas as regiões do corpo. Essa despolarização local promove um potencial de ação que é conduzido em ambas as direções ao longo da fibra. preparando o corpo para a atividade. Duas das condições são as seguintes: • Reflexos calóricos: o calor aplicado à pele determina um reflexo que passa através da medula espinhal e volta a ela. exceto no coração e no cérebro. que passa para o interior da fibra. o que permite a despolarização da membrana. Nas junções neuro-musculares. Nos dois casos. ela é destruída. despolarizando essa área da membrana do músculo. 4 . sangue. porém. vasos sangüíneos. dilatando os vasos sangüíneos cutâneos. algumas condições fisiológicas podem estimular partes localizadas desse sistema. Também o aquecimento do sangue que passa através do centro de controle térmico do hipotálamo aumenta o grau de vasodilatação superficial. o sistema simpático tem efeito vasoconstritor para a maioria das outras regiões do corpo. simultaneamente. vasos linfáticos e linfa. ocorrem sinapses químicas entre os neurônios pré-ganglionares e pós- ganglionares.

.CORAÇÃO O coração é um órgão muscular oco que se localiza no meio do peito. O relaxamento. comunica-se com o ventrículo esquerdo através da válvula bicúspide ou mitral. denominadas ventrículos. denominadas átrios (ou aurículas) e duas inferiores. ligeiramente deslocado para a esquerda. apresenta quatro cavidades: duas superiores.1 . As câmaras cardíacas contraem-se e dilatam-se alternadamente 70 vezes por minuto. como o dos demais mamíferos. sob o osso esterno. 58 4. é a diástole. O coração humano. O átrio esquerdo. sempre dos átrios para os ventrículos. por sua vez. tem o tamanho aproximado de um punho fechado e pesa cerca de 400 gramas. que acontece entre uma sístole e a seguinte.A função das válvulas cardíacas é garantir que o sangue siga uma única direção. O átrio direito comunica-se com o ventrículo direito através da válvula tricúspide. O processo de contração de cada câmara do miocárdio (músculo cardíaco) denomina-se sístole. em média. Em uma pessoa adulta.

São Paulo. enquanto o músculo atrial se contrai cerca de 60 vezes por minuto e o músculo ventricular. de modo que o ritmo Imagem: AVANCINI & FAVARETTO. os impulsos originados do nódulo SA espalham-se para os átrios e ventrículos.A atividade elétrica do coração Nódulo sinoatrial (SA) ou marcapasso ou nó sino-atrial: região especial do coração. A freqüência rítmica dessa fibras musculares é de aproximadamente 72 contrações por minuto. Biologia – Uma do nódulo SA torna-se o ritmo de todo abordagem evolutiva e ecológica. cerca de 20 vezes por minuto. 59 a. Devido ao fato do nódulo sinoatrial possuir uma freqüência rítmica mais rápida em relação às outras partes do coração. por isso é chamado marcapasso. . Ed. Localiza-se perto da junção entre o átrio direito e a veia cava superior e é constituído por um aglomerado de células musculares especializadas. Vol. o coração. Moderna. 1997. que controla a freqüência cardíaca. estimulando essas áreas tão rapidamente. 2.

geralmente com efeitos antagônicos aos neurônios adrenérgicos. Os neurônios pós-ganglionares do sistema nervoso simpático secretam principalmente noradrenalina. (3) diminuição na velocidade de condução dos impulsos através do nódulo AV (átrio-ventricular) . composto de fibras musculares cardíacas especializadas. Esses efeitos podem ser resumidos. da glicose sangüínea e da atividade mental. a eficácia da ação cardíaca pode ser muito modificada pelos impulsos reguladores do sistema nervoso central. b. diminuição da pressão arterial e da freqüência respiratória. tornando mais forte o batimento cardíaco quando necessário. algumas vezes aumentando a capacidade de bombear sangue em até 100 por cento. cerca de 2 m por segundo. que transmitem os impulsos com uma velocidade aproximadamente 6 vezes maior do que o músculo cardíaco normal. além da constrição dos vasos sangüíneos da pele. indubitavelmente há um menor desgaste do órgão. Usualmente. na porção anterior do hipotálamo. Em geral. a estimulação parassimpática do cérebro promove bradicardia (redução dos batimentos cardíacos). e (4) diminuição do fluxo sangüíneo através dos vasos coronários que mantêm a nutrição do próprio músculo cardíaco. dizendo-se que a estimulação parassimpática diminui todas as atividades do coração. Esses efeitos são transmitidos através dos centros de controle cardiovascular da porção inferior do tronco cerebral. 60 Sistema De Purkinje ou fascículo átrio-ventricular: embora o impulso cardíaco possa percorrer perfeitamente todas as fibras musculares cardíacas.Controle Nervoso do Coração Embora o coração possua seus próprios sistemas intrínsecos de controle e possa continuar a operar. . ou outras condições que exigem um rápido fluxo sangüíneo através do sistema circulatório. durante os períodos de repouso. O neurotransmissor secretado pelos neurônios pós-ganglionares do sistema nervoso parassimpático é a acetilcolina. A adrenalina é responsável pela taquicardia (batimento cardíaco acelerado). (2) diminuição da força de contração do músculo atrial. A estimulação simpática do cérebro também promove a secreção de adrenalina pelas glândulas adrenais ou supra-renais. a estimulação do hipotálamo posterior aumenta a pressão arterial e a freqüência cardíaca. razão pela qual são denominados colinérgicos. Esse efeito é necessário quando um indivíduo é submetido a situações de estresse. o coração possui um sistema especial de condução denominado sistema de Purkinje ou fascículo átrio- ventricular. A estimulação dos nervos parassimpáticos causa os seguintes efeitos sobre o coração: (1) diminuição da freqüência dos batimentos cardíacos. determinando notável diminuição da freqüência cardíaca e da pressão arterial. e daí passam a ser transmitidos através do sistema nervoso autônomo. pois. dizendo-se que a estimulação simpática aumenta a atividade cardíaca como bomba. sem quaisquer influências nervosas. em contraste com 0. acarreta efeitos opostos. os efeitos simpáticos sobre o coração constituem o mecanismo de auxílio utilizado numa emergência. aumento da pressão arterial e da freqüência respiratória. tais como exercício. enquanto que a estimulação da área pré-óptica. e (3) aumento do fluxo sangüíneo através dos vasos coronários visando a suprir o aumento da nutrição do músculo cardíaco. os sistemas parassimpático e simpático. Isso talvez ajude a preservar os recursos do coração. Todos esses efeitos podem ser resumidos. aumentando o período de retardo entre a contração atrial e a ventricular. ou fibras de Purkinje (Feixe de Hiss ou miócitos átrio-ventriculares). A estimulação dos nervos simpáticos apresenta efeitos exatamente opostos sobre o coração: (1) aumento da freqüência cardíaca. razão pela qual são denominados neurônios adrenérgicos. O sistema nervoso é conectado com o coração através de dois grupos diferentes de nervos. doença. relaxamento muscular e outros efeitos antagônicos aos da adrenalina. (2) aumento da força de contração. aumento da secreção do suor. juntamente com o restante do corpo. Por conseguinte. a função cardíaca é reduzida pelo parassimpático durante o período de repouso. Dessa forma. calor excessivo.3 m por segundo no músculo cardíaco.

Sopro no coração É uma alteração no fluxo do sangue dentro do coração provocada por problemas em uma ou mais válvulas cardíacas ou por lesões nas paredes das câmaras. Tratamento: Como existem várias causas possíveis.br/saude/hospital1.2 . cujas células ficaram sem receber sangue com oxigênio e nutrientes. Mas existem formas de evitar que ele se agrave.com.Infarto do miocárdio É a morte de uma área do músculo cardíaco.braile. Para isso. Na maioria das vezes. o médico precisa ver o que está provocando o problema antes de iniciar o tratamento — que vai desde simples medicamentos até intervenções cirúrgicas para conserto ou substituição das válvulas. quando o sopro é muito forte.ALGUNS DISTÚRBIOS CARDÍACOS 4. Imagem: www. que podem modificar as válvulas. ele certamente precisará ser tratado.2. No entanto. Prevenção: Não há uma maneira de prevenir o sopro. que poderão ser de material biológico ou fabricadas a partir de ligas metálicas. a insuficiência cardíaca e o infarto.1 .2. . Outras vão apresentar esse tipo de alteração por causa de males como a febre reumática. que mostra o fluxo sangüíneo dentro do coração.2 . Algumas pessoas já nascem com válvulas anormais. não existem seqüelas. 61 Fatores que aumentam a freqüência cardíaca Fatores que diminuem a freqüência cardíaca Queda da pressão arterial inspiração excitação raiva Aumento da pressão arterial dor expiração hipóxia (redução da disponibilidade de oxigênio para as tristeza células do organismo) exercício adrenalina febre 4. realizando exames de check-up. é importante que você saiba se tem ou não o problema.pdf Sintomas: Sopros são caracterizados por ruídos anormais. 4. O problema pode ser diagnosticado de maneira mais precisa pelo exame de ecocardiograma. percebidos quando o médico ausculta o peito e ouve um som semelhante ao de um fole. pois um volume considerável de sangue sem oxigênio irá se misturar com o sangue que já foi oxigenado. decorrente de lesões nas paredes das câmaras.

A gordura vai se acumulando nas paredes das coronárias (artérias que irrigam o próprio coração). impedindo que o sangue flua livremente.quando as placas de gordura entopem completamente a artéria. Também pode ocorrer da placa crescer tanto que obstrui o caminho sangüíneo completamente.unifesp. Prevenção: Evite o cigarro. os médicos podem optar pela angioplastia.html . Conforme a situação. pode acontecer por entupimento . o sangue não passa.com/htm/homb/articulo/infarca1. ou seja. basta um espasmo — provocado pelo estresse — para que a passagem da circulação se feche. Também não deixe de controlar a pressão arterial. os alimentos ricos em colesterol e o sedentarismo. Com o tempo. Dessa forma. A interrupção da passagem do sangue nas artérias coronárias também pode ocorrer devido contração de uma artéria parcialmente Imagem: www.saludhoy. o coração não terá a menor chance de se recuperar. Ali. Tratamento: Em primeiro lugar. formam-se placas. o estresse. Então. que pode se irradiar pelo braço esquerdo e pela região do estômago. Outra saída é a cirurgia: os médicos constroem um desvio da área infartada — a ponte — com um pedaço da veia safena da perna ou da artéria radial ou das artérias mamárias. 62 A interrupção do fluxo de sangue para o coração pode acontecer de várias maneiras. Sintomas: O principal sinal é a dor muito forte no peito. procurando um atendimento imediato — a área do músculo morta cresce feito uma bola de neve com o passar do tempo. ele infla para eliminar o obstáculo gorduroso.br/dmed/cardio/ch/cardio. Se ficar grande demais. em que um catéter é introduzido no braço e levado até a coronária entupida.htm obstruída ou à formação de coágulos (trombose). as células no trecho que deixou de ser banhado pela circulação acabam morrendo. deve-se correr contra o relógio. que são os principais fatores de risco. Imagem: www.

com/HotSprings/Villa/1298/heartmate. formando uma ponte para normalizar o fluxo sangüíneo.pdf Imagens: www.braile. dependendo da necessidade do paciente.br/saude/hospital1.html Cateterismo (angioplastia por stent): . que pode ser a veia safena (da perda).geocities. Imagem: www.com. O número de pontes pode variar de 1 a 5. 63 Revascularização do miocárdio: durante a cirurgia um vaso sangüíneo. a artéria radial (do braço) e/ou as artérias mamárias (direita ou esquerda) são implantadas no coração.

2. Sintomas: Na taquicardia. Imagem: www. . também Imagem: Revista Saúde é Vital pode surgir a parada cardíaca. Nas bradicardias ocorrem tonturas e até desmaios. A agitação costuma fazê-lo tremer.htm Descobertas recentes indicam que os efeitos protetores do HDL colesterol (“bom colesterol”) derivam não só da remoção do LDL colesterol dos vasos. A aterosclerose muitas vezes cauda oclusão coronária aguda. de depósitos contendo principalmente LDL colesterol (“mau colesterol”). se desenvolve em placas duras. paralisado. ou mesmo de consistência óssea dura. Já na taquicardia chegam a acontecer mais de 100 batimentos nesse mesmo período. é capaz de alterar o ritmo cardíaco. nas paredes das artérias. semelhantes aos ossos. eventualmente.br/dmed/cardio/ch/cardio. pode ficar lento a ponto de parar. Várias doenças podem dispará-la. mas também por interferirem na oxidação de LDL. onde seus componentes se oxidam e sofrem outras alterações.Aterosclerose Doença devida ao aparecimento.unifesp.Arritmia Toda vez que o coração sai do ritmo certo. o principal sintoma é a palpitação. A bradicardia ocorre quando o coração passa a bater menos de 60 vezes por minuto — então. Os componentes alterados dão origem a uma resposta inflamatória que altera progressiva e perigosamente os vasos. Trabalhos recentes indicam que o LDL se acumula no interior das paredes dos vasos. Ela ocorre tanto em indivíduos saudáveis quanto em doentes. freqüentemente. Dessa forma.3 . cada um dando uma ordem para ele bater de um jeito. diz-se que há uma arritmia. parar de fumar. a combinação do cálcio dos líquidos orgânicos com gordura forma compostos sólidos de cálcio que. caracterizando uma condição chamada arteriosclerose ou endurecimento das artérias. Os batimentos perdem o compasso de diversas maneiras. Às vezes surgem novos focos nervosos no músculo cardíaco.2. assim como fatores emocionais — o estresse. em vez de contrair e relaxar normalmente. mas também pequenas quantidades de fosfolipídios e gorduras neutras (placas de ateroma). por exemplo. fazer exercícios físicos. No caso. mas nos estágios terminais os vasos podem tornar-se extremamente fibróticos e contraídos. 64 4.4 . Prevenção:Reduzir o peso e a ingestão de gorduras saturadas e colesterol (presente apenas em alimentos de origem animal). no estágio inicial da aterosclerose aparecem apenas depósitos gordurosos nas paredes dos vasos. 4. Gradualmente desenvolve-se fibrose dos tecidos situados ao redor ou no interior dos depósitos gordurosos e. provocando infarto do miocárdio ou "ataque cardíaco".

a hipertensão incida mais e de forma mais severa hipertensão. O cigarro. os fumantes têm risco entre 100% e 800% maior de contrair infecções respiratórias bacterianas e viróticas. surdez etc. Decorre de proliferação conjuntiva em substituição às fibras elásticas. 5 . 4. Hoje os cirurgiões conseguem implantar no coração um pequeno aparelho. esôfago. com perigos genéticos. Pode surgir como conseqüência da aterosclerose (estágios terminais) ou devido ao tabagismo. 80% dos casos de câncer do pulmão e 25% dos casos de infarto do miocárdio. renais (causando insuficiência renal) ou de outros órgãos vitais. como faz com outras enrijecimento das artérias. Veja na tabela a seguir o “peso” de cada um desses ingredientes: Etnia ou raça:Por motivos também de ordem genética Genética: fatores genéticos podem predispor à talvez. Caracteriza-se por uma pressão sistólica superior a 14cm de mercúrio (14 cmHg = 140 mmHg) e uma pressão diastólica superior a 9 cm de mercúrio (9 cmHg ou 90 mmHg). Pode também determinar uma sobrecarga excessiva sobre o coração. fazendo-as se fecharem cada vez mais (fator genético). rins. O mais comum especialistas estão cada vez mais convencidos de que a nesses casos é a elevação da pressão máxima. pâncreas.6 . mas é fruto da associação de vários fatores. parar de fumar. como também doenças do sistema circulatório. A probabilidade de aparecimento desses distúrbios tem relação direta com o tempo do vício e sua intensidade. Investigações epidemiológicas mostram que esse vício é responsável por 75% dos casos de bronquite crônica e enfisema pulmonar. exercendo ação recíproca e sinérgica. resultando na hipertensão essencial ou primária (fator genético. Prevenção: Reduzir o peso e a ingestão de gorduras saturadas e colesterol. é necessário apelar para a operação. além da nicotina responsável pela dependência. •aumento da concentração de sódio nas paredes das artérias. ao mesmo tempo. bexiga e colo do útero. Os depende do grupo étnico e do sexo. sobre negros. podemos citar: •alta concentração de cálcio na membrana das células (defeito primário): aumenta a contração da musculatura lisa das artérias. excita excessivamente o coração. o que diminui a passagem de sangue. segundo pesquisas. fazer exercícios físicos. alguns deles incontroláveis: hereditariedade. sexo e idade. como arteriosclerose. fazendo-as se fecharem. fazer exercícios físicos. tente diminuir o estresse no seu dia-a-dia. laringe. os médicos simplesmente receitam remédios. aneurisma da aorta e problemas vasculares cerebrais.Hipertensão O termo hipertensão significa pressão arterial alta. Além disso. . parar de fumar.2. causando sua falência.Reduzir o peso e a ingestão de gorduras saturadas e colesterol (presente apenas em alimentos de origem animal). doenças cardiovasculares e com a osteoporose. raça. capaz de controlar os batimentos cardíacos. que é decorrente do pode prevenir a hipertensão. Depois empatam afeta 50% da população com idade acima de 60 anos. 4. sem que reposição hormonal de estrógenos após a menopausa ocorra o aumento da mínima. Como fatores genéticos. Prevenção: Procure um médico ao sentir qualquer sintoma descrito acima. câncer da boca.Arteriosclerose ou Arterioesclerose Processo de espessamento e endurecimento da parede das artérias. porém. O cigarro contrai as artérias coronárias e. Em outros. Além disso. tirando-lhes a elasticidade.2. tem cerca de 80 substâncias cancerígenas e outras radioativas. Causas da hipertensão: o conceito mais moderno e aceito de hipertensão defende que a doença não tem uma origem única. Isso ou pode haver até ligeira predominância feminina. 65 Tratamento: Em alguns casos. Sexo:Os homens têm mais propensão à pressão alta do Idade:A maioria dos estudos mostra que a hipertensão que as mulheres antes da menopausa. o marca-passo. também favorece a formação de placas de ateroma (aumento de radicais livres). causando cegueira. A hipertensão pode romper os vasos sangüíneos cerebrais (causando acidente vascular cerebral ou derrame). As causas se combinam.

• consultar o médico regularmente 5 . eliminar o uso de contraceptivos orais (são uma bomba para o coração quando associados ao cigarro). • dieta balanceada rica em vegetais e frutas frescas e pobre em gorduras saturadas e colesterol.SISTEMA RESPIRATÓRIO O sistema respiratório humano é constituído por um par de pulmões e por vários órgãos que conduzem o ar para dentro e para fora das cavidades pulmonares. impede o fluxo sangüíneo na região. os bronquíolos e os alvéolos. descritos anteriormente. vida sedentária. O restante provém da alimentação. fumo. dos produtos de origem animal. o distúrbio pode ter origem externa. a boca. no fígado. Por isso. excesso de sal. O uso abusivo de descongestionantes nasais e medicamento em spray para asma também aumentam as chances de hipertensão. estresse e taxas elevadas de colesterol (LDL) são fatores que favorecem a elevação da pressão arterial. que dificulta ou. de causa genética. 66 Além dos fatores incontroláveis. às vezes. • redução de peso. obesidade. • reduzir a ingestão de bebidas alcoólicas. A conseqüência direta é a aterosclerose. Pessoas diabéticas têm tendência a desenvolver hipertensão e outras doenças que atingem o coração. a laringe. os brônquios. álcool. Esses órgãos são as fossas nasais. Prevenção: • dieta hipossódica (com pouco sal) e hipocalórica (sem excesso de calorias). • eliminar ou reduzir o fumo e. • medir periodicamente (a cada seis meses) a pressão arterial e tratar o diabetes (quando for o caso). Sedentários devem procurar um cardiologista antes de iniciar qualquer tipo de exercício. . nos casos de mulheres hipertensas. a traquéia. • prática de exercícios físicos aeróbicos (de baixa intensidade e longa duração) ou isotônicos (com grande movimentação dos membros). O uso de anticoncepcionais orais (pílulas anticoncepcionais) também é um fator que predispõe mais as mulheres à hipertensão. ou interna. a faringe. os três últimos localizados nos pulmões. resultante principalmente de dietas erradas e vida sedentária. O cigarro e níveis elevados de colesterol (LDL) também estão entre os elementos de risco: cerca de 70% do colesterol existente no homem é produzido pelo próprio organismo.

67 Fossas nasais: são duas cavidades paralelas que começam nas narinas e terminam na faringe. No teto das fossas nasais existem células sensoriais. capazes de produzir sons durante a passagem de ar. O ar inspirado pelas narinas ou pela boca passa necessariamente pela faringe. Seu epitélio de revestimento muco- ciliar adere partículas de poeira e bactérias presentes em suspensão no ar inalado. Laringe: é um tubo sustentado por peças de cartilagem articuladas. Em seu interior há dobras chamada cornetos nasais. Têm as funções de filtrar. as cordas vocais. brônquios e porção inicial dos bronquíolos. .5 cm de diâmetro por 10-12 centímetros de comprimento. saliência que aparece no pescoço. O epitélio que reveste a laringe apresenta pregas. O pomo-de- adão. Faringe: é um canal comum aos sistemas digestório e respiratório e comunica- se com a boca e com as fossas nasais. antes de atingir a laringe. que forçam o ar a turbilhonar. faz parte de uma das peças cartilaginosas da laringe. A entrada da laringe chama-se glote. que são posteriormente varridas para fora (graças ao movimento dos cílios) e engolidas ou expelidas. Isso impede que o alimento ingerido penetre nas vias respiratórias. que penetram nos pulmões. cujas paredes são reforçadas por anéis cartilaginosos. Acima dela existe uma espécie de “lingüeta” de cartilagem denominada epiglote. Traquéia: é um tubo de aproximadamente 1. Quando nos alimentamos. Possuem um revestimento dotado de células produtoras de muco e células ciliadas. responsáveis pelo sentido do olfato. a laringe sobe e sua entrada é fechada pela epiglote. umedecer e aquecer o ar. também presentes nas porções inferiores das vias aéreas. originando os brônquios. Bifurca-se na sua região inferior. em continuação à faringe. que funciona como válvula. como traquéia. situado na parte superior do pescoço. Elas são separadas uma da outra por uma parede cartilaginosa denominada septo nasal.

Nos pulmões os brônquios ramificam-se profusamente. promovendo. O conjunto altamente ramificado de bronquíolos é a árvore brônquica ou árvore respiratória.FISIOLOGIA DA RESPIRAÇÃO Ventilação pulmonar A inspiração. juntamente com os músculos intercostais. dá-se pela contração da musculatura do diafragma e dos músculos intercostais. . O diafragma abaixa e as costelas elevam-se. órgão músculo-membranoso que separa o tórax do abdomen. sendo envolvidos por uma membrana serosa denominada pleura. presente apenas em mamíferos. promovendo o aumento da caixa torácica. Localizado logo acima do estômago. o nervo frênico controla os movimentos do diafragma (ver controle da respiração) 5. com aproximadamente 25 cm de comprimento. os bronquíolos. Diafragma: A base de cada pulmão apóia-se no diafragma. dando origem a tubos cada vez mais finos. que promove a entrada de ar nos pulmões. 68 Pulmões: Os pulmões humanos são órgãos esponjosos. Cada bronquíolo termina em pequenas bolsas formadas por células epiteliais achatadas (tecido epitelial pavimentoso) recobertas por capilares sangüíneos.1 . forçando o ar a entrar nos pulmões. os movimentos respiratórios. denominadas alvéolos pulmonares. com conseqüente redução da pressão interna (em relação à externa).

com conseqüente aumento da pressão interna. 5. enquanto o gás carbônico (CO2) é liberado para o ar (processo chamado hematose). . Nos alvéolos pulmonares o gás oxigênio do ar difunde-se para os capilares sangüíneos e penetra nas hemácias.1 . Cada molécula de hemoglobina combina-se com 4 moléculas de gás oxigênio. formando a oxi-hemoglobina.1. 69 A expiração. o que diminui o volume da caixa torácica. forçando o ar a sair dos pulmões. proteína presente nas hemácias. dá-se pelo relaxamento da musculatura do diafragma e dos músculos intercostais. que promove a saída de ar dos pulmões.Transporte de gases respiratórios O transporte de gás oxigênio está a cargo da hemoglobina. O diafragma eleva-se e as costelas abaixam. onde se combina com a hemoglobina.

A tabela abaixo mostra a relação entre a qualidade do ar e a concentração de CO. o nervo frênico. podendo levar à morte por asfixia. combina-se com a hemoglobina de uma maneira mais estável do que o oxigênio. O mais importante músculo da respiração. 70 Nos tecidos ocorre um processo inverso: o gás oxigênio dissocia-se da hemoglobina e difunde-se pelo líquido tissular. o diafragma. através do tórax até o diafragma.Controle da respiração Em relativo repouso. que logo se dissocia e dá origem a íons H+ e bicarbonato (HCO3-). Os sinais nervosos são transmitidos desse centro através da coluna espinhal para os músculos da respiração. dispõe-se dos seguintes dados: Concentração de CO (ppm) Sintomas em seres humanos 10 Nenhum 15 Diminuição da capacidade visual 60 Dores de cabeça 100 Tonturas. Dessa forma. fraqueza muscular 270 Inconsciência 800 Morte 5. Os sinais para os músculos expiratórios. Veja as tabelas abaixo. retiradas da prova do ENEM de 98: Um dos índices de qualidade do ar diz respeito à concentração de monóxido de carbono (CO). A respiração é controlada automaticamente por um centro nervoso localizado no bulbo. a freqüência respiratória é da ordem de 10 a 15 movimentos por minuto. a hemoglobina fica impossibilitada de transportar o oxigênio. especialmente os músculos abdominais. liberado pela “queima” incompleta de combustíveis fósseis e pela fumaça dos cigarros entre outros. 2 . OBS: O monóxido de carbono. Cerca de 23% do gás carbônico liberado pelos tecidos associam-se à própria hemoglobina. formando o ácido carbônico. atingindo as células. pois esse gás pode causar vários danos à saúde. Desse centro partem os nervos responsáveis pela contração dos músculos respiratórios (diafragma e músculos intercostais). O restante dissolve-se no plasma. recebe os sinais respiratórios através de um nervo especial. onde ajudam a manter o grau de acidez do sangue. que deixa a medula espinhal na metade superior do pescoço e dirige-se para baixo. Qualidade do ar Concentração de CO – ppm* (média de 8h) Inadequada 15 a 30 Péssima 30 a 40 Crítica Acima de 40 * ppm (parte por milhão) = 1 micrograma de CO por grama de ar 10 –6 g Para analisar os efeitos do CO sobre os seres humanos. formando a carboemoglobina. são transmitidos para a porção baixa da medula . A maior parte do gás carbônico (cerca de 70%) liberado pelas células no líquido tissular penetra nas hemácias e reage com a água. formando o carboxiemoglobina. difundindo-se para o plasma sangüíneo.

em tetania (contrações musculares involuntárias por todo o corpo) ou mesmo convulsões epilépticas. Dessa forma. Essa capacidade permite que os tecidos recebam a quantidade de oxigênio que necessitam. quimiorreceptores localizados nas artérias carótida (do pescoço) e aorta são estimulados e enviam sinais pelos nervos vago e glossofaríngeo. tanto a freqüência quanto a amplitude da respiração tornam-se aumentadas devido à excitação do CR. A respiração é ainda o principal mecanismo de controle do pH do sangue. o centro respiratório induz a aceleração dos movimentos respiratórios. outras conseqüências extremamente danosas podem ocorrer. algumas vezes. O CR é capaz de aumentar e de diminuir tanto a freqüência como a amplitude dos movimentos respiratórios. Existem algumas ocasiões em que a concentração de oxigênio nos alvéolos cai a valores muito baixos. Impulsos iniciados pela estimulação psíquica ou sensorial do córtex cerebral podem afetar a respiração. a cada 5 segundos. ocorre diminuição da freqüência e amplitude respiratórias. com a depressão do CR. onde a concentração de oxigênio na atmosfera é muito baixa ou quando uma pessoa contrai pneumonia ou alguma outra doença que reduza o oxigênio nos alvéolos. o centro respiratório é excitado. há retenção de CO2 e maior produção de íons H . diminuindo a freqüência e a amplitude dos movimentos respiratórios. Desse volume. algumas vezes de tal intensidade que o indivíduo torna seus líquidos orgânicos alcalóticos (básicos). O aumento da ventilação pulmonar determina eliminação de maior quantidade de CO2. 71 espinhal. Se a concentração de CO2 diminui. Caso o pH do plasma esteja acima do normal (alcalose). de repouso. resta nas vias aéreas cerca de 1 litro de ar. um impulso nervoso que estimula a contração da musculatura torácica e do diafragma. estimulando os centros respiratórios no sentido de aumentar a ventilação pulmonar. 5. Sob tais condições. eliminando grande quantidade de dióxido de carbono. para os nervos espinhais que inervam os músculos. o aumento da concentração de CO2 no sangue provoca aumento de íons H+ e o plasma tende ao pH ácido. o volume residual. Com a + diminuição na ventilação pulmonar. Se a concentração de gás carbônico cair a valores muito baixos. Se o pH está abaixo do normal (acidose). contrações dos músculos de todo o corpo. o que determina queda no pH plasmático até seus valores normais. Em condições normais. Mesmo no final de uma expiração forçada. fazendo-nos inspirar. apenas meio litro é renovado em cada respiração tranqüila. Em situação contrária. aumentando a freqüência e a amplitude dos movimentos respiratórios. pois possui quimiorreceptores que são bastante sensíveis ao pH do plasma. resultando. enquanto sua redução desloca para a esquerda. como o desenvolvimento de um quadro de alcalose que pode levar a uma irritabilidade do sistema nervoso. assim. A ansiedade e os estados ansiosos promovem liberação de adrenalina que. o centro respiratório (CR) produz. o pH do plasma sangüíneo tende a se tornar mais básico (ou alcalino). executarmos uma expiração forçada. Dessa forma. conseguiremos retirar dos pulmões uma quantidade de aproximadamente 4 litros de ar.A capacidade e os volumes respiratórios O sistema respiratório humano comporta um volume total de aproximadamente 5 litros de ar – a capacidade pulmonar total. Quando o sangue torna-se mais ácido devido ao aumento do gás carbônico. freqüentemente levam também à hiperventilação. o que corresponde à capacidade vital. Esse volume renovado é o volume corrente Se no final de uma inspiração forçada. o centro respiratório é deprimido. Isso ocorre especialmente quando se sobe a lugares muito altos. além de remover adequadamente o gás carbônico. e é dentro de seus limites que a respiração pode acontecer. . o que eleva o pH do plasma ao seu valor normal.3 . O aumento da concentração de CO2 desloca a reação para a direita. precipitando.

A parede do tubo digestivo. intestino delgado. colocado em seu interior O volume de ar renovado por minuto (ou volume-minuto respiratório) é obtido pelo produto da freqüência respiratória (FR) pelo volume corrente (VC): VMR = FR x VC. faringe. ao qual estão associados órgãos e glândulas que participam da digestão.5 = 6 litros/minuto Os atletas costumam utilizar o chamado “segundo fôlego”. por meio da mastigação.BOCA A abertura pela qual o alimento entra no tubo digestivo é a boca. 72 Nunca se consegue encher os pulmões com ar completamente renovado. muscular e adventícia. Apresenta as seguintes regiões. 6. é formada por quatro camadas: mucosa. portanto. aumentando a renovação. boca. 6 . contraem os músculos intercostais internos. . A ventilação pulmonar.O SISTEMA DIGESTÓRIO O sistema digestório humano é formado por um longo tubo musculoso. esôfago.5 litros Portanto: volume-minuto respiratório = 12 x 0. que preparam o alimento para a digestão. temos: FR = 12 movimentos por minuto VC = 0. que abaixam as costelas e eliminam mais ar dos pulmões. o que irá facilitar a futura ação das enzimas. submucosa. do esôfago ao intestino. No final de cada expiração. dilui esse ar residual no ar renovado.1 . intestino grosso e ânus. já que mesmo no final de uma expiração forçada o volume residual permanece no sistema respiratório. estômago. misturando-os à saliva. Os dentes reduzem os alimentos em pequenos pedaços. Aí encontram-se os dentes e a língua. Em um adulto em repouso.

A língua A língua movimenta o alimento empurrando-o em direção a garganta. Um tecido duro chamado cemento separa a raiz do ligamento peridental. A cavidade pulpar é ocupada pela polpa dental. A distribuição dos quatro tipos de receptores gustativos. Em seguida. A amilase salivar digere o amido e outros polissacarídeos (como o glicogênio). o esmalte. presas ao maxilar superior e mandíbula. estimulam as glândulas salivares a secretar saliva.1. estes dentes são substituídos por outros 32 do tipo permanente. reduzindo-os em moléculas de maltose (dissacarídeo).2 . não é homogênea. Os incisivos têm a forma de cinzel para facilitar o corte do alimento. cujas células sensoriais percebem os quatro sabores primários: amargo (A). na superfície da língua. que têm uma superfície de mastigação relativamente plana. Atrás dele.1. Na superfície da língua existem dezenas de papilas gustativas. o ser humano tem 20 peças que recebem o nome de dentes de leite. na articulação das linguagens. há dois dentes chamados pré-molares. um tecido conjuntivo frouxo. nervos e tecido conjuntivo. dispõe-se como uma fina camada sobre as raízes dos dentes. 6. 6. está situada uma camada de substância óssea chamada dentina. os caninos ou presas e os molares.Tipos de dentes Em sua primeira dentição. ricamente vascularizado e inervado. cuja atividade principal é a mastigação.As glândulas salivares A presença de alimento na boca. A mais externa. assim como sua visão e cheiro. À medida que os maxilares crescem. é a substância mais dura. salgado (C) e doce (D). Atrás ficam os molares. azedo ou ácido (B). Três pares de glândulas salivares lançam sua secreção na cavidade bucal: parótida. na estrutura e composição química assemelha-se ao osso. 73 6. submandibular e sublingual: . Sob o esmalte. de forma direta.3 . há três peças dentais usadas para rasgar. De sua combinação resultam centenas de sabores distintos. cada um com duas cúspides. Através de um orifício aberto na extremidade da raiz. que prende a raiz e liga o dente à gengiva e à mandíbula. penetram vasos sanguíneos. além de sais e outras substâncias.Características dos dentes Os dentes são estruturas duras. circulando a polpa. da coroa até a raiz. Estão implicados. calcificadas. o que permite triturar e moer os alimentos.2 . que contém a enzima amilase salivar ou ptialina.1 . Os nervos sensitivos e os vasos sanguíneos do centro de qualquer dente estão protegidos por várias camadas de tecido. As coroas dos dentes permanentes são de três tipos: os incisivos. A primeira tem uma única cúspide pontiaguda. 6. para que seja engolido.

0) a levemente ácido (6. 6. evitando que o alimento penetre nas vias respiratórias. que existe na parte inferior. O bolo alimentar leva de 5 a 10 segundos para percorre-lo.webciencia. que se dirige à laringe.htm O sais da saliva neutralizam substâncias ácidas e mantêm. tem a forma de uma letra "J" maiúscula. Entra em ação um mecanismo para fechar a laringe. O alimento. sendo encaminhado para o esôfago. . Quando está vazio. É um órgão muscular que liga o esôfago ao intestino delgado.com/11_09estom. que se transforma em bolo alimentar. é a maior das três.É a menor das três.5 .0. abaixo e adiante do pavilhão da orelha.Com massa variando entre 14 e 28 g. que separa o tórax do abdômen. atrás do coração. • Glândula submandibular . Quando a cárdia (anel muscular.com/11_11glandula. mais ou menos do tamanho de uma noz. Imagem: CD O CORPO HUMANO 2. permite a passagem do alimento para o interior do estômago. permite ao estômago guardar quase um litro e meio de comida. possibilitando que não se tenha que ingerir alimento de pouco em pouco tempo. fica abaixo da mucosa do assoalho da boca. mesmo assim.ESTÔMAGO E SUCO GÁSTRICO O estômago é uma bolsa de parede musculosa.7). Um músculo circular. um pH neutro (7. impulsionado pelas ondas peristálticas (como mostra a figura do lado esquerdo). levando entre 5 e 10 segundos para percorrer o esôfago. O esôfago.É arredondada. localiza-se entre os pulmões. www. e atravessa o músculo diafragma. 74 • Glândula parótida . ideal para a ação da ptialina. canal que liga a faringe ao estômago. localizada no lado esquerdo abaixo do abdome. logo abaixo das últimas costelas. é empurrado pela língua para o fundo da faringe. • Glândula sublingual .FARINGE E ESÔFAGO A faringe.htm cujas duas partes se unem por ângulos agudos. e o ar. Globo Multimídia. que se dirige ao esôfago. você pode ficar de cabeça para baixo e. situada no final da cavidade bucal. Através dos peristaltismo. na boca. é um canal comum aos sistemas digestório e respiratório: por ela passam o alimento.webciencia. seu alimento chegará ao intestino. 6.4 . esfíncter) se relaxa. www. Sua função principal é a digestão de alimentos protéicos. situa-se na parte lateral da face.

abaixo. O ácido clorídrico mantém o pH do interior do estômago entre 0. é dita grande curvatura. Seu papel é o de flocular a caseína. Como este é inativo. A mucosa gástrica é recoberta por uma camada de muco. as células da mucosa estomacal são continuamente lesadas e mortas pela ação do suco gástrico. que a protege da agressão do suco gástrico. promove o rompimento das ligações peptídicas que unem os aminoácidos. convexa. serosa (o peritônio). Estima-se que nossa superfície estomacal seja totalmente reconstituída a cada três dias. aos poucos. transforma-se em pepsina. enzima mais potente do suco gástrico. transparente. 75 Segmento superior: é o mais volumoso. e o corpo do estômago. duas partes superpostas. está separado do duodeno pelo piloro. muitas permanecem intactas. Como nem todas as ligações peptídicas são acessíveis à pepsina. As túnicas do estômago: o estômago compõe-se de quatro túnicas. transforma-se em uma massa cremosa acidificada e semilíquida. o estômago torna-se ovóide ou arredondado. que é um esfíncter. jejuno (cerca de 5 .0. enzima que age sobre a caseína. uma das proteínas do leite. é produzida pela mucosa gástrica durante os primeiros meses de vida. A borda direita. Por isso.6 . O orifício esofagiano do estômago é o cárdia. enzima que catalisa a digestão de proteínas. submucosa (tecido conjuntivo) e mucosa (que secreta o suco gástrico). Também dissolve o cimento intercelular dos tecidos dos alimentos. um líquido claro. ao se misturar ao suco gástrico. bastante corrosivo. Apesar de estarem protegidas por essa densa camada de muco. liberado no intestino delgado. que termina pela pequena tuberosidade. Por ação do ácido cloródrico. o que resulta em inflamação difusa da mucosa (gastrite) ou mesmo no aparecimento de feridas dolorosas que sangram (úlceras gástricas). Quando está cheio de alimento. auxiliado pelas contrações da musculatura estomacal. facilitando a ação de outras enzimas proteolíticas. o resultado do trabalho dessa enzima são oligopeptídeos e aminoácidos livres. o pepsinogênio. o quimo vai sendo. O estômago tem movimentos peristálticos que asseguram sua homogeneização. necessário à absorção da vitamina B12. não digere as células que o produzem. muscular (muito desenvolvida). é secretada na forma de pepsinogênio. Segmento inferior: é denominado "porção horizontal". A mucosa gástrica produz também o fator intrínseco. Eventualmente ocorre desequilíbrio entre o ataque e a proteção. O bolo alimentar pode permanecer no estômago por até quatro horas ou mais e. no alto.INTESTINO DELGADO O intestino delgado é um tubo com pouco mais de 6 m de comprimento por 4cm de diâmetro e pode ser dividido em três regiões: duodeno (cerca de 25 cm). O estômago produz o suco gástrico. o quimo. enzimas e sais. chamado "porção vertical". a mucosa está sempre sendo regenerada. Portanto. A pepsina. côncava. ao ser lançado na luz do estômago. Este compreende. muco. 6. A pepsina. é chamada pequena curvatura. a grande tuberosidade. auxiliando a fragmentação mecânica iniciada pela mastigação. onde ocorre a maior parte da digestão. Passando por um esfíncter muscular (o piloro). altamente ácido. que contêm ácido clorídrico. ao catalizar a hidrólise de proteínas. por sua vez. A renina.9 e 2. a borda esquerda.

enzima ativa.5 cm). O suco pancreático.5 e 9. as nucleases atuam sobre os ácidos nucléicos. Sendo produzidas na forma inativa. formas inativas em que são secretadas as enzimas proteolíticas tripsina e quimiotripsina. resultando em aminoácidos. as proteases não digerem suas células secretoras. No duodeno atua também o suco pancreático. Os sais biliares têm ação detergente. que contêm diversas enzimas digestivas. A pepsina. lactase. A mucosa do intestino delgado secreta o suco entérico. proteínas. separando seus nucleotídeos. que hidrolisam dissacarídeos em monossacarídeos (sacarase. o tripsinogênio entra em contato com a enteroquinase. Uma dessas enzimas é a enteroquinase. Sua secreção digestiva é responsável pela hidrólise da maioria das moléculas de alimento. produzida no fígado e armazenada na vesícula biliar. a lípase pancreática hidrolisa as moléculas de um tipo de gordura – os triacilgliceróis. A amilase pancreática fragmenta o amido em moléculas de maltose. produzido pelo pâncreas. esfíncter muscular da parte inferior do estômago pela qual este esvazia seu conteúdo no intestino. O pH do suco pancreático oscila entre 8. . A digestão do quimo ocorre predominantemente no duodeno e nas primeiras porções do jejuno. que por sua vez contribui para a conversão do precursor inativo quimiotripsinogênio em quimiotripsina. produzido pelo pâncreas. enzimas e grandes quantidades de bicarbonato de sódio. Outra secreção que atua no duodeno é a bile. A porção superior ou duodeno tem a forma de ferradura e compreende o piloro. emulsificando ou emulsionando as gorduras (fragmentando suas gotas em milhares de microgotículas). No suco entérico há enzimas que dão seqüência à hidrólise das proteínas: os oligopeptídeos sofrem ação das peptidases. O pH da bile oscila entre 8.5. convertendo-se me tripsina. como carboidratos. maltase). solução rica em enzimas e de pH aproximadamente neutro. O suco pancreático contém ainda o tripsinogênio e o quimiotripsinogênio. a tripsina e a quimiotripsina rompem ligações peptídicas específicas ao longo das cadeias de aminoácidos. Outras enzimas são as dissacaridades. originando glicerol e álcool. Na luz do duodeno. contém água.0 e 8. gorduras e ácidos nucléicos. 76 m) e íleo (cerca de 1. A tripsina e a quimiotripsina hidrolisam polipeptídios. transformando-os em oligopeptídeos. enzima secretada pelas células da mucosa intestinal.

movimentam o quimo. transferidos para os vasos linfáticos e. dobrinhas microscópicas denominadas microvilosidades. como ocorre com outros nutrientes. então. sendo transformado em quilo. 77 Suco digestivo Enzima pH ótimo Substrato Produtos Saliva Ptialina neutro polissacarídeos maltose Suco gástrico Pepsina ácido proteínas oligopeptídeos Quimiotripsina alcalino proteínas peptídeos Tripsina alcalino proteínas peptídeos Amilopepsina alcalino polissacarídeos maltose Suco pancreático Rnase alcalino RNA ribonucleotídeos Dnase alcalino DNA desoxirribonucleotídeos Lipase alcalino lipídeos glicerol e ácidos graxos Carboxipeptidase alcalino oligopeptídeos aminoácidos Aminopeptidase alcalino oligopeptídeos aminoácidos Dipeptidase alcalino dipeptídeos aminoácidos Suco intestinal ou entérico Maltase alcalino maltose glicose Sacarase alcalino sacarose glicose e frutose Lactase alcalino lactose glicose e galactose No intestino.5 litros de líquidos por dia. nas regiões do jejuno e do íleo. A absorção dos nutrientes ocorre através de mecanismos ativos ou passivos. essas substâncias são reagrupadas em triacilgliceróis (triglicerídeos) e envelopadas por uma camada de proteínas. os íons e as vitaminas. A superfície interna. além de inúmeros dobramentos maiores. Imagem: www. dessas regiões.7 . Uma pessoa bebe cerca de 1. facilitando seu trânsito e eliminação pelo ânus.webciencia. que lubrifica as fezes. Nas células da mucosa. armazenados. As membranas das próprias células do epitélio intestinal apresentam. ou mucosa. um traçado que aumenta a superfície de absorção intestinal. . O intestino delgado também absorve a água ingerida. para os vasos sangüíneos.com/11_13intes. sendo. Os produtos da digestão de gorduras (principalmente glicerol e ácidos graxos isolados) chegam ao sangue sem passar pelo fígado. por sua vez. apresenta. onde alcançam as células gordurosas (adipócitos). as contrações rítmicas e os movimentos peristálticos das paredes musculares.htm Os nutrientes absorvidos pelos vasos sanguíneos do intestino passam ao fígado para serem distribuídos pelo resto do organismo. chamadas vilosidades. tanto a ingerida quanto a das secreções digestivas.INTESTINO GROSSO É o local de absorção de água. em seguida. ao mesmo tempo em que este é atacado pela bile. milhões de pequenas dobras (4 a 5 milhões). que se une a 8 ou 9 litros de água das secreções. enzimas e outras secreções. formando os quilomícrons. 6. Glândulas da mucosa do intestino grosso secretam muco.

A saída do reto chama-se ânus e é fechada por um músculo que o rodeia. que são evacuados. 6. reforçar o movimento intestinal e proteger o organismo contra bactérias estranhas.GLÂNDULAS ANEXAS 6. principalmente a celulose. sua presença torna as fezes macias e fáceis de serem eliminadas. em estruturas reunidas denominadas ácinos. já trabalhados no sistema endócrino. 78 Mede cerca de 1. normalmente só absorve água. A secreção externa dele é dirigida para o duodeno pelos canais de Wirsung e de Santorini.8 . cólon sigmóide e reto.2 . em quantidade bastante consideráveis. e é ainda um dos mais importantes. na alça formada pelo duodeno.4 kg.1 .Pâncreas O pâncreas é uma glândula mista. e na mulher adulta entre 1. que desemboca no duodeno. não são digeridas nem absorvidas. cólon ascendente. As fibras vegetais. É a mais volumosa de todas as vísceras.2 e 1. 6. Tem cor arroxeada. cólon transverso. de um corpo e de uma cauda afilada. cólon descendente.8.8.com/11_17pancreas. O pâncreas exócrino produz enzimas digestivas.Fígado É o maior órgão interno. O pâncreas é formado por uma cabeça que se encaixa no quadro duodenal. Como retêm água.5 kg no homem adulto. O pâncreas endócrino secreta os hormônios insulina e glucagon. o esfíncter anal. Seu trabalho consiste em dissolver os restos alimentícios não assimiláveis.htm pâncreas comporta dois órgãos estreitamente imbricados: pâncreas exócrino e o endócrino. contribuindo com porcentagem significativa da massa fecal. o conteúdo intestinal se condensa até formar detritos inúteis. O Imagem: www. durante a digestão. O canal de Wirsung desemboca ao lado do canal colédoco na ampola de Vater. localizada transversalmente sobre a parede posterior do abdome. Numerosas bactérias vivem em mutualismo no intestino grosso. sob o estômago. Como o intestino grosso absorve muita água. O intestino grosso não possui vilosidades nem secreta sucos digestivos. superfície lisa e recoberta por uma cápsula própria.5 m de comprimento e divide-se em ceco. . pesa cerca de 1. Os ácinos pancreáticos estão ligados através de finos condutos. de mais ou menos 15 cm de comprimento e de formato triangular. geradoras de enfermidades. Está situado no quadrante superior direito da cavidade abdominal. por onde sua secreção é levada até um condutor maior.webciencia.

denominada cápsula de Bowman. logo abaixo do diafragma. uma expansão em forma de taça. bem como esteróides. compostos por colunas de células hepáticas ou hepatócitos.mais interna. um par de ureteres. que protege o córtex .2. líquido que atua no emulsionamento das gorduras ingeridas. transformando sua hemoglobina em bilirrubina. O néfron é uma longa estrutura tubular microscópica que possui. Estes canais se unem para formar o ducto hepático que. e por milhares ou milhões de unidades filtradoras. um de cada lado da coluna vertebral. 79 O tecido hepático é constituído por formações diminutas que recebem o nome de lobos. assim. • Degradar álcool e outras substâncias tóxicas.8.o principal líquido de excreção do organismo. auxiliando na desintoxicação do organismo. localizados na região renal. de fatores imunológicos e de coagulação e de substâncias transportadoras de oxigênio e gorduras. este desemboca em um tubo Imagem: . Têm a forma de um grão de feijão enorme e possuem uma cápsula fibrosa. que é armazenado. forma o ducto comum da bile. • Destruir hemácias (glóbulos vermelhos) velhas ou anormais. que são relançadas na circulação. Cada rim é formado de tecido conjuntivo. Sintetiza também o colesterol e purifica muitos fármacos e muitas outras substâncias. O termo hepatite é usado para definir qualquer inflamação no fígado.Funções do fígado: • Secretar a bile. • Sintetizar diversas proteínas presentes no sangue. 7 . estrógenos e outros hormônios. • Metabolizar lipídeos. que se conecta com o túbulo contorcido proximal. a ação da lipase. que sustenta e dá forma ao órgão. secretada pelos hepatócitos. reunindo-as quimicamente para formar glicogênio. que continua pela alça de Henle e pelo túbulo contorcido distal. o glicogênio é reconvertido em moléculas de glicose.SISTEMA URINÁRIO/EXCRETOR O sistema excretor é formado por um conjunto de órgãos que filtram o sangue. cobre e vitaminas.mais externo. rodeadas por canais diminutos (canalículos). e lipídios a partir de carboidratos ou de proteínas. O fígado é um órgão muito versátil. É constituído por um par de rins. nessa posição estão protegidos pelas últimas costelas e também por uma camada de gordura. que descarrega seu conteúdo no duodeno. • Armazenar ferro e certas vitaminas em suas células. facilitando. pela bexiga urinária e pela uretra. em uma das extremidades. o pigmento castanho-esverdeado presente na bile. Armazena glicogênio. junto com o ducto procedente da vesícula biliar. produzem e excretam a urina . ferro. Os rins situam-se na parte dorsal do abdome. • Remover moléculas de glicose no sangue. 6. nos momentos de necessidade. Produz carboidratos a partir de lipídios ou de proteínas. como a cirrose. os néfrons. e a medula .1 . pelos quais passa a bile. As células hepáticas ajudam o sangue a assimilar as substâncias nutritivas e a excretar os materiais residuais e as toxinas.

cuja parede é formada por células adaptadas ao transporte ativo.1 . em composição química. onde ocorre a reabsorção final de água. de forma que. quando o líquido percorre o ramo descendente da alça de Henle. que leva o sangue para fora do rim. ao longo dos túbulos renais. que é formado por células impermeáveis à água e que estão adaptadas ao transporte ativo de sais. São responsáveis pela filtração do www. O filtrado glomerular passa em seguida para o túbulo contorcido proximal. Rio de Janeiro. a veia renal. Desse modo.. essas substâncias já não são mais encontradas. de Henle. reabsorção ativa de aminoácidos e glicose. em direção ao coração. ele perde ainda mais água para os tecidos. ao plasma sanguíneo. Nessa região. ficando o líquido tubular hipotônico.br/almanaque/atlas/excretor/excretor. Além desses processos gerais descritos. a urina entra nos dutos coletores. A. a concentração do líquido tubular é alta. Ed. O ramo descendente percorre regiões do rim com gradientes crescentes de concentração. há passagem de água por osmose do líquido tubular (hipotônico) para os capilares sangüíneos (hipertônicos) – ao que chamamos reabsorção. fazendo com que a concentração do líquido dentro desse tubo fique menor (hipotônico) do que do plasma dos capilares que o envolvem. estima-se que em 24 horas são filtrados cerca de 180 litros de fluido do plasma. originando grande número de arteríolas aferentes. Esse líquido muito concentrado passa então a percorrer o ramo ascendente da alça de Henle. Com isso. na curvatura da alça Imagem: GUYTON.Como funcionam os rins O sangue chega ao rim através da artéria renal. Essas substâncias extravasadas para a cápsula de Bowman constituem o filtrado glomerular.drgate. Interamericana. ocorre remoção ativa de sódio. tem intensidade suficiente para que parte do plasma passe para a cápsula de Bowman. O sangue arterial é conduzido sob alta pressão nos capilares do glomérulo. Fisiologia Humana. formando um enovelado de capilares denominado glomérulo de Malpighi. 1981. no final do túbulo distal. ocorre reabsorção por osmose para os capilares sangüíneos. que é permeável à água. A saída desses íons provoca a remoção de cloro. queé semelhante. 80 coletor. 5ª ed.htm sangue e remoção das excreções. Dessa forma. o que significa que aproximadamente 99% do filtrado glomerular é reabsorvido. ocorre reabsorção ativa de sódio. porém são formados apenas 1 a 2 litros de urina por dia.com. Ao sair do néfron. Os capilares que reabsorvem as substâncias úteis dos túbulos renais se reúnem para formar um vaso único. com a diferença de que não possui proteínas. processo denominado filtração.C. que se ramifica muito no interior do órgão. onde cada uma ramifica-se no interior da cápsula de Bowman do néfron. Conseqüentemente. incapazes de atravessar os capilares glomerulares. ocorre. que normalmente é de 70 a 80 mmHg. . 7. Essa pressão. Ao passar pelo túbulo contorcido distal. Nesse túbulo.

1981. há outro hormônio participante do equilíbrio hidro-iônico do organismo: a aldosterona. Rio de supra-renais a produzirem a aldosterona. Essa substância estimula as glândulas Imagem: GUYTON. que age sobre uma proteína produzida no fígado e encontrada no sangue denominada angiotensinogênio (inativo). aumentando a produção de urina. Janeiro. havendo excesso de água no corpo. A.C. Ed. esses osmorreguladores estimulam a produção de ADH. Rio de Janeiro. possibilitando maior retenção de água no organismo.2 . A. Fisiologia Humana. Havendo aumento na concentração do plasma (pouca água). o que torna a urina mais diluída.. Dessa forma. o rim produz uma proteína chamada renina. A produção de aldosterona é regulada da seguinte maneira: quando a concentração de sódio dentro do túbulo renal diminui. a urina fica menos concentrada. . Fisiologia Humana. Certas substâncias. Quando a concentração do plasma é baixa (muita água). inibem a secreção de ADH. em função da maior reabsorção de água. Interamericana. produzida nas glândulas supra-renais. O principal agente regulador do equilíbrio hídrico no corpo humano é o hormônio ADH (antidiurético). Esse hormônio passa para o sangue. 81 7. tornando as células desses tubos mais permeáveis à água. em função da menor reabsorção de água. conseqüentemente. menor absorção de água nos túbulos distais e coletores. Ela aumenta a reabsorção ativa de sódio nos túbulos renais.. a urina fica mais concentrada. 5ª ed. indo atuar sobre os túbulos distais e sobre os túbulos coletores do néfron. Interamericana.C. Havendo necessidade de reter água no interior do corpo. como é o caso do álcool. Além do ADH. possibilitando a excreção do excesso de água. Imagem: GUYTON. A concentração do plasma sangüíneo é detectada por receptores osmóticos localizados no hipotálamo. ocorre maior reabsorção de água e a urina fica mais concentrada. há inibição da produção do ADH e.Regulação da função renal A regulação da função renal relaciona-se basicamente com a regulação da quantidade de líquidos do corpo. Ed. convertendo-a em angiotensina (ativa). 1981. 5ª ed. produzido no hipotálamo e armazenado na hipófise.

chamados esfíncteres. A ELIMINAÇÃO DE URINA Ureter Os néfrons desembocam em dutos coletores. no homem. Quando cheia. no final do túbulo distal essas substâncias já não são mais encontradas. a bexiga pode conter mais de ¼ de litro (250 ml) de urina. Quando a musculatura desses anéis relaxa-se e a musculatura da parede da bexiga contrai-se.resumo HORMÔNIO ANTIDIURÉTICO (ADH): principal agente fisiológico regulador do equilíbrio hídrico. denominado ureter. 2002. cuja função é acumular a urina produzida nos rins. na região vulvar e. dotada de musculatura lisa. Uretra A uretra é um tubo que parte da bexiga e termina. na extremidade do pênis. Sua comunicação com a bexiga mantém-se fechada por anéis musculares . 82 Imagem: LOPES. que é eliminada periodicamente através da uretra. Saraiva. que deixa o rim em direção à bexiga urinária. Ed. ao longo dos túbulos renais. reabsorção ativa de aminoácidos e glicose. Bio 2. 7.São Paulo. que se unem para formar canais cada vez mais grossos. OBS: Ocorre.3 . . A fusão dos dutos origina um canal único. produzido no hipotálamo e armazenado na hipófise. ALDOSTERONA: produzida nas glândulas supra-renais. aumenta a absorção ativa de sódio e a secreção ativa de potássio nos túbulos distal e coletor. Desse modo.Regulação da função renal . Aumento na concentração do plasma (pouca água)  receptores osmóticos localizados no hipotálamo  produção de ADH  sangue  túbulos distal e coletor do néfron células mais permeáveis à água  reabsorção de água  urina mais concentrada. Concentração do plasma baixa (muita água) e álcool  inibição de ADH  menor absorção de água nos túbulos distal e coletor  urina mais diluída. SÔNIA. urinamos. também. Bexiga urinária A bexiga urinária é uma bolsa de parede elástica. na mulher.

vesículas seminais. onde ocorrerá a formação dos espermatozóides. . Testículos: são as gônadas masculinas. as células intersticiais ou de Leydig (nomenclatura antiga) produzem os hormônios sexuais masculinos. • Ampliam a laringe e tornam mais grave a voz. responsáveis pelo desenvolvimento dos órgãos genitais masculinos e dos caracteres sexuais secundários: • Estimulam os folículos pilosos para que façam crescer a barba masculina e o pêlo pubiano. • Estimulam o crescimento das glândulas sebáceas e a elaboração do sebo. uretra. canal deferente. • Fazem com que o desenvolvimento da massa óssea seja maior. sobretudo a testosterona. glândulas bulbouretrais. • Produzem o aumento de massa muscular nas crianças durante a puberdade. 83 SISTEMAS REPRODUTORES 8 .SISTEMA REPRODUTOR MASCULINO O sistema reprodutor masculino é formado por: •Testículos ou gônadas •Vias espermáticas: epidídimo. os ductos seminíferos Esses ductos são formados pelas células de Sértoli (ou de sustento) e pelo epitélio germinativo. Cada testículo é composto por um emaranhado de tubos. protegendo contra a osteoporose. Em meio aos ductos seminíferos. •Pênis •Escroto •Glândulas anexas: próstata. pelo aumento do tamanho das fibras musculares.

que será liberado no ducto ejaculatório que. os testículos se localizam na parte externa do corpo. com considerável aumento do tamanho (ereção). . onde os espermatozóides são armazenados. ocorre a inundação dos corpos cavernosos e esponjoso. com sangue. juntamente com o líquido prostático e espermatozóides. apesar de conter fosfatos. cloretos. circundam a bexiga urinária e unem-se ao ducto ejaculatório. que tem a função de termorregulação (aproximam ou afastam os testículos do corpo). tornando-se rijo. Saco Escrotal ou Bolsa Escrotal ou Escroto: Um espermatozóide leva cerca de 70 dias para ser produzido. A uretra é comumente um canal destinado para a urina. que consiste principalmente em células epiteliais descamadas que se acumulam debaixo do prepúcio). Assim. Na extremidade do pênis encontra-se a glande . Próstata: glândula localizada abaixo da bexiga urinária. Com a manipulação da pele que a envolve . outras atuam promovendo vasodilatação em artérias do cérebro. Vesículas seminais: responsáveis pela produção de um líquido.5°C). Eles não podem se desenvolver adequadamente na temperatura normal do corpo (36. colina (álcool de cadeia aberta considerado como integrante do complexo vitamínico B) e prostaglandinas (hormônios produzidos em numerosos tecidos do corpo. diz-se que a pessoa tem fimose. Canais deferentes: são dois tubos que partem dos testículos. Também tem função na lubrificação do pênis durante o ato sexual. mantendo-os a uma temperatura geralmente em torno de 1 a 3 °C abaixo da corporal. Secreta substâncias alcalinas que neutralizam a acidez da urina e ativa os espermatozóides. Todos os espermatozóides não ejaculados são reabsorvidos pelo corpo dentro de algum tempo. sendo formado por dois tipos de tecidos cilíndricos: dois corpos cavernosos e um corpo esponjoso (envolve e protege a uretra). onde podemos visualizar a abertura da uretra. nitrogênio não protéico. e no orgasmo. PUBERDADE: os testículos da criança permanecem inativos até que são estimulados entre 10 e 14 anos pelos hormônios gonadotróficos da glândula hipófise (pituitária) O hipotálamo libera FATORES LIBERADORES DOS HORMÔNIOS GONADOTRÓFICOS que fazem a hipófise liberar FSH (hormônio folículo estimulante) e LH (hormônio luteinizante). Quando a glande não consegue ser exposta devido ao estreitamento do prepúcio. dentro da bolsa escrotal. O líquido das vesículas seminais age como fonte de energia para os espermatozóides e é constituído principalmente por frutose. Glândulas Bulbo Uretrais ou de Cowper: sua secreção transparente é lançada dentro da uretra para limpá-la e preparar a passagem dos espermatozóides. 84 Epidídimos: são dois tubos enovelados que partem dos testículos. onde desembocam as vesículas seminais. o que talvez justifique as cefaléias – dores de cabeça – da enxaqueca. Pênis: é considerado o principal órgão do aparelho sexual masculino. Algumas prostaglandinas atuam na contração da musculatura lisa do útero na dismenorréia – cólica menstrual.o prepúcio - acompanhado de estímulo erótico. mas os músculos na entrada da bexiga se contraem durante a ereção para que nenhuma urina entre no sêmen e nenhum sêmen entre na bexiga. entrarão na composição do sêmen.cabeça do pênis. FSH à estimula a espermatogênese pelas células dos túbulos seminíferos. O prepúcio deve ser puxado e higienizado a fim de se retirar dele o esmegma (uma secreção sebácea espessa e esbranquiçada. São formados a partir de ácidos graxos insaturados e podem ter a sua síntese interrompida por analgésicos e antiinflamatórios). com forte odor.

permanecem na cavidade abdominal. TESTOSTERONA Efeito na Espermatogênese. ossos e em outras partes do corpo. se a produção de testosterona pelo feto é insuficiente. após a puberdade fica com a voz mais grave. no púbis e no tórax. uma vagina. formado na placenta durante a gravidez. a testosterona faz com que os testículos desçam da cavidade abdominal para a bolsa escrotal. a testosterona também promove uma secreção anormal das glândulas sebáceas da pele. 85 LH à estimula a produção de testosterona pelas células intersticiais dos testículos à características sexuais secundárias. Testículos Testosterona induz o amadurecimento dos órgãos genitais. as características sexuais secundárias não se desenvolvem e o indivíduo mantém um aspecto sexualmente infantil. ‾Hormônios Sexuais Masculinos Glândula Hormônio Órgão-alvo Principais ações estimulam a produção de testosterona pelas Hipófise FSH e LH testículos células de Leydig (intersticiais) e controlam a produção de espermatozóides. um útero. Estimula o crescimento da laringe. estimula o aparecimento dos caracteres diversos sexuais secundários. A secreção da testosterona pelos testículos fetais é estimulada por um hormônio chamado gonadotrofina coriônica. Efeito nos caracteres sexuais masculinos. elevação do desejo sexual. Depois que um feto começa a se desenvolver no útero materno. fazendo com que se desenvolva a acne pós-puberdade na face. a perda de conexão com a placenta remove esse feito estimulador. Essa testosterona. Além disso. Imediatamente após o nascimento da criança. Estimula um aumento na deposição de proteína nos músculos. Origina. A pelve constitui um marco ósseo forte que realiza uma função protetora. A testosterona faz com que os testículos cresçam. de modo que os testículos deixam de secretar testosterona. também. nessa fase. auxilia o feto a desenvolver órgãos sexuais masculinos e características secundárias masculinas. antes que a espermatogênese se complete. a bolsa escrotal e o pênis crescem. dos ductos deferentes e dos outros órgãos sexuais masculinos. então. . de maneira que o homem. da bolsa escrotal. Os testículos. Faz com que os pêlos cresçam na face. ao longo da linha média do abdome. as características sexuais interrompem seu desenvolvimento desde o nascimento até à puberdade. duas tubas uterinas (trompas de Falópio). das vesículas seminais. acelera a formação do pênis. aproximadamente mais 10 vezes. a testosterona exerce outros efeitos gerais por todo o organismo para dar ao homem adulto suas características distintivas. Isto é. uma vulva. então. Em conseqüência. Além dos efeitos sobre os órgãos genitais. Algumas vezes. a calvície nos homens que tenham predisposição hereditária para ela. da próstata. Na puberdade. Efeito nos caracteres sexuais secundários. Ele está localizado no interior da cavidade pélvica. pele. junto com o folículo estimulante. os testículos não conseguem descer. Sistema Reprodutor promove o impulso sexual e controla a produção de espermatozóides 9 .SISTEMA REPRODUTOR FEMININO O sistema reprodutor feminino é constituído por dois ovários. o reaparecimento da secreção de testosterona induz os órgãos sexuais masculinos a retomar o crescimento. de maneira que o adolescente do sexo masculino se torna geralmente maior e mais musculoso do que a mulher. Ela deve estar presente. porém. Na ausência de testosterona. seus testículos começam a secretar testosterona. quando tem poucas semanas de vida apenas.

homólogo ao pênis do homem. ela já tem todas as células que irão transformar-se em gametas nos seus dois ovários. formado por tecido esponjoso erétil. A entrada da vagina é protegida por uma membrana circular . Além de possibilitar a penetração do pênis. essa membrana se rompe nas primeiras relações sexuais. Geralmente. a massa celular resultante transforma-se em corpo lúteo ou amarelo. podendo ter formas diversas. Na mulher reprodutivamente madura. Na vulva também está o clitóris. Os folículos em desenvolvimento secretam o hormônio estrógeno. a saída do bebê. apenas um folículo geralmente completa o desenvolvimento e a maturação. que passa a secretar os hormônios progesterona e estrógeno.os ovócitos primários - encontram-se dentro de estruturas denominadas folículos de Graaf ou folículos ovarianos.que fecha parcialmente o orifício vulvo-vaginal e é quase sempre perfurado no centro. Contém de cada lado de sua abertura. na hora do parto. A genitália externa ou vulva é delimitada e protegida por duas pregas cutâneo- mucosas intensamente irrigadas e inervadas . o corpo lúteo regride e converte-se em corpo albicans ou corpo branco. Mensalmente. Após seu rompimento. Com o tempo. de paredes elásticas. Ovários: são as gônadas femininas. 86 A vagina é um canal de 8 a 10 cm de comprimento. os folículos ovarianos começam a crescer e a desenvolver. que secretam um muco lubrificante. hormônios sexuais femininos que serão vistos mais adiante. No final do desenvolvimento embrionário de uma menina. porém internamente. que liga o colo do útero aos genitais externos. Mais internamente.os pequenos lábios . rompendo-se e liberando o ovócito secundário (gaemta feminino): fenômeno conhecido como ovulação. uma pequena cicatriz fibrosa que irá permanecer no ovário. sob ação hormonal. duas glândulas denominadas glândulas de Bartholin. outra prega cutâneo-mucosa envolve a abertura da vagina . A vagina é o local onde o pênis deposita os espermatozóides na relação sexual.o hímen .que protegem a abertura da uretra e da vagina. possibilita a expulsão da menstruação e.os grandes lábios. A partir da adolescência. os grandes lábios são recobertos por pêlos pubianos. Estas células . . Produzem estrógeno e progesterona.

É revestido internamente por um tecido vascularizado rico em glândulas . o estrogênio e a progesterona. Por exemplo. 87 O gameta feminino liberado na superfície de um dos ovários é recolhido por finas terminações das tubas uterinas . levando as cavidades foliculares a desenvolverem-se e a crescer. leva o tecido adiposo a concentrar-se. a proliferar. a musculatura lisa do útero. Seu epitélio de revestimento é formados por células ciliadas. No inicio. começa a secretar dois hormônios gonadotrópicos. mas que têm funções idênticas e estruturas químicas muito semelhantes. como um único hormônio. Hormônios Sexuais Femininos Os dois hormônios ovarianos. e. de um lipídio. aumenta tanto que o órgão. estimulando a ovulação. Útero: órgão oco situado na cavidade pélvica anteriormente à bexiga e posteriormente ao reto. após a puberdade. mais tarde. mesmo. chega a duplicar ou. Por esse motivo. como os hormônios adrenocorticais e o hormônio masculino testosterona. a triplicar de tamanho. O estrogênio também provoca o aumento da vagina e o desenvolvimento dos lábios que a circundam. faz o púbis se cobrir de pêlos. a aumentar em número. Hormônio Luteinizante: aumenta ainda mais a secreção das células foliculares. Os batimentos dos cílios microscópicos e os movimentos peristálticos das tubas uterinas impelem o gameta feminino até o útero. são responsáveis pelo desenvolvimento sexual da mulher e pelo ciclo menstrual. realmente. ovidutos ou trompas de Falópio: são dois ductos que unem o ovário ao útero. principalmente. Tubas uterinas. o colesterol.o endométrio. isto é. de parede muscular espessa (miométrio) e com formato de pêra invertida.as fímbrias. Hormônio Folículo-Estimulante: causa a proliferação das células foliculares ovarianas e estimula a secreção de estrógeno. estriol e estrona. secreta principalmente o hormônio foliculo-estimulante (FSH). formados. finalmente. secreta o harmônio luteinizante (LH). como a dos meninos. em áreas como os quadris e coxas. os quadris se alargarem e o estreito pélvico assumir a forma ovóide. que inicia a vida sexual na menina em crescimento. Esses hormônios. todas as características que distinguem a mulher do homem são devido ao estrogênio e a razão básica para o . Funções do Estrogênio: o estrogênio induz as células de muitos locais do organismo. em vez de afunilada como no homem. Os estrogênios são. são considerados juntos. Entretanto. por essa época. provoca o desenvolvimento das mamas e a proliferação dos seus elementos glandulares. são ambos compostos esteróides. Em resumo. vários hormônios diferentes chamados estradiol. A pituitária (hipófise) anterior das meninas. dando-lhes o arredondamento típico do sexo. que auxilia no controle do ciclo menstrual. na mulher. não secreta praticamente nenhum hormônio gonadotrópico até à idade de 10 a 14 anos.

. a pituitária anterior. outrossim. já o homem tem um crescimento menos rápido. Em geral. diminuindo a taxa de secreção dos hormônios folículo-estimulante e luteinizante. no ciclo menstrual. mas promove rápida calcificação óssea. mas pára após os primeiros anos da puberdade. o corpo lúteo involui. efeitos muito importantes no revestimento interno do útero. isto é. Sem esses hormônios para estimulá-lo. fazendo com que as partes dos ossos que crescem se "extingam" dentro de poucos anos. 2. inibiria a secreção dos hormônios folículo- estimulante e luteinizante. pela pituitária (hipófise) anterior (adenohipófise). Funções da Progesterona: a progesterona tem pouco a ver com o desenvolvimento dos caracteres sexuais femininos. a progesterona inibe as contrações do útero e impede a expulsão do embrião que se está implantando ou do feto em desenvolvimento. nessa fase. fazendo com que suas taxas declinassem a um mínimo por volta do décimo dia do ciclo. Primeiro. ainda. subitamente a pituitária anterior começaria a secretar quantidades muito elevadas de ambos os hormônios mas principalmente do hormônio luteinizante. e. dois efeitos seqüenciais sobre a secreção da pituitária anterior. nesse ponto. O ciclo de fenômenos que induzem essa alternância tem a seguinte explicação: 1. 3. determina. É essa fase de aumento súbito da secreção que provoca o rápido desenvolvimento final de um dos folículos ovarianos e a sua ruptura dentro de cerca de dois dias. então. provocada por esse súbito declínio na secreção de ambos os hormônios. que secreta quantidades elevadas de progesterona e quantidades consideráveis de estrogênio. O estrogênio tem. então. o endométrio. que ocorre por volta do décimo quarto dia de um ciclo normal de 28 dias. está principalmente relacionada com a preparação do útero para a aceitação do embrião e à preparação das mamas para a secreção láctea. No começo do ciclo menstrual. de modo que ele assume uma estatura maior que a da mulher. 88 desenvolvimento dessas características é o estímulo à proliferação dos elementos celulares em certas regiões do corpo. pára. Depois. que estava inibida pelo estrogênio e pela progesterona. É nesse momento que a menstruação se inicia. 4. A mulher. O processo de ovulação. Acredita-se que o estrogênio tenha. porém mais prolongado. o surgimento de numerosas glândulas produtoras de glicogênio. iniciando um novo ciclo. também se diferenciam os dois sexos. CICLO MENSTRUAL O ciclo menstrual na mulher é causado pela secreção alternada dos hormônios folículo-estimulante e luteinizante. pelos ovários. e dos estrogênios e progesterona. 5. esses hormônios promovem o crescimento de diversos folículos nos ovários e acarretam uma secreção considerável de estrogênio (estrógeno). conduz ao desenvolvimento do corpo lúteo ou corpo amarelo. Juntos. Esse processo continua durante toda a vida reprodutiva da mulher. cresce mais rapidamente que o homem. a progesterona aumenta o grau da atividade secretória das glândulas mamárias e. acentuando o espessamento do endométrio e fazendo com que ele seja intensamente invadido por vasos sangüíneos. também. quando a menstruação se inicia. O estrogênio e a progesterona secretados pelo corpo lúteo inibem novamente a pituitária anterior. a pituitária anterior secreta maiores quantidades de hormônio folículo-estimulante juntamente com pequenas quantidades de hormônio luteinizante. Finalmente. das células que revestem a parede uterina. O estrogênio também estimula o crescimento de todos os ossos logo após a puberdade. de modo que a secreção de estrogênio e progesterona cai para níveis muito baixos. começa a secretar outra vez grandes quantidades de hormônio folículo- estimulante. Nessa ocasião. de forma que o crescimento.

considerando n = dia da próxima menstruação. que atinge a concentração máxima por volta do 7º dia do ciclo. o dia da alta taxa de LH estimula a formação do corpo ovulação pode ser calculado como sendo o 14º dia ANTES lúteo ou amarelo no folículo ovariano do início da menstruação. com ciclo menstrual regular de 28 dias.  estimula as glândulas do endométrio a secretarem seus produtos  aumento da progesterona inibe produção de LH e FSH  corpo lúteo regride e reduz concentração de progesterona  menstruação Exemplo: determinada mulher.  Generalizando. . se o ciclo menstrual corpo lúteo inicia a produção de progesterona tem uma duração de n dias. onde a mulher calcula o período fértil em relação ao dia da ovulação. Como não planejavam ter filhos. Dessa forma.  amadurecimento dos folículos ovarianos  secreção de estrógeno pelo folículo em desenvolvimento  concentração alta de estrógeno inibe secreção de OBSERVAÇÃO: a ovulação ocorre aproximadamente FSH e estimula a secreção de LH pela hipófise / entre 10-12 horas após o pico de LH. o concentração alta de estrógeno estimula período de tempo a partir do pico de LH até a menstruação está ocrescimento do endométrio. optaram pelo método da tabelinha. o possível dia da ovulação é n – 14. nas mulheres que têm  ciclos regulares. pode-se dizer que. espesso e vascularizado começa a descamar  menstruação  hipófise aumenta a produção de FSH. concentração alta de LH estimula a ovulação (por Apesar de em um ciclo de 28 dias a ovulação ocorrer volta do 14º dia de um ciclo de 28 dias) aproximadamente na metade do ciclo. da ovulação  até a próxima menstruação decorrem 14 dias. resolveu iniciar um relacionamento íntimo com seu namorado. Considerando que a mulher é fértil durante aproximadamente nove dias por ciclo e que o último ciclo dessa mulher iniciou-se no dia 22 de setembro de 2006. calcule seu período fértil. não importa a sua duração. 89 1º dia do ciclo  endométrio bem desenvolvido. constantemente próximo de 14 dias. No ciclo regular.

subtrair pelo menos 3 dias do dia da ovulação do ciclo mais curto e somar 3 dias ao dia da ovulação do ciclo mais longo. Resposta: 45. como irritabilidade e insônia (TPM ou Tensão Pré-Menstrual). subtraindo 14 dias do ciclo mais curto: 26 a ovulação deverá ter ocorrido no 12° dia do ciclo mais curto. 2. teremos: 19 . 3. quando a camada superficial do endométrio perde seu suprimento sangüíneo normal e a mulher está prestes a menstruar. o período fértil ficará entre o 9° e o 19° dia de qualquer ciclo menstrual desta mulher. HORMÔNIOS DA GRAVIDEZ Gonadotrofina coriônica humana (HCG): é um hormônio glicoproteíco. O cálculo do período fértil será feito assim: 1. ou seja. Neste caso. Fase secretora ou lútea: o final da fase proliferativa e o início da fase secretora é marcado pela ovulação. 4. secretado desde o início da formação da placenta pelas células trofoblásticas. Fase pré-menstrual ou isquêmica: período de queda das concentrações dos hormônios ovarianos. podendo ser acompanhada por dor de cabeça. 90 Resposta: Considerando o primeiro dia do ciclo como 22 e que seu ciclo é de 28 dias. subtrair 14 dias do ciclo mais curto (dia da ovulação). subtrair 14 dias do ciclo mais longo (dia da ovulação). Como é comum em algumas mulheres uma pequena variação no tamanho do ciclo menstrual. Concluindo. subtraindo 3 dias do dia da ovulação do ciclo mais curto (12 e somando 3 dias ao dia da ovulação do ciclo mais longo (16 + 3 = 19). dia 05 será seu provável dia de ovulação).14 = 5. Os dias restantes serão os dias não-férteis. 2. Essa fase é caracterizada pela intensa ação do corpo lúteo. Exemplo: suponha que o ciclo mais curto da mulher exemplificada anteriormente tenha sido de 26 dias e o mais longo. dor nas mamas. Ocorrendo a ovulação 14 dias ANTES da menstruação. o ciclo menstrual pode ser dividido em 4 fases: 1. então o início dos dias férteis será 01/10 e o término. Dura cerca de dois dias. após nidação (implantação) do blastocisto (*). de 30 dias. Fase proliferativa ou estrogênica: período de secreção de estrógeno pelo folículo ovariano.14. 2. Fase menstrual: corresponde aos dias de menstruação e dura cerca de 3 a 7 dias. OBSERVAÇÃO: os cálculos acima só funcionam para mulheres com ciclos regulares (ou que sofrem apenas pequenas variações nos ciclos). A partir daí. temos: 22 23 24 25 26 27 28 29 30 [01 02 03 04 05 06 07 08 09] 10 11 12 13 14 15 16 17 18 19 Menstruará novamente no dia 19/10 (n). 09/10. o cálculo para o período fértil deverá compreender o ciclo mais curto e o mais longo. 3. Como seu período fértil aproximado localiza-se 4 dias antes e 4 dias após a ovulação. que se encontra em maturação. primeiramente a mulher deverá anotar o 1° dia da menstruação durante vários meses e calcular a duração de seus ciclos (cada um deles contado do primeiro dia da menstruação). de modo que as taxas de progesterona e estrogênio não . 3. esta se dará no dia 05/10 (considerando a fórmula n . A principal função fisiológica deste hormônio é a de manter o corpo lúteo. alterações psíquicas. subtraindo 14 dias do ciclo mais longo: 30 a ovulação deverá ter ocorrido no 16° dia do ciclo mais longo. deverá proceder da seguinte forma para calcular o período fértil: 1. geralmente.

Quando a ocitocina se liga a eles. É encontrado no plasma da gestante a partir da 4ª semana de gestação. rápido aumento das mamas. Este hormônio é importante para o equilíbrio hidro-eletrolítico. Hormônio lactogênio placentário humano: é um hormônio protéico. a manutenção da gravidez (inibição da menstruação) e a ausência de nova ovulação. O HCG também concede uma imunossupressão à mulher. o desenvolvimento do epitélio secretor e a deposição de nutrientes nas células glandulares. que ativará o músculo liso uterino. pelo útero. pois se o endométrio não estiver bem desenvolvido. Progesterona: relaxa a musculatura lisa. de modo que. Tem efeito lipolítico. fazendo com que a mãe mande mais oxigênio para o feto. Aldosterona: mantém o equilíbrio de sódio.que estão na corrente materna. Complementa os efeitos do estrogênio nas mamas. aumento dos órgãos sexuais externos e da abertura vaginal. principais responsáveis pela produção de HCG. além de estimular o centro respiratório no cérebro. (*) O blastocisto é um estágio inicial do desenvolvimento embrionário. HORMÔNIOS DO PARTO A ocitocina é um hormônio que potencializa as contrações uterinas tornando-as fortes e coordenadas. Por volta da 15ª semana de gestação. para que ela não rejeite o embrião (inibe a produção de anticorpos pelos linfócitos). pois proporciona maior quantidade de glicose e de nutrientes para o feto em desenvolvimento. aumenta a resistência materna à ação da insulina e estimula o pâncreas na secreção de insulina. o que diminui a contração uterina. pois a progesterona estimula a eliminação do mesmo. é medido para avaliar a função feto-placentária e o bem estar fetal. com a placenta já formada e madura produzindo estrógeno e progesterona. causa a contração do músculo liso uterino e também. aumentando a pigmentação da aréola. e conseqüentemente. contribui ainda para a manutenção hídrica e aumenta a circulação. Estrogênio: promove rápida proliferação da musculatura uterina. formado por uma camada de células denominada trofoblasto ou células trofobláticas que envolve o botão embrionário. promovendo o crescimento dos elementos glandulares. Quando inicia a gravidez. e estriol . Aumenta o endométrio. garantindo. Dividido em estradiol e estrona . assim. abdomên e face. e a aldosterona promove sua reabsorção. 91 diminuam. até completar-se o parto. Após a nidação o trofoblasto forma projeções na mucosa uterina chamadas vilosidades coriônicas. . de estrutura química semelhante à da prolactina e da somatotrofina hipofisária. proporcionando uma via mais ampla para o parto. para não ter a expulsão do feto. poderá ocorrer um aborto natural ou o blastocisto se implantar (nidação) além do endométrio. tem atividade tireotrófica e também estimula a produção de testosterona pelo testículo fetal (estimula as células de Leydig a produzirem maior quantidade de androgênios). ajudando no crescimento fetal. não existem receptores no útero para a ocitocina. grande desenvolvimento do sistema vascular do útero. quando a produção de leite for solicitada a matéria- prima já esteja presente. fazendo com que aumente a ventilação. ocorre declínio acentuado na concentração de HCG e involução do corpo lúteo.que está na corrente fetal. importante para a diferenciação sexual do feto do sexo masculino. Estes receptores vão aparecendo gradativamente no decorrer da gravidez. estimulação da produção de prostaglandinas. Hormônio melanotrófico: atua nos melanócitos para liberação de melanina.

O estrogênio aumenta o grau de contratilidade uterina. Ainda não se sabe o que impede o parto prematuro. há uma elevação do nível de ocitocina e de seus receptores. esse hormônio aumenta a secreção de cortisol e outros hormônios. estimula a hipófise fetal a liberar ACTH. o que faz com que o útero consiga ter uma contratilidade maior. Estas promovem contrações da musculatura lisa do útero.com O parto depende tanto da secreção de ocitocina quanto da produção das prostaglandinas. uma vez que nas fases finais da gravidez. não haverá a adequada dilatação do colo do útero e conseqüentemente. mas sabe-se que. porque sem estas. que estimulam a placenta a secretar prostaglandinas. inibindo o músculo liso uterino e bloqueando sua resposta a ocitocina e as prostaglandinas. A progesterona mantém seus níveis elevados durante toda a gravidez. quando o hipotálamo do feto alcança certo grau de maturação. . o estrogênio tende a aumentar mais que a progesterona. 92 Imagens: www. antes do fim total da gravidez. Não são bem conhecidos os fatores desencadeantes do trabalho de parto. o que poderia ocasionar o início do trabalho de parto. Existem possíveis fatores inibitórios do trabalho de parto. como a proporção estrogênio/progesterona e o nível de relaxina.embarazada. Agindo sobre a adrenal do feto. Na última etapa da gestação. hormônio produzido pelo corpo lúteo do ovário e pela placenta. o parto não irá progredir normalmente.

a produção de leite. há uma queda nos níveis destes dois últimos hormônios. Este hormônio é o responsável pela ejeção do leite. afrouxa a união entre os ossos da bacia e alarga o canal de passagem do feto). Isto ocorre devido à ação dos hormônios progesterona e estrogênio. a prolactina continuará produzindo leite. que irá secretar ocitocina. devido a inibição causada pelos altos níveis de progesterona e estrogênio. mas uma vez que ele tenha iniciado. que também estimula a proliferação dos dutos. Até este período. que ocorre nos alvéolos das glândulas mamárias. Tal hormônio é responsável pelo crescimento e pela atividade secretora dos alvéolos mamários. aos corticosteróides adrenais e a insulina. Tal mecanismo ocorre porque a ocitocina contrai os músculos ao redor dos alvéolos. A sucção do mamilo também estimulará a hipófise posterior. porém suas quantidades não são aumentadas. conseqüentemente. estimula o hipotálamo a secretar o fator liberador da prolactina. O lactogênio placentário e a prolactina também são muito importantes na preparação das mamas. ocasionando um aumento nas quantidades de prolactina e lactogênio placentário. mas em pequena quantidade. O estrogênio. haverá a secreção e liberação do colostro. O surto deste hormônio acontece em decorrência da gravidez. durante a amamentação. promovem o desenvolvimento das mamas. O leite sai dos alvéolos e caminha até o mamilo através dos seios lactíferos. Ainda não se conhecem os fatores que realmente interferem no trabalho de parto. não haverá mais a estimulação decorrente da sucção do mamilo. de cor amarelada. o que continua até a expulsão do feto. fazendo com que o leite caminhe até o mamilo. Enquanto houver a sucção do mamilo pelo bebê. que é um líquido aquoso. . dando-lhes a flexibilidade necessária para o parto (por provocar remodelamento do tecido conjuntivo. A prolactina começa a ser produzida ainda na puberdade. O nível de relaxina aumenta ao máximo antes do parto e depois cai rapidamente. associado aos hormônios da tireóide. pois neste caso. desenvolvendo os alvéolos. OS HORMÔNIOS E OS MECANISMOS DA LACTAÇÃO O início da lactação se dá com a produção de leite. mantendo seus níveis e. há um aumento no nível de ocitocina. e é aumentado. Ao final do trabalho de parto. A produção de leite só irá diminuir ou cessar completamente se a mãe não amamentar seu filho. gradativamente. Isto acontece porque quando o bebê faz esta sucção nos mamilos. o que possibilita o início da produção de leite. Tem ação importante no útero para que ele se distenda. a medida em que o bebê cresce. que contém anticorpos maternos. há a necessidade de uma proliferação dos alvéolos e dos dutos para a lactação. Este desenvolvimento vai ser acentuado pela ação da progesterona. Durante a gravidez. Estes dois hormônios estão presentes durante toda a gravidez. 93 A relaxina aumenta o número de receptores para a ocitocina. além de produzir um ligeiro amolecimento das articulações pélvicas (articulações da bacia) e das suas cápsulas articulares. O leite só começa a ser produzido depois do primeiro dia do nascimento. O lactogênio placentário age como a prolactina. elevando muito sua secreção.

.secretado em quantidades moderadas durante a última fase da gravidez e em grande quantidade durante Ocitocina Útero e mamas o parto. . estimula a produção de progesterona e estrógeno. 94 Glândula Hormônio Órgão-alvo Principais ações estimula o desenvolvimento FSH ovário do folículo. estimula o desenvolvimento mamas das glândulas mamárias para secreção láctea. Promove a contração do útero para a expulsão da criança. Placenta HGC corpo lúteo inibe a menstruação e nova ovulação. a secreção de estrógeno e a ovulação estimula a ovulação e o LH ovário desenvolvimento do corpo amarelo. Estrógeno inibe a produção de FSH e hipófise estimula a produção de LH estimula a maturação dos órgãos reprodutores e do Sistema Reprodutor endométrio. estimula o diversos desenvolvimento das características sexuais secundárias.promove a ejeção do leite durante a amamentação crescimento do corpo e dos órgãos sexuais. preparando o Ovário útero para a gravidez hipófise inibe a produção de LH completa a regeneração da mucosa uterina. estimula a secreção das glândulas útero Progesterona endometriais e mantém o útero preparado para a gravidez. . estimula a produção de leite (após a estimulação Prolactina mamas prévia das glândulas Hipófise mamárias por estrógeno e progesterona).

fornecendo alimento e estímulo nervoso para as suas funções. 95 10 . a tireóide. Alguns dos principais órgãos produtores de hormônios Alguns dos principais órgãos produtores de hormônios no homem são a hipófise. ao passo que o sistema endócrino regula a resposta interna do organismo a esta informação. o pâncreas e as gônadas. As glândulas pluricelulares não são apenas aglomerados de células que desempenham as mesmas funções básicas e têm a mesma morfologia geral e origem embrionária . formando mecanismos reguladores bastante precisos.SISTEMA ENDÓCRINO Dá-se o nome de sistema endócrino ao conjunto de órgãos que apresentam como atividade característica a produção de secreções denominadas hormônios. Os órgãos que têm sua função controlada e/ou regulada pelos hormônios são denominados órgãos-alvo. que podem ser uni ou pluricelulares.1 . O sistema nervoso pode fornecer ao endócrino a informação sobre o meio externo. o hipotálamo. as paratireóides. em uma cavidade do osso esfenóide chamada tela túrcica. atuam na coordenação e regulação das funções corporais. o sistema endócrino.o que caracteriza um tecido. Os hormônios influenciam praticamente todas as funções dos demais sistemas corporais. Dessa forma. juntamente com o sistema nervoso. São na verdade órgãos definidos com arquitetura ordenada. . as supra-renais.Hipófise ou pituitária Situa-se na base do encéfalo. Constituição dos órgãos do sistema endócrino Os tecidos epiteliais de secreção ou epitélios glandulares formam as glândulas. dividindo-as em lobos. Nos seres humanos tem o tamanho aproximado de um grão de ervilha e possui duas partes: o lobo anterior (ou adeno- hipófise) e o lobo posterior (ou neuro-hipófise). controlando ou auxiliando o controle de sua função. Elas estão envolvidas por uma cápsula conjuntiva que emite septos. que são lançados na corrente sangüínea e irão atuar em outra parte do organismo. 10. Freqüentemente o sistema endócrino interage com o sistema nervoso. Vasos sangüíneos e nervos penetram nas glândulas.

• Adrenocorticotrópicos: atuam sobre o córtex da glândula endócrina adrenal (supra-renal) • Gonadotrópicos: atuam sobre as gônadas masculinas e femininas.Hipotálamo Localizado no cérebro diretamente acima da hipófise. Imagem: CÉSAR & CEZAR. alguns hormônios. • Somatotrófico: atua no crescimento. Ed Saraiva. aumentando a concentração de glicose no sangue (inibe a produção de insulina pelo pâncreas. São eles: • Tireotrópicos: atuam sobre a glândula endócrina tireóide. comandando a secreção de outros hormônios. Também aumenta a utilização de gorduras e inibe a captação de glicose plasmática pelas células. predispondo ao diabetes). 96 Além de exercerem efeitos sobre órgãos não- endócrinos. Biologia 2. produzidos pela hipófise são denominados trópicos (ou tróficos) porque atuam sobre outras glândulas endócrinas. 2002 10. promovendo o alongamento dos ossos e estimulando a síntese de proteínas e o desenvolvimento da massa muscular. é conhecido por exercer controle sobre ela por meios de conexões neurais e substâncias semelhantes a hormônios chamados fatores desencadeadores (ou de liberação). .2 . o meio pelo qual o sistema nervoso controla o comportamento sexual via sistema endócrino. São Paulo.

Estimulam ainda a produção de RNA e a síntese de proteínas. estimulando sua incorporação pelos ossos. maturação e desenvolvimento. ao sistema nervoso. aumentam a velocidade dos processos de oxidação e de liberação de energia nas células do corpo. triiodotironina (T3) e tiroxina (T4). no homem. outro hormônio secretado pela tireóide. pode-se dizer que o sistema endócrino é subordinado ao nervoso e que o hipotálamo é o mediador entre esses dois sistemas. 10. Imagem: CÉSAR & CEZAR. Produz também os hormônios ocitocina e ADH (antidiurético). Ed Saraiva. Biologia 2. elevando a taxa metabólica e a geração de calor. estimulando ou inibindo suas secreções. por sua vez. por feed-back. são os testículos. 2002 O hipotálamo também produz outros fatores de liberação que atuam sobre a adeno-hipófise. inibindo a liberação de mais hormônio pituitário.Tireóide Localiza-se no pescoço. A calcitonina. 97 O hipotálamo estimula a glândula hipófise a liberar os hormônios gonadotróficos (FSH e LH). inibindo a remoção do cálcio dos ossos e a saída dele para o plasma sangüíneo. armazenados e secretados pela neuro- hipófise. que atuam sobre as gônadas. Como a hipófise secreta hormônios que controlam outras glândulas e está subordinada. participa do controle da concentração sangüínea de cálcio. Na mulher a glândula-alvo do hormônio gonadotrófico é o ovário. estimulando a liberação de hormônios gonadais na corrente sanguínea. . estando apoiada sobre as cartilagens da laringe e da traquéia. estando relacionados ao crescimento.3 . São Paulo. Seus dois hormônios. Os hormônios gonadais são detectados pela pituitária e pelo hipotálamo.

localizadas na região posterior da tireóide. os mineralocorticóides e os androgênicos. a absorção de cálcio dos alimentos pelo intestino e a reabsorção de cálcio pelos túbulos renais. 98 10.4 . . O córtex secreta três tipos de hormônios: os glicocorticóides. divididas em duas partes independentes – medula e córtex - secretoras de hormônios diferentes. aumentando a concentração de cálcio no sangue.5 .Paratireóides São pequenas glândulas. 10. o cálcio é importante na contração muscular.São duas glândulas localizadas sobre os rins. comportando- se como duas glândulas. Neste contexto.Adrenais ou supra-renais . na coagulação sangüínea e na excitabilidade das células nervosas. Secretam o paratormônio. que estimula a remoção de cálcio da matriz óssea (o qual passa para o plasma sangüíneo). geralmente em número de quatro.

Existem determinados receptores.6 . nos músculos esqueléticos (formando feixes nervosos que envolvem as fibras musculares) ou no aparelho vestibular da orelha interna. 3) Interoceptores: os receptores interoceptivos respondem a estímulos viscerais ou outras sensações como sede e fome. a tensaõ e o estiramento musculares. capazes de captar estímulos diversos.Pâncreas É uma glândula mista ou anfícrina – apresenta determinadas regiões endócrinas e determinadas regiões exócrinas (da porção secretora partem dutos que lançam as secreções para o interior da cavidade intestinal) ao mesmo tempo. audição. chamados receptores sensoriais. 99 10. PALADAR. onde será produzida uma resposta (voluntária ou involuntária).visão. que atuam no metabolismo da glicose. AUDIÇÃO. 2) Proprioceptores: os receptores proprioceptivos encontram-se no esqueleto e nas inserções tendinosas. A estrutura e o modo de funcionamento destes receptores nervosos especializados é diversa. onde estão as células que secretam os dois hormônios: insulina e glucagon. Por meio dos sentidos. 11 – SISTEMA SENSORIAL OS SENTIDOS: VISÃO. são formados por células nervosas capazes de traduzir ou converter esses estímulos em impulsos elétricos ou nervosos que serão processados e analisados em centros específicos do sistema nervoso central (SNC). gustação ou paladar e olfato . assim como o movimento. As chamadas ilhotas de Langerhans são a porção endócrina. altamente especializados. originados fora do organismo. tato. Tais receptores. contribuindo para a nossa sobrevivência e integração com o ambiente em que vivemos.constituem as funções que propiciam o nosso relacionamento com o ambiente. Detectam a posição do indivíduo no espaço. Tipos de receptores: 1) Exteroceptores: respondem a estímulos externos. OLFATO E TATO Os órgãos dos sentidos Os sentidos fundamentais do corpo humano . . o nosso corpo pode perceber muita coisa do que nos rodeia.

os contornos. 11.1 . è pela audição . è pela gustação - identificamos os sabores. Dessa maneira: è pelo tato - sentimos o frio. providos de sofisticados sistemas funcionais. è as fossas nasais . etc.para a visão. è os ouvidos . è pelo olfato - sentimos o odor ou cheiro. Editora Moderna. Portanto. 2001. como uma ramificação nervosa. Imagem: AMABIS & MARTHO.para o olfato. as formas. è os olhos .para o tato. formados por elementos nervosos interconectados ou órgãos complexos.para a audição. os receptores sensitivos podem ser simples.captamos os sons. 100 Em geral. São Paulo. etc.VISÃO ANATOMIA DO OLHO . o calor. Esses órgãos são: è a pele . è pela visão - observamos as cores. Conceitos de Biologia Volume 2. a pressão atmosférica. em nosso corpo os órgãos dos sentidos estão encarregados de receber estímulos externos. è a língua . mais complexos.para a gustação.

por ação do sistema nervoso simpático. que projeta axônios através do nervo óptico. Cada globo ocular compõe-se de três túnicas e de quatro meios transparentes: Túnicas: 1. denominada camada de células ganglionares. Acha-se intensamente vascularizada e tem a função de nutrir a retina. Na retina encontram-se dois . CRUZ. Esses pigmentos absorvem a luz que chega à retina.túnica intermédia vascular pigmentada: úvea. Esse mecanismo evita o ofuscamento e impede que a luz em excesso lese as delicadas células fotossensíveis da retina. A coróide une-se na parte anterior do olho ao corpo ciliar. designadas de acordo com sua relação ao centro do globo ocular. o diâmetro da pupila aumenta e permite a entrada de maior quantidade de luz. dirigindo-os a seu objetivo visual. supercílios (sobrancelhas). compostas de partes dos ossos frontal. A camada mais interna. 2. Possui uma estrutura muscular de cor variável – a íris. É transparente e atua como uma lente convergente.O Corpo Humano. etmóide. 101 Os globos oculares estão alojados dentro de cavidades ósseas denominadas órbitas. a ação do sistema nervoso parassimpático acarreta diminuição do diâmetro da pupila e da entrada de luz. a qual é dotada de um orifício central cujo diâmetro varia.túnica fibrosa externa: esclerótica (branco do olho). estrutura formada por musculatura lisa e que envolve o cristalino.túnica interna nervosa: retina. esfenóide. Túnica resistente de tecido fibroso e elástico que envolve externamente o olho (globo ocular) A maior parte da esclerótica é opaca e chama-se esclera. modificando sua forma. A parte anterior da esclerótica chama-se córnea. o corpo ciliar e a íris. onde estão inseridos os músculos extra-oculares que movem os globos oculares. A coróide está situada abaixo da esclerótica e é intensamente pigmentada. conjuntiva. Ática. São Paulo. zigomático. Ao globo ocular encontram-se associadas estruturas acessórias: pálpebras. Em ambientes mal iluminados. Em locais muito claros. músculos e aparelho lacrimal. 2000. É composta por várias camadas celulares. maxilar. contém os corpos celulares das células ganglionares. única fonte de sinais de saída da retina. de acordo com a iluminação do ambiente – a pupila. Ed. evitando sua reflexão. É a membrana mais interna e está debaixo da coróide. lacrimal e palatino. 3. Compreende a coróide. Daniel.

em que se projeta a imagem do objeto focalizado. a visão passa a depender exclusivamente dos bastonetes. Nos bastonetes existe uma substância sensível à luz – a rodopsina – produzida a partir da vitamina A. A fóvea contém apenas cones e permite que a luz atinja os fotorreceptores sem passar pelas demais camadas da retina. Os cones são encontrados principalmente na retina central. mas são mais sensíveis à luz que os cones. porém transmitem informação diretamente para as células ganglionares. Quando excitados pela energia luminosa. insensível a luz. Há três tipos de cones: um que se excita com luz vermelha. emergem o nervo óptico e os vasos sangüíneos da retina. é circular no seu contorno e de espessura uniforme. em especial do espaçamento dos fotorreceptores na retina e da precisão da refração do olho. outro com luz verde e o terceiro. A deficiência alimentar dessa vitamina leva à cegueira noturna e à xeroftalmia (provoca ressecamento da córnea. são encontrados principalmente na retina periférica. No ponto cego não há cones nem bastonetes. Meios transparentes: . .Córnea: porção transparente da túnica externa (esclerótica). Os bastonetes. 102 tipos de células fotossensíveis: os cones e os bastonetes. que fica opaca e espessa. São os cones as células capazes de distinguir cores. com luz azul. Em situações de pouca luminosidade. a qual depende de diversos fatores. ausentes na fóvea. maximizando a acuidade visual. É a chamada visão noturna ou visão de penumbra. Sua superfície é lubrificada pela lágrima. Do ponto cego. Há duas regiões especiais na retina: a fovea centralis (ou fóvea ou mancha amarela) e o ponto cego. secretada pelas glândulas lacrimais e drenada para a cavidade nasal através de um orifício existente no canto interno do olho. Acuidade visual A capacidade do olho de distinguir entre dois pontos próximos é chamada acuidade visual. estimulam as células nervosas adjacentes. em um raio de 10 graus a partir da fóvea. No fundo do olho está o ponto cego. podendo levar à cegueira irreversível). gerando um impulso nervoso que se propaga pelo nervo óptico. e a imagem que nela se forma tem grande nitidez. A fóvea está no eixo óptico do olho. É a região da retina mais altamente especializada para a visão de alta resolução. A imagem fornecida pelos cones é mais nítida e mais rica em detalhes. Os bastonetes não têm poder de resolução visual tão bom.

humor vítreo: fluido mais viscoso e gelatinoso que se situa entre o cristalino e a retina. Quando choramos. . o excesso de líquido desce pelo canal lacrimal e é despejado nas fossas nasais. Sua pressão mantém o globo ocular esférico. ao que chamamos catarata. o globo ocular apresenta. mais delgado para a visão de objetos mais distantes.humor aquoso: fluido aquoso que se situa entre a córnea e o cristalino. . As glândulas lacrimais produzem lágrimas continuamente. preenchida pelo humor aquoso e (2) a câmara posterior. As pálpebras são duas dobras de pele revestidas internamente por uma membrana chamada conjuntiva. espalhado pelos movimentos das pálpebras. Esse líquido. preenchendo a câmara anterior do olho. preenchendo a câmara posterior do olho. porque é preso ao músculo ciliar. tornando-se opaco. permitindo que nossos olhos ajustem o foco para diferentes distâncias visuais. e as sobrancelhas impedem que o suor da testa entre neles. Com o envelhecimento. Situa-se atrás da pupila e e orienta a passagem da luz até a retina. Pode ficar mais delgado ou mais espesso.cristalino: lente biconvexa coberta por uma membrana transparente. . Servem para proteger os olhos e espalhar sobre eles o líquido que conhecemos como lágrima. as sobrancelhas ou supercílios. as glândulas lacrimais e os músculos oculares. A essa propriedade do cristalino dá-se o nome de acomodação visual. os cílios. 103 . Os cílios ou pestanas impedem a entrada de poeira e de excesso de luz nos olhos. Essas mudanças de forma ocorrem para desviar os raios luminosos na direção da mancha amarela. Como já mencionado anteriormente. preenchida pelo humor vítreo. o cristalino pode perder a transparência normal. ainda. que pode torna-lo mais delgado ou mais curvo. anexos: as pálpebras. em direção ao exterior do nariz. O cristalino fica mais espesso para a visão de objetos próximos e. lava e lubrifica o olho. Também divide o interior do olho em dois compartimentos contendo fluidos ligeiramente diferentes: (1) a câmara anterior.

b) ORELHA MÉDIA A orelha média começa na membrana timpânica e consiste. A orelha média comunica-se também . Biologia.2 . através de ligamentos. A orelha está dividida em três partes: orelhas externa. denominada cerume ou cera. 104 11. Imagem: CÉSAR & CEZAR. 2002 a) ORELHA EXTERNA A orelha externa é formada pelo pavilhão auditivo (antigamente denominado orelha) e pelo canal auditivo externo ou meato auditivo. tem cerca de três centímetros de comprimento e está escavado em nosso osso temporal. tendo como função captar e canalizar os sons para a orelha média.ANATOMIA DA ORELHA O órgão responsável pela audição é a orelha (antigamente denominado ouvido). bigorna e estribo. Tanto os pêlos como o cerume retêm poeira e micróbios que normalmente existem no ar e eventualmente entram nos ouvidos. O cabo do martelo está encostado no tímpano. Ed Saraiva.2. de um espaço aéreo – a cavidade timpânica – no osso temporal. cujos nomes descrevem sua forma: martelo. média e interna (antigamente denominadas ouvido externo.tímpano ou membrana timpânica . um dos orifícios dotados de membrana da orelha interna que estabelecem comunicação com a orelha média. O outro orifício é a janela redonda. chamado anel timpânico. O canal auditivo externo termina numa delicada membrana . o estribo apóia-se na janela oval. ouvido médio e ouvido interno). também chamada órgão vestíbulo-coclear ou estato-acústico. o ouvido também é responsável pelo equilíbrio.firmemente fixada ao conduto auditivo externo por um anel de tecido fibroso. O canal auditivo externo estabelece a comunicação entre a orelha média e o meio externo. Todo o pavilhão auditivo (exceto o lobo ou lóbulo) é constituído por tecido cartilaginoso recoberto por pele. Esses ossículos encontram-se suspensos na orelha média. São Paulo.1 . em sua totalidade. que se localiza na caixa craniana. É revestido internamente por pêlos e glândulas. Além da função de ouvir. que fabricam uma substância gordurosa e amarelada.AUDIÇÃO 11. Dentro dela estão três ossículos articulados entre si. A maior parte da orelha fica no osso temporal.

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com a faringe, através de um canal denominado tuba auditiva (antigamente denominada
trompa de Eustáquio). Esse canal permite que o ar penetre no ouvido médio. Dessa forma, de
um lado e de outro do tímpano, a pressão do ar atmosférico é igual. Quando essas pressões
ficam diferentes, não ouvimos bem, até que o equilíbrio seja reestabelecido.

c) ORELHA INTERNA
A orelha interna, chamada labirinto, é formada por escavações no osso temporal,
revestidas por membrana e preenchidas por líquido. Limita-se com a orelha média pelas
janelas oval e a redonda. O labirinto apresenta uma parte anterior, a cóclea ou caracol -
relacionada com a audição, e uma parte posterior - relacionada com o equilíbrio e
constituída pelo vestíbulo e pelos canais semicirculares.

11.2.2 - O MECANISMO DA AUDIÇÃO
O som é produzido por ondas de compressão e descompressão alternadas do ar. As
ondas sonoras propagam-se através do ar exatamente da mesma forma que as ondas
propagam-se na superfície da água. Assim, a compressão do ar adjacente de uma corda de
violino cria uma pressão extra nessa região, e isso, por sua vez, faz com que o ar um pouco
mais afastado se torne pressionado também. A pressão nessa segunda região comprime o ar

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ainda mais distante, e esse processo repete-se continuamente até que a onda finalmente
alcança a orelha.
A orelha humana é um órgão altamente sensível que nos capacita a perceber e
interpretar ondas sonoras em uma gama muito ampla de freqüências (16 a 20.000 Hz - Hertz
ou ondas por segundo).

A captação do som até sua percepção e interpretação é uma seqüência de
transformações de energia, iniciando pela sonora, passando pela mecânica, hidráulica e
finalizando com a energia elétrica dos impulsos nervosos que chegam ao cérebro.

11.3 – A GUSTAÇÃO (PALADAR)
Os sentidos gustativo e olfativo são chamados sentidos químicos, porque seus
receptores são excitados por estimulantes químicos. Os receptores gustativos são excitados
por substâncias químicas existentes nos alimentos, enquanto que os receptores olfativos são
excitados por substâncias químicas do ar. Esses sentidos trabalham conjuntamente na
percepção dos sabores. O centro do olfato e do gosto no cérebro combina a informação
sensorial da língua e do nariz.

Imagem: www.msd.es/publicaciones/mmerck_hogar/seccion_06/seccion_06_072.html, com adaptações

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O receptor sensorial do paladar é a
papila gustativa. É constituída por células
epiteliais localizadas em torno de um poro
central na membrana mucosa basal da
língua. Na superfície de cada uma das
células gustativas observam-se
prolongamentos finos como pêlos,
projetando-se em direção da cavidade
bucal; são chamados microvilosidades.
Essas estruturas fornecem a superfície
receptora para o paladar.
Observa-se entre as células
gustativas de uma papila uma rede com
duas ou três fibras nervosas gustativas, as
quais são estimuladas pelas próprias
células gustativas. Para que se possa
sentir o gosto de uma substância, ela deve
primeiramente ser dissolvida no líquido
bucal e difundida através do poro
gustativo em torno das microvilosidades.
Portanto substâncias altamente solúveis e
difusíveis, como sais ou outros compostos Imagem: GUYTON, A.C. Fisiologia Humana. 5ª ed., Rio
que têm moléculas pequenas, geralmente de Janeiro, Ed. Interamericana, 1981.
fornecem graus gustativos mais altos do
que substâncias pouco solúveis difusíveis,
como proteínas e outras que possuam
moléculas maiores.

A gustação é primariamente uma função da língua, embora regiões da faringe, palato e
epiglote tenham alguma sensibilidade. Os aromas da comida passam pela faringe, onde
podem ser detectados pelos receptores olfativos.

As Quatro Sensações Gustativas-Primárias
Na superfície da língua existem dezenas de papilas gustativas, cujas células sensoriais
percebem os quatro sabores primários, aos quais chamamos sensações gustativas primárias:
amargo (A), azedo ou ácido (B), salgado (C) e doce (D). De sua combinação resultam
centenas de sabores distintos. A distribuição dos quatro tipos de receptores gustativos, na
superfície da língua, não é homogênea.

O OLFATO O olfato humano é pouco desenvolvido se comparado ao de outros mamíferos.html é estimulada com maior intensidade que as papilas que respondem mais a outros gostos. ao mesmo tempo. .br/svol/sentidos. Além disso. o cérebro interpreta a sensação como de salinidade. Entretanto. Sabe- se agora que todas as papilas gustativas possuem alguns graus de sensibilidade para cada uma 1. Muitas comidas têm um sabor distinto como resultado da soma de seu gosto e cheiro. Isto www. se uma papila que detecta principalmente salinidade /sentidos.nib.4 . O epitélio olfativo humano contém cerca de 20 milhões de células sensoriais. A sensação de dor também é essencial para sentirmos o sabor picante e estimulante das comidas apimentadas. O cérebro detecta o tipo de gosto pela relação (razão) de Imagem: estimulação entre as diferentes papilas gustativas.Papilas fungiformes papila normalmente tem maior grau de sensibilidade 3.unicamp. em menor extensão. 108 Até os últimos anos acreditava-se que existiam quatro tipos inteiramente diferentes de papila gustativa.Papilas circunvaladas das sensações gustativas primárias. 11. cada qual com seis pêlos sensoriais (um cachorro tem mais de 100 milhões de células sensoriais.html é. cada 2. Os receptores olfativos são neurônios genuínos. embora outras papilas tenham sido estimuladas. cada qual com pelo menos 100 pêlos sensoriais). cada qual detectando uma das sensações gustativas primárias particular. com receptores próprios que penetram no sistema nervoso central. O sabor diferente das comidas Cada comida ativa uma diferente combinação de sabores básicos. outras modalidades sensoriais também contribuem com a experiência gustativa. como a textura e a temperatura dos alimentos. Papilas filiformes para uma ou duas das sensações gustativas. percebidos simultaneamente. ajudando a torná-la única.

Dessa forma.que cobre a parte inferior. que começa a partir das janelas do nariz. e contém glândulas que secretam muco. que ficam mergulhados na camada de muco que recobre as cavidades nasais. de onde atingem os axônios. onde o processo de sinalização é interpretado e decodificado. geram impulsos nervosos. está situada em cima da boca e debaixo da caixa craniana. A mucosa amarela é muito rica em terminações nervosas do nervo olfativo. que são conduzidos até o corpo celular das células olfativas. no máximo. que mantém úmida a região. Os produtos voláteis ou de gases perfumados ou ainda de substâncias lipossolúveis que se desprendem das diversas substâncias. Os milhares de tipos diferentes de cheiros que uma pessoa consegue distinguir resultariam da integração de impulsos gerados por uns cinqüenta estímulos básicos. o nariz fica obstruído. A integração desses estímulos seria feita numa região localizada em áreas laterais do córtex cerebral. atingindo os prolongamentos sensoriais. entram nas fossas nasais e se dissolvem no muco que impregna a mucosa amarela. o ar se purifica. Os axônios se agrupam de 10-100 e penetram no osso etmóide para chegar ao bulbo olfatório. umedece e esquenta. Se os capilares se dilatam e o muco é secretado em excesso. Ao circular pela cavidade nasal. Contém os órgãos do sentido do olfato. Os dendritos das células olfativas possuem prolongamentos sensíveis (pêlos olfativos). 109 A cavidade nasal. para distingui-la da vermelha . O órgão olfativo é a mucosa que forra a parte superior das fossas nasais - chamada mucosa olfativa ou amarela. A mucosa vermelha é dessa cor por ser muito rica em vasos sangüíneos. . Estas se conectam em grupos que convergem para as células mitrais. cada uma com receptores para um tipo de odor. Aceita-se a hipótese de que existem alguns tipos básicos de células do olfato. que se comunicam com o bulbo olfativo. sintoma característico do resfriado. onde convergem para formar estruturas sinápticas chamadas glomérulos. e é forrada por um epitélio secretor de muco. Fisiologicamente essa convergência aumenta a sensibilidade olfatória que é enviada ao Sistema Nervoso Central (SNC). ao serem inspirados. que constituem o centro olfativo.

O olfato. denominada epitélio germinativo. mas. se ambos forem da mesma intensidade. dessa maneira.SISTEMA TEGUMENTAR Estrutura do tegumento (pele) O tegumento humano. No início da exposição a um odor muito forte. sentimos simultaneamente o paladar e o cheiro. A sensação será tanto mais intensa quanto maior for a quantidade de receptores estimulados. o olfato tem uma nítida vantagem em relação ao paladar: não necessita do contato direto com o objeto percebido para que haja a excitação. Se tanto um odor pútrido quanto um aroma doce estão presentes no ar.1 . O olfato tem importante papel na distinção dos alimentos. firmemente unidas entre si: a epiderme e a derme. 12 . o que depende da concentração da substância odorífera no ar. o sistema olfativo detecta a sensação de um único odor de cada vez. formado por várias camadas (estratos) de células achatadas (epitélio pavimentoso) justapostas. Porém. Do ponto de vista adaptativo. A camada de células mais interna. é formado por duas camadas distintas. após um minuto. como a visão. 110 A mucosa olfativa é tão sensível que poucas moléculas são suficientes para estimula-la. capaz de perceber um grande número de cores ao mesmo tempo. a sensação olfativa pode ser bastante forte também. conferindo maior segurança e menor exposição a estímulos lesivos. Enquanto mastigamos. é constituída por células que se multiplicam continuamente. produzindo a sensação de odor. ao contrário da visão. as novas células geradas empurram as mais velhas para .Epiderme A epiderme é um epitélio multiestratificado. o dominante será aquele que for mais intenso. o odor será quase imperceptível. possui uma enorme capacidade adaptativa. Contudo. um odor percebido pode ser a combinação de vários outros diferentes. mais conhecido como pele. a sensação olfativa será entre doce e pútrida. ou. 12. aproximadamente.

denominado camada queratinizada ou córnea. 111 cima. São formados por uma fibra nervosa cuja terminação possui forma de clava. Os terminais de Ruffini. Estão nas saliências da pele sem pêlos (como nas partes mais altas das impressões digitais). À medida que envelhecem. por sua vez. com sua forma ramificada. encontram-se ainda três tipos de receptores comuns: 1) Corpúsculos de Paccini: captam especialmente estímulos vibráteis e táteis. as células epidérmicas tornam-se achatadas. ao se tornarem repletas de queratina. São formados por um axônio mielínico. Estes discos estão englobados em uma célula especializada. amielínica. Toda a superfície cutânea está provida de terminações nervosas capazes de captar estímulos térmicos. As células mais superficiais. e passam a fabricar e a acumular dentro de si uma proteína resistente e impermeável. Na pele desprovida de pêlo e também na que está coberta por ele. Os nutrientes e oxigênio chegam à epiderme por difusão a partir de vasos sangüíneos da derme. é envolta por várias camadas que correspondem a diversas células de sustentação. Não obstante. são receptores térmicos de calor. a queratina.São formados por uma fibra nervosa cuja porção terminal. RECEPTORES DE SUPERFÍCIE SENSAÇÃO PERCEBIDA Receptores de Krause Frio Receptores de Ruffini Calor Discos de Merkel Tato e pressão Receptores de Vater-Pacini Pressão Receptores de Meissner Tato Terminações nervosas livres Principalmente dor . As primeiras. Na pele sem pêlo encontram-se. formadas por axônios que envolvem o folículo piloso. 5) Bulbos terminais de Krause: receptores térmicos de frio.Situam-se nas regiões limítrofes da pele com as membranas mucosas (por exemplo: ao redor dos lábios e dos genitais). ainda. Nas regiões da pele providas de pêlo. ambos envolvidos por uma membrana basal. captam as forças mecânicas aplicadas contra o pêlo. morrem e passam a constituir um revestimento resistente ao atrito e altamente impermeável à água. 3) Terminações nervosas livres: sensíveis aos estímulos mecânicos. Uma fibra aferente costuma estar ramificada com vários discos terminais destas ramificações nervosas. Essas terminações nervosas ou receptores cutâneos são especializados na recepção de estímulos específicos. São formadas por um axônio ramificado envolto por células de Schwann sendo. térmicos e especialmente aos dolorosos. 2) Discos de Merkel: de sensibilidade tátil e de pressão. os movimentos de pressão e tração sobre epiderme desencadeam o estímulo. em direção à superfície do corpo. cuja superfície distal se fixa às células epidérmicas por um prolongamento de seu protoplasma. A camada terminal é capaz de captar a aplicação de pressão. outros receptores específicos: 4) Corpúsculos de Meissner: táteis. alguns podem captar estímulos de natureza distinta. mecânicos ou dolorosos. cujas ramificações terminais se entrelaçam com células acessórias. que é transmitida para as outras camadas e enviada aos centros nervosos correspondentes. existem terminações nervosas específicas nos folículos capilares e outras chamadas terminais ou receptores de Ruffini. Assim. Porém na epiderme não existem vasos sangüíneos.

por exemplo. rico em fibras e em células que armazenam gordura (células adiposas ou adipócitos).3 . embora tenham origem epidérmica. ao aumento da atividade física. O suor (composto de água. responsáveis pela produção de fibras e de uma substância gelatinosa. vasos sangüíneos. fibras elásticas (elasticidade). Na derme encontramos ainda: músculo eretor de pêlo. devido. A transpiração ou sudorese tem por função refrescar o corpo quando há elevação da temperatura ambiental ou quando a temperatura interna do corpo sobe. fibras colágenas (resistência).Derme A derme. é um tecido conjuntivo que contém fibras protéicas. o tecido subcutâneo. a substância amorfa. vasos sangúíneos e nervos. A camada . A epiderme penetra na derme e origina os folículos pilosos. células que produzem melanina. glândulas sebáceas e glândulas sudoríparas. terminações nervosas. pigmento que determina a coloração da pele.2 .Tecido subcutâneo Sob a pele. órgãos sensoriais e glândulas. 12. na qual os elementos dérmicos estão mergulhados. sais e um pouco de uréia) é drenado pelo duto das glândulas sudoríparas. há uma camada de tecido conjuntivo frouxo. 12. enquanto a secreção sebácea (secreção gordurosa que lubrifica a epiderme e os pêlos) sai pelos poros de onde emergem os pêlos. As principais células da derme são os fibroblastos. As glândulas anexas – sudoríparas e sebáceas – encontram-se mergulhadas na derme. 112 Nas camadas inferiores da epiderme estão os melanócitos. localizada imediatamente sob a epiderme.

Elsevier Ed. Fundamentos da Biologia Moderna.C.São Paulo. 12. 1997. Ed. Michael H. empurrando as células mais velhas para cima. Ed. proteção contra choques mecânicos e isolante térmico. Biologia Integrada.AVANCINI & FAVARETTO. Saraiva. que se encarregam de sua lubrificação.ATLAS INTERATIVO DE ANATOMIA HUMANA. J. Biologia – Uma abordagem evolutiva e ecológica. atua como reserva energética. 2002. 17. Moderna. Globo Multimídia.. 2002 07. 11ª ed.E. mortas e compactadas. CONNORS. 14. Como o cérebro funciona.afh. C. Histologia Básica.ENCICLOPÉDIA MULTIMÍDIA DO CORPO HUMANO . morrem e se compactam. Prof. Ed. 08. Ed Saraiva. BIBLIOGRAFIA 01.GUYTON. Biologia 2. 04. São Paulo. Tratado de Fisiologia Médica. Estas.São Paulo. & ROWRELL. 09. Neurociências – Desvendando o Sistema Nervoso. 10. São Paulo. Lynn J. Série Mais Ciência. http://www. Pp. 16. 06. 1981. M. Artmed Editora. denominada hipoderme.Unhas e pêlos Unhas e pêlos são constituídos por células epidérmicas queratinizadas. Artmed Editora. Ed.CHEIDA. SÔNIA. Moderna. Saraiva.0. Publifolha.Planeta DeAgostini .CÉSAR & CEZAR.. 2009. Ana Luiza Miranda.LOPES.ROSS. Editora Médica Panamericana.. LUIZ EDUARDO. que permite sua movimentação. 1995. Rio de Janeiro. Histologia Texto e Atlas. O corpo Humano. & CARNEIRO.W. São Paulo. 113 subcutânea.LOPES.AMABIS & MARTHO. São Paulo. 2. Interamericana. 1997. SÔNIA.AMABIS & MARTHO. HALL. M. Biologia dos organismos. 2002.Ed.GUYTON. Bio 1. FTD.CD O CORPO HUMANO 2. 18. 2002. 15 – VILELA. Fisiologia Humana. A. J. . 123:129. Pp. Bio 2. Ática.A.F. 2ª Edição. Na base da unha ou do pêlo há células que se multiplicam constantemente. ao acumular queratina. B. Volume único. 2006.SÉRIE ATLAS VISUAIS. 11. 100:108.C. São Paulo. 1993. 02.bio. São Paulo.4 . & PARADISO. Planeta do Brasil Ltda.McCRONE. Ed. 5ª ed. 13. A. 12. Ed.JUNQUEIRA. 8ª Edição. 03. JOHN. Rio de Janeiro. Editora Moderna.. UFMG. Editora Guanabara Koogan.BEAR. e a uma ou mais glândulas sebáceas. Volume 2. originando a unha ou o pêlo. Rio de Janeiro.asp. 2002. Ed. 2002. L. Porto Alegre 2ª ed.br/varios/analuisa. 05. São Paulo. Vol. 1995. Cada pêlo está ligado a um pequeno músculo eretor.