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Super Apostila de Direito Ambiental

Cap. 04 –
RESPONSABILIDADE
CIVIL PELO DANO
AMBIENTAL.

Prof. Tiago Duarte


Prof. Tiago Duarte

Sumário
1. Objetivos dessa apostila. ......................................................... 3

2. Introdução .............................................................................. 3

3. Esfera de atuação .................................................................... 4

4. Prescrição ............................................................................... 5

5. Teorias da responsabilidade civil ............................................. 7

6. Ônus da prova ....................................................................... 12

7. Dica de ouro .......................................................................... 14

8. Dano nuclear ......................................................................... 15

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1. Objetivos dessa apostila.

A matéria de responsabilização civil ambiental vem sendo


constantemente cobrada em concursos que tem como disciplina o
Direito Ambiental, desde os mais simples até os mais difíceis.

Dentro deste assunto há várias teorias sobre como se dará a


responsabilização dos agentes degradadores. Desse modo, esta
apostila tem como foco a simplificação das teorias e a demonstração
das jurisprudências, de modo que elas lhe auxiliarão a compreender a
matéria de forma mais fácil.

Outros assuntos abordados, como a imprescritibilidade e o ônus da


prova, são bastante cobrados em concurso também. Assim, serão
tratados da melhor forma possível.

Dito isto, traremos abaixo o melhor estudo de doutrina e as decisões


mais importantes dos tribunais superiores, assim como quadros que
te auxiliarão no entendimento da matéria. Tudo isso para que você
obtenha sua APROVAÇÃO.

Então, vamos MAXIMIZAR sua capacidade de aprendizado com


o Nota 11!

2. Introdução
Nível de cobrança em concurso: Todos!

A responsabilização civil do meio ambiente constitui modalidade


específica de responsabilidade civil, visto que as peculiaridades do
dano ambiental exigem modificações no regime de responsabilidade
civil clássico. Isto é, a responsabilidade civil ambiental é tratada
diferentemente da responsabilidade civil de um dano comum.

Sobre a necessidade de se dar uma nova abordagem sobre a


responsabilização do dano ao meio ambiente, Édis Milaré assevera:
Imaginou-se, no início da preocupação com o meio ambiente,
que seria possível resolver os problemas relacionados com o
dano a ele infligido nos estreitos da teoria da culpa. Mas,
rapidamente, a doutrina, a jurisprudência e o legislador
perceberam que as regras clássicas de responsabilidade,
contidas na legislação civil de então, não ofereciam proteção
suficiente e adequada às vítimas do dano ambiental, relegando-
as no mais das vezes, ao completo desamparo. Primeiro, pela
natureza difusa deste, atingindo, via de regra, uma pluralidade

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de vítimas totalmente desamparadas pelos institutos ortodoxos


do Direito Processual Clássico, que só ensejavam a composição
do dano individualmente sofrido. Segundo, pela dificuldade de
prova da culpa do agente poluidor, quase sempre coberto por
aparente legalidade materializada em atos do Poder Público,
como licenças e autorizações. Terceiro, porque no regime
jurídico do Código Civil, então aplicável, admitiam-se as
clássicas excludentes de responsabilização, como por exemplo,
o caso fortuito e a força maior. Daí a necessidade da busca de
instrumentos legais mais eficazes, aptos a sanar a insuficiência
das regras clássicas perante a novidade de abordagem jurídica
do dano ambiental. (MILARÉ Édis, Direito do Ambiente. 5ª
edição reformulada, atualizada e ampliada. São Paulo: Revista
dos Tribunais, 2007. P. 896

Desse modo, buscando instrumentos mais eficazes, o legislador


brasileiro, por meio da Lei nº 6.938/81, trouxe um modelo de
responsabilidade civil mais pertinente ao meio ambiente na medida
em que a responsabilidade subjetiva foi substituída pela
objetiva, não sendo necessária a demonstração de culpa:
Art. 14
§1º. Sem obstar a aplicação das penalidades previstas neste
artigo, é o poluidor obrigado, independentemente da existência
de culpa, a indenizar ou reparar os danos causados ao meio
ambiente e a terceiros, afetados por sua atividade. O Ministério
Público da União e dos Estados terá legitimidade para propor
ação de responsabilidade civil e criminal, por danos causados
ao meio ambiente.

Assim, para aquele que causar dano ao meio ambiente, será


necessário somente a demonstração de dano e nexo de causalidade a
fim de que seja configurado a responsabilização civil ambiental. Isto
é, basta a verificação do dano e do nexo de causalidade entre a
conduta do agente e o resultado danoso.

3. Esfera de atuação
Nível de cobrança em concurso: Médio e superior

O Direito Ambiental possui três esferas de atuação: a preventiva, a


reparatória e a repressiva. A responsabilidade civil tem seu lugar na
reparação do dano ambiental, primeiramente. Não obtendo êxito,
busca-se uma reparação através de indenização.

Quanto à tutela preventiva ou inibitória, ela tem por característica a


imputação de “obrigações de não-fazer” ao agente, ante ameaças de
dano ao meio ambiente. Desse modo, a proteção preventiva ao meio
ambiente se dá anterior ao dano ambiental, por exemplo, através do
estudo de impacto ambiental. Isto é, a tutela preventiva atua na
seara administrativa.

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No que concerne à tutela repressiva, esta ocorre na esfera penal,


uma vez que a repressão feita por meio de penas e multas, em razão
de eventual dano causado ao meio ambiente, tem caráter intimidativo
e educativo.

4. Prescrição
Nível de cobrança em concurso: Médio e superior

O art. 206, § 3º, V, do Código Civil, estabelece um prazo


prescricional para a imposição da obrigação de reparar dano de 3
(três) anos. Não sendo possível reparar o dano, a obrigação de fazer
se converte em indenização, cujo prazo prescricional é de 10 (dez)
anos (art. 205 do Código Civil).

No entanto, no que diz respeito aos danos ambientais, a doutrina e


a jurisprudência entendem ser imprescritível a pretensão de
reparação dos danos ambientais, visto que o direito ao meio
ambiente ecologicamente equilibrado é um direito indisponível. Logo,
não se pode dispor da pretensão de reparação (art. 225, caput, da
Constituição Federal).

Nesse sentido, a Constituição Federal confere uma tutela especial ao


meio ambiente, haja vista que o dano ambiental oferece grande risco
a toda humanidade, uma vez que trata de um direito difuso. É o que
ensina a doutrina:
Trata-se de bem essencial, como denuncia o art. 225, caput, da
Constituição Federal, de modo a ser inconcebível a existência
digna de um indivíduo (art. 1º, III, CF) se ele não tiver ao seu
alcance um meio ambiente sadio e ecologicamente equilibrado.
Dessarte, dada a natureza jurídica do meio ambiente, bem
como o seu caráter de essencialidade, as ações coletivas
destinadas à sua tutela são imprescritíveis. (FIORILLO, Celso
Antonio Pacheco. Direito Ambiental. Ed. Saraiva, São Paulo,
2010).

O Superior Tribunal de Justiça segue na mesma esteira:


ADMINISTRATIVO. AMBIENTAL. PROCESSUAL CIVIL. AGRAVO
REGIMENTAL NO RECURSO ESPECIAL. AÇÃO CIVIL PÚBLICA.
TERMO DE AJUSTAMENTO DE CONDUTA. DESCUMPRIMENTO.
EXECUÇÃO. CARACTERIZAÇÃO. OBRIGAÇÃO. REPARAÇÃO.
DANO AMBIENTAL. IMPRESCRITIBILIDADE. IMPOSSIBILIDADE.
REVISÃO. ACERVO PROBATÓRIO. SÚMULA 07/STJ.
INVIABILIDADE. INTERPRETAÇÃO. CLÁUSULA CONTRATUAL.
SÚMULA 05/STJ.
1. É imprescritível a pretensão reparatória de danos ambientais,
na esteira de reiterada jurisprudência deste Superior Tribunal
de Justiça, a qual não se aplica ao caso concreto, no entanto,
porque a obrigação transcrita em termo de ajustamento de
conduta não está configurada dessa forma, segundo o texto do

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acórdão impugnado.
2. Dessa forma, uma vez que a natureza da obrigação foi
definida pelo Tribunal "a quo" a partir do contexto fático-
probatório dos autos, sobretudo do termo de ajustamento de
conduta, como diversa de reparatória de dano ambiental, a
reforma dessa conclusão, com o fim de pontuar a
imprescritibilidade, demanda a revisão do acervo fático-
probatório e do TAC, o que encontra óbice nas Súmulas 05 e 07
do Superior Tribunal de Justiça.
3. Agravo regimental não provido.
(AgRg no REsp 1466096/RS, Rel. Ministro MAURO CAMPBELL
MARQUES, SEGUNDA TURMA, julgado em 24/03/2015, DJe
30/03/2015).

Viu como é simples estudar pelo Nota 11? Sabemos que você não
possui muito tempo ou que são várias as disciplinas, então, estamos
fazendo de tudo para te ajudar e para que você não fique tão
cansado.

Note como isso pode ser cobrado:


(PUC-PR - Prefeitura de Maringá – PR – Procurador) Em matéria de
responsabilidade civil por dano ambiental, é CORRETO afirmar:
a) A responsabilidade civil por dano ambiental pressupõe necessariamente
uma ação ou omissão que viole as regras jurídicas de uso, gozo, promoção,
proteção e recuperação do meio ambiente.
b) Em caso de desistência infundada ou abandono por associação
legitimada, o Ministério Público assumirá, obrigatoriamente e em caráter
exclusivo, a titularidade ativa para propor ação civil pública ou ação cautelar
que se destine à reparação do dano ambiental.
c) A lesão ao meio ambiente, considerado como bem difuso, está sujeita ao
prazo prescricional de quinze anos, independentemente da sua gravidade.
d) De acordo com a teoria do risco integral, todo aquele que exerce uma
atividade de risco é obrigado a reparar possíveis danos dela decorrentes.
Incidindo caso fortuito ou força maior, entretanto, afasta-se o dever de
reparação.
e) O dano ao macrobem ambiental caracteriza-se pela lesão ao meio
ambiente ecologicamente equilibrado, bem de uso comum do povo,
indisponível, indivisível, incorpóreo de titularidade difusa.

Comentários:

A) A responsabilidade administrativa pressupõe necessariamente uma


infração administrativa ambiental, isto é, ação ou omissão que viole as

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regras jurídicas de uso, gozo, promoção, proteção e recuperação do meio


ambiente.

B) Não é exclusividade do MP, podendo ser assumida por outro legitimado.


C) É imprescritível.
D) A responsabilidade não é excluída pelo caso fortuito, força maior ou fato
de terceiro.

Gabarito: Letra E.

5. Teorias da responsabilidade civil


Nível de cobrança em concurso: Médio e superior

Antes de adentrarmos no estudo da responsabilidade civil ambiental,


é necessária a diferenciação da responsabilidade subjetiva
(tradicional) da objetiva.

Nesse sentido, a responsabilidade será subjetiva quando a


responsabilização depender da presença do elemento "conduta
culposa do agente”, em que a vítima somente será reparada caso se
prove a culpa do agente, o nexo causal e o dano, conforme Código
Civil: (vide art. 186 c/c art. 927, CC/02).
Art. 186. Aquele que, por ação ou omissão voluntária,
negligência ou imprudência, violar direito e causar dano a
outrem, ainda que exclusivamente moral, comete ato ilícito.
Art. 927. Aquele que, por ato ilícito (arts. 186 e 187), causar
dano a outrem, fica obrigado a repará-lo.

No que concerne à responsabilidade civil objetiva, o ato culposo do


agente é prescindível, ou seja, desnecessária a demonstração de
culpa pelo evento danoso do agente, bastando uma relação de causa
e efeito entre o comportamento do agente e o dano dele advindo.

Responsabilização
civil subjetiva Dano + Nexo causal + Culpa = Responsável

Responsabilização
civil objetiva Dano + Nexo causal = Responsável

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Cabe observar que, ainda que seja lícita a conduta do agente, tal
fator torna-se irrelevante se essa atividade resultar em algum
dano ambiental. Isso é fruto da teoria do risco da atividade ou da
empresa, segundo a qual é imposto ao agente o dever de indenizar
quando exercer atividade perigosa.

Desse modo, há um estimulo à proteção do meio ambiente, visto que


o poluidor investe na prevenção do risco ambiental de sua atividade.

Portanto, a responsabilização civil objetiva ambiental possui


estreita relação com o princípio do poluidor pagador, pois quem
polui deve arcar com as despesas que seu ato produzir, havendo uma
imposição ao agente poluidor para que este sustente financeiramente
a diminuição ou afastamento do dano ambiental.

Antes de adentrar no embate doutrinário sobre qual é a melhor teoria


do risco a ser aplicada na responsabilização pelo dano ambiental, é
importante frisar outras diversas teorias do risco apontadas pela
doutrina:
Por serem importantes ao estudo mais adiante da
responsabilidade ambiental, mister explicitar essas teorias do
risco, no escólio de Cavalieri Filho (2008, p. 136/139): risco-
proveito ("o responsável é aquele que tira proveito da atividade
danosa"), risco profissional ("o dever de indenizar tem lugar
sempre que o fato prejudicial é uma decorrência da atividade
ou profissão do lesado"), risco excepcional ("a reparação é
devida sempre que o dano é consequência de um risco
excepcional, que escapa à atividade comum da vítima"), risco
criado ("aquele que, em razão de sua atividade ou profissão,
cria um perigo, está sujeito à reparação do dano que causar,
salvo prova de haver adotado todas as medidas idôneas a
evitá-lo") e risco integral ("o dever de indenizar se faz presente
tão-só em face do dano, ainda nos casos de culpa exclusiva da
vítima, fato de terceiro, caso fortuito ou de força maior").
(PEREIRA, Ricardo Diego Nunes. Responsabilidade civil
ambiental. Revista Jus Navigandi, Teresina, ano 15, n. 2403, 29
jan. 2010. Disponível em: <https://jus.com.br/artigos/14263>.
Acesso em: 2 jun. 2016)

Desde logo, dá-se destaque à teoria do risco criado e do risco


integral, visto que há um debate na doutrina quanto à adoção destas
teorias:
a) teoria do risco integral: o simples risco assumido pela
atividade potencialmente danosa é o suficiente para
impor a responsabilidade de reparação, não admitindo as
excludentes da responsabilidade;
b) teoria do risco criado: o agente que exerce atividade
nociva ao meio ambiente deve reparar o possível dano,
exceto se ocorrerem algumas das excludentes da

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responsabilidade.

Logo, a divergência das duas teorias reside no fato de que a teoria do


risco criado admite, sim, as excludentes do nexo causal (culpa
exclusiva da vítima, fato de terceiro, caso fortuito ou de força maior).

Risco integral Risco criado


- O risco da atividade é suficiente para - O dano deverá estar relacionado
caracterizar a responsabilidade; diretamente à atividade econômica do
poluidor;
- Não admite excludentes da
responsabilidade, isto é, caso fortuito, força - As excludentes da responsabilidade são
maior, culpa exclusiva da vitima e fato de admitidas;
terceiro;
- a existência de licenciamento ambiental e a
- Basta a comprovação do prejuízo; gama de agentes envolvidos não são, por si
só, passiveis de exclusão da
- Se vários são os exploradores da atividade responsabilidade;
danosa no local, todos serão considerados
responsáveis solidariamente. - Havendo pluralidade de agentes a
responsabilidade é solidária.

Para Paulo de Bessa Antunes (minoria) chama atenção que a


responsabilidade por risco integral não pode se confundir com a
responsabilização derivada da existência da atividade:
(...) não se pode admitir que um empreendimento que tenha
sido vitimado por fato de terceiro passe a responder por danos
causados por este terceiro, como se lhes houvesse dado causa.
Responsabilidade por risco integral não pode ser confundida
com responsabilidade por fato de terceiro, que somente tem
acolhida em nosso direito quando expressamente prevista em
lei (ANTUNES, Paulo de Bessa. Dieito Ambiental. 9. ed. rev.,
atual. e ampl. Rio de Janeiro: Lumen Juris, 2006, p. 205/207).

Não obstante os apontamentos de Antunes, Sergio Cavalieri Filho


(maioria) entende que a responsabilidade ambiental deve ser
fundada no risco integral, justificando:
Extrai-se do Texto Constitucional e do sentido teleológico da Lei
de Política Nacional do Meio Ambiente (Lei nº 6.938/1981) que
essa responsabilidade é fundada no risco integral, conforme
sustentado por Nélson Nery Jr. (Justitia 126/74). Se fosse
possível invocar o caso fortuito ou a força maior [ou ainda a
culpa exclusiva da vítima e fato de terceiro] como causas
excludentes da responsabilidade civil por dano ecológico, ficaria
fora da incidência da lei, a maior parte dos casos de poluição
ambiental, como a destruição da fauna e da flora causada por
carga tóxica de navios avariados em tempestades marítimas;
rompimento de oleoduto em circunstâncias absolutamente
imprevisíveis, poluindo lagoas, baías, praias e mar;
contaminação de estradas e rios, atingindo vários municípios,
provocada por acidentes imponderáveis de grandes veículos
transportadores de material poluente e assim por diante.

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(CAVALIERI FILHO, Sergio. Programa de Responsabilidade Civil.


8. ed. rev. e ampl. São Paulo: Atlas, 2008, p. 145)

A jurisprudência do Superior Tribunal de Justiça segue no mesmo


sentido de Cavalieri Filho, in verbis:
AGRAVO REGIMENTAL NO AGRAVO (ART. 544 DO CPC) - AÇÃO
INDENIZATÓRIA - DANO AMBIENTAL - ROMPIMENTO DO
POLIDUTO "OLAPA" - VAZAMENTO DE ÓLEO COMBUSTÍVEL NA
SERRA DO MAR - TEORIA DO RISCO INTEGRAL -
RESPONSABILIDADE OBJETIVA DA PETROBRÁS -
APLICABILIDADE, AO CASO, DAS TESES DE DIREITO FIRMADAS
NO RESP 1.114.398/PR JULGADO SOB O RITO DOS RECURSOS
REPETITIVOS - ART. 543-C DO CPC - DECISÃO MONOCRÁTICA
QUE NEGOU PROVIMENTO AO RECLAMO. INSURGÊNCIA DA
PARTE RÉ.
1. A tese fixada no julgamento do REsp n. 1.114.398/PR, Relator
Ministro SIDNEI BENETI, julgado em 8/2/2012, DJe 16/2/2012,
sob o rito do art. 543-C do CPC, no tocante à teoria do risco
integral e da responsabilidade objetiva ínsita ao dano
ambiental, aplica-se inteiramente à espécie, sendo irrelevante o
questionamento sobre a diferença entre as excludentes de
responsabilidade civil suscitadas na defesa de cada caso.
Precedentes.
2. Agravo regimental desprovido.
(AgRg no AREsp 232.494/PR, Rel. Ministro MARCO BUZZI,
QUARTA TURMA, julgado em 20/10/2015, DJe 26/10/2015))

Praticando:
(FCC - TJ-AL - Juiz de direito) A responsabilidade civil pelo dano
ambiental é:
a) subjetiva para pessoa física e objetiva para pessoa jurídica.
b) subjetiva, devendo haver comprovação de dolo ou culpa.
c) objetiva, bastando a comprovação de ação ou omissão, resultado e nexo
de causalidade.
d) subjetiva, devendo haver comprovação apenas do dolo.
e) mista, a depender da espécie de lesão causada ao meio ambiente.

Comentários:

Na responsabilidade objetiva basta a comprovação do ato, do dano e do


nexo causal.

Gabarito: C

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(FMP - MPE-AM - Promotor de Justiça) Analise as assertivas abaixo


envolvendo a responsabilidade civil e administrativa ambiental:
I – De acordo com doutrina e jurisprudência majoritárias, a
responsabilidade civil ambiental é objetiva, baseada no risco integral, não
sendo aceitas as excludentes do caso fortuito nem da força maior.
II – Aquele que repara integralmente o dano ambiental causado estará
isento da multa derivada da infração administrativa correspondente, salvo
se for pessoa jurídica de direito privado, quando, então, haverá a dupla
responsabilização.
III – Em termos de reparação do dano ambiental derivado do
desmatamento, não há primazia na reparação específica, podendo o
poluidor optar entre indenizar ou executar um projeto de recuperação do
ambiente degradado, desde que firmado por profissional tecnicamente
capacitado, com Anotação de Responsabilidade Técnica (ART).
IV – Aquele que causa dano ambiental amparado em licença ambiental
válida e eficaz não pode ser demandado em ação civil pública para fim de
reparar dano derivado dessa atividade.
Quais das assertivas acima estão corretas?
a) Apenas a I, II e III.
b) Apenas a I.
c) Nenhuma.
d) Apenas a II, III e IV.
e) Apenas a I, II e IV.

Comentários:

I – correta;

II - O STJ tem entendido que cabe a redução da multa no caso de


reparação integral dos danos;

III – O Direito Ambiental sempre busca a reparação plena do bem ambiental


degradado. Não sendo possível, o agente deve indenizar pelo dano;

IV – A licença ambiental não pode ser considerada como uma licença para
poluir. Logo, pode haver uma Ação Civil Pública em razão do dano
ambiental.

Gabarito: B

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6. Ônus da prova
Nível de cobrança em concurso: Superior

Com o intuito de se dar mais efetividade ao direito do meio ambiente


ecologicamente equilibrado, insculpido no art. 225 da Constituição
Federal, a doutrina e a jurisprudência trouxeram a possibilidade de
aplicação do instituto da inversão do ônus da prova nas demandas
ambientais com fundamento nos princípios da precaução e da
prevenção.

Em regra, no que diz respeito ao instituto do ônus probatório, o CPC


adotou a teoria estática, nos moldes do art. 373:
Art. 373. O ônus da prova incumbe:
I – ao autor, quanto ao fato constitutivo do seu direito;
II – ao réu, quanto à existência de fato impeditivo, modificativo
ou extintivo do direito do autor.

Em contraposição à teoria estática, vem-se adotando, em certos


casos, a teoria da distribuição dinâmica do ônus probatório,
segundo a qual a melhor maneira de provar o direito alegado seria
conferir o ônus não a quem alega, mas a quem está em melhor
condição de produzir a prova.

Essa hipótese de inversão do ônus da prova está prevista no art. 6º,


inciso VIII, do CDC:
Art. 6º. São direitos básicos do consumidor:
(...)
VIII - a facilitação da defesa de seus direitos, inclusive com a
inversão do ônus da prova, a seu favor, no processo civil,
quando, a critério do juiz, for verossímil a alegação ou quando
for ele hipossuficiente, segundo as regras ordinárias de
experiências.

Antes de tudo, é salutar esclarecer que a inversão do ônus da prova


em matéria ambiental não se fundamenta no art. 21 da Lei de Ação
Civil Pública (LACP), pois este somente se refere aos dispositivos do
Título III do Código de Defesa do Consumidor (CDC).

Como se pode verificar, o objeto de ambos os diplomas é a tutela


dos interesses difusos, coletivos e individuais homogêneos.
Desse modo, é perfeitamente aplicável à matéria ambientalista,
uma vez que o direito ao meio ambiente ecologicamente equilibrado
pertence a toda coletividade.

No entanto, há casos em que o autor pode se deparar com uma


prova de difícil produção ou impossível de se produzir, o que poderia
gerar uma decisão injusta. Nesses casos, aplica-se a inversão do

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ônus da prova com fundamento no princípio da precaução, que


estabelece que, havendo incerteza científica sobre a atividade
econômica a ser desenvolvida, deve-se, em nome desse princípio,
inverter o ônus probatório para que o potencial poluidor comprove
que sua atividade não ocasionará prejuízo ao meio ambiente.

Nesse sentido, ante a informação científica insuficiente acerca da


matéria ambiental, o princípio da precaução vem em auxílio aos
ambientalistas, em razão da dúvida sobre os efeitos potencialmente
perigosos sobre o ambiente.

Sobre esta ótica, sustenta-se que a incerteza científica milita em


favor do meio ambiente (princípio in dubio pro nature).

O Superior Tribunal de Justiça tem entendido que não pode haver


óbices à propositura de ações que visem à defesa de direito ao meio
ambiente ecologicamente equilibrado, visto que responsabilidade
ambiental é de interesse público e a sociedade é hipossuficiente,
razão pela qual deve ser transferido ao empreendedor o ônus da
prova de que sua conduta não gerou riscos ambientais, em atenção
aos princípios da precaução e da prevenção:
AGRAVO REGIMENTAL NO AGRAVO EM RECURSO ESPECIAL.
DISTRIBUIÇÃO DO ÔNUS PROBATÓRIO. ART. 333 DO CÓDIGO
DE PROCESSO CIVIL. ACÓRDÃO ANCORADO NO EXAME DO
ACERVO PROBATÓRIO DOS AUTOS. REVISÃO. SÚMULA 7/STJ.
1. O Tribunal de origem concluiu que o autor da ação civil
pública demonstrou a ocorrência de dano ambiental e que o réu
não logrou comprovar que a área estava preservada, ancorando-
se no substrato fático-probatório dos autos. Desse modo, a
revisão do julgado, a fim de verificar o descumprimento do ônus
probatório que competia ao autor, ora agravado, demandaria
nova incursão nas provas dos autos, providência veda em sede
de recurso especial, conforme a Súmula 7/STJ.
2. Agravo regimental a que se nega provimento.
(AgRg no AREsp 752.309/RJ, Rel. Ministro SÉRGIO KUKINA,
PRIMEIRA TURMA, julgado em 19/04/2016, DJe 26/04/2016)

AGRAVO REGIMENTAL NO AGRAVO EM RECURSO ESPECIAL.


DIREITO CIVIL E DIREITO AMBIENTAL. USINA HIDRELÉTRICA.
CONSTRUÇÃO. PRODUÇÃO PESQUEIRA. REDUÇÃO.
RESPONSABILIDADE OBJETIVA. DANO INCONTESTE. NEXO
CAUSAL. PRINCÍPIO DA PRECAUÇÃO. INVERSÃO DO ÔNUS DA
PROVA.
CABIMENTO. PRECEDENTES. INOVAÇÃO EM RECURSO ESPECIAL.
NÃO OCORRÊNCIA.
1. A Lei nº 6.938/1981 adotou a sistemática da
responsabilidade objetiva, que foi integralmente recepcionada
pela ordem jurídica atual, de sorte que é irrelevante, na
espécie, a discussão da conduta do agente (culpa ou dolo) para
atribuição do dever de reparação do dano causado, que, no
caso, é inconteste.

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2. O princípio da precaução, aplicável à hipótese, pressupõe a


inversão do ônus probatório, transferindo para a concessionária
o encargo de provar que sua conduta não ensejou riscos para o
meio ambiente e, por consequência, para os pescadores da
região.
3. Não há inovação em recurso especial se, ainda que
sucintamente, a matéria foi debatida no tribunal de origem.
4. Agravo regimental não provido.
(AgRg no AREsp 183.202/SP, Rel. Ministro RICARDO VILLAS
BÔAS CUEVA, TERCEIRA TURMA, julgado em 10/11/2015, DJe
13/11/2015)

Desse modo, aplica-se a Teoria da Distribuição Dinâmica do Ônus da


Prova (art. 6º, VIII, do CDC), em razão da hipossuficiência entre a
vítima do dano e seu causador.

7. Dica de ouro
Nível de cobrança em concurso: Superior

Como ressaltado acima, a teoria adotada pelo STJ é a teoria do risco


integral, ou seja, não se admite as excludentes de ilicitude, bem
como o nexo causal, bastando a configuração do dano e do agente.

Todavia, o Conselho Superior do Ministério Público do Estado de São


Paulo editou a Súmula nº 18, com o seguinte teor:
Sumula nº 18: Em matéria de dano ambiental, a Lei 6938/ 81
estabelece a responsabilidade objetiva, o que afasta a
investigação e discussão da culpa, mas não se prescinde de
nexo causal entre o dano havido e a ação ou omissão de quem
cause o dano. Se o nexo não é estabelecido, é caso de
arquivamento do inquérito civil ou das peças de informação.
Fundamento: Embora em matéria de dano individual a Lei n.
6938/81 estabeleça a responsabilidade objetiva, com isso se
elimina a investigação e a discussão da culpa do causador do
dano, mas não se prescinde seja estabelecido o nexo causal
entre o fato ocorrido e a ação ou omissão daquele a quem se
pretenda responsabilizar pelo dano ocorrido (Art. 14 § 1º da Lei
6938/81; Pt. ns. 35.752/93 e 649/94).

Assim, para o CSMP-SP é fundamental o estabelecimento do nexo de


causalidade para se ter presente a responsabilidade (objetiva) civil
ambiental.

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8. Dano nuclear
Nível de cobrança em concurso: Médio e superior

No que diz respeito à responsabilidade civil pelo dano nuclear, a


Constituição Federal determinou expressamente a aplicação da
modalidade objetiva:
Art. 21. Compete à União:
XXIII - explorar os serviços e instalações nucleares de qualquer
natureza e exercer monopólio estatal sobre a pesquisa, a lavra,
o enriquecimento e reprocessamento, a industrialização e o
comércio de minérios nucleares e seus derivados, atendidos os
seguintes princípios e condições:
d) a responsabilidade civil por danos nucleares independe da
existência de culpa;

Nesse sentido, leciona Cavalieri Filho:


(...) responsabilidade por dano nuclear: No artigo 21, inciso
XXIII, letra d, da Constituição vamos encontrar mais um caso de
responsabilidade civil. Temos ali uma norma especial para o
dano nuclear, que estabeleceu responsabilidade objetiva para o
seu causador, fundada no risco integral, dado a enormidade dos
riscos decorrentes da exploração da atividade nuclear.
(CAVALIERI Filho, Sérgio. Programa de Responsabilidade Civil.6ª
ed., São Paulo: Malheiros, 2006, p.40)

É importante mencionar que a Lei nº 6.453/1977 (dispõe sobre a


responsabilidade civil por danos nucleares) não trata especificamente
do dano ambiental, mas do dano individual causado pela atividade
nuclear, embora, igualmente, impute ao agente da atividade a
responsabilidade pela reparação do dano independente da existência
de culpa. Todavia, é de conhecimento que à época de sua edição a
questão ambiental não tinha a amplitude que tem nos dias atuais,
dada com o advento da Constituição Federal.

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