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A PARÁBOLA DO FILHO PRÓDIGO

INTRODUÇÃO

Uma das dificuldades as parábolas de


Jesus é que o leitor moderno quer
entendê-las fora do contexto e
compreendê-las fora do contexto e
ambiente hebraico.
Um dos principais objetivos das
parábolas é provocar a imaginação e a
consciência(no caso de Natã e Davi) dos
ouvintes de tal forma que ele se
identifique com os personagens.

Portanto, quando lemos: "Jesus lhes


propôs esta parábola" (Lc 15:3), a forma
singular, "esto parábola" significa que o
capítulo inteiro constitui essa única
narrativa.
Há níveis que se sucedem na parábola,
mas não há interrupção.
As ilustrações que Jesus usou nela
fundem-se e combinam umas com as
outras.
"A Trilogia de Jesus", no qual ele diz que
as três parábolas incomparáveis nesse
capítulo não são desenhos separados,
mas três painéis de um só quadro.
O que temos aqui não é um total de três
parábolas, mas uma só com três
aspectos.
Por meio dessa trina narrativa, Jesus
estabeleceu o fato, supremo e sublime,
que ele, o Filho do Homem, entrou no
mundo para buscar e salvar o perdido.
Aqui temos a sua notável tríade que
apresenta um estudo fascinante sobre os
valores.
Em seus grandes sermões evangelísticos
sobre Lucas 15, Charles H. Spurgeon
expressa um pensamento semelhante
quanto à unidade desse capítulo, que é
tão cheio de graça e verdade.
Ele diz: "As três parábolas registradas
neste capítulo não são repetições; as três
declaram a mesma verdade central, mas
cada uma delas revela um estágio
diferente dessa verdade. As três
parábolas são três lados de uma pirâmide
da doutrina do evangelho; mas há uma
inscrição diferente sobre cada um deles.
Não apenas na semelhança, mas também
no ensinamento contido nessa
semelhança, existe diversidade,
progresso, amplificação e discriminação. É
só lermos atentamente e descobriremos
que nessa tríade de parábolas temos de
uma só vez a unidade da verdade
essencial e as diferenças de descrição.
Cada uma das parábolas é indispensável
à outra e, quando combinadas, nos
presenteiam com uma exposição muito
mais completa de sua doutrina do que
seria comunicada por qualquer uma delas
em separado".
O ponto de destaque em cada símile,
que o nosso Senhor usou, foi ao mesmo
tempo a preocupação por algo perdido e a
alegria ao recuperá-lo.
No coração dessa obra de arte em
literatura parabólica, as ovelhas, a moeda
e o filho estavam perdidos e todos eram
dignos de serem salvos. Perder uma
ovelha era algo sério; porém, mais sério
ainda era perder dinheiro e, pior do que
tudo, perder um filho. Uma ovelha é
valiosa; o dinheiro é ainda muito mais
valioso; mas o filho é o mais valioso de
todos.
A ovelha estava perdida e sabia disso.
Tinha uma vaga idéia de que estava sem
as suas companheiras e os cuidados do
pastor. Desviou-se das outras por causa
da curiosidade.
A moeda estava perdida, mas, por não
ser uma criatura viva, não tinha
consciência ou sensação de estar
extraviada. Ainda mais, a sua condição
de estar perdida não lhe causou nem
desconforto nem ansiedade.
O filho estava perdido deliberadamente,
porque assim o quis, conscientemente; a
perda de um ente querido é a maior de
todas as tragédias.
Esse filho pródigo era culpado de uma
teimosia indesculpável. Quando deixou o
seu pai e o seu lar, ele o fez com
autodeterminação e ousadia.
O MOTIVO DA PARÁBOLA
o Evangelho de Lucas relata que Jesus foi
cercado par publicanos e "pecadores",
que tinham vindo para ouvi-lo. Os
fariseus e os escribas se escandalizaram
com isso e murmuravam: "Este recebe
pecadores e come com eles" (Lc 15.2).
Os coletores de impostos eram judeus
empregados peIo governo romano. 0 povo
os considerava traidores e os afastava da
sociedade. Pertenciam a mesma classe
dos marginalizados moralmente. UM
judeu não devia ter qualquer contato com
tais pessoas, e muito menos comer com
eIas.
O ponto central que levou Jesus a contar
essas três parábolas é justamente o
incomodo causado aos Fariseus pelo fato
de Jesus comer com os pecadores e
publicanos.
Essa é, portanto, a lição culminante e
central da parábola: Jesus está
indicando o contraste violento entre a
alegria de Deus na redenção dos
pecadores e a hostilidade inflexível dos
fariseus em relação a esses mesmos
pecadores.

Vamos entender o costume oriental de


convidar alguém para uma refeição.
A comunhão a mesa, em qualquer parte
do mundo, e um assunto relativamente
sério. Isto e verdade especialmente no
Oriente Médio. Em sua declaração mais
recente. Jeremias diz:
É importante perceber que no Oriente, até
hoje, convidar um homem para uma
refeição e uma honra. E urna oferta de
paz, confiança, fraternidade e perdão; em
suma, compartilhar de uma mesa significa
compartilhar da vi.
da ... Desta forma, as refeições de Jesus
com as publicanos e pecadores ... são
expressões da missão e da mensagem de
Jesus (Me 2:17).
No oriente, hoje em dia, como no passado,
um nobre pode alimentar qualquer
número de pessoas necessitadas, de nível
inferior, como sinal de generosidade, mas
não come com elas. Todavia, quando os
convivas são "recebidos, a pessoa que
recebe esses convivas come com eles. A
refeição e um sinal especial de aceitação.
O hospedeiro afirma este fato fazendo
chover sobre os seus hospedes uma longa
série de cumprimentos. aos quais os
hóspedes precisam
responder. Jesus e mostrado, no texto,
empenhado em relacionamentos iniciais
como esse com publicanos e pecadores.
Não é de se admirar que os fariseus
ficassem desconcertados.
Em suma, Lucas 15: 1-3 e considerado
como ambiente autentico para as
parábolas que se seguem. 0 assunto e 0
fato de Jesus ter recebido pecadores para
a comunhão a mesa, como conviva ou
como hospedeiro. Este assunto e de
tremenda importância para Jesus e para
os seus oponentes. As parábolas de 15:4-
32 são uma defesa dos atos de Jesus.
Hillyer H. Straton diz que poderíamos
chamar as três narrativas desse capítulo
de: "As Parábolas dos Quatro Verbos —
Perder, Procurar, Encontrar, Regozijar-se".
Esses quatro verbos certamente
resumem para nós a ilustração do Pastor
que se sacrifica.
MaCarthur Junior: Para os que creem, o
Filho Pródigo serve como humilhante
lembrança de quem somos e quanto
devemos à graça divina.
Para os pecadores que se arrependem, a
recepção ansiosa do pai e a generosidade
que ele demonstra servem para sinalizar
que a graça e bondade de Deus são
inesgotáveis.

VAMOS VÊ AS TRÊS PARÁBOLAS


A Ovelha Perdida
Tanto Mateus quanta Lucas registraram
a parábola da oveIha perdida. Mateus
18:12
Histórias sobre pastores e ovelhas tinham
particular interesse e significado para a
sociedade pastoril daqueles dias.
Em Mateus, bem como em Lucas, Jesus
começa a parábola com uma pergunta de
retórica que, em Lucas, envolve os
ouvintes ("Qual, dentre vós"): "... que,
possuindo cem ovelhas ... não deixa no
deserto as noventa e nove ...?"
Alguém que possuísse cem ovelhas não
era um homem de muitos recursos. Ele
mesmo tomava conta do rebanho,
conhecia-as pelo nome e as contava pelo
menos uma vez por dia.
Quando o pastor se distraiu por
momentos, uma das ovelhas se afastou,
abocanhando algo aqui e ali, até que
estava completamente desgarrada do
resto do rebanho.
O pastor deixou o resto do rebanho nos
montes (Mateus) ou no deserto (Lucas).
As ovelhas são animais gregários; vivem
juntas em grupo. Quando uma ovelha se
separa do rebanho, fica desnorteada'
Deita no chão, imóvel, esperando pelo
pastor.
Este poderia ter sido o final da história,
mas não foi.
A história cresce em emoção no seu
clímax com a alegria que toma conta do
pastor. Jesus diz: " ... em verdade vos digo
que maior prazer sentira por causa desta,
do que pelas noventa e nove, que não se
extraviaram" (Mt 18.13).
O pastor vai para casa, chama seus
amigos e vizinhos e os convida a se
alegrarem com ele, porque, diz o pastor: "
... já achei a minha ovelha perdida" (Lc
15.6).
Jesus comparou os publicanos e as
pessoas sem moral a uma ovelha que se
extraviou. Perdida, ela não respondeu
mais ao chama do pastor. Não queria se
mexer. Quando o pastor a encontrou, teve
que ergue-la e coloca-la em seus ombros
para leva-la de volta ao rebanho.
Um Judeu não devia ter qualquer contato
com tais pessoas, e muito menos comer
com elas.
Havia barreiras entre os judeus e os
"pecadores", mas estas não impediram
que Jesus ensinasse aos marginalizados
a mensagem da salvação.
Quando o pecador e encontrado, há júbilo
no céu.
A Dracma Perdida
Lucas, muitas vezes, apresenta seus
assuntos aos pares. Quando menciona
um homem, com muita probabilidade se
refere, também, a uma
mulher.
No primeiro capítulo de seu Evangelho,
Zacarias e Isabel são apresentados; e no
capítulo seguinte, Jose e Maria, Simeão e
Ana.
Nos capítulos que se sucedem, se refere a
viúva de Sarepta e a Naama, o siro.
Nas parábolas, coloca a do homem com o
grão de mostarda junto a da mulher que
adiciona o fermento a massa. A parábola
do pastor que encontra a ovelha perdida
e seguida pela parábola da mulher que
encontra uma das suas moedas de prata.'
Assim e alcançado o objetivo de Jesus ao
se dirigir aos fariseus e doutores da lei.
Jesus fala a respeito de uma mulher que
tinha dez moedas de prata.
Faziam parte de seu dote e eram usadas
para enfeitar seu penteado. O equivalente
atual seriam o anel de noivado e a aliança
de casamento cravejados de brilhantes. A
perda de um desses brilhantes causaria
consternação, ansiedade e tristeza.
As casas mais pobres eram construídas
sem janelas. Junto do teto, às vezes,
faltavam algumas pedras na pare de para
permitir a ventilação. Mas, essa abertura,
além da entrada, não fornecia muita luz
para o interior da casa. Era escuro,
dentro de casa, mesmo durante o dia. A
mulher teria que acender uma lamparina
para poder procurar a moeda no chão de
pedra.'
Em algum lugar da casa estava a moeda
que a mulher tinha perdido. Ela pegou
uma vassoura e, com a luz de uma
lamparina iluminando o cômodo, varreu
tudo cuidadosamente.
Sua ansiedade e preocupação
desapareceram de
repente e deram lugar a alegria e ao
júbilo. Queria repartir sua alegria com as
amigas e vizinhas. Chamou-as e disse:
"Alegrai-vos comigo, porque achei a
dracma que eu tinha perdido."
Como a moeda pertencia a mulher que
diligentemente procurou por ela,
enquanto estava perdida, assim o
pecador que se arrepende pertence a
Deus.
O amor de Deus está voltado para seu
filho extraviado: "Mas Deus prova o seu
próprio amor para conosco, pelo fato de ter
Cristo morrido por nos, sendo nos ainda
pecadores" (Rm 5.8).

O Filho Pródigo
Jesus estava ensinando aos publicanos
e aqueles considerados marginais, por
causa de sua conduta moral.
Ensinava-lhes verdades espirituais que
diziam respeito ao reino de Deus, quando
os líderes religiosos daqueles dias
manifestaram seu desagrado,
murmurando contra Jesus: "Este recebe
pecadores e come com eles."
Não podiam nem queriam entender que
Deus deseja o arrependimento que,
quando demonstrado, causa imenso
jubilo nos céus.
Jesus contou a parábola do filho pródigo.
Talvez fosse melhor falar de dois filhos e
seu pai. Nestes três personagens, Jesus
caracterizava seus ouvintes. Cada um
dos que o ouviam tinha que se mirar no
espelho da parábola e pensar: "Este sou
eu."
O Filho Mais Novo
Pedindo sua parte, o filho mais novo
confessava
que não permaneceria mais com o pai,
que se aborrecia com a rotina diária e
queria a parte a que tinha direito para
gasta-la como quisesse.
O pai deu ao filho o que era seu,
provavelmente a nona parte da soma
total.
Ele teria recebido um terço da herança,
por ocasião da morte do pai (Dt 21.17).
Recebendo sua parte por antecedência, o
filho perdia o direito de exigir mais,
quando realmente se desse a partilha dos
bens.
o filho mais novo recebeu sua parte e
ajuntou "tudo o que era seu". Estava
agora por conta própria e livre para ir.
Ele sabia que o amor de seu pai se
estendia a todos aqueles que pertenciam
ao amplo círculo de sua família. Sabia,
também, que tinha desobedecido o
mandamento: "Honra a teu pai e a tua
mãe, para que se os teus dias na terra que
0 SENHOR teu Deus te da" (Ex 20.12). Ele
tinha pecado contra Deus.
O Pai
O pai poderia ter enviado ao filho uma
mensagem, convidando-o a voltar. Tudo
isso teria sido prova de amor.
Mas, aqui, nos deparamos com um
contraste.
O pai não procurou seu filho para traze-
lo de volta a casa.
Nas outras duas parábolas, o pastor
vasculhou os montes para encontrar a
ovelha perdida, e a mulher varreu o chão
a procura da moeda.
Mas o pai ficou em casa. Ha uma
diferença entre uma ovelha e uma moeda,
de um lado, e um filho, de outro.
O pastor só pode encontrar sua ovelha
se sair a procura dela pelos montes.
A única maneira de a mulher recuperar
sua moeda e varrendo a casa.
O pai, no entanto, tinha mais que uma
opção.
A primeira, seria visita-lo e chama-lo de
volta a casa.
A segunda, era esperar paciente e
prudentemente que o filho caísse em si,
confessasse seus pecados e buscasse a
reconciliação.
Assim, estaria restabelecida a relação
pai-filho. Então o que estava perdido
seria encontrado.
O pai tinha o controle da situação, não o
filho.
O pai olhava na direção de onde esperava
que seu filho viesse.
Quando o viu, seu coração se
compadeceu dele. Deixando de lado a
dignidade e o decoro, correu ao encontro
do filho, descalço e maltrapilho, e,
abraçando-o, o beijou.
O filho foi tratado com muita honra
pelo pai, pois as melhores vestes estavam
sempre guardadas para hóspedes muito
especiais.
O anel era símbolo de autoridade; e,
assim, todos podiam ver que ele estava
reintegrado.
Todos os membros da família e os servos
foram chamados para a festa. Era hora de
celebrar e ser feliz.
"Porque este meu filho estava morto e
reviveu, estava perdido e foi achado."
O ponto importante e a volta do jovem e o
fato de ter sido aceito plenamente como
filho.
O Filho Mais Velho
A parábola do filho pródigo poderia se
encerrar com as palavras: "E começaram
a regozijar-se...”
A história estaria incompleta sem outras
referências ao filho mais velho.
O primogênito tinha sido um filho leal,
com interesse pessoal na fazenda.
Naturalmente, o filho sabia que era o
herdeiro.
O filho mais velho simplesmente não
podia entender por que seu pai estava tão
feliz com a volta daquele filho inútil.
Acusou o pai de nunca lhe ter dado
sequer um cabrito para festejar com os
amigos. Para seu irmão perdulário, ao
contrário, mandara matar o novilho
cevado.
Suas palavras eram cortantes e
amargas; se recusava a tratar o pai como
"pai" e a se referir ao irmão como "irmão".
Insolentemente.
A parábola termina com um refrão:
"Porque esse leu irmão estava morto e
reviveu, estava perdido e foi achado."
Estas palavras repetem as proferidas na
conclusão da parte que focaliza 0 filho
mais novo.
As palavras ligam, inseparavelmente, os
irmãos um ao outro e ao pai.
Aplicação
A intenção de Jesus era descrever a
atitude dos fariseus e mestres da Lei em
relação aos coletores de impostos e as
prostitutas.
Ele tinha sido acusado de receber aqueles
pecadores e de comer com eles.
Jesus retratou o amor do pai pelo filho
para deixar bastante claro que o amor de
Deus e infinito.
Os fariseus e os doutores da Lei teriam
que tomar a decisão.