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A ESTRUTURA DA IGREJA
Lucas 10.25-37

Ao redor do mundo, inúmeras cidades são conhecidas por suas imponentes


edificações. Algumas destas desafiam as leis da física, estando localizadas a centenas
de metros da superfície: monumentos, edifícios, viadutos, túneis, shoppings etc.

Além da beleza e utilidade das suntuosas construções, nem sempre consideramos


outros requisitos indispensáveis. Por exemplo: uma grande edificação exige sempre
uma boa estrutura. Este é um princípio elementar, obrigatório a muitas realizações da
vida.

A Igreja não é exceção a esta necessidade. Desde os primeiros séculos, como fruto de
seu crescimento, a Igreja precisou se estruturar para melhor cumprir a sua missão.
Além das obrigações legais, a estruturação da Igreja oferece melhores condições ao
seu funcionamento.

Em linhas gerais, as igrejas reconhecidas como cristãs, apresentam as seguintes


formas de governo:

Autocrática ou Monárquica: Quando uma pessoa é eleita ou nomeada para dirigir


toda a Igreja. É o caso típico da Igreja Católica Romana, onde, inclusive, o líder possui
uma função vitalícia;

Episcopal: Quando um colégio de bispos dirige toda a Igreja. É o exemplo da Igreja


Metodista, onde as reuniões periódicas e a ação dos bispos orientam a vida da Igreja;

Congregacional: Quando toda a comunidade exerce o poder governamental, como


ocorre nas igrejas batistas e congregacionais através de sessões regulares, onde
tratam dos diversos assuntos da Igreja;

Representativo: Quando pessoas são eleitas pela comunidade para representá-la


nas decisões maiores. É a experiência dos reformados ou presbiterianos, em suas
assembleias.

(Obs.: As igrejas pentecostais se distribuem nos diferentes modelos, existindo desde


autocráticas até congregacionais).

Não nos interessa discutir aqui qual é o melhor sistema, tentando descobrir qual é o
mais bíblico ou mais correto. Este desgastante exercício não nos leva a lugar algum.

Aliás, hoje há igrejas que adotam diferentes formas de governo, aplicando-as de


acordo com cada situação. Compete-nos sim, considerar alguns aspectos que
envolvem o funcionamento da Igreja cristã do 3o Milênio. Cada comunidade haverá de
discutir e aplicar o que melhor convier à sua realidade.

Para tal, considere os seguintes aspectos:

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1 - AS ESTRUTURAS SÃO NECESSÁRIAS À IGREJA


Inicialmente, é preciso reconhecer que a estrutura é sumamente importante para o
funcionamento da Igreja, pois muitos tendem a rejeitar qualquer tipo de organização.

Algumas igrejas nascem de um lindo ideal que pretende retornar aos dias
neotestamentários, quando não haviam nem denominações, nem as estruturas
vigentes. Mas, esse sonho não subsiste, pois a Bíblia continua a ser o nosso
referencial único e obrigatório. Percebe-se que o crescimento impõe uma melhor
organização da Igreja.

Mesmo cientes da existência de exageros localizados, não podemos ver a


organização como um desvio da proposta original de Jesus. A estrutura pode se tornar
um problema na Igreja; mas negá-la é também comprometer o seu crescimento.

A Igreja não é um empresa; e não pode ser confundida com nenhuma outra instituição,
uma vez que ela detém características próprias. Mas, a título de exemplo,
consideremos uma micro- empresa que nasce na modéstia de uma residência familiar.

Com o passar dos tempos, ao se tornar uma grande empresa, precisará de uma
estrutura maior para sobreviver. Com o passar do tempo, toda Igreja tende a se
estruturar melhor para cumprir os seus objetivos.

Para o bem-estar e segurança da comunidade, haverá a necessidade de se definir


áreas de importância, como: funções e atribuições dos responsáveis; equipes ou
comissões administrativas que respondam por patrimônio, finanças, ministérios,
estatutos, regimentos e normas, planos, metas e objetivos etc.

O mesmo se aplica aos pastores e obreiros que dependem de uma boa formação
teológica, psicológica, administrativa etc., e aos líderes que devem ser capacitados
espiritual e administrativamente para dirigir a Igreja.

2 - TODOS OS GOVERNOS SÃO FALHOS E LIMITADOS


A Igreja é divina em sua origem, mas composta de pessoas. Quer dizer que, a
despeito de ser fundada por Jesus, a Igreja é formada de pecadores e haverá de
conviver com imperfeições.

É preciso considerar este aspecto, uma vez que o mundo deste fim/início de milênio
convive com um intenso trânsito religioso, de inúmeras pessoas que circulam de igreja
em igreja, procurando algo que lhes satisfaça.

Não são poucas as que transitam por aí insatisfeitas com a liderança, com os
regulamentos, com a forma de governo etc. E, naturalmente, ficarão frustradas ao
perceber que todos os governos são falhos e limitados, conduzidos por pessoas bem
intencionadas sim, mas que não escapam da condição de pecadores, pois "não há
justo, nem sequer um (...) pois todos pecaram e carecem da glória de Deus" (Rm
3.10,23).

Torna-se necessário acrescentar que, por causa desta condição, a história da Igreja
registra fatos que gostaríamos de ignorar ou esquecer. Muitos lutam pelo poder e, por
causa dele, cometem atrocidades que depõem contra a fé cristã.

O mesmo se pode dizer de doações e recursos que são desviados ou apropriados


indevidamente e aplicados aos interesses humanos e não espirituais. E parece que
não há corrupção pior do que a que é feita em nome da religião.

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A estrutura é uma ótima serva e um precioso instrumento, mas jamais poderá ser o
principal, pois o fundamento da Igreja é Cristo e não a sua organização. Por isso, as
preocupações com a estrutura organizacional não devem suplantar as preocupações
com a missão.

Lembremo-nos de que os homens são falhos, as estruturas são frágeis, mas Deus, o
Senhor da Igreja, não decepciona ninguém.

3 - POR UMA ESTUTURA MAIS FUNCIONAL E


CONTEXTUALIZADA
Como a estrutura da Igreja não é única ou fechada, nem tampouco canônica, devemos
estar sempre abertos a encarar novos desafios, aceitando adequações, emendas e
reformas.

Nos tempos bíblicos, a Igreja possuía uma estrutura simples, voltada mais para os
lares, sem departamentos, sem uma escola dominical, ou sem as campanhas
evangelísticas que tem hoje.

Naqueles tempos, também, não haviam púlpito, roupas litúrgicas, boletim, aparelho de
som, hinários etc., que são tão úteis. Com propriedade, o Dr. Francis Schaeffer diz que
"qualquer coisa que o Novo Testamento não ordena com respeito à forma da Igreja é
um campo livre para ser exercido sob a liderança do Espírito Santo de acordo com
cada época e cada lugar".

Consideramos de suma importância o início de um profundo debate entre os membros


da Igreja, visando adequar melhor a sua estrutura ao 3o Milênio. Ensina Jesus: "Não
se põe remendo novo em pano velho; nem vinho novo em odres velhos". Então,
convém pensar em:

Uma estrutura mais prática e menos burocratizada. O mundo anda (ou voa)
velozmente. Hoje, tudo acontece de forma automática ou instantânea. É preciso remir
o tempo; e as decisões e as atitudes necessárias não podem esperar. A Igreja deve se
equipar adequadamente, saindo na vanguarda e ocupando imediatamente os espaços
disponíveis, sendo firme e determinada em suas decisões. Diz uma canção: "quem
sabe faz a hora, não espera acontecer".

Uma estrutura que permita maior participação. Em uma era de comunicação, as


pessoas não aceitam mais a condição de meros espectadores. A estrutura da Igreja
deve contemplar todas as pessoas da comunidade. A liderança deve ser confiada a
homens e mulheres vocacionados por Deus.

Infelizmente, em muitas igrejas, a mulher não tem voz, nem vez, por causa de uma
estrutura muito masculina. Semelhantemente, as crianças, os adolescentes e os
jovens, devem se sentir parte da comunidade, exercendo os seus dons em um
programa de multiministérios que contempla não apenas o louvor, a oração e a
pregação, mas que se abre à riqueza e variedade de expressões.

Uma estrutura mais flexível e tolerante. Não se cogita, aqui, a alteração de


doutrinas ou princípios de fé; mas sim, de contextualizar a estrutura da Igreja à
realidade atual.

Por exemplo: se houver necessidade, por que não alterar o horário de um culto ou da
Escola Dominical ou uma atividade evangelística?

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Ou, se facilita a frequência, por que não transferir as reuniões semanais do templo
para os lares de um determinado bairro? Ou, se funciona melhor, por que não integrar
as mulheres e os homens em um ministério de adultos? Ou, se atende melhor à
comunidade, por que não ampliar as áreas de ação, criando novos grupos ou outras
atividades na Igreja, como teatro, música, esporte etc.?

Não são poucas as igrejas que se tornam irrelevantes aos seus membros, porque
teimam em manter uma estrutura que não mais funciona. A Igreja deve manter-se fiel
à doutrina dos apóstolos sim.

Mas, precisa se atualizar para melhor servir aos propósitos de Deus nesses tempos.
Falhamos por omissão, porque não atuamos em muitas frentes que estão diante de
nós; mas, também conservamos práticas que não fazem mais sentido.

Devemos buscar a direção sábia do Espírito Santo para aprender a discernir qual seja
a boa, perfeita e agradável vontade de Deus para esses tempos. Que Deus nos
abençoe nesta difícil, mas necessária tarefa!

DISCUSSÃO
1 - O que deveríamos atualizar na estrutura de nossa comunidade?
2 - Por que é tão difícil conseguir mudanças na Igreja?

AUTOR: REV. WILSON EMERICK DE SOUZA

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