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“Cavalaria da Legião de Tropas Ligeiras”

(1775-2006)

Mais de dois séculos participando dos


principais momentos da História do Brasil

Luiz Eduardo Lopes de Farias


Luiz Eduardo Lopes de Farias

5º Regimento de Cavalaria Mecanizado


“Cavalaria da Legião de Tropas Ligeiras”
1775-2006

(Neste Regimento Osório foi Soldado)

Dezembro de 2006
Produção:
5º Regimento de Cavalaria Mecanizado
Comandante: Ten Cel Wilson Mendes Lauria

Pesquisador e Autor:
Ten Cel Luiz Eduardo Lopes de Farias
Graduado em História pela Universidade Federal de Roraima.

Auxiliares de Pesquisa:
1º Sgt Jair Santos da Silva, 3º Sgt Vilmar Folchini, 3º Sgt Vladimir Soares da
Fontoura, Cb João Gilberto Rodrigues Gonçalves, Cb Teodoro Luz dos Anjos

Capa:
Tela a Óleo “Sentando Praça” - Cel Pedro Paulo Cantalice Estigarríbia

Diagramação e Design:
3º Sgt Vladimir Soares da Fontoura

Revisão ortográfica e gramatical:


Prof. Branca Nunes Corrales

Revisão Editorial e de Texto:


O Autor

1ª Edição
Tiragem: 30 Exemplares
AGRADECIMENTOS
(Em ordem alfabética dos nomes)

- Álvaro Guimarães dos Santos – Ten Cel PM – Diretor do Museu de Polícia Militar – SP
- Ary Canavó- Cel R/1
- Ary Roberto- Cap R/1- Ex-combatente da 2ª Guerra Mundial (11º RI)
- Arlindo Triaca – 2º Sgt R/1 – Integrante e Fotógrafo do 5º R C Mec de 1956 a 1980
- Celanira Vasconcelos Peres
- Cláudio Moreira Bento – Cel R/1 – Historiador e Presidente da AHIMTB
- Diva Simões – Professora e Historiadora
- Hiram Neves de Aguiar e Souza – Ten Cel – Cmt do 5º R C Mec 2003/2004
- Irio Marco- 1º Sgt R/1
- João Batista Palmeira Leite – Ten Cel – Cmt Base Adm Gu Caçapava – SP
- João Wayner da Costa Ribas – Ten Cel – Cmt 11º BIMth – São João Del Rei – MG
- Joaquim de Jesus Picardo – Cap – Delegado Serviço Militar - Presidente Prudente – SP
- José Eber Bentim da Silva – Historiador
- Luiz Ernani Caminha Giorgis - Cel R/1 – Historiador – Membro da AHIMTB
- Júlio César de Almeida Vasconcelos – Ten Cel – Diretor do Arquivo Histórico do Exército
- Marcelo Lorenzini Zucco – Cap – Cmt do 16º Esqd C Mec – Francisco Beltrão - PR
- Mário Mendes – 1º Ten R/1 – Integrante do 5º R C Mec de 1938 a 1963
- Nelson Gimba – ST R/1 – Integrante do 5º R C Mec de 1963 a 1991
- Noris Mara Pacheco Martins Leal – 2º Ten – Museu do Comando Militar do Sul
- Ovídeo de Oliveira Peres – 2º Sgt R/1 – Integrante do 5º R C Mec de 1955 a 1983
- Réus Smatt dos Santos Sabarros- Fotógrafo do 5º R C Mec
- Saint Clair Barreto Tâmara – Vereador de Quaraí
- Vera do Prado Lima Albornoz – Professora Universitária – Urcamp
SUMÁRIO

1. O CONTINENTE DO RIO GRANDE DE SÃO PEDRO (1750-1774) .............................. 1


2. A GUERRA DE RESTAURAÇÃO (1774-1776) ................................................................ 3
3. A LEGIÃO DE SÃO PAULO NA GUERRA DE RESTAURAÇÃO (1774-1778)............ 6
4. A LEGIÃO EM SÃO PAULO (1779-1810) ...................................................................... 50
5. A LEGIÃO DE TROPAS LIGEIRAS NA CAMPANHA PACIFICADORA DO
URUGUAI (1811-1812) ................................................................................................... 66
6. O PERÍODO ENTRE GUERRAS (1813-1816) ................................................................ 78
7. A LEGIÃO DE TROPAS LIGEIRAS NA CAMPANHA DE 1816-1820 ........................ 83
8. A LEGIÃO DE TROPAS LIGEIRAS DE 1820-1824 ....................................................... 94
9. A CRIAÇÃO DO 3º REGIMENTO DE CAVALARIA DE 1ª LINHA ............................ 98
10. A GUERRA DA CISPLATINA 1825-1828 .................................................................. 100
11. A TRANSFORMAÇÃO DO 3º RC DE 1ª LINHA EM 3º CORPO DE CAVALARIA 101
12. A REVOLUÇÃO FARROUPILHA (1835-1845).......................................................... 103
13. O 3º RCL NA CAMPANHA CONTRA ORIBE E ROSAS (1851-1852) ..................... 107
14. A PARTICIPAÇÃO DO 3º RCL NA DIVISÃO AUXILIADORA (1854-1855) ......... 111
15. A GUERRA DO URUGUAI (1864-1865)..................................................................... 113
16. O 3º RCL NA GUERRA DA TRÍPLICE ALIANÇA (1865-1870) ............................... 117
17. O 3º REGIMENTO DE CAVALARIA LIGEIRA DE 1870 A 1892 ............................ 144
18. O 3º RCL NA REVOLUÇÃO FEDERALISTA ............................................................ 147
19. O REGIMENTO DE 1908 A 1918................................................................................. 150
20. A TRANSFORMAÇÃO DO 8º RC PARA 5º RCI E O PERÍODO DE 1918-1922 ..... 162
21. A REVOLTA DE 1922 .................................................................................................. 167
22. A REVOLTA DE 1923 .................................................................................................. 168
23. A REVOLTA NO 5º RCI NO ANO DE 1923 ............................................................... 176
24. O QUARTEL VELHO EM URUGUAIANA ................................................................ 179
25. O QUARTEL NOVO EM URUGUAIANA .................................................................. 182
26. A REVOLTA DE 1924 .................................................................................................. 184
27. A REVOLUÇÃO DE 1930 ............................................................................................ 188
28. A REVOLUÇÃO CONSTITUCIONALISTA DE 1932 ............................................... 194
29. A TRANSFERÊNCIA PARA ROSÁRIO DO SUL ...................................................... 200
30. A MUDANÇA PARA QUARAÍ ................................................................................... 202
31. O QUARTEL DE QUARAÍ E AS ÁREAS MILITARES ............................................. 205
32. A 2ª GUERRA MUNDIAL (1939-1945) ....................................................................... 214
33. A TRANSFORMAÇÃO DO 5º RCI EM 5º RC ............................................................ 218
34. OS EVENTOS DE 1961 ................................................................................................ 219
35. A REVOLUÇÃO DE 1964 ............................................................................................ 221
36. A TRANSFORMAÇÃO DO 5º RC EM 5º R C MEC ................................................... 224
37. O 5º R C MEC COMO UNIDADE HISTÓRICA E TRADICIONAL .......................... 228
38. O TREM ......................................................................................................................... 239
39. O SERVIÇO MILITAR ................................................................................................. 242
40. DATAS IMPORTANTES DO 5º R C MEC .................................................................. 244
41. QUARAÍ E O EXÉRCITO............................................................................................. 248
42. OS COMANDANTES ................................................................................................... 254
43. FOTOS DO REGIMENTO ............................................................................................ 260
44. REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS ........................................................................... 269
Prefácio

Este livro tem por finalidade narrar a história do 5º Regimento de Cavalaria


Mecanizado, uma das unidades militares mais antiga e tradicional do Exército Brasileiro.
Sua origem vem da Legião de Voluntários Reaes da Capitania de São Paulo, criada
por Carta Régia por ordem do Rei de Portugal, D. José I, no ano de 1775, com o objetivo de
combater os espanhóis na região do atual estado do Rio Grande do Sul.
Para escrever a sua história fomos buscar nos Boletins Internos do Regimento
(1916-2006) e pela inexistência de documentação arquivada na unidade complementamos as
pesquisas buscando nas fontes primárias no Arquivo Histórico do Exército no Rio de Janeiro,
no Arquivo do Estado de São Paulo e do Rio Grande do Sul.
É uma história longa, mas vibrante, marcada pela participação da unidade nas
campanhas militares que marcaram as fronteiras do sul do Brasil e a própria história das terras
gaúchas.
Mergulhar no estudo desse regimento é conhecer parte de uma importante fase da
história brasileira.
Para os integrantes do 5º R C Mec é a oportunidade de conhecerem o valor de sua
unidade. Para os demais militares e civis que apreciam o assunto ao lerem este livro
certamente passarão a conhecer uma unidade militar com mais de 230 anos de existência que
é uma referência da cavalaria em seu território habitual: o sul do Brasil.
Para todos uma boa leitura.
1. O CONTINENTE DO RIO GRANDE DE SÃO PEDRO (1750-1774)

Introdução

Para escrever a história da Legião de Tropas Ligeiras e por conseqüência a própria


história do 5º Regimento de Cavalaria Mecanizado é necessário voltar ao tempo, reportando
desde a instituição da Linha de Tordesilhas, para então entender o cenário de lutas que vai se
desenrolar no final do século XVIII, quando foi criada, em São Paulo, a Legião que originou
o atual 5º R C Mec.

Tratado de Tordesilhas e de Madrid

O Tratado de Tordesilhas de 1492, firmado pelos portugueses e espanhóis,


estabeleceu os limites das posses entre as duas nações no continente sul-americano. Pelo
tratado, o atual estado do Rio Grande do Sul não seria atualmente do Brasil, pois a sua linha
demarcadora passava ao sul do atual estado de Santa Catarina. Entretanto, a partir do começo
do século XVIII, os Bandeirantes paulistas passaram a explorar as terras a oeste da referida
linha, provocando o início de sua ocupação.
Em 1750, é estabelecido o Tratado de Madrid redefinindo nova linha de fronteira,
esta mais a oeste da de Tordesilhas, que incluiria o Forte Santa Tereza (ao sul de Chuí) e a
região das Missões. Em contrapartida, pelo tratado, a Espanha receberia a Colônia do
Sacramento.
Em 1760, o Reino da Espanha desiste da demarcação dos novos limites e é firmado o
Tratado de El Pardo, pelos quais os Sete Povos das Missões voltariam para a Espanha,
permanecendo Sacramento com Portugal. A falta de acertos na execução desse acordo,
todavia, levou ao caminho de novas agressões entre portugueses e espanhóis, quando o
continente de São Pedro foi invadido.

A Invasão Espanhola

Em outubro de 1762, o Exército do espanhol Ceballos atravessa o rio da Prata


atacando e conquistando a Colônia do Sacramento. Prosseguindo, Ceballos conquistou o
Forte Santa Tereza, o Forte São Miguel, a Vila de Rio Grande e a Guarda do Norte (atual
cidade de São José do Norte).

A Reação Portuguesa

Em 6 de junho de 1769 a Guarda do Norte é reconquistada levando esse local a


receber o nome de São José do Norte em homenagem ao nome do rei de Portugal, D. José I, o
qual fazia aniversário nesse mesmo dia. Permanecem as posições militares espanholas em Rio
Grande.
Em 1773, o novo governador de Buenos Aires, Vertiz e Salcedo, reacende a guerra,
enviando um exército rumo a atual região de Bagé, onde levanta o Forte Santa Tecla.
Como reação, o Rei de Portugal, D. José I, dá ordens para que se envie um forte
exército ao sul da Colônia, a fim de se restabelecer os territórios conquistados. É nessa
conjuntura que é formado o “Exército do Sul”, cujas tropas se incluiria a Legião de Tropas
Ligeiras, origem do 5º R C Mec.
Historia Militar do Brasil – Academia Militar das Agulhas Negras, 1979

Historia Militar do Brasil – Academia Militar das Agulhas Negras, 1979


2. A GUERRA DE RESTAURAÇÃO (1774-1776)

A invasão de Salcedo repercutiu negativamente no Reino Português. O Marquês de


Pombal, Ministro de D. José I, decidiu mandar concentrar no Continente do Rio Grande de
São Pedro do Sul, um exército com tropas da metrópole, como de outras capitanias, além das
tropas do próprio Rio Grande. A esse exército, chamado de “Exército do Sul”, teria o
comando do Tenente-General Henrique Böhn, oficial alemão com experiência nas guerras
napoleônicas, que já estava no Brasil desde 1777, contratado como Inspetor-Geral do Exército
Colonial.
Para escrever os primeiros capítulos deste livro muito foram valiosas as fontes
primárias do Arquivo do Estado de São Paulo e do Arquivo de Porto Alegre, bem como a
consulta ao livro A Guerra de Restauração do Coronel Cláudio Moreira Bento e a Tese de
Doutoramento da Professora Maria de Lourdes Ferreira Lins, USP-1977, e variada
bibliografia, as quais no transcorrer da exposição das informações irão ser citadas.

Constituição do Exército do Sul

Tomada a decisão de formar um exército que fosse capaz de enfrentar com eficiência
as tropas Castelhanas, passou-se a constituí-lo com tropas luso-brasileiras, quando ao final da
mobilização ficou constituído conforme o quadro abaixo:

Constituição do Exército do Sul


Corpos de Tropa Procedência Efetivo %
Esquadrão de Dragões da Guarda do Vice-Rei Rio de Janeiro 61 0,9
Regimento de Infantaria de Moura Portugal 679 10,7
Regimento de Bragança Portugal 661 10,4
Regimento de Extremoz Portugal 627 9,8
1º Regimento do Rio (Artilharia) Rio de Janeiro 791 12,4
Regimento de Dragões do Rio Grande Rio Grande 380 6,0
Companhias de Aventureiros de Laguna Santa Catarina 554 8,7
Regimento do Coronel Mexia Santos 813 12,8
Legião de São Paulo São Paulo 1012 15,9
Esquadrões de Cavalaria Auxiliares São Paulo 615 9,7
Artilheiros de Lagos Portugal 60 0,9
Artilheiros do Rio de Janeiro Rio de Janeiro 115 1,8
TOTAL 6368
Fonte: Raízes do Militarismo Paulista, Coronel Edilberto de Oliveira Melo, 1982

A concentração do Exército do Sul teve início ao final de 1774, com o desembarque


em Laguna, das tropas provenientes do Rio de Janeiro. De Laguna, Santa Catarina, as tropas
marcharam por terra pelo litoral até São José do Norte, estabelecendo-se nesse local o
acampamento e o Quartel General.
De Portugal vieram os Regimentos de Moura e Estremoz e o Regimento de
Bragança, os quais tiveram destacada atuação na reconquista da Vila de Rio Grande.
Do Continente do Rio Grande de São Pedro do Sul, como era assim chamado o atual
Estado do Rio Grande do Sul, além dos Dragões de Rio Pardo e da Cavalaria Ligeira,
participaram um Batalhão de Infantaria e uma companhia de Artilharia, distribuídas em Rio
Pardo e São José do Norte. Guarnecendo a capital Porto Alegre ficou uma companhia de
infantaria de Santa Catarina.
A contribuição da Capitania de São Paulo, por ordem do Rei, se fez com o envio do
Regimento de Santos e de uma Legião, ambos criados em janeiro de 1775, justamente com o
objetivo de lutar no sul.
Conquista do Forte de São Martinho

O Forte São Martinho, localizado próximo das Missões orientais, era importante
tanto para os portugueses como para os espanhóis, pois era caminho para esta região,
representando a sua posse um passo muito importante na conquista de todo o Rio Grande.
Com atuação destacada do Capitão Rafael Pinto Bandeira, em outubro de 1775 o
Forte foi conquistado de surpresa e arrasado por aproximadamente 200 Dragões e
Guerrilheiros de Rio Pardo.

Conquista do Forte de Santa Tecla

O passo seguinte era o Forte de Santa Tecla, próximo a Bagé, cuja posição, assim
como o Forte São Martinho, era estratégica, pois era também caminho para as Missões.
Para conquistá-lo, a missão foi atribuída novamente a Rafael Pinto Bandeira,
auxiliado pelo Major Patrício Correia Câmara (atual patrono da 3ª Brigada de Cavalaria
Mecanizada de Bagé), recém-chegado de um Regimento de Infantaria do Rio de Janeiro.
Após ser submetido a um cerco de quase um mês, em 25 de março de 1776 os espanhóis se
rendem.
Expulsos os espanhóis de São Martinho e de Santa Tecla, faltava o objetivo principal
e mais difícil: a reconquista da Vila de Rio Grande.

Reconquista da Vila de Rio Grande

Para reconquistar a Vila de Rio Grande, com seus fortes e a esquadra espanhola para
defendê-la por mar, era preciso vencer primeiro, o grande canal entre São José do Norte e Rio
Grande.
O ataque vitorioso à Vila de Rio Grande foi iniciado na madrugada do dia 1º de abril
de 1776, tendo terminado na tarde do mesmo dia. Os espanhóis, depois de vencidos, se
retiraram para a Fortaleza de Santa Tereza, situada mais ao sul.
Após treze anos de ocupação espanhola (1763-1776), a Vila de Rio Grande retornava
as mãos portuguesas, porém a reconquista não representava a vitória total; era preciso
reorganizar as tropas no terreno, de modo a rechaçar possíveis contra-ataques espanhóis. É
nessa nova fase que entrará em ação a Legião de São Paulo.

Reação da Espanha à reconquista da Vila de Rio Grande

A reconquista da Vila de Rio Grande fez com que Ceballos partisse com 9 mil
homens por terra e mar, a fim de realizar uma grande contra-ofensiva. O objetivo era
conquistar primeiramente a ilha de Santa Catarina, isolando o Exército do Sul pelo norte e
depois realizar um ataque às tropas luso-brasileiras pelo sul reconquistando a Vila do Rio
Grande e a Colônia do Sacramento.
No seu intuito Ceballos obtém sucesso na ilha de Santa Catarina e na Colônia de
Sacramento, faltava apenas a Vila de Rio Grande.

Dispositivo do Exército do Sul

As tropas do General Böhn concentraram-se em Rio Grande, enquanto que a


Fronteira de Rio Pardo era reforçada pela Legião de Voluntários Reais de São Paulo. Ao
norte, a cobertura foi feita em Torres, com a construção do Forte São Diogo, guarnecido pelo
Regimento de Infantaria de Santos. Ao sul, no Albardão e Taím e entre o estreito e São José
do Norte a força de cobertura foi feita pela companhia de Cavalaria do Vice-Rei, Dragões do
Rio Pardo e por uma companhia de Cavalaria da Legião de Voluntários de São Paulo, do
capitão Garcia Rodrigues. Estava pronto o dispositivo para receber as tropas de Ceballos.
Fim da Guerra de Restauração

Quando Ceballos se preparava para atacar Rio Grande, em julho de 1777 morre o rei
de Portugal, fato que mudaria o transcurso da guerra. O falecimento de D. José I e por
conseqüência a ascensão de D. Maria I ao trono, promoveram a reaproximação entre os dois
reinos ibéricos e o estabelecimento do Tratado de Santo Ildefonso de 1º de outubro de 1777.
Pelo Tratado, a ilha de Santa Catarina voltava às mãos portuguesas, permanecendo a
Colônia do Sacramento com os espanhóis, o que praticamente restabelecia a mesma linha do
Tratado de Madrid. Portugal ganhava então definitivamente grande parte do atual território
gaúcho e entre as duas colônias ficava criados os “Campos Neutrais”, também conhecidos
como “terra de ninguém”, constituído por um largo território, em que não seria permitido que
se estabelecessem ocupações. Evitou-se assim, pelo menos teoricamente, os atritos entre os
dois contendores.

Croqui da Guerra

Historia Militar do Brasil, Academia Militar das Agulhas Negras (AMAN), 1979
3. A LEGIÃO DE SÃO PAULO NA GUERRA DE RESTAURAÇÃO (1774-1778)

A Capitania de São Paulo

Em novembro de 1709 foi criada a Capitania de São Paulo e Minas do Ouro. Em


1720, Minas Gerais é desmembrada de São Paulo, constituindo capitania à parte. Em agosto
de 1738, a ilha de Santa Catarina e o Continente do Rio Grande de São Pedro do Sul são
separadas da Capitania de São Paulo, colocando-as sob a jurisdição direta do Rio de Janeiro.
Em 1748, a Capitania de São Paulo é reduzida a simples comarca do Rio de Janeiro,
administrada pelo Governador da Praça de Santos, subordinado ao Vice-Rei. No mesmo ano,
criaram-se duas novas capitanias, as de Mato Grosso e de Goiás, em área pertencente à
Capitania de São Paulo, agora extinta.
São Paulo, portanto, vai perdendo, no período de 1709 a 1765, poder, prestígio e
território. No ano de 1775, com o agravamento dos problemas de fronteiras no sul da colônia,
a Capitania de São Paulo não só ganha novamente a sua autonomia, como passa a
desempenhar um papel muito importante no fornecimento de tropas e na ajuda financeira ao
continente do Rio Grande de São Pedro do Sul.

A contribuição dos paulistas contra a invasão espanhola

Com invasão do General Vertiz y Salcedo em 1763, são organizadas quatro


companhias de aventureiros paulistas, cada uma com 60 homens, que deveriam marchar ao
Continente do Rio Grande de São Pedro do Sul. Afirmava o Vice-Rei, Conde da Cunha,
substituto de Gomes Freire, Conde de Bobadela: “estou persuadido que os paulistas são os
mais próprios homens que o Brasil tem para a vida militar”.
D. Luis Antonio de Souza Botelho Mourão, o Morgado de Mateus, nomeado
Governador de São Paulo em 1765, passa a organizar e a instruir a tropa. As companhias são
embarcadas para o Continente de São Pedro, chegando à fronteira do Viamão a 14 de janeiro
de 1766. Pouco depois foram reforçados com 90 homens e dois anos depois os aventureiros
paulistas regressaram para São Paulo.
Com o agravamento novamente dos problemas fronteiriços no sul, o Rei de Portugal
envia tropas com o General Böhn, o qual assumiu o comando das operações para a guerra
contra os castelhanos. Mais uma vez, São Paulo vai também contribuir com tropas no esforço
colonial na definição das fronteiras do Sul.
Para a Capitania de São Paulo, assim como para o reino português, o teatro de guerra
no Continente de São Pedro representava a mais importante barreira face aos castelhanos.
Caso caísse, a Capitania de São Paulo teria de renunciar a todo e qualquer projeto senão o da
própria defesa. O mesmo ocorria em menor escala do socorro paulista ao Mato Grosso,
fazendo com que São Paulo tivesse a função de enviar tropas e arcar com parte das despesas
das guerras. É nesse cenário que surge o imaginário do paulista aguerrido que em qualquer
situação tornava-se indispensável a sua presença.

A criação da Legião de São Paulo (Carta Régia)

Martim Lobo de Saldanha, substituto de Morgado de Mateus, como Governador e


Capitão-General da Capitania de São Paulo, um pouco antes de assumir o referido governo,
recebeu do próprio Rei, em novembro de 1774, a Carta-Patente de Brigadeiro de Infantaria do
Exército Português.
Empossado no governo e fortalecido com a patente de Brigadeiro, Martim Lopes
Lobo Saldanha recebeu do Rei de Portugal, através do Marquês do Lavradio, D. Luiz de
Almeida Portugal, Vice-Rei do Brasil, a Carta-Régia de 14 de janeiro de 1775, contendo o
Plano Militar para a Capitania de São Paulo. Pela Carta é iniciada a mobilização paulista ao
socorro militar do Continente de Rio Grande de São Pedro.
A Carta Régia de 14 de janeiro de 1775, origem da Legião de Tropas Ligeiras e por
conseqüência do 5º R C Mec, foi feita em forma de manuscrito, encontrando-se hoje no
Arquivo do Estado de São Paulo, na Lata nº 21, Ordem 379, Anos 1775-1776, Livro 53.
Segundo a Dra. Maria de Lourdes Ferreira Lins, existe na Biblioteca Nacional, no Rio de
Janeiro, um rascunho da Carta Régia, a qual tem a seguinte transcrição:

Martim Lopes de Saldanha, Governador e Capitão-General


da Capitania de São Paulo. Amigo. Eu El-Rei vos envio muito saudar.
Sendo muito importante ao Meu Real Serviço que na Capitania de
São Paulo se estabeleça hum Plano Militar debaixo de princípios
sólidos permanentes e invariáveis; Que das sete Companhias da
Guarnição da mesma Companhia se forme hum Regimento de
Infantaria sobre o mesmo pé dos que se achão estabelecidos nestes
Reinos; Que igualmente se levante nella huma “Legião de Tropas
Ligeiras”, composta de mil homens de Cavalaria e Infantaria em
tempo de paz, e de 1600 homens em tempo de guerra; E que os corpos
Auxiliares que ali se achão estabelecidos se regulem, disciplinem e
ponhão em estado de poderem ser úteis ao Meu Real Serviço, tudo na
conformidade da Instrução Militar, asignada por Martinho de Mello e
Castro, Meu Ministro e Secretário de Estado dos Negócios de
Marinha e Domínios Ultramarinos; E do Plano a ella junto, também
asignado pelo mesmo Ministro, que recebereis com esta, sou servido
ordenar-vos que logo chegares á dita Capitania, sem perderes hum só
momento, o executeis e façais executar todas as disposições
determinadas na referida Instrução e Plano. E confio do vosso zelo,
prudência e a actividade que a este importante serviço vos appliqueis
com tanto cuidado e vigilância, que me deis muitas occasiões de vos
louvar e de vos fazer as mercês e graças com que costumo premiar os
Vassalos que me servem com a honra e fidelidade. Escripta em
Salvaterra de Magos, em 14 de janeiro de 1775. Com a rubrica de sua
Majestade.

Observa-se no texto da Carta-Régia a ordem para que “se levante nella uma Legião
de Tropas Ligeiras”. Originalmente denominada de tropas ligeiras, todavia este não era o
nome oficial, apenas a sua natureza, pois o nome a que foi dado a esta tropa foi o de “Legião
de Voluntários Reaes da Capitania de São Paulo”. Somente mais tarde, em 1808, é que o
termo “Tropas Ligeiras” passará a ser integrado ao nome da Legião. A Carta-Régia foi um
documento claro em seus objetivos, qual seja o de montar, no menor tempo possível, uma
estrutura militar que respondesse pela força das armas as questões de posse no sul da colônia.
Outro documento que está relacionado à criação da Legião é a Instrução Militar
enviada ao Governador da Capitania de São Paulo, assinada por Martinho de Melo e Castro,
de mesma data da Carta Régia. Na nossa pesquisa no Arquivo do Estado de São Paulo,
tivemos acesso as duas pelos Documentos Interessantes, volume 42, referente à
correspondência do Capitão-General Martim Lopes Lobo de Saldanha.

Instrução Militar para a Capitania de São Paulo (14 Jan 1775)

A Instrução Militar era um conjunto de parágrafos em número de 55, nos quais


estavam estabelecidas as determinações para organizar a defesa da colônia, papel que São
Paulo mereceu destaque. Resumindo a Instrução Militar, vamos abordar o seu conteúdo,
fazendo um pequeno comentário de alguns parágrafos:
Pelo §2º uma capitania deveria socorrer as outras como uma obrigação. No §4º as
tropas formadas, na caso da Capitania de São Paulo, o Regimento de Infantaria e a Legião de
Voluntários Reais, deveriam estar sempre prontas para socorrer ou marchar. Pelo §13º era
obrigação do Vice-Rei e dos Capitães-Generais a defesa dos então distritos de Viamão, Rio
Pardo e Rio Grande de São Pedro, este último atual cidade de Rio Grande. No mesmo
parágrafo é dado obrigação ao Capitão-General e Governador da Capitania de São Paulo de
defender os respectivos distritos, não só por lhes serem confinantes, ou seja, limitante,
fronteiriço, mas por formarem a barreira meridional da própria capitania paulista.
Pelo §16º, ficava determinado com o plano que o governador deveria formar duas
tropas de linha para as obrigações de defesa. São Paulo até então possuía sete companhias de
infantaria, e com a nova resolução real passava a ter mais tropas, além das duas novas tropas
de linha, ou seja, permanentes.
Pelo §20º, como havia na época uma forte ligação entre a igreja e o estado, para a
vaga de capelão deveria ser escolhido entre os eclesiásticos que o governador lhe parecesse
mais digno e capaz. Pela instrução ficava determinado que a missão do capelão fosse a de
ensinar aos soldados as obrigações de católicos e de inspirar ao mesmo tempo a fidelidade ao
seu El-Rei, o amor à pátria, a subordinação, a obediência, a atividade e o zelo ao real serviço.
Pelo §21º, deveria ser feito uma relação de todos os integrantes das tropas a serem
criadas devendo-se informar o nome de todos, idade, naturalidade, préstimos, capacidade e
merecimento de cada um, a qual deveria ser entregue a Secretaria do Estado. Por essa
determinação, a relação foi confeccionada e a transcrição da mesma está contida nos
Documentos Interessantes para a História de São Paulo, volume nº 33, o qual está transcrita
mais adiante neste capítulo.
Pelo §23º, ao mesmo tempo em que o governador deveria formar um regimento de
infantaria, deveria levantar um corpo ou legião de tropas ligeiras, compostas de homens de
armas, sertanejos e caçadores. Para o cargo de Tenente Coronel da dita legião já vinha
estabelecido pela mesma instrução, pelo §25º, que estava nomeado pela sua Majestade,
Henrique Jozé de Figueiredo, que ocupou anteriormente o posto de capitão no extinto
Regimento dos Voluntários Reaes em Portugal. Esse oficial foi encarregado pelos seus
superiores da disciplina daquele corpo e por seu desempenho acreditamos que estava sendo
designado para fazer o mesmo na tropa da Legião a ser criada.
Pelo §26º, para a vaga de Sargento-Mor da Legião estava sendo nomeado Manoel
José da Nóbrega Botelho. Para Ajudante, teve a sua Majestade pelo §27º, ordenado ao
Marquês do Lavradio de dar licença ao cadete do Regimento de Extremoz, José Joaquim da
Costa, passando-o à Capitania de São Paulo para assumir a função.
Pelo §28º, para os postos de capitão, tenentes e alferes das companhias que iriam se
formar, era indispensável e necessário quanto aos primeiros que fossem providos de “moços
desembaraçados e das famílias mais distinctas, ricas e da mais conhecida fidelidade que
houver na capitania”. Quanto aos demais postos, que fossem escolhidos os mais hábeis e que
mostrassem maior propensão ao serviço.
Pelo §29º, quanto ao efetivo das companhias, a escolha dos soldados era permitida
aos capitães de alistarem os que fossem da sua escolha, completando-se o restante com
recrutas.
Outra preocupação importante que o Rei tratou de abordar na instrução foi quanto à
fidelidade, de modo que os coronéis ou comandantes dos ditos regimentos deveriam ser
pessoas do maior crédito e da mais conhecida fidelidade dos que havia na capitania. No caso
de São Paulo, para o cargo de Comandante da Legião, o próprio governador se nomeou.
Essa questão da fidelidade era porque casos de rendição de alguns postos avançados
da coroa foram feitas sem nenhuma reação por parte de seus comandantes, como ocorreram
no Forte Santa Tereza, da Praça de Rio Grande e da Colônia do Sacramento, os quais foram
julgados pela Côrte.
Durante a própria Guerra de Restauração, para a qual a Legião foi criada e iria se
deslocar, outro caso aconteceu que foi a rendição da ilha de Santa Catarina em fevereiro de
1777, quando o seu governador fugiu sem dar um tiro ao avistar a frota espanhola; e pior foi o
Ajudante das tropas que acabou se aliando ao inimigo.
Pelo §47º, tanto o Regimento de Infantaria da Capitania de São Paulo como o Corpo
de Tropas Ligeiras “sempre deve estar armado, exercitado disciplinado e pronto, não só para
defender, mais para marchar ou embarcar com o primeiro aviso ao socorro de qualquer das
capitanias que precisar de ser assistida”. Neste parágrafo informava que o socorro era em
relação ao Rio Grande, Viamão e Rio Pardo. Em caso do afastamento das duas tropas de
linha, os Regimentos de Auxiliares da Capitania assumiriam as funções das ditas tropas.
Pelo §48º, para embarcar as tropas seria utilizado o serviço dos contratadores da
pesca de baleia, os quais deveriam disponibilizar suas embarcações logo que fossem
requisitadas.
Pelo §49º, Pelo plano para as marchas por terra das mesmas tropas, particularmente
das ligeiras, os governadores deveriam informar-se das distâncias e dos caminhos que haviam
de São Paulo a Viamão e Rio Pardo, por onde se fazia o freqüente comércio de transporte de
gados, cavalos e muares.
Da mesma maneira pelo §51º, o Governador da Capitania de São Paulo deveria saber
do caminho ou passagem por onde se poderia penetrar até as missões ou aldeias de São
Miguel, São João, São Lourenço, São Luis e São Nicolau, situadas próximas ao rio Uruguai,
formando os Sete povos das missões, local também de atuação dos possíveis combates contra
as tropas espanholas.
Finalizando o resumo dos parágrafos, no seu último, de número 55, além dos
sobreditos socorros seriam expedidas ordens pelo real erário para que os rendimentos da
provedoria de São Paulo e a consignação anual do contrato da pesca de baleia, como também
da Junta da Fazenda do Rio de Janeiro, para que ficassem à disposição do Governador da
Capitania.
Pelo Plano Militar o Tenente Coronel, o Sargento-Mor teriam os mesmos soldos dos
oficiais de cavalaria das suas graduações. Todos os outros oficiais receberiam meio soldo,
assim como os soldados que receberiam também pão ou farinha e a ração para os cavalos. A
farinha era porque não havia pão na capitania, e esta era de milho ou mandioca.
O dito meio soldo somente se aplicaria em tempo de paz ou quando estivesse a tropa
atuando dentro da capitania. Quando, porém, fossem destacados para fora receberiam soldo
inteiro.
Ficava estabelecido pelo mesmo plano que a Legião deveria ficar pronta e
imediatamente seriam incorporados 600 recrutas para entrarem no serviço quando lhes fosse
ordenado. A cada 100 homens desses recrutas seriam dados fitas ou laços que deveriam
conduzir no chapéu identificando as companhias a que pertencia. Esses recrutas seriam
obrigados a se juntarem as suas companhias pelo tempo de um mês em cada ano para
aprenderem o exercício e as manobras de guerra. Enquanto se achassem nessa ocupação
receberiam meio soldo, pão ou farinha, assim como a tropa.
Concluídos os ditos exercícios, que pelo Plano seriam sempre na estação que
parecesse mais conveniente ao Governador e Capitão-General, se poderiam retirar os
referidos recrutas para as suas ocupações e trabalhos, sendo, porém a distância que deveriam
ficar longe da tropa não deveria estar dentro do preciso tempo de oito dias.
Quando o governador tivesse notícia de qualquer movimento de guerra ou que fosse
avisado, deveria se preparar para ela reforçando imediatamente as companhias da referida
Legião de dez, vinte, trinta ou mais homens.
Quanto ao armamento, fica estabelecido que a tropa da Legião seria armada na forma
que ela quisesse, e segundo o seu costume, deixando-lhe igualmente livre o método particular
de fazer a guerra.
Quanto ao serviço, pelo Plano Militar, ficava estabelecido que os soldados dessa
Legião não seriam obrigados a servir mais que o preciso tempo de oito anos, no fim dos quais
poderiam pedir as suas demissões, que lhes seriam concedidas, sem demora e sem dificuldade
alguma. No caso se quisessem servir por mais de oito anos completariam dezesseis anos de
serviço e poderiam requerer a sua reforma, que seria acordado por meio soldo.
Com o Plano Militar em São Paulo, o Governador Martim Lopes Lobo de Saldanha
passava a ter dois Corpos de Tropa de Linha: o Regimento de Infantaria da Capitania de São
Paulo, chamado simplesmente de “Regimento de Santos” e a Legião de Voluntários Reais da
Capitania de São Paulo, também denominada de “Tropas Ligeiras”, mais conhecida por
Legião Paulista ou Legião de São Paulo. As duas tropas, tanto o Regimento de Santos como a
Legião vão participar da Guerra da Restauração.
Outra fonte sobre a Legião de Tropas Ligeiras é a carta do Marquês de Lavradio,
Vice-Rei do Brasil, dirigida a Martim Lopes Lobo de Saldanha, datada de 20 de junho de
1775, na qual se definia tropas ligeiras:

Estes corpos vejo eu que não podem ir agora fardados e


armados com grande luzimento das tropas ligeiras, consiste na sua
prontidão, na sua viveza e na facilidade com que se desembaraçam
dos maus passos, do mau tempo e dos incômodos que lhe oferecem um
teatro guerreiro, em que eles andem ser as principais figuras que
aparecem e trabalham [...] (Documentos Interessantes, Volume 17).

Percebe-se, portanto, o sentido de flexibilidade, mobilidade e maior liberdade de


ação que deveria caracterizar esse tipo de tropa. E mais: esta tropa, fisicamente deveria estar
preparada para enfrentar toda e qualquer intempérie. É ainda o Marquês do Lavradio que se
manifesta: “Tropa Ligeira não necessita desta comodidade, e em parte nenhuma do mundo
fizeram nunca uso de barracas”. (Documentos Interessantes, Volume 62, Arquivo de S. P.).

O Nome Legião

Antonio de Moraes Silva, em seu “Grande Dicionário da Língua Portuguesa” dá a


seguinte explicação para o termo Legião: “procedente do latim legione, trata-se de um corpo
de tropas composto de Infantaria e Cavalaria. De forma mais generalizada pode ser
considerada um Corpo, Divisão ou Brigada de qualquer exército”.
A grande Unidade Militar a que se dá o nome de Legião tem origem na Roma antiga,
constituindo ela como um grande instrumento das vitórias do Império Romano. Na França, no
começo do século XVI, a exemplo das Legiões Romanas, foram formadas Legiões Nacionais,
sendo que hoje a mais famosa é a “Legião Estrangeira”, a qual teve início no ano de 1831 na
África, a serviço do reino Francês.
A Espanha, a exemplo da França, também teve a sua legião, de nome Espanhola,
enquanto que Portugal teve a Legião de Tropas Ligeiras (1796), a Legião Portuguesa (1808) e
a Lusitana (1809).
No Brasil, além da Legião Paulista (1775), que atuou no Rio Grande do Sul, também
existiram a Legião de Cuiabá, a da Bahia e as Legiões da Guarda Nacional.
A legião, portanto, era um agrupamento de corpos das três armas nas províncias ou
comarcas, cuja idéia era justamente a da atuação em conjunto da Infantaria, Cavalaria e da
Artilharia.
A Constituição da Legião

A Legião de Voluntários Reais, após a ordem do Rei, foi efetivamente criada em


maio de 1775, ficando totalmente pronta para a campanha do sul somente em dezembro do
mesmo ano. Entre os oficiais do Estado Maior da Legião estava o paulista José Pedro
Francisco Leme, Capitão de Granadeiros do 2º Regimento de Infantaria do Rio de Janeiro,
filho de Pedro Dias Paes Leme, neto de Garcia Rodrigues Paes e bisneto do bandeirante
paulista Fernando Paes Leme. Por ser o oficial de cavalaria mais antigo e comandante dos
esquadrões da Legião passamos a considerá-lo como o primeiro comandante do atual 5º R C
Mec e, portanto, constando da relação oficial de seus comandantes.
A Legião de Voluntários Reais era composta por 10 Companhias, sendo 6 de
Infantaria e 4 de Cavalaria. O efetivo, em princípio, era de mil homens, mas para a guerra o
número de soldados infantes era dobrado, somando 1600 o efetivo total, tudo de acordo com a
“Instrução Militar” vinda da Metrópole. Em algumas ocasiões excepcionais o efetivo da tropa
chegava a contar com 3200 homens.

O Estado Maior se compunha:


Coronel (Capitão-General Martim Lopes Lobo de Saldanha) ................................... 1
Tenente-Coronel (Henrique José de Figueiredo) ....................................................... 1
Sargento-Mor de Cavalaria (José Pedro Paes Leme) ................................................. 1
Sargento-Mor de Infantaria (Manoel José da Nóbrega Botelho) ............................... 1
Ajudante de Cavalaria (Tenente José Joaquim da Costa) .......................................... 1
Ajudante de Infantaria (Tenente Antonio Xavier de Castilho) .................................. 1
Capelão (Padre Manoel Alves de Oliveira) ................................................................ 1
Auditor........................................................................................................................ 1
Cirurgião-Mor (João Batista) ..................................................................................... 1
Cirurgião ..................................................................................................................... 1
Tambor-Mor ............................................................................................................... 1
Quartel-Mestre (Tenente Vicente José de Melo) ....................................................... 1
Total ........................................................................................................... 12

Infantaria - 6 Companhias
Companhia
Capitão........................................................................................................................ 1
Tenentes...................................................................................................................... 2
Alferes ........................................................................................................................ 2
Sargentos .................................................................................................................... 2
Furriéis........................................................................................................................ 2
Porta-Bandeira ............................................................................................................ 1
Cabos de Esquadra ..................................................................................................... 4
Anspeçadas ................................................................................................................. 4
Tambores .................................................................................................................... 2
Soldados ................................................................................................................... 80
Total ......................................................................................................... 100

Cavalaria - 4 Companhias
Companhia
Capitão........................................................................................................................ 1
Tenentes...................................................................................................................... 2
Alferes ....................................................................................................................... 1
Porta-Estandarte ......................................................................................................... 1
Furriéis........................................................................................................................ 2
Cabos de Esquadra ..................................................................................................... 8
Trombeta .................................................................................................................... 1
Soldados ................................................................................................................... 84
Total ......................................................................................................... 100

Capitães de Infantaria: José de Pina, Anastácio de Freitas Trancoso e Antonio


Rodrigues Fortes (3, não sendo achado o nome dos outros).
Capitães de Cavalaria: Joaquim Jozé de Macedo Leite, Joaquim Jozé Pinto de
Moraes Leme, Garcia Rodrigues Paes Leme e José Rodrigues de Oliveira Montes (4).
Tenentes de Infantaria: João da Costa, Antonio Barbosa de Sá Freire, José Francisco
de Melo, Tomás de Silva Campos, José Ribeiro Machado, Francisco Pires Borja, Francisco
Antonio Olinto de Carvalho, Alexandre Luis Sampaio, Prudente Borges da Costa, Manoel
José da Graça, Diogo Pinto de Azevedo e José Joaquim Mariano Fortes (12).
Tenentes de Cavalaria: José Joaquim Xavier de Toledo, Alexandre Luis de Queiroz e
Vasconcelos, Inácio José Correia da Silva, Antonio Francisco de Andrade, João de Castro do
Canto e Melo, Francisco José Machado, Manoel Pacheco Gato e Manoel José Velho (8).
Alferes de Infantaria: Manoel Pereira Sampaio, João José de Azevedo Coutinho, José
Rodrigues de Oliveira, Bento Pimenta de Abreu, José Inácio de Araújo, Antonio Galvão da
França, Francisco Xavier de Almeida, João de Almeida Moura, Álvaro Cassemiro de Matos,
Domingos Alves Branco, Manoel José de Sá Pinto e João Damaceno Correia (12).
Alferes de Cavalaria: José Manoel de Macedo Leite, Salvador Lopes Romeiro,
Salvador e Abreu Rangel e José Francisco (4).

Documentos Interessantes para a História de São Paulo

Na pesquisa realizada para a elaboração desse trabalho encontramos em um livro


uma citação da existência dos “Documentos Interessantes para a História de São Paulo”, no
qual estaria a folha de serviço dos integrantes da legião. Descobrimos depois que esses
documentos realmente existiam e estavam no Arquivo do Estado de São Paulo. Com a ajuda
do Coronel Álvaro Guimarães dos Santos, Oficial da Polícia Militar e Diretor do Museu de
Polícia Militar daquele estado, nos foram enviados cópias e o microfilme do volume nº 33, no
qual estava a referida citação.
Antes, porém, de transcrevermos o volume nº 33, é interessante escrevermos um
pouco sobre os referidos “Documentos Interessantes”, os quais foram muitos importantes na
elaboração dos primeiros capítulos deste livro, particularmente do período de 1755, quando a
Legião foi criada, até o ano de 1822, após o término das campanhas de 1811-1812 e 1816-
1820, em que a Legião também esteve presente.
Denominados de Documentos Interessantes para a História e Cultura do Estado de
São Paulo, os mesmos foram organizados pela Seção de História do Arquivo do Estado de
São Paulo, em um trabalho de muitos anos, criterioso e detalhista, onde paleógrafos tiveram
acesso a todas as documentações dos Governadores da Capitania de São Paulo, desde o século
XVIII.
Das documentações estudadas, segundo a apresentação dos volumes, muitas estavam
em mau estado de conservação, seja por perfurações de traças ou esfareladas devido à
umidade. Pelo período que nos interessava desde a criação da Legião até a sua transferência
em definitivo para o sul, concentramos os estudos nas correspondências dos Governadores
Martim Lopes Lobo de Saldanha, Bernardo Jozé de Lorena, Antonio Manoel de Mello Castro,
Antonio Jozé da Franca e Horta e Francisco de Assis Mascarenhas.
Na elaboração dos “Documentos Interessantes”, à medida que os documentos dos
governadores, tanto expedidos como recebidos, foram pesquisados e transcritos passaram a
serem publicados pelo Arquivo do Estado, em forma de volumes, os quais assim serão
referidos quando aos poucos narrarmos o histórico da Legião e em particular da sua Cavalaria.
A importância desses documentos é de um valor inestimável, não só por serem de
fonte primária, mas por conterem a própria seqüência dos acontecimentos que marcaram a
Capitania de São Paulo e parcela preciosa da própria história da região sul do então Brasil-
Colônia. Sobre esses Documentos Interessantes, certamente outros livros foram escritos,
assim como teses de mestrado e de doutorado foram elaboradas.
Sabendo da existência desta coleção, e após termos recebido o primeiro exemplar, o
de número 33, e verificando a sua importância histórica, fomos à cidade de São Paulo, onde
por onze dias estivemos pesquisando, o que nos permitiu conhecer e escrever os caminhos da
Legião até um pouco antes da independência do Brasil (capítulo 7, inclusive).
As descobertas de documentos sobre a Legião foram várias, das quais muitas
transcreveremos na íntegra nesse livro, outras comentaremos nas entrelinhas dos parágrafos.
Retornando ao volume 33:

Ill.mo e Ex.mo Senhor: Dirijo a V. Exª a Relação dos Officiais


providos no Regimento Voluntarios Reaes destincta no Março com a
Letra T, pela qual consta a destincção, e circunstancias dos mesmos
officiais.
Os quatro capitães de Cavallaria são dos Paulistas mais
distinctos que achei, e com possibilidade de sustentarem melhor o
Passo com luzimento, e como fossem Paizanos para dar-lhe huma
Patente tão honrada consegui facilmente delles com grande utilidade
da Fazenda Real, que cada hum fizesse a sua Companhia á sua Custa,
nam só appromptando os cem cavallos com os arreyos competentes,
mas também com todo o Armamento de clavinas, Pistollas, e catanas,
permitindo-lhes me propozessem os seus officiais subalternos, de
quem elles poderião tirar alguma conveniência, em attenção á grande
despeza que fazião em pôrem as Companhias na sobredita forma.
E porque este Corpo he formidável pelo seu numero, e não
era possível desciplinar-se, e manobrar tanto na Paz, como na Guerra
com hû só sargento Mor, e Ajudante, rezolvi com o parecer do
Márquez Vice Rey expresso nos §§ 19, 20, e 21 das suas instruções
que vão notadas com a letra - B - a nomear-lhes estes officiais, e
como Manoel Jozé da Nóbrega veyo nomeado pozitivamente por Sua
Majestade para a Infantaria, nomeey para a Cavallaria a Jozé Pedro
Francisco Paes Leme, Capitão de Granadeiros do segundo Regimento
do Rio de Janeiro, filho do Mestre de Campo Pedro Dias Paes Leme,
que hé de huma Familia de Paulistas a quem estes mais respeitão, e
por isso fiz da mesma a mayor parte dos officiais deste Corpo, Deos
Guarde a V. Exª São Paulo 1 de Dezembro de 1775. Ill.mo e Ex.mo
Senhor Martinho de Mello e Castro. Martim Lopes Lobo de Saldanha.

Relação dos Nomes, Naturalidade, Idades, tempo de serviço,


Postos em que se achavão, e prestimo dos officiais providos no
Regimento de Voluntarios Reaes, que de novo se formou na Capitania
de São Paulo, conforme as Reaes ordens de 14 de Janeiro de 1775, no
primeiro de Dezembro do referido anno.
Estado Maior
Coronel Martim Lopes Lobo de Saldanha - Governador, e
Capitão General da Dita Capitania (D. Luiz Antonio de Souza
nomeou Santo Antonio coronel honorario de um regimento e Martim
Lopes nomeou-se a si próprio coronel effetivo de outro!).
Tenente Coronel Henrique Jozé de Figueiredo - Natural de
Cascais, de quarenta annos de idade, foi Capitão do extincto
Regimento de Voluntários Reaes, nomeado para Tenente Coronel
Commandante nas Reaes Instruções no §§ 25.
Sargento Mor de Infantaria Manoel Jozé da Nobrega
Bottelho - Natural de Olivença, com quarenta, e seis annos de idade,
ocupou o posto de Capitão no Regimento extincto de Voluntários
Reaes, provido no posto de Sargento Mayor nas Reaes Instruções no
§§ 26.
Sargento Mor de Cavallaria Jozé Pedro Francisco Leme -
Natural do Rio de Janeiro, com vinte, e cinco annos de idade, dez
annos, e septe mezes de serviço, foi Alferes, Tenente, Capitão de
Infantaria, e de Granadeiros, Fidalgo Cavalleiro da Caza de Sua
Magest.e F., muito valorozo, e dezembaraçado, com bastante
inteligencia, digno de mayor prestimo, segundo o §§ 21 das instruções
do Márquez do Lavradio: hé filho de Pedro Dias Paes Leme, Paulista
da primeira distinção (pertencia a uma importantissima familia
Paulista, mas era natural de Irajá, no districto da cidade do Rio de
Janeiro), Fidalgo Cavalleiro da Caza de Sua Magestade F., Alcayde
Mor da Cidade da Bahia; provido no Posto de Sargento Mayor da
Cavallaria de Voluntarios Reaes.
Ajudante de Infantaria Antonio Xavier de Castilho -
Natural do Rio de Janeiro com trinta annos de idade, nove, e meyo de
serviço com boa agilidade, e inteligência para occupar o dito Posto
de Ajudante
Ajudante de Cavallaria Jozé Joaquim da Costa - Natural da
Cidade de Elvas, com vinte, e quatro annos de idade, honze, e meyo
de serviço, foi Cadete, passou a Alferes de Granadeiros do Regimento
de Chixorro, nomeado em Ajudante de Cavallaria por Sua Magestade
nas Instrucções Regias § 27. Este official hé bem dezembaraçado, e
bem capaz de exercitar ainda outros Postos de mayor graduação.
Quartel Mestre Vicente Jozé de Mello - Natural desta
Cidade de São Paulo, com quarenta, e hum annos de idade: era
Alferes de Auxiliares, provido em Quartel Mestre.
Cappellão Padre Manoel Alves de Oliveyra - Natural de São
Paulo, com trinta e cinco annos de idade, de excelente conducta.
Cirurgião Mor João Baptista - Natural de Portugal.

Capitães de Cavallaria
Joaquim Jozé de Macedo Leite - Natural de São Paulo, com
vinte, e nove annos de idade, filho de Manoel de Macedo natural de
Guimarães, e de Dona Escolastica Maria de Mattos das principais
Famílias desta Cidade, era Tenente de Auxiliares, passou a Capitão
de Cavalaria, muito capaz de exercitar o dito Posto.
Joaquim Jozé Pinto de Morais Leme - Natural de São
Paulo, com vinte annos de idade; era soldado de Infantaria, filho de
Francisco Pinto do Rego, Coronel de Auxiliares das Villas de Mogi
das Cruzes, e Jacarehy, Cavaleiro Fidalgo da Caza de Sua
Magestade, huma das mais principais Famílias desta Capitania, com
muita agilidade, e dezembaraço para exercitar o dito Posto de
Capitão de Cavallaria, em que foi provido (foi realmente um official
distincto, mas de idéias retrogradas, contrario á independencia do
paiz; tornou-se brigadeiro e foi um dos auctores da famosa Bernarda
de Francisco Ignácio em São Paulo Vide vol. I e Anexo W).
Garcia Rodrigues Paes Leme - Fidalgo Cavalleiro da Caza
de Sua Magestade F., natural do Rio de Janeiro, com trinta, e hum
annos de idade, filho do Mestre de Campo Pedro Dias Paes Leme,
Alcayde Mor da Cidade da Bahia da principal Familia desta
Capitania (Sendo filho de Pedro Dias Paes Leme, era neto de Garcia
Rodrigues Paes Leme e bisneto do grande sertanejo e illustre paulista
Fernando Dias Paes, todos pertencentes ás mais ellustres familias
paulistas), muito valorozo, e dezembaraçado, bem capaz de
dezempenhar as obrigações de Capitão de Cavallos em que foi
provido.
José Rodrigues de Oliveira Montes - Filho do Tenente Jozé
Rodrigues Pereira, professo na ordem de Christo, natural de São
Paulo, com vinte e cinco annos de idade, homem distincto, e rico, com
muito dezembaraço, passou de Payzano a Capitão de Cavallos
(pertencia realmente a uma família abastada e importante pelo lado
de sua mãe, D. Anna de Oliveira Montes. Era irmão mais velho de
Antonio Rodrigues Velloso de Oliveira, formado em leis na
Universidade de Coimbra, desembargador do Paço, deputado á
Constituinte Brazileira em 1823, auctor de alguns trabalhos de valor,
e sogro do Marechal Joaquim Mariano Galvão de Moura Lacerda).

Tenentes de Cavalaria
Jozé Joaquim Xavier de Toledo - Natural de Villa de
Sanctos, com vinte annos de idade, era soldado da Infantaria de
Sanctos, filho de Ângelo Xavier do Prado das pessoas distinctas desta
Capitania, primeiro Tenente da Companhia do Capitão Jozé de
Macedo.
Alexandre Luiz de Queiroz e Vazconcellos - Natural de Villa
Boa Queiroz, com trinta, e dous annos de idade, sérvio em primeiro
Tenente da Companhia do Coronel de Cavallaria Auxiliar do Rio
Grande seis, para septe annos, hé homem muito distincto, por que
descende da Caza de Villa Boa, e da de Queiroz de Amarante, tem
muito dezembaraço, e inteligencia, segundo Tenente da Companhia
de Macedo.
Ignácio Jozé Corrêa da Silva - Natural de São Paulo, com
dezenove annos de idade, hum anno de serviço na Infantaria de
Sanctos, em que foi soldado, e Porta Bandeira, hé filho do Bacharel
Jozé Corrêa da Silva, das pessoas distinctas desta Capitania (a esta
illustra familia pertencia tambem o Dr. José Corrêa Pedroso e Silva,
paulista distincto, que foi ouvidor de S. Paulo, teve presente na
Constituinte de 1823, foi deputado geral em varias legislaturas, e
membro do governo Provisório de São Paulo em 1822-23), com
dezembaraço para poder exercitar o Posto de primeiro Tenente de
Cavallaria da Companhia de Morais.
Antonio Francisco de Andrade - Natural de Parnahiba com
dezesepte annos de idade, filho de Antonio Francisco de Andrade,
sargento Mor da ordenança da dita VIlla, com dezembaraço para
segundo Tenente da Cavallaria de Pinto.
João de Castro do Canto e Mello - Natural da Ilha Terceira
com vinte, e quatro annos de idade, septe annos, e meyo de serviço:
hé Mosso Fidalgo da Caza de Sua Magestade, era Porta Bandeira,
passou a primeiro Tenente da Cavallaria da Companhia do Capitão
Garcia Rodrigues Paes Leme (tornou-se mais tarde brigadeiro e
Visconde de Castro; deixou numerosa descendencia e foi o pae da
Marqueza de Santos e sogro do brigadeiro Raphael Tobias de
Aguiar).
Francisco Jozé Machado - Natural de São Paulo, de idade
de vinte annos, hum anno de serviço na Infantaria de Sanctos, passou
a segundo Tenente da Cavallaria da Companhia do Capitão Leme.
Manoel Pacheco Gatto - Natural da Villa de Itu, com vinte, e
quatro annos de idade, filho de Antonio Pacheco da Silva, sargento
Mayor da ordenança da dita Villa; era Tenente de Auxiliares, bem
capaz do Posto em que foi provido de primeiro Tenente da Cavallaria
da Companhia do Capitão Jozé Rodrigues Oliveira (pertencia a uma
illustre familia Ytuana e elle mesmo foi mais tarde homem de muito
mérito intelectual e moral. Na revista do Instituto Historico de S.
Paulo se encontra a sua biografia)
Manoel Jozé Velho - Natural de Aratiguaba, com vinte, e
dous annos de idade, filho do Capitão Mor Salvador Jorge Velho,
com dezembaraço para exercitar o Posto de segundo Tenente de
Cavallaria de Oliveira ( Salvador Jorge Velho foi capitão Mor de Ytú
e prestou serviços na fundação da colônia de Yguatemi; era filho de
Domingos Jorge da Silva, sargento-mór e paulista illustre, neto de
Salvador Jorge Velho, opulento paulista que fez explorações no
Paraná e bisneto do grande sertanejo Domingos Jorge Velho, que
explorou sertões do norte do Brazil e destruiu a Republica dos
Palmares em fins do século XVII)

Alferes de Cavalaria
Jozé Manoel de Macedo Leite - Natural da Cidade e São
Paulo, com vinte, e quatro annos de idade; foi soldado, e Porta
Bandeira na Infantaria; hé irmão de Macedo Leite, bem capaz de
exercitar o Posto de Alferes da mesma Companhia.

Salvador Lopes Romeiro - Natural da Villa de


Pindamonhangaba, com vinte, e hum annos de idade, filho do Capitão
Mor Luiz Lopes, homem abastado, com muito dezembaraço para
exercitar o Posto de Alferes de Cavallaria da Companhia do Capitão
Joaquim Jozé Pinto.
Salvador de Abreu Rangel - Natural do Rio de Janeiro, com
vinte, e seis annos de idade, quatro de serviço foi Cabo de Esquadra,
bem capaz de ser Alferes de Cavallaria da Companhia do Capitão
Garcia Rodrigues Paes Leme.
Jozé Franco Vaz - Natural da Cidade de São Paulo, com
vinte, e um annos de idade, era soldado de Infantaria, com
dezembaraço para exercitar o Posto de Alferes da Companhia do
Capitão Rodrigues de Oliveira.
As Companhias de Cavalaria e seus Comandantes

Analisando ainda os “Documentos Interessantes para a História de São Paulo”, foi


possível montar as quatro Companhias de Cavalaria da Legião, cuja constituição dos
Comandantes e Oficiais Subalternos era a seguinte:

Cap Joaquim Jozé de Macedo Leite


1º Ten Jozé Joaquim Xavier de Toledo
2º Ten Alexandre Luiz de Queiroz e Vazconcellos
Alferes Jozé Manoel de Macedo Leite
Cap Joaquim Jozé Pinto de Morais Leme
1º Ten Ignácio Jozé Corrêa da Silva
2º Ten Antonio Francisco de Andrade
Alferes Salvador Lopes Romeiro

Cap Garcia Rodrigues Paes Leme


1º Ten João de Castro do Canto e Mello
2º Ten Francisco Jozé Machado
Alferes Salvador de Abreu Rangel

Cap José Rodrigues de Oliveira Montes


1º Ten Manoel Pacheco Gatto
2º Ten Manoel Jozé Velho
Alferes Jozé Franco Vaz

Como as Companhias de Cavalaria não possuíam numeração como ocorrem


atualmente, as mesmas passaram a ser chamadas simplesmente pelos nomes de seus
respectivos capitães. Esse artifício foi muito usado pelo General Böhn, que assim se referia
em suas cartas ao Vice-Rei, quando citava, por exemplo, a “Companhia do Capitão Macedo”
e a do “Capitão Garcia”.
Como homenagem do 5º R C Mec aos seus primeiros comandantes de subunidades,
o comando do regimento concedeu a Denominação Histórica aos atuais quatro esquadrões
com os nomes dos comandantes de companhias de cavalaria quando da criação da Legião:

Subunidade Denominação Histórica


1º Esqd C Mec Cap Joaquim Jozé de Macedo Leite
2º Esqd C Mec Cap Joaquim Jozé Pinto de Morais Leme
3º Esqd C Mec Cap Garcia Rodrigues Paes Leme
Esqd C Ap Cap José Rodrigues de Oliveira Montes
Obs.: Conforme o Boletim Interno nº 57 de 15 de maio de 2006 e alterado pelo
Boletim Interno nº 138 de 27 de novembro de 2006, ambos do 5º RCMec.

Sobre o Capitão Moraes Leme, achamos no Livro Brigadeiros e Generais de D. João


VI e D. Pedro I no Brasil, do Coronel Laurênio Lago, Dados Biográficos 1808-1831,
Imprensa Militar, Rio de Janeiro, 1938, sua a folha de serviço, que anos depois de sua
participação na Guerra de Restauração continuou sua carreira militar chegando inclusive ao
posto de Brigadeiro:

Joaquim José Pinto de Moraes Leme - Em fins do século


XVIII era capitão de cavalos dos voluntários reais da capitania de S.
Paulo, havendo organizado uma companhia à sua custa.
Em 1801 foi promovido à Coronel do 1º Regimento de
Cavalaria de Milícias da mesma Capitania, ato que mais tarde ficou
sem efeito.
Sendo Sargento-Mor de Cavalaria da Legião dos mesmos
voluntários foi promovido a Coronel do 2º Regimento de Cavalaria
Miliciana com o encargo do comando do Corpo de Voluntários de
Milícias a Cavalo por decreto de 17 de setembro de 1808.
Foi promovido a Brigadeiro Graduado por decreto de 4 de
julho de 1818. Solicitou reforma que lhe foi concedida em 27 de
novembro de 1822. Faleceu em 1831.
A sua viúva, D. Policena Custódia de Moraes Lara, foi
concedido o meio soldo pela resolução de 6 de setembro do mesmo
ano, da regência, tomada sobre consulta de 26 de agosto anterior do
Conselho Supremo Militar.

Sobre esse mesmo oficial, em janeiro de 1799, quando era Major em comissão,
requereu a promoção à graduação de Tenente Coronel do mesmo corpo, pois considerava
preterido na promoção de Joaquim José de Macedo Leite, o qual este exercia a função de Sgt-
Mor (major) e Comandante da Cavalaria da Legião. Do requerimento, o governador Manoel
de Mello Castro Mendonça nas suas alegações, informando seu parecer sobre a representação
do Sgt-Mor agregado, fez uma longa digressão ao histórico da criação da Legião,
considerando também os assentamentos dos oficiais e a diferença de procedência que tiveram
os mesmos.
Nesse parecer foi abordada a questão em que os capitães no ano de 1775 levantaram
com as próprias custas suas companhias. No relatório do Governador levantou-se que o
governador Martim Lopes Lobo de Saldanha, após ter estado no Rio de Janeiro com o Vice-
Rei e talvez persuadido por este, tinha elegido para capitães das quatro companhias, nomes
que preenchessem, à sua vista, capazes de satisfazerem as referidas insinuações, segundo
diziam. Dos nomes escolhidos, um deles, José Pedro Galvão de Moura e Lacerda, o qual não
se achando nas mesmas circunstâncias dos demais, foi para a infantaria, acabando sendo
substituído por Joaquim José de Macedo Leite.
Quanto à questão ainda das custas da equipagem das companhias de cavalaria, que
pelo Plano Militar, citava o governador, não se determinava no seu texto para se levantar as
companhias à custa dos capitães.
Talvez a explicação da utilização dos próprios capitães para a aquisição do material
das Companhias de Cavalaria seja a relação de vassalagem existente na idade média em que
reis e seus vassalos se relacionavam por meios de obrigações e benefícios, entre elas a da
guerra. E era utilizando o termo “Vassalo”, que em alguns documentos encontramos o
tratamento dado aos comandantes de companhia. Logicamente que a oportunidade de
ascender ao posto de capitão de tropa de linha, ou seja, paga pelo estado, e galgar outros
postos na carreira das armas tinha o seu valor e funcionaria até como um título de nobreza,
com a devida proporcionalidade.
Voltando à questão da antiguidade, questionada no requerimento do capitão Pinto
Moraes Leme, o governador levantou que pela própria ordem das companhias na relação
fornecida pelo então Governador Martim Lopes (volume 33), a antiguidade já estaria ali
determinada, haja vista as datas de praças anteriores em tropas auxiliares. Desse modo a
primeira companhia era do Capitão Macedo, a segunda do Pinto, a terceira do Garcia e a
quarta de Oliveira Montes.
Da solução do requerimento de Joaquim José Pinto de Moraes Leme o mesmo foi
promovido ao posto de Tenente Coronel, porém a antiguidade do Sgt-mor Macedo Leite
mantida (Documentos Interessantes, volume 30)
Um pouco mais sobre o capitão Pinto de Moraes Leme levantamos no conteúdo da
carta em que o governador Martin Lopes Lobo Saldanha escreveu ao General Bohn
recomendando este referido oficial. Na carta constava que era filho do Cel Francisco Pinto do
Rego e bisneto de pessoas muito nobres que governaram a Capitania de São Paulo em
patentes de governadores e capitães mores. Era parente do Sgt-mor Rafael Pinto Bandeira e
primo do Sgt-mor Jose Pedro Galvão e do capitão Garcia Rodrigues Paes Leme. Finalizava o
governador Martim Lopes que o referido capitão tinha apenas 20 anos de idade e por isso o
recomendava, e que esperava que pelos estímulos da honra própria fizesse os correspondentes
serviços.
Do capitão Macedo Leite levantou-se que após a campanha da Guerra da
Restauração foi promovido a Sargento-Mor da Legião em agosto de 1788, tornando-se o
comandante da Cavalaria do mesmo Corpo. Permaneceu nesta função de 20 de agosto de
1788 até o ano de 1798. Sua Fé-de-Oficio encontramos no livro nº 59 da Caixa 23 do Arquivo
do Estado de São Paulo, pela qual consta ser natural da cidade de São Paulo, sentado praça
aos 29 anos em 22 de dezembro de 1774, tendo tido anteriormente um ano e três dias como
Tenente de infantaria miliciana. Permaneceu doze anos, sete meses e dezenove dias como
capitão, passando a esse posto em 1º de janeiro de 1776, pouco antes de ter seguido destino
para o Continente de São Pedro. Montou sua companhia a sua custa e marchado com ela para
a campanha do sul, o que fez a 3 de fevereiro do mesmo ano e dela se recolheu com a sua
companhia e legião em 11 de fevereiro de 1779. Passou ao posto de Sargento-Mor da
cavalaria a 20 de agosto de 1788, no qual existiu efetivamente nesse posto por treze anos um
mês e 19 dias. Foi reformado em comissão no posto de Tenente Coronel em 10 de agosto de
1801, conforme decisão do governador Antonio Manoel de Mello Castro, mas que foi
revogada em 28 de janeiro de 1803, em outra decisão do novo governador, Antonio Jozé da
Franca e Horta. Retornou ao posto de Sargento-Mor no mesmo dia e faleceu em 10 de junho
de 1803.
Consta ainda na sua Fé-de-Ofício, que saiu em diligência a Curitiba no ano de 1786
para inspecionar as fazendas pertencentes ao Real Fisco. De lá trouxe e entregou ao Real
Erário, bois, bestas e escravos. Saiu novamente em diligência, agora ao Rio Grande em 23 de
setembro de 1788, onde comprou cavalos para o destacamento da cavalaria, trazendo 200
cavalos e 23 bestas, as entregando a Real Fazenda.
Sobre o Capitão Jozé Rodrigues de Oliveira Montes, levantamos que foi substituído
no comando de sua companhia por Jozé Joaquim da Costa Gavião, Ajudante do Regimento de
Moura vindo do Rio de Janeiro, pelo qual foi promovido ao posto de Capitão em 20 de agosto
de 1788. A substituição ocorreu por causa do falecimento do Capitão Oliveira Montes,
veterano da Guerra da Restauração, ocorrido neste mesmo ano (Documentos Interessantes,
volume 45, Arquivo de SP).
Sobre o Capitão Garcia Rodrigues Paes Leme, nada foi encontrado, além do que
consta do volume 33. O único assunto a mais que encontramos foi da chamada “Companhia
de Garcia”, em que escreveu a Professora Maria de Lourdes Ferreira Lins:

[...] fazia parte o Tenente João de Castro do Canto e Mello,


talvez o oficial que tenha alcançado maior projeção na órbita
política, dada sua condição de pai da Marquesa de Santos. Canto e
Mello, natural de Portugal, sentou praça como cadete aos 15 anos de
idade no “Regimento do Porto”. Aos 21 anos, Canto e Mello teria
aportado no Rio de Janeiro e dessa cidade levado para São Paulo por
Martim Lopes Lobo Saldanha e incluído nos quadros do Regimento de
Santos, do Coronel Mexia. Logo depois, a 19 de outubro de 1775,
transferiu-se para a Cavalaria da Legião de Voluntários Reais ou
Legião de São Paulo. Posteriormente Canto e Mello marchou com as
tropas paulistas para o “Continente do Sul”, conseguindo mais tarde
as promoções a que fazia jus. Teve quatro filhos, João, José, Pedro e
Francisco de Castro Canto e Mello, os quais também pertenceram a
Legião de Voluntários Reais de São Paulo, tendo todos eles tido
participação nos conflitos da fronteira no sul [...]

Como informação complementar, pesquisada no Arquivo Histórico do Exército, no


Rio de Janeiro, um dos filhos, João de Castro Canto e Mello prosseguiu a sua carreira militar
e em maio de 1826 foi promovido pelo Imperador ao posto de Coronel e nomeado
Comandante da Fronteira do Rio Pardo no mesmo ano, conforme consta sua Fé-de-Ofício.

Uniformes da Legião de São Paulo

Sobre os uniformes da Legião, já pelo Plano Militar de janeiro de 1775, foi


estabelecido para que a Legião recebesse o fardamento como tropa regular, os quais... porem
serão justos, ligeiros e sem o armamento que possa embaraçar, proprios enfim de uma tropa
composta de sertanejos e caçadores, que mas a de marchar pelos mattos e combater neles do
que em raza campanha.
O governador da Capitania de São Paulo, em carta de 4 de dezembro de 1775 para
Martinho de Mello e Castro, Secretário de Estado dos Negócios e Domínios Ultramarinos,
descreve o uniforme da Legião, em que pequenos detalhes diferenciavam o do Regimento de
Infantaria ou “Regimento de Santos”. O governador detalhava que o fardamento da Legião de
Voluntários hé azul, com veste, e canhão encarnado, com deviza amarella, e o fardamento da
infantaria de São Paulo hé também azul, com veste, e canhão encarnado, com deviza branca.
Em outra correspondência de Bernardo José de Lorena, Governador da Capitania de
São Paulo no período de 1788 a 1797, detalha mais um item dos uniformes da Legião, quando
reclamava da chegada erradamente de botões brancos para os uniformes das tropas de linha,
quando deveriam ser amarelos.
Na pesquisa sobre a Legião de São Paulo encontramos alguns livros que focaram
estudo sobre as tropas paulistas no século XVII e XVIII, porque algumas delas foram
antecessoras da atual Polícia Militar daquele estado. Na bibliografia que pesquisamos,
tivemos acesso ao livro “As Tropas Paulistas de Outrora”, 1978, de José Wasth Rodrigues,
em que nas páginas 32 a 35 é comentado sobre os uniformes da Legião.
Antes, porém, de transcrevermos o referido texto, interessante foi descobrir que J.
Wast Rodrigues, já falecido, é autor do livro “Uniformes do Exército Brasileiro, 1730-1922”,
que trata detalhadamente sobre uniformes militares, sendo uma referência da historiografia
militar brasileira.

[...] Ao criar o Corpo de Voluntários Reais a 27 de maio de


1775, escreveu o Marquês do Lavradio a Martim Lopes Lobo, que o
corpo teria armas e uniformes, que lhe seriam dados e não com as
que estavam acostumados até então (os antigos aventureiros). E que
devia sujeitá-los á obediência e disciplina dando-lhes conselhos, pois
os Paulistas eram conhecidos pelo orgulho e pela vaidade. A 26 de
agosto do mesmo ano foi remetido do Rio para São Paulo todo o
material para o fardamento: panos azuis e vermelhos aniagem, brim,
linha, camisas, botões, meias, gravatas vermelhas, chapéus, fita preta,
pentes, botas, sapatos, catanas, etc., faltando barracas, bandeiras e
cartucheiras.
Com relação à falta de bandeiras, escreve o Marquês do
Lavradio a 7 de novembro a Martim Lopes Lobo, que é melhor que as
não tenham “isto é, agora, nesta ocasião, para lhe darem maior
estimulo com que eles possam fazer alguns golpes mais fortes;
dizendo-se-lhes, que eles as terão logo que as ganharem sobre os
inimigos;
Em 1776, vieram do Rio 800 uniformes, mas faltaram os
sapatos que ficavam muito caros em São Paulo por não haver couro
nem sapateiros bastante. Por esta razão foi preciso prender alguns
porque estavam escondendo cabedal, e assim foram feitos 60 pares
em São Paulo e 30 em Santos.
Pelos figurinos existentes, de 1777, tinha então o oficial da
Legião o seguinte uniforme: farda e calção azul-ferrete; canhões,
gola, forro e véstia vermelhos; dragonas, casas e botões prateados,
gravata vermelha, chapéu preto agaloado de prata, meias, polainas
pretas e sapatos; os soldados, casas e dragonas de lã branca, e, como
armamento, espingarda, baioneta e patrona. Dos Armazéns Reais
esperavam oratórios e barracas. Os oficiais da cavalaria tinham
uniforme idêntico ao da infantaria com a diferença de serem
douradas às casas. Faltaram para os seus soldados os capotes.
Grande número de figurinos da Legião existem nos arquivos
de Lisboa, e no Rio, no Arquivo Nacional e no Museu Histórico
Nacional, alguns dos fins do século XVIII outros de 1800 e 1806.
Novos uniformes foram criados no tempo de D. João VI, como é
natural, mas a verdade é que os soldados da Legião Paulista
preferiam - por influência do meio e pelo atraso de anos na entrega
do fardamento reiúno - o chiripá com calçonsilho, o pala, a jaqueta e
o chapéu de feltro, encontrando meios de conciliar a farda com tais
peças num pitoresco arranjo, como se vê na gravura da época da
campanha cisplatina “Paolistas Soldiers” por E. E. Vidal. Los
Paulistas, como eram conhecidos, não dispensavam o lenço atado sob
o chapéu, as bolas pendentes do tirador, o chiripá de grandes dobras
a moda gaúcha, ou simples, de listras e com franjas, a moda
corrientina. No arreamento campeiro, o laço ficava na anca, a soga e
a manéia, no peito do animal. Do uniforme conservam a jaqueta
desabotoada e a barretina ou um chapéu de feltro com penacho. Não
usavam lança, pois sua arma preferida foi sempre um largo e pesado
sabre.[...]

Uniforme Histórico da Legião


Os uniformes da Legião foram também motivos de observação do General Böhn, o
qual relatou em suas cartas ao Vice-Rei, Marquês do Lavradio, o seguinte:

Carta 38, de 8 de fevereiro de 1778

Em data de 11 de dezembro, tomei a liberdade de fardar os


Regimentos de Moura e Estremoz. Os 4.000 côvados de pano azul não
bastando, servir-me de uma parte do havia vindo para o uniforme dos
200 voluntários de São Paulo a fim de dar aos dois regimentos uma
túnica e calças. Tudo já foi distribuído. Aqui se trabalha com o ardor
que permite uma terra onde não se encontra nenhum alfaiate.
As Cartas do General Böhn

No subtítulo anterior (Uniformes), transcrevemos a carta de nº 38 do General


Henrique Böhn, Comandante do Exército do Sul, com o objetivo de complementar as
informações sobre os uniformes da Legião. Para esclarecer o leitor, o Gen Böhn durante toda
a Guerra da Restauração manteve o Vice-Rei informado de todo o desenrolar da campanha
militar. Nas correspondências enviadas, em um total de cinqüenta e uma cartas, o general
citou algumas vezes a Legião de São Paulo, inclusive sobre a sua cavalaria, o que permitiu,
através delas, rastrear a sua atuação.
As memórias do General Böhn, tão importantes para a história do Rio Grande do Sul
e do Brasil, tratam-se de fonte primária e, portanto, de muito valor histórico. As cartas escritas
em francês, apesar de o general ser alemão, estavam arquivadas na Biblioteca Nacional de
Lisboa, sendo posteriormente traduzidas e divulgadas. A partir do subtítulo “Deslocamento da
Legião para o Continente de São Pedro”, muito as utilizaremos para contar a atuação das
Companhias de Cavalaria na Guerra da Restauração.
O histórico mais completo das memórias do Gen Böhn, é narrado pelo Cel Cláudio
Moreira Bento, na apresentação do livro de sua autoria “A Guerra da Restauração”:

[...] Esta guerra era pouco conhecida no Brasil, até 1976,


quando o Instituto Histórico e Geográfico Brasileiro (IHGB) e o
Instituto de Geografia e História Militar do Brasil (IGHMB),
presididos, à época, pelo Professor Pedro Calmon e pelo General
Jonas Correia, respectivamente, promoveram o Simpósio
Comemorativo do Bicentenário da Restauração do Rio Grande.
Naquela ocasião vieram a lime, em francês, as Memórias do
General Böhn, até então inéditas, no seu todo, no Brasil. Achavam-se
na Biblioteca Nacional de Lisboa. De lá, foram traduzidas, copiadas,
para o Brasil, por Abeillard Barreto, coordenador do Simpósio e
grande autoridade em fontes históricas do Rio Grande do Sul, no
Brasil e no exterior. [...]
As Memórias de Böhn só foram publicadas, em francês, em
1975, nos Anais do Simpósio Comemorativo do Bicentenário do Rio
Grande, Rio, IHGB, 1975, 3v, pp.9-239.
Visando colocá-la no Brasil a serviço dos interessados,
estudiosos em geral e pesquisadores das Histórias Militares do Brasil,
do Rio Grande do Sul e de Santa Catarina, iniciamos o nosso projeto,
ainda em 1980.
Com o concurso do Coronel Nei Paulo Panizzutti,
conhecedor do idioma francês, além de ser professor de português da
Academia Militar das Agulhas Negras, onde éramos instrutores de
História Militar, desde 1978, teve início a tradução das Memórias do
Tenente-General Böhn, a par dos nossos conhecimentos de História
Militar, para determinar o sentido de certos termos usados por Böhn,
na terminologia militar.

A Preparação da Legião para a Guerra de Restauração

As preocupações e as dificuldades para preparar a Legião foram muitas por parte do


Governador da Capitania de São Paulo. Os problemas de recrutamento, armamento, material,
equipamento e até pano para as fardas eram de toda a ordem. Não obstante, as despesas para
manter a tropa foram compartilhadas com os próprios Comandantes de Companhia, os quais
assumiram em parte os encargos da mobilização.
O governador Martim Lopes informava para o Marquês do Lavradio das
dificuldades. Quanto ao armamento, o governador encontrou armamentos velhos,
pertencentes ao Rei, que já não servindo, os cortou e vendeu aos capitães. Quanto às clavinas
(espadas), a Capitania recebeu algumas para o Corpo de Cavalaria, outras foram adquiridas
pelos próprios capitães. Por cada clavina os capitães Leme, Macedo e Montes pagaram 4 mil
réis. Conforme documento de 27 de abril de 1776, estando a tropa no sul, estava escrito que
cada um deles comprou 92 clavinas e mais 93 catanas para Macedo e Montes, ficando a
dívida para ser paga parcelada todos os meses na “Thesouraria Geral das Rendas Reaes”.
Para cumprir o estabelecido, um dos capitães até nomeou um procurador, conforme acordado,
para tratar do assunto. (Documentos Interessantes, volume 84, Arquivo de São Paulo).
Quanto às barracas, material indispensável para suportar o rigor do frio no
Continente de São Pedro, Martim Lopes recorreu ao Vice-Rei, tendo a cavalaria se deslocado
sem elas. Quanto às selas e arreamentos, os capitães tiveram também que comprá-las.
A situação mais completa da cavalaria da Legião pode ser mais bem entendida na
carta em que o governador enviou ao Vice-Rei em 30 de outubro de 1775.

Recebi o fardamento para os 800 voluntários, que já estou


fardando, ainda que me faz hum infinito descommodo o não virem os
çapatos, por aqui se fazerem caros, não haver couros, nem bastante
çapateiros, sem embargo do que os mandei fazer.
As quatro companhias de cavallaria de voluntarios estão
completas de gente da melhor desta capitania. Consegui dos capitães
que não só dessem os cavallos, que estão promptos, mas que os
arreiassem de tudo, dessem espadas, pistollas e clavinas á sua custa;
e como era impossível achallas quanto as clavinas, lembrei podião
comprar o armamento velho que estava no armazém, o que fizeram,
dando por cada uma 4$000, e se estão cortando e ficão boas; as
espadas se estão fazendo e as pistollas, consta-me mandei compra-las
a esta capital.
Eu devo dar-lhes os soldados fardados, no que cuido, porém
também lhes devo dar cartucheiras e bandoleiras, nada disso tenho,
como também bottas; estas espero VExa me mande [...]
O juramento das bandeiras, que nunca virão esses soldados,
lhes tem feito impressão e os contem de dezertarem, pelo que parece
útil que os voluntários as tenham e a cavalaria estandartes. [...]
Há muitos tempos que para esta capital foi o furriel da
cavallaria para a factura das sellas e arreyos da cavallaria; toda a
demora este official atraza aquelle corpo, pelo que rogo a VExa
queira mandar-lhe ordenar marche para esta capitania [...] 30 de
outubro de 1775. Martim Lopes Lobo Saldanha.
(Documentos Interessantes, volume 42, Arquivo de SP)

Continuando a preparação da Cavalaria da Legião, o governador Martim Lopes


mantinha o Vice-Rei informado das providências. Em carta de 16 de dezembro de 1775,
informava o governador que estava ultimando o fardamento das companhias dos capitães
Garcia Rodrigues e Joaquim Jozé Pinto Leme, faltando apenas para as companhias de
Oliveira Montes e de Macedo, pelo qual pedia o seu concurso.
Na mesma carta Martim Lopes informava que quanto às catanas já não as esperava,
pelo que tinha lançado esta sobrecarga aos capitães, e, com efeito, Garcia Rodrigues e
Joaquim Jozé Pinto não as tinham, tendo mandado fazer em São Paulo as suas custas e que
aos outros dois capitães determinou vender as que viessem.
Finalizava a carta pedindo que viesse o resto do fardamento para as duas últimas
companhias, a de Macedo e de Oliveira Montes, que sem elas as companhias não poderiam
seguir, comentando inclusive que “... os Paulistas de hoje (creia-me VExa) não são como os
Paulistas antigos, que levados da ambição de capturarem indios...indo descalços e
despidos....”.
É importante complementar que enquanto os capitães pagavam pelos armamentos,
arreios e cavalos, o soldo e as fardas eram fornecidos aos militares profissionais pela Coroa,
somente isto e mesmo assim com demora e intervalos de 5 a 6 anos às vezes (Documentos
Interessantes, volume 42, Arquivo de São Paulo).

A preparação das tropas paulistas para o deslocamento

O Governador da Capitania de São Paulo, Martim Lopes Lobo de Saldanha, na


determinação de enviar o mais breve possível as duas tropas de linhas que formou, passa a
relatar ao General Böhn, e ao Governador da Ilha de Santa Catarina, Antonio Carlos Furtado
Mendonça, os acertos para o deslocamento da tropa. Em carta de 12 de julho de 1775, ou seja,
um mês após assumir a Capitania, Martim Lopes escreveu ao Gen Böhn, na qual já informava
o deslocamento de duas companhias do Regimento de Infantaria de São Paulo, do Cel Mexia,
bem como a sua determinação de enviar por terra a Legião de Voluntários Reais.

Serve esta de acompanhar o Capitão de Infantaria Antonio


Luis do Valle do regimento que estou formando, de que hé coronel
Manoel Mexia Leite, que marcha com duas companhias em direitura
a Santa Catharina, para daly passar a esse exército [...], remetendo
as embarcações que me foi possível apromptar todo o referido
regimento, estando na rezolução de fazer marchar por terra o novo
que também se forma nessa capitania de Voluntários Reais, composto
de cavallaria e infantaria.
Rogo a VExa não crimine a falta de disciplina de toda essa
tropa por eu não poder dar nenhuma nos poucos dias em que tomei
posse deste governo, sendo-me indispensável formar todo a tropa de
soldados de recruta pela pouca que achei veterana que no meu
conceito é a mais bizonha, como VExa verá […] São Paulo. 12 de
julho de 1775. Martim Lopes Lobo Saldanha.
(Documentos Interessantes, volume 42, Arquivo de São Paulo)

As duas companhias de infantaria do Cel Mexia ficaram de embarcar na fragata


“Pernambuco”, porém as mesmas ficaram retidas em Santos, tendo em vista que foi
necessário trocar um dos mastros da embarcação que estava podre. Como ia demorar o
serviço de substituição, as companhias acabaram embarcando em duas sumacas e em agosto
já deveriam estar na Ilha de Santa Catarina (D.I., vol. 42, Arquivo de SP).
Com o objetivo de mais rápido possível mandar a Cavalaria da Legião, o Governador
de São Paulo procurava acelerar a preparação da tropa, mas a falta de fardamento e da
carência de botas para os soldados, nem couro para o serviço, retardava o seu deslocamento.
Fazia também permanecer por mais tempo na capitania a falta de outros materiais, entre eles
as espadas.
Como complicador, a varíola continuava fazendo estrago na população local e na
tropa. Na carta que escreveu ao Vice-Rei, datada de 9 de agosto, o governador relatava “...
que as “bexigas” estavam fazendo um grande estrago o que mantinha cheio os hospitais, que
era uma epidemia tal qual nunca vi antes...”.Também na mesma carta informava que o
mastro da fragata já estava pronto, e que, portanto, podia mandar duas outras companhias a
Santa Catarina (Documentos Interessantes, volume 42, Arquivo de SP).
Dois meses depois, Martim Lopes recebeu uma carta do Governador da Ilha de Santa
Catarina, datada de 23 de setembro, na qual era informado da chegada do Capitão José Pedro
Galvão, do regimento do Cel Mexia, e igual desconsolação ficava o Governador ao saber do
estrago que as “bexigas” tinha feito nessas duas companhias.
Em outubro de 1775, General Martim Lopes escreveu ao Capitão General Böhn
informando do seu planejamento para o deslocamento das tropas, tanto da infantaria como da
cavalaria da Legião. Na carta de 21 de outubro, o governador de São Paulo informava a sua
resolução quanto à infantaria dos Voluntários Reaes, de que esta seguiria pelo caminho mais
breve, que viesse a atenuar a derrota causada pela “bexiga” e pelas deserções que podiam
fazer os soldados pelos matos.
Na mesma carta, quanto às quatro companhias de cavalaria, o governador as que
tinham formado na capital, composta cada uma com cem cavalos, informava que poderia ter a
sua marcha por terra, fazendo trânsitos e pousos por uma relação anexa a carta. O destino
final da cavalaria seria até a então “Villa dos Lages”, última vila da Capitania de São Paulo
antes de entrar no Continente de São Pedro. De Lages em diante o apoio às tropas teria que
ser feito pelo Continente de São Pedro, pelo qual pedia ao Gen Böhn que mandasse dar as
providências que lhe fosse possível no sentido que a tropa não padecesse dos últimos
incômodos da marcha (Documentos Interessantes, volume 42, Arquivo de SP).
Em 26 de outubro de 1775, o Governador de São Paulo em contato com Furtado de
Mendonça relatava que na fragata de Pernambuco, aquela mesma do mastro podre, já trocado,
tinha mandado embarcar duas companhias de infantaria do regimento do Cel Mexia e mais 27
soldados recrutas para preencherem os claros deixados pelos que morreram das duas
primeiras companhias que foram de Sumaca. As mortes de tantos soldados eram devidas ao
mal da bexiga que continuava de forma impiedosa a atacar os paulistas.
Na mesma carta pediu Martim Lopes para que a dita fragata voltasse logo, a fim de
reconduzir o restante do referido regimento. A determinação do Governador era firme e
flagrante em mandar as tropas de linha.

Deslocamento da Legião para o Continente de São Pedro

Antes de a Legião iniciar o seu deslocamento para o Continente de São Pedro, a


outra tropa de linha da Capitania de São Paulo, o Regimento de Santos, já tinha iniciado o
seu, sendo as duas primeiras companhias, embarcaram em agosto de 1775.
A Legião de Voluntários Reais, por sua vez, deslocou-se por terra e mar.
Inicialmente duas companhias de Infantaria foram por mar até laguna, face à preocupação do
Governador de São Paulo com as deserções e por serem mobiliadas por gente do litoral.
Posteriormente a Cavalaria da Legião, viajou por terra, tendo o deslocamento realizado por
subunidades, iniciando com a do capitão Moraes Leme em janeiro de 1776. No caminho até o
Continente de São Pedro do Sul, a Cavalaria além de sofrer das dificuldades inerentes às
péssimas condições de uma quase inexistente estrada, sem pontes ou pontilhões, ainda sofreu
com as doenças. A epopéia, como podemos assim chamar a marcha, será descrita nesse
subtítulo mais adiante.
Em três cartas ao Vice-Rei, o Gen Böhn relata o deslocamento e a chegada de parte
do Regimento de Santos. A 1ª de 17 de setembro de 1775, o Gen Bohn com a informação da
chegada do Regimento do Cel Meixia, manda os dois regimentos portugueses para seu
acampamento em São José do Norte, vagando os quartéis de Porto Alegre, tendo a varíola
feita parte dos comentários do general.
A segunda carta de novembro do mesmo ano o Gen Böhn comenta que já tinha
conhecimento que as quatro companhias de cavalaria da Legião iriam se deslocar por terra,
enquanto a 3ª relata a chegada de quatro companhias do Cel Mexia no dia 19 de dezembro.

Carta 8, de 17 de setembro de 1775:

[...] Logo que recebi de lá aviso da chegada próxima do


Regimento de Santos, ordenei que as oito companhias dos regimentos
de Moura e Bragança viessem ao meu acampamento, para colocar o
regimento do Coronel Mexia em Porto Alegre; as providências
relativas a essa movimentação já foram tomadas.
A varíola que se manifestou na primeira tropa vinda de
Santos para a ilha de Santa Catarina, já dizimou alguns soldados; a
segunda companhia, saída do porto de Santos, ao mesmo tempo,
ainda não chegou, o que me causa certa inquietação.

Carta 11, de 11 de novembro de 1775:

[...] Recebi cartas do governador de São Paulo e do Coronel


Mexia. Umas e outras tratando da próxima chegada do Regimento de
Santos, que chegará de duas em duas companhias. O governador de
São Paulo me disse que lhe custou muito completar estas tropas, pois
o simples nome soldado horroriza esta região. Que as quatro
companhias de voluntários a cavalo (cavalaria), montadas em grande
parte sobre cavalos não castrados, deslocar-se-á por terra por
caminhos por mim desconhecidos e que ele resolveu enviar as seis
companhias de voluntários a pé (infantaria), por mar, com medo de
deserções. (O grifo é nosso)

Carta 13, de 5 de janeiro de 1776:

[...] Quatro companhias do regimento de Santos chegaram,


a 19 de dezembro, a Porto Alegre, com o Major Pedro da Silva. [...]
Espera-se da ilha de Santa Catarina a chegada do resto desse
regimento, com o Coronel Manoel Mexia.

Um grande obstáculo para as tropas foi a varíola, passageiro indesejável no


deslocamento para o Continente de São Pedro do Sul. Tanto o Regimento de Infantaria como
a Legião de Voluntários Reaes foram vítimas desse mal, na época conhecida como “doença
da bexiga”. Sobre esse problema o Coronel Cláudio Moreira Bento em seu livro “A Guerra da
Restauração”, Bibliex: Rio de Janeiro, 1996. p. 265, escreveu:

“O Regimento de Infantaria de São Paulo e a Legião de


Voluntários Reais vieram para o Continente do Rio Grande de São
Pedro do Sul atacados por varíola. Epidemia que se iniciou ainda em
São Paulo e acompanhou as tropas até o Sul. Em 1776 os cemitérios
de Porto Alegre revelaram óbitos anormais de paulistas. A partir de
elementos que foram fornecidos pelo padre Rubem Neis e com
concurso paleográfico de Venício Stein Campos, de São Paulo,
conseguimos dimensionar a presença de São Paulo e Paraná na
reconquista do Rio Grande do Sul. Nosso estudo foi publicado no
Paraná sob o título “A Participação Militar de São Paulo e Paraná
na Guerra de Reconquista do Rio Grande do Sul”, Boletim do JHGEP
a. 1978. pp. 75-106. Este estudo dá nomes, naturalidade e idade dos
paulistas mortos por varíola. Recompõe, de certa forma, a
organização militar de São Paulo, a época; unidades, nomes, oficiais,
naturalidade etc. Na mesma época saiu a tese da professora Maria de
Lourdes Ferreira Lins: A Legião de São Paulo no Rio Grande do Sul.
São Paulo, USP, 1974. Ambos são complementares e resgatam a
memória da contribuição paulista”.

É uma questão polêmica o deslocamento das duas tropas. Analisando hoje a questão,
o mais sensato seria fazer o percurso por mar. Entretanto, a cavalaria precisava levar os
cavalos, já que no sul não havia promessa de tê-los. Assim marcharam por terra. Outra
determinante fundamental para o Governador era a de apresentar em menor prazo de tempo as
tropas ao Continente de São Pedro, o que fez com que mandasse antes por mar o Regimento
de Santos. Favorável a marcha por terra e considerando os paulistas do planalto como ainda
aqueles antigos bandeirantes, Marquês do Lavradio assim se expressou referindo a marcha da
Cavalaria da Legião:

[...] “esses homens por mar esmorecem, levados em lote de


tropa regular, afrocham” [...] devem ir conforme o seu gênio e a sua
criação por terra atravessando matos, subindo e descendo serras,
metendo-se ao rios em que se banham, e lavam, segundo seu costume,
deste modo chegam fortes, robustos e satisfeitos”; [...]“se eles
tiverem um espírito de deserção há de fugir de toda a parte”.

Em 27 de dezembro de 1775 embarcavam em Santos as três companhias restantes do


Regimento Cel Mexia com duas companhias de infantaria de Voluntários Reais, que por
serem estas últimas compostas de gente do litoral e com receio do governador de não se
adaptarem a marcha por terra, seguiam para a ilha de Santa Catarina. As duas companhias de
Infantaria dos Voluntários Reaes estavam acompanhadas do TCel Henrique Jozé de
Figueiredo, Comandante da Legião.
A previsão para deslocar as outras quatro companhias de infantaria de voluntários era
para os dias 8, 11, 14 e 18 de dezembro, feito por marcha terrestre. A primeira companhia de
infantaria a marchar foi a do capitão Antonio Rodrigues Fortes que utilizou o mesmo percurso
de trânsitos e pousos usado posteriormente pela cavalaria.
Em janeiro do ano seguinte, ordenou Martim Lopes Lobo de Saldanha para que a
Cavalaria da Legião iniciasse o seu deslocamento, feito por escalão entre as subunidades. A
primeira companhia a deslocar foi a do Capitão Pinto Moraes Leme no final de janeiro,
conforme ordem do Governador de 16 de janeiro de 1776, a qual foi encontrada o seu
conteúdo na íntegra nos Documentos Interessantes para a História de São Paulo, volume 84,
com seu respectivo roteiro:

Ordeno ao Capitão da Cavalaria de Voluntários Reaes


Joaquim Jozé Pinto de Moraes Leme siga a sua marcha dentro dessa
Capitania pelos tranzitos, e pouzos referidos na relaçam junta
avançando-os ao menos em cada noite inalteravelmente, e fazendo
todo o esforço que da sua honra e dos seus soldados espero o
avançarem dous pouzos, que lhe forem possíveis avançar em alguns
dias, bem advertindo que quanta mayor for brevidade com que chegar
a província de Viamão, e presença do Snr. Tenente General, mayor
serviço fará a sua Magestade, que nos seus honrados Paulistas confia
a segurança dos seos estados.
Os dittos pouzos estam por ordens minhas fornecidos dos
mantimentos necessários para ser municiarem as companhias, e cada
huma com regularidades seguintes: leva desta cidade cargas de sal, e
bestas para as bagagens da companhia delle capitan; dous tenentes e
do alferes [...]
Na primeira noite no pouzo de Carapecuuba fará receber, e
distribuir igualmente huma arrouba de toucinho, dous alqueires e
meyo de farinha, alqueire e quarta de feijam para todas as cem
praças da companhia, e assim mais fará receber onze alqueires de
milho para raçam dos cem cavallos arazam de quatro pratos a cada
hum, dous para anoite e dous para de manhã, e de tudo fará passar
recibo no dito pouzo por hum dous seos furriéis, assinado também
pelo mesmo capitam.
No mesmo pouzo achará de sobrecellente toucinho, farinha,
feijam e milho para destas porçõens comprarem e pagarem elle
capitam, e officiaes subalternos o que precizarem para seos escravos
e bestas que levarem fora da companhia.
Na segunda noite do pouzo de Baruerymerim hade receber
as mesmas porçoens de mantimentos, e praticar o mesmo. Na terceira
noite no pouzo de Barreiros para la do Matto do Payol o mesmo. Na
quarta noite em o pouzo do Olha d’agua o mesmo. Em cada huma das
noites, e pouzos que se refere na relação athe o Sitio de Perituba
incluzive hade receber para cem praças dous alqueires e meyo de
farinha e hum boy [...]. Na fazenda de Rio Verde athé a fazenda do
Corumbuhy, ou athé as paragens onde mandou apromptar gados o
reverendo José Joaquim Monteiro de Mattos hade receber 50 boys
[...]
O dito gado hade ser pionado, e conduzido por quatro
soldados da mesma companhia, porem não nos cavallos della; e sim
em quatro cavallos que mandey apromptar nas mesmas paragens [...]
Como os ditos cavallos sam inteiros, e mais impróprios para
trabalharem na campanha eu permitto trocar nas marchas os que
poder por cavallos capados [...]; e se alguns cavallos morrerem, os se
consumirem na longa marcha de 300 léguas fará as clarezas
necessidades para apresentar ao Snr. General em Chefe, e lhe
requerer igual numero de cavallos, por conta de sua Magestade [...]
16 de janeiro de 1776. Martim Lopes Lobo de Saldanha.

1. Da cidade de São Paulo a Carapecuuba.


2. Da Carapecuuba a Baruerymerim.
3. De Baruerymerim ao Barreiros, para lá do Matto do Payol.
4. Do Barreiros ao Olho d’agua.
5. Do Olho d’agua a Felippe do Quintal.
6. De Felippe do Quintal a Epanema.
7. De Epanema ao Rio de Sarapuu de Bayxo.
8. De Sarapuu de Bayxo a Fazenda das Pedreneiras.
9. Da Fazenda das Pedreneiras ao Porto de Itapetininga.
10. Do Porto de Itapetininga a Pescaria.
11. De Pescaria a Parnapitanga.
12. De Parnapitanga ao Sítio do Rio Piahy, tem três léguas de distância, com
passagem do rio de canoa.
13. Do Sítio de Piahy a Fazenda da Escaramussa, dista quatro léguas”.
14. Da Fazenda da Escaramussa ao Sítio de Taquary, dista quatro léguas.
15. Do Sítio de Taquary ao Sítio de Perituba, dista quatro léguas.
16. Do Sítio de Perituba a Fazenda de Sam Pedro, dista quatro léguas e meia.
17. Da Fazenda de Sam Pedro a Fazenda de Morumgaba, dista quatro léguas.
18. Da Fazenda de Morumgaba ao Sítio de Jaguariayba, dista cinco léguas, com
passagem do rio, e canoa.
19. De Jaguariayba a Fazenda da Cinza, dista cinco léguas.
20. Da Fazenda da Cinza ao Atterado Grande, abaixo das furnas, dista quatro
léguas e meia.
21. Do Atterado Grande a Fazenda do Capitão Francisco Carneiro Lobo, dista
quatro léguas e meia.
22. Da Fazenda do Capitão Francisco Carneiro Lobo ao Sitio de
Tapanhuacanga, dista quatro léguas.
23. De Tapanhuacanga a Fazenda do Boqueyram, dista quatro léguas.
24. Do Boqueyram a Encruzilhada do Carrapato, dista quatro léguas e meia.
25. Do Carrapato a Fazenda do Lago, dista quatro léguas.
26. Da Fazenda do Lago a Fazenda do Ferrador, dista cinco léguas.
27. Da Fazenda do Ferrador ao Registro de Curytiba, dista cinco léguas.
28. Do Registro de Curytiba a Santo Antonio da Lappa.
29. De Santa Antonio da Lappa ao Campo do Tenente.
30. Do Campo do Tenente a Outra Banda do Rio Negro.
31. Do Rio Negro a Butyatuba.
32. Do Butyatuba a Oguaraypû.
33. Do Oguaraypû a Estiva, onde se entra no Matto de São João.
34. Da Estiva acima do Morro Grande.
35. Do Morro Grande a Taquaral.
36. Do Taquaral, onde se sahe do Matto, a entrada do Matto do Espigam.
37. Da entrada do Matto do Espigam a Espichada, fora do dito Matto.
38. Da Espichada a Sepultura.
39. Da Sepultura a ilha.
40. Da ilha a Ponte Alta.
41. Da Ponte Alta a outra banda do Rio das Marombas.
42. Do Rio das Marombas aos Curytibanos.
43. Dos Curytibanos ao Rio dos Cachorros.
44. Do Rio dos Cachorros a Ponte Alta.
45. Da Ponte Alta a outra banda do Rio das Canoas.
46. Do Rio das Canoas a Lourenço da Rocha.
47. Do Lourenço da Rocha, a Villa dos Lages, que não chega a ter duas léguas.
Da vila de Lages se entra nos Mattos do Continente do Rio Grande, onde os
tranzitos são poucos mais puchados por conta dos pastos para os cavalos.
(Documentos Interessantes, volume 84, Arquivo de São Paulo)

A mesma ordem do Governador foram dadas aos capitães comandantes das demais
companhias de cavalaria, de modo que no dia 3 de fevereiro de 1776 saiu a companhia do
capitão Macedo. No dia 12 de fevereiro a do capitão Oliveira Montes. No dia 19 de fevereiro,
completando a última companhia a se deslocar, a do capitão Garcia Rodrigues, a qual
marchou com o Sargento-Mor Jozé Pedro Francisco Leme e o Ajudante Jozé Joaquim da
Costa. A marcha de todas elas levou quase três meses, sendo feita com muitas dificuldades e
mortes, devido às baixas causadas pela varíola. Na realidade, a tropa já saiu de São Paulo
contaminada pela doença.
Iniciado o deslocamento da Cavalaria da Legião, o Governador Martim Lopes
escreveu em 17 de fevereiro de 1776 para o Vice-Rei:

[...] mandando por mar as Sancta Catharina todo o


regimento de infantaria de São Paulo e pelo caminho de terra o corpo
da Legião de Voluntários Reaes pelo tranzitos que vão [...], todos
dentro dessa capitania, excepto duas companhias de infantaria de
voluntários que destaquei por mar, por serem compostas de gente das
villas da marinha mais costumadas o navegar, e menos habituadas
aos longos caminhos dos certões, que infalivelmente dezertarão [...]
Todas as mais ditas companhias destaquei pelo caminho de
terra, [...] por estar persuadido de que os paulistas banzão no mar, e
gostão mais do caminho de terra, pelo facto notório, mas antigo de
que os paulistas pelo certões fizerão sempre os seus serviços [...]
Caminho de terra desta cidade até o campo em que esta o
Ten-Gen tem trezentas légoas ou mais, cortado de mais quarenta rios,
e treze delles caudalozos, e ainda os mais no tempo de chuvas
inundáveis [...] pode naturalmente succeder que gastem quatro mezes
ou mais em vencerem tão longo e difficultozo caminho, e pelo
contrário daqui a Santos gastão os destacamentos somente dous dias,
e embarcando ali para Sanctos Catharina há munições em que
somente gastam treze dias [...] São Paulo. 17 de fevereiro 1776
(Documentos Interessantes, volume 28, Arquivo de São Paulo)

A Chegada da Legião ao Continente de São Pedro

As últimas tropas paulistas que vieram por mar chegaram ao sul em março de 1776,
relatado pelo Gen Böhn ao Vice-Rei, Marquês do Lavradio, quando informa a apresentação
das três últimas companhias do regimento do Cel Mexia e de duas companhias de infantaria
de Voluntários Reais.

Carta 16, de 11 de março de 1776:

O Coronel Mexia chegou a primeiro deste mês a Porto


Alegre, com as três últimas Companhias de seu Regimento, com
deserções no deslocamento. Deixou mortos na praia e doentes de
varíola por toda a parte. Mandei vir aqui o Tenente Coronel João
Alves que me haviam elogiado muito, para dele obter informações no
tocante a região do outro lado do rio. Mais perdi as esperanças logo
que o ouvi e já o enviei a Porto Alegre. [...]
O Tenente Coronel Henrique José de Figueiredo chegou
também com duas companhias de voluntário a pé, ao todo noventa
homens. O restante se encontra na estrada de São Paulo, nos
hospitais. Das outras Companhias, ainda não tenho notícias.

Mais tarde a chegada da Cavalaria da Legião é anunciada pelo Coronel José


Marcelino de Figueiredo, Governador do Continente do Rio Grande. A informação do coronel
era de que no dia 18 de maio de 1776 tinha chegado duas companhias de Cavalaria da Legião
(Macedo e Pinto) e no dia 21 a do Capitão Oliveira Montes. Faltava chegar a companhia do
capitão Garcia Rodrigues, que foi a última a sair de São Paulo.
O coronel informava que o destino das tropas era Rio Pardo, incluindo a Legião de
Voluntário Reais e o Regimento de Infantaria de São Paulo. Para melhor esclarecimento,
Tabatinguy, citado na carta, é o local onde os espanhóis foram derrotados em 10 de janeiro de
1774. Fica próxima a Rio Pardo, onde o Forte à beira do rio Jacuí tornou-se inexpugnável aos
castelhanos, levando o nome de “Tranqueira Invicta”, justamente por nunca ter sido derrotada.

[...] Chegarão aqui as companhias de Joaquim de Macedo


no dia 18 e o dito Joaquim Jozé Pinto no dia 18 e a de Jozé Rodrigues
de Oliveira no dia 21 e a quarta de Leme com o Major poderá chegar
por estes doze dias.
As que chegarão por livrallas do terrível contagio de bexigas
mandei acantonar em Tabatinguy, quatro léguas daqui, para onde
mando seguir a outra, e porque alli tem a sua cavalhada excelente
pastos para neste inverno se restabelecerem [...]
Neste departamento, e fronteira em que me acho distante cem
légoas, tenho cento e tantos dragoens, trez companhias de cavallaria
ligeira do Continente, huma dita de infantaria, e a seis de voluntários,
e as quatro de cavallaria que chegão, e o regimento de Mexia de
Porto Alegre, aonde conservo outra companhia de infantaria do
Continente [...] Fronteira do Rio Pardo. 23 de maio de 1776. Jozé
Marcelino de Figueiredo para Martim Lopes Lobo de Saldanha.
(Documentos Interessantes, volume 17, Arquivo de São Paulo)

A chegada ao sul da Legião e do Regimento do Coronel Mexia (de Santos), a partir


de janeiro de 1776, não foi bem vista aos olhos do General Böhn. Não pelo reforço em si, mas
pelas condições de apresentação das mesmas. Sob condições adversas, provocadas pelo
alastramento da varíola (bexigas) ou pela ausência de preparo técnico-militar ou ainda pela
falta de uniformes completos, armamentos e munições, conforme descrito em ofício de 18 de
junho de 1776, a recepção não poderia realmente ser das melhores. Assim escreveu o
Comandante do Exército do Sul ao Governador da Capitania de São Paulo, Martim Lopes
Lobo de Saldanha:

Tenho a honra de participar a Vossa Excelência que já


chegaram neste Continente as trez companhias de voluntários a
cavallo, a de Macedo, a de Oliveira, e a de Pinto e achão-se no porto
de Rio Tabatinguay; da quarta companhia me deu também noticia o
Major Jozé Pedro Leme, que marcha com ella, e me escreveu de
Sancta Victoria.
Pelas partes que os mesmos Capitães dão, vejo que ellas vêm
com cavallos arruinados, com armamento, espadas, e corage incapaz
e dezigual, huns em sellas, outros em selins, huns com pistolas, outros
sem ellas, huns de espadas, outros com traçados, sem capotes, sem
muxilas, sem barracas, e sem caldeiras, em fim de forma que ellas
estão incapazes de servirem. Acrescente VExa a tudo isto que os
capitães nunca servirão antes nem na cavalaria, nem na infantaria,
menos na tropa ligeira. Quem ensinará esta tropa? Para hum serviço
tão diferente.
Antes que esta cavallaria seja remontada, armada, medita
em equipage, e algum tanto disciplinada, há de ser perder muito
tempo. [...] QG em Vila de São Pedro, 18 de junho de 1776. Ten
General Henrique Böhn...
(Documentos Interessantes, volume 17, Arquivo de São Paulo)

Da mesma maneira a chegada da Cavalaria da Legião de São Paulo ao seu destino foi
relatada pelo General Böhn ao Vice-Rei, Marquês do Lavradio, conforme a sua carta de nº 20
de 10 de junho de 1776:

Carta 20, de 10 de junho de 1776:

As últimas tropas de São Paulo acabam de chegar a este


continente. Anexo do governador José Marcelino, a fim de que Vossa
Excelência faça idéia do estado da cavalaria, sem cavalos, sem
armas, sem dinheiro, sem cabeça e sem pés.
Conjuro Vossa Excelência a dizer-me seriamente, se crê que
com tais tropas se pode guerrear. Estou convencido que a ausência de
tantos homens trará mais prejuízo à capitania de São Paulo do que
vantagens, se é que se pode tê-la com sua presença aqui.

Na Carta 20, o Gen Böhn em correspondência ao Vice-Rei e na carta ao Governador


de São Paulo, se referindo à Cavalaria da Legião, revelou-se irônico a estas tropas. O general
deixou de considerar, entretanto, que esta se deslocou por terra, desde São Paulo até Porto
Alegre, em um percurso de aproximadamente 1500 km enfrentando todo tipo de dificuldades,
entre elas as doenças. Mais tarde, o Gen Böhn, após empregar a Legião em operações, acabou
por reconhecer o verdadeiro valor dos paulistas.
Em outra carta ao Governador de São Paulo de 8 de setembro de 1776, novamente o
Gen Böhn pediu opinião a Martins Lopes sobre a sua vontade de devolver a tropa de
Voluntários Reais a sua capitania de origem.

Como os Voluntários Reaes da Capitania de São Paulo


precizam descanço, e soccego para poderem se formar, com a mayor
brevidade rezolverei a fazer marchar, logo que a estação o permitir, a
infantaria desse corpo para Sancta Catharina, como caminho mais
breve para tornar as suas terras. A cerca da cavallaria, se os cavallos
não fizessem obstáculos, rezolveria de fazellos tornar pelo mesmo
caminho da Laguna e Ilha Sancta Catharina, para livralla de passar
por estes sertões tam dilatados.
VExa, querendo me fazer a honra de comunicarme a sua
oppinião á cerca desta marcha, seria isto augmentar a quantidade
das obrigações, a que já lhe devo. QG Vila de São Pedro, 8 de
setembro de 1776. Gen Böhn.
(Documentos Interessantes, volume 17, Arquivo de S. Paulo)

O Governador de São Paulo, por sua vez, ao receber a correspondência do Gen Böhn
respondeu demonstrando seu descontentamento e reação às críticas, o que levou o
Comandante do Exército do Sul a se justificar atenuando o que tinha escrito anteriormente:

[...]por falta de conhecimento da força das expressões


portuguesas occazião de V.Exa. se equivocar, e entender ser em
descrédito dos Voluntários Reais, que propuz, que estes se
recolhessem para sua terra; não, meu Exmo., semelhante injustissa hé
longe do meu caráter. Se eu dice que esta tropa, tal que ella se acha,
não podia servir logo na guerra, antes de ser montada, armada,
ensinada e fornecida de tudo, eu dizia também, o maior diamante não
hé de nenhum uzo prezente, antes de ser brilhantado, nem se
reconhece o seu verdadeiro valor, antes de ser metido em obras. [...]
5 de novembro de 1776. Gen Böhn.
(Documentos Interessantes, volume 17, Arquivo de S. Paulo)

Refeito as devidas considerações entre o Governador de São Paulo, a Legião


permaneceu em Rio Pardo. Posteriormente duas companhias vão ser empregadas em postos
avançados ao sul de Rio Grande, cuja missão era de propiciar o alerta e o retardamento frente
às tropas espanholas.

Os Problemas Logísticos na Guerra de Restauração

Antes de iniciarmos a abordagem das operações citaremos os problemas logísticos


sofridos pelo Exército do Sul, inclusive com reflexos para a Legião. As dificuldades do
suprimento e das demais atividades de apoio ao combate podem ser percebidas nas cartas do
General Böhn ao Vice-Rei, o que muito contribuiu para dimensionar as dificuldades sofridas
por aquelas tropas naquela campanha militar:

Carta 1, de 9 de fevereiro de 1775:

Fiz várias experiências para dar pão às tropas. Me faltaram


moinhos para transformar o trigo em farinha; padeiros em número
suficientemente grande para produzir tantos pães; fornos, lenha.
Desta maneira, foi obrigado a renunciar a este projeto.

Carta 3, de 20 de março de 1775:

As barracas voam pelos ares e a necessidade força nossa


pobre gente a construírem cabanas. Digne-se Vossa Excelência a
assistir-nos e salvar-nos da miséria.

Carta 4, de 16 de abril 1775:

Como o frio já se fizesse sentir e as barracas estivessem


todas apodrecidas, nossos soldados pediram permissão para construir
cabanas para eles próprios, cobertas com as ervas cortadas nos
alagadiços. A necessidade de proteger estes homens do rigor do
inverno forçou-me a consentir, apesar do perigo de incêndio quando
as ervas ou juncos viessem a secar. Eles se puseram a trabalhar nisso
com afinco, conservando a exata regularidade de um acampamento,
com a única diferença de que as palhoças ficaram mais altas e um
pouco mais largas. Os oficiais seguirem-lhes o exemplo.

Carta 7, de 15 de julho de 1775:

[...] O Major (Rafael Pinto Bandeira), com o qual discuti


este plano, deu-me, à tarde, um espetáculo assaz bonito: o de uma
tropa que chega às margens de um rio profundo, sem encontrar
pontes ou balsas, nem meios de as fazer. Ele mata, imediatamente,
alguns bois; tira seus couros e faz destes couros frescos uma espécie
de balsas grandes e redondas dentro das quais metem suas bagagens
e as amarram na parte de cima. Em seguida, põem estas balsas a
flutuar; a elas ligam uma correia. Um homem assenta sobre cada
pelota. Um outro, despojando-se de suas roupas, se mete na água,
toma a correia entre os dentes e atravessa o rio a nado, com a pelota,
que é descarregada do outro lado. Fazem também pelotas quadradas,
abertas em cima, mas as redondas são mais seguras.
O que mais me admirou foi a velocidade com que fizeram
todas estas operações. E mais, a presteza com que esta gente se lança
na água. Todos são bons campeiros e ao mesmo tempo bons
nadadores. Este modo de atravessar um rio, que não tem largura
expressiva nem corre com demasiada correnteza é bastante seguro.

Carta 8, de 17 de setembro de 1775:

As cartas que recebi, tratando do estado dessas tropas, não


são muito consoladoras. Pedi ao senhor Antônio Carlos que
mandasse preparar, às custas do Rei, as barracas desta pobre gente
que não se pode abrigar, a fim de que tenham ao menos um abrigo
nas duras marchas por esta costa tão lúgubre e tão longe e que não
oferece nenhum abrigo. Ouso, neste momento, lembrar a Vossa
Excelência a grande necessidade que temos de barracas, nesta região
deserta, onde é possível dispensá-las nas marchas, e delas estamos em
falta absoluta. Eu teria assumido o trabalho de fazê-las se aqui
existisse a matéria-prima.

Carta 8, de 17 de setembro de 1775:

O Governador José Marcelino repete-me, sem cessar, que em


pouco tempo não haverá mais gado se eu não mandar apreende-lo.
Não pude resistir a tantas solicitações, embora soubesse bem que
aquele gado não pertencia ao Rei, mas a particulares inocentes.

Carta 9, de 2 de novembro de 1775:

Com efeito, o gado já se torna raro aqui, onde a carne de boi


é um gênero de primeira necessidade.
Este continente não fornece carne suficiente para tanta
gente. Só o consumo deste lado do rio aproximasse de 1.000 bois por
mês. Eles faltam também para as carretas. Com os cavalos acontece o
mesmo.

Carta 12, de 9 de dezembro 1775:

A farinha de mandioca é o único gênero disponível para as


tropas em campanha; mas, não se poderia dar-lhes pão, porque não
há aqui nem padeiros, nem moinhos, nem fornos, nem madeira
suficiente, embora se tenha o trigo.
Carta 13, de 5 de janeiro 1776:

[...] Entrou uma sumaca no lagamar, carregada de farinha,


da qual logo se comeu.
Uma outra trouxe 100 barracas e 100 tendas de campanha,
diferentes das nossas, mas, boas. Vieram também várias sumacas de
madeira leve, de Pernambuco, para fazer jangadas. Como não se
encontra aqui ninguém que saiba trabalhar na construção dessas
jangadas, pedi que me enviassem, daquela capitania, alguns
indivíduos que as saibam fabricar, manuseá-las e carregá-las.
[...] Grande parte das sumacas que para cá vem não trazem
nem farinha nem coisas verdadeiramente necessárias e úteis, salvo o
sal. Os negociantes do Rio de janeiro, sonhando apenas em tirar das
mãos dos militares o soldo que o Rei lhes dá, não mandam senão
aguardente e um pouco de vinho.

Carta 21, de 29 de julho de 1776:

De Porto alegre me escrevem que as remessas de dinheiro do


Rio de Janeiro, após a chegada dos Voluntários de São Paulo, não
são maiores que anteriormente. Veja, Senhor, se isto não me deve
inquietar! Além do mais, o dinheiro, passando por Porto Alegre, lá se
pagam primeiro os ordenados civis, os soldos atrasados e os índios. E
mandam para cá o que querem.
As despesas de hospital com os espanhóis prisioneiros,
feridos e desertores, assim como os feridos e doentes das fragatas
aumentaram consideravelmente.

Carta 23, de 24 de outubro de 1776:

O governador José Marcelino propõe que se dê às tropas


peixe salgado nos dias magros, em lugar da carne que começa a ficar
rara. Creio que ficariam bastante contentes, porque a carne que os
fornecedores nos entregam é de tal qualidade que não se a toca sem
extrema necessidade. Mas aquele oficial não ponderou eu, para isso,
é preciso numerosos pescadores, linhas, botes, pescadores
entendidos, galpões para secar o peixe e armazéns para depósito. E
maus que a pesca aqui é muito incerta.

Carta 28, de 8 de fevereiro de 1777:

Ontem, entrou a sumaca do Mestre da Cunha, do Rio de


Janeiro, em 11 dias de viagem, sem encontrar ninguém. Traz
fardamentos para as tropas de São Paulo. Resta-me apenas suplicar
que V.Exa. me honre com a sua confiança e credite no mais sincero
devotamento e no mais profundo respeito.

Carta 29, de 25 de abril de 1777:

O Capitão-Geral de São Paulo me escreveu 22 de março. Ele


enviará para cá, de dois a três mil homens, para salvar-me dessa
situação embaraçosa... Mas, não me diz quem os pagará, quem os
vestirá, quem os armará, quem os comandará e quem os alimentará...
Devo suplicar a Vossa Excelência que me socorra desse prazo.
O Capitão Garcia Rodrigues, vendo a destruição dos cavalos
de sua companhia causada pelo uso de selas de ferro, pediu-me que o
ajudasse com o necessário para fazer “lombilhos” para a sua
companhia. Nela há operários capazes de o fazer. A necessidade de
proteger os cavalos me fez consentir [...] os couros também foram
fornecidos ao Capitão Garcia. Como as espadas dessa companhia
não valem absolutamente nada, mandei vir outras de Porto Alegre.

Carta 33, de 12 de setembro de 1777:

Mandei pagar um mês ao Regimento de Santos a quem já se


deviam dois. O restante se guardou para o pagamento da cavalaria
dos postos avançados. Nem à Infantaria nem à outra tropa se pode
pagar. Nem aos oficiais. Queira o céu que não me aconteça nada de
mal. Espero que meus sacrifícios animem os outros.
Esta manhã entrou uma sumaca com 3.163 alqueires de
farinha e 240 pares de sapato.
Dos postos avançados não há novidade digna de se relatar.

Carta 38, de 8 de fevereiro de 1778:

Em data de 11 de dezembro, tomei a liberdade de participar


a necessidade de fardar os Regimentos de Moura e Estremoz. Os
4.000 côvados de pano azul não bastando, servi-me de uma parte do
que havia vindo para o uniforme dos 200 voluntários de S. Paulo, a
fim de dar aos dois regimentos uma túnica e calças. Tudo já foi
distribuído. Aqui se trabalha com o ardor que permite uma terra onde
não se encontra nenhum alfaiate.
O Regimento de Moura terá golas e canhões amarelos,
graças ao Capitão José Maria que o trocou. O Regimento de
Estremoz ficará todo azul. Todos os dois estão vestidos. Faltam as
jaquetas que podem receber a seu tempo. Os Voluntários receberam
para jaquetas e calças, de que necessitam. Esperam que Vossa
Excelência mande enviar a fazenda que lhes tomei emprestada.

As Operações da Cavalaria da Legião na Guerra de Restauração – Ano de 1776

A partir do momento da chegada da Legião e do Regimento Mexia, tropas enviadas


por São Paulo, as mesmas passaram ao comando do General Henrique Böhn. Apesar das
recriminações do comandante alemão quanto ao primeiro aspecto das tropas paulistas, que lhe
causou impacto normal para um estrangeiro, as operações militares das tropas de São Paulo,
mais tarde acabaram se transformando em elogios.
Quando à Cavalaria, esta chegou ao Continente de São Pedro quando o Forte de
Santa Tecla já havia sido conquistado e a Vila do Rio Grande atacada e reconquistada das
mãos dos espanhóis. Em maio de 1776, quando da chegada da cavalaria a situação estava em
parte restaurada, voltando a ter duas bases militares portuguesas: a de Rio Grande e de Rio
Pardo, ambas ligadas por um caminho terrestre.
A reconquista de Rio Grande repercutiu na Espanha, que em conseqüência designou
o General Ceballos com um efetivo de 9000 homens para realizar uma contra ofensiva. O
objetivo espanhol era conquistar sucessivamente a ilha de Santa Catarina isolando o Exército
do Sul. Na seqüência atacar a vila do Rio Grande e a Colônia do Sacramento. É nesse
momento de expectativa em que a Guerra de Restauração não se encerrava com a conquista
de Rio Grande que a Cavalaria da Legião se incorpora no teatro de operações.
José Feliciano Fernandes Pinheiro, Visconde de São Leopoldo, que participou das
campanhas do Exército Pacificador (1811-1812), eleito deputado das Cortes Portuguesas,
representando a Província do Rio Grande, em sua obra “Annaes da Província de S. Pedro”,
Paris, Typographia de Casimir, 1839, p.138, assim escreveu sobre as tropas paulistas:

[...] Quinze mezes esteve ali em observação o exercito, ao


qual ainda se aggregarão quatro companhias de Moura, e quatro de
Bragança, para completo dos seus respectivos corpos; o regimento de
infantaria de Santos, que se aquartelou em Porto Alegre, centro das
duas fronteiras, ás ordens do tenente coronel Manoel Mexia Leite. A
Legião de Voluntários de S. Paulo, ao mando do tenente coronel
Henrique José de Figueiredo, e que se compunha de seis companhias
de infanteria, e quatro de cavalleria, foi encarregada de defender a
fronteira do Rio Pardo.

Nas cartas do Comandante do Exército do Sul observamos, dentro da ordem


cronológica das mesmas, a atuação de duas companhias de Cavalaria da Legião de São Paulo
(Garcia e Macedo) após o ataque a Vila de Rio Grande:

Carta 21, de 29 de julho de 1776:

As participações do Rio Pardo e do Tabatinguaí não são


mais consoladoras que as precedentes. A varíola atacou também a
Cavalaria dos Voluntários de São Paulo, cuja Infantaria se acha em
triste estado, com os convalescentes sem poder retomar as forças.

Carta 24, de 21 de novembro de 1776:

Nesse instante, anunciam-me a chegada do Coronel Rafael


Pinto Bandeira. Envio a presente para evitar a suspeita de ingratidão.
Terei a honra de apresentar á Vossa Excelência o planejamento de
nova Legião e do que será necessário para a sua formação, logo que
tivermos acordado nisso. [...]
[...] Suspendi o plano para a nova legião. Mandei retornar o
Coronel Rafael Pinto Bandeira a seu acampamento, para reunir sua
tropa e juntar-se à companhia de voluntários de São Paulo, do
Capitão Garcia Rodrigues Paes Leme, tendo expedido ordem neste
sentido. O coronel devia marchar direto para o sangradouro mirim.

Carta 25, de 11 de dezembro de 1776:

Ocupava-me com o Coronel Rafael Pinto Bandeira, na


formação do plano de sua nova legião, [...] que a tropa do citado
coronel, aumentada com todos os indivíduos que ele escolhesse,
poderia ser da maior utilidade em caso de um desembarque inimigo
na praia, entre o estreito e o lagamar. Lugar que se devia considerar
da maior importância.
Não hesitei um só instante, em seguir esta diretiva. Fiz
partir o Coronel Rafael para juntar-se à sua tropa, a qual anexei a
Companhia de Cavalaria dos Voluntários de São Paulo, do Capitão
Garcia Rodrigues [...]
[...] Durante esses novos arranjos, o plano de formação da
Legião foi posto de lado; mas, retornando o coronel, o retomaremos.

Carta 25, de 11 de dezembro de 1776:

[...] O Coronel Rafael Pinto Bandeira atravessou, a 19, o


sangradouro mirim com seu corpo e a Companhia de Garcia
Rodrigues. Lá fui no dia seguinte. Encontrei pessoal de bom aspecto;
mas o armamento, em geral, em muito mau estado. À Companhia de
Cavalaria Garcia Rodrigues faltavam até as coisas mais essenciais.
Determinei ao Coronel deslocar-se, após dois dias de repouso, para o
vilarejo de Mangueira, a fim de ficar mais próximo do rio. Esperava
que o fizesse perto do Forte do Mosquito, os preparativos necessários
e para lá enviasse os barcos para atravessar o seu corpo de um lado
para o outro do rio. O Coronel não queria arriscar-se a passar seus
cavalos a nado, como tinham feito todos os outros (pois os cavalos
pertencem aos próprios componentes da unidade). Eu então lhes
prometi tudo o que pediam. Levei o Coronel comigo, para que
escolhesse.
A cavalaria de São Paulo, só tendo um cavalo por homem,
não podia servir aqui, onde é preciso ter cavalos de reserva. Eu havia
mandado fornecer-lhe dois cavalos do Rei (Reiúno), por cada praça;
assim, ficaram com três. O Capitão Garcia Rodrigues possuía selas
com armações de ferro que muito feriam os cavalos e que causava
piedade vê-los. (O grifo é nosso)

Na Carta 25, Rafael Pinto Bandeira vindo do posto da Encruzilhada do Duro


atravessou o canal São Gonçalo com destino à margem norte do Sangradouro da Lagoa dos
Patos, estando junto à companhia do Capitão Garcia.

Carta 26, de 2 de janeiro de 1777:

O Coronel Rafael Pinto Bandeira chegou a 17 de dezembro,


com seu Corpo de Cavalaria Leve, com 136 homens; e a Companhia
de Voluntários de São Paulo, do Capitão Garcia Rodrigues Paes
Leme, com 100 homens, a margem do Sangradouro Mirim. Ele o
atravessou nos dias seguintes. Dali o enviei, a 22, para o Povo da
Mangueira, para ficar perto deste rio e, também, para aproveitar o
tempo favorável para a travessia. Forneci-lhe tudo o que pediu para
vê-lo quanto antes do outro lado. Dali dista, apenas, 7 léguas até o
estreito, onde a Companhia Leve de Índios chegou, a 20 de dezembro.
As medidas essenciais já foram tomadas.
O armamento desta cavalaria está bastante danificado pelas
marchas. Sendo tropa destinada à defesa de uma região que a Corte
considera de suma importância, penso ser meu dever colocá-la, tanto
quanto possível, em condições e agir. Mandei reparar as armas, sem
perda de tempo e sem examinar se os soldados estão, ou não,
obrigados a esta reparação.
A companhia do Capitão Garcia Rodrigues não tinha nem
bandoleiras para as carabinas nem cartucheiras para a munição.
Mandei fornecer-lhe das últimas. Mandei fazer bandoleiras novas,
como os Dragões (de Rio Pardo) têm.
Esta companhia, embora composta de soldados novos,
promete ser boa, um dia. Os homens são jovens, animados e mostram
energia. Mas é preciso instruí-los.[...]
(O grifo é nosso; a instrução se refere a baioneta).

Na Carta 26, o Gen Böhn continua relatando as operações do mês de dezembro de


1776, na qual a companhia do capitão Garcia atuava no Sangradouro Mirim. Na mesma carta
o general faz comentários sobre armamento, equipamento e instrução da Cia do capitão.

As Operações da Cavalaria da Legião na Guerra de Restauração – Ano de 1777

Encerrado o ano de 1776 e reconquistada a Vila de Rio Grande, continuava o


Exército do Sul em posição defensiva. O Gen Böhn em carta ao Vice-Rei descreve as
operações.

Carta 27, de 27 de janeiro 1777:

[...] Que as tropas do Coronel Rafael Pinto Bandeira


chegaram, dia 6, ao estreito. Lá fui para examinar os pontos, dali
desloquei-me até o lagamar, para estabelecer comunicações e tomar
as medidas relativas à defesa da praia.
[...] Seu dispositivo é tal que estamos a cavaleiro deste rio. O
Regimento de Bragança, o Corpo do Coronel Rafael, aí incluída a
Companhia de Cavalaria do Capitão Garcia Rodrigues, com 277
homens, e duas companhias do Major Roberto Rodrigues do outro
lado. Os Regimentos de Moura, Estremoz, o Primeiro do Rio, com a
Guarda de Vossa Excelência e 200 Dragões, deste lado. [...]
A metade dos cavalos do Corpo do Coronel Bandeira, que
possui quatro por homem, ficou deste lado. Assim, se eu tiver
necessidade dessa tropa aqui, ela pode colocar-se em pouco tempo a
margem do rio. Então, passam-se os cavaleiros e arreios. Montam
sob os cavalos com que se serviam do outro lado.
A companhia de Voluntários de São Paulo, até o momento, se
tem conduzido muito bem.

Na Carta 27, o Coronel Cláudio Moreira Bento, estudioso da Guerra de Restauração,


analisou o dispositivo do General Böhn e comentou no seu livro, que existia na margem norte
um regimento de infantaria, um regimento de infantaria (-), este desfalcado, com apenas duas
companhias e ainda o Corpo de Cavalaria de Pinto Bandeira, incluindo a companhia do
Capitão Garcia.
Na margem sul o dispositivo contemplava três regimentos de infantaria (Moura,
Extremos e o 1º RI) e uma companhia de cavalaria. Na reserva Rafael Pinto Bandeira ficava
em condições de reforçar o sul, ao deixar cavalos de um lado e outro do Sangradouro ou canal
da Lagoa dos Patos.
Sobre essa mesma passagem, o Visconde de São Leopoldo complementou na sua
obra “Annaes da Província de S. Pedro”, 1839, p.158:

[...] acompanhavão os mesmo tempo ordens sobre o detalhe


e distribuição das tropas; e bem que não se ajustasse ellas com as
idéas, que já então adquirira o nosso general por experiência e
inpecção do local, na estreita obrigação de obedecer, deu de mão aos
projectos de conquista, repassando logo alguns corpos para a
margem septentrional do Rio grande, alojou o regimento Bragança
em hum ponto central entre a barra e a Freguezia do Estreito, n’esta
postou três esquadrões de cavallaria ligeira e hum da legião de S.
Paulo, e fazendo retroceder as tropas, que se achavão reunidas no
arroio do Pão, as estacionou á esquerda do forte do Arroio, que
apoiava o lado direito do acampamento.

Estando a Cavalaria da Legião desde a sua chegada na fronteira do Rio Pardo, o


Governador de Viamão Jozé Marcelino de Figueiredo, em 24 de janeiro informava para o
Governador de São Paulo a situação da mesma. Pela carta, naquele momento a companhia de
Garcia Rodrigues passava a servir com a cavalaria do Continente de São Pedro no estreito ao
norte de Rio Grande, por ordem do Gen Böhn. Na mesma correspondência Jozé Marcelino
informava que pretendia, após a quaresma, mudar a cavalaria da Legião que estava em
Tabatinguay para a Encruzilhada, a fim de ocupar esse posto de maior importância, como
também para tê-la junto e com melhor quartel e pastos para a cavalhada.
Meses depois, em outra carta, de 5 de junho de 1777, o Governador Jozé Marcelino
de Figueiredo mantinha o Governador de São Paulo a par das operações de parte da Cavalaria
da Legião.

Na fronteira do Rio Pardo nada há de novo, porem o receio


de inquietação me tem feito demorar a mudança da cavallaria do seu
regimento, como avizei a VExa, e se conservarão duas companhias
em Tabatingay, por passar a de Macedo a unir-se a de Garcia
Rodrigues em Rio Grande [...]
Quem agora me diz fez passar a Rio Grande a companhia de
Garcia, e que também passava o regimento de Bragança, para se
unirem aos de Extremoz e Moura, com as companhias de Granadeiros
no campo do Forte do Arroio, legoa e meia adiante das Vila de São
Pedro [...]. 5 de junho de 1777. Jozé Marcelino.
(Documentos Interessantes, volume 17, Arquivo de S. Paulo)

Com a Cavalaria da Legião estando já em operações e mostrando o seu valor, passa o


Gen Böhn a fazer comentários positivos à tropa, como fez em carta ao Governador de São
Paulo em 12 de junho de 1777.

A companhia de cem homens em que VExa me falou


ultimamente, rezervo para servir comigo, e me persuado que não
ficara descontente, como também nam o mostrão de serem as
companhias de cavallaria de Garcia Rodrigues e de Macedo que cá
servem e que eu acho composta de muito boa gente. 12 de junho de
1777. Gen Böhn. (Documentos Interessantes, vol. 17 Arquivo de SP)

Em outra carta, de 13 de julho de 1777, Jozé Marcelino informa ao Governador de


São Paulo novas ações da cavalaria, como também que parte da tropa do Regimento de
Infantaria de São Paulo do Cel Mexia, que estava em posição defensiva em Torres marcha
para o sul em direção a Rio Grande.

Já VExa saberá que a companhia de cavallaria de Macedo


passou a unir-se do Rio Pardo a Rio Grande com a de Garcia
Rodrigues, e que a de Granadeiros de Mexia vay caminhando das
Torres para o Rio Grande para onde ficam a marchar o coronel, e
estado maior, com quatro companhias, ficando somente aqui as duas
de Sarmento e Valle. 13 de julho de 1777. Jozé Marcelino
(Documentos Interessantes, volume 17, Arquivo de S. Paulo)

Prosseguindo no relato da atuação da Cavalaria da Legião, ainda encontramos


referências nas cartas 28, 29, 30 e 32 do General Böhn:

Carta 28, de 8 de fevereiro de 1777:

Resolvi tirar do estreito a companhia do Capitão Garcia


Rodrigues para colocá-la deste lado, nos postos avançados, com o
objetivo de que aqueles jovens aprendessem o serviço com os
Dragões. O Capitão passou o rio, a 20. Felizmente! Fi-lo marchar
para o arroio do Taím, sob as ordens do Major Patrício.
(Patrício Corrêa Câmara, dos Dragões de Rio Pardo)

Carta 29, de 25 de abril de 1777:

A 28 de março, recebi a carta de Vossa Excelência, datada


de 13. Nela, Vossa Excelência insiste, positivamente, para que eu
envie o Coronel Rafael Pinto Bandeira à captura e destruição do
gado [...] considerei-me obrigado a retirá-lo do estreito no dia
seguinte; designando a Companhia do Capitão Garcia Rodrigues
para velar pela costa.

Carta 29, de 25 de abril de 1777:

Mandei retirar o Capitão Garcia Rodrigues do estreito. Ele


atravessou de volta, ontem, o Rio Grande. Deslocá-lo-ei para o arroio
de Taím, para reforçar o posto do Major Patrício, e, ao mesmo tempo,
para ver e aprender o serviço.

Carta 30, de 22 de junho 1777:

Mandei uma ordem circular a todos os postos e fortes de


ambos os lados. Se os espanhóis agissem manifestamente contra o
armistício, os nossos deviam considerá-los inimigos e se defender
deles até ao extremo. Decidi mandar vir uma segunda companhia de
Voluntários de São Paulo para reforçar a de meus postos avançados

Carta 30, de 22 de junho 1777:

Mandei vir uma Companhia de Cavalaria de voluntários de


São Paulo, do Capitão Macedo com a qual passei uma revista no
sangradouro mirim e a considerei bem armada, os cavalos em melhor
estado do que a primeira. Fi-la marchar para o Arroio de Taím.
Passei a Companhia do Capitão Garcia Rodrigues, de Taím para o
Albardão, para reforçar aquele posto.
Carta 30, de 22 de junho 1777:

Como o Coronel Rafael já conhece os auxiliares a cavalo de


Curitiba, colocá-lo-ei, assim como os outros de São Paulo, que têm
cavalos, sob suas ordens, o que o deixou bastante satisfeito e para que
possa agir com vivacidade. Preenchi, por delegação de Vossa
Excelência, as vagas de três companhias de seu Corpo, que ele deve
recrutar presentemente, de modo que fiquem completas,
independentemente dos destacamentos dos “Registros”, que são
“Praças Suposas”. O Corpo do Coronel permanece além do Cerro
Pelado, para refazer os cavalos fatigados naquelas boas pastagens.

Pela Carta 30, uma nova análise tática é feita pelo Coronel Cláudio Moreira Bento,
no seu livro “A Guerra de Restauração”, pág. 292:

[...] duas Companhias de Cavalaria da Legião de São Paulo, à do


Capitão Garcia Rodrigues e a do Capitão José Joaquim de Macedo,
guardando as posições mais avançadas do Exército do Sul, no
Albardão e no Taím. Aí uma constatação de como a Cavalaria de São
Paulo atuou nos municípios atuais de Canguçu, Pedro Osório,
Pelotas, São José do Norte e Santa Vitória do Palmar. Enquanto isto,
Böhn concentrava sua Infantaria no Forte do Arroio.

Em julho de 1777 o Gen Böhn manda para a Vila de São Pedro o Regimento do Cel
Mexia com cinco companhias, deixando duas em Porto Alegre, chegando à fronteira do norte
de Rio Grande, em Torres, a 6 de agosto. Na mesma carta o Gen Böhn ainda informava a
atuação da cavalaria da Legião.

Carta 32, de 20 de agosto de 1777:

Esta confirmado que a colônia (do Sacramento) caiu em


mãos dos espanhóis. E ajunta-se que D. Francisco Bruno Zevala se
prepara para vir das Missões sobre nossas fronteiras daquele lado,
assim como D. Pedro Ceballos marcha sobre o Rio Grande.
Para a defesa deste continente, no lado do Rio Pardo acham-
se duas Companhias de Cavalaria de Voluntários de São Paulo; duas
companhias do batalhão de Roberto Rodrigues; a infantaria dos
Voluntários de São Paulo e o destacamento da Ilha, o que ultrapassa
1.000 homens...Vila de São Pedro, 20 de agosto de 1777.
(O grifo é nosso)

No final de agosto de 1777 o Gen Böhn recebeu carta do Vice-Rei, datada de 10 de


agosto, com as ordens para o armistício, o que fez com que o Comandante do Exército do Sul
expedisse e publicasse as mesmas. O general mandou um emissário levando essa informação
ao Vice-Rei de Buenos Aires. O emissário, um TCel, chegou a 2 de setembro ao arroio Chuí
para avisar ao Gen Vertiz, comandante de Santa Tereza. Logo em seguida, cessaram as
hostilidades, entretanto, o general recomendou a continuação da mesma vigilância e
precauções até nova ordem, mantendo-se o dispositivo das tropas inalterado.
Os Mortos da Legião na Guerra de Restauração

Transcrevemos uma relação dos mortos da Legião, extraída da Tese de Doutorado da


professora Maria de Lourdes Ferreira Lins, a qual escreveu: [...] tendo por base um
documento original os “Atestados de Óbitos”, da Igreja Nossa Senhora Madre de Deus, livro
de Registros n° 1, da Cúria Metropolitana de Porto Alegre, folhas 9-24, documento este
consultado, por deferência especial do Padre Rubem Neis, responsável pelo arquivo e
estudioso da história riograndense, Porto Alegre, 1974”.
Escreveu ainda a autora: “para uma narrativa tático-estratégica, com farta
ilustração (mapas, croquis, quadros), acha-se contida em recente conferência pronunciada
no IHGB, Rio, pelo Tenente Coronel Claudio Moreira Bento no seu “Bicentenário”, ainda
não publicado. Veja-se também, do mesmo autor Bicententário da Conquista da Fortaleza de
Santa Tecla, jornal Letras e Marcha, Biblioteca do Exército, abril de 1976, p. 6:

Nome Regimento ou Companhia Estado Civil Idade


Pedro João Granadeiros Ignorado 16 anos
Jozé Correa Penteado Mexia Solteiro 20 anos
Jozé Cordeiro de Pontes Granadeiros Solteiro 20 anos
Custódio de Goes Legião Solteiro 20 anos
Antonio de Goes Legião Solteiro 20 anos
Pedro Ribeyro Mexia Solteiro 20 anos
Manoel Cabral Granadeiros Solteiro 18 anos
Francisco Martins de Brito Granadeiros Solteiro 18 anos
Germano Francisco Infantaria da Legião Ignorado 25 anos
Pedro de Camargo Infantaria da Legião solteiro 16 anos
Alexandre Gonsalves Legião Solteiro 25 anos
Julião A. Macid Valle Solteiro 20 anos
João Baptista dos Santos Galeão Solteiro 16 anos
Miguel Franco Camargo Mexia Solteiro 25 anos
Luciano de Siqueira Xaves Valle Solteiro 20 anos
Joaquim da Silva Legião Ignorado 19 anos
Valentim Correa Infantaria da Legião Ignorado 20 anos
Jozé Antunes Macid Infantaria da Legião Solteiro 25 anos
Jozé de Oliveira Falcão Valle Casado 30 anos
Francisco Ribeyro Infantaria da Legião Solteiro 20 anos
Manuel... Valle Solteiro 20 anos
Salvador Mendes Infantaria da Legião Solteiro 20 anos
Salvador Dias Legião Ignorado 20 anos
Bento Correa Pinto Granadeiros Casado 24 anos
Jozé Francisco Legião Solteiro 16 anos
Antonio Domingos Mexia Ignorado 20 anos
Antonio Ferreira Mexia Solteiro 20 anos
Feliz da Costa Infantaria da Legião Ignorado 20 anos
Gerraldo Gomes Granadeiros Ignorado 33 anos
Calisto Jozé Granadeiros Ignorado 25 anos
Jozé da Silva Mexia Solteiro 20 anos
Jeronimo Martins Infantaria da Legião Ignorado 20 anos
Pedro Pereira Lopes Infantaria da Legião Solteiro 18 anos
Bento da Silva Infantaria da Legião Ignorado 20 anos
Joaquim Francisco Infantaria da Legião Solteiro 25 anos
Francisco da Silva Granadeiros Casado 16 anos
Francisco Nunes Infantaria da Legião Solteiro 20 anos
João Martins Infantaria da Legião Casado 30 anos
Pedro Jozé da Cunha Valle Solteiro 20 anos
Manoel Cardozo Infantaria da Legião Solteiro 18 anos
Francisco da Silva Anastácio Solteiro 25 anos
Manoel de Oliveira Granadeiros Solteiro 20 anos
Jeronimo Alvrez Granadeiros Casado 30 anos
Alexandre Soarez Valle Ignorado 20 anos
Domingos Francisco Legião Solteiro 25 anos
João de Oliveyra Legião Casado 20 anos
Manoel Gracez Legião Solteiro 30 anos
Zacharias Luiz Legião Solteiro ? anos
Ignacio Velozo Aguiar Mexia Solteiro 16 anos
Bernardo Dias Barboza Legião ou Mexia Solteiro 20 anos
Bernardo Jozé Nunes Legião Solteiro 12 anos
Simão Leite Legião Solteiro 20 anos
Joaquim Pedrozo Galvam Solteiro 20 anos
Manoel Correa Lopez Legião Solteiro 30 anos
Francisco Xaviera da Silva Lopes Granadeiros Solteiro 20 anos
João Pereira Legião Solteiro 16 anos
Manoel Dias Coutinho Legião Solteiro 30 anos
Ygnacio Correa Marquês Legião Solteiro 18 anos
João Leite Legião Solteiro 20 anos
Joaquim Pereyra de Morais Valle Solteiro 20 anos
Jozé de Assumpção Cruz Galvam Solteiro 25 anos
Antonio Cabral de Moraes Granadeiros Solteiro 25 anos
Salvador Barboza Galvam Solteiro 20 anos
Marçalino Luiz Valle Solteiro 20 anos
Ignacio Xavier Sezar Legião Solteiro 30 anos
Bento Jozé dos Santos Legião Solteiro 25 anos
João Pereira Legião Ignorado ? anos
Jozé Gonsalves Neves Granadeiros Solteiro 26 anos
João Leme Legião Solteiro 30 anos
Agostinho Macid Legião Solteiro 25 anos
Jozé Soares de Siqueyra Legião Solteiro 20 anos
Miguel Dias Barboza Galvam Solteiro 16 anos
Ignacio Cardozo Mexia Casado 30 anos
Jozé Paz Gonsalvez Valle Solteiro 30 anos
Simão Cordeiro Granadeiros Ignorado 25 anos
Miguel Franco Granadeiros Solteiro 18 anos
Ignacio Ribeiro Lima Mexia Solteiro 18 anos
Francisco Leme da Costa Valle Solteiro 19 anos
Ruperto Pires da Silva Valle Solteiro 20 anos
Francisco de Souza Legião Solteiro 18 anos
Antonio Ribeyro Legião Casado 30 anos
Manoel Picudo Só Valle Solteiro ? anos
Bento de Souza Mexia Solteiro 16 anos
João Gonsalvez Legião Solteiro 20 anos
Ignacio da Silveyra Lopes Granadeiros Solteiro 7 anos
Antonio da Costa Anastácio Solteiro 20 anos
Elesbão Nunes ? Solteiro 30 anos
Domingos Fernandes ? Solteiro 20 anos
A professora Maria de Lourdes chamou a atenção de que o registro do primeiro óbito
foi de 3 de março de 1776, mês em que já se havia decidido e começado a contra-ofensiva aos
espanhóis. As mortes de numerosos paulistas no mês de março e abril de 1776 poderiam se
relacionar com a atuação da Legião na conquista do Forte Santa Tecla, na região de Bagé.
Nesse caso, poderia ser da atuação das duas companhias de infantaria de Voluntários Reaes e
do Regimento de Santos que seguiram antes por mar.
A observação da professora é bastante interessante e importante, pois pelo
entendimento com outros autores, os paulistas participaram da conquista de Santa Tecla, no
caso a sua Infantaria, que logo que chegou ao sul recebeu a ordem de reforçar as tropas de
Rafael Pinto Bandeira.

O Fim da Guerra de Restauração

Quando Ceballos se preparava para atacar Rio Grande, morreu em junho de 1777 o
rei D. José I, ocasionando também a queda do Marquês de Pombal e por conseqüência à
subida ao trono de D. Maria I. É assinado o Tratado de Santo Ildefonso em 1º de outubro do
mesmo ano, colocando fim a guerra entre Portugal e Espanha. Pelo tratado, Santa Catarina foi
devolvida a Portugal e a Colônia do Sacramento passou definitivamente ao domínio da
Espanha.
O General Böhn a 29 de agosto de 1777 é informado pelas cartas do Vice-Rei
Marquês do Lavradio do armistício entre Portugal e Espanha. Ciente da informação o general
responde ao Vice-Rei das providências que tomou.

Carta 33 de 12 de setembro de 1777:

Tive a honra de receber a 29 de agosto as cartas de Vossa


Excelência de 10 de agosto, com as ordens para o armistício que fiz
logo expedir e publicar para toda a minha jurisdição e enviei o Ten
Cel Manoel Soares Coimbra, com as duas cartas, para o Vice-Rei de
Buenos Aires, a quem eu participava já ter dado ordens para
suspensão de qualquer hostilidade [...]
O Ten Cel chegou, a 2 de setembro, ao Arroio de Chui. Ali
foi detido pelo oficial comandante que se fez ignorante sobre a
suspensão das hostilidades e mandou avisar ao general Vertiz,
Comandante de Santa Tereza, [...] a 6, de manhã, recebi aviso do
Albardão de que lá havia chegado o Marquês de Tabuertiga,
Ajudante de Ordens do Vice-Rei, D. Pedro Ceballos, pretendendo,
com seu salvo-conduto, vir aqui me trazer uma carta de seu general
[...]
Apesar da cessação das hostilidades terem sido inculcadas
em todos os mais positivamente, recomendei a continuação da mesma
vigilância e precauções até nova ordem. Não mudei no dispositivo das
tropas, [...]

O Retorno da Legião de Voluntários Reaes para São Paulo

Feito o armistício com os espanhóis, a Legião de São Paulo permaneceu no sul até o
final de 1778, quando nesse período o Exército do Sul ainda ficou de sobreaviso na região
para qualquer nova ação.
Relatando sobre a Legião de São Paulo, o General Böhn escreveu ao Marquês do
Lavradio, Vice-Rei:
Carta 38, de 8 de fevereiro de 1778:

O Coronel Manoel Mexia Leite saberá valorizar a honra com


que Vossa Excelência o distinguiu. Preparo as 5 companhias de seu
regimento para a marcha a Laguna; lembro ao governador que os
dois outros, que se encontram em Porto alegre, estejam prontos para
marchar, à primeira ordem. Os indivíduos que quiserem servir ou
estabelecer-se neste Continente ficarão aqui por ordem de Vossa
Excelência; observarei a mesma coisa com as outras tropas que terão
de se deslocar.
Comuniquei ao governador as ordens a respeito dos
Auxiliares das Minas Gerais, dos quais ignoro quantos de encontram
neste Continente. Desejaria saber se os Voluntários de São Paulo
devem retirar-se também para a ilha de Santa Catarina.

No ano de 1778 a situação da cavalaria e do regimento de Santos é relatada por Jozé


Marcelino ao Governador de São Paulo.
O Cel Mexia já esta em marcha do Rio Grande com as cinco
companhias do seo regimento, e eu mando daqui as duas para todas
na Laguna esperarem ordem para se apossarem da nossa ilha de
Sancta Catharina, para onde também mando os soldados dispersos de
diferentes corpos que lá se debandarão. O Regimento de Voluntários
Reais também se recolherá brevemente, e intendo para essa capitania.
13 de fevereiro de 1778. Jozé Marcelino
(Documentos Interessantes, volume 17, Arquivo de S. Paulo)

Da mesma maneira o Gen Böhn escreveu ao Governador de São Paulo relatando a


situação das tropas paulistas. Na mesma, já aparece a autorização para que parte dos soldados
paulistas ficassem no sul.

O Cel Manoel Mexia marchou no dia 16 dessa fronteira com


as cinco companhias, que estiveram nesse quartel. Confesso a VExa
que me ficaram sinceras saudades delles, eu mesmo me criei com as
cinco companhias em hum regimento novo, e formei também hum [...]
As duas companhias de voluntários de cavallaria também
devo fazer justiça, [...]; e dou a VExa os parabéns. 28 de fevereiro de
1778.
P.S. Veio ordem do Snr. Marquês Vice-Rei para deixar neste
continente todos os soldados que do Regimento de Santos e dos
Voluntários Reais de São Paulo, quizessem ou servir, ou estabelecer-
se nelle; e o mesmo se deve praticar com as mais tropas, quando se
retirarem. Do Regimento de Santos ficaram 28 soldados.
(Documentos Interessantes. Volume 17, Arquivo de S. Paulo)

Posteriormente, em março, escreveu o Gen Böhn ao Governador de São Paulo


referindo-se às duas companhias de cavalaria, de Macedo e de Garcia Rodrigues:

Faço agora marchar em conformidade de novas ordens do


Snr. Marquez Vice-Rey, as companhias de Cavalaria de Macedo e
Garcia Rodrigues para Laguna.
Estimarei que elas vão pela metade tam contentes de mim
como eu sou satisfeito da sua conduta, do que conservarei uma
lembrança saudoza. 20 de março de 1778.
(Documentos Interessantes, volume 17, Arquivo de S. Paulo)

Ainda relatando sobre a Legião de São Paulo, o General Böhn escreveu ao Marquês
do Lavradio, Vice-Rei, nas cartas 39, 40 e 41:

Carta 39, de 22 de abril de 1778:

O governador, na sua carta inclusa, fala de um perdão de


S.M., a todos desertores, sobre o que faltam-me ordens de Vossa
Excelência. Ele está impaciente pela partida dos Voluntários de São
Paulo, que eu não poderia retirar sem ordem de Vossa Excelência;
ainda mais por não ter recebido notícias da retirada das tropas
espanholas de Santa Tecla.

Carta 39, de 22 de abril de 1778:

A 14 de março recebi ordens de mandar deslocar, sem


demora, as tropas da Companhia de São Paulo e os Guardas do Vice-
Rei para Laguna. Mandei vir as Companhias de Voluntários de
Macedo e de Garcia Rodrigues para o acampamento do Arroio. Ali se
acomodaram nas cabanas que mandei se conservassem das três
Companhias de Moura, na espera de que seus cavalos passassem o
rio. Os dois Capitães resolveram fazê-los atravessar a nado. Os
cavaleiros passaram em barcas. A bagagem pesada ficou aqui com
uma pequena.
O Capitão Macedo, oficial de mérito, zeloso, prudente,
conhecedor do trato dos cavalos, recebeu o comando dessas duas
Companhias de Cavalaria de São Paulo, com o que fiquei bastante
tranqüilo. A 27, puseram-se em marcha do estreito [...].

Carta 39, de 22 de abril de 1778:

Escrevi ao Governador José Marcelino para mandar


deslocarem-se, também, as duas outras Companhias dos Voluntários
de São Paulo e as seis de Infantaria para Laguna.

Carta 40, de 1º de maio de 1778:

Não poderia deixar de informar a Vossa Excelência que o


Regimento de Santos chegou a Laguna. Conforme suas últimas ordens
de 15 de fevereiro, que recebi a 14 de março, mandei deslocar as
duas Companhias de Cavalaria dos Voluntários de São Paulo, a 27,
do estreito e a Companhia de Guardas de Vossa Excelência, a 1º de
março, da fronteira do norte, todas para Laguna, onde suponho que
umas e outras já tenham chegado. De igual modo o restante dos
Voluntários de São Paulo, que o Governador fez partir de seus
quartéis, por aquelas mesmas ordens, que lhe comuniquei logo que as
recebi. Destes Corpos de São Paulo ficaram cerca de 50 homens neste
continente.[...]
Comentário da Carta 40: Da Legião de Voluntários de São Paulo ficaram
aproximadamente 50 homens no Continente do Rio Grande de São Pedro do Sul, por certo
para o seu povoamento.

Carta 41, de 21 de maio de 1778:

Diz-me o Governador (Marcelino Figueiredo) ter tomado


medidas para que a carne não falte. Ele enviou para cá todos os
prisioneiros condenados do Regimento de Voluntários de São Paulo e
de Santos que me trazem embaraço. Vejo-me obrigado a me desfazer
deles, enviando os que foram condenados à pena de morte ou de
desterro em Angola, na sumaca do Mestre José Alves Neves, para
essa capital. (O grifo é nosso).

O Gen Böhn ainda no comando das tropas paulistas relata a Martim Lopes Lobo de
Saldanha a chegada das mesmas a ilha de Santa Catarina, que estava já sob o novo
comandante, o Brigadeiro Veiga Cabral, o qual substituiu Antonio Carlos Furtado de
Mendonça.

As tropas da Capitania de São Paulo já se achão todas na


vizinhança da ilha de Santa Catharina, e talvez já na posse dellas
debaixo das ordens do novo governador o Snr. Brigadeiro Antonio da
Veiga Cabral da Câmara. 21 de maio de 1778. Gen Böhn
(Documentos Interessantes, volume 17, Arquivo de São Paulo)

A Cavalaria da Legião estaciona em Laguna e permanece nesta Vila por alguns


meses em uma posição de espera ao seu retorno à Capitania de São Paulo. O Governador
Veiga Cabral da Vila de São José, em frente à ilha de Santa Catarina, escreveu em 22 de
junho de 1778 ao Governador Martim Lopes relatando a situação das duas tropas de linha de
São Paulo.

A 17 do corrente entrou aqui com quinze dias de viagem


huma sumaca, que conduzia do Rio Grande o Alferes Jozé de Sá do
Regimento Mexia com sette officiaes inferiores, quarenta e dous
soldados, o armeiro do regimento, quatorze prezos sentenciados, o
resto da bagagem do mesmo regimento, e do corpo de Voluntários
Reaes, o furriel Manuel Eugenio de Oliveira, trez soldados, hum
prezo sentenciado, armamento, muniçoens e bagagem. Eu mandei
logo entregar ao coronel tudo o que pertencia ao seo regimento, e
escrevi ao Ten Cel comandante dos voluntários, que ainda se acha na
Laguna, para que mandasse logo hum official tomar entrega do que
fica referido, para se conservar um armazém, que já esta prompto, até
me chegarem as ordens que espero do Exmo Snr. Marquez Vice-Rei,
respectivas ao destino daquelle corpo. Quartel em São Jozé. 22 de
junho de 1778. Veiga Cabral.
(Documentos Interessantes, volume 17, Arquivo de S. Paulo)

Passado mais alguns meses permanecia a Cavalaria da Legião em Laguna. Em


novembro de 1778 o Brigadeiro Veiga Cabral escreveu ao Governador de São Paulo relatando
a situação da tropa, a qual continuava com falta de pagamento.
O corpo dos voluntários que espera a vinte legoas distantes
desta praça na villa de Laguna tem muito boa gente, especialmente a
cavalaria, mas a continuada falta de pagamento, e de meios nesta
Capitania para ser diariamente mais bem sustentada produzindo
naturalmente huma grande necessidade, precizou o seu comandante
pedir-me licença para enviar o portador desta carta á presença de
VExa. 8 de novembro de 1778. Brigadeiro Veiga Cabral.
(Documentos Interessantes, volume 17, Arquivo de S. Paulo)

Em dezembro o Brigadeiro Veiga Cabral recebeu ordem para embarcar as tropas do


Exército do Sul que vieram do Rio de Janeiro, bem como as tropas paulistas para sua
Capitania, cujas providências informava ao Governador de São Paulo.

Acabo de receber e expedir para o Exército do Sul as ordens


para se retirarem, a embarcar nessa ilha para o Rio de Janeiro, as
tropas de que se formou o mesmo exército, e ao mesmo tempo me
ordenou o Exmo Snr. Marquez Vice-Rey, que fizesse passar a
Capitania de VExa as que lhe pertence [...] passar á Barra do Norte
dessa ilha todas as embarcações que se acharem nos portos da sua
Capitania, pois eu mando immediatamente aquartelar nos grandes
quartéis da Fortaleza daquella barra que só podem ser aproveitados
em semelhantes occaziõe, o corpo dos Voluntários Reaes, para que
como mais necessitado, se aproveite primeiro do regresso,
embarcando-o logo que caiba no possível e livrando-o do concurso
com os Regimentos da Europa (Bragança, Moura e Estremoz), que
indispensavelmente hão de embaraçar os outros transportes. Faço
tenção de mandar ultimamente o regimento do Cel Mexia, porque esta
muito bem aquartelado, e nam tem padecido tantas necessidades [...]
14 de dezembro de 1778. Brig Veiga Cabral. (O grifo é nosso)
(Documentos Interessantes, volume 17, Arquivo de S. Paulo)

Em janeiro de 1779, finalmente a Cavalaria da Legião consegue embarcar para a


Capitania de São Paulo. O destino era o Porto de Santos.

Mandei embarcar o Corpo de Voluntários Reaes, com


destino ao Porto de Santos. Nam foi possível agazalhar a todos como
desejava, mas a benevolência dos beneméritos se pagaria da minha
vontade que constrangida a último extremo pedio a razão [...]
Em voltando as referidas embarcações, e acabando de
passar as tropas que formarão o Exército do Sul, seguirá o Regimento
Cel Manoel Mexia Leite a viage para Santos. Nossa Senhora do
Desterro. 14 de janeiro de 1779. Francisco Antonio Veiga Cabral
(Documentos Interessantes, volume 17, Arquivo de S. Paulo)

Pesquisando no Arquivo do Estado de São Paulo também encontramos a descrição


do retorno da Legião na correspondência de 4 de janeiro de 1779 do Governador Martim
Lopes Lobo de Saldanha ao Ten Cel Henrique Jozé de Figueiredo, Comandante da Legião,
quando este estava na barra norte da ilha de Santa Catarina.

A esse instante recebo o avizo do Governador da Ilha de


Santa Catharina em que manda marchar o seo regimento aos grandes
quarteis dessa barra, a esperar embarcações para o transportar a
essa Capitania, eu cuido em expedir destes portos todas as que se
acharem nelles [...] e porque poderá ser de conveniencia a alguns
officiaes e soldados quererem recolherce por terra, poderá vosmice
licenciar todos aquelles que lhe parecer não farão dezordem, e
cumprirão as ordens, que vosmice lhe der a respeito das sua marcha.
[...] São Paulo 4 de janeiro de 1779. Martim Lopes Lobo de Saldanha
(Documentos Interessantes, volume 81)

Ao final da Guerra de Restauração, vários paulistas componentes das companhias de


Cavalaria Ligeira foram convocados como testemunhas, para depor no processo a que Rafael
Pinto Bandeira respondeu perante o Conselho de Guerra. A acusação era o cometimento do
desvio de presas de guerra, pela qual acabou sendo absolvido. Antes do fim da guerra, a
chamada “Tropas Ligeiras”, recém introduzidas no Brasil, e preliminarmente em São Paulo,
foram testadas na campanha do sul. E tanto o resultado foi positivo, que surgiu também no
Rio Grande um Corpo de Tropas Ligeiras, sob as ordens e comando de Rafael Pinto Bandeira,
como é citado nas cartas do General Böhn.
4. A LEGIÃO EM SÃO PAULO (1779-1810)

A chegada da Legião a São Paulo

A Legião chegou a São Paulo em janeiro de 1779. Na carta que Martim Lopes
enviou para Martinho de Melo Castro, de 17 de janeiro de 1779, foi relatada a chegada da
legião, no caso chamado de Regimento de Voluntários Reaes, o qual tinha aportado no Porto
de Santos em condições muito precárias:

[...] chegou ao Porto da Vila de Santos o Regimento de


Voluntários Reaes desta Capitania, descalço, sem sapatos, meias,
camisas e as fardas tão rotas como não é dizível, devendo-se-lhes no
fim desses 15 meses de soldo, o que participo a Vossa Excelência a
cuja alta compreensão deixo o quanto aflito fico por não ter meios de
poder acodir a tanta necessidade e não saber como hei de conservar
esta tropa em disciplina faltando-lhe totalmente a subsistência.
(Documentos Interessantes, Volume 43, Arquivo de São Paulo)

A chegada da Legião no Porto de Santos no dia 20 de janeiro de 1779 é relatada


também na correspondência do Governador Martim Lopes Lobo de Saldanha em resposta ao
Comandante da Cavalaria da Legião, o qual lhe teria informado da chegada. Neste dia 20
chegou a companhia do capitão Macedo e o estado maior. No dia seguinte, 21, chegaram as
dos capitães Garcia e Pinto. A única companhia que ainda estava ausente era a do capitão Jose
Rodrigues de Oliveira Montes.

Com grande satisfação minha recebi a carta de Vmce de 20


do corrente, em que remete o mapa da tropa que o acompanhou a
essa Villa, onde estimo chegace, apezar do contra tempo que teve de
arribar a Parnagua onde fez Vmce em pedir ao Sargento-Mor
Francisco Jozé Monteiro, mantimento para que não padecesse falta
dele no mar, e como nessa ocazião dou as ordens do seu Ten Cel para
que a tropa suba a essa cidade [...]. 27 de janeiro de 1779. Para Sgt-
Mor Jozé Pedro Francisco Leme. Martin Lopes Lobo de Saldanha.
(Documentos Interessantes, Volume 81, Arquivo de São Paulo)

Na mesma data, 27 de janeiro, o governador escreveu ao Comandante da Legião,


TCel Henrique Jozé Figueiredo, e trata das medidas para o retorno da tropa à cidade de São
Paulo, devendo, entretanto, deixar duas companhias de infantaria da Legião guarnecendo a
Vila de Santos e suas Fortalezas.

Agora que me hê possível faço resposta as duas cartas que


ce
de Vm recebi, ambas com data de 18 do corrente.
Estimo que tenha Vmce o gosto de ler ahi já o seo regimento
a execpção da companhia de José Rodrigues, que espero todos os
dias [...].
Para guarnecer essa vila, e suas fortalezas deve Vmce
nomear duas companhias, que fiquem destacadas com o numero de
200 praças, e o resto do regimento hade marchar para esta cidade; e
porque não pode vir todo junto pelo máo caminho e falta de
transporte; regule Vmce quantas companhias devem marchar de cada
ves, e segundo a sua bagagem e muniçõens, me avize das
cavalgaduras de que carece, para as mandar aprontar, e avizar do
dia em q’ hão de achar no Cubatão para principiar a sua marcha, na
que devem trazer o armamento todo, ainda dos mortos que se deve
recolher no armazem desta cidade.
Se Vmce achar que no tempo que ahi se dilatar, se poderá
conceguir fazeremce os sapatos para os soldados, com medidas lhes
mandará tomar, participando ao Sgt-Mor comandante e o assim o
determino, e pelo que respeito as meyas, há tempo estou cuidando
delas...
Ao tempo que recebi a sua carta de 21 de janeiro,
participandome a chegada das sumacas que trouxerão as companhias
de Leme, Pinto, Freitas e Graça recebi também a sua de 30 de
dezembro[...] São Paulo, 27 de janeiro de 1779.
(Documentos Interessantes, Volume 81, Arquivo de São Paulo)

Na carta o governador inicia as providências para fornecer os sapatos e as meias para


a Legião, já que os combatentes vieram sem elas e descalços. A chegada na Sumaca do dia 21
de janeiro correspondeu às duas companhias de cavalaria (Leme e Pinto) e de duas
companhias de infantaria da mesma Legião (Freitas e Graça).
O governador preocupado com o mais breve retorno das tropas que faltavam chegar
a Santos, no caso uma companhia da cavalaria da Legião e do Regimento de Santos, escreveu
no início de fevereiro ao Governador da Ilha de Santa Catarina, Brigadeiro Francisco Antonio
Veiga Cabral, solicitando agilização no embarque dessas mesmas.

Ao tempo de eu receber a carta de VSª, já se achavão no


porto da Villa de Santos algumas embarcaçõens, sendo a primeira a
em que vinha o Ten Cel Comandante de Voluntários com parte dessa
tropa, e sucessivamente foi chegando o mais, a execpção do capitão
Jozé Rodrigues de Oliveira e sua companhia que não sei do seo
destino. Eu estou bem persuadido, que a caber nas forças de VSª, não
teria eu o dissabor de ver o deplorável estado, em que este regimento
vem, por falta de paga, e vestuária, que atello não teria desculpa o
seo comandante para que não fosse hum dos mais disciplinados
porque os indivíduos de que se compoem, são os meos paulistas com
o melhor gênio de todos os da América para serem bons soldados,
como sucede aos do Regimento de Manoel Mexia Leite [...] eu
gratifico por quanto se satisfaz deste regimento que confio VSª me
mande logo, que lhe seja possível para ter a consolação de vello, que
me deve saudade, como filho meo [...]. São Paulo, 3 fev 1779.
(Documentos Interessantes, Volume 81, Arquivo de S. Paulo)

Na mesma data, 3 de fevereiro, Martim Lopes escreveu ao Ten Cel Henrique de


Figueiredo, Comandante da Legião, o qual ainda estava em Santos. O assunto era o
deslocamento para São Paulo e a devolução do material.

Aprovo o ficar incluído nas duzentas praças, que ficam nessa


Villa para nela fazer o serviço o destacamento que ahi se acha do
Regimento de Mexia, aliviando o de VMce de dar mais aqyele pequeno
numero...
Logo que recebi a carta mandei apromptar vinte cavallos e
quarenta índios que logo cheguem a esta cidade mando baixar a
Cubatam. Justo que parece que os soldados marchem com o seo
armamento e os que não tem corpos passem ao Cubatam para se
conduzir como Vmce, lembra para a ordem devem passar também os
selins e arreyos e ferramentas e quando não, entregar estas neste
armazém, como a sessenta e tantas barracas. Estimo tomasse entrega
de cento e vinte pares de sapato e que os distribuísse a tropa [...].
estou impaciente esperando, me cheguem de Mogy as meyas, onde as
mandei fazer.... 3 de fevereiro de 1779.
(Documentos Interessantes, Volume 81, Arquivo de S. Paulo)

No início de fevereiro termina a ansiedade do Governador, pois chegam a companhia


de cavalaria da Legião que faltava e parte do Regimento de Santos, conforme lhe informa o
Comandante da Vila de Santos, Sgt-Mor Francisco Aranha Barreto . Entretanto, o problema
dos sapatos e do pagamento da tropa ainda lhe causava preocupação.

Na de 5 me segura Vmce ter chegado em huma sumaca o


Capitão Jozé Rodrigues de Oliveira com sua companhia, e vários
soldados do Regimento a que estimo.
Fez Vmce muito bem em despedir os auxiliares que se
achavão servindo, visto estar entregue do destacamento de
Voluntários, a quem se hade pagar, como os seus officiaes, meyo
soldo, té que o cofre tenha possibilidade de ser lhes continuar por
inteiro, e se lhes satisfazer os atrazados.
Estimo que se tenhão entregue á tropa os sapatos feitos, e
que os mais se completem. [...]10 fev 1779. Martim L. L. de Saldanha.
(Documentos Interessantes, Volume 81, Arquivo de São Paulo)

A Legião na Capitania de São Paulo

Na medida em que o Governador da Capitania não se sentia em condições de


sustentar o mesmo número de tropas que foi envido para a campanha do sul, a solução que
encontrou foi a de dar baixa a oficiais e praças e a de conceder licenças.
Poucos meses após a chegada da legião, Martim Lopes Lobo de Saldanha deixa o
governo da Capitania de São Paulo. Assume em seu lugar Bernardo José de Lorena, novo
Capitão-General e Governador, nomeado por patente de D. Maria I, rainha de Portugal, o qual
administrou a Capitania por nove anos, no período de junho de 1788 até junho de 1797.
Um mês após a sua chegada, Bernardo José de Lorena escreveu a Majestade
relatando à situação da Legião, em que a mesma contava com 308 homens do estado efetivo e
diminuindo 122, que estavam destacados, restavam 186 soldados. Quanto aos cavalos das
quatro companhias de cavalaria, estes se achavam reduzidos a 47 e tirando 37 que estavam
destacados e outros dois lançados no mapa de Curitiba, restavam somente 8 e estes tão velhos,
como qualificava o governador, que ainda eram da campanha do Rio Grande. A tropa estava
sem estado maior, não havia tenente coronel, nem major e nem ajudante. Faltavam
estandartes, bandeiras e por conseqüência ninguém os jurou, completava o relato.
Permanecendo em São Paulo, a Legião passou a ter atribuições rotineiras
determinadas pelo Governador Bernardo José de Lorena. Muitas das missões eram ligadas à
comunidade paulista, entre as quais a de 23 de julho de 1788 de manter uma guarda para
acompanhar o Santíssimo Sacramento, de modo que todas as vezes que este saísse, o capitão
da guarda principal faria destacar um oficial subalterno com a terça parte da guarda, um
tambor e um pífano. Recolhido o Santíssimo também se recolheria o destacamento.
Outras ordens também foram emanadas do governador, em sua maioria logo após
assumir o governo. A de 2 de setembro de 1788 era para que os dois capelães das tropas pagas
de São Paulo, ou seja, do Regimento de Infantaria e da Legião, para que alternadamente se
fizessem presentes no Hospital Real, devendo o capelão escalado na semana permanecer na
cidade, e querendo, deveria deixar o seu destino.
Abordando sobre o hospital, outras duas ordens estavam relacionadas ao nosocômio.
Uma delas, a de 20 de agosto de 1788, era para que o cirurgião de serviço no mês deixasse
dito no hospital, o local onde poderia ser encontrado. A outra, de 27 de setembro do mesmo
ano, era para que os cirurgiões das duas tropas de linha assistissem aos doentes, tanto pela
manhã como pela tarde. No hospital havia uma guarda e a ordem de 8 de agosto era para que
a mesma informasse de imediato ao comandante do Regimento de Infantaria e como da
Legião, os indivíduos desses corpos que recebessem alta hospitalar.
Outras atribuições foram dadas à Legião por Bernardo de Lorena, como as guardas
do Palácio do Governador, da Casa da Pólvora, do hospital, do Armazém Real, da Casa da
Fundição, das Igrejas e da Casa da Ópera e ainda da guarda da cadeia. Desta última, conforme
ordem de 15 de agosto de 1789, a sua constituição era de 18 homens, 1 tambor, 2 oficiais
inferiores e 1 oficial subalterno e quando a guarda fosse da cavalaria não haveria trombeta.
Outra atribuição recebida pela Legião era a de realizar a ronda até a meia-noite no Páteo do
Colégio.
Todas as informações acima, referentes às atribuições da Legião em São Paulo,
foram levantadas nos Documentos Interessantes, volume 45, do Arquivo do Estado de São
Paulo.
Quanto ao Pátio do Colégio que acabamos de escrever, foi o local onde nasceu a
cidade de São Paulo. Os jesuítas julgando que um colégio situado no planalto atenderia
melhor as finalidades da obra evangelizadora e educativa da Companhia de Jesus levantaram
em 1554, no alto de uma colina, uma casinha e uma pequena capela rústica, onde hoje está o
pátio. Aliás, o nome da época era “Páteo”, e é assim que se mantém até hoje. Foi então que na
manhã de 25 de janeiro do mesmo ano, dia consagrado à conversão de São Paulo, nome da
atual cidade, que se celebrou a 1ª missa.
Com a casa paroquial e com a capela, com o tempo passou a se aglomerar em volta
das mesmas mais casas, e com isso iniciou o povoamento. Desta maneira, o Páteo do Colégio
tornou-se o centro de tudo que acontecia na comunidade e nele passou a ser o local onde eram
realizadas as comemorações e os eventos. Esse páteo ainda existe e é um dos pontos turísticos
mais visitados da cidade de São Paulo, juntamente com o Museu de Anchieta e a capela
anexa, reconstruída em 1979.
É nesse mesmo Páteo em que a legião deveria fazer a ronda e alguns anos mais tarde,
conforme determinação do Governador Bernardo de Lorena de 2 de maio de 1792, que as
tropas passassem a realizar as paradas nesse local, até segunda ordem. Visitando o Museu do
Anchieta, em uma de suas salas os visitantes têm acesso a várias gravuras que mostram,
através delas e ao longo do tempo, a evolução da cidade ocorrida em torno do Páteo do
Colégio. Em uma dessas gravuras aparece uma tropa em forma no Páteo, estando à direita um
militar montado a cavalo e os demais a pé. A figura retrata o que deduzimos ser exatamente
uma parada, comprovando que a ordem foi cumprida. Ao ver a gravura não tem como não
pensar na Legião.
Era ao redor do “Páteo”, que funcionava toda a estrutura administrativa da capitania,
incluindo o palácio do governo, as igrejas, a cadeia, o hospital real; e próximo a tudo isso os
quartéis.
Escrevendo sobre o quartel, a Legião que não tinha um, usava casas requisitadas de
particulares, motivo de queixas de seus proprietários, os quais não recebiam nenhuma
compensação, nem mesmo os aluguéis a que faziam jus. Para a legião a situação era ruim,
pois como alegava o próprio governador em correspondência de 20 de maio de 1790, a tropa
não poderia conservar os armamentos na devida limpeza. Na mesma correspondência
endereçada a Martinho de Mello e Castro, o governador informava que as obras do novo
quartel estariam concluídas até o São João, ou seja, 28 de junho (Documentos Interessantes,
volume 45, Arquivo de São Paulo).
Outra missão que foi atribuída à Legião foi a do serviço de Bombeiros, sendo
designada para tal tarefa a 4ª companhia de infantaria. Apesar de não envolver a Cavalaria da
Legião, achamos interessante mencionar o fato justamente para dimensionar o quanto foi o
envolvimento dos “Voluntários Reaes” com a cidade de São Paulo (Documentos, ordem 263,
caixa 31, Arquivo de São Paulo).
Verificando ainda nos documentos do Arquivo do Estado de São Paulo, encontramos
um mapa do efetivo da Legião no ano de 1793. Nele constavam os destacamentos tanto da
infantaria como da cavalaria. Da primeira estavam distribuídas tropas na Vila de Lages, no
Porto do Meira, Fazenda Santa Anna e a Vila de São Sebastião, enquanto que na cavalaria
estavam no Registro de “Coritiba”, Fazenda Santa Anna, nos Matos e na Cavalhada.
Nesse ano, a cavalaria ainda possuía quatro companhias, sendo a primeira com 64
homens prontos e 16 destacados ao comando do capitão Pinho; a segunda com 68 prontos e
17 destacados ao comando do capitão Leme; a terceira com 59 prontos e 9 destacados ao
comando do capitão Gavião e por último a quarta companhia ao comando do capitão Lara, 64
prontos e 18 destacados (Ordem 263, caixa 31, Arquivo de São Paulo).
Dois anos depois, em 1795, ainda durante o governo de Bernardo de Lorena, a
Legião continuava mantendo parte da tropa destacada pela capitania. Da infantaria havia
destacamentos na Praça de Santos, Vila de São Sebastião, Vila de Lages, Porto do Meira,
Casa da pólvora e Fazenda Sant Anna. Da cavalaria estavam destacados dois cabos e oito
anspeçadas em Registro de Curitiba; um cabo e seis anspeçadas na Vila de Sorocaba; um cabo
e quatro anspeçadas na Ponte dos Pinheiros; um cabo e quatro anspeçadas na Casa da pólvora
e por último um trombeta e cinco anspeçadas na Fazenda Santa Ana. O total de militares fora
da sede incluindo da infantaria e da cavalaria somava um capitão, dois alferes, três sargentos,
um furriel, dois trombetas e 64 anspeçadas ou soldados.
Como curiosidade, um dos destacamentos citados, o de Santana, tem uma história
bastante interessante. Era uma fazenda às margens do rio Tietê constituída por terras que eram
dos jesuítas. Elas foram adquiridas pelos religiosos através de sesmarias ou de doações por
parte de fiéis proprietários de terras e a sua origem remonta ainda século XVI, quando os
primeiros povoadores ali chegaram. A sede da fazenda era exatamente onde hoje se encontra
o atual quartel do Centro de Preparação de Oficiais da Reserva (CPOR), na atual Rua Alfredo
Pujol.
Em 1759 quando o Marquês de Pombal expulsou de Portugal e de suas colônias os
padres da Companhia de Jesus, as áreas pertencentes aos jesuítas, entre elas a Fazenda Santa
Ana, foram desapropriadas e passaram às mãos da Coroa em 1761.
No ano de criação da Legião, a Fazenda Santa Ana era de uso do governo da
Capitania de São Paulo e passou a fazer parte da história do 5º R C Mec já no ano de 1775,
quando ali a Cavalaria da Legião se preparava para o seu deslocamento ao Continente de São
Pedro. É nesse momento que Martim Lopes Lobo de Saldanha, em carta ao Vice-Rei,
informava que estava indo duas vezes por semana à Fazenda para verificar o aprestamento da
tropa (Documentos Interessantes, volume 28, Arquivo de São Paulo).
Atualmente na cidade de São Paulo existe um bairro chamado de Santana, no qual se
encontra o próprio CPOR como mencionamos e o Arquivo do Estado onde fizemos a nossa
pesquisa. É uma pequena porção da antiga fazenda que lhe deu origem e o mesmo nome. Foi
com surpresa e emoção quando descobrimos que naquele local onde estávamos pesquisando
era o mesmo onde a Cavalaria da legião estava se preparando a mais de dois séculos atrás.
Bernardo de Lorena passou o governo à D. Antonio Manoel de Mello Castro e
Mendonça em junho de 1797. Após tomar posse como novo Capitão-General, Mello Castro
aumentou o efetivo da Legião, acrescentando à mesma uma Brigada de Artilharia a pé e a
cavalo, como também incorporando uma Banda de Música.
Poucos meses após a sua posse, dirigindo-se ao Conde de Rezende, Vice-Rei, em 15
de setembro de 1797, escreveu Mello Castro, que na capitania havia “uma absoluta falta de
armas, principalmente para o Corpo de Cavalaria da Legião, no qual apenas há cincoenta
pistolas incapazes e umas poucas de espadas de todo inúteis...”. Apesar dos esforços, os
problemas da Legião de ordem material após o retorno do Sul, ainda não estavam resolvidos e
nova campanha militar se aproximava como veremos mais adiante.
Em 1802, ainda durante o governo de Mello Castro, o Comandante da Legião,
Sargento-Mor Pedro da Silva Gomes, pelo mapa, informava ao governador o efetivo da tropa
com os seus respectivos destacamentos. Da infantaria havia pessoal nas Vilas de Curitiba,
Lages, Santos, Cunha, Lorena, Guaratinguetá e Cubatão e ainda no Jardim Botânico. Quanto à
cavalaria mantinha destacamentos nas Vilas de Piahi, Itapetininga, Bragança, Mogi-Mirim,
Sorocaba, Jacareí, Lorena, Cunha, Lages e nas fazendas Arariguama, Pitangui e Santa Anna.
Dos destacados, somando a cavalaria e a infantaria totalizava 01 capitão, 02 tenentes, 01
alferes, 02 furriéis e 119 soldados.
Ainda pelo mapa de dezembro de 1802, verificamos que a Cavalaria da Legião tinha
somente três companhias, as quais eram os seus comandantes os capitães Brito (1ª), Costa (2ª)
e Pinto (3ª). A quarta companhia permanecerá suprimida e somente será reorganizada em
1808 (Documentos, ordem 263, anos 1793-1818, caixa 31, Arquivo de São Paulo).

A Padroeira da Legião de São Paulo

No campo da religião descobrimos nos “Documentos Interessantes, volume 45, São


Paulo, 20 de abril de 1796, p. 182”, que “Santa Bárbara” foi escolhida como Protetora da
Legião, conforme transcrição abaixo:

Senhora: (Rainha) os Oficiais da Legião de Voluntários


Reais dessa cidade, de que eu sou Coronel, uniformemente com
faculdade do Bispo Diocesano erigirão Irmandade à gloriosa Santa
Bárbara Protetora da Referida Legião, colocada na Sé da Catedral, e
para o bom regimem, conservação e aumento da mesma se formou o
compromisso, que acompanha esta, já aprovado e aceito pelo Bispo
Diocesano, porém como nada desejamos sem a real aprovação e
confirmação de Vossa Majestade agora suplicamos, e esperamos por
efeitos da sua real clemência. (Bernardo José de Lorena, para Mesa
da Consciência e Ordem)

É interessante notar que a Catedral da Sé (sede), citada no texto não é a mesma que
existe hoje na capital paulista. Esta atual é de 1911.
No aspecto religioso era para a Legião um assunto importante, até mesmo porque
naquela época o Estado e a Igreja tinham forte ligação. O fato de Santa Bárbara ter sido
escolhida naquela época como a Padroeira da Legião é uma prova dessa afirmação. Hoje
sabemos que dentro do Exército por uma questão de Fé e uma identificação histórica, Santa
Bárbara é a padroeira da arma de Artilharia e São Jorge é o padroeiro da arma de Cavalaria.
Posteriormente em 1812, durante a Campanha de 1811-1812, como veremos mais
adiante no capítulo 5, estando a Legião na Banda Oriental do Uruguai, os oficiais se reuniram
e organizaram um montepio em benefício às viúvas e aos filhos órfãos dos militares falecidos.
Por um de seus artigos, ficava instituída a Irmandade de Santa Bárbara, pela qual todo o
indivíduo que tivesse praça na Legião passava a constituir a Irmandade, tendo a partir de
então a proteção da padroeira.
Outro fato que destaca a religiosidade no Exército, fato comum nas tropas no Brasil
colonial, era que no conceito dos oficiais era escrito se os mesmos professavam a fé católica,
conforme constam na relação que encontramos quando a Legião foi reorganizada em 1808.
Nesta relação estavam dados como nome, naturalidade, idade, tempo de praça, promoções,
tempo de serviço, campanhas de guerra e ainda a conduta civil, militar e religiosa
(Documento 36-1-4, caixa 36, ordem 269, Arquivo de São Paulo).
Nos anos de 2004 e 2006, foram colocados no corredor do Pavilhão de Comando do
5º R C Mec, de forma ecumênica e como memória ao passado, uma imagem de São Jorge e
outra de Santa Bárbara com os respectivos textos que explicam os motivos da Unidade ter um
padroeiro e uma padroeira.

A Guerra de 1801

Com os reflexos da convulsão napoleônica que ocorria na Europa, em março de


1801, Portugal e Espanha entraram novamente em guerra, estendendo no período de julho a
dezembro do mesmo ano o conflito armado ao Sul do Brasil. Com o armistício assinado entre
as duas nações no dia 17 de dezembro, confirmado depois pelo Tratado de Badajós, foi
encerrada a guerra trazendo resultados muitos positivos para o Continente de São Pedro do
Sul. Ao seu final foi incorporado a região das Missões e o território à margem esquerda do rio
Santa Maria até a linha do Tratado de Santo Ildefonso.
As hostilidades iniciaram na fronteira do Rio Grande com o enfrentamento às
guardas espanholas ao sul do rio Piratini e do Jaguarão. Na fronteira do Rio Pardo, o Cel
Patrício Corrêa Câmara no comando dos Dragões expulsou os espanhóis da Guarda de São
Gabriel do Batovi e a seguir de Santa Tecla, fazendo com que os espanhóis recuassem para o
Forte de Cerro Largo, atual cidade de Melo. Em seguida os luso-brasileiros lançaram-se sobre
os Sete Povos das Missões e na direção sul da região de Santa Vitória.
Ao mesmo tempo em São Paulo, a 3 de junho de 1801, o governador da capitania
recebeu o aviso em que continha o Decreto de 24 de maio do mesmo ano sobre a Declaração
de Guerra, o que fez imediatamente publicar (Documentos Interessantes, vol. 30, S. Paulo).
Com a decisão de mandar tropas de São Paulo em socorro ao Continente de São
Pedro, fez o governador Antônio Manuel de Melo Castro e Mendonça, antes mesmo de iniciar
os enfrentamentos armados, escrever em outubro de 1800 para o Governador do Continente
de São Pedro, Sebastião Xavier Veiga Cabral. Na correspondência, Melo Castro informava
sobre as tropas que mandaria em reforço, tanto para São Pedro como para o Rio de Janeiro e
Mato Grosso, locais que São Paulo deveria também socorrer.

[...] Desde que estou neste governo tenho recebido repetidas


ordens da corte para estar sempre prompto e previnido contra
qualquer surpreza que intentem os hespanhoes, e da mesma sorte se
metem mandado auxiliar a Capitania de Matto Grosso [...]
Pelas cópias q' tenho a honra de enviar a V. Exa. Se
manifestão estes mesmas ordens, e dellas se deduz o estado dos
negocios da nossa corte, q' devemos julgar hum pouco implicados
[...], lhe comunique as forças que tenho para defender esta capitania,
e auxiliar as adjacentes.
Constão pois as referidas forças da Legião de voluntários
Reaes, e o Regimento de Infantaria q´ se crearão em 1775 para
auxiliar esse mesmo continente, e além disso de onze regimentos
milicianos, três de cavallaria, e oito de infantaria.
O Regimento de Infantaria tenho-o destinado para guarnecer
a marinha, onde se acha parte delle, assim como huma companhia a
pé da Brigada d' Artilharia da Legião de Voluntários Reaes: da
Brigada de Infantaria da mesma Legião estão rezervadas quatro
companhias para marcharem para Mato Grosso, e toda a Brigada de
Cavallaria, composta de três companhias, eu a tenha destinada para
passar o Rio Grande, ficando unicamente nos seus quarteis, para
socorrer qualquer socorro extraordinario duas companhias da
Brigada de Infantaria e duas da Brigada d´ Artilharia, huma a pé,
outra a cavallo.
No caso em q’ se preciza nesse Continente de mais gente,
deve marchar pª elle o Regimento de Cavallaria Milciano de Coritiba
composto de 600 praças e pela maior parte pioens e para o Rio de
Janeiro pretendo enviar, quando o Snr Vice-Rey o julgue necessário,
dois regimentos milicianos, hum de cavallaria, outro de infantaria,
composto este de 800 praças, aquelle de 600 [...]. Deos guarde a V.
Exa., São Paulo, 16 de outubro de 1800.
(Arquivo do Estado do Rio Grande do Sul)

Pesquisando nos Documentos Interessantes, volume 39, do Arquivo do Estado de


São Paulo, encontramos algumas correspondências do Governador da Capitania de São Paulo,
em que o mesmo relatava ao Governador do Continente de São Pedro e ao Vice-Rei, Conde
de Resende, a situação das tropas paulistas em socorro ao sul.
Nestas informações que vamos descrevê-las até o final desse subtítulo, o Regimento
de Infantaria da Capitania de São Paulo, previsto para socorrer Santa Catarina, estava em
preparação desde 26 de abril de 1801 ficando somente aguardando a chegada da embarcação,
o que acabou acontecendo em 26 de junho. Atracada em Santos a nau Meduza da Armada
Real escalada para conduzir a tropa, teve que aguardar o regimento ficar pronto, porque
devido ao longo tempo de espera os mantimentos para a viagem já estavam se deteriorando e
tiveram que serem trocados, somente terminando esses trabalhos a 13 de julho.
Em 15 de julho de 1801, o Governador da Capitania de São Paulo, Manoel de Mello
Castro e Mendonça escreveu a Veiga Cabral informando que o Regimento de Infantaria de
Santos achava-se pronto para embarcar. Dezessete dias depois, em 1º de agosto, o regimento
saiu da barra com 492 homens, distribuídos em cinco companhias. Para guarnecer o litoral da
capitania, o qual o governador chamava de “Marinha”. Em substituição ao Regimento de
Infantaria, que seguia para Santa Catarina, ficava a Infantaria da Legião de Voluntários Reais.
Na mesma carta o Governador de São Paulo informava a Veiga Cabral que as forças
que destinou para socorrer o Continente de São Pedro eram a Cavalaria da Legião e o
Regimento de Cavalaria Miliciana de Curitiba. Quanto a este último, era preocupação de
Mello Castro que se todos saíssem por completo do seu distrito prejudicaria por extremo o
comércio e a agricultura daquela importante parte da Capitania de São Paulo. A solução a que
o governador encontrou seria a de reunir em um só Corpo a Cavalaria da Legião com parte
dos soldados do Corpo Miliciano de Curitiba, os quais formariam um regimento de cavalaria
com a força de Plano de agosto de 1796.
Quanto ao deslocamento desse Regimento de Cavalaria a ser formado, reforçava o
governador que o mesmo não deveria ir por terra, não só porque gastaria mais tempo, mas
também porque os cavalos chegariam extremamente estropiados. Dessa maneira, acertava na
correspondência que os soldados de Curitiba embarcariam em “Paranagoá” e
desembarcariam em Rio Grande, levando consigo os selins e os freios. Completava o
planejamento pedindo uma vez mais o Governador Melo Castro para que fossem fornecidos
os cavalos por parte do Continente de São Pedro.
A vantagem de ir por mar era vantajosa, pois além de mais rápida se evitaria os
imprevistos. Segundo o Governador de São Paulo em outra carta de 26 de agosto de 1801 ao
Governador de São Pedro do Sul, a condução por mar concorreria também para que os navios
da Esquadra Real fizessem o aprisionamento ou colocassem em fuga os pequenos corsários
que infestavam a costa e arruinavam o comércio.
Em 17 de dezembro veio a paz entre Portugal e Espanha encerrando os combates no
sul. A Cavalaria da Legião acabou não se deslocando, indo somente o Regimento de
Infantaria de Santos. Como conseqüência da guerra, favoráveis ao Continente de São Pedro,
foram conquistados os Sete Povos das Missões, os territórios entre os rios Jaguarão e Piratini,
a margem esquerda do rio Santa Maria até a linha do Tratado de Santo Ildefonso e o território
do atual município de Santa Vitória do Palmar. Somente ficou de fora o atual território de
Entre-Rios, formado pelos rios Quaraí, Uruguai, Ibicuí e Santa Maria, o qual será anexado
após outra campanha, a de 1811-1812.

O Alvará de 29 de agosto de 1808

No começo do século XIX a Europa fervilhava com uma guerra envolvendo a


Inglaterra e a França de Napoleão, como repercussões na região do Prata. Como reflexo da
guerra, ocorreu à vinda da Família Real para o Brasil, quando D. João VI mandou reorganizar
as forças luso-brasileiras, entre elas a Legião de São Paulo. O Príncipe Regente assina então o
Alvará de 29 de agosto de 1808, pelo qual a Legião, passando a denominar-se “Legião de
Tropas Ligeiras”, se reorganizou e logo em seguida desloca-se para a recém criada Capitania
de São Pedro (1807).

Alvará – 29 de agosto de 1808

Eu o Príncipe Regente faço saber aos que este Alvará virem,


que desejando dar aos habitantes da Capitania de São Paulo uma
demonstração de que fórmo delles aquelle mesmo conceito que
mereceram seus antepassados aos meus augustos predecessores, pelos
importantes e arriscados serviços que fizeram á Corôa e ao Estado ; e
sendo-me presente que mediante uma nova organização, de que
necessitam os dous corpos regulares daquella Capitania, a Legião de
Tropas Ligeiras e o Regimento de Infantaria de Linha, aquella pelas
successivas innovações que têm alterado substancialmente a sua
primitiva constituição, e este por se achar ainda debaixo do pé em que
foi regulado em 1763 ; e levando-se ao mesmo tempo um corpo de
Milicias a cavallo, formado de destacamentos tirados dos tres
Regimentos de Cavallaria Miliciana, poderá a mesma Capitania
fornecer um Corpo de tropas respeitavel, que, combinado com o
systema geral da defesa das fronteiras, reuna ao mesmo tempo a
vantagem de não prejudicar a cultura, commercio e industria dos seus
habitantes, cujos interesses desejo tanto promover : sou servido de
ordenar o seguinte :
1. A Legião de Tropas Ligeiras será composta de dous
Batalhões de Infantaria, de quatro Esquadrões de Cavallaria e de
duas Baterias de Artilharia a Cavallo, e de uma de seis bocas de fogo,
e servida por um Companhia de Artilheiros Cavalleiros; para o que
há por bem mandar criar mais duas Companhias de Infantaria; um
Esquadrão de Cavallaria; e reduzir a duas as tres Companhias
actuaes de Artilharia.
(Cartas de Lei Alvarás Decretos e Cartas Régias – pg. 113)

Pelo mesmo Alvará, ficou determinado que a Cavalaria da Legião ficasse


reorganizada com estado-maior ao comando de um sargento-mor, quatro esquadrões, cada um
com 148 militares, totalizando 598 combatentes em tempo de guerra, reduzindo a 330 em
tempo de paz. Pelo mesmo alvará ficava reativado o 4º esquadrão.
Pouco depois de ter sido assinado por D. João VI o Alvará de 29 de Agosto de 1808,
foi nomeado o novo Comandante da Legião, Brigadeiro Gonçalo Antônio de Fonseca e Sá:
Gonçalo Antônio da Fonseca e Sá

Era chefe de divisão e Comandante de uma das Divisões da


Brigada Real da Marinha quando, por decreto de 8 de setembro de
1808, foi nomeado Brigadeiro de Artilharia e incumbido do comando
da Legião de Voluntários Reais de S. Paulo. Foi promovido a
Marechal de Campo Graduado em 13 de maio de 1811, servindo
então no Rio Grande do Sul. Faleceu em 1811 no exercício de Chefe
da Legião de Tropas Ligeira. (LAGO, Coronel Laurêncio).
Brigadeiros e Generais de D. João VI e D. Pedro I no Brasil, 1938.
,
O Recrutamento da Legião de Tropas Ligeiras

Com a ordem de a Legião atuar novamente no sul, intensificou-se a mobilização,


tendo o recrutamento sido feito com dificuldade, pois o voluntariado era pouco. Aos
desertores foi oferecida certa benevolência, procurando os atrair novamente para o serviço
militar, perdoando-os, desde que, se apresentassem dentro de certo prazo, cabendo aos
Comandantes das Vilas geralmente a responsabilidade de tal expediente.
Houve estímulo para o alistamento das tropas. Aos voluntários, concederam-se
vários privilégios, inclusive o de não serem obrigados a permanecer nas fileiras além de 8
anos, conforme o Decreto de 13 de Maio de 1808, enquanto que para os demais o tempo
limite era de 16, conforme já abordado anteriormente. Da mesma maneira, por esse decreto,
ou seja, antes mesmo do Alvará do mês de agosto e tendo em vista o agravamento dos
conflitos nas fronteiras do Sul, o Príncipe Regente concedeu perdão aos desertores, para que
no prazo de seis meses se recolhessem aos seus Corpos.
Outra vantagem eram as promoções. Somente no mês de fevereiro de 1809, o novo
Comandante da Legião, Brigadeiro Gonçalo, apresentou ao Príncipe Regente várias propostas
de promoção para os diferentes cargos e funções.
Pelo Alvará de 29 de agosto de 1808, pelo seu item “V”, o serviço na Legião seria
feito por voluntários recrutados ou indivíduos tirados dos Corpos de Milícias, devendo os
recrutados servirem por 16 anos, os voluntários por 8 anos e os milicianos pelo tempo que
fosse necessário.

Alvará – 29 de agosto de 1808 - Item “V”

V. Os voluntarios não serão obrigados a servir por mais


tempo, do que o de oito annos; e só continuarão a servir, se assim o
requererem; e neste caso perceberão, além do quantitativo do seu
soldo, a gratificação que eu houve por bem mandar estabelecer em
seu favor por Decreto de 13 de Maio do presente anno; graça que
nunca poderá estender a respeito dos que não forem voluntarios; pois
que estes serão obrigados a servir impreterivelmente o prazo de
dezesseis annos: os Milicianos, porém, que forem chamados para
completar os referidos Corpos, nelles servirão unicamente, enquanto
se fizer absolutamente indispensavel esta medida: mas serão depois
novamente encorpados nos seus respectivos Regimentos, excepto os
que solicitarem a continuação do mesmo serviço; e então se reputarão
com voluntarios.

A diferença entre os soldados permanentes e os licenciáveis, era que os primeiros


serviam efetivamente e os segundos apenas três meses por ano, período em que deviam residir
no quartel recebendo soldo e fardamento, ficando dispensados os nove meses restantes. Na
classe dos licenciados estavam compreendidos os proprietários de terras, os filhos de
agricultores, os artistas e os que exemplarmente se distinguissem pela disciplina.

Recrutamento de praças da Legião de São Paulo


1808 1809 1810 1811 1812
Nº de Nº de Nº de Nº de Nº de
Idade Idade Idade Idade Idade
Praças Praças Praças Praças Praças
12 14 12 09 12 - 12 01 12 -
13 20 13 10 13 05 13 01 13 -
14 30 14 19 14 08 14 - 14 07
15 17 15 14 15 17 15 08 15 11
16 31 16 25 16 33 16 05 16 12
17 19 17 15 17 20 17 06 17 04
18 40 18 20 18 29 18 06 18 08
19 30 19 19 19 25 19 09 19 09
20 27 20 18 20 33 20 14 20 17
21 04 21 02 21 07 21 03 21 -
22 08 22 02 22 10 22 06 22 06
23 04 23 05 23 07 23 07 23 03
24 05 24 04 24 09 24 01 24 01
25 05 25 06 25 15 25 04 25 02
26 03 26 10 26 02 26 04 26 04
27 - 27 01 27 05 27 02 27 01
28 03 28 04 28 - 28 - 28 -
29 - 29 02 29 - 29 02 29 -
30 03 30 03 30 04 30 05 30 06
263 188 229 94 91
Fonte: Tabela transcrita da Tese de Doutorado da Professora. Maria de Lourdes Ferreira Lins com base nos
dados nos Livros-Mestres, Arquivo do Estado de São Paulo.

A tabela acima mostra que nos anos de 1810, 1811 e 1812 em São Paulo continuou
ocorrendo o recrutamento para a Legião, apesar da maior parte destas tropas já estar na
Capitania de São Pedro do Sul participando da Campanha de 1811- 1812.

A Preparação no sul para o receber as tropas de São Paulo

As tropas paulistas ainda não tinham chegado ao sul, mas o Conde de Linhares,
Ministro dos Negócios da Guerra (março de 1808 a janeiro de 1812), com receio de
problemas disciplinares, orientava o novo Governador da Capitania de São Pedro para caso
fosse necessário licenciasse os soldados que não tivessem condições. Deve-se entender que o
recrutamento em São Paulo foi feito com dificuldades, pois muitos teriam que se afastar de
suas famílias e de suas lavouras e sem data prevista para o retorno.

Carta do Conde de Linhares para D. Diogo de Souza


Remeto a VExa por cópia o Officio, que me dirigio o Vice
Almirante que governava essa Capitania e a vista do que ele propõe,
pode VSa dar baixa aos Soldados da Corpo de Legião de S.Paulo,
que se reputarem em estado de não poderem fazer o serviço, e
requerer do Governador de S. Paulo outras Praças que as
substituirão. Deos guarde a SSa. Palácio do Rio de Janeiro em 16 Set
1809. Conde de Linhares. (Arquivo Histórico do Exército)

O almirante a que se refere Conde de Linhares é o Chefe de Esquadra Paulo José da


Silva Gama, Barão de Bagé, que governou o Continente e a recém criada Capitania de São
Pedro no período de 30 de Janeiro de 1803 até setembro de 1809, assumindo em seu lugar D.
Diogo de Souza (Set 1809 a Nov 1814).

O Deslocamento da Legião

Diferentemente da Guerra de Restauração quando a Legião se deslocou de São Paulo


ao sul por uma longa e difícil marcha terrestre, desta vez o deslocamento foi feito por mar até
a ilha de Santa Catarina e a partir daí por terra. Em 30 de dezembro de 1808, a Artilharia da
Legião recebeu ordem para embarcar para o Rio Grande. Ao comando do Sgt-Mor Joaquim
de Oliveira Álvares, uma bateria de 4 peças e 2 obuses, com suas respectivas munições e
armamentos, menos os cavalos, deveriam embarcar no 1º navio que estivesse disponível. Essa
era a determinação do Governador de São Paulo. Entretanto, a ordem e a execução às vezes
não andam juntas. Problemas logísticos acabaram retardando o embarque.
Em carta de 12 de janeiro de 1809, o Governador Antônio Jozé da Franca e Horta,
que administrou a Capitania de São Paulo de 10 de dezembro de 1802 a 1º de novembro de
1811, determinou ao Comandante da Legião para que fizesse marchar para a Vila de Santos
com a maior brevidade, desconsiderando as ponderações do Comandante da Artilharia da
Legião de que era necessário dar arranjo aos petrechos, bagagens e caixotes de guerra que sua
tropa tinha recebido, tendo mandado despregar, conferir e medir. Reclamava ainda o
comandante da Artilharia e se negava a receber os panos de linho das calças dos soldados,
vindos da Alemanha, exigindo os de Portugal, como era de costume (Documentos
Interessantes, volume 58, Arquivo de S. Paulo).
Chegava o mês de julho e era a vez da Cavalaria da Legião partir. Neste mês, o Sgt-
Mor comandante dos esquadrões da Legião, Francisco de Paula Nogueira da Gama, recebeu
carta de 1º de julho de 1809 do governador, na qual trazia as orientações para o deslocamento:
embarcar para a Ilha de Santa Catarina, incluindo bagagem, munição e armamento. Chegando
à ilha, deveria se apresentar ao Governador e tão logo concluídas todas as demais
providências continuaria a sua marcha para a Capitania de São Pedro. Ao chegar ao seu
destino final, se apresentaria ao Marechal de Campo Joaquim Xavier Curado, entregando-lhe
as cartas que recebeu na sua saída de São Paulo, ficando a partir de então sob suas ordens (DI,
volume 58, anos de 1809-1810, Arquivo de São Paulo).
Poucos dias depois, em 8 de julho, já com a tropa embarcada, o Sgt-Mor mantém o
Ministro da Guerra informado do deslocamento. Em resposta, D. Rodrigo de Souza
Coutinho, Conde de Linhares, o escreveu no dia 16 de setembro.

Para Francisco Antonio de Paula Nogueira da Gama


Acuso a recepção da sua Carta de 8 de julho, tendo a maior
satisfação em saber por ella, que se achava já embarcado com a
Tropa que há partir para o Rio Grande, a efficacia, e zelo do Real
Serviço que viu começar já a mostrar nesta primeira marcha do
corpo sob o seu comando não deixarão de o recomendar sua Real
Presença do Príncipe Regente Nosso Senhor e ainda que o Posto de
Tenente Coronel da Legião se acha já a muito tempo conferido a
Joaquim de Oliveira Álvares, pela passagem de Anastácio de Freitas
Trancozo para Milícias, estou certo que S.A.R. não deixará de
contemplar convenientemente o serviço e merecimento...Deos Guarde
a VM. Palácio de Santa Cruz em 16 Set 1809. Conde de Linhares.
(Arquivo Histórico do Exército)

Com datas de 12 de agosto e 18 de setembro novas cartas são enviadas por Nogueira
da Gama ao Conde, as quais foram respondidas em 9 de dezembro de 1809. Pelo
entendimento, parece que a partir do momento que a tropa embarcasse as informações
deveriam ser feitas ao Ministro diretamente pelo comandante da tropa.

Para Francisco Antonio de Paula Nogueira da Gama


Acuso a recepção dos officios de VM em data de 12 de
Agosto, e 18 de Setembro do corrente anno e tenho por esta ocasião o
zelo com que VM se tem conduzido na marcha com a Tropa de seo
commando para essa Capitania, segurando-lhe que tudo porei na
Presença de S.A.R. o Principe Regente nosso Senhor, que Attenderá
opportunamente ao seo bom serviço, cuja execução e disciplina da
referida Tropa há VM por muito recomendadas. Deos Guarde a VM.
Palácio do Rio de janeiro em 9 Dez 1809. Conde de Linhares.
(Arquivo Histórico do Exército)

Provavelmente nas cartas que enviou ao Conde de Linhares, o Sgt-Mor Nogueira da


Gama solicitou a promoção a Ten Cel, mas como respondeu o Ministro, o referido posto já
estava reservado para o Sgt-Mor Joaquim Oliveira Álvarez, vago pela transferência do TCel
Anastácio Trancozo para o Corpo de Milícias de São Paulo. Este último era o Comandante da
Legião, quando, com a reorganização desta tropa pelo Alvará de agosto de 1808 assumiu em
seu lugar o Brigadeiro Gonçalo. Pela responsabilidade que passava a ter com a marcha,
afirmava o Conde de Linhares, não deixaria de recomendá-lo ao Príncipe Regente, ao que se
entende para uma promoção. Era a contrapartida que Nogueira da Gama esperava ter pela sua
fidelidade real.
Da mesma sorte, o Sgt-Mor Nogueira da Gama mantinha o Marechal de Campo
Xavier Curado informado da marcha, e este, por sua vez, se comunicava com o Conde de
Linhares.

Carta para Joaquim Xavier Curado


Acuso a recepção do oficcio de VExa na data de 17 Set,
acompanhado a que havia dirigido a VSa o Sargento Mor
Commandante dos Esquadrões de S. Paulo, q’ estão em marcha para
essa Capitania. Palácio de Santa Cruz em 17 de Outubro de 1809.
Conde de Linhares. (Arquivo Histórico do Exército)

Chegada da Legião no Sul

Em novembro de 1809, parte da Legião estava na Capitania de São Pedro. O


Ministro dos Negócios da Guerra escreveu no dia 18 do mesmo mês para D. Diogo de Souza,
Governador de São Pedro, pelo qual recomendava conservar a tropa na melhor disciplina a
fim do Real Serviço. Estavam aquarteladas na Vila de Porto Alegre, duas companhias de
artilharia volante, duas de cavalaria e duas de infantaria, todas da Legião.
Em 10 de janeiro do ano seguinte, com quartel em Porto Alegre, Xavier Curado em
carta a Conde de Linhares lhe informava que no dia 1 de janeiro tinha chegado a Viamão a 3ª
seção das tropas da Legião comandadas pelo Sgt-Mor Joaquim Mariano Galvão, e que além
dos doentes e mortos, desertaram 13 praças. Descrevendo a situação da tropa, relatava que no
dia 3 tinha se dirigido ao quartel de Viamão para fazer a revista da tropa. Pelo mapa que ia
junto com a correspondência, informava que o referido Sgt-Mor da Legião tinha partido de
São Paulo com 469 praças, chegando com 453, e entre estes últimos estava grande quantidade
de meninos de 11 a 14 anos em número de 82, além de outros de 14 a 15, formando todos
estes a 2ª fileira. Afirmava Xavier Curado que os quais não poderiam ser contados no número
de combatentes, senão passado dois ou três anos. Salientava ainda que eles, mesmo sendo
praças, não eram capazes de suportar o rigor de “huma marcha violenta, nem as fadigas de
hum día de acção, pela conhecida falta de forças, q’ a natureza por hora lhes tem negado”.
Completando a carta, informava Xavier Curado que encontrou em mau estado o
armamento da tropa e dos milicianos, como dos selins e dos arreios, que destes de seu estado
estavam incapazes de servirem. Quanto ao barracamento, além de muito estragado, estavam
totalmente inúteis 13 barracas. Quanto ao armamento ainda alertava pela falta de
padronização das clavinas e pistolas, pois seria quase impossível se evitar o engano na
distribuição das munições, o que resultaria “de que humas armas engasgando com a maior
balla..., e outras com a menor balla desmentem no alcance” (caixa 65, ordem 423, Arquivo
de São Paulo).
Parecia a repetição da mesma cena da chegada da Legião para a Guerra da
Restauração em 1776. E como aquela, o final será o mesmo com o valor da tropa paulista
sendo reconhecido ao final da campanha, que ainda estava por iniciar.
Ainda no mesmo mês de janeiro, Conde de Linhares escreveu ao Sgt-Mor Nogueira
da Gama recomendando o mesmo sobre a disciplina da tropa e pede para que o informasse da
chegada do restante da legião.

Para Francisco Antonio de Paula Nogueira da Gama


Acuso a recepção do Officio que VM me dirigio...a que
acompanhava a mappa dos Esquadrões e Companhias da Legião de
S. Paulo em que lhe chegavão a essa Villa de Porto Alegre, e tendo
ele louvor a VM o zelo e actividade com que se prestas aos objectos
do Real Serviço, devo igualmente recomendar-lhe quanto seja
conveniente conservar aquele Corpo de Tropa na melhor disciplina, a
qual desejo que VM me participe prevemente ter se reunido o resto,
que se acha já em marcha para este fim. Deos Guarde a VExa.
Palácio do Rio de janeiro em 2 de Jan de 1810. Conde de Linhares.
(Arquivo Histórico do Exército)

Com a previsão da chegada da tropa foi enviado capotes, conforme carta de 5 de


janeiro de 1810 do Conde de Linhares para Xavier Curado.

Para Joaquim Xavier Curado


O Príncipe Regente N.S. Manda remetter ao Governador e
Capitão da Capitania de S. Paulo conhecimento da remessa de
capotes, para VSa os dividir pela Tropa da Legião de Voluntários
Reaes de S. Paulo, que se achão nessa Capitania o que participo a
VM para sua inteligência e execução. Deos Guarde a VS. Palácio do
Rio de Janeiro em 5 de Janeiro de 1810. Conde de Linhares. (AHEx)

Em fevereiro chegava o restante da tropa da Legião, conforme carta do Conde de


Linhares de 9 de Abril. Ainda no mês de abril, Conde de Linhares escreveu para Xavier
Curado recomendando onde deixar as tropas de São Paulo, bem como sobre as deserções e
licenças:

Para Joaquim Xavier Curado


Acuso a recepção do officio que VSa me dirigio na data de
14 de fevereiro do prezente anno em que me participa a chegada do
resto do Corpo da Legião de Tropas Ligeiras de S. Paulo, que se vê
estacionar nessa Capitania. Deos Guarde a VS. Palácio do Rio de
janeiro em 9 de Abril de 1810. Conde de Linhares. (AHEx)
Para Joaquim Xavier Curado
Recebi e levei A Augusta Presença de S.A.R. o Príncipe
Regente Nosso Senhor o officio que VExa me dirigio nas datas de 8,
15 e 20 fevereiro do corrente anno, e o mesmo Augusto Senhor ...está
na certeza que a Tropa de S. Paulo debaixo das suas Ordens
continuará no melhor estado de disciplina,... Approvando os
acantonamentos ordenados para a mesma Tropa espera que VSa os
visite,...e está bem certo que VSa procurando que não hajão
deserçoens, animará os soldados, que quizerem trabalhar
concedendo-lhes Licença para o mesmo fim, podendo VSa estar certo
que S.A.R. não há de deixar de dar toda a attenção as representações
que VSa fizer sobre todos os objectos que possão ser necessários e
úteis para o bom mantimento da mesma Tropa. Deos Guarde a VS.
Palácio do Rio de janeiro em 10 Abril 1810. Conde de Linhares.
(Arquivo Histórico do Exército)

Em maio de 1810, o comandante da Legião relatava a situação dos mortos, desertores


e baixados, cuja correspondência foi enviada ao Governador de São Paulo tendo anexo o
quadro a seguir:

Mapa de mortos e desertores


Mortos Desertores Baixas
Anspeçadas

Trombetas
Milicianos

Sargentos
Soldados

Soldados

Soldados
Tambor
Capitão


Cabos

Cabos

Cabos
Total
Btl

1 6 5 1 12
2 5 1 6
3 3 2 5
4 1 4 4 9
Inf
1 4 2 6
2 2 1 3
3 1 1 13 8 23
4 9 6 15
1 1 8 2 1 2 14
2 1 1
Cav
3 4 1 1 3 9
4 2 9 11
1 3 13 3 1 2 23
Art
2 2 1 4 2 1 10
Total 1 2 1 58 2 65 5 1 4 1 7 147
Mapa das praças que morreram, desertaram e obtiveram baixa, Quartel da Legião em Porto Alegre,
31 de maio de 1810, Brigadeiro Gonçalo (Livro 180, Caixa 65, Ordem 423, Arquivo do Estado de São Paulo).

A Reorganização da Legião na Capitania de São Pedro

Encontramos no Arquivo do Estado de São Paulo, nos documentos da caixa 36, uma
relação com os dados dos oficiais da Legião, datada de 01 de julho de 1810, quando a tropa já
estava na Capitania de São Pedro.
Constam da relação o seu comandante Gonçalo Antonio Fonseca e Sá, Brigadeiro
Chefe, 61 anos de idade, 51 anos e 3 meses de serviço, praça a 27 de março de 1759, cadete
no Regimento de Artilharia de Algarves. Para a vaga de Ten Cel, Joaquim de Oliveira
Álvares, 36 anos de idade, 11 anos e 11 meses de serviço, será posteriormente o Comandante
da Legião em lugar do Brigadeiro Gonçalo, falecido durante a campanha.
Estado Maior da Cavalaria: Sargento-Mor Francisco Antonio de Paula Nogueira da
Gama, 37 anos de idade, 19 anos e 3 meses de serviço, praça no Regimento de Cavalaria de
Minas Gerais, 2º Tenente Agregado por Decreto de 19 de julho de 1798, efetivo a 17 de
agosto de 1800, capitão por decreto de 13 de maio de 1808 e Sargento-Mor Comandante da
Cavalaria por Decreto de 2 de janeiro de 1809. Para Ajudante, Tenente Luis Antonio Pinto, 43
anos, 23 anos e 5 meses de serviço, cabo de 1º de maio de 1787, furriel a 7 de março de 1797.
1º Esquadrão: Capitão Jozé Pedro Galvão, 39 anos, 20 anos de serviço, praça na
Legião, alferes pelo Decreto de 23 de maio de 1796, ajudante a 7 de agosto de 1807 e capitão
pelo Decreto de 24 de junho de 1809. Como segundo capitão do mesmo esquadrão, Diogo
Jozé Machado de Castro, 28 anos, 12 anos de serviço, praça na Armada Real. Oficiais
subalternos: Tenentes Thomaz Jozé da Silva, 27 anos e Antonio Simplicio da Silva, 26 anos,
ambos promovidos ao posto pelo Decreto de 24 de junho de 1809 e ainda os alferes Jozé da
Silva Brandão, ainda não apresentado, e Miguel Ângelo, 42 anos.
2º Esquadrão: Capitão Luis Manoel de Brito, 59 anos, 41 anos de serviço, estava na
Legião desde sua criação. Oficiais subalternos: Tenentes João de Castro do Canto e Melo, 25
anos e Francisco Nunes Ramalho, 33 anos, 19 anos e 7 meses de serviço e os alferes Marçal
Jozé da Fonseca, 28 anos e Joaquim Jozé Bittencourt, 29 anos.
3º Esquadrão: Capitão Manoel da Costa Silveira, 54 anos, 34 anos e 11 meses de
serviço, praça da Legião em 1775, veterano da Guerra da Restauração. Oficiais subalternos:
Tenentes Bernardo Jozé Pinto Gavião, 20 anos, 9 anos de serviço, promovido ao posto em 24
de junho de 1809 e Francisco Alves de Freitas e os Alferes Jozé de Castro do Canto e Melo,
23 anos e Pedro de Castro do Canto e Melo, 18 anos.
4º Esquadrão (recém reorganizado): o Capitão Francisco Bernardes da Silva, 56
anos, 35 anos e 6 meses de serviço, praça no Regimento de Caçadores de São Paulo, previsto
para ser reformado como Major. Como subalternos: Tenente Rafael Fortunato da Silva
Brandão e os alferes Joaquim Jozé de Moraes, 21 anos e Joaquim Maria da Costa Ferreira.
A Legião ficava organizada com os quatro esquadrões de cavalaria; a infantaria com
o 1º e 2º batalhão, cada um com 4 companhias e a artilharia com duas companhias, sendo uma
a pé e outra a cavalo, todas as três com estado-maior.
Com a reorganização os esquadrões de cavalaria passavam a ter o efetivo de um
capitão comandante, um 2º capitão, três tenentes e/ou alferes, dois furriéis, cinco cabos, um
trombeta, trinta e oito soldados permanentes e o mesmo número de licenciáveis.
A Legião, além do efetivo previsto, ficava acrescida com oficiais agregados em
número de sete, incluindo um capitão, um capelão e um cirurgião ao estado maior da Legião;
um tenente ao estado-maior da infantaria; um tenente ao estado-maior da cavalaria, no caso
Manoel do Nascimento Cardozo, 33 anos, 12 anos e 2 meses de serviço, era tenente agregado
ao Regimento de Dragões da Capitania de São Pedro e agregado à Legião no mesmo posto a
contar de 28 de janeiro de 1809. Para a artilharia lhe era agregado um major ao seu estado-
maior e um capitão à 1ª cia.
Na mesma data de 1º de julho de 1810 eram também propostos para promoção os
seguintes oficiais: para substituir o Sargento-Mor Comandante da Cavalaria em lugar de
Francisco Nogueira da Gama, que passava a Ten Cel graduado do Regimento de Cavalaria de
Minas Gerais, o capitão do 2º Esquadrão Luis Manoel de Brito (5º Cmt do 5º R C Mec).
Nos esquadrões, por conta das promoções e algumas reformas, as substituições
também foram feitas. No 2º Esquadrão, como comandante em substituição a Luiz Manoel de
Brito, o tenente do 1º, Antonio Simplicio da Silva. Para comandante do 4º Esquadrão, em
lugar de Bernardes da Silva, reformado, o 2º capitão do 1º, Diogo Jozé Machado.
O Comandante da Legião deixava de propor para promoção a capitão, o Tenente
Thomaz José da Silva, pois este estava em Lisboa em estudos. Este mesmo oficial comandaria
depois o 1º Esquadrão e a própria Cavalaria da Legião.
5. A LEGIÃO DE TROPAS LIGEIRAS NA
CAMPANHA PACIFICADORA DO URUGUAI (1811-1812)

No começo do século XIX reinicia-se a guerra entre a Inglaterra e a França, a


primeira com o seu poderio naval e a segunda possuidora do exército mais forte da Europa, no
qual se destacava a figura de Napoleão Bonaparte.
A França decreta bloqueio continental à Inglaterra, no qual as nações continentais
européias ficavam proibidas de comercializar com a nação inglesa, bem como de permitir que
navios ingleses atracassem em seus portos.
Em Portugal, D. João VI mesmo pressionado pela França, acaba assinando um
acordo secreto com a Inglaterra, provocando a invasão de seu território pelas tropas de
Napoleão, fazendo com que ele e a família real venham a se exilarem no Brasil.
As mesmo tempo nas colônias espanholas inicia-se o movimento de independência
das províncias que constituíam o Vice-Reinado do Prata. Em maio de 1810, Buenos Aires se
declara independente da Espanha, depois de ter repelido uma invasão inglesa. Instala-se ali
uma junta revolucionária, cuja intenção era de libertar toda a região do Prata. É o primeiro
passo para a independência de todas as colônias espanholas, o que custaria duas décadas de
guerras, nas quais o Rio Grande do Sul estaria diretamente envolvido.
Francisco Xavier Elío, Governador de Montevidéu, porém não reconhece a
autoridade da junta e se mantém fiel ao Rei da Espanha. Elío passa a ter o apoio de Carlota
Joaquina, a rainha portuguesa, agora no Brasil, e irmã do Rei da Espanha, que lhe manda
dinheiro. Contra Elío vai se levantar uma ala de oficiais criollos, naturais da Banda Oriental
do Uruguai, dentre os quais o Capitão José Gervásio Artigas, que desertando de sua
corporação, vai a Buenos Aires e oferece seus serviços à revolução nativista.
Artigas recebe homens, armas, dinheiro, o posto de Tenente Coronel e a missão de
cercar e libertar Montevidéu. A frente de mil soldados, Artigas derrota as forças de Elío na
“Batalha de las Piedras” (18 de Maio de 1811), quando suas milícias passam a dominar toda
a Banda Oriental (atual Uruguai).
O Governador de Montevidéu pede ajuda a D. João VI, que temendo que o
movimento de independência das colônias espanholas se estendesse para o sul do Brasil e
ainda pelo antigo interesse de esticar as fronteiras portuguesas até o Prata, resolve mandar um
exército de 3 mil soldados no rumo de Montevidéu.

Organização do Exército Pacificador

Ao Comando do D. Diogo de Souza, Conde do Rio Pardo, Capitão-General e


Governador da Capitania de São Pedro, o Exército Pacificador organizou-se com tropas
regulares da recém-criada capitania, da de São Paulo e de Santa Catarina e milicianos
gaúchos. Dividida em duas colunas, estava pronto para marchar para a Banda Oriental.
A primeira, ao comando do Marechal Manuel Marques de Souza (I), comandante da
fronteira do Rio Grande, concentrou-se em Bagé, constituída pelo Batalhão de Infantaria do
Rio Grande, dois esquadrões de cavalaria ligeira de Rio Pardo, quatro esquadrões de cavalaria
da Legião de São Paulo e um esquadrão de Milícias do Rio Grande.
A segunda coluna, comandada pelo também Marechal de Campo Joaquim Xavier
Curado, Barão e Conde de S. João das Duas Barras, comandante da fronteira do Rio Pardo,
teve sua concentração estabelecida às margens do rio Ibirapuitã, recebendo seu acampamento
o nome de São Diogo. Na sua constituição estavam os dois Batalhões de Infantaria da Legião
de São Paulo, duas baterias de artilharia da Legião de São Paulo, de um esquadrão de milícias
do Rio Pardo e de uma companhia de Lanceiros de Índios Guaranis. A sua missão: impedir
ações de Artigas ao longo da linha dos rios Quaraí e Uruguai e nos sete povos das missões.
Para guarnecer as Missões, destacou-se do Exército Pacificador, o Regimento de
Dragões de Rio Pardo, duas companhias de infantaria da Legião de São Paulo, uma bateria da
mesma Legião e dois esquadrões de milícias do Rio Pardo, tudo ao comando do Coronel João
de Deus Menna Barreto.

A Operação do Exército Pacificador

Em maio de 1811, o Governador Elío é sitiado em Montevidéu pelo Argentino


Rondeau e por tropas de Artigas.
Com a finalidade de socorrer a autoridade do Governador Elío, em julho de 1811, em
pleno inverno, Diogo de Souza penetrou com o Exército Pacificador.
As tropas brasileiras, com os generais Marques e Curado a testa, tomam posse de
Cerro Largo, atual Melo. Prosseguindo, as tropas tomam posse da Fortaleza de Santa Tereza,
abandonada pelo inimigo.
Em outubro de 1811, o Exército Pacificador retoma sua marcha, e sem receber
resistência por parte dos Orientais, atinge Maldonado em poucos dias. Ainda nesse mês, o
Governador Elío manda informar a D. Diogo que havia acertado um armistício com os
argentinos e com os orientais e pede a retirada do Exército Pacificador. Rondeau retira-se para
Buenos Aires, mas Artigas, repudiando o acordo, se retira para a Província de Entre Rios.
Elío declara abolido o Vice-Reinado e regressa à Espanha, iniciando então uma
segunda campanha de guerra entre o Exército Pacificador e Artigas, quando se tornam mais
freqüentes os combates.
Em março de 1812, o Exército de D. Diogo de Souza deixa os quartéis de Maldonado
e a 2 de maio atinge as imediações de Paissandu, indo na perseguição às tropas de Artigas.
Em 26 de maio de 1812, um “armistício ilimitado” com o Governo Provisório das
Províncias do Prata encerra a campanha. Com o fim das operações, o Exército Pacificador, em
setembro de 1812, em duas colunas, marchou de volta à Capitania de São Pedro, deixando
ocupadas por meio da distribuição de sesmarias, particularmente aos militares, as terras da
região de Entre Rios, onde hoje se situam as cidades de Quaraí, Santana do Livramento,
Uruguaiana, Alegrete, Rosário do Sul e Dom Pedrito.
Como conseqüência principal da campanha estava formado o mapa atual do Rio
Grande do Sul, porém a paz total somente viria após a Guerra do Paraguai (1865-1870).

História Militar do Brasil, Academia Militar das Agulhas Negras (AMAN), 1979
O Comandante da Legião de São Paulo na Campanha de 1811-1812

O Comandante da Legião nessa época era Gonçalo Antônio da Fonseca e Sá, cujo
histórico militar foi transcrito no capítulo anterior. Nomeado para o cargo em 8 de setembro
de 1808, poucos dias após o Alvará de 29 de Agosto, o Brigadeiro Fonseca e Sá marchou com
a Legião para a Capitania de São Pedro, porém veio a falecer em 1811, sendo substituído pelo
Coronel Joaquim de Oliveira Álvares, cujo histórico militar é transcrito a seguir, estando
sublinhada a sua passagem pela Legião, incluindo os combates de Ibirocai, Carumbé e
Catalão referentes à Campanha de 1816-1820.

Joaquim de Oliveira Álvares – Fonte Exército Brasileiro – ontem, hoje, sempre.


Cel Davis Ribeiro Sena, EGGCF, 2000.

Joaquim de Oliveira Álvares - Nasceu a 19 de novembro de


1776 na ilha da Madeira. Bacharel em matemática e filosofia pela
Universidade de Coimbra. Alistou-se na Marinha Real Portuguesa e
sua antiguidade de praça foi mandada contar de 1 de outubro de
1794. Veio para o Brasil em 1804, sendo nomeado capitão de
artilharia da Legião de Voluntários de São Paulo.
Foi promovido a major em 1807, a tenente-coronel em 1810,
a coronel em 17 de dezembro de 1811, a brigadeiro graduado em
1814, a brigadeiro em 27 de julho de 1817, a marechal de campo
graduado em 1819, a marechal de campo em 7 de janeiro de 1822, a
tenente-general em 12 de outubro de 1824.
Compondo a Legião de Voluntários de São Paulo partiu em
1808 para a Capitania do Rio Grande do Sul onde tomou parte nas
Campanhas de 1811 e 1812, incorporado às forças do exército,
distinguindo-se nos combates de Ibirocaí, Carumbé e Catalão.
Foi nomeado ajudante-general do governo das armas da
Corte e província do Rio de Janeiro em 11 de novembro de 1821 e
conselheiro de guerra em 12 de outubro de 1822. Por duas vezes
exerceu o cargo de Ministro dos Negócios da Guerra, de 16 de
janeiro de 1822 a 27 de junho seguinte e de 24 de junho de 1828 a 4
de agosto de 1829.Na segunda legislatura (1830-1833) foi eleito
deputado pela província de São Pedro do Rio Grande do Sul.
Faleceu a 27 de junho de 1835 em Paris e foi sepultado no
cemitério Père Lachaise.. (o grifo é nosso)
(LAGO, Coronel Laurêncio. Brigadeiros e Generais de D.
João VI e D. Pedro I no Brasil, 1938, pp. 79-80)
Pesquisa no Arquivo do Estado do Rio Grande do Sul e de São Paulo

Pesquisando nos Arquivos do Estado do Rio Grande do Sul e de São Paulo,


encontramos documentações que relatam a participação da Legião durante a Campanha de
1811-1812. Para melhor entendimento, vamos descrevê-las pela ordem cronológica,
independente de seus remetentes, sublinhando as datas e as referenciando, conforme o arquivo
pesquisado.

Setembro de 1810
A cavalaria da Legião estava na Vila de Rio Grande. (Arquivo de São Paulo)

Outubro de 1810
Em carta do Brigadeiro Gonçalo ao Conde de Linhares, de 15 de outubro, com
quartel em Porto Alegre, o Comandante da Legião informava ter conhecimento que o
Governador da Capitania de São Paulo estava para mandar substituir com recrutas as faltas
que havia na tropa, causadas pelas deserções, mortes e baixas. Informava que tinha recebido
no dia 13 do corrente mês sete caixas de armamento vindas de Santos contendo 318 espadas
de bainhas de ferro. Participava ainda que já tinha marchado para Rio Pardo as duas
companhias de artilharia a cavalo, com os seus parques, 457 praças de infantaria, entrando
nesse número 5 praças do estado-maior do corpo; e para Rio Grande os quatro esquadrões,
indos estes e a artilharia completados com os melhores soldados de infantaria. Ficava o
restante da infantaria a seguir para Rio Pardo, não tendo já marchado porque estava
aprontando a maior parte do armamento, que chegou quase todo “desconcertado”.
O Brigadeiro aproveitava a correspondência para representar, no sentido que a tropa
estava em extrema necessidade de receber fardamento, não só por vencer em dezembro, ou
seja, dentro de 2 meses, mas por causa das marchas estavam arruinadas. Vendo a situação de
penúria das fardas, o Comandante da Legião foi obrigado a mandar gastar o dinheiro das solas
e sapatos, e repassá-lo para poderem marchar, mas em pouco tempo ficariam como afirmava:
“outra vez despidos e descalços, se não chegar a tempo o fardamento”. (livro 180, caixa 65,
ordem 423, anos de 1808 a 1816, Arquivo de São Paulo)

Novembro de 1810
A Cavalaria da Legião permanece estacionada na Vila de Rio Grande.

Março de 1811
O Marechal Xavier Curado envia ao Conde de Linhares um mapa das baixas,
deserções e mortes da Legião. Na correspondência em que foi anexo o mapa, Xavier Curado
escreveu:

Tive a honra de receber as ordens de VExa compreendidas


no Oficio de 11 de fevereiro, em que foi VExa servido recomendar-me
a conservação da Tropa da Legião de S. Paulo na mayor disciplina e
exercicios militares, juramento em tempo competente atendendo a
dezerção, que no momento actual he muito pezada pella falta de
[...](?).Sobre estes mesmos objetivos tenho empregado os meus
mayores cuidados servindo-me de guia em todas as despeziçoens que
dependem da minha deliberação.Pello mappa incluzo se dignara
VExa concluir a falta de Praças, que já se sente pelos motivos
indicados no mesmo mappa. Apezar da moderação que pratico e
fasso praticar com esta Tropa não me tem sido possível embarassar
este grande mal tão freqüente, como inevitável entre os soldados (?)
Talvez que fossem mais privar as dezerçons, se viessem
pagamentos regulares, cuja falta he remiam a detrimentoza a esta
Tropa, que sendo estrangeira no Paiz, não tem outras (?) se não
aquelles que SAR lhe manda prestar, por meyo de soldos, para
conservar em bom estado os seos uniformes de que se servem
diariamente.A Exmo Pessoa de VExa – Quartel em Porto Alegre, 15
de março de 1810. Ilmo Exmo Snr Conde de Linhares. Joaquim
Xavier Curado.

Baixas Desertores Morreram


Trombetas

Milicianos
Sargentos

Soldados
Soldados

Soldados
Artífice

Todos

Todos

Todos
Cabos

Cabos

Cabos
Total

1ª Cia 4 5 1 2 2 7
2ª Cia 1 1 1 1 2
3ª Cia 2 2 2
4ª Cia 1 1 2 2 3
1ª Cia 2 2 4
2ª Cia 1 1 1 1 2
3ª Cia 5 5 5 5 10
4ª Cia 5 5 5 5 10
1º Esqd 2 1 2 5 6 6 11
2º Esqd 2 2 2
3º Esqd 1 3 4 1 1 2 2 7
4º Esqd 7 7 7
1ª Bat 1 2 3 10 3 13 1 2 3 19
2ª Bat 1 2 1 2 2 5 2 2 9
Total 4 1 1 7 13 2 49 5 56 1 22 25 95
Fonte: Livro 180, Caixa 65, Ordem 423, Arquivo do Estado de São Paulo.

Julho de 1811
O Brigadeiro Gonçalo Fonseca e Sá encontrava-se doente. Logo depois foi
substituído por Joaquim de Oliveira Álvares (Ordem 269, caixa 36, Arquivo de S. Paulo).
Pelo mapa de 15 de julho, assinado por Joaquim de Oliveira Álvares estavam
concentradas em Bagé, revelando que a Legião estava no acampamento de D. Diogo antes de
entrar na Banda Oriental (Arquivo de Porto Alegre, RS).
Na marcha da Coluna de Marques de Souza para dentro da Banda Oriental do
Uruguai, por causa de um erro do guia, em virtude da forte cerração, a tropa passou a noite de
23 para 24 em um local baixo e impróprio. Aliado ao intenso frio e a chuva que caiu durante a
noite, pela manhã foram encontrados sentinelas mortos e vários doentes.
É nesse episódio que morreu dias depois no hospital de Cerro Largo, vítima de
gangrena, o soldado de nome Manoel Antonio. Este praça pertencia à infantaria, mas era
daqueles que foram incorporados aos esquadrões, quando esses foram mandados de Porto
Alegre para Rio Grande. O soldado era natural de Morretes, perto de Paranaguá, praça a 5 de
setembro de 1809 na 1ª Cia do 1ª Batalhão (caixa 36, ordem 269, Arquivo de S. Paulo).

Setembro de 1811
A 4 deste mês Marques de Souza com 300 cavalarianos, incluindo da Legião,
apossou-se da Fortaleza de Santa Tereza. D. Diogo manda reparar as brechas da muralha, a
guarnece com dois canhões, um obus e 235 homens, provavelmente parte deles da Cavalaria
da Legião.
Outubro de 1811
A 3 de outubro o Exército Pacificador retomou a sua marcha. Em 11 dias atinge
Maldonado. Com o armistício que o governador Élio estabeleceu com os argentinos e
uruguaios, pede para que as tropas de D. Diogo se recolhessem ao Rio Grande. O argentino
Rondeau retira-se para a argentina e Artigas para Entre-rios. Em sua retirada para a banda
ocidental do rio Uruguai, o armistício de nada adianta, pois Artigas continua levantando a
campanha e as fronteiras do Rio Grande estavam de novo ameaçadas.
Em relação às Missões, encontramos no Arquivo de Porto Alegre a correspondência
do Sargento-Mor Francisco da Chagas Santos, Comandante da Província das Missões, datada
de 21 de outubro de 1811. Pela mesma era informado o recebimento de dois fardos destinados
à Artilharia da Legião de São Paulo, contendo 70 camisas, 35 fardas, 35 calças de pano azul e
35 botas. O material foi recebido dos armazéns reais da capitania, remetidas por canoa até
Vila do Rio Pardo e deste lugar seguiu para a “Província das Missoens”. Esta documentação
confirma que a Cavalaria da Legião realmente não atuou na região das Missões, operando
somente na Banda Oriental.

Dezembro de 1811
Em dezembro, a Legião permanece estacionada em Maldonado, onde ficará até o
final de março, ou seja, quase 6 meses.

Fevereiro de 1812
Em 13 de fevereiro de 1812, o Coronel Joaquim de Oliveira Álvares, agora como
Comandante da Legião, remete correspondência ao Marechal de Campo Xavier Curado, no
qual solicita transferências internas na Legião, inclusive na Cavalaria. Pelas mudanças o
tenente Manoel do Nascimento Cardozo do 1º esquadrão assumiu o lugar do capitão Diogo
Jozé Machado; para capitão do 2º esquadrão em lugar do capitão Antonio Simplicio, o tenente
Thomaz José da Silva; para ajudante em lugar de Luiz Antonio Peixoto, o tenente Bernardo
Jozé Pinto Gavião; para tenente do 1º esquadrão em lugar de Manoel do Nascimento Cardozo,
o tenente agregado Januário Maximo de Castro; para tenente do 1º esquadrão em lugar de
Thomaz Jozé da Silva, o tenente agregado Januário Xavier de Bulhoens; para tenente do 3º
esquadrão em lugar de Bernardo Jozé Pinto Gavião, o alferes mais antigo Joaquim Jozé
Bittencourt (Lata 165, maço 29, Arquivo de Porto Alegre, RS).

Março de 1812
No Arquivo do Estado de São Paulo encontramos documentos que continham as
provas de acesso às promoções de oficiais. Estava a tropa no acampamento em Maldonado
em intervalo de combate e já se visualizando o retorno a São Paulo aproveitou-se para aplicar
as provas de promoção aos postos imediatos. Como conhecimento a mais, transcrevemos seis
questões do que foram as provas do concurso teórico e prático para os postos de milícias da
Capitania de São Paulo, conforme o Aviso Régio datado de 15 de agosto de 1810.
Devido à dificuldade da letra, mas do que foi possível ser lido, as questões foram as
seguintes: O que se entende por Batalham; Quais são as formas e direçoens porque se pode
fazer fogo por divizoens; Hé a tropa a pé dividida por pelotoens; O que hé fogo em frente,
fogo obliquo a vista, e dos lados para o centro; Qual hé a ordem que se deve observar para
hum corpo marchando em linha de batalha; Qual hé a ordem que se deve observar na
marcha de costado; Em que forão estabelecidos os regimentos de infantarias pelo
regulamento de 1763; Que alterações tem havido destes até esta época presente (caixa 36,
documento 17 F, ordem 269, Arquivo de São Paulo).
Em carta do Cel Álvares para Marquês de Alegrete, então Governador da Capitania
de São Paulo, que depois em novembro de 1814 assumirá o governo de Rio Grande,
informava que em 15 de março de 1812, véspera da saída do Exército de Maldonado, oficiais
do Corpo tinham embarcado para Rio Grande para fins de tratamento de saúde: Capitães
Diogo Jozé Machado e Antonio Simplicio da Silva (caixa 36, ordem 269, Arquivo de SP).
Em 16 de março o Exército Pacificador saiu de Maldonado e rumou para Paissandu,
à margem esquerda do Rio Uruguai, passando antes por Pão de Açúcar, Passo de Cuelo, Passo
de Durazno, Rio Yie e Rio Negro. Nesse percurso, feita até 2 de maio durante 48 dias, foi
quando aconteceram os maiores combates da campanha, inclusive para a Cavalaria da Legião.

Abril de 1812
A 6 de abril, depois de sair de Maldonado, a Legião ultrapassa o rio Yie. No dia
seguinte é dado ordem para que a Cavalaria da Legião e a Miliciana das duas colunas se
adiantassem de madrugada com dois obuses e quatro peças de artilharia em direção aos passos
do rio Negro. O objetivo era limpar o terreno entre os dois rios, anulando as partidas dos
insurgentes que o infestavam.
Essa força reunida, montando perto de 500 praças, saiu pelas poucas horas da
madrugada dirigindo-se ao Passo de Alcorta no rio Negro, 15 légoas distante do Passo do rio
Yie, onde acampava o Exército. Pela uma hora da tarde do mesmo dia 7, apresentou-se um
desertor, que deu notícia de terem a passar duas partidas dos insurgentes pelo mesmo passo.
Do informe recebido, teve ordem de acelerar a marcha 100 praças da Legião e Miliciana com
duas peças de calibre 3 polegadas (caixa 36, ordem 269, Arquivo de São Paulo).
Em correspondência de 8 de abril de 1812 de Joaquim Xavier Curado para D. Diogo
de Souza, na qual é relatado o combate no Passo de Alcorta feito pelas tropas da Legião de
São Paulo. A correspondência foi encontrada no Arquivo de Porto Alegre em mau estado,
inclusive com algumas partes furadas, o que dificultou a total transcrição.

Pela huma da tarde do dia sette em que me afastei do


Exército, se me apresentou hum dezertor dos insurgentes dando
noticia certa de huma partida de cento e tantoz homens, que
pretendiam passar o Rio Negro naquele ou no [...] por cujo motivo
tomei o expediente de nomear o Coronel Joaquim de Oliveira Álvares
com elementos, incluindo os artilheiros [...] o Coronel muito proximo
ao passo, na distancia de huma légua, pouco mais ou menos, em hum
lugar muito próximo a umas cazas sem morador, onde se encontrarão
trêz espiões inimigos, que dali examinavão os movimentos da tropa
[...] chegando o Coronel Joaquim Oliveira ao romper do dia achou a
partida inimiga n’ação de passar o rio, estando do lado opposto,
parte dela de onde fazia hum fogo muito vivo de mosquetaria, para
proteger a passagem da outra parte, q’ se conservava deste lado
evitando em passar a cavalhada e empreendendo fugir [...] foi nosso
ataque tão sério, que poucos conseguiram [...] fizeram seis
prisioneiros, trezentos cavalos, [...] espingardas e [...] clavinas, duas
pistolas, [...] muita roupa dispersa, maletas, hum barril de pólvora de
água-ardente e muita ferramenta [...], tanto na margem do rio, como
no lugar onde projetavão.
Pelo que consta hum dos prisioneiros entrou no numero dos
mortos, que não se pode realmente verificar, o capitão comandante
da partida, e hum tenente, que viam ser irmão do Ten Cel Chaim [...]
Não posso de deixar de louvar a presença de V.Exa. a
certeza, de que os meos camaradas, tanto da Legião, como
Milicianos, se comportaram do melhor modo possível, como afirma o
Coronel Joaquim de Oliveira Álvares, comandante da ação.
Passo do Alcorta, 8 de abril de 1812 (lata 65, maço 30, Arquivo RS).
O combate também foi alvo de comentários na carta do Cel Álvares ao Marquês de
Alegrete, na qual era informado da ação contra os insurgentes que saíram do lado meridional
do rio Uruguai, sendo aprisionado 300 cavalos, 150 bois de carro, 2 carretas, armas e
ferramentas (caixa 36, ordem 269, Arquivo de São Paulo).
O combate relatado anteriormente também é descrito no livro “Dicionário das
Batalhas Brasileiras” de Ernâni Donatto, com o nome de Rio Negro de 8 de abril de 1812,
transcrito a seguir:

Uruguai. Campanha Pacificadora. O Coronel Oliveira


Álvares, com tropa da Legião de São Paulo, destacado do exército de
Diogo de Souza, saiu de Maldonado rumo de Paissandu. Encontrou o
passo sobre o Rio Negro bloqueado pelos contingentes uruguaios de
Germano Machario e Rubio Marques. Ao fim de combate breve, mas
violento, o rio foi transposto e a marcha continuada. Foram tomados
300 prisioneiros e contados, entre os adversários, sete feridos e 10
mortos.

Finalizando a descrição do Combate de Alcorta, constava no relatório do Cel Álvares


a relação dos que combateram, incluindo as quatro companhias do 2º batalhão e os quatro
esquadrões da Cavalaria:
Estado Maior – Ajudante Bernardo José Pinto Gavião.
1º Esquadrão: Cap José Pedro Galvão de Moura Lacerda, Ten Januário Soares de
Bulhõens e Joaquim José Bittencourt, 2 furriéis, 5 cabos, 1 cadete e 42 soldados.
2º Esquadrão: Cap Thomaz José da Silva, Ten João de Castro do Canto, Francisco
Nunes Ramalho, 1 alferes, 2 furriéis, 7 cabos, 1 trombeta, um cadete e 38 soldados.
3º Esquadrão: Cap Manoel da Costa Silveira, Ten Januário Maximo de Castro, José
da Silva Brandão, 2 alferes, 2 furriéis, 3 cabos, 1 trombeta e 26 soldados.
4º Esquadrão: Cap Manoel do Nascimento Cardozo, Ten Rafael Fortunato da Silva
Brandão, Miguel Ângelo da Silveira, 2 alferes, 2 furriéis, 6 cabos, 2 trombetas, 1 cadete e 26
soldados (caixa 36, ordem 269, Arquivo de S. Paulo).

Maio de 1812
A 29 de maio, no retorno para Rio Grande, a Legião marchava com o 1º batalhão de
infantaria, dois esquadrões de cavalaria e 101 praças de artilharia a cavalo, tudo do corpo.
Marchavam junto, dois esquadrões de milicianos de Porto Alegre. Depois receberam as
partidas do sargento-mor Manoel dos Santos Pedroso de 150 praças, duas peças e dois obuses
e se dirigiram para o Passo do Salto no Uruguai, a fim de impedir a passagem dos insurgentes
e ainda dos índios charruas e minuanos, tirando-lhes a cavalhada.
A 31, fez o Cel Álvares adiantar o capitão Antonio Joaquim da Costa Gavião com
dois Esqd de cavalaria para surpreender os índios (caixa 36, ordem 269, Arquivo de SP).

Junho de 1812
Continuando a descrição da atuação da Legião iniciada em 29 de maio, a 4 de junho,
nas margens do Daiman foi tomada a resolução de marchar para Salto, onde a 6 não foram
encontrados indícios do exército dos insurgentes. Nos dias seguintes foi mandado reconhecer
o terreno, onde estavam acampados os Minuanos e Charruas. Nas imediações do povo de
Salto os índios os atacaram para favorecer a passagem dos insurgentes.
Foi rechaçado o ataque com o Regimento de Milícias de Porto Alegre, 200 praças de
cavalaria e 100 de infantaria, começando o ataque ao romper do dia a que continuou até as
8:30h da manhã. Do combate morreram 3 soldados de cavalaria e 2 milicianos. Feridos,
ficaram 32 praças, 15 da Legião, sendo 2 oficiais e 13 soldados de cavalaria e ainda 17
soldados milicianos. Destacaram-se o Ten Cel Inácio dos Santos Abreu, os capitães Antonio
Joaquim da Costa Gavião e José Joaquim César, o tenente João de Castro e os alferes José e
Pedro de Castro do Canto e Melo.
Na carta, o Cel informava ainda que logo que amanheceu o dia 13 os insurgentes do
outro lado do rio Uruguai deram sinais para parlamentar uma trégua. No dia 16 e 20,
informava que recebeu ordens para o fim das hostilidades (Documento 22, caixa 36, ordem
269, Arquivo de São Paulo)
Continuando descrevendo as documentações do Cel Álvares, em 15 de junho de
1812, em conseqüência do armistício, o mesmo informava para D. Diogo de Souza a retirada
de todas as guardas e sentinelas da margem ocidental do Rio Uruguai. Nas substituições
feitas, sempre por partidas, recebeu a informação de que no dia anterior o efetivo de oficiais e
soldados do Regimento de Blandengues (oriental), teria acompanhado o General José Artigas,
o qual se retirava do local. Na mesma correspondência, o coronel Álvares detalhou a situação
do inimigo:

[...] “huma legua rio acima onde houve exercicio [...] (?,
palavra não identificada no documento) [...] mas e se derão mais de
40 tiros. Os Regimentos que á no campo fronteira do meu são: o da
Estrela e de Morenos, e no que existe na legua acima um ou dous
mais. Há Artilharia em ambos. Os campos e pelo que tenho
observado haverão no que fica fronteira ao meu 16 bocas fogo. Estão
reunidos 1650 cavalos, ficando ainda mais de 600 potros e eguas
mansas além dos cavalos estraviados apezar do meu cuidado... Deos
guarde V. Exa. - Campo de Arroio de Santo Antônio, 15 de junho de
1812.” (o grifo é nosso) ( Lata 165, maço 29, Arquivo do RS)

Continuando as pesquisas, encontramos tanto no Arquivo de Porto Alegre como de


São Paulo, nos quais se completam, o relatório do Cel Oliveira Álvares, Comandante da
Legião, para D. Diogo de Souza, sobre o combate contra os Charruas, índios que atuavam
aliados aos espanhóis e orientais, ocorrida no dia 11 de junho de 1812. Pelo relatório, dirigido
ao QG do Comandante Chefe das Guerras Portuguesas sobre Salto, com acampamento no
campo do Arroio de Santo Antônio, a cavalaria de São Paulo participou do referido combate
ao comando dos capitães Antônio Joaquim da Costa Gavião e Thomaz José da Silva.
Ainda pela descrição do relatório, participaram do referido combate pela cavalaria da
Legião, os tenentes Rafael Fortunato da Silva Brandão e João de Castro Canto e Melo, os
alferes José de Castro do Canto e Melo, Pedro de Castro do Canto e Melo e José Joaquim de
Moraes e Abreu, além de 2 furriéis, 6 cabos e 68 soldados. Neste combate a cavalaria teve os
seguintes feridos:
1º Esquadrão: o Cadete Francisco Rodrigues Pereira Neto, natural de São Paulo;
Soldados Antônio Jozé Silveira, natural de São Paulo; Floriano Rodrigues; José Ignácio,
natural de São Roque; Jozé Antônio da Silveira, natural de Santo Amaro e Francisco
Cavalheiro, natural de Sorocaba.
2º Esquadrão: Cabo José Polinário, natural da Vila de Castro.
3º Esquadrão: Cabo Joaquim da Costa Filho, natural da Vila de Itu; Soldados José
Damázio, Joaquim Marques Domingues, natural de Rio das Velhas.
4º Esquadrão: Sd João Soares, José Francisco da Costa, natural de Mogi-Mirim.
E ainda como feridos da Legião um capitão da 3ª Cia do 2º batalhão; um tenente da
4ª Cia do mesmo batalhão; doze militares do Regimento Miliciano de Porto Alegre e quatro
militares da Partida do Sgt-Mor Manuel dos Santos Pedroso.
Dos Mortos:
2º Esquadrão: Sd Luis Domingues Godinho, cujo assentamento consta praça com 14
anos da 3ª Cia do 1º batalhão. Jurou a Bandeira a 21 de dezembro de 1808, passou para o 2º
Esqd a 21 de agosto de 1809. Marchou para a Capitania de São Pedro em 7 de janeiro de
1810. Além do soldado Godinho, tiveram mais dois mortos da 3ª Cia do Regimento Miliciano
de Porto Alegre.
Na continuação da ação, no arquivo de São Paulo, encontramos documentação que o
Cel Álvares ao Marquês de Alegrete relatava que em 28 de junho tinha marchado com quatro
esquadrões de cavalaria. Destes, dois da Legião de São Paulo e dois de Milícias de Porto
Alegre, mais o 2º batalhão de infantaria da Legião e 103 praças de artilharia a cavalo do
mesmo corpo e como armamento era levado duas peças e dois obuses. O objetivo era o de
impedir as passagens dos insurgentes pelo Uruguai e bater os charruas e minuanos que se
achavam aquém daquele rio sob o arroio Laurelly (caixa 36,ordem 269, arquivo de SP).
Uma outra ação da Legião foi encontrada na correspondência de 29 de junho, com
acampamento no Arroio de Santo Antônio, próxima à margem do rio Uruguai, o mesmo Cel
Oliveira Álvares informava que mandou duas partidas (patrulhas) de 25 homens cada uma
para diligência com a previsão de terem concluído a missão em seis dias. Participava também
que no dia 25 de junho, pelas dez horas da noite, tinha se apresentado no Posto da Guarda um
soldado espanhol armado de clavim e cartucheira, com dezenove cartuchos e que teria
passado o rio Uruguai em uma pelota com seus arreios. A informação era questionada como
verdadeira pelo coronel, mas que mesmo assim mandava segurar as embarcações que ainda
estavam na Barra de Daiman.
Pela mesma correspondência o coronel informava também que na noite do dia 26
chegou ao campo o Sargento-Mor Manoel dos Santos Pedroso com a sua partida, a quem
mandou uma das canoas, logo que soube da sua chegada, do Pontão ao Daiman, em local que
não dava vau. Encerrando a correspondência, o comandante da Legião informava a Xavier
Curado que não tinha maior novidade até aquele momento e que recebeu a última
correspondência de seu superior as cinco da tarde, datada do dia 20 e fazia naquele mesmo dia
endereçar outras duas (Lata 165, maço 29 e 30, Arquivo de Porto Alegre, RS).

Julho de 1812
Em outro documento pesquisado, do Comandante Francisco da Chagas Santos,
datado de 15 de julho de 1812, foi encontrado um mapa do estado das tropas de linha e
miliciana na Fronteira das Missões, no qual se informava que o destacamento da artilharia da
Legião de São Paulo constava de 1 capitão, 1 tenente, 3 sargentos, 3 cabos de esquadra, 1
tambor e trombeta e 20 soldados. No mesmo mapa constava que além da artilharia da Legião,
estavam presentes nas Missões, o Batalhão de Infantaria e Artilharia da Capitania de São
Pedro, o Regimento de Milícias Guaranis a Cavalo e a Cavalaria Miliciana Portuguesa
(Arquivo do RS).
Em carta do Cel Álvares ao Marquês de Alegrete era informado que com o armistício
teve ordem para se retirar com sua tropa e encontrar-se com o Exército no arroio das Casimas
(? Palavra não muito bem identificada no documento), o que efetivamente se reuniu a 25 de
julho. Continuando a retirada a tropa prosseguiu até Conceição, onde entregou o mapa
informando das condutas dos oficiais e relações dos serviços dos que mais demonstraram
intrepidez, assim como a relação de mortos e feridos nas ações (caixa 36, ordem 269, Arquivo
de São Paulo).
Entre outros documentos do Coronel Chagas Santos foi encontrado algumas citações
do emprego da artilharia de São Paulo, o que nos permite reafirmar que a Cavalaria da Legião
esteve empregada somente na frente que adentrou na Banda Oriental do Uruguai, confirmada
ainda pela própria correspondência do Cel Álvares endereçada a D. Diogo de Souza (Lata
165, maço 29, Arquivo do RS).

Agosto de 1812
A 18 de agosto chegava ao Campo de Santa Anna a tropa da Legião, que pela
descrição do Cel Álvares, em carta de 20 de agosto, ficava a oito légoas do antigo Campo de
São Diogo e ainda distante de 60 a 70 légoas de Rio Pardo. Ou seja, entre as atuais Alegrete e
Rio Pardo, provavelmente em Santana do Livramento de hoje. Nessa carta o comandante da
Legião comentava que se falava em separação das duas colunas, que a primeira seguiria para
Bagé e a segunda para São Diogo até novas ordens e ainda se retirariam os milicianos. A
partir daí, as duas colunas, que na marcha de retorno da Banda Oriental estavam juntas, se
separariam, ficando a Legião na Coluna da Esquerda. Na carta, mais uma vez, o Cel Álvares
pede pela retirada de seu corpo para a Capitania de São Paulo (caixa 36, ordem 269, Arquivo
de São Paulo).
Outra documentação encontrada foi a do comandante de esquadrão da Legião, José
Pedro Galvão de Moura e Lacerda, de 8 agosto de 1812, em que constava uma relação de
onze estâncias abandonadas e os seus motivos. Pelo entendimento, as estâncias se referiam
com sendo da região de Entre-Rios (Lata 165, maço 31, arquivo do RS).
Com o fim da campanha, a Legião de Tropas Ligeiras retornou à Capitania de São
Pedro do Sul, quando verificamos pela correspondência ainda do Cel Oliveira Álvares que a
tropa em seu deslocamento acampou nas cabeceiras do “Quarahim” em 25 de agosto, nos
“Serros de Santana” em 28 de agosto e nas “Vertentes de Cunhá- Peru” em 5 de setembro.
Finalizando a marcha estabeleceu acampamento em “Conceição” a 27 de setembro (Arquivo
do RS).

Setembro de 1812
Em 9 de setembro na carta que o Cel Álvares relatava a situação da Legião ao
Marquês de Alegrete, Governador de São Paulo, informando resumidamente os
acontecimentos desde 15 de março. Ao mesmo tempo solicitava ao Marechal de Campo, que
em conseqüência do armistício e em nome de seus oficiais e mais praças, a graça de obter o
regresso da sua tropa para São Paulo. A carta foi escrita no Campo das Fontes de Cunhá-Peru.
Entretanto, conhecendo a história de nada adiantou, pois a Legião permaneceu no sul
aguardando nova campanha (caixa 36, ordem 269, arquivo de São Paulo).
No acampamento em Conceição, em 30 de setembro 1812, o capitão Jozé Pedro
Galvão, comandante do Destacamento de São Diogo, de onde surgiu mais tarde a cidade de
Alegrete, informava ao Marechal Xavier Curado que o cadete de cavalaria Alexandre Barreto
de Lima fora atacado por um tigre, tendo falecido no dia 26. Pela correspondência se
verificou que o ataque ao cadete ocorreu no Jarau, região da atual cidade de Quaraí, quando
estava sendo realizada no local duas partidas, uma no próprio Cerro do Jarau e outra no
Itaquatiá. O capitão Galvão ainda informava que mandou aprontar um oficial e dezoito
soldados da cavalaria de São Paulo, que deveriam partir com a possível brevidade. (Arquivo
do RS)
Estacionado em Conceição, a Legião passou a executar medidas administrativas,
verificadas na correspondência do Cel Álvares, de 30 de setembro de 1812, endereçada ao
Marechal de Campo Xavier Curado. Na mesma se informava que era remetida uma relação da
cavalhada e boiada existente na vizinhança do acampamento, assim como a relação da
devolução do armamento e munições e do envio do mapa da “Coluna da Esquerda”, que
incluía a Legião e o Regimento de Dragões. Pelo mapa identificamos que as tropas da Legião
estavam constituídas do 1º e 2º Batalhão de Infantaria, assim como da artilharia e cavalaria,
totalizando toda a Legião o efetivo de 1139 combatentes, sendo que a cavalaria com 598
homens e destes 240 milicianos adidos (arquivo do RS).
Das correspondências encontradas, ainda estava a de 30 de outubro de 1812 do
Marechal de Campo Manoel Marques de Souza (I) (Lata 165, maço 32), contendo um mapa
das praças dos diferentes Corpos, que marcharam destacadas, doentes, as quais convalesciam
na Fortaleza de Santa Tereza. No mapa estavam incluídos 75 militares do Regimento de Santa
Catarina e 5 praças da Legião de São Paulo, sendo destas últimas, 1 cabo e 4 soldados. Pela
documentação comprova que parte da Legião atuou junto a Manoel Marques de Souza na
frente que atuou pelo litoral (arquivo do RS).
Novembro de 1812
Em 8 de novembro, o Cel Álvaro participava ao Marquês do Alegrete da chegada da
“Coluna da Esquerda” naquele campo, o da Conceição, onde até 15 do mesmo mês se
recolheria à Vila de Caçapava; e que a primeira coluna (a da direita) que devia acampar em
Bagé até dia 15, teve ordem de seguir diretamente à Barra do Jaguarão, donde embarcaram a
28 de outubro para ganhar a fortaleza e povoação de Santa Tereza, onde ainda felizmente se
conservava uma pequena guarnição portuguesa, geralmente de inválidos.
Quanto à Coluna da Esquerda, em que estava enquadrada a Legião teve ordem para
marchar ao 1º aviso (Caixa 36, ordem 269, arquivo de São Paulo).

Dezembro de 1812
Em carta de 29 de dezembro, com acampamento na Guarda da Conceição, o Cel
Álvarez mais uma vez recorre em ofício ao Marquês de Alegrete. Em fase da evolução dos
acontecimentos, temia o coronel o que se anunciava: a legião ficar no sul.
Segundo o relato, o coronel informava que recebeu notícias de que estavam
mandando recolher-se para o Rio Grande a Coluna da Direita, que acampara próximo a Santa
Tereza; e que igualmente tinha sido expedido ordens para se retirar a da Esquerda: o
Regimento de Dragões para Rio Pardo e a Legião para Porto Alegre (documento 33, caixa 36,
ordem 269, arquivo de São Paulo).
O que se previa iria mesmo acontecer, ou seja, a Legião não retornaria para São
Paulo, quando passam a chamá-la de “Legião Esquecida”.

Fim da Campanha de 1811-1812

Como conseqüência da Campanha de 1811-1812, a ação do Exército Pacificador


influiu na configuração territorial do atual Estado do Rio Grande do Sul, sendo incorporada
ao seu final a região de Entre-Rios, formada pelo território delimitado pelos rios Uruguai,
Quaraí, Ibicuí e Santa Maria. Da mesma maneira, nos locais onde o Exército Pacificador se
concentrou para a campanha foi dado início a ocupação da região. Do acampamento de D.
Diogo, na Guarda de São Sebastião, surgiu a cidade de Bagé. Do acampamento de São Diogo,
a cidade de Alegrete, o primeiro povoado português a oeste do rio Santa Maria.
Para assegurar a defesa, foi mandado guarnecer com tropas alguns pontos
estratégicos na recém demarcada linha de fronteira. Um deles, por exemplo, foi o “Passo do
Quaraí”, local do rio por onde as tropas passavam e retornavam da Banda Oriental.
Posteriormente, em torno da região do referido Passo, surgiu a cidade de mesmo nome.
Como herança também da Campanha de 1811-1812, surgiu o mosaico geográfico
das estradas que hoje ligam o Brasil e o Uruguai sedimentados praticamente sobre os mesmos
caminhos que davam acesso ao teatro de operações. Nos pontos de passagem das tropas
surgiram exatamente os atuais seis pontos de ligação na linha de fronteira, ou
especificadamente, de leste para oeste: Chuí/Chuy, Jaguarão/Rio Branco, Aceguá/Asseguá,
Livramento/Rivera, Quaraí/Artigas e Barra do Quaraí/Bella Unión.
Na área incorporada e em torno dos pontos de concentração, a coroa portuguesa e o
governo da Capitania de São Pedro realizaram a distribuição de sesmarias, principalmente
para militares participantes da campanha. Com as terras nas mãos e aos cuidados de seus
novos donos, permitiu que se criasse o que chamamos de uma “barreira humana”,
proporcionando dificuldades às futuras invasões.
Como resultado final das conseqüências citadas, ou seja, da incorporação da região
de Entre-Rios, da ocupação militar dos pontos estratégicos, da distribuição das sesmarias e da
formação de uma “barreira humana”, deu-se início aos núcleos de povoamento que
originaram as atuais cidades da fronteira oeste, entre elas Quaraí, Livramento, Bagé e
Alegrete.
6. O PERÍODO ENTRE GUERRAS (1813-1816)

Durante o período que compreendeu o fim da campanha de 1811-1812 ao início da


próxima, que iniciará contra Artigas em 1816, a Legião permaneceu estacionada na Capitania
de São Pedro do Sul desde janeiro de 1813. Na permanência realizou o seu recompletamento,
cumpriu as sentenças de guerra, efetivou promoções e outras providências administrativas.

Correspondências

Pesquisando sobre a Legião no período entre guerras (1813-1816), encontramos no


Arquivo Histórico do Exército, no protocolo do Ministério da Guerra, as correspondências do
Conde de Galvêas (26 fev 1812 a 18 jan 1814), sucessor do Conde de Linhares, as quais
foram remetidas para D. Diogo de Souza e Joaquim de Oliveira Álvares com assuntos da
Legião.

Para D. Diogo de Souza – recompletamento de efetivos


Ilmo e Exmo Sr. Tendo recebido elevado a Augusta presença
do Príncipe Regente e Nosso Senhor o offício de nº 48 datado de 26
de maio do corrente anno e documento que incluía notas com a letra
A até R, por que Vs. Continua a participar as notícias ocorrentes
posto que em parte contraditorias, como observa, relativamente a
varios praticados mesmo pelos portugueses, que formão alguns
ajuntamentos nos territórios hespanhóis, determinando-se VExa
portanto a aproximação de algumas tropas para as fronteiras, com o
fim de as conservar em socego, e [...] acontecimentos mesmos
convenientes hum maior numero de tropas nessa capitania. Lembro
VExa a decisão dos seos anteriores officios nº 18, de 12 de 1810, nº
53 de 1811 e nº 33 de 1812 que respeitão o Plano Geral da
organização, e aumento das tropas della, exigindo mais VS a remessa
de Recrutas da capitania de São Paulo para prehencher as praças
faltas na Legião da mesma, que indicão o Mappa respectivo[...] 29
Agosto 1813. Conde Galvêas.

Para Joaquim de Oliveira Álvares – controle de efetivo


Accuzo a recepção das Informações semestres da conducta
dos Officiaes, Officiaes Inferiores, e Cadetes da Legião de Tropas
Ligeiras da Capitania de S. Paulo, q’ na conformidade das VSa
Ordens de 13 Março 1812, VM me remetteo com o seu officio datado
de 1 julho do prezente anno. Deos Guarde a VS. em 31 de Julho de
1813. Conde de Galvêas.

Para Joaquim de Oliveira Álvares – condenação de degredo


Participo a VM para sua intelligencia que recebi o seo
officio de 25 de junho deste anno, ao qual acompanhava as guias dos
soldados, q’ forão da Legião do seo Commando, [...] e [...] (P.S. e
I.J.C) sentenciados com a pena de Degredo perpetuo para
Moçambique. Deos Guarde a VS. Rio de Janeiro em 6 de Setembro
1813. Conde de Galvêas.

Com a morte do Conde de Galvêas em 18 de janeiro de 1814, as correspondências


continuaram tendo trânsito entre o Rio de Janeiro e a Capitania de São Pedro, agora na
administração de Marquês de Aguiar (19 de janeiro de 1814 a dezembro de 1816).
Para Joaquim de Oliveira Álvares - promoção
Promovido pelo Decreto de 17 Dez 1814 do Príncipe
Regente a Sargento-Mor Graduado do 1º Esqd Cavallaria da Legião
de Tropas Ligeiras da Capitania de São Paulo com antiguidade de 1º
Dez 1811 José Pedro de Moura e Lacerda. Correspondência de
Marques de Aguiar a D. Diogo de Souza. Palácio do Rio de Janeiro.

Para D. Diogo de Souza- promoções


Para Ajudante do Estado Maior da Cavalaria - Bernardo
José Pinto Gavião - vago por acesso por promoção. Para Capitão do
1º Esquadrão o Capitão aggregado Felisberto Joaquim de Oliveira
em vaga pelo acesso de Diogo José machado. Para 2º Capitão do 2º
Esquadrão, o Capitão Graduado Francisco Nunes Ramalho em vaga
de Ignácio José de Vicente da Fonseca. Para Capitão Cmt do 1º Esqd
Capitão Graduado João de Castro Canto e Mello em vaga pelo
falecimento de Manoel do Nascimento Cardoso. Para 2º Capitão do
4º Esqd o Capitão Graduado Rafael Fortunato da Silva Brandão.

Para Joaquim de Oliveira Álvares – condenação de degredo


Accuso a recepção do ofício que VM me dirigiu em data de
15 de fevereiro do corrente anno acompanhando a guia do prezo [...],
soldado que foi do 4º esquadrão da Legião de Tropas Ligeiras que
VM comanda, o qual embarcado no Bergantim S. Francisco do Paula
para ir cumprir o degredo de cinco anos para Angola. Deos guarde a
VM. Palácio do Rio de Janeiro em 18 de abril de 1816, Marquês do
Aguiar.

Outras correspondências puderam ser encontradas no Arquivo Histórico do Exército,


comprovando que a Legião permaneceu na Capitania de São Pedro do Sul, provavelmente na
iminência da ocorrência de outra campanha. Das novas correspondências estudadas, todas
foram remetidas do Rio de Janeiro pelo Marquês de Aguiar. O destino era o Marquês do
Alegrete, substituto de D. Diogo de Souza como Governador e Capitão General da Capitania
de São Pedro, tendo exercido o cargo no período de novembro de 1814 a outubro de 1818.
O objetivo das cartas era referente à apreciação e parecer por parte do governador
aos requerimentos de militares da Legião, entre os quais o do Ten Cel Antonio Pinto da Costa
da Cavalaria da Legião, datado de março de 1814, o qual requeria o posto de Coronel do
corpo em que servia. Os outros requerimentos foram do Ten Cel Graduado Joaquim Mariano
Galvão de Moura e Lacerda, para o exercício de Ajudante de Ordens da Capitania de São
Pedro, ficando agregado à Legião e o do Sargento-mor graduado da cavalaria da Legião,
Antonio Joaquim da Costa Gavião, para tratar de sua saúde, ambos datados de outubro de
1814. Por último, os requerimentos de José Pedro de Moura e Lacerda e Antonio Simplicio,
este do 2º esquadrão, para a promoção a TCel graduado e Sargento-mor respectivamente,
datados de junho de 1815.

Montepio da Legião de São Paulo

Com a participação da Legião nas campanhas militares, resolveram os oficiais


organizarem um Montepio, a fim de precaver do abandono e da miséria que poderiam ser
proporcionados às viúvas e aos filhos dos militares falecidos. A primeira tentativa de se
homologa-lo foi em agosto de 1801, quando na época o Príncipe Regente, através do
Visconde de Anadia, em correspondência de 1º de junho de 1802 ao Governador da Capitania
de São Paulo, informava que não convinha que se fizesse o estabelecimento do referido
montepio. A alegação era que não se tinha feito os cálculos da probabilidade da vida humana
que deviam servir de base ao dito estabelecimento (Documentos Interessantes, volume 30,
Arquivo do Estado de São Paulo).
Nova tentativa foi feita em 1812, durante a campanha de 1811-1812. A sua
organização e elaborada foi feita estando a tropa no Campo da Guarda da Conceição, onde a
Legião estacionou após a campanha de 1811-1812. O referido estatuto, como assim pode ser
chamado, foi manuscrito em quatro folhas, encontrando-se uma de suas cópias na íntegra no
Arquivo do Estado do Rio Grande do Sul, junto à correspondência do Cel Joaquim de
Oliveira Álvares, de agosto de 1812.
Pela sua escrituração foi estabelecido que o patrocínio do Montepio fosse de Santa
Bárbara, Padroeira da Legião desde o ano de 1796. Em seu artigo 2º definiu-se que: “será
confrade da Irmandade da Snra Santa Bárbara todo indivíduo que tiver prasa na Legião, e
contribuirá indistintam com trezentos e sessenta réis anuais”.
O plano do Montepio foi remetido em 11 de março de 1813 para apreciação do
Conde de Galvêas, que o aprovou, sendo sancionado depois pelo Príncipe Regente, conforme
a Decisão nº 26 - Guerra em 13 de julho do mesmo ano.

A Legião em Porto Alegre

No final de janeiro de 1813, o Cel Álvares em carta do Campo da Conceição para


Marquês de Alegrete, ainda no governo de São Paulo, informava que a Legião encontrava-se
em deslocamento para o quartel de Porto Alegre e que de Rio Pardo até a capital seguia pelo
rio (Jacuí). Pela carta constavam informações da tropa referente ao mês de dezembro, no qual
a 14 tinha recebido ordens do Marechal Xavier Curado para recolher a tropa aos seus
respectivos quartéis: A Legião para Porto Alegre e o Regimento de Dragões para Rio Pardo,
colocando-se a tropa em marcha a 30 de dezembro. Nas mesmas informações constava que a
Coluna da Direita entrou no Rio Grande a 22 de dezembro, ficando o Regimento de Santa
Catarina aquartelado na Vila do Norte (atual São José do Norte).
Na mesma correspondência, o comandante da Legião pedia a intervenção do
Marquês para o regresso de sua tropa para São Paulo. Informava ainda que a 7 de janeiro três
soldados tinham desertado da 1ª Cia de artilharia e um da Infantaria, todos armados, pelo qual
determinou o marechal que saísse duas escoltas, uma dos Dragões e outra da Legião para a
captura dos desertores (Documento 36, ordem 269, caixa 36, Arquivo de São Paulo)
Em 18 de março de 1813, estando a Legião em Porto Alegre, informava o Cel
Álvares ao Marquês de Alegrete, que a 8 tinha saído em diligência o capitão Pedro Galvão de
Moura e Lacerda da cavalaria em direção ao campo de Bourbon. Este local era onde, logo
após o armistício, o ex-governador de Cerro Largo com alguns espanhóis e alguns desertores
dos nossos corpos acampou sobre o rio Jaguarão,
Na fronteira próxima era a região onde as estâncias, tanto espanholas quanto
portuguesas, estavam sendo atacadas, o que causava a fuga dos nossos estancieiros.
Informava que sábado de aleluia uma partida (patrulha) atacou e desnorteou uma outra de 50
espanhóis, ficando destes 30 mortos; e que outros espanhóis ocupados em roubos foram
cercados por uma partida de aproximadamente 200 espanhóis. As queixas das estâncias do
lado brasileiro obrigaram ao General Manoel Marques de Souza, Comandante de Rio Grande,
a manter uma tropa com um capitão e 40 homens em observação no local. Com o armistício
estabelecido, a guerra já tinha terminado, mas mesmo assim a fronteira ainda não estava
segura. (Ordem 269, caixa 36, Arquivo do Estado de São Paulo)
Permanecendo em Porto Alegre, a Legião recebeu algumas missões por parte do
governador, entre elas a de 29 de março de 1813, na qual deveria a partir de 1º de abril se
destacar mensalmente uma tropa composta de um oficial subalterno, dois oficiais inferiores e
trinta soldados armados destinadas para a guarda de todos os presos militares e paisanos
empregados no serviço público. Como atribuição, nos dias em que não forem domingos,
deveria distribuir os presos para os diferentes trabalhos a que fossem ordenados (Documentos
Interessantes, volume 61, Arquivo de SP).
Uma outra missão atribuída à Legião foi a “guarda de defunto” pelo falecimento do
Sargento-Mor reformado João Batista. A guarda deveria estar constituída com um sargento-
mor, um ajudante, quatro capitães, quatro tenentes, quatro alferes, quatro sargentos, dezesseis
cabos de esquadra, oito tambores, dois pífanos e duzentos soldados, todos com uniforme azul,
devendo este corpo ir municiado com três cartuchos cada praça para as descargas de costume.
A guarda deveria estar postada paralela à igreja com a frente para ela e o flanco direito na
direção da porta principal. Imaginamos que a mencionada igreja seja a atual Catedral de Porto
Alegre, que é ao lado do Palácio Piratini ou então, menos provável, a igreja em frente à 3ª
Região Militar, na Rua dos Andradas (Doc Interessantes, volume 61, Arquivo de São Paulo).
Em 13 de abril de 1813, outra ordem do governador foi para que a Banda de Música
da Legião se apresentasse na igreja as 18 h, junto com a guarda que se achava no local. Por
essa determinação verificamos que os músicos seguiram para o sul, provavelmente depois de
encerrada as operações e com a decisão da Legião não retornar a São Paulo.
A de 20 de maio de 1813, era para que a Legião devolvesse toda a pólvora e cartucho
ao almoxarifado dos Reais Armazéns e em 1º de julho do mesmo ano para que o
destacamento destinado à guarda dos presos fosse aumentado com mais dez praças
(Documentos Interessantes, volume 61, Arquivo de São Paulo).
Encontramos outros documentos em São Paulo, entre os quais mapas de controle dos
efetivos da Legião. Por um deles, de 28 de fevereiro de 1815, estavam comandando os
esquadrões os capitães Antonio Simplicio da Silva (1º), Thomaz José da Silva (2º), Manoel da
Costa Silva (3º), enquanto que o 4º esquadrão estava vago. Constava nas observações do
mapa que no dia 7 apresentou-se o capitão Simplicio; no dia 20 apresentou-se de deserção um
soldado do 1º esquadrão a que foi perdoado pelo crime e a 21 um artífice mecânico do
destacamento do Albardão (Documentos 63-K, ordem 269, caixa 36, Arquivo de SP).
Em 1 de outubro o esquadrão do capitão Thomaz foi destacado para o Albardão.
Em 1º de setembro de 1815 a Legião permanecia em Porto Alegre e os esquadrões
continuavam sendo comandados pelos capitães Simplicio (1º), Thomaz (2º), Manoel da Costa
(3º). Continuava sem um capitão no 4º esquadrão. A cavalaria, pelo mapa, estava com 336
homens, incluindo o estado maior, 85 no 1º Esqd, 77 no 2º, 92 no 3º e 77 no 4º. (Ordem 269,
caixa 36, Arquivo de São Paulo)
Pelo mapa de 1º de outubro, assinado pelo Cel Álvares, permanecia a Legião em
Porto Alegre. Nas observações do mesmo constava que a 11 de setembro estava sendo
destacado para a Freguesia Nova um cabo e seis soldados e retornando da mesma a 7 com o
mesmo efetivo. No dia 7 também constava como doente o capitão José da Silva Brandão e a 8
saiu em diligência o capitão Rafael Fortunato da Silva Brandão e o Ten Jozé de Castro do
Canto e Melo. No dia 12 era abatido do mapa um desertor e a 13 um cabo por seguir destino
para São Paulo. A 14, estava se apresentado um furriel e seis soldados do destacamento de
Rio Grande. E por último, a 20, apresentaram-se do mesmo destacamento de Rio Grande um
cabo e nove soldados (Documento 63-K, ordem 269, caixa 36, Arquivo de SP).

Deslocamento de reforço paulista

Em 1815, já prevendo uma nova campanha no sul, foi enviado um reforço de tropas
paulistas, as quais foram levadas pelo Sargento-mor Lázaro José Gonçalves, cuja folha de
serviço está transcrita a seguir, estando sublinhado a sua passagem pela Legião:

Lázaro José Gonçalves - nasceu em Lisboa no ano de 1781 e


verificou praça no Exército de Portugal a 29 de abril de 1796.
Foi promovido a alferes em 14 de novembro de 1805, a
Tenente ente em 13 de maio de 1806, a capitão em 12 de outubro
desse ano, a sargento-mor graduado em 14 de março de 1809, a
sargento-mor em 14 de março de 1811, a Ten cel em 17 de julho de
1817, coronel em 12 de julho de 1819, brigadeiro graduado em 12 de
outubro de 1822, brigadeiro em 12 de outubro de 1824, a marechal
de campo graduado em 12 de outubro de 1827e a marechal de campo
em 13 de outubro de 1829.
[...] Em 27 de maio de 1811 passou a servir agregado à
brigada de infantaria da legião de S. Paulo, sendo então encarregado
pelo Marquês de Alegrete, governador e capitão-general da
capitania, de organizar um grupo de seiscentas praças de infantaria e
duzentos de cavalaria, para reforçar o exército do sul, cujo corpo
conduziu até Porto Alegre e entregou ao chefe da legião de S. Paulo
em 1º de maio de 1815 .(O grifo é nosso)

A Legião em 1816

A Legião permanecia em Porto Alegre até o início das ações contra Artigas em
setembro. Continuando rastreá-la pelos mapas, o de 1º de fevereiro de 1816 constava que a
Legião tinha o 4º Esqd destacado em Rio Grande e o 3º em Rio Pardo. No dia 25 de janeiro
saíram para Rio Pardo um cabo e quatorze soldados; no dia 27 saíram destacados também
para Rio Pardo os capitães Antonio Simplicio e José da Silva Brandão, um furriel e oito
soldados. Nesse mesmo mapa constava a situação do material, incluindo armamento,
montarias, parque (material), laboratório, pertences da carpintaria, ferraria e correaria e ainda
barracas, fardamento e cavalhada.
No de 1º de março constava que a Legião ainda estava em Porto Alegre, sendo que
no dia 8 por ordem do General entrava no efetivo de comandante do 4º esquadrão o capitão
João de Castro do Canto e Melo e a 25 era abatido do mapa um soldado do 2º esquadrão que
desertara do destacamento de Rio Grande no dia 13 (Documento 63 B, caixa 36, ordem 269).
Ainda em carta do Cel Álvares de 23 de março de 1816 ao Conde de Palma,
primeiramente agradecia pelos elogios recebidos pelo corpo da Legião por parte do Marquês
de Aguiar expressa na ordem do dia de 12 de março de mesmo ano. Relatava ainda o Cel
Álvares que marcharam no dia 15 para a fronteira de Rio Pardo o 2º batalhão de infantaria,
dois esquadrões e duas companhias de artilharia, todos ao comando do TCel Joaquim Mariano
Gavião. Para a região das Missões ia o Regimento de Santa Catarina.
Em outro mapa, de 29 de março, e em complemento ao de 23 de março, constava
que a Legião marchou com 551 homens, sendo 272 de infantaria, 135 da artilharia e 73 do 1º
esquadrão e 71 do 3º. O 1º batalhão e os outros dois esquadrões, 2º e 4º, ficaram até 2ª ordem
e serão incorporados à Divisão do General Lecor, fazendo parte da sua vanguarda. Eram os
deslocamentos para a nova campanha.
Em outro mapa de 1º de julho de 1816, a Legião permanecia em Porto Alegre e parte
em Rio Pardo e ainda com destacamento em Rio Grande. Continuavam comandando os
esquadrões os capitães Simplicio (1º), Thomaz (2º), Manoel da Costa (3º) e João de Castro do
Canto (4º) (Ordem 269, documento 63 i, Arquivo de São Paulo).
Era o início da nova campanha.
7. A LEGIÃO DE TROPAS LIGEIRAS NA CAMPANHA DE 1816-1820

Os Orientais (uruguaios) que tinham se aliado aos argentinos contra o domínio


espanhol não se conformavam em figurar como simples província da nova nação. Com a
retirada do Exército Pacificador de D. Diogo de Souza, aumentam os conflitos na Banda
Oriental. Tropas de Buenos Aires cercam novamente Montevidéu recrudescendo a luta entre
os argentinos e as tropas de Artigas pela soberania do Uruguai. Em 20 de junho de 1814
Montevidéu capitula à Argentina.
Em fevereiro de 1815 os rebeldes comandados por Artigas tomam novamente
Montevidéu e sonhando com a independência do Uruguai, incluindo territórios do Rio
Grande, cruzam a fronteira hostilizando o território gaúcho.
D. João ordena então, nova invasão da Banda Oriental e envia a Divisão de
Voluntários Reais vinda de Portugal formada por 4800 veteranos das guerras européias,
chefiada pelo Tenente General Carlos Frederico Lecór.
As tropas de Lecór chegam ao Rio de Janeiro em março de 1816 e se deslocam para
Laguna, de onde prosseguem por terra para a Capitania de São Pedro, onde o Marquês de
Alegrete, Governador e Comandante das Armas, já havia concentrado tropas na fronteira do
Rio Pardo.
Em julho de 1816 Artigas invadiu a Capitania do Rio Grande em três direções: São
Borja - Rio Pardo, Uruguaiana - Alegrete e Santana - Alegrete. É nessa ofensiva oriental que
em setembro de 1816 as tropas invasoras de Andrezito Artigas incendiaram o primeiro
povoado do Alegrete e a Capela de Nossa Senhora da Conceição Aparecida do Inhanduy,
local hoje conhecido como “Capela Queimada”.

História Militar do Brasil, Academia Militar das Agulhas Negras (AMAN), 1979
O Plano Militar do Brasil

Durante a campanha de 1816-1820 houve duas frentes de combate. Uma no território


do Rio Grande, que compreendia o Distrito de Entre Rios e das Missões, ao comando do
Tenente General Xavier Curado, comandante da Fronteira do Rio Pardo, o qual estava
subordinado ao Marquês de Alegrete, Governador. É nesta frente que aconteceram os
combates de Ibicuí (21 set 1816), Rendição do Sítio de São Borja (03 out 1816), Ibirocaí (19
out 1816), Carumbé (27 out 1816) e Catalan (04 jan 1817), esta última já na região do rio
Arapei, na Banda Oriental do Uruguai.
A segunda frente de combate foi realizada pela Divisão de Voluntários Reais, a qual
penetrou no território oriental pelo litoral, atingindo e ocupando Montevidéu a 20 de janeiro
de 1817, participando antes da tomada do Forte de Santa Tereza (12 ago 1816), nos combates
de Chafalote (24 set 1816), Índia Muerta (19 nov 1816) e na ocupação de Maldonado (17 Jan
1817).

As Operações das Tropas do Ten Gen Curado

Antes de iniciar as operações, o Tenente General Curado concentrou as tropas em


Rio Pardo, entre elas o Regimento de Dragões, o Regimento de Cavalaria de Milícias, o
Regimento de Infantaria de Santa Catarina e parte da Legião de Tropas Ligeiras, incluindo o
1º e 3º esquadrões.
Entre os seus comandados estavam o Tenente General João de Deus Menna Barreto,
o agora Brigadeiro graduado Joaquim de Oliveira Álvares, comandante da Legião, o
Brigadeiro Francisco das Chagas Santos, comandante do Distrito das Missões e o Ten Cel
José de Abreu da cavalaria de Milícias de Rio Grande.
Terminada a concentração, o Ten Gen Curado partiu do Rio Pardo e marchou para o
Passo do Rosário, estabelecendo seu Quartel General no Ibirapuitã-Chico, tendo como
objetivo o de ocupar o Distrito de Entre Rios, de importância estratégica por causa dos vastos
pastos e ser caminho da Banda Oriental para o Distrito de Missões.
O plano de Artigas consistia em atacar as Missões atraindo sobre si o exército
gaúcho. Outra duas tropas, a comando de Frutuoso Rivera e Otorgués, atacariam a Divisão
Lecór. Artigas inicia as ações invadindo, em julho de 1816, o Distrito de Entre Rios.
A partir de setembro acontecem os primeiros combates contra as tropas artiguenses,
quando a 19 de outubro ocorre o combate do Potreiro do Ibirocaí, local próximo a atual divisa
de Alegrete e Uruguaiana. O combate teve 262 baixas do inimigo contra 24 nossas. É a
primeira grande vitória contra Artigas.
Após Ibirocaí, Xavier Curado formou um novo destacamento de 760 combatentes,
entregou ao Brigadeiro Oliveira Álvares, cuja missão era atacar as forças de Artigas. O
Destacamento contando com as três armas, tendo a sua cavalaria formada pelos Dragões do
Rio Pardo, as Milícias, as Guerrilhas Voluntárias do Rio Grande e a Cavalaria da Legião de
São Paulo.
O Destacamento do Brigadeiro Álvares enfrenta as tropas de Artigas a 27 de outubro
no Combate de Carumbé, um dos mais sangrentos da campanha. Os orientais perderam 600
combatentes dos 1200 empenhados na luta, além de muitos prisioneiros, mais de 300
espingardas, 200 espadas, munições, arreios, montarias, bagagens e 500 cavalos. Artigas
conseguiu fugir e as perdas de Oliveira Álvares registraram 30 mortos e 56 feridos. A grande
diferença das baixas dos dois lados é explicada pela descrição da batalha:

Carumbé – 27 de outubro de 1816

Uma saraivada de balas passou por sobre a infantaria, sem


causar-lhe danos, pois estava deitada por terra, com a proibição de
atirar; somente as duas bocas de fogo produziam vivo fogo contra os
atacantes, que avançavam a largos passos. Ao atingir o inimigo a
meia distancia de tiro de espingarda, iniciou sua ala esquerda a
investida contra a direita brasileira; neste instante, ordenou o
Tenente General Oliveira Álvares uma carga pela sua direita que,
desfechada, produziu um violento choque, rompendo o dispositivo da
cavalaria de Artigas que debandou. Aproveitando a situação, a
infantaria brasileira, por ordem, levantou-se e fez uma nutrida e
proveitosa descarga; em seguida, partiu, decida, contra o centro da
formação oriental.
A descarga inicial da infantaria abriu um claro na linha
contraria e, imediatamente, teve lugar um corpo-a-corpo com
baioneta, que não ousou o inimigo resistir, verificando-se logo a
derrota, esboçada pelo centro, violentamente atingido e, em seguida,
completando-se a esquerda.

Pesquisando sobre a campanha de 1816-1820, encontramos no Arquivo do Estado de


São Paulo, o relatório do Chefe da Legião, Joaquim de Oliveira Álvares, endereçado para
Xavier Curado, pelo qual eram abordados justamente os detalhes da batalha de Carumbé. O
relatório, enviado ao acampamento do Arroio do Elias, em 27 de outubro de 1816, trouxe
dados sobre os efetivos e militares da cavalaria da Legião que participaram do referido
combate.
Do relatório do Chefe da Legião de São Paulo constavam das forças de cavalaria o
efetivo de 120 do Regimento Dragões, 40 da Legião de São Paulo e 140 do Regimento de
Milícias, em um total de 300. Da Infantaria somava 200 da Legião de São Paulo e 40 da
Artilharia da Legião armada com duas peças calibre 6. Das Guerrilhas de Alexandre Luís e
Gabriel Machado 80 combatentes, de Jacinto Guedes de Oliveira 30 e de Paes mais 10,
reunindo toda a força 760 combatentes.
Das Forças de Artigas e de Gastel em um total de 1500 homens, 450 eram da
Cavalaria da direita, 400 da esquerda, mais 500 da Infantaria do Regimento Blandengues e
Negros e ainda 150 índios Charruas, Minuanos e Guaicurus.
Ainda pelo relatório, segundo a opinião do comandante da Legião, os oficiais da
Legião que mais se destacaram na ação do Carumbé foram os seguintes: Estado-Maior da
Legião: Ten Cel Joaquim Mariano Galvão de Moura Lacerda, Sargento-Mor Joaquim de
Sousa Paquete e Capelão José de Freitas e Castro. Infantaria: [...]. Cavalaria: Capitão Antônio
Simplício da Silva e Jozé da Silva Brandão e o Alferes Aleixo Jozé Rodrigues. Artilharia:
[...]. Regimento de Milícias: [...] Guerrilhas: [...].

Quadro demonstrativo dos mortos e feridos na ação de Carumbé

Regimento Mortos Feridos Soma


Rgto de Dragões 10 17 27
Infantaria da Legião 9 18 32
Cavalaria da Legião 2 2 4
Artilharia da Legião 0 3 3
Rgto de Milícias 5 9 14
Guerrilhas 4 7 11
Total 30 56 86
Fonte: Caixa 36, Ordem 269, Arquivo do Estado de São Paulo .
Das baixas da Cavalaria da Legião constavam como mortos o furriel João Corrêa de
Brito de Barros e o soldado Vicente de Toledo. Como feridos os soldados Paulo de Moraes e
Antonio Alves.
Comandava a infantaria da Legião o Ten Cel Joaquim Mariano Galvão de Moura
Lacerda, enquanto que no comando dos esquadrões de cavalaria estavam os capitães Antonio
Simplicio da Silva e José da Silva Brandão. A vitória de Carumbé completou a restauração do
território de Entre-Rios e depois da mesma, o Ten Gen Xavier Curado concentrou todo o seu
exército no acampamento do Ibirapuitã-Chico e Ibirapuitã-Grande, na região da atual cidade
de Alegrete, passando a realizar o recompletamento de pessoal e material.
Pelo mapa de 7 de novembro de 1816, assinado pelo chefe da Legião, com
acampamento de Ibirapuitan, constava a cavalaria com o efetivo de 1 ajudante e 1 picador no
estado-maior; 1 capitão, 2 tenentes, 3 alferes, 1 furriel, 11 cabos, 3 trombetas e 113 soldados,
o que significa que nesse momento da frente da campanha de Rio Pardo estava apenas um
esquadrão. Ainda constavam nos destinos da cavalaria 4 soldados doentes no campo e 1 cabo
e 1 soldado doentes no hospital. No estado maior da Legião estavam 1 Cel, 1 TCel, 1 Quartel
Mestre, 1 Cap, 1 Cirurgião-mor, 2 ajudantes e 1 mestre de tambores (documento 63 A, caixa
36, ordem 269, Arquivo de São Paulo).
No mesmo documento estava anexo o quadro do destino das praças da Legião de São
Paulo que se achavam em campanha na fronteira do Rio Pardo.

EM Inf Cav Art Total


No campo 8 587 136 209 932
Doente no Campo - 58 4 11 73
Doente no Hospital - 2 2 - 4
Soma 8 647 142 220 1009
Fonte: Documento 63-A, Caixa 36, Ordem 269, Arquivo do Estado de São Paulo.

Depois das derrotas de Carumbé e das Missões, Artigas se retira para o sul do rio
Quaraí e Andresito Artigas, seu afilhado, para Corrientes. Diante de tal situação, o Marquês
de Alegrete, Governador da Capitania de São Pedro, ordena a continuação das ações contra o
chefe oriental, agora na margem direita do rio Uruguai e ao sul do Quaraí.
Nessa nova ofensiva a 4 de janeiro de 1817, ocorre a batalha de Catalan, na qual a
derrota de Artigas marca o início do seu declínio.

Catalan- 4.Jan.1817

Junto ao arroio Catalan, margem esquerda do Quaraim, o


Marquês de Alegrete, marchando com 1.200 paulistas das três armas
e 1.200 cavalarianos rio-grandenses, foi atacado por 3.400 uruguaios
e argentinos de Entrerrios e Corrientes. Tratava-se do corpo
principal do exército artiguista, sob o comando de Andrés Latorre.
Este, desconhecendo que Artigas fora batido no Arapeí e se
encontrava em retirada, dispunha-se a cumprir a parte a ele confiada
no plano geral de hostilização ao exército de Curado. Os luso-
brasileiros apoiaram no arroio Catalan a sua ala esquerda, com a
cavalaria e três canhões; na ala direita dispuseram os dragões e no
centro a infantaria da Legião de São Paulo, com dois canhões.
Latorre enviou quatro cargas seguidas contra o centro adversário
que resistiu e desgastou o atacante. Já ao anoitecer, as alas
fecharam-se sobre os orientais. Nesse momento regressando do
vitorioso encontro do Arapeí, chegou ao Catalan José de Abreu.
Colheu desprevenida a destroçou a ala esquerda de Latorre. Os
uruguaios assim colhidos refugiaram-se em um bosque e ofereceram
desesperada resistência, principalmente com arma branca, aos
infantes e cavalarianos que os foram enfrentar. Aí morreram,
tentando penetrar o arvoredo, o cmte. Antonio José do Rosário, do 2º
de São Paulo, e os capitães Vitoriano Centeno, José Prestes e Corte
Real. Foi apenas já a noite alta que a divisão brasileira, a baioneta,
expugnou e limpou o bosque. Ao cronista da campanha, Diogo
Arouche de Moraes Lara, coube receber a rendição dos
sobreviventes. Sua descrição: “Novecentos mortos, inclusive 20
oficiais, 290 prisioneiros, dentre os quais sete oficiais, dois canhões,
uma bandeira, sete caixas de guerra e outros instrumentos de música
marcial, 6.000 cavalos, 600 bois, muitas espingardas, lanças,
espadas, arreios de montar e munições, foi a perda do inimigo nessa
batalha, certamente a maior nessa campanha”. Perdas dos
vencedores: 79 mortos, sendo cinco oficiais; 164 feridos, dos quais 12
oficiais. (Dicionário das Batalhas Brasileiras, Hernâni Donato,
Bibliex, 2001).

Após a batalha de Catalan, no teatro de operações do Distrito das Missões estava o


Brigadeiro Chagas Santos mantendo a maior parte dos seus efetivos em São Borja. Suas
tropas vigiavam as passagens do rio Uruguai, ao mesmo tempo em que as tropas do Ten Gen
Curado permaneciam concentradas no acampamento de Catalan e na região do rio Jaguarão.
Completando o dispositivo, no litoral, uma pequena força vigiava até Santa Tereza.
Em 26 de fevereiro de 1817 a Legião estava acampada em “Quarahim”, cujo mapa
assinado pelo Brigadeiro Álvares constava nas observações que estavam no comando dos
esquadrões os capitães Simplicio (1º), Thomaz (2º), Manoel (3º) e o 4º Esqd não foi
mencionado. Atuando pelo litoral com a Divisão de Voluntários Reais estava o esquadrão do
capitão do capitão Thomaz juntamente com o 4º Esquadrão.
Ainda nas observações constava que no combate de Catalan morreram um furriel,
dois cabos e dez soldados, que infelizmente não conseguimos apurar os nomes.
No mês de janeiro, informava o brigadeiro Chefe da Legião, encerrando o mapa de
23 de fevereiro de 1817, que a 4 de janeiro apresentaram-se agregados por Decreto de 18 de
julho do ano anterior os tenentes Rodrigo Pinto Pizarro, Lourenço Jozé Ferreira e o alferes
Francisco Xavier Metello.

As Operações da Divisão de Voluntários Reais

Durante as operações do Ten Gen Xavier Curado, a Divisão de Voluntários Reais do


Ten Gen Lecór marchava pelo litoral da Capitania de São Pedro e alcançava a Vila de Rio
Grande. A Divisão, estando em território da Capitania de São Pedro, recebeu do Marquês de
Alegrete tropas em reforço, entre elas dois esquadrões de Cavalaria da Legião (2º e 4º).
Comandando os esquadrões estava o Sgt-mor José Pedro Galvão de Moura e Lacerda.
Continuando sua marcha ao território oriental, a vanguarda, ao Comando do Major
Manoel Marques de Souza (II), marchava à frente constituída de um esquadrão da Legião de
São Paulo e outro da Milícia do Rio Grande.
A primeira vitória alcançada pela vanguarda da Divisão foi a ocupação do Forte
Santa Tereza (12 Ago 1816) contando no seu efetivo com 100 homens da cavalaria da Legião
de São Paulo (2º Esqd). Após ocupar o Forte, o Major Marques com uma força constituída de
duas Companhias de Caçadores, uma peça de calibre seis, 90 homens da cavalaria da Divisão
de Voluntários e 100 homens da cavalaria da Legião de São Paulo e Milícias do Rio Grande
derrota a vanguarda do General Rivera no Passo do Chafalote (24 set 1816). Nesse combate
os brasileiros tiveram 3 mortos e 10 feridos, enquanto que as perdas dos Orientais foram de
19 mortos, 24 prisioneiros, 20 feridos, além da apreensão de armamento e vários cavalos.
A 5 de setembro de 1816 foram feitos prisioneiros o Ten Joaquim Jozé Bittencourt e
o cadete João Ribas Sandim, numa ação em que a partida os quais estavam fora surpreendida
pelos espanhóis perto do Forte Santa Tereza e na mesma foi morto um soldado.
A 19 de setembro apresentou-se em Santa Tereza vindo de Porto Alegre o capitão
Miguel Ângelo da Silveira com alguns soldados, cujo número não foi possível identificar.
A Divisão continuava sua marcha em direção a Montevidéu, quando nas alturas de
Índia Muerta, aconteceu o maior combate entre as tropas da Divisão e as de Artigas, estas ao
comando de Frutuoso Rivera. Durante quatro horas e meia do dia 19 de novembro de 1816,
transcorreu o combate que abriria a frente para Montevidéu. A cavalaria da Legião,
enquadrada na coluna do Major Manoel Marques de Souza, estando no flanco esquerdo, teve
destacada atuação. Comandava o esquadrão da Legião o Sgt-mor José Pedro Galvão, o qual
saiu ferido do combate, além de um soldado morto, um trombeta e três soldados feridos.
Infelizmente também não conseguimos levantar os nomes. O inimigo deixou perto de 200
mortos, além da peça de artilharia que possuía muita munição, armamento e cavalos, bem
como a correspondência de Frutuoso Rivera.
Dias depois de Índia Muerta, com a ação da Marinha Portuguesa, Maldonado se
rende. Abre-se então, definitivamente o caminho para Montevidéu, quando será ocupada a 20
de janeiro de 1817.

Índia Muerta- 19.Nov.1816

O sitio Índia Muerta localizava-se entre o Puesto de la


Paloma e o Paso de la Coronilla. A vanguarda do Exército do gen.
Lecór, avançando por Santa Tereza e Cerro Largo, era feita pelo gen.
Sebastião Pinto de Araújo Correa, com 957 homens. Destes, 722
infantes e artilheiros portugueses, conduzindo um obus; 129
cavaleiros dos Voluntários Reais de Portugal; 106 milicianos
brasileiros de cavalaria. O gen. uruguaio Frutuoso Rivera defendia
a passagem, dispondo de 1.700 infantes e cavaleiros e de um canhão.
Disposto a abrir caminho, Araújo Correa situou no centro da sua
linha de ataque e sob suas ordens imediatas os caçadores e
granadeiros; no flanco esquerdo, dois esquadrões, gaúcho e paulista,
ao mando do maj. Manoel Marques de Souza; no flanco direito, dois
esquadrões portugueses, responsabilidades do TCel. João Vieira
Tovar. O combate durou quase cinco horas e terminou pelo desbarato
do inimigo que deixou no campo mais de 300 mortos e prisioneiros, o
canhão e muitas armas. Rivera retirou-se escoltado por 100
cavaleiros. Perdas dos vencedores: 29 mortos e 66 feridos. Com esse
resultado abria-se para Lecór o caminho para Montevideo.
(Dicionário das Batalhas Brasileiras, Hernâni Donato, Bibliex, 2001).

Em 8 de dezembro do mesmo ano uma partida de 101 cavalarianos, sendo 50


lusitanos e 60 brasileiros foi surpreendida por 200 orientais. Entre os mortos do lado
brasileiro estavam 25 combatentes dos dois esquadrões da Cavalaria da Legião. Do 2º
Esquadrão: soldados Francisco Jozé de Barros, Jozé Carvalho, Ignácio Jozé dos Santos,
Ignácio M. dos Anjos, José Peviz, Domingos Luiz, Vicente Pires, Francisco Vaz, Jozé
Joaquim de Oliveira, Jozé Joaquim Napomuceno, Francisco Freire e Joaquim Rodrigues. Do
4º Esquadrão: os cabos Joaquim da Silva e Dionisio de Almeida, os soldados Antonio de
Souza, Leonel Monteiro, Jozé Isiane, Jozé Mariano, Maciel Joaquim dos Santos, Ignácio
Leite, Jozé Francisco da Costa, Maciel Castilhos, Floriano Vieira, Jozé Joaquim de Barros,
Joaquim Maciel. Como feridos: os soldados Vicente Pedrozo, Francisco de Paula, Antonio
Joaquim, todos do 2º Esqd e João Soares do 4º.
Também foram considerados prisioneiros e extraviados no referido combate o alferes
Francisco R. Pereira, dois furriéis, um cabo e seis soldados (caixa 36, ordem 269, ano de
1808-1822, Arquivo de São Paulo).
Em janeiro de 1817 estando a tropa da Cavalaria da Legião com acampamento em
Maldonado o Sgt-mor José Pedro Galvão de Moura e Lacerda expediu o relato da situação
escrevendo: “[...] de Montevideo pouco ou nada sabemos, devem que a sua guarnição limitou
aos serviços e 300 negros. De Buenos Aires tem lhe vindo algum armamento e muniçoens.
Tanto a prasa como a colônia estão bloqueadas por um fragata nossa e alguns briques [...]”.
Na mesma carta o comandante da Cavalaria manda anexo o quadro da situação do efetivo:

Mapa do 2º e 4º Esquadrão ao serviço da Divisão de Voluntários Reaes


ao acampamento de Maldonado – 06 Jan 1817

Trombeta
Sgt-Mor

Soldado
Tenente
Capitão

Alferes

Furriel

Total
Cabo
Prontos 1 2 2 - 1 7 1 55 69
Em Porto Alegre - - 1 - - 1 - 4 6
No Rio Grande - - - - - 1 - 1 2
Com Reforma - - - - - 1 - 1 2
No Hospital - - - - - - - 6 6
Doentes no Campo - - - - - - 1 2 3
Total 1 2 3 - 1 10 2 69 88
Agregado - 1 1 1 - - - - 3
Prasa Adida - - 1 - 1 - - 1 3
Tambor Adido - - - - - - 1 - 1
Fonte: Caixa 36, Ordem 269, Arquivo do Estado de São Paulo.

Fase Final das Operações

O pensamento militar considerava a necessidade de afastar Artigas da linha do rio


Uruguai, onde o mesmo obtinha recursos da região de Entre Rios e Corrientes, ambas na
margem direita do rio e hoje território argentino. Dessa estratégia novos combates vão
acontecer a partir de fevereiro de 1818, como os de São Carlos (03 Abr 1818), Guabijú (07
Abr 1818), Perucho Berna (15 Mai 1818) e outros.

Guabiju- 7.04.1818

O gen. João de Deus Mena Barreto destroça a força de


infantaria do ten.-cel. Pablo Castro, que perde 430 homens entre
mortos, feridos e prisioneiros, um canhão, uma bandeiras. Em
conseqüência, Artigas retira-se para o Queguai, obrigado a alterar
todo o plano de campanha devido à derrota de Guabiju. (Dicionário
das Batalhas Brasileiras, Hernâni Donato, Bibliex, 2001)

Ao mesmo tempo que a ocupação de Montevidéu transcorria tranqüila sobre a


administração de Lecór, alguns combates vão ocorrer fora dessa praça, particularmente na
forma de guerrilhas. Em maio de 1818, a Colônia do Sacramento cai em poder da Divisão de
Voluntários, tirando do controle de Artigas o único porto que utilizava para controlar o rio da
Prata.
A guerra continua ainda no ano de 1819, quando ocorre o combate de Arroio Grande,
com a participação inclusive da Cavalaria da Legião:

Arroio Grande - 20.10.1819

O arroio é afluente, pela margem direita, do Rio Negro.


Destacado das forças do Gen. Curado para incursionar pelo Rincón,
Bento Manoel Ribeiro levou 600 dragões, homens do regimento de
milícias do Rio Pardo e da Legião de São Paulo. Defrontou 688
orientais de Frutuoso Rivera. Lançando-se ao assalto, rompeu a linha
da coluna adversária, provocando 108 mortos e 96 prisioneiros.
Sofreu sete baixas. (Dicionário das Batalhas Brasileiras, Hernâni
Donato, Bibliex, 2001)

Prosseguindo nas ações, no começo do ano seguinte, 1820, ocorreu um ataque de


surpresa às forças artiguenses na região de Taquarembó. A batalha, transcrita a seguir, ficou
conhecida com o mesmo nome da região, causando grandes perdas para as tropas de Artigas,
definindo praticamente a Campanha a favor das Forças Luso-brasileiras.

Taquarembó - 22.1.1820

Depois dos ataques dos dias 14, 17 e 27.12.1819 contra o gen.


Abreu, posicionado em Santa Maria, Artigas passara o comando do seu
exército ao lugar-tenente Latorre e se retirara. A 22.1, o Conde de
Figueira levou seus 1.200 comandados contra Latorre, que se movia,
deixando o RS. A cavalaria do conde, 1.000 homens, englobava gente de
Alegrete, esquadrão de dragões e guerrilheiros. Os 200 infantes
pertenciam ao regimento de SC. Latorre conduzia os praticamente
últimos 2.500 soldados artiguistas. Eram uruguaios, correntinos,
entrerianos e guaranis. Dispunha de quatro canhões, contra dois dos
luso-brasileiros. Estes aguardavam que 1.000 artiguistas houvessem
cruzados o rio e então os metralharam. A cavalaria de Abreu e de
Câmara foram à carga, culminando o desbarato do inimigo. Este deixou
no campo 500 combatentes, entre eles o cel. Pantaleon Sotero e outros
quatro oficiais, 505 prisioneiros, 6.000 cavalos e quatro canhões.
(Dicionário das Batalhas Brasileiras, Hernâni Donato, Bibliex, 2001)

Correspondências

Pesquisando no Arquivo Histórico do Exército encontramos duas correspondências


endereçadas do Rio de Janeiro à Capitania do Rio Grande, nas quais eram abordadas
informações sobre a campanha de 1816-1820. A primeira datada de agosto de 1819 foi
remetida por Camilo Martins Lage, da Secretaria de Estado, ao Marquês de Alegrete,
relatando o deslocamento de reforço de tropas, incluindo 200 homens da Cavalaria da Legião.

Para Marquês de Alegrete


Ilmo. e Ex. Na conformidade do que annunciei a VExa no
despacho que lhe dirigi em data de 23 julho passado sobre a colunna
das novas tropas que se há de formar de baixo das ordens do Tenente
General Sebastião Pinto de Araújo Corrêa, para operar pelo centro
na campanha de Montevideo, tenho agora de participar a VExa, que a
força desta colunna será de dois mil e quatrocentos e setenta e sette
praças, segundo aqui junta, e que reunindo-se em Santa Catharina
deverá dali marchar até o Tramandai, segundo o mesmo itinerário
que levou a Divisão dos Voluntários Reaes d'El Rey quando marchou
daquelle ponto para essa capitania, e devendo de Tramandai em
diante seguir a direção que o referido Tenente General Comandante
achar mais conveniente segundo circuntancias com estas tropas há de
ir o Parque de Artilharia indicado na sobredita nota, com suas
competentes munições.

Efetivos
Cavallaria da Legião de Tropas de São Paulo ................................ 200
Artilharia da Côrte para servir quatro bocas de fogo ....................... 50
Caçadores de Santos ........................................................................ 200
2º Batalhão de Caçadores Libertos d'El Rey ................................... 737
Cavallaria Miliciana de Sam Paulo ................................................. 792
Milicias de Ilha Santa Catharina ..................................................... 250
Curitibanos ....................................................................................... 250
Total ................................................................................................ 2479
Parque de Artilharia
Morteiros de 12 polegadas ................................................................... 2
Obuz de 5 polegadas ............................................................................ 1
(O grifo é nosso)

A segunda correspondência, datada de maio de 1820, era de Tomaz Villa Nova


Portugal, Ministro da Guerra (Nov 1817 a Dez 1820), destinada ao Conde de Figueira,
Governador (Out 1818 a Set 1820) da agora Província de São Pedro e substituto do Marquês
de Alegrete. Pela Carta era relatado que o Ministério da Guerra fora informado do sucesso nos
combates de Taquarembó e Arroio Grande e pelos quais estava sendo promovido ao posto de
sargento-mor, o capitão da Cavalaria da Legião José da Silva Brandão.

Para Conde de Figueira:


Ilmo e Exmo Sr Tendo levado a Augusta Presença de El’Rey,
Nosso Senhor os officios que VExa me dirigio com datas de 16 Setembro,
13 de Novembro e 22 de Dezembro do anno p.p., 3, 12, 17 e 23 de
Janeiro, e 17 de Fevereiro do corrente anno, em que VExa communica
todas as noticias relativas as marchas, posições em que VExa havia
mandado postar o Exercito do seu Commando e bem a fim as felizes, se
mui acertados os ataques feitos ao inimigo, com consideráveis vantagens
do nosso Exercito, pela direção de VExa e não podendo deixar de ser
muito agradaveis a sua Magestade estas noticias, muito mais farão
aquellas em que VExa participa das Batalhas e acções que ultimamente
tiveram lugar em Taquarembó Limas(?) e Arroio grande em que foi
totalmente derrotado o inimigo recommendando a VExa por este motivo
na Augusta Presença aquelles Officiais que mais se destacarão nas
mencionadas Batalhas e Acções. Houve Sua Magestade por promover os
officiais constantes da relação inclusa assignada pelo conselheiro
Camillo Martins Lage, official Maior desta Secretaria d’Estado, aos
Postos indicados na mesma relação por Decreto de 1 de Março p.p. Deos
Guarde a VExa. Palácio do Rio de Janeiro em 24 de Maio de 1820.
Thomaz Antonio de Villa Nova Portugal [...]
Na ação de Arroio Grande
Para Sargento-Mor Graduado José da Silva Brandão, Capitão
de Cavallaria da Legião da província de S. Paulo. Secretaria d’Estado em
4 de Maio de 1820. Camillo Martins Lage.

Fé-de-Ofício

A promoção a Sargento-Mor do Capitão José da Silva Brandão pelos feitos na ação


de Arroio Grande, confirma a participação da Cavalaria da Legião no referido combate junto
às tropas do Ten Gen Curado e ao comando do Brigadeiro Oliveira Álvares.
Por sua vez, analisando a Fé-de-Ofício do Cel Thomaz José da Silva, encontrada no
AHEx relata a participação deste oficial como capitão nos combates do Forte de Santa Tereza
e de Índia Muerta, esta última em 19 de novembro de 1816, o que , por sua vez, comprova a
participação do 2º esquadrão nas duas ações junto à Divisão de Voluntários Reais.

Thomaz José da Silva


Filho do Major Francisco José da Silva, natural de Lisboa,
assentou praça com 15 annos na extinta Legião de São Paulo a 27 de
julho de 1797, reconhecido cadete em agosto do mesmo ano. Porta
Estandarte a 4 de novembro mesmo anno. Alferes por commisão a 5 de
junho 1801. Formou cadete a 1º de Fev de 1803. Confirmado em Alferes
por imediata Resolução de SAR de 25 de janeiro de 1805, com
antiguidade de Setembro 1801. Tenente por Decreto de 26 de junho de
1809. Capitão por Decreto de 13 de maio de 1812, com antiguidade de 10
de Março do dito anno. Major graduado por decreto de 25 de julho de
1816. Effetivo por Decreto de 22 de janeiro de 1818. Tenente Coronel
graduado por Decreto de 19 de out de 1822, com antiguidade de 16 de
agosto do dito anno. Effetivo por Decreto de 1º de Dez de 1824. Coronel
por decreto de 12 de outubro de 1825 foi reformado 16 de Set de 1834 no
Posto de Brigadeiro com soldo correspondente. Foi agraciado com a
melhora de reforma no Posto de Marechal de Campo por Decreto de 20
de agosto de 1838. Observações: Destou da Província de São Paulo para
a de São Pedro do Sul em Maio de 1810. Fez a campanha de 1811 e 1812,
na Província de Montevideo no Exército Pacificador nas quais assistio
aos ataques Dotteósd (palavra não identificada) e Daiman. Recolheu com
a Legião para a capital de Porto Alegre em Fevereiro de 1813. Destacou
para Albardão fronteira com o Rio Grande em 1º outubro de 1814.
Marchou ao dito Destacamento para nova campanha na Província de
Montevideo em Agosto de 1816, na qual foi effetivo até a sua conclusão
em 1822, e nella assitio a surpreza do Forte de Santa Thereza, a ação da
Índia Muerta, e várias guerrílhas durante o tempo que esteve na linha de
Montevideo. (o grifo é nosso)

Outros oficiais que na época serviam na referida campanha foram Gabriel de Araújo
Silva e Antonio Simplicio da Silva, cujas Fé-de-Ofício também encontradas no AHEx e
transcritas a seguir, relatam a atuação da Cavalaria da Legião também na frente de combate
do General Curado:

Gabriel de Araújo Silva


Nasceo em 1795 – Natural de Cuyabá Província de Mato
Grosso. Sentou praça de soldado e jurou Estandarte na extinta Legião de
São Paulo em 5 de Fev de 1813. Cabo de Esquadra a 7 de junho de 1814
– Furriel no 1º Set 1814 – Sgt no 1º Dez 1816 – Sgt Ajudante no 1º Nov
1818. Alferes por Decreto de 26 de Março de 1821. Tenente por Decreto
de 21 de outubro 1822 – com antiguidade de 14 de agosto mesmo anno.
Capitão por Decreto 1º Dez 1824 – Major por Decreto de Agosto de
1838. TCel por Decreto de 2 Dez 1839. Coronel Graduado por Decreto
de 2__(?) 1842, com antiguidade de 18 Julho de 1841. Effetivo por
Decreto de 15de julho de 1848.
Fez as campanhas do sul desde 1816 até 1822 – Entrou na
Batalha de Carumbé em 27 de Set de 1816 – entrou na Batalha de
Catalan em 4 de janeiro de 1817 e no Combate de Guabijú em 5 de abril
de 1818. (o grifo é nosso)

Antonio Simplicio da Silva


Filho do Sgt-Mor Francisco Jozé da Silva, natural de Portugal,
idade de 13 anos. Observação sentou praça de soldado voluntário na
Legião de São Paulo em 27 de julho de 1797, dia em que jurou fidelidade.
Foi reconhecido cadete a 23 de setembro mesmo ano. Passou a porta-
estandarte a 14 de outubro do dito ano, a alferes em comissão a 5 de
março de 1801. Tornou a porta-estandarte a 1º de fevereiro de 1803.
Confirmado alferes por immediata resolução de sua Alteza Real a 29 de
julho de 1807. Tenente a 29 de junho de 1809. Capitão a 1º de janeiro de
1811, graduado major a 24 de junho de 1816, com antiguidade a 25 de
abril mesmo ano, aggregado a 3 de setembro de 1819, efetivo para o 4º
Regimento de Cavallaria de 1ª Linha do Exército a dezembro de 1824
[...].
Fez a campanha de 1816 até 1824, nas quaes entrou para a
província de Monte video em março de 1818. Achou-se nas ações de
Carumbé, pela qual foi premiado com a graduação de major, Cassino[...]
mais na batalha de Catalan [...] (O grifo é nosso)

Fim de Campanha

Como conseqüência da campanha, o Uruguai acabou sendo incorporado ao Reino


Unido de Portugal, Brasil e Algarves com o nome de Província Cisplatina, situação que
perdurou até o ano de 1825, quando vai se iniciar nova campanha (1825-1828).
8. A LEGIÃO DE TROPAS LIGEIRAS DE 1820-1824

Após a anexação da Cisplatina ao Reino de Portugal, Brasil e Algarves, o General


Lecór, agora com o título de Visconde de Laguna, assumiu o governo da Província da
Cisplatina, sendo suas tropas transformadas em Força de Ocupação. O general manteve o
controle de Montevidéu, Maldonado e a região em torno, enquanto que a campanha
permanecia nas mãos dos rebeldes orientais.
A situação permanece em relativa tranqüilidade até quando é proclamada a
Independência do Brasil, quando o Exército de Ocupação se divide entre o apoio ao
Imperador D. Pedro I e a fidelidade ao Rei português.
Ao mesmo tempo da independência brasileira, vão se iniciar as primeiras
manifestações de revolta na Província da Cisplatina, desembocando na Cruzada Libertadora
de 1825, lideradas por Juan Antonio Lavajella e José Frutuoso Rivera, assunto que será
abordado em capítulo adiante.

Atuação da Legião no Período de 1820-1824

Com a independência do Brasil, o Exército de Ocupação no Uruguai, formado por


tropas luso-brasileiras, como já descrito anteriormente, se dividiu entre militares a favor do
Reino Português e outros fiéis a D. Pedro I e a independência do Brasil.
Na Praça de Montevidéu, comandada pelo português Álvaro da Costa de Souza
Macedo, posicionara-se contra a independência e contra o General Lecór, que desde junho de
1822, firmara-se do lado brasileiro. Em janeiro de 1823, Lecór dispôs de forças suficientes
para sitiar a cidade de Montevidéu por terra. Em outubro navios vindos do Rio de Janeiro
passam a realizar o bloqueio marítimo. Reconhecendo a inviabilidade da continuação da
resistência, Souza Macedo regressa com sua tropa a Portugal.
Na luta contra as tropas contrárias a independência, a Legião participa de algumas
batalhas no período de janeiro a outubro de 1823 pelo domínio de Montevidéu, entre elas as
batalhas de Las Piedras e Miguelete, descritas a seguir, conforme Hernâni Donato, 2001,
Biblioteca do Exército. O combate de Las Piedras teve a participação comprovada da Legião
ao ler a Fé-de-Ofício do Coronel Thomaz da Silva, transcrita nesse Capítulo mais adiante.

Las Piedras - 18.Maio.1823:

Forças leais ao governador português Álvaro de Macedo


tentam impedir a marcha sobre Montevidéu, do continente do Gen.
Lecór, sob a bandeira do Brasil independente. O recuo dos
portugueses para o perímetro de Montevidéu leva o cerco da cidade
pelos brasileiros. Este sucesso e o de Puntas de Toledo foram os
principais da luta terrestre pela independência, no território da
Banda Oriental.

Miguelete/Montevidéu - 17(?).Outubro.1823:

Junto de Montevidéu, o arroio Miguelete separava as forças


brasileiras e portuguesas disputando a capital e com ela a sorte da
guerra. Os brasileiros, sitiantes, repeliram cavalarianos portugueses
lançados à tentativa de romper o assédio. Batismo de fogo de Manoel
Luís Osório, alistado na Legião de São Paulo.
A Incorporação do General Osório às Fileiras da Legião

Aconteceu nesse período um fato corriqueiro na Cavalaria da Legião, mas que depois
se tornou importante para o Exército Brasileiro e em particular para a Arma de Cavalaria, que
foi a incorporação em 1823, do jovem Manoel Luiz Osório, futuro Patrono da Arma de
Cavalaria.
A incorporação às fileiras da Cavalaria da Legião de Tropas Ligeiras, feita em
território da Banda Oriental do Uruguai, ocorreu no dia 1º de maio de 1823, tendo Osório
apenas 15 anos de idade incompletos. Logo após a incorporação, em outubro do mesmo ano,
Osório vem a ter o seu batismo de fogo à margem do arroio Miguelete, nas proximidades de
Montevidéu. No ano seguinte, a 1º de outubro, Osório é reconhecido como 1º Cadete e no
mesmo dia foi promovido a Alferes.
Em 1º de dezembro de 1824, com reorganização do Exército, agora brasileiro devido
à independência, a Cavalaria da Legião de Tropas Ligeiras é transformada no 3º Regimento
de Cavalaria de 1ª Linha, permanecendo o Alferes Osório nas fileiras da Unidade. Quando de
sua promoção a Tenente em 12 de outubro de 1827, é transferido para o 5º Regimento de
Cavalaria, totalizando quatro anos e sete meses arregimentados no 3º RC de 1ª Linha, atual 5º
R C Mec.

Fé-de-Ofício do General Osório

Pesquisando no Arquivo Histórico do Exército, encontramos a Fé-de-Ofício do


General Osório, expedida pelo 3º RC como também pelo 2º RC, ambos de 1ª Linha:

Fé-de-ofício expedida pelo 2º RC de 1ª linha:

Filho do TCel Manoel Luis da Silva Borges. Natural da


Villa de Santo Antonio da Patrulha, desta província. Nasceu a 10
Maio 1808. Praça 16 annos. Solteiro - Assentou Praça de Soldado
voluntariamente no 3º Regimento de Cavallaria de 1ª Linha, no dia
1º de Maio de 1823. Foi reconhecido 1º Cadete em 1º outubro de
1824. Alferes por Decreto de 1º outubro de 1824 - Tenente neste
Regimento por decreto de 12 de outubro de 1827 - Fez o sitio de
Montevideo desde o dia de sua praça, e nella foi effetivo até o fim.
Marchou para a Campanha que teve principio em 22 de abril de
1825, e nella até sua conclusão em 1828. Entrou na acção do
Sarandi; do qual se extraviou, porém foi logo reunido ao seu
Coronel, que na referida acção comandava as Tropas Imperiais,
assistio a Batalha do Rosário em 20 de Fevereiro de 1827 -
Diligencia para o inimigo no 1º de outubro de 1827 - Apresentado a
13 do dito - Destacou para Pamorotim a 30 Março 1829 -
Apresentado a 19 Julho do dito - Doente 11 dias, hum braço
deslocado. Tudo em campanha. Observações: extraviado da acção
do Sarandi em 12 Out 1825 - Apresentado em 5 Nov do dito anno -
Por despacho do 1º de Maio de 1828, Ilmo Visconde da Laguna
General Commandante em Chefe do Exército, nota-se que reuniu-se
logo ao Coronel que na referida acção, comandava as Tropas
Imperiais. Hé effetivo a Sagrada causa do Brazil e jurou a
Constituição do Império. Fez o sitio de Montevideo desde 1º Maio
1823 até o fim, e a campanha ultima desde 22 Abril de 1825 até
1828, entrando na acção de Sarandi e na Batalha do Passo do
Rosário a 20 Fev 1827.
Fé de Oficio de expedida pelo 3º RC de 1 ª linha:

Fez a campanha da Independência sitiando as Lusitanas em


Montevideo desde que no Exercito prestou juramento a Bandeira a
quatro de Março de 1824, em que entrarão as Tropas Brasileiras na
Praça daquella cidade. Jurou a constituição a 13 Maio do mesmo
anno. Na nova organização do Exército passou em Alferes para o
Terceiro Regimento da Cavallaria Ligeira. Fez a Campanha do
Prata e Império do Brazil que começou em Abril de 1825, he se
findou em Outubro de 1828. Assistio a acção de Sarandi a 12 de
Outubro de 1825, a Batalha de 20 de Fevereiro de 1827. Doente
onze dias em Março (braço deslocado). O Regimento permaneceu
acampado em São Sepé - Diligência na frente do inimigo no 1º de
Outubro, apresentou-se a treze - Passou a Tenente para o Quinto
Regimento a doze, tudo de outubro de 1827. Assistio ao attaque das
Canhitas a 16 de abril. Foi extraviado na acção de Sarandi perdida
pelas Tropas Imperiais e por despacho do Excellentissimo Visconde
de Laguna Commandante e Chefe do Exercito de 1º Maio, tudo de
1828 e nota-se-lhe que reuniu-se no mesmo campo de Batalha ao
Coronel que Commandava as Tropas Imperiais. Destacou para a
Fronteira a 30 de Março, recolheu-se a 19 de Junho, tudo de 1829.

O primeiro Comandante do Gen Osório

Thomaz José da Silva


(Fé-de-Ofício – Arquivo Histórico do Exército)
...Achando-se com a Legião na guarnição da Linha do
Uruguay marchou para o sitio da Praça de Montevideo em
Fevereiro de 1823, na mais gloriosa luta da independência, assisto a
Acção de 18 de maio do dito anno e foi effetivo no sitio até o fim em
1824, quando a Divisão Luzitana se retirou. Destou com o
Regimento para Mercedez em Abril de 1825, tempo que se abrio
nova campanha na Província de Montevideo, contra os insurgentes e
retirou-se para as fronteiras do Brazil na Brigada do Exmo
Brigadeiro Sebastião Barreto Pereira Pinto, onde tomou o cmdo da
dita Brigada em 5 janeiro de 1826 em conseqüência das ordens do
Dia de 6 Março e de 18 junho do mesmo anno teve o Commando
interino da 1ª Divisão do Exército até que pela Ordem do Dia de 2
Fevereiro de 1827 passou a comandar a 2ª Brigada do Exército, em
cujo commando se achava na Batalha de 20 do dito, e pela ordem do
Dia de 24 Abril do referido anno tomou ao commando do
Regimento. Pela Ordem do Dia de 28 de Janeiro de 1828, tomou o
commando da 3ª Brigada de Cavallaria e nelle foi effetivo até a
conclusão da campanha em outubro do dito. Foi em comissão para
Montevideo a 23 do sobredito, recolhido ao Regimento a 25 agosto
de 1829. Dispensado do commando do dito corpo por Decreto de 8
Junho de 1831, publicado na ordem do Dia do Quartel General de 2
de Setembro do dito, e foi excluído do mesmo Corpo por entrega do
commando em 1º de Abril 1832. (O grifo é nosso)
Os combates de Forte Santa Tereza e Índia Muerta são referentes à Campanha de
1816-1820, junto da Divisão de Voluntários Reais. O sítio da Praça de Montevidéu e a ação
18 de maio, esta referente ao combate de Las Piedras, são ambos da Guerra da
Independência, confirmando pela respectiva fé-de-Ofício do Cel Thomaz a participação da
Cavalaria da Legião.
9. A CRIAÇÃO DO 3º REGIMENTO DE CAVALARIA DE 1ª LINHA

Com a independência, o Exército Colonial luso-brasileiro passou a ser apenas o


Exército Brasileiro, sendo necessário uma reformulação, o que foi feita com a publicação do
Decreto de D. Pedro I, de 1º de dezembro de 1824.
Pelo Decreto, transformaram-se todas as tropas de conotações provinciais em
organizações militares padronizadas, tanto de 1ª como de 2ª linha. Ficava assim organizado o
Exército Imperial, com sete Regimentos de Cavalaria, todos com um estado maior e seis
companhias e estas, agrupadas de duas em duas, formando três esquadrões.

Nova
Denominação Antiga Numeração Parada
1º Regimento de Cavalaria do Exército 1º Corte
Regimento de Cavalaria de Linha de Minas Gerais 2º Ouro Preto - MG
Cavalaria da Legião de São Paulo
3º São Paulo - SP
Esquadrão da cidade de São Paulo
Esquadrão de Voluntários da Província de São Pedro 4º Serrito (Jaguarão) - RS
Regimento de Dragões do Rio Pardo 5º Vila do Rio Pardo - RS
Regimento de Dragões de Montevidéu 6º Cidade de Montevidéu - ROU
Regimento de Dragões da União 7º Paissandú - ROU

O quadro acima, constante do próprio Decreto, mostra as antigas unidades de


cavalaria com as suas novas numerações e sedes. No caso do 3º RC de 1ª Linha, aparece com
parada em São Paulo, mas na realidade permaneceu no sul, onde estava a Cavalaria da Legião
desde 1810. O Esquadrão da Cidade de São Paulo que aparece formando junto com a
Cavalaria da Legião o 3º Regimento foi criado em 22 de novembro de 1820 para substituir
esta última pelo seu afastamento da Capitania de São Paulo. Todavia, não foi encontrada
evidência da efetiva contribuição do Esquadrão da Cidade de São Paulo na formação do 3º
RC de 1ª Linha.
Acreditamos que o Esquadrão de São Paulo permaneceu na capital paulista, enquanto
que somente a Cavalaria da Legião foi a única tropa que se transformou no 3º RC, até porque
pelo Decreto a parada do novo Regimento era São Paulo e a realidade foi outra. Para melhor
esclarecer a questão procuramos alguma Fé-de-Ofício no AHEx, não sendo nada encontrado
que efetivamente houve a junção das duas tropas.

O Destino das três Armas da Legião

Com o Decreto de 1824 e com o passar dos anos as três armas da Legião (Infantaria,
Cavalaria e Artilharia) foram transformadas em unidades militares. Conforme o esquema
encontrado no livro “Raízes do Militarismo Paulista” do Coronel Edilberto de Oliveira Melo,
que julgamos interessante transcrever neste livro, a infantaria da Legião, irmã de mesma data
da cavalaria, seria hoje o 19º Batalhão de Caçadores, mas oficialmente não é.
Com a surpresa que tivemos ao ler a evolução histórica da infantaria fizemos contato
com o batalhão de Salvador, na esperança que fosse o seu início também na Legião.
Entretanto, essa unidade tem como histórico a origem no 11º Regimento de Infantaria, como
exatamente consta no esquema.
Hoje o nome histórico oficial do 19º BC é “Batalhão Pirajá”, por causa dos laços que
o unem à Bahia, de cujas glórias e tradições é guardião. Com certeza caso fique comprovada a
evolução histórica como se apresenta no esquema, poderá ser feita uma exposição de motivos
ao Centro de Documentação do Exército e ser o batalhão agraciado com a nova Denominação
Histórica de “Infantaria da Legião de Tropas Ligeiras”.
Com a nova denominação, estaremos fazendo uma justa homenagem e um merecido
reconhecimento à Infantaria da Legião da Capitania de São Paulo, que assim como a
Cavalaria da Legião lutou para que o Brasil tivesse os atuais limites territoriais. Caso se
concretize esse resgate histórico, o 5º R C Mec poderá no futuro comemorar juntamente com
o 19º Batalhão de Caçadores a mesma data de aniversário, ou seja, 14 de janeiro. Portanto,
caso se concretize esta idéia as duas unidades serão herdeiras das tradições e da história da
tropa que nasceu conjugada pela determinação Real e pela força de um povo em se
estabelecer e manter os limites meridionais do território brasileiro.

Infantaria da Legião
1824 - Dois Batalhões de Infantaria constituíram o 7° Batalhão de
Caçadores de 1ª Linha do Exército, com sede em São Paulo.
1831 - Esse Batalhão foi absorvido pelo 6° Batalhão de Caçadores.
1839 - A denominação mudou para 10° Batalhão de Caçadores.
1842 - Neste ano, 6° Batalhão de Fuzileiros.
1888 - Transferência para Uruguaiana.
1908 - Transferência para Salvador, na Bahia (unidade do 11° RI).
1919 - Nova denominação para 19° BC, com sede em Salvador.

Artilharia da Legião
1824 - As Baterias de Artilharia a Cavalaria receberam a designação de
“2° Grupo de Artilharia Montada de 1ª Linha do Exército”, com
sede em Santos.
1831 - Foi extinta pela Regência.

Cavalaria da Legião
1824 - Os Esquadrões da Legião uniram-se ao de Cavalaria Auxiliar da
cidade de São Paulo, formando a 3º Regimento de Cavalaria
Ligeira de 1ª Linha do Exército.
1831 - 3º Corpo de Cavalaria.
1839 - 3º Regimento de Cavalaria Ligeira.
1889 - 3º Regimento de Cavalaria.
1908 - 8° Regimento de Cavalaria.
1919 - 5º Regimento de Cavalaria Independente.
1946 - 5º Regimento de Cavalaria.
1978 - 5º Regimento de Cavalaria Mecanizado.
10. A GUERRA DA CISPLATINA 1825-1828

O Brasil, logo após sua independência, passa a enfrentar revoltas dentro do seu
território, contrárias a nova situação política. Com o objetivo de manter a unidade nacional, o
exército teve que se fazer presente nas províncias do Grão Pará, Maranhão, Piauí e na Bahia.
Ao mesmo tempo na Cisplatina a situação se complicava, pois se intensifica o
movimento de independência nessa província. O Exército passa a enfrentar as tropas de
Lavajella e Rivera em condições de confronto adversas para os brasileiros. A 25 de outubro
de 1825 Lavajella proclama a independência do Uruguai, sendo logo reconhecida por Buenos
Aires.
Nos pampas, as tropas brasileiras enfrentam as forças orientais, quando são travados
os combates de Mercedes (22 Ago 1825), Áquila (04 Set 1825), Sacramento (23 Set 1825),
Rincão das Galinhas (24 Set 1825) e Sarandi (12 out 1825). Neste último combate as tropas
de Lavalleja e Rivera enfrentam as tropas comandadas por Bento Manoel Ribeiro e Bento
Gonçalves, quando a vitória dos orientais leva a Argentina a se aliar com os rebeldes da
Banda Oriental, complicando ainda mais a situação Brasileira.
Após Sarandi, outros combates acontecem estendendo a Guerra da Cisplatina por
quase três anos, até que em 20 de fevereiro de 1827, na batalha do Passo do Rosário, as tropas
brasileiras com pouco mais de 6 mil homens enfrentam o exército de argentinos e uruguaios,
contando este com mais de 8 mil combatentes.
A batalha, ocorrida próximo ao rio Santa Maria, no lado oposto da atual cidade de
Rosário do Sul, se desenvolve de forma muito confusa, quando ambos os exércitos terminam
recuando, praticamente definindo o fim da guerra.
Nessa batalha, o 3º RC de 1ª Linha, comandado pelo Ten Cel Xavier de Sousa,
estava enquadrado na 4ª Brigada de Cavalaria do Coronel Thomas José da Silva, ex-
comandante do regimento. Quase três meses depois, em 13 de maio de 1827, o regimento
chega a São Gabriel, passando a ser esta a sua sede, onde permanece por alguns anos.
Em agosto de 1828, por interferência da Inglaterra, é assinado o tratado de paz dando
origem à atual República Oriental do Uruguai (ROU).

História Militar do Brasil, Academia Militar das Agulhas Negras (AMAN), 1979
11. A TRANSFORMAÇÃO DO 3º RC DE 1ª LINHA
EM 3º CORPO DE CAVALARIA

Em abril de 1831, após a abdicação de D. Pedro I, foi iniciado o Período Regencial


no Império (1831-1840), marcado por revoltas internas, como a Cabanagem no Pará,
Sabinada na Bahia, Balaiada no Maranhão e a mais longa de todas: a Revolução Farroupilha
no Rio Grande do Sul.
Diante das dificuldades financeiras que passava a recém nação independente,
decorrente do elevado custo do reconhecimento da independência e das lutas no sul, o
Regente Feijó realizou uma reorganização do Exército, pela qual se diminuiu o efetivo,
quando de 30 mil homens a força terrestre foi reduzida praticamente à metade.
Com esta reorganização, os sete Regimentos de Cavalaria organizados em 1824,
acabaram sendo reduzidos a quatro Corpos de Cavalaria, com os 2º, 3º e 4º permanecendo no
Rio grande do Sul e o 1º na Corte (Rio de Janeiro).

Decreto de 4 de maio de 1831


Reorganiza as Tropas de 1ª Linha do Império devendo-se dar
prompta execução ao art 2 Lei de 24 Nov 1830 sobre a redução e
reorganização das tropas de 1ª Linha do Império, manda a Regência
Provisória, em nome do Imperador, que as mesmas tropas sejam
reduzidas ao pé, que consta do mapa: Francisco de Lima e Silva.
Regente Feijó.

Fé-de-Ofício

Transcrições das Fé-de-Ofício de dois comandantes do 3º Corpo de Cavalaria,


encontradas no Arquivo Histórico do Exército, descrevem um pouco do que foi a unidade
logo após a sua reorganização em 1831:

Thomaz José da Silva


Natural de Lisboa, assentou praça com 15 annos voluntário
na extinta Legião de São Paulo a 27 de julho de 1797. Reconhecido
Cadete em agosto do mesmo ano [...] Coronel por Decreto de 12 de
outubro 1825 [...] recolhido ao Regimento a 25 de agosto 1829 [...]
dispensado do commando do dito Corpo (3º) por Decreto de 8 de
junho 1831, publicado na Ordem do Dia do Quartel General de 2 de
setembro do dito, e foi excluído do mesmo Corpo por entrega do
commando em 1º de abril de 1832. Jurou a Constituição Política do
Império. Assina Francisco de Paula de Macedo Rangel.
Commandante da 1ª Companhia do 3º Corpo de Cavallaria de 1ª
Linha, commandante interino do 3º RCL, condecorado com a Medalha
de Distinção na Campanha do Sul.

Francisco de Paula de Macedo Rangel


Nasceu em São Paulo, soldado voluntário em 11 de março
1813, reconhecido Cadete a 13 de dezembro 1814, Furriel a 19 de
setembro 1817, Alferes Agregado a 13 de maio 1818, Efetivo a 26 de
março 1821, Tenente Ajudante a 14 de 1822, Capitão 1º de dezembro
1824, Major a 20 de agosto 1838, Coronel a 27 de maio de 1842.
Assentou praça na Legião de São Paulo. Marchou
voluntariamente de São Paulo para a campanha do sul em agosto de
1817. Fez a campanha de 1818 a 1822 e de 1823 em Montevidéu na
luta da independência, assistio a ação de 18 de maio de 1823, fez a
campanha de 1825 até 1828 em que foi prisioneiro de guerra em 6 de
janeiro de 1826 de hum corsário argentino que o conduzia para
Patagônia, e escapou d'ali com mais outros oficiais em uma
embarcação que tomarão do inimigo. Apresentou-se na praça de
Montevidéu em 16 de agosto de 1827 [...] comandou o 3º Corpo de
Cavalaria de 1ª Linha de 1º de abril 1831 até fim de março de 1833.
Marchou comandando o Corpo (3º) para a fronteira do Alegrete a 23
de abril 1834 em consequencia ... das forças dissidentes do Estado
Oriental, e fez depor as armas do General Lavalleja que emigrou no
território brasileiro. Recolhido com o Corpo a 20 de julho .
Comandou interinamente o Corpo desde 16 de março de 1834,
recebendo elogio do Comandante das Armas “Comanda o Corpo
interinamente desde 16 de março de 1834. Este Capitão desempenha
satisfactoriamente as obrigações de commandante interino do Corpo.
Hé intelligente, activo, honrado e subordinado. Conserva o Corpo no
melhor arranjo profissional possível e mantém a disciplina do mesmo,
sendo por isso dos Corpos da guarnição da Província que se acha em
melhor estado de todos os respeitos. Commandante das Armas. E para
constar onde lhe convier se lhe passou a presente certidão. Secretaria
do Estado em 4 de outubro de 1837. João Bandeira de Gouveia”.
Tornando a comandá-lo desde 16 março de 1834 até que arrebentou a
revolução da província do Rio Grande do Sul em 27 de setembro de
1835 e achando-se na Vila de São Gabriel, defende-o com poucas
praças dentro de uma caza, por espaço de cinco dias de sitio em que
lhe pusseram os rebeldes em número de 400 homens, que vendo-se por
fim abandonado de seus soldados, o prenderão com mais officiaes,
sendo conduzido para Porto Alegre [...] (o grifo é nosso)

Na Fé-de-Ofício do Capitão Francisco de Paula de Macedo Rangel aparece


sublinhada uma ação contra o uruguaio Lavalleja. A ação, pouco explorada na historiografia
militar brasileira, foi quando Lavalleja se revoltou contra Rivera, então Presidente do Uruguai
(1832-1834), e é em nosso território que se refugiou depois de derrotado. Foi mais uma
operação em que o 5º R C Mec teve atuação.
12. A REVOLUÇÃO FARROUPILHA (1835-1845)

Em 1831, o 3º Regimento de Cavalaria de 1ª Linha foi transformado em 3º Corpo de


Cavalaria. Quatro anos depois, em setembro de 1835, quando da eclosão da Revolução
Farroupilha, encontrando-se em São Gabriel, o 3º Corpo aderiu, em sua maioria, à causa dos
farrapos. Comandava a Unidade o capitão Francisco de Paula de Macedo Rangel, que não
aderindo ao movimento foi preso e levado para Porto Alegre.
Sobre o fato assim descreveu Osório Santana Figueiredo, no livro Sesquicentenário
“Caserna de Bravos”:

A 20 set 1835, o 3º Regimento de Cavalaria, ocupava um


robusto sobrado da povoação, tendo como comandante o Capitão
Francisco de Paula Rangel. No dia 4 de outubro o Coronel
revolucionário João Antônio da Silveira, atacou a Vila com 300
homens, conseguindo a adesão da força governista que abriu os
portões do quartel e sairam a confraternizar-se com os revoltosos [...]

Outra abordagem da adesão da guarnição de São Gabriel é feita no livro sobre a


biografia do General Osório, volume 1, página 283, quando o Marechal Sebastião Barreto,
Comandante das Armas da Província, dirigia-se à Vila de São Gabriel:

[...] Nos primeiros dias de Outubro S. Ex., levantando


acampamento, marchou sobre S. Gabriel, em busca do 3º Regimento
de Cavallaria ao mando do Capitão Francisco de Paula Macedo
Rangel, e do contingente de infantes pernambucanos ahi destacados.
Mas, S. Gabriel já estava em poder dos revolucionarios, e toda a
soldadesca do 3º e do referido contingente se tinha passado para
elles, tendo abandonado no quartel a officialidade, que foi reduzida á
prisão. D'isto não sabia o Marechal.

Não foi somente o 3º Corpo de Cavalaria que aderiu ao movimento farroupilha.


Outras unidades de 1ª Linha também aderiram entre elas o 2º, 3º e 4º Corpos de Cavalaria, o
1º Regimento de Artilharia e o 8º Batalhão de Caçadores. Pela sedição o Regente Feijó
acabou determinando a dissolução das tropas revoltosas, publicando a sua decisão nove meses
depois de eclodir a revolta:

Decreto de 21 Mai 1836


Havendo grande parte da officialidade do segundo, terceiro e
quarto Corpos de Cavallaria, do primeiro de Artilharia a Cavallo e do
Oitavo Batalhão de Caçadores, todos de Primeira Linha, tomando
parte activa na sedição occorrida na Província do Rio Grande de S.
Pedro do Sul: o Regente em Nome do Imperador o Senhor Dom Pedro
II ha por bem mandar dissolver os ditos segundo, terceiro e quarto
Corpos Cavallaria, Primeiro de Artilharia a Cavallo e Oitavo
Batalhão de Caçadores, todos de Primeira Linha.

Dois meses depois de ser publicado o Decreto de 21 de maio, uma nova decisão do
Governo Imperial deixou à prudência do Presidente da Província do Rio Grande do Sul a
execução do referido Decreto.
N. 385. - GUERRA. - Em 10 de junho de 1836.
Ilmo. E Exm. Sr. - Em additamento ao meu officio de hontem,
cumpre-me significar a V. Ex., de ordem do Regente em Nome do
Imperador, que, posto esteja V. Ex. Autorisado pelo Decreto de 21 de
Maio deste anno a dissolver os Corpos de 1ª linha dessa Provincia,
inclusive o 8º Batalhão de Caçadores, por haverem tomado parte na
sediação de 20 de Setembro do anno proximo passado, e isto como
medida geral para não continuarem no quadro do Exercito Corpos,
cuja conducta se tornára anarchica, todavia ocorrendo agora que o
memso 8º Batalhão mostrou querer apagar a nodoa do seu primeiro
comportamento, voltando-se para a causa da legalidade, deixa o
Regente ao prudente arbitrio de V. Ex. O sobrestar na execução
daquella medida geral segundo as circumstancias e os interesses
dessa Provincia o exigirem. Deus Guarde a V. Ex. - Palacio do Rio de
Janeiro em 10 de Julho de 1836. - Manoel da Fonseca Lima e Silva. -
Sr. Presidente da Provincia do Rio Grande do Sul.

Com a dúvida levantada se realmente o 3º RCL foi dissolvido, procuramos na


correspondência do Presidente da Província de São Pedro do Sul (Arquivo do Estado do
RGS), a existência de algum documento que efetivamente comprovasse a execução do
Decreto de 21 de Maio e a Decisão de junho, não sendo, entretanto, nada encontrado.

Fé-de-Ofício

Verificando, por sua vez, a Fé-de-Ofício do capitão Francisco de Paula de Macedo


Rangel, consta nela ter inicialmente o 3º Corpo aderido ao movimento sedicioso, mas que
posteriormente o próprio capitão em janeiro de 1837 estava “comandando o extinto Corpo
Terceiro de Cavalaria de Linha, que foi o único que achou à carga d'espada com os rebeldes,
os quais foram lançados além de Jaguarão”.
Analisando, pois, a correspondência do Presidente da Província e a referida Fé-de-
Ofício, transcrita a seguir, levam a acreditar que a unidade passado o início do Movimento
Farrapo, provavelmente foi reorganizada, mesmo que provisoriamente, passando em um
segundo momento da revolução a combater os rebeldes.

Francisco de Paula de Macedo Rangel


[...] Tornando a comandá-lo desde 16 março de 1834 até que
arrebentou a revolução da província do Rio Grande do Sul em 27 de
setembro de 1835 e achando-se na Vila de São Gabriel, defende-o
com poucas praças dentro de uma caza, por espaço de cinco dias de
sitio em que lhe puseram os rebeldes em número de 400 homens, que
vendo-se por fim abandonado de seus soldados, o prenderão com mais
officiaes, sendo conduzido para Porto Alegre de onde em 16 de
dezembro 1835 sahio com o Brigadeiro Bento Manoel Ribeiro para
São Gabriel, a fim de que fosse reconhecido na Campanha do
Presidente legal Doutor Jozé de Araújo Ribeiro, cuja posse fora
negada pelos sediozos na Capital, e sendo mandado pelo mesmo
Brigadeiro a Villa de Cruz Alta a promover a reunião de Forças
Legaes, conseguiu a pretensão de pessoas ali influentes, que a poucos
dias se reunisse de 400 a 500 homens, que foi a 1ª força que se poez
em campo a favor da integridade do império: acompanhando o
referido Brigadeiro nas operações contra os rebeldes assistio a
Batalha de 4 de janeiro de 1837, estando commandando o extinto
Corpo Terceiro de Cavalaria de Linha, que foi o único que achou à
carga d'espada com os rebeldes, os quaes forão lançados além de
Jaguarão; assistio mais o ataque do Passo do Cordeiro no Camacuam
no primeiro de fevereiro do dito ano, onde foi dispersado o inimigo.
Depois da deffecção do Brigadeiro Bento Manoel foi mandado duas
vezes a Villa de Cruz Alta com grande risco em importantes
comissões, a fim de que, aqqueles habitantes se conservassem auditos
à causa do Império, sendo obrigado na última viagem a recolher-se
pela Província de Santa Catharina a Corte, seguindo de'la para a
Província de São Paulo a fim de marchar com uma expedição de
Guardas Nacionaes da comarca de Coritiba [...]
Tendo sido nomeado commandante interino do Terceiro
Regimento de Cavalaria Ligeira, por Aviso da Repartição de Guerra
de 21 de março de 1848 publicado na ordem do Dia do Exército nº 2
de 18 de abril. (O grifo é nosso, referente à adesão do 3º Corpo à
Farroupilha, mas que posteriormente passou a combater os rebeldes).

Reorganização do 3º Corpo de Cavalaria em 3º RCL

Posteriormente, em fevereiro de 1839, o 3º Corpo é reorganizado ao comando


interino do Tenente Coronel João Frederico Caldwell recebendo a nova denominação de 3º
Regimento de Cavalaria Ligeira (3º RCL). Reorganizado, o regimento passou a realizar a sua
mobilização, quando o novo comandante informava ao Presidente da Província a passagem de
vários militares. Desses, muitos eram do extinto 3º Corpo, conforme documentos da
correspondência do Ten Cel Caldwell para o Presidente da Província de São Pedro do Sul
naquele ano, Saturnino de Souza e Oliveira (lata 186, maço 132, Arquivo do Estado do RGS).
Encontramos as mesmas informações nas correspondências do Ten Cel Caldwell
para o Brigadeiro Thomaz José da Silva (ex-comandante do 3º RC de 1ª Linha) e naquele
momento chefe do Exército em Operações com Quartel General em Porto Alegre.

Decreto nº 31 de 28 Fev 1839


Determinando a numeração que devem ter os corpos de linha
que formão o Quadro do Exército; [...].
O Regente, em nome do Imperador o Senhor Dom Pedro
Segundo, ha por bem determinar que a numeração dos Batalhões de
Caçadores, Regimentos de Cavalaria [...] pertencentes à linha do
Exército, e que constão do quadro approvado por Decreto de 22 do
corrente mez nº 30. [...], seja conforme a tabela aqui junta, asignada
por Sebastião do Rego Barros, Ministro e Secretário de Estado dos
Negócios da Guerra.
Numeração dos três Regimentos de Cavalaria Ligeira
Estes regimentos conservão a numeração dos actuaes 1º, 2º e
3º Corpos de Cavallaria, sendo o 4º dissolvido.

Em dezembro de 1839, passa a comandar o regimento o Ten Cel Gabriel de Araújo e


Silva, nomeado por Decreto do dia 2 do mesmo mês e ano. Neste comando, conforme
apurado na sua Fé-de-Oficio, o regimento participou do combate de Taquary de 13 de maio de
1840 contra os Farrapos. Em março de 1841, o TCel Gabriel deixa o comando do 3º RCL,
conforme o decreto de 31 de março do mesmo ano.
Outra fonte pesquisada foi a Fé-de-Ofício de Luciano José da Rosa, transcrita a
seguir, pela qual verificamos a participação do regimento em mais um combates aos farrapos,
no caso o de Viamão de 16 de setembro de 1841:
Luciano José da Rosa
Apresentou-se voluntário no 3º RCL em 14 de dezembro de
1833. Cabo d’esquadra a 15 de janeiro de 1844. Furriel a 15 de
março, 2º sargento a 30 de abril e Alferes a 21 de julho do mesmo
ano. Tenente a 30 de setembro de 1846. Capitão para a 5ª Companhia
a 19 de junho de 1852.
Cabo do extinto 3º Corpo de Cavallaria de 1ª Linha. Teve
passagem para o 3º RCL a 25 de janeiro de 1840, por ordem do
Quartel General do comando em Chefe do Exército comunicado em
oficio. Achou-se no choque contra os rebeldes nos Campos do Varjão
em 16 de setembro de 1841. (O grifo é nosso, o combate foi travado
em Viamão, conforme DONATO, 2001)

Em 1842, novo plano de organização do Exército é realizado, inclusive para o 3º


RCL, conforme o Decreto nº 167, transcrito a seguir. Na prática não houve mudanças para o
regimento.

Decreto nº 167 de 14 Mai 1842


Plano de Organização dos Corpos do Exército do Império do
Brasil de conformidade ao art. 2º do Decreto 159 de 25 Abril 1842.
[...] Art. 3º Organização de um RCL composto de oito
companhias.
13. O 3º RCL NA CAMPANHA CONTRA ORIBE E ROSAS (1851-1852)

Intervenção contra Oribe e Rosas

Após a independência do Uruguai (1828), as lutas internas na nova nação ficaram


concentradas entre os grandes fazendeiros (blancos), aliados da Argentina, e os representantes
dos comerciantes de Montevidéu (colorados), apoiados pelos brasileiros.
Na Argentina, desde 1829, o poder era exercido por Juan Manoel Rosas, que
sonhando com a reconstrução do vice-reinado do Prata, ameaça a independência uruguaia e a
integridade do sul do Brasil. Dentro de seu território, porém, Rosas passa a enfrentar o
General Urquiza da Província de Entre-rios e seu ex-aliado.
Em 1851, Manuel Oribe após assumir o governo uruguaio depois de alguns anos de
luta contra Rivera (colorado), decreta o bloqueio do porto de Montevidéu prejudicando o
comércio na região.
Neste momento, O Brasil estava desligado dos objetivos portugueses de conquista e
expansão até a beira do Prata, mas estava consciente da necessidade de se manter neutro e
com as relações mais fraternas com os vizinhos. Contudo, o império brasileiro não querendo
que os conflitos externos se refletissem em seu território, procura se posicionar
particularmente em defesa dos estancieiros gaúchos, residentes próximos à fronteira, que
vinham sendo ameaçados, o que desrespeitava os tratados firmados anteriormente.
A reação brasileira, que inicialmente foi marcada pela excessiva cautela diplomática,
passou a ser efetiva quando Urquiza declarou guerra a Rosas.

As Operações Militares

Com a ordem de se iniciar a represália brasileira, o Conde Caxias inicia a


concentração das forças brasileiras de terra em Livramento e em Jaguarão, quando é
organizado o Exército em Operações com 4 Divisões e reunindo 14 Brigadas (Ordem do Dia
nº 15 de 28 de agosto de 1851, Quartel General em Livramento).
São iniciadas as operações lançando-se um destacamento a comando do Ten Cel
Osório, com o objetivo de se estabelecer ligação com Urquiza. O general argentino se
antecipa e em julho de 1851 atravessa o rio Uruguai e prossegue para Montevidéu, quando
Oribe acaba capitulando a 11 de agosto de 1851. A campanha contra Oribe estava encerrada,
ficando assegurados os direitos individuais e de propriedade dos brasileiros na fronteira com o
Uruguai. Começava então nova campanha, desta vez contra o argentino Rosas.
Em 6 de setembro, as tropas de Caxias, somando 16 mil combatentes, marcham para
o Uruguai passando no território gaúcho por Pontas do Cunhã Peru (4 set) e por Pontas do
Quarahym (6 set). Prosseguindo pelo território uruguaio passam por Pontas de Taquarembo
(21 set), Pontas do Queguay (24 set) e Pontas do Tambor (24 set). Reiniciando a marcha
passam pela margem esquerda do Arroio Santa Luzia (1º nov), margem direita do Arroio
Santa Luzia (7 nov), Arroio Cufré (17 nov) e na costa do Arroio Minuano (20 nov).
Finalmente encerrando o marcha chegam à Colônia do Sacramento a 25 de novembro. Os
locais de passagem das tropas mencionados anteriormente foram levantados nas Ordens do
Dia do Comandante em Chefe com QG nos locais citados.
Durante a marcha a 15 de outubro, o Exército de Caxias passa a operar com Urquiza
e a 21 de novembro foi acertado um tratado entre brasileiros, uruguaios e argentinos
contrários a Rosas. Pelo tratado ficava estabelecido que Urquiza comandaria o Exército de
invasão, tendo em vista a passagem pelo território argentino. Ao mesmo tempo ficou acertado
que, ao comando de Caxias, permaneceria em Sacramento a maior parte das tropas brasileiras,
a qual ficaria em condições de ser empregada em caso de solicitação de Urquiza. Quanto à
esquadra brasileira, esta ficaria no rio da Prata em condições também de ser empregada, caso
necessário.
As tropas aliadas de invasão, contando com uma Divisão Brasileira, ao comando do
Brigadeiro Manoel Marques de Souza (III), atravessam o rio Uruguai e em seguida o rio
Paraná. Nesse último a travessia se inicia em 23 de dezembro de 1851 terminando somente a
8 de janeiro do ano seguinte, tendo o apoio da esquadra brasileira.
Feita a travessia, as tropas aliadas prosseguem para o sul em direção a Buenos Aires,
quando o primeiro combate é travado no corte do rio das Conchas, vencido pela vanguarda de
Urquiza. Ultrapassado o rio das Conchas, novo obstáculo é deparado pelos aliados: o arroio
Morón. Para o combate as tropas entram em linha de batalha com as forças de cavalaria nos
flancos, enquanto que as tropas de Rosas ocupavam a margem oposta. A batalha, caso
vencida pelo argentino Rosas, impediria aos aliados de entrarem em Buenos Aires.
No dia 3 fevereiro, às 8 h, inicia o combate. As tropas brasileiras de Marques de
Souza, constituídas por seis Batalhões de Infantaria (5º, 6º, 7º, 8º, 11º e 13º), mais o 1º
Regimento de Artilharia a Cavalo e o 2º Regimento de Cavalaria Ligeira do Ten Cel Osório
lançam-se sobre o inimigo. Partes das tropas de Rosas tentam uma retirada, mas são
perseguidas e vencidas por tropas aliadas, com destacada atuação do Regimento de Osório.
Estava encerrada a campanha.
Em abril de 1852, o Exército em Operações passa por nova organização. Nela foi
dissolvida a 3ª Divisão, enquanto que a 6ª Brigada, constituída do 2º e 3º RCL, agora ao
comando do recém promovido Coronel Osório, ficava subordinada à 1ª Divisão do Marechal
Manoel Marques de Souza, este recém agraciado com o título de Barão de Porto Alegre
(Ordem do Dia nº 49, 12 de abril, QG do Comando na Costa do Arroio Santa Luzia).

Participação do 3º RCL na Campanha contra Oribe e Rosas

As informações sobre a participação do 3º RCL na campanha foram extraídas das Fé-


de-Oficio de alguns integrantes do regimento nos anos de 1851 e 1852, entre os quais o
capitão João Manoel Menna Barreto, que mais tarde comandou o próprio regimento no
período de maio a setembro de 1855 e esteve no comando da 1ª Divisão de Cavalaria durante
a Guerra do Paraguai.
Outras Fé-de-Ofício pesquisadas foram as do capitão Victorino José Carneiro
Monteiro, também ex-comandante do 3º RCL em setembro de 1855; a do capitão José
Antonio Dias da Silva, que como major respondeu pelo comando do 3º RCL em períodos
intercalados de 9 de dezembro 1858 a 1º de maio de 1860 e ainda a Fé-de-Ofício do Alferes
Cezar Augusto Brandão.
Com a ordem de se enviar tropas para a campanha contra Oribe e Rosas, o 3º RCL
marchou em 3 de agosto incorporando-se ao Exército de Caixas em Santana do Livramento,
onde juntamente com o Corpo de Cavalaria da Guarda Nacional de Rio Pardo constituiu as
tropas da 7ª Brigada do Coronel José Joaquim de Andrade Neves. Esta Brigada, por sua vez,
era integrante da 2ª Divisão do Brigadeiro João Frederico Caldwell, também ex-Cmt do 3º
RCL nos anos de 1842-1844.
Em novembro, nova organização é realizada, ficando o 3º RCL subordinado à 5ª
Brigada sob o mesmo comando do Coronel Andrade Neves, continuando esta Brigada
subordinada à 2ª Divisão.
Com a renúncia de Oribe e o início de uma nova fase na campanha, agora contra
Rosas e empreendida em território argentino, foi organizada uma Divisão Brasileira que
passaria a operar ao comando do General Urquiza. Em 3 de fevereiro de 1852 ocorre a batalha
de Monte Caseros, junto ao rio Morón, às portas da capital Buenos Aires, quando são
derrotadas as forças de Rosas.
Com o fim da campanha, foi promovido para Coronel Comandante do 3º RCL o
Coronel Graduado do 4º RCL, Francisco de Paula de Macedo Rangel e Para Tenente Coronel,
o Major Candido José Sanches da Silva Brandão (Ordem do Dia nº 44 de 21 de março de
1852, QG do Comando em Montevidéu).
Ainda como final de campanha, os integrantes do Regimento foram condecorados
com a Medalha de Distinção pela Campanha do Estado Oriental do Uruguai de que fez
menção o Decreto nº 932 de 14 de março de 1852 e a Ordem do Dia nº 62 de 9 de junho de
1852. Em 4 de junho de 1852 o regimento retorna ao solo brasileiro.
No ano de 1987, ou seja, 135 anos depois de encerrada as operações, o Exército
Brasileiro, reconhecendo os feitos do 3º RCL na Campanha de 1851-1852, concedeu ao 5º R
C Mec a Denominação e o seu respectivo Estandarte Histórico, onde no qual está estampado
no seu campo superior direito o nome “Monte Caseros”, como o próprio símbolo de todo o
triunfo militar brasileiro na referida campanha.

Fé-de-Ofício

Transcrevemos as Fé-de-Ofício de três ex-integrantes do regimento, nas quais


podemos observar a atuação da unidade na campanha de 1851-1852:

Victorino José Carneiro Monteiro


Natural de Pernambuco, sendo capitão da Guarda Nacional
da Província de Pernambuco expedicionou para esta do Rio Grande
do Sul, em 18 de novembro de 1837, de cuja data lhe conta como de
praça. Nasceu em 1817, Alferes em 20 de agosto de 1838, Tenente em
2 de dezembro de 1839, Capitão a 27 de maio de 1842 com
Antigüidade de 18 de julho de 1841. Major Graduado a 27 de agosto
de 1849, e efetivo a 19 de junho de 1852, Tenente Coronel graduado a
15 de julho 1854 e efetivo a 5 de outubro de 1855. Recebeu o título de
Barão de São Borja, tendo sido promovido posteriormente a
Marechal de Campo. [...] recolheu-se ao Regimento (3º) em 23 de
abril de 1851, e em 24 do mesmo mez entrou no exercício de fiscal,
passou a comandá-lo em 5 de junho, revertendo depois a aquelle
exercicio a 24 de julho. Fez a campanha do Estado Oriental do
Uruguay, que teve princípio em 4 de setembro. Doente na cidade de
Colônia do Sacramento em 3 de dezembro de 1851, obteve licença
para tratar-se na Vila de Alegrete. Foi condecorado com a medalha
de Ouro da Campanha do Estado Oriental do Uruguay, por Decreto
de 14 de março de 1852. Foi promovido para este regimento na
efetividade. Prompto e apresentou-se em 27 de maio de 1853 e
assume o comando em 1º de julho de 1853. Por Carta Imperial foi
condecorado com o Hábito da Roza.

João Manoel Menna Barreto


Fez a campanha do Estado Oriental do Uruguai desde o seo
começo em 6 de setembro de 1851 até 4 de junho 1852, pelo qual foi
condecorado com a Medalha de Campanha de que fez menção o
Decreto nº 932 de 14 de março de 1852.

Cezar Augusto Brandão


Recolheu-se ao regimento a 23 de fevereiro de 1851.
Marchou com o regimento a 3 de agosto a incorporar-se ao Exército
em Santana do Livramento, d’onde entrou para a Campanha do
Estado Oriental, declarada na Ordem do Dia nº 18 de 4 Set dito ano,
na qual foi effetivo até sua concluzão em 4 de junho de 1852, e
condecorado com a Medalha de Distinção d’esta campanha conferida
pelo Decreto nº 932 de 14 de março de 1852.
Croqui da Campanha

O primeiro esquema de operações refere-se à concentração e entrada das tropas de


Caxias em território uruguaio, enquanto que o segundo croqui é referente ao deslocamento
das tropas, incluindo a Divisão Brasileira, ao território argentino, quando será travado o
combate de Monte Caseros. O 2º mapa foi extraído da palestra do Cel Hugo Silva (1954)

1º Croqui – Operação em território uruguaio

Situação geral no início das operações e itinerário de marcha posteriormente seguido


pelos aliados no Uruguai – Fonte: Mallet – Patrono da Artilharia – J.V. Portellla, 1995.

2º Croqui – Operação em território argentino

Desenhado pelo Cap Diógenes V. Silva – 1956


Tomada por base os trabalhos do Ten Cel Genserico de Vasconcelos
14. O 3º RCL NA DIVISÃO IMPERIAL AUXILIADORA (1854-1855)

Terminada a campanha contra Oribe e Rosas e um breve período de tranqüilidade, a


questão da luta política no Prata continuou no ano seguinte. Em julho de 1853 explode na
Banda Oriental um novo levante colorado levando mais uma vez preocupação ao Governo
Imperial brasileiro. O Gen Venâncio Flores pede apoio ao Brasil e solicita o deslocamento de
tropas para o território uruguaio.
O Brasil, objetivando a paz no Estado Oriental e por conseqüência nas fronteiras do
sul, envia em 25 de março de 1854 uma Divisão de Observação com 4 mil soldados. Ao
comando do Brigadeiro Francisco Félix Pereira Pinto, a Divisão parte de Piraí Grande,
ultrapassa a fronteira e se dirige a Montevidéu, chegando à capital uruguaia em 3 de junho.
O Brigadeiro Frederico Caldwell, Comandante das Armas de Província do Rio
Grande, publica na Ordem do Dia a missão da Divisão Imperial:

Ordem do Dia nº 75, QG no Passo do Valente, 28 março 1854


Hoje que a Divisão Imperial vae pizar o territorio da
Republica Oriental para desempenhar honrosa e importante missão
que lhe confiou o Governo de S.M. O IMPERADOR, o Marechal de
Campo Commandante das Armas, abstendo-se de recommendar aos
bravos que a compõe a pratica de virtude militares que n'elles
reconhece, lembra-lhes com tudo que se nos lares patrios o Cidadão
pacifico, e sua propriedade tem á sombra de suas lanças e bayonetas
firme garantia, deve se é possivel, ser ainda mais respeitada a
segurança individual, e propriedade do estrangeiro; e assim
procedendo darão uma prova nada equivoca de moralidade, e
disciplina, que cobrindo-as de honra, lhes grangeará geral estima...
João Frederico Caldwell

Atuação do 3º RCL

O 3º RCL constituindo a tropa da Divisão, a qual também ficou conhecida nas Fé-de-
Ofício pesquisadas como "Divisão Imperial Auxiliadora", permaneceu em Montevidéu até 19
de dezembro de 1855. Com o fim da missão o regimento retornou ao Rio Grande, totalizando
nessa campanha um ano e nove meses de operações em mais uma campanha em território
estrangeiro.
Comandava interinamente o Regimento em março de 1854, quando da entrada em
território uruguaio, o major Victorino José Carneiro Monteiro. Comandou também o 3º RCL
durante a campanha os capitães José Antonio Dias da Silva (31 Mar a 24 Mai 1854) e João
Manoel Menna Barreto (Jul a Set 1855). No seu retorno ao Rio Grande de Sul, o regimento
voltou a ser comandado pelo major Victorino José Carneiro Monteiro.

O Retorno da Divisão

No retorno da Divisão, novamente o Brigadeiro Caldwell parabenizou as tropas pela


missão se manifestando na Ordem do Dia:

Ordem do Dia nº 150, QG no acampamento


do Passo do Viola, 19 dezembro 1855
Hoje piza felizmente o territorio d'esta Provincia a brava
Divisão Imperial que acaba de desempenhar em Paiz estrangeiro, sem
duvida a contento do Governo de S.M O IMPERADOR, a gloriosa
tarefa de que foi incumbida.
O Marechal de Campo Commandante das Armas, que,
fazendo justiça á disciplina, e moralidade da mesma Divisão, pôde
prever a gloria de que ella se cobriria, quando na Ordem do Dia n. 75
annunciou que este brilhante Corpo do Exercito Brasileiro saberia
adquirir um renome que o collocasse á par das melhores tropas de
qualquer paiz, se congratula hoje, possuido de verdadeiro jubilo, com
os Corpos que guarnecem esta Parte do Imperio, pelo ditoso
acontecimento que lhes restitue seos antigos companheiros d'armas...
João Frederico Caldwell

Fé-de-Ofício

Transcrevemos a Fé-de-Oficio de dois oficiais que comandaram o 3º RCL, nas quais


observamos a participação do regimento na campanha da Divisão Imperial:

João Manoel Menna Barreto


[...] tendo sido promovido a Major por Decreto de 14 de
abril de 1855 passa para esse Regimento (3ºRCL) se apresentou a 24
de maio, passou a comandá-lo em julho. Deixou o comando do
regimento a 8 de setembro passando a exercer as funções de seu
posto. Regressou com a Divizão Imperial ao Rio Grande do Sul a 20
de dezembro de 1855.

Victorino José Carneiro Monteiro


[...] Marchou comandando interinamente o regimento da
fronteira de Bagé para a capital da República do Uruguay na
expedição da Divisão Imperial Auxiliadora em 25 de março de 1854.
Por Carta Imperial de 25 de março de 1855, foi Official da Ordem da
Roza. Comandou a 1ª Brigada desde 10 de julho até 5 de setembro do
dito ano, voltando ao comando do regimento nesta última data.
Regressou com o regimento fazendo parte da indicada Divisão e
chegou ao território do Império na Província do Rio Grande do Sul a
19 de dezembro de 1855.
15. A GUERRA DO URUGUAI (1864-1865)

Em abril de 1863, o general uruguaio Venâncio Flores, que se encontrava refugiado


na Argentina, retorna a sua pátria e reinicia a luta contra os colorados do Presidente Bernardo
Berro. Deste conflito, grande parte dos brasileiros residentes no Uruguai faz fileiras com
Flores devido às perseguições que vinham sofrendo.
No ano seguinte, apresenta-se na côrte o General riograndense Antonio de Souza
Neto, estancieiro no Uruguai, levando queixas dos brasileiros lá residentes. As reivindicações
de Souza Neto fazem com que o Império envie em missão especial ao rio da Prata o
Conselheiro José Antonio Saraiva.
Saraiva chega a Montevidéu em 6 de maio de 1864 e apresenta reclamações formais
ao governo uruguaio que remontavam desde 1852. Não sendo atendido, o Governo Imperial
intima Montevidéu para atender as solicitações. Em 4 de agosto é apresentado um ultimato
amigável.
Paralelamente às negociações diplomáticas, se iniciam as represálias por parte das
forças de mar e terra, cujo plano consistia na atuação conjunta da Divisão do Exército
Imperial com a Esquadra Brasileira. O planejamento previa apoderar-se de Salto e Paissandu,
passando-as, logo em seguida, ao Gen Flores. Na execução, o Almirante Tamandaré imobiliza
dois vapores de guerra da República Oriental (7 set 1864).
Ao mesmo tempo, as forças de terra passam a se concentrar em Pirahy-grande, sendo
deslocada uma vanguarda constituída de uma Brigada, ao comando do Gen José Luis Menna
Barreto. A vanguarda entra por Jaguarão no Departamento do Cerro-Largo (12 out), conquista
Melo, enquanto que Tamandaré bloqueia os portos do Uruguai (28 out).
Em novembro, em uma ação combinada com o Gen Flores para o ataque à praça de
guerra de Salto, às margens do rio Uruguai, duas canhoneiras brasileiras fundearam a pouca
distância da cidade, enquanto que as tropas de Flores se aproximavam. A 28, a praça se rende
sem resistência.
Prosseguindo, Flores marcha para Paissandu, ao sul de Salto, e em nova ação
coordenada com Tamandaré é realizado o assalto no dia 6 de dezembro. Com a praça sob
forte resistência e com as tropas atacantes carecendo de munição, foram suspensas as
operações até a chegada do Exército de Observação, ainda em marcha pelo território
uruguaio.

Operação Militar

Comandava as Armas da Província do Rio Grande do Sul o Marechal João Propício


Menna Barreto. Subordinado ao Marechal estava o Brigadeiro Osório, comandante das
unidades da fronteira, as quais em julho de 1864, estavam assim distribuídas: em Bagé, o 4º,
6º e o 12º Batalhão de Infantaria, o 3º e o 5º RCL e ainda o 1º Regimento de Artilharia; em
Jaguarão, o 13º Batalhão de Infantaria, o 4º RCL e um destacamento do 3ºRCL; em Santana
do Livramento, o 2º RCL.
Com a ordem de se organizar um Exército de Observação, reuniu-se em Pirahy-
Grande, localidade de Bagé, uma tropa composta por duas Divisões, cada uma com três
Brigadas. Na 1ª Divisão, ao comando do Brigadeiro Osório, reunia uma Brigada de Cavalaria
e duas de Infantaria, todas de Linha. Na 2ª Divisão, ao comando do Brigadeiro José Luis
Menna Barreto, reunia três Brigadas de Cavalaria da Guarda Nacional. Completando o
Exército de Observação, como apoio de fogo um Parque de Artilharia com 12 peças.
Quanto à Brigada de Cavalaria de Linha, esta ao comando do Cel Cândido José
Sanches da Silva Brandão (ex-comandante do 3º RCL, anos de 1850-1851), reunindo todos os
regimentos de cavalaria, estava constituída do 2º, 3º, 4º e 5º RCL. Ao comando do 3º RCL
estava o Cel Victorino José Carneiro Monteiro.
Quanto às Brigadas de Infantaria, todas de linha, estas eram comandadas pelo Cel
Antonio de Sampaio e pelo Ten Cel Carlos Resin, enquanto que o Parque de Artilharia estava
ao comando do Ten Cel Emilio Luis Mallet.
Feita a concentração, o Exército de Observação totalizava 6 mil militares, ao que foi
acrescido de 1300 voluntários da Brigada Riograndense, comandada do General Antonio de
Souza Neto.
A 25 de novembro, se inicia a marcha do Exército, o qual atravessa a fronteira da
Campanha Oriental sem encontrar resistências. Após longa marcha o Exército acampa nas
proximidades de Paissandu, sitiada desde 4 de dezembro e que vinha sendo bombardeada pela
Esquadra de Tamandaré.
Permanecendo as forças de cavalaria com o Gen Osório nas proximidades de
Paissandu, partem para a conquista desta praça, duas Brigadas de Infantaria e a Artilharia de
Mallet totalizando 2100 homens e mais 600 combatentes do Gen Flores.
Após cinqüenta e duas horas de combate, que se iniciou no dia 31 de dezembro,
terminou com Paissandu caindo ao combate de baioneta, capitulando as oito da manhã do dia
2 de janeiro de 1865. Com a conquista de Paissandu ficava todo o litoral do Uruguai ao norte
do rio Negro sob o domínio do Império. As forças marcham então para Montevidéu, a
sitiando.
A 15 de fevereiro, Aguirre terminando o prazo de sua administração passa a
Presidência a Thomaz Villalba, eleito pelo Senado, que procurando a paz assina os acordos
para pôr fim à guerra (20 Fev 1865). Assume o Governo Provisório, o General Flores.

Fonte: Mallet – Patrono da Artilharia de J.V. Portella Ferreira Alves


A Represália Paraguaia

O governo paraguaio, usando como pretexto a Guerra do Uruguai, aprisiona em 12


de novembro de 1864 o vapor brasileiro Marquês de Olinda. No mês seguinte, ainda como
represália, invade o Brasil pela Província do Mato Grosso.
Na evolução dos acontecimentos, em abril do ano seguinte, o Paraguai invade a
Argentina e conquista a cidade de Corrientes agravando ainda mais a situação. A retaliação ao
Paraguai é feita em conjunto: Brasil, Uruguai e Argentina assinam o Tratado da Tríplice
Aliança, iniciando as operações de guerra.
O 3º RCL, fazendo parte do 1º Corpo do Exército Brasileiro, permanece no território
uruguaio não retornando ao Rio Grande. Em março de 1865, o regimento inicia a marcha para
o território argentino e em seguida para o paraguaio, onde vai enfrentar as tropas de Solano
Lopes.

Fé-de-Ofício

Pesquisando no Arquivo Histórico do Exército sobre a participação do 3º RCL na


Guerra do Uruguai, encontramos Fé-de-Ofício de alguns oficiais, pelas quais levantamos
dados da localização e marcha do Regimento feita do Rio Grande para o Uruguai e o seu
prosseguimento nas operações na Guerra da Tríplice Aliança.

Capitão César Augusto Brandão


Natural de Porto Alegre. Nasceu em 1826. Praça voluntário
em 17 de março 1846. Reconhecido 1º Cadete a 14 de novembro 1846.
2º Sargento em 1º de janeiro 1847. Alferes por Decreto 7 de agosto de
1849. Tenente por Decreto 2 de dezembro 1857. 1858. Transferido
para o 3º RCL [...] Em 5 de novembro de 1864, seguio da cidade de
Bagé para Pirahy-Grande, passando emprego como Assistente
interino do Quartel Mestre General junto ao Comando da 1ª Brigada
do Exército ali estacionado em 14 dito mez [...] marchou de Pirahy-
Grande fazendo parte da 1ª Divisão passando para o Estado Oriental
em 1º de dezembro mesmo anno. Fez toda a marcha no Estado
Oriental fazendo parte do Exército de Operações até Pay-sandu.
Acampado junto ao arroio São Francisco em 28 mez dezembro. Em 5
de janeiro 1865 marchou d'ali incorporando-se ao Exército Operador
com direção a Montevideo em cuja proximidade chegou a 5 de
fevereiro e em 28 do mesmo mez, depois de feito as pazes com o
governo da República Oriental, marchou fazendo parte da 1ª Divisão,
a fim de acampar em Santa Luzia, onde chegou a 5 de março [...].

Tenente João Carneiro da Fontoura Menna Barreto


Incluído no estado efetivo da 8ª Companhia do 3º RCL.
Apresentou-se a 12 de fevereiro 1862 [...] junho de 1864 marchou com
o regimento da vila de São Gabriel para a Pirahy-Grande, a fim de
reunir-se ao Exército do General João Propício Menna Barreto.

Tenente João Batista de Almeida


Tenente para o 3º RCL a 14 Mar 1863. 1864. Apresentou-se a
15 de julho no Quartel da Trilha, junto a cidade de São Gabriel.
Destacou para a mesma cidade e recolheu a 4 de dezembro, tendo sido
para aquele destacamento a 25 de agosto. Passou a comandar a 4ª
Companhia a 4 de dezembro. Marchou com o regimento no estado
oriental fazendo parte do Exército em operação do mando do Snr.
General João Propicio Menna Barreto. 1865. Recolheu-se a seu
regimento em 27, passou comandar a 2ª Companhia a 28 de julho.
Deixou este comando a 23 de agosto por ter sido nomeado Ajudante
de um dos Corpos que compunham a força do General Netto, como
tudo consta.

Alferes Antonio Fernandes da Fonseca Azambuja


Promovido a alferes em julho de 1864, classificado no 3º
RCL. Fez parte do sitio de Paysandu em 31 de dezembro. 1865 –
assistiu a tomada daquela praça a 2 de janeiro bem como a
capitulação de Montevidéu. Passou da República do Estado Oriental
para a província de Entre-rios fazendo parte do Exército em
operações contra o governo do Paraguay a 20 de julho.
16. O 3º RCL NA GUERRA DA TRÍPLICE ALIANÇA (1865-1870)

Para relatar a participação do 5º R C Mec na Guerra do Paraguai, antes


descreveremos os fatos que envolveram o conflito, seguindo a ordem cronológica dos
acontecimentos:

Ano de 1864
- Em 12 de novembro em protesto contra os acontecimentos que envolveram a Guerra do
Uruguai, o Governo Paraguaio aprisionou, em seu território, o vapor brasileiro “Marquês de
Olinda”, que fazia carreira entre Corumbá e Montevidéu, com escala em Assunção. A carga é
confiscada e na mesma data são rompidas as relações com o Governo Imperial brasileiro.
- Em dezembro o Paraguai invade o território brasileiro pelo Mato Grosso.

Ano de 1865
- Em janeiro, o Paraguai pede permissão à Argentina para transitar pelo território de
Corrientes, a fim de invadir o sul do Brasil. Com a negativa, o Paraguai declara guerra contra
a Argentina (18 mar 1865).
- O general João Propício de Menna Barreto, que comandava a Divisão Imperial no Uruguai,
fica doente e pede ao término da Campanha do Estado Oriental a sua exoneração do comando.
Em 27 de fevereiro o General Osório o substitui interinamente no comando das forças
brasileiras, iniciando a preparação do 1º Corpo de Exército.
- Em 13 de abril uma esquadra paraguaia cerca Corrientes, capturando dois vapores
argentinos. No dia seguinte, os paraguaios se apossam da cidade.
- Em 27 de abril inicia o movimento das tropas do exército para a barra do arroio São
Francisco, próximo a Paissandu, onde seria feita a transposição do rio Uruguai.
- Em 10 de maio é assinado o tratado entre Brasil, Uruguai e Argentina contra o Paraguai.
Pelo tratado o comando supremo das forças fica a cargo do Presidente da Argentina, General
Mitre, tendo em vista que as tropas passariam por Corrientes e Entre-rios, em território
argentino. Ainda pelo tratado, as forças navais dos aliados passaram a serem comandadas pelo
Comandante em Chefe da Esquadra Brasileira.
- A 27 de maio Osório chega a São Francisco.
- A 5 de junho Osório é nomeado para o comando efetivo do Exército Brasileiro.
- A 10 de junho os paraguaios invadem o Rio Grande do Sul pelo Passo de São Borja,
ocupando a cidade dois dias depois.
- A 11 de junho ocorre a Batalha Naval do Riachuelo. Com a vitória aliada ao comando do
Almirante Tamandaré, foi aberta a passagem no rio Paraná.
- A 22 de junho a Cavalaria e os meios de transportes em deslocamento por terra, atingem
Daiman, ainda em território uruguaio.
- A 6 de julho os paraguaios ocupam e saqueiam Itaqui, reiniciando o movimento para
Uruguaiana a 14 de julho.
- As tropas aliadas atravessam o rio Uruguai e entram em território argentino, acampando em
Concórdia.
- A 5 de agosto as forças paraguaias cercam e conquistam Uruguaiana.
- De Concórdia o Exército avança e acampa em Mandissobi-grande.
- A 18 de setembro as tropas paraguaias em Uruguaiana, cercadas por tropas aliadas, se
rendem sem esboçar reação.
- A 25 de setembro as tropas aliadas de Mandissobi-grande se deslocam para Mercedez, aonde
chegam a 20 de outubro. Em Mercedez as tropas chegam ao efetivo de 22 mil brasileiros, 4
mil uruguaios e 11 mil argentinos.
- A 11 de novembro é reiniciada a marcha do Exército, cujo objetivo era atingir o Passo da
Pátria. No deslocamento as tropas brasileiras permanecem 51 dias acampados em Lagoa
Brava.
Ano de 1866
- A 11 de fevereiro as tropas brasileiras passam a ocupar novo acampamento em Tala-Corá.
- A 10 de março o efetivo do 1º Corpo de Exército Brasileiro, após os recompletamentos,
atinge pouco mais de 33 mil homens. Osório conclui a preparação e a organização do corpo.
Foram quase mil Km de marcha desde Montevidéu durante quase um ano, em que se
aproveitou para realizar a reestruturação de praticamente um novo exército, o qual estava
prestes a combater, agora em solo paraguaio. No mesmo mês de março o Exército atinge o
Passo da Pátria, ficando de frente ao território paraguaio, separado apenas pelo rio Paraná.
- A 6 de abril, visando à transposição do rio Paraná, as tropas ocupam a Ilha da Redención,
em frente ao Forte Itapirú, na margem oposta do rio.
- A 16 de abril, após intenso bombardeio da esquadra naval e pela artilharia aliada nas
posições na Ilha de Vilagran-Cabrita, que passa a ser chamada a Ilha de Redención, após a
morte em combate do Tenente Coronel de mesmo nome e futuro patrono da arma de
engenharia naquele local, é iniciada a transposição do rio.
- A 18 de abril o Forte de Itapirú é ocupado. Em seguida as tropas de Solano Lopes
abandonam o Passo da Pátria (23 de abril) e se deslocam para Estero Bellaco.
- A 2 de maio ocorre o Combate de Estero Bellaco, quando os paraguaios somam perdas de 3
mil homens, entre mortos, feridos e prisioneiros.

Fonte: Historia Militar do Brasil – Academia Militar das Agulhas Negras


Fonte: Mallet – Patrono da Artilharia d e J.V. Portella Ferreira Alves
- A 20 de maio o Exército Aliado reinicia o movimento.
- A 24 de maio ocorre a Batalha de Tuiuti, considerada a mais sangrenta de toda a guerra,
tendo a Cavalaria Brasileira combatido quase toda a pé por falta de montaria. Os paraguaios
tiveram 13 mil baixas, entre mortos e feridos, enquanto que 3 mil e 900 são as baixas aliadas.
A partir de Tuiuti, Solano Lopes perde a sua capacidade ofensiva.
- Após a vitória de Tuiuti, os aliados praticamente paralisaram as operações, visando apenas o
recompletamento de pessoal, material e cavalos. Osório, muito doente, se afasta do comando
e recolhe-se ao Rio Grande do Sul.
- Em agosto chega ao Teatro de Operações o 2º Corpo do Exército Brasileiro, ao comando do
Barão de Porto Alegre, completando a ocupação da área de Itapiru.
- A 22 de setembro os aliados conquistam a posição fortificada de Curuzú, mas na
continuação da ação sofrem a primeira derrota ao tentarem conquistar a Fortaleza de
Curupaití, distante apenas 2 km de Curuzú.
- Inicia um novo período de paralisação das operações, só reiniciado em 21 de julho do ano
seguinte.
- A 10 de outubro Caxias é nomeado Comandante em Chefe de todo o efetivo brasileiro,
assumindo o comando a 18 de novembro.
- O General Osório, que se restabelecia no Rio Grande do Sul, começa a organizar o 3º Corpo
de Exército.

Ano de 1867
- A 23 de março, com o 3º Corpo formado, Osório começa a transpor o rio Uruguai e
prossegue para o Paraguai, a fim de se juntar ao 1º e 2º Corpos de Exército.
- A 22 de julho é reiniciado o movimento do Exército para o norte.
- A 31 de julho é rompida a linha de Estero Bellaco, estacionando em Tuyu-Cuê o 1º e o 3º
Corpo de Exército, respectivamente ao comando do General Argolo e Osório, enquanto que o
2º Corpo do Barão de Porto Alegre guarnece as posições de Tuiuti e Passo da Pátria.
- A 15 de agosto a esquadra transpõe Curupaiti, fundeando-se próximo à Fortaleza de
Humaitá.
- Em setembro inicia-se uma série de incursões e reconhecimentos objetivando a conquista de
Humaitá. Nessas ações a Cavalaria brasileira tem destacada atuação, chegando as tropas a
atingir Pillar, realizando alguns combates importantes como o de Potrero Ovelha.
- A 2 de novembro os aliados apossam-se de Tayi.

Ano de 1868
- A 19 de fevereiro a Esquadra força a passagem por Humaitá chegando a Tayi. Em face desta
ação a capital do Paraguai é trocada para Luque.
- A 21 de março um ataque força o abandono de Curupaiti.
- A 25 de julho as tropas de Osório penetram na Fortaleza de Humaitá, permitindo finalmente
aos aliados avançar para o norte em direção a Assunção.
- A 19 de agosto é reiniciada a marcha para o norte, ficando o 2º Corpo guarnecendo Humaitá.
- A 6 de setembro a maior parte do Exército se estabelece na margem norte do rio Tebiquary.
- A 25 de setembro as tropas acampam em Palmas, ficando próximas as linhas fortificadas de
Piquiciri.
- Diante da extrema dificuldade de um ataque frontal ou ao flanco direito dos paraguaios,
Caxias manda construir a Estrada do Chaco, numa extensão de 10 km.
- A 27 de outubro a estrada ficava pronta. Caxias faz os reconhecimentos para a travessia nos
dias 4, 17, 20 e 23.
- No início de dezembro a estrada é utilizada dando início à manobra contra a retaguarda dos
paraguaios, quando vão ocorrer vários combates ainda nesse mês, ofensiva que acabou
ficando conhecida como “Dezembrada”.
- A 6 de dezembro ocorrem os combates junto à ponte de Itororó.
- A 11 os exércitos paraguaios e aliados se enfrentam no corte do arroio Avaí, como ficou
conhecida essa batalha.
- Após a Batalha de Avaí as tropas aliadas seguem para Villeta onde acampam.
- No dia 21 é iniciada a marcha em direção a Itá-Ibaté e no mesmo dia é isolada a posição
fortificada de Angustura.
- A 30 de dezembro, após resistência paraguaia, Angustura se rende. Estava assegurado o
caminho para Assunção.
Ano de 1869
- A 5 de janeiro Caxias ocupa Assunção.
- A 19 de janeiro Caxias muito doente retira-se do Teatro de Operações.
- A 3 de fevereiro é restabelecida a ligação fluvial com o Mato Grosso.
- A 22 de março é nomeado o Conde D'Eu, como novo Comandante de todas as forças em
operações, assumindo a função em meados do mês de abril.
- Em agosto inicia-se a manobra do Peribebuy, visando à perseguição ao restante do exército
de Solano Lopes.
- A 12 de agosto é atacada e conquistada a posição fortificada de Peribebuy; Lopes retira-se
para Caraguatay.
- A 16 de agosto os aliados retomam contato com o inimigo, quando é travada a Batalha de
Campo Grande (Acosta Ñu ou Acosta Nhu).
- A 18 de agosto é retomada a perseguição, travando-se o Combate de Caraguatay.
- A 16 de outubro as tropas, continuando a perseguição, atingem San Estanislau e prosseguem
na esteira das tropas remanescentes de Solano Lopes, que cada vez mais adentram para o
interior do Paraguai.
- A perseguição prossegue no restante do ano de 1869.

Ano de 1870
- A 8 de fevereiro as tropas aliadas atingem Cerro-Corá.
- A 1º de março os aliados realizam o ataque final contra os últimos combatentes paraguaios,
entre eles Solano Lopes. Estava terminada a guerra.

Atuação do 3º Regimento de Cavalaria Ligeira

A participação do 3º RCL foi levantada com base nas Fé-de-Ofício, encontradas no


Arquivo Histórico do Exército, dos seguintes oficiais em ordem alfabética: Adolpho Sebastião
de Athayde; Antonio Fernandes da Fonseca Azambuja; Antonio Leite Brasil; Antonio Peixoto
de Azevedo; Augusto Cezar de Araújo Bastos; Bernardino Rodrigues de Mesquita; Cezar
Augusto Brandão; Crispim Alves Jardim; Dionizio José Oliveira; João Baptista de Almeida;
João Carneiro da Fontoura Menna Barreto; João Rodrigues Benfica; Joaquim da Rocha e
Souza; José Diogo dos Reis; Justiniano Sabino da Rocha; Leopoldo Augusto Ferreira e
Wencesláo José de Oliveira.
Para identificar com maior clareza a participação da unidade na Guerra da Tríplice
Aliança com base nas Fé-de-Ofício, transcrevemos uma delas, no caso a do capitão Adolpho
Sebastião de Athayde:

Nasceu 1826 - natural de Montevideo praça voluntário a 6


agosto 1841. Foi promovido a Tenente para o 3º RCL, em 1854.
nomeado assistente do Deputado do QG junto ao Cmdo da Divisão
Imperial Auxiliadora. Marchou da fronteira de Bagé para a Província
do Uruguay em inspeção da mesma Divisão em 25 de maio. 1855. Em
25 março regressou com a Divisão ao Rio Grande do Sul em 30
dezembro. 1856. Achando-se no Piquete do Barão de Caçapava
seguiu para a corte. Trancou matrícula Escola Militar (Rio Pardo)
apresentação 15 out e tomou Cmdo 3ª Cia. Marchou com o regimento
do Passo do Baptista para São Borja, em dezembro. 1858. Marchou
do Passo do Baptista para o de Silvestre a fim de fazer parte do
Corpo do Exército de Observação em 7 fevereiro. Marchou com o
Regimento do Pirahy-Grande em 25 abril. Sahio em diligência a 17
julho. Recolha-se a 14 agosto. 1859, 1860, 1861. Foi para o 6º RC.
1865. Addido ao 3º RCL transpôs com o Exército o rio Uruguay para
a confederação Argentina no dia 24. Transferido para 4ª Brigada.
Apresentou-se ao 3º RCL (fev 1866) 4ª Cia. 1867. 27 março
reapresentou-se no Regimento. Marchou com o Regimento ao Passo
da Pátria a 14 julho na 1ª Div Cav fazendo a Vanguarda do 3º Corpo
do Exército tomando parte no reconhecimento do Passo Puhy, em 22
e no combate dado pela vanguarda do Exército em 31, tudo do
referido mez de julho. Em Tuyu-Cuê bem como nos reconhecimentos
feitos sua força nas imediações de São Solano, em dezembro, 20 e 26
agosto. Com 1º Div Cav tomou também parte nos combates de 6
setembro, a 21 outubro nas imediações de São Solano e Fortaleza
Humaitá, de 29 do dito mez no Potreiral Ovelha. Pela Ordem do Dia
Cmdo Chefe, nº 144 foi elogiado por ter sido seu nome contemplado
na parte desse Regimento, como um dos que mais distinguio naquelle
combate de 21. Por ordem do Exmo Sr. Gen. Barão do Triumpho Cmt
2ª Div Cav, foi elogiado em Ordem Regimental nº 149 pelo bem que se
portou no referido combate. [...]
Tomou parte com o Regimento no combate de 21 do dito mez
em Tayi. 1868. Assistio com o Regimento o reconhecimento forçado
feito pelo Terceiro Corpo no entrincheiramento inimigo, debaixo de
um rigorozo fogo de artilharia no lugar denominado Passo-Pocú, em
26 março. Marchou com o regimento com o Exército de Tuyu-Cuê
para Parecuê em 5 de abril, onde acampou no mesmo dia e assistio
aos diversos bombardeios feitos pelas baterias inimigas do Humaitá,
quando de 3 em 3 dias o Regimento fazia prontidão nas linhas. Pela
lembrança do 3º Corpo do Exército de 12 de julho foi nomeado Major
em Comissão passando a fiscalizar o Regimento. Marchou com o
Exército de Pare-Cuê em 18 agosto, transpoz o rio Tibiquary em 18
setembro e a 25 do mesmo, acampou com o Exército no Porto das
Palmas, junto ao arroio Suruby assistio os reconhecimentos feitos
sobre o Forte Angustura em 1º e 28 outubro. Transpoz o rio Paraguay
para o Chaco em 3 dezembro e vice-versa em 11 assistindo a Batalha
em Avahy. Fez parte da expedição do Exmo. Gen. Sr. João Manoel
Menna Barreto, que marchou para Capiatá e Asseguá em 17, assumio
o comando do Regimento em 18, tomando parte nos combates de 20 e
26 nas linhas de Piquisery, assistio aos bombardeios de 25 e tomou
parte nos combates de 27 em Lomas Valentinas e na rendição dos
Paraguayos no Forte de Angustura, em 30, tudo dezembro. 1869. Está
compreendido no louvor que sua Majestade e Imperador, mandou
fazer aos que contribuiram para os brilhantes feitos d'armas de 21 e
27 dezembro 1868, publicado na Ordem do Diado Cmdo em Chefe, nº
274 de 31 janeiro 1869. Sua majestade o imperador por Aviso do
Ministério de Guerra de 29 dezembro ainda daquelle anno, publicado
na Ordem do Dia do Cmdo Chefe Interino, determinou que o mesmo
cmdo em Chefe houvesse em seu Imperial nome, por ter tomado parte
na referida Batalha de 11 dezembro, do referido ano de 1868. Foi
agraciado com Medalha de Mérito Militar creada pelo Decreto nº
4.181 de 28 março 1869, pelos reiterados actos de bravura praticados
em dias de combate, como fez publico a Ordem do Dia do Cmt Chefe
Interino. Passou a comandar o Regimento em 26 agosto por ordem
superior cujo comando deixou a 5 outubro. Seguio doente para
Assunção. 1870. Recolheu-se ao Regimento vindo da Corte a 27, dia
que assumio a fiscalização do mesmo. 1871. Foi classificado no
comando da 4ª Cia 2º RCL.

Ano de 1865
Março de 1865
- O 3º RCL, agora com 312 combatentes e compondo as forças de Osório, segue para a nova
campanha. Osório escreve ao Ministro da Guerra em 1º de março de 1865, relatando a
situação da cavalaria, que estava em marcha pelo território uruguaio:

As quatro Brigadas de Cavalaria protegidas por um Batalhão


de Infantaria estão em marcha para o Rincão do Albano em Santa
Luzia com o fim de collocarem alli em bons pastos, as cavalhadas e
bois que nos restam em muito máo estado, por magros, indo
comandando essa força o Brigadeiro José Luiz Menna Barreto.

Maio de 1865
- A marcha da cavalaria pelo território uruguaio, na qual o 3º RCL fazia parte, é descrita pelo
General Osório em outra carta ao Ministro da Guerra de 27 de maio de 1865:

A Cavalaria do Exército em número de 2.600 homens, que


estavam acampados em Santa Luzia marchou com 70 carretas de
transporte a atravessar o rio Negro, no Passo do Navarro, sendo esta
colunna comandada pelo Brigadeiro José Luiz Menna Barreto. Partio
d’alli a 8 do corrente. A tropa fardada e paga de pret levou
fornecimento para a marcha. Infelizmente também levou com 100
doentes, a maior parte de typho, que se desenvolvia em dois corpos de
cavalaria. Aquella coluna tem marchado lentamente, porque as
cavalhadas estavam em mao estado, pelo facto notável de não haver
pasto ao sul do Rio Negro, conseqüência da fatal seca que houve no
verão e do frio e chuvas que repentinamente substituíram o immenso
calor [...] Deos Guarde a VExa - Quartel General do Comando em
Chefe do Exército em Operações a bordo do Vapor “Princeza de
Joinvile”. 27 Mai 1865. (Livro “Osório” de Fernando Osório)

Junho de 1865
- A 22 o Regimento chega a Daiman, onde se encontrava o Exército Imperial Brasileiro, a
comando de Osório. O trajeto foi demorado devido a muitas chuvas, aos arroios cheios e a
fraqueza da cavalhada.
- Foi mandado servir adido ao 3º RCL o Capitão do 2º RCL Adolpho Sebastião de Athayde
(Ordem do Dia nº 44, de 25 Jun 1865, QG Arroio Daiman) cuja transcrição de sua Fé-de-
Oficio a fizemos neste capítulo. Na mesma Ordem do Dia foi mandado servir adido no 2º
RCL o Capitão do 3º RCL, Izidoro Fernandes de Oliveira.

Julho de 1865
- A 20 o Regimento passa para a Província de Entre-Rios, na República da Argentina, fazendo
parte do Exército em operações contra a República do Paraguai. No deslocamento do 1º
Corpo do Exército, o Gen Osório, em sua missão de organizar as tropas, manda oficiais e
sargentos do 3º RCL para serem instrutores de outros corpos de tropa, particularmente da
Brigada de Voluntários do General Neto.

Agosto de 1865
- O Gen Osório na Ordem do Dia nº 71 do dia 4, no Quartel General em Ayny, faz uma
citação elogiosa a um militar do 3º RCL:

Aprecia e louva a dedicação que para o serviço da Pátria,


manifesto o Clarim Mor do 3º Regimento de Cavalaria Ligeira,
Feliciano dos Santos e o Anspeçada Emilio Francisco dos Santos do
12º Batalhão de Infantaria, os quais tendo sido julgados incapazes do
serviço activo, pedem contudo para continuar no Exército fazendo
serviço moderado, até que na primeira batalha possam mostrar que
são capazes a grandes esforços em um dia que deve ser certamente
ser de glória para o Brazil.

- Ainda no mês de agosto o Gen Osório manda o capitão Izidoro Fernandes de Oliveira e o
Ten João Batista de Almeida, ambos do 3º RCL, para serem respectivamente o Fiscal e
Ajudante do 1º Corpo de Cavalaria da Brigada Ligeira de Voluntários do Brigadeiro
Honorário Souza Neto, o qual estava formando sua tropa durante o deslocamento para o
Paraguai. (Ordem do Dia nº 71, de 4 de agosto de 1865, QG e Comando do Exército em
Operações em Ayny)

Setembro de 1865
- A 18 o Regimento assiste, acampado em Mandissobi-Grande, a rendição dos paraguaios em
Uruguaiana.
- A 27 o regimento, na marcha contra a República do Paraguai, passa da Província de Entre-
Rios para Corrientes.
- Achando-se extremamente desfalcados os regimentos de cavalaria ligeira (2º, 3º, 4º e 5º),
que fazem parte do Exército na marcha para o Paraguai, o Gen Osório determina transferir as
praças do 4º para o 2º Regimento e do 5º para o 3º RCL. Determinou ainda que os cascos do
4º e 5º Regimento se recolhessem à Província do Rio Grande do Sul (Ordem do Dia nº 93, de
8 Set 1865, do Comando em Chefe do Exército em Operações em Queguaysito).
Com essa medida os únicos regimentos de cavalaria de 1ª Linha que vão atuar na
Guerra do Paraguai serão o 2º e o 3º RCL. A decisão do Gen Osório talvez tivesse tido um
peso sentimental, pois tendo que escolher duas Unidades para permanecer, optou pelo 2º, o
qual havia comandado, e pelo 3º RCL, unidade em que incorporou ao Exército no ano de
1823. Quanto ao que restou do 4º e 5º RCL, esses voltaram ao Rio Grande e incorporaram-se
depois ao 2º Corpo de Exército do Conde de Porto Alegre. Esse corpo do Conde será
organizado com quatro unidades de cavalaria, que mais tarde irão para os campos do
Paraguai.
Dezembro de 1865
- O Capitão Izidoro Fernandes de Oliveira é exonerado da função de Fiscal do 1º Corpo da
Brigada do Gen Souza Neto, retornando ao regimento (Ordem do Dia nº 109 de 13 Dez 1865,
do Comando em Chefe do Exército em Operações, junto ao Riachuelo).
Ano de 1866
Janeiro de 1866
- A 6 é transferido para o 3º RCL o Ten Cel Antonio Peixoto de Azevedo, nomeado pela
Ordem do Dia nº 497 de 25 de janeiro de 1866.

Fevereiro de 1866
- Ocorrem as promoções para coronel comandante do Ten Cel Antonio Peixoto de Azevedo e
para Ten Cel, o Major Carlos Betbzé de Oliveira Nery. Também ocorrem as promoções do
capitão Chispim Alves Jardim para a 7ª Cia e do capitão João Frederico Homem de Carvalho,
para a 2ª companhia. Para Alferes da arma o sargento ajudante Vasco Pereira das Neves, o
sargento quartel-mestre Luiz Lopes de Souza, os 1º sargentos Joaquim da Rocha e Souza e
Carlos Muniz de Andrade Neves e Boaventura Senandes, todos do 3º RCL (Ordem do Dia nº
64, de 16 Fev 1866, do Comando em Chefe do Exército em Operações, na Vila de São Borja).
- Ainda no mês de fevereiro é nomeado para comandar interinamente o 3º RCL, o Ten Cel do
5º Corpo de Caçadores a Cavalo, Augusto Cezar de Araújo Bastos. (Ordem do Dia nº 130, de
19 Fev 1866, do Comando em Chefe do Exército em Operações, acampamento em Tala-
Corá).

Março de 1866
- A 12 é nomeado o Capitão Wencesláo José de Oliveira para comandar interinamente o 3º
RCL, assumindo o comando no dia seguinte.

Abril de 1866
- A 15 o Capitão do 3º RCL Izidoro Fernandes de Oliveira passa a servir as ordens do General
em Chefe (nomeação pela OD nº 154 de 17 de maio de 1866), em decorrência assume o
comando do regimento o capitão Wenceslao José de Oliveira.
- A 25 a unidade transpôs o rio Paraná, entrando em território paraguaio.

Maio de 1866
- A 2 o regimento toma parte no Combate de Estero Belaco, tendo como ferido o soldado José
Maria Pereira Forte e contuso o furriel Mariano Salaio Pinto. (Ordem do Dia 523 de 25 de
julho de 1866 da Repartição de Ajudante General)
- A 20 marcha com o Exército e toma posição nos campos de Tuiuty.
- A 24 toma parte na memorável batalha ali ocorrida, estando enquadrada pela 1ª Divisão e
pela 1ª Brigada de Cavalaria. Pela destacada atuação, vários militares do regimento foram
condecorados com a Ordem de Cristo. Comandava o 3º e o fiscalizava respectivamente, os
capitães Wencesláo José de Oliveira e Manoel José de Azevedo.
- Após a Batalha de Tuiuty, na qual tiveram do Brasil, 425 mortos, 2192 feridos e 127
contusos, o Comandante do Exército ordena para que todos os comandos relatassem os
combates. Pelos mesmos podemos verificar a descrição da batalha e a atuação do 3º RCL:

Parte de Combate do Comandante da 1ª Divisão de Cavalaria:

“Tenho a honra de levar ao conhecimento de Vossa


Excelência que, tendo a Divisão sob meu comando composta da 1ª e
4ª Brigadas de tomar posição a frente do inimigo que atacava o flanco
esquerdo do Exército no combate effetuado no dia 24 do corrente das
11 mais ou menos da manhã às 5 e meia da tarde, muito me lisongeou
o comportamento de meus comandandos na lucta que tivemos.
Fazendo avançar a 1ª Brigada ao mando do Ten Cel Augusto Cezar
de Araújo Bastos sobre o flanco direito da força inimiga que nos
atacava com vivo fogo, essa carregou com tanta bravura que o fez
retroceder procurando ele em sua retirada tomar nova posição na
costa do mato: porém embalde, por isso que, sempre com denodo
carregava esta Brigada não só devido a bravura dos soldados como a
energia dos officiaes que os comandavam [...]
[...] o denodo com que se apresentarão na frente dos corpos
que comandão o Major de Comissão Justiniano Sabino da Rocha do
2º Regimento, e Capitão Wencesláo José de Oliveira, torna-os dignos
das attenções de V.Exc. [...]
Junto achará V.Exc. as partes dadas pelos comandantes da 1ª
e 4ª Brigadas, bem assim dos corpos das mesmas acompanhadas das
relações dos feridos e mortos em combate, com declaração dos
officiaes e praças que se distinguirão. Deos Guarda V.Exc. José Luiz
Menna Barreto” (Ordem do Dia nº 2, de 19 de junho de 1866, do
Comando em Chefe do Exército em Operações, acampamento na
República do Paraguai, em Tuiuty)

Parte de Combate do Comandante da 1ª Brigada de Cavalaria:

“Havendo a Brigada de meu comando armada à infantaria,


tomado parte activa na batalha que teve lugar no dia 24 do corrente
das 11 horas mais ou menos, até as 5 e meia da tarde do mesmo dia;
[...] tendo eu recebido ordem de V.Exc. para avançar e atacar o
flanco direito do inimigo, que audaciosamente avançava pelo nosso
flanco esquerdo, assim o cumpri fazendo avançar pela estrada entre o
banhado, e o mato que fronteia nossa esquerda, até as posições
inimigas, e tive a satisfação de presenciar que os senhores
commandantes, officiaes e praças dos corpos se portarão bem
cumprindo seus deveres, e repelindo com dignidade e valor o inimigo,
que nos faziam vivo fogo de fuzilaria e artilharia, conforme foi por
V.Exc. presenciado, tomando-lhe nessa jornada uma peça de
artilharia de campanha, que tive a honra mandar a V.Exc. pelo 2º
Cadete 1º Sgt do 3º Regimento de Cavallaria Ligeira Elói Rodrigues
de Menezes e Almeida, que com outras praças, se-me apresentou com
ella na ocasião do conflicto.
Tornão-se dignos pelo seu valor e sangue frio [...] o Major
comandante do 2º Regimento Justiniano Sabino da Rocha e o Capitão
Wencesláo José de Oliveira, commandante interino do 3º Regimento;
também se portarão bem o Capitão do 3º Regimento José Diogo dos
Reis, Tenente Joaquim José Baptista, Alferes Pedro Pereira de
Magalhães e Francisco Manoel de Azevedo, do 5º Corpo de
Caçadores a Cavalo; [...] Tenente do 3º Regimento de Cavallaria
Ligeira Victor Tavares Leria que ainda ferido levemente, no começo
do combate, se conservarão em seus postos até o fim delle. [...]
Alferes do 3º Regimento Benjamim Pereira Monteiro [...] o Tenente
do 5º Corpo de Caçadores a Cavallo Addido ao 3º Regimento Luiz
José da Fonseca Ramos, que também desempenhou e cumprio seus
deveres com dignidade, sangue frio e presteza. [...]
Esta Brigada teve entre mortos e feridos fôra de combate 96
praças, sendo: 11 officiaes e 85 praças de Pret, entre estas, sargentos,
cabos, soldados e clarins. Deos Guarda V.Exc. Augusto Cezar de
Araújo Bastos. (Ordem do Dia nº 156, de 28 de maio de 1866, do QG
do Comando em Chefe do 1º Corpo do Exército em Operações,
acampamento em Tuiuti)

Parte de Combate do Comandante do 3º RCL:

“Cumprindo a ordem VS. Junto remeto a relação dos mortos


e feridos no combate de 24 de maio.
Cumpre-me mais declarar que os Srs. Officiaes e praças do
regimento do meu comando, desempenharão satisfactoriamente seus
deveres, tornando-se digno de menção o Tenente Victor Tavares
Leiria que ferido no princípio do combate, se manteve até o fim do
mesmo no comando de seu meio esquadrão; igualmente o 2º Cadete 1º
Sargento Eloy Rodrigues de Menezes que com denodo e coragem
acompanhado de algumas praças se apossou de uma peça do inimigo
conduzindo-a a apresenta-la ao Exmo Sr. General Comandante da
Divisão .
O 2º cadete 1º Sargento Manoel Alves d’Azevedo Junior e
Soldado Francisco da Cruz Costa que acto do fogo mais activo
estraviarão-se do Regimento, encorporando-se ao 1º Corpo de
Cavalaria de Guardas Nacionaes, comandante d’este declara que se
portarão durante o fogo com valor; é o que se me oferece informar,
certo de que V.S. bem testemunhou todo o occorrido durante o
supradito combate. Deos Guarde a V.S. Wencesláo José de Oliveira,
Comandante interino do 3º Regimento.
(Ordem do Dia nº 156, de 28 de maio de 1866, do QG do Comando
em Chefe do 1º Corpo do Exército em Operações, acampamento em
Tuiuti).

Relação de mortos e feridos do 3º RCL em Tuiuty:


Mortos: Soldados Libanio José da Silva e Feliciano Goulart Antunes
de Azevedo; Clarim Manoel Virgilio.
Feridos: Tenente Victor Tavares Leiria; Alferes Romualdo de
Mattos Telles de Menezes; 2º Cadete 2º Sargento Theofilo
Alves de Menezes; Cabo Delfino Rodrigues; Anspeçada
Joaquim Serino de Bastos; Soldados Guilherme Joaquim
Pereira; Jacintho de Paulo Policarpo; Clairimundo
Francisco de Avila Pereira; José Antonio Candido da Silva;
Feliciano José do Nascimento; Antonio Siqueira Gulart,
Angelo Machado; Hypolito da Cruz Mota; Manuel José
Rodrigues; Manoel Antonio de Oliveira; João Pires de
Almeida; José Martins Ignacio Carlos; Clementino Biche;
Geraldo Mathias da Silva e Manoel Justiniano de Oliveira.
(Ordem do Dia nº 525 de julho de 1866, da repartição do ajudante do general)

Junho de 1866
- A 27, após 3 meses e 15 dias, deixa o comando interino do regimento o capitão Wencesláo
José de Oliveira, por estar doente, baixando ao hospital militar, tendo regressado à Província
do Rio Grande do Sul em seguida.
Julho de 1866
- A 16 o regimento participa do Combate de Potrero Pires, o qual foi descrito pelo General
Menna Barreto, comandante da 2ª Divisão e pelo major Izidoro Fernandes de Oliveira,
comandante do 3º RCL, em suas respectivas Partes de Combate. As mesmas foram
encaminhadas ao marechal de campo Polydoro da Fonseca Quintanilha Jordão, comandante
em Chefe do Exército Imperial, o qual substituía o Gen Osório, que após a batalha de Tuiuti
(24 de maio), doente, recolhera-se ao Rio Grande do Sul. As partes de combate foram
publicadas na Ordem do Dia 646 de 31 de outubro de 1868 da Repartição de Ajudante
General.
Nesse combate, o 3º RCL teve contuso o alferes João José da Rocha (Ordem do Dia
658, de 31 de dezembro de 1868, da Repartição de Ajudante General)

Parte do Comandante da 2ª Divisão de Cavalaria:

[...] Recebi ordem de VExa, para ir occupar o fundo do


Potreiro Pires e evitar uma invasão qualquer de forças inimigas que
por ventura tentasse atacar esse ponto, o que dei logo cumprimento
conservando-me nesse lugar até uma hora da tarde pouco mais ou
menos, quando fui prevenido pelo Exmo Snr General D. Venâncio
Flores para que atacasse pela picada, direita do inimigo [...].
As quatro horas da tarde tendo apparecido uma força sobre a
matta do flanco esquerdo mandei que o 3º Regimento sob o
commando do Snr Major Izidoro Fernandes de Oliveira fosse
reconhecê-la e encontrando-a levou o inimigo, até suas posições
tendo também algumas praças fóra de combate. [...]
Incluso achará VExa as partes e relações dos a que acima me
referi dos mortos e feridos.
Deos Guarde a V. Exc. - José Luiz Menna Barreto,
Brigadeiro.

Parte de Combate do Comandante do 3º RCL:

Tendo hontem as quatro horas da tarde marchado com o


Regimento sob meu commando por ordem do Exm. Sr. General José
Luiz Menna Barreto commandante da 2ª Divisão, para reconhecer a
força inimiga que vinha sobre o flanco esquerdo no Potreiro Pires:
cumpri-me declarar que assim o fiz, penetrando o matto por uma
estreita picada de mais de um quarto de légoa de extensão, e isto
debaixo de repetido fogo de artilharia, fuzilaria, e foguetes a
congreve, do que resultou a morte de um soldado e o ferimento de três
officiaes inferiores, e quatro soldados, retirando-me ao anoitecer de
ordem do mesmo Exm. Sr. General Commandante da Divisão, para
um outro ponto no dito Potreiro.
Me é lisongeiro asseverar que muito me satisfez o
comportamento dos Srs Officiaes, inferiores e mais praças do
Regimento pelo valor, e intrepidez que mostarão durante o fogo.
Acampamnento em Tuyuty, 17 de julho de 1866. - Izidoro
Fernandes de Oliveira Major Commandante.

- A 18, após o Combate de Potreiro Pires, o regimento marcha fazendo parte da vanguarda do
Exército de Tuiuty para Tuyu-Cuê, participando do Combate de Potreiro Sauce, cuja parte de
combate e a relação de mortos e feridos foi transcrita na ordem do dia nº 652 de 27 de
novembro de 1868 da Repartição de Ajudante General.

Relação de mortos e feridos do 3º RCL:


Mortos: Capitão João Elisiário Brandão de Lima (adido ao 3º RCL);
Soldado Manuel Antônio dos Santos; Soldado Feliciano
Gonçalves Prestes.
Feridos: Major Izidoro Fernando de Olivera; Capitão José Diogo dos
Reis; Alferes Pedro Pereira de Magalhães; Alferes João José
da Rocha.
Contusos: Alferes Antônio Fernandes da Fonseca Azambuja;
Boaventura Senandes. (O grifo é nosso)
(Ordem do Dia nº 658 de 31 de dezembro de 1868, da Repartição de Ajudante General)

Parte de Combate do Comandante da 1ª Brigada:

Em consequência da ordem que recebi de V. Exa no dia 8 do


corrente, para, com a brigada sob meu commando atacar o flanco
direito do entrincheiramento inimigo, passo ás mãos de V. Exa as
inclusas partes dos commandantes dos corpos da mesma brigada,
relativos ao mesmo ataque. Tenho a satisfação de communicar a V.
Exa que os commandantes, officiaes e mais praças dos mesmo corpos,
souberam ainda uma vez cumprir com dever de soldados briosos e
valentes, carregando intrepidamente sobre a forte trincheira do
inimigo, não obstante o mortífero fogo de artilharia, fuzilaria e
foguetes á congreve que da mesma nos era dirigido, resultando em
consequencia serem feridos: [...] gravemente o valente e intrepido
Major Isidoro Fernandes de Oliveira, cammandante do 3º Regimento
de Cavalaria Ligeira,[...] Alferes Pedro Pereira de Magalhães, do 3º
Regimento, e morto sobre a trincheira inimiga o bravo e intrepido
Capitão João Elisiario Brandão de Lima do 5º Corpo de Caçadores a
cavallo addido ao 3º Regimento [...]
Deus guarde V. Exa – Acampamnento em Tuyuty 19 de julho
de 1866 – Illm. e Exm. Sr. General José Luiz Menna Barreto,
commandante da 2ª Divisão. - Augusto Cesar de Araujo Bastos,
Tenente Coronel Commandante da 1ª Brigada.
(OD nº 652 de 27 nov 1868, da Repartição de Ajudante General)
Parte de Combate do Comandante do 3º RCL:

Tendo tido ordem no dia 18 do corrente, ás 10 horas da


manhã, para atacar com o regimento sob meu commando o flanco do
entrincheiramento do inimigo, cumpre-me declarar que assim
procedi, portando-se os officiaes e mais praças do regimento com
valor e intrepidez durante o renhido fogo do inimigo, pelo qual fui
gravemente ferido de uma bala de metralhadora na coxa da perna
direita, cujo ferimento, assim como de outros officiaes, e mais praças
constão das relações e attestados junto. Tornão-se dignos de menção,
por terem sobresahido a todos os mais officiaes em valor, intrepidez e
sangue frio, os Srs. tenente Dionisio José de Oliveira, alferes Julio
Mariano da Silva, Boaventura Senandes, que foi contuso, Antonio
Leite Brasil, e Pedro Pereira de Magalhães, que foi gravemente ferido
com o braço direito.
Tenho de lamentar, com maior pezar, a perda do capitão
João Elisiario Brandão de Lima, que, tendo se portado com valor,
coragem e sangue frio, foi morto quasi debaixo das trincheiras do
inimigo.
Acampamento em Tuyuty na república do Paraguay 19 de
julho de 1866. - Isidoro Fernandes de Oliveira, major commandante
interino.
(OD nº 652 de 27 nov 1868, da Repartição de Ajudante General)

- A 26 assume o comando interino o Ten Cel Augusto Cezar de Araújo Bastos, marchando
com o regimento do acampamento de Tuiuty para o do Passo da Pátria no mesmo dia.
- A 31 a unidade chega a Tuyu-Cuê, assistindo ao combate do mesmo dia.

Agosto de 1866
- Assume o comando do regimento o major Justiniano Sabino da Rocha.
- A 3 o 3º RCL participa do reconhecimento e ao combate do mesmo dia junto a Sanga Turva
(entroncação).

Setembro de 1866
- Nesse mês pela Ordem do Dia nº 6, de 15 de setembro de 1866, QG em Tuiuty, é nomeado o
Ten Cel Augusto Cezar de Araújo Bastos para comandar o 3º RCL e o major João Antonio de
Magalhães para fiscalizá-lo.
- A 3º fazendo parte das forças, sob o comando do general uruguaio Venâncio Flores, marcha
nos dias 4, 17, 22 e 23, fins de realizar o reconhecimento das posições ocupadas pelos
paraguaios no seu flanco esquerdo.

Outubro de 1866
- A 14 deixa o comando do 3º RCL, o Ten Cel Augusto Cezar de Araújo Bastos, para assumir
o da 1ª Brigada de Cavalaria no mesmo dia, reassumindo o comando do regimento a 18.

Ano de 1867
Janeiro de 1867
- A 11 é excluído do regimento, por ter falecido na mesma data no acampamento do 2º Corpo
de Exército, o coronel Antonio Peixoto de Azevedo, o qual comandava o 3º RCL, conforme
publicado na Ordem do Dia nº 29 de 16 de janeiro do mesmo ano, do Comando em Chefe do
Exército, QG em Tuyuti.
- A 23 deixa o comando interino do 3º RCL, o qual o exercia desde 26 de julho do ano
anterior, para assumir o comando da 1ª Brigada, o Ten Cel Augusto Cezar de Araújo Bastos.

Abril de 1867
- A 13 de abril é nomeado comandante do regimento o major Justiniano Sabino da Rocha.

Junho de 1867
- Nesse mês são promovidos por antiguidade a coronel efetivo o coronel graduado José
Ferreira da Silva Junior para o 3º RCL, como também o capitão Placido Fialho de Oliveira
Ramoso do 4º Corpo de Caçadores para a 7ª Cia do regimento, por atos de bravura (Ordem do
Dia nº 551 de 5 de junho de 1867 da Repartição de Ajudante General)

Julho de 1867
- Retorna ao regimento, por restabelecimento de sua saúde, o capitão Wencesláo José de
Oliveira, o qual comandou a Unidade na Batalha de Tuiuti, assumindo a Fiscalização (Ordem
do Dia nº 106 de 29 Jul 1867, QG do Comando em Chefe, em marcha, acampamento em
Negretti).

Agosto de 1867
- A 3 o regimento manda uma força que fez parte do reconhecimento em direção a Vila do
Pillar, até a margem esquerda do rio Tebicuari, tomando parte no ataque desse mesmo dia em
Penimbu - Arroyo Hondo.
- A 6 a Unidade participa do combate na ponte nas imediações de Curupaiti.

Setembro de 1867
- A 6 o regimento participa dos reconhecimentos nas imediações de São Solano.

Outubro de 1867
- A 3 o 3º RCL enquadrado na 2ª Brigada da 1ª Divisão de Cavalaria, a comando do
Brigaderio José Luiz Menna Barreto, toma parte no Combate de Parê-Cuê também chamado
de Isla-Tali, nome do capão de mato entre São Solano e Parê-Cuê. A descrição do respectivo
combate e das baixas é a seguinte:

Relação do morto e dos feridos do 3º RCL:


Morto: Anspeçada Cândido da Silva
Feridos Gravemente: Alferes Luiz Lopes da Rosa; Cabos Hipólito da
Cruz Costa e Domingos Gervásio da Silva;
Soldados Joaquim Innocêncio de Almeida;
Clarim Evaristo Cyrino Machado.
Feridos Levemente: 1º Sargento Florêncio Pereira Garcia; 2º
Sargento José Leite Ribeiro; Cabo Adão Lopes
Vieira; Soldados José Geraldo Teixeira, João
Antonio da Silva, José Bueno Galvão; Clarim
João Rodrigues dos Santos.
(Ordem do Dia nº 140 de 16 de outubro de 1867, QG em Tuyu-Cuê)

Parte do Marquês de Caxias:


[...] Sua Exc. Marquez, Marechal e Comandante em Chefe,
tendo motivos para suspeitar que o inimigo projectava algum golpe de
mão sobre o nosso flanco direito, revelando-se esta sua intenção já
pela sahida de Humaitá [...], que fazia, procurando aproximar-se de
nossos postos avançados para o lado de São Solano, havia dado suas
ordens [...].
Nessa persuasão determinou S.Exc. que se retirassem
também nossas forças, mandando, porém, ao mesmo tempo, que a 1º
Divisão de Cavalaria [...], forçasse sua marcha, viesse ocupar
conveniente posto afim de ficar observação ao inimigo [...]
efetivamente chegou a 1ª Divisão, e postou-se sobre o flanco direito
da 6ª dando pasto a sua cavalhada [...].
Então avançou a 1ª Divisão em auxilio da 6ª, e o Exmo Snr.
Brigadeiro José Luiz Menna Barreto, mandando reforçar a direita
desta com a 2ª Brigada sob o commando interino do Snr Ten Cel João
Francisco Jardim. [...]
Terrível foi o choque entre as nossas e as cavalarias do
inimigo: seguindo-se a mais completa derrota destas e comprovando
mais uma vez as nossas gloriosamente seu denodo e arrojo
irresistivel.
Sobre o campo, em que se deu o combate, e que abrangêo
cerca de meia légua de extensão, deixou o inimigo mais de 500
mortos, além de grande número de cavallos ensilhados e de muito
armamento [...]. (Ordem do Dia nº 140 de 16 de outubro de 1867, QG
em Tuyu-Cuê)

- A 21 o regimento toma parte no Combate de Tatijibá nas imediações de São Solano e


Fortaleza Humaitá, conforme descrição da batalha na Ordem do Dia nº 144 de 25 de outubro
de 1867. No combate desse dia 21, o 3º RCL teve ferido levemente o anspeçada João
Marcellino e contusos o cabo Antonio Maciel de Oliveira e o soldado João Maria dos Santos,
conforme a mesma Ordem do Dia. A batalha foi assim descrita pelo Comandante em Chefe
do Exército Imperial:

Parte do Marquês de Caxias:


Tendo a cavalaria inimiga depois da derrota que soffreu no
dia três do corrente, continuada a apparecer diariamente fóra de seus
intrincheiramentos sobre o flanco direito de Humaitá, avançando
para as nossas posições, a medida que ia progressivamente
augmentando em número; projectou S.Exc. Marquez de Caxias dar-
lhe um golpe decisivo [...]
Ordenou-lhes sua Exc., que no dia seguinte, estivessem com
as mesmas Divisões formadas em differentes pontos de modo que, a
um signal convencionado, fosse a força inimiga atacada
simultaneamente de frente pela 1ª e 6ª Divisões, e de flanco pela 2ª e
5ª [...]
Na manhã do dia 21, achando-se, em conseqüência das
ordens recebidas, a 1ª , 2ª e 6ª Divisões postadas nas immediações de
São Solano, a 5ª occulta por entre os laranjais deste acampamento
[...]
Como de costume, sahiu do recinto de Humaytá, a força de
Cavallaria inimiga, aproximadamente 2.000 homens, e depois de ter
avançado e tomado as devidas precausões, conservou-se em columnas
com o flanco esquerdo apoiado na mata e a frente para São Solano, e
começou a dar pasto a sua cavalhada.
As dez horas e vinte minutos, julgando sua Exc. oportuno o
ensejo, mandou ordem a 1ª, 2ª e 6ª divisões que tratassem de atrahir
a attenção desta força para as posições que se achavam, engajando
combate com seus piquetes avançados, afim de dar lugar pudesse a 5ª
Divisão desempenhar o que lhe fôra confiado. [...]
Pela primeira vez, fizeram as baterias do flanco direito de
Humaitá tiros de canhão sobre as nossas cavallarias, que no ardor da
peleja, se aproximarão muito dessa praça, afim de evitar que o
inimigo, perseguido e derrotado se refugiasse em seu recinto. [...]
O combate, que durou pouco mais ou menos uma hora [...] o
campo de acção ficou juncado com perto de 600 mortos paraguayos,
cahindo em nosso poder 150 prisioneiros.

- A 29 o regimento participa do Combate de Potreiro Ovelha, enquadrado na 2ª Brigada do


Coronel Tristão José Pinto da 1ª Divisão de Cavalaria. O 3º RCL, juntamente com o 2º,
fizeram a marcha de vanguarda da expedição, tendo no comando do 3º, o Major Justiniano
Sabino da Rocha.
O combate em Potreiro Ovelha foi descrito na Ordem do Dia nº 152 de 9 de novembro
de 1867 do Comandante em Chefe do Exército em Operações, Quartel General em Tuyu-Cuê:

Parte do Marquês de Caxias:


[...]Marquez de Caxias, tendo aviso de que o inimigo, ha
muito concentrado no seu grande polygono fortificado continuava
entretanto a proverse de recursos pela via de comunicação, que
dirigindo-se ao interior do país, passa pelo logar denominado
“Potrero Ovelha”, sendo este o centro onde costumava a ter de
reserva reses e cavalhadas; resolveo mandar proceder novo
reconhecimento nos terrenos adjacentes a margem esquerda do
Paraguay, e occupar, não só aquella importante posição como
também a de Tay, sobre a referida margem. Afim de fechar
completamente o sitio; devendo o reconhecimento estender-se até a
Vila do Pillar.
Para tal effeito, fazendo, no dia 28 do corrente, encarregou
S.Exc. o Brigadeiro João Manoel Menna Barreto, desta honrosa e
importante comissão, dando-lhe as necessárias instrucções e
ordenando que ficasse a sua disposição uma força de 4.000 homens
de todas as armas [...].
Ao anoitecer do referido dia 28, marcharão para São Solano
em direção ao “Potrero Ovelha” [...].
Ao aproximar-se daquele ponto objetivo, observando a
vanguarda da expedição uma linha de atiradores que parecia também
ser a vanguarda de alguma força importante do inimigo, ordenou o
Brigadeiro, que avançassem os nossos atiradores, protegidos por dois
regimentos de cavalaria [...]. (o grifo é nosso, referente ao 2º e 3º
Regimentos).

- Prosseguindo na expedição, cuja ordens de Caxias era do reconhecimento se estender até a


Vila do Pillar, a atuação do regimento foi descrita na mesma Ordem do Dia.

Parte de Combate do Marques de Caxias (continuação):


[...]A 1ª Divisão desta arma, tendo empenhado no começo da
acção o 2º e 3º regimentos, que fiserão a vanguarda na expedição,
respectivamente comandava o 2º Regimento o Ten Cel João Sabino de
Sampaio Menna Barreto e o 3º o Major Justiniano Sabino da Rocha,
destacou no fim dela a 2ª Brigada [...], composta do referido 3º
Regimento, 15º Corpo Provisório da Guarda Nacional [...], afim de
seguir em exploração até a Vila do Pillar, passando pela posição do
Tayi.
Ao aproximar-se deste ponto, que se achava guardado por
uma pequena força inimiga, conseguio esta evadir-se com auxilio de
canoas sobre o rio Paraguay podendo ser este lugar explorado por
um esquadrão de clavineiros do 15º Corpo.
A referida vila foi também abandonada pela guarnição que a
defendia, a qual refugiou-se a uma chata que se achava sobre o
mesmo rio, podendo impunemente um esquadrão do 3º Regimento
percorre-la em todas as direcções [...]. (Ordem do Dia nº 152 de 9 de
novembro de 1867, do Comandante em Chefe do Exército em
Operações, Quartel General em Tuyu-Cuê)
Novembro de1867
- A 2 o regimento participa do Combate em Tayi; prosseguindo faz parte das duas expedições
que marcharam da Vila do Pillar até a margem esquerda rio Tebicuary. O combate de 2 de
novembro foi descrito pelo Marquês de Caxias na Ordem do Dia nº 153 de 11 de novembro
de 1867:

Parte de Combate do Marquês de Caxias:


O Exmo Marquez de Caxias e Comandante em Chefe, manda
fazer público, que a força expedicionária comandada pelo Menna
Barreto, occupou no dia 2 do corrente mêz, a importante posição,
denominada Tayi sobre a margem esquerda do rio Paraguay [...].
Enquanto o Brigadeiro Menna Barreto, mandava explorar em
todas as direções o Potrero Ovelha, tomado a viva força no dia 29 de
outubro, e fazia rebanhar todo o gado e cavalhada ahi encontrados,
não se descuidava o inimigo de manter a todo o transe a via de
comunicação fluvial, única que restava, transportando de Humaitá
para aquela posição colunas de infantaria, que desembarcando,
começaram a fazer obras de defeza, tendo por proteção a artilharia
de grosso calibre, que acestada em três vapores e uma chata,
atracados a margem do rio, atiravam sobre o nosso corpo de
cavalaria [...]
As duas horas da madrugada do referido dia 2 de novembro,
marchou o Brigadeiro Menna Barreto [...] para aquele ponto objetivo
principal das operações que lhe foram marcadas, e onde sabia existir
a mencionada força de infantaria inimiga [...]
Chegando ao campo em que devia manobrar dispos o
Brigadeiro a sua força para o combate, ordenando que a infantaria
formasse em duas linhas paralelas, reforçadas por colunas de ataque;
e determinou as posições da artilharia e cavallaria, em ordem a
proteger efficazmente aquella [...]
A Cavallaria composta dos 2º e 3º de Linha (2º e 3º RCL), 1º,
6º, 9º, 15º e parte do 11º Corpo Provisório da Guarda Nacional
tomou conveniente posição nos flancos da infantaria.
Nessas disposições ao toque de avançar, moveo-se todo a
força na melhor ordem possível; e, ao chegar ao alcançe dos fogos da
artilharia inimiga, mudando a nossa infantaria a marcha para a
cadência accelerada, carregou à bahioneta sobre a força que se
achava postada a margem do rio entrincheiradas nas obras de
fortificação apenas ensetadas; tendo os flancos apoiados em edifficios
defendidos por fortes paliçadas.
Ao som das músicas e vivas espontâneos, partidos das suas
fileiras, levaram as nossas linhas de ataque o inimigo diante de si,
dando muito poucos tiros, até ao barranco do rio.[...] (o grifo é
nosso)

- A 20, por Decreto do Marquês de Caxias, é promovido a major por atos de bravura, o
capitão Izidoro Fernandes de Oliveira (Ordem do Dia nº 601 de 30 de novembro de 1867 da
Repartição de Ajudante General).
Trecho do território Paraguaio – 1ª fase da operações contra Humaitá
Livro Conde de Porto Alegre, 2005

Ano de 1868
Janeiro de 1868
- A 18 é promovido a Ten Cel do 3º RCL, por serviços relevantes, reconhecido pelo general
em chefe, em seu ofício de 9 de dezembro de 1867, o major Justiniano Sabino da Rocha,
assumindo o comando do regimento. Também foi promovido a major, o capitão José
Lourenço Vieira Souto e para capitães, os tenentes José Mendes Jacques para a 3ª Cia e
Miguel Ribeiro de Moraes para a 8ª Cia (OD nº 609 23 de janeiro de 1868 da Repartição de
Ajudante General e decreto de 18 de janeiro).
Fevereiro de 1868
- A 8 o regimento marcha para Pare-Cuê.

Março de 1868
- O regimento participa do reconhecimento forçado feito pelo 3º Corpo de Exército no
entrincheiramento inimigo, debaixo de um rigoroso fogo de artilharia no lugar denominado
Passo Pocú.

Abril de1868
- A 5 o 3º RCL marcha com o Exército de Tuyu-Cuê para Pare-Cuê, onde acampa no mesmo
dia e assiste aos diversos bombardeios feitos pelas baterias inimigas da Fortaleza de Humaitá,
quando de três em três dias a unidade fazia prontidão nas linhas.

Maio de 1868
- A 20 deixa o comando do regimento o Ten Cel Justiniano Sabino da Rocha, assumindo o
comando da 2ª Brigada de Cavalaria.

Junho de 1868
- A 27 deixa o comando da 2ª Brigada de Cavalaria e reassume o comando do 3º RCL, o Ten
Cel Justiniano Sabino da Rocha.

Julho de 1868
- A 12, por ordem do 3º Corpo, o capitão Adolpho Sebastião de Athayde é nomeado major em
comissão passando a fiscalizar o regimento onde já servia.
- A 16 a unidade assiste ao reconhecimento e Combate sobre o Forte Humaitá no mesmo dia,
e a rendição dessa praça a 25. No combate do dia 18 sobre Humaitá, o 3º RCL teve as
seguintes baixas:

Relação de feridos do 3º RCL:


Feridos: 1º Sargento João Faria de Oliveira Lima; Manuel Augusto
de Araújo Bastos; 2º Sargento José Rodrigues de Lima;
Furriel Guilherme Joaquim Pereira; Anspeçada Mariano
Salio Pinto; Soldados Manuel Pedroso de Almeida;
Francisco Joaquim Pedroso; Manuel Alves Maciel;
Agostinho Ferreira Jardim; Feliciano Martins; Vasco
Rodrigues de Almeida; João Baptista Ribeiro; Pantaleão
Severino da Silva; José Pereira de Lima; José Geraldo
Teixeira; Estevão de Souza Fabiano Bonifácio Amaro;
Firmino Antonio de Campos; Antonio Pereira da Silva;
Francisco Antonio da Silva; Anastácio Félix Aragel;
Querino José Rodrigues; Manuel Pereira da Silva.
(OD nº 658 de 31 dez de 1868, da Repartição de Ajudante General)

Agosto de 1868
- A 18 o regimento marcha com o Exército de Pare-Cuê para o Porto de Palmas.

Setembro de 1868
- A 18 o 3º RCL continuando a marcha com o Exército desde Pare-Cuê transpõe o rio
Tebicuary.
- A 25 acampa com o Exército no Porto das Palmas junto ao arroio Suruby.
- A 30 deixa de exercer a função de fiscal o capitão Wencesláo José de Oliveira.
Outubro de 1868
- A 1º e 28 o regimento assiste aos reconhecimentos feitos sobre a linha Piquiciry e Forte em
Angustura.

A zona da Dezembrada – Mallet, Patrono da Artilharia de J.V. Portella Ferreira Alves

Dezembro de 1868
- A 3 transpõe o rio Paraguai no Porto de Palmas, passando pela estrada do Chaco, quando vai
participar dos combates e da batalha do Avaí, que compuseram o conjunto de operações
militares, que ficou conhecida como "Dezembrada".
- A 11 o regimento enquadrado na 1ª Brigada do coronel Manoel de Oliveira Bueno da 1ª
Divisão de Cavalaria, do brigadeiro João Manoel Menna Barreto, participa da Batalha de
Avaí, cuja relação de mortos e feridos e Partes de Combate são as seguintes:

Relação do morto e dos feridos do 3º RCL:


Morto: Soldado Manoel Felippe da Rocha.
Feridos: Cabo de Esquadra Luiz Saldanha de Aguiar
Anspeçada Silvério Pedro de Menezes
Soldado Honório Alves Martins
Contusos: Alferes Florêncio Pedro Garcia. (Ordem do Dia nº 12, de
1º de abril de 1869, QG em Assunção)

Parte do Comandante da 1ª Brigada de Cavalaria

Cabendo-me, como foi ordenado, occupar com a Divisão do


meu commando o Potrero Valdovino, enquanto que avançavão para o
combate o 2º e 3º Corpo de Exército, tratei logo de cobrir a margem
direita do arroio Avahy, abaixo do ponto onde os referidos exércitos
travaram combate.
Serião trinta minutos depois do meio dia, e decorrido havião
duas horas e meia, em que a nossa frente parecia um vulcão de fogo e
fumo, quando descobri que uma força inimiga de infantaria, de 200
homens, sobre a margem opposta do referido arroio, e fronteira a
minha direita, parecia a única que a retaguarda do mesmo inimigo
guardava-lhe o passo (o da linha telegraphica da Villeta) que podia
ser por nos atacada, facilitando o ataque de retaguarda e lhe
determinasse a derrota.[...]
Foi nesta occasião que o Exmo Snr Gen Marquez de Caxias
determinou que se fizesse o ataque da retaguarda [...]
Fazer eu avançar minha divisão e ameaçar o inimigo pela
retaguarda, foi rápido o movimento, [...]
A vitctoria das armas brasileiras não se fez esperar.
Desordenado o inimigo, e posto em fuga em direção à Villeta, não
teve tempo de salvar-se; os esquadrões de cavalaria tomando-lhes a
frente, o envolverão em um círculo de ferro, onde o que não foi morto
ou ferido ficou prisioneiro.
O campo foi contornado o inimigo, ficou com mais de 800
cadaveres, e ahi tomarão-se outros tantos prisioneiros.
Não se entenda, porém, que todo esse fatal estrago foi feito
pela minha Divisão: chega-me a gloria de ter ella sido quem
embargou o passo ao inimigo para ser destrossado pela cavalaria do
2º e 3º Exército, que galhardamente lutaram mais de três horas. [...]
Finalmente com esta minha comunnicação, será entregue a
VExa uma bandeira que a esforço de armas, foi tomada ao inimigo
pelo Cabo de Esquadra do 3º Regimento de Cavalaria Ligeira
Domingos Gervazio da Silva; accrescentando eu a VExa, que o posto
de Cabo de Esquadra que tem essa praça, foi por ella ganho por actos
de valor, em combates anteriores.
Deos guarde a VExa - QG do Comando das 1º Divisão de
Cavalaria, junto a Villeta, 13 de dezembro de 1868 - João Manoel
Menna Barreto, Brigadeiro.
(OD 706 de 10 jan 1870, Cmt em Chefe do Exército em Operações)

Parte de Combate do Comandante do 3º RCL:

Na batalha de hontem esse Regimento dando cumprimento a


ordem de VSa, carregou no flanco esquerdo da brigada, e a pouca
distancia intervellou-se com a colunna inimiga, e a perseguio na sua
completa derrota até dentro do povo da Villeta, onde fez alto, por ter
partido esse toque com o signal do Quartel General da Divisão,
apenas tendo de prejuizo um soldado morto e três feridos e um Alferes
contuso.
O comportamento dos officiaes e mais praças do Regimento
que tenho a honra de commandar, neste feito d’armas foi digno de
elogio, pela bravura e enthusiasmo que mostrarão, fazendo especial
menção, pela sua intrepidez dos Capitães José Diogo dos Reis, Pedro
Antonio Dias, Tenente Dionísyo José de Oliveira, Joaquim Sebastião
de Aquino, Alferes José Hermenegildo Monteiro de Albuquerque,
Manoel Rufino de Camargo, Florêncio Pereira Garcia, Luiz de
Quadros, Serafim Machado da Rocha, José Leite Ribeiro, Camillo
Martins Baptista, José Ignácio Ribeiro, 1º Cadete Sargento Quartel
Mestre João Justiniano da Rocha, 1º Sargentos Antonio dos Santos
Coimbra, Juvencio Pereira Gomes e Manoel Gomes da Rosa, 2º
Sargento José Luiz Ferreira, e Forriel Jacintho Ignácio da Silva; e
bem assim do valente Cabo de Esquadra Domingos Gervazio da Silva,
que arremessando-se a um official paraguayo que conduzia o
estandarte e apoderar-se deste, o qual teve prazer de entregar depois
da batalha ao Exmo Snr General comandante da Divisão.
Acampamento no 3º Regimento de Cavalaria Ligeira, junto a
Villeta, 12 de dezembro de 1868. - Ten Cel, Justiniano Sabino da
Rocha, Commandante.
(Ordem do Dia nº 706 de 10 de janeiro de 1870, do Comandante em
Chefe do Exército em Operações)

- Após a batalha de Avaí, o Marquês de Caxias, congratulando-se com a tropa e a estimulando


para o próximo combate, assim se expressou na Ordem do Dia nº 269, de 21 de dezembro de
1868, Quartel General em Villeta:

CAMARADAS:
O inimigo, vencido por vós na Ponte de Itoróró e no arroio
Avahy, nos espera na Lomba Valentina com os restos de seu
exercito. Marchemos sobre elle, e com esta batalha mais
teremos concluido nossas fadigas, e provações. O Deus dos
exercitos está comnosco. Eia ! Marchemos ao combate, que a
victoria é certa porque o general, e amigo, que vos guia,
ainda até hoje não foi vencido.
VIVA O IMPERADOR! VIVÃO OS EXERCITOS ALLIADOS!
Marquez de Caxias.

- A 17, o regimento faz parte da expedição do Brigadeiro João Manoel Menna Barreto, que
marcha do acampamento junto ao Passo de Villeta para Capiatá e Asseguá, descrita por
Caxias:

Parte de Combate do Marquês de Caxias


Acampado em Villeta, deliberei que um movimento geral de
nossas cavalarias, tivesse lugar na noite de 17 para 18, tanto pelo
flanco esquerdo das posições que occupavamos, como pela frente,
onde se achava postada a vanguarda inimiga, cujo flanco direito me
pareceu completamente no ar. Uma columna ao mando do Exmo
Brigadeiro João Manoel Menna Barreto, marchou, pois, pela
esquerda, tendo chegado aos lugares denominados Capiatá e
Asseguá, que apenas distão légua e meia de Serro Leão. Não
encontrou essa força partida alguma inimiga, a quem tivesse de bater
[...]; mas, durante o seu trajeto deparou com um número
extraordinário de famílias paraguayas, em muitas das quaes ião
ainda feridos do combate de 6 e batalha de 11, e que por ordem de
Lopez, abandonavão, espavoridas, seus domicilios, procurando o
interior. Os esforços empregados por aquelle general, seus officiaes e
praças, puderão conter a fuga precipitada desses infelizes,
convencendo-os a voltar a seus lares, tranquillos acerca de nossas
intensões. (Ordem do Dia nº 272 de 14 de janeiro de 1869, pelo
Comandante em Chefe)

- A 18 assumiu o comando do regimento o major em comissão Adolpho Sebastião de


Athayde.
- A 21 o 3º RCL toma parte nos combates em Lomas Valentinas:

Relação de mortos e feridos do 3º RCL - Combate em Lomas Valentinas:


Mortos: 2º Cadete 2º Sargento Francisco Gomes Peixoto, 2º Sargento
José Luis Ferreira, Cabo de Esquadra José Ferreira de
Lima e Francisco Ferreira da Silva, 1º Anspeçada Manoel
Rodrigues e Bernardino Theodoro Francisco, Soldado
Albino Cândido de Carvalho, Severino José Ribeiro,
Jerônymo José da Costa e Ignácio Figueira
Feridos: Major José Diogo dos Reis, Capitão Dionísio José Oliveira,
Alferes Luiz de Quadros, Vasco Pereira das Neves e
Cyrillo José Coelho, 1º Sargento José Álvares de Siqueira
Fortes, Antonio dos Santos Coimbra, José Alves da Silva
Sobrinho e Bonifácio Amaro, 2º Sargento Justino de Lara
Poncio e Estevão de Souza França, Cabos de Esquadra
Adão Lopes Vieira, Anthero Borges Soares, Domingos
Gervásio da Silva e Mariano Leocárdio Ayres, Soldados
João André Palmeira, Manoel da Roza, Anastácio Felix
Avagel, Ezequiel Nunes, Ignácio Ferreira da Rocha, Bento
Pereira de Lima, Miguel Antonio Gusmão, Manoel Ignácio
Galvão e Flaubiano Alves Fagundes.
Contusos: Alferes Antonio Leite Brazil, João Rodrigues Bemfica e
Augusto Francisco de Sousa.
(Ordem do Dia nº 3, de 21 de Abril de 1869, do Comandante em
Chefe do Exército em Operações, Quartel General em Luque).

Parte de Combate do Marquês de Caxias - Combate em Lomas Valentinas

Tendo deliberado, que um ataque geral e simultaneo tivesse


lugar sobre Lomba Valentina e Angostura dei as precisas ordens para
que, na madrugada do dia 19, o exército se pusesse em marcha; mas a
chuva copiosa que começou a cahir durante a noite, e que continuou
até o dia seguinte, fez com que só pudéssemos levantar acampamento
as duas horas da madrugada do dia 21, seguindo o Exército em duas
alas, cada uma das quais continha forças das três armas sendo uma
commandada pelo Exmo Snr Brigadeiro José Luiz Menna Barreto, e a
outra pelo Exmo Snr Brigadeiro Jacintho Machado Bittencourt, e
ambas sob o meu imediato comando[...]
Ao chegar em frente da extensa linha fortificada do Pikiciry
ordenei ao Exmo Brigadeiro João Manoel Menna Barreto, que, a
testa da Divisão de Cavalaria sob seu comando [...] avançasse pelo
nosso flanco direito, procurando romper e assaltar essa linha pela
retaguarda. Este general não só comprehendeu perfeitamente a
natureza da commisão de que o encarreguei, como a executou com a
maior felicidade e denodo, atacando a trincheira inimiga, tomando-
lhe trinta canhões de diferentes calibres, deixando 680 paraguayos
mortos, e fazendo 200 prisioneiros, entre os quaes figurão 100
feridos. Uma quantidade extraordinária de pólvora e munições, de
armamento de toda a espécie [...], que isolou e sitiou completamente
Angostura, abrindo nossa communicação directa com o Porto de
Palmas, e inutilisando todas as difficuldades naturaes e da arte, de
que o inimigo se fizera cercar pela frente e pelo flanco direito.
(Ordem do Dia nº 272 de 14 de janeiro de 1869, Comandante em
Chefe do Exército em Operações, em Assunção)

- A 26 o 3º RCL toma parte dos combates nas linhas fortificadas de Pequisiry, tendo sido
bombardeado pelo inimigo no dia 25.
- A 27 o regimento participa do cerco e rendição da Fortaleza de Angustura, ficando aberto o
caminho para Assunção.

Parte de Combate do Marquês de Caxias - Cerco e rendição


da Fortaleza de Angustura

Tendo deliberado contra as trincheiras dos inimigos um


assalto geral e decisivo, mandei que 24 bocas de fogo, comandadas
pelo Coronel Emilio Mallet, rompessem, ao amanhecer do dia 27 [...]
Terminado o bombardeio que, não só causou grandes
estragos e mortalidade no inimigo, mas que pareceu tê-lo aterrado
[...]
Mais um triumpho obtiveram as armas aliadas no dia 27 para
o lado de Angustura. O Exmo Brigadeiro João Manoel Menna
Barreto estando com seu flanco direito desembaraçado, pela victória
de nossas armas, julgou oportuno fazer um reconhecimento nas
extrema esquerda da linha de Pikiciry, onde havia ainda uma força
paraguaya.
A vista do estado de sitio completo, em que havia ficado a
Fortificação de Angustura, pelo ataque da linha de Pikiciry (dia 21),
pela posição que, em sua retaguarda guardavão nossas tropas,
entendi, no intuito de evitar que o sangue continuasse a correr sem
necessidade [...]mandar no dia 28 intimação escripta ao Coronel
paraguayo [...], comandante de Angustura [...].
Ao meio dia observou-se que na fortaleza se arrêava a
bandeira paraguaya, e que sua guarnição tratava de formar-se, para
deixar as linhas [...], sahindo ella com os dous comandantes a frente,
desfilando por entre as nossas tropas, e depondo as armas em minha
presença no lugar para isso anteriormente por mim determinado.
Duas mil e tantas almas formavam a guarnição de Angustura,
sendo 1.200 combatentes válidos de diferentes armas [...] 16 canhões,
bem como munições de guerra. [...]. (o grifo é nosso) (Ordem do Dia
nº 272 de 14 de janeiro de 1869, QG do Exército em Assunção)
Ano de 1869
Janeiro de 1869
- Em decorrência dos combates que tiveram no mês de dezembro do ano anterior
(Dezembrada) o Exército, com 4 mil homens fora de combate, é reduzido a dois corpos,
ficando o 3º reunido ao 1º, os quais passavam a serem comandados pelo Brigadeiro José Luiz
Menna Barreto. Ao mesmo tempo o 2º Corpo passa ao comando do Brigadeiro Jacintho
Machado Bittencourt. As substituições foram devido aos ferimentos recebidos pelo Gen
Osório e Argolo Ferrão (Ordem do Dia nº 271 de 06 de janeiro de 1869).
- O 3º RCL prossegue do Passo do Villeta para Assunção subordinado à 1ª Divisão de
Cavalaria e ao 2º Corpo de Exército.

Fevereiro de 1869
- A 2, ao toque de alvorada, o regimento junto com o Exército Imperial levanta acampamento
e marcha em direção a Assunção, aonde chega no dia 5, sem ter encontrado resistência.

Abril de 1869
- O regimento faz a marcha com o Exército do acampamento junto à cidade de Assunção para
a de Luque, chegando no dia 6.

Maio de 1869
- A 17 o 3º RCL marcha de Luque passando a fazer parte da Brigada em proteção a uma força
oriental, incorporando-se a Divisão em marcha para Pirajú a 20.
- A 25 o regimento chega a Pirajú.
- A 31 a unidade, fazendo parte da Força Expedicionária, marcha de Pirajú em direção a Vila
Rica, tendo nesse trajeto tomado parte no combate do dia seguinte.

Junho de 1869
- A 1º o Regimento assiste ao Combate junto ao Passo Cordilheiras na picada junto à estância
Jejuy, regressando a margem direita do rio Tebicuary a 4.
- A 8, o 3º na contramarcha, participa do Combate na picada do Passo de Sapucahy, chegando
ao acampamento de Pirajú a 13.
- Na Ordem do Dia nº 19 de 16 de junho, do comando em chefe, acampamento em marcha em
Pirajú, o Conde D’Eu manda publicar a descrição dos combates dos dias 1 e 8. Pela mesma
ordem o Brigadeiro João Manoel Menna Barreto faz menção ao capitão Dionysio José de
Oliveira do 3º RCL, por sua calma e sangue frio, sendo promovido por ato de bravura pelo
combate do dia 8.
- Na mesma Ordem do Dia nº 19 é transcrito a relação dos feridos do regimento: capitão
Dionysio José de Oliveira, Ignácio de Oliveira Bueno e Luiz de Quadros, 2º sargento
Francisco Pinho de Souza; Furriel João Ayres; cabo de esquadra Antonio Vieira da Costa;
Soldados José Francisco Antonio, Benigno Luiz Dias de Castro e Reginaldo José de Oliveira.
- A 20 a unidade marcha de Pirajú fazendo parte da Força Expedicionária, que seguiu em
direção ao norte em Thery, regressando a 7 de agosto.

Julho de 1869
- O Ten Cel Justiniano Sabino da Rocha é comissionado no posto de coronel e nomeado
comandante da 6ª Brigada (Ordem do Dia nº 26, 7 de Julho de 1869, QG em Pirajú). Nesse
mês também ocorrem as promoções de 23 oficiais, incluindo o major José Diogo dos Reis e o
capitão Dionysio José de Oliveira, além de 12 sargentos, 2 furrieis, 4 cabos e 3 soldados, tudo
referente aos combates de 11, 21 e 27 de dezembro de 1868 (Dezembrada).
Agosto de 1869
- A 12 o regimento toma parte na tomada e assalto de Peribebuí, tendo como ferido o soldado
Domingos Marques dos Santos (Ordem do Dia nº 39, de 23 de dezembro 1869, QG em
Curuguaty).
- A 16 o 3º participa do combate de Acosta-Nhu ou Nhu-Guaçu (Campo Grande), tendo sido
morto o Cabo de Esquadra Zefirino Antonio Pereira (Ordem do Dia nº 40, 31 de dezembro de
1869, QG em Curuguaty).
- A 26 passa a comandar o regimento, o major em comissão Adolpho Sebastião de Athayde e
para fiscal, o major Frazão Alves de Lima.

Outubro de 1869
- Assume o exercício de fiscal, o major em comissão Dionísio José Oliveira.
- A 5 deixa o comando do regimento, o major em comissão Adolpho Sebastião de Athayde,
por ter seguido doente para Assunção.
- No mesmo mês é promovido a major, por bravura, o major em comissão José Diogo dos
Reis do 3º RCL (Ordem do Dia nº 34, de 15 de outubro de 1869, QG em Santo Estanislau).

Novembro de 1869
- A 21 o regimento marcha do acampamento de Pirajú em direção ao acampamento de
Angustura, aonde chega a 27.
Dezembro de 1869
- Nesse momento da campanha e com o reduzido número de praças de linha, que constituíam
o 4º e 5º Corpos de Caçadores a Cavalo, antigo 4º e 5º RCL, é decidido que fossem extintos
esses dois corpos e suas praças de linha repartidas pelo 2º e 3º Regimento.

Ano de 1870
Janeiro de 1870
- A 18 assume o comando do regimento o major em comissão Dionísio José Oliveira.

Fevereiro de 1870
- A 24 o regimento marcha do acampamento de Villeta em direção à cidade de Assunção,
chegando a 25.

Março de 1870
- A 20 pela Ordem do Dia nº 44 de 14 de março de 1870, passa a comandar interinamente o 3º
RCL o major José Diogo dos Reis, deixando o comando o major em Comissão Dionísio José
Oliveira, o qual comandou o regimento por 2 meses e 7 dias passando a ser o fiscal.

Maio de 1870
- A 9 o regimento marcha de Assunção para o Brasil, passando da República do Paraguai para
a Província de Corrientes.

Julho de 1870
- A 14 o regimento transpondo o rio Paraná no Passo de Itapuã, passa da República do
Paraguai para a Província de Corrientes.

Agosto de 1870
- A 1º de agosto, após 5 anos e 8 meses em operações ininterruptas em territórios estrangeiros
(Uruguai, Argentina e Paraguai), o regimento entra no Rio Grande do Sul pelo Passo de São
Borja.
17. O 3º RCL DE 1870 A 1892

Do ano de 1870, após a Guerra do Paraguai até o início da Revolução Federalista em


1892, foi um período marcado por constantes mudanças de sedes temporárias para a unidade.
Inicialmente o regimento teve como sede a cidade de Santana do Livramento e o seu
comandante era o Coronel José Ferreira da Silva Junior. Constituindo o estado maior estavam
o Ten Cel Justiniano Sabino da Rocha, e o major José Luiz da Costa Junior. Comandando as
companhias estavam os capitães Manoel José Pereira (1ª), Dionisio José de Oliveira (2ª), José
Mendes Jacques (3ª), Genuino Cesario Nunes (4ª), Cezar Augusto Brandão (5ª), José Coelho
Borges (6ª e 7ª) e Bernardino Rodrigues de Mesquita (8ª).
O regimento tinha pisado o solo brasileiro em seu retorno do Paraguai no mês de
agosto e dois meses depois assumia o comando da unidade o Cel Ferreira, que ao logo em
seguida publicou uma Ordem do Dia em que parabeniza a todos pelo regresso e concita pela
nova missão: a vigilância e guarda da fronteira.

Ordem Regimental Nº 1 de 11 de outubro de 1870

Assumindo hoje o comando que me compete, congratulo com


todos os senhores oficiais e praças pelo seu feliz regresso ao nosso
abençoado solo depois da calamitosa guerra, a que foi convocado o
Brasil pelo maior tirano do mundo, o Presidente do Paraguay, que
incumbiu ao hezo de nossas armas, pelo que vindes cobertos de
causas, nossas bravuras e relevantes serviços estão garantidos pelos
nossos generais em tantas ordens do dia, com honrosa menção.
Hoje na paz sabereis conservar a disciplina e a ordem,
respeitando aos pacíficos habitantes e suas propriedades, observando
a mais absoluta mentalidade sobre a guerra do estado oriental, cuja a
fronteira está confiada a nossa vigilância e guarda. Conto com a
coadjuvação de todos que devem também contar com a justiça de
meus atos; e deste modo o serviço será então feito com facilidade, e a
missão de todos continuará inabalável a reputação boa do regimento.

As Tropas do Sul (1870-1876)

Estava no Comando das Armas da Província do Rio Grande do Sul desde 1871 até o
ano de 1876, o Marechal de Campo Victorino José Carneiro Monteiro, Barão de São Borja,
um dos comandantes de brigada na Guerra do Paraguai e ex-comandante do 3º RCL nos anos
de 1858-1859. Em Livramento, além do 3º RCL, estava sediado um destacamento de
Infantaria e em Bagé, o 5º RCL e o QG da Inspetoria dos Corpos de Cavalaria e Artilharia,
cujo inspetor era o Marechal de Campo José Luiz Menna Barreto, que tinha comandado a
Divisão em que o Regimento ficou subordinado durante a maior parte do tempo da guerra.
Com o retorno das tropas que combateram no Paraguai foi publicado o Decreto nº
4.572 de 12 de agosto de 1870, pelo qual foi aprovado o novo plano da organização dos
corpos das armas de artilharia, cavalaria e infantaria. Pelo plano, publicado na Ordem do Dia
nº 729 de 27 de agosto da Repartição do Ajudante General, ficavam pelo artigo 2º criados os
Corpos de Guarnição e o Corpo Móvel.
Este último era constituído de cinco regimentos de cavalaria ligeira, incluindo o 3º
RCL, os quais deveriam exercer a vigilância da fronteira mantendo uma constante
mobilidade. Dessa maneira vamos encontrar o regimento com pouco tempo nas sedes,
inclusive com parte da tropa destacada.
Os Destacamentos do 3º RCL

As localidades de Santana do Livramento, Uruguaiana, Alegrete e a Freguesia de São


João Batista de Quaraí durante a Guerra do Paraguai ficaram guarnecidas pela Guarda
Nacional. Com o retorno das tropas do Exército, a partir de julho de 1870 foi dada ordem para
que as guardas nacionais fossem substituídas por destacamentos do Exército. Com isso o
regimento que estava sediado em Livramento passa a ter destacamentos em Quaraí, Alegrete e
Uruguaiana. Na ordem regimental que é dada a ordem da substituição é feita o agradecimento
aos comandantes das guardas nacionais.

Ordem Regimental nº 3 de 14 de outubro de 1870

Em cumprimento ao disposto em Officio nº 379 de 15 de julho


ultimo, do Quartel General do Comando das Armas, será dispensada
amanhã a Guarda Nacional destacada n’esta villa, bem afim o será a
de Uruguayana, Alegrete e Passo do Baptista, nos dias se
apresentarem os destacamentos do Regimento do meo commando
nomeados para o substituir.
Agradeço e elogio aos Snrs.majores Antonio Pedro da Silva e
capitão Manoel Marques de Figueiredo e Joze Mariano de Souza, o 1º
commandante da guarnição de Alegrete, o 2º da de Uruguaiana e o
último da do Passo do Baptista também dignos de elogio porque tem
cumprido perfeitamente seus deveres e finalmente todos os snr
officiaes e praças destacadas são dignos de minha consideração
porque em geral se portaram bem no serviço militar. Hé nomeado
para commandar interinamente a guarnição de Uruguaiana o Snr
Major em comissão Pedro Antonio Diaz, dependendo de S.Excia o snr
general commandante das armas. Cel Joze Ferreira da Silva Junior..

O 3º RCL acampado na margem direita do rio Caverá

No período de setembro de 1872 a março de 1873, o regimento esteve acampado por


sete meses na margem direita do rio Caverá, em Alegrete. A permanência no local, compondo
tropa subordinada da 2ª Brigada denominada Divisão de Observação, foi devido a problemas
diplomáticos com a Argentina. Resolvido o impasse, a força foi dissolvida e a unidade
retornou não mais para Livramento, mas para Bagé, mantendo o caráter de mobilidade, que
caracterizava os corpos móveis da fronteira. (Ordem Regimental nº 59 de 11 set 1872 e nº 81
de 15 mar 1873)

O 3º RCL com sede em Bagé

Em abril de 1873, após a permanência na região do Caverá, o regimento já se


encontrava na cidade de Bagé, tendo a primeira Ordem Regimental nesta nova guarnição,
datada de 5 de abril. Continuava no comando o Coronel José Ferreira da Silva Junior.

3º RCL novamente em Livramento

Após dois anos e oito meses de permanência em Bagé, no início de 1876 o regimento
encontrava-se em acampamento no Girahy-sinho. A 17 de janeiro chegava a Livramento,
vindo a se estabelecer novamente nessa guarnição (OR nº 198 e 199 de 1º e 17 jan 1876).
Retornando para sua antiga sede a unidade passou a ter novamente destacamento em
Quaraí, além de manter um destacamento na invernada de Saicam e na Coxilha-Negra.
O 3º RCL em São Borja

Após ter permanecido dois anos e um mês em Santana do Livramento, novamente o


Regimento se põe em deslocamento, desta vez para São Borja, designada como sua nova sede
e Comando de Fronteira de Missões. No deslocamento, a 13 de março de 1878, a Unidade
encontrava-se em acampamento no Campo do Espírito Santo; a 16 acampado junto à estância
do Major Corrêa e a 24 de março, próximo à cidade de Alegrete. No início de abril chega a
São Borja.
Dois anos depois continuava a comandar o regimento o Cel Ferreira, mas em outubro
de 1880, passa a assinar as ordens regimentais como brigadeiro graduado, pois estava recém
promovido. Neste novo posto permaneceu à frente da unidade até março do ano seguinte,
quando após mais de dez anos de comando passou ao Maj Genuino Cesário Nunes.
Em dezembro de 1882, ou seja, após um ano e nove meses a frente do regimento, o
Maj Genuíno passa o comando ao Cel José Diogo dos Reis.

A Transformação do 3º RCL em 3º RC

Em 1889, pelo Decreto nº 56 de 14 de dezembro, publicado na Ordem do Dia nº 13


de 18 de dezembro da Repartição de Ajudante General, a cavalaria ficava organizada em doze
regimentos, sendo transformado o 3º RCL em 3º Regimento de Cavalaria (3º RC).
A unidade que se encontrava em São Borja desde 1878, ficou nesta mesma sede até o
início da Revolução Federalista em 1892, totalizando 14 anos de permanência nessa
guarnição.
18. O 3º RC NA REVOLUÇÃO FEDERALISTA

Em novembro de 1889 é proclamada a República do Brasil, assumindo o primeiro


governo republicano o Marechal Deodoro da Fonseca, tendo como Vice-Presidente o
Marechal Floriano Peixoto. A 15 de novembro de 1890 é instalada uma Assembléia
Constituinte para elaborar a nova constituição, quando insatisfeito com o desenrolar de alguns
pontos, Deodoro resolve dissolver o Congresso, o que se concretiza a 3 de novembro. É
Organizada a resistência com forte oposição militar destacando-se na liderança Floriano
Peixoto e o Almirante Custódio de Melo. Deodoro sob pressão acaba renunciando a 23 de
novembro de 1891, entregando a chefia do governo ao Vice-Presidente.
No Rio Grande do Sul governava Júlio de Castilhos, eleito primeiro Presidente,
assumindo o cargo a 15 de julho de 1891. Com a república, assim como no governo central, o
estado passa a ter também a sua Constituição, redigida de maneira que manteria o partido de
Júlio de Castilhos por muitos anos no poder.
Com a dissolução do congresso por Deodoro, Júlio de Castilhos, antigo aliado do
marechal demora a se posicionar contra o ato. Manifestações e protestos civis acontecem nas
ruas e pedem a renúncia de Júlio de Castilhos. O Presidente do Estado abandona o palácio
sem transmitir o cargo, assumindo o governo Assis Brasil. Segue-se a partir desse momento,
uma sucessão de governos interinos, que passa a história com o nome de “governicho”.
De 15 de novembro de 1889, data da Proclamação da República até janeiro de 1893,
quando se inicia a Revolução Federalista, passa pela Presidência do Estado dezesseis
presidentes, sem contar que em determinado momento o Rio Grande do Sul chegou a ter dois
presidentes ao mesmo tempo. Era a luta pelo poder travada entre o Partido Republicano (pica-
pau) de Júlio de Castilhos contra os partidários do Partido Federalista (maragatos).
Em janeiro de 1893, quando Júlio de Castilhos assume pela segunda vez a
Presidência do estado o clima já é francamente de guerra. O Comandante do 6º Distrito
Militar (atual 3ª RM), General João Teles, pede então intervenção federal a Floriano Peixoto,
quando tropas do Exército, inclusive do 3º RC, participam da revolução.
Os federalistas Silveira Martins, Joca Tavares e outros líderes, que se encontravam
emigrados no Uruguai preparando a revolta armada, invadem o Rio Grande do Sul (05 Fev
1893), tomam Quaraí (19 Fev 1893), Livramento (21 Fev a 17 Mar 1893), Dom Pedrito (21
Fev 1893), Alegrete (19 Mar 1893) e em 3 de maio enfrentam as tropas legalistas em Alegrete
na Batalha de Inhanduí.
Após o combate, os federalistas retraem, atravessando novamente a fronteira para o
Uruguai, somente retomando a ofensiva no mês de setembro.

Participação do 3º RC

A pesquisa da participação do 3º RC na Revolução Federalista foi prejudicada pela


inexistência das Ordens do Dia, extraviadas durante as operações. Do pouco que foi possível
pesquisar, procuramos focar nas Ordens do Dia da Repartição de Ajudante General e nos
assentamentos dos integrantes do regimento.
Do que foi encontrado, levantou-se que o regimento marchou em março de 1893,
ficando enquadrado na 4ª Brigada do General Honorário Manoel do Nascimento Vargas.
Estando incorporado nos combates da Revolução a favor da legalidade, o regimento recebeu
ordem de vigilância e guarda da estrada de ferro de Porto Alegre a Cacequi, trecho entre este
ponto e Santa Maria.
Pouco meses depois, em junho do mesmo ano, o regimento passou a fazer parte das
tropas da 3ª Brigada, juntamente com o 2º e 5º RC e ainda com o 30º Batalhão de Infantaria.
(Ordem do Dia nº 4 de 25 jun 1895, Repartição Deputado do Aj General, QG em Pelotas).
Com essa nova organização a 1ª Divisão, que enquadrava a 3ª Brigada, passou a
ocupar a zona de ação de Santana do Livramento a Uruguaiana, estendendo-se a área de
atuação até a margem esquerda do rio Ibicuí. Nessa nova fase o 3º RC continuou operando até
a conclusão da revolução em 25 de agosto de 1895.
Quanto à outra fonte sobre a participação do 3º RC na Revolução Federalista,
encontramos no arquivo do 5º R C Mec as folhas de assentamentos de vários militares que
serviam na unidade durante o conflito. Entre os documentos estudados, estavam o do sargento
Faustino Rodrigues (folha 110 e 117, Livro Registro Geral das Praças Efetivas da 1ª
Companhia, iniciado em 7 de janeiro de 1886) e do Sargento Quartel-Mestre Alexandre José
de Andrade.
Na transcrição do assentamento do Sgt Faustino, logo no seu início contém a
informação de que foram extraviadas as documentações do regimento no período de fevereiro
de 1892 a fevereiro de 1894, o que impossibilitou a escrituração das alterações dos militares
em seus respectivos assentamentos, inclusive do início da revolução.
Bem mais curta é a transcrição do assentamento do Sgt Alexandre, pois a mesma teve
o objetivo de complementar o período de outubro de 1894 a junho de 1895 que faltou na
transcrição anterior.

Sargento Faustino Rodrigues


Suas alterações de fevereiro de 1892 a fevereiro de 1894
nada constam pelo fato, segundo seus assentamentos, do arquivo do
Regimento ter sido extraviado na Revolução. Em 1894 fez parte da
Divisão em Guarnição a Estrada de Ferro ao norte do Estado (Rio
Grande do Sul) como Furriel. A 11 de março seguio com o Regimento
para a estação do Arroio Só em perseguição aos revoltosos. A 13
regressou para o Jacuhy. A 22 marchou com o Regimento para a
cidade de Rio Pardo. A 24 transpôs o Rio Jacuhy. A 27 acampou na
Boa Vista. A 28 acampou no Passo de D. Marcos. A 29 no Passo do
Silva. [...] A 31 passou pela Vila da Encruzilhada e acampou perto da
mesma, [...]. Abril. A 7 marchou em direção a Rio Pardo. A 9
acampou na margem direita do Jacuhy. A 10 transpos este rio e
passou para a cidade de Rio Pardo, no mesmo dia marchou na
estrada de ferro para a cidade de Cachoeira e acampou no Passo do
Seringa junto a essa cidade. Maio. A 1 passou a sargentear esse
esquadrão a 9 levantou acampamento do Passo do Seringa com
destino a Estação do Umbú onde acampou a 10, data que deixou a
sargenteação [...]. Levantou acampamento a 11 com destino a Santa
Maria, onde acampou a 12, levantou acampamento a 13 com direção
a Vila Rica, onde acampou a 14, marchando a 19 com destino a Cruz
Alta, onde acampou a 22. Junho. A 9 marchou com o Regimento, a 11
acampou na Vila Rica, a 16 acampou novamente na Cruz Alta, a 25
em São José e a 28 passou a doente no acampamento. Julho. Prompto
de doente a 1º, data em que foi pela Ordem Regimental 21 promovido
a 2º Sargento. A 2 passou a empregado na cavalhada do Regimento,
data que marchou de São José e acampou a 5 em Ivahy, a 9 no Palma,
a 13 no Capão Formoso, a 14 novamente no Palma, a 17 no Passo do
Jacuhy, a 18 transpôs este rio, a 19 dezalojou os revoltosos e
acampou no Engenho, a 20 tiroteou com o inimigo e acampou na
estrada do Engenho, a 21 atravessou a picada dos Macacos, a 22
acampou no Depósito, a 24 contra-marchou e a 31 atravessou a
Serrinha e acampou no Sobradinho (municipio de Soledade). Agosto.
A 1º passou a prompto do emprego, passou a sargentear este
esquadrão, data em que marchou de Sobradinho com direção a
cidade de Cachoeira, onde acampou a 9, a 12 marchou na estrada de
ferro para a estação de Cacequy, onde acampou a 13, a 26 marchou
para a estação de São Pedro, acampando no mesmo dia e a 31
marchou e acampou em Santa Maria. Setembro. A 22 marchou dessa
cidade e acampou a 23 em Cachoeira, marchou novamente para a
cidade de Rio Pardo e acampou a margem direita do rio Jacuhy, a 25
marchou em direção a Vila da Encruzilhada, onde acampou a 27.
Outubro. A 5 passou a prompto da sargenteação do esquadrão [...] A
11 marchou com o Regimento da Vila da Encruzilhada para a de
Sant’Ana da Boa Vista onde acampou a 15, a 17 marchou com
direção a Caçapava onde acampou a 19 [...] 1895. Junho. [...] A 30
marchou de Caçapava com direção a Estação do Ferreira. Julho. A 6
acampou nesse lugar, a 18 levantou acampamento para a cidade de
Santa Maria, onde acampou no mesmo dia. Agosto e Setembro sem
alteração. Outubro. A 15 marchou com o Regimento pela estrada de
ferro de Santa Maria para o Cacequi, onde acampou no mesmo dia, a
21 marchou deste lugar e acampou no Passo de São Simão, na
margem direita do rio Santa Maria, a 26 marchou desse lugar e
acampou no Saycam no passo da Guarda Velha, a 30 chegou a cidade
do Alegrete e aquartelou.

Sargento Quartel-mestre Alexandre José de Andrade


[...] 1894. Outubro. A 11 marchou da Encruzilhada para a
Vila de Sant'ana da Boa Vista, a 15 acampou junto a mesma, a 17
marchou com direção a cidade de Caçapava, onde acampou a 19.
Novembro. [...] Dezembro. Sem alteração. Em 1895 Janeiro. Sem
alteração. Abril. A 4 marchou com o regimento para a cidade de
Caçapava, onde acampou a 17, vindo da cidade de Cachoeira. Maio.
Sem alteração. Junho. A 30 marchou de Caçapava com direção a
Estação do Ferreira.

O Fim da Revolução e a Mudança de Sede

Terminado o conflito, o regimento estacionou na cidade de Alegrete em outubro de


1895. Em outubro do ano seguinte a unidade deslocou-se para Uruguaiana, aquartelando no
dia 25, estabelecendo a partir de então sua nova sede, onde permaneceu até o ano de 1932.
19. O REGIMENTO DE 1908 A 1918

A Transformação do 3º RC em 8º RC (1908)

Governava o Brasil o Presidente Afonso Pena (1906-1909), que desejando um país


militarmente forte, nomeou para Ministro da Guerra o Marechal Hermes da Fonseca. O
ministro passou então a remodelar o Exército, introduzindo novas idéias e ações, como os
exercícios práticos nos corpos de tropas, o reaparelhamento com novas armas, a construção de
novos quartéis e a reorganização de unidades militares. Dois anos mais tarde Hermes da
Fonseca se elegeria Presidente da República (1910-1914).
Dentro das mudanças do ministro, a reorganização de unidades militares foi feita
pelo Decreto nº 6.971, publicado na Ordem do Dia nº 102 de 5 de junho de 1908, da
Repartição do Chefe do Estado Maior do Exército. Nesta nova organização a força terrestre
foi dividida em cinco brigadas estratégicas e três de cavalaria, elevando para 17 o número de
regimentos de cavalaria, sendo que nove de linha a quatro esquadrões, três independentes
também com quatro esquadrões e cinco a dois esquadrões. Por esse mesmo decreto é que o 3º
RC foi transformado no 8º Regimento de Cavalaria, subordinado à 2ª Brigada.
Pela reorganização de 1908, transcrita na Ordem Regimental nº 1 de 11 de março de
1909, o regimento permaneceu na mesma sede e com quatro esquadrões. No seu efetivo
previa entre os oficiais um tenente coronel, um major, um capitão ajudante, um tenente
médico, um tenente intendente, um tenente secretário, quatro capitães, oito 1º tenentes, oito 2º
tenentes. Das praças eram 51 sargentos, incluindo um 1ºsgt ajudante, dezesseis 2º sargentos e
dezesseis 3º sargentos. Dos cabos e soldados: um cabo enfermeiro, trinta e dois cabos de
esquadra, quatro artífices, quatro veterinários, trinta e duas anspeçadas, trinta e dois soldados,
dezesseis clarins, um veterinário e um picador, somando toda a unidade duzentos militares.

Linha Divisória

No ano de 1909, como já fazia desde 1870, o regimento continuava mantendo


destacamentos na Linha Divisória, que eram postos de vigilância na linha de fronteira
guarnecidos pelas unidades do Exército. Esse serviço continuou existindo até a década de
1920, quando com a criação de mais unidades espalhadas pela fronteira sul e oeste tornou-se
desnecessária a sua existência.
A sede do destacamento da Linha Divisória do 8º RC era na Barra do Quaraí e o seu
oficial comandante acumulava esta função com os encargos de responsável pela Invernada da
unidade.
Não foi possível, porém, identificar todos os postos da Linha Divisória do 8º.
Identificamos apenas o do Passo dos Ramos, Santana Velha e do Passo do Leão. A
identificação deste último, por exemplo, somente foi possível pela transcrição no boletim de 3
de janeiro de 1913, referente à descarga de um cavalo:

[...]pello tordilho claro n” do 4” esquadrão, que morreu no


destacamento do Passo do Ramos, de sarna, deixando de ser
aproveitado o couro, conforme consta da parte datada de 29 do mez
findo, do Sr 1º Tenente Commandante do destacamento da linha
divisória, devendo o esquadrão fazer a respectiva alteração no
mappa.(o grifo é nosso)

No texto o termo “Passo” é uma passagem em um rio ou arroio. É uma palavra de


origem espanhola, também conhecido no Brasil com o nome de vau. No sul com a
proximidade das colônias hispânicas predominou-se o termo Passo.
Para melhor situar a posição dos pontos da Linha Divisória, encontramos a
localização de alguns passos e picadas situadas na linha de fronteira, particularmente no que
nos interessa, ou seja, entre Quaraí/Artigas e Barra do Quaraí/Bella Union. Neste espaço de
leste para oeste, todos na fronteira com o Uruguai estão situados várias passagens, entre elas a
do Passo dos Lemos, do Lajeado, Urrula, Juqueri, dos Ramos, Remanso e as Picada do Leão e
Picada Pai-passo.
Das passagens citadas a do Pai-passo era um dos pontos em que o destacamento do
3º RCL vigiava em 1870, após o retorno da Guerra do Paraguai, conforme abordamos no
Capítulo 17.

Escalão Superior e as Unidades Vizinhas

O escalão superior ao 8º RC era a 2ª Brigada de Cavalaria sediada em Alegrete, que


por sua vez estava subordinada à Inspetoria Especial dos Corpos de Cavalaria. Seu inspetor
no ano de 1908 era o General de Divisão Manoel Joaquim Godolphim, ex-comandante do
regimento nos anos de 1890/1891.
Como unidades vizinhas ao 8º RC existiam o 15º RC em Itaqui (ex-destacamento do
então 3º RCL até 1908), o 6º RC em São Borja, o 7º RC em Quaraí e em Alegrete os 9º RC e
17º GACav, sendo estas três últimas eram subordinadas também à 2ª Brigada.

Banda de Música

Quando do retorno da Legião a Capitania de São Paulo após a Guerra da Restauração


(1774-1776), o governador reorganizou a tropa incluindo uma Banda de Música. Depois
disso, durante todo o século XIX, na nossa pesquisa infelizmente perdemos o contato
bibliográfico com a banda, mas acreditamos que ela não tenha continuado a existir nos
quadros regimentais nesse período, tendo apenas permanecido os clarins, necessários às
ordens de uma unidade de cavalaria. E deve ter sido isso mesmo, porque quando houve a
reorganização do Exército após a independência, tanto a cavalaria como a infantaria e a
artilharia que formavam juntas as tropas da Legião, com o desmembramento desta, da mesma
maneira, a banda deve ter tido um destino a que não foi possível saber.
No começo do século XX, voltamos a encontrar transcrições referentes à banda, uma
delas é do ano de 1903, quando na Ordem do Dia de 1º de fevereiro se fez referência de um
“Contrato de Músicos” para tocarem na festa de Nosso Senhor do Bonfim em Uruguaiana.
Foi a primeira citação depois daquela de abril de 1813, no capítulo 6, em que a banda da
Legião recebeu ordem para que tocasse na igreja de Porto Alegre.
Outra atuação da banda foi encontrada no jornal “A Nação”, de 20 de setembro de
1905 (Arquivo Municipal de Uruguaiana), quando a cidade comemorava a rendição dos
paraguaios em 1865. No texto do jornal estava escrito: “O Snr Coronel Antonio Anibal da
Motta digno comandante dessa guarnição e fronteira, em homenagem á memorável data
ordenou que uma das bandas militares tocasse alvorada na Praça da Rendição. A noite, a
banda do 3º Regimento de Cavallaria percorreu diversas ruas da cidade tocando bonitas
marchas [...]”
Na reorganização do Exército de 1908, quando o regimento foi transformado em 8º
RC, foi dada a ordem da extinção da banda, pela qual se publicou a rescisão do contrato do
“ensaiador” de música e da própria sua própria extinção:

[...] “Não possuindo os regimentos de Cavalaria pela nova


organização do Exército, bandas de musica, conforme se verifica pelo
Artigo 12 das instrucções citadas na primeira parte d'esta ordem do
dia, fica rescindido o contracto que tinha com este Regimento, o
ensaia dor civil José Constantino Pereira, e extinta a banda de musica
podendo passar os musicos para a banda de clarins por transferencia
voluntaria, mantidos os vencimentos que tiverem, enquanto o
merecerem”. (Ordem Regimental nº 910 de 11 de março de 1909)

A decisão de extinguir as bandas, porém, foi de curto prazo. Certamente pelos


inúmeros pedidos que devam ter ocorrido, em março de 1910 foi reorganizada a Banda do
Regimento, após a comunicação de haver o “Ministério da Guerra permittido que seja
reorganizada a Banda do Regimento, sem prejuizo da instrucção nem despeza” (Ordem do
Dia nº 54 de 28 de março).
Na sua reorganização, o Comandante do 8º RC determinou: “que em quanto o
serviço não o exigir os esquadrões não chamarão para serviço as seguintes praças que
compõem a banda [...]”. Com essa ordem foram relacionados para compor a mesma, dois
sargentos, quatro clarins, dois anspeçadas e seis soldados.
Com a nova decisão, os contratos voltaram serem feitos. É importante deduzir que a
contratação dos músicos naquela época era intensa, até porque não existiam recursos
eletrônicos como hoje dispomos, sendo indispensável à presença dos mesmos nos eventos
sociais. Pode parecer que a Banda de Música do Regimento exercia uma intensa atividade
comercial, podendo até ter sido uma boa fonte de renda para a Unidade, mas também os
músicos recebiam pelos seus trabalhos.
Em contrapartida, a banda, que na cavalaria é tratada como fanfarra, também exercia
um papel sócio-cultural para a sociedade de Uruguaiana. Nesta função, por exemplo, nos anos
de 1912-1913, praticamente em quase todos os domingos era executado uma retreta na Praça
Paissandu, no horário das 16 as 18 h, tornando certamente aquelas tardes muito prazerosas
para a população local.
A seguir transcrevemos alguns contratos da fanfarra feitos pelo Regimento, com os
seus respectivos valores. São contratos para tocar em missas, procissões, jogo de futebol,
baile e até em circo. Nas duas últimas transcrições revela que a fanfarra também tocava em
ocasiões de recepção de autoridades, tanto na estação ferroviária ou no porto, quando da
chegada do trem ou do vapor, que existiu no rio Uruguai até a segunda metade da década de
1910.

Ordem do Dia nº 152 de 6 de julho de 1912


Banda de Música
Amanhã a banda de música será contractada pela quantia de
50$000 para tocar a noite no circo “Guayra”.

Boletim de 06 de Janeiro de 1913


Ante-hontem, esteve a banda de musica contractada pela
quantia de 80$000 para tocar em um baile no “Club Phenix”, e
hontem, em funeral pela de 20$000, pelo 3º Sargento do 2º esquadrão,
Ayres Godofredo de Almeida.

Boletim de 03 de Janeiro de 1917


Contrato de Música
O Sr. Dr. João Fagundes, contratou por trinta mil reis a
banda de música do Regimento, no dia 1º do corrente para tocar uma
hora, por ocasião da colocação da pedra fundamental para o edifício
do Colégio das Freiras.
Boletim de 16 de Julho de 1917
Música
Para tocar 6ª feira na gare da Estrada de Ferro, sábado e
Domingo no Footbaal, foi contratada pela quantia de 150$000.

Boletim A 10 de Junho de 1918


Contrato de Música
Foi contratada ontem, a banda de música para tocar em uma
procissão pela quantia de 50$000 reis.

Boletim A 17 de Julho de 1918


Contrato de Música
A banda do Regimento tocou ontem numa missa e procissão
contratada pela quantia de 80$000 reis.

Boletim de 08 de 8 de Janeiro de 1913


Hoje por ocasião da chegada do vapor a banda de musica
deve achar-se no porto desta cidade afim de ali receber o Snr Ten Cel
Juvenal Antonio de Souza, bem como amanhã na estação da estrada
de ferro para tocar no embarque do mesmo Snr Official.

Boletim de 09 de 9 de Janeiro de 1913


São convidados os Snrs Officiais a comparecerem na estação
da Estrada de Ferro a hora da chegada do trem de Santa Maria, no
4” uniforme e armados, afim de receberem o Snr General Mesquita,
devendo a banda de musica também comparecer a hora acima
indicada.

No transcorrer da existência do Regimento, a fanfarra sempre foi integrada por


militares que acumulavam as suas qualificações de combatentes com as de músico, fato este
que até foi alvo de crítica no ano de 1918 por parte do Comandante da Brigada.
Hoje, o 5º R C Mec continua tendo uma fanfarra e como no passado os seus
componentes em sua maioria acumulam as suas atividades com as de músicos.
E como ocorria há quase um século, a Fanfarra do 5º R C Mec continua
abrilhantando as atividades do regimento, como também aos inúmeros eventos sócio-culturais
na cidade de Quaraí.

Uruguaiana: Entroncamento Rodoviário, Ferroviário e Fluvial

Situada em uma posição estratégica às margens do rio Uruguai e posicionada em um


dos extremos do estado do Rio Grande do Sul, Uruguaiana tornou-se uma importante cidade
por ser justamente um entroncamento rodoviário, ferroviário e fluvial.
Com esta condição, verificamos nos boletins do Regimento inúmeras publicações de
apresentações de militares das guarnições vizinhas de Itaqui, Quaraí, Alegrete, São Borja,
Santa Maria e até de outras mais distantes como Porto Alegre, que passavam em Uruguaiana
para fazer a baldeação, seja ferroviária ou fluvial. Outro motivo das constantes apresentações
era referente à alfândega, que ali existiu até os primeiros anos da década de 1910, a qual
efetuava pagamentos de numerários e vencimentos das unidades.
Por conta do intenso trânsito em Uruguaiana o regimento passou a ter uma
importância também estratégica, qual seja a de apoio às outras unidades, seja recebendo e
alojando os militares em trânsito, recepcionando autoridades ou despachando carga, sendo
que passou a existir na unidade a função do militar agente de embarque e desembarque.
Transcrevemos algumas publicações que mostram a intensa movimentação que
existia na Estação de Trem, na Alfândega e no Porto de Uruguaiana envolvendo militares e
carga:

Ordem do Dia nº 388 de 17 de janeiro de 1912


Praças em Destino
Devem embarcar amanhã todas as praças que se destinaram
a Itaquy, São Borja e São Nicolau; as quaes deverão ser apresentadas
as 6 horas da manhã, a casa da ordem, para serem conduzidas pelo
sargento dos embarques e desembarques ao porto desta cidade, onde
se deverão achar as 6 ½ da manhã. (o grifo é nosso)

Ordem do Dia nº 389 de 18 de janeiro de 1912


Embarque de Praças
Conforme está determinado em ordem do dia, pelo vapor Rio-
Grande seguiram hoje as praças abaixo: Belmonte Correa, Cypriano
Ferreira Bicca, Severino Moreira, José de Souza, João dos Santos,
agostinho Marques dos Santos, José dos Anjos Cordeiro, Romalino
Belmonte, Izaias de Oliveira e Raymundo Knapp. (o grifo é nosso)

Ordem do Dia nº 14 de 20 de fevereiro de 1912


Apresentação de Praças
Apresentaram-se hontem 2º Sargento Sylvano Blanco, Cabo
d'esquadra Emilio Francisco Camar, soldado Hemeterio Pinto e
Francisco Garcia Pereira da Costa, todos do 15º Regimento de
Cavallaria, que vão a Porto Alegre conduzindo o civil [...]. Esta
escolta segue pelo trem de amanhã. Apresentou-se também o 2º
Sargento Olympo Rodrigues Offeman que, vindo da Capital Federal,
destina-se ao 6º Regimento de Cavallaria

Ordem do Dia nº 157 de 11 de julho de 1912


Vencimentos da guarnição de Alegrete
O Snr. 1º tenente intendente recebeu da Alfandega desta
cidade, a quantia de 3:945$819 da folha de officiais do 9º Regimento
e 4:121$186 da folha dos officiais do 17º Grupo, cujas quantias
foram, hoe, recolhidas ao cofre do regimento.
(o grifo é nosso; a alfândega funcionou em Uruguaiana até
1913, quando foi substituída por uma agência do “Banco da
Província”, a qual passou a exercer as mesmas atribuições. Junto à
Alfandega o regimento mantinha uma guarda).

Ordem do Dia nº 185 de 7 de agosto de 1912


Inferior em trânsito
Apresentou-se hontem, vindo de São Borja, o 3º Sargento
Djalmo Pinheiro Machado, que segue amanhã, com destino ao 11º
Regimento de Infantaria, estacionado em São Vicente.

Officiais em trânsito
Apresentaram-se hoje, os senhores 1º Tenentes Setembrino
Alves de Oliveira e Abel Herique Medeiros e os 2º Octaviano José
Silva e Francisco Pereira Costa, o 1º com destino a Quarahy, o 2º a
Porto Alegre, o 3º a Jaguarão e o 4º a São Nicolau.
Campanha do Contestado

Em outubro de 1912, o 8º RC recebeu a determinação de designar oficiais para


servirem adidos ao 5º RC de São Luiz Gonzaga. A ordem era porque este regimento estava
escalado para marchar à fronteira do Paraná, onde ficaria de observação em face da
“Campanha do Contestado”, ocorrida naquela região.
Os oficiais designados foram os 1º Ten Francisco Pio Pereira, Severiano Adolpho da
Fontoura, os 2º Ten Isauro Reguera, Luiz Euzébio de Mello Castelo Branco e Dorvalino
Coussirat de Araújo (Ordem do Dia nº 266 de 27 de outubro de 1912).
No boletim do dia seguinte, entretanto, foi publicada uma alteração por ordem do
General Inspetor, para que ficasse no regimento pelo menos um dos oficiais que constituíam a
junta de alistamento, fazendo com que fosse substituído o 1º Ten Severiano Adolpho da
Fontoura pelo 2º Ten Valentim Benício da Silva.
Com mais essa missão, mais uma campanha militar o Regimento se fez presente,
mesmo que indiretamente, através do envio de um contingente de oficiais.

Comando do Tenente Coronel Tasso Fragoso

Quando iniciamos as pesquisas sobre a história do 5º R C Mec verificamos que um


de seus comandantes tinha sido o TCel Tasso Fragoso (1911-1913). O nome logo nos chamou
a atenção, pois esse oficial foi uns que mais se destacaram em sua geração. Ele como general
foi Chefe do Estado Maior do Exército e teve destacada atuação na Revolução de 1930, mas
acima de tudo pelos livros que publicou o seu nome muito é lembrado. Foi conhecendo a
significação de seu nome que nos estimulou a conhecer o seu comando, o que não poderia ser
de outra forma a não ser lendo os boletins.
Poderíamos até não encontrar nada de interessante neles, que fosse somente matérias
comuns e administrativas, porém, ao fazer a leitura dos mesmos confirmamos porque ele era
respeitado e admirado. Os seus boletins foram de uma riqueza de detalhes incomum, que até
nos pareceu que ele tinha a dedução clara de que seriam lidos pelas gerações futuras.
Antes de assumir o comando, Tasso Fragoso havia realizado um estágio no Exército
Alemão, o qual foi escolhido pelo reconhecimento dentro da Força. No regimento, além do
comandante, o capitão Jerônimo Furtado do Nascimento também esteve no referido estágio.
Era uma missão de instrução que teve a iniciativa do General Hermes da Fonseca, Presidente
da República, que na sua visão de modernização do Exército, iniciado desde quando era
Ministro da Guerra no governo de Afonso Pena, enviou entre os anos de 1910 e 1912, vinte e
sete militares à Alemanha, pelo qual ficaram conhecidos como “Jovens Turcos”.
O TCel Tasso Fragoso no boletim de 19 de abril de 1913 assim se expressou pela sua
experiência em outro exército:

[...] sou dos que não teem illusões sobre o estado real de
nossa tropa. Não só o conhecimento theorico das organizações
militares existentes, como a observação concreta de exércitos bem
apparelhados, arraigaram em meu espírito a convicção de que
estamos ainda longe d’aquelle estado de preparação efficiente de que
a pátria fia a sua segurança e liberdade [...]

Com a experiência em outro exército, que estava se preparando para a guerra, e


ciente das deficiências das nossas tropas, o Ten Cel Tasso Fragoso conduziu seu comando
preocupado com a melhoria da instrução. Esta postura é flagrante, quando em dezembro de
1913 foi transcrito em boletim todo o desenrolar de uma manobra. As ordens de movimento e
desenvolvimento da mesma ocorreram ao longo das localidades de Canaparro, Cyro Vilella,
Ibiricahy, Inhanduy, Capivary, margem direita do arroio Caverá, Santa Mazilha e Jiquiquá,
totalizando dezoito dias de exercícios, o que não deveria ser muito comum nos corpos de
tropa naquela época.
O conhecimento e a cultura do TCel Fragoso também pode ser ressaltada quando
entre os dias 15 de agosto e 19 de setembro de 1912 (Ordem do Dia nº 330 de 29 dez 1912), o
comandante desenvolveu uma série de conferências de elevado nível aos oficiais do 8º RC, o
que também não deveria ser comum naquela época. Eram instruções muito interessantes e até
umas delas envolvia o estudo tático de algumas batalhas do Continente Sul-americano e
Europeu. E pensar que naquela época não existia no exército uma escola de aperfeiçoamento
para oficiais. A atual Escola de Aperfeiçoamento de Oficiais (EsAO), que anualmente reúne
centenas de capitães para aperfeiçoá-los somente surgiu na década de 1920.
Dentro da conferência outras instruções o TCel Tasso Fragoso ministrou, entre as
quais o emprego da arma de cavalaria, os últimos regulamentos da cavalaria alemã, francesa e
argentina e a estratégia e tática da cavalaria chamada independente, empregada na Europa.
Interessante que a segunda instrução, mas principalmente a terceira talvez tenha influenciado
na mudança que estaria por vir nos regimentos de cavalaria, como ocorreu em 1919, quando
foram transformados em regimentos de cavalaria independente (RCI).
Outro exemplo do cuidado do TCel Tasso Fragoso com a instrução foi a utilização
do cinema, uma novidade na época, mesmo que mudo, no sentido de incrementar a instrução
para os soldados. Com esse objetivo, o comandante obteve esse poderoso meio auxiliar,
barganhado por meio do empréstimo da Banda de Música.

Ordem do dia nº 254 de 08 de setembro de 1913


Sessão Cinematographica
Estando convencido de que uma representação
cinematographica de fitas militares bem escolhidas, além de construir
uma distração para os soldados, pode servir para lhes aperfeiçoar a
instrução profissional, combinei com o Sr. Dias, proprietário de um
dos cinematographos da cidade, dar no pateo do quartel uma
representação nas condições a que acabo de referir-me, pagando-a
mediante duas tocatas gratuitas de nossa musica, em dias que elle
designasse. Hontem levou-se a effeito como melhor êxito a dita
representação.

Como escrevemos anteriormente ler as Ordens do Dia durante o comando do TCel


Tasso Fragoso foi interessante, não somente pela projeção do seu nome no meio militar, mas
também pelas publicações, que por si só chamaram a atenção pelo valor de suas matérias,
justamente pelo hábito do comandante em determinar que fossem publicadas. Era nos
boletins que ele registrava parte de seus pensamentos, idéias e atos. Exemplo é a matéria
“cinematographos”, pois lhe bastava tomar a decisão de empregar essa grande novidade na
instrução, mas a publicação de seus argumentos tornou o fato relevante, a ponto de ser
inserido neste livro.
O General Isauro Regueira, que havia sido tenente do TCel Tasso Fragoso no 8º RC,
assim se expressou, em depoimento, na biografia de seu antigo comandante, escrita pelo
General Tristão de Alencar Araripe, Bibliex, 1960, pg. 336-337. Pelo depoimento é revelado
também um pouco mais sobre o cotidiano da unidade:

Ao atender ao pedido do prezado camarada presto sincera


homenagem de agradecido reconhecimento pelo muito que aprendi
com o integérrimo General Augusto Tasso Fragoso.
No 8º Regimento de Cavalaria – o primeiro grande esfôrço
em benefício da instrução foi conseguir o forrageamento da
cavalhada. O hábito anterior consistia em trazer os animais da
Invernada, tirar-lhes o excesso de crinas e cascos, enquanto se
desengraxava o armamento e se limpava o arreiamento. No fim de
uma semana montava-se, dava-se um passeio pela cidade [...] e assim
terminava o exercício geral.
Com um major, 4 capitães, 3 tenentes e 2 aspirantes,
começou a vida nova pelo preparo individual dos oficiais e das
praças. Ainda não havia incorporação regular. Três ou quatro vêzes
por semana montava todo o pessoal que dava para um esquadrão,
com efetivo normal, e resolviam-se várias situações táticas nos
arredores da cidade. A crítica era imediata; mas ao regressar à
caserna o Comandante fazia recomendações a propósito do trabalho
realizado.

Posteriormente promovido a General, Tasso Fragoso teve destacada atuação na


Revolução de 1930, quando à frente de outros oficiais afastou o Presidente Washington Luís,
evitando a luta fratricida que se descortinava. O General após a deposição assumiu então a
Presidência da Junta Provisória, entregando o governo pouco depois a Getúlio Vargas.
Reconhecido no Exército como uma das maiores projeções da historiografia militar
brasileira, Tasso Fragoso é autor consagrado dos livros “A batalha do Passo do Rosário”, “Os
franceses no Rio de Janeiro” e a “História da Guerra entre a Tríplice Aliança e o Paraguai”.
Este último, escrita em cinco volumes, é considerado como uma das principais referências
literárias do conflito. Como reconhecimento pelo seu trabalho literário o Gen Tasso Fragoso é
patrono da cadeira nº 5 da Academia de História Militar Terrestre do Brasil (AHIMTB),
Outro destaque concedido ao General Tasso Fragoso é ter o seu nome como
Denominação Histórica da 1ª Divisão de Levantamento, em Porto Alegre. A honraria foi
concedida, pois como capitão, integrou a equipe pioneira que criou a Comissão da Carta Geral
do Brasil (1903-1906), a qual tinha como missão fazer o levantamento topográfico de áreas
estratégicas para operações militares.
Falecido em 20 de setembro de 1945 aos 76 anos de idade, o ex-comandante do
regimento ainda foi alvo de homenagem, quando teve a sua biografia escrita pelo General
Tristão de Alencar Araripe, que foi uma das nossas referências bibliográficas.

1ª Guerra Mundial

A 1ª Guerra Mundial, ocorrida na Europa entre os anos de 1914 e 1918, não causou
grandes conseqüências para o Brasil e para o Exército Brasileiro. Governava o país o
Presidente Wenceslau Braz, que em outubro de 1917, após o afundamento de navios
mercantes brasileiros, declarou guerra à Alemanha.
A participação do Exército Brasileiro na guerra foi apenas representada com o envio
de 24 oficiais integrantes da então Comissão de Estudos, Operações e de Aquisição de
Material na França nos anos de 1918-1919. A comissão tinha por finalidade a de absorver,
combatendo nos Exércitos Aliados, a maior quantidade de ensinamentos da Doutrina Militar
Francesa e ainda a de adquirir o material bélico necessário para implantá-la no Brasil.
Fazendo parte dos oficiais que combateu na 1ª grande guerra nos Exércitos Aliados,
destacava-se o 1º Ten Isauro Reguera, citado no subtítulo anterior. Esse mesmo oficial,
posteriormente comandou o regimento no período de 09 de Novembro de 1929 e 04 de
janeiro de 1930, quando já era 5º RCI.
Para o 8º RC, a 1ª Guerra Mundial foi descrita nos boletins da unidade, quando foi
publicada a neutralidade, a declaração de guerra, uma consulta sobre voluntários para uma
equipe médica e por último o fim do conflito, comemorado com a iluminação da fachada do
quartel, a melhoria do rancho e a relevação das punições:
Boletim nº 158 de 05 de Junho de 1917
Quebra de Neutralidade
Do boletim da Brigada de ontem, transcreve-se o seguinte:
“Transcrevo o telegrama de ontem do comando da Região:
“Comunico-vos que o Senado Federal acaba de aprovar seguinte
proposição sob mensagem do Governo:
O Congresso Nacional resolve.
Artigo 1º - Fica sem efeito o decreto nº 12.458 de 25 de Abril
do corrente ano que estabelece a neutralidade do Brasil na guerra
dos Estados Unidos com o Império Alemão.

Boletim nº 304 de 28 de Outubro de 1917


Estado de Guerra
Em aditamento a Ordem do Dia nº 304, transcrevo o
telegrama abaixo, recebido hoje às 17:30 horas. Urgente
Comandante 8º Regimento Uruguaiana, cientifico-vos que
acabo de receber comunicação inspetor 7ª Região ter o Congresso
reconhecido e proclamado estado de guerra iniciado pelo Império
Alemão contra o Brasil.
O Presidente da República sancionou decreto legislativo de
25 de Outubro corrente. Saudações Coronel Pedreira Franco
Comandante 2ª Brigada.

Boletim nº 201 de 18 de Julho de 1918


Missão Médica
“Sr. General a fim satisfazer determinação Senhor Ministro
ordenou-me vos solicitasse com maior urgência informasse quais
médicos e farmacêuticos do Exército desejam fazer parte missão
médica especial que sob direção Dr. José Thomaz Nabuco de Gouvêa
comissionado esse Coronel vai estabelecer Hospital em França, sendo
professor Dr. Nabuco Coronel guarda Nacional. Saudações. Major
Andrade Neves. Chefe Estado Maior Região” (Boletim da Brigada nº
173 de 17 do corrente mês).

Boletim nº 187 de 2 de Julho de 1919


Assinatura da Paz
Transcreve-se o telegrama abaixo, ontem recebido, do
comando da 2ª Brigada de Cavalaria: “Por determinação Ministro
Guerra ontem determina que durante três dias em regozijo paz
deverão ser iluminadas fachadas quartéis hasteada a Bandeira
Nacional melhorando rancho praças. Saudações. Coronel
Pederneiras”.
Com o maior prazer que rejubilo-me com os oficiais e praças
ao dar publicidade desta nova, que veio por termo a maior
conflagelação que o mundo civilizado presenciou; e onde a nossa
querida Pátria, como sentinela da ordem e do respeito na América do
Sul, respeitou tão saliente quão nobre papel, colocando-se ao lado da
vitória, do direito e da justiça, na sagrada e junta defesa de sua
soberania; mostrando ao mundo que bem pode confiar no valor de
seus filhos, que dignamente souberam honrá-la aqui prontos até o
extremo sacrifício e no estrangeiro, batendo-se com valor e heroísmo,
próprios do soldado brasileiro, o que registro para o nosso gáudio.
Determino, pois, em cumprimento à ordem acima que seja
iluminada três dias a fachada deste quartel, melhorado o rancho das
praças, de acordo com a tabela em vigor e postas em liberdade, em
homenagem a este grande acontecimento, todas as praças presas e
detidas correcionalmente à minha ordem, tendo alta as graduadas,
dos seus respectivos postos.

Gripe Espanhola

Entre setembro de 1918 e abril de 1919, ocorreu uma pandemia de gripe vitimando
milhões de pessoas no mundo inteiro. Esta epidemia, a qual ficou conhecida como “Gripe
Espanhola”, ocorreu devido ao surgimento de um vírus altamente agressivo e letal.
No Brasil, a chegada dos refugiados de guerra acabou provocando o alastramento da
gripe espanhola em nosso território, inclusive em Uruguaiana, tendo ocorrido alguns casos
fatais.
A passagem da gripe espanhola por Uruguaiana e particularmente no Regimento,
pode ser acompanhada pela leitura dos boletins do mês de novembro de 1918:

Boletim nº 312 de 03 de Novembro de 1918


Transcrição Médica
Transcreve-se para o conhecimento do Regimento e sua
devida execução, as observações do Sr. Dr. Francisco Grey, médico
desta guarnição [...] proponho as autoridades competentes as
seguintes medidas:
1º - uso diário por todas as praças de vaselina mentolada e
gargarejo com soro fisiológico;
2º - exposição ao sol, todos os dias, das camas da totalidade
dos dormitórios, e desinfecção imediata destas salas;
3º - suspender todas as talhas sem filtro, substituindo-as por
outras com filtro;
4º - usar água exclusivamente, do rio Uruguay, retirando-a
de lugar conveniente e, de nenhum modo, água de poço;
5º - instar com as praças para cada um compre um copo de
louça, para uso pessoal, e terminar, de vez, com o uso de um só copo
para cada esquadrão;
6º - dispensar à noite, as praças que tem família, aqui para
que durmam em suas casas, evitando assim, aglomeração nos
dormitórios do quartel, aglomerações que, nestas noites de calor,
tornam a atmosfera irrespirável, transformando-se por este modo,
num dos maiores focos de contaminação da gripe;
7º - fazer com que todas as praças se afastem dos lugares
denunciados como foco de infecção, proibindo-as de freqüentarem a
casa de amigos doentes.
Terminando acrescentarei que, em menos de uma semana, o
total dos casos de gripe, na cidade, se elevou a mais de duzentos
sendo que, grande número, apresentando já extraordinária gravidade.
Conclui-se, pois, que, se no Rio, São Paulo, Porto Alegre, o seu inicio
benigno em breve, se transformou em formas terríveis, o que não será
entre nós quando o seu inicio já se faz com caráter tão gravemente
apavorante: prevejo maus dias para nós e, por isso espero que as
autoridades competentes aceitarão in totum, estas observações, que
são um meu apelo veemente sua alma de patriotas, nos tristes dias que
se atravessam a nossa infortunada pátria. Antes prevenir do que
curar.

Gripe Espanhola
O Sr. Dr. Médico do Regimento, sirva-se informar com
urgência sempre que encontrar novos casos de gripe em oficiais ou
praças desta guarnição, a fim de ser levado em telegrama ao
conhecimento do Sr. Coronel Comandante da Brigada, conforme já
determinou.

Boletim nº 315 de 06 de Novembro de 1918


Gripe Espanhola
Conforme as comunicações escritas do Sr. Dr, Médico do
Regimento, até hoje tem aparecido no pessoal aqui em serviço, 44
casos nas praças e um em oficial, de que tenho dado conhecimento em
telegrama ao Sr. Coronel comandante da Brigada, de acordo com a
sua determinação no telegrama 284 de 2 do corrente, boletim
regimental nº 312.

Boletim nº 321 de 13 de Novembro de 1918


Enterro
Efetuou-se hoje as 12 horas o do soldado João dos Santos,
falecido na enfermaria regimental em conseqüência de gripe.

Boletim nº 328 de 20 de Novembro de 1918


Manobras
O Sr. General Chefe do Estado Maior do Exército em
telegrama de 11 do corrente, declarou que atendendo as judiciosas
ponderações deste Comando e condições sanitárias da Região, ainda
flagelada pela epidemia da gripe reinante, ficam sem efeito as
manobras que deviam realizar-se no corrente ano. (do Boletim da
Brigada nº 275 de 19 do corrente mês).

O Problema da Invernada em Uruguaiana

Para realizar as instruções e dispor de uma invernada para a cavalhada, o regimento


não tinha outra opção senão o arrendamento de campo de particulares. Prova é a publicação
que encontramos no jornal “A Nação” de 9 de abril de 1918 em que consta o Edital do
regimento (Arquivo Municipal de Uruguaiana):

De ordem do Snr Tenente Coronel Olivério de Deus Vieira,


commandantedo 8º Regimento de Cavallaria, chamo a concurrencia
publica para o arrendamento de seis a sete quadras de sesmarias de
campo, para servir de invernada á cavalhada do regimento, sendo
todo elle completamente fechado com cerca de arame, com aguadas
permanentes, mangueiras, galpões, casa para official e praças, alli
em serviço. Os pagamentos serão feitos nos primeiros dias do mez,
pelo cofre do regimento. Uruguayana, 7 de abril de 1918.

O problema foi definitivamente resolvido com a aquisição de uma área dentro dos
limites de Uruguaiana, junto à estrada para Barra do Quaraí, onde hoje é o Círculo Militar. De
forma mais abrangente, o assunto da aquisição será abordado no capítulo seguinte.
Outras publicações também relatam o problema:

Ordem do Dia nº 37 de 11 de março de 1910


Approvação de Contracto
O Snr. Tenente Coronel Chefe da Administração Militar
desta Inspecção communicou de ordem do Snr. General Inspector em
officio nº 687 de 3 do corrente, ter o Snr. General de Divisão Ministro
da Guerra por aviso nº 5 de 16 de Fevereiro findo, approvado o
contracto celebrado pelo commandante deste regimento com José
Victor Córa sócio da firma Córa Successores; para o sub-
arrendamento durante o prazo de 3 annos, mediante o aluguel mensal
de 316$000, de um campo para servir de Invernada a respectiva
cavalhada determinando porem que o prazo de sua vigencia ficasse
reduzido a 2 annos, terminando assim em 1º de julho de 1912.

Boletim nº 299 de 14 de Agosto de 1918


Invernada
O Sr. Marechal Ministro da Guerra, em aviso nº 48 de 26 do
mês findo, declarou que o comando do 8º R C deve envidar todos os
esforços no sentido de conseguir invernada para os cavalos da
Unidade; se isso foi impossível, deverá estudar-se outra localidade
para transferir-se a sede do Regimento. (Transcrito do Boletim da
Brigada nº 196 de 13 do corrente mês).

Boletim nº 227 de 9 de Outubro de 1919


Contrato de Campo
O Regimento contratou o campo de propriedade do Sr.
Leovegildo Guirland, a razão de 20$000 por dia, nos dias em que
houver exercício.
20. A TRANSFORMAÇÃO DO 8º RC PARA 5º RCI
E O PERÍODO DE 1918-1922

A transformação de 8º RC para 5º RCI

A partir de 1º de janeiro de 1920, o 8º Regimento de Cavalaria passou a ser o 5º


Regimento de Cavalaria Independente (5º RCI), conforme o Decreto nº 13.916 de 11 de
dezembro de 1919 e o Aviso Ministerial nº 1.564 de 17 do mesmo mês e ano.
Por esse decreto os Regimentos de Cavalaria (RC) foram transformados em
Regimento de Cavalaria Independente (RCI), recebendo todos uma nova numeração. Com
algumas exceções, não houve mais mudanças nas numerações dos regimentos até os dias
atuais, o que facilitou, a partir do ano de 1919, a pesquisa para elaboração deste livro.
No caso do 5º RCI, para melhor esclarecer, este foi o 3º, o 8º e por último o 5º. A
partir de 1919 não perdeu mais essa numeração, no caso 5º, apenas mudando a sua natureza
de RCI para RC e por último para R C Mec. Observamos esse procedimento com as outras
unidades de cavalaria, mesmo tendo mudança de sede ou natureza.
Sobre a mudança da nomenclatura e numeração do regimento ocorrida por decreto,
no final de 1919, houve uma determinação de que as novas numerações passassem a vigorar
somente a partir de 1º de janeiro de 1920, o que foi obedecido conforme o boletim nº 1 de 01
de Janeiro de 1920: “Nova Numeração-Fica este Regimento constituído dos elementos e com
a mesma organização do antigo 8º por força do Decreto nº 13.916 de 11 e Aviso nº 1.564 de
17, tudo do mês findo”.

As Mudanças do Decreto 13.916

Verificamos que no ano anterior ao decreto de 1919, os regimentos de cavalaria


(RC), eram assim distribuídos no Rio Grande do Sul: 5º RC em São Luiz Gonzaga; 6º RC em
São Borja; 7º RC, Quaraí; 8º RC, Uruguaiana; 9º RC, Alegrete; 11º RC, Bagé; 12º RC,
Jaguarão e 15º RC em Livramento.
Com a publicação do decreto ocorreram as seguintes alterações na área da 3ª Região
Militar:
- O 5º RC de São Luiz Gonzaga foi transformado em 3º RCI com mesma sede (atual
4º RCB).
- O 6º RC de São Borja transformado em 2º RCI com mesma sede (atual 2º R C
Mec).
- O 7º RC de Quaraí foi extinto em fevereiro de 1919, ou seja, antes mesmo do
decreto de dezembro do mesmo ano. Ficou guarnecendo as suas instalações um
destacamento do 8º RC de Uruguaiana (atual 5º R C Mec).
- O 8º RC de Uruguaiana foi transformado em 5º RCI com mesma sede (atual 5º R C
Mec).
- O 9º RC de Alegrete foi transformado em 6º RCI, com previsão de ir para Quaraí,
mas permaneceu nessa cidade, onde está até os dias de hoje (atual 6º RCB).
- O 11º RC de Bagé foi transformado em 8º RCI com mesma sede, mas em 1924
recebeu nova denominação de 12º BCI.
- O 12º RC de Jaguarão foi transformado no 9º RCI com a mesma sede e em 1924
transformado em 3º RCD.

A Guarda do Quartel de Quaraí

Com a extinção do 7º RC de Quaraí, em fevereiro de 1919, o comandante da 2ª


Brigada de Cavalaria de Alegrete determinou ao 8º RC (atual 5ºRCMec) para que destacasse
uma fração, assumindo o quartel do regimento extinto. O comandante nomeado para esse
destacamento foi o 2º Tenente Brasiliano Americano Freire (Boletim nº 45 de 12 Fev 1919).
Posteriormente este oficial veio a comandar o próprio 5º RCI (atual 5º R C Mec), já com sede
em Quaraí nos anos de 1939-1940.
Na extinção do 7º RC de Quaraí e na chegada do novo comandante do destacamento
(Ten Brasiliano), foram enviados ofícios ao Intendente Municipal (Prefeito), o qual respondeu
conforme os ofícios nº 12 e 13, transcritos a seguir, ambos encontrados no arquivo da
Prefeitura de Quaraí:

Officio nº 12
Ilmo Snr. Commte do 7º Regimento de cavalaria
Respondo a vosso officio de hoje, em que me comunicaes
haver sido extincto o 7º Regimento de Cavallaria, de que eras o zelozo
commandante, expresso-vos aqui o meu agradecimento pela fineza da
communicação, e aproveito a opportunidade para reiterar-vos os
meus protestos de elevada e distincta consideração. Saúde e Frat -
Dr. Juan M. de Souza, Vice-Inte em exercício (25 fev 1919).

Officio nº 13
Ilmo Snr. Tenente Brasiliano Americano Freire, M.D. Cmº do
destacamento do 8º Regimento de Cavalaria N/C
Sciente, pelo vosso officio de 25 do corrente mês, de haver
assumido o commando do destacamento do 8º Regimento de
Cavallaria, aqui aquartelado, agradeço-vos a gentileza da
communicação, bem como o offerecimento dos vossos dignos serviços.
É-me grato pôr, digo, colocar ao vosso dispor o commando
nesta municipalidade, quer no trato ao publico serviço, quanto vosso
interesse particular. Saúde e Fraternidade (assigº)

O 8º RC (atual 5º R C Mec) continuou mantendo esse destacamento em Quaraí no


período de fevereiro a dezembro de 1919. Em 1924, por determinação do Ministro da Guerra,
foi reorganizado o 8º RCI (atual 8º R C Mec), com efetivos de oficiais e praças vindos de São
Paulo, os quais ficaram adidos ao 7º RCI de Livramento até total reorganização dessa nova
Unidade com sede no novo quartel de Quaraí. Todavia mudanças posteriores levarão o 5º RCI
(atual 5º R C Mec) a ocupar o novo quartel de Quaraí no ano de 1934.

As Primeiras Viaturas para o Regimento

A partir de 1923, o 5º RCI começou a receber as suas primeiras viaturas, marca L.


Cauehy & H. Lefebvre, o que foi uma grande novidade e avanço tecnológico para os
regimentos de cavalaria.

Boletim nº 295 de 11 de Dezembro de 1922

Viaturas
Conforme comunica o Sr. Ten Cel Francisco Escobar de
Araújo, vão ser proximamente enviadas para este regimento 10
viaturas L. Cauehy & H. Lefebvre de acordo com o quadro de
distribuição organizado pelo Estado Maior, por ordem da Diretoria
de Material Bélico.
Boletim nº 2 de 03 de Janeiro de 1923
Comissão
São nomeados para em comissão procederem ao exame das
10 viaturas Cauchy & H. Lefebvre e do material que ellas
acompanham, enviadas pelo Sr. Tenente Coronel Francisco Escobar
de Araújo, por ordem da Directoria de Material Bellico, os Snrs.
Capitão Fiscal João Baptista Correa de Mello e 2°s Tenentes Anthero
de Mattos Filho e Marcos Mesquita de Azambuja.

A aquisição da Invernada em Uruguaiana

O problema que o Regimento tinha com campo de instrução e invernada, já


comentado no capítulo anterior, foi efetivamente resolvido no ano de 1923 com a aquisição de
uma área nos limites de Uruguaiana. A área adquirida ficava junto à estrada de acesso à Barra
do Quaraí, onde hoje está o Círculo Militar de Uruguaiana (CMU). A aquisição, as dimensões
e a entrega da área podem ser observadas nas seguintes transcrições:

Boletim n° 1 de 02 de Janeiro de 1923


Entrega da Invernada
Vindo a este comando o Sr. Joaquim Flores, um dos
proprietários do campo que consta ter sido adquirido pelo Governo,
para servir de invernada aos animaes do Regimento, nomeio os Snrs.
Cap Fiscal João Baptista Correa de Mello, 1° Ten Firmino Herculano
de Moraes Ancora e 2° Ten Antero de Mattos Filho, para
relacionarem e darem parecer sobre os utensílios, material e bem
feitorias ali existentes, aguardando-se a chegada dos documentos
relativos a transação, já solicitados, para effetuar-se a posse
definitiva.

Boletim n° 33 de 08 de Fevereiro de 1923


Termo de Recebimento da Invernada
A commissão composta dos Snrs. Capitão Fiscal João
Baptista Corrêa de Mello, 1° Ten. Fermino Herculano de Moraes
Ancora, o 2° Ten. Antero de Mattos Filho apresentou o termo de
haver verificado existir na invernada as seguintes benfeitorias: [...]
[...] Por informação do Snr. Feliberto Flores sabe se que: a
áarea total é de sete quadras e meia (7 ½) de sesmaria e os limites são
os seguintes: ao norte pello Arroio Salso, a leste com os campos de
Amado Mendes Ribeiro, ao sul com campos de Angelo Martins Bastos
e Dr. Francelino Dias Fernandes a Oeste com a estrada que conduz a
Barra do Quarahy.

Boletim n° 294 de 4 de Dezembro de 1923


Boletim da Brigada n° 284 de 3 de Dezembro de 1923
Invernada
O Chefe do Serviço de Engenharia do quartel General desta
Região em informação prestada no telegramma deste commando n°
644 de 23 do mez p. passado declara que não foi encontrada a planta
da invernada deste regimento no estante examinado documentos do
archivo do mesmo serviço encontrou a declaração officiado que a
“Area da invernada adquirida pela União e situada no primeiro
districto, em Uruguayana, mede seis milhões setecentos e quarenta e
cinco mil cento e cincoenta e dois metros quadrados (6.745.152
mq.)”. O mesmo chefe declara que vae pedir informações a Directoria
de Engenharia.

Boletim n° 41 de 12 de Fevereiro de 1924


Boletim da Brigada n° 35 de 11 Fevereiro de 1924
Plantas
Remettidos pelo Serviço de Engenharia e Communicações da
3ª R/M, por intermedio dos Srs. Cmts. da 3ª R/M e da 2ª D/C,
entregam-se ao 5° R/C/I duas plantas copiadas em papel ferro-
prussiato, uma na escala 1/5.000 e a outro 1/100, relativas,
respectivamente, ao polygono ciscunscripto e aos immoveis
comprehendidos na invernada adquirida pelo Governo para uso desse
regimento.
21. A REVOLTA DE 1922

No dia 5 de julho de 1922 no Rio de Janeiro, Capital Federal, aconteceram a famosa


Revolta do Forte de Copacabana (“Os Dezoito do Forte”) e a Revolta na Escola Militar do
Realengo, rebeliões militares que rapidamente foram sufocados. Governava o país o
Presidente Epitácio Pessoa, tendo como Ministro da Guerra o civil Pandiá Calógeras.
Os fatos que culminaram com o movimento revoltoso envolviam o Ex-presidente,
General Hermes da Fonseca, que dias antes fora preso por ordem de Epitácio Pessoa.
Entretanto, os motivos principais do movimento foram desencadeados pela insatisfação no
campo político, o que gerou depois as revoltas de 1923, 1924, Coluna Prestes e a própria
Revolução de 1930, quando a política Café-com-Leite foi derrubada com a deposição do
Presidente Washington Luis.
Para o 5º RCI (atual 5º R C Mec), a revolta de 1922 não teve grandes conseqüências,
até mesmo pela distância da guarnição de Uruguaiana ao Rio de Janeiro. Todavia o levante,
conduzido em parte por jovens oficiais do Exército, acabou repercutindo depois nos quartéis
do Rio Grande do Sul, inclusive no 5º, como veremos nos capítulos seguintes.
Transcrevemos algumas publicações dos boletins do regimento que relatam os
acontecimentos que envolveram a Revolta de 1922:

Boletim de 07 de Julho de 1922


Transcrição de Telegrama
Com imenso prazer transcreve o telegrama abaixo do Sr.
Comandante da Brigada, onde demonstra cada vez mais que as forças
armadas continuam a manter sempre e sempre as suas tradições na
garantia das instituições republicanas e das autoridades legalmente
constituídas como a da atual Presidência o Ilmo. Dr. Epitácio da
Silva Pessoa. E para esta vitória da lei, da legalidade, chamo a
atenção dos meus caros comandados por que é este o espelho
brilhante que o soldado deve mirar-se constantemente não ouvindo os
lamentos de certos indivíduos que, olhando unicamente o seu interesse
próprio esquecem-se dos grandes interesses da Pátria que resumem-
se na ordem e muita ordem, para o seu doce progresso. E neste
caminho, firmados na defesa da nossa liberalissima constituição,
síntese de todas as leis, seremos admirados e queridos pelos nossos
superiores e pela Nacionalidade em que nos orgulhamos em
pertencer. Eis o telegrama: Sr. Presidente da República informa que
foi sufocada a rebelião tendo se rendido diante ação forças terra mar
e aviação forte Copacabana. Daí publicidade hoje regimento.
Saudações. Ten Cel Fíére. Comandante 3ª Brigada.
Este telegrama foi lido por este comando aos Srs. oficiais
reunidos no seu gabinete, às 11 horas de hoje, de acordo com o art.
299 do RISG. Os Srs. Comandantes de esquadrões deverão por sua
vez proceder a sua leitura perante suas unidades em formatura.

Boletim de 08 de Julho de 1922


Telegrama
Enviado pelo Sr. Comandante da Brigada transcrevo o
seguinte: ACABO RECEBER TELEGRAMAS COMANDANTE
REGIÃO OS QUAIS DAREI INTEIRA PUBLICIDADE: Na
madrugada de 5 do corrente escola militar realizou rebelião e
marchou sobre vila militar atacando-a com infantaria e atirando com
artilharia sobre quartéis e casas de oficiais. Movimento foi sufocado
na manhã 5 pelas forças da vila. Escola ocupada e alunos recolhidos
presos. Nesta madrugada Forte Copacabana participou da rebelião
atirando sobre a cidade durante o dia e causando vítimas na
população civil foi bombardeada à tarde pelas demais fortalezas e
pela esquadra. Rebeldes ergueram bandeira branca na manhã de 6 e
nessa ocasião alguns oficiais e praças fugiram. Comandante forte
pretendeu parlamentar e foi aprisionado. Governo não aceitou
condições e exigiu rendição. Pequeno número restante saiu forte e
enfrentou forças legais e foi quase totalmente aniquilado ficando
feridos poucos sobreviventes recolhidos ao hospital. Forte
Copacabana foi ocupado e ordem restabelecida. Oficiais ligados ao
movimento acham-se presos. Deveis dar conhecimento forças vosso
comando que mais uma vez o Exército cumpriu seu dever regimem da
lei. (Assinado) Calógeras. Como cumprimento telegramas autoridades
comunicou que ante-ontem congresso votou por espaço de uma hora e
por unanimidade de votos foi decretado estado de sítio por 30 dias
aqui estado do Rio e autorizando governo prorrogar-lhe e estender-lo
quaisquer outras partes território Nacional. Marechal Hermes foi
preso na vila proletária. Reina absoluta calma. Saudações. General
Hasthinphino Moura. Assinado General Azambuja, finalmente
Tenente Coronel Freire.

Boletim de 25 de Novembro de 1922


Transcrição de Telegrama
Completando as providências já tomadas por este comando,
em boletim de ontem, transcrevo o telegrama seguinte: De Palegre -
Urgente - Cmt 5º Uruguaiana - data 24 - nº 646 - Ministro da Guerra
acaba telegrafar nestes termos: Governo mantém neutralidade como
lhe cumpre no próximo pleito eleitoral. Oficiais podem exercer o seu
direito de voto onde estiverem qualificados correndo por conta
própria despesas respectivas. Recomendo a tropa vosso digno
comando toda imparcialidade. General Cypriano.
Proibido a ida de praças ao local ou imediações onde está se
realizando o pleito eleitoral, a fim de ser evitado dúvidas sobre a
neutralidade que mantenho e manterei nos negócios políticos desta
localidade.
22. A REVOLTA DE 1923

No ano de 1923, por causa de problemas políticos, aconteceu um conflito armado


envolvendo as elites rurais do Rio Grande do Sul contra as tropas legalistas do governo do
estado. O motivo desencadeador da revolta foi o resultado das eleições de novembro do ano
anterior, quando foi disputada a presidência do Rio Grande entre Assis Brasil e Borges de
Medeiros, na qual este último foi o vitorioso.
Além do problema político, a crise da economia no campo (charqueadas) e a rápida
industrialização do Estado acabaram desgastando a velha oligarquia, resultando na sua perda
de poder e prestígio e desencadeando uma guerra civil entre Borgistas (Chimangos) e Assistas
(Maragatos), a qual se estendeu durante todo o ano de 1923.
Nesse ano o Presidente da República era o paulista Arthur Bernardes (1922-1926); o
Ministro da Guerra o General Setembrino de Carvalho; o Chefe do Estado Maior do Exército,
o General Augusto de Tasso Fragoso, ex-Comandante do 8º RC de 1911 a 1913; o
Comandante da 3ª Região Militar, o General de Divisão Eurico de Andrade Neves e o
Comandante do 5º RCI, o Tenente Coronel Theodoro Viegas da Silva.
Borges de Medeiros como Presidente do Estado tinha a sua disposição a Brigada
Militar (Polícia Militar), cujo efetivo era maior que o das tropas do Exército no Rio Grande
do Sul. Lutando ao lado de Borges de Medeiros estava Flores da Cunha, Intendente (prefeito)
de Uruguaiana, o qual reforça a sua Polícia Municipal, comprando inclusive armas e munição
na vizinha Argentina.
Na luta, a Fronteira Oeste passa a ser o principal palco das batalhas, tendo
Uruguaiana como Quartel General dos Borgistas e a cidade de Alegrete como sede do QG
rebelde.
Em 23 de março, os rebeldes (maragatos) ocupam Alegrete obrigando as lideranças e
autoridades republicanas a se refugiarem em Uruguaiana. Após a conquista de Alegrete, os
rebeldes chefiados por Honório Lemes, conhecido como “Leão do Caverá”, conquistam
Quaraí.
Os rebeldes deslocam-se então para Uruguaiana, onde Flores da Cunha organiza-se
defensivamente contra a numerosa força revolucionária. A cidade é cercada e fica sitiada nos
os dias 3, 4 e 5 de abril. Ocorrem alguns combates, porém devido a atritos entre as lideranças,
os rebeldes desistem de atacar e desarmam o cerco.
A revolta de 1923 continuou em outros locais, até que em dezembro do mesmo ano o
Ministro da Guerra é enviado pelo Presidente Arthur Bernardes conseguindo estabelecer o
“Tratado de Pedras Altas”, selando a paz.

Participação do 5º RCI

O 5º RCI, com ordens de manter a neutralidade durante a revolta, recebe


determinação para defender agências bancárias, estações de trem, linhas ferroviárias, dar asilo
e limitar zonas neutras. Estas missões recebidas pelo regimento puderam ser observadas pelas
inúmeras transcrições dos boletins que selecionamos dentro da ordem cronológica, no período
de janeiro a dezembro, quando transcorreu a Revolta de 1923.
São muitas as transcrições nesse capítulo, mas as achamos muito interessantes e
decidimos publicá-las, porque narram não somente o envolvimento do Exército e do
regimento, como o próprio conflito. Com certeza de todas as guerras e revoltas em que a
unidade esteve envolvida, a de 1923 foi uma das mais bem documentadas.

Boletim n° 11 de 13 de Janeiro de 1923


Recommendação
Reitero ainda uma vez, que é expressamente proibido ás
praças a tomarem parte directa ou indirectamente em luctas
politicas, devendo todos se manter completamente alheios ao que se
passa nesta localidade sobre esse assumpto. Os transgressores serão
severamente punidos.

Boletim n° 15 de 18 de Janeiro de 1923


Garantia de Vidas
Hontem a noite concedi azilo neste quartel onde pernoitaram
a oito cidadãos que aqui se apresentaram, os quaes retiraram-se hoje
pela manhã. Outrossim pediram azilo ficando numa casa contigua os
Snrs. Cel Azambuja e mais cidadãos desta localidade por motivos
políticos.

Boletim n° 21 de 25 de Janeiro de 1923


Ordem ao Regimento
O Snr. Cmt da 3ª Bda transmitiu-me o seguinte telegramma
urgente do Snr. General Comt. da Região: “Em vista situação
anormal deveis manter tropas em quarteis attitude de vigilancia sob
proprios nacionaes que deverão ser guarnecidos, logo que haja
qualquer perturbação dentro cidade. Igualmente dareis azilamento
qualquer individuo que justificadamente ache constragido sua
liberdade. Avisareis immediatamente qualquer occorencia para que
providencias sejam tomadas caso as que dispensardes não forem
sufficientes. (A) Coronel Silva Varella”

Boletim n° 71 de 26 de Março de 1923


Boletim da Brigada n° 70 de 24 de Março de 1923
Recommendação
Devendo esta Região Militar, de accordo com as ordens e
instrucções do Governo Federal, manter absoluta neutralidade no
actual movimento politico deste Estado, determino a fiel observancia
das ordens e instrucções por mim expedidas para a manutenção de
tal neutralidade. (Bol. da Região n° 68)

Boletim n° 78 de 03 de Abril de 1923


Guardas
Attendendo a solicitação de inspetor de Alfandega, Agente
do correio, gerente do Banco do Brazil, Chefe da Estação
Telegraphica e Engenheiro Chefe das Obras do quartel militar em
construção (quartel atual do 8º R C Mec em Uruguaiana) mandei
garantir estes proprios nacionaes por forças do regimento. (o grifo é
nosso)

Boletim n° 81 de 06 de Abril de 1923


Transcripção de Telegramma
Transcreve-se o seguinte telegramma: Commandante 5°
R/C/I. Uruguayana. Urgente.P. Alegre 2/4/923. N° 546.
Mando urgente informação de que tem se passado por ahi.
Recommendo maior neutralidade luctas politicas embora sejam
travadas luctas fraticidas na região cidade suburbios. Não por leis
nem deveis auxilio qualquer natureza facieis politicas. Informar
urgente via Libres. Gal. Andrade Neves
Comentário do Boletim 81: O General Andrade Neves, Comandante da 3ª Região
Militar, manda utilizar a telegrafia pela cidade argentina de Passo de los Libres, que fica do
outro lado do rio Uruguai, defronte a Uruguaiana. Provavelmente o serviço telegráfico
brasileiro deve ter sido cortado ou estava grampeado.

Boletim n° 81 de 06 de Abril de 1923


Força para guarnecer linha ferrea
O 5° R/C/I forneça esquadrão para guarnecer a linha ferrea
de Uruguayana á ponte do Inhanduhy exclusive. (Bol. n° 80, deste
Q.G. de 4 do corrente)

Ordem a 2ª Divisão de Cavalaria., Bdas. e corpos


directamente subordinados a este commando:
Tendo se dado o caso de ficarem interrompidas as
comunicações telegraphicas entre este Q.G. e alguns commandos
subordinados, determino a 2ª D.C. Bdas. e corpos directamente
dependentes deste commando, que em caso de ameaça de luctas
partidarias na zona de suas jurisdições, devem, sem aguardar
ordens:
a) Assegurar a garantia dos proprios nacionais que
estendem aos quarteis em construcção, colletorias, telegraphos e
correios federaes, VFRGS e filiaes do Banco do Brazil;
b) Continuara garantir a liberdade dos reservistas do
exercito, de qualquer cathegoria, que apresentem caderneta ou
documento equivalente, contra qualquer violencia;
c) Garantir a liberdade de transito de passageiros na viação
ferrea, bem como o trafego de trem de carga;
d) Policiar as localidades guarnecidas desde que as mesmas
sejam abandonadas pelas autoridades estaduaes e municipaes ou
desde que estas fiquem impossibilidadas pelos revolucionarios de
exercerem suas funções, até que as mesmas voltem ao desempenho de
seus cargos ou sejam substituidas;
e) Em qualquer caso a tropa manterá absoluta neutralidade
nas luctas partidarias, sendo responsabilizado todo o infractor desta
ultima ordem. (Bol. Bda. N° 81 de hoje)

Boletim n° 82 de 07 de Abril de 1923


Diligencia
O 3° Esq. escale 1 sargento, 1 cabo e 6 praças para
seguirem hoje protegendo uma locomotiva da Viação Ferrea, que
partirá em inspecção até Carumbé, conforme recquisição do agente
da estação desta cidade.

Boletim n° 86 de 12 de Abril de 1923


Boletim da Brigada n° 86 de 11 de Abril de 1923
Postos Destacados
O Snr. Comt. da Região, em telegramma N° 589, determina
que nas pontes da VFRGS comprehendidas entre Itapevy e
Uruguayana sejam guarnecidas por postos destacados até ulterior
deliberação.
Para cumprimento desta ordem o Snr. Comt. do esquadrão
do 5° R/C/I que se guarnece as estrada de ferro de Uruguayana até
Inhanduhy exclusive, deverá providenciar para colocação dos
referidos postos nas pontes de Carumbé, Itajassú, Touro-Passo,
Ibirocaysinho, Ibirocahy e Guassú-Boi; o Snr. Comt. do Esquadrão
do 6° R/C/I, que guarnece do Inhanduhy a Itapevy inclusive, deverá
ter igual procedimento quanto as pontes do Passo novo, Jacaquá e
Itapevy.
Estas tropas permanecerão acampadas nas suas posições e
sobre o seu abastecimento os Snr. Comt. do corpo providenciarão de
melhor modo que os guiar o senso proprio.
Guardas
Em virtude de ter voltado a cidade á sua vida normal, e
como no momento a ordem publica não soffra perturbação de
caracter grave, sejam suspensas as guardas da Alfandega, o Banco
do Brazil e Correio.

Boletim n° 94 de 22 de Abril de 1923


Asylo
Além dos nomes publicados em boletins regimentaes, foi
dado asylo neste quartel durante os dias 3, 4, 5 e 6 do corrente dos
civis abaixo, além de muitos outros que não foi possivel tomar-se
nomes, devido a grande balburdia que reinava na cidade provocada
pelo tiroteio estabelecido entre as forças revolucionarias e do Estado
que inumeras familias e mulheres e crianças tudo ao mesmo tempo
procuraram penetrar pelo portão do quartel (261 homens) e destes
continuam asilados os seguintes: [...]. (o grifo da contagem é nosso)

Comentário do Boletim nº 94: Conforme a relação nominal contida no Boletim nº 94,


o Regimento deu asilo a 261 homens, mas com certeza mulheres e crianças também
receberam o asilo, porém esses não foram relacionados. Estavam asilados na unidade antes do
cerco cerca de 40 pessoas, o que nos leva a contabilizar que mais de 500 entre homens,
mulheres e crianças ficaram sob a proteção do 5º RCI nos dias do cerco a Uruguaiana.

Boletim n° 96 de 23 de Abril de 1923


Transcripção de Telegramma
De ordem do Snr. Commandante Zona Fronteira, fica esse
regimento encarregado do serviço de guarnecer o trecho da Estrada
de Ferro, comprehendida entre essa cidade e a Estação de
Inhanduhy (exclusive) devendo para isso designar um esquadrão. O
abastecimento dessa força fica sobre a responsabilidade do
commando desse regimento. O serviço de guarnição dos trens de
passageiros, de carga e de socorro que trafegarem entre
Uruguayana e Cacequy, continuará como está determinado bem
como o serviço de proteção aos trabalhadores encarregados do
restabelecimento da estrada e linha telegraphica. Saudações. (A)
Coronel Viegas - Commandante Interino.

Boletim n° 126 de 26 de Maio de 1923


Solução de Consulta
Respondendo a uma consulta deste Commando sobre a
guarda de caminhões da Cruz Vermelha Brazileira de Livramento
empregado no transporte dos seus associados feridos, o Snr. Cmt. da
3ª R/M deu a seguinte solução: “N° 862-Respondo vosso 325 - Dado
caracter humanitario da Cruz Vermelha que deverá attender por isso
mesmo a combatentes de outro partido, julgo desnecessario
guarnição desde que mesma esteja no exercicio de seu dever
humanitario para cujo fim foi exclusivamente creada. Tem-se
observado em guerras que combatentes abusam para mascarar
movimentos, dos caracteristicos proprios a casa benemerita
instituição e só nestas condições é que se tem observado tropas
garantindo a acção da Cruz Vermelha, portanto, não sendo esse o
caso actual, pois não acredito que a Cruz Vermelha de Livramento
queira valer-se desse abuso e sim tenha sido creada para fins
humanitarios, venho, solvendo vossa consulta, declarar-vos que me
parece desnecessario attender ao pedido por ella feito. A sua missão
é a melhor garantia e por onde for que passe a Cruz Vermelha será
naturalmente respeitada pelos partidos em lucta, dado o seu caracter
da mais completa imparcialidade, de que deve ser revestida. (A)
General Andrade Neves (Bol da Div n° 99)(Boletim da Brigada n°
124 de 25 do corrente)

Boletim n° 149 de 22 de Junho de 1923


Zona Neutra
O Sr. General Cmt. da 3ª R/M, aprovou o croqui da zona
neutra do 5º R/C/I. (Tel. 1.003 de 20 do corrente)(Boletim da
Brigada, de hontem).

Boletim n° 159 de 2 de Julho de 1923


Garantia de Asylados
Para os devidos effeitos, transcreve-se a circular n° 756, de
29 do mez findo, do Commando da 2ª D/C:
“De accordo com a solução da consulta feita por este
Commando ao Sr, Cmt. da 3ª Região Militar, os asylados dos
partidos em lucta, podem ser garantidos no transito do Quartel em
que se acharem para a estação ferroviaria, uma vez que ambos se
encontram dentro do traçado da zona neutra.
Esses casos de garantia só devem ser concedidos pelos
Commandantes de Guarnição.”

Boletim n° 189 de 3 de Agosto de 1923


Defesa da Ponte de Touro Passo - Elogio
Conforme parte do Cmt. do 2° Esqd. Do 5° R/C/I a guardada
ponte sobre o arroio Touro Passo, na noite de 25 de julho, repelliu
energicamente e inopinado ataque de numeroso grupo de
revolucionarios e deu assim uma brilhante prova de valor. Sem pavor
de numero do atacante, dissimulando intelligentemente seu fraco
effectivo, enfrentando com energia os que procuravam impedir o
cumprimento das ordens recebidas, essas praças mostraram-se
abnegadas, valentes e disciplinadas praticaram um honroso feito que
deva ser ensinado com enthusiasmo aos seus camaradas do 5° R/C/I.
Apresento-lhes por isso meus calorosos elogios, destacando o 2° Sgt.
Herminio Egydio de Figueiredo pela energia, valor e iniciativa com
que se conduziu; os anspeçadas Miguel Barbosa Genro e soldados
Felippe Nery de Almeida Genro, e Leocardio Goulart Fernandes
pelo valor e disciplina com que cumpriram as ordens recebidas.
Elogio tambem os cabos citado regimento Sady de Freitas Ortis e
Joaquim Ribeiro Dedeco pela iniciativa e elevado espirito de
camaradagem que revelaram correndo ao encontro de seus
companheiros quando estavam sendo atacados no exercicio de seus
deveres. (Bol. da Div. N° 156 e da Bda. n° 184)

Boletim n° 206 de 23 de Agosto de 1923


Asylamento de Quarteis
Constando-me que alguns asylados politicos tem abusado
das garantias que se lhes tem sido dadas nas Casernas Federaes,
procurando até fazer propaganda de seus ideaes com fim de
subverter a ordem não se subordinando assim ao regimento
disciplinar interno de que trata a lettra e) do item IV das instruções
secretas n° 4, declaro que o asylamento de que tratam essas
instrucções só deve ser doravante concedido aos cidadãos que,
constrangidos de transitar livremente pelas cidades ou villas em que
existam esses asylos, se retirem da actividade politica seja como
combatente, seja como militante politico; declaro ainda que deverá
ser cassado o asylamento de todo aquelle que directa ou
indirectamente tentar fazer propaganda de suas ideas politicas
dentro do asylo concedido bem como de todo aquelle que por seu
procedimento revelar não sujeitar-se ao regimen disciplinar interno
que for instituido pelos commandantes de guarnições ou corpo da
localidade em questão. (Bol. da Rg. 189)

Boletim n° 252 de 18 de Outubro de 1923


Boletim da Brigada 246 de 17 de Outubro de 1923
Guarda de Filiaes de Bancos
O Sr. Cmt. da 3ª R/M em telegramma n° 1660 de hontem
declarou que devem ser incluidos como proprios federaes, para os
effeitos de garantias, as filiaes dos bancos do Commercio, da
Provincia e Pelotense (Bol. da Div. 217)

Boletim n° 270 de 9 de Novembro de 1923


Boletim da Brigada n° 264 de 8 de Novembro de 1923
Zona Neutra
O Sr. 1° Ten. Almoxarife providencie para que sejam
retiradas e guardadas as bandeiras que assignalam a zona neutra,
em vista do armisticio.

Boletim n° 276 de 15 de Novembro de 1923


Boletim da Brigada n° 269 de 14 de Novembro de 1923
Instrucções a serem observadas durante o Armisticio pelas
Tropas Federais
I - Tendo entrado em vigor ás doze horas do dia 7 do
corrente o armisticio accordado entre o governo do Estado do Rio
Grande do Sul e Ministro da Guerra, como representante do
Governo Federal e estado avisadas as partes litigantes no actual
conflicto politico, serão consideradas violadores aquelles que
isoladamente ou não desrespeitarem tal compromisso.
II - As autoridades militares federaes manterão severa
vigilancia no sentido de verificarem se são rigorosamente
observadas as condições do armisticio nas zonas que lhes são
affectas e, sempre que for necessario empregarão meios adequados
tententes a faze-las respeitar, applicando tanto quanto possivel os
meios dissuasorios.
III - Não é considerada violação do armisticio o emprego de
medidas policiaes á repressão dos crimes comuns, isto é, roubos,
assaltos a mão armada, assassinatos, atentados á moral, etc.

Boletim n° 290 de 30 de Novembro de 1923


Boletim da Brigada n° 281 de 29 de Novembro de 1923
Instrucções n° 10 a serem observadas durante o Armisticio
relativamente ao abastecimento das tropas em lucta
1) As requisições de viveres devem ser restrictos a sal, farina e herva;
2) O gado a carnear deve ser limitado ao estrictamente necessario á
tropa que requisitar;
3) É prohibido requisitar forragem para animaes;
4) As requisições de qualquer natureza serão sempre visadas pelo
delegado ffederal junto a tropa que requisitar;
5) Somente as requisições visadas pelo delegado federal serão
indemnisadas pelo Governo da União. (Te. 1959 do Cmt. da 3ª R/M)
(Bol. da Div 253)

Boletim n° 301 de 10 de Dezembro de 1923


Transcripção de Telegramma
Transcreve-se o telegramma circular urgente, de hontem, do
Sr. Gal. Cmt da 2ª D/C: N° 106. Foi restabelecido amisticio. Fica
sem effeito meu circular 1077 de hontem.

Boletim n° 309 de 18 de Dezembro de 1923


Boletim da Brigada n° 296 de 17 de Dezembro de 1923
Paz
O Sr. Cmt. da 3ª R/M em telegramma de hoje communica
estar assinado o convenio que restabelece a paz no Rio Grande do
Sul. e informando que continuam em vigor as instruções sobre
neutralidade.

Boletim n° 311 de 20 de Dezembro de 1923


Boletim da Brigada n° 298 de 19 de Dezembro de 1923
Paz
É sinceramente exultante que publico a noticia do
restabelecimento da PAZ neste grande e prospero Estado da
federação Brazileira, conforme me comunicou o eminente patriota
General Setembrino de Carvalho, digno Ministro da Guerra, a quem,
em boa hora, o Exmo. Sr. Presidente da Republica confiou a delicada
missão ditada pelo seu elevado patriotismo.

Boletim n° 314 de 22 de Dezembro de 1923


Transcripção de Telegramma
Transcreve-se o telegramma do Sr. Cmt. da 3ª R/M.
Livramento 21 - Sr. Cmt. 5° R/C/I. Sr. Ministro chegará essa cidade
entre 18 e 19 horas dia 22.
Boletim n° 315 de 23 de Dezembro de 1923
Formatura
As sub-unidades deverão estar formadas hoje ás 13 horas,
desarmadas e dentro de seus alojamentos e as bandas de musica e
clarim no corpo da guarda e os Srs. Officiaes devem comparecer ao
quartel, por occasião da visita a este regimento dos Exmos. Srs.
Generaes de Divisão Fernando Setembrino de Carvalho, Ministro da
Guerra; Eurico de Andrade Neves, Cmt. desta Região e de Brigada
Eduardo Monteiro de Barros, Cmt. da 2ª D/C.

Boletim n° 316 de 24 de Dezembro de 1923


(Após o tratado de paz o Ministro da Guerra visita Uruguaiana)
É com o mais intenso jubilo que me congratulo com o
regimento, pela suspiciosa visita que nos faz neste momento o
eminente patriota, o Exmo. General Fernando Setembrino de
Carvalho, digno Ministro da Guerra, honra do Exercito nacional que
com sua clara intelligencia e fino tacto soube trazer a paz e a
harmonia á familia Riograndense restabelecendo a Paz neste
prospero Estado.

Asylo
Convido a todos os civis asylados neste quartel a se
retirarem, visto ter cessado os motivos para isso.
23. A REVOLTA NO 5º RCI NO ANO DE 1923

Durante o ano de 1923 aconteceu no Rio Grande do Sul o conflito entre Maragatos e
Chimangos, com a neutralidade do Exército, conforme já mencionado no capítulo anterior.
Nesse ano, entretanto, ocorreu um incidente entre militares do Regimento e a guarnição da
Brigada Militar de Uruguaiana, sem, contudo houvesse qualquer conotação com os conflitos
políticos que ocorriam no estado.
O fato aconteceu no dia 22 de julho, domingo, por volta das 20 horas, quando
militares do regimento, liderados por um 2º sargento do 2º esquadrão com mais outros três
sargentos, cinco anspeçadas e sessenta e seis soldados pegaram em armas e fizeram retirar de
seu acampamento o corpo provisório da Brigada Militar. O choque entre as forças acabou
causando a morte de um cabo do 4º esquadrão (BI nº 177 de 23 de julho de 1923).
O estopim do incidente foi o envolvimento de militares em um baile dois dias antes,
onde se achavam diversos sargentos e ao que parece decorrente de atritos entre militares do
5º RCI e os brigadianos. Sobre o fato, o oficial de dia participou ao comandante e este se
manifestou em boletim dando a solução do caso:

Boletim 178 de 24 de julho de 1922


Solução de Parte
Em solução a parte dada pelo Sr 1º Tenente Antero de
Mattos Filho, de dia ao Regimento, na noite de 19 para 20 corrente,
e mais duas annexas a esta, sobre o incidente havido em um baile
onde se achavam diversos Sargentos, dei a seguinte solução: em
solução a presente parte, declaro que este commando já se entendeu
com a autoridade civil desta cidade afim de evitar a reproducção de
facto constante da mesma parte. Declaro aos inferiores e demais
praças, que as diversões realizadas em suas casas devem ser
procedidas de uma licença deste commando a fim de ser feita a
necessária fiscalização.

Após o incidente, o sargento líder da revolta apresentou-se ao comandante do


regimento afirmando “ter mantido o brio do Exército Brasileiro”, sendo preso
preventivamente juntamente com os outros sargentos, ficando todos sujeitos a Inquérito
Policial Militar (IPM).
No dia seguinte da revolta, o comandante da 3ª Brigada de Cavalaria, Cel Vasco da
Silva Varella, foi ao regimento levando consigo um esquadrão do 6º RCI e uma bateria do 2º
GACav, os quais ficaram acantonados e fazendo o serviço de segurança no quartel do 5.º

Boletim n° 177 de 23 de Julho de 1923


Serviço de Dia ao Regimento
Attendendo a situação anormal, os officiais de dia ao
regimento devem permanecer no quartel durante as 24 horas do
serviço.

Boletim n° 178 de 24 de Julho de 1923


Commando da 3ª. Bda. C.
Chegou hontem a esta cidade, o Sr. Coronel Vasco da Silva
Varella, commandante da 3ª. Bda. C.

Chegada de Força
Com procedência de Alegrete, chegaram hontem, um
esquadrão do 6º R/C/I e uma bateria do 2º G/A/C, sob o commando
dos Srs. Cap. Jeronymo Cavalcante de Albuquerque e Honório
Pradel, tendo acantonado neste regimento.

Substituição de Serviço
A partir de hontem, de ordem do Sr. Cmt. da Brigada,
passou a fazer o serviço de segurança deste quartel, a força
procedente de Alegrete e que se acha aqui acantonada.

Armas Recolhidas
O Sr. 1º Ten. Edgard Soares Dutra communicou ter
recolhido á intendência regimental, na noite de 22 do corrente, um
revolver Nagant e uma faca, entregues pelo 2º Sgt. [...], por ocasião
do desarmamento feito pelo mesmo official ás praças que tomaram
parte do movimento.

Boletim n° 179 de 25 de Julho de 1923


Recolhimento de armamento
O Sr. 1º Ten. Ajudante communicou ter recolhido ao
almoxarifado , da carga do estado.menor, o seguinte: 38 mosquetões
Mauzer modelo 1895 e 3 fuzis Mauzer modelo 1908; 7 guarda-feixes
de sella e 36 cobre-miras de metal.

Destino de praças
Seguiram presos hoje, devidamente escoltado, com destino a
cidade de Alegrete, as seguintes praças: [...](Relação nominal de
quatro Sargentos, cinco Anspeçadas e sessenta e seis Soldados todos
envolvidos no motim da noite de 22 de julho de 1923)

Boletim n° 181 de 27 de Julho de 1923


Recolhimento de Mosquetão
Foi ante-hontem recolhido ao almoxarifado o mosquetão
mauzer modelo 1895 nr. 1361, com 70 cartuchos de guerra,
entregues pelo soldado do 3º esq. Olympio Nery, que declara ter
achado na noite de 22 do corrente.

Louvor
Relembrando os factos occorridos na noite de 22 do
corrente, em que quatro inferiores desvairados e insubordinados
conseguiram arrastar grande parte das praças que se achavam neste
regimento, para a pratica de actos contrarios a ordem e a disciplina,
é grato a este commando mencionar as praças que se mantiveram
fieis a disciplina, cumprindo o seu dever, obedecendo e coadjuvante
seus chefes. Assim louvo o 3º Sgt [...] pelo esforço que empregou,
sem resultado embora, para evitar que as praças de seu esquadrão
parte na desordem, louvo o 3º Sgt [...], cabo [...], soldados [...] que
fazendo parte da guarda e obedecendo o commando do Tenente
Jorge Elias jus fizeram a primeira resistência louvo-os pela lealdade
e disciplina e correção de que deram prova; cabo [...], soldados [...]
que regressando de um serviço de guarda dos trens conservaram-se
obedientes auxiliando a acção deste commando,; aos soldados [...] e
anspeçada [...] que fizeram a ligação entre o quartel e este
commando, louvo-os pela dedicação, disciplina de que deram prova.
Boletim n° 182 de 28 de Julho de 1923
Presos para Inquerito
Sejam recolhidos presos ao Quartel do 3° G/A/C em Bagé 75
praças do 5° R/C/I que se amotinaram e praticaram posteriormente
diversos actos de insubordinação. Esses praças seguiram hontem
escoltadas por força do 8° R/C/I. (Boletim da Brigada n° 179 de 27
do corrente)

Descarga de Munição
Sejam descarregados da carga do regimento 77 cartuchos de
guerra, 1895, dos distribuídos ao corpo da guarda, gastos na noite
de 22 do corrente, por occasião da revolta, pela guarda do quartel.

Recommendação
Recommenda-se que a dispensa da revista concedida ás
praças, não permitte a que as mesmas andem vagando pelas ruas,
sendo severamente punidas as que forem encontradas depois das 22
horas, perambulando sem motivo justificado.

Boletim n° 185 de 30 de Julho de 1923


Regresso de Força
De regresso para a cidade de Alegrete, seguiu hontem o
esquadrão do 6º R/C/I., sob o commando do Sr. Cap. Jeronymo
Cavalcante de Albuquerque, que aqui se achava.

Boletim n° 209 de 27 de Agosto de 1923


Ordem à Subunidades
E.M., 1º, 2º e 3º esquadrões, informem com urgência, a falta
do material desaparecido por occasião do movimento sediccioso de
22 do mez passado.

Com o regresso das tropas para seus quartéis em Alegrete, o regimento retorna à
normalidade, tendo a partir de 30 de julho se voltado apenas para os problemas do conflito
político que continuaram transcorrendo no restante do ano de 1923.
Posteriormente, o sargento líder da revolta foi transferido para outra unidade militar
no estado de São Paulo, prosseguindo a sua carreira. Dois anos depois, esse sargento foi
comissionado como 2º Tenente no seu novo regimento, vindo a se destacar na defesa do
Palácio dos Campos Elíseos durante os eventos da revolta de 1924, ocorrida na capital
paulista. Seis anos depois, em 1930, o mesmo foi transferido para a reserva remunerada no
posto em que havia sido comissionado.
Com esse capítulo é corrigido um pensamento equivocado de que o levante de julho
de 1923 no 5º RCI tivesse envolvimento com a Revolta que transcorreu no estado do Rio
Grande do Sul nesse mesmo ano.
24. QUARTEL VELHO EM URUGUAIANA

Em 1895, após a participação na Revolução Federalista, o regimento ainda com a


denominação de 3º RC foi transferido para Uruguaiana, quando veio a ocupar o quartel recém
construído, situado à Rua Bento Martins em local próximo ao rio Uruguai.
No começo da década de 1920, durante a gestão do Ministro da Guerra Pandiá
Calógeras, o Exército iniciou uma série de construções de quartéis por todo o Brasil, cuja
decisão acabou beneficiando o 5º RCI. Iniciada a construção do “Quartel Novo”, como passou
a ser conhecido, o prédio na Rua Bento Martins ficou sendo chamado de "Quartel Velho". É
sobre o “Quartel velho” a abordagem deste capítulo.
Uma das poucas referências do “quartel velho” está no acervo do Espaço Cultural do
5º R C Mec que é uma tela a óleo, onde é retratada a frente da antiga caserna do regimento.
De autoria do uruguaianense Carlos Fontes o trabalho foi feito com base numa fotografia
antiga, tendo no verso da tela sido colocado um texto que explica a origem e um pouco da
história do prédio.

“Quartel Velho”, Carlos Fontes

Texto no verso da Tela


Aspecto do chamado “Quartel Velho” - denominação dada pela
população local. Foi construído por volta de 1885 e fizeram parte da
comissão, o Capitão Engenheiro ARÊAS JUNIOR e como ajudante-
secretário, o então Tenente FERNANDO SETEMBRINO DE
CARVALHO. Várias unidades militares tiveram sede nesse local,
como: o Contingente da BM, Escolas de Artes e Ofícios e Curtume.
Por volta de 1919, a parte sul e subsolo foram ocupados por uma
enfermaria militar (origem do Hospital Militar).
Por volta de 1923, durante o movimento revolucionário o
Comandante da 2ª Divisão de Cavalaria (atual 2ª Brigada de
Cavalaria Mecanizada) que estava em Alegrete, ocupou sede nesse
quartel velho.
Na presente tela baseada em uma fotografia antiga, registra
uma solenidade cívica em frente da Unidade, o 5º Regimento de
Cavalaria Independente, o Cmt, TC Francisco Borja Para da Silveira,
apresenta-se a mais alta autoridade daquele local, o Intendente
municipal José Antônio Flores da Cunha provavelmente entre 1920 à
1924.
O religioso que aparece, o de manto vermelho é o 1º Bispo
de Uruguaiana D. Hermeto José Pinheiro.
O contingente do 5º Regimento de Cavalaria Independente
ficou aquartelado nesse prédio até 1925, quando ocupou as
instalações do atual 8º Regimento de Cavalaria Mecanizado, que em
1932 foi transferido para Rosário e logo após para Quaraí.

Em abril de 1925, estando o 5º RCI já na sua nova sede na Avenida 15 de Novembro,


o "quartel velho" passou a ser o Quartel General da 2ª Divisão de Cavalaria. Como instalação
da 2ª DC o prédio foi ocupado por pouco tempo até nova transferência do QG para outro
endereço, na Avenida Santana em frente a atual Praça Barão do Rio Branco.
O "quartel velho" ficou então em poder da União na responsabilidade do 5º RCI até
que em 7 de fevereiro de 1929 passou definitivamente para a Intendência (Prefeitura)
Municipal de Uruguaiana. Com o tempo o prédio passou a ser um curtume e posteriormente
foi demolido.
Atualmente na área do “Quartel Velho” existe um campo de futebol, restando da
construção original apenas a lateral leste (foto). Na frente do antigo quartel, no lado oposto da
Rua Bento Martins está hoje o estádio do Esporte Clube Uruguaianense.
Como lembrança do “Quartel Velho” resta apenas a tela a óleo, algumas fotografias
conhecidas, o presente capítulo e a uma fachada lateral, ainda de pé.

Boletim n° 57 de 7 de Fevereiro de 1929


Entrega de Próprio Nacional
De accordo com o decreto n° 5.635 de 3 de Janeiro do
corrente anno, publicado no Diario official de 5 do mesmo mez, faço
entrega do próprio Nacional, onde esteve aquartelado este regimento,
ao Sr. Dr. João Fagundes, Intendente do municipio de Uruguayana.

Boletim n° 35 de 11 de Fevereiro de 1929


Recebimento de Proprio Nacional
O Sr. Dr. João Fagundes, Intendente deste municipio, em
officio n° 30 de 8 do corrente, dirigido a este commando, communicou
que tomou conta do proprio onde esteve este regimento, cuja
propriedade foi pelo decreto Federal sob o n° 5.635, de 3 de Janeiro
ultimo, transferido ao municipio.

Frente do “Quartel Velho”, tendo na fachada a inscrição “Tudo pela Pátria”.


Foto tirada dos fundos do Quartel Velho de uma posição sobre o rio Uruguai.
Observando a foto restou apenas do prédio a lateral esquerda.

Foto tirada do que restou apenas do prédio: a lateral norte.

25. O QUARTEL NOVO EM URUGUAIANA

Com a reorganização que o Exército passava no começo dos anos de 1920 o Ministro
da Guerra, João Pandiá Calógeras, como vimos no capítulo anterior, mandou construir vários
quartéis pelo Brasil, incluindo os de Quaraí e Uruguaiana, respectivamente as atuais
instalações do 5º e do 8º R C Mec.
Segundo informações obtidas, padronizou-se um projeto de construção seguindo o
estilo arquitetônico francês, o que é coerente, pois nessa época estava no Brasil a Missão
Militar Francesa (1918-1940), contratada com o objetivo de reorganizar e promover a
modernização do Exército Brasileiro. Confirmando esta informação encontramos no livro “A
missão militar francesa no Brasil” do Cel Jayme de Araújo Bastos Filhos, pg. 114, em que o
mesmo escreveu:

[...] Houve, portanto, um perfeito entrosamento entre os


trabalhos desenvolvidos pela Missão Francesa e a Alta Administração
do Exército. Ambos eram abrangentes e profundamente renovadores.
Os dois se realimentavam, exigindo, um do outro, inadiáveis
providências em suas áreas de atribuições. Inúmeros quartéis, então,
foram feitos[...]

Complementando a citação, no mesmo livro o autor relata que na época o então


Deputado Nabuco de Gouvêa listou 61 quartéis construídos em todo Brasil. Das construções
incluíam dez quartéis de regimento de cavalaria independente e ainda um parque de aviação
em Santa Maria, um arsenal de guerra no Rio Grande do Sul e dois estabelecimento de
subsistência. Além dos quartéis, o Ministro Pandiá Calógeras estendeu as melhorias em obras
de interesse para o Exército acrescentando seis estradas de rodagem, duas linhas telegráficas
no Mato Grosso e uma via férrea circular, esta ligando a Vila Militar do Rio de Janeiro com
os bairros adjacentes, incluindo Deodoro, Gericinó e Campo dos Afonsos.
Pela quantidade de obras, a diversidade das mesmas, a complexidade de suas
realizações e a determinação em construí-las em curto espaço de tempo, pode-se afirmar que a
administração do ministro marcou época na história do Exército.
A obra do “quartel novo”, a qual estava incluída na administração de Pandiá
Calógeras, foi feita em uma área junto a Avenida 15 de Novembro na saída para a Barra do
Quaraí, onde hoje é o quartel do 8º R C Mec. Transcrevemos a seguir dois boletins que fazem
referências sobre a referida construção:

Boletim n° 129 de 23 de Maio de 1924


Transcripção de Officio
Transcreve-se o officio do Sr. Antonio de Brito Amorim, p.p.
Companhia Constructora de Santos. Secção do Rio Grande do Sul.
Uruguayana, 23 de Maio de 1924. Exmo. Sr. Ten. Cel. Theodoro
Viegas da Silva DD Commandante do 5° RCI. Nesta cidade. Damos
em nosso poder vosso prezado officio n° 496 datado de hontem 22, ao
qual respondendo temos a grata satisfação de por á vossa disposição
o Parque n° 17 do Quartel R.C.I. actualmente em construção, para
deposito de viaturas desse regimento. Saude e Fraternidade.

Boletim n° 201 de 8 de Agosto de 1924


Guarda para o novo Quartel
De ordem do Sr. Comte. da 3ª Bda. C. será dada uma guarda
para as construcções do novo quartel deste regimento onde temos em
deposito as nossas viaturas. Essa guarda será de um cabo e 3 praças
que receberá ordens escriptas e será substituida aos sabbados.

No final de 1924 pelo fato da participação do regimento na Revolta desse mesmo


ano, em que parte do efetivo do 5º RCI se sublevou a favor do movimento revolucionário,
como veremos no capítulo 26, foi a oportunidade, após o fim da Revolta, para se reorganizar a
unidade em efetivo e material no novo quartel.

Boletim n° 21 de 23 de Março de 1925


Transcrição de Telegramma
Transcreve-se abaixo o telegrama do Sr. General
Commandante da Região dirigido a este comando em data de 21 do
corrente: “Commandante do 5° R.C.I. - De QGP Alegrete - 21 Março
1925 - 903 - informar urgente material que necessitas para
reorganização regimento incluindo mobiliário, colchões, material
rancho etc, declarando quantidade esse é possivel acquisição esse
material praça ahi mesmo caso isto deveis declarar orçamento
provavel. (a) General Andrade Neves.”

Instalado no “Quartel Novo”, o 5º RCI permaneceu neste aquartelamento de março


de 1925 a fevereiro de 1933, quando então foi transferido para a Vila do Rosário. No período
de oito anos em que o regimento permaneceu nestas instalações ocorreram, como veremos
adiante, as revoltas de 1923 e 1924 e as revoluções de 1930 e 1932.

Integrantes do 5º RCI ocupando instalações do “Quartel Novo”.


Em data não definida, mas que supomos ser entre 1925 e 1929.
O uniforme na época ainda era o de cor caqui
26. A REVOLTA DE 1924

Em 5 de julho de 1924, quando se comemorava o segundo aniversário da Revolta do


Forte de Copacabana, diversas unidades militares de São Paulo, sob a coordenação dos
“Tenentes” de 1922, se sublevaram novamente contra o governo.
Por conta da revolta, no dia 8, São Paulo acabou sendo sitiado por tropas legalistas,
as quais já haviam dominado pontos estratégicos no interior. Sem a possibilidade de receber
reforços de outros estados e sobre intenso bombardeio, os rebeldes acabam abandonando a
capital.
Sobre a Revolta de julho de 1924, dois telegramas do Comandante da 3ª Brigada de
Cavalaria endereçados ao 5º RCI relatam a situação em São Paulo naquele momento:

Boletim n° 191 de 29 de Julho de 1924


Transcripção de Telegrama
Transcreve-se o seguinte telegrama de hoje do Sr.
Comandante da 3ª Bda. Cav.: “Sr. Comt. 5° R/C/I. N° 238. Para
devidos fins vos dou ciencia seguinte telegrama hontem do Snr. Comt.
3ª Região Militar: Transcrevo telegramma Ministerio interior: Nossas
tropas ocuparam cidade S. Paulo abandonada pelos revoltosos que
fugiam direção Campinas aqui grande alegria pela victoria forças
legaes. Cordeaes Saudações. (a) Gal. Andrade Neves”(a) Floduardo
Martins.Ten. Cel. Comt. 3ª B.C.

Boletim n° 193 de 31 de Julho de 1924


Transcripção de Telegramma
Transcreve-se o seguinte telegramma de hontem do Sr. Cmt.
da 3ª B.C.: “Off. Urgente, Cmt 5° R/C/I. De Alegrete. Nr°242. Sr.
Cmt. 3ª Reg. Militar transmittiu Sr. Cmt 2ª Bda. C. seguinte
telegramma vos transmitto dois pt acabo receber Marechal Ministro
Guerra seguinte telegramma expedido hontem dois pts tenho vivo
prazer communicar que forças legaes occuparam hoje capital estado
S. Paulo pondo em fuga elementos rebeldes alli se encontravam e
repondo governo estado seu legitimo presidente Exmo. Sr. Dr. Carlos
de Campos pt. (a) Gal Andrade Neves. Floduardo Martins Ten-Cel
Cmt. 3ª Bda. Cav.

Os rebeldes, após se retiraram da capital paulista se puseram em marcha pelo interior


de São Paulo, Paraná e por último no Rio Grande do Sul, onde neste estado com a atuação do
capitão Juarez Távora, algumas unidades militares se sublevaram em favor do Levante, entre
elas: o 1º Batalhão Ferroviário (Santo Ângelo), 3º Batalhão de Engenharia (Cachoeira do Sul),
3º Grupo de Artilharia de Campanha a Cavalo (Alegrete), 2º Regimento de Cavalaria
Independente (São Borja) e o 3º Regimento de Cavalaria Independente (São Luiz Gonzaga).
A 24 de outubro de 1924 a coluna chegava a Uruguaiana, quando o 5º RCI acabou
sendo também sublevado por três 1º tenentes, sendo que um deles comandava o 1º esquadrão
e a partir de 2 de setembro, pouco antes da revolta, tinha assumido a função de Fiscal. Os
outros dois oficiais envolvidos eram respectivamente o comandante e o subalterno do 2º
esquadrão.
Comandava a unidade o Ten Cel Theodoro Viegas da Silva, que não aderindo ao
movimento rebelde refugiou-se em Passo de los Libres, cidade argentina vizinha. Em seguida
o líder da revolta, já comissionado no posto de Tenente Coronel, assumiu o comando da
Unidade.
Os revoltosos contando com voluntários civis e formando uma “Divisão” com
aproximadamente mil homens tentam apoderar-se de Alegrete. Nas proximidades da estação
ferroviária do Guassú-Boi, a vanguarda das tropas legalistas do General Firmino Antonio
Borba, Comandante da 2ª DC, comandada por Flores da Cunha, surpreendeu de madrugada a
coluna revolucionária, quando realizou um ataque aos revoltosos anulando as suas intenções.
Sobre o ataque a Alegrete, Juarez Távora, em suas memórias, “Uma vida em muitas
Lutas”, página 160, Bibliex, 1979, comenta:

[...] Conhecendo a situação de Alegrete, apenas guarnecida


por 100 homens de um Corpo Provisório da Polícia Gaúcha, além do
3º Grupo de Artilharia a Cavalo, comprometido, em parte, com a
revolução, decidi, logo na manhã de 29, fazer seguir, por trem, um
esquadrão de 100 homens do 5º RCI, para atacar a cidade, apoderar-
se de uma esquadrilha de aviões que lá se encontrava, facilitar a
adesão dos elementos revolucionários do 3º GA C e, com o apoio
deles, ocupar, finalmente, a cidade. Esse esquadrão, [...], alcançou,
nas primeiras horas da tarde, a estação de Capivari, a margem
esquerda do arroio do mesmo nome e pouco menos de 20 km de
Alegrete. Aí encontrou o Ten João Alberto, que, enviado com uma
peça de Artilharia e um contingente de 20 “provisórios” sob o
comando de um Tenente de Polícia, havia desarmado esse contingente
e revoltado a guarnição da peça.
Embora informado de que Alegrete estava fracamente
guarnecida e de que havia outros elementos do Grupo de Artilharia
dispostos a aderir o movimento, o Tenente Valério, ao invés de atacar
diretamente a cidade, enviou João Alberto a Uruguaiana, para expor-
me a situação e pedir novas ordens. Perdera-se, com essa
injustificável delonga, a oportunidade de atacar, com sucesso a
cidade. Fiz, contudo, voltar João Alberto, em companhia do Capitão
Comissionado [...] e do ex-aluno da Escola-Militar [...], na manhã do
dia 30, com um reforço de cerca de 60 homens, a fim de realizarem,
ainda naquele dia, o ataque a Alegrete. Quando a expedição atingiu o
arroio Inhanduí, aí encontrou o Ten Renato, que, mandado em
substituição a João Alberto, com outra peça de Artilharia, também
acompanhado por um contingente de Provisórios, dispersou estes, a
tiro de Schrappnel, e aderiu à revolução [...].

Os combates continuaram no mês de novembro, inclusive com a participação das


tropas sublevadas do 5º RCI. Terminada a revolta na fronteira oeste o regimento foi
reagrupado em fevereiro de 1925, agora no “quartel novo”, estando no comando o major
Francisco de Castro Pinheiro Bittencourt. Ao assumir o major tomou várias medidas para o
retorno das atividades da unidade, entre elas o reinício da publicação dos boletins,
interrompida desde o dia 27 de outubro do ano anterior.
Com a reorganização do regimento, foram descarregados vários materiais levados
pelos revoltosos, incluindo armamento, munição e viaturas. Pela relação de descarga constata-
se a forte adesão ao movimento e a intensidade dos combates que se sucederam, conforme os
relatos nas memórias de Juarez Távora, pg. 159 a 170.

Boletim n° 31 de 3 de Abril de 1925


Descarga
Sejam descarregados do 5° R.C.I. por terem sido levados
pelos revoltosos dessa unidade, o armamento, munição, e viaturas,
conforme relação apresentada pelo S.M.B. a saber: 5 espadins para
músicos, 7 espadas para sargentos, 455 espadas para praças, 577
lanças Erhardt, 20 fuzis Mauser modelo 1908, 9 fuzis metralhadora
Madsen, 30 revolveres Nagant, 17 pistolas Parabellum, 55
carregadores para pistolas Parabellum, 876 mosquetões modelo
1895, 32929 cartuchos Mauser modelo 1908, 97035 cartuchos
Mauser modelo 1895, 1433 cartuchos para pistola Parabellum, 21026
cartuchos para revolver Nagant, 2000 cartuchos de manejo, 5 carros
de bagagem e arquivo, 5 carros de viveres e forragem, 2 carros
cozinha, 3 carros para transporte de feridos, 7 viaturas Lefebvre
simples, 1viatura Lefebvre com cofre suspenso, 1 viatura Cauchy
Lefebvre simples suspensa, 1 viatura Cauchy Lefebvre com cofre
simples suspenso, 2 carros para viveres e forragem, 1 carroça
colonial, 4 carroças com pipa para água, 1 carroça de 2 rodas para
munição, 3 carros de 2 rodas para pequenos transportes, 1 carrinho
de rancho, 5 marmitas para casinha de campanha. (Boletim da 2ª
Divisão N° 88 de 1° do corrente)

Em 13 de março de 1925 assumiu o comando do regimento o Ten Cel Adolpho


Rodrigues de Mesquita em substituição ao Major Pinheiro Bittencourt, que pelo trabalho no
5º RCI foi elogiado pelo Comandante da 2ª Divisão de Cavalaria. Pelo texto do elogio
podemos conhecer alguns fatos da revolta e da reorganização do regimento:

Boletim n° 93 de 15 de Junho de 1925


Elogios
Additamento ao Bol. Supplentar. N° 146 da 2ª D.C.
[...] Cumprindo, com muita satisfação, a determinação S.
Excia. o Sr. General Commandante da 3ª Região Militar, de salientar
os serviços dos camaradas, meus commandados, na rebellião prestes
a findar, faço inteira justiça, distinguindo em primeiro lugar os
esforços, os relevantes serviços do Estado Maior, devem ser ajuizados
nas três phazes por que tem passado o meu comando:
Nos terríveis dias de fins de outubro de 1924, nos quaes, com
a lealdade sempre por mim esperada e a dedicação nunca por mim
duvidada, cumprindo ordens minhas, foram os meus dedicados
auxiliares incansáveis no preparo da defeza aos ataques rebeldes a
Alegrete, com recursos mínimos e n’uma athmosphera de
desconfiança desalentadora, por parte de quem talvez não a devia ter.
Incansáveis foram os meus dignos auxiliares na organização
do destacamento, por mim commandado, de ataque aos rebeldes de
Uruguayana e composto de duas brigadas - brigada Resende e
brigada Claudino - a 2ª tudo possuindo e a 1ª tudo faltando.
Diligentes foram os meus auxiliares na organização e marcha
da coluna, ainda sob pressão de desconfianças, até por parte das
tropas do Exército, sendo minhas ordens recebidas com receio, e
discutidas com paixão.
Combate de Guassú-boi, no cerro da Timbauva, foram meus
auxiliares incansáveis para melhor e mais completo resultado
tivéssemos; mas a má vontade de alguns e a falta de sinceridade de
outros, fizeram com que a brigada do Exército não tomasse parte
nesse combate; outras seriam as conseqüências se as minhas ordens
tivessem sido por todos acatadas ou cumpridas, dentro do seu espírito
e da sua lettra; não teríamos somente a “desarticulação da
revolução”, phrase attribuida ao Sr. Dr. Presidente da Republica: no
município de Alegrete o meu destacamento teria aniquilado de uma
vez os rebeldes de [...]. Infelizmente, até tiroteadas foram, no campo
de Guassú-boi, as minhas patrulhas de reconhecimento! Esta a minha
convicção, que, sem falsa modéstia, declaro.
Inesquecíveis ainda os serviços dos meus bons e dignos
auxiliares, os integrantes trabalhos na organização da zona Oeste, de
meu commando e que enquadra o serviço de vigilância das fronteiras
Argentinas e Uruguaya. Noticias de rebeldia de tropas de meu
commando, fizeram-me ir, rápida e inesperadamente, duas vezes a S.
Borja e outras duas a Itaquy, tendo sempre os meus auxiliares
prestados bons e leaes serviços; foram ainda a Passo do Leão à Barra
do Quarahy e Passo de Sant’Anna Velha, em serviços urgentes,
motivados pela falta de informação.
[...] Ao Major Francisco de Castro Pinheiro Bittencourt, que
iniciou a reorganização do 5° Regimento de Cavallaria Independente,
pelo tino administrativo, extrema lealdade e dedicação no
cumprimento dos seus deveres; tendo vindo de São Paulo, onde, por
occasião das operações contra rebeldes naquelle Estado, se conduziu
com muito valor, á frente de sua unidade, conquistando, assim, os
galões de major, por merecimento.
[...] Ao Capitão médico Dr. Francisco Leite Velloso, médico
do 5ª Regimento de Cavallaria Independente e chefe da Enfermaria do
Hospital de Uruguayana, pelo sentimento de responsabilidade e
lealdade que se demonstrou, retirando-se para Libres quando
revoltado o seu regimento, apresentando-se immediatamente a Itaquy,
então cercado pelos rebeldes e onde prestou bons serviços, como
attestou o commandante da Praça, Coronel Joaquim do Amaral e pela
boa vontade e dedicação com que cumpriu as minhas ordens, indo
solicitamente a Alegrete e S. Borja a serviços profissionaes que o
chamavam áquellas cidades. [...]
Aos camaradas do 5º Regimento de Cavallaria Independente,
depois de reorganizado com os elementos ex-rebeldes, pelo
devotamento com que se tem patrulhado e feito o serviço de vigilância
desta cidade, compenetrados de seus deveres e responsabilidades e,
actualmente, com um esquadrão que, de caso pensado e muito de
proposito destaquei para o sub-sector Barra do Quarahy - Arroio
Garupa, no serviço de vigilancia, num momento em que se tinham
informações de prováveis incursões de rebeldes pela Barra do
Quarahy e Passo dos Ramos - os meus agradecimentos e louvores,
por terem demonstrado, assim, à Nação e aos seus fieis collegas, que
a culpa dos seus desmandos anteriores deve recahir sobre seus chefes,
tenentes desorientados e políticos, que os levaram contra a Pátria e
contra o seu General.

Poucos anos depois após a vitória de Getúlio Vargas na Revolução de 1930, o novo
Presidente concedeu, por Decreto, a anistia a todos os civis e militares envolvidos nos
movimentos revolucionários, inclusive aos da Revolta de 1924. Pela decisão os oficiais
revoltosos no 5º RCI acabaram sendo anistiados, permitindo que prosseguissem normalmente
as suas carreiras.
27. A REVOLUÇÃO DE 1930

Ainda sob os reflexos da revolta de 1924, assumiu a Presidência da República o


paulista Washington Luís prorrogando até 30 de abril de 1926 o estado de sítio em que vivia o
país. Passado algum tempo o Presidente suspendeu a vigência do estado de sítio,
restabelecendo a liberdade de imprensa, libertando os presos políticos, porém não concedeu
anistia aos militares revoltosos participantes das revoltas de 1922 e 1924, fazendo estender a
insatisfação político-militar.
O Presidente ao recusar conceder anistia aos militares e mais tarde nas eleições de
1930 ao quebrar a seqüência da política café-com-leite quando deveria indicar um mineiro,
optando pelo paulista Júlio Prestes, fez surgir a Aliança Liberal, frente política de oposição
que lançou o gaúcho Getúlio Vargas e o paraibano João Pessoa na chapa ao governo.
As eleições se encerraram com a vitória de Júlio Prestes, o que acabou provocando
protestos, principalmente dos políticos jovens e dos tenentes revolucionários. Ocorrem
agitações populares e o assassinato de João Pessoa acaba acionando o estopim revolucionário.
Em 3 de outubro de 1930, numa sexta-feira, eclode a Revolução no Rio Grande do
Sul, quando o QG 3ª Região Militar é atacado por tropas revolucionárias e seu comandante,
General Gil Antonio de Almeida, é preso.
Na manhã seguinte, várias Unidades no Rio Grande do Sul começam a aderir ao
movimento, inclusive na guarnição de Uruguaiana onde a 1ª Bateria do 2º Grupo de Artilharia
a Cavalo e o próprio 5º RCI também aderem ao movimento. Não concordando, o Ten Cel
Aymbiré Mendes, comandante do 5º, acaba sendo preso e afastado do comando, assumindo
em seu lugar o major Hypólito Paes de Campos, até então subcomandante.
Após assumir o comando do 5º RCI o novo comandante manda publicar em boletim
os acontecimentos que envolveram a adesão da guarnição:

Boletim n° 233 de 04 de outubro de 1930


Commando do Regimento
Em virtude do movimento armado desenrolado na
madrugada de hoje, nesta localidade, por elementos civis; e, tendo
esta guarnição, em boletim secreto n° 18, e recommendação annexa,
do Commandante da 3ª. Região Militar ordem de não hostilisar
elementos que não atacassem quarteis; a officialidade da guarnição
deliberou enviar emissarios aos chefes politicos do mesmo, Drs.
Baptista Luzardo e intendente João Fagundes. Em solução
empenharam sua palavra de honra os chefes acima citados,
positivando com telegramas mostrados, ser uma “revolução de
caráter nacional”, na qual se acha empenhado todo Exercito e toda a
população civil do paiz, afim de moralisar o regime constitucional e
evitar a anarchia dos poderes constituidos. Em razão destes
acontecimentos e impossibilitados de informações de outras
quaesquer fontes, reuniu-se, neste quartel toda a officialidade desta
guarnição, resolvendo adherir a esses acontecimentos de redempção
nacional em que estava já envolvida a grande maioria do Exercito.
A esse movimento somente o Sr. Tenente Coronel João
Aymbiré Mendes, declarou não concordar e se considerar preso,
dáquelle momento.
Assim, pelos motivos acima expostos, assumo nesta data o
comando do regimento.
Funções de Sub-Cmt e Ajudante Secretario
Em consequencia, assuma as funções de Sub-Cmt e fiscal
administrativo o Sr. Capitão Raul Betim Paes Lemes e de Ajudante-
secretario o Sr. 1° Tenente José Nelson Peckolt.

Na seqüência dos fatos, são organizadas as tropas revolucionárias, ficando a chefia


do estado-maior das Forças Nacionais, assim chamada as tropas do Exército que aderiram ao
movimento, a cargo do Ten Cel Góes Monteiro, então comandante do 3º Regimento de
Cavalaria Independente de São Luis Gonzaga. Para a chefia das Forças Nacionais em Armas
assumiu Getúlio Vargas.
No dia 6 de outubro, o Major Hypólito é designado pelo Chefe do Estado Maior
Revolucionário, para assumir o comando da 2ª Divisão de Cavalaria, cuja sede provisória
ficaria em Uruguaiana. Logo depois, em 11 de outubro, a Divisão foi dissolvida
temporariamente e criada a Guarnição Militar de Uruguaiana com o 5º RCI, a bateria do 2º
GACav e as Forças Patriotas em organização. O comando do regimento passava então ao
capitão Raul Betim.
Na mesma data, 11 de outubro, o regimento recebeu do chefe do estado-maior ordens
de embarcar para Ponta Grossa no Paraná, ficando o quartel de Uruguaiana sob a guarda de
um 2º sargento, dois 3º sargento, um cabo e treze soldados, enquanto que guarnecendo a
Invernada ficaram um cabo e dois soldados.
Para as vagas dos oficiais, o comando do 5º RCI comissionou alguns sargentos no
posto de 2º tenente, uma prática muito comum durante a revolução, sendo que o próprio major
Hypólito foi comissionado no posto de Coronel.
No dia 12 de outubro, às 18 horas, o regimento embarca nos trens, contando com o
efetivo de 27 oficiais e 360 praças, organizado com estado maior, pelotão extra numerário,
transmissões, pelotão de metralhadoras e os 1º e 2º esquadrões. No comando da unidade
continuava o capitão Raul Betim Paes Leme e o capitão Carlos Braga Pereira de
subcomandante.
No dia 13, o Regimento chega a Santa Maria; no dia 14 à cidade de Tupanciretã,
quando o coronel Hypólito reassume o comando do 5º, retornando o capitão Raul Betim a
função de subcomandante e o capitão Carlos Braga ao comando do 2º esquadrão.
Continuando a marcha, no mesmo dia o regimento chega a Cruz Alta; na noite do dia
15 em Passo Fundo; na madrugada do dia 16 a Erechim e na madrugada do dia 18 em São
João, já no estado do Paraná.
Onze dias depois de ter saído de Uruguaiana, na noite do dia 23 de outubro, o 5º RCI
chegava à cidade de Ponta Grossa, quando as Forças Nacionais, após a concentração de todas
as tropas, se reorganizam em cinco destacamentos com o objetivo de adentrar no estado de
São Paulo, terra do Presidente Washington Luis e de Júlio Prestes.
Como o deslocamento das tropas era por trem, esperava-se um confronto com as
tropas legalistas de São Paulo, já estacionadas em Itararé, primeira cidade paulista no
caminho ferroviário.
Constituindo força do Destacamento Baptista Luzardo, Deputado Federal pelo Rio
Grande do Sul, no dia 2 o regimento estabeleceu Posto de Comando (PC) na cidade de
Jaguariaiva e no dia 25 na vizinha Senges, cidades paranaenses mais próximas de Itararé,
ambas também no caminho ferroviário para a capital paulista.
Nessa fase de operações e na iminência do confronto com as tropas legalistas, o
coronel Hypólito é designado chefe do estado-maior do destacamento, quando o comando do
5º é passado novamente ao capitão Raul Betim.
Foram fixados dois dias para o ataque a Itararé, baluarte defensivo governista, que
vencido abriria caminho à capital paulista. Os preparativos para o combate estavam prontos,
quando na manhã de 24 de outubro chega a notícia da deposição do Presidente Washington
Luis, feita por um grupo de oficiais do Exército liderados pelo General Tasso Fragoso,
passando a governar o país uma Junta Militar.
Sobre o ataque a Itararé, “a batalha que não houve”, como ficou conhecida, o
boletim do regimento com Posto de Comando em Itararé transcreveu:

Boletim n° 250 de 26 de outubro de 1930 - PC em Itararé


Ao pisar o solo paulista na cidade de Itararé, este Commando
chama a atenção de seus camaradas para este assignalado feito.
Estava nossa tropa com posição já designada para o combate
que se deveria ferir dentro de 2 horas, quando a deposição do
governo do Sr. Washington Luiz suspendeu as hostilidades, trazendo o
triumpho definitivo das forças revolucionarias.
Tendo este Commando a convicção de que o 5° R.C.I. esteve
sempre e continua a estar a postos para a luta, desde que se
empenhou na grande causa Nacional, sente-se agora, no dever de
congratular-se com a tropa pela conquista da victoria, sem nova
effusão de sangue, inspirado em sentimentos de patriotismo e de
humanidade.
A rapidez fulminante do triumpho revolucionario evidencia a
justiça da grande causa que abraçamos.
Bem afortunado o dia em que este Commando e a tropa
assumiram a attitude resoluta de repudiar um governo criminoso,
para ficar com o povo e pela Patria.
Assim, continuamos todos a cumprir este alto dever patriotico
como militares e cidadãos.

Em 26 de outubro o regimento recebe ordem de embarcar para a capital paulista,


chegando a esta no dia 30. Em São Paulo, o 5º RCI se reorganiza, quando, logo em seguida,
recebe novas ordens para embarcar, agora com destino à Capital Federal no Rio de Janeiro.

Boletim n° 252 de 31 de outubro de 1930 - PC em São Paulo


Reabastecimento
Os Corpos deverão dirigir os seus pedidos directamente ao
Deposito Central de Reabastecimento, situado no armazém nº 3 de
Sorocaba, em Barra Funda. (Bol. nº 17, do Dest. “Gen. Miguel
Costa”)

Embarque de Unidades
Conforme consta do Bol. nº 17, do Dest. “Gen. Miguel
Costa”, o regimento deverá embarcar para a Capital Federal, no dia
3 de novembro próximo.

No dia 2 de novembro às 08 h 30 min, o regimento chega ao Rio de Janeiro, ficando


acantonado, a partir das 22 h, no quartel do 1º Regimento de Artilharia Montado na Vila
Militar.
Enquanto isso no Palácio do Catete, sede do governo, os acordos se sucedem, até que
em 3 de novembro a Junta Militar, sob a Presidência do Gen Tasso Fragoso (ex-comandante
do Rgt), entrega o governo a Getúlio Vargas. Chega ao fim o movimento revolucionário, que
iniciado no dia 4 de outubro em Porto Alegre culminou com a imagem dos gaúchos com seus
cavalos amarrados ao obelisco da Avenida Rio Branco no Rio de Janeiro como o próprio
símbolo da revolução vitoriosa.
Com o novo governo empossado, nomeações são feitas rapidamente: o Deputado
Baptista Luzardo é nomeado para a Chefia da Polícia do Distrito Federal e em conseqüência o
Coronel Hypólito assume o Comando do Destacamento.
No dia 8 de novembro Getúlio Vargas faz publicar o Decreto nº 19.395, transcrito
mais adiante, concedendo anistia a todos que se envolveram na revolução de 1930, extensiva
para as revoltas de 1922 e 1924, beneficiando inclusive militares do 5º RCI.
Mesmo operando em campanha o regimento manteve a elaboração dos boletins, o
que nos permitiu acompanhar as suas atividades durante toda a revolução. Transcrevemos a
seguir alguns boletins do 5º RCI, desde a sua chegada ao Rio de Janeiro no dia 3 de novembro
até o fim da revolução e a dissolução do Destacamento Baptista Luzardo a 14 do mesmo mês:

Boletim n° 255 de 3 de novembro de 1930 - PC na Capital Federal,


quartel no 1º R.A.M. - Villa Militar
Marcha do Regimento
O Regimento marchou hontem da Capital de S. Paulo, ás
18.30 horas com destino á Capital Federal, onde chegou ás 8:30
horas, acantonando ás 22 horas, no quartel do 1° R.A.M., Villa
Militar.

Commando de Destacamento
Conforme consta do Bol. n°12 do Destacamento Baptista
Luzardo, assumiu o commando do mesmo Destacamento, por ordem
Chefe das Forças Nacionaes, o Cel. Hypolito Paes de Campos,
ficando em vigor todas as ordens existentes inclusive o nome do
Destacamento.

3 de Novembro
Chegando á Capital da Republica attingiu o 5° R.C.I. o
termino de sua marcha.
Vencido pela opinião publica primeiro, e depois pelas armas,
nada resta do antigo governo senão a sentença condenatoria da
postridade. Empossado hoje na presidencia da Republica o Chefe
supremo da revolução brasileira, Sr. Dr. Getulio Vargas, inaugurou-
se uma nova éra de honestidade politica, de ordem dentro da
liberdade, de trabalho activo, de creação civilisatoria.
Ao Exercito Nacional glorificado, na sua maioria, por ter
compartilhado com o povo, de maneira efficiente, para o triumpho
revolucionario, incumbe agora a alta missão de garantir
devotadamente o novo regime como guardião vigilante e austero da
victoria.
O 5° R.C.I. tem até agora cumprido com rigor e denodo o seu
dever. Espera este Commando que assim continue na paz, com a
mesma firmeza das horas graves da luta.
Estando investido do commando deste regimento um filho do
Rio de Janeiro, rejubila-se elle por ter sob suas ordens uma grande
maioria de bravos rio-grandenses do sul e congratula-se com a tropa
pela derrota total do governo deposto, confiando mantenha ella o
ideal de bem servir a Patria, servindo ao novo governo regenerador
da Nação. (a) Raul Betim Paes Leme
Boletim n° 259 de 8 de novembro de 1930 - PC na Villa Militar
Reabastecimento
Declaram-se as unidades que o reabastecimento de viveres,
fumo e outros artigos deve ser feito no armazém de subsistência
localizado em Benfica e o de forragem no armazém em Deodoro
fundos do Posto Medico. Os Cmts. de Corpos devem se entender
directamente com aquelles serviços. (Bol. nº 15, de 7-11-930, do
Desacamentoe Luzardo)

Reiteração de Ordem
O Sr. Cel. Chefe do Estado Maior das Forças Nacionaes, em
memorandus de hontem, reiterou a ordem a respeito das praças,
prohibindo-as de sahirem, sob pretexto algum, armadas do quartel.

Boletim n° 264 de 13 de novembro de 1930 - PC na Villa Militar


Transcripção de Decreto
Decreto n° 19.395, de 8 Novembro de 1930. Concede
amnistia a todos os civis e militares envolvidos nos movimentos
revolucionarios ocorridos no paiz.
O Chefe do Governo Provisorio da Republica dos Estados
Unidos do Brasil, decreta:
Art° 1° - É concedida a amnistia a todos os civis e militares
que, directamente ou indirectamente, se envolveram nos movimentos
revolucionarios, ocorridos no Paiz.
§ 1° - São incluidos nesta amnistia todos os crimes politicos e
militares ou connexos com esses.
§ 2° - Ficam em perpetuo silencio. Como si nunca tivesse
existido, os processos e sentenças relativas a esses mesmos factos e
nos delictos politicos de imprensa.
§ 3° - Os beneficiados pela amnistia não terão direito a
differença de vencimentos relativa ao tempo em que estiveram presos
em processo, cumprido sentença ou por qualquer motivo ausente do
serviço ou de suas funções, sendo-lhes, porem, contado esse tempo
para os demais effeitos legaes.
Art° 2° - Revogam-se as disposições em contrario.
Rio de Janeiro, 8 de Novembro de 1930. 109 da
Independência e 42 da Republica (aa) Getulio Vargas. Oswaldo
Aranha, José Fernandes Leite de Castro. José Izaias de Noronha.
(Bol. nº 20, de 12-11-930, do Dest. Luzardo)

Regresso de Tropa
Por ordem do Chefe do E.M. das Forças Nacionaes o 5º RCI,
deverá regressar á sua sede, por via terrestre, no dia 14 do corrente,
devendo o seu commandante tomar as necessárias providencias, tendo
em vista as instrucções verbaes recebidas. (Bol. nº 20, de 12-11-930,
do Destacamento Luzardo)

Boletim n° 265 de 14 de novembro de 1930 - PC na Villa Militar


Dissolução de Destacamento e Agradecimento
Em virtude de ordem do Sr. Cel. Chefe do E.M. das Forças
revolucionarias é nesta data dissolvido o Destacamento Baptista
Luzardo sob meu Commando ficando as unidades que o compunham
directamente ligadas ao Q.G. das Forças Nacionaes. Aos meus
prezados companheiros commandantes de corpos, officiaes deste Q.G.
e demais inferiores e praças do Destacamento, os meus
agradecimentos pela maneira efficiente com que cada um, no alcance
de suas funções, cooperaram para a manutenção do bom nome desta
grande unidade do nosso Exercito, facilitando assim meus árduos
deveres de commandante. (Bol. nº 22, de 14-11-930)

No dia 14 de novembro, o Cel Hypólito reassume o comando e após treze dias no


Rio de Janeiro, o regimento inicia o deslocamento de retorno, embarcando na estação da Vila
Militar ao final da tarde do dia 15 de novembro em trem da Estrada de Ferro Central do Brasil
(EFCB).
No deslocamento de retorno o Regimento passa por Barra Funda, São Paulo, no dia
15 de novembro; Rio das Mortes, a 17 de novembro; Rio das Almas, 18 de novembro;
Presidente Pena, 19 de novembro; Erebango, 20 de novembro; Júlio de Castilhos, já no Rio
Grande do Sul, a 21 de novembro; Alegrete, a 22 de novembro e chegando a Uruguaiana às 8
h 30 min da manhã do dia 23 de novembro. Estava encerrada a participação do 5º RCI na
Revolução de 1930.
O Tenente Coronel João Aymbiré Mendes, ex-comandante do 5º RCI, anistiado pela
Revolução, é transferido para o 8º RCI (atual 8º R C Mec), vindo a comandar esta unidade de
fevereiro de 1931 a agosto de 1932.

Transporte ferroviário de tropas revolucionárias do Sul para São Paulo, durante a


Revolução – Fonte: A Grande Barreira, J.F. Maya Pedrosa, 1998.
28. A REVOLUÇÃO CONSTITUCIONALISTA DE 1932
Em São Paulo, principal estado golpeado pela Revolução de 1930, as forças políticas
de oposição, contrárias à nomeação de um tenente pernambucano e revolucionário para
governar o estado, se agitavam exigindo um interventor civil e paulista.
São Paulo consegue substituir o oficial nomeado, mas também querendo uma nova
constituição passam a exigir eleições para a Assembléia Constituinte. Getúlio Vargas protela
a convocação das eleições e as tensões aumentam, atingindo a uma situação difícil depois da
morte de quatro estudantes em um conflito no centro da capital paulista.
Finalmente, em 9 de julho de 1932, explode a Revolução Constitucionalista, ficando
restrito o movimento sedicioso à capital, enquanto que nas demais guarnições do estado as
tropas mantiveram-se fiéis ao governo.
No Rio Grande do Sul, a 3ª Região Militar, ao comando do General de Divisão
Francisco Ramos de Andrade Neves, manteve-se em posição de defesa ao governo federal.
Entretanto passou a enfrentar problemas por causa da insatisfação por parte das lideranças
políticas do estado, que se sentiram desprestigiadas pelo gaúcho Getúlio Vargas. É dada a
ordem de se guarnecer as estações telegráficas, suspender as férias, as licenças e dispensas de
todos os oficiais e praças, determinando-se também para que todos ficassem recolhidos as
suas unidades.
Nas medidas de mobilização, a Região autorizou ainda que se aceitasse a cavalhada
que fosse levada por seus proprietários aos quartéis e que pudessem prestar serviços
imediatamente para fins militares, sem o caráter de requisição, dando-se apenas um recibo.
Conforme ordem do comando da Região, a 2ª Divisão de Cavalaria determinou a
organização de um esquadrão divisionário, a fim de ser enviado para a zona de operações em
São Paulo. Com essa medida o 5º RCI recebe ordem para que enviasse ao QG em Alegrete,
um pelotão de cavalaria completo, inclusive com cavalhada e arreamento. O pelotão é enviado
e por dez dias auxilia o serviço de policiamento daquela guarnição, tendo retornado a
Uruguaiana no dia 28.
No mesmo dia 28, mediante determinação da 2ª Divisão, embarcou para Santa Maria
o pelotão do 2º Tenente Comissionado Cecilio Pereira Goulart, com a finalidade de ser
incorporado ao 14º RCI de Dom Pedrito, unidade escolhida para seguir à cidade de Faxina, no
estado de São Paulo.

A Participação do Pelotão do Tenente Cecilio em São Paulo

O pelotão do tenente Cecílio, constituído de quatro sargentos, quatro cabos, 30


soldados, 35 cavalos reiúnos e sete cavalos particulares, apresentou-se no dia 31 de julho ao
14º RCI, ficando a partir de então adido ao 2º esquadrão. Apresentado, o pelotão do 5º RCI
veio a participar ativamente das operações daquele regimento, cuja atuação foi verificada nas
alterações do próprio tenente, encontradas nos arquivos do 5º R C Mec:

AGOSTO: A 1º, ás 11 horas, seguiu com o Regimento, rumo


à Cruz Alta, onde chegou ás 15 horas do dia 2, partindo, no mesmo
dia, ás 21 horas, rumo à Passo Fundo. A 3, ás 11,30 horas, atingiu a
cidade de Passo Fundo. A 4, ás 8,30 horas, seguiu para Marcelino
Ramos. A 5, ás 20,30, atingiu a cidade de Marcelino Ramos. A 6 ás 19
horas, prosseguiu marcha com destino a Porto União. A 8, a 1 hora
da madrugada atingiu a cidade de Porto União, de onde partiu, no
mesmo dia , ás 19 horas, com destino a Ponta Grossa. A 9, ás 21
horas, partiu da cidade de Ponta Grossa, com destino a cidade de
Faxina, passando por Jaguariaiva pela manhã do dia 10. A 11, ás 22
horas, partiu da cidade de Faxina, de onde foi mandado para a
Estação de Rondinha, onde o Regimento aguardou ordens. A 29,
seguiu com o 1º esquadrão comandando um pelotão que foi reforçar o
9º R.C.I. SETEMBRO: A 15, o Snr. Ten. Cel. José Antonio de
Medeiros, transcreveu em boletim o elogio do Snr. Major
comandante do 9º R.C.I., José Pinto Barreto, do modo seguinte: “É
com satisfação que transcrevo estes louvores e faço também minhas
as palavras: Este comando (9º R.C.I.) está satisfeito com a ação
desempenhada, no dia 31 de agosto, pelo esquadrão Jatahy e secção
Odilon, postos a sua disposição. E não poderia ser de outra forma,
pois, o plano que havia sido traçado foi executado com tal presteza e
eficiência, que se tornou de grande realce no avanço do
Destacamento do Exército Sul e assim não teria acontecido, si o
espírito de abnegação, cumprimento do dever e sacrifício não fosse o
apanágio dos nossos soldados, e a clarividência, aptidão de Comando
e atividade não caracterisassem os nossos oficiais. Este comando não
se sentiria bem si não exteriorasse os seus louvores ao 2º Ten. Cecílio
Goulart pela boa orientação demonstrada por seu pelotão o qual
dirigido com coragem pouco vulgar e atividade enfatigavel,
cooperando desde modo brilhantemente na ação do Regimento. A 28,
seguiu com o Regimento que deslocou-se da Fazenda Santa Inez, para
a margem esquerda do “Arroio Cachoeirinha”. OUTUBRO: A 1º,
seguiu com o Regimento que cumpria uma ordem de operação. A 2,
continuou marcha bivacando na Fazenda Crispiniano. A 4, deslocou-
se com o Regimento com destino a Gramadinho acantonando na
Fazenda “Bom Retiro”. A 5 seguiu o seu destino. Em Varzinha do
Capivari o Regimento recebeu ordem de deslocar-se para Capão
Bonito, motivo porque voltou a Fazenda “Bom Retiro” e acantonou. A
6, deslocou-se da Fazenda “Bom Retiro” acantonando na Fazenda
“Rodrigues Alves”. A 7, seguiu com o Regimento com o destino a
região de Aracassú, atravessando o Rio Paranapama e bivacando na
Estação de Legiana, onde aguardou transporte para Botucatu. A 10,
partiu com o Regimento com destino a Botucatu. A 11, chegou em
Botucatu, onde o Regimento desembarcou e acantonou no Colégio
N.S. Lourdes como tropa de ocupação. NOVEMBRO: A 3, seguiu
para São Paulo com permissão do Snr. Gen. Cmt. da 2ª R.M. A 4, foi
excluído do estado efetivo do Regimento, por ter de seguir para o seu
Regimento conforme determinou o Snr. Gen. Valdomiro Lima em
telegrama nº 74 A, de 3 do corrente. Na mesma data o Snr. Cmt. do
Regimento louvou-o da maneira seguinte: “Ao desligar a tropa de que
trata o item acima, agradeço os bons serviços prestados por este
oficial, quer durante a luta, quer durante a paz”.
Quartel em D. Pedrito, 11 de janeiro de 1933.
(a) Nelson de Aquino, 1º Ten. Cmt.

Uma outra ação do pelotão, não transcrita acima, foi a do dia 12 de agosto, em que a
fração marchou e bivacou a 4 km de Buri, São Paulo. Na mesma data, o pelotão tomou parte
no combate dado pelo 14º RCI contra uma poderosa força inimiga, que atacou aquele
regimento inesperadamente nas imediações de Rondinha e Buri. Esta informação foi
confirmada nas alterações do mesmo oficial, referente ao ano de 1933:

Em Agosto- A 12, seguiu para Buri, comandando o seu


pelotão. Outubro- A 28, o Snr. Cel. José Antonio de Medeiros, Cmt.
Do Regimento, cumprindo a determinação constante do Boletim do
Exercito do Sul, nº 103, de 20-10-32, elogiou-o pela calma e sangue
frio demonstrados em combate. - Quartel em D. Pedrito, 19 de janeiro
de 1933. Arthur Danton de Sá e Souza, Capitão Comandante.

Intentona no 5º RCI

O 5º RCI estava escalado para embarcar para São Paulo, quando na noite do dia 22
de setembro, numa quinta-feira, militares do regimento e da 1ª bateria do 2º Grupo de
Artilharia a Cavalo se sublevaram, tendo a frente o capitão comandante do 1º esquadrão,
apoiado por mais dois tenentes.
A revolta não chegou a durar nem 24 horas e às oito horas da manhã do dia seguinte
os revoltosos se renderam incondicionalmente ao Ten Cel Hyppolito, comandante do 5º RCI.
Os oficiais amotinados foram então presos e conduzidos escoltados para Porto Alegre.
O comandante da 2ª DC ao tomar conhecimento da revolta determinou que o
esquadrão do 6º RCI de Alegrete, previsto para guarnecer o aquartelamento do 5º, enquanto
este estivesse em operações no estado de São Paulo, acelerasse a sua marcha para Uruguaiana.
O esquadrão se apresentou no regimento ficando de imediato à disposição do comandante.
Sufocado o levante, o 5º RCI permaneceu com a ordem inalterada de seguir para a
capital paulista. Enquanto isso o esquadrão do 6º RCI acantonava no quartel, permanecendo
em Uruguaiana até o dia 30 de novembro, quando recebeu novas ordens da Divisão, passando
a missão de segurança das instalações a um contingente.
Sobre a revolta de 22 de setembro ocorrida no 5º RCI, temos as seguintes
transcrições:

Boletim n° 226 de 23 de setembro de 1932


Transcrição de Telegrama
De Alegrete: De ordem Cmt. Região o 6º R.C.I. devera ficar
disposição a fim de garantir-lhe ação que deverá desenvolver na
reprimenda necessária deveis segundo determina comandante Região
fazer seguir em trem especial para Porto Alegre escoltasse por força
conveniente chefes rebeldia oficiais e sargentos que tenham tido
participação movimento pt Com essa escolta deverá vir relatório do
ocorrido fim proceder-se acordo justiça pt 6º R.C.I. permanecerá em
Uruguaiana até nova deliberação pt Deveis informar quantidade
munição perdida e dizer por telegrama nomes oficiais quer Cavalaria
quer Artilharia envolvidos na sedição pt Ten. Cel. Laurindo Cmt. 2ª
D.C.

Chegada de Regimento
Chegou hoje, a esta guarnição o 6º R.C.I. que fica a
disposição deste comando.

Sublevação de Regimento
Hontem as 20 horas o regimento e a 1ª/2º G.A.Cav.
sublevaram-se, rendendo oficiais no xadrez. O quartel muito sofreu
bem como o material em grande parte extraviado. Hoje as 8 horas
hasteou a bandeira branca entrando em entendimento com este
comando, para a sua rendição. Chefiaram o movimento o [...], que
foram presos.
Boletim n° 227 de 24 de setembro de 1932
Destino de Oficiais
Seguiram ontem presos para Porto Alegre os seguintes
oficiais: [...].
Transcrição de Telegrama
De Porto Alegre: Nº 515 C cwot kssd Vista interrupção linha
telegráfica Porto Alegre Alegrete transmiti Cmt. 2º D.C. para que
tomasse conhecimento seguinte telegrama: “Segundo telegrama Cel.
Neco Costa e Fagundes vg intentona [...] e outros completamente
jugulada tendo rebeldes se entregue incondicionalmente pt 6º R.C.I.
deverá prosseguir para Uruguaiana ocupando quartéis e colocando
disposição Ten. Cel. Hippolito fim garantir-lhes ação que deverá
desenvolver na reprimenda necessária pt Comunicasse esta ordem
urgente ao Ten. Cel. Hippolito vg determinando-lhe ainda que oficiais
chefe rebeldia e sargentos que tenham tido participação movimento
sigam em trem especial para capital escoltados por forças
conveniente que fica a seu critério pt com essa escolta deverá vir
relatório do ocorrido fim proceder-se acordo justiça pt 6º R.C.I.
permanecerá em Uruguaiana até nova deliberação pt determina ainda
ten. Cel. Hippolito Paes de Campos informe quantidade munição e
diga por telegrama nome oficiais quer Cavalaria quer Artilharia
envolvidos sedição pt Julgou prudente aguardar aí chegada 6º R.C.I.
que deve estar em Pindaí-mirim e recebeu ordem acelerar marcha
Uruguaiana colocando vossa disposição fim exploração sucesso pt
Camaradas falsos que faltaram mais uma vez palavra não devemos
confiar pt De vossa atitude enérgica na repressão malfadado intento
não ficará libertado regimento vosso comando e responsabilidade de
traição ou falsidade que casos desviados camaradas procuraram
insolver vosso renome ainda uma vez a altura de vosso brilhante
passado pt Espera em breve ver regimento reconstituído fim
colaborar com tua lealdade com dignos camaradas em São Paulo na
repressão da rebeldia separatista do nosso Brasil muito amado pt (a)
Franco Ferreira Gen. Cmt. Intº da 3ª R.M.

A participação do 5º RCI na Revolução de 1932

O regimento com um efetivo de 16 oficiais, 424 praças e 402 cavalos embarcou no


dia 01 de outubro às 23 h, iniciando a marcha ferroviária para a zona de operação.

Boletim n° 233 de 30 de setembro de 1932


Ordem de Movimento
O Regimento deverá estar pronto para embarcar Domingo
dia 2 de outubro, as 7 horas com destino a frente Sul.
I-o material deverá ser embarcado amanhã, dia 1º de outubro
as 12 horas.
II-as composições deverão se achar a hora determinada nos
fundos do quartel.

A missão do 5º RCI era incorporar-se ao Exército Sul, o qual estava operando no


setor sul de São Paulo. Entretanto, durante o deslocamento do Regimento, a 3 de outubro, os
revoltosos paulistas se renderam e foi celebrada a paz. Independente da rendição dos
Constitucionalistas, o regimento manteve o seu deslocamento e a 4 de outubro transpôs a
estação de Marcelino Ramos, ainda no Rio Grande do Sul. No dia 6, às 16 h, atingiu a cidade
Ponta Grossa. No dia 8, chegou à cidade de Itararé, já no estado de São Paulo, onde
acantonou, ficando incorporado ao Exército Sul. A partir daí ficou designado para tomar parte
como tropa de ocupação da cidade, conjuntamente com o 13º Regimento de Infantaria.
A 22 de outubro, com o fim das operações bélicas, o Exército Sul foi dissolvido e a
24 o regimento inicia sua marcha para a cidade de Castro, Paraná, aonde chega a 25. Nesta
cidade, o 5º RCI acantona no quartel do 5º Regimento Divisionário permanecendo até 17 de
dezembro, quando totalizou 54 dias em operações, recebendo então autorização para retornar
a sua sede.
No mesmo dia a unidade inicia sua marcha de retorno, passando no dia 19 pela estação
de Herval, Santa Catarina; Carazinho, Rio Grande do Sul, a 20; Cacequi a 21 e chegando a
Uruguaiana às 16 h 40 min do dia 22 de dezembro.
Ao final de missão, o Ten Cel Hyppolito faz um agradecimento e louvor à tropa,
resumindo a atuação do regimento no difícil período que transcorreu a Revolução de 1932:

Boletim n° 301 de 22 de dezembro de 1932


Marcha do Regimento
O Regimento prosseguindo sua marcha chegou a esta cidade
hoje as 16:40 marchando para o quartel, onde aquartelou.

Agradecimento e Louvor
Meus Camaradas!
Estamos de regresso a nossa caserna. Depois da fracassada
tentativa de levante levado a efeito no Regimento na noite de 22 de
setembro ultimo, nas vésperas do embarque desta unidade para a
linha de frente de operações no Estado de São Paulo, muito se
comentou sobre a disciplina deste corpo. Para muitos o Regimento
não mais poderia cumprir a missão que lhe fora confiada. Os
interessados na política contraria ao nosso Governo, tudo fizeram
para que fosse retirada na política contraria ao nosso Governo, tudo
fizeram para que fosse retirada a ordem de marcha. Convicto como
estava de que o Regimento nada tinha sofrido na sua disciplina com a
tentativa de levante fracassada não vacilei um só instante em
comunicar ao nosso General que o meu Regimento continuava pronto
para cumprir a missão recebida e não tardou em vir a ordem de
marcha. Razões de sobra não me faltavam para essa convicção. Tres
oficiais do Regimento levaram avante o levante [...] apenas
conseguiram a adezão de 2 sargentos, 3 cabos e vinte e poucas
praças. O Caitão [...] não conseguio mais de uma meia dúzia de
praças de seu esquadrão. O resto da oficialidade conservou-se ao
meu lado tendo sido parte dela surpreendida no quartel onde foi
preza. As praças por sua vez na sua maioria, fora do quartel por ser
hora do jantar, não tardaram em procurarem os seus chefes e pela
manhã com a dezistencia dos sublevados que não encontraram apoio,
todas estavam no quartel solidárias com as ordens. Não podia assim
haver duvidas sobre o estado de disciplina do Regimento. Não posso
me estender mais sobre esse assunto porquanto não foi ainda
publicado o resultado do inquérito que foi mandado proceder. Com
surpreza extraordinária dos exploradores o Regimento embarcou na
noite de 1º de outubro para cumprir a sua missão na maior ordem
possível, contra a expectativa mesmo de muitos otimistas trabalhados
pelos exploradores. A marcha até Itararé, onde o Regimento foi
incorporado ao comando das forças em operações o Snr. General
Waldomiro Lima, no dia 1º de outubro, não podia ter sido feito com
mais ordem e disciplina. Encontramos a luta suspensa - estavam em
armistício. No dia 3 foi celebrada a paz. Não foi, pois preciso o
sacrifício de sangue de nenhum de nós. Convicto porem estou que em
cada um dos combatentes do Regimento o Brasil contava com um
soldado que não faltaria ao seu juramento a Bandeira por ocasião do
seu alistamento no Exercito. Organizada então uma tropa de
ocupação fomos designados para Itararé e posteriormente para
Castro. Nessa missão passamos 2 mezes e 17 dias. Mais ordem, mais
disciplina e mais abnegação não se poderia desejar. Cada um
procurava a primazia sobre o seu companheiro em melhor cumprir o
seu dever. E foi nessa atmosfera de ordem e disciplina que
regressamos hoje a nossa caserna. É-me grato, por tudo isso, tornar
publico aqui meus agradecimentos e os louvores aos meus camaradas,
para que conste em seus assentamentos: oficiais [...]
Os cabos e soldados pela compreensão nítida que tiveram do
cumprimento de seus deveres.
Não excetuando destes louvores os inferiores, cabos e
soldados que sofreram castigos durante o tempo em que o Regimento
esteve fora de sua sede.
29. A TRANSFERÊNCIA PARA ROSÁRIO DO SUL

O regimento mal tinha chegado a Uruguaiana após a sua participação na Revolução


de 1932, quando recebeu ordem de mudar a sua sede para a Vila de Rosário, atual cidade de
Rosário do Sul.
A ordem da mudança de sede, feita sob a forma de troca com o 8º RCI (atual
8ºRCMec), foi determinada por Getúlio Vargas, então Chefe do Governo Provisório, e pelo
Ministro da Guerra, General Augusto Inácio do Espírito Santo Cardoso. A decisão, publicada
por meio de Decreto ainda no mês de dezembro, acabou provocando especulações sobre os
motivos da transferência, recaindo sobre a revolta no 5º RCI às vésperas do seu embarque
para combater as forças revolucionárias em São Paulo, como o principal deles.
Apesar de o regimento ter sufocado o motim, embarcado para a capital paulista e
participado a favor do governo, acabou não sendo suficiente para se evitar uma retaliação por
parte do governo. É uma hipótese, até porque não teria lógica trocar as sedes de dois RCI tão
próximos.

DECRETO Nº 22.274 - DE 29 DE DEZEMBRO DE 1932


Transfere as sedes dos 5º e 8º regimento de cavalaria
independente
O Chefe do Governo Provisório da República dos Estados
Unidos do Brasil, no uso da sua atribuição que lhe confere o Decreto
n. 19.398, de 11 de novembro de 1930, decreta:
Artigo Único - ficam transferidas as sedes do 5º Regimento
de Cavalaria Independente, de Uruguaiana para Rosário, e do 8º
Regimento de Cavalaria Independente, desta para aquela cidade;
revogadas as disposições em contrário.
Rio de Janeiro, 29 de dezembro de 1932, 111º da
Independência e 44º da República.
(Transcrito no Boletim do Exército nº 1 de 5 de janeiro de 1933)

Publicada a decisão das trocas de sedes, o 5º RCI tomou todas as providências para
que a ordem fosse cumprida imediatamente, iniciando no dia 1º de janeiro de 1933 o seu
deslocamento em composições ferroviárias.

Boletim n° 3 de 04 de janeiro de 1933


Transcrição de Radio
De Alegrete - Cmt. Região comunica que Bol. Regional dia
dois publica transferência para Rosário Séde 5º R.C.I. e para
Uruguaiana a do 8º R.C.I. pt Esquadrão do 8º R.C.I. continuará
destacado em Quarahy (a) Ten. Cel. Ernani Chefe do Estado Maior.
Em conseqüência a transcrição acima fica-se aguardando as
necessárias instruções.

Boletim n° 8 de 10 de janeiro de 1933


Transferência de Sede de Unidades
O Sr. Ministro declara que o Sr. Chefe do Governo
Provisório transferiu, para Rosário, o 5º R.C.I., e para Uruguaiana o
8º R.C.I. (do Chefe do Gabinete do Ministério da Guerra)

Boletim n° 12 de 14 de janeiro de 1933


Mudança da Sede do Regimento
Conforme autorização do Sr. Cmt. da Região, estive em
Rosário combinando com o Cmt do 8° R. C. I. as providencias
necessárias para a mudança da sede dos dois regimentos. Em vista da
citada unidade, só terminar o arrolamento de sua carga no fim da
semana entrante, ficou assentado que a mudança teria inicio no
começo da semana seguinte.

Ordem de Marcha do Regimento


Em consequencia do que consta no item acima, o regimento
deverá iniciar a sua marcha para Rosário, no dia 24 do corrente, na
seguinte ordem:
Primeira composição - 1º Esquadrão de Cavalaria e
Esquadrão de Metralhadora. Na mesma composição as sub-unidades
deverão tudo que lhes pertencem, menos os animais que irão em
composição especial. Os comandantes de sub-unidades com a
necessária antecedência fornecerão os serviços de embarque a
composição que precisarem, inclusive transporte para as respectivas
famílias e bagagens.
Segunda composição - será destinada ao transporte do
material dos diversos serviços devendo os respectivos chefes tomarem
todas as providencias a respeito, de modo que essa composição parta
com o menor intervalo possível da primeira.
Terceira composição - será a destinada a cavalhada, devendo
o chefe do Serviço Veterinário tomar as necessárias providencias.
Quarta composição - Esquadrão Extra e 2º esquadrão de
cavalaria - tudo de acordo com o que ficou estabelecido para a
primeira composição.
Observações: - os detalhes serão estudados e dados
verbalmente.
Chegada ao 8º R.C.I. - como esse regimento está com o seu
efetivo muito reduzido e dispondo de pouco material ficou acertado
que sua vinda coincidirá com a partida da primeira composição
daqui.

Boletim n° 26 de 31 de janeiro de 1933


Marcha do Regimento
Em obediencia á ordem de marcha do regimento, para
Rosário seguiu ontem para ali, em dois trens, toda a cavalhada desta
unidade.

Boletim n° 27 de 01 de fevereiro de 1933


Ordem de Marcha do Regimento
Obedecendo a ordem de marcha estabelecida partirá hoje
para Rosário, com o respectivo material, o resto do regimento que
aqui se acha, composto do Esquadrão Extra, 2° Esq e Estado Maior.

Boletim n° 28 de 02 de fevereiro de 1933


Aquartelamento do Regimento em sua nova Sede
Obedecendo a ordem de marcha estabelecida, partiram
ontem, de Uruguaiana, o 2° Esq. Ext e o Estado Maior do regimento,
em 3 trens especiais, chegando tudo hoje ás 9:45 h nesta Vila, ficando
assim o regimento aquartelado em sua nova sede.
30. A MUDANÇA PARA QUARAÍ

Após permanecer quase dois anos na Vila de Rosário o 5º RCI recebeu ordens para
mudar novamente sua sede, desta vez para Quaraí. Cumprindo a determinação, o comando do
regimento mandou inicialmente para o novo aquartelamento parte do II esquadrão com a
missão de substituir o II Esquadrão do 8º RCI (atual 8º R C Mec), que até então estava
guarnecendo o quartel em Quaraí.
O destacamento do 5º RCI chegou à cidade em 1º de março e estava ao comando do
1º Tenente Lúcio de Azambuja Dias. Posteriormente seguiram destino o 1º e o 4º pelotões da
mesma subunidade, porque estes estavam na manobra na época do deslocamento da
subunidade.

Boletim n° 34 de 9 de fevereiro de 1934


Ordem ao 5º R CI
O Cmt. do 5º R.C.I. providencie para mandar um esquadrão
para Quaraí afim de substituir o Esquadrão do 8º R.C.I. na guarda ao
Quartel daquela cidade. (Bol. da 2ª Divisão de Cavalaria nº 32 de 7
do corrente)
Foi consultado ao Sr. Cmt. da D.C. se a ordem acima deve
ser cumprida já ou depois das manobras.

Boletim n° 64 de 17 de março de 1934


Ordem ao 1º Esquadrão
O Comandante do 1º Esquadrão providencie no sentido dos
dois pelotões do 2º Esq. estarem pronto para seguir para Quarahy na
próxima segunda-feira, ficando aqui as praças de tempo concluído e
que devem ser licenciadas.

Boletim n° 68 de 22 de março de 1934


Destacamento de Esquadrão.
A 20 do corrente seguiram para Quarahy, em trem especial,
os 1º e 4º pelotões do 2º Esquadrão que tinham ficado adidos ao 1º
Esq. a fim de tomarem parte nas manobras.

Quase nove meses após o deslocamento do 1º escalão, em dezembro de 1934 seguiu


o restante do regimento. No dia 11 saiu a primeira composição com 15 vagões ferroviários,
levando o material do 1º esquadrão, esquadrão de metralhadoras, os serviços de saúde,
veterinária, aprovisionamento e extra numerário. Enquanto o material ia de trem a tropa se
deslocou a cavalo no dia seguinte. Poucos dias depois, no dia 19, seguiu o comando do 5º RCI
com o seu estado-maior e o restante do material, chegando no dia 20 junto com o
destacamento a cavalo que partira no dia 11.

Boletim n° 293 de 11 de dezembro de 1934


Mudança da Sede do Regimento
De conformidade com as instruções dadas pelo Comando do
Regimento, seguiram ás 14,30 horas para Quarahy, a primeira
composição de 15 wagons conduzindo o material do 1° Esquadrão vg
Esquadrão Metralhadoras vg Extra Numerário e dos diversos
serviços.
Boletim n° 296 de 12 de dezembro de 1934
Ordem de Marcha
De conformidade com as instruções baixadas por este
Comando, seguirão a cavalo para Quarahy, o 1° Esquadrão de
Cavalaria, e o Esquadrão de Metralhadoras, e os Serviços, Saúde,
Veterinaria e aprovisionamento, hora de partida no portão das armas
ás 5,30.

Boletim n° 297 de 15 de dezembro de 1934


Designação de Official
Designo o Sr. 2º Tenente Convocado Octacílio Pereira da
Rosa, para commandar o destacamento que permanecerá nesta Villa,
para fazer a guarda do quartel.

Destacamento
Ficam destacadas nesta villa, as seguintes praças: um 3º
Sargento, um 2º Cabo e 11 soldados.

Boletim n° 299 de 18 de dezembro de 1934


Embarque
Este Comando, acompanhado de seu Estado-Maior, parte
amanhã ás 8 horas em virtude da mudança de sede do Regimento,
para Quarahy.

Boletim n° 300 de 19 de dezembro de 1934


Partida
Partiu hoje a composição para Quarahy, o Comando com seu
Estado-Maior contem a composição 17 wagons.

Ponto Attingidos
Tendo partido de Rosário ás 11,30 attingiu:
Entroncamento ás 13,15; partida ás 13,45; Alegrete ás 18,15;
partida ás 19,17; Severino Ribeiro ás 22,20.

Boletim n° 301 de 20 de dezembro de 1934


Viagem deste Comando
Este Comando acompanhado de seu Estado-Maior chegou a
esta cidade que passa ser a nova sede do Regimento
.
Dissolução de Destacamento
Em virtude do Regimento, já se encontrar na sua nova sede
em Quarahy, cessa a situação de destacamento que havia sido creada
aqui pelo 2° Esquadrão de Cavalaria.

Marcha do Regimento
Em obediencia a ordem de marcha a cavallo do Regimento,
para esta cidade chegou hoje a coluna sob o comando do Sr. 1° Ten.
Victor de Mattos, composta do 1° Esquadrão de Cavalaria de
Metralhadoras, e serviços de Saúde, Veterinaria e Aprovisionamento.
Boletim do Exército nº 72, de 31 de dezembro de 1934
Parada de Unidade
O commandante da 3ª Região Militar communicou que se
acha installado em sua nova parada, em Quarahy, desde 20 do
corrente, o 5º regimento de cavallaria independente, ficando em
Rosario guarnecendo o quartel, um pequeno destacamento dessa
unidade, tudo do Rio Grande do Sul (radio n. 910 A, de 29-12-934, da
3ª Região Militar).

A última sede

Estava encerrada, até os dias atuais, a última mudança de sede do Regimento. Desde
a sua criação em 1775, a Unidade passou por várias, seja em guarnições temporárias ou
acampamentos de campanha, tanto em tempo de paz como em operações de guerra. A
começar por São Paulo, local de sua criação, do que foi possível ser levantado, o regimento
esteve dentro do território brasileiro nas localidades de Rio Pardo, Rio Grande, Taim,
Albardão, Laguna, Porto Alegre, São Gabriel, Alegrete, Santana do Livramento, margem
direita do rio Caverá, Bagé, São Borja, Uruguaiana e Rio de Janeiro.
Fora do Brasil, a unidade passou por Salto, Montevidéu, Taquarembó, Colônia do
Sacramento, Paissandu, Maldonado e Daiman, todos em território uruguaio. Na marcha para a
Guerra da Tríplice Aliança e durante as suas operações o regimento esteve na região de Entre-
Rios e Corrientes, ambas em território argentino, e ainda no território paraguaio, entre outras
localidades, passou pelo Passo da Pátria, Tuiuti, Tala-Corá, Pare-Cuê, Luque e Assunção.
Poucas unidades do Exército Brasileiro estiveram em tantos locais e por tanto tempo
em território estrangeiro. Senão vejamos:
- Guerras do Uruguai e Paraguai juntas: 5 anos e 8 meses;
- Campanha de 1851-1852: 9 meses (4 set 1851 a 4 jun 1852);
- Divisão Imperial Auxiliadora no Uruguai: 21 meses (28 mar 1854 a 20 dez 1855).
Acrescentando ao tempo em que o regimento esteve empregado nas Campanhas de
1811-1812, 1816-1820 e na Guerra da Cisplatina, somam mais de 10 anos de operações fora
do território brasileiro. Um orgulho para o 5º R C Mec.
31. O QUARTEL DE QUARAÍ E AS ÁREAS MILITARES

A Área do Quartel

A área do atual quartel do 5º R C Mec foi doada pela Intendência de Quaraí em


setembro de 1899 em atendimento a um requerimento do major João Ignácio Alves Teixeira,
comandante interino do 12º Regimento de Cavalaria, então sediado na cidade.

Registro nº 231 - Foi concedido pelo cidadão Vice Intendente,


ao commandante interino do 12º Regimento de Cavalaria, cidadão
major João Ignácio Alves Teixeira, a doação da quadra urbana, situada
entre as ruas Buarque de Macedo e General Canabarro, ao norte da
quadra vinte e oito, para edificação de um quartel de linha nos termos
do § 4 do art. 11 da Lei de Orçamento. Esta de posse a 4 de setembro de
1889.

No ano seguinte da doação do terreno e após aprovação da Lei de Orçamento foi


ratificada a concessão da referida quadra urbana do quartel:

Foi concedido pelo cidadão Vice Intendente Miguel da Cunha


Corrêa a requerimento do Major João Ignácio Alves Teixeira
commandante interino do 12º Regimento, a quadra urbana situada entre
as ruas Buarque de Macedo e General Canabarro ao norte da quadra
28 para edificação de um quartel de linha, conforme consta do seguinte
despacho: Miguel da Cunha Corrêa Vice Intendente Municipal de
Quarahy, attendendo ao requerimento do Major João Ignácio Alves
Teixeira Commandante do 12º Regimento de Cavalaria, rezolve
conceder o terreno pelo mesmo solicitado para construcção de um
quartel de linha, izento do imposto que a lei de orçamento determinou.
Registre-se 4 de setembro de 1899. Miguel da Cunha Corrêa. Vice
Intendente. É reformado o prezente archivo em 21 de setembro de 1900.

Quase oito anos depois da concessão de 1899, a doação do terreno foi homologada
pelo Termo de Aforamento dessa vez assinada pelo Intendente Olavo Alves Saldanha e pelo
representante do Governo Federal, conforme texto que se segue:

TERMO DE AFORAMENTO
O Governo Federal, Representado pelo Snr. 2° Ten. Rosendo Carpes
Aforamento de um terreno com a area de 30.976 Mts. 2
confrontando com a quadra n° 28 e com o lote rustico n° 49, ao norte da
Cidade. Preço da avaliação dez reis o metros quadrado. Foro annual
21/2%. Importância total do terreno 309:760 reis.
Aos nove dias do mês de Outubro de mil novecentos e sete,
n'esta Intendencia municipal de Quarahy, presentes o Cor’el Olavo
Alves Saldanha, Intendente, e o Snr. 2° Ten Rosendo Carpes em
representação do Governo Federal, commigo ventura Coronel da Rosa,
Director das obras municipaes, e os testemunhas no fim nomeadas e
assignadas, declarou o Snr. Intendente que concedia por aforamento
perpetuo ao Governo Federal, representado pelo Snr. 2° Ten' te
Rosendo Carpes, um terreno municipal com a area superficial de trinta
mil novecentos setenta e seis metros quadrados, situado ao norte da
Cidade e confrontando com a quadra numero vinte e oito e com o lote
rustico numero quarenta e nove, terreno em que vae edficar um quartel
de Cavalaria por conta do mesmo governo federal, seguindo as ordens
transmitidas ao Snr. 2° Ten'te Carpes pelo Snr. Ten'te Cor'el João José
d' Oliveira Freitas, delegado da direcção geral de engenharia juncto ao
commando d'este 6° Distrito militar, cujo terreno foi avaliado em dez
reis pelo metro quadrado ou tresentos e nove mil setecentos e sessenta
reis o fôro annual de dois e meio por cento, lance único offerecido por
dito terreno que se provou estar devoluto segundo ao Editaes publicado
no jornal “O Quarahy” e mais diligencias a que se procedeu em
cumprimento da Lei. E para na qualidade de foreiro possa o governo
federal ter e gosar o alludido terreno, sem embaraço ou impedimento
algum, de accordo com a Lei, mandou o Snr. Intendente lavrar este
termo que assigna com o representante do foreiro e as testemunhas
Albino de Oliveira Freitas e Bento José de Lima Junior, ordenando
igualmente que se désse posse do terreno e passasse-se o respectivo
Titulo nas condições do acto n° 85 de 30 setembro proximo passado,
que será guardada e cumprido tão inteiramente como n'elle se contem.

Complementando ao Termo de Aforamento de 1907 e a todas as documentações


anteriores, no dia 22 de julho de 1935 foi lavrada a escritura pública de doação da área dos
terrenos ao Governo Federal, sancionada pela Lei Municipal nº 05 de 26 de dezembro de
1922, translado do livro 22, folhas 159-160.

Mapa da cidade de Quarai

As obras do quartel

Sobre as obras do quartel do 5º R C Mec, já escrita no capítulo 25, vamos abordar


sobre a obra em si, como data de início e término, estilo e a sua ocupação.
Quanto ao estilo, sua arquitetura em linha francesa chama a atenção principalmente
pelos seus padronizados pavilhões, todos levantados sem colunas de concreto, sustentados
apenas por vigas de ferro aparafusadas, laterais com grandes janelas envidraçadas e teto com
respiradouros tipo "chaminé". São construções muito boas e que até hoje ao longo de 80 anos
vem atendendo satisfatoriamente as necessidades da tropa. Não será surpresa se no futuro
esses mesmos pavilhões sejam tombados pelo Patrimônio Histórico.
Quanto ao seu início e término, existe uma placa na entrada do regimento no qual
dados ajudam a esclarecer alguns questionamentos. Um deles é ao seu início. Pelo que consta
na placa foi no ano de 1922, ou seja, já no final do governo do presidente Epitácio Pessoa.

Placa na entrada do 5º R C Mec

Quanto ao término, é informado na placa que ocorreram em outubro de 1923, porém


estudos evidenciam que o final da construção somente veio a acontecer depois. Esta
conclusão veio ao consultarmos os boletins do mês de outubro de 1924, transcritos a seguir,
onde se observa o termo “quartel em construção”. Pelas publicações, além de se verificar que
as obras do quartel em Quaraí demoraram a serem concluídas, foi necessário que se
mantivesse uma guarnição no local.

Boletim n° 250 de 6 de Outubro de 1924


Boletim da Brigada n° 234 de 4 Outubro 1924
Ordem ao 5° R.C.I.
O 5° R.C.I., guarneça, com 4 praças e 1 cabo, os quarteis em
construcção na cidade de Quarahy, conforme determina o Snr. Comt.
da 3ª R.M. (Boletim Divisionário 233). (o grifo é nosso)

Boletim n° 252 de 8 de Outubro de 1924


Destino de Praças e Animais
Seguiram hontem para a cidade de Quarahy, a fim de
guarnecer o Quartel em construção as seguintes praças: cabo do 2º
esq. Delcio Fernandes Soares, ansp. do 1º esqd. Almerindo da Rosa
Nery, do 3º esq. José Abreu da Silva, soldado do 1º esq. Cyrillo
Arlindo Alves e do 2º Antonio Brongar, levando, respectivamente, os
cavallos ns. 281, 158, 97, 39 e 210, todos socorridos de etapa por 8
dias. (o grifo é nosso)
Pesquisando um pouco mais encontramos um relatório de 1927 em que o então
Comandante da 3ª Região Militar, após inspecionar as guarnições, relatava a presença de uma
tropa do 2º Regimento de Cavalaria da Brigada Militar ocupando o “quartel em construção”.
O regimento a que se refere o relatório é provavelmente o atual 2º RPMon, o qual
provavelmente também tendo que manter um destacamento na cidade o fez autorizado no
futuro quartel do 5º. A citação desse relatório já no ano de 1927 só vem a reforçar a idéia de
que as obras do quartel ainda não estavam prontas no ano de 1923 e que no período de 1919 a
1932 Quaraí ficou sem tropa federal, valor unidade.
O conteúdo da matéria do boletim nº 4 de 30 de setembro é muito interessante, não
somente por dar a “pista” do Quartel de Quaraí, mas por fornecer a situação de parte da
cavalaria nas guarnições do Rio Grande do Sul. Outro fato foi o comentário que o general fez,
presumindo que no interior do pavilhão da enfermaria havia sinais danosos de fogo. Anos
depois, em 1955, por coincidência, esse mesmo pavilhão foi destruído pelo fogo (ver Capítulo
43 das fotos).

Boletim Reservado do 5º RCI nº 4 de 30 de setembro de 1927


Das 27 guarnições que possui esta Região Militar, 21 foram
por mim percorridas e visitadas, no decurso de três mezes de
commando que exerço. Não obstante ainda restarem, pois seis a
visitar, entendo ser opportuno dar corpo as observaçõess [...]
d) Cavallaria
Passando, finalmente, á cavallaria, é de justiça notar que os
Regimentos ultimamente organizados, 1º e 4º, despertam impressão
mais lisongeira que os antigos. O 1º RCI apesar de situar longe dos
centros de recursos, desprovidos de meios de comunicações fáceis, e
sobre não dispor de baias, sem embargo de ser colhido de surpresa
por mim, formava e desfilava na minha presença uma hora depois.
[...] No 8º RCI (atual 8º R C Mec) as manifestações de indisciplina
verificadas em parte de officiaes seus, repercutiam sobre o
comportamento das praças, como attestava o grande numero de
presos em virtude de transgressões graves. Dahi, a providencia
immediata que tomei de ida dos officiaes superiores da mesma
unidade. [...] No 5º RCI e 8º RCI, nada de notável. [...] A surpresa
mais insólita, estava-me, reservada em Livramento, séde da 4ª Bda.C.,
lugar abundante de recursos, com o 7º RCI. [...] E, como necessário
complemento, determino se mude logo a 4ª Bda.C. para o quartel do
7º RCI. Em Quarahy, o quartel, actualmente occupado por esquadrão
do 2º RC da Brigada Militar do Estado, e ainda a concluir, a cada
passo offerece vestígios de depredações. Num dos pavilhões, da
Enfermaria, presumo, se deparam signaes damnosos de fogo que
accenderam no seu recinto. Eis, de modo suscinto, o resultado das
observações e impressões que colhi durante minhas visitas de
inspecção, assim como as deliberações que me vi forçado a tomar, no
intuito de attender ás precisões mais urgentes de que se resentiam
corpos e estabelecimentos. Confere. O Chefe do Estado Maior
Ten.Cel. F. Freire.(a) General Gil Antonio de Almeida.
(o grifo é nosso)

Passando alguns anos, em julho de 1934, novo boletim publica a inauguração do


quartel de Quaraí entregue ao II esquadrão do 5º RCI, que já estava na cidade desde março do
mesmo ano em substituição a um esquadrão do 8ºRCI (atual 8º RCMec). Pela análise da
publicação, deduzimos que as instalações do atual quartel do 5º R C Mec levaram 12 anos
para serem totalmente concluídas.

Boletim n° 169 de 19 de Julho de 1934


Inauguração e entrega do Quartel: (Transcrição)
O Chefe do S. E desta Região em Telegrama n° 805, de 5 do
corrente, comunicou ter nessa data inaugurado na cidade de Quaraí,
o quartel destinado 5° R.C.I., o qual foi entregue ao Cmt. do 2°
Esquadrão do referido regimento destacado naquela cidade. (Bol. da
2ª. D. C. n° 164, de 16-VII-34). (o grifo é nosso)

A Invernada do 5º RCI em Quaraí

Logo após a chegada do 5º RCI a Quaraí e com a necessidade de uma área


relativamente grande para fins de instrução e invernada para a cavalhada, o regimento acabou
adquirindo um campo próximo ao quartel. A área compreendia seis quadras de sesmarias,
sendo que 4,5 eram do Sr. Ibrahim de Castro e de sua esposa Felisbiana e 1,5 da Sra. Noemia
Silva Reverbel, totalizando as duas pouco mais de cinco milhões de metros quadrados. Pouco
depois em 4 de janeiro de 1936 foi feita a escritura pública de venda.
Depois de adquirida a área passou a ser chamada de Campo de Instrução, e logo em
seguida utilizado para os exercícios militares e manobras, tendo sido construído para essas
atividades ao longo do tempo estandes de tiro, barragens e pistas de obstáculos.
Passado alguns anos eclodiu a 2ª Guerra Mundial e com ela foi necessário pelo
esforço de guerra se estabelecer uma linha de comunicação segura e alternativa entre as
guarnições de fronteira. Para essa finalidade foi instalado um pombal no campo, onde eram
mantidos "pombos correios" treinados para conduzir as mensagens militares. Mesmo
encerrado o conflito na Europa em 1945 esse serviço foi mantido em funcionamento até
meados dos anos de 1960, quando foi totalmente desativado.
Mas nem somente para instrução foi empregada a área militar. Com o tempo outras
atividades foram agregadas ao campo, entre elas quatro campos de pólo, granja, pomar, horta,
leiteria, criação de animais e mais recentemente a construção dos clubes.

1973 - Homenagem do 5º RC ao “Cavalo 235”, nome do Campo de Pólo Nº 1

A Área do Caty e do Areal

Ao chegar a Quaraí no ano de 1934, o 5º RCI assumiu a responsabilidade das áreas


militares existentes. Conhecidas como Caty e Areal, as áreas pertenciam até o ano de 1910 ao
Estado do Rio Grande do Sul, o qual mantinha no local o quartel do 2º Regimento Provisório
adido à força da Brigada Militar sediada em Livramento.
O “Quartel do Caty”, como era conhecido o regimento, por ser nesse local a sua
sede, foi uma unidade militar criada em dezembro de 1895 com a finalidade de participar a
favor do estado nos combates da Revolução Federalista. O seu comandante era o Cel João
Francisco Pereira de Souza, líder político local, que com o comando do regimento passou a
acumular o poder policial e militar na fronteira.
Encerrado o conflito, o regimento do Cel João Francisco, apesar de provisório,
continuou a existir, sendo pago e armado pelo estado, tendo sempre à frente o citado
comandante. No final de 1908 o regimento foi extinto, porém deixou profundas marcas na
história da região, transformando praticamente em lenda o Cel João Francisco. No livro "João
Francisco - A Hiena do Cati" de Ivo Caggiani (1988), o assunto é muito bem abordado, o
qual serviu de base, em parte, para a pesquisa e elaboração deste subtítulo.
Em 1910, com a decisão anterior do Presidente do Estado de extinguir o regimento, a
área do Caty e do Areal acabaram sendo vendidas ao Exército.
Com a vinda do 5º RCI para Quaraí, passava o regimento a ter a responsabilidade
sobre as mesmas, as quais somadas reúnem uma área total de 500 hectares. Em 1936, quando
a 3ª Região Militar determinou a medição das áreas, foi verificado que no Areal, dentro do
município de Quaraí, estava ocupado por posseiros, o que fez com que o Comandante do 5º
RCI promovesse o seu arrendamento. Em 1976, a área do Areal foi definitivamente repassada
ao Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (INCRA), permanecendo apenas a
área do Caty como área militar.
Posteriormente em 1955, o 5º RCI repassou a responsabilidade da área do Caty para
o então 8º Grupo de Artilharia a Cavalo, situado em Santana do Livramento. Hoje, o Caty
continua sendo uma área militar, atualmente sob a responsabilidade da 2ª Bateria Anti-Aérea,
situada na mesma cidade.

Boletim 32 de 8 de Fevereiro de 1955 - Passagem de


responsabilidade do Caty para o 8º G A Cav
Documento Referente ao Campo do Caty - Remessa
Em Oficio nº 5-S4, de 27-1-55, deste Comando, foi remetido
ao 8º G A Cav 75, uma cópia da escritura de compra do terreno do
Caty, lavrada no Tabelião Cruz, na Capital Federal em 23 de Maio de
1910, que se achava arquivada na Séc Adm, em virtude do referido
campo ter sido transferido desta Unidade para o 8º G A Cav 75.

Vila Militar dos Oficiais

Com a inexistência de residências para oficiais e sargentos em Quaraí quando da


chegada do regimento em 1934, três anos depois, o comandante do 5º RCI, Ten Cel Heitor da
Fontoura Rangel, solicitou à Prefeitura de Quaraí a doação de terrenos para a construção das
vilas militares. A prefeitura concordou e ofereceu os terrenos demarcados na área da já extinta
Praça Visconde do Rio Branco com o objetivo de ali construir a Vila Militar dos Oficiais. Na
mesma oportunidade foi oferecido outro terreno, este próximo ao Hospital de Caridade e aos
fundos do quartel para a construção das residências dos Subtenentes e Sargentos.
Em dezembro de 1937, o Dr. Álvaro de Souza Tubino, Prefeito Municipal de Quaraí,
solicitou ao Tribunal de Contas do Estado autorização para fazer a referida doação, tendo
argumentado em seu respectivo ofício que “a construcção da villa militar virá enriquecer,
sobretudo, o patrimônio material e a esthetica da cidade”.
No ano seguinte, após receber a autorização, a Prefeitura Municipal, agora na pessoa
do Prefeito Dr. Bento Lima Junior, fez a doação de 24 terrenos dos 29 existentes da extinta
Praça Visconde do Rio Branco. (Decreto nº 8 de 20 de março de 1938)
Feita a doação, o Comandante do Regimento mandou publicar em boletim interno
um resumo do que foram as etapas para conseguir os terrenos das vilas, que tanto beneficiou e
continua beneficiando as famílias dos militares.

Aditamento ao Boletim n° 76 de 31 de Março de 1938


Doação de terrenos para a construção de casas para Oficiaes
e para Sargentos
Quando assumi o commando do 5° R. C. I., chamou-se a
attencção a difficuldade em que se encontravam os officiaes do
Regimento para conseguirem casas para residirem como também o
grande desconforto das existentes.
Isso motivou uma palestra, com o então Prefeito de Quarahy,
Dr. Aldo Pereira Giudice, que se propos obter do então Conselho
Municipal, autorização para doar ao Ministério da Guerra, os
terrenos necessarios para construção de casas para officiaes.
Declarou-me que podia contar como certa essa doação, pois
estava convencido da aquiescencia do Conselho Municipal á sua
iniciativa e que isso seria apenas questão de tempo, pois o conselho
só se reunirá em Novembro.
Estavamos em fins do mez de Agosto do anno passado.
Neste interim, houve a intervensão no Estado do Rio Grande
do Sul e o Dr. Aldo Giudice demitiu-se do cargo de Prefeito, tendo
sido substituido pelo Sr. Alvaro Tubino.
Ao encontrar-me com o novo Prefeito contei-lhe a promessa
que me foi feita pelo ex-Prefeito Dr. Giudice, respondendo-me
incontinente o novo Prefeito Alvaro Tubino, que a promessa do Dr.
Aldo continuava de pé e que elle chamava a si essa responsabilidade e
assumia o compromisso de realisa-la o mais rapidamente possivel.
Perguntou-me então si convinham os terrenos da Praça Visconde do
Rio Branco para as residencias de officiaes, e a quadra existente junto
do Regimento e defronte ao Hospital para as casas para sargentos.
Aceito-as pressuros e satisfeito, pela magnificiencia dos
locaes, tendo ficado o novo Prefeito de agir junto do Tribunal de
Contas do Estado para obter a permissão indispensavel á legalidade
da doação dos citados terrenos.
Dias depois embarcou para Porto Alegre, levando toda a
documentação necessaria a essa doação, de lá voltando com uma
autorização officiosa para realiza-la.
Faltava apenas para lavrar-se a escriptura de doação a
autorisação official e legal desse acto T. C. do Estado. Dias após foi
substituido o Prefeito Alvaro Tubino pelo Dr. Bento Lima Junior ,
actual Prefeito que em officio de 19 de Janeiro, me cummunicava
estar legalmente autorizado a escripturar os terrenos doados.
Sabbado ultimo, 26 do corrente, esse commando teve o
prazer de assignar, na Prefeitura desta Cidade a referida escriptura
da doação de vinte e quatro terrenos da Praça Barão do Rio Branco,
para a construcção de casas para officiaes do 5° R. C. I., devendo
brevemente assignar a outra escriptura, para a construcção de casas
para sargentos, logo que esteja terminado o levantamento de planta
topographica indispensavel á lavratura dessa escriptura. Este
commando sente-se immensamente feliz e agradecido aos distinctos
patricios Dr. Aldo Pereira Giudice e Alvaro Tubino pelo dinamismo
por elles desenvolvido para a realização desse meu dissideratum e
não encontro palavras para agradecer-lhes os serviços que acabam
de prestar ao Exercito e especialmente ao 5° R. C. I., sob meu
commando. Ao Dr. Bento Lima Junior, actual Prefeito os meus
agradecimentos pela promptidão e boa vontade com que realizou os
anhelos de dois antecessores seus e os deste commando.
Officie-se ao Dr. Aldo Pereira Giudice e Alvaro Tubino
enviando-se-lhes copia dessa exposição e ao Dr. Bento Lima Junior
um officio de agradecimento pela boa vontade e presteza com que fez
lavrar a referida escriptura de doação, testemunhando-se lhes os
agradecimentos deste commando e de todos os officiaes e sargentos
do 5° R. C. I..
De tudo remeta-se copia ao Exm° copia Snr. Commandantes
da 3ª R. M., 2ª D. C. e 4ª Bda. C.

Em dezembro de 1940 o primeiro grupo de casas da Vila dos Oficiais foi inaugurado,
sendo que os seus primeiros moradores foram o major Ladário Pereira Telles, futuro
Comandante do III Exército nos acontecimentos do ano de 1964 e os capitães Djalma de
Vasconcelos Lins e Roque da Silva Palmeiro, que ocuparam respectivamente os imóveis de nº
2, 3 e 6.
Anos mais tarde, nos fundos dos terrenos de nº 24 a 29, todos de frente à Rua Dr.
Reverbel, aproveitou-se para construir o Círculo Militar dos Oficiais (atualmente em outro
local) e os Hotéis de Trânsito dos Oficiais e dos Subtenentes e Sargentos.

Vila Militar dos Subtenentes e Sargentos

No ano de 1950, através da Lei Municipal nº 88 de 10 de julho, a prefeitura foi


autorizada a fazer a doação ao Ministério da Guerra do lote nº 54, onde hoje está a Vila
Militar dos Subtenentes e Sargentos. Pela mesma lei foi feita a doação também do terreno
vago ao lado leste, conhecido atualmente como “Campo Norte”. O prefeito na época era o Sr.
Bernardo Simões Fernandes.
Decorrido 26 anos, no ano de 1976, a Prefeitura Municipal de Quaraí promulgou a
Lei Municipal nº 629 de 10 de setembro, pela qual foi denominada de “Vila Monte Castelo” a
respectiva Vila dos Subtenentes e Sargentos, denominando-se também a praça e as suas ruas
internas. O prefeito nesse ano era o Dr. Heraclides Santa Helena.

Lei Municipal nº 629 de 10 de setembro de 1976


Justificativa
“Denomina logradouros públicos”
O presente Projeto-de-Lei propõe denominação para
logradouros existentes na chamada “Vila dos Sargentos”.
Os nomes propostos são os seguintes:
1 - “Vila Monte Castelo” em homenagem aos brasileiros que
tombaram em terras da Itália, naquela memorável Batalha de Monte
Castelo.
2 - “Largo Ita-Ibatê” homenagem à batalha do mesmo nome,
a primeira que o atual 5º Regimento de Cavalaria tomou parte na
Guerra do Paraguay sob a antiga denominação 3º Regimento de
Cavalaria Ligeira.
3 - “Rua Mal. Mascarenhas de Moraes”, homenagem ao
grande comandante da FEB nas campanhas da Itália, na Segunda
Guerra Mundial.
4 - “Rua Gen. Andrade Neves” homenagem ao Patrono da
Cavalaria, arma que fazem parte os moradores daquele loteamento
urbano.
5 - “Rua Cel. Sabino da Rocha”, comandante do 5º RC nas
campanhas do Paraguay e considerado como seu primeiro
comandante. Dr. Heráclides Santa Helena, Prefeito Municipal

Planta dos terrenos da Praça Rio Branco

Croqui Planta Vila Oficiais anos 30 – Arquivo do 5º R C Mec


32. A 2ª GUERRA MUNDIAL (1939-1945)

Durante a 2ª Guerra Mundial (1939-1945) o Brasil manteve-se neutro até o ano de


1943, quando após ter vários navios mercantes afundados por submarinos alemães, causando
dezenas de mortes de inocentes brasileiros, o país declarou Guerra ao Eixo. Com a situação de
beligerância o Exército Brasileiro organiza uma Divisão de Infantaria, designada de Força
Expedicionária Brasileira (FEB), a qual embarcou para o Teatro de Guerra da Itália onde
permaneceu de setembro de 1944 a julho de 1945.
Na organização da tropa brasileira foram escolhidos três regimentos de infantaria
para compor a referida Divisão: o 1º do Rio de Janeiro, o 6º de Caçapava, SP e o 11º de São
João Del Rei-MG. Para compor os regimentos e ainda as outras unidades divisionárias foi
então decidido mobilizar voluntários de vários estados do país, inclusive do Rio Grande do
Sul. É nessa mobilização que entra a participação do regimento.

Os Voluntários do 5º RCI

No 5º RCI apresentam-se 60 (sessenta) voluntários, que após os exames previstos são


encostados aos seus respectivos esquadrões. Algum tempo depois os aprovados seguiram
destino para Porto Alegre, seguindo depois para a Capital Federal onde estavam concentradas
todas as unidades febianas.
Pesquisando nos boletins do Regimento conseguimos levantar os nomes de todos os
voluntários do 5º RCI para compor a FEB, cuja relação completa foi publicada no Boletim n°
14 de 17 de Janeiro de 1944:

I Esquadrão de Fuzileiros:
Cabos: André Angelo Contil e Fredolino Chimango.
Soldados: Alberto Nazareno Cherati, Horácio Alfredo Zianini, Angelo Dall Mas, Dauti
Vicari, Selvino Lerin, Balduino Celso, Alcides Vitorio Zabot, José Tabouka,
Vitório Pivato, Balduino Eugenio Galina, Teodoro Silveira, José Posser,
Edmundo Wesp, João Antonio da Silva, Juvenal Gomes do Nascimento, Ciro
Fernandes de Araújo, Gabino Batista de Melo.

II Esquadrão de Fuzileiros:
Sub-Tenente: Hipólito Viana.
Cabo: Geminiano Silva.
Soldados: Francisco José Garbin, Claudino Brandelise, Zeferino Silveira, Mario Bertolo
Andreguetti, Ermelindo Luiz Cotolin, Abramo Silvestre, Edmundo Tartas,
José Veríssimo Brazeiro, João Nunes de Souza, João Chemis, João
Vietsikoski, Hilário Cunha dos Santos, Osvaldo Lang.

III Esquadrão de Fuzileiros:


Cabos: Luiz Arcari, Assis Brasil Pereira Machado.
Soldados: Euclides Barreto, Moises Henrique de Castro, Mario Rodrigues de Freitas,
Antonio Alves da Silva, Antonio Boeira Paim, Francisco da Silva Borges.

Extinto IV Esquadrão de Fuzileiros:


Cabo: Joaires dos Santos Amaral.
Soldados: Manoel Leopoldino de Menezes, Homero de Oliveira Lopes.
Esquadrão de Metralhadoras e Engenhos.:
Cabos: Ermelindo Roveda, Aldemiro Antonio Andrigueti.
Soldados: Ermelindo Kirchen, Francisco Fantim, Mario Claudino Menegela, Raimundo
Bertolo Sandi, Francisco Pertili, Miguel Sivinski, João Batista de Tolfoli,
Euzébio José Benedetti, Geraldo Fortunati, Eduardo Pitt, João Izotoni, Luiz
Jacob Bongiorno, Ernesto Luiz Biage.

Esquadrão Extra:
Soldado: Oriovaldo de Oliveira

Dos 60 (sessenta) voluntários do regimento, 31 (trinta e um) efetivamente


embarcaram para a Itália nas unidades da FEB, sendo que 8 (oito) pelo 6º Regimento de
Infantaria e 14 (quatorze) pelo 11º Regimento de Infantaria. Os demais 9 (nove) ficaram
subordinados à companhia do Quartel General, Departamento de Pessoal da FEB e no Centro
de Recompletamento de Pessoal. Essas informações foram levantadas no Museu da FEB,
existente na cidade de São Gabriel, RS, conforme quadro abaixo:

Nome Embarque Retorno Observação


OM Data OM Data
ST Hipólito Viana CRP/FEB 08/02/45 DP/FEB 17/09/45 Reforma 26/08/54
Cb Aldemiro Antonio Andrigueti 6º RI 02/07/44 Tropa QG 28/07/45
Cb André Angelo Contil 11º RI 22/09/44 11º RI 17/09/45
Cb Assis Brasil Pereira Machado 6º RI 02/07/44 Evacuado 23/06/45
Cb Ermelindo Roveda 11º RI 22/09/44 11º RI 17/09/45
Cb Fredolino Chimango 11º RI 22/09/44 - - + 16/04/45
Cb Luiz Arcari 11º RI 22/09/44 Evacuado 05/05/45 Reforma 01/10/54
Sd Alberto Nazareno Cherati 6º RI 02/07/44 6º RI 18/07/45
Sd Alcides Vitorio Zabot 11º RI 22/08/44 11º RI 17/09/45
Sd Antonio Alves da Silva 11º RI 22/09/44 11º RI 17/09/45
Sd Antonio Boeira Paim CRP/FEB 08/02/45 DP/FEB 17/09/45
Sd Balduino Celso 11º RI 22/09/44 11º RI 17/09/45
Sd Ciro Fernandes de Araújo CRP/FEB 08/02/45 11º RI 17/09/45
Sd Claudino Brandelise Cia QG 22/09/44 QG/1ª DIE 22/08/45
Sd Dauti Vicari 11º RI 22/09/44 11º RI 17/09/45
Sd Eduardo Pitt 6º RI 02/07/44 6º RI 18/07/45
Sd Ermelindo Kricheim 11º RI 22/09/44 Evacuado 03/04/45 Reforma 27/09/48
Sd Euclides Barreto CRP/FEB 08/02/45 DP/FEB 17/09/45
Sd Euzébio José Benedetti Cia QG 22/09/44 Cia QG 28/07/45
Sd Francisco da Silva Borges DP/FEB 23/11/44 DP/FEB 17/09/45
Sd Francisco Fanti 11º RI 22/09/44 11º RI 17/09/45
Sd Geraldo Fortunati 11º RI 22/09/44 11º RI 17/09/45
Sd Homero de Oliveira Lopes 6º RI 02/07/44 6º RI 18/07/45
Sd João Antonio da Silva CRP/FEB 08/02/45 11º RI 17/09/45
Sd Luiz Jacob Bongiorno 6º RI 02/07/44 6º RI 18/07/45
Sd Manoel Leopoldino de Menezes Cia QG 22/09/44 Tropa QG 28/07/45
Sd Mario Bortelo Andreguetti 6º RI 02/07/44 6º RI 18/07/45
Sd Mario Claudino Menegela 11º RI 22/09/44 11º RI 17/09/45
Sd Raimundo Bortolo Sândi 6º RI 02/07/44 6º RI 18/07/45
Sd Selvino Lerin 11º RI 22/09/44 11º RI 17/09/45
Sd Zeferino Silveira 11º RI 22/09/44 11º RI 17/09/45
Fonte: Museu Gaúcho da FEB de São Gabriel
Legenda: RI (Regimento do Infantaria), Cia QG (Companhia do Quartel General da FEB), CRP/FEB (Centro
de Recompletamento de Pessoal da FEB), DP/FEB (Departamento de Pessoal da FEB).

Assentamentos dos Voluntários do 5º RCI

Com as novas informações do pessoal do 5º que foi para a Itália fizemos pedidos dos
Assentamentos (alterações) de todos os combatentes. As solicitações foram enviadas aos
atuais 6º Batalhão de Infantaria Leve, 11º Batalhão de Infantaria de Montanha, 1º Batalhão de
Infantaria Motorizado e ao Comando da 1ª Divisão de Exército, respectivamente as novas
designações do 6º RI, 11º RI, 1º RI e do Comando da 1ª DI/FEB.
Dos pedidos foram enviados os assentamentos de quase todos que embarcaram para
a Itália. Do 11º Regimento de Infantaria vieram as alterações dos cabos André Angelo Contil,
Hermelindo Roveda, Fredolino Chimango, Luiz Acari e a dos soldados Alcides Vitório Zabot,
Antonio Alves da Silva, Bauduino Celso, Ciro Fernandes de Araújo, Dauti Vicari, Francisco
Fanti, Geraldo Fortunati, João Antonio da Silva, Mario Claudino Menegela, Zeferino Silveira;
do 6º Batalhão de Infantaria: cabo Aldemiro Antonio Andregueti e soldados Raimundo
Bartolo Sandi, Assis Brasil Pereira Machado, Alberto Nazareno Cheratti, Eduarto Pitt,
Homero de Oliveira Lopes, Luiz Jacole Bongiorno, Mário Bortelo Andreguetti e Raimundo
Bortolo Sandi.
Para futuras pesquisas todas as cópias dos assentamentos estão atualmente no
arquivo do 5º R C Mec.

Cabo Fredolino Chimango

De todos os integrantes do regimento que foram para os campos da Itália um deles


morreu no combate de Montese. Seu nome: Cabo Fredolino Chimango.
Sobre esse herói levantou-se que era natural de Tapejara, RS, nascido no ano de
1919, filho de Edmundo Chimango e Gabriela Francisca da Silva. Foi incluído no estado
efetivo do 5º RCI em 7 de janeiro de 1943, ficando incorporado no I Esquadrão de Fuzileiros.
Em abril do mesmo ano foi matriculado no curso de cabos, tendo concluído e sido promovido
a essa graduação a 8 de julho.
Voluntário para a guerra foi submetido à inspeção de saúde em outubro do mesmo
ano, satisfazendo todas as condições exigidas para a FEB. Embarcou a 20 de outubro com
destino ao Rio de Janeiro, ficando então excluído do estado efetivo do regimento e da
subunidade. A 30 de outubro foi considerado em destino e em fevereiro do ano seguinte,
1944, foi transferido, por conveniência do serviço, para o 11º RI de São João Del Rei, Minas
Gerais.
Apresentado na nova unidade, comandado pelo Cel Delmiro Pereira de Andrade, o
Cabo Chimango ficou enquadrado na 7ª Cia do Capitão Olegário de Abreu Memória,
subordinada esta ao 3º Batalhão do Major Cândido Alves da Silva.
Efetivado no 11º RI e realizado todos os treinamentos previstos para a guerra, a 29 de
setembro embarcou com a sua unidade no 2º escalão pelo porto do Rio de Janeiro.
Em combate participou a 16 de abril de 1945 ao ataque feito por sua unidade a
Montese, considerado o combate mais sangrento em que a tropa brasileira atuou nos campos
da Itália. Nele o cabo Chimango teve destacada atuação, recebendo de seu capitão um elogio
pós-mortem, onde foi descrito a forma com que tombou heroicamente em ação:

“Maio de 1945: a 09 foi elogiado pelo Cmt da Cia nos


seguintes termos: como Cmt da Peça teve ação saliente no ataque. Na
mesma data foi destacado dentre os outros Cabos da Cia pelo seu Cmt
nos seguintes termos: que com a sua Peça de Mtr conseguiu
heroicamente atingir e neutralizar uma casamata inimiga que
ameaçava seriamente o flanco esquerdo da Cia, apesar da reação do
inimigo o Cb Chimango só deixou de atirar quando a sua arma foi
atingida em cheio por uma granada de artilharia que lhe levou a
vida.”

Após o combate de Montese, o cabo Chimango foi considerado desaparecido na


zona de ação no teatro de operações da Itália desde 16 de abril, conforme o Boletim Especial
do Ministério da Guerra de 2 de dezembro de 1946, pg. 108. Seu corpo somente foi
encontrado 22 anos depois em um local perto de Montese, sendo transladado para o Brasil,
estando hoje os seus restos mortais no Monumento aos Mortos da 2ª Guerra Mundial.
A descoberta do corpo do Cabo Fredolino Chimango é descrita no livro “Luzes
sobre memórias” do Marechal Floriano de Lima Brayner, pg. 111-112:

E, aos cinco metros de profundidade foi encontrado sob as


vistas de inúmeras pessoas, e farta documentação fotográfica.
Reunidos os restos mortais num caixote, foram levados para o
Cemitério de Montese, onde eu os revistei minuciosamente, não
encontrando a placa de identificação. Na arcada dentária dos
maxilares superior e inferior faltavam alguns dentes. No hemitorax
esquerdo havia uma ogiva de morteiro, 60 alemão. Através pequenos
objetos; botões, fio, foi por mim reconhecido como brasileiro, ficando
a identidade para ser apurada mais tarde. [...] ao mesmo tempo que
envidavam-se esforços para se obter a identificação do “Pracinha
Desconhecido de Montese”, através das unidades em que servia.[...]
Dois outros, do III Bat. do 11º R.I., foram encontrados em sepulturas
fora dessa área e levados para o Cemitério de Pistóia, devidamente
identificados. Um deles, Rubens Galvão, tinha a placa de identidade
no pescoço; outro, não a possuía, mas, na mesma sepultura ao lado
do corpo estava uma garrafa, e dentro dela um papel em que se lia o
nome, Júlio Nicolau o número e a unidade daquele combatente. Quem
escreveu nunca se ficou sabendo, pois o autor deve ter ficado com a
placa. O terceiro extraviado, publicado no Boletim da Unidade de 16
de abril de 1945, chamava-se Fredolino Chimango, natural de Passo
Fundo, Rio Grande do Sul.

Como homenagens póstumas, “Fredolino Chimango” é hoje nome de um estádio de


futebol, de uma escola municipal e de um bairro da cidade de Passo Fundo, onde morou.
O 5º R C Mec também em reconhecimento a seu herói da última grande guerra
concedeu o nome de “Cabo Fredolino Chimango” ao Pelotão de Operações Especiais
(PELOPES) cuja ordem foi publicada no Boletim Interno nº 057 de 15 de maio de 2006.

Foto do Cabo Fredolino Chimango conseguida na “O ST Miguel Pereira recolhe as peças a uma caixa
Associação dos ex-Combatentes do Brasil – Seção de madeira, para levar ao Cemitério de Pistóia”.
São João del Rei- MG “Luzes sobre memórias” – Marechal Lima Brayner
33. A TRANSFORMAÇÃO DO 5º RCI EM 5º RC

Depois da guerra ocorreram grandes mudanças no Exército, entre as quais a


transformação do 5º RCI em 5º RC, não se restringindo as alterações somente na
denominação, mas principalmente na organização do regimento. (Decreto nº 21.134-A de 15
de maio de 1946 e no Ofício Circular reservado nº. 1.114-A, de 14 de junho do mesmo ano,
do Comandante da 3ª Região Militar).
Com a transformação o regimento passava a ter em sua organização o 1º e 2º
Esquadrão de Fuzileiros, o Esquadrão de Petrecho Pesado e o Esquadrão de Comando e
Serviço. No caso do Esquadrão de Petrecho Pesado, uma das novidades na nova organização,
cuja missão era o apoio de fogo da unidade, tinha em sua constituição uma Seção de
Comando, dois Pelotões de Metralhadoras e um Pelotão de Morteiros.
Quanto ao Pelotão de Metralhadoras, era composto por quatro grupos, cada um
possuindo uma metralhadora Madsen. O grupo era formado por um sargento, um cabo, um
soldado atirador, um soldado municiador, dois soldados remuniciadores e três soldados
condutores de cargueiros. Para carregar a arma coletiva eram três cavalos, sendo um para
conduzir a metralhadora, outro para o reparo e um terceiro para a munição.
O Pelotão de Morteiros, por sua vez, conduzindo quatro peças, era composto por um
tenente, três 2º sargentos, quatro 3º sargentos, um 3º sargento furriel, quatro cabos atiradores,
um cabo observador, um soldado municiador, dois soldados remuniciadores e um soldado
condutor da peça (carroça).
A unidade ainda possuía uma metralhadora Madsen e um morteiro em cada pelotão
de fuzileiro dos esquadrões e quatro peças de canhão 37 mm no Esquadrão de Comando.
Como “RC”, o regimento permaneceu com esta organização por 32 anos, quando no
ano de 1978, com o recebimento dos blindados, recebeu a atual denominação e organização
como “R C Mec”.

Pelotão de Cavalaria
34. OS EVENTOS DE 1961

Em 25 de agosto de 1961 o Presidente Jânio Quadros renunciou à Presidência da


República, causando grande surpresa à nação. Os Ministros Militares, contrários à posse do
Vice-Presidente, que no momento estava em visita à China, manifestaram-se contrários a
posse de João Goulart.
Com o impasse, o Governador do Rio Grande do Sul, Leonel Brizola, cunhado do
Vice-Presidente, passou a controlar as estações de rádio conclamando apoio pela posse de
João Goulart. A crise político-militar aumenta quando o Comandante do III Exército, General
José Machado Lopes, acaba aderindo à posição do Governador do Rio Grande.
Diante da situação de conflito no sul, o Ministro da Guerra, General Odylio Denys,
nomeou o General Cordeiro de Farias, Cmt do II Exército, para substituir o Gen Machado
Lopes no Comando do III Exército, o que acabou não acontecendo. Para evitar o confronto
armado de conseqüências imprevisíveis e solucionar a questão, o Congresso Nacional votou a
Emenda Constitucional que instituiu o Parlamentarismo no Brasil.

Participação do 5º RC

Hoje conhecendo toda a seqüência dos acontecimentos dos meses de agosto a


setembro de 1961, podemos escrever que o 5º RC não teria se envolvido no episódio da
renúncia do Presidente se não recebesse ordens para participar do desfile de 7 de setembro na
capital gaúcha, onde o governador Brizola coordenava as ações de apoio a João Goulart.
A participação do 5º RC nos eventos de 1961 foi levantada com base em
depoimentos de militares da reserva participantes do esquadrão que marchou para Porto
Alegre.
O 5º RC que tinha recebido ordens do Comandante da 2ª Divisão de Cavalaria para
participar do desfile de 7 de setembro em Porto Alegre, iniciou o seu deslocamento
marchando com a sua tropa a cavalo no dia 7 de agosto, ou seja, antes mesmo da renúncia do
Presidente Jânio Quadros.
No deslocamento para a capital do estado, o regimento se fez representar com uma
tropa constituída de 7 oficiais, 17 sargentos, 23 cabos e 115 soldados, estes em sua maioria do
2º esquadrão. Ao grupamento foi acrescido um 01 sargento e 08 soldados do 2º Regimento de
Cavalaria Montado da Brigada Militar de Livramento, e ainda 04 soldados clarins do 6º RC
de Alegrete.
A marcha era por três dias e o descanso no quarto. Um terço do efetivo seguia nas
viaturas com a Seção de Comando, enquanto que seus cavalos eram conduzidos à mão pelos
companheiros que continuavam montados. Realizaram-se grandes altos com pernoite, tendo
sido os primeiros no 6º RC de Alegrete, 2º RC em Rosário do Sul e o terceiro no 4º RC de
São Gabriel. Nos demais altos a tropa pernoitou no campo, sempre próximo às boas aguadas.
A marcha seguia normal até Pântano Grande, quando no dia 25 de agosto o
Presidente renunciou.
Com o afastamento de Jânio Quadros e os seus agravamentos políticos, o efetivo do
5º RC recebeu munições e a ordem de acelerar a sua marcha. A tropa que vinha marchando de
40 a 60 km/dia, com a nova ordem, passou a percorrer de 100 a 110 km/dia, em um esforço
muito grande para o pessoal e para a cavalhada. No dia 27, a tropa chegava a Porto Alegre,
onde ficou acantonada no então desativado Hipódromo do Moinho de Ventos.
O impasse continuava acontecendo na alta esfera política e militar. Na capital
gaúcha, o Governador Brizola se entrincheirou no Palácio Piratini de onde ordenava a
mobilização das tropas da Brigada Militar, ao mesmo tempo em que utilizava uma rede de
rádio estimulando a resistência. O General Machado Lopes, por sua vez, ordenava que tropas
federais, particularmente da 6ª Divisão de Infantaria, tomassem posições face a possíveis
enfrentamentos com as tropas do II Exército de São Paulo.
Na Base Aérea de Canoas alguns oficiais tomaram posição a favor do Ministro da
Aeronáutica, Brigadeiro Grüm Moss, pela não posse de João Goulart, sendo em contrapartida
confrontada pelos sargentos, que se rebelaram prendendo os oficiais e sabotando os jatos
Gloster Meteor.
Com a gravidade da situação na noite de 28 para 29 de agosto foi dada ordem à
tropa do 5º para embarcar em ônibus previamente preparados, sendo conduzida para a Base
todo o efetivo, com exceção da Seção de Comando com as cozinhas e os guarda cavalos.
A base foi cercada e ocupada, sendo a pista de pouso interditada com os ônibus e
tonéis de querosene e presos mais de 200 sargentos.
Com a implantação do parlamentarismo e a conseqüente solução do impasse
político-militar, a tropa do 5º RC retornou a Quaraí, dessa vez em deslocamento ferroviário,
saindo de Porto Alegre no dia 10 de setembro.

Agosto de 1961 - Na marcha para o 7 de setembro Agosto 1961 - Na marcha para Porto Alegre passagem
em Porto Alegre o 5º R C chega à cidade de São pelo rio Santa Maria junto à cidade de Rosário do Sul. A
Gabriel. A foto registra o momento em que o Rgt ponte somente veio a ser inaugurada em 1969, a qual
chega ao aquartelamento do 9º RC. recebeu o nome de Marechal José de Abreu.

Setembro de 1961 – o 5º RC ocupando as Setembro 1961 – O regimento almoçando durante uma


instalações da Base Aérea de Canoas durante os parada no retorno a Quaraí, após os eventos que
eventos da renúncia do Presidente Jânio Quadros. envolveram a renúncia do Presidente Jânio Quadros.
No centro da foto o Sr. Nilton Alves Batista (Nito),
barbeiro do regimento por 30 anos.
35. A REVOLUÇÃO DE 1964

Para entender a Revolução de 1964 é preciso voltar ao ano de 1960, quando se


elegeu Presidente da República o paulista Jânio Quadros, tendo como vice o gaúcho João
Goulart. Naquela eleição o Presidente e o vice eram eleitos separadamente, o que veio a criar
um problema logo no início desse governo, pois o Presidente eleito e Jango, como este era
conhecido, eram de coligações diferentes.
Sete meses após a posse, Jânio Quadros renuncia à Presidência. Os ministros
militares, General Odilo Denys (da Guerra), o Brigadeiro Brum Moss (Aeronáutica) e
Almirante Silvio Heck (Marinha) não concordam com a posse de Jango, conforme abordado
no capítulo anterior.
Era a época da Guerra Fria, luta ideológica entre o Capitalismo e o Comunismo, bi -
polarizando as posições americanas e soviéticas. O Brasil, que desde os anos de 1920 tinha
um histórico de luta contra o Comunismo e por ser um país do Continente Americano,
apoiava os Estados Unidos e o Capitalismo.
Criado o impasse da posse de Jango, o caso acabou sendo contornado pela formação
de um regime parlamentarista. Entretanto, o parlamentarismo teve vida curta e em janeiro de
1963 João Goulart reassumiu a Chefia do Poder Executivo, restabelecendo o regime
presidencialista.
Em junho do mesmo ano João Goulart fez mudança no Ministério da Guerra,
nomeando o General Jair Dantas Ribeiro em substituição ao General Amauri Kruel, que
passa, então, a comandar o II Exército.
Ao iniciar o mês de setembro, a situação do país tendia ao agravamento, quando no
dia 12 centenas de praças da Aeronáutica e da Marinha se sublevaram, ocupando importantes
órgãos públicos de Brasília numa clara demonstração de indisciplina militar. No dia 13 do
mesmo mês tomou posse na Chefia do Estado-Maior do Exército o General Humberto de
Alencar Castelo Branco, o qual passa a condenar a infiltração política nos quartéis.
Em 13 de março na frente da Estação Central do Brasil, no Rio de Janeiro, João
Goulart em comício público exige a revisão da Constituição conclamando a nacionalização
das refinarias e a reforma agrária, provocando repercussões negativas nos meios
conservadores.
Seis dias após o comício, no dia 19 de março, em oposição ao Presidente, aconteceu
em São Paulo a “Marcha da Família com Deus pela Liberdade”, passeata anticomunista com
aproximadamente 300 mil pessoas, incluindo políticos, empresários, religiosos e civis.
Poucos dias depois, um novo ato de indisciplina militar ocorre, quando em 25 de
março, no Rio de Janeiro, marinheiros e fuzileiros navais rebelados no Sindicato dos
Metalúrgicos são presos e libertados dois dias depois por Ordem Presidencial.
No dia 30 de março o Presidente comparece a uma reunião de sargentos no
Automóvel Clube no Rio de Janeiro, vindo a fazer inflamados discursos.
O Ministro da Guerra, em apoio ao Presidente e como última tentativa de evitar o
que se previa e se anunciava promove substituições nos comandos militares. É então
substituído o General Castelo Branco na Chefia do Estado Maior do Exército pelo General
Benjamim Galhardo, que por sua vez passou o comando do III Exército ao General Ladário
Pereira Telles. No dia 31 de março, às 6 da manhã, eclodiu a Revolução.
No Rio Grande do Sul a adesão à Revolução foi imediata, apesar do General
Ladário não apoiar. Ao ser informado do início do movimento revolucionário com o levante
em Minas Gerais, a 2ª Divisão de Cavalaria de Uruguaiana, comandada pelo General
Camarinha, aderiu de imediato, aderindo também, logo em seguida, a 3ª Divisão de Cavalaria
de Bagé.
O General de Divisão Mário Poppe de Figueiredo, Comandante da 3ª Divisão de
Infantaria de Santa Maria e mais antigo Oficial General revolucionário do III Exército,
assumiu o comando do III Exército Revolucionário determinando o deslocamento de várias
unidades para Porto Alegre. O Governador do Rio Grande do Sul, Ildo Meneghetti, que se
encontrava em Passo Fundo, apóia o Movimento e segue junto com o General Poppe para a
capital gaúcha.
Vindo de Brasília, João Goulart se encontra no QG do III Exército com o General
Ladário e com o Deputado Federal Leonel Brizola, onde planejavam uma desesperada reação.
Entretanto, diante da inutilidade frente ao maciço apoio das tropas pela Revolução, João
Goulart decide seguir para São Borja e em seguida se exila no Uruguai.
Estava encerrado o movimento e o General Castelo Branco é empossado Presidente
da República. No III Exército, passa a ser efetivamente seu comandante o General Mário
Poppe de Figueiredo, que poucos meses depois passa o comando ao General de Exército
Joaquim Justino Alves Bastos.

Participação do 5º RC

No ano seguinte após a vitória da revolução de 1964, o General Justino determinou


para que todas as unidades que atuaram no movimento revolucionário publicassem um
relatório de suas respectivas participações. Com a ordem, o comando do 5º RC elaborou um
relatório, transcrito a seguir, pelo qual verificar o envolvimento do regimento nos
acontecimentos de 1964:

“[...] Dia 31 de março de 1964 - O Comandante do


Regimento recebe o radiograma nº 110 E/3 Circular - “Informo-vos
partir recebimento deste vg essa Unidade deverá entrar situação
extraordinária prontidão rigorosa pt Ordem recebida 3º Ex pt
Assinado Gen Camarinha Cmt 2ª DC” em conseqüência o Regimento
entrou na situação prevista.
Dia 1 Abril 1964 - O Comandante do Regimento recebeu os
seguintes radiogramas nº 125 E/3 de 1º Abr 64 pt Circular Pt “Informo
3ª DC et 3ª DI perfeito acordo divisão vg continuam com boas
condições pt Gen Camarinha Cmt 2ª DC” nº 111 E/3 de 1º Abr 64 pt
Circular deveis partir recebimento deste vg guarnecer aeroporto vg
fechar fronteira vg controlar combustível vg fechar saídas da cidade vg
evitando evasão viaturas vg saída viaturas soh com autorização Cmt
Gu vg de modo prejudicar requisição para motorização UU pt Deveis
assumir controle aeroporto local vg soh saindo aeronaves com
autorização desse comando pt Gen Camarinha Cmt 2ª DC”.
Após o recebimento deste último radiograma a Unidade,
deslocou-se para as saídas da cidade e assumiu inteiramente o controle
da situação. Ainda no dia 1º de abril de 64 o Comandante do
Regimento recebe o radiograma nº 113 E/3 circular: “Tendo em vista
conjuntura nosso país proclamo adesão 2ª DC forças da liberdade pt
Qualquer movimento tropa deverá obedecer ordem deste Comando pt
Gen Camarinha Cmt da 2ª DC”.
Em face ao Rd nº 113 E/3 o Comandante do RC realiza em
seu Gabinete uma reunião de oficiais onde dá conhecimento do mesmo
e lembra aos senhores oficiais que “a hora da decisão” que em palestras
anteriores havia falado, era chegada. Dá, com clareza, aos oficiais, sua
decisão de inteiro apoio e acatamento às ordens emanadas da 2ª DC e
deseja saber qual a definição de seus oficiais, solicitando que quem não
estivesse de acordo, que poderia sem constrangimento se pronunciar.
Todos os oficiais dão seu apoio à decisão do Comandante do RC. A
reunião é encerrada pelo Comandante que se congratula com seus
oficiais pela decisão unânime que adotaram de defesa da causa da
liberdade. Logo a seguir o Comandante do Regimento reúne os
sargentos no cinema da Unidade e o S/2 lê os radiogramas recebidos.
A seguir o Comandante transmite pessoalmente aos sargentos
sua decisão de inteiro apoio e acatamento às ordens emanadas do
Comandante da 2ª DC. Ainda no dia 1º de abril o Comandante do RC
recebe o seguinte radiograma: nº 117 E/3 de 1º Abr 64 pt “Deveis ficar
condições deslocar unidade totalmente motorizada pt Ordem
deslocamento somente deste comando pt Gen Camarinha Cmt 2ª DC”.
A partir do recebimento deste, a Unidade se empenha nas
providências relativas à requisição de viaturas.
Ainda no dia 1º Abr o Comandante do RC recebe o seguinte
radiograma: nº 55 E/2 de 1º Abr 64 pt Circular “Nossa DC estabeleceu
ligação Cmt 3ª DC Cmt 3ª DI pt Todos aderiram movimento liberdade
pt Gen Camarinha Cmt 2ª DC”.
As 21:45 hs de 1º Abr o Comandante do RC recebe o Rd nº
33 E/2 no qual vem ordem de deslocar o Regimento para a região de
Harmonia, fins constituir reserva Divisão. O Major S/3, por ordem do
Comandante do RC, reúne os Comandantes de esquadrões para
transmitir as ordens decorrentes.
O Capitão Comandante do Esquadrão de Petrecho Pesado
negou-se a cumpri-la sendo em conseqüência afastado do comando do
seu Esquadrão e mandado por ordem do Cmt do RC, recolher-se preso
à sua residência, passando antes disso o Comando do Esquadrão ao S/2
da Unidade. Ao assumir o comando do Esqd Ptr P, o novo comandante
constata que os Sargentos da Subunidade negam-se a cumprir ordens.
São por ele desarmados, e comunica o fato ao Comandante do RC. De
ordem do Cmt são recolhidos presos para suas residências.
Em face do acontecimento no Esqd Ptr P determina o Cmt do
RC que os Comandantes de Esquadrão reúnam seus Subtenentes e
Sargentos e transmitam a ordem de deslocamento. Após as respectivas
reuniões os Cmts Esquadrões comunicam que os demais Subtenentes e
Sargentos da Unidade se negam a cumprir ordens, com exceção de três
Sargentos. É determinada pelo Comandante do Regimento a prisão dos
Subtenentes e Sargentos que se negaram a seguir com o Regimento.
Cumprindo ordem do Comandante da 2ª DC desloca-se o
Regimento (-) para a região de Harmonia, tendo 10 (dez) Oficiais e 3
(três) Sargentos sob o comando do Ten Cel Edison Boscacci Guedes e
mais a tropa. Permaneceu no Quartel, o Subcomandante e mais 5
(cinco) Oficiais e 1 (um) Sargento, a fim de realizar a segurança do
aquartelamento e da cidade.
Chega o Regimento ao amanhecer do dia 2 de abril na região
de Harmonia, onde se instala, ficando em condições de barrar os eixos
que emanam de Alegrete e de Uruguaiana.
No dia seguinte face a vitória da Revolução, o Regimento
regressa a Unidade por ordem do Comandante da 2ª DC, entrando em
Quaraí, por volta das 12:30 horas, quando é recebido entusiasticamente
pela população civil. Em continuação, o Regimento permaneceu em
situação extraordinária, durante os meses de abril e maio, cumprindo as
ordens recebidas da 2ª DC.
36. A TRANSFORMAÇÃO DO 5º R C EM 5º R C MEC

Em 1978, pelo Decreto Presidencial nº 81.238 de 20 de janeiro do mesmo ano,


transcrito no boletim de 21 de fevereiro, o 5º RC é transformado em 5º R C Mec.
Complementando o referido Decreto foi publicado no Boletim do Exército nº 20 de 19 de
maio de 1978 a Portaria Ministerial nº 781 de 17 de abril, em que organizava a partir de 1º de
janeiro de 1979 o 5º RC em 5º R C Mec.

Boletim Interno nº 35 de 21 de fevereiro de 1978 do 5º R C Mec


(Dec 81.238, de 20 Jan 78)
Muda a natureza de Organização Militar no Ministério do
Exército e da outras providências.
O Presidente da República, usando das atribuições que lhe
confere o Art 81, item III, da Constituição, de conformidade com o
disposto no Art 46, do Dec-Lei 200, de 25 Fev 67 e no Art 32, item VI,
do Dec 79531, de 13 Abr 77, Decreta:
Art 1º – Fica transformado: o 5º Regimento de Cavalaria em
5º Regimento de Cavalaria Mecanizado (5º R C Mec), orgânico da 2º
Brigada de Cavalaria Mecanizada.
Art 2º – O Ministério do Exército baixará atos
complementares necessários à execução desde Decreto.
Art 3º – Este Decreto entrará em vigor na data de sua
publicação, revogadas as disposições em contrário.
(Diário Oficial, de 23 Jan 78). (Transcrito do NE nº 5000, de
1º Fev 78).

A nova denominação da Unidade ocorreu devido à evolução da arma de cavalaria, de


modo que todas as unidades "RC" foram mecanizadas com a substituição dos cavalos pelos
blindados, especificadamente as viaturas Cascavel e Urutu, ambas de fabricação nacional.
Nessa transformação o 5º R C Mec acabou sendo a última unidade de cavalaria de combate
hipomóvel no Rio Grande do Sul a receber os blindados.
O primeiro contato da unidade com os blindados foi no ano de 1975, quando os
novos carros começaram a chegar para fins de testes. Três anos depois chegava o primeiro
lote de Cascavel, ainda com canhão 37 mm.
A chegada das primeiras viaturas blindadas ocorreu em setembro de 1978,
transportadas primeiramente via ferroviária de São Paulo até Alegrete e depois por estrada até
Quaraí. Ao chegar à cidade as viaturas foram recebidas no “Viveiro”, sendo então deslocadas
ao quartel escoltadas por uma guarnição hipomóvel. Adentraram ao regimento às 11h10min,
sendo então saldadas por uma salva de canhões 37 mm (BI nº 181 de 28 Set 1978).
Com a chegada dos blindados encerrava-se um período de incertezas, quando poucos
anos antes da transformação de “RC” para “R C Mec”, o 5º, ao comando de um major e não
por um coronel passou a ter apenas duas subunidades das quatro que existiam anteriormente.
Foi nessa época que passaram a surgir rumores da possível extinção da unidade, pois no
período de 1976 a 1980 o regimento permaneceu com o Esquadrão de Comando e Serviços e
um de Fuzileiros.
Os boatos da extinção eram fortes e era até matéria na imprensa. No periódico de
notícias da rádio Quaraí “O Informativo”, do Diretor Jorge Japur, noticiava: “Quaraí não
ficará sem Unidade Militar”. A matéria do jornal era exatamente sobre o decreto do
Presidente Geisel que transformava o 5º RC em regimento mecanizado e dos comentários da
extinção da unidade:
Ao longo dos anos, o 5º Regimento entrosou comando e
comandados na vida de Quaraí. Com a transferência de parte da
Guarnição e extinção da Hipo, a população tinha receio de ficar sem
o elemento regulador da vida social e econômica do município. De
repente surgiram boatos da nova vida do Regimento a ser
transformado em mecanizado. E, no dia 13 de abril, por decreto do
Presidente Geisel, que transcrevemos na íntegra, conforma-se a
realidade... (“O Informativo” Ano I, nº 5, março de 1978)

Poucos meses mais tarde, em setembro de 1978, quando da chegada dos blindados, o
mesmo jornal “O Informativo” publicava outra matéria com o título “O Adeus da Cavalaria”,
em que se comemorava a permanência da unidade na cidade:

SETE DE SETEMBRO DE 1978. Despedida da Cavalaria no


Regimento de tantas tradições. [...] A extinção estava marcada
conforme contamos na quinta edição de O INFORMATIVO, inclusive
seu efetivo havia sido reduzido. A população e seus líderes motivaram
as autoridades no sentido de não deixar a cidade a Sentinela do
Jarau. Homens do Exército que atuam nas altas esferas militares
conseguiram a permanência e reestruturação para Mecanizada.
(O Informativo – Ano I – nº 9 de setembro de 1978)

Chega dos Blindados a Quaraí - 1978

Em janeiro de 1979, após a transformação em RCMec e com a chegada dos


primeiros blindados e afastada a idéia da extinção, o único esquadrão de fuzileiros existente é
transformado em mecanizado, iniciando-se então a reorganização do regimento..
No ano seguinte, em 1980, pela Portaria Ministerial nº 071-Reservada de 4 de agosto,
foi organizado o 3º Esquadrão, porém destacado na cidade de Passo Fundo até que fossem
reunidas as condições que permitissem a sua subordinação ao 5º R C Mec e sua transferência
para Quaraí.
Boletim do Exército nº 12 de 31 de dezembro de 1980
3º Esquadrão do 5º Regimento de Cavalaria Mecanizado –
Portaria Ministerial nº 071-Res, de 4 de dezembro de 1980.
O ministro de Estado do Exército... resolve:
1. Organizar o 3º Esquadrão do 5º Regimento de Cavalaria
Mecanizado (3º/5º RC Mec), por transformação do 3º Esquadrão do
1º Regimento de Cavalaria Motorizado (3º/1º RCM), extinto pela
Portaria Ministerial nº 069-Res, de 5 de dezembro de 1980.
2. Determinar que:
a. O provimento de material ao 3º/5º RC Mec se processe de
forma gradual e de acordo com recursos disponíveis.
b. o 3º/5º RC Mec seja instalado no aquartelamento do
extinto 3º/1º RCM, até que sejam criadas as condições que permitam
a sua subordinação ao 5º RC Mec e transferência de sede para a
cidade de Quaraí-RS.

Reativação do 2º Esquadrão

Em fevereiro 1981 é reativado o 2º Esquadrão como mecanizado, havendo uma


incorporação com maior efetivo nesse ano, justamente para completar essa nova subunidade.
O 2º ocupa então o pavilhão do extinto Esquadrão de Petrecho Pesado.

Reativação do 3º Esquadrão

Finalmente, em janeiro de 1987, com a chegada do último lote de blindados foi


reativado o último esquadrão que faltava no caso o 3º Esqd C Mec, vindo a ocupar as
instalações do extinto 2º Esquadrão de Fuzileiros.
Com a reativação do 3º, houve grande transferência de oficiais, sargentos, cabos e
soldados do núcleo base das demais subunidades. Para incorporar a nova subunidade também
foi construída no ano anterior uma garagem para as viaturas e reformado os dois pavilhões
onde até então estava instalado o almoxarifado. Completava-se assim ao longo de nove anos
(1978-1987) a transformação completa do 5º RC em 5º R C Mec.

Boletim do Exército nº 10 de 31 de outubro de 1986


3º Esquadrão do 5º Regimento de Cavalaria Mecanizado
(altera denominação e subordinação)
O Ministro de Estado do Exército... resolve:
1. Alterar a denominação do 3º Esquadrão do 5º Regimento
de Cavalaria Mecanizado (3º/5º R C Mec) para 16º Esquadrão de
Cavalaria Mecanizado (16º Esqd C Mec), a partir de 1º de janeiro de
1987, o qual fica subordinado à 16ª Brigada de Infantaria Motorizada
(16ª Bda Inf Mtz).

Portaria Nº 131/4ª Sch-EME-Reservada, de 03 de dezembro de 1986


Quadro de Organização – (Adoção)
O CHEFE DO ESTADO-MAIOR DO EXÉRCITO,... resolve:
1. adotar, para as OM abaixo,...
a. Integralmente para fins de mobilização;
b. Com a constituição abaixo indicada e as alterações
constantes dos respectivos Quadros de Distribuição de Efetivos .
OM Nº de Código Constituição
5º R C Mec 07045-8 - Cmt e Estado-Maior
14º R C Mec 07080-5 - 1 (um) Esqd C Sv
- 3 (três) Esqd C Mec
2. Determinar que a presente Portaria entre em vigor a
partir de 1º de janeiro de 1987.

1975 – Blindados em testes no Regimento

1978 – Estação de Alegrete – Chegada dos blindados vindos de São Paulo


37. O 5º R C MEC COMO UNIDADE HISTÓRICA E TRADICIONAL

No mês de novembro de 1922, o então Comandante do 5º RCI, TCel Alfredo Floro


Cantallice, publicou em boletim um resumo do histórico da Unidade. Na publicação nota-se
que o Regimento já considerava a sua origem na junção da Cavalaria da Divisão de
Voluntários Reais (Divisão Lecór) do General Carlos Frederico Lecór, com o Esquadrão de
Cavalaria de São Paulo, este criado em 22 de novembro de 1820.
A Cavalaria da Divisão Lecór citada no texto do TCel Cantallice era formada pela
Cavalaria dos Dragões de Rio Pardo e pela Cavalaria da Legião de Tropas Ligeiras.
Portanto, o comandante estava correto, faltou apenas alterar alguns pontos e estender
o histórico ao ano de 1775, quando foi criada a Legião de Voluntários Reaes.
Lendo o texto, muito se confirma a evolução histórica do 5º R C Mec:

Boletim de 15 de Novembro de 1922


Resumo Histórico do 5º RCI
Em homenagem a grandiosa data que passado a conhecer
aos meus camaradas que rumorejam nesta caserna, o resumo
histórico do nosso 5º RCI, orgulho de nos todos, o seguinte:
Devido ter sido o seu arquivo extraviado na revolução
ultimamente havida neste Estado, nenhum documento existe no corpo
esclarecendo de modo positivo a época de sua organização, que
parece, foi efetuada em 1825 por Decreto de 5 de março do mesmo
ano, que organizou o Exército do Sul sob o Comando do Tenente
General Barão de Laguna, determinando que toda a força da
cavalaria aí existente, reunido os esquadrões de cavalaria de São
Paulo, organizado por decreto de 22 de novembro de 1820, formasse
o 3º Regimento de Cavalaria com a mesma organização dada ao 1º da
mesma arma, do Exército Nacional.
Pelo Decreto de 21 de Março de 1836, foi este corpo
dissolvido, por haver tomado armas a favor da revolução de 1835 no
Rio Grande do Sul, tendo sido novamente reorganizado com o mesmo
número por decreto de 22 de fevereiro de 1839. Fez parte da Divisão
sob o Comando do General Marques de Sousa, mais tarde Conde de
Porto alegre, ganhou a vitória na batalha de Moron, em Monte
Caseros a 2 de fevereiro de 1852.
Tomou parte do sítio de Paissandú e na capitulação de
Montevidéu em fins de 1864 fazendo parte de uma das Brigadas do
Exército que sob o comando do Barão de Caxias, fez a campanha do
Estado Oriental. Assistiu a rendição dos Paraguaios nesta cidade de
Uruguaiana, fazendo parte do Exército que sob o comando do
General Osório, depois Marques de Herval, marchou para o
Paraguai em 1865, onde tomou parte da batalha do Tuiuti, em 24 de
maio de 1866 e nos combates de São Cosmo, Tomada de Curuzu,
Curupaiti, Pilar-Tagi, Humaitá e outros.
Terminada a guerra do Paraguai, ficou fazendo parte da
Divisão que pelo estado de paz, devia por algum tempo ocupar
Assunção. Quando o governo imperial, resolveu retirar a força
ocupante dessa capital, determinou que sua parada fosse então neste
Estado, aquartelando na cidade de Sant'Ana do Livramento, tendo
feito mais tarde parte de uma Divisão de observações que ocupou os
terrenos adjacentes de Alegrete e serra do Caverá em 1873.
Dissolvida a Divisão, teve a sua parada em São Borja e aí
permaneceu até o inicio da revolução neste Estado, em 1893, havendo
também em 1892 feito parte das forças que manobraram em Saicã,
sob o comando do General de Divisão Bernardo Vasques. Nessa
revolução foi incorporada a Divisão comandada pelo General
Antonio Adolpho da Fontoura Menna Barreto, onde prestou reais
serviços à causa da legalidade, sendo um deles a vigilância e guarda
da estrada de Ferro de Porto Alegre à Cacequi, trecho entre este
ponto e Santa Maria. Passando mais tarde a fazer parte da Divisão do
Coronel Thomaz Thompson Flôres, operou neste estado até a
conclusão da revolução de 25 de agosto de 1895, tendo estacionado
na cidade de Alegrete, marchado em 1896 para esta de Uruguaiana,
onde tem permanecido. Ficou fazendo parte da 2ª Brigada de
cavalaria com a designação de 8º Regimento de Cavalaria, passando
depois a denominar-se 5º RCI, continuando a fazer parte daquela
Brigada, a qual por Decreto de 31 de Dezembro do ano finda, passou
a denominar-se 3ª Brigada de Cavalaria, da 2ª Divisão.

Denominação de Sentinela do Jarau

Antes de o regimento receber a Denominação Histórica "Cavalaria da Legião de


Tropas Ligeiras", existiu uma outra. O nome era “A Sentinela do Jarau”, instituída pelos
próprios integrantes do regimento e usada por muitos anos. O intuito era de se criar uma
mística para a Unidade e teve no nome a idéia de sintetizar o que o regimento representava na
fronteira do Quaraí.
Tendo esse foco, a denominação recaiu sobre o Cerro do Jarau, ponto geográfico
dominante e símbolo da região. É o que podemos chamar da força da simbologia, valor muito
cultuado nas unidades militares, como ocorre com a Boina Preta das tropas blindadas e as
próprias lanças cruzadas para a arma da Cavalaria. Quando uma tropa não as tem, acaba
criando os seus próprios símbolos. Foi o que aconteceu com o regimento.
Escolhida a denominação, foi criado um distintivo que depois de confeccionado foi
muito usado quando a unidade era 5º RC e depois como 5º R C Mec. Com uma identificação
própria, este distintivo passou a ser ostentado na lateral dos gorros, nas camisetas de todos os
integrantes, nos documentos, nos pratos e onde fosse interessante imprimir a marca do 5º.
Infelizmente não conseguimos levantar o ano em que foi criado, mas encontramos
uma fotografia de 1949 em que aparece o distintivo estampada na caixa d’água. Deve ter sido
por essa época a sua criação.

Símbolo do 5º RC Símbolo do 5º R C Mec


Símbolo “Sentinela do Jarau” na caixa d’agua.
Em primeiro plano a inauguração do Monumento dos Expedicionários.

Denominação e Estandarte Histórico

No ano de 1987, o Ministro do Exército aprovou a Denominação Histórica


“Cavalaria da Legião de Tropas Ligeiras”, por ser esta tropa, criada no ano de 1775 em São
Paulo, como a origem do 5º R C Mec (Boletim do Exército nº 35 de 28 de agosto de 1987).

Portaria Ministerial nº 741 de 16 de julho de 1987


O Ministro de Estado do Exército, de acordo com as IG 11-
01, aprovadas pela Portaria Ministerial nº 409, de 29 de abril de
1987 e acolhendo parecer da Secretaria-Geral do Exército, após
ouvido o Centro de Documentação do Exército, resolve conceder ao
5º Regimento de Cavalaria Mecanizado, com sede na cidade de
Quaraí - RS, a Denominação Histórica de “CAVALARIA DA LEGIÃO
DE TROPAS LIGEIRAS” e autoriza o uso do Estandarte Histórico
constante do modelo anexo e com a seguinte descrição heráldica:
“Forma retangular, tipo Bandeira Universal. Campo em
branco, representativo da Arma de Cavalaria. Em brocante e em
abismo um escudo peninsular português cortado, sobreposto a duas
lanças cruzadas com bandeirolas, Distintivo da Arma de Cavalaria,
em ouro, losango em prata; bordadura em ouro encimada de um virol,
em vermelho e azul-celeste. Primeiro campo do escudo em vermelho,
tendo em brocante um leão rompante, armado de uma espada à
destra, em ouro como no brasão d’armas do Marquês de Herval, por
ter sido neste Regimento, então 3º RC de 1ª Linha, que Osório
ingressou no Exército Brasileiro, aos dezesseis anos e meio. Nos
flancos, duas moletas, em ouro, simbolizando as rosetas das esporas
dos cavaleiros, indispensáveis à arte de bem cavalgar, e relembrando
seus dois séculos como unidade hipomóvel. Segundo campo, em azul-
celeste, tendo em brocante o Brasão d’armas de Portugal, timbrado
com a coroa real diamantina, nas suas cores tradicionais, usado nas
peças dos uniformes da Legião de Tropas Ligeiras. Sotoposto ao
escudo, a inscrição “São Paulo - 1755” em vermelho, orlada em
ramos de louros, em ouro, assinalando o local e o ano de criação da
Legião. Encimando o conjunto a Denominação Histórica
“CAVALARIA DA LEGIÃO DE TROPAS LIGEIRAS”, em arco e em
vermelho. Nos cantões destro e sinistro do chefe e do contra-chefe, as
batalhas: “MONTEVIDÉU”, “TAQUAREMBÓ”, “SARANDI”,
“MONTE CASEROS”, “HUMAITÁ”, “TUIUTI”, “AVAÍ” e
“DEZEMBRADA”, em vermelho, representando os principais feitos
de Armas na história do Regimento. Franja em ouro em toda a volta
do campo. Laço militar com as cores nacionais tendo inscrito em
caracteres em ouro, a designação militar: 5º R C Mec”.

Estandarte do 5º R C Mec

Distintivo Histórico

Por ser uma unidade histórica, criada ainda no período em que o Brasil era colônia
de Portugal e por ter participado ativamente das guerras e campanhas militares que marcaram
a história da nação, o 5º R C Mec passou a ter direito de portar também um Distintivo
Histórico. Esta honraria é concedida pelo Exército Brasileiro apenas às unidades militares que
receberam uma Denominação Histórica e respectivo Estandarte, e que tenham também
combatido contra o inimigo externo. Esta é a condição fundamental para que uma unidade
tenha o direito de ter um distintivo histórico.
Atualmente das 656 organizações militares do Exército, excluindo os Tiros de
Guerra, 247 são portadoras de Denominação Histórica e destas apenas 70 possuem Distintivo
Histórico. É um orgulho saber que o regimento está neste restrito e seleto grupo.
A concessão do Distintivo ao 5º R C Mec foi feita pela Portaria Ministerial nº 742
de 16 de julho de 1987, publicada no Boletim do Exército nº 35 de 28 de agosto do mesmo
ano, em que consta a sua respectiva descrição heráldica:

Ministro de Estado do Exército, de acordo com as IG 11-01,


aprovadas pela Portaria Ministerial nº 409, de 29 de abril de 1987 e
acolhendo parecer da Secretaria-Geral do Exército, depois de ouvido
o Centro de Documentação do Exército, resolve aprovar o Distintivo
Histórico do 5º REGIMENTO DE CAVALARIA MECANIZADA,
constante do modelo anexo e com a seguinte descrição heráldica:
“Escudo peninsular português, cortado, bordadura em
ouro; primeiro campo em vermelho, tendo em brocante um leão
rampante, armado de uma espada à destra, em ouro, como no brasão
d’armas do Marquês de Herval, por ter sido neste Regimento, então 3º
RC de 1ª Linha, que Osório ingressou no Exército Brasileiro, aos
dezesseis anos e meio. Nos flancos, duas moletas, em ouro,
simbolizando as rosetas das esporas dos cavaleiros, indispensáveis à
arte de bem cavalgar, e relembrando seus dois séculos como unidade
hipomóvel. Segundo campo, em azul-celeste, tendo em brocante o
Brasão d’armas de Portugal, timbrado com a coroa real diamantina,
nas suas cores tradicionais, usado nas peças dos uniformes da Legião
de Tropas Ligeiras.”

Distintivo do 5º R C Mec

Condecorações da Unidade

No ano de 1979, a Bandeira do 5º R C Mec foi condecorada com a "Ordem do


Mérito Militar", a mais alta condecoração militar do Exército Brasileiro. A distinção foi um
justo e merecido reconhecimento pelos relevantes serviços prestados pelo regimento ao Brasil
ao longo de toda a sua história.
Posteriormente, pelo fato do regimento ter enviado um contingente de voluntários
para compor a Força Expedicionária Brasileira na 2ª Guerra Mundial e tendo um dos seus
integrantes tombado heroicamente no combate de Montese, o Estandarte Histórico do 5º R C
Mec foi condecorado com dez medalhas.
- Medalha Sangue de Heróis - concedida pela Associação dos Ex-Combatentes do
Brasil, Seção Nova Iguaçu, proposta pelo Sr. José Eber Bentim da Silva, entregue
no dia 10 de maio de 2006.
- Medalha Mérito do Batalhão de Suez - concedida pela Associação de Porto
Alegre, publicada no BI nº 98 de 23 Ago 2006, entregue no dia 17 de Agosto de
2006 no quartel do 7º R C Mec.
- Medalha Jubileu de Ouro da Vitória na 2ª Guerra Mundial - concedida pela
Associação dos Ex-Combatentes do Brasil, Seção Rio de Janeiro, publicado BI nº
89 de 02 Ago 2006, entregue no dia 25 de agosto de 2006.
- Medalha Marechal Zenóbio da Costa - concedida pelo Conselho Nacional da
Associação dos Ex-Combatentes do Brasil, publicado BI nº 89 de 02 Ago 2006,
entregue no dia 25 de agosto de 2006.
- Medalha Missão de Paz do Batalhão de Suez - concedida pela Associação dos
integrantes do Batalhão de Suez, publicado BI nº 89 de 02 Ago 2006, entregue no
dia 25 de agosto de 2006.
- Medalha Garra e Coragem - concedida pela Legião dos Veteranos de Guerra do
Brasil, publicado BI nº 89 de 02 Ago 2006, entregue no dia 19 de novembro de
2006.
- Medalha Mérito do Ex-Combatente do Brasil - concedida pelo Conselho Nacional
da Associação dos Ex-Combatentes do Brasil, publicado BI nº 89 de 02 Ago
2006, entregue no dia 19 de novembro de 2006.
- Medalha do Expedicionário - concedida pela Associação dos Ex-Combatentes do
Brasil, Seção São Paulo, BI nº 86 de 26 de julho de 2006, e entregue no dia 19 de
novembro de 2006.
- Medalha Marechal Castelo Branco - concedida pela Associação Campineira de
Oficiais da Reserva do Exército, entregue no dia 19 de novembro de 2006.
- Medalha Marechal Machado Lopes - concedida pela Associação Nacional dos
Veteranos da FEB - Seção Mato Grosso do Sul, publicado BI nº 89 de 02 Ago
2006, entregue no dia 19 de novembro de 2006.

1979 - Condecoração da “Ordem do Mérito Militar”.

Piquete Manoel Luis Osório

Um dos maiores orgulhos gaúchos são os seus piquetes, locais onde o povo do Rio
Grande do Sul comemora a sua história e cultiva as suas tradições. Como a arma de Cavalaria
tem forte ligação com esta terra, é comum os Regimentos de Cavalaria, que em sua maioria
estão sediados neste estado, terem também os seus. O 5º R C Mec não fugiu à regra e da
mesma forma instituiu o seu piquete.
Na Guerra do Paraguai todas as grandes Unidades de Cavalaria tinham o seu
piquete, pois eram neles onde estava concentrada a cavalhada. Era como se fosse um
esquadrão, inclusive ao comando de um tenente. O General Osório tinha o seu. Nas Ordens do
Dia durante a guerra aparecem publicadas muitas matérias sobre os piquetes. Quem pesquisar
vai ver. Deste modo, manter os piquetes nos Regimentos de Cavalaria é cultuar uma tradição
e acima de tudo preservar a memória do passado glorioso da arma.
Com o nome “Manoel Luis Osório”, uma homenagem ao Patrono da Arma de
Cavalaria do Exército Brasileiro e que foi também soldado no 5º R C Mec, o piquete do
regimento teve a sua fundação no dia 12 de setembro de 1986. Como sede foi escolhida uma
pequena área do campo de instrução junto ao trevo da BR-293 com a RS-377, bem na entrada
da cidade de Quarai, de quem vem de Livramento. Quem passar pelo local não tem como não
vê-lo. É mais um dos orgulhos do 5º.
Seguindo também as tradições gaúchas de que todo piquete deve ter o seu lema, o
do regimento é: “Lutar por um ideal é mais que um direito, é um grande dever”. Seu primeiro
patrão foi o Major Antonio Reginaldo Vargas da Costa e como primeira madrinha a senhora
Paulina Hernandes. Sua bandeira, outra tradição, tem ao centro um leão rampante, armado de
uma espada à destra, em ouro, como no brasão das armas do Marques do Herval, em cima as
palavras “Piquete Manoel Luis Osório” e ao fundo recebe as cores heráldicas do Exército
brasileiro: azul e vermelho.

Estandarte do Piquete Manoel Luis Osório

Canção do 5° Regimento de Cavalaria Mecanizado

Entre 656 unidades militares de todo o Exército Brasileiro, excluindo os Tiros de


Guerra, que são em numero de 246, o que dá um total de 902 organizações, o 5º R C Mec é a
8ª unidade mais antiga, criada quando o Brasil ainda era colônia de Portugal. Somente isso já
daria destaque ao 5º, mas particularmente por ter sido participante de todas as campanhas
militares que definiram as questões de fronteiras do sul do Brasil, inclusive de toda a Guerra
do Paraguai e possuidora de Estandarte e de Distintivo Histórico, concessão que poucas são
distinguidas, faltava ao 5º R C Mec uma canção que identificasse todo esse passado glorioso.
Não poderíamos existir sem uma e que esta contasse um pouco dessa heróica trajetória.
Com esse objetivo no ano de 2003 foi dado início ao trabalho para a elaboração e
aprovação da Canção do Regimento.
Para escrever a letra da canção foi escolhido o Subtenente Alamir Longo, integrante
da unidade por mais de 25 anos (janeiro de 1977 a fevereiro de 2005) e autor de três livros
publicados sobre tradições gaúchas. No seu trabalho o ST Longo teve exatamente como idéia
central a exaltação do passado do Regimento. A letra após escrita, como assim está hoje,
referencia na primeira estrofe os heróicos combates de Taquarembó, Tuiuti, Humaitá, Sarandi,
Monte Caseros, Montevidéu, Dezembrada e Avaí. Completando a primeira estrofe está
acrescentada a criação da unidade por Carta-Régia.
Finalizando a parte histórica que está inserida na canção, na segunda estrofe e no
estribilho o St Longo escreveu um dos orgulhos do 5º, que é o fato do General Osório,
Patrono da Arma de Cavalaria, ter incorporado como soldado nas fileiras da Unidade.
Para a elaboração da música da canção foi escolhido o 2º sargento músico José
Alves de Souza, componente da banda de música da Artilharia Divisionária/3 (AD/3), sediada
em Cruz Alta. A escolha recaiu no Sgt Alves pela sua reconhecida habilidade em montar
arranjos musicais militares, seguindo os mais rigorosos critérios do Centro de Documentação
do Exército, órgão do Exército que julga e aprova as canções militares. Não é à por outra
razão que o mesmo ganhou vários concursos, sendo hoje autor de canções de várias unidades.
Com a letra já concluída pelo St Longo e enviada para Cruz Alta, a partir daí foi
feita a música. Ao concluí-la e com o objetivo de melhorar a sua entonação o Sgt Alves teve a
idéia de acrescentar os três “HURRAS” que constam no final da letra. A sugestão foi
prontamente aceita por ser também um justo agradecimento do 5º R C Mec às unidades de
artilharia da Guarnição de Cruz Alta, que de forma imprescindível apoiaram ao projeto.
Outro detalhe musical que o Sgt Alves fez foi a introdução do “galope do cavalo”
em um pequeno trecho da música. É uma passagem muita rápida na canção, que certamente
não fosse comentado neste livro, muita gente não a teria percebido. Ele é tocado exatamente
durante o canto da frase “eterno templo da nossa Cavalaria” e é uma homenagem a todos os
cavalos que passaram pela unidade. Logicamente que não se poderia esquecê-los!
Terminada a elaboração da letra e da música, a canção foi gravada no dia 9 de
Outubro de 2003 no Estúdio B - Gravações Fonográficas da cidade de Cruz Alta,
oportunidade em que um coral e um grupo musical compostos por integrantes da Banda da
AD/3 e do 29ª GAC se fizeram presentes.
A proposta da canção foi encaminhada à Brasília ainda no mês de outubro de 2003,
quando participou do concurso e julgamento desse mesmo mês, onde outras nove unidades
também lançavam suas canções. Das dez canções em julgamento, apenas duas foram
aprovada, uma delas a do 5º R C Mec. A publicação foi pela Portaria nº 71 de 13 de
Novembro de 2003, transcrita no Boletim do Exército nº 047 de 21 de Novembro do mesmo
ano.

I
Montado sobre nossos cavalos de aço,
Sempre defendendo nossas extensas fronteiras;
Da Carta Régia, surgiste em primeira linha
Para triunfar, Legião de Tropas Ligeiras!
Heróicas lutas retrata o teu Estandarte
Taquarembó e a Batalha de Tuiuti.
Humaitá, Sarandi e Monte Caseros,
Montevidéu, a Dezembrada e Avaí!
Estribilho
Avante, avante, Legendário Regimento,
Ostentando no peito, o Brasil, a nossa glória;
Com teu Patrono sempre seguindo à frente,
Prosseguiremos no caminho da vitória!

II
Hoje marchamos com a mesma galhardia
Com que lutaram nossos heróis no passado.
Eterno templo da nossa Cavalaria,
Berço de Osório, teu mais ilustre soldado!
Estribilho
Avante, avante, Legendário Regimento,
Ostentando no peito, o Brasil, a nossa glória;
Com teu Patrono sempre seguindo à frente,
Prosseguiremos no caminho da vitória!
Hurra! Hurra! Hurra!
Espaço Cultural

Com o objetivo ainda de se ressaltar o histórico e o legado cultural do 5º R C Mec


proporcionado pelos seus mais de dois séculos de existência, foi elaborado no ano de 2004 um
trabalho de cunho histórico e cultural que contemplasse a inauguração de um Espaço Cultural.
Com a decisão de se levar a frente essa idéia foi reunido inicialmente um pequeno
acervo que estava espalhado pelo regimento, a que foi somado a algumas doações de ex-
integrantes. O passo seguinte seria a escolha de uma sala no interior do regimento. No fim de
2004 a sala estava escolhida e reformada. Era pouco para o que se esperava e para o que
merecia a unidade, mas era o começo.
A inauguração ocorreu em 14 de janeiro de 2005, quando nesse dia o 5º
comemorava seu aniversário de 230 anos. Não poderia ter sido em data mais adequada.
Depois de realizada a formatura geral, integrantes do regimento e os convidados se dirigiram
à porta do Espaço Cultural, sendo então feita a sua inauguração. Três pessoas foram
importantes para esse trabalho, as quais o regimento muito agradece: a Professora e
Historiadora Diva Simões, o Tenente R/1 Mário Mendes e a Sra Andréa Collares, esposa do
TCel Hiram.
Atualmente o Espaço Cultural, que leva o nome de “Cavalaria da Legião de Tropas
Ligeiras”, está cadastrado junto à Diretoria de Assuntos Culturais (DAC) e até a publicação
desse livro estava também em processo de cadastramento junto a Secretaria Estadual de
Cultura do Estado do Rio Grande do Sul e no Sistema Nacional de Museus do Ministério da
Cultura. O objetivo do cadastramento nos referidos órgãos é primeiramente a sua
regularização e depois o de permitir a sua maior divulgação junto ao público interno e
externo.

16 Mai 06 - Visita da Escola Pacheco Prates ao Espaço Cultural

Pônei “Zequinha”

No ano de 2004 o regimento passou a ter em suas formaturas um pônei de nome


“Zequinha”. A sua presença tem por objetivo de manter viva a lembrança e o espírito dos
inúmeros cavalos em que o regimento possuiu por dois séculos.
A vinda para a unidade do pônei “Zequinha” e o seu próprio nome é uma estória
bastante interessante e seria uma injustiça não contá-la. A idéia de ter um cavalo nas
formaturas foi importada do 2º R C Mec de São Borja e do 6º Regimento de Cavalaria
Blindado de Alegrete, unidades que já faziam uso dessa prática, inclusive nesta última com
pônei. Externada a decisão de fazer o mesmo no 5º, o comando do 6º RCB, na pessoa do Ten
Cel Sampaio, acabou fazendo a doação de um outro pônei que pertencia as suas baias. Em
retribuição pela gentileza e amizade foi dado ao pônei o nome de “Zequinha”, por ter este
vindo do “Regimento José de Abreu”, Denominação Histórica do 6º.
Para manter a tradição, o pônei Zequinha permanece solto pelo regimento durante o
expediente, nos finais de semana e feriados, de modo que todos o vejam e reconheçam que a
unidade é “De Cavalaria” e que o “espírito” de todos os cavalos que passaram pelo 5º se
espalhe pelo quartel. Esperamos que seja mais uma tradição a ser preservada.

2004 – Pônei “Zequinha” a frente da Guarda Bandeira a Cavalo: duas tradições do 5º R C Mec

Toque de Comandante da Cavalaria da Legião de Tropas Ligeiras

No ano de 2006 foi elaborado o “Toque de Comandante da Cavalaria da Legião de


Tropas Ligeiras”. De autoria do 2º sargento músico João Batista de Barros Santos e do cabo
clarim Teodoro Luz dos Anjos o toque tem como objetivo o de enaltecer o histórico do 5º
RCMec e ser uma homenagem a todos os seus comandantes que desde o ano de 1775
conduziram esta unidade. Esse toque é tocado toda vez que o comandante entra na unidade,
sendo executado logo após o término do toque regulamentar. É mais uma tradição.
Para sua homologação, o mesmo foi encaminhado ao Centro de Documentação do
Exército e até a publicação deste livro encontrava-se em fase de estudo e análise.

Dobrado do 5º R C Mec

Mais uma homenagem ao glorioso passado histórico do 5º R C Mec foi feita no ano
de 2006. O regimento já tinha um Estandarte, um Distintivo, um Museu, uma Canção e Toque
do Comandante. Faltava um Dobrado, ou seja, uma canção sem letra que tivesse como
imaginário a participação da unidade em um combate, como assim aconteceu várias vezes
durante a sua trajetória. Intitulado “Cavalaria da Legião de Tropas Ligeiras”, o dobrado foi
feito pelo soldado Dione Ritieli Ibaldo Almeida, componente da fanfarra do regimento, cuja
montagem teve a seguinte composição:
 introdução: Toque do Comandante da Cavalaria da Legião de Tropas Ligeiras e
parte da Canção da Cavalaria, como uma referência da chegada da tropa.
 Corpo: Toque de Carga da Cavalaria, trabalhado com as caixas e tambores.
Complementando, tiros de canhão, representados por fortes batidas de bumbo,
podendo ser substituídas por tiros de salva de carros de combate.
 Fechamento: trecho da Canção do Regimento.
A partitura musical do Dobrado foi aprovada pelo comandante do 5º R C Mec em
agosto de 2006, publicada no BI nº 118 de 9 Out 06 e tocada pela primeira vez na formatura
de 25 de agosto do mesmo ano.

Guarda de Lanceiros

Existe no regimento uma “Guarda de Lanceiros” composta por um sargento e dez


cabos e soldados, previamente escolhidos e com a missão de realizar no Corpo da Guarda a
recepção de autoridades e de visitas ilustres. Com o objetivo de resgatar o passado histórico
do regimento e às tradições da arma de cavalaria desde 2004 a Guarda passou a fazer o uso
também de botas, que até então entrava em forma com coturnos.
No ano de 2006 para dar ainda maior destaque ao histórico da unidade, a Guarda de
Lanceiros passou a portar bordada em cada flâmula de suas lanças as designações a que o
regimento teve ao longo de existência, como por exemplo, “Cavalaria da Legião de
Voluntários Reaes”, “3ºRC de 1ª linha”, “3º RCL” e assim por diante até chegar a atual
denominação de 5º RCMec. O próximo passo será o uso do uniforme histórico.

7 de Setembro de 2006 em Quaraí.

Denominação de ruas, praças, pavilhões, etc

Ainda como resgate do passado e das tradições, atualmente vários locais e frações
do regimento possuem denominações que visam a preservar a memória da unidade, entre elas:

- Muro “Cel Herculano Gomes”, BI 286, 13 Dez 45, muro externo Rgt;
- Praça do Expedicionário (1949);
- Pátio de formatura General Osório.
- Campo de Pólo “Cavalo 235”, já comentado no capítulo 31 (1973);
- Vila Monte Castelo, referente à Vila dos ST/Sgt, capítulo 31 (1976);
- Piquete Manoel Luis Osório (1986);
- Baias “Cuñatai”, cavalo campeão do III Exército, anos de 1958-1960 (2000);
- Canil “Cadela 750”, conforme histórico no próprio canil (2004);
- Espaço Cultural “Cavalaria da Legião de Tropas Ligeiras” (2005);
- Pelotão “Cabo Fredolino Chimango”, conforme capítulo 32 (2006);
- Denominação dos Esquadrões com os nomes dos capitães de 1775 (2006).
38. O TREM

Estudar e escrever o histórico do 5º R C Mec foi interagir com o passado das linhas
de trens que existiram no Brasil e no Rio Grande do Sul até meados da década de 1970.
Para o Regimento as linhas de trem significavam o transporte de militares, a chegada
da forragem para os animais, o deslocamento de tropas e era praticamente a única ligação com
as demais guarnições. Os “trens de tabela”, como eram assim chamados, além das utilidades
mencionadas, foi o meio de transporte usado no deslocamento da Unidade para o Rio de
Janeiro e São Paulo nas revoluções de 1930 e 1932. Nos conflitos de 1923 e 1924 também
tiveram como cenário as linhas de trem e as estações ferroviárias, as quais foram pontos
sensíveis em que o 5º guarneceu. Não tinha como fugir dos trens, em quase tudo eles estavam
incluídos.
No cotidiano do quartel foi também usando o trem em que o Regimento mudou de
sede, seja de Uruguaiana para Rosário e de Rosário para Quaraí. Um outro exemplo é a
"Gare" da estação ferroviária, tanto de Uruguaiana como de Quaraí, onde foi local em que
muitas vezes se fizeram recepções de autoridades ou superiores quando em visita ou em
trânsito.
Durante quase 70 anos, tendo o 5º R C Mec com sede em Uruguaiana, Rosário do
Sul ou em Quaraí, o trem foi um personagem usual no dia-a-dia. Tantos e tantos fatos podem
ser narrados e lembrados pelos ex-integrantes do regimento.
Pesquisando a história do 5º R C Mec, particularmente no período de 1908, quando
os trilhos chegaram a Uruguaiana, até o ano de 1975, quando foi extinta a linha ferroviária
para Quaraí, não foi difícil encontrar constantemente nos boletins matérias que se referiam à
ferrovia. Por esse motivo fizemos questão de inserir este capítulo especial para escrever,
agradecer e contar um pouco desse meio de transporte, que não somente ajudou o Exército na
condução de suas missões, mas também muito contribuiu na construção e na integração do
nosso país.
Dentro de uma ordem cronológica, selecionamos algumas publicações que podem
descrever todo o envolvimento em que a ferrovia esteve ligada ao histórico da unidade:

Boletim de 08 de Julho de 1917 - Recepção na Gare


Recepção e Ordem
Chegando hoje a esta cidade o Sr. Coronel Álvaro Pedreira
Franco, Comandante da 2ª Brigada de Cavalaria, determino que os
Srs. Oficiais achem-se neste quartel às 20:00 horas, a fim de
incorporados comparecerem a gare da estrada de ferro. Uniforme 5º,
armados e perneiras.

Guarda de Honra
É nomeado o Sr. 2º Tenente João Maximiano Serra para
comandar a guarda para prestar as honras ao Sr. Coronel
Comandante da Brigada, devendo a mesma achar-se postada na
estação da estrada de ferro às 20:00 horas. Uniforme 4º com capote.

Boletim de 21 de Maio de 1918 - Recepção na Gare


Chefe do Estado Maior do Exército
Conforme comunicação telegráfica do Sr. Comandante da 2ª
Brigada chegará hoje a esta cidade, o Excelentíssimo Sr. General de
Divisão Bento Manoel Ribeiro Carneiro Monteiro, Chefe do Estado
Maior do Exército.
Guarda de Honra e Piquete
O 3º Esquadrão estará postado hoje às 21 horas na estação
da estrada de ferro a fim de prestar as devidas honras ao Exmo. Sr.
General Chefe do Estado Maior, assim como um Piquete composto de
20 praças sob o Comando do Sr. 2º Ten Braziliano Americano Freire,
deverá também ali achar-se, a fim de acompanhar o Exmo. General.

Ordem aos Srs. Oficiais


Determino que os Srs. Oficiais que não tomem parte da
formatura estejam na Gare da estação da estrada de ferro por
ocasião da chegada do trem (21 horas) a fim de receber o Exmo.
General Chefe do Estado Maior e Sr. Coronel Comandante da 2ª
Brigada - Uniforme 5º armados e perneiras.

Boletim n° 110 de 08 de Maio de 1923 - Revolta de 1923


Boletim da Brigada n° 107 de 5 de maio de 1923
Guarnição da EFBGS (Barra do Quarahy e S. Borja)
A guarnição da Estrada de Ferro Brasíl Grehet Southren
será feita pelo 5° R/C/I e pela 1ª Bda. C. cabendo a responsabilidade
do 5° R/C/I o trecho de Barra (Quarahy Km 1) até a parada (desvio)
para Xarqueada Dickson exceção 1° G/A/C/C o trecho da parada
(Xarqueada Dickson) inclusive até a parada do Km 16 (a primeira
depois de Itaquy) inclusive e ao 2° R/C/I o trecho da parada Km 16
exclusive até S. Borja.
O serviço de guarda dos trens será feito pelo 2° e 5° R/C/I
competindo ao 5° guarnecer os que partem de Uruguayana e ao 2°
guarnecer os que partem de S. Borja procedendo de forma que nas
voltas de trens sejam aproveitadas as mesmas guarnições. Para bem
regular esse serviço autoriso aos Snrs. Comts. Do 2° e 5° R/C/I a se
entenderem directamente. (Bol. da Div. N° 83).

Boletim n° 233 de 30 de Setembro de 1932 - Revolução


Constitucionalista de 1932
Ordem de Movimento
O Regimento deverá estar pronto para embarcar Domingo
dia 2 de outubro, as 7 horas com destino a frente Sul.
I - o material deverá ser embarcado amanhã, dia 1º de
outubro as 12 horas.
II - as composições deverão se achar a hora determinada nos
fundos do quartel.

Boletim n° 26 de 31 de Janeiro de 1933 - Mudança para Quaraí


Marcha do Regimento
Em obdiencia á ordem de marcha do regimento, para Rosário
seguiu ontem para ali, em dois trens, toda a cavalhada desta unidade.

Boletim n° 275 de 23 de Novembro de 1939 –


Inauguração da estação em Quaraí
Convite
O Snr. Prefeito deste Município convidou o Cmt. e a
oficialidade do 5º R.C.I., bem como a suas Exmas. Famílias, para a
solenidade do ato inaugural, na Estação Provisória, do ramal de
ferro, para a recepção na Prefeitura Municipal, em honra à Comitiva
Oficial e para o baile de gala no Clube Comercial, atos que se
realizarão, respectivamente, as 10, 16 e 22 horas do dia 25 do
corrente.
Uniformes:
a) Para a inauguração do ramal - verde-oliva com capacete
e desarmado.
b) Para a recepção na Prefeitura - cinza, com calça.
c) Para o baile – Branco

Boletim n° 68 de 23 de Março de 1960


Requisição de passagens – Ordem
Seja requisitada por conta do Ministério da Guerra, uma
passagem de 2ª classe, por ferrovia, ida somente desta cidade à
Alegrete para o Sd [...] por ter baixado ao hospital militar daquela
cidade.

Boletim n° 177 de 5 de Agosto de 1963


Requisição de transporte - Ordem
O Aspirante a Oficial Almoxarife requisite por conta do
Ministério da Guerra o transporte, por via férrea, dessa cidade até
Alegrete, para 30 tonéis para retornar com gasolina, conforme Mem
nº 506-GAS de 24 de julho de 1963, do Ch do SRMM/3.

Boletim n° 64 de 14 de Março de 1964


Requisição de transporte - Ordem
O Aspirante a Oficial Almoxarife requisite por conta do
Ministério da Guerra, o transporte por via férrea, de Baltazar Brum
a Deodoro-GB, para 158 animais, por terem sido adquiridos pela
Comissão Compra/1 e serem transportados para àquela cidade.
39. O SERVIÇO MILITAR

Numeração histórica dos Recrutas

Todos os anos são incorporados aproximadamente 70 mil recrutas nas diversas


unidades militares do Exército Brasileiro. Apresentados aos quartéis, estes soldados recebem
uma numeração de praça, de modo que cada um passa a ser reconhecido dentro da caserna
pelo seu nome de guerra e também pelo seu número.
Para chegar à contagem da numeração dos novos soldados inicia-se a mesma, após o
número do cabo mais moderno, o que normalmente nas unidades de tropa começa entre o
número 150 a 200. Era assim feito até o ano de 2004, quando foi instituída uma novidade no
5ºRCMec. Com o objetivo do número do soldado correspondesse à quantidade de
incorporações seqüenciais que o regimento teve desde que chegou a Quarai, foi feita pelo
Sargento Folchini e pelo Cabo Teodoro uma minuciosa pesquisa no arquivo do regimento
com o intuito de saber quantos eram.
Graças a esses dois companheiros, que pacientemente acharam e consultaram todos
os boletins de incorporação, ano a ano, hoje o 5ºRCMec sabe exatamente quantos soldados
foram incorporados desde 1934. Para não perder esse controle e ainda com o objetivo de
valorizar cada incorporação, os recrutas passaram a ter a chamada “Numeração Histórica do
Efetivo Variável”, uma idéia trazida do 12º Esqd C Mec de Boa Vista-RR, onde vimos pela
primeira vez esta iniciativa.
Atualmente o regimento contabiliza um total de 21321 reservistas incorporados
desde o ano em que chegou a sua última sede. Com sua execução além de se ter mais uma
tradição na unidade, talvez existente em poucas unidades no Exército Brasileiro, possibilita
também conhecer um pouco mais do passado do regimento.
Um outro objetivo, mais implícito, é que com esta numeração o soldado que presta o
serviço militar no 5º RCMec terá e levará consigo para o resto de sua vida um número que
representará os milhares de soldados que lhe antecederam. Se hoje vemos reservistas, mesmo
sexagenários, lembrarem com orgulho de seus tempos de quartel e não se esquecendo de seu
antigo número, com certeza a numeração histórica que levarem do quartel de Quaraí terá um
significado muito maior. Caso esta numeração histórica seja trabalhada pelos superiores
poderá se tornar uma mística para os soldados do regimento.
Pelo trabalho ainda foi possível também revelar um outro dado interessante, que foi a
constatação de que praticamente a metade das incorporações no regimento foi proveniente da
cidade de Quaraí e a outra metade oriunda de várias outras cidades gaúchas. A explicação é
simples, pois devido a cidade de Quaraí, com aproximadamente 25 mil habitantes, não
conseguir atender totalmente as necessidades de conscritos para o serviço militar, todos os
anos se faz necessário buscar em outras partes do estado o efetivo que complete a
incorporação anual.
Desta sorte permite que mais gaúchos conheçam Quaraí e a região. Cidades próximas
como Uruguaiana, Dom Pedrito, Rosário do Sul e Santana do Livramento, mas também mais
distantes como Montenegro, São Luiz Gonzaga, Sarandi, Taquari, Estrela, Lagoa Vermelha,
Jaguari, Três Passos, Getúlio Vargas, Erechim, Gaurama, Passo Fundo e Pelotas já enviaram
recrutas para o regimento. Outras cidades menores, mas que estão dentro da jurisdição de
alistamento militar das cidades maiores vieram também a contribuir, o que significa dizer que
grande parte do Estado do Rio Grande do Sul, particularmente as regiões centro e norte está
ligada a Quarai através do seu quartel.
Esperamos que esse trabalho e esta tradição continuem.
As mulheres no 5º R C Mec

No ano 2004, após 230 anos de existência, foram incorporadas as primeiras mulheres
nas fileiras do Regimento, representando a presença do segmento feminino pela primeira vez
na Cavalaria da Legião de Tropas Ligeiras. Ano de 2004: Asp Of Dent Viviane Costa Martins
de Oliveira e a 3º Sgt Enf Jacqueline Grings da Luz. No ano seguinte a 3º Sgt Silvia Beatriz
Kempa e 2006 a 3º Sgt Enf Edna Cristiane Souza Cavalheiro.

Incorporações no período de 1934 a 2006

ANO INCORPORADOS ANO INCORPORADOS


1934 163 1971 363
1935 244 1972 339
1936 69 1973 341
1937 127 1974 338
1938 123 1975 245
1939 142 1976 183
1940 430 1977 199
1941 333 1978 203
1942 851 1979 152
1943 282 1980 136
1944 40 1981 226
1945 586 1982 179
1946 559 1983 204
1947 387 1984 176
1948 311 1985 176
1949 453 1986 174
1950 293 1987 316
1951 330 1988 245
1952 312 1989 215
1953 467 1990 235
1954 401 1991 218
1955 492 1992 235
1956 448 1993 162
1957 447 1994 219
1958 420 1995 209
1959 413 1996 170
1960 417 1997 129
1961 417 1998 121
1962 454 1999 141
1963 448 2000 191
1964 438 2001 182
1965 433 2002 196
1966 422 2003 219
1967 399 2004 226
1968 396 2005 228
1969 373 2006 157
1970 353 Total 21.321
40. DATAS IMPORTANTES PARA O 5º R C MEC

Dia Janeiro
04 Participação no Combate de Catalan – Campanha de 1816/1820 (1817)
14 Criação da Legião de Voluntários Reais da Capitania de São Paulo (Legião de São
Paulo) (1775)
20 O 5º RC é transformado em 5º R C Mec (1978)
20 Início da marcha a pé de São Paulo para o Continente de São Pedro – Companhia
do Capitão Pinto Moraes Leme - Guerra da Restauração (1776)
20 Chegada ao porto de Santos das primeiras companhias no retorno do Continente de
São Pedro – Guerra da Restauração (1779)
22 Participação no Combate de Taquarembó – Campanha de 1816/1820 (1820)

Dia Fevereiro
5 Chegada ao porto de Santos da última companhia (Oliveira Montes), no retorno do
do Continente de São Pedro - Guerra da Restauração (1779)
14 Chegada da Legião ao Continente de São Pedro – Campanha de 1811/1812 (1810)
20 Participação na Batalha do Passo do Rosário – Guerra da Cisplatina (1827)

28 O 3º Corpo de Cavalaria é reorganizado como 3º Regimento de Cavalaria Ligeira -


Revolução Farroupilha (1839)

Dia Março
01 Incorporação de Manoel Luis Osório (Gen Osório), com 15 anos, na Cavalaria da
Legião de Tropas Ligeiras (1823)
01 Chegada a Quaraí do II Esquadrão (1934)
25 Início da marcha ao território do Uruguai junto com a Divisão Imperial Auxiliadora
– Campanha de 1854/1855 (1854)
31 O deslocamento para a região de Harmonia, na BR-290, durante os acontecimentos
da Revolução de 1964

Dia Abril
07 Participação no Combate de Guabijú – Campanha de 1816/1820 (1818)
25 Transposição do rio Paraguai entrando em território paraguaio - Guerra da Tríplice
Aliança (1866)

Dia Maio
02 Participação no Combate de Estero Belaco – Guerra do Paraguai (1866)
04 O 3º RC de 1ª Linha é transformado no 3º Corpo de Cavalaria (1831)
09 Início da marcha de Assunção, retornando ao Brasil após a participação na Guerra
da Tríplice Aliança (1870)
10 O Estandarte do 5º R C Mec recebe a condecoração da Medalha Sangue de Heróis
Dia Maio
(2006)
15 O 5º RCI é transformado no 5º RC (1946)
18 Participação no Combate de Las Piedras – Guerra da Independência (1823)
18 Chegada das primeiras companhias (Capitão Macedo e Pinto) ao do Continente de
São Pedro – Guerra da Restauração (1776)
24 Participação na Batalha de Tuiuty – Guerra do Paraguai (1866)

Dia Junho
01 Participação no combate junto ao Passo Cordilheiras – Guerra do Paraguai (1869)
04 Retorno do Rgt após as operações no Uruguai – Campanha de 1851/1852 (1852)
04 O 3º RC é transformado em 8º RC (1908)
08 Participação no combate no Passo Sapucaihy – Guerra do Paraguai (1869)

Dia Julho
16 Participação no Combate de Potrero Pires – Guerra do Paraguai (1866)
16 Participação no Combate à Fortaleza de Humaitá e na rendição da mesma dez dias
depois – Guerra do Paraguai (1868)
16 O 5º R C Mec recebe a Denominação Histórica de “Cavalaria da Legião de Tropas
Ligeiras” com o seu respectivo Estandarte e Distintivo (1987)
18 Participação no combate de Potrero Sauce – Guerra do Paraguai (1866)

Dia Agosto
01 Entrada no território brasileiro, após a participação na Guerra do Paraguai (1870)
06 Participação no Combate na ponte nas imediações de Curupaiti – Guerra do
Paraguai (1867)
16 Participação no Combate de Acosta-Nhu ou Nhu-Guaçu – Guerra do Paraguai
(1869)
17 O Estandarte do 5º R C Mec recebe a condecoração da Medalha do Mérito do
Batalhão de Suez (2006)
25 A Bandeira Nacional do 5º R C Mec recebe a insígnia da "Ordem do Mérito
Militar", a mais alta condecoração do Exército (1979)
25 O Estandarte do 5º R C Mec recebe as condecorações das Medalhas Jubileu de
Ouro da Vitória na 2ª Guerra Mundial, Missão de Paz Batalhão de Suez e Marechal
Zenóbio da Costa (2006)
29 Por Alvará de D. João VI, a Legião de Voluntários Reaes da Capitania de São
Paulo é transformada em Legião de Tropas Ligeiras (1808)

Dia Setembro
04 Participação na conquista da Fortaleza de Santa Tereza – Campanha de 1811/1812
(1811)
Dia Setembro
06 Entrada no território do Uruguai – Campanha de 1851/1852 (1851)

Dia Outubro
01 Início do deslocamento ferroviário em direção a São Paulo – Revolução
Constitucionalista (1932)
03 Participação no combate Parê-Cuê ou Isla-Tali – Guerra do Paraguai (1867)
12 Participação no Combate de Sarandi – Guerra da Cisplatina (1825)
12 Início do deslocamento ferroviário de Uruguaiana para São Paulo – Revolução de
1930
20 Participação no Combate de Arroio Grande – Campanha de 1816/1820 (1819)
20 Deslocamento para o Rio de Janeiro do 1º Contingente de Voluntários do 5º RCI, a
fim de se incorporar à FEB – 2ª Guerra Mundial (1943)
21 Participação no combate de Tatijibá – Guerra do Paraguai (1867)
27 Participação no Combate de Carumbé – Campanha de 1816/1820 (1816)
29 Participação no Combate de Potrero Ovelha – Guerra do Paraguai (1867)
30 Chegada na cidade de São Paulo – Revolução de 1930

Dia Novembro
02 Participação do Combate em Tayi - Guerra do Paraguai (1867)
02 Chegada ao Rio de Janeiro, Capital Federal – Revolução de 1930 (1930)
13 Aprovação da Canção do 5º R C Mec (2003)
19 Participação no Combate de Índia Muerta – Campanha de 1816/1820 (1816)
19 O Estandarte do 5º R C Mec recebe as condecorações das Medalhas Mérito do Ex-
Combatente, Marechal Machado Lopes, Garra e Coragem, Marechal Castelo
Branco e Do Expedicionário (2006)
23 Chegada a sua sede em Uruguaiana após participação na Revolução de 1930
25 Entrada no território uruguaio – Guerra do Uruguai 1864/1865 (1864)

Dia Dezembro
01 Transformação da Cavalaria da Legião de Tropas Ligeiras no 3º Regimento de
Cavalaria de 1ª Linha (1824)
11 Participação na Batalha do Avai – Guerra do Paraguai (1868)
11 O 8º RC é transformado no 5º RCI (1919)
14 O 3º RCL é transformado no 3º RC (1889)
19 O 3º RCL entra no Brasil junto com a Divisão Imperial Auxiliadora após as
operações no Uruguai – Campanha de 1854-1855 (1855)
20 Chegada do 5º RCI em Quaraí, sua última sede (1934)
20 Participação no Combate às linhas fortificadas de Pequisiry – Guerra do Paraguai
(1868)
Dia Dezembro
21 Participação no Combate de Lomas Valentinas – Guerra do Paraguai (1868)
22 Chegada a sua sede em Uruguaiana após a participação na Revolução
Constitucionalista (1932)
27 Participação do cerco e rendição da Fortaleza de Angustura – Guerra do Paraguai
(1868)
31 Participação no sítio da praça de Paissandu – Guerra do Uruguai 1864/1865 (1864)

A idéia de ter escrito este capítulo foi que a partir deste calendário o regimento
pudesse relembrar as suas datas importantes, seja através de formaturas, publicações de notas
em boletim interno, realização de simpósios, palestras ou outras atividades que possam cada
vez mais se ressaltar o valoroso passado histórico do 5º R C Mec.
O Coronel Cláudio Moreira Bento destacando a importância da tradição em uma
unidade militar escreveu no livro "História do 4º GAC" do Coronel Oswaldo Pereira Gomes,
que na vida militar inúmeros são os exemplos históricos da influência positiva,
particularmente em combate, da boa tradição de uma organização militar. Ela funcionaria
como uma poderosa força invisível, de natureza moral, que em momentos críticos, na paz e na
guerra, arrasta todos os seus integrantes ao cumprimento da missão, por mais difícil que seja.
O contrário, conclui o coronel, ou seja, a falta de tradição em uma tropa é apontada,
com freqüência, pela História Militar, como a explicação para o fracasso ou o fraco
desempenho em combate de unidades militares.
Com a riqueza histórica que possue, o 5ºRCMec tem a chance de transformar a
reverência ao seu passado glorioso na força incontestável da tradição militar.
41. QUARAÍ E O EXÉRCITO

Estando o regimento em Quaraí desde 1934, aniversariando em dezembro de 2006,


72 anos de permanência nessa Guarnição Federal, decidimos pesquisar e escrever um pouco
sobre a cidade, tendo como foco a contribuição do Exército à história de Quaraí.
O início dessa ligação envolve as intensas lutas entre o Brasil e as Províncias do
Prata pela posse do território conhecido como Entre-Rios, compreendido entre os rios Quaraí,
Ibicuí, Santa Maria e Uruguai, onde hoje se situam as cidades de Rosário do Sul, Livramento,
Quaraí, Alegrete, Uruguaiana e Itaqui.
Na luta pelo território foi criado um cenário de guerra onde os acampamentos e os
caminhos utilizados tanto pelas tropas luso-brasileiras como orientais acabaram definindo o
mosaico das atuais cidades e estradas da fronteira sul do Brasil. Por onde as tropas se
concentravam e por onde transitavam, tanto no território gaúcho como uruguaio, deixaram
também como herança os atuais seis pontos de passagem entre os dois países,
especificadamente as cidades fronteiriças brasileiras e uruguaias de Chui/Chuy, Jaguarão/Rio
Branco, Aceguá-Bagé/Asseguá, Livramento/Rivera, Quaraí/Artigas e Barra do Quaraí/Bella
Union.
Quanto a Quaraí, durante as campanhas militares era muito utilizada a passagem do
rio que margeia a atual cidade. A passagem que ficou conhecida como “Passo do Quaraí” era
onde as tropas, carretas e gado tinham intenso trânsito entre o território brasileiro e oriental.
Por ser um ponto do rio Quaraí em que reunia as condições favoráveis para travessia, seja
pela pouca profundidade do curso d'água, pelas margens e leito firmes e pela fraca correnteza,
o "Passo do Quaraí" tornou-se conhecido e de destacada importância militar.
Com essa condição, logo após a campanha de 1811-1812, o Passo do Quaraí acabou
sendo guarnecido e vigiado por uma tropa militar destacada pelo Ten Cel José de Abreu,
Comandante Militar de Entre-Rios. Iniciava-se aí, com a vinda dos militares e de seus
familiares, o povoamento da futura cidade de Quarai, estabelecendo-se junto ao Passo, o que
podemos chamar do núcleo populacional. Não por acaso neste mesmo local está hoje o bairro
chamado de José de Abreu.
Reforçando a posse e a defesa da terra de Entre-rios conquistada após a Campanha
de 1811-1812, D. João VI fez várias doações de sesmarias, principalmente para os militares
que participaram deste conflito militar. Da região próxima do Passo do Quaraí foram doadas
terras a 42 sesmeiros (SIMÕES, 1993, pg. 10-11), entre eles, segundo as pesquisas realizadas,
para os seguintes militares: Patrício José Corrêa da Câmara, alferes do Regimento de Dragões
do Rio Pardo; José Pedro Galvão, major comandante dos esquadrões de cavalaria da Legião
de Tropas Ligeiras de São Paulo, origem do atual 5º R C Mec e ainda para José Pedro Galvão
de Moura Lacerda, também da Legião de Tropas Ligeiras.
No processo de ocupação das sesmarias, pouco depois o Passo do Quaraí passou a
ser chamado de Passo do Batista, por causa do nome de um dos sesmeiros que ocupou as
terras próximas ao passo.
Nesse contexto estratégico criado pelo reino português e pelo governo da Capitania
de São Pedro, criou-se o que podemos chamar de uma “barreira humana” contra as futuras
invasões. O obstáculo formado constituiu-se por um tripé associando a ocupação militar do
Passo, a distribuição das sesmarias e a respectiva vinda das famílias, essas em grande parte
dos militares. A essa conjunção estabeleceu-se então o início do povoamento e por
conseqüência a posse definitiva das terras. Era uma estratégia perfeita e silenciosa.
Dentro desse mesmo planejamento, o mesmo procedimento ocorreu na região de
Uruguaiana e Alegrete. Nessa última, por exemplo, nas terras doadas por José de Abreu onde
iniciou o primeiro povoamento, o local foi atacado em setembro de 1816 por tropas orientais
quando do início da campanha de 1816-1820. Deste ataque resultou no incêndio da capela,
fato e local que ficaram conhecidos como “Capela Queimada”. Com a destruição do
povoado, os moradores procuraram refúgio no acampamento do Ten Cel José de Abreu,
localizado na margem esquerda do rio Ibirapuitã, onde hoje está a atual cidade de Alegrete.
Do surgimento de Alegrete, estendendo ao estudo da história das mais antigas
cidades da fronteira oeste, veremos que as mesmas surgiram sob a égide militar, inclusive
Quaraí. De Bagé, outro exemplo, no local onde surgiu a cidade, anteriormente tinha sido
ponto de concentração das tropas luso-brasileiras para as campanhas no território uruguaio.
Do acampamento surgiu um povoado que deu origem à Capela de São Sebastião de Bagé e
depois elevada à freguesia pela resolução régia de 13 de setembro de 1815.
De Santana do Livramento, um outro exemplo, o povoamento se desenvolveu
inclusive pela presença da grande base logística instalada no Cerro do Depósito em 1826, para
apoiar as operações de combate durante a Campanha da Cisplatina. No local da antiga base
está hoje o quartel do 7º RCMec.
Outro exemplo da ocupação militar que se transformou depois em povoamento é o
caso de Rio Pardo. De onde surgiu a Vila foi local do forte ali instalado às margens do rio
Jacuí, que desde a segunda metade do século XVIII barrou o avanço espanhol e foi base das
nossas tropas para as operações na região das Missões e no território de Entre-rios.
Citando mais casos de cidades originadas após as campanhas militares são os de
Piratini e Canguçu, a primeira fundada em 1799, após a Guerra da Restauração (1774-1776),
e a segunda em 1812.
Voltando ao Passo em Quaraí, posteriormente pelo seu valor estratégico-militar a
passagem no rio continuou sendo guarnecida por tropas destacadas, as quais exerciam a
vigilância volante pela região da Fronteira Oeste e Missões.
Em 1852, o governo uruguaio determinou a fundação das atuais cidades fronteiriças
de Artigas e Rivera, o que por sua vez levou o governo imperial brasileiro a elevar
politicamente à condição de freguesia e cidade respectivamente o povoado de Quaraí e a
então Vila de Livramento. Na lista das promoções, Bagé também foi elevada à cidade em
1858.
Neste mesmo ano de 1858, complementando a decisão anterior e dentro da visão de
reforçar a ocupação de Quaraí, o império determinou que uma comissão de engenheiros
militares, a que foi confiada ao Coronel José de Victória Soares de Andréa, para que fizesse o
projeto do traçado urbano da futura cidade. Ou seja, após a ocupação militar do Passo e o
respectivo início do povoamento, quarenta anos depois um outro militar passava a “organizar
o espaço urbano” já ocupado.
O traçado feito por Soares Andréa, preservado até hoje, privilegiava uma arquitetura
urbanística moderna formada por quarteirões e avenidas largas, posicionadas simetricamente
em relação aos pontos cardeais (norte, sul, leste e oeste). Pela atenção a que deu ao projeto,
Soares Andréa proporcionou conforto aos seus moradores, de modo que todos tivessem sol ou
sombra, conforme o horário do dia, isto tudo dentro de uma concepção que poucas cidades
brasileiras possuem. Ainda pelo traçado, no ponto mais alto ficava reservado ao futuro
quartel, como também está atualmente.
Soares Andréa poucos anos depois veio a participar brilhantemente como Brigadeiro
na Guerra do Paraguai, tendo comandado Brigada e Divisão, chegando a ser em certo
momento do conflito o Comandante Geral da Artilharia na vitoriosa batalha de Tuiuti (24 de
maio de 1866).
Quaraí continuava na pauta de importância militar. Em 1859, após a planta de Soares
Andréa, o comandante das armas da Província de São Pedro do Rio Grande do Sul, com
Quartel General em São Sepé, assim publicou na Ordem do Dia nº 320 de 23 Dez 1859: ”...
Sr. Commandante da fronteira de Quarahy nomeou a 20 do corrente mez para commandar o
corpo provisório em guarnição na mesma fronteira e acampado no Passo do Baptista, ao Sr.
tenente coronel da guarda nacional Simão Francisco Pereira.”
Em 1863, um pouco antes da Guerra do Paraguai, pela Ordem do Dia nº 193 de 15 de
Dezembro, o Comandante das Armas da Província de São Pedro, Tenente-General João
Frederico Caldwell (ex-comandante do 5º R C Mec de 1842 a 1844), com QG em Bagé,
mandou publicar um comunicado do Brigadeiro Honorário Comandante da Fronteira do
Quarahy:

Agradou-me em extremo a communicação que fez o


commando da já citada Fronteira de Quarahy em officio de 28 de
novembro passado sob o nº 998 de que o Sr. Capitão do 37º Corpo da
Guarda Nacional Lino Antonio da Silva Caldeira, durante os dezoito
mezes, que commandou o Esquadrão destacado no Passo do Baptista,
cumprido seus deveres, com zelo, dedicação e inteligência,
desenvolveu mais essas qualidades, depois que manifestou-se a
Revolução no Estado Oriental d’Uruguay, pelo que deverá aceitar os
louvores [...]

Durante a Guerra da Tríplice Aliança (1865-1870), quando as tropas do Exército


estavam em combate nos campos do Paraguai, o Passo do Quaraí e a respectiva vila
continuaram guarnecidas por um destacamento da Guarda Nacional. Em julho de 1870, após a
guerra, o Comandante das Armas da Província determinou que a Guarda Nacional acantonada
em Quarahy fosse substituída por tropas do Exército, o que foi feito por um destacamento do
3º Regimento de Cavalaria Ligeira (atual 5º R C Mec), logo após o seu retorno do Paraguai.
A tropa mantida pelo 3º RCL na então Freguesia de São João Batista do Quaraí
estava ao comando de um Capitão ou às vezes de um Tenente. O destacamento, além da
freguesia, mantinha frações destacadas em vigilância no Pai-Passo e no Garupá, conforme
verificamos nas Ordens do Dia existentes no arquivo do 5º R C Mec.
Em 1880 estava estacionado em Quaraí um destacamento do 4º Regimento de
Cavalaria, que aqui mantinha a vigilância da chamada Linha Divisória, que eram frações dos
Regimento de Cavalaria espalhadas na fronteira. Para cumprir a sua missão o comandante do
destacamento em seu ofício, o qual tivemos acesso, de 7 de setembro de 1880, referia-se ao
uso de uma porteira em campos particulares e justificava o seu livre acesso argumentando:
“facilitando as diligências, a boa fiscalisação dos interesses públicos, a manutenção da
ordem e segurança em toda a linha de guarnição” .
Em 1890 veio aquartelar em Quaraí, vindo de Livramento, não mais um
destacamento, mas uma unidade militar, no caso o 11º Regimento de Cavalaria. Sua
permanência, entretanto, foi curta, pois em março de 1892, pouco antes de eclodir Revolução
Federalista retirou-se da cidade a fim de participar do conflito.
Terminada a Revolução, o Comandante das Armas mandou para Quaraí o então 12º
Regimento de Cavalaria, o qual chegou provavelmente ainda no final de 1895. Não tendo
quartel definitivo, o Major João Ignácio Alves Teixeira, Fiscal do Regimento, fez construir
um quartel provisório de pau-a-pique, muito comum na época para as casernas. O local
escolhido ficava provavelmente no terreno da esquina da atual Avenida 7 de Setembro com a
Rua Coronel Pillar, segundo levantamento feito pela historiadora Diva Simões.
Instalado em Quaraí, rapidamente o regimento se integrou na cidade, sendo inclusive
publicado no jornal local “O Farrapo” de 8 de setembro de 1896, que assumia interinamente
no dia anterior o Comando do 12º RC, a Guarnição e Fronteira, o Major João Inácio, por ter
sido dado parte de doente o Cel Henrique de Melo.
Estando o 12º RC na guarnição, a cidade ainda não havia esquecido a unidade
anterior, no caso o 11º RC. No jornal “O Farrapo”, de 1º de outubro de 1896, era informado
que o “11” havia seguido de Uruguaiana para Bagé, onde passava a ter sede. Naquela época
era assim, os regimentos tinham muita mobilidade e ficavam pouco nas guarnições. Era uma
determinação do escalão superior em que as unidades de cavalaria constituíam os corpos
móveis, responsáveis pela vigilância da fronteira.
Para saber mais sobre o 12º RC, pesquisamos no Arquivo Histórico do Exército e
localizamos os boletins dessa unidade e encontramos do período de 1º de janeiro de 1897 a
março de 1898, quando foi possível verificar que o serviço da unidade consistia de nove
praças na guarda da frente, duas em patrulha, duas no piquete e a guarda do depósito. As
publicações ainda constavam de quatro praças de serviço no “Passo”. Ou seja, representava
essa guarda a herança e a mesma função da guarnição colocada no mesmo local pelo Ten Cel
José de Abreu em 1816.
Como curiosidade ainda, descobrimos nos arquivos do Museu de Comunicação
Social, na Rua dos Andradas em Porto Alegre, que a escala de serviço interna do 12º RC
também era publicada no jornal local “O Amador”. Na publicação de 25 de abril de 1896
constava como Oficial de Dia da Guarnição e Oficial de Estado-Maior, respectivamente o
cidadão alferes Trajano Lanes de Carvalho e Abreu Lima.
Em 1899, servindo no 12º RC, o Capitão Affonso Barrouin, outro nome que marcou
sua passagem por Quaraí, levantou uma planta do quartel para ser executada no local pré-
determinado no traçado de Soares Andréa. O local é o mesmo onde hoje se encontra o quartel
do 5º R C Mec.
Abordando um pouco mais sobre Affonso Barrouin, ele que nas suas horas de folga
trabalhava de agrimensor e por andar muito pelas terras de Quaraí, passou a ter uma
identificação com a cidade. Ao falecer no Rio de Janeiro no ano de 1933, Barrouin deixou em
testamento a sua herança com a condição de que se construísse na cidade, como hoje existe,
uma escola de nome Brasil e com a frente para o Uruguai. Este fato foi pesquisado e bem
abordado no livro "Legado de Barrouin" da professora Diva Simões.
Quanto ao quartel, em setembro de 1900, o Intendente Miguel Corrêa informava via
ofício à Diretoria Geral de Engenharia do Exército, que foi doado uma quadra urbana para
construção do quartel, esta em área já prevista desde 1858 por Soares Andréa.
No ano de 1907, a Intendência (Prefeitura) de Quaraí ratifica a doação ao 12º RC
através do Termo de Aforamento, cuja cópia está no Espaço Cultural do 5º R C Mec.
No ano seguinte, pelo Decreto 6.971 de 4 de junho, conforme a nova reorganização
do Exército, o 12º RC é extinto e reorganizado como 7º RC na mesma cidade.
Em 1918 é fundado no 7º RC o “Militar Foot-Baal Club”, talvez o primeiro time
organizado de futebol de Quaraí, uma novidade na época. A Intendência Municipal, após
receber o comunicado da criação do time de futebol, assim respondeu:

[...]”Quarahy, 27 de junho de 1918 – Ilmo Snr 1º Sargento


João Pedro de Miranda, secretário do “Militar Foot-Baal Club.
Acuso o recebimento do vosso ofício de 20 do corrente mês e
agradeço-vos a comunicação que nele me fazeis, de haver sido
fundado no 7º Regimento o “Militar Foot-Baal Club”, associação que
tem por fim desenvolver a educação physica dos soldados daquela
corporação. De envolto com os meus applausos e votos de
prosperidades [...] José Conrado Wagner - Intendente Municipal.

No ano de 1919 o Intendente Municipal agradece ao comandante do 7º RC, Capitão


Marcionillo Barroso, pelo apoio prestado durante a epidemia da gripe espanhola que se abateu
sobre a cidade nos meses de novembro e dezembro do ano anterior. O Intendente assim
agradeceu: [...] De 11 de janeiro de 1919 [...] É me grato...durante o tempo em que grassou
nessa cidade a “influenza espanhola”. Por mim cumpro o dever de endereçar-vos mais
agradecimentos pelo auxilio que prestastes ao municipio, pondo a disposição desta
intendencia o carro-ambulancia do regimento de vosso comando [“...] José Conrado Wagner
- Intendente”.
No início de 1919 é extinto o 7º RC, quando o Sub-Intendente de Quaraí respondeu
em telegrama ao então comandante: [...] de 25 de fevereiro de 1919, Ilmo Snr Capitão
Marcionillo Barroso, respondo o vosso officio de hoje, em que me comunicais a extinção do
7º Regimento de Cavallaria, [...] expresso-vos aqui o meu agradecimento pela fineza de
comunicação, aproveito a oportunidade para reiterar-vos os meus protestos de elevada e
distincta consideração. Saúde e Fraternidade – Dr J.M. De Souza, vice - intendente.
Extinto o 7º RC seu material e efetivo foi transferido ao 8º RC (atual 5º R C Mec), o
qual se encontrava em Uruguaiana. Como conseqüência ainda da extinção, no período de
fevereiro a maio do mesmo ano ficou aquartelado em Quaraí um destacamento do próprio 8º
RC, o qual estava ao comando do 2º Ten Brasiliano Americano Freire e tinha o efetivo de um
sargento, um cabo, dois anspeçadas e oito soldados.
Com a chegada do destacamento do Ten Brasiliano, a Intendência Municipal de
Quarahy, em 8 de maio de 1919, respondeu ao novo Comandante informando atender a um
pedido da guarda de cavalos: [...] Em resposta ao vosso officio nº 38, comunico-vos que
atendendo ao vosso pedido, tendes permissão para collocar no potreiro municipal o que me
solicitastes. Saúde e Fraternidade – Na ausencia do Dr. Intendente, Antonio Martins Muniz,
Sub – Intendente Interino.
No final de 1919 o 8º RC foi transformado em 5º Regimento de Cavalaria
Independente (atual 5º R C Mec), permanecendo com sede em Uruguaiana.
De maio de 1919 a dezembro de 1932 Quaraí ficava sem uma unidade militar
federal, valor regimento. Em 1922 iniciam as obras do atual quartel de Quaraí, destinada
inicialmente para o 8º RCI (atual 8º RCMec), tendo a sua área em certo momento ocupada por
um esquadrão do 2º Regimento de Cavalaria da Brigada Militar.
Em dezembro de 1932 chega a Quaraí o II esquadrão do 8º RCI (atual 8º RCMec),
que estava em Rosário do Sul. Na chegada dessa tropa a Prefeitura apóia o transporte do
pessoal e material da estação ferroviária Severino Ribeiro até a cidade, com o valor
correspondente de 24 cargas em carretas, já que ainda não tinha sido inaugurado o último
trecho da linha de trem. O apoio municipal se revestiu também na pintura de alguns pavilhões
do quartel e no fornecimento de lenha e pipas de água.
Em 1934 novas ordens mudam as sedes dos Regimentos de Cavalaria, levando o 5º
RCI a ocupar o quartel em Quaraí. Em março do mesmo ano, são deslocados dois pelotões do
II esquadrão do 5º RCI em substituição ao II esquadrão do 8º RCI, que em contrapartida
seguia para o quartel de Uruguaiana.
Em dezembro do mesmo ano o restante do 5º RCI chega à sua nova sede ocupando o
quartel na atual Rua Dartagnan Tubino. A partir deste momento, ou seja, da chegada de todo
o 5º RCI a Quaraí, vários acontecimentos passam a envolver definitivamente o 5º e a cidade.
Em 1939 é inaugurada a Estação Ferroviária de Quaraí finalizando a ligação com
Porto Alegre e as demais municípios da Fronteira Oeste. A inauguração foi revestida de
grande festa na cidade, até porque era uma aspiração antiga de seus moradores, somente
sendo possível o seu término com a ajuda do Exército, o qual tinha retomado as obras que
estavam paradas desde 1933. Com a previsão da chegada do 5º RCI para o ano seguinte,
1934, talvez tenha sido o fator determinante para a conclusão da obra.

O ramal de Quaraí, partindo de Alegrete, teve o seu primeiro


trecho entregue ao tráfego em 1924, atingindo a estação de Severino
Ribeiro. As obras somente foram retomadas em 1933, agora pelo
Exército, e chegaram a João Marcelino em 1937. Em 1939 atingiram
a sede do município de Quaraí, onde se fixou a estação terminal.
(Fontes: Guias Levi, 1940-1981; Patrimônio Ferroviário do Rio
Grande do Sul, IPHAE, 2002; Revista Ferroviária, 08/2000 e
http://www.estacoesferroviarias.com.br/rs_uruguaiana/quarai.htm).
Em 1947, o Presidente da República, General Eurico Gaspar Dutra, lança a Pedra
Fundamental da futura ponte internacional ligando Quaraí a Artigas, no mesmo local por onde
as tropas transitavam nas campanhas militares, ou seja, no “Passo do Quaraí”.
Em 1952 é inaugurado o Estádio Municipal de Futebol, obra em que o 5º RC muito
ajudou para a sua conclusão, tendo o estádio recebido o nome de Aluízio Falcão, então
Subcomandante do regimento nesse ano e grande incentivador desse esporte.
Faltava ainda a conclusão da ponte sobre o rio Quaraí, quando em setembro de 1966,
o General Juarez Távora, ministro do governo Castelo Branco, em visita a cidade confirma a
construção da futura Ponte Internacional da Concórdia.
Dois anos depois em 1968 o Presidente da República, General Costa e Silva inaugura
a ponte ligando o Brasil ao Uruguai. Estava finalmente concluída a obra que materializava a
posição estratégica do “Passo do Quaraí”, definida desde que se deu início à Campanha
Militar de 1811-1812.
Na década de 1970, durante os governos militares foram iniciadas as obras de
asfaltamento e de construção de pontes das estradas federais BR-290 e BR-293. A primeira
ligando Osório à Uruguaiana e por extensão às BR-101 e 116. A segunda unindo Pelotas a
Quaraí e por extensão ao Porto de Rio Grande.
Com as duas estradas totalmente concluídas foi proporcionado o desenvolvimento
da região ao mesmo tempo em que permitiu a integração com o restante do país. Caso
necessário estava assegurado também o rápido deslocamento de tropas vindas por terra ou por
mar, completando assim a estratégica reservada à fronteira sul imaginada desde as campanhas
militares dos séculos XVIII e XIX.
42. OS COMANDANTES

Comandante Assunção Passagem


Sgt-Mor (Maj) José Pedro Francisco Leme 1775 Ago 1788
Sgt-Mor (Maj) Joaquim Jozé de Macedo Leite Ago 1788 1798
Sgt-Mor (Maj) Joaquim José Pinto de Moraes Leme 1798 1808
Sgt-Mor (Maj) Francisco Antonio de Paula Nogueira da Gama 1809 Jul 1810
Sgt-Mor (Maj) Luis Manoel de Brito Jul 1810 x
Ten Cel Antonio Pinto da Costa 1814 x
Sgt-Mor (Maj) José Pedro Galvão de Moura Lacerda 1816 1817
Sgt-Mor (Maj) Jozé da Silva Brandão 1820 x
Ten Cel Xavier de Souza 1826 1827
Ten Cel Thomaz José da Silva 24 Abr 1827 01 Abr 1832
Ten Cel Jozé da Silva Brandão Abr 1832 x
Cap Francisco de Paula de Macedo Rangel 1833 Set 1835
Ten Cel Gabriel de Araújo e Silva Set 1839 Mar 1841
Ten Cel João Frederico Caldwel 1842 1844
Maj José Victor de Oliveira Pinto Set 1844 Fev 1845
Cel Gabriel de Araújo Silva Ago 1848 Dez 1850
Maj Candido José Sanches da Silva Brandão 1850 x
Cel Francisco de Paula de Macedo Rangel Mar 1852 x
Ten Cel João Rodrigues Francisco de Carvalho 1853 1853
Cel João Antonio de Oliveira Lobo Ago 1853 20 Abr 1855
Maj João Manoel Menna Barreto Mai 1855 Jul 1856
Ten Cel João Daniel Damaso dos Reis 1857 x
Ten Cel Victorino José Carneiro Monteiro 1858 1859
Ten Cel Antonio Peixoto de Azevedo 13 Set 1861 20 Fev 1864
Ten Cel Augusto César de Araújo Bastos 16 Jul 1865 06 Jan 1866
Ten Cel Antonio Peixoto de Azevedo 22 Jan 1866 11 Jan 1867
Ten Cel Justiniano Sabino da Rocha Abr 1867 Jul 1869
Ten Cel José Ferreira da Silva Junior Ago 1870 Mar 1881
Maj Genuino Cesario Nunes Mar 1881 Dez 1882
Ten Cel José Diogo dos Reis Dez 1882 1883
Cel Antonio Nicolau Falcão da Frota 17 Jan 1883 Set 1888
Cel José Diogo dos Reis 01 Dez 1888 18 Nov 1889
Ten Cel João Batista Almeida 18 Fev 1890 25 Mar 1890
Ten Cel Manoel Joaquim Godolphim 16 Mai 1890 22 Abr 1891
Cel João da Silva Barboza 1891 12 Dez 1891
Cel José Procópio Tavares 12 Dez 1891 1892
Ten Cel Carlos Luiz de Andrade Neves 1892 Jun 1893
Ten Cel Carlos Augusto Pinto Pacca Jun 1893 17 Jan 1894
Ten Cel José Florêncio de Toledo Ribas 17 Jan 1894 22 Jun 1894
Cel Alfredo de Miranda Pinheiro da Cunha 22 Jun 1894 15 Out 1894
Ten Cel João Justiniano da Rocha 15 Out 1894 Nov 1896
Ten Cel Victoriano Maciel 1896 1900
Ten Cel Francisco de Paula Alencastro 1901 x
Ten Cel Manoel Antônio da Cruz Brilhante 1903 1903
Ten Cel Carlos da Fontoura Barreto 18 Mai 1903 05 Ago 1905
Ten Cel Antonio Fecundo de Castro Menezes 14 Ago 1905 03 Nov 1909
Cel Viriato da Cruz 03 Fev 1910 15 Nov 1911
Ten Cel Augusto Tasso Fragoso 07 Fev 1912 1914
Ten Cel José César Marcondes de Brito 1915 1915
Comandante Assunção Passagem
Ten Cel José de Andrade Neves Meirelles 1915 23 Mai 1917
Ten Cel Olivério de Deus Vieira 02 Mar 1918 30 Abr 1919
Ten Cel Manoel Virgílio de Abreu Coelho 30 Abr 1919 19 Set 1919
Ten Cel Francisco Borja Pará da Silveira 15 Out 1919 09 Jan 1922
Ten Cel Alfredo Floro Cantalice 09 Jan 1922 30 Dez 1922
Ten Cel Theodoro Veiga da Silva 06 Mai 1923 27 Out 1924
Ten Cel Adolpho Rodrigues de Mesquita 13 Mar 1925 19 Abr 1925
Ten Cel José Ayres de Cerqueira 09 Set 1925 21 Mar 1928
Ten Cel Álvaro Carvalho 11 Mai 1928 27 Jul 1928
Ten Cel Augusto de Lima Mendes 28 Jul 1928 30 Mai 1929
Ten Cel Isauro Regueiro 09 Nov 1929 04 Jan 1930
Ten Cel João Aymbiré Mendes 04 Jan 1930 04 Out 1930
Cel Hippolito Paes de Campos 04 Out 1930 15 Mai 1934
Ten Cel João Batista de Magalhães 13 Ago 1935 07 Out 1936
Ten Cel Heitor da Fontoura Rangel 18 Ago 1937 16 Nov 1938
Ten Cel Brasiliano Americano Freire 20 Fev 1939 09 Set 1940
Cel Agnor da Silva Melo 13 Dez 1940 25 Jul 1942
Ten Cel Antonio Moreira de Abreu Fialho 19 Nov 1942 24 Jul 1943
Ten Cel Estevão Taurino de Resende Neto 17 Ago 1943 10 Mai 1944
Cel Ranulpho de Oliveira Paredes 08 Jun 1944 30 Ago 1945
Ten Cel Edgar de Freitas Marinho 31 Jul 1946 24 Out 1946
Cel Ismael de Sá Medeiros 06 Mar 1947 14 Jun 1948
Ten Cel Djalma Bayma 01 Set 1948 18 Jul 1950
Ten Cel Ciriaco Lopes Pereira Filho 09 Jul 1951 08 Jan 1952
Ten Cel Victor de Mattos 08 Fev 1952 12 Jun 1953
Ten Cel Aluízio de Andrade Falcão 09 Set 1953 13 Dez 1956
Ten Cel Nelson Maurell Salgado 19 Jan 1957 17 Ago 1958
Cel Anísio da Silva Rocha 17 Ago 1958 01 Out 1960
Ten Cel Erasmo Gonçalves de Souza 01 Out 1960 02 Dez 1963
Ten Cel Edison Boscacci Guedes 27 Fev 1964 27 Jun 1966
Ten Cel Orci Machado Borba 28 Jun 1966 10 Abr 1968
Ten Cel Geraldo de Araújo e Silva Boson 14 Mai 1968 23 Set 1970
Ten Cel Carlos Alberto Nascimento 12 Nov 1970 13 Fev 1973
Cel Hélder Macedo Gaudie Ley 12 Mai 1973 27 Jan 1976
Maj Lincon Pyrineus de Souza 12 Fev 1976 20 Fev 1979
Cel José Luiz Lopes da Silva 20 Fev 1979 20 Fev 1981
Cel Gentil Siqueira Fabres 20 Fev 1981 25 Fev 1983
Ten Cel Raul Mário Magalhães Ribeiro 25 Fev 1983 25 Fev 1985
Cel Waldemar Tuiuti Santos Clós 25 Fev 1985 25 Fev 1987
Cel Antônio Paulo Nunes Moreira 25 Fev 1987 31 Jan 1989
Cel José Felipe Biasi 31 Jan 1989 31 Jan 1991
Ten Cel Renê Jairo Fagundes 31 Jan 1991 29 Jan 1993
Cel Luiz Roberto Araújo Vignolo 29 Jan 1993 31 Jan 1995
Cel Carlos Cesar Cunha Martins 31 Jan 1995 31 Jan 1997
Cel Vasco Antônio Fernandes da Silva 31 Jan 1997 26 Jan 1999
Cel Luis Vicente de Moura Alves 26 Jan 1999 25 Jan 2001
Cel André Luiz Zubaran Ponzi 25 Jan 2001 16 Jan 2003
Ten Cel Hiram Neves de Aguiar e Sousa 16 Jan 2003 21 Jan 2005
Ten Cel Wilson Mendes Lauria 21 Jan 2005
Ten Cel João Frederico Caldwel Cel Antonio Nicolau Falcão da Frota Cel Augusto Tasso Fragoso
1842-1844 17 Jan 1883-1888 1911-1912

Ten Cel José Ayres de Cerqueira Ten Cel Isauro Regueiro Ten Cel João Aymbiré Mendes
09 Set 1925 – 21 Mar 1928 09 Nov 1929 – 04 Jan 1930 04 Jan 1930 – 04 Out 1930

Cel Hippolito Paes de Campos Ten Cel João Batista de Magalhães Ten Cel Heitor da Fontoura Rangel
04 Out 1930 – 15 Mai 1934 13 Ago 1935 – 07 Out 1936 18 Ago 1937 – 16 Nov 1938

Ten Cel Brasiliano Americano Freire Cel Agnor da Silva Melo Ten Cel Antonio Moreira de Abreu Fialho
19 Fev 1939 – 31 Ago 1940 13 Dez 1940 – 25 Jul 1942 19 Nov 1942 – 24 Jul 1943
Ten Cel Estevão Taurino de Resende Neto Cel Ranulpho de Oliveira Paredes Ten Cel Edgar de Freitas Marinho
17 Ago 1943 – 10 Ma 1944 04 Jun 1944 – 30 Ago 1946 31 Ago 1946 – 24 Out 1946

Cel Ismael de Sá Medeiros Ten Cel Djalma Bayma Ten Cel Ciriaco Lopes Pereira Filho
06 Mar 1947 – 14 Jun 1948 24 Mar 1949 – 18 Jul 1950 08 Jun 1951 – 08 Jan 1952

Ten Cel Victor de Mattos Ten Cel Aluízio de Andrade Falcão Ten Cel Nelson Maurell Salgado
08 Fev 1952 – 12 Jun 1953 09 Set 1953 – 13 Dez 1956 19 Jan 1957 – 17 Ago 1958

Cel Anizio da Silva Rocha Ten Cel Erasmo Gonçalves de Souza Ten Cel Edison Boscacci Guedes
17 Ago 1958 – 01 Out 1960 01 Out 1960 – 02 Dez 1963 27 Fev 1964 – 27 Jun 1966
Ten Cel Orci Machado Borba Ten Cel Geraldo de Araújo e Silva Boson Ten Cel Carlos Alberto Nascimento
28 Jun 1966 – 10 Abr 1968 14 Mai 1968 – 23 Set 1970 12 Nov 1970 – 13 Fev 1973

Cel Hélder Macedo Gaudie Ley Maj Lincon Pyrineus de Souza Cel José Luiz Lopes da Silva
12 Mai 1973 – 27 Jan 1976 17 Fev 1976 – 20 Fev 1979 20 Fev 1979 – 20 Fev 1981

Cel Gentil Siqueira Fabres Ten Cel Raul Mário Magalhães Ribeiro Cel Waldemar Tuiuti Santos Clós
20 Fev 1981 – 25 Fev 1983 25 Fev 1983 – 25 Fev 1985 25 Fev 1985 – 25 Fev 1987

Cel Antonio Paulo Nunes Moreira Cel José Felipe Biasi Ten Cel Renê Jairo Fagundes
25 Fev 1987 – 31 Jan 1989 31 Jan 1989 – 31 Jan 1991 31 Jan 1991 – 29 Jan 1993
Cel Luiz Roberto Araújo Vignolo Cel Carlos Cesar Cunha Martins Cel Vasco Antonio Fernandes da Silva
29 Jan 1993 – 31 Jan 1995 31 Jan 1995 – 31 Jan 1997 31 Jan 1997 – 29 Jan 1999

Cel Luis Vicente de Moura Alves Cel André Luiz Zubaran Ponzi Ten Cel Hiram Neves de Aguiar e Sousa
29 Jan 1999 – 25 Jan 2001 25 Jan 2001 – 16 Jan 2003 16 Jan 2003 – 22 Jan 2005

Ten Cel Wilson Mendes Lauria


22 Jan 2005
44. REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS

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