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UNIVERSIDADE FEDERAL DE ALFENAS

ALLISSON VIEIRA GONÇALVES

Resenha apresentada à disciplina


Laboratório de Ensino de Sociologia, do
oitavo período do curso de Ciências
Sociais, ministrado na Universidade
Federal de Alfenas, como parte das
avaliações semestrais.

Profa Marcela Andrade Rufato


Estudante: Allisson Vieira Gonçalves

Breve biografia da autora:


Cynthia Teixeira de Souza possui graduação em Ciências Sociais pela Universidade
Federal do Rio de Janeiro, graduação em Licenciatura Plena em Ciências Sociais pela
Universidade Federal do Rio de Janeiro, mestrado em Pós-graduação em Sociologia e
Antropologia pela Universidade Federal do Rio de Janeiro. Professora da Faculdade de
Medicina de Petrópolis (FMP). Docente I - Secretaria de Estado de Educação do Rio de
Janeiro. Integrou a equipe de construção do currículo mínimo das disciplinas Sociologia
e Laboratórios Pedagógicos da SEEDUC/ RJ (2012/ 2013). Experiência com educação a
distância como professora on line/ tutora em cursos de atualização e especialização.

ALFENAS-MG
2017
SOUZA, Cynthia Teixeira de. Para Além da Aula Expositiva: reflexões sobre práticas
pedagógicas e o ensino da Sociologia no Ensino Médio e seus desafios. In: I Seminário
de Ciências Sociais e Educação Básica: o sentido das Ciências Sociais na Educação
Básica, 2015, Rio de Janeiro.Anais..., Rio de Janeiro: Colégio Pedro II, 2015.

O texto dessa resenha é resultado de uma avaliação dos métodos tradicionais


usados nas aulas expositivas e tem como proposta expandir essa metodologia por
propostas e estratégias pedagógicas que possam ser usadas pelos professores nas aulas
de Sociologia no Ensino médio.

No inicio do texto, a autora ressalta o problema da quantidade de aulas de


Sociologia no Ensino médio, no caso do Rio de Janeiro, uma aula para o 1° ano e duas
para os 2° e 3°. Somado a isso, aparece o problema do formato dessas aulas, ou seja, as
aulas puramente expositivas. A proposta do trabalho é problematizar essa proposta
pedagógica em detrimento de outras formas que possam oferecer mais elementos para
os professores e estudantes no ensino aprendizado (além do conteúdo oral com base no
livro didático, textos, esquemas ou sínteses no quadro).

Para autora, apesar dos profissionais e órgãos da educação estimularem a


formulação de aulas que interessem os estudantes (com uso de tecnologias e recursos
audiovisuais), é desconsiderada a estrutura da escola, seja no sentido de pessoal de
apoio para tais atividades, assim como do próprio material usado nas atividades. Por
fim, espera-se que todos os estudantes tenham acesso a essas ferramentas e tecnologias
no seu dia a dia, o que não é uma realidade absoluta. Pelas dificuldades de acesso a
ferramentas, como o data-show, por exemplo, opta-se pela aula expositiva, pois, ela
permite um maior aproveitamento do tempo dentro dos limites das obrigações
burocráticas, as quais os professores devem se atentar.

A autora parte da discussão sobre como a “vivência da prática pedagógica”


permite repensar e recriar novas formas de ensino e aprendizado que sejam um diálogo
entre a realidade e os conhecimentos que o estudante traz consigo para formular
atividades que envolvam um maior dialogo entre o professor e o estudante. Para tal, a
autora vai se utilizar da metodologia chamada de pesquisa-ação. Essa se constitui em
uma forma de averiguar recursos e potenciais procedimentos a partir de um diagnóstico
estabelecido conjuntamente com a participação dos estudantes. As atividades foram
realizadas em uma escola de Ensino médio localizada num bairro da zona oeste do Rio
de Janeiro. A escola possui dezessete salas de aula e funciona nos três turnos. È uma
escola de fácil acesso e encontra-se no centro do comércio do bairro. Foram realizadas
práticas pedagógicas com os estudantes de onze turmas ao longo dos três primeiros
bimestres de 2015.

Dessa forma, o objetivo do trabalho é criar uma interação entre estudantes e


professores para que ambos participem ativamente do processo de ensino aprendizagem,
sendo que os estudantes também atuem como agentes de pesquisa e percebendo a escola
como um espaço para reflexão empírica (as microssituações que constituem a escola). O
trabalho também visa criar estratégias de intervenção por meio da abordagem de
algumas situações concretas no intuito de contornar problemas na prática pedagógica no
exercício da docência de Sociologia no Ensino Médio Regular.

Com base em um balanço do ano anterior, a autora pode notar como as aulas de
Sociologia possuem temáticas que em geral atraem a atenção dos estudantes, permitindo
a desnaturalização da vida em sociedade e da reflexão das situações cotidianas por parte
dos estudantes. As chamadas “práticas pedagógicas diferenciadas”, trabalhadas nas
aulas, não servem simplesmente para superar a aula expositiva, mas para serem somadas
a esse modelo. Um elemento crucial na proposta foi a de que os estudantes entendessem
e adotassem as novas metodologias, para que elas pudessem ser implementadas e
funcionassem em suas dinâmicas. O resultado, segundo a autora, foi a adesão da maior
parte das turmas e dos estudantes nas turmas. A descrição vai se concentrar no relato de
três praticas pedagógicas desenvolvidas com os alunos de todas as onze turmas da
escola.

Primeira atividade: Simulação (realizada em ter turmas de segundo ano no primeiro


bimestre). Partindo de um interesse dos estudantes sobre como seria uma democracia
direta (numa aula sobre democracia), foi proposta uma atividade na qual cada turma,
durante quinze dias,

levantaria duas ou três questões e/ou problemas que identificassem na


escola e que gostariam de discutir numa simulação em que a polis
seria a escola e eles os cidadãos responsáveis pelas deliberações e
encaminhamentos, ou ainda, soluções das questões e/ou problemas
levantados (p. 6) .

A atividade foi realizada na sala de vídeo, por esta ser maior e permitir uma
dinâmica com maior comunicação visual e participação. Os resultados demonstraram
que houve um interesse por parte dos estudantes em questionar os professores, além da
organização dos estudantes para o andamento da atividade junto a grande participação
dos mesmos.

Segunda atividade: “Alteridade, identidade e aparência” (desenvolvida com sete


turmas de primeiro ano no terceiro bimestre). Ocorrida após duas aulas teóricas (uma
expositiva e outra apoiada num vídeo) e “teve como foco estabelecer a relação entre a
construção da identidade individual e o pertencimento aos diferentes grupos e
instituições sociais” (p. 10). A ideia era que os estudantes se sentassem em duplas e
desenhassem uns aos outros de forma a captar a identidade do outro. Os desenhos
forma recolhidos e trocados na aula seguinte, assim, cada estudante teria que observar
como foi representado e justificar sua impressão sobre o desenho dele feito pelo colega.
Os resultados demonstraram que apesar da recusa de dois estudantes em participar, a
maioria se engajou na atividade. Também houve cooperação entre eles e para com os
que apresentaram dificuldades e um intervalo ocorrido por conta de um feriado gerou
bastante ansiedade para os resultados. A atividade permitiu trabalhar com o bulliyng de
forma lúdica.
Terceira atividade: “Direitos humanos manda o seu recado” (realizada com uma
turma de terceiro ano no terceiro bimestre). Essa atividade partir de um exercício sobre
direitos humanos feito no primeiro bimestre no qual os estudantes informassem os
demais estudantes da escola sobre o tema. Diversas atividades foram apresentadas como
alternativas (jornal, vídeo, esquetes e varal de direitos), mas os estudantes optaram por
fazer um vídeo utilizando seus smarthfones. A escola permitiu as gravações e vários
estudantes e funcionários forma entrevistados. Todo o processo foi desenvolvido pelos
estudantes. Os resultados demonstraram que os estudantes usaram de uma capacidade
presente na turma para a escolha do método. Além disso, o conteúdo teórico teria sido
bem aproveitado pela turma. Os vídeos produzidos possuíam duas partes: uma parte
explicando os direitos humanos e outra envolvendo uma situação específica.

Segundo a autora a parceria com os alunos na elaboração e execução das atividades,


assim como a autonomia adquirida por eles no processo, foi bastante relevante. Vários
recursos forma utilizados (vídeos, musicas), mas a autonomia dos estudantes com
relação a produção de recursos, como no caso do audiovisual, permitiu o envolvimento
e agencia maior dos mesmos. Mesmo não levando em conta que as atividades
proporcionassem uma melhoria do ambiente escolar propriamente, algumas melhorias,
como o acesso a biblioteca e as condições de algumas salas, forma notadas. O exercício
sobre a identidade e representação entre eles, gerou uma reflexão sobre bulliying,
preconceito e estereótipos, aproximando diferentes estudantes, antes distantes.

Outra questão levantada pela autora – e que diz muito sobre a realidade vivida pelos
professores de Sociologia pelo país – é sobre o diminuído numero de aulas de
Sociologia somado aos dias letivos (semanas de provas e recuperação bimestral) e
feriados, o que praticamente inviabiliza a execução de certos projetos. Daí a importância
do interesse e envolvimento dos alunos para que a atividade se efetive. Ao final, foi
notado uma maior autonomia e protagonismo por parte dos estudantes.

Essa atividade abre uma discussão sobre os limites do planejamento do docente em


Sociologia, pois, três instâncias precisam colaborar para a execução de qualquer
proposta pedagógica: a escola, os estudantes e o tempo o qual o docente dispõe.
Entretanto, com um bom planejamento e condições mínimas, mesmo a falta de recursos
pode ser recompensada, como exposto pela experiência descrita no texto. Contando com
a criatividade dos estudantes e a potencialidade de desdobramento dos temas e
discussões, o docente pode se beneficiar dessas estratégias junto à aula expositiva.