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Resumo Biofísica Primeira Prova – Professores: Cláudio / Salazar

Síntese dos resumos da linhagem

Autores:

Camila Corrêa – Turma 131


Letícias Goés Bezerra – Turma 134
Rafael Costa – Turma 135
José Marcondes – Turma 137
Maria Eduarda – Turma 138
Ana Olívia Dias – Turma 139
Jandynny Barbosa – Turma 142
Ivson Lemos – Turma 143

Assuntos:

Fluxo Transmembrana – Formas fundamentais da energia nos sistemas vivos – Canalopatias – Resumo
do livro Biofísica das membranas (Capítulos 01 ao 05) – Objetivos Impulso nervoso – Práticas de
Fisiologia - Biotermologia

Livro Fonte:
Biofísica das Membranas / Biofísica - Garcia

FLUXO TRANSMEMBRANA

Características Gerais e pequena introdução

Temos que ter ciência que tudo no nosso corpo se movimenta sistematicamente, consequentemente
é/possui barreiras. Os alvos do estudo da biofísica são Glicose / sais / CO2 e como as mesmas se
comportam nessas barreiras, tendo ciência que todas as moléculas e ions estão em constante
movimento dentro do nosso organismo. Tratando-se do corpo humano, o transporte / evacuação
dessas moléculas ocorre em meio aquoso e contínuo, onde se há alguma falha na fronteira, acarretará
uma taxa de transferência alterada, definindo uma condição de anormalidade (que chamamos de
doença).

A nossa membrana é uma barreira físico-química de caráter descontínuo, onde para que haja um fluxo
(transferência efetiva – que não impede o sentido o contrário) por difusão são necessários alguns
elementos. É imprescindível a presença de direcionalidade e prefencialidade, e o fator motivador.
Esse fator, é o que chamamos de Gradiente de concentração (por exemplo, temos outros que veremos
mais a frente), trata-se da taxa de variação (um degradê) gradual e contínuo.

Gradiente de difusão

Como falado anteriormente, esse gradiente é o fator motivador para a passagem das substâncias na
membrana, é uma relação com a concentração da partícula. Como sabemos, a célula tem aspecto 3D,
dessa forma essa passagem se acontece nas três dimensões, portanto essa característica é levada em
conta, tendo o ∆x, ∆y e o ∆z. Essas grandezas vão se relacionar com o ∆c (c2 – c1) – que é a
concentração do substrato - na fórmula geral do fluxo. Traduzindo, o gradiente de difusão vai ser a
relação da concentração da partícula pelo “espaço” considerado na difusão.
Entendendo a fórmula Geral do fluxo, e suas particularidades.

Primeiramente mantenha a calma que não é necessário atribuir valores a essa fórmula, apenas
entender do que se trata. Como dito anteriormente, sabemos que o fluxo se dará pela quantidade de
massa que ultrapassa a membrana num certo tempo.

Segundo Fick (o rapaz que descobriu a fórmula) essa relação pode ser escrita considerando:

a) J como o fluxo total;


b) O negativo da equação é para indicar que no sistema vivo a transferência ocorre do maior
gradiente para o menor;
c) O D trata-se do coeficiente de difusão, que pode ser reescrito por:

Onde se leva em consideração o raio da partícula (r), o coeficiente de viscosidade (ŋ) que no
nosso caso é a água, outra constante k (constante de bolsen) e a temperatura (T);
d) O A trata-se da área disponível para passar;
e) O (c2 – c1) é a concentração, ou seja, o ∆c;
f) E o que está representado por “d” refere-se a dimensão, nesse local iremos colocar o ∆x, ∆y
e o ∆z, vai depender de qual dimensão iremos analisar, o cálculo com as três é feito através
de fórmulas matemáticas de nível superior (não necessário pro nosso curso).

O que inferimos dessa fórmula? O fluxo total é dependente de uma séries de fatores: Área,
viscosidade do meio, raio da partícula, temperatura, mas principalmente da concentração do
substrato.

Vale ressaltar que essa fórmula é característica de um meio contínuo, só que como a membrana se
caracteriza por um meio descontínuo temos alguns acréscimos na fórmula!

Fórmula do Fluxo para membrana plasmática (Sistema descontínuo)

O que verificamos de novo nessa fórmula? Obviamente a presença do β! Esse termo é o que chamamos
de “afinidade”. Trata-se da relação entre os coeficientes de partição e de difusão.

O que temos que saber especificamente? Essa fórmula pode ser reescrita para obtermos o que
chamamos de “Coeficiente de Permeabilidade da membrana” representado pela letra P e que tem que
ser obviamente diferente de 0. Portanto, temos:
Desta forma, nossa fórmula geral pode ser reduzida em:

O que inferimos dessa fórmula? As partículas (NORMALMENTE) ficarão em maior quantidade no


meio que possuírem maior afinidade. Desta forma, é necessária afinidade (β) para inserção de
substâncias no meio intracelular.

Esta última frase pode ser traduzida como o “dilema da farmacologia”, a batalha constante em inserir
fármacos nas nossas células.

Algumas informações adicionais sobre as fórmulas do fluxo

a) Como denominamos a quantidade de matéria que foi transferida efetivamente? Se dá pela


diferença entre os fluxos contrários (saída e entrada).
b) Porque não mexemos na temperatura para assim aumentarmos o fluxo? Porque não
condicionamos o paciente ao estado febril, dessa forma, nossa única arma é dosar a
concentração tendo o devido cuidado com os acentuamentos indesejados.
c) Como fazemos para impedir o fluxo? Como é um processo espontâneo, é necessário
destruirmos o gradiente de concentração para impedir, mas isso resultaria necessariamente
na morte celular. Existe também a opção de colocarmos no 0º absoluto, desta forma
impedindo os gradientes.
d) Como a membrana é praticamente formada por lipídios, estes vão atuar como fluido selante,
formando o que chamamos de barreira flexível e praticamente impermeável a moléculas
polares devido ao grau de afinidade. Portanto, substâncias hidrofóbicas passam facilmente
pela membrana, enquanto substância hidrofílicas (hidrossolúveis) dificilmente conseguem
atravessá-la, sendo necessário algo que facilite (proteínas carreadoras por exemplo).

Provando a impermeabilidade natural da membrana para ions

Para que o processo aconteça de forma espontânea, é necessário que a variação de energia livre (∆G)
seja negativa (processo irreversível), desta forma, Born desenvolveu uma fórmula para
permeabilidade entre meios, e podemos deduzir algumas informações desta:

Não corram pras colinas! Vamos tentar entender o que essa fórmula quer dizer. Devemos saber que:

a) “z” é a valência do íon;


b) “e” é a carga do elétron;
c) R é o raio iônico
d) εo é a constante dielétrica no vácuo.

Mas o mais importante é sabermos que: εL e εA são as constantes dielétricas no interior da bicamada
lipídica e no meio aquoso. Só que a constante dielétrica da água (εA≈80) é quase 40 vezes maior que a
constante dielétrica dos lipídeos (εL≈2). Portanto, sem as vias que existirão para as partículas
hidrofílicas os ions teriam pouquíssimas chances de atravessarem a membrana.

Uma pergunta que pode surgir é: Porque a água e pequenas moléculas polares conseguem passar pela
membrana? Isso é devido a uma perturbação dinâmica dos ácidos graxos que compõe a membrana
(movimento chamado de dobras ou kink), fazendo com que ajam poros onde essas partículas
conseguem escoar. Há também o fator que a água não possui carga no seu estado primitivo e que na
membrana existem canais próprios pra água, chamados de aquaporinas.

Mecanismos de transporte

a) Difusão “via solubilidade”: Moléculas hipofílicas cruzam por dissolverem e difundirem na


membrana, devido ao ∆G positivo;
b) Difusão via poro: usado por pequenos íons, no caso da água existe as aquaporinas;
c) Carregadores acoplados e Transporte ativo: Movimenta metabólitos iniciais dependendo de
um estímulo externo – via receptores - e interno via ATP (Caso da bomba sódio-potássio por
exemplo);
d) Exo e endocitose: Efetua transporte multimolecular de componentes pré- empacotados.
Existe também o Cotransporte mediado por carreadores dependentes de sódio, eles utilizam a
energia livre do gradiente de sódio para transportar outras moléculas para dentro da célula, ex:
Aminoácidos, glicose, Cl-, K+ e etc.

Classificação básica dos tipos de transporte via proteínas

Interpretação do gráfico velocidade de difusão x concentração de substância

No caso da difusão simples, a taxa é determinada pela quantidade de substância disponível, pela
velocidade da cinética de movimento, e pelo número de “aberturas” (buracos) na membrana, através
das quais as moléculas ou íons podem passar: Diretamente através dos lipídeos ou através dos canais.

Já na Difusão facilitada requer a interação de uma proteína carreadora com as moléculas ou íons.
A difusão “trabalha” no sentido de equilibrar a concentração de substâncias e íons nos
compartimentos intra e extracelular, todavia existe desequilíbrio, então alguns fatores “trabalham”
contrapondo a difusão.

Construção do modelo da membrana para estudo em laboratório

Há a opção de inserir proteínas para verificar a passagem de íons (as proteínas são separadas por
meio de centrifugação diferencial).

Após a construção da membrana insere-se de um lado do compartimento o material necessário.


Constatam-se quais tipos de materiais conseguem sair do meio aquoso e se integrar a cadeia
fosfolipídica.

Se a partícula não tem carga elétrica residual e possui baixo peso molecular ela tem maior chance de
passar pela membrana. Porém mesmo sem C.E. existe a dependência quanto ao peso molecular, quanto
maior mais difícil. Possuindo C.E. é mais difícil, no caso de ions ainda existe a camada de solvatação
da água o que dificulta ainda mais a passagem por meio hidrofóbico.

FORMAS FUNDAMENTAIS DA ENERGIA NOS SISTEMAS VIVOS

Informações essenciais

Para analisarmos qualquer tipo de problema é necessário checar sempre quais gradientes estão
presentes e as características físico-químicas das partículas.

Energia elétrica
Onde “e” é a carga do elétron; z é a carga do íon em carga elementar e F é a constante de Faraday.
Essa diferença de potencial pode ser substituída na fórmula de fluxo geral no lugar do gradiente de
concentração. Essa energia se deve a um campo elétrico que os íons vão originar.

Energia Osmótica

Onde R é a constante dos gases; T é a temperatura absoluta em grau Kelvin; C é a concentração


molar; k é a constante de Boltzmann. Como a Glicose não tem carga elétrica apenas difunde.

Energia química

Onde  é o potencial químico.

Como o meio intra e extracelular é o mesmo solvente, a energia química mal contribui para o
transporte.

Tabela com principais energias de transporte

Fenômeno de transporte Tipo de fluxo Forma de energia (Gradiente)


Difusão Difusional ∆c / ∆x = dc / dx
Migração Migracional ∆φ / ∆x = dφ / dx
Eletro difusão Eletrodifusional ∆µeq / ∆x = dµeq / dx

Qual a importância de determinar experimentalmente e também calcular teoricamente os fluxos


unidirecionais?

Através dos cálculos e experimentos com medições podemos verificar que tipo de transporte é, tendo
ciência que quando seguem as fórmulas (presença de gradiente) trata-se de um transporte passivo, e
quando não corresponde a um transporte ativo (presença de força proveniente de outra fonte, como
no caso da bomba sódio-potássio).

Vale ressaltar a importância do estudo dos fluxos no tratamento de tumores. Há nas células tumorais
uma proteína chamada P-glicoproteína, onde esta recolhe as substâncias estranhas às células
tumorais e joga para fora. Portanto, num tratamento por quimioterapia devemos mensurar os fluxos
para escolher o melhor medicamento.

Todos os potenciais elétricos da célula são provenientes dos processos de movimentação


transmembranal, tendo esse movimento cessado acarreta em morte celular.
Ação da bactéria porina

A porina desregula o estado organizado do potencial da célula liberando a passagem demasiada de


substratos, através da criação de poros na membrana celular. O potencial tende a abaixar e a célula
morre (destruição dos gradientes).

São geralmente bactérias de Gram Negativo, mais difíceis de responder à ação dos antibióticos.

CANALOPATIAS

Visão Geral

São um grupo de doenças que podem ser causadas por má decodificação gênica (hereditárias),
respostas autoimunes do organismo, drogas e toxinas. Essas enfermidades são caracterizadas por
defeitos nas proteínas de membrana, já que essa estrutura é responsável pela passagem de ions
necessários para a formação de potenciais de ação celular, o impedimento dos canais de íons altera a
excitabilidade celular. Dessa forma, podemos observar que as canalopatias vão agir tanto na
terminação de impulsos nervosos quanto nas junções neuromusculares.

Formas de Diagnóstico

Vale salientar os meios de identificar as canalopatias, como o registro de atividade elétrica nervosa e
do músculo, já que essas patologias vão agir na capacidade excitatória das células musculares
apresentando defeitos nos canais de sódio ou cloro. Por exemplo, as canalopatias cardíacas podem ser
identificadas pelo exame eletromiográfico, o qual faz o uso de eletrodos superficiais ou agulhas que
penetram o musculo para medir o comportamento de uma célula. Estes eletrodos são ligados a
amplificadores para a transformação de pequenos potenciais em estímulos que possam ser analisados
e comparados a potenciais normais. Podendo dessa maneira identificar as patologias pela alteração
nos potenciais, amplitudes e duração dos sinais celulares.

Existe também outro exame que pode ser utilizado de forma a auxiliar a identificação das
canalopatias que afetam o encéfalo (são responsáveis por modificar os potenciais dos neurônios), esse
exame é chamado de eletroencefalograma. A sua técnica consiste em colocar eletrodos sobre o couro
cabeludo ou até mesmo no encéfalo, e seu funcionamento é similar à eletromiografia. No caso de
ataques epilépticos ocorrem descargas sincronizadas elevadas em todo o córtex ocorrendo uma
grande despolarização por uma posterior série de potenciais de ação. No EEG deve ser levado em
conta o estágio de sono, vigia ou consciência. Portanto, podemos concluir que cada canalopatia tem
suas particularidades e o EEG e o EMG são importantes exames auxiliares.

Método de estudo das membranas biológicas

É feito inicialmente um banho de ar quente na micropipeta (para confeccionar a ponta e dar polidez) >
tocamos com a ponta da membrana > Leve sucção deixando a membrana em ômega (Desta forma a
resistência no ômega tende ao infinito fazendo que os íons migrem para outro local )> Mais sucção
(retirada de membrana para estudo).
Representação dos canais iônicos atualmente

Constituídos por 04 domínios em α hélice, fazendo com que fiquem mais eletricamente carregados, e
essa carga elétrica residual vai proporcionar a seletividade (sensor). Esses domínios possuem 6
segmentos.

Propriedades biofísicas dos canais iônicos

a) Condutância: Quantidade de íons, lembrando que canais > bombas;


b) Seletividade: Seleção do tipo de íon, por tamanho e pelo sensor específico;
c) Cinética: velocidade que um canal transita de um estado para outro (aberto-fechado).

Podendo ser classificados por:

a) Quanto à seletividade: sódio, potássio, cloreto, cálcio;


b) Quanto à cinética: operados por voltagem; operados por ligantes; mecanosensíveis;

Canalopatias Musculares

Principais representantes: Miastenia-gravis, paralisia Periódica (PP), Miotonia (fenômeno resultante


da diminuição da velocidade de relaxamento do músculo após contração voluntária), Doença de
Thomsen (Miotonia Congênita Autossômica Dominante), Síndrome de Andersen-Tawil, Paralisia
periódica Hipocalêmica e etc.

Analisando graficamente:

Vamos analisar como as doenças: miotonia agravada por potássio (PAM), paramiotonia congênita (PMC)
e paralisia periódica hipercalêmica (HyperPP) diferem de uma pessoa normal.

Na primeira linha podemos ver a oscilação na corrente que ocorre numa pessoa normal, analisando
principalmente o tempo de volta para o estado de repouso. NA PAM há um aumento no tempo de volta,
no PMC ele aumenta mais ainda, e o HyperPP demora bem mais a voltar ao estado basal. O que isso vai
acarretar?

Na segunda linha: No caso do PAM, há um aumento na quantidade de potenciais de ação que ocorrem,
já no PMC há um aumento extremo nessa atividade num curto intervalo de tempo, deteriorando as
respostas posteriores. No caso do HyperPP, pela corrente basal ter mudado ele entra no estado de
fadiga muscular causando a paralisia.

Canalopatias Nervosas

A principal representante é a Eritromelalgia, trata-se do aumento excessivo dos potenciais de ação


nas células nervosas, o que vai ocasionar uma hipersensibilidade por parte dos neurônios.
Analisando graficamente temos:

Na primeira linha, os picos de corrente de um neurônio normal para outro que apresentam a patologia,
no gráfico de comparação (terceiro) vemos que devido a frequência dos potenciais de ação serem
maiores na célula defeituosa a corrente que vinga na membrana é menor. Na segunda linha
verificamos a quantidade de potenciais de ação e o tamanho do estado de repouso.

RESUMO BIOFÍSICA DAS MEMBRANAS

CAPÍTULO 01 (A ESTRUTURA DAS MEMBRANAS BIOLÓGICAS)

Origem da vida

Teoria de Oparin > Coacervados > Vesículas lipídicas > Definiu a primeira célula como aquela que possui
todas as classes de biomoléculas e a capacidade de auto-replicação, tudo devido ao advento da
compartimentalização.

Membranas biológicas:

Hoje temos como principal modelo o “mosaico fluido” que é caracterizado pela possibilidade dos
componentes das membranas se movimentarem. Esses componentes são:

a) Lipídios polares anfipáticos: (tendo uma parte hidrofílica e outra hidrofóbica) possuem
capacidade de formar bicamadas, monocamadas (espalhamento sobre a água, através de
estudos verificou-se que o transporte de Na+ e K+ é feito por mecanismos onde os lipídios
não participam, além dessa conformação ser muito útil na atividade enzimática), micelas
(dispersão de gorduras num meio aquoso) e lipossomos ( diferenciam das micelas por
formarem bicamadas delimitando uma vesícula, bastante importante na formação do modelo
de membrana e no transporte de fármacos pela corrente sanguínea).
Essa parte lipídica é composta principalmente por fosfolipídios (grupamento PO4-)
que são divididos em Fosfoglicerídeos e Esfingolipídios (principalmente na bainha de mielina);
e temos também os esteroides (colesterol) que é responsável principalmente pela fluidez da
membrana.
Essa parte lipídica compõe uma barreira físico-química, caso as membranas fossem
constituídas apenas de lipídios seriam de caráter inviável para a vida, sobretudo porque a
troca entre os compartimentos seria insignificante para manter os processos vitais. Essa
parte na verdade trata-se o “esqueleto” membranal, para que as verdadeiras protagonistas
(proteínas) desempenhem seu papel.

b) Proteínas: Componente bioativo da membrana, tendo suas principais funções na célula: Canal
iônico, carregadoras, receptores e bombas, além disso o papel de catálise enzimática,
proteção imunológica (anticorpos) e nutricional. Trata-se de um conjunto de aminoácidos
ligados peptidicamente que podem ter suas conformações classificadas em: Primária /
secundária (α hélice e Folhas β) / terciárias e quaternárias. De acordo com a facilidade de
extração podem ser divididas em:
 Integrais ou intrínsecas: Fortemente ligadas aos lipídios (interações hidrofóbicas
com as caudas hidrocarbonadas), sua remoção é realizada por detergentes.
 Periféricas ou extrínsecas: Mais facilmente removidas, geralmente se usa pequenas
mudanças no pH ou extração por força iônica. Ligadas à membrana por interações
hidrofóbicas, interações eletrostáticas, ponte de hidrogênio.

Sistemas de transporte das proteínas

a) Canais iônicos: Dado momento a proteína forma um poro aquoso para passagem dos
substratos.
b) Carregadoras e bombas: Não é necessária formação de um lumen aquoso para transporte. Há
o acoplamento a uma dessas estruturas (por parte do substrato) e acontece o arraste para o
outro lado da membrana por meio de mudanças conformacionais que ocorrem na proteína. O
que difere carregadoras e bombas é a forma de obtenção de energia.
CAPÍTULO 02 (O TRANSPORTE DE SUBSTÂNCIAS EM SISTEMAS CONTÍNUOS)

Objetivo geral:

Estudar os fenômenos de transporte em sistemas termodinâmicos, nesse caso o contínuo, sistema


esse formado por um só compartimento (ao contrário do sistema descontínuo - existência de uma
barreira separando os dois compartimentos - no caso, sistema biológicos estão inclusos). No sistema
contínuo a condição necessária para haver transporte de substância de uma região para outra do
sistema é somente a presença de um gradiente de concentração osmótica (difusão) ou elétrico
(migração iônica) ou os dois simultaneamente.

Conhecendo as conceitos importantes da termodinâmica

a) ∆E=Q-W, Onde: ∆E é a energia interna do sistema, Q é o calor fornecido ao sistema e W(t)


é o trabalho realizado pelos sistema
b) Entropia:.
Para processos reversíveis: ∆S = ∆Q / T .
Para processos irreversíveis ou espontaneos temos que ∆S >∆Q/ T. Praticamente todas as
transformações do nosso corpo são de cárater espontâneo., portanto ∆Sreversível >
∆Sirreversível, assim como W também é maior.

Vale ressaltar que ∆S = ∆Se + ∆Si, onde ∆Se é a troca de calor com o ambiente e ∆Si é a
geração ou produção interna de entropia. Como nos processo irreversíveis existe ∆Si, isso
justifica ∆S> ∆Q / T.
Resumindo essa loucura, se a entropia for positiva, trata-se de um processo espontâneo, se
for igual a 0 são reversíveis, se for negativa a transformação não é possível.

Classificando as reações em irreversíveis e reversíveis

Porém, a entropia não é um bom critério de verificação de espontaneidade das transformações


termodinâmicas, uma vez que ela deve ser determinada para o sistema e para a vizinhança. Definimos
dessa forma uma nova função: A ENERGIA LIVRE DE GIBBS, muito importante para processos onde
a temperatura e pressão são constantes (como no nosso corpo). Temos a seguinte expressão: ∆G =
∆H – T. ∆S, onde ∆H (entalpia)= E+W.

Se ∆G for negativo= trata-se de uma reação irreversível (espontânea), pois a produção de entropia
interna é maior do que o trabalho útil, se positivo é reversível (não espontânea – necessitando
receber energia para acontecer).

A energia livre de Gibbs pode ser reapresentada para se definir o potencial químico de um líquido real
(µ).

Quando um mol de um componente iônico se desloca entre dois pontos de diferentes concentrações
em uma solução ou entre duas fases(meios) diferentes, cujo trabalho útil (energia livre de gibbs)
envolvidos não é só o químico, mas também elétrico, podemos definir um outro tipo de potencial
chamado de potencial eletroquímico.

Diferença entre difusão e migração iônica

O processo de difusão, para uma substância qualquer, ocorre quando há um gradiente de


concentração para tal substância e seu gradiente elétrico é nulo. Já a migração iônica é o
deslocamento de ions numa solução quando submetidos a um campo elétrico. Porém, se a substância
for um ion e houver tanto um gradiente de concentração quanto um gradiente elétrico, o fluxo será
induzido por um gradiente do tipo eletroquímico.

CAPÍTULO 03 (O TRANSPORTE ATRAVÉS DE MEMBRANAS)

Objetivo geral:

Além de requererem a presença de gradiente químico e/ou elétrico estão, sobretudo,


compartimentalização por uma membrana separando dois meios homogêneos. Se fazem necessários
acréscimos de coeficientes de partição β, difusão (D) e permeabilidade nas fórmulas P.

Entendendo os coeficientes acrescidos:

a) Coeficiente de partição β = Razão das concentrações de uma substância entre a membrana e


um dos meios que ela separa.

b) Coeficiente de difusão (D) = Entra nas avaliações dos fluxos nos sistemas contínuos e
descontínuos.
c) Coeficiente de permeabilidade = Arranjo dos coeficientes de partição e difusão, fornece a
velocidade com que tal componente do coeficiente de partição βi e coeficiente de difusão D,
atravessa uma membrana de certa espessura.

Fluxos resultantes

Somatórios de fluxos unidirecionais, ou seja, os fluxos orientados contra o gradiente menos aqueles
orientados no sentido a favor do gradiente, sendo portanto um vetor orientado na direção dos
mesmos potenciais. Os fluxos unidirecionais podem ser verificados experimentalmente por
intermédio de marcadores radioativos, marca-se com um isótopo radioativo o componente de um dos
lados da membrana e mede-se o ritmo com que a substância aparece do outro lado. Esse processo vai
decidir o tipo de transporte que ocorre através das membranas biológicas (ração dos fluxos de
Ussing).

a) Se corresponde as equações caracteriza-se um transporte passivo.


b) Se não corresponde as equações caracteriza-se um transporte ativo.

A tendência dos fluxos é levar o sistema a um estado de equilíbrio, onde a concentração da


substância considerada seja o mesmo dos dois lados da membrana ou o potencial elétrico seja o
mesmo em ambos os lados. Entretanto, sendo o potencial do tipo eletroquímico, o sistema pode atingir
o estado de equilíbrio, muito embora os potenciais químicos e elétrico sejam diferentes nos dois
compartimentos.

Como é feita essa avaliação?

a) Para membranas permeantes a um únicio ion: Essa avaliação é feita através da equação de
Nernst, e posteriormente é realizada a comparação com um experimento para medir.

b) Para membranas permeantes a vários íons: Usamos a equação de Goldman . Se Vm (φ2- φ1)=0
– apenas substratos permeantes. Se Vm (φ2- φ1) diferente de 0 > Existência de ion não
permeante.

O potencial calculado difere do experimental em condições de mudança de temperatura e substâncias


específicas, indicando a presença de outros processos de transporte envolvidos, principalmente, a
bomba de Na+, K+. Portanto, para verificarmos com precisão é necessário aplicarmos uma droga
chamada ouabaína, que vai inibir a Na-K-ATPase fazendo com que a bomba pare de funcionar.

CAPÍTULO 04 (AS BASES IÔNICAS DOS POTENCIAIS DE AÇÃO)

Repouso celular

Consiste na manutenção dos canais iônicos, tendo ciência que as concentrações iônicas nos meios intra
e extracelulares divergem. Para manter esse estado, são requeridos fluxos de ions através da
membrana bem como a presença de bombas eletrogênicas.

O sistema estaria em equilíbrio quando a força elétrica é igual em módulo à força difusional (K+
parando de migrar) e o potencial que se instala é o potencial de Nernst. Caso a membrana fosse
permeável apenas ao potássio, o potencial de respouso seria o de Nerns, porém como existem mais de
um íon agindo, o potencial de repouso seria expresso pela equação de Goldman.

Porém o sistema jamais evoluirá para o equilíbrio, isso se deve pois no estado de repouso os íons
permanecem em desequilíbrio , dado a presença de bombas eletrogênicas que compensam os fluxo
resultantes passivos com fluxos ativos no sentindo contrário (as custas de energia) quanto ao efeito
Donnan.

Tecidos excitáveis

São os tecidos muscular e nervoso, estes respondem a estímulos que atingem seu limiar através de
alteração do potencial da membrana, provocando o surgimento de um potencial de ação,
consequentemente do processo cinético de abertura e fechamento de canais iônicos, formados por
sua vez por proteínas integrais da membrana, ou seja, perturbações no campo elétrico promovem
alteração da permeabilidade da membrana, principalmente aos ions de sódio e potássio. Lembrando
que Na é responsável pela despolarização (fluindo de forma rápida), enquanto K flue mais lentamente
e é responsável pela repolarização e hiperpolarização.

Fenômeno Gating (movimento de cargas)

Trata-se da cinética propriamente dita dos canais iônicos, realizado pelo “gate” também chamado de
comporta que consiste no conjunto de resíduos de aminoácidos da proteína que forma o canal. As
evidências mostrando que a permeabilidade da membrana dependem da movimentação de partículas
carregadas no seu interior (corrente de gating) propõe que os parâmetros matemáticos internos n, m
e h (do modelo H-H) controlariam a permeabilidade da membrana ao sódio e ao potássio.

Trabalho e Modelo de H-H (Hodgkin e Huxley)

Descrição quantitativa de:

a) Alterações de permeabilidade da membrana aos ions Na+ e K+ durante o potencial de ação


b) Do potencial de ação propagado.

Comprovaram a dependência do sódio externo para a formação dos potenciais de ação. Verificaram
experimentalmente que na hiperpolarização não existe produção de corrente, já na despolarização
aparece uma corrente bifásica que, inicialmente, se direciona para dentro da célula e pouco depois ,
flui para o meio extracelular.

Esse experimento é uma contribuição a favor da hipótese do potencial de equilíbrio do sódio como
força eletromotriz para desencadear o potencial de ação em células excitáveis. Posteriormente, os
autores identificaram essas correntes como sendo devidas aos fluxos do ion sódio para o interior da
célula (corrente negativa) e do potássio para o exterior (corrente positiva).

O uso de drogas demonstrou não só a existência dessas duas correntes, mas também o fato de elas
serem independentes. Drogas como a TTX(Tetrodotoxina) bloqueiam a corrente de sódio mas não a
de potássio. Contrariamente a TTX, uma outra droga, chamada TEA (Tetraetilamônio) bloqueia a
corrente de potássio, deixando fluir apenas a de sódio.

Esses pesquisadores tiveram dois tipos básicos de problema:

a) Ajustar equações matemáticas para que pudessem representar, com a maior exatidão
possível, o comportamento da condutância da membrana aos íons sódio e potássio.
b) Desenvolver uma equação que permitisse representar teoricamente um potencial de ação
numa célula viva.

A condutância ao sódio e ao potássio apresenta um comportamento bastante peculiar. Note-se que a


curva do potássio atinge um certo platô e ai permanece enquanto durar a fixação do pulso de
voltagem. Já a curva para o sódio ergue-se e cai exponencialmente mesmo que a voltagem permaneça
fixada. Portanto, o processo de condutância do sódio tem dois mecanismos: um de ativação,
responsável pela ascensão da curva e outro de inativação, responsável por sua queda.

Depois da análise realiza, H-H conseguiram desenvolver a equação matemática para ambos os canais,
sendo:

Supuseram a existência de partículas (n, m e h) carregadas negativamente no interior da membrana e


que as alteração da condutância ao sódio e ao potássio seriam devido à movimentação dessas
partículas em resposta às variações na voltagem. Dessa forma, a condutância ao potássio aumentaria
quando 4 partículas (expoente de n) n saíssem de um sítio próximo à superfície externa e chegassem
a um outro próximo à superfície interna da membrana.
A conduntância ao sódio tem dois processos, um de ativação, envolvendo as partículas m e outro de
inativação devido às partículas h. Assim, a condutância ao sódio é aumentada quando três partículas m
chegarem aos seus locais de ativação (sítio próximo à superfície interna da membrana) e a partícula h
não estiver presente nesse local. Quando h estiver posicionado no seu sítio de inativação (sítio
próximo à superfície interna da membrana) a condutância da membrana ao sódio começa a diminuir.

O que antes era definido como n, m e h, hoje corresponde, provavelmente, a resíduos de aminoácidos
carregados, existentes nas proteínas que forma os canais de sódio e potássio.

CAPÍTULO 05 (TRANSPORTE ATRAVÉS DAS MEMBRANAS BIOLÓGICAS)

Conceito Geral:

Praticamente, todo o transporte iônico ou de substâncias não solúveis em lipídios, dá-se através da
mediação proteica (Principais exceções: Endo e exocitose). Os canais e carregadores são vias
essencialmente passivas, ou seja, não requerem gasto de energia metabólica oriunda do ATP ou
qualquer outro metabólito.

Então quer dizer que a difusão facilitada não gasta energia? Não, a energia requerida por essas
estruturas advém dos gradientes elétrico e/ou químico (concentração) das substâncias
transportadas.

Enquanto os canais iônicos formam “poros aquosos” que atravessam toda a membrana, os
carregadores simplesmente acoplam substâncias específicas (iônicas ou não) e transportam-nas
passivamente através da membrana. Desde que a termodinâmica do processo seja viável, um único
carregador pode realizar o transporte de uma substância contra o gradiente de potencial
eletroquímico ao mesmo tempo em que transporta outra rumo às menores concentrações. Como dito, o
advento do acoplamento estabelece que haja certa especificidade entre o carregador e a substância
transportada. Tal ligação confere uma taxa de transporte menor aos carregadores quando
comparados aos canais.

O fenômeno de acoplamento, com a subjacente especificidade, competição e saturação dos sítios de


ligação, é uma característica comum a carregadores e bombas. Essas ultimas normalmente acoplam o
fluxo da substância a ser transportada, não mais ao fluxo de outra substância, porém, ao fluxo de
uma reação química, principalmente a reação da clivagem do ATP. Com exceção da ATPases sintetase,
o transporte realizado pelas bombas se dá no mesmo sentido do vetor gradiente. Em outras palavras,
as bombas trabalham (gastando ATP) para recompor e manter os gradientes que são dissipados pelos
canais e carregadores.

Canais Iônicos

Responsáveis por diversas funções dentro do nosso corpo, como: Propagação do impulso nervoso,
controlam a entrada e saída de cálcio do retículo sarcoplasmático, mantem continuamente (junto com
carregadores e bombas) o estado de repouso, agem como antibióticos e etc.

Podem ser regulados por:

a) Agentes químicos: Receptor metabotrópico, ex: Colinérgico;


b) Voltagem: Canais de Na+, K+ e Ca++);
c) Ondas eletromagnéticas: Canais das células fotorreceptoras na nossa retina e etc.

Para que a abertura desse canal ocorra é necessário que o agente regulador atue sobre um dispositivo
chamado “gate” ou comporta, que por sua vez vai se deslocar causando mudanças conformacionais na
estrutura da proteína. Na verdade entre o agente regulador e o gate vai existir um “sensor”, esse
sensor vai mudar de acordo com a especificidade para o estímulo, podendo ser um conjunto de cargas
ou um dipolo, um sítio de ligação para algum mensageiro químico e etc.

Quando é controlado por um agente químico, basta que este se ligue ao seu sítio receptivo (que vai
ser o próprio sensor) para que haja a mudança conformacional. Já nos canais voltagem-dependentes, o
sensor é um conjunto de cargas elétricas que pode ser o próprio gate. Toda vez que a célula sofre
perturbações de caráter elétrico o “gate” se movimente, isso no interior da membrana vai produzir as
correntes de gating que vão ser responsáveis pela abertura e fechamento do canal.
Vale ressaltar que os íons em soluções aquosas encontram-se solvatados e, deste modo não podem
penetrar em canais cujo diâmetro seja muito pequeno. É necessário portanto, que alguma força atue
sobre os íons para retirar-lhes as moléculas de água e pô-los em interação com o canais (não tendo
necessidade no caso de canais grandes). A energia envolvida no processo é a energia de Born:

 Quando ∆G for positivo: Isto significa que a passagem de um íon do meio extracelular ou
intracelular para o interior da membrana, é um processo não espontâneo. E que, portanto,
precisa receber energia para se realizar.

Portanto, a bicamada lipídica é praticamente impermeável a íons, funcionando como uma barreira
física contra a entrada deles na célula. Contudo, as vias hidrofílicas através da membrana, ou seja, os
canais iônicos têm constantes dielétricas bem próximas à da água, no seu interior, o que torna
menores os requisitos energéticos para o transporte. Assim, a energia livre armazenada nos
gradientes eletroquímicos é suficiente para mover os íons através dos canais, quando eles estão
abertos.

Carregadores (transportadores)

Conforme dito anteriormente, o fenômeno de acoplamento de fluxos é, em essência, o modus operandi


de carregadores e bombas. O carregadores podem ser classificados em:

a) Carregadores simples (ou uniportes): São aqueles que transportam numa só direção, uma
única substância por vez. Utilizam a energia contida no gradiente da própria substância.
Comumente chamado de difusão facilitada.
b) Trocadores ou antiportes: Realizam o tipo de transporte comumente chamado contra-
transporte, isto porque, duas substâncias são transportadas, uma em sentido contrário à
outra. A energia para o processo é sempre fornecida pelo gradiente da substância que se
desloca em direção às suas menores concentrações (a outra pega carona).
c) Cotransportadores ou Simportes: Transportam duas substâncias no mesmo sentido. Envolve o
acoplamente dos fluxos de ambas as substâncias transportadas.
No caso de b) e c) são comumente referidos como transporte ativo secundário, devido ao acoplamento
entre fluxos de solutos.

Bombas (Transporte ativo primário)

O transporte realizado pelas bombas é do tipo ativo primário, pois os fluxos das substâncias estão
acoplados ao fluxo de uma reação química (principalmente a reação da clivagem do ATP)

OBEJTIVOS DE BIOFÍSICA

1) Caracterizar o transporte de matéria em sistema contínuos e em sistemas descontínuos


(difusão, migração e eletrodifusão).

O transporte de substâncias em sistemas termodinâmicos simples e contínuos, os quais apresentam


um único comportamento ou fase, ou descontínuos, cuja característica principal é a
compartimentalização por meio de uma barreira, se dá pela existência de gradientes químicos
(concentração) e / ou elétricos. Quando existe um gradiente de concentração de uma certa
substância entre dois pontos de um mesmo compartimento ou fase, ou entre dois compartimentos
separados entre si por uma barreira, gradiente esse que pode ser denominado também de gradiente
químico, dar-se-á o transporte de difusão, caracterizado pelo fluxo difusional. Quando existir um
gradiente elétrico, ocorrerá a migração iônica, caracterizada pelo fluxo migracional. Entretanto,
quando existir gradiente elétrico e químico ao mesmo tempo, causados por diferença tanto na
concentração quanto no potencial elétrico (diferença de potencial) da substância com carga em dois
pontos diferentes, ocorrerá o transporte por eletrodifusão, característico do fluxo eletrodifusional
ou transmigracional. Em todos esse tipos de transporte de matéria, a existência de um gradiente,
seja ele químico e/ou elétrico, determina a existência de uma força movente (difusional, elétrica) que
promove o deslocamento das partículas de substância de um ponto de maior concentração / potencial
elétrico para outro de menor.

2) Identificar e correlacionar as equações de fluxo resultante e os gradientes de concentração,


de potencial elétrico e de potencial eletroquímico, destacando sua relevância para o
funcionamento das estruturas vivas e aplicações na área médica.

As equações de fluxo existentes são descritas pela equação de Nerst, em caso em que a membrana
biológica é permeável a apenas uma substância, e pela equação de Goldman-Hodgkin-Katz, quando a
membrana é permeável a mais de uma substância.

A origem de fluxos resultantes está relacionada à existência de um gradiente químico e/ou elétrico
para uma dada substância “i”. Esses gradientes são responsáveis pelo aparecimento de forças
moventes que induzem fluxos de partículas, os quais buscam levar o sistema a um “estado de
equilíbrio” (salve exceção no caso do transporte eletrodifusional no qual não se alcança o equilíbrio),
tendo seus vetores contrários aos vetores do gradiente (por isso o negativo da fórmula). Esse fluxo
de substâncias são importantes na área médica, pois esses transportes devem ocorrer de maneira
correta para garantir a homeostasia da célula. Eles atuam no nosso metabolismo de diversas formas,
seja na transmissão de impulsos nervosos, pela contração muscular, geração de energia dentre várias
outras funções.

3) Carcacterizar difusão simples, facilitada, canais iônicos, carregadores, bombas e suas


implicações no funcionamento e manutenção do perfil de energia da célula

A difusão simples é um tipo de transporte passivo (não há gasto de energia celular) de um soluto
através da membrana, movimento é a favor de um gradiente de concentração, sem a ajuda de
proteínas transportadoras. Transporte de pequenas moléculas através de poros.

A difusão facilitada é uma modalidade de difusão-transporte passivo: do meio mais concentrado para
o meio menos concentrado, em que as moléculas atravessam a membrana celular com a assistência de
uma proteína transportadora específica localizada em alguma membrana biológica. Assim, este tipo de
difusão se diferencia dos demais uma que sua velocidade de difusão tende a uma velocidade máxima
constante a medida que se aumenta a concentração da substância a ser difundida. Isso se dá porque o
mecanismo é responsável por limitar a velocidade da difusão facilitada, pois o substrato se liga a um
determinado sítio e é transportado.

Os canais e carregadores são vias essencial passivas, ou seja, não requerem gasto de energia
metabólica oriunda do ATP ou qualquer outro metabólito, a energia adquirida por essas estruturas
advêm dos gradientes elétrico e / ou químico das substâncias transportadas. No caso dos canais
iônicos eles formam poros aquosos que atravessam toda a membrana, em consequência de mudanças
conformacionais na estrutura da proteína. São responsáveis pelo impulso nervoso e contração
muscular por exemplo. Já os carregadores não formam poros, eles acoplam substâncias específicas e
transportam-nas através da membrana.

As bombas acoplam o fluxo da substância a ser transportada ao fluxo de uma reação química,
principalmente a clivagem de ATP, esse transporte se dá no mesmo sentido do vetor do gradiente
(contra o fluxo).

4) Entender os conceitos de coeficiente de difusão, partição e permeabilidade.


Ver tópico “Entendendo os coeficientes acrescidos:” Do resumo do Capítulo 03 do biofísica das
membranas.,

5) Entender a razão de fluxos unidirecionais, sua relevância para caracterização de sistemas de


transporte ativo, passivo e sua importância na área médica.

A importância dos fluxos unidirecionais é que eles podem decidir a cerca do tipo de transporte que
ocorrerá através das membranas biológicas, por meio da equação dos fluxos de Ussing (cálculo do
fluxo resultante). Quando a razão do fluxo da substância do meio A para o B e do meio B para o A
coincidir com os dados experimentais, o transporte é do tipo passivo. Não havendo concordância
entre os valores teóricos e os empíricos, certamente está ocorrendo também algum outro tipo de
transporte, por exemplo, o transporte ativo através de bombas.

6) Identificar e correlacionar as equações de Nernst e Goldman e sua relevância para o


funcionamento eletrofisiológico das células e tecidos

A equação de Nernst descrê o equilíbrio iônico na situação em que a membrana é permeável a um


único íon. O potencial de Nernst também pode avaliar quais os íons de uma mistura de íons são
permeantes. A equação de Goldman fornece o potencial para o qual não há corrente elétrica
resultante no caso da membrana ser permeável a vários ions. A permeabilidade de diferentes células
a diferentes íons caracteriza as propriedades e funções das células, como também a alteração dessa
permeabilidade pode indicar condições patológicas.

7) Entender as bases físico-químicas dos biopotenciais: potenciais de repouso e potencial de


ação e suas implicações para manutenção do estado vital.

O potencial de repouso caracteriza-se pela existência de maiores concentrações de Na + e Cl- no


exterior da célula e o contrário ocorre ao K+, onde sua concentração é maior no interior da célula. A
manutenção desse estado é garantida pelos fluxos passivos de íons através da membrana
(influenciado pelo efeito Donnan e pelos gradientes de concentração), bem como pela presença de
bombas eletrogênicas (para regulação da polarização normal da célula). Os tecidos excitáveis
apresentam uma característica peculiar, que é a de responder a estímulos com alterações transitórias
e rápidas do potencial da membrana, caracterizando o potencial de ação. Essas diferenças de
potenciais são fundamentais para sobrevivência porque é a partir daí que os estímulos recebidos do
meio são traduzidos em sinais neurais e interpretados pelo sistema nervoso.

8) Entender a propagação e condução do potencial de ação em células eletricamente excitáveis


e suas implicações na área médica;

O PA é consequência do processo cinético de abertura e fechamento de canais iônicos, pertubarções


no campo elétrico da célula promovem alterações da permeabilidade, principalmente ao Na+ e ao K+,
que fluem através dos seus canais. Em axônios e músculos os íons de sódio fluem rapidamente para o
interior da célula e são responsáveis pela fase de despolarização do potencial de ação. Os íons de
potássio fluem mais lentamente para o meio extracelular e são responsáveis pela fase de
repolarização e hiperpolarização da célula. Certas drogas e medicamentos resultam na paralisação de
canais de sódio ou potássio, o que bloqueia a transmissão do impulso nervoso. Essas drogas podem ser
usadas como anestésicos para viabilizar a realização de cirurgias.

9) Entender as principais técnicas eletrofisiológicas de estudo de canais iônicos.


Existem basicamente duas técnicas que possibilitam registrar a evolução tempora da correte que flui
através de membranas.

a) VOLTAGE-CLAMP: Reconstituição de membranas biológicas artificialmente a fim de


descrever o potencial de ação.
b) PATCH-CLAMP: Retirada de parte da membrana celular que contenha o canal iônico para
estudo através de micropipetas.

PRÁTICAS DE FISIOLOGIA

Prática referente aos potencias graduados e de ação

Considerando um limiar padrão e um estímulo de 6n para provocar um potencial de ação.

 Primeira situação: Mudança da matriz extracelular aumentando a concentração de


potássio.
Assim que se muda essa matriz ocorre um potencial de ação mesmo sem estímulo, isso é
devido ao acúmulo de K+ no meio intracelular por consequência do efeito Donnan (os íons
do meio extracelular impedem a saída de K+ natural da célula). Após esse potencial de
ação, verificamos que o potencial de repouso da célula é aumentado (fica menos negativo
devido à concentração de K+ no meio intracelular ter mudado). Também é constatado que
os estímulos de 6n, antes capazes de gerar potenciais de ação, agora geram potenciais
graduados, isso se deve pelo limiar ter mudado.

 Segunda situação: Adição da droga tetrodotoxina (droga do baiacu)


Após ser adicionada a droga os estímulos de 6n não conseguem mais gerar potenciais de
ação, isso se deve à droga impedir a abertura de canais de Na+, bloqueando a
despolarização. Efeito de paralização no corpo.

 Terceira situação: Adição da droga Lidocaína (Anestésico local)


Após ser adicionada a droga os estímulos de 6n não conseguem mais gerar potenciais de
ação, isso se deve à droga impedir a abertura de canais de Na+, bloqueando a
despolarização. Por ser mais fraca que a tetrodotoxina exige uma maio concentração.

 Quarta situação: Adição da droga diaminopiridina (Ferramenta farmacológica)

Atividade Prática de Junção Neuromuscular

 Primeira situação: Aumento da Concentração de AcetilColina


Percebemos uma hiperatividade elétrica súbita, isso se deve pela quantidade de
neurotransmissores que vão proporcionar a abertura de canais de Na+ por mais tempo.

 Segunda situação: Adição de Tubucuranina (Fármaco relaxante muscular)


Após ser adicionada a droga impedem os potenciais de ação, pois disputam com a
acetilcolina os receptores – inibição competitiva. Desta forma, a acetilcolina só consegue
realizar potenciais graduados.

 Terceira situação: Adição de Neostigmina (Colinomimético)


Aumenta a quantidade de potenciais de ação pois inibe a ação da Acetilcolinesterase
(enzima responsável por degradar a ligação entre a acetilcolina e os receptores na placa
motora).

 Quarta situação: Adição primeiramente de Neostigmina – logo após mais Acetilcolina


Com a adição primeiramente de neostigmina há o aumento de potenciais de ação, quando
injetamos mais acetilcolina os potenciais de ação cessão pois chegamos no estado de
fadiga muscular.
 Quinta situação: Adição de Atropina (alcaloide que interfere na ação da acetilcolina)
Neste caso, não temos alteração nos músculos esqueléticos, isso se deve ao fato da
atropina agir apenas nos receptores muscarínicos da acetilcolina (encontrados
principalmente no coração).

Após ser adicionada a droga assim que aplicamos o estímulo 6n o potencial de ação acontece, mas de
uma maneira diferente, o tempo da repolarização é bem maior e não há período refratário. Isso
acontece pois a droga inibe a abertura dos canais de K+, retardando dessa forma o processo de
repolarização e impedindo a hiperpolarização característica de um período refratário.

BIOTERMOLOGIA

Objetivo geral

Definir como ocorrem as trocas de calor e como isso afeta as células do nosso corpo.

 Hipertermia

Aumento da temperatura, tendo como principais representantes a termo terapia e a febre.

Vantagens e desvantagens de quando trabalhamos com a Hipertermia

a) Vantagens: Ajuda no tratamento de Artrite – Sinovites – Tendinites – Estiramentos –


Contusões musculares – Processos inflamatórios.
a) Desvantagens: Como causa vasodilatação, pode acarretar o desprendimento de coágulos e
transporte para vasos de calibres menores, consequentemente gerando uma obstrução
arterial (trombose). No caso de grávidas pode desencadear o aborto, visto que o feto
encontra-se em alta taxa de divisão celular (processo esse que é alterado na presença de
calor). No caso de pacientes anestesiados não é recomendado pois é necessária uma resposta
do paciente quanto à dor. No caso da existência de células Neoplásticas, isso ocasiona um
aumento do metabolismo das células tumorais além de aumentar o risco de metástase (devido
principalmente à vasodilatação).

Fontes caloríficas

São 04 que acometem nosso corpo: Química, mecânica, elétrica e a magnética. Sendo classificadas
em:

a) Radiantes: Você sente o calor, ex: Infravermelho


b) Fontes condutoras (ou conduntivas): Transferência de calor, exemplo: Criocauterização-
calor com frio;
c) Conversivas: Interagem com as células que compões o tecido, fazendo com que elas girem e
se agitem, exemplo: radiação.
d) Convectivas – Deslocamento de massa, exemplo: Sauna.

Reações fisiológicas da Hipertermia

a) Reação Tissular - aumenta fluxo sanguíneo, eliminação de catabólitos, migração de


macrófagos para área infeccionada.
b) Sistêmica – Perda de sais, representando perigo principalmente para pacientes com doenças
pulmonares ou cardiocirculatórias.

Principais efeitos maléficos do calor

Temos a presença de Queimaduras, Intermação (parecida com a insolação só que mais grave podendo
levar à óbito) e insolação, Câimbras musculares, tetania (tremores, paralisias), náusea, vômitos,
Anóxia (agravante da Hipóxia, ausência total de oxigênio) e tromboses.

Microondas

Para geração de calor, age rotacionando as moléculas de água, causando dessa forma o aquecimento.
No caso das moléculas apolares há a deformação da matéria.

Nesse tópico vale ressaltar a existência da equação de Planck, que diz:

Isso quer dizer que quanto maior a frequência da onda, mais energia a mesma conterá, segue a escala
de frequências das ondas:
Lei de Lambert-Beer

Para compor essa lei, foi necessário o estudo de dois cientistas (os que dão nome a lei), onde:

A) Lei de Beer: Quando a distância não muda, a quantidade transmitida vai depender da
densidade do material.
B) Lei de Lambert: Se incidir um feixe de radiação num material de densidade fixa, a
quantidade que ultrapassa vai depender da distância (no caso espessura)

Com isso temos a fórmula:

Onde µ é o coeficiente linear de absorção que vai depender do estado físico e do material, x é a
espessura do material absorvedor, Io a radiação incidente e I(x) a radiação transmitida.

Fator que influencia na absorção de radiação por diferentes tecidos

a) Quantidade de água: Quanto maior o conteúdo, maior a absorção (ex: músculos). Nos tecidos
com escasso conteúdo de água, ocorre deformação das moléculas apolares (gordura
subcutânea)

Aplicação de radiação da Espectrofotometria

a) Transmitância – Característica que indica a fração de energia luminosa que consegue


atravessar uma espessura de material sem ser absorvida.
b) Absorbância – Característica que indica a fração de energia luminosa que é absorvida pelo
material

Exemplo de indicação médica

Termoterapia transuretral para o tratamento de hiperplasia benigna de próstata (HBP) – Enfia-se um


canudinho que vai encostar no tumor fazendo com o que o mesmo se diminua através do aumento da
temperatura.
Indicações fisioterapêuticas da hipertermia

Principais: Analgesia, Relaxamento muscular, Aumento do fluxo sanguíneo e metabolismo, Aumento


das propriedades viscoelásticas de músculos, tendões, ligamentos; Mastite, Anexite e Otite media
crônica.

Contra-indicações fisioterapêuticas da hipertermia

Nos casos de: Tumores malignos, Marcapassos, Gestantes, Coração, lesões hemorrágicas, isquêmicas,
Transtornos mentais ou coma e em crianças.