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NORBERT LIETH

AS MARCAS NA VIDA DE DAVI

APONTANDO PARA O MESSIAS DE ISRAEL

EBOOK - 1ª EDIÇÃO - 2015

Traduzido do original em alemão:

Die Spuren im Leben Davids

Verlag Mitternachtsruf CH 8600 Dübendorf (Suíça) Tradução: Arthur Reinke Revisão: Sérgio Homeni, Ione Haake, Celia Korzanowski Edição: Arthur Reinke Capa e Layout: Roberto Reinke

Passagens da Escritura segundo a versão Almeida Revisada e Atualizada (SBB), exceto quando indicado em contrário: Nova Versão Internacional - NVI, Almeida Corrigida e Revisada Fiel – ACF ou Almeida Revista e Corrigida – ARC.

Todos os direitos reservados para os países de língua portuguesa. Ebook ISBN - 978-85-7720-116-7 Copyright 2015 Actual Edições R. Erechim, 978 – B. Nonoai 90830-000 – PORTO ALEGRE – RS/Brasil Fones (51) 3241-5050 e 0300 789.5152 www.chamada.com.br - pedidos@chamada.com.br

Traduzido do original em alemão: Die Spuren im Leben Davids Verlag Mitternachtsruf CH 8600 Dübendorf (Suíça)www.chamada.com.br - pedidos@chamada.com.br " id="pdf-obj-2-14" src="pdf-obj-2-14.jpg">

Prefácio

  • 1. O Chamado

ÍNDICE

  • 2. Requisitos Espirituais

  • 3. A Unção

  • 4. A Aparente Contradição

  • 5. Os Irmãos

  • 6. O Segredo do Êxito

  • 7. Na Caverna de Adulão

  • 8. A Lamentação de Davi

  • 9. Queda e Perdão

10.A Conspiração de Absalão 11. A Via Dolorosa 12.Uma Intifada no Antigo Testamento 13.Verdadeiros e Falsos Amigos 14.O Reinado 15.Louvor à Fidelidade de Deus Notas

PREFÁCIO

Na vida de Davi há várias marcas proféticas que desembocam em Jesus Cristo, o Messias de Israel. É algo peculiar observar que Davi, pessoalmente, constitui uma pré-figura do Senhor Jesus em vários aspectos, apesar de que – de modo totalmente contrário a Jesus – apresentava erros, fraquezas e até pecados. Todavia, isso somente foi possível porque, ali onde o pecado havia se infiltrado em sua vida, ele se arrependeu e recebeu o perdão.

A alusão profética a Jesus era tão intensa na vida de Davi que certamente contribuiu para que Jesus, em sua forma humana, fosse denominado como “filho de Davi”.

É impossível não perceber as marcas deixadas por essa personalidade preeminente do Antigo Testamento. Já os seus títulos dizem muita coisa. Os mais conhecidos são: poeta, músico, comandante militar, profeta e rei.

O poeta escreveu os salmos com profundidade incomparável e que ajudaram pessoas em todas as épocas a superar situações difíceis em suas vidas, lhes proporcionando esperança. Davi se preocupava em evitar qualquer honra para a

sua obra, pois, ao final de sua vida, ele declarou: “O Espírito do SENHOR fala por

meu intermédio, e a sua palavra está na minha

língua...”

(2 Sm 23.2).

Em sua condição de músico ele conseguiu acalmar o rei Saul, quando este era atormentado por um espírito maligno. Isso somente foi possível fazer porque o Senhor estava com ele. Um dos servos do rei Saul apresentou-lhe Davi, dizendo:

“Conheço um filho de Jessé, o belemita, que sabe tocar e é forte e valente, homem de guerra, sisudo em palavras e de boa aparência; e o SENHOR é com ele” (1 Sm 16.18).

Davi foi um comandante militar e um líder extremamente corajoso e vencedor, pois lemos: “As mulheres se alegravam e, cantando alternadamente, diziam: Saul feriu os seus milhares, porém Davi, os seus dez milhares” (1 Sm

18.7).

O profeta Davi falou sobre a vida, o sofrimento e a morte do Messias alguns séculos antes do nascimento de Jesus. (Em meu livro “Salmos Messiânicos” –

Actual Edições, há mais detalhes sobre isso).

Na figura do rei Davi, chamado por Deus e que primeiramente foi rejeitado por seu povo, mas depois estabeleceu o reinado sobre todo Israel (Judá e Israel) e governou com mão forte, vemos o Messias Jesus Cristo. Este Jesus, que se humilhou tão profundamente em Jerusalém, por causa do pecado do Seu povo e dos pecados de todo o mundo (Fp 2.8) retornará para Jerusalém. Ali Ele estabelecerá o Seu Reino, condenará Seus inimigos e dará paz ao Seu povo (Zc

14.9s.). Então se cumprirá plenamente o que está escrito em Daniel 7.14: “Foi- lhe dado domínio, e glória, e o reino, para que os povos, nações e homens de

todas as línguas o servissem; o seu domínio é domínio eterno, que não passará, e o seu reino jamais será destruído”.

O segredo de Davi estava no seu amor sincero ao Senhor Deus e que o seu coração estava direcionado unicamente para Ele, razão pela qual também foi chamado de “o homem segundo o coração de Deus” (1 Sm 13.14).

Não somente na vida de Davi, mas também no seu ambiente pessoal existe muita coisa com caráter profético. Isso já tem início com o nome de seu pai Jessé e com os nomes de seus irmãos. Assim, por exemplo, “Jessé” significa “Yahweh é. Como Jessé e, por conseqüência, seu filho Davi descendem da linhagem de Abraão, Isaque e Jacó, o seu nome confirma que o povo de Israel é uma prova de Deus na Terra.

Também o geteu Itaí assinala uma marca na vida de Davi que pode ser vista como uma marca profética: quando Davi precisou fugir de seu filho Absalão, Itaí se mantém absolutamente fiel a ele. Assim, Itaí representa uma figura para a Igreja de Jesus que apóia a Israel. Ela o faz porque sabe que Israel é o primeiro amor de Deus e que seu Senhor e Mestre Jesus Cristo veio ao mundo em Israel, ali viveu, agiu e, finalmente, morreu na cruz, além de que Ele voltará para Israel (At 1.11).

No entanto, não são somente as pessoas que formam marcas, pois, até uma caverna o faz! Trata-se da caverna de Adulão, onde Davi se escondeu enquanto fugia de Saul. Essa caverna serve de figura para o Gólgota: todo aquele que, em sua dificuldade (pecado) se refugia em Jesus e Lhe pede perdão, não é condenado e não é lançado para a morte eterna (Jo 5.34; 6.37), mas pode se abrigar nEle! Deus estava em Cristo e reconciliou-Se com o mundo (2 Co 5.19).

Essas são apenas algumas das várias marcas proféticas na vida de Davi que serão comentadas a seguir.

Em sua 2ª carta, Pedro escreve:

“...crescei

na graça e no conhecimento de

nosso Senhor e Salvador Jesus Cristo” (cap. 3.18). Pessoalmente, ao estudar e desenvolver esses temas, tive oportunidade de crescer na graça e no conhecimento de nosso Senhor e Salvador e é isto que eu desejo a todos os meus leitores para que possamos, juntos, entoar o louvor da 2ª parte do versículo acima: “A ele [ao nosso Senhor] seja a glória, tanto agora como no dia eterno”. Amém!

Norbert Lieth Dübendorf, Junho de 2013.

-1-

O CHAMADO

“Disse o SENHOR a Samuel: Até quando terás pena de Saul, havendo-o eu rejeitado, para que não reine sobre Israel? Enche um chifre de azeite e vem; enviar-te-ei a Jessé, o belemita; porque, dentre os seus filhos, me provi de um rei... 7 Porém o SENHOR disse a Samuel: Não atentes para a sua aparência, nem para a

sua altura, porque o rejeitei; porque o SENHOR não vê como vê o homem. O homem

vê o exterior, porém o SENHOR, o

coração...

10 Assim, fez passar Jessé os seus sete

filhos diante de Samuel; porém Samuel disse a Jessé: O SENHOR não escolheu estes. 11 Perguntou Samuel a Jessé: Acabaram-se os teus filhos? Ele respondeu:

Ainda falta o mais moço, que está apascentando as ovelhas. Disse, pois, Samuel a Jessé: Manda chamá-lo, pois não nos assentaremos à mesa sem que ele venha. 12

Então, mandou chamá-lo e fê-lo entrar. Era ele ruivo, de belos olhos e boa aparência. Disse o SENHOR: Levanta-te e unge-o, pois este é ele. 13 Tomou Samuel

o chifre do azeite e o ungiu no meio de seus irmãos; e, daquele dia em diante, o Espírito do SENHOR se apossou de Davi. Então, Samuel se levantou e foi para Ramá” (1Sm 16.1,7,10-13).

Introdução

A vocação de Davi está intimamente ligada à rejeição de Saul. O versículo- chave que serve de base para essa rejeição a Saul e para o chamado de Davi é 1 Samuel 16.7: “O homem vê o exterior, porém o SENHOR, o coração”.

A diferença marcante entre as biografias de Saul e de Davi é, ao mesmo tempo, o ponto de ruptura:

Saul era o homem segundo o coração do povo (1Sm 8.5-7, 19-20); • Davi era o homem segundo o coração de Deus (1Sm 13.14).

Acima de tudo, desde o seu chamado até o fim de sua vida, Davi foi um homem segundo o coração de Deus. As marcas que ele deixou ficaram gravadas na história de Israel. Através da vocação de Davi e da rejeição de Saul fica claro que Deus realiza Sua obra exclusivamente através de “pessoas com coração”.

A rejeição de Saul

Talvez você já tenha se perguntado sobre qual seria o real motivo da rejeição de Saul pelo Senhor. Olhando superficialmente, até poderíamos ter pena de Saul. Certamente o pecado de Davi com Bate-Seba não era menor do que o de Saul (1Sm 15.2s.) e, mesmo assim, Davi permaneceu como rei sobre Israel, mas Saul foi rejeitado. Por que Saul não conseguiu progredir em sua vida? Por que ele não conseguia mais vitórias, por que afundava cada vez mais, até ao ponto em que Deus não falava mais com ele e, assim, Saul não tinha mais força espiritual? Encontramos a resposta no versículo-chave: O Senhor sempre atenta para o coração da pessoa. Por sabermos que Deus enxerga muito mais além do que nós, deveríamos estar atentos a isso.

Naquela ocasião, havia um homem esbelto diante de Samuel, bem mais alto do que todos os demais em Israel. Tudo havia começado bem. Com o decorrer do tempo, porém, seu coração acomodou coisas que ficavam escondidas dos homens, mas não diante de Deus. Vamos analisar esses assuntos e avaliar nossa vida nesse sentido.

1. Tudo iniciou com o orgulho no coração. Samuel, ao anunciar a condenação de Saul, usou as seguintes palavras: “Porventura, sendo tu pequeno

aos teus olhos, não foste por cabeça das tribos de

Israel...”

(1Sm 15.17).

aqui podemos observar a profundidade do olhar do Senhor para o coração de uma

pessoa. A alteração no coração de Saul não passou despercebida de Deus! O sistema no Reino de Deus é totalmente diferente do que o do mundo:

O Senhor vê o coração (1Sm 16.7);

Ele escolhe aquilo que não tem valor para o mundo (1Co 1.26s.);

Ele concede graça ao humilde (1Pe 5.5);

• O Senhor revela publicamente aquilo que fazemos por Ele em segredo (Mt

6.6).

Enquanto Saul se considerava pequeno, ele foi colocado como cabeça das tribos de Israel. No entanto, infiltraram-se motivações erradas em seu coração que o fizeram fracassar. Também em nossa vida, tais motivações erradas no coração impedem o nosso crescimento espiritual e progresso no Reino de Deus. 2. Com esta postura errada em seu coração, Saul começou a menosprezar a

Palavra de Deus. Ao interferir nas funções de Samuel e ao fazer sacrifícios – o

que não deveria ter feito, de acordo com 1 Samuel 10.8 – o profeta o repreendeu:

“...Você

agiu como um tolo, desobedecendo ao mandamento que o SENHOR, o seu

Deus, lhe deu; se você tivesse obedecido, ele teria estabelecido o seu reinado sobre Israel. 14 Mas agora o seu reinado não permanecerá.” (1Sm 13.13-14a –

NVI). Agiu como um tolo, desobedeceu ao mandamento do Senhor. – Talvez muitos de nós estejam agora no limiar de uma tremenda bênção. Então, cuidado! Justamente nessas ocasiões os ataques de Satanás são especialmente refinados.

A atitude de Saul foi um ato de falta de fé. Por isso ele não pôde subsistir diante do Senhor. Observemos isso: tudo o que fizermos com falta de fé não subsiste diante de Deus.

Além disso, o exemplo de Saul nos ensina que a derrocada espiritual inicia quando abandonamos a Palavra de Deus e nos tornamos desobedientes. É o que vemos em tantos cristãos – idosos, mas também entre jovens: Tudo começou tão bem, havia uma dedicação sincera para Jesus. Liam a Bíblia regularmente e visitavam as reuniões com alegria. De repente, porém, outras coisas se tornaram mais importantes e ocuparam espaço em seu coração. Assim, lentamente começaram a desleixar e a abandonar o estudo da Palavra. A mudança começou sorrateiramente, porém, se tornou cada vez mais visível. O mundo ao redor quase não registrou isso, mas o Senhor já o viu há tempo! Assim, como esses cristãos não aceitaram aconselhamento e achavam que sabiam tudo melhor, foi impossível conter a sua ruína.

O Senhor não falava mais com Saul e também Samuel se afastou dele, não lhe transmitindo mais nenhuma mensagem divina (1Sm 28.6; 15.35). O pior que pode nos acontecer é perdermos a orientação espiritual porque Deus não tem mais

nada a nos dizer! Quão terrível é quando o Espírito Santo não consegue mais nos orientar, porque o orgulho nos aprisionou e permanecemos desobedientes diante

de Deus! Deus mandou o aviso para Saul: “Você agiu como um

tolo...

agora o

seu reinado não permanecerá”. Nossa bagagem espiritual não permanece se abandonarmos a Palavra de Deus! O Senhor viu algo no coração de Saul que estava oculto aos olhos das pessoas...

3. Saul se afastou de Deus. Foi isso que o próprio Senhor afirmou:

“Arrependo-me...

pois ele me abandonou e não seguiu as minhas instruções”

(1Sm 15.11 – NVI). Após a chegada do orgulho e o desleixo com a Palavra,

seguiu-se o abandono de Deus. Quase sempre é assim que acontece: não mais se

aceita conselhos e pretende-se reinar na própria vida, o que resulta no abandono da vida com Jesus!

4. O arrependimento de Saul não foi sincero. A sua própria honra lhe pareceu mais importante do que ter um coração humilde diante de Deus com verdadeiro arrependimento. Durante sua peregrinação pelo deserto, o povo de Israel foi atacado violentamente pelos amalequitas numa emboscada. Isso deveria ser vingado algum dia. Deus o havia dito (Êx 17.8-16). Então havia chegado esse momento e Saul foi convocado para cumprir com o juízo. Sua missão era matar Agague, o rei dos amalequitas. No entanto, Saul o poupou, juntamente com “o

melhor das ovelhas e dos bois”, ou seja, tudo o que eles consideravam de valor (1Sm 15.9). Quando, então, foi repreendido por Samuel, Saul respondeu:

“...Pequei,

pois transgredi o mandamento do SENHOR e as tuas palavras; porque

temi o povo e dei ouvidos à sua voz. 25 Agora, pois, te rogo, perdoa-me o meu

pecado e volta comigo, para que adore o SENHOR.

(...)

30 Então, disse Saul:

Pequei; honra-me, porém, agora, diante dos anciãos do meu povo e diante de Israel; e volta comigo, para que adore o SENHOR, teu Deus” (1Sm 15.24-25,30).

Saul tentou encobrir sua culpa atribuindo-a ao povo: “Sim, eu pequei, mas o

povo...”

(v.24). Em seguida, ele pediu perdão superficialmente a Samuel, ao invés

de se arrepender de fato diante de Deus (v.25). A ponta de maldade, porém, estava mais em procurar a sua própria honra do que realmente se arrepender:

“Sim, eu pequei, mas peço que me honres perante o povo” (v.30). Na verdade, Saul ainda não estava disposto a matar o rei Agague. Samuel se encarregou de fazê-lo.

Outro fato que mostra o quanto o coração de Saul estava errado é que, para a sua ação – na verdade uma omissão – ele levantou um monumento para si (1Sm 15.12). Também isso demonstra que Saul tinha falsidade em seu coração e vivia na mentira. É o que “lemos nas entre-linhas” quando Samuel falou a Saul a esse respeito: “Também a Glória de Israel não mente, nem se arrepende, porquanto não é homem, para que se arrependa” (1Sm 15.29). A passagem de 1 Samuel 15.15,20-21 comprovam que Saul era mentiroso.

Amaleque representa nossa carne, na qual não há nada de bom. Ai de nós se deixarmos nossa carne viver e acharmos qualquer coisa valiosa nela, pois, a

Palavra de Deus diz:

“...os

que estão na carne não podem agradar a Deus” (Rm

8.8). Somos alertados como também Saul o foi: “Fazei, pois, morrer a vossa natureza terrena: prostituição, impureza, paixão lasciva, desejo maligno e a

avareza, que é idolatria” (Cl 3.5). A Palavra nos ensina que aquele que vive na carne não pode subsistir diante de Deus. A carne deve e precisa ser colocada sob o domínio do Espírito (Rm 8.13)

  • 5. O Senhor conhecia, há tempo, sobre o coração errado de Saul, pois,

quando lemos:

“...O

SENHOR buscou para si um homem que lhe agrada [Davi] e

já lhe ordenou que seja príncipe sobre o seu povo, porquanto não guardaste o

que o SENHOR te ordenou” (1Sm 13.14b), significa que o estado do coração de Saul não estava oculto para Deus. Samuel também começou a enxergar a maldade no coração do rei de Israel. Isso se mostra a partir de sua reação quando foi

enviado a Belém, para ungir Davi, pois a sua resposta ao Senhor foi: “Como irei

eu? Pois Saul o saberá e me

matará...”

(1Sm 16.2).

  • 6. Podemos observar a escuridão existente no coração de Saul na seqüência.

É assim como o Senhor Jesus falou:

7.20).

“...pelos

seus frutos os conhecereis” (Mt

Saul teve inveja de Davi (1Sm 18.9);

Ele tornou-se inconfiável (1Sm 19.6,10);

O Espírito Santo se retirou dele (1Sm 16.14);

Um espírito maligno se apoderou de Saul (1Sm 16.14);

Uma depressão com manifestações de fúria e violência tomou conta dele (1Sm 19.10);

Ele aderiu ao ocultismo (1Sm 28.7-25);

• Sua vida terminou de maneira trágica (1Sm 31).

Os crentes que rejeitam teimosamente a Palavra de Deus e insistem em viver em pecado podem, através disso, sofrer influência de forças demoníacas (ver 1Tm 4.1).

Talvez também a sua vida espiritual, prezado leitor, esteja estagnada!? Se for esse o caso, então descubra a causa que faz sua ligação com o Senhor ficar interrompida. Deveríamos sempre verificar se são tentações e provações ou se há pecado em nosso coração. Será que o orgulho conquistou espaços? Será que a Palavra do Senhor foi esquecida? Poderia ser, ainda, que não houve arrependimento sincero, mas há engano e mentira escondidos no coração? O Senhor vê o coração!

Davi é convocado

Quanta diferença na vida de Davi! Esse jovem passava despercebido. Era o menor de oito irmãos em sua casa e até era menosprezado: quando seus irmãos marchavam armados para a guerra, ele podia apenas levar alguns suprimentos de grãos, pão e queijo para eles. Enquanto seus irmãos desfilavam orgulhosos perante Samuel, ele ficava quase no anonimato, cuidando as ovelhas de seu pai nos campos de Belém. No entanto: o Senhor viu o seu coração! Assim, esse homem discreto foi transformado em uma figura ímpar na história do mundo e deixou suas marcas: Davi era compositor e cantor, desenvolveu instrumentos musicais, foi rei, profeta, comandante de tropas e estadista. Além disso, ele imprimiu a sua chancela na posterior espera pelo Messias de Israel servindo como pré-figura desse Messias.

Quando Saul ainda estava no resplendor de seu reinado, mas já afetado pela decadência, o Senhor havia lançado seu olhar sobre os campos de Belém onde via um jovem apascentando as ovelhas de seu pai. “Já agora não subsistirá o teu reino. O SENHOR buscou para si um homem que lhe agrada e já lhe ordenou que seja príncipe sobre o seu povo, porquanto não guardaste o que o SENHOR te ordenou” (1Sm 13.14). O Senhor procura pessoas com coração puro. Você e eu somos pessoas assim?

Agora, sem levar em conta a livre eleição por Sua graça: o que o Senhor viu no coração de Davi?

1. Em Davi, o Senhor viu alguém que superava aos demais, espiritualmente:

“Disse o SENHOR a Samuel: Até quando terás pena de Saul, havendo-o eu rejeitado, para que não reine sobre Israel? Enche um chifre de azeite e vem;

enviar-te-ei a Jessé, o belemita; porque, dentre os seus filhos, me provi de um

rei.

(...)

13 Tomou Samuel o chifre do azeite e o ungiu no meio de seus irmãos; e,

daquele dia em diante, o Espírito do SENHOR se apossou de Davi. Então, Samuel se levantou e foi para Ramá” (1Sm 16.1,13). Nem sempre Deus escolhe uma pessoa por causa do coração desta, mas, mesmo assim, Ele olha para o seu coração. Jessé tinha oito filhos, mas o Senhor escolheu a este um! Também hoje Deus procura personalidades que superam aos outros espiritualmente, porém, essas são escassas.

O Senhor escolheu aquele que era fiel nas mínimas coisas. O olhar do Senhor não foi dirigido aos filhos imponentes de Jessé que desfilaram perante

Samuel (1Sm 16.5-10), mas para um lugar bem diferente. Depois que o sétimo

filho se apresentou, Samuel perguntou a Jessé: “Acabaram-se os teus filhos? Ele respondeu: Ainda falta o mais moço, que está apascentando as ovelhas. Disse, pois, Samuel a Jessé: Manda chamá-lo, pois não nos assentaremos à mesa sem

que ele venha” (1Sm 16.11). Em espírito, podemos observar Davi sentado sozinho nas pastagens de Belém, vendo as ovelhas de seu pai, sem ser observado por nenhuma outra pessoa. Ali ele orava a Deus, compunha salmos e cantava seus hinos. Provavelmente ele também lia a Torá ali e o Senhor lhe revelava as profundezas proféticas do Seu Plano de Salvação. Davi não vivia perante pessoas, ele vivia perante Deus! Ali parecia como se estivesse “fechado em seu quarto”. Além disso, ele também era fiel em seu serviço de pastor de ovelhas. Ele vigiava as ovelhas com fé e confiança em seu Deus, defendendo-as até contra ataques de ursos e leões. Desse modo, na quietude dos campos, Davi superou seus irmãos na casa paterna.

Também na Igreja de Jesus temos irmãos e irmãs que trabalham imperceptíveis, em secreto e assim superam espiritualmente aos outros.

  • 2. Davi vivia no anonimato, mas constantemente na presença do Senhor e,

assim, foi santificado. A casa de Jessé, porém, foi chamada por Samuel para se santificar a fim de trazer um sacrifício. “Respondeu ele: É de paz; vim sacrificar ao SENHOR. Santificai-vos e vinde comigo ao sacrifício. Santificou ele a Jessé e os seus filhos e os convidou para o sacrifício” (1Sm 16.5). O pai “esqueceu” de convidar Davi, porém, este foi chamado e ungido por Samuel. Nisso podemos ver que realmente somos aquilo que vivemos em nossos “campos de pastoreio”, em nosso cotidiano, na comunhão do nosso coração com o Senhor. Em nosso dia-a- dia – não nos cultos – fica visível se vivemos com o Senhor. Não se trata de uma conclusão teológica, de uma promoção, mas trata-se do coração! Os outros ainda

precisavam se transformar naquilo que Davi já era. Eles foram levados a sacrificar e à santificação, enquanto Davi já vivia assim.

  • 3. Em Davi havia algo claro, correto, genuíno. Vemos isso claramente a

seguir: “Sucedeu que, entrando eles, viu a Eliabe e disse consigo: Certamente, está perante o SENHOR o seu ungido. 7 Porém o SENHOR disse a Samuel: Não

atentes para a sua aparência, nem para a sua altura, porque o rejeitei; porque o SENHOR não vê como vê o homem. O homem vê o exterior, porém o SENHOR, o coração. 8 Então, chamou Jessé a Abinadabe e o fez passar diante de Samuel, o

qual disse: Nem a este escolheu o SENHOR. 9 Então, Jessé fez passar a Samá,

porém Samuel disse: Tampouco a este escolheu o SENHOR. 10 Assim, fez passar

Jessé os seus sete filhos diante de Samuel; porém Samuel disse a Jessé: O SENHOR não escolheu estes” (1Sm 16.6-10). Finalmente também chamaram o caçula que estava no campo e, então, lemos as palavras significativas: “Então o SENHOR disse a Samuel: ‘É este! Levante-se e unja-o’” (v.12 – NVI).

Mesmo o profeta Samuel estava enganado na sua escolha e havia olhado para o que está diante dos olhos. No entanto, nem a grande estatura nem a aparência podiam esconder do Senhor o que havia no coração de cada um deles.

A afirmação de Deus:

“...o

rejeitei;

...O

homem vê o exterior, porém o SENHOR, o

coração”, nos mostra que havia algo de errado no coração de Eliabe. Mais tarde, ficou visível a atitude de seu coração quando ele desprezou seu irmão:

“Ouvindo-o Eliabe, seu irmão mais velho, [Davi] falar àqueles homens, acendeu-se-lhe a ira contra Davi, e disse: Por que desceste aqui? E a quem deixaste aquelas poucas ovelhas no deserto? Bem conheço a tua presunção e a tua maldade; desceste apenas para ver a peleja” (1Sm 17.28).

– Será que nós também somos dos que desprezam algum irmão ou alguma irmã?

Em Davi ardia uma intensa chama de amor por seu Deus e que não ficou oculta ao Senhor. Essa chama de amor permaneceu ativa em seu coração até o final de sua vida.

Você conhece o último “salmo” de Davi? Ele não se encontra no Livro dos Salmos, mas em 2 Samuel. Ali vemos as marcas deixadas por Davi. Por amar a Deus de coração e ser inspirado pelo Espírito Santo, ele testemunhou ao final de sua vida: “São estas as últimas palavras de Davi: Palavra de Davi, filho de Jessé, palavra do homem que foi exaltado, do ungido do Deus de Jacó, do mavioso salmista de Israel. 2 O Espírito do Senhor fala por meu intermédio, e a sua palavra está na minha língua. 3 Disse o Deus de Israel, a Rocha de Israel a mim me falou: Aquele que domina com justiça sobre os homens, que domina no temor de Deus, 4 é como a luz da manhã, quando sai o sol, como manhã sem nuvens, cujo esplendor, depois da chuva, faz brotar da terra a erva. 5 Não está assim com Deus a minha casa? Pois estabeleceu comigo uma aliança eterna, em tudo bem definida e segura. Não me fará ele prosperar toda a minha salvação e toda a minha esperança?” (2Sm 23.1-5).

Temos o desejo de deixar marcas espirituais? Então é necessário nos dispormos a inclinar o coração irrestritamente Àquele que enxerga o fundo do

coração. Para Ele pode-se falar tudo! Aliás, não seria ocasião de levar o seu coração a um sincero arrependimento, redirecionamento e conversão? O Senhor tem prazer em perdoar!

-2-

REQUISITOS ESPIRITUAIS

“Jessé mandou chamá-lo e ele veio. Era ele ruivo, de belos olhos e boa aparência. Então o SENHOR disse a Samuel: ‘É este! Levante-se e unja-o’. 13 Samuel apanhou

o chifre cheio de óleo e o ungiu na presença de seus irmãos, e, a partir daquele dia, o Espírito do SENHOR apoderou-se de Davi. E Samuel voltou para Ramá” (1Sm 16.12-13 – NVI).

Introdução

O conhecido teólogo Benedikt Peters fez a seguinte observação a respeito do Espírito Santo:

O Espírito Santo é como um holofote. Ele quer jogar luz sobre Aquele que Deus escolheu como base de nossa fé: Jesus Cristo. Ele não ilumina a Si mesmo, não quer que nossa atenção seja dirigida a Ele nem que coloquemos nossa confiança nEle e o adoremos.[1]

O Senhor Jesus também falou sobre a missão do Seu Representante: “...o

Espírito da verdade,

...não

falará por si

mesmo...

14 Ele me glorificará, porque

há de receber do que é meu e vo-lo há de anunciar” (Jo 16.13-14). Um irmão na fé fez essa observação a respeito do Espírito Santo: “A oração é parecida com um telefonema: é necessário que alguém faça a ligação com o Céu e esse é o Espírito Santo. Quando eu quero telefonar para a minha amada esposa, eu necessito de uma conexão. Fico agradecido quando completa a ligação, porém, na minha conversa eu nunca me dirijo a essa conexão e, sim, à minha esposa”.

“Tudo começou com a unção” é o título que poderíamos colocar para a

biografia de Davi. A longa e cativante história da vida desse jovem, até se tornar rei sobre todo Israel e se tornar uma pré-figura para o Messias, inicia com a

ordem de Deus, dada a Samuel:

“...‘Levante-se

e unja-o’. Samuel apanhou o

chifre cheio de óleo e o ungiu na presença de seus irmãos”. Pelo contexto geral da Bíblia, sabemos que o óleo é um símbolo para o Espírito Santo e que esse Espírito Santo habita em cada filho de Deus desde a sua conversão, como consta em 2 Coríntios 1.21-22: “Ora, é Deus que faz que nós e vocês permaneçamos

firmes em Cristo. Ele nos ungiu, 22 nos selou como sua propriedade e pôs o seu Espírito em nossos corações como garantia do que está por vir” (NVI). No entanto, é importante que o Espírito Santo consiga deixar Suas marcas em nossa vida, enquanto vivermos sob Sua autoridade. Este é o “andar no espírito” a que

Paulo se refere, em Gálatas 5.16. No relato sobre Davi, lemos:

“...daquele

dia

em diante, o Espírito do SENHOR se apossou de Davi” (1Sm 16.13). Aqui vemos

um exemplo maravilhoso para uma das lições do Novo Testamento sobre o Espírito Santo:

  • - O Espírito Santo se apoderou de Davi. Isso é uma figura que representa o novo nascimento que é um acontecimento único;

  • - O Espírito Santo permaneceu sobre a vida de Davi. Isso representa a vida de um crente que deve estar e ficar cheio do Espírito.

Aquele que está sob a unção do Espírito Santo terá experiências maravilhosas e poderá acompanhar o salmista, dizendo: “Sabei, pois, que o SENHOR separou para si aquele que é piedoso; o SENHOR ouvirá quando eu clamar a ele” (Sl 4.3 – ACF). Quando Davi foi ungido, a princípio não aconteceu nada de espetacular. Esse caminho quase imperceptível – Davi deveria abandonar os campos de pastoreio e, como servo de Saul, tocar a cítara perante o rei – na verdade era o caminho de Deus para levar Davi à casa real!

Exatamente esse é o ponto. Quem foi ungido e vive no Espírito de Deus experimentará como Deus utiliza, freqüentemente, coisas e circunstâncias imperceptíveis em sua vida para levá-lo em direção ao Seu alvo. Para tanto, apenas precisamos concordar e seguir pelo caminho. Davi fez isso. Não ouvimos nenhuma reclamação dele. Ele simplesmente seguiu no caminho que lhe foi indicado. Quantas marcas o Espírito Santo conseguiu, assim, colocar na vida de Davi! Desse modo, o Senhor nos deu um exemplo maravilhoso de como o Espírito Santo deseja deixar marcas em nossa vida e de como deveria ser nosso andar no Espírito.

Pessoas ungidas com o Espírito são requisitadas

“Tendo-se retirado de Saul o Espírito do SENHOR, da parte deste um espírito maligno o atormentava. 15 Então, os servos de Saul lhe disseram: Eis

que, agora, um espírito maligno, enviado de Deus, te atormenta. 16 Manda, pois, senhor nosso, que teus servos, que estão em tua presença, busquem um homem

que saiba tocar harpa; e será que, quando o espírito maligno, da parte do SENHOR, vier sobre ti, então, ele a dedilhará, e te acharás melhor” (1Sm 16.14-

16).

Às vezes vemos fábricas ou empresas, à margem das estradas, com um

aviso: “Temos vagas

para...”,

por exemplo: marceneiro, mecânico, torneiro,

eletricista, desenhista técnico, etc. Anúncios semelhantes deveriam estar colocados em várias igrejas, dizendo: “Temos vagas para homens e mulheres ungidos pelo Espírito para a edificação da Igreja”.

“Requisitados” são os adequados e capacitados, necessários para determinada situação ou para executar tarefas específicas. Os servos de Saul sabiam imediatamente: precisamos encontrar alguém para o nosso rei que seja diferente de todos, que saiba fazer algo que os outros não sabem e que seja dominado por algo que os outros não têm – precisa ser uma pessoa fora do comum.

Vivemos em um mundo em que falta o Espírito Santo. Estamos rodeados de pessoas dominadas por medos e espíritos malignos. Muitas vezes ocorrem tragédias até em nossa vizinhança. Ali acontecem divórcios, alcoolismo, enfermidades físicas, depressões, inveja, brigas e falta de esperança. As pessoas necessitam de ajuda e estão à procura dela, pois, de algum modo, todos estão buscando auxílio e cura. No entanto, elas somente poderão ser ajudadas através de filhos de Deus que andam de acordo com a unção recebida e, assim, pertencem às pessoas fora do comum. O Senhor age concedendo a salvação em Jesus através de pessoas cheias do Espírito. Assim, cabe a pergunta: “Sou alguém que é requisitado? Sou alguém em quem as pessoas podem confiar?” Sem a unção do Espírito de Deus somos instrumentos inúteis! Podemos ser usados somente se estivermos cheios dEle. Um exemplo para ilustrar: uma serra, por si só, é inútil. Ela é útil somente se for usada. Certo homem incrédulo fez a seguinte observação sobre um crente, seu conhecido: “Há alguma coisa com o Fulano, ele tem uma

maneira de ser

diferente...”

Ele sentia que o crente falava, reagia e enfrentava as

situações de modo diferente. Assim, este filho de Deus conquistou a confiança das

pessoas ao seu redor. O mesmo acontece com mulheres crentes que são procuradas por mulheres incrédulas que precisam de ajuda para seus problemas.

“Requisitado” pode ser alguém como você e eu, porém, somente se formos enviados e somente seremos enviados se estivermos sob a unção do Espírito Santo. Somos pessoas aptas para que Deus envie outras pessoas ao nosso

encontro? Lemos, em Marcos 1.37, que certa vez os apóstolos correram atrás de Jesus e, quase O repreendendo, disseram: “Todos estão te procurando” (NVI). Também quando o gentio centurião Cornélio procurava por cura para sua alma, lemos que o Senhor lhe ordenou que enviasse mensageiros para Pedro. O Espírito Santo, por sua vez, falou para Pedro: “Simão, três homens estão procurando por você” (NVI). Pedro obedeceu e o Espírito Santo pôde usá-lo para mostrar o caminho da salvação ao Cornélio. O Espírito de Deus sempre busca um coração disposto e dedicado a Deus.

Qual é a causa quando não somos “requisitados”, quando não nos encontramos sob a unção? Um motivo comum para essa falha é o egoísmo: ser cristão não deve nos custar nada. Acontece o que a Palavra constata: “pois todos eles buscam o que é seu próprio, não o que é de Cristo Jesus” (Fp 2.21). Uma pequena alegoria descreve as conseqüências relacionadas ao egoísmo: “‘O mel e o pólen são meus e de ninguém mais’, disse a flor, não permitindo que nenhuma abelha ou borboleta pousasse nela. Assim, aos poucos ela foi murchando sem utilidade e objetivo, até que morreu sem gerar frutos ou sementes”. Com Davi foi diferente. Ele servia sem contestar. Posteriormente, ao defender Davi diante de seu pai, Jônatas pôde testemunhar: “Arriscando ele a vida, feriu os filisteus e efetuou o SENHOR grande livramento a todo o Israel” (1Sm 19.5).

Pessoas ungidas com o Espírito se sobressaem

“Então, respondeu um dos moços e disse: Conheço um filho de Jessé, o belemita, que sabe tocar e é forte e valente, homem de guerra, sisudo em palavras e de boa aparência; e o SENHOR é com ele” (1Sm 16.18).

Pessoas ungidas com o Espírito se sobressaem sem se promoverem. Vemos isso claramente no caso de Davi. Diante da procura por uma pessoa adequada, um dos rapazes de Saul informou ao seu senhor: “Conheço um filho de Jessé, o

belemita...”

Davi chamava à atenção porque era diferente dos demais.

Em Atos dos Apóstolos lemos sobre a eleição de diáconos, à época da

formação da Igreja primitiva, em Jerusalém: “Mas, irmãos, escolhei dentre vós sete homens de boa reputação, cheios do Espírito e de sabedoria, aos quais

encarregaremos deste serviço” (At 6.3). Os ungidos se destacam de alguma maneira. Os sete jovens que foram convocados para serem diáconos – Estêvão era um deles – se destacaram na sua igreja porque estavam cheios do Espírito

Santo.

Os “procurados” nem sempre são pessoas que estão sob as luzes da ribalta. É possível que estejam agindo totalmente despercebidos, porém, a igreja verdadeira os reconhecerá como cristãos dispostos a servir na Igreja de Jesus, como pessoas com brilho especial. Também o mundo os reconhece como personalidades que se diferenciam. Em 1 Samuel 16.18, encontramos três afirmações marcantes sobre Davi:

1.

“...é

forte e valente, homem de guerra”. Por que um cristão precisa ser

forte e valente (corajoso) e como deve mostrar sua habilidade na batalha? Resposta: Em atos de fé! Onde ainda é possível encontrar igrejas e obras missionárias que ousam dar passos pela fé? Para isso é necessário ter ânimo (coragem)! O Reino de Deus cresceu, através dos séculos até os dias atuais, através de pessoas valentes.

O Novo Testamento aponta para mais um fator: é necessário que haja ânimo

e valentia na luta contra o mundo e o pecado; ânimo para romper com ligações e maus costumes. Davi era valente e corajoso na batalha. Ele depositava sua confiança em Deus e lutou contra um urso e um leão. Essas feras representam o poder do inimigo que, também hoje, “anda em derredor, como leão que ruge procurando alguém para devorar”. Por isso, somos exortados: “resisti-lhe

firmes na

fé...”

(1Pe 5.8-9). Isso significa que haverá lutas o que, por sua vez,

requer sobriedade na vida do discípulo de Jesus. Não podemos ser guiados por

impulsos da alma. “Sede vigilantes, permanecei firmes na fé, portai-vos varonilmente, fortalecei-vos” (1Co 16.13).

Em uma passagem sobre o rei Josafá, lemos: “Tornou-se-lhe ousado o coração em seguir os caminhos do SENHOR, e ainda tirou os altos e os postes- ídolos de Judá” (2Cr 17.6). Para isso ele, de fato, precisava ousadia e coragem! Isso não funciona automaticamente, também conosco, porém, exige nossa firme disposição e todo nosso empenho: “Isso não faço mais! Isso eu jogo fora”! Na

carta aos Hebreus, lemos: “Portanto, também nós,

...desembaraçando-nos

de

todo peso e do pecado que tenazmente nos assedia, corramos, com

perseverança, a carreira que nos está

proposta,...

3 Considerai, pois,

atentamente, aquele que suportou tamanha oposição dos pecadores contra si mesmo, para que não vos fatigueis, desmaiando em vossa alma” (Hb 12.1,3).

2.

“...sisudo

em

palavras...”

ou “sabe falar bem” (NVI). Por que o ainda

jovem Davi era alguém que “sabia falar bem”? Porque ele estava em constante e

íntima comunhão com Deus. Enquanto estava lá nos campos de pastoreio, ele tomava tempo para ouvir a Deus. Ali, Deus podia lhe falar, ali ele orava e falava com o Senhor. Assim, aquilo que Davi recebia na solidão e quietude, ele podia transmitir claramente no poder do Espírito. Precisamos aprender a ouvir mais e falar menos! Certo pastor, ao retornar de uma conferência no exterior, comentou:

Eu fiquei admirado com a tradutora: ela processava vários pensamentos simultaneamente. “Como a senhora faz isso?”, perguntei. “A senhora ainda está traduzindo uma frase enquanto ouve a seguinte e fala a terceira sentença?” Ela explicou que isso era algo muito simples: “A entrada precisa ser mais forte do que a saída. Eu não posso escutar a minha fala”.

Essa observação me fez pensar: será que nossas frases têm tão pouco valor porque ouvimos muito pouco e falamos demais? Nossas palavras não encontram quem as ouça porque nós mesmos quase não somos pessoas ouvintes? Tantas vezes nós até mesmo interrompemos quem está conversando conosco. Talvez até não damos ouvidos a muitas coisas porque assimilamos somente aquilo que nos confirma ou o que nós apoiamos.

Na maioria das vezes, já temos uma resposta “na ponta da língua” antes que o outro termine de falar a frase. Por isso podem acontecer os desentendimentos. “Eu não posso ouvir a minha fala”, disse a tradutora. Esse parece ser o segredo de um diálogo genuíno. Nesse sentido, a seguinte frase é atribuída a Martinho Lutero: “A pessoa tem dois ouvidos e apenas uma boca, assim, ele deve ouvir o dobro do que fala”.

Ouvir mais ao invés de falar!

Mais do que nunca, necessitamos de cristãos que sejam hábeis na Palavra de Deus. Em nossa época de decadência, em que a Palavra de Deus é cada vez mais deixada de lado e as alternativas mundanas ingressam na Igreja de Jesus, precisamos de homens e mulheres que falam no poder do Espírito de Deus! No entanto, ao invés de nossas igrejas estarem lotadas de pessoas ousadas e ungidas no Espírito e que impõe sua influência, permite-se a introdução de músicas de rock, festas techno e outras bobagens. Já há vários anos, nas imediações de Hannover, um pastor mandou instalar uma pista de boliche sob o altar, pretendendo ver a sua igreja lotada. Todavia, o que diz a Bíblia? “E, assim, a fé vem pela pregação, e a pregação, pela palavra de Cristo” (Rm 10.17). Ao invés dos cristãos influenciarem o mundo, hoje o espírito do mundo influencia os cristãos. A Bíblia deve ser nosso parâmetro! Infelizmente, porém, em nossa época são toleradas coisas que a Bíblia proíbe claramente porque contradizem ao Espírito de Deus. Por quê? Porque quase não há mais pessoas que sejam

entendidas na Palavra. Ao invés disso, há muitos dominados por um outro poder!

3.

“...e

o SENHOR está com ele” (NVI). Davi andava com todo o ânimo nos

caminhos do Senhor, ouvindo e praticando a Sua Palavra, por isso o Senhor estava com ele. Isso não poderia ficar despercebido. Como é maravilhoso esse

testemunho dado por um estranho sobre Davi, dizendo resumidamente:

“...e

o

SENHOR está com ele”. Por que o Senhor estava com Davi? Por que está escrito:

“Davi lograva bom êxito em todos os seus empreendimentos, pois o SENHOR era com ele” (1Sm 18.14). A resposta é encontrada em 1 Samuel 19.5, quando Jônatas

explica a seu pai algo sobre Davi: “Arriscando ele a

vida...”.

Não podemos aqui

ouvir o Senhor Jesus nos dizendo: “Quem quiser preservar a sua vida perdê-la- á; e quem a perder de fato a salvará” (Lc 17.33)?

O apóstolo Paulo testemunhou aos tessalonicenses:

“...de

sorte que vos

tornastes o modelo para todos os crentes na Macedônia e na Acaia. 8 Porque de

vós repercutiu a palavra do Senhor não só na Macedônia e Acaia, mas também

por toda parte se divulgou a vossa fé para com Deus, a tal ponto de não termos necessidade de acrescentar coisa alguma” (1Ts 1.7-8). Na medida em que eles servem a Deus, em humildade e com dedicação, o Senhor estará com eles e os usará.

Pessoas ungidas com o Espírito são fiéis em tudo

“Saul enviou mensageiros a Jessé, dizendo: Envia-me Davi, teu filho, o que está com as ovelhas” (1Sm 16.19).

O homem que cuidava de ovelhas e que era fiel nas mínimas coisas foi chamado para servir na casa do rei! Ele era a personalidade destacada que procuravam. O mesmo vale para nós. Antes que o Senhor nos confie algo mais importante, ele nos incumbe de tarefas simples para verificar se somos fiéis. Quem estiver disposto a limpar os sanitários da igreja, também poderá ser chamado pelo Senhor para tarefas mais abrangentes.

Certa vez, Spurgeon perguntou à sua auxiliar doméstica como ela poderia afirmar que era convertida. Ela respondeu: “Desde que sou convertida eu também faço a limpeza debaixo dos tapetes”. Jesus diz: “Quem é fiel no pouco também é fiel no muito; e quem é injusto no pouco também é injusto no muito. 11 Se, pois,

não vos tornastes fiéis na aplicação das riquezas de origem injusta, quem vos confiará a verdadeira riqueza?” (Lc 16.10-11). Não é notável que, ao falar

sobre fidelidade, o Senhor mencione justamente nosso “órgão” mais sensível? Ele menciona nosso bolso, nossa relação com o dinheiro! Somos fiéis no trato com ele? Com quanta intensidade nós pensamos e sonhamos com aquisições: roupas, carros, móveis, viagens, etc.! Quanto tempo gastamos com isso! É lógico que as aquisições devem ser planejadas e isso não é pecado. A questão é: nessa área, o quanto lembramos do Reino de Deus e que há missionários quase minguando de fome? Lembramos de que, no Reino de Deus, muitas coisas deveriam ser realizadas ou são feitas apenas parcialmente por falta de dinheiro? A maneira como agimos com nosso dinheiro demonstra a disposição do nosso coração, nosso amor e fidelidade ao Senhor. Às vezes, os limites em nossa vida não são ampliados porque não somos fiéis “no pouco”.

Certa vez, em uma escola bíblica, um aluno me perguntou: “Quanto vocês

ganham aí?” A resposta foi: “Nós não ganhamos, nós servimos!” A respeito de

Davi, lemos:

“...os

quais também o rei Davi consagrou ao SENHOR, juntamente

com a prata e o ouro que já havia consagrado de todas as nações que

sujeitara” (2Sm 8.11). Talvez você se pergunte por que a sua vida está paralisada? Poderia ser que o Espírito Santo, cuidadosamente, lhe colocou um fardo que você não quis receber ou porque há outras coisas “importantes” que o impedem de cumprir com a incumbência recebida dEle?

Davi foi chamado dos campos de pastoreio para a casa do rei. Quanto já perdemos ou ainda estamos perdendo porque nosso coração ainda está preso às coisas que não correspondem ao Seu Reino?

Pessoas ungidas com o Espírito são pessoas que servem

“Assim, Davi foi a Saul e esteve perante ele; este o amou muito e o fez seu escudeiro” (1Sm 16.21).

A dedicação e fidelidade com que Davi servia a Saul eram idênticas ao tempo em que servia cuidando as ovelhas de seu pai. Sua disposição de servir ficou expressa na sua atitude de prontidão e obediência sem protestar, sem respostas contrárias ou qualquer oposição. Ele permitiu que Saul o chamasse, que seu pai o enviasse para servir ao rei. É marcante o fato de que, atualmente, quase não existem mais filhos de Deus que sejam flexíveis. Há muitos que não aceitam ser enviados para este ou aquele lugar, para assumir este ou aquele trabalho. Isso

é um sinal de que a disposição espiritual, o relacionamento com o Senhor não estão bem.

Pessoas ungidas com o Espírito são desejáveis e valiosas

“Então Saul enviou a seguinte mensagem a Jessé: Deixe que Davi continue trabalhando para mim, pois estou satisfeito com ele” (1Sm 16.22 – NVI).

Personalidades ungidas pelo Espírito são os que “carregam as armas” da Igreja. Tais irmãos são necessários em nossa e em outras igrejas, pois são os que fazem a igreja avançar. São pessoas dispostas a servir e que se identificam por suas boas obras. Pessoas novas na fé devem ser ensinadas nesse sentido: “...para que os que têm crido em Deus sejam solícitos na prática de boas obras. Estas coisas são excelentes e proveitosas aos homens” (Tt 3.8).

Davi era um desses homens, pois Jônatas descreveu-o diante de seu pai com

estas palavras:

19.4).

“...os

seus feitos para contigo têm sido mui importantes” (1Sm

Pessoas ungidas com o Espírito fazem bem aos outros

“E sucedia que, quando o espírito maligno, da parte de Deus, vinha sobre Saul, Davi tomava a harpa e a dedilhava; então, Saul sentia alívio e se achava melhor, e o espírito maligno se retirava dele” (1Sm 16.23).

Onde há pessoas ungidas pelo Espírito, ali o poder de Deus encontra espaço para que outros sejam ajudados. Essas pessoas têm poder e são bem sucedidas naquilo em que põem a mão, pois são dirigidas pelo Espírito de Deus. Muitas vezes elas têm a palavra certa na hora certa, têm nos lábios a oração adequada e são hábeis para aconselhar. Servem de luz nesse mundo de escuridão e essa escuridão se dissipa quando elas aparecem. Através delas, o bem ganha força de modo que o mal precisa se afastar. E nós? Somos desses que trazem alívio quando aparecem, porque o Espírito Santo age em nós? Fazemos bem para os outros?

Pessoas ungidas com o Espírito apontam para Jesus

Sabemos que Davi foi o autor de inúmeros Salmos Messiânicos. Ele descreveu profeticamente, por exemplo, o sofrimento do Senhor (Sl 22). Assim, no seu próprio sofrimento e também na trajetória até o reinado, em muitas ocasiões ele serve de pré-figura para o Senhor Jesus. Jesus também foi chamado

de “Filho de Davi”. Em seu viver, Davi espelhava a Pessoa de Jesus. Mefibosete

se expressou a respeito de Davi, dizendo:

“...o

rei, meu senhor, é como um anjo

de Deus” (2Sm 19.27; ver também 2Sm 14.17,19-20; 18.13).

Cristãos ungidos pelo Espírito espelham a luz de Cristo. Eles são semelhantes ao Senhor em seu ser e, através de seu agir, apontam para Jesus. Somos tão cheios, ungidos pelo Espírito Santo de Deus, que servimos de

referência para Jesus? A Bíblia relata claramente:

“...daquele

dia em diante, o

Espírito do SENHOR se apossou de Davi” (1Sm 16.13). Isso foi a sua unção, uma

imagem para o novo nascimento que também é um acontecimento único. Além

disso, Davi andava e vivia em e com essa unção. Através do novo nascimento,

recebemos o Espírito Santo:

“...tendo

nele também crido, fostes selados com o

Santo Espírito da promessa” (Ef 1.13), no entanto, é necessário que busquemos sempre ficar cheios do Espírito, conforme lemos em Efésios 5.18: “E não vos embriagueis com vinho, no qual há dissolução, mas enchei-vos do Espírito”. Somos convidados à confissão e ao arrependimento pelas ocasiões em que não fomos servos, não proporcionamos alívio para os outros, não procedemos como ungidos! Que sejamos novamente “cheios do Espírito” e andemos como ungidos do Senhor, com disposição para servir e fazer o que Ele nos ordena!

-3-

A UNÇÃO

“Tomou Samuel o chifre do azeite e o ungiu no meio de seus irmãos; e, daquele dia em diante, o Espírito do SENHOR se apossou de Davi. Então, Samuel se levantou e foi para Ramá” (1Sm 16.13).

A diferença significativa

Enquanto Saul foi ungido com o óleo de uma vasilha, para Davi foi usado um chifre com óleo. A unção de Saul é relatada assim: “Tomou Samuel um vaso de azeite, e lho derramou sobre a cabeça, e o beijou, e disse: Não te ungiu, porventura, o SENHOR por príncipe sobre a sua herança, o povo de Israel?” (1Sm 10.1). Um vaso é quebrável, um chifre, não. O vaso indicava profeticamente que o reino de Saul “quebraria” como se quebra um vaso. Foi o que aconteceu: o reinado de Saul se quebrou já em seus dias de vida; ele foi o primeiro e o último rei da sua dinastia, pois não tinha sucessor. Samuel já havia anunciado essa ruína anteriormente: “Virando-se Samuel para se ir, Saul o segurou pela orla do manto, e este se rasgou. 28 Então, Samuel lhe disse: O SENHOR rasgou, hoje, de ti

o reino de Israel e o deu ao teu próximo, que é melhor do que tu” (1Sm 15.27-

28).

Em contraste ao frágil reino de Saul (vaso de óleo), o reinado de Davi seria eterno (chifre com óleo), pois, finalmente, continuará com o Grande Filho de Davi, o Messias Jesus Cristo. Ana, a mãe de Samuel, já havia profetizado:

“Aqueles que se opõem ao SENHOR serão despedaçados. Ele trovejará do céu contra eles; o SENHOR julgará até os confins da terra. ‘Ele dará poder a seu rei e exaltará a força do seu ungido’” (1Sm 2.10 – NVI). Esta é a primeira referência direta ao Messias na Bíblia.

No meio de Israel

A unção de Davi aconteceu na presença de seus irmãos. No mesmo instante,

o Espírito Santo se apoderou dele e ficou nele a partir dali. Davi era um “homem segundo o coração de Deus” (ver 1Sm 13.14; At 13.22). Era alguém em quem se podia ver e reconhecer que o Senhor estava com ele (1Sm 16.18).

“Samuel apanhou o chifre cheio de óleo e o ungiu na presença de seus irmãos, e, a partir daquele dia, o Espírito do SENHOR apoderou-se de Davi” (1Sm 16.13 – NVI). Esse acontecimento nos lembra da ocasião em que Jesus foi batizado, no início do Seu ministério. Este também foi realizado na presença de seus irmãos, quando Jesus foi confirmado como o Filho “segundo o coração de Deus”: “E aconteceu que, ao ser todo o povo batizado, também o foi Jesus; e, estando ele a orar, o céu se abriu, 22 e o Espírito Santo desceu sobre ele em

forma corpórea como pomba; e ouviu-se uma voz do céu: Tu és o meu Filho amado, em ti me comprazo” (Lc 3.21-22).

A situação de Israel

De alguma maneira, Saul representa o povo de Israel à época de Jesus:

chamado e rejeitado, soberbo e humilde, vitorioso e derrotado, primeiramente admirado e maravilhado, depois ciumento e invejoso, perseguidor com intenções assassinas, dominado por espíritos malignos.

Davi havia chegado e trazido alívio (1Sm 16.23) e derrotou o maior inimigo de Israel (Golias). Jesus veio, expulsou demônios, trouxe vitória e subjugou o maior inimigo de Israel – o Diabo.

A humilhação

“Porém Saul e os homens de Israel se ajuntaram, e acamparam no vale de Elá, e ali ordenaram a batalha contra os filisteus. 3 Estavam estes num monte

do lado dalém, e os israelitas, no outro monte do lado daquém; e, entre eles, o vale. 4 Então, saiu do arraial dos filisteus um homem guerreiro, cujo nome era

Golias, de Gate, da altura de seis côvados e um palmo.

(...)

8 Parou, clamou às

tropas de Israel e disse-lhes: Para que saís, formando-vos em linha de batalha? Não sou eu filisteu, e vós, servos de Saul? Escolhei dentre vós um homem que desça contra mim” (1Sm 17.2-4,8). Durante quarenta dias as tropas de Israel e as dos filisteus estavam posicionadas para a batalha (1Sm 17.16). Ambas esperavam pelo ataque do inimigo. O motivo era que estavam postadas nas encostas das montanhas com um vale a separá-las. O exército que lançasse o ataque precisaria atravessar esse vale para, depois, enfrentar o inimigo enquanto subisse a encosta no outro lado. Isso demandaria muita força e favoreceria em muito ao inimigo.

Então, para evitar prejuízos ou perdas muito elevadas, os dois exércitos escolhiam o seu guerreiro mais forte para lutar entre si. Quem vencesse o duelo seria proclamado o vencedor de toda a batalha. É isso que mostra o desafio de Golias (1Sm 17.8-10). Golias, com mais de seis côvados, media quase 3 metros de altura e era forte como um urso. Sua couraça de escamas de bronze pesava quase 60 kg e apenas a ponta de sua lança pesava em torno de 7 kg (1Sm 17.4-7). Golias era um difamador e escarnecedor que rebaixava e humilhava Israel ao máximo (1Sm 17.10).

O vale da sombra da morte

Para lutar contra Golias, Davi precisou ir até o vale de Elá para, então, o enfrentar e vencê-lo. Lemos o desafio de Golias em 1 Samuel 17.8: “Escolhei dentre vós um homem que desça contra mim”. Nos versículos 40-41, lemos:

“...e,

lançando mão da sua funda, [Davi] foi-se chegando ao filisteu. 41 O

filisteu também se vinha chegando a Davi...”.

Jesus Cristo veio até nós, no vale da sombra da morte. Sim, Ele desceu até o reino dos mortos e venceu Satanás, pois o Gólgota foi o confronto direto com o Diabo.

O caminho do Senhor

“Disse Jessé a Davi, seu filho: Leva, peço-te, para teus irmãos um efa

deste trigo tostado e estes dez pães e corre a levá-los ao acampamento, a teus

irmãos. 18

...e

visitarás teus irmãos, a ver se vão bem; e trarás uma prova de

como passam. 19 Saul, e eles, e todos os homens de Israel estão no vale de Elá,

pelejando com os filisteus. 20 Davi, pois, no dia seguinte, se levantou de madrugada, deixou as ovelhas com um guarda, carregou-se [com os presentes] e

partiu, como Jessé lhe

ordenara...

22 e, chegando, perguntou a seus irmãos se

estavam bem. 23 Estando Davi ainda a falar com eles, eis que vinha subindo do

exército dos filisteus o duelista, cujo nome era Golias, o filisteu de Gate; e falou as mesmas coisas que antes falara, e Davi o ouviu. 24 Todos os israelitas,

vendo aquele homem, fugiam de diante dele, e temiam

grandemente...

26 Então,

falou Davi aos homens que estavam consigo, dizendo: Que farão àquele homem

que ferir a este filisteu e tirar a afronta de sobre Israel? Quem é, pois, esse

incircunciso filisteu, para afrontar os exércitos do Deus

vivo?...

28 Ouvindo-o

Eliabe, seu irmão mais velho, falar àqueles homens, acendeu-se-lhe a ira contra Davi, e disse: Por que desceste aqui? E a quem deixaste aquelas poucas

ovelhas no deserto? Bem conheço a tua presunção e a tua maldade; desceste apenas para ver a peleja. 29 Respondeu Davi: Que fiz eu agora? Fiz somente

uma

pergunta...

31 Ouvidas as palavras que Davi falara, anunciaram-nas a Saul,

que mandou chamá-lo” (1Sm 17.17-31).

Traçando um paralelo para Jesus:

Deus, o Pai, enviou o Seu Filho como o Pão da Vida;

O Filho foi até seus irmãos, em meio ao Seu povo e Se importou pelo seu bem-estar. “Por isso mesmo, convinha que, em todas as coisas, se tornasse semelhante aos irmãos, para ser misericordioso e fiel sumo sacerdote nas coisas referentes a Deus e para fazer propiciação pelos pecados do povo” (Hb 2.17);

Ele deixou a segurança do Céu e desceu ao vale beligerante de nossa Terra, onde a humanidade é difamada e escarnecida por Golias;

Ele cumpriu tudo o que Seu Pai havia ordenado;

Ele nos trouxe a dádiva da vida em Sua própria Pessoa.

No entanto, Eliabe ficou furioso: “Por que desceste aqui?” – Da mesma maneira se manifestou o ódio de Israel contra Jesus, quando a Sua vinda foi questionada: “Não é este o filho do carpinteiro? Não se chama sua mãe Maria, e seus irmãos, Tiago, José, Simão e Judas?” (Mt 13.55). Eliabe

continuou em tom recriminador:

quem deixaste aquelas poucas ovelhas

no deserto?” – Jesus, porém, disse: “Qual, dentre vós, é o homem que, possuindo cem ovelhas e perdendo uma delas, não deixa no deserto as noventa e nove e vai em busca da que se perdeu, até encontrá-la?” (Lc

15.4).

Eles atribuíram presunção e maldade ao coração de Davi. Também Jesus foi rotulado como pecador. Ao cego de nascença, que havia sido curado, intimaram dizendo: “Dá glória a Deus; nós sabemos que esse homem é pecador” (Jo 9.24).

• Davi respondeu ao seu irmão:

“...Que

fiz eu agora? Fiz somente uma

pergunta. 30 Desviou-se dele para outro e falou a mesma coisa; e o povo

lhe tornou a responder como dantes” (1Sm 17.29-30). A reação de Jesus foi semelhante: Ele se afastou dos que rejeitaram a Ele e à Sua Palavra e dirigiu-Se aos outros.

O sentido da Sua vinda

Ele veio para livrar-nos do medo

“Ouvindo Saul e todo o Israel estas palavras do filisteu, espantaram-se e

temeram

muito...

24 Todos os israelitas, vendo aquele homem, fugiam de diante

dele, e temiam grandemente” (1Sm 17.11,24).

Jesus veio para livrar as pessoas do medo original: “e livrasse todos que, pelo pavor da morte, estavam sujeitos à escravidão por toda a vida” (Hb 2.15).

O pecado de Adão e Eva trouxe medo e morte ao mundo. Eles pecaram, tiveram medo e morreram. O pecado, o medo e a morte estão interligados. Quem ainda vive em pecado e não recebeu o perdão divino tem todos os motivos de estar com medo: medo da morte, medo do juízo mesmo que ele procure reprimir isso.

Jesus, o segundo Adão, veio para perdoar nossos pecados, para nos livrar o medo e para vencer a morte.

Ele veio para livrar da vergonha

Davi veio para livrar Israel da vergonha e derrotar Golias: “Então, falou Davi aos homens que estavam consigo, dizendo: Que farão àquele homem que ferir a este filisteu e tirar a afronta de sobre Israel?” (1Sm 17.26).

Jesus veio a este mundo para tomar sobre Si a nossa vergonha e para eliminá-la na cruz. A vergonha trazida pelo pecado, a vergonha da qual temos medo e que nos humilha, que nos faz tremer, esta Ele tomou sobre Si!

A vitória sobre o maior inimigo

Podemos afirmar que Davi realmente “veio, viu e venceu”.

Pedaços de pau

Golias caçoava de Davi, dizendo: “Sou eu algum cão, para vires a mim com paus? E, pelos seus deuses, amaldiçoou o filisteu a Davi” (1Sm 17.43).

Justamente esse pedaço de pau (a vara da lançadeira) foi o meio usado por Davi para derrotar o gigante.

Do mesmo modo a cruz (os paus que a formavam), sobre a qual os judeus e romanos caçoavam demoniacamente, foi o meio usado para a vitória de Jesus sobre o Diabo.

Um contra todos

O filisteu amaldiçoava a Davi perante os seus deuses. “Davi, porém, disse ao filisteu: Tu vens contra mim com espada, e com lança, e com escudo; eu,

porém, vou contra ti em nome do SENHOR dos Exércitos, o Deus dos exércitos de Israel, a quem tens afrontado” (1Sm 17.45). Golias enfrentava Davi em nome dos seus deuses, enquanto Davi o confrontou em nome do verdadeiro Deus de Israel, que Se revelou a Abraão, Isaque e Jacó. Davi dominou os deuses de Golias, a ele próprio e a todo exército filisteu em nome do seu Deus. Para tanto, ele usou apenas o cajado e a funda!

A respeito de Jesus, lemos:

“...tendo

cancelado o escrito de dívida, que era

contra nós e que constava de ordenanças, o qual nos era prejudicial, removeu-o inteiramente, encravando-o na cruz; 15 e, despojando os principados e as

potestades, publicamente os expôs ao desprezo, triunfando deles na cruz” (Cl

2.14-15). Na cruz, Jesus removeu a vergonha, cancelou a culpa e venceu o Diabo com todos os demônios!

Todo o mundo deve saber

“Hoje mesmo, o SENHOR te entregará nas minhas mãos; ferir-te-ei, tirar-te-

ei a

cabeça...

e toda a terra saberá que há Deus em Israel” (1Sm 17.46).

Jesus foi vitorioso em um dia bem específico, num “hoje” especial. Foi o Dia do Gólgota, onde o Senhor afirmou a um dos malfeitores: “Em verdade te digo que hoje estarás comigo no paraíso” (Lc 23.43). A vitória de nosso Senhor Jesus Cristo, derrotando o pecado, o inferno, a morte e o Diabo, é o Evangelho das Boas Novas que é proclamado em todo o mundo: vejam, aqui há um Deus que Se revelou através de Israel. “Ide por todo o mundo e pregai o evangelho a toda criatura” (Mc 16.15). Esse Evangelho da cruz, onde Jesus venceu a morte, deve ser “atirado” como através de uma funda (ou com os modernos meios de comunicação) até os mais longínquos confins da terra.

A luta de Deus

“Saberá toda esta multidão que o SENHOR salva, não com espada, nem com lança; porque do SENHOR é a guerra, e ele vos entregará nas nossas mãos” (1Sm 17.47). Significa que o Senhor não necessita de armas para salvar o Seu povo.

A batalha de Deus contra o pecado, contra a perdição e contra o Diabo não foi realizada com raios e trovões, nem com granizo ou bombas atômicas, mas de modo totalmente não convencional, porém, com poder destruidor infinitamente maior: através da morte de Jesus, na cruz do Gólgota e da Sua Ressurreição.

Derrotados com as próprias armas

“Sucedeu que, dispondo-se o filisteu a encontrar-se com Davi, este se apressou e, deixando as suas fileiras, correu de encontro ao filisteu. 49 Davi

meteu a mão no alforje, e tomou dali uma pedra, e com a funda lha atirou, e feriu o filisteu na testa; a pedra encravou-se-lhe na testa, e ele caiu com o rosto em terra. 50 Assim, prevaleceu Davi contra o filisteu, com uma funda e

com uma pedra, e o feriu, e o matou; porém não havia espada na mão de Davi. 51 Pelo que correu Davi, e, lançando-se sobre o filisteu, tomou-lhe a espada, e

desembainhou-a, e o matou, cortando-lhe com ela a cabeça. Vendo os filisteus

que era morto o seu herói, fugiram” (1Sm 17.48-51). Davi cortou a cabeça de Golias com a própria arma deste!

Jesus também derrotou o Diabo utilizando as próprias armas deste, ou seja,

com a morte. Este era o maior poder, a arma mais poderosa de Satanás. É o que podemos interpretar, lendo Hebreus 2.14: “Visto, pois, que os filhos têm participação comum de carne e sangue, destes também ele, igualmente, participou, para que, por sua morte, destruísse aquele que tem o poder da morte, a saber, o diabo”.

O desarmamento

“Tomou Davi a cabeça do filisteu e a trouxe a Jerusalém; porém as armas dele pô-las Davi na sua tenda” (1Sm 17.54). É tão libertador ler, no Novo Testamento, sobre a obra de Jesus: “e, despojando os principados e as potestades [através da Sua morte na cruz e o cancelamento da nossa culpa], publicamente os expôs ao desprezo, triunfando deles na cruz” (Cl 2.15). “Ele nos libertou do império das trevas e nos transportou para o reino do Filho do seu amor, 14 no qual temos a redenção, a remissão dos pecados” (Cl 1.13-14).

Conhecido mas não identificado

“Quando Saul viu sair Davi a encontrar-se com o filisteu, disse a Abner, o comandante do exército: De quem é filho este jovem, Abner? Respondeu Abner:

Tão certo como tu vives, ó rei, não o sei. 56 Disse o rei: Pergunta, pois, de quem

é filho este jovem. 57 Voltando Davi de haver ferido o filisteu, Abner o tomou e o levou à presença de Saul, trazendo ele na mão a cabeça do filisteu. 58 Então, Saul lhe perguntou: De quem és filho, jovem? Respondeu Davi: Filho de teu servo Jessé, belemita” (1Sm 17.55-58). O vencedor vinha de Belém. Mesmo que Saul havia mandado buscá-lo na casa de seu pai (1Sm 16.19) e, mesmo que Davi havia, algumas vezes, tocado a harpa para proporcionar alívio para Saul quando este era molestado por um espírito maligno, Davi não foi reconhecido nem pelo rei nem pelos do seu convívio. Pareciam estar cegos.

Isso retrata a situação de Israel: Jesus veio de Belém, viveu entre eles, derrotou demônios na presença deles, realizou sinais e milagres, morreu e venceu o Diabo na cruz do Gólgota – mesmo assim Israel estava (e ainda está) cego para Ele. No entanto, a história ainda não terminou! Ela já está escrita até o final, mas ainda não foi totalmente executada na prática. Assim, precisamos continuar com a nossa leitura.

Ungido três vezes

Primeiramente Davi foi ungido à vista de seus irmãos, o que é uma figura para a unção de Jesus no Seu batismo;

Davi foi ungido pela segunda vez: “Então, vieram os homens de Judá e ungiram ali Davi rei sobre a casa de Judá” (2Sm 2.4). Nessa ocasião ele foi ungido apenas pelos homens da tribo de Judá, isto é, apenas por uma parte de Israel. Isso nos lembra da unção no Pentecostes, quando o Espírito Santo foi derramado. Esse derramamento atingiu somente uma parte do povo de Israel

• Finalmente houve uma terceira unção da qual participou todo o Israel:

“Então, todas as tribos de Israel vieram a Davi, a Hebrom, e falaram, dizendo: Somos do mesmo povo de que tu és. 2 Outrora, sendo Saul ainda

rei sobre nós, eras tu que fazias entradas e saídas militares com Israel; também o SENHOR te disse: Tu apascentarás o meu povo de Israel e serás

chefe sobre Israel. 3 Assim, pois, todos os anciãos de Israel vieram ter com

o rei, em Hebrom; e o rei Davi fez com eles aliança em Hebrom, perante o SENHOR. Ungiram Davi rei sobre Israel” (2Sm 5.1-3). Essa unção é um quadro profético representando a Volta de Jesus. Aqui temos alguns paralelos:

Todas as tribos participarão quando Jesus voltar e for ungido para assumir o Reino;

Todos reconhecerão que Jesus é um deles, de sua carne e seus ossos, um judeu de judeus;

Todos reconhecerão que Jesus – assim como ocorreu nos tempos de Saul – já havia estado entre eles e conquistou vitórias. Isso remete à Sua primeira vinda;

Repentinamente, todos verão que as promessa messiânicas são cumpridas nEle, que Ele é o Messias anunciado por Deus através de Moisés e dos profetas;

Do mesmo modo como Davi celebrou uma aliança com as tribos de Israel, assim o Senhor, quando Ele voltar, levará Israel para a Nova Aliança;

• Finalmente, o Espírito Santo será derramado sobre todo o Israel. Então se cumprirá cabalmente a profecia de Joel (Jl 2.28s.).

-4-

A APARENTE CONTRADIÇÃO

“Depois disto, o SENHOR, do meio de um redemoinho, respondeu a Jó: 2 Quem é

este que escurece os meus desígnios com palavras sem conhecimento?” (Jó 38.1-

Introdução

2).

Os desígnios do Senhor são insondáveis e prosseguem de acordo com o Seu plano de Salvação. A Bíblia revela isso. Isso engloba tudo: coisas, palavras, acontecimentos, parábolas e histórias sendo que, quando a lemos superficialmente, quase não observamos, não entendemos ou, ainda, ficamos com idéias contraditórias. Não foi somente Davi que teve essa experiência, mas o mesmo aconteceu com Jó. Jó não tinha conhecimento do que se havia passado no Céu, ou seja, da conversa entre Deus e o Diabo e, assim, ele não conseguia compreender porque surgiram todas essas provações e dificuldades em sua vida. Mais tarde, de maneira especial, ele pôde reconhecer que tudo na vida tem sentido, objetivo e razão de ser e que serviu para o seu bem e para honrar a Deus. – Também você, querido(a) leitor(a), nunca duvide que, em tudo o que Deus permite acontecer em sua vida, Ele pretende levá-lo(a) à santificação e corresponde ao Seu sábio desígnio.

Também os acontecimentos no decorrer da história da humanidade – principalmente os relacionados com a história de Israel – têm por base os desígnios de Deus e o Seu plano de Salvação. Infelizmente, em muitos casos, nossa incompreensão (falta de discernimento e entendimento) nos impede de enxergar isso. Aquilo que, por ser visto superficialmente às vezes desperta idéias contraditórias, quando observado mais cuidadosamente pode nos revelar a Sabedoria de Deus, o Seu magnífico desígnio e o Seu maravilhoso plano de Salvação. Assim, repentinamente, podem reluzir as facetas de Sua glória que, antes, não eram notadas. Imaginem só o que Jó compreendeu e interpretou erradamente ou não conseguiu entender durante o seu sofrimento! No entanto, depois que ele adquiriu entendimento, ele reconheceu: “Eu te conhecia só de

ouvir, mas agora os meus olhos te vêem. 6 Por isso, me abomino e me arrependo no pó e na cinza” (Jó 42.5-6).

Também com Davi podemos identificar uma contradição aparente, porém, observando mais atentamente, descobrimos que foi traçado um rastro profético em sua vida que aponta para o plano de Salvação divino com Jesus.

A aparente contradição

“Assim, fez passar Jessé os seus sete filhos diante de

Samuel...

11

Perguntou Samuel a Jessé: Acabaram-se os teus filhos? Ele respondeu: Ainda falta o mais moço, que está apascentando as ovelhas” (1Sm 16.10-11). Vemos assim que Jessé tinha oito filhos, o que fica provado no capítulo seguinte: “Davi era filho daquele efrateu de Belém de Judá cujo nome era Jessé, que tinha oito filhos” (1Sm 17.12). Ao contrário disso, em 1 Crônicas 2.13-15, lemos: “Jessé gerou a Eliabe, seu primogênito, a Abinadabe, o segundo, a Siméia, o terceiro, 14 a Natanael, o quarto, a Radai, o quinto, 15 a Ozém, o sexto, e a Davi, o

sétimo” (1Cr 2.13-15). Será que conseguimos uma explicação para essa (aparente) contradição entre os relatos de 1 Samuel e de 1 Crônicas?

Duas possibilidades

1. A explicação natural e prática.

Nesses relatos não podemos deixar de levar em conta que os livros de Crônicas foram escritos muito mais tarde do que os livros de Samuel. Na Bíblia hebraica, os livros de Crônicas são os últimos. O período entre 1 Samuel e 1 Crônicas compreende cerca de 500 anos: 1 Samuel foi escrito por volta de 1000 a.C. e 1 Crônicas por volta de 500 a.C. Assim, os livros de Crônicas foram escritos somente após o retorno da Babilônia. Além disso, a tônica dos livros de Crônicas refere-se ao desígnio de Deus para o Reino de Israel, enquanto os livros de Samuel se envolvem mais com as personalidades de Samuel, Davi e Saul. Dito em outras palavras: nos livros de Crônicas é relatado somente o essencial. Assim, poderia ser que Jessé de fato tivesse oito filhos, conforme consta em 1 Samuel e Davi seria o oitavo deles. O nome do sétimo filho, cujo nome não se conhece, poderia ter morrido solteiro ou sem filhos. Essa seria uma explicação plausível para que o autor dos livros de Crônicas tivesse, quinhentos anos depois, mencionado sete filhos, uma vez que somente esses (ao contrário do falecido sem filhos) seriam importantes em vista da linhagem real de Davi.

Tomemos um exemplo prático de nossa época. Um casal tem cinco filhos, sendo que um deles falece na infância. Se, após vinte, trinta anos, ou mais, se falar sobre esse casal, a regra seria dizer: “Eles tiveram quatro filhos”. Também o próprio casal, quando, por exemplo, posteriormente fosse indagado sobre a quantidade de filhos por algum motivo, provavelmente responderia “quatro”.

2. Explicação na visão profética.

Essa poderia ser baseada no fato de que Davi era uma personalidade escolhida por Deus e que teria uma posição de destaque em Israel. Acontece que Davi é o homem cuja pessoa e reinado apontam para o Messias. Não é por acaso que, no Novo Testamento, Jesus e chamado diversas vezes de “Filho de Davi”. Assim, Davi serve de pré-figura para o verdadeiro Grande Davi, o Rei dos reis.

Sabemos que os números na Bíblia possuem um certo significado e simbolismo. Desse modo, a (aparente) contradição quanto à quantidade de filhos de Jessé tem algo a dizer em vista do desígnio de Deus e do Seu plano de Salvação. Sim, ela serve para ressaltar a grandeza e singularidade de Jesus à luz de Davi.

Davi era ambos: por um lado, o oitavo filho de Jessé (1Sm 17.12) e, por outro, também o sétimo filho (1 Cr 2.12-15).

Da mesma maneira, Jesus Cristo é simbolicamente ambos, pois o número 8 significa “renovação” e sempre indica um recomeço:

  • - O 8º dia = o primeiro dia da semana;

  • - Com 8 pessoas – Noé e sua família – Deus conduziu um recomeço da humanidade após o Dilúvio;

    • - Vários intérpretes das profecias são da opinião que o 8° Século poderia

ser o início de um novo Céu e uma nova Terra, após o Reino Milenar. Davi foi o 8º filho de Jessé e deu um início totalmente novo à história de Israel. Houve um fim trágico – a decadência – com Saul, o homem segundo o coração dos homens (“6” é o número para pessoas). Após o fracasso, as tribulações e as lágrimas houve o início de algo bem novo e maravilhoso, sob a direção do Espírito Santo e com Davi, o homem segundo o coração de Deus. O Senhor novamente concedeu vitórias. Assim, Davi serve de uma maravilhosa figura que aponta profeticamente para Jesus.

dia, (considerando que foi o primeiro dia de uma nova semana) e, assim, Ele deu início a algo totalmente novo para a história da humanidade. Ninguém influenciou tanto o mundo e com um efeito tão duradouro como Jesus! “Ele é antes de todas as coisas. Nele, tudo subsiste. 18 Ele é a cabeça do corpo, da igreja. Ele é o

princípio, o primogênito de entre os mortos, para em todas as coisas ter a primazia, 19 porque aprouve a Deus que, nele, residisse toda a plenitude” (Cl

1.17-19).

Por ocasião de uma Festa dos Tabernáculos – que durava 7 dias, o 8º dia era santificado especialmente (Lv 23.36) – nesse 8º dia, o feriado mais esplêndido, Jesus levantou e mostrou a Sua grandeza: “No último dia, o grande dia da festa, levantou-se Jesus e exclamou: Se alguém tem sede, venha a mim e beba. 38

Quem crer em mim, como diz a Escritura, do seu interior fluirão rios de água viva” (Jo 7.37-38).

Dessa maneira, Davi, sendo o 8º filho em 1 Samuel, aponta profeticamente para Jesus Cristo, o Maior, o mais Glorioso em Quem tudo se renova. Foi isso que Jesus afirmou: “Eis que faço novas todas as coisas” (Ap 21.5). Na condição de 8º filho, Davi comparece para derrotar Golias (1Sm 17.12). Na cruz, Jesus venceu ao leão (o Diabo), ao urso (as nações pagãs) e a Golias (o Anticristo)! Todo aquele que aceitar Jesus como o Senhor, verá cumprida a palavra: “...se alguém está em Cristo, é nova criatura; as coisas antigas já passaram; eis que se fizeram novas” (2 Co 5.17). Ele, Jesus Cristo, foi a última palavra de Deus para as pessoas: “nestes últimos dias, nos falou pelo Filho” (Hb 1.2).

Já vimos anteriormente que Davi é mencionado como o sétimo filho de Jessé, em 1 Crônicas e explicamos que, provavelmente, Jessé de fato tinha 8 filhos, mas que um deles havia falecido muito jovem. Com isso, Davi seria automaticamente o 7º filho, pois era o último. O número 7 indica a perfeição. O 7 é considerado o número completo. Com Davi, o 7º filho de Jessé, Deus alcançou completamente o Seu alvo determinado:

  • - Nele, a linhagem real alcançou o seu ápice;

  • - As 12 tribos (Judá e Israel) foram unificadas;

  • - Davi tornou-se rei sobre todo Israel.

Através do Messias e Rei Jesus Cristo, Deus conduz Seus planos e propósitos à perfeição:

  • - A redenção está consumada;

  • - O reinado e o Reino dos Céus serão consumados nEle;

  • - NEle, Israel e a Igreja alcançam o alvo;

  • - Quando Jesus regressar, todos os judeus da dispersão serão reunidos e todo Israel será unificado nEle;

    • - Todo Israel será salvo (ver Romanos, cap. 9-11).

Nenhuma pessoa alcança o alvo de Deus sem Jesus – o Perfeito – nem

mesmo o povo de Israel! Sem Jesus ficamos retidos no número 6 – o número do homem. Sem o Senhor não conseguimos ir adiante, permanecemos imperfeitos. A melhor entre todas as pessoas não consegue cumprir os mandamentos de Deus, mas a graça de Jesus absolve o pior pecador! Através dEle e graças a Ele a Palavra nos diz: “Também, nele, estais aperfeiçoados. Ele é o cabeça de todo principado e potestade” (Cl 2.10).

Conseguimos identificar as marcas proféticas que Davi deixou e que apontam para Jesus? Conseguimos reconhecer a maneira maravilhosa como Deus, através da pessoa de Davi – o 7º e 8º filho – projeta luz sobre Sua ação redentora e Seu desígnio perfeito? Então também compreenderemos algo sobre a grandeza inimaginável e perfeita da Sua obra através de Jesus Cristo e que Cristo permanece como Pessoa preponderante sobre tudo entre Deus e os homens.

O que Deus quer nos dizer com isso?

1. É possível recomeçar em Jesus (8 = renovação)

Muitas pessoas se questionam: “Será que eu ainda tenho uma chance? É possível, depois de tudo o que aconteceu em minha vida, que haja uma maneira de recomeçar?” Sim, ela existe, mas somente com Jesus! Foi Ele, sozinho, que

possibilitou isso. Onde e como Ele o fez? – Na cruz do Gólgota, ao verter o Seu

sangue. Por isso, o Senhor diz:

“...isto

é o meu sangue, o sangue da nova

aliança, derramado em favor de muitos, para remissão de pecados” (Mt 26.28).

Jesus é capaz de transformar uma vida arruinada e obstruída de tal maneira que se

compara a um novo nascimento (Jo 3.1s.) Também o salmista orou assim:

“...renova

dentro de mim um espírito inabalável” (Sl 51.10). Não podemos

desfazer aquilo que já está feito, não podemos recuperar coisas do passado para refazê-las de maneira diferente. Aquilo que fizemos ou dissemos está feito tanto

as palavras proferidas como os atos praticados. No entanto, Jesus concede perdão e uma nova vida proveniente de Deus quando aceitamos pessoalmente a Sua Salvação!

Talvez você esteja sofrendo devido a algum ou diversos pecados? Talvez se encontre diante de um monte de fragmentos que restaram de uma vida destruída? Jesus afirma: “Eis que faço novas todas as coisas” (Ap 21.5). Talvez a sua vida cristã tenha se tornado morna, que você tenha abandonado o primeiro amor e tenha caído nos antigos pecados. Você não ora mais como fazia, não crê mais como antes, não se empenha mais pela Causa do Senhor como fazia. Provavelmente você quase não tem mais comunhão com outros cristãos. O mundo se apoderou novamente de você e, em conseqüência, sua vida tornou-se cada vez mais escura. Sua vida cristã tornou-se um deserto – infrutífera. Você é infeliz, não tem calma interior, não tem paz e se pergunta, arrependido: “Será que eu ainda consigo voltar para Jesus?” O povo de Israel também estava várias vezes diante dessa questão. O Senhor, no entanto, mandou a mensagem através do profeta Isaías: “Eis que faço coisa nova, que está saindo à luz; porventura, não o percebeis? Eis que porei um caminho no deserto e rios, no ermo” (Is 43.19). Considere essa resposta de Deus pessoalmente para você! Porém, uma coisa precisa ficar bem clara para você: Nada será possível sem Jesus! Ainda, você precisa se dispor a abandonar o velho homem e se revestir no novo homem em Jesus. É isso que o Novo Testamento nos diz: “Não mintais uns aos outros, uma vez que vos despistes do velho homem com os seus feitos 10 e vos revestistes do

novo homem que se refaz para o pleno conhecimento, segundo a imagem daquele que o criou” (Cl 3.9-10).

2. Em Jesus há perfeição (7 = perfeição)

Através de Jesus você não só se torna novo como também se torna perfeito. Ele não só nos concede o recomeço, o perdão dos pecados como também a perfeição. Isso não é conseqüência de nosso esforço próprio, mas ocorre pela graça da vida perfeita de Jesus. Ele prometeu ser o Autor e Consumador da nossa fé. Ele, que iniciou a obra em nós, também a consumará. Ele proporciona ambos:

o querer e o realizar. Sua plenitude nos é atribuída: “porquanto, nele, habita, corporalmente, toda a plenitude da Divindade. 10 Também, nele, estais

aperfeiçoados. Ele é o cabeça de todo principado e potestade” (Cl 2.9-10). Em última análise, cada pessoa deseja, ao final de sua vida, olhar retrospectivamente não só para uma vida realizada, mas para uma vida plena. Todavia, isso é possível somente através de Jesus, pois Ele é a vida. Quem tem Jesus e O segue

não estará arrependido na eternidade. Em seu livro “Spuren zum Kreuz” (Pegadas no caminho para a Cruz, em tradução livre), o pastor Wilhelm Busch relata sobre a morte do pastor De Vries:

...poucos

minutos antes de sua partida ele reuniu todos que conseguiu ao redor de seu leito e,

então, lhes falou: “Aquilo que eu preguei na minha vida, desejo mais uma vez testemunhar e dizer em alta voz agora quando vou para meu lar: Na vida e na morte há somente Um que pode

ajudar, consolar e redimir. É Ele, Jesus, que morreu na cruz e deu o Seu sangue por nós. Vivi para Ele, confiei nEle. Agora desejo também morrer nEle!”

3. O Senhor deseja e merece nossa confiança

Tudo deve contribuir para o bem daqueles que amam a Deus (Rm 8.28)!

Mesmo que a situação pareça contraditória, na verdade, não é. Deus deseja tornar realidade em sua e em minha vida o Seu desígnio de Salvação. Às vezes, com o intuito de realizar Seus desígnios, Ele também nos leva por caminhos que consideramos incompreensíveis, que parecem contrariar toda e qualquer lógica. Nesse sentido, lembro-me do pastor do Reavivamento – Luwig Hofacker (1798- 1828). Através de suas mensagens houve um grande avivamento no sul da Alemanha. Milhares de pessoas abraçaram a fé. O Espírito de Deus agiu muito além do que se poderia imaginar e, mesmo assim, Hofacker faleceu aos 30 anos de idade. Por quê? Por que esse homem, que foi usado tão maravilhosamente por Deus, precisou morrer tão jovem? Somente na Eternidade teremos a resposta para isso (Jo 16.23). É nossa falta de entendimento que oculta o Plano de Salvação de

Deus enquanto vivemos na terra, pois está escrito:

“...os

meus pensamentos não

são os vossos pensamentos, nem os vossos caminhos, os meus caminhos, diz o SENHOR, 9 porque, assim como os céus são mais altos do que a terra, assim são

os meus caminhos mais altos do que os vossos caminhos, e os meus pensamentos, mais altos do que os vossos pensamentos” (Is 55.8-9). E qual é o alvo de Deus? O profeta fala sobre isso logo em seguida: serve para cumprir o Plano de Salvação de Deus – também para você: “Porque, assim como descem a chuva e a neve dos céus e para lá não tornam, sem que primeiro reguem a terra, e a fecundem, e a façam brotar, para dar semente ao semeador e pão ao que come, 11 assim será a palavra que sair da minha boca: não voltará para mim

vazia, mas fará o que me apraz e prosperará naquilo para que a designei. 12 Saireis com alegria e em paz sereis guiados; os montes e os outeiros romperão em cânticos diante de vós, e todas as árvores do campo baterão palmas” (Is 55.10-12). Você gravou bem essas palavras? A sua vida deve (e pode) tornar-se frutífera novamente e você será conduzido em paz!

Talvez, mesmo assim, você se preocupe com a questão: “Como Deus permite que tal coisa aconteça em minha vida?” Veja, então, o que Ele diz em Sua Palavra: “O que eu faço não o sabes agora; compreendê-lo-ás depois” (Jo 13.7). Ao final não haverá lágrimas nem perguntas. Ficaremos somente adorando ao Senhor, agradecidos!

-5-

OS IRMÃOS

“Jessé gerou a Eliabe, seu primogênito, a Abinadabe, o segundo, a Siméia, o terceiro, 14 a Natanael, o quarto, a Radai, o quinto, 15 a Ozém, o sexto, e a Davi, o

Introdução

sétimo” (1Cr 2.13-15).

Há um Senhor amoroso, planejador e ativo por trás da história do povo de Israel. Nada é obra do acaso. Toda a história de Israel está determinada profeticamente e com freqüência podemos identificar marcos que nos mostram que existe um Deus vivo administrando a história do Seu povo. Parece que o nome de Jessé também seja um desses marcos, assim como o nome dos seus filhos, pois, em Israel os nomes sempre tinham um significado. É como Abraham Meister explica em seu “Dicionário de Nomes Bíblicos”: “Com freqüência, os nomes bíblicos constituem fragmentos da antiga História, revelações do propósito de Deus, palavras de esperança e previsões sobre o futuro”. Por isso, não é por acaso que, além de Jessé, são mencionados os nomes de todos os filhos: 1. Eliabe; 2. Abinadabe; 3. Siméia; 4. Natanael; 5. Radai; 6. Ozém e 7. Davi. Poderia ser que, através de Jessé e seus filhos, Deus desejasse nos mostrar, numa antevisão, o desdobramento da história da salvação de Israel até chegar ao Grande Davi, o Messias? Parece haver muitos indícios nesse sentido. Vamos seguir a partir dessa possibilidade.

Israel, a comprovação de Deus

O pai de Davi se chamava Jessé, que significa “Yahweh”. Assim, através do nome de Jessé se mostra o que o povo de Israel é, ou seja, uma confirmação para Deus: “Yahweh é”. Em Isaías 43.10, o Senhor também afirma: “Vós sois as minhas testemunhas”. O Messias Jesus Cristo, que seria procurado por todos os povos, deveria surgir da linha hereditária de Jessé (Is 11.1,10). As profecias

bíblicas constantemente deixam claro que todos os povos, através do Seu agir junto ao povo de Israel, devem reconhecer que Ele é o SENHOR (Êx 9.16; Jr

31.10).

Já no Egito ficou claro que somente o Deus de Israel é o Deus verdadeiro (Êx 3.14-15,18; 8.10). Também durante a jornada no deserto isso foi reconhecido (Êx 18.9-10), bem como na conquista de Jericó (Js 2.9-11). Outrossim, isso ficou visível no domínio mundial babilônico (Dn 3.28-29). Não por último, ficou revelado também na dispersão e na reconstituição de Israel: “Então eu perguntei: Até quando, Senhor? E ele respondeu: ‘Até que as cidades estejam em ruínas e sem habitantes, até que as casas fiquem abandonadas e os campos estejam totalmente devastados, 12 até que o SENHOR tenha enviado todos para

longe e a terra esteja totalmente desolada. 13 E ainda que um décimo fique no país, esses também serão destruídos. Mas, assim como o terebinto e o carvalho deixam o tronco quando são derrubados, assim a santa semente será o seu tronco” (Is 6.11-13 – NVI).

Em 70 d.C. e 132 d.C. os judeus foram expulsos de sua terra conforme Isaías havia profetizado. Aqueles que ainda haviam permanecido na terra, depois da destruição de Jerusalém e da deportação de Tito, no ano 70 d.C., foram exilados ou exterminados pelo Imperador Adriano, em 132 d.C. Desse modo, Eretz Israel realmente se tornou um deserto totalmente devastado. Mesmo assim, por mais que tenham sido deportados, por mais casas de judeus que tenham ficado vazias, ainda permaneceu um pequeno embrião como garantia para o futuro. No início do Século 19 havia somente em torno de 6.000 judeus em Israel. Ao final do Séc. 19 (1882), no entanto, os judeus retornaram à sua pátria, primeiramente vindos da Rússia (Norte) e, então, de todas as regiões do mundo. Já a partir de 1844, os judeus comprovadamente constituíam a maior parcela da população de Jerusalém. Com isso, essa profecia de Isaías também se cumpriu literalmente.

Israel e sua história são uma prova viva para um Senhor Onipotente, cuja Palavra é a verdade. “As nações saberão que eu sou o SENHOR” (Ez 37.28a) “Yahweh é”! Em relação a Israel, com vistas ao tempo quando Gogue, o príncipe de Rôs, de Meseque e Tubal invadir a terra e quando Deus interferir em favor de Israel, lemos: “Farei conhecido o meu santo nome [Jessé = “Yahweh é”] no meio do meu povo de Israel e nunca mais deixarei profanar o meu santo nome; e as nações saberão que eu sou o SENHOR, o Santo em Israel” (Ez 39.7).

Israel e sua história são uma prova viva para um Senhor Onipotente, cuja

Palavra é a verdade, pois:

  • - Que outro poder poderia estar por trás do retorno de Israel à terra de seus

pais?

  • - Que outra força, além da força de Deus, seria capaz de fazer com que um povo, espalhado entre cerca de 150 nações, se disponha e retorne à sua pátria?

    • - Que outra possibilidade haveria para um povo, disperso pelo mundo

durante 1.900 anos e quase extinto, novamente formar um Estado independente em

sua terra de origem?

Esses motivos fizeram com que grandes homens desse mundo procurassem descobrir o segredo da imortalidade do povo judeu. A Bíblia dá a resposta:

“Yahweh é”!

Nos 7 filhos de Jessé podemos identificar uma imagem para o desdobramento da história do povo de Israel até à Volta do Senhor.

Os sete irmãos

Eliabe (“Meu Deus é Pai”)

Esse irmão mais velho de Davi nos lembra do nascimento de Israel, da origem da história de Israel que remonta à eleição de Abraão. Ali Deus se tornou o Pai (Criador) de Israel. Por isso Ele é muitas vezes mencionado como “o Deus

de vossos pais” ou “o Deus de seus pais”. Isso nos lembra da oração de Jesus:

“Pai

nosso...”.

Quando Deus chamou Abraão e lhe ordenou:

“Sai...

da casa de

teu pai e vai para a terra que te mostrarei” (Gn 12.1), Ele assumiu a posição de Pai (Deus) sobre Israel, dando início à história desse povo.

O chamado de Abraão desemboca na vinda de Jesus, quando ele afirmou:

“...antes

que Abraão existisse, EU SOU”. Jesus ressaltou que Abraão havia visto

o Seu dia e se alegrou (Jo 8.56-58). No entanto, quem é Jesus? Ele é o Pai de Israel! Desde o princípio Ele é a chave da história judaica. “Porque um menino nos nasceu, um filho se nos deu; o governo está sobre os seus ombros; e o seu nome será: Maravilhoso Conselheiro, Deus Forte, Pai da Eternidade, Príncipe da Paz” (Is 9.6). Que tremendo milagre: nasceu como um bebê, mas é o Pai da Eternidade!

Abinadabe (“Meu pai é um nobre” ou “nascido livre”)

Esse nome nos lembra da segunda etapa da história de Israel. “Meu pai nasceu livre” indica a eleição de Israel dentre todas as nações e sua libertação da escravidão do Egito. Israel não pode ser comparado às demais nações! Ele é o povo de propriedade exclusiva de Deus. Os egípcios, que aprisionaram os pais de Israel, precisaram experimentar isso: “Porque tu és povo santo ao SENHOR, teu Deus; o SENHOR, teu Deus, te escolheu, para que lhe fosses o seu povo próprio, de todos os povos que há sobre a terra. 7 Não vos teve o SENHOR afeição, nem

vos escolheu porque fôsseis mais numerosos do que qualquer povo, pois éreis o menor de todos os povos, 8 mas porque o SENHOR vos amava e, para guardar o

juramento que fizera a vossos pais, o SENHOR vos tirou com mão poderosa e vos resgatou da casa da servidão, do poder de Faraó, rei do Egito” (Dt 7.6-8). Deus

mandou a mensagem para o Faraó:

“...Israel

é meu filho, meu primogênito. 23

Digo-te, pois: deixa ir meu filho, para que me sirva” (Êx 4.22-23). Os pais de Israel foram libertos do Egito porque Israel era o eleito e chamado à liberdade, pois, posteriormente, desse povo viria o Filho maior como o grande Libertador de todos os povos. Jesus, o maior de todos os libertadores, também veio do

Egito:

“...Do

Egito chamei o meu Filho” (Mt 2.15b).

Siméia (“Deus atende”)

Enquanto Eliabe (“Meu Deus é Pai”) indica o nascimento de Israel através da eleição de Abraão, Abinadabe (“Nascido livre”) aponta para a libertação do Egito, Siméia (“Deus atende”) mostra a experiência de Israel durante a jornada no deserto. Lá o povo vivenciou milagre após milagre, atendimento de oração após atendimento de oração. Apesar de que, nesse período, o povo pecava e se rebelava constantemente, Deus mesmo assim atendia os pedidos de Seu povo.

O Salmo 78 descreve, de maneira impressionante, a atuação de Deus na história de Israel durante a sua caminhada pelo deserto: Deus abriu um caminho no mar (v.13). Ele guiava o povo com uma nuvem durante o dia e com uma coluna de fogo durante a noite (v.14). Ele fendeu a rocha para suprir água (v.15). Ele mandou chover pão do céu e carne como pó (v. 24,27). Sim, antes disso Deus os havia livrado da mão do opressor egípcio (v. 42s.).

No entanto, o Salmo 78 também relata que os israelitas não foram fiéis a Deus, que nem creram nem confiaram nEle. Eles murmuravam, resistiam e pecavam. Seu coração era muito instável diante de Deus, por isso eram julgados. Então, clamavam desesperados a Deus – e o Senhor os atendia, perdoando suas transgressões. Ele tratava com misericórdia e não os extinguia. Um exemplo da

salvação proporcionada por Deus foi a serpente de bronze (Nm 21.8s.). O Salmo 81.7 descreve a experiência no deserto (Siméia – “Deus atende”): “Clamaste na angústia, e te livrei; do recôndito do trovão eu te respondi e te experimentei junto às águas de Meribá”. No entanto, a rocha que os acompanhava era Jesus Cristo (1 Co 10.4).

Natanael (“Presente de Deus”)

Enquanto Siméia nos mostra a jornada pelo deserto, o nome Natanael (“Presente de Deus”) refere à entrada na Terra Prometida. Deus conduziu os israelitas para a terra que mana leite e mel e expulsou diante deles as nações inimigas de Deus. Deus colocou toda a terra à sua disposição. Em seu discurso de despedida perante o povo, Josué pôde dizer: “Eis que, já hoje, sigo pelo caminho de todos os da terra; e vós bem sabeis de todo o vosso coração e de toda a vossa alma que nem uma só promessa caiu de todas as boas palavras que falou de vós o SENHOR, vosso Deus; todas vos sobrevieram, nem uma delas falhou” (Js 23.14). “Presente de Deus”.

Radai (“Subjugado por Yahweh” ou “pisoteado”)

Depois que Abraão foi eleito e Deus se revelou como o Pai (Eliabe), depois que Israel foi liberto do Egito (Abinadabe) e foi conduzido através do deserto (Siméia) à Terra Prometida (Natanael), finalmente a terra e o povo estavam unidos. Assim, estava preparado o caminho para que pudesse vir Aquele que traria a salvação para Israel e para os povos e com poder para subjugar o poder do pecado. Jesus pisou a cabeça da serpente. Dessa maneira, Radai (“Subjugado por Yahweh”) aponta simbolicamente para a primeira vinda de Jesus. Deus chamou para Si a causa da derrota do pecado e venceu a morte. Na cruz, Jesus pisou a cabeça da serpente (Gn 3.15). Não existe nenhum pecado, nenhum medo e nenhum poder das trevas que não tivesse sido derrotado por Jesus . Ele desarmou totalmente as forças e poderes e os colocou publicamente ao opróbrio. Deus obteve o triunfo sobre todos eles em Jesus (Cl 2.15).

Ozém (“Ira” ou “irado”)

Este nome aponta para aquilo que ocorreu após a primeira vinda de Jesus:

Israel foi disperso por todo o mundo porque desobedeceu e foi infiel a Deus. Pela mesma razão, Israel será conduzido à Grande Tribulação e sofrerá a ira de Deus. O Apocalipse demonstra claramente que a Grande Tribulação não é nada além da ira de Deus sobre Israel.

Não é interessante observar que justamente o nome do 6º filho signifique “ira” ou “irado”? O número 6 é conhecido como o número do Anticristo da Grande Tribulação e indica o número do homem sem Deus. Este será o período

em que a ira de Deus também será derramada sobre todos os povos do mundo. Em

Apocalipse 6.16, lemos:

“...escondei-nos

...da

ira do Cordeiro” (ver Is

13.9,11,22; Ap 1.3). No Salmo 2, onde se fala sobre os povos, consta a resposta

de Deus: “Em sua ira os repreende e em seu furor os

aterroriza...”

(Sl 2.5 –

NVI). Adiante, no versículo 12, lemos: “Beijai o Filho para que se não irrite, e não pereçais no caminho; porque dentro em pouco se lhe inflamará a ira. Bem-

aventurados todos os que nele se refugiam” (Sl 2.12). Será que estamos próximos da época do reino do Anticristo e da ira de Deus que será derramada sobre todos os povos? Mesmo o Diabo, quando se materializar no Anticristo, estará muito irado, pois sabe que terá pouco tempo (Ap.12.12).

Davi (“O amado”)

Através do profeta Jeremias, Deus descreve o quanto o Seu amor por Israel

foi e é imenso: “Não é Efraim meu precioso filho, filho das minhas delícias? Pois tantas vezes quantas falo contra ele, tantas vezes ternamente me lembro dele; comove-se por ele o meu coração, deveras me compadecerei dele, diz o SENHOR” (Jr 31.20). Também através de Oséias Deus sublinha isso: “Como te deixaria, ó Efraim? Como te entregaria, ó Israel? Como te faria como a Admá? Como fazer-te um Zeboim? Meu coração está comovido dentro de mim, as minhas compaixões, à uma, se acendem” (Os 11.8).

Davi, o sétimo filho de Jessé aponta para o cumprimento do Plano de Salvação de Deus para com o Seu povo e com este mundo. Ele aponta para o maior Filho de Davi: o Messias e a Sua Volta. “Suscitarei para elas um só pastor, e ele as apascentará; o meu servo Davi é que as apascentará; ele lhes servirá de pastor” (Ez 34.23). Em Ezequiel 37, o Senhor diz: “O meu servo Davi reinará sobre eles; todos eles terão um só pastor, andarão nos meus juízos, guardarão os meus estatutos e os observarão. 25 Habitarão na terra que dei a

meu servo Jacó, na qual vossos pais habitaram; habitarão nela, eles e seus

filhos e os filhos de seus filhos, para sempre; e Davi, meu servo, será seu

príncipe

eternamente...

28 As nações saberão que eu sou o SENHOR que santifico

a Israel, quando o meu santuário estiver para sempre no meio deles” (Ez 37.24-

25,28). Jesus é o Filho amado do Pai, pois o Pai apontou para Ele, dizendo:

“Este é o meu Filho amado, em quem me comprazo” (Mt 3.17). Ele é o Herdeiro de todas as coisas e toda a terra, com Seus inimigos, será colocada como estrado

aos Seus pés. Já em Daniel 7.13-14 isso está bem descrito: “Eu estava olhando nas minhas visões da noite, e eis que vinha com as nuvens do céu um como o Filho do Homem, e dirigiu-se ao Ancião de Dias, e o fizeram chegar até ele. 14

Foi-lhe dado domínio, e glória, e o reino, para que os povos, nações e homens de todas as línguas o servissem; o seu domínio é domínio eterno, que não passará, e o seu reino jamais será destruído” (Dn 7.13-14). Depois que Israel percorreu a sua história – iniciando com a eleição de Abraão (Eliabe), a libertação do Egito (Abinadabe) e foi conduzido através do deserto (Siméia) à Terra Prometida (Natanael), chegando à primeira vinda de Jesus (Radai) e à Grande Tribulação (Ozém) – o Senhor, o Grande Filho de Davi voltará para estabelecer o Seu Reino.

Louvado seja o Seu Nome, Sua sabedoria e Seus pensamentos! Seus desígnios são perfeitos e Ele dirige tudo maravilhosamente!

-6-

O SEGREDO DO ÊXITO

“Davi lograva bom êxito em todos os seus empreendimentos, pois o SENHOR era com ele. 15 Então, vendo Saul que Davi lograva bom êxito, tinha medo dele. 16

Porém todo o Israel e Judá amavam Davi, porquanto fazia saídas e entradas

militares diante

deles. ...

30 Cada vez que os príncipes dos filisteus saíam à batalha,

Davi lograva mais êxito do que todos os servos de Saul; portanto, o seu nome se tornou muito estimado” (1Sm 18.14-16,30).

Introdução

O que “êxito” não significa

Visto da perspectiva espiritual, “êxito” não significa estar sempre nas alturas, que tudo dará certo, que nunca se terá o emprego abalado, que sempre haverá dinheiro suficiente, etc., etc. Os exemplos que seguem mostram que o êxito da Bíblia se encontra numa esfera bem diferente.

Davi tinha êxito, mas teve que enfrentar guerras cruéis;

Jó teve êxito, mas passou por um abismo terrível;

Daniel teve êxito, mas precisou entrar na cova dos leões;

José teve êxito, mas foi aprisionado;

• Paulo teve êxito, mas sofreu grande tribulação e perseguição horrível.

O que significa o verdadeiro êxito

Ter êxito significa andar nos caminhos que o Senhor preparou anteriormente:

“Pois somos feitura dele, criados em Cristo Jesus para boas obras, as quais

Deus de antemão preparou para que andássemos nelas” (Ef 2.10). Não existe maior êxito – quer seja nos altos ou nos baixos da nossa vida – do que viver no centro da vontade de Deus. Desse modo, um cristão pode ter êxito até no martírio. Justamente nisso estava o êxito dos heróis da fé em Hebreus 11 e nisso também estava o êxito de nosso Senhor Jesus Cristo!

Onde encontramos a razão do êxito de Davi?

A paixão de Davi: o Senhor

Davi obteve vitórias militares como nenhum outro: “As mulheres se alegravam e, cantando alternadamente, diziam: Saul feriu os seus milhares, porém Davi, os seus dez milhares” (1Sm 18.7). Davi saía e entrava à frente do povo de Israel, de vitória em vitória. Assim, ele deixou marcas que o tornaram famoso perante todo o mundo: “Os comandantes dos filisteus continuaram saindo para a batalha, e, todas as vezes que o faziam, Davi tinha mais habilidade do que os outros oficiais de Saul, e assim tornou-se ainda mais

famoso” (1Sm 18.30 – NVI). Esse êxito não se baseava em sua força, mas em sua paixão pelo Senhor, na sua confiança inabalável em Deus, na sua entrega total e na sua íntima comunhão com o Senhor. Davi nunca considerava as vitórias conquistadas como sendo suas, porém, sempre estava consciente que o Senhor, o Forte Lutador, estava sempre ao seu lado.

Davi revelava a verdade das suas profundas experiências. Não eram sonhos, não eram teorias nem fantasias, porém, correspondia ao seu próprio ser. Ao lermos o que ele testemunhou, estando no deserto de Judá, deveríamos nos questionar se uma paixão dessas é encontrada também em nossa vida: “Ó Deus, tu és o meu Deus forte; eu te busco ansiosamente; a minha alma tem sede de ti; meu corpo te almeja, como terra árida, exausta, sem água. 2 Assim, eu te

contemplo no santuário, para ver a tua força e a tua glória. 3 Porque a tua graça é melhor do que a vida; os meus lábios te louvam. 4 Assim, cumpre-me bendizer-te enquanto eu viver; em teu nome, levanto as mãos. 5 Como de banha

e de gordura farta-se a minha alma; e, com júbilo nos lábios, a minha boca te louva, 6 no meu leito, quando de ti me recordo e em ti medito, durante a vigília

da noite. 7 Porque tu me tens sido auxílio; à sombra das tuas asas, eu canto jubiloso. 8 A minha alma apega-se a ti; a tua destra me ampara” (Sl 63.1-8). Quão intenso era o amor de Davi por seu Senhor! Essa paixão deixou uma marca inextingüível em sua vida e foi parte do segredo do seu êxito. Na verdade, no Antigo Testamento lemos várias vezes a promessa do Senhor: “Se me seguirem de todo o coração, Eu estarei com vocês” (ver 1Sm 12.14; 2 Cr 15.2; Jr 29.13-14, etc.).

Também no Novo Testamento temos a promessa que, aquele que amar a

Jesus de todo o coração e com todas as suas forças e com todo o seu entendimento e que, antes de tudo, buscar o Seu Reino e a Sua justiça, receberá todas as demais coisas (Mt 6.33).

Será que, sob esse enfoque, nossa vida não se tornou morna e monótona, sim, enfadonha? Quando nos falta o óleo da paixão, se apaga o fogo que poderia proporcionar luz e calor para os outros. A paixão espiritual por Jesus é igual ao óleo na hidráulica: é preciso que sempre haja uma quantidade suficiente para produzir a força necessária para movimentar as pesadas cargas.

Já alguns anos após sua conversão e abençoado ministério, Oswald Chambers conheceu aquela que então se tornaria a sua esposa. Um pouco antes de se casarem, em 1910, ele lhe escreveu: “Eu amo o Senhor, mais e mais. Esse serviço para Ele está se tornando uma paixão cada vez mais desgastante. Gostaria que você estivesse comigo nesse caminho, mas, em breve isso acontecerá. Louvado seja o Seu Nome!” Oswald Chambers morreu aos 43 anos de idade, vítima de embolia pulmonar. Sua vida foi infrutífera? Não! As marcas de bênção de sua breve vida e ministério se estendem até os nossos dias: sua esposa publicou o livro de meditações “Mein Äusserstes für sein Höchstes” (O Meu Melhor Para o Seu Máximo, em tradução livre).

A paixão de Davi pelo Deus vivo de Israel foi um dos motivos de seu êxito. Em seus inúmeros Salmos ele demonstra várias vezes o quanto ele estava intimamente ligado ao seu Senhor e vivia com Ele. Em seu livro “Jerusalém, um Cálice de Tontear”, Dave Hunt observou o seguinte:

Ninguém enfrentou maiores dificuldades, venceu mais desvantagens intransponíveis ou se elevou de uma posição mais baixa para subir a um trono tão glorioso do que Davi. E nenhum outro rei de Israel, antes ou depois dele, obteve maiores vitórias militares e políticas. Entretanto, Davi não busca crédito por nada disso, mas dá toda a glória a Deus. Os salmos de Davi transbordam de louvor e gratidão Àquele que guiou os seus passos, o protegeu no perigo, o salvou de seus inimigos e fez dele o maior guerreiro e líder na história de Israel e, talvez, de qualquer nação.[4]

Os versículos dos Salmos, a seguir, mostram claramente a atitude de Davi diante do seu Senhor:

  • - “Ó SENHOR, Senhor nosso, quão magnífico em toda a terra é o teu nome! Pois expuseste nos céus a tua majestade” (Sl 8.1).

  • - “O SENHOR é a minha luz e a minha salvação; de quem terei medo? O SENHOR é a fortaleza da minha vida; a quem temerei?” (Sl 27.1).

  • - “Bem-aventurado o homem que põe no SENHOR a sua confiança e não

pende para os arrogantes, nem para os afeiçoados à mentira” (Sl 40.4).

  • - “Louvar-te-ei, SENHOR, de todo o meu coração; contarei todas as tuas

maravilhas. 2 Alegrar-me-ei e exultarei em ti; ao teu nome, ó Altíssimo, eu

cantarei louvores” (Sl 9.1-2).

  • - “Eu te amo, ó SENHOR, força minha. 2 O SENHOR é a minha rocha, a minha cidadela, o meu libertador; o meu Deus, o meu rochedo em que me refugio; o

meu escudo, a força da minha salvação, o meu

baluarte...

32 O Deus que me

revestiu de força e aperfeiçoou o meu

caminho...

34 Ele adestrou as minhas

mãos para o combate, de sorte que os meus braços vergaram um arco de

 

40 Também puseste em fuga os meus inimigos, e os que me odiaram, eu

os

43 Das contendas do povo me livraste e me fizeste cabeça das

nações; povo que não conheci me

serviu...

49 Glorificar-te-ei, pois, entre os

gentios, ó SENHOR, e cantarei louvores ao teu nome” (Sl 18.1-2,32,34,40,43,49).

Na vida de Davi podemos observar como Deus já cumpriu afirmações do Novo Testamento: “Deus resiste aos soberbos, mas dá graça aos humildes” (Tg 4.6;1Pe 5.5). Muitos entre nós são tão dominados por seus próprios conhecimentos, por exagerada auto-avaliação e auto-convencimento, a ponto de se tornarem imprestáveis para o Reino de Deus. Até hoje, nenhum verdadeiro servo de Deus se recomendou, a si mesmo, para um serviço no Reino de Deus. Eles sempre foram transformados pelo Senhor para isso.

Um outro segredo do seu êxito foi:

O temor de Davi diante do Senhor

O temor do Senhor também é um dos segredos para o êxito espiritual e é algo trágico verificar que essa conscientização foi perdida em alguns círculos cristãos. Já vimos que o êxito espiritual é alcançado quando o Senhor pode nos guiar nos caminhos que Ele preparou anteriormente. A Bíblia relata sobre Davi:

“Davi lograva bom êxito em todos os seus empreendimentos, pois o SENHOR era com ele” (1Sm 18.14). Também o próprio Davi escreve, no Salmo 25: “Ao homem que teme ao SENHOR, ele o instruirá no caminho que deve escolher. 13 Na

prosperidade repousará a sua alma, e a sua descendência herdará a terra. 14 A

intimidade do SENHOR é para os que o temem, aos quais ele dará a conhecer a sua aliança” (v.12-14).

Infelizmente, muitas pessoas não têm mais temor diante do Senhor Jesus. Elas rebaixam Aquele que é Santíssimo para o seu nível humano de agir e pensar. Assim, elas O arrastam para o estilo de vida da nossa sociedade, desonrando o Seu Santo Nome.

De modo algum devemos esquecer que este Senhor, que deu a Sua vida por nós é, ao mesmo tempo, o SENHOR dos senhores. É justamente em Sua profunda auto-humilhação que se encontra a glória e a virtude da Sua Divindade e, por isso, Lhe devemos a mais santa adoração. Igualmente, não devemos esquecer que Ele é o mesmo que virá como o Rei que governará o mundo com cetro de ferro. A Ele se submeterão todos os povos e serão postos como estrado de Seus pés. Diante dEle, todo o joelho se dobrará. Por isso, lemos no Salmo 2: “Servi ao SENHOR com temor e alegrai-vos nele com tremor. 12 Beijai o Filho para que se

não irrite, e não pereçais no caminho; porque dentro em pouco se lhe inflamará a ira. Bem-aventurados todos os que nele se refugiam” (v.11-12). Esse temor diante do Senhor deveria transparecer em todo o nosso proceder: em nosso falar, em nosso vestir, em nosso agir com outras pessoas, etc.

Em Atos dos Apóstolos, lemos que a Igreja primitiva foi edificada, andava no temor do Senhor, tinha paz e crescia através da ação do Espírito Santo (At

9.31).

Vejamos mais um fator que contribuiu para o êxito de Davi:

Davi considerava o pecado como pecado

Davi reconheceu que o pecado conduz ao fracasso espiritual. Ele observou isso em Saul, o qual, em conseqüência do pecado, recebeu o silêncio de Deus como uma amarga experiência: “Consultou Saul ao SENHOR, porém o SENHOR não lhe respondeu, nem por sonhos, nem por Urim, nem por profetas” (1Sm 28.6).

Posteriormente, também Davi teve que experimentar, em sua própria vida, a sensação de ver Deus se afastando dele. Após o pecado com Bate-Seba e o assassinato de Urias, nada mais dava certo até que ele mostrou arrependimento. Deus havia dito para ele: “Porque tu o fizeste em oculto, mas eu farei isto perante todo o Israel e perante o sol” (2 Sm 12.12). Quando o Senhor se opôs a Davi, este praticamente perdeu toda a sua família quando seu próprio filho se rebelou contra ele, o perseguiu e o ameaçou de morte. Davi, que antes conquistou grandes vitórias contra seus inimigos, agora teve que empreender a fuga diante do seu filho!

No entanto, Davi fez a única coisa certa que poderia fazer ao confessar a

causa de seu fracasso:

“...debilita-se

a minha força, por causa da minha

iniqüidade, e os meus ossos se consomem” (Sl 31.10). Ele retornou para o Senhor através de arrependimento sincero, recebeu o perdão divino e foi novamente investido na condição de rei e de “homem segundo o coração de Deus”.

É importante que nós, os filhos de Deus, tratemos o pecado como pecado, o condenemos e o abandonemos. Hoje vemos uma tendência geral de cada vez mais baratear e tolerar o pecado. Não se usa mais referir ao pecado pelo nome, muito menos revelar algum. Em conseqüência, fala-se muito no “Deus de amor”, mas quase não se lembra que a Bíblia também O revela como o “Deus Santo”. Assim, Jesus muitas vezes é considerado apenas o Salvador, o Amigo e Ajudador, mas não como o Filho de Deus, o Juiz do mundo. Do mesmo modo como o Céu é uma realidade, também o inferno é real. Isso, porém, muitas vezes é omitido. No entanto, da mesma maneira como o pecador arrependido tem a promessa da redenção eterna em Jesus Cristo, para o homem sem Jesus resta a perdição eterna. Quando não se fala nessa realidade, a mensagem do Evangelho é diluída. Temos, assim, a causa pela qual em muitas igrejas e na vida de muitos crentes há sempre menos progresso espiritual.

A Bíblia explica claramente: “O que encobre as suas transgressões jamais prosperará; mas o que as confessa e deixa alcançará misericórdia” (Pv 28.13).

Quando foi tentado pela mulher de Potifar, no Egito, José considerou o pecado como pecado e reconheceu que o pecado primeiramente significa uma afronta

contra Deus.

“...como,

pois, cometeria eu tamanha maldade e pecaria contra

Deus?” (Gn 39.9). Do ponto de vista humano, se José tivesse passado dos limites com a mulher, isso seria considerado um pecado contra o seu marido Potifar, mas José reconheceu que seria algo contra o mandamento de Deus e, por isso, seria um pecado contra o Senhor.

Foi isso que também Davi reconheceu quando confessou diante do Senhor o seu pecado com Bate-Seba e Urias: “Pequei contra ti, contra ti somente, e fiz o

que é mal perante os teus

olhos...”

(Sl 51.4).

José considerou o pecado, na figura da esposa de Potifar, tão repulsivo que agiu de acordo, desvencilhando-se dela e fugindo: “Falando ela a José todos os

dias, e não lhe dando ele ouvidos, para se deitar com ela e estar com

ela...

12

Então, ela o pegou pelas vestes e lhe disse: Deita-te comigo; ele, porém,

deixando as vestes nas mãos dela, saiu, fugindo para fora” (Gn 39.10,12). Uma pergunta bem concreta para nós: ainda consideramos, por exemplo, um relacionamento sexual pré-matrimonial como pecado e prostituição e, ainda, um pecado sexual fora do casamento como adultério, da maneira como o Senhor Jesus os vê? O resultado da atitude do coração de José diante do Senhor e que determinava o seu modo de agir foi o seu êxito:

  • - “O SENHOR era com José, que veio a ser homem próspero” (Gn 39.2).

  • - “E, desde que [Potifar] o [José] fizera mordomo de sua casa e sobre tudo

o que tinha, o SENHOR abençoou a casa do egípcio por amor de José; a bênção

do SENHOR estava sobre tudo o que tinha, tanto em casa como no campo” (Gn

39.5).

Aos olhos dos homens isso não foi legal, pois José acabou na prisão e foi renegado. O êxito, porém, estava na bênção concedida por Deus e esta bênção o acompanhou na prisão, de modo que teve êxito também ali:

  • - “O SENHOR, porém, era com José, e lhe foi benigno, e lhe deu mercê perante o carcereiro” (Gn 39.21).

    • - “E nenhum cuidado tinha o carcereiro de todas as coisas que estavam

nas mãos de José, porquanto o SENHOR era com ele, e tudo o que ele fazia o

SENHOR prosperava” (Gn 39.23).

Talvez você tenha dificuldades em sua vida, estando bloqueado espiritualmente e sem êxito por causa de um pecado que mantém escondido, isto é, convive ocultamente com ele ao invés de realmente confessá-lo? A Bíblia diz:

“O que encobre as suas transgressões jamais prosperará; mas o que as

confessa e deixa alcançará misericórdia” (Pv 28.13). Se o seu pecado ainda não foi trazido à luz, então faça-o agora! Dirija-se a Jesus, confesse-Lhe o seu pecado para livrar-se dele definitivamente. O Senhor lhe concederá Sua misericórdia e o

Seu perdão:

“...o

sangue de Jesus, seu Filho, nos purifica de todo pecado” (1 Jo

1.7). Dessa maneira, o Espírito Santo pode novamente ocupar espaço em sua vida, Jesus se tornará a sua paixão e você novamente trará frutos espirituais permanentes!

-7-

NA CAVERNA DE ADULÃO

“Davi retirou-se dali e se refugiou na caverna de Adulão; quando ouviram isso seus irmãos e toda a casa de seu pai, desceram ali para ter com ele. 2 Ajuntaram-

se a ele todos os homens que se achavam em aperto, e todo homem endividado, e todos os amargurados de espírito, e ele se fez chefe deles; e eram com ele uns quatrocentos homens. 3 Dali passou Davi a Mispa de Moabe e disse ao seu rei:

Deixa estar meu pai e minha mãe convosco, até que eu saiba o que Deus há de fazer de mim. 4 Trouxe-os perante o rei de Moabe, e com este moraram por todo o

tempo que Davi esteve neste lugar seguro. 5 Porém o profeta Gade disse a Davi:

Não fiques neste lugar seguro; vai e entra na terra de Judá. Então, Davi saiu e foi para o bosque de Herete” (1Sm 22.1-5).

Introdução

O Antigo Testamento serve de livro de prefiguração para o Novo Testamento, pois, nele encontramos um rastro profético: o rastro da cruz. Reiteradas vezes ele chama à atenção para o maior acontecimento da história e da eternidade para a salvação dos homens: A morte de Jesus na cruz do Gólgota. Por exemplo:

A promessa do Descendente para ferir a cabeça da serpente (Gn 3.15);

Jesus venceu o poder das trevas sobre a cruz (Cl 2.15);

As vestimentas de peles (Gn 3.21);

Jesus nos reveste com a justiça que vale diante de Deus (Rm 3.21s.);

A arca de Noé (Gn 6 e 7);

Jesus é a porta de entrada para a vida eterna (Jo 10.9);

O sacrifício de um cordeiro em lugar de Isaque (Gn 22);

• Jesus, o Filho e Cordeiro de Deus, morreu em nosso lugar (Mt 3.17, Jo

O sangue de um cordeiro nas ombreiras e na verga das portas dos israelitas,

3.14-15);

que os guardou do juízo de Deus sobre o Egito (Êx 12); Jesus derramou o Seu sangue para nos livrar da ira de Deus (Jo 3.36);

A serpente de bronze no deserto (Nm 21.9). Quem fosse picado por uma

serpente e, então, olhasse com fé para a serpente de bronze, sobreviveria; Jesus foi pendurado na cruz. Quem olha para Ele, com fé, será salvo (Jo

Os sacerdotes e os sacrifícios;

Jesus é, ao mesmo tempo, o Cordeiro do sacrifício e o Sacerdote (Hb

9.11s.);

O cordão de fio escarlata de Raabe (Js 2.18-19) com o qual ela foi guardada e salva; • Jesus verteu o Seu sangue para a salvação dos pecadores (1Tm 1.15; Ef 1.7). Também em vários outros acontecimentos do Antigo Testamento e no livro de Salmos (p.ex.: Salmo 22, etc.) encontramos inúmeros rastros da cruz, isto é, da obra redentora de Jesus Cristo. O próprio rei Davi apontava para Jesus. Da mesma maneira, a caverna de Adulão serve de pré-figura para aquilo que o Davi Celestial consumou na cruz. Essa pré-figura contém 7 facetas:

Adulão, lugar de justiça

“Davi retirou-se dali e se refugiou na caverna de Adulão” (1Sm 22.1).

A palavra “Adulão” tem dois significados: 1) “Justiça do povo” e 2) “Refúgio”. Isso não é uma referência maravilhosa à cruz do Gólgota? Além disso, não aponta para a história de Israel e para o seu futuro? De fato, o povo de Deus será alvo da justiça e isso acontecerá por ocasião da Grande Tribulação, quando ele se refugiar junto ao Senhor e olhar para Aquele que eles traspassaram (Zc 12.10, 13.1). A salvação de Israel passa pelo Gólgota (Adulão).

Não apenas Israel, mas também nós alcançamos justiça reconhecida por Deus no Gólgota. Lá encontramos refúgio. Fomos justificados pelo sangue do Cordeiro (Rm 3.25-26). Há refúgio junto ao antigo Deus: “Não há outro, ó Jesurum, semelhante a Deus, que cavalga sobre os céus para a tua ajuda, e com a sua majestade sobre as mais altas nuvens. 27 O Deus eterno é a tua habitação, e por

baixo estão os braços eternos; e ele lançará o inimigo de diante de ti, e dirá:

Destrói-o” (Dt 33.26-27 – ACF).

Adulão, lugar de significado profético

“...quando

ouviram isso seus irmãos e toda a casa de seu pai, desceram ali

para ter com ele” (1Sm 22.1). Davi, o que antes mal havia recebido a atenção dos de sua própria casa, sim, havia sido menosprezado (rejeitado), agora foi procurado pelos seus. Eles encontraram refúgio junto dele.

Isso também aconteceu à época de Jesus: primeiramente seus irmãos não creram nEle (Jo 7.5). Mais tarde, porém, também eles creram em Jesus (At 1.14), como, por exemplo, Tiago, o autor da carta de Tiago. Ao mesmo tempo, no entanto, isso tem significado profético: os irmãos de Jesus – os israelitas – são o Seu povo. A maioria deles ainda não crê nEle, mas chegará o dia em que todo o remanescente de Israel buscará socorro e encontrará refúgio em Jesus.

Em Miquéias 1.15, no contexto da palavra profética, Adulão é mencionado

como sinal para a futura salvação de Israel:

“...A

glória de Israel irá a Adulão”.

Significa, em outras palavras, que o remanescente de Israel em algum dia encontrará refúgio na caverna de Adulão (Gólgota), isto é, se abrigará nAquele que consumou a salvação na cruz, já há 2.000 anos (ver Zc 14.4-5, 8-11).

Adulão, lugar de profundidade insondável

Uma inscrição sobre a caverna de Adulão diz: “É um sistema interminável de corredores e ruelas que nunca foram totalmente explorados”. Com referência à cruz do Gólgota: apesar de todos os estudos nas Escrituras, nunca conseguiremos compreender toda a sua profundidade e amplitude. Ao nos admirarmos da obra redentora de Jesus sobre a cruz, cada vez mais surgem mistérios ainda mais profundos, porém, não podemos sondá-los nem de longe. Conseguimos, sim, fazer novas descobertas, porém, nunca chegaremos ao fim com elas. Parece ser uma caverna em que há tesouros escondidos nas maiores profundezas. A sexta-feira da Paixão e a Páscoa têm uma amplitude e profundidade ainda mais insondável. Ninguém pode afirmar, por si mesmo, que já sondou e compreendeu completamente esse “Adulão”. Ele permanece definitivamente inescrutável.

É necessário ter crescimento no conhecimento de Deus! Por isso, Paulo orou

pedindo crescimento espiritual para a Igreja de Éfeso:

“...para

que o Deus de

nosso Senhor Jesus Cristo, o Pai da glória, vos conceda espírito de sabedoria e

de revelação no pleno conhecimento

dele...

18 a fim de poderdes compreender,

com todos os santos, qual é a largura, e o comprimento, e a altura, e a

profundidade 19 e conhecer o amor de Cristo, que excede todo entendimento, para que sejais tomados de toda a plenitude de Deus” (Ef 1.17;3.18-19).

Adulão, lugar humilhante

A caverna de Adulão, onde Davi se encontrava e onde havia muitos mais escondidos, era um lugar horrível. Uma caverna, por regra geral, é um lugar escuro, frio e imundo, um lugar de detritos repugnantes. É um lugar solitário, lugar que não significa nada para a maioria das pessoas. Além disso, na verdade não é um lugar para um rei se apresentar. Pelo contrário, ela está em total contraste a um palácio. Se Davi estivesse morando em um castelo, sem dúvida haveria muito mais gente correndo para vê-lo! Nessa caverna, no entanto, vieram somente aqueles que realmente procuravam e precisavam de um refúgio.

Davi já havia sido ungido como rei, porém, ainda foi humilhado a ponto de precisar permanecer em uma caverna. Essa é uma figura correta para o Senhor Jesus: Apesar de ser como Deus, Ele Se esvaziou e assumiu a condição de servo, humilhou-Se e foi obediente até suportar a morte, sim, a morte na cruz (Fp 2.6-8). Certa vez li uma frase muito significativa: “As mãos que lançaram as estrelas no firmamento agora permitem ser pregadas no madeiro”.

A caverna de Adulão nos lembra do Salmo 22, onde os inimigos de Jesus Sofredor foram assim descritos: “Contra mim abrem a boca, como faz o leão que despedaça e ruge” (Sl 22.13). Jesus estava na caverna dos leões!

Adulão, o domicílio do verdadeiro rei

Quem poderia imaginar que o homem, que haveria de reinar sobre Israel, estivesse naquela caverna? Ainda, quem poderia ter a idéia que, através dele, Deus quisesse dar a salvação para Israel de modo que as pessoas pudessem achar refúgio junto a ele? Davi era o rei de Israel, mesmo que estivesse vivendo numa situação tão humilhante na caverna! No entanto, esse era o caminho determinado por Deus para ele. Nessa ocasião, Davi já era o rei, já havia sido ungido, mesmo que não pudesse ser reconhecido como tal nessa situação. Que figura para representar a Jesus!

Observem como Jesus foi desprezado, cuspido, torturado e escarnecido enquanto estava pendurado na cruz! No entanto, Ele é o Homem da Salvação, o verdadeiro Rei e o único lugar de refúgio para a humanidade perdida. Pedro testemunhou de Jesus para os maiorais, escribas, sacerdotes e a todos da linhagem sacerdotal: “E não há salvação em nenhum outro; porque abaixo do céu não

existe nenhum outro nome, dado entre os homens, pelo qual importa que

sejamos salvos” (At 4.12). Jesus é o verdadeiro Filho de Davi. Apesar de não ter sido reconhecido como tal na cruz, mesmo assim Ele é o verdadeiro Senhor desse mundo e Rei sobre todos os reis!

Adulão, lugar de refúgio

“Também juntaram-se a ele todos os que estavam em dificuldades, os endividados e os descontentes; e ele se tornou o líder deles. Havia cerca de quatrocentos homens com ele” (1Sm 22.2 – NVI).

Quem eram as pessoas que vieram a Davi na caverna? Eram pessoas das quais provavelmente caçoavam nas ruas e nos palácios, pessoas com dificuldades, endividadas e de coração contristado, pobres criaturas. Para estas, Davi era o único que poderia ajudar. Por isso, foram procurar refúgio na sua caverna e encontraram.

Nos dias atuais, quem busca refúgio em Jesus, na cruz do Gólgota? São:

Pessoas com dificuldades – que não conseguem mais administrar sua vida, que chegaram aos seus limites, que sentem o chão desaparecer sob seus pés. Também hoje, todas as pessoas com dificuldades – mesmo aquelas que já pertencem a Jesus – podem achar refúgio na obra consumada na cruz por Cristo! Sempre que formos atribulados por alguma dificuldade, seja ela qual for, podemos ter plena certeza que Jesus Cristo é maior do que qualquer poder que queira nos pressionar.

Pessoas culpadas – pessoas conscientes de seus pecados e que foram afastados de Deus pelo profundo horror de seus pecados e culpas. Todo aquele que conhece a maldade de seu próprio coração encontra refúgio na “caverna de Adulão”, na cruz do Gólgota. Toda pessoa disposta a se arrepender encontra o perdão dos pecados e um Deus misericordioso nessa “caverna”. Isso vale também para aqueles que já são cristãos: “Filhinhos meus, estas coisas vos escrevo para que não pequeis. Se, todavia, alguém pecar, temos Advogado junto ao Pai, Jesus Cristo, o Justo; 2 e ele é a propiciação pelos nossos pecados e não somente

pelos nossos próprios, mas ainda pelos do mundo inteiro” (1Jo 2.1-2).

Pessoas com tristeza no coração – Quando as sombras da tristeza se projetam sobre nossa alma ou quando a escuridão da provação nos oprime, podemos encontrar refúgio, cura, consolo e paz em Jesus.

Como devem ter ficado aliviadas aquelas pessoas ao chegarem à caverna!

Havia uma boa razão para isso! Ali elas estavam abrigadas da mesma maneira

como nós podemos estar abrigados em Jesus.

“...regozijem-se

todos os que

confiam em ti; folguem de júbilo para sempre, porque tu os defendes; e em ti se

gloriem os que amam o teu nome” (Sl 5.11). Não há abrigo melhor para nós do que junto à cruz do Gólgota. Jesus é a nossa paz. Toda vez que nos arrependemos e confessamos nosso pecado diante dEle, em seguida pudemos respirar aliviados. Também hoje qualquer pessoa pode experimentar isso. Todavia, ainda reservamos tempo suficiente para a “caverna de Adulão”, para mantermos comunhão com o Davi Celestial na cruz do Gólgota? Quem sabe não é ocasião oportuna para nos questionarmos a esse respeito? É muito importante!

Adulão, lugar de mudança de senhorio

“...desceram

ali para ter com ele. 2 Ajuntaram-se a ele todos os homens

que se achavam em aperto, e todo homem endividado, e todos os amargurados de espírito, e ele se fez chefe deles; e eram com ele uns quatrocentos homens” (1Sm 22.1-2).

Eles desceram. Quem pretende chegar diante de Jesus precisa descer, precisa se pôr de joelhos. É por essa experiência que Israel (os irmãos de Jesus, do Seu lar paterno terrenal) precisará passar e é o que precisa experimentar todo aquele que procura a salvação no Gólgota. Quem quiser se aproximar de Jesus precisará ir até onde Ele esteve: no fundo, humilhado. O rei Herodes, só para citar um exemplo, não foi ao Gólgota, ele preferiu permanecer “montado em seu cavalo”.

Eles se submeteram a Davi. No momento em que os homens se refugiaram na caverna de Adulão, Davi se tornou seu chefe. Eles trocaram de comandante.

Eles trocaram de reino. Se alguém perguntasse a esses homens de onde eles tinham vindo, eles responderiam: “Viemos do reino de Saul”. Aqui, Saul representa a figura do príncipe desse mundo. Há alguns anos, Saul havia sido elevado, por Deus, à condição de rei. Todavia, ele se afastou de Deus com sua desobediência e, por isso, foi rejeitado por Ele. A partir desse momento, Saul reinava somente contra Deus em seu mandato.

Com Lúcifer aconteceu algo à semelhança de Saul. Essa é a tragédia: a maioria das pessoas se encontra no reino de Lúcifer e são poucas as que fogem de lá para se refugiarem junto ao Davi Celestial.

Com os homens que procuraram refúgio junto a Davi, o caso foi diferente:

eles queriam sair do reino de Saul e estavam dispostos a se submeter ao comando de Davi, rompendo com sua vida antiga.

Saul era o rei segundo o coração dos homens e também serve de pré-figura para a carne. Davi, por outro lado, o homem segundo o coração de Deus, serve de pré-figura para o espírito. Quem quer seguir a Jesus precisa romper com a vida antiga (carne) e colocar Jesus no posto mais alto de sua vida.

Como está a questão da troca de comando hoje em dia? Afinal, isso ainda é necessário? Sim! Aqueles homens tomaram decisões conscientes para ir até onde estava Davi. Eles foram até à caverna (túmulo). À luz do Novo Testamento, isso significa: ir para a morte com Jesus (Rm 6.3s.)! Eles estavam conscientes de sua culpa e das suas imensas dificuldades, estavam aflitos. Cada um deles, certamente, pensava: “Se há alguém que pode me ajudar, esse é Davi”. Assim, se dispuseram e desceram até onde estava Davi, na caverna. Lá, junto a ele, encontraram paz e, a partir de então, passaram a pertencer ao seu reino.

Quem ainda não desceu para a “caverna”, para se encontrar com Jesus Cristo, o Davi Celestial e ainda não mudou de comandante, deveria dar esse passo decisivo imediatamente!

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A LAMENTAÇÃO DE DAVI

17 Pranteou Davi a Saul e a Jônatas, seu filho, com esta lamentação, 18

determinando que fosse ensinado aos filhos de Judá o Hino ao Arco, o qual está escrito no Livro dos Justos. 19 A tua glória, ó Israel, foi morta sobre os teus altos!

Como caíram os valentes! 20 Não o noticieis em Gate, nem o publiqueis nas ruas de Asquelom, para que não se alegrem as filhas dos filisteus, nem saltem de contentamento as filhas dos incircuncisos. 21 Montes de Gilboa, não caia sobre vós nem orvalho, nem chuva, nem haja aí campos que produzam ofertas, pois neles foi profanado o escudo dos valentes, o escudo de Saul, que jamais será ungido com óleo. 22 Sem sangue dos feridos, sem gordura dos valentes, nunca se recolheu o arco de Jônatas, nem voltou vazia a espada de Saul. 23 Saul e Jônatas, queridos e amáveis, tanto na vida como na morte não se separaram! Eram mais ligeiros do que as águias, mais fortes do que os leões. 24 Vós, filhas de Israel, chorai por Saul, que vos vestia de rica escarlata, que vos punha sobre os vestidos adornos de ouro. 25 Como caíram os valentes no meio da peleja! Jônatas sobre os montes foi morto! 26 Angustiado estou por ti, meu irmão Jônatas; tu eras amabilíssimo para comigo! Excepcional era o teu amor, ultrapassando o amor de mulheres. 27 Como caíram os valentes, e pereceram as armas de guerra!” (2Sm

Introdução

1.17-27).

Numa batalha contra os filisteus, no Monte Gilboa, Saul e três dos seus filhos foram mortos (1Sm 31). Quando Davi recebeu essa notícia, ele compôs esse cântico de lamentação. Ele mesmo deu-lhe o título de “O Hino do Arco” (2Sm 1.18). Que outro título poderia ser dado ao hino? Na minha opinião, o melhor seria: “Uma Canção de Amor Para um Inimigo Mortal”. Conhecemos muitas canções de amor, feitas para pessoas que se ama, mas creio que não há nenhuma canção de amor para um inimigo. Por isso, creio que esse hino nos revela um pouco do coração de Deus e, assim, um pouco dos Seus pensamentos. Ninguém tem mais compaixão do que o Senhor.

O amor é mais forte do que o ódio

“As muitas águas não poderiam apagar o amor, nem os rios, afogá-lo; ainda que alguém desse todos os bens da sua casa pelo amor, seria de todo desprezado” (Ct 8.7).

  • - Davi foi terrivelmente perseguido por Saul, mas, mesmo assim, não estava amargurado;

  • - Davi sofreu a pior perseguição e dor, porém, teve compaixão para com o seu perseguidor;

  • - Davi foi desprezado ao extremo por Saul, no entanto, manteve o respeito pelo rei.

Davi não se alegrou com a morte de Saul, apesar de Saul lhe ter causado muito sofrimento.

Imagine-se na seguinte situação: você tem um inimigo mortal, capaz de fazer de tudo para ver você longe. Movido pela inveja, seu ódio o leva a atitudes imprevisíveis e sem limites contra você. Ele ocupa um cargo na organização que, na verdade, deveria ser desempenhado por você, mas, mesmo assim, em seu ciúme e orgulho, ele o persegue implacavelmente por estar firmemente decidido a tirar você do caminho, custe o que custar.

Agora, de repente, esse inimigo vem a falecer. Você poderia respirar aliviado, se alegrar e pensar: “Esse tipo não merecia outra coisa, finalmente estou livre desse tirano e agora possp ocupar a vaga dele, sem problemas”. Ao invés disso, porém, ficaria de coração sinceramente contristado e lamentaria, você sentiria muito pela morte dele e ainda se lembraria das boas qualidades dessa pessoa. – Você seria capaz disso? Pois essa foi a atitude de Davi! Não é de admirar que ele era o homem segundo o coração de Deus e um rei digno no trono de Israel, sendo assim, de algum modo, o representante de Deus na terra.

Agora poderíamos argumentar que Davi apenas fingiu com essa lamentação, mas que havia outro sentimento em seu coração, já que é comum ver pessoas se hostilizando em vida, porém, à beira da sepultura cantam um hino de louvor ao falecido. O caso de Davi não foi assim. Temos pelo menos cinco fatos para comprovar que ele não fingiu:

1. A idéia de Davi sobre Saul era a mesma, tanto durante a vida como após a morte deste. Apesar de ser perseguido por Saul, lhe poupou a vida em duas ocasiões. Davi ordenou várias vezes a seus subordinados a não atentar contra a vida do “ungido do Senhor”. Além disso, mostrou sempre ser um servo fiel a Saul

devotando-lhe respeito e consideração (1Sm 24 e 26).

  • 2. Davi era inspirado pelo Espírito Santo. Ao final de sua vida, ele mesmo

testemunhou: “O Espírito do SENHOR fala por meu intermédio, e a sua palavra está na minha língua” (2Sm 23.2).

  • 3. Davi determinou que todo Israel deveria aprender esse hino em memória e

honra a Saul e Jônatas: “Pranteou Davi a Saul e a Jônatas, seu filho, com esta

lamentação, 18 determinando que fosse ensinado aos filhos de Judá o Hino ao

Arco...”

(2Sm 1.17-18). Caso Davi tivesse outra motivação, certamente teria

aproveitado a ocasião para fazer lembrar do seu sofrimento durante as perseguições de Saul. Então ele exaltaria a destruição de Saul por Deus e cantaria de júbilo por ser agora o rei legítimo. Ele não fez nada disso, o que mostra que o seu lamento foi sincero.

  • 4. Davi ordenou a morte de um homem (amalequita – 2Sm 1.8) que lhe

afirmou (falsamente) haver dado o golpe de misericórdia em Saul, quando este se

encontrava mortalmente ferido (2Sm 1.9-16; 1Sm 31.3-6).

  • 5. Davi se refere a Saul como o “ungido do Senhor”, mesmo que este já

estivesse morto:

“...Como

não temeste estender a mão para matares o ungido do

SENHOR?” (2Sm 1.14). Davi não considerava Saul apenas como uma autoridade, um monarca, porém, sempre como o rei instituído por Deus, por quem ele tinha todo o respeito e consideração.

Observando esse sentimento de Davi, somos lembrados de Jesus. O Senhor é capaz de chorar por Seus inimigos, orar por eles e ter compaixão deles. Ele ainda deu um enorme passo adiante: Ele morreu pelos Seus inimigos! Ele morreu também por nós, pois também éramos Seus inimigos: “Porque, se nós, quando inimigos, fomos reconciliados com Deus mediante a morte do seu Filho, muito mais, estando já reconciliados, seremos salvos pela sua vida” (Rm 5.10).

O lado bom de alguém mau

É muito interessante observar que Davi não proferiu nenhuma palavra negativa sobre Saul, mas ressaltou somente o seu lado bom. É certo que Jônatas, o filho de Saul, era o melhor amigo de Davi, porém, este praticamente não faz nenhuma diferença entre Jônatas e Saul. Davi poderia ter se dirigido ao povo e transformado tudo em promoção pessoal, dizendo: “Vejam, é isso o que acontece com quem é infiel a Deus e persegue um ungido. Esse homem queria me matar, sim, me caçou implacavelmente! Ele me humilhou e odiou, atacou minha família e

assassinou amigos inocentes. Sofri horrivelmente nas mãos desse homem, mas

agora ele está morto e eu

vivo...”

Ao invés disso, Davi exalta as virtudes de Saul

e Jônatas e os classifica como “o esplendor de Israel” (2Sm 1.19 – NVI). Ele os

considera “valentes” (v.19, 25, 27) e lamenta:

“...foi

profanado o escudo dos

 

(v.21). Quando Davi fala que o escudo de Saul

mais será

polido com

(v.21 – NVI), ele confirma a sua própria unção para o

reinado. Ele ainda louva a habilidade de ambos:

“...nunca

se recolheu o arco de

Jônatas, nem voltou vazia a espada de Saul” (v.22).

“...Eram

mais ligeiros do

que as águias, mais fortes do que os leões” (v.23). Ainda lemos:

  • - “Saul e Jônatas, queridos e

amáveis...”

(v.23);

  • - “...chorai

por Saul, que vos vestia de rica escarlata, que vos punha sobre

os vestidos adornos de ouro” (v.24).

  • - “Angustiado estou por ti, meu irmão Jônatas; tu eras amabilíssimo para

comigo! Excepcional era o teu amor, ultrapassando o amor de mulheres” (2Sm

1.26).

Essas frases estão provavelmente entre as mais belas da Bíblia e revelam o coração e a atitude de Davi. Ele não desejava que alguém pudesse se alegrar pela morte de Saul e Jônatas, mas que todos lamentassem com sinceridade: “Não o noticieis em Gate, nem o publiqueis nas ruas de Asquelom, para que não se alegrem as filhas dos filisteus, nem saltem de contentamento as filhas dos incircuncisos” (2Sm 1.20).

Que sobre os montes de Gilboa não caia “nem orvalho, nem chuva, nem haja aí campos que produzam ofertas (v.21). Essas ofertas eram relacionadas à gratidão, a doações para os sacerdotes e tinham a ver com louvor e honra. Agora, no entanto, não havia motivo de louvor, mas somente de lamento porque Saul encontrou a morte sobre os montes de Gilboa. Todavia, a Bíblia não oculta nada. Em outras passagens ela menciona o lado negativo de Saul, sem omitir nada.

A atitude de Davi nos lembra de um Homem que, em torno de 1.000 anos mais tarde, chorou por causa de Jerusalém, mesmo que ali Ele foi perseguido e estavam dispostos a expulsá-lO de lá. Ela nos lembra dAquele que pôde orar pelo perdão aos homens, mesmo que estes estivessem pregando-O na cruz. Lembra-nos também dAquele que teve compaixão com um povo que gritava “Crucifica-o! Crucifica-o”. Que misericórdia sem igual!

Davi, já tinha sentimento semelhante ao de Jesus, apesar de não ser perfeito,

pois, ele amou seu inimigo e a sua atitude – sem levar em conta a atitude de Jesus – está entre os exemplos práticos mais importantes de uma vida orientada para Deus e, ao mesmo tempo, uma exortação para nós, porque Jesus nos ordena:

“...amai

os vossos inimigos e orai pelos que vos perseguem” (Mt 5.44).

Sabemos que existe Alguém com um amor maior do que o de Davi, um amor maior do que o ódio e a rejeição que recebe: Jesus Cristo. Quem ama a Jesus não pode odiar seus inimigos, mas deve ter sincera compaixão deles e deve ter a mesma atitude de Jesus.

-9-

QUEDA E PERDÃO

“Passado o luto, Davi mandou buscá-la e a trouxe para o palácio; tornou-se ela sua mulher e lhe deu à luz um filho. Porém isto que Davi fizera foi mal aos olhos do SENHOR” (2Sm 11.27).

Introdução

Hoje em dia é comum ouvir o argumento que, na Bíblia, há muitas coisas que são simplesmente incompreensíveis. Ao ser confrontado com essa afirmação, certo cristão respondeu: “Eu não tenho problemas com aquilo que é incompreensível na Bíblia, mas com aquilo que eu entendo!”

É isso que acontece com a Bíblia: ela pode ser um livro desagradável, pois ela chama o pecado pelo nome. Ela relata sobre a origem e o objetivo do pecado, dos seus efeitos e para onde ele leva caso não haja perdão. A Bíblia não enfeita nada, nem quando homens de Deus transgridem como aconteceu com Davi, por exemplo. As palavras da Bíblia podem nos atingir como se fossem flechas e inquietar nossa consciência. Por esse motivo a Bíblia é rejeitada por muitos. Um certo indígena expressou-se assim: “Esse livro cava buracos em meu coração”. No entanto, quem se submete a ela recebe ajuda, pois a revelação de culpa e pecado conduz à graça de Deus, através de Jesus Cristo e, assim, ao perdão e à restauração.

No exemplo de Davi, a Bíblia nos mostra a maneira como o pecado se infiltra em nossa vida.

A infiltração do pecado

“Por que, pois, desprezaste a palavra do SENHOR, fazendo o que era mal perante ele? A Urias, o heteu, feriste à espada; e a sua mulher tomaste por mulher, depois de o matar com a espada dos filhos de Amom” (2Sm 12.9).

O pecado recebe atenção quando a Palavra de Deus é desprezada. Quando se fecha uma porta para Deus, abre-se uma janela para o Diabo! Onde o liberalismo aumenta, a Palavra de Deus diminui. O primeiro passo dado na

direção do mundo e aos seus prazeres é dado quando não se leva mais a Palavra de Deus a sério (ver Sl 1.1s.). Ao abandonarmos a Sua Palavra, desaparece o temor do Senhor. É isso que lemos em Provérbios: “O temor do SENHOR é o

princípio da

(Pv 9.10) e, ainda: “O temor do SENHOR consiste em

aborrecer o

(Pv 8.13). Em outra passagem consta:

o teu

coração as minhas palavras; guarda os meus mandamentos e vive; 5 adquire a

sabedoria, adquire o entendimento e não te esqueças das palavras da minha boca, nem delas te apartes. 6 Não desampares a sabedoria, e ela te guardará;

ama-a, e ela te protegerá” (Pv 4.4-6). Quando abandonamos a Palavra de Deus, abandonamos o caminho no qual somos protegidos. É semelhante a sair da trilha marcada nas montanhas: corre-se grande perigo!

A queda de Davi começou quando ele abandonou a Palavra de Deus, a desprezou para fazer o que era mau aos olhos de Deus. Às vezes podemos tentar justificar algumas coisas (ações) com adjetivos, como: “moderno”, “legal” ou “cool”, porém, elas continuam más aos olhos de Deus (ver 2Sm 11.27; 12.9, etc.). Como está a sua vida: a Palavra de Deus ainda é o seu parâmetro? Você a lê regularmente? Ela o acompanha durante o dia, em todos os seus afazeres? Ou será necessário que o Senhor repita para você o que ele falou ao Seu povo, através do profeta Jeremias: “Falei contigo na tua prosperidade, mas tu disseste: Não ouvirei. Tem sido este o teu caminho, desde a tua mocidade, pois nunca deste ouvidos à minha voz” (Jr 22.21)? Deus exortou o Seu povo, dizendo: “Ó terra, terra, terra! Ouve a palavra do SENHOR!” (Jr 22.29). Conseguimos manter íntima comunhão com Jesus se ouvirmos e praticarmos a Palavra de Deus: “...meus irmãos são aqueles que ouvem a palavra de Deus e a praticam” (Lc 8.21)!

Como o pecado conquista espaço

“Decorrido um ano, no tempo em que os reis costumam sair para a guerra, enviou Davi a Joabe, e seus servos, com ele, e a todo o Israel, que destruíram os filhos de Amom e sitiaram Rabá; porém Davi ficou em Jerusalém. 2 Uma

tarde, levantou-se Davi do seu leito e andava passeando no terraço da casa real; daí viu uma mulher que estava tomando banho; era ela mui formosa” (2Sm 11.1-2).

Depois de ter se infiltrado, pelo abandono da Palavra de Deus, o pecado se alastrou na vida de Davi enquanto ele se tornou ocioso e, em conseqüência, não estava atento:

  • - Deixou de sair para a guerra como fazia anteriormente;

  • - Ficava dormindo mais tempo, permanecendo na cama até à tarde;

  • - Ficava entediado, passeando pelo terraço do palácio, enquanto seus amigos guerreavam.

É possível que simplesmente consideremos essas coisas como sendo inofensivas, porém, elas foram a causa que levaram um confesso homem de Deus a cair em pecado. Dificilmente o pecado abre caminho de maneira brutal. Normalmente, tudo parece inocente. Não é à toa que a Bíblia fala asperamente:

“Maldito o que faz com negligência o trabalho do SENHOR!” (Jr 48.10 – NVI). Outra vez, em Provérbios, lemos: “Ó preguiçoso, até quando ficarás deitado? Quando te levantarás do teu sono?” (Pv 6.9) e: “O que ajunta no verão é filho sábio, mas o que dorme na sega é filho que envergonha” (Pv 10.5).

Sejamos honestos: Já não tivemos essa experiência? Tornamo-nos negligentes e apreciamos mais o sono do que a hora devocional. Abandonamos a Palavra dando mais importância a outras coisas. Tornamo-nos indiferentes e deixamos de freqüentar regularmente os cultos, reuniões de estudo bíblico e de oração. Enquanto outros estavam lutando, permanecemos em nossa casa. Ao invés de ler a Bíblia, sentamos diante da TV, lemos um livro de assunto duvidoso ou, ainda, ficamos ouvindo uma “boa” música. Deixamos de vigiar e o pecado encontrou o seu caminho sorrateiramente. Com o passar do tempo o prazer se tornou um fardo e um anseio, fazendo-nos procurar, mais e mais, pelas coisas do mundo. Será que a descrição dessa situação corresponde ao que você está passando nesse momento? Então, por favor, volte antes de afundar ainda mais como aconteceu com Davi!

Como o pecado abre caminho

“Uma tarde, levantou-se Davi do seu leito e andava passeando no terraço da casa real; daí viu uma mulher que estava tomando banho; era ela mui formosa. 3 Davi mandou perguntar quem era. Disseram-lhe: É Bate-Seba, filha de Eliã e mulher de Urias, o heteu. 4 Então, enviou Davi mensageiros que a

trouxessem; ela veio, e ele se deitou com ela. Tendo-se ela purificado da sua imundícia, voltou para sua casa” (2Sm 11.2-4).

A cobiça dos olhos e a cobiça da carne geram pecado: Davi “viu”, “enviou mensageiros” e “deitou com ela”. Não é preciso explicar nada. Cada um sabe como o pecado surge e abre caminho. No entanto, devemos ter em mente que não se tratava de uma falha impulsiva em um momento de tentação, mas de etapas planejadas em direção ao pecado.

Nesse contexto, quase nunca se menciona a cumplicidade de Bate-Seba.

Bate-Seba estava tomando banho ao ar livre, no pátio próximo ao palácio de Davi. Podemos questionar se ela tinha alguma intenção oculta em relação ao rei, já que seu marido estava longe de casa. Talvez isso seja uma suposição. Apesar de toda a culpa de Davi, por parte dela isso foi, no mínimo, imprudente, sim, uma leviandade. Além disso, Bate-Seba se dispôs imediatamente a ir até Davi (v.4). Ela não esboçou a mínima reação nem com palavras nem com atitudes para fugir da pretensão do rei, mesmo que isso seria sua obrigação por lei.

O fato de Bate-Seba tomar banho publicamente não aconteceu somente porque ela desejava mostrar seus encantos, pois esse banho, de acordo com o versículo 4, era um notório rito de purificação prescrito em Levítico 15.19-28 e, assim, indicava que ela poderia ou queria estar disponível para um homem (seria

para o rei?). Com isso, chegamos a um ponto delicado: também hoje há muito mundanismo ou prazer atingindo a Igreja de Jesus através de algumas mulheres.

Palavras como a de 1 Timóteo 2.9-10:

“...que

as mulheres, em traje decente, se

ataviem com modéstia e bom senso, não com cabeleira frisada e com ouro, ou

pérolas, ou vestuário dispendioso, 10 porém com boas obras (como é próprio às mulheres que professam ser piedosas)”, mal são observadas, antes causam reações de rejeição (ver 1Pe 3.3-4).

O pecado modifica

Bate-Seba ficou grávida e, assim, iniciou-se o grande drama. O que fazer? Não havia como encobrir o pecado! As atitudes seguintes de Davi nos assustam e mostram como um comportamento pecaminoso pode modificar a personalidade de uma pessoa.

Davi mandou chamar Urias com a intenção de atribuir-lhe o filho. Até um

presente lhe foi enviado (2Sm 11.8). Quanta hipocrisia! No entanto, Urias não foi para a sua casa, nem encontrou sua esposa. Ele deixou de fazê-lo em sinal de fidelidade ao seu rei e aos seus camaradas que estavam guerreando no front, mas, principalmente, por fidelidade a Deus e à Arca da Aliança (v. 9-11).

Diante disso, Davi tentou convencê-lo mais uma vez para que fosse visitar sua mulher. Ele lhe ordenou que ficasse mais uma noite em Jerusalém e, pior de tudo: Davi não teve escrúpulos e o embebedou (v.13). Mesmo assim, não tendo ele ido à sua casa, Davi mostrou sua maldade e atrevimento ao mandar Urias de volta à batalha, com a mensagem de sua própria condenação à morte endereçada ao comandante Joabe (v.14-15). O pecado gera pensamentos de morte.

Quando Davi recebeu a notícia de que Urias estava morto, ele tratou o assunto de maneira superficial gritante (v. 25). O pecado traz indiferença! Antes disso, Davi ficaria decepcionado com tal prejuízo. Ele ordenaria uma investigação para descobrir por que a vida de um companheiro de guerra foi colocada em risco com tanta negligência. É impressionante como o pecado consegue se infiltrar, conquistar espaço e modificar a personalidade de uma pessoa!

Deus não tolera o pecado

“Passado o luto, Davi mandou buscá-la e a trouxe para o palácio; tornou- se ela sua mulher e lhe deu à luz um filho. Porém isto que Davi fizera foi mal aos olhos do SENHOR” (2Sm 11.27).

O tempo se passou e o caso foi deixado de lado. Parecia que a vegetação havia crescido sobre o caso e que tudo levaria a um final feliz. Urias estava morto, Bate-Seba tornou-se a mulher de Davi, havia uma criança por nascer e, afinal, Davi era o rei. Quem poderia fazer algo contra ele?

Então vem o grande “porém” da parte de Deus: “Porém isto que Davi fizera

foi mal aos olhos do SENHOR” (2Sm 11.27b). Aqui somos lembrados, com toda a força, de um Deus verdadeiro, vivo e santo e que não tolera pecado não confessado. Em Provérbios 6, também lemos claramente sobre isso: “Assim acontece com quem se deita com mulher alheia; ninguém que a toque ficará

sem

castigo...

32 Mas o homem que comete adultério não tem juízo; todo aquele

que assim procede a si mesmo se destrói. 33 Sofrerá ferimentos e vergonha, e a

sua humilhação jamais se apagará” (Pv 6.29,32-33 – NVI).

Deus enviou o profeta Natã até Davi e, através de uma parábola, revelou o

seu pecado. Davi, no entanto, estava tão cego para o seu pecado que não entendeu

a parábola. Ele reagiu indignado:

“...o

homem que fez isso deve ser morto...

porque não se compadeceu” (ver 2Sm 12.1-6). Então, Deus, através do dedo do profeta, apontou para Davi e disse:

“Tu és o homem” (v.7) e prosseguiu:

“...Por

que, pois, desprezaste a

palavra do SENHOR, fazendo o que era mal perante ele? A Urias, o heteu, feriste à espada; e a sua mulher tomaste por mulher, depois de o matar com a espada

dos filhos de Amom” (v.9). Os pecados são enumerados com detalhes e concretamente. “Porque tu o fizeste em oculto, mas eu farei isto perante todo o Israel e perante o sol” (ver 2Sm 12.7-12). Quando encobrimos um pecado, Deus o identifica pelo nome. Quando confessamos o pecado, Deus o perdoa e esquece.

O filho que nascera, fruto de adultério, precisou morrer. Com isso, somos lembrados do texto: “Porque, se viverdes segundo a carne, caminhais para a

morte...”

(Rm 8.13). Não interessa o que nossa sociedade pensa sobre o pecado,

não interessa como a Igreja age diante dele, talvez, até sendo tolerante, não interessa se nós mesmos o tratamos com superficialidade, não interessa quanto tempo já passou ou se nossa consciência já está meio amortecida: cada pecado não confessado nos alcançará e será trazido aos nossos olhos pelo próprio Deus:

“Digno de honra entre todos seja o matrimônio, bem como o leito sem mácula; porque Deus julgará os impuros e adúlteros” (Hb 13.4).

Davi recebe o perdão

“Então, disse Davi a Natã: Pequei contra o SENHOR. Disse Natã a Davi:

Também o SENHOR te perdoou o teu pecado; não morrerás” (2Sm 12.13).

Por pior e mais trágico que tenha sido o pecado de Davi, no exato momento em que ele o confessou, sua transgressão foi totalmente perdoada. Davi experimentou a restauração completa. Essa restauração foi tão abrangente que desse casamento com Bate-Seba resultou o grande Rei Salomão, o rei da paz.

“...porque

o salário do pecado é a morte, mas o dom gratuito de Deus é a vida

eterna em Cristo Jesus, nosso Senhor” (Rm 6.23). A graça de Deus manifesta seu poder quando nos arrependemos! Nesse momento, a graça de Deus, em Jesus Cristo, se contrapõe à impiedade do pecado! Somente através da imagem trágica de pecado com todas as suas conseqüências podemos compreender a grandeza da

graça e do poder vindos do Gólgota.

No Salmo 51, lemos sobre o arrependimento de Davi de seu pecado e sobre a graça de Deus para o perdão e a restauração. Quando Davi se arrependeu, ele colocou toda sua vida sobre a graça e misericórdia de Deus: “Compadece-te de mim, ó Deus, segundo a tua benignidade; e, segundo a multidão das tuas misericórdias, apaga as minhas transgressões” (Sl 51.1). Essa misericórdia de Deus foi derramada por nós, em Jesus Cristo: “Pois nós também, outrora, éramos néscios, desobedientes, desgarrados, escravos de toda sorte de paixões e prazeres, vivendo em malícia e inveja, odiosos e odiando-nos uns aos outros. 4

Quando, porém, se manifestou a benignidade de Deus, nosso Salvador, e o seu amor para com todos, 5 não por obras de justiça praticadas por nós, mas

segundo sua misericórdia, ele nos salvou mediante o lavar regenerador e renovador do Espírito Santo” (Tt 3.3-5).

Davi suplicou para que o Senhor o purificasse com hissopo: “Purifica-me com hissopo, e ficarei limpo; lava-me, e ficarei mais alvo que a neve” (Sl 51.7). O hissopo é um pequeno arbusto cujos ramos eram usados para aspergir o sangue nas ofertas para purificação. Esses ramos de hissopo servem de pré-figura para a cruz, que nos lembra do precioso sangue de Jesus derramado para o perdão dos pecados (1Jo 1.17).

Em seguida, Davi pede a renovação da sua comunhão com Deus. Ele desejava renovar a atitude de seu coração com a força do Espírito Santo. Por fim, ele pede que Deus o reintegre no ministério e lhe conceda a graça de novamente poder proclamar o louvor do Senhor: “Cria em mim, ó Deus, um coração puro e renova dentro de mim um espírito inabalável. 11 Não me repulses da tua

presença, nem me retires o teu Santo Espírito. 12 Restitui-me a alegria da tua salvação e sustenta-me com um espírito voluntário. 13 Então, ensinarei aos transgressores os teus caminhos, e os pecadores se converterão a ti. 14 Livra-me dos crimes de sangue, ó Deus, Deus da minha salvação, e a minha língua exaltará a tua justiça. 15 Abre, Senhor, os meus lábios, e a minha boca manifestará os teus louvores” (Sl 51.10-15).

De fato, Davi foi restaurado! Essa restauração foi tão completa que Davi é mencionado no Novo Testamento como o “homem segundo o coração de Deus” (ver At 13.22). Após ter sido restaurado pela graça, a Bíblia relata: “Mas, por amor de Davi, o SENHOR, seu Deus, lhe deu [a Abias, bisneto de Davi] uma

lâmpada em Jerusalém, levantando a seu filho depois dele e dando estabilidade a Jerusalém. 5 Porquanto Davi fez o que era reto perante o SENHOR e não se

desviou de tudo quanto lhe ordenara, em todos os dias da sua vida, senão no caso de Urias, o heteu” (1Rs 15.4-5).

O poder do perdão

O pecado é algo trágico, o perdão é algo tremendamente poderoso. Por isso, pretendemos olhar mais a fundo em passagens do Novo Testamento sobre o tema.

Em 1 João 2.12, o apóstolo João diz: “Filhinhos, eu vos escrevo, porque os vossos pecados são perdoados, por causa do seu nome”. Já através do profeta Isaías, o Deus vivo falou: “Eu, eu mesmo, sou o que apago as tuas transgressões por amor de mim e dos teus pecados não me lembro” (Is 43.25).

Os teclados de computadores tem uma tecla importante que eu utilizo muitas vezes. É a tecla “Delete” que significa “apagar, liquidar”. Quando se escreve algo errado ou se resolve modificar ou, ainda, não utilizar alguma frase, basta selecionar o que se quer excluir e pressiona-se a tecla “Delete”. Numa fração de segundos o texto desaparece.

Assim como Davi fez, nós podemos “marcar”, isto é, confessar nossos pecados diante de Deus para que Ele, então, aperte a tecla “Delete celestial” e nossos pecados desaparecem para sempre (Mq 7.19).

Numa companhia telefônica dos EUA, por uma falha de sistema, milhares de ligações interurbanas tiveram seus registros apagados. Em conseqüência, os usuários não precisaram pagar por elas. Quem recebeu o perdão não precisa mais pagar pelos seus pecados, pois Deus já pagou por eles – e todo o custo foi dEle!

O perdão total

Existe um lugar onde Deus não encontra mais nenhum pecado, onde toda a culpa foi apagada de tal maneira como se nunca tivesse existido. Esse lugar se chama Gólgota: [Jesus] tendo cancelado o escrito de dívida, que era contra nós e que constava de ordenanças, o qual nos era prejudicial, removeu-o inteiramente, encravando-o na cruz” (Cl 2.14).

Outra versão diz: “Havendo riscado a cédula que era contra

nós...

[Jesus]

a tirou do meio de nós, cravando-a na cruz” (ACF e ARC).

Assim, Deus elimina nossos pecados de maneira radical, como se nunca os tivéssemos cometido! Aos olhos humanos isso é algo impossível, mas para Deus é algo possível e real!

Nós, seres humanos, podemos até perdoar-nos mutuamente, mas não conseguimos eliminar os pecados cometidos. Um pecado não pode ser transformado em algo inexistente por nós. Quando, por exemplo, falo alguma maldade para um de meus irmãos e, posteriormente, me arrependo e vou a ele para pedir perdão, certamente ele me perdoará, mas o que foi dito permanece dito. Deus, ao contrário, em Jesus Cristo perdoa nossos pecados de tal modo,

como se nunca os tivéssemos cometido! “Desfaço as tuas transgressões como a névoa e os teus pecados, como a nuvem; torna-te para mim, porque eu te remi” (Is 44.22).

Falando figuradamente, os pecados são mandados embora por Deus, de fato e definitivamente. No Antigo Testamento temos um exemplo magnífico para isso, com o bode de Azazel. Existe a conhecida expressão: “mandar para o deserto” ou “logo mando você para o deserto”. Isso é oriundo de Levítico 16: por ocasião do Yom Kippur, o grande dia do perdão, o sacerdote Arão deveria tomar dois cabritos e colocá-los “diante do SENHOR. Um deles era sacrificado diante do Senhor e o outro recebia a carga dos pecados do povo e era literalmente mandado para o deserto: “Arão fará chegar o bode sobre o qual cair a sorte para o SENHOR e o oferecerá por oferta pelo pecado. 10 Mas o bode sobre que cair a

sorte para bode emissário será apresentado vivo perante o SENHOR, para fazer

expiação por meio dele e enviá-lo ao deserto como bode

emissário...

20

Havendo, pois, acabado de fazer expiação pelo santuário, pela tenda da congregação e pelo altar, então, fará chegar o bode vivo. 21 Arão porá ambas as

mãos sobre a cabeça do bode vivo e sobre ele confessará todas as iniqüidades dos filhos de Israel, todas as suas transgressões e todos os seus pecados; e os porá sobre a cabeça do bode e enviá-lo-á ao deserto, pela mão de um homem à disposição para isso. 22 Assim, aquele bode levará sobre si todas as iniqüidades

deles para terra solitária; e o homem soltará o bode no deserto” (Lv 16.9-

10,20-22). Esse bode, enviado para o deserto, era chamado Azazel (v.8 – NVI), o que significa “afastar”. Assim, os pecados eram eliminados.

Em Jesus Cristo aconteceram as duas coisas: Ele foi sacrificado por nós e Ele eliminou nossos pecados: “carregando ele mesmo em seu corpo, sobre o

madeiro, os nossos

pecados...”

(1 Pe 2.24). Para onde Jesus carregou nossos

pecados? Para um lugar distante, um lugar de esquecimento: “Naqueles dias e naquele tempo, diz o SENHOR, buscar-se-á a iniqüidade de Israel, e já não haverá; os pecados de Judá, mas não se acharão; porque perdoarei aos remanescentes que eu deixar” (Jr 50.20).

Como será possível, para Deus, esquecer os pecados? Ele não é Onisciente e Onipresente? Sim, isso Ele é, porém, o Senhor não lembra mais deliberadamente deles e não os enxerga mais. Vejamos um exemplo: você comparece diante de Jesus com seu pecado, pede perdão a Ele e o Senhor lhe perdoa. Alguns dias depois, você lembra novamente desse pecado. Novamente sua consciência o acusa e você vai novamente para Jesus com a mesma culpa e confessa: “Senhor! O pecado da semana passada está pesando novamente. Por favor, perdoe-me!” Jesus, então, lhe perguntará: “Que pecado?” Um conselheiro espiritual afirmou, certa vez: “Há muitos que confessam mil vezes o mesmo pecado. Eu aconselho que o confessem uma vez diante de Deus e, então, agradeçam mil vezes pelo perdão recebido”.

Assim como Deus perdoa e esquece o pecado, através de Jesus, por outro lado também é verdade que Ele nunca esquece o pecado não perdoado. Não há

como “colocar uma pedra” sobre isso: “Jurou o SENHOR pela glória de Jacó: Eu não me esquecerei de todas as suas obras, para sempre!” (Am 8.7).

O perdão dos pecados cometidos

Jesus tomou sobre Si todos os nossos pecados cometidos, quer sejam pensamentos, palavras ou atos e nos livrou deles. Isso, no entanto, foi possível somente porque Ele mesmo não cometeu um pecado sequer. Por isso, Pedro

afirma:

“...o

qual não cometeu pecado, nem dolo algum se achou em sua boca;

23 pois ele, quando ultrajado, não revidava com ultraje; quando maltratado, não fazia ameaças, mas entregava-se àquele que julga retamente, 24 carregando

ele mesmo em seu corpo, sobre o madeiro, os nossos pecados, para que nós, mortos para os pecados, vivamos para a justiça; por suas chagas, fostes sarados” (1Pe 2.22-24).

Vejamos um exemplo de pecado, na parábola do rei que

“...resolveu

ajustar

contas com os seus servos. 24 E, passando a fazê-lo, trouxeram-lhe um que lhe

devia dez mil talentos. 25 Não tendo ele, porém, com que pagar, ordenou o

senhor que fosse vendido ele, a mulher, os filhos e tudo quanto possuía e que a dívida fosse paga. 26 Então, o servo, prostrando-se reverente, rogou: Sê

paciente comigo, e tudo te pagarei. 27 E o senhor daquele servo, compadecendo- se, mandou-o embora e perdoou-lhe a dívida” (Mt 18.23b-27).

1 talento = 6.000 denários = salário-base de 20 anos, aproximadamente, considerando-se 300 dias úteis no ano. (1 denário = salário de 1 dia, ou seja, salário para 6.000 dias). 10.000 talentos = salário de 60.000.000 dias, isto é, para 200.000 anos de trabalho.

Tentando trazer esse valor para nossos dias, verifiquemos o que significa 10.000 vezes o salário de 20 anos. Esse foi o valor da sua dívida perdoada.

Consideremos o valor do Salário Mínimo Nacional (base 01.01.2013) de R$ 678,00 mensais, o que corresponde a R$ 8.136,00 por ano e a R$ 162.720,00 em 20 anos. Esse valor seria o valor correspondente a 1 talento. Multiplicando-o por 10.000, teríamos R$ 1.627.200.000,00 = 10.000 talentos.

Esse é o tamanho do perdão. Podemos, então, imaginar o que significa quando alguém não tem perdão?

O perdão dos pecados cometidos somente é possível pelo fato de Jesus nunca haver pecado e o perdão do pecado original (proveniente de Adão) somente é possível porque não havia pecado original em Jesus: “Sabeis também que ele se manifestou para tirar os pecados, e nele não existe pecado” (1 Jo 3.5). A condição para isso foi o Seu nascimento virginal. Se Jesus tivesse nascido através da semente de um homem, Ele teria nascido com o pecado original porque este é herdado através da linhagem humana. Jesus foi gerado pelo Espírito Santo na virgem Maria e assim Ele não foi submetido ao pecado original. Desse modo, através de Jesus Cristo, temos o perdão dos pecados (voluntários) e o perdão do pecado (original).

Em Romanos 4.25, lemos que Jesus

“...foi

entregue por causa das nossas

transgressões”, isto é, dos nossos pecados. Em Romanos 5.12 e18, no entanto, lemos sobre o pecado original: “Portanto, assim como por um só homem entrou

o pecado no mundo [original], e pelo pecado, a morte, assim também a morte

passou a todos os homens, porque todos

pecaram...

18 Pois assim como, por uma

só ofensa, veio o juízo sobre todos os homens para condenação, assim também,

por um só ato de justiça, veio a graça sobre todos os homens para a justificação que dá vida” (Rm 5.12,18).

O perdão de todos os pecados

Através de Jesus Cristo não temos só o perdão dos nossos pecados cometidos, não só o perdão do pecado original, mas também o perdão de pecados do passado, do presente e do futuro. É por esta razão que um filho de Deus não perece mais, “pois os dons e o chamado de Deus são irrevogáveis” (Rm 11.29 – NVI). Se não fosse assim, ainda poderíamos perecer. Se cometêssemos um pecado, mas, por alguma razão, deixássemos de pedir perdão e viéssemos a falecer repentinamente, não receberíamos perdão por esse um pecado e, em conseqüência, estaríamos na perdição. Isso não seria uma afirmação perigosa, induzindo a pecar levianamente? A resposta é muito simples: Trata-se de uma afirmação, de uma doutrina da Bíblia:

“Porque, com uma única oferta, aperfeiçoou para sempre quantos estão sendo santificados” (Hb 10.14). A versão NVI, diz: “porque, por meio de um único sacrifício, ele aperfeiçoou para sempre os que estão sendo santificados”.

Os pecados do passado, do presente e do futuro estão perdoados. Isso não significa, porém, que não precisamos mais confessar os pecados que cometemos diante do Senhor, pedindo perdão por eles. Se alguém peca levianamente, este deveria se questionar se ele é, de fato, um filho de Deus. Através da conversão e do novo nascimento a pessoa é salva, uma vez por todas. No entanto, os pecados que cometer turvam a comunhão com o Senhor e bênçãos são perdidas bem como o fruto para a vida eterna. É por isso que o pecado precisa ser confessado e também somos exortados a buscar a santificação (Hebreus 12.14). Jesus afirma:

“...Quem

já se banhou não necessita de lavar senão os pés; quanto ao mais,

está todo limpo. Ora, vós estais limpos, mas não todos” (Jo 13.10).

Deveríamos agradecer mil vezes a Deus, pelo perdão dos nossos pecados e que esse perdão nos incentive a não mais pecar.

Em seu livro “Nachfolge” (“Discipulado”, em tradução livre), Dietrich Bonhoefer escreveu:

A graça barata é o inimigo mortal da Igreja. A graça barata significa a justificação do pecado,

mas não a do pecador. A graça barata é a proclamação do pecado sem

A

graça é cara porque ela foi cara para Deus, porque o preço pago foi a vida de Seu

e,

para nós, não pode ser barato algo que é caro para Deus.[5]

-10-

A CONSPIRAÇÃO DE ABSALÃO

“Enviou Absalão emissários secretos por todas as tribos de Israel, dizendo:

Quando ouvirdes o som das trombetas, direis: Absalão é rei em Hebrom!” (2Sm

Introdução

15.10).

Tal como aconteceu com a vida de José, também a vida de Davi não era marcada só por êxitos, mas também por sofrimento e dor. A via dolorosa de Davi não corresponde somente à vida de sofrimento de Jesus, mas, além disso, à história de Israel que, na sua fase final, estará estreitamente vinculada ao Anticristo. Como tal, ele se levantará contra o Rei Davi, o ungido do Senhor. Ele o fará tentando tomar-Lhe o reino para assentar-se no trono.

Absalão, uma figura do Anticristo

No meu entendimento, podemos identificar seis pontos em Absalão que se assemelham às características do Anticristo:

1. Absalão seduziu e monopolizou a atenção do povo

“Não havia, porém, em todo o Israel homem tão celebrado por sua beleza

como Absalão; da planta do pé ao alto da cabeça, não havia nele defeito

algum...

4 Dizia mais Absalão: Ah! Quem me dera ser juiz na terra, para que

viesse a mim todo homem que tivesse demanda ou questão, para que lhe fizesse justiça! 5 Também, quando alguém se chegava para inclinar-se diante dele, ele estendia a mão, pegava-o e o beijava. 6 Desta maneira fazia Absalão a todo o

Israel que vinha ao rei para juízo e, assim, ele furtava o coração dos homens de Israel” (2Sm 14.25;15.4-6).

Quem conhece a história de Absalão, sabe que, por causa do assassinato de

seu irmão Amnom (2Sm 13.22-29), ele precisou viver durante três anos em uma espécie de exílio (v.37-39). Davi não queria mais vê-lo. No entanto, através da mediação de Joabe, o general de Davi, Absalão foi autorizado a retornar. Foi um erro grave de Davi haver concordado com a iniciativa de paz promovida por Joabe. Primeiramente, ele ainda estava desgostoso por ter concordado (assim como o atual Governo de Israel), porém, depois ele até recebeu e beijou Absalão. Dessa maneira, Absalão novamente estava livre (2Sm 14) e Davi trouxe um inimigo para dentro de sua casa! O filho agradeceu à benevolência do rei de maneira muito infame.

Não foi algo parecido que assistimos no Oriente Médio, nesses últimos anos? Em várias ocasiões, Israel libertou muitos presos palestinos, na maioria terroristas, contra uns poucos presos israelenses, mas a situação não melhorou, antes disso, piorou.

O Anticristo, assim como fez Absalão, primeiramente se manterá em segredo juntamente com o seu real objetivo. Ele até fará uma aliança de sete anos com Israel (Dn 9.27), no entanto, rompendo-a em pouco tempo (3 anos e meio) e mostrando a sua verdadeira intenção.

2. Absalão recompensava aos que o procuravam

“...quando

alguém se chegava para inclinar-se diante dele, ele estendia a

mão, pegava-o e o beijava. 6 Desta maneira fazia Absalão a todo o Israel que

vinha ao rei para juízo e, assim, ele furtava o coração dos homens de Israel” (2Sm 15.5-6). Daniel escreve sobre o Anticristo: “Com o auxílio de um deus estranho, agirá contra as poderosas fortalezas, e aos que o reconhecerem, multiplicar-lhes-á a honra, e fá-los-á reinar sobre muitos, e lhes repartirá a terra por prêmio” (Dn 11.39). O mesmo aparece em Apocalipse 13: aquele que o adorar poderá comprar e vender sem limitações.

3. Absalão: Piedoso ao falar, diabólico ao agir

“Porque, morando em Gesur, na Síria, fez o teu servo um voto, dizendo: Se o SENHOR me fizer tornar a Jerusalém, prestarei culto ao SENHOR” (2Sm 15.8).

O Anticristo se apresentará como uma figura religiosa. Ele mesmo assumirá a direção de todas as religiões e, ao final, se apresentará como Deus: “o qual se opõe e se levanta contra tudo que se chama Deus ou é objeto de culto, a ponto de assentar-se no santuário de Deus, ostentando-se como se fosse o próprio Deus” (2Ts 2.4). Ele fingirá espiritualidade com o fim de arrastar o mundo para o

abismo.

  • 4. Absalão tinha um aliado próximo

“Também Absalão mandou vir Aitofel, o gilonita, do conselho de Davi, da sua cidade de Gilo; enquanto ele oferecia os seus sacrifícios, tornou-se poderosa a conspirata, e crescia em número o povo que tomava o partido de Absalão” (2Sm 15.12).

Absalão encontrou um fiel seguidor e conselheiro inteligente em Aitofel. Ele se agradou do seu plano arquitetado contra Davi e, assim, se colocou decididamente contra o rei.

Certamente, Aitofel não é apenas uma indicação profética para o traidor Judas, mas também para o falso profeta (ver Ap 13) que será o conselheiro do Anticristo.

O espírito do Anticristo está presente em nossa época e está ficando mais e mais ativo. Ele influi na humanidade com “conselhos” tão espertos que não podemos afastar a idéia de que quase alcançamos o momento do aparecimento do

próprio Anticristo no palco mundial. Esse Anticristo igualmente enfrentará o Rei dos Reis. Sim, ele questionará o próprio Deus, questionará a Sua Palavra e todo o Plano de Salvação divino com o objetivo de declarar a si mesmo como deus e apresentar o seu programa. Isso nos é mostrado em Daniel 7.25: “Proferirá palavras contra o Altíssimo...”.

Os acontecimentos ao redor de Israel em nossos dias nos mostram, cada vez mais claramente, a abrangência do que o Anticristo fará então. Ele ofuscará as pessoas e assumirá o poder. Isso não será muito difícil para ele, pois muitos personagens do mundo político se tornarão propagandistas dessa pessoa do abismo (Ap 17.12-13). O serviço secreto do Anticristo será tão gigantesco e abrangente que qualquer organização existente até então (mesmo a KGB, a Stasi, a SS ou a Securitate romena) será considerada insignificante. Cabe avaliar, separadamente, o quanto já estamos avançando na área técnica e eletrônica nesse sentido.

  • 5. Absalão tinha um objetivo definido

Absalão desafiou o reinado de Davi, pois, seu objetivo definido era assumir o lugar do rei. Como conseqüência, Davi precisou fugir. Ele apenas conseguiu

avisar seus aliados:

“...Dai-vos

pressa a sair, para que não nos alcance de

entrou em Jerusalém” (2Sm 15.14b,37b). Absalão não vacilou em dominar Jerusalém.

A perseguição a Davi, por Absalão, é uma amostra da perseguição que o Anticristo fará a Israel. Figuradamente, num futuro próximo, Israel também seguirá o caminho de Davi através do Vale de Cedrom (Vale de Josafá) e, em certo sentido, também o caminho de Jesus. Quando a Bíblia afirma, em Hebreus:

“Pois, naquilo que ele mesmo sofreu, tendo sido tentado, é poderoso para

socorrer os que são tentados” (Hb 2.18), então Hebreus 2.17 igualmente se refere a Israel. Alguém disse, certa vez, que Cristo participa do martírio dos judeus. O povo do qual Ele veio foi o mais cruelmente perseguido. Israel é empurrado ao encontro do ponto mais profundo de sua história: ao “Vale de Cedrom”. Sob a inspiração de Satanás, o Anticristo e o falso profeta levarão todas as nações a ponto de querer eliminar Israel radicalmente. Satanás empregará toda a sua inteligência, seu poder, toda sua astúcia e malícia, junto com toda a política e religiosidade, para dar um fim a Israel. É um objetivo diabólico!

Ao tentar eliminar Israel, Satanás pretende impedir o cumprimento das profecias bíblicas, classificar Deus como mentiroso e evitar a sua própria derrota. No entanto, ele não conseguirá nada disso! Fica claro, porém, que Israel e Jerusalém o atrapalham. Por isso, num futuro próximo, a política mundial se envolverá sempre mais intensivamente com essa nação, com esse povo e com a cidade de Jerusalém. Esta Jerusalém será a pedra pesada para todo o mundo (Zc 12.3)! Apesar disso, ainda não significa o fim!

Davi orou: “Ó SENHOR, peço-te que transtornes em loucura o conselho de Aitofel” (2Sm 15.31). Assim como o conselho de Aitofel não vingou – “...Pois ordenara o SENHOR que fosse dissipado o bom conselho de Aitofel, para que o mal sobreviesse contra Absalão” (2Sm 17.14)​ – da mesma maneira a idéia diabólica de Satanás também não dará certo, no fim dos tempos. Nenhum “acordo das nações” contra Israel, promovido pelo Anticristo, conseguirá eliminar Israel porque o “acordo” de Deus é mais poderoso! “Enfurecei-vos, ó povos, e sereis despedaçados; dai ouvidos, todos os que sois de países longínquos; cingi-vos e sereis despedaçados, cingi-vos e sereis despedaçados. 10 Forjai projetos, e eles

serão frustrados; dai ordens, e elas não serão cumpridas, porque Deus é conosco” (Is 8.9-10). Nada nem ninguém poderá impedir que o Messias venha novamente para reinar sobre o mundo todo, a partir de Jerusalém.

6. Absalão assumiu o lugar de Davi

O conselho de Aitofel foi:

“...Deixa-me

escolher doze mil homens, e me

disporei, e perseguirei Davi esta noite. 2 Assaltá-lo-ei, enquanto está cansado e

frouxo de mãos; espantá-lo-ei; fugirá todo o povo que está com ele; então, matarei apenas o rei. 3 Farei voltar a ti todo o povo; pois a volta de todos

depende daquele a quem procuras matar; assim, todo o povo estará em paz. 4 O parecer agradou a Absalão e a todos os anciãos de Israel” (2Sm 17.1-4).

Do modo como Absalão pretendia assumir a posição de Davi, também o Anticristo (anti = “em lugar de”) se oferecerá para usurpar o lugar de Cristo e, assim, tomar o lugar de Deus. Ele será aceito para tanto por um mundo decaído (que se considera cristão ou não) bem como por grande parte de Israel. “Ninguém, de nenhum modo, vos engane, porque isto não acontecerá sem que primeiro venha a apostasia e seja revelado o homem da iniqüidade, o filho da perdição, 4 o qual se opõe e se levanta contra tudo que se chama Deus ou é

objeto de culto, a ponto de assentar-se no santuário de Deus, ostentando-se como se fosse o próprio Deus” (2Ts 2.3-4).

No livro de Daniel, entre outros, lemos sobre o Anticristo e seu

procedimento: “Ele fará firme aliança com muitos, por uma

semana...”

(Dn

9.27). Lemos, ainda: “No final do reinado deles, quando a rebelião dos ímpios

tiver chegado ao máximo, surgirá um rei de duro semblante, mestre em

astúcias...

25 Com o intuito de prosperar, ele enganará a muitos e se

considerará superior aos outros. Destruirá muitos que nele confiam e se insurgirá contra o Príncipe dos príncipes. Apesar disso, ele será destruído, mas não pelo poder dos homens” (Dn 8.23,25 – NVI). Podemos e devemos saber, em tudo isso, que o próprio Deus tem as rédeas em Suas mãos, pois, em Zacarias 14.2, lemos: “Porque eu [o Deus vivo] ajuntarei todas as nações para a peleja contra Jerusalém; e a cidade será tomada, e as casas serão saqueadas, e as mulheres, forçadas; metade da cidade sairá para o cativeiro, mas o restante do povo não será expulso da cidade”. Os filhos de Deus não precisam ter medo diante de todos esses acontecimentos que o juízo de Deus trará sobre o mundo ímpio, pois eles não estão sob a ira de Deus.

-11-

A VIA DOLOROSA

“Então, veio um mensageiro a Davi, dizendo: Todo o povo de Israel segue decididamente a Absalão. 14 Disse, pois, Davi a todos os seus homens que estavam

com ele em Jerusalém: Levantai-vos, e fujamos, porque não poderemos salvar-nos de Absalão. Dai-vos pressa a sair, para que não nos alcance de súbito, lance

sobre nós algum mal e fira a cidade a fio de

espada...

23 Toda a terra chorava em

alta voz; e todo o povo e também o rei passaram o ribeiro de Cedrom, seguindo o caminho do deserto” (2Sm 15.13-14,23).

Introdução

Quando recebeu a notícia de que Absalão havia tomado o reinado para si, Davi compreendeu imediatamente que isso significava algo terrível: Ele precisou fugir de seu próprio filho! Tudo o que Deus lhe havia dado e tudo o que conseguiu angariar parecia estar perdido. Parecia, até, que o povo havia se esquecido dele apesar de tudo que havia feito e de todas as vitórias conquistadas.

O caminho através do Vale de Cedrom

O caminho que Davi precisaria percorrer agora era o mais difícil em sua vida, muito pior do que a fuga diante de Saul. Ele estava novamente no chão, era um “ninguém”. Ele precisou abandonar Jerusalém. Sua rota seguia para o vale, passando pelo ribeiro de Cedrom, em direção ao Monte das Oliveiras, ao leste. Como num profundo drama, lemos: “Toda a terra chorava em alta voz; e todo o povo e também o rei passaram o ribeiro de Cedrom, seguindo o caminho do deserto” (2Sm 15.23). Ainda: “Seguiu Davi pela encosta das Oliveiras, subindo e chorando; tinha a cabeça coberta e caminhava descalço; todo o povo que ia com ele, de cabeça coberta, subiu chorando” (2Sm 15.30). Existe uma descrição melhor de desespero e luto do que essa?

Parece que no caminho do sofrimento de Davi transparece a via dolorosa de Jesus em direção ao Getsêmani e para a cruz. Não foi o que aconteceu com Jesus, em sua primeira vinda a Israel, conquistando vitórias e mais vitórias sobre o

poder das trevas, assim como Davi obteve vitórias sobre os seus inimigos? Sempre que Jesus aparecia, havia perdão de pecados, expulsão de demônios, curas de enfermos, fenômenos naturais dominados. As pessoas acorriam em multidões para ouvi-lO e para ver Suas obras. Até se puseram à beira do caminho, saudando-o com “Hosana! Bendito o que vem em nome do Senhor!” (Mc 11.9). No entanto, não muito depois disso, por duas vezes eles

...clamavam:

Crucifica-o! 14 Mas Pilatos lhes disse: Que mal fez ele? E eles

gritavam cada vez mais: Crucifica-o!” (Mc 15.13-14). Quando Jesus, então, foi pregado na cruz, parecia que tudo estava perdido (Dn 9.26), quando, na verdade, Ele venceu tudo (Mc 16.6; Cl 2.12-15)!

Por que Davi precisou passar por isso?

Na minha opinião, os motivos são dois:

1) Algo também importante para nós do ponto de vista espiritual – foi conseqüência do seu próprio pecado: o adultério com Bate-Seba e o assassinato de Urias, o marido dela (2Sm 11-12). Foi essa a sentença que Deus mandou lhe dizer pelo profeta Natã, após Davi ter cometido o pecado: “Assim diz o SENHOR:

Eis que da tua própria casa suscitarei o mal sobre ti, e tomarei tuas mulheres à tua própria vista, e as darei a teu próximo, o qual se deitará com elas, em plena luz deste sol. 12 Porque tu o fizeste em oculto, mas eu farei isto perante todo o

Israel e perante o sol” (2Sm 12.11-12).

Assim, tomados de pavor, devemos estar conscientes de que o pecado tem conseqüências. Nesse sentido, a experiência de Davi foi das mais amargas. Isso nos mostra o quanto é importante não deixar os pecados do passado guardados, mas, sim, confessá-los e romper com eles. Depois que o profeta Natã, incumbido por Deus, trouxe aos olhos de Davi o seu comportamento reprovável, este se arrependeu (2Sm 12.1s.), o Senhor o perdoou, mas ele teve que arcar com as conseqüências do pecado.

2) Esse vale sombrio serve de imagem profética para o Grande Filho de Davi que, cerca de 1.000 anos mais tarde, percorreria o mesmo caminho, todavia, sem pecado algum e pela salvação de Israel e de todo o mundo.

Uma imagem para a primeira vinda de Jesus

O que aconteceu 1.000 anos depois de Davi? Jesus nasceu em Belém, a cidade de Davi (Lc 2). Inspirado pelo Espírito Santo, Paulo escreveu aos romanos que Jesus é o Filho de Deus anunciado pelos profetas nas Escrituras Sagradas, esclarecendo que, na linhagem humana, seria descendente de Davi (Rm 1.1-4). O próprio Davi era um profeta, pois, de que maneira poderia ter descrito (1.000 anos antes) a morte de Jesus detalhadamente (Sl 22)? É algo ainda mais notável saber que, à época de Davi, não havia a crucificação como condenação. Esse paralelo profético demonstra, mais uma vez, que a Bíblia é inspirada por Deus e que somente Ele é o Deus verdadeiro.

Através da vida de Davi e, principalmente, pelo seu sofrimento, Deus pretendia projetar um foco de luz profético sobre o Seu Filho e o sofrimento dEsse. Assim, o tempo havia chegado: Jesus saiu de Jerusalém e andou pelo mesmo caminho, através do Vale de Cedrom para o Jardim do Getsêmani. O início do caminho do sofrimento de Jesus foi: “Tendo Jesus dito estas palavras, saiu juntamente com seus discípulos para o outro lado do ribeiro Cedrom, onde havia um jardim; e aí entrou com eles. 2 E Judas, o traidor, também conhecia

aquele lugar, porque Jesus ali estivera muitas vezes com seus discípulos” (Jo 18.1-2). Parecia que Jesus havia perdido tudo.

Uma imagem para Judas, o traidor

“Também Absalão mandou vir Aitofel, o gilonita, do conselho de Davi, da sua cidade de Gilo; enquanto ele oferecia os seus sacrifícios, tornou-se poderosa a conspirata, e crescia em número o povo que tomava o partido de Absalão” (2Sm 15.12). “Então, fizeram saber a Davi, dizendo: Aitofel está entre os que conspiram com Absalão. Pelo que disse Davi: Ó SENHOR, peço-te que transtornes em loucura o conselho de Aitofel” (2Sm 15.31).

Aitofel, o antigo conselheiro de Davi, é a imagem do Antigo Testamento para Judas, o traidor de Jesus. Também este Judas havia sido um dos homens de confiança do Senhor e, também através dele, a conspiração contra Jesus foi muito

fortalecida alcançando o ápice no Vale de Cedrom. No Salmo 41.9, ao se referir a Aitofel, Davi fala profeticamente sobre a traição de Judas: “Até o meu amigo íntimo, em quem eu confiava, que comia do meu pão, levantou contra mim o calcanhar”. Em João 13.18, Jesus mesmo faz referência a Judas e explica aos Seus discípulos: “Não falo a respeito de todos vós, pois eu conheço aqueles que escolhi; é, antes, para que se cumpra a Escritura: Aquele que come do meu pão

levantou contra mim seu calcanhar”. Haveria, ainda, motivos para duvidar que a Bíblia é inspirada divinamente? Assim, também não é de admirar que Aitofel e Judas morreram da mesma

forma. Judas se enforcou e a Bíblia relata sobre Aitofel: “Vendo, pois, Aitofel que não fora seguido o seu conselho, albardou o jumento, dispôs-se e foi para casa e para a sua cidade; pôs em ordem os seus negócios e se enforcou; morreu e foi sepultado na sepultura do seu pai” (2Sm 17.23).

Uma imagem para a luta de Jesus no Getsêmani

Depois que o Senhor Jesus transpôs o ribeiro de Cedrom, Ele foi para o Jardim do Getsêmani, onde lutou em oração com Deus, mas Se dispôs a beber o cálice e cumprir com a vontade do Pai.

Essa atitude também é mostrada figuradamente na vida de Davi, pois, lemos:

“Então, disse o rei a Zadoque: Torna a levar a arca de Deus à cidade. Se achar eu graça aos olhos do SENHOR, ele me fará voltar para lá e me deixará ver assim a arca como a sua habitação. 26 Se ele, porém, disser: Não tenho prazer em ti,

eis-me aqui; faça de mim como melhor lhe

parecer...

30 Seguiu Davi pela

encosta das Oliveiras [Getsêmani], subindo e chorando; tinha a cabeça coberta e caminhava descalço; todo o povo que ia com ele, de cabeça coberta, subiu

chorando” (2Sm 15.25-26,30). Nessa situação, Davi se submeteu totalmente à vontade de Deus. Ele disse: “Se eu puder concluir essa obra, então voltarei; se

Deus, porém, permitir que eu morra já agora: estou aqui! Ele fará comigo o que Ele achar melhor!” Com isso, podemos ouvir Jesus – o grande Davi – orando:

“Pai, se queres, passa de mim este cálice; contudo, não se faça a minha vontade, e sim a tua” (Lc 22.42).

Na minha opinião, temos ainda mais alguns paralelos. Jesus não esteve angustiado à morte, como Davi ficou (Mc 14.34)?

Jesus não estava angustiado, a ponto de Seu suor se transformar em gotas de sangue (Lc 22.44)?

Os discípulos, que acompanhavam Jesus, não estavam muito entristecidos também (Lc 22.45)? • Não havia, do mesmo modo, muito povo seguindo a Jesus nesse Seu caminho

mais difícil (Lc 23.27)?

Aquilo que é apenas uma possibilidade na experiência de Davi, foi algo que Jesus sofreu em toda a extensão e com toda fúria apesar de ser absolutamente sem pecados.

Uma imagem para o poder da cruz

Satanás pretendia evitar que o reinado de Davi continuasse e fosse levado ao fim. Por isso, ele inspirou Aitofel para o mal, de modo a se tornar o traidor de Davi. Davi orou: “Ó SENHOR, peço-te que transtornes em loucura o conselho de Aitofel” (2Sm 15.31) e Deus atendeu sua oração no devido tempo.

Mais tarde, Satanás inspirou e utilizou a Judas para trair a Jesus, porque ele pretendia eliminar o Plano de Salvação de Deus. O objetivo de Satanás era que todo mundo fosse para a perdição. Tudo deveria terminar em ódio.

A partir daí também podemos compreender todo o ódio que existe hoje contra Israel. Em última análise, esse ódio é dirigido contra Deus e o Seu plano de conceder a paz ao mundo. É algo semelhante ao sentimento de Esaú contra

Jacó: “Passou Esaú a odiar a Jacó por causa da bênção, com que seu pai o

tinha

abençoado...”

(Gn 27.41).

Desse modo, Satanás quis usar Aitofel e, posteriormente, a Judas para neutralizar a bênção em Jesus. No entanto, aconteceu o contrário! A intenção de Satanás foi neutralizada através do sofrimento e da morte de Jesus na cruz. Sim, o seu conselho, isto é, seu plano transformou-se em tolice quando Jesus, a partir do poder das trevas, triunfou e obteve a vitória cabal sobre Satanás (Cl 2.15).

Também isso é demonstrado antecipadamente em 2 Samuel 17.14:

“...ordenara

o

SENHOR que fosse dissipado o bom conselho de Aitofel, para que o mal

sobreviesse contra Absalão”. Deus tinha tudo em Sua mãos, ordenando tudo de modo que a Salvação fosse consumada!

Toda a história da Bíblia, tudo o que aconteceu através dos milênios e em torno de Israel pertence ao Plano de Salvação de Deus de maneira que, também você leitor(a), pudesse obter a salvação! Pela obra de Jesus, na cruz, o conselho de Satanás foi neutralizado e a condenação dele foi confirmada – agora o mundo perdido pode ser salvo. Do mesmo modo como Davi voltou ao seu reino, após um certo período após o julgamento de Absalão, assim também o Senhor voltará para assumir o Seu Reino, após eliminar o Anticristo.

“Certamente, a palavra da cruz é loucura para os que se perdem, mas

para nós, que somos salvos, poder de Deus” (1Co 1.18). Tudo o que acontece em nossa época está programado de tal maneira que se cumpra a profecia, pois há Alguém muito maior comandando a nossa história.

Durante a sua fuga, Davi incumbiu o sacerdote Zadoque: “Torna a levar a arca de Deus à cidade. Se achar eu graça aos olhos do SENHOR, ele me fará voltar para lá e me deixará ver assim a arca como a sua habitação” (2Sm 15.25). Para mim, isso representa uma imagem de que, através de todo o sofrimento de Jesus e do sofrimento de Israel, Deus não se afastará de Israel. Isso é reforçado pela palavra do Senhor em Zacarias 2.10-12: “Canta e exulta, ó filha de Sião, porque eis que venho e habitarei no meio de ti, diz o SENHOR. 11

Naquele dia, muitas nações se ajuntarão ao SENHOR e serão o meu povo; habitarei no meio de ti, e saberás que o SENHOR dos Exércitos é quem me enviou a ti. 12 Então, o SENHOR herdará a Judá como sua porção na terra santa e, de

novo, escolherá a Jerusalém”.

-12-

UMA INTIFADA NO ANTIGO TESTAMENTO

“Tendo chegado o rei Davi a Baurim, eis que dali saiu um homem da família da casa de Saul, cujo nome era Simei, filho de Gera; saiu e ia amaldiçoando. 6

Atirava pedras contra Davi e contra todos os seus servos, ainda que todo o povo e todos os valentes estavam à direita e à esquerda do rei. 7 Amaldiçoando-o, dizia

Simei: Fora daqui, fora, homem de sangue, homem de Belial; 8 o SENHOR te deu,

agora, a paga de todo o sangue da casa de Saul, cujo reino usurpaste; o SENHOR já o entregou nas mãos de teu filho Absalão; eis-te, agora, na tua desgraça, porque és homem de sangue” (2Sm 16.5-8).

Introdução

Já comentamos que está cada vez mais claro que, em nossos dias, Israel está a caminho do ponto mais profundo da sua história, para o seu “Vale de Cedrom”. Vemos sinais disso na Primeira e na Segunda Intifada. Esta ainda não terminou, mas está estacionada em outro nível, pois, na luta por Jerusalém, trata-se em suma do ataque de Satanás ao Plano de Salvação de Deus e ao Reino Messiânico. O ápice dessa batalha acontecerá quando todos os povos se reunirem contra Israel no Vale de Josafá (Jl 3.1-2).

Podemos considerar 2 Samuel 16.5-8 como um quadro profético para eventos futuros e, por isso, pretendemos analisar esses versículos sob essa ótica.

O pano de fundo dessa rebelião

A Intifada do Antigo Testamento começou com Absalão se rebelando contra o Rei Davi, perseguindo-o até à morte. Absalão montou uma estratégia para isso:

“Enviou Absalão emissários secretos por todas as tribos de Israel, dizendo:

Quando ouvirdes o som das trombetas, direis: Absalão é rei em Hebrom!” (2Sm 15.10). A marca da sua conquista foi sua incursão em Jerusalém: “...Absalão entrou em Jerusalém” (2Sm 15.37).

Visando conseguir apoio público, Absalão ocupou primeiramente a Hebrom

e, depois, a Jerusalém. Isso serve de imagem para a situação atual de Israel: a pressão política pelas nações sobre Israel aumenta gradativamente, sendo que o objetivo final é a conquista de Jerusalém. Observem como Absalão procedeu e o comparemos com a atual política: “Ao cabo de quatro anos, disse Absalão ao

rei: Deixa-me ir a Hebrom cumprir o voto que fiz ao

SENHOR...

9 Então, lhe disse

o rei: Vai-te em paz. Levantou-se, pois, e foi para Hebrom. 10 Enviou Absalão emissários secretos por todas as tribos de Israel, dizendo: Quando ouvirdes o

som das trombetas, direis: Absalão é rei em Hebrom!” (2Sm 15.7,9-10). Até àquele momento, Hebrom era tabu para Absalão, pois ele vivia numa espécie de desterro, em virtude da morte de seu irmão. No entanto, pela mediação exercida por Joabe houve um acordo de paz entre Davi e Absalão, sendo que ele foi autorizado a ir para Hebrom.

Vejamos a seqüência dos acontecimentos:

  • 1. Foi firmado o acordo de paz que foi selado com um beijo pelo rei (2Sm

14.33);

  • 2. Absalão começou a negociar com Davi sob esse pretexto (2Sm 15.7);

  • 3. Davi concordou com a ida de Absalão para Hebrom para o bem da paz

(v.9);

  • 4. A concessão de Hebrom se tornou em armadilha para Davi, pois esse local tornou-se “área de domínio” de Absalão (v.10);

  • 5. O objetivo maior de Absalão era Jerusalém (v.37).

Em todo esse processo, Absalão contava com um aliado próximo: Simei – um homem da casa de Saul. Ele era um forte apoio.

Também é interessante lembrar que Maaca, a mãe de Absalão era filha de Talmai, o rei de Gesur, na Síria (2Sm 3.3). O nome dela significa “pressão”. Absalão tinha uma estreita ligação com seu avô materno da Síria, pois, depois que ele matou seu irmão Amnom, ele se refugiou junto ao seu avô Talmai, em Gesur (2Sm 13.37). Por isso, há uma possibilidade de que o rei da Síria, de alguma maneira, tenha participado do complô de Absalão contra Davi.

Isso não se assemelha à situação de hoje, com constante pressão sobre Israel proveniente da Síria? É o que acontece, principalmente, de maneira indireta utilizando o Líbano e os palestinos para exercerem pressão.

A época da rebelião

“Ao cabo de quatro anos, disse Absalão ao

rei...”

(2Sm 15.7). Assim, o

ataque contra Davi, Hebrom e Jerusalém e a respectiva Intifada começou após 4

anos.

“Intifada” significa literalmente “sacudir”. O objetivo do mundo árabe é por demais conhecido. Ele pretende “sacudir” o domínio judeu sobre Eretz Israel, quer expulsar os judeus de sua própria terra e empurrá-los para o mar. Sobre isso, Ernst Schrupp escreveu:

O movimento de combate islâmico “Hamas” serve de “braço forte” da Irmandade Islâmica mundialmente difundida. Ela incentiva a “hastear uma bandeira islâmica em cada metro quadrado da área da Palestina”, ou seja, a destruição do Estado de Israel. Na Declaração do Hamas, de Agosto de 1988, consta: “A Palestina é a terra da herança islâmica de todos os muçulmanos até o fim dos tempos. Nada dela pode ser cedida. Nenhum país árabe, nenhum rei, nenhuma organização – seja árabe ou palestina – tem autorização para isso. A única maneira de resolver o problema é a “guerra santa”. Ela livrará a Palestina de qualquer

compromisso.[6]

Simei já dá uma amostra clara das atitudes hostis contra Israel: “Tendo chegado o rei Davi a Baurim, eis que dali saiu um homem da família da casa de Saul, cujo nome era Simei, filho de Gera; saiu e ia amaldiçoando. 6 Atirava

pedras contra Davi e contra todos os seus servos, ainda que todo o povo e todos os valentes estavam à direita e à esquerda do rei. 7 Amaldiçoando-o, dizia

Simei: Fora daqui, fora, homem de sangue, homem de Belial” (2Sm 16.5-7). A atitude má e enganosa de Simei aponta para a maldade e as mentiras da Liga Árabe em relação a Israel – e as nações do mundo apóiam. A acusação de “homem de sangue, homem de Belial” ou de “Assassino! Bandido!” (NVI) não foi feita a Absalão, mas contra Davi. O que vemos hoje? Sejam pedras arremessadas, mísseis disparados da faixa de Gaza contra Israel ou o fracasso dos chamados acordos de paz, a culpa sempre é imputada a Israel.

Simei acusou a Davi de ser culpado da morte de Saul para lhe tirar o reinado e continuou afirmando que tudo que Davi passaria a sofrer seria mandado pelo Senhor para vingar a morte de Saul: “o SENHOR te deu, agora, a paga de todo o sangue da casa de Saul, cujo reino usurpaste; o SENHOR já o entregou nas mãos de teu filho Absalão; eis-te, agora, na tua desgraça, porque és homem de sangue” (2Sm 16.8). Isso era uma falsa acusação, uma mentira clara, pois havia acontecido justamente o contrário: Davi havia poupado a vida de Saul quando poderia facilmente tê-lo matado (1Sm 24.11). Além disso, Davi queria que os

descendentes de Saul fossem bem tratados (2Sm 9.1s.). O problema de Simei, que era “um homem da família da casa de Saul”

(2Sm 16.5), era não suportar que agora Davi ocupava o trono de Saul. Era algo semelhante ao caso de Esaú: “Passou Esaú a odiar a Jacó por causa da bênção,

com que seu pai o tinha

abençoado...”

(Gn 27.41).

Simei afirmou que Davi não era o rei legítimo de Israel. Não é o que ouvimos os inimigos de Israel gritar também hoje, de que se apropriou de algo que não lhe pertence? Justamente por isso, eles pretendem expulsar os israelenses da terra de seus antepassados, dominar Jerusalém e assumir o poder! A verdade é vergonhosamente distorcida! Deus destinou Jerusalém claramente para Israel, inclusive, chamando-a de “a cidade do grande Rei” (Sl 48.2). Enquanto Jerusalém é mencionada 600 vezes no Antigo Testamento, no Corão ela não aparece nenhuma vez.

O procedimento do inimigo

“Prosseguiam, pois, o seu caminho, Davi e os seus homens; também Simei ia ao longo do monte, ao lado dele, caminhando e amaldiçoando, e atirava

pedras e terra contra ele” (2Sm 16.13). Assim, Simei caminhava próximo de Davi, isto é, ele estava onde Davi estava. Simei jogava pedras e terra contra Davi, enquanto ignorava os servos (soldados) do rei.

Do mesmo modo como, naquela ocasião, Davi estava indefeso quanto às pedras e terra arremessados e, além disso, lutava com diferenças de opinião em suas próprias fileiras (v.9-10), assim acontece hoje em Israel. Do mesmo modo como jogaram pedras e terra em Davi, também cuspiram em Jesus.

Absalão tinha um objetivo definido. O que vimos até agora era apenas o começo. O final está descrito no versículo 15: “Absalão, pois, e todo o povo, homens de Israel, vieram a Jerusalém; e, com ele, Aitofel”. O alvo claramente estabelecido era Jerusalém. Também o Anticristo e o seu falso profeta entrarão em Jerusalém juntamente com os exércitos das nações (Zc 14.2).

A virada

A situação de Davi era sem perspectivas do ponto-de-vista humano. No

entanto, ele ergueu os olhos para Aquele que poderia ajudá-lo e disse aos da sua comitiva: “Talvez o Senhor olhará para a minha aflição e o Senhor me pagará com bem a sua maldição deste dia” (2Sm 16.12). Foi isso o que aconteceu,

literalmente, pois:

“...moveu

o rei o coração de todos os homens de Judá, como

se fora um só homem, e mandaram dizer-lhe: Volta, ó rei, tu e todos os teus

servos. 15 Então, o rei

voltou...”

(2Sm 19.14-15a).

Assim acontecerá na última fase do fim dos tempos: o desfile bélico contra Jerusalém – a última grande Intifada – será abrupta e definitivamente encerrada com a Volta de Jesus – o Davi Celestial (Zc 14, Ap 19)!

Os aliados de Davi

“Tendo Davi chegado a Maanaim, Sobi, filho de Naás, de Rabá, dos filhos de Amom, e Maquir, filho de Amiel, de Lo-Debar, e Barzilai, o gileadita, de Rogelim, 28 tomaram camas, bacias e vasilhas de barro, trigo, cevada, farinha,

grãos torrados, favas e lentilhas; 29 também mel, coalhada, ovelhas e queijos de

gado e os trouxeram a Davi e ao povo que com ele estava, para comerem, porque disseram: Este povo no deserto está faminto, cansado e sedento” (2Sm

17.27-29).

Enquanto Davi fugia diante de Absalão, não somente Itai (uma figura para a Igreja de Jesus) se aliou a Davi (2Sm 15.21), mas também um homem chamado Barzilai (uma figura para a disposição de servir e de fidelidade). Simei arremessou pedras e terra contra o rei e seu povo e o amaldiçoou, ao passo que Barzilai veio ao encontro de Davi com bênçãos. Barzilai significa “férreo”. Ele trouxe camas, vasilhas, alimentos e consolo. As camas proporcionam possibilidade de descanso. Trouxe, também, vasilhas e bacias, isto é, utensílios para produção. Além disso, ele proporcionou alimentos. Resumindo: ele acompanhou Davi, o apoiou e ajudou a reerguer as suas tropas. Por isso, em nossa época, em que a pressão contra Israel aumenta constantemente e dificulta sua vida, deveríamos ter também essa atitude férrea em apoio a Israel.

Jesus diz:

“...vos

afirmo que, sempre que o fizestes a um destes meus

pequeninos irmãos, a mim o fizestes” (Mt 25.40). A Bíblia relata sobre as igrejas da Macedônia e de Acaia: “Porque aprouve à Macedônia e à Acaia levantar uma coleta em benefício dos pobres dentre os santos que vivem em Jerusalém. 27 Isto lhes pareceu bem, e mesmo lhes são devedores; porque, se os

gentios têm sido participantes dos valores espirituais dos judeus, devem também servi-los com bens materiais” (Rm 15.26-27). Mesmo que o “manto de Moisés” ainda esteja cobrindo a maioria do povo de Israel, isso não deveria nos impedir em abençoar e fazer o bem a Israel. Não devemos esquecer, nunca, por que o “manto de Moisés” ainda se estende sobre ele: “Quanto ao evangelho, são

eles inimigos por vossa causa; quanto, porém, à eleição, amados por causa dos patriarcas; 29 porque os dons e a vocação de Deus são irrevogáveis” (Rm 11.28-

29).

Juízo, bênção e maldição

Depois que Davi retornou e reassumiu o seu reino, ele sentou-se à porta, como juiz: “Então, o rei se levantou e se assentou à porta, e o fizeram saber a todo o povo, dizendo: Eis que o rei está assentado à porta. Veio, pois, todo o povo apresentar-se diante do rei. Ora, Israel havia fugido, cada um para a sua tenda” (2Sm 19.8).

A porta é uma figura para o juízo, pois, desde a antiguidade, as causas do povo eram julgadas junto às portas, em Israel. “Lá estão os tronos de justiça”(Sl 122.5). A Davi eram atribuídos capacidade de julgamento e senso de justiça: “...o rei, meu senhor, é como um anjo de Deuz; faze, pois, o que melhor te parecer” (2Sm 19.27). Nessa ocasião, Davi é comparado a Jesus, pois, quando o Antigo Testamento menciona “Anjo de Deus” ou “Anjo do SENHOR, refere-se ao próprio Senhor (Gn 31.11-12; Êx 3.2-6). Jesus é o único Juiz verdadeiro, justo e soberano!

Absalão havia morrido na batalha, Davi reconquistou o povo e, nesse

contexto, afirmou algo muito importante: “Vós sois meus irmãos, sois meu osso e minha carne; por que, pois, seríeis os últimos em tornar a trazer o rei?” (2Sm

19.12). Não se trata de uma profecia em relação a Jesus? Será que Deus não fala essas palavras ao Seu povo, também hoje?

Simei, agora, precisava reconhecer o reinado de Davi e arcar com as conseqüências por causa de sua atitude diante dele, já que suas propriedades foram drasticamente reduzidas: “Apressou-se Simei, filho de Gera, benjamita,

que era de Baurim, e desceu com os homens de Judá a encontrar-se com o rei

Davi...

19 e lhe disse: Não me imputes, senhor, a minha culpa e não te lembres

do que tão perversamente fez teu servo, no dia em que o rei, meu senhor, saiu de Jerusalém; não o conserves, ó rei, em teu coração” (2Sm 19.16,19). Davi ouviu o seu pedido e não se vingou. Mais tarde, porém, sob o reinado de Salomão, Simei foi enquadrado e condenado (1Rs 2.8-9; 36-46).

Por outro lado, Barzilai estava junto com Davi e o acompanhou na travessia do Jordão: “Também Barzilai, o gileadita, desceu de Rogelim e passou com o rei o Jordão, para o acompanhar até ao outro lado. 32 Era Barzilai mui velho,

da idade de oitenta anos; ele sustentara o rei quando este estava em Maanaim, porque era homem mui rico” (2Sm 19.31-32). Seu apoio efetivo e sua fidelidade foram recompensados acima do esperado, pois: “Disse o rei a Barzilai: Vem tu comigo, e te sustentarei em Jerusalém” (2Sm 19.33). Além de ser voluntarioso e fiel, Barzilai também era humilde e modesto: “Respondeu Barzilai ao rei:

Quantos serão ainda os dias dos anos da minha vida? Não vale a pena subir com o rei a Jerusalém. 35 Oitenta anos tenho hoje; poderia eu discernir entre o

bom e o mau? Poderia o teu servo ter gosto no que come e no que bebe? Poderia eu mais ouvir a voz dos cantores e cantoras? E por que há de ser o teu

servo ainda pesado ao rei, meu senhor?

...

39 Havendo, pois, todo o povo

passado o Jordão e passado também o rei, este beijou a Barzilai e o abençoou; e ele voltou para sua casa” (2Sm 19.34-35,39).

A respeito do povo, a Bíblia relata: “Então todo o exército atravessou o Jordão, e também o rei o atravessou”(v.39 – NVI). Quando vier o Rei e “atravessar o Jordão” com o Seu povo, isto é, quando tiver alcançado o objetivo com Israel, então também, como em todas as épocas, se cumprirá a palavra de

Gênesis 12.3:“Abençoarei os que te [Abraão = Israel]

abençoarem...”

(Gn 12.3).

A incumbência que Salomão recebeu de Davi, em relação aos filhos de Barzilai,

pode ser considerada como uma indicação ou figura para o Reino Milenar:

“Porém, com os filhos de Barzilai, o gileadita, usarás de benevolência, e estarão entre os que comem à tua mesa, porque assim se houveram comigo, quando eu fugia por causa de teu irmão Absalão” (1 Rs 2.7).

O Senhor voltará como o Rei e Messias, como o Anjo de Deus para o Seu povo. Para nós, aqui e agora, cabe levar a sério o que diz no Salmo 122: “Orai pela paz de Jerusalém! Sejam prósperos os que te amam. 7 Reine paz dentro de

teus muros e prosperidade nos teus palácios. 8 Por amor dos meus irmãos e amigos, eu peço: haja paz em ti! 9 Por amor da Casa do SENHOR, nosso Deus, buscarei o teu bem” (v.6-9).

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VERDADEIROS E FALSOS AMIGOS

“Todos os seus homens passaram ao pé

dele...

19 Disse, pois, o rei a Itai, o geteu:

Por que irias também tu conosco? Volta e fica-te com quem vier a ser o rei, porque