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Ótica

e Física Moderna
Capítulo 33: Natureza e Propagação da Luz
A ótica é o ramo da física que trata do comportamento da luz e de outras ondas
eletromagnéticas.

• 33.1 Natureza da Luz


Até a época de Isaac Newton, acreditava-se na natureza corpuscular da luz
(feixes de partículas). Por volta de 1665 surgiram evidências de suas propriedades
ondulatórias.
Em 1873, Maxwell previu a existência de ondas eletromagnéticas e calculou
a velocidade de propagação destas. Em 1887, através dos experimentos de Hertz,
provou-se irrefutavelmente que a luz seria uma onda eletromagnética.
Ä Os dois aspectos da luz
Com o desenvolvimento da eletrodinâmica quântica foi possível conciliar
os aspectos ondulatórios e corpusculares da luz.
A propagação da luz é melhor descrita considerando-se um modelo
ondulatório. Enquanto a emissão e a absorção de luz são melhor explicadas
através de sua natureza corpuscular.
A energia transportada pela onda luminosa é concentrada em pacotes
distintos conhecidos como fótons ou quanta.
As fontes fundamentais de todos os tipos de ondas eletromagnéticas são
cargas elétricas aceleradas. Todos os corpos emitem uma radiação
eletromagnética.
Qualquer que seja o tipo da fonte, a onda eletromagnética por ela
emitida propaga-se à uma mesma velocidade no vácuo:
𝑐 ≈ 2,99792458 ×10. 𝑚 𝑠
Ä Onda, raio e frente de onda
Pode-se definir frente de onda como o lugar geométrico de todos os
pontos adjacentes em que a fase da vibração de uma grandeza física associada
com a onda é a mesma. Ou seja, em qualquer instante todos os pontos sobre
uma frente de onda estão na mesma parte do ciclo de sua variação.
Um raio é uma linha imaginária ao longo da direção de propagação da
onda.
O ramo da ótica no qual a abordagem é por meio de raios denomina-se
ótica geométrica. O ramo que trata especificamente das propriedades
ondulatórias é chamado de ótica ondulatória. Este capítulo tratará da ótica
geométrica.

• 33.2 Reflexão e Refração
Quando uma onda atinge uma superfície lisa separando dois meios
transparentes, ela é, em geral, parcialmente refletida e parcialmente refratada
(transmitida). A análise dos ângulos envolvidos nos raios refratados e refletidos é
feita com relação a uma reta normal à superfície.
A reflexão pode ser especular ou difusa. A reflexão especular ocorre em
superfícies lisas e nela há somente um ângulo de reflexão. Já a reflexão difusa ocorre
em superfícies rugosas e nela há diversos ângulos diferentes, de forma que os raios
refletidos são espalhados em diversas direções. Ambos os tipos de reflexão
mencionados podem ocorrer em superfícies opacas ou transparentes.
O índice de refração de um material ótico (ou índice refrativo) n é dado por:
𝑐
𝑛 = (𝑎𝑑𝑖𝑚𝑒𝑛𝑠𝑖𝑜𝑛𝑎𝑙)
𝑣
Onde c é a velocidade da luz no vácuo e v é a velocidade da luz no material.
Tem-se sempre c > v. Consequentemente n > 1.
Ä Leis da reflexão e da refração
1) Os raios incidente, refletido e refratado e a normal estão sobre um
mesmo plano (plano de incidência). (Lei da reflexão)
2) O ângulo de reflexão qr é igual ao ângulo de incidência qa para todos
os comprimentos de onda e para qualquer par de materiais. (Lei da reflexão)
𝜃= = 𝜃>
3) Considerando dois materiais a e b, um ângulo de incidência qa e um
ângulo de refração qb: (Lei da refração ou lei de Snell)
𝑠𝑒𝑛 𝜃> 𝑛?
= ou 𝑛> ∙ 𝑠𝑒𝑛 𝜃> = 𝑛? ∙ 𝑠𝑒𝑛 𝜃?
𝑠𝑒𝑛 𝜃? 𝑛>
Obs.: Se qa = 00, tem-se: qa = qr = qb
Obs. 2: A trajetória seguida por um raio refratado é reversível. O mesmo
é válido para um raio refletido.
Ä Índice de refração e aspectos ondulatórios da luz
A frequência f da onda não varia quando ela passa de um material para
outro. Considerando que v = l f (onde v é a velocidade da luz em um material
qualquer e l é o comprimento de onda) e v < c, pode-se concluir que o
comprimento de onda no vácuo l0 é maior do que em outro material (l0 > l).
Combinando as equações f = c/l0 = v/l e n = c/v, tem-se:
𝜆D
𝜆=
𝑛

• 33.3 Reflexão Interna Total
Em algumas circunstâncias a luz pode ser totalmente refletida na interface
entre dois materiais, sem que haja transmissão (refração).
Considerando dois materiais a e b, com na > nb, tem-se, pela lei de Snell:
𝑛>
𝑠𝑒𝑛 𝜃? = 𝑠𝑒𝑛 𝜃>
𝑛?
Pela consideração feita anteriormente, tem-se que 𝒔𝒆𝒏 𝜽𝒃 > 𝒔𝒆𝒏 𝜽𝒂 . Logo,
deve haver um valor para qa que satisfaça qb = 900 (𝒔𝒆𝒏 𝜽𝒃 = 𝟏); a este valor do
ângulo de incidência que gera um raio refratado tangente à interface dá-se o nome
ângulo crítico (qcrít). Para qualquer valor de qa > qcrít, o seno do ângulo refratado terá
valor superior a 1, ou seja, não existirá refração.
𝑛?
𝑠𝑒𝑛 𝜃M=íO =
𝑛>
Portanto, a reflexão interna total ocorre sempre que qa ³ qcrít.

• 33.4 Dispersão
No vácuo, a velocidade da luz é a mesma para todos os comprimentos de
onda. Entretanto, em alguns materiais transparentes, o índice de refração n pode
variar de acordo com o comprimento l. Consequentemente, os diferentes
comprimentos de onda serão transmitidos em diferentes ângulos. Por conta disso,
alguns meios conseguem “separar” a luz em ondas de diferentes comprimentos.
Nesses materiais, as ondas de maior comprimento deslocam-se mais rapidamente
do que as demais. Este fenômeno é denominado dispersão.

• 33.5 Polarização
A polarização é uma característica de todas as ondas eletromagnéticas.
Quando uma onda possui somente deslocamento em um determinado eixo, diz-se
que esta onda é linearmente polarizada ao longo da direção desse eixo. É possível
criar um filtro polarizador (ou polarizador) que somente permita a passagem de
componentes da onda em uma determinada direção.
A análise do efeito de polarização para ondas eletromagnéticas pode ser feita
de forma semelhante a ondas mecânicas, visto que ambas são ondas transversais.
Para as ondas eletromagnéticas, a direção de polarização é comumente indicada

pela direção do vetor campo elétrico 𝐸 (e não do campo magnético 𝐵).


Ä Filtros polarizadores
Qualquer fonte de luz contém um número extremamente grande de
moléculas com orientações caóticas, de modo que a luz emitida inclui ondas
polarizadas aleatoriamente em todas as direções transversais. Essa luz é
chamada de luz natural ou luz não polarizada e sua polarização pode ser feita
através de um filtro análogo ao filtro de fenda para ondas mecânicas.
Um filtro polarizador de luz (como o polaroide) funciona através de uma
propriedade denominada dicroísmo, que permite a absorção seletiva de um
determinado componente de onda. Além disso, apresenta um eixo de
polarização, pelo qual a luz é paralelamente polarizada.
Ä Usando filtros polarizadores
Um filtro considerado ideal (polarizador) deixa passar 100% da luz
polarizada na direção do eixo de polarização e bloqueia totalmente a passagem
da luz perpendicular a esse eixo.
Em um filtro polarizador ideal a intensidade da luz polarizada é
exatamente metade da intensidade da luz incidente. Esta conclusão é baseada
na decomposição do vetor campo elétrico em um eixo perpendicular e um
paralelo ao eixo de polarização.
Ao adicionar-se um outro polarizador, basta que se faça uma segunda
análise com decomposição do vetor campo elétrico. A partir desse raciocínio
pode-se inferir que a intensidade do feixe transmitido será máxima (Imax )
quando o ângulo f entre o eixo do primeiro polarizador e o segundo (ou
analisador) for igual a 00, e será mínima (nula) quando o ângulo for igual a 900.
Desta forma, é possível identificar um eixo de polarização desconhecido
utilizando-se um analisador e uma fotocélula. A intensidade do feixe I com
relação ao ângulo f é dada por:
𝐼 = 𝐼S>T 𝑐𝑜𝑠 U 𝜙 Lei de Malus
Ä Polarização por reflexão
A luz não polarizada pode ser toda ou parcialmente refletida também
através da reflexão. Isto ocorre porque, quando um feixe de luz natural incide
sob uma interface entre dois materiais transparentes, as ondas que apresentam
vetor campo elétrico 𝐸 perpendicular ao plano de incidência são refletidas mais
acentuadamente do que as demais.
Através de experimentos descobriu-se que, quando os feixes refletido e
refratado são perpendiculares, a luz refletida é totalmente polarizada. Isto
posto, a lei de Brewster estabelece que:
𝑛?
𝑡𝑎𝑛𝜃` =
𝑛>
Onde 𝜽𝒑 é o ângulo de polarização (ângulo de incidência que permite a
polarização total do feixe refletido) e na e nb são os índices de refração dos
materiais sob análise.
Ä Polarização circular e elíptica
A polarização circular ocorre quando o vetor 𝐸 gira circularmente, caso
o giro seja no sentido horário diz-se que a onda eletromagnética está
circularmente polarizada dextrógira, caso o sentido seja anti-horário trata-se de
uma onda circularmente polarizada levógira. A polarização somente é circular

quando o componente 𝐸 em um eixo está um quarto de ciclo atrasado em


relação ao componente do eixo paralelo a este.
Quando a diferença de fase entre as ondas componentes é diferente de
um quarto de ciclo ou se as ondas possuem amplitudes diferentes, o movimento
descrito pelo vetor 𝐸 é elíptico, portanto a onda está elipticamente polarizada.
Ä Fotoelasticidade
É uma ciência que trata de materiais que passam a ser birrefringentes*
ao serem submetidos a tensões mecânicas.
* Um material com birrefringência possui índices de refração diferentes em
direções de polarização diferentes.

• 33.6 Espalhamento da Luz
O fenômeno de espalhamento da luz consiste na absorção de luz por um
meio seguida de sua retransmissão. É esse fenômeno que provoca a variação da cor
do céu durante o dia. Pela manhã, por exemplo, a luz observada é azul e é polarizada
devido ao espalhamento da luz do sol pela atmosfera (ar). Ao fim do dia, a luz parece
avermelhada porque, graças a posição do observador, este vê a “parte” da luz solar
que não sofreu espalhamento, ou seja, com tons quentes (amarelo, vermelho, etc.).

• 33.7 Principio de Huygens
O princípio de Huygens é um método geométrico para determinar, a partir
de uma forma conhecida de uma frente de onda em um determinado instante, a
forma da frente de onda em um momento posterior. Segundo Huygens: todos os
pontos de uma frente de onda podem ser considerados fontes de ondas secundárias
que se espalham em todas as direções com uma velocidade igual à velocidade de
propagação da onda.
É possível, através do princípio de Huygens, deduzir as leis de reflexão e
refração somente com a análise geométrica (plana) e considerações de velocidade
de propagação e demais propriedades dos materiais envolvidos em cada fenômeno.