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ACOMPANHANTE DE CRIANÇAS – REGRAS

UFCD
BÁSICAS DE NUTRIÇÃO, HIGIENE,
3241
SEGURANÇA E REPOUSO
Acompanhante de crianças – regras básicas de nutrição, higiene, segurança e repouso

ÍNDICE

1.Criança dos 0 aos 12 meses……………………………….………………………………..2


1.1− Cuidados de higiene…………………………………………………………………………….….2
1.2− Cuidados de conforto……………………………………………………………………………..7
1.3− Necessidades nutricionais……………………………………………………………………….10
1.4− Prevenção de acidentes………………………………………………………………………….15
1.5− Materiais de primeiros socorros obrigatórios em meio institucional………..18
1.6− Vacinação………………………………………………………………………………………………19
2.Criança dos 12 aos 36 meses…………………………………………………………..…22
2.1− Necessidades nutricionais………………………………………………………………………22
2.2− Higiene oral…………………………………………………………………………………………..26
2.3− Prevenção de acidentes……………………………………………………………………….…28
2.4− Materiais de primeiros socorros obrigatórios em meio institucional……….…30
3.Criança dos 3 aos 6 anos……………………………………………………………………32
3.1− Consultas materno-infantis…………………………………………………………………….32
3.2− Cuidados de higiene………………………………………………………………………………36
3.3− Cuidados de conforto…………………………………………………………………………….37
3.4− Necessidades nutricionais……………………………………………………………………..39
3.5− Prevenção de acidentes………………………………………………………………………….42
3.6− Materiais de primeiros socorros obrigatórios em meio institucional……..…45
3.7− Vacinação………………………………………………………………………………………………47
4. Criança dos 5 aos 10 anos…………………………………………………………………50
4.1− Orientação nutricional………………………………………………………………………….…50
4.2− Prevenção de acidentes……………………………………………………………………….…52
4.3− Materiais de primeiros socorros obrigatórios em meio institucional………..54

Bibliografia……………………………………………………………………………………….57

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Acompanhante de crianças – regras básicas de nutrição, higiene, segurança e repouso

1.Criança dos 0 aos 12 meses

1.1− Cuidados de higiene

Banho
Os bebés e crianças pequenas que ainda usam fraldas e que permanecem durante muitas
horas na instituição educativa podem precisar de um banho, tanto para maior conforto
como para prevenção de assaduras. Entretanto é aconselhável que o banho sirva também
para relaxar, refrescar, proporcionar conforto e prazer e preservar a integridade da pele.

Algumas famílias preferem dar banho aos seus bebés em casa e esse desejo deve ser
acolhido, desde que respeitado o direito das crianças ao conforto, à saúde e ao bem-estar
durante o período em que estão na instituição.

No momento em que é incluído na rotina, o banho precisa ser planeado, preparado e


realizado como um procedimento que tanto promove o bem-estar quanto um momento no
qual a criança experimenta sensações, entra em contacto com a água e com objectos,
interage com o adulto e com as outras crianças.

A organização do banho na creche precisa prever condições materiais, como banheiras


seguras e higiénicas para bebés, água limpa em temperatura confortável, sabonete,
toalhas, pentes etc. É aconselhável que se leve em conta a idade das crianças, os hábitos
regionais e as recomendações sanitárias de prevenção de doenças por uso de objectos
pessoais entre as crianças.

Esses objectos de uso pessoal podem ser rotulados com o nome da criança e cuidados por
elas conforme vão adquirindo capacidade para isso.

É necessário organizar o tempo de espera para o banho, oferecendo materiais, jogos e


brincadeiras em um espaço planeado para isso.

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As crianças que já andam e que permanecem em pé com segurança e conforto, podem


tomar banho de chuveiro em companhia de outras, respeitando-se a necessidade de
privacidade de algumas delas e de atenção individualizada que cada uma requer.

É importante prever tempo para essa actividade, permitindo que as crianças experimentem
o prazer do contacto com a água, aprendam a despir-se e a vestir-se, a ensaboar-se e
enxaguar-se.

Para que a criança possa ir gradualmente aprendendo a cuidar de si, é preciso que as
condições ambientais permitam que ela possa alcançar o chuveiro, a saboneteira, a toalha,
o espelho etc.

Por outro lado, as condições ambientais e materiais precisam garantir a segurança das
crianças e prever o conforto dos adultos que as ajudam, para evitar quedas, choques
eléctricos e queimaduras com água quente ou dores no corpo ocasionadas pelo mal
posicionamento do adulto na hora de exercer as actividades com as crianças.

Troca de fraldas
A organização do ambiente e o planeamento dos cuidados e das actividades com o grupo
de bebés deve permitir um contacto individual mais prolongado com cada criança.

Enquanto executa os procedimentos de troca, é aconselhável que o educador observe e


corresponda aos sorrisos, conversas, gestos e movimentos da criança.

Para evitar que esse cuidado individualizado implique num longo tempo de espera para as
demais crianças, ou se torne uma rotina mecanizada, é importante considerar o número de
bebés sob a responsabilidade de cada educador, a localização e as condições do local de
troca e a organização do trabalho.

Os procedimentos com a higiene e protecção da pele, proporcionam bem-estar às crianças


e permitem que elas percebam a sensação de estar seca e molhada.

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A observação, pelo educador, da frequência das eliminações e do estado da pele da criança


fornece dados sobre a saúde e o conforto de cada criança e aponta para outros cuidados
que forem necessários.

A troca de fraldas requer ainda alguns procedimentos e condições ambientais adequados


para evitar a disseminação de micróbios entre as crianças e adultos, o que geralmente é
causa de surtos de diarreia e hepatite infecciosa nas creches.

Estudos comprovam que o risco aumenta quando se manipulam as fraldas sujas no


ambiente do berçário, ou não se adoptam procedimentos correctos de higiene das mãos
após esses cuidados.

O local de troca e armazenamento de fraldas sujas precisa de ser bem arejado. O lixo onde
são descartadas as fraldas contendo dejectos precisa ser tampado e trocado com
frequência.

As assaduras estão relacionadas à irritação que a urina pode causar na pele numa área
onde há abafamento, calor e dobras. Por isso, é muito importante que as mães tomem
determinados cuidados para evitar que as crianças sofram com esse problema.

Em primeiro lugar deve-se redobrar os cuidados com a higiene, evitando que a criança
permaneça molhada por muito tempo. Além disso aconselha-se o uso de fraldas que
possam absorver e controlar a quantidade de urina. Essas fraldas, se forem de tecido,
devem ser de um algodão suave ou descartáveis, de marcas já conhecidas e aprovadas
para uso em crianças.

Outro detalhe que deve ser lembrado é que ao trocar a criança deve-se secá-la muito bem.
Na hora da troca de fraldas pode-se usar produtos protectores à base de hidratantes ou à
base de filmes oleosos e que não sejam irritantes mas, sim, que protejam a pele da
criança, tanto do contacto com a urina, quanto de fezes e até mesmo do próprio
abafamento.

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Vale também destacar que a assadura não deve ser vista como um facto normal em
crianças pequenas e, sim, como um problema, uma alteração, que pode acontecer com
mais frequência na primeira infância. Há crianças que apresentam mais tendência a esse
tipo de problema, como por exemplo, as crianças mais gordinhas, as que urinam mais,
aquelas que têm a urina mais ácida, ou as que estão com algum problema de diarreia, etc.

Cordão umbilical
O cordão umbilical fornece ao bebé oxigénio, nutrientes, anticorpos e hormonas, durante a
sua vida intra-uterina. O coto umbilical é o que resta do cordão após este ser cortado, e
que Vai secar, escurecer e cair.

Durante este processo é natural que surja um líquido, no entanto os pais devem ser
alertados para:
 O caso de surgir sangue ou pus
 Existirem sinais inflamatórios (inchaço, vermelhidão e aumento de temperatura) na
zona que rodeia o coto.

Cuidados ao umbigo
 Não tape o umbigo com cuecas plásticas, fraldas ou pensos, quanto mais ao ar mais
depressa seca
 Evite as infecções e ajude a que seque passando com um algodão embebido em
álcool no umbigo e na zona que o rodeia

Após a queda do cordão umbilical


 Limpe diariamente o umbigo, com algodão embebido em álcool, até estar
cicatrizado
 Se após algum tempo, dias ou meses, ainda houver restos de sangue no umbigo,
aplique creme gordo durante a noite que retirará no dia seguinte com a ajuda de
um cotonete. Caso seja necessário pode recorrer à ajuda da água oxigenada. Que
ajudará a destacar a sujidade.

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Cuidados ao cabelo
A “crosta” láctea é um conjunto de crostas amareladas que vulgarmente se forma no couro
cabeludo por volta das seis semanas. E que dada a localização (fontanela – moleirinha), faz
com que a maioria das pessoas tenha receio de tocar, pelo que se vão acumulando.
 Massage com óleo de amêndoas doces ou óleo de bebé, deixandopermanecer
durante a noite
 Penteie o cabelo em sentido contrário antes de o lavar comchampô suave e
hipoalérgico
 De seguida lave, seque e penteie o cabelo. Não tente tirar tudo deuma só vez.

Sugira aos pais da criança uma ida ao médico se este sintoma continua, para que seja
prescrito medicamento adequado. Em crianças mais crescidas esteja atento à presença de
piolhos (pediculose), alertando os pais.

Cuidados ao nariz
O nariz de uma criança é muito delicado pelo que só deverá ser limpo se obstruído,
mediante aplicação de soro fisiológico. Se a idade da criança o permitir, peça-lhe que se
assoe, exteriorizando as secreções. Se não forem expelidas, se estiverem infectadas, as
secreções nasais infectarão a garganta.

Cuidados aos ouvidos


 Igualmente delicados, só deverão ser limpas as partes externas,da frente para trás,
para não haver perigo de danificar o tímpano.
 Não lave os ouvidos, mas sim as orelhas.

Cuidados às unhas
 As unhas de um recém-nascido crescem muito devendo sercortadas para que o
bebé não se arranhe
 Corte as unhas após o banho. Use tesoura ou corta – unhaspróprio para bebés, ou
mesmo os seus dentes, seguindo a linhanatural do dedo, nas mãos
 Peça ajuda para segurar uma criança que ofereça resistência acortar as unhas, ou
corte-as enquanto dorme

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 Corte as unhas dos pés a direito.

1.2− Cuidados de conforto

Pegar no bebé
Um recém-nascido pode parecer muito frágil e vulnerável mas é muito mais robusto do que
se pode pensar. Com esta certeza, pode assim transmitir-se-lhe tanta segurança quanto
mais o adulto se sentir confiante, no seu modo de se relacionar com ele, onde o contacto
físico tem um papel importante.

O bebé dependente como é do adulto, precisa que nele se pegue e segure. Assim, devê-lo-
á fazer de um modo calmo, seguro e tranquilo, sem nunca o abanar, ou nele pegar com
brusquidão, falando-lhe com suavidade, segurando-o contra si, com especial atenção para
o pescoço e a cabeça, onde no alto da mesma não se deve fazer pressão.

Quando manejar o bebé, os movimentos devem ser tão calmos, carinhosos, seguros e
confiantes quanto possível, e acompanhados de olhar nos seus olhos e de conversa com
ternura. É inegável a importância do contacto físico estreito para o desenvolvimento,
crescimento e bem-estar.

Dado o pouco controle que o bebé tem na cabeça até aos 4 meses, quando lhe pegar e
largar, assegure-se que esta está apoiada.

Pegar num bebé deitado de costas


Se o bebé está a dormir, eleve-o primeiro calmamente e só lhe pegue depois. Coloque uma
mão por baixo da cabeça e pescoço e outra por baixo do rabinho.

Levante-se cuidadosamente elevando o corpo do bebé até ao seu peito, encostando-o a si


e mantendo a cabeça a um nível acima do resto do corpo.

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Se o bebé ficar na vertical manterá a cabeça como que apoiada no seu ombro devendo
com uma mão segurar-se a cabeça e pescoço. Se ficar na horizontal deslize para o corpo a
mão que apoiava o rabinho e em simultâneo faça com que o outro braço apoie a cabeça,
permanecendo assim numa boa posição para ser embalado.

Pegar num bebé que está de barriga para baixo


Segure o pescoço e a barriga com as mãos, deslizando uma das mãos entre as pernas até
a palma segurar o peito do bebé. Coloque suavemente a outra mão sob a face apoiando a
cabeça. Levante-o enquanto o encosta a si e volte-o de barriga para cima.

Vestir e despir
Vestir e/ou despir um bebé ou uma criança nem sempre é fácil, mas que se pode tornar
numa brincadeira e nunca uma guerra. A mudança de roupa a um recém-nascido ou bebé
de baixo peso pode parecer difícil, dificuldade essa, que vai sendo diminuindo, com o
passar do tempo, bem como com a escolha de roupa adequada.

Tipo de roupa
 Ao escolher a roupa, não esqueça que esta deve ser prática e confortável para o
bebé, simples de vestir e despir, e de lavagem e secagem rápida;
 Escolha roupas suficientemente largas, com elásticos lassos, de abertura fácil,
preferencialmente de fita de velcro, e sem botões;
 Deve evitar roupa de pura lã, e preferir o algodão;
 Preferir roupas não inflamáveis;
 A roupa deve permitir liberdade de movimentos, fácil acesso às fraldas e adequada
à temperatura ambiente;
 Botas ou meias antiderrapantes devem ser usadas quando o bebé começa a dar os
primeiros passos.

Mudar a roupa a um bebé


 Deite sempre o bebé de costas numa superfície rígida e protegida por um tecido
confortável;
 Coloque em primeiro lugar a fralda;

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 Se vestir a roupa pela cabeça, comece por alargar o decote com as duas mãos,
enfie a roupa por cima da cabeça, enquanto a levanta um pouco, e puxe-a para o
pescoço. Alargue uma manga ou cava e faça-a passar por um braço, repetindo com
o outro. Puxe a roupa para baixo, ajustando-a ao corpo.

Se vestir um baby-grow
 Desaperte todos os botões, molas ou fecho, e coloque a peça de roupa na
superfície onde irá mudar o bebé;
 Deite a criança em cima do fato alinhando o pescoço com a gola;
 Enfie as pernas, uma de cada vez nas pernas do fato e aperte os fechos até à
fralda; para que as pernas não saiam
 Enrole uma manga, mantendo-a aberta com uma das suas mãos, que vai segurar a
mão do bebé, do braço que vai ser guiado para a manga, enquanto que a outra
mão puxa a manga. Repetir com o outro braço.
 Se tiver de vestir várias peças de roupa, esta deve estar aberta nos mesmos locais,
como por exemplo, todas para trás. Vistatodas aspeças pela frente, voltando o bebé
uma só vez para as apertar. Se por acaso forem de apertar, à frente, coloque o
bebé deitado de costas, enfie todas peças de roupa num só braço, faça-as passar
por detrás do corpo, e recomece a vestir o outro braço pela mesma ordem pelo que
o fez anteriormente.
 A cabeça deve ficar ligeiramente elevada em relação ao resto do corpo e apoiada no
resto do seu braço, sendo também esta uma posição para embalar.

Deitar o bebé
Ao deitar o bebé devê-lo-á fazer com calma para que ele não tenha sensação de abandono.

Com suavidade afaste os braços, de modo a que uma mão continue a apoiar a cabeça e
pescoço do bebé e a outrao rabinho. Afaste lentamente o corpo dele do seu, colocando-o
mais perpendicular ao seu.

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Incline-se na direcção do lugar em que vai deitar o bebé, pousando primeiro o rabinho, e
só depois retirando a mão. Mantenha a cabeça bem apoiada até a pousar na superfície, e
só depois de o deitar se retira a mão que a segura.

1.3− Necessidades nutricionais

Do Leite aos Primeiros Alimentos Sólidos

O bebé amamentado
O leite materno é a comida e a bebida perfeitas para o bebé nos primeiros meses de vida.
A partir do nascimento a composição do leite materno muda constantemente, de forma a
satisfazer as necessidades do bebé em crescimento.

Por volta dos 4 meses, embora a quantidade de leite materno que o bebé ingere possa não
se ter alterado de forma significativa, os ingredientes serão perfeitamente equilibrados para
satisfazer as necessidades nutritivas.

Do ponto de vista nutritivo, o leite materno é o alimento mais completo que o bebé pode
ter durante os primeiros meses de vida. Se o bebé for amamentado todo este período ou
parte, os benefícios para a sua saúde perdurarão para sempre.

O Bebé Alimentado a Biberão


A maioria dos leites em pó para bebés tem por base o leite de vaca e é fabricado de modo
a tornar-se o mais semelhante possível ao leite materno. Certifique-se que o bebé recebe
todos os nutrientes de que necessita com o leite artificial.

Embora possa parecer insatisfeito ou crescer muito depressa, é aconselhável deixar a


introdução de alimentos sólidos para depois dos 4 a 6 meses, uma vez que até essa altura
o aparelho digestivo ainda não está suficientemente maduro para os suportar.

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Se o bebé parecer particularmente insatisfeito antes desta idade, existem leites em pó


fabricados à semelhança do leite materno, mas que contêm mais proteínas do que as
primeiras mamadas. Um destes leites poderá satisfazer a fome do bebé.

Padrões Alimentares
Logo desde o início, os bebés alimentados a biberão tendem a adoptar um padrão
alimentar mais regular do que os amamentados. O leite artificial contém mais proteínas do
que o leite materno e, por isso, os bebés tendem a sentir-se satisfeitos durante períodos
mais longos entre mamadas.

Necessidade de Alimentos Sólidos


Por volta dos 4 meses a 6 meses, o armazenamento de ferro com que o bebé nasce
começa a reduzir. O leite de vaca é uma fonte pobre em ferro e o tipo de ferro contido nos
leites em pó tende a ser menos absorvido do que o contido no leite materno.

Esta é uma das razões importantes por que os bebés desta idade alimentados a biberão
necessitam de começar a comer outros alimentos. À medida que o bebé cresce, são
necessárias quantidades maiores de leite para fornecer a energia necessária ao
crescimento e desenvolvimento.

Contudo, o estômago de um bebé só consegue suportar uma determinada quantidade e


haverá uma altura em que, mesmo que beba o mais possível em cada mamada, não
ingerirá calorias suficientes para fornecer a energia necessária. Esta é a altura de introduzir
alimentos sólidos.

Regular a Introdução dos Alimentos Sólidos


A altura de começar a pensar em introduzir alimentos sólidos é por volta dos 4 a 6 meses,
se o bebé começar a parecer insatisfeito com a quantidade de leite que bebe através do
biberão. Ele pode deixar de mamar na tetina ou começar a mastigá-la, em vez de beber o
leite.

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Se o bebé subitamente começar a querer uma mamada extra quando até aí parecia
satisfeito com 5 por dia, ainda parecer com fome de pois de beber um biberão cheio ou
voltar a acordar a meio do sono depois de um período a dormir directo, é chegada a altura
de introduzir alimentos sólidos.

Quando Começar
O momento exacto em que um bebé deve começar a comer alimentos sólidos varia, mas
não é aconselhável começar antes dos 4 meses de idade.

Por volta dos 6 meses, o bebé deve comer uma mistura de alimentos diferentes. Nesta
idade não são necessárias grandes quantidades de alimentos sólidos, dado que o leite
continuará a ser a principal fonte de alimento durante os primeiros 6 a 9 meses de vida.
Não se deve ter pressa e devemo-nos orientar pelas exigências do bebé.

O bebé estará apto para os alimentos sólidos se:


 Tiver pelo menos 4 meses e haja duplicado o peso com que nasceu.
 Já não parecer satisfeito com as mamadas.
 Começar a exigir mamadas com maior frequência.
 Começar a acordar a meio do sono com fome.
 Mostrar interesse por aquilo que o adulto come
 Meter coisas na boca, como uma roca, e morder persistente econtinuadamente.
Conseguir manter um puré líquido na boca.

Preparar os Primeiros Alimentos


Dado que o bebé está habituado a beber líquidos, é provável que aceite mais facilmente as
primeiras refeições de alimentos sólidos se tiverem uma consistência uniforme e
semilíquida.

No início, experimenta-se alimentos que sejam suaves e possam ser facilmente reduzidos a
puré líquido. O puré de vegetais ou fruta e o arroz para bebés, misturado com um pouco
de leite ou água fervida e arrefecida, constituem as primeiras refeições ideais.

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Normalmente, o bebé só experimenta uma ou duas colheres de chá; nesta fase, é maior a
adaptação ao sabor e à textura dos alimentos sólidos que a necessidade deles pelo
respectivo valor nutritivo.

Escolher os primeiros alimentos

Alimentos a introduzir:
 Arroz para bebés ou cereais sem glúten.
 Puré de cenoura, batata, batata-doce ou couve-flor.
 Puré de banana, maçã cozida, pêra madura e macia.
 Puré de pêssego ou alperce em calda e sem açúcar.

Alimentos a evitar:
• Alimentos que contenham sal ou açúcar,
• Café, chá, chocolate ou álcool.
• Mariscos e nozes inteiras.
• Ovos e frutos secos, antes dos 6 meses.
• Tudo o que contenha trigo, cevada, centeio ou aveia, antes dos 6 meses de idade.

De 6 Meses a 1 Ano
O bebé desenvolve-se rapidamente entre os 6 meses e o ano e isto tem um impacto
inevitável nos padrões da alimentação. Aos 6 meses, amaioria dos bebés necessita de
apoio para se sentar e é preciso segurá-los enquanto se alimentam.

Por volta dos 8 meses, desenvolvem a força e o equilíbrio necessários para se sentarem e
podem começar a utilizar a cadeira de bebé. Aos 6 meses, o bebé domina a arte de
alcançar e pegar numa colher, embora a sua coordenação deixe muito a desejar, devendo,
por isso, estar-se preparado para a sujidade.

Por volta dos 7 ou 8 meses, as suas capacidades para agarrar e manusear terão melhorado
bastante. Nesta altura, os bebés começam a utilizar o polegar em oposição aos outros

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dedos, o que lhes permite pegar nos alimentos e segurar uma colher, utilizando-a com uma
precisão ligeiramente maior.

Com um ano de idade, a maioria dos bebés possui uma coordenação mão-olho
suficientemente boa para apanhar com precisão uma ervilha ou uma passa. À medida que
a coordenação vai melhorando, o bebé começa a ser capaz de beber por uma chávena ou
um copo. Pode-se estimular o bebé a desenvolver estas capacidades deixando-o praticar
bastante a auto-alimentação.

As necessidades nutritivas do bebé


Deve dar-se ao bebé uma variedade de alimentos tão ampla quanto possível, mas lembrar-
se de que uma dieta para adultos, rica em fibras e pobre em gorduras, não é apropriada
para o aparelho digestivo de uma criança pequena nem para as suas necessidades
energéticas.

Deve certificar-se de que o bebé ingere diariamente alguns dos seguintes alimentos:
 Fruta e vegetais. A fruta e os vegetais são uma fonte importante devitaminas, sais
minerais, micronutrientes (nutrientes que sãoimportantes, mas apenas disponíveis
em pequenas quantidades) efibras.
As vitaminas essenciais para os bebés e crianças pequenasincluem a vitamina A,
que se pode encontrar em frutos e vegetaisvermelhos, verdes e amarelos, e a
vitamina C, que se pode encontrarna maioria da fruta e vegetais, principalmente
nos vegetais verdes e citrinos.
 Alimentos com amido (hidratos de carbono). Os alimentos comamido, tias como
pão, batatas, arroz, massa e cereais, sãoimportantes para o fornecimento de
energia, algumas proteínas efibras, bem como certas vitaminas, por exemplo, a
vitamina B.
 Proteínas (carne, peixe, ovos, aves, leguminosas, frutos secos). As proteínas são
vitais para o crescimento do bebé. À medidaque o desmame avança, deve certificar-
se de que o bebé ingereproteínas em cada duas de três refeições. Porém, as
proteínas nãotêm de ser necessariamente carne ou peixe, pois os lacticínios, feijãoe
lentilhas, servidos com cereais, fornecem também boasquantidades.

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 Gorduras. As crianças necessitam proporcionalmente de maisgorduras na sua dieta


do que os adultos e, por isso, durante osprimeiros 2 anos de vida da criança, dê-lhe
leite, queijo e iogurtegordos.
 Fibras. O aparelho digestivo de uma criança não suporta grandesquantidades de
fibras e, de facto, os alimentos ricos em fibras podemalimentar a criança sem lhe
fornecer os nutrientes de que necessita.

Quantidades
O bebé ingere gradualmente quantidades de alimentos cada vez maiores, embora se deva
guiar pelo apetite do bebé para saber as quantidades certas. Nunca o force a ingerir
quantidades suplementares.

Para além das quantidades de alimentos sólidos aconselháveis, o bebé deve ingerir
diariamente 500ml a 600ml de leite, materno ou artificial.

Uma dose corresponde a uma fatia de pão, uma tigela de cereais ou uma batata pequena
cozida; uma maçã, pêra ou banana; uma cenoura ou dois ramos de brócolos ou couve-flor;
25g de carne ou peixe ou 50g de lentilhas.

1.4− Prevenção de acidentes

Quedas
Durante a infância as quedas constituem uma das causas principais de acidentes, e
atingem a criança em todas as idades.

As consequências de uma queda podem ir desde um pequeno ferimento até a fracturas


múltiplas, traumatismo craniano ou mesmo à morte.

Bebés de 0 a 1ano
A criança no 1º ano de vida, apesar de ainda não andar, está da mesma forma sujeita a
quedas, sendo as mais frequentes:

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Queda de uma mesa, cama, ou da balança


Desde a nascença o bebé é capaz de dar impulsos ao seu corpo. Um momento de
distracção de um adulto que vai buscar algo de que se esqueceu, atender um telefonema,
ou responder a quem o chama, é o suficiente para que em segundos a criança caia.

O mesmo acontece com a criança de 3/4 meses, que já capaz de se virar sozinha.
Pouco atentos ao desenvolvimento da criança, é possível assistir à queda da criança da
cama dos pais, mesmo que colocada a meio, ou da sua à qual não foram subidas as
grades, ou descido o nível do colchão.

Queda de porta bebés.


Por volta dos 3/4 meses ou mesmo antes, o bebé é capaz de fazer deslocar o porta bebés
ou alcofa, que está pousado por exemplo em cima de uma mesa e cair.

Queda de carrinho ou cadeira de passeio.


Devido aos impulsos e movimentos de que é capaz pode cair do carrinho ou cadeira de
passeio, sobretudo se não forem estáveis e se o cinto de segurança não está bem
apertado.

Importante
Ter cuidado com o peso dos sacos das compras que coloca nas pegas do carrinho e que o
fazem desequilibrar e cair para trás.

Queda de uma cadeira alta


A criança é capaz de cair de uma cadeira alta de bebé, através de movimentos para a
frente e para trás, sobretudo se não tem cinto de segurança ou se este não está apertado.

Queda de um sofá
Poderá cair de um sofá, fazendo movimentos de torção, virando-se sobre si próprio.

Queda do colo

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A criança pode tentar saltar, ou mexer-se muito, e o adulto distrai-se ou não tem força
para segurar. Pode acontecer que esteja ao colo de um adulto á janela, dê um impulso
para a frente, não sendo este capaz de a segurar.

O mesmo, e com mais razão pode acontecer, quando o bebé está ao colo de uma criança.

Queda com um andarilho ou “aranha”


A criança pode dar quedas várias, pancadas, entalar-se ou queimar-se.

Importante
São muito perigosos, e não têm vantagens pois não ajudam a andar.

Queda de escadas
Mesmo que o bebé ainda não ande, e isso varia de criança para criança, gatinha, e pode
cair de escadas. O mesmo pode acontecer se estiver no andarilho.

Prevenção
Os pais ou outros adultos devem conhecer as capacidades do bebé em cada etapa do seu
desenvolvimento, de modo a poderem prever os riscos. Uma capacidade que um bebé não
tem hoje pode tê-la adquirido amanhã, e acontecer um acidente não previsto.

Assim é preciso que tenha determinados cuidados:


 Não deixe o bebé sozinho em cima de uma balança, cama, mesa, bancada ou sofá.
 Mantenha sempre uma mão sobre o bebé quando o está a mudar.Antes de
começar, traga para junto de si tudo o que vai precisar.Se tiver que fazer qualquer
coisa, leve sempre o bebé consigo.
 Escolha um porta bebés com estrutura rígida, mas de preferênciautilize-o apenas
para as saídas do bebé. Utilize uma cama degrades que respeite as normas
europeias, e nunca deixe o bebésozinho com as grades descidas.
 O carrinho e a cadeira de passeio devem ser estáveis e respeitar asnormas
europeias. A criança deve ter o cinto de segurançasempre bem fechado. Utilize de
preferência um cinto que passesobre os ombros.

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 Quando o bebé está sentado numa cadeira alta, certifique-se daestabilidade da


cadeira, encoste-a bem á parede e aperte o cintode segurança (de preferência que
passe sobre os ombros). Nuncadeixe o bebé sozinho, e tenha atenção a outras
crianças, para quenão balancem ou tropecem na cadeira.
 Não use andarilhos
 A partir do momento em que a criança começa a gatinhar, protejaas escadas com
cancelas, no topo e na base, solidamentecolocadas, e com sistema de segurança,
que só um adulto possaabrir. Verifique periodicamente o seu funcionamento.
Estescuidados não dispensam a vigilância da criança.
 Não deixe uma criança sozinha com um bebé ao colo, ou a tomarconta dele.
 Sempre que estiver com um bebé ao colo junto de uma janelaaberta, guarde
alguma distância da mesma.
 Saiba que o risco de acidente grave é maior, quanto mais duro échão.

1.5− Materiais de primeiros socorros obrigatórios em meio institucional

O primeiro socorro é o tratamento inicial e temporário dado à criança que sofreu um


acidente, ou que apresenta doença súbita.

Não podemos esquecer que as crianças na actuação da emergência têm implicações


diferentes das dos adultos, nomeadamente doenças diferentes e reagem de modo
diferente.Na idade pediátrica é fundamental o suporte emocional, acompanhado sempre
por alguém conhecido e querido.

É importante que o/a Técnico de Acção educativa:


 Se sinta Autoconfiante, mas tenha a noção das suas limitações
 Tenha uma atitude de compreensão e paciência.
 Seja capaz de tomar decisões, organizar e controlar a situação.

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Acompanhante de crianças – regras básicas de nutrição, higiene, segurança e repouso

Nas situações em que a criança fique doente ou ocorra um acidente durante a sua
permanência no estabelecimento, o responsável realiza uma avaliação sumária da
gravidade da situação:
• Se a criança necessitar de cuidados médicos urgentes, o responsável entra em
contacto com a família e dirige-se ao serviço de saúde. Caso a criança regresse ao
estabelecimento, deve permanecer em local destinado para o efeito e se necessário
acompanhada até à chegada da família;
• Se a criança não necessitar de cuidados médicos urgentes, o estabelecimento
entra em contacto a família, para a entregar aos seus cuidados.

Para prevenir situações de contágio a criança deve permanecer acompanhada num espaço
destinado para o efeito. No caso em que a criança tenha que permanecer em casa por
motivos de saúde, o estabelecimento entra em contacto com a família para tomar
conhecimento da situação de saúde da criança.

Existe uma caixa de primeiros socorros em todas as salas de actividades para as crianças,
acessível aos colaboradores e fora do alcance das crianças. O seu conteúdo é verificado
regularmente (p.e. prazos de validade e respectivo conteúdo) e reconhecido pelas
autoridades nacionais de saúde.

1.6− Vacinação

A vacina é a introdução no organismo da criança, de agentes da doença vivos ou mortos,


atenuados ou sem toxinas, que se tornaram inofensivos mas que apesar disso, vão
desencadear no sangue a formação de anticorpos contra certas doenças infecciosas graves,
e assim proteger a criança.

Não basta vacinar-se uma vez para ficar devidamente protegido. Em geral, é preciso
receber várias doses da mesma vacina para que esta seja eficaz. Outras vezes é também
necessário fazer doses de reforço, nalguns casos ao longo de toda a vida.

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Acompanhante de crianças – regras básicas de nutrição, higiene, segurança e repouso

A vacinação, além da protecção pessoal, traz também benefícios para toda a comunidade,
pois quando a maior parte da população está vacinada interrompe-se a transmissão da
doença.

As vacinas são administradas por via oral (gotas), caso da vacina da poliomielite oral, ou
através de injecção, e registadas no boletim de vacinas, que deverá acompanhar a criança.

O Programa Nacional de Vacinação (PNV) é da responsabilidade do Ministério da Saúde e


integra as vacinas consideradas mais importantes para defender a saúde da população
portuguesa.

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Acompanhante de crianças – regras básicas de nutrição, higiene, segurança e repouso

Vacinas que fazem parte do Programa Nacional de Vacinação desde 1 de Janeiro


de 2012:

IDADES VACINAS E RESPECTIVAS DOENÇAS

0 (Nascimento) BCG (Tuberculose)


VHB – 1.ª dose (Hepatite B)

2 meses VHB – 2.ª dose (Hepatite B)


Hib – 1.ª dose (doenças causadas por Haemophilusinfluenzae tipo b)
DTPa – 1.ª dose (Difteria, Tétano, Tosse Convulsa)
VIP – 1.ª dose (Poliomielite)

4 meses Hib – 2.ª dose (doenças causadas por Haemophilusinfluenzae tipo b)


DTPa – 2.ª dose (Difteria, Tétano, Tosse Convulsa)
VIP – 2.ª dose (Poliomielite)

6 meses VHB – 3.ª dose (Hepatite B)


Hib – 3.ª dose (doenças causadas por Haemophilusinfluenzae tipo b)
DTPa – 3.ª dose (Difteria, Tétano, Tosse Convulsa)
VIP – 3.ª dose (Poliomielite)

12 meses MenC - 1.ª dose (meningites e septicemias causadas pela bactéria


meningococo)
VASPR – 1.ª dose (Sarampo, Parotidite, Rubéola)

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Acompanhante de crianças – regras básicas de nutrição, higiene, segurança e repouso

2.Criança dos 12 aos 36 meses

2.1− Necessidades nutricionais

Os bebés têm um ritmo de crescimento bastante rápido, mas, após os 12 meses, verificará
que o crescimento e o aumento de peso diminuirão lentamente. Em geral, o crescimento
reduz-se por volta do ano de idade, altura em que o bebé começa a andar e se torna mais
activo.

A partir dos 2 ou 3 anos, o aumento de peso mantém-se a um ritmo constante,


continuando até o bebé atingir a adolescência.

Entre o primeiro e o terceiro ano, as capacidades física, intelectual e social das crianças
pequenas têm um crescimento irregular. Tornam-se menos dependentes e começam a
dominar um número cada vez maior de habilidades. Durante este período a criança torna-
se cada vez mais competente na arte de se alimentar e pode desenvolver (e expressar)
preferências definitivas em relação aos alimentos.

Frequentemente, a independência crescente da criança revela-se me ataques de fúria em


relação aos alimentos. Acima de tudo, esta é uma área na qual a criança pode expressar
preferências por um modo de vida que ainda é dominado, em grande parte, pelas regras
dos adultos.

Nesta idade, muitas crianças pequenas parecem perder o interesse pela comida e, em
geral, isso não é motivo parapreocupações. O apetite das crianças varia de dia para dia e a
quantidade total que a criança ingere ao longo de uma semana é mais importante do que o
quer come apenas num dia.

Para uma criança pequena, geralmente, ter de comer é umaintromissão mal acolhida no
que é essencial para a sua vida, que é brincar.

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Acompanhante de crianças – regras básicas de nutrição, higiene, segurança e repouso

E, acima de tudo, brincar é o modo como a criança explora o mundo e desenvolve novas
habilidades. Se for capaz de fazer as refeições uma oportunidade para brincar, aprender e
relacionar-se, provavelmente que a criança quererá sentar-se à mesa com os restantes
colegas, saborear o que come e valorizar este tempo tanto quanto outro qualquer em que
seja o centro das atenções.

Necessidades nutritivas
A dieta da criança deve conter um equilíbrio razoável de todos os nutrientes principais:
proteínas, hidratos de carbono (amidos), gorduras, fruta, vegetais, de modo que obtenha
todas as vitaminas e sais minerais de que necessita.

As quantidades exactas e necessárias variam – uma criança pode ser muito mais activa do
que outra -, mas, como regra básica, entre 1 e 3 anos, a dieta deve fornecer cerca de 45-
50 kcal por cada 0,5kg de peso.

Proporcionalmente, as crianças necessitam de mais proteínas do que os adultos para


compensar o crescimento – cerca de 14,5g de proteínas por dia entre 1 e 3 anos de idade.
Cerca de 6g desta quantidade devem ser proteínas com uma qualidade elevada, do tipo
obtido de fontes animais e vegetais concentradas.

As restantes podem ser obtidas de cereais, pão e alimentos menos concentrados. Todos os
seguintes alimentos fornecem cerca de 6g de proteínas: 1 ovo; 25g de carne magra; 25g
de queijo rijo; 100g de feijão cozido; 100g de lentilhas.

Alimentos diários necessários – 1 a 3 anos de idade

O que constitui uma dose?


Uma dose é 1 fatia de pão, 1 tigela pequena de cereais ou 1 pequenabatata cozida; 1
maçã, pêra ou banana; 1 cenoura ou 2 ramos de brócolos ou couve-flor; 25g de carne ou
peixe ou 50g de lentilhas ou feijão cozido.

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Acompanhante de crianças – regras básicas de nutrição, higiene, segurança e repouso

Variar os alimentos
A melhor maneira de satisfazer as necessidades nutritivas da criança é fornecer-lhe uma
dieta variada. Não desanimar se a criança parecer não gostar de certos alimentos; deve
esperar simplesmente e tentar dá-los de novo noutra altura.

Agora ele pode ingerir uma variedade cada vez maior de alimentos e, desde que sejam
preparados adequadamente ou cortados em pedaços razoáveis, é capas de comer
praticamente tudo o que os adultos comem.

Esta é a altura ideal para rever cuidadosamente a alimentação e os hábitos alimentares das
outras crianças. É insensato esperar que uma criança cada vez mais independente siga um
regime alimentar saudável, se as restantes não o fizerem.

O leite
O leite e os lacticínios continuam a ser uma fonte importante de cálcio, necessário para a
obtenção de ossos e dentes saudáveis, bem como de proteínas e gordura. Os peritos
recomendam que as crianças com mais de 1 ano devem obter diariamente 350mg de
cálcio.

Agora a criança pode beber leite gordo pasteurizado e deve ingerir 350ml por dia. Se ele
perder o interesse pelo leite, tente dá-lo de outra maneira – batidos feitos com frutos
frescos esmagados ou iogurte, derivados de leite, tais como iogurte e queijo, queijo fresco
e natas, ou adicione leite a outros alimentos, tais como molhos e sopas.

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Acompanhante de crianças – regras básicas de nutrição, higiene, segurança e repouso

Novos alimentos para experimentar


A criança já consegue ingerir uma vasta gama de alimentos e provavelmente parecia uma
dieta variada. Introduza um ou dois novos alimentos de cada vez, de modo a poder
detectar facilmente aquele que lhe possa causar uma reacção alérgica.

Evite alimentos em relação aos quais já exista um historial familiar de intolerância, tais
como ovos, trigo e morangos.
 Experimentar frutos macios, tais como framboesas, morangos,amoras e outros
frutos do género.
 Introduzir uma variedade de pães, desde que não suspeite de umaintolerância ou
alergia ao trigo. Evite o pão de trigo integral malmoído, dado que o farelo por vezes
causa diarreia e os produtosquímicos do farelo de trigo bloqueiam a absorção de
ferro dosalimentos.
 Aumentar a variedade de carne e peixe que a criança ingere, emboradeva continuar
a limitar o consumo de carnes e peixes fumados. Utilizar pedaços de carne magra,
retirar agordura e não a fritar.
 Nesta altura, os vegetais com um sabor mais acentuado, tais comocouve-de-
bruxelas e brócolos, são geralmente bem aceites.

Vegetais
Existem vários vegetais que podem ser servidos crus em saladas ou isolados. As crianças
pequenas geralmente não apreciam muito as saladas de folhas verdes, mas existem muitas
outras alternativas. A salada de repolho cortado fino, com cenoura ralada e maçã,
misturada com maionese e talvez algumas passas, é normalmente bem aceite.

As tiras de vegetais crus, como cenoura, aipo, pimento e ramos de couve-flor, com um
molho saboroso, como queijo fundido misturados com puré de tomate, em geral são muito
apreciados.

Fruta
A fruta é uma excelente forma de vitamina C, betacaroteno e outras vitaminas, sais
minerais e micronutrientes vitais que a maioria dos bebés apreciam. Para além da maçã,

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Acompanhante de crianças – regras básicas de nutrição, higiene, segurança e repouso

pêra e banana, estimule o bebé a experimentar alguns dos frutos mais exóticos. Os citrinos
fáceis de descascar, como as tangerinas e as clementinas, em geral, são muito apreciados,
mas deve verificar se têm caroços.

A fruta oferece variadíssimas possibilidades para uma apresentação atraente, o que é útil
se o bebé for de apetites caprichosos. Decore um prato com frutos de cores contratantes,
cortados em feitios diversos e dispostosde modo a formarem desenhos.

Também podem triturar ou ralar frutos e misturá-los com queijo macio, queijo fresco ou
iogurte, para aumentar o valor nutritivo. Descascar e cortar a fruta e cubra-la com iogurte,
natas frescas ou queijo fresco.

Planear a ementa
Para poder satisfazer as necessidades nutritivas da criança, deve procurar garantir que ela
ingere 1 dose diária de carne ou peixe, ou 2 doses de proteínas vegetais (frutos secos,
leguminosas), por dia, 4 porções de pão, cereais, batata ou outros alimentos com amido, 4
doses de fruta e vegetais e pelo menos 350ml de leite ou 2 doses de lacticínios, como
iogurte ou queijo.

Se a criança tem pouco apetite não há motivo para que a comida lhe seja dada apenas à
hora das refeições. Não existe nada de errado nas merendas, desde que não sejam feitas
com alimentos ricos em açúcar refinado, sal e gordura; se oferecer merendas saudáveis,
não há qualquer problema, mas não deve permitir que a criança esteja sempre a petiscar
emtroca de refeições saudáveis.

2.2− Higiene oral

A limpeza dos dentes deve ser iniciada desde o aparecimento do 1º dente de leite, e deve
ser feita após cada refeição, com o bebé sentado ao colo, utilizando um lenço ou um pano
macio, compressa, cotonete que limpe sem magoar, ou “escovas” adequadas.

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Acompanhante de crianças – regras básicas de nutrição, higiene, segurança e repouso

A partir dos 12/18 meses o bebé já tem mais dentes e pode começar a utilizar uma escova
pequena com pelos de borracha ou nylon macios, que se humedece.

Como o bebé gosta de imitar os adultos, dê-lhe uma escova para a mão e “deixe-o lavar os
dentes” e em seguida faça uma lavagem eficaz. Deixe-o brincar com a escova dos dentes
no banho – desde que supervisionado.

A utilização de pasta de dentes com flúor pode ser iniciada a partir dos 3 anos, idade em
que a criança já é capaz de não engolir o dentífrico, havendo, no entanto, à venda nas
farmácias pastas cujo engolir é inofensivo.

A higiene oral baseia-se na escovagem dos dentes usando uma pasta com flúor e na
utilização de fio dental.

Escovar
O objectivo da escovagem é:
 Eliminar os restos de alimentos.
 Remover a placa bacteriana.
 Fortalecer os dentes através da utilização de pasta de dentes com flúor e de uma
boa escova.

Importante
 A escova de dentes é um objecto de uso pessoal e não deve ser partilhado com
outras pessoas.
 Deve ser adequada ao tamanho da boca e ter pêlos de nylon de dureza média ou
macia, que quando estão estragados, necessita ser substituída. Existem no mercado
escovas eléctricas.
 A pasta deve ser rica em flúor e ter um sabor do agrado da criança.
 Os dentes devem ser escovados com movimentos circulares de vai e vem, para não
magoar as gengivas, e sempre na mesma sequência para que não se esqueçam de
escovar todas as superfícies.

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Acompanhante de crianças – regras básicas de nutrição, higiene, segurança e repouso

 A escovagem deve ser e diária, após as refeições, e é indispensável. antes de ir


para a cama.

Etapas
1. Comece a escovar pelo último dente da extremidade do maxilar e vá escovando
até chegar ao último dente da outra extremidade, fazendo o mesmo com o outro
maxilar
2. A escova deve ser colocada de modo a atingir todas as superfícies dos dentes,
inclinando-a na direcção da gengiva desde a face interna, á face externa dos
dentes.
3. Os movimentos pequenos e circulares de vai e vem da escova, devem abranger
apenas alguns dentes de cada vez, e durar o tempo suficiente para uma limpeza
completa.
4. Devem ser escovadas todas as superfícies dos dentes, as gengivas e a língua.

Sempre que a criança ingere açúcares deve em seguida escovar os dentes. Se não for
possível, deve pelo menos fazer um bochecho com água.

2.3− Prevenção de acidentes

Situações

Crianças de 1 a 4 anos
 Pequenas quedas contra móveis da casa, geralmente com menor gravidade.
 Queda de janela ou de varanda

É um acidente muitíssimo grave, e que na maioria das vezes causa a morte da criança.
Esta com o seu rápido desenvolvimento fazendo aquisições novas todos os dias, e que são
o regozijo dos adultos, um dia, encosta um banco a uma janela ou varanda, e ...cai. Estas
quedas acontecem geralmente na ausência de um adulto.

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Acompanhante de crianças – regras básicas de nutrição, higiene, segurança e repouso

As quedas de escada, cama, ou cadeira são semelhantes ao que se passa com a criança
menor de 1 ano.

Prevenção
 Proteja com dispositivos apropriados os aquecimentos e arestas pontiagudas de
mesas, armários e outros móveis, contra os quais a criança pode cair.
 Não tenha mesas de vidro em casa.
 Não deixe espalhados no chão ou escadas brinquedos e outros objectos em que a
criança possa tropeçar.
 Ensine a criança a descer e subir escadas, bem como cadeiras e bancos.
 Proteja as janelas com limitadores de abertura, permitindo o arejamento, mas
evitando que a criança caia. A abertura deve atingir um máximo de 10 cm.
 Revista os vidros das portas, janelas e espelhos com uma película protectora.
 Não deixe cadeiras ou outros objectos que possam servir de apoio, ao pé de uma
janela ou varanda.
 Nas varandas, coloque guarda de protecção, de preferência com barras verticais,
para que a criança não consiga trepar, que tenham altura de pelo menos 110 cm.
Não deve ser possível a criança passar nem por baixo, nem entre as barras.
 Ensine à criança o perigo de se debruçar da janela ou varanda
 Não deixe a criança sozinha em casa
 Sempre que guardar qualquer objecto fora do alcance da criança, lembre-se que
esta se pode lembrar de trepar para ir o buscar, sobretudo se é algo da sua
preferência.
 Calce á criança meias antiderrapantes.
 Fixe os tapetes ao chão.
 Coloque tapete antiderrapante na banheira, e outro de outro tipo fora desta.

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Acompanhante de crianças – regras básicas de nutrição, higiene, segurança e repouso

2.4−Materiais de primeiros socorros obrigatórios em meio institucional

Organização da mala de primeiros socorros


Normas gerais:
 A mala deve ser constituída e adaptada às necessidades do local ou instituição onde
será utilizada.
 Deve ficar acondicionada de preferência num local onde não hajam grandes
alterações de temperatura para evitar a deterioração dos seus componentes;
 Deve ser colocada em local conhecido pelos profissionais mas fora do alcance de
crianças e idosos.
 Deve conter um índice em suporte de papel do seu conteúdo assim como um
Manuel de Primeiros Socorros.
 Deve haver formação a pelo menos um elemento da Equipa de como utilizar a
mala/ conteúdo correctamente.
 A mala dever ser verificada periodicamente e sempre que é usada, para que se
mantenha sempre em condições de ser utilizada novamente. Devem ser verificados
os prazos de validade do seu conteúdo.
 Deve estar atento às características dos produtos e da medicação, verificando se
existe alguma alteração da cor ou da textura dos produtos;
 Em caso de verificação da alteração do aspecto dos produtos, deve rejeitá-los para
o lixo de imediato, mesmo que ainda estejam dentro do prazo de validade;
 Não deve misturar medicamentos e material de tratamento de feridas contaminado
(compressas com sangue por exemplo) no lixo comum, deve colocá-los em saco
separado;
 As compressas para tratamento de feridas devem ser esterilizadas, as que não o
são, nunca devem ser utilizadas em feridas abertas pelo risco de infecção
aumentado;

Deve evitar utilizar abusivamente o material de primeiros socorros, utilize-o mesmo em


caso de necessidade, especialmente no que diz respeito aos medicamentos.

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Acompanhante de crianças – regras básicas de nutrição, higiene, segurança e repouso

Procedimentos de limpeza e higienização


Quem proceder a estas operações deve manter sempre as mãos protegidas com luvas de
borracha (luvas por exemplo).

Para a eliminação e/ou desinfecção do material utilizado no tratamento de feridas


sangrantes devem ser seguidas as seguintes orientações:
• O material descartável utilizado no tratamento das feridas (luvas, avental,
compressas, ligaduras, adesivos, etc.) deve ser removido para o saco de plástico de
parede dupla que se atará firmemente.
• O restante material (pinças, tesouras, etc.), logo depois de utilizado deve ser
lavado com água e sabão e depois mergulhado em lixívia comercial durante 30
minutos.

À semelhança do material, todas as superfícies e locais conspurcados com sangue devem


ser cuidadosamente limpos e desinfectados:
• Utilizar sempre luvas de borracha descartáveis.
• Favorecer a absorção do sangue com material irrecuperável (toalhetes de papel
absorvente, por exemplo).
• Deitar por cima dos locais contaminados lixívia pura (se possível a 10%) e deixar
actuar durante 10 minutos.
• Remover tudo para saco de plástico adequado e fechá-lo com segurança.
• Por último, lavar toda a superfície contaminada com água.

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Acompanhante de crianças – regras básicas de nutrição, higiene, segurança e repouso

3.Criança dos 3 aos 6 anos

3.1− Consultas materno-infantis

O principal objectivo das consultas de desenvolvimento que devem ser realizadas


regularmente ao longo de toda a infância é, no mais amplo sentido do termo, a prevenção.

As consultasmaterno-infantis são fundamentais para cadaidade-chave, correspondente a


acontecimentos importantes na vida da criança, abrangendo etapas do desenvolvimento
psicomotor, socialização, alimentação e escolaridade.

Objectivos:

1.Avaliar o crescimento e desenvolvimento e registar, nos suportes próprios,


nomeadamente no Boletim de Saúde Infantil e Juvenil, os dados antropométricos e outros
do desenvolvimento físico, bem como parâmetros do desenvolvimento psicomotor,
escolaridade e desenvolvimento psicossocial.

2. Estimular a opção por comportamentos saudáveis, entre os quais os relacionados


com:
 A nutrição, adequada às diferentes idades e às necessidades individuais, prevenindo
práticas alimentares desequilibradas;
 A prática regular de exercício físico, a vida ao ar livre e em ambientes despoluídos e
a gestão do stress;
 A prevenção de consumos nocivos e a adopção de medidas de segurança,
reduzindo assim o risco de acidentes.

3. Promover:
 O cumprimento do Programa Nacional de Vacinação
 A suplementação vitamínica e mineral, nas idades e situações indicadas

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Acompanhante de crianças – regras básicas de nutrição, higiene, segurança e repouso

 A saúde oral
 A prevenção de acidentes e intoxicações
 A prevenção dos riscos decorrentes da exposição solar
 A prevenção das perturbações da esfera psicoafectiva

4. Detectar precocemente e encaminhar situações que possam afectar


negativamente a vida ou a qualidade de vida da criança e do adolescente, como:
malformações congénitas (doença luxante da anca, cardiopatias congénitas, testículo não
descido), perturbações da visão, audição e linguagem, perturbações do desenvolvimento
estaturoponderal e psicomotor, alterações neurológicas, alterações de comportamento e do
foro psicoafectivo.

5. Prevenir, identificar e saber como abordar as doenças comuns nas várias idades,
nomeadamente reforçando o papel dos pais e alertando para os sinais e sintomas que
justificam o recurso aos diversos serviços de saúde.

6. Sinalizar e proporcionar apoio continuado às crianças com doença


crónica/deficiência e às suas famílias, bem como promover a eficaz articulação com os
vários intervenientes nos cuidados a estas crianças.

7. Assegurar a realização do aconselhamento genético, sempre que tal esteja


indicado.

8. Identificar, apoiar e orientar as crianças e famílias vítimas de violência ou


negligência, qualquer que seja o seu tipo.

9. Promover a auto-estima do adolescente e a sua progressiva responsabilização


pelas escolhas relativas à saúde. Prevenir situações disruptivas ou de risco acrescido.

10. Apoiar e estimular a função parental e promover o bem-estar familiar.

Em todas as consultas deve-se avaliar:

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Acompanhante de crianças – regras básicas de nutrição, higiene, segurança e repouso

 As preocupações dos pais ou do próprio, no que diz respeito à saúde


 Intercorrências desde a consulta anterior, frequência de outras consultas,
medicação em curso
 A frequência e adaptação ao infantário, ATL, escola
 A prática de actividades desportivas ou culturais e ocupação de tempos livres
 A dinâmica do crescimento e desenvolvimento, comentando as curvas de
crescimento e os aspectos do desenvolvimento psicossocial
 O cumprimento do calendário vacinal, de acordo com o Programa Nacional de
Vacinação.

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Acompanhante de crianças – regras básicas de nutrição, higiene, segurança e repouso

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Acompanhante de crianças – regras básicas de nutrição, higiene, segurança e repouso

3.2− Cuidados de higiene

O adulto deve respeitar o que quer que a criança esteja a realizar na altura em que os
cuidados corporais forem necessários. É preciso antes de mais tentar entrar na experiência
em que a criança está envolvida naquele momento.

O adulto deve reduzir o impacto de uma eventual perturbação fornecendo à criança uma
indicação prévia de que ela precisa de fazer uma pausa para um determinado cuidado
corporal (mudar a fralda, fazer chichi), dando-lhe algum tempo para chegar a um momento
em que possa parar a sua brincadeira.

O adulto deve falar e agir de modo adequado com as crianças, para que elas compreendam
mais acerca da próxima rotina de cuidados.

As crianças devem ter oportunidade com o apoio dos adultos, de fazerem escolhas durante
cada rotina de cuidados corporais, como por exemplo: escolher o tipo de alfinetes (para
quem usa fraldas), optar pelo tipo de cuecas que quer vestir, decidir qual é a fralda
descartável que a criança irá dar ao adulto, escolher qual a toalha ou esponja a utilizar, se
quer um pano ou um toalhete descartável para limpar a cara ou as mãos, decidir se sentam
no bacio ou na sanita, etc…

Outro modo de proporcionar às crianças algum poder de escolha é através do ambiente


físico. Atenção ao modo como se dispõe a área de vestir, de mudança de fraldas e a casa
de banho, pois este envolvimento determina as escolhas que as crianças fazem sobre
aquilo para que olham ou observam durante os cuidados corporais.

As crianças aprendem em termos sensório motores, mesmo durante as rotinas de cuidados


corporais. Apreciam a ter alguma coisa para poderem ver de perto, sentir, levar à boca,
cheirar ou ouvir.

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Acompanhante de crianças – regras básicas de nutrição, higiene, segurança e repouso

O importante é ajudar as crianças a encontrar algo que não seja excessivamente grande ou
que se suje com facilidade. Há que recordar, também, que os objectos que as crianças
vêem e seguram durante os cuidados corporais podem originar algumas conversas.

Os adultos devem apoiar as primeiras tentativas das crianças de cuidarem do seu próprio
corpo. Devem ajudá-las nessas tentativas, do mesmo modo que dão um apoio paciente
quando estas aprendem a comer sozinhas, a empilhar blocos ou a andar sem ajuda.

Alguns exemplos de actuação das crianças são:


• Segurar em fraldas limpas, panos ou toalhas e pequenas peças de roupa.
• Limpar a cara ou as mãos.
• Subir as escadas até à mesa de mudar as fraldas.
• Lavar os dentes.
• Puxar as cuecas para baixo e depois para cima quando utilizam o bacio.
• Enfiar os braços nas mangas e as pernas nas calças.
• Tirar as meias e tentar enfiá-las nos pés.
• Tirar a muda de roupa lavada do seu armário ou caixa.
• Pôr o chapéu.
• Abrir e fechar fechos, etc…

Este procedimento fará com que os adultos fiquem mais disponíveis para as observarem
em acção e apreciarem, comentando, as competências que vão emergindo.

3.3− Cuidados de conforto

A necessidade de descanso de cada criança varia com a idade e com as circunstâncias


pessoais de cada uma.

Quando as crianças estão envolvidas durante a manhã numa actividade exploratória


interessante e activa, faz sentido programar o descanso a seguir ao almoço como uma
rotina diária.

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Acompanhante de crianças – regras básicas de nutrição, higiene, segurança e repouso

É imprescindível conversar com os pais quando eles chegam com os seus filhos. Eles
deixam transparecer quando se deve antecipar uma mudança nos padrões de sono da
criança.

As crianças apresentam sempre rituais próprios para adormecer:


• Alguns adormecem assim que chegam ao berço ou cama que lhe é familiar.
• Outros rabujam e para adormecerem descansadamente podem necessitar que o
adulto os embale, abane ou faça festinhas ou talvez lhes cante uma cantilena ou
canção.
• Outros chucham no dedo ou na chupeta agarram-se firmemente a um cobertor ou
boneco de peluche ou mexem-se até encontrarem uma posição de sono confortável.
• Algumas crianças podem precisar de ajuda ou simplesmente desejar um sinal de
atenção antes de escolherem um livro para ver na cama, localizarem um cobertor
ou um brinquedo especial ou beber uns golos de água.
• Outras podem exigir que o adulto lhes afague as costas ou lhes cante uma
cantiga.

Perante estes rituais de adormecer, constata-se que as crianças precisam de atenção


personalizada para adormecerem.

É através do tempo e da observação, da tentativa e do erro e das dicas dadas pelos pais,
que o adulto conseguirá descobrir como melhor ajudar cada criança a sossegar, antes de
adormecer.

Na hora da sesta regularmente programada, algumas crianças podem eventual ou


sistematicamente querer manter-se acordadas durante todo o tempo de descanso. Nesses
casos convém ao adulto proporcionar-lhes actividades ou brincadeiras calmas e que não
perturbem o descanso das outras crianças.

Entre elas:
 Optar por um livro ou um brinquedo que gostem de utilizar enquanto descansam.

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Acompanhante de crianças – regras básicas de nutrição, higiene, segurança e repouso

 Brincar na área dos livros ou jogos calmos, localizadas longe da área de repouso.
 Ir para o recreio com uma das educadoras, etc.

Todas as crianças têm um acordar diferente. Algumas acordam alegres e prontas para
continuarem com a brincadeira pelo dia fora.

Outras ficam rabugentas, sem terem a certeza de onde estão e a precisarem de contacto e
de conforto físico – serem embaladas numa cadeira de baloiço, andarem a passear ao colo
do adulto ou olhar pela janela… outras acordam devagar e contentam-se em ficar deitadas
no berço ou no catre durante alguns momentos, simplesmente a olhar para o ambiente
numa tentativa de se adaptarem.

As crianças ficam livres para se juntarem às diversas actividades seguintes, à medida que
vão acordando e sentindo-se prontas.

3.4− Necessidades nutricionais

Existem alimentos que devem ser consumidos diariamente, a fim de fornecerem os


nutrientes essenciais ao bom funcionamento do organismo e que este não é capaz de
fabricar por si próprio, a partir de outros nutrientes.

Todos os grupos de alimentos contribuem com nutrientes essenciais. Estes incluem


determinado tipo de proteínas, presentes principalmente no grupo da carne, peixe, ovos e
mariscos, chamados aminoácidos essenciais, determinado tipo de gorduras, em especial o
ácido oleico e outros ácidos gordos essenciais, presentes no azeite e outras gorduras
vegetais e os denominados micronutrientes – as vitaminas e os sais minerais.

Como em outras fases da vida, um padrão alimentar equilibrado e adequado à


necessidades da criança em idade pré-escolar compreenderá uma distribuição, em termos
calóricos, de acordo com as regras da alimentação saudável.

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Acompanhante de crianças – regras básicas de nutrição, higiene, segurança e repouso

Neste sentido a alimentação da criança deverá ser variada e integrar alimentos que
proporcionem os nutrientes necessários em proporção e quantidade adequadas.

Necessidades energéticas
As necessidades energéticas da criança dependem das necessidades impostas pelas
funções do organismo (manter a temperatura, respirar, movimentar-se), pelo crescimento
e também pelo dispêndio de energia inerente à actividade física que, no período pré-
escolar, pode ser muito intensa.

As necessidades médias de energia variam entre 1300 cal, para as crianças de 3 anos de
idade, e 1700 cal, para as crianças de 6 anos.

Necessidades de macro nutrientes


No quadro abaixo é apresentada a distribuição das necessidades por tipo de nutriente,
tendo em consideração as necessidades calóricas diárias nesta faixa etária.

Tratam-se de valores indicativos de referência, que deverão ser ajustados a cada criança,
ao seu desenvolvimento para a idade, em especial ao seu peso/altura e aos seus níveis de
actividade física.

Considerou-se que 60% do total calórico diário será fornecido por hidratos de carbono,
27% por gorduras e 13% por proteínas.

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Necessidades de vitaminas e sais minerais


No que se refere às necessidades de micronutrientes, ou seja de vitaminas e sais minerais,
estas podem ser supridas através da ingestão de alimentos dos cinco grupos nas
quantidades e proporções adequadas. Avariedade na alimentação é a melhor regra para
garantir que as necessidades de micronutrientes são satisfeitas.

Necessidades de fibras alimentares


Embora as fibras alimentares, presentes nos frutos e vegetais, não sejam absorvidas, são
absolutamente necessárias para assegurar um bom funcionamento intestinal. Neste
sentido, a criança deve ser habituada a ingerir alimentos do grupo V (frutos e vegetais) em
proporção adequada.

Para tal, as duas principais refeições devem começar com uma sopa de legumes e terminar
com uma peça de fruta. O prato principal deve também ser acompanhado com um pouco
de legumes, leguminosas ou saladas. Mais uma vez se chama a atenção para a importância
da variedade na escolha de legumes, leguminosas, hortaliças e frutos.

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3.5− Prevenção de acidentes

Os acidentes constituem uma das causas mais importantes de mortalidade na infância e,


geralmente, não ocorrem por acaso. O estágio de desenvolvimento da criança, a
identificação dos riscos e o direccionamento das orientações são de extrema importância
para a sua prevenção.

Podem ser desenvolvidas algumas actividades no jardim-de-infância de forma a


consciencializar as crianças mais velhas para os riscos e prevenção das causas mais
frequentes de acidente e dessa forma promover a sua participação activa na cultura geral
de prevenção da instituição.

Quedas

Exploração do tema:
 Contar a história de um acidente.
Descoberta dos perigos:
 Encontrar na escola diferentes possibilidades de quedas.
 Encontrar soluções para evitar as quedas.
 Elaborar avisos para alertar contra o perigo.

Actividades psico-motoras:
 Treinar a marcha sobre um banco invertido ou um murete baixo.
 Ultrapassar obstáculos.
 Andar sobre uma linha.
 Andar de olhos fechados.
 Subir e descer escadas segurando-se ao corrimão.

Sufocações

Exploração do tema:

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 Contar uma história.


 Discussão colectiva sobre respiração, constipações, mastigação, deglutição
Descoberta dos perigos:
 Procurar descobrir todos os alimentos que podem provocar sufocações
 Procurar descobrir pequenos objectos susceptíveis de provocar sufocação
 Descobrir o perigo de sacos plásticos, armários, galerias na areia, etc.
Actividades psicomotoras:
 Aprender a respirar:
o Pelo nariz
o Pela boca
o Com o ventre
o Com a caixa torácica
Utilizar o sopro de diferentes maneiras:
 Encher um balão
 Soprar na água com uma palhinha
 Soprar com uma palha para fazer mexer um papel ou uma pequena bola

Queimaduras

Exploração do tema:
 Dramatização de uma história
 Discussão colectiva e em família
Descobrir os perigos:
 Descobrir na sala de aula possíveis locais de queimaduras
 Colocar avisos feitos pelos alunos
 Visitar a cozinha da escola e descobrir sítios de risco de queimaduras
 Identificar no fogão da cozinha, as zonas que queimam
 Fazer uma lista dos objectos domiciliários com possibilidade de provocar
queimaduras
 Aprender a colocar no fogão as panelas e os tachos
 Aprender que há produtos que queimam embora não façam chama
 Saber identificar sinais de substâncias corrosivas

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Ferimentos

Exploração do tema:
 Contar ou dramatizar a história de um acidente
Descoberta dos perigos:
 Classificar os objectos da sala em cortantes e não cortantes.
 Inventariar os objectos cortantes que cada um conhece e localizá-los em casa e na
escola.
 Aprender a utilizar uma tesoura e uma faca
Actividades psico-motoras:
 Enfiar contas, fazer rolar berlindes, lançar o pião, dar nós, fazer dobras em papel,
saltar à corda, etc.
 Colocar uma fonte sonora ou musical na sala de aula e as crianças devem
interromper a marcha quando o sinal sonoro pára.
 Imitar um robot (fazer movimentos como se fossem bonecos articulados).

Intoxicações

Exploração do tema:
 Dramatização de uma história
 Discussão colectiva e familiar sobre medicamentos e produtos tóxicos
Descoberta dos perigos:
 Distinguir entre produtos nocivos e não, na escola e em casa
 Conversar sobre medicamentos
 Conhecer os sinais de produto tóxico
 Sensibilizar os alunos para não ingerirem produtos ou plantas que não conheçam
 Reconhecer produtos de limpeza e descobrir para que servem.

Afogamento

Exploração do tema:
 Contar a história de um acidente

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Descoberta dos perigos:


 Descobrir todos os sítios onde é possível afogar-se.
 Lembrar que não podemos respirar dentro de água
 Aprender condições em que o banho pode representar perigo
 Descobrir o perigo dos colchões e barcos pneumáticos
 Aprender os perigos de banhos no mar ou nos rios e lagos
Actividades psico-motoras:
 Arranjar um espaço onde se possam fazer experiências com água
 Aprender a distinguir objectos que flutuam dos que não o fazem
 Fazer barcos de papel
 Aprender a nadar, a boiar.

Electrocuções

Exploração do tema:
 Dramatização de uma história
 Discussão colectiva e familiar sobre os efeitos da electricidade sobre o homem
Descoberta dos perigos:
 Identificar todas as tomadas de corrente, interruptores, lâmpadas e aparelhos
eléctricos em casa e na escola
 Aprender o sinal de corrente eléctrica
 Descobrir como substituir objectos eléctricos por outros em caso de falta de
corrente.
 Aprender normas para uso de artigos eléctricos

3.6− Materiais de primeiros socorros obrigatórios em meio institucional

As actividades de primeiros socorros devem ser organizadas com a participação dos


serviços de saúde, nomeadamente na formação e informação dos trabalhadores
designados para esse efeito.

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Na elaboração dos planos acima referidos devem ser tidos em conta:


1. Manual de procedimentos em primeiros socorros e actividades de emergência
segundo as boas práticas;
2. Conteúdo mínimo da caixa de primeiros socorros nos locais de trabalho;
3. Equipamento mínimo de suporte vital de vida e de emergência.

Equipamento mínimo de suporte vital de vida e de emergência


 Aparelho de oxigénio (máscara, fluxómetro e regulador de pressão);
 Ressuscitador Ambu;
 Cânulas orofaringícas;
 Medidor de glicemia por glicofita (opcional);
 Aspirador de vácuo (opcional);
 Descartáveis:
o Seringas 5 e 10 cc;
o Agulhas n.os 19 e 21;
o Garrotes;
o Bisturi;
o Tesoura;
o Compressas esterilizadas;
o Luvas cirúrgicas;
o Gaze parafinada;
o Adesivo.
 Fármacos:
o Analgésico;
o Anti-inflamatório;
o Anti-alérgicos;
o Anti-eméticos;
o Soro fisiológico;
o Diazepan;
o Furosemida;
o Nitroglicerina;

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o Sistemas de soros;
o Salbultamol inalador (opcional);
o Adrenalina (opcional).

3.7− Vacinação

A/O Auxiliar de acção educativa tem um papel muito importante junto das famílias
nomeadamente no campo da vacinação, uma vez que existem crianças que não têm o
esquema de vacinação actualizado, ou mesmo que não possuem qualquer vacina.

Informação insuficiente, medo ou outras razões, constituem obstáculo a uma vacinação


correcta, situação esta que poderá ser minimizada pelo contributo do/a auxiliar a cada
família em particular, que poderá passar por:
 Aperceber-se se as crianças têm as vacinas actualizadas e se necessário motivar os
pais, devendo para isso ouvir os pais, saber o que estes pensam acerca das vacinas,
compreender as suas dificuldades e os seus receios.
 Informar sobre a importância da vacinação, acompanhando a mãe, o pai ou outro
familiar ao centro de saúde.
 Acompanhar a criança ao centro de saúde para vacinação, solicitando apoio ao
enfermeiro/a ou ao médico/a
 Apoiar e cuidar da criança, estando atenta e agindo perante as reacções da vacina.

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Vacinas que fazem parte do Programa Nacional de Vacinação desde 1 de Janeiro


de 2012:

IDADES VACINAS E RESPECTIVAS DOENÇAS

5-6 anos DTPa – 5.ª dose (Difteria, Tétano, Tosse Convulsa)


VIP – 4.ª dose (Poliomielite)
VASPR – 2.ª dose (Sarampo, Parotidite, Rubéola)

Precauções e contra-indicações das vacinas


A maioria das crianças pode fazer as vacinas de rotina sem qualquer problema, sendo as
contra-indicações das vacinas raras, e devendo ser sempre ponderadas pelo médico e pelo
enfermeiro.

O enfermeiro antes de administrar uma vacina, questiona sobre a situação de saúde da


criança. É importante que a família ou quem a substitua, não se esqueça de referir
qualquer problema de saúde, caso este exista ou tenha existido (ex. transfusões,
medicamentos como cortisona, doenças, reacção a vacinas anteriores).

É muito importante, dizer à enfermeira ou ao médico, caso tenha havido anteriormente,


reacções graves a uma vacina, como choro muito forte e durante muito tempo, gemido,
temperatura ou reacção local muito exagerada.

Existem vacinas que podem provocar certas reacções, que são absolutamente normais e
passageiras e após a vacinação, o familiar ou a pessoa que acompanha a criança, é
informado sobre essas possíveis reacções, e como actuar relativamente às mesmas.

As mais frequentes são a febre e o inchaço, da zona onde foi administrada a vacina, que
geralmente fica quente e avermelhada. Pode-se verificar ainda agitação, mau estar geral e
dor.

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Se a temperatura axilar, for superior a 38º-38,5 ºC, pode dar um medicamento para a
febre que tenha sido receitado pelo médico, e desagasalhar a criança. Se não baixar, dê-
lhe um banho tépido.

Se o local da vacina se apresentar avermelhado, quente, inchado e doloroso, devem ser


feitos pequenos toques com gelo (envolvido num pano) várias vezes ao dia, e pode ser
necessário dar medicamento para a dor.

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4. Criança dos 5 aos 10 anos

4.1− Orientação nutricional

Muitas crianças, entre os 6 e os 12 anos, têm um bom apetite ecomem bastante mais do
que as crianças mais novas. Precisam das caloriasextra que estão a consumir: neste
período, o peso corporal médio duplica eo jogo físico exige grande dispêndio de energia.

Infelizmente, os problemasalimentares tornam-se mais predominantes durante estes anos.


Para suportar o crescimento e esforço constantes do período escolar, as crianças precisam,
em média, de 2400 calorias diárias – um pouco mais, para os mais velhos e menos para os
mais novos.

O pequeno-almoço deve fornecer cerca de ¼ das calorias totais. A ingestão diária de


alimento deveria incluir níveis elevados de carbono complexos, que encontram em
alimentos como as batatas, massas, pão e cereais. Os hidratos de carbono simples, que se
encontram nos doces, deveriam ser a nível mínimo.

Apesar de as proteínas serem necessárias para a constituição e reparação dos ossos,


muitas pessoas ingerem mais proteínas do que necessitam. A dose diária recomendada
para as crianças dos 7 aos 10 anos é de 28 gramas, mas a ingestão média, tanto para
rapazes como para raparigas, é de 71 gramas.

Era comum pensar-se que o açúcar tornava as crianças hiperactivas, interferia com a
aprendizagem ou tinha efeitos negativos no comportamento ou no humor.

Contudo, e apesar de os doces serem menos desejáveis que os alimentos nutritivos, em


qualquer dieta, uma vez que providenciam geralmente calorias não nutritivas ou “vazias”, a
investigação recente sugere que, nem o açúcar nem o adoçante artificial, afectam

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significativamente o comportamento, funcionamento cognitivo ou humor da maioria das


crianças.

A “má imagem” do açúcar do açúcar pode terresultado do consumo em grandes


quantidades, em ocasiões como festas deaniversário, nas quais o comportamento
disruptivo (excessivo/conflituoso)provavelmente resulta, não dos doces, mas da excitação
com a própriasituação.

Crescimento
Se passarmos por uma típica escola do 1º ciclo, imediatamente depois do toque de saída,
veremos uma explosão virtual de crianças de todos os tamanhos e formas. Uns altos,
outros baixos, uns corpulentos, outros magrinhos, irrompem das portas da escola para o ar
livre.

Veremos que as crianças no período escolar parecem muito diferentes daquelas uns anos
mais novas. São mais altas e bastante mais fortes; mas muitas poderão apresentar excesso
de peso, relativamente ás últimas décadas, e algumas poderão estar mal nutridas.

Altura e Peso
O crescimento em altura e peso, durante o período escolar, abranda consideravelmente, se
comparado com a sua velocidade rápida durante a infância. Mesmo assim, apesar das
mudanças do dia-a-dia não serem óbvias, conduzem a uma diferença surpreendente entre
os 6 anos, em que são ainda crianças pequenas, e os 11 anos, em que muitos se começam
a assemelhar a adultos.

As crianças nestas idades crescem entre 2,5 e 7,5 centímetros por ano e adquirem entre
2,5 e 4 Kg ou mais, duplicando o seu peso médio. Os rapazes e raparigas de raça negra
tendem a ser um pouco mais altos e mais pesados que as crianças brancas, da mesma
idade e sexo.

Mais tarde neste estádio, as raparigas iniciam um surto de crescimento, aumentando cerca
de 5 Kg por ano. De repente, estão mais altas e mais pesadas que os rapazes da sua classe

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e assim permanecem até cerca dos 12 ou 13 anos, quando os rapazes iniciam o seu próprio
surto de crescimento, ultrapassando asraparigas. As raparigas retêm mais tecido gordo que
os rapazes, uma característica que irá persistir na idade adulta.

Nutrição e Dentição
Os pais de crianças no período escolar têm muitas vezes dificuldades em manter os
alimentos no frigorífico. Muitas crianças, entre os 6 e os 12 anos, têm bom apetite e
comem bastante mais do que as crianças mais novas.

Infelizmente, os problemas alimentares tornam-se também mais predominantes nestes


anos. E, com o aparecimento da dentição definitiva, os cuidados dentários adequados
tornam-se mais críticos.

A maior parte da dentição adulta inicia-se neste período. A primeira dentição (20 dentes)
começa a cair por volta dos 6 anos e é substituída pela dentição definitiva (32 dentes), a
um ritmo de cerca de 4 dentes por ano, durante os cinco anos seguintes.

Os primeiros molares irrompem pelos 6 anos; os segundos molares por volta dos 13 anos;
e os terceiros molares – os dentes do siso – no início dos 20 anos.

Dada a importância de dentes sãos para a alimentação, saúde geral e aparência, a alta
taxa de problemas dentários tem vindo a ser um problema sério. Contudo tem vindo a
melhorar, graças à melhor nutrição, melhores cuidados dentários e uso alargado de flúor
nas pastas dentífricas, na lavagem da boca e na água para beber e preparar os alimentos.

4.2− Prevenção de acidentes

A cultura de segurança implica a percepção dos riscos e adoptar comportamentos e estilos


de vida que promovam a protecção relativamente a esses riscos.

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A segurança na escola é essencial para o desenvolvimento da sua missão educativa,


particularmente para o sucesso educativo daqueles que vivem em meio mais
desfavorecidos ou em situações de risco de exclusão.

É fundamental a promoção da segurança e a prevenção dos acidentes - em parceria


efectiva com os órgãos de gestão dos estabelecimentos de educação e ensino, assim como
a avaliação das condições de segurança, higiene e saúde destes estabelecimentos,
realizada pelas equipas de saúde escolar em estreita articulação com os serviços de saúde
pública/autoridades de saúde dos Centros de Saúde.

Em caso de acidente, os funcionários devem aproximar-se do aluno em questão e fazer a


avaliação da situação, de modo a que o auxílio a prestar seja o mais correcto, célere e
adequado possível.

Caso se verifique que o aluno necessita de cuidados médicos deverá ser contactado o
número nacional de emergência, e posteriormente deve ser avisada a Directoria da Escola.

As quedas são o tipo de acidente mais frequente em meio escolar. O segundo tipo mais
frequente são as agressões involuntárias ou choques.

Prevenir quedas e choques:


 Aumentar os recursos humanos;
 Aumentar a vigilância nos recreios;
 Realizar actividades físicas ou jogos que desenvolvam os reflexos e o sentido de
equilíbrio;
 Ter sempre em conta os espaços onde se desenvolvem algumas actividades físicas
e estabelecer regras de segurança obrigatórias (piscinas, ginásios, campos de jogos,
etc.;
 Promover hábitos e comportamentos correctos de como circular no espaço interior e
exterior da escola;

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 Proibir brinquedos ou objectos que se desloquem pelo solo e possam provocar


quedas (piões, bolas) em determinados locais, principalmente de passagem
obrigatória;
 Vedar os solos que apresentem grandes desníveis;
 Limitar o espaço de recreio de acordo com os vários jogos;
 Evitar solos escorregadios e esburacados;
 Proibir corridas nos corredores interiores e escadas;
 Evitar obstáculos e criar caminhos obrigatórios de passagem;
 Transmitir um espírito de correcção das práticas cívicas do dia-a-dia;
 Promover actividades sobre estes temas onde os próprios alunos sugiram novas
atitudes e regras.

4.3− Materiais de primeiros socorros obrigatórios em meio institucional

É importante que a escola disponha de um local próprio, adequado à prestação de


primeiros socorros. Esse local deverá estar sempre limpo e desinfectado.

Recomenda-se como equipamento: um armário com materiais para primeiros socorros;


produtos de desinfecção e limpeza; kit de emergência transportável.

Armário de primeiros socorros


Devem estar disponíveis os seguintes materiais:
• Luvas de látex descartáveis.
• Tesoura.
• Pinça.
• Compressas esterilizadas.
• Rolos de adesivos de 1 cm e 5 cm.
• Sabão (líquido de preferência).
• Anti-sépticos para desinfecção de pele e mucosas (Betadine ou similar e
Clorhexidina).

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• Embalagem grande de esponjas de “Spongostan”.


• Gase vaselinada.
• Película aderente.
• Termómetro digital.
• Solução de glicose e pacotes de açúcar.
• Ligaduras.
• Pensos rápidos.

Produtos de desinfecção e limpeza


• Clorhexidina 4%.
• Lixívia comercial – hipoclorito de sódio a 5-10% (atenção à validade).
• Toalhetes descartáveis para as mãos.
• Balde com tampa e pedal.
• Aventais descartáveis.
• Sacos de plástico apropriados para produtos eventualmente contaminados, se
possível de parede dupla.

Kit de emergência transportável


É essencial num kit de emergência ter disponível e acessível material que o auxilie na
prestação de primeiros socorros.

Como organizar o kit?


Assegure que este contém o material indispensável e necessário.

Proposta de material básico


• Luvas de látex descartáveis (2 pares).
• Compressas esterilizadas (5 pacotes).
• Ligaduras (3 unidades).
• Adesivos (1 rolo).
• Pensos rápidos (1 caixa).
• Solução de iodopovidona dérmica (Betadine) (unidades individuais).
• Soro fisiológico (1 frasco pequeno ou unidades individuais).

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• Termómetro digital (1).


• Paracetamol 500 mg (1 caixa).
• 4 pacotes de açúcar ou solução de glicose.
• Esfigmomanometro (aparelho para avaliação de tensão arterial) (1).
• Gase vaselinada (5 pacotes).
• Tesoura (1).
• Pinça pequena (1).
• “Spongostan” (esponjas de coagulação).
• Película aderente.

É importante rever frequentemente o kit, bem como todo o material existente no armário,
verificando os prazos de validade e material em falta.

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Bibliografia

AA VV. Apoio ao desenvolvimento infantil I: Manual do formando, Projecto Delfim –


subprojecto igualdade de oportunidades, Ed. EQUAL, 2001

AA VV., Creche: Manual de Processos-Chave, Programa de cooperação para o


desenvolvimento da qualidade e segurança das respostas sociais, Instituto da Segurança
Social, 2005

AA VV., Pensar formação – Formação de pessoal não-docente (animadores e auxiliares/


assistentes de acção educativa), Ministério de Educação: Departamento de Educação
Básica, 2003

AA VV., Saúde infantil e juvenil: programa-tipo de actuação, Ed. Direcção-Geral de Saúde,


2º Ed., 2005

Webgrafia

Portal da saúde
http://www.portaldasaude.pt

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