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Unidade IV

CONTABILIDADE

Prof. Alexandre Fernandes


Introdução

 As demonstrações financeiras comunicam fatos importantes


sobre as entidades, especialmente sobre as empresas (BLATT,
2001). Usuários dessas informações baseiam-se nesses fatos
para tomar importantes decisões que afetam o bem-estar da
empresa e a saúde geral da economia.
 Por esse motivo, é essencial que as demonstrações financeiras
sejam tanto confiáveis quanto úteis na tomada de decisão.
Introdução

Estado de mudança constante:


 As necessidades dos usuários de demonstrações financeiras
não são estáticas, mas dinâmicas.
 As pressões dos corpos regulamentadores alteram as
apresentações contábeis.
 As necessidades internas de gerenciamento são mutáveis.
Introdução

Exemplo: Lopes (2000) explica que:


 “A discrepância maior nas empresas da Nova Economia
ocorre por um motivo simples: os ativos mais importantes
delas não são fábricas ou máquinas, declaradas como
patrimônio no balanço.”
 São marcas, clientes ou tecnologias que desenvolvem.
Eles são ativos conhecidos como intangíveis.
Introdução

Outras dificuldades atuais:


a) internacionalização/globalização;
b) o conhecimento/o capital intelectual como valor;
c) a economia verde ou sustentável.
Introdução

 Mas... o que a contabilidade pode oferecer em matéria de


demonstrações financeiras?
Segundo Blatt (2001):
 Controle: informar a média e a alta administração, na medida
do possível, de que a empresa está agindo de acordo com as
políticas e os planos traçados.
 Planejamento: a contabilidade é o grande instrumento que
auxilia a administração a tomar decisões, incluindo atuação
fora dos limites da empresa.
Introdução

 Para quem?
Segundo Santos (2005), há dois tipos de usuários:
a) internos;
b) externos.
Introdução

Objetivos/expectativas dos usuários das demonstrações


financeiras:
 liberação de crédito;
 investimento de capital;
 fusão de empresas;
 incorporação de empresas;
 rentabilidade ou retorno;
 saneamento financeiro;
 perspectiva da empresa;
 fiscalização ou controle;
 relatórios administrativos.
Introdução

Fonte: arquivo pessoal


Ajustes nas demonstrações financeiras
para fins de análise

 Santos (2005) sugere que há a necessidade de adaptação das


demonstrações financeiras para fins de análise.
No balanço patrimonial:
 A conta duplicadas descontadas deverá ser reclassificada no
passivo circulante.
 A conta despesas antecipadas deverá ser reclassificada no
patrimônio líquido, reduzindo-o.
Na DRE:
 Pode-se iniciar a demonstração do resultado do exercício
pelas vendas líquidas ou pelas vendas brutas.
Demonstrações financeiras

Segundo Iudícibus (2010), a Lei das Sociedades por Ações


estabelece que, ao fim de cada exercício social (12 meses), a
diretoria fará elaborar, com base na escrituração contábil, as
demonstrações financeiras (ou demonstrações contábeis)
relacionadas a seguir:
 mensagem ou relatório aos acionistas;
 Balanço Patrimonial (BP);
 Demonstração do Resultado do Exercício (DRE);
 Demonstração dos lucros/prejuízos acumulados
(substituído pela DMPL).
Interatividade

A avaliação das demonstrações contábeis é um trabalho


preparado com ênfase em atender:
a) Jornalistas da área econômica.
b) Funcionários de governos nacionais.
c) Usuários internos, como gerentes de departamento e
subsidiárias.
d) Gerentes de banco e seguradoras.
e) Usuários externos diversos, embora seja relevante também
para usuários internos.
Demonstrações financeiras

 Demonstração das origens e aplicações de recursos (extinto);


 Demonstração do Fluxo de Caixa (DFC);
 Demonstração do Valor Agregado (DVA);
 notas explicativas;
 parecer da auditoria independente;
 parecer do Conselho Fiscal.
Demonstrações financeiras

 Publicação obrigatória em jornais de grande circulação.


 As empresas costumam também disponibilizar as
demonstrações contábeis em sites da internet e em impressos
com o nome de “Relatórios Anuais”.
 As demonstrações contábeis também podem ser
consideradas peças de marketing e promoção comercial.
Análise de balanços: análise vertical

Para Matarazzo (2003, p. 243), a análise vertical baseia-se em


valores percentuais das demonstrações financeiras:
 calcula-se o percentual de cada conta em relação a um
valor-base;
 calcula-se o percentual de cada conta em relação ao total do
ativo ou do passivo.
Análise de balanços: análise vertical

Fonte: arquivo pessoal


Análise de balanços: análise vertical

Fonte: arquivo pessoal


Análise de balanços: análise vertical

Cálculos: uma regra de três simples

Estoques X8 = 10.000 – 100... x = 1.500 – x


(1.500 x 100) ÷ 10.000 = 15,0

Estoques X9 = 11.700 – 100... x = 1.600 – x


(1.600 x 100) ÷ 11.700 = 13,67
Análise de balanços: análise vertical

 Análise vertical da Comercial Lambda S/A:

Fonte: livro-texto
Análise de balanços: análise vertical

Fonte: livro-texto
Análise de balanços: análise vertical

Fonte: livro-texto

 A empresa está priorizando o ativo não circulante!


Análise de balanços: análise vertical na DRE

 Calcula-se a percentagem do total das vendas (brutas ou


líquidas) em relação ao que foi aplicado em cada item.

Receita líquida X8 = 12.000 – 100... x = 10.400 – x


(10.400 x 100) ÷ 12.000 = 86,66

Receita líquida X9 = 13.500 – 100... x = 12.200 – x


(12.200 x 100) ÷ 13.500 = 90,37
Análise de balanços: análise vertical na DRE

Fonte: livro-texto
Análise de balanços: análise horizontal

 Consiste em fixar um período contábil em 100% e dividir os


itens do balanço patrimonial dos demais períodos por esse
período-base.
 Utiliza-se uma regra de três simples, em que se considera o
ano de X8 como data-base, igualando-se a 100, sendo o valor
do item (conta ou grupo de contas) multiplicado pela base 100
e dividido pelo valor do mesmo item em X9.
Análise de balanços: análise horizontal

Fonte: arquivo pessoal


Análise de balanços: análise horizontal

Fonte: arquivo pessoal


Interatividade

Oferecer um prazo de pagamento muito longo ao cliente pode


afetar a liquidez da empresa?
a) Não, essa decisão em nada afeta a liquidez.
b) Sim, se essa decisão for de ordem emocional, sem um devido
planejamento, poderá afetá-la.
c) Não, a liquidez depende da facilidade
de acesso ao crédito.
d) Sim, mas apenas se a taxa Selic for alta.
e) Sim, porque os impostos precisam ser pagos
antecipadamente.
Análise de balanços: análise horizontal
Análise de balanços: análise horizontal do balanço

Fonte: livro-texto
Análise de balanços: análise horizontal do balanço

Fonte: livro-texto
Análise de balanços: análise horizontal da DRE
Análise de balanços: análise horizontal da DRE

Fonte: livro-texto
Análise de balanços: análise por meio de índices

 De acordo com Santos (2005), a análise das demonstrações


contábeis por meio de índices ou, como alguns autores
denominam, “quocientes”, procura estabelecer uma relação,
por meio da divisão, entre os diversos grupos de contas ou
contas que compõem o balanço patrimonial e a DRE, de forma
a possibilitar a medida da situação econômica e financeira da
empresa.
Análise de balanços: análise por meio de índices

Fonte: arquivo pessoal


Análise de balanços: análise por meio de índices

Para afirmar se um índice é ruim, regular ou bom,


é necessário proceder:
 à comparação com o índice do setor de atividade da empresa;
 à verificação de uma série histórica (com vários
demonstrativos).
Os índices são divididos em quatro grupos:
 índices de endividamento ou da estrutura de capitais;
 índices de liquidez;
 índices de atividades;
 índices de rentabilidade.
Análise de balanços: análise por meio de índices

Comparabilidade:
 comparação com períodos passados;
 comparação com o padrão setorial;
 comparação com períodos orçados;
 comparação com padrões internacionais;
 comparações com empresas concorrentes.
Análise de balanços: análise por meio de índices

Segundo Matarazzo (2008):


 “A Análise de Balanços através de índices só adquire
consistência e objetividade quando os índices são
comparados com padrões, pois, do contrário, as conclusões
se sujeitam à opinião e, não raro, ao humor do
analista de balanços.”
Análise de balanços: análise por meio de índices

 A utilização de padrões e o emprego de comparações são uma


reação natural do analista.
Análise por meio de índices: índices de endividamento
ou de estrutura de capitais

 Objetivo: relacionar a posição de capital próprio quanto ao


capital de terceiros.
 Participação de capitais de terceiros.
 O índice de participação de capitais de terceiros indica o
percentual de capital de terceiros em relação ao patrimônio
líquido, retratando a dependência da empresa quanto aos
recursos externos (capital de terceiros) (SILVA, 2008, p. 269).
Fórmula:
 (capitais de terceiros ÷ patrimônio líquido) x 100
 Capital de terceiros = PC + ELP
 Interpretação: quanto menor, melhor.
Análise por meio de índices: composição das
exigibilidades

 Indica o quanto da dívida total da empresa deverá ser pago a


curto prazo, isto é, as obrigações a curto prazo comparadas
com as obrigações totais (SILVA, 2008, p. 272).
Fórmula:
 (passivo circulante ÷ capitais de terceiros) x 100
 Interpretação: quanto menor, melhor.
Análise por meio de índices: imobilização do
patrimônio líquido

 Indica quanto do patrimônio líquido da empresa está aplicado


no ativo permanente (SILVA, 2008, p. 266).
Fórmula:
 (investimentos + imobilizado + intangível ÷ patrimônio líquido)
x 100
 Interpretação: quanto menor, melhor.
Análise por meio de índices: imobilização de recursos
não correntes

 Revela o grau de imobilização dos capitais de longo prazo


(inclusive PL). Por meio dele, é possível identificar o
percentual de recursos próprios e de terceiros, de longo
prazo, que está financiando o ativo permanente (SANTOS,
2005, p. 181).
Fórmula:
 (investimentos + imobilizado + intangível ÷ patrimônio líquido
+ passivo não circulante) x 100
 Interpretação: quanto menor, melhor.
Interatividade

O seguinte índice é bom para análise e aceito por todos? (custos


ambientais operacionais)
Custos ambientais
Receitas operacionais
a) Não, ainda não é um índice aceitável.
b) Sim, é um índice aceitável.
c) Sim, mas apenas para empresas do setor siderúrgico.
d) Não, esse índice é aplicável apenas ao setor de papel e
celulose.
e) Seu uso é exigido pelo Ministério do Meio Ambiente.
Análise por meio de índices: dependência financeira

 Indica a dependência financeira da empresa em relação ao


capital de terceiros (SANTOS, 2005, p. 183).
Fórmula:
 (capital de terceiros ÷ ativo total) x 100
 Interpretação: quanto menor, melhor.
Análise por meio de índices: independência financeira

 Revela o quanto a empresa depende de seus próprios


recursos, comparativamente com o capital de terceiros
(SANTOS, 2005, p. 184).
Fórmula:
 (patrimônio líquido ÷ ativo total) x 100
 Interpretação: quanto maior, melhor.
Análise por meio de índices: índices de liquidez

 Fornecem um indicador da capacidade da empresa de pagar


suas dívidas, a partir da comparação entre os direitos
realizáveis e as exigibilidades (SILVA, 2008, p. 283).
Liquidez geral:
 Quanto a empresa possui em dinheiro, bens e direitos
realizáveis a curto e longo prazos para fazer face às
suas dívidas totais.
Fórmula:
 (ativo circulante + ativo realizável a longo prazo) ÷ (passivo
circulante + passivo não circulante)
 Interpretação: quanto maior, melhor.
Análise por meio de índices: índices de liquidez

Liquidez corrente
 Indica quanto a empresa possui em dinheiro mais bens e
direitos realizáveis no curto prazo, comparado com suas
dívidas a serem pagas no mesmo período (SILVA, 2008, p. 286).
Fórmula:
 ativo circulante ÷ passivo circulante
 Interpretação: quanto maior, melhor.
Análise por meio de índices: índices de liquidez

Liquidez seca
 Igual ao índice de liquidez corrente, porém exclui do ativo
circulante os estoques (SANTOS, 2005, p. 180).
Fórmula:
 (ativo circulante – estoques) ÷ passivo circulante
 Interpretação: quanto maior, melhor.
Análise por meio de índices: índices de liquidez

Liquidez imediata
 Mede o volume de valores disponíveis (caixas, bancos,
aplicações de curto prazo) mantido pela empresa para atender
as suas exigibilidades mais imediatas (SANTOS, 2005, p. 180).
Fórmula:
 (disponibilidades) ÷ passivo circulante
 Interpretação: quanto maior, melhor.
Análise por meio de índices: índices de atividade ou
índices de prazos médios

Demonstram a velocidade, em número de vezes, de renovação


do item patrimonial. Segundo Matarazzo (2003, p. 311):
 “Os índices de prazos médios não devem ser analisados
individualmente, mas sempre em conjunto. Também não é
recomendável misturar a análise dos índices de prazos médios
com a dos índices econômicos e financeiros.”
Análise por meio de índices: índices de atividade ou
índices de prazos médios

 A conjugação dos três índices de prazos médios leva à análise


dos ciclos operacional e de caixa, elementos fundamentais
para a determinação de estratégias empresariais, tanto
comerciais quanto financeiras, geralmente vitais para a
determinação do fracasso ou sucesso de uma empresa.
Análise por meio de índices: índices de atividade ou
índices de prazos médios

Prazo médio de recebimento de vendas


 O volume de investimentos em duplicatas a receber é
determinado pelo prazo médio de recebimento de vendas
(MATARAZZO, 2003, p. 312).
Fórmula:
 PMRV = (duplicatas a receber médias x 360 dias) ÷ vendas
líquidas
 Interpretação: quanto menor, melhor.
Nosso primeiro passo é o cálculo das duplicatas a receber
médias:
 DR médias = (duplicatas receber
período X1 + duplicatas receber
período X2) ÷ 2 =
Análise por meio de índices: índices de atividade ou
índices de prazos médios

Prazo médio de renovação de estoques


 Indica quantos dias, em média, os produtos ficam
armazenados na empresa antes de serem vendidos
(SILVA, 2008, p. 349).
Fórmula:
 (estoques médios x 360 dias) ÷ custo das vendas
 Interpretação: quanto menor, melhor.
Análise por meio de índices: índices de atividade ou
índices de prazos médios

Prazo médio de pagamento de compras


 Indica quantos dias, em média, a empresa demora para pagar
seus fornecedores (SILVA, 2008, p. 361).
Fórmula:
 (fornecedores médios x 360 dias) ÷ compras
 Interpretação: quanto maior, melhor.
Análise por meio de índices – ciclos de atividade: ciclo
operacional e ciclo financeiro

 Ciclo Operacional (CO): indica o período de tempo que vai do


ponto em que a empresa adquire matérias-primas até o ponto
em que recebe o dinheiro pela venda do produto acabado
resultante.
Fórmula:
CO = PMRE + PMRV
 Ciclo Financeiro (CF): exprime o período de tempo em que os
recursos da empresa se encontram comprometidos entre o
pagamento dos insumos e o recebimento pela venda do
produto acabado resultante.
Fórmula:
 CF = CO – PMPC
(GITMAN, 1997, p. 669)
Análise por meio de índices: índices de rentabilidade
(o retorno sobre o investimento)

 Indicam a margem de lucro (rentabilidade), de retorno do


capital investido e a velocidade das operações realizadas.
Considera-se que a análise de rentabilidade é o principal
relatório baseado nas demonstrações financeiras de que
podem fazer uso os dirigentes de uma empresa (MATARAZZO,
2003, p. 389).
Análise por meio de índices: índices de rentabilidade
(o retorno sobre o investimento)

Giro do ativo
 Estabelece relação entre as vendas do período e os
investimentos totais efetuados na empresa, que estão
representados pelo ativo total médio (SILVA, 2008, p. 235).
Fórmula:
 vendas líquidas ÷ ativo médio
 Interpretação: quanto maior, melhor.
Análise por meio de índices: índices de rentabilidade
(o retorno sobre o investimento)

Margem líquida
 Compara o lucro líquido em relação às vendas líquidas do
período, fornecendo o percentual de lucro que a empresa está
obtendo em relação ao seu faturamento (SILVA, 2008, p. 237).
Fórmula:
 (lucro líquido ÷ vendas líquidas) x 100
 Interpretação: quanto maior, melhor.
Análise por meio de índices: índices de rentabilidade
(o retorno sobre o investimento)

Rentabilidade do ativo
 Quanto a empresa obteve de lucro líquido em relação ao ativo
(MATARAZZO, 2003, p. 179).
Fórmula:
 (lucro líquido ÷ ativo médio) x 100
 Interpretação: quanto maior, melhor.
Análise por meio de índices: índices de rentabilidade
(o retorno sobre o investimento)

Rentabilidade do patrimônio líquido


 Expressa os resultados globais auferidos pela gerência na
gestão de recursos próprios e de terceiros, em benefício dos
acionistas (IUDÍCIBUS, 2010).
Fórmula:
 (lucro líquido ÷ patrimônio líquido médio) x 100
 Interpretação: quanto maior, melhor.
Interatividade

Em 2008 e 2009, a Souza Cruz foi premiada a melhor empresa do


setor de fumo, cigarros e bebidas alcoólicas do anuário “Melhores
do Agronegócio” (revista Globo Rural e Serasa), levando em
consideração índices de desempenho, como rentabilidade,
lucratividade e endividamento. Há possibilidade de comparabilidade
entre os setores de fumo e o setor de bebidas?
a) Não, esse critério não é correto.
b) Jamais! Os setores são completamente diferentes.
c) Não. Os analistas costumam observar empresas
de uma mesma região.
d) Sim, devido ao critério do analista, o qual julgou que há essa
comparabilidade.
e) Sim, porque há comprovação científica que a maioria
dos fumantes também consome bebidas alcoólicas.
ATÉ A PRÓXIMA!