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O fenômeno do desemprego segundo a ótica de Marx

Wallacy Luiz Vargas da Cruz∗

Resumo
O objetivo deste trabalho não foi avaliar a atualidade ou veracidade dos princípios de Marx
sobre o tema. Mas, sim, de tratar do conceito de desemprego em Marx de uma forma mais
consistente e fiel ao seu pensamento, sem simplificá-lo ou distorcê-lo. O desemprego não
somente é inerente ao processo de acumulação capitalista, como também possui formas
peculiares e também terá funções próprias que são: reserva de mão de obra e regulador de
salários. Como característica própria do sistema, ele se verifica fortemente em nossa
economia, e está presente em todas as economias mundiais. Diante de toda a análise de Marx
sobre o processo de trabalho e a lei de acumulação capitalista, vimos que o desemprego é fato,
no modo de produção capitalista. É uma consequência inexorável das alterações orgânicas do
capital. Sem as transformações do mesmo, é impossível o aumento da produtividade e,
consequentemente, da redução do capital variável em relação ao capital constante.

Palavras Chave: Desemprego; Trabalho; Estrutura do Capital; Acumulação Capitalista;
Análise Marxista.

Abstract
The objective of this work was not to evaluate the timeliness or accuracy of Marx’s principles
on the subject. But to deal with the concept of unemployment of Marx in a more consistent
and faithful to his thinking, without simplifying or distorting it. Unemployment is not only
inherent to the capitalist accumulation process, but also have peculiar shapes and specific
functions that are: skilled labor reserve and salary regulator. As a characteristic of the system,
it verifies heavily on our economy, and the same is present in all world economies. Due to all
Marx's analysis about the labor process and the capitalist accumulation law. We saw that
unemployment is a fact, in the capitalist mode of production. It is an inexorable consequence
of organic capital changes. Without its transformations, is impossible to increase productivity
and consequently the reduction of variable capital relative to constant capital.

Keywords: Unemployment; Labour; Capital Structure; Capitalist Accumulation; Marxist
Analysis.


Professor Adjunto da Faculdade de Administração de Itabirito. Email: wallacyvargas@yahoo.com.br
1

Isso porque é principalmente por meio de inovações tecnológicas que poupam o trabalho em que o exército de reserva é recrutado. que seu reemprego depende principalmente da acumulação adicional. elementos para formular a concepção marxiana sobre o fenômeno do desemprego. a solução para este problema pode ser encontrada no aumento do investimento.121). exclusivamente. poderemos extrair de sua obra. ou qualquer outra de suas variantes. Através do estudo desses conceitos. basearemos nossa pesquisa. no setor produtivo da economia. devido à sua capacidade de financiamento e mecanismos para estimular o setor privado. sob a ótica de Marx. mais aluguéis. iremos trabalhar detalhadamente o conceito marxiano relativo ao processo de trabalho (seção 1). em sua época. algum investimento pode ser feito diretamente pelo Estado. 2 . são geradas rendas: mais salários. Para isso. O aumento da atividade produtiva gera demanda por outros fatores de produção.1 INTRODUÇÃO O desemprego é um fato regular. e é somente devido à existência dessa reversa que a mais-valia e classe por esta sustentada podem sobreviver (SWEEZY. Tem ocorrido até mesmo nas maiores potências capitalistas do mundo e tem se repetido ao longo da história. obrigando ã abertura de novos empregos. ou seja. Keynes (1936) formulou sua teoria econômica e uma das suas aplicações foi o estudo das causas do desemprego. cujas idéias baseiam-se no pensamento de Marx (Lênin. para analisarmos. o trabalho basear-se-á somente na teoria de Marx. Marx não escreveu muito sobre fatores que determinam o crescimento populacional. segundo Marx. Ricardo (1982) afirmava que a maquinaria. pois nela se encontram os principais conceitos marxianos relativos ao tema. No capitulo intitulado “Da Maquinaria”. como a brasileira. Apesar das várias teorias de outros autores. Segundo Keynes (1936). O método pelo qual iremos tratar da questão do desemprego será o estudo e interpretação da obra de Marx. o desemprego é um fato observável em economias em desenvolvimento. Stalin. p. Neste sentido. mais lucros. os quais irão influenciar de novo a produção. os conceitos marxianos. Ricardo (1982). por não ver qualquer utilidade na teoria malthusiana. posteriormente. mais juros. objetiva e fiel ao seu pensamento. o importante é buscar as explicações e causas do desemprego. O principal instrumento para a elaboração deste trabalho será O capital. livro I. que constou pela primeira vez na terceira edição dos Principles. economiza trabalho. capazes de gerarem produtos internos positivos. Kalecki. Esse aumento de rendas traz aumento do consumo e da poupança. Com isso. de maneira concisa. para a análise do desemprego. Nesta obra de Marx. Este trabalho pretende analisar o fenômeno do desemprego segundo a ótica de Marx. Em economias mais prósperas. também observou esse fato e relatou suas conclusões na sua teoria do valor e lucro. Sweezy). Para nós. Segundo Sweezy (1942). 1942. O trabalho será esquematizado de forma que possamos tratar do fato do desemprego. “liberta” os trabalhadores sem libertar o capital variável para outra utilização e daí. segundo. o processo de reprodução e acumulação capitalista (seção 2). na teoria de Marx elas se tornam as condições necessárias para a existência da produção capitalista. Ao passo que na teoria clássica as modificações dos métodos produtivos são tratadas como invenções essencialmente fortuitas.

é preciso que o homem converta coisas exteriores em órgãos que. pertence ao capitalista e não. 1º . e ao mudar de lugar. no mercado. eterna necessidade natural de interação do gasto de forças do homem com a natureza. o produto. Assim. antes do gasto de força. possuem o poder de transformar a matéria conforme suas necessidades. o que mostra o desenvolvimento do trabalhador. O capitalista torna-se consumidor de sua mercadoria.O meio de trabalho é uma coisa ou um conjunto de coisas que o homem põe entre si e o objeto de seu trabalho para ajudar a sua ação. Ele escolhe os meios de produção e força de trabalho próprios para a realização de seu negócio. ele faz com que o portador da força de trabalho. ao trabalhador. 3 . Vê-se que o caráter do produto. ou seja. Para alcançar o objeto. 2º . ou o próprio trabalho. A terra é o armazém primitivo dos seus meios de trabalho. são objetos de trabalho preexistentes por natureza. É o meio pelo qual o homem dá forma e consistência à coisa útil que ele criou idealmente. depende. são objetos de trabalho. o peixe que é pescado e retirado de seu elemento vital. o trabalhador.2 PROCESSO DE TRABALHO E ESTRUTURA DO CAPITAL 2.Marx afirma que todas as coisas em que o trabalho rompe o elo direto com a terra. a madeira cortada na selva virgem. 3º. É importante lembrar que a natureza do processo de trabalho não se altera devido ao fato de o trabalhador executá-lo para o capitalista. Logo. por graça da Natureza. Os valores de uso são a ligação de dois elementos: a matéria existente na natureza e o trabalho propriamente dito. quando se trata de um valor de uso ou objeto útil. como trabalho útil. Ou seja. O resultado desta atividade existe. O capitalista compra. o instrumental de sua ação. se fabrica. Porém. possui características peculiares: • O trabalhador exerce sua função sob o olhar cuidadoso do capitalista. como os meios de trabalho os quais. independente de todas as formas sociais. a quem pertence sua força de trabalho. consuma os meios de produção através de seu trabalho.A atividade pessoal do homem é um gasto de forças de que está dotado o seu corpo. não é tanto o que se fabrica. o processo de trabalho enquanto processo de consumo da força de trabalho pelo capitalista. não sendo outra coisa senão o propósito para cuja realização ele aplica a sabedoria à sua vontade. de maneira que as matérias-primas não sejam desperdiçadas e que os meios de produção sejam empregados devidamente para os seus fins. Os elementos simples do processo de trabalho são: 1º a atividade orientada para um fim.1 Processo de trabalho O trabalho é uma condição de existência do homem. o mineral extraído de seu veio. como a maneira de se fabricar. do lugar que ocupa no ato do trabalho. 3º o objeto em que se exerce o trabalho. como criador de valores de uso. ao agregar aos seus. todos os elementos necessários para o processo de trabalho: meios de produção e força de trabalho. a água. na imaginação humana. 2º o meio pelo qual se exerce. muda de caráter. com seu auxilio. a força de trabalho. ou seja. • O objeto do processo de trabalho. O que distingue uma época econômica de outra. de matéria-prima ou de meio de trabalho.

Esta parte do capital. sem embargo. produz muito ao capitalista. e o valor persiste sob as trocas de forma. ou seja. este valor. na força de trabalho propriamente dita.2. cria a cada instante um novo valor. pois. Reproduz primeiro o seu próprio valor e. em matérias-primas. Temos assim. isto é. um valor de R$ 4. foi produzido em realidade. Suponhamos que a produção cessara quando o trabalhador criou.00. um sobrevalor maior ou menor. Por isso. que permanecem inativos. capital variável. na qual no próximo capítulo. 4 . detalharemos e analisaremos uma das suas consequências: o desemprego. Ao contrário. que supusemos que bastariam para isso. a propriedade de conservar o valor. numa produção. de magnitude alterável. é denominado parte constante do capital ou simplesmente capital constante ( C ). ou seja. Enquanto o trabalho conserva e transmite ao produto o valor dos meios de produção. materiais auxiliares ou instrumentos de trabalho.1 Valor simplesmente conservado e valor reproduzido e aumentado A força de trabalho em atividade. etc. Esse valor substitui o dinheiro que o capitalista antecipa para a compra da força de trabalho e que o operário converte. se um valor substitui outro é resultado de uma nova criação. porque os objetos. Assim. Desaparece perfeitamente no momento das crises.2. O produzido é um novo objeto de utilidade em que continua aparecendo o antigo valor. quando adicionou ao produto. o equivalente do valor diário da sua própria força. não desaparecem senão para revestir nova forma útil. a operação dura doze horas ou mais. Esse sobrevalor forma o excedente do valor do produto sobre o de seus elementos constitutivos: os meios de produção e a força de trabalho. produz um excedente. tem. a parte do capital que se transforma em meios de produção. o trabalho vivo. instrumentos. Sabemos já. pacientemente. denomina-se parte variável do capital ou simplesmente capital variável ( Cv ). Vemos como Marx descreve. Dizíamos que o valor dos meios de produção se conserva e não se reproduz. deste modo. muda o valor numa nova produção e pelo próprio fato dessa produção. em subsistência. nos quais existe em principio. no objeto e meios do processo de trabalho. Em lugar de seis horas. Porém. ao contrário do que assentamos a respeito do valor dos meios de produção. em que tem que suportar as despesas de deterioração dos meios de produção de que se compõe o seu capital: matérias-primas. os elementos constitutivos do capital constante. Se essa propriedade não custa nada ao trabalhador. adicionando valor.2 Estrutura do capital – capital constante e capital variável 2. além disso. E na atividade do homem. que a duração do trabalho transpassa o limite em que o equivalente do valor da força de trabalho se acharia reproduzido e ligado ao objeto trabalhado. A força de trabalho em movimento. no ato da produção. das interrupções de trabalho. todo o processo de trabalho e desmembra todos os seus elementos e peculiaridades próprias para formar a base de sua análise da acumulação capitalista. mas produz também valor de mais. pois. que lhe deve a conservação do valor atual do seu capital. por meio de um trabalho de seis horas. não reproduz só o seu próprio valor. a parte do capital transformada em força de trabalho.. a magnitude do seu valor. não muda. em seguida. os elementos que formam esta parte variável do capital.

sob o segundo. no modo capitalista de produção: os meios de produção ( Mp = C ) . segunda manifestação do movimento. A este movimento chamamos de Capital-dinheiro. é necessário que haja reprodução da riqueza. juros. Vamos encarar a acumulação. e suponhamos que assim tenha sido. necessita de substituir os meios de trabalho. serve de meio de reproduzir ou perpetuar capital. as matérias auxiliares. os meios de produção consumidos. extrai primeiro. transformar de novo este dinheiro em capital e assim sucessivamente. Se a produção afeta a forma capitalista. Para manter a sua riqueza à mesma altura. processo de reprodução. a trabalhadora). numa palavra. termina. durante um ano. Este movimento denomina-se de Capital produtivo. E por fim. que apropria diretamente ao trabalhador. podemos. isto é. de outro. de igual forma afetará a reprodução. o processo de produção é. O movimento intermediário da circulação e a divisão da mais valia em varias partes. porém não como lucro industrial. A acumulação ocorre de fato. Assim.3 ACUMULAÇÃO E DESEMPREGO 3. cujo valor é maior que o dos elementos que contribuíram para formá-las. Qualquer que seja a parte da mais valia que o capitalista empresário retenha para si. Enfim. sendo necessário vendê-las. Esta participação não muda a natureza da mais valia nem as condições pelas quais se converte em origem da acumulação. 5 . a classe capitalista. em iguais circunstâncias. revestem formas diversas. 1987. O capitalista que produz a mais valia. ou. o ato de trabalho serve então de auxiliar para criar mais valia. Assim. que é a primeira manifestação do movimento do valor destinado a funcionar como capital. como um fato peculiar do processo de produção. quando o capitalista consegue vender a mercadoria fabricada e transforma o dinheiro recebido em capital. de um ponto de vista abstrato. também a terá a reprodução” (Marx. ele é sempre o primeiro o qual dela se apropria por completo e único a transformá-la em capital. para se manter. pois. através do trabalho não pago. isto é. que complicam e obscurecem o ato fundamental da acumulação. A primeira condição da acumulação é a de que o capitalista consiga vender suas mercadorias e volte a transformar em capital a maior parte do dinheiro assim obtido.1 O processo de produção e reprodução do capital A transformação de um determinado montante de dinheiro em meios de produção e em força de trabalho. enquanto os meios de produção se transformam em mercadorias. O ato de produção. a força de trabalho ( Ft = Cv ) e o caráter capitalista da relação social (de um lado. p. com efeito. renda agrícola. realizar o seu valor em dinheiro para depois. ao mesmo tempo. e a fim de simplificar a sua analise. É necessário que o capital tenha circulado com regularidade. as matérias-primas. como valor produz valor. por idêntica quantidade anual de artigos da mesma espécie. ”Se a produção tem a forma capitalista. 660). isto é. dado que a sociedade. A essa fase da circulação do capital chamamos de Capital-mercadoria. etc. não pode deixar de consumir. devem-se reproduzir as condições de produção que são. pois. é necessário estudar a acumulação sob o ponto de vista da produção. a priori. dentro do domínio da circulação. logo de produzir. considerar o capital como representante de todos os que repartem o bolo. tem lugar no mercado. Debaixo do primeiro ponto de vista. por exemplo. de outra forma. quando as mercadorias são postas em circulação. contém uma valia a mais do capital adiantado. E todo este ciclo de metamorfoses do capital é o que constitui a Circulação do Capital. lucro comercial.

3. além do tempo de trabalho necessário para a subsistência do vendedor da força de trabalho. via termos absolutos. meios cujo valor. é evidente que a relação da mais valia com o capital variável. o capital variável. não se alterando as demais circunstâncias. mas de 12” (MARX. por outro lado. na oficina. a acumulação reduz-se ã reprodução do capital em escala progressiva. devido ao prolongamento da jornada de trabalho. é igual antes e depois do ato da produção. então temos a reprodução ampliada. p. então. O capital constante subministra à força de trabalho os meios de se materializar. “O trabalhador encontra. os meios de produção necessários não para um processo de trabalho de 6 horas. equivale ao preço da compra da força de trabalho. Resultando a mais valia do aumento que experimenta o capital variável. C = Capital Constante.A reprodução ampliada é a tendência histórica do capitalismo. antes da produção. e depois é igual a este valor. Supondo uma taxa de mais valia (m’)= 100% e. 3.2 Reprodução ampliada Seja o seguinte exemplo numérico: Co= capital inicial.1.2 A transformação do capital em mais valia Na primeira seção. e v = capital variável.1. que.1 Reprodução simples Seja o seguinte exemplo numérico: Sendo C 0 = Capital Inicial. o montante de C permanece o mesmo (40c+60v)→ Reprodução Simples. v = capital variável e m = mais valia. o capital continuará funcionando sem aumentar. Ou seja. A acumulação do capital é o processo de reprodução ampliada. não temos alteração de escala. ou seja. gastando-o no mesmo período em que o ganha. m = mais valia. é a transformação da mais valia em capital. 160). Co = 40c + 60v → 60m Ci = 40c + 60v + 20c + 40v Ci = 60c + 100v Uma vez que m se converteu em ∆c e ∆v. “Se o capitalista só utiliza esse rendimento para consumo. 1984. 1987. reprodução simples” (MARX. Supondo uma taxa de mais valia (m' ) = 100% . o dinheiro transforma-se em capital. c= 1/3 e v= 2/3. determina a proporção em que 6 . ou seja. e segundo a análise de Marx. percorremos detalhadamente todo o conceito relativo ao processo de trabalho. ocorrerá então. sendo a composição orgânica do capital (q) igual a q=c/v. ou seja. reaparecendo somente. Quando a mais valia é consumida parcialmente ou totalmente para comprar meios de produção e força de trabalho adicionais. p. reproduzindo com um aumento maior ou menor. por isso. em capital constante adicional e capital variável adicional. temos: Co= 40c + 60v → 60m C1= 40c + 60v + 60m Supondo que 60m sejam consumidos pela classe capitalista. a reprodução é ampliada. c = capital constante.3. ampliando a escala. 660) No processo de reprodução simples. De forma concreta. a mais valia gerada é consumida pela classe capitalista.

se converterá em tempo de trabalho para o capitalista. por exemplo. a parte das doze horas consagradas a mais valia. uma jornada de doze horas. como uma duração fixa. segundo a magnitude dessa prolongação.2. A produção dos meios necessários para a manutenção da vida do trabalhador exige 6 horas diárias. Analisaremos agora os meios e as formas em que a mais valia é gerada. é em condições de produção invariáveis. e esse tempo de trabalho destinado para a produção de meios de subsistência. e por consequência. Seu valor. A mais valia e o trabalho necessário. só mudará a sua divisão em trabalho necessário e mais valia. Assim temos: tn = trabalho necessário. Atn=Ttn__________Bte=Tte_______C No intervalo de B a C. a acumulação. para a sobrevivência do trabalhador. p. como de qualquer outra mercadoria. variam o tipo de mais valia e duração total da jornada. não excedem doze horas. o que na realidade. além do tempo de trabalho necessário. Assim. considerados em conjunto. 3. na realidade para si próprio. durante a qual o operário substitui o valor que o capitalista lhe paga. Desse modo. Ttn = tempo de trabalho necessário. Tte = tempo de trabalho excedente. em igual proporção. te = trabalho excedente. invariável. desse tempo necessário. 3.2. gerada a partir do tempo de trabalho excedente ao tempo de trabalho necessário.1 Mais valia absoluta “Partimos do pressuposto de que a força de trabalho seja comprada e vendida pelo seu valor. o tempo de trabalho necessário era fixo e a jornada inteira de trabalho. 7 . 187). que é igual ao tempo de trabalho excedente. O limite da jornada não variará. o trabalho podia prolongar-se mais ou menos horas e.2 Mais valia relativa Consideramos até aqui a parte da jornada de trabalho. Passando dessa duração fixa. Suponhamos agora uma jornada inteira de trabalho A______B_____C de limite determinado. O prolongamento da jornada de trabalho. uma parte do tempo que empregava o operário.tem lugar esse aumento. temos a mais valia absoluta. Então. durante o processo de produção capitalista. como aumentar a mais valia? Só há um meio: encurtar o tempo de trabalho necessário e aumentar. denomina-se tempo de trabalho necessário que é igual ao trabalho necessário. Seja a linha A_______B a representação do tempo de trabalho necessário (6 horas). é determinado pelo tempo de trabalho necessário para a sua produção” (MARX. torna-se trabalho excedente. Nessas condições. 1984.

O fato é que esse capitalista. essa mais valia irá desaparecer. Mas. temos: A ______ B ’___ B0 _______ C Tempo de trabalho necessário inicial → AB0 . Tempo de trabalho excedente inicial → B0 C . aperfeiçoando-o. Com relação ao valor. como uma lei coerciva da concorrência. para a produção de uma mercadoria. através de uma mudança nos seus processos que abrevie o tempo atualmente necessário por termo médio. Tempo de trabalho excedente final → B 'C . 3. Isso se dá apenas. durante o processo de trabalho. pois. Mais valia relativa → B ' B0 . Ele. adquirindo então uma mais valia extra. da produtividade do trabalho. Num primeiro momento. acha-se determinada pela forma com que o capital se divide: meios de produção e objeto do trabalho em capital constante e força de trabalho em parte variável ou 8 .1 Composição do capital Vamos agora. ou seja. o aumento da produtividade gera uma diminuição do valor dos produtos gerados neste segmento da economia. esse capitalista o faz individualmente. Se há um aumento na produtividade. O tempo de trabalho necessário é igual ao valor dos meios de consumo. Sendo assim. os demais capitalistas tendem a se convergirem para o novo modo de produção. tendo em vista a diminuição do valor dos meios de produção. Logo. que se apropria da mais valia extra. o ciclo que viabiliza a formação da mais valia relativa. A composição do capital pode ser considerada debaixo de um duplo ponto de vista. abaixo de seu valor social. O capitalista que transforma seu modo de produção. assim que o novo processo de produção se generalize. em relação aos demais capitalistas. 4 O PROCESSO DE ACUMULAÇÃO CAPITALISTA 4. tornando-o mais produtivo. afeta o setor produtor de meios de consumo. de forma tal que uma quantidade menor de trabalho adquira a faculdade de produzir mais objetos úteis. ou seja. Como é possível a mais valia relativa? Como se reduz o tempo de trabalho necessário? A mais valia relativa só é possível via um aumento da força produtiva. Tempo de trabalho necessário final → AB ’. por sua vez. Dado que o valor dos meios de consumo é igual ao tempo de trabalho necessário. Quanto ao setor produtivo dos meios de produção. logo ocorrerá uma queda no valor das mercadorias. A elevação da produtividade ocasiona um declínio no valor dos meios de consumo.2. tratar da influência que o acréscimo do capital exerce na sorte da classe operária. extrai mais valia relativa sobre a redução do tempo de trabalho necessário.3 A mais valia extra O processo da mais valia extra se dá como consequência da formação da mais valia relativa. consegue vender suas mercadorias. O elemento mais importante para a solução deste problema é a composição do capital e as mudanças que ele experimenta com o progresso da acumulação. temos assim. uma menor quantidade de valor será transferida às mercadorias.

4. ou seja.2 Composição técnica Podemos expressar a composição técnica do capital da seguinte forma: Composição técnica = massa dos meios de produção/massa da ft (força de trabalho). Na primeira seção desta pesquisa. o desenvolvimento das potências produtivas. ocorrendo. aumento nos postos de trabalho e consequente alta nos salários. Com a composição técnica. 4.4 Composição orgânica do capital A composição orgânica do capital reflete as interações entre a composição técnica.1. 1987. Segundo Marx (1984) o capital assume formas. 9 . imputa uma característica. uma qualidade ao conteúdo. então. para fazê-los funcionar. não há somente aumento quantitativo dos diversos elementos do capital. ou seja. O processo de acumulação dar-se-á mediante as alterações orgânicas do capital. A forma determina. Manifesta-se ainda por trocas qualificativas na composição técnica do capital: a massa dos meios de produção. Podemos representar a composição em valor da seguinte forma: capitalcons tan te C → Composição em valor = = capital var iavel V 4. Isso vai gerar um acréscimo proporcional sobre o capital constante e variável. a soma global dos salários” (MARX.capital variável.1. Se não modificarmos a composição do capital (composição orgânica). de modo que forma-e-conteúdo constitui o ser de algo. 712). Temos a formação de um “organismo”. o montante da mais valia gerado por esse capital retornará ao montante inicial. o valor dos meios de produção e variável. p. e assim sendo temos: MP = meios de produção. durante o processo de trabalho. o valor da força de trabalho. se determinada massa de meios de produção (capital constante) exigir sempre a mesma quantidade de força de trabalho (capital variável) para se reproduzir. No processo da acumulação. e a composição em valor.3 Composição em valor “Do ponto de vista do valor. MP → capital constante. FT = força de trabalho. analisamos esta forma que o capital assume. conforme já fora citado no item 1 deste artigo. aumentam cada vez mais. a cada ano. FT → capital variável. em comparação com a quantidade de força obreira necessária. através das mudanças ocorridas na quantidade de meios de produção e de força de trabalho.1. é determinada pela proporção em que o capital se divide em constante. uma interação entre as partes elementares do capital. temos as partes materiais do capital. que reflete em que proporção o capital se divide em constante e variável. maquinismo e materiais. que este progresso traz.

produzindo mercadorias as quais contêm mais trabalho do que paga por elas. Essa alteração se torna possível.2. Assim. não esqueçamos que a lei absoluta do sistema de produção capitalista é fabricar mais valia. a reprodução ampliada será formada através da alteração da composição orgânica do capital. através da reprodução ampliada. o aumento da mais valia. 5. por si só. a escala produtiva. tratamos dos principais conceitos e estrutura do processo de reprodução do capital.). que é a formação da mais valia relativa (item 3. pois. demandando um menor montante de capital variável. Com efeito. a acumulação do capital é a aplicação de mais valia como capital ou a conversão de mais valia em capital. Essa forma de mais valia somente será possível via um aumento na produtividade. força de trabalho. O que se propõe o comprador da força obreira é se enriquecer. e com sua venda realiza.1 A formação de uma superpopulação relativa Seja o seguinte exemplo numérico: Supondo uma taxa de mais valia (m’) de 100%. e sua consequente acumulação. Considerando concretamente. qualidade) que o capital assume. Podemos representar essa relação da seguinte forma: P ↑ (⇒ q ↑ ) = M ↑ M = ∆C + ∆V Sendo assim. alterando assim. O aumento da mais valia proporciona uma elevação do nível da acumulação. 10 . na qual o mesmo retira os meios necessários para a sua subsistência e a forma (característica. portanto. desde o processo de trabalho. ou seja. o obstáculo que pode chegar a criar. essa diminuição não chegará nunca a ser tal que ponha em perigo o sistema capitalista. ou seja. Fizemos uma exposição fiel ao pensamento de Marx.2. Mas. Como analisamos no item 3. e consequente aumento da parte constante do capital (capital constante). A acumulação do capital é igual à reprodução ampliada pois. ainda dado o caso de que não varie a composição do capital. o ponto de partida para a acumulação do capital consiste nas alterações de sua composição orgânica. uma vez que a mesma será consumida para a aquisição de capital constante e capital variável adicionais. durante o ciclo da reprodução capitalista. COMPOSIÇÃO DO CAPITAL E PRODUTIVIDADE Até agora. graças à diminuição do tempo de trabalho necessário. 5 ACUMULAÇÃO. ocorre uma redução relativa da parte variável do capital (capital variável). senão uma diminuição relativa do trabalho gratuito que o operário deve proporcionar sempre. ou seja. a acumulação se reduz à reprodução do capital em escala progressiva. O aumento da produtividade promove uma elevação da composição do capital. sejam quais forem as condições da venda da força de trabalho gratuito. o mecanismo da produção capitalista vence. Porém. da interação do homem com a Natureza. e em consequência. O aumento do salário não indica.1. fazendo valer o seu capital. propriamente dito. uma porção de valor a qual nada lhe custou.2. temos capital constante e capital variável adicionais agregados ao montante do capital inicial. proporcionando o processo de acumulação capitalista. porque um montante maior de meios de produção será transformado em mercadorias.

com o aumento da produtividade. faz diminuir o valor da maior parte dos produtos. teremos a seguinte composição do capital: c 0 . em relação ao capital inicial. torna-se superabundante. deixando de ser necessária para por em atividade o capital. em relação à parte constante. aquele dos que funcionam com meios de produção. finalmente. e que o capital total crescerá três vezes. disciplinado. Essa massa humana está sempre disponível para atender 11 . é então supérflua. que lhe permite prescindir de uma parte mais ou menos considerável dos seus operários. dado que. a qual arrasta após si um excesso de população que vai. o progresso da riqueza sobre a base capitalista. os quais. O aumento de valor dos meios de produção indica apenas. a oferta de trabalho. Achando-se regida a procura de trabalho. ao capital constante. c 0 . a razão disso é que esse mesmo progresso das potências do trabalho. em força de trabalho. Enfim. numa condição de existência da produção capitalista. numa época mais adiantada. Assim. Como semelhante fato se repete com o progresso da acumulação. no entanto. Mas. não de um aumento real da população operária. terá que ocorrer um aumento considerável do capital inicial. como acabamos de ver. por sua vez. não temos alterações na escala produtiva. ou seja. O seu valor não se eleva tanto.8 C = 14400c + 3600v = 18000 dado que q =  → . cria necessariamente. uma parte mais ou menos considerável da classe assalariada. à criação de um excesso de população relativa. ligeiramente.O progresso da acumulação e o movimento que a acompanha. no seu estado de completo desenvolvimento. sendo constantes a massa de meios de produção em relação à força de trabalho. Porém. v 0 . de diminuição proporcional do capital variável e de diminuição correspondente na procura relativa de trabalho. e principalmente. Eles tendem. a mesma oferta de trabalho. em auxiliar mais poderoso da acumulação. mas também pelo termo médio do seu aumento contínuo. supranumerária.5 q = composição orgânica do capital. Esta “sobra” de população.quando o capital variável chega a um termo médio de aumento inferior. v 0 . Marx denominou de exercito industrial de reserva. Como podemos observar. para ter um crescimento proporcional da parte variável do capital. não houve um processo de acumulação (reprodução ampliada). ela se converte. como se ele a tivesse educado. Tivemos um crescimento do montante do capital constante. não somente pela quantidade de capital variável posto já em atividade. que se manifesta pelo aumento da maquinaria e dos materiais postos em atividade com auxílio de uma menor quantidade de trabalho. mas sim.2 Notamos que houve ganho de escala. continua sendo normal ao seguir este movimento. da situação do capital social. por completo. ao diminuir o capital variável relativamente. que até então era normal. Mas.5 C = 3000c + 3000v = 6000 dado que q =  → . Se a acumulação. continuamente em aumento. dão em resultado o aumento efetivo do capital variável e da procura do trabalho numa proporção decrescente. um excesso de população operária. É chamada “relativa” porque provém. se empregará 80% do valor-capital em meios produtivos e outros 20%. porque essa população está a “serviço” do capitalista. o aumento muito mais rápido e mais considerável da sua massa. tivemos a produção de capital constante e capital variável adicionais. como a sua massa.

tem a sua lei de população adequada. irá produzir uma reserva de mão-de-obra. Neste trecho. 739). que está condicionada à diminuição do tempo de trabalho necessário. Marx afirma claramente uma das funções que a superpopulação relativa exerce sobre o nível geral dos salários. em seus ciclos de desenvolvimento. Daí chegamos à conclusão de que o desemprego está inerente ao processo de acumulação capitalista que assume formas e exerce funções próprias. através do aumento da produtividade. Tal é a lei de população a qual distingue a época capitalista e correspondente ao seu sistema social. Temos assim uma funcionalidade específica da superpopulação relativa (desempregados). os mandatos do capital. engrossa as filas dos desocupados. como também possui formas peculiares e tem funções próprias que são: 1ª .Regulador de salários “Em seu conjunto. correspondentes às mudanças periódicas do ciclo industrial” (MARX. O processo de acumulação capitalista surge quando a mais valia é aplicada como capital constante e capital variável adicionais. para atender as necessidades do capital. lei que só a ele se aplica. os movimentos gerais dos salários se regulam exclusivamente pela extensão e contração do exército industrial de reserva. por consequência. os instrumentos da sua anulação ou da sua transformação em excesso de população relativa. Trataremos desses assuntos mais adiante. exerce sobre eles uma pressão que os obriga a suportar mais docilmente. Ele exerce funções: controlador de salários e reserva de mão-de-obra e formas específicas: flutuante. latente e estagnada. é preciso que haja alterações da composição orgânica do capital. contra os primeiros. 5. inexoravelmente. Este intervalo do processo de trabalho será diminuído. o desemprego não somente é inerente ao processo de acumulação capitalista. 2ª . Na economia. Somente através da diminuição relativa da parte variável do capital. que procuram naturalmente colocação. O excesso de trabalho imposto à parte da classe assalariada que se acha em serviço ativo. Assim.3 Desemprego Vimos que o desemprego é um fato inerente ao processo de acumulação capitalista.Reserva de mão de obra O excesso de mão-de-obra gerado a partir das transformações orgânicas do capital. em relação a sua parte constante. p. podemos perceber que o aumento da produtividade gera uma queda no valor das mercadorias. a acumulação do capital se reduz à reprodução do capital. da reserva. independentemente do aumento natural da população. 12 .2 As funções do desemprego para o sistema de acumulação capitalista Como vimos anteriormente. mais que um valor histórico. a classe assalariada produz pois. como regulador dos salários.Ao produzir a acumulação do capital. Vimos que as alterações orgânicas do capital são essenciais para o processo de acumulação e que a redução relativa do capital variável. que passa com ele e não tem. o modo de produção capitalista é capaz de gerar a mais-valia relativa. é condição sine qua non para o aumento de escala no sistema produtivo capitalista. 1984. 5.as necessidades do capital. É um poderoso instrumental de uso capitalista. em escala progressiva. e à medida que o consegue. Para que esse incremento na escala produtiva seja dado. aos ocupados. e a competição desses últimos.

e somente através desta reserva de mão-de-obra. A pior consequência desse processo. Assim. ele interage com a natureza. a necessidade de consumo individual e produtivo. Marx dedica longas páginas. Logo. 749). 6 CONCLUSÃO Inicialmente. atendendo. além do tempo de trabalho necessário. o objeto de trabalho e os meios de produção de capital constante. o setor produtor de meios de consumo. a partir do prolongamento da jornada de trabalho. ocorre no processo de trabalho uma interação do homem com a Natureza. e lançou as bases para uma nova análise econômica. vimos que o caminho para que aumente a produtividade do trabalho coletivo passa pela exploração do trabalho individual. retirando dela os meios necessários para sua sobrevivência. gera capital adicional ao processo. dado que a sociedade não pode parar de consumir e. O mesmo estará presente em ambos. E a parte variável do capital. sejam ascendentes ou descendentes. meio de desenvolver aqueles métodos” (MARX. p. logo. além do trabalho necessário para que o trabalhador obtenha o equivalente ao valor dos meios necessários para sua sobrevivência. métodos de acumular. ao vender sua força de trabalho. Sendo o homem um ser natural. uma relação danosa para a classe trabalhadora. segundo Marx. as alterações dos métodos produtivos são tratadas como descobertas. é o pauperismo da classe trabalhadora. também de produzir.. temos a superpopulação relativa. Enfim. em maior ou menor intensidade. seja qual for a sua forma social. Devido a este desenvolvimento dos meios de produção. 1984. que “infelizmente” geram o desemprego.. temos a formação da mais valia e da classe que dela depende. ao mesmo tempo. conforme as necessidades deste capital para se reproduzir.] todos os métodos para produzir mais valia são. ou seja. Marx rompeu definitivamente com a tradição clássica. o desemprego está incluso no processo de acumulação capitalista. É uma consequência natural deste processo. aumentando a demanda e retornando o nível de emprego a novos patamares. Na teoria de Marx. A formação do capital surge em termos absolutos. e todo aumento da acumulação torna-se. Marx denominou a parte constante do capital. Temos assim. tende a piorar a situação do trabalhador. ao mesmo tempo. invenções fortuitas. suba ou desça sua remuneração”. ou seja. ou seja. Na teoria clássica. processo de reprodução. Mas. com consequente aumento da produtividade. no capitulo de número XXIII intitulado: “A Lei Geral da Acumulação Capitalista” na qual “à medida em que se acumula o capital. o processo de produção é. devem-se periodicamente. pois ela altera sua magnitude durante o processo. até que os novos métodos se reproduzam em toda sociedade. repor as condições de produção que são no capitalismo: os meios 13 . Ao analisar a formação da mais valia relativa. o mesmo não pode ser analisado como apenas um fato isolado. reciprocamente. estas transformações do processo produtivo são condições essenciais para o processo de acumulação. 748).impactando assim. “[. a força de trabalho de capital variável. ou seja. a esta alteração orgânica da composição do capital. (MARX. p. 1987. durante os ciclos do capital. O processo de produção abrange a produção dos meios de subsistência e meios de produção. Portanto. pois o desenvolvimento destes “métodos” está relacionado com um grau maior de exploração sobre o trabalho individual.

Friedrich. sejam de paises desenvolvidos ou em economias em desenvolvimento. Lisboa: Presença. MARX. alterando desta forma a escala produtiva. ele se verifica fortemente em nossa economia. de outro. A acumulação do capital é igual à reprodução ampliada. São Paulo: Abril Cultural. São Paulo: Nova Cultural. Considerando concretamente. 3. O capital vol. a acumulação se reduz à reprodução do capital em escala progressiva. (Os Economistas) SWEEZY. O desemprego não somente é inerente ao processo de acumulação capitalista. A teoria geral do emprego. São Paulo: Civilização Brasileira. 1982. Por mais que o excesso relativo de população apresente matizes que variam até o infinito. 2. Princípios de economia política e tributação. vimos que o desemprego é fato no modo de produção capitalista. 1978. 6. [1936] 1983. como também possui formas peculiares e terá funções próprias que são: reserva de mão-de-obra e regulador de salários. O capital vol. mais valia relativa e mais valia extra. a acumulação do capital é a aplicação de mais valia como capital ou a conversão de mais valia em capital. da redução do capital variável em relação ao capital constante. Tradução: Conceição Jardim e Eduardo Lúcio. O desemprego não é somente uma consequência inerente ao processo. 1975. 1 tomo 1 e 2. distinguem-se. algumas grandes categorias: a forma flutuante. Paul M. J. Teoria do desenvolvimento capitalista. 7. ed.M. 14 . MARX. e o mesmo está presente em todas as economias mundiais. Rio de Janeiro: Zahar Editores. RICARDO. Manual de política econômica. Rio de Janeiro: Forense Universitária.A transformação do capital em mais valia ocorre sob três formas: mais valia absoluta. Karl. É uma consequência inexorável das alterações orgânicas do capital. a trabalhadora). ed. 3. Tradução: Waltensir Dutra. como também exerce funções e assume formas. do juro e do dinheiro. John. sem embargo. ed. David. latente e estagnada. 1987. a força de trabalho (Ft=V) e o caráter capitalista da relação social (de um lado a classe capitalista. ed. 1984.REFERÊNCIAS EATON. Sendo assim. 1942. Karl. pois através dela temos: capital constante e capital variável adicionais agregados ao montante do capital inicial. Como característica própria do sistema. O fenômeno do desemprego é um tema atualíssimo e. a análise de Marx é atual em relação ao fato. ENGELS. 1 tomo 1 e 2. São Paulo: Abril Cultural.de produção (MP=C). Tradução: Reginaldo Sant’Anna. Tradução: Regis Barbosa e Flávio Kothe. A situação da classe trabalhadora na Inglaterra. Sem as transformações do capital é impossível o aumento da produtividade e consequentemente. KEYNES. como podemos perceber. Diante de toda a analise de Marx sobre o processo de trabalho e a lei de acumulação capitalista.