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UNIVERSIDADE CÂNDIDO MENDES


PROGRAMA DE PÓS-GRADUAÇÃO
EM INTELIGÊNCIA ESTRATÉGICA

JOSÉ DO CARMO BARBOSA

O uso da Inteligência como ferramenta de prevenção e


combate a fraudes na iniciativa privada

Belo Horizonte - MG
2012
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UNIVERSIDADE CÂNDIDO MENDES


PROGRAMA DE PÓS-GRADUAÇÃO
EM INTELIGÊNCIA ESTRATÉGICA

JOSÉ DO CARMO BARBOSA

O uso da Inteligência como ferramenta de prevenção e


combate a fraudes na iniciativa privada

Trabalho de conclusão de curso


apresentado no Programa de Pós-
graduação em Inteligência Estratégica
da Universidade Cândido Mendes, sob
a orientação do Professor Marco
Antônio dos Santos.

Belo Horizonte - MG
2012
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SUMÁRIO

CAPÍTULO I - INTRODUÇÃO.................................................................04
CAPÍTULO II – DESENVOLVIMENTO....................................................07
Histórico da atividade de inteligência......................................................07
No mundo.................................................................................................07
No Brasil...................................................................................................13
Conceituação básica................................................................................16
Fraude e erro...........................................................................................16
Fraude e Corrupção.................................................................................17
Inteligência Competitiva...........................................................................18
Business Intelligence...............................................................................20
Estratégia.................................................................................................21
Inteligência Estratégica............................................................................22
Inteligência...............................................................................................24
Contra inteligência...................................................................................26
METODOLOGIA......................................................................................28
Problema da pesquisa.............................................................................28
Natureza da pesquisa..............................................................................29
Método de abordagem.............................................................................29
Objetivos da pesquisa..............................................................................29
Procedimentos da pesquisa....................................................................29
Delimitação do universo da pesquisa......................................................30
Apresentação e análise dos resultados...................................................30
CONCLUSÂO..........................................................................................35
REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS........................................................39
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CAPÍTULO I

INTRODUÇÃO

Quer seja sob o aspecto quantitativo ou no qualitativo, percebe-se uma evolução das
fraudes, que ao longo dos tempos vem atingindo mundialmente empresas públicas e
privadas, tanto em países desenvolvidos quanto naqueles chamados de
emergentes. Essa evolução e crescimento vêm causando perdas significativas, tanto
no patrimônio público quanto no privado.

Em que pese a escassez de literatura acerca da matéria, somada a necessidade de


implementação de medidas eficazes para o combate à fraude, a investigação deste
tema torna-se, no mínimo, estimulante. O tema objeto desta pesquisa que é “O uso
da Inteligência como ferramenta de prevenção e combate a fraudes na iniciativa
privada”, tem por finalidade identificar os principais tipos de fraudes aplicados contra
a iniciativa privada, bem como procurar saber quais os mecanismos de prevenção e
combate são adotados. Se propõe ainda a estabelecer uma estrutura e definição de
linha de investigação, baseada em trabalhos de inteligência, para a minimização dos
danos provocados pelas fraudes.

Pretende-se também, com esta pesquisa, mostrar a importância da atividade de


inteligência na elaboração de planos empresariais com vistas a minimizar os
impactos das perdas causadas pelas fraudes e consequentemente maximizar os
lucros.

Constantemente nos vemos as voltas com notícias veiculadas pela mídia


envolvendo fraudes, quer seja na administração pública, quer seja na iniciativa
privada, e em determinados casos envolvendo ambas. Entretanto, pouco se vê, pelo
menos divulgado nos meios de comunicação, de notícias relativas a ações e
técnicas adotadas para identificação, prevenção e combate a essas possibilidades
fraudes.
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Há muito tempo ouvimos que vivemos num mundo globalizado, economicamente,


culturalmente, mercadologicamente, onde a concorrência é uma realidade que
ultrapassa os limites territoriais, ou seja deixa de ser setorial, local ou regional para
assumir proporção mundial. Nesses novos tempos, as ações desenvolvidas pelo
gestor ou administrador no processo produtivo e no mercado, constituem a grande
diferença, da mesma forma, cada erro cometido, falha suscitada, desvio detectado
ou não, perda ou desperdício constituem a oportunidade para o surgimento e
crescimento da fraude dentro da organização, podendo culminar em sua derrocada.

As fraudes vêm acompanhando o mundo dos negócios e das organizações ao longo


dos tempos, contribuindo inclusive para o crescimento de certas empresas, através
de engano, privilégios especiais, ilegalidade grosseira, suborno, coerção, corrupção,
intimidação, espionagem e terror ostensivo. Independentemente do ramo de
atividade ou do porte, nenhuma empresa está totalmente imune à fraude. As fraudes
são difíceis de serem identificadas, pois o fraudador tem um cuidado enorme de não
deixar pistas, por isto a necessidade de se contratar uma auditoria para que possa
fazer uma análise da situação com os métodos específicos para cada tipo de fraude
e em qualquer tipo de empresa.

Gil (1998), entende que a fraude tem o caráter de ação intencional e prejudicial, é o
ato praticado com intenção de lesar terceiros, fazendo uso de informação
privilegiada em benefício próprio. É a obtenção para si ou para outrem, de vantagem
ilícita, em prejuízo alheio, induzindo ou mantendo alguém em erro.

Nota-se que a fraude é e deve ser uma constante preocupação, nesse sentido os
proprietários, dirigentes, gestores e executivos das organizações, vem buscando
mecanismos de se trabalhar de forma preventiva, a partir da constatação de que a
fraude tem ocorrido por falta de conhecimento e da forma ideal de gerenciamento
de uma empresa, quer seja ela pública ou privada. Vislumbra-se a partir dessa
constatação a possibilidade de utilização da Inteligência como ferramenta contra a
fraude.
6

A atividade de inteligência, que embora num passado não muito distante era
conhecida também como “informações”, tenha evoluído com o passar dos anos, o
tema de pesquisa proposto carece de estudos mais aprofundados, haja vista que
grande parte das referências bibliográficas não está acessível em fontes abertas,
como é denominado pela inteligência aquelas fontes de fácil consulta, como jornais,
livros, revistas, mídias, etc, pois grande parte do material produzido, em especial,
voltado para as ações de inteligência, constituem documentos de caráter sigiloso
protegidos por normas federais, como o Decreto n° 4.553, de 27 de dezembro de
2002, que dispõe sobre a salvaguarda de dados, informações, documentos e
materiais sigilosos de interesse da segurança da sociedade e do Estado.

Para tanto, essa pesquisa procurou abranger informações a respeito da atividade de


inteligência e da possibilidade de sua utilização no setor privado, atuando no
subsídio da elaboração de planejamentos com vistas a implementação de medidas
preventivas e protetivas em relação às possibilidades de fraudes. A metodologia
proposta baseia-se na modalidade de pesquisa bibliográfica que segundo Cervo,
Bervian e Silva (2007, p.60) “procura explicar um problema a partir de referências
teóricas publicadas em artigos, livros, dissertações e teses”.

Foram pesquisados livros, revistas, ensaios, artigos e trabalhos de conclusão de


curso – TCC, nos formatos físico e digital. Para o formato digital foram utilizados os
descritores inteligência, fraude, corrupção, prevenção e combate a fraudes. Os
artigos e TCC foram selecionados pela leitura dos resumos e todos que atenderam
ao objetivo do estudo foram considerados elegíveis.

A iniciativa privada ao longo dos últimos anos vem adotando o termo inteligência em
seu vocabulário, como por exemplo os termos “Inteligência Competitiva” e “Business
Intelligence”, entretanto, segundo Chiavenato; Sapiro (2009) enquanto a inteligência
Competitiva procede a coleta ética de dados e informações necessários a objetivos,
estratégias, suposições e recursos dos concorrentes, já o Business Intelligence,
segundo Mello (2011) está relacionado à manipulação de dados essenciais aos
negócios das empresas. Percebe-se, portanto, que embora a inteligência seja
reconhecida e utilizada como ferramenta na iniciativa privada, seu emprego em
ações da forma que se propõe o trabalho ainda é desconhecida.
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Reforça-se, portanto, a necessidade da pesquisa com o fito de fornecer mais esta


possibilidade de utilização da inteligência estratégica, nesse novo modelo, como
ferramenta de suporte às organizações (in casu da iniciativa privada) no combate as
fraudes.

CAPÍTULO II

2. DESENVOLVIMENTO
2.1 Histórico da Atividade de Inteligência
2.1.1 No Mundo

A constante busca pelo conhecimento é uma característica inerente a existência do


ser humano. A história nos dá conta de que os primeiros homens usaram as
cavernas como abrigo e o fogo, como fonte de calor para se aquecerem e como
ferramenta na preparação de seus alimentos.

Por analogia à busca do conhecimento e a partir desse pressuposto pode-se dizer


que a Atividade de Inteligência nos remete à existência da humanidade. Talvez
naquela época a atividade de inteligência existia não de uma forma tão clara e
científica, porém os objetivos eram semelhantes: obter informações e produzir
conhecimentos para poder tomar as decisões exatas.

A Bíblia Sagrada nos trás vários exemplos de utilização dessa atividade, um deles
se encontra no livro de Números, capítulo treze, situação onde o Moisés, ordenado
por Deus, enviou espias para Canaã, terra prometida a seu povo, conforme se vê:

Subi para aqui para a banda do sul, e subi à montanha; e vede


que terra é, e o povo que nela habita, se é forte ou fraco, se
pouco ou muito, e qual a terra em que habita, se boa ou má; e
quais são as cidades em que habitam, se em arraiais, e sem
fortalezas, também qual é a terra, se grossa ou magra, se nela
há arvores ou não; e esforçai-vos e tomai do fruto da terra
(BÍBLIA SAGRADA, p. 123).
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No Antigo Testamento da Bíblia Sagrada, no livro de Josué, em seu capítulo dois,


podemos ver outro exemplo, quando Josué envia espias para realizarem um
reconhecimento, desta vez, na cidade de Jericó.

De Sitim, enviou Josué, filho de Num, dois homens em segredo


com espiões, dizendo: Andai, e observai a terra e mesmo a
Jericó. Foram, pois, e entraram em casa de uma mulher,
prostituta, cujo nome era Raabe, e pousaram ali. Então se deu
a notícia ao Rei de Jericó, dizendo: Eis que esta noite veio aqui
uns homens filhos de Israel para espiar a terra (BÍBLIA
SAGRADA, p. 225).

Já a história nos dá conta de que no século XII a. C. existiu um famoso espião, cujo
nome era Argus. Argus, que até hoje, é considerado como um dos precursores da
Inteligência, e no Brasil, especificamente no serviço secreto brasileiro, é tido como
patrono dessa atividade. Segundo Figueiredo (2005), Argus viveu na península do
Peloponeso e fundou uma cidade com seu próprio nome. Ele conseguiu expandir
seus domínios de terra de potenciais invasores comandando uma rede de espiões.
Diz a mitologia que após sua morte Júpiter o transformou em um semideus, para
que ele prestasse seus valiosos serviços de espionagem no Olimpo.

Seu nome era Argus, e além de espião ele era também um semideus. O
mito era cultivado entre os agentes secretos como uma espécie de alerta:
mantenha os olhos sempre abertos, desconfie de tudo e, se possível, não
morra. Sua criatividade para a espionagem era infinita, certa vez tendo de
enviar uma mensagem secreta a um príncipe cujas terras ficavam nas rotas
de terras inimigas, mandou raspar a cabeça de um dos seus espiões e
gravou nela o recado com o ferro em brasa. Depois que os cabelos do
agente cresceram, ele foi enviado ao encontro do príncipe e cumpriu sua
missão sem despertar suspeitas (FIGUEIREDO, 2005, p. 11).

No livro “A arte da Guerra”, do General e filósofo Sun Tzu, relata-se a importância da


Atividade de Inteligência para um Exército e, conseqüentemente, para uma nação.
Sun Tzu destaca a importância de se obter o conhecimento sobre o terreno, sobre o
inimigo e suas articulações, e sobre a motivação ou moral da tropa:

Conheça o inimigo e conheça a si mesmo; assim, em uma


centena de batalhas, você nunca correrá perigo. Quando se
desconhece o inimigo, mas se conhece a si mesmo são iguais
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as suas oportunidades de ganhar ou perder. Mas desconhecer


ambos certamente se estará em perigo em todas as batalhas
(SUN TZU, p. 36).

A história também nos da conta de que durante a Idade Média, o grande


conquistador eurasiano Genghis Khan, também fez uso da Inteligência ao obter
informações sobre os lugares que iria conquistar com mercadores e viajantes que
encontrava pelo seu caminho. Tais informações lhe davam clareza sobre como eram
as defesas de seus inimigos (ENCICLOPÉDIA BARSA, 1995 citado por SOUSA,
2006).

Também na idade Moderna, a Atividade de Inteligência continuou sendo usada na


formação dos Exércitos dentro dos Estados Modernos. Sua utilização se dava
através da troca de embaixadores entre as nações européias, que transmitiam
informações relevantes aos seus Estados sobre prováveis inimigos, concorrências
econômicas, extensões territoriais, etc (SOUSA, 2006).

De acordo com Sousa (2006), foi a partir do início do século XIX que a Atividade de
Inteligência passou a ser mais organizada e adquiriu estrutura e metodologia
próprias. Cita-se, por exemplo, a Primeira Guerra Mundial (1914-1918), onde
somente a Inglaterra tinha um serviço estruturado de Inteligência, ocasião em que foi
capaz de desvendar códigos de comunicação alemães, neutralizando, assim, países
instalados em pontos estratégicos da Europa.

Durante a Segunda grande Guerra (1939-1945), o período compreendido entre


1939 e 1941 foi marcado por significativas vitórias do Eixo, grupo formado
basicamente pela Alemanha, Japão e Itália. A Alemanha liderava tal grupo de países
e apresentava uma sólida estrutura de Inteligência, como mostra a citação abaixo:

A Alemanha organizou o Abwehr (Inteligência Militar) e o SD


(Inteligência do Partido Nazista); os japoneses tinham uma
rede de espionagem na América, controlada da Espanha
neutra, a Dempei Tai (Policia Militar Secreta). Essa polícia foi
responsável pela infiltração de um espião em Pearl Harbor,
meses antes do seu ataque (CAROLINA, 2005 citado por
CIRQUEIRA, 2010).
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Países rivais ao Eixo, os Aliados, grupo formado basicamente por Inglaterra, França,
Estados Unidos e URSS, que, à época, eram as maiores potências mundiais,
também possuíam um forte serviço de Inteligência. A Inglaterra possuía o SOE
(Serviço de Operações Especiais), onde agentes eram enviados aos países inimigos
para estabelecerem grupos de resistência (FARIA, 2004 citado por CIRQUEIRA,
2010).

Os Estados Unidos organizaram o Escritório de Serviços


Estratégicos (OSS), com atribuições semelhantes ao SOE. A
URSS possuía a Orquestra Vermelha que espionava, em
especial, a Alemanha; porém Stalin não confiava muito em
seus espiões. Ao fim da guerra mundial, o Exercito Vermelho
atuou como um eficaz agente do movimento comunista
internacional. Os Estados Unidos descobriram que a Russia os
espionou mesmo quando eram aliados e então criou a CIA,
seguida pela Agência de Segurança Nacional (NSA), para atuar
com SIGINT e passaram a basear suas decisões políticas nos
relatórios de inteligência, iniciando, dessa maneira, a Guerra
Fria, momento em que houve um grade desenvolvimento
tecnológico com o objetivo de monitorar com mais precisão os
passos de cada potência (FARIA, 2004, p. 89).

Faria (2004) afirma ainda que, após a Segunda Guerra Mundial e,


conseqüentemente, após a Guerra Fria, a Atividade de inteligência tomou outros
rumos no cenário mundial. Além das áreas voltadas para segurança nacional, como
terrorismo e crime organizado (tráfico de drogas), atualmente a Inteligência volta-se
com grande ênfase para as áreas econômicas, empresariais, tecnológicas, etc.

2.1.2. No Brasil

Lucas Figueiredo, em seu livro O Ministério do Silêncio, trás a baila um retrato


histórico, traçando a evolução da atividade de inteligência e do Serviço Secreto
Brasileiro, desde sua criação, no ano de 1927 no Governo do então Presidente
Washington Luís, até o ano de 2005 já, em pleno estado democrático de direito, no
governo de Luis Inálio LULA da Silva.
11

De acordo com Figueiredo (2005), a Atividade de Inteligência no Brasil teve seu


início em novembro de 1927, quando Washington Luís era o Presidente da
República, com a assinatura do Decreto n° 17.999, que criou o Conselho de Defesa
Nacional. Esse conselho era um órgão ligado diretamente à Presidência da
República, composto pelos Chefes dos Estados-Maiores da Marinha e do Exército,
além de todos os Ministros da Federação.

Durante seu governo, Washington Luís passou por várias turbulências políticas e
econômicas, e não era assessorado o suficiente para governar o país. Figueiredo
(2005) afirma que Washington Luís era mal informado e “penou” no exercício de seu
governo. Seus assessores não lhe prestavam as informações confiáveis sobre o
movimento rebelde liderado pelo ex-capitão do Exército Luiz Carlos Prestes.
Washington Luís só teve tranqüilidade em seu governo quando Prestes depôs suas
armas na Bolívia.

O Conselho de Defesa Nacional tinha por função principal reunir informações


econômicas, bélicas, morais, enfim, tudo o que fosse relativo à defesa nacional.
Segundo Figueiredo (2005), o governo podia utilizar seus serviços contra quem
quisesse e, na maioria das vezes, esse “quem” era o povo.

Notava-se que a maior falha no Conselho de Defesa Nacional era a falta de espiões,
ou de profissionais treinados para tal mister. Esse Conselho, não passava de um
“motivo” para bate-papo entre o presidente, os ministros e os oficiais das Forças
Armadas (FIGUEIREDO, 2005).

Figueiredo (2005) ainda nos dá conta de que em meio as crises e turbulências, o


Presidente Washington Luís, criador do serviço de inteligência brasileiro, órgão que
deveria lhe suprir com informações relevantes, foi o último a saber de sua queda.

O Presidente Getúlio Vargas, ao suceder Washington Luís, promoveu modificações


consideráveis no Conselho de Defesa Nacional, pois o enxergava como uma
ferramenta importante de governo. Segundo Figueiredo (2005), Getúlio reconfigurou
o conselho, mas ele ainda não possuía a eficácia necessária que se exigia para
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suas ações. O autor relata em sua obra que o serviço secreto brasileiro não existia
na prática, pois não tinha funcionários, instalações próprias, nem telefone.

Nos anos que se seguiram foram assinados mais decretos que regulamentavam o
Serviço de Inteligência, como por exemplo o Decreto n° 4783, de 05 de outubro de
1942, que modificou a composição do Conselho de Defesa Nacional. Outro norma
criada foi o decreto n° 9975, de 06 de setembro de 1946, que gerou condições para
que fosse instituído o Serviço Federal de Informações e Contra-informações (SFICI).
Segundo Cirqueira (2010), este decreto foi a primeira tentativa de criar um órgão de
Inteligência, propriamente dito, no Brasil.

Relata Figueiredo (2005) que, com o avanço comunista no Brasil, o governo dos
Estados Unidos se adiantou e começou a doutrinar os militares brasileiros quanto às
técnicas de Inteligência. Em 1949 forneceram apoio logístico para a criação da
Escola Superior de Guerra (ESG), uma academia militar sediada na cidade do Rio
de Janeiro. Após sua fundação uma equipe de militares americanos ficou por mais
de dez anos na ESG, fundamentando suas bases doutrinárias. O referido autor
considera a ESG como uma espécie de útero do serviço secreto brasileiro.

Figueiredo (2005) afirma que a história do serviço de inteligência brasileiro se divide


em antes e depois de 1961, ano que o Coronel Golbery do Couto e Silva começou a
trabalhar no órgão. Golbery, aos trinta e três anos foi estudar nas academias
militares dos Estados Unidos e lá foi impactado com a cultura americana, sobretudo
com a segurança do país. Logo, se interessou em adaptar o modelo americano ao
Brasil. Dos Estados Unidos foi direto para a Itália trabalhar como oficial de
informações durante a guerra.

De volta ao Brasil Golbery se tornou um dos principais teóricos da área de


inteligência. Aprofundou ainda mais seus estudos na ESG, onde fez parte de um
grupo de intelectuais militares apelidado de Sorbonne, em alusão a uma tradicional
universidade francesa. Faziam parte desse grupo Humberto Castelo Branco e
Ernesto Geisel. Golbery do Couto e Silva trabalhou por muito tempo na área de
inteligência, mesmo após sua transferência para a reserva do Exército, onde foi
promovido a General (FIGUEIREDO, 2005).
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Durante a década de 1960 o Brasil enfrentou fortes turbulências políticas. Essas


turbulências geraram manifestações em alguns segmentos da sociedade brasileira,
até que em 31 de março de 1964 houve uma intervenção do segmento militar na
política brasileira. Com a tomada do poder pelos militares o SFICI foi substituído
pelo Serviço Nacional de Informações (SNI) (ABIN, 2011).

Naquela época, a principal preocupação do serviço de inteligência brasileiro era


identificar infiltrações comunistas e seus integrantes. Qualquer pessoa poderia ser
classificada como subversiva e inimiga do governo. A história mostra grandes
abusos e injustiças por parte dos governantes da época. Figueiredo (2005) cita em
sua obra muita confusão no serviço de inteligência brasileiro.

Em 1970 foi criado o Sistema Nacional de Informações (SISNI), sistema este


composto pelos órgãos de inteligência civis e militares. O SISNI tinha o SNI como
seu principal órgão (ABIN, 2011).

Com o enfraquecimento dos governos militares e a redemocratização do Brasil, os


governantes procuraram direcionar a inteligência brasileira em sua correta atuação.
Em 1990, foi extinto o SNI e criada a Secretaria de Assuntos Estratégicos (SAE).

Finalmente, em 7 de dezembro de 1999, foi instituído o Sistema Brasileiro de


Inteligência (SISBIN) e criada a Agência Brasileira de Inteligência (ABIN). Após sua
criação foi institucionalizada a atividade de inteligência no Estado brasileiro.

2.2. Conceituação básica

2.2.1. Fraude e erro


De acordo com Silva (2009), existe diferença técnica dos conceitos de erro e fraude.
A fraude, em regra é um ato doloso, praticado de forma proposital, enquanto o erro é
culposo, ou seja, quando ocorre não há intenção do agente nessa prática. Por outro
lado, o fraudador procura esconder a fraude, o que gera mais trabalho e inteligência
para sua descoberta.
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Sá (1997) define fraude como sendo uma ação premeditada para lesar alguém, e erro
como uma ação involuntária, sem o intuito de causar dano. Variando, de pessoa para
pessoa, o conceito de cada um sobre o que é bom ou mal, aceitável, ou inaceitável.
COMER (1999) Observa que fraude leva à idéia de perder a confiança, aproveitar-se,
enganar e sonegar; logo, pode-se conceituar a fraude como qualquer meio usado por
uma pessoa com a finalidade de obter vantagem injusta sobre outra pessoa, seja por
ação ou omissão, em que a intenção é dolosa ou culposa.

De acordo com CODERRE (2004:21)


Fraude é um ato ilegal (transgressão intencional),
acompanhado da ocultação desse ato (com frequência
escondido por intermédio de um meio simples) e da obtenção
de benefícios (converter os ganhos em espécie ou outra
mercadoria de valor).”

O estabelecimento dessa diferença conceitual entre fraude e erro é fundamental


para a pesquisa em comento, devido a proximidade do entendimento desses termos.

2.2.2. Fraude e Corrupção


Outra diferença que deve ser esclarecida é a existente entre fraude e corrupção.
Analisando sob o enfoque etmológico, constatamos que a palavra corrupção tem
origem no latim – corruptione – e tem como significado o ato ou efeito de corromper,
putrefação, decomposição. Pode significar ainda devassidão, perversão,
depravação, ou ainda suborno. O termo corrupto figura como um adjetivo, que
também provém do latim – corruptu – e é um adjetivo que se atribui aquele que
sofreu corrupção, ou, etmologicamente, aquele que está estragado, podre, infectado.
Pode ser também sinônimo de corruptível quando se referir aquele que é capaz de
se deixar subornar, vendido, corrupto.

De acordo com Amorim et al (2010) a corrupção, que é um tipo de fraude, é um


fenômeno sistêmico, cujas causas estão no contexto e no indivíduo, afirma ainda
que não é possível estabelecer o quanto ela depende do indivíduo e o quanto do
contexto, mas para combatê-la as ações devem objetivar tanto o indivíduo quanto o
contexto, simultaneamente.
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Gerado a partir da Convenção da ONU contra a corrupção, o décimo princípio do


Pacto Global das Nações Unidas aduz: “As empresas devem combater a corrupção
em todas as suas formas, inclusive extorsão e propina.” (CGU, 2009:6)

Ainda para Amorim et al (2010), tanto o conceito de corrupção quanto o de fraude


não é consensual. As divergências de definição de corrupção, por exemplo, se dá
pela inserção do tema em distintos campos disciplinares, o que confere ao
fenômeno significados variados, ainda que seja imprescindível a junção do direito,
da ciência política e da administração (no mínimo) para correção das distorções na
instituições nas quais há corrupção (BREI, 1996). Quanto a falta de consenso para
fraude, se dá em razão de que embora geralmente esteja relacionada com um ato
ilegal, a prática das organizações tem apontado para obtenção de benefícios por
meio da transgressão, nesses casos não necessariamente como violadora de
normas legais, mas também como agressoras da moralidade assumida pelo grupo
de inserção do transgressor.

Amorim et al (2010) afirmam que o campo de análise da corrupção e da fraude é


vasto,e ainda é marcado por problemas conceituais, dado, principalmente a falta de
consenso no estabelecimento de suas definições.

2.2.3. Inteligência Competitiva


Chiavenato; Sapiro (2009) conceituam Inteligência Competitiva como uma coleta
ética de dados e informações necessários a objetivos, estratégias, suposições e
recursos dos concorrentes.

Segundo Santos; Franco (2010) o objetivo principal da Inteligência Competitiva é


transformar o conhecimento produzido através de análises em lucro, uma vez que o
objetivo de qualquer empresa é a obtenção de lucros cada vez maiores.

Para Chiavenato; Sapiro (2009) a Inteligência Competitiva se baseia em diversas


fontes de informação sobre a concorrência. São elas:
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 Relatórios e estatísticas – Informações fáceis de serem obtidas através de


estudos de mercados ou publicações de organizações de capital aberto;
 Propaganda – Informações obtidas através das atividades de comunicação
(relações públicas das empresas);
 Vazamento de informações – Informações que chegam, intencionalmente ou não,
ao conhecimento da imprensa;
 Intermediários – Informações podem ser coletadas através de clientes e
compradores;
 Ex-funcionários – Quando há grande interesse de contratação de funcionários
estratégicos por parte de organizações concorrentes para se obter informações
privilegiadas. Tal feito trabalha no limiar da ética, pois informações relevantes
podem ser disseminadas;
 Inspeção – Forma de obtenção de informações relevantes como
acompanhamento de anúncios, uso de aerofotogrametria, e uso de engenharia
reversa, que consiste na desmontagem de um produto para análise;
 Pronunciamentos - Quando metas e objetivos são pronunciados por executivos
através de relatórios, coletivas de imprensa, blogs, etc; e
 Estrutura de recompensas – Quando determinados grupos são recompensados
dentro das organizações associa-se às mesmas o sucesso de suas ações,
podendo ser aumento de vendas, fechamento de contratos relevantes, aumento
de lucratividade, etc.

A Inteligência Competitiva procura avaliar os objetivos futuros e atuais dos


concorrentes para poder definir um correto direcionamento de suas estratégias.
Segundo Chiavenato; Sapiro (2009) existem três diferentes níveis de estratégias,
sendo eles a identificação de mercados e clientes, a identificação do modo de
trabalho escolhido por esses mercados e clientes e identificação do marketing
adotado.

Os referidos autores afirmam que a Inteligência Competitiva visa conhecer o


concorrente o suficiente para prever e antecipar seus passos, visualizando suas
reações diante de suas estratégias de atuação. Eles citam em sua obra os seguintes
objetivos complementares:
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 Conhecer a competência do concorrente para inovar;


 Conhecer a capacidade do concorrente para produzir e comercializar;
 Conhecer os recursos financeiros do concorrente; e
 Conhecer o tipo de reação do concorrente.

Para Chiavenato; Sapiro (2009) a reação de um concorrente vislumbra uma idéia


geral sobre seu comportamento. Uma análise sistêmica do seu comportamento
frente às intempéries do mercado competitivo pode demonstrar traços de sua
vulnerabilidade. Os autores nomeiam esse processo de limiar de sensibilidade.

O cenário competitivo é finito. Portanto o crescimento de uma organização implica


na diminuição de outra. Esse resultado aumenta cada vez mais a rivalidade entre as
organizações e as obrigam a trabalhar estrategicamente e com inteligência. É
preciso conhecer os pontos fortes e fracos dos concorrentes para se obter alguma
vantagem (CHIAVENATO; SAPIRO, 2009).

2.2.4. Business Intelligence


Segundo Mello (2009) para se ter clareza sobre o conceito de business intelligence é
preciso definir os termos que o compõe. Business (negócio) significa a
intermediação de qualquer atividade comercial com fins lucrativos, enquanto
intelligence (inteligência) está ligado à capacidade de resolver problemas através da
correta ordenação de dados.

Juntando os dois termos, Mello (2009) define a expressão como um conjunto de


ferramentas utilizado para manipular dados essenciais aos negócios das empresas.
Afirma também que a inteligência dos negócios é a capacidade conferida a pessoas
ocupantes de cargos estratégicos de adaptar ou alterar o rumo interno e externo da
empresa.

Para Chiavenato; Sapiro (2009) Business Intelligence, ou Inteligência de negócios


compreende o processo de coleta e análise de informações públicas que dizem
respeito às atividades e planos de organizações concorrentes.
18

Essas informações ou dados utilizados para conhecer as ações dos concorrentes


podem vir de fontes internas e externas. As fontes mais comuns são os bancos de
dados criados por empresas especializadas na prestação de informações. Outra
fonte de informação consiste no simples fato de recortar revistas e jornais que
monitorem números expressivos de publicações (CHIAVENATO; SAPIRO, 2009).

2.2.5. Estratégia
Usar de estratégias é um recurso muito empregado por profissionais das mais
variadas áreas. Estratégias são empregadas em ações militares, em atividades
econômicas, financeiras, em gestões governamentais, em equipes esportivas e até
em simples jogos de diversão.

Segundo Chiavenato; Sapiro (2009), a origem da palavra remonta ao grego antigo


“stratègós”. O termo “stratos” significa exército, e o termo “ago” significa liderar,
guiar, mudar de direção. A palavra grega, de uma forma geral, significa “o general no
comando de um exército” e apresenta também algumas variações, a saber:

 strategicós, significando próprio do General-chefe;


 stratégema, significando ardil de guerra ou expedição militar;
 stráutema, significando Exército em campanha; e
 stratégion, significando tenda do General.

Nicolau (2001) conceitua estratégia como a ligação entre os fins, objetivos e políticas
que visam as ações das empresas. Afirma também que o elo entre as organizações
e o ambiente externo explica todas as suas possíveis definições.

Segundo Mintzberg (1994, p. 17) citado por Carvalho (2006): “é uma dessas
palavras que inevitavelmente definimos de uma forma, mas, frequentemente,
usamos de outra. Estratégia é um padrão, isto é, consistência em comportamento ao
longo do tempo”.

Chiavenato; Sapiro (2003) explica o porquê da dificuldade de conceituar estratégia:


19

1 A estratégia tem muito a ver com o comportamento sistêmico e holístico e


pouco com o comportamento de cada uma de suas partes. Isto é, ela
envolve a organização como uma totalidade. Ela se refere ao
comportamento adaptativo da organização.
2 A estratégia tem muito a ver com o futuro da organização. Ela está
orientada para o longo prazo. A visão organizacional é importante para
definir os objetivos estratégicos pretendidos ao longo do tempo. A estratégia
é a ponte para o futuro.
3 A estratégia tem a ver com o comportamento orientado para objetivos
estratégicos. No entanto, a estratégia não serve apenas a alguns dos
públicos de interesse (stakeholders) da organização, mas a todos eles,
sejam acionistas, clientes, fornecedores, executivos, funcionários etc.
4 A estratégia significa o comportamento global da organização em relação
ao ambiente que a circunda. A estratégia é quase sempre uma resposta
organizacional às demandas ambientais. Quase sempre os motivos da
estratégia estão fora da organização, isto é, no ambiente.
5 A estratégia precisa ser formulada e entendida por todos os membros da
organização. Como os caminhos para o futuro são incontáveis, a formulação
estratégica é um conjunto de decisões que molda o caminho escolhido para
chegar ao objetivo. A formulação é o momento da concepção da estratégia e
é decorrente da intenção estratégica da organização. Além disso, depende
de conceitos como missão e visão organizacional.
6 A estratégia precisa ser planejada. O planejamento estratégico é a
maneira pela qual a estratégia é articulada e preparada. Contudo, ele não é
algo que se faz uma vez a cada ano. Ele não é descontínuo. Quanto maior
for a mudança ambiental, mais deverá ser feito e refeito de maneira
contínua o planejamento estratégico.
7 A estratégia precisa ser implementada. Esse é o principal desafio. Para
ser bem-sucedida, a estratégia precisa ser colocada em ação por todas as
pessoas da organização em todos os dias e em todas as suas ações.
8 A estratégia precisa ser avaliada quanto a seu desempenho e resultados.
Para isso, a estratégia precisa ter indicadores e demonstrações financeiras
que permitam a monitoração constante e ininterrupta de suas
conseqüências pra que se possam aplicar medidas corretivas que garantam
seu sucesso (CHIAVENATO; SAPIRO, 2003, p. 38).

Chiavenato; Sapiro (2009) afirma ainda que estratégia consiste em uma ação
escolhida por qualquer organização visando potenciais ganhos e vantagens futuras
em relação ao presente. Trata-se de uma arte, uma ciência, uma escolha que
engloba a organização como um todo e que determina, dentre variadas hipóteses,
quais rumos tomar. Funciona ainda como uma espécie de balança, onde serão
mensuradas as perdas e ganhos.

2.2.6. inteligência Estratégica

Segundo Santos; Franco (2010) Inteligência Estratégica nada mais é que uma
análise multifocal que trabalha com maior dimensionamento de tempo e espaço. Tal
20

análise busca informações precisas e gera prospectivas capazes de assessorar e


subsidiar o tomador de decisões com as opções estratégicas mais adequadas.
Trata-se de uma ferramenta de análise e avaliação de conjunturas, que visa definir
prováveis eventos e situações, objetivando o aproveitamento das oportunidades,
minimizando e prevenindo, assim, as ameaças existentes.

Os autores acima citados afirmam ser a Inteligência Estratégica um instrumento


gerencial que deve ser utilizado de forma sistêmica, para que se alcance objetivos
eficazes. Pode ainda atuar em um sentido antagônico, identificando ações
dissimuladas e possíveis vulnerabilidades através do emprego de recursos
específicos, sendo chamada, então, de Contra-Inteligência.

O conceito de Inteligência Estratégica remete, imediatamente, a outro conceito,


sendo ele Informação Estratégica, que, de acordo com Santos; Franco (2010), seria
a base para a formulação de políticas, formulação do planejamento estratégico e
formulação de mudanças.

Os objetivos principais da atividade de inteligência devem ser o levantamento de


informações e a salvaguarda dos interesses sensíveis da organização, sendo,
respectivamente, Inteligência e Contra-Inteligência (SANTOS; FRANCO, 2010).

Nesse sentido, para Santos; Franco (2010), a Inteligência Estratégica tem a


finalidade de analisar e avaliar conjunturas, identificando ameaças e oportunidades,
elaborar cenários favoráveis e produzir conhecimentos que subsidiem decisões
políticas e de planejamento.

Kent (1996) afirma em sua obra que as organizações devem possuir pessoas
tecnicamente hábeis e conhecedoras do ambiente externo e das dificuldades
estratégicas que as rodeiam. Diz ainda que tais pessoas ou grupo de pessoas
devem possuir a capacidade de produzir informações que atendam e resolvam
essas dificuldades e problemas.

Lowenthal (2006) demonstra o caráter estratégico da Inteligência afirmando ser ela


um processo onde informações específicas subsidiam os tomadores de decisão,
21

seguindo a lógica temporal de solicitação (motivação), coleta e análise de


informações relevantes.

Para Gonçalves (2010, p. 232), Inteligência Estratégica seria “a atividade de uma


expressão de Inteligência que tem implicações em longo prazo, geralmente
vinculada à formulação de cenários prospectivos.”

Botelho (2011) define, em seu ensaio monográfico a seguinte definição de


Inteligência Estratégica:

De uma forma específica, define-se então a inteligência


estratégica como um conjunto de ações coordenadas de
seleção, busca, tratamento, análise e distribuição de
informações úteis aos propósitos de uma organização (pública
ou privada) ou de uma esfera de governo, podendo ser a nível
nacional, regional ou local (BOTELHO, 2011, p. 14).

2.2.7. Inteligência

No sentido macro da palavra, existem várias definições para inteligência, seja ela
aplicada em qualquer organização, independentemente de sua natureza ou
atividade fim.

Segundo a Agência Brasileira de Inteligência (ABIN, 2011), inteligência é aquela que


alimenta o governo com informações estratégicas, tornando-o capaz de se antecipar
a fatos ou situações relevantes para a sociedade, bem como subsidiar o
desenvolvimento e a segurança do país.

De acordo com Cepik (2003, p. 27), “inteligência é toda informação coletada,


organizada ou analisada para atender as demandas de um tomador de decisões
qualquer.”

Cepik (2003, p. 28) afirma também: “inteligência é a coleta de informações sem o


consentimento, a cooperação ou mesmo o conhecimento por parte dos alvos da
22

ação. Nessa acepção restritiva inteligência é o mesmo que segredo ou informação


secreta.”

John Foster Dulles, ex–Diretor Geral da CIA, afirmou: “Inteligência é o mesmo que
clarividência, tipo de ofício artesanal de profetizar." (SANTOS; FRANCO, 2010, p.
11).

Segundo Santos; Franco (2010), inteligência pode ser definida como um processo
que observa as dimensões de espaço e tempo, sendo capaz de produzir
conhecimentos precisos e consistentes que permitam formulações e decisões
estratégicas.

A lei n° 9.883, de 7 de dezembro de 1999, institui o Sistema Brasileiro de Inteligência


(SISBIN) e cria a Agência Brasileira de Inteligência (ABIN), em seu artigo 1°, § 2°,
define do seguinte modo a atividade de Inteligência:

Atividade que objetiva a obtenção, análise e disseminação de


conhecimentos dentro e fora do território nacional sobre fatos e
situações de imediata ou potencial influência sobre o processo
decisório e a ação governamental e sobre a salvaguarda e a
segurança da sociedade e do Estado (LEI n° 9.883, 1999, Art
1°).

Um conceito bastante amplo de Inteligência é definido pela Escola Superior de


Inteligência do seguinte modo:

Produto intelectual especialmente elaborado, resultante da


consolidação de todos os elementos disponíveis a uma
instituição sobre as atividades, capacidades, vulnerabilidades e
intenções de determinado alvo, para a utilização imediata ou
potencial. Difere de outras ciências pela sua natureza
simultaneamente antecipativa, competitiva, conflituosa,
complementar, sigilosa e permanente; pela atuação em um
universo eminentemente antagônico; pela ênfase no acesso
aos elementos negados durante esse processo; pela eventual
obtenção desses elementos sem o consentimento, a
cooperação ou mesmo o conhecimento por parte dos alvos; e
pela utilização de metodologia, linguagem, técnicas e recursos
especiais. Este termo abrange igualmente a atividade da qual
resulta esse produto e a organização responsável por essa
23

atividade, bem como outras atividades relacionadas


(DOUTRINA E MÉTODO – ESCOLA SUPERIOR DE
INTELIGÊNCIA, 2011, p.22).

Para o Exército Brasileiro, de acordo com seu Manual de Atividade de Inteligência


Militar, inteligência é:

É atividade técnica militar especializada, permanentemente exercida, com o


objetivo de produzir conhecimentos do interesse do comandante de
qualquer nível hierárquico, e proteger conhecimentos sensíveis, instalações
e pessoal do Ministério do Exército contra ações, patrocinadas pelo serviço
de inteligente oponente e/ou adversos (MANUAL DE ATIVIDADE DE
INTELIGÊNCIA MILITAR DO EXÉRCITO BRASILEIRO, 1995, P. 3 citado
por CIRQUEIRA, 2010).

O Manual de Fundamentos Doutrinários da Escola Superior de Guerra (ESG) define


a inteligência da seguinte forma:

A Atividade de Inteligência estratégica é o exercício


permanente de ações direcionadas para a obtenção de dados
e a avaliação de situações, relativas a óbices que venham a
impedir ou dificultar a conquista e a manutenção dos objetivos
nacionais (MANUAL DE FUNDAMENTOS DOUTRINÁRIOS
ESG, 2000, P. 186).

Maier (2009) considera a Inteligência como uma ferramenta de suporte à estratégia,


uma vez que efetua monitoramento, análise de situações e busca um planejamento
eficaz para diminuir possíveis incertezas em decisões de longo prazo.

2.2.8. Contra inteligência


O Decreto n° 4.376, de 13 de setembro de 2002, no artigo 3°, considera Contra-
Inteligência a atividade que objetiva prevenir, detectar, obstruir e neutralizar a
inteligência adversa e ações de qualquer natureza que constituam ameaça à
salvaguarda de dados, informações e conhecimentos de interesse da segurança da
sociedade e do Estado, bem como das áreas e dos meios que os retenham ou em
que transitem.
24

A Lei n° 9.883, de 07 de dezembro de 1999, que institui o Sistema Brasileiro de


Inteligência, define, em seu artigo 1°, § 3°, que Contra-Inteligência consiste na
atividade que objetiva neutralizar a inteligência adversa.

Para Limana (2010), Contra-Inteligência é o ramo da Inteligência que se destina a


produzir conhecimentos para neutralizar a inteligência adversa, a proteção da
atividade e da instituição a que pertence.

A Doutrina Nacional de Inteligência de Segurança Pública (DNISP) define Contra-


Inteligência como:

Ramo da atividade de Inteligência de Segurança Pública (ISP)


que se destina a produzir conhecimentos para proteger a
atividade de Inteligência e a instituição a que pertence, de
modo a salvaguardar dados e conhecimentos sigilosos e
identificar e neutralizar ações adversas de qualquer natureza. A
Contra-Inteligência presta assessoria, também, em assuntos
internos de desvios de conduta, relacionados à área de
Segurança Pública (DNISP, XXXX, p. 24).

Segundo a Doutrina e Método da Escola Superior de Inteligência (2011) Contra-


Inteligência é uma Atividade de Inteligência específica que foca os órgãos de
inteligência adversos, e suas ações compreendem ações de caráter defensivo e
ofensivo.

As ações de caráter defensivo, conhecidas como medidas preventivas, são relativas


à salvaguarda de áreas, instalações, documentos, materiais, pessoas,
comunicações e sistemas de informações.

As ações de caráter ofensivo, conhecidas como medidas reativas, dizem respeito às


ações de Contra-Espionagem, Contra-Terrorismo, Contra-Sabotagem, Contra-
Propaganda e Desinformação.

A Agência Brasileira de Inteligência (ABIN) define Contra-Inteligência como a adoção


de medidas que protejam os assuntos sigilosos relevantes para o Estado e a
25

sociedade e que neutralizem ações de Inteligência executadas em benefício de


interesses estrangeiros.

CAPÍTULO III

3. METODOLOGIA

Nesta seção, procurou-se desenvolver a abordagem do objeto de estudo, de forma a


propiciar o conhecimento da metodologia utilizada na elaboração do trabalho e
buscando o devido respaldo nos fenômenos que envolvem o problema de pesquisa.
Os objetivos de entender e ampliar o conhecimento sobre o assunto permitiu, no
final deste estudo, a apresentação de propostas a respeito de intervenções que
podem ser desenvolvidas, utilizando a inteligência como ferramenta, visando o
atendimento a uma demanda específica, mais precisamente a prevenção e o
combate a fraudes na iniciativa privada.

3.1. Problema de pesquisa

Tendo em vista a existência e a possibilidade de ocorrências de fraudes na iniciativa


privada é possível identificá-las? Existem mecanismos, utilizados na iniciativa
privada, visando preveni-los? Como é realizado o combate a fraudes na iniciativa
privada? É possível a utilização da inteligência como ferramenta de prevenção e
combate a fraudes na iniciativa privada?

Para responder à essas perguntas da pesquisa, a bibliografia estudada aborda a


prevenção e descoberta da fraude, a utilização da inteligência e da estratégia no
combate a fraudes, técnicas gerenciais, gestão estratégica, gestão do
conhecimento, questões de ordem sociológica, psicológica e cultural, com o enfoque
específico da inteligência como ferramenta contra fraudes, traçando, inclusive um
histórico da atividade de inteligência visando dar consistência ao conteúdo
apresentado e permitir melhor entendimento acerca de um assunto tão pouco
explorado.
26

3.2. Natureza da pesquisa

A pesquisa realizada foi bibliográfica, de acordo com o modelo conceitual operativo,


levando-se em conta que se propõe a analisar variados posicionamentos de autores
e documentos sobre o problema.

Os objetivos propostos nesta pesquisa buscaram o conhecimento acerca da


existência da fraude e dos mecanismos existentes para preveni-la e combatê-la,
tudo no âmbito da iniciativa privada, sem descuidar-se dos modelos conceituais
trabalhados na Administração Pública. Esta pesquisa caracteriza-se como
exploratória, tendo em vista que procurou a compreensão do fenômeno ou obter
nova percepção, devido a escassa bibliografia sobre o assunto, objeto do estudo.

3.3. Método de abordagem

Quanto ao método de abordagem utilizado nesta pesquisa, foi o qualitativo, pois


baseou-se nas informações colhidas do levantamento bibliográfico.

3.4. Objetivos da pesquisa

A pesquisa, considerada descritiva, apresenta uma forte base teórica, específica e


pertinente ao tema, tendo em vista que busca descrever sobre o tema proposto por
meio da realização de pesquisas em fontes primárias e secundárias, visando dar
maior sustentação.

3.5. Procedimentos de pesquisa

Em relação ao procedimento adotado, este estudo caracteriza-se como bibliográfico


e documental.

A pesquisa documental aconteceu por meio da consulta das legislações que


regulamentam a Atividade de Inteligência no Brasil, bem como sua importância
27

dentro do Sistema Brasileiro de Inteligência (SISBIN), como ferramenta de produção


do conhecimento e proteção corporativa, in casu, prevenindo e combatendo fraudes.

Já a pesquisa bibliográfica decorreu da consulta a trabalhos acadêmicos, livros e


pesquisa em base digital acerca de temas específicos ao objeto em estudo,
considerando que essa modalidade de procedimento visa explicar um problema a
partir de referências teóricas.

3.6. Delimitação do universo da pesquisa

A pesquisa, na modalidade de pesquisa bibliográfica, procurou envolver apenas as


fraudes cometidas contra a iniciativa privada, no sentido de identificar os principais
tipos de fraudes, analisá-las e propor uma estrutura adequada de investigação tendo
como base a inteligência no estabelecimento de mecanismos de prevenção e
combate.

3.7. Apresentação e análise dos resultados

De todo o acervo bibliográfico pesquisado, percebe-se que as fraudes vêm, ao longo


dos tempos, acompanhando o mundo dos negócios e das organizações quer seja
na esfera pública quer seja na iniciativa privada, contribuindo em alguns casos para
o crescimento de determinadas empresas, utilizando para tanto o engano,
ilegalidade, privilégios especiais, coerção, suborno, corrupção, intimidação,
espionagem e até mesmo o terror ostensivo. Fato é que as fraudes não são fáceis
de serem identificadas, pois o fraudador, em regra, cerca-se de cuidados para não
deixar pistas, daí a necessidade, e normalmente constitui medida a ser adotada
pelas empresas, de se contratar um serviço de auditoria com o propósito de se
proceder uma análise da situação utilizando para tanto, métodos específicos para
cada tipo de fraude e em qualquer tipo de empresa.

De acordo com Attie (1992) apud Silva e Nunes (2010), a fraude pode ser
identificada sob múltiplas modalidades que se dividem em:

 Não-encobertas: são aquelas que o autor não considera


necessário mascarar, porque o controle interno é muito fraco. Um
28

exemplo seria a retirada de dinheiro do caixa, sem se efetuar


nenhuma contabilização;
 Encobertas temporariamente: são feitas sem afetar os registros
contábeis; por exemplo, retirar dinheiro proveniente das cobranças,
omitindo o registro delas de modo que seu montante possa ser
coberto com o registro de cobranças posteriores, e assim
sucessivamente;
 Encobertas permanentemente: nesses casos, preocupa-se em
alterar a informação contida nos registros e outros arquivos, para
assim ocultar a irregularidade. Por exemplo, a retirada indevida de
dinheiro recebido de clientes poderia ser encoberta, falsificando-se
as somas dos registros de cobranças; porém, isto não bastaria, pois,
com o valor a creditar aos clientes não poderia ser alterado com o
risco de futuras reclamações, deve-se procurar outro artifício.

Entretanto, com a percepção dos prejuízos provocados pelas fraudes, ao longo dos
tempos, tanto administradores quanto auditores têm procurado desenvolver os seus
controles internos e técnicas com o objetivo de garantir a ausência de
inconformidades materialmente relevantes nas demonstrações contábeis.

Silva (2000) alerta: "estamos diante de um grande desafio, e para vencê-lo é


preciso, acima de tudo, o preparo adequado. Somente pessoas bem-treinadas e
atentas, dotadas de habilidade e de percepção, podem coibir a ação de
fraudadores".

Rasmussen (1988) apud Silva e Nunes (2010), explica que:

"os roubos e fraudes sempre começam em quantidade pequena e


aumentam sucessivamente com a confiança do delinqüente, pois não
existem sistemas de controles internos, auditoria e naturalmente uma
justiça severa que puna estes atos".

Em sua visão Silva e Nunes (2010) acreditam que:

“o fraudador sempre vai se acostumando com a situação e chega a


pensar que nunca vai ser descoberto por está fazendo coisa ilícita
que provem de apropriar de algo que não é seu, com isto acomoda
com a situação ao seu favor no primeiro momento e depois passa a
se descuidar e comete erros freqüentemente. “

Conforme dados extraídos da pesquisa de Silva e Nunes (2010), a Kroll, The Risk
Consulting Company e a Transparência Brasil (2002), realizaram uma pesquisa em
48 empresas para identificar o perfil dos fraudadores (Figura 1). De acordo com essa
29

pesquisa, não é possível identificar um perfil hierárquico que seja claramente mais
propenso a envolver-se em esquemas de fraudes.

Nível hierárquico – Propensão a envolver-se com fraude

FIGURA 1 – Perfil dos fraudadores de empresas.


Fonte: Kroll e Transparência Brasil

Com relação ao perfil do fraudador de acordo com a idade, o estudo permitiu


identificar que a maioria dos responsáveis por atos fraudulentos nas empresas é
composta por homens com mais de 30 anos e menos de 50 (Figura 2). Estabeleceu
ainda que a diferença que existe entre fraudador e fraudadora é que a mulher não
costuma colocar o dinheiro na conta, preferem ir imediatamente às compras, o que
dificulta ainda mais o levantamento de provas palpáveis.
30

Perfil do fraudador - idade

FIGURA 2 – Percentual de fraudadores por grupos de idade


Fonte: Kroll e Transparência Brasil

Quando a avaliação da pesquisa se refere a renda, verifica-se que a renda mensal


média do fraudador pode variar em função dos setores pesquisados. A média
ponderada geral chega a R$ 3.000,00, mas no setor de serviços a média simples cai
para R$ 2.600,00 e na indústria, sobe para R$ 3.600,00.
31

Perfil do fraudador – renda mensal

FIGURA 3 – Percentual de fraudadores por grupos de renda


Fonte: Kroll e Transparência Brasil

Da pesquisa desenvolvida pela Kroll e Transparência Brasil (2002), chegou-se a


algumas conclusões:

Quase todas as empresas (86%) consideram a fraude uma ameaça e


65% dizem já terem sido vítimas. A maioria das empresas (63%)
adota mecanismos internos de prevenção à fraude, e a ausência
deles é citada como o principal causador da fraude.
Na grande maioria dos casos. a fraude foi identificada por denúncia
de funcionários, clientes e outras partes envolvidas (73%). As
denúncias motivaram investigação interna (60%), demissão dos
envolvidos (86%) e implantação de controles (58%). Ação judicial é
instaurada por menos de um terço das empresas fraudadas. Apenas
12,5% das perdas foram recuperadas, e na maior parte dos casos via
negociação (58%).
A solução apontada com mais freqüência é o uso de controles
internos, seguida de uso de auditoria mais profunda e investigativa.
Parece existir um perfil do fraudador típico, embora qualquer
conclusão a respeito só possa ser atingida por comparação com os
dados a respeito da distribuição nacional da força de trabalho.
32

Segundo as empresas consultadas, o fraudador médio é homem,


tem 34-35 anos de idade, renda mensal de R$ 3.000,00 e
aproximadamente 3 anos de empresa, ou mais de 6 anos.

Quanto à utilização da inteligência como ferramenta para a prevenção e combate a


fraudes, pouco se estudou até então. De relevante, para a pesquisa proposta, foi
encontrada apenas uma breve nota em periódico da Previdência social (previdência
em questão, 2008), que ressalta os trabalhos desenvolvidos pela Assessoria de
Pesquisas Estratégicas e de Gerenciamento de Riscos – APE, responsável pelo
início das investigações visando o combate a fraudes no INSS. Ao trabalho de “(...)
investigação profunda e sigilosa em cada operação, que leva de em média de seis a
nove meses (...)” atribui-se o seu sucesso, principalmente, às ações estratégicas e
de procedimentos técnicos de inteligência.

Evidentemente, por questões de sigilo, não se tem noticia de nenhum detalhamento


relativo aos procedimentos técnicos de inteligência utilizados pela APE da
Previdência Social.

De igual forma, somente Carvalho e Oliva (2006) ao abordarem o tema “Prevenção


a fraudes em Empresas Industriais de Auto Peças na Região do Grande ABC”,
ousam atribuir à inteligência a importância que merece nessa seara. Entretanto, a
alusão que se faz se dá apenas como um mero mecanismo da auditoria interna com
o objetivo de coibir a prática de fraudes, não havendo, portanto, aprofundamento no
tema.

CAPÍTULO III

4. CONCLUSÃO

Tanto a prevenção quanto o estabelecimento de mecanismos para o combate a


fraude, tem se tornado uma séria preocupação para proprietários, gestores,
executivos e gerentes de empresas do segmento privado. É nítida a percepção dos
33

danos causados pelas fraudes, o que obriga a direção da empresa a implementar e


manter os mecanismos de controle interno atualizados.

Existe um perfil de fraudadores, englobando, praticamente todas as escalas


hierárquicas da empresa, que vai desde estagiários, passando pelos assistentes,
gerentes até os executivos chefes da organização. O resultado da pesquisa nos dá
conta de que, para o cometimento da fraude, não há acepção de gênero, variando
tão somente a destinação que se dá ao produto obtido: homens geralmente
“embolsam” o dinheiro enquanto as mulheres, em regra, “vão às compras”.
Entretanto, percebe-se que a maior dificuldade para a obtenção de provas se dá
quando o fraudador é do sexo feminino.

Ainda em relação aos perfis de fraudadores, quanto à faixa etária, percebe-se que
na fase de “amadurecimento” do ser humano tanto quanto sob o aspecto de
formação de personalidade e caráter quanto profissional, ou seja, dos 31 aos 40
anos é que se concentra o maior percentual de fraudadores. Quanto a renda dos
fraudadores, a média ponderada que chega aos R$3.000,00 (três mil reais), para os
padrões atuais, onde o salário mínimo vigente é da ordem de R$622,00 (seiscentos
e vinte e dois reais) denotam, que a maioria dos fraudadores ocupam lugar de
destaque na organização a que pertencem.

Os mecanismos adotados para a prevenção de fraudes, a luz da pesquisa, em regra


são totalmente dependentes de serviços de auditoria, interna ou externa, com a
utilização de relatórios contábeis em que é possível apurar a localização dos danos.
O estabelecimento de perícias aliado ao conhecimento aprofundado de fraude e
como detectá-las, também constituem fatores imprescindíveis para a prevenção de
sua ocorrência.

Quando uma empresa possui uma estrutura complexa, a falta de mecanismos de


controle adequado a deixa exposta a inúmeros e infindáveis riscos de toda espécie.

Para fazer face a essas possibilidades de ocorrência de fraudes, as empresas


deveriam conscientizarem da importância de ter, em sua estrutura, de uma central
de inteligência, que seria capaz de a partir da análise de informações, trabalhar tanto
34

no fomento ao desenvolvimento estratégico da organização, quanto no implemento


de medidas preventivas e corretivas contra ações criminosas tanto de seus
colaboradores quanto de terceiros.

Para minimizar os riscos de ocorrência de fraudes, conforme propõe Gomes (2000)


pode-se adotar diversas medidas, tais como:

Rodízio de profissionais, de cargo ou de funções; normas de


procedimentos; realização de pesquisa sobre a vida profissional e os
antecedentes criminais dos candidatos ao quadro de funcionários da
empresa; auditoria interna para estabelecer procedimentos mínimo
de controle capazes de identificar e coordenar serviços de
inteligência a fim de coibir a prática da fraude; elaboração de código
de conduta profissional, abrangendo o que a empresa e os
administradores entendem por comportamento ético e ainda canais
de denúncias anônimas.

Para Gomes (2000) quanto mais à empresa conhecer sobre o perfil do fraudador,
sua identidade, forma de agir e os motivos que conduzem a esta ação, será melhor
para a prevenção de fraudes.

Percebe-se que embora não estejam claramente citadas, as ações de inteligência


integram o rol de mecanismos de prevenção proposto. Cita-se, a guisa de exemplo,
a pesquisa social dos candidatos a quadro de funcionários da empresa. A partir de
informações dos antecedentes do candidato é possível determinar o grau de risco
que a empresa se sujeitará, caso opte por contratá-lo.

Outro mecanismo que a maioria das empresas vem adotando, e que alia-se com
técnicas de inteligência consiste na instalação de câmeras de vídeo e circuitos
fechados de TV, que permitam o acompanhamento da rotina de funcionários,
fornecedores, clientes e visitantes. Embora haja questionamentos na utilização
dessa modalidade de prevenção na esfera judicial, a simples existência, no mínimo
inibe a possibilidade de fraude.

Do que foi exposto e analisado percebe-se que a utilização da inteligência como


ferramenta de prevenção e combate a fraudes na iniciativa privada, ainda se dá de
forma incipiente e em determinados casos até inconsciente, pois é nítido o
35

desconhecimento dessa ferramenta no subsídio à formulação de planos que visem


medidas preventivas e protetivas contra fraudes.

É de bom alvitre considerar que um trabalho de pesquisa nunca esgota em si


mesmo, já que o assunto demonstra inúmeras vertentes a serem analisadas. A
pesquisa revelou várias possibilidades de trabalhos, bem como apontou lacunas que
carecem de serem preenchidas com a realização de novos estudos a serem
desenvolvidos na área de prevenção e combate a fraudes com a utilização da
inteligência.
36

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