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Biologia

Vivian L. Mendonça

ENSINO MÉDIO

e
um
BIOLOGIA

l
Vo
2º- ANO

MANUAL DO
PROFESSOR

Os Seres Vivos
Manual do Professor

Biologia
VOLUME

2
ENSINO MÉDIO
DIVULGAÇÃO PNLD

OS SERES VIVOS

COMPONENTE CURRICULAR:

BIOLOGIA
LIVRO NÃO CONSUMÍVEL

Vivian L. Mendonça
Licenciada e bacharel em Ciências Biológicas pelo Instituto
de Biociências da Universidade de São Paulo (USP). Mestra em Ciências
pelo Instituto de Biociências da Universidade de São Paulo (USP).
Professora da Rede Privada de Ensino na cidade de São Paulo.

3a- edição
SÃO PAULO
2016
Dados Internacionais de Catalogação na Publicação (CIP)
(Câmara Brasileira do Livro, SP, Brasil)

Joe McDonald/Getty Images


Mendonça, Vivian L.
Biologia : os seres vivos : volume 2 : ensino
“Em respeito ao meio ambiente, as folhas
médio / Vivian L. Mendonça. -- 3. ed. -- deste livro foram produzidas com fibras
São Paulo : Editora AJS, 2016. -- (Coleção obtidas de árvores de florestas plantadas,
biologia) com origem certificada.”
Componente curricular : Biologia
Suplementado pelo manual do professor.
Bibliografia.
ISBN 978-85-8319-120-9 (aluno)
ISBN 978-85-8319-121-6 (professor)
1. Biologia (Ensino médio) I. Título.
II. Série.

16-03584 CDD-574.07
Índices para catálogo sistemático:
1. Biologia : Ensino médio 574.07

Editores
Arnaldo Saraiva
Joaquim Saraiva
Apoio administrativo
Elizabete Portela
José Márcio Teixeira
William Lange
Apoio digital
Nelson Quaresma
Thiago Ferreira
Direção editorial
Vivian L. Mendonça
DIVULGAÇÃO PNLD

Gerência editorial
Michelle Beralde
Produção editorial
Editora AJS
Pesquisa iconográfica
Cláudio Perez
Leitura crítica
Carla Newton Scrivano
Revisão
Janaína L. Andreani Higashi (coordenação)
Vivian Nunes
Projeto gráfico e capa
Nelson Arruda
Thiago Oliver
Edição de arte
Nelson Arruda
Thiago Oliver
Editoração eletrônica
Nelson Arruda
Thiago Oliver
Saguy/Sammartes
Imagem da capa
Dikky Oesin/Shutterstock

Copyright © 2013 by Editora AJS Ltda.


Rua Xavantes, 719 - sala 632
CEP 03027-000 – São Paulo – SP
Tel.: (11) 2081-4677
Fax: (11) 2081-4677
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Impresso no Parque Gráfico da Editora FTD S.A.
CNPJ 61.186.490/0016-33
Avenida Antonio Bardella, 300
Guarulhos-SP – CEP 07220-020
Tel. (11) 3545-8600 e Fax (11) 2412-5375
Prezado Professor

N o sentido de contribuir com seu trabalho em sala de aula, estamos oferecendo-lhe


uma coleção de Biologia em três volumes, de aspecto agradável, interessante,
ricamente ilustrada e, acima de tudo, atualizada, completa e adequada às necessidades
do estudante do Ensino Médio.
Trata-se de um livro dosado, sem excessos, nem faltas. Os conceitos são abordados
de modo contextualizado, possibilitando aos estudantes compreender a Biologia como
Ciência dinâmica, pois dinâmica é a vida, em constante transformação. Oferecemos
sugestões de atividades e leituras que, sob sua orientação, podem contribuir com o
desenvolvimento cognitivo dos alunos.
Da mesma forma que os conhecimentos em Biologia estão interligados, existem fortes
relações entre essa e as outras Ciências da Natureza (Química e Física), e também com
outras áreas, como a Geografia e a Matemática. Além disso, o estudo dos seres vivos ocorre
em determinado contexto social, cultural e histórico, o que amplia ainda mais as relações
que podemos fazer entre conceitos da Biologia e outros campos do conhecimento.
Nesta coleção, essas relações estão presentes nos textos e nas atividades, buscando ampliar
a compreensão do mundo.
Nos livros desta coleção, os estudantes são convidados a relacionar conceitos entre
DIVULGAÇÃO PNLD

si e com observações que fazem em seu cotidiano, na região onde moram. A seleção de
temas e sua abordagem também foram feitas com o objetivo de abrir oportunidades de
refletir a respeito tanto de sua realidade local quanto global, e de tomar decisões sus-
tentáveis em sua vida, que favoreçam a conservação do meio ambiente e de sua saúde.
Trata-se, enfim, de um livro capaz de ajudar o jovem a conquistar novos espaços com
vista na sua formação profissional, mas também capaz de permitir-lhe a utilização prática
de seus conhecimentos, como cidadão consciente integrado à sociedade e à natureza.
Ficamos honrados em poder servir como recurso didático e de apoio às suas aulas e
estamos à disposição para esclarecimentos, sugestões e críticas. Desejamos estabelecer
uma parceria Autor-Professor(a), na promoção de um ensino de Biologia que contribua
efetivamente para a formação de cidadãos brasileiros conscientes e responsáveis.

Sucesso!
A autora e os editores
Conheça a estrutura deste livro

Organização dos temas

Este livro está organizado em Glossário etimológico


3 unidades temáticas, que iniciam
com uma imagem de abertura e uma Compreender o significado
lista de questões intrigantes, cujas de uma palavra é muito
respostas você encontrará ao longo melhor do que apenas
dos capítulos. A lista das unidades e memorizá-la. Pensando
dos capítulos consta do sumário. nisso, no final do livro você
encontra um glossário
Os capítulos estão organizados em
etimológico, com o qual
itens e subitens numerados, que
é possível compreender a
permitem localizar facilmente os temas.
origem e o significado de
Imagens complementam os textos, para
diversos termos próprios
melhor compreensão de cada assunto.
da Biologia.

Boxes complementares

Seções
DIVULGAÇÃO PNLD

CURIOSIDADE ATENÇÃO

Aqui você encontra in- Lembretes importantes


formações interessantes relacionados ao tema
a respeito de um tema estudado são colocados
abordado no capítulo. neste boxe.

RECORDE-SE MULTIMÍDIA

Este boxe ajuda a relem- Dicas de livros, sites e fil-


brar conceitos importantes mes; o ícone indica qual
para o entendimento de deles está sendo reco-
um tema. mendado.

PENSE E REÚNA-SE COM


Para toda regra, há exceção, e essa máxima também vale RESPONDA OS COLEGAS
para a Biologia. Na seção Vamos criticar o que estudamos?,
alguns assuntos abordados no capítulo são analisados de Questões para você re- Sugestões de atividades
maneira crítica. solver no caderno, usan- para fazer em equipe,
do seus conhecimentos e exigindo organização das
Em Leitura, você encontra textos para aprofundamen-
seu raciocínio. tarefas e criatividade.
to de um tema, muitas vezes relacionando-o a outras
áreas do conhecimento e com assuntos da atualidade.

ATIVIDADE PRÁTICA
Quando o texto foi retirado de uma obra ou quando
foram utilizadas fontes de consulta, elas estão indi-
cadas e, assim, você pode conferir essas referências
quando quiser se aprofundar no assunto. Na Ciência
também é assim: as informações são sempre forneci-
Roteiros que envolvem seleção de materiais e
das com base em trabalhos publicados anteriormente. sequência de procedimentos, para você e seus
Ao final de cada leitura, são propostas atividades para colegas realizarem observações, elaborarem e
auxiliar e ampliar a interpretação do texto. testarem hipóteses ou verificarem experimental-
Ao final de cada capítulo, há sugestões de Atividades mente determinados fenômenos, sempre sob a
para você resolver no caderno. supervisão do professor.
Professor: comentários e informações para auxiliarem o seu trabalho
em sala de aula estão presentes ao longo dos capítulos, na cor magenta.
Os seguintes ícones aparecem como lembretes para consulta ao Manual:
OBJETIVOS REFLEXÕES
ABERTURA COMENTÁRIOS SUGESTÃO
Símbolos nas imagens GERAIS DA
UNIDADE
DA UNIDADE GERAIS
SOBRE O ENSINO
DE BIOLOGIA
DE ATIVIDADE

Esquemas ou ilustrações, em Visualização à vista desarmada Imagem obtida com uso


que as cores nem sempre (a olho nu) – para objetos de lupa ou de microscópio
correspondem exatamente grandes, até o mínimo de estereoscópico de luz –
às cores reais dos objetos 10 milímetros (mm) em para objetos de 100 mm
representados, devido à sua sua maior dimensão. a 1 mm.
finalidade didática.

Quando aparecer um dos símbolos abaixo, trata-se de uma micrografia, ou imagem obtida ao microscópio. Utilizamos este
símbolo apenas para facilitar a identificação; os microscópios eletrônicos são muito diferentes dos microscópios de luz.

Imagem obtida ao microscópio de luz, apresentando Imagem obtida ao microscópio eletrônico


material tratado com corantes e/ou técnicas especiais – de transmissão, colorizada artificialmente –
para objetos de 10 mm a 0,01 mm. para objetos de 0,1 mm a 0,0001 mm.

Imagem obtida ao microscópio de luz, Imagem obtida ao microscópio eletrônico


ou óptico, apresentando a cor natural do de varredura, colorizada artificialmente –
material – para objetos de 10 mm a 0,01 mm. para objetos de 10 mm a 0,0001 mm.
DIVULGAÇÃO PNLD

As figuras estão representadas em diferentes escalas.


Este comentário aparece nas imagens que apresentam organismos ou estruturas
sem utilizar a mesma escala. Por exemplo: em uma fotomontagem, colocando
um gato e um carrapato na mesma escala, seria difícil visualizar o carrapato.
Assim, o gato estará representado em uma escala reduzida em relação ao seu
tamanho natural, enquanto o carrapato estará em escala ampliada em relação
Prensa Três

às suas dimensões reais.


James Gathany/CDC

Além do livro...
Você pode conhecer mais a respeito dos temas abordados neste livro por meio das dicas do boxe Multimídia e de
pesquisas em jornais, revistas, outros livros e recursos digitais. Buscar novos conhecimentos e compartilhar com os
colegas suas descobertas é uma excelente maneira de ampliar sua visão de mundo e exercitar sua autonomia.
Para encontrar informações relevantes e corretas ao fazer uma pesquisa na internet, é fundamental escolher boas
referências e tomar alguns cuidados importantes:

Escolha um site de busca confiável e delimite o assunto a pesquisar, pois quanto mais amplo o tema, maior a
dificuldade em encontrar o que deseja.
Escolha palavras-chave que levem diretamente ao que deseja saber. Dica: use duas ou mais palavras.
Confira se escreveu corretamente as palavras, pois erros ortográficos podem atrapalhar a busca.
Tenha instalado no navegador da internet uma ferramenta de segurança contra conteúdos impróprios e vírus.
Dê sempre preferência aos sites de organizações governamentais, instituições de pesquisa ou ONGs bem
estabelecidas, pois elas costumam ser mais exigentes quanto à qualidade de suas publicações.
Evite sites escritos por indivíduos ou grupos com alguma linha específica de pensamento, pois o conteúdo pode
ser de caráter opinativo e não imparcial.
Compare as informações encontradas em dois ou mais sites para garantir a veracidade dos dados.

Ao fazer uma pesquisa, anote os dados relevantes e registre sempre as fontes de onde foram coletados. Pesquisar
além do livro é uma ótima forma de rever conceitos e aprofundar seus conhecimentos.

Veja no Manual mais informações a respeito de pesquisas na internet.


Sumário

UNIDADE 1
Classificação dos seres vivos; biodiversidade I........................................................................................ 10

Capítulo 1 Capítulo 3
Classificação dos seres vivos....................................... 11 Moneras ..............................................................................................................................40
1 O que é um ser vivo?.............................................................................. 11 1 Introdução................................................................................................................... 40
2 Classificação dos seres vivos ............................................... 14 2 Arqueas ..............................................................................................................................41
2.1 Cladogramas: representando 3 Eubactérias ................................................................................................................42
o parentesco evolutivo em 3.1 Cianobactérias  ....................................................................................... 42
um diagrama ............................................................................... 16
3.2 Bactérias  .......................................................................................................... 43
3 Reinos de seres vivos ............................................................................ 19
4 Bactérias e saúde humana ........................................................47
4 Proposta do sistema dos três domínios ................... 21 4.1 Cárie dentária ......................................................................................... 47
VAMOS CRITICAR O QUE ESTUDAMOS?........................ 22 4.2 Disenteria ...................................................................................................... 47
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LEITURA .......................................................................................................................... 23 4.3 Meningite ....................................................................................................... 47


ATIVIDADES ............................................................................................................... 24 4.4 Hanseníase .................................................................................................. 47
4.5 Tuberculose ................................................................................................ 48
Capítulo 2 4.6 Tétano ................................................................................................................... 48
Vírus ............................................................................................................................................... 26 4.7 Cólera .................................................................................................................... 49
1 Vírus: características gerais ................................................... 26 4.8 Sífilis ........................................................................................................................ 49
1.1  o que são constituídos os vírus?......................... 27
D VAMOS CRITICAR O QUE ESTUDAMOS? ........................ 50
1.2 Um vírus pode parasitar LEITURA .......................................................................................................................... 51
qualquer tipo de célula?...................................................... 27 ATIVIDADES ............................................................................................................... 52
2 Vírus e saúde humana ........................................................................ 28
Capítulo 4
2.1  ripe e resfriado ................................................................................ 29
G
Protistas ..............................................................................................................................54
2.2 Aids  ............................................................................................................................ 30
1 Termos protista e protoctista .............................................. 54
2.3 Febre amarela e dengue ..................................................... 32
2.4 Poliomielite  ................................................................................................ 33 2 Protozoários ........................................................................................................... 56
2.5 Raiva  ....................................................................................................................... 34 2.1 Protozoários ameboides ...................................................... 56
2.6 H epatite .....................................................................................................................34 2.2 Protozoários ciliados ................................................................. 58
2.7 Caxumba  .......................................................................................................... 35 2.3 Protozoários flagelados ....................................................... 59
2.8 Catapora ou varicela ................................................................. 35 2.4 Protozoários esporozoários .......................................... 60
2.9 Sarampo  ........................................................................................................... 36 3 Protozoários e saúde humana .......................................... 60
2.10 Rubéola  .......................................................................................................... 36 3.1 Disenteria  ....................................................................................................... 60
2.11 Condiloma acuminado – HPV.................................. 36 3.2 Doença de Chagas ......................................................................... 61
VAMOS CRITICAR O QUE ESTUDAMOS? ........................ 37 3.3 Malária  ................................................................................................................ 62
LEITURA .......................................................................................................................... 38 3.4 Leishmanioses  ....................................................................................... 63
ATIVIDADES ............................................................................................................... 39 3.5 Tricomoníase  ............................................................................................ 63
3.6 Giardíase  .......................................................................................................... 63 Capítulo 5
3.7 Toxoplasmose  ......................................................................................... 63
Fungos ...................................................................................................................................... 71
4 Algas ....................................................................................................................................... 64 1 Introdução................................................................................................................... 71
4.1 Euglenófitas  ............................................................................................... 64 2 Estrutura básica de um
4.2 Dinoflagelados  ..................................................................................... 65 fungo multicelular...................................................................................... 72
4.3 Diatomáceas  ............................................................................................. 65 3 Fungos e mutualismo .......................................................................... 73
4.4 Feofíceas  .......................................................................................................... 66 4 Fungos e ser humano............................................................................. 74
4.5 Rodofíceas  .................................................................................................... 66 4.1 Micoses................................................................................................................ 75
4.6 Clorofíceas.................................................................................................... 66 5 Classificação e reprodução dos fungos................. 76
VAMOS CRITICAR O QUE ESTUDAMOS? ........................ 67 VAMOS CRITICAR O QUE ESTUDAMOS?........................ 78
LEITURA .......................................................................................................................... 68 LEITURA .......................................................................................................................... 79
ATIVIDADES ............................................................................................................... 69 ATIVIDADES ............................................................................................................... 80

UNIDADE 2
DIVULGAÇÃO PNLD

Biodiversidade II: Plantas .................................................................................................................................................................................................... 81


Capítulo 6 2.1 Tecidos de revestimento .................................................. 104
2.2 Tecidos condutores ................................................................... 105
Grandes grupos de plantas .............................................. 82
2.3 Tecidos de sustentação ..................................................... 106
1 Classificação das plantas ............................................................ 82
2.4 Tecidos de preenchimento .......................................... 106
1.1 Ciclo de vida das plantas .................................................... 83
2 Briófitas ............................................................................................................................ 84 3 Tecidos meristemáticos (meristemas)............ 107
2.1 Ciclo de vida das briófitas ................................................. 84 4 Germinação da semente ................................................... 108
3 Pteridófitas ............................................................................................................... 86
5 Raiz ....................................................................................................................................... 109
3.1 Ciclo de vida das pteridófitas ..................................... 87
5.1 
Raiz subterrânea e suas funções ...................... 109
4 Gimnospermas ....................................................................................................89
5.2 Estrutura interna das raízes ...................................... 110
4.1 Ciclo de vida das gimnospermas .......................... 90
5.3 Tipos de raiz .......................................................................................... 111
5 Angiospermas .......................................................................................................92
5.1 Ciclo reprodutivo das angiospermas ............. 94 6 Caule .................................................................................................................................. 114
VAMOS CRITICAR O QUE ESTUDAMOS?........................ 98 6.1 
Estrutura interna do caule ........................................... 114
LEITURA .......................................................................................................................... 99 6.2 Tipos de caule .................................................................................... 115
ATIVIDADES ........................................................................................................... 100
7 Folhas ............................................................................................................................... 119
Capítulo 7 8 Frutos ............................................................................................................................... 121
Morfologia e histologia 8.1 Pseudofrutos  ........................................................................................ 122
das angiospermas ................................................................................103 VAMOS CRITICAR O QUE ESTUDAMOS? .................... 123
1 Introdução .............................................................................................................. 103 LEITURA ...................................................................................................................... 124
2 Tecidos permanentes ....................................................................... 104 ATIVIDADES ........................................................................................................... 125
Capítulo 8 4 Movimentos ......................................................................................................... 132

Fisiologia das fanerógamas .......................................128 4.1 Tropismos  ................................................................................................... 132

1 Transpiração e
4.2 Nastismos  ................................................................................................... 136
transporte de seiva bruta ........................................................ 128 5 Outros hormônios vegetais ................................................. 136

2 Fotossíntese e transporte VAMOS CRITICAR O QUE ESTUDAMOS? .................... 137


de seiva elaborada ............................................................................... 131 LEITURA ...................................................................................................................... 138
3 Fotossíntese e respiração ....................................................... 131 ATIVIDADES ........................................................................................................... 141

UNIDADE 3
Biodiversidade III: Animais ........................................................................................................................................................................................143
Capítulo 9 VAMOS CRITICAR O QUE ESTUDAMOS? .................... 173
DIVULGAÇÃO PNLD

LEITURA ...................................................................................................................... 174
Introdução ao Reino Animal; poríferos e
ATIVIDADES ........................................................................................................... 175
cnidários ...................................................................................................................... 144
1 Animais: classificação e nomenclatura ............. 144 Capítulo 11
2 Poríferos .....................................................................................................................146 Moluscos e anelídeos ................................................................177
2.1 Reprodução das esponjas ............................................. 148 1 Moluscos .................................................................................................................... 177
2.2 Regeneração em esponjas .......................................... 149 1.1  rganização geral
O
3 Cnidários .................................................................................................................... 149 do corpo de um molusco ................................................. 178
3.1 
Reprodução dos cnidários ............................................ 152 1.2 Diversidade de moluscos ............................................... 179
3.2 Classificação dos cnidários ........................................ 154
2 Anelídeos .................................................................................................................. 183
VAMOS CRITICAR O QUE ESTUDAMOS? .................... 155
2.1 Diversidade de anelídeos.............................................. 184
LEITURA ...................................................................................................................... 156
VAMOS CRITICAR O QUE ESTUDAMOS? .................... 187
ATIVIDADES ........................................................................................................... 157
LEITURA ...................................................................................................................... 188
Capítulo 10 ATIVIDADES ........................................................................................................... 189
Platelmintos e nematódeos ......................................159 Capítulo 12
1 Significados dos nomes ............................................................... 159 Artrópodes............................................................................................................... 191
2 Platelmintos ........................................................................................................ 160 1 O maior grupo de seres vivos ......................................... 191
2.1 Turbelários ............................................................................................... 161
2 Características morfológicas........................................... 192
2.2 Trematódeos ......................................................................................... 163
2.3 Cestódeos................................................................................................... 165 3 Reprodução .......................................................................................................... 195

3 Nematódeos (Filo Nematoda) ........................................ 167 4 Desenvolvimento...................................................................................... 196


3.1  ematódeos parasitas
N 5 Fisiologia: respiração,
do ser humano .................................................................................. 168 circulação e excreção..................................................................... 198
6 Grupos de artrópodes ..................................................................... 199 Capítulo 15
6.1 Insetos ............................................................................................................... 199 Répteis ...............................................................................................................................245
6.2 Crustáceos ................................................................................................ 203
1 Origem dos répteis ................................................................................ 245
6.3 Aracnídeos ............................................................................................... 204
6.4 Quilópodes e diplópodes ............................................... 206
2 Répteis atuais
e suas principais características ............................... 245
VAMOS CRITICAR O QUE ESTUDAMOS? .................... 207
LEITURA ...................................................................................................................... 208 3 Anatomia e fisiologia dos répteis ...........................248
ATIVIDADES ........................................................................................................... 209 4 Grupos atuais de répteis ........................................................... 249

Capítulo 13 4.1 Quelônios ................................................................................................................249


4.2 Crocodilianos ...................................................................................... 250
Equinodermos; introdução
4.3 Rincocéfalos .......................................................................................... 251
ao filo dos cordados ......................................................................211
4.4 Escamosos ................................................................................................ 251
1 Equinodermos ................................................................................................. 211
VAMOS CRITICAR O QUE ESTUDAMOS? .................... 258
1.1 Características gerais ............................................................ 212
LEITURA ...................................................................................................................... 259
2 Cordados .................................................................................................................... 215
ATIVIDADES ........................................................................................................... 260
2.1 Urocordados .......................................................................................... 215
DIVULGAÇÃO PNLD

2.2 Cefalocordados.............................................................................. 216 Capítulo 16


2.3 Vertebrados ou craniados............................................. 217
VAMOS CRITICAR O QUE ESTUDAMOS? .................... 219
Aves e mamíferos ..................................................................................262
LEITURA ...................................................................................................................... 220 1 Semelhanças entre aves e mamíferos .......... 262
ATIVIDADES ........................................................................................................... 221 2 Características específicas
das aves ........................................................................................................................264
Capítulo 14
2.1 Sentidos ......................................................................................................... 266
Peixes e anfíbios.......................................................................................223
2.2 Penas das aves .................................................................................. 266
1 Semelhanças entre peixes e anfíbios.............. 223
2.3 Digestão, excreção e reprodução
2 Características específicas das aves ......................................................................................................... 267
dos peixes................................................................................................................. 224 3 Classificação das aves ................................................................... 268
3 Características dos
4 Características específicas
diferentes grupos de peixes ............................................... 228
dos mamíferos ................................................................................................ 270
3.1 Ciclóstomos ou ágnatos .................................................... 228
5 Classificação dos mamíferos .......................................................... 272
3.2 Condrictes ................................................................................................. 229
3.3 Osteíctes ...................................................................................................... 230
5.1 Prototérios ou monotremados .............................. 272
5.2 Metatérios ou marsupiais .............................................. 273
4 Características específicas dos anfíbios ...........232
5.3 Eutérios .......................................................................................................... 273
5 Características dos diferentes
VAMOS CRITICAR O QUE ESTUDAMOS? .....................275
grupos de anfíbios ................................................................................. 235
LEITURA ...................................................................................................................... 277
5.1 Anuros ............................................................................................................... 235
5.2 Urodelos ....................................................................................................... 236
ATIVIDADES ........................................................................................................... 279
5.3 Ápodas ou gimnofionos .................................................... 236
Glossário etimológico .................................................... 282
VAMOS CRITICAR O QUE ESTUDAMOS? .................... 237
LEITURA ...................................................................................................................... 239 Índice remissivo ............................................................................284
ATIVIDADES ........................................................................................................... 242 Bibliografia ............................................................................................... 288
UNIDADE Classificação

1 dos seres vivos;


biodiversidade I
OBJETIVOS
GERAIS DA
UNIDADE
ABERTURA
DA UNIDADE

Joe McDonald/Getty Images


DIVULGAÇÃO PNLD

Ao longo desta unidade, você encontrará respostas


para as questões seguintes e muitas outras:

Existe algo que seja comum a todos os seres vivos?


No solo de uma floresta
Quais os critérios que os cientistas usam para classificar os seres vivos? temperada, no hemisfério Norte,
vemos dois animais (a salamandra,
Por que é tão difícil classificar os vírus?
que mede cerca de 6 cm de
Quais são as diferenças entre bactérias e vírus? comprimento, e um pequeno
O que algas e protozoários têm em comum? aracnídeo), plantas e um fungo
(em rosa). O que esses seres vivos
Qual é a relação entre os fungos e a penicilina? possuem em comum?

10
capítulo
Classificação dos
1 seres vivos
Sendo este o primeiro capítulo do livro, é importante comentar a respeito das imagens de microscopia.
Os símbolos que indicam o tipo de microscopia estão apresentados no início do livro e os alunos devem COMENTÁRIOS
se habituar a eles. A imagem de bactérias mostrada nesta página é uma micrografia eletrônica de GERAIS
varredura, colorizada por meio de software específico.

1 O que é um ser vivo?


Todos nós temos uma ideia do que é vida e todos somos capazes
de dar exemplos de seres vivos. Os mais populares são, certamente,
as plantas, como árvores e samambaias, e os animais, como cavalo, Ph
ot
cachorro, jacaré. o

di
sc
/A
Podemos entender vida como sendo o conjunto de caracteres que

qur
i vo
mantém os seres em constante atividade.

da
ed
i to
Essa é uma forma interessante de conceituarmos vida, mas apesar de

ra
parecer tarefa simples reconhecer um ser vivo, identificar a vida em alguns
DIVULGAÇÃO PNLD

seres pode se tornar uma tarefa complexa, principalmente naqueles que


são microscópicos, como bactérias e vírus. Algumas bactérias, por exemplo,
podem permanecer inativas por vários anos, sob a forma do que chamamos
vida latente.
Os seres vivos também foram definidos como seres constituídos por cé-
lulas. Esse enunciado foi proposto no século XIX por Schleiden e Schwann e faz
parte da chamada teoria celular.

Eye
Existem seres unicelulares, isto é, formados por uma única célula, enquanto

of S c i e n ce / S P L
outros são multicelulares, que apresentam muitas células. A teoria celular foi ela-
borada a partir da verificação de que plantas e animais possuem o corpo consti-

/ La
tuído por células. Com os avanços nos estudos do mundo microscópico, bactérias

tin
st
oc
4 µm k
e outros seres unicelulares foram inseridos na teoria celular. Essa teoria, no en-
tanto, não contempla o grupo dos vírus, que são seres desprovidos de organiza- Apesar de tão
ção celular. Na época das observações que levaram à sua formulação, os micros- diferentes, o cachorro e
cópios possuíam uma capacidade de aumento e resolução limitadas, e os vírus as bactérias são seres
vivos e compartilham
ainda não eram conhecidos.
várias características.
Outra definição de ser vivo baseia-se em uma característica existente em
bactérias, plantas, fungos, protistas, animais e nos vírus: presença de ácidos nu-
cleicos. Não se trata, portanto, de uma característica exclusiva das células, mas ATENÇÃO
que só é observada em seres vivos.
Conceitos representam
noções gerais a respei-
Seres vivos são aqueles que possuem ácido nucleico. to de algo, o que não
significa que essas no-
ções sejam válidas para
Esse é um conceito importante, mas para entendê-lo precisamos saber o que todos os elementos de
é um ácido nucleico. um mesmo grupo. Em
Os ácidos nucleicos são substâncias complexas, formadas por numerosos gru- todos os grupos há
pos chamados nucleotídeos. Cada nucleotídeo é composto por três moléculas: exceções, que não ne-
gam os conceitos.
uma de fosfato, uma de açúcar e uma de base nitrogenada.
A estrutura e a função dos ácidos nucleicos são abordadas com mais detalhes no volume 1 desta coleção e serão retomadas no
volume 3. Para o presente volume, não se pretende uma análise detalhada ou aprofundada do DNA e sua natureza química.

11
capítulo
1

Existem dois grupos de ácidos nucleicos: o ácido desoxirribo-


Trecho de molécula de DNA nucleico (DNA) e os ácidos ribonucleicos (RNAs), que podem
ser de vários tipos. Veja ao lado um esquema representando
Osvaldo Sequetin/Arquivo da editora

Estrutura em
dupla-hélice Estrutura plana a molécula de DNA.
C G De maneira geral, os ácidos nucleicos são responsáveis pelo
G C controle das características e pelo funcionamento das célu-
T A las. No DNA localizam-se os genes, regiões que são transcri-
G C
T A
tas em moléculas de RNA atuantes em diferentes processos
A T celulares, especialmente na síntese de proteínas. Por conter
esqueleto de C G os genes, o DNA está relacionado com a transmissão das ca-
desoxirribose C G racterísticas hereditárias ao longo das gerações. Além disso,
e fosfato T A o DNA é responsável por comandar a síntese de proteínas e
G C
o processo de divisão celular.
G C
T A Existem numerosas diferenças entre as células dos diferentes
T A seres vivos e também entre as células de um mesmo indivíduo
A T multicelular. No entanto, é possível afirmar que todas as células
C G
têm membrana plasmática, citoplasma e material genético. Esse
C G
material genético pode estar contido em uma região da célula
bases delimitada por uma estrutura membranosa chamada carioteca
nitrogenadas
(membrana nuclear ou envelope nuclear), formando o núcleo da
célula, ou pode estar disperso em uma região do citoplasma não
O DNA está aqui delimitada pela carioteca e que se chama nucleoide.
DIVULGAÇÃO PNLD

representado de
acordo com o modelo Considerando a presença ou ausência de carioteca, as células são divididas em
da dupla-hélice. dois grupos: células com carioteca são chamadas eucarióticas, e células sem cario-
As bases nitrogenadas teca são chamadas procarióticas.
do DNA são: adenina (A), A etimologia ajuda-nos a ter uma ideia da origem e do significado das pala-
timina (T), citosina (C) vras e, assim, podemos entendê-las melhor. No entanto, nem sempre ela nos dá a
e guanina (G). acepção exata. Assim, por exemplo, a etimologia de procariótica só é bem enten-
O emparelhamento
dida quando comparamos com eucariótica: seria algo como “célula mais simples
entre elas é específico.
do que a eucariótica”. Esta, por sua vez, tem etimologia mais precisa: célula com
Oriente os alunos a
consultarem o glossário
núcleo verdadeiro, significando algo como “núcleo individualizado por carioteca”.
etimológico, disponível
no final do livro.
Em função de serem constituídos por células eucarióticas ou procarióticas, os
seres vivos podem ser classificados, respectivamente, em dois grupos: eucariontes
e procariontes. Os procariontes são, em sua maioria, unicelulares e os eucarion-
tes podem ser uni ou multicelulares. As bactérias são exemplos de procariontes,
enquanto plantas e animais são exemplos de eucariontes.

Célula procariótica Célula eucariótica animal


Osvaldo Sequetin/Arquivo da editora

Osvaldo Sequetin/Arquivo da editora

membrana plasmática núcleo


nucleoide

membrana
nuclear ou
citoplasma carioteca

citoplasma membrana
5 µm plasmática
0,5 µm

Esquemas feitos com base em imagens de microscopia eletrônica, ilustrando uma célula procariótica e uma célula
eucariótica animal, com partes removidas para representar a estrutura interna.

12
capítulo
1

Os seres vivos podem sofrer alterações em seu material genético, Ameba:


chamadas mutações, que podem ser transmitidas de um indivíduo para reprodução assexuada
seus descendentes por meio da reprodução. Essa transmissão depende

Osvaldo Sequetin/Arquivo da editora


da forma de reprodução do ser vivo e do tipo de mutação. Nos seres ameba
humanos e em outros mamíferos, por exemplo, as alterações genéti-
cas podem ser transmitidas de pais para filhos quando afetam células
da linhagem reprodutiva: os gametas e as células que os originam. Isso
acontece em todos os seres com reprodução sexuada, mas, nos que se
reproduzem de modo assexuado, as mutações que ocorrem em células divisão
celular
somáticas podem ser transmitidas aos descendentes.
As mutações constituem um dos fatores responsáveis pela alteração
no patrimônio genético de uma população, o que resulta aumento de
variabilidade. Assim, em uma população, os seres vivos não são todos
geneticamente idênticos.
Considere, por exemplo, uma ameba, que é um eucarionte unice-
lular de água doce. Sob condições favoráveis, a ameba pode sofrer di-
visão celular, originando dois novos indivíduos; cada um deles cresce
e se divide, e assim sucessivamente. Depois de algum tempo, todos os
descendentes da ameba inicial formarão uma população, como mostra
o esquema ao lado.
Se não ocorreram mutações genéticas durante a formação dessa po-
DIVULGAÇÃO PNLD

pulação de amebas, ela será composta por clones da ameba inicial, ou


seja, todos os indivíduos ali presentes serão idênticos do ponto de vis-
ta genético. No entanto, com a ocorrência de mutações genéticas, as
amebas dessa população hipotética certamente apresentarão diferen-
ças entre si, como a produção de determinada substância por apenas
alguns indivíduos da população.
De modo simplificado, podemos afirmar que as características de
um grupo de indivíduos são selecionadas pelas condições do ambiente. população final de amebas
Aqueles indivíduos que apresentam características favoráveis à sobre-
vivência em determinado ambiente têm chances maiores de se repro- Esquema
duzir e deixar descendentes, o que não acontece com aqueles que não possuem representando a
tais características. Esse processo, explicado aqui de modo extremamente simpli- formação de uma
ficado, é chamado seleção natural. população de
amebas a partir de
A ação da seleção natural sobre um grupo de indivíduos modifica a variabili- um indivíduo. A
dade do patrimônio genético da população, uma vez que algumas características ameba é um organismo
hereditárias são positivamente selecionadas e outras não. Isso faz com que, ao com cerca de 0,5 mm
longo do tempo, os indivíduos apresentem modificações em relação às gerações de diâmetro, quando
passadas, podendo formar grupos distintos. Esse processo é chamado evolução. está com formato
arredondado.
Assim, tratamos aqui de mais duas características dos seres vivos: eles se repro-
duzem e evoluem ao longo do tempo. A evolução é um fenômeno que resulta na
formação de novas espécies. Vamos entender o que é uma espécie no item a seguir.

REÚNA-SE COM OS COLEGAS

Charles Darwin e Alfred Russel Wallace foram os cientistas que propuseram, de forma indepen-
dente, a ideia de evolução por seleção natural, em meados do século XIX. Com um colega,
busquem informações a respeito desses cientistas, em livros e sites de divulgação científica, e
escolham uma das biografias para representar, na forma de quadrinhos, texto narrativo ou canção.
Veja comentários no Manual. Esta atividade pode ser realizada em conjunto com a área de Língua Portuguesa.

13
capítulo
1 Sim, eles pertencem à mesma classe, que é uma categoria mais abrangente do que ordem. Não é possível saber se pertencem ou não à mesma
família, pois uma classe pode abrigar diversas famílias.

PENSE E
RESPONDA
2 Classificação dos seres vivos
Analise o diagrama A área da Biologia que busca classificar os seres vivos de acordo com seu pa-
abaixo e responda no rentesco evolutivo é a Sistemática.
caderno: se dois orga- A unidade de classificação biológica é a espécie, conjunto de organismos seme-
nismos pertencem à lhantes entre si, que compartilham diversas características exclusivas deles como resul-
mesma ordem, é pos-
tado do processo evolutivo. Essas características podem ser, entre outras, anatômicas,
sível afirmar que eles
pertencem à mesma fisiológicas, comportamentais e moleculares. Espécies próximas evolutivamente são
classe? E que perten- agrupadas em gêneros, os gêneros em famílias, as famílias em ordens, as ordens em
cem à mesma família? classes, as classes em filos (ou divisões, em Botânica) e os filos em reinos.
Justifique.
e ori s de ssifi o
Equipe NATH/Arquivo da editora

Domínio

Reino
Filo ou Divisão

Classe

Ordem

Família
DIVULGAÇÃO PNLD

Gênero Gênero
Espécie Espécie Espécie Espécie

Esquema representando
as categorias de
classificação biológica
na forma de conjuntos.

Atualmente, uma categoria superior a reino tem sido considerada: domínio.


Assim, o domínio passa a ser a categoria de classificação mais ampla, baseada em
critérios mais abrangentes.
SUGESTÃO
DE ATIVIDADE Existem regras internacionais que estabelecem a maneira como algumas des-
sas categorias taxonômicas devem ser escritas. Vamos comentar apenas as regras
que se referem à espécie.
O nome da espécie é sempre constituído de duas partes, ou seja, é binomial. A
proposta da nomenclatura binomial partiu do sueco Carolus Linnaeus, ou Lineu
(1707-1778), e é até hoje a forma adotada.
Photodisc /Arquivo da edito
ra O primeiro nome corresponde ao do gênero e é escrito com letra ini-
cial maiúscula. O segundo é conhecido por epíteto específico e forma,
com o primeiro, o nome da espécie. O epíteto específico não é usado
sozinho e é escrito com letra minúscula.
Gênero Epíteto específico No caso da bananeira (banana-maçã e banana-prata), por exem-
plo, o nome da espécie é Musa paradisiaca. O nome científico é es-
crito em latim, com letra do tipo itálico ou grifado.
Musa cavendishii
Se Musa paradisiaca é o nome da espécie, o gênero é Musa.
O gênero Musa contém outras espécies, como a banana-nanica,
Espécie
por exemplo, cujo nome científico é Musa cavendishii.
Os nomes das espécies de bananeira estão de acordo com: DELECAVE, B. Bananas de todas as qualidades. Museu Invivo, Fundação Oswaldo Cruz.
Disponível em: <http://www.invivo.fiocruz.br/cgi/cgilua.exe/sys/start.htm?infoid=1076&sid=2>. Acesso em: 16 maio 2016.
14
capítulo
1

Considere outro exemplo: o nome científico do feijão comum é


Phaseolus vulgaris. Isso significa que ele pertence ao gênero Phaseolus

Rasbak/Acervo do fotógrafo
e à espécie Phaseolus vulgaris. Não podemos dizer que a espécie é
vulgaris porque essa não é a regra – e neste exemplo haveria ainda
uma complicação: vulgaris é também o epíteto específico de outras
espécies, como a beterraba, cujo nome científico é Beta vulgaris, e a
hidra da espécie Hydra vulgaris.
Um exemplo de espécies animais com o mesmo “sobrenome”
é o do pássaro saí-andorinha e de um tipo de lagarto. Ambos pos-
suem o mesmo epíteto específico – viridis: Tersina viridis (uma ave) Phaseolus vulgaris, o feijoeiro. A vagem
mede cerca de 15 cm de comprimento.
e Lacerta viridis (um réptil).
A partir do século XX, com a teoria da evolução biológica já es-

AGE Fotostock/Grupo Keystone


tabelecida no meio científico, surgiram propostas de classificação
baseadas nas relações evolutivas entre espécies. Nesse contexto,
desenvolveu-se a sistemática filogenética, ou cladística, proposta
na década de 1960 pelo biólogo alemão Willi Hennig e atualmen-
te utilizada pelos biólogos.
Podemos citar uma diferença entre a tradicional classificação com
base no sistema de Lineu, e a cladística: os peixes. Tradicionalmente,
os peixes eram classificados como uma classe, dentro do subfilo dos
Beta vulgaris, a beterraba. A raiz possui
vertebrados. Segundo a análise filogenética, os animais conhecidos cerca de 8 cm de diâmetro.
DIVULGAÇÃO PNLD

como peixes não descendem de um único grupo ancestral comum


e exclusivo e, por isso, não compõem uma categoria de classifica-

Sinclair Stammers/SPL/Latinstock
ção. Existem diversos grupos, ou táxons, de animais popularmente
conhecidos como peixes, cada um deles definido por seu ancestral
comum e exclusivo.
A sistemática filogenética trouxe, assim, reformulações no
conceito de espécie e nas categorias superiores de classifica-
ção. Como essa é uma área relativamente recente da Biologia,
e como surgem novos dados para análise a cada dia, as classifi-
cações dos seres vivos têm sofrido grandes mudanças, em todos Hydra vulgaris, animal aquático de vida
os níveis hierárquicos. livre (cerca de 0,5 cm de comprimento).

Ao lado, um casal de saí-andorinha, PENSE E RESPONDA


e espécie Tersina viridis, e abaixo o lagarto
to n

Lacerta viridis. Ambos medem cerca de


AGE Fotostock /Grupo Keys

Consulte o glossário etimológico e explique


15 cm de comprimento. A palavra latina
em seu caderno o significado do termo
viridis significa verde; o epíteto específico filogenética.
das espécies se refere, portanto, à cor dos
animais. O saí-andorinha macho adulto Filo, do grego philos = amigo; relacionado a. Genético,
do grego genes = origem. Filogenético é o que se refere
possui cor azul, mas o macho jovem e a à história evolutiva dos seres vivos.
fêmea são verdes.
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15
capítulo
1

PENSE E 2.1 Cladogramas: representando o parentesco


RESPONDA REFLEXÕES
evolutivo em um diagrama SOBRE O ENSINO
DE BIOLOGIA
Consulte o glossário
etimológico e explique, Seguindo os princípios da sistemática filogenética, as relações evolutivas en-
em seu caderno, por tre seres vivos são representadas em diagramas especiais chamados cladogra-
que os cladogramas mas. Existem cladogramas que indicam o parentesco evolutivo entre espécies,
receberam esse nome. mas também é possível construir cladogramas utilizando as outras categorias
de classificação.
O cladograma é um diagrama
em forma de ramos (clados),
que representa as linhagens
Para a construção de cladogramas são analisadas, de modo comparativo, di-
evolutivas como ramos que versas características, tais como anatômicas, embriológicas, fisiológicas, compor-
partem de nós.
tamentais, moleculares e até mesmo características dos fósseis.

ATENÇÃO
São considerados fósseis quaisquer vestígios da presença de seres vivos em tem-
pos remotos da Terra, como esqueletos petrificados, pegadas de animais extintos,
O cladograma é um
impressão de folhas extintas nos sedimentos e insetos preservados inteiros den-
tipo de árvore filoge- tro de âmbar (resina endurecida produzida por certos tipos de pinheiros fósseis).
nética, como são cha- Nessa análise comparativa, são consideradas as variações dentro de cada uma das
mados genericamente características, procurando definir qual variação pode ser considerada uma no-
os diagramas que re-
vidade evolutiva e qual seria a condição primitiva, ou seja, já estava presente no
presentam filogenias,
ou seja, o parentesco grupo ancestral. As novidades evolutivas, ou condições derivadas, são considera-
evolutivo entre táxons. das na formação e distinção entre os grupos.
Os cladogramas se- Vamos dar um exemplo hipotético. Suponhamos que estamos estudando um
DIVULGAÇÃO PNLD

guem os princípios da
grupo de mamíferos e verificamos que para a característica cor do pelo há duas
sistemática filogenética
para serem elaborados. variações: alguns animais têm pelo preto e outros marrom. De posse dessa infor-
mação, nosso próximo passo é saber se a pelagem de cor preta mudou para mar-
rom ou se a pelagem marrom mudou para preta.
Como os cientistas fazem para entender, em relação a uma determinada ca-
MULTIMÍDIA
racterística, qual é a condição primitiva e qual é a derivada? Existem diversos
Sistemática e evo-
métodos de análise e vamos comentar um deles, de modo simplificado, que é a
lução para o Ensino comparação do grupo de estudo, ou grupo interno, com um ou mais grupos ex-
Médio ternos. São analisados outros grupos de animais com pelo e que tenham surgido
primeiro na história evolutiva, para saber qual das cores estava presente na pe-
Reprodução

lagem desses indivíduos. Se for a cor preta, então a cor marrom seria a novidade
evolutiva (condição derivada). Se for pelagem marrom, então a cor preta seria
a novidade evolutiva. Supondo que nessa análise tenhamos verificado que a cor
preta do pelo é a novidade evolutiva, ela será usada para definir um novo agru-
<http://www.bdc. pamento: o dos animais de pelagem preta. A cor marrom é, portanto, a condi-
ib.unicamp.br/bdc/ ção primitiva do caráter cor do pelo e a cor preta é a condição derivada. Usando
visualizarMaterial. raciocínio semelhante a esse para as demais características, podemos saber, para
php?idMaterial=531#. cada uma delas, qual é a condição derivada e qual é a condição primitiva. Então,
Vuhj9mQrLYU>
Utilize o tutorial intera-
com base nas condições derivadas observadas em cada grupo analisado, é possí-
tivo do módulo 2, com vel elaborar um cladograma.
atividades e simulado- Na evolução das espécies pode ter ocorrido perda de características (ou caracteres).
res, para compreender Essa perda também é considerada na construção dos cladogramas.
os princípios da sis-
temática filogenética Voltando ao nosso exemplo hipotético, suponhamos que se descubra uma li-
e da construção de nhagem dos mesmos mamíferos que, pela análise de diversos caracteres, revela-
cladogramas, que des- -se mais recente na linhagem evolutiva do que os de pelagem preta. No entanto,
crevem a evolução dos esses animais, surgidos mais recentemente, possuem pelos de cor marrom. Isso
seres vivos. indica que a cor marrom da pelagem teria aparecido de modo independente nes-
Acesso em: 28 mar. 2016.
sa linhagem recente.

16
capítulo
1

Observe ao lado uma matriz de análise que mostra a relação evolutiva Espécies
entre três espécies, que vamos chamar de A, B e C. Suponhamos terem
Caracte- Grupo
sido analisados cinco caracteres, cada um com duas variações. A cor cin- rística externo
A B C
za representa a condição primitiva de uma determinada característica e
1
as outras cores representam diferentes condições derivadas.
2
Note que as espécies A, B e C compartilham apenas uma caracterís- 3
tica, a de número 1. As espécies B e C compartilham, além da caracte-
4
rística 1, o caráter de número 3.
5
Com base nessa matriz, podemos elaborar o diagrama de ramos
(clados), que partem de pontos comuns, chamados nós. Cada nó representa o an- Acima, matriz de
análise da relação
cestral comum hipotético das espécies que dele partem. Os grupos que descendem
evolutiva entre as
do ancestral são colocados nos terminais, que são os ápices dos ramos. espécies A, B e C.
Tempo mais Espécie A Espécie B Espécie C
recente Ao lado, cladograma
simplificado mostrando
relações de parentesco
evolutivo entre as
Nó 2 espécies A, B e C.
Equipe NATH/Arquivo da editora

Novidade ou perda
evolutiva; condição
derivada de uma
característica
DIVULGAÇÃO PNLD

compartilhada apenas
pelas espécies B e C.
Nó 1 Não existe em A.

O cladograma contém muitas informações e, por isso, é importante aprender a


interpretá-lo. Observe no cladograma acima que os grupos representados por B e C
possuem um ancestral comum (nó 2) que não é compartilhado com A. O parentesco
evolutivo entre os grupos B e C é, portanto, mais próximo do que o parentesco entre
A e B ou entre A e C. Grupos que compartilham um mesmo ancestral comum exclusi-
vo são chamados grupos-irmãos. Assim, B e C são grupos-irmãos.
Todos os ramos que partem de um mesmo nó formam um grupo monofilético.
Assim, todos os grupos-irmãos são monofiléticos.
Vamos analisar agora o cladograma a partir do nó 1, que dá origem ao ramo
da espécie A e ao ramo que originou B e C. Assim, A e (B + C) compõem um gru-
po monofilético. Analisando agora o nó 2, notamos que dele partem apenas os
ramos que originaram B e C. Assim, B e C formam outro grupo monofilético den-
tro do grupo monofilético maior formado a partir do nó 1. Há, no cladograma, CURIOSIDADE
portanto, grupos monofiléticos dentro de outros grupos monofiléticos maiores.
Observe também que a posição do nó 1 e a posição do nó 2 indicam uma re- Geralmente, existem
mais de duas variações
lação de tempo evolutivo: o ancestral comum representado por 1 é mais antigo para um determinado
que o ancestral representado por 2. As linhas do cladograma não apresentam, caráter e o número
porém, comprimento proporcional aos intervalos de tempo. O tempo informado de caracteres consi-
é relativo, ou seja, sabe-se apenas se um nó ocorreu antes ou depois do outro. derados na análise
é grande. Assim, os
As condições derivadas são indicadas nos ramos como traços, os chamados “pas-
cientistas utilizam re-
sos” do cladograma. Muitas vezes, a partir da mesma matriz de condições primitivas cursos da matemática
e derivadas, é possível obter mais de um cladograma – neste caso, aplica-se o prin- e da informática, como
cípio da parcimônia: um cladograma deve ter o menor número possível de passos. softwares específicos,
para a elaboração de
O que vimos aqui está muito simplificado, mas serve para dar uma ideia de
cladogramas.
como a história evolutiva pode ser interpretada.
Uma fonte de consulta sobre filogenia e cladogramas é o material “Introdução à Filogenética para Professores de Biologia”,
da Profa Dra Suzana Ursi, da Universidade de São Paulo, disponível em:
<http://www2.ib.usp.br/index.php?option=com_docman&task=doc_download&gid=59&Itemid=98>. Acesso em: 07 abr. 2016.
17
capítulo
1

ATIVIDADE PRÁTICA

Montagem e análise de um cladograma


O seu desafio é montar um cladograma que mostre as relações evolutivas entre seres fictícios. Apesar
de a atividade ser extremamente simplificada, você poderá utilizar os princípios da sistemática filogené-
tica, verificando o que aprendeu.

Material necessário
• Papel;
• lápis;
• régua;
• ilustração dos seres fictícios (veja a seguir).

Procedimentos
1. Considere os seres fictícios do planeta imaginário LES-1. Imagine que você e seus colegas formam um
grupo de sistematas, cientistas que estudam a classificação dos seres vivos e as relações evolutivas
entre as diferentes espécies. Vocês foram convidados a estudar cinco novas espécies descobertas em
LES-1. Essas espécies compartilham diversas semelhanças e definiu-se uma sexta espécie como sendo
o grupo externo.
DIVULGAÇÃO PNLD

Equipe NATH/Arquivo da editora


Grupo externo Vidente Dáctila Manchada Antenada Armada

2. A partir do grupo externo, define-se, para cada característica qual é a condição primitiva e quais são as
derivadas. Façam uma lista dessas características, determinando, para cada uma delas, qual é a condição
primitiva e quais são as derivadas.
3. Em seguida, montem uma tabela relacionando cada caráter e suas variações às espécies em que elas
ocorrem. Vocês podem atribuir 0 para AUSENTE e 1 para PRESENTE.
4. Com base na tabela, cada membro da equipe de sistematas deve elaborar um cladograma mostrando
as relações evolutivas entre as cinco espécies do grupo interno.
5. Em seguida, comparem os cladogramas produzidos por cada um. Eles são todos iguais? Existem dife-
renças? Utilizando o princípio da parcimônia, procurando montar o cladograma com o menor número
possível de passos, registrem um cladograma final, que seja consenso de sua equipe.
6. Indiquem nesse cladograma final quais são os terminais, os nós e os passos e escrevam pelo menos duas
informações sobre parentesco evolutivo que podem ser obtidas pela análise do diagrama.
Consulte o Manual para comentários a respeito dos itens 2 a 6.

Interpretando os resultados
a. Quais caracteres foram significativos para a montagem deste cladograma?
b. De acordo com o cladograma, qual seria o grupo basal? E qual seria o mais remotamente relacionado
ao grupo basal? Por quê?

a) Padrão de cor abdominal (liso/manchado); presença ou ausência de olhos; espessura das pernas
(finas/grossas); presença ou ausência de antenas; presença ou ausência de dedos.
b) Grupo basal: espécie manchada (a mais próxima do grupo externo). Grupo mais recente na evolução: espécie dáctila.
18
capítulo
1

3 Reinos de seres vivos


A classificação dos seres vivos é um assunto polêmico, havendo pouco consen-
so entre os cientistas. A que vamos adotar baseia-se nos cinco reinos estabeleci-
dos pelas biólogas Lynn Margulis e Karlene Schwartz (2001). Nessa proposta, as
relações evolutivas entre os reinos Monera, Protistas, Fungos, Plantas e Animais
são representadas na forma de árvore filogenética, e os vírus não estão incluídos.
Veja comentários no Manual a

Os reinos de seres vivos respeito da figura ao lado.

Reino das Reino dos Reino dos

Osvaldo Sequetin/Arquivo da editora


plantas fungos animais
DIVULGAÇÃO PNLD

As figuras estão representadas em diferentes escalas.


Reino
Protista

Reino
Monera Arqueas
(arqueobactérias) Árvore filogenética
representando a
Eubactérias: evolução dos reinos
bactérias e cianobactérias Origem da vida:
o mais antigo de seres vivos, de
ancestral comum acordo com a proposta
de Margulis & Schwartz
Adaptado de: MARGULIS, L.; SCHWARTZ, K. V. Cinco reinos: um guia ilustrado dos filos na Terra. 3. ed. (2001).
Rio de Janeiro: Guanabara Koogan, 2001.
O reino Monera é representado apenas por procariontes, como é o caso das
bactérias e cianobactérias, estas últimas conhecidas anteriormente por algas azuis
ou cianofíceas.

Representantes do reino Monera


Sinclair Stammers/SPL/Latinstock
Alfred Pasieka/SPL/Latinstock

Bactérias autótrofas do Cianobactérias do


gênero Nitrobacter. Elas são gênero Nostoc. Cada
encontradas em ambientes filamento é formado
terrestres e aquáticos (de por vários indivíduos.
água doce ou salgada). Nesta Vivem no ambiente
imagem, um dos indivíduos aquático e terrestre.
está se reproduzindo. Cada Cada indivíduo mede
célula mede cerca de 5 µm cerca de 10 µm de
de diâmetro. diâmetro.

19
capítulo
1
Autótrofo: que produz seu alimento (auto = próprio; trofo = alimento); heterótrofo: o alimento provém de outro organismo (hetero = diferente).

As bactérias podem ser autótrofas ou heterótrofas, enquanto as cianobacté-


PENSE E
RESPONDA
rias são sempre autótrofas.
Os eucariontes são classificados em quatro reinos: Protista (Protoctista), Fungos,
A consulta ao glossário Plantas e Animais.
etimológico certamen-
te o ajudará a lem-
brar-se e a entender

Roland Birke/Phototake/Glow Images

Prensa Três
o significado de dois
conceitos abordados
no volume 1 desta
coleção: autótrofo e
heterótrofo. Consul-
te-os e explique o sig-
nificado, no caderno.

RECORDE-SE Um representante do reino Protista: alga Este é um representante do reino dos


verde unicelular (espécie Closterium leibleinii), fungos. O cogumelo, como o da foto
Tecidos encontrada em água doce. Ela pode medir (mede cerca de 6 cm de altura), é a parte
Os seres multicelulares entre 100 µm e 250 µm de comprimento. reprodutiva desse fungo.
podem ter o corpo or-
ganizado em tecidos, O termo protoctista foi proposto pelas autoras mencionadas, mas está em
DIVULGAÇÃO PNLD

que são conjuntos de desuso, tendo sido substituído pelo termo protista, que será o empregado por nós.
células com funções Os protistas estão representados pelos protozoários e pelas algas. Os proto-
altamente especializa-
zoários são unicelulares eucariontes heterótrofos. As algas são eucariontes autó-
das e que têm grande
interação e interdepen- trofas por fotossíntese; podem ser uni ou multicelulares, mas nelas não há for-
dência. mação de tecidos.
Nem todos os multi- As plantas são eucariontes, multicelulares e fotossintetizantes, com o corpo
celulares possuem te- organizado em tecidos.
cidos: nas algas e nos
animais do grupo das Será que, de modo semelhante ao que fizemos com o conceito de plantas, pode-
esponjas, as células mos conceituar animais como seres vivos multicelulares, eucariontes e heterótrofos?
não se organizam em Não, não podemos, porque existe outro reino formado por seres que, em sua
tecidos.
maioria, têm essas mesmas características: o reino dos fungos.

A mangueira é
representante do Tucano-de-bico-verde,
r a fo

reino das plantas. um representante do


o tó g

Esta planta pode atingir reino dos animais.


do f

cerca de 30 m de altura. Essa espécie de tucano


r vo
A ce

é nativa de florestas
bini/
As figuras estão representadas em diferentes escalas.

da América do Sul e
m
Colo

mede cerca de 45 cm
Fabio

de comprimento.
Getty Images

20
capítulo
1

O reino dos fungos é formado por seres eucariontes e he-


terótrofos, existindo representantes multicelulares e repre-

Andrew Syred/SPL/Latinstock
sentantes unicelulares. Nesse reino estão agrupadas as leve-
duras, que são unicelulares, espécies que formam cogumelos
e as que formam orelhas-de-pau, entre muitas outras.
Para diferenciar animais e fungos multicelulares, precisa-
mos recorrer a outros critérios. Para o momento, vamos co-
mentar apenas um deles: o modo de obtenção do alimento.
A maior parte dos animais obtém alimentos por ingestão
Fungos unicelulares da espécie
e os fungos obtêm alimentos por absorção.
Saccharomyces cerevisiae (cada célula mede
Nos próximos capítulos, outras características dos seres que cerca de 15 µm de comprimento).
formam cada reino serão comentadas.
Fab
1,5 cm io

Co
lo
mb
AGE Fotostock/Grupo Keystone

in i /
A ce
r v o d o fo t ó g r a fo
DIVULGAÇÃO PNLD

Animais e fungos são


heterótrofos. Os fungos
(como a orelha-de-pau)
absorvem produtos da
matéria orgânica em
decomposição, enquanto
os animais (como o
esquilo) incorporam
alimentos por ingestão.
O esquilo mede cerca de
25 cm de comprimento,
incluindo a cauda.

4 Proposta do sistema dos três


ATENÇÃO
domínios
Os nomes de domínios,
A classificação dos seres vivos sempre é tema de muitos debates.
reinos, filos, classes,
Uma das propostas mais aceitas atualmente é a da equipe de microbiologistas ordens e famílias po-
liderados por Carl Woese, da Universidade de Illinois (EUA), que, em 1977, apre- dem ser apresentados
sentou a organização dos seres vivos em três grandes agrupamentos chamados em latim ou em for-
domínios: dois domínios constituídos por seres procariontes (Archaea e Bacteria), ma latinizada – como
Archaea e Eukarya.
e um domínio constituído por todos os seres eucariontes (Eukarya). Cada domí-
Optamos por não des-
nio está subdividido em reinos, muitos correspondentes aos filos do sistema de tacar tais nomes no
cinco reinos já conhecido. A organização dos seres vivos em domínios baseia-se texto, para não cau-
na análise da sequência de nucleotídeos do RNA ribossômico e de outros critérios sar confusão com os
moleculares e anatômicos. nomes de gêneros e
espécies, que devem
Esse sistema em três domínios tem sido corroborado por vários autores. No
sempre ser destacados
entanto, há grande discussão no que se refere à divisão em reinos e parece que (neste livro, em itálico).
ainda vamos ter, por algum tempo, grandes divergências entre os cientistas.

21
VAMOS CRITICAR O QUE ESTUDAMOS?

Por que a classificação dos seres vivos está em constante revisão?


Como já comentamos, a classificação dos seres em ambientes onde as condições não são inóspitas
vivos é um assunto polêmico. Há inclusive propostas e, por análises moleculares, foi possível verificar
de classificá-los em níveis hierárquicos de parentesco que eles são mais próximos evolutivamente dos
evolutivo, sem especificar se é domínio, reino, filo eucariontes do que das eubactérias.
etc., mas mantendo a categoria taxonômica espécie. Nessa proposta, há algumas diferenças im-
Uma das propostas recentes de classificação portantes na classificação dos eucariontes em
tem sido desenvolvida por vários cientistas e as in- relação à proposta dos cinco reinos.
formações reunidas no projeto “Árvore da Vida” No subgrupo das Plantas estão incluídas as
(tradução do nome original em inglês Tree of Life). algas verdes e vermelhas, além das plantas ter-
Nessa concepção, os nomes domínio, reino etc. não restres. No sistema de cinco reinos, essas algas
são utilizados, mas os seres vivos são classificados são consideradas protistas.
em níveis hierárquicos de parentesco evolutivo. No subgrupo dos Fungos não há diferenças
Veja, a seguir, como é representada a árvore em relação aos organismos que vamos estudar
da vida de acordo com o projeto. Os vírus não neste livro, mas com relação a outros que não
são considerados nessa árvore. estudaremos, as divergências são grandes e não
nos deteremos nelas.
Árvore da vida na Terra Quanto ao subgrupo dos Animais, não há
DIVULGAÇÃO PNLD

diferenças entre as propostas.


Osvaldo Sequetin/Arquivo da editora

Eucariontes Com relação aos Protistas, o termo é em-


Animais
pregado apenas como coletivo para organismos
Fungos
que não são plantas, nem fungos, nem animais.
Plantas
Eles não formam um subgrupo de valor taxo-
Vários grupos nômico, pois não descendem de um ancestral
Archaea
comum exclusivo, como ocorre com os demais.
As relações filogenéticas entre esses organismos
Eubacteria ainda estão em discussão.
Apesar de o projeto ser bem-aceito, há ou-
Adaptado de: <http://tolweb.org/tree/>. Acesso em: 19 maio 2016. tras propostas de classificação e uma delas tem
Os dois primeiros subgrupos, Eubacteria e recebido apoio de vários outros cientistas. Trata-
Archaea, são formados apenas por seres proca- -se dos seis reinos de Cavalier-Smith, publicado
riontes, classificados no sistema de cinco reinos em 1998. Os seis reinos nesse caso são: Bacteria,
como Monera. As eubactérias estão representa- Protista, Chromista, Plantae, Fungi e Animalia.
das pelas bactérias e cianobactérias. Outra proposta de classificação, e que tem ser-
As arqueas são procariontes que inicialmente vido de base para a construção da “Enciclopédia da
eram consideradas um tipo de bactéria, mas hoje Vida”, considera outros reinos, inclusive os vírus, não
se sabe que diferem muito delas em várias carac- incluídos nos sistemas anteriormente comentados.
terísticas. Quando as arqueas foram descobertas, Esse tema ainda requer muitos estudos e
pensou-se que fossem descendentes dos primei- está longe de um consenso. Por isso, optamos
ros procariontes surgidos em nosso planeta. Isso pela maneira mais tradicional de classificação, até
porque elas tinham sido encontradas em ambien- que uma proposta mais consistente e com maior
tes inóspitos, como locais onde a temperatura da apoio da comunidade científica seja estabelecida.
água é muito elevada, condição que se imagina Fontes:
ser a dos primórdios da Terra. O nome arqueobac- Árvore da vida. Tree of life web project (em inglês).
Disponível em: <http://tolweb.org/tree/phylogeny.html>.
téria foi inicialmente atribuído a elas em função
Enciclopédia da vida. Encyclopedia of life (em inglês).
disso: arqueo significa antigo. Entretanto, mais re- Disponível em: <http://eol.org/>.
centemente esses organismos foram encontrados Acessos em: 24 mar. 2016.

22
LEITURA

SUGESTÃO
Novo macaco nas árvores da Amazônia DE ATIVIDADE

A recente descoberta de um primata na Ama- “Posteriormente, uma análise molecular com-


zônia, o zogue-zogue-rabo-de-fogo (Callicebus parando o material genético de C. miltoni com
miltoni), demonstra que ainda há muito para se o de espécies vizinhas também confirmou sua
conhecer sobre a região. O animal foi primeiro singularidade.”
avistado no estado de Mato Grosso em 2011. Ago- [...] Embora os pesquisadores ainda não te-
ra, pesquisadores do Instituto para a Conservação nham dados de campo a respeito do comporta-
dos Carnívoros Neotropicais (Pró-Carnívoros), do mento da espécie, os animais desse gênero cos-
Instituto de Desenvolvimento Sustentável Mami- tumam viver em pequenos grupos, de dois a seis
rauá e do Museu Paraense Emílio Goeldi publica- indivíduos, que geralmente têm um filhote por
ram a descrição completa da espécie [...].  ano (esses grupos, em geral, apresentam apenas
Para confirmar que era uma nova espécie, fo- uma fêmea reprodutiva). Os Callicebus têm cer-
ram realizadas comparações de coloração da pela- ca de 30 centímetros de comprimento, possuem
gem e de medidas do corpo e do crânio do animal hábitos arborícolas e diurnos e a sua alimentação
com as de outras espécies do gênero. “O padrão consiste principalmente de frutos.
de coloração peculiar já foi suficiente para consta- Apesar de recém-descoberto, o zogue-zogue-
tarmos que se tratava de uma espécie nova”, conta -rabo-de-fogo já pode estar correndo risco de ex-
DIVULGAÇÃO PNLD

[Felipe] Silva [biólogo que participou da descoberta]. tinção. De acordo com Silva, a perda de hábitat é
fator crítico para a manutenção da espécie.
O pesquisador ressalta a importância da rea-
Adriano Gambarini/Acervo do fotógrafo

lização de expedições científicas para se obter


cada vez mais conhecimento sobre a nossa bio-
diversidade e, assim, permitir a elaboração de
medidas de conservação. [...] “A região onde essa
espécie se encontra sofre uma grande pressão
do desmatamento causado por motivos diver-
sos, como o corte seletivo de árvores para fins
comerciais”, destaca o biólogo. “Obras para a
construção de estradas e hidrelétricas na área
também devem influenciar o status de conser-
vação dessa espécie em longo prazo. Somente
nos rios Aripuanã e Roosevelt, sete hidrelétricas
estão previstas para serem implementadas nos
próximos anos”, alerta.
O zogue-zogue-rabo-de-fogo foi identificado como uma LOPES, E. Novo macaco nas árvores da Amazônia.
Ciência Hoje on-line. 05 maio 2015. Disponível em: <http://cienciahoje.
nova espécie do gênero Callicebus. Na foto, um adulto, com uol.com.br/noticias/2015/05/novo-macaco-nas-arvores-da-amazonia>.
cerca de 30 cm de comprimento, sem considerar a cauda. Acesso em: 28 mar. 2016.

DEPOIS DA LEITURA...
a. Os pesquisadores se basearam em algumas observações para concluir que haviam identificado uma nova
espécie. Que observações foram essas? a) Cor da pelagem, dados moleculares e comparação com outras espécies do gênero.
b. Justifique a preocupação do cientista no trecho: “O pesquisador ressalta a importância da realização de
expedições científicas para se obter cada vez mais conhecimento sobre a nossa biodiversidade e, assim,
permitir a elaboração de medidas de conservação”.
b) A identificação de espécies desconhecidas aumenta a compreensão do equilíbrio ecológico e do que precisa ser feito para mantê-lo em uma região. Para
preservar um ecossistema, é preciso conhecê-lo, e isso inclui a identificação das espécies que ali vivem.

23
FAÇA NO CADERNO.
NÃO ESCREVA EM SEU LIVRO. ATIVIDADES
6. b) Não, pois a igualdade no epíteto específico (bicolor) não valida essa
afirmação. No segundo caso, as duas espécies pertencem ao mesmo gêne-
ro e, assim, possuem proximidade de parentesco.
6. As duas pererecas mostradas abaixo ocorrem na Ama-
Revendo e aplicando conceitos zônia e pertencem à família Hylidae:
1. Respostas pessoais. Veja comentários no Manual.
1. Os conceitos a seguir referem-se à célula eucariótica.

AGE Fotostock/Grupo Keystone


Membrana
Citoplasma Nucleotídeos
plasmática

Núcleo Genes

DNA Célula eucariótica

Para cada conceito, faça o que se pede:


• escreva a definição de cada um;
• organize-os em uma sequência decrescente, ou Phyllomedusa bicolor (mede cerca de 10 cm de
seja, do conceito mais abrangente para o mais res- comprimento).
trito, e procure relacioná-los por meio de traços;
em cada traço, escreva um verbo de ligação. Para

Fabio Colombini/Acervo do fotógrafo


você ter um modelo, vamos exemplificar com os se-
guintes conceitos: casa, quartos, suítes, banheiros,
DIVULGAÇÃO PNLD

cozinha, fogão.
Casa
possui
Quartos Cozinha
tem

têm
Banheiros Suítes Fogão
2. Usando o mesmo raciocínio do exercício anterior, re- Phyllomedusa hypochondrialis (mede cerca de 4 cm de
lacione os conceitos a seguir: 2. Veja o Manual. comprimento).
6. a) Sim, pois ordem e classe são categorias mais abrangentes do que família.
DNA Citoplasma Célula a. É possível afirmar que essas duas pererecas perten-
procariótica cem à mesma ordem? E à mesma classe? Justifique
a resposta. P. Wegner/Arco Images/Glow Images
Membrana
plasmática Nucleoide Gene b. Veja ao lado um re-
presentante de outra
3. Com base na leitura do capítulo e em seus conheci- espécie de anfíbio,
mentos, explique com suas palavras o significado de: que pertence à famí-
3. Clone: indivíduo geneticamente igual a outro;
• clone; mutação: alteração no material genético; seleção lia Dendrobatidae.
natural: fator evolutivo que determina a preservação
• mutação; ou extinção de características em uma população, de Podemos dizer que o pa- Phyllobates bicolor
acordo com o ambiente.
rentesco evolutivo entre (mede cerca de 3,5 cm
• seleção natural.
Phyllomedusa bicolor e de comprimento).
4. O nome da abóbora comum é Cucurbita pepo. essa espécie é mais pró-
a. Qual é o nome do gênero ao qual pertence a ximo do que o parentesco entre Phyllomedusa bicolor
abóbora? 4. a) Cucurbita. e Phyllomedusa hypochondrialis? Explique sua resposta.
7. Bactéria é procarionte; protozoário é eucarionte.
7. Explique o principal critério utilizado para diferenciar
b. Estaria correto dizer que a espécie à qual pertence
uma bactéria de um protozoário.
a abóbora é pepo? Por quê? 4. b) Não, pois pepo é o
epíteto específico. A espécie é binominal: Cucurbita pepo. 8. Explique o critério sistemático utilizado para dife-
5. “O sistema de cinco reinos não inclui todos os seres
renciar animais, fungos e plantas.
vivos da Terra.” Justifique essa afirmativa.
5. Os vírus não estão incluídos nessa classificação. 8. Nutrição e incorporação de alimento. Plantas: autótrofas; animais: hete-
rótrofos por ingestão; fungos: heterótrofos por absorção.

24
Trabalhando com gráficos

9. O esquema a seguir mostra o mesmo diagrama representado anteriormente (página 19), com o sistema de
5 reinos, porém com uma diferença: as áreas foram destacadas em apenas três cores diferentes.

Os reinos de seres vivos


Osvaldo Sequetin/Arquivo da editora

As figuras estão representadas em diferentes escalas.


DIVULGAÇÃO PNLD

Origem da vida:
o mais antigo
ancestral comum

Adaptado de: MARGULIS, L.; SCHWARTZ, K. V. Cinco reinos: um guia ilustrado dos filos na Terra. 3. ed. Rio de Janeiro: Guanabara Koogan, 2001.
a. Explique o que representam essas três áreas. 9. a) Representam os 3 domínios: Archaea, Bacteria e Eukarya.

b. Compare a proposta de classificação em cinco reinos com a proposta recente do projeto “Árvore da vida”
(ver página 22), destacando semelhanças e diferenças entre elas. 9. b) Consulte o Manual.

Questões do Enem e de vestibulares


10. (Fatec-SP) O esquema representa quatro categorias a manutenção da vida baseada no carbono, ou seja,
de classificação inclusivas. nós, os bichos e as plantas.
Se os triângulos representam uma de- (Veja, 21.06.2006.)
terminada espécie, o círculo será: Na expressão vida baseada no carbono, ou seja, nós,
os bichos e as plantas, estão contemplados dois reinos:
a. um filo. 10. d d. uma família. Animalia (nós e os bichos) e Plantae (plantas). Que ou-
b. um reino. e. um gênero. tros reinos agrupam organismos com vida baseada no
carbono? Que organismos fazem parte desses reinos?
c. uma ordem.
11. Consulte o Manual. 12. (Fuvest-SP) Considerando os grandes grupos de or-
11. (Unesp) O que divide os especialistas não é mais se ganismos vivos no planeta – bactérias, protistas, fun-
o aquecimento global se abaterá sobre a natureza gos, animais e plantas –, em quantos deles existem
daqui a vinte ou trinta anos, mas como se pode es- seres clorofilados e fotossintetizantes?
capar da armadilha que criamos para nós mesmos a. um. d. quatro.
nesta esfera azul, pálida e frágil, que ocupa a terceira
b. dois. e. cinco.
órbita em torno do Sol – a única, em todo o sistema,
que fornece luz e calor nas proporções corretas para 12. c c. três.

25
capítulo

2 Vírus
COMENTÁRIOS
GERAIS
Veja comentário no Manual.

RECORDE-SE 1 Vírus: características gerais


Micrometro e Você já sabe que os vírus são seres que não possuem estrutura como a das cé-
nanometro lulas e cuja atividade vital somente se manifesta quando estão dentro de uma
Para expressar dimen- célula hospedeira. São, portanto, parasitas
sões microscópicas, uti- intracelulares.

Steve Allen/SPL/Latinstock
lizamos submúltiplos do
A maioria dos vírus é menor que as me-
metro, como o micro-
metro e o nanometro. nores bactérias conhecidas. Os bacteriófa-
Um micrometro equi- gos, por exemplo, que são os vírus parasitas
vale a um milionésimo de bactérias, medem cerca de 100 nanome-
do metro (10 -6 m) e é tros em sua dimensão maior. Tão pequenos
DIVULGAÇÃO PNLD

a unidade mais usada assim, a maioria dos vírus é observada com


para medidas de célu- auxílio de microscópios eletrônicos.
las. Seu símbolo é µm.
Os vírus, como são Entre os menores vírus conhecidos estão
muito menores do que o vírus da febre aftosa (10 nm) e o causa-
pequenas células, são dor da poliomielite (28 nm). Entre os maio-
geralmente medidos res vírus conhecidos estão o da varíola, com
em nanometro, que
aproximadamente 300 nm em sua dimen-
equivale à bilionésima
parte do metro, ou são maior, e o baculovírus, que infecta cé-
lulas de mariposas e borboletas e mede até Os vírus são visualizados com o auxílio
seja, 10 -9 m – é, por-
de microscópios eletrônicos, como o
tanto, um metro dividi- 450 nm de comprimento.
mostrado na fotografia. Eles permitem
do por 1 000 000 000. Os vírus mencionados acima estão apre- aumentar em mais de 100 000 vezes a
Seu símbolo é nm.
sentados a seguir, em imagens de microsco- imagem da estrutura em observação.
pia eletrônica. Os baculovírus, no entanto,
podem ser visualizados em microscópios ópticos, devido a suas dimensões.
Arizona University

Dr. Klaus Boller/SPL/Latinstock

Eye of Science/SPL/Latinstock

Dr. David Phillips/Visuals Unlimited/Glow Images

Vírus da febre aftosa Vírus da poliomielite Vírus da varíola Baculovírus (cerca de


(cerca de 10 nm de (cerca de 28 nm de (cerca de 300 nm de 450 nm de comprimento).
diâmetro). diâmetro). comprimento).
Veja no Manual informações sobre o baculovírus.

26
capítulo
2

1.1 Do que são constituídos os vírus?

Dr. Linda Stannard; UCT/SPL/Latinstock


Os vírus são constituídos, basicamente, por ácido nucleico envolto por uma
cápsula de proteínas, denominada capsídeo. O conjunto formado pelo capsídeo
e o ácido nucleico constituem o nucleocapsídeo.
Em alguns vírus, o ácido nucleico é o DNA e em outros é o RNA, falando-se em
vírus de DNA e vírus de RNA.
Adenovírus (mede
Certos tipos de vírus são formados apenas pelo nucleocapsídeo, mas em outros
cerca de 100 nm de
existe um envelope (envoltório) que, assim, constitui a parte externa do vírus. O diâmetro), que não
envelope é formado por proteínas do vírus mergulhadas em uma camada dupla possui envelope.
de lipídios derivada da membrana plasmática da célula que ele estava parasitando. Observe o capsídeo
desse vírus, que tem a
1.2 Um vírus pode parasitar qualquer tipo forma de icosaedro. De
cada ápice parte uma
de célula? longa fibra proteica. O
ácido nucleico desse
Cada vírus pode parasitar apenas determinados tipos de células e isso depende
vírus é o DNA.
das proteínas que eles possuem no capsídeo. Assim, de acordo com os seres vivos
que parasitam, podemos considerar quatro grupos de vírus:
› bacteriófagos – parasitam bactérias; Veja comentário sobre a ativi-
dade no Manual.
› micófagos – parasitam fungos;
REÚNA-SE COM
› vírus de animais – parasitam animais;
DIVULGAÇÃO PNLD

OS COLEGAS
› vírus de plantas – parasitam plantas. A r t fo
rS Escolham um dos vírus
ci
apresentados nesta
en
ce

página ou na anterior
/ SP
Barry Dowsett/SPL/Latinstock

Vírus do mosaico do tabaco,


L / L a t i n s to c k

e elaborem um mode-
causador de uma doença que
lo tridimensional repre-
prejudica as folhas da planta sentando a estrutura
do tabaco. Mede cerca de desse vírus. Antes da
280 nm de comprimento. No montagem, obtenham
detalhe, esquema em mais informações sobre
cores fantasia ilustrando a o vírus escolhido, con-
estrutura desse vírus. sultando livros e sites,
Ar t
fo r
para então planejar os
Sc

materiais utilizados e
ien
ce / S
Dr. Gopal Murti/SPL/Latinstock

a escala de tamanho.
P L / L a t i ns to c

Procurem reaproveitar
Vírus Influenza, causador da materiais, como emba-
lagens vazias, papel de
k

gripe em humanos (cada vírus


mede cerca de 200 nm de rascunho e outros.
diâmetro). No detalhe, esquema O termo fago (aquele que inge-
em cores fantasia ilustrando a re, se alimenta) é usado para se
referir à célula infectada pelo
estrutura desse vírus. vírus. O bacteriófago parasita
Ar t bactérias e o micófago (myces =
fo
r
fungo) parasita fungos.
Um bacteriófago injetou seu
Sc
ien

ácido nucleico no interior de PENSE E


ce / S P

uma bactéria, cujo citoplasma RESPONDA


L / L a t i ns to

está colorido em azul. No


Consulte o glossário
ck

detalhe, esquema em
cores fantasia ilustrando a etimológico e explique
estrutura desse vírus cujo o significado de bacte-
riófago e micófago.
capsídeo mede cerca de
Anote no caderno.
50 nm de diâmetro.
Biozentrum; University of Basel/SPL/Latinstock

27
capítulo
2
Veja mais comentários no Manual.
O fato de um vírus parasitar um determinado grupo de seres vivos não
CURIOSIDADE significa que ele possa infectar qualquer espécie pertecente ao grupo. Assim,
por exemplo, um vírus que parasite um determinado animal pode ou não
No ano 2000, cientistas desco- parasitar animais de outras espécies. Do mesmo modo, uma espécie de ví-
briram um vírus que possui rus que infecta células de um determinado tecido pode não infectar outros
DNA e RNA. Trata-se do cito- tecidos, no mesmo organismo.
megalovírus humano, que causa
graves infecções em crianças e Ao infectar uma célula, os vírus inserem seu material genético no DNA que
pessoas imunodeprimidas. O compõe os cromossomos da célula. No caso dos vírus de RNA, uma enzima viral
RNA viral é sintetizado dentro da chamada transcriptase reversa comanda a síntese de DNA a partir do RNA vi-
célula hospedeira; como o DNA ral, usando para isso organelas e materiais do citoplasma da célula hospedeira.
comanda a síntese, trata-se de O DNA viral incorpora-se então ao DNA da célula infectada. Os vírus que são de
um vírus de DNA.
RNA e que têm a enzima mencionada acima são chamados retrovírus.

Vírus na terapia gênica


A capacidade dos vírus de infectar células específicas e nelas inserir seu material genético tem sido aproveita-
da pelos cientistas da área de biologia molecular. Uma dessas pesquisas envolve a terapia gênica, que tem sido
testada no tratamento de determinadas doenças genéticas. Alguns tipos de leucemia, por exemplo, são causa-
dos por genes inativos ou defeituosos em células da medula óssea vermelha, que deveriam produzir as células
sanguíneas. Na terapia gênica, vírus são geneticamente modificados para portar o gene de interesse. Os vírus
então podem infectar as células portando o gene defeituoso e nelas inserir seu material genético, incluindo o
gene de interesse; as células passam, então, a produzir os elementos do sangue.
Gene é incorporado ao

Paulo Cesar Pereira/Arquivo da editora


As figuras estão representadas em diferentes escalas.
DIVULGAÇÃO PNLD

DNA da célula humana.


DNA viral

gene
inserido

Células
modificadas são
transplantadas
no paciente.
vírus geneticamente medula óssea
modificado vermelha

Esquema ilustrando o princípio da terapia gênica. Neste exemplo, a doença a ser curada com tal terapia seria a leucemia.

REFLEXÕES
SOBRE O ENSINO
DE BIOLOGIA
2 Vírus e saúde humana
Vivendo como parasita no interior das células dos outros seres vivos, os vírus
provocam numerosas doenças. As doenças provocadas por vírus são conhecidas
como viroses.
Para muitas das doenças humanas causadas por vírus já existem vacinas e essa é
uma forma eficiente de prevenção. No entanto, o processo de desenvolvimento de va-
cinas é longo, havendo doenças para as quais ainda não existe esse recurso preventivo.
A vacinação é um dos mais importantes mecanismos utilizados pela medicina
preventiva. A importância da participação efetiva da população nas campanhas
de vacinação pode ser demonstrada pelo sucesso obtido com a vacinação de âm-
bito mundial contra a varíola, uma terrível doença que assolou a humanidade por
muitos anos e que hoje é considerada erradicada. No Brasil, os últimos casos da
doença foram registrados em 1971.

28
capítulo
2

A varíola é caracterizada por numerosas pústulas em todo o corpo, o que


deu origem ao próprio nome da doença, derivada do latim varius (que
significa “bolha”).
A medicina preventiva tem alcançado grandes êxitos no combate
a diversas outras viroses, como a poliomielite e a raiva, e tam- A
bém a diferentes doenças causadas por bactérias (que serão

GE
F o to
abordadas no próximo capítulo).

s to c k
Diferentemente das doenças causadas por bactérias,

/Grup
as viroses não são tratadas com antibióticos. Em to-

o Ke y s t o n e
dos os casos, a automedicação deve ser evitada
e o tratamento sempre orientado por médico.
Entre as viroses humanas, vamos abor-
dar as seguintes: aids, HPV, febre amarela, A gripe e o resfriado
dengue, poliomielite, raiva, hepatite, caxumba, sarampo, catapora ou varicela, são exemplos de doenças
rubéola, gripe e resfriado. causadas por vírus que
infectam células das
2.1 Gripe e resfriado vias respiratórias do
ser humano, causando
A gripe pode ser causada por diferentes coriza, espirros e

F. H
tipos de vírus, mas, apesar disso, já existe va- tosse. As viroses não

o
f fma nn
cina capaz de oferecer uma cobertura am- são combatidas com

/ L a Ro ch e
pla, embora de duração relativamente curta. antibióticos.
DIVULGAÇÃO PNLD

A gripe é transmitida por via respiratória


e costuma evoluir de maneira benigna, mas
podem ocorrer complicações sérias, princi- RECORDE-SE
palmente as pulmonares em idosos. Por essa
razão, o governo tem desenvolvido campa- Vacinação
nhas visando à vacinação em massa dos ci- Esquema de um tipo de vírus da gripe,
A vacinação consiste
com região em corte. O vírus mede cerca
dadãos acima de 60 anos de idade. na administração de
de 100 nm de diâmetro.
O resfriado, apesar de comumente ser um agente patogênico
A vacinação é a melhor forma de na forma inativada ou
confundido com gripe branda, é causado atenuada (ou de par-
por outros tipos de vírus, que não perten- prevenir a gripe. Todos os anos são
tes desse agente). Esse
cem à família dos vírus da gripe. Os sinto- realizadas campanhas de vacinação
agente, por ser uma
para pessoas acima dos 60 anos de
mas mais comuns do resfriado são coriza, partícula estranha ao
idade e outros grupos da população organismo, é chamado
febre e fraqueza. considerados mais vulneráveis à doença. antígeno. O corpo res-
ponde a essa infecção
“artificial” produzindo
anticorpos específicos
contra os antígenos
presentes na vacina. Se
a pessoa vacinada en-
trar em contato com o
antígeno em situações
naturais, a produção de
anticorpos será rápida,
combatendo o agen-
te invasor antes que
a doença se instale.
Existem vacinas para
certas doenças cau-
sadas por vírus e por
bactérias.
Divulgação/William Pereira/Secretaria de Estado da Saúde, São Paulo

Veja mais comentários sobre a gripe no Manual.


29
capítulo
2

2.2 Aids
Uma das mais graves síndromes causadas por vírus em seres humanos é a aids.
Os primeiros casos foram registrados entre 1977 e 1980; desde então, a aids foi
ne
responsável por numerosas mortes ao redor do mundo. As síndromes são carac-
y s to
up
o Ke terizadas por um conjunto de sintomas.
Gr
A característica fundamental do vírus da aids é afetar o sistema de defe-
I P/
BS
es /

sa do organismo, tornando a pessoa mais vulnerável a doenças infecciosas


i Jam

que geralmente não apresentam gravidade, como a maioria das gripes. É


Ca va llin

muito comum o portador do vírus apresentar complicações em doenças


que historicamente vinham sendo tratadas e curadas.
A palavra aids deriva da expressão em língua inglesa acquired immune
deficiency syndrome, que significa síndrome da imunodeficiência adquiri-
da. Sua sigla seria, portanto, na língua portuguesa, sida – usada em livros de
língua espanhola e em Portugal.
HIV: vírus da A aids é causada por um vírus de RNA, envelopado, conhecido por HIV, ou ví-
imunodeficiência rus da imunodeficiência humana (human immunodeficiency virus). Por ser um
humana (apresenta vírus de RNA, o HIV é um retrovírus.
cerca de 100 nm de
diâmetro). Na imagem Estrutura do HIV
é possível ver o
Luis Moura/Arquivo da editora

envelope viral (circular) capsídeo


DIVULGAÇÃO PNLD

e o capsídeo. À direita,
esquema ilustrando envelope
estrutura do HIV.

SUGESTÃO
DE ATIVIDADE

RNA enzima
CURIOSIDADE

Tem sido demonstrada O HIV infecta e destrói principalmente linfócitos, que são células de defesa
a presença da mesma do sistema imune.
proteína que apre- Existem alguns tipos de leucócitos (glóbulos brancos) no sangue e o linfócito
senta afinidade com
é um deles, tendo ação específica no combate a infecções, pela produção de an-
o envelope do HIV na
membrana plasmática ticorpos. Entre os linfócitos, também existem diversos tipos, e o HIV infecta um
de outras células hu- deles, o linfócito TCD4.
manas, além dos linfó- A predileção do HIV por esses linfócitos deve-se ao fato de que as moléculas
citos TCD4: em células de proteína do envelope viral têm grande afinidade com uma proteína da mem-
do timo, do encéfalo,
brana plasmática do linfócito TCD4.
de linfonodos (nódu-
los linfáticos), da me- Quando o vírus entra em contato com um linfócito TCD4, ocorre fusão do enve-
dula óssea vermelha lope viral com a membrana da célula, e o nucleocapsídeo do HIV entra no citoplas-
e outras. Todas essas ma. Neste local, o capsídeo desintegra-se e o RNA do vírus é transformado em DNA
células podem ser in- pela ação da enzima viral transcriptase reversa. O DNA viral incorpora-se ao
fectadas pelo HIV.
DNA nuclear do linfócito.

30
capítulo
2

Após o contágio, o vírus pode permanecer sem se manifestar por muito tem-
po, provavelmente por até dez anos ou mais. Em um dado momento, os linfó- MULTIMÍDIA
citos infectados pelo HIV podem passar a ter suas atividades comandadas pelo
DNA viral, tornando-se produtores de novos vírus. Com a destruição dos linfó- Aids – Informação e
citos, surge a imunodeficiência. Nessa situação, a pessoa pode adquirir doen- prevenção
ças infecciosas oportunistas, ou seja, que normalmente não afetam organismos

Divulgação
sem imunodeficiência.

Ciclo reprodutivo do HIV

Luis Moura/Arquivo da editora


O DNA viral é incorporado ao DNA da
célula, no núcleo celular. O linfócito
Novos vírus são
passa a produzir cópias do vírus.
liberados na circu-
lação sanguínea.
1 6 Antônio A. Barone,
5
Editora Ática, 2004.
HIV na
circulação Este livro traz informa-
As figuras estão representadas em diferentes escalas.

sanguínea. ções esclarecedoras a


respeito das formas de
4 transmissão e de pre-
venção da aids. Sobre
2 o tema, consulte tam-
HIV se liga a um bém o portal do Minis-
DIVULGAÇÃO PNLD

linfócito TCD4, tério da Saúde: <www.


pelos receptores da aids.gov.br/aids>.
membrana plasmá- Acesso em: 07 abr. 2016.
3
tica da célula.
HIV entra O RNA viral é liberado e convertido em DNA,
na célula. por ação da enzima transcriptase reversa. Esquema simplificado
do ciclo reprodutivo
do HIV, destacando
O vírus da aids é transmitido por determinados líquidos do corpo ou por ma- algumas etapas da
teriais que entraram em contato com eles. Assim, a transmissão se faz pelo san- infecção de um linfócito.
gue, pelo esperma, pelos líquidos vaginais, pelo leite materno, pelos líquidos que
passam pela placenta e pelo uso de seringas e material cirúrgico contaminados.
Com base nessas informações, podemos compreender a importância das se-
guintes medidas de prevenção contra a aids:
› uso de seringas descartáveis, para aplicação de injeções;
› quando houver necessidade de transfusão de sangue, valer-se de bancos
de sangue confiáveis;
Pho
to d

› uso de camisinha em todas as relações sexuais;


is c /
A rq
ui vo

› como a transmissão pode ocorrer por meio da placenta ou do leite ma-


da
e di

terno, é importante que mulheres portadoras do HIV procurem orien-


to ra

tação médica antes de engravidar, durante a gestação e amamentação,


para evitar a contaminação do bebê.
Até o momento, não há cura para a aids, embora já existam medicamen- O laço vermelho,
símbolo da solidariedade
tos capazes de controlar a replicação do HIV, reduzindo assim a imunodefi-
à luta contra a aids,
ciência e melhorando a qualidade de vida das pessoas vivendo com HIV/aids. foi criado em 1991,
A vacina ainda não existe, e um dos maiores obstáculos para o seu desenvol- nos EUA. O dia 1o de
vimento é o fato de o vírus causador da aids apresentar altas taxas de muta- dezembro é o Dia
ção. Existem, no entanto, pesquisas com resultados promissores em diversos Mundial de Luta
laboratórios do mundo. Contra a Aids.

31
capítulo
2 A febre amarela silvestre também pode ser transmitida por mosquitos de outros gêneros, como Sabethes. Para mais informa-
ções, consulte o site do Ministério da Saúde. Disponível em: <http://portalsaude.saude.gov.br/index.php/o-ministerio/principal/
secretarias/svs/febre-amarela>. Acesso em: 15 maio 2016.

2.3 Febre amarela e dengue SUGESTÃO


DE ATIVIDADE

Essas duas viroses são causadas por vírus da mesma família, a dos flavivírus. Seus
sintomas são, no entanto, distintos, como você pode conferir no quadro a seguir.
SUGESTÃO
DE ATIVIDADE

Ilustrações: Alexandre Affonso/Arquivo da editora


Febre amarela Dengue
Partes afetadas Lesões sérias em diversos tecidos, Células do baço, do fígado e da
no corpo principalmente nas células do fígado. medula óssea, entre outras.
Dengue clássica: geralmente os sintomas
Febre amarela urbana: transmitida pela amenizam a partir do 7º- dia.
picada da fêmea do mosquito Aedes Dengue hemorrágica: após o 7º- dia, surgem
aegypti, comum nas cidades. sintomas mais graves, como as hemorragias.
Formas
Febre amarela silvestre: a mais comum no As duas formas de dengue são transmitidas
Brasil, transmitida por mosquitos que vivem pela fêmea do mosquito Aedes aegypti.
em matas, como os do gênero Haemagogus. Pode ocorrer a transmissão por transfusão de
sangue e durante a gestação.
- Febre alta - Febre alta
- Náuseas e vômitos - Dores no corpo, principalmente nas
- Dores no corpo articulações e na região dos olhos
Sintomas - Icterícia (amarelamento da pele e dos olhos - Fraqueza
DIVULGAÇÃO PNLD

principais pelo acúmulo de uma proteína liberada - Pequenas manchas avermelhadas na pele
pelo fígado) - Náuseas e vômitos
- Sangramentos em gengivas, nariz, trato - Sangramentos nas mucosas (na dengue
intestinal e trato renal. hemorrágica)
Há tratamento para o alívio dos sintomas. É Há tratamento para alívio dos sintomas.
Tratamento
fatal em grande parte dos casos. A dengue hemorrágica pode ser fatal.
Existe vacina, que pode ser aplicada a partir
dos 6 meses de idade e é recomendada a Não há vacina, mas existem pesquisas em
Vacinação
quem viaja ou vive nas áreas de ocorrência andamento (dados de 2016).
da doença. Tem validade por 10 anos.

A dengue e a febre amarela possuem sintomas iniciais que podem ser confun-
didos com os de outras doenças: mal-estar e febre alta de início repentino. É pre-
R-p
/ K ino

ciso estar atento e procurar assistência médica, evitando-se a automedicação e o


uso inadequado de remédios. O ácido acetilsalicílico, presente em certos medi-
camentos antitérmicos e analgésicos, não deve ser tomado por pessoas com sus-
peita de dengue e de febre amarela, pois esse composto interfere na coagulação
Fêmea do mosquito do sangue e pode contribuir para o agravamento das hemorragias.
Aedes aegypti. Mede
cerca de 0,6 cm de Essas duas viroses possuem em comum a transmissão pela picada de determi-
comprimento. nados pernilongos (mosquitos), sendo os principais:
D r. N ic o
las
D
› Aedes aegypti – transmissor da febre amarela urbana e da dengue, en-
tre outras doenças virais;
éG
a lli

› Haemagogus – algumas espécies desse gênero, que habitam regiões de


e r/ I R D

mata, transmitem a febre amarela silvestre.


Geralmente, esses pernilongos estão mais ativos durante o dia. Somente as
Fêmea do mosquito do fêmeas desses mosquitos picam as pessoas, sugando sangue. Os machos não são
gênero Haemagogus. hematófagos e, sim, sugadores de seiva das plantas.
Mede cerca de 0,8 cm Veja a seguir como é a transmissão das viroses pela fêmea do Aedes aegypti
de comprimento. e as ações fundamentais para manter as populações do mosquito sob controle.

32
capítulo
2

Ciclo de transmissão da dengue e da febre amarela urbana

Alexandre Affonso/Arquivo da editora


Aedes aegypti pessoa doente

acasalamento 4
3

macho 1 2

fêmea

ovo larva pupa


As figuras estão representadas em diferentes escalas.

1 A fêmea deposita ovos na superfície da água doce parada.

2 Do ovo ao adulto, o desenvolvimento do mosquito dura 10 dias.

3 A fêmea alimenta-se de sangue.

4 Ao picar uma pessoa doente, a fêmea do mosquito transmite o vírus a pele


outra pessoa. vírus no
sangue

Formas de
prevenção:
DIVULGAÇÃO PNLD

combate aos
focos de reprodução Pratos
Piscinas Obras Garrafas Pneus Plantas Caixas-d’água Aquários Alertas
dos mosquitos de vasos

2.4 Poliomielite

Divulgação/Prefeitura de Uberlândia
A poliomielite é uma doença grave que
afeta o sistema nervoso, podendo causar pa-
ralisia de diversas partes do corpo, como os
membros. É particularmente severa a parali-
sia dos músculos respiratórios, que pode levar
à morte. Embora a paralisia ocorra com fre-
quência, ela pode não se manifestar, mas sua
ocorrência, principalmente na infância, deu à
doença o nome popular de paralisia infantil.
A doença é causada por um vírus que atinge
o corpo em geral pela ingestão de alimentos con-
taminados. É frequente também a sua transmis-
são pela saliva de pessoas portadoras do vírus.
Criança recebendo a
Dentro do corpo humano, esses vírus atravessam a parede do intestino, chegam ao
vacina Sabin. Todos
sangue e são levados até o sistema nervoso, reproduzindo-se nos neurônios. A melhor
os anos são realizadas
garantia contra a doença é a vacinação, que é eficiente e simples de ser administra- campanhas de
da. A mais utilizada no Brasil é a vacina Sabin, conhecida como “a gotinha que salva”. vacinação gratuita
Além da vacinação, outras medidas higiênicas devem ser tomadas, especialmente no Brasil, para crianças
por ocasião de surtos da doença: lavar rigorosamente os alimentos a serem ingeridos de até cinco anos
crus, evitar piscinas coletivas, ferver água para consumo, desinfetar os vasos sanitários. de idade.
Graças à vacinação, a poliomielite é considerada uma doença erradicada no Brasil
desde 1989. As campanhas de vacinação são mantidas, porque ainda há locais de
incidência da doença no mundo.

33
capítulo
2
Medo (fobia) de água (hidro). O termo refere-se à dificuldade que animais com raiva têm para engolir, o que os leva a evitar a ingestão de água.

PENSE E 2.5 Raiva Veja mais comentários a respeito da raiva no Manual.


RESPONDA
A raiva acomete diversos mamíferos. A doença pode ser transmitida ao ser humano
Consultando o glossá- por mordidas de animais contaminados, pois os vírus da raiva são encontrados na saliva.
rio etimológico, expli- O principal transmissor da doença para seres humanos é o cão, responsável por quase
que o significado da
90% dos casos descritos de raiva humana, principalmente nas áreas urbanas. É doença
palavra hidrofobia e
anote no caderno. de extrema gravidade, exigindo tratamento especializado, podendo causar a morte.
Sem tratamento, a doença pode evoluir para degeneração dos neurônios e para-
lisia generalizada, incluindo a respiratória, o que causa a
morte em poucos dias.
Roosewelt Pinheiro/Agência Brasil

A raiva é conhecida, popularmente, como hidrofobia,


tendo o povo criado a expressão: “cachorro louco tem medo
de água”, referindo-se ao fato de animais com raiva evita-
rem a ingestão de água, devido à dor e à paralisia dos mús-
culos envolvidos na deglutição.
Ainda não há cura para a raiva, o que torna ainda
mais necessária a vacinação dos possíveis transmissores,
especialmente cães e gatos.
No caso de uma pessoa ser mordida, deve-se verificar,
quando possível, se o animal apresenta a vacinação em dia.
Cachorro recebendo Em qualquer caso, porém, é importante lavar o ferimento com água corrente e sabão
DIVULGAÇÃO PNLD

vacina antirrábica. e procurar orientação médica imediata, para que seja definido o tratamento necessá-
Vacinar os animais
rio. Geralmente, é ministrado o soro antirrábico, que é eficiente, desde que aplicado
de estimação contra
o vírus da raiva é antes da manifestação da doença.
fundamental para a
prevenção da doença 2.6 Hepatite
entre os próprios
animais e entre os O sufixo -ite é muito utilizado em Medicina, para designar inflamações: gastrite
seres humanos. (do estômago), estomatite (da boca), faringite (da faringe), hepatite (do fígado),
por exemplo. A inflamação ocorre por reação do organismo a diversos fatores,
como traumatismo mecânico, substâncias químicas e infecções.
No caso da hepatite, a inflamação é decorrente de infecção por vírus.
Atualmente, já foram identificados pelo menos sete diferentes vírus que cau-
sam hepatite, designados pelas letras do alfabeto. As três hepatites mais frequen-
tes são a A, a B e a C, que, juntas, totalizam cerca de 94% dos casos.
A hepatite A é a mais comum de todas, ocorrendo principalmente na infân-
cia. É transmitida por ingestão de água ou de alimentos mal lavados, contami-
nados pelo vírus.
As hepatites B e C atingem mais os adultos, sendo a tipo C a mais grave. Essas
ATENÇÃO duas formas de hepatite são transmitidas principalmente por meio de relação se-
xual com parceiro contaminado pelo vírus, transfusões de sangue contaminado
De modo geral, pode- e uso de seringas, materiais cortantes ou de higiene pessoal não esterilizados.
mos considerar a in- Também podem ser transmitidas do organismo materno para o feto, durante a
fecção como a agres-
são ao organismo
gestação. Existem vacinas contra as hepatites A e B, mas não para a hepatite C,
praticada por vírus ou embora trabalhos científicos estejam permanentemente sendo feitos em busca
bactérias, diferindo de dessa vacina.
infestação, invasão do Considerando o total de casos, a maioria dos doentes tem boa resposta ao tra-
organismo por animais
tamento médico adequado, mas, às vezes, a hepatite, especialmente a C, pode
parasitas.
progredir para uma forma fulminante, capaz de matar em poucos dias.
Veja no Manual comentários a respeito da hepatite C.

34
capítulo
2

Os sinais de alerta para a busca por assistência médica são, principalmente,


pele e olhos amarelados (icterícia), perda de apetite, náuseas, vômitos, febre e MULTIMÍDIA
dores de cabeça, abdominais e musculares.
A prevenção contra os casos de hepatite B ou C consiste basicamente em: Hepatites virais
<http://www.aids.
› uso de material descartável ou cuidadosa esterilização de seringas, agulhas, gov.br/hepatites-
material cirúrgico e de higiene pessoal (escova de dente, alicates de unha etc.); virais>
Consulte o site do
› extremo cuidado na utilização do material a ser transfundido (sangue, Ministério da Saúde
plasma, plaquetas etc.); para informações a
› uso de camisinha nas relações sexuais. respeito das hepatites.
Acesso em: 08 abr. 2016.
A prevenção contra contaminação por via digestiva, que é o caso da hepatite A,

uç ão
consiste nas mesmas medidas preventivas de qualquer outra doença cujo agente

Reprod
causador atinja o organismo dessa forma: combate a moscas, evitar contaminação
dos alimentos, lavar rigorosamente alimentos a serem ingeridos crus. Além das
medidas usuais de higiene, relacionadas com a alimentação, devem ser reserva-
dos para uso exclusivo das pessoas com hepatite: pratos, xícaras, copos, talheres
e, se possível, até mesmo sanitários.

2.7 Caxumba
É a inflamação das glândulas salivares, causada por vírus. As glândulas paróti-
das são as maiores e as mais atingidas, razão pela qual a caxumba é também conhe-
DIVULGAÇÃO PNLD

cida por parotidite (inflamação das parótidas). As glândulas salivares sublinguais e as


submandibulares são bem menores, mas também podem ser afetadas.
O doente deve ficar em repouso, evitando, assim, complicações da doença,
pois o vírus da caxumba pode afetar outras glândulas, como os testículos, o pân-
creas e os ovários.
A transmissão se faz pela saliva e por objetos contaminados pelo doente: co-
pos e talheres, por exemplo. Além dos cuidados usuais de higiene, é recomendá-
vel a vacina, para prevenção da doença.

2.8 Catapora ou varicela Esquema ilustrando a


formação de vesículas
A catapora é causada pelo vírus varicela-zoster. Também conhecida por vari-
como consequência do
cela, é outra virose transmitida pela saliva. A doença é caracterizada pelo apa- herpes-zoster.
recimento de pequenas vesículas na pele, que se vesículas
rompem, secam e desaparecem, geralmente não na pele
deixando vestígios. Assim, a catapora costuma ter
evolução benigna e pode ser evitada pela vaci-
nação e por medidas higiênicas.
Outra doença causada pelo mesmo vírus
Osv
ald o

é o herpes-zoster,, mais comum em adultos,


Sequetin /Arquivo da e

em que se formam vesículas que se esten-


dem por uma região da pele. Devido ao seu
aspecto, a erupção das vesículas na pele re- derme
cebe o nome popular de “cobreiro”. Embora
d i to

causada pelo mesmo vírus, é diferente da cata-


ra

pora, pois a pessoa sente muita dor, uma vez que


a erupção das vesículas acompanha o trajeto de vasos
sanguíneos
terminações nervosas. Seu tratamento, sempre nervo vírus do
orientado por médico, costuma ser demorado. herpes-zoster

35
capítulo
2 Veja mais informações a respeito da rubéola no Manual e em folheto do Ministério da Saúde, disponível em: <http://bvsms.
saude.gov.br/bvs/periodicos/agentesacao/rubeola.pdf>. Acesso em: 29 mar. 2016.

2.9 Sarampo

John Heseltine/Corbis/Latinstock
O sarampo é doença muito comum na
infância, transmitida pela saliva, e se ca-
racteriza por erupções vermelhas na pele,
que geralmente se iniciam no rosto e se
estendem por todo o corpo.
Antes das erupções, a pessoa apresen-
ta alguns sintomas, principalmente febre,
manchas típicas na mucosa bucal e con-
juntivite. Embora exista a possibilidade de
Criança com sarampo. complicações, o sarampo costuma evoluir
Observe as erupções de forma benigna.
vermelhas na pele,
um dos sintomas da
A prevenção da doença é feita pela va-
doença. cinação e por higiene pessoal adequada.

2.10 Rubéola
A rubéola caracteriza-se por deixar a pele muito vermelha (rubra), o que deu
origem ao seu nome. Os primeiros sinais da doença são aumento dos linfonodos
(gânglios) do pescoço, febre baixa e dores de cabeça não intensas. Embora seja
comum na infância, pode ocorrer na fase adulta.
DIVULGAÇÃO PNLD

A principal gravidade da doença em adultos diz respeito à mulher gestante,


especialmente nos primeiros meses de gravidez, período em que pode provocar
malformações no feto. Por isso, recomenda-se a vacinação em mulheres jovens
ou que pretendem ter filhos. Mulheres já em gestação não podem ser vacinadas.
Crianças pequenas também devem ser vacinadas.

2.11 Condiloma acuminado – HPV


O condiloma acuminado manifesta-se na forma de verrugas genitais, popular-
mente conhecidas como “crista-de-galo”. Afeta homens e mulheres e é causado
Cartaz de campanha pelo HPV (papilomavírus humano), transmitido nas relações sexuais pelo contato
do Ministério da direto com a pele afetada. Sendo uma Doença Sexualmente Transmissível (DST),
Saúde incentivando a
o uso de camisinha é fundamental para reduzir a possibilidade de transmissão
vacinação de meninas
contra o HPV.
da doença.
As verrugas genitais devem ser tratadas sob orienta-
ção médica. Nas mulheres, a infecção pode se manifes-
Divulgação/Ministério da Saúde

tar no colo do útero e, nesse caso, o vírus pode causar


o desenvolvimento de um grave tipo de câncer. Assim,
a partir da adolescência as mulheres devem realizar re-
gularmente o exame conhecido como papanicolau, que
detecta uma possível infecção por HPV.
No Brasil, a prevenção contra o HPV também con-
ta, desde 2014, com uma vacina, que deve ser admi-
nistrada em meninas de 11 a 13 anos de idade, com
dose de reforço após 5 anos. Apesar de a vacinação
proteger contra a infecção pelo HPV e o câncer de
colo de útero relacionado ao vírus, os exames regu-
lares, prescritos por ginecologistas, são essenciais
para a saúde da mulher.

36
VAMOS CRITICAR O QUE ESTUDAMOS?

Como surgiram os vírus?


A estrutura dos vírus é muito mais simples na Terra, depois dos primeiros seres vivos for-
do que a de uma célula procariótica. Isso não mados por células.
significa que eles sejam mais primitivos, na escala A origem dos vírus, provavelmente, não foi a
evolutiva, que os procariontes. partir de um único ancestral; diversos grupos de
Como os vírus dependem das células para vírus podem ter surgido ao longo da evolução da
se reproduzir, os cientistas defendem a hipó- vida. Esse estudo, no entanto, é um grande desafio,
tese de que eles surgiram, na história da vida pois não existem evidências como fósseis.

Doenças transmitidas pelo Aedes aegypti


Todos os seres vivos participam de algum tes para o diagnóstico, a ser feito exclusivamente
ecossistema e exercem uma função no equilíbrio pelo médico:
ecológico. No entanto, certas condições causam • Dengue: dores articulares generalizadas,
desequilíbrios em populações de determinadas manchas na pele por todo o corpo, dores
espécies. Um exemplo é a proliferação do mos- musculares e nos olhos, febre alta.
quito Aedes aegypti nos meios urbanos, onde • Chicungunya, detectada no Brasil pela pri-
ele encontra alimento e abundância de locais meira vez em setembro de 2014: febre alta
DIVULGAÇÃO PNLD

adequados para a reprodução. (geralmente entre 38 ºC e 40 ºC), como na


Os mosquitos machos alimentam-se de plan- dengue, dores pelo corpo, dor de cabe-
tas e as fêmeas são hematófagas, especialmente ça, cansaço, manchas avermelhadas, dores
alimentando-se de sangue humano, sangue esse articulares nas extremidades (mãos, pés,
necessário à maturação de seus ovos, produzidos tornozelos).
em grande quantidade. Os ovos são depositados • Febre zika, detectada no Brasil pela pri-
na água parada, em plena natureza, mas também meira vez em maio de 2015: sintomas mais
em nossas casas e seus arredores. Aedes aegypti brandos, febre baixa (geralmente não ultra-
é, portanto, uma espécie de grande sucesso passando 38 ºC), fotofobia, dor nos olhos,
adaptativo e reprodutivo. conjuntivite (mais frequente do que na
O sucesso adaptativo do mosquito nos afeta chicungunya e rara na dengue).
diretamente e, por isso, precisa ser combatido; Uma complicação extremamente séria atri-
basta não deixarmos água parada, eliminando as buída ao vírus zika, detectada pela primeira vez
possibilidades desse acúmulo em todo lugar ao no Brasil em novembro de 2015, é a microcefalia,
nosso alcance. A negligência tem causado grande em que a circunferência do crânio de recém-nas-
prejuízo para a saúde humana nos últimos anos. cidos é consideravelmente menor que o normal,
Esses mosquitos podem transmitir vírus res- o que pode responder por sérias complicações
ponsáveis por pelo menos quatro doenças conhe- neurológicas decorrentes do incompleto de-
cidas: febre amarela urbana, dengue, chicungunya senvolvimento do encéfalo. Existem algumas
e febre zika. evidências de que a maior probabilidade dessa
Estudamos a febre amarela e a dengue neste
ocorrência seja em fetos cujas mães contraíram o
capítulo. Vejamos, agora, algumas informações
vírus zika nos primeiros três meses de gravidez.
a respeito da chicungunya e da febre zika, que
No entanto, como se trata de evento recente,
apresentam sintomas com algumas semelhanças
ainda há muitas incertezas a respeito, estando o
com os da dengue, tais como dor, inclusive arti-
Ministério da Saúde empenhado em seu estudo
cular, febre alta, manchas no corpo, mal-estar,
e pesquisa.
dor nos olhos e conjuntivite. Fonte:
Embora seja grande a semelhança de sinto- MINISTÉRIO DA SAÚDE. Disponível em: <http://combateaedes.saude.gov.br/>.
mas, algumas características podem ser relevan- Acesso em: 29 mar. 2016.

Utilizamos a grafia zika de acordo com a que consta do site do Ministério da Saúde.
O termo chicungunya está de acordo com o Dicionário Houaiss da Língua Portuguesa
(versão on-line. Acesso em: 08 abr. 2016).
37
LEITURA

Patentes e a luta contra o HIV: preservação dos direitos de quem?


A patente é um instrumento legal que ga- novo antirretroviral patenteado após 1996 po-
rante ao(s) indivíduo(s) ou às instituições que de- deria ser produzido por laboratórios brasileiros.
senvolveram uma inovação a exclusividade em Entretanto, a lei de patentes brasileira trazia uma
sua fabricação e comercialização, durante um flexibilidade: a licença compulsória, que permitia
período de, no mínimo, 20 anos. a “quebra de patentes” em situações de emer-
No que se refere a medicamentos antirre- gência nacional, caso do combate à aids. De acor-
trovirais que combatem o HIV, a maior parte das do com documentos reconhecidos mundialmen-
patentes pertence a laboratórios privados dos te, os direitos humanos são princípios prioritários,
Estados Unidos (EUA). incluindo a saúde da população.
No início dos anos 1990, esses medicamentos Como o Brasil manteve a produção de medica-
tinham preços elevados e o Brasil não tinha como mentos antirretrovirais, os Estados Unidos forma-
os comprar para prestar amplo atendimento aos lizaram a queixa contra nosso país, contestando
brasileiros que viviam com HIV/aids. A alternativa a licença provisória prevista na lei brasileira. Ao
encontrada pelo governo brasileiro foi a seguin- mesmo tempo, laboratórios multinacionais pro-
te: um laboratório da Fundação Oswaldo Cruz, cessam a África do Sul pelo fato de aquele país
vinculado ao Ministério da Saúde e situado no defender o acesso a medicamentos mais baratos.
Rio de Janeiro, iniciou a produção brasileira de Esses episódios geraram polêmica mundial.
formas genéricas de antirretrovirais. Diversas instituições se posicionaram a favor do
DIVULGAÇÃO PNLD

Foi desenvolvida uma técnica de “engenharia acesso universal a antirretrovirais. Com a reper-
reversa”. Cada medicamento importado passou cussão, tanto os EUA como os laboratórios mul-
por uma análise para identificar as substâncias tinacionais retiraram suas queixas.
presentes. Feito isso, para cada remédio, pro- Em 2001, a Organização Mundial do Comércio
curou-se chegar a outras combinações de subs- reviu o Acordo TRIPS, reconhecendo que os países
tâncias que oferecessem o mesmo efeito, ou até têm direito a acionar licenças compulsórias para
maior eficácia, contra o HIV, além de menor to- garantir o acesso a medicamentos essenciais.
xicidade aos pacientes. A produção de parte dos Atualmente, o programa brasileiro de trata-
antirretrovirais pelo Brasil poupou-lhe milhões de mento a pessoas que vivem com HIV/aids é con-
reais, os quais puderam ser aplicados no próprio siderado um dos melhores do mundo. O Brasil
Programa Nacional de Combate ao HIV e à aids. ainda compra alguns antirretrovirais cuja produ-
Em 1994, as patentes ganharam destaque no ção nacional se mostra inviável devido aos altos
acordo sobre direitos de propriedade intelectual custos de produção.
relacionados ao comércio (TRIPS, sigla derivada Em longo prazo, é essencial investir em pes-
do nome do acordo em inglês), que foi assinado quisas nacionais sobre novos medicamentos e
por diversos países, inclusive pelo Brasil. Em termos tratamentos, assim como é crucial continuar com-
diplomáticos, se um país quebrasse patentes, sua batendo a transmissão do vírus.
imagem poderia ser prejudicada e sua participação A questão das patentes dos antirretrovirais
no comércio mundial também sofreria prejuízos. que combatem o HIV é um tema delicado e com-
O Brasil alterou então sua lei de patentes plexo, pois envolve diversas questões éticas, filo-
procurando adequá-la ao Acordo TRIPS. Nenhum sóficas, diplomáticas, econômicas e sociais.

DEPOIS DA LEITURA...
Com seus colegas, simulem uma audiência pública, em que diversos representantes da sociedade discutem
um tema específico. O tema a ser discutido é o pedido de licença compulsória de um medicamento pelo
governo brasileiro. Organizem-se em grupos que representem diversos setores da sociedade; cada um deve
preparar os argumentos contra ou a favor. O professor avaliará a coerência da argumentação de cada grupo.
Veja orientações no Manual.

38
FAÇA NO CADERNO.
ATIVIDADES NÃO ESCREVA EM SEU LIVRO.

2. Como os vírus são muito menores que uma bactéria, muitos deles atraves-
sam os minúsculos poros da porcelana que constitui o filtro de água.

Revendo e aplicando conceitos Questões do Enem e de vestibulares


1. Os vírus são desprovidos de células. O sistema de três
domínios classifica os seres formados por células.
1. Por que os vírus não estão incluídos nas propostas de 6. (Enem-2015) Tanto a febre amarela quanto a den-
classificação dos seres vivos, como o sistema de três gue são doenças causadas por vírus do grupo dos
domínios, que vimos no capítulo anterior? arbovírus, pertencentes ao gênero Flavivirus, exis-
2. O consumo de água filtrada é fundamental para pre- tindo quatro sorotipos para o vírus causador da
venir infecções por bactérias presentes na água. Expli- dengue. A transmissão de ambas acontece por meio
que por que não basta filtrar a água como proteção da picada de mosquitos, como o Aedes aegypti.
contra doenças virais como a poliomielite. Entretanto, embora compartilhem essas caracte-
rísticas, hoje somente existe vacina, no Brasil, para
3. Para cada uma das situações abaixo, cite pelo menos
a febre amarela e nenhuma vacina efetiva para a
duas viroses que:
3. a) Febre amarela, dengue. dengue.
a. são transmitidas por picadas de insetos; MINISTÉRIO DA SAÚDE. Disponível em: <http://portal.saude.gov.br>.
3. b) Aids, hepatites B e C.
Acesso em: 7 ago. 2012 (adaptado).
b. são doenças sexualmente transmissíveis (DST);
3. c) Poliomielite, caxumba, sarampo. Esse fato pode ser atribuído à
c. são transmitidas por gotículas de saliva.
4. Consulte o Manual. a. maior taxa de mutação do vírus da febre amarela
4. Para as doenças e condições indicadas na questão an- do que do vírus da dengue.
terior, explique as medidas profiláticas (de prevenção)
mais adequadas, para cada caso. 6. b b. alta variabilidade antigênica do vírus da dengue
em relação ao vírus da febre amarela.
DIVULGAÇÃO PNLD

Trabalhando com gráficos c. menor adaptação do vírus da dengue à população


humana do que do vírus da febre amarela.
5. O gráfico a seguir mostra o desenvolvimento da aids no d. presença de dois tipos de ácidos nucleicos no ví-
organismo humano, a partir de 2 anos da infecção. Cli- rus da dengue e somente um tipo no vírus da
nicamente a aids é caracterizada pela baixa contagem febre amarela.
de linfócitos TCD4 no indivíduo. Os medicamentos pro-
e. baixa capacidade de indução da resposta imuno-
curam evitar que o número de linfócitos seja reduzido,
lógica pelo vírus da dengue em relação ao da fe-
dificultando o surgimento das infecções oportunistas.
5. a) O HIV pode permanecer latente por muitos anos. Ao se manifestar, bre amarela.
passa a se reproduzir e os linfócitos infectados são destruídos.
Analise este gráfico e responda: 7. (Enem-2013) A contaminação pelo vírus da rubéo-
la é especialmente preocupante em grávidas, de-
Maps World/Arquivo da editora

Relação entre taxa viral, número de


linfócitos e desenvolvimento da aids vido à síndrome da rubéola congênita (SRC), que
pode levar ao risco de aborto e malformações
por volume de sangue (em verde)

107
Número de vírus por volume

fase assintomática aids


de sangue (em vermelho)
Número de linfócitos TCD4

congênitas. Devido a campanhas de vacinação es-


106
pecíficas, nas últimas décadas houve uma grande
105 diminuição de casos de rubéola entre as mulhe-
res, e, a partir de 2008, as campanhas se intensi-
linfócitos TCD4 104
ficaram e têm dado maior enfoque à vacinação
HIV 103 de homens jovens.
BRASIL. Brasil livre da rubéola: campanha nacional de vacinação para
eliminação da rubéola. Brasília: Ministério da Saúde, 2009 (adaptado).
2 4 6 8 10 12
Tempo (anos a partir da infecção) Considerando a preocupação com a ocorrência da
Fonte: CAMPBELL, N. A.; REECE, J. Campbell Biology. 9. ed. SRC, as campanhas passaram a dar enfoque à vaci-
EUA: Pearson Benjamin Cummings, 2011, p. 949. nação dos homens, porque eles
a. Por que a pessoa pode permanecer anos na con-
a. ficam mais expostos a esse vírus.
dição assintomática? Na ausência de tratamento,
por que há redução no número de linfócitos TCD4? 7. b b. transmitem o vírus a mulheres gestantes.
b. Por que as infecções oportunistas ocorrem quando c. passam a infecção diretamente para o feto.
o número de linfócitos cai?
5. b) Os linfócitos fazem parte do sistema imunitário (de defesa). d. transferem imunidade às parceiras grávidas.
c. Em sua opinião, qual é a importância do Dia Mun-
dial de Luta contra a Aids? 5. c) Resposta pessoal. Veja e. são mais suscetíveis a esse vírus que as mulheres.
comentários no Manual.

39
capítulo

3 Moneras
Eubactérias: bactérias verdadeiras (eu).
Veja comentário no Manual.

COMENTÁRIOS
GERAIS

PENSE E RESPONDA 1 Introdução


Consultando o glossário etimoló-
Como você já sabe, o reino Monera reúne seres vivos procariontes, quase
gico, explique a origem e o signi- todos unicelulares, com um grupo de multicelulares recentemente descrito.
ficado do termo eubactérias e A célula que forma as moneras não tem carioteca delimitando e individuali-
anote-o no caderno. Lembre-se de zando um núcleo. O material genético corresponde a uma molécula de DNA
que a etimologia nos ajuda a enten- circular, localizado em uma região do citoplasma denominada nucleoide.
der o significado das palavras, mas Além do DNA presente nessa região, podem existir de uma a muitas molé-
nem sempre pode ser interpretada
culas pequenas e circulares de DNA, os plasmídeos, que geralmente contêm
literalmente.
genes relacionados à resistência das bactérias a antibióticos.
DIVULGAÇÃO PNLD

Estrutura de uma bactéria

Osvaldo Sequetin/Arquivo da editora


membrana cápsula
parede celular
ribossomos plasmática

citoplasma

DNA circular, na região da célula


plasmídeos correspondente ao nucleoide

Célula procariótica, Bactérias e cianobactérias compõem o reino Monera.


com parte removida.
Ela mede cerca de 2 µm A classificação atual das moneras tem se baseado na sequência de nucleotí-
de comprimento. deos do RNA ribossômico, que é o material que constitui os ribossomos, organe-
las responsáveis pela síntese de proteínas.

40
capítulo
3

O estudo da sequência de nucleotídeos do RNA ribossômico permitiu distribuir


os procariontes em dois grandes grupos:
› arqueas – a maioria das espécies conhecidas vive em ambientes normal-
mente desfavoráveis à vida, tais como fontes termais, lodo de pântanos,
ambientes de alta acidez ou salinidade, embora existam espécies que
não habitam locais de condições extremas;
› eubactérias – as mais conhecidas e que serão estudadas com mais deta-
lhes neste livro. Incluem as bactérias e as cianobactérias.
As arqueas, também chamadas arqueobactérias (arqueo = antigo), receberam
esse nome porque, até pouco tempo atrás, considerava-se que este seria o grupo
mais primitivo de bactérias. No entanto, estudos recentes, baseados em análises
moleculares, indicam que as arqueas não são bactérias – apesar de compartilha-
rem com elas o fato de serem procariontes – e são evolutivamente mais próximas
dos eucariontes do que das bactérias.

2 Arqueas
Veja os ambientes mostrados nas imagens a seguir.
Esses ambientes, apesar das condições desfa-

John Elk III/Getty Images


voráveis à sobrevivência da maioria dos seres vi-
DIVULGAÇÃO PNLD

vos, fazem parte da biosfera terrestre, ou seja, ali


existe vida.
Existem arqueas que vivem em fontes termais,
na superfície terrrestre ou nas profundezas do mar,
onde a temperatura da água é muito elevada, há
pouco ou nenhum teor de gás oxigênio e o nível
de acidez também é alto.
Outro grupo de arqueas é encontrado em am-
bientes com alta concentração salina, como em
certos lagos e no organismo de peixes marinhos. Fonte termal em parque dos Estados Unidos. Ali a temperatura
As arqueas conhecidas como metanogênicas da água e o grau de acidez são muito elevados. O colorido da
água resulta das populações de arqueas que ali vivem.
vivem em locais como pântanos, brejos, sedimen-
tos marinhos, esgotos e no intestino de animais
que digerem celulose, como bois e cupins. Seu
nome deriva do fato de esses organismos forma-
rem gás metano (CH4) como produto de seu me-
Thierry Berrod; Mona Lisa Production/SPL/Latinstock

tabolismo energético.
A distribuição das arqueas na natureza ainda
é tema de muita pesquisa no meio científico. As
condições ambientais extremas em que as espé-
cies hoje conhecidas são encontradas foram res-
ponsáveis pela associação desses procariontes com
a Terra primitiva, onde certamente os ambientes
eram muito hostis. No entanto, pesquisas recen-
tes indicam que o grupo das arqueas é muito mais
diversificado do que se imaginava e que, ao longo
de sua evolução, provavelmente não esteve restri- Lagoa com alta concentração de sal, na África. A cor
to a ambientes extremos. rosada da água é consequência da presença de arqueas.
A respeito das arqueas, a referência utilizada foi: MARGULIS, L.; SCHWARTZ, K. Cinco reinos – um guia ilustrado dos
filos da vida na Terra. 3. ed. Rio de Janeiro: Guanabara Koogan, 2001.
41
capítulo
3

3 Eubactérias
3.1 Cianobactérias
As cianobactérias são eubactérias autótrofas, que apresentam um tipo de clo-
rofila e realizam fotossíntese de modo semelhante à fotossíntese de plantas e al-
gas. Em razão dessa semelhança, eram antigamente consideradas um grupo es-
pecial de algas chamadas cianofíceas ou “algas azuis” (pela presença de um outro
pigmento, azulado). No entanto, diferentemente das algas, as cianobactérias são
procariontes e seus pigmentos não estão contidos em organelas, mas sim em la-
melas dispostas no citoplasma.

Estrutura interna de uma cianobactéria

Luis Moura/Arquivo da editora


Estrutura interna de uma lamelas
parede
cianobactéria, em que é celular
possível ver as lamelas
Dr. Kari Lounatmaa/SPL/Latinstock

bacteriana
nas quais se encontram os
pigmentos fotossintetizantes.
Os pontos vermelhos são
grânulos acumulados no
citoplasma da célula que mede
DIVULGAÇÃO PNLD

cerca de 5 µm de diâmetro.
À direita, esquema de uma citoplasma
cianobactéria, mostrando as
lamelas no citoplasma.

Existem evidências de que os cloroplastos, organelas responsáveis pela fotos-


síntese nas células de plantas e algas, tenham se originado de cianobactérias pri-
mitivas que passaram a viver em simbiose com células eucarióticas. Apesar de uni-
celulares, a maioria das espécies de cianobactérias ocorre na forma de colônias.
Existem cianobactérias nos mais diversos ambientes: na água doce, no mar, no
solo, na superfície úmida de rochas ou troncos. Esses seres vivos são fundamen-
tais ao equilíbrio ecológico, pois, graças à fotossíntese que realizam, retiram gás
carbônico do meio, produzem matéria orgânica e liberam gás oxigênio.
Visuals Unlimited/Corbis/Latinstock

RECORDE-SE

Colônia
Reunião de indivíduos
de uma mesma espé-
cie, que permanecem
unidos, formando uma
unidade funcional.
É diferente de uma
sociedade, como a de
abelhas, em que os in- Os filamentos que vemos nessa imagem são formados por cianobactérias. Cada pequena
divíduos não são liga- estrutura arredondada corresponde a um indivíduo. Esse gênero (Nostoc) é capaz de fixar gás
dos anatomicamente e nitrogênio presente no ar em compostos nitrogenados importantes para as plantas.
há divisão de trabalho.
Cada indivíduo deste gênero mede cerca de 10 µm de diâmetro.

42
capítulo
3
SUGESTÃO
DE ATIVIDADE
3.2 Bactérias
MULTIMÍDIA
As bactérias possuem, em sua maioria, forma relativamente constante, em ra-
zão da presença de uma parede celular espessa. A parede celular das bactérias é Laminário virtual:
formada pela associação de um carboidrato com um protídeo, e não é feita de Células procarióticas
celulose, como a parede celular de células vegetais. <http://www.bdc.
ib.unicamp.br/bdc/
Quanto à forma, ou morfologia, as bactérias podem ser células aproximada- visualizarMaterial.
mente esféricas, cilíndricas ou espiraladas (helicoidais). hp?idMaterial=805#.
Em função de variações dentro desse aspecto geral e com finalidade didática, VwgMLDYrlUR>
Com este simulador,
costuma-se dividir as bactérias em cinco grupos, quanto à forma:
você poderá ter uma ex-
› cocos – são arredondadas, geralmente esféricas, mas com representan- periência semelhante à
tes ovoides; de visualizar células pro-
carióticas ao microscó-
› bacilos – são células cilíndricas, alongadas, como bastonetes (pequenos pio óptico. Há bactérias
bastões); de diferentes formatos,
que você pode ver em
› espirilos – são filamentos longos, relativamente rígidos e espiralados; diversos aumentos.
› espiroquetas – são também filamentos longos e espiralados, porém mais Acesso em: 08 abr. 2016.

Reprodução
flexíveis do que os espirilos;
› vibriões – possuem aspecto que lembra um bastonete curvo ou uma vírgula.
Nas imagens de microscopia, mostradas a seguir, é possível identificar esses
DIVULGAÇÃO PNLD

cinco tipos morfológicos de bactérias.

Cocos Espiroqueta

CDC
Dr. Gary Gaugler/SPL/Latinstock

2 µm

Espirilos
1 µm

Visuals Unlimited/Corbis/Latinstock

Bacilo
2 µm
Visuals Unlimited/Corbis/Latinstock

Vibrião
Eye of Science/SPL/Latinstock

1 µm
1,5 µm

43
capítulo
3 Veja no Manual comentário a respeito
de colônias e grupos de bactérias.

As bactérias podem viver isoladamente ou em grupos, pela reunião de vários


indivíduos em um determinado arranjo. Este último caso acontece principalmen-
te com os cocos, mas pode ocorrer também com espécies de bacilos; não ocorre
com espirilos, espiroquetas e vibriões.
Arranjos de cocos. Veja nas fotomicrografias eletrônicas a seguir três padrões de arranjo em co-
Cada bactéria mede cos: estafilococos, diplococos e estreptococos. Você pode consultar o glossário
cerca de 0,75 µm de etimológico e observar o aspecto morfológico de cada colônia para saber o sig-
diâmetro. nificado de seus nomes.

s fi o o os Diplococos Estreptococos
Eye of Science/SPL/Latinstock

Dr. Kari Lounatmaa/SPL/Latinstock

CNRI/SPL/Latinstock
Além dos diplococos (reunião de dois cocos), dos estafilococos (arranjo em for-
ma de cacho de uva), e dos estreptococos, que lembram fios encurvados, podem
DIVULGAÇÃO PNLD

ocorrer ainda as tétrades e as sarcinas. As tétrades são arranjos de quatro cocos e


as sarcinas são formadas por cocos que se organizam de forma cúbica.

Bactérias gram-positivas e gram-negativas


A forma das bactérias é mantida principalmente pela parede celular rígida e espessa, presente na maioria
desses seres vivos.
Há dois tipos de parede celular nas bactérias, permitindo separá-las em dois grupos: bactérias gram-positivas
e bactérias gram-negativas.
Gram-positivas são as bactérias Tipos de parede celular em bactérias
que retêm um corante especial, de

Luis Moura/Arquivo da editora


parede celular:
cor violeta; gram-negativas são as camada espessa
que não retêm esse corante. de peptidoglicano
Essa capacidade de reter ou não
membrana
o corante depende do tipo de pa- plasmática
rede celular: as gram-positivas têm
bactéria
parede espessa formada por molé- gram-positiva camada externa
culas de açúcar e aminoácidos; as lipopolissacarídeo espessa, semelhante à
parede celular

gram-negativas têm parede mais membrana plasmática,


fosfolipídio com lipopolissacarídeo
delgada e possuem também uma
outra camada externa, semelhante proteína
a uma membrana plasmática.
A técnica de diferenciação bactéria camada de
desses dois tipos de bactérias re- gram-negativa peptidoglicano
cebeu o nome método de Gram,
pois foi desenvolvida por Hans
membrana
Christian Joachim Gram, bac-
lipoproteínas plasmática
teriologista nascido no ano de
1853 em Copenhague e falecido Esquema da estrutura da parede celular em bactéria gram-positiva e em
no ano de 1938. bactéria gram-negativa, representadas com parte da célula removida.

44
capítulo
SUGESTÃO
DE ATIVIDADE 3
A divisão bacteriana não é uma mitose, conforme comentado no volume 1 desta coleção.

Reprodução das bactérias

SPL DC/Latinstock
A reprodução das bactérias ocorre por bipartição ou cissi-
paridade: cada bactéria sofre duplicação do material genético
e divide-se em duas, geneticamente idênticas entre si. Esse pro-
cesso é extremamente rápido, permitindo que, em condições fa-
voráveis, cada bactéria dê origem a milhares de novas bactérias,
todas idênticas, em pouco tempo.

Variabilidade genética em bactérias


Existem fenômenos que promovem a variabilidade genética de
moneras: a bactéria pode incorporar genes de outras fontes, além Dois bacilos resultantes
do processo de
do DNA herdado da célula inicial, pelo processo de bipartição.
bipartição ou
Uma bactéria pode receber genes de outra por meio da conjugação bacteriana. cissiparidade (cada
Forma-se entre dois indivíduos uma ponte citoplasmática por onde acontece a trans- bacilo mede cerca de
ferência de DNA. Uma das bactérias atua como doadora e outra como receptora 2 µm de comprimento).
do material genético. A bactéria doadora pode transmitir à receptora uma cópia
de seu DNA ou apenas a cópia de um plasmídeo. Encerrada a transferência, as
células se separam, e a bactéria receptora pode transmitir seu patrimônio gené-
tico modificado no momento da reprodução.

Conjugação
DIVULGAÇÃO PNLD

CURIOSIDADE

Luis Moura/Arquivo da editora


plasmídeo DNA circular bactéria doadora (transmitindo
cópia de um plasmídeo)
Uma bactéria que se di-
vida a cada 15 minutos
ponte dará origem em duas
citoplasmática
horas a 256 bactérias
iguais. Isso significa que
bactéria receptora em 6 horas poderá for-
mar mais de 15 milhões
de clones!
As bactérias podem ainda incorporar, por meio de certas proteínas da mem-
brana plasmática, fragmentos de DNA presentes no meio. Esse processo recebe o
nome de transformação bacteriana. PENSE E
RESPONDA
Transformação Na época em que as
bactérias eram classi-
Luis Moura/Arquivo da editora

bactéria ficadas como plantas,


fragmentos de DNA
transformada eram consideradas
“esquizófitas”. Con-
sultando o glossário
etimológico, justifique
Fragmento ... e integra-se ao esse termo, à luz do
DNA circular de DNA é DNA da bactéria. tipo de reprodução das
incorporado
à célula... bactérias.

O termo significa planta (fita)


Um tipo especial de modificação genética em bactérias ocorre quando certos que se divide (esquizo). As
bactérias não são plantas, mas
vírus, os bacteriófagos, “injetam” genes nas bactérias hospedeiras, alterando seu reproduzem-se por bipartição.
conteúdo genético. Esse mecanismo é chamado transdução, e tem sido uma im-
portante ferramenta para a engenharia genética: bacteriófagos são usados como
vetores para injeção de genes selecionados em certas espécies de bactérias, para

45
capítulo
3

que elas apresentem determinadas alterações em seu metabolismo


MULTIMÍDIA e produzam substâncias de interesse médico ou científico.

O terror das bactérias Transdução


< ht t p : //w w w.yo u tu b e . co m /

Luis Moura/Arquivo da editora


watch?v=1Ah_w0h414w> vírus bacteriófago DNA viral
Disponível no canal de vídeos do Institu-
to Butantan, a animação com massa de
modelar mostra, de modo simplificado,
a ação dos bacteriófagos. O vídeo foi
produzido pelo Museu de Microbiolo- DNA circular O DNA viral integra-se
gia do Instituto Butantan em parceria da bactéria ao DNA da bactéria.
com pesquisadores do
Instituto de Biociências Metabolismo bacteriano
da USP.
Acesso em: 08 abr. 2016. A diversidade metabólica dentro do reino das moneras é a maior
em relação aos demais grupos de seres vivos. A maioria das bactérias
Reprodu
ção é heterótrofa, podendo realizar fermentação, respiração aeróbia (na
qual utilizam gás oxigênio) ou respiração anaeróbia, que ocorre na
ausência de gás oxigênio, mas utilizando substâncias que possuem
oxigênio em suas moléculas. Além disso, existem bactérias autótro-
The Next

fas, que realizam fotossíntese e outras que realizam quimiossíntese,


como as sulfobactérias, que oxidam compostos de enxofre, as ferro-
O iogurte é bactérias, que oxidam compostos de ferro, e as nitrobactérias, que
DIVULGAÇÃO PNLD

produzido a oxidam compostos de nitrogênio.


partir da
ação de A diversidade de processos com os quais bactérias obtêm energia está
determinadas relacionada aos diversos nichos ecológicos que elas ocupam, e também
bactérias com a variedade de interações que se estabelecem entre bactérias e se-
no leite. res humanos. Veja alguns exemplos no quadro a seguir.

Importância das bactérias extremamente graves, pois, atuando nos organismos


vivos, degradam seus tecidos e produzem substâncias
Ação das bactérias na produção de alimentos
tóxicas capazes de provocar sérios distúrbios.
Atuando sobre a matéria orgânica, as bactérias po-
É importante lembrar que nem todas as bactérias en-
dem transformar determinadas substâncias em outras.
contradas no interior de um organismo são nocivas à saú-
Essa condição característica que as bactérias pos- de. Algumas chegam a formar associações harmônicas com
suem de transformar alimentos em outros produtos tem outros organismos, em que ambos se beneficiam (mutua-
sido utilizada industrialmente, ou mesmo em ambien- lismo). É o caso de bactérias que vivem no intestino hu-
te doméstico, para a produção de iogurtes, coalhada, mano, compondo uma microbiota presente nos indiví-
queijo, requeijões e similares. duos saudáveis. Além de atuarem na formação das fezes,
Ação das bactérias no ambiente essa microbiota produz uma substância importante para
Muitas bactérias decompõem matéria orgânica os mecanismos de coagulação sanguínea, a vitamina K.
oriunda de seres vivos, participando, assim, da recicla- Ação das bactérias sobre os alimentos
gem de matéria no ambiente, tanto no solo quanto na Muitos alimentos consumidos por nós e por outros
água. Essas bactérias são conhecidas por decomposi- animais são também utilizados por bactérias que, agin-
toras, sendo de extrema importância, permitindo, por do sobre eles, provocam deterioração, tornando-os im-
exemplo, a transformação de matéria orgânica em pro- próprios ao consumo.
dutos indispensáveis à nutrição das plantas. Você pode facilmente relacionar alguns alimentos
Ação das bactérias no corpo dos seres vivos que costumam ser deteriorados por ação de bacté-
Muitas bactérias são patogênicas. Isso significa rias, como carne de várias origens, frutas e verduras.
que elas causam ou dão origem (gênese) a doenças Consumir alimentos frescos e dentro do prazo de va-
(pato). As doenças causadas pelas bactérias podem ser lidade são hábitos essenciais para evitar intoxicação.

46
capítulo

SUGESTÃO
3
DE ATIVIDADE

4 Bactérias e saúde humana

AGE Fotostock/Grupo Keystone


Existem espécies de bactérias que, atingindo o organismo dos
seres vivos, podem causar doenças. Essas bactérias são chamadas
patogênicas. Vamos analisar algumas das doenças causadas por
bactérias patogênicas que afetam os seres humanos.

4.1 Cárie dentária


A cárie dentária é uma patologia causada por bactérias que pro-
liferam na boca. A higiene bucal é essencial para prevenir a cárie,
com a escovação correta dos dentes após as refeições e evitando-
Cárie dentária:
-se o consumo de alimentos muito açucarados. O tratamento da cárie é feito por patologia causada por
um(a) dentista, que deve ser visitado regularmente para manter a saúde bucal. bactérias e que pode
ser prevenida com
4.2 Disenteria higiene bucal.

A disenteria pode ser causada por bacilo ou por ameba, que é um protozoário.
Existem, portanto, dois tipos de disenteria: a bacilar e a amebiana (amebíase). PENSE E
Essa doença se caracteriza pela inflamação do intestino, disfunção que se RESPONDA
manifesta por cólicas e diarreias intensas, com muco e sangue nas fezes, geral- Disenteria é uma pa-
mente muito liquefeitas. A disenteria bacilar pode levar à desidratação e gran- lavra formada a partir
DIVULGAÇÃO PNLD

de perda de peso. do prefixo dis- e de


Como a transmissão é feita por água e alimentos contaminados, a prevenção enteron. Consulte o
glossário etimológico e
consiste em hábitos higiênicos necessários na utilização da água, de verduras, fru-
explique o significado
tas e legumes, principalmente. no caderno.

4.3 Meningite Mau funcionamento (dis-) do


intestino (enteron).

A meningite é a inflamação das meninges, membranas que revestem a par-


te central do sistema nervoso e pode ser causada por bactéria, por vírus ou por
amebas. A meningite causada por bactéria é mais frequente do que a provocada
por vírus e amebas, e é tratada com antibióticos.
A principal bactéria causadora de meningite é o meningococo, que se reúne
em grupos de dois indivíduos, ou seja, diplococos.
O contágio se faz pelo ar e também por meio de copos, pratos e talheres usa-
dos por doentes e não esterilizados adequadamente.
A melhor proteção contra a meningite consiste na vacinação e no cuidado
com a utilização de talheres, copos, pratos etc. Em época de surtos da doen-
ça, é especialmente importante evitar permanecer em ambientes fechados e
malventilados.
ATENÇÃO
4.4 Hanseníase
Os antibióticos atuam
A hanseníase, popularmente conhecida por lepra, já foi verdadeiro flage- sobre bactérias, com-
lo para a humanidade, mas, felizmente, hoje é doença controlada, com pos- batendo, assim, doen-
sibilidade de cura desde que o tratamento, feito com antibióticos, seja orien- ças causadas por elas.
tado pelo médico. Não agem contra
vírus, razão pela qual
A doença afeta, em particular, a pele e o sistema nervoso, provocando perda as viroses não são tra-
de sensibilidade e deformações na pele. É causada por bacilo e o contágio se faz tadas com antibióticos.
pelo contato direto com o doente.

47
capítulo
3

4.5 Tuberculose
Radiografia cedida pelo Instituto Clemente Ferreira

A tuberculose afeta principalmente os pulmões,


mas pode ocorrer em outros órgãos, como os rins,
os ossos e os linfonodos (gânglios linfáticos). É cau-
sada por um bacilo, descoberto pelo cientista ale-
mão Heinrich Hermann (Robert) Koch, no ano de
1882, época em que a tuberculose era responsável
por cerca de 15% das mortes na Europa.
O nome científico desse bacilo é Mycobacterium
tuberculosis, também conhecido por “bacilo de
Koch”, em alusão ao seu descobridor.
Como os bacilos são transmitidos pelo ar, uma im-
Radiografia de tórax de paciente com tuberculose.
Observe que as regiões esbranquiçadas, indicadas portante medida preventiva é adotar os mesmos há-
pelas setas no pulmão direito, não existem no pulmão bitos higiênicos recomendados para prevenção de
esquerdo. Essas manchas opacas indicam lesões toda doença com essa forma de transmissão: evitar
características da tuberculose no pulmão, conhecidas ambientes malventilados, usar lenços para cobrir o
como “cavernas”. rosto ao tossir e espirar, lavar as mãos com frequência.
Com relação à tuberculose existe vacina, geral-
mente aplicada na infância: é a vacina BCG, que sig-
DIVULGAÇÃO PNLD

nifica Bacilo Calmette e Guérin, sigla derivada dos


PENSE E RESPONDA nomes dos cientistas que a desenvolveram: Albert
Calmette e Camille Guérin.
Recentemente, foram encontradas, em diversos países,
“superbactérias”, como estão sendo chamadas as varieda-
des resistentes a antibióticos, inclusive aos mais potentes 4.6 Tétano
conhecidos. Imagine que você é jornalista, trabalha para
uma revista e recebeu a missão de fazer uma matéria a
O tétano é causado pelo Clostridium tetani, um
respeito das superbactérias e como elas surgem. Busque bacilo que produz uma substância altamente tóxica
informações e, se possível, entreviste especialistas. Produza para o sistema nervoso, provocando fortes contra-
o texto e as ilustrações da matéria, que deverá ocupar o ções musculares e muita dor.
espaço de metade de uma página. Veja subsídios no Manual.
Essa é uma doença grave, com alto índice de mor-
talidade se não houver atendimento hospitalar logo
aos primeiros sintomas. O tratamento geralmente in-
clui o soro antitetânico, que neutraliza a toxina pro-
CNRI/SPL/Latinstock

duzida pelo bacilo. Devido à vacinação, sua incidên-


cia diminuiu consideravelmente ao longo dos anos
de 1980 a 2000.
Os bacilos do tétano têm metabolismo anaeróbio
e vivem principalmente no solo, onde podem sobrevi-
ver por anos. Sua penetração no corpo humano ocor-
re em consequência de cortes e outras lesões na pele.
Do ponto de vista da prevenção, é importante
andar sempre com os pés calçados e não entrar em
contato com terra que contenha estrume ou outros
materiais provavelmente contaminados. A vacina an-
Bacilos da espécie Clostridium tetani, causadores titetânica também é fundamental na prevenção des-
do tétano. Cada célula mede cerca de 5 µm de sa grave doença e deve ser administrada na infância,
comprimento. com reforço a cada dez anos durante toda a vida.

48
capítulo
3

4.7 Cólera

SPL DC/Latinstock
A cólera é causada por uma bactéria do tipo vibrião, cujo
nome científico é Vibrio cholerae, popularmente conhecido
por vibrião da cólera.
O contágio é feito pelo consumo de água e alimentos
contaminados. No intestino, essas bactérias, que se repro-
duzem rapidamente, liberam uma toxina que afeta as célu-
las intestinais, provocando grande perda de água e de sais
minerais e dificultando a absorção de nutrientes. Em con-
sequência, ocorre intensa diarreia, com fezes líquidas e de
aspecto típico, conhecido por “fezes em água de arroz”. O
doente defeca seguidamente, passando por intensa e rápida desidratação, que Vibrião da cólera
pode levá-lo à morte em um dia ou pouco mais. (Vibrio cholerae).
Mede cerca de 2 µm
Esse quadro, que pode ser drástico conforme descrito, só ocorre, no entan-
de comprimento, sem
to, por falta de assistência médica imediata, pois o tratamento é relativamente o flagelo.
simples, eficiente e seguro: consiste na reposição de líquidos e sais minerais, por
via oral ou endovenosa, a critério médico, que poderá indicar também o uso de
medicação específica. Via endovenosa é a aplicação de substâncias, normalmen-
te medicamentos ou sangue, de maneira direta na veia. Uma das vantagens desse
procedimento é a atuação mais rápida do medicamento.
DIVULGAÇÃO PNLD

Como medida preventiva, é importante o consumo de água com o devido tra-


tamento e ingerir apenas alimentos corretamente lavados ou cozidos.
Também devem merecer especial atenção o consumo de frutos do mar, espe-
cialmente ostras, mexilhões e outros moluscos, além dos peixes.

4.8 Sífilis
A sífilis é causada pelo espiroqueta Treponema pallidum.
A principal forma de contágio é a via sexual, e a entrada do Treponema pallidum Consulte o Manual.
no organismo frequentemente se dá através de pequenas lesões que ocorrem nas
áreas sujeitas a atrito durante a relação sexual. REÚNA-SE COM
OS COLEGAS
O primeiro sinal da infecção aparece entre dez a vinte dias após a relação se-
xual, representado por uma lesão discreta na área genital denominada cancro Existem muitas outras
duro, que desaparece após aproximadamente trinta dias. doenças graves cau-
sadas por bactérias
Depois de alguns dias sem manifestação aparente, surgem manchas avermelha-
patogênicas, como o
das na pele e a partir daí podem surgir lesões maiores, principalmente na região botulismo, a leptospi-
dos genitais. Se não forem tratadas, essas feridas desaparecem em dois a três mses, rose, a febre maculosa,
e a doença permanece, então, em estado de latência, podendo manifestar-se anos a febre tifoide, o tifo, a
depois, com graves lesões de vários órgãos, como o coração, os rins e o encéfalo. difteria ou crupe, a go-
norreia, o cancro mole
Durante todo o período sem manifestação, o doente pode transmitir a sífilis e o linfogranuloma ve-
até mesmo sem saber que está doente. néreo. Com um colega,
Apesar de sua extrema gravidade quando não tratada devidamente, a sífi- busque informações a
lis diagnosticada e tratada no início é curável quase que em todos os casos, com respeito de uma dessas
doenças e produzam
administração de antibióticos. Lembre-se de que o tratamento da sífilis, como de um folheto ilustrado
qualquer outra doença, deve ser orientado sempre pelo médico. que explique sua causa,
A sífilis pode ser detectada por exame de sangue: a sorologia (teste sorológico) seus sintomas e por que
para sífilis. Esse exame, no entanto, só apresenta resultado confiável a partir de o atendimento médico
deve ser procurado.
cinco semanas após a contaminação.

49
VAMOS CRITICAR O QUE ESTUDAMOS?

Fotossíntese e bactérias
No texto, é dito que algumas bactérias reali- mas sim o infravermelho, que é invisível à vista
zam fotossíntese e que esse processo é feito com humana. Além disso, as bactérias fotossintetizan-
a utilização da energia luminosa. tes não possuem clorofila a, presente nos demais
No entanto, as únicas bactérias que realizam fo- seres fotossintetizantes. Elas têm um tipo de clo-
tossíntese semelhante à realizada pelas plantas são as rofila chamado bacterioclorofila. Essas bactérias
cianobactérias, que têm clorofila a, além de um pig- não utilizam água no processo fotossintético e,
mento vermelho (ficoeritrina) e um azul (ficocianina). em consequência, não liberam oxigênio, e sim en-
As demais bactérias fotossintetizantes não uti- xofre, pois utilizam gás sulfídrico. Veja a equação
lizam comprimentos de onda do espectro visível, geral desse processo:

bacterioclorofila

CO2 + 2 H2S CH2O + H2O + 2 S


gás carbônico gás sulfídrico luz solar carboidrato água enxofre

Não se esqueça de que muitas bactérias são autotróficas por realizarem quimiossíntese e não
DIVULGAÇÃO PNLD

fotossíntese.

Qual é a diferença entre soro e vacina?


Para evitar muitas doenças causadas por contém anticorpos prontos, para destruição rá-
micro-organismos, os cientistas já desenvol- pida dos bacilos. A pessoa que recebe apenas
veram vacinas eficientes, que constituem uma o soro, porém, não está imune a outros episó-
importante medida de prevenção. As vacinas dios de infecção pelo bacilo do tétano, pois os
são produzidas com base nos próprios agentes anticorpos contidos no soro não passam a ser
etiológicos da doença, modificados para uma produzidos por suas células.
forma atenuada ou inativada. A administração Créditos: Foto 1 - Werner Rudhart/Kino; Foto 2 - Dana Neely/Getty Images;
da vacina faz com que células do sistema imu- Foto 3 - Photodisc/Danny Smythe/Alamy; Foto 4 - Shutterstock; Foto 5 - Iara Venanzi/Kino

ne produzam anticorpos específicos contra o Uma dose segura


4 Parte do
agente contido na vacina. Assim, uma vacina do veneno é sangue do
injetada no cavalo.
desenvolvida para prevenção do tétano não será cavalo é
3 recolhida e
eficiente na prevenção contra outras doenças. o plasma é
A vacinação é chamada imunização ativa, pois separado.
As figuras estão representadas em diferentes escalas.

é o próprio organismo vacinado que produz os


anticorpos.
Existe também a imunização passiva, que
2
consiste na administração de anticorpos direta-
O veneno é
mente no organismo. Esses anticorpos podem centrifugado 5
ser obtidos a partir de outros animais. Vamos to- e processado. Os anticorpos
mar como exemplo o caso do tétano: se a pessoa são separados
sofre um corte profundo na pele e tem contato do plasma e
1 constituem
com o solo, há risco de entrada do bacilo no o soro.
O veneno
organismo. A vacina antitetânica não serviria da serpente
nesse caso, pois a produção de anticorpos com é extraído.
base na vacina é relativamente lenta. Portan-
to, administra-se o soro antitetânico, que já Principais etapas da produção de soro antiofídico. 

50
LEITURA

1 As bactérias e a Meteorologia
Poderão as bactérias ter influência no clima gelo nas nuvens; cristais esses, como é sabido, que
e nos fenômenos meteorológicos em geral? Um favorecem a precipitação de chuva, neve e granizo.
dos primeiros trabalhos científicos a esse respeito Segundo o microbiologista norte-americano
foi publicado em 1998, reunindo evidências de Brent Christner, as chuvas e outros fenômenos
que elas podem influir na formação de nuvens. atmosféricos podem promover a dispersão das
Em 1999, a cientista Birgit Sattler, de uma uni- bactérias, favorecendo a colonização de novos
versidade austríaca, comprovou a existência de bac- ambientes por esses organismos.
térias em amostras colhidas em nuvens nos Alpes. A presença de bactérias nas nuvens e seu signifi-
As bactérias estavam vivas, ativas e se reproduzindo. cado relacionado com as condições meteorológicas é
Alguns cientistas especulam que as bactérias objeto de pesquisa em diversas universidades em todo
das nuvens possam exercer importante papel na o mundo. A grande questão é determinar se a concen-
formação da camada de ozônio e, assim, con- tração desses seres nas nuvens é alta o suficiente para
sideram a possibilidade de serem utilizadas em induzir, de modo significativo, a formação de chuvas.
processo de evitar ou minimizar a destruição da Fonte: MENDONÇA, J. E. O que bactérias estão fazendo nas nuvens?
Planeta Sustentável. 01 fev. 2013. Disponível em: <http://planetasustentavel.
camada de ozônio. Há indícios também de que es- abril.com.br/blog/planeta-urgente/o-que-bacterias-estao-fazendo-nas-nuvens/>.
sas bactérias influenciam a formação de cristais de Acesso em: 30 mar. 2016.
DIVULGAÇÃO PNLD

DEPOIS DA LEITURA...

Além das nuvens, procariontes estão presentes nos mais diversos ecossistemas da Terra. Escolha um ambiente
de condições abióticas extremas e descubra quais procariontes vivem ali. Para isso, consulte livros e sites de
divulgação científica. Escolha uma espécie de procarionte e descreva as características que permitem a
sobrevivência em um ambiente extremo. Consulte o Manual.

2 Aterro utiliza tecnologia de ponta para tratamento de resíduos


O desenvolvimento e o avanço econômico decomposição e perde grande parte de sua toxicida-
das cidades quase sempre é acompanhado de um de. Em seguida, o material vai para “biofiltros”, onde
grande problema: o que fazer com os resíduos bactérias fixadoras de nitrogênio transformam-no
produzidos? Lixões a céu aberto trazem graves em substâncias inócuas, sem resíduos tóxicos.
prejuízos ao ambiente e à população. Os aterros Esse tipo de aterro pode trazer benefícios não
sanitários são uma alternativa, que exige gran- somente ao meio ambiente. Como a área do aterro
de cuidado na coleta e tratamento do chorume, torna-se rica em matéria orgânica, a próxima fase
um líquido tóxico que pode contaminar lençóis desse projeto prevê a criação de uma cooperativa
freáticos. O chorume resulta da decomposição da de floricultores no local, gerando uma nova fonte
matéria orgânica por bactérias presentes no solo. de renda para a população local.
Em Angra dos Reis (RJ), o problema do chorume Fonte:
foi solucionado com o chamado “aterro sanitário BARIFOUSE, R. Problemas enterrados. Ciência Hoje, v. 34, n. 199,
p. 38-39, 2003.
celular”, que utiliza a biorremediação para acelerar a
decomposição do lixo e do chorume, que é enviado DEPOIS DA LEITURA...
para tanques e misturado com culturas de bacté-
rias anaeróbias – as mesmas que vivem no sistema Busque informações a respeito de outro exemplo
digestório dos animais ruminantes – e nutrientes do uso de bactérias para biorremediação e faça um
(vinagre, sangue bovino e sal). Ali o chorume sofre resumo do que você descobriu, no caderno.
Um exemplo interessante são as bactérias capazes de degradar o plástico
do tipo PET, descobertas em 2015. Veja mais informações no Manual.

51
FAÇA NO CADERNO.
NÃO ESCREVA EM SEU LIVRO. ATIVIDADES

Revendo e aplicando conceitos Trabalhando com gráficos


1. A maioria das arqueas é encontrada em ambientes de condições extremas. 7. a) A divisão binária ou cissiparidade é o processo de divisão celular no qual
uma bactéria origina duas bactérias geneticamente idênticas à inicial.
1. Alguns biólogos referem-se às arqueas como 7. Imagine a seguinte situação: uma bactéria de uma
“bactérias extremófilas”, termo que significa “afini- determinada espécie foi colocada em meio de cultura
dade pelo extremo”. Por que utilizar esse termo para com nutrientes. A cada 20 minutos, ocorria a divisão
descrever as arqueas? 2. Os estreptococos são colônias em forma de binária da bactéria e de suas descendentes.
fileiras (fios encurvados) e os estafilococos são colônias em forma de cacho de uva.
2. Como um pesquisador, observando micro-organismos a. Explique o que é a divisão binária.
ao microscópio, poderia diferenciar uma colônia de
estreptococos de uma colônia de estafilococos? b. Após 1 hora, quantas bactérias devem ser encon-
tradas no meio? 7. b) Ao final de 1 hora (3 intervalos de
3. Consultando a bula de um antibiótico, o paciente en- 20 minutos) serão encontradas 8 bactérias.

controu as seguintes informações: 3. a) Não, pois esse c. Represente esse aumento na população de bacté-
medicamento tem afinidade por células de bactérias. Consulte o Manual. rias em um gráfico. Pense em qual tipo de gráfico ex-
pressa melhor essa informação antes de construi-lo
em seu caderno. 7. c) Consulte o Manual.
“A DOXICICLINA é ativa contra uma variedade de bac-
térias gram-positivas e gram-negativas. Acredita-se d. Considere que a bactéria inicial era vulnerável ao an-
que exerça sua ação antimicrobiana pela inibição da tibiótico X. Após 24 horas, com milhares de bactérias
síntese proteica.” presentes no meio, foi introduzida uma solução con-
tendo plasmídeos com gene que confere resistência
DIVULGAÇÃO PNLD

ao antibiótico X. Verificou-se que algumas bactérias


Utilizando seus conhecimentos, responda: adquiriram resistência a X. Explique esse resultado.
7. d) Transformação: incorporação de DNA contendo gene que
a. Antibióticos podem ser usados no tratamento de confere resistência ao antibiótico.

doenças causadas por vírus? Por quê? Ciência, Tecnologia e Sociedade


b. O que são bactérias “gram-negativas” e
“gram-positivas”? 3. b) Consulte o Manual. 8. A tuberculose já foi chamada “mal do século XIX”,
4. Dê dois exemplos de bactérias que apresentam rela- sendo responsável, naquela época, por muitas mor-
ção de mutualismo com seres vivos de outros reinos. tes no Brasil e no mundo. O texto a seguir relata um
pouco a respeito da história da tuberculose no Brasil.
5. Podemos fazer um queijo seguindo a “receita” abaixo:
5. No leite existem bactérias, que causam a fermentação dos açúcares do leite.
• separa-se um copo de leite, sem ferver, deixando de A partir dos últimos anos do século XVIII, associou-se à
um dia para outro, até que ele fique azedo; tuberculose pelo menos duas representações. A primei-
• aquece-se aproximadamente 1 litro de leite, até ra, a definia como uma “doença romântica”, idealizada
que fique morno; nas obras literárias e artísticas ao estilo do romantismo
e identificada como uma doença característica de poe-
• mistura-se o leite coalhado com o leite morno, me- tas e intelectuais. A segunda, gerada em fins do século
xendo bem e deixando fora da geladeira; XIX, qualificava a doença como “mal social” [devido a
• no dia seguinte, quando todo o leite estiver coalhado, maior incidência de tuberculose nas classes populares]
coloca-se em um pequeno saco de pano, que será e firmou-se, claramente, no decorrer do século XX. […].
dependurado, para que o soro escorra. A identificação do bacilo de Koch, em 1882, como o
agente etiológico da tuberculose foi um marco fun-
Está pronto o queijo. Falta só temperar, o que depen-
damental para o conhecimento da doença. Significou
de do gosto de cada um, e deve ser feito enquanto o
também uma importante contribuição para o fortaleci-
soro escorre. O “segredo” na fabricação desse queijo
mento da teoria da transmissibilidade das doenças, que
está no copo de leite azedo. Explique o porquê.
vinha se desenvolvendo com as pesquisas de Pasteur e
6. Para cada uma das condições a seguir, cite pelo menos outros cientistas. […] Os avanços científicos que marca-
duas doenças causadas por bactérias: ram esse período vieram questionar conceitos até en-
6. a) Meningite, disenteria, cárie dentária.
a. falta de cuidados de higiene pessoal; tão aceitos, como o “fator clima” na cura da tubercu-
6. b) Cólera, disenteria. lose, e a hereditariedade na etiologia da doença. […]
b. água contaminada;
6. c) Sífilis, gonorreia. FERNANDES, T. (Org.). Memória da tuberculose: acervo de
c. relações sexuais sem preservativo (camisinha). depoimentos. Rio de Janeiro: FIOCRUZ: Casa de Oswaldo Cruz, 1993.

4. Bactérias que vivem no intestino de ruminantes, bactérias


da microbiota intestinal humana, bacteriorrizas.
52
8. a) Resposta pessoal. O texto menciona que a doença tinha maior inci-
dência nas classes populares e entre artistas.
A partir da leitura do texto e do que estudamos no d. elimina os vírus causadores da doença, pois não
capítulo, responda: conseguem obter as proteínas que seriam produ-
a. Em sua opinião, por que a tuberculose era uma zidas pelas bactérias que parasitam.
doença estigmatizada? 10. e e. interrompe a produção de proteína das bactérias
b. De que forma o conhecimento científico alterou causadoras da doença, o que impede sua multi-
a visão que a sociedade tinha dos doentes de plicação pelo bloqueio de funções vitais.
tuberculose? 8. b) A doença é transmitida pelo bacilo 11. (Enem-2015) A remoção de petróleo derramado em
de Koch, e não é causada pelas condições sociais dos indivíduos.
ecossistemas marinhos é complexa e muitas vezes
c. Qual é a importância das campanhas de prevenção
envolve a adição de mais sustâncias ao ambiente.
e alerta em relação à tuberculose?
8. c) Consulte o Manual. Para facilitar o processo de recuperação dessas áreas,
Para mais informações sobre a tuberculose, consulte o site do Ministério pesquisadores têm estudado a bioquímica de bac-
da Saúde: <http:// www.saude.gov.br/tuberculose>.
Acesso em: 31 mar. 2016. térias encontradas em locais sujeitos a esse tipo de
impacto. Eles verificaram que algumas dessas espé-
Questões do Enem e de vestibulares cies utilizam as moléculas de hidrocarbonetos como
fonte energética, atuando como biorremediadores,
9. I – transdução; II – conjugação; III – transformação. removendo o óleo do ambiente.
9. (UFMG) Um dos problemas da resistência a antibióti- KREPSKY, N.; SILVA SOBRINHO, F.; CRAPEZ, M. A. C.
cos consiste na disseminação de genes de resistência Ciência Hoje, n. 223, jan.-fev. 2006 (adaptado).
entre as bactérias. Analise a figura a seguir, em que Para serem eficientes no processo de biorremediação
estão indicados os mecanismos – I, II e III – de trans- citado, as espécies escolhidas devem possuir
DIVULGAÇÃO PNLD

missão de genes entre bactérias:


a. células flageladas que capturem as partículas de
óleo presentes na água.
bacteriófago II plasmídeo
Luis Moura/Arquivo da editora

b. altas taxas de mutação, para se adaptarem ao am-


I biente impactado pelo óleo.
11. c c. enzimas, que catalisem reações de quebra das mo-
léculas constituintes do óleo.
III d. parede celular espessa, que impossibilite que as
fragmento bactérias se contaminem com o óleo.
cromossomo de DNA
e. capacidade de fotossíntese, que possibilite a li-
beração de oxigênio para a renovação do am-
A partir dessa análise e considerando outros co-
biente poluído.
nhecimentos sobre o assunto, identifique esses três
mecanismos. 12. (Enem-2012 – mod.) Muitas vezes, a falta de sanea-
10. (Enem-2003) Na embalagem de um antibiótico, en- mento está relacionada com o aparecimento de vá-
contra-se uma bula que, entre outras informações, rias doenças. Nesse contexto, um paciente dá en-
explica a ação do remédio do seguinte modo: trada em um pronto atendimento relatando que há
30 dias teve contato com águas de enchente. Ainda
O medicamento atua por inibição da síntese protei- informa que nesta localidade não há rede de esgoto
ca bacteriana. e drenagem de águas pluviais e que a coleta de lixo
Essa afirmação permite concluir que o antibiótico: é inadequada. Ele apresenta os seguintes sintomas:
a. impede a fotossíntese realizada pelas bactérias febre, dor de cabeça e dores musculares.
causadoras da doença e, assim, elas não se ali- Disponível em: <http://portal.saude.gov.br>.
Acesso em: 27 fev. 2012 (adaptado).
mentam e morrem.
Relacionando os sintomas apresentados com as con-
b. altera as informações genéticas das bactérias cau- dições sanitárias da localidade, há indicações de que
sadoras da doença, o que impede manutenção e o paciente apresenta um caso de
reprodução desses organismos.
a. difteria. 12. d d. leptospirose.
c. dissolve as membranas das bactérias responsáveis
b. botulismo. e. meningite
pela doença, o que dificulta o transporte de nu-
meningocócica.
trientes e provoca a morte delas. c. tuberculose.

53
capítulo

4 Protistas
COMENTÁRIOS
GERAIS

1 Termos protista e protoctista


Ao tempo do pesquisador sueco Carolus Linnaeus, ou simplesmente Lineu, e
PENSE E com sua importante participação, os seres vivos eram distribuídos em apenas dois
RESPONDA reinos: Animais e Plantas. Naquela época, início do século XVIII, as bactérias e as
Consulte o glossário algas unicelulares eram consideradas plantas unicelulares; os fungos, hoje cons-
etimológico e dê o tituindo um reino, eram tidos como plantas heterótrofas. Os protozoários eram
significado da palavra classificados como animais unicelulares.
protozoário. Anote Com o conhecimento cada vez maior dos seres microscópicos, começou a ficar di-
no caderno.
fícil caracterizar alguns seres como animais ou como plantas. Surgiu, então, o termo
Protozoário: primeiro (protos) protista, criado para designar um reino que agruparia seres com características, a
DIVULGAÇÃO PNLD

animal (zoário). Veja comentá-


rios no Manual. um só tempo, de animais e plantas, como a euglena, por exemplo. Um dos principais
responsáveis por esse novo termo foi o cientista alemão Ernst Haeckel (1834-1919).
O termo protista deixou de ser usado em seu significado inicial, passando a
designar os seres unicelulares eucariontes, de acordo com a proposta feita pelo
cientista norte-americano Robert H. Whittaker, no ano de 1969, que classificou os
seres vivos de estrutura celular em cinco reinos. Margulis e Schwartz, na década
de 1980, basearam-se nesse sistema, mas modificaram principalmente o grupo dos
MULTIMÍDIA
protistas. Segundo essas autoras, os organismos eucariontes uni ou multicelulares
sem tecidos devem ser classificados no reino Protoctista, deixando o termo Protista
Protozoa apenas para os unicelulares eucariontes. Preferimos, no entanto, simplificar e não
<http://cifonauta. usar o termo Protoctista como o nome do reino, mas sim Protista, como muitos
c e b i m a r. u s p . b r/ pesquisadores vêm fazendo, por esse ser o termo mais consagrado pelo uso.
taxon/protozoa/>
No site Cifonauta, do
Centro de Biologia Michael Abbey/Visuals Unlimited/Glow Images

Marinha da Univer-
sidade de São Paulo,
você encontra fotos
e vídeos de protistas.
Pelo sistema de busca
do site, você também
pode ver a diversidade
de algas marinhas do
litoral brasileiro.
Acesso em: 04 abr. 2016.

uç ão
Reprod

Cada organismo desta imagem é uma euglena com cerca de 80 µm de comprimento.

54
capítulo
4

Vamos considerar, então, os protistas divididos em dois grupos:


› protozoários – eucariontes unicelulares heterótrofos;
› algas – eucariontes unicelulares ou multicelulares sem tecidos, autótrofos
por fotossíntese.
Andrew Syred/SPL/Latinstock

AGE Fotostock/Grupo Keystone


Vorticella, protozoário de água doce, constituído de
um pedúnculo que pode chegar a 1 mm de comprimento
e de uma estrutura em forma de sino que mede entre Alga marinha do gênero Caulerpa. Esta alga é
50 µm e 100 µm de diâmetro. macroscópica e mede cerca de 5 cm de comprimento.
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O termo protozoário, que significa “primeiro animal”, foi criado na época em


que eles eram classificados como animais, em virtude de terem certas característi-
cas próprias daqueles seres e opostas às das plantas: heterotrofia e capacidade de
locomoção, por exemplo. Assim, quando os seres vivos eram classificados apenas
em animais e plantas, falava-se em animais unicelulares ou protozoários e animais
multicelulares ou metazoários.
Atualmente, o termo metazoário pode ser usado como sinônimo de animal, e
os protozoários são os protistas heterótrofos, não sendo mais considerados ani-
mais. O termo protozoário não possui significado taxonômico.
Os protozoários são seres heterótrofos, incorporando seus alimentos por ab-
Veja comentários a respeito do
sorção ou ingestão. Alguns são de vida livre e alguns vivem no corpo de outros plâncton no Manual.
seres vivos, principalmente como parasitas. Entre os de vida livre existem os que
vivem na água doce, os que vivem no mar e também os que são encontrados em
solos úmidos. RECORDE-SE
Ao contrário dos protozoários, as algas são seres autótrofos. Elas possuem
pigmentos diversos, responsáveis pelas diferentes cores que as algas podem ter, Plâncton
mas entre esses pigmentos, está sempre presente a clorofila a, necessária à rea- Conjunto de seres vi-
lização da fotossíntese. vos que vivem em sus-
pensão no ambiente
As algas unicelulares são encontradas no ambiente terrestre úmido e no aquá- aquático (água do mar
tico, ocorrendo em maior quantidade neste último. No ambiente aquático, per- e água doce).
tencem geralmente ao fitoplâncton e, como produtores que são, situam-se na As algas unicelulares,
base de numerosas cadeias alimentares. por serem fotossinteti-
zantes, pertencem ao
Calcula-se que a maior parte do gás oxigênio liberado por fotossíntese, em todo fitoplâncton.
o planeta Terra, seja proveniente das algas unicelulares presentes no fitoplâncton. Os organismos hete-
As algas multicelulares vivem em ambiente aquático, principalmente fixas a rótrofos que vivem no
um substrato, como areia e rochas. plâncton pertencem ao
zooplâncton.
Vamos analisar agora alguns dos grupos de protozoários e de algas.

55
capítulo
4

2 Protozoários
A classificação dos protozoários é assunto bastante controvertido, existindo
diferentes propostas, com pouco consenso entre elas. Assim, vamos por simplifi-
cação estudar os protozoários sem dividi-los em classes e usando um critério arti-
ficial de separação fundamentado na capacidade de locomoção e no tipo de es-
trutura utilizada para o deslocamento e/ou captura de alimento.
Segundo esses critérios, consideramos quatro grupos de protozoários:
› ameboides – locomovem-se por pseudópodes, expansões alongadas emi-
PENSE E tidas pela célula. Exemplo: ameba;
RESPONDA
› ciliados – locomovem-se por cílios, filamentos curtos e numerosos.
Consulte o glossário Exemplo: paramécio;
etimológico e descubra
o significado da palavra
› flagelados – locomovem-se por flagelos, filamentos longos e pouco nu-
pseudópode. Prossiga merosos. Exemplo: tripanossomo e Trichomonas vaginalis;
seus estudos para con- › esporozoários – são parasitas, não possuindo estruturas de locomoção.
ferir sua resposta. Exemplo: plasmódio (causador da malária).
Falsos (pseudo) pés (podes).

Ameboide Flagelado

Eye of Science/SPL/Latinstock
Wim van Egmond/Getty Images
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flagelos

Ameba (Amoeba proteus); mede cerca de Trichomonas vaginalis; mede cerca de


0,5 mm de diâmetro quando em formato 20 µm de comprimento.
arredondado.

Ciliado Esporozoário

Masamichi Aikawa; M.D./Phototake/Glow Images


Andrew Syred/SPL/Latinstock

Paramécio (gênero Paramecium); pode medir Plasmódio (gênero Plasmodium); pode


de 150 µm a 300 µm de comprimento. medir de 10 µm a 20 µm de comprimento.

2.1 Protozoários ameboides


Os protozoários ameboides, também chamados sarcodíneos, locomovem-se
por pseudópodes, que também são importantes para a ingestão de alimentos.
A palavra pseudópode significa “falso pé”. De fato, o pseudópode não é um
pé verdadeiro, mas exerce função semelhante à dos pés: a locomoção. O pseu-
dópode exerce também a função de englobar e incorporar o alimento que será
digerido dentro da célula. O representante mais comum desse grupo é a ameba.

56
capítulo
4
W im
Há diferentes tipos de pseudópodes e, como regra geral, não existem va
nE
0,25 mm
de maneira permanente nos ameboides. Podem ser “feitos e desfeitos” a

gm
on
todo momento. Os que ocorrem nas amebas são pseudópodes emitidos

d /G
et t y
continuamente em várias direções, lembrando o aspecto ramificado de

I mag e
uma raiz. Por essa razão, pode-se usar para as amebas o termo rizópodes,

s
que significa “pés em raiz” (riza = raiz).
Os pseudópodes permitem às amebas deslocarem-se em direção ao ameba
alimento, envolvendo-o e incorporando-o. Esse processo de ingestão
de alimento pela célula denomina-se fagocitose. alga
Alguns protozoários de vida livre possuem uma organela chamada va-
cúolo contrátil, ou pulsátil, encarregada de eliminar o excesso de água Ameba (Amoeba proteus)
que entra por osmose em sua célula. emitindo pseudópodes e
A água doce tem concentração de solutos menor que a do interior da englobando uma alga.
célula do protozoário. Assim, entra água por osmose na célula e, se essa
água não for eliminada, a célula pode chegar a se romper. Os vacúolos
contráteis são organelas típicas de protozoários de água doce, como a
ameba. Certos protozoários marinhos também podem apresentar vacúo-
los contráteis, mas estes são pequenos e pulsam lentamente. Os protozoá-
RECORDE-SE
rios parasitas não possuem vacúolos contráteis, vivendo em meio onde a
concentração externa é semelhante à concentração da célula. Fagocitose
A figura abaixo ilustra uma ameba em processo de reprodução. A par- Processo realizado por amebas e al-
DIVULGAÇÃO PNLD

tir da ameba inicial, formam-se oito amebas, todas geneticamente idênti- gumas células animais. Alguns tipos
cas se não considerarmos a ocorrência de mutações no material genético. de glóbulos brancos ou leucócitos,
que são células do sangue huma-
no, realizam importante função de
Bipartição em ameba defesa, englobando e destruindo
estruturas invasoras do nosso corpo
Osvaldo Sequetin/Arquivo da editora

por meio da fagocitose.

ameba inicial

ck ck
Esse processo que acabou de ser La
t in
s to
La
t in
s to
L/ L/
mostrado em uma ameba é o tipo de P P
/S

/S
on

ge

reprodução mais frequente nos proto-


Ka
er s
at t

fre d
id P

zoários. Trata-se de reprodução asse-


M an
Dr. Dav

xuada por bipartição ou cissiparidade.


Além das amebas, existem outros
grupos de protozoários ameboides,
que formam pseudópodes diferentes
dos que as amebas apresentam. São
exemplos os heliozoários e os radiolá-
rios, formadores de pseudópodes lon- Heliozoário, protozoário de Carapaça de radiolário marinho
gos e finos. A maioria das espécies de água doce, fotografado vivo. formada de sílica. Por entre os
heliozoários faz parte do plâncton Observe os longos e finos orifícios, projetam-se longos e finos
de água doce, enquanto os radiolários pseudópodes. Mede cerca de pseudópodes. A carapaça mede
são em sua maioria marinhos. 0,7 mm de diâmetro. cerca de 150 µm de diâmetro.

57
capítulo
4

Outro grupo muito estudado de ameboides é o dos foraminíferos, que for-


CURIOSIDADE mam pseudópodes que lembram um retículo. Possuem uma carapaça rígida cheia
de poros, por onde os finos pseudópodes se projetam. São exclusivamente ma-
Quando um foraminí- rinhos e muitas espécies vivem na areia ou no lodo de praias e mares.
fero morre, sua carapa- to c k
t ins
ça rígida passa a fazer L /La
/ SP
parte do sedimento re
d

Sy
marinho. Por isso, cara- Carapaça de foraminífero, protozoário marinho.
re w
paças de foraminíferos A nd
A carapaça tem diversas câmaras e sua composição
são comuns no registro é essencialmente carbonato de cálcio. Finos
fóssil e auxiliam os espe- pseudópodes podem ser emitidos pelos orifícios da
cialistas no processo de carapaça. Mede cerca de 500 µm de diâmetro.
datação das rochas nas
quais esses fósseis são
encontrados. Como as
carapaças fósseis muitas
vezes ocorrem em ca-
madas do subsolo loca- 2.2 Protozoários ciliados
lizadas sobre depósitos
de óleo, a identificação Os ciliados formam o grupo mais diversificado entre os protozoários, com grande
de foraminíferos fósseis número de representantes, como os mostrados na ilustração abaixo.
é usada na prospecção
de petróleo.
Exemplos de ciliados de água doce

Luis Moura/Arquivo da editora


DIVULGAÇÃO PNLD

Esquema de
ciliados de água
doce, representados
fora de escala. As
medidas se referem Stentor coeruleus Lacrymaria olor Spirostomum Dileptus anser
ao comprimento (1,5 mm) (100 µm) (2 mm) (300 µm)
aproximado da célula.

Os protozoários ciliados possuem cílios


Paramécio em pelo menos uma fase de seu ciclo de vida.
Os cílios podem estar distribuídos por toda
Luis Moura/Arquivo da editora

a célula e, por batimentos contínuos, atuam


citoprocto vacúolo no deslocamento ou na captura de alimento
contrátil desses unicelulares.
citóstoma cheio
Nos ciliados, em geral, existem duas pe-
quenas regiões especiais por onde o alimen-
cílios to entra e os resíduos da digestão saem,
macronúcleo que são, respectivamente, o citóstoma e o
citoprocto ou citopígeo. Embora etimologica-
micronúcleo mente citóstoma signifique “boca da célula” e
citoprocto signifique “ânus da célula”, não se
pode falar em boca e ânus em protozoários,
vacúolo contrátil pois essas são estruturas constituídas por te-
vazio cidos, impossíveis de existir em unicelulares.
Um dos ciliados mais conhecidos é o
Esquema do paramécio (mede cerca de 300 µm de comprimento). O paramécio, representado ao lado. Nesses or-
citóstoma localiza-se no fundo de uma região afunilada revestida por ganismos, os cílios atuam tanto no desloca-
cílios. O batimento ciliar encaminha os alimentos para o citóstoma. mento quanto na captura de alimento.

58
capítulo
4

O paramécio é um ciliado de água doce e tem pelo menos dois vacúolos con- Veja no Manual comentário a
tráteis de aspecto estrelado, que pulsam em ritmo alternado. Assim como nos respeito da reprodução sexuada
por conjugação em paramécios.
ameboides, o vacúolo contrátil participa da regulação osmótica da célula.
Os ciliados possuem dois tipos de núcleos: um maior, o macronúcleo, e um me-
nor, o micronúcleo. O macronúcleo controla as funções vegetativas da célula e o
micronúcleo controla a reprodução desses unicelulares.
Os paramécios podem realizar reprodução sexuada por conjugação. Por esse pro-
cesso, dois paramécios aproximam-se, ocorrendo formação de uma ponte citoplas-
mática entre eles. Há desaparecimento do macronúcleo e meiose do micronúcleo.
Dos quatro micronúcleos formados, dois regridem e dois persistem. Um deles atra-
vessa a ponte de citoplasma e se funde ao núcleo estacionário do outro paramécio.
Não há formação de gametas. Cada paramécio está, então, nessa fase, com apenas
um micronúcleo e sem macronúcleo. Eles se separam e depois de algumas divisões
por mitose, o macronúcleo é
refeito com base no micronú- Bipartição transversal do paramécio
cleo. Ao final do processo, po-

Luis Moura/Arquivo da editora


dem ser formados oito indi- micronúcleo Micronúcleo já separado,
completando a divisão do macronúcleo.
víduos, cada um deles com o
mesmo número inicial de ma-
cro e micronúcleos.
A reprodução assexuada
DIVULGAÇÃO PNLD

nos ciliados pode ocorrer por


bipartição transversal. Veja
no esquema ao lado: ocor-
re divisão tanto do micronú-
cleo como do macronúcleo,
divisão do micronúcleo duas
após a duplicação do mate- macronúcleo e do macronúcleo células-filhas
rial genético.

2.3 Protozoários flagelados

Ed Reschke/Getty Images
Os protozoários flagelados locomovem-se por flagelos, estruturas mais longas
e que ocorrem em menor número por célula quando comparados com os cílios.
Os flagelados são, na sua maioria, de vida livre, aquáticos, mas algumas espécies
vivem em associação com animais, como parasitas ou em mutualismo.
Os flagelados reproduzem-se assexuadamente por bipartição, que ocorre no
sentido longitudinal. Flagelados do
gênero Trypanosoma.
Bipartição em tripanossomo Cada indivíduo mede
cerca de 20 µm de
Luis Moura/Arquivo da editora

membrana ondulante comprimento.


flagelo

núcleo
O núcleo sofre A divisão da célula Resultado da bipartição:
divisão e a célula prossegue, no 2 tripanossomos
começa a se dividir. sentido longitudinal. idênticos ao original.

59
capítulo
4

2.4 Protozoários esporozoários


Os protozoários esporozoários não têm organelas especializadas em locomo-
ção e são todos parasitas de tecidos animais. O nome do grupo deriva do tipo de
reprodução assexuada típica que apresentam: a esporogonia.

Esporogonia

Luis Moura/Arquivo da editora


Desenho esquemático meiose mitose
representando o processo
de esporogonia, que
ocorre nos esporozoários. cisto
oito esporozoítos (n)
ovo ou zigoto (2n) quatro esporozoítos (n) que saem do cisto

Na esporogonia, um zigoto, célula formada pela fecundação do


Esquizogonia gameta feminino pelo masculino, transforma-se em um cisto de pa-
rede espessa e sofre meiose, originando quatro células com a metade
Luis Moura/Arquivo da editora

do número de cromossomos existentes no zigoto. Essas células ha-


célula inicial ploides são chamadas de esporozoítos e sofrem divisões mitóticas,
uninucleada
originando mais esporozoítos, que são eliminados do cisto e infec-
tam novas células do hospedeiro.
DIVULGAÇÃO PNLD

núcleo
No ciclo de vida de um esporozoário, normalmente ocorre outro
O núcleo sofre várias tipo de reprodução assexuada, além da esporogonia: a esquizogonia,
mitoses, sem divisão mostrado no esquema ao lado.
do citoplasma.
Como apresenta o esquema, antes de ocorrer divisão da célula,
o núcleo sofre sucessivas divisões por mitose, originando numerosos
célula
núcleos. Em seguida, cada núcleo, com uma porção de citoplasma,
multinucleada é circundado por uma membrana plasmática. Formam-se, portanto,
várias novas células, todas muito pequenas em relação à célula inicial.
Essas pequenas células são em alguns casos chamadas merozoítos e
também possuem a capacidade de infectar células do hospedeiro.
individualização Alguns merozoítos podem se diferenciar em gametas masculino
das células e feminino e, se ocorrer a fecundação, forma-se um zigoto diploide.
Você pode perceber que os esporozoários apresentam reprodução
sexuada e assexuada no seu ciclo de vida.
merozoíto
Em muitas espécies de esporozoários, as etapas reprodutivas não
ocorrem em um único hospedeiro. É o que ocorre com o Plasmodium,
causador da malária, como veremos mais adiante.
Desenho esquemático
representando o processo
de esquizogonia, ocorrido
nos esporozoários.
3 Protozoários e saúde humana
Vamos conhecer algumas doenças humanas causadas por protozoários, com
ocorrência no Brasil.

SUGESTÃO
DE ATIVIDADE
3.1 Disenteria
A disenteria é uma inflamação do intestino grosso manifestada por cólicas e
fezes liquefeitas, geralmente com muco e sangue. Conforme comentamos no ca-
pítulo anterior, essa doença pode ser causada por bactérias ou por protozoários.

60
capítulo
4

O protozoário causador de disenteria é uma ameba da espécie Entamoeba


histolytica; por isso, esse tipo de disenteria é conhecida por amebíase ou disen-
teria amebiana. Existe outra forma de disenteria, chamada balantidíase, causada
por um protozoário ciliado, o Balantidium coli.
A transmissão dessas formas de disenteria é feita principalmente pelo consumo
de água e por verduras, frutas e legumes contaminados por cistos desses protozoá-
rios. Os cistos são formas de resistência, com parede espessa e protetora envolven-
do as células, que propiciam a sobrevivência destas fora do organismo parasitado.
Assim, para evitar a disenteria, é importante que os alimentos sejam devi-

Fabio Colombini/Acervo do fotógrafo


damente lavados antes de ingeridos e que a água consumida seja tratada,
filtrada e/ou fervida.

3.2 Doença de Chagas


O nome da doença, Chagas, é escrito com inicial maiúscula.
Ele se refere ao nome de Carlos Chagas (1879-1934), cientista
mineiro que identificou e estudou a doença, tendo descoberto
o seu agente causador (ou agente etiológico), um protozoário
do grupo dos flagelados, ao qual deu o nome Trypanosoma O inseto barbeiro (Triatoma infestans) pode
cruzi, em homenagem ao seu colega Oswaldo Cruz. transmitir a doença de Chagas. Ele mede cerca
de 3,5 cm de comprimento.
Carlos Chagas também identificou o transmissor ou vetor
do Trypanosoma: um inseto cujo nome científico é Triatoma
DIVULGAÇÃO PNLD

infestans, popularmente conhecido por barbeiro ou chupança.

Dr. Arthur Siegelman/Getty Images


Esse tripanossomo vive no intestino do barbeiro, inseto que
normalmente defeca à medida que suga o sangue da pessoa
que está sendo picada por ele. A picada produz coceira e, ao
coçar, a pessoa contamina as mãos e facilita a entrada dos tri-
panossomos que estão nas fezes do barbeiro, não somente
no local da picada, mas também nas escoriações que o ato de
coçar pode causar na pele. Além disso, se a mão contaminada
for levada até as mucosas, como a do olho e da boca, também Trypanosoma cruzi (mede cerca de 20 µm de
pode haver a penetração do parasita no corpo. comprimento), entre hemácias humanas.
A doença de Chagas compromete o funcionamento de di-
versos órgãos, como o fígado, o intestino e o coração. Seu de-
senvolvimento pode ser rápido, caracterizando a forma aguda
CURIOSIDADE
da doença, mas a forma mais comum na população brasilei-
O nome “barbeiro” foi dado pelo povo em
ra é a crônica, que se desenvolve ao longo de muitos anos. razão do hábito do inseto de picar, em geral,
A principal maneira de prevenção da doença é combater o rosto, pois é essa normalmente a parte mais
o vetor, ou seja, o barbeiro, um inseto de hábitos noturnos exposta do corpo quando dormimos.
que, durante o dia, abriga-se em frestas, especialmente de
construções de pau a pique (taipa). Essas construções são,
assim, um dos locais mais importantes a serem tratados com ATENÇÃO
inseticidas, além do uso de mosquiteiros sobre camas e ber-
ços. O barbeiro também pode se abrigar em outros locais, Nos anos 2000, houve casos da forma aguda
da doença de Chagas após ingestão de caldo
como em pilhas de madeira.
de cana contaminado com fezes de barbeiro e,
Transfusões sanguíneas realizadas sem o prévio exame no Norte do país, surtos causados pelo consumo
das condições do sangue também podem ser responsáveis de açaí (ingerido fresco ou na forma de suco)
pela disseminação do tripanossomo; valer-se de bancos de contaminado com as fezes do vetor. Consumir
sangue confiáveis faz parte, portanto, das ações de preven- produtos a partir de matéria-prima higienizada
é importante para prevenir esses casos.
ção da doença de Chagas.

61
capítulo
4
Recomendamos como fonte de consulta o folheto Conheça a malária, produzido pela
ck Fundação Oswaldo Cruz e pelo Ministério da Saúde, disponível em: <http://www.

3.3 Malária
s to
fiocruz.br/ioc/media/malaria%20folder.pdf> (acesso em: 04 abr. 2016).
tin

Uma vacina antimalárica está em fase de testes; veja comentários no Manual.


/La
lair St am m er s / SP L

A malária é uma doença causada por três espécies de esporozoário do gênero


Plasmodium: Plasmodium vivax, Plasmodium malariae e Plasmodium falciparum.
Todos eles causam um quadro caracterizado por acessos febris com intervalos de
Sin c

tempo regulares, conhecidos popularmente por “tremedeira” ou “batedeira”,


acompanhados de calafrios e dores no corpo. A diferença entre os três tipos de
malária causados por essas três espécies de plasmódios é basicamente a intensi-
Fêmea de mosquito do dade dos acessos febris e o intervalo de tempo entre eles.
gênero Anopheles.
O anófele é conhecido
As três formas de malária são transmitidas ao ser humano pela picada das fê-
por “mosquito-prego” meas do mosquito anófele (gênero Anopheles).
pela posição em que se O plasmódio tem um ciclo de vida com dois hospedeiros: o ser humano e a fê-
mantém quando pousado, mea do mosquito anófele. Ao sugar o sangue de uma pessoa doente, o mosquito
praticamente perpendicular se contamina e, sugando o sangue de outra pessoa, sadia, transmite-lhe o parasita.
à superfície. Mede cerca de
A fecundação dos gametas e a formação do zigoto ocorrem na parede do intestino
4 mm de comprimento.
do mosquito. Surge então um cisto, dentro do qual ocorre esporogonia. Algum tempo
depois, são liberados esporozoítos, que migram para as glândulas salivares do mosquito.
Quando a fêmea do anó-
Transmissão da malária pela fêmea do anófele fele pica uma pessoa, os espo-
rozoítos entram na circulação
Osvaldo Sequetin/Arquivo da editora

Nos mosquitos, sanguínea e infectam células


os plasmódios Plasmódio, o causador
DIVULGAÇÃO PNLD

se reproduzem. da malária. do fígado. Nessas células, o pa-


rasita se reproduz por esquizo-
gonia, formando merozoítos,
Os plasmódios Plasmódios entram em Plasmódios são As figuras estão representadas em diferentes escalas.
que são liberados na circula-
chegam ao glóbulos vermelhos transmitidos a ção sanguínea e infectam he-
fígado, pela (hemácias) do sangue, outra pessoa,
onde se multiplicam e pela picada do
mácias. Nas hemácias os mero-
circulação
sanguínea e ali causam o rompimento mosquito. zoítos se multiplicam; elas se
se multiplicam. das hemácias. A pessoa rompem e liberam os parasi-
tem picos de febre alta.
tas na circulação sanguínea.
fígado Os merozoítos infectam ou-
Mosquito anófele tras hemácias, em ciclos con-
fêmea pica a pessoa tínuos. Os acessos de febre
hemácias e suga seu sangue.
humanas ocorrem como reação ao mo-
mento em que diversas hemá-
Esquema do ciclo de transmissão do plasmódio. No organismo humano ele se cias infectadas se rompem, de
reproduz assexuadamente, e na fêmea do mosquito anófele a reprodução é sexuada. modo sincronizado.
Depois de vários ciclos, al-
Agente
Característica guns merozoítos transformam-se em cé-
etiológico
lulas precursoras de gametas, que podem
chegar ao organismo da fêmea de anófele
Febre terçã Plasmodium Acessos febris em intervalos de
benigna vivax 48 horas (de três em três dias) quando ela pica uma pessoa com malária.
Veja no quadro ao lado os nomes, o
Febre quartã Plasmodium
Acessos febris em intervalos agente etiológico (causador) e as caracte-
de 72 horas (de quatro em rísticas dos três tipos de malária.
benigna malariae
quatro dias)
A prevenção consiste no combate ao
Acessos febris irregulares, de
vetor, sendo uma das principais medidas,
Febre terçã Plasmodium nesse sentido, evitar a formação de água
36 a 48 horas. É a forma mais
maligna falciparum
grave, podendo levar à morte. parada, onde se desenvolvem as larvas
do mosquito.

62
capítulo
4

3.4 Leishmanioses

Minden Pictures/Latinstock
Leishmanioses são um grupo de doenças causadas por protozoários flage-
lados do gênero Leishmania. Uma das leishmanioses é a úlcera de Bauru, ou
leishmaniose cutânea, caracterizada por ulcerações na pele, que costumam
deixar cicatrizes bem visíveis.
A transmissão se faz pela picada das fêmeas de mosquitos flebótomos do
gênero Lutzomyia, popularmente conhecidos por mosquito-palha ou birigui.
O uso de repelentes e a adoção de medidas que eliminam focos de reprodu-
Mosquito-palha
ção do mosquito são importantes na prevenção da leishmaniose.
ou birigui, que pode
transmitir a leishmaniose.
3.5 Tricomoníase Mede cerca de 2 mm de
comprimento.
É uma doença causada pelo protozoário flagelado Trichomonas vaginalis, com
sintomatologia mais evidente na mulher, como inflamação da vagina e da uretra.
Giárdias no intestino
A tricomoníase é transmitida principalmente pela relação sexual, mas sua
humano. Cada indivíduo
transmissão também ocorre pelo uso de toalhas e sanitários contaminados. O tra- mede cerca de 12 µm de
tamento da tricomoníase, sempre orientado por médico, é prescrito para o casal. comprimento.
A prevenção é feita evitando-se o contato direto com possí-
veis fontes do agente etiológico: não usar toalhas, roupas íntimas
e sanitários contaminados e usar camisinha na relação sexual.

SPL DC/Latinstock
DIVULGAÇÃO PNLD

3.6 Giardíase
Causada pelo protozoário flagelado Giardia lamblia, a giar-
díase manifesta-se por inflamação do intestino e diarreia.
É uma doença cuja prevenção depende do saneamento bá-
sico e de cuidados pessoais com a alimentação, pois a contami-
nação se faz pela ingestão de água e alimentos contaminados
por cistos do parasita.

3.7 Toxoplasmose
MULTIMÍDIA
A toxoplasmose é uma doença causada pelo esporozoário da espécie
Toxoplasma gondii. Parasitoses
A contaminação se faz principalmente pela ingestão de cistos, existentes <http://www.bdc.ib.
nas fezes de alguns animais contaminados. É muito comum a transmissão do unicamp.br/bdc /
toxoplasma ao ser humano pelo contato com fezes de gato. visualizarMaterial.
php?idMateri
O contato com animais domésticos exige cuidados de higiene, principal- a l =12 8 2 #.V w L E L
mente no descarte das fezes, que não devem ter contato direto com a pele. DYrJQM>
Lavar muito bem frutas e verduras e consumir água filtrada também são me- Qual é a relação entre
didas importantes para prevenir a transmissão da toxoplasmose, pois os cistos parasitas e hospedei-
podem estar presentes no solo e na água contaminados com fezes de animais. ros? Descubra a res-
posta a essa e outras
Embora seja uma doença comum no ser humano, muitas vezes não chega a questões nesse progra-
ser percebida, pois a pessoa nem sempre desenvolve sintomas. No entanto, na ma de áudio, que você
manifestação dos sintomas há o risco de se tornar uma doença grave, especial- pode ouvir on-line.
mente em situações em que o sistema imunitário está enfraquecido, podendo Acesso em: 04 abr. 2016.
ão
Reproduç
causar distúrbios sérios, como a cegueira. Maior gravidade ainda apresenta a to-
xoplasmose em gestantes, pois o feto pode ser contaminado, com comprometi-
mento do sistema nervoso. Por isso, o acompanhamento pré-natal é fundamental.

63
capítulo
4

4 Algas
A presença dos pigmentos relacionados com a captação de luz na fotossíntese
(pigmentos fotossintetizantes) e o tipo de substância orgânica armazenada como
reserva são os principais critérios usados para distribuir as algas em diferentes gru-
pos, dos quais vamos considerar os seguintes:

Grupo Pigmentos fotossintetizantes Substância de reserva

Paramilo
Euglenófitas Clorofilas a e b; carotenoides
(semelhante ao amido)

Clorofilas a e c; carotenoides, como a peridinina


Dinoflagelados Óleo e amido
(cor avermelhada)

Clorofilas a e c; carotenoides, como a fucoxantina


Diatomáceas Crisolaminarina
(pigmento marrom)

Clorofilas a e c; carotenoides,
Feofíceas ou algas pardas Laminarina e manitol
como a fucoxantina

Rodofíceas ou algas Clorofilas a e d; carotenoides; ficoeritrina


Amido das florídeas
vermelhas (cor vermelha)
DIVULGAÇÃO PNLD

Clorofíceas ou algas verdes Clorofilas a e b; carotenoides Amido

Euglena 4.1 Euglenófitas


As euglenófitas são representadas principalmente
Luis Moura/Arquivo da editora

segundo flagelo
estigma pelo gênero Euglena, muito comum em águas para-
núcleo não emergente
das ou pouco movimentadas. Há espécies de água
cloroplastos doce e espécies marinhas.
Esses organismos possuem cloroplastos, núcleo e dois
vacúolo flagelos, dos quais um é mais longo e evidente ao mi-
contrátil croscópio, e exerce função locomotora, semelhante ao
que você já conheceu nos protozoários flagelados. As
euglenófitas de água doce possuem vacúolo contrátil.
membrana A reprodução assexuada da euglena ocorre por
celular flagelo locomotor bipartição no sentido longitudinal da célula, como
podemos observar no esquema abaixo.
Esquema de Euglena de água doce (mede cerca de
80 µm de comprimento). Próximo à região basal do Bipartição em euglena
flagelo, há o estigma, estrutura que participa dos
Luis Moura/Arquivo da editora

mecanismos fotorreceptores da euglena, detectando


a intensidade e a direção da luz.

Esquema de bipartição em euglena. Note que a divisão


da célula ocorre no sentido longitudinal.

64
capítulo
4

4.2 Dinoflagelados
CURIOSIDADE
Esse grupo é formado por algas
unicelulares de coloração avermelha- Os dinoflagelados são também conhecidos como pirrófitas. As algas uni-
da, por causa da presença de peridi- celulares já foram classificadas como plantas e, por isso, receberam o sufixo
fita, que significa “planta”. Pirrófita significa “planta de fogo”, devido ao
nina, que é um pigmento vermelho. pigmento vermelho. Embora não seja uma planta, o nome do grupo foi
Possuem também caroteno e cloro- mantido. Hoje, devemos adaptar a etimologia para “algas de fogo”.
filas a e c. Armazenam óleo e amido
como reserva energética.
Embora existam dinoflagela- Dinoflagelado marinho do

Smithsonian Institution
dos de água doce, a maioria é mari- gênero Gonyaulax, um
nha, fazendo parte do plâncton. Eles dos causadores das marés
apresentam flagelos e endoesquele- vermelhas (mede cerca de 10 µm
to formado por vesículas achatadas de diâmetro).
e membranosas associadas à mem-
brana plasmática e que podem con-

Don Paulson/Purestock/Glow Images


ter celulose.
Existem várias espécies de dinofla-
gelados tóxicos que, sob determina-
das condições, proliferam muito cau-
sando um fenômeno chamado maré
DIVULGAÇÃO PNLD

vermelha. Entretanto, dependendo


da espécie, a região afetada pode ter
outra cor, como marrom e amarelado.
Quando ocorre a maré vermelha,
verifica-se alta mortalidade de peixes
e outros animais, além da contamina-
ção principalmente de moluscos, in-
cluindo os utilizados na alimentação Maré vermelha, fotografada em 2006 no litoral oeste dos Estados
humana e que, uma vez ingeridos, Unidos. Nessa localidade, chamada Hood Canal, a maré vermelha resultou
provocam graves intoxicações. em queda drástica do nível de gás oxigênio dissolvido na água, o que
causou a morte de milhares de peixes e outros organismos.
4.3 Diatomáceas
As diatomáceas podem também
AGE Fotostock/Grupo Keystone
ser chamadas bacilariófitas (bacilo =
bastonete), nome dado em referên-
cia ao formato de diversas espécies
quando visualizadas ao microscópio.
São algas unicelulares douradas,
coloração que lhes é dada pelos pig-
mentos fucoxantina e caroteno. As
diatomáceas são unicelulares e têm
parede celular de sílica, que recebe o
nome frústula ou carapaça. Essa cara-
paça é formada por duas partes, ou
válvulas, que se encaixam. As diato-
máceas não apresentam estruturas
de locomoção. Carapaças de diatomáceas (diâmetro médio de 30 µm).

65
capítulo
4

4.4 Feofíceas
As feofíceas são popularmente conhecidas como algas pardas, em virtude de
sua coloração marrom, que se deve à presença de pigmento fucoxantina. Elas são
multicelulares e em algumas espécies os indivíduos podem atingir grandes dimen-
sões, como acontece nos gêneros Laminaria e Macrocystis, comuns no oceano
Pacífico, que chegam a medir até 60 metros de comprimento.
No litoral brasileiro, as algas pardas são muito comuns, sendo o sargaço
(Sargassum) o gênero mais conhecido e abundante.

Alga parda do gênero

NOAA

Ralph A. Clevenger/
Corbis/Latinstock
Sargassum, comum
no litoral brasileiro
(mede cerca de 15 cm
de comprimento). As
“bolinhas” são vesículas
de ar que atuam como
flutuadores.
vesícula de ar Alga parda do gênero Laminaria, comum no oceano
Pacífico (pode chegar a 60 m de comprimento).

4.5 Rodofíceas
DIVULGAÇÃO PNLD

Entre as algas vermelhas, ou rodofíceas,


algumas produzem uma substância gelati-
Corbis/Latinstock

nosa, conhecida como ágar ou ágar-ágar. O


ágar é usado industrialmente em gelatinas,
dentifrícios e outros produtos gelatinosos.
É também adotado em laboratório como
meio de cultura para micro-organismos.
Ph
ot
od
is c
Uma das rodofíceas mais conhecidas é a
/A
r qu
i vo pórfira (gênero Porphyra). Certas espécies
da
ed
i to Algas vermelhas do gênero Porphyra presas às desse gênero, nativas dos mares asiáticos, são
ra
rochas, expostas ao ar durante a maré baixa. Essa popularmente conhecidas por nori e usa-
alga é utilizada no preparo de sushis, na sua forma das no preparo de sushis, prato da culiná-
desidratada, como você pode ver na foto acima. ria japonesa.

4.6 Clorofíceas
As algas verdes, ou clorofíceas, podem ser unicelulares ou multicelulares. Uma alga
verde muito comum no litoral brasileiro é a alface-do-mar, pertencente ao gênero Ulva.

Alga verde
SPL DC/Latinstock

multicelular
do gênero Ulva, Alga verde
conhecida por unicelular
alface-do-mar, do gênero
SPL DC/Latinstock

muito comum no Chlamydomonas,


litoral brasileiro. que vive em
Tamanho água doce (mede
aproximadamente cerca de 10 µm
natural. de diâmetro).
As algas feofíceas, rodofíceas e clorofíceas também são conhecidas como feófitas, rodófitas e clorófitas, respectivamente.
O sufixo -fícea vem do latim e se refere a algas; o termo fita refere-se, etimologicamente, à planta.
66
VAMOS CRITICAR O QUE ESTUDAMOS?

Todas as algas são autótrofas?


Como o termo “alga” não tem valor taxonômico, Dentre os dinoflagelados, existem repre-
foi usado neste capítulo para grupos de protistas sentantes exclusivamente heterótrofos como
fotossintetizantes que tradicionalmente sempre fo- os do gênero Noctiluca, que capturam suas
ram chamados algas. São fotossintetizantes todas as presas por meio de um longo tentáculo que
algas multicelulares, mas, entre os grupos de algas muitos confundem com o flagelo. A célula das
unicelulares, existem representantes heterótrofos. noctilucas é grande, com cerca de 1 mm de diâ-
Esse é o caso das euglenófitas e dos dinofla- metro. Esses organismos são bioluminescentes
gelados. Nas euglenófitas existem gêneros como e, quando ocorrem em grande número, são
Peranema, em que todas as espécies são formadas os principais responsáveis pela luminosidade
por seres heterótrofos, capturando e ingerindo observada na superfície da água do mar em
outros protistas, inclusive euglenas. Mesmo indiví- noites escuras.
duos do gênero Euglena, que são clorofilados, po- Existem também dinoflagelados clorofilados
dem perder os cloroplastos se mantidos no escuro que complementam sua alimentação ingerindo
e passar a ter alimentação heterótrofa. Voltando pequenos organismos, como acontece com re-
a viver em ambiente com luz, os cloroplastos são presentantes de um gênero muito comum no
refeitos e voltam a realizar fotossíntese. plâncton marinho, o Ceratium.
DIVULGAÇÃO PNLD

Dr. David Patterson/SPL/Latinstock

Getty Images

Roland Birke/Phototake/Glow Images

Peranema (cerca de 50 µm Noctiluca (mede cerca de 1 mm Ceratium (mede cerca de 100 µm


de comprimento). de diâmetro). de comprimento).

Mau ar!
O nome de uma doença pode trazer infor- A palavra que designa a doença se origina do
mações interessantes, como o agente etiológi- italiano mala (má) e aria (ar), assim, etimologica-
co (exemplo: leishmaniose) ou a parte do corpo mente, malária significa “mau ar” ou “ar insalubre”.
afetada (exemplo: disenteria – enteron significa Qual seria a relação entre regiões pantano-
intestino). sas e malária? Em áreas alagadas, fêmeas de mos-
E quanto à malária? Você conhece a origem quitos depositam seus ovos, portanto, são locais
desse nome? com muitos desses insetos, inclusive o anófele,
As primeiras observações a respeito da malá- transmissor da malária.
ria mostravam que ela acometia, com frequência, A descoberta da verdadeira causa da doença
pessoas que haviam estado em regiões de águas não provocou alteração do nome, já consagrado
estagnadas, como brejos e pântanos, que cos- pelo uso. A malária, no entanto, é conhecida
tumam emanar gases com cheiro desagradável. também por outros nomes: maleita, impaludis-
Essa observação levou as pessoas a atribuírem mo, febre palustre, febre intermitente, batedei-
ao “mau ar” dos pântanos a causa da malária. ra, tremedeira, entre outros.

67
LEITURA

1 Qual é a relação entre protistas, pirâmides do Egito e cremes dentais?


As carapaças dos foraminíferos, de compo- dade, os egípcios utilizaram esse material calcário
sição calcária, resistem ao passar do tempo, o na construção das pirâmides.
que explica o fato de esses protozoários serem Outro material derivado de protistas e utili-
abundantes no registro fóssil e no fundo de ba- zado pelo ser humano é o diatomito, ou “terra
cias marinhas. Na espécie Camerina laevigata, de diatomáceas”. Como possuem carapaça de
que existiu entre 38 e 7 milhões de anos atrás em sílica, as microscópicas diatomáceas formam,
mares rasos, os indivíduos eram relativamente ao morrerem, depósitos sedimentares no leito
grandes, alguns com 10 cm de diâmetro. A partir de rios e oceanos. Esse material é leve, poroso,
do acúmulo das carapaças desses foraminíferos, quebradiço e tem propriedades abrasivas, sendo
formaram-se depósitos de calcário localizados usado na fabricação de filtros, giz, talco, lixas e
nas margens do Mar Mediterrâneo. Na Antigui- até cremes dentais.

DEPOIS DA LEITURA...
AGE Fotostock/Grupo Keystone

a. Compare foraminíferos e diatomáceas, listando semelhanças


e diferenças entre esses grupos. a) Consulte o Manual.
b. Consultando textos de Geologia, descubra se as rochas
DIVULGAÇÃO PNLD

citadas no texto são magmáticas, metamórficas ou sedi-


mentares. Represente a formação do calcário usado nas
As pirâmides do Egito foram construídas com pirâmides ou do diatomito em um desenho esquemático.
b) Consulte o Manual.
uso de material proveniente de foraminíferos. Para mais informações sobre o diatomito consulte o site do Serviço Geológico do Brasil:
<www.cprm.gov.br/publique/cgi/cgilua.exe/sys/start.htm?infoid=1296&sid=129>.
Acesso em: 01 abr. 2016.
2 Carlos Chagas Acervo da Casa de Oswaldo
Cruz/Departamento de
Arquivo e Documentação
Carlos Chagas descobriu a doença que ele de dados científicos
chamou de tripanossomíase americana, que ficou que o povo brasilei-
mais conhecida pelo nome do cientista. Foi um ro, especialmente
caso raro em que um único pesquisador desven- os mais pobres, vivia
dou todos os fatores envolvendo uma doença: em péssimas condi-
o agente causador, o transmissor e a profilaxia. ções de saneamento,
Chagas fez muitas outras contribuições aos estu- moradia e saúde, o
dos das doenças tropicais, além de atuar como que levava à proli-
agente de saúde pública, combatendo focos de feração de doenças
epidemia de malária e outras moléstias. graves que pode- Carlos Chagas em foto do
Por sua descoberta, Carlos Chagas chegou a riam ser erradicadas. início do século XX.
ser indicado, por duas vezes, ao Prêmio Nobel de Fonte:
PIZA, D. Carlos Chagas – a ciência nos trópicos. Rio de Janeiro: Ediouro, 2010.
Medicina. Sua descoberta, no entanto, também
foi contestada, apesar das fortes evidências. Ele
passou boa parte de sua vida defendendo a gra- DEPOIS DA LEITURA...
vidade do mal que descobrira e a importância de
políticas públicas de saúde que livrassem a po- Com um colega, busque mais informações a res-
pulação da doença. Existia uma ideia preconcei- peito da vida e dos trabalhos realizados por Cha-
tuosa, comum entre pensadores daquela época, gas. Relatem a história desse importante cientista
de que o Brasil tinha uma população preguiçosa, brasileiro de um jeito criativo: em quadrinhos,
pouco disposta ao trabalho; Chagas opunha-se letra de música, vídeo etc. Veja comentários no Manual.
fortemente a tal opinião, demonstrando por meio

68
FAÇA NO CADERNO.
ATIVIDADES NÃO ESCREVA EM SEU LIVRO.

1. Em protozoários de água doce, pois eles vivem em ambientes hipotônicos em


relação ao citoplasma. A água entra por osmose e o vacúolo contrátil elimina o
excesso de água da célula.

Revendo e aplicando conceitos Trabalhando com gráficos

1. Os vacúolos contráteis são encontrados principalmen- 9. Os gráficos a seguir referem-se aos acessos de febre
te em protozoários de água doce, marinhos ou parasi- causados pela malária, observados em dois pacientes
tas? Justifique sua resposta, elaborando um esquema hipotéticos.
que explique, de modo simplificado, os efeitos espe- Relação entre acessos febris e hemácias

Maps World/Arquivo da editora


em pessoas com malária
rados da osmose nesses protozoários.
Dia 1 Dia 2 Dia 3 Dia 4
Temperatura
2. O nome do gênero Noctiluca significa brilho (luca) corporal ( C)
o

da noite (nocti). Esses protistas receberam tal nome 43


42
porque possuem bioluminescência, responsável pelo 41
brilho na superfície do mar, à noite. 2. Dinoflagelados, que 1
40
podem ser fotossintetizantes e alguns representantes heterótrofos. 39
Cite o grupo de protistas ao qual Noctiluca pertence 38
37
e comente as diferentes formas de obtenção de ener- 36
gia nesse grupo. 3. O paramécio
perderia sua
3. O que poderia acontecer a um paramécio que tivesse capacidade de
reprodução, Glóbulos vermelhos do sangue
o micronúcleo retirado da célula, em situação experi- que é função
mental? Justifique a resposta. relacionada ao Dia 1 Dia 2 Dia 3 Dia 4
micronúcleo.
DIVULGAÇÃO PNLD

4. A respeito do fitoplâncton, responda: 43


42
a. Como podemos diferenciar um protista unicelular 41
autótrofo de uma cianobactéria, se ambos são au- 2
40
39
tótrofos fotossintetizantes e unicelulares? 38
4. a) As cianobactérias são procariontes, e os protistas são eucariontes.
37
b. Discuta o valor taxonômico do termo “alga”. 36
4. b) O termo não tem valor taxonômico, pois corresponde a diversos filos distintos.
c. Ao lado de nossas preocupações com a preservação
dos ecossistemas terrestres, precisam estar nossas Glóbulos vermelhos do sangue
preocupações com a preservação dos ecossistemas
Adaptado de: <https://microbewiki.kenyon.edu/index.php/
aquáticos. Justifique essa afirmação, esclarecendo Plasmodium_malariae>. Acesso em: 19 maio 2016.
a importância dos protistas nesse contexto. 9. a) O intervalo entre os acessos febris varia de acordo com a espécie de plasmódio.
Analise os gráficos e responda.
5. Explique por que combatemos a malária evitando
a formação de água estagnada e se esta é a úni- a. Se os pacientes foram diagnosticados com a mesma
ca doença que podemos combater tomando esse doença – a malária – por que os acessos febris ocor-
cuidado. 5. Consulte o Manual. rem em intervalos distintos nos pacientes 1 e 2 ?
6. Um estudante anotou no caderno a seguinte b. Abaixo do eixo horizontal de cada gráfico, é ilustrado
6. Não, o agente etiológico (causador) da doença de
informação: Chagas é o protozoário Trypanosoma cruzi. Triatoma o que acontece com glóbulos vermelhos do sangue in-
infestans é o nome do vetor, o inseto barbeiro. fectados pelo causador da malária. Existe relação entre
“Triatoma infestans é o agente etiológico da doença os acessos febris e o que acontece no sangue? Explique.
de Chagas.”
c. Observe o mapa-múndi abaixo, que mostra as re-
Você considera essa anotação correta? Por quê? giões afetadas pela malária (em laranja) e elabore
7. Monte uma tabela com as principais doenças huma- uma explicação para essa ocorrência.
nas causadas por protozoários, que ocorrem no Bra-
Maps World/Arquivo da editora

sil. Coloque como itens da tabela: nome da doença,


agente etiológico, transmissão (se for o caso, indicar
vetor) e medidas profiláticas. 7. Consulte o Manual.
8. Busque mais informações, em livros e sites de divulga-
ção científica, a respeito da doença de Chagas. Faça
um esquema representando o ciclo reprodutivo do
causador dessa doença. 8. Consulte o Manual. Fonte: CDC (Centers for Disease Control and Prevention) – USA.
4. c) A poluição dos mares pode afetar o plâncton, o que afeta o 9. b) Sim: os acessos febris estão relacionados com o rompimento de hemácias infectadas.
equilíbrio das teias alimentares.
9. c) Zona tropical, que é a área de ocorrência do mosquito anófele.
69
10. a) Apresentam cílios: Paramecium e células do tecido epitelial. Apresen-
tam flagelo: Euglena, Trypanosoma e espermatozoide.
d. a poluição dos rios e lagos com pesticidas que ex-
Questões do Enem e de vestibulares terminam o predador das larvas do inseto trans-
missor da doença.
10. (Unicamp-SP) Alguns protistas e algumas células euca-
e. o desmatamento que provoca a migração ou o
rióticas apresentam, na superfície externa, cílios ou fla-
desaparecimento dos animais silvestres dos quais
gelos, que desempenham importantes funções, como o
o barbeiro se alimenta. 13. e
deslocamento. Considere os seguintes protozoários e cé-
lulas eucarióticas: Paramecium, Euglena, Trypanosoma, 14. (Unicamp-SP) A malária é a principal parasitose dos
espermatozoide e células de tecido epitelial. países tropicais. Segundo a Organização Mundial de
Saúde, há mais de 200 milhões de casos de malária a
a. Quais dessas células possuem cílios? E quais apre-
cada ano e 500 mil deles ocorrem no Brasil. Até hoje,
sentam flagelo?
a principal forma de combate à malária consiste no
b. Há alguma diferença na função dessas estruturas controle do vetor de seu agente etiológico. No en-
nesses tipos celulares? Explique. 10. b) Consulte o
Manual. tanto, em estudo publicado na revista Science em
c. A ameba não apresenta cílios ou flagelos. Como setembro de 2011, cientistas anunciaram que vacinas
esse organismo unicelular se desloca? produzidas a partir de células inteiras do agente cau-
10. c) Emissão de pseudópodes.
11. (Fuvest-SP) Em entrevista concedida à revista eletrônica sador da malária, depois de submetidas a uma dose
ComCiência, publicada pela Sociedade Brasileira para o letal de radiação, deram bons resultados em estu-
Progresso da Ciência, Carlos Vogt afirmou: dos preliminares realizados inclusive com humanos.
O combate à doença de Chagas, à febre amarela, à leishma- a. Qual é o agente causador da malária? E qual é o
niose, à malária, à dengue, tem mobilizado a sociedade e seu vetor? 14. a) O plasmódio.
DIVULGAÇÃO PNLD

os governos na busca de soluções mais permanentes e no b. Qual é a importância do tratamento das células
estabelecimento de políticas públicas que conduzam as dos agentes causadores da malária com dosagem
medidas de prevenção mais dinâmicas e eficientes. letal de radiação? Como células mortas podem
<http://www.comciencia.br/reportagens/2005/06/01.01shtml> agir como vacina? 14. b) Consulte o Manual.
a. O controle da proliferação de mosquitos é uma 15. (Enem-2011) O mapa mostra a área de ocorrência da
medida adotada para combate a doenças. Para malária no mundo.
qual(is) das cinco doenças citadas no texto acima,
essa estratégia pode ser efetiva?

Maps World/Arquivo da editora


11. a) Febre amarela, leishmaniose, malária e dengue.
b. Distribua as cinco doenças em grupos, de acordo
com o tipo de agente causador. Justifique os gru-
pos formados.11. b) A febre amarela e a dengue são causadas
por vírus. As outras doenças citadas são causadas
por protozoários.
12. (Fuvest-SP) Nos ambientes aquáticos, a fotossíntese
é realizada principalmente por:
12. a a. algas e bactérias. d. bactérias e fungos.
b. algas e plantas. e. fungos e plantas.
c. algas e fungos.
13. (Enem-2012) A doença de Chagas afeta mais de oito mi- Fonte: OMS, 2004.
lhões de brasileiros, sendo comum em áreas rurais. É uma
doença causada pelo protozoário Trypanosoma cruzi e Considerando-se sua distribuição na América do Sul,
transmitida por insetos conhecidos como barbeiros ou a malária pode ser classificada como:
chupanças. Uma ação do homem sobre o meio ambiente a. endemia, pois se concentra em uma área geográ-
que tem contribuído para o aumento dessa doença é: fica restrita desse continente.
a. o consumo de carnes de animais silvestres que são b. peste, já que ocorre nas regiões mais quentes do
hospedeiros do vetor da doença. continente.
b. a utilização de adubos químicos na agricultura que c. epidemia, já que ocorre na maior parte do
aceleram o ciclo reprodutivo do barbeiro. continente.
c. a ausência de saneamento básico que favorece a d. surto, pois apresenta ocorrência em áreas
proliferação do protozoário em regiões habitadas pequenas.
por humanos. e. pandemia, pois ocorre em todo o continente. 15. e.

70
capítulo

5 Fungos
Resposta de Pense e responda: Planta (fita) que cresce
sobre material em decomposição (sapro). Os fungos não
COMENTÁRIOS
GERAIS são mais classificados como plantas.

1 Introdução

Corel
Os fungos são eucariontes heterótrofos e incorporam os ali-
mentos por absorção. Em sua maioria são multicelulares, mas
existem unicelulares, como as leveduras.
Quando se fala em fungos, logo pensamos em cogumelos,
como os da fotografia abaixo. Cogumelos e orelhas-de-pau (mos-
6,5 cm
tradas na foto ao lado) correspondem às estruturas de reprodu-
ção de determinados fungos multicelulares, mas existem outros
grupos de fungos, com tipos diferentes de estrutura reprodutiva. Orelha-de-pau,
DIVULGAÇÃO PNLD

A maioria das espécies conhecidas de fungos é terrestre, mas existem algumas fungo multicelular que
espécies aquáticas. comumente cresce sobre
troncos de árvores.
Muitas espécies de fungos são saprófagas. O prefixo sapro, que significa po-
dre, é usado no sentido de em decomposição. Assim, a palavra saprófago denota PENSE E
ser que se alimenta (fago) de material podre, ou em decomposição. RESPONDA
Os fungos e as bactérias saprófagos ocupam o nível de decompositores em
Em alguns livros, você
um ecossistema. Sem a atividade desses seres, o equilíbrio ecológico estaria seria- poderá encontrar o
mente comprometido, pois a decomposição repõe ao ambiente alguns materiais termo “saprófita” para
necessários à sobrevivência das plantas. Em biomas como a Amazônia e a Mata se referir aos fungos
Atlântica, cujo solo é pobre em nutrientes, apresentam rápida reposição destes, saprófagos e também a
consumidos pela densa vegetação, realizada pelos organismos decompositores. bactérias decomposito-
ras. Consulte o glossário
Nem todos os fungos são saprófagos – alguns são parasitas, alimentando-se, etimológico e explique
nesse caso, de substâncias retiradas de seres vivos. Os fungos parasitas provocam o significado de sapró-
doenças, como as micoses que ocorrem na pele humana. A ferrugem do cafeeiro fita. Explique também
é um exemplo de parasitose causada por fungo em plantas. por que este termo não
é adequado, do ponto
de vista da classificação
A ferrugem do cafeeiro é um dos fungos.
exemplo de doença provocada por
fungos em plantas.
1,2 cm
Fa

2 cm
b io
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Cogumelos,
c

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do

estruturas
fo

reprodutivas de um
gr
af
o

fungo multicelular.

As figuras estão representadas em diferentes escalas.


71
capítulo
5

2 Estrutura básica de um fungo


multicelular
Os fungos mais conhecidos popu-
larmente são os que formam cogu-

AGE Fotostock/Grupo Keystone


melos como estruturas reprodutivas.
A maioria dos cogumelos tem o aspec-
to de uma pequena haste sustentando
uma expansão mais ou menos espessa.
O cogumelo é o corpo de frutifi-
cação ou esporocarpo, no qual se de-
senvolvem os esporos, elementos de
reprodução desses seres vivos. Existem
fungos que formam outros tipos de
esporocarpo.
Grande parte do corpo do fungo
Cogumelo: corpo de localiza-se dentro do substrato, como
frutificação de fungo você pode ver no desenho esquemá-
de determinado grupo.
tico a seguir. O corpo de um fungo
O cogumelo da foto
mede cerca de 3,5 cm multicelular é formado por um ema-
DIVULGAÇÃO PNLD

de altura. ranhado de hifas, chamado micélio.


As hifas são estruturas filamentosas
e podem ser formadas por células com um ou dois núcleos. Há, no entanto, hifas
sem individualização das células, de modo que existem vários núcleos imersos em
um citoplasma comum. Os fungos não apresentam tecidos verdadeiros.
O micélio distribui-se dentro do substrato, de onde emerge e forma o espo-
rocarpo, produtor dos esporos. Um
Estrutura de um
esporo é uma célula capaz de origi-
ATENÇÃO
fungo multicelular
nar um novo indivíduo, e está prote-
Luis Moura/Arquivo da editora

gida por uma parede que lhe confere


micélio reprodutor
Os fungos eram tradi- resistência.
(corpo de frutificação)
cionalmente estudados
pelos botânicos, junto Os esporos dão origem diretamen-
com as plantas. Atual- te a um novo micélio e, portanto, a
mente, muitas evidên- um novo fungo. A reprodução espó-
cias científicas indicam rica constitui a reprodução assexuada
que os fungos formam do fungo. Entretanto, também ocor-
um reino distinto e evo-
esporos re reprodução sexuada, que apresen-
lutivamente mais próxi-
mo dos animais do que
hifas ta variações nos diversos grupos de
das plantas. No entanto, fungos, podendo envolver gametas
alguns termos permane- ou hifas especiais.
cem, consagrados pelo As hifas e os esporos dos fungos
uso, caso de “corpo de
frutificação”. Recente-
possuem parede celular constituída
mente, alguns cientistas de quitina, substância encontrada em
têm preferido a denomi- alguns animais. Não há semelhança
nação “corpo produtor com a parede celular dos vegetais,
de esporos”, uma vez micélio vegetativo
que é constituída de celulose. O ma-
que os fungos não pro- terial de reserva energética dos fun-
Esquema representando um fungo cujo
duzem sementes nem
corpo de frutificação é um cogumelo. Os gos é o glicogênio, outra semelhança
frutos.
elementos da figura estão fora de proporção. com os animais.
O termo “corpo produtor de esporos” está proposto na obra Cinco reinos: um guia ilustrado dos filos
da vida na Terra, de Lynn Margulis e Karlene Schwartz. 3. ed. Rio de Janeiro: Guanabara Koogan, 2001.
72
capítulo
5

Exemplos de liquens:
3 Fungos e mutualismo 1 Líquen esverdeado
em tronco de árvore.
Além dos fungos saprófagos e dos parasitas existem ainda aqueles que vivem 2 Líquen amarelado na
em associação mutualística, como a maioria dos liquens, associações entre fungos superfície de rochas.
e algas. Os liquens podem ser observados em vários lugares na natureza: caules 3 Líquen vermelho em

de árvore, muros, telhados etc. tronco de árvore.

1 2 3

Fabio Colombini/Acervo do fotógrafo

Haroldo Palo Jr./Kino

Fabio Colombini/Acervo do fotógrafo


DIVULGAÇÃO PNLD

Existem espécies de liquens que


são extremamente sensíveis à poluição Sorédio
atmosférica, de tal forma que a presença

Luis Moura/Arquivo da editora


hifa do
deles em quantidade significativa pode fungo
indicar baixa poluição ambiental.
Nos liquens, a associação entre alga e alga
fungo é tão íntima que até a reprodução
assexuada frequentemente é feita em con-
junto, por meio de estruturas chamadas
sorédios.
De maneira semelhante às associações
entre bactérias e raízes de plantas (bac-
teriorrizas), os fungos podem formar as-
sociações mutualísticas com raízes, cons-
tituindo as micorrizas. Esquema de sorédio, estrutura de reprodução assexuada dos liquens.
O interessante é que, em plantas que
apresentam micorrizas, a água e os sais
minerais podem entrar na raiz pelas hifas
Dr. Jeremy Burgess/SPL/Latinstock

do fungo; em alguns casos, o fungo cresce


dentro das células da raiz e as hifas atraves-
sam a parede celular, atingindo o solo, do
qual absorvem água e sais minerais, que
passam para a planta.
Entre as plantas em cujas raízes fre- 5 mm
quentemente se desenvolvem micorrizas
estão o morangueiro, o tomateiro e as Micorrizas: as hifas do fungo são os filamentos brancos associados às
gramíneas em geral. raízes de uma planta.

73
capítulo
5

4 Fungos e ser humano


SUGESTÃO
DE ATIVIDADE Muitos fungos formam cogumelos que são comestíveis, destacando-se entre
eles o champinhom (champignon), o shiitake e o shimeji. A trufa também é um
fungo comestível, embora não seja um cogumelo.

Fungos comestíveis

Shimeji
Shiitake
it o ra Trufa Champinhom
ed
da

ra

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Pho

Ph
Fungos comestíveis. A parte consumida na alimentação é o corpo de frutificação desses fungos. As imagens estão
aproximadamente em tamanho natural.
DIVULGAÇÃO PNLD

Embora muitos cogumelos sejam bons alimentos, de ótimo valor


nutritivo, é preciso muito cuidado com a identificação, pois existem
espécies venenosas, podendo causar intoxicações severas. A distin-
ção entre um cogumelo comestível e um venenoso nem sempre é
fácil para o não especialista. Assim, é muito importante adquirir
cogumelos em fontes confiáveis.
Stock Xchng

Na fabricação de alguns queijos especiais são utilizadas enzi-


mas produzidas por fungos. É o caso, por exemplo, dos queijos
gorgonzola, roquefort e camembert.
Muitas substâncias de grande importância produzidas pela
atividade de fungos são as obtidas por fermentação.
Queijo gorgonzola. As A fermentação recebe nomes que dependem da substância
manchas esverdeadas obtida no processo. Na fermentação alcoólica, por exemplo, a glicose (C6H12O6) é
são fungos. desdobrada em álcool comum ou etanol (C2H5OH) e gás carbônico (CO2).
Um dos seres capazes de promover o desdobramento da glicose em etanol é o fun-
go Saccharomyces cerevisiae, conhecido como levedura da
cerveja, porque é utilizado para fermentar o açúcar do malte
Dr. Jeremy Burgess/SPL/Latinstock

no processo de fabricação dessa bebida. É também empre-


gado na produção de vinho, fermentando o açúcar da uva.
Apesar de reforçarmos aqui as utilidades da fermen-
tação realizada pelos fungos, a maioria deles realiza res-
piração aeróbia.
Além da importância na alimentação humana, os fun-
gos são utilizados para obtenção de diversas substâncias,
inclusive medicamentos. Os mais importantes medica-
mentos obtidos a partir de fungos são os antibióticos,
Saccharomyces cerevisiae, fungo unicelular. Cada dos quais o primeiro, a penicilina, foi descoberto em
célula mede cerca de 10 µm de comprimento. 1928 por Alexander Fleming.
A fermentação é um tema abordado em maior profundidade no volume 1 desta coleção.

74
capítulo
5

Os antibióticos são medicamentos indicados para tratamento de doenças causa-


das por bactérias. A prescrição, no entanto, é de exclusiva responsabilidade médica.
A ação de enzimas produzidas por fungos pode, muitas vezes, provocar o apo-
drecimento de alimentos. É o que mostra a foto ao lado: morangos apodrecidos
pelo fungo conhecido como mofo-cinzento (Botrytis cinerea). Quando vemos ali-
mentos nesse estado, comumente dizemos que estão mofados ou embolorados.
Esses alimentos não devem ser consumidos, pois podem causar sérios prejuízos
à saúde. Comprar produtos frescos e sempre observar a data de validade de ali-
mentos industrializados é essencial para evitar esses prejuízos. Daniel Sambraus/Getty Images
Morangos
apodrecidos por ação
4.1 Micoses de um fungo.
As doenças animais causadas por fungos têm o nome geral de micoses.
As mais comuns ocorrem na pele, em qualquer parte da superfície do corpo. CURIOSIDADE
No ser humano, são bem conhecidas as micoses do rosto (da barba), as do couro
cabeludo, as das unhas e a conhecida por pé de atleta. Os morcegos são mamí-
As micoses podem afetar as mucosas, como é o caso da candidíase, causada feros voadores, classifica-
dos como quirópteros
por um fungo do gênero Candida, que se manifesta por numerosos pontos bran-
em função de suas
cos nas mucosas, principalmente as da boca e as da vagina. Na mucosa bucal a “mãos transformadas
candidíase é conhecida popularmente por “sapinho”. em asas”: quiro = mão;
Existem fungos patogênicos que se instalam dentro do organismo. Uma des- ptero = asa.
sas micoses profundas é a histoplasmose, que afeta os pulmões e é causada pelo
DIVULGAÇÃO PNLD

fungo Histoplasma capsulatum, que se desenvolve principalmente nos excremen-


tos de aves e de morcegos. Estes últimos são os principais responsáveis pela alta
incidência do fungo em cavernas, refúgio natural dos quirópteros. A poeira le-
vantada em solos contaminados contém esporos do Histoplasma e se constitui na
principal forma de contágio da doença.

REÚNA-SE COM OS COLEGAS

Leia os dois trechos a seguir, selecionados da literatura brasileira. Em seguida, faça as atividades propostas com sua equipe.

“No Pantanal ninguém pode passar régua. “Sem que eu soubesse, as coisas não ditas haviam
Sobremuito quando chove. A régua é existidura de crescido como cogumelos venenosos nas paredes do
limite. E o Pantanal não tem limites.
silêncio, enquanto ele ficava acordado na cama, fitan-
Nos pátios amanhecidos de chuva, sobre excremen-
do o teto, com o branco dos olhos reluzindo na pe-
tos meio derretidos, a surpresa dos cogumelos! Na
beira dos ranchos, nos canteiros da horta, no meio numbra. Se eu interrogava, o que você tem amor? Ele
das árvores do pomar, seus branquíssimos corpos sem respondia que não era nada, estava pensando no tra-
raízes se multiplicam. balho. A gente sabia que era mentira, ele sabia que
O mundo foi renovado, durante a noite, com as chu- eu sabia, mas nenhum de nós rompeu aquele acor-
vas. [...] “
do sem palavras. Nunca imaginei o mal que o roía.”
Manoel de Barros. Mundo renovado. Livro de pré-coisas. 4. ed.
São Paulo: Record, 2003. Lya Luft. O silêncio dos amantes. 1. ed. São Paulo: Record, 2008.

a. Qual (ou quais) aspecto(s) da biologia dos fungos é abordado em cada texto?
b. Comparem os dois textos. Que impressão é transmitida sobre os cogumelos em cada um deles?
c. Do ponto de vista antropocêntrico, é comum considerar seres vivos como “benéficos” ou “nocivos”. Em qual dessas
“categorias” vocês encaixariam os fungos? Qual é a imagem dos fungos na cultura popular e no folclore? Discutam a
respeito desse tema. Vocês podem entrevistar moradores de sua região, registrar histórias, lendas e curiosidades en-
volvendo fungos. Após a coleta de informações, vocês podem produzir uma reportagem na forma de texto jornalístico
ou videodocumentário. Veja comentários no Manual.

75
capítulo
5

CURIOSIDADE 5 Classificação e reprodução dos


Os deuteromicetos fungos
são fungos que não
desenvolvem corpos Dentro do reino dos fungos, não se chegou ainda a uma classificação que pos-
de frutificação nem sa ser considerada ideal, mas de modo geral as classificações estão relacionadas
produzem esporos se- com os mecanismos de reprodução.
xuados. Um exemplo Os chamados fungos verdadeiros são aqueles cuja reprodução é feita por dois
de deuteromiceto é a
Candida albicans, cau-
tipos de esporos, todos imóveis:
sadora da candidíase. › esporos assexuados – formados por mitose;
› esporos sexuados – formados por meiose.
Fabio Colombini/Acervo do fotógrafo Os esporos sexuados são importantes variáveis na classificação
dos fungos verdadeiros. Eles são formados a partir de uma célula
diploide, que sofre meiose. Nos diferentes grupos de fungos, a es-
trutura produtora dos esporos sexuados apresenta características
próprias, sendo, por isso, um critério de classificação.
No grupo dos zigomicetos, embora os fungos produzam espo-
ros sexuados, não desenvolvem corpos de frutificação. O zigomi-
ceto mais conhecido popularmente é o bolor (mofo) preto do pão
(Rhizopus stolonifer).
DIVULGAÇÃO PNLD

Ascocarpos de Revendo o que já foi estudado, na meiose ocorrem duas divisões sucessivas, das
ascomiceto sobre quais a primeira é reducional e a segunda é semelhante à mitose comum. Assim,
tronco de árvore, na uma célula diploide (2n) dá origem a quatro células haploides (n).
Floresta Amazônica.
Cada ascocarpo mede No grupo mais diversificado de fungos, os ascomicetos, cada uma dessas qua-
cerca de 2,5 cm de tro células haploides sofre mitose, originando oito células, todas haploides. Cada
altura. uma dessas oito células é um esporo sexuado conhecido por ascósporo, uma vez
que a estrutura na qual se desenvolve é denominada asco.
Na maioria dos ascomicetos, os ascos reúnem-se em corpos de frutificação cha-
mados ascocarpos.
Entre os ascomicetos estão alguns fungos comestíveis, como a trufa e
a morchella; estão também o Saccharomyces cerevisiae, que é unicelular, e o
Penicillium notatum. Ambas as espécies não formam corpo de frutificação.

Osvaldo Sequetin/Arquivo da editora


núcleos (n) ascósporos (n)
ascocarpo núcleo
(2n)

asco

ascos

hifa

Esquema mostrando estrutura e formação


de ascósporos em ascomiceto, feito com
base em imagens de microscopia.

76
capítulo
5

Osvaldo Sequetin/Arquivo da editora


núcleo (n) basídio
maduro

liberação
dos basi-
diósporos
basídios
basidiocarpo
fusão de
micélio núcleos meiose e
vegetativo formação de migração dos
projeções núcleos para basidiósporos
germinação apicais o interior das
10 µm projeções
dos
esporos

No grupo dos basidiomicetos, os esporos sexuados formam-se a partir de uma Esquema representando
célula diploide que, por meiose, origina quatro esporos haploides conhecidos por a reprodução de um
basidiósporos, uma vez que a estrutura na qual se desenvolvem é conhecida por basidiomiceto, cujo
basídio, reunidos em corpos de frutificação chamados basidiocarpos. São exem- basidiocarpo é um
cogumelo.
plos de basidiocarpos o champignon e as orelhas-de-pau.
ALERTA
DIVULGAÇÃO PNLD

ATIVIDADE PRÁTICA
A atividade
deve ser feita
apenas sob
a supervisão
do professor.
Análise de um fungo
Esta atividade exige organização, limpeza e cuidado, pois envolve o uso de um delicado equipamento: o micros-
cópio óptico. Siga as orientações do professor e use equipamentos de proteção pessoal: avental, luvas, máscara.

Material necessário
• Pão mofado, com manchas pretas; • fita adesiva transparente;
• lâminas de vidro; • tesoura sem ponta;
a t s k a t t e r s to c k
/
x a na
ya O

• microscópio óptico; • pinça.


S hu

Procedimentos
B ern

1. Corte um pequeno pedaço de fita adesiva (cerca de 2 cm). Utilizando a pinça, coloque o lado adesivo
da fita sobre uma das manchas de bolor que está sobre o pão e pressione delicadamente.
2. Retire a fita adesiva, com o auxílio da pinça. Coloque-a sobre uma lâmina limpa, com o lado adesivo
voltado para baixo.
3. Observe a imagem do material aumentado pelas lentes do microscópio. Inicie a observação com a lente
de menor aumento. Registre esquematicamente o que você observar.

Interpretando os resultados
a. O bolor preto do pão é um zigomiceto. Você consegue identificar as estruturas observadas? Quais são elas?
b. Mesmo em uma cozinha considerada limpa, o bolor pode se desenvolver em pães e outros alimentos.
Explique qual das estruturas observadas “coloniza” uma fatia de pão e por que é tão comum o apare-
cimento de bolores.
c. Quais condições interferem na taxa de desenvolvimento do bolor preto do pão? Com seus colegas,
escolham uma dessas condições e elaborem um teste experimental para verificar. Se possível, realizem
o teste, sob a supervisão do professor. Veja sugestões de respostas e comentários no Manual.

77
VAMOS CRITICAR O QUE ESTUDAMOS?
Veja no Manual mais informações a respeito da classificação dos fungos e dos quitridiomicetos.

Fungos verdadeiros, fungos imperfeitos e fungos flagelados


No texto, afirmou-se que os fungos verda- deram a capacidade de formar ascos ou basídios
deiros possuem dois tipos de esporos, sexuados e apresentam apenas reprodução assexuada. Por
e assexuados, sendo todos imóveis. isso, grande revisão tem sido feita na classificação
No entanto, o grupo dos deuteromicetos faz dos fungos.
exceção quanto ao tipo de esporo, pois é forma- Os quitridiomicetos são fungos aquáticos
do por indivíduos que não desenvolvem esporos que possuem esporos móveis com flagelos, mas
sexuados, razão pela qual eram considerados essa classificação é muito debatida. Para alguns
fungos imperfeitos. O uso desta expressão se pesquisadores, os fungos verdadeiros não pos-
deve ao fato de que o termo “perfeito” era anti-
suem centríolos e, assim, não desenvolvem flage-
gamente utilizado pelos botânicos para designar
los. Além disso, a parede celular dos fungos é for-
o organismo que possui o conjunto completo de
mada por quitina e os quitridiomicetos possuem
estruturas sexuais reprodutivas.
Os deuteromicetos não correspondem a uma parede celular com quitina e celulose. Por essas
categoria taxonômica (filo), ou seja, não consti- razões, em algumas classificações são tratados
tuem um grupo monofilético. Tradicionalmente, como um grupo de protistas e, em outras, dentro
estão ali agrupados os fungos de classificação do reino dos fungos.
duvidosa por causa da ausência de estágios meió- Nas classificações mais tradicionais, os quitri-
DIVULGAÇÃO PNLD

ticos em seu ciclo de vida. Alguns pesquisadores, diomicetos e os zigomicetos eram reunidos em
no entanto, baseando-se em análises moleculares um grupo chamado ficomicetos, tendo como
e morfológicas, concluíram que muitos “fungos característica comum o fato de formarem espo-
imperfeitos” são na verdade ascomicetos ou ba- ros sexuais, mas não desenvolverem corpos de
sidiomicetos que, ao longo de sua evolução, per- frutificação. O termo ficomiceto está em desuso.
Fungos venenosos
Neste capítulo, comentamos a respeito do de defesa do fungo contra predação. Em seres
cuidado na identificação de cogumelos comes- humanos, as substâncias alucinógenas de cogu-
tíveis, pois diversas espécies de fungos possuem melos podem levar à morte. Apenas especialistas
cogumelos venenosos. Mas o que é um veneno? são capazes de identificar, em um ambiente na-
Os seres vivos produzem naturalmente di- tural, quais são os fungos comestíveis e quais são
versas substâncias como produto de seu meta- aqueles tóxicos e prejudiciais para a nossa saúde.
bolismo e algumas dessas substâncias podem ser
tóxicas para outras espécies. É o caso, por exem-
plo, da penicilina, produzida pelos fungos do
gênero Penicillium; essa substância é um veneno,
AGE Fotostock/Grupo Keystone

ou uma toxina, para bactérias, que morrem em


sua presença.
Além da composição química, a concen-
tração de uma substância também pode de-
terminar sua toxicidade. Alguns compostos
são letais mesmo em pequenas doses, caso
da toxina presente nos fungos mostrados na
foto ao lado, que pode ser fatal para seres
humanos e outros mamíferos.
Existem basidiomicetos cujos cogumelos pos- Cogumelos do gênero Amanita, produtores de toxinas
suem toxinas de efeito alucinógeno em animais, potentes, que são capazes de levar uma pessoa à morte em
o que pode ser interpretado como uma forma caso de ingestão (medem cerca de 7 cm de comprimento).

78
LEITURA

A descoberta da penicilina
Uma importante característica dos cientistas de bactérias não se desenvolveram próximas ao
é estar preparado para observar os fatos, ques- fungo, o que o levou a concluir que o fungo liberava
tionando-os e investigando as possíveis causas. uma substância que inibia o desenvolvimento das
Assim, o que poderia passar despercebido para bactérias. Esse fungo foi identificado como sendo
muitas pessoas, pode ser objeto de estudo para da espécie Penicillium notatum e a substância an-
um cientista. Muitos são os exemplos registrados tibiótica produzida por ele foi chamada penicilina.
na história da Ciência e um deles é o que ocor- Em pouco tempo iniciou-se a produção da
reu com a descoberta acidental da penicilina, em penicilina em grande escala, pela indústria farma-
1928, por Alexander Fleming, bacteriologista nas- cêutica, causando redução significativa do número
cido na Escócia (1881) e falecido em Londres (1955). de mortes por infecções bacterianas. Até hoje, é
Fleming dedicava-se ao estudo de certas in- um dos medicamentos mais utilizados no combate
fecções bacterianas. Ele descobriu a lisozima, enzi- a diversas doenças causadas por bactérias.
ma naturalmente presente em algumas secreções Como não era químico, Fleming não isolou
do corpo humano, como lágrimas e saliva. Por quimicamente a penicilina, o que permitiria a
destruir bactérias, a lisozima tem ação antibiótica. produção industrial. Isso foi feito 11 anos depois,
O pesquisador trabalhava com uma cultura por H. W. Forey e E. B. Chain, dois pesquisadores
de bactérias do grupo dos estafilococos quando de Oxford.
DIVULGAÇÃO PNLD

notou o desenvolvimento inesperado de um fun-


Os trabalhos de Forey e Chain, somados aos
go, junto às bactérias.
de Fleming, valeram aos três o prêmio Nobel de
Preparado para analisar ocorrências, Fleming
Medicina de 1945.
teve a curiosidade aguçada e observou cuidadosa-
Fonte: Site do Prêmio Nobel (em inglês). Disponível em:
mente a relação entre as colônias de bactérias e as <http://www.nobelprize.org/nobel_prizes/medicine/laureates/1945/>.
colônias do fungo. Notou, então, que as colônias Acesso em: 01 abr. 2016.
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Popperfoto/Getty Images
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12 µm
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Dr

Placa de cultura de bactérias onde se desenvolveu uma


colônia de Penicillium notatum. No detalhe, a região Alexander Fleming em seu laboratório, em
produtora de esporos (bolinhas amarelas) desse fungo. Londres, 1943.

DEPOIS DA LEITURA...
a) Tuberculose, coqueluche, sífilis, tétano são doenças causadas por bactérias e podem ser tratadas com antibióticos. A hepatite, a gripe e o sarampo
a. Indique, entre as doenças a seguir, aquelas que podem ser tratadas com antibióticos: tuberculose, coqueluche,
hepatite, sífilis, gripe, tétano, sarampo e candidíase. Anote no caderno, não esquecendo de justificar a resposta.
são doenças virais e a candidíase é causada por fungo. Esta questão permite rever o que foi aprendido em capítulos anteriores.
b. Relembre o que você estudou a respeito de interações ecológicas e explique qual é a relação entre
Penicillium e bactérias. b) Antibiose: a presença do fungo Penicillium prejudica a sobrevivência de bactérias.
c. Fleming, Forey e Chain foram agraciados com o prêmio Nobel de Medicina. Que prêmio é esse? Quem
o instituiu e com qual objetivo? Consulte revistas e sites para descobrir. c) Consulte o Manual.

79
FAÇA NO CADERNO.
NÃO ESCREVA EM SEU LIVRO. ATIVIDADES

2 a) Pela fermentação, realizada pelas leveduras (fermento biológico), libera-se


gás carbônico, que torna a massa menos densa do que a água e capaz de flutuar.
c. O crescimento do álamo com micorrizas foi quantas
Revendo e aplicando conceitos vezes maior do que na condição sem micorrizas?
Calcule o valor em porcentagem. 5. c) 40%.
1. Os conceitos a seguir referem-se à estrutura básica

Maps World/Arquivo da editora


Altura de árvores que cresceram
de um fungo. 1. Consulte o Manual. na ausência e na presença de micorrizas

Corpo de Parede celular


Célula
frutificação de quitina

Altura da árvore (metros)


Micélio Esporo Fungo

Organize os conceitos em sequência decrescente, ou


seja, do conceito mais abrangente para o mais restrito
e procure relacioná-los por meio de traços. Em cada
traço, escreva um verbo de ligação.
Árvore
2. Na produção do pão, utilizando fermento biológico,
após o preparo da massa é necessário esperar até que d. A queimada é um método inadequado de preparar
ela fique pronta para ser assada. Para isso, é comum o um terreno para plantio. Entre outros prejuízos ao
uso, principalmente em nível doméstico, de um proce- meio ambiente, o solo torna-se menos fértil. Rela-
dimento muito simples: assim que a massa acaba de cione este fato com a conclusão que você obteve a
ser preparada faz-se uma bolota, que é colocada na
DIVULGAÇÃO PNLD

partir da análise do gráfico.


água de um copo. A bolota afunda, mas algum tempo 5. d) O calor do fogo mata micro-organismos do solo, inclusive os
fungos que podem formar micorrizas.
depois flutua: a massa está pronta para ser assada! Questões do Enem e de vestibulares
a. Explique a relação entre a bolota flutuar na água e
a massa estar pronta para ser assada. Se necessário, 6. (Unicamp-SP) Os fungos são organismos eucarióticos
recorra a uma pequena pesquisa e também a uma heterotróficos unicelulares ou multicelulares. Os fun-
troca de ideias com colegas e familiares. gos multicelulares têm os núcleos dispersos em hifas,
b. Explique o que é o fermento biológico e quais são que podem ser contínuas ou septadas, e que, em con-
suas características. junto, formam o micélio.
2. b) Leveduras, que pertencem ao grupo dos ascomicetos.
c. Quais são as características do grupo de fungos ao a. Mencione uma característica que diferencie a célula
qual o fermento biológico faz parte? de um fungo de uma célula animal, e outra que dife-
2. c) Formação de asco, no qual são produzidos os ascósporos. rencie a célula de um fungo de uma célula vegetal.
3. Explique por que os fungos nunca estão na base de 6. b) Obtenção de determinados antibióticos; produção de queijo, bolos e pães.
uma teia alimentar, ou seja, por que nunca são os pro- b. Em animais, alguns fungos podem provocar intoxi-
dutores. Explique também a importância dos fungos cação e doenças como micoses; em plantas, podem
para o equilíbrio de um ecossistema. causar doenças que prejudicam a lavoura, como a
ferrugem do cafeeiro, a necrose do amendoim e a
4. Vamos considerar dois fungos comestíveis pelo ser
vassoura de bruxa do cacau. Entretanto, os fungos
humano: a trufa e o champignon. Eles pertencem a
também podem ser benéficos. Cite dois benefícios
grupos distintos de fungos: ascomicetos e basidio-
proporcionados pelos fungos.
micetos, respectivamente. Quais características nos
permitem diferenciar esses dois grupos? 7. (Enem-2012) Há milhares de anos o homem faz uso
4. Os ascomicetos formam ascocarpos e os basidiomicetos formam
basidiocarpos.
da biotecnologia para a produção de alimentos como
Trabalhando com gráficos pães, cervejas e vinhos. Na fabricação de pães, por
exemplo, são usados fungos unicelulares, chamados
de leveduras, que são comercializados como fermento
5. O gráfico esboçado a seguir compara o crescimento biológico. Eles são usados para promover o crescimen-
em altura de árvores de três espécies, sob duas con- to da massa, deixando-a leve e macia. O crescimento
dições: micorrizas ausentes e presentes. da massa do pão pelo processo citado é resultante da:
5. a) Micorrizas são associações mutualísticas entre raízes de plantas e
a. Explique o que são micorrizas. fungos. 7. a a. liberação de gás carbônico. d. produção de ATP.

b. A relação ecológica representada pelas micorrizas b. formação de ácido lático. e. liberação de calor.
é benéfica para as três plantas? Por quê? c. formação de água.
3. Os fungos são heterótrofos e, portanto, não poderiam ser produtores
em uma teia alimentar. Veja mais comentários no Manual. 6. a) Os fungos possuem parede celular, ausente nas células animais. A parede
celular é composta de quitina, e não de celulose como nas células vegetais. Os
5. b) Sim, pois, com as micorrizas, as três árvores apresentaram fungos não possuem cloroplastos ou vacúolo de suco celular em suas células.
80 aumento em relação ao crescimento em altura.
UNIDADE

2
Biodiversidade II:
Pl antas OBJETIVOS
GERAIS DA ABERTURA
UNIDADE DA UNIDADE
AGE Fotostock/Grupo Keystone
DIVULGAÇÃO PNLD

Você pode conhecer mais a respeito


das plantas, entendendo questões como estas:

Um musgo, uma samambaia, um pinheiro e uma laranjeira: o que


essas plantas têm em comum? E no que são diferentes?
Por que a maioria das plantas possui folhas verdes e o que isso tem
a ver com a liberação de oxigênio?
Por que o tronco de uma árvore aumenta em espessura ao longo A diversidade de plantas é muito
do tempo? grande. Algumas não produzem flores,
As plantas são organismos imóveis? frutos ou sementes; outras, como
o girassol, produzem milhares
Existe planta hermafrodita? de pequenas flores reunidas em
Água, vento, animais... Como esses fatores se relacionam com a um capítulo floral. O girassol pode
reprodução das plantas? chegar a 4 m de altura.

81
capítulo
Grandes grupos
6 de plantas
COMENTÁRIOS REFLEXÕES
GERAIS SOBRE O ENSINO
DE BIOLOGIA

PENSE E 1 Classificação das plantas


RESPONDA
Existem propostas diversas para a organização do reino das plantas em
a. Consultando o glossário eti- filos ou divisões. Vamos adotar uma classificação didática, sem fazer refe-
mológico, você pode descobrir
qual é o significado dos ter-
rências aos grupos taxonômicos equivalentes a filos ou classes propostos
mos criptógamas e faneró- mais recentemente.
gamas. Anote-os no caderno Veja no esquema a seguir essa organização didática simplificada.
e prossiga a leitura.
b. Consultando o glossário etimo-

Equipe NATH/Arquivo da editora


lógico, dê o significado da pa-
lavra espermatófita. Anote-o
no caderno e dê exemplos.
DIVULGAÇÃO PNLD

a) Criptógamas: união ou casamento (gama)


oculto (cripto); refere-se às estruturas
reprodutivas pouco evidentes. Fanerógamas:
casamento aparente (fanero); refere-se às
estruturas reprodutivas evidentes.
b) Espermatófita: planta (fita) que produz
semente (esperma).

MULTIMÍDIA

Seres vivos – Algas, plantas


e fungos Como você pôde observar no esquema acima, o reino das plantas costuma
<ht tp://w w w.b dc .ib.uni ser dividido em dois grandes grupos: o das criptógamas e o das fanerógamas.
c a m p . b r/ b d c / v i s u a l i z a r
Os termos “criptógamas” e “fanerógamas” não têm significados taxo-
Material. php?idMaterial=
1300#.VwU_WzYrJQM> nômicos, pois não correspondem a nenhuma categoria de classificação.
Este vídeo apresenta as caracte- São termos, porém, tradicionalmente utilizados para distinguir dois gru-
rísticas de plantas, algas e fungos, pos diferentes de plantas, quanto à estrutura de reprodução.
seres que, antigamente, eram A palavra “gama” vem de gamein, que significa “unir”, “união”, referin-
classificados no mesmo reino. Re-
do-se a estruturas destinadas à reprodução sexuada. Originou, por exem-
veja o que aprendeu nos capítulos
anteriores sobre algas e fungos e plo, o termo gametas, que são as células reprodutoras. Aqui você pode
conheça o que define uma planta. entender “gama” como “estruturas destinadas à reprodução”.
Acesso em: 06 abr. 2016. Nas criptógamas, representadas pelas briófitas e pteridófitas, as estru-
Repro
duç ã o turas destinadas à reprodução sexuada não são facilmente visíveis (cripto
= escondida).
As fanerógamas têm estruturas de reprodução sexuada facilmente visí-
veis: são os estróbilos e as flores. Como resultado da reprodução sexuada
das fanerógamas, forma-se a semente. Assim, todas as fanerógamas são
também chamadas espermatófitas.

82
capítulo
6

Vamos estudar dois grupos de criptógamas: briófitas e pteridófitas. Gimnospermas: sementes


› Briófitas – são as únicas plantas avasculares, ou seja, não têm sistema (espermas) nuas (gimno).
Angiospermas: sementes
vascular, que é o responsável pelo transporte de seiva bruta e de seiva protegidas em vaso ou urna
(angio), em referência às flores.
elaborada pelo corpo. As briófitas estão representadas principalmente
pelos musgos e pelas hepáticas.
› Pteridófitas – plantas vasculares com o corpo constituído por raízes, caule PENSE E
RESPONDA
e folhas. Estão representadas principalmente pelas samambaias e avencas.
As fanerógamas podem ser divididas em dois grupos: gimnospermas e Consulte o glossário eti-
angiospermas. mológico e explique o
significado dessas duas
› Gimnospermas – plantas vasculares com o corpo organizado em raiz, palavras: gimnosper-
caule, folhas e cuja estrutura reprodutiva é o estróbilo, com formação mas e angiospermas.
de semente. Estão representadas principalmente pelos pinheiros. Anote no caderno.

› Angiospermas – plantas vasculares com o corpo organizado em raiz,


caule, folhas e flor, com formação de sementes que ficam abrigadas no
interior de frutos. Correspondem à maior diversidade atual de plantas,
como mangueira, jabuticabeira, bromélias, palmeiras e muitas outras.
RECORDE-SE

1.1 Ciclo de vida das plantas Célula diploide


Todas as plantas apresentam, em seu ciclo reprodutivo, alternância de uma Aquela que contém
DIVULGAÇÃO PNLD

geração haploide com outra diploide, falando-se em ciclo haplodiplobionte. Os dois conjuntos de
indivíduos da fase haploide são chamados gametófitos e os da fase diploide são cromossomos. Por
exemplo, uma célula
chamados esporófitos. 2n = 12 possui 6 tipos
A geração gametofítica produz gametas e a esporofítica produz esporos. de cromossomos, com
Tanto os gametas quanto os esporos das plantas são células haploides e dife- um par de cada tipo.
rem entre si em muitos aspectos morfológicos e funcionais. Célula haploide
Aquela que contém
Os esporos têm envoltório rígido protetor que lhes confere maior resistência apenas um conjunto
a condições adversas do meio. Depois de liberados pela planta, são dispersados de cromossomos, ou
no ambiente. Caindo em substrato adequado, germinam e originam um novo in- seja, não é possível
divíduo também haploide. organizá-los em pares.
A célula n = 6 possui
Os gametas não têm envoltório rígido e, como regra geral, não formam dire- apenas um cromosso-
tamente novos indivíduos. Esses só se desenvolvem após a fecundação, que é a mo de cada tipo.
fusão do núcleo haploide do gameta feminino com o do gameta masculino, for-
mando o zigoto diploide, o que caracte-
riza a reprodução sexuada. Ciclo haplodiplobionte
Assim, os gametófitos, que são haploi- reprodução assexuada
Equipe NATH/Arquivo da editora

des, originam-se a partir de esporos; os esporófito (2n)


esporófitos, constituídos de células diploi-
des, resultam da fecundação de gametas
e do desenvolvimento de um zigoto. embrião (2n) esporo (n)
Acompanhe no esquema ao lado as
relações entre gametófito e esporófito
no ciclo haplodiplobionte. zigoto (2n)
Em todas as plantas, a produção de gametófito (n)
gametas ocorre por mitose. A meiose,
processo que reduz o número de cromos-
gameta (n)
somos à metade nas células resultantes,
reprodução sexuada
ocorre na formação dos esporos.

83
capítulo
6
0,2 cm
F

2 Briófitas

ab
io
Co
lo
Franz Pritz/Getty Images

mb
ini/Ac
Vamos conhecer mais algu-

ervo do fotógrafo
mas informações sobre as brió-
fitas, estudando o representante
mais comum do grupo: o musgo.
Como já comentado, as briófi-
tas são avasculares, ou seja, não têm
raízes, mas apresentam estruturas se-
melhantes a elas: os rizoides. Estes fixam a
Musgos crescendo em tronco
de árvore. No detalhe, um musgo
planta ao substrato e dele absorvem água e sais
com estruturas reprodutivas, em minerais, substâncias que são transportadas
que ocorre a produção de esporos. de forma lenta, célula a célula, para as demais
Abaixo, ilustração de um musgo. partes da planta. A ausência de vasos condu-
tores de seiva limita o tamanho dessas plantas,
que dificilmente ultrapassam 20 cm de altura.
Estruturas do musgo
Além de apresentar pequeno porte, as
briófitas estão restritas a ambientes constan-
Luis Moura/Arquivo da editora

cápsula seta estruturas temente úmidos, sendo que um dos fatores


envolvidas
na responsáveis por essa restrição ecológica é
filoides reprodução a ausência de mecanismos relacionados ao
DIVULGAÇÃO PNLD

assexuada controle da transpiração, presentes nas de-


mais plantas. Por transpiração, a planta per-
de água para o ambiente e, se não houver
cauloide um sistema de controle desse mecanismo, a
planta perde muita água e não sobrevive.
superfície Nos musgos, além dos rizoides, existem
do solo estruturas que lembram pequenas folhas e
caule. Como não apresentam vasos conduto-
rizoides res, utilizam-se os termos filoides e cauloides,
respectivamente.

CURIOSIDADE 2.1 Ciclo de vida


das briófitas
Hepáticas são briófitas, assim como os musgos. Elas têm corpo
achatado, preso ao substrato por rizoides, e medem entre 5-10 cm Nas briófitas, a geração duradoura é a ga-
de comprimento. Os conceptáculos são estruturas que produzem metofítica e a fase temporária é a esporofí-
“pacotes” de células que, lançados no ambiente, promovem repro- tica. Nessas plantas, o esporófito é depen-
dução vegetativa das hepáticas.
dente do gametófito para nutrição, vivendo
0,5 cm sobre ele. Quando você observa um musgo
Dr. Morley Read/SPL/Latinstock

verde, com rizoides, cauloide e filoides, você


está diante do gametófito.
conceptáculos É o gametófito que dá origem aos ele-
mentos sexuais (gametas) formadores do zi-
goto (ovo), após a fecundação. Do desenvol-
vimento do zigoto resultam os esporófitos,
que produzem os esporos por divisão meió-
tica. Quando maduros, os esporos são lança-
dos no solo, germinam e formam uma nova
planta, o gametófito.

84
capítulo
6

i o de id de u ri fi

Luis Moura/Arquivo da editora


oosfera (n) Fecundação
Fecundação
fecundação

zigoto
arquegônios (em corte) (2n)
gametófito
feminino (n) anterozoides (n)

oosfera

gametófito
embrião
masculino (n)
anterídios (em corte)

desenvolvi- cápsula (em corte)


mento do desenvolvimento
As figuras estão representadas em diferentes escalas.

gametófito do esporófito no
ápice do gametófito
feminino
DIVULGAÇÃO PNLD

esporos
esporófitos (2n)
meiose
espórica

esporos (n)
gametófitos (n)
Esquema ilustrando
o ciclo de vida do
musgo, uma briófita.

Você pode observar no esquema anterior que


os gametas femininos, chamados oosferas, são pro- RECORDE-SE
duzidos em regiões do gametófito feminino, os
arquegônios. Já os gametas masculinos são chama- Fecundação e germinação
dos anterozoides e são produzidos nos anterídios, A fecundação realizada pelos gametas de briófitas dá ori-
localizados no gametófito masculino. gem ao esporófito, que é temporário.
A germinação dos esporos de briófitas resulta na fase du-
Os anterozoides têm flagelos e locomovem-se
radoura, que é um gametófito.
em meio aquoso até atingir o arquegônio, onde es-
tão as oosferas. As briófitas dependem, portanto,
de umidade e da formação de um filme de água
para o deslocamento dos anterozoides em direção
Fabio Colombini/Acervo do fotógrafo

à oosfera para que ocorra a fecundação e se com- As hepáticas


plete o seu ciclo reprodutivo. Do zigoto surge o es- possuem ramos
porófito, que produz os esporos por meiose, dando especiais que
abrigam os anterídios
continuidade ao ciclo.
e os arquegônios.
Os diversos grupos de briófitas apresentam di- Nesta foto vemos os
ferenças morfológicas, tanto no gametófito, como anteridióforos,
no esporófito; seu ciclo reprodutivo é, no entan- nos quais
to, basicamente o mesmo que você acabou de ver se localizam 0,2 cm
para o musgo. os anterídios.

85
capítulo
6
folha jovem

3 Pteridófitas
folíolos
Luis Moura/Arquivo da editora

A samambaia, assim como as demais


pteridófitas, tem o corpo formado pelas
mesmas partes que constituem o corpo das
fanerógamas, isto é, raízes, caule e folhas,
com presença de sistema vascular. O caule
raízes da maioria das pteridófitas, no entanto, é
caule subterrâneo, enquanto a maioria dos cau-
Desenho de samambaia. Observe as raízes, o caule e as folhas, les das fanerógamas é aérea. A exceção é
cada uma formada por dezenas de folíolos. As folhas jovens são a samambaiaçu, nativa da Mata Atlântica,
chamadas báculos. que possui caule aéreo.
Embora existam pteridófitas aquáticas,
a maior parte delas vive em ambientes ter-
J. Roberto Ciolini/Pulsar Imagens

restres úmidos.
As pteridófitas são criptógamas vas-
culares. A condução rápida da seiva por
meio de vasos está relacionada ao fato de
a maioria das espécies ter porte maior que
o observado nas briófitas. Além disso, as
pteridófitas têm tecidos de sustentação no
DIVULGAÇÃO PNLD

corpo, o que lhes permite apresentarem-se


eretas. Esses tecidos ocorrem também nas
fanerógamas.
Samambaiaçu, uma pteridófita de caule aéreo. Pode medir de 2 m Podemos considerar três grupos de
a 4 m de altura. pteridófitas, apresentados a seguir.

Filicíneas Licopodíneas Equisetíneas


Fotos: Fabio Colombini/Acervo do fotógrafo

esporângio
soros

esporângio
folha

2 cm

Face inferior de folíolos de samambaia, Pteridófita do gênero Lycopodium Cavalinha (Equisetum), cuja altura é de
com soros. (altura entre 5 cm e 30 cm). 20 cm a 80 cm.
Possuem folhas grandes e Possuem folhas pequenas, com Possuem folhas reduzidas a
geralmente divididas em folíolos. ausência de soros. As folhas simples escamas. Os esporângios
Desenvolvem estruturas chamadas localizadas nas extremidades estão localizados no ápice do
soros, na face inferior das folhas, dos ramos abrigam as estruturas caule, organizados em estrutura
em que são formados os esporos. reprodutivas produtoras de esporos, semelhante a um estróbilo. São
São filicíneas as samambaias, as chamadas esporângios. representadas por um único gênero,
avencas e pteridófitas aquáticas de São membros do grupo os licopódios Equisetum, conhecida popularmente
pequeno porte, como é o caso dos e as selaginelas, ambos comuns em como cavalinha, comum em solos
gêneros Azolla, Salvinia e Marsilea. áreas muito úmidas de Mata Atlântica. alagados, na beira de lagoas e rios.

86
capítulo
6

3.1 Ciclo de vida das pteridófitas


Vamos estudar o ciclo de vida em pteridófitas, com base nas samambaias.
A fase duradoura do ciclo de vida é a do esporófito, correspondente à samam-
baia que conhecemos. A fase temporária é a do gametófito, que passa desper-
cebida aos nossos olhos. Nos soros, desenvolvidos nos esporófitos, há numerosos
esporângios, nos quais os esporos são formados por meiose.

Corte transversal de soro de samambaia


Luis Moura/Arquivo da editora

superfície superior da folha


esporângios

Esquema ilustrando
um corte transversal
de folíolo fértil
de samambaia, na
soro região de um soro.
DIVULGAÇÃO PNLD

Os esporângios estão
protegidos pelo indúsio
(estrutura ausente
em soros de algumas
espécies). Representação
esporo com base em imagens
indúsio
de microscopia óptica.

Os esporos lançados no solo podem se desenvolver, originando os gametân-


gios, que nesse caso são chamados prótalos. Os prótalos são, portanto, haploides.

Prótalo de samambaia (mede


cerca de 2 cm de largura). Na
fotografia, observe os rizoides e o Prótalo de samambaia
esporófito (haste) no início do seu

Luis Moura/Arquivo da editora


Fabio Colombini/Acervo do fotógrafo

desenvolvimento. No esquema à arquegônios


direita, veja a localização dos anterídios
e dos arquegônios no prótalo.

anterídios

rizoides

87
capítulo
6

Os prótalos são sempre muito reduzidos em tamanho, medindo


RECORDE-SE cerca de 2 cm de largura. Em um mesmo indivíduo, diferenciam-se
gametângios masculinos (anterídios) e femininos (arquegônios). O pró-
Reprodução nas criptógamas talo é, portanto, hermafrodita.
As briófitas e as pteridófitas depen- Os anterídios produzem os anterozoides, que são os gametas mas-
dem da água para que ocorra o en-
culinos, dotados de flagelos, e capazes de locomoverem-se até outras
contro dos gametas. Sua distribuição
geográfica está, portanto, limitada a regiões do prótalo, desde que haja meio aquoso para a locomoção.
ambientes úmidos. Os arquegônios produzem gametas femininos, as oosferas, que per-
Ciclo de vida das pteridófitas manecem no interior destas estruturas.
O esporófito é a geração duradoura, Ao ocorrer a fecundação da oosfera pelo anterozoide, forma-se um
e o gametófito (prótalo) é a fase
embrião diploide, que dará origem a uma nova planta (esporófito), a
temporária. Ambos são fotossinte-
tizantes. qual inicialmente se alimenta do próprio prótalo e aos poucos vai se
diferenciando em planta adulta, independente.

i o de id de erid fi
Luis Moura/Arquivo da editora

gametófito (n)

germinação
do esporo
DIVULGAÇÃO PNLD

esporo (n)

anterídio
(em corte)
meiose
arquegônio
(em corte)

oosfera (n)

esporângio
(2n) nos soros zigoto (2n)
das folhas
As figuras estão representadas em diferentes escalas.

anterozoides (n)

fecundação

esporófito (2n)

gametófito (n)
esporófito (2n)

Esquema ilustrando o ciclo de vida da samambaia, uma pteridófita.

88
Monoica: uma (mono) casa (oikos). Refere-se à condição em que um indivíduo possui capítulo
estruturas reprodutivas masculinas e femininas.
Dioica: duas (di) casas (oikos). Refere-se à condição em que há indivíduos apenas com
6
estruturas masculinas e outros com estruturas femininas (plantas de sexos separados).

4 Gimnospermas

Fabio Colombini/Acervo do fotógrafo

Fabio Colombini/Acervo do fotógrafo


As gimnospermas são plantas vasculares, com
espécies que atingem grande porte. Pertencem a
esse grupo as maiores árvores que se conhecem: as
sequoias, plantas de regiões de clima temperado,
que chegam a atingir cerca de 100 m de altura e
viver cerca de 3 mil anos. São também exemplos
de gimnospermas os pinheiros e as cicas.
Os estróbilos são estruturas reprodutivas das
gimnospermas onde se formam os gametas e po-
dem ser masculinos ou femininos. Cica: até 10 m de altura.

Podem ocorrer estróbilos femininos e masculinos Pinheiro: cerca de 20 m


na mesma planta, falando-se em condição monoica. de altura.
Quando os elementos reprodutivos masculinos e fe-
mininos localizam-se em árvores separadas, sendo um
indivíduo produtor apenas de estróbilos femininos ou PENSE E RESPONDA
apenas masculinos, dizemos que a espécie é dioica.
Consulte o glossário etimológico e explique o significado dos
O pinheiro nativo do Brasil é o pinheiro-do-paraná termos monoica e dioica, relacionando-os às definições pre-
ou araucária, pertencente à espécie Araucaria sentes no texto. Anote no caderno.
angustifolia. Essa espécie é, normalmente, dioica,
DIVULGAÇÃO PNLD

mas a condição monoica pode ocorrer quando a


araucária é submetida a traumas ou doenças. A for-

Stefan Kolumban/Pulsar Imagens


mação de estróbilo feminino ocorre o ano todo, mas
a de estróbilo masculino ocorre de agosto a janeiro.
Esse pinheiro forma a Mata de Araucárias. Dos
20 milhões de hectares que cobriam as regiões
Sul e Sudeste do Brasil, restam aproximadamente
2%, sendo que os principais fatores dessa enor-
me redução foram a derrubada das árvores para
aproveitamento da madeira em construções e a
ocupação humana do espaço.
Araucária ou pinheiro-do-paraná, gimnosperma nativa das
A araucária tem grande interação com a fauna, regiões Sul e Sudeste do Brasil, com altura média de 30 m.
que constitui elemento muito importante para a
dispersão das sementes. Entre os animais disper-
sores de sementes de araucária destacam-se os
Fabio Colombini/Acervo do fotógrafo

roedores e as aves. Entre os roedores, estão as co-


tias, as pacas, os ouriços, os camundongos e os se-
relepes (esquilos). Entre as aves estão o
Roberto Loffel/Kino

papagaio-de-peito-roxo, a gralha-picaça,
os airus, a gralha-azul e os tucanos.
Gralha-azul (Cyanocorax caeruleus),
ave símbolo da Mata de Araucárias. 6 cm
Machos e fêmeas têm coloração
semelhante. Essa ave se alimenta Estróbilos Duas pinhas de araucária,
de insetos, frutos e pinhões. Neste masculinos de sendo que uma delas está
último caso, auxilia a dispersão das araucária. São com parte retirada. A pinha
sementes. Mede cerca de 39 cm de cilíndricos e medem corresponde ao estróbilo
comprimento. de 10 cm a 20 cm de feminino já fecundado, portando
comprimento. as sementes (os pinhões).

Fabio Col ombini/Acervo do fotógrafo

89
capítulo
6

4.1 Ciclo de vida das gimnospermas


Do mesmo modo que nas briófitas e nas pteridófitas, há alternância de
gerações no ciclo de vida das gimnospermas e no das angiospermas. Nas
Esquema ilustrando duas fanerógamas, entretanto, há grande redução da fase gametofítica que se
etapas da formação de grãos desenvolve no próprio esporófito e não forma um indivíduo isolado.
de pólen em gimnospermas.
Quando nos deparamos com um pinheiro, estamos diante do esporófito.
Os grãos de pólen formam-se
dentro dos esporângios Ele é um organismo diploide, que produz esporos por meiose, mas não
localizados nos estróbilos chegamos a ver esses esporos. Eles são formados nos estróbilos, estrutu-
masculinos. A parede externa ras que possuem um eixo interno de sustentação, do qual partem várias
dos grãos de pólen não está folhas modificadas. Em cada uma delas, diferenciam-se os esporângios,
representada. em que os esporos são formados.
No estróbilo masculino, cada esporo
Formação de grãos de pólen em gimnospermas formado é uma célula haploide envolta
por uma parede rígida e não é liberado
Luis Moura/Arquivo da editora

do esporângio. Ali mesmo, no esporân-


célula diploide (2n) gio e dentro de sua parede externa pro-
tetora, o esporo se divide por mitose,
meiose
formando duas células haploides. Essas
células
duas células envoltas pela parede exter-
haploides na protetora correspondem ao game-
(n) tófito masculino imaturo, que recebe o
DIVULGAÇÃO PNLD

célula geradora nome de grão de pólen.


ou generativa mitose
No estróbilo feminino, cada esporân-
(haploide)
gio é protegido por um tecido de reves-
sacos
timento chamado tegumento, e o con-
célula aéreos junto esporângio mais o tegumento é
do tubo chamado óvulo. O esporângio dá origem
(haploide) a esporos por meiose, e eles não são li-
grãos de pólen
berados do estróbilo.
Na época da reprodução, os grãos de pólen são liberados dos estró-
bilos masculinos e transportados pelo vento, podendo chegar até um es-
tróbilo feminino contendo óvulos. O processo de transporte do pólen até
a estrutura reprodutora feminina é chamado polinização. No caso das
gimnospermas, a polinização é feita pelo ar, falando-se em anemofilia
RECORDE-SE (anemo = vento; filia= amizade, atração).
Após a polinização é que o esporo do interior do óvulo germina. Ele se
Usos do termo óvulo
O termo óvulo é utilizado para
divide por mitose originando um conjunto de células haploides. Essas célu-
estruturas reprodutivas de ani- las constituem o gametófito feminino, que é, portanto, bastante reduzido.
mais e de plantas: Algumas dessas células diferenciam-se em gametas femininos, chamados
• nos animais, o óvulo é o ga- oosferas, enquanto outras dão origem a um tecido de reserva de nutrientes.
meta feminino, célula haploide Os grãos de pólen, ao atingirem o tegumento do óvulo, também so-
que, ao ser fecundada pelo es-
permatozoide, origina o zigoto
frem modificações: uma de suas células origina um longo tubo, que cresce
e o embrião; em direção ao interior do óvulo, onde estão as oosferas. É o chamado
• nas plantas, o óvulo é uma estru- tubo polínico, que corresponde ao gametófito masculino maduro. A ou-
tura multicelular diploide, forma- tra célula presente no pólen se divide por mitose originando duas células
da por esporângio e tegumento. espermáticas, correspondentes aos gametas masculinos, e que são le-
É no óvulo que os esporos do vadas pelo tubo polínico até a oosfera. Apenas uma célula espermática
estróbilo feminino são produzi-
fecunda uma oosfera, formando um zigoto (diploide), que se desenvol-
dos por meiose.
ve em embrião.

90
capítulo
6

É comum acontecer de mais de uma oosfera ser fecundada, cada uma delas embrião
(2n)
por uma célula espermática de tubo polínico proveniente de grãos de pólen
distintos, uma vez que vários deles iniciam a germinação logo após a poliniza-
ção. No entanto, apenas um embrião se desenvolve no gametófito feminino,
envolto pelas demais células do gametófito ricas em reserva de nutrientes.

Fabio Colombini/Acervo do fotógrafo


Após a fecundação, o óvulo dá origem à semente, formada pelo em-
brião (2n), pelo tecido nutritivo (n) e pela casca.
A semente se desprende do estróbilo feminino e, encontrando condi-
ções adequadas, germina. O embrião se desenvolve em uma nova planta
(esporófito), reiniciando o ciclo.
Nas araucárias, o ciclo reprodutivo é longo. Depois de germinada a se-
mente, a nova planta só produzirá sementes a partir dos 15 anos de idade. casca tecido
Iniciada a produção de sementes, a árvore fabrica em média 40 estróbilos por nutritivo (n)
ano ao longo de toda sua vida, que é de cerca de 200 anos.
Pinhão, a semente da
Você deve ter reparado que, no ciclo reprodutivo das gimnospermas, o encon- araucária. Observe,
tro dos gametas não depende da água para a fecundação. O vento transporta no pinhão em corte
o grão de pólen e o tubo polínico leva o gameta masculino (célula espermática) longitudinal, o embrião
até a oosfera. O surgimento do grão de pólen e do tubo polínico foi condição e o tecido nutritivo.
importante para a conquista definitiva do ambiente terrestre pelas plantas. Tal Cada pinhão mede
condição também ocorre nas angiospermas, o que propiciou a expansão dessas cerca de 6 cm de
fanerógamas em diversos ambientes, não ficando restritas a ambientes úmidos, comprimento.
DIVULGAÇÃO PNLD

como acontece com as criptógamas (briófitas e pteridófitas).

Ciclo de vida de uma gimnosperma

Luis Moura/Arquivo da editora


Quando o grão de óvulo:
gametófito O tubo polínico conduz
pólen atinge o óvulo, a célula espermática
surge o tubo polínico. feminino (n)
até o interior do óvulo
onde está a oosfera.
oosfera (n)

grão de pólen com tubo


polínico: gametófito
fase haploide masculino (n)
fecundação
estróbilo esporófito (diploide)
feminino
óvulo As figuras estão representadas em diferentes escalas.

zigoto
casca (2n)
meiose
tecido
polinização nutritivo (n)
pólen embrião (2n)

O zigoto origina
o embrião; o óvulo
origina a semente.
meiose

estróbilo
masculino sementes
(pinhões) semente (em corte)
Esquema ilustrando o ciclo de vida da araucária, uma gimnosperma.

91
capítulo
6

Sementes de angiospermas 5 Angiospermas


(representadas em corte)
As angiospermas são as plantas com
Ilustrações: Luis Moura/Arquivo da editora

feijão milho maior número de espécies e de indiví-


camada externa cotilédones
da casca duos e as que ocupam o maior número
coleóptilo
primórdio de habitats. Existem angiospermas no
endosperma de folhas solo, no mar e em água doce.
Os dois grandes grupos de angios-
permas podem ser reconhecidos por
uma série de características, das quais
botão vamos analisar: estrutura da semente,
vegetativo raiz, folha, flor e fruto.
(embrião)
primórdios cotilédone As sementes das angiospermas têm
de folhas embrião raiz uma estrutura chamada cotilédone. Na
As figuras estão representadas em diferentes escalas. semente de feijão há dois cotilédones,
Esquema comparando a estrutura de duas sementes: feijão e milho. ao passo que na de milho há apenas um.
O feijoeiro é uma dicotiledônea e sua semente possui dois cotilédones. Cada cotilédone corresponde a uma fo-
O milho é uma monocotiledônea e sua semente apresenta um cotilédone. lha embrionária modificada.
Plantas como o feijão, cujas se-
Raízes de angiospermas mentes desenvolvem dois cotilé-
dones, pertencem ao grupo das
DIVULGAÇÃO PNLD
Ilustrações: Luis Moura/Arquivo da editora

Sistema radicular ramificado Sistema radicular fasciculado


dicotiledôneas, e plantas com um só
cotilédone pertencem ao grupo das
raiz principal
monocotiledôneas. No milho e em
outras monocotiledôneas, emergem
da semente as folhas e o primórdio de
caule (caulículo) protegido por uma
bainha de células chamada coleóptilo.
Em relação às raízes, as dicotiledô-
neas têm sistema radicular ramificado,
raízes
secundárias com um eixo (raiz) principal de onde
As figuras estão representadas em diferentes escalas. partem as ramificações. Por isso, esse
tipo de raiz é conhecido como axial ou
Esquema comparando dois tipos de raiz: o sistema radicular ramificado é
típico das dicotiledôneas e o fasciculado é encontrado nas monocotiledôneas. pivotante. O sistema radicular das mo-
nocotiledôneas é fasciculado, no qual
nervuras ramificadas não é possível distinguir a raiz principal.
A
O limbo é a parte da folha que
limbo quase sempre é bem desenvolvida.
Como regra geral, a folha de dicoti-
ledônea possui limbo com nervuras
ramificadas e se une ao ramo por um
pecíolo nervuras paralelas pecíolo, sendo, por isso, chamada de
folha peciolada.
igro /Acer vo do fotógrafo
: F lav i o N
B F o to s Nas folhas de monocotiledôneas, o
bainha limbo possui nervuras paralelas. Cada
folha se prende ao ramo por meio
limbo de uma estrutura chamada bainha,
A foto A mostra a folha de uma planta dicotiledônea; a foto B mostra não havendo pecíolo. As folhas com
uma folha típica de planta monocotiledônea. bainha são chamadas invaginantes.

92
capítulo
6

A estrutura relacionada com a reprodução sexuada é a flor. Essas plantas for-


mam, além de sementes, os frutos.
Compare agora uma flor de monocotiledônea com uma de dicotiledônea, ana-
lisando as imagens abaixo.

Lírio, exemplo de Azaleia, exemplo de


or de ono o i ed ne or de di o i ed ne
Fabio Colombini/Acervo do fotógrafo

tr3gin/Shutterstock
pétala pétalas
sépala

estrutura
reprodutiva
feminina

estames

estruturas
reprodutivas
masculinas
sépala
estrutura
DIVULGAÇÃO PNLD

reprodutiva estames
feminina pedúnculo

As flores são unidas aos ramos por um pedún- lojas


semente
culo. As estruturas florais ligadas diretamente ao
pedúnculo são as sépalas, seguidas das pétalas
– ambas protegem as estruturas reprodutivas,
O tomate é fruto de planta
localizadas no centro da flor.
Osvaldo Sequ

dicotiledônea. Observe na
Nas monocotiledôneas o número de sépalas ilustração o número de
e de pétalas é 3 ou um de seus múltiplos, como lojas: duas. Em tomates
etin/
Arq

6 ou 9. Por essa razão, dizemos que as flores de mo- cultivados, o número de


uiv
od

ae
nocotiledôneas são trímeras. O lírio possui 3 pétalas dit
ora lojas pode variar.
e 3 sépalas, visualmente parecidas entre si.
Na azaleia, uma dicotiledônea, a flor possui sementes em
5 pétalas e 5 sétalas. As dicotiledôneas produ- loja desenvolvimento
zem flores com organização na base do núme-
As figuras estão representadas em diferentes escalas.

ro 5 ou seus múltiplos, sendo possível também


encontrar espécies cujas flores são organizadas
na base do número 2, ou seja, podem ter sépa-
ra
Latinsto arie Perennou /S

edito

las e pétalas em número de 2 ou seus múltiplos.


o da
&M
ck /Clau

rquiv

Se examinarmos frutos de dicotiledôneas e


tin /A
de Nurid PL

de monocotiledôneas, vamos verificar que eles


e qu e

também se organizam na base desses mesmos


sany

ldo S

números. Assim, se contarmos o número de lojas


O s va

do fruto de uma monocotiledônea, encontrare-


mos provavelmente três lojas e, se contarmos em
um fruto de dicotiledônea, descobriremos duas, Fruto de uma planta monocotiledônea, o lírio, que à direta
cinco, ou seus múltiplos. está ilustrado em corte. Observe o número de lojas: três.

93
capítulo
6

Flor hermafrodita 5.1 Ciclo reprodutivo


das angiospermas
Luis Moura/Arquivo da editora

pétalas
O ciclo reprodutivo das angiospermas guar-
da muitas semelhanças com o que vimos para as
gimnospermas: o gametófito é fase temporária e re-
antera duzida, o esporófito é evidente e duradouro e há
estame
formação de sementes.
gineceu
Nas angiospermas, no entanto, o gametófito é
filete
ainda mais reduzido e as estruturas relacionadas
com a reprodução sexuada são as flores. Após a
fecundação, as sementes ficam protegidas no inte-
sépalas
rior de frutos.
pedúnculo As flores variam muito em características, mas
Esquema de flor hermafrodita. Parte do gineceu está para analisá-las vamos considerar a estrutura geral
representada em corte. O receptáculo não está visível de uma flor que apresente todos os componentes
neste esquema. básicos – veja a figura ao lado.
A flor prende-se ao caule por meio de um pedúnculo, que tem uma
dilatação superior chamada receptáculo onde geralmente se inserem os
Androceu demais elementos florais. Esses outros elementos constituem os chama-
dos verticilos florais:
Luis Moura/Arquivo da editora
DIVULGAÇÃO PNLD

antera
estame › cálice – formado por sépalas;
filete
› corola – formada por pétalas;
› androceu – formado por estames;
› gineceu – formado pela fusão de folhas carpelares ou carpelos.
O cálice e a corola são verticilos de proteção, pois envolvem e protegem o
androceu e o gineceu. Na maioria das espécies, as sépalas são verdes e pouco
vistosas, mas há exceções como o lírio, que vimos anteriormente.
O androceu é o sistema masculino e o gineceu é o feminino. Existem
flores bissexuadas ou hermafroditas, pois possuem tanto o androceu
Esquema simplificado mostrando
quanto o gineceu.
o androceu de uma flor.
As flores podem também ser unissexuadas, masculinas ou femininas.
Nesses casos, as angiospermas podem ser monoicas quando, em um mes-
Gineceu mo indivíduo, há flores masculinas e femininas, ou dioicas, quando na
espécie há plantas que formam apenas flores masculinas e outras ape-
Luis Moura/Arquivo da editora

estigma nas flores femininas.


O androceu é formado por unidades chamadas estames. Cada esta-
estilete me consta de duas partes:
› filete – um filamento longo que se fixa na base da flor;
› antera – uma dilatação na extremidade do filete, em que são pro-
duzidos os grãos de pólen.
ovário O gineceu é formado pela fusão de folhas modificadas chamadas carpe-
(em corte) los ou folhas carpelares. Ele apresenta uma porção basal dilatada, que cor-
responde ao ovário (no interior do qual está o óvulo), e uma porção alonga-
da chamada estilete que une o ovário ao estigma, região apical do gineceu.
Esquema simplificado ilustrando
o gineceu de uma flor. Vamos ver a seguir como ocorre a reprodução.

94
capítulo
6
Nas anteras estão os esporângios, nos quais há formação
de esporos por meiose. Estes não são liberados da planta, do Fecundação em
mesmo modo como ocorre nas gimnospermas. Cada esporo, or er rodi

Luis Moura/Arquivo da editora


composto por célula haploide e envolto por revestimento rígi- estigma pólen
do, inicia a formação do gametófito. Formam-se duas células:
tubo polínico
a vegetativa e a geradora. O conjunto formado por essas cé-
lulas protegidas pelo revestimento externo rígido é o grão de estame estilete
pólen. Este abriga, portanto, o gametófito masculino imaturo, ovário
do mesmo modo como acontece nas gimnospermas. óvulo
Nos carpelos, cada esporângio é protegido por um tecido núcleos
de revestimento chamado tegumento, e o conjunto esporân- espermáticos
gio mais tegumento é chamado óvulo, de forma semelhante
ao comentado para as gimnospermas.
No esporângio das angiospermas, há formação por meiose de apenas um es- Esquema ilustrando a
poro haploide funcional, que se divide, originando o gametófito feminino, o qual fecundação em flor
é ainda mais simples que o das gimnospermas. Ele é formado por apenas oito cé- hermafrodita. O tubo
lulas, sendo uma delas a oosfera e outras duas chamadas núcleos polares. polínico conduz os
núcleos espermáticos
Realizada a polinização, o grão de pólen fixa-se ao estigma da flor. O estigma tem até o óvulo.
papilas e secreta uma substância de certa viscosidade, o que facilita a fixação do pó-
len. Quando o grão de pólen é umedecido pelo estigma, forma-se o tubo polínico,
que penetra o estilete, descendo em direção ao ovário, onde está o óvulo. O núcleo
da célula vegetativa degenera e o da célula geradora sofre divisão
DIVULGAÇÃO PNLD

mitótica, originando dois núcleos espermáticos. Eles são os game- e fi o s u ino duro
tas masculinos. O tubo polínico corresponde, então, ao gametófito

Luis Moura/Arquivo da editora


masculino maduro. grão de núcleos espermáticos (n)
Quando o tubo polínico atinge o óvulo, um dos núcleos es- pólen
permáticos une-se à oosfera, originando o zigoto diploide, e o
outro funde-se com os dois núcleos polares, originando um nú-
cleo triploide (3n). Ocorre dessa forma uma dupla fecundação,
característica exclusiva das angiospermas. tubo polínico
O zigoto (2n) dá origem ao embrião, que dará origem a um
organismo diploide (esporófito). Do grão de pólen desenvolve-se o
tubo polínico, aqui representado
O núcleo triploide dá origem ao endosperma ou albúmen, esquematicamente.
que é o material nutritivo a ser
utilizado pelo embrião. O de- or o ru o
senvolvimento do embrião, do
endosperma e demais partes do flor fruto Luis Moura/Arquivo da editora

óvulo forma a semente. semente


Ocorrendo a fecundação, as
paredes do ovário desenvolvem-
-se e formam o pericarpo.
Assim, o fruto consta de duas
partes: a semente e o pericarpo. óvulo
Nas angiospermas, as sementes ovário
encontram-se dentro dos frutos
porque se originam de óvulos,
que ficam dentro dos ovários. As
gimnospermas não têm ovário em
pericarpo
sua estrutura reprodutiva e, por- As figuras estão representadas em diferentes escalas.

tanto, não desenvolvem frutos. Esquema mostrando a correspondência entre as partes da flor e do fruto.
No capítulo 8, há um texto na seção Leitura comentando a respeito de frutos partenocárpicos. Sobre o tema, há também
a atividade 13, no final do capítulo, que os alunos poderão responder com base nos dados do enunciado.

95
capítulo SUGESTÃO
6 DE ATIVIDADE

ALERTA
A atividade

ATIVIDADE PRÁTICA deve ser feita


apenas sob
a supervisão
do professor.
Análise das partes de uma flor
Nesta atividade, você e seus colegas devem analisar flores de angiospermas, identificando as estruturas
reprodutivas que estudamos anteriormente. Siga atentamente as orientações do professor.

Material necessário É muito importante, antes da atividade


prática, certificar-se de que entre os
alunos não existam casos de alergia ao
• Flores para análise, selecionadas • microscópio de luz; pólen ou a certas flores, para garantir o
pelo professor (exemplo: lírio); bem-estar de todos durante a aula.
• água;
• lupa de mão (lente de aumento); • conta-gotas;
• equipamento de proteção pessoal, como • pinça, estilete de metal ou palito de madeira;
avental e luvas descartáveis; • material para anotação;
• lâmina e lamínula; • papel-toalha para limpeza da mesa de trabalho.

Procedimentos
1. Examine cuidadosamente as flores selecionadas para observação, com auxílio da lupa. Faça um desenho
registrando o aspecto de cada flor. Classifique-as como dicotiledôneas e monocotiledôneas.
2. Localize em cada flor o pedúnculo, o receptáculo e os verticilos florais. Identifique as estruturas, regis-
trando os nomes em seu desenho.
DIVULGAÇÃO PNLD

3. Delicadamente, destaque as sépalas e as pétalas. Identifique os diferentes verticilos florais.


4. Identifique as partes que formam os estames e as partes que formam o gineceu, observando com a
lupa. O professor pode fazer um corte longitudinal no ovário da flor: observe seu interior com a lupa.
5. Com auxílio do professor, podem ser prepara-
das lâminas para observação ao microscópio.

Thiago Oliver/Acervo do fotógrafo


Sugerimos uma lâmina com material retirado
delicadamente da superfície das anteras e
um fino corte longitudinal da região do ová-
rio – não manipule objetos cortantes, peça
ao professor que faça o corte histológico.
Pingue uma gota de água sobre os materiais
a serem observados e cubra cada lâmina com
uma lamínula. Siga as instruções do professor
para utilização do microscópio. Identifique
as estruturas observadas.
Veja, no Manual, comentários sobre a atividade e o detalhamento dos procedimentos.
Interpretando os resultados
South American Pictures

Em seu caderno, represente com um desenho as partes de cada


flor e identifique as estruturas observadas. Cite as funções principais
de cada estrutura floral.
A resposta dependerá das flores analisadas.

Indo além
As plantas, principalmente as angiospermas, despertam a aten-
ção de ilustradores, fotógrafos, escultores e outros artistas. Existe
até mesmo a área de ilustração científica, com grande importância
nas pesquisas em Botânica – um exemplo é o trabalho da inglesa
Margaret Mee (1909-1988). Converse com seu professor de Arte e,
com base nas flores observadas e na pesquisa, faça a sua releitura
artística de uma angiosperma. Obra de Margaret Mee (1988).
Resposta pessoal.

96
capítulo
Veja no Manual comentários a respeito do SUGESTÃO
comportamento dos beija-flores. DE ATIVIDADE 6

iversidade de ores e polini ação nas angiospermas


Vimos que nas gimnospermas a polinização ocorre apenas pelo vento. Já nas an-
giospermas a polinização envolve maior número de agentes, o que aumenta o sucesso ce r
vo
i /A rafo
reprodutivo desses organismos, sendo este um dos fatores que explicam a maior m b i n o tó g
olo do f
oC
abundância das angiospermas em relação às demais plantas. Além da poliniza- Fab
i

ção pelo vento (anemofilia), as angiospermas podem ser polinizadas por ani- Ao coletar o néctar,
mais, como insetos (entomofilia), pássaros (ornitofilia) e morcegos (quiropterofilia). geralmente depositado na
Geralmente, as flores de plantas visitadas por animais têm características que base da flor, o beija-flor
os atraem, como cores vistosas e pétalas grandes. Essas particularidades não são entra em contato com as
frequentes em flores polinizadas pelo vento. Na polinização, os grãos de pólen anteras cheias de pólen.
chegam até o estigma da flor, podendo então formar-se o tubo polínico. Esses grãos de pólen
podem ser transportados
Além de corolas vistosas, as flores polinizadas por animais costumam apresen- pela ave até outra flor da
tar também: mesma espécie, ocorrendo
› glândulas odoríferas, que emitem cheiros que podem ser percebidos a assim a polinização.
alguma distância; O beija-flor da foto
mede cerca de 5 cm de
› nectários, que produzem o néctar, uma mistura nutritiva de diversas comprimento.
substâncias, muito apreciada por insetos e aves. O néctar serve como
fonte de energia para os visitantes florais.
Quando as flores são hermafroditas, há possibilidade de ocorrer autofecun-
CURIOSIDADE
dação, pois o grão de pólen, ao cair sobre o estigma da mesma flor, germina, e
seu núcleo espermático fecunda a oosfera.
DIVULGAÇÃO PNLD

Algumas flores apresen-


Em muitas espécies, existem mecanismos que dificultam a autofecundação. Um tam pétalas unidas umas
deles é a formação de grãos de pólen e oosferas em épocas distintas pela mesma às outras, caso da flor
flor. Com isso, a oosfera de uma flor é fecundada por núcleos espermáticos de mostrada na foto. Não
outra flor, proveniente de indivíduo da mesma espécie. Essa fecundação, ocorri- somente as sépalas e as
pétalas, mas também os
da entre flores diferentes, é chamada fecundação cruzada.
estames podem estar
Existem diversas angiospermas cujas flores estão reunidas em inflorescências, unidos ou separados.
como as representadas a seguir. 3 cm

Carlos Jared/Acervo do fotógrafo


AGE Fotostock/Grupo Keystone Fabio Colombini/Acervo do fotógrafo

5 cm
Ilustrações : Luis Moura/Arquivo da editora

0,8 cm
Flor de Ipomoea.
umbela Observe a fusão de
cacho pétalas. Os estames
Eritrina ou corticeira: as flores vermelhas se Erva-doce: pequenas flores amarelas também são fundidos.
reúnem em cacho. reunidas formando umbelas.
0,5 cm
Fa
b
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olombini /Acer v
Anthere

Ilustrações: Luis Moura/


Arquivo da editora

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capítulo
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(vista de perfil)
Girassol: observe o aspecto geral e,
no detalhe, as pequenas flores que
Flores de formam o capítulo.
0,6 cm trigo reunidas
espiga
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em espiga.
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VAMOS CRITICAR O QUE ESTUDAMOS?

Estróbilos
Nas pteridófitas mais conheci- algumas pteridófitas não podem
das – samambaias e avencas – a pro- esporângio ser confundidos com os estróbi-

Gabor Nemes/Kino
dução de esporos ocorre nos soros, los das gimnospermas, pois são
localizados na superfície das folhas. estruturas diferentes. Nos cones
No entanto, algumas pteridófitas estróbilo de gimnospermas desenvolvem-se
possuem esporângios localizados as sementes, após a fecundação.
em estróbilos, como é o caso das Não há muito tempo, os es-
equisetíneas (cavalinha) e de algu- tróbilos das gimnospermas eram
mas espécies de Lycopodium. Nes- considerados inflorescências, ou
sas pteridófitas, os estróbilos são seja, conjuntos de flores. As
conjuntos de folhas modificadas gimnospermas eram, então,
que abrigam esporângios, localiza- consideradas “plantas com flo-
dos no ápice de um ramo caulinar. res”, como são as angiospermas.
A palavra estróbilo tem ori- Atualmente, no entanto, os estró-
gem no termo grego strobilos, que bilos não são mais definidos como
significa cone. 1,3 cm flores, embora exerçam função
Apesar do formato cônico e do semelhante à das flores, que é a
DIVULGAÇÃO PNLD

nome, os estróbilos presentes em Estróbilo de cavalinha. reprodução.

Flores
Em nosso dia a dia, é comum utilizarmos o Em algumas plantas, a bráctea pode ser muito
nome flor mesmo quando estamos diante de in- desenvolvida e única, como ocorre com o antúrio.
florescências. Nesse caso, ela recebe o nome especial de espata.
A margarida e o girassol são capítulos florais, Você deve ter percebido que, no estudo das
que, na linguagem popular, são chamadas sim- plantas, é importante nomear corretamente as
plesmente de flores. É comum, também, chamar estruturas para compreender suas características
a parte central do capítulo de “miolo da flor”. e evolução.
Uma análise mais cuidadosa revela que o “miolo”
corresponde a pequenas flores tubulares, com 1 0,8 cm
Em 1 , bico-
Fabio Colombini/Acervo do fotógrafo

-de-papagaio ou
pétalas parcialmente fundidas. As flores mais ex-
poinsétia (Euphorbia
ternas dos capítulos são diferentes, apresentando pulcherrima): as
uma grande pétala modificada chamada lígula. vistosas brácteas
A inflorescência pode atrair mais visitantes, vermelhas
que são potenciais polinizadores, do que uma circundam as flores,
única flor pequena isolada. que são pequenas
Em algumas espécies, o que consideramos e envoltas por uma
popularmente como flores ornamentais são fo- cápsula verde.
lhas modificadas. Em 2 , um antúrio
Na base de toda flor normalmente existem (Anthurium): a
estrutura vermelha
folhas modificadas, geralmente verdes, chamadas
corresponde
brácteas. Em algumas espécies, elas são grandes 2
à espata. As
e coloridas, servindo como elementos de atra- diminutas flores
ção de animais polinizadores e, nesses casos, as localizam-se em
corolas podem ser pouco desenvolvidas. É o que uma inflorescência
acontece, por exemplo, com o bico-de-papagaio. (haste amarela).
a
or
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ae
2 cm u i vo
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/Arq
dis c
98 P h o to
LEITURA

Origem das angiospermas


Se toda a história da Terra fosse comprimida Estudos indicam que as primeiras flores eram
em uma hora, as plantas floríferas existiriam ape- pequeninas e modestas, sem pétalas vistosas. Em
nas nos últimos 90 segundos. Mas, assim que fir- algum momento entre 70 e 100 milhões de anos
maram raízes, elas se diversificaram rapidamente atrás, o número de espécies de angiospermas au-
em uma explosão de variedades que originaram a mentou explosivamente. A “fagulha” que pro-
maioria das famílias das angiospermas do mundo vocou tal explosão, acreditam os pesquisadores,
moderno. Hoje, são 20 vezes mais numerosas do foi a pétala, que passou a proteger as estruturas
que as de samambaias e as de gimnospermas, já reprodutivas e a atrair animais polinizadores. Isso
estabelecidas por 200 milhões de anos quando pode explicar o grande sucesso evolutivo das an-
a primeira angiosperma apareceu. giospermas. Atualmente, os botânicos tendem a
Exatamente quando e como emergiram as considerar que as dicotiledôneas não formam um
primeiras plantas com flores? Os paleobotâni- grupo natural, mas as monocotiledôneas formam.
cos ainda hoje procuram a resposta. Flores fos- Segundo esses novos estudos, as angiospermas
silizadas encontradas na Ásia, Austrália, Europa seriam classificadas em grupos basais, monoco-
tiledôneas e eudicotiledôneas (eu = verdadeiro).
e América forneceram pistas importantes, e o
Fonte:
campo da genética proporcionou todo um novo KLESIUS, M. A idade da flor – as belas plantas que mudaram o mundo.
DIVULGAÇÃO PNLD

conjunto de ferramentas para essa busca. National Geographic Brasil, n. 27, jul. 2002, p. 108-127.

Hipótese de parentesco evolutivo entre os grupos de angiospermas

Luis Moura/Arquivo da editora


Ex.: Arroz
Ex.: Orquídea

Flor aquática de suposta


linhagem primitiva, Ex.: Jarrinha
a ninfeia apenas Ex.: Ninfeia
recentemente foi Ex.: Rubdéquia
confirmada por análise

As figuras estão representadas em diferentes escalas.


de DNA como sendo de
uma linhagem basal.
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Eudicotiledôneas
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A
Ex.: Amora-preta

DEPOIS DA LEITURA...

Com base na presente leitura e no que foi abordado no capítulo, escreva um texto sobre a vantagem evo-
lutiva do surgimento de estruturas reprodutivas típicas das angiospermas.

Atração de polinizadores, maiores chances de fecundação cruzada. Veja comentários no Manual.

99
FAÇA NO CADERNO.
NÃO ESCREVA EM SEU LIVRO. ATIVIDADES
4. As partes geralmente consumidas do tomate e do pepino correspondem
aos frutos; a parte consumida da alface é a folha. Os pinhões são sementes 6. Dispersão das sementes, reduzindo a competição intraespecífica e
de araucária. aumentando a área colonizada pela planta.

5. A fecundação entre flores diferentes, da mesma espé-


Revendo e aplicando conceitos cie, é cruzada, e entre elementos de uma mesma flor é
direta. Sabendo disso, responda:
1. Veja a seguir um esquema geral do ciclo de vida de uma a. Para a ocorrência de fecundação direta, é possível
planta, caracterizado pela alternância de gerações. definir se a planta é monoica ou dioica? E quan-
to à flor: hermafrodita ou unissexuada? Justifique
suas respostas. 5. a) Neste caso, a planta deve possuir flores
esporos gametófito bissexuadas e, portanto, deve ser monoica.
b. Qual dos dois tipos de fecundação resulta na pro-
dução de indivíduos com variabilidade genética?
Justifique sua resposta. 5. b) Fecundação cruzada. Consulte
esporófito gametas o Manual.
6. Frutos carnosos selvagens atraem animais que, ao
comer, ingerem as sementes e depois as eliminam
em outro local. Qual seria a vantagem, para a espé-
zigoto fecundação dos gametas cie que produz frutos carnosos, do consumo de seus
frutos por animais?
7. Observe o esquema a seguir, representando uma flor
a. Se essa planta fosse uma briófita, em que estrutura
hermafrodita.
ocorreria a produção dos esporos?
1. a) Na cápsula do esporófito.
b. Se essa planta fosse uma pteridófita, qual seria a
3
DIVULGAÇÃO PNLD

geração duradoura? 1. b) Esporófito.

Luis Moura/Arquivo da editora


c. Quais dessas estruturas são haploides?
1. c) Esporos, gametófito, gametas.
2. As imagens a seguir mostram duas plantas de água pétala
doce: a elódea (gênero Elodea), uma angiosperma co- 2
mumente utilizada em aquários, e a salvínia (gênero
Salvinia), uma pteridófita. 4
1
5
Elodea Salvinia a. Considerando o desenvolvimento da flor após a
Photo Researchers/Latinstock

Gabor Nemes/Kino

fecundação, a que estrutura do fruto o número 5


corresponderá? 7. a) Semente (que se origina do óvulo).
b. A que estrutura do fruto o número 4 corresponderá?
0,6 cm 7. b) Pericarpo (que se origina do ovário).
1,8 cm
Trabalhando com gráficos

a. O que diferencia essas plantas das algas 8. O cladograma abaixo representa de forma simplifi-
macroscópicas? 2. a) As plantas possuem tecidos verdadeiros. cada uma hipótese de parentesco evolutivo entre as
b. Liste três diferenças entre essas duas plantas, con- plantas. Os números 1, 2 e 3 indicam o surgimento de
siderando sua estrutura e reprodução. uma característica derivada.
A B
c. No caso da elódea, como você faria para identificar
se é uma monocotiledônea ou uma dicotiledônea? Briófitas Pteridófitas Gimnospermas Angiospermas
2. c) Consulte o Manual.
3. Sobre as plantas espermatófitas, responda:
a. Todas elas produzem fruto?
Maps World/Arquivo da editora

3. a) Não. As gimnospermas são espermatófitas, mas não produzem fruto.


3
b. Os termos “fanerógama” e “espermatófita” desig-
nam o mesmo grupo de plantas? Justifique.
3. b) Sim. Correspondem às angiospermas e gimnospermas. 2
4. Quais partes da planta você está consumindo quan-
do se alimenta de uma salada de tomate, pepino e 1
alface? E de uma porção de pinhões cozidos? Justifi-
que a resposta.
2. b) A elódea é vascular, produz flores, sementes e frutos. A salvínia é
avascular, libera esporos e não produz sementes ou frutos.

100
8. b) A = Criptógamas (briófitas e pteridófitas, que não possuem estrutu- 9. c) A = Chlorostilbon aureoventris. B = Leucochloris albicollis. Os beija-
ras reprodutivas evidentes). B = Fanerógamas (gimnospermas e angiosper- -flores de cada espécie são, provavelmente, os principais polinizadores de
mas, que possuem estruturas reprodutivas evidentes). cada planta.
Analise o cladograma e responda: c. O que é possível concluir a respeito dos principais
a. Identifique as características a seguir como 1, 2 ou 3: polinizadores de A e B, com base nos gráficos?
8. a) 1 = vasos condutores de seiva; 2 = formação de sementes; 3 = frutos.
• produção de frutos; d. As espécies A e B pertencem a qual grupo de plan-
tas: briófitas, pteridófitas, gimnospermas ou an-
• presença de vasos condutores de seiva; giospermas? Justifique a resposta.
9. d) A e B são angiospermas, pois apresentam flores.
• formação de sementes. e. Descreva o que acontece quando o pólen chega
b. Como é chamado o grupo A? E o grupo B? Caracte- ao estigma de uma flor da mesma espécie, até a
rize esses dois conjuntos – A e B – lembrando-se de formação do fruto. 9. e) Consulte o Manual.
que não correspondem a categorias taxonômicas.
9. Em um estudo, verificou-se quais espécies de beija- Ciência, Tecnologia e Sociedade
-flores visitavam determinadas flores em uma área 10. Resposta pessoal.
de mata. Foram observadas as visitas feitas a duas
10. Wangari Maathai (1940-2011) foi uma bióloga e ati-
espécies de plantas, que chamaremos A e B. As
vista ambiental do Quênia, na África. Ela criou um
duas espécies possuem flores com características
movimento chamado Cinturão Verde Pan-africano
que atraem essas aves: produção de néctar, cor aver-
(Pan African Green Belt Network), que recebeu, em
melhada (que se destaca na vegetação e é percebi-
2004, reconhecimento internacional por meio do
da pela visão deles), pétalas unidas em formato de
prêmio Nobel da Paz, concedido à Maathai. Ela foi
“sino”, entre outras.
a primeira mulher africana a receber esse prêmio.
DIVULGAÇÃO PNLD

Espécie A
Photochart

Micheline Pelletier/Corbis/Latinstock
Espécie B
Observe os gráficos com os resultados e depois res-
ponda às questões.
Espécies de beija-flor que Espécies de beija-flor que
visitaram a espécie A visitaram a espécie B

66,7% 61,5%
Maps World/Arquivo da editora

20,5%
6,2% 11,8%
8,3% 25,0%
Leucochloris albicollis
Chlorostilbon aureoventris
Melanotrochilus fuscus
Thalurania glaucopis Thalurania glaucopis
Leucochloris albicollis Chlorostilbon aureoventris

a. Qual é a importância das visitas dos beija-flores


para as plantas? Explique. 9. a) Os beija-flores atuam como
polinizadores e favorecem a fecundação cruzada.
b. Considerando que as espécies A e B ocorrem na
mesma área, você acha que o pólen da espécie A
pode ser levado ao estigma das flores de B? Jus-
Wangari Maathai (1940-2011).
tifique a resposta.
9. b) As espécies de beija-flor que visitam as flores de A também
visitam as flores de B e, portanto, existe essa possibilidade.

101
13. a) A pessoa perceberia a presença de sementes. Na banana partenocárpica,
há óvulos não fecundados.

Formada em Ciências Biológicas, Maathai foi a primeira os frutos são formados sem que tenha ocorrido fe-
mulher em seu país a ter título de doutorado e cargo cundação. Existem, porém, bananas selvagens que
de professora em universidade. Ela sempre atuou em se originam por fecundação cruzada.
comitês de defesa dos direitos da mulher. Criou então o
a. Uma pessoa perceberia alguma diferença ao co-
movimento que uniu ambientalismo com direitos huma-
mer uma banana partenocárpica e uma banana
nos: mulheres pobres do Quênia promoviam o plantio
originada por fecundação cruzada? Justifique.
de árvores, reflorestando áreas desmatadas e ganhan-
do sustento com o qual podiam prover suas famílias. b. Qual dos dois tipos de bananeira teria maior
sucesso na colonização de um novo ambiente?
Reúna-se com um colega e busquem saber a respei- 13. b) As bananeiras geradas por fecundação cruzada
Justifique. possuem variabilidade genética, com maiories chances
to de projetos socioambientais na região onde mo- de sobrevivência a condições diferentes.
ram. Se possível, entrevistem pessoas envolvidas no 14. (UFF-RJ) A Reserva Biológica do Tinguá resguarda
projeto e divulguem suas ações em uma rádio local. um dos mais significativos remanescentes da Mata
11. Musgos e outras briófitas têm sido usados como in- Atlântica do Estado do Rio de Janeiro. O maciço é um
dicadores da qualidade ambiental, em estudos de ecossistema formado por diversos grupos de plantas,
medição dos níveis de poluição. Detectando o acú- que proporciona refúgio a várias espécies animais.
mulo de substâncias tóxicas nessas plantas, é possí- A tabela abaixo contém algumas características de
vel definir o nível de contaminação ou poluição de plantas pertencentes às classes Gymnospermae e
uma região. Um exemplo dessa utilização ocorreu Angyospermae e às divisões Pteridophyta e Bryophita.
em 1986, quando houve a explosão de um reator
nuclear em Chernobil, na antiga União Soviética. Presença de Presença Presença
DIVULGAÇÃO PNLD

Planta Vascularização
No Brasil, musgos também foram utilizados para de- semente de frutos de rizoides
tectar os níveis de poluição atmosférica em Cubatão,
A Não Não Não Sim
cidade paulista com grande número de indústrias.
Na década de 1980, a cidade estava extremamente B Sim Sim ausente Não
poluída, causando prejuízos à saúde da população.
a. Quais características das briófitas estão relaciona- C Sim Sim Sim Não
das ao uso delas como indicadoras da qualidade
11. a) Musgos não possuem raízes ou vasos condutores D Sim Não Não Não
ambiental? de seiva. Assim como a água e os gases, poluentes
podem ser absorvidos por difusão pelas briófitas.
b. Existem outras formas de utilizar plantas no com- Adaptado de: <www.semads.rj.gov.br/apas.asp>.
bate à degradação do meio ambiente? Discuta a. Identifique a que divisão ou classe pertencem as
com os colegas e, se necessário, faça uma pesqui- plantas A, B, C e D. 14. a) A = briófitas; B = gimnospermas;
C = angiospermas; D = pteridófitas.
sa sobre o tema. Depois registre as informações b. A partir de uma análise evolutiva, indique a ordem
principais no caderno. temporal de aparecimento das plantas A, B, C e
11. b) Resposta pessoal. Consulte o Manual.
D, no ambiente terrestre. 14. b) A, D, B e C.
Questões do Enem e de vestibulares c. Informe a principal diferença no grau de umidade
no ambiente de reprodução sexuada das plantas
12. (Unifesp) Ao comermos um pinhão e uma castanha- A e B. Justifique.
-do-pará, ingerimos o tecido de reserva do embrião 15. (Enem-2005) Caso os cientistas descobrissem alguma
de uma gimnosperma (araucária) e de uma angios- substância que impedisse a reprodução de todos os
perma (castanheira), respectivamente. Pinhão e cas- insetos, certamente nos livraríamos de várias doen-
tanha-do-pará são sementes. ças em que esses animais são vetores. Em compensa-
ção teríamos grandes problemas como a diminuição
a. O órgão que deu origem ao pinhão e à castanha-
drástica de plantas que dependem dos insetos para
-do-pará, na araucária e na castanheira, é o mes-
12. a) O órgão que dá origem ao pinhão polinização, que é o caso das:
mo? Justifique. e à castanha-do-pará é o mesmo: o óvulo
fecundado e desenvolvido. a. algas.
b. A origem dos tecidos de reserva do embrião
b. briófitas como os musgos.
do pinhão e da castanha-do-pará é a mesma?
Justifique. 12. b) A origem do endosperma não é a mesma. c. pteridófitas como as samambaias.
Consulte o Manual.
13. (Unifesp) A banana que utilizamos na alimentação d. gimnospermas como os pinheiros. 15. e

tem origem por partenocarpia, fenômeno em que e. angiospermas como as árvores frutíferas.
14. c) As briófitas (A) necessitam de maior umidade no ambiente, pois possuem
gametas masculinos flagelados e ausência de vasos condutores de seiva.

102
capítulo
Morfologia e histologia
7 das angiospermas
COMENTÁRIOS

1 Introdução GERAIS

Podemos considerar como órgãos básicos de uma planta vascular a raiz, o caule
e as folhas. Em nosso estudo dos órgãos das plantas vamos adotar como mode-
lo as angiospermas, o grupo mais diversificado atualmente. Comentaremos tam-
Esquema ilustrando
bém a respeito dos frutos, uma vez que a estrutura das flores foi estudada no uma angiosperma,
capítulo anterior. seus órgãos e os
Todos os órgãos de uma planta são formados por tecidos. Você já sabe o que tecidos permanentes
é um tecido: conjunto de células que atuam de forma integrada, de modo a de- que os compõem.
sempenhar determinadas funções. Os desenhos dos
cortes histológicos
DIVULGAÇÃO PNLD

Os tecidos vegetais podem ser divididos em dois grupos: meristemáticos e foram feitos com
permanentes. base em imagens de
› Tecidos meristemáticos (ou meristemas) – suas células são indiferen- microscopia óptica.
ciadas e apresentam
grande capacidade de Diferentes tecidos de uma angiosperma
divisão celular por mi-

Osvaldo Sequetin/Arquivo da editora


tose. Dos meristemas folha
corte transversal
derivam os demais te- da folha
cidos do corpo de uma
planta.
› Tecidos permanentes – corte transversal
suas células são dife- do caule
caule
renciadas, realizando
funções específicas.
Os tecidos permanentes
podem ser classificados de
acordo com suas funções bá-
sicas: revestimento, condução
de seiva, sustentação e preen-
chimento ou reserva. Os teci-
dos de preenchimento e os
de sustentação costumam ser
reunidos com o nome de teci-
dos fundamentais. corte transversal
Vamos iniciar nosso es- da raiz
tudo da estrutura das an- raiz
giospermas pelos tecidos Epiderme Tecidos condutores de seiva Tecido de preenchimento
permanentes.
As figuras estão representadas em diferentes escalas.

103
capítulo
7

RECORDE-SE 2 Tecidos permanentes SUGESTÃO


DE ATIVIDADE

Histologia
Área da Biologia dedicada ao estudo dos tecidos 2.1 Tecidos de revestimento
(histo = tecido).
Os tecidos de revestimento são representados prin-
cipalmente pela epiderme, que reveste todos os ór-
gãos da planta.
Ed Reschke/Getty Images

parede As células da epiderme são geralmente achatadas,


celular
justapostas, possuem grandes vacúolos e não possuem
cloroplastos.
A parede externa dessas células é revestida por uma
núcleo película, ou cutícula, que dificulta a evaporação. A cutí-
cula é bem desenvolvida em epidermes de partes da
planta, expostas à ventilação e à luz intensa.
Na epiderme, podemos encontrar estruturas espe-
Células da epiderme de cebola. É possível distinguir cializadas, como pelos, tricomas e células (tricomas)
a parede e o núcleo das células, que medem, cada uma, glandulares.
cerca de 25 µm de comprimento.
Os pelos absorventes ocorrem na região pilífera da
St e v e G s c hm
eissner/ SPL /
L at i
n s to
raiz, cuja função é absorver água e sais minerais.
ck
Os tricomas, antigamente também chamados de pe-
Gustoimages/SPL/Glow Images
DIVULGAÇÃO PNLD

los, podem ter funções e formas distintas. Existem tri-


comas que são projeções microscópicas das células epi-
dérmicas, atuando como estruturas de proteção contra
100 µm a perda de água da planta por evaporação. São abun-
dantes na epiderme de plantas de clima quente.
Existem também células (tricomas) glandulares
que, dependendo do tipo, podem produzir enzimas,
como os tricomas das folhas modificadas de plantas
carnívoras. Em outras espécies, há tricomas glandula-
A superfície das folhas e do caule do tomateiro é res que secretam óleos, como os que existem na folha
aveludada ao toque, devido à presença de tricomas. do tomateiro, ou substâncias urticantes, caso da epi-
Veja na imagem à direita os tricomas na superfície da
derme da urtiga.
epiderme; em vermelho, tricomas glandulares que
produzem substância oleosa. Outras estruturas muito importantes encontradas
na epiderme são os estômatos. Formados por conjun-
tos de células diferenciadas da epiderme, os estômatos
10 µm
Dr. Stanley Flegler/Getty Images

têm a função de controlar a entrada e a saída de gases


e de vapor de água na planta. As células estomáticas
são as únicas da epiderme que possuem cloroplastos e
realizam fotossíntese. Os estômatos são formações en-
contradas principalmente em folhas e, mais comumen-
te, na epiderme inferior dessas folhas.
Vamos estudar o sistema estomático e seu funciona-
mento mais adiante, no próximo capítulo.
Além da transpiração estomática, que pode ser con-
trolada, a planta também perde água através da cutí-
Estômato na epiderme inferior de uma folha. Através cula que reveste a epiderme das folhas. Essa transpi-
do ostíolo (poro), ocorrem trocas gasosas e perda de ração cuticular é, no entanto, muito pequena, embora
água na forma de vapor. seja constante.

104
capítulo
7

2.2 Tecidos condutores Floema


Os tecidos condutores são especializados na condução da seiva na

Luis Moura/Arquivo da editora


células do passagem da
planta. Em conjunto eles formam o sistema vascular. parênquima seiva elaborada
O sistema vascular das plantas é composto por:
› xilema – que transporta a seiva bruta;
› floema – que transporta a seiva elaborada.
A seiva bruta é também chamada de seiva inorgânica, pois contém
água e sais minerais dissolvidos. A seiva elaborada, ou seiva orgânica,
é uma solução aquosa de carboidratos solúveis, produzidos pelos ór-
gãos fotossintetizantes da planta.
O xilema e o floema são sempre associados e constituem o feixe vas-
cular, ou seja, o feixe de vasos condutores.
vaso placas célula
Observe ao lado, em corte longitudinal, a ilustração dos elementos que liberiano crivadas anexa
constituem o floema. Os elementos pelos quais circula a seiva elaborada
são os vasos liberianos, existindo vários deles em cada feixe. Você pode Esquema ilustrando
notar na ilustração que entre as células que formam cada vaso liberiano existe uma o floema em corte
“placa crivada”. longitudinal. Observe
A placa crivada recebeu esse nome pela existência de numerosos crivos (orifí- os vasos liberianos,
cios). Também desse fato decorre o nome “vasos crivados”, como são conhecidos que são os elementos
os vasos liberianos. transportadores da
DIVULGAÇÃO PNLD

seiva elaborada.
A placa crivada resulta da não absorção total dos septos das células que ori-
ginaram os vasos.
Além dos vasos liberianos, é possível notar que o floema possui ou-
tros dois tipos de células: Xilema
› as células anexas – finas e situadas ao lado dos vasos, elas

Luis Moura/Arquivo da editora


contribuem para o metabolismo das células do vaso liberiano;
› as células do parênquima – situadas entre os vasos, como te-
cido de preenchimento.
Todos esses elementos – vasos liberianos, células anexas e parênquima –
são vivos e sustentados por fibras rígidas, que veremos a seguir.
O xilema, que conduz a seiva bruta, pode ser observado esquema-
ticamente na figura ao lado.
Os vasos lenhosos são, ao contrário dos vasos liberianos, células mor-
tas e impregnadas de lignina, que se dispõem de diferentes formas em
passagem
suas paredes internas, resultando em diversos tipos de vasos: anelados da seiva
(lignina disposta em anel), pontuados (parede de lignina com perfurações), anelado bruta
espiralados (lignina disposta em espiral), entre outros. pontuado espiralado
Além dos vasos lenhosos, o xilema possui também células do
Esquema ilustrando
ção

parênquima e tecido de sustentação.


du

o xilema em corte
p ro
Re

longitudinal. Observe
MULTIMÍDIA três tipos de vasos
lenhosos: anelado,
Atlas virtual de anatomia vegetal do Instituto de Biociências da USP
pontuado e espiralado.
Os vasos lenhosos
<http://atlasveg.ib.usp.br/Indice/index.html>
transportam a seiva
Veja imagens de cortes histológicos de diversos tecidos e órgãos vegetais.
Acesso em: 20 abr. 2016.
bruta.

105
capítulo
7

PENSE E 2.3 Tecidos de sustentação


RESPONDA
Os tecidos de sustentação têm por função o suporte mecânico da planta,
Um tapete feito de si- isto é, são esses tecidos que devem suportar as enormes pressões a que estão su-
sal tem sua origem nas jeitas as células da planta.
folhas de uma planta,
do gênero Agave. De Existem dois tipos de tecidos de sustentação: o colênquima e o esclerênquima.
qual tecido da planta › Colênquima – encarregado da sustentação em folhas e caules em crescimento
são obtidas as fibras ou em órgãos adultos de plantas de pequeno porte, geralmente herbáceas.
de sisal e quais são as
características desse › Esclerênquima – encarregado da sustentação de órgãos já diferenciados.
tecido? Responda no É abundante nas grandes árvores.
caderno.
As fibras do colênquima são células vivas e alongadas, com parede celular espes-
Esclerênquima, formado por
células mortas impregnadas de
sa que pode apresentar impregnações de alguns materiais; são resistentes e supor-
lignina. tam grandes pressões. Não são observadas, no entanto, impregnações de lignina.
As fibras do esclerênquima são mais resistentes e suportam pressões maiores
do que as do colênquima. Elas possuem grande quantidade de lignina e são cé-
lulas mortas.
As imagens a seguir permitem comparar o colênquima com o esclerênquima.
citoplasma da célula paredes
ISM/Phototake/Glow Images

Eric Grave/Phototake/Glow Images

celulares
célula do
DIVULGAÇÃO PNLD

esclerênquima

45 µm 50 µm

Corte transversal do caule de uma planta herbácea. Corte transversal do caule de uma planta lenhosa.
Observe a parede celular espessa (em vermelho) das células As células, como a que está indicada, são fibras do
que constituem o colênquima. esclerênquima. Note as espessas paredes celulares (em
cor avermelhada).

2.4 Tecidos de preenchimento


Os tecidos de preenchimento são representados pelos parênquimas.
Os parênquimas são os tecidos mais abundantes de todos os órgãos da planta;
são eles que preenchem os espaços existentes entre os outros tecidos, razão pela
qual são conhecidos como tecidos de preenchimento.
Suas células são vivas e são as principais responsáveis pelas funções ligadas ao
metabolismo da planta.
Você já conheceu o parênquima que existe junto aos feixes vasculares. Vai co-
nhecer agora um outro tipo de parênquima que, além de sua função geral de
preenchimento, exerce outra importante função: é o parênquima assimilador.
As células do parênquima assimilador são verdes, ricas em cloroplastos e, as-
sim, capazes de realizar fotossíntese. O parênquima assimilador é o responsável
pela fotossíntese e, em virtude de ser rico em cloroplastos, também é conhecido
como clorênquima. Ele existe principalmente nas folhas, mas também é encon-
trado em caules jovens, ainda verdes.

106
capítulo
7

Veja na imagem ao lado um corte transversal em uma folha de epiderme


feixe
gramínea e note que, além dos feixes de vasos condutores, há

Steve Gschmeissner/SPL/Latinstock
vascular
células do parênquima.
Os produtos da fotossíntese, como o amido, podem ser arma-
zenados em parênquimas, que são então chamados parênquimas
de reserva. É o que acontece, por exemplo, com o parênquima dos
tubérculos, das folhas suculentas e das sementes.
Além do clorênquima e do parênquima de reserva, convém lem- parênquima
brar ainda dois outros tipos:
› parênquima aquífero – que armazena grande quantidade
de água, como em certos cactos;
› aerênquima – parênquima que retém grande quantidade
de ar, como acontece com certas plantas aquáticas. Nesse
40 µm
caso, o parênquima facilita a flutuação e a oxigenação da
planta.
Corte transversal em folha de
gramínea. As células do parênquima
3 Tecidos meristemáticos assimilador (em verde) possuem cloroplastos
e realizam fotossíntese. Entre o parênquima
(meristemas) estão feixes de vasos condutores (em cinza)
e, na superfície da folha, a epiderme.
DIVULGAÇÃO PNLD

Os meristemas são formados por células indiferenciadas dotadas


da capacidade de divisão constante, pois é assim que conseguem
formar novas células, que se diferenciarão em novos tecidos.
Células vegetais

Luis Moura/Arquivo da editora


Às vezes, células já diferenciadas podem readquirir a capacidade Célula jovem (meristemática)
de divisão, constituindo os meristemas secundários.
Existem, portanto, dois tipos de meristemas:
› primários – formados por células originadas do embrião,
relacionadas ao crescimento da planta;
› secundários – formados por células adultas, diferenciadas,
que readquirem a capacidade de divisão.
Compare agora uma célula de meristema primário com uma
célula de tecido adulto, observando os esquemas ao lado. cloroplasto
Você pode notar que a célula meristemática apresenta paredes núcleo Célula adulta
delgadas, citoplasma ocupando todo o lume celular e um núcleo
relativamente grande.
As células adultas, ao contrário do que acontece com as meris-
temáticas, possuem paredes espessas, núcleo proporcionalmente
menor e lume celular ocupado pelo citoplasma e por um enorme
vacúolo de suco celular.
As células meristemáticas não possuem vacúolos, ou os possuem
muito pequenos.
Os meristemas primários são encontrados nas regiões de crescimen- vacúolo de suco celular
to da planta, especialmente nas extremidades do caule e das raízes.
Esquemas de células vegetais, com base
Células meristemáticas também estão presentes no embrião, em imagens de microscopia eletrônica.
que se encontra protegido dentro da semente. Essas células dão A célula está representada em corte
origem a uma nova planta, havendo condições de germinação da mediano; o núcleo e as organelas estão
semente. É o que veremos a seguir. com parte removida.

107
capítulo
7

4 Germinação da semente
A germinação da semente tem início quando certas condições do meio são
adequadas às necessidades daquela espécie. Existem sementes, por exemplo,
que só germinam na presença de luz, outras somente em ambientes sombreados.
Geralmente, a entrada de água na semente é fundamental para que o processo
tenha início. Sementes podem permanecer dormentes quando as condições para
a germinação não são adequadas.
O embrião começa a utilizar as reservas nutritivas da semente assim que a ger-
minação se inicia.
A ilustração a seguir mostra um grão de milho e um grão de feijão, em fase
inicial de germinação.

Germinação de uma dicotiledônea Germinação de uma monocotiledônea


Osvaldo Sequetin/Arquivo da editora

Osvaldo Sequetin/Arquivo da editora


cotilédones
Dentro do grão de
milho está a semente,
primeiras com um cotilédone.
primeiras
semente folhas
DIVULGAÇÃO PNLD

folhas

radícula radícula

Esquema ilustrando as etapas da germinação da Esquema ilustrando etapas da germinação da semente


semente de feijão (Phaseolus vulgaris). de milho (Zea mays).

O grão de feijão é uma semente, mas o grão de milho é um fruto, no qual a


semente ocupa a maior parte dessa estrutura. Nos dois casos, a primeira parte da
planta a emergir da semente é a radícula, que se desenvolve na raiz.
O endosperma é um tecido de reserva abundante na semente de milho, mas
no feijão ele é digerido pelo embrião e os nutrientes são transferidos para outra
estrutura, os cotilédones, que passam a atuar como estruturas de reserva. Isso
também ocorre em ervilhas e amendoins, por exemplo.
No milho, como na maioria das monocotiledôneas, o cotilédone único não ar-
mazena o material nutritivo do endosperma. Assim, tanto o endosperma quanto
o cotilédone ficam evidentes na semente como estruturas individualizadas.
Em muitas dicotiledôneas os cotilédones saem da terra junto com a planta em
formação e, à medida que a planta se desenvolve, eles vão diminuindo de volu-
me – é o caso do feijoeiro. Os cotilédones vão murchando, pois o material nutri-
tivo que contêm vai sendo utilizado pelo embrião. Quando os cotilédones mur-
cham completamente e caem, a nova planta já tem raízes, caule e folhas verdes
suficientes para poder nutrir-se independentemente deles.
Vamos prosseguir com o estudo da morfologia das angiospermas, iniciando
pelo primeiro órgão a emergir durante a germinação: a raiz.

108
capítulo
7

5 Raiz
5.1 Raiz subterrânea e suas funções
Você vai agora aprender um pouco mais sobre as raízes mais típicas e comuns:
as subterrâneas.
Como já comentado no capítulo is e r di u r r ifi do
anterior, as raízes das angiospermas
distribuem-se por dois sistemas ra-
diculares diferentes:
› ramificado – próprio das
zona
dicotiledôneas; pilífera

As figuras estão representadas em diferentes escalas.


› fasciculado– próprio das
monocotiledôneas.
zona de raiz axial
A figura ao lado mostra, de forma ramificação
esquemática, um sistema radicular zona
ramificado, típico de dicotiledôneas. lisa

Nesse sistema existe uma raiz


principal, também chamada pivo- zona
DIVULGAÇÃO PNLD

tante ou axial, da qual partem raí- coifa meristemática


zes secundárias. Tomando por base
essa raiz, você pode identificar as Paulo Cesar Pereira/Arquivo da editora
seguintes regiões:
› zona de ramificação; CURIOSIDADE

› zona pilífera – onde estão os pelos absorventes; Os termos pivotante


› zona lisa ou de alongamento – desprovida de pelos e de raízes secundárias; e axial referem-se à
posição da raiz princi-
› zona meristemática – formada por células dotadas de intensa capacidade pal, que penetra o solo
de divisão; perpendicularmente.
Pivotante é a palavra
› coifa – região terminal, que protege a zona meristemática e que tem de origem francesa
aspecto de um capuz. (pivotant) e tem o mes-
As raízes secundárias possuem as mesmas regiões que a raiz principal ou pivo- mo significado de axial,
que deriva de eixo.
tante, o que, além de permitir uma melhor exploração do solo por parte da plan-
ta, auxilia a sua fixação.
A zona pilífera, ou zona dos pelos absorventes,
University of Wisconsin-Madison

é, como sugere o seu nome, a região onde ocorre células


meristemáticas
a absorção de água e sais minerais do solo.
A região lisa é também conhecida por zona de
alongamento, pois é a principal região de cresci-
mento da raiz, em comprimento.
A região meristemática é constituída por tecido células
50 µm
da coifa
meristemático, um tipo de tecido cujas células pos-
suem grande capacidade de divisão celular por mi- Ápice da raiz de lírio em corte longitudinal. Observe
tose. Essa região frágil é protegida por células dife- as células que formam o meristema primário. As células
renciadas que formam uma estrutura com aspecto meristemáticas ficam envolvidas pela coifa. Cada célula
de capuz, chamada coifa. mede cerca de 20 µm de comprimento.

109
capítulo
7
Resposta pessoal.
Em plantas monocotiledôneas adultas, não se reconhece uma raiz
REÚNA-SE COM
principal, partindo todas as raízes de uma base comum no caule, o que
OS COLEGAS
dá ao sistema um aspecto de feixe ou cabeleira (sistema fasciculado).
Na culinária típica da região onde Essas raízes são adventícias.
vocês moram, quais raízes são utili-
As raízes podem armazenar material de reserva, constituindo as raízes
zadas? Com seu grupo, façam uma
lista das raízes e selecionem uma tuberosas. Isso ocorre geralmente no sistema ramificado, tanto na raiz
receita regional, destacando as pro- principal quanto nas secundárias. As fotos a seguir mostram tubérculos
priedades da raiz nela utilizada. formados na raiz principal, no caso da cenoura e da beterraba, e nas raí-
zes secundárias, no caso da mandioca.

As figuras estão representadas em diferentes escalas.


Fabio Colombini/Acervo do fotógrafo
Photodisc/Arquivo da editora

Photodisc/Arquivo da editora
Cenoura (Daucus carota): observe Beterraba (Beta vulgaris): observe Mandioca (Manihot utilissima):
a raiz principal tuberosa. a raiz principal tuberosa. observe as raízes secundárias tuberosas.
DIVULGAÇÃO PNLD

5.2 Estrutura interna das raízes


endoderme
epiderme
Vamos considerar como modelo para o nosso
estudo as raízes subterrâneas de angiospermas.
xilema A imagem ao lado mostra como é a estrutura
primária de uma raiz, ou seja, aquela que ca-
racteriza uma raiz jovem. Você pode notar ba-
sicamente dois círculos:
› um externo – o córtex, revestido por
córtex epiderme;
› um interno – o cilindro vascular central.
O córtex é formado principalmente pelo pa-
rênquima, que é revestido externamente pela
cilindro epiderme e delimitado internamente por uma
ck

vascular
endoderme (endo = interno).
t i n s to

central
PL / L a

A endoderme delimita o cilindro central, que


ou / S