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O EFEITO DA LUZ INTENSA PULSADA EM MANCHAS SENIS: UM

RELATO DE CASO.

Janaína Bastos da Silva¹


Jussara Baronio²
Felipe Lacerda³
Vandressa Bueno

Resumo: A literatura sugere que a luz intensa pulsada tem ação sobre as manchas
senis por destruir o excesso de melanina acumulada na epiderme e na derme
papilar que causa as lesões pigmentadas. Supõe-se que o efeito foto-térmico da luz
intensa pulsada queimaria e coagularia as partículas de melanina da pele. Para
tanto o objetivo da pesquisa é relatar casos clínicos da aplicação da luz intensa
pulsada em manchas senis. O estudo restringe-se a uma pesquisa descritiva e
exploratória e por descrição dos fatos observados a partir do material apresentado
por um profissional da área da medicina, ao qual disponibilizou ilustrativamente os
objetos que posteriormente serão analisados. Pode-se perceber que a luz intensa
pulsada é efetiva no tratamento das manchas senis e atua como despigmentante e
clareadora.

Palavras-chave: Luz intensa pulsada. Manchas senis. Pele.

1 INTRODUÇÃO

Desde os tempos antigos, a luz sempre foi sinônimo de calor, energia e vida.
Foi no final do século XIX e no início do século XX, que cientistas como Plank, Kant
e Einstein elaboraram leis físicas comprovando a realidade energética da luz.
A Luz Intensa Pulsada (LIP) foi desenvolvida por Goldman (1963) a partir da
teoria da fototérmolise seletiva desenvolvida por Anderson (1983), sendo criado o
primeiro aparelho de LIP. Luz intensa pulsada é uma fonte de emissão de radiação
eletromagnética que emite um amplo espectro de comprimento de onda, do ínicio do
UV (< 100 nm) até o fim do IV (> 20000 nm) (SOUZA, 2007).
___________________________
Acadêmica do Curso de Cosmetologia e Estética da Universidade do Vale do Itajaí – UNIVALI,
Florianópolis, Santa Catarina. E-mail:Janaina_b@hotmail.com
²
Acadêmica do Curso de Cosmetologia e Estética da Universidade do Vale do Itajaí – UNIVALI,
Florianópolis, Santa Catarina. E-mail:ju.lalinha@hotmail.com
³
Orientador, Professor do Curso de Cosmetologia e Estética da Universidade do Vale do Itajaí –
UNIVALI, Florianópolis, Santa Catarina. E-mail:flacerda@univali.br
Coorientadora, Professora do Curso de Cosmetologia e Estética da Universidade do Vale do Itajaí –
UNIVALI, Florianópolis, Santa Catarina. E-mail:vbuenop@hotmail.com
A luz intensa pulsada é erroneamente confundida com o laser, mas se
diferencia deste por apresentar características de luz policromática, incoerente e não
colimada, e apresenta efeitos diversos sobre os tecidos como o fototérmico,
fotoquímico e fototermólise seletiva (PIROLA & GIUSTI, 2010).
Atualmente, a LIP vem sendo utilizada de forma crescente e também vem
apresentando aplicações com resultados fundamentados de cunho cientifico, tendo,
entre os tratamentos, a epilação, alterações da pigmentação da pele,
envelhecimento e fotoenvelhecimento tecidual, bem como alterações de crescimento
do pelo e atrofia tecidual, tal como as estrias, acnes e melanoses (PIROLA &
GIUSTINI,2010).
A luz intensa pulsada representa um grande avanço tecnológico no
tratamento coadjuvante de algumas alterações dermatológicas. A LIP age em dois
níveis da pele: superficial e profundo. A aplicação superficial consegue uma redução
significativa das melanoses solares (TAMURA, 2001).
As manchas senis (melanoses solares) constituem-se numa doença pré-
maligna da pele que ocorre por um processo degenerativo causado pelo sol que
incide sobre a pele ao longo da vida.
Geralmente localizam-se sobre o dorso das mãos, partes externas dos
antebraços e rosto. As manchas senis são coleções de pigmentos que aparecem
próximas à superfície da pele, nas áreas mais atingidas pelo sol.
Considerando a ação da luz intensa pulsada na despigmentação de
manchas de pele; e as manchas senis como uma das queixas dos pacientes na
prática clínica da estética, descrever os resultados do tratamento destas lesões
através da LIP se mostra de grande interesse nessa área de atuação.

2 FUNDAMENTAÇÃO TEÓRICA

Segundo Pimentel (2008, p. 28), “O fotoenvelhecimento é o efeito da


exposição ao sol, que leva a degeneração das fibras de colágeno e elásticas,
provocando o aparecimento das hiperpigmentações na pele”.
As ações dos raios ultravioletas são os principais responsáveis pelo
envelhecimento da pele, especialmente por causa da ação dos radicais livres.
(BÉRARD, 2006)
De acordo com Guirro & Guirro (2004, p. 232), “A pigmentação da pele é a
proteção principal do organismo contra a radiação ultravioleta”.
Souza (2007, p. 38) afirma que “Os melanócitos diminuem sua capacidade de
produção em torno de 8 a 20% por década, o que significa menor capacidade de
proteção contra raios ultravioletas”.
Pouco a pouco a pele se modifica tanto em sua consistência quanto na cor.
Seu aspecto amarelado é acompanhado por distúrbios de pigmentação e manchas
senis de cor marrom (BÉRARD, 2006)

Mancha Senis (Melanoses Solares)

Manchas senis ou melanoses solares são lesões pigmentadas na superfície


cutânea que surgem em regiões expostas ao sol e aumentam em número e
dimensão com o envelhecimento (KEDE, 2004).
Manchas senis não são provocadas pela idade e sim pelos danos causados
pelo sol ao longo dos anos. Só que este dano leva tempo para aparecer e por isso,
as melanoses solares são mais comuns em pessoas idosas, daí o nome senil
(LIMA, 2012).
Manchas acastanhadas também conhecidas como mancha senis, são
manchas que não aparecem só em idosos, mas sim em indivíduos de qualquer
idade (PIMENTEL, 2008).
As melanoses solares são manchas escuras de coloração castanha ou
marrom, geralmente pequenas, mas que podem chegar a alguns centímetros de
tamanho. Elas surgem apenas nas áreas que ficam expostas ao sol, como a face,
dorso das mãos e dos braços, colo e ombros (LIMA, 2012).
A variação da mão senil pode ocorrer em distintas épocas e em variáveis
graus. Algumas pessoas sofrem alterações ao final da terceira década de vida,
outros somente a partir da sexta década (MAIO, 2011).
O quadro cutâneo da mancha senil está associado a fatores ambientais e a
estilo de vida de cada pessoa (MAIO, 2011).
Segundo Maio (2011, p.1397), “Na sexta década da vida, a velocidade na
renovação celular é reduzida a metade. A epiderme se torna mais fina, com
diminuição da camada córnea e alteração dos melanócitos”.
A mancha senil é causada pela ação do UV, onde ocorre aumento do número
e de atividade dos melanócitos, tratando-se de uma foto dermatose por irritação
primária progressiva. As manchas senis apresentam cor castanho-clara a escura e
surgem nas áreas do corpo expostas ao sol (ACCURSIO, 2009).
O surgimento da mancha senil decorre do aumento do número dos
melanócitos (célula que produz o pigmento da cor da pele) e da sua atividade,
produzindo mais melanina e causando as manchas (PIROLA & GUISTI, 2010).
A melanina é sintetizada nos melanócitos, a partir da tirosina. A melanina
apresenta-se com uma cor clara. Assim que formados os polímeros de melanina, a
função dela é chegar até os queratinócitos, constituindo uma barreira de proteção
contra os raios UV (SORIANO, ET AL, 2002).
Conforme Souza (2007, p. 529):
“O acúmulo de melanina na epiderme e na derme papilar é responsável
pela aparição de lesões pigmentadas. A solução do problema é a destruição
do excesso de melanina, que pode ser feita por aplicação de LIP no local
afetado; o efeito foto térmico vai queimar e coagular as partículas de
melanina”.

Nas manchas senis, ocorre ruptura de melanossomas por ação do calor e a


melanina e fragmentada em pequenas partículas que vão clareando aos poucos
durante as sessões (PIROLA & GIUSTI, 2010).

Luz Intensa Pulsada (LIP)

No ano de 1963, Goldman desenvolveu a Luz Intensa Pulsada (LIP), que


junto a teoria de fototérmolise seletiva desenvolvida em 1983, por Anderson, deram
origem ao primeiro aparelho de LIP para uso comercial, já no ano de 1994. Este
método é uma fonte de emissão de radiação eletromagnética que transfer e um
abrangente espectro de comprimento de onda, no início do UV (<100nm) até o fim
do IV (>20000nm) (SOUZA, 2007).
A luz intensa pulsada (LIP) emite luz não coerente com comprimento de onda
entre 500 a 1200nm. São utilizados filtros para eliminar comprimentos de onda mais
curtos e aumentar a penetração dérmica (PATRIOTA, 2007).
A luz intensa pulsada emite uma luz de faixa ampla (desde 515 a 1200nm) em
pulsos que podem ser simples, duplos ou triplos, de duração variável (2-20 ms).
(AGNE, 2011).
A luz é emitida em pulsos únicos, duplos ou triplos com 2 a 25 milisegundos
cada, com intervalos entre os pulsos variando entre 10 a 500 milisegundos
(PATRIOTA, 2007).
Conforme Agne (2011, p. 336), “A luz intensa pulsada (LIP) é aquela que
emite um comprimento de pulso simples, duplos ou triplos e que mediante aplicação
de série de filtros dá lugar a vários espectros de emissão”.
A luz intensa pulsada possui filtros que de acordo com o comprimento das
ondas desejadas podem variar. O espectro de comprimento de onda pode atuar
entre 500nm e 1.100nm e a escolha dos filtros vai demonstrar a afinidade pela
melanina e a intensidade de penetração da energia luminosa (KEDE, 2004).
Os filtros, geralmente, podem variar de acordo com o comprimento de onda
apropriado para absorção em determinados tecidos, da seguinte forma:
390 nm a 510 nm: tratamentos dermatológicos de acne ativa;
520nm a 1200nm: tratamento de lesões vasculares de rosáceas e melanoses
de peles de foto tipos I, II e III.
640nm a 1200nm: epilação duradoura e estimulo de colágeno da derme
reticular (PIROLA &GIUSTI, 2010).
A emissão de luz intensa pulsada por determinados aparelhos produz um
feixe de luz não coerente, cujo espectro de radiação abrange vários comprimentos
de onda simultaneamente (SALLES, et al).
A LIP emite luz não coerente com comprimento de onda entre 500 a 1200nm.
Trata satisfatoriamente telangiectasias, manchas vinho-do-porto e hemangiomas
(PATRIOTA, 2007).
Segundo Agne, (2011, p 332):
“A tecnologia da luz intensa pulsada (LIP) consiste na utilização de
lâmpadas que emite dentro de um amplo espectro de luz não coerente no
espectro visível e infravermelho, utilizado de maneira eficaz para variedade
de disfunções pigmentadas”.

Luz intensa pulsada é um aparelho de luz que age sobre o pigmento. Uma
emissão de pulsos de luz, disparados contra a pele, faz evaporar o pigmento, que
provoca a cor acastanhada na pele (BORELLI, 2004).
Parâmetros da Lip são: comprimento de ondas, duração do pulso, tamanho
da ponteira, a fluência, densidade de potência e frequência (SOUZA, 2007).
Potência é a taxa de liberação da energia ou a quantidade de energia
liberada por segundo (PIROLA & GIUSTI, 2010).
Energia é a quantidade de potência entregue ao tecido em um dado intervalo
de tempo e é medida em joules. É este parâmetro que governa a resposta térmica
do tecido (PIROLA & GIUSTI, 2010).
Fluência é a quantidade de energia liberada sobre uma área, sendo
expressa em J/cm². Quanto maior a fluência, mais rápido será o aumento de
temperatura no tecido e, consequentemente, a intensidade do efeito desejado
(PIROLA & GIUSTI, 2010).
A luz intensa pulsada usa uma fonte de luz filtrada, a qual é utilizada para
alcançar seletivamente os elementos pigmentados da pele (AGNE, 2011).
A LIP tem como característica ser uma luz policromática tendo vários
comprimentos de onda, essa luz policromática é caracterizada por várias cores do
azul até o infravermelho (SOUZA, 2007).
Para AGNE (2011, p. 333), “As principais cores emitidas são o amarelo,
verde e vermelho, além do infravermelho, sendo que cada lâmpada, a LIP terá um
predomínio de uma dessas cores e assim caracterizando suas propriedades de
estimulação celular seletiva.”
Todas as luzes agem juntas, porém as luzes azuis e verdes vão agir na
superfície, as laranjas e vermelhas nas zonas intermediárias e as infravermelhas nas
zonas profundas (SOUZA, 2007).
A luz intensa pulsada utiliza os comprimentos de ondas juntos, mas cada
comprimento vai ter um efeito específico para tratar de uma determinada patologia
ou alteração (SOUZA, 2007, p. 527).
A terminologia LIP se refere a luz intensa pulsada, que corresponde a
aplicações diretas de energia, sob forma de flashlamps, que são circuitos elétricos
que geram uma luz brilhante por incorporar o efeito do calor produzido por flashs,
que atuam diretamente numa estrutura-alvo (PIROLA & GIUSTI, 2010).
Luz intensa pulsada pode ser utilizada no tratamento de remoção de pêlos,
envelhecimento cutâneo, rosácea, telangectasia, manchas pigmentadas e cicatriz de
acne (SOUZA, 2007).
Todas as LIPs trabalham na zona de maior absorção dos dois cromóforos
mais importantes no tratamento das patologias da pele essa zona vai de 400nm até
1200nm (SOUZA, 2007).
Os cromóforos importantes (melanina e oxihemoglobina) agem até
1100/1200nm, então os construtores da LIP colocaram um filtro para eliminar todos
os comprimentos de onda acima do valor do filtro (SOUZA, 2007).
Luz intensa pulsada apresenta comprimentos de onda variados para
diversas aplicações sobre o tecido, onde a absorção da energia resulta na
conversão de luz em calor, sendo que a luz atinge as células fotossensíveis.
(PIROLA & GIUSTI, 2010).
A luz intensa pulsada é absorvida por componentes do tecido alvo, ou seja
cromóforos que convertem energia luminosa em calor através da absorção:
- Melanina capta radiação ultravioleta (340nm a 1000nm), luz verde (532nm)
e radiação infravermelha (800nm a 1200nm);
- Hemoglobina capta radiação ultravioleta-A (300nm), luz azul (450nm), luz
verde de (520nm a 540nm) e luz amarela (570 a 580nm);
- Colágeno capta luz visível (380nm a 780nm) e radiação infravermelha
(800nm a 1200nm);
- Água capta radiação infravermelha (acima de 1200nm) (PIROLA & GUISTI,
2010).
Os cromóforos naturais da pele tem seus espectros de absorção próprios
para cada comprimento de onda. Ao escolher a energia ideal, deve-se optar pelo
comprimento de onda na qual o cromóforo-alvo tenha absorção máxima, enquanto
os demais cromóforos tenham menor absorção (AGNE, 2011).
A seletividade dos cromóforos se torna imprescindível a aplicação dos filtros
ópticos, para que se atinja a estrutura-alvo com eficácia (PIROLA & GIUSTI, 2010).
A luz intensa pulsada (LIP) representa um grande avanço tecnológico no
tratamento coadjuvante de algumas alterações dermatológicas. A LIP age em dois
níveis de pele: superficial e profundo. A aplicação superficial consegue uma redução
significativa das melanoses solares (manchas senis) (TAMURA, 2001).
A LIP age fazendo fototermólise seletiva e que atua sobre os pigmentos, além
de induzir a restauração do colágeno (MAIO, 2011).
A fototermólise seletiva é a combinação do comprimento de onda com a
duração do pulso luminoso emitido, que proverá a energia necessária para lesar
somente o tecido alvo (PIROLA & GIUSTI, 2010).
No tratamento de melanoses, a utilização do filtro de 520nm a 1200nm com
fluência de 24 J/cm2 a 40J/cm2 com repasses duplos (PIROLA & GIUSTI, 2010).
O uso da LIP também apresenta algumas limitações, particularmente no
tratamento de lesões pigmentadas e vasculares em fototipos de pele mais escura,
especialmente nos fototipos da escala Fitzpatrick IV ou maiores, cabendo ao
profissional determinar sempre a fluência de energia conforme o biotipo da pele.
(AGNE, 2011).
Diferenciamos a LIP do laser por três propriedades físicas, o laser é
monocromático (frequência definida), coerente (relações de fase bem definida) e
colimado (propaga-se como um feixe), já a luz intensa pulsada é policromática (raios
de luz com várias cores), não coerente (as ondas não são irradiadas todas na
mesma fase) e não colimado (os raios de luz se dispersam rapidamente para todas
as direções) (AGNE, 2011).
As contra-indicações da luz intensa pulsada são:
- Pessoas que fazem uso de medicamentos fotossensíveis;
- Pacientes bronzeados e exposição continua aos raios UV;
- Diabetes descontroladas;
- Gestantes e lactantes;
- Pacientes com histórico de queloides;
- Sinais de infecção e inflamação de pele (PIROLA & GIUSTI, 2010).

3 METODOLOGIA

Num breve conceito sobre o método, que norteou a pesquisa, Marconi e


Lakatos (2010, p. 65) apregoam que, “o método é o conjunto das atividades
sistemáticas e racionais que, com maior segurança e economia, permite alcançar o
objetivo”.
No intuito de responder a pergunta da pesquisa, qual é o efeito que a luz
intensa pulsada faz na mancha senil. O estudo restringe-se a descrição dos fatos
observados através de fotografias com antes e depois da aplicação, que foram
disponibilizadas por um profissional da área da medicina, que realiza tal
procedimento.
Markoni e Lakatos (2010) ponderam que a observação, como o próprio nome
traduz, permite ao pesquisador se projetar sobre o dado observado, fazendo
algumas inferências ou distorções, pela limitada possibilidade de controle, que neste
caso, é explícita pela complexidade das imagens e análise e interpretação das
mesmas.
Buscando estabelecer uma relação dinâmica entre o mundo real e a
subjetividade do sujeito que não pode ser traduzida em números, optou-se pela
abordagem qualitativa, que segundo Roesch (1999, p.155), é ideal para se fazer
uma:
“avaliação formativa, quando se trata de melhorar a efetividade de um
programa, ou plano, ou mesmo quando é o caso da proposição de planos,
ou seja, quando se trata de selecionar as metas de um programa e construir
uma intervenção, mas não é adequada para avaliar resultados de
programas ou planos”.
O material disponibilizado, foco deste estudo, caracteriza-se como um estudo
de caso, que conforme Gil (2010) preconiza,
“é uma modalidade de pesquisa amplamente utilizada nas ciências
biomédicas e sociais. Consiste no estudo profundo e exaustivo de um ou
poucos objetos, de maneira que permita seu amplo e detalhado
conhecimento, tarefa praticamente impossível mediante outros
delineamentos já considerados.” (GIL, 2010, p. 37)

A patologia apresentada pelo profissional, permite um esclarecimento em


seus múltiplos aspectos, frente a necessidade de explorar e descrever a partir do
estudo de caso, os possíveis resultados e interferências advindas das aplicações.
Considerando relevante destacar os diferentes resultados.
Portanto, na sequência, descortinamos as observações realizadas, bem como
as análises e ponderações, que neste contexto, pela caracterização do estudo,
serão apresentados na condição de hipóteses, e não de uma conclusão fechada e
esgotada de pesquisa.

4 ANÁLISE DOS RESULTADOS

Considerando a pesquisa qualitativa, destaca-se que a análise se dá por


intermédio da avaliação clínica e relatos de casos fornecidos pelo médico
responsável pelas aplicações da luz intensa pulsada. A apresentação destas
informações se dará em forma de texto discursivo, mediado por registros fotográficos
fornecidos pelo médico responsável.
Relatório de acompanhamento das aplicações
PACIENTE “A”
Antes das aplicações Depois das aplicações

Dados da O.B, idade 75 anos, residente em Santa Catarina.


paciente
Laudo A paciente apresenta Aplicações Duas (02) sessões
manchas senis superficiais no realizadas
dorso das mãos, adquiridas
devido a exposição excessiva
à raios UV (ultra violeta) sem
proteção.
Tipo de pele Foto tipo de pele III Resultados A paciente não cumpriu
Indicação Indica-se oito (08) sessões de com a indicação do
de aplicação de luz intensa tratamento, participando
tratamento pulsada com a utilização de apenas de duas sessões
filtro de 520nm com fluência de aplicação. Por este
de 25J/cm³, com intervalo motivo, nota-se a
mínimo de quinze (15) dias ineficiência do
procedimento e
resultados nada
significativos.
Médico Jailson Lima da Silva
responsável CRM: 4437

A paciente A foi diagnosticada com manchas senis superficiais no dorso das


mãos. Embora tenham sido prescritas oito sessões da tratamento, a paciente
compareceu a apenas duas sessões justificando os resultados não significativos do
tratamento.
Relatório de acompanhamento das aplicações
PACIENTE “B”
Antes das aplicações Depois das aplicações

Dados da Dados da paciente: C.B, idade 58 anos, residente em Santa Catarina.


paciente
Laudo A paciente apresenta Aplicações Cinco (05) sessões
manchas senis superficiais no realizadas
dorso das mãos, adquiridas
devido a exposição excessiva
à raios UV (ultra violeta) sem
proteção.
Tipo de pele Foto tipo de pele III Resultados Embora a paciente não
Indicação Indica-se oito (08) sessões de tenha cumprido o
de aplicação de luz intensa tratamento proposto,
tratamento pulsada com a utilização de realizando apenas cinco
filtro de 520nm com fluência (05) das oito (08) sessões
de 30J/cm³, com intervalo prescritas, foram
mínimo de quinze (15) dias observados, ao final do
tratamento, resultados
consideráveis no
clareamento das
manchas senis.
Médico Jailson Lima da Silva
responsável CRM: 4437

A paciente B também foi diagnosticada com manchas senis superficiais no


dorso das mãos, sendo também indicadas oito sessões de tratamento por LIP.
Embora a paciente também não tenha cumprido o tratamento proposto, realizando
apenas cinco sessões, foram observados ao final do tratamento, resultados
consideráveis no clareamento das manchas senis. Dessa forma, é possível perceber
o efeito progressivo do tratamento. Considerando que a paciente B realizou 37,5% a
mais de aplicação da técnica em relação a paciente A, de fato esperava-se
resultados clinicamente mais evidentes.

Relatório de acompanhamento das aplicações


PACIENTE “C”
Antes das aplicações Depois das aplicações

Dados da S.P, idade 70 anos, residente em Santa Catarina.


paciente
Laudo A paciente apresenta Aplicações Oito (08) sessões
manchas senis superficiais no realizadas
dorso das mãos, adquiridas
devido a exposição excessiva
à raios UV (ultra violeta) sem
proteção.
Tipo de pele Foto tipo de pele II Resultados A paciente cumpriu o
Indicação Indica-se oito (08) sessões de tratamento proposto,
de aplicação de luz intensa apresentando ao final
tratamento pulsada com a utilização de resultado positivo no
filtro de 520nm com fluência clareamento das
de 30J/cm³, com intervalo manchas senis.
mínimo de quinze (15) dias
Médico Jailson Lima da Silva
responsável CRM: 4437
A paciente C, assim como as anteriores, também foi diagnostica com
manchas senis superficiais no dorso das mãos, sendo também indicadas oito
sessões de tratamento por LIP, como as demais. Neste caso, a paciente cumpriu o
tratamento proposto, realizando todas as sessões prescritas. Ao final do tratamento
foram alcançados os resultados esperados no clareamento das manchas. É possível
concluir que, respeitando-se a prescrição, a chance de sucesso do tratamento é
considerável.

Relatório de acompanhamento das aplicações


PACIENTE “D”
Antes das aplicações Depois das aplicações

Dados da Dados da paciente: L.O, idade 60 anos, residente em Santa Catarina.


paciente
Laudo A paciente apresenta Aplicações Oito (08) sessões
manchas senis superficiais no realizadas
dorso das mãos, adquiridas
devido a exposição excessiva
à raios UV (ultra violeta) sem
proteção.
Tipo de pele Foto tipo de pele II Resultados A paciente cumpriu o
Indicação Indica-se oito (08) sessões de tratamento proposto,
de aplicação de luz intensa apresentando ao final
tratamento pulsada com a utilização de resultado positivo no
filtro de 520nm com fluência clareamento das
de 30J/cm³, com intervalo manchas senis.
mínimo de quinze (15) dias
Médico Jailson Lima da Silva
responsável CRM: 4437
A paciente D teve o mesmo diagnóstico e, portanto, a mesma prescrição
terapêutica das demais pacientes. Pode-se concluir que, de certa forma, existe um
protocolo terapêutico de acordo com o diagnóstico obtido.
Neste caso, a paciente também cumpriu o tratamento proposto, realizando
todas as sessões prescritas. Ao final deste tratamento também foram alcançados os
resultados esperados no clareamento das manchas. Mais uma vez pode-se concluir
que, respeitando-se a precrição, os resultados são totalmente alcançados.

5 CONSIDERAÇÕES FINAIS

Considerando os pressupostos teóricos que embasam os efeitos físicos e


fisiológicos da utilização da luz intensa pulsada no tratamento de manchas senis,
bem como os resultados obtidos em um estudo clínico no qual quatro pacientes de
mesmo diagnóstico foram tratadas com a técnica, pode-se perceber que, para
fraseando a literatura, de fato o recurso atua na despigmentação das machas de
pele, em especial, de manchas senis. Contudo, a prescrição deve ser respeitada.

Segundo Fábio Borges, luz Intensa pulsada, além de também não ser
invasiva, é minimamente ablativa (mínimo risco de lesão), com isso, ela também
consegue tratar manchas e estimular a produção de colágeno para o tratamento
rejuvenescedor.

O risco de queimadura existente no uso destas formas de radiação luminosa,


comentado por muitos, se assemelha ao risco que encontramos em outros recursos
eletrotermoterapêuticos, portanto, se manusearmos de forma inapropriada quaisquer
destes recursos poderá lesionar também o paciente/cliente. Se a esteticista não
puder fazer a epilação com laser/Luz Intensa Pulsada pelo risco de queimadura,
também não poderá usar ondas curtas, microondas, infravermelho, forno de Bier,
corrente galvânica, ultra-som, e até o turbilhão, pois todos eles podem queimar o
paciente desde que sejam mal empregados.
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