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Artigo Original

Validação de checklist cirúrgico para
prevenção de infecção de sítio cirúrgico
Validation of surgical checklist to prevent surgical site infection
Alessandra Nazareth Cainé Pereira Roscani1
Edmundo Machado Ferraz2
Antônio Gonçalves de Oliveira Filho1
Maria Isabel Pedreira de Freitas1

Descritores Resumo
Enfermagem de centro cirúrgico; Objetivo: Construir e validar checklist cirúrgico para segurança do paciente e prevenção de infecção de sítio
Enfermagem perioperatória; Serviço cirúrgico.
hospitalar de enfermagem; Infecção Métodos: Pesquisa quantitativa realizada para validar instrumento criado e utilizado em cirurgia segura.
de ferida operatória; Segurança do O instrumento foi validado por sete peritos. Para concordância entre os juízes utilizou-se o coeficiente de
paciente concordância de Kendall e para verificar se a opinião dos juízes diferiu significativamente, o teste de Cochran.
O instrumento é validado se houver concordância entre os juízes e a clareza for significante.
Keywords Resultados: Na primeira avaliação do instrumento, obteve-se Kendall de 0,230 para pertinência e 0,390 para
Operating room nursing; Perioperative clareza, o que implicou em reformulação do checklist. Após a reformulação, obteve-se concordância absoluta
nursing; Nursing service, hospital; para pertinência e não houve diferença significativa para clareza. Com o instrumento validado, foi criado um
Infecção da ferida operatória; Patient sistema informatizado para inserção dos dados coletados.
safety Conclusão: O instrumento criado foi validado e pode auxiliar na segurança do paciente e prevenção de
infecção de sítio cirúrgico.

Submetido Abstract
16 de Junho de 2015 Objective: To design and validate a surgical checklist to improve patient safety and prevent surgical site
Aceito infection.
5 de Novembro de 2015 Methods: This quantitative study was carried out to validate an instrument created and used for surgical safety.
Seven experts validated the instrument. For agreement among experts, was used Kendall’s concordance
coefficient; if their opinions differed significantly, the Cochran’s test was adopted. An instrument is validated
when concordance among experts is achieved and its clarity is significant.
Results: In the first assessment of the instrument, Kendall’s concordance coefficients were 0.230 in terms of
pertinence and 0.390 for clarity. These results cauded a reformulation in the checklist. After reformulation, an
Autor correspondente absolute concordance was achieved for pertinence and no significant difference was seen in terms of clarity.
Alessandra Nazareth Cainé Pereira After instrument validation, was created an information system to input data collected.
Roscani Conclusion: The instrument was validated. It can help improve patient safety and prevent surgical site infection.
Rua Vital Brasil, 251, Cidade
Universitária “Zeferino Vaz”, Campinas,
SP, Brasil. CEP: 13083-888
alessandra@hc.unicamp.br

DOI 1
Universidade Estadual de Campinas, Campinas, SP, Brasil.
http://dx.doi.org/10.1590/1982- 2
Universidade Federal de Pernambuco, Recife, PE, Brasil.
0194201500092 Conflitos de interesse: não há conflitos de interesse a declarar.

Acta Paul Enferm. 2015; 28(6):553-65. 553

ambiente cirúrgico. ficativa na morbidade e mortalidade. rem readmitidos após a alta. Estu- mundo. Validação de checklist cirúrgico para prevenção de infecção de sítio cirúrgico Introdução tituição de assistência à saúde. como objetivo central do programa. a terceira.(1) meta reduzir até 2020. 1999 encontrou taxa de ISC de 11% do total de do a necessidade de investimento na melhoria da procedimentos cirúrgicos analisados. observan. do nacional realizado pelo Ministério da Saúde em mentos e práticas da segurança cirúrgica. equipes A ISC é uma das mais temidas complicações cirúrgicas seguras e a quarta. proposto pela OMS. mento intensivo e cinco vezes mais chances de se- belece ainda. 28(6):553-65. todos conhecidos para minimizar o risco de infecção gurança críticas de modo a aumentar a segurança no sítio cirúrgico” e as recomendações a serem de- dos procedimentos cirúrgicos. o que implicará em queda signi- A primeira é prevenção de infecções de sítio cirúr.(1) gico. checklist. Dessa forma. de saúde e compreendendo de 14% a 16% daque- sistência cirúrgica em serviços de saúde de todo o las encontradas em pacientes hospitalizados.(1. por. este estudo teve finida como aquela adquirida no terceiro ou após o como objetivo construir e validar um instrumento terceiro dia da admissão do paciente em uma ins. No entanto. de alto custo e asso- A OMS propõe como estratégia para consoli.(9-13) definir um conjunto de estatísticas demográficas Da vivência profissional em centro cirúrgico para cirurgia que incorpore medidas de estrutura e surgiu a necessidade de avaliar as áreas para a atua- resultado e que rastreie os esforços do processo. é um desafio global que tem como ceira posição entre todas as infecções em serviços objetivo aumentar os padrões de qualidade da as. foi agregar ao proposta pela OMS é apenas uma lista básica.(8) contribui com cerca de 31% de assistência cirúrgica e cabe às equipes envolvidas no todas as infecções relacionadas a assistência à saú- processo propor estratégias e estabelecer barreiras de(9) e com cerca de 37% das infecções de pacientes para garantir a segurança do paciente. a segunda. . 2015. Este programa foca a atenção nos funda. de verificação de segurança cirúrgica para aumentar 554 Acta Paul Enferm. anestesia segura. reforçar as práticas de senvolvidas pelas equipes cirúrgicas e instituições.10) O programa instituído pela Organização Mun. “Cirurgias Seguras relacionadas à assistência à saúde. pois se des- tência cirúrgica. tais ção em conjunto com os dez objetivos propostos como o uso de um checklist de segurança em sala pelo programa da OMS. decorrentes do procedimento cirúrgico. e a ocorrência de infecção de sítio cirúrgico com- do um elemento chave para a redução de eventos preende especificamente o sexto objetivo do pro- adversos(1-6) e visa garantir que as equipes cirúrgicas grama. falecer ou passar algum tempo na unidade de trata- lização de qualquer procedimento cirúrgico e esta. cirúrgicos adquiridas em hospitais.10) dar a segurança cirúrgica que as equipes operatórias Pacientes infectados têm duas vezes mais chances de sigam dez objetivos básicos e essenciais frente à rea. “A equipe usará de maneira sistemática. No Brasil. 25% das taxas de infecção O desafio descreve quatro áreas para a atuação. etapas de verificação tanto adaptações e modificações deste instrumento de segurança para a prevenção de infecção de sítio são extremamente estimuladas e recomendadas. a estratégia para estabelecer barreiras e efeti- e trabalho na equipe cirúrgica. a lista var melhorias na assistência cirúrgica. em sítio cirúrgico. Ressalta-se que a relação operatória.(10) qualidade e garantia da segurança nas intervenções Observada a importância que os procedimen- cirúrgicas que resultem progressivamente em mais tos cirúrgicos representam.(1) taca como um episódio grave. a ISC é uma das principais infecções dial de Saúde (OMS) em 2008. ocupando a ter- Salvam Vidas”.(1) segurança aceitas e promover melhor comunicação Assim. a OMS estabelece como vidas salvas com menos danos ao paciente. mé- sigam de forma consistente algumas medidas de se.(1) de risco existente entre o procedimento cirúrgico O checklist de segurança cirúrgica é considera.(7) Infecção de sítio cirúrgico (ISC) é a complicação mais frequente do Os riscos ao paciente são uma realidade presente na paciente operado. ciado ao aumento da morbidade e mortalidade(1.(1-3) cirúrgico em todos os momentos da assistência no Infecção relacionada à assistência à saúde é de. indicadores da assis.

sala de preparo sobre sua identificação e sobre ade- (Anexo 1). dados do paciente para serem colocados nas amos- tras ou exames extraídos durante o ato operatório. proposto para aquele paciente. uma complicação evitável rio. Esta inclusão teve por objetivo ventivo de infecção verifica-se a glicemia do pacien- checar não apenas o procedimento certo. além de de segurança do paciente. OMS em 2008 conforme apresentado no anexo 1.(1) Verifica-se a que atendam às necessidades da prática. pois é instituição em questão. 2015. Roscani AN. antes da incisão ci. quação da montagem da sala para o procedimento No instrumento criado neste estudo a identi. O momento Antes do Início da Anestesia e ria: Identificação. construído baseado no checklist apresentado pela da cirurgia proposta e da equipe cirúrgica. Tem como finalidade obter dados específicos do procedimento. A Admissão no Centro Cirúrgico tem como fina- no conhecimento científico publicado sobre o tema lidade obter dados sobre as condições de recebimen- e na experiência profissional dos pesquisadores que to do paciente e do seu preparo para o procedimen- atuam em uma instituição de saúde que está em to. Oliveira Filho AG. monitori- anestesia antes da incisão cirúrgica. sobre a equipe de saúde que atua no procedimento Acta Paul Enferm. Cada ses- são teve como proposta verificar itens de segurança relacionados à assistência prestada ao paciente de Métodos acordo com a especificidade do momento em que o paciente estava passando. Uma de antes da indução anestésica. por 48 itens distribuídos em seis sessões. adequação do banho pré-operatório. conhecimento do paciente sobre o ato cirúrgico. metabólicas do paciente. medidas contexto cirúrgico a serem investigados: admissão preventivas de iatrogênia hospitalar relacionado à no centro cirúrgico. fase de consolidação da implantação do protocolo demarcação de sítio cirúrgico (caso exista). Elaboração do Instrumento presença de dispositivos invasivos. O Instrumento foi dados de identificação e caracterização do paciente. Neste momento A validação foi decidida para otimizar o seu uso na inicia-se o processo preventivo de infecção. verificação da presença de itens de segurança como o instrumento foi submetido à avaliação de peritos a pulseira de identificação e adesivos impressos com para a validação de seu conteúdo. antes da equipe efetivamente iniciar o ato operató- fecção de sítio cirúrgico. O cabeçalho é preen- Pesquisa metodológica de abordagem quantitativa. 28(6):553-65. Distribuição de Campos Cirúrgicos ocorre quan- posta desta lista de verificação é: coletar os dados do o paciente entra na sala de operação. períodos antes do início da eletrocirurgia. A pro. suas finalidades é conferir as informações obtidas na rúrgica e antes do paciente sair de sala operatória. Referente ao processo pre- ção pós-anestésica. como propõe a Organiza. 555 . estabeleceram-se cinco momentos do como: funcionamento dos equipamentos. verificada a adequação de processo e estrutura ne- ção Mundial da Saúde ao estimular as unidades para cessária para a realização do procedimento cirúrgico que desenvolvam listas de verificação modificadas conforme as diretrizes estabelecidas. Freitas MI a segurança do paciente e para auxiliar na prevenção A primeira versão do instrumento foi composta de infecção de sítio cirúrgico. da remoção de O modelo proposto pela OMS compreende três pelos e da temperatura do paciente. zação do processo de esterilização e das condições da de sala operatória e antes da saída de recupera. mas dar. certo e no paciente certo como preconiza a lista da O momento Antes da Incisão Cirúrgica ocorre OMS. chido no momento em que o paciente entra na sala para validação de checklist de segurança cirúrgica de preparo cirúrgico (onde é feita a sua admissão criado para segurança do paciente e para prevenção no Centro Cirúrgico) e tem como finalidade obter de infecção de sítio cirúrgico. no local te e indicadores de esterilidade dos materiais. Ferraz EM. Neste momento. inclusive. posicionamento cirúrgico. antes da saí. ênfase à prevenção de in. buscados dados para garantir uma cirurgia segura. são ficação foi coletada no cabeçalho do instrumento. momentos do ato cirúrgico dentro da sala operató. Em seguida. Confirmação e Registro. Após a sua construção.

Doutor e experiência em assistência e gerência teúdo. Enfermeira. com titulação de pós-doutorado O instrumento também considera em suas eta. gilância Sanitária (ANVISA) da Cirurgia Segura lientar presença de dispositivos invasivos e a ocor. docente de uma Universidade Pú- Avaliam-se quão representativas são as perguntas blica Estadual situada no município de São do instrumento. 2.(14-16) cação de amostras de exames colhidos do pacien- te. presentativamente aquilo que se propõe avaliar. de assistência de enfermagem clínico . Infectologista. 2007-2013. com titulação de doutor em saúde perguntas que poderiam ser elaboradas para esse pública e epidemiologia. O instrumento foi submetido ao julgamen. de cirurgia. Exis. Considerou-se pertinência a propriedade que 6. tópico principal contém um conjunto de itens ade- é verificada a colocação dos adesivos para identifi. consultor Organização Pa- os pacientes que serão encaminhados diretamente nAmericana de Saúde/ Organização Mundial de as unidades de internação especializadas ou na sala Saude (OPAS/OMS) e Agencia Nacional de Vi- de recuperação anestésica. com titulação de doutor em Enferma- to dos peritos e foi avaliado em relação a pertinên. A última verificação ocorre antes da Saída do Caracterização dos peritos Centro Cirúrgico e é o momento do término da O instrumento construído foi submetido à avalia- assistência ao paciente no complexo centro cirúr. pesquisa e pas.15) no na área de infecção hospitalar e enfermagem A avaliação foi realizada por um grupo de peri.PE. do. de Recife. clareza e abrangência de seus itens. de serviço médico. ensino. Cirurgião. riência em assistência. experiência em ensi- tópico. 2015. agulhas e conferên. Médico. pesquisa na área mento mede aquilo que supõe estar medindo. . Tem como finalidade sa. A Abrangência é a propriedade em que se avalia como contagem de compressas. se são relevantes e se são adequados para tência e gestão de centro cirúrgico. na qual se avalia se os itens constituem re. com titulação de Doutor e expe- A validação refere-se ao grau com que um instru. tério Clareza foi considerado como a propriedade O momento Antes da Saída de Sala Operatória que avalia se a redação dos itens está adequada. com titulação de Nesse estudo. Médico. gerente de serviço de saúde priva- avalia se os itens realmente refletem os conceitos en. perioperatória. docente de uma Universidade Pú- estudo ou com experiência em validação de instru. ção de sete peritos conforme constituição abaixo: gico. o instrumento como um todo. tem três tipos de validade de um instrumento: vali. Preto-SP. se os ocorre após o termino do ato cirúrgico e tem como itens foram redigidos de forma a serem compreensí- finalidade verificar possíveis intercorrências duran. com título de mestre.(14. docente de Universida- de Pública Estadual situada no município de Validação de conteúdo do instrumento Campinas-SP. O cri- biótico profilático quando indicada. quados e se todas as dimensões foram incluídas. atingir os objetivos propostos pela pesquisa. Neste momento. dentro do universo de todas as Paulo-SP. 3. validade de constructo e validade missão de Controle de Infecção Hospitalar de relacionada a um critério. experiência em assistência e ensino na área cia. 4.cirúrgica. experiência em assis- volvidos. Validação de checklist cirúrgico para prevenção de infecção de sítio cirúrgico e também checar se houve a administração de anti. blica Estadual situada no município de Ribeirão mentos. avaliando-se se cada cia do número de instrumentais. responsável pela Co- dade de conteúdo. Cirurgião. veis e se expressam exatamente o que se espera me- te o ato cirúrgico e itens específicos de segurança dir. 556 Acta Paul Enferm. com aquele ato operatório. Pode ocorrer dentro da sala operatória para 1. docente de Universidade Pública rência eventual de recomendações específicas para Federal de Pernambuco situada no município aquele ato operatório. ensino. Médico. 28(6):553-65. Enfermeira. Enfermeira. e experiência em assistência. a identificação dos profissionais envolvidos consultoria na área de cirurgia e saúde.(14) hospital de porte especial. tos com reconhecido saber e publicações na área de 5. foi realizada a validação de con. gem.

e avental corretamente durante o procedimento?” teve dância de Kendall (W) pode variar de 0 a 1. A apresentadas. que aqueles com percentual de concordância (PC) ensino. na qual Quanto às características sócio-demográficas a 1 refere-se a opção está claro e o -1 a opção não dos peritos. O item “Todos usaram gorro.230 (p = 0. porém apesar valor elevado de W (W ≥ 0. foi con- formação entre sete e 50 anos. Resultados Na primeira avaliação. Primeira avaliação do instrumento trônica para avaliação do processo de validação. clareza e abran. com o uso do programa Microsoft ções de acordo com as sugestões e observações Excel® para caracterização do grupo de peritos.015). Para incorporação das sugestões dos pe- com idades entre 30 e 73 anos e com tempo de ritos nos itens avaliados do instrumento. são de três itens: “Ficha de Transoperatório presen- O coeficiente de concordância de Kendall (W) te?” (43%). foram realizadas altera- tística descritiva. Freitas MI 7. Em todos os itens do instrumento foi deixado espaço para sugestões e comentários. para verificar Enfermagem em andamento. consultoria e gestão. 28(6):553-65. os sete peritos retornaram o material enviado com suas análises e sugestões e. privado. trumento apresentaram nível de concordância abai- lizadas com o auxílio do software estatístico SAS® xo de 80%. com profissionais envolvidos com assistência. O desenvolvimento do estudo atendeu as nor- cia do perito. Ferraz EM. de acordo com a preferên. ções de como proceder a avaliação e o instrumento a ser analisado. foi construída uma planilha ele. “Temperatura corporal entre 36 a 36. “Cirurgião responsável presente na sala?” foi utilizado para avaliar a concordância entre os (71%). Oliveira Filho AG. O coeficiente de concor.390 para clareza (p = 0. após o aceite em participar da validação foi encaminhada. via correio eletrônico ou O nível de significância adotado foi de 5%. áreas de atuação profissional. A variação de 43 a 100% exigiu exclu- versão 9. avaliação do grau de concordância entre os peritos Em relação à pertinência. para pertinência e de 0. quatro itens do ins- e demais análises estatísticas dos dados foram rea. pesquisa. É necessário maior que 80% para pertinência ou clareza seriam destacar que quatro peritos. quatro (75%) eram do sexo feminino.2. envolvidos com pesqui. (57%). Como critério de aceitação do item foi estabelecido neo. assistencial em serviço de saúde concordam entre si. seriam excluídos ou alterados. o grupo foi heterogê. eles. envolvendo seres humanos. No que concerne às siderada a concordância obtida em cada um deles. uma carta de apresentação do projeto. 2015.(17) Referente à clareza dos itens. mas nacionais e internacionais de ética em pesquisa outra de apresentação do instrumento e com instru. está claro. também atuavam com docentes. com título de mestre e doutorado em foi utilizado o Teste Q de Cochran. aceitos e os que obtivessem concordância menor ou sa. não foi excluído e sim reformulado Acta Paul Enferm. assistência em Centro Cirúrgico e Centro de o que pode ser entendido como discordância entre Material Esterilizado. Roscani AN. Considerou-se a variação de -1 a 1. Enfermeira. Para o cálculo da porcentagem de concordância entre os Processo de validação do instrumento juízes foi utilizada a fórmula: O processo iniciou-se com o contato telefônico para convite do perito e. Como não houve concordância entre os Análise dos dados peritos quanto aos critérios avaliados na primeira Os dados obtidos foram submetidos à análise esta.66) indica que os peritos do baixo índice. via correspondência física. luva gência do instrumento. experiência em se a opinião dos peritos difere significativamente. de posse desses dados. o valor do teste de con- peritos foram categorizados de P1 até P7 e para cada cordância de Kendall foi de 0. Os Na primeira avaliação. 557 . igual a 80%. máscara.5°C?” peritos nos critérios de pertinência. Um um nível de concordância de 71%. versão do instrumento.000) item foi registrado o escore da avaliação dos peritos.

“Sítio cirúrgico marcado?” (100%) passou “Está sob precaução específica?” (57%) foi inserido para “Sítio cirúrgico demarcado?”. por sua função de enunciado. no qual ele sugeria que. reta da presença de exames de imagem. e para o perito P6 julgado como Entretanto. Os houveram sugestões e comentários enviados pelos itens reformulados foram: “HC (57%)” que pas. itens que obtiveram concordância maior que 80%. No entanto foi manti. anestesia e da distribuição de campos (na sala ope- rificado nome e número de registro do paciente?”. “Etiquetas de identificação zada remoção de pelos” (43%) foi excluído o tipo no prontuário” (86%) para “Etiquetas de identifica- de dispositivo usado. “Antes da foi inserido campo para descrever o local de co. O item “Verificado nome e ção do paciente no prontuário”. p=0. O item “Dentro do prazo Risco de broncoaspiração?”. peritos as quais foram acatadas. o instrumento reformulado são no Centro Cirúrgico” do momento da checagem foi devolvido para a avaliação de quatro peritos que não foi avaliado pelos peritos P1 e P4 o que resultou atuavam diretamente com segurança do paciente. o item enunciador “Admis. tos e apontamentos dos peritos P1. (71%) foi descrito pelo perito P3 “sem opinião” e Quanto à avaliação da clareza. “Consentimento um campo para se descrever o produto utilizado Informado” (86%) para “Consentimento Informa- e o tipo específico da precaução. Segunda avaliação do instrumento Em relação à clareza. aplicava. No entanto. em caso de resposta de utilização de antibioticoterapia profiática que an. do Cirúrgico Presente?”. De “Via aérea difícil/ (57%) passou a ser “Os materiais e insumos neces.CRM___________ “Realizada antissepsia do campo cirúrgico?” (57%) Cirurgião . essenciais O item “Área do CC” foi excluído. porque perguntar. pois obteve para a adequada execução do ato operatório. em um PC inferior a 80%. Risco de aspiração?” (86%) para “Via aérea difícil/ sários estão presentes?”. mediante a análise das sugestões e “não está claro” sem a descrição de sugestões. sendo que um foi ex.CRM:_______________”. tratar de um item importante para a avaliação cor- cluído. Após as modificações. .112). considerável?” (86%) para “Risco de perda sanguínea cado validação dos indicadores e prazo de valida. O item “Podem cífica para o pós-operatório imediato?” deveria exis- 558 Acta Paul Enferm. foi inserido campo para descrever o local em que ocorreu a lesão. 10 foram reformulados e três mantidos. No item Cirúrgico”. Nos 71% de concordância frente à avaliação dos peri. saída do CC” (86%) para “Antes da saída do Centro locação da placa e o produto utilizado. No item “Reali. O item “Uso de tério de pertinência. 28(6):553-65. positiva para os itens: “Há eventos críticos previstos tecede o ato operatório. fermagem-Coren” (86%) para “Enfermagem-Coren: No item “Placa de bisturi posicionada?” (57%) e ______________Anestesista . ratória)” (100%) para “Antes do início da anestesia O item “Os insumos necessários estão presentes?” e da distribuição de campos”. Obteve-se então concordância absoluta para o cri- do. Validação de checklist cirúrgico para prevenção de infecção de sítio cirúrgico devido à sua relevância frente ao processo de pre. 2015. Quinze itens que obtiveram con. houve concor- da ao posicionamento ou ato operatório?” (71%) dância acima de 80% em todos os itens. o PC variou pelo P6 “retirar” com a justificativa de que não se de 43 a 100%. “Paciente apresenta alguma lesão de pele relaciona. optou-se por mantê-lo por se cordância abaixo de 80%. Nos itens “Tomou alterados: “Idade” (100%) passou para “Data de nas- banho pré-operatório com antisséptico?” (71%) e cimento”. Nove itens foram sou a ser “Número de Registro”. Em relação ao item abrangência. ser visualizadas as imagens diagnósticas essenciais?” venção da ocorrência de infecção de sítio cirúrgico. Quanto ao critério clareza. considerável (>500ml ou 7ml/Kg em crianças)?”. P2 e P5. O item comentários enviados por um dos peritos quanto à foi mantido por se tratar do processo de checagem clareza. o qual representa aspecto para o procedimento?” e “Alguma recomendação espe- importante na prevenção da ISC. “Antes do início da HC do paciente?” (57%) foi alterado para “Ve. opinião dos peritos não diferiu significativamente tionado pelos peritos P3 e P7 quando ao motivo (teste Q de Cochran. “En- de da esterilização dos instrumentais cirúrgicos?”. a antibiótico nas últimas 24 horas?” (57%) foi ques. “Risco de perda sanguínea de esterilização?” (71%) foi alterado para “Verifi.

para muitas instituições de saúde no mundo. Cada instituição tem sua própria liar o que isso representava à segurança dos usuários realidade. tem seu próprio contexto. favorecia a possibilidade de mensurar Ressalta-se. muito um levantamento ágil da real ocorrência de volvido em parceria com a equipe de tecnologia da eventos adversos.20) entanto é possível estabelecer estratégias preventivas O pioneirismo do uso de checklist está em pre- por meio de adequações nos processos de trabalho venir erros e falhas humanas neste processo de inte- para evitar eventos adversos e garantir a melhoria da ração. a área da assistência times. Cabe então aos e a sustentabilidade do setor. área da aviação. fatos incorporados a prática diária. Este fator é o alicerce de mas também de maneira mais significante. Por isso a recomen- Acta Paul Enferm. no ambiente de assistência à qualidade e da segurança do paciente. da integração homem e equipamentos: a utilização de um checklist prévio a cada procedimento.(18) saúde ressalta-se que o primeiro princípio a ser con- Similar ao ocorrido na aviação nos anos 70. existência do prontuário eletrônico. Contu- saída.(1) mais claro. onde normalmente um evento zada a alteração dos itens. Freitas MI tir um espaço para descrição do evento ocorrido. 559 . Não se pode alterar estas condições. distribuídos em cinco mo. informação da instituição do estudo. normas ins- zou lideranças para o reconhecimento das limitações titucionais e equipes disponíveis para atendê-lo de do desempenho humano neste segmento e para ava. a realidade de prontuário contendo dados fidedig- Sistema Informatizado de Checklist de nos dos fatos que ocorrem durante os procedimen- cirurgia segura tos cirúrgicos. que objetiva A evidente necessidade de se estabelecer con- estabelecer uma ferramenta de monitoração da exe. do.(1. entender a variabilidade do ambiente e evo- em saúde tem identificado fatores da realidade de luir no sentido de sistematizar suas ações o máximo risco e de insegurança que permeiam os processos(1) possível em um cenário onde cada procedimento Eventos adversos ocorrem em 4 a 16% por cada 100 demanda suas particularidades. A maneira de se processar esta investigação tem mentos a serem executadas desde a chegada do sido a análise retrospectiva de prontuários para paciente à unidade de centro cirúrgico até a sua estudos de avaliação dos eventos adversos.2) No entanto. na assistência à saúde. saúde. destes. 2015. eventos graves são silenciosos e só serão descober- A versão final do instrumento ficou com 44 tos mediante um processo investigativo minucio- itens de verificação. de paciente ou de recursos estruturais.(19. no e com o paciente. sendo. no entanto que. (Anexo 2). oriundo da Discussão aviação está na relação homem e máquina. Roscani AN. siderado é a variabilidade. forma individual. 28(6):553-65. na inte- todos os processos necessários para cuidar de um ração e comunicação entre os membros das equipes paciente. de variação e falibilidade. pois a maior relevância deste processo está dir do fator humano com todas suas possibilidades baseada não só na interação homem e a tecnologia. grave pode ser rapidamente visualizado nos meios Em relação à abrangência houve concordância de comunicação. desen. troles e padrões de segurança para a assistência em cução do Checklist para a prevenção de infecção de saúde fundamentou a importação do comprovado sítio cirúrgico como estratégia para monitorar os método sistematizado de verificação de segurança indicadores em tempo real (Anexo 3). ao contrário da qualitativamente os achados. assim.(1) No entanto. de um diferencial na assistência em O sistema de assistência à saúde não pode prescin. Ferraz EM. so. ainda não são volvimento de um sistema informatizado em pla. muitos entre todos os peritos. Não há um padrão único quando a ocorrência de grandes catástrofes mobili. internações hospitalares em todo o mundo. o principal foco deste modelo. período de internação ou mesmo a Como produto resultante deste estudo foi desen. considerou-se que a sugestão além de tornar o item mais de metade decorre dos cuidados cirúrgicos. Neces- sita-se. Oliveira Filho AG. portanto reali. Isto dificulta taforma web da versão final do instrumento.

os pacientes que retornarão para seus domicílios to pré-entrada em sala operatória. to das equipes. destoando de muitos achados bené. Validação de checklist cirúrgico para prevenção de infecção de sítio cirúrgico dação de se fazer modificações e adaptações no ins. nalizada pela estrutura governamental. o checklist rio de assistência cirúrgica propõe aos indivíduos que validado apresenta mais itens de controle de proces- participam deste processo. gada do paciente ao centro cirúrgico) e do check dido para momentos interelacionados com a segu. plar todo o processo assistencial dado ao paciente ção de dados para identificação de pontos a serem cirúrgico. Aos profissionais que atuam em partir da reunião dos checklists pode embasar deci- centro cirúrgico somente a habilidade técnica não é sões gerenciais de melhoria de processo de trabalho. itens referentes ao preparo do paciente. 28(6):553-65. o uso do Outra situação relevante considerada neste es. 2015. 30% poderiam ter sido prevenidos com para a prevenção de infecção e redução do número o uso do SURPASS. por se tratar de um sistema. dentes detectados com incapacitação permanente talidade.20) segurança cirúrgica de forma global e multidisci- A estratégia do uso de um checklist nos procedi.(2-6) abrangente e de mostrar potencial de melhoria da No entanto. e comunicação constante entre indivíduos. para a redução das taxas de morbi-mor. Segundo os au. -out (saída do paciente) no instrumento objetivou rança do paciente no período perioperatório.(23) desenvolvido de reconhecer suas limitações. a relação de custo envolvida. de complicações cirúrgicas. comparação ao instrumento da AORN. este sistema não considera ficos da implementação do checklist. co de sangramento e. mas também. Estudo aponta que o uso de checklist pode reforçados ou alterados para a melhoria nos padrões prevenir a má prática cirúrgica. envolvimento e engajamen- após três meses de sua implantação.(1-6) um estudo situações cirúrgicas específicas de risco. com o objetivo de verificar a rança da assistência ao paciente.(1) Seu uso está associado à sistematiza. a Outro modelo já em utilização é o Surgical Pa- capacidade e a atitude se comunicar de forma eficaz. Além de contribuir indivi- procedimento cirúrgico estão associados à interação dualmente com a segurança do paciente cirúrgico. o suficiente. checklist validado pode vir a otimizar os possíveis tudo foi a já observada utilização do checklist não resultados obtidos. como o ris- realizado em Ontário. sua alta institucional. gurança cirúrgica tem sido utilizado para prevenir gicas a seguirem de forma sistemática passos críticos ações judiciais por má prática cirúrgica por contem- de segurança. o fator que pode ter influenciado os achados é tégia preventiva do processo de trabalho interven- a introdução não voluntária de um checklist. apesar de mais de erros por falha de comunicação da equipe. bem como ou morte.20) Por isso.(24) No entanto. O aparato tecnológico e so de trabalho julgados pertinentes pelos juízes no os recursos materiais necessários à execução de um momento do check-in. A introdução do check-in (che- apenas dentro da sala operatória. tient Safety System (SURPASS). há ção do checklist em 130 hospitais de forma institucio. .(19. Em var-se em consideração a complexidade que o cená. mas sim expan. específicas para a execução do procedimento. Este estudo Experiências descrevem que o sucesso da im- demonstrou não haver melhorias significantes para plementação do checklist e os bons resultados estão mortalidade e ocorrência de complicações cirúrgicas ligados à participação. Um fechar o ciclo da assistência cirúrgica inclusive para modelo de checklist com a inclusão de um momen. de aprender com os para ser aplicado durante toda a trajetória do pa- erros e principalmente de trabalhar em equipe para ciente na assistência cirúrgica. Canadá(21) avaliou a introdu. plinar. dos mate- trumento da OMS. serviços compreende-se que uma base de dados montada a e equipamentos. é importante le. pois dos 94 inci- de cuidado. denominado após o procedimento.(1) além da introdução do check in e check 560 Acta Paul Enferm.(19. O SURPASS além do uso relacionado à se- mentos cirúrgicos objetiva auxiliar as equipes cirúr. senão principalmente.(21) cionista específico do paciente cirúrgico. check-in foi proposto pela associação de enfermeiros Diante deste cenário e conforme recomendação perioperatórios (AORN)(22) no qual são checados da OMS. para efetivar a estra- tores. desde a admissão até garantir a melhoria contínua da qualidade e segu. segurança do paciente.(1) riais e equipamentos e a presença de documentações Porém para lapidar o método.

em parceria. Oliveira Filho AG e Freitas MIP de segurança cirúrgica. claros e abrangen- na intervenção cirúrgica. é necessária Conclusão a sua validação científica. desenvolveu o sistema procedimento certo. foi criado um formulário informatiza. A pesquisa pela literatura que objetivem a prevenção de ISC no não recebeu financiamento para a sua realização. ensino e pesquisa. Agradecimentos nalizar um instrumento que. gestão. revisão crítica relevante do conteúdo in- itens do checklist e possibilita a inserção e regis. garantir os melhores resultados para seu cliente.(1) de infecção nas instituições de saúde. banca foi a característica heterogênia dos peritos de forma a atender a demanda da instituição de os quais atuam na assistência ao paciente. Oliveira Filho AG. Ressalta-se que a com- posição da banca de peritos deste estudo. eliminação do retrabalho de anotar em papel e análise. Guidelines Safe Surgery. interpretação dos dados. relacionadas à assistência em saúde. podem contribuir para a redução da ocorrência venção da infecção de sítio cirúrgico. 2015. processos de esterilização e ram considerados pertinentes.(1. tes. Available from: www. 561 . Ferraz EM. sendo possível sua utilização na assistência ao tes no cenário da prática cirúrgica ou no apoio a paciente cirúrgico. considera além trução do instrumento e a equipe da divisão de in- de operar o paciente certo. 1. telectual e aprovação final da versão a ser publicada. utilização do checklist. no local certo e com o formática que.25) A pre. bem como de auditar fa- cilmente fatores que comprometam a segurança do paciente e a prevenção da infecção do sítio Referências cirúrgico. Isto possibilita. teúdo e pode atender melhor à necessidade de pre- tro fator de destaque na seleção e composição da venir erros e complicações ao paciente cirúrgico. diferentemente do À equipe multiprofissional que participou da cons- instrumento proposto pela OMS. revisão crítica relevante do conteúdo intelectual e a análise fácil de indicadores diários da efetiva aprovação final da versão a ser publicada.25) a equipe multiprofissional itens direcionados à pre. tro dos dados em tempo real durante a checagem Roscani ANCP. digitar as informações em um banco de dados. que demonstram que a in. World Health Organization. Ou. verificar passos preconizados informatizado do instrumento validado. o fecção de sítio cirúrgico (ISC) é uma complicação paciente.who.8-10. além da colaboraram nas etapas de concepção do projeto. período perioperatório. foram analisados e validados em conjunto com prevenção das infecções de sítio cirúrgico. Word Alliance for Patient Safety. contem. nho da sustentabilidade do sistema de assistência valência de ISC é a mais comum dentre as infecções à saúde.int/ te.7.10.(25) Após a construção de um instrumento e antes de sua efetiva aplicação na assistência. 28(6):553-65. As contribuições dos peritos possibilitaram fi. Roscani AN. para aos achados da literatura na avaliação dos resultados melhoria de seus processos de trabalho de modo a da assistência cirúrgica. ações simples conforme as recomendações para patientsafety/safesurgery/knowledge_base/SSSL_Brochure_finalJun08.(1. Desse modo podemos estruturar o cami- do ato cirúrgico que pode ser evitada. Às lideran- Este direcionamento foi dado ao instrumento ças cabe estabelecer estratégias validadas e tomar frente às evidências da prática assistencial associadas decisões baseadas em dados sistematizados.(1) Como um produto adicional do instrumento Colaborações validado. 2008. redação do artigo. Freitas MI out.pdf. na área estudo. [cited 2010 Aug 25]. São profissionais atuan. O checklist modificado a partir do modelo preco- plou profissionais com expertise nos três campos de nizado pela OMS foi validado quanto ao seu con- conhecimento: assistência. Os itens que compõe o instrumento fo- de infectologia. Ferraz EM declara que contribuiu com a redação do na plataforma web que contempla todos os do artigo. Acta Paul Enferm. esta prática. Acredita-se que apesar da variabilidade presen.

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