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ESPÉCIES TRIBUTÁRIAS

• São cinco as espécies tributárias: impostos, taxas,


contribuições de melhoria, empréstimos compulsórios e
contribuições sociais (artigos 145, 148-149, CF)
• Critérios para verificar a natureza jurídica de uma espécie
tributária (artigo 145, §2º, e 167, IV, da CF, e artigo 4º, CTN:
1. fato gerador e base de cálculo (para diferenciar imposto
de taxa, imposto de contribuição de melhoria, e taxa de
contribuição de melhoria);
2. destinação do dinheiro arrecadado (encontrar a natureza
jurídica dos empréstimos compulsórios e das
contribuições sociais, bem como diferenciar as
subespécies das contribuições sociais); e
3. circunstâncias que ensejaram a instituição do tributo
(diferenciar os empréstimos compulsórios dos incisos do
artigo 148, da CF, e diferenciar o Imposto Extraordinário
do Imposto Residual, previstos nos incisos do artigo 154,
CF)

+ IMPOSTOS
• definição do artigo 16, CTN: é o tributo cuja obrigação tem
por fato gerador uma situação independentemente de
qualquer atividade estatal específica, relativa ao
contribuinte
• o fato gerador dos impostos é uma atividade ou situação do
contribuinte, e não uma atividade estatal
• regra: vedação de vinculação da receita de imposto, sob
pena de inconstitucionalidade (artigo 167, IV, CF)
• a Constituição prevê: no artigo 153, sete impostos para a
União (além da competência residual do artigo 154, CF);
três impostos para os Estados e Distrito Federal; e três
impostos para Municípios e Distrito Federal. A União (só ela)
tem a chamada competência residual do artigo 154, CF
• o CTN traz uma classificação econômica dos impostos:
sobre o comércio exterior (II e IE); sobre o patrimônio e a
propriedade (ITR, IPTU, ITBI, IR); sobre a produção e a
circulação (IPI, ICMS, ISS, IOF)
• os elementos do fato gerador dos impostos precisam ser
“definidos” em lei complementar nacional, por força do
artigo 146, III, a, CF (norma geral de direito tributário)

+ TAXAS

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• definição dos artigos 145, II, CF e 77, CTN. É o Estado quem
pratica o fato gerador
• duas hipóteses para ensejar a instituição de uma taxa:
1. exercício regular do poder de polícia: “polícia”, aqui, não tem o
sentido de segurança pública, mas sim de fiscalização. A
propósito, artigo 78, CTN
2. prestação de serviço público específico e divisível, prestado ao
contribuinte ou posto à sua disposição. O artigo 79 do CTN
define o que seja serviço específico e divisível.
• a competência para instituir taxas dependerá da
competência administrativa para prestar o serviço público
ou exercer o poder de polícia (ver artigo 80, CTN). Todas as
entidades da Federação (União, Estados, DF e Municípios)
poderão instituir taxas, no âmbito de suas atribuições.
• as taxas não poderão ter base de cálculo própria dos
impostos, de acordo com o artigo 145, §2°, da Constituição
Federal. O valor da taxa deve apresentar uma
correspondência com o custo da atuação estatal. As taxas
não são criadas para aumentar a arrecadação tributária,
mas sim como uma contraprestação pela fiscalização
exercida ou o serviço público prestado. Daí porque ser
inconstitucional uma taxa cuja base de cálculo seja o “valor
venal do imóvel”, afinal de contas esse critério escolhido
jamais trará uma ligação com o custo da atuação estatal
• Exemplos: Leis nº 9.765/98, nº 9.781/99, nº 9.960/00

+ CONTRIBUIÇÕES DE MELHORIA

• tributo muito pouco instituído. Definição dos artigos 145, III


e 81, CTN
• além dos artigos 81 e 82, do CTN, o Decreto-lei n° 195/67
dispõe sobre esse tributo
• Artigo 2° daquele decreto-lei: rol taxativo ou
exemplificativo?
• somente quem realizou a obra poderá cobrar o tributo.
Assim, todas as entidades da federação poderão instituir a
contribuição de melhoria
• limite total = valor total da obra (veja que a contribuição de
melhoria não possui a finalidade de aumentar a
arrecadação, mas apenas para cobrir os gastos realizados
com a obra pública).
• limite individual = valor acrescido no imóvel.

+ EMPRÉSTIMOS COMPULSÓRIOS – art. 148, CF

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• só a União possui competência para criar esse tributo
• depende de lei complementar (art. 15, parágrafo único, do
CTN), e o valor arrecadado deverá ser posteriormente
devolvido (traço peculiar)
• possui destinação vinculada a uma finalidade constitucional:
1. despesas extraordinárias, decorrentes de calamidade
pública, de guerra externa ou sua iminência; ou
2. para fins de investimento público de caráter urgente e
de relevante interesse nacional
• cuidado: a Constituição não recepcionou o inciso III, do
artigo 15, do CTN, que trata de uma hipótese não
contemplada no artigo 148, da CF: conjuntura que exija a
absorção temporária do poder aquisitivo (caso do “confisco”
da poupança pretendida por Collor)

+ CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS (parafiscais, especiais)

• muito usada pelo Governo Federal, pois, em regra, não


depende de lei complementar, nem precisa repartir a
receita com nenhuma outra entidade federada
• discute-se se a contribuição social é um tributo. Hoje, o
debate fica prejudicado porque o Supremo Tribunal Federal
já pacificou o entendimento de que é tributo. Todavia, as
leis federais sempre fazem distinção entre “tributos” e
“contribuições”
• o Supremo Tribunal Federal já decidiu que pode haver
contribuição social com mesmo fato gerador de imposto
• a contribuição social é um tributo vinculado a uma ação
estatal, prevista constitucionalmente
• Há quem defenda a orientação de que só podem ser
contribuintes aqueles que tenham uma relação com a
atividade estatal, e tenham um proveito com a atuação
estatal (nem que seja indireta ou presumida)
• as contribuições podem ser das seguintes espécies, de
acordo com a destinação do produto arrecadado:

1) de custeio da Seguridade Social.


• são as mais importantes e usadas. A destinação de sua
arrecadação vai para a “seguridade social”, ou seja, para a
saúde, previdência social e assistência social
• Para sua criação, basta uma lei ordinária, mas desde
que a base de cálculo esteja prevista nos incisos do caput
do artigo 195, da Constituição Federal (folha de salários e
rendimentos do trabalho; receita; faturamento; lucro;
salário, rendimento, receita de concursos de prognósticos,

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importação). Se não estiver elencada em tais incisos,
somente uma lei complementar poderá instituí-las (“outras
fontes”)
• Exemplos: cota patronal, cota dos empregados, pro-
labore, SAT (arrecadados pelo INSS); e CSLL, PIS e COFINS
(arrecadados pela Receita Federal)
• Além da União, os Estados, Distrito Federal e
Municípios podem instituir contribuições de custeio de seus
próprios sistemas de previdência. Neste caso, apenas os
servidores municipais podem ser obrigados aos
recolhimentos, pois somente eles são os beneficiários (ver
artigo 149, §1°, CF).

2) de intervenção no domínio econômico – CIDE:


• Competência exclusiva da União, sendo que sua
arrecadação deve ser necessariamente destinada à
intervenção no domínio econômico. Repartição dessa receita
com Estados, Distrito Federal e Municípios: art. 159, III e §3º,
CF
• Entende-se por “intervenção no domínio econômico”
as atuações estatais relacionadas aos princípios da ordem
econômica (artigos 170 e 174, CF). Ex.: SEBRAE, AFRMM
(adicional ao Frete para renovação da Marinha Mercante)
• A Emenda n° 33/01 previu uma CIDE sobre as
atividades de importação e comercialização de petróleo e
seus derivados, gás natural e álcool combustível, com
destinação voltada ao pagamento de subsídios a preços ou
transporte de álcool combustível, gás natural e derivados de
petróleo e do gás, e ao financiamento de programas de infra-
estrutura de transportes (artigo 177, §4°, CF; Lei nº
10.336/01)

3) de interesses das categorias profissionais ou


econômicas: são aquelas cuja arrecadação é destinada para
um órgão ou entidade representante de uma categoria
profissional ou econômica. Ex.: INCRA, SESC, SENAC, SENAT,
SEST, SESI, SENAI, OAB, CRC, CREA, CRQ, contribuição
sindical do art. 578, da CLT (≠ confederativa – art. 8º, IV, CF)
etc. Ver art. 240, CF

4) sociais gerais: por exclusão, são as contribuições que


não se encaixam nas subespécies anteriores. Ex.: salário-
educação (art. 212, §5º, CF), FGTS, contribuição de custeio do
serviço de iluminação pública – CIP (art. 149-A, CF),
CONDECINE (MP nº 2.228-1/01), “adicionais do FGTS” (LC nº
110/01)
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