You are on page 1of 49

3544 – Saúde da Pessoa Idosa – Prevenção de Problemas

Objetivos

-Reconhecer a importância dos fatores que contribuem para a promoção


da saúde;
- Reconhecer os problemas de saúde mais comuns na terceira idade;
- Identificar o estado do doente terminal em domicilio, aplicando os
métodos e as técnicas de avaliação e prevenção;
- Prestar cuidados, sob orientação, ao idoso em fase terminal.
Conteúdos Programáticos

Promoção da Saúde
-Conceito de saúde
- Higiene Corporal
- Alimentação e nutrição
- Exercício físico
- Hábitos Tóxicos
- Higiene do meio físico e social
- Vacinas
- Doenças crónico-degenerativas
- Controlo da medicação
Problemas de Saúde
-Problemas cardiovasculares
- Problemas respiratórios
- Problemas gastrointestinais
- Problemas hematológicos e oncológicos
- Problemas endocrinológicos
- Problemas genito-urinários
- Problemas músculo-esqueléticos
- Problemas neurológicos e sensoriais
- Problemas dermatológicos
- Problemas oftalmológicos
- Problemas infeciosos.
Métodos e Técnicas aplicadas ao doente em estado terminal
-Abordagem compreensiva e multidimensional
- Critérios de inclusão
- Degradação funcional – métodos de avaliação e prevenção

Cuidados em fase Terminal


-A higiene
- O conforto
- O apoio

Atuação após a morte


-Corpo
- Família
- Formalidades
Conceito de saúde

“É um estado positivo de completo bem-estar físico, mental e social”. Esta


definição contraria e do modelo médico que associa a saúde” à ausência de
doença” ou de qualquer tipo de distúrbio biológico.

No que respeita ao idoso institucionalizado, a estrutura residencial deve


promover a educação para a saúde e a prevenção da doença e assegurar, de
forma adequada, os cuidados médicos, de enfermagem e de reabilitação de
que os residentes necessitem.
Cada residente deve ter um processo individual de saúde, aberto
aquando da admissão. Toda a informação respeitante à saúde do
residente deve constar desse processo, que é confidencial e deve ser
guardado em local de acesso restrito, podendo apenas ser consultado e
atualizado pela equipa de saúde. Pode ainda ser consultado pelo próprio,
ou representante legal, de acordo com o critério médico.

Os prestadores de cuidados de saúde devem, também, respeitar a


privacidade e a confidencialidade. Em conformidade a prestação de
cuidados de saúde deve decorrer num ambiente que não possibilite a
outros residentes ouvir o que for dito, e que garanta que o ato não será
interrompido. Os cuidados de saúde, enfermagem e reabilitação devem
ser prestados por profissionais qualificados.
A prevenção da doença é uma arma inestimável. A estrutura residencial deve
ter planos elaborados e implementados para prevenção e controlo de
situações que podem afetar os residentes.
Eis algumas:
Ondas de calor e frio - o Ministério da Saúde e o Serviço Nacional de
Bombeiros e Proteção Civil emitem anualmente orientações sobre esta
temática;
Surtos de infeção - exames médicos periódicos de colaboradores e
residentes, despiste de situações infeciosas (tuberculose, gripe, diarreias
víricas, escarasinfetadas, entre outras), programa de vacinação de residentes
e colaboradores, isolamento de pessoas com problemas de doenças
infeciosas, (sempre que para tal haja indicação por parte do Delgado de
Saúde Pública), planos de cuidados para as pessoas que tenham estas
doenças e planos de ensino para quem as cuida e se relaciona com elas;
Resíduos provenientes dos cuidados de higiene e cuidados de saúde - a
sua eliminação deve ser cuidadosa e feita no menor espaço de tempo, de
acordo com procedimentos estabelecidos; úlceras de pressão - devem
estabelecer-se procedimentos para a sua prevenção, o seu controlo e
adequado tratamento;

Situações propiciadoras de quedas - há que prestar especial atenção a


residentes medicados (ou com falta ou excesso de medicamentos) ou que
sofram alterações visuais, auditivas ou de equilíbrio; a organização do espaço
e do mobiliário deve procurar evitar situações que propiciem quedas;

Lesões autoinfligidas - devem-se controlar os comportamentos


autodestrutivos e encaminhar convenientemente todos os casos.
Higiene Corporal

A falta de higiene não é apenas um problema que pode interferir com a saúde.
Contribui também, e de forma decisiva, para uma diminuição da auto-estima
e dificulta a integração social. Sublinhemos que alguns residentes podem já
sentir-se diminuídos nestas áreas por negligenciarem habitualmente a sua
própria higiene.

É nossa responsabilidade apoiá-los na manutenção da mesma, mas tendo


presente que sempre que possível, o residente deve responsabilizar-se pela
sua própria higiene, promovendo, também nesta área, a sua autonomia.
A prestação de cuidados de higiene apoiada ou assistida deve
primordialmente ter em conta o conforto do residente e ser levada a cabo
com total respeito pela sua privacidade. É regra básica que todos os
utensílios de higiene - escovas de cabelo, pentes, toalhas, escovas de dentes,
sabonetes, águas-de-colónia, máquinas ou lâminas de barbear e quaisquer
outros - são exclusivos e únicos para cada residente.

Deverá ser imediatamente comunicada aos serviços de saúde qualquer


anomalia detetada durante a higiene diária: edema; equimose; dor;
vermelhidão; alteração da cor, consistência ou cheiro de fezes e urinas;
quaisquer queixas aparentemente injustificadas.
Alimentação e Nutrição

Uma alimentação equilibrada, ajuda a manter o organismo são. As


necessidades alimentares das pessoas idosas, são basicamente iguais às
dos adultos. Para a conservação do peso ideal, deve existir um equilíbrio
entre as calorias ingeridas e os gastos energéticos.

Dieta aconselhada às pessoas idosas:

Leite e seus derivados


Deverão consumir 2 copos de leite por dia. Este leite pode ser: magro,
meio gordo ou gordo. E pode ser tomado como bebida ou como
ingrediente principal em alguns pratos (ex: cereais).
Pão e cereais
Deverão consumir 3 a 5 porções. Considera-se uma porção: 1 fatia de pão; ½
chávena de cereais cozinhados; ½ chávena de cereais prontos a servir; 1 pão
pequeno; ½ chávena de arroz, macarrão ou esparguete após cozinhados.

Carne, Peixe, Caça e Substitutos


Deverão consumir 2 porções por dia, sendo que 1 porção equivale entre 60 a
90gr de carne magra, de peixe, de caça ou de fígado depois de cozinhado.
Pode-se substituir por 4 colheres de sopa de manteiga de amendoim, ou 1
chávena de ervilhas secas, favas secas ou lentilhas, depois de cozinhadas. É
também idêntico, ingerir ½ chávena de nozes ou pevides, 60 gr de queijo
fundido, ½ chávena de queijo fresco ou 2 ovos.
Frutos e Legumes
Para manter uma alimentação saudável, deverão ingerir 4 a 5 porções de
legumes por dia. Na escolha deverão constar pelo menos dois tipos de
legumes. Os legumes e os frutos poderão ser consumidos cozidos, crus ou
em sumo. Uma porção equivale a ½ chávena de legumes ou de frutos
frescos, congelados ou em conserva, 1 batata, 1 cenoura, 1 tomate, 1 pêssego
ou uma unidade de qualquer outra fruta.

Quando ajudamos o residente a alimentar-se, devemos perguntar-lhe que


tipo de ajuda necessita ou deseja. Deve ser ele a guiar-nos e nunca o oposto.
A alimentação deve ser dada a uma velocidade adequada, garantindo
sempre que a pessoa está confortável e que se sente tratado como um adulto.
O momento da refeição deve ser agradável para todos, devendo evitar-se
tudo o que possa levar o residente a sentir-se diminuído na sua dignidade.
O aumento da ingestão de líquidos, nomeadamente, água, é extremamente
importante e muitas vezes também extremamente difícil. De uma forma
geral a pessoa idosa “não gosta de água”. O que verdadeiramente se passa é
que ele não sente sede. É pois primordial, não esquecer de o lembrar da
necessidade de ingerir água, quer seja na sopa, como no chá, em sumos de
fruta, leite ou água pura.
Exercício Físico

Segundo a Organização Mundial de Saúde, A atividade física habitual da


população em geral diminui com o envelhecimento. O exercício físico
permite ao idoso desenvolver uma atitude positiva e dinâmica quanto à
saúde e ao bem-estar, e são numerosos os benefícios que dele conseguem
retirar: melhora a aparência, a vitalidade e a atitude, ganha flexibilidade,
vigor e resistência.

A atividade física regular é uma das atividades que deve ser implantada
nesta fase da idade como primordial para o processo de envelhecimento.
A participação do idoso em programas de exercício físico regular, influencia
no processo de envelhecimento com impacto sobre a qualidade e expectativa
de vida, melhoria das funções orgânicas, garantia de maior independência
pessoal e um efeito benéfico no controlo, tratamento e prevenção de doenças
como diabetes, enfermidades cardíacas, hipertensão, arteriosclerose, varizes,
enfermidades respiratórias, artrose, distúrbios mentais, artrite e dor crónica.
Hábitos Tóxicos

Abuso de Álcool
O consumo de álcool em Portugal é o dos mais elevados da Europa.
Sabemos que o abuso de álcool tem efeitos prejudiciais conhecidos sobre a
saúde em qualquer idade.

Nos idosos, além de poder causar doenças hepáticas, gástricas, cardíacas e


neurológicas, vai agravar problemas específicos do envelhecimento, como o
risco de quedas, diminuição das defesas do organismo por enfraquecimento
do sistema imunitário e a deterioração das capacidades mentais.

Tabagismo
É uma das principais causas de morte, pelas doenças que origina –
bronquite crónica, cancro de pulmão, doenças cardiovasculares, etc.…

Os benefícios do abandono do tabaco estão demonstrados nos idosos e nos


doentes que sofrem de doenças crónicas relacionadas com o tabaco.
Higiene do meio físico e social

Adaptação domiciliária e prevenção de acidentes

À medida que a idade avança a morte celular progressiva leva a um desgaste


tanto anatómico como fisiológico e que, em termos práticos, se traduz por
uma diminuição do funcionamento dos vários órgãos e sistemas do
organismo.

Os acidentes são responsáveis pelo aumento do grau de dependência das


pessoas idosas. Os problemas ligados ao envelhecimento, como a cegueira, a
surdez, os défices sensoriais, dificuldade em andar e manter o equilíbrio,
tornam as pessoas idosas mais vulneráveis às quedas e aos acidentes de toda
a espécie.
Muitas das pessoas idosas, vivem em ambientes desadaptados às suas
necessidades, por exemplo: vivem em prédios antigos, com muitas escadas,
por vezes sem iluminação; moram nos arredores dos centros de comércio e
não têm meios de transporte adequados; vivem em casas grandes demais
para apenas uma pessoa. O ambiente é pois muito importante para as
pessoas de idade.

As quedas na pessoa idosa podem ocorrer em três circunstâncias bem


diferentes:
1 . Quedas com total perda de consciência;
2 . Quedas com perda parcial de consciência;
3 . Quedas sem perda de consciência.
Fatores Intrínsecos:
- Diminuição das capacidades sensoriais, psíquicas e intelectuais;
- Obesidade
- Nutrição deficiente em cálcio, vitaminas A, C e D
- Amputações
- Fadiga
- Sedentarismo.

Fatores Extrínsecos
- Pisos lisos, húmidos, escorregadios e de má iluminação
- Escadas com corrimões de apoio baixos e não seguros ou ausentes
- Camas demasiado altas
- Ambiente estranho.
Cuidados a ter na prevenção de acidentes:
- Ter uma boa iluminação; - Escadas com corrimão;
- Tapetes com antiderrapante;
- Não alterar a organização da mobília na casa da pessoa idosa. Se a pessoa
idosa mudar de habitação (para uma instituição ou para a casa dos filhos),
tentar manter a disposição do quarto, conforme está habituado;
- Não usar roupa muito comprida, pode provocar queda, os sapatos deverão
ser de sola de borracha para não escorregarem;
- Ao nível da cidade, passeios muito altos, com buracos e escorregadios,
autocarros, elétricos e comboios com os degraus muito altos, são muitas vezes
as causas de queda nas pessoas idosas;
- Se a pessoa idosa for independente, há que ter o cuidado de a avisar, através
de recados escritos em letra grande e colocados em lugar visível, de não se
esquecer de desligar o fogão quando o utiliza. Se houver situação de
demência, há que ter o cuidado de desligar o gás no contador.
Reabilitação e reinserção social

Os residentes devem participar em atividades da mais variada natureza -


desportivas, artísticas, culturais, recreativas ou religiosas.

Uma boa forma de motivar os residentes a participar é envolvê-los no


planeamento e avaliação das atividades. A oferta deve ser tão variada quanto
possível e deve haver informação afixada sobre as atividades desenvolvidas,
quer pela residência, quer pela comunidade, esclarecendo as condições de
participação. Sempre que possível, a comunidade deve igualmente ser
convidada a participar em atividades organizadas pela estrutura residencial.
Vacinas

As vacinas são o meio mais eficaz e seguro de proteção contra certas doenças.
Mesmo quando a imunidade não é total, quem está vacinado tem maior
capacidade de resistência na eventual idade da doença surgir.

Não basta vacinar - se uma vez para ficar devidamente protegido. Em geral, é
preciso receber várias doses da mesma vacina para que esta seja eficaz.
Outras vezes é também necessário fazer doses de reforço, nalguns casos ao
longo de toda a vida.

A vacinação, além da proteção pessoal, traz também benefícios para toda a


comunidade, pois quando a maior parte da população está vacinada
interrompe- se a transmissão da doença.
Quais as vacinas aconselhadas para idoso?
- Vacina contra a gripe;
- Vacina contra os pneumococos (pneumonia);
- Vacina contra o tétano.

A necessidade de efetuar outras imunizações deve ser ponderada


individualmente, tal como acontece com qualquer outro adulto,
considerando entre outros fatores: a situação clínica do indivíduo, a sua
profissão, o seu local de residência ou o facto de ter de realizar uma viagem a
um país estrangeiro.
Doenças Crónico-degenerativas: aspetos preventivos

Os estudos sobre o envelhecimento mostram que a saúde na velhice


depende muito de hábitos de vida saudáveis e de cuidados que a pessoa
recebeu ao longo de toda a vida, a partir da infância e até mesmo antes de
nascer.

Esses estudos permitem afirmar que velhice não é doença. No entanto,


sabemos também, que as pessoas idosas são, em geral, mais vulneráveis,
isto é, ficam mais sujeitas a adoecer e, quando adoecem, demoram mais
para sarar.
A promoção da saúde e os cuidados de prevenção, dirigidos às pessoas
idosas, aumentam a longevidade e melhoram a saúde e a qualidade de
vida e ajudam a racionalizar os recursos da sociedade. Está, de facto,
provada a eficácia da prevenção dos fatores de risco comuns a várias
patologias incapacitantes de evolução prolongada, pelo que é prioritária
uma atuação concertada, de todos os atores da sociedade, para melhorar
os cuidados com uma boa nutrição, desincentivar o consumo excessivo
de álcool, a cessação ou redução do consumo de tabaco, a prática regular
de atividade física e o controlo dos fatores de stress.
Tendo em conta os determinantes comportamentais de um envelhecimento
ativo ao longo da vida, a adoção de estilos de vida mais saudáveis e uma
atitude mais participativa na promoção do auto cuidado serão fundamentais
para se viver com mais saúde e por mais anos, contrariando um dos mais
frequentes mitos negativos, ligados ao envelhecimento, que considera ser
tarde demais, quando se é mais idoso, para se alterar o modo como se vive.
Controlo de Medicação

A administração de terapêutica é, essencialmente, um ato de enfermagem. No


entanto, a administração por via oral, via rectal, além da aplicação tópica
(pomadas, gotas nos olhos e ouvidos) pode ser uma tarefa da família da
pessoa idosa ou das/os técnicas/os de apoio á vida familiar, sob a orientação
das/os enfermeiras/os e segundo a prescrição médica.

A pessoa idosa deve ser estimulada a tomar conta da sua medicação. Só deve
ser substituído, quando as suas faculdades mentais começarem a diminuir,
existindo o perigo de engano.
O ensino à pessoa idosa, neste capítulo deve incidir em:
Explicar à pessoa idosa para que servem os medicamentos que está a tomar
(a sua ação), duma forma simples e clara;
Reforçar as instruções verbais com instruções escritas;
Se a pessoa idosa for analfabeta, combinar com ela, qual a melhor forma de
ser o mais possível independente, no tomar da medicação;
Sugerir á pessoa idosa que tenha as embalagens dos medicamentos sempre à
vista, para não se esquecer de os tomar;
Em relação aos horários de tomar os medicamentos, se não houver contra-
indicação, aconselhar a escolher uma hora que coincida com determinada
atividade da vida diária;
Alertar a pessoa idosa para os riscos que pode correr se não cumprir os
ensinamentos feitos, muito especialmente, no que diz respeito às doses dos
medicamentos. Não deve nunca experimentar medicamentos prescritos para
outras pessoas.
Problemas de Saúde

-Cardiovasculares
- Respiratórias
- Gastrointestinais
- Hematológicos e oncológicos
- Endocrinológicos
- Genito-urinários
- Musculosqueléticos
- Neurológicos e sensoriais
- Dermatológicos
- Oftalmológicos
- Infeciosos
Métodos e técnicas aplicados ao doente em estado terminal

Abordagem compreensiva e multidimensional

O conhecimento prévio e uniformizado das necessidades das pessoas


idosas, permite aos sistemas de apoio oferecer melhores respostas. Daí a
pertinência dos sistemas de avaliação compreensivos e multidimensionais
das necessidades de pessoas idosas,

Neste contexto, a literatura recomenda o uso de avaliações simples,


individuais, compreensivas e multidimensionais que facilitem respostas
individualizadas e a adequação dos sistemas de saúde e ação social.
A avaliação geriátrica consiste num esforço multidisciplinar para identificar
as necessidades dos idosos com o objetivo de maximizar a sua saúde e bem-
estar, e recomendar os cuidados que permitam obter o melhor resultado.

Assim, a avaliação e a intervenção geriátrica asseguram a integralidade e a


multidisciplinaridade na atenção ao idoso, promovendo o seu bem-estar e
qualidade de vida, não se restringindo à deteção e tratamento clínico mas à
otimização do funcionamento global.
Critérios de inclusão

A Organização Mundial de Saúde (OMS) define os cuidados paliativos


como uma abordagem holística que tem o intuito de melhorar a qualidade
de vida dos doentes com problemas associados a doenças potencialmente
fatais e à sua família, recorrendo à prevenção e alívio do sofrimento através
da identificação precoce, avaliação adequada e tratamento dos diversos
problemas, sejam eles físicos, psicológico, sociais ou espirituais.
Princípios da prática dos cuidados paliativos
-Afirmam a vida e encaram a morte como um processo natural;
-Encaram a doença como causa de sofrimento a minorar;
-Consideram que o doente vale por quem é e que vale até ao fim;
-Reconhecem e aceitam em cada doente os seus próprios valores e prioridades;
-Consideram que o sofrimento e o medo perante a morte são realidades humanas
que podem ser clínica e humanamente apoiadas;
-Consideram que a fase final da vida pode encerrar momentos de reconciliação e
de crescimento pessoal;
-Assentam na conceção central de que não se pode dispor da vida do ser humano,
pelo que não antecipam nem atrasam a morte, repudiando a eutanásia, o suicídio
assistido e a futilidade diagnóstica e terapêutica;
-Abordam de forma integrada o sofrimento físico, psicológico, social e espiritual;
-São baseados no acompanhamento, na humanidade, na compaixão, na
disponibilidade e no rigor científico;
-Centram-se na procura do bem-estar do doente, ajudando-o a viver tão
intensamente quanto possível até ao fim;
-Só são prestados quando o doente e a família os aceitam;
Respeitam o direito do doente escolher o local onde deseja viver e ser
acompanhado no final da vida;
-São baseados na diferenciação e na interdisciplinaridade.

Os doentes terminais, habitualmente, têm múltiplos sintomas, por vezes


intensos e debilitantes pelo que se torna fundamental a avaliação das suas
características e frequência, de forma a serem instituídas intervenções
adequadas que visem o seu controlo.
O controlo destes sintomas é fundamental para a qualidade de vida dos
doentes. Nas diversas definições de cuidados paliativos é evidente a
preocupação com a prevenção e controlo dos sintomas, através da
identificação, avaliação e tratamento dos mesmos.
Princípios gerais do controlo sintomático:
-Avaliar antes de tratar: determinar a causa ou causas dos sintomas;
-Explicar as causas dos sintomas e as medidas terapêuticas de forma clara e
acessível ao doente e à família;
-Não esperar que o doente se queixe mas perguntar e observar de forma a
antecipar, tanto quanto possível, o aparecimento dos sintomas;
-Adotar uma estratégia terapêutica mista, com recurso a medidas farmacológicas
e não farmacológicas.
-Estabelecer prazos para o cumprimento dos objetivos terapêuticos e adotar
estratégias de prevenção de sintoma que possam surgir, como deixar medicação
de resgate prescrita.
-Monitorizar os sintomas: utilizando instrumentos de medida estandardizados e
recorrendo a métodos de registo adequados;
-Reavaliar regularmente as medidas terapêuticas;
-Dar atenção ao detalhe: de forma a otimizar o controlo dos sintomas e a
minimizar os efeitos secundários adversos das medidas terapêuticas instituídas.
Degradação funcional – métodos de avaliação e prevenção

A avaliação de sintomas deve ser realizada de forma sistemática na admissão


e nas evoluções diárias, tendo em consideração as discrepâncias encontradas
entre o que o doente refere e o que os profissionais e até a própria família
referem como sintomas e intensidade dos mesmos.

Em qualquer avaliação a principal ferramenta envolve múltiplas conversas


com o doente e os familiares em que o profissional deverá conhecer os
antecedentes do doente antes de se concentrar na avaliação dos sintomas, de
forma a poder responder às questões colocadas e conseguir lidar com as
emoções demonstradas pelo doente e a sua família, e em que se deve ter em
consideração:
-A posição do doente e do profissional, visto que se o doente estiver virado
de forma anão ver o profissional, por exemplo, ou se o profissional se
mantiver em pé, distante, virado para a porta não vai ser possível
estabelecer uma conversa produtiva entre os dois;
-O tempo disponível para a conversa, pois o doente poderá ter dificuldade
em comunicar ou até querer esclarecer alguns aspetos acerca dos sintomas
o que exige tempo;
-A presença de familiares, que podem ajudar na avaliação dos sintomas
quando estão presentes diariamente e conhecem a situação clínica. Esta
presença deverá ser desejada pelo doente e não deverá perturbar a
conversa;
-O desejo do doente em comunicar, pois o doente deverá querer participar
na conversa que pode decorrer noutra altura se assim o desejar.
O tratamento de qualquer sintoma deve-se iniciar pela explicação das
razões que justificam os sintomas, de forma a reduzir o seu impacto
psicológico e, sempre que possível, deve-se incluir o doente no processo
de decisão terapêutica, fazendo com que este se sinta respeitado,
aumentando a sua auto estima
Cuidados em fase terminal

A higiene

Ter qualidade de vida até ao final de uma doença terminal é fulcral, por
isso, é necessário averiguar e experimentar quais os medicamentos e/ou
tratamentos que possam controlar essa dor. Mantenha um historial sobre
todos os medicamentos que o doente toma e possíveis reações, assim
como uma análise sobre quais os tratamentos mais efetivos ou não, para
poder informar o médico.
O doente pode ainda preocupar-se com a sua aparência – a perda de cabelo,
peso, as olheiras e a mudança de cor da sua pele são alterações físicas
significativas e, por vezes, chocantes. O cuidador pode ajudar o doente a
sentir-se melhor com a compra de alguns chapéus divertidos ou lenços
bonitos para cobrir a cabeça.

Os cuidados às mucosas, como a humidificação e limpeza da boca, nariz e


olhos, são fundamentais. Se o doente mantém a capacidade de deglutição,
devem oferecer-se líquidos frios, sumos de fruta, gelados, gelatinas,
pedaços de ananás de acordo com o gosto pessoal.
Se a deglutição não está presente, pequenas porções água semilíquida, gelo,
uma gaze húmida ou, em alternativa, o uso de um humidificador ou de um
nebulizador, poderão ser uma opção viável. Pode recorrer-se à aplicação de
lágrimas artificiais para minimizar o desconforto ocular. Estes cuidados
deverão ter lugar idealmente a cada 2 horas

No caso de incontinência podem usar-se fraldas, com o inconveniente da


necessidade de substituição frequente. Em situações especiais, as sondas
urinárias ou rectais são uma opção.
O conforto

O objetivo de qualquer intervenção na agonia é o conforto do doente, o que


implica um bem-estar integral. Deste modo, é essencial um adequado
suporte psicossocial, espiritual e religioso. Uma vez que muitas das
alterações podem causar ansiedade nos familiares e, consequentemente, aos
próprios doentes, é fundamental explicar que, parte delas não causam
necessariamente sofrimento.

O mais importante será assegurar os desejos e o conforto do doente. É


fundamental que seja garantido, quando necessário, um suporte médico, de
enfermagem ou familiar adequado e eficaz.
O apoio
O doente tem necessidades especiais e particulares. Pode estar calmo,
orientado e capaz de participar nas decisões e no planeamento dos
cuidados, ou, pelo contrário, pode estar com dores, ter medo, ser incapaz
de comunicar, pelas vias normais. Em qualquer dos casos, têm necessidades
sociais, espirituais e religiosas. Isto assume particular importância nesta
fase da vida, sobretudo quando a morte é entendida como mais um
momento de passagem.

As emoções sucedem-se, acrescentando à realidade descrita sentimentos de


perda, medo, ansiedade e incerteza, à medida que todo o processo evolui –
o que leva a que a situação do doente em fase terminal seja única e singular.
O doente terminal é um doente com necessidades específicas, particulares
e multifatoriais, o que implica um trabalho em equipa e uma atenção
continuada e individualizada.
Algumas atitudes e cuidados são importantes nas pessoas que
acompanham o paciente idoso em fase terminal.
1. Aceitar a morte como parte da experiência vital: nascemos, vivemos e
morremos.
2. Ver o paciente terminal como vivo e não como morto. Parecer haver um
pensamento generalizado de que aquele que tem uma doença incurável
está acabado.
3. Ter maturidade frente à morte e o morrer para que o cliente possa falar
sobre o que lhe aflige; saber ouvir; Acompanhar uma pessoa que esta
morrendo e uma oportunidade de aumentar nossa capacidade de amar e
vencer o medo. Ter medo da morte é ter medo de viver. A vida é um
processo e não uma meta.
4. A tranquilidade do acompanhante é condição indispensável, pois essa
é a hora da “terapia do silêncio”.
5. “Estar junto”, é um transmissor de afeto. Quem ama passa segurança a
sensação de estar acompanhada e não abandonada. Tocar, segurar na
mão, fazer um afago, ajuda a sentir-se seguro para poder apagar a vela da
vida.
6. Respeitar a vontade da pessoa, tanto para morrer, como para depois
da morte.
7. A família e peça chave, por isso e preciso prepará-la para enfrentar as
diversas fases do processo de morrer.
Formalidades após a Morte

Em caso de morte do cliente, a Organização deve ter previsto mecanismos de atuação


imediatos, nomeadamente:
• Comunicação do óbito aos restantes clientes e colaboradores, conferindo especial
atenção àqueles mais próximos do cliente: esta comunicação deve ser efetuada de forma
clama e tranquila e num espaço reservado, de forma a minimizar o impacto da
informação;
• Comunicação formal a outras Instituições com as quais o cliente tivesse
relacionamento;
• Definição do processo de organização e entrega dos bens do cliente aos significativos;
• Preparação e trabalho com o grupo de clientes com vista a uma gestão emocional de
forma equilibrada e ajustada;
• Identificação do representante da organização que estará presente na cerimónia
fúnebre.

A Estrutura Residencial deverá ainda assegurar o apoio na gestão do luto aos familiares/
significativos que tenham tido uma estreita vinculação afetiva ao cliente que faleceu