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18 de Janeiro de 2018

Tribunal de Justiça do Rio de Janeiro TJ-RJ - RECURSO


INOMINADO : RI 00295541720108190004 RJ 0029554-
17.2010.8.19.0004

RESUMO  EMENTA PARA CITAÇÃO

Processo
RI 00295541720108190004 RJ 0029554-17.2010.8.19.0004
Orgão Julgador
Terceira Turma Recursal
Partes
RECORRENTE: Editora Abril S.a, RECORRIDO: Ana Claudia de Mendonça Peixoto
Publicação
07/07/2011 13:15
Relator
FABIO RIBEIRO PORTO

Ementa
Processo n.º 0029554-17.2010.8.19.0004 Recorrente: EDITORA ABRIL S/A
Recorrido: ANA CLAUDIA DE MENDONÇA PEIXOTO R E L A T Ó R I O Trata-se
de AÇÃO DE INDENIZATÓRIA intentada por ANA CLAUDIA MENDONÇA
PEIXOTO em face de EDITORA ABRIL S/A, ao argumento que: (i) em 2009,
tornou-se colaboradora da empresa Ré, enviando informações a serem publicadas
na revista "Sou + eu"; (ii) ocorre que na edição de 21.05.2010, foi publicada uma
matéria, assinada pela Autora, porém que nunca fora enviada pela mesma, que
versava sobre possível traição de seu marido; (iii) tal fato causou constrangimentos
à Autora, e ainda, transtornos em seu relacionamento. Em razão dos fatos
narrados, requer (a) a retratação, referente à matéria supracitada, pelo uso
indevido de seu nome; e (b) danos morais no valor de 30 (trinta) salários mínimos.
Audiência de Instrução e Julgamento realizada às fls. 48. Contestação apresentada
às fls. 49/64 alegando (a) a inexistência de responsabilidade civil, sendo certo que
não estão configurados seus requisitos essenciais; (b) que foi a Autora, sim, quem
enviou a história publicada; (c) que a Requerente recebeu a contraprestação em
função da sua colaboração na edição nº 131; (d) a ausência de danos morais, haja
vista que a publicação decorreu de sua própria iniciativa, e ainda, não há prova a
respeito dos danos pleiteados; (e) o descabimento da inversão do ônus da prova,
tendo em vista que a relação existente não é a de consumo; e, por fim, (f) a
inaplicabilidade de retratação, sob o argumento de que a publicação ocorreu de
forma devida, e, ademais, o juízo competente para a discussão dessa natureza é a
esfera penal, apesar de extinta a Lei de Imprensa, requerendo ao final a
improcedência total do pedido. O projeto de sentença de fls. 105/107, homologado
às fls. 107, julga procedente os pedidos para condenar a Ré a (i) publicar nota
consistente na retratação da publicação da matéria de fls. 18, no prazo de 50 dias a
contar da publicação da sentença, sob pena de multa diária; e (ii) pagar a quantia
de R$ 1.500,00 (mil e quinhentos reais) a título de danos morais. Às fls. 108/126
encontramos o recurso inominado intentado pela Ré, em que repisa os argumentos
expostos na contestação e requer o afastamento da condenação de retratação, por
consistir em medida ilegal e descabida à hipótese, bem como da condenação
pecuniária. Contrarrazões apresentada às fls. 130/137 sustentando em síntese a
manutenção do julgado. É o breve relatório, passo a decidir. V O T O Ementa:
Recurso Inominado Conhecido, eis que preenchidos os requisitos de
admissibilidade e no mérito improvido. Manutenção in totum da sentença
recorrida. Após analisar as manifestações das partes, os documentos e a sentença
impugnada, estou convencido de que a mesma não merece qualquer reparo,
devendo ser mantida por seus próprios fundamentos, os quais passam a integrar o
presente voto na forma do que permite o art. 46 da Lei nº. 9.099/95. A Autora
comprovou, por meio dos documentos juntados aos autos, de fls. 11/43, que
efetivamente participa como colaboradora da revista, sendo as informações
enviadas por escrito, via e-mail, o que leva a crer que todas as suas participações se
dêem desta forma. Desta feita, alega que o teor da história de fls. 18, publicada na
Edição nº 131 da revista "Sou mais eu", não foi por ela enviado. Ora, não teria
como a Autora produzir prova de fato negativo (não envio do relato publicado). O
fato constitutivo de seu direito restou comprovado (art. 333, I do CPC), diante da
prova de que a referida história foi vinculada a seu nome, idade e local onde mora.
A Ré, por sua vez, afirma que possui prova irrefutável de que a Autora tenha lhe
enviado a aludida história, qual seja, um recibo assinado pela mesma, de fls. 65,
referente a crédito por sua participação na Edição 131 da Revista "Sou mais eu", na
sessão "Consultório". No entanto, um simples recibo não especifica por qual
matéria daquela edição se está remunerando a Autora. Não existe cópia integral da
edição da revista em apreço nos autos, a qual demonstraria se a aludida sessão
"Consultório" somente se limitou àquela página que consta dos autos, a de fls. 18,
ou se existiam outras páginas, em que a Autora tenha, de fato, participado. Desta
forma, caberia à Ré o ônus de comprovar a existência de fato impeditivo,
modificativo ou extintivo do direito do autor, nos termos do art. 333, II do CPC,
porém não o fez. Não comprova a Ré que a Autora tenha efetivamente enviado a
história para publicação, o que poderia ser feito através do recibo de e-mail, ou de
carta enviada pela Autora ou, ainda, pelo registro da ligação telefônica, já que são
estas a três formas de enviar as contribuições para a revista, conforme se
depreende de fls. 24. Dano moral configurado. Revista que pública história de
cunho íntimo e constrangedor, a qual se refere à vida íntima da Autora e seu
parceiro (fls. 18), que não foi enviada pela mesma, porém com seu nome completo,
idade e cidade onde mora. Transtorno que extrapola o limite da normalidade, a
ensejar a lesão imaterial passível de compensação. Autora que teve seu direito à
honra violado, ao ver em revista de grande circulação história drástica que não
vivenciou, vinculada ao seu nome. A Constituição da República garante, em seu
art. 5º, inciso X, que "são invioláveis a intimidade, a vida privada, a honra e a
imagem das pessoas, assegurado o direito a indenização pelo dano material ou
moral decorrente de sua violação". A Ré alega que a Autora enviou, sim, a referida
história para publicação, porém não comprova suas alegações, ônus que lhe
incumbia, conforme explanado acima. Quantificação adequada para o caso dos
autos. A modificação do quantum somente se justifica em hipótese onde o evidente
exagero ou manifesta irrisão na fixação, pelo juízo de origem, viola aos princípios
da razoabilidade e da proporcionalidade, sendo possível, assim, a revisão da
aludida quantificação, o que não ocorre na hipótese dos autos, posto que a quantia
fixada (R$ 1.500,00) se encontra dentro dos parâmetros de razoabilidade e é
perfeitamente adequada para hipótese. De outro lado, entendo que a obrigação de
fazer imposta à Recorrente, no sentido de publicar nota consistente na retratação
da publicação da matéria objeto da presente lide, não vai de encontro ao
ordenamento jurídico vigente. Isto porque, nada obstante a Lei de imprensa não
ter sido recepcionada pela nova ordem constitucional conforme decisão do
Supremo Tribunal Federal (ADPF nº. 130/DF), tornando sem efeito sua totalidade,
não se trata aqui da retratação que excluiria a ação penal, disposta no art. 26
daquela lei. Trata-se tão somente de obrigação de fazer consistente em uma errata,
a ser publicada na mesma sessão, informando que aquela história publicada na
Edição nº 131 da revista não foi encaminhada pela Recorrida. Tal medida busca,
apenas, reparar ou minimizar o dano sofrido pela mesma, decorrente de um erro
de publicação da editora ré, e é totalmente condizente com a jurisprudência deste
Tribunal de Justiça . É certo que os danos extrapatrimoniais, por não possuírem
conteúdo econômico ou patrimonial, em regra, não comportam a reparação in
natura (restituição de bem semelhante ao subtraído, destruído ou danificado),
embora haja doutrina nacional e estrangeira que entenda ser ela viável. Citam-se
exemplos no ordenamento jurídico brasileiro de reparação desse jaez: a retratação
do ofensor, o desmentido, a retificação de notícia injuriosa, a divulgação de
resposta e a publicação de sentenças condenatórias, todas constantes da revogada
Lei nº. 5.250/1967 (Lei de Imprensa). Contudo, eles não constituem propriamente
reparação natural, pois não elidem completamente os danos extrapatrimoniais,
apenas minimizam seus efeitos, visto não ser possível a recomposição dos bens
jurídicos sem conteúdo econômico, tal como ocorre com os direitos de
personalidade. Dessarte, se insuficiente a reparação in natura, resta a indenização
pecuniária quantificada por arbitramento judicial, instrumento tradicionalmente
utilizado no Direito brasileiro para a reparação dos danos extrapatrimoniais.
Anote-se que as duas formas de reparação (natural e pecuniária) não se excluem
por respeito ao princípio da reparação integral (arts. 159 do CC/1916 e 944 do
CC/2002), que pode ser invocado tanto na reparação natural (de forma
aproximada ou conjectural no caso de dano extrapatrimonial) quanto na
compensação pecuniária. Assim, diante disso, vê-se que o entendimento adotado
pela sentença recorrida, atende plenamente a cláusula geral de responsabilidade
civil de que consta o princípio da reparação integral do dano. Nesse diapasão, há
sim possibilidade de se estabelecer a verba compensatória no montante arbitrado
na sentença, em conjunto com a determinação consubstanciada na publicação de
"retratação" (cf. REsp 959.565-SP, Rel. Min. Paulo de Tarso Sanseverino, julgado
em 24/5/2011). Veja-se que a obrigação de fazer contida na sentença, não
representa nenhuma ilegalidade, sendo certo que a sociedade democrática é valor
insubstituível que exige, para sua sobrevivência institucional, proteção igual a
liberdade de expressão e a dignidade da pessoa humana. A Constituição, no art. 5º,
V, assegura o "direito de resposta, pr oporcional ao agravo", vale dizer, trata-se de
um direito que não pode ser exercido arbitrariamente, devendo seu exercício
observar uma estrita correlação entre meios e fins, e no caso dos autos a correlação
foi observada com precisão, não merecendo reparo. A obrigação de fazer imposta
na sentença encontra fundamento na Constituição (art. 5º, V) e na Lei de Regência
Civil (art. 944 do CC), bem como no princípio da reparação integral. Nesse
contexto, a obrigação de fazer referente à publicação da "retratação" é decorrência
necessária da sentença, uma vez que se destina a fazer cessar a repercussão da
divulgação falsa, evitando o próprio agravamento do dano. Afinal, a reparação do
dano deve ser completa, sendo a retratação imprescindível para compensar a
violação da honra objetiva da autora. Precedentes Jurisprudenciais, inclusive do
STJ . Posto isso, conheço do recurso e VOTO no sentido de que lhe seja negado
provimento. Custas e honorários de 20% sobre o valor da condenação pela
Recorrente. Rio de Janeiro, 07 de junho de 2011. FÁBIO RIBEIRO PORTO Juiz de
Direito

Disponível em: http://tj-rj.jusbrasil.com.br/jurisprudencia/135231125/recurso-inominado-ri-295541720108190004-rj-0029554-


1720108190004

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