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Coordenação Pedagógica

Artigo 1:
Características da Coordenação Pedagógica
Articulador do projeto pedagógico, formador do corpo docente, transformador do ambiente escolar. Em sua função plena, o
coordenador pedagógico se assemelha a um regente: conduz a orquestra com gestos claros e instiga um intenso senso de união
entre seus pares. Mas a realidade nas escolas brasileiras ainda desafina. Sem plano de carreira específico, sem formação adequada,
com demandas diversas que o desviam da função, o coordenador pedagógico enfrenta, ainda, diversos tipos de pressão.

A formação docente, que deveria estar no centro de suas funções de articulador, é relegada a segundo plano pela falta de tempo e
planejamento. A relação com a família, vitrine do projeto pedagógico da escola, sofre com mal-entendidos gerados por estereótipos
consagrados. Os resultados de avaliações externas pressionam por resultados imediatos do trabalho cotidiano, que muitas vezes
precisa ser regido em outro tempo. E o modelo de gestão escolar, se não é descentralizado, gera inevitáveis desgastes com a direção
da escola. Coordenadores pedagógicos e especialistas em educação descortinam esses cenários e propõem possíveis caminhos de
escape para essa panela não explodir. A conclusão é a de que, com diálogo, trabalho em equipe e clareza de funções, é possível,
sim, afinar a orquestra.

Desvio de função

A boa notícia é que, apesar de tantos problemas persistentes, a identidade desse profissional está cada vez mais fortalecida e seu
papel dentro da escola vem ganhando reconhecimento. Mas, afinal, qual cenário tem levado os coordenadores a estarem em um
ambiente tão complexo?

Nos documentos legais e nos estudos acadêmicos, a discriminação das funções do coordenador pedagógico é muito clara, mas a
prática é bem diferente do que o descrito no papel, explica Vera Placco, professora da pós-graduação em psicologia da educação
na PUC-SP e uma das organizadoras da coleção O coordenador pedagógico (Editora Loyola).

Para a professora, o fato de as demandas do próprio sistema de educação, dos diretores, dos pais e alunos serem diferentes acaba
contribuindo para desviar o coordenador de sua função original. “Uma escola tem sempre urgências, e o coordenador pedagógico
acaba solicitado nesses momentos. Há um descompasso muito grande, com demandas contraditórias”, afirma.

A falta de clareza do próprio coordenador sobre suas responsabilidades ajuda a acentuar o desvio de sua prática profissional. “A
própria não formação faz com que, às vezes, o coordenador não tenha certeza de como desempenhar seu papel. Ele não se sente
seguro e acaba se dedicando a outras tarefas”, diz Vera.

A falta de formação específica para o cargo seria, então, o primeiro obstáculo a ser superado. A formação inicial dos cursos de
pedagogia – que seria o momento mais indicado para entrar em contato com as atribuições desse profissional – mal toca na questão.
O coordenador se vê diante do desafio de buscar sua própria formação teórica, sob a necessidade de se especializar
constantemente. Experiências práticas na sala de aula também são importantes, mas sabe-se que nem todo bom docente se torna
um bom coordenador. “Um professor da escola que assume a função de coordenação muitas vezes não teve em seu percurso
formativo algo que lhe permita ver a necessidade de interlocução com a comunidade. Isso é essencial para o trabalho”, afirma o
professor Guilherme Prado, da Faculdade de Educação da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp).

Mas, afinal, qual a sua função?

Prado acredita que o centro do trabalho do coordenador pedagógico seja potencializar o repertório dos professores a favor da
aprendizagem das crianças e jovens. “O trabalho se dá a partir da interlocução das necessidades da comunidade que a escola
atende, com as necessidades formativas daqueles professores e as exigências do currículo”, define.

Vera defende que o profissional tenha perfil apoiado em três pilares: ser um formador, um articulador e um transformador.
Formador porque vai ajudar o corpo docente a se aprimorar. “Para ser um formador e ajudar o professor a lidar com seu próprio
conhecimento é preciso entender de didática e metodologias. Mas não precisa ser especialista em física para discutir com o
professor de física sobre como ajudar os alunos a aprenderem mais”, exemplifica. O coordenador deve ainda articular as pessoas,
os processos de aprendizagem e o projeto pedagógico da escola.

Por fim, o caráter transformador visa incentivar – ou até mesmo provocar – a todos na escola a buscarem avançar constantemente.
“É uma questão de atitude, que tem a ver com uma visão de educação, de sociedade e de pessoas, que implique reconhecer que
estamos sempre em mudança. O coordenador deve cutucar o professor – porque fazer a mesma coisa no ano seguinte é um
retrocesso”, afirma Vera.

Coordenador pedagógico: como superar os desafios

1. FORMAÇÃO CONTINUADA
■ Estar aberto ao diálogo
■ Levantar questões junto aos docentes
■ Instituir devolutivas como uma constante
■ Abandonar a “fiscalização” de salas de aula
■ Dar palavra aos professores durante reuniões
■ Destacar os acertos para só então tratar dos problemas
■ Fundamentar teoricamente suas observações
■ Definir os instrumentos que vão guiar o seu acompanhamento
■ Ajudar os professores na reflexão de sua prática, com atitude parceira
■ Variar as formações com temas que extrapolem o âmbito pedagógico

2. RELAÇÃO COM AS FAMÍLIAS


■ Entender a lógica das famílias: para muitas, ainda há uma visão distorcida dos papéis da escola
■ Evitar situações de embate
■ Trabalhar educativamente, também com os adultos
■ Trazer a família para o centro da escola
■ Envolver os pais em eventos relacionados aos projetos desenvolvidos em sala de aula
■ Aproximar a família dos processos de aprendizagem das crianças
■ Ter abertura para escutar, mas nunca ferir o projeto pedagógico da escola
■ Apresentar o PPP na primeira reunião e cada ciclo

3. AVALIAÇÃO EXTERNA
■ Relativizar os resultados – eles não são uma sentença final
■ Levar as informações aos professores, mas ao mesmo tempo escutá-los
■ Escapar da lógica do ranqueamento e da padronização
■ Articular ações que fortaleçam práticas pedagógicas que promovam a autonomia e a criatividade
■ Buscar caminhos próprios com a equipe
■ Estimular a gestão democrática

4. LIDAR COM A DIREÇÃO


■ Manter um bom relacionamento interpessoal, lembrando que a equipe gestora não tem posições iguais
■ Buscar posições coincidentes sobre a importância de ensinar e aprender e do papel da escola
■ Estar aberto ao diálogo, respeitando as diferentes funções
■ Valorizar o trabalho dos outros membros da equipe

Artigo 2:
O coordenador pedagógico e as reuniões pedagógicas:
possibilidades e caminhos
Resumo
O referido artigo é fruto de uma pesquisa bibliográfica e de experiências vividas enquanto graduanda do curso Licenciatura Plena
em Pedagogia e tem por objetivo principal mostrar a importância das reuniões pedagógicas para a atuação do coordenador
pedagógico no ambiente escolar. Sabe-se que muito se tem abordado sobre as diversas funções do coordenador, entre elas a de
mediar as relações dentro do ambiente escolar e a de dar suporte na formação continuada dos educadores. Tomando como base
o amplo campo de atuação dos coordenadores, faz-se necessário uma constante avaliação da prática pedagógica, pois, só através
da reflexão, é possível traçar caminhos e procurar meios para a melhoria do processo de ensino. Desse modo, as reuniões
pedagógicas tornam-se um espaço privilegiado para essa reflexão e um ambiente propício para a discussão de questões
relacionadas ao cotidiano escolar. Portanto, para que essas reuniões possam ser aproveitadas da melhor forma possível, alguns
princípios, como o esclarecimento da importância dessas reuniões, a função do coordenador nesses espaços e a organização de
uma rotina para esses encontros, precisam ser respeitados e discutidos na busca pela excelência da atuação dos coordenadores
pedagógicos e, consequentemente, pela formação de professores reflexivos, responsáveis e epistemologicamente competentes.

Palavras-chave: Coordenador pedagógico. Reuniões pedagógicas. Professores. Educação.

Introdução
A ideia que muitos têm do coordenador pedagógico é aquela ainda imbricada em valores puramente burocráticos: um profissional
que existe para solucionar pequenos problemas que surgem na escola e que nem sempre está pronto para atender a todas as
demandas e necessidades da comunidade escolar. Essa visão deixa de existir quando se começa a enxergar o coordenador por
diferentes ângulos.

Para que os coordenadores consigam realizar seu trabalho com competência, eficácia e eficiência, um conjunto de valores e
situações deve ser levado em consideração a fim de que sua atuação seja veementemente completa ou que alcance o máximo
possível de êxito.

Em primeira instância, é preciso reconhecer a importância dos saberes entre os coordenadores. Tardif (2002, p. 11) afirma que “o
saber é sempre o saber de alguém que trabalha alguma coisa no intuito de realizar um objetivo qualquer”. Desse modo, para que
as ações se concretizem e os objetivos sejam alcançados, o conhecimento é indispensável. A forma como esses saberes são
integrados, sua diversidade, a evolução ao longo do tempo, os saberes adquiridos pela experiência, os saberes sociais e humanos,
a reflexão sobre a prática e a mudança de atitude favorecem sua atuação nas diferentes áreas em que sua presença se faz
necessária.

Assim, as reuniões pedagógicas constituem-se como um dos principais espaços em que o coordenador poderá atuar em sua
totalidade e representam para este um leque de oportunidades para o trabalho de formação continuada e para o desenvolvimento
das relações interpessoais, que, se bem planejadas, podem ser uma forte aliada no trabalho do coordenador junto aos professores
no ambiente escolar.

1. O coordenador e as funções da reunião pedagógica


Pensando nas reuniões pedagógicas, surgem indagações: “Reunir para quê?”, “Qual é a intenção do coordenador quando diz ser
necessário realizar reuniões?”. Muitos educadores dizem que as reuniões pedagógicas não ajudam na prática de sala de aula e não
aproveitam essas reuniões por desconhecerem o seu valor. Isso acontece porque nem sempre essas reuniões são bem elaboradas.

As reuniões pedagógicas, em primeira instância, precisam ser organizadas, e, para isso, o coordenador deve deixar claro quais são
as vantagens da reunião, conforme explicita Torres:

As reuniões pedagógicas vêm sendo apontadas como espaço privilegiado para as ações partilhadas do coordenador pedagógico
com os professores, nas quais ambos se debruçam sobre as questões que emergem da prática, refletindo sobre elas, buscando-lhes
novas respostas e novos saberes, ao mesmo tempo (2007, p. 45).

Desse modo, as reuniões pedagógicas são um espaço privilegiado para a discussão da prática pedagógica, bem como um ambiente
propício para a reflexão, para a busca de soluções dos problemas que surgem e para o compartilhamento de novas metodologias
de ensino.

Entretanto, as reuniões não alcançam de fato seus objetivos quando os seus envolvidos cumprem um papel meramente formal. Ou
seja, participam dessas reuniões por obrigação, e não porque veem nelas um espaço para crescimento enquanto
educadores/coordenadores.

Um outro fator que dificulta o andamento das reuniões é que estas são, em sua maioria, centradas em quem as conduz — o
coordenador pedagógico. Este precisa se policiar para que suas ações não se tornem egocêntricas, pois o alvo das reuniões precisa
ser o educador.
Além do espaço para reflexão, as reuniões pedagógicas devem ser um encontro

para se darem avisos, distribuir materiais, informar diretrizes da empresa, discutir materiais, discutir problemas de caráter geral
ou mesmo do prédio da escola
(TORRES, 2007, p. 47).
Essas discussões não devem ser impostas; antes, devem surgir como fruto de situações do dia a dia, superando o cotidiano e
contando com a participação efetiva dos professores e coordenadores. Pois essas reuniões também assumem uma função
importantíssima de interação pessoal nas relações professor-professor, coordenador-professor.

2. Planejamento das reuniões – disponibilidade e preparação epistemológica


A organização da rotina nas reuniões pedagógicas é algo a ser analisado e deve ser feito de acordo com a realidade de cada
comunidade. Isso implica dizer que não existe um modelo certo de rotina para a realização dessas reuniões; antes, estas devem ter
como base a necessidade da reflexão e os anseios dos professores. As reuniões devem variar de acordo com os objetivos que se
pretendem atingir, e isso é o que diferencia uma reunião da outra.

É preciso lembrar que os professores devem dispor de tempo para participar dessas reuniões e que estas não devem ser um
empecilho para o professor, mas, antes, um espaço de conversa. Para que isso ocorra, os professores precisam estar juntos,
precisam dispor de tempo juntos, para que, de fato, se possa trabalhar em equipe. Bruno e Chistov afirmam que

Trata-se da possibilidade de se contar com alunos estagiários, que seriam preparados para assumir a orientação das classes durante
um período de três ou quatro horas, uma vez por semana, favorecendo o encontro dos professores em reuniões de maior duração.
Esses estagiários podem ser oriundos de cursos de licenciatura nas áreas do Ensino Fundamental: Português, História, Geografia,
Ciências, Matemática ou de cursos de Magistério (1999, p. 57).

Desse modo, seria proveitoso tanto para os alunos estagiários, por poderem assumir uma liderança na sala de aula e adquirir
experiência, quanto para os professores, que teriam o tempo “livre” para participar ativamente das reuniões. Essas reuniões,
precisam ser remuneradas, pois constituem-se em um espaço de estudo e trabalho direcionado, voltado para a ação docente.

O coordenador necessita saber previamente o que será tratado na reunião. Isso implica dizer que ele deve preparar-se de acordo
com os objetivos propostos — não se pode coordenar uma reunião do mesmo modo quando em uma delas se pretende desenvolver
habilidades pessoais importantes ao educador e na outra o objetivo é aprofundar um tema relevante e de interesse de um grupo
de professores.

Pensando desse modo, o coordenador necessita desenvolver uma metodologia de organização que o ajude nesse sentido. Os
professores muitas vezes chegam às reuniões permeados por dúvidas e anseios e depositam sua confiança no coordenador, que
precisa estar atento e disponível.

A conquista de um clima de confiança para discussão de acertos e erros deve ser enriquecida com a possibilidade de registro dos
saberes elaborados por diferentes grupos de educadores, em diferentes espaços educacionais (BRUNO; CHRISTOV, 2009, p. 60).

Nesse sentido, a ressignificação desses espaços exige uma metodologia própria e adequada a cada reunião.

A transformação das reuniões que acontecem na escola em espaços de reflexão e produção de saberes sobre a docência exige uma
metodologia proposta e dirigida pelo coordenador pedagógico, cuja liderança é essencial para que tais reuniões não assumam a
condição de “horário de trabalho perdido” (BRUNO; CHRISTOV, 2009, p. 61).

Faz-se necessário que os coordenadores estejam totalmente envolvidos nas reuniões, preparados para lidar com os professores e
atuar com competência e firmeza. Portanto, o planejamento das ações é indispensável.

3. As funções específicas do coordenador nas reuniões pedagógicas


O coordenador é peça fundamental nas reuniões pedagógicas. Sua principal função, que é a de oferecer uma formação continuada
ao educador, deve ser exercida com veemência nas reuniões pedagógicas, pois estas constituem um espaço privilegiado para tal.
Para isso, ele precisa, antes, planejar-se, de modo a atender às expectativas dos professores nas reuniões.

O coordenador deve organizar uma pauta considerando o tempo do encontro e distribuindo as atividades de acordo com ele (SOUZA,
2007, p. 30).

Essa pauta deve estar aberta a sugestões e mudanças, sendo adequada à realidade de cada reunião. Cabe ao coordenador planejar
o tema a ser estudado (com base nas necessidades dos professores) e uma tarefa a ser desenvolvida. O coordenador ainda precisa
assumir um caráter de responsabilidade na reunião, devendo fazer intervenções quando necessário.
Na coordenação da reunião, o(a) coordenador(a) deverá fazer intervenções constantes, visando estabelecer vínculos. É preciso
garantir que todos falem, é preciso intervir nas falas em defesa do professor que possa estar sendo “atacado” pelo colega, é preciso
favorecer a construção do grupo (SOUZA, 2007, p. 30).

Os coordenadores assumem o papel de mediadores entre o saber e os professores. Eles devem estar preparados para dar suporte
pedagógico e epistemológico aos educadores, mas sem esquecer que a chave fundamental das reuniões é o próprio professor, que
confia no coordenador para que este lhe ajude apontando caminhos e dando apoio no que se refere a problemas, dúvidas e
necessidades.

Considerações finais
O coordenador pedagógico constitui-se uma peça fundamental na organização das reuniões, pois estas são um dos principais
espaços para atuação dele. Para isso, uma série de cuidados prévios deve ser tomadas, como o planejamento das reuniões e o
conteúdo a ser discutido nesses espaços.

Portanto, nas reuniões, o coordenador precisa valorizar — cuidar — dos conhecimentos já adquiridos pelos professores para que,
das vivências, novos conceitos sejam elaborados. Conceitos esses que possam, através dos alunos, perpassar os arquétipos da
escola e atingir a sociedade no intuito de refletir-agir-mudar, ajudando a desenvolver aquilo que ela denomina valores éticos.
Isso requer do coordenador um olhar aguçado, ativo e sagaz o suficiente para perceber as mudanças e atuar sobre elas. Um olhar
amplo, que contemple as partes sem esquecer o todo. Requer também que ouça o que o outro tem a dizer, os problemas, os
anseios, as dificuldades dos professores, só assim será possível traçar metas e solucionar os impasses que surgirem. O coordenador
precisa colocar-se no lugar do outro, precisa ter ciência da necessidade de se ter uma boa relação interpessoal.

Por outro lado, não se pode esquecer que essa articulação não é função apenas do coordenador pedagógico. É preciso que haja um
bom convívio e cumplicidade entre os membros da equipe que compõe a direção da escola e que, de fato, essa ligação não tenha
falhas ou emendas; que cada um exerça sua função pensando no resultado em grupo e na conquista em conjunto e, acima de tudo,
na melhoria da qualidade do ensino.

Artigo 3:
Desafios do coordenador pedagógico
Mais do que resolver problemas de emergência e explicar as dificuldades de relacionamento ou aprendizagem dos alunos, o papel
do coordenador é ajudar na formação dos professores. Muito se tem falado sobre o papel do coordenador pedagógico. Afinal, por
que ele é necessário? Quem dera coordenar fosse simples como diz o dicionário: dispor segundo certa ordem e método; organizar;
arranjar; ligar.

O coordenador pedagógico, muito antes de ganhar esse status, já povoava o imaginário da escola sob as mais estranhas
caricaturas. Às vezes, atuava como fiscal, alguém que checava o que ocorria em sala de aula e normatizava o que
podia ou não ser feito. Pouco sabia de ensino e não conhecia os reais problemas de sala de aula e da instituição. Obviamente,
não era bem aceito na sala dos professores como alguém confiável para compartilhar experiências.

Outra imagem recorrente desse velho coordenador é a de atendente. Sem um campo específico de atuação, responde
às emergências, apaga focos de incêndio e apazigua os ânimos de professores, alunos e pais. Engolido pelo cotidiano,
não consegue construir uma experiência no campo pedagógico. Em ocasiões esporádicas, ele explica as causas
da agressividade de uma criança ou as dificuldades de aprendizagem de uma turma. Hoje, o coordenador organiza
eventos, orienta os pais sobre a aprendizagem dos filhos e informa a comunidade sobre os feitos da escola. Mas isso é muito pouco.
Na verdade, ele se faz cada vez mais necessário, porque professores e alunos não se bastam.

Além das histórias individuais que todos escrevemos, é preciso construir histórias institucionais. É duro constatar a fragilidade
de tantas escolas que montam um currículo e uma prática efetiva durante anos e perdem tudo com a transferência
ou a aposentadoria de professores. Construir história nos torna humanos, e é de se estranhar que, justamente na escola, tantas
vezes tudo recomece do zero. O coordenador eficiente centraliza as conquistas do grupo de professores e assegura que as boas
ideias tenham continuidade.

Além do que se passa dentro das quatro paredes da sala de aula, há muito mais a aprender no convívio coletivo — no
parque, no refeitório, na rua, na comunidade. A distância nesses espaços deve ser ritmada pelo coordenador. É preciso
lembrar, ainda, que só quem não está em classe, imerso naquela realidade, é capaz de estranhar. E isso é ótimo! É do
estranhamento que surgem bons problemas, o que é muito mais importante do que quando as respostas aparecem
prontas.
Só assim é possível que o coordenador efetivamente forme professores (e este é o seu papel primordial). Ampliando a
significação do dicionário, eu diria que, no dia a dia de uma instituição educativa, é preciso:

• Dispor, segundo certa ordem e método, as ações que colaboram para o fortalecimento das relações entre a cultura e a escola.
• Organizar o produto da reflexão dos professores, do planejamento, os planos de ensino e da avaliação da prática.
• Arranjar as rotinas pedagógicas de acordo com os desejos e as necessidades de todos.
• Ligar e interligar pessoas, ampliando os ambientes de aprendizagem.

Este é o sentido de ser um bom coordenador, não de uma instituição, mas de processos de aprendizagem e de desenvolvimento
tão complexos como os que temos nas escolas. Que os que desejam se responsabilizar por essa importante função vejam aqui um
convite para criar um estilo de coordenar.

Artigo 4:
Por que as equipes não funcionam?

Pessoas são dotadas de uma série de atributos que lhes confere sua distinta personalidade. Porém, às vezes, isso pode causar sérios
conflitos quando as atividades em grupo são necessárias.

Um dos temas mais abordados atualmente — levando-se em conta a contingência mundial e o mercado extremamente competitivo
—, o trabalho em equipe é, aparentemente, uma das várias ferramentas capazes de estimular o desempenho de uma empresa e
de alçá-la a um nível superior de produtividade, qualidade e inovação. Todavia, o enfoque geral dado ao assunto pode conduzir os
desavisados à noção de que trabalho em equipe “sempre dá certo”, o que não é verdade.

O título deste artigo é alusivo ao livro de Harvey Robbins e Michael Finley, lançado pela Editora Campus, Por Que as Equipes Não
Funcionam, que trata justamente de algumas razões pelas quais, eventualmente, pessoas fazendo algo juntas (uma equipe) nem
sempre transformam as coisas para melhor. Vamos a algumas delas, bem como às sugestões para eliminá-las:

• Necessidades mal combinadas: Existem, no grupo de pessoas que compõem a equipe, indivíduos que trabalham em benefício
próprio ou em prol de propósitos contraditórios.
Solução: É imperativo que os objetivos individuais sejam revelados. Para isso, é necessário perguntar às pessoas o que desejam e o
que esperam obter da equipe.

• Metas confusas, objetivos embolados: As metas traçadas são incoerentes entre si ou os objetivos da equipe não estão claramente
definidos.
Solução: Se isso acontecer, é necessário esclarecê-los ou rever a sua congruência. Em meio à correria de prazos cada vez mais
curtos, às vezes algumas metas, definidas em arroubos de pressa, podem não apontar na mesma direção.

• Papéis não resolvidos: Os integrantes da equipe não entendem claramente qual é a sua função, qual tarefa devem desempenhar.
Solução: Cada pessoa deve estar ciente do que se espera de seu desempenho e qual a sua função dentro do grupo. Isso parece
óbvio, mas as aparências enganam.

• Tomada de decisões: Existem várias ferramentas decisórias diferentes, mas pode ocorrer de as ferramentas estarem sendo usadas
em situações inadequadas.
Solução: Identificar a abordagem correta para cada situação e utilizá-la. Por exemplo, quando se deseja priorizar uma entre diversas
ideias propostas por um grupo para a solução de um problema e não existe um ponto objetivo, podem ser utilizadas técnicas de
análise por comparação par a par, nas quais uma ideia é avaliada tendo outra como referencial. Já em casos nos quais existam
critérios mensuráveis, é possível lançar mão da técnica de matriz de avaliação.
• Conflito de personalidades: Diversas características pessoais podem influenciar nas atividades em grupo, porém nem sempre de
forma positiva.
Solução: Identificar e valorizar diferenças, tornando-as transparentes para os membros da equipe.

• Liderança ruim: Há várias maneiras de a liderança influenciar negativamente no comportamento de uma equipe, sendo, por
exemplo, incoerente, inexpressiva, inconstante, etc.
Solução: O líder precisa entender que seu propósito é servir aos objetivos da equipe. Caso isso seja possível, ótimo. Se não, o papel
de liderança deve ser passado para outra pessoa.

• Cultura antiequipe: Nem todas as empresas estão prontas para lidar com as decorrências do trabalho em equipe, principalmente
as que são autogerenciáveis, o que implica em níveis diferenciados de liberdade para os integrantes. Dessa forma, a cultura da
empresa vai de encontro à dos grupos de forma sutil ou declarada.
Solução: Nesse tipo de empresa, devem ser avaliadas as verdadeiras razões para se formar uma equipe. Se não forem
absolutamente relevantes, melhor nem criá-las.

• Feedback e informações insuficientes: Uma das coisas mais importantes para monitorar o trabalho da equipe é avaliar sua atuação.
Além disso, para que esta possa ser a esperada, o grupo necessita de recursos diversos, principalmente de informações. Isso pode
não estar ocorrendo.
Solução: É necessário criar um sistema que permita o livre fluxo de informações úteis para todos os membros da equipe para depois
acompanhar seu desempenho apoiado em premissas realistas.

• Sistemas de recompensa mal concebidos: O reconhecimento pelo trabalho é fundamental para alimentar o nível de motivação dos
membros de uma equipe. Entretanto, nem sempre isso é feito da forma correta — as possibilidades de recompensa são muitas e
bastante distintas entre si.
Solução: É imprescindível recompensar a equipe como um todo e também os esforços individuais.

• Falta de vontade de mudar: Quando se sabe o que deve ser feito, mas não se tem vontade de fazê-lo, nenhum esforço há de lograr
êxito.
Solução: A tarefa aqui é desvelar os impedimentos à mudança e lidar com eles, destruindo-os quando necessário.

• Ferramentas erradas: A metáfora mais comum é a de uma equipe que é enviada para uma batalha com uma atiradeira. Isso não
funciona!
Solução: Prover aos membros da equipe todas as ferramentas necessárias para que eles, pelo menos, se engajem apropriadamente
na batalha ou então dar mais espaço para o uso da criatividade e improvisação.

Evidentemente, o trabalho em equipe continuará sendo um poderosíssimo catalisador da melhoria e da inovação dentro das
empresas, mas os fatores apontados anteriormente servirão de base para que o leitor possa manter uma perspectiva realista sobre
as dificuldades associadas a esse trabalho.