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A importância da fonética para o ensino da Língua Inglesa1

Amanda Soares Mantovani

Carolina Bernardes A. Costa2

Ao analisar o perfil de estudos de línguas estrangeiras atualmente, verifica-se


que as habilidades de produção e compreensão oral, fala e audição, respectivamente,
têm ganhado destaque e, por isso, pode-se dizer que há uma maior preocupação com a
qualidade destas duas habilidades no processo de ensino-aprendizagem de uma língua,
dessa forma, ao se aprender uma língua estrangeira, o aluno entra em contato com um
novo domínio sintático, semântico, lexical e fonológico, que envolve as quatro
habilidades lingüísticas: a audição, a fala, a leitura e a escrita.

Os alunos se queixam da qualidade de sua pronúncia e compreensão oral ao


aprender a língua inglesa e os professores mostram-se inseguros quanto à pronúncia do
idioma que ministram, este fato se dá porque o processo de ensino-aprendizagem da
língua inglesa ocorre, na maior parte das vezes, através da escrita e não por meio de
imersão. Atualmente, uma das preocupações fundamentais é a boa e correta pronúncia
da língua que se está aprendendo, uma vez que todos os outros fatores lingüísticos e de
comunicação verbal ficam dependentes da produção oral adequada, tanto para o falante
como para o ouvinte.

Porém, neste contexto, surgem algumas dúvidas tais como qual pronúncia
ensinar ou qual dialeto privilegiar e como este aspecto de vital importância deve ser
abordado no ensino da língua, uma vez que a pronúncia é de natureza fonética e
expressa as organizações fonológicas da língua, abrangendo todo o arcabouço fonético-
fonológico de um idioma. Ensinar uma pronúncia adequada (falada ou lida) é tornar o
aluno consciente das posturas fonéticas que devem realizar e no ato da fala, quem ouve
acompanha, reproduzindo fisiologicamente, sensações semelhantes às usadas por quem
fala, ou seja, o ouvinte confirma a percepção auditiva com equivalentes sensações
necessárias à produção do que está ouvindo.

1
Atividade desenvolvida para fins avaliativos da Disciplina de Inglês 3, ministrada pela Professora Drª
Luciane de Paula.
2
Graduandas do terceiro período do curso de Letras – Português e Inglês, pela Universidade Federal de
Goiás, Regional Catalão (UFG/RC).
Em sala de aula, o papel do professor é fundamental para a aprendizagem da
pronúncia de uma outra língua. Porém, o aluno também deve participar ativamente de
seu aprendizado e ser responsável por adquirir uma boa pronúncia. Tal consciência
crítica no aprendizado da pronúncia é essencial uma vez que há uma tendência natural
de o aluno transportar os hábitos lingüísticos de sua língua materna na aprendizagem de
outra língua. Essa consciência ativa dos alunos, em termos de pronúncia, se adquire
através de uma consciência fonética dos mecanismos da fala e da audição, bem como do
conhecimento prático dos sons da língua e de seu valor fonológico, ou seja, é
importante que o aluno saiba das realidades fonéticas e fonológicas da língua que se
pretende aprender e, eventualmente, ensinar.

A grandeza deste desafio é melhor compreendida se considerarmos também que


o aparelho articulatório de sons do ser humano (cordas vocais, cavidade bucal, língua,
etc.) mostra-se extremamente limitado quando comparado ao universo de conhecimento
e comunicação criado por sua mente. Para fazer par a este imenso universo linguístico e
poder representá-lo oralmente, é necessário flexibilizar ao máximo o aparelho
articulatório, criando diferenças ínfimas na articulação de sons, as quais adquirem
grande importância e exigem nosso aparelho auditivo ao máximo.

Além disso, o uso que o ser humano faz de seu aparelho articulatório para
comunicar-se consideravelmente de idioma para idioma, o que explica o porquê de ser
na pronúncia que a interferência entre duas línguas se torna mais evidente e é mais
crítica. A interferência fonológica da língua materna na língua estrangeira que se
aprende, na maioria dos casos permanece para sempre, mesmo com pessoas que já
adquiriram pleno domínio sobre o vocabulário e a gramática da língua estrangeira.

Em palavras simples, os ouvidos do aprendiz não irão reconhecer os sons da


língua estrangeira como eles realmente são. Este é um forte argumento em favor de um
estudo fonológico detalhado dos contrastes entre a língua materna e a língua que se
busca aprender - condição imprescindível para um bom professor de inglês. Uma
apresentação detalhada dos dois sistemas fonológicos ajudará o aluno a tomar
consciência cedo de que os sons de um e outro idioma não são exatamente iguais, e que
essas diferenças podem ser relevantes no significado, afetando o entendimento.

Felizmente as diferenças entre português e inglês não são tão profundas. Devido
a origens comuns - a cultura grega, o Império Romano e seu idioma, a religião Cristã,
etc. - todas as culturas européias e suas línguas podem ser consideradas muito próximas
no contexto amplo das línguas do mundo. Além das origens comuns que diminuem
diferenças culturais, semelhanças linguísticas entre inglês e português ocorrem
predominantemente apenas no plano de vocabulário, quando na forma escrita,
estruturação de frases e, especialmente pronúncia, apresentam profundos contrastes.
Numa análise superficial das diferenças no plano da pronúncia, podemos relacionar as
seguintes diferenças: Correlação pronúncia x ortografia; Relação vogais x consoantes;
Sinalização fonética; Número de fonemas; Acentuação tônica; Ritmo.

Portanto, qualquer estudo de diferenças fonéticas entre inglês e português bem


como o estudo da correlação entre a ortografia e a pronúncia do inglês, mesmo que
superficiais, servem de evidência de que não há aprendizado de inglês se não houver
intenso contato com a língua na sua forma oral. A desconcertante falta de correlação
entre ortografia e pronúncia, sendo uma das principais características do inglês bem
como um grande obstáculo a seu aprendizado, constitui-se num forte argumento em
favor de abordagens baseadas em assimilação natural pelo contato com falantes nativos,
ao invés de estudo formal da língua, para se alcançar fluência.

Contato prematuro com textos em inglês pode causar internalização e


fossilização de desvios de pronúncia, porque o estudante inadvertidamente irá aplicar
uma interpretação fonética do que vê baseada nas regras de interpretação fonética da
língua materna. Contato prematuro com textos em inglês, na ausência da língua na sua
forma oral (pronunciada corretamente), constitui-se portanto num erro fundamental. A
pronúncia correta deve ser priorizada no início do aprendizado. Em paralelo a um bom
modelo de pronúncia, é indispensável o uso de símbolos fonéticos para tornar a
pronúncia visível. É inadmissível que materiais didáticos para iniciantes não abordem a
forma oral da língua através de símbolos fonéticos.

Referências

Marcela Ortiz Pagoto de Souza. A FONÉTICA COMO IMPORTANTE


COMPONENTE COMUNICATIVO PARA O ENSINO DE LÍNGUA
ESTRANGEIRA. (UNESP/FCL). Revista Prolíngua – I S S N 1983-9979. Volume 2.
Número 1 – Jan./Jun de 2009.
Schütz & Kanomata. A importância da pronúncia. Disponível em:
http://www.sk.com.br/sk.html

Josely Silva Costa. Importância da fonética e da fonologia. Disponível em:


https://ciberduvidas.iscte-iul.pt/consultorio/perguntas/importancia-da-fonetica-e-da-
fonologia/17901