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máquina do tempo

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11 de setembro de 1934
Nasce em São Fidélis (RJ) José Richa, prefeito de Londrina, senador e governador do Paraná. Na foto com Paulo Gorski, na 1ª Expovel.

C7 - O Paraná

Domingo, 5/9/2010

HISTÓRIA

Paranaense, o “monarca da coxilha”
Nos tempos da luta pela Província, bem antes dos gaúchos, ele já usava poncho, pala e guaiaca
Cascavel - Mesmo com o governo paulista afirmando ser favorável à criação da Província do Paraná em 1843, sem objeções por parte do imperador, d. Pedro II, não seria fácil a batalha no parlamento a partir de então. O deputado paulista José Manoel de Fonseca pediu em 29 de maio o adiamento da votação do projeto de seu colega Carneiro de Campos criando a Província de Curitiba. Alegava que a proposta de subdivisão territorial era uma tentativa de castigar São Paulo, em cujo interior eclodiu a Revolução Liberal. Para contrariá-lo se levantou o deputado mineiro Bernardo Jacintho da Veiga (1803–1845), contrário ao adiamento. Para ele, adiar em geral significa o “enterro” das propostas, negando que o propósito de criar o Paraná fosse uma punição aos paulistas. Pereira Jorge, também paulista, retrucou e insistiu na tese do adiamento, apresentando emenda votada em 31 de maio com empate em 34 votos. Com o projeto de volta à discussão, Joaquim Otávio Nébias, magistrado e deputado por São Paulo, deixou claro: os paulistas não queriam perder o Paraná. O governo decidiu jogar pesado. Na sessão de 1º de junho, o ministro da Marinha, Joaquim José Rodrigues Torres, visconde de Itaboraí, revelou o que ainda estava oculto: havia um acordo com Curitiba, celebrado entre o governo paulista e João da Silva Machado, o negociador dos paranaenses. Pelo acordo, o Paraná deixaria de aderir à Revolução em troca da criação da Província. A segunda discussão do projeto, que recebeu o número 64, iria se estender até agosto, sempre com obstáculos apreFotos Divulgação

Magistrado Nébias: não à criação do Paraná sentados pelos deputados paulistas. Vendo que não conseguiria aprovar o projeto na Câmara, o governo o remeteu ao Senado e ali ficou, pois naquele momento o Império e o mundo viviam horas de grande magnitude. Ainda estando em aberto o problema da Revolução Farroupilha, o projeto de criar o Paraná abriu um foco de atrito entre São Paulo, que não queria perder área, e Minas Gerais, que apoiava a proposta. Enfraquecer São Paulo fortaleceria Minas. Com a adesão dos deputados mineiros ao projeto do governo conservador de criar o Paraná, os parlamentares paulistas, para retaliar, partiram para o ataque. Se não era apenas manobra para castigar São Paulo, reduzindo seu território, o governo aceitaria também dividir o território mineiro? O coelho

que saiu da cartola paulista era dividir Minas Gerais, criando a Província de Sapucaí. Com os mineiros se levantando contra, viria um impasse e a criação do Paraná ficaria fora de cogitação. Assim, sem conseguir cumprir o acordo com os paranaenses, o governo precisava dar um jeito de acalmar os ânimos curitibanos. Concedeu a João da Silva Machado, em 11 de setembro, por um decreto imperial, o título de “cavalheiro da Ordem de Cristo, de oficial da Ordem do Cruzeiro, de comendador da Ordem da Rosa, Barão de Antonina”. O novo governo liberal, que deu a volta por cima e voltou ao poder, trataria de elevar as tarifas de importação, equilibrando suas contas e permitindo o início efetiva da industrialização no País. Era um momento especial da história brasileira, pois vencia o prazo de um tratado comercial de 1825 que dava privilégios à Inglaterra, como sempre.

Na Europa, um certo Friedrich Engels, filósofo alemão, empregaria pela primeira vez o termo “revolução industrial”, que veio a ser a grande referência histórica dessa época. Em Rochdale, um grupo de tecelões se organizava para criar a primeira cooperativa do mundo. Surgia o telégrafo. Era um período da maior importância para a história do País e do planeta, portanto. Os paranaenses estavam de pleno envolvidos no trabalho de fortalecimento da economia regional, mas profundamente insatisfeitos com o desprezo que o novo governo liberal deu ao projeto de criar o Paraná. Afinal, foi se afastando da causa revolucionária liberal que os paranaenses chegaram ao acordo para a criação da Província. E agora o governo era liberal.

O Visconde de Itaboraí revelou o acordo entre o governo e os curitibanos

Ordem do Cruzeiro: conferida a Silva Machado para acalmar os paranaenses

Calendário
6 de setembro de 1951 Criada a Associação Paranaense do Ministério Público 8 de setembro de 1770 Registra-se a descoberta dos Campos Gerais, primeiro passo para a ocupação do interior do Paraná. 9 de setembro de 1890 Intendente (prefeito) de Curitiba, Vicente Machado, assina contrato com a Companhia de Água e Luz do Estado de São Paulo, para iluminar a cidade com “uma força iluminativa de onze mil velas”. 10 de setembro de 1986 Justiça concede liminar para o fechamento da Estrada do Colono.

Histórias do Paraná (3)
O presidente (governador) do Estado, Zacarias de Góes e Vasconcellos, traía sua visão futurista ao afirmar que “o comércio de madeiras há de, sem dúvida, prosperar consideravelmente, no futuro, atenta a imensa cópia delas (próprias não só para diversas obras como para a construção naval) que existe tanto no litoral, como serra acima, onde os olhos dos viandantes descortinam matas sem fim de pinheiros, por ora só aproveitadas no limitadíssimo consumo desta parte da Província, e que somente esperam, para descerem e prover maiores mercados, uma estrada, ao contrário das atuais, permita conduzi-las a um bom ponto de embarque”. Uma antevisão perfeita, como se nota, da futura BR-277. O ano de 1885 é assinalado como de grande extração do pinheiro e em 1887 seriam fundadas mais duas serrarias próximas a Piraquara. Entre 1896 a 1899, quando a madeira passava a representar modestos mas razoáveis 4% na receita do Estado, já existiam 64 serrarias. (A seguir: O porto dos ingleses) Na internet: http://cascavel.dihitt.com.br E-mail: naroda@ig.com.br

Farta produção de gado
Na imprensa, a batalha seguia feroz. O jornal Governista, de São Paulo, defendia a nova Província, mas um peso pesado, Diogo Feijó, dizia aos paranaenses que a causa da emancipação era um engodo para colocá-los sob o controle do governo. Enfim, o governo liberal, que assumiu no início de fevereiro de 1844, concedeu imediatamente anistia aos líderes da Revolução Liberal e o projeto do Paraná, iniciativa dos conservadores, permaneceria travado no parlamento. Estruturando sua fortuna e seu poder sobre o Paraná, o Barão de Antonina atrai a colaboração do sertanista Joaquim Francisco Lopes, que passou a estudar a navegação dos afluentes do rio Paraná e a exploração econômica de suas margens. O interior do Paraná era então sobretudo os Campos Gerais, onde a população se dedica à criação de animais “e é muito dada aos jogos de cartas e às corridas de cavalos”, segundo Salvador José Correa Coelho, referindo-se a Ponta Grossa (Passeio à minha terra, 1860). A descrição que Correa Coelho faz do homem paranaense do interior, nessa época, é a mesma que futuramente seria feita mais tarde dos gaúchos do Rio Grande do Sul: – O indivíduo que faz o serviço no campo o faz sempre a cavalo e é conhecido como “monarca da coxilha”. Traz na cabeça um chapéu de copa rasa e abas um tanto largas, preso na testa por uma fita de tecido colorido. Por cima da camisa usa o “poncho” listrado de lá que é chamado de “pala”. Na cintura usa a “guaiaca” que serve ao mesmo tempo de bolsa e cinta. Note-se que os gaúchos apareceram em sua forma tradicionalmente consagrada como nativos do Rio Grande do Sul somente depois da Guerra do Paraguai (1864–1870). Pelos campos paranaenses, afinal, alastravam-se as criações de animais e os paranaenses eram sobretudo descendentes de tropeiros. Só em Palmas, cuja exploração havia sido recentemente iniciada, já havia cerca de 40 fazendas de criação de animais. (Fonte: 150 Anos de Governança Paranaense: 1810 a 1960, de Alceu A. Sperança)