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Art. 154.

A observância, em todos os locais de trabalho, do disposto neste


Capítulo, não desobriga as empresas do cumprimento de outras
disposições que, com relação à matéria, sejam incluídas em códigos de
obras ou regulamentos sanitários dos Estados ou Municípios em que se
situem os respectivos estabelecimentos, bem como daquelas oriundas de
convenções coletivas de trabalho.
O legislador constituinte originário preocupou-se muito com as questões
relacionadas á segurança e medicina do trabalho. Tanto isso é verdade que
elevou tal matéria à categoria de direito constitucional (artigo 7, inciso XXII, da
CF/88).
O legislador houve por bem atribuir ao Ministério do Trabalho e Emprego a
função de editar normas protetivas do trabalhador no meio ambiente de
trabalho (Portaria n 3.214/78). A Portaria em questão autoriza o Ministério do
Trabalho e Emprego a baixar normas Regulamentadoras de observância
obrigatória pelas empresas, sem prejuízo de outras regras protetivas inseridas
em normas coletivas de trabalho, além daquelas aprovadas por Estados e
Municípios. Assim, pode-se dizer que as Normas Regulamentadoras se
traduzem em proteção mínima aos trabalhadores.

Art. 155. Incumbe ao órgão de âmbito nacional competente em matéria de


segurança e medicina do trabalho:
I — estabelecer, nos limites de sua competência, normas sobre a
aplicação dos preceitos deste Capítulo, especialmente os referidos no art.
200;
II — coordenar, orientar, controlar e supervisionar a fiscalização e as
demais atividades relacionadas com a segurança e a medicina.
do trabalho em todo território nacional, inclusive a Campanha Nacional de
Prevenção de Acidentes do Trabalho;
III — conhecer, em última instância, dos recursos, voluntários ou de
ofício, das decisões proferidas pelos Delegados Regionais do Trabalho,
em matéria de segurança e medicina do trabalho.
O órgão a que se refere o legislador é a Secretaria de Segurança e Saúde no
Trabalho, que pertence ao Ministério do Trabalho e Emprego. É atribuição da
Secretaria de Segurança e Saúde no Trabalho aprovar, nos limites de sua
competência, normas protetivas contra infortúnios que possam acometer os
empregados, além do poder de coordenação, orientação, controle, supervisão
e fiscalização dessas normas. É possível à Secretaria de Segurança e Saúde
no Trabalho apreciar, em instância administrativa, recursos de multas aplicadas
aos empregadores pelo descumprimento de normas de segurança e medicina
no trabalho.
Art. 156. Compete especialmente às Delegacias Regionais do Trabalho,
nos limites de sua jurisdição:
I — promover a fiscalização do cumprimento das normas de segurança e
medicina do trabalho;
II — adotar as medidas que se tornem exigíveis, em virtude das
disposições deste Capítulo, determinando as obras e reparos que, em
qualquer local de trabalho, se façam necessárias;
III — impor as penalidades cabíveis por descumprimento das normas
constantes deste Capítulo, nos termos do art. 201.
É função do auditor fiscal do trabalho, ao visitar as empresas, conscientizar os
seus representantes acerca da obrigatoriedade no cumprimento das normas de
segurança e medicina do trabalho. Em que pese tais normas serem muito
detalhistas, estas devem ser observadas no intuito do empregador evitar
acidentes do trabalho e de doenças profissionais ou do trabalho.

Art. 157. Cabe às empresas:


I — cumprir e fazer cumprir as normas de segurança e medicina do
trabalho;
II — instruir os empregados, através de ordens de serviço, quanto às
precauções a tomar no sentido de evitar acidentes do trabalho ou
doenças ocupacionais;
III — adotar as medidas que lhe sejam determinadas pelo órgão regional
competente;
IV — facilitar o exercício da fiscalização pela autoridade competente.
As estatísticas brasileiras de acidentes de trabalho e de doenças profissionais
ou do trabalho revelam que, infelizmente, os patrões não cuidam como
deveriam do meio ambiente do trabalho com o intuito de torná-lo sadio. Várias
são as normas baixadas pelo Ministério do Trabalho e Emprego que se
prestam a orientar os empregadores sob a melhor forma de manter um meio
ambiente saudável. Exemplo disso são as normas regulamentadoras editadas
pelo Ministério do Trabalho e Emprego com base na (Portaria n 3.214/78).
Invariavelmente é designada fiscalização nas dependências do empregador
visando orientar, fiscalizar e até mesmo multá-los, ante o descumprimento das
normas de segurança e medicina do trabalho.
Art. 158. Cabe aos empregados:
I — observar as normas de segurança e medicina do trabalho, inclusive
as instruções de que trata o item II do artigo anterior;
II — colaborar com a empresa na aplicação dos dispositivos deste
Capítulo. Parágrafo único. Constitui ato faltoso do empregado a recusa
injustificada:
a) à observância das instruções expedidas pelo empregador na forma do
item II do artigo anterior;
b) ao uso dos equipamentos de proteção individual fornecidos pela
empresa.
O empregado que descumpre normas internas protetivas do trabalho e/ou
aquele empregado que se recusa a utilizar equipamentos de proteção
individual pode ser despedido por justa causa (artigo 158, parágrafo único, da
CLT)
A nosso ver não é possível considerar que o cometimento de justa causa se dá
apenas por um ato único do empregado na recusa de cumprimento de normas
internas da empresa ou na recusa do uso de equipamentos de proteção
individual. Com efeito, pensamos que deve o empregador punir o empregado
relutante de forma progressiva (advertências e suspensões) até atingir a pena
máxima da justa causa.
Art. 159. Mediante convênio autorizado pelo Ministério do Trabalho,
poderão ser delegadas a outros órgãos federais, estaduais ou municipais
atribuições de fiscalização ou orientação às empresas quanto ao
cumprimento das disposições constantes deste Capítulo.
A princípio o ente público que tem competência privativa para legislar sobre
direito do trabalho – incluindo normas de proteção aos empregados – é a União
Federal (artigo 22, inciso I, da Carta Republicana de 1988).
Por outro lado, mediante a celebração de convênio como refere o legislador,
este deve ter autorização prévia do Ministério do Trabalho e Emprego, no
sentido de que órgãos federais, estaduais ou municipais também tenham
atribuições de fiscalização ou de orientação às empresas quanto ao
cumprimento de normas de medicina e segurança do trabalho.