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TSHOKWE

Colóquio em homenagem a
M A R I E - L O U I S E B A S T I N
(Porto, 1999)

@Faculdade do Letras da Universidade do Porto, 2001

AAhTROPOLOGIA DOSTSnOKWE
E POVOS APARENTADOS

Edi*"
Faculdade de Letras da Universidade do Porto

organizagão
Departamento de C~ênciaseTécnicas do Patrimónie
Armando Coelho Ferreira da Silva
C:ento de Estudos Africanos
António Custódio Goncalv~q

Beijamim Enei Pereira
Manuela Palmeirim

Apoio
FundacZo Dr António Cupertino de Mranda

Concepqão Gráfica
SeiSilito- Empresa Gráfica, Lda.1Maia

Tiragem
500 exemplares

O Faculdade de Letras da Unversida.de do Porto, 2003

Nota de Abertura

N o dia 30 de Novembro de 1998, o Departamento de Ciências e Técnicas do Património promoveu uma sessão
comemorativa dos 80 anos da Doutora Marie-Louise Bastin no Círculo Universitário do Porto. Neste encontro, em que
participaram docentes e convidados do departamento e alguns amigos da homenageada, foi inaugurada uma exposição
da bibliografia científica por Marie-Louise com a inestimável colaboração do seu marido Senhor António Enes Ramos. O
Prof Manuel Rodrigues de Areia fez a apresentação desta ilustre investigadora belga que dedicou uma parte da sua vida
ao estudo da arte africana e, particularmente, dos Tshokwe ou Quiocos localizados no nordeste de Angola.
Este foi o primeiro contacto formal estabelecido entre a Faculdade de Letras da Universidade do Porto e a Doutora
Marie-Louise Bastin que, logo percebemos, muito lhe agradou. Mas, em resultado de contactos prévios, já então corria na
Faculdade de Letras a proposta de atribuição do grau de doutora "honoris causa" a Marie-Louise Bastin, subscrita por
diversos professores e datada de 23 de Setembro de 1998, que mereceu aprovação unânime do plenário do Conselho 1

Científico da Faculdade de Letras em 6 de janeiro de 1999 e do Senado da Universidade do Porto em 25 de Fevereiro
de 1999, materializando-se com a realização da cerimónia de imposição das insígnias doutorais, ocorrida em 28 de junho
de 1999 no Salão Nobre da Faculdade de Ciências.
Entendeu a Faculdade de Letras que esta homenagem da Universidade Porto deveria ser enquadrada com outras
actividades que valorizassem o labor científico de Marie-Louise Bastin. Neste sentido, o Departamento de Ciências e
Técnicas do Património e o Centro de Estudos Africanos, então presididos pelos Profs.Armando Coelho Ferreira da Silva
e António Custódio Gonçalves, respectivamente, promoveram a organização da exposição "Escultura Tshokwe",
inaugurada em 8 de Julho de 1999 nas instalações da Fundação Dn António Cupertino de Miranda, que recolheu 54 das
mais significativas peças tshokwe existentes em colecções nacionais. Esta mostra beneficiou da activa e entusiástica
participação de Marie-Louise, também autora do excelente catálogo publicado na ocasião, e do seu dedicado amigo
Benjamim Pereira, cujo saber; competência e eficácia foram imprescindíveis para o êxito desta iniciativa.
U m outro evento de grande importância foi a realização, no dia da cerimónia do doutoramento "honoris causa", do
Colóquio "A Antropologia dosTshokwe e Povos Aparentados" que contou com a presença de Marie-Louise e de outros
especialistas nacionais e estrangeiros. A realização deste encontro não teria sido possível sem a coIaboraç20 da Profa
Manuela Palmeirim, que teve um papel fundamental na sua organização, bem como na preparação das actas que agora se
publicam.

NXo quis o destino que Marie-Louise, falecida em 20 de Março de 2000, pudesse manusear este livro que reúne um
valioso conjunto de textos, sobre temas que lhe eram tão caros, escritos em sua homenagem por alguns dos seus amigos
e admiradores e que resulta de uma iniciativa que muito a comoveu e sensibilizou. Sabemos, contudo, que Marie-Louise,
onde quer que se encontre, ficará mais uma vez feliz por esta publicação que é mais um significativo contributo para o
conhecimento de uma Cultura que ela sabiamente estudou e revelou ao Mundo.

Faculdade de Letras da Universidade do Porto, 19 de Fevereiro de 2003

O Presidente do Conselho Directivo
Rui Manuel Sobra1 Centeno

depois. Os Tshokwe. numa ruptura definitiva com a chamada "política do espelho" associada à imagem de um desenvolvimento cultural de África que contirmasse os pressupostos desenvolvimentistas europeus. Originários de uma civilização de caçadores das savanas. dos mitos. dos factores mágico-religiosos. do Cunene ao Cuanhama. Luvales e outros que partilhavam laços históricos e sociais e práticas rituais comuns. Sendo povos prevalentemente matrilineares. os autores confirmam a mudança do paradigma do eurocentrismo para paradigmas dominantes do desenvolvimento cultural endógeno africano.transmitidas com distorções etnocêntricas e ideológicas no contexto de uma determinada missão ou expedição. com uma importante experiência de trabalho de campo entre osTshokwe. os Tshokwe conquistaram o "império" Lunda. As comunicações apresentadas e publicadas nestas Actas revelam um exame crítico e minucioso das tradições orais. fixando alguns grupos em territórios da actual República Democrática do Congo e do Noroeste da Zambia. constituído por uma rede de sociedades e de organizações políticas culturalmente aparentadas. Prefácio O Colóquio "A Antropologia dos Tshokwe e Povos Aparentados". Lundas. dos complexos rituais simbólicos e ideológicos. integrado na homenagem prestada à Profa Marie- Louise Bastin pela Universidade do Porto. os Tshokwe impuseram-se na arte da caça e do comércio de mafim. Estes trabalhos salientam a importância da contextualização histórica e espacial na análise das observações dos cronistas e viajantes. que se estendiam de Angola ao Malawi. Outros grupos expandiram-se. em Angola. as representações femininas constituem um facto cultural predominante. estruturando-se num sistema de parentesco mítico. As colonizações portuguesa e belga forçaram-nos a emigrar cada vez mais para leste. a nordeste de Angola. para sul. histórias ou lendas. Luenas. . florescente do século XV ao século XIX. povos guerreiros e comerciantes. até aos confins do Zaire e da Zâmbia. para a região do Alto Kassai. convocando assim perspectivas de longa duração na interpretação de processos culturais e simbólicos e de estratégias políticas quanto às formações sociais e à construção de identidades culturais. organizavam-se segundo um sistema original de tíiulos relativos aos chefes de linhagens. sobretudo nas máscaras de madeira que gozam de uma reputação internacional. reuniu uma equipa de antropólogos e historiadores de excelente qualidade. Em 1885. que enformaram as sociedades e culturas dos povos Tshokwe. Emancipando-se da hegemonia de teorias meramente abstractas e realizando uma síntese eficiente do trabalho teórico e do trabalho de campo. na encruzilhada de diversos contributos sócio-culturais: Mbundos.

construído através de um pluralismo diverso e coerente. que exaltavam a força e a dignidade humana. mas um meio para ajudar a compreensão dos Tshokwe e povos aparentados. António Custódio Gonçoives . formando uma unidade interna e um pluralismo coerente do reino Lunda. chamadas hamba. de conquistas e submissões. realizou-se um trabalho referencial de tratamento e de inventariação das colecções de arte Tshokwe. nomeadamente no Museu de Etnologia de Lisboa. evidenciando. constituídas através de rivalidades e alianças. o segundo sublinhou a emergência de novos valores e análises científicas da etno-museologia. devido às suas estátuas de chefes e de antepassados deificados. A cultura Tshokwe caracteriza-se por um sistema social relativamente homogéneo. A representação mais célebre foi a estatueta de Tshibinda llunga. Este foi identificado pelos críticos de arte pelo poder da sua expressividade. da magia e da fertilidade. Os artistas Tshokwe foram os mais famosos da região. que se fundamentou a vitalidade do contexto artísticoTshokwe. em Angola. pondo em relevo a experiência da diversidade das manifestações culturais. para a análise científica da realidade cultural da Museologia. assim. o terceiro apelou para a implementação do estudo e da formação em arte africana em Portugal. Com ele iniciou-se a dinastia do MwataYamvo. e pelas estátuas mahamba associadas as actividades da caça. "um dos grandes museus mundiais de arte e de etnografia africana". no Museu de Antropologia de Coimbra e no Instituto de Antropologia D r Mendes Corrêa no Porto. Em Portugal. nem tão pouco para arquivar vestigios dissecados. Foi no âmbito das relações intra-societais Tshokwe e na encruzilhada de relações com povos aparentados. teve um papel notável na expressão e na divulgação da culturaTshokwe. Não foi uma galeria para conservar objectos recolhidos. Três desafios importantes atravessaram este Colóquio: o primeiro consistiu na defesa intransigente das políticas contra as pilhagens do património cultural de África. pelo desenvolvimento de uma política cultural e científica de acções de cooperação entre museus e coleccionadores particulares. como aliás qualquer âmbito da cultura. da Lunda. Contribuiu. de invenções e apropriações. assume o significado total do grupo social a que pertence. O Museu do Dundo. como refere Marcel Mauss. de grande dimensão. admirado pela sua dignidade austera e pela serenidade das suas figuras escultóricas. elogiado pela subtileza dos seus arranjos formais. como refere ErnestoVeiga de Oliveira. filho mais novo do grande chefe luba Kalala Ilunga e herói caçador luba. do amor. que teria ensinado aos Lundas a arte da caça e as técnicas de forjar o ferro. que a cultura material.

Elle ira ensuite sur le terrain. cornplices de ses errements iinanciers du goüt. Une rencontre dans laquelle les surréalistes auraient décelé Ia marque du hasard objectif. elle réussit ce tour de force d'écrire un sornptueux ouvrage sur I'art décoratif tshokwe (publié en français à Lisbonne en 1961) sans jamais avoir entrepris d'études dans le charnp de I'anthropologie. qui en tit un foyer de réflexion sur I'avant-garde. qui inaugurent une très vague ère post-moderniste. Cette passion s'est d'abord nourrie de I'enseignernent que jeune étudiante. au rnusée de Dundo. fondée à Bruxelles par I'architectevandervelde. Marie-Louise ravie découvre sa voie. Ia cèléhre Ecole de Ia Carnbre. Elle découvre avec érnerveilleillernent les rnultiples aspects de I'art tshokwe. En Angola. Marie-Louise Bastin suivit a I'lnstitut Supérieur des Arts Décoratifs. Devenu directeur du Musée de Tervuren en 1947. mais charge Marie-Louise d'éxecuter pour lui une série de dessins. c'est beaucoup plus qu'un objet de connaissance pour Marie-Louise Bastin: une passion. Une passion qui double celle de I'art rnoderne. Olbrechts trouve Ia pièce plutôt rnédiocre. auquel elle consacrera sa vie. Universidade Livre de Bruxelas . Elle s'initie à cette discipline. rappelons-le. En les traçant. Un travail de très longue haleine qu'elle poursuit avec acharnernent et que I'Université de Porto vient couronner en I'élevant à Ia dignité de Docteur Honoris Causa. Ia connaissance était encore ernbryonnaire. il y a cinquante ans. Luc de Heusch Pour Marie-Louise Bastin Cexposition que nous inaugurons aujourd'hui n'existerait pas sans le travail irnrnense acornpli par Marie-Louise Bastin pour faire connaitre I' un des arts les plus irnpressionnants d'Afrique noire. que I'on ne Luc de Heusch. a l'époque. Poussée par un rnystérieux dérnon elle dirige un jour ses pas vers une boutique d'art colonial. Olbrechts lui confie Ia responsabilité d'une photothèque qui deviendra l'un des prerniers centres européens importants de docurnentation sur les arts africains. C'est Ia prernière plongée de Marie-Louise dans un continent que les historiens d'art sont très peu nornbreux alors à exploref: C'était. Entourée d'excellents inforrnateurs qu'elle écoute avec attention. où elle s'éprend d'un petit masque songye. Mais c'est Ia rencontre d'un objet qui décida de Ia vocation de Marie-Louise Bastin. D e I'art que I'on appelait hier encore moderne. avant que d'incertaine productions n'apparaissent sur le marché et n'envahissent nornbre de rnusées. dont. Elle I'achète et va le rnontrer à Frans Olbrechts. c'est-à-dire du destin. un véritable capharnaurn. Cart tshokwe. qui prépare à cette époque son petit ouvrage sur Ia chronologie des arts plastiques africains.

Elle pioche avec obstination son latin quelque peu oublié. I'art hauternent évolué des centres culturels anciens "perdra progressivernent son arnpleur et son rafinernent" (Bastin. Mais sa carrière universitaire et les aspects financiers de celle-ci ne I'ont jamais préoccupée vrairnent. II annonce son arrivée en frappant deux bâtons I'un sur I'autre. Cet objet véritablernent magique. le corps tout habillé de fibres. Mais revenons en arrière. p. Elle voyage et étudie les collections tshokwe de tous les grands rnusées ethnographiques d'Europe. saurait séparer de I'histoire de I'art des peuples sans écriture. qu'y a-t-il? Une fantastique créature surgit du pays des rnorts. car il faut passer par I'Antiquité et le Moyen-Age pour conquérir le diplôrne de licencié en historie de I'art et archéologie. après Ia grande expansion desTshokwe travers I'ernpire lunda dans Ia seconde rnoitié au XIXe siècle. ngangela. II rn'a toujours sernblé que le petit masque songye sorti d'un bric-a-brac surréaliste a plongé Marie-Louise Bastin dans une irnrnense rêverie. Mais elle est sensible à Ia dirnension historique et constate que. Elle se consacre aux tâches universitaires avec beaucoup de dévouernent et avec une irnrnense affedion pour ses étudiants. Ia tête couverte d'une sirnple cagoule. Elle devient rnon assistante à Ia Faculté de philosophie et lettres de I'Univenité de Bruxelles en 1972. II marche lenternent et fait entendre un long cri ululé qui fait fuir les fernrnes. O n se souviendra que Olbrechts fut le prernier à attribuer au maitre de Buli un ensernble d'oeuvres rnarquantes dont le style expressioniste est si particulier dans le vaste dornaine luba-hernba. dont elle suit attentivernent les travaux. li va checher au village les enfants terrorisés que I'on va circoncire et les conduit dans un carnp en brousse. ovirnbundu. où ils séjourneront un an ou deux afin que se rompe détinitivement le cordon ornbilical qui les relient encore socialernent à leur rnère. balisé de rnerveilleux objets. Un voyage hors du ternps acadérnique. en s'inscrivant à I'Université de Bruxelles en 1962. noirs ou blancs évoquant le soleil. 36). évoque Ia sauterelle. II est suivi d'un cortège de masques irnpressionnants au visage modelé en résine dont I'imrnense coiffure faite d'écorce battue aux formes très diverses est couverte de rnystérieux signes rouges. songo. de I'autre côté du miroir. Elle est alors âgée de quarante quatre ans. Marie- Louise définit quant à elle avec une sureté de jugernent exceptionnelle le style des grands ateliers tshokwe portant Ia marque unique du génie créateur Elle n'a pas peur d'écrire que les plus belies productions atteignent "l'un des sornrnets de I'art". Le masque d'Alice de I'autre côté du rniroir Mais. Par Ia suite. un voyage où elle s'est cornplèternent identifiée au masque jeune fille rnpo. elle étudiera encore I'influence de Ia culture tshokwe sur les cultures voisines d'Angola et définira les styles Iwena. elle y sera nornrnée chargé de cours six ans plus tard. Le patron de ces créatures rnasquées d'antilop-cheval. Elle distingue ainsi les styles de I'expansion. hors du ternps. I'entraina à un voyage sans fin. Elle leur a consacré un récent ouvrage. Elle est devenue ainsi le rneilleur spécialiste des arts d'Angola dans leur ensernble. insecte réputé pour sa fertilité. . Elle conquiert le diplôrne de dodeur en philosophie et lettres avec une thèse sur Ia grande statuaire tshokwe. Ia lune. 1982. Elle s'inscrit résolument dans ce courant stirnulant de recherches qu'olbrechts avait inauguré et qui consiste à attribuer à un rnaitre particulier ou à son atelier une série de chefs d'oeuvre. les étoiles.

dont Ia grande carcasse en vannerie sert de garde-manger. Les mères les ont nourris à distance et des masques de moindre d'importance se sont chargés d'emporter Ia nourriture qu'ils venaient chercher au village et qu'ils apportaient aux enfants exilés au pays des esprits incarnés par les masques.. . de même que Tshitelela. II est chargé. il rarnènera auprès de leur mère les enfants devenus des hommes. en effet. lelwa. Voici Tshitamba qui porte sur Ia tête un plateau circulaire imitant le séchoir à manioc qui lui donne son norn. II se déplace en courant et pousse lui aussi des cris pour chasser les femmes. II est en rapport avec I'eau céleste puisque sa présence est requise lorsqu'on confedionne le charme magique destiné a lutter contre les pluies torrentielles. de ravitailler les enfants au village.. Voici Kalelwa dont le nom évoque le nuage. Mais au terme de Ia longue retraite initiatique.

196 1 . Cette fois nous sornrnes en pleine rnythologie.. Bastin.Yenge désigne plus précisérnent Ia vipère du gabon qui présente sur le dos "une double frise de triangles ou de losangles juxtaposés" (Bastin. II sort très rarernent: seulernent lorsqu'une calmité publique doit être conjurée par un sacrifice solennel aux ancêtres. p. L'architecture cornpliquée du masque. Les fernrnes auxquelles les deux oiseaux rnythiques apportent leur aide sont en quelque sorte marquées par Ia saison des pluies à laquelle il ernporte de rnettre fin pour perrnettre Ia pêche férninine. les hornmes s'ornèrent des plurnes de ces deux oiseaux rnerveilleux et se rnirent à danser en les irnitant. il accornpagne le solei1 couchant en volant très haut dans le ciel. 84). II porte un glaive dans chaque rnain et seuls les chefs ou les grands notables peuvent le voir sans danget. Ce rnythe raconte qu'une petite cigogne noire accornpagnée d'un autre oiseau non identifié. 1963. Une fécondité dont le rituel de circoncision s'efforce précisérnent de doter le pénis circoncis des novices. Mais pourquoi le rnotif yenge lyo kumbi qui envahit Ia coiffure du grand masque des chefs tshokwe. p. tarirent jadis du batternent de leurs ailes un étang que les fernrnes ne parvenaient pas à assécher pour récolter du poisson. en forme d'ailes."la vipère de Ia cigogne". Vipère (Yoomv). p. le plus irnportant. Mais Tshikungu. car il représent ses ancêtres. appartiennent à Ia rnoitié de Ia tribu qualifiée de "vornisseurs de terre hurnide". associe-t-il dans son norn rnêrne Ia petite cigogne noire (kumbi) à Ia vipère royale (yenge)? Pourquoi cet oiseau est-il representé par les ailes mêmes qui surrnontent le masque tshikungu? II faut interroger ici un autre rnythe. Le rnythe fait donc de Ia petite cigogne noire Ia rnédiatrice entre pluie et sécheresse. En effet. te1 est le titre que portaient les puissants rnonarques de I'ernpire lunda dont dépendaient jadis plus ou rnoins les chefs tshokwe. lunda celui-là (Nous ignorons s'il en existe une version tshokwe). Seul le chef de terre en personne . A I'occasion de Ia rnort du chef de village. Son norn en luvale (londokumbi) rnet ce caractère solaire en relief: londo . reçut le surnorn de vipère. sans doute pour souligner son caractère redoutable (idem. le plus grand de tous les masques.ou I'un de ses neveux utérins . Des triangles en dents de scie le couvre littéralernent. 124). D u batternent de leurs ailes les deux oiseaux rnettent fin à Ia saison des pluies qui se prolonge puisque les fernrnes qui s'efforcent en vain d'assécher I'étang. C'est le rnythe fondateur d'une association qui s'occupe du traiternent du cadavre royal chez les Lunda (Crine-Mavai. le fondateur de Ia dynastie. Voici Tshitarnba qui porte une coiffe sphérique évoquant le nid des termites à Ia fecondité incornrnensurable. le futur roi. Le rnythe se laisse aisérnent déchiffrei: C'est au rnornent de Ia saison sèche que se pratique Ia pêche décrite.peut le porter. enceinte des oeuvres du prince chasseurTshibinda-llunga aperçut un jour cet animal et en fut tellernent effrayée qu'elle fit une chute en courant se réfugier dans sa case et accoucha prérnaturérnent C'est en souvenir de cet évènernent singulier que le nouveau-né. Ce rnotif est rnystérieusernent appelé yenge lyo kumbi. ne fait pas partie du cortège des fantômes qui apparaissent lors de ces cérérnonies. 125). représente Ia petite cigogne noire kumbi. Mais cet oiseau est syrnboliquernent surdéterrnine il connote aussi le passage du jour a Ia nuit. I'autre rnoitié étant qualifiée de "vornisseurs de terre aride". Le rnythe tshokwe raconte que Ia reine Lueji.

son ventre blanc se trouve toute naturellernent associé au soleil qui disparait à I'horizon. sur terre. O n cornprend dès lors que les chefs tsholcwe. mais bien celle des chefs tshokwe (Bastin. 196 1 . pris comme trophée de guerre ou exécuté pour le souverain par un artiste tshokwe renornmé (idem. p. le séduisant chasseur étranger. c'est le Roi- vipère. très probablement fictive. C'est un inforrnateur de Marie-Louise Bastin qui lui révéla que les superbes statues tshokwe représentant un chasseur aux puissantes mains. inquiétante. Je rappelais à I'instant le mythe fondateur de I'ernpire lunda. un tissu rouge en forme de croissant réprésent Ia lune (Bastin. 53-54). bien que nous tenions celle-ci à t o r t cornrne Ia rnanifestation rnêrne de Ia civilisation. D'un seu1 et mêrne geste cosrnique. Cornrne le roi sacrée lunda dont i partage le syrnbolisme. Tshibinda llunga introduit Ia prospérité et les usages de Ia royauté sacrée. c'est son aspect secourable que syrnbolise Ia petite cigogne noire kumbi. Marie-Louise s'étonne à ce propos de constater que Ia cour lunda ne produisit aucune oeuvre d'art (idem. Cet état de manque est symbolisé par les troubles rnenstruels dont souffre Ia reine autochtone Lueji. Mais. de Heusch. le masque tshikungu muni d'un glaive est une créature arnbivalente. C'est Ia part rnaudite du pouvoir qu'assure le roi-vipère lunda. II est un dispensateur de fertilité dans un pays dont Ia reine autochtone est rnenacée de diverses calarnités. créature solaire qui est responsable de I'alternance du jour et de Ia nuit cornrne du rythme des saisons (L. Venu du pays luba il épousa Ia reine autochtone Lueji donnant naissance au prernier roi-vipère. 2. associent Ia vipère et Ia cigogne sur le grand masque représentant les ancêtres de leurs propres chef8. 371). estUuntravail des Tshokwe". Si le plurnage noir de Ia petite cigogne évoque Ia nuit. II est vrai que IesTshokwe s'adonnaient à Ia chasse avec passion. fondateur d'une dynastie conquérante dans I'orbite duque1 IesTshokwe vécurent apparernent jusqu'au milieu du 19e siècle. II ne faut pas prendre I'iconographie du chasseur au pied de Ia lettre. vol. qui ont adopté pour leur propre cornpte le rnythe de fondation de I'empire lunda contant les arnours de Ia reine autochtone Lueji et de Tshibinda Ilunga. n'est autre que Ia représentation du rnythique héros Tshibinda llunga. chap.A vrai dire celui-ci est le résurné de I'univers. Elle note que Ia chaise qu'un oficier norvégien reçut du roi lunda au début du 20e siècle. solidement carnpé sur ses grands pieds. p. p. La réponse à cette énigrne historique est que le grand art n'est pas nécessairernent lié à une forme quelconque d'État conquérant. Cependant. au dessus du front.56). 1972. En fait. car"sur I'avancée du rnenton deux ronds figurent chacun le soleil" tandis que. Marie-Louise Bastin a rnontré Ia parfaite assirnilation par IesTshokwe de cette grande tigure rnythique lunda. Ia petite cigogne kumbi inaugure à Ia fois le nuit et Ia saison sèche. mais tout laisse croire que les Tshokwe pratiquaient avec succès I'art cynégétique avant I'arrivée. La chasse est plus précisément une image rnétaphorique de Ia fécondité dans I'univers lunda.Q. Cernpire de Napoléon a-t-il produit de grandes oeuvres? II en a dérobé quelques unes dans diverses collections . 165). 1953. ce noble étranger ne fait pas partie du panthéon des esprits ancestraux mahamba. pp.vient du verbe archaique kulonga (suivre) et likumbi désigne le soleil (Horton. 1988. 56). En effet. qu'il ait été reçu en tribut. p. Ia coiffe qu'il porte dans Ia statuaire n'est pas celle des Lunda. et qui est actuellement conservée au Musée d'Oslo. grand guerriei. du héros.

ces esprits qui enlèvent les enfants à leur rnère pour les conduire au carnp de circoncision. et elle seule. C'est Ia célèbre masque rnpo plein de douceur. Thishongo célèbre en quelque sorte publiquernent I'aspect profane du pouvoir. p. Ici aussi I'art s'épanouit. C'était à une manière ingénieuse de prélever un tribut en réjouissant les sujets du chef de terre. les mains posées avec assurance sur le ventre. alors que les masques du rituel de circoncision étaient normalement b d é s à Ia tin des cérérnonies (idem. dans le mond totalement profane. 54). Anciennement porté par un fils de chef. II s'appelle tshihongo. 1988. C'est lui aussi un masque de danse dont le caractère profane est évident. Et n'est-ce pas en devenant eux-rnêrnes conquérants. une femme réelle. A Ia fin de sa carrière théatrale. tantôt assis sur un siège.p. II serait faux de croire qu'il en est ainsi dans toutes les cultures . La tradition rapporte cependant que jadis sur Ia place publique. Mais voici que s'avance vers nous un masque en bois dont les traits schérnatiques idéalisent Ia beauté férninine. Nous sornmes toujours de I'autre côté du miroir. Un masque rnasculin fait en résine ou en bois. vous ne I'ignorez pas. le masque rnpo ne nous mène donc pas tout a fait en dehors de Ia sphère rituelle.Tshibinda Ilunga n'est pas en effet le seu1 prétexte de Ia grande statuaire. à sa "rnort". et. En dépit de son asped ludique. le second un pied ans I'au-delà. contrairernent à ses congénères d'écorce battue et de résine. C'est Ià. que IesTshokwe perdirent leur génie? Mais il est vrai que I'art tshokwe s'épanouit dans de puissantes chefferies vénérant un chef sacré. à rnoins qu'il ne surmonte un sceptre orné parfois avec une science exquise de I'arabesque. tantôt debout dans une attitude Iégèrement fléchie. tantôt elles portent Ia marque d'un créateur "apolinien". II est porté par un homrne. Revenons de ce côté-ci du rniroir. O n pourrait dire que le prernier danse les deux pieds sur terre. dont vous vous souviendrez qu'il représente les ancêtres du chef en "entourant d'un grand rnystère. p. le style dit ernpire s'inspire notamrnent de I'Egypte ancienne. est le pendant de mpo. p. O n est stupéfait de l'extraordinaire diversité de Ia sensibilité artistique tshokwe. La figure du chef Ia domine. exalte le caractère politico-religieux de ce même pouvoirTout se passe comrne si les deux masques obéissaient à un dédoublement fondionnal: Jshihongo et Tshikungu révèlent les caractéristiques complémentaires de Ia chefferie. dont Ia statuaire célèbre Ia présence. de réserve et de rafinement. résumant toutes les fernmes du monde. battant des rnains.Tout se passe donc comme si rnpo était traité comme un être hurnain. 63-65). L'on constatera que ces diverses formules originales s'inscrivent toutes dans Ia grande tradition réaliste des arts de cour d'Afrique centrale. 65). faute de souffle. Comme les autres masques. p. une constante en Afrique noire. tantôt elles participent d'un "expressionisrne dyonisiaque" (idem. Elle constate aussi que les représentations deTshibinda Ilunga n'obéissent pas un canon unique.européennes. alors que ihiskungu. Marie-Louise insiste sur le naturalisme caractéristique des oeuvres provenant du pays d'origine (Bastin. 55). le danseur effectue une danse férninine gracieuse. dans un univers où masques et statues participent du monde des esprits. Mais le masque rnpo n'est pas un objet sacré. i1 recevait des cadeaux en échange de ses exhibitions choréographiques qui se répétaient durant plusieurs rnois. le masque rnpo était souvent enterré dans un marais avec un bracelet rnétallique "pour éviter que I'esprit ne vienne hanter un rnernbre de Ia famille de I'ancien danseui'. 1988. qui est censée dispenser Ia fécondité (Bastin.

Art décorotif tshokwe. F Crine-Mavai. 1972. Caif . Gallimard.Annalesdu Musée royal de VAfrique centrale. épingles à cheveux. Miscelloneo Ethnogro~hico.. Doutreloux et j. Ia douceur du masque mpo.. 0. Le mi ivre ou I'origine de rÉtot. son compagnon fidèle. HEUSCH. in L. pour que Ia paix et Ia joie règnent enfin sur le monde. 8 1 / 0 6 . de Sousberghe. Vous jugerez d'une partie de cette richesse en visitant cette exposition qui est un hommage à Mane-Louise Bastin à l'occasion de son élévation au titre de dodeur honoris causa de I'Université de Porto. L de. Monte. Même sur le sol où les hornmes dessinent du doigt sur le sable les arabesques sona. son photographe de grand talent. les coupes comme le ventre des femmes accueillent figurines ou dessins.Tervuren. que je félicite de cette heureuse initiative. en cornpagnie deTonio son rnari. Lisbonne. tabatières. in Art et rnythologie. A."Un aspeci du symboisrne lunda. Lithogr Rahn B r o t h e ~Ekl . Le souci de beauté est partout. E. 1963. Cassociation funéraire dez Acudyaang".. Fondation Dappec Paris. sanza.. Pour que I'Angola. A. HORTON. sont autant d'idéogrammes."LesTshokwe du pays d'origine". 1988. mortier à écraser le se1 ou le tabac. Puisse Marie-Louise danser encore de nombreuses années en compagnie du masque rnpo. Museu do Dundo (2vol. 49-68 CRINE-MAVAR. Ouvrages cités BASTIN. de Loose. Paris. 1961.). Les pipes. pour que 'Afrique tout entière retrouvent Ia sérénité. A Dictionory of Luvaie.africaines. . chasse-mouches. M-L. peignes.pp. pp. pour que Ia petite cigogne noire au ventre blanc tienne en resped tous les rois-vipères qui n'ont cessé de conduire le monde à leur guise. sifflets. Figures tshokwe.

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projectou a primeira imagem sis- tematizada da distribuiqão territorial das diferentes "tribos" africanas pertencentes a colónia portuguesa de Angola'. p. fruto de uma longa história de interacção entre os Cokwe e as outras sociedades da África Central. Rednha. ~8 N. ' A representação das diferentes popuaqões permaneceu pouco alterada nos mapas "etnicas" produzidas até à década de 970: veja-se. Guerreiros: Os Cokwe em perspectiva histórica I. estimulou Jill Dias. cuja compo- sição e tamanho demogrático alterava ao longo do tempo de acordo com as circunstâncias históricas. a influência dos interesses mercantis europeus na costa atlântica. um mapa publicado pelo administrador colonial de Angola. O Estado ou sistema político Ruwund sob a autor. a imagem colonial dos Cokwe era predominantemente de uma população guerreira e esclavagista cujos assaltos e violência tinham provocado a queda do império Ruwund Contudo. Até 1900.$ . O presente texto procura situar os Cokwe nesse contexto histórico mais vasto. os Cokwe. até ao século XX. essa imagem esconde uma realidade muito mais complexa. li ! . Na verdade.da. -A JillDias Caçadores.de márima do MantYaav. ainda hoje. Esta situação histórica deu origem na primera década do século XX à crias20 do distrito colonial da Lunda do nordeste de Angola: veja-se Santos.. os Cokwe viviam fora do alcance da administração colonial.Assim. Lima. eram populações abertas e interactivas.. os Cokwe são próximamente aparentados com grupos vizinhos. Faculdade dar Ciências Sociais e Humanas da Universidade Nova de Lisboa. 24. . . compartilham muitas características culturais. .. N o século XIX. Comerciantes.>\.. em especial. . Benguela e Moçamedes. em comum com a maioria dos habitantes da savana africana. TSHOKWE I'. Na viragem do século XIX. Ferreira Diniz. Introdução Em 19 14.tais como os Luvale ou os Lwena com os quais. i970 Ou seja"Lunda" na dorumenta@o histórica portuguesa.Artesãos. sentida através da presença no interior longínquo de comerciantes oriundos da pequena colónia portuguesa de Angola. as populações Cokwe ocupam uma grande faixa de território do norte e leste de Angola (Fig. Nesse mapa. 966. o mosaico de "tribos" ou de "culturas" representadas no mapa não só transmite uma ideia exagerada da separação entre os diferen- tes grupos em presença como consagra uma falsa imagem fixa e estática desses grupos. 1952. 1994. . I). uma vez que foi só então que a ocupação efec- tiva portuguesa do território angolano conseguiu expandir para além dos pequenos núcleos costeiros centrados em Luanda. Porém. \ < .abranga uma vasta região a leste dos rios Kwango e Kwanra até aos finais do século XIX: CfPalmeirim.

I Mapa Ehogiá+cc .~g.

o missionário escocês. especial as minas de diamantes. nome- adamente Capelo e Ivens ( 1 88 I). por exploradores alemães e húngaros que penetraram a África Central nesses anos. Entre o primeiro conjunto de relatos. em 19 13. p. denunciam os seus próprios preconceitos culturais. . as tradições e informações recolhidas pelos exploradores portugueses e alemães na região do Kasai no último quartel do século XIX são cruciais sobretudo em proporcionar uma crónica interna das relações da população Cokwe com os "Lunda do MwontYoav". entre as décadas de 1870 e 1880. interacções entre as diferentes sociedades africanas que transformaram social e politicamente. incluindo os Cokwe '. são as descrições do negociante brasileiro. 1997. e. ainda. no curto prazo. 24. Henriques. as populações a leste do Kwanza. em especial os Cokwe se tornaram vítimas da exigência euro- peia de trabalhadores nos empreendimentos industriais coloniais. os relatos europeus se tornam fontes preciosas de conhecimento histórico das sociedades africanas. pouco compreen- deram do sentido das instituições e os valores familiares. Serpa Pinto (1 88 1) e Henrique de Carvalho (1890. 1890). baseados em observações feitas nas décadas de 1840 e 1850. a leitura critica das observações do comerciante brasileiro JoaquimRodrigues de G r a q na década de 8 4 0 feita por Isabel Castro Henriques. são relativamente fáceis de desmontar4. Se é possível aprofundar a história dos núcleos coloniais através da documentação arquivística de natureza administra- tiva ou militar. Silva Porto (1 942. mesmo os mais viajados ou experimentados no comércio africano. As suas representações. vejam-se por exemplo. o sertanejo português. pp. 1997: Dias. essas sociedades foram visitadas por exploradores portugueses. vejase. 1986). deriva principal- mente dos relatos deixados por viajantes e exploradores do século dezanove. e maior parte dos quais eram europeus. e. 1885. A maior parte dos europeus. ' Sobre isso.Von Mechow ( 1 882) eVon Wissman ( 1 889). a partir da década de 1920. como também controlavam o comércio entre o interior e a costa. Paul Pogge (1 88 I). 1894195) e. 1998. Por isso mesmo.Assim. Joaquim Rodrigues da Graça ( 1 854158. por exemplo. nomeadamente Anton Lux(1880). David Livingstone (1 857. essas populações. a economia mercantil do Atlântico introduziu novas oportunidades económicas e políticas para essas populações. Max Buchner (1 882). Porém após o colapso.tantas vezes negativas da vida africana. o conhecimento empírico das sociedades africanas mais longínquas. políticas e religiosas das sociedades africanas à sua volta. ou seja os Aruwund ' Para sínteses recentes da história de Angola no século XIX. 442-443 Tratam-se dos povos que formavam o núcleo central e or~ginaldos grupos subordinado à autoridade do Mant Yaav: Palmeirim.Filtradas por uma leitura crítica. E claro que as interpretações e representações desses autores são profundamente influenciadas pelo seu etnocen- trismo. Lazlo Magyar ( 1 859). Otto Schuti ( 1 88 I). No caso específico dos Cokwe. Ao longo do século XIX. os interesses do capital mercantil foram sendo substituídos pelos do capital industrial. não obstante a eventual subordinação das suas economias locais aos mercados intemacio- nais e a marginalização de entrepreneurs africanos a favor de agentes europeus que acompanharam a expansão da admi- nistração europeia nos princípios do século XX. Posteriormente.1963) e o viajante e sertanejo húngaro. os preços mundiais da borracha aficana em consequência da concorrência sud-asiática. as sociedades africanas politicamente autónomas que circundavam esses núcleos não só produziam a maior parte das exportações coloniais. 1994. tais como os Cokwe.

Mbangala. a obra mais notável é de Henrique de Carvalho. 1978a .Vaniina.Tavares. os Portugueses na costa atlântica juntavam todas as populações lon- gínquas entre os rios Kwanza e Zambeze sob o rótulo pejorativo de "Ganguela"'. 1988. também. Contudo. Cokwe e Mbunda.Vcja-se. não há notícia escrita dos Cokwe até ao último quartel do século XVIII . pp. 1898. em especial. o presente texto procura sintetizar.Neste respeito. entre eles os Aruwund. para além do seu conteúdo simbólico contém uma visão telescópica do passado. Luchazi. 1890. Ruwund e povos vizinhos ver. de tal forma que as informações por ele recolhidas cons- tituem a fonte principal de conhecimento sobre os Cokwe nesse período 6 . 1994. 1988. 1978b Reefe.965. Lwena. pioneira de estudos etnográficos sobre a cultura material da região da Lunda. 188 1. N o entanto. Porém. 1994). . 189. no sentido de conceptualizar e aprofundar a realidade histórica dos Cokwe.1997. Masongo. Reconhecendo a importância das reconstruções históricas e ideológicas do mundo Cokwe apresentadas por esses autores. pp. que aprendeu a iíngua Uruwund entre 1884 e 1888. o termo nganguela significa a zona baixa de florestas e savanas arenosas e secas entre o planalto Ibid. foi entre os primei- ros antropólogos a reconhecer o valor das informações recolhidas pelos exploradores europeus do século XIX para a reconstrução histórica da população Cokwe(196 1 .Tradições e informações orais sobre os laços históricos dos Cokwe foram registadas por Capelo e Ivens.. pp. 1 14150: Lima. pp. Henriques. 1972: Miller 1980. confundindo acontecimentos históricos mais recentes com lendas antigas: Para o debate sobre a nterpretaqão da savanna africana ver.1. de modo sucinto e matizado. o conhecimento detalhado da história das socedades da África Central antes de 8 0 0 é complicado pelas dificuldades em interpretar essas tradições. Mais recentemente ainda. que se introduziram na mesma região vindo do leste referiam à mesma região e população coma 'Wika': veja-se Gluckman 1954. as quais. 89-92. 1966: 011-mingham.Alfredo Margarido (1 972). 26-27: Para reconstruções da história política mais recuada dos Cokwe. pp. 1983. 1966. 2. algumas das suas conclusões. 1995 ' A ausênc~ade fontes escritas contemporâneas para a reconstrução histórica das sociedades das savannas é compensada pela existência de numerosas tradições orais. 173-174 e Carvalho. ou Xinje.o que reflecte não a sua eventual ausência fisica ou linguística. Marie-Louise Bastin. os Cokwe possuem origens comuns muito antigas com outros grupos dessa região. Pamerim.Até aos finais do século XIX. O seu trabalho foi complementado pelo estudo histórico pormenorizado de Joseph Miller ( 1 970) e pelas investigações antropológicas de Mesquitela Lima (1 97 I).192. Heusch. Os Cokwe n o contexto da África Central De acordo com as tradições orais da África Central. com os quais são aparentados política e cultu- ralmente '. OS ingleses. 198 1 . 963. 142-143. nas línguas Luvale. 1971: Miller: 976. essas fontes foram sujeitas de novo a uma re-leitura crítica e exaustiva pela historiadora Isabel Castro Henriques (1997). Hoover. pp. Rodrigues de Areia (1985) e Manuela Palmeirim (1 994). con- duzindo um trabalho etnogtáfico de grande sensibilidade e rigor. por exemplo. Margarida. mas a falta de conhecimento geográfico ou etnográfico europeu acerca das regiões a leste dos rios Kwango e Kwanza.

1973-74. ou entre zonas agrícolas de pastorícia ". O u seja. esses povos integravam uma multiplicidade de identidades culturais e políticas pro- duzida historicamente a partir de especializações ecológicas e de contactos milenários entre as populações espalhadas nas savanas da África Central. sendo particu- larmente desenvolvidas em volta das concentrações destes minerais e também nas zonas ecológicas de transição que favo- reciam a troca de produtos regionais especializados e complementares. Por um lado.Tais redes baseavam-se sobretudo nos depósitos de sal e de minérios de ferro e cobre. no século XIX. Aproveitando-se da facilidade de movimento. por exemplo. 970. 1988: tendo sido revis~tadosmais recentemente por Henriques. o litoral e o interior. Esses produtos incluíam. a partilha e o intercâmbio.às vezes quase imperceptível ao observador estrangeiro . '' De acordo com o explorador alemão.exprimia-se através da sua cultura material. para além dos produtos da floresta. medicinas e os serviços especializados de adivinhos e Esta realidade histórica é dedurida prncpalmente de registos arqueo1ógicos:Veja-se. pela protecção política ou pelas alianças matrimoniais. culturais e políticas da vasta região entre o rio Kwanza e o alto Zambeze no século XVIII facilitavam o desenvolvimento de redes regionais de comércio cuja antiguidade é confirmada pelos poucos dados arqueo- lógicos existentes. na sua origem.do Bié e o rio Zambeze. Por sua vez. eles se teriam fixados há mais de trezentos anos. 1-25. Philipson. ou mitos de fundação. 977. Lunda. que viajou entre as Cokwe em 878. a interacção histórica entre grupos forte- mente diferenciados e desiguais em termos dos recursos econórnicos ou das suas estruturas demográficas ou políticas teria provocado a afirmação de uma multiplicidade de identidades culturais distintas cujo sentido subjectivo de diferença . antropólogos e administradores coloniais no século XX também sublinham a importância de adoptar uma perspectiva mais regional do que"tribaln na abordagem histórica dos mesmos grupos.Hoje em dia. Estes aspectos do comércio africano foram também aprofundados por Miller. entre a floresta e a savana. Cokwe. 'O Veja-se. quer na savana.Vansina. por exemplo. essa zona inclui povos chamados Luchazi. língua. As semelhanças geográficas. por outro. Entre os muitos grupos linguísticas que se formavam através desse longo processo histórico incluíam-se as populações Cokwe do além Kwango I ' . 9 9 5 e 1997. sem saber a sua evolução histórica. Otto Schuti. de ideias e comportamen- tos resultantes desses movimentos populacionais teriam contribuído para reforçar as semelhanças ligando comunidades amplamente separadas e dispersas no meio de espaços vazios. cuja transformação em rótulo étnico durante o penodo colonial implicava a homogenização de uma situação historicamente complexa e bastante diferenciada em termos das formações sociais e das identidades e tradições culturais desenvolvidas nessa zona9. Mas. políti- cas e linguísticas entre alguns desses grupos observadas por viajantes. Parece evidente que. pp. ' Veja-se Birmingham. Luvale e Lwena. Ndembu. ou seja. ngonguela é um termo ecológico. géneros alimentícios. e Derricourt & Papstein. Mas é impossível determinar o que essas diferenciações étnicas representam. adornos corpo- rais. as fortes semelhanças culturais. 974. Mbunda. quer nas margens da floresta mais a leste '4essas populações desenvolveram correntes migratórias em resposta às oportunidades fornecidas pelo comércio. entre as matas mais secas e os vales de rios mais húmidos. .

Por sua vez. Lma. pp. mais tarde designados como Ovimbundu. mais a norte. que atraves- savam as diferenciações culturais. "bastante elevadas" constituindo ". pp. eram pouco afectadas pela pre- sença portuguesa na costa angolana. para os Aruwund (ver mapa I). 156-I7Z. Actual regláo de Moxico. 1953. Papstein 1978. para além dos"Lunda da MantYaav". 1978. 23-26 ' "Quiboro" na documentação portuguesa. incluindo os Cokwe.Van Koowijk 1963. ou Aruwund. A cerimónia mukondo. em especial. 196 I . 1994. a partir dessa data.Turner. Não é por acaso que os Cokwe emer- gem pela primeira vez na documentação colonial na última década do século XVIII quando o tráfico transatlântico come- çava a atingir o seu auge. com a expansão do tráfico transatlântico de escravos os tentáculos mercantis alcançaram pontos cada vez mais distantes do interior 15.curandeiros. 'i Veja-se M~ller. entre eles osYaka. do extremo sul de Angola. entre outros. 197O. de grande antiguidade.semi-nómadas.1988 Estes povos incluíam. As terras do Ciboku I. a outra. os Luapula do Karembe. as semelhanças linguísticas verificadas na maior parte dessa região tornaram relativamente fácil a comunicação entre a maioria dos agrupamentos populacionais que habitavam essas bacias e ainda a do rio Kasai ' I . para além de pequenos grupos periferais. Essas terras. para além dos Mbangala e os C o k w e .' que nesse período constituíam o espaço central das populações Cokwe. ou entre os povos agricultores das terras altas do planalto central. e os Ndembu. mais ao norte.. com excepção dos grupos agro-pastorícios e caçadores-recolectores. sobretudo nas bacias do Zaire e do Kasai proporcionavam caminhos importantes para o comércio e para a migração local. Os Cokwe se integravam no sistema de matrilinhagens Mbwela. pp.verdadeiro centro hydro- " Sobre este ponto veja-se. pp. esse tráfico já abrangia quase todas as socieda- des da África Central. Os rios tributários. 4156: Mwondela.1957. Até aos meados do século XVII. também funcionaram para cortar as diferenciações culturais. mais a leste. ou 'tribais" emergentes. eram estrategicamente situadas entre duas principais rotas de comércio: uma mais a sul.Além desses laços históri- cos e sociais. A expansão do c o m é ~ i oe a violência da guerra redefiniram de maneira mais nítida as relações sociais e políti- cas entre grupos vizinhos e aparentados . práticas rituais comuns (mukondo e os cultos de possessão mahombo). 197 1.. Papstein. facilitando a mobilidade e a migração. Chamados "Lovai' nas fontes contempoianeas portuguesas . do alto Zambeze. Escrito como "Trhibaco" em Bastin. 268-29 1 " Sobre as rituais mukanda e mahamba vejam-se. do Kwango: veja-se Palmeirim. com sínibolos e estruturas políticas semelhantes. mais ao sul. Integrando uma vasta rede de comércio africano. seguia para os povos Luvale 18. As unidades políticas dessa região também compartilhavam uma tradição histórica comum. as populações a leste do Kwanza.White. unindo-os e dando-os um estatuto social mutuamente respeitado e reconhecido em toda a região entre os rios Kwanza e Zambeze 14. constituía uma experiência comum para todos os adultos mas- culinos. N o entanto.incluindo os povos referidos na documentação histórica europeia como "Lundas" 16.

que. deu maior segurança alimentar. 1968.C. amendoim. Lisboa. cana-de-acúcar e bananas ". Cuanza e Zambeze passam aos dois grandes oceanos. consistiam de terrenos arenosos. p. Mandioca entrou em Angola no século W I e estava a ser plantada entre os povos Lovale nos meados do século XVIII: vejam-se. 1843. rios grandes. sobretudo aos elefantes."Cokwe ses. incluindo escravos. 202. . 25 >' Não é fácil determinar precisamente a cronologia da difusão de mandioca no interior afrcano. é razoável supor que. os habktantes cultivavam uma variedade de colheitas. há pouca menção de per- mutas de escravos ou marfim para as importações europeias. 122 Miller. 25 " Vejam-se Anónimo (1789) em Felnec 1940. p. (1789). em comum com outras sociedades africanas da África Central nessa data. 1940. p. 1844. Baptista. 1970. 1940.gráphico. sujeitos a secas periódicas. 938. 24-25:Teixeira (1794). 188 1. Mapa I De: I. Na ausência de refe- rências documentais.Amandioca. milho. o tráfico protagonizado pelos Cokwe era pouco significativo. 1997 " Anónimo (1789). 142. em Annaes Marltimos e Coloniais. Quando as chuvas permitiam." ". E se os chefes políticos "Quiboque" e "Bunda" acolheram bem os comerciantes brancos que atravessavam as suas terras."Epanáfora dos dias de viagem que se gastão desde a Libata do Sauva Caberaber denominada Quindombe athé às terras do Loval. 1. pp. 434-438 'I Nelson. p.. 177. Em contrapartida. em Felner. Esses via- jantes referem os C o b e como uma população pacífica que não fazia guerra aos vizinhos. em Felner. 1976.. as observações dos primeiros viajantes brancos que atravessaram Trade and Conquerr" ( I 970) essas terras rumo a Luvale a partir de 1789 à procura de escravos 23 indicam que. incluindo mandioca. eli- minando os períodos de fome2'. Miller.Nas últimas décadas do século XVIII a caça. d'onde irradiam. a identificação de uma população Cokwe no Brasil2' revela que os próprios Cokwe se tornaram vítimas desse tráfico. pp. era já uma adividade assinalável ". Contudo. que se passão nomes das terras e souvas dellas". fn.A~observações desses viajantes em relaçáo ao"Quiboco"Mo submitidas a uma crítica exaustiva em Henriques. 1997. em princípio teriam entrado nas operações de permuta conduzidas nas suas terras por traficantes portugue. a sociedade Cokwe também possuía cate- gorias de pessoas não-livres. Roberts. I . 236. em Felnec 1940. milho painço. águas que pelo Congo-Zaire. p. nessa data. 159-16 1. " Anónimo. p.11. por exemplo. introduzido do Atlântico nos meados do século XVI e comum em toda a zona entre os rios Kwanza e Zambeze na segunda metade do século XVIII.Vansina. 236-237:Vasconcelos (1799). pp. pp.11. Redinha. Se alguns podiam ter sido capturados em eventuais assaltos esclavagistas por parte dos povos Mbangala ou ' Capello e Ivens. por sulcos profundos. p.

Durante mais de um século. Até aos meados do século XIX. Velut. 1970. citando Magyar (1859). embora linguística e culturalmente distintas dessas regiões. Kasanje. p.a zona subordinada à influencia Ruwund forneceu um terço dos escravos exportados anualmente de Luanda e de Benguela antes de 1850 o que . aumentando assim as concentrações populacionais em volta dos seus centros de poder princi- pais. 96. cujo "rei". porém. sobretudo. O "império" Ruwund Nos finais do século XVIII. veja-se.Tal populaçZo escrava nZo só colonizava e desbravava novos terrenos agrícolas. 1 13. cuja influência estendia-se sobre uma vasta área entre o rio Kwango e o alto Zambeze. relativa- mente coerente e estruturada.ao Mwant Yaav. ou rnusurnb (Musumba). respondendo ao con- " Hambly 1954. exercendo um monopólio do tráfico do kinguri. 1970. obtidos através da venda de escravos". ou "jaga". através de uma rede de autoridades políticas e militares que se identificavam como "Aruwund". as fontes referidas na nota 7. nomeadamente. ente outras. Mbondo e Kasanje. segundo a um cálculo recente teria dado uma média de entre 2. 1970. adoptando a orga- nização e os símbolos políticos da corte dos MwanrYaavi7. 3-30.se situava além do rio Kasai. cuja capital. no mesmo pen'odo. 1972. ou "império" Ruwund. Em 1808. Para a história dessa região nesta época vel. Uma das fontes portuguesas mais importantes para informações sobre a região abrangida pelo poder Ruwund nas últimas décadas do séculoXVIII é o relato de Manoel Correia Leitão. . " Escr~tocomo"Mwata Yamvo" ou 'Muatiânvua" nas fontes portuguesas 2' Birmingham. reclamava laços directos de parentesco com a dinastia Ruwund dos MwantYaav.000 pessoas: ver Birmingham. conduzindo ao gradual desmoronamento do poder centralizado de Kasanje facilitou as relações directas do Mwant Yaav com os estabelecimentos portugueses do litoral atlântico.Yaka. mais acima. pp. o "império" Ruwund constituía uma espécie de federação comercial e tributária. p.caravanas de escravos e outros produtos locais . intitulado Kinguri. I 13 '* Segundo à uma fonte contemporânea. ou rnbonza. pp. publicado em Dias. 75-1 35. pp. para quem constituía um capital humano disponível para pagar tributos internos ou vender em troca de bens estrangeiros 29. principal gestor dos escravos exportados das costas de todo o litoral angolano 26.000 a 3. de outros pontos da costa angolana náo controlados pelas autoridades coloniais portuguesas.Matamba. é provável que as aldeias do Mwant Yaav e de outros membros da oligarquia central do "império" incorporassem grandes concentrações de escravos. Essas autoridades enviaram tributos periódicos . Nessa altura. tinha impedido o livre comércio e trânsito de estrangeiros nas suas terras. 1970. 61-1 66. Holo. as relações do Estado Ruwund com a colónia portuguesa eram medidas por uma íonstelação de outros Estados intermediários do vale do Kwango. Ela integrava grande parte das populações aparentadas. p. Ovimbundu 2s. '' Ver Brmingham. 3. outros eram provavelmente canalizados para o Brasil através das redes tributárias do Estado. 938. Para o debate sobre as origens do império Ruwund. Um número muito maor de escravos onundos dessa regi20 teria saído. p. como reforçava o prestí- gio político-militar dos seus senhores. 95. que os retribuiu pela distribuição sobretudo de bens europeus importados. incluindo os Cokwe.

A subida dos preços internacionais desses produtos a partir dos finais do século XVIII ofereceu novas oportunidades a todas as sociedades africanas autónomas. do vasto hinterlond florestal e silvestre dos planakos além dos rios Zaire. 1987. e ao alcance fácil do entreposto português do Bié. no contexto da intensiticação do tráfico transatlântico de escravos e da exportação para a Europa de produtos tropicais. 76. Angola. p. 976:Audin. 1970. Lwena e Luvale.348 libras em 857: ver Miller. 415.quebrando. Considerava-se a cera de "Quiboco" a da melhor qualidade em toda a África austral: veja-se Miller. em especial a caça aos elefantes. que produziram a maior parte da cera e do mar- fim que afluia a Luanda e a Benguela3'. em 1846.Vellut. carta do governador Saldanha Gama. 18 de Janeiro de 1808. teriam proporcionado aos caçadores Cokwe. p. subordinados ao Mwont Yoov a leste do Kwango começavam a minar os laços tributários internos do próprio Estado Ruwund. pp.ao aproveitamento do rnarfim. o poder de compra das armas de fogo "lazarinas". 1890. os novos lucros provenientes sobretudo da venda de cera. 178 '+ Veja-se Gr-. o marfim e.58.Técnicas usadas pelos Cokwe na década de 1840 continuaram a incluir os arcos e as flechas e as azagaias envenenadas. Kwango.vite do governo de Luanda. juntamente com grupos vizinhos. da cera de abelha. 1973: Munm. o Mwont Yaov enviou uma caravana até a colónia portuguesa3". 890. 1846. foram os Cokwe. p. Por sua vez. 970. Minungo. Nas décadas de 1840 e 1850. finalmente. vel.em especial de caça e de recolec- ção . o aproveitamento africano da subida dos preços de marfim na costa teria sido facilitado pelo grande pres- tígio e importxncia simbólica e religiosa atribuída à actividade de caça. As terras dos Cokwe eram abundantes em elefantes e enxames de abelhas.ocupando o terceiro lugar no comércio euterno angolano: ver Lima. imposta pelo Kasanje nos contactos directos estabelecidos entre os diferentes grupos de trafi- cantes portugueses e as populações Shinje. 4. o valor das exportações coloniais de cera rondavam os 32.I 15 ' Em 1844.A expansão de comércio "legítimo" Esse enfraquecimento dos laços tributários internos e da autoridade política centralizada do Mant Yoov acelerou-se a partir da década de 1820. Kwanza e Kubango.690 libras em 1844 para 1. incluindo os Cokwe. A prontidão de resposta africana as exigências do novo comércio de exportaçZo colonial foi facilitada sobretudo peb adaptação das técnicas de subsistência existentes . pp. Cokwe e outros. mais tarde.Torres.a goma copal. p. a borracha3'.000800. por exemplo. 178 " Sobre as tendênc~aseconómicas nternacionais relativds à África no século XIX. especialmente a cera de abelha3'. a bar- reira de quase dois séculos. 1825. As exportações de cera a partir de Luanda aumentaram de 52. I 10. cx. da goma copal ou da borracha. ameaçando a sua unidade política.Ao mesmo tempo. a maior parte dos quais podiam ser recolhidos e preparados para venda por qual- quer pessoa e cuja exportação não foi a custa do consumo local. tais como os Luchazi. 300-30 I . " Na sua viagem através de "Quiboca". p.698. A região entre o Kwanza e Zambeze foi muito rica nesses géneros. 427 . Hopkins. para além de bura- cos escavados na terra como armadilhas3'. 1972. há muito importadas em " AHU. Joaquim Rodrigues Gra~aobservou que "mensos carregamentos" de cera partiram anualmente desse districto para Cassange e Bié: Graça.

a vender a sua grande reserva de mariim: veja-se Graça. distingue entre as espingardas'raiúnas mais pesadas. . 1859. também organizaram caravanas pequenas. '' Miller. 7 9 . 1970. 1986. '' Santoi. Porém. assim. nomeadamente Graça( 8 9 0 ) pp 4 13 e 426. 1854155. rigorosamente controlada pelos chefes políticos das terras onde se encontravam os elefantes. sacralizando-as com decorações s m b ó l i r ~Henriques. no passado. 16 1 - . Joaquim Rodrigues da Graça". Graça. consolidando. p. p. 1997. 9 8 9 . 1963. citando Bastin. " Assim. Miller. o valor do marfim exportado do estado Ruwund excedeu aquele de escravos J9. pp. 1997. que não havia marfim suticiente para satisfazer o comércio europeu 'I. pp. acabou de determinar a fuga e exterminação destes nas terras do Ciboku na década de 185040. 83 " Ibid. p. " Magyar.'7ntmduçãa" passim. que os africaniraram. por autoridades políticas menores e até pelos milhares de caçadores individuais que guardavam os dentes para vender às caravanas organizadas por esses outros serta- nejos brancos e negros estabelecidos em Bié ou em Mbaka. Nesses anos. Em 1850. onde eram obrigados a pagar às autoridades políticas das terras onde caçavam um dente de marfim em cada elefante morto ". cuja extrac- ção tinha sido. durante as viagens exploratórias realizadas a partir do Bié e Mbaka. tais como Songo. ou Lazlo Magyar. 179. 9 (Agradece-se a Lotte Pfluger e a Mar~ada Conceçáo Neto a cedência de uma cópia da tradução portuguesa da obra de Magyar. em todas as regiões atingidas pela nova procura do marfim.. e as"Izar~nas''. p. artigo de grande valor simbólico no quadro do poder politico africano. associadas às r~tuase cerimonias palkicas e religiosas quiocas. 228. Baseando-se nas obsen~açõesde viajantes brancos. ao que parece. 373-488. em publicação a sair em Luanda): Carvalho.8 0 . outrora abundantes. p. 6 18. 188 I pp. carregando cera de . Lunda e até Luvale. p. : 1989. 1970.procuradas pelos caçadores quiocas.445. p. p. Henriques. a crescente disponibilidade das armas de fogo que permitiu aos Cokwe e às populaç6es vizinhas responder à procura externa do mariim através da caça mais eficaz dos elefantes. p.466 . 1970. 1970. Alguns produtores africanos. segundo Joaqum Rodrigues da Graça. 7 9 'O Livingitane. A partir dos anos de 1850. 2 5 . em 1850. 699. que contribuíram para estimular a maior produção e comercialização afri- cana da cera e sobretudo do marfim '4. " Graça. mas. 1890. v01 VI. mais a leste. o novo padr2o de comércio externo e reforçando a importância desses caçadores no seu território. a regiáo de Ngangea.~ " Ibid. 4 16 Miller. nomeadamente os C o h e . Isabel Caem Henriques. 106. 854-58. cada vez mais. 1860. só então utilizadas por esses caçadores africanos 15. Foram os contactos directos estabelecidos com o Mont Yaav e outros régulos além Kwango na década de 1840. Bié. O pró- prio Mant Yaav decretou o pagamento de tributo em mariim. pp.Angola. em vez de escravos ". por sertanejos como António Ferreira da Silva Porto ". p. citando Petermann. 1854158. por exemplo. 1966.463. p.170. 6 18. 44 1. Nawej I . Gamitto. 237. p. p. onde o sertanejo português Silva Porto afirma já. 1854. e Capella e Ivens. Miller. o sertanejo Lazlo Magyar observou pequenos grupos de caçadores Cokwe espalhados nas florestas a leste e ao norte de Musumba 16. o marfim passou a ser comerciado.Semelhante destino tiveram os elefantes. 1989. 179. 1890. foi ele próprio quem convenceu o Mwant Yaav. agentes de firmas portuguesas estabelecidas na costa atlântica.

citando Silva Porto. 430 " Soremekun. possuindo por isso propriedades mágicas 46. por parte da sociedade colonial. entre eles a feira de Kasanje.. N o entanto. Mas nem sempre os tecidos e outros artigos de fabrico estrangeiro eram os bens mais procurados. visando não só a ocupação mais efediva do interior e dos entrepostos europeus avançados do hinterland. estimulou a maior produção e comércio de marfim e outros produtos entre as sociedades africanas. de cultura e preparação africanas. manuscrito da Biblioteca Pública Muncipa do Porta (BPMP). 5. como. juntamente com as importações euro- peias. Para alguns desses observadores. O carácter da sociedade e política Cokwe nos meados d o século XIX Os relatos dos sertanejos e outros viajantes europeus entre as décadas de 1840 e 1870 fornecem a primeira série de imagens vivas das populações africanas a leste do Kwanza. Nos meados do século. p. as autoridades portuguesas também ini- ciaram uma vaga de acções militares. 61 2. p. panos (ntangas) de algodão."Viagens e Apontamentos de um Portuense em África". Não só foram mais ao sul.abelha até Bié ". a comercialização africana do mariim e da cera produzida para o mercado colonial inseriu-se numa teia com- plexa de trocas internas as quais faziam a ponte de ariiculação entre o comércio de iniciativa europeia e o sistema de comér- cio africano autónomo praticado entre as sociedades do interior. também. a integração progressiva da população africana autónoma na rede fiscal e administrativa colonial. mas penetraram também mais ao norte. grande parte do mariim. 1997. Por sua vez.". elas percorriam distâncias cada vez maiores e mais diversas. Benguela ou Moçamedes através das caravanas oriundas dos núcleos coloniais portugueses.VI. nos circuitos mais a leste. até aos finais da década de 1860.A farinha de mandioca. passando pelo Humbe até às margens do Kubango e do Lago Ngami.. trazidas pelo comerciante "branco" eram não só altamente desejadas como sinais exteriores de riqueza. D o ponto de vista de muitos africanos do interior de Angola. os habitantes de Ciboku se destacaram a primeira vista pelo seu aspecto físico.Vol. de forma a proteger os investimentos sobretudo da praça de Luanda. '* Henriques.altos. sendo ".. da cera e de goma copal de produção africana desceu a Luanda. enxadas ou gado de produção e criação africanas entravam como moeda de troca. fora do escoamento clandestino de géneros coloniais que se dirigia para as feitorias estrangeiras na costa de Ambriz. as preferências específicas e diferenciadas destas sociedades eram também cruciais. A partir da década de 1840. 84 . Se é cedo que a procura externa. em preferência às importações europeias4'. tabaco. esveltos. de força e agilidade extraordinária. como muitas vezes vistas ainda como obra sobrenatural.sobretudo estran- geiras. Na década de 1870. 162. Mas Henr~ques. alguns Cokwe trocavam a cera de abelha directamente por tabaco. as mercadorias. estabelecendo liga- ções regulares com países tão longínquos como Katanga.1997.2" (de I de Mato de I854 a 3 I de Dezembro de 1862).. p. cap. por exemplo. p. 1977.

os Cokwe eram muito conotados como artesãos.. e que eram também muito pro- curadas para fins politicos e religiosos por grupos africanos vizinhos. 188 1. Por sua vez. 188 1.. 977. citando Silva Porto..invariavelmente constituído por longas tranças. 1961 Capello e Ivens. 136-137: Henriques. Sobretudo."54.2" (de I de Maio de 1854 a 3 1 de Dezembro de 1862). p.. pp. em especial tecidos de algodão '*.a terra com perfeição.'Viagens e Apontamentos de um Portuense em África". os ferreiros Cokwe fabricavam facas e aza- gaias.. trabalhando ". p. 621-622. pp. 345-35 1 . 1966: Lima.1. e uma longa pera de igual maneira. Em especial. artistas Cokwe esculpiam máscaras. através de tocar a quissanja. 447 Henriques. por exemplo. mas também pela beleza da sua cultura material.. A semelhança de outros povos vizinhos. cadeiras e estátuas. A o mesmo tempo. p. " Henriques. 1997. 203 '' Porto. 188 1. foi o seu penteado ". BPMF p. que os carregadores africanos pertencentes às caravanas comer- ciais oriundas do Bié não resistiram à tentação de comprar artigos fabricados e postos a venda nas aldeias cokwe. Essas técnicas de ferreiro foram transferidas também para a reparação e reciclagem das espingardas "lazarinas" importadas 'I.L rativos. como enxadas ou machados. " BKtin. vol. p." que os distinguia "desde logo" dos outros povos vizinhos Distinguiam-se também não só pela sua coragem e estima pela caça de elefantes e outros animais. p. 1997. Martins. eram bons oleiros. p. 9: Capello e Ivens. pulseiras e manilhas de cobre e outros objectos de significado simbólico e Fig. que o paiz produz.Vejam-se também Redinha.2- 9ULSSANJ. 1942. os Cokwe gozavam de grande prestigio pela sua habilidade como escultores de ' madeira e nas artes do ferreiro 50 Para além de implementos utilitários ou deco- ' " . tambores e outros instrumentos. 1. 2 ritual. 203 . Silva Porto conta. 1953.. em especial os povos abrangidos pelo Estado RuwundS3. p. para o fabrico de cachimbos de primorosa execução . marimbas. 1997. a prática de música. tirando todo o partido de uma argilla negra. 136: Magyal: 1859. 204. 942. 6 I8 " Ibid. pp. 162: Porto. junta- " Capello e lvens.. 1.. citando as observa~õesde Silva Porto. que se encontraram entre as mercado- rias oferecidas ao próprio comércio europeu ".

.Ainiciação dos jovens durante as cerimónias de circuncisão visava pre- pará-los para enfrentar. p. Capello e Ivens. pp. 172 i' Graça. os enormes perigos provenientes da caça de animais grandes.com êxito. Nas visitas desses viajantes nunca faltaram alimentos. Segundo esies exploradores. não só religioso e político. 1998. em contraste com outros povos africanos vizi- nhos.. 8 5 7 ' Porto: 1942. p. incluindo elementos dos animais mortos. 414-41 6.~. 1997. Henriques.. sem a qual um homem não podia casar ou praticar poligamiaS8. Henriquer. . e que não ultrapassavam um milhar de pes- soas.. organizada em pequenos agrupamentos ou aldeias. 159. 136. 136. referindo-os como populações dispersas e "errantes". como Iúdico. 188 i . I' Livingstone. sem habitat fixo ou permanente.-. i. Fig. p. assegurando o apoio e a protecção dos espíritos 59. 445. pp. 82: Henriques. os Cokwe passaram horas "sem fim" "agarradas i qwssanja": lbid. TSHOKWE I i. quer para o comércio Tanto Silva Porto como Magyar salientam a importância social e simbólica da circuncisão entre os Cokwe. 3 ". 1997. que atravessou as margens desse território pouco depois. Os Cokwe que ele conheceu viviam na floresta em pequenos cercados de palha. acabando por meneios e esgarer. p. Pelo mesmo motivo..ii i . Henriques. confirma a imagem dos Cokwe como uma população bastante numerosa. em 1846. transmite uma imagem muito negativa dos seus habitantes. que as sacralizaram. quer para a subsistência. quase invisíveis no meio do capim.Trajavam os músicos um pouco á maneira de mu-quiche. muito rudimentares. Rodrigues Graça. também oesempenhou um papel importante. em especial os búfalos e os elefantes." Cape110 e lveos. punham as mãos no chàa e os pés para o ar. enquanto nos seus acampamentos eram exibidos os chifres e crâneos de búfalos e antflopes uti- li Porto. 446 IP Redinha. que. com pennas e saias: e. 204 mente com a dança. tangendo ar ins- trumentos..tii. tal como David Livingstone. 29 h h\aii<ii. as informações são escassas. ni~:.2 e 3) Quanto à organização social e política dos Cokwe. p. 1899. per- correu as terras de Ciboku rumo a Musumba. p. entre os Cokwe (Figs. 1950. p. 1998.i. 1881. muito disseminados e dispersos.. 1. no meio das suas culturas alimentares5! LLázlo Magyar. c. 204. gritos e saltos.ic. 1942. 6 18. as armas de fogo utilizadas pelos caçadores Cokwe levaram decorações simbólicas untadas com misturas de substâncias naturais. fariam ao mesmo tempo tolirs ambati- cor.

.. por exemplo. pp.. 446 Magyar. no centro da província. chamados Muanangana. 4 " N o alto das choças divrsavam~sechifres de rio Lume com o Lunge-bungo. enlameados c m manchas de sangue. Nesse período. lizados para o fabrico de feitiços (Fig. que fornece as informações políticas mais detalhadas. pp. 442 " Sobre as eitratagemas empregadas pelas autoridades politicas quiocas nas décadas de 1840 e 1850 velam-se. E possível que. os habitantes das aldeias Cokwe ". Pehu. mariim e outros artigos com os líde- res das caravanas portuguesas e africanas que penetraram nas suas terras.) são aqueles bufalo oryx. atrasando os negócios enquanto se aproveitavam das numerosas oportunidades lucrativas para impor impostos e milonga (multas) sob o pretexto de violações de costumes locais e códigos religiosos 6'. 1963. Simultaneamente. junto da confluência do Fig. acrescenta ainda que. nos meados do século XIX. pp. eram os habitantes 8este recinto. Entre as décadas de I840 e 1880.. em comum com outras autoridades africanas. 92-93. Duas dúz~asde homens de O nome. Dina-Kala. Os principais lugares da província (." 6 1 . p.. aspecto feroz.obedecem ao governo popular assegurado por um certo número de chefes autónomos. nessa data. a partir dos anos 1860. cujo bm primcpal é a confecçáo de feitiços .. contribuindo Copello e Ivew. empregavam todos os estratagemas ao seu alcance para reter a presença das caravanas próximo das suas aldeias. com a migração Cokwe para fora dos seus terri- tórios ancestrais. de que eles recebem craneos. . 1859.fazendo frequentes sacriKcios huma- nos para satisfazerem os precetos das suas crenças supersticiosas" Magyar. 188 1." reforçaram.. 7-8. os Cokwe eram "extremamente sanguinários. 4). Henriques. temporariamente. 9 9 8 . exigiam pagamentos aos transeuntes que atravessa- ram os territórios sob a sua jurisdição. o sacrifício humano ainda desempenhasse um papel importante nos ritos religiosos ligados.. Livingstone. Os mais poderosos são: Kanyka. 1. uns ainda I~gadosaos onde moram os chefes aos quais acabamos de fazer alusão. 197-98 também para a emergência de novas gerações de líderes políticos e senhores da guerra. e outros antilopes. p. caçadores de prafisrZo. Henriques. a guerra: Segundo Silva Porto. sobretudo. na região noroeste da província: Dumba. Porto 1885. 1997. essas autoridades políticas regionais. na sociedade Cokwe.170. procurando controlar e conduzir todas as transacções do comércio externo de cera. outros já desundos.573.. as autoridades políticas Cokwe. 166. os novos padrões de comércio externo envoltos em pelles. pp. I 16-1 17 . a norte.

sobretudo na troca de artigos de alto valor político e simbólico. Porém. para constituir unidades familiares (re)produtivas independentes das regras de linhagem Assim. o desenvolvimento de comércio "legítimo" em Angola. e os Luboko e Haku. 6. da sua famflia. 9 3 Outras sociedades africanas onde as relatos europeus registam pmcura de escravas nesse pen'odo incluiram.1880 Paradoxalmente. por exemplo.A expansão do tráfico de escravos interno. superior ao valor das importações europeias. 1890. 465 " Tratam-se de processos que se tornaram ev~dentespor toda a parte do interior nesse período: velae. nesse período. os Imbangala. os Lwena e lovale não incorporaram mulheres de outros grupos africanos nas suas aldeias. Henr~ques. Dias. integrando-as depois nas suas unidades domésticas e aldeias ''Graça. Daí o eventual interesse em comprar homens e mulheres como escravos. ao que parece. As fontes europeias disponíveis demonstram inequivocamente que muitos grupos africanos atri- buíram um valor aos escravos e ao gado. p. 1997. por cxernplo. 1978. Carvalho. ao sul do Kwania: veja-se. Na sequência disto. 447. talvez os maiores produtores de mar- fim no interior na década de 1850. por exemplo. 4 19. 197 1 .Areia. Dias. " Veja-se. ca.tais como o mariim. incluindo escravos ou martim. verificou-se a crescente emergência de novas forças sociais e políticas apoiadas em iniciativas individuais. 1850. o mar- fim. Livingstane. p. na aquisição de escravos ". Klein. pelo sertanejo Rodrigues Graça se queixavam dos tributos exigidos pelo Mwont Yoov. pp. dos seus lares. 1890194. cuja autoridade ainda era tão absoluta que não se consideraram senhores "dos seus bens. preferindo antes de vendê-las aos Ovimbundu: Papstein.A cera. Quase todos os chefes da terra Cokwe contactados. 1997 " Trata-se de um efeito geral em todo o contnente africano no século XIX: veja-se. esta situação estava prestes a mudar: N a segunda metade do século as hierarquias de poder político africanas a leste do Kwanza sofreram mutações profundas devido ao aproveitamento novas oportunidades comerciais proporcionadas pela economia co1onial. A oferta e a procura de escravos variavam muito conforme as preferências ou as necessidades económicas e sociais dos dife- rentes grupos africanos 66.e sobretudo. pela sua articulação com diferentes formas de escravidão vigentes nas sociedades africanas. 857. Na década de 1840.1998. mas a norte. 4 17. não era mais monopólio das autoridades políticas ou dos mais ve1hos.li! p 745 . também deu um grande estímulo à escravatura interna nessas sociedades ". a borracha. cujos padr6es de residência tendiam a separar um homem da sua mulher e tilhos. 440. & V o rexemplo. osvili (Mubiri). pp. parentes e amigos" "'. e outros produtos de exportação colonial podiam ser procurados e explorados por qualquer indivíduo livre e hábil. à semelhança de outras sociedades vizinhas. 1985. por exemplo. Este fenómeno é explicado em primeira instância pelas tensões eventualmente exis- tentes nas sociedades matrilineares dessa região. Entre eles incluíam-se os Cokwe. muitas autoridades Cokwe continuavam submitidas à autoridade política do Mwont Yoov.A maior parte dos recursos económicos e das fontes de riqueza. por exemplo. os Cokwe apro- veitaram as novas oportunidades comerciais para comprar mulheres adolescentes e rapazes.

tratando-os bem e ". Benguela ou Ambriz. os escravos se tornaram a moeda de troca principal nas transacçoes comerciais do mariim *.nunca as vendendo. dentro de pouco tempo. na década de 850. com o desenvolvimento de novos e mais complexos sistemas de comércio centrados na rota que se dirigia. de mariim e de bor- racha ". l8$000 na salário de um carregador. 1970. de tal forma que.183 .Tomé eram vitimas de guerras ou assaltos africanas. Kasanje.:'". 745 O' Miller. em direcção nordeste. Souberam garantir a lealdade dessas mulheres. oriundas de Mbaka ou do Bié. cada vez mais. 189 I. p. para a dissolução.. produtores. eram muito vulneráveis ao ataque por parte de grupos de guerreiros Ambo ou Cokwe vizinhos: sobre isso vejase Dias. Matamba e outros intermediários da zona do Kwango. tornou cada vez mais lucrativa aos sertanejos portugueses e outros grupos intermediários. rapidamente. 1890194. os laços históricos e mitológicos que os ligava ao Ruwund. protagonistas da nova economia colonial de plantaçza nos distritos de Luanda ou de Moçamedes continuou a ser a mão-de-obra escrava resgatada por comerciantes portugueses às autoridades africanas do nterior. p. p. Este caminho. Mas foi só nos meadas das anos 8 6 0 que os cacadores Cokvve atravessaram aquele rio. Assim. penetrando nos territórios dos Bena Lulua e Luba: veja-se Carvalho. reforçando. p. 1998. I i. 970. tais como os Cokwe. No terceiro quartel do século X X muitos dos escravos empregadas nas empresas coonais do sul de Angola ou nas plantações de S. em especal as do Estado Ruwund ou das terras de Njinga. os Cokwe parecem ter privilegiado a compra de mulheres e crianças Aruwund.Alias. anualmente. na rota principal de todas as caravanas que percorriam o interior de Angola. progressiva- mente. 1890. para além do rio Kasai atra- vés da capital de Kalamba. p. 1963. cujas aldeias dspersos e solados. A procura de escravos por parte dos Cokwe e de outras sociedades africanas era favorecida pela redução drástica do tráfico transatlântico a parlir dos meados do século XIX. Essa expansão do tráfico de escravos interno estava proximamente ligada. Assim. na segunda metade do século. nas f i n a da década de 1850. Miller. 858. tornou-se prática geral das caravanas de comércio portuguesas. p. fazer " Veja-se os comentários de Carvalho. teria sida mais barato comprar ou resgatar um escravo nessas regiões para 15$000 do que gastar. o prncipal recurso das agricultures portugueses.. o seu poder reprodutivo e militar à custa do Estado Ruwund que se encaminha. 7 1 I " Livingstone. os escravos voltaram a ser a principal exportação do Estado Ruwund. nomeadamente os Estados Ruwund.. Esta situação. 245 " Os caçadores e aldeias Cokwe romepram a expandir a partir da "Quiboco" para a margem direrta do rio Kwango e terras do chefe Ruwund. I. juntamente com os altos preços de marfim em Luanda. sobretudo A medida que o marfim escasse- ava". no território dos Bena Lulua e Baluba. ultrapassando em importância as duas rotas paralelas. Pela sua parte. " Carvalho. tal como não vendem os filhos que têm com elas. Por sua ver. 182. assim. aberto. IV. pp. 1895. como era exigida pela lei. nos anos 1860. Deste modo. 272. pelos caçadores Cokwe transformou-se. a capital do Estado Ruwund. Mona Kimbundu (Quimbundu). p. p. na segunda metade do século. que produziu uma queda abrupta de preços dos escravos acu- mulados nas aldeias dos principais fornecedores africanos. os Cokwe fortaleceram. ainda. 11. Entre as populações africanas mais afectadas neste penado ncuíam-se os chamados "Ngangea". satisfazer essa procura de escravos por parte das próprias sociedades africanas do interior. 194. 272. mais anti- gas. que ligavam o comércio europeu de Bié e de Kasanje à Musumba.

188 I . 375-76: Miller 1970.pp. 55. p. citado em Miller. para Kassanje. Bo Ver a notícia publicada por Costa no Boletim Oficial da Governo Geral da Província de Angola (BOGGPA). influenciou a redução da circula- ção de caravanas de comércio europeias entre a colónia portuguesa e as regiões mais a leste. 225.A expan- são deste comércio foi assinalada pela abertura pelas caravanas cokwe de uma nova rota saindo da capital da Kalamba em direcção a sudoeste. 19 de Feverero. mais ao norte. p. 1961. 292 " Informações sobre o tamanho e a composição das caravanas Cokwe entre as décadas de I860 e 8 8 0 são fornecidos por Silva Porta. avimbundu e Iwena. igualmente. mais ao sul ". cameron. N a década de 1870. levando ao abandono temporário do Bié. de se retirar militar e administrativamente do interior. os Iíde- res das caravanas trocavam mercadorias europeias importadas. p. entre eles os Mbangala7'. 1870. p. Pogge e Wissman: vejam-se. mais tarde. também se empenharam progressivamente. enxadas. pp. 8 9 I. em especial a hostilidade dos Mbangaia. para homens e mulheres escravizados. escravos. P' Capello e Ivens. 6 3. 52. junto com produtos da terra tais como panos. MaSongo e Ovimbundu.291311868 . também encontrou urna caravana cornposia de mas de 700 carregadores cocwe. I . as pequenas caravanas de caçadores Cokwe deram lugar. O desaparecimento do marfim do hinterland da colónia portuguesa é referido no jornal 1uandense. 271274. no. Elas concorreram com outros grupos rivais de intermediá- rios africanos. Pela sua parte. O viajante inglês. Para esta situação também contribuiu a decisão portuguesa. 1. Veja-se. 1970.uma primeira escala na Bena-Lulua. incluindo mulheres e crianças ". elas obtiveram os meios necessários para comprar o marfim não só aos caçadores e produtores Cokwe. no comér- cio e no transporte dos produtos de exportação colonial. p. 348-49. 184: Bastin. através de Mai Munene. borracha. cada vez mais.1. mas também às autoridades politicas dos grupos Luba e Kuba. Pogge. a partir da década de 1860. ou sal.Entre as décadas de 1870 e 1890. incluindo as dos Cokwe. 59. por exemplo. de centenas de carregadores.8. por Henr~quede Carvalho e pelos vajantes alemZes Schutt. por vezes. onde existia. e. p. 28-29. o que levou à retirada também das principais casas comerciais portuguesas de Kasanje e do Kwango O afastamento pro- gressivo dos elefantes do hinterland da colónia portuguesa por sua vez desanimou o comércio de caravana português. 184 Capela e lvens. pp.1. pp. também. p. 616: Miller. Deste modo.p 81 Carvalho. 185. ou em terras como as dos Lwena. onde se encontravam os agentes do comércio colonial. uma forte procura de escravos ". que transportaram até aos mercados coloniais na costa atlântican.A Civilização da África Portuguesa. que muitas vezes se transformaram em simples grupos de pilhagem ''. os caçadores Cokwe que penetraram nas terras dos Bena Lulua e Baluba. pp. 1889. 1970. Nestes sítios. nos finais da década de 1860. trocando sal. pp. O desenvolvimento do comércio e das comitivas africanas. os dados citados em Henrques 1998. nas terras muito longínquas do Kasai. 364. 1880. voltaram a impedir a passagem dos comerciantes portugueses além '* Arnot. Carvalho.188 1 . excepto quando era necessár~ocooperar mutuamente na defesa ou em ofensivas coledivas da caravana: Camero. a caravanas maiores e mais complexas. 1881. a insegurança ocasionada pela desintegração política de Kasanje. 327. a nordeste do rio Kasai. 1885. 1890/94. Veja-se Capello e Ivens. espingardas e outras importações europeias por marfim. 274-282 para uma descrição da organizaqão e das métodos do comércio de caravana Mbangala por volta de 1880. organizando as suas próprias caravanas. cada grupo mantendo-se separado dos outros .

para a margem direita do rio Kwango. sobretudo. obtidas. por exemplo joseph Miller e Manuel Laranjeira Rodrigues de Areia? O u será que se tratava. a fragmentação do poder centralizado do Estado de Kasanje liberalizou o comércio.A expansão territorial das aldeias Cokwe Datavam pelo menos dos finais da década de 1850 as primeiras migrações de aldeias e famflias fora do Ciboku. I). a partir de tro- cas comerciais do mariim. favorecendo processos de fissão social e política internos conducentes a fundação de novas povoações e aldeias com base nas escravas acumuladas e financiadas através dos lucros comerciais . desde logo. Semelhantes processos produziram efeitos ainda mais imprevisíveis entre os Cokwe. e para as terras do representante político Ruwund. pp. Kwango. A o nível mais geral.~.Uma década mais tarde esse movimento tinha-se trans- formado numa migração lenta mas maciça de aldeias inteiras em direcção não só a norte mas.~ i i ' i r . Mono Kirnbundu8. como afirma Isabel Castro H e n r i q u e ~ ? ~ ~ E razoável supor que todos esses motivos teriam influenciado.~r \ . acom- panhando os movimentos dos caçadores e das caravanas em direcção ao norte. TSHOKWE ~~. homogénea. 223-224: Henriques. O' Henriques. Em contrapartida. Como interpretar esse fenómeno? D e facto. a diferentes níveis e em diferentes momentos. ~. para uma região relativamente vazia. do ponto de vista dos próprios Mbangala. ~ . de maneira nenhuma. 602-603 34 n A ~ I X Z . de pouca população. de uma estratégia política colectiva e deliberada para se libertarem do controlo do império Ruwund. desde os meados do século. ~ . como pretendia o explorador português oitocentista Henrique de Carvalho? Era simplesmente para fugir à seca e à epidemia. sendo uma realidade dinâmica que determinou o mapa étnico desenhado por Ferreira Diniz em 1914 (Fig. 1898. os motivos dessa migração Cokwe têm sido objecto de muito debate e especulação.602.Tratava-se de uma deslocação determinada pela simples perseguição das manadas de ele- fantes. basdeando-se nas informações fornecidas pelos exploradores alernáes Schutt e Buchner em 8 7 8 e 1879. ~n w i ~ w i i i ~ ~ . dominando e "eliminando" Musumba. sendo impossível. ao sul. com consequências dramáticas para a região.A migração continuava até ao século XX. como sali- entam. dando lugar a uma expansão territorial e militar de grande envergadura. 601. parece evidente que a acumulação e a incorporação nas aldeias Cokwe de crescente número de escravas. teriam alimentado tendências mais antigas. ou de raids contra outras populações do interior. . pp. distinguir motivos comerciais de motivos políticos pelo simples facto que a situ- ação dos Cokwe não era. pp. 7.uma situação bem visível para os viajantes europeus em Kasanje em princípios da década de 1880. a migra- ção cokwe. como sugere Marie-Louise Bastin? Será que a migração resultou fundamentalmente de tendências históricas para a fissão social. 1997. no entanto. O' Cavalho. desde o século XIX. 1997. alimentadas por ambições individualistas de fundar novas unidades familiares autónomas com as escravas compradas através do comércio.

p. inicialmente.Tratava-se de um movimento progressivo. 208 Pinto. falar da existência de um projecto político colectivo de esmagar o poder do Estado Ruwund. embora fragmentado e disperso. em 1886. 223-224 B6 Cf Henriques. teriam influenciado a maior velocidade da migração dos Cokwe a partir de 1870. Sem dúvida que foi esse comér- cio que proporcionou aos Cokwe os meios para abalar as autoridades políticas Ruwund que há três séculos Ihes impu- seram tributos. obrigando à deslocação de pessoas mais ao norte e ao sul. que assolavam toda a costa e interior de Angola entre 1857 e 1863 e ainda durante a década de 1870. as suas aldeias cresciam rapidamente através da incorpora- Ibid. pp. pouco habitadas. Mas parece altamente especulativo. ao norte e ao sul. A maior parte das primeiras exportações de borracha foi produzida pelos Cokwe a partir da seiva de trepadei- ras e de árvores. pp. 663 O' Childs. 1964. sem dúvida. agravadas por uma sucessão de crises. 1949. a bor- racha rapidamente desapareceu dali devido à destruição dessa fonte florestal. Por sua vez. dando lugar constantemente a novas unidades familiares e políticas autóno- mas. p. pp. 188 I . seguidas por epidemias de varíola. levando a fugas e migrações de população em várias zonas do território ". Para uma análise detalhada da articulação entre os desastres ecológicos e as abvidades coloniais entre os séculos XIX e XX. As exportações coloniais de borracha iniciaram-se a partir de Benguela nos finais da década de 1860. sempre presentes. Mas a mobilidade dessas unidades familiares Cokwe foi fortemente influenciada também pelo desejo de estabelecer contactos directos com o comércio europeu. 234 . no sentido de aproveitar a crescente procura europeia de bor- racha. na margem direita do rio Kwango. 1998. 205. 1880. novas iniciativas. E difícil escapar da conclusão que foram esses os factores determinantes que levaram muitas famílias Cokwe a saírem. de seca e fome. o seu valor ultrapassou o total do valor das exportações de cera e de marfim ". 1997. 356-357. as pressões demográficas resultantes do aumento dessa população escrava foram. Os Cokwe encontrados pelo explorador Serpa Pinto entre os Luchazi nos finais desta década afirmaram ter emigrado fora das terras de Ciboku e de Alto Cikapa para fugir à doença e também por causa da falta de caça nessa região 84. veja-se Wheeler. Continuando a migração iniciada já na década de 1860. excepcionalmente severas. de aldeias fundadas independentemente umas das outrase8.Vol.Atingiram quan- tidades significativas na década de 1870 e. nas mesmas florestas do Ciboku e do Alto Cikapa que produziam a cera de abelha. veja-se Dias. de tissão social e política. atribuindo a ele a primazia em termos de motivo para a deslocação e expansão Cokwe 86. 1.Uma vez estabelecidas. sem outras informações. infiltrando-se nas terras dos Aruwund e dos Luchazi respedivamente. em busca de novas zonas de exploração. frente à feira de KasanjeBS. I. familias Cokwe penetraram nas galerias florestais. o que é demonstrado pela sua presença. fora das suas terras de origem.Por sua vez. 198 1 Pinto. Sobre as epidemias de Angola neste período. p 234 O' Carvalho. nos princípios da década de 1860. N o entanto.

o obstam as s~ tend2ncias para a figsão social e polít~ca. a presença C o k se tornou cada vez mais violenta com a intensificaç% desse movimento mtgratóno nas décadas de 1870 e 1 880 Apesar dessas trmsformat$es económrcas e da sua rápida expanao demográfm.originando ~s antBpaSMdos. a q u m mntwOgamos. FF. entao cmheriam que nF@ ttsbmor . O temo hamba x apl~g'aaa um m d e mimm e dersidade de obprtos con%&rados a ser imbuides com dereritss caiegurtab de força ou poder sobrenaturais. expressa atràVé2 dos seus mtos de origem e de outras marcas culturais. adaptando a construç%odas suas casas an.a rnigra@o Cokwe era uma migraeo coesa. uma vez que a recolha e a preparagáo de bowachã. que asslm acompanham os " homens em busca do mesmo produto. 1890. meio ambiente ecológco (Fig 51.gmceparte dos Cokwe não s 6 do Ciboku e Aito Giba mas também dos novos tewit6rios povoados @os migrantes man a nor- " Carvalho. devido não só a sua habilidade como caçadores :5 Temiros". umas ~ o m as autm. nã. Com efeit~.p 187 * Tordax 1925. e terntor~al. de mulheres de outras grupos v~z~nhos.siwg.vela-se Lima I b7 I. em particular as mulhew &uwunde. sbm perdeir a wa autonomia. sua identidade his- Canco-cultural Cokwe. por exempla Capeio e Ivens que. c% sobre o o h a k t e dirreram ncrs 6 s da oovm& . parece evidente que os habitantes dessas aldeias migrâlónas.m desejo de &wa-Ia na n u m cartsra de vagem: e corno não fmse trivial a construçã4 de . p 79 . em contraste com a caça conrtituia uma adividade rompartilhada pelas mulheres e crianw. em torno do$ mahombo P3. E provável que essa tdentrdade colectiva f o ~ ereforçada aincia através de rituais complexas de culto religioso. p 487 ¶ Miller: 1970. em que aldeias nunca perderam contactos. mantinham a comi@nciacolectiva rk. Inicialmente bem-vindos nas t e m dos Aruwund. tais como as artes de escul- tura e metaJ~rgia~~. 5 " A povo%+ dos Qutoms de tal modo se dwtacava do que atC. unwrsais entre os Cokwe no &ulo XX. É evdente dos relatos de explorado- res tais como. p 604 " Enue os C o h . Q "tmom" da borracha favoreceu o mwmento migratório de aldeias inteims.-r isso neces. p 271 " Hmques 1997. porque no Umpo das gan& trshhuuas acodem ao ntlo s aguas e enehurradas ficando o solo PaJtosa por muitw dm ção e rápida assimilação cultural. na de'cada de 1950. como também à sua tendência para çe estabelecer em m a s flwestm e montanhosas não habitadas.

188 1. e exi- gindo rnilongos e direitos de passagem excessivos a outros grupos de comercian- tes africanos.Porém.. 16 I . 58. p. com grande cere- mónia. 3761 " Carvalho. Nessa data. bloqueando a passagem dos rios e caminhos. p. de figura distinda.. cingia- lhe a fronte. Pendia-lhe da pescaco exótico colal. aproveitando-se das cargas abandonadas e retendo ou ven- dendo como escravos. outro viajante europeu. . que se estendem daqui a Catende e para o norte até Quimbundu. em 1879. 1890194. nelles só eu governo. coberto de quadradinhai bordados a cassungo. . ser eles próprios os produtores das mercadorias europeias que levavam nas suas caravanas: Capello e Ivens. 1961. p. 6). 9 7 I. e na região dos lagos parece designar elephante. deste. 4 1 . i 881. 1994. 67. os carregadores capturados ". Uma coroa de IatZo. 26.Trajava um panna de riscado preso á cinta por uma correia.tendo suspensa adiante pequena pelle de anteope. a marginalização comercial e crescente pobreza do Estado 94 De acordo com Capello e Ivens (1881.. Santos.. p. grande respeito pelos seus chefes políticos regionais. Os seus chefes políticos impediam a livre circulação de caravanas de comércio coloniais a leste do Kwango. e Mono ffissenge . V. recebeu os dois europeus diante um enorme cortejo.". ainda mantinha. A importância dessas autoridades políticas entre os Cokwe é evidente na imagem de um " Muata'do T'Chiboco" (Fig. A mim tudo obedece" 9s. 9 8 I. p. " Bastin. onde figuravam das búzios( Cyprea moneta) e um pequeno chifre de antilope.1. os Cokwe esta. 89.. citando Schutt (188 1). typo intelligente. a ocupação progressiva de territórios a norle e ao sul do Ciboku assegurava aos Cokwe a hegemonia comercial a leste dos rios Kwango e Kwanza.Mono Ndurnbo o Ternbo. pp. ar nobre e maneiras delica- das.:'. o alemão Max Buchner. 6 belecidos em Kimbundu ainda pagavam tributos ao chefe Ruwund.. perante as popula@es africanz do interiol. Em 1878.triunvirato esse que ainda dominava politicamente todos os Cokwe do nordeste angolano na década de 1950 96. Em 1877. citando Büchner. " homem elegante..Os meus domínios são tão grandes. guarnecidos de annesde latãa. refere-se a existência de três grandes titulares políticos Cokwe. Os seus dedos. Praticavam razias violentas contra as caravanas que se opuseram a essas exigências. p.164.. 745.. 1883.. Mono Kirnbunduq8.111. Marie Louise Badin recorda que Ndumba significa leão: Bastin. o chefe Cokwe N'Dumbo-Ternbo9' (Fig 7). tendo na parte inferior uma fita bordada a missanga de côres. como a das monarcas da Europa. fornecido por Capelo e Ivens. Os exploradores Raberto Ivens e Hermenegildo Capello também afirmam que os Cabe fingiam...:' '' Capello e Ivens. p."Tembo aqu significa principe. dizendo que ". p. NdurnbaTemba " . Casaco de fazenda escuro. 161)..terminavam por longas unhas do mesma mebl. Fig. nos finais da década de 1870.1. Lima. Mona Kiniarna ou Mushiku. Pouco depois.

1970.. As cara- vanas de comércio Cokwe tornaram-se. da Lunda e das outras regiões mais a leste. coberta rem a presença de caravanas de guerreiros cokwe. que viviam de pilhagem. tendo na parte infer~oruma fita bordada bando outras caravanas de comércio. dos quais foram unhas do mesmo metal. pp. tornando-se espe- cialmente notórias. ainda. veja-se Papstein. tenas de homens. pp. Os Ovimbundu e Mbangala. saindo patrulhas em busca de mantimentos e mulheres IM.. 190. cada vez mais intensa. 16 1-1 64.. para outras fontes veja-se Miller. Os seus dedos."Senhores da Guerra" Na década de 1880. Os Fig. as correrias esclavagistas dos Cokwe. cada vez mais. neste período. a escassez progressiva de recursos causada pela destru- ição sistemática dos elefantes e das árvores de borracha.19 I . 179. grupos de salteadores. gerou grande insegu- rança e violência entre as sociedades dessa região. Ruwund mais a leste tornou o Mwant Yaav e a sua população cada vez menos capazes de resistir às incursões dos Cokwe. juntamente com os Lovale e Lwena da região de Ngangela" emergiram como os principais assaltantes dessa zona. guar. levando à concorrência. Copello e Ivens 188 1. i. A superioridade dos Cokwe baseava-se na a missanga de cores. Uma coroa de latão.9 0 . 8. 1890. pp. 7 " T r a j a v a um panno de riscado preso á cinta por uma correia. 472-73. que antes tinham assaltado essas populações para escravos agora preferiram obtê-los em troca de armas de fogo. permitindo-lhes aterrorizar as populações do Kasai. Sobre os raids esclavagistas dos Lovale contra os Aruwund e Aruwund (Lunda)-Ndembo. os Cokwe operavam a partir de campos de guerra. o que contribuiu para aumentar a violência através da região. Im Carvalho. terminavam por longas organizados. cingia. Aumentou-se a prática das incursões e pilhagens contra as populações do Kasai. caindo sobre aldeias indefesas. tendo suspensa adiante pequena poucos viajantes europeus que atravessaram essa zona na década de 1880 refe- pele de antelope. Casaco de fazenda escuro. às vezes compostas de cen- de quadradinhas bordados a cossunga. entre os numerosos grupos de produtores e intermediá- rios africanos que operavam além dos rios Kasai e Kwanza. onde as mesmas armas eram.". como a dos monarchas da Europa. ou rou- lhe a fronte.. relativamente escassas. Pendia-lhe do pescop exotico collar. pp.. 1978. Altamente móveis e necidos de anneis de latão. onde figuravam dois bulios (Cyprea mooeta) e sua posse de armas de fogo. transformando- se em guerreiros que assaltaram e aterrorizaram a população em busca de escra- vos e alimentos. um pequeno chifre de antilope. que já se encontraram entre as mais numerosas e poderosas das formações sociais e políticas apoiadas pelo c o m é ~ i o colonial a leste do Kwanza.. Os Cokwe.

criar uma cadeia de estações ou acampamentos em direcção ao rnusurnb do Mwont Yoov. Idem. 1986. compa- rada com as aldeias Cokwe da mesma zona. 1890.626-647. I. veja-se. especialmente pp. N o entanto. fundado pelo Mwont Yoav para impedir os Cokwe de impor o seu controlo sobre a rota principal de Kasanje para o Estado Ruwund ' O 1 . 25-50 '" Carvalho. tendo. os Cokwe ajudaram a instalar um pretendente no título de Mwont Yoav. 890. 1958. Daí em diante. em troca do direito de pilhar e capturar escravos. em janeiro de 1887. Este entrou em declínio económico. Musumba ficou cortada do comércio externo de borracha e cera uma vez que as caravanas já não se dirigiam para o rnusurnb do Mwont Yaov. pp. em 1898. Com efeito.1986. na primeira década de 1900. 1. o posto oriental mais avançado. citado por Péissier. os Cokwe impediram os contactos entre o musumb e os agentes das fir- mas portuguesas estabelecidas em Mona Kimbundu. 487 lm Para uma descri~ãodeites acontecimentos. prosseguindo. p. Nos anos seguintes. conseguiram expulsar os guerreiros Cokwe do coração do "império" 'O6. Com a abertura da nova rota ao Kasai. 556-560 '" Para a história da política interna Ruwund neste período. Carvalho atravessou o rio Kasai. p. um novo tratado de vassalagem com o Mwant Yoav interino. A principal vítima política dessa violência foi o Estado Ruwund. desde a década de 1840. p. veja-se Carvalho. 599-602. Em 1885. depois. O conflito e a violência alastrou-se até que. Em 1875. 28-29 . 1890. os Cokwe tornaram-se mercenários dos diferen- tes candidatos políticos rivais entre os Aruwund. Mukanza 'O5. 65 1-56 Duysten. que partiu para Malange. uma série de batalhas entre as forças do Mwont Yaav e os Cokwe acabará na derrota decisiva daquele. a sua população visivelmente mais pobre. p. nas terras dos Kuba. 'O' Carvalho. com violência. uma nova geração de guerreiros cokwe parece ter-se transformado em chefes políticos. do comér- cio português. sofre- ram uma série de reveses até que. 98. pelos conflitos dinásticos internos os quais levava à desintegração do antigo"império" Oi. não obstante a presença belga I". entregando-se. 1958. p. pp. em 1884. os Aruwund. 1890. de modo a afirmar a ocupação portuguesa daquela região.. 355 Duyster. 143. pp. reunindo grandes grupos de guerreiros com a promessa de pilhagem e aquisição de mulheres .'O A partir desse momento. por exemplo. reunidos sob a liderança do Mwont Yaov Mushid e o seu irmão Kawel. ao saque geral das aldeias e escravos Ruwund " . 196 1. nos meados da década de 1880. os Cokwe continuavam a movimentar-se além do rio Kasai. o estudo de Kananmpumb. p. A situação foi exacerbada. uti- lisando a guerra como meio de conseguir o poder político. 1973. nos finais dos anos de 1870. ainda. O ano de 1890 marcou o auge da expansão dos raids e do comércio Cokwe contra o Estado Ruwund. citado por Pél~ssiel. Em 1886. os seus ape- tites esclavagistas. os guerreiros Cokwe saquearam o rnusumb. concluindo. 94. como objectivo. A derrota final deu-se durante a expedição colonial para o leste angolano do Major Henrique Dias de Carvalho. 372 " Bastin.

Inevitavelmente. "' Henriques. 1886. 8 8 'm Henriques. 603 e 6 2 . citando Porta. 1997. É possível que esta migraçáo contribuiu para o notável declínio de população e redqão da importância económica do próprio distrdo de Arnbaca. com casas filiaes que se estendiam na baixa deTala Mugongo e mesmo na feira de Kasanje. Carvalho. pp. p. a imagem do Cokwe como caçador e guerreiro. Mesmo concor- dando que o uso de roupas europeias representava um comportamento pontual e ritualizado. sempre que contactaram com os comerciantes europeus para lhes propor algum negócio. Neste contexto. 169. N a década de 8 8 0 . 8) O . 1885. antes o distrido colonial mais rica em escravos e gado: vel: por exemplo. apoiava . depois do abandono da feira de Kasanje. 6 18 . entre elas a dos Cokwe. 3 16 ' ' O Carvalho. 8 "Um negociante Quioco" europeus. Il. servindo para estruturar as relações Cokwe com o comércio euro- p e u . De acordo com Silva Porto. esse comportamento é também indicativo de um processo de crescente diferenciaçxo interna provocada pela sua interacção com o comércio e a cultura Fig. p.. p. 1890.Também trocaram borracha e escra- vos por aguardente fabricada por comerciantes omboquistos que migraram para Malanje para interceptar e organizar o comércio de borracha e de escravos aflu- indo do interior mais a norte e a leste para a costa atlântica '''. Mbangala ou Ovimbundu negociavam com os representantes dessas firmas a venda de borracha e de escra- . fundada em 1857. 'i. Id.. os Cokwe vestiam as suas melhores roupas europeias. 890. O fim da autonomia económica e política Cokwe A crescente afluência das comitivas africanas. 9. 188 1. 1997. A europeização do vestuário dos negociantes Cokwe na década de 1880 é também registado por Henrique de Carvalho (Fig. Os membros das caravanas Cokwe. incluindo os Cokwe.: vos em troca de bens europeus importados. cerca de 20 estabelecimentos de maior dimensão. esses contactos favoreceram uma maior europeização dos negociantes africanos que se dirigiam a esses centros. 6 19. incluindo chapéus e sapatos Iw. p. no principal entreposto comercial do interior do continente para as firmas europeias estabelecidas em Luanda. Em especial Malanje.. transformou-se. o comércio de Malanie. 3. Capello e Ivens. p. para a colónia portuguesa a partir da década de I870 transformou algumas das antigas feiras e entrepostos comerciais do interior em empórios urbanos muito movi- mentados.

exempliiicado pelo magnífico desenho de Capello e Ivens (Fig. Para isto contribuiu decisiva. 1881. 9 7 8 " I Para as fonts e urna cronologia detalhada das opera~ões militares e resistências africanas no leste de Angola. I" Reparti~ão. 362 '" AHU. vejaie. verificou-se a proliferação dos estabelecimentos comerciais portugueses entre Malange e o rio Kwango. tornoze~os. emendada com cabello alheio. em especial entre as populações Cokwe que antes dominavam Fig. esguio. ofício "0. publicados em Oliveira e Couto. Nas décadas de 1900 e 19 10. 201 2 0 4 . Pela sua parte. um n'4abiiem'Poco. o afasta- mento progressivo das fontes do marfim e da borracha para o interior do conti- nente africano e a presença alemã na região tornavam cada ver mais urgente des- bloquear os caminhos e ocupar o território além-Kwango I". pasta 4. I .longa pera. 30 1 ' ' iBaker 1905. à força. I ' Reparticão. I. E um cacador de T'chiboco. butesso~ mente também o coiapso dos preços internacionais da borracha. o comércio de borracha nas bacias do Kwilo e do Kasai 1 6 . citado por Papstein. juntamente com as oportunidades de resposta económica africana.tendo no extremo uma chapa de suspensapar nomia económica e ~oiíticados C0kWe terminou.. a auto. termnando por manilhas nos pulsos efectivamente pôs fim à grande era de exploração europeia mercantil de maté. Porém. de 14/911884.Angola. secco e nervoso. 9 ' . 193-194 "> Carvalho. eds. o governo português encarava este processo como a forma melhor e menos dispendiosa não só de garantir a afluência do comércio Mbangala e Cokwe à colónia portuguesa. sobretudo Pélissier 1986. I. pp. a presença política e administrativa portuguesa nessas áreas. de symbóicas pennas e ch~frena cabe~a. 9) representa só uma das possíveis imagens de uma sociedade cada vez mais complexa. que o benze e banga. com os documentos anexas. publcado em O i v e r a e Co~rtoeds. a pressão da concorrência belga na Lunda e as reclamações inglesas de soberania na região dos Ngangeias ' I s obrigaram os portugueses a consolidar as fronteiras de Angola e a impor. uma série de expedições militares alcançaram o domínio português sobre as regiões produtoras de borracha e as redes de comércio locais do leste de Angola contra a resistência violenta das autoridades políticas africanas. em 19 13.. a aue se acham lieadar duas oelles de chacal de hyena. como também de conseguir o avanço pacífico da ocupação colonial do interior ' I 4 .pasta 3. rias-primas.correia.~~ . Nos anos seguintes. geral. do gov. pp 361 -397 41 TSHOKWE . Passo importante foi a reocupação militar de Kasanje. p. Cape!!o e {vens. .m@eixe.. 1. pp. alto. ofício"Relatória do governador Geral de Angola referido ao anno compreendido entre o I" de Setembro de 8 8 2 e eeual dia e mez do anno de 1887'. pp. '" Carvalho. 1898. p. em 1883 I". 1890194.Angola. 662-63:AHU. 1.467. 26 -263. 1968. pp. 9 7 1. entre 1890 e 1920. D o ponto de vista do comércio e do governo colonial português. Com a sua incorporação progressiva dentro do novo Estado colonial.

1. TSHOKWE I . ~01. M.S.. 1961. R. Luchazi. cinco anos depois. Outros evitaram o trabalho das minas arris- cando-se na lucrativa actividade de contrabando de diamantes ' I 8 . Franre Mendon. 1985. AI? decomtive Tshokwe. 1966. s.L Rodrigues de.L. La scuptureTsholnive. 843. I I '" Freyburg. Pedm Joáo. . na África Central. 1986. pp. anualmente. Africa in Econornic History. . de milhares de trabalhadores. I. os empreendimentos criados pela crescente presença. alguns grupos de Cokwe ofereceram uma resistência guerreira fragmentada e episódica que foi finalmente apagado pelas colunas militares portuguesas nos meados da década de 1920.N o seu lugar. "Barotze Boudary Award'. p.pp. Caimbn: Instituto de Antropologia da Universidade de Caimbra ARNOT F. 1986. dissertação de doutonmento 1982. Geographicaijourna!. de capital industrial europeu. Gorengoze. ! . Luvale e Ndembu migraram do leste de Angola para a Rodésia do Norte."Vagem de Angola para rias de Senna" BASTN.. Bibliografia AREIA. subsistindo longe de quaisquer contados europeus para além da década de 1940 ' I 9 . 42 i i. Para a exploração manual das minas de diamantes seria neces- sário o recrutamento forçado. p. Para fugir aos impostos e ao trabalho forçado.1.. em 19 12 ' I 7 . Contra esta nova realidade. da Diamang pela Companhia de Pesquisas Mineiras de Angola. Memoriam Antóniolorge Dios. e a for- mação. 935. exigiam sobretudo trabalhadores. M. Daí em diante. Tshibinda Ilunga: Heros civi!isateur. p. 1955. . Université Libre de Bruxelas. 397. grande número de Cokwe. 59-69 ' ' Diamantes foram descobertos por pmspectors pela primeira vez em I912:Veja-se Companhia de Damantes de Angola (Damang). E. 20 1-204 BAPTISTA. 1905. 1. Londres AUSTIN. 8. Outros ainda refugiaram-se no vasto sertão. Londres:james Currey BAKER. citado por Pélsser. 396 "'Veja-se Rednha. acelerou a subjugação económica e política dos Cokwe para o nível de serventes. Alain e Francoise Chafin 1974. 1987. as actividades económicas cokwe passaram a ser esmagadoramente subordinadas aos interesses agrícolas e industriais coloniais.3.. em 1917."Le halrt-forneau Lutengo': operaton de Ia fonte du fer et ritue rher esishchokwe du nord de Ia Lunda (Angola)". 2 vols. onde a incipiente administra- ção inglesa se encontrava temporariamente mais fraca do que a portuguesa. 1963. A descoberta de diamantes no novo distrito da Lunda. 889. Les syrnboles divinatoires. Lisboa: Companhia dos Diamantes de Angola.Pélissier. Mbunda.

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of the illusion which they procure. that Borir Wartiau. des conquêtes les plus haures de kntreprise hurnaine" (Bourdieu 1992. including the human body and music can become "art" if they have an interpretation that reveals the fact that they ernbody "complex ideas and intentions" (Gell 1996. forces o r beings even though they can partially fulfil this role at times. departing from institutional and aesthetic definitions. . .The first question I asked myself was: what is the validty of the distinction and classification o f ethnic styles. space and theory in order t o unravel variants and invariants in the formal aspeds of w o r k o f art. technological skills whose mastery remains out of reach of the common of the mortals (Gell 1998) . style and ethnicity. or Luvale peoples. ' Alfred Gel's theory itselfwas influenced by the work of E. TSHOKWE I ' i . Royal Mureum for Central Africa de Tervuren. et ofrir une vision plus "raie et en définitive. Gombrich (Artond lllusion. Any object.who had theorised on the relatonship betuieen formal aspecis af works of art and the effed. defines artworks mostly as indexes ofsociol ogency rather than meaningful representotions. Firstly I shall discuss current uses of the concepts of art. Lunda and Lwena. and is this approach useful t o our knowledge of the works of art? Secondly are these apparent styles pervasive in all fields o f art production?Thirdly would there be something like regional styles in the cultural area of Zambezi and Kasai headwaters? It is not my purpose here t o practically analyse and discuss the vanety of "ethnic styles" o f the region in any way or t o propose definite answers. . the "technology o f enchantment". Boris Wastiau Style and ethnicity: reflections on methods for the study of arts in the Zambezi and Kasai headwaters "Le renoncernent à Ibngélisrne de lhtérêt ptir pour io prme pure est le prix qu'il @tit payer pour comprendre Ia logique de ces univen socioux qui à travers I'alchimie sociole de leun Iois historiques de fonctionnernent. 49 8 . 15) in a web o f social relotionships. or depictions of events. and if they require. for their making o r for their further use. Bblgica. 16) This paper is a short discussion of style in the arts of some peoples of the upper Zambezi and upper Kasai. 1996: 1998) which. . plus rassurante. A number o f concepts underlying my argument are dei-ived fmm Alfred Gell's anthropological theory o f art ( 1 992. among the Chokwe. A r t is also conceived of as a component of technology. 1960). porce que moins suhumaine. . porviennent à extraire de I'afronternent souvent irnpitoyoble des possions et des intérêts porticulien l'essence sublimée de liiniversel. or impact. . in particular. Rather the purpose isto discuss the dificulties of the concept and the necessity t o broaden the scope of our research in time.

aesthetic. As a consequence. a rnask is a rnask. rnay wish t o cal1 sornething else the objects I refer t o if bothered by such a broadening o f the concept.can be addressed: the artist could be distinguished as slhe who has a role t o work on social relationships via the object slhe has crafted.This is not to denigrate the sociology o f art circulation o r aesthetics. A certain effort o f "rnethodical philistinisrn" (Gell 1992) is therefore required t o avoid unduly narrowing the field o f the anthropological enquiry into the artistic phenomenon due t o the effects of one's own aesthetic judgernent. and a little more. a likishi (or -kishi) that rnen use t o perforrn specific social purposes (Photo. but it has irnrnediate reality and power in the hic et nunc o f its instantiation in perforrnance. that such a working definition o f art has t w o major advantages over the philosophical. others.).The rnask is properly a fetish that has will and power: it has existence of its own. and this is especially true in the case of works o f art because they ernbody intentionality lt is here that a distinction between the artisan and the artist. and those who already resist the objectivation. Whatever its style. it rnay relate by its specific features t o other cultural notions such as social characters o r rnythical heroes. as has prevailed in the discipline. soothes. and not rnere tokens "syrnbolising" some other distinct reality alien t o this world. I refer t o works o f art as "indexes" o f relationships. however. 1-2). o r "agents". I will rernark. I rnust therefore rernark that I use the terrn "art" accordingly (liberally. I have no interest in discussing the word art itself.The power o f art objects sterns frorn the technical processes they objectively ernbody: the technology o f enchantrnent is founded on the enchantrnent o f technology" (Gell 1992. oriented or created (Gell 1998) and not t o objeds distinguished only by subjective aesthetic judgernent. Any object has a sign and agency value that primes over its pedestrian use value.The sarne goes for rnost other art forrns such as carvings o r rnagical paraphernalia. spirits. extends substantially the field o f art. it probably includes anything that has ever been called art in all intellectual traditions. a judgernent o f taste. which brings about the ernergence of a belief in the mystical and the rnagical power o f hislher object and hislher person. rnost artefacts are active elements. and can not therefore be o f any help for an anthropology o f art. that scares. This. European. or institutional definitions: it offers a rnethodological approach that atternpts t o free frorn any aesthetic. differenciate art frorn other artefacts by investing thern with rnagical powers (Gell 1992): "As a technical systern. deities. obviously. any "essentialist" definition of art o r the artist will be the produce of an institution. Incidentally. For instante. in the context o f art-historical scholarship) t o refer t o artefacts "in the vicinity of which" social agency is concentrated. art is oriented towards the production o f the social consequences which ensue frorn the produdion o f these objects. not an irnage that stands for some alien and unseen reality that needs t o be deciphered. according t o the present working definition of"artW. o r arnuses.To this purpose. forces. in networks o f inter-related social actor8 (hurnan beings. . a category constructed in such a way may also preserve frorn anachronisrn and ethnocentrism. What people see and interact with on the village scene is the rnask as agent. In contra*.The agenda is different.44). rather than "syrnbols" o f other objects. etc. historical o r social constraint in the appreciation o f the adequacy o f the inclusion o f the artefact in the category "art". because in Chokwe related arts.

It has been frequently noted by ethnographers that rnost African art production was not meant to be "beautiful" in the first place. rnotitf topic or c~rnbinationof these various elernents. 1998. always equipped w ~ t hmachete and strck. a useless concept. mattel.A~in any a r t it needs enough agency t o have an "impad" and serve its purpose. coloul. have varied with time. Style. the queer notion of"ututomboM(the "beautiful". An aesthetics of perception. in Chokwe) is.Phora 1-2 (leít) Kaielwo mask photagra- phed amang Congolese Chokwe around 19 19 5Afr1caMuseum. but rather to be eficacious and forcefu1. as a visible recurrent phenomenon. Style is distinct frorn meaning. function ar nature. not so much because it was . without any of the judgement of aesthetic value that should be left out of a fully reasoned approach (6 Gell 1992. Tervuren (nght) Kalelwo mask among the Luvae of Lambia Phota B Wait~au. it can be observed in shape. by the state of the art of our knowledge of emic notions of aesthetics. that is in Kantian or Hulmean aesthetic terms. but t o formal aspeds of artefacts.1995 Feaiures of the face are arnong the few elements which may recall an eihnic-based style The struc- ture making and decoratio" of t h e rest of the masks heads and of the costumes are closerThe role and signficance of this fear some mask. does not here refer t o especially or restridively accomplished craftsmanship of some sort. In our context. Bourdieu 1992). or an ensernble of works of art generally is referred t o as style. and one of production would require much more specific field research data than is available today A proof of the arbitrary character of this approach is that the objed categories detining art in the eyes of Western scholars of African material culture (and artists and coilectors too]. is similar today amang the Luvale as ri war 80 years and severa1 hundred m~lesaway among the Chokwe Style as a concept The cornbination of formal qualities in a work of art.

222). was meant t o "precisely exernplify not art but the contrast between primitive cultures and those capable of producing art" (1 998. In addition. name. the rest o f the material culture. even out o f their original context of use. A corolary has been that the debates on the nature o f exotic artefacts ("art" or "not art") have long served the purpose o f defining our Euro-American conception o f art as against that o f Others' (cfibidern. In other words. which seems tied up with style. Ch~bindalunga.04 3. thereby demonstrating superiority in terms of visual agencyThis could be the case for instance o f canonical "Ucokwe" style carving (Photo. collected n 1904 in the Moxica or at least not in a way that was intended by the artist.The museum o r a r . identity. Note the strength and masiiveness of the body. in the European sense o f the term. visual region by Fonseca Cardoso. t o which I will come back later However. 4). is (luckily) ignored by the art market and confined t o substantially less aesthetically valued displays in museums. some other artefacts can be . that now includes plain ladders and wooden beds that often were never intended t o be anything like art by their creators. 3. might be an independent variable in the the weaponry IAMC 86. once they had been rernoved from their context o f origin.To confirm this.gallery seleds and "frarnes apart" what it will establish as "African Art". In the nineteenth century (and until quite recently) the rnuseum o f ethnography. the d~gnitary'sheaddress and agency. H. But. "ethnographica". For MacGaffey. "discovered" that such o r such type o f artefad actually was o r was not art arnongst the culture that produced it. one can quote Susan Vogel's use of a vulgar African fishing net as piece of art in her famous ArtlArtif~ct show (Vogel et ai. I observe that styles are an objective reality and that some of them seern cross-culturally t o have the capacity t o captivate and titillate the gaze. hair field o f agencies knitted around the work o f art. and their accompanirnents. but a projection o f the shifting focus o f Western aesthetics (c6 MacGaffey 1998). 224). Traditionally. etc) t o meet up with Europeans standards. our rnind is not. and another has been t o ignore the logics that prevailed in the fields o f art produdion that gave rise t o the making and use o f these objeds (Bourdieu 1992). 40 cm. 1988). this visual Phoro 3 Ucokwe style carving of mythical hero agency does not bring meaning in itselí and if our eye is caught.African rnagical objects such as Kongo rninkisi actually could only become art. fundion o r surface (some were re-shaped. thereby replicating some art statements that Duchamp and Warhol had produced in the field ofAmerican art. varnished. Wood.

A. 14). which rneans that t o irnprove it is an effort towards transcendence (r$ Bateson 1973). OAfrica Museum. in a way or anothei. Uchokwe. s'oppose à "l(irni des beoux spectocles et des belles voix" qu'est aussi i'écrivain: Ia 'kéolité" quil poursuit ne se loisse pos réduire oux données irnrnédiates de l'expérience sensible dons lesquelles elle se livre. 2The anthropologist of art.g. after all.Together with the taste for antiquity. perfection o f style. and what I cal1 "colonial Chokwe court style". Whatever the field o f expression however. like the sociologist of art according t o Bourdieu: ". but that this by no means irnplies that they are intelledually superior I would contend that craftsrnanship is but one category in which style isto be developed. R. Photo R. predilection for smooth-surfaced figurative objects. nails.Tervuren. N o t all art need be based on the visual. Why is it so and what have been the historical fields o f production and interpretation o f this art? Perhaps its supposed "ack of style" sirnply derived frorn the fact that they did not require visual agency t o be eficacious art. i1 ne vise pas ò donner à vai< ou ò senti< mais ò construire des systèmes de relations intelligibles copobles de rendre raison des données sensibles" (1 992. It could be dernonstrated that the "technologically" rnost sophisticated styles. RG. Ag a r I wish not to supgest that an aeithettc focus on the visual arts s Ilegitimate ony that it s a Wood (Uapaca sp. it needs to be re-contextualised in its original iield of production and use. 16 1 .162). Arselberghs. Congo) by Ch. . are accornplishment o f otherwise less salient features o f a less pronounced style. but does not forrn a base for anthropological enquiry. in our own sense o f craftsrnanship. regardless o f our spontaneous reaction. just because we did not "see art" in them. and formal styles rnay refled thought styles. politcs. 41233. but grace of the religious sort.discarded (and have been. Photo 4 Snuftbax staff in the Moxco rnedicine o r any other domain o f human social activity which stresses again the ityle.). H.. rnostly by collectors and many scholars) as "out o f style" or lacking"graceUeven though they may have interesting idiosyncratic styles. RMCA. and whatever its kind. btased start for an anthropoy of art . is a Euro- American bourgeois attitude that may be studied in its own right. is often aUquestfor grace". Collerted benhieen 1913 and 1915 in the Shaba (D. Wiliame. 47 cm.This achievement can be relevant t o the dornain o f religion. and that thought styles reflected and discerned in other art worlts probably are of higher historical importance. meanings o r functions ($ Layton 199 1 . agencies. e.

Before going any further in the discussion o f terms o f reference. A r t conveys the ineffable o r "indicible" and operates by rnagic o r technological enchantrnent (Gell 1992: 1998). and also retentions and protentions o f relations between such stylistic configurations. a broader cultural region.: Moxico school).: Dundo village) o r school (ex. a socio-cultural forrnation o r "ethnic group" (ex. o r rnay not. 242). Bateson suggested that " . then the success of this expression rnight well be recognizable across cultural barriers" (1973.: Luchazi). it is much harder t o discern and focus on "technologies o f enchantrnent" that do not fit in our aesthetic rnake up and which may even be based on other than visual terms. Accordingly one can observe retention and protentions o f stylistic features between w o r k proceeding from within these diverse units. If one c a i try t o deflect one's attention frorn what at first sight appears as "art". a good dea o f "traditional art" is dificult t o enquire about. pushes organisms towards sinking into the unconscious those generalities of relationship which rernain permanently true and towards keeping within the conscious the pragrnatics o f particular instances. A style can be described at the level o f individual artist (ex. Many an artist could utter sornething similar about his or her art. ethnic groups or regions. there would be no point in dancing it" (Bateson 1973. . but it could have been Bourdieu: "The econornics of the system. In all these cases there are objective continuurn o f transforrnation o f style in time between generations. in fact. geometrical and decorative features in a set of artworks. As Bateson has it. mixed with close systernatic observation that is required while in the field t o surround the subject matter o f the anthropology o f art. and. 246). stylistic. in space between "ateliers". and o f a discursive knowledge. each o f which may. .: Sarnanana Kachaku). on the part o f the artist o r perforrner approached in the tield (although "super-informants" are an exception). There is a second hindrance which consists in the frequent lack of a certain awareness. which then requires t o be rationalised in a textual discourse. It is the role o f the anthropology of art t o investigate the necessities o f works o f art that would rnake this possible. at the leve of an atelier (ex.235-236). a geographical area (ex. be sunk but particular conclusions must be conscious" (Bateson 1973.This is the reason why during enquiry in the field it is often rnuch easier t o gather pradical and detailed inforrnation on particular features o f art forrns than t o talk about the overall perforrnance about the ideologies o r representational systerns they underpin. or by any other mediurn on a everyday basis and following cornrnon sense. Isadora Duncan s quoted t o have said:"If I could tell you what it rneant.: West Kasai).The premises may economically. bear on the significance o r eficacy o f the artwork. Among the greatest obstacles t o the understanding o f art is the fact that it expresses things o r does things that often can not be expressed or done otherwise. for instance in speech. it is therefore a quasi-initiatic and partly paradoxical effort o f intuition and sensibility. I contend. Style is constituted by an array o f relations between formal. . I would like t o rnake a few remarks about the difficulty o f enquiring about art styles in the field. Habit implying forgetfulness (hobitus). Conformably.necessity t o consider jointly the creation o f w o r k o f art and social relationships. if art is sornehow expressive o f something like grace or psychic integration [of the individual into society].

which are all relatively inadequate t o describe the socio-cultural formations under scrutiny Besides what was said above. such as "people". Ethnicities as we know them. When I use the term 'Yradition".White 1949). only very few scholars such as Marie-Louise Bastin have proceeded empirically by a study of the origins of museum collections and classification of their styles. Mbwela.The term "Nganguela" has been used by several populations t o name their eastern neighbours. "group". "chiefship" and so on.'Yhe Luvale". Firstly socio-cultural formations have no geographical boundedness and most people are culturally and linguistically o f mixed ascendancy because o f migrations and intermarriages. it is rather t o the contrary with the convidion that "tradition" is a measure o f integration of new cultural elements (technologies t o work out and construct the social). mostly ascribe "ethnic origins" t o pieces by comparison. although there are no such things as bounded and perpetua1 traditions in the field o f art. the "Mawiko" (people fom the West) and t o a certain extent the "Luvale". It has always been different for the inhabitants of the region. style is also what we recognise. mostly by education and experience. as a strong concept. derived their ethnonym from blanket-names given by former inhabrtants o f the land (Lori. Wastiau 2000). I am inciined t o use the term "socio-cultural formation" t o refer t o "the Chokwe". lnterestingly a number of related "groups" that have been called Nganguela actually lived in a I Consder for exarnple the hisiorical cornplexities of an ethnicity such as that of the neighbouring Nkoya (Van Binsbergen 1993). therefore reinforcing abitrarily the correlation between a given style and an "ethnicity". and which helps us t o infer ethnic o r geographical provenance. are t o a great extent ideologicai constructs produced by the European observers and colonial agents during the XIXth and the XXth centuries. interwoven."the Luchazi". Consequently one may draw no sharp borders as Olga Boone did for South-West Congo ( 1 973). the term meaning "from the rising sun". By this I mean that the quest for the determination of a "pure ethnic style" is the same bias and bears the same consequences as t o seekUethnic purity" (6Levine 1999) !Unless one subscribes t o the point o f view that traditions and change are not exclusive (Vansina 1989)."tradition". Furthermore. Socio-cultural formations have been fluid. Ethnicity as a concept In this text. who have had different agendas and have used several names t o refer t o themselves and t o others OrJastiau 2000). Now. and so have their cultures for as far baclc as historical documents allow us t o go (Papstein 1978. Lunda) or by the European administrators. Adually if this were done it might trigger a general uprising in the region. therefore a measure of change. neither in Africa nor anywhere else. because it prevents me at the same time from using a t e m in need o f a more specific use ("ethnic group"). "empire". "poiity". both o f whom migrated from Western Angola t o actual Zambia. as followers.Vansina 1966 von Oppen 1993. and instead of the frequent use o f a number o f others. . on a nominal basis and mainly after the observation of language and chiefship (Amseile and M'Bokolo 1999). may imply immutab1e"ethnic art". Conversely we. For example. needless t o say that "ethnicity" is a tricky concept in upper Kasai and Zambezi (von Oppen 1993. etc.

and that it is negotiated throughout the life o f an individual. in which wornen were highly comrnoditized. the flint-stone guns in the hands o f supposed rnythical ancestor Chibinda Ilunga. not a rnere factual and pseudo-objective history o f forrns: "enquiry" into relations rnust prime over "record" o f fads (Onians 1978). the rneans by which the "Chokwe" conquered alien populations.Art production. conquest and ethnogenesis. 1 989. Let us consider too. . after all. . does not irnply that there are no stylistic o r conceptual recurrences. It turns out that the history o f art in the upper Zambezi and Kasai is a history of art circulation and borrowing. homogenous environrnent.This type o f critical embodiment is t o be discussed in the following pages. these socio-cultural forrnations (Luvale.The overall population then becarne "Chokwe". that there can only be partial. cit. . and had developed similar rnodes o f production and technologies (von Oppen 1993. rnarriage and political engagements. .. Among others. the immigrants appointed their own chief. present frorn the eighteenth century on words (Photo. Certainly. in initiations. that we may want t o reconsider the aesthetics o f the ferninine-ooking pwo masks (Photo. European square and folding chairs.. Larger populations were surrounded and seti1ed:"Gradually the enclosed groups began t o be considered as Chokwe by outsiders and they were assimilated culturally. 220).. or tropes in the socio-cultural forrnations. oflen overthrowing him by force. TSHOKWE . Assimilation o f "foreigners". 9). but t o find thern. so that they themselves began to see themselves as Cokwe. is there any interest. this was the case with Lunda Mukundu of Northeastern Angola" (op. After some time. I .) had been open t o other cultures for a very long time. however. we need t o grasp the fluidity of such a notion as "tradition" and understand that it rnay relate t o something other than the uncritical preservation of formal style in our own classic sense o f the term.2 18- 222). lt is also exemplified by the rnyths of migration. one tactic was t o establish small settlernents o f hunters in the proxirnity of cultivated areas among peoples who did not hunt. It rnust also be remembered that ethnic afiliation is not exclusive. As such. 3). which insured that the next matrilineal generation would be "full-fledged Chokwe". .. temporary and blurred ethnic distinctions. Bear witness t o this is the rnost "classic" Uchokwe "autochthonous country" sculpture. pipes or snuff-boxes which nature. required nurnbers that Ucokwe country is unlikely to have provided. . according tovansina. 30). which suggests that ethnonyms could derive from sornething other than language or political organisation. the specific material culture that concentrates notions o f agency around itselt offers a material and objective basis t o reconsider such notion as "ethnicity" and "ethnic" style. it will be shown. 56 's 8 . one of intense creativity and sweeping change. . in defining an 'ethnic style'? Formal styles and thought styles develop around central ideas. .According t o Vansina ( I 966. It is in this conte*. Chokwe expansion. 4) (Bastin 1982a. . concepts. A r t history rnust be a history of ideas and o f social relations. Wastiau 2000).This. t o be ernbodied in artworks. and gradually rejected the autochthonous landlord. Chokwe. 199 I . form and style betray coastal and Portuguese influences corroborate this (Photo. o r by the rniyachi clanship system that once cross-cut some "ethnic divisions". stolen wives and slaves increased their number and their descent belonged t o the lineage o f their Chokwe father.

a languages as one can find for instance along the linguistic fragmentation belt . comparable artefacts are used which. in M~~ ~ ~ ~ h i south k ~ number o f ethnic groups all clearly distind and speaking rnutually unintelligible Kwanso (D R. 1995. mutotis rnutandis. Kwango and Lunge Vungu headwaters includes a number of socio-cultural formations. So are aspects o f their culture. von Oppen 1993. which also show cornmon conception). the 1 ancestral cult. In these. Wastiau 2000).This is refleded in the f a d that part of their arts differ in style and a larger part is almost undifferentiated (this is leaving crafts aside.Congo). in a Chokwe shrine for the W e are not talking about a highly fragmented cultural area comprising a great hombo spirit . tuhembi clay fertiity figurines. . rnost of which trace their origin in migrations and ethnogenesis over the past t w o o r three centuries.pirit of kin . tombwe hunting shrines. B A i r i c a Museum. because o f their similar form and style.The upper Zambezi and upper Kasai style area L Loosely defined. among others (Photo.Wastiau. . most of which have shared. the sarne initiation rituals for young and older men and women. are large. Papstein 1994. In fadWethnicgroups" today are very different from what they were some 100 o r 200 years ago. Luchari o r Nganguela.. 5. There has thus been no permanent association o f a socio-cultural V.iogo.pango infertility between Nigeria and Cameroon. 6).linga is sad ta bethe Chokwe equivalent o i lihomba lyo komayuvo of the Luvale. Tervuren. there is more in cornmon with these socio- cultural forrnations than there is t o differentiate them. can L sornetirnes hardly be distinguished on an "ethnic" o r even geographical basis: ngornbo divination basket.nvolved Ch. most o f which have long coexisted in (Lambia). Zambezi.the cultural continuum appears more clearly. ~ h o t oB. Historical and oral-historical sources al point t o this f a d (Carneron -m 1877: Carvalho 1890. Lunda. the geographical region of Kasai. there has long been (at least over the past 150 years) a broad cultural cornmunity arnong these peoples. (r~ght) Tuhembi figurines inside a seclusion house for the and Mbunda for instance. . rather than what separates thern. but rather a history of population flux and culture hybridisation. beside a comrnon clanic system (rniyachi). Photo 5-6Tuhembi clay . In fact. O n the other hand.!= formation t o one very specific geographical area over a long period of time. tographed in 9 3 5 by Roelandts. historically related socio-cultural forrnations treatment of infertility Kapiolalo Zamberi counting in the hundreds of thousands. . Miller 1969. of their arts. lf one rnakes abstradion o f wooden masks and figure sculpture. . h. ngornbo divination and hambo possession rituals. Luvale treatment. Chokwe.What interests me in consequence is what makes these cultures akin and rnutually intelligible.

conquerred 'T'chiboco' (Ucokwe). Lwimbi. taking late XIXth and early XXth century wood-carving as a subject matter. the native country o f the Chokwe.and so is style: they rnust be approached together: How for instance does one interpret rnorphologically distinct bark rnaslcs that nevertheless have been stylistically and technically very similar (I do not say identical) among several ethnicities o f the region? One key is that different populations were culturally akin. Luchazi. she laboriously contrasted and related the forms and decorative patterns o f a very large corpus of carved artefads. Ovimbundu. have developed very distinct styles. A thoroughly systernatic analysis o f ethnic carving styles in the upper Kasai.4Yet there is more t o art than carvings and rnasks: rnost peoples o f the area have elaborate conceptual art in their rnagic and therapeutic paraphemalias for the ancestral cult. that is. Halo. . 173. Marie-Louise Bastin has frequently based her research on the reports of Capello and Ivens ( 1 88 1 . wooden rnasks that are not strictly related to initiation.203 R. Songo. Kakongo and Luyi. Conversely. They have cornplex performance arts in relation t o masquerading. and indeed Angola. Marie-Louise Bastin realised irnrnediately the intirnate connection between the styles of several peoples of the Kasai.174) o f what they heard frorn the Chokwe chief NdurnbaTernbo to explain the origin of three peoples o f the region: "ln the powerful capital o f the Lunda (Ruund) a wornan o f nobe birth.where they rnight settle and forrn a state. NdurnbaTernbo. 1982a).The anthropology and art history o f those remains largely t o be done. To these could be added a few others such as the Camatapa.The ernbodied aesthetics are especially developed throughout the cultural area in dance and spirit possession performances. one could draw tables or charts o f protentions and retentions o f stylistic features in the shape o f AIfred H. Muzurnbo Ternbo and Kasanji Ternbo. Barr's (1936) o r Alfred Gell's (1998) and look for iiliations.Technology is fully related t o the econorny o f the region (Vansina 1998. the upper Zambezi. mbangala. Nganguela. called Ternbo or Lucoquessa. Kwango and LungweVungu headwaters in this field (1973. Lwena or Luvale. and up t o her latest publications such as Figurine masculine d'un ancien couple (1998). t o Mernorial de Culturas ( 1 994). oral arts. Mbwela and Lunda-Ndembu. The oldest. 1. one could also look for cornmon base elements.rnulticukural environrnents. As they were excellent hunters.Shinji. and they have had reiined body decoration art as well. encounters. Zarnbezi. dancing. and in particular that o f the Chokwe. divination o r spirit possession. etc. had three sons. such as pwo o r chihongo. and that mukanda initiation and its technology has dernocratically cut across ethno- political boundaries. whose capital lies west ofthe ' Namely the Lunda. bifurcations.Yet. Mbunda.). on the basis o f art colledions is doubtless Marie-Louise Bastin's major contribution t o the history of art n Africa: frorn Art décoratif ishokwe ( 196 1 ). their exploitation and distribution. Ndurnba ternbo. Minungu. they t o o decided one day t o strike out towards the west with their attendants and followers in search o f lands -sparsely populated. Another approach would be t o determine how style rnay inforrn about technologies that are available t o the artist. However. In her enquiry as t o the cornrnon ancestry of these peoples. hisiher tools and raw material: therefore o f the availabiity of resources.

this could correspond t o the rise of Chokwe "expansion" or"colonial" style in court carving. Chokwe expansion from the sources of the Kwango t o the East and the North would have started around mid-nineteenth century when the extensive slave trade gave precedente t o ivory and wax trade. Chibinda Ilunga. rnade possible by privileged access t o fire arrns. which he had himself contributed t o founding (1 983). and that each present specific "stylistic features" meaningfully stressing kinship and distindion with regard t o other socio-cultural forrnations. It is reported that the Chokwe rernained rebellious and uncontrolled by the Portuguese until the advent of mining . provides the starting point for ancestral charts (possim). Of course. It has long been accepted that a number o f peoples o f the area under scrutiny could have had a comrnon cultural ancestry going rnuch further back which would have been confirmed in the rnyths of hunter Chibinda Ilunga and princess Lweji (Birmigham 1966. namely the military superior but new-coming Chokwe and the old established Uruwund dynasty (Vansina 1998a). op. En tout cas. new rnyths being created and integrated in larger. According t o the theoretical standpoint. La vie de ce peuple devient alors serni-nomade. these socio-cultural forrnations share a common structured basis that can hardly be distinguished. In rnost other accounts. Whether o r not these have historical o r "rnerely" mythical value they all point t o a certain cultural comrnonality that has prevailed frorn at least the mid nineteenth century until the late colonial era. by paradoxical European repression and "pacification" (Miller 1969. the rernaining people settling in other areas (quoted in Bastin 1998. o r they point t o a common ideology. that the adoption of such rnyths of origin. c. This is not the place t o discuss these sources any further Sufice t o stress that. de Heusch's structuralist approach which Vansina himself had so vehernently opposed (1 983). at the leve1 o f rnythology. the union o f a Lunda aristocrat. one can say that there probably was a cornbination o f historicity and myth. the latter either confirm the comrnon underpinning origin o f the socio-cultural forrnation. by convicingly suggesting. de Heusch 1972 and 1988. one can easily see that both aspects integrate each other. and ended in the 19 108. Interestingly enough.Without falling in relativisrn.).Art and rnythology in some cases might actually have developed in tandem. Marie-Louise Bastin analysed all known relations of this rnythology as were reported by nineteenth century explorers from arnong the severa1 polities o f the area (Bastin 1978). peu favorable a I'élaboration d'un art de cour qui dernanderait une organisation bien établie et I'appui de mécènes" (Bastin 1994. 61). jan Vansina has recently broken the tale o f an historic Uruund diaspora.Vansina 1998a).They would have served the purpose t o putatively establish kin ties between distinct segrnents o f the population. von Oppen 1993) . so ideally inter-linking a nurnber o f populations of the region rnight have been introduced as late as the nineteenth century. older rnythical systerns in the sarne way as new cultural iterns o r concepts are integrated in pre-existing cultures and constellations of rneaning during periods o f historical change.This recalls Prof. "Les explorateurs de Ia seconde moitié du XIXe siècle témoignent de leur déplacement vers le nord et le nord-est. Put sirnply some o f these rnigrations o f chiefly siblings related in the corpus o f rnyths rnight have never happened and would have served the purpose t o legitimate the XIXth century ethno-political set up (Vansina. source o f the Kwango". Lueji and an errant Luba hunter. just as for art which is often related t o it.42). Stirnulated by European trade (see map.t). penetrating history and vice verso. Vellut 1973.

the older Ucokwe art style characterised by finely Photo 8 Expansion style palaiine chair from South Kasai (D. . kept at the Natianal Museum for Ethnology in Lisbon. RMCA. 43548. as far as reaching the Kwanyama. RMCA. 74). But most populations of the area were 1942.The expansion style. "Ucokwe". war and trade in the Eastern fringe of the region by mid t o late XIXth century nails. 20594. i cf the Powell-Cotton colledions in British Muieum and those callected by António Carreira that are Photo R.- Wood (Vttex doniono verbeoaceae). would have been confined t o the sources o f the Kasai. Lungwe Vungu and the Kwango (Photo. reaching Lunda. and the Asselberghs. D Congo) between 1933 and South. from the "expansion style". a court art o f the early XIXth century. 8.Photo 7 Expansion e l e spear w ~ t hhunting in the 1920s (Miller 1969.Mobolo) Whistle: H. Photo R. it would gradually have disappeared together with the original autochthonous chiefship at the time o f the territorial expansion and European colonisation (Bastin 1982a. pearlr. for instante. By the end o f their expansion they also went whistle attached colected by J.-A. 3. Nganguela. 95 i m W 37 cm . The Lunda also were migrating. 95 mm Wood (Crossopterin febiifuga). Luchazi. 7. (von Oppen 1993. R Congo). colleited before crafted large objects or figures probably designed t o comemorate and enhance 191 I. mohombo spirit possession rituals and masks. also achieved political pre-eminence by (Parinori cumtellifolio zubip. Tervuren. from 1850 onward. RG. 508). 4). Two major schools were distinguished: the school o f the Serra de Muzamba and that o f Moxico. 182 cm Wood on the move and the Luvale. 9). Marie-Louise Bastin focused her study on nineteenth century and early twentieth century carving. Lwimbi. After Art Décoratif Tshokwe.Asselberghs. Tervuren. Ucokwe and chokwe expansion styles "Seule en vérité I'histoire sociale peut fournir les moyens de redécouvrir Ia vérité historique des traces objectivées ou incorporées de I'histoire qui se présentent à Ia conscience sous les apparences de I'universel" (Bourdieu 1992. 253-254). A palatine art characterised by chiefly statuary. OAfrica Museum. Mbwela and Lozi countries in which they settled t o this date (hastiau 2000). O Africa Museum.T Fourche in the Kasai (R. RG. more recent and de-centred is thought t o have been mostly devoted t o ancestral worship. Mbunda among other oriental neighbours o f the Chokwe also moved in numbers towards the East and the South. nails. spears and luxury objects (Photo. Wastiau 2000). H. leather. although some court art subsisted in the form o f thrones. She distinguished "Ucokwe" sculpture. steel. H. Indeed.

which is above all a later style. Ucokwe art. 1997. which renders their contextual interpretation dificult.What has been presented so far as Chokwe's greatest art is indeed early XIXth century court art. has existed among other chiefships such as the Aruwund. only few pieces of court art were colleded until the beginning o f this century and it cannot be ascertained that there were no stylistically different art forms such as bark masks and other perishable media for instante. 1 1-12).Photo RArseberghs. albeit of a different tradition and style. Note the tax tags and the Eurapean coins attached t o the hairdo and the earlobes. should find its first explanation in the fact that that "expanding" fradions. a life style hardly auspicious t o the development of . Phato B.That expansion art was different from Ucokwe. where it is still t o be found (Photo. cay metal pieces. or mutual borrowings. the "expansion style". court art. In terrns o f aspect. in a similar fashion that in space and among different socio-cultural formations. H. Nevertheless. has been described as a "weakening o f the older style" of the courts of the "autochthonous country" at the sources o f the Kwango. O Africa MuseumTervuren. 225 mm W 3 5 mm Wood (Abtania). the bright colours of the conume and the imported scari on the breasis. Note the trendy hairdo. dedicated t o trading over ong distantes. 325 10. Besides. one can observe similarities that either corresponds t o a comrnon background. warring and raiding slaves. the Luunda and the Luvale among others. (right) pwevo (woman) mask worn by Lwale dancer Kenneth Kapau Lisamba far"multi~ethnic" public n Zambezi (Zambia). perhaps also displaying less of a certain craftsmanship pleasant t o our eye. the power o f lineage-based chiefship had t o vanish among the rather nomadic courts o f warlords who earned their position and following by their achievements in the arts oftrade and war rather than by matrilineal inheritance oftitle. lived a relatively semi-nomadic life. it displays retentions of the Moxico and Mussongo schools. fibre. RG.Photo 9-10 (leit) pwo (woman) mask from theTervuren Museum. RMCA. Nevertheless. and the carvings of the following "expansion style".Wasiiau. coeded South ofTshikapa in the Kasai before 1930. which aggutinated different groups. beads.as Marie-Louise Bastin herself acknowledges. Our knowledge o f nineteenth century art style can therefore only be o f limited extent and hypothetical value.

It is comrnon t o hear o r read that Chokwe art production. on their neighbours o r conquests rather than the contrary.The rnajority a f figures are stereotypes" (Bastin 1982a. modernist conception o f craftsrnanship. the Lwena or the Nganguela. In the fields of figure-carving and decorative art. which Manuel Jordán has researched and promoted over the past years (lordán 1998: Felix and Jordán 1998).Thore are said t a have been offered t o the court haven't the slightest evidence to what purpose iterns such as Chibinda llunga by Aruwund paramount MwataYamvo himself (see figures rnay have been rnade. But although such a process is likely t o have taken place at the time of Chokwe expansion. naturalism has declined (features and details become schernatized. "un rayonnement artistique". and that the kinship o f styles must have derived partially from the violent encounter o f the socio-cultural formations. beginning with the "expansion style". we realise that whereas we exempt of the grey parrot's red tail feathers on the top. One can also observe a wide array o f formal protentions and retentions at a synchronic level in the styles of "classic" carvings among cognate social forrnations o f the area. Such is the case o f Zambian art of the Northwestern Province.Yet this so-called decline Photo I I Chiei Ndungu of the Luvale with chiefly is only relevant if we project a rnodernist European aesthetic and European pre- regalia and wearing his U r w u n d crown.This accurred when they settled down at the end o f their journey. and the stanre is static. the Iines and volumes are soitened. hour-gass drurns. Artistic achievernent was expressed above all in rnask. the strength and vitaity have been iost. and in chairs.Wastiau. It seems quite obvious though. numerous other artistic traditions. For if we are t o consider arts in a wears a headdrerr similar t o his.The p r d l e has become heavy. natural hair and beards have been discarded). in Mize (Lamberi. Matapa or Mbunda. that "Art productian becarne limted more and more t o rnask. Zarnbia). I contend that there must have been a common cultural background even prior to the XIXth century Chokwe expansion. and chairs. and production outside the core o f later Chokwe country are "poorei' and decayed versions of Ucokwe. but smaller and broader scope as proposed in the introduction. such as the Songo. Marie-Louise Bastin recognised the similarities rallying the sculptures o f a number o f these peoples and conceived of a possible Chokwe influence. in the light of what we now know of the material culture of the area. 253). . pipes. it is o f course very dificult t o sustain any such "influence" hypothesis to explain all the common essential features at the levei of artefacts with the scarce historical evidence at hand. and art in general. (perhaps because the religious and family traditions have been rnaintained). 1997. Hir wife n the backgraund. snuff-rnortars. luxurious furnitures and irnpractical objeds such as large carvings. it is possible t o develop in-depth approaches o f Palmeirim 9 9 8 ) Photo B.

o r associated with it. .The Luvale could have a fine carving style but still order their royal drums (mikupelo) from difference (e. Marie- Louise Bastin had found the "ethnic distindion" could be dificuk. these statements on the "ethnic authorship" of a throne oirtdoor shed. For instance. To establish the Chokwe origin o f some art forms and techniques (for instance mask. MIE (Lambia). hamba figurines.. long decorated pipes. i . But if Chokwe artists were said t o be so good as t o be comrnissioned by foreigners for chiefly regalia and initiation paraphernalia at the t u m of the century (as they can be today). Conversely we know for sure what purpose the masks.. Sitting on his (Bastin 1982b).the bull motif the ernbracing caryatid rnotif) Phofo ' 2 Chef Ndungu of the Luvale during likumbi lyo Mire annua festival. 254). and some Minungu carvers have produced masterpieces for Chokwe patrons in the region o f Muconda. he is kept by hii tuposu cultural produdion should be considered critically within the context of social vigils in uniform. ironworlcing arnong others) one often relies on ethnographic reports o f specific instantes andlor relations of emic perspedives of representatives of peoples subaltern to the Chokwe. . tribal distindions are often dificult t o make. i t also happened the other way round. . .. Here the problern o f ascribing ethnic origin t o w o r k o f art is all the more acute..The various styles have becorne arnalgarnated into one hybrid. in the Muconda region: " .the practical use value o f such carvings (as other court objects) must have been subordinated t o their function as markers o f the social rank of their ownerThe awe inspired by the mastery o f a chiefly anthropomorphic carving could have been transposed on the ruler depicted by. . . if not irnpossible in some cases. sorcery tigurines and other paraphernalia produced over the last century have been made for Besides. divination baskets..g. But could this not be the result of Chokwe assimilation of the conquered populations? Not all Roman art was produced by Roman ariists!That there has been a "Chokwe influence" is 63 TSHOKWE I. He ir clad in leopard skinds and holds a whirk made of the pulu (Gorgon and political relations during the Chokwe expansion and colonyThey are likely t o aunnus)antelope Photo Modesta be part of an ideological discourse. it is still possible today t o gather data about the latter and observe retentions o f the former since art is far from disappearing from these regions (Jordán 1998)... affected and stereotyped form" (Bastin 1982a. not outright historical evidence.. As with myth.

sorcery or healing paraphernalia and have performances that fall within the scope of our definition of art. 37). But the further afield one goes and the less historical evidence there is. among which Lunda elements. A good chief had t o be one himself "lf a chief lacks such skills. at least some Lunda such as the Ndembu can craft a wide range of mokshi masks. assimilating through appropriation and rape. systematic participation and patronage o f the Chokwe chiefs in mikondo initiation rituals also supported the development o f certain crafts (ibidem). Already in her thesis Marie-Louise Bastin discussed the mutual influences between close neighbours. for any choice o f stylistic trait or field o f art t o operate a classification is arbitrary and will yield different results. not in doubt. This interest for court art. contrarily to what has become a received idea. as a nurnber o f studies bear witness. or of palatine paraphernalia is rather trivial in the face of the cultural patrimony that they share.the harder it isto talk about "influente" and "borrowing" rather than "common cultural background". and Aruwund (Palmeirim. Luluwa. for instance. In fad. that the Lunda have had no art of their own. for instance. cj! D e Boeck 1993). settled and occupied many lands and populations where life. Craftsmen and carvers have been valued in the Chokwe Diaspora.The presence or absence among one of them o f free-standing tigurative carving. and supply sculpture and fine rnetalwork t o his court and chefferie" (Crawley 1972. including at the level o f artistic produdion. extended t o Lwena-Luvale courts and prevailed at least until the 1960'. Nsapo. or Kongo o f the Kasai and the Kanyok (Bastin 1973.As for mask. as any people. 1973. rnagic. unless they can be proved t o have occurred.27 1-279. broad stylistic regions can indeed be disiinguished. he will be all the more eager t o encourage these craftsrnen t o settle in his capital. they have produced numerou8 original w o r k t o this day. such as the data collected arnong the Lunda Ndembu (rurner 1967). Luunda (De Boeck and Devisch 1994).During the colonial era it probably helped the "estranged conquerors" t o manage their predicarnent in alien territory Besides. 19) in South-West Congo during the first quarter o f this century.Would we dare say that Muslim peoples have no art because they have no figurative art? Arnong other examples. they conquered.Also. 1998). becorne his courtiers. some artefacts such as prestigious iterns found among Chokwe minority groups seem pretty "unrealistic" (cf: Baudrillard 1972. all the Lunda build and use shrines. Mbangani. in .Just as one can easily differentiate a "Scandinavian style" from a "Germanic style" o r a "Mediterranean style". O f course. which is a pretty darnning statement which ought t o be replaced by the statement "most Luunda. Mutotis mutondis one finds the same core of material culture and art forms amongst these related populations. Kete.joining t o craft the cornponents of a single piece. It is still assurned. mainly where they have lived among Luunda or Aruwund-speaking peoples that they regularly failed t o dominate (Crawley 1972. although any attempt t o do so strictly proves problematic. 1982a. Expanding through trade and raiding. rnodes o f production and technologies were deeply affected. Uruwund and Aluund arts t o our knowledge have not featured large anthropomorphic carvings of "classical" interest and wooden rnasks". probably issued from the XIXth century. but we are still in need o f explaining why. of one type o f mask. conternporary examples have featured rnen from different "ethnic groups". 285).and those that the Chokwe would have had on more remote groups such as the Pende. such "influences" as mentioned above can only be presurned.

as a salient (and incidentally perennial) feature o f Chokwe art produdion. in the country o f origin and during the expansion. this was particularly striking in chiefs' regalia. anthropornorphic and zoornorphic woodcarvings and chiefly and rnagical paraphernalia. colony andior ethnogenesis..the style o f the cultural region has t o be observed in a combination o f possession performances.the face o f t h e inaccessibility o f the power that such artefacts were supposed t o convey Probably. though ingenious and aggressive. and probably only matched a certain "ethnic differentiation" at times o f political struggle. In the colonial social formation. It is similarly evidenced i r ostentation 65 i ' \ ~ . expansion o r colonial period art. rnainly t o the north (Kasai) lacks the "great anthropomorphic statuary" o f the "classic style" and corresponds t o the more common art forms existing today that are related common t o chiefship. .. Objeds in this style were collected late in the XIXth century but unfortunately virtually no historical data is available about their produdion and use. there ought t o have been a real political economy of the signs (Baudrillard 1972). religious and therapeutic pradices. lf Ucokwe court art was produced for the glory o f the established rulers. .. .fibre and wood rnasks. forrn. one rnay begin t o unravel unsuspected relations and causalities. and how and t o what end they were displayed o r used. In both cases though. 1. If one goes beyond style. . More than ". most o f which have not been historically documented as yet. Both cases contrast with the older art forrns that have sprung out o f the more egalitarian segments of the upper Zambezi and Kasai populations. both provoking and undertaking their effects. creators and users alike. was developed in relation t o the exercise o f political powerThis is probably where it most distinguishes itself from its Itindred which did not reach such political and military pre-eminence during the same period.They are the produce o f historical changes. . Palatine arts developed within chiefship and chiefship together with long- distance trade. were engaged. wood carving. . Beyond their ritual agency objeds are the media o f "social prestations". rneaningful t o the constitution of the social order o f the time and place. 199). exterior signs o f maintenance o f the Chokwe chief's prestige" (Bastin 1973. in which people. . Clear stylistic distindion have occurred rnostly in carving. One can only presume that they indexed the dominion o f a developed political oligarchy and some cultural icons related t o masquerading. shifts. we ought t o seek clues as t o how and for whom they were produced. .. Broadly speaking. .. if we want t o discern the role of such ancient artefads. with effects within and without the Chokwe realm. for this is when objeds take their full meaning and becorne important agents within webs of social relationships. artist o r school. conquest. The Ucokwe o f the aboriginal country was a lavish and realistic style charaderised by distinguished figures. t o investigate the historical tield o f produdion from which the arts under scrutiny all derive.. events. elaborate thrones and accessories such as snuff-boxes. expansion art seems more like an atternpt t o distinguish the small and relatively disernpowered.. minor migrant courts... but also comprises luxurious items (tinely carved and decorated ). From around 1850. TSHOKWE I I'. I t is in this context o f strong authoritarian relations that we rnust interpret style in relation t o power. hunting and trading.. wars and ethnicities.. efigies o f supposed mythical ancestors o r chiefs.

the relationship between ethnicities with regard t o an artwork can be insignificant. technically. that circumcision was brought t o the upper Kasai and Zarnbezi by the Sotho. I can say with assurance that should a palatine work of art in an "ethnically characterised style" be handled by representatives o f another ethnicity. chikunza o r other rnitre-shaped characters. when individuais from a dorninated segrnent o f a social organisation have the opportunity t o live by their art it is very likely that they do so by stressing the superior status of their rnasters. kalelwa. regulating all transitional stages in the life o f individuals.that are bought frorn the Mbwela for purey technical reasons. 40-43). that is. Such is the case o f the Luvale sacred mukupelo hourglass drurns. It must have been a sort of "irnpératif culturel" for the conquerors t o assert superiority in as rnany tields as they could. initiation (m)akishi are very cornparable within the "strudural ensemble" in cause. Sornetirnes however. It is very clear in the manufacture of instrurnents o f dornination such as spears. then one has a further case in point for the study o f the relationship between style and ethnicity. Conceptually. how t o interpret the gesture o f the MwataYarnvo. thrones. this would lead t o outrage. drums. Regional arts As stated in the introduction. who gave a Norwegian oficer a chair of his that was of Chokwe style (Bastin 1973 . 2). For exarnple. 1 . palace architecture. and t o a certain extent in form. Although this is a rnere hypothesis for the time being. the Uruwund pararnount chief in power in 19 10.and conspicuous waste.There is also a sense o f linguistic cornrnunity that prevails between certain groups: Marie-Louise Bastin ernpirically remarked the kinship between languages such as Luvale and Chokwe which is now confirmed by current research in linguistics. it is not rny intention t o discuss speciiic styles in graphic detail but rather t o develop prelirninary questions. and so on. whatever their ethnicity o r rank (lordán 1998). But let us look at rnale initiation. it could have been a strong staternent of the Uruwund paramount t o offer a representative of the upcoming European colonial power a piece of regalia in the style o f courts that were not fully under his control! Frorn rny Zarnbian experience. As a corollary. If Prof de Heusch's theory about the relatively recent (XIXth century) diffusion of the mukondo in the region is t o be contirmed. 208)? More than inforrnation about the diffusion of styles in the region this rnight inform as t o how chiefly regalia crafted in a certain style could be used in a politically and culturally tense context. and it is often dificult t o ascribe ethnic origin t o some o f the bark rnasks such as chizaluke. 7). especially if we take into account the full costume (inseparable frorn the "head") and the associated perforrnances (Photo. real badges o f kingship. a fact visible in some rnasquerades. and I will refer the reader in need o f learning the various recognisable features o f the area's carving styles t o consult Marie-Louise Bastin's extensive and detailed studies (cf bibliography). guns and swords (Photo. via the intermediary o f the Southern Lunda (de Heusch 1988. 1 therefore propose that either: .The ritual institutions that are cornrnon t o the peoples in question are at the basis of the social organisation.

whether ascribed identical o r distinct "ethnic provenance". has shown more stylistic variability (Photo. por forma a destrinçar o que é legítima pertença da cultura do grupo do que. such as pwo (or pwevo). o r recent "borrowing". For example. similarly show common concept and style. Constant references in the literature for over one century leads me nevertheless t o believe that there has been a socio-cultural formation either being called or calling itself Nganguela. o r via XIXth century conquerors. similar material. introduction). Conversely. In my research. but which may alço blur the ethnographic description. which is natural and laudable t o a certain extent. Only a glance at the published iconography of tuhembi fertility clay figurines and tambwe hunting shrines (clay lions) will reveal this (for instance: Baumann 1935. 6). das línguas" (1968. often identifying them as truly Mbwela. porém. in the midst o f some "notas etnográricas" on the Nganguela. a fact of which the ritualists (vimbando. Chokwe-. lt has been the case that elements o f a culture were left out o f description andlor analysis on the grounds that they did not "belong" t o the peoples in question. most ethnicities o f the region N o r t h o f the Lozi possessed such masks and individually operated the same association between the mukando and their masks. pl. . 34-35. vimbuke. I mostly dealt with spirit possession performances and their associated paraphernalia. vongongo.13. identical uses and related styles in most domains. em especial. or at least had been. and Luchazi-speaking peoples (cf Wastiau 2000. which. 61). a wooden mask least related to initiation. and displaying a material culture proportionally similar t o that o f the peoples it has been related to. 12. ph. Isso é. consitui influência estranha. or. 9. .) are well aware. namely the Mbwela-. the study of styles ought t o be the study of relations between relations o f features. . Style being defined by relations between features of forms. it is therefore logically the ensemble o f the production of stylistically-related artworks that should constitute the body of material t o be studied. a clear overlap o f ethnicity. It is remarkable that while one can say that those bark mask are stylistically the same from a valley t o the other. 10). etc. local association o f autochthonous masks t o circumcision occurred (the Sotho did not use any masks) and thereafter was diffused by contact. tarefa de quem possua conhecimentos seguros dos povos e. but were an "influente". Starting from a conceptual point o f view is another matter: But ethnographers have always felt the compulsion t o distinguish and differentiate ethnic groups together with styles. Martins 1993. Ironically other scholars quesiioned the existente o f such an "ethnic group" as the Ganguela. it was obvious and unquestionned that there was. such as the Chokwe. Starting from a visual point of view. o r a cluster o f other ethnicities. 5. what differs most is the variety of forms that a number o f them are given (corresponding t o a number o f distinct characters). For him and other ethnographers of the era. ethnographer António Carreira had t o insist on what was "legitimate" (sic) Nganguela culture. porventura. and what "belonged" t o the Chokwe:"Todos estes costumes ganguelas merecem estudo aprofundado com base em pesquisas de campo.Wastiau 2000) (Photo. language and culture.Wastiau 1998. Any research in the region's arts at large unravels corresponding forms.

This. These questions. Indeed. Gell had it:"An artefact o r event is never either traditional or innovatory in any absoluie sense. both in the past and present have been indexes o f seniority and (mostly rnale) power in the region under scrutinyThe chief's seat. books. even if change is swift. But if one adopts a broader view o f art in time.This rneans not that all is constantly invented anew. I want t o end this paper with a few exarnples that illustrate how an anthropology o f art rnay interrelate and explain artworks. in fact. ethnographic and photographic colledions and before all fieldworkTherefore. Just as Ucokwe art style gave way t o "colonial expansion style". space and concept as is proposed.As such it has rernained a dificult exercise to talk about a history of art in the region. finely carved and decorated thrones were arnong . and therefore failed t o becorne an objea of interest before the advent o f ethnography in the region in the XXth century. she asserted that it was the analysis o f the whole corpus that would indicate the prekrred feotures of one or the other people (Bastin 1973.222). rnostly by cultural contact in rnigrations. extended and numerou8 fields open for enquiry into XXth century art that can be docurnented by substantial data: archives. it has a recapitulative asped. Rather t o the contrary. respecting structural patterns and retaining rnost (or at least some) of the forrner. it can be suggested that chairs. history and style. o r prirnitive features.256).there are many comrnon rnotifs arnong the various socio-cultural formations. Marie-Louise Bastin was not far frorn the sarne conclusion when in respect t o wood carving o f kindred o r close styles such as Lwena. as well as associations o f rnotifs and forrns. and that o f style permanency. instead o f chitworno.A~A. as time-philosophen are inciined to put it. sub specie oeternitatis" (Gell 1998. trade o r wars. O n the one hand. bui that in some cases there were no absolute correlations t o be drawn between distinctive stylistic features and "ethnicity". the artist is able t o project in the future hislher ideas. forrn and style). all the older art works o f the type known t o the artist are as rnany protensions for hirn or her t o create sornething forrnally and stylistically similar. Luvale or Chokwe. Unlike court art. o r more sirnply the chair o f the elder of the rnatrilineage on which the village is based is often called litando. or. the cornrnon term for a chair o r stool. any new production is derived in the line o f previous productions. O n the other hand. It is inherited through the uterine line together with the positions and other badges of power In the courts. any field o f art produdion undertakes historical change when the culture in which it has emerged engages in transformations. ritual arts developed in the more egalitarian segments o f the population. say throne. Chokwe and Songo.They did not serve the purpose o f gloriving the temporal power o f chiefs or o f powerful traders. because docurnents for the period extending beyond the past century are scarce and do not allow for generalised and precise cornparisons. be they Lunda. which slhe has ernbodied in the artwork (via concept. could held true in all artistic traditi0ns. such as crosses. without presupposing o r overernphasising any correlation between style and ethnicity Chairs and thrones Insofar as it is wise to project ethnographic findings into the past. scarification lines and the sort. rnust be further articulated with historical change.

be they the famous "pombeiros".Angolans. members issued from rather marginalised segments o f society perform healing rituals where the humblest is brought t o sit on a chair for the time o f the cure.Wastiau 1998.This process took place from the onset o f intercourse with foreign traders. Europeans (Bastin 199 1) orArabs. be relevant t o ethnicity. near Zambezi. 200. not t o give me the best chair in a bush village is an invitation for me t o leave at once. I contend. and later bicycles and other vehicles in Chokwe carving (Bastin 1973. . A t another level. among others. Stoller 1995. if not o f most African cultures: think of the Lozi sorcery night guns (Reynolds l958). I have made the hypothesis that the gift of a Chokwe-styled chair by MwataYamvo to an European seemed t o me t o be more that the statement of friendly intentions.Although such chairs have become rare. and European characters in Luvale or other spirit possession (Lips 1937. ' For a cross-cultural example on sitting arrangemenis and t h e rnaking of hierarchy. 12). types of spirit possession. seeToren ( 9 9 0 ) . the Holo "crucifix" figures. it is not different from the one that led most Chokwe- dominated socio-cultural formations t o adopt and adapt part of their culture. be it forms of masquerading. I I. thereby marking ritual inversion o f the established norms. In all cases.severa1 key artefacts that established and maintained the power of their owners (Photo. 120) these felines have remained in the present as a powerful emblem o f Luvale chiefship not to be dissociated from the throne. are not meant t o reflect any 'Yraditional belief" in a lion spirit. or carving styles.Those.that probably were made in the 19408. t o build and use a chair larger than that of the chief would be an offence.' In a specific spirit possession cult named jila. Styled in the 1940s in the fashion o f some crafts that were introduced by missionaries such as F. fly-switches.Today. o r can not. but certainly is o f secondary importante in most cases. hierarchy and filiation.After all. Coillard in the region as far back as the late nineteenth century (Maclntosh 1907. the style in which the chair is carved or built. it is a means by which an institution (chiefship) and its representatives can act on some social relations. 199 I). Many other examples could be given that confirm the use o f seats t o negotiate power. informs and qualifies its social role which can. For instance. Modernity and the alien My second example has t o do with the incorporation o f modernity and the white alien in traditional art to inflate and emphasise agency Marie-Louise Bastin pointed out the early integration of elemenb of foreign culture such as chairs and guns (passim). imposing European colonial-style armchairs were introduced as a substitute. royal drums and in some places bells. A fine and heavy chair not only informs on the status o f the sitter. the Luvale throne of chief Ndungu. but this in fact is a feature common t o all the people o f the area. 8) along with other paraphernalia such as mikwale double-edged swords. is a very large and heavy armchair flanked by t w o large polished and smooth sculpted lions (more on certain occasions) (Photo. 2000). but rather t o resemble the lions that flanked the throne o f Solomon as described in the old testament.

a number o f socio-cultural formations o f t h e region share the sarne bulk of masquerades. which have the same basic style: mokishi bark rnasks always sport red and white strips o f cloth. Some . 1 .Their carved staffs. for instante. has spread over ethnic boundaries. which incorporate numerous images of modernity such as radios o r military attires. which.This attitude has allowed ofhciants o f the most modern possession cults. be it in terms of agency form o r style. 2). "of the white rnanm'). and not as alien o r "undele" (i. between individuals. Spirit possession arts The third exarnpe I would like t o give here deals with the arts (rnostly sculpted staffs.There is a certain typology o f funny and o f fearsome characters that have homologous shapes. by definition. By integrating new forms and symbols in pre-existing ritual and symbolic structures. rnostly on a regional basis o r at times on an individual basis. has specific staffs and costumes which have been known over a large area ofwestern and Northwestern Zarnbia and Eastern Angola. 13). t o describe their deeds as pertaining t o "tradition" (chisémwo).The stylistic addition only qualifies in a different way the perennial nature o f the agency o f lhe object. as Chibinda is said to have carried according t o mythologyThough data is virtually non-existent. a change in style such as lhe inclusion o f rnodern weaponry arnong lhe figurative elernents might be an indication o f the will to update an older concept with rnodern rneans. Although there have been some "ethnic speciiicities". which seems t o have fulfilled rather constant fundions in the context o f mukondo initiation. which use o f chairs I have rnentioned earlier. although most featured rifles and not bows. upper Zambezi and Kasai peoples insured both an interpretation o f historical changes they were bringing about and a development of their syrnbolic-conceptual resources. O n the other hand. and later lhe postcolonial culture. costumes. specific styles and sub-styles are created that wax and wane in time and space. one can guess that primo bcie rneaning (here a representation o f Chibinda Ilunga) was largely subordinate t o agency: possibly a visual glorification o f ancestorship and iiliation.Thesarne process o f translation o f culture allowed an inforrnant o f Marie-Louise Bastin t o describe the famous carvings of standing hunters as a depictions o f the rnythical Chibinda Ilunga (Bastin l978).e. blanket or hide skirt o r apron (Photo.The jia cult.They present. though rarely on an ethnic basis. iibre. the role o f the object as rnediator in social reations. It also modernises it without destroying the otherwise characteristic formal features that were irnrnediately recognisable t o the beholder o r user The same can be said about artefacts such as the mokishi masks. however. knitted fibre costume. paper o r paint on a black resin. that is. A t the local level however. arnorphous magical paraphernalia and sometimes figurines) which were created within a regional possession cult. sometimes. a number o f resemblances with the lattei. groups and spirits. o r now tar background. These assirnilations by no rneans meant either a loss o f a "tradition" o r "identity" but rather a cultural reinforcement designed t o colledively anticipate the successes o f a positive engagement with the upcoming colonial power. definitely have a style o f their own which is distinct from staffs o f other cults or frorn older ethnic styles o f the region (Photo.

onal cdt Itha t s the Lungwe Vungu. religion. By outdoing their netghhours and partners in art the Chokwe dembnsbated their dominion of matters of politis.aJ ro%. Conclusion It is probable that we cannot deveiop our knowledge of the ar% of the region under scrutiny without relying t o a certain extent on concepti of "ethnicity" and "tradition" (Levine 1999.ne related to necessary or systematcc correspondente between language. such as the Chikuza mask and Kalulu half being figure belong t o the regional cultural background. Style qualifres agenq religious. Luchazi or Camatapa did not produce any such arts i r this penod On ihe other hand a complex. rnedicine and technologies.As a matter offact.figures. discussed frorn the introduction. refihed and multifaceted regional art cutting across .Vansina 1989). by working agency.has ncorporated a xore of local % ' !Ona' mask and buin 'plnts Pantheon" correlated. but we must beware of there being no Photo 13 Sia medicine shr. In these three examples. and use.The first example. 1994 of a restricted corpus o f wood carvingi only They may have flounshed at the same tcrne as ethnicity itself developed in the context of a polrtical and miiitary struggle. such as the subjugated Luunda. but have been reshaped in a style spec~fict o the cult to fulfil specific roles. ethnicity styie.Those can he defined through the study decOrated with whlte pearis and a polnted end Photo B W&tau. form mukondo-derived mohombo spirrtr d u r the ~ annual June ceremony of the j~lacult R Mbaiakanyi viliage. politrai or other. by making visible and by locating rt in socio- temporal space. the South-Western Luvale or smaller populations such as rhe Holo. cultural or ethnic rntegratton may be refiected in changes of style. form and style to integrate historical events into a pre-existing cuitural herrtage in a 'Yradrtional" manner This seems to be the reason why processes of historical. Kaiai and Zambezi headwaters have seldom been fuiiy m n ethnic-based). Only some palatine art styles of the late XIXth and early XXth such as this d i i k o rnarker ]!Ia sta& come in recog century pertiaps the continuation of some former styk such as Ucokwe. Less empowered socio-cultural formations. appear hizable rm ieature bulgrng ihaft with mn~caitop as fuliy differentiated on an ethnic basis. and thereóy reinforced their temporal superiority in the rqion. was that of the upper Kasai colonial Chokwe style in the late XIXth and earlymth centunes. art style and ethnic~tyamongthe kindred peoples of Zambezi (Zam b. art forms have appeared as rneans t o "fashion and refashion" aspects o f cultural memory (r$ Stoller 1995).

unless they are circumstantially designed for this purpose. Wastiau 2000) Ethnic-based styles developed in the iields of solid wood carving principally whereas regional styles characterised most other fields One can also conclude that an ethnic-based differentiation o f style may occur without being pervasive in the various fields o f produdion. "ethnicities"constantly developed in the fields o f religion and therapy (Jordán 1998. Art. and used t o heip any client regardless of ethniciq. i995. Phato B. Much remains t o be done t o systematise more data. Marie-Louise Bastin gave us a priceless oeuvre t o start research with and blazed a number o f trails in this field. Such a d~vinationtechnique can be practised by anyone having been possessed by a spirit called lihornbo lya kayongu. and that the arts o f divination. witchcraft. Photo 14 Ngornbo yo lipele divination basket used by dviner Samundengu in Murhona Zarnbezi (Zarnbia). rnust be approached in the double perspedive of synchrony and diachrony t o reveal its mediatory role in a socio-cultural formation. specify and deepen the ethnographic and theoretical questions. .Wasiiau. at large. Certainly. spirit possession and masquerading are common to most o f the peoples of the region and generdly indistinguishable on an ethnic basis. Only few anthropomorphic i t e m contaned in the basket may at times show ethnic-based style.

UPPER ZAMBEZI AND UPPER KASAI CULTURE AREA c.1870 LUZI S&-utlturalmOn rrrnr C m r t e w k h i ruruiu Colrtor h&g placa r ~ n n &p m e t d i mta I)M~ptibnsúMt$xba~stlv*I .

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.

'This essay presents one such Manuel Jordán. Gerald Canter Cenrer forvisual Artr. however In certain perforrnative contexts. Initial research was generously funded by the Universty of lowa Project for the Advanced Study of Art and Life in Africa (PASALA). for exarnple. and behavioral attributes which relate diredly t o the particular roles they fultll in ritual and ceremonial occasions. l948b) for docurnentation of other forrns of ancestral manifesiation. o r rnokishi (sing. which are performed during occasions such as the rnukondo initiation of boys and the investiture and confirmatory ceremonies o f chiefs (Bastin 1982: 8 I .135. The different makshi characters have distinct physical. Irir & 0.any of a arge number of characters may be selerted to fu16I specific rales. rnokshi groupings. and the Dernocratic Republic o f the Congo. Mbunda.Angola. Iikshi). .Thokwe.Turner (1968).The second iield research trip was sponsored by the Birmngharn Museum of Art." which symboically branches out to touch on a variety o f issues o f socio-cultural significance. and White (1948a. Luchari. Jordán 1998). living in areas o f Zambia.105: Kubik 1983: 88. This suggests broader categories wiihin which rnokishi characters rnay either substitute or complement one another ' Masquerade performances are part o f a drama which is devised as an overarching narrative. and other related peoples of western and northwestern Zambia often engage their ancestors t o benett from their spiritual influence and assistance. This subjed is elaborated in the seaian of this headed "Makishi Categories: Mukonda Context:' See Jordán (1993) for an elaboration on the soco-cultura ramiiications of masquerades. Félix and Jordán 1998. ' Thls essay s dedicated to Marie-Lauise Bastin.Their defined attributes and dispositions also indicate character- type similarities. symbolic. orders. Sranford Universiry. Lunda. o r "story. See Wastau (997. ' A choice of rnakishi characters is made for any given ceremonial or ritual conte*. What is mast imporiant s that at least one character from a particular category s present so as to maintain a c e r t a n hierarchywithin these categories. ' The ancestors "come back t o life" in their rnasquerade forms t o participate in the affairs of their living descendants. 'These peoples. create more than one hundred ancestral mask characters. 1998). Manuel Jordán Zambian Makishi Masquerades and the Story of Categories introduction Luvale. or hierarchies are observed. whose contriblrtions to the iield of Afrlcan art hstory and dedication to the arts of Chokwe-related peoples are a source af inspiration for my own warkihis artile is based in part on iieldwork I conducted n western and northwestern Zambia from 9 9 1 through I993 and in 1997.

""ambiguous." and '\ntimidating9attributes relate to categories I introduce ater n this essay ' The sand roamorphic creature is consistent with figures created as part of mohomba ancestral shrines. . the fernale characters moved aside and the malevisaluke (sing. Zambia. 1997. 12) for reated figures made from earth or clay. Chisaluke) joined a number o f women t o search for items hidden inside the body o f a large zoornorphic creature. based on direct observation in the field. behavioral. and where the ancestors dwell When they reached the east bani<. See Wastiau (1997: ill. they fel1 t o their knees and dug on the sand in a choreographed fashion The male rnakishi found the hidden items. Fontinha (997: 53).objeçts . A contextual narrative Early in the morning. and a hierarchical line o f rnakishi that included auspicious male ancestors. and performative attributes. 20). followed by younger females Northwestern Province. appeared Pwevo. First of a zoomorphic figure built from sand. I). including bottles o f alcoholic beverages that they kept as gifts I purposely present the folowing section as a narrative to itress how the eventuaity ofmakkhi performances take the f o m of a dramatic context in which the main characters assume prescribed mles that follow hierarchies that configure themselves in defined categories. they Photo I Male Visaluke characters are assisted by women in findlng . the rnakishi mask characters crossed the Zarnbezi River in canoes.' When the procession returned t o the place o f their river-crossing. the mask of the beautiful woman. The women provided a rhythm with songs and whistles and.The nfamation is based on my field notes and abservatians. taken together with other tield information provides a contextual framework for the consideration o f both established and proposed makishi masquerade categories according t o defined physical. ' The "auipiciaus. narrative regarding the appearance o f masquerades in the context o f a royal confirmatory ceremony5The narrative. hidden inride the body moved out o f sight o f the spectators t o regroup for a ceremonial procession. Aaua graveyards are located beyond the west bank of the Zamber River (near the town of Zambezi n northwestern Lambia) but mokahi are always said ta come from the west because the sunset is symbolicaly assaciated with death and s therefare the place af the ancesiors. as well as on ihe commentanes of Zambian assisiantr and friends who were present during the canfimatary ceremonies of the Luvale Paramount. followed by certain ambiguous characters. Martns (1993: il. where the sun sets. n 1997. Nduny. which the women had modeled on the ground from river sand (Photo. where graveyards are located. along with the Visaluke. in turn followed by intimidating makishi types. corning frorn the west.

Later. Behind them followed the younger females. ' Several women in ceremonial dress. wornen. the makishi returned t o the grounds surrounding the palace t o interad with people. Later. Kayipu. and the uninitiated.The Swedsh ambassador to Zambia was present during this event." called Kayipu. except for the appearance of a two new charaders. being the king o f ali ancestral rnasks.The "royal' mukando carnp war. On the other hand. Chief Ndungu and his wife sat on their thrones while a "master o f ceremonies" made welcoming remarks and general announcements with the aid o f a microphone.The makishi remained in the order they had arrived the day before except that Kayipu was now in front. and foregn dgnitaries. the rnale characters. crowds o f people arrived at a stage where regional chiefs. the makishi regrouped for a relatively long journey t o the palace of Ndungu. but also t o show-off their dancing skills. The Luvale chief and his wife then appeared. '' The dignitaries incude members of the chievs caurt (title holders). When this was over.The performers of female charaders danced to celebrate the occasion o f Chief Ndungu's annual confirrnatory ceremony. reminiscent o f the chief's own. " Kapalu ran around keeping the crowds at bay while the makishi procession entered the arena.The rnokishi eventually arrived at the chiefs royal mukanda camp.These makishi later "relaxed" and performed energetic dances in a dance arena t o celebrate the occasion. O O n the next day. It is also a t e m that r e f e ~to the inkiation camp or the shelter where initlates remain in seclusion. and other dignitaries sat t o wait for Chief Ndungu and his wife t o arrive in a royal procession. and then harass and chase. carried on a palanquin and escorted by the police and court officials. 'I These charaders. the ambiguous charaders. singing and gesturing with ceremonial axes and flywhisks. made solely as the ternporary place of residente for rnokshi participatng in the confirrnatory ceremonies and was not associated with an initiation. W ~ u k o n d ais the narne of the initiation of boys into aduhhood. paramount chief of the Luvale. a procession o f mokishi. sat on a throne across the yard frorn where Chief Ndungu sat on his own. and an assistant likishi (pl. where they remained in the privacy o f the shelter in the company of a sele& group of initiated Luvale m e n 9 Later that day. including the Luvale "king o f all makishi. government officials. Zarnbian government oficiais. arrived at the ceremonial arena from the mukanda enclosure. Other mask charaders were made specifically for lhe chief's cerernony In different ceremonial ocrasians the aggressive rnakishi types adopt a more congenia behaviorThey concentrate on their dancing abilities and refrain (for the most ~ a r t fram ) threatenng and chasing people. The 'Yhrone" was a arge inverted mortar . other chiefs. some of the participatng makishi came frorn vilages hostng mokanda initiations and rnaintainng ther own camps.The procession followed the rnodel o f organization observed the day before. children. l 3 The makishi knelt in front of Kayipu and greeted this king likishi in the sarne fashion as the audience had saluted Chief Ndungu. entered the stage first t o announce the arrival of the chief and his entourage. makishi) called Kapalu. beng"roya1. and the large aggressive types. The larger intirnidating and aggressive makishi also came out of the rnukando shelter throughout the day to approach. escorted by Pwevo alongside." had nat particpated n the prevous rnokichi processiow but had rernained in the royal mukanda camp unti the main event.

dignitaries. . . . and they honor . Just as the makishi were received by women on the east bank of the Zambezi '+ The performanre w a also pari o f a three-day competiton o f mask periormers. . of money placed at his feet.~ ~ ~ t ohf ancestral ~ ~ i validation. . the Luvale "king" of all rnaktshi sacrifices a goat with a spear zambla. recited oudly by court orators and accounts presented publicly by court historians which exalt the achievements o f those who have held the same (Ndungu) royal title. Lunda) unrest in the area (Bor~sWastiau. government officials. . ' See Palrneirm (1994) for a detailed itudy of the"ideology o f kingship"among the related Lunda ofthe Demacntic Repubir o f the Congo. t ~ ~ Beyond ~ being incidental forms o f entertainment.- Similarly. male and female ceremonial and ritual experts. and dignitaries also validates the chief's claims t o supreme authority.The presence o f other chiefs. The police presence has been ncreased recently due t a inter-ethnic (Luvale vs.. . These rayalties are probably a rernnant o f earlier forrns oftaxation eitablished by chiefs. . hierarchy that incudes the paramount chief. and perform within a -. other regional chiefs together with their delegations and title holders. ceremonies help renew the bonds between the people and the traditional form [ * o f authority represented by the paramount chief's sovereignty over the land and his constituency In the case of Chief Ndungu. sanctioning matters o f the people and reaffirming the continuity of a chief's royal lineage. . l i These annual . the Province. . . &.The participants tend t o specific duties. follow prescribed steps. Chief Ndungu's ceremony continued and toward the end some o f the non-aggressive makishi performed t o honor the Luvale paramount.. 2). representatives of the chiefs legal system. l 7 Obvious parallels exist between the chief's procession and that of mokshi. l6 . . his leadership is justified in praises . makishi signify the continuous interest o f generations past in the affairs o f their living descendants. . . police/miitary. .. assistants.the appearance o f makshi at the chiefs ceremony represents a form Photo 2 Kayipu. attendants o r "keepers:' and the general audience or audiences. Kapalu assisted Kayipu in sacrificing a goat (Photo. 1997.?: . " Makishi Categories: Royal Ceremonial Context Chief's confirmatory ceremonies have a predetermined order and design. personal comrnunication: 2000). . and underscore his titular and personal legitimacy by paying tribute in the form .

1997. Lambia. may be matched metaphorically with the "aggressive" makishi. a group o f women similarly entered the arena first t o announce the entrance o f the paramount chiefs procession. Chief Ndungu's police escort.After Chief Ndungu arrived with his wife at his side. too. zoomorphic makishi.. the rnakishi '5 perfarmances by becoming their counterparii. IBThisaccessible category includes surrounded by peope in a ceremonial cantext. It is clear from the order o f mask processions and their organization according t o makishi type (female. 3). or neighbor (Photo. male and female (or anthropomorphic) mask. where particular roles are .the Ikng of makishi. representing law enforcement.Although severa1 other correlations could be drawn. Kapalu (Kayipu's assistant) in particular performed his duty of crowd control by scaring spectators with the same long spear he used t o kill the sacrificial goat. ' Mukando initiations are veiled in secrec): and men claim that al! sorts of supernatural agencies are aaive in such iontexts . the most obvious parallel with Chief Ndungu's gathering is the treatment o f Kayipu as an enthroned king saluted by his makishi court. The more accessible o r approachable mokishi often perform with participatory Photo Pwevo. which size and weapons have a cornparably intimidating effect. -1 Mokishi Categories: Mukondo Context The same mask typology is clear during mukondo. and mirrorthe men's access t o complex supernatural powers. "Ambiguous" makishi types symbolicaly embody some o f the principles of secrecy guarded by men in relation t o their initiation practices. while seated on his throne mirroring chief Ndungu's own gathering and circumstances. and mask that represent the fool and the foreigner. Northwestern Pmvince. entered the ceremonial arena in the cornpany of Pwevo. river and the female makishi led the mask procession.x assigned certain mokishi according to their defined dispositions. aggressive/intimidating o r royal) that masks exist within a hierarchy defined according t o the physical rharacteristics and symbolic and behaviora attributes o f their characters. male. and thereby maintain. ambiguous. '' People generally keep a respectable Most active in these pariicipatory audences are women who direaly interna with. so. Kayipu. Similarly. the accersible female ancertor is audiences to celebrate the event of rnukondo.

o r months. 5). A general order o f makishi appearances. Before and after this collaboration. "Aggressive" rnokishi types also have some o f the powers of the ambiguous characters but their normally contentious behavior and intimidating physical attributes place these rnakishi a notch above the "ambiguous" charaders and one below the awesome "royal" types in the hierarchy o f power2' (Photo. based on the attributes and dispositions o f different characters. chases people. aggressive rnokishi appear at sunrise t o escort initiates t o a river for a ritual bath. The aggressive makishi characters have specific ritual duties during mukanda. and enigmatic behavior alone imply their extraordinary powers (Photo. however.the initiates and keepers o f the camp honorthese rnokishi Photo 4 Katotola's feathered headdress and r e d through prayers and invocations.accessible rnakishi types also appear during rnukanda events which mark key transitions towards the conclusion of rnukando. Zambia. one of white eyes syrnbolically reflect the characteh the aggressive rnokishi (e. " 'Powei' is an attrbute that always carne up when I disrussed rnakisht types with different Zarnbian assistants The characters d o not come t o the vilage until the circurncislon process is Cnished . Aggressive masks are the main guardians o f the mukando initiation. also exists for mukondo. 199 I relaxes its aggression and assists the women in stirring the ritual brew they prepare in large containers. Anthropomorphic types such as Pwevo and Chileya (also called Chiheu) may appear on the first day of rnukondo. Northwestern Province. It gets angry for no reason. when the charaders arrive at the village t o symbolically indicate the operation and its initial success. Other than at the onset o f initiation.the likishi plays on its passive-aggressive disposition. weeks after the onset of initiation. These may appear weeks. These characters actively chase and threaten the uninitiated with their weapons and perform crucial roles n key mukanda events. Once the circumcision wounds have healed. o r simply stands and postures.Towards the end o f rnukanda initiation." Ambiguous and aggressive types are made and performed only as the mukonda initiation continues. Mupala. distance from these rnakishi because their presence. physical appearance. 4). in relation t o the actual circumcision o f boys. o r another) temporarily arnbiguous "ature and access t o supernatural powers. Before this procession. Mwendumba. Utenu. after the time o f circumcision.g.

Utenu. visit a chiefs village o r court t o request permission t o conclude the rnukonda-related events. an old woman o r a female chief charader During chilende.~. and improvisat~onis often needed t o be able t o continue the reremonies.There may be twelve rnakishi iharaders in one mukando camp but only four costumes available. Similarly.Any of a number of aggressive types (Mupala.". Although the coordination o f rnakishi appearances for chilende is often erratic.a male guardian ancestor. a young woman. only appears during the last weeks o f rnukondo and is received by Pwevo and escorted t o the village hosting the initiation where the character is received by women and the village head person. What is most important is not which particular character fulfills the role o f the protective aggressive ancestor but that at least one likishi o f that type." Ofthe type mask. . Although no ordered rnakishi processions occur during rnukonda. all the rnakishi appear t o L celebrate the initiates' accomplishments. have a choice of which rnokishi characters t o create. such as Pwevo. followed by other accessible anthropomorphic masks and animal characters.The rnakishi perform one after another. is included t o perform speciiic symbolic and rituallceremonial duties. arrives at the village only days before the rnukanda graduation ceremonies.Another accessible character: Ngaji. in conjunction with rnukonda. A few weeks before the graduation ceremonies. o r category. ..t o serve as a 'iudge" for the concluding events.~"bP.These would generally be followed n turn by I' Mukondo initiations may 1 s t anywhere frorn a couple of months to more than one year " Chilende is ofien erratic because many mask characters perform during the sarne dayThat rneans that men within the initiation carnp need to be prepared to quckly exchange costumes and other items. the characters generally follow a prearranged ordeii An accessible- . Chikuza. events..This sometimes creates delays. however. " The people in charge o f different rnukondo camps. Chisaluke. ~ h o t os MupalaS arge sire and intimidating features until sunset. Kalelwa. may initiate the dances to get people in a celebratory mood. as a male-female pair.". the typology is evident I in rnokishi appearances and the specific rituallceremonial roles rnakishi assume.~~. it is o f minor importance whether that character type is represented by a woman. which would help further distinguish the hierarchy of characters. Pwevo and Chisaluke. Mwendumba. the rnukondo graduation ..We"na~~~~. while it is vital that an accessible female character appears . o r others) may be selected as the protective ancestor t o guard a rnukando. A Chisaluke likishi might follow t o indicate the presence and participation o f the tuteary male ancestoi.

and accessible). the information provided by numerous Zambian friends and iield assistants/informants. which Bastin calls "circumcision mask. strength or endurance. which are subdvided further according t o the speciiicity of the characters' symbolic. and Chikuza.together with currently availabe sources pertaning t o this region. Established Categories Marie-Louise Bastin (1 982: 8 1-92) notes three major categories for Chokwe masquerades. and behavioral attributes. along with such other anthropomorphic and accessible types as Chileya and Pwevo. Mupala.The third category consists o f "dance rnasks. although he impies that subdivisions can be didinguished on the basis o f character attributes.Towards the end o f chilende. Fel~xand Jordán 998). the makishi who appeared late in the initiation process. His first category includes such rnask as Kayipu." Wele's second division is similar t o Bastin's "dance masks" category. which are auspicious t o the carnp and the initiates and have syrnbolic attributes related t o fertility. includes such rnasks as Chikuza and Kalelwa. 2iThe table is based on Bastin's and Wele's categorization o f rnask types. physical.This special treatment supports the proposition that they belong t o a category distind from the aggressive and ambiguous types." Pwo (also called Pwevo). The table below offers an alternative typological model for a seledion o f makishi found in western and northwestern Zambia. aggressive.They are also cruc~alto the transmission of knowledge and relevant socio-cultural nforrnation Uordán 1998."'"his category includes Chihongo. Her second category. The selected characters are described and interpreted under the four major categories identified in this essay (royal. are received in the village as "heroes" carried on the shouders of mukanda attendants. " I disagree wrth the idea that any mask type s a form of"profane entertainment'' (Bastn 1982: 8 I) because though these rnasks entertain at one evel. my own fied docurnentation o f Zambian makishi masquerades. ambiguous. the Luvale equivalent o f t h e Chokwe Chikungu that appears in Bastin's "sacred"category. including a"sacredUtype that consists solely o f Chikungu. and such characters as Katoyo ("the white rnan") and various animal types including Nguu (the pig) and Hundu (the baboon). . which is a powerfu royal mask kept and performed o n y by high-ranking chiefs during enthronement procedures or for propitiatory cerernonies that may require a ritual animal sacriiice. Patrick Wele (1993: 22-26. and Katotola. they still retain their relig~ousand symbol~cassaciatians. 58-63) suggeds t w o categories o f Zamban makishi characters.ambiguous and aggressive types in order o f their size and powers. a Chokwe spirit o f "wealth and power. and continuity." which Bastin defines as secular and performed as forrns o f "profane entertainment. "circumcision masks" with speciiic roles in relation t o the mukanda initiation camp. these categories also appy to Chaknie-related masquerades in Angola and the Democratic Republic of the Congo. the fernale ancestor. Kalelwa. " Although I focus on chanrters that are most comrnony perfarmed n Zambia. such as Chisaluke and Ngaji (the judge).

It eads figurine. large rnouth.The rnask does not generally occur in the context of rnukanda initiations. It controls Royal red and white eyes and a distinctive headdress of crowds during cerernonies by threatening thern with a assistant Luvale Ji feathers "bunched" within a round bber frarne. l a. and 3-dimensional Attributes similar t o those of Kayipu Represents a Royal semicircular facelhead fully covered with decorative o r Mbunda royal ancestral spirit with extraordinary physical Mbunda J+ syrnbolic rnotifs. broad. since the Zarnbian Mbunda beard attached around rnask's bottorn edge. Luvale rnaskz and peope. Holds a long spear as a weapon. in front of headdress. Back do not have chiefs of equa political bearing. It does not fiberlcotton costume. Overail knitted cerernonies. Perforrnance is rnainly cerernonial. Holds spear o r knifelsword (rnukwaie) for iikishi or an assisiant rnask rnay physicaly punish anyone animal sacribce.The as skirt. Kapalu Face made o f knitted fiber or cotton with large attached Kapalu serves as an assistant t o Kayipu. Fiber for pararnount Luvae chiefs. Mask rnade frorn epherneral materials.The rnask oy'head" covered with feathers. back. etc. Unsurpassed physical and supernatura powers. instead of skirt. and cheeks. or srnall decorative panel protruding frorn the rnakishi procession into chiefs palace during annual top of the head.) t wants. deiined in royal Mbunda ernissary during confirrnatory cerernonies relief on bottorn (straight) portion o f sernicircle. who gets too close t o it.not docurnented in relation t o this group. dance bui rernains at a visible distance frorn other Holds an axe or an adre as weapon. nose.Whrte feather: and funerais. and supernatura powers. Sits on its own throne in front of audience fiberlcotton costume. Mask rnade frorn epherneral rnaterials. Represents aspects o f Luvale royal ancestry. often h~ghl~ghted in red. Huge arched headdress with decorative o r syrnbolic "King" of all rnakishi. Kayipu is not accessible t o people. sunglasses. . Overall knitted also requires distance frorn spectators. Overall spearThe likishi ask for rnoney frorn people and rnay knitted fiberlcotton costume. drinks. abstracted. Ib. nose. Wears shorts o r pants openly collect any minor objects or iterns (hats.Severe legal consequences rnay result frorn an inappropriate approach t o the rnask It is the rnost powerful o f all rnakishi. The rnask rnay syrnbolicaily represent a f o m of"legaV' authority tt rnay assist Kayipu in sacrificing a goat dunng ceremonies. .The rnask does not generally occur in the context o f rnukanda. Periorrned in context of royal confirrnatory cerernonies Luchazi ? eyes. ? possibly created by this group) Name Category Description Attributes and Performance and People Kayipu. Wears blanket or printed textile of other rnakishi.ihe iikishi rnay perforrn as a Eyes.Table of Mokishi categories ( J+rnanly associated with this group: Jcreated by this group. Wears a skirt rnade of fibers. and rnukiple cheekz. Royal Kahipu designs in the front and numerou8 feathers covering the chiefs. Luvale Ji Anthropornorphic face with exaggerated rnouth. Kept only by senior or pararnount Ia. Kateya Gigantic.

It has a similar but Mupala is the "ord" and main guardian spirit of the Aggressive srnaller headdress with feathers on the back. lt is different styles. Chokwe J+ rniddle-top of the head. soely because it has an additional built in a similar fashion. Mupala Mupala is a srnaller verson of Kayipu. It is auspicious to mukanda but rnay horn-like) shape with rings down a (frontal) spine. Chikuza.The costume incudes a fiber or animal peit physical and supernatural power Its dance is similar t o skirt. It may h a d a tree branch. and an mukonda initiation carnp. and Chikuza are generally agreed t o be of Chokwe origin but they are comrnonly rnade by all the related peoples of western and northwestern Zambia. Litotola. Kalelwa Anthropornorphc face with a large headdress rnade in Kalelwa is mainly associated with mukanda. It has attributes of materials. a machete o r other dance are similar t o those of Chikuza and Kalelwa. or surround the a few makishi which may syrnbolically assist wornen in Lunda J tubular elernent. A tubular elernent extends frorn the considered a protedive spirit for the carnp and initiates. Katotola a Katotola or Litotoa. Face has anthropornorphic detais but head extends t o Chikuza is symbolically associated with fertility and Aggressive Chikunza forrn a very tal1 and slightly curved conical (antelope success in hunting. confirrnatory cerernonies for chiefs. but lacks Kayipu's feather.The iikishi pants its Mbunda J feet firrnly on the ground (separated) and twirls its hips t o create a "fannng" motion with its skrt. Mupala s an Luvale J+ eyes. Its general behavior and Mbunda J as a skirt. 0ther"aggressiven rnask are closely related in rnorphoogy to Mupala. Mask be present at cerernoniai events and other occasions. an axe or other weapon. and cheeks. Mask is normally rnade frorn ephemeral Mupala is rnade by all the related peoples of western materias but wooden examples are rnade on occasion. it is probably the rnost Luchaz J h o d a beil. Kalelwa is one of Luchaz J upper portion of the tubular element. Holds a tree branch.The iikishi rnay uninitiated with its weapons. Curved bandsiextensions or It is one of the aggressive makishi which chase wornen Luvae J arched "winged" structures connect the head with the and uninitiated males with its weapons. Category Name and People I Description I Attributes and Performance I 2. in front in some areas. nose. a tree branch. A Bkishi easily mistaken as Mupala is instead identified as Mupala and LitotoldKatotola are closely related rnask. "relaxed" of all the mokishi in this category Its dance Lunda J stresses the mas@ fertility attriblrtes. figurine. 2. Where the character distindons are . and northwestern Zambia but it is generally perceived as having a Luvale or Luchar origin.The names are interchangeable srnall arched elernent placed atop the forehead. C h o h e J+ is normay made from epherneral rnaterials. a machete. weapon. Chikuza Although Ch~kuza rnay chase wornen and the Luvale J wears a fiber skrt and neck covering. Wears an rnasks in this category because of its large size and Lunda J overal knitted fiberlcotton costume and an animal pelt exaggerated facial features. or any other that of Chikuza. but also appears in Chokwe J anthropomorphic face with exaggerated rnouth. Patterns or rnotifs decorate the the preparation of alcoholic beverages towards the Mbunda J headdress. or aggressive rnask and it is more intimidating than other Luchari J+ smal decorative panel atop its forehead. Kalelwa weapon. Mask is normay rnade frorn epherneral conclusion of mukonda intiations. although a b ~ more t ernphatic.

" The headdress is decorated w ~ t h another version o f the lion). Instead. KatotoldLitotoa sornetimes lack the rnade. It generally wears serves as a metaphor for strength or power." it has little in Luvale J same shape but much smalier than that o f Mupala and common with other animal characters (including Luchazi J its "cousins. 2. Utenu Utenu has an anthropomorphic face with a flat. and a distinctive headdress of to be confused with the aggressive rnask of the sarne feathers added t o the head or "bunched" within a narne (related t o Mupala) that has a iarge arched Chokwe J+ round fiber frame. Katotola andior L~totolaare considered cousins Luvale J+ feathers on the back o f the headdress. dance." is sornetimes Lunda J written on its headdress.This likishi is made by all the related peoples discussed here but it is considered by some to be a Chokwe mask.1 1 and People I Description Attributes and Performance I Chokwe J of the larger arch. The rnokishi functions.exorcism rituals The 89 I ! TSHOKWE i i . Utenu is extrernely aggressive in Chokwe J+ character wears an overall fibericotton costume and chasing people and it casts insults and makes rude Luvale J normaly wears a pelt as a skirt A machete is Utenu's utterances.The mask sornetimes runs and "crashes" on the bushes or shrubs. The rear of the LwenaILuvale." and the Luchazi J favorrte weapon name "karoye" rneaning "I am angry.The Iikishi is called 'the angry one. The headdress is in the well. Mwendurnba is smaller than other rnasks n the aggressive category and rnost people consider it junior t o the other maskr. Face made in knitted fiber or cotton with large attached This version of Katotola (also known as Ngondo) is not Ambiguous Ngondo eyes. behavior. Mwendumba A double arched headdress crowns this masks Mwendumba s another aggressive character that is Aggressive anthropomorphic face. Katorola.The masks dance is similar t o Mbunda J that of other aggressive rnakishi. often red and white. keel This Iikishi is also considered "junioi' t o such mask as Aggressive shaped headdress decorated wrth different patterns The Mupala and Kalelwa. to that of other aggressive characters. 3. although the Luchazi also create the headdress may be painted with designs o r divided down character the rniddle by contrasting fields of red and white pigrnentation.Tle back arch is smaller than the auspicious t o rnukanda but appears in other contexts as Chokwe J+ one it parallels t o the front. a small attributes and symbolic associations are therefore very Lunda J kee-shaped structure may protrude perpendicuarly similar Katotoldltotola is mainly associated with the Mbunda J from the back of the iarger arch. 2. and the an animal pelt as a skirt. dernonstrating its uncontrolable rage. which are of Mupala. Luchari J typically present in the Mupala mask.This rnask s similar t o Kapalu in the headdress Katotola's srnall feathered headdress 1s similar Luvale J ''royav' category only with a smaller (shorter) crown of to those worn bv diviners dur~np. only more vioent. the association Mbunda J overall kritted iiberlcotton costume. which are placed here Lunda J decorativeisyrnbolic pattemsThe rnask also wears an under a separate category Instead. Although identified as "the lion. It rnay holds a branch or other Iikishi behaves and periorms in a manner that s similar weapons.

Luchazi J manifested as a half-being and trickster. favored by some Lunda and mask is also a protective spirit. it has ess abstracted Lunda J mask made in wood or from ephemeral materials. Chihongo Anthropomorphic mask made erther in wood or from Chihongo represents a C h o h e male spirit o f wealth Accersible ephemeral materiais The main distingushing eernent 1s and power The disc shaped beard and crown is male Chokwe J+ a disc-shaped beard carved or modeled below the chin remniscent of those worn by some Chokwe chefs The . Some distinguishing eements may be the those of Kaluiu and KatotolalNgondo. called the "bones o f the ancestors. people. Chimbanda. t is sometimes dif. May wear shoris they recognize its supernatural powers. including taking Luvale J babes from their mothers. appears n the Lunda J context of divnation. Because Chimbanda Luchari J worn by KatotolaINgondo on an anthropomorphic face represents a human healerldiviner. they keep a distance from the Iikishi because Overall knitted fiberlcotton costume. the "heaiei' of'diviner" (more properly ficuit t o discem this rnask from other anthropomorphic nganga in Lambia). Name Category Description Attributes and Performance and Peopie Luchazi J feathers. Katotola piays (pants) nstead o f skiri. iacks the feathers and includes a small suggests supernatural powers. Anthropomorphic face mask related to Chjmbanda in Luvwengi (also Chikungila) is a version of Ch~mbanda Chikungila type and style May similarly be created in wood o r with specfic attributes of power that relate t o itc abilrty from ephemeral material8 Face may be divided down t o eat or swallow anything it w~shes(chrckens. Another styie. Holds two wooden sticks. Its mere presence Lunda J+ Chokwe. Chokwe J ~ t smidline by contrastng fields of red and white colors tables. wrth dstndive "hare" ears projeding upwards from the and snesb animal. the association is knrtted fiberlcotton costume Wears fiber skirt and neck mainly metaphoncal as the Iikishi ads as an ambiguous Chokwe J covering May hold an axe o r a small weapon charader that pretends to stea things. Facial features than the other ambiguous mask. Ths small mask has anthropomorphic facial features Kalulu (Bwanda or Kashinshi) is 'the hare:' Like the fast Bwanda. cars etc) Luvale J Holds an axe andlor a flywhisk Luchazi J Lunda J+ Mbunda J+ 4a." lt s sad t o be able to find things that are hidden or invisible. Mbunda J Chimbanda Vnless identified in the fied as such. Another version of Kauu. Although an animal. has supernaturai powers similar t o Chokwe J characters. Kalulu. Mbunda J features may include details contrasted in red and white. Kalulu is a trickster spirit with super- Kashinshi sides Mask made from ephemeral material8 Overall natural powers. goats. including the Luvale J incorporation of a feathered headdress of the type ability t o see "invisible" things. Chimbanda may hold an axe andlor a flywhisk Luvwengi. It does not have to chase Mbunda J structural arch from the front t o the back of the head. kukuwa siick.

As in the Lunda ." and small animal pelts attached revising the dancing skils of initiates before their t o its head as "haic' It wears an overall knitted graduation. in relief Forehead "wrinkies" are commonly included in as it may be described as a chie6 a successfu hunter a Luvale . and take on different behavioral attitudes t o wear fuifui phallic appendage. 4a. carved in relief in the case of wooden mask Wears a chiefs. different Mbunda mask as incised undulating ines at the diviner. A fiber beard is tied onto the holes on the motion with its skiri.This character is rare in Zambia. and take an active role in Mbunda J cental one with a"pug. broad. rounded facial Chihongo male spint of wealth and power Sachihongo male outline in which large eyes. a fiber skirt and neck covering. bonom of the forehead.3.The Chihongo dance s characterized by a rhythmic swaying o f the hipslfiber skirt from side t o side. Chisaiuke's dances vary according t o the fiberlcotton costume and shorts instead of a skirt. where there are no Chokwe chefs. Facial scarificaton detais are added in strips of paper or Iibshi may appear n initiations for the sons of Chokwe Luchari .A beard of fibers is tied or glued t o the chin area each initiate should have his own Chisaluke as a tutelary Luchar J of the maskThe main distinguishing features are three ancestor Chisaluke mask appear duflng the final two or Lunda J small. the three week of an inrtiaton. Sachihongo Sachihongo is carved in wood in various related styles. at royal confirmatory ceremonies or during other Lunda . since Luvae J c1oth. Feathers are approachable through its public performances. It is the only mask male Chokwe J features are carved or applied in paper andlor stnps of character dupcated within an initiation camp. and it may hold an axe or flywhisk. crown or high arched diadem t o which feathers are events. inserted in hoies around the upper ndge of the circular case of most other masks. lt wears an overall knined fiberlcotton costume. nose. However I have been told that Angolan Chihongo mask have been sent t o Zambia t o perform in honor of other chiefs. Other feathers may be attached t o the top of stresses fertility as it wirls i k hips t o create a "fanning" the head. Facial linked t o the mukanda initiation. complement specific mukondo events. Chihongo is not aggressive but rather represents Mbunda sometimes added Overall knitted fiberlcotton costume an auspicious male spirit made accessible t o peope Wears broad fiber skirt over a frame of bent branches through its public performances. 4. Category 1 an"e l 1 Description I Attributes and Performance Luvale . round lobes extending from the forehead. The likishi s also Luchari . and mouth are carved seems to have more attributes or symbolic associatons Chokwe . the Sachihongo dance Mbunda J+ mask. May occasion. above the eyes. Chisaluke is one of severa1 charaiiem in this category which wear the fuifui phallic appendage in specific dances t o stress attr~butesof fertiiity . or another social type. Sachihongo s the Mbunda version of the Chokwe Accessible Samahongo The main style features a large. bottom ridge o f the mask. Chisaluke Anthropomorphic face mask mainly constructed from Chisaluke is a maie tutelary spirit whose main role is Accessible ephemeral materials but also carved in wood.

two other characters speciiically reflect foolish behavior (Ndondo) and old age (Kashinakaji). Overal knitted fibericotton may ead processions) and political nllies. Luvale J horizontaily across the middle to define facial features. Chiieya is another rnale tutelar/ ancestor which appears except for its lack of forehead lobes and different"hai(' rnainly in the context o f rnukonda-related events. t wears an participates.Although dan- Lunda J costume. Ngaji only appears during the instead of skirt. with female Mubanda scarification detais applied n strips of paper or rarved numerou8 appearances for the enjoyment of people in relief for wooden rnasks.Wears a fiber coiffure that celebrating the event. 4 b. A dstinctive headdress Chisaluke. related rnakishi aithough it appears at other cerernonial Luvale J Beads and metal earrings are oíten added rnainly as occasions. Chileya's behavior and periorrnance Luchm J also carved in wood. May wear fuifui phallic appendage. is carried on a rnan's shoulders into the perforrnance arena. it serves as a syrnboic emissary .""le Description I Attributes and Performance I Chileya. Ngaj~. Lengths of irnportedlprinted texties worn as cedlperforrned by rnen. Anthropornorphic mask rnade either in wood or frorn Pwevo represents a primordial female ancestor Accessible Pwo. Part o f the periorrnance behavior rnay Mbunda J overall knitted fiberlcotton costume and shorts instead seern "erratic" or"foolish" but that is just one aspect of of a skirt. last few days of rnukando t o serve as a judge o í the initiates and the final initiation events. Although the charader has sornetmes been described as the "fool" and also as an "old rnan". May include elaborate facial Character is very active during rnukanda events. Like Chisaluke. Pwevo. It is one o f the rnain rnukando- Chokwe J irnitates one o f severa1 hairstyles favored by wornen. Ngaji has a specific role within Mbunda J o f feathers is "bunched" within a round fiber frarne rnukondo that relates t o the last events during the (similar t o that in sarne KatotoldNgondo examples). Facia features are carved o r vary according t o the specific cerernonies in which it Lunda J applied n paper andior strips o f cloth. May wear shorts conclusion of the carnp. For the rnukando graduation cerernonies.The Ngaji is the most abstract-looking charader in this Accessible face s defined by an attached flat. cardboard or a stnp of metal) placed with mokishi in the arnbiguous category Nonetheless. including the investiture of chiefs (where it Luchazi J decorative elements. May wear fuifui phailic appendage. and physically it may have more in cornmon rnale Chokwe J (rnade of wood.These rnokshi are treated as heroes and received by arge crowds who celebrate the successful cornpletion of rnukanda-related evenrs. Ngaji's periornance and attributes are closely related to Luchazi J The eyes and rnouth are highiighted by white paper those of such rnasks as Chileya and particularly Lunda J applied over a red backround. initiates' graduation cerernonies and before the Overall knitted fiberlcotton costume. Ngaji Headlface covering rnade in knitted fiber or cotton.ike Chisâluke and Chileya. It also has an anthropomorphic face not have a dired relationship with the initiates or their Luvae J rnask constructed rnainly from epherneral rnaterials but learning process. the likishh persona. 4 a. Its which is generaly rnade by applying cotton o r feathers perforrnance is related t o that of Chisaluke but it does Chokwe J t o the rnasks cap. epherneral rnaterials. is similar t o Chisaluke. Chileya. also know as Chiheu. rectangular band category. Category 1 an.

Pwevo or Pwo. Luchzi J Lunda J Mbunda J 4 b. particularly the mothers of initiates. A quintessentially accessible mask type. It repre- worn to ernphasize dance movements May hold a smal sents the beauty. It escorts male makshi such as Chsaluke t o present an image of gender interdependence. Lunda J many children. a young woman it may wear a simpler hairqle and few character are practicay identica t o those of Pwevo. contrasts with the more rnature and accomplished Luvale J Ike) hair femae. Mwana Physical attributes practically the same as those of Mwana Pwevo. carved n Kashinakji. attached t o rts overal fiber costume. with facial age for t h e ~ r contributions t o society and female Chokwe J features siightly manipuated t o represent old age. Pwevo. Pwevo's perforrnance imitates dances steps associated with wornen. whch female Chokwe J feature is its çrraight and long.the old woman. Facial features and decorative t o ndicate her ong ioumey from the world ofthe dead . but t o refled the physcal appearance of wornan:'The symbolic and behavionl attributes of this female -Pwo. Lweji. and holds a siick with bundes of cloth Chokwe J re~resentsa crown. She represents female directions from a shared central arched headdress that royal attriblries.The likishi may Luvale J Wooden breasts. h o d a stick o r cane t o emphasize the age attributes. Luchzi J sometimes hang low t o indicate the woman has raised Although Kashinakaji generally represents a old woman. occasionaly the name refers t o the representaton of an Mbunda J old man. -Mubanda or no faria scarification marks. The only distinguishing (sometimes vanity) o f some young women. Kashinakaji Another venion o f the female charactei. axe or f l w h s k women. In some areas the names Chokwe J "Pwevo" and "Mwana Pwevo" are interchangeable. 4 b. abundant (imported wig. Category 1 anYZple 1 Description Attributes and Performance Mbunda J wrap-around skirt A dance bustle and ankle nnles are for wornen. literally means "young Accessible Pwevo.The two faces project in opposite Lunda female chief of the same name. Anthropomorphic Janus-faced mask made from Lweji represents the celebrated and welldocumented Accessible female chief epherneral materials. accomplishments as "fulfilled" mothers. honors wornen of advanced Accessible wood or made from ephemeral materials. 4 b. Luvale J Luchaz J Lunda J Mbunda J 4 b. and abilities associated with adze. morality. although the younger female rnay represent more "modern" values or morals. Chiwigi Another version of Mwana Pwevo with the same Chiwigi rnay further stress the attitude and demeanor Accessible appearance and attributes. or Mwana Pwo.

is sirnlar t o that Luvale J be carved ar forrned by inserting bones. Katoyo. torn clothes. Itc perforrnance. Lunda J texties worn as wrap-around skirt. which is t o be contrasted with Mbunda J similar t o those worn by rnost anthropomorphic the proper"civi1ized" behavior of such anthmpornorphic makishi. Some exarnples have a fiber on the ground ar standing. Katoyo has a protruding forehead foreigner The iikishi s intended as a caricature of 'Yhe Outsider or a cap. white person or Accessible Chindele epherneral materials. Ngulu Mask norrnally carved in wood.Anirnal furs (generally have quite similar physical and behavioral attributes. .This rnay relate directly t o the peneived phallus around the waist. Rarer variations of Accessible are also rnade. practice circurncision and are therefore perceived by Luchar J some as culturally 1acking. Facial character is carried on peoples shoulders during Lunda J scarification details are often included. Facial hair is often attached near the rnouth. Overall knitted chilende where it periorms "explicit" dances with its Mbunda J fiberlcotton cosiurne. zoomorph Luvale J rnonkey but aiso genet or rnongoose) are attached t o although the syrnboic associations differThe pig dances Luchazi J the top o f the head. since this Luchazi J sticks. types as Pwevo. category I anFEp1e I Description Attributes and Performance Luvae J rnotifs applied with strips of color paper Overall knitted (and the past) t o the world o f the Iiving The Iikishi has Luchar J fiberlcotton costume. Overall fiber costume and addenda behavior of the animal. who do not Luvae J wrapped with rags or old. Lengths o f irnportedlprinted oniy been docurnented arnong the Chokwe However. irnitating the uncontrollable Lunda J coiffure o r cap. at least t o Chokwe-related peopies. Facial features inciude a long o r pointed nose other" lt ridicules the "awkward" features and behavior Chokwe J and an "uglq' rnouth with exaggerated teeth. sexual behavior of fowigners. which rnay indicate that the character represented is a fernale chef or a wornan with roya associations 4 c. sometimes western and northwestern Zarnbia. Simonde Anthropornorphic masks made in wood o r other These characters represent "the o t h e t ' but more Accessible and Kankoya materialsThe rnasks are purposely "ugly" and include speciiically "the neighbo?' Sirnonde represents the Lozi Ouuider distorted.The character rnay wear a fuifui or fuifii or phallus. (Barotse) and Kankoya represents the Nkoya of Chokwe J Overall knitted fiberlcotton costume. these related peoples sometimes include elaborate diadems o r small. however. The mask is generally created as a the character include a w l d pig and an aardvark. arched crown-like elernents.The characters ridicue the Lunda J "uncivilized" attributes of these peoples. which may o f foreigners. May hold a stick versions o f Pwevo (particuiarly in wood) created by Mbunda J over the shoulder with bundles of clothes. akhough fiber versions Ngulu represents the dornestic pig. Anthropornorphic rnask rnade either in wood or fmrn Katoyo represents the European. animal teeth or of such rnakishi as Chileya and Chisaluke. which anthropo Chokwe J naturaistic representation of a pig. exaggerated or "unpleasant" facial features. These Mbunda J characters aw"accessible" and entertaining.

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Besides the principal categories presented above. These animal forms are mainly associated with the Accessible Tambwe Mbachi (tortoise). is actually treated as a hybrid Accessible The mask is generally created as a stylized character. and structure t o animate the creature. The animals Chokwe . and others that are Mbunda of western Zambia (and the Mbwela in zoomorph plus constructed by creating a frame o f bent twigs and Angola) although Luvale and Luchari examples aiso Mbachi branches to which bark. Mbunda + Conclusion Mokishi masquerades are created and reconfigured constantly. Hundu.These are not animal face-mask with body suik plus added t o model the bodyThe animal forms are hollow which are períorrned in upright position but fonns that Munguli and the períormer (sometimes two) hides inside the take the overall body shape of various animals. Name Category Description Attributes and Performance and People 4 d. helicopters.Animal furs (normally monkey but also genet represent diviners or heaers. defined through stoory-telling. and butterties have been performed in Zambia for many years (Photo. Some examples blend symbolically interpreted as relatives o f humans that zoomorph Luvale J human and simian features t o the point that it is dificult inhabit the wilderness. Ndumba. 4 e. These entertaining Luchazi J masquerades rrlate t o proverbs and occurrences Lunda . mouths o r heads are often articuiated. Baboons are anthropo Chokwe J representation of a baboon. Munguli (hyena). Recent mokishi characters include one with a head .Their performance behavior and physical attributes suggest that these characters fluctuate between the ambiguous and aggressive categories. part human and part animal. it is "accessible" in its Overall iiber costume and addenda similar t o those demeanor and is celebrated as a relative with powedul wom by most anthropomorphic rnakshi. or a similar material is exist. the baboon.The character may hoid a flyhisk Luchari J t o identify the character if it has lost its original and its behavior is somewhat related t o rnakishi that Lunda J headdress. Various animals. which derive from its experience in the wilderness or outside the reaim of the village. Hundu Usually carued in wood although fiber versions exist. Although the character Mbunda J or mongoose) are attached t o the top o f the head. ncluding NdumbalTambwe (Iion). has ambiguous attributes. and from time t o time new forms arise t o comment on current events and situations. 6). supernatural attributes. appear in the context o f mukonda and during Luvale J chefs' confirmatory ceremonies. burlap. Characters representing airplanes. The characters' petform "on four legs" on the ground. a further "modern" or "recent" category should accommodate relatively new mokishi.

" New forms of masquerades that are"successíui"or deemed effedive are immediately mitated and repested in other mukanda camps.Those that "expire"or are not repeated are still worth documentng as they may reate to the specific needs ar concems of a cornmunrlyThe "rerent'types are usually variations of already establ~shedforms.The intricacy of this I typology reflects the complex cosmology that is involved whenever the I1 ancestral past reunites with the present concerns o f the iving. for every aggressive individual there is one who is benign. 2000. and for ting birds.b o ~ .The airpane. .These include children marquerades that are devaid of a ntual or ceremonial cantext. ritual o r ceremonial needs.29: Baeke 1992: 102). I992 every king there is at least one fool Dianne Emanuel. II superstructure that takes the form o f aVCR player and another representing a b o o m . Howevel. In the case o f rnakishi. and their character types kange in attribute and disposition from the sublime t o the absurd." Although the symbalic associations differ. etal 1998: 154-155. Furthermore. and behavioral attributes of each 1ikishi. the documentation o f these "intended" orders and hierarchies should support a better understanding o f the logic behind rnakishi I masquerades as these inform and complement broader social and cultural processes. 'Because ~ these forms are beng developed currently it is best t o categorize them separately until the characters and their attributes have I become clearer and they can be integrated into the appropriate place in the II typology l7 The categories proposed here are by no means monolithic or static. Zambia. Northwestern Provnce. the repertoire of rnakishi ancestral charaders mirrors sociev Human and ancestral hierarchies are correlated. probahly derives fmm one ofthe different representations of brds (Allen Roberts. and adult male mungonge initiation masks that should be categarized as "ominous" because they represent extraordinary spiritual agencies and supematural powers that are different than those embodied by rnakishi íJordán. Kubik 993: 27. the buttefly mask may be a varation of the same genenl theme of'yhngs that fly. the períormances a i these characters are smilar Other masking tnditions are sustained by Chokwe related peopes.These may eventualy hecome part of a large repertoire of familiar masquerade types. as in the case Phoro 6The "butteliiy" lhkishi is a relatively new mask that may havederlvedim m ear~er iorms represen o f humans. women's masquerades that "take-on" lhe personae of same makshi (Cameron 998). A hierarchical typology o f rnakishi characters emerges from analysis both o f the roles rnakishi fulfill in different ritual o r ceremonial contexts and o f the symbolic. personal communicat~on:9 9 3 ) Similarly. physical. personal communcaton and photos. makishi may traverse these categories t o accommodate social. In fact. for example.

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.

deverá ler-se 'tshokwe'. segundo as tradições orais. um caçador estrangeiro de origem luba. portanto. habitam hoje os territórios de Kapanga e Sandoa (provinc~ado Katanga) e Kahemba (provinca de Bandundu) no sul da República Democrática do Congo. a da princesa Ruwej (ou Lweji.Assim. Esta más- cara. 99 TSHOKWE . a do herói caçador CibindYirung (designado noutros contextos por Cibinda llunga). O seu casa- mento com a princesa autóctone Ruwej teria finalmente conduzido a sociedade ruwund a emergência da realeza sagrada. ao longo de toda a sua obra. descrita por jordán num artigo de 1993. O esplendor artístico concedido pelos colcwe a Cibind Yrung contrasta. ' O termo "ruwund' é aqui usado coma adjeitivo referente a "aruwund". Manuel Jordán fotografou uma máscara de resina fabricada por um artista cokwe' para um ritual de iniciação que representa uma figura mkica. face a esse outro personagem que. neste contexto. Foto I ) +. CibindYirung. porque a grande especialista em arte cokwe que hoje homenageamos com este conjunto de con- ferências. seria o res- ponsável pela introdução entre os aruwund.isto é. contudo. Manuela Palmeirim As Duas Faces de Ruwej: Da Ambiguidade no Pensamento Simbólico dos Aruwund (Lunda) ' Durante o seu trabalho de campo no noroeste da Zâmba em 199 1-92. central para os aru- wund. como o nome é pronunciado em Angola e na Zâmbia). Compreendemos. e curiosa por duas razões: Em primeiro lugar. C tem o valor de tsh. é uma máscara curiosa. com a quase total apatia. Instituto de Ciências Sociais. E é aqui exactamente que eu gostaria de me deter para efeitos desta apresen- Manuela Palmeirim. ' Agradece a Manuel Jordán o ter dsponibiizado duas das suas fotografias ( I e 3) para serem reproduzidas neste texto. Ruwej. uma máscara com duas faces (cf. estendendoxe ainda pela zona fronteiriça do nordeste de Angola. não havia encontrado. pelo que ' ' C a b e ' ' por exemplo. vizinhos dos cokwe. Portugal. concorre igualmente para a fundação da realeza entre os aruwund: a princesa detentora do poder ancestral. ' Fo adoptada a ortografia estabelecida pelo Alfabeto Internacional Afrcano já recorrente na literatura antropológica.da etiqueta real e de uma cultura mais sofisticada. uma curiosidade particular Mas a máscara é ainda interessante por um outro motivo: trata-se de uma representação com cabeça de Janus. a nível da expressão plástica. realça o lugar único que uma outra figura mítica ruwund I . qualquer representação plástica de Ruwej entre os cokwe e povos aparentados (cf Bastin 1998: 16). dizem os m~tos. a Professora Marie-Louise Bastin. ' Os aruwund. entre os quais fiz trabalho de campo em 1987-88 e 1992. ocupa na estatuária dos vizinhos cokwe (cf Bastin 1978). Marie-Louise Bastin. universidade d o Minho. que a máscara foto- grafada por Jordán desperte. até então.

Na verdade.Struyi (1948:370-75). como esta narrativa. . Le roi ivre ou \'origine de I'Étot. tação. afinal. 9 19). ' I .que daria à luz um filho. sob a forma de uma representação metafórica.a mais exiensa variante deste mito (Ngand yetu. a insígnia do poder (um bracelete de tendões humanos designado rukon) à sua filha Ruwej. detentora de duas faces orientadas em direcções opostas. .. . a figura mítica da princesa Ruwej. casando-se final- mente com Ruwej. Biebuyik (1957:797-804). exímio caçador e portador de maneiras refinadas. às terras dos aruwund então governados por Ruwej e por um conjunto de notáveis. \ . incapaz de assegurar a sucessão (cf Duysters 1958:8 1-6: Biebuyck 1957797-804). aquele que mais tarde viria a ser o pri- (fotog. . em particular. . aquando da sua morte. o qual deserdara os filhos. O mito de fundação do estado ruwund conta-nos que a realeza se originou na sequência da chegada de um caçador estrangeiro de origem luba. Luc de Heusch demonstra no seu trabalho de 1972. portanto.I>.kisl. A princesa havia recebido o poder de seu pai. considerada como "mito" e analisada num conjunto mais vasto de tradições de fundação de outros povos da África central. como disse há pouco. promoto- res constantes de desordem.76) e. . para entregar. para o território de Kahemba. . é a leitura deste objecto de arte cokwe à luz da ideologia da realeza ruwund tal como ela nos é dada a conhecer pelas tradições orais de fundação do estado. . da ornbiguidode que parece caracterizar o pensamento simbólico dos aruwund e. a quem ensina o uso do arco e da flecha. os otubung. . esta máscara surge como a expressão última. nomeadamente por Duysters (1958:816). i o n I! \ . Foto I o.. ~\N. .m duasfarei chamada Kamong. todos de igual estatuto. meiro rei e detentor do t'tulo de Mwont Yoov. Cibind Yirung. pelo que o caçador acaba por desposar uma segunda mulher.Dias de Carvalho ( I 89058. Cibind Yirung. O que eu proponho. .contudo. de Mlordán). . Nkond. mais sofisticada e concebida como cul- i Várias versões desta narrativa têm sdo coligidas. acaba por ficar entre os aruwund. traduz uma progressão de um sistema social rude e elementar (associado a Ruwej e aos otubung) para uma ordem inovadora. Algumas versões do mito declaram que Ruwej era estéril e. .. ~TSHOKWE I ' .Uma pubica~ãometodista na língua ruwund fornece-nos.

significaria para o autorUumaruptura da ordem sociológica" (ibid.:19 I) vindo a nova ordem (a realeza sagrada) a instalar-se sob o signo da fecundidade. assu- mindo-se como a representante máxima da autodonia e do povo original por oposição à nova ordem encimada pelo Mwont Yoav. toma a iniciativa de seduziryirung oferecendo-lhe aposentos na sua própia casa (ibid. 1950). como sucessor de Cibind Yirung. é ela que induz Kamong a assumir a aliança de duas ordens que. da qual nasceria o fundador da dinastia dos AntYoav (pl. havia declarado inconciliáveis.203). de resto.A tarefa de conceber o primeiro Mwont Yaov. não obstante. por outro lado. N a verdade. paradoxalmente. sem dúvida.:69). na governação político-administrativa do reino. de Mwant Yoov).:226). 101 !\ TSHOKWE I i . Palmeirim 1993): representando o poder dos antepassados e a ordem ancestral por oposição à nova civilização que Yirung pretende instaurar. E assim que algumas versões do mito nos dizem que o consentimento da princesa era absolutomente indispensável para que essa segunda união se pudesse realizar (cf. sendo contra o vontode de seus irmãos que confia a insig- nia do poder ao caçador luba (cf ibid. Ngand yetu: 16). O tema da esterilidade de Ruwej.:70). uma oposição entre a ordem autóctone original (representada por Ruwej e os atubung) e a ordem inovadora associada à fecundidade. Kamong. o primeiro rei (cf Duysters 195894). E ela que. contudo. Ruwej pro- porciona. é confiada a uma segunda mulher. finalmente. definem a ideo- logia dualista da soberania na África central. constituindo-se a caça como uma imagem metafó- rica da fecundidade (cf ibid. revelando-se estéril e abdicando portanto da maternidade. associada ao caçador estrangeiro. Esta "recusa" de Ruwej em se comprometer na emergência da realeza instaura. como nos é dado concluir pela análise de de Heusch. Se é verdade que a incapacidade da princesa em pro- criar instaura diferença e oposição. Esta dualidade mantém-se. reservando-se funções estritamente rituais como originais detentores da terra dos aruwund (anshir-a-ngond). afinal os dois princípios que. segundo a versão coligida por Dias de Carvalho (1 890:58-76). todas as condições para a emergência da realeza sagrada.:75: Duysters 195893. na organização da corte ruwund dos nos- sos dias onde uma dignitária feminina com o titulo de Nswoan Murund perpetua a figura mítica de Ruwej (através de um sistema que se aproxima da"sucessão posicional" descrita por A. Ruwej não só se vê até certo ponto impossi- bilitada de dar continuidade ao poder herdado dos seus antepassados como se demarca visivelmente da emergência da nova 0rdem. Struyf 1948:374-5) e. como uma heroína marcada por uma extrema ombivol6ncia (cf. Ruwej declara-se. segundo de Heusch. Noutras versões é a própfla princesa que escolhe uma mulher para conceber. em seu lugar. Richards para os Bemba da Zâmbia. CibindYirung é um caçador. é ela que persuade os otubung a aceitar o recém-chegado (ibid. cf 1940. assume uma verdadeira conjunção com Yirung. essa sim. Ruwej surge. pois. ao tema mítico da esterilidade de Ruwej.turalmente superior. I. o fundador da realeza sagrada. pois. De Heusch demonstra como os dois personagens instituem todo um sistema de opo- sições estruturais que se estendem também às suas qualidades cosmogónicas (cf ibid. absolutamente vital na análise de de Heusch. que. Regressemos. A Nswaon Murund e os dezoito dignitários que representam os otubung não participam. claramente empenhada na união entreyirung e Kamong.

Tal como argumentei já num outro texto (1993:5 14), uma leitura conjunta das várias variantes coligidas do mito toma
inteligível esta cumplicidade implícita das esposas deYirung. Kamong é, no pensamento simbólico ruwund, um mero desdo-
bramento da princesa Ruwej cuja única tarefa é a de consumar a conjunção comyirung que Ruwej havia já esboçado sob o
signo de uma aliança matrimonial. E assim que várias versões do mito partilham uma mesma preocupação: a de acentuar
a origem local de Kamong, assim como a sua relação de parentesco com Ruwej. Descendendo de um chefe de Nkalaany,
considerado o berço da nação ruwund, Kamong assume-se de uma forma inequívoca como representante do povo autóc-
tone e, portanto, numa posição privilegiada para realizar; em nome de Ruwej, a união entre as duas ordens. O distanciamento
entre Kamong e Ruwej como personagens míticas é, pois, claramente minimizado, sendo esta proximidade, reforçada por
uma relação de parentesco entre ambas (c{ Hoover 1978b:23 1). Kamong surge, no pensamento simbólico ruwund como
uma "cisão" da princesa cuja missão é a de levar até às últimas consequências a conjunção comYirung. concebendo o seu
filho, tarefa na qual Ruwej não poderia comprometer-se a fim de assegurar o antagonismo e dualidade constitutivos do apa-
rato ideológico da nova ordem.
Ora, estas duas personagens míticas (assim como o dualismo que veiculam) são, na corte do rei ruwund, perpetuadas
por duas altas dignitárias femininas: a Nswaan Murund, representante de Ruwej, como vimos, e a Rukonkish, considerada a
mãeltia (moaku) simbólica do Mwont Yaav e herdeira de Kamong. Se a Nswoan Murund perpetua a aparente renúncia de
Ruwej à fundação da realeza sagrada, a Rukonkish assegura continuidade à aliança que Ruwej havia iniciado com Yirung.
declarando-se fiel a ordem emergente. E assim que a Nswoan Murund é mantida à margem da política do reino ao passo
que a Rukonkish é a dignitária que, no reino, possui mais territórios e cujo envolvimento com a realeza é incessantemente
afirmado nos requisitos do seu cargo como conselheira do rei.
O sistema de "parentesco perpétuo" (cf Cunnison 1956) dá perfeitamente conta desta dicotomia entre as mais altas
dignitárias femininas da corte.Assim, os aruwund pensam a relação entre a Nswaan Murund e o Mwont Yaav em termos de
uma aliança matrimonial. A incumbente do cargo de Nswoan Murund é considerada a esposa simbólica do rei. E muito
embora se trate de uma relação meramente simbólica entre cargos (o soberano dispõe de várias mulheres que, essas sim,
sendo as suas verdadeiras esposas coabitam com ele no palácio real), os aruwund não vêm com estranheza as visitas da
Nswoan Murund ao palácio,tendo-me sido mais do que uma vez assinalado que tal era "natural" dado que, afinal, se tratava
de esposos. E assim que, sendo "cônjuges", o rei e a Nswoan Murund são escolhidos em grupos de descendência indepen-
dentes (cf, Hoover 1978a:1 12). Esta "relação de afinidade" que une a Nswaan Murund ao Mwont Yaav declara-os essencial-
mente diierentes (é na diferença, afinal, que se funda qualquer aliança matrimonial).

O nome"Kamong"signifira, ruriosamente."clitoris", o que parece sugerr que a papel mítico de Kamong se reduz, afinal. à tarefa de gerar o filho deYirung
e rei fundador

Por seu turno, a relação simbólica que une o cargo de Rukonkish ao de
Mwont Yaov é concebida como sendo uma relação entre parentes e não entre
afins. Enquanto representante de Kamong,a Rukonkish é considerada "mãeltia" do
Mwont Yoov e, como tal, as incumbentes deste cargo são designadas pelo rei
entre os seus parentes mais próximos (cf ibid.: 1 12-3; Byvang 1937:429).
Estas relações perpétuas entre dignitários e rei ', se formuladas num idioma
de parentesco e casamento, constituem-se como verdadeiras metáforas de rela-
ções simbólicas. Assim, a relação matrimonial que une a Nswoon Murund ao
Mwont Yoov, fundada na dikrenço, não é mais do que uma metáfora da relação
entre opostos afirmada por Ruwej e CibindYirung. Pelo contrário, a ligação que a
Rukonkish mantém com o soberano, ,aerpetuando a coniunçóo
~ . levada a cabo
entre Kamong e o herói caçador e evidenciando o estreito envolvimento desta "de,2,u~n,"~~"""~~,bUa~
~ , de ~ ~ ~ ~
dignitária na nova ordem como conseheira do rei, é uma relação de proximi- (~otog.de~.~ntt,ony).
dade, uma proximidade que é codificada numa relação entre parentes, ou seja,
numa relação entre semelhantes (cf Palmeirim 1993:54).

Vimos como no pensamento simbólico Ruwund a bigamia de CibindYirung
tem como propósito enfatizar a ornbiguidode que caracteriza a atitude de Ruwej
no mito de fundação e que traduz, afinal, a própria natureza ambivalente (e dual)
da ideologia da soberania entre os aruwund. A duplicidade do comportamento
de Ruwej é magnificamente veiculada pelas insígnias de poder que a Nswoon
Murund, sua representante na corte, exibe em ocasiões rituais. Assim, tal como
os otubung que representam a ordem original e os chefes autóctones, a Nswoon
Murund detém um rukon, um bracelete de tendões humanos que é guardado
numa cesta (cirnpiding) puriticada com caulino branco e que é o símbolo
máximo do poder ancestral deixado a Ruwej por seu pai, Nkond. Para além
disto a Nswoon Murund e os otubung, sendo representantes dos antepassados
dos aruwund, são vistos como pessoas idosas. E assim que se deslocam, em oca-
siões rituais, com a ajuda de um cajado (rnukornbu). Finalmente, é também insíg-
nia desta dignitária e dos chefes ancestrais uma pena branca (kosol kotok) que

' Não apenas a Nswoon Muiund e a Rukanksh mas todos os notaveis do reino se encontram ligadas ao soberano por uma relacão perpétua

colocam no cabelo (Foto 2) e que remete para a primeira aldeia que, segundo
as tradições orais, Ruwej e o seu povo haviam fundado ao emergir da escuridão
da gruta de origem para a luminosidade do exterior (Kasal Katolc, o nome dessa
aldeia original, significa simultaneamente "pena branca" e "fazer-se luz"). Esta
pena. contudo, só é usada pela Nswaan Murund durante a investidura do rei que
tem lugar no rio Nkalaany e em algumas outras ocasiões rituais quando a
Nswaan Murund também se veste, uma vez mais como os atubung, com um
pano branco (malakaany) que evoca o seu poder eminentemente ritual.
Contudo, e não obstante representar a ordem autóctone, as insígnias da
Nswaan Murund incluem também elementos que a ligam indiscutivelmente à
nova ordem política associada aYirung. Na corte, durante as audiências reais na
praça pública, a Nswaan Murund poderá vesiiFse como qualquer outra dignitária
do estado com funções político-administrativas (cilol, pl.: ayilol) com um pano
colorido e a sua coroa de missangas íyiibangul ya yaopu ya makond), para alguns
. evocativa do belo penteado que os mitos atribuem a Cibind Yirung (cf Hoover
1978b:557), e com pulseiras de fio de cobre (jinsambu) colocadas nos pulsos e
nos tornozelos. Usando as insígnias dos ayilol - os chefes que. com o rei, gover-
nam o estado - ela exibe uma tiliação a ordem do Mwant Yaav em cuja emer-
gência se encontra indubitavelmente comprometida8.Contudo, se o Mwant Yaav
- - se ausentar da capital do reino a Nswaon Murund deve abdicar de se comportar
U
- como um cilol pois tal atitude seria compreendida como estando a reclamar para
Foto 3 Máscara (likshi) de Ruwej em corpo nteiro si O lugar de chefe máximo dos aruwund. Nessas circunstâncias deverá colocar o
exibindo o cajado (fotog. de M. jordán).
seu pano branco e, vertendo vinho de palma (moruvu ma ntamb) sobre o rukan,
evocar os antepassados rogando-lhes a protecção do soberano durante a sua
ausência do país ruwund.

Voltemos, finalmente, a olhar para a máscara cokwe que constitui a razão (ou,
talvez, o pretexto) desta conferência.

Para uma análse mais detalhada do sistema de insígnias dos dignitários ruwund e da forma como este codifica uma oposi(ãa entre as ayiioi, enquanto che-
fes polkico-administratvos d o estada, e os atubung, os representantes do poder ancestral e originais detentores das terras dos aruwund. cf. P a m e r m 9 9 8 .

na sua opnão. Assim.: m~klshl)é O termo que na Zâmbia é utilizada para designar os espíritos que são representados por máscaras ou em esculturas. London. portanto. Bibliografia BASTIN. comprometida numa aliança com CibindYirung. se envolve no nascimento da nova ordem e se vira. Fatigada. Como acrescenta ainda. produz é certamente revelador e inteligível a luz da nossa reflexão sobre a ideologia da realeza ruwund. Ruwej é.:83). peia suposta viagem. a este respeito. dizem os aruwund numa das fórmulas simbólicas (nkumbu) que lhe dedi- cam. os chefes de terra ruwund. para o rei). sem dúvida.:54).Arnouv~Ile. 8.Artsd'Afrique Noire.:53). diz-nos: "Quand un likishi Lweji rend visite à un chef pour le saluer. A máscara cokwe cikuogu pode também surgir figurada com duas faces ( r i Basiin 19828 1). Fondements de 'organisation politique des Lunda du Mwaantayaav en territoire de Kapanga. a ubiquidade do espírito que evoca ( c t ibid. ibid. . jordán (ed. não obstante o significado de tal representação permanecer obscuro. que se Ruwej é considerada a representante márima dos atubung.:8I). NEBUYCK. 1957. in M. ibid:53). mas fatigada também porque Ruwej como última representante dos antepassados é. 1 3 19. Meudon: Alain et Françoise Chafin. D. "uma mulher extremamente idosa (koshin-a-koj). Como Samukinji nos diz (cf. un visage regarde le chef tandis que I'autre regarde en amière vers ses sujets" (ibid. para o chefe (isto é. 1998. Manuel Jordán relata que quando o Ii!4shi9 Ruwej chegou à aldeia onde se encontrava a fazer trabalho de campo lhe foi oferecida uma cadeira pelo chefe lunda Citofu que comunicou aos presentes que Ruwej se encontrava extremamente fatigada porque acabara de chegar de longe (o likishi teria pretensamente chegado de Angola de onde o modelo da más- cara foi trazido pelo artesão.). permanece para sempre ligada ao passado. ao povo original e à autodonia. Samukinji explica a Jordán que a máscara tem duas faces porque uma é "pour le chef" e a outra "pour le peuple" (1993:53). Chokwe Arts: Wealth of Symbolism and Aesthetic Expression. trata-se de soli ni sali.787-8 7 Likishi (pl. o artesão da máscara. São as duas faces da mesma ideologia.Zalre. i a Sculpture ishokwe. essa figura mítica com duas caras: aquela que. XI. Munich. como representante dos antepassados. M. sem dúvida. -L. Chokwe! Arl ond lnitiotion Arnong Chokwe and Rebted Peoples. uma mulher que anda [tal como os otubung] com a ajuda de um cajado"(cf.). Statuettes Tshokwe du héms civilisateur "tshibinda ilungo". cf. 1978. Foto 3). reenviando-nos para a possibilidade de uma interpretacão conjunta destas duas máscaras. uma das faces olha "vers le passé" enquanto a outra "en avant vers le futur" (ibid. Marie-Lauise Basiin diz-nos que.também cikungu "évaque I& ancêtres du chefe de terre" (ibid. ela parece sublinhar. 1982.Não deixa de ser nteressante notar. e outra que. New York: Prestel."dois lados de uma mesma coisa" 'O. cilordán 1993:43. O discurso que Samukinji.

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Nota de Abertura 5 Prefácio 7 Luc de Heusch 9 Pour Marie-Louise Bastin Jill Dias 17 Caçadores. Guerreiros: Os Cokwe em perspectiva histórica Boris Wastiau 49 Style and ethnicity: reflections on methods for the study of arts in the Zambezi and Kasai headwaters Manuel Jordán 79 Zambian Mokishi Masquerades and the Story of Categories Manuela Palmeirim 99 As duas Faces de Ruwej: Da Ambiguidade no Pensamento Simbólico dos Aruwund (Lunda) . Comerciantes.Artesãos.