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Terapias alternativas/complementares: o saber e o fazer das enfermeiras do distrito administrativo 71 - Santo Amaro - São Paulo

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Terapias alternativas/ complementares: o saber e o fazer das enfermeiras do Distrito Administrativo 71 - Santo Amaro São Paulo

ALTERNATIVE OR COMPLEMENTARY THERAPIES: KNOWLEDGE AND ACTION OF THE NURSES AT THE 71st ADMINISTRATIVE DISTRICT - SANTO AMARO, SÃO PAULO, BRAZIL TERÁPIAS ALTERNATIVAS /COMPLEMENTARIAS: EL SABER Y EL HACER DE LAS ENFERMERAS DEL DISTRITO ADMINISTRATIVO n. 71 - SANTO AMARO- SAN PAULO-BRASIL Helena Maria Fekete Nuñez1, Suely Itsuko Ciosak 2

RESUMO Este estudo objetivou verificar o saber e o fazer das enfermeiras que atuam nas unidades municipais de Saúde do Distrito Administrativo 71-Santo Amaro -São Paulo, frente às Terapias Alternativas/ Complementares(TA/C). A pesquisa, de abordagem quantitativa com análise qualitativa dos dados, permitiu evidenciar que 89% dos enfermeiros acreditam nas TA/C porém, apenas 22,2% têm conhecimento do respaldo legal e 5,5% têm cursos nesta área; 44,4% aplicam em si mesma e 11,1% aplicam nos pacientes, sete TA/C distintas, classificadas em cinco grupos de HILL. Desvendou-se que há necessidade de buscar novos saberes como opções de assistência à promoção da saúde da população. PALAVRAS-CHAVE Enfermagem holística. Terapias alternativas. Terapias complementares. Promoção da saúde. Pesquisa em enfermagem.

ABSTRACT The purpose of this study is to investigate the nurses knowledge and actions taken regarding alternative or complementary therapies (AT or CT) at the County (municipal) Health Units of the 71st Administrative District, in Santo Amaro, SP. The research use a quantitative aproach and a qualitative analysis of the field data that showed that 89% of the nurses have confidence in AT/CTs but only 22,2% know the legal basis for its use and 5,5% had courses on the techniques. 44,4% use these therapies on themselves and 11,1% on their patients. Altogether 7 diferent AT/CTs were listed and classified in 5 Hill’s groups. It was found that there is a need for including new knowledge as a complementary option for the promotion of the population’s health. KEYWORDS Holistic nursing. Alternative therapies. Complementary therapies. Health promotion. Research on nursing.

RESUMEN Este estudio tuvo por objetivo verificar el saber y el hacer de las enfermeras que trabajan en las unidades municipales de Salud del Distrito Administrativo n. 71, de Santo Amaro -San Paulo Brasil, en relación a las Terapias Alternativas/ Complementarias (TA/C). La investigación, de abordaje cuantitativo con análisis cualitativo de los datos, demonstró que el 89% de las enferrmeras creen en las TA/C, sin embargo apenas 22,2% tienen conocimiento del fundamento legal y 5,5% hicieron cursos en esta area; 44,4% aplican en sí mismas y 11,1% aplican en los pacientes siete TA/C distintas, clasificadas en cinco grupos de HILL. Se constató la necesidad de buscar nuevos conocimientos como opciones de asistencia para la promoción de la salud de la población. PALABRAS-CLAVE Enfermería holística. Terápias alternativas; Terápias complementares; Promoción de la salud; Investigación en enfermeria.

* Trabalho extraído da Dissertação de Mestrado em Enfermagem intitulada “Terapias alternativas/ complementares: o saber e o fazer das enfermeiras do Distrito Administrativo 71Santo Amaro - São Paulo” do Programa de Pós-Graduação em Enfermagem de Saúde Coletiva-Escola de Enfermagem da USP (EEUSP), 2002. 1 Enfermeira do Programa da Saúde da Família, Jd Monte Azul, Vila das Belezas, DS São Luiz, São Paulo; Mestre em Enfermagem na área de Saúde Coletiva (EEUSP). 2 Profa Dra do Departamento de Enfermagem em Saúde Coletiva da EEUSP; Diretora do Departamento de Enfermagem do Hospital Real e Benemérito da Sociedade Portuguesa de Beneficência.

Rev Esc Enferm USP 2003; 37(3):11-8.

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4) e sim. na década de setenta. classifica as TA/C em sete grupos distintos: terapias físicas. mentais. hidroterapias. euritmia curativa. que envolve aspectos físicos. Percebi que com esta atuação mais integral. por exemplo. A população. fazem uso da fitoterapia. relaxamento. Cura Prânica. na grande maioria oncológicos. Hindu ou Ayurvédica. Com isso. Nas Teorias que fundamentam a Enfermagem. por exemplo. (5) Nesta pesquisa foram adotados os termos terapias alternativas e terapias complementares. que faz uso das TA/C. Terapia Biográfica Antroposófica. medicina convencional um sistema de pensamentos que estuda o funcionamento corpo humano a partir de uma perspectiva que considera ser ele constituído por múltiplos sistemas energéticos que se influenciam reciprocamente e que nossos pensamentos e emoções afetam nossa fisiologia e que terapias simples. Reiki. não se importando na maioria dos casos em seguir uma determinada linha de medicina. completo e na filosofia é a síntese de unidades em totalidades organizadas). procura em geral as práticas que lhe fazem bem. A autora. modalidades e práticas e suas teorias e crenças acompanhantes. Levine. pouco se falava sobre tratamentos alternativos à medicina tradicional. visualização. em 1998. os seres humanos passam a ser vistos não mais apenas como máquinas (3. desbloqueio e alinhamento dos chakras. recebiam além de tratamentos convencionais. prestei serviços de enfermagem numa clínica formada por uma equipe multidisciplinar. LianGong. as correntes terapêuticas básicas das medicinas alternativas são classificadas em quatro: Medicina Oriental. Reiki. fitoterápicos. Após muitos anos de experiência na enfermagem alopática. mas cada uma com o enfoque de sua corrente. 37(3): 11-8. o Homem é visto como um ser holístico (2) . inteiro. Nuñez Suely Itsuko Ciosak INTRODUÇÃO Na época da minha formação profissional. que tende a ser visualizado com um continuum. evita tratar de forma isolada o processo saúde-doença. mas porque o termo alternativas é o mais divulgado. como campos de energia que se interpenetram e se influenciam reciprocamente. Homeopática e a Medicina ampliada pela Antroposofia e as técnicas ou práticas complementares nem sempre pertencem apenas a uma corrente de medicina alternativa/complementar. Neurolingüística. Gimenes(1) afirmam que o paradigma emergente. e terapias de exercícios individuais. . antroposóficos. também conhecidos como terapias alternativas ou complementares ( TA/C). como ervas. porém são relatadas por muitos profissionais da saúde e terapêutas. prevenção e recuperação da sua saúde. de Martha Rogers e Myra E. Tai-Chi-Chuan. pois elas podem ser definidas como um amplo domínio de recursos de cura que engloba todos os sistemas de saúde. Com a expansão do modelo mecanicista newtoniano da Física pela visão einsteiniana da Física Quântica. troca de vivência em grupo. inclui todas as práticas e idéias auto-definidas por seus usuários como prevenindo ou tratando as doenças ou promovendo a saúde e bemestar. meditação e trabalho biográfico antroposófico. toque terapêutico. o paciente relatava grande melhora na qualidade de vida durante seu processo de doença. psicológicos. tratamentos complementares como: homeopáticos. ou portadores de doenças imunológicas. Silva. no cuidar. imunoterápicos. que visavam torná-los mais conscientes e colaboradores na promoção. indicando a mesma prática. terapias nutricionais. Toque Terapêutico. sociais e espirituais. Na organização de Hill(6). subentendendo-se mudança contínua aos desafios ambientais e ao equilíbrio dinâmico do organismo. onde os pacientes. homeopática e antroposófica. terapias mentais-espirituais. embora não sejam sinônimos. podem ser agentes de cura muito eficazes. que significa todo. água. Existem ainda outras terapias que não são mencionadas por Hill(6). essências florais. holístico e holismo derivam do grego holikós. em que a saúde deixa de ser um estado estático de perfeito bem estar.Helena Maria F. Gerber(3) introduziu na 12 Rev Esc Enferm USP 2003. terapia artística. tais como a Calatonia. tanto a medicina chinesa quanto ayurvédica. Do-In. fitoterapias. também chamado de holístico (etimologicamente. É baseado neste conceito que as TA/C são consideradas.

Fitoterapia.2001) Rev Esc Enferm USP 2003. que atuam nas unidades de saúde do Dis- Tabela 1 . 13 . sobre o conhecimento e a prática que as enfermeiras têm sobre as TA/C. o próprio COFEN apoiou. Foi realizado um estudo exploratório prospectivo. identificar quais são as TA/C conhecidas e utilizadas pelas enfermeiras. desde que o profissional de Enfermagem conclua e tenha sido aprovado em curso reconhecido por instituição de ensino ou entidade congênere. cujo objetivo principal é verificar o saber e o fazer das enfermeiras. sobre as TA/C.Relação da Unidades de Saúde do DA -71 e total de enfermeiras lotadas nas respectivas unidades (São Paulo.No Brasil. a implantação do Sistema Único de Saúde no Brasil. em participar do presente estudo. podemos destacar como enfermeiras pioneiras nos estudos na área de TA/ C. Os nove Serviços de Saúde do DA Santo Amaro que possuem enfermeiras e atendem diretamente a população em assistência primária e secundária. foi solicitando anuência das(os) enfermeiras(os). e através da Resolução COFEN-197/97 que estabelece e reconhece as Terapias Alternativas como especialidade e/ou qualificação do profissional de Enfermagem. porém a falta de uma pesquisa voltada à atenção primária à saúde com as TA/C. a seguir: Terapias alternativas/ complementares: o saber e o fazer das enfermeiras do Distrito Administrativo 71 . verificar os resultados obtidos com as TA/C. Reflexologia.Santo Amaro São Paulo Segundo Antunes(10). Para sedimentar as TA/C. 37(3):11-8. nas unidades municipais de saúde do Distrito Administrativo–71 (DA-71) Santo Amaro. o que poderia ser amparada pelas TA/C. junto à população. através da aplicação de um questionário à todas as enfermeiras que atuam diretamente com usários. trouxe um grande desafio para a enfermagem: redirecionar suas práticas para o atendimento integral à saúde coletiva e individual da população brasileira. 148/2001. Massoterapia. e os objetivos específicos são: caracterizar as enfermeiras que atuam nas unidades de saúde. Dra Maria Jacyra Nogueira (7) e Dra Maria Alves Barbosa (8) . o reconhecimento das práticas alternativas (Acupuntura. MATERIAL E MÉTODOS O projeto recebeu parecer favorável do Comitê de Ética em Pesquisa (CEP/EEUSP). encontram-se na Tabela 1. Após autorização escrita de cada diretor das nove unidades de saúde. trito Administrativo-71 Santo Amaro. dentre outras). Quiropraxia. e que são foco desta investigação. como atividade profissional vinculada à saúde e não estando vinculados a qualquer categoria profissional. Iridologia. as facilidades e dificuldades encontradas pelas enfermeiras. para exercerem as TA/C. com uma carga horária mínima de 360 horas (9) . sob o parecer n. sendo assegurado o anonimato.jun/ago. através do Parecer Normativo nº 004/ 95. nas Unidades de Saúde. através do consentimento livre. do Município de São Paulo. levou à presente investigação.

3%) enfermeiras referem ter uma filosofia de vida ou uma religião. a filosofia de vida de “amar ao próximo”.4%) são EEPú. e 6(54. atuam há menos de cinco anos na unidades atuais.2%) enfermeiras são Católicas. para complementar sua formação básica e se algumas já demonstravam interesse nas áreas de TA/C.4%) do sexo feminino e 1(5.(São Paulo . que correspondem ao total dos profissionais destas unidades.2001) **Escolas de Graduação: abreviaturas: N* é o número de enfermerias Fez-se um levantamento das Escolas de Enfermagem.Relação das Religiões. frequentaram um total de 27 cursos de PG. 3(16. ainda.4%) tem mais de 35 anos de idade e 8(44. 37(3): 11-8. neste quesito (Quadro 1). 14 Rev Esc Enferm USP 2003.2%) enfermeiras tem mais de dez anos de trabalho no Serviço Público. ainda.Também foram referidas o Budismo. Quanto ao modo como as enfermeiras percebem e reagem frente às TA/C.1%). mostrando existir oito diferentes religiões ou filosofias e um ateísmo entre as enfermeiras entrevistadas.7%) é oriunda de EEPr e 6 (33.Helena Maria F. existe uma grande heterogeneidade quanto à sua prática: 4(22. . Messiânica. Das 18 enfermeiras. 2 (11.6%). buscando.Oguisso(12. Nuñez Suely Itsuko Ciosak RESULTADOS Percorrendo as nove Unidades de Saúde do DA-71 Santo Amaro. sendo 23(85%) cursadas pelas enfermerias de EEPr. as Escolas de Enfermagem foram classificadas em públicas (EEPú) e privadas ( EEPr) (Quadro 1). Como algumas práticas religiosas ou filosofias de vida condenam ou reforçam algu- mas práticas alternativas. revelando ser um grupo de enfermeiras estável no sistema de trabalho.7%) são Adventistas e 3 Kardecistas. 12(66. apreender a influência da formação no conhecimento. para averiguar quais os cursos ou tendências que as enfermeiras buscaram.13) e Ciosak(14). um saber enriquecido pela prática da profissão. Quadro 1 .4%) tem de 15 a 20 anos de formada. mostrando não haver interferência da religião nem da formação acadêmica e 8(44. acrescentando assim ao saber acadêmico. Verificou-se que as enfermeiras do DA-71.1%) não responderam. Batista e Protestante.6%) são EEPr. 17(94. Chama atenção. buscou-se entre as entrevistadas conhecer esta prática e verificamos que embora 15(83. confirmados pelos dados seguintes: 13(72.4%) têm experiência na área(Figura 1). Os mesmos resultados foram também constatados por Bezerra(11). sugerindo estar no mercado de trabalho há muitos anos. a maioria da enfermeiras. 11(61. que nenhuma das enfermeiras entrevistadas cursou PG em TA/C (Quadro 1).3%) de EEPú (Quadro 1). do sexo masculino. foram entrevistadas 18 enfermeiras. sendo 17(94. também. As enfermeiras se graduaram em 11 diferentes Escolas de Enfermagem das quais 5(45. Escolas de Graduação e Pós-Graduações das Enfermeiras do DA-71 . confirmando mais uma vez que esta profissão continua sendo predominantemente feminina (cerca de 95%). Foi realizado. um levantamento sobre as Pós Graduações (PG) cursadas pelas enfermeiras. Das enfermeiras do DA-71. percepção e aceitação das TA/C. 16(89%) acreditam nas TA/C.

10% 0% 0% 5.8%) do total das enfermeiras referem não conhecer o respaldo legal e 16 (89%) não conhecem cursos que as tornariam especialistas em TA/C. Somente um profissional disse ter feito curso na área de TA/C. 10(55.50% 0% 5. distingui-las dentre as que realmente contribuem no atendimento e sem riscos à população. Quanto à aplicação em si próprias.2001) DA 71. usuários/clientes e funcionários de sua unidade de saúde e outros que as procuram.Saber das enfermeiras do (São Paulo jun/ago. recomendá-las.20% 5.30% 66.6%) não responderam a esta questão. com carga horária de 20hs.3%). verificamos que 12(66. talvez.10% 0% 83. em usuários e funcionários e 16(89.00% C U R SO S C O N H EC E Figura 1 . 15 .70% 55.94.Santo Amaro São Paulo 44. também.60% 44.60% 11. com seus familiares.50% 0% ID A D E IA I 5. que estas enfermeiras.40% 22.40% 88. De uma forma coerente.2001) C R S/ R ESP DA 71 em relação às TA/C Chama a atenção o fato de apesar do COREN ter promulgada a Resolução COFEN197 em 1997. 37(3):11-8. ou seja. durante a graduação (FAE) ( Figura 1).50% 0.40% 33. Podemos constatar na população desta pesquisa. 14 (77.7%) não responderam. mais da metade.10% Figura 2: Fazer das enfermeiras do (São Paulo jun/ago. FE 83. o que mostra.9%) em outros (Figura 2).60% Terapias alternativas/ complementares: o saber e o fazer das enfermeiras do Distrito Administrativo 71 . as questões relativas às aplicações em seus familiares 15(83.60% 11.30% 89. Foram levantadas as experiências com as TA/C que as enfermeiras têm consigo mesmas. não tiveram formação para conhecerem as TA/C e assim. poderem usá-las.30% 11. uma certa resistência em aceitar e adotar estas práticas. em relação às Z NÃO C O N H EC E S IM EX PE R IÊ N C ED IB IL C U R SO S LE TA/C Rev Esc Enferm USP 2003.90% 89% 77.90% 5.80% 55.

meditação. hortelã. com terapias complementares . chás de plantas.Relação de Grupos de TA/C na classificação de Hill e total de enfermeiras do DA-71 que as aplicam (São Paulo jun/ago– 2001) Aplicam*:A= si mesma . verificamos que as TA/C foram citadas de formas variadas. Lian Gong.1%) das enfermeiras afirmaram que “é um tratamento”: Rev Esc Enferm USP 2003. repouso. ministrado ao paciente sem medicamentos tradicionais. (homeopatia e “alguns tratamentos naturais”. própolis. do-in. dietoterapia e alguns tratamentos naturais. dietoterapia. Tabela 2 . maracujina. nutrição e de exercícios individuais. utilizadas pelas enfermeiras também foram. alguns tratamentos naturais e Lian Gong. capim santo. que o profissional pode utilizar junto ou não à medicina propriamente dita. que verifiquem na alimentação. 6(33.1%) empregam em funcionários a dietoterapia. 2(11. podemos observar que os quatro grupos de TA/C de maior incidência. florais de Bach. e tem como objetivos a cura. enfermeiras aplicam em usuários e clientes da unidade: do-in e dietoterapia em gestantes e alguns tratamentos naturais. do-in. Sintetizando o fazer das enfermeiras e. B= familiares. 2(11. ervas medicinais. (Tabela 2). foram mencionadas no total. Ao conceituar TA/C.4%) enfermeiras mencionaram usar para si mesmas: meditação.1%). lazer. . C= usuários/clientes da unidade de saúde. reforçando os dados desta pesquisa. D= funcionários e que aprocuram. Pudemos notar que.1%) enfermeiras utilizam: chás de erva cidreira. homeopatia. Terapias Físicas–meridianas e Terapias Mentais e Espirituais. e para outros que as procuram 2(11.qualquer ação de intervenção natural ou comportamental nos hábitos. ou em todas as necessidades humanas básicas. nove diferentes práticas de TA/C: acupuntura. Nuñez Suely Itsuko Ciosak Oito(44. florais de Bach. cebola. do-in. 37(3): 11-8. dietoterapia. limão. limão. alho. florais. também. Averiguamos. que algumas enfermeiras utilizavam mais de uma prática. dietoterapia e alguns tratamentos naturais. recebiam acupuntura. a Fitoterapia. capim santo. e alguns tratamentos naturais.3%) enfermeiras utilizam para seus familiares: meditação. fitoterapia. 11(61. com alho. E= outros 16 Nos dados encontrados por Barbosa(8) e Souza(5). considerando a Classificação de Hill(6). a melhora da qualidade de vida ou minimizar o sofrimento dos pacientes. Nutrição.Helena Maria F. chá de chuchu. mentais e espirituais. fitoterapias com chás. homeopatia. em ordem decrescente. ou sejam: terapias físicas (meridianas). não foram classificados nos grupos de TA/C) . fazendo parte de um total de cinco grupos distintos de TA/C.

3% aplicam em seus familiares. permitem as seguintes conclusões: 1. de pesquisa e audio-visual. e ausência de disciplinas oficializadas nos currículos das escolas. 37(3):11-8. 17 . Essa diversidade de características não influenciou no saber e fazer nas TA/C.4% possuem faixa etária acima dos 35 anos. relacionar TA/C com fatos sobrenaturais. interesse em ampliar seus conhecimentos e aplicá-los para melhorar a qualidade de vida individual e da comunidade. falta de credibilidade nas TA/C. 72. falta de amparo legal. 44. funcionários e em outros que as procuram. oportunidade de maior aproximação com o usuário/ cliente e favorecimento da introdução das TA/C na unidade de saúde. capacitação: pouquíssimo material escrito.3%) mesmo sem ter experiência com TA/C. CONSIDERAÇÕES FINAIS Nogueira(7) colocou.3% referem ter uma filosofia de vida ou religião. toque terapêutico e a meditação.1% mentais e espirituais (Meditação) e 4. sendo que: 11(61. Poucas foram as facilidades e muitas as dificuldades encontradas para aplicar TA/C. quanto aos grupos de TA/C conhecidas e utilizadas. pouca disponibilidade de tempo e quanto aos usuários/clientes da unidade de saúde: falta de conscientização e dilvulgação para a população em geral. 3. Rev Esc Enferm USP 2003. há quase 20 anos.1%) descreveram sobre facilidades aquelas relacionadas à aquisição de ervas medicinais.Santo Amaro São Paulo A investigação mostrou o quão grande é o interesse da enfermeiras sobre as TA/C. baixa compreensão. pois o fato de estar averiguando o saber e o fazer das enfermeiras na área das TA/C. 15(83. Uma das providências necessárias é que as enfermeiras reconheçam a importância de sua atuação e aceitem o seu novo papel e redefinam suas ações nos serviços de saúde”.8% se formaram há mais de 15 anos. As dificuldades apontadas por 15(83. ou seja. referindo-se ao tríduo apoio-aceitação-rejeição. 27. pouca crença. necessidade de ter aprovação da Diretoria. falta de contribuição. Sua função terapêutica ainda não é bem aceita. principalmente: a dietoterapia. 9. 83. apoiam a sua prática. somente 22.1% a aplicam em: usuários/ clientes. 22. médicos. demanda espontânea para atendimento com TA/C. e 61. 77.1% atuam há menos de cinco anos na unidades de saúde atuais.3%) enfermeiras foram: a falta de capacitação em TA/C.4% aplicam-na em si mesmas. 94. e desconhecimento dos profissionais de saúde. CONCLUSÕES Tendo em vista os objetivos propostos os resultados obtidos com a investigação das 18 enfermeiras.3%) referiam dificuldades para exercer as TA/C. Terapias alternativas/ complementares: o saber e o fazer das enfermeiras do Distrito Administrativo 71 . ervas medicinais). 94.4% Fitoterapia (Florais de Bach. lotadas nas unidade de saúde municipais do DA-71. 2. quanto aos resultados obtidos com a aplicação das TA/C: 89% acreditam nas suas ações. na população predomina o sexo feminino (94. 33. equipe de trabalho: não aceitação da prática por enfermeiros. falta de cursos e reciclagem. chefia.4% têm experiência. foram: 36.7% Terapias físicasmeridianas (Acupuntura e Do-In). por ser pública. relacionadas em quatro grupos: quanto a recursos físicos e humanos da unidade de saúde: espaço físico restrito. florais de Bach.7% das enfermeiras graduaram em Escolas de Enfermagem privadas. do-in. 89% não conhecem cursos que a tornam especialistas. acupuntura.2% conhecem a legislaçãopertinente. 66. fitoterapia.5% Terapias de exercícios individuais (Lian Gong). Estes dados reforçam os achados de Barbosa(8). frequentaram um total de 27 cursos de pós graduação. que relatou as facilidades e dificuldades encontradas pelos enfermeiros ao utilizarem as TA/C. 4.4%). despertou em muitas delas o sentimento de utilidade. 11. Realizar esta investigação foi gratificante. que a enfermeira é um”profissional que vem sendo subutilizado pelos sistemas de assistência primária.2% têm mais de dez anos de trabalho no Serviço Público. Quinze(83.5% não fizeram nenhum curso relacionado. escassez de enfermeiras para demanda de pacientes na unidade.3% Nutrição (inespecífica). tanto institucional quanto da equipe de trabalho destes profissionais. e o quanto se encontram limitadas pela falta de informação e formação. tabus e preconceitos das equipe e dos usuários de sua unidade e recursos físicos.A maioria. 44.

[dissertação]. [livre docência ]. [tese] São Paulo (SP): Escola de Enfermagem da USP.1994. (7) Nogueira MJC. têm buscado outros terapeutas. efetivo. 1996. (3) Gerber R. Egry EY. A Utilização de terapias altenativas por enfermeiros brasileiros. Recebido: 15/08/2002 Aprovado: 07/05/2003 (9) Conselho Regional de Enfermagem de São Paulo. (8) Barbosa MA. Belo Horizonte (MG): Escola de Enfermagem. associar-se a entidades. 37(3): 11-8. Universidade Federal de Minas Gerais. a falta de capacitação teórico. Assistência primária de saúde no INAMPS em São Paulo e no Rio de Janeiro: contribuiçãodo enfermeiro. cada vez mais. (11) Bezerra ALQ. Documentos básicos de Enfermagem: principais leis e resoluções que regulamentam o exercício profissional de Enfermeiros. (4) Barbosa MA. A enfermeira deve abrir este novo espaço. (5) Souza VT. O contexto da educação continuada em enfermagem na visão dos gerentes de enfermagem e enfermeiros d e educação continuada. (10) Antunes MJM. Texto Contexto Enferm.d. O saber de enfermagem e sua dimensão prática São Paulo: Cortez. participar de formação nesta área. [ s. Florais: uma alternativa saudável. REFERÊNCIAS (1) Silva MJP. São Paulo: Escrituras. São Paulo: Gente. Queiroz VM.pesquisas revelam tratamentos e resultados dessa terapia. [tese] São Paulo (SP): Escola de Enfermagem da USP. 1983. nem sempre profissionais da saúde. (6) Hill A. 1993.1986. Guia das Medicinas alternativas: todos os sistemas de cura natural. 2000. as limita na experiência. São Paulo:Cultrix. Enfermeiros que trabalham com terapias complementares: conhecendo sua prática. O Enfermeiro e a integralidade da assistência de enfermagem na rede básica do Sistema Único de Saúde. . coloca com propriedade: “precisamos ser enfermeiras capazes de ousar”. porém o desconhecimento da legislação. científico e consciente. (12) Oguisso T. [tese] São Paulo (SP): Faculdade de Saúde Pública da USP. Rocha JSY. Técnicos e Auxiliares de Enfermagem. [Dissertação] São Paulo (SP): Escola Paulista de Medicina da UNIFESP.São Paulo: Hemus. Nuñez Suely Itsuko Ciosak Essa situação ainda não se reverteu. A mulher na força de trabalho: o trabalho da mulher enfermeira. Medicina vibracional: uma medicina para o futuro. A população tem utilizado muitas TA/C para sua saúde. organizador. e pelas dificuldades em encontrar nos serviços de saúde um atendimento integral. 1994. para buscar o saber e ocupar os espaços com o fazer. Reflexões sobre a mudança de paradigmas e a adoção das terapias alternativas no Brasil no século XX. 2 (2):33-44.São Paulo (SP): Escola de Enfermagem da USP. 18 Rev Esc Enferm USP 2003.sendo que a maioria acredita que elas podem auxiliar na melhoria da saúde.1988. Gimenes OMPV.Rev Enferm UERJ 1998. 2000. (14) Ciosak SI. Concordamos com Dra Taka Oguisso que. (2) Almeida MCP. pois nós somos enfermeiras agentes ativas da transformação e do desenvolvimento da Enfermagem deste milênio.prática. Fitoterapia popular e enfermagem comunitária. Avaliação de desempenho e o aprimoramento de enfermeiros: expectativas do avaliador e do avaliado. 6 (1): p 309-16 (13) Oguisso T. 2001.]. 1984.Helena Maria F. para sanar seus problemas. amparar-se com o respaldo legal. As enfermeiras desta investigação mostraram-se interessadas nas TA/C.1999. em uma de suas aulas na disciplina de História da Enfermagem. [tese] São Paulo (SP): Escola de Enfermagem da USP.