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Página 1 de 4 1 – FAMÍLIA ROMANO-GERMÂNICA Professora Catarina Nery - TGD 1.

1 – CARACTERÍSTICAS:  Esta família liga-se a antiga Roma;  A família romano-germânica está dispersa em todo mundo, ultrapassando as fronteiras do antigo Império Romano.  Esta expansão se deu em parte pela colonização, e em parte pelas facilidades adquiridas com a codificação. 1.2 – FORMAÇÃO HISTÓRICA DO SISTEMA    O sistema romano-germânico surgiu no século XIII na Europa Continental; Períodos Importantes: Renascimento dos estudos de direito romano nas universidades; A a Escola do Direito Natural o despertar para a fase seguinte, dominada pela lei; Num terceiro momento, houve a expansão desta família fora da Europa.

1.2.1 – PERÍODO DE DIREITO CONSUETUDINÁRIO     Antes do século XIII, o direito europeu era constituído essencialmente do direito consuetudinário. O Império Romano conheceu uma civilização brilhante; O gênio romano construiu um sistema sem precedentes no mundo, mas invasões de diversos povos levaram a sua queda no século V. Na trevas da Idade Média - fragilidade do direito; a vontade divina; a lei do mais forte; a autoridade arbitrária de um chefe;

1.2.2 – RENASCIMENTO DA IDÉIA DE DIREITO;  A criação da família romano-germânica está ligada ao Renascimento ocorrido nos séculos XII e XIII no Ocidente Europeu;  A sociedade, com o renascimento das cidades e do comércio, toma consciência que só o direito pode assegurar a ordem e a segurança necessário ao progresso;  Deixa-se de confundir a religião e a moral com a ordem civil e o direito;  O direito passa a ser algo que a razão permite conhecer, repudiando o apelo sobrenatural;  A idéia de que a sociedade deve ser regida pelo direito não é uma idéia nova, foi admitida no direito romano, nas relações entre particulares, mas o regresso a esta idéia é que foi uma revolução no século XII;  O direito deve permitir a realização da ordem e progresso.  O sistema romano-germânico diferencia-se do direito inglês, este está ligado ao progresso real e a existência de tribunais fortemente centralizados.  O sistema de direito romano-germânico foi fundado sobre uma comunidade de cultura. Ele surgiu e continuou a existir, independentemente de qualquer intenção de grupos políticos específicos .  O meio principal pelo qual estas novas idéias se espalharam foi principalmente pelas UNIVERSIDADES, onde o direito é considerado um modelo de organização social;  Nesse momento o direito não se volta para o contencioso nem para o julgamento; O direito é, tal como a moral, o que é necessário fazer não o que se faz na prática;  Como seria possível na idade média, um ensino de direito orientado pelo direito positivo?  A base de todo o ensino do direito era o direito romano! 1.2.3 – ESCOLA DO DIREITO NATURAL

Página 2 de 4  O direito ensinado nas universidades desde a época dos glosadores passa a ser um direito sistemático. deduzidos da razão. pois o direito romano não se ocupou deste ramo. quando grande parte dos países da família romano-germânica publicou os seus Códigos e Constituições.  A codificação é a técnica. que constitui a realização da concepção mantida e empreendida nas universidades. fundado no direito romano.2. E este entrou. e nenhum jurista pensa mais que apenas os textos legislativos sejam importantes para conhecer o direito. á prática administrativa e ao direito criminal. mas não é a única.  A lei. interpretação. Em matéria de direito público foi diferente.4 – PERÍODO DE DIREITO LEGISLADO  A escola de direito natural obteve o êxito em reconhecer que o direito devia estender-se a esfera do Direito Público.  A escola de direito natural manifesta a vontade de transformar em direito positivo. de aplicação ampla e após a análise de vários fatores e fatos!  Atualmente. o direito ensinado nas universidades. exigiu apenas. que as regras do direito romano só sejam recebidas e aplicadas após exame. a escola não foi revolucionária. fundado sobre a razão. A ação da escola de direito natural pode ser considerada em dois pontos: do direito privado e do direito público.  Codificação tem sido apresentada como a causa em alguns momentos da fragmentação do direito. Quanto ao direito privado. 1.  O segundo êxito da escola de direito natural foi a Codificação. nas universidades.  Ela porá fim a fragmentação do direito e à multiplicidade dos costumes.  As universidades passaram apenas a fazer a interpretação desses textos. seja elaborado um direito público consagrando os direitos naturais do homem e garantindo as liberdades da pessoa humana.  Constituiu um instrumento de expansão do sistema romano-germânico. A escola exige que ao lado do direito privado. esta crise parece estar em vias de solução. A escola do direito natural – Direito e a Razão.  Essa tendência obteve sucesso no século XIX. outras fontes também serão utilizadas. no tocante às constituições. É a razão sendo utilizada em prol do social.3 – FONTES DO DIREITO a) Lei  Nos países de tradição romanística considera-se que a melhor forma de chegar as soluções de justiça é procurar apoio na lei. à preocupação de descobrir e ensinar os princípios de um direito puramente racional e por isso nasce nos séculos XII e XIII a escola de direito natural. pois há o reconhecimento da função essencial da doutrina e da jurisprudência na formação e evolução do direito. para que não sejam contrárias a razão e à justiça. Apresenta uma nova visão social afastando-se das coisas exigidas por Deus e levando em conta as necessidades do homem. na preocupação dos juristas. aplicado de modo universal. A preocupação de respeitar o direito romano sobrepõe-se cada vez mais. .          1. deixando de considerar que o direito é uma norma supranacional. A escola propôs modelos. numa época em que a complexidade das relações sociais obriga a conferir prioridade às preocupações de precisão e clareza. pelo rigor da redação que comporta parece ser a melhor técnica para enunciar regras claras. a partir do século XVIII.

desempenha um papel importante. esforçou-se por reduzir a nada o papel dos costumes. mas esta obrigação é recente. No vértice desta hierarquia encontram-se as constituições. eles podem apreciar diferentemente os fatos.  Será a jurisprudência utilizada de forma eficiente no processo de evolução do direito. tendo liberdade no processo interpretativo. originariamente. muitas vezes necessita de um complemento. os juízes.  As constituições rígidas não podem ser modificadas da mesma forma que as outras leis. numa visão sociológica.  O que acontece é que em alguns países.  A função dos costumes está no fato de que a lei. cuja importância é sublinhada pela doutrina. observando-se sempre a sua razoabilidade. são flexíveis. podendo-se fazer o CONTROLE DE CONSTITUCIONALIDADE  A autoridade encarregada deste controle varia segundo o país (qualquer juiz ou tribunal (difuso) e ainda.Página 3 de 4  As disposições das leis apresentam-se com uma hierarquia. que não tinha que ser justificado. o STF). que a lei pode não ter previsto tudo. c) Jurisprudência  A jurisprudência aqui não é considerada fonte primária. não são obrigados a seguir o pensamento de seus antecessores. pois durante muito tempo o exercício de julgar era um exercício de autoridade. em outros. . mais precisamente por cinco séculos (universidades).  Foi apenas em uma época recente.  O costume é um elemento que permite descobrir a solução justa.  A jurisprudência deve abster-se de criar regras de direito. sem que os juízes estejam obrigados a justificá-la?  Um outro elemento que devemos considerar é que as decisões judiciárias devem ser motivadas. suscetíveis de serem modificadas a todo tempo?  É sempre possível uma mudança na jurisprudência.  A aplicação dela supõe um processo de interpretação. a. século XIX que o primado da lei se substitui pela doutrina. em regra.1) Interpretação da lei  Editar a lei é função das autoridades. Todos os países de família romano-germânica possuem constituições escritas.  Os juízes persistem na sua atitude de submissão à lei. Longe porém de ter a importância que se atribui a legislação.  O papel da jurisprudência dissimula-se atrás da aparência de uma interpretação da lei. b) Costume  O costume. ainda que o legislador reconheça. com o triunfo das idéias democráticas e da codificação. d) Doutrina  Sabemos que a doutrina foi por muito tempo fonte primordial do direito. porque esta é tarefa do legislador!!!  As regras de direito formuladas pela jurisprudência não tem a mesma autoridade que as formuladas pelo legislador?  As Jurisprudências são regras frágeis. mas goza de grande influência no mundo atual.  Neste sistema. pois constitui a infraestrutura sobre a qual o direito é edificado e dirige a maneira sobre a qual o direito é aplicado. pois pode ser lacunosa. e por isso é que as outras leis devem estar de acordo com elas.  A escola positivista. as constituições são rígidas.

 O legislador pode por vezes. ainda em nossos dias. assim como fora no passado. tem também a função de estabelecer métodos segundo os quais o direito será descoberto e interpretado. em que o legislador autoriza o juiz a utilizá-lo. na hipótese de conflito entre dois direitos fundamentais: direito à vida e direito à liberdade. abdicar e expressamente apelar para a colaboração dos juristas.  Podemos exemplificar esta possibilidade.  Para finalizar.  segundo a sua conveniência. da função social do contrato e da boa-fé objetiva. é uma fonte muito importante e muito expressiva do direito. Esta função da doutrina manifesta-se quando lhe cabe a criação do vocabulário e das noções de direito que o legislador utilizará. mas podem e devem ser utilizados pelo julgador. para encontrar em algumas hipóteses a solução mais justa. os princípios da supremacia da ordem pública.  Este conflito pode ser solucionado pelo princípio da proporcionalidade . A doutrina age sobre o legislador.  Visão valorativa.Página 4 de 4   É preciso entender que a doutrina. provocando sua ação.  Nenhum sistema normativo pode passar sem esses corretivos.  O próprio Código Civil brasileiro confere aos juízes em vários dispositivos poderes para aplicar. quando da solução do caso concreto. que são chamados de implícitos. não podemos esquecer que além dos princípios que estão expressos na própria lei. pois há um extremo apego ao primado da lei. há também os princípios. sem os quais haveria risco de produzir-se um divórcio entre o direito e a justiça.  e) Princípios gerais  O recurso a esta fonte é difícil de ser explicado pelos teóricos do positivismo. porque não estão expressos na lei.