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TESTE DE AVALIAÇÃO 3 SEQUÊNCIA 3 – Gil Vicente, Farsa de Inês Pereira

GRUPO I
A

Lê, atentamente, o seguinte texto.

Pero Homem que vai aonde eu vou quem me fez seu namorado.
não se deve de correr. 40 Parece moça de bem,
Ria embora quem quiser, E eu de bem, er também.
que eu em meu siso estou. Ora vós er ide vendo
5 Não sei onde mora aqui… se lhe vem milhor ninguém,
olhai que m'esquece a mi! a segundo o que eu entendo.
Eu creo que nesta rua…
E esta parreira é sua. 45 Cuido que lhe trago aqui
Já conheço que é aqui. peras da minha pereira…
Hão de estar na derradeira.
10 Chega Pero Marques aonde elas Tende ora, Inês, per i.
estão, e diz: Inês E isso hei de ter na mão?
50 Pero Deitae as peas no chão.
Pero Digo que esteis muito embora. Inês As perlas pera enfiar…
Folguei ora de vir cá… Três chocalhos e um novelo…
Eu vos escrevi de lá E as peias no capelo…
15 uma cartinha, senhora… E as peras? Onde estão?
E assi que de maneira…
Mãe Tomai aquela cadeira. 55 Pero Nunca tal me aconteceu!
Pero E que val aqui uma destas? Algum rapaz m'as comeu…
Inês (Ó Jesus! Que João das bestas! que as meti no capelo,
20 Olhai aquela canseira!) e ficou aqui o novelo,
e o pentem não se perdeu.
Assentou-se com as costas pera 60 Pois trazia-as de boa mente…
elas, e diz: Inês Fresco vinha aí o presente
com folhinhas borrifadas!
Pero Eu cuido que não estou bem… Pero Não, que elas vinham chentadas
Mãe Como vos chamais, amigo? cá em fundo no mais quente.
25 Pero Eu Pero Marques me digo,
como meu pai que Deos tem. 65 Vossa mãe foi-se? Ora bem…
Faleceu, perdoe-lhe Deos, Sós nos deixou ela assi?…
que fora bem escusado, Cant'eu quero-me ir daqui,
e ficamos dous eréos. não diga algum demo alguém…
30 Porém meu é o mor gado.
Mãe De morgado é vosso estado? Inês Vós que me havíeis de fazer?
Isso viria dos céus. 70 Nem ninguém que há de dizer?
Pero Mais gado tenho eu já quanto, (O galante despejado!).
e o mor de todo o gado, Pero Se eu fora já casado,
35 digo maior algum tanto. D'outra arte havia de ser
E desejo ser casado, Como homem de bom recado.
prouguesse ao Espírito Santo,
com Inês, que eu me espanto

ainda que saiba estalar. com vossa candeazinha. 67). Gil Vicente. 10 desejando cada uuu˜ de seer o primeiro. e era tanta que era estranha cousa de veer. vem como eu vim agora. nom minguava quem responder que o matava o Conde Joam Fernandez. João I. 110 çarrai a porta sobre vós 90 Pero Não vos anojarei mais. explicitando um efeito de sentido. se moverom todos com mão armada. Identifica o recurso expressivo presente no verso “(O galante despejado!)” (v. 105 Ponho per cajo que alguém 85 Pero Virá cá Lianor Vaz. Pero Vossa mãe é lá no muro? (Voltando atrás) 80 Inês Minha mãe eu vos seguro que ela venha cá dormir. e quando cuida que é aviado. (Pero vai-se. e assi como viuva que rei nom tiinha. parece-vos que será bem? que não quero. Farsa de Inês Pereira. . e atravessavom logares escusos. 1. 3. Pero Inda não tendes candea? Inês E não cureis mais de vir. Refere um exemplo de cómico de situação. Nom cabiam pelas ruas principaes. cá fica o fato? Pero Pois. amigos. eu quero-me ir Inês Olhai se o levou o gato… antes que venha o escuro. acorramos ao Meestre que matam sem por quê! A gente começou de se juntar a ele. Caracteriza a personagem de Pero Marques. atentamente. 75 Inês (Quão desviado este está! escarnefucham de vós! Todos andam por caçar Creo que lá fica a pea… suas damas sem casar 100 Pardeus! Bô ia eu à aldeia! e este… tomade-o lá!). fundamentando a tua resposta com expressões textuais. B Lê. Ficai-vos ora com Deos: Ide casar a Cascais. veremos que lhe dizeis… e vos acha só a tal hora: Inês Homem. o seguinte excerto da Crónica de D. avaliando o seu contributo para a caracterização da personagem de Pero Marques. Soarom as vozes do arroído pela cidade ouvindo todos braadar que matavom o Meestre. dizendo:) 95 Estas vos são elas a vós: anda homem a gastar calçado. Apresenta. por lhe darem vida e escusar morte. E per voontade de Deos todos feitos duuu˜ coraçom2 com talente de o vingar. senhora. Senhora. Alvaro Paaez nom 5 quedava d’ ir pera alá1. e prometo não casar entonces veremos nós… até que vós não queirais. 2. per mandado da Rainha. não aporfieis. nem me apraz. as tuas respostas aos itens que se seguem. E sicais sereis vós minha. de forma bem estruturada. e preguntando uuu˜s aos outros quem matava o Meestre. e como se lhe este ficara em logo de marido. correndo a pressa pera u deziam que se esto fazia. braadando a todos: – Acorramos ao Meestre.

como forom aas portas do Paaço. 15 com espantosas palavras começarom de dizer: – U matom o Meestre? que é do Meestre? quem çarrou estas portas? Ali eram ouvidos braados de desvairadas maneiras. crianças que se colam às mãos maternas tatuadas de hena2. figuras 5 soturnas de fundamentalistas barbudos bichanando sentenças ao tchador3 das mulheres. pera alá: não parava de. Teresa Amado. após o apelo de Álvaro Pais. árabes e franceses. Explicita o ponto de vista do autor perante o comportamento da multidão. E acabo por dormitar. . que se liberta do altifalante pregado ao espelho retrovisor sobre a cabeça do condutor. coraçom: unidos num mesmo desejo. Para além da fidelidade ao rei e a Alá. MARROCOS. Crónica de D. MIRAGENS É meio-dia e estão 40 graus na penumbra da estação de camionagem de Marrakesh. confortavelmente aconchegados nas 20 suas roupas suadas. Editorial Comunicação. Glossário: 1. está um grupo eclético de marroquinos: camponeses berberes1 de saco de pele de cabra ao ombro. 4. ante que chegassem. há algo que parece unir este grupo: todos suam 10 sob as jelabas4. João I. as tuas respostas aos itens que se seguem. Textos Literários. Era óbvio e tinha-me esquecido: para atravessar o Atlas há que esquecer o clima da planície. Como eu. 1980. o texto seguinte. com base em três exemplos textuais à tua escolha. embalado pelo som 15 roufenho de uma nuba5. atentamente. Lisboa. 2. e sombras discretas de contrabandistas escondendo em sacos de plástico relógios chineses comprados em Ceuta. as camisolas de lã quente ou os impermeáveis de plástico colorido. GRUPO II Lê. Durante a travessia. Transcreve a comparação presente no primeiro parágrafo do excerto e avalia a sua expressividade. Nas imediações de Taddert. aproveitando os balanços da viagem para desenhar a paisagem que foge – um velho truque para fazer passar o tempo. que eram já çarradas. Taes i havia que certeficavom que o Meestre era morto . de forma bem estruturada. deixo a caneta deambular sobre o caderno de papel. Fernão Lopes. sinto cair sobre mim o silêncio trocista dos viajantes indígenas. continuava a dirigir-se para lá. capítulo XI. sou acordado pelo frio dos picos do Alto Atlas. Seara Nova. 5. Enquanto procuro em vão uma camisola na minha mochila. jovens liceais de regresso às aldeias natais mesclando vocábulos berberes. Apresenta. à espera da carreira para o Anti-Atlas.

1. seleciona a única opção que permite obter uma afirmação correta. revista "Fugas". Tchador: peça de vestuário que consiste numa capa. quase sempre berberes. ou os bares de praia de Fortaleza. 1. O texto apresenta uma estrutura em que é possível identificar os momentos seguintes: (A) pequeno resumo inicial do tema. cansa-se do meu laconismo.1. as ruínas barrocas e bolinhos de coco da Velha Goa. e que se utiliza. inspecionados os ksours6 reais do Oued Imini. 2. Berberes: relativo aos berberes. alapada no banco traseiro. . retomo a viagem em direção ao vale do Draa e à fronteira de Tindouf. ouço um “olá”. Vislumbro uma cara conhecida. Kasha: cidadela cercada por muros ou muralhas existente em diversas cidades árabes do Norte da África. Público. 6. e eu não lhe digo. Alguns dias depois. Nuba: Relativo ou pertencente ao povo Nuba. Soletro monossílabos de contraponto ao relato entediante da sua viagem ao oued [ribeiro] de Ksar-e-Kibir. 40 Enquanto monologa. na esperança de lhe fazer entender que quando viajo quero perder a pátria e a língua. Jelabas: peça de vestuário larga e comprida. entre outras coisas. que me dessintoniza do mundo que me rodeia. 1. Manuel João Ramos. 2002. na Argélia. as suas descobertas e impressões. com a barba por fazer e a roupa mascarada pelo pó dos trilhos remotos do Rif e dos contrafortes do Atlas. geralmente escura. que cobre a cabeça e o corpo. 5. (D) persuadir o leitor a visitar Marrocos. retoma da ideia inicial. Não viajo para reencontrar raízes lusas e não me vejo contemplando fascinado as Portas de Santiago em Malaca. Ao entrar para a camioneta. povo nómada do Norte de África. admito sem rebuço. para fazer desenhos na pele. Por fim. usada por algumas mulheres muçulmanas. o número de cada item e a letra que identifica a opção escolhida. 4. Ksours: celeiros fortificados. entrevejo o deserto de dunas. aos pastéis de nata londrinos). Escreve. um jovem tuaregue de Zagora que não resistiu à curiosidade e me pede para ver o meu caderno de desenhos sincopados pelo balanço das estradas marroquinas. que denuncia 25 um indiscutível sotaque lisboeta. e visitada a kasha7 de Ouarzazate. usados por uma ou várias tribos. para além das montanhas que se fazem cada vez mais baixas. na folha de respostas. Sinto um suor frio e o estômago revolver-se: há um conterrâneo no interior. Para responderes a cada um dos itens. 7. Discuto teologia comparada com Mohamed. o meu conterrâneo olha de sobrolho franzido o meu silêncio tumular. 3. com capuz e mangas largas. e eu apaziguo-me com o espírito da viagem.2. Hena: tintura preparada com o pó seco das folhas desse arbusto. que não me interessa andar a rebuscar a 35 Lusitânia nos caixotes do lixo das histórias dos outros povos (exceção feita. desenvolvimento do assunto. a camioneta parte aos solavancos. (B) contar um encontro do viajante com um conterrâneo em Marrocos. A finalidade deste texto é (A) narrar as experiências do viajante em terras marroquinas. as derribadas estátuas coloniais de Bolama. Por fim. Glossário: 1. (C) dar informações objetivas acerca de Marrocos. O ruído do 30 motor não se consegue sobrepor à conversa do conterrâneo. Após dois ameaços de avaria. usada por alguns muçulmanos. Ele não sabe. deixando apenas a cara descoberta.

(C) uma possibilidade de reencontrar conterrâneos. (C) um relato de viagem. . Para o autor. 1.ª pessoas. há uma (A) alternância de registo de 2. (C) complemento indireto. O segmento “o silêncio trocista” (l.4. 14) tem a função sintática de (A) sujeito. síntese das informações. presença de impressões e de divagações. (D) definição de um itinerário. referência cronológica aos espaços percorridos.5. (D) uma apreciação crítica. Responde aos itens apresentados.ª pessoa. 1. 2. apresentação de informações referentes ao tema.” (ll. (D) complemento direto.2. 1. Divide e classifica as orações em “É meio-dia e estão 40 graus na penumbra da estação de camionagem de Marrakesh. (B) enumeração. (B) definição do tema.ª e 3. A presença simultânea de uma dimensão narrativa e de uma dimensão descritiva.3.1. associadas a um discurso subjetivo permitem afirmar que este texto é (A) uma exposição sobre um tema. 1. 2. (B) complemento do nome. comentários pessoais. (D) alternância de registo de 1. na esperança de lhe fazer entender que quando viajo quero perder a pátria e a língua. (C) prevalência do discurso de 3. viajar é (A) uma forma de encontrar as suas raízes. (C) descrição do objeto da crítica.ª pessoas.1). (C) metáfora. (B) prevalência do discurso de 1. Com a expressão “silêncio tumular” (l. conclusão.” (l. 24-26). 1.ª pessoa. Ao longo do texto. 32) o autor recorre a uma (A) antítese. Identifica a função sintática desempenhada pelo pronome sublinhado na frase “Soletro monossílabos de contraponto ao relato entediante da sua viagem ao oued [ribeiro] de Ksar-e-Kibir. (B) um artigo de divulgação científica.6.ª e 2. (D) comparação. 2. (D) um pretexto para divulgar a sua língua e a sua cultura.7. (B) uma maneira de esquecer a sua língua e o seu país.

figurado enlace.2. Classifica o tipo de sujeito presente na frase “Por fim. para além das montanhas que se fazem cada vez mais baixas. figurado combinação In Infopédia [Em linha]. como a mais importante fonte das relações familiares. No entanto. matrimónio 3. o casamento. estado de casado 6. situação que resulta do ato de casar 5. (De casar+-mento) 1. ato ou efeito de casar 2.º: “Casamento é o contrato celebrado entre duas pessoas que pretendem constituir família mediante uma plena comunhão de vida. boda 4. num texto de cento e oitenta a duzentas e cinquenta palavras. cerimónia que celebra o estabelecimento desse contrato. o casamento nem sempre corresponde a essa verdadeira união.” (ll. união 7. Porto: Porto Editora. [Consult. GRUPO III Casamento: nome masculino. 35-36). Redige uma exposição sobre o papel do casamento na sociedade atual. Segundo o Código Civil Português.3. entrevejo o deserto de dunas. é definido no art. . DIREITO contrato civil celebrado entre duas pessoas segundo o qual se estabelecem deveres conjugais. 2003-2014. 1577. As duas definições de casamento apresentadas falam da união entre duas pessoas. 2014-01-13]. nos termos das disposições deste Código”.