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Evolução dos seres vivos

Introdução

O objetivo desta atividade consiste em contactar com extratos de obras publi cadas por três das
figuras que mais contribuíram para melhor perceber o mecanismo da evolução das espécies e a
partir delas:

a) entender os principais mecanismos propostos por cada autor;
b) enquadrar cada uma delas numa perspetiva histórica, social e num determinado quadro de
avanço científico e tecnológico;
c) criticar cada uma das teorias, em função dos conhecimentos previamente adquiridos
(conhecimentos de Citologia e de Bioquímica).
Metodologia:

A- Ler os textos, por autor, em pares.
B- Encontrar em grupo resposta para as questões propostas.
C- Sintetizar os conceitos básicos da teoria.
D- Proceder de igual modo com os textos/autores seguintes.

Desenvolvimento:

Zoological Philosophy, Jean Lamarck (1809)

TEXTO A

«[...] se é verdade que todos os seres vivos são produto da Natureza, tem de se pensar
que eles só podem ser produzidos seguindo uma ordem de sucessão e não todos de uma
só vez, num curto período; é de supor que começou pelos mais simples e que só no
final se chegou aos organismos mais complexos dos Reinos Animal e Vegetal.»

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1-Será possível relacionar a teoria de Lamarck com alguma das teorias
fixistas. (10p)

TEXTO B

«O ambiente afeta a forma e a organização dos animais, o que significa que,
quando o ambiente se torna muito diferente, produz, no decurso do tempo as
correspondentes modificações na forma e na organização dos animais.»

2- Identifique o processo que, segundo Lamarck, dá início ao processo de
evolução. (10p)

TEXTO C

«As cobras adotaram o hábito de rastejar pelo chão e de se esconder na erva;
por isso, o seu corpo, como resultado de esforços repetidos continuamente no
sentido do alongamento, com a finalidade de passar através de orifícios pequenos,
adquiriu considerável comprimento, bem desproporcionado em relação ao seu
tamanho. Assim, os membros ter-se-iam tornado desnecessários para esses
animais e, consequentemente, não seriam usados. Os membros longos teriam
interferido com a sua necessidade de rastejar, e os membros mais curtos, sendo
apenas quatro, teriam sido incapazes de mover o seu corpo. A falta de uso destas
partes tornou-se, então, permanente nas várias raças, e resultou num completo
desaparecimento de nalgumas, embora os membros pertençam ao plano de organização
da classe(...)»

TEXTO D

«É interessante observar o resultado do hábito na forma e no tamanho
particular da girafa. este animal, o maior dos mamíferos, vive no interior de
África, em locais onde o solo é quase sempre árido, de tal modo que é obrigado
esticar-se até às folhas das árvores e a fazer constantes esforços para as alcançar.
Resultante deste hábito, mantido por todas as raças os membros anteriores
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deste animal tornaram-se muito maiores do que os posteriores; o pescoço
aumentou de tal maneira que a girafa, sem levantar os membros do chão, atinge
uma altura de seis metros (...)»

TEXTO E

«Se um novo ambiente que se tornou permanente para determinada raça de
animais, induz novos hábitos nesse animais, isto é, se os conduz a novas
atividades que se lhes tornam habituais, o resultado será o uso de uma parte do
animal em prejuízo de outra e, em alguns casos, o total desuso de uma parte não mais
necessária.»

3- Refira a explicação dada por Lamarck para a evolução das espécies. (10p)

4- Atribua uma designação ao mecanismo de evolução proposto por Lamarck.
(10p)

TEXTO F

Se numa região diminuísse a intensidade da chuva, as plantas passariam,
em consequência, a ter necessidade de conservar a água. Depois de muitos
anos, à medida que a região ficasse mais e mais parecida com um deserto, as
plantas transmitiriam aos seus descendentes as características para economizar
água que tinham adquirido. Dessa maneira se teriam originado as plantas típicas
de regiões desérticas, como os catos, capazes de armaze nar grande quantidade de
água.»

5- Segundo Lamarck, como é que as variações conseguidas por uma espécie
são preservadas? (10p)

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TEXTO G

«Nada disto pode ser considerado uma hipótese ou um a opinião pessoal; pelo
contrário, são verdades, que (...) apenas requerem atenção e a observação dos factos.»

6- Com base na análise dos vários textos, discuta se a teoria de Lamarck
será de facto uma explicação científica sobre o assunto, fundamentando a
sua opinião. (10p)

7- Elabore críticas à teoria de Lamarck, tendo em atenção todos os
conhecimentos que já adquiriu, nomeadamente no que diz respeito à
teoria celular e aos conhecimentos de Bioquímica (ácidos
nucleicos)… (20p)

A l fr ed Ru ss el Wall ac e (1 8 5 8 )

TEXTO H

«A vida dos animais selvagens é uma luta pela existência. A completa aplicação
de todas as suas faculdades e energias é necessária para preservar a sua própria
existência e assegurar a sua descendência. A possibilidade de procurar comida nas
estações menos favoráveis ou de escapar ao ataque dos seus inimigos mais
perigosos são as condições que primeiro determinam a existência, quer do indivíduo
quer da espécie.

O número dos que morrem anualmente deve ser imenso, e a existência
individual de cada animal depende apenas de si: os que morrem são os mais
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fracos (os mais novos, os mais velhos e os doentes); aqueles que prolongam a
sua existência são os mais perfeitos, em saúde e vigor, os que têm mais
habilidade para obter comida regularmente e evitar os seus numerosos inimigos.
É a "luta pela sobrevivência" na qual os mais fracos e os menos perfeitos devem
sucumbir sempre.»

8- Como explica Wallance a evolução das espécies? (10p)

TEXTO I

«(...) Um antílope com patas pequenas ou fracas deve necessariamente sofrer
mais ataques dos felinos carnívoros; os pombos viajantes com asas mais pequenas
devem, mais tarde ou mais cedo, ver afetado o seu poder de procurar um
fornecimento de comida; e em ambos os casos o resultado deve ser
necessariamente uma diminuição da população das espécies modificadas.

Por outro lado, todas as espécies devem produzir uma variedade que
apresente poderes aumentados de conservar a existência; esta variedade deve,
inevitavelmente, a seu tempo, adquirir uma superioridade numérica»

9- Segundo Wallance, como ocorrem as variações numa população de
geração para geração? (10p)

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TEXTO J

«A hipótese de Lamarck - as alterações progressivas nas espécies foram
produzidas pela tentativa sucessiva dos animais para desenvolver em os seus
próprios órgãos e, assim, modificarem os seus hábitos e estruturas - foi repetida e
facilmente refutada por todos os cientistas que se debruçaram sobre o assunto das
variedades e das espécies.

A girafa não adquiriu o seu longo pescoço por constantemente o ter esticado,
pelo desejo de alcançar a folhagem dos arbustos mais elevados, mas porque as
variedades com o pescoço mais longo do que o habitual, encontradas entre os
ancestrais das atuais girafas, obtinham uma alimentação melhor do que as suas
companheiras de pescoço mais curto e, numa pri meira escassez de alimento, foi
possível, portanto, sobreviverem-lhes.»

10- Encontre diferenças entre a teoria de Lamarck e a teoria proposta por
Wallace. (10p)

11- Enumere críticas à teoria de Wallace. (10p)

A Origem das Espécies, Charles Darwin (1859)

TEXTO L

«Durante a minha viagem a bordo do navio HMS Beagle, na condição de
naturalista, fiquei profundamente impressionado com certos factos relativos à
distribuição das populações da América do Sul e com as relações geológicas
existentes entre os habitantes do presente e do passado desse continente. Estes
factos pareciam lançar alguma luz sobre a origem das espécies - esse mistério dos
mistérios, como tem sido designado por um dos nossos maiores filó sofos. No meu
regresso a casa, em 1837, comecei a pensar que talvez algo pudesse ser eluci dado

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sobre esta questão se pacientemente acumulasse e refletisse sobre todos os tipos
de factos com qualquer possível relevância para o caso. Após cinco anos de
trabalho, permiti-me tomar a liberdade de especular sobre o assunto e redigi
umas pequenas notas. Estas foram ampliadas em 1844 num esboço das
conclusões que então me pareciam prováveis. Desde esse período até à data,
tenho perseguido firmemente o mesmo objetivo. Espero que me perdoem por
entrar nestes pormenores pessoais, pois revelo-os com o intuito de mostrar que
não tomei qualquer decisão irrefletida.

O meu trabalho está agora praticamente terminado. Todavia, como serão ainda
necessários mais dois ou três anos para o completar e a minha saúde está longe
de estar restabelecida, tenho sido incitado a publicar este Resumo. Fui
especialmente induzido a fazê-lo porque Wallace, que se encontra atualmente a
estudar a história natural do arquipélago malaio, chegou quase exatamente às
mesmas conclusões gerais que eu sobre a origem das espécies. No ano passado,
enviou-me um memorando sobre este assunto pedindo -me que o
encaminhasse para Charles Lyell que, por sua vez, o enviou para a Linnean Society,
tendo sido agora publicado no terceiro volume da Revista dessa Sociedade. C. Lyell e
o Dr. Hooker, ambos conhecedores do meu trabalho - tendo o último lido o meu
esboço de 1844 - deram-me a honra de considerar que era aconselhável publicar,
juntamente com o excelente memorando de Wallace, alguns breves excertos dos
meus manuscritos.

(…)

É perfeitamente concebível que um naturalista, ao abordar a questão da
origem das espécies, refletindo sobre as afinidades mútuas dos seres orgânicos, as
suas relações embriológicas, a sua distribuição geográfica, a sucessão geológica e
outros factos afins, possa chegar à conclusão de que as espécies não foram criadas
independentemente umas das outras. Ainda que bem fundamentada, tal
conclusão não poderia ser considerada satisfatória, até que se pudesse
demonstrar como têm sido modificadas as inúmeras espécies que habitam o
nosso mundo, de forma a adquirirem essa perfeição de estrutura e de
coadaptação que tão justamente exalta a nossa admiração. Os naturalistas
referem-se continuamente às condições externas, como o clima, a alimentação,
entre outros fatores, como a única causa possível de variação. Num sentido muito
limitado, tal poderá até ser verdade, como adiante veremos. Todavia, é absurdo
atribuir a meras condições externas, por exemplo, a e strutura do pica-pau com
as suas patas, a cauda, o bico e a língua tão admiravelmente adaptados para
capturar insetos debaixo da casca das árvores. É igualmente absurdo explicar a
estrutura do visco, considerando as suas relações com vários seres orgânicos
distintos, com base nos efeitos das condições externas e hábitos ou da vontade da
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própria planta, quando esta planta parasita se alimenta de certas árvores que, por
sua vez, produzem sementes que necessitam de ser transportadas por determinadas
aves, e flores com sexos separados, que requerem em absoluto a intervenção de
certos insetos para que o pólen seja levado de uma flor para a outra.

(…)

É pois da maior importância ter uma perceção clara sobre os meios de
modificação e de coadaptação. Quando iniciei as minhas observações, pareceu-
me que a melhor hipótese de esclarecer este obscuro problema seria
provavelmente através do estudo cuidadoso de animais domesticados e de plantas
cultivadas. Não me enganei. Tanto neste, como em todos os outros casos que nos
deixam perplexos, apercebi-me invariavelmente de que o nosso conhecimento
sobre as variações induzidas por domesticação, por mais imperfeito que seja,
fornece-nos as melhores e mais seguras pistas. Permitam-me que expresse a minha
convicção sobre o elevado valor de tais estudos, embora eles sejam habitualmente
negligenciados pelos naturalistas.

Estas considerações levaram-me a dedicar o primeiro capítulo deste Resumo
ao tema da variação por domesticação. Iremos ver que a ocorrência de uma
grande quantidade de modificações hereditárias é, pelo menos, possível e, o que é
tão ou mais importante ainda, veremos como é notável o poder do homem para
acumular, em resultado da sua seleção, ligeiras variações sucessivas. Passarei de
seguida para o tema da variabilidade das espécies no estado selvagem, mas ver-
me-ei, infelizmente, forçado a tratar este assunto de uma forma demasiado vaga,
pois, para fazê-lo apropriadamente, seria necessário fornecer longas listas de
factos. Em todo o caso, não deixaremos de discutir quais são as circunstâncias
mais favoráveis para a ocorrência de variação. No próximo capítulo, será
considerada a luta pela sobrevivência entre todos os seres orgânicos, em todo o
Mundo, que acontece como uma consequência inevitável da progressão
geométrica do seu aumento em número. Esta é a doutrina de Malthus, aplicada
com um enfoque múltiplo à totalidade do Reino Animal e Vegetal. Como
nascem muito mais indivíduos de cada espécie do que os que conseguem
sobreviver e como, consequentemente, a luta pela sobrevivência é renovada a
cada instante, o que acontece é que se algum ser apresentar uma variação, mesmo
que ligeira, que, de alguma forma, é vantajosa para si mesmo, sob as complexas e
por vezes variantes condições de vida, este terá maior probabilidade de
sobreviver e, por isso, é naturalmente selecionado. Com base no poderoso
princípio da hereditariedade, qualquer variedade obtida por seleção tende a propagar a
sua nova forma modificada.

(…)

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Ninguém poderá dizer-se surpreendido pelo tanto que fica por explicar sobre a origem
das espécies e das variedades, se contabilizar devidamente a nossa profunda ignorância no
que diz respeito às relações mútuas entre todos os seres que nos rodeiam. Quem pode
explicar a razão por que determinada espécie se apresenta em grande número e
vastamente distribuída, enquanto outra espécie semelhante tem uma amplitude restrita
e é rara? Estas relações são, no entanto, da mais alta importância, dado que
determinam a prosperidade atual e, segundo creio, o futuro sucesso e a modificação
de todos os habitantes da Terra. Conhecemos ainda menos tudo o que diz respeito às
relações mútuas existentes entre os inúmeros habitantes da terra ao longo das muitas
épocas geológicas passadas que constituem a sua história. Embora muitos aspetos
permaneçam obscuros e assim pareçam continuar durante muito tempo, após os estudos
mais ponderados e a apreciação mais imparcial de que sou capaz, não tenho qualquer
dúvida de que a opinião defendida pela maioria dos naturalistas, opinião que eu próprio, a
princípio, partilhei - isto é, que cada espécie surgiu como resultado de uma criação
independente - é absolutamente errónea. Estou plenamente convencido de que as
espécies não são imutáveis. Pelo contrário, penso que aquelas que pertencem ao que
chamamos o mesmo género são descendentes diretas de uma outra espécie, geralmente
extinta, da mesma forma que as variedades reconhecidas de qualquer espécie são os
descendentes diretos dessa mesma espécie. Mais, estou convencido de que a seleção
natural tem sido o principal, embora não o exclusivo, meio de modificação das espécies.»

12- O que levou Darwin a formular as suas ideias sobre a origem das
espécies? (10p)

13- Quais foram os dados, explícitos no texto, em que Darwin se baseou? (15p)

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14- O que é que Darwin propôs como origem das espécies? (10p)

15- Que diferenças encontra entre o trabalho de Lamarck e o trabalho de
Darwin? (10p)

16- Que diferenças encontra entre o trabalho de Wallace e o trabalho de
Darwin? (10p)

17- Como é que as sociedades influenciam os pontos de vista dos cientistas e
qual o impacto que as teorias científicas podem ter nas sociedades? (15p)

18- Justifique a afirmação seguinte. (10p)

«As teorias científicas sofrem alterações ao longo do tempo.»

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