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EXCELENTÍSSIMO SENHOR DOUTOR DESEMBARGADOR RELATOR ALAN

SEBASTIÃO DE SENA CONCEIÇÃO DA PRIMEIRA TURMA JULGADORA DA QUINTA


CÂMARA CÍVEL DO TRIBUNAL DE JUSTIÇA DO ESTADO DE GOIÁS.

PROTOCOLO Nº : xxxxxxxxxxxxx

FULANO, devidamente individuado nos autos da ação


de “Indenização por Danos Morais e Materiais” proposta em face de BELTRANO,
todos também já qualificados nos autos em epígrafe, vem à insigne e douta
presença de Vossa Excelência para, com a devida vênia, interpor o presente
EMBARGOS DE DECLARAÇÃO, com fulcro no arts. 535 usque 538 do CPC.

Tendo em vista que o escopo de toda cognição judicial é


conhecer os fatos, aplicando-se certeiramente o direito positivo; face à existência
ou inexistência dos mesmos, mostra-se inadmissível a existência de decisões
judiciais que deixem de expressar, em seus dizeres, a certeza e clareza dela
almejada.
Não ocorrendo a referida finalidade, o direito faculta ao
jurisdicionado, que se sinta prejudicado, socorrer-se dos Embargos de Declaração,
com fito de requerer ao órgão prolator da decisão os esclarecimentos de pontos
porventura obscuros, remoção das contradições ou mesmo eliminação das

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omissões.
A despeito dessa finalidade, nalgumas ocasiões, os
declaratórios objetivam o prequestionamento.

Em razão da sapiência da doutrina de Samuel Monteiro,


fez inserir-se na inteligência jurídica o discrime entre embargos de declaração em
dois grupos, esclarecedores e os prequestionadores.

Pelo primeiro, o embargante busca a eliminação dos


vícios de obscuridade, contradição e omissão na decisão judicial; pelo segundo,
atende ao pressuposto de admissibilidade dos recursos extremos, a dizer, recurso
especial e extraordinário, haja vista a impossibilidade da realização do controle da
correta interpretação e aplicação de lei federal e constitucional, se o julgado
recorrido não cogitou sobre as referidas matérias.

Noutro modo, não pode o julgado contrariar a norma


federal ou negar-lhe vigência se não foi versada a questão que a lei federal ou
tratado regulam. Do mesmo modo, inexiste razão para interposição de recurso
extraordinário se a decisão impugnada não tratou de norma constitucional.

Feita essa divisão conceitual, resta fixar que o objeto


desse recurso é demonstrar omissão, contradição e obscuridade que incorrera a r.
decisão constante no acórdão publicado em 28.08.2014.

Como ressai do Voto proferido por Vossa Excelência,


decisão ora embargada, no que tange aos documentos anexados por ocasião do
apelo (fls. 691/698), não foram os mesmos conhecidos, aduzindo Vossa Excelência

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que:
“não se tratam de “documentos novos” – abordados no
artigo 397, do CPC – eis que destinados a fazer prova de fatos ocorridos antes da
apresentação da petição inicial, inexistindo qualquer justificativa para a sua
apresentação tardia.”

Não obstante respeitável referida assertiva, impende


destacar o que dispõe o artigo 387 do CPC:

“Art. 397. É lícito ás partes, em qualquer tempo, juntar


aos autos documentos novos, quando destinados a fazer
prova de fatos ocorridos depois dos articulados, ou para
contrapô-los aos que foram produzidos nos autos.”

Neste ponto, verifica-se a presença de obscuridade, a


qual deverá ser sanada, haja vista que os documentos juntados pelo embargante,
por ocasião de seu apelo, visavam contrapor os documentos juntados pelos
embargados, em suas contestações.

A juntada da declaração prestada pelo Sr. Benito


Salutari, rechaça as alegações e documentos anexados pelo embargado Roldão de
Oliveira, sendo, portanto, imprescindíveis para comprovar que o mesmo, durante
todo o tempo que esteve à frente da garagem, agiu, de forma maliciosa, em nome
do embargante.

Deste modo, frente à obscuridade do ponto


demonstrado, requer a Vossa Excelência que esclareça o mesmo, no que se refere

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ao fato de que a juntada de tais documentos objetivavam contrapor aqueles
produzidos nos autos, pela parte contrária.

Ademais, constata-se outro ponto omisso na decisão


vergastada, uma vez que Vossa Excelência deixou de manifestar acerca do fato de
o Sr. Roldão ter representado o recorrente como preposto do mesmo na
Reclamação 639/91, a qual tramitou no Juizado de Pequenas Causas, sem
comprovar que o mesmo tinha poderes para tanto. Tal fato é determinante para
se esclarecer os fatos alegados na exordial.

Assim sendo, requer a Vossa Excelência que manifeste-


se acerca da omissão acima apontada, para que seja esclarecido se o embargado
agiu em nome próprio, ou em nome de terceiro, e se estava ou não devidamente
legitimado para tanto.

Ademais, ao elidir os vícios da obscuridade e omissão,


por reexprimir a decisão embargada, requer a Vossa Excelência explicite as
mencionadas disposições legais, aplicável in casu, referentes aos artigos 6º e 397
do Código de Processo Civil, em vista da necessidade de prequestionamento, para
eventual interposição de recursos excepcionais.

Por todo o exposto, requer que Vossa Excelência


esclareça os pontos obscuros e omissos demonstrados no presente Embargos de
Declaração, por reexprimir a decisão embargada com o fim de que a decisão se
torne clara, permitindo a sua total compreensão.

Termos que

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Pede Deferimento.

Goiânia, 1º de setembro de ______.

ADVOGADO
OAB/GO xxxxx