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BASES MOLECULARES DO CANCER

1. Introdução

O câncer é uma doença que envolve mudanças dinâmicas no genoma da célula. Este termo é usado
para doenças onde células anormais se dividem sem controle e são capazes de invadir outros tecidos. As
idéias contemporâneas sobre carcinogênese mostram uma série de mudanças genéticas e epigenéticas, estocás-
ticas que conferem uma vantagem seletiva de crescimento sobre as células normais.

Nos últimos 25 anos houve um grande avanço no entendimento das bases moleculares da carcinogênese
e da progressão tumoral. O aprofundamento do entendimento da pato-biologia e genética do câncer tem fornecido
ferramentas importantes para o diagnóstico molecular e monitoramento da doença e já proporcionou a identifica-
ção de diversos alvos terapêuticos. Um dos grandes desafios atuais é o desenvolvimento de drogas alvo-específi-
cas capazes de eliminar a célula tumoral sem causar danos às células normais ou que possam ser usadas em as -
sociação a terapias convencionais para aperfeiçoá-las.

Com a evolução dos conhecimentos, dos métodos diagnósticos e prognósticos e o surgimento de novas
terapias para o tratamento do câncer em humanos, dessa forma, é importante o entendimento da patologia, diag-
nóstico e tratamento do câncer pelos clínicos, mas também se percebe a necessidade de pesquisas para aprofun -
dar o conhecimento das bases moleculares e bioquímicas dos tipos de câncer mais comuns, para aperfeiçoar os
métodos de diagnóstico, prognóstico e tratamento.

Diversos estudos têm sido realizados nos EUA em busca de uma maior integração entre a medicina hu -
mana e a animal. A oncologia comparativa é uma área que integra o câncer de ocorrência natural em paci -
entes veterinários a estudos mais gerais de biologia e terapia para o câncer. As informações geradas nesse
tipo de estudo são capazes, entre outras coisas, de facilitar a execução de testes clínicos de novos medicamentos
para terapia anti-câncer que poderão ser utilizados tanto em humanos quanto em animais.

2. Genes e câncer

A seqüência de eventos que leva a formação de um tumor tem por base as mutações genéticas, epigenéti-
cas e mudanças no perfil de expressão gênica. Esse conceito foi fundamentado na descoberta de mutações
que levam a oncogenes com dominante ganho de função e genes supressores de tumor com recessiva
perda de função. As duas classes de genes foram identificadas através de suas alterações em células humanas e
animais e sua participação nos fenótipos de câncer em modelos experimentais. As alterações genéticas ou de
expressão gênica que ocorrem nas células que originam um tumor levam a uma desorganização na comu -
nicação intra e intercelular que afeta processos como a proliferação, a diferenciação e a apoptose. Essa
desrregulação progressiva das funções da célula mostra que o fenótipo maligno é atingido gradualmente.

Em 2000, Douglas Hanahan e Robert A. Weinberg publicaram a revisão “The Hallmarks of Câncer” onde
eles sugeriram que os tumores de uma forma geral, apresentam seis alterações essenciais na fisiologia da célula
que, juntas, ditam o crescimento tumoral maligno. São estas: auto-suficiência aos fatores de crescimento, in-
sensibilidade aos sinais que inibem o crescimento celular, evasão da morte celular programada (apop -
tose), potencial replicativo ilimitado, angiogênese sustentada e invasão tecidual e metástase. Tal simplifica-
ção se baseia, nos ensinamentos sobre biologia celular de que virtualmente, todas as células de mamíferos carre-
gam um maquinário molecular similar que regula a sua proliferação, diferenciação e morte.

Em artigos mais recentes, a inflamação surge como 7ª alteração para a formação do câncer e o papel do
estroma na iniciação, crescimento e progressão tumoral também se mostra importante.

3. Tipos de câncer: Herdado e Esporádico

As alterações genéticas de uma célula que formam a base para a sua malignidade podem ser herdadas
(germinativas) ou adquiridas (somáticas).

 Mutações germinativas estão presentes em todas as células do indivíduo


 Mutações somáticas se localizam em um determinado número de células em um tecido específico.
Cada indivíduo possui duas cópias de cada gene que podem determinar uma característica física
benigna ou um potencial para doença, isto depende da alteração existente em pelo menos uma das cópias
e do local onde ocorreu a alteração no gene.

Em humanos há alguns tipos de câncer que se concentram claramente em agregados familiares onde a
herança genética é claramente definida, como por exemplo, o câncer de mama e o colo retal. Nesses casos um
estudo genético torna-se necessário para definir o mecanismo de carcinogênese, de forma a aperfeiçoar a
abordagem terapêutica e o aconselhamento genético familiar. Considerando que o processo de formação de
raças de cães e gatos baseou-se no cruzamento consangüíneo durante muitas gerações, é possível observar que
há predisposições genéticas hereditárias ao câncer em algumas raças isso facilita pesquisas relacionadas ao cân-
cer familiar. Entretanto, entre os cães de diferentes raças e mestiços é possível verificar uma grande variabilidade
genética, que é similar a diversidade observada em humanos e possibilita estudos comparativos.

A maioria dos tipos de câncer em humanos não apresenta padrões hereditários definidos, apenas 5% se
desenvolve por uma predisposição genética herdada. As células de tais indivíduos possuem uma mutação
germinativa pré-existente que requer poucos eventos subseqüentes para a indução da carcinogênese.
Exemplos bem conhecidos de genes envolvidos em câncer hereditário são BRCA1 e BRCA2 no câncer de
mama e ovário.

4. Carcinogênese

O estudo dos mecanismos de regulação do crescimento e diferenciação celular é a melhor forma


de entendermos as bases fundamentais da tumorigênese. As células normais de um organismo obedecem a
um controle restrito da sua proliferação e diferenciação para que o organismo multicelular mantenha a sua
homeostasia. Esse controle é exercido por uma rede de mecanismos moleculares que coordenam a prolife-
ração celular e a morte celular programada (apoptose). Qualquer fator que altere esse balanço entre prolifera-
ção e morte celular tem o potencial, se não corrigido, de alterar o número total de células em um órgão ou tecido
específico. Após muitas gerações esse aumento no número de células pode ser detectado clinicamente
como uma neoplasia. Essa proliferação descontrolada reflete um descontrole no ciclo celular e viabiliza a
ocorrência de novas mutações.

A carcinogênese é um processo que ocorre em várias etapas com a aquisição de mutações seqüenciais
no genoma. As mudanças no genoma de uma célula em particular que levam à carcinogê nese podem ser de di-
versos tipos, entre eles:

 Mutações pontuais que levam a substituições de aminoácidos;


 Mutações tipo frame-shift ou em “stop” códons que podem levar a proteína truncada ou desorganizar a
sua seqüência, respectivamente;
 Descontrole ou instabilidade cromossômica resultando em amplificação, super-expressão ou expressão
inapropriada de um gene em particular;
 Perda de um gene ou sua fusão com outro gene como resultado de uma quebra cromossômica e rearranjo
resultando em uma proteína quimérica com função alterada;
 Modificações epigenéticas do DNA, onde a mais importante é a metilação da citosina nas ilhas CpG le-
vando ao silenciamento gênico.

São essas mutações que ativam oncogenes, inativam genes supressores tumorais ou genes de
regulação e controle do ciclo celular como os “caretakers” e “gatekeepers”. As mutações que conferem à
célula uma vantagem em relação às demais são selecionadas pelas células que evoluem para a tumorigênese. É
importante para os clínicos o entendimento dos eventos moleculares que causam as mutações, uma vez que são
à base de todo o processo de carcinogênese e sua inibição pode ser uma medida preventiva efetiva.

As células apresentam mecanismos eficientes para garantir a integridade do seu DNA, como a existência
de DNA polimerases de alta fidelidade e outros mecanismos de reparo. Naturalmente, durante a replicação
celular, ocorre uma taxa basal de erros intrínsecos na síntese e reparo do DNA que resultam em mutações adquiri -
das que são passadas para as células filhas durante a replicação. A taxa de erro direto durante a replicação
normal do DNA é da ordem de 1,3 x 10-10 mutações/pares de base/célula em divisão no genoma humano de
aproximadamente 2 x 109 pares de bases. Isso representa uma taxa muito baixa de mutações somáticas e muta-
ção de um gene chave para o câncer. Entretanto, há outros mecanismos que contribuem para a ocorrência de
mutações genéticas, como o dano químico ao DNA. Se esse dano ocorrer em genes que têm por função assegu-
rar o reparo do DNA ou a fidelidade da sua replicação a probabilidade da célula adquirir um fenótipo tumoral é
ainda maior. Um exemplo disso é que o DNA pode sofrer a ação química dos produtos do metabolismo oxidativo,
que é provavelmente o evento potencialmente mutagênico mais freqüente.

A taxa basal de mutações somáticas é aumentada por fatores ambientais que interagem com o
DNA celular diretamente ou indiretamente. Dentre os fatores ambientais, inclui-se a exposição a agentes
como a radiação e carcinógenos químicos, mas também efeitos genotóxicos de agentes endógenos como
os radicais livres. Estima-se que aproximadamente 70% dos tipos de câncer que acometem as populações oci -
dentais podem ter suas causas na dieta (deficiência em frutas e verduras que exercem um papel protetor) e
estilo de vida, com a exposição ao tabaco contribuindo com 30%.

A associação do câncer com o aumento da idade sugere que a exposição contínua a baixos níveis
de carcinógenos ambientais ou endógenos podem ter um efeito cumulativo e agir em tecidos mais suscep-
tíveis a alterações neoplásicas.

Recentemente, especula-se que estas mutações ocorrem nas células-tronco, que possuem uma alta taxa
de proliferação, aumentando a probabilidade de surgir um novo clone de células. Este processo pode levar a uma
vantagem adaptativa sobre as demais células e à aquisição de outras mutações e características celulares típicas
de um fenótipo maligno.

5. Oncogenes

Proto-oncogenes são genes responsáveis pela divisão celular normal das células. Os produtos des-
ses genes participam das complexas vias de sinalização que regulam a proliferação celular, como:

 Fatores de crescimento extracelulares


 Receptores transmembrana de fatores de crescimento
 Componentes de vias de sinalização intracelular
 Amplificadores e fatores de transcrição nucleares
 Genes que regulam o ciclo de divisão celular ou a morte celular programada (apoptose)

Quando mutados, estes são chamados de oncogenes. Os primeiros oncogenes foram caracterizados
através dos estudos com retrovírus, os quais, durante o curso da infecção, inserem seu DNA no genoma das
células hospedeiras e essas o duplicam juntamente com o seu próprio DNA.

O primeiro proto-oncogene caracterizado foi o c-src e sua identificação teve início com o trabalho de Rous em
1911, que estudava câncer em galinhas (sarcoma) e acreditava que a doença era causada por partículas infeccio-
sas (vírus do sarcoma de Rous). Em 1970 foi descoberto o gene que promovia a transformação das células nor -
mais infectadas em células tumorais, o src. Como posteriormente foi descoberto que este gene possui um ho-
mólogo em células normais (c-src) o gene das células tumorais foi chamado de v-src (oncogene). Acredita-
se que ao longo da sua trajetória evolutiva o vírus adquiriu um gene normal de células infectadas que após mutado
adquiriu características ontogênicas.

Os proto-oncogenes agem de forma dominante na célula, ou seja, apenas um alelo do gene precisa ser
transcrito e estar ativo para que este desempenhe sua função de estimular a divisão celular. Até o momento,
um grande número de proto-oncogenes já foram identificados.

A ativação dos oncogenes envolve a alteração genética dos proto-oncogenes e, como conseqüência, confere
uma vantagem no crescimento das células. Os mecanismos principais de ativação dos oncogenes são: mutação,
amplificação gênica e rearranjos cromossômicos e, portanto, podem resultar na alteração da estrutura do
proto-oncogene ou no aumento da sua expressão. Normalmente, vários mecanismos e vários genes estão al-
terados no câncer, e a expressão de um fenótipo neoplásico envolve também a perda de função de genes supres -
sores tumorais.

Há aproximadamente 25 anos, foi identificado o homólogo humano do gene Myc, um oncogene viral (v-
myc). Desde então, muitos estudos têm sido realizados e grande progresso foi feito em relação ao conhecimento
sobre a sua regulação e função na tumorigênese. A desrregulação de Myc não depende de grandes alterações
genéticas, isso pode acontecer através de qualquer um dos mecanismos que regulam a sua expressão e/ou ativi -
dade, direta ou indiretamente. Isso sugere um grande impacto da desrregulação de c-Myc no câncer humano.
6. Genes supressores de tumor

Ao contrário dos proto-oncogenes, os genes supressores tumorais agem de forma recessiva a nível
celular. Os dois alelos do gene devem estar inativados para permitir o crescimento do tumor. As evidências dos
mecanismos recessivos da tumorigênese vieram de experimentos onde células tumorais foram fusionadas com
células normais. Verificou-se que o híbrido resultante perdeu a sua capacidade tumorigênica. Aparentemente, a
informação genética que foi perdida pela célula tumoral pode ser reintroduzida na formação do híbrido pela intro -
dução de genes normais. A comprovação dessa conclusão ocorreu quando linhagens de células híbridas recupe-
raram sua capacidade tumorigênica ao perder cromossomos específicos. Em 1971, Knudson baseado em estudos
epidemiológicos sobre o retinoblastoma, um tipo raro de câncer no olho, que afeta crianças, postulou o modelo de
“dois passos” necessários para a ação dos mecanismos genéticos recessivos. Nos casos de doença familiar (he-
reditários), onde a doença se inicia mais cedo, o “primeiro passo” foi herdado como uma mutação genética da cé -
lula germinativa, portanto, todas as células do indivíduo possuem a mutação. O “segundo passo”, nesses casos,
ocorre no início da vida (provavelmente no útero). Em crianças com a forma esporádica da doença duas mutações
somáticas em pelo menos uma célula da retina são necessárias para dar início à manifestação do fenótipo tumo-
ral. Sabe-se agora que cada um desses “dois passos” correspondem à perda de um alelo de um gene supressor
de tumor – o gene do Retinoblastoma Rb-1. Esse gene foi mapeado na região cromossômica 13q14 e o seu
produto normal está presente em todas as células, exceto naquelas do retinoblastoma.

A proteína Rb-1 atua como um dos principais mecanismos de controle do ciclo de divisão celular. Uma
proteína Rb-1 com função alterada ou ausente leva a um descontrole total da proliferação celular.

Chama-se de perda de heterozigose (loss of heterozigosity – LOH) a perda somática de um alelo de


um gene supressor tumoral. Essa perda de material cromossômico pode variar desde algumas centenas de ba-
ses, uma sub-banda ou até todo o cromossomo. A análise de LOH consiste na comparação de loci polimórficos
de um DNA extraído de tecido normal e DNA de tecido tumoral do mesmo indivíduo. As regiões perdidas nos teci -
dos tumorais podem ser consideradas como possíveis portadoras de genes supressores tumorais. Entretanto,
existem várias regiões cromossômicas afetadas por LOH em vários tumores e para as quais ainda não foi identifi-
cado um gene supressor tumoral (1p, 3p, 8p, 10q, 11p, 17q, 18q e 22q). Isso pode ser devido às exigências de
experimentos com diversas linhagens celulares para caracterizar um gene como supressor tumoral, mostrando
que a sua ausência é essencial para a formação de um tumor.

Um dos mais importantes e mais estudados genes supressores de tumor é o TP53. Este gene é consi-
derado o “guardião do genoma”, é um “gatekeepers” e já foi demonstrado que ele está envolvido na maioria
dos processos de carcinogênese em humanos e em animais (LEVINE e OREN, 2009). Conhecer o seu meca-
nismo de ação é de fundamental importância para a compreensão dos aspectos da biologia molecular relaciona-
dos ao câncer.

Este gene codifica a proteína p53 e está localizado no cromossomo 17 em humanos, e mais de 50% dos
tipos de câncer em humanos apresentam mutações neste gene ou alterações em genes que codificam regulado-
res cruciais de p53. A proteína p53 é um fator de transcrição de vida curta que aumenta a taxa de transcrição de
outros 6 ou 7 genes conhecidos que regulam, pelo menos em parte, as funções dependentes de p53 da célula.
Evidências mostram que p53 não afeta a iniciação tumoral ou a taxa de mutação, mas previne a progressão
maligna das células tumorais. Em presença de danos permanentes ao DNA p53 atua alterando a expressão
gênica da célula favorecendo eventos biológicos como a senescência e a apoptose, bloqueando a prolife-
ração ou eliminando a célula tumoral.

Estudos recentes mostraram que a seqüencia de aminoácidos da proteína p53 canina tem 80% de
homologia com a humana e anormalidades, como a mutação em TP53, foram relatadas em carcinomas de tire-
óide, papilomas orais, adenomas, linfomas, osteosarcomas, carcinomas mamários e melanomas caninos .

7. A origem das células cancerígenas:

 Células- tronco:

Em tecidos normais, o processo de crescimento e renovação tecidual ocorre através da diferenciação das
células-tronco em células maduras que possuem propriedades bioquímicas e funcionais características. As célu -
las- tronco se originam de células precursoras multipotentes que dão origem a células com restrição genética
e potencial reduzido de diferenciação.
As células-tronco têm a capacidade de auto-renovação e podem proliferar indefinidamente. O fenó-
tipo das células-tronco é influenciado por fatores micro-ambientais que controlam a substituição de células senes-
centes a partir de células-tronco indiferenciadas.

Células-tronco cancerígenas têm sido definidas como “células de um tumor que possuem capaci-
dade de auto-renovação e de formar linhagens heterogêneas de células cancerígenas que compõem o tu-
mor”. A hipótese das células-tronco cancerígenas propõe que é a célula-tronco o alvo da carcinogênese e não as
células somáticas adultas.

Durante muito tempo acreditou-se que a célula original de um tumor poderia ser qualquer célula madura
de um tecido que havia sofrido uma “desdiferenciação” devido às alterações fenotípicas e bioquímicas acumula-
das por subseqüentes mutações. Entretanto, pelo que se sabe dificilmente uma célula somática madura vive
tempo o suficiente para acumular mutações determinantes para a carcinogênese. Essa ainda é uma questão
que é discutida e provavelmente esse ponto da tumorigênese deve ser determinado individualmente para cada
tipo tumoral.

Os efeitos limitados das terapias convencionais sugerem que entre as células tumorais há uma população
resistente de células responsáveis pela iniciação do tumor, seu desenvolvimento, crescimento e recorrência. No
modelo de células-tronco cancerígena, o desenvolvimento do tumor, assim como o desenvolvimento de um tecido
normal, está baseado em um tipo celular capaz de auto-renovação que dá origem a outros subtipos celulares com
limitado potencial replicativo. Isso explicaria a heterogeneidade tumoral e sua capacidade de regeneração.

Os mecanismos de tumorigênese parecem ser conservados entre humanos e cães. Células-tronco cance-
rígenas caninas foram isoladas de osteosarcomas e demonstrou-se que expressavam marcadores de células-
tronco embrionárias Oct ¾ e Nanog, que estão envolvidos na manutenção da pluripotência. Populações de cé-
lulas-tronco cancerígenas semelhantes foram isoladas de carcinoma mamário, melanoma e hemangiosarcoma.
Estes trabalhos indicam a potencial vantagem de utilizar cães e gatos no estudo da biologia da célula tronco tumo-
ral.

Há 2 teorias quanto à carcinogênese a partir de uma célula tronco: monoclonal e policlonal. A origem
policlonal do câncer pode ser possível/aceita para algumas formas herdadas de câncer onde há mutações germi -
nativas nos dois alelos e a susceptibilidade genética age como um efeito determinante. Entretanto, para a maioria
dos tipos de câncer esporádicos ou formas herdadas que dependem de uma mutação somática adicional, a teoria
policlonal aparenta ser improvável, pois células muito próximas entre si deveriam ser mutadas concomitantemente
ou com uma pequena diferença de tempo entre elas para formar um único tumor.

 Teoria monoclonal

Essa teoria diz que uma única célula sofre uma transformação maligna e forma um clone tumoral
que prolifera e dá origem a diferentes subclones.

A aquisição seqüencial de mutações durante a evolução clonal não apenas promove uma pressão de sele-
ção positiva, mas também gera um grau de instabilidade no genoma que leva a mutações celulares individuais
dentro de um mesmo clone. Assim é possível compreender a variabilidade fenotípica e funcional das células em
um mesmo foco tumoral.

8. Tipos de mutação

Agentes exógenos como químicos e irradiação induzem dano direto ao DNA, mas um nível basal de muta-
ções ocorre da interação hidrolítica da água sobre o DNA. Essa interação resulta na clivagem de ligações gli-
cosídicas que podem depurinar ou depirimidinar as bases nucleotídicas ou causar quebras na fita. Altera-
ções genéticas associadas a mudanças malignas podem ser, Simplificadamente, agrupadas em cinco categorias:

 Mudança na seqüência de nucleotídeos: resultante de substituições de pares de base, deleções ou


inserções. Deleções ou inserções podem levar a maiores problemas na transcrição do gene. Estas geral-
mente resultam em proteína truncada porque a seqüência de DNA alterada não pode ser lida.
 Mudança no número normal diplóide de cromossomos: é comum no câncer, células aneuplóides
apresentam geralmente material cromossômico reduzido em 50% resultante de segregação inapropriada
dos cromossomos durante a mitose.
 Translocações cromossomais: são o mais comum rearranjo estrutural em células cancerígenas e en-
volve a fusão de diferentes cromossomos ou segmentos de um único cromossomo que não são contíguos.
Essa troca de material cromossomal pode resultar no posicionamento de um oncogene próximo a seqüên-
cias que regulam a transcrição, levando a sua super-expressão. Alternativamente um gene de fusão pode
ser formado na combinação das seqüências codificantes de cada lado do ponto de quebra. Um exemplo
clássico é a formação do cromossomo Filadélfia na Leucemia Mielóide Crônica em humanos. Esse
cromossomo resulta da fusão da porção carboxi-terminal do gene c-abl no cromossomo 9 e a porção
amino-terminal do gene bcr no cromossomo 22, gerando o produto genético bcr-abl.
 Amplificações genéticas: resultam em múltiplas cópias de um amplicon contendo 0.5 a 10 megabases
de DNA. Esse fenômeno costuma ocorrer tardiamente na patogênese do câncer e normalmente é resul -
tado de instabilidade genética adquirida. Quando um amplicon codifica uma oncoproteína, sua super-ex-
pressão leva a tumorigênese.
 Mudanças epigenéticas: representam uma via não mutacional de modulação da expressão gênica. No
lugar de mudanças na seqüência de nucleotídeos, são usados a metilação do DNA e a modificação de
histonas para manter um gene inacessível a DNA polimerase. A hipermetilação é um método de silencia -
mento gênico e pode evitar a expressão de genes supressores de tumor, como BRCA1, mesmo quando a
seqüência gênica está intacta.
 Polimorfismos: são mutações germinativas que ocorrem em um gene, normalmente em um único
nucleotídeo, conhecidas como SNPs (Single Nucleotide Polymorphisms) e ocorrem na população com
a freqüência de 1%. Esse tipo de mutação tem efeitos muito sutis e por isso é difícil determinar sua
influência em relação ao risco de câncer. O polimorfismo mais estudado é do gene TP 53. LEEUWEN e
colaboradores em 1996, estudando mutações deste gene em 18 cães com osteosarcoma, identificaram
alterações em quatro tumores primários através da análise de polimorfismos.

9. Instabilidade genética

O processo de seleção clonal amplifica a taxa de mutação espontânea nas células somáticas, o que per-
mite o surgimento de tumores. A freqüência de eventos mutacionais é posteriormente ampliada pela existência de
instabilidade genética. À medida que as células adquirem mutações relacionadas ao câncer o genoma se torna
mais instável. A instabilidade genética parece ser inerente aos tumores e aumenta a probabilidade de muta-
ções espontâneas. Embora as células estejam vulneráveis a danos genéticos, existem mecanismos específicos
que têm a função de manter a integridade do genoma, tais como: reversão da lesão, reparo por excisão de ba-
ses, reparo por excisão de nucleotídeos, reparo de quebras duplas no DNA, entre outros.

Genes “Caretakers”:

Estão envolvidos no reconhecimento e reparo em anormalidades dos pares de bases ou quebras


na fita de DNA. Controlam a entrada das células no ciclo de replicação e promovem a sua remoção ou morte na
presença de DNA danificado. Esses genes trabalham em conjunto com os “Caretakers” de forma a reparar danos
no DNA antes que um ciclo celular seja concluído. Se essa função de guardião falhar, há o risco de porções do
DNA danificado ser passado para as células filhas. Os “Gatekeepers” atuam nos pontos de checagem do ciclo
celular (G1/S e G2/M) e interagem com vias de sinalização que integram sinais estimulatórios e inibitórios intra e
extracelulares durante G1 e G2.

Defeitos específicos nos genes “Caretakers” e “Gatekeepers” podem levar a altas taxas de instabilidade
genética e progressão rápida para um fenótipo maligno. A instabilidade genética pode se manifestar em nível cro-
mossômico ou de nucleotídeos. Há uma relação inversa entre a instabilidade cromossômica e a nucleotídica, pois
normalmente quando uma é observada a outra não está presente, o que sugere que suas vias são mutuamente
exclusivas. A instabilidade cromossômica é a mais comumente observada, apresentando-se na forma de deleções
em larga escala, duplicações, trocas de todo ou de grandes segmentos cromossômico. A instabilidade nucleotí-
dica, menos comum, resulta de substituição, deleção ou inserção de nucleotídeos. Uma instabilidade muito estu-
dada ocorre em genes com seqüências repetitivas (poli-A ou CAs), que são mais suscetíveis. Esse fenótipo é
chamado de “instabilidade de microssatélites”.
10. Pontos de checagem do ciclo celular e o câncer:

A progressão do ciclo celular normal é extremamente regulada como parte do complexo processo de divi-
são celular. Os pontos de checagem já mencionados anteriormente são fundamentais para exercer o con-
trole do ciclo, garantir a fidelidade da duplicação do DNA e que o processo de reparo não seja comprome-
tido ao longo do tempo. Esse processo de controle minimiza a propagação de mutações herdadas e reduz o
risco de desenvolvimento de câncer maligno. Genes que codificam proteínas que promovem o ciclo celular são
freqüentemente alvos de ativação no câncer através de mutações que levam a ganho de função ou amplificação
gênica.

CONCEITOS BÁSICOS SOBRE O CÂNCER E BIOLOGIA MOLECULAR

CÂNCER:

 O câncer (CA) segue sendo uns dos maiores e mais perigosos inimigos de nosso próprio corpo, com um
elevado índice de mortalidade em indivíduos maiores de 40 anos.
 A palavra Câncer é empregada para descrever um complexo e heterogêneo grupo de estados
patológicos no qual as células proliferam descontroladamente e invadem tecidos vizinhos.
 O câncer é uma enfermidade de caráter genético, que se produz ao serem eliminadas as restrições que
limitam a divisão celular em células de tecidos já diferenciados e na maioria dos casos é uma enfermidade
adquirida e, com freqüência, de caráter irreversível.
 Existem numerosos estudos que correlacionam à incidência de determinados cânceres com o estilo de
vida, os hábitos, dietas, profissões, lugar geográfico, etc. O que ocorre é um crescimento descontrolado de
um grupo de células dentro de um tecido fazendo com que, na maioria das vezes, se inicie a produção de
uma massa celular diferenciada do resto, denominado tumor.

Este tumor pode ser:

 Não invasivo: constituído por um conjunto de células que permanecem “encapsuladas” no local de ori-
gem sem produzir maiores danos aos tecidos adjacentes. Neste caso considera-se o tumor como be-
nigno.
 Invasivo: quando somamos ao crescimento e proliferação descontrolados a propriedade de inva-
são e dispersão a outros tecidos com produção de metástase, neste caso o tumor será catalogado
como maligno. Metástase é um tumor secundário originado pela disseminação de células cancerosas pro-
cedentes de um primeiro tumor (ou tumor primário).

Outra forma de denominação do câncer é neoplasia, que significa literalmente “novas proliferações” ou
multiplicação progressiva de células, e estas podem se iniciar a partir de células normais em qualquer tecido
sadio.

Biológica e clinicamente a classificação mais importante dos tumores se encontra entre tumores benignos e
malignos, dos quais somente estes últimos são considerados propriamente cânceres:

TUMOR BENIGNO:

 Não necessariamente avança para a malignidade


 Mantêm-se parecido com o tecido de origem
 Nem todos os tipos de tecidos podem estar implicados
 Muitas vezes estão separados do tecido normal por uma espécie de cápsula de tecido conjuntivo.
Citologicamente não se diferenciam muito de células normais e os problemas clínicos surgem, em muitos
casos, de maneira indireta por pressão da massa tumoral sobre nervos ou outros tecidos próximos

TUMOR MALIGNO: ao contrário do anterior apresenta numerosas anormalidades citológicas, tais como:

 Variações na forma e tamanho,


 Aumento da densidade e tamanho do núcleo celular,
 Mitoses anormais,
 Não se “encapsulam”,
 Destroem a membrana basal invadindo vasos sangüíneos e nódulos linfáticos.

CONCEITOS BÁSICOS SOBRE BIOLOGIA MOLECULAR:


Do ponto de vista molecular sabemos que cada célula possui uma série de genes (unidade bioló -
gica da hereditariedade, que se auto-reproduz e é transmitida para outras gerações) que “controlam” as
funções de crescimento e divisão celular. Os genes cujas alterações produzem ou contribuem para o apa-
recimento do câncer são denominados oncogenes (do grego onkos= tumor), e o homólogo celular normal
constitui o proto-oncogene.

Ácidos Nucléicos: Os ácidos nucléicos são constituídos por unidades elementares denominadas "nucleotí-
deos", os quais estão formados por três componentes:

1. Molécula de açúcar

 Ribose, no caso do ácido ribonucléico (RNA):


 Desoxirribose, no caso do ácido desoxirribonucléico (DNA).

2. Base orgânica nitrogenada

 Adenina, guanina (bases púricas), citosina e timina (bases pirimidínicas) no caso do DNA.
 Adenina, guanina (bases púricas), citosina e uracila (bases pirimidínicas) no caso do RNA.

3. Grupos fosfato

 Os nucleotídeos se unem formando cadeias cujo esqueleto está formado pela união entre o açúcar de um
nucleotídeo e o fosfato do seguinte, ficando as bases nitrogenadas na parte central, unidas cada uma ao
C1 do açúcar. Estas bases são as que conferem especificidade ao ácido nucléico.

ESTRUTURA DO DNA:

Estrutura primária:

 A estrutura primaria é dada pela seqüência de nucleotídeos. Quando se deseja representar a seqüência
de um oligonucleotídeo ou de um ácido nucléico, se representa mediante a terminologia de cada uma das
bases. Por exemplo: 5'-ATC CCA GCC CGA TTA AAG CC-3'.
 Esta seqüência representa um oligonucleotídeo com 20 bases, das quais 6 são adeninas (A), 3 são timi-
nas (T), 8 são citosinas (C) e 3 guaninas (G).
 A ordem da seqüência é muito importante, uma vez que nela reside a informação contida no ácido nu-
cléico. A maioria das moléculas de DNA possui duas cadeias antiparalelas (uma sense, filamento que é
transcrito e especifica um produto, 5´-3´ e a outra antisense, que é o filamento complementar, 3´-5´)
unidas entre si mediante as bases nitrogenadas, por meio de pontes de hidrogênio;
 O 5' representa o extremo terminal do fosfato e o 3' o extremo final do átomo de carbono da desoxirribose.

Estrutura secundaria:

Edwin Chargaff analisando as bases do DNA mediante métodos cromatográficos descobriu que estas não
se encontram na mesma proporção e que o número de adeninas é igual ao de timinas e o de citosinas, ao de
guaninas.

Em 1953 James Watson y Francis Crick construíram um modelo tridimensional do DNA com a configura-
ção mais favorável energeticamente, combinando os dados obtidos até então so bre ele, os descobrimentos de
Chargaff e a interpretação tridimensional dos espectros de difração de Raios X; este último foi de grande impor-
tância para a consecução de tal modelo, o qual consiste em uma dupla hélice antiparalela cujo esqueleto fun-
damental está formado pelas cadeias de açúcar-fosfato, ficando na parte central as bases, enfrentadas as
de uma cadeia com as da outra complementaria e formando entre si pontes de hidrogênio, fator que con-
fere estabilidade a dupla hélice. O enfrentamento de bases é constante; a adenina sempre se enfrenta com a
timina e entre elas se formam duas pontes de hidrogênio, e a guanina com a citosina, formando-se entre ambas
três pontes de hidrogênio. Esta característica faz com que as duas cadeias sejam complementarias.

Com base em alterações genéticas relacionadas com a presença de mutações (alterações produzidas
na estrutura ou no número de genes que se transmite aos descendentes por herança), translocações (mu-
dança de um segmento de cromossomo para a outra parte de um cromossomo homólogo ou ao interior de
um cromossomo não homólogo) ou deleções (forma de alteração cromossômica que consiste na perda de
uma porção de um cromossomo). Atualmente é possível visualizar um padrão molecular de uma enfermidade
neoplásica com conotações diagnósticas e prognosticas importante.

Os genes supressores de tumores (GST) são genes que em seu estado normal codificam uma proteína
inibitória do crescimento ou da proliferação celular, ou seja, os GST mantêm a integridade a nível celular.
Como exemplo podemos citar o gene p53, que é um GST e que possui ciclo celular no “ponto de checagem
(checkpoint)” G1/S (intervalo 1/síntese). Quando ocorre uma alteração no DNA a p53 se acumula e através de
induções e ativações o ciclo é detectado e mantido corretamente. Caso a p53 falhe o ciclo continuará mantendo a
alteração no DNA levando a mutação do gene.

A biologia molecular também vem avançando no campo de marcadores tumorais (MT), que são utilizados
no diagnóstico do CA, mas ainda não são úteis para conhecer a evolução do paciente, o prognóstico e as metás -
tases. O conceito de MT se refere a toda a substância de caráter bioquímico produzido pelas células tumo -
rais ou por células do hospedeiro cuja presença pode ser detectada no soro ou em outros líquidos.

Estudos realizados por Mullis e Faloona com a polimerase, enzima que catalisa o ato ou processo de
formar um composto em especial de nucleotídeo para polinucleotídeo, começaram a dar resultados e em
1986 surgiu à reação em cadeia da polimerase (PCR), técnica que permite a amplificação in vitro de um trecho de
DNA. Nesta técnica se reproduz o processo de replicação, processo pelo qual uma molécula de DNA origina outra
idêntica a pré-existente, natural do DNA com a vantagem de extrema rapidez e determinação precisa do trecho a
ser amplificado para estudo.

Esta técnica deu um grande avanço no estudo do DNA, pois através dela conseguimos estudar
porções da cadeia de DNA e identificar as alterações a nível celular e molecular.

O processo de replicação é realizado pela DNA polimerase, que atua sobre as fitas não pareadas de
DNA, para se iniciar a duplicação a DNA polimerase necessita que a fita de interesse possua alguns nucleotídeos
complementares pareados em seu início (sense). A separação ocorre por desnaturação térmica e os oligonucle-
otídeos, seqüências curta sintetizadas para se equipararem a uma região onde ocorre mutação e a seguir utilizada
como uma sonda, complementares (primers) nas extremidades do trecho a ser amplificado garante o pareamento
inicial para que a polimerase inicie a replicação.

BASES CELULARES DO CANCER.

INTRODUÇÃO

A célula é a constituição básica dos seres vivos, podendo ocorrer isoladamente, nos seres unicelulares, ou
formar arranjos ordenados, que constituem o corpo dos seres pluricelulares. No organismo humano, representante
dos seres pluricelulares, elas estarão agrupadas em tecidos, de acordo com a sua forma e função. As células es -
tão classificadas em duas classes: os procariontes, cujos cromossomas não estão separados do citoplasma
por membrana, e os eucariontes, com um núcleo bem individualizado e delimitado pelo envoltório nuclear
(Carioteca). As células eucariontes apresentam duas partes morfologicamente bem distintas, o citoplasma e o
núcleo, em que no núcleo está localizado o material genético celular. Cada célula humana apresentará ácidos
nucléicos, denominado DNA genômico, no qual estarão armazenadas as informações genéticas (determinadas
pela combinação de bases nitrogenadas e que estabelece a seqüência dos genes). Esse material genético é
constituído de bases nitrogenadas, podendo sofrer alterações denominadas mutações genéticas.

Os diferentes tipos de câncer correspondem aos vários tipos de células do corpo. Se o câncer tem início
em tecidos epiteliais como pele, mucosas, ele é denominado carcinoma. Se começa em tecidos conjunti-
vos como osso, músculo ou cartilagem é chamado de sarcoma. Outras características que diferenciam os ti-
pos de câncer entre si são: a velocidade de multiplicação das células e a capacidade de invadir tecidos e ór-
gãos vizinhos ou distantes (metástase).

No câncer ocorre uma desrregulação profunda e instável da diferenciação e expressão celulares. Assim é
que nas células dos tumores malignos os genes se expressam de maneira anormalmente diversificada e instável.

Existem inúmeras diferenças de função e forma entre as células normais e as células tumorais:
A célula normal:

 Possui a sua função e localização definida.


 Sua forma é definida de acordo com a sua função.
 Seu núcleo possui uma morfologia normal
 Seu cariótipo é estável.

Na célula tumoral:

 A divisão celular ocorre muito rápida, de forma que a diferenciação celular falha
 Sua função não será definida.
 Apresentam variabilidade anormal no tamanho, na forma do seu núcleo e no numero e estrutura
de seus cromossomos.

Uma célula normal pode sofrer alterações nas bases nitrogenadas dos genes, é o que chamamos mu-
tação genética. As células cujo material genético foi alterado passam a receber instruções erradas para as suas
atividades. Estas células, provenientes da mesma célula-tronco mutada, originam montantes de corpos celulares
idênticos, portanto, formando o que chamamos de "clones". Esses clones celulares formam um novo tecido, o
que denominamos neoplasia (do grego neo: novo; plasier: formar).

As alterações podem ocorrer em genes especiais, denominados proto-oncogenes, que a princípio


são inativos em células normais. Quando ativados, os proto-oncogenes transformam-se em oncogenes,
responsáveis pela malignização (cancerização) das células normais.

O termo provavelmente é originado do grego KARKINOS (caranguejo), como uma espécie de simila ridade
da atuação da doença às garras desse crustáceo: aderem e infiltram.

Em geral, o câncer não é hereditário, porém, há casos em que famílias são notavelmente agredidas por
ele. Uma possível transmissão genética, por alguns genes responsáveis pela proliferação celular. É o que se ob-
serva, por exemplo, no câncer de mama em mulheres, no câncer de cólon (intestino grosso) e no retinoblas -
toma (tumor ocular de criança). Assim sendo, parece que algumas influências genéticas podem contribuir para o
surgimento do câncer. Portanto, existindo casos na família, recomenda-se maior vigilância para parentes diretos,
na possibilidade de prevenção ou detecção precoce da enfermidade.

Inicialmente, o câncer tem um comportamento silencioso. A progressão do crescimento leva ao surgimento


da metástase, podendo acarretar a falência dos órgãos atingidos. Nessa ocasião, torna-se necessária a instituição
de terapêutica quimioterapia, radioterapia, e/ou cirúrgica, com o objetivo de impedir o crescimento tumoral e piora
do órgão acometido.

No câncer ocorre uma desrregulação profunda e instável da diferenciação e expressão celulares. Assim é
que nas células dos tumores malignos os genes se expressam de maneira anormalmente diversificada e instável.
Vários tumores apresentam genes ativados que não são expressos normalmente nos tecidos adultos de onde se
originaram. As proteínas derivadas da expressão destes genes são chamadas de marcadores tumorais, e a
detecção e dosagem destas proteínas são usadas na prática médica não só para diagnóstico, mas também
para acompanhar a evolução dos tumores.

Descobriu uma "assinatura genética” que pode explicar como o melanoma maligno, forma mortal de
câncer de pele, pode se espalhar para outras partes do corpo. Utilizando uma nova tecnologia de análise genética,
denominada perfil de expressão gênica, os pesquisadores foram capazes de descobrir uma assinatura genética,
ou um conjunto de diferenças nos genes, que, pela primeira vez, dividiu os pacientes com melanoma avançado
em subgrupos. O perfil da expressão gênica também foi utilizado para identificar subconjuntos de linfoma e leu-
cemia.

 Tal classificação de cânceres no âmbito molecular permite determinar coma maior precisão à evolu ção
da doença e estabelecer terapias adequadas ao paciente, baseado na sua composição genética.
 O perfil de expressão gênica utiliza um micro-arranjo de DNA, pequenas lâminas de vidro contendo
minúsculas quantidades de milhares de genes conhecidos. Estes "chips" de genes podem detectar ra-
pidamente quais dos genes são expressos ou ativos em uma única amostra de tecido com câncer.
 Neste último estudo, quase meio milhão de medidas foram efetuadas em cerca de 7 mil genes diferen-
tes em tumores melanoma de 40 pacientes. Softwares sofisticados foram utilizados para analisar a in-
formação contida no chip para descobrir padrões ocultos de expressão gênica entre as amostras de
tumores.
 Descobriu-se que 19 dos cânceres eram similares com relação à expressão gênica, diferindo do res-
tante os tumores apenas pela expressão de 500 genes.
 De acordo com a história de cada paciente, os tumores deste grupo tendem a ser menos agressivos,
sugerindo que sofriam metástase menos rapidamente.

Em um experimento relacionado, os pesquisadores tentaram determinar as diferenças na expressão gê-


nica que levam a variações no comportamento biológico de células de melanoma humano cultivadas em laborató-
rio:

 Algumas apresentavam maior capacidade de invasão ou habilidade de se mover pelas camadas


de outras células, processo relacionado à difusão do câncer.
 Algumas destas células que se movem rapidamente têm maior habilidade para formar um tipo de
estrutura, no formato de um cordão, que se assemelha aos vasos sangüíneos necessários para
alimentar os tumores conforme os mesmos crescem.
 Os cânceres de pele são os mais comuns em humanos, sendo o melanoma o mais sério. Em muitas
partes do mundo, as taxas de melanoma crescem mais rapidamente do que qualquer outro tipo de
câncer.
 Os estudiosos acreditam que grande parte deste aumento esteja relacionado, à maior exposição à
radiação ultravioleta da luz do sol, a qual causa mutações no DNA, resultando em células danificadas.
 As células possuem uma seqüência de fases e um controle para se dividir e as células cancerosas
desafiam esta seqüência e o controle normal das células em divisão.
 Uma única célula anormal é capaz de desencadear um tumor, passando a sua anormalidade
para sua progênie, ou seja, é devido a uma mudança genética – isto é, uma alteração na se-
qüência do DNA da célula – ou a uma mudança epigenética – isto é, uma mudança no padrão
de expressão gênica sem uma mudança na seqüência do DNA, que se origina um câncer.

Uma correlação entre carcinogênese (geração do câncer) e a mutagênese (a produção da mudança na


seqüência do DNA) é clara para três classes de agentes:

 Carcinógenos químico: que tipicamente causa mudanças locais na seqüência de nucleotídeos


 Radiação ionizante: que tipicamente causam quebras cromossômicas e translocações
 Vírus: que introduz DNA estranho na célula.

Em geral, um dado câncer não pode ser o resultado de um único evento ou uma única causa: cânceres
resultam da ocorrência de vários acidentes independentes em uma célula com efeitos acumulativos. Um
tumor é considerado como câncer somente se for maligno, isto é, somente se estas células tiverem o poder de in-
vadir tecidos visinhos. Capacidade de invasão geralmente implica na habilidade de escapar, entrar na cor rente
sangüínea ou vasos linfáticos e formar tumores secundários, ou metástases, em outros locais do corpo. Quanto
mais metástases um câncer for capaz de produzir, mais difícil a sua erradicação.

Todas as células eucarióticas sejam elas normais ou cancerosas, possuem uma capacidade de adotar
uma variedade de formas e de executar movimentos coordenados e direcionados. Isto depende de uma rede
complexa de filamentos de proteínas filamentosas que se estendem por todo o citoplasma, chamada de citoes-
queleto.

É certo de que as células cancerosas liberam alguma substância que provoca o crescimento de vasos em
direção ao tumor. Tumores precisam atrair vasos sanguíneos para poderem crescer. Esse crescimento de vasos
sanguíneos é conhecido como angiogênese (angio=vasos, gênese=criação).

Os inibidores de angiogênese têm também alvos moleculares. Eles levariam as células tumorais à morte
por falta de nutrientes, pois bloqueariam a produção de vasos sangüíneos, essenciais para levar o sangue com os
nutrientes ao tumor.

As células tumorais produzem substâncias que fazem os vasos sangüíneos crescerem, para aumentar o
fluxo de sangue no local, levando oxigênio e nutrientes. As novas drogas seriam bloqueadoras dessas substâncias
produzidas pelos tumores. Vários estudos ainda estão sendo feitos, sendo a anti-angiogênese uma das grandes
esperanças no combate ao câncer. A manutenção de um tecido tumoral baseado em uma célula tronco tumoral
leva a complicações biológicas no curso da doença. A maioria dos métodos de tratamento quimioterápica tem
como alvo células em proliferação (células vermelhas). As células-tronco (células azuis) são pouco freqüentes
e quiescentes, portanto resistentes a esses tratamentos. A longo prazo elas voltam a compor um novo tecido tu-
moral. Baseados nos estudos da “biologia da célula-tronco”, a diferenciação das células-tronco tumoral, a tor-
naria sensível à quimioterapia, sendo que o mesmo aconteceria ao estimular a proliferação da célula
tronca tumoral.

Acredita-se que a transformação maligna se dá pelo acúmulo de mutações, que podem ser acompanha-
das ou não de aberrações cariotípicas (anomalias genéticas citadas acima). A probabilidade das alterações
ocorrerem se relaciona ao potencial proliferativo da população em questão. Por isso, essa trans formação maligna
pode não ocorrer na célula-tronco, que é uma célula com freqüência quiescente, mas pode ocorrer em seus pro-
genitores, que são células que passam por vários ciclos de divisão para expansão da população periférica.

De fato, podemos até propor que a baixa freqüência das células-tronco adultas somada a sua qui-
escência a protegem de mecanismos de transformação maligna.

CONCLUSÃO

 O câncer é uma doença cujo progresso está extremamente ligado ao desenvolvimento celular. Seu cresci-
mento é gerado por células que descendem de uma célula mutada, ou seja, cujo material genético sofreu inú-
meras alterações e que sua expressão foi modificada.
 Na maioria dos casos, as células mutadas apresentam sua forma, função e expressão modificados da forma,
função e expressão da respectiva célula normal. As alterações podem ocorrer em genes especiais, denomina-
dos proto-oncogenes, que a princípio são inativos em células normais. Quando ativados, os proto-oncogenes
transformam-se em oncogenes, responsáveis pela malignização (cancerização) das células normais .
 Um tumor é considerado como câncer somente se for maligno, isto é, somente se estas células tiverem o po-
der de invadir tecidos visinhos (Alberts et al.1997). Inicialmente, o câncer tem um comportamento silencioso. A
progressão do crescimento leva ao surgimento da metástase, podendo acarretar a falência dos órgãos atingi-
dos.
 As pesquisas de tratamento que amenizam os sintomas e que levam a cura do câncer estão progredindo a
cada dia. Esta pesquisa tem como intuito levantar dados sobre a forma do desenvolvimento celular do câncer,
buscando reunir o máximo de informações sobre esta neoplasia que tanto atrai os citologistas.

GENÉTICA E CÂNCER

O câncer é uma doença genética, independente de ocorrer de forma esporádica ou hereditária, pois
a carcinogênese sempre inicia com danos no DNA. Geralmente esses danos são causados por agentes
químicos, físicos ou virais. Existem, basicamente, duas categorias de genes envolvidos nas formações
neoplásicas: os oncogenes e os genes supressores tumorais.

ONCOGENES:

O controle das atividades celulares normais é feito por muitos tipos de genes, entre eles os proto-oncoge-
nes. Os oncogenes são proto-oncogenes que sofreram mutações ativadoras, ou seja, que passaram a ter
ganho de função ou hiperexpressão. Uma característica importante dos oncogenes é que eles têm efeito do-
minante na célula, ou seja, um único alelo mutado é suficiente para alterar o fenótipo de uma célula normal para
tumoral. As mutações formadoras de oncogenes necessariamente são adquiridas, uma vez que se ocorrerem na
linhagem germinativa (mutações herdadas), são letais para o embrião. São vários os tipos de mutações que
formam oncogenes: mutações gênicas, mutações cromossômicas, amplificação gênica e superexpressão
gênica.

Os oncogenes são responsáveis por aumentar a proliferação celular ao mesmo tempo em que ini -
bem a apoptose, eventos que podem dar início a uma neoplasia. A ativação dos oncogenes tem papel impor-
tante tanto nos cânceres hereditários como nos esporádicos. Alguns exemplos estão listados abaixo com suas
respectivas funções na célula:

 Gene RAS: foi um dos primeiros oncogenes descoberto. O gene RAS normal codifica as proteínas G, que se
ligam ao GTP para ativar ou inibir a proliferação celular. Quando mutado codifica proteína anormal que não
mais depende da presença de GTP ligado ou não para sinalizar e estimular a proliferação celular. Geralmente
a mutação que ocorre nesse gene é a troca de apenas um par de bases (mutação de ponto).
 Genes ABL / BCR: a translocação do proto-oncogene ABL do cromossomo 9 para o 22 (cromossomo
Philadelphia) faz com que ele fique em justaposição ao gene BCR, o que provoca a síntese de proteína abl al-
terada (quimera). O aumento da atividade dessa proteína é fator desencadeante para a Leucemia Mielóide
Crônica.
 Gene MYC: algumas vezes esse gene sofre uma translocação do cromossomo 8 para o 14, ficando
posicionado próximo a um gene codificador de imunoglobulinas, o que desregula a sua função. Como essa
translocação geralmente é balanceada não provoca alterações evidentes no portador e pode ser transmitida a
outras gerações subseqüentes. A proteína myc atua como fator de transcrição e na expressão da telome-
rase, portanto esses eventos se darão de forma desordenada se a proteína estiver mutada. Esse oncogene
está associado a um tipo importante de câncer: o Linfoma de Burkitt.
 Gene HER2: é um proto-oncogene responsável por codificar receptores de fatores de crescimento. Se
transformado em oncogene produz um número maior de receptores muito sensíveis, mas pouco específicos,
ou seja, responderão a qualquer estímulo iniciando a proliferação celular. Esse gene está muito relacio-
nado ao câncer de mama em ambos os sexos.
 Gene BCL2: responsável por regular a apoptose. Quando ocorre uma translocação cromossômica específica,
um gene de cadeia pesada de imunoglobulinas é translocado do cromossomo 14 para o 18, onde está
posicionado o BCL2. Essa justaposição ativa o gene, que passa a codificar uma proteína com efeitos antia-
poptóticos nas células B, originando o Linfoma de Células B Folicular.
 Genes MET e RET: são oncogenes responsáveis por desencadear uma série de eventos, que quando
combinados a outros fatores, provocam o carcinoma papilar renal e o carcinoma medular da tireóide, am-
bos hereditários.
 Genes que codificam a telomerase: são responsáveis pela fabricação da enzima telomerase, que mantém
um número suficiente de repetições tipo TTAGGG na região do telômero, impedindo a destruição da célula.
Porém, é normal que uma célula, com o passar do tempo, perca os telômeros e seja eliminada, sendo esse
um processo importante de controle da qualidade das células do organismo. Quando há uma mutação, a
telomerase é expressa de forma desregulada perpetuando as células em que atua.

GENES SUPRESSORES TUMORAIS:

São genes que expressam produtos que regulam negativamente o ciclo celular. Quando mutados
deixam de exercer seus papéis através de processos específicos para cada gene. Os genes supressores tumorais
são divididos em dois grandes grupos: os Gatekeepers e os Caretakers.

1) Gatekeepers ou genes protetores: regulam diretamente o ciclo celular:

 Gene TP53: presente no cromossomo 17 (17p13.1). Está mutado em cerca de 2/3 dos casos de câncer. Ele
é responsável pela interrupção do ciclo celular na fase G1 quando há qualquer alteração na seqüência de
DNA para que o dano seja reparado. Se o reparo não for feito, o gene induzirá a apoptose celular. A disfun-
ção desse gene faz com que o ciclo celular prossiga mesmo que haja uma mutação no DNA, transmitindo-a as
células descendentes e iniciando um processo neoplásico, como ocorre na Síndrome de Li-Fraumeni (con-
dição em que ocorre predisposição a desenvolver câncer em vários sítios como mama, ossos, cólon,
pâncreas, entre outros.)
 Gene RB1: situado no cromossomo 13 (13q14.3), produz uma proteína que bloqueia o ciclo celular quando
hipofosforilada. Esse bloqueio ocorre quando a proteína hipofosforilada se liga a determinados fatores de
transcrição inativando-os. Quando esse gene está mutado o seu produto encontra-se permanentemente
hiperfosforilado, permitindo a progressão do ciclo e dando início a um processo neoplásico. Apesar
desse gene se expressar em vários tecidos além da retina, sua mutação resulta geralmente em um Retino-
blastoma, hereditário em 40% dos casos e esporádico em 60% dos casos.
 Gene APC: está localizado no cromossomo 5 (5q21-q22). Produz a proteína APC que regula a quantidade
de b-catenina livre no citoplasma. Em condições normais, quando a célula não precisa se multiplicar, a b-
catenina se encontra ligada a um complexo E-caderina, inibindo a progressão do ciclo celular. Se o gene
APC estiver mutado, produzirá uma proteína truncada, responsável por um aumento da porção livre de b-ca-
tenina, que é transportada para o núcleo ativando a transcrição de genes deproliferação celular, inclusive o
MYC. Mutações nesse gene provocam Polipose Intestinal Adenomatosa de caráter familiar ou esporádico
e síndromes que envolvem câncer colo-retal como a Síndrome de Gardner.
2) Caretakers ou genes de manutenção: atuam reparando danos no DNA, mantendo a integridade genômica e
evitando a instabilidade genética. Sozinhos não induzem a formação de neoplasia, pois alterações nesses genes
não conferem vantagem à célula, mas facilitam a ocorrência de mutações nos genes gatekeepers que darão iní-
cio a carcinogênese.

 Genes BRCA1 e BRCA2: presentes no cromossomo 17 (17q21) e 13 (13q12) respectivamente. São ativa-
dos nas fases G1 e S do ciclo celular. Os produtos dos dois genes estão em um mesmo complexo multipro-
téico e são responsáveis pela resposta celular às quebras do DNA que ocorrem normalmente na recombina -
ção homóloga ou de forma anormal quando há danos na estrutura do DNA. Se mutados predispõem ao apa -
recimento de câncer de mama e de ovário, que tanto podem ter caráter esporádico como hereditário.
 Genes MMR: são genes responsáveis por reparar erros de pareamento do DNA (Mismatch Repair ge -
nes). Existem inúmeros genes de reparo, mas somente alguns já foram identificados como causadores de tu-
mores como: MLH1, MSH2, PMSL1, PMSL2 e MSH6. Mutações nesses genes provocam aumento da inci-
dência de mutações de ponto no DNA e tendência à instabilidade dos microssatélites. Essa instabilidade é
chamada de fenótipo Erro de Replicação Positivo (RER+) que ocorre em vários tipos de tumores. Altera-
ções nos genes de reparo provocam, mais freqüentemente, o câncer colo-retal hereditário sem Polipose, mas
também são responsáveis por cânceres intestinais esporádicos.

SÍNDROMES DE CÂNCER HEREDITÁRIO

As síndromes são definidas como combinações de sinais e sintomas, formando apresentação clínica dis-
tinta indicativa de anormalidade particular. As síndromes de câncer hereditário são afecções genéticas nas quais
neoplasias malignas parecem se aglomerar em certas famílias. Apenas uma pequena parcela dos cânceres rela-
tados pode ser considerada parte de uma síndrome de câncer hereditário. A maior parte resulta de defeitos na re -
plicação do DNA, em seus mecanismos de controle ou pela ação de agentes carcinógenos.

As características clínicas associadas ao câncer hereditário são:

 Idade precoce ao diagnóstico


 Múltiplas neoplasias em um mesmo indivíduo
 Múltiplos membros de uma mesma família apresentando a mesma neoplasia ou neoplasias
relacionadas,
 Múltiplas gerações acometidas.

A identificação de indivíduos em risco para câncer hereditário é importante por várias razões:

 Os indivíduos afetados apresentam risco cumulativo vital muito superior ao da população para vários
tipos de câncer.
 Outros familiares de um indivíduo afetado podem estar em risco para o câncer hereditário (como as
maiorias dessas doenças genéticas seguem herança autossômica dominante, 50% dos irmãos e 50%
dos filhos de um afetado podem ser portadores da mesma mutação que está levando ao câncer).
 Medidas de rastreamento intensivo e intervenções preventivas (cirurgias profiláticas e quimioprofilaxia)
se mostraram eficazes em reduzir significativamente o risco de câncer em portadores de tais muta-
ções.

A tecnologia atualmente nos permite diagnosticar uma mutação genética muito antes do aparecimento dos
sintomas. Por outro lado, a identificação precisa de um indivíduo não afetado em uma família de risco, permite a
tranqüilização do indivíduo e elimina os gastos e complicações de rastreamento e intervenções preventivas des-
necessários.