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Sérgio Ricardo da Mata, Helena Miranda Mollo e Flávia Florentino Varella (orgs.). Anais do 3º.

Seminário
Nacional de História da Historiografia: aprender com a história? Ouro Preto: Edufop, 2009. ISBN: 978-85-
288-0061-6

A vadiagem em debate: o caso dos “vadios” da Belle Époque Carioca


Marina Viera de Carvalho∗

Resumo:
O presente estudo tem como tema duas distintas interpretações historiográficas sobre a
contravenção da vadiagem e dos agentes históricos estereotipados como “vadios”, na cidade do
Rio de Janeiro , entre os anos de 1888 a 1906. De um lado, a repressão, a violência e a exclusão
às camadas populares que não se enquadravam ao processo de cosmopolitismo, aburguesamento
e modernização da então capital da República; de outro, a homogeneização dos espaços e dos
corpos da “cidade maravilhosa”: a estratégia de adaptar o centro da cidade e sua população para
as novas práticas econômicas da urbe. Ora: a arraia-miúda foi vítima de um processo de
marginalização social ou foi alvo de um projeto normatizador da sociedade? Foi segregada da
sociedade e da cidade ou se posicionaram e marcaram seu espaço e presença na capital federal?

1. A escrita da História enquanto fenômeno interpretativo

“[o] ‘fato histórico’ resulta de uma práxis, porque ele já é o signo de um ato e,
portanto, a afirmação de um sentido. Este resulta dos procedimentos que
permitiram articular um modo de compreensão num discurso de ‘fatos’. (...) A
organização de cada historiografia em função de óticas particulares e diversas se
refere a atos históricos, fundadores de sentidos e instauradores de ciências.”
(Certeau, Michel de, 2008: 41)

A discussão que se segue não trata da “verdadeira interpretação sobre os fatos históricos”, mas
sim sobre a percepção das distintas interpretações historiográficas. Entre “as palavras e as coisas”
o problema não está em atingir a coisa (o fato), mas sim os efeitos de verdade formulados pelas


Mestranda em História pelo PPGH-UERJ, pesquisadora interna do LEDDES (Laboratório de
Estudo das Diferenças e Desigualdades Sociais). Pesquisa fomentada pela CAPES.
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Sérgio Ricardo da Mata, Helena Miranda Mollo e Flávia Florentino Varella (orgs.). Anais do 3º. Seminário
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distintas formas de narrativas dos historiadores de ofício.1 Estamos diante de um objeto: o


cotidiano da vadiagem na virada do século XIX para o XX; mas o fenômeno a ser analisado não é
o vadio e sim o texto, ou seja, a historiografia que cria formas distintas de apresentação dos fatos
históricos.

Enfim, este artigo se esforçará em problematizar as tensões, contradições, diferenças e,


consequentemente, os múltiplos conhecimentos sobre o passado e seus efeitos de explicação.
Tendo como temática central o mesmo objeto: o vadio, mas (re)interpretado a partir de dois
distintos enfoques teórico-metodológicos. Sendo assim, passemos a apresentação destas distintas
escritas.

2. Repressão ou normatização? Exclusão ou posicionamento?

2.1 A repressão e a vadiagem: a construção dos “vadios” como vítimas de um processo de


marginalização social

A historiadora Cristiane Rodrigues em sua dissertação de mestrado “A Construção Social do


Vadio e o Crime de Vadiagem (1886-1906)” tem como principal enfoque:

“analisar o perfil do vadio no período de 1886 a 1906, a fim de perceber as


continuidades e os possíveis cortes na história da vadiagem (...) identificar qual foi
a imagem construída pelos agentes policiais visando enquadrar determinados
indivíduos na contravenção da vadiagem” (Rodrigues, Cristiane, 2006: 7)

Para esse fim, a autora tem como principal corpo documental os Livros de Matrículas da Casa de
Detenção do Rio de Janeiro, nos quais faz um levantamento sistemático, embasado em métodos
quantitativos e estatísticos, sobre a entrada e saída na Casa de Detenção; o que a leva a

1
Sobre as palavras (os efeitos de verdade) e as coisas (os “fatos”) ver: Foucault, Michel. As
palavras e as coisas.
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estabelecer um perfil social do vadio, a saber: homens, de idade economicamente ativa,


analfabetos e solteiros. Afirma ainda que a população rotulada de vadia, em sua maioria, exercia
algum tipo de atividade informal que assegurava a moradia, geralmente, no centro da cidade.

A historiadora preenche de significados tal perfil ao levantar a seguinte hipótese: o aumento da


marginalização social dos pobres durante os anos finais da escravidão e, novamente, no período
do governo Rodrigues Alves, se dá por tal segmento não se enquadrar ao novo modelo do
“progresso” e da “civilidade” da urbe carioca; por isso a super-valorização pelo Estado do crime
de vadiagem: uma forma de controle e exclusão das camadas populares.2 Para comprovar tal
especulação, a autora apresenta uma série de gráficos, entre os quais, os que se seguem:

2
Código Penal de 1890: “Capítulo XIII – Dos Vadios e Capoeiras:
“Art. 399. Deixar de exercer profissão, offício, ou qualquer mistér em que ganhe a vida, não
possuindo meio de subsistência e domicílio certo em que habite; prover a subsistência por meio
de ocupação proibida por lei, ou manifestamente ofensiva da moral e dos bons costumes.
‘Pena – de prisão cellular por quinze a trinta dias.
1º Pela mesma sentença que condenar o infrator como vadio, ou vagabundo, será ele obrigado a
assignar termo de tomar ocupação dentro de quinze dias, contados do cumprimento da pena.
“2º Os maiores de quatorze serão recolhidos a estabelecimentos disciplinares industriaes, onde
poderão ser conservados até a idade de 21 anos.
Art. 400 - Se o termo fôr quebrado, o que importará reincidência, o infrator será recolhido, por
um a três anos, a colônias penaes, que se fundarem em ilhas marítimas, ou nas fronteiras do
território nacional, podendo para esse fim ser aproveitados os presídios militares existentes.’
Parágrafo único. Se o infrator for estrangeiro será deportado.” (PIERANGELLI, José Henrique,
1980: 316-317)

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(Rodrigues, Cristiane, 2006: 39) (Rodrigues, Cristiane, 2006: 42)


Além dos gráficos sobre a Casa de Detenção, recorre também a outras tipologias de
fontes, como os censos, imagens e periódicos de época, pois, afirma a autora: “A discriminação
ao pobre neste período era intensa. Havia uma imprensa elitizada que contribuí para a degradação
da imagem da classe menos favorecida” (Rodrigues, Cristiane, 2006: 90)3

Sendo assim, Cristiane Rodrigues conclui que as Reformas urbanas e higiênicas são:

“elitista, de exclusão e repressora, uma vez que a população tornava-se atingida na


sua vida privada e, às vezes sem entender o porque das medidas reformistas, se
rebelava contra o governo. (...) fazendo com que a polícia se tornasse cada vez
mais agressiva no sentido de manter a permanência dos segundos [os pobres] no
seu cenário de humilhação, de constrangimento e de pobreza(...)” (Rodrigues,
Cristiane, 2006: 75-76)4

Pois bem, analisando não os fatos em si, mas a (re)interpretação do passado apresentada,
percebemos a escolha de uma narrativa que produz um efeito de explicação justificador da
formação de um grupo social definido e serializado, repetitivo e geral: as camadas populares
enquanto vitimas da ação repressiva e excludente do Estado. Ação esta que visava a eliminação
3
Grifos meus.
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Grifos meus.
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dos pobres da cidade, passando, dessa forma, a serem marginalizados pela contravenção da
vadiagem.

No entanto, a historiadora deixa escapar dois indícios que permitem a reflexão sobre os limites
desse modelo explicativo. Prosseguiremos então para análise de tais pistas.

2.2 Normatização e sagacidade: a política do e no cotidiano.

“O trabalho teórico se desempenha, propriamente falando, na relação entre os


pólos extremos da operação inteira: por um lado, a construção de modelos; por
outro lado, a atribuição de uma significabilidade aos resultados obtidos ao final
das combinações informáticas. A forma mais visível desta relação consiste (...) em
descobrir o heterogêneo que seja tecnicamente utilizável. A ‘interpretação’ antiga
se torna, em função do material produzido pela constituição de séries e de suas
combinações, a evidenciação dos desvios relativos quanto aos modelos. (...) O
importante (...) [é] a relação entre modelos e os limites que seu emprego
sistemático faz aparecer e, por outro lado, a capacidade de transformar estes
limites em problemas tecnicamente tratáveis (...) Poder-se-ia dizer que a
formalização da pesquisa tem, precisamente, por objetivo produzir ‘erros’ –
insuficiências, falhas – cientificamente utilizáveis” (Certeau, Michel de, 2008: 85-
86)5

Diante da busca de uma “brecha” na produção historiográfica do objeto em questão, eis que surge
a possibilidade de um recorte temático relevante e original: eureca! A heurística entra em ação!

Primeiro indício: Cristiane Rodrigues afirma em sua dissertação que havia, no ano de 1905, 58
policiais no Rio de Janeiro que garantiam o controle e vigilância de dez mil habitantes. Ora:

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Grifos meus.
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“(...)58 policiais para 10 mil habitantes!? Será que, efetivamente, esse número de
agentes policiais garantiriam a repressão e o controle da população desfavorecida
do centro da cidade do Rio de Janeiro? Será que não haveria lacunas no
cumprimento de tal vigilância? E esse controle visaria apenas a repressão dos
populares? O fato de criarem prisões correcionais para reeducar os vadios ao
trabalho não seria um indício de intenções do Estado para além da repressão e
também uma tentativa de transformação e conseqüente disciplinamento dos vadios
à nova lógica do poder da cidade? Será que esse controle se daria apenas pelos
policiais? E a sociedade adaptada aos novos padrões de convívio, será que, através
dos micropoderes, não atuariam na vigilância e controle dessa população? E a
“ralé”? Qual a sua reação frente à estratégia do poder? Aceitaram como vítimas a
repressão e a transformação de seus valores e costumes? Ou engendraram alguma
resistência? Nesse caso, de que forma essa resistência se desenvolveu?” (Carvalho,
Marina, 2008:18)6

Nesta perspectiva, os fatos abordados continuam os mesmos, porém a atribuição de seus


significados se modifica: não mais a ênfase na violência das ações governamentais, mas a busca
por um lado positivo-produtivo, visto que, na narrativa escolhida, a violência é a forma
desesperada do poder (o momento em que ele se mostra). Sendo assim, suas intenções estão para
além da exclusão, na produção de individualidades dóceis e produtivas: estamos diante do poder
disciplinar.7 8

6
Trabalho de conclusão do curso de Pós-Graduação Lato Sensu em História do Brasil,
apresentado ao Departamento de História da Universidade Federal Fluminense (UFF).
7
Sobre o poder disciplinar ver: FOUCAULT, Michel. Vigiar e Punir: nascimento da prisão.
Tradução de Raquel Ramalhete. Petrópolis, Vozes, 1987.
8
Sobre a análise das Posturas Municipais, das Reformas Urbanas e Higiênicas, ver: SILVA,
Marilene Rosa Nogueira da. Normatizando o Espaço Carioca: cultura política e sociedade nos
primeiro anos da República. In: SANTOS, Cláudia Andrada dos; BARROS, José D’Assunção;
FALCI; Miridan Brito (orgs). Espacialidades: espaço e cultura na História, Vassouras, RJ:
LESS, 2004, pp. 243-262.
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Segundo indício: o relatório do chefe de polícia da Capital Federal, do ano de 1905, apresentado
pela historiadora Cristiane Rodrigues:

“O Rio de Janeiro é uma cidade de crimes e criminosos, quero dizer, ninguém


imagina o regime de impunidade em que vivemos. A massa formidável constituída
pelos frequentadores habituais das prisões aumenta dia a dia e não há castigo nem
repressão para essa gente. Com dados seguros fornecidos pelo serviço de
informação, pode-se afirmar que existem no Rio de Janeiro cerca de 2.000 homens
vagabundos recalcitrantes, presos e processados com diferentes nomes pela
polícia, uma, duas, três, quatro, cinco e até dez e mais vezes por ano, e que voltam
de novo à liberdade, sem correção prontos sempre a fingir de povo, a promover
desordens e quebrar lampiões, incitados naturalmente pelos demagogos, cujo
programa político é o escândalo, a discórdia, o desassossego, a revolta.”
(Rodrigues, Cristiane, 2006: 75-76)

Pois bem:

“O documento pode elucidar quanto ao abismo entre o termo da lei e a prática da


população. O fato de haver “freqüentadores habituais das prisões” pode ser um
indício de que havia resistência ao disciplinamento de seus comportamentos e
valores, mesmo perante as implicações penais de tal gesto. O fato de serem
“presos e processados com diferentes nomes” é outro indicativo das táticas de
resistência plasmadas pelos “vadios”. Ao fornecer outros nomes poderiam
“driblar” a prisão por reincidência, fugindo assim da prisão de um a três anos em
presídios correcionais.” (Carvalho, Marina, 2008: 21-22)

Ao reajustar as lentes de enquadramento do passado, se faz presente a seguinte (re)interpretação:


não mais o enfoque na vitimização e marginalização das camadas populares, mas sim a escolha
da política no e do dia-dia, ressaltando suas reações e possíveis resistências. O efeito explicativo
conseqüente é a produção da irredutibilidade do indivíduo: ele existe! Reage! Não,

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necessariamente, atende aos modelos de explicações pré-prontos sobre o “real”. Nessa


discursividade, o historiador pode farejar e encontrar fissuras, resistências, contradições, enfim,
uma série de acontecimentos que se dão individualmente, caso a caso. A função do historiador
seria, por meio de tais sinais, dar sentido a esse real descontínuo por meio de sua narrativa e de
seus embasamentos teórico-metodológicos: chegando na conquista de uma ótica particular de
(re)interpretação dos fatos históricos.9

3. Re-invenção do passado: as múltiplas formas de escrita da História

A História, enquanto disciplina, convive com uma diversidade de métodos e teorias que resultam
em maneiras diferentes de construir o conhecimento do passado. Neste artigo podemos perceber
como paradigmas distintos de compreensão do mundo, são decisivos para a interpretação dos
fatos históricos.

A meta-história mais uma vez se torna o cerne das tensões: tais disparidades interpretativas sobre
o mesmo objeto, podem ser percebidas pelo cisma na produção da ciência: de um lado, o
paradigma indiciário e, de outro, o paradigma galileano, descritos respectivamente por Carlo
Ginzburg:

“[o paradigma indiciário] trata-se, de fato, de disciplinas eminentemente


qualitativas, que têm por objeto casos, situações e documentos individuais,

9
Cabe ressaltar, que tal resistência dos personagens em questão, a população estigmatizada pela
contravenção da vadiagem, se opera golpe a golpe, lance por lace: aproveitando astuciosamente
as circunstâncias, os personagens aproveitam os interstício na vigilância e controle de forma a
promover seus malabarismos cotidianos entre o disciplinamento e a diferença: estamos diante das
noções de estratégia e tática desenvolvidas por Michel de Certeau.
Sobre as noções de tática e estratégia ver: Certeau, Michel de. A Invenção do Cotidiano: 1. artes
de fazer. Petrópolis, RJ, Vozes, 1994.
Sobre as reações e resistências dos criminalizados como “vadios” ver: CARVALHO, Marina
Vieira de. Os Vadios na Resistência ao Disciplinamento Social da Belle Époque Carioca.
Trabalho de Conclusão Curso de Pós-Graduação Latu Sensu em História do Brasil, Rio de
Janeiro, Universidade Federal Fluminense, 2008.1.
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enquanto individuais, e justamente por isso alcançam resultados que têm uma
margem ineliminável de casualidade. (...) [Já] a ciência galileana tinha uma
natureza totalmente diversa, que poderia adotar o lema escolástico individuum est
ineffabile, do que é individual não se pode falar. O emprego da matemática e o
método experimental, de fato, implicavam respectivamente a quantificação e a
repetibilidade dos fenômenos, enquanto a perspectiva individualizante excluía por
definição a segunda, e admitia a primeira apenas em funções auxiliares.”
(Ginzburg, Carlo, 1990: 156)

Nesta perspectiva, podemos compreender a simultaneidade de tais paradigmas no presente artigo.


Primeiramente a análise dos fatos a partir de um quadro teórico marxista, embasado em métodos
quantitativos e serializados. Tal epistemologia, segundo Ginzburg, apreende a “metáfora da
‘anatomia da sociedade’ , usada numa passagem crucial também por Marx, exprime a aspiração a
um conhecimento sistemático” (Ginzburg, Carlo, 1990: 170-171). Por isso escolha de gráficos,
modelos gerais de explicação, padronização dos personagens em fenômenos repetitivos.
Posteriormente, partimos para a urdidura dos mesmos fatos históricos, porém mediante a um
suporte teórico-metodológico distinto: que preza mais pelo descontínuo do que pelo continuo,
que privilegia mais o estudo de caso do que a formação de modelos gerais e padronizados, que se
esforça em farejar os índices casuais de explicação e não em formar causas gerais de
compreensão do passado.

Por fim, a riqueza da produção do conhecimento histórico pode ser encontrada justamente nessas
diversidades de categorias analíticas. Elas convivem, atualmente, em um campo fragmentado e
múltiplo e não mais sobre o domínio de apenas um modelo global de análise. Daí a possibilidade
de encontrarmos a poética do texto: a escolha de sua narrativa, a apresentação de seu efeito de
verdade.

Referências Bibliográficas

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Sérgio Ricardo da Mata, Helena Miranda Mollo e Flávia Florentino Varella (orgs.). Anais do 3º. Seminário
Nacional de História da Historiografia: aprender com a história? Ouro Preto: Edufop, 2009. ISBN: 978-85-
288-0061-6

- CARVALHO, Marina Vieira de. Os Vadios na Resistência ao Disciplinamento Social da


Belle Époque Carioca. Trabalho de Conclusão Curso de Pós-Graduação Latu Sensu em História
do Brasil, Rio de Janeiro, Universidade Federal Fluminense, 2008.1.

- Certeau, Michel. A Escrita da História. Rio de Janeiro: Forense Universitária, 2. Ed., 2008.

- _____________. A Invenção do Cotidiano: 1. artes de fazer. Petrópolis, RJ, Vozes, 1994.

- GINZBURG, Carlo. “Sinais: raízes de um paradigma indiciário” IN Mitos, emblemas, sinais:


Morfologia e História. 1ª reimpressão. São Paulo: Companhia das Letras, 1990.

- Foucault, Michel. As Palavras e as Coisas: uma arqueologia das ciências humanas. Tradução
Salma Tannus Muchail. 8.ed. São Paulo: Martins Fontes, 1999 (Coleção Tópicos).

- _____________. Vigiar e Punir: nascimento da prisão. Tradução de Raquel Ramalhete.


Petrópolis, Vozes, 1987.

- PIERANGELLI, José Henrique. Códigos Penais do Brasil: evolução histórica. São Paulo:
Jolavi, 1980.

- RODRIGUES, Cristiane. A Construção Social do Vadio e o Crime de Vadiagem (1886-


1906). Rio de Janeiro: UFRJ/IFCS, 2006.

- SILVA, Marilene Rosa Nogueira da. Normatizando o Espaço Carioca: cultura política e
sociedade nos primeiro anos da República. In: SANTOS, Cláudia Andrada dos; BARROS, José
D’Assunção; FALCI; Miridan Brito (orgs). Espacialidades: espaço e cultura na História,
Vassouras, RJ: LESS, 2004, pp. 243-262.

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