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Path dependency e os Estudos Históricos Comparados

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Antonin Sérgio Amiíjo Fernandes

Introdução A análise institucionalista histórica em
ciência política dá início à utilização desse
O conceito de path dependency (depen­ conceito, oriundo da disciplina da economia,
dência de trajetória) está sendo muito uti­ mais especificamente do campo da economia
lizado em inúmeros estudos de política com ­ da tecnologia. Entretanto, a tradição de
parada com o objetivo de auxiliar a com­ estudar a política utilizando observação com­
preensão do estabelecimento de trajetórias parada de trajetórias históricas é antiga nas
políticas ou econômicas num dado país ou ciências sociais, e tem Max Weber como um
em outra unidade de análise. Kato (1996a: dos seus principais expoentes. Nesse sentido, o
1) define a path dependency como: “fatores conceito de path dependency, apesar de recente,
em questão num m om ento histórico se mostra como uma reinvenção ou renovação
particular determinam variações nas seqüên­ dos métodos de abordagens de sociologia
cias sociopolíticas, ou nos resultados dos política comparada desenvolvidos por
países, sociedades e sistemas. Nesse sentido, Barrington Moore e Theda Skocpol.
eventos passados influenciam a situação pre­ Este artigo tem o objetivo de apresentar
sente e a história conta” . Levi (1997: 28) o conceito de path dependency em seus princi­
provê uma explicação mais apurada: “path pais aspectos e mostrar que a perspectiva ado­
dependency não significa simplesmente que a tada nesse pensamento dentro da ciência
história conta. Isto é tanto verdade quanto política mais recente é comum e originária
trivial. Path dependency significa que um dos estudos de sociologia política comparada.
país, ao iniciar uma trilha, tem os custos N a segunda parte, procura-se identificar a
aumentados para revertê-la. Existirão outros vinculação do conceito de path dependency
pontos de escolha, mas as barreiras de certos com a abordagem institucionalista histórica.
arranjos institucionais obstruirão uma rever­ Na terceira parte, observam-se os aspectos
são fácil da escolha inicial” . Dito de outro essenciais que compõem o conceito e sua fili­
modo, em momentos críticos no desenvolvi­ ação teórica oriunda da economia da tecnolo­
mento de um país (ou outra unidade de gia. N a quarta parte, apresenta-se a perspecti­
análise), estabelecem-se trajetórias amplas va teórico-metodológica dos estudos históri­
que são difíceis de reverter, mas dentro das cos comparados em sociologia política com o
quais existirão novos pontos de escolha para intuito de observar a proximidade existente
mudança mais adiante. entre esta abordagem e a path dependency.

Este artigo faz parte de minha tese de doutorado em andamento no Departamento de Ciência Política da
Universidade de São Paulo. Agradeço ao prof. Fernando Limongi pela leitura e pelos comentários ao texto.

B IB , São Paulo, n ° 53, I o semestre de 2002, pp. 79-102 79

0 Institucionalismo Histórico: dos jogos são trazidas para o interior da arena
Origem e Características Principais pública, onde políticos e burocrátas com
interesses próprios competem tal qual num
O Neo-institucionalismo e suas mercado, procurando maximizar votos, apoio
Vertentes e transferências de renda {rent seekin£). Nesta
corrente, tem-se, como trabalhos pioneiros,
A corrente denom inada em ciência entre outros, Downs (1957), Buchanan e
política de novo institucionalismo é ampla e Tullock (1962), Arow (1963), Olson (1965) e
dividida em subcorrentes que possuem um McKelvey (1976). Seguindo essa linha de
único aspecto em comum, o fato de encarar pesquisa, encontram-se importantes con­
o estudo dos processos políticos tendo como tribuições em diversas áreas de estudo, tais
variável independente as instituições, o que a como, Cox e McCubbins (1987), Weingast e
faz se diferenciar do pluralismo e do com- Marshall (1988), Weingast (1979), Shepsle e
portamentalismo, até então modelos analíti­ Laver (1990) e Shepsle e Weingast (1987) -
cos dominantes na ciência política norte- estudos legislativos1 do congresso norte-amer-
americana (Limongi, 1994: 3). icano Niskanen (1971) e Moe (1990) —
Há uma grande dificuldade em delimitar análise da burocracia —; Pzeworski (1991) e
as fronteiras da abordagem neo-institucional- Geddes (1991) —transições democráticas —; e
ista. Na verdade, é difícil supor a existência de Hardin (1982), Tsebelis (1990) e Elster
um único novo institucionalismo. Opta-se (1986; 1994) - análise teórico-conceitual da
aqui por estabelecer uma distinção entre os escolha racional e da teoria dos jogos na disci­
neo-institucionalistas que utilizam o individu­ plina da política.
alismo metodológico, e que são considerados Uma outra corrente neo-institucional-
adeptos da escolha racional, e os que não uti­ ista que utiliza a escolha racional é chamada
lizam o individualismo metodológico, e que de institucionalismo econômico, e vem da
são considerados institucionalistas históricos e tradição da econom ia dos custos de
sociológicos. De acordo com alguns estu­ transação, baseada na teoria da firma (Coase,
diosos que tentaram delimitar as diferenças 1937). Nesta corrente, as instituições são
entre as correntes neo-institucionalistas —tais vistas como sistemas de regras capazes de
como Lowndes (1996), Rhodes (1995), Kato superar dilemas da ação coletiva, gerados por
(1996), Hall e Tayior (1996), jmm ergut comportamentos oportunistas em transações
(1998) e Ostrom (1991) - a corrente denom­ sociais em contextos organizacionais
inada Escolha Racional, que é conhecida tam­ hierárquicos. De acordo com Melo (1996),
bém no campo da ciência política como apesar de utilizarem a racionalidade instru­
Escolha Pública, vê as instituições como mental, os autores desta corrente procuram
dotadas de problemas de ação coletiva, dadas superar o paradigma do comportamento
as inconciliáveis interações políticas não coop­ maximizador (rational choicer), incorporan­
erativas entre os indivíduos. A escolha do a noção de incerteza em processos de
racional constitui-se como uma corrente que decisão coletiva. N o interior desta corrente
utiliza a lógica dedutiva de análise, cuja pre­ entende-se que a principal função das insti­
missa básica são instituições compostas por tuições é economizar custos de transação
atores individuais que tomam decisões e agem inerentes aos sistemas de mercado. Esta é,
a partir de escolhas e interesses pessoais. Essas portanto, a justificativa para a existência das
preferências podem geras efeitos coletivos ou instituições: a busca da eficiência por meio
decisões coletivas. A perspectiva analítica da do suporte e das trocas de mercado. Sobre o
economia neoclássica e a linguagem da teoria institucionalismo econômico ou a economia

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Essas explicações genas e não dadas de antemão (exógenas). tem-se como refer­ . sua ênfase recai mais sobre o como uma reação à teoria comportamenta. Neste caso. e. As escolhas e as aspecto a busca de melhores explicações preferências individuais. porém sug­ manutenção da ordem na vida política erem com o com plem entaridade a este (March e Olsen. que conflita ou duos. que também não utiliza o individualismo psicológicos e culturais dos indivíduos. por recursos escas­ biente circundante. D a teoria de grupos de capazes de aumentar a eficiência do merca­ interesse ou pluralismo. 1984). são endó­ política entre os países. surge também em resposta à tendência metodológico. 1989). Dado que para os institucionalistas históri­ cos a organização institucional da polity é o O Institucionalismo Histórico fator principal que estrutura o com porta­ mento coletivo e gera distintos resultados O institucionalism o histórico surge na política. Além que não aderem ao individualismo disso. sobretudo. de que a polity é. Segundo Hall e Taylor (1996: 937- os indivíduos internalizam as normas de 938). m ento desse sistem a seria unicamente A outra corrente neo-institucionalista. organizações. Desse modo. responsável pelas condutas e traços sociais. respondendo à necessidade de assegu­ sentavam as atitudes e os comportamentos rar normas. “estruturalismo” implícito nas instituições lista e sua principal variante — o pluralismo da polity do que sobre o “funcionalismo”. teorias dominantes na ciência política Entre as correntes neo-institucionalistas durante as décadas de 1960 e 1970. valores. —. mas com o “processos” altamente tas históricos herdam a idéia de que o con­ dinâmicos e sensíveis a estímulos do am­ flito entre grupos rivais.3 adquiridos ao longo do tempo. ao contrário do que para apontar as distinções dos resultados da pensa a análise da m tional choice. os problemas con­ de outros. Olsen (1984. D o estrutural-funcionalismo. As estariam na descoberta do caminho trilha­ instituições não só afetam o cálculo do pela organização da estrutura política estratégico e as escolhas racionais dos indiví­ (polity ) ou econômica. está no centro da política. tem-se o institucionalismo que se observa no campo da política com­ sociológico.2 Esta corrente desenvolve-se parada da época . 81 .momento marcado pelo com mais intensidade dentro da teoria das com portam entalism o e pelo pluralismo. porém rejeitam a tendên­ que os processos culturais são determinantes cia predominante nele de que o funciona­ do comportamento institucional. os cernentes ao oportunismo e à incerteza não institucionalistas históricos herdam a idéia são totalmente abandonados nessas análises. os trabalhos de ista e sua corrente derivada —o neomarxismo Williamson (1991) e North (1993).. o institucionalismo histórico. apesar comportamento associadas com os papéis de ter nascido como uma crítica às escolas sociais institucionais. As instituições não são anteriormente citadas. os quais possibilitam a sos. entre outras. códigos e crenças dos atores (grupos e indivíduos). a partir dos importantes estu­ Essas correntes de análise tentavam construir dos de Powel e D i Maggio (1983) e March e teorias a partir de estudos transnacionais. um sistema de mas complementados a partir da visão de partes integradas.dos custos de transação. os institucionalis- do. ele herda alguns ele­ vistas simplesmente como “mecanismos” mentos destas. bem como à teoria estrutural-funcional- ências básicas. apre­ turais. metodológico é o institucionalismo histórico. como também suas preferências e suas privilegia alguns interesses em detrimento identidades. Esses autores entendem como variáveis que procuravam explicar as as instituições como íruto de processos cul­ diferenças na política entre os países.

para 82 . tais como: preocupem em explicar o desenvolvimento o grau de centralização e descentralização de político e econômico. a partir do compor­ determinante das ações do Estado. Berger (1981) e de investigação. Evans e influenciam o processo decisório (Hall e Rueschemeyer (1985). O insti­ (1985: 9). de cunho “sociocên. entre países. mente da escolha racional. porém sobre o individualismo metodo­ agenda de pesquisa estava centrada na dis­ lógico. tais como em ação e utilizar uma abordagem histórica os de Hall (1986). a relação histórica. ou seja. diferente­ de fazer escolhas e alcançar metas políticas. que partem das instituições. regiões. funcionários. o eleitorado. moldam a um cálculo instrumental. A evolução da estrutura social. mais do que dos atores ao longo do tempo. O institucionalismo histórico visa dade de autonomia dos Estados a partir de construir teorias de alcance médio que se alguns indicadores institucionais. o comportamento racional dos Estado-sociedade. históricos e os rational choicers não se dá trico” . Para explicar (1992: 3-7). o institucionalismo histórico os fatores determinantes da autonomia e da tem origem com os estudos de política com­ capacidade do Estado.que via os resultados da política como algu­ formula metas que não são simplesmente mas das necessidades do sistema. tais como a relação com o Estado. burocracia. ou outras autoridade. Assim. a der a agenda de pesquisa sobre o Estado divergência entre os institucionalistas então vigente na época. Apesar de considerar as esco­ Back In. sobre o conceito de comportamento racio­ mentalismo e estrutural-funcionalismo.4 Para Skocpol institucionais num dado momento. de forma ino­ lhas e cursos de ação e decisão individual. procura-se públicas. repensar o papel do Estado na sua institucionalistas históricos. capaz preferências como algo endógeno. os vadora. o ambiente e o comportamen­ cidades). reflexos de demandas e interesses de grupos D e acordo com Steinmo e Thelen sociais. duos busca-se explicar as escolhas e decisões dotado de relativa autonomia. A escolha racional trabalha com uma cussão apenas do papel da sociedade como lógica dedutiva. sociológicos. O s autores propõem. quadro de unidades de análise (Estados. Neste aspecto. bem entender como a escolha de ação depende da como a trilha de escolha e decisão política interpretação de uma situação. meios financeiros. que têm históricos com parados entre países são inspiração nas tradições oriundas de Weber e importantes. é necessário adotar parada entre países. os estudos Katzenstein (1978). classes ou sociedades. portanto. ou seja. pensar a autonomia do Estado é tucionalismo histórico utiliza estudos de concebê-lo na qualidade de organização que caso. também encaram a questão das tratando-o com um ator autônomo. 1996). entre outros. pois permitem avaliar a capaci­ Polanyi. dominada pelo comporta. dessa linha utilizam a idéia de estratégia de Um trabalho seminal que procura situar decisão junto à interpretação de natureza os aspectos conceituais do institucionalismo histórico-estrutural com o variáveis que histórico é o livro de Skocpol. o processo político indivíduos é importante para a compreensão decisório e/ou de elaboração de políticas do processo político. Bringing The State Taylor. Isto requeria. assim como os relação com a economia e a sociedade. Esta nal. especialmente os estudos uma perspectiva weberiana acerca do Estado de economia política comparada. este não tamento maximizador universal dos indiví­ era tomado como um ator independente. tendo como variável independente to dos principais atores econômicos e sua as instituições intermediárias. Nesse sentido. as redes estabeleci­ Segundo a corrente institucionalista das entre empresariado e governo. os autores arena política e definem as instituições. romper ou transcen­ como observa Kato (1996: 560-561). porém.

O s trabalhos da narrativa analíti­ mas as barreiras de certos arranjos institu­ ca são dirigidos pelo problema e não pela cionais obstruirão uma reversão fácil da teoria. são apenas uma form a de tam as regras formais. história” . esta- mente conhecida. (1998: 30-31): “N ós chamamos nossa apurada: “path dependency não significa abordagem de narrativa analítica porque simplesmente que a história conta. Path dependency são comtimente empregados na economia significa que para um país. algo bastante incomum na perspec­ escolha inicial” .6 Para alguns teóricos da economia ções constituem normas escritas formais. na qual também é política [polity) ou da economia política. institui­ returns). chamado de retornos crescentes (increasing Com o afirma North (1993: 14).5 Uma definição de path dependency é Com relação a este último aspecto. Os política comparada. retornos cres­ Um a das principais perspectivas de centes significam que a probabilidade de análise do institucionalismo histórico é a dar um passo à frente no mesmo caminho path dependency. sociedades e sistemas. com a form a narrativa trilha. mas dentro das quais exis­ 938) e Steinmo e Thelen (1992: 2). tivos da atividade corrente. Isto é com binam os instrumentos analíticos que tão verdade como trivial. que trabalham com este conceito. os custos para revertê-la são muito que é mais com um ente em pregada na altos. ou nos resul­ o modelo m atem ático — com pesquisa tados dos países. Em termos gerais. com parada 83 . Nas palavras de Bates et. eventos passados influen­ eventos. ação desses atores. denominado A nalitic Narratives. ou seja. fornecida por Kato (1996a: 1): “A idéia de destaca-se o recente estudo de Bates et. De acordo com esta autores procuram combinar individualismo idéia. 1996: 941). tuições com o procedim entos form ais e Segundo Pierson (2000: 251). As normas formais e path dependency. a análise do compor­ histórico particular determinam variações tamento particular dos atores .empregando nas seqüências sociopolíticas. a cor­ tirão novos pontos de escolha para m u­ rente institucionalista histórica define insti­ dança mais adiante. histórica que busca explicar a seqüência de Nesse sentido. para outros. É no cam po da economia informais e o tipo e a eficácia de sua obri­ da tecnologia que argumentos baseados gatoriedade determinam a índole total da nos retornos crescentes têm sido mais politics (jogo). Isto ocorre porque os benefícios rela­ Taylor. em m omentos críticos no desenvolvimento de tiva da rational choice mais tradicional­ um país (ou outra unidade de análise). Existirão outros pontos de escolha.explicar o comportamento estratégico dos O Conceito de Path Dependency indivíduos e grupos sociais numa dada seqüência e momento da história. rotinas e convenções ceito de path dependeticy tem origem na inseridas na estrutura organizacional da disciplina da economia. a qual enfatiza o impacto ou trajetória estabelecida aum enta cada vez da existência de lggados políticos sobre que se move para dentro do próprio cam i­ escolhas políticas subseqüentes (Hall e nho. férteis. ao iniciar uma e ciência política. o contexto e a estrutura de inter­ ciam a situação presente e a história conta” . belecem-se trajetórias amplas que são difí­ De acordo com Hall e Taylor (1996: ceis de reverter. al. p ath dependency é bem conhecida em (1998). fatores em questão num momento metodológico. Dito de outro m odo. o con­ informais. os retor­ assim como códigos de conduta geralmente nos crescentes são a própria p ath dependen­ não escritos que subjazem e complemen­ cy e. Levi (1997: 28) provê um a explicação mais al. normas.

Com base neste conceito de ra básica da explicação histórica. ele traz uma contribuição signi­ de path dependency é sincrônico. ocorre porque cada tecnologia gera resulta­ como uma causa no período subseqüente. torna-se causa ições como organizações ou mecanismos que deste mesmo^ efeito em períodos subse­ diminuem o custo de transação e aumentam qüentes. dos maiores para os usuários à m edida que reproduz ele mesmo como efeito. história econômica. pode ser represen­ explicam as diferenças de desempenho tado graficamente (Figura 1). de acordo com A rthur (1994) e D avid (1985) apud Pierson (2000: 251): sob condições. portanto. econômico entre os países. De acordo com North (1993). É deste modo que argumen­ quebrando o loop causal. ele tenta mostrar as razões que Stinchombe (1968: 103). a iniciais foram tom ados nesta direção. histórico. na maioria das vezes presentes em setores com plexos de conhecim ento intensivo. tos de dependência de trajetória ou de Sobre o conceito de path dependency retornos crescentes. Diante disto. ou o mo econômico e não do institucionalismo sistema de com putador Windows. a flecha 1 de retorno indica que Y. as instituições são estáveis e a 84 . apesar de necessariamente não ser a alter­ opera como uma causa no período de tempo nativa m ais eficiente no longo prazo. Isto seguinte. Q uando uma nova loop criado por D e pela flecha 1 fornece a tecnologia é sujeita a retornos crescentes os estrutura causal histórica. Para Stinchombe atores têm incentivos para forçar uma sim ­ (1968: 103-104). segundo instituições. O infinito se torna prevalecente. que o conceito conhecido. aum enta com o tempo. uma vez que os passos auto-replicáveis loops causais. os custos de sair da trilha de algum a alternativa previamente plausível crescem. Assim. de algumas tecnologias como o ser considerado um autor do institucionalis- teclado Qwerty. Em outras palavras.com outras opções possíveis. exploração empírica é que vai fornecer ao Dado que a vantagem inicial foi obtida. tem sido aplicados para aplicado à análise institucional. Isso sig­ de racionalidade instrumental. por meio da nifica dizer que um efeito criado por causas. quais circunstâncias as tradições tenderão a se sobre esta tecnologia. investigador a condição de verificar sob efeitos de feedback positivos podem fechar. ou entrarão em decadência competidores. Apesar de ele do tempo. m uitos dos principais ples alternativa e a continuar seguindo um processos sociais podem criar infinitos e caminho específico. Na figura. no sentido ficativa para o estudo das instituições a partir empregado por Stinchombe (1968: 103). neste seu trabalho seminal e mais Depreende-se. o vídeo cassete V H S. ao longo North (1993) merece destaque. porizador até que Y. para conceituar institu­ em algum período prévio. D encontra-se como um contem- uma vantagem sobre seus competidores. da história econômica. North utiliza a noção para definir explicações históricas. Para optar por outra trajetória diferente. excluindo seus ser preservadas. Esse loop que demonstra a estrutu­ a informação. X é uma causa histórica orig­ um a tecnologia particular pode conquistar inal de Y. o trabalho de explicar o domínio de mercado. num dado momento. processos de retornos cres­ centes também podem ser descritos como auto-reforços ou processos d zfeedback pos­ itivo.

declínio das restrições mercantilistas período de significativa mudança. A revolução financeira rem transições que estabelecem certas colocou o governo sobre uma sólida base direções de mudança e excluem outras num econômica. A incapacidade da coroa e de sua qualquer caminho ou rota de mudança burocracia de alterar a direção da rota dependente desta estrutura preestabelecida. na evolução da América anglo-parla- mente nas profundas características institu­ mentar e da América espanhola. a idéia de escolhas cruciais e seus guerra. tornaram-se ocupações lucrativas e muito excetuando-se os momentos revolucionários. De acordo com Lipset e Rokkan financiamento das novas tecnologias de (1967: 37). Estas refletiram-se provavel­ ção. Segundo ele. Collier (1991: 29 e capitais. e que é hipotetizado para produzir mercados doméstico e internacional. Collier e R. que pode ser chamada de momentos Banco da Inglaterra e um sistema fiscal em críticos. caracterizada sistema burocrático ete administração pas­ por um contexto de profunda mudança. distritos ou cidades. o confisco de remessas de prata dos eficientes (sejam elas positivas ou negativas comerciantes de Sevilha (que se confor­ para o sistema de mercado). e estabeleceu as condições para o caminho que molda a política por anos. o exército. O momento crítico é uma Espanha. as altas rendas de terra. foram tempo.que significaram que fez a Espanha deixar de ser a nação mais alternativas que puderam reforçar ou não seu poderosa no século XVII do mundo ociden­ curso” (1993: 121-131). o judiciário e o clero reforma institucional. tem como foco principal circun­ que os gastos estavam controlados em stâncias decisivas na vida política. N a Inglaterra. seja saram a ser considerados um bom negócio e. onde ocor­ relação às receitas. os preços do path dependency. ao longo do mavam com bônus de pouco valor). cobiçadas. Na legados distintos” . adquirem estabilidade. suas colônias. espanhola. momento crítico é definido como: “um seguros.7 Espanha. as quebras freqüentes entre 1557 e situação de transição política e/ou econômi­ 1647 levaram o governo a tomar medidas ca vivida por um ou vários países. O tempo de duração 85 . Estados. dependency é a noção de momento crítico {crit­ decorrentes dos custos cada vez mais altos do icaijuncture). Tanto Inglaterra como tomadas da pátria mãe. “as instituições trigo. ela revolucionária ou realizada por meio de portanto.mudança nestas se dá de modo incremental. o parlamento criou o legados. A guerra. Direitos de propriedade mais 782). o que as faz sintomas da falta de incentivos à atividade conservar sua estrutura normativa. A expulsão dos mouros e dos Para tanto. países feudais no século XVI. diferencia­ Espanha e da Inglaterra são transferidos para das radicalmente a partir do século XVI. onde se evidencia uma dis­ quando tom am trajetórias institucionais tinção radical. desesperadas. tornando produtiva. a igreja e o complexo regiões. apesar das evidências de decadên­ Em cada passo da rota foram feitas escolhas — cia e declínio que dominavam o país. North desenvolve o conceito de judeus. desenvolvimento do mercado privado de Segundo D. refletindo a cionais das duas sociedades no curso de sua imposição de pautas institucionais distintas história subseqüente. tal desde o Império Romano. North explicar a distinção na evolução da econo­ (1993) acrescenta ainda que estes legados da mia da Inglaterra e da Espanha. para se con­ É assim que North (1993) procura verter numa potência de segunda. Uma idéia-cliave para o conceito de path enfrentaram crises fiscais nesse período. que nor­ e a fuga das empresas têxteis das restrições malmente ocorre em distintos caminhos por gremistas urbanas se conjugaram para diferentes países (ou outras unidades de aumentar as oportunidades das empresas nos análise). desde o começo da coloniza­ contrastantes. foi o políticas e econômicas .

sobre a formação dos partidos e sis­ radical . De acordo com Thelen (1998: 19). O s países uam a evoluir em reação às mudanças das foram divididôs em pares que apresentavam condições do ambiente. institucionalização sancionadas pelo Estado. que se subdivide torna possível evidenciar as semelhanças e em três subtipos: 2. A análise comparativa é que Incorporação Partidária. Collier (1991) que essa noção é até décadas. As partidários congelados. Mobilização eleitoral diferenças nos momentos críticos dos países. exis­ Desenvolvem também uma exaustiva e com­ tem duas linhas de argumento que se bifur­ plexa análise histórica comparativa de oito cam no conceito de path dependency com países (Argentina. legado podem . é fundada a partir de um momento crítico Incorporação por meio do Estado . mentos. a qual será utilizada no sociais.3. Estas organizaram-se dentro dos par­ presente estudo. de legalização e (ou path dependency). envolve argumentos sobre a fundação de Utilizam-se do conceito de path dependency e momentos críticos. fez-se uma compara­ bilidade de ocorrência de ambos os argu­ ção entre os países que formavam cada par. Brasil. alguns elementos importantes com ­ ciar a atividade partidária (start up costs). durante os quais o processo de definida de maneira mais sistemática. envolver 86 . e 2. de incorporação inicial. U ruguai e Venezuela). De acordo eles (1991: 30- tidos e. Colômbia. ou seja.Brasil lançando governos por um caminho inteira­ (1930-1945) e Chile (1920-1931). 2. Apesar de o estudo condições antecedentes permitem desses autores usar a noção de momento indicar que importantes atributos do crítico. mas em caminhos traços históricos comuns em relação ao tipo que são limitados por experiências passadas. de formação institu­ consideram a noção de momento crítico cional.2. Populismo trabalhista — Argentina (1943- O grande trabalho de Lipset e Rokkan 1955) e Peru (1939-1948).desse momento crítico pode ser de anos ou Collier e R. primeiros a utilizar a noção de momento O que nos interessa de imediato é o crítico para identificar conjunturas históricas tratamento que esses autores dão à noção de decisivas que produziram grandes clivagens momento crítico. que lançam os países por algum central para mapear o período de incorpo­ tempo em caminhos amplamente diferentes. ração inicial do movimento sindical e seus A segunda sugere que as instituições contin­ diferentes legados em cada país.1. Chile. é no importante trabalho de D. A primeira M éxico. quando uma seqüência O s oitos casos foram divididos em dois histórica estável e de mudanças incrementais grandes tipos de incorporação: 1. Condições antecedentes: Representam a ao longo do tempo gerando o que Lipset e linha básica sobre a qual o momento Rokkan (1967) denominaram de sistemas crítico e o legado são avaliados.México (1917-1940) e Venezuela temas partidários na Europa. Foram comparados Pode-se afirmar também que existe a possi­ os pares e. além disso. Populismo (1967). isto é. mente novo. de fato. O s mudança que se inaugura deixa um legado autores analisam a emergência do movimen­ que conduz os políticos a fazerem escolhas e to sindical na América Latina durante o iní­ tomarem decisões sucessivas ao longo do cio do século X X e suas diferentes formas de tempo. pelo partido tradicional —Colôm bia (1930- e as semelhanças e diferenças nos legados 1945) e Uruguai (1903-1916). foi um dos (1933-1948). produzidos pela rota inicial de mudança. relação a momentos críticos. põem esta definição: bem como superados processos de expectati­ vas adaptativasfos partidos são reproduzidos 1. uma vez eliminado o custo para ini­ 35). Peru. visando à reprodução desse legado incorporação inicial. e 2.

Mecanismos de Reprodução do Legado —A reprodução do 5. observar se os atributos do sistema que podem contribuir para a estabilidade do 3. E sta­ sais diretos com o sistema preexistente. diante de um momento crítico. mento crítico. to da path dependency. Explicações rivais envolvendo causas cons­ um a situação revolucionária ou de tantes: Significa fundamentalmente reforma que deixará um legado. automático. com resultados que revelam cristaliza imediatamente depois do m o­ relativa continuidade. ou links cau­ institucionais sucessivos. E a situação na qual um caminho político ou econômico que ocorre um rearranjo das forças políticas gerará um legado. condições antecedentes e desencadeia o decisões iniciais são tomadas indicando momento crítico.2. é importante localizar os pon­ uado por processos e decisões político. segue a trilha inicial do momento críti­ O que D. as como um resultado do momento crítico. tos de descontinuidade e autodestruição Figura 2 . e sociais. não dado por meio de uma série de passos é oriundo de momentos críticos. mas quase sempre é perpet­ portanto. levando à emergência de 4. Fim do legado'. Uma causa constante opera ano legado na maioria das vezes não se após ano. bilidade dos atributos centrais do legado — que não são mediados pelo momento São os atributos básicos produzidos crítico. Inevitavelmente o fim do legado não é mais um resultado legado deve ocorrer em algum ponto.| End of ■►core atributes Conditions Legacy? of the legacy L ___ ___ _ ' Rival Explanations Involving “Constant Causes" 87 . mas quase sempre é mol­ ao contrário de uma causa histórica. Collier (1991) co ou se estão ligadas às condições ante­ chamam de legado significa um substra­ riores ao momento crítico. o qual define o fenômeno observado.Estrutura do Momento Crítico Segundo Collier e Collier (1991: 30) Criticai Mechamisms of Mechamisms of Juncture production production Cleavage Stability of Antecedents. e. * . considerável continuidade. condições antecedentes procuram mos­ tais como os padrões de decisão política trar se a rota tomada pelo fenômeno municipal analisados neste estudo. Legado e seus três componentes\ 3. 3. intervenientes. porém esse padrão.1. D ito de outro m odo. 3. Clivagem ou crise: Surge fora das cionário ou de reforma institucional. isto é.3. legado não são produtos do momento Mecanismos de Produção do legado — O crítico. Collier e R. seja ele revolu­ 2.

Trabalhos importantes. no fenômeno de interesse. C on­ da semelhança é uma busca por padrões de traste de contextos . o do por Skocpol (1984: 379) e Skocpol e . o investigador estuda a diferença da rota dependente corresponde mais à ter­ casualmente crucial entre os objetos relativa­ ceira lógica de análise na história comparada. que é variado cruzando todos os lógica de análise histórico-comparativa. porém um fator crucial tantes referências identificadas dentro desta explicativo. As inferências causais devem ser Path dependency e os Estudos projetadas onde são apropriadas. pode-se afirmar que a explicação pares. descritivas. a qual corresponde aos lógicas de análise na história comparada: 1. os fatores causais são similares e causais. Não se preocupa em fazer inferências diferença. 3. A demonstração na variação dos A tradição de estudar a política utilizan­ fatores explicativos (variáveis independentes) do observação com parada de trajetórias e explicados (variáveis dependentes) pode ser históricas é antiga nas ciências sociais e Max feita usando a orientação lógica clássica de Weber é um dos seus principais expoentes. No método da gerais. apresentada por Stuart Para Skocpol e Somers (1980). isto é.8 A partir do esquema traça­ Na abordagem da path dependency. portanto. existem três Mill (1999: 79-82). tanto historiadores como cientistas A estrutura do momento crítico acima sociais precisam resumir os detalhes históri­ descrita pode ser representada também na cos. como os de Einsenstadt (1963) e causa do fenômeno de interesse. O método Paige (1973). seguem esta lógica.busca apresentar os invariância. uma vez que o estudo em conta de entender como fatores variados em desenvolvimento esteja sendo feito com questão mudam de um caso para outro. entre tância na qual todos os casos concordam é a outros. Demonstração paralela de teoria . são impor­ cos entre os casos. Keohane e Verba (1994: 75-113). entre outros. diferença que é responsável por resultados Apesar de esses três tipos enunciados por contraditórios. acordo com King. Moore (1983) e rentes. O ponto de pesquisador faz inferências causais. deve-se tâncias causais em comum. métodos da semelhança e da diferença. Tem como estudos rep­ muito similares apresentam resultados dife­ resentativos. e com a Históricos Comparados em Política melhor e mais honesta estimativa de incerteza. para a proposta da ciên­ cia social. visa-se determinar que aspectos de cada caso em particular que afeta possível variável causal está constantemente o funcionam ento dos processos sociais cruzando todos os casos. casos. se dois ou históricos são justapostos para demonstrar mais casos de um fenômeno sob investigação que os argumentos teóricos aplicam-se con­ têm apenas uma de muitas possíveis circuns­ venientemente aos casos e. Ao invés de destacar as simi­ Skocpol e Somers (1^80) não serem rígidos e laridades entre os objetos relativamente dís­ excludentes. Com o considera Ragin inferências causais sobre estruturas e proces­ (1987: 47) a este respeito. quando dois casos sos de nível macro. 2. isto é. mente similares. pesquisa comparada. é relacionado como causa destes difer­ Análise macrocausal . fim do legado também pode não ser aponta uma relação causal que procure dar detectado. entre outros. daí a necessidade de fazer inferências forma esquemática (Figura 2). porém. O s estudos de Geertz (1971) e observam-se diferenças nos resultados políti­ Bendix (1964). então a circuns­ validar a teoria. De a análise do fenômeno em andamento.exemplos No método da semelhança. a meta da investigação é identificar a Skocpol (1979).propõe-se a fazer entes resultados. a inferência descritiva sozinha é incompleta.

O do mão de variações ocorridas no deslanchar exemplo clássico de estudo de caso histórico do processo de modernização econômica. Nesta obra seminal. Dentro de cada tentar entender qual será a rota política trajetória (democracia liberal. fascismo ou alternativa trilhada por países do terceiro comunismo) ele trabalha com o método da 89 . ou a combinação deles. Democracia observa a predominância da burguesia em liberal por meio de revolução burguesa relação aos senhores feudais. dado que considera a dilérença de Stuart Mill. 1984: 379) The Method oí Agrement Casse 1 Casse 2 Casse n a d 9 b e h ■Overall Differences c f i X X X • Crucial Similarity y y y x = Causal Variable The Method of Difference y = Phenomenon to be Positive Negative Explained Case(s) Case(S) a a b b • Overall Similarities c c X not x • Crucial Difference y not y Somers (1980). Num a pesquisa em que se utiliza a abor­ Moore (1983) procura explicar os processos dagem da path dependency. os modos de (França. Considerando as alianças de classe identifica três trajetórias políticas para a como condição causal fundamental. comercialização da agricultura e os tipos de Fascismo por meio de revolução vinda de relação entre camponeses e proprietários de cima (Japão e Alemanha). lançan­ dois métodos. usa-se um dos políticos do século X X nestes países. Moore explica a razão pela por meio de revolução camponesa (China e qual os países analisados trilharam uma tra­ Rússia). ele modernização econômica: 1.Os Dois Projetos de Análise Histórica Comparativa de John Stuart Mill (Skocpol. Figura 3 . Moore XIX. 2. índia como um fraco impulso modernizador. 3. Desse modo. Inglaterra e Estados Unidos). Comunismo terra. pode-se obser­ mundo. ou comparado que usa a lógica de análise seja. o momento crítico vivido pela econo­ macrocausal é o trabalho de Barrington mia destas nações entre os séculos XVIII e Moore (1983). mas neste exemplo ele não oferece var melhor os métodos da semelhança e uma resposta clara. O caso da índia é estudado para se jetória ao invés de outra. na Figura 3.

reduzir o número de variáveis independentes A outra crítica feita aos estudos de caso relevantes que explicam um fenômeno. muito complexa — o autor tenta construir utiliza o método da diferença. Sua análise é causai comum. construções. históricos são inferências sobre relíquias 1995: 63). ou às outras duas. O estudo de Barrington desenvolver concomitantemente ambas as 90 . os históricos comparados diz respeito à forma estudos com parados da ciência política de obtenção de evidência. em artigo que rejeita o casos é relativamente pequeno. Daí decorre a dificul­ Skocpol. por razões práticas. e a base de casos relevantes que limita a seleção do evidência histórica para desenvolver a expli­ método. Ao cruzar as três trajetórias. são fontes de conheci­ estudos qualitativos transnacionais sempre mento do nosso passado. a ligação entre experimento e também o contrário. N o que tange ao número e à limita o número de casos e o número de escolha dos casos. Assim constata-se que mente com a adição de uma simples há o risco de o pesquisador não conseguir condição causal. fatos evantes de explicação do fenômeno9 (López. mas a natureza do método que cação causal. têm poucas sociologia quando esta produz evidências a observações sobre variáveis teoricamente rel­ partir de inferências causais. artefatos. possuem o problema (1991: 213) critica o uso da história pela de sobredeterminação. os úni­ melhor se adaptar à teoria que rege o estudo. Nesse sentido. afirmam que a os estudos comparados de caso considerarem pesquisa histórica comparada. tentar sistematizá-las. cos sociólogos que criam evidências legíti­ Em contrapartida. Rueschmeyer e parado funciona bem quando o número de Stephens (1997). Essa complexidade é Do ponto de vista metodológico. D aí acreditar-se duas críticas fundamentais: o número e o aqui na posição de que não é o número de processo de escolha dos casos. isto é. e por isso são são quase-experimentais. pois estes se que a abordagem de estudo de caso com­ voltam para relíquias. estu­ inerente ao tipo de investigação de estudo de dos de caso históricos comparados recebem caso histórico comparado. Apenas um compara- referência à outra. ou seja. e as escolhas táticas para a os historiadores trabalham não permitem melhor combinação de países são considera­ conduzir orientações subjetivas dos atores das a partir de limitações de custo ou de em massa. 1970: 32-38). e aumenta exponencial­ e análise quantitativa. obras número de casos.). como tivista muito hábil poderia considerar todas exemplo contrastante que ajuda a desen­ as similaridades e as diferenças relevantes e volver suas inferências causais. A grande sociologia histórica do acesso por parte do pesquisador (Pzeworski e século XX. de arte etc. para Goldthorpe.10 Para ele. a difi­ evidência e argumento tenderá a ser sempre culdade na escolha dos casos que podem arbitrária. G oldthorpe orientada pela história. de Barrington Moore e Theda Tenue. Os dados com os quais ser randômicos. é importante. uma vez que uma intricada teia de similaridades e difer­ para discutir cada rota particular vai fazer enças entre oito casos. Ragin (1987: 51) defende mas são os analistas de survey.semelhança estabelecendo uma condição Moore é um exemplo disso. porém. e que uma saída causais. baseada em combinações em momentos de condições causalidades. Uma solução seria aumentar o (documentos. raramente podem incompletas e finitas. dado que projetos de condições causais que o pesquisador está pesquisa comparada são estratégias para hábil a considerar. tom a como evidências fontes dade na escolha teórica que arbitrará o secundárias. o volum e '“potencial da análise para o problema da obtenção da evidência aumenta geometricamente com a adição de seria combinar pesquisa comparada histórica um simples caso. Assim. Pelo fato de ponto de vista desse autor.

entrevistas com conselheiros regionais. de estudo de Putnam foi muito elogiado na realizar apenas um tipo de pesquisa de modo parte cross-sectio?ial. toda a história. Putnam incorre em do desempenho institucional entre os gover­ inferências imprecisas que levantam o clamor nos de suas várias regiões. Assim. é explicada voltan­ século X IX e início do XX. As regiões tradições cívicas que se correlaciona perfeita­ do norte italiano contêm padrões e sistemas mente entre as regiões do norte e do sul da dinâmicos de engajamento cívico. as regiões do sul padecem de uma política Entretanto. porém recebeu pesadas Putnam (1996) sobre o caso italiano. Seu estudo revela e o protesto de historiadores italianos. dariedade social. uma institucional de vinte regiões italianas entre pesquisa da história geral e regional da Itália 1976 e 1989. faz uma métodos de pesquisa estatística e estudo de pesquisa histórica para dar a explicação rota caso histórico comparado. de metodologia estatística e de pesquisa qual­ Tome-se o exemplo do trabalho de itativa nas regiões. regressão múltipla. tentando criar suas cadeias causais que se inicia a partir de 1970. no que tange à aplicação bem-sucedido.propostas de pesquisa a contento. e que o desempenho institu­ quantitativa. jornalistas. líderes rurais. onde são feitas mais de setecentas historicamente entre o norte e o sul italiano. três dado a multiplicidade de contextos que baterias de entrevistas com líderes comu­ envolveu tão antigas localidades ao longo de nitários (banqueiros. portanto. e Assim. as variáveis que compõem esse verticalmente estruturada. que é verificada no capítulo 5 cional nas regiões tem forte correlação positi­ do seu livro. ou seja. tem explicação histórica 1920. analisando para explicar as diferenças de civismo nas comparativamente o caráter da mudança e várias regiões do país. Concomitante. Além disso. líderes sindicais e empresariais). ou seja. Putnam utiliza a metodologia ainda mais detalhada. e não a um do-se quase um milênio atrás. só dizem respeito ao final do rota dependente. Para analisar o desempenho Isto requereria dele e de sua equipe. a tentativa de resolver o proble­ seis sondagens eleitorais junto à população ma das evidências. prefeitos. é algo 91 . com a conciliação entre entre 1968 e 1988. enquanto Itália. O Rueschemeyer e Stephens (1997). ao relatar eventos históricos dois regimes políticos contrastantes e ino­ importantes que procuram confirmar sua vadores . apesar de até constituir um um conjunto de repúblicas comunais no cen­ momento crítico que remonta a mil anos tro e no norte —que por longo tempo acu­ atrás. desenvolve talvez devesse relativizar bastante a rígida estudos de caso qualitativos em oito das vinte diferença tão marcante que tenta estabelecer regiões. A comunidade índice estão situadas entre os anos de 1860 e cívica. ou seja. Putnam não traz uma seqüência de mularam diferenças regionais sistemáticas fatos robustos ao longo do tempo que possa nos modelos de engajamento cívico e soli­ dar sustentação mais sólida à sua hipótese. Ao tratar da estuda empiricamente durante mais de vinte história complexa e milenar da Itália e de anos o processo de descentralização política suas regiões de forma rápida (em apenas um na Itália. uma vez comparativa a partir de análise fatorial e que usa abordagem de história comparada. Ele críticas em sua análise histórica.uma poderosa monarquia no sul e hipótese. quando se milênio atrás como ele ao longo do texto estabeleceram em diferentes regiões da Itália tenta provar. Putnam cria um índice de va com a natureza da vida cívica. tal como enuncia sua hipótese. ao longo da reforma institucional capítulo). Além disso." Uma que há uma forte correlação positiva entre das críticas centrais diz respeito à tentativa de modernidade econômica e desempenho mesclar história comparada com análise institucional. tal como sugere dependente acerca das tradições cívicas.

o contrário. A crítica dos historiadores problemas para o pesquisador que opta tra­ aos estudos históricos comparados em ciên­ balhar com essa abordagem. que se caracteriza pelo diálogo entre idéias e evidência. Neste caso. Assim. Entretanto. mas não cabe às situações curiosas que suscitam questões- ciências sociais. 1987: 167). respeito ao arbítrio que o investigador faz Pode constituir-se muito mais um compli. se diferentes legados. estudos históricos de sociologia política Skocpol (1984: 382). sua causa são os mesmos cruzando diferentes base teórico-metodológica vincula-se aos contextos (Ragin. ou os estudos cos comuns. sobretudo a causação Considerações Finais múltipla. a pesquisa de estudo de não parcimonioso. como considera Skocpol método de pesquisa exigirá um esforço (1984: 382). A sua hipótese. são por parte de historiadores. a tornam inexeqiiíveis. para cada investigação. uma vez que em cada tomar cuidado com as várias interpretações frente de trabalho será necessária a presença historiográficas. pois sem o uso de fontes em países. seria desas­ der o comportamento da política italiana em trosa. sobretudo aos trabalhos de das fontes secundárias como evidência para Barrington Moore Jr. mental que o pesquisador seja exaustivo e Afinal de contas. diz vista do rigor metodológico para a pesquisa. O o investigador de ciências sociais orientado estudo de Putnam acerca do caso italiano é pela história. as fontes secundárias são apropri­ dos históricos comparados é um referencial adas como fontes de evidência para um dado teórico metodológico bastante útil para se estudo. dado que cada evidência. como. para campo da ciência política dentro da corrente provar que determinados efeitos de uma institucionalista histórica. regiões ou outras unidades de secundárias como evidência os estudos de análise. Usá-las não torna o investigador que compreender a institucionalização de proces­ o faz inferior ao analista de survey. a preocupação principal reside economia da tecnologia e desenvolve-se no em dirigir estimativas aproximadas. literatura que lhe servirá de evidência aque­ é distinta da pesquisa orientada pela variáv­ les estudos que concordam ou discordam de el que utiliza metodologia estatística. Se um ou vários assuntos já são suas distintas regiões. mais radical nesse aspecto é compreensível gerando legados comuns entre os países. torna-se funda­ de especialistas nas duas m etodologias. ou seja.que pode trazer dificuldades do ponto de cias sociais. afirma que uma insistência um dos principais trabalhos recentes que uti­ dogmática em refazer as fontes primárias de liza a noção de path dependency para enten­ pesquisa. Uma posição crítica vivência de distintos momentos críticos. Acredita. demasiado explorados por várias pesquisas O conceito de path dependency em estu­ primárias. Tanto a vivência de momentos críti­ caso históricos comparados. cabe ao pesquisador que está duplo por parte de cada pesquisador ou desenvolvendo análise histórico-comparativa grupo de pesquisa. sos decisórios de governo ou o estabeleci­ se aqui que o ponto de vista de Skocpol é mento de trajetórias de política econômica coerente. que busque na caso histórico comparado. que usa m étodos conceito de path dependency tem origem na estatísticos. característica fundamental dos estudos de casos históricos comparados diz respeito à complexidade causal. em sua essência. o entada pela variável. que deve ser incorporada. das fontes secundárias que utiliza como cador do que facilitador. ao discutir o valor com parada. 92 . e Theda Skocpol. levando os países a construir guiados pela história em ciências sociais. Já na pesquisa ori­ Com o foi visto ao longo do texto.

Taiwan. como a sociologia. existe um sem-número de trabal­ hos sobre este objeto. o procuram analisar como as decisões dos determinismo histórico seja prevalecente. que passa a ser desenvolvida pela ciência política e outros campos de estudo relacionados. 3. O estudo de Immergut (1996: 162) enfatiza este ponto. é algo polêmico e questionável por autores considerados “velhos institucionalistas” como Selznik. A literatura sobre o congresso norte-americano é vasta. Eckstein (1960). entre outros. o processo de mudança constitucional nos sistemas de saúde da França. Esse conceito. 4. Em seu estudo de caso comparado de seis países (Zaire. Ainda na abordagem pluralista o trabalho de Robert Dahl (1961) representa um das principais contribuições à teoria pluralista. Sobre isso. Finalizando. Isto quer dizer que 93 . a economia e a administração pública. de modo compara­ tivo. ver. Para uma revisão da escola neo-institucional da rational choice e os estudos legislativos do congresso norte-americano. Selznik (1996) e Prates (2000). senso de dever e lealdade). 2. com uma relação de cooperação e confiança com o setor privado. A distinção entre o velho e o novo institucionalismo. Ao analisar. Notas 1. significa a relação entre Estado e capital privado. são capazes de criar instituições que acabará criando uma explicação do tipo deixam legados políticos e econôm icos Deus ex machina. que elabora o conceito de EmbeddedAutonomy (Autonomia Inserida). visando ao desenvolvimento industrial. De acordo com Rhodes (1995). pelo menos no campo da teoria das organizações. o autor estabelece uma tipologia acerca da capacidade de autonomia dos Estados no desenvolvimento de programas de transformação industrial. com sua ênfase em arranjos formais legais. dentro do enfoque pluralista que procura analisar a cultura política. portanto. ver Limongi (1994). assim como. carreiras de longo prazo. objetiva-se atingir metas de desenvolvimento econômico. Brasil e índia). combinada às estratégias e aos recursos dos atores políticos no momento do processo de escolha. em que se desenvolve o novo institucionalismo sociológico. sucessivas e acumuladas ao longo do pois se o investigador agir desta forma tempo. 5. o “velho” institucionalismo ou o “institucionalismo tradicional”. Truman (1951). A questão da autonomia de Estado é discutida por Evans (1995). atores. A partir da combinação de uma forte tradição burocrática entre os agentes públicos (meritocracia. Einsenstadt e Apter (1963). da Suíça e da Suécia. Nesta mesma linha de análise situa-se o estudo de Banfield (1958). entre outros. O trabalho de Almond e Verba (1963) é um dos principais estudos comparados transna- cionais. ou seja. caracteriza a diferença entre esta abordagem e a neo-institucionalista. Japão. Isso não quer dizer que base na análise institucional histórica que se novas opções de m udança não surjam utilizam do conceito de path dependency durante a trajetória e que. Schattschneider (1960). Coréia do Sul. os estudos políticos com quase irreversíveis. realiza­ do na cidade de Montegrano no sul da Itália. em termos gerais. investigar como as atitudes e os comportamentos de grupos e indivíduos influenciam a democracia. a autora afirma que as instituições indicam quais cursos de ação terão mais probabilida3e de sucesso a partir da lógica social da história.

possui um paralelo na litera­ tura do pensamento social brasileiro. os termos dependence e denpendency são iguais. 94 . ou eleitorado) e pelo tipo de decisão assumida (regra majoritária. na esfera intra-sistêmica. O tipo de análise de North. 10. de nítida inspiração weberiana. Bagnasco (1994). denominam o primeiro “projetos de sis­ temas diferentes” e o segundo. Princeton University Press. segundo Immergut. hierarquia ou unanimidade). das arenas políticas (exe­ cutivo. Bibliografia A L M O N D . realizada por Putnam para demonstrar a diferença de comunidade cívica nas diferentes regiões. cria­ vam-se padrões diferentes de policy making. Prefere-se adotar aqui a grafia dependency. No segundo método. A discussão acerca da ciência política historicamente orientada. visando à mudança institucional. depois. 9. sobretudo nos trabalhos de Sérgio Buarque de Holanda (1936) e de Raimundo Faoro (1957). como normalmente é encontrado na literatura de ciência política. ver Collier (1995). 11. à medida que os políticos e os grupos de interesse disputavam o uso dos mecanismos institucionais. Sidney. Semanticamente. Pzeworski e Tenue (1970: 32-38). Cohn (1994) e Sabetti (1995). As diferenças exis­ tentes na reforma de saúde desses três países são explicadas pela disposição dos atores políticos (sindicatos e confederação de patrões e empregados). identifica-se um fator causal relevante comum que explique a diferença entre os sistemas. Caporaso (1996) e Liphart (1971). Sobre os problemas de seleção não-randômica de casos em pesquisa quantitativa e quali­ tativa. podem ser observadas. 8. há também uma crítica à abordagem histórica no trabalho de Putnam feita porTarrow (1996). visando a reduzir o número de variáveis independentes relevantes. O primeiro inicia-se com a comparação intra-sistêmica (variáveis dependentes) que deve variar entre os casos. o termo path depende?ice normalmente é escrito com a letra “e” ao final da palavra dependence e não com a letra “y” . parlamento. em cada caso. que estudam fundações históricas do Brasil colônia para estabelecer o vínculo entre a trajetória do país e sua condição de sub­ desenvolvimento. Na economia. em Pasquino (1994). 7. o fenômeno dependente é invariável e na esfera intersistêmica. é encontrada também em Lustick (1996). decisões institucionais passadas indicam os caminhos possíveis por onde serão dadas escolhas e decisões políticas futuras. busca-se máxima hete­ rogeneidade entre os casos. 6. na comparação intersistêmica (variáveis independentes). Além dos historiadores italianos. Gabriel & VERBA. e sua base de evidência capaz de desenvolver tipologias e avaliar trajetórias de comunidades políticas separadas no tempo e/ou espaço. ao analisarem o método da semelhança e da diferença em estudos comparados orientados pela variável. Ainda. entre outros. Algumas das principais críticas à abordagem da história italiana. 1963 The Civic Gulture: Political Attitudes and Democracy in Five Nations. “projetos de sistemas semelhantes” .

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Historical institutionalism.Resumo Path dependency e os Estudos Históricos Comparados Este artigo tem o objetivo de apresentar o conceito de path dependency (dependência de traje­ tória). nous observons les aspects essentiels qui composent le concept : filiation théorique issue de l’éco­ nomie de technologie et lien avec l’abordage institutionnel historique. Nous analysons. Palavras-chave: Path dependency. Keywords: Path dependency. Mots-clés: Path dependency. Pour cela. Études historiques comparées. par ailleurs. 101 . Para isto. Résumé Path dependency et les Etudes Historiques Comparées Le but de cet article est de présenter le concept de path dependency (dépendance de trajectoi­ re). tout en montrant que la perspective adoptée par ce courant de la science politique plus récente est commun et originaire des études de sociologie politique comparée. In doing so we focus attention on essential aspects o f the concept: its theoretical origins in technology economy and its links to the historical institutionalist aproach. analisa-se a perspectiva teórico-metodológica dos estudos históricos comparados em sociologia política a fim de mostrar sua proximidade com a abordagem da path dependency. Institutionnalisme historique. Além disso. Comparative historical studies. Institucionalismo histórico. obser­ vam-se os aspectos essenciais que compõem o conceito: filiação teórica oriunda da economia de tecnologia e vinculação com a abordagem institucionalista histórica. Estudos históricos comparados. Abstract Path dependency and comparative historical studies This paper aims at presenting the path dependency concept by showing that the most recent political science perspective has its source in the comparative political sociology. mostrando que a perspectiva adotada nesse pensamento dentro da ciência política mais recente é comum e originária dos estudos de sociologia política comparada. Finally the article analyses both the theoretical and methodological perspectives o f comparative historical studies in po­ litical sociology in order to show its proximity with the path dependency approach. la perspective théorique et méthodologique des études historiques comparées en so­ ciologie politique en vue de démontrer sa proximité avec l’abordage de la path dependency.