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CENTRO UNIVERSITÁRIO INTA - UNINTA

CURSO DE SERVIÇO SOCIAL

MARIELE TORRES CARNEIRO

A FAMÍLIA NO ACOMPANHAMENTO DE DEPENDENTES QUÍMICOS DE


ÁLCOOL ATENDIDOS NOS CENTROS DE ATENÇÃO PSICOSSOCIAL ÁLCOOL
E DROGAS: UMA REVISÃO INTEGRATIVA

SOBRAL - CE
2018
MARIELE TORRES CARNEIRO

A FAMÍLIA NO ACOMPANHAMENTO DE DEPENDENTES QUÍMICOS DE


ÁLCOOL ATENDIDOS NOS CENTROS DE ATENÇÃO PSICOSSOCIAL ÁLCOOL
E DROGAS: UMA REVISÃO INTEGRATIVA

Trabalho de conclusão de curso de


graduação apresentado UNINTA - Centro
Universitário Inta de Sobral, como requisito
parcial à obtenção do grau de bacharel em
Serviço Social.
Orientador: Prof. Me. Denilson Gomes
Silva.

SOBRAL - CE
2018
A FAMÍLIA NO ACOMPANHAMENTO DE DEPENDENTES QUÍMICOS DE
ÁLCOOL ATENDIDOS NOS CENTROS DE ATENÇÃO PSICOSSOCIAL ÁLCOOL
E DROGAS: UMA REVISÃO INTEGRATIVA

Trabalho de conclusão do curso


apresentado ao curso Serviço Social do
Centro Universitário Inta- UNINTA, como
requisito parcial à obtenção do grau de
Bacharel em Serviço Social.
Monografia aprovada em: ___/___/____

_________________________________________________
Orientador: Prof. Me. Denilson Gomes Silva

_________________________________________________
1a examinadora: Profa. Me. Isabelle Melo Rocha

_________________________________________________
2a examinadora: Profa. Me. Francisca Lopes de Souza

_________________________________________________
Coordenadora do curso: Profa. Me. Francisca Maria dos Santos
AGRADECIMENTOS

Agradeço a Deus por ter me dado força e sabedoria nesta jornada, também a
minha família, que hoje compartilha comigo esta conquista maravilhosa.
Agradeço ao meu orientador, Prof.Me.Denilson Gomes Silva, pelo profissional
e pela pessoa que é, o qual eu tanto admiro, que juntamente comigo se dedicou no
decorrer deste trabalho, dando-me todo o suporte necessário.
Agradeço às professoras Alberlane Matos, Isabele Melo e Francisca Lopes
que sempre estiveram dispostas a ajudar e contribuir para um melhor aprendizado.
Agradeço aos colegas da faculdade pela confiança, companheirismo
compartilhado e o apoio no decorrer dos semestres.
Em especial a minha amiga Jessica Souza e minha mãe, Helen Lúcia, pois
sua colaboração foi essencial ao término do trabalho.
RESUMO

Esta pesquisa apresenta considerações acerca do contato da família no


acompanhamento de dependentes químicos atendidos nos centros de atenção
psicossocial álcool e drogas. Tendo como objetivo compreender como se dá o
contato da família no acompanhamento de dependentes químicos atendidos nos
centros de atenção psicossocial álcool e drogas. Contextualiza-se brevemente a
droga álcool a partir de seus conceitos e historicidades, antecedendo considerações
sobre os serviços dos centros de atenção psicossocial álcool e drogas,
potencializando a atenção com a família e a reinserção do usuário na sociedade.
Para atingir o objetivo proposto foi desenvolvida uma pesquisa de natureza básica,
bibliográfica e qualitativa em revisão integrativa, por meio da apresentação dos
resultados de pesquisas já publicadas sobre o tema. De acordo com os resultados
encontrados, observa-se que os sentidos e significados negativos que os familiares
atribuem ao usuário de álcool podem ter relação com as experiências de
convivências conflituosas que os mesmos vivenciaram durante o processo que
compreende o uso, O uso abusivo de álcool e o início do tratamento nos Centros de
Atenção Psicossocial. É neste meio que se fragilizam os vínculos familiares.

PALAVRAS-CHAVE: Alcoolismo. Família. Saúde Mental.


ABSTRACT
.
This research presents considerations about the family's contact in the follow-up of
drug addicts attended at the psychosocial care centers alcohol and drugs. The
objective of this study was to understand how family contact occurs in the follow-up
of dependent chemists attending the psychosocial care centers, alcohol and drugs. It
contextualizes briefly the drug alcohol based on its concepts and historicities,
preceding considerations about the services of the centers of psychosocial attention
alcohol and drugs, enhancing the attention with the family and the reintegration of the
user in the society. In order to achieve the proposed goal, a basic, bibliographical
and qualitative research was developed in an integrative review, through the
presentation of the results of research already published on the subject. According to
the results found, it is observed that negative meanings and meanings that the
relatives attribute to the alcohol user may be related to the experiences of conflictive
coexistence that they experienced during the process that includes the use, abusive
use of alcohol and the beginning of the treatment in the Centers of Psychosocial
Attention. It is in this environment that the family ties become fragile

KEY WORDS: Alcoholism, Familyand. Mental Health.


LISTA DE SIGLAS

CAPS-AD Centros de Atenção Psicossocial Álcool e Drogas


CNJ Conselho Nacional de Justiça
CRAS Centros de Referência de Assistência Social
ENSP Escola Nacional de Saúde pública
FIOCRUZ Fundação Oswaldo Cruz
MDS Ministério do Desenvolvimento Social
OMS Organização Mundial de Saúde
PAIF Serviço de Proteção e Atendimento à Família
SENAD Secretaria Nacional de Políticas sobre Drogas
SENAD-MJ Secretaria Nacional de Políticas sobre Drogas do Ministério da
Justiça e Cidadania
SNPD Secretaria Nacional de Políticas sobre Drogas
STF Supremo Tribunal Federal
SUAS Sistema Único de Assistência Social
UNIFESP Universidade Federal de São Paulo
UNINTA Centro Universitário Inta
LISTA DE ILUSTRAÇÕES

QUADRO 01 – Descrição dos estudos incluídos na revisão integrativa. Sobral


Ceará, 2017................................................................................................................41
QUADRO 02 – Descrição dos estudos incluídos seus resultados.............................42
QUADRO 03 - Descrição dos estudos incluindo sua natureza metodológica..........42
SUMÁRIO
1. INTRODUÇÃO ................................................................................................................................ 9

2. A DROGA ÁLCOOL: COMPREENDENDO CONCEITOS E HISTORICIDADE.......................... 13

3. OS CENTROS DE ATENÇÃO PSICOSSOCIAL - CAPS ÁLCOOL E DROGAS....................... 22

4. A FAMÍLIA NO ACOMPANHAMENTO DE DEPENDENTES QUÍMICOS DE ÁLCOOL


ATENDIDOS NOS CENTROS DE ATENÇÃO PSICOSSOCIAL ÁLCOOL E DROGAS: REVISÃO
INTEGRATIVA ...................................................................................................................................... 32

4.1 MÉTODO ..................................................................................................................................... 35

4.2 RESULTADOS E DISCUSSÕES ................................................................................................ 37

4.3 ÁLCOOL ...................................................................................................................................... 43

4.4 FAMÍLIA E SAÚDE MENTAL ..................................................................................................... 44

5. CONSIDERAÇÕES FINAIS .......................................................................................................... 46

6. REFERÊNCIAS ............................................................................................................................. 47
1. INTRODUÇÃO

Segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS), a dependência química ao


álcool é considerada um problema social e de saúde pública. De acordo com o
Ministério da Saúde, a dependência do álcool acontece quando o indivíduo não
percebe que o álcool está lhe trazendo vários problemas físicos, mentais e,
consequentemente, consequências irreversíveis muito além de malefícios físicos,
podendo influenciar negativamente problemas sociais tanto na vida do alcoolista,
muitas vezes identificado como alcoólatra, quanto na vida das pessoas que se
relacionam com ele e compreendem o seu meio social. É desta perspectiva que, no
decorrer destes estudos, faremos uma revisão integrativa considerando as
categorias: alcoolismo, família e saúde mental.
O conceito de alcoolismo só surgiu no século XVIII, logo após a crescente
produção e comercialização do álcool destilado, consequente a revolução industrial
Gigliotti e Bessa (2004, p.11). Sendo, ao longo dos anos, substituído pelos termos
Síndrome de Dependência do Álcool - SDA. Para além das nomenclaturas desta
dependência química, está o sofrimento da família como um todo e a estigmatização
social, uma vez que esta é considerada uma doença, muitas vezes confundida com
falta de caráter, o que pode transformar o convívio familiar uma situação impossível.
Como podemos perceber, há, por trás do consumo abusivo e todo o sofrimento que
o dependente químico sofre, as questões sociais da síndrome de dependência do
álcool que trazem ainda consequências negativas na família e na sociedade.
Nestes casos, o tratamento muitas vezes acaba sendo procurado na tentativa
de amenização dos momentos de crise. É provável que, junto aos profissionais dos
Centros de Atenção Psicossocial – CAPS AD, envolvimento dos familiares possibilite
uma melhora, por meio do apoio que a família pode dar aos profissionais e, por
consequente, o desempenho da equipe multidisciplinar.
Sobre a prevenção e tratamento do alcoolismo, o Centro de Atenção
Psicossocial Álcool e Drogas - CAPS AD se torna um importante dispositivo para
promoção da saúde do usuário, por atuar junto a este e a sua família, com o objetivo
de reinseri-lo socialmente. Desta forma, reconhecer a importância da reinserção
social do usuário e da família, transforma-se em motivações para a elaboração deste
estudo, porque contribuirá diretamente para o reconhecimento das realidades que
9
são enfrentadas tanto pelos profissionais pesquisados, mostrando como o serviço é
ofertado e como o Serviço Social trabalha com essa demanda, quanto sobre as
reflexões e realidades acerca do alcoolista.
Para tanto, a fim de dar prosseguimento aos aspectos metodológicos desta
pesquisa, faz-se importante esclarecer seus objetivos geral e específicos. O objetivo
geral desta pesquisa é compreender como se dá o contato da família no
acompanhamento de dependentes químicos atendidos nos centros de atenção
psicossocial álcool e drogas. Tendo também como objetivos específicos: Entender
como se dá o processo de aceitação da família e questões relacionadas ao gênero
ao descobrir um dependente químico no seio familiar. Identificar a importância da
família e da rede social para que haja uma aceitação do dependente químico em
procurar um tratamento adequado. Entender como funciona a política de saúde e o
acompanhamento dos Centros De Atenção Psicossocial Álcool E Drogas (CAPS AD)
com famílias e dependentes químicos.
Contudo, vale salientar que o tema, escolhido por esta autora é fruto de uma
experiência pessoal. Por ter vivenciado dentro do meu ambiente familiar um caso de
dependência química e pelo fato de considerar a atuação do Assistente Social com
famílias de dependentes químicos do álcool. Nos Centros de Atenção Psicossocial
Álcool e Drogas (CAPS AD) uma instituição de intervenção social e de saúde
importante, além do fato deste tema ter despertado curiosidades, buscamos
entendê-lo melhor por considerarmos que o dependente, usuário abusivo de álcool,
assim como de outras substâncias psicoativas, não é o único afetado pelo uso
abusivo de álcool. Desta forma, a família, depois do etilista, também pode ser alvo
desta doença que afeta grande parte dos brasileiros.
Esta pesquisa é uma revisão integrativa que busca sinalizar para a reflexões
e visões dos pesquisadores sobre a oferta de serviços nas áreas ligadas à
assistência social, a fim de entender como o mesmo trabalha com essas famílias. A
metodologia utilizada foi de natureza qualitativa, visando construir reflexões sobre os
aspectos subjetivos paralelos, análise dos dados coletados em artigos já publicados.
Por buscarmos explorar o assunto da melhor maneira possível, seu nível foi
exploratório. O método de abordagem foi o dedutivo onde da preposição geral dos

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resultados da revisão integrativa tiraram-se conclusões particulares e específicas a
respeito do que foi encontrado.
Desta forma, a partir desta revisão integrativa, será possível identificar em
resultados de outros pesquisadores aspectos e categorias que compreendem as
mudanças ocorridas no convívio familiar, ao longo dos anos e conhecer as
atividades ofertadas para a família no CAPS AD. Através desses questionamentos,
será possível identificar como os autores interessados em temas como o CAPS AD
vem construindo e embasando seu discurso acerca do profissional de saúde, do
sujeito, e outros desafios enfrentados pelos pesquisadores durante as entrevistas e
seu trabalho com as famílias e as relações familiares, assim como sobre os serviços
ofertados.
Desta forma, no capítulo 1 contextualiza-se o álcool como droga,
compreendendo seus conceitos e sua historicidade, apresentando impactos
negativos causados ao longo da sua história até a implementação da Política do
Ministério da Saúde para Atenção Integral a Usuários de Álcool e outras Drogas, em
um caráter mais descritivo do que analítico, este capítulo buscou proporcionar ao
leitor informações sobre as concepções históricas do álcool e as finalidades
enunciadas nos documentos que oficializam tais políticas. Inicialmente há uma
problematização sobre as principais influências na construção deste tema como uma
questão de saúde.
No capítulo 2 foram apresentados os serviços fornecidos pelos Centros
Psicossociais de Álcool e Drogas (CAPS AD), objetivando responder questões mais
específicas sobre o que é o Centro de Atenção Psicossocial Álcool e Drogas, seu
funcionamento, equipe profissional e ações de combate ao uso abusivo de álcool e
outras drogas em aspectos mais gerais, realizando considerações sobre seus
processos, correlacionando políticas públicas e o cuidado com as pessoas que mais
precisam deste acolhimento. Buscou-se também apontar uma perspectiva de
avaliação de políticas públicas, utilizada neste estudo para a compreensão da
implementação das políticas de álcool e drogas do Ministério da Saúde.
Nos capítulos que se seguem, após a seção de especificação dos objetivos e
metodologia, que embasou o percurso empreendido neste trabalho, foram
apresentados os resultados e discussão dos temas abordados. Tais resultados

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foram delineados sob um mesmo enquadre de análise, a fim de se viabilizarem a
sistematização e a síntese dos achados. Esta última, por sua vez, foi esboçada nas
considerações finais.
Apesar da complexidade do tema, este estudo contribuiu para o
reconhecimento do papel da família em todo o processo compreendido entre o uso
abusivo do álcool e a participação da família nas ações e procedimentos do CAPS
AD, a fim de que o debate sobre políticas públicas nesta área ocorra de uma
maneira mais contextualizada.

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2. A DROGA ÁLCOOL: COMPREENDENDO CONCEITOS E HISTORICIDADE

Como dito anteriormente, neste capítulo contextualizaremos o álcool como


droga, compreendendo seus conceitos e suas historicidades, apresentando os
impactos negativos causados ao longo da sua história até a implementação da
Política do Ministério da Saúde para Atenção Integral a Usuários de Álcool e outras
Drogas. Desta forma, este capítulo tem o objetivo apresentar estudos em caráter
mais descritivo, objetivando proporcionar ao leitor informações sobre as concepções
históricas do álcool e as finalidades enunciadas nos documentos que oficializam o
surgimento das Políticas Públicas voltadas aos dependentes químicos de álcool
presentes em todos os ambientes e classes sociais como doenças democráticas e
familiares.
Abordará ainda um breve histórico conceitual de álcool e drogas no contexto
sócio brasileiro, ao longo dos anos, o que permitirá uma melhor compreensão da
sociedade atual e os impactos deste problema social, o alcoolismo, ao longo dos
anos. “O uso de substâncias entorpecentes causadoras de dependência são sempre
muito agradáveis e dão uma forte sensação de bem-estar a quem as ingeriu, inalou
ou injetou, ou seja, há a dependência física e a dependência psicológica” em
paralelo ao desenvolvimento histórico da produção do álcool no país, em paralelo à
problematização sobre as principais influências na construção deste tema como uma
questão de saúde (GÓIS; AMARAL, 2013, p.112).
Vale destacar que ao pesquisar a história do alcoolismo, assim como do
próprio álcool no país, os conceitos que o envolvem e suas consequências negativas
foi uma das dificuldades desta pesquisa. Não é fácil encontrar pesquisas que
apresentam o contexto histórico sobre o surgimento do álcool, do alcoolismo e do
alcoólatra, uma vez que, apenas recentemente o álcool foi reconhecido como droga,
sendo, inclusive, incluído na lista das drogas. Isto se deve ao fato de ser uma droga
lícita, mas nem sempre foi assim. Porém, por se tratar de uma droga legalizada e de
fácil acesso, tendo em vista que muitos comerciantes no Brasil vendem para
menores de idade, tem sido verificado que é uma das drogas mais consumidas por
adolescentes e jovens, sendo considerada por muitos pesquisadores, “porta de
entrada” para outras drogas (ilícitas).

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O uso moderado de bebidas alcoólicas é um conceito de difícil definição,
uma vez que é interpretado de maneiras diferentes, conforme a percepção
de cada indivíduo. Comumente, essa definição é confundida com beber
socialmente, que significa uso de álcool dentro de padrões aceitos pela
sociedade. No entanto, frequentemente a moderação é vista de maneira
errônea, como uma forma de uso de álcool que não traz consequências
adversas ao consumidor. (HECKMANN; SILVEIRA, 2017, p. 72).

Desta forma, podemos considerar o problema das drogas em geral,


especialmente o do álcool. Ou seja, pensemos no alcoolismo e no alcoolista,
historicamente considerado como aquele que “adora” beber e bebe sem controle
(alcoólatra) e hoje pode ser considerado como usuário abusivo de álcool, citado por
especialistas como portador da síndrome de dependência do álcool, ou seja, um
indivíduo que precisa de ajuda a fim de melhorar seus hábitos e por consequência
sua saúde. Objetivando melhorar o entendimento do processo pelo qual o usuário
dependente químico passa, apresento, neste capítulo, um breve estudo sobre a
história do álcool, seus conceitos e consequências negativas deixadas ao longo
deste processo.
O uso abusivo de álcool vem constituindo uma problemática complexa na
sociedade contemporânea mundial. Na literatura há evidências que indicam que o
consumo desta substância é prevalente em todo o mundo e pode estar associado a
outros problemas, constituindo um fator de risco, por representar uma grande
variedade de problemas de saúde que envolve questões sociais, financeiras e de
relacionamento familiar (HUMENIUK; POZNYAK, 2004, p.122).
Algumas pesquisas apontam que, em relação aos problemas de saúde
pública e individual, o álcool aparece entre os 20 maiores fatores de risco de
problemas de saúde identificados pela Organização Mundial de Saúde (OMS). O
álcool é apontado como responsável por 3,2% e as drogas ilícitas, por 0,4% de
todas as mortes (HUMENIUK; POZNYAK, 2004, p.120).
Estão entre os principais danos à saúde, relacionados ao uso de álcool, “a
diminuição da imunidade às infecções, a ansiedade, a depressão, os problemas com
o sono e os problemas físicos específicos”. (HUMENIUK; POZNYAK, 2004, p.124).
O impacto do consumo de substâncias psicoativas associados a crimes e
violências também tem sido cada vez mais discutido em todo o mundo (UNO, 2004;
WHO, 2004).

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Em um estudo sobre a ocorrência de violência doméstica contra crianças e
adolescentes, 32% das famílias afirmaram que o álcool é um fator desencadeante
da violência e 9% afirmaram que a ocorrência de violência está associada às drogas
ilícitas (BRITO et al., 2005). Diversos estudos constataram a alta proporção de atos
violentos quando o álcool ou as drogas ilícitas estão presentes entre agressores,
suas vítimas ou em ambos (CHALUB; TELLES, 2006).
Para além destas consequências negativas relacionadas ao uso abusivo de
álcool, citadas acima, aparecem, também correlacionados ao uso de álcool e outras
drogas, acidentes de trânsito. “Em um estudo brasileiro sobre as causas dos
acidentes de trânsito, 23,6% das vítimas de um hospital declararam ter consumido
álcool e outras drogas, e destes 94,6% haviam feito uso de bebidas alcoólicas. ”
(DESLANDES; SILVA, 2000, p. 90).
A pesquisa nacional Beber e Dirigir realizada em 2007 no município de São
Paulo entrevistou 2.520 motoristas no qual indica que 20% destes motoristas
dirigiam com índice de alcoolemia acima do permitido pelo Código Nacional de
Trânsito (que é de 0,06% grama por decilitro de sangue, de acordo com a legislação
brasileira em vigor naquele ano). (DUAILIBI; PINSKY; LARANJEIRA, 2007, p.1060).
Por mais que estas pesquisas apontem que o uso abusivo de álcool e outras
drogas está associado a uma multiplicidade de danos, muitas vezes sociais, as
mesmas podem gerar fortes consequências negativas e repercussões sobre a forma
de se implementar políticas públicas de atenção à saúde e o cuidado com usuários
dependentes químicos.
Com isso, é importante destacar que, apesar dos problemas sociais que
presenciamos todos os dias, pelas ruas e, em alguns casos, em nossas próprias
famílias, a maioria das drogas surgiu e existe para um fim diferente do que vemos
atualmente nas noites e, muitas vezes à luz do dia, em grupos de jovens ou pessoas
em situação de risco, que se arriscam com suas garrafas de bebidas embaixo do
braço entre os carros, pelas ruas, idosos e adolescentes que, muitas vezes,
parecem ter uma ligação muito estreita “afinal, dizem eles, tomar o primeiro porre é
como perder o primeiro dente: marca uma passagem obrigatória para todos os
indivíduos de nossa cultura.”. (ARATANGY, 2000, p. 70).

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No entanto, quase sempre consideram absolutamente normal a experiência
com o álcool, como se fosse parte do desenvolvimento de qualquer um, e não um
primeiro degrau na escalada das drogas.
A autora nos remete ao que entenderíamos como uma “cultura jovem”, o “rito
de passagem”, algo como a cultura entre os mesmos. Desta forma, objetivando
melhorar a qualidade do discurso sobre jovens, alcoolismo e história, parece fácil
afirmar que desde o surgimento da humanidade a mesma esteve envolvida com
álcool ou outras drogas. Algo como o desejo de desbravar e sentir em outras formas
diferentes sensações de prazer.
Ao longo da história do homem, estivemos e estamos envolvidos, mas
expostos, a este desejo. Se não por nós mesmos faremos por outros,
“principalmente quando pensamos na sociedade de consumo em que vivemos que
nos incita ao prazer e à busca de felicidade ao alcançarmos este prazer. ”
(BERTONI, 2010, p.12).
Muitas vezes soa como algo que representaria a felicidade que nos é
apresentada nas propagandas de bebidas alcoólicas, de forma eterna, muitas vezes
passageira, uma vez que a manutenção do prazer exige cada vez mais, já que
nunca poderá estar satisfeito. Ao menos, não a ponto de a conquistarmos somente
porque temos condições de consumir ou deixá-la quando quisermos.
Assim, com relação ao consumo de substâncias, de acordo com Lapate
(2001, p. 102), “que os homens primitivos e os animais em geral, já buscavam no
uso de frutas fermentadas, algum tipo de relaxamento e prazer. ”.

Ao observar os animais que faziam uso dessas frutas e tinham seu


comportamento alterado, provavelmente, os homens começaram a fazer
uso do suco de frutos fermentados que apresentavam teor alcoólico. Daí,
podemos inferir que há milhares de anos, o vinho e a cerveja, por exemplo,
são registrados nas sociedades mais antigas. Por volta de 2200 a.C., a
cerveja era recomendada como tônico para mulheres que estivessem
amamentando. (LAPLATE, 2001, p. 102).

Desta forma, de acordo com Escohotado (2003, p. 20), existem registros que
comprovariam a proibição do consumo de cerveja, por esta ser considerada pela
igreja, “perdição da alma”. Muitas também são as referências sobre o vinho. O
Antigo Testamento da Bíblia Sagrada, no capítulo 9° do livro do Gênesis conta a
história de Noé. De acordo com a versão bíblica, “Noé foi o primeiro agricultor.
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Plantou uma vinha e tomou o vinho dela e embriagou-se e encontrou-se nu no
interior de sua tenda”. Um dos filhos de Noé o viu nu e comunicou a nudez de seu
pai aos irmãos, continua o texto bíblico.

A comida, a bebida e o sexo são ressaltados com sua devida importância


entre os gregos antigos. Porém, satisfazer as necessidades e prazeres do
corpo era visto como indício de sabedoria ou “temperança” aos que o
conseguiam fazer com equilíbrio (FOUCAULT, 2003, p.32).

Diante disso, ao longo da história, bebidas como o vinho e a cerveja sempre


foram consideradas boas, se houvesse uma motivação simples e se fossem feitas
de forma terapêutica. Além destas, gregos usavam outras drogas para fins
cerimoniais e lúdicos, sendo o ópio a droga mais popular.

Este tranquilo emprego de diversas drogas não significa que os gregos


ignorem um “problema de toxicomania”, como dizemos hoje. O que os
diferencia de nós é que a periculosidade social e individual das drogas se
concentrou no vinho. Símbolo de Dionísio, um deus-planta que suspende as
fronteiras da identidade pessoal e chama a periódicas orgias, o vinho
rompeu na Grécia – usando as palavras de Nietzche – como “um terrível
estranho, capaz de reduzir a ruínas a casa que lhe oferecesse abrigo.
(ESCOHOTADO, 2003, p. 26).

Além de gregos, romanos também tinham uma proximidade com o álcool,


exceto para menores de 30 e mulheres. De acordo com Escohotado (2003), apud
Bertoni (2010):

No mundo romano, os cristãos são perseguidos por usarem vinho em suas


cerimônias, por ser esta substância causadora de um “relaxamento
induzido”. Este “relaxamento” era aceitável pelos pagãos como um dos dons
dionisíacos, admitido também no Antigo Testamento da Bíblia Sagrada, mas
Paulo de Tarso – ao converter-se ao cristianismo – acaba com todo
estímulo a “condutas relaxantes”. (ESCOHOTADO, 2003, p. 26).

Tempos depois, o vinho, no ritual cristão da eucaristia, passa a ser bebido


somente pelo sacerdote, sendo comparado ao sangue de cristo, um dos símbolos da
igreja católica. Porém, ainda para fins terapêuticos, utilizar drogas ainda poderia ser
visto como sinônimo de heresia, pois, para o clero, as indulgências que eram
vendidas, seguidas de santos óleos, água e velas benditas, eram muito mais
eficazes que qualquer tipo de droga e as pessoas, deveriam se sentir tranquilas por,
com a aquisição das indulgencias, “ganharem o reino de deus” e não por influência
da droga.
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Anos depois, com o fortalecimento da industrialização, o álcool passou a ser
produzido em escalas muito maiores, este método de produção resultou na redução
de custos e preço final para o consumidor, o que influenciou a população
consumidora em todo o mundo, provocando, como já se esperava, a potencialização
do comércio. Desta forma, foi necessário que o comércio mundial também se
expandisse por meio das caravanas que se constituíram para a distribuição, por
meio dos primeiros bares, para a época, tabernas instaladas nas cidades em
formação, intensificando seu papel como difusor de bebidas industrializadas
(FORTES; CARDO, 1991, p. 2).
A prática de beber socialmente, ou eventualmente, como costumamos falar,
tentando justificar a prática, pode, por vezes, fazer com que a pessoa se torne
tolerante à bebida alcoólica, podendo contribuir para que essa pessoa se transforme
em bebedor problema ou alcoolista. É claro que existem muitos outros fatores
envolvidos. A história conta que a proibição da venda ou do consumo de álcool não
teve grandes resultados reconhecidos. O que nós podemos perceber é que,
atualmente, com a vigência da “Lei Seca” nos Estados Unidos, o comércio
clandestino pode ter sido estimulado e, de acordo com alguns autores, nunca se
consumiu tanto na história desse país. Sobre a realidade brasileira, temos o álcool
como droga com maior relevância no país.
Desta forma, Laparte (2001, p. 133) versa sobre o destacamento de um índice
alarmante: “O Brasil é o maior produtor de destilados do mundo. É o quarto maior
mercado mundial em produção de cerveja, perdendo apenas para EUA, China e
Alemanha, com o agravante de destinar 90% da produção ao mercado interno”.
Sobre as reflexões a respeito da história do alcoolismo em paralelo a nossa
história, na qual o álcool parece fazer parte indissociável de nossas relações,
destaca-se o papel que a mídia vem realizando sobre as questões de consumo,
potencializando o mesmo, e contribuindo para a elevação do consumo de produtos
com teor de álcool mais elevado. O que vemos nas propagandas são sol, praia,
lazer, prazer e lindos corpos “sarados”, “pessoas bonitas e felizes” tornam-se a
principal atração para um consumo cada vez mais elevado de bebida alcoólica,
principalmente quando a publicidade é feita para marcas de cerveja, mais comuns
nos comerciais diários. Somos bombardeados com publicidade desse gênero, assim

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como crianças e adolescentes expostos a propagandas e aos pais que, por vezes,
os estimulam a experimentar “para não ficarem com vontade”.
Este é com certeza um assunto polêmico e digno de várias possibilidades
quando tentamos refletir sobre. Nenhuma dessas empresas divulga em suas
publicidades as consequências negativas do uso do álcool, nas pessoas ou nas
famílias, por isso o alcoolismo precisa ser alvo de discussões e debates, afinal, por
se tratar de um problema social de saúde pública, faz-se importante que
mantenhamos o debate e pensemos em alternativas de prevenção para uma melhor
qualidade de vida nossa e de nossos descendentes.

O contato precoce dos adolescentes com as bebidas alcoólicas é relevante


para o surgimento do alcoolismo. A Organização Mundial de Saúde (OMS)
considera a doença um problema de saúde pública, uma vez que impõe à
sociedade uma carga considerável de agravos indesejáveis. Atualmente,
estima-se que a consequência do álcool corresponda a 1,5% das mortes
entre adultos que são alcoolistas, enfatiza, também, que é uma ação
impactante à população, devido a alta mortalidade e incapacidade que
ocasiona. Essa realidade se faz presente tanto em países desenvolvidos
quanto naqueles em desenvolvimento. Por tal motivo, o consumo excessivo
de bebidas alcoólicas é considerado importante fator de risco nas projeções
da próxima década – 2010 a 2020. (SILVA; PADILHA, 2010, p. 577).

Desta forma, pode-se considerar que adolescentes que convivem em famílias


que possuem entre os seus com um ou mais alcoolistas pode ser influenciado
positivamente ou negativamente em sua formação individual.

Filhos de dependentes químicos do álcool apresentam risco elevado para o


consumo de bebidas alcoólicas, quando comparados com filhos de não-
dependentes, numa proporção de risco aumentado em quatro vezes para o
desenvolvimento do alcoolismo. Evidencia-se que a imagem da família atual
é de grupos humanos lidando com fortes pressões socioeconômicas, com
padrões educacionais ríspidos e punitivos no relacionamento com os filhos,
aturdidas com o embate de valores culturais, tendo muitas vezes como
única possibilidade de lazer a ingestão de bebidas alcoólicas. Esses fatores,
quando aliados aos hábitos de seu uso abusivo, têm sido associados,
frequentemente, à violência intrafamiliar. (SILVA; PADILHA, 2010, p. 577).

O alcoolismo, quando está presente no dia a dia de adolescente, transforma


em objetivo comunicativo, passando a configurar-se como parte de seus aspectos
cognitivos e de sua comunicação social geral com o seu grupo social. Desta forma, a
doença sai do contexto individual e passa ao contexto psicossocial, pois agrega seu
interlocutor a um grupo que se torna usuário da bebida e que será fundamental para
adoção de um comportamento diante de uma droga tão presente na sua rotina
19
familiar. Desta forma, considerar, na história de vida do jovem, parentes que são
alcoolistas poderá ajudar no entendimento das motivações que de representações e
presença do álcool, em relação a sua saúde, e, a partir dela, a sua atitude frente às
bebidas alcoólicas.

Nesta unidade temática, fica notório como os adolescentes vislumbram em


suas representações sociais da bebida alcoólica algo benéfico, visto esta
propiciar espontaneidade e descontração. Porém, eles também destacam
que o consumo em excesso, que leva à embriaguez, é um fato danoso para
sua saúde física e mental. Por ser consumida por vários povos e culturas
diferentes, a bebida alcoólica adquiriu alguns significados positivos na
população mundial, pois, por meio de sensações como as de relaxar e de
se divertir, o indivíduo abstrai a ideia de “bom” no consumo do álcool.
(SILVA; PADILHA, 2010, p. 580).

Na pesquisa das autoras Silva e Padilha (2010), torna-se claro, a partir da fala
dos adolescentes entrevistados, o prazer que os mesmos obtêm, ainda que com o
uso abusivo do álcool, “o álcool é bom porque faz a gente viajar”. Desta forma, o que
se percebe que é que há, desde o surgimento da sociedade, uma relação estreita
com a sensação de calma, empolgação, excitação e outros sentimentos. Há ainda o
fortalecimento dos vínculos entre aqueles que fazem parte do grupo e compartilham
da prática e do uso abusivo do álcool. De acordo com as autoras:

A avaliação positiva para o consumo do álcool pelos sujeitos deste estudo


está relacionada ao consumo ocasional, ao entretenimento, embora muitas
vezes o consumo não se restrinja a estas variáveis. O consumo de qualquer
bebida alcoólica representa para as pessoas algo “normal”. Este é
considerado excessivo quando culmina com pessoas bêbadas e origina
condutas agressivas que ultrapassam as regras do convívio social. Uma das
características dos adolescentes é a percepção de que nada acontecerá e
de que podem controlar todas as situações. Esse aspecto leva-os a ter uma
menor percepção do risco, e pode aumentar o uso de drogas. (SILVA;
PADILHA, 2010, p. 580).

A relação que se faz aqui, apesar de este ser um estudo relativamente novo,
é sobre sinalizar para as questões entre possíveis motivações para o uso abusivo do
álcool historicamente e atualmente, afim de que possamos, de imediato, perceber
que, com exceção das influências mais protestantes da época, não há grandes
mudanças nas principais motivações que levam as pessoas a usarem a droga álcool
abusivamente nos dias de hoje, se não as que já mencionamos aqui.

Dessa forma, as sensações obtidas durante o efeito do álcool no organismo


tornam-se prazerosas, porém a busca de novas e intensas sensações pode
20
tornar o jovem um dependente químico. Nesta unidade temática, fica notório
como os adolescentes vislumbram em suas representações sociais da
bebida alcoólica algo benéfico, visto esta propiciar espontaneidade e
descontração. Porém, eles também destacam que o consumo em excesso,
que leva à embriaguez, é um fato danoso para sua saúde física e mental.
Por ser consumida por vários povos e culturas diferentes, a bebida alcoólica
adquiriu alguns significados positivos na população mundial, pois, por meio
de sensações como as de relaxar e de se divertir, o indivíduo abstrai a ideia
de “bom” no consumo do álcool. (SILVA; PADILHA, 2010, p. 580).

É possível perceber que, ao longo da história da humanidade, além do uso


abusivo do álcool e o não controle, estas questões mudaram seu enfoque para a
“competência” que a pessoa, seja jovem ou adulto, tem sobre ser um bom bebedor.
Então, o que podemos perceber é que os problemas referentes ao abuso de álcool,
se metamorfoseou, como justificativa para a manutenção do uso. Ou seja, além de
historicamente o uso de álcool ter sido socialmente bom, porque, na maioria das
vezes, apesar de amplamente maléfico à saúde daqueles que o utilizam de maneira
indiscriminada, o uso é utilizado como status de: “eu sou bom nisso, não fico
bêbado”. O quanto que na prática e no número de mortos nas estradas, a realidade
é outra.
Além disso, o que acontece ainda é que muitas vezes a estimulação pode vir
da própria família, ou, muitas vezes, a própria família, em seu papel social e
institucional, é determinante para a regulação do uso abusivo de álcool, sendo
determinado no processo de tratamento destas pessoas, seja com ou sem
atendimento de instituições como o Centro de Centros Psicossocial de Álcool e
Drogas (CAPS AD), assunto que será debatido no próximo capítulo.

21
3. OS CENTROS DE ATENÇÃO PSICOSSOCIAL - CAPS ÁLCOOL E DROGAS

De acordo com o Ministério da Saúde, o Centro de Atenção Psicossocial


Álcool e Drogas III (CAPS AD) é uma instituição que oferece serviços específicos
para o cuidado, atenção integral e continuada às pessoas com necessidades em
decorrência do uso de álcool, crack e outras drogas (BRASIL, 2017).
Seu público específico são os adultos, mas também podem atender crianças
e adolescentes, desde que observadas as orientações do Estatuto da Criança e do
Adolescente (ECA).

Os CAPS AD 24 horas oferecem atendimento à população, realizam o


acompanhamento clínico e a reinserção social dos usuários pelo acesso ao
trabalho, lazer, exercício dos direitos civis e fortalecimento dos laços
familiares e comunitários. Os CAPS também atendem aos usuários em seus
momentos de crise, podendo oferecer acolhimento noturno por um período
curto de dias (BRASIL, 2017).

O CAPS apoia usuários e famílias na busca de independência e


responsabilidade para com seu tratamento. Os projetos desses serviços, muitas
vezes, ultrapassam a própria estrutura física em busca da rede de suporte social que
possa garantir o sucesso de suas ações, preocupando-se com a pessoa, sua
história, sua cultura e sua vida cotidiana. Dispõe de equipe multiprofissional
composta por médico psiquiatra, clínico geral, psicólogos, dentre outros.

Os Centros de Atenção Psicossocial (CAPS) são serviços de saúde mental,


abertos e comunitários do Sistema Único de Saúde (SUS) e foram
concebidos como a principal estratégia do processo de Reforma
Psiquiátrica. Os CAPS se constituem como lugar de referência e tratamento
para pessoas com grave sofrimento psíquico, cuja severidade e/ou
persistência demandem um cuidado intensivo, incluindo os transtornos
relacionados às substâncias psicoativas (álcool e outras drogas) e também
crianças e adolescentes com sofrimento mental. (BRASIL, 2001).

Diante desse quadro, o governo brasileiro tem adotado, por meio de política
do Ministério da Saúde, estratégias que visam combater o avanço do uso e abuso
de álcool e de outras drogas. Entre essas estratégias, está à implantação do Centro
de Atenção Psicossocial a Usuários de Álcool e Drogas (CAPS AD) em cidades com
mais de 100 mil habitantes, com a finalidade de disponibilizar tratamento a pacientes
que fazem uso prejudicial de álcool e outras drogas, por meio de uma proposta
baseada em serviços comunitários e apoiada por leitos psiquiátricos em hospital
22
geral de acordo com as necessidades dos pacientes, permitindo o planejamento
terapêutico dentro de uma perspectiva individualizada de evolução contínua.
Assim, de acordo com a Portaria nº. 3.088, de 23 de dezembro de 2011,
republicada em 21 de maio de 2013 sobre os Centros de Atenção Psicossocial e os
organiza na modalidade AD:
CAPS AD - atende pessoas de todas as faixas etárias que apresentam
intenso sofrimento psíquico decorrente do uso de crack, álcool e outras
drogas. Indicado para municípios ou regiões de saúde com população
acima de setenta mil habitantes.
CAPS AD III - atende pessoas de todas as faixas etárias que apresentam
intenso sofrimento psíquico decorrente do uso de crack, álcool e outras
drogas. Proporciona serviços de atenção contínua, com funcionamento vinte
e quatro horas, incluindo feriados e finais de semana, ofertando retaguarda
clínica e acolhimento noturno. Indicado para municípios ou regiões com
população acima de cento e cinquenta mil habitantes.
CAPS i. - atende crianças e adolescentes que apresentam prioritariamente
intenso sofrimento psíquico decorrente de transtornos mentais graves e
persistentes, incluindo aqueles relacionados ao uso de substâncias
psicoativas, e outras situações clínicas que impossibilitem estabelecer laços
sociais e realizar projetos de vida. Indicado para municípios ou regiões com
população acima de setenta mil habitantes. (BRASIL, 2011).

Como vimos o Centro de Atenção Psicossocial – CAPS Álcool e Drogas


destina os seus serviços a pessoas que apresentem sofrimento decorrente do uso
abusivo de álcool e outras drogas. A diferença entre as categorias apresentadas
acima está em alguns detalhes do seu público específico, como quantidade de
habitantes e idade do usuário em risco.
A assistência à saúde é completamente centrada na pessoa e o atendimento
humanizado inclui ações de acolhimento nas unidades. Ou seja, o acolhimento se
inicia na recepção, que é a porta de entrada da unidade. Esta proposta visa a
desconstrução da demanda de medicalização e de internação como respostas
prioritárias para o sofrimento psíquico.
Os CAPS se organizam equacionando a oferta de atendimento por demanda
programada (aqueles atendimentos previamente agendados) e demanda
espontânea (atendimentos de urgência, atendimentos sem agendamento prévio ou
atendimentos de primeira vez). O acolhimento para demanda espontânea deve ser
organizado de modo que sempre tenha algum profissional técnico (nível superior ou
médio) disponível para esta ação.

23
A Reforma Psiquiátrica brasileira iniciou a luta antimanicomial inspirada na
experiência italiana de desinstitucionalização, concatenada com as ideias do
psiquiatra Franco Basaglia, pois esse considerava que apenas a psiquiatria não era
capaz de responder pelo fenômeno complexo que é a loucura. Trata-se de processo
de questionamento e revisão dos vários conceitos e dispositivos jurídicos e legais,
que vão desde a legislação referente à organização dos serviços até às legislações
profissionais, mas, principalmente, dos conceitos e instrumentos referentes aos
direitos civis e políticos dos usuários, tanto nos serviços quanto na sociedade como
um todo, numa nova abordagem democrática e participativa que tem como
princípios a inclusão, a solidariedade e a cidadania. (VIEIRA et al, 2008, p.345).
E esta é uma informação importante, visto que o CAPS - AD atende aqueles
que muitos consideram “loucos”. Desta forma, fazem-se necessários
esclarecimentos sobre a importância da luta antimanicomial e o cuidado que se tem
com os usuários da Política álcool e drogas com a não reprodução do discurso
internalista, institucionalista, psiquiátrico ou manicomial, mas humanista.

No Brasil, foi criado o primeiro Centro de Atenção Psicossocial (CAPS), na


cidade de São Paulo, em 1987, que vivenciara processo de intervenção da
Secretaria Municipal de Saúde em um dos seus hospitais psiquiátricos, no
município de Santos, em 1989, devido à ocorrência de maus-tratos e mortes
de pacientes. Esse fato mostrou a necessidade de construção de rede de
cuidados efetivos para os pacientes da psiquiatria e teve repercussão
nacional como um marco no processo de Reforma Psiquiátrica brasileira.
(VIEIRA et al, 2008, p.349)

Desde então, o país passou a investir na reestruturação de uma rede de


serviços substitutivos aos manicômios, composta pelos NAPS, Programa de Volta
para Casa, Residências Terapêuticas Hospital-dia e os CAPS, que são distribuídos
como: CAPS I, CAPS II, CAPS III, CAPS i e CAPS-ad, cada qual com sua atribuição.
Dentre esses, o CAPS-ad se insere como serviço especializado que atende pessoas
com problemas decorrentes do uso ou abuso de álcool e outras drogas. Para o
Ministério da Saúde, tal modelo se constitui em serviço gratuito, que atende usuários
jovens, adultos e idosos, de ambos os sexos, com transtornos mentais e
comportamentais devido ao uso de substâncias psicoativas como álcool e outras
drogas.
O atendimento no CAPS AD é realizado por equipe interdisciplinar, composta
por profissionais de diversas áreas, sendo eles: assistentes sociais, enfermeiros,
24
pedagogos, educadores físicos, psicólogos, psiquiatras, arte educadores e técnicos
de enfermagem. O usuário, ao ser acolhido no serviço, passa por atendimento
médico, psicológico, ações do serviço social, além de outras atividades como
trabalhos manuais, atividades físicas, grupos de família, coral, oficinas informativas,
palestras, grupos terapêuticos, oficinas de adaptação, autocuidado, artes, momentos
de lazer, alfabetização, jogos e recreação, ainda, relaxamento e música sob a
perspectiva de minimizar os danos provocados pelo abuso das drogas.

O Centro de Atenção Psicossocial (CAPS), que tem, entre suas funções


prestar atendimento clínico em regime de atenção diária, evitando desse
modo as internações em hospitais psiquiátricos, promover a inserção social
das pessoas com transtornos mentais por meio das ações Intersetoriais e
regular a porta de entrada da rede assistencial em Saúde Mental na sua
área de atuação. (VIEIRA et al, 2008, p 350).

No cotidiano dos serviços oferecidos pelo CAPS-AD, reforça-se a


necessidade de conhecer e identificar o perfil epidemiológico e socioeconômico de
seus usuários, tornando-se imprescindível para oferecer uma melhor compreensão
dos mesmos e de seus familiares, assunto que será discutido no capítulo seguinte,
bem como avaliar a efetividade do serviço por meio dos processos de cuidar de
base territorial e especializado, podendo apresentar subsídios para a implementação
de um plano de cuidados condizente com as reais necessidades de cada um dos
usuários. Isso porque cada usuário leva consigo suas subjetividades e condições
específicas. É por isso que é importante o conhecimento do perfil epidemiológico e
socioeconômico.
Para constituir essa rede, todos os recursos afetivos (relações pessoais,
familiares, amigos etc.), sanitários (serviços de saúde), sociais (moradia, trabalho,
escola, esporte etc.), econômicos (dinheiro, previdência etc.), culturais, religiosos e
de lazer estão convocados para potencializar as equipes de saúde nos esforços de
cuidado e reabilitação psicossocial. Desta forma, devemos ver os CAPS como
dispositivos que devem estar articulados na rede de serviços de saúde e necessitam
permanentemente de outras redes sociais, de outros setores afins, para fazer face à
complexidade das demandas de inclusão daqueles que estão excluídos da
sociedade por transtornos mentais.
O objetivo dos CAPS é oferecer atendimento à população de sua área de
abrangência, realizando o acompanhamento clínico e a reinserção social dos
25
usuários pelo acesso ao trabalho, lazer, exercício dos direitos civis e fortalecimento
dos laços familiares e comunitários. É um serviço de atendimento de saúde mental
criado para ser substitutivo às internações em hospitais psiquiátricos. Os CAPS
visam:

• prestar atendimento em regime de atenção diária;


• gerenciar os projetos terapêuticos oferecendo cuidado clínico eficiente e
personalizado;
• promover a inserção social dos usuários através de ações intersetoriais
que envolvam educação, trabalho, esporte, cultura e lazer, montando
estratégias conjuntas de enfrentamento dos problemas. Os CAPS também
têm a responsabilidade de organizar a rede de serviços de saúde mental de
seu território;
• dar suporte e supervisionar a atenção à saúde mental na rede básica, PSF
(Programa de Saúde da Família), PACS (Programa de Agentes
Comunitários de Saúde);
• regular a porta de entrada da rede de assistência em saúde mental de sua
área;
• coordenar junto com o gestor local as atividades de supervisão de
unidades hospitalares psiquiátricas que atuem no seu território;
• manter atualizada a listagem dos pacientes de sua região que utilizam
medicamentos para a saúde mental. (BRASIL, 2004b, p, 13).

Estes são objetivos gerais de todos os CAPS, independentemente de ser


Álcool e Droga ou não, a prestação do serviço será feita mesmo em regime de
atenção diária, oferecendo cuidados clínicos eficientes e, o principal, de forma
personalizada, porque entende-se que cada paciente tem uma demanda específica
e relações especiais com a sua condição.

Os CAPS AD devem oferecer atendimento diário a pacientes que fazem um


uso prejudicial de álcool e outras drogas, permitindo o planejamento
terapêutico dentro de uma perspectiva individualizada de evolução contínua.
Possibilita ainda intervenções precoces, limitando o estigma associado ao
tratamento. Assim, a rede proposta se baseia nesses serviços comunitários,
apoiados por leitos psiquiátricos em hospital geral e outras práticas de
atenção comunitária (ex.: internação domiciliar, inserção comunitária de
serviços), de acordo com as necessidades da população-alvo dos trabalhos.
Os CAPS AD desenvolvem uma gama de atividades que vão desde o
atendimento individual (medicamentoso, psicoterápico, de orientação, entre
outros) até atendimentos em grupo ou oficinas terapêuticas e visitas
domiciliares. Também devem oferecer condições para o repouso, bem
como para a desintoxicação ambulatorial de pacientes que necessitem
desse tipo de cuidados e que não demandem por atenção clínica hospitalar.
(BRASIL, 2004b, p 24).

Como vimos, não há diferença imediata entre os atendimentos do CAPS e do


CAPS AD, o que há é o foco nas pessoas que fazem uso abusivo do álcool, e outras

26
drogas. Na prestação do atendimento, também em regime de atenção diária, e na
promoção da inserção social.

A prevenção voltada para o uso abusivo e/ou dependência de álcool e


outras drogas pode ser definida como um processo de planejamento,
implantação e implementação de múltiplas estratégias voltadas para a
redução dos fatores de risco específicos e fortalecimento dos fatores de
proteção. Implica necessariamente a inserção comunitária das práticas
propostas, com a colaboração de todos os segmentos sociais disponíveis. A
prevenção teria como objetivo impedir o uso de substâncias psicoativas pela
primeira vez, impedir uma “escalada” do uso e minimizar as consequências
de tal uso. (BRASIL, 2004a, p 24).

Além dos serviços citados anteriormente, o CAPS AD trabalha com a


prevenção do uso abusivo de álcool, por meio da estratégia que resolva situações
na vida do usuário que, em alguns casos, são motivadores para o uso abusivo do
álcool e outras drogas.

A lógica que sustenta tal planejamento deve ser a da Redução de Danos,


em uma ampla perspectiva de práticas voltadas para minimizar as
consequências globais de uso de álcool e drogas. O planejamento de
programas assistenciais de menor exigência contempla uma parcela maior
da população, dentro de uma perspectiva de saúde pública, o que encontra
o devido respaldo em propostas mais flexíveis, que não tenham a
abstinência total como a única meta viável e possível aos usuários dos
serviços CAPS AD. (BRASIL, 2004a, p 24).

Ou seja, ainda entre os serviços do CAPS AD está a estratégia de redução de


danos para aqueles usuários que não conseguem largar seu vício, mesmo sendo
atendidos pelos profissionais da Saúde.

As estratégias de prevenção devem contemplar a utilização combinada dos


seguintes elementos: fornecimento de informações sobre os danos do
álcool e outras drogas, alternativas para lazer e atividades livres de drogas;
devem também facilitar a identificação de problemas pessoais e o acesso
ao suporte para tais problemas. Devem buscar principalmente o
fortalecimento de vínculos afetivos, o estreitamento de laços sociais e a
melhora da autoestima das pessoas. Os CAPS AD devem construir
articulações consistentes com os Hospitais Gerais de seu território, para
servirem de suporte ao tratamento, quando necessário. (BRASIL, 2004a, p
24).

Como dito anteriormente, os CAPS, AD ou comuns, trabalham em forma de


rede, afim de dar total suporte ao usuário de álcool e drogas, oferecendo-lhe
atendimento desde a instituição CAP AD aos hospitais gerais de atendimento

27
também como forma de complementar a estratégia de prevenção e redução de
danos.

As práticas de redução de danos, surgidas como uma alternativa para as


estratégias proibicionistas do tipo “guerra às drogas”, baseiam-se em
princípios de pragmatismo, tolerância e compreensão da diversidade. São
pragmáticas porque compreendem que é necessário oferecer serviços de
saúde a todas as pessoas que têm problemas com álcool e outras drogas,
incluindo aquelas que continuam usando após tratamento, visando
principalmente à preservação da vida. (CRUZ, 2005, p. 05).

Por mais que se considere que, para muitas pessoas, o ideal seria que não
usassem mais drogas, sabemos que isso pode ser muito difícil, demorado ou
inalcançável. É, portanto, necessário oferecer serviços, inclusive para aquelas
pessoas que não querem ou não conseguem interromper o uso dessas substâncias.
O oferecimento desses serviços pode evitar que se exponham a situações de maior
risco e viabilizar sua aproximação das unidades de saúde e acolhimento, abrindo a
possibilidade de que peçam ajuda quando quiserem ou precisarem.

Cabe destacar que a Estratégia de Redução de Danos é tolerante, pois


evita o julgamento moral sobre os comportamentos relacionados ao uso de
substâncias psicoativas e às práticas sexuais, por exemplo, evitando
intervenções autoritárias e preconceituosas. Além disso, contempla a
diversidade, visto que compreende que cada sujeito estabelece uma relação
particular com as substâncias e que a utilização de abordagens
padronizadas como pacotes prontos e impostos para todos é ineficaz e
excludente, especialmente porque muitos serviços que trabalham com a
lógica da exigência da abstinência excluem usuários que não querem ou
não conseguem se manter abstinentes. (BRASIL, 2017, p. 12).

As Estratégias de Redução de Danos não pressupõem que deva haver


imediata e obrigatória extinção do uso de drogas, mas formulam práticas,
direcionadas àqueles que usam drogas e aos grupos sociais com os quais
convivem, que visam diminuir os danos causados por elas. A Redução de Danos
acolhe a diversidade de usuários e não se sustenta na exigência obrigatória da
extinção do uso. Seu objetivo é, principalmente, a diminuição dos danos físicos,
psicossociais e jurídicos relacionados ao uso de drogas.
Souza, Kantorski e Mielke (2006), em seu estudo, afirmam que para o
sucesso do tratamento dos usuários de álcool e outras drogas faz-se necessária a
submersão na rede de relações do indivíduo, pois essas, em conjunto, dão forma ao

28
verdadeiro corpo do fato da dependência da droga, e remete aos vínculos afetados
do indivíduo com sua família, serviço ou meio em que está inserido.
Essa atuação do CAPS recebe a denominação de “rede operante” que é
definida por ser parte de uma “rede social com o qual o sujeito foco obtém apoio,
ajuda material, serviços e contatos sociais” (SOUZA; KANTORSKI; MIELKE, 2006).
Contudo, em determinadas situações identificamos que alguns profissionais não são
engajados na prática psicossocial devido a uma formação voltada para o modelo
médico e hospitalocêntrico. O resultado desse atendimento é a segregação e
exclusão do usuário dentro da própria unidade.
Um dos fatores que podem contribuir para os altos índices de evasão do
serviço e redução no tempo de permanência é a falta de vínculo com a unidade e/ou
profissional por receberem um atendimento pouco acolhedor. O usuário que chega
até um CAPS AD, em maioria, possui perda de grandes vínculos – familiares,
trabalho, amigos – e, partindo dos pressupostos estabelecidos pela Reforma
Psiquiátrica, o serviço deve ser capaz de auxiliar o indivíduo a estabelecer e manter
os vínculos saudáveis e duradouros, reduzindo assim a vulnerabilidade aos fatores
de risco para o consumo de álcool ou outras drogas. Dentro desse contexto, a
educação permanente dos profissionais de saúde pode qualificar o atendimento
prestado para o paciente.
A Rede de Atenção Psicossocial é parte integrante do Sistema Único de
Saúde (SUS), rede organizada de ações e serviços públicos de saúde, instituída no
Brasil através da Lei Federal na década de 90. O SUS regula e organiza em todo o
território nacional as ações e serviços de saúde de forma regionalizada e
hierarquizada, em níveis de complexidade crescente, tendo direção única em cada
esfera de governo: federal, municipal e estadual. (BRASIL, 2005).
Segundo o decreto n° 7. 508/11, é definido por Rede de Atenção à Saúde o
conjunto de ações e serviços de saúde articulados em níveis de complexidade
crescente, com a finalidade de garantir a integralidade da assistência à saúde. A
Rede de Atenção Psicossocial (RAPS) é a rede de saúde mental integrada,
articulada e efetiva nos diferentes pontos de atenção para atender as pessoas em
sofrimento e/ou com demandas decorrentes dos transtornos mentais e/ou do
consumo de álcool, crack e outras drogas.

29
Diante à complexidade das demandas de inclusão, conclui-se que somente
uma organização em rede, e não apenas um serviço ou equipamento, é capaz de
promover a inclusão e reinserção social de pessoas estigmatizadas. É a articulação
em rede de diversos equipamentos da cidade, e não apenas de equipamentos de
saúde, que pode garantir resolutividade, promoção da autonomia e da cidadania das
pessoas com transtornos mentais. Para a organização desta rede, a noção de
território é especialmente orientadora. (BRASIL, 2005).
Porém, em relação aos modelos relacionados à atenção ao uso de álcool e
drogas em nosso país, percebe-se que por muito tempo as concepções
reducionistas refletiram o modo de atuação utilizados. Observou-se, através de
estudos, a baixa efetividade da maioria dos tratamentos oferecidos aos usuários
que, a custo, conseguem realizar sua meta, que, em geral, é a de alcançar e manter
a abstinência (NOTO; GALDUROZ, 1999, p. 234).
Diante deste fato há que se questionar se a raiz do problema da efetividade
das ações não se encontra também nas próprias práticas em saúde. Não basta
concentrar a responsabilidade de resultados negativos no usuário, como é comum
em muitos serviços, que justificam a situação a partir da lógica de que a
dependência é uma doença crônica e recorrente e, portanto, a recaída é parte do
processo, ou ainda, da falta de motivação para os tratamentos, conforme
demonstram pesquisas anteriores (SCHNEIDER, 2009, p. 212)
Alguns autores apontam que no início do tratamento há sentimentos
ambivalentes, sendo necessária a construção de uma rede social e de estratégias
de atendimento consonantes às necessidades apresentadas. Isto facilita a promoção
da adesão aos serviços oferecidos e influencia beneficamente a motivação e os
resultados quanto à recuperação da qualidade de vida dos dependentes (PINHO;
OLIVEIRA; ALMEIDA, 2008, p. 111).
Ou seja, não se pode falar em CAPS-AD sem mencionar as práticas de
prevenção de uso de álcool e outras drogas e não se pode falar nestas sem
mencionar as críticas que alguns autores fazem às intervenções do Estado.
A intervenção do Estado sobre a questão das drogas no Brasil originou-se a
partir do espelho da concepção criminalizadora adotada nos Estados Unidos. Teve
seu primeiro registro de regulamentação em 1938, através da aprovação do

30
Decreto-Lei Nº 891/38, mais tarde incorporada pelo Código Penal. Essa tendência
avançou no período da ditadura militar através de leis, a exemplo da Lei 6.368 de 21
de outubro de 1976, que dispuseram sobre medidas de prevenção e repressão ao
tráfico ilícito e uso indevido de substâncias entorpecentes ou que determinem
dependência física ou psíquica (MESQUITA, 2005, p. 34).
No entanto ainda temos que avançar bastante na elaboração de dispositivos
teóricos e de modelos de atuação que ampliem o alcance da rede e torne os ideais
evocados pela reforma psiquiátrica diretrizes presentes em nossa prática de maneira
sólida. O apelo midiático respaldado pelas últimas campanhas do Ministério da
Saúde evidenciam quão lentos são nossos passos para o avanço e como corremos
um grande risco de retroceder.

A ideia fundamental é que somente uma organização em rede, e não


apenas um serviço ou equipamento, é capaz de fazer face à complexidade
das demandas de inclusão de pessoas secularmente estigmatizadas, em
um país de acentuadas desigualdades sociais. Para o sucesso desta rede,
a dinâmica de atenção deve ser pautada na territorialização. Trabalhar no
território significa assim resgatar todos os saberes e potencialidades dos
recursos da comunidade, construindo coletivamente as soluções, a
multiplicidade de trocas entre as pessoas e os cuidados em saúde mental. É
a ideia do território, como organizador da rede de atenção à saúde mental,
que deve orientar as ações de todos os seus equipamentos. (SILVA, 2014,
p 12).

A posição estratégica dos Centros de Atenção Psicossocial como


articuladores da rede de atenção de saúde mental em seu território, é, por
excelência, promotora de autonomia, já que articula os recursos existentes em
variadas redes: sócio sanitárias, jurídicas, sociais e educacionais, entre outras. A
tarefa de promover a reinserção social exige uma articulação ampla, desenhada com
variados componentes ou recursos da assistência, para a promoção da vida
comunitária e da autonomia dos usuários dos serviços (BRASIL, 2004).
Sabemos que a luta pela Reforma Psiquiátrica brasileira, iniciada nas últimas
décadas do século XX ainda não chegou ao fim, no entanto, é necessário
reconhecer as conquistas de alguns dos direitos dos doentes mentais no panorama
da reforma e reconhecer os desafios que ainda estão por vir. Considerar o usuário
abusivo de álcool como alguém que necessita de ajuda é um passo muito importante
neste processo.

31
4. A FAMÍLIA NO ACOMPANHAMENTO DE DEPENDENTES QUÍMICOS DE
ÁLCOOL ATENDIDOS NOS CENTROS DE ATENÇÃO PSICOSSOCIAL
ÁLCOOL E DROGAS: REVISÃO INTEGRATIVA

Sobre as pesquisas encontradas que mantêm relação com assuntos ligados


ao tema desta pesquisa, a família no acompanhamento de dependentes químicos de
Álcool atendidos nos CAPS-AD – Centros de Atenção Psicossocial Álcool e Drogas,
vários termos sugerem uma ligação com o mesmo, dentre as quais estão: Artigo 1:
questões relacionadas ao gênero no diagnóstico e classificação de transtornos por
uso de álcool entre pacientes mexicanos que buscam serviços especializados, dos

32
autores Berenzon, Robles, Reed e Medina-Mora (2011); Artigo 2: rede social de
usuários de álcool, sob tratamento, em um serviço de saúde mental, dos autores:
Souza, Kantorski e Vasters (2011); Artigo 3: reflexões sobre a política de drogas no
Brasil, do autor: Andrade (2011); Artigo 4: relacionamento entre familiar e usuário de
álcool em tratamento em um centro de atenção especializado, dos autores:
Nascimento, Souza e Gaino (2015); Artigo 5: usuário de crack em situações de
tratamento: experiências, significados e sentidos, dos autores: Paula, Jorge e
Albuquerque (2014).
Desta forma, o debate que se segue compreende-se em condições
necessárias ao entendimento de Revisão Integrativa. Esta se refere de forma
genérica a busca, seleção e análise de publicações sobre os descritores: Álcool,
Família e Saúde Mental.

Acompanhando essa tendência, discute-se também que revisões da


literatura teriam potência para sintetizar achados provenientes de pesquisa
que utiliza métodos combinados no mesmo estudo ou para sintetizar
achados de diferentes pesquisas sobre uma mesma temática, que utilizam
métodos quantitativos ou qualitativos separadamente. No entanto, parece
não haver consenso sobre como fazer a integração dos resultados e como
responder ao desafio teórico-metodológico de integrar resultados de
estudos estruturados de maneiras diversas e fundamentados em diferentes
paradigmas. (SOARES et al., 2014, p 336).

Em relação à prática metodológica da Revisão Integrativa, o que se torna


claro na realização deste estudo é que durante a busca de aporte bibliográfico
percebemos que o debate sobre os descritores álcool, família e saúde mental
resultaram em pesquisas que se destinam à produção científica sobre entrevistas
com pacientes que fazem uso abusivo de álcool, em pesquisas qualitativas,
reflexões sobre o uso de drogas e o relacionamento familiar de usuários de álcool.
Todos estes estudos se destinam à compreensão do cuidado em saúde, em
referência ao âmbito individual e coletivo.

A revisão integrativa configura-se, portanto, como um tipo de revisão da


literatura que reúne achados de estudos desenvolvidos mediante diferentes
metodologias, permitindo aos revisores sintetizar resultados sem ferir a
filiação epistemológica dos estudos empíricos incluídos. Para que esse
processo se concretize de maneira lógica, isenta de desatinos
epistemológicos, a RI requer que os revisores procedam à análise e à
síntese dos dados primários de forma sistemática e rigorosa. (SOARES et
al, 2014, p 336).

33
Desta forma, de acordo com Soares et al (2014), o que temos aqui, por tanto,
é um conjunto de resultados de estudos realizados entre os anos de 2005 e 2017
que permitem a sintetização destes, a fim de responder sobre as necessidades do
cuidado com os usuários abusivos de álcool, a família destes usuários e saúde
mental, critérios utilizados para a realização das buscas deste estudo com base na
metodologia integrativa. Desta forma, reproduzir, incrementar e produzir
conhecimento novo a respeito deste e de outros temas exige que esta pesquisa seja
feita de forma ampla e plural por conta da quantidade dos fatores envolvidos.
Assim, neste capítulo, apresentaremos quais as pesquisas se adequaram aos
descritores utilizados na inclusão e exclusão das pesquisas apresentadas a seguir,
pois a mesmas apresentaram pontos em comum para sintetizar seus resultados e
autores, assim como sua natureza básica, qualitativa e o ano de publicação sobre a
temática abordada, 2005 e 2017, período que compreende a busca por resultados
de pesquisas no banco de dados bibliográficos da SCIELO – Scientific Electronic
Library Online, que compreende uma biblioteca digital no modelo cooperativo de
publicação digital de periódicos científicos brasileiros de acesso aberto, resultando
na identificação de cinco artigos científicos publicados em periódicos aleatórios.
Assim, pesquisadores indicam que a revisão integrativa permite que sejam
incorporadas aos estudos evidências práticas com a finalidade de reunir resultados
de outras pesquisas sobre determinado tema ou questão.
A revisão integrativa da literatura também é um dos métodos de pesquisa
utilizados na PBE que permite a incorporação das evidências na prática
clínica. Esse método tem a finalidade de reunir e sintetizar resultados de
pesquisas sobre um delimitado tema ou questão, de maneira sistemática e
ordenada, contribuindo para o aprofundamento do conhecimento do tema
investigado. Desde 1980 a revisão integrativa é relatada na literatura como
método de pesquisa. (MENDES et al, 2008, p 759).

Considerando estes pressupostos, esta pesquisa foi realizada com a


finalidade de obter respostas ao seguinte questionamento: como pesquisas
científicas abordam o acompanhamento de famílias aos dependentes químicos de
álcool, atendidos nos Centros de Atenção Psicossocial Álcool e Drogas – CAPS-AD.

34
4.1 MÉTODO

Nesta pesquisa, assim como em toda revisão integrativa, buscamos trazer


pontos de convergências entre autores de pesquisas já publicadas, a fim de que nos
ajudem na resolução da questão principal deste estudo: como pesquisas científicas
abordam o acompanhamento de famílias aos dependentes químicos de álcool,
atendidos nos Centros de Atenção Psicossocial Álcool e Drogas – CAPS AD, a partir
dos critérios utilizados no desenvolvimento desta.
A seguir, será apresentado o roteiro metodológico seguido para a construção
deste discurso teórico de revisão integrativa. Segundo Soares et al (2014), no
arcabouço teórico das pesquisas que sintetiza resultados sobre um determinado
fenômeno que é investigado, vários termos são empregados a fim de se atingir os
resultados esperados: revisão integrativa (RI), revisão tradicional, revisão narrativa,
revisão sistemática, meta-análise, metassíntese, metassumarização, entre outros.
Desta forma, muitas são as revisões e os métodos aplicados a fim de se conceituar
e conferir conclusões de forma genérica, a busca, seleção e análise de publicações
sobre um tópico.

A revisão integrativa é um método de revisão mais amplo, pois permite


incluir literatura teórica e empírica bem como estudos com diferentes
abordagens metodológicas (quantitativa e qualitativa). Os estudos incluídos
na revisão são analisados de forma sistemática* em relação aos seus
objetivos, materiais e métodos, permitindo que o leitor analise o
conhecimento pré-existente sobre o tema investigado. (POMPEO; ROSSI;
GALVÃO, 2009, p.12).

De acordo com o autor, o que torna a revisão integrativa um método de


revisão mais amplo é o fato desta permitir a inclusão da literatura teórica e empírica,
independentemente de sua abordagem qualitativa ou quantitativa, em relação aos
seus objetivos e questionamentos a serem respondidos a partir do agrupamento de
resultados de outros pesquisadores.
De acordo com Mendes et al (2008), no geral, para a construção da revisão
integrativa é preciso percorrer seis etapas distintas, similares aos estágios de
desenvolvimento de pesquisa convencional. Desta forma, posteriormente está
descrito todo o processo realizado na construção desta revisão integrativa,
explicando de forma sucinta todo o caminho percorrido, desde a elaboração dos

35
questionamentos e objetivos da pesquisa, até os resultados encontrados e
apresentados neste capítulo.
Inicialmente, o primeiro passo para a realização desta pesquisa foi a
identificação dos descritores a serem pesquisados nas bases de dados Scientific
Eletronic Library Online (SciELO). Os descritores foram álcool, família e saúde
mental. Desta forma, foi realizada uma busca que permitisse a identificação de
pesquisas que se aproximassem do tema pretendido.
A seguir, foi feita a seleção destes estudos considerando alguns descritores
de seleção, entre eles: ter sido publicado na modalidade artigo científico (original ou
revisão), idioma português, pesquisas qualitativas, tendo como tema principal
assuntos que fizessem ligação direta ou indireta dos critérios apresentados
anteriormente e que tenham sido publicados entre os anos de 2011 a 2017.
Após a busca, foram encontrados 10 artigos publicados em periódicos
aleatórios. Logo, foi feita a leitura destes artigos a fim de que se pudesse ter uma
compreensão mais abrangente sobre os temas encontrados e consequentemente
sobre o tema de estudo desta pesquisa. Este período metodológico foi necessário
para que fossem identificados, ainda, abordagem utilizada e aspectos metodológicos
de cada pesquisa utilizada por seus autores, assim como as ideias centrais de cada
estudo.
Dos dez artigos encontrados, cinco foram eliminados por não atenderem aos
critérios determinados para a realização desta revisão integrativa, entre eles, total
relação com o tema.
Desta forma, os trabalhos que serão analisados a seguir foram publicados
entre os anos de 2011 a 2017, pesquisas de cunho qualitativo, que, consideramos
serem mais aprofundados e utilizam metodologias que possibilitam o entendimento
sobre o tema e os contextos que compreendem as revisões de literatura e pesquisas
diretamente ligadas aos descritores álcool, família e saúde mental. Totalizando a
exclusão de cinco artigos dos dez selecionados.
A seguir, será apresentada a revisão integrativa destes artigos. Os resultados
foram interpretados com base na sumarização obtida, constituindo a quinta fase.
Esta, por sua vez, foi iniciada com vistas a identificar a temática central abordada no

36
estudo, verificando qual o objeto do estudo e sua relação aos temas álcool, família e
saúde mental.
4.2 RESULTADOS E DISCUSSÕES

A seguir, apresentaremos os resultados obtidos e a discussão para a


construção desta revisão integrativa que foi realizada a partir da seleção de cinco
artigos, já mencionados anteriormente. Sendo assim, optou-se por unir essas
etapas, identificando convergências entre os autores que serão apresentados a
seguir para facilitar a compreensão e interpretação dos estudos.
Logo, os artigos, autores e pesquisas descriminadas compreendem o
universo de atendimento sobre o contexto das pesquisas de acesso públicos sobre
os temas abordados e desenvolvidas sobre os critérios álcool, família e saúde
mental.
Por tanto, depois de implementada a metodologia aplicada à revisão
integrativa, descrita anteriormente, é possível sinalizar que os autores: Berenzon et
al (2011); Souza et al (2011); Andrade, Tarcísio (2011); Nascimento et al (2015);
Paula et al (2014) têm, entre seus objetivos de estudos ou questões problemas,
aspectos que, em algum ponto do estudo, determinem tanto a convergência entre os
resultados dos mesmos quanto aos objetivos, interesses e enfoques desta revisão
integrativa que são, em critérios de exclusão e inclusão, álcool, família e saúde
mental.
Pela ordem, seguindo as compreensões de cada autor, Berenzon et al (2011),
em sua pesquisa, com o tema: questões relacionadas ao gênero no diagnóstico e
classificação de transtornos por uso de álcool entre pacientes mexicanos que
buscam serviços especializados, tem por objetivo examinar o papel do gênero no
endosso dos sintomas incluídos tanto na Classificação Internacional de Doenças-10ª
Edição quanto no Manual Diagnóstico e Estatístico de Transtornos Mentais-4ª
Edição.
Souza et al (2011), em sua pesquisa: rede social do usuário de álcool, sob
tratamento, em um serviço de saúde mental, tem por objetivo: averiguar a presença
de usuários de drogas na rede social de indivíduos sob tratamento e as possíveis
intervenções do serviço de saúde mental, na rede social de quatro usuários de
álcool, no município de Alegrete, RS.
37
Andrade (2011), em sua pesquisa: reflexões sobre a Política de Drogas no
Brasil tem por objetivo trazer algumas reflexões sobre as políticas de drogas no
Brasil, desde os momentos iniciais do enfrentamento do HIV/AIDS entre os usuários
de drogas injetáveis.
Nascimento et al (2015), em sua pesquisa: relacionamento entre familiar e
usuário de álcool em tratamento em um centro de atenção psicossocial
especializado, tem por objetivo: identificar as atividades terapêuticas de um Centro
de Atenção Psicossocial, especificamente para os familiares, e analisar se os
cuidados oferecidos proporcionam benefícios para a relação entre o familiar e o
usuário de álcool.
Paula et al (2014), em sua pesquisa: usuários de crack em situações de
tratamento: experiências, significados e sentidos, tem por objetivo analisar os
significados, sentidos e experiências dos familiares relacionados ao usuário de crack
em situação de tratamento.
Seguindo a revisão integrativa, a seguir apresentaremos o primeiro descritor
pesquisado e os respectivos autores que convergem sobre seus entendimentos em
relação ao mesmo: álcool. Os artigos 1, 2, 3 e 4, dos respectivos autores: Berenzon
et al (2011); Souza et al (2011); Andrade (2011); Nascimento et al (2015); indicam
que:
Artigo 1: segundo Berenzon et al (2011):
O uso prejudicial tem geralmente – mas não invariavelmente –
consequências sociais adversas; no entanto, consequências sociais em si
não são suficientes para justificar um diagnóstico de uso prejudicial. Assim,
a definição de uso prejudicial na CID implica menor probabilidade de viés de
informação, uma vez que não se apoia em consequências sociais que
afetam o relato de prejuízos na ausência de dependência. (BERENZON et
al. 2011, p. 110).

Nesta pesquisa o autor conclui que sim, existe relação entre o uso abusivo do
álcool, a saúde mental e a família do usuário abusivo de álcool: “síndrome de
abstinência, falta de controle e problemas jurídicos foram mais frequentes nos
homens”. O autor indica ainda que existe uma relação direta e social entre as
mulheres e o uso abusivo de álcool, fazendo referência a seu papel na família: “as
mulheres apresentaram maiores taxas de tentativas de abandonar o álcool e
dificuldades para realizar atividades diárias. ” Berenzon et al (2011).

38
Artigo 2: segundo Souza et al (2011):

Tendo em vista que o serviço em saúde mental aos indivíduos com


problemas, decorrentes do uso de álcool ou outras drogas abordadas no
presente estudo, é de caráter público, destaca-se que, embora o SUS adote
como princípio a universalidade do acesso aos serviços de saúde, sem
qualquer distinção socioeconômica, é sabido que a maioria dos usuários
atendidos nos centros de atenção à saúde mental corresponde a grupos em
situação de vulnerabilidade social. (SOUZA et al, 2011, p. 6).

Nesta pesquisa, mais uma vez, é feita a relação direta entre álcool, família e
saúde mental: “Em tratamento, cujo objetivo último é a diminuição do uso de drogas,
todos esses recursos interacionais requer reestruturação. “O autor indica ainda,
assim como todos os autores desta revisão integrativa, que, em se tratando do uso
abusivo de álcool e relação família, exige-se o fortalecimento dos vínculos familiares,
“no caso da dependência, alguns vínculos necessariamente deverão ser rompidos”.
(Como as amizades e companheiros de uso), outros fortalecidos ou reatados (como
os vínculos familiares”. Souza et al (2011):
Artigo 3: segundo Andrade (2011):
A baixa cobertura da ESF é também um problema para os CAPS AD, uma
vez que compromete a essência da função para a qual estes Centros foram
concebidos, ou seja, prestar atendimento clínico em regime de atenção
diária, evitando as internações e ser o coordenador e articulador das ações
de saúde mental na atenção ao uso de álcool e outras drogas em um
determinado território17. Função esta que depende muito da articulação
com a ESF e da inclusão de ações de RD com base territorial. (ANDRADE
2011, p.4669).

Neste estudo, o autor sinaliza para os vínculos familiares, e institucionais, em


relação ao uso abusivo de álcool e saúde mental: “Trata-se de pessoas marcadas
pela falta de vínculos institucionais, a qual na maioria das vezes se origina já nos
momentos iniciais de sua existência no convívio com as famílias parentais
desestruturadas”. Andrade (2011).
Artigo 4: Nascimento et al (2015):
O alcoolismo, bem como o uso abusivo de outras drogas, tem sido descrito
como importante fator relacionado ao aumento da morbidade, mortalidade e
prejuízos interpessoais e disfunção familiar.1-7 A relação entre alcoolismo e
família é abordada principalmente sob duas perspectivas: a) os aspectos
genéticos, comportamentais e relacionais do ambiente familiar, como fator
de risco para o uso abusivo;1-3,5-6,8-14 b) o impacto do alcoolismo nas
relações familiares. (NASCIMENTO et al, 2015, p. 835).

39
Além da apresentação dos critérios em estudo, álcool, família e saúde mental,
Nascimento et al (2015) sinaliza para o papel do CAPS AD na construção dos
vínculos em usuários que fazem uso abusivo de álcool, sua relação com a saúde
mental destes usuários e a construção de vínculos institucionais e familiares: “CAPS
AD trouxe inúmeros benefícios para o relacionamento da família com o usuário. O
relacionamento anterior ao início do tratamento, que era marcado por instabilidade,
transforma-se gradativamente em uma relação marcada pelo respeito através do
autoconhecimento e autocontrole por parte do usuário”.
Artigo 5: Segundo Paula et al (2014):

A conduta dos pais também deve ser considerada na problemática de uso


de drogas pelos filhos, pois a família corresponde ao primeiro núcleo de
aprendizado e de conhecimentos, crenças e comportamentos que são
construídos, compartilhados e imitados no convívio social. No entanto, é
comum que as pessoas bebam em vários eventos familiares, como
casamentos, aniversários e nascimento de filhos. (PAULA et al, 2014, p.
120).

Neste sentindo, Paula et al (2014), cita Minayo e Deslandes (1998), ao indicar


que, em se tratando da relação entre álcool, família e saúde mental dos usuários
abusivos de álcool, as famílias: “em muitos eventos violentos, encontra-se alguma
associação com o uso de drogas ou álcool, porém, não se pode afirmar que essa
seja uma relação de causalidade”. “Desta forma, os autores indicam que além da
ideia de que substâncias ilegais e pobreza sejam os principais responsáveis por
eventos violentos em família”.
Desta forma, para além do que foi demonstrando nos resultados das
pesquisas nas citações acima, o que nós temos de convergente estre estes autores,
até então, faz referência sobre o foco principal desta revisão integrativa, as relações,
construções e singularidades entre os descritores utilizados nesta categorização
integrativa de resultados, álcool, família e saúde mental.

QUADRO 1 - Descrição dos estudos incluídos na revisão integrativa. Sobral Ceará,


2017.

40
QUADRO 2 - Descrição dos estudos incluídos seus resultados.

41
QUADRO 3 - Descrição dos estudos incluindo sua natureza metodológica.

A fim de colaborar com a melhor compreensão dos resultados, pesquisas


autores e resultados apresentados nesta revisão integrativa, a seguir serão
apresentados aspectos mais gerais de cada uma das categorias álcool, família e
saúde mental, critérios para a seleção dos artigos e pesquisas apresentados até
aqui.

42
4.3 ÁLCOOL

Sobre Álcool, alcoolismo e uso abusivo de álcool os autores apresentados


nos artigos: questões relacionadas ao gênero do diagnóstico e classificação de
transtornos por uso de álcool entre pacientes mexicanos que buscam serviços
especializados, os autores BERENZON et al (2011) sinalizam que:

O aumento da tolerância ao álcool pode não ser visto como problemático


por consumidores pesados quando buscam tratamento, particularmente
quando o tempo transcorrido entre o início do transtorno e o começo do
tratamento é longo. Além disso, a tolerância social com relação ao consumo
excessivo de álcool e as políticas locais também podem influenciar a
probabilidade da ocorrência de problemas relacionados ao uso de
substâncias. (BERENZON et al, 2011, p. 110).

Berenzon et al (2011) indicam que acima das questões referentes ao Álcool


está a sua relação com as questões de “gênero, uma das variáveis sociais mais
importantes na maioria das culturas”, porque o mesmo influencia ainda sobre “a
prevalência e o tipo de problemas relacionados ao álcool e suas consequências” que
podem ser estendidas ao mundo do trabalho, e meio social em que o usuário se
encontra.
Desta forma, e sobre o meio social a que o usuário está inserido,
considerando as compreensões, reflexões e impactos sobre o mundo do trabalho,
SOUZA et al (2011) indicam que:

A exclusão do mundo do trabalho é, de fato, situação de risco social que


tem se alastrado no contexto da globalização da economia e da pobreza. A
vulnerabilidade social decorrente dessa exclusão consiste num processo
circular que se dá a partir da impossibilidade de autoprovimento de
condições básicas, provocando o rompimento de laços sociais: familiares,
de amizade e outras relações comunitárias (9). (SOUZA et al, 2011, p. 6).

Com isso, vimos que a relação do uso abusivo de álcool perpassa as


questões de gênero, o mundo do trabalho e as relações sociais do indivíduo,
sinalizando para a atuação das políticas públicas como saída mais direta para as
consequências negativas do uso abusivo de álcool.
Sobre políticas públicas de cuidado aos usuários de álcool, Andrade (2011)
indica que:

Mesmo técnicos especializados, que em suas produções orais ou escritas


enfatizam que as drogas mais consumidas e que acarretam maiores
43
prejuízos à saúde são o álcool e o tabaco, vez por outra usam o termo
“álcool e drogas” e/ou na prática não dão a devida importância ao uso
destas duas drogas. Isto também se faz presente na lacuna existente nos
PRD no que diz respeito à atenção aos consumidores de álcool e tabaco.
(ANDRADE, 2011, p. 4671).

Desta forma, sobre a categoria álcool, o que o autor indica é que há uma
“certa” negligência, por parte das políticas públicas de descategorizar o álcool como
droga, a medida em que não dão a devida importância aos cuidados com o
consumidor, usuário, abusivo de álcool, influenciando muitas vezes nas relações
intrafamiliares, debatidas no próximo tópico.

4.4 FAMÍLIA E SAÚDE MENTAL


Sobre família, relações familiares e influência da família sobre o uso abusivo
de Álcool, os autores apresentados no artigo: relacionamento familiar e usuários de
álcool em tratamento em um centro de atenção psicossocial especializado
apresentam questões relacionadas à influência que a família exerce sobre aquele
que está em tratamento. Os autores Nascimento et al (2015) sinalizam que:

A primeira perspectiva postula que famílias com padrões de comunicação


deficiente, que não promovem apoio aos seus membros, vulneráveis em
relação à moradia, trabalho e renda, bem como situações de negligência,
violência doméstica e uso de drogas por um dos membros proporcionam um
ambiente suscetível à dependência de substâncias. Grande parte dos
estudos tem priorizado a primeira perspectiva, isto é, a influência familiar no
desenvolvimento da dependência de drogas. Os pesquisadores que adotam
essa abordagem têm produzido um corpo de evidências que recomendam a
melhoria do ambiente familiar como estratégia de prevenção da
dependência. (NASCIMENTO et al, 2015, p. 835).

Percebemos então o papel da família como principal influenciador da conduta


do homem, estando em tratamento ou não. Desta forma, é primordial para este
estudo destacar que para além da influência da família está o meio social em que
esta se enquadra, considerando, de acordo com os autores acima, seus membros
vulneráveis, o trabalho e a renda dos mesmos, assim como o nível educacional,
como fatores que compreendem o meio social em que a família está inserida. E é
neste meio que se implementam as atividades do Centro de Atenção Psicossocial
Álcool e Drogas.

Considerando que o uso nocivo do álcool pode gerar alterações nas


relações interpessoais entre o indivíduo e a sociedade e que a assistência
oferecida pelo CAPS AD deve contemplar as famílias, entende-se que a
44
melhoria das relações deste usuário no contexto familiar pode ser um
importante indicador de resultado das práticas dos serviços de saúde
mental, nos moldes dos CAPS AD. (NASCIMENTO et al, 2015, p. 835).

Neste ponto não é mais possível desvincular as condições sociais em que a


família está inserida e muito menos a influência que exerce sobre o usuário em
tratamento, em busca da sua saúde física e mental, tendo em vista que a estas se
relacionam também o indivíduo e a sociedade que se contemplam com o trabalho
desenvolvido pelos CAPS AD.
De acordo com Azevedo e Miranda (2010):

O CAPS AD representa a principal estratégia de atenção à saúde


relacionada ao consumo de substâncias e utiliza estratégias de redução de
danos enquanto ferramentas nas ações de prevenção e promoção da
saúde. Dessa forma, o CAPS AD é um serviço substitutivo, de acordo com
os princípios da Reforma Psiquiátrica, os quais preconizam que o
tratamento para dependência química seja feito preferencialmente em meio
aberto e seja articulado à rede de saúde mental, enfatizando a reabilitação e
reinserção social dos usuários (AZEVEDO; MIRANDA, 2010 apud PAULA et
al, 2014, p. 121).

Consideramos as ações do Centro de Atenção Psicossocial Álcool e Drogas


como principal ponto de interseção entre uso abusivo de álcool, a família e suas
relações e a saúde mental do indivíduo, porque é por meio dos CAPS AD que se
constrói controle sobre a situação, estabiliza-se ou recupera-se o vínculo entre
família e usuário.

45
5. CONSIDERAÇÕES FINAIS

Com todos os autores citados nesta revisão integrativa, sentidos e


significados atribuídos pelos familiares aos usuários, podem sim ter relação com
recaídas tanto quando falamos de fragilidade dos vínculos quanto em relação ao uso
abusivo do álcool. Podemos perceber também que antes de frequentar o CAPS AD,
os familiares, geralmente, possuem sentidos e significados negativos em relação ao
usuário, o que dificulta o relacionamento familiar. E aí está o ponto em que também
considero muito importante de tentarmos compreender o papel do assistente social
neste processo que se inicia muito antes do usuário chegar até o CAPS AD, as
condições familiares, citadas anteriormente, não que eu acredite que dinheiro é tudo
nesta vida, mas considero que parte do sofrimento em que as famílias se descobrem
estão relacionados à falta de condições dignas de tratamento e de vida.
No entanto, quando a família passa a receber intervenções de programas e
projetos ligados aos serviços de atenção psicossocial, muitos dos seus significados,
atribuídos ao usuário abusivo de álcool, podem mudar e, consequentemente,
modificam a forma como está se relaciona com “o problema”, assim como se
constroem expectativas sobre a mudança, que possuem em relação ao tratamento
deste usuário, contribuindo para um relacionamento familiar mais saudável e, em
seguida, a uma saúde mental familiar de maior qualidade, porque é a partir daí que
se constrói um ambiente de suporte ao usuário, que tanto favorece a busca pela
permanência em tratamento como o significado que este tem em sociedade.
Desta forma, considera-se que em meio ao processo de tratamento, às
relações com o uso abusivo do álcool e às relações familiares, é importante que os
sentidos e significados dos familiares em relação ao usuário sejam levados em
consideração nas intervenções direcionadas às famílias daqueles que estão em
tratamento no serviço de saúde.
Como assistente social em formação, foi perceptível que o CAPS AD trouxe
inúmeros benefícios para o relacionamento da família com o usuário. O
relacionamento anterior ao início do tratamento, que era marcado por instabilidade,
transforma-se gradativamente em uma relação marcada pelo respeito através do
autoconhecimento e autocontrole por parte do usuário.

46
6. REFERÊNCIAS

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